0% acharam este documento útil (0 voto)
265 visualizações133 páginas

Módulo de Psicopedagogia para Professores

Enviado por

Calvino Bernardo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
265 visualizações133 páginas

Módulo de Psicopedagogia para Professores

Enviado por

Calvino Bernardo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Módulo de Psicopedagogia

Formação de Professores do Ensino Primário


Elaborado por: Carlos Manhiça, Luís Tumbo e Rosalina Jorge

“Construindo competências profissionais para um ensino de qualidade”

INDE
INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

Testagem 2012

1
MÓDULO DE PSICOPEDAGOGIA

Duração do Módulo: 60 HORAS


Bloco 2

2
Índice
1. Introdução ao Módulo..............................................................................................................6
2. Competências a Desenvolver no Módulo:................................................................................7
3. Resultados de aprendizagem do módulo:.................................................................................7
4. Visão Geral dos Temas do Módulo..........................................................................................8
2. Unidade Temática I: A Educação e sua História em Moçambique..........................................9
2.1. Introdução da Unidade Temática:.....................................................................................9
2.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática...................................................................9
2.3. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................10
2.3.1. Conceito de Educação.............................................................................................10
2.3.2. Finalidades da Educação.........................................................................................10
2.3.3. Tipos e Modalidades da Educação..........................................................................12
2.3.4. Importância da Educação no Desenvolvimento Humano........................................13
2.3.5. Impacto da Educação no Desenvolvimento Humano..............................................16
2.3.6. Breve História da Educação em Moçambique.........................................................17
2.4. Actividades:....................................................................................................................21
2.5. Autoavaliação.................................................................................................................22
2.6. Chave de Correcção........................................................................................................22
2.7. Bibliografia Complementar............................................................................................23
3. Unidade Temática II. Introdução à Psicopedagogia...............................................................24
3.1. Introdução da Unidade Temática:...................................................................................24
3.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática.................................................................24
3.3. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................25
3.3.1. Conceito de Psicopedagogia....................................................................................25
3.3.2. Técnicas de Pesquisa em Psicopedagogia...............................................................26
3.3.3. Procedimentos Éticos na Recolha de Informação em Psicopedagogia...................28
3.3.4. Contribuições da Psicologia no Estudo da Aprendizagem Humana.......................28
3.3.6. Os Processos de Ensinar e Aprender.......................................................................29
3.3.7. O Papel da Psicopedagogia no Processo de Inclusão Escolar.................................29
3.3.8. Sumário....................................................................................................................32

3
3.4. Actividades.....................................................................................................................33
3.5. Autoavaliação.................................................................................................................34
3.6. Chave de Correcção........................................................................................................34
3.7. Bibliografia Complementar............................................................................................34
4. Unidade Temática III. Noções de Desenvolvimento e de Aprendizagem Humanos.............35
4.1. Introdução da Unidade Temática....................................................................................35
4.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática.................................................................35
4.3. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................36
3.2. Actividades:....................................................................................................................77
3.3. Autoavaliação.................................................................................................................78
3.4. Chave de Correcção........................................................................................................78
3.5. Bibliografia Complementar............................................................................................79
5. Unidade Temática IV: Métodos e Estratégias de Ensino e Aprendizagem............................80
5.1. Introdução da Unidade Temática....................................................................................80
4.1. Evidências Requeridas da Unidade Temática.................................................................81
4.2. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................81
4.3. Actividades:..................................................................................................................108
4.4. Autoavaliação...............................................................................................................108
4.5. Chave de Correcção......................................................................................................109
6. Unidade Temática V: Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem.........................111
5.1. Introdução da Unidade Temática:.................................................................................111
5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática...............................................................111
5.3. Recursos de Aprendizagem...........................................................................................111
5.3.1. Recursos Didácticos..............................................................................................111
5.3.2. A Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem.............................................113
5.3.3. O Plano de Aula.....................................................................................................118
5.4. Actividades:..................................................................................................................121
5.5. Autoavaliação...............................................................................................................122
5.6. Chave de Correcção......................................................................................................122
5.7. Bibliografia Complementar..........................................................................................122

4
7. Unidade Temática VI: Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem...........................123
7.1. Introdução da Unidade Temática:.....................................................................................123
7.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática...............................................................123
7.3. Recursos de Aprendizagem...........................................................................................123
7.3.1. Conceito de Avaliação...........................................................................................123
7.3.2. Características da Avaliação..................................................................................123
7.3.3. Objectivos da Avaliação........................................................................................124
7.3.4. O Processo da Avaliação.......................................................................................124
7.3.5. Resultados da Avaliação........................................................................................125
7.3.6. Níveis de Avaliação das Competências Curriculares dos Alunos.........................125
7.3.8. Técnicas de Avaliação...........................................................................................127
7.3.9. Função da Avaliação Contínua..............................................................................127
7.3.10. Instrumentos de Registo da Avaliação..................................................................128
7.3.11. Relação entre Aprendizagem e Avaliação.............................................................128
7.4. Actividades:..................................................................................................................130
7.5. Autoavaliação...............................................................................................................130
6.5. Chave de Correcção..........................................................................................................131
7.6. Bibliografia Complementar..........................................................................................131

