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PNAN: Diretrizes para Alimentação Saudável

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Regiões geográficas e identidade alimentar:

• Norte: farinha de mandioca, açaí e peixe fresco.


• Nordeste: ovos e biscoitos salgados.
• Centro-Oeste: arroz, feijão, carne bovina e leite.
• Sudeste e Sul: pão francês, massas, batata inglesa, queijos, iogurtes e refrigerantes.

PNAN POLITICA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

Alimentação como um fator condicionante e determinante da saúde e que as ações de alimentação e nutrição devem ser
desempenhadas de forma transversal às ações de saúde, em caráter complementar e com formulação, execução e avaliação
dentro das atividades e responsabilidades do sistema de saúde.

Propósito: A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) tem como propósito a melhoria das condições de
alimentação, nutrição e saúde da população brasileira, mediante a promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis,
a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição.

Princípios:

A PNAN tem por pressupostos os direitos à Saúde e à Alimentação e é orientada pelos princípios doutrinários e organizativos
do Sistema Único de Saúde (universalidade, integralidade, equidade, descentralização, regionalização e hierarquização e
participação popular), aos quais se somam os princípios a seguir:

A Alimentação como elemento de humanização das práticas de saúde: a alimentação expressa as relações sociais, valores e
história do indivíduo e dos grupos populacionais e tem implicações diretas na saúde e na qualidade de vida. Valorização do ser
humano.

O respeito à diversidade e à cultura alimentar: : a alimentação brasileira, com suas particularidades regionais, é a síntese do
processo histórico de intercâmbio cultural, entre as matrizes indígena, portuguesa e africana, Reconhecer, respeitar,
preservar, resgatar e difundir a riqueza incomensurável de alimentos e práticas alimentares, Respeito pelas diferenças.

O fortalecimento da autonomia dos indivíduos: o fortalecimento ou ampliação dos graus de autonomia para as escolhas e
práticas alimentares implica, por um lado, um aumento da capacidade de interpretação e análise do sujeito sobre si e sobre o
mundo e, por outro, a capacidade de fazer escolhas, governar e produzir a própria vida. conhecer as várias perspectivas, poder
experimentar, decidir, reorientar, ampliar os objetos de investimento relacionados ao comer e poder contar com pessoas
nessas escolhas e movimentos. Há uma linha tênue entre dano e prazer que deve ser continuamente analisada, pois leva os
profissionais de saúde, frequentemente, a se colocarem nos extremos da omissão e do governo exacerbado dos outros.
informação sobre alimentação e nutrição e de apoio aos indivíduos e coletividades na decisão por práticas promotoras da
saúde.

A determinação social e a natureza interdisciplinar e intersetorial da alimentação e nutrição: o conhecimento das


determinações socioeconômicas e culturais da alimentação e nutrição dos indivíduos e coletividades contribui para a
construção de formas de acesso a uma alimentação adequada e saudável, colaborando com a mudança do modelo de
produção e consumo de alimentos que determinam o atual perfil epidemiológico.

A segurança alimentar e nutricional com soberania: a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) é estabelecida no Brasil como a
realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem
comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que
respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

A Soberania Alimentar se refere ao direito dos povos de decidir seu próprio sistema alimentar e de produzir alimentos
saudáveis e culturalmente adequados, acessíveis, de forma sustentável e ecológica, colocando aqueles que produzem,
distribuem e consomem alimentos no coração dos sistemas e políticas alimentares, acima das exigências de mercado.

DIRETRIZES

São linhas de ações para o alcance do seu propósito, capazes de modificar os determinantes de saúde e promover a saúde da
população.

1. Organização da Atenção Nutricional:

a atenção nutricional compreende os cuidados relativos à alimentação e nutrição voltados à promoção e proteção da saúde,
prevenção, diagnóstico e tratamento de agravos, devendo estar associados às demais ações de atenção à saúde do SUS, para
indivíduos, famílias e comunidades, contribuindo para a conformação de uma rede integrada, resolutiva e humanizada de
cuidados. Tem como sujeitos os indivíduos, a família e a comunidade. Os indivíduos apresentam características específicas e
entre os elementos de sua diversidade está a fase do curso da vida em que se encontram, além da influência da família e da
comunidade em que vivem. As famílias e comunidades devem ser entendidas como “sujeitos coletivos” que têm
características, dinâmicas, formas de organização e necessidades distintas. A atenção nutricional deve fazer parte do cuidado
integral na Rede de Atenção à Saúde (RAS), tendo a Atenção Básica como coordenadora do cuidado e ordenadora da rede.