5
1. Introdução ao Módulo
A Psicopedagogia é uma das disciplinas do curso, desenhado, para a formação de professores
primários. O curso, com a duração de três (3) anos, garante a formação académica e profissional
(formação psicopedagógica) do formando. A Psicopedagogia fornece ao futuro professor, os
princípios e técnicas que lhe permitem compreender e intervir eficazmente no processo de Ensino-
Aprendizagem e a capacidade de avaliar os resultados das actividades dos alunos, bem como da
responsabilidade da escola e dos pais e encarregados de educação. No conjunto com outras áreas
curriculares (outras disciplinas), a Psicopedagogia contribui na formação da personalidade do
formando de modo que esteja em altura de responder às exigências sócio-morais duma sociedade
caracterizada por conflitos de valores, resultantes das mudanças políticas, económicas e tecnológicas,
num mundo cada vez mais globalizado.
Na formação de professores, a Psicopedagogia apoia-se em abordagens psicológicas que requerem
práticas pedagógicas construtivista-humanistas inclusivas, onde a produção de conhecimentos pelo
aluno será orientada ao longo do seu desenvolvimento pessoal, na escola, respeitando as suas
diferenças cognitivas, afectivas, étnico-linguísticas, físico-motoras, entre outras. Assim, o Módulo de
Psicopedagogia tem a finalidade de dotar o futuro professor primário de conhecimentos, princípios,
estratégias e metodologias dentro do quadro evolutivo do Sistema Nacional de Educação orientadas
para o ensino.

Para tornar os conteúdos de formação relevantes e significativos, exigir-se-á que o candidato a


professor adquira competências específicas para aplicar o currículo nacional, ajustando-o ao contexto
cultural local e adaptado às necessidades de aprendizagem de cada um e de todos os alunos. A
condução do processo de Ensino-Aprendizagem pelo professor deverá estar assente num plano de
aulas concebido em função das normas didáctico-pedagógicas e administrativo-organizacionais
estabelecidas nos Programas de Ensino, favoráveis a uma prática avaliativa sistémica (diagnóstica,
formativa, sumativa) das competências curriculares dos alunos. O processo de avaliação do
desempenho escolar do aluno requererá do professor a construção duma relação empática com o
próprio aluno e demais membros da comunidade escolar.
O presente módulo não deve ser visto como único instrumento que esgota e esclarece todas as
situações do processo de Ensino-Aprendizagem. Ele é um meio que estimula a formação e
desenvolvimento de habilidades de melhor ensinar de modo dinâmico e interactivo.
O módulo não deve servir apenas para o período de formação como matéria de estudo, mas um
documento de consulta durante o exercício da carreira docente. Para o efeito o formando deve ter
desenvolvido as seguintes competências gerais e específicas:

6
2. Competências a Desenvolver no Módulo:
O Módulo de Psicopedagogia provém do Plano Curricular do Curso de Formação de Professores
Primários e são operacionalizadas em todas as áreas curriculares, sendo as seguintes:
1) Promove o espírito patriótico e de cidadania, regras de convivência democrática e valores
universais;
2) Comunica adequadamente em vários contextos;
3) Age de acordo com os princípios éticos e deontológicos associados à profissão do professor;
4) Demonstra os conhecimentos científicos do Ensino Primário;
5) Demonstra domínio dos conhecimentos das Ciências de Educação relacionadas com o Ensino
Primário;
6) Promove o auto-desenvolvimento profissional e envolver-se no trabalho cooperativo,
colaborativo e articulado;
7) Planifica o processo de Ensino-Aprendizagem;
8) Medeia o processo de Ensino-Aprendizagem;
9) Avalia as necessidades, interesses e progressos dos alunos, adaptando o processo de Ensino-
Aprendizagem à sua individualidade e ao contexto;
10) Desenvolve estratégias e recursos didácticos estimulantes de sucesso para situações concretas
de aprendizagem.

3. Resultados de aprendizagem do módulo:


Como resultados de aprendizagem do módulo, o formando:
1) Define Psicopedagogia, Educação, Aprendizagem e Ensino e relaciona as diferentes etapas da
evolução da Educação em Moçambique;
2) Orienta o processo de Ensino-Aprendizagem centrado no aluno, tendo em conta as suas
especificidades relacionadas com as etapas e características de desenvolvimento pessoal, os
ritmos, potencialidades e Necessidades Educativas Especiais;
3) Gere uma turma considerando a heterogeneidade dos seus alunos, a natureza e alcance dos
conteúdos curriculares, os recursos didácticos apropriados e os seus tamanho e composição
(numerosa e mista, respectivamente);
4) Elabora planos de aulas de forma criativa e metódica;
5) Aplica planos de aulas de forma comprometida e flexível, obedecendo os padrões estabelecidos
nos programas de ensino;
6) Avalia as competências curriculares dos alunos de modo a poder satisfazer, individual e
colectivamente, as suas necessidades de inserção, progressão e sucesso escolares;

7
7) Relaciona-se com os seus alunos e demais membros da comunidade escolar guiando-se pelos
princípios éticos e humanísticos exigidos pela profissão docente.

4. Visão Geral dos Temas do Módulo

Horas
Nº Unidade Temática Conteúdos
(Contacto directo)
1. Conceito de Educação.
2. Finalidades da Educação.
3. Tipos e Modalidaddes da Educação.
4. Importância da Educação no
A Educação e sua História em
I Desenvolvimento Humano 06
Moçambique
5. Impacto da Educação no Desenvolvimento
Humano.
6. Breve História da Educação em
Moçambique
1. Conceito de Psicopedagogia
2. Técnicas de Pesquisa em Psicopedagogia.
3. Procedimentos Éticos na Recolha de
Informação em Psicopedagogia.
4. Contribuições da Psicologia no Estudo da
Aprendizagem Humana.
II Introdução à Psicopedagogia 10
5. Contribuições da Pedagogia no Estudo da
Aprendizagem Humana
6. Os Processos de Ensinar e Aprender na
Educação da Criança
7. O Papel da Psicopedagogia no Processo de
Inclusão Escolar.
1. O Desenvolvimento Humano.
Noções de Desenvolvimento e
III 2. A Aprendizagem Humana. 12
de Aprendizagem Humanos
3. As Necessidaddes Educativas Especiais.
1. Métodos de Ensino
Métodos e Estratégias de 2. Estratégias de Ensino e Aprendizagem
IV 12
Ensino e Aprendizagem 3. Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e
Aprendizagem
1. Recursos Didácticos
Planificação do Processo de 2. Planificação do Processo de Ensino-
V 12
Ensino-Aprendizagem Aprendizagem
3. O Plano de Aula.
1. Conceito de Avaliação.
2. O Processo da Avaliação.
3. Os Resultados da Avaliação
Avaliação do Processo de
VI 4. Níveis da Avaliação 08
Ensino Aprendizagem
5. Tipos de Avaliação
6. Técnicas de Avaliação.
7. Relação entre Aprendizagem e Avaliação
Total 60

8
1. Unidade Temática I: A Educação e sua História em Moçambique

Duração da Unidade: 06 Horas

1.1. Introdução da Unidade Temática:

A educação na perspectiva deste capítulo é abordada como sendo o veículo impulsionador das actuais
relações humanas, determinadas pelas mudanças tecnológicas, políticas, económicas e ambientais
que se registam em cada país.

As novas realidades nacional e mundial impõem aos governos a reformulação dos seus sistemas
educativos para que o homem se mantenha proativo num contexto em que ele é, ao mesmo tempo,
sujeito e actor de mudanças.

Neste capítulo a educação é abordada em duas partes. Na primeira é feita sua descrição conceitual no
processo de desenvolvimento humano. Nesta linha são apresentadas as suas finalidades visando
incentivar a aprendizagem de cada pessoa ao longo de toda vida através do aprender: a conhecer a
fazer, a conviver e a ser. Os carácteres intencional e não-intencional da educação são abordados a
partir das suas modalidades formal, não-formal e informal. Por outro lado, faz-se uma descrição da
importância dela, em especial da fundamental, para a satisfação das necessidades básicas de
aprendizagem das crianças, jovens e adultos. Depois, discute-se a importância da educação
demonstrando-se as perdas e os ganhos que ela proporciona no desenvolvimento humano em
comunidades que não usufruem dela e que da mesma se beneficiam, respectivamente.
Em segundo plano é feita uma breve descrição da História da Educação em Moçambique partindo-se
de uma perspectiva tradicional para a hodierna

1.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática

No final do estudo desta Unidade Temática, o formando:

a) Apresenta um resumo escrito sobre o conceito, tipos e modalidades de Educação;


b) Apresenta um resumo sobre o desenvolvimento da Educação em Moçambique;
c) Apresenta um resumo sobre a organização do sistema do ensino em Moçambique.