-Na RAS deverá ser iniciado pelo diagnóstico da situação alimentar e nutricional da população adscrita aos serviços e equipes
de Atenção Básica.

A vigilância alimentar e nutricional possibilitará a constante avaliação e organização da atenção nutricional no SUS,
identificando prioridades de acordo com o perfil alimentar e nutricional da população assistida.

Para este diagnóstico deverão ser utilizados o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) e outros sistemas de
informação em saúde para identificar indivíduos ou grupos que apresentem agravos e riscos para saúde, relacionados ao
estado nutricional e ao consumo alimentar.

são prioritárias as ações preventivas e de tratamento da obesidade, da desnutrição, das carências nutricionais específicas e de
doenças crônicas não transmissíveis, relacionadas a alimentação e nutrição

Embora a Atenção Básica seja a porta preferencial de entrada dos usuários no sistema de saúde, as demandas para a atenção
nutricional podem ser identificadas em outros pontos da Rede de Atenção à Saúde. Dessa forma, a atenção nutricional nos
demais pontos de atenção à saúde também deve ser realizada dentro de uma rede integrada de cuidados de forma transversal

2. Promoção da Alimentação Adequada e Saudável: A PAAS é aqui compreendida como um conjunto de estratégias que
proporcionem aos indivíduos e coletividades a realização de práticas alimentares apropriadas aos seus aspectos biológicos e
socioculturais, bem como ao uso sustentável do meio ambiente.

focadas em (i) políticas públicas saudáveis; (ii) criação de ambientes favoráveis à saúde nos quais indivíduo e comunidades
possam exercer o comportamento saudável; (iii) o reforço da ação comunitária; (iv) o desenvolvimento de habilidades
pessoais por meio de processos participativos e permanentes e (v) a reorientação dos serviços na perspectiva da promoção da
saúde.

a PAAS objetiva a melhora da qualidade de vida da população, por meio de ações intersetoriais, voltadas ao coletivo, aos
indivíduos e aos ambientes (físico, social, político, econômico e cultural), de caráter amplo e que possam responder às
necessidades de saúde da população, contribuindo para a redução da prevalência do sobrepeso e obesidade e das doenças
crônicas associadas e outras relacionadas à alimentação e nutrição.

envolve a educação alimentar e nutricional que se soma às estratégias de regulação de alimentos - envolvendo rotulagem e
informação, publicidade e melhoria do perfil nutricional dos alimentos - e ao incentivo à criação de ambientes institucionais
promotores de alimentação adequada e saudável, incidindo sobre a oferta de alimentos saudáveis nas escolas e nos
ambientes de trabalho.

Alimentação adequada e saudável a prática alimentar apropriada aos aspectos biológicos e socioculturais dos indivíduos, bem
como ao uso sustentável do meio ambiente. Deve estar em acordo com as necessidades de cada fase do curso da vida e com
as necessidades alimentares especiais; referenciada pela cultura alimentar e pelas dimensões de gênero, raça e etnia;
acessível do ponto de vista físico e financeiro; harmônica em quantidade e qualidade; baseada em práticas produtivas
adequadas e sustentáveis com quantidades mínimas de contaminantes físicos, químicos e biológicos.

3. Vigilância Alimentar e Nutricional: consiste na descrição contínua e na predição de tendências das condições de alimentação
e nutrição da população e seus fatores determinantes. Fornece dados: Deverá fornecer dados desagregados para os distintos
âmbitos geográficos, categorias de gênero, idade, raça/etnia, populações específicas (como indígenas e povos e comunidades
tradicionais) e outras de interesse para um amplo entendimento da diversidade e dinâmicas nutricional e alimentar da
população brasileira.

O Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), operado a partir da Atenção Básica à Saúde, tem como objetivo
principal monitorar o padrão alimentar e o estado nutricional dos indivíduos atendidos pelo SUS, em todas as fases do curso
da vida.

4. Gestão das Ações de Alimentação e Nutrição:


A PNAN, além de se constituir como uma referência política e normativa para a realização dos direitos à alimentação e à
saúde, representa uma estratégia que articula dois sistemas: o Sistema Único de Saúde, seu lócus institucional, e o Sistema de
Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), espaço de articulação e coordenação intersetorial. • Natureza transversal às
demais políticas de saúde e caráter eminentemente intersetorial e relação interfederativa.