9
1.3. Recursos de Aprendizagem

1.3.1. Conceito de Educação

No Dicionário Aurélio Século XXI, a palavra “educação” é definida como sendo o processo de
desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e morais do ser humano visando a sua
integração social. Necessariamente, este processo ocorre num contexto sociocultural específico, no
qual, o indivíduo que está a ser educado apreende e absorve de maneira integrada, criativa e reflexiva
valores, normas, ideias, princípios, regras, costumes e práticas da família e da comunidade a que
pertence.
Em todas as sociedades, desde a antiguidade até aos dias de hoje, a educação é usada como meio e
fim visando a formação do homem para que seja perpetuador dos valores, normas, simbolismos,
costumes e tradições do seu povo. Para tal, a humanidade faz uso de diversos mecanismos formais ou
informais para a condução do processo educativo que é determinado por factores político-
ideológicos, culturais, socioeconómicos e ambientais em uma dada época.
A educação é um processo formativo contínuo direccionado para um indivíduo ou grupos deles
inseridos na família, na comunidade ou em instituições sócio-profissionais e da sociedade civil. Ela
ocorre ao longo de toda a vida do homem, desde a sua nascença até à sua morte.
Historicamente e via de regra, a dinâmica do processo educativo é exercida através de
relacionamentos interpessoais das gerações mais adultas e experientes sobre as mais novas e pouco
socializadas, repassando-as saberes e práticas tradicionais e contemporâneos para que possam se
ajustar e participar activamente na vida social, cultural e produtiva do dia.

1.3.2. Finalidades da Educação

Nas sociedades espera-se que qualquer um dos indivíduos que a compõem apresente nos diferentes
meios de convivência conhecimentos, atitudes e comportamentos apropriados à sua idade e sexo.
Quer isto dizer que as expectativas em relação ao desempenho social do indivíduo devem estar
enquadradas nos parâmetros político, económico e cultural do meio ao qual ele pertence. É dentro
desta perspectiva que são ressaltadas as finalidades da educação no contínuo ajustamento do homem
nos processos de desenvolvimento das sociedades.
As rápidas transformações que hoje se registam no mundo, determinadas pelo avanço das tecnologias
de informação e comunicação e pela instabilidade político-económica internacional, estão a
condicionar as relações de produção social em todos os país. Nestes termos, o homem, colocando-se

10
como sujeito e actor de mudanças, vê-se como agente principal desses processos sociais que só
podem ocorrer através da dinamização e massificação da educação.
Para que o homem seja proactivo face às mudanças sociais do novo século, cada país deve
reestruturar os seus sistemas educativos tornando-os mais profissionalizantes e academicamente
críticos. Deste modo, a UNESCO sugere que, em cada nação, a educação seja redefinida para o
alcance das seguintes quatro finalidades sociais da aprendizagem humana: o aprender a conhecer, o
aprender a fazer, o aprender a viver com os outros e o aprender a ser.
[Link]. Aprender a Conhecer
No aprender a conhecer ou a aprender, as pessoas devem ser estimuladas para que ao longo de toda a
vida possam elevar as suas capacidades cognitivas produzindo conhecimento como um acto humano
criativo, autónomo e emacipatório. Trata-se de uma aprendizagem repleta de surpresas, ganhos e
perdas construtivos, na percepção e interpretação críticas da realidade social, onde os acertos e os
erros são encarados como factores dinamizadores desse processo. A aquisição de conhecimentos
visando a resolução independente de problemas sociais constitui o ponto mais alto deste propósito.
[Link]. Aprender a Fazer

A rápida evolução tecnológica, a veloz produção e circulação do conhecimento, as constantes


migrações internacionais e as novas tendências profissionais dominadas pela economia de mercado,
requerem que o homem tenha o domínio de conhecimentos e competências que o levem a ajustar-se
ao contexto globalizado de hoje. No aprender a fazer exige-se ainda que o indivíduo no exercício das
suas actividades técnico-profissionais saiba interagir e comunicar-se em meios profissionais
multiculturais, interpretar e trocar rapidamente a informação circulante, integrar de forma reflexiva e
criativa os seus conhecimentos teóricos às práticas profissionais do seu meio sócio-cultural. Deve
também ter coragem de correr riscos, fazer dos erros uma alavanca para o crescimento pessoal e
colectivo.

[Link]. Aprender a Viver com os Outros

Esta aprendizagem leva o indivíduo a aprender a viver num meio linguístico-cultural diversificado, a
ser tolerante para consigo mesmo e para com os outros face às suas características individuais
diferentes e a gerir as tensões e conflitos advindos dos intensos fluxos migratórios e interacionais de
pessoas que se registam mundialmente nos dias de hoje. Esta aprendizagem fornece competências
atitudinais e valorativas essenciais que devem ser adquiridas por qualquer ser humano que queira
viver em harmonia com os outros e desenvolver relacionamentos interdependentes sadios e
democeráticos, na base dos princípios dos direitos humanos.

[Link]. Aprender a Ser

11
O aprender a ser refere-se à busca incessante do crescimento total e integral da própria pessoa nos
domínios intelectual, moral, físico, emocional, afectivo, estético e espiritual, sustentada pelas
dinâmicas do contexto sociocultural ao qual pertence. Também cabe a cada um, de maneira
consciente, autónoma, crítica, criativa, proactiva e ética, ser sensível e ágil em relação ao que lhe diz
respeito, assumindo evolutivamente responsabilidades pessoais perante a sociedade como cidadão e
patriota.

1.3.3. Tipos e Modalidades da Educação

Sendo a educação um processo pelo qual a sociedade prepara os seus membros para garantir a sua
continuidade e desenvolvimento pode ser classificada em dois tipos e três modalidades. Os dois tipos
de educação são a intencional que se divide nas modalidades formal e não-formal e a não-
intencional que se desdobra em informal.
[Link]. Educação Intencional
A educação intencional é dirigida para um fim previamente estabelecido, com alguma intensão ou
propósito, implicando objectivos político-ideológicos e socioculturais explícitos. Ela está subdividida
em duas modalidades, podendo ser formal ou não-formal.
[Link].1. Educação Formal

A educação formal refere-se a um sistema escolar rigidamente estruturado e institucionalizado. Seus


objectivos estão cronologicamente planificados, visando a atribuição de uma certificação a um
indivíduo ou grupo deles que estejam em formação, numa determinada situação histórica e
sociocultural.

A educação formal é oferecida em instituições convencionais e oficialmente acreditadas para


ministrarem o ensino nos níveis primário, secundário, técnico-profissional e superior.

[Link].2. Educação Não-Formal

A educação não-formal compreende aquelas actividades educacionais que possuem baixo grau de
estruturação e sistematização, implicando interações pedagógicas flexíveis, fora do sistema formal de
ensino. Constituem exemplos de educação não-formal os cursos de capacitação profissional e de
orientação e muitos outros que visam socializar os seus participantes para um determinado fim
técnico-socialduração.

Os cursos de educação não-formal têm uma aplicação flexível em relação ao tempo (duração), ao
local de realização e à adaptação dos conteúdos de formação.

[Link]. Educação Não-Intencional

12
Diferentemente da educação intencional, a não-intencional embora tenha um fim socializador do
indivíduo seus objectivos são expontâneos e ilimitados em termos de tempo, local e momento de
ocorrência. A educação não-intencional é a educação informal.

A educação informal é entendido como processo contínuo de aquisição de conhecimentos e


competências que não se localizam em nenhum quadro institucional. Os elementos informais da vida
social afectam e influenciam a educação das pessoas de modo necessário e inevitável. Porém, não
actuam deliberada e metodicamente, pois não há objectivos pré-estabelecidos conscientemente. As
aprendizagens se estabelecem assistemática e, habitualmente, de maneira desinteressada. As relações
educativas são contraídas independentemente da consciência das finalidades que se pretendem. Por
estas razões a educação informal possui um carácter não-intencional.

Como se pode deduzir, a educação é uma prática cotidiana ligada à produção e reprodução da vida
social humana através da qual as gerações adultas repassam para as mais novas os conhecimentos,
experiências, atitudes, valores, comportamentos e práticas produtivas e culturais da humanidade. Sua
particularidade é que, dela e para ela, o ser humano deva ser socializado à semelhança dos seus
ancestrais de maneira formal, não-formal e informal, num âmbito intencional ou não-intencional.

1.3.4. Importância da Educação no Desenvolvimento Humano

A educação (em particular a educação básica) é um valor social imprescindível e principal


impulsionador do desenvolvimento humano em qualquer sociedade.

Segundo a UNESCO, através da educação básica crianças, jovens e adultos devem satisfazer as suas
necessidades básicas de aprendizagem através do domínio dos seus instrumentos essenciais como a
leitura, a escrita, o cálculo e a solução de problemas.

A satisfação das necessidades básicas de aprendizagem também requer a aquisição dos seus
conteúdos básicos relacionados com os conhecimentos, as atitudes e as habilidades.