Financiamento tripartite.

5. Participação e Controle Social;

Comissão Intersetorial de Alimentação e Nutrição é uma das comissões do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e tem objetivo
de: acompanhar, propor e avaliar a operacionalização das diretrizes e prioridades da PNAN e promover a articulação e a
complementaridade de políticas, programas e ações de interesse da saúde, cujas execuções envolvem áreas não
compreendidas no âmbito específico do SUS

A participação social deve estar presente nos processos cotidianos do SUS, sendo transversal ao conjunto de seus princípios e
diretrizes. Assim, deve ser reconhecido e apoiado o protagonismo da população na luta pelos seus direitos à saúde e à
alimentação por meio da criação e fortalecimento de espaços de escuta da sociedade, de participação popular na solução de
demandas e de promoção da inclusão social de populações específicas.

6. Qualificação da Força de Trabalho:

qualificação dos profissionais em consonância com as necessidades de saúde, alimentação e nutrição da população, sendo
estratégico considerar o processo de trabalho em saúde como eixo estruturante para a organização da formação da força de
trabalho.

desenvolver e fortalecer mecanismos técnicos e estratégias organizacionais de qualificação da força de trabalho para gestão e
atenção nutricional, de valorização dos profissionais de saúde, com o estímulo e viabilização da formação e da educação
permanente, da garantia de direitos trabalhistas e previdenciários, da qualificação dos vínculos de trabalho e da implantação
de carreiras que associem desenvolvimento do trabalhador com qualificação dos serviços ofertados aos usuários.A
qualificação dos gestores e de todos os trabalhadores de saúde para implementação de políticas, programas e ações de
alimentação e nutrição voltados à atenção e vigilância alimentar e nutricional

• Qualificação da força de trabalho:

– Educação permanente em saúde como estratégia para qualificar as práticas de cuidado, gestão e participação popular; –
Articulações de gestores com instituições formadoras; – Centros Colaboradores de Alimentação e Nutrição (CECAN): parceiros
das instituições públicas de ensino e pesquisa; – Cursos de graduação e pós-graduação em nutrição; – Parcerias com
Universidades.

Educação permanente em saúde é a principal estratégia para qualificar as práticas de cuidado, gestão e participação popular.

7. Controle e Regulação dos Alimentos;

O planejamento das ações que garantam a inocuidade e a qualidade nutricional dos alimentos, controlando e prevenindo
riscos à saúde, se faz presente na agenda da promoção da alimentação adequada e saudável e da proteção à saúde.

O planejamento das ações que garantam a inocuidade e a qualidade nutricional dos alimentos, controlando e prevenindo
riscos à saúde, se faz presente na agenda da promoção da alimentação adequada e saudável e da proteção à saúde. A
preocupação em ofertar o alimento saudável e com garantia de qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica.

a segurança sanitária busca a proteção da saúde humana, considerando as mudanças ocorridas na cadeia de produção até o
consumo dos alimentos, nos padrões socioculturais decorrentes da globalização e as adaptações ao modo de produção de
alimentos em escala internacional

As medidas sanitárias adotadas para alimentos se baseiam na análise de risco, considerando-se o risco como a probabilidade
de um efeito adverso à saúde em consequência de um perigo físico, químico ou biológico com o potencial de causar esse
efeito adverso à saúde.

A rotulagem nutricional dos alimentos constitui-se em instrumento central no aperfeiçoamento do direito à informação.

8. Pesquisa, Inovação e Conhecimento em Alimentação e Nutrição;

O desenvolvimento do conhecimento e o apoio à pesquisa, à inovação e à tecnologia, no campo da alimentação e nutrição em


saúde coletiva, possibilitam a geração de evidências e instrumentos necessários para implementação da PNAN.
situação alimentar e nutricional, o Brasil conta, atualmente, com os sistemas de informação de saúde e, em especial, o
SISVAN,

É fundamental manter e fomentar investimentos em pesquisas de delineamento e avaliação de novas intervenções e de


avaliação de programas e ações propostos pela PNAN, para que os gestores disponham de uma base sólida de evidências que
apoiem o planejamento e a decisão para a atenção nutricional no SUS.

manter atualizada uma agenda de prioridades de pesquisas em alimentação e nutrição de interesse nacional e regional

é importante a ampliação do apoio técnico, científico e financeiro às linhas de investigação aliadas às demandas dos serviços
de saúde, que desenvolvam metodologias e instrumentos aplicados à gestão, execução, monitoramento e avaliação das ações
relacionadas à PNAN.