Satisfazendo as suas necessidades básicas de aprendizagem através da educação o homem enriquece


os valores culturais e morais da sua comunidade ao mesmo tempo que assume responsabilidades
sociais relacionadas com a preservação da sua herança linguístico-cultural, a defesa da justiça social,
a proteção do meio ambiente, a tolerância para com as diferenças pessoais de natureza sexual, físico-
mental, político-ideológica, religiosa, étnico-linguística, racial e outras, combatendo, ao mesmo
tempo, as atitudes e comportamentos preconceituosos e discriminatórios.

Dada a importância da educação para o desenvolvimento humano, a UNESCO, através da Declaração


de Educação Para Todos, recomenda às nações de todo o mundo para que se reforcem no sentido de
alcançarem os seguintes objectivos político-educacionais:

13
a) Satifazer as necessidades básicas de aprendizagem de todos e de cada criança, jovem e adulto
para que possam sobreviver, desenvolver suas potencialidades, viver e trabalhar com dignidade,
participar do desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e
continuar a aprender ao longo da vida.

b) Expandir o enfoque da educação básica através da mobilização de mais recursos humanos,


financeiros e materiais, da ampliação das estruturas institucionais, da flexibilização dos
modelos curriculares às necessidades de aprendizagem de todos e de cada aprendente, do
encorajamento dos professores para adoptarem práticas pedagógicas mais criativas,
individualizadas e cooperativas e aplicarem métodos e estratégias de ensino participativos.

c) Universalizar o acesso e promover a equidade da educação para todos, melhorando a sua


qualidade e reduzindo as desigualdades sociais e as disparidades de género, através da criação
de oportunidades para a participação de todos, em particular, dos grupos minoritários em
desvantagem social e incentivando uma maior participação das meninas e das mulheres. Deste
modo, nenhum grupo social, por quaisquer que sejam as suas características de natureza social,
religiosa, cultural, físico-mental e de localização, deve ser excluído ou vedado de ter acesso à
educação básica. Todos os preconceitos, esteriótipos e demais obstáculos que inviabilizam o
acesso à educação devem ser eliminados.

d) Concentrar a atenção na educação de todas as crianças, jovens e adultos orientando-a para a


aquisição de aprendizagens objectivas e significativas resultantes de práticas pedagógicas
criativas e participativas onde os sistemas de avaliação de desempenho escolar possam
mensurar, qualitativa e quantitativamente, as potencialidades e as necessidades de progressão
dos aprendentes.

e) Ampliar os meios de e o raio de acção da educação básica face à diversidade, complexidade e


caráter mutável das necessidades básicas de aprendizagem de todas crianças, jovens e adultos.
No entanto, deve se considerar que: (a) a educação básica começa com o nascimento e ocorre
ao longo de toda a vida, com características próprias e específicas em cada faixa etária, sob
orientação familiar, comunitária e institucional; (b) a escola é a principal instituição promotora
da educação básica que deve levar em consideração a cultura, as necessidades e as
possibilidades da comunidade em que estiver inserida; (c) as necessidades básicas de
aprendizagem são várias podendo ser satisfeitas através de uma diversidade de sistemas tendo
como principal foco o domínio da leitura, da escrita e do cálculo, que são habilidades vitais
para o desenvolvimento pessoal e social, especialmente quando adquiridas na língua materna
fortalecedora da identidade e herança culturais; e (d) a satisfação de outras necessidades básicas

14
de aprendizagem pode, também, ocorrer através da capacitação técnico-profissional, formal e
não-formal, em matérias relacionadas com a saúde, a nutrição, o meio-ambiente, as tecnologias
de informação e comunicação social, a agricultura, o planeamento familiar e outras.

f) Propiciar um ambiente adequado à aprendizagem uma vez que ela não ocorre em situações de
isolamento mas em ambientes saudáveis, motivadores e estimulantes. A satisfação das
necessiades básicas de aprendizagem deve ser garantida através de programas de apoio
nutricional, sanitário, físico e emocional promotores da saúde mental e do bem estar pessoal e
social, nos quais crianças, jovens e adultos devem participar em permanente interação.

g) Fortalecer alianças com os diferentes segmentos da sociedade para que seja garantida a oferta
de uma educação básica de qualidade para todas as crianças, jovens e adultos. Para o alcance
deste objectivo é requerido aos gestores educacionais dos níveis nacional, provincial, distrital e
municipal que estabeleçam parcerias com os professores, os pais e encarregados de educação e
os próprios aprendentes. As alianças devem ser estendidas a outros órgãos e agências
governamentais, instituições não governamenatis e demais organizações da sociedade civil.
Assim, Pressupõe-se que sendo a educação um valor social imprescindível ao ao bem estar
humano, não se estabelece por si só na sociedade mas associada a outros valores vitais. O
estabelecimento de amplas alianças possibilita a planificação, implementação, gestão,
monitoria e desenvolvimento de programas de educação básica mais integrados e realísticos.s

h) Desenvolver políticas contextualizadas de apoio à educação básica integrada nos sectores


social, cultural, ambiental e económicos necessários à satisfação das necessidades básicas de
aprendizagem, essenciais para o desenvolvimento individual e social. Deste modo, devem ser
estabelecidas reformas políticas a nível fiscal nas diferentes áreas socioeconómicas e de
prestação de serviços. Por outro lado, deve ser reforçado o papel das instituições de pesquisa
científica e do ensino superior visando o desenvolvimento sustenmtável da educação básica.

i) Mobilizar novos recursos humanos, financeiros e materiais para o apoio à educação básica para
que seja garantida uma ampla satisfação das necessidades básicas de aprendizagem de todas
crianças, jovens e adultos. Tais recursos devem provir de diferentes fontes públicas, privadas e
voluntários, com o envolvimento de toda a sociedade. Assim se assegura um importante e forte
investimento social que é o mais importante meio para se elevar a qualidade de vida de um
povo e se projectar o futuro melhor de um país.

j) Fortalecer a solidariedade internacional na busca de apoios para a garantia da satisfação das


necessidades básicas de aprendizam tratar-se de uma responsabilidade comum e universal de
todos os povos. A partilha e troca de experiências entre as nações no campo da educação básica

15
constituem estratégias valiosas para a redução das diparidades de desenvolvimento entre os
países ricos e os pobres. Por outro lado, recai aos países industrializados e aos organismos de
gestão financeira internacionais o dever de fornecerem apoio aos paises em vias de
desenvolvimento para que possam elevar aos seus níveis de crescimento socioeconomico tendo
como factor chave a melhoria e a massificaçao dos programas de educação básica para todos os
seus cidadãos. A satisfação das necessidades básicas de aprendizagem é uma exigência
humanitária mundial visando a promoção da justiça social e dos direitos humanos para a qual
todas as nações possuem responsabilidades de carácter nacional e internacional.

Tanto os instrumentos como os conteúdos relativos à aquisição da aprendizagem são imprescindíveis


para que o homem possa continuar a sobreviver, a desenvolver as suas potencialidades, a viver e
trabalhar com dignidade, a participar plenamente do desenvolvimento, a melhorar a sua qualidade de
vida, a tomar decisões fundamentadas e a continuar a aprender.

1.3.5. Impacto da Educação no Desenvolvimento Humano

Estudos internacionais supervisados pela UNESCO indicam que a educação de qualidade, embora
não seja única determinante na melhoria das condições de vida dos homens e mulheres, joga um
papel incisivo ao atribuí-los conhecimentos e competências para que possam levar uma vida
produtiva autónoma, reduzir a pobreza, melhorar os níveis de saúde e fazer escolhas certas para a
provisão do bem-estar mental, físico, emocional e espiritual das suas famílias e comunidades.
Algumas evidências advindas do acesso à educação de qualidade, por homens e mulheres, em todo o
mundo são as seguintes:

a) Níveis altos de escolarização dos pais, em especial das mães, têm efeitos directos na
participação activa e sucesso escolar dos seus filhos, em particular das meninas.

b) O envolvimento directo dos pais ou encarregados de educação nas actividades da escola


influencia positivamente no desempenho escolar dos seus filhos e seus colegas.

c) Homens e mulheres com melhor educação, formação e qualificação profissional podem


melhorar suas chances e padrões de vida e, consequentemente, terem emprego remunerado,
serem profissionais autónomos e obterem status social elevado.

d) Adultos com nível educacional mais alto são mais capazes de cuidar da sua própria saúde,
prevenir-se de doenças sexualmente transmissíveis, fazer uma planificação familiar segura e
oferecer aos seus filhos e demais familiares cuidados de saúde mais eficazes.

16
e) Estudos feitos em países latino-americanos e asiáticos mostram que as mulheres que participam
de programas de educação de adultos e que também têm acesso à rádio e outras fontes de
informação, tornaram-se mais eficientes na gestão dos problemas de saúde de suas famílias.

f) Mulheres com níveis educacionais mais altos demonstram autoestima e autoconfiança elevados
e têm maior conhecimento sobre HIV/SIDA e outras doenças crónicas ou terminais.

g) Adultos de todas as idades em processo de escolarização ou alfabetização têm maior acesso a


informações e conhecimentos importantes para formarem opiniões e exercerem a cidadania
com mais consciência e responsabilidade.

Os resultados da educação sobre a melhoria da qualidade de vida das famílias e comunidades são
ilimitados dependendo o volume e o fluxo deles dos níveis de oferta e grau de participação dos
homens e mulheres envolvidos no processo.

1.3.6. Breve História da Educação em Moçambique

[Link]. Educação Tradicional

A educação tradicional é aquela em que os seus membros ou praticantes partilham, de geração em


geração, valores, símbolos, ideias, objectos, costumes, hábitos, sentimentos, práticas e demais
significados visando a perpetuação e continuidade da cultura de forma individual ou colectiva. Ela
ocorre através da educação não-intencional ou informal em locais de práticas religiosas, do culto aos
espíritos dos antepassados e de produção artística nos meios familiar e comunitário, das zonas rural,
suburbana e urbana, em todo o país.

A educação tradicional caracteriza-se pela ausência pré-determinada dos objectivos, conteúdos e das
formas de organização específicas, pelo que não reúne o padrão de educação intencional. Nas
práticas tradicionais todos os seus membros são responsáveis pela boa conduta das novas gerações,
devendo por isso reprimir os comportamentos incorrectos de qualquer criança, independentemente de
ser parente ou não.

Existem vários tipos de educação tradicional de acordo com as comunidades, variando segundo o
género (masculina e feminina), momento (ritos de passagem ou iniciação), desempenhando as
funções: informativa, instrutiva e formativa.

Em geral, a educação tradicional tem carácter pragmático pois, destina-se, essencialmente, a ensinar a
saber fazer coisas concretas tais como:

a) Actividades sócio-económicas: cultivar, praticar a caça, construir casas, montar armadilhas de


animais, aves, peixes, apascentar gado e outras.

17
b) Actividades culturais: a dança, a arte, os ritos de passagem e de iniciação, a vida adulta, a
assistência familiar o comportamento perante a mulher
c) Durante a gravidez, o nascimento de bebés, a realização de cerimónias fúnebres, a coroação do
régulo, a participação em cerimónias festivas e fúnebres e outras importantes acontecimentos
da comunidade.
d) Técnicas de auto-defesa perante o perigo de pessoas inimigas e estranhas ou diante de animais
ferozes e tratamento de casos de mordedura de cobras venenosas.
e) As práticas da medicina tradicional para o tratamento de doenças mais comuns nas sociedades
em causa.

A educação tradicional desempenhou e continua a desempenhar um papel educativo importante na


formação das novas gerações nas comunidades rurais e urbanas, mesmo nos casos em que existam
escolas oficiais.

[Link]. Educação Colonial

A necessidade de educação do povo originário de Moçambique, foi desde o princípio da colonização


portuguesa, bastante conflituosa; pois era tida como absurda, não só pela história, como também
perante a capacidade mental dos moçambicanos, considerados de inferiores, uma ilusão pensar em
civilizar os “negros” com a bíblia, educação e panos de algodão.

Os objectivos da educação colonial eram:

a) Assegurar a hierarquia política e cultural da classe dominante sobre as ditas classes tradicionais
ou “primitivas”, consideradas estagnadas no processo histórico.

b) Formar o “indígena” e criar a figura jurídico-política de “assimilação” como necessidade da


força de trabalho qualificada para uma maior exploração capitalista;

c) Ensinar aos “indígenas” a ler, escrever e contar o mínimo necessário para se comunicarem com
os colonizadores e constituírem a força de trabalho.

d) Garantir o processo de assimilação e alienação cultural da população nativa a partir de um


conjunto de requisitos nomeadamente.

e) Ter a necessária educação, hábitos individuais e sociais de modo a poder viver sob a lei pública
e privada portuguesa;

f) Ter bom comportamento e solicitar por via de um requerimento à autoridade administrativa


local para ser aprovado como tal.

O sistema educativo colonial português em Moçambique estava organizado do seguinte modo:

18
a) Ensino Indígena. Destinado a elevar, gradualmente, da vida selvagem à vida civilizada dos
povos cultos, a população autóctone das províncias ultramarinas.

b) Ensino Primário Elementar. Destinado às populações “não indígenas, visando dar nos
beneficiários os instrumentos fundamentais do saber e as bases de uma cultura qual,
preparando-os para a vida social”.

A partir de 1962, sem alterar a sua natureza e finalidade a estrutura educacional em Moçambique
passou a ser a seguinte:

a) Ensino de Adaptação. Compreendendo três anos, com ingresso aos 10 anos e destinado aos
indígenas.

b) Ensino Primário Comum. Oficial, missionário católico, missionário estrangeiro, particular). De


4 anos com ingressos aos 7 anos, destinado à população branca, mestiça e assimilada,
subdividida em:

 Ensino Normal Indígena – EHPP – 3/4 anos. E em 1964 introduzida a Escola do


Magistério, 2 anos com ingresso