Os Centros Colaboradores em Alimentação e Nutrição (CECAN) constituem-se em uma rede colaborativa interinstitucional de
cooperação técnico-científica, que deve ser aprimorada e fortalecida à medida que produzem evidências que contribuem para
o fortalecimento da gestão e atenção nutricional na Rede de Atenção à Saúde do SUS.

9. Cooperação e articulação para a Segurança Alimentar e Nutricional.

A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a
alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como
base: práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural,
econômica e socialmente sustentáveis. Esse conceito congrega questões relativas à produção e disponibilidade de alimentos
(suficiência, estabilidade, autonomia e sustentabilidade) e à preocupação com a promoção da saúde, interligando os dois
enfoques que nortearam a construção do conceito de SAN no Brasil: o socioeconômico e o de saúde e nutrição.

A intersetorialidade permite o estabelecimento de espaços compartilhados de decisões entre instituições e diferentes setores
do governo que atuam na produção da saúde e da SAN na formulação, implementação e acompanhamento de políticas
públicas que possam ter impacto positivo sobre a saúde da população. Assim, a PNAN deve interagir com a Política Nacional
de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) e outras políticas de desenvolvimento econômico e social, ocupando papel
importante na estratégia de desenvolvimento das políticas de SAN, principalmente em aspectos relacionados ao diagnóstico e
vigilância da situação alimentar e nutricional e à promoção da alimentação adequada e saudável.

A articulação e cooperação entre o SUS e Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) proporcionará o
fortalecimento das ações de alimentação e nutrição na Rede de Atenção à Saúde, de modo articulado às demais ações de SAN
com vistas ao enfrentamento da insegurança alimentar e nutricional e dos agravos em saúde, na ótica de seus determinantes
sociais.

Responsabilidades institucionais PNAN:

Ministério da Saúde:
– Elaborar o plano de ação para implementação da PNAN articulado com o PNS;
– Pactuar, na Comissão Intergestores Tripartite, prioridades, objetivos, estratégias e metas para implementação de programas
e ações;
– Garantir fontes de recursos federais para compor o financiamento de programas e ações de alimentação e nutrição nos
Estados, DF e Municípios;
– Avaliar e monitorar as metas nacionais de A e N para o setor saúde, de acordo com a situação epidemiológica e nutricional e
as especificidades regionais;
– Prestar assessoria técnica e apoio institucional;
– Apoiar a articulação de instituições + SES, SMS e SESDF para capacitação e educação permanente dos profissionais.

Ministério da Saúde:
– Prestar assessoria técnica aos estados, DF e municípios na implantação dos sistemas de informação relacionados;
– Apoiar a organização de uma rede de Centros Colaboradores em alimentação e nutrição;
– Apoiar e fomentar a realização de pesquisas estratégicas, mantendo agenda de prioridades atualizada;
– Promover a articulação intersetorial e interinstitucional (PNAN – SUS – SISAN);
– Estimular e apoiar discussões sobre as ações e programas com participação da sociedade;
– Viabilizar e estabelecer parcerias com organismos internacionais, organizações governamentais e não governamentais e com
o setor privado.

– Secretarias Estaduais de Saúde e da SESDF:


– Implementar a PNAN, no seu território, respeitando diretrizes e adequações;
– Pactuar na Comissão Intergestores Bipartite prioridades, objetivos, estratégias e metas para implementação de programas e
ações;
– Elaborar o plano de ação para implementação da PNAN articulado com o PES;
– Destinar recursos estaduais para compor o financiamento tripartite;
– Prestar assessoria técnica e apoio institucional aos municípios e às regionais;
– Promover a articulação intersetorial e interinstitucional (PNAN – SUS – SISAN);
– Desenvolver capacitação e educação permanente dos trabalhadores da saúde;
– Promover, no âmbito de sua competência, a articulação intersetorial e interinstitucional necessária à implementação das
diretrizes da PNAN e à articulação do SUS com o SISAN na esfera estadual;
– Viabilizar e estabelecer parcerias com organismos internacionais, organizações governamentais e não governamentais e
com o setor privado.

Obs: o Ministério da Saúde realiza a formulação, enquanto as secretarias estaduais de saúde implementam as políticas

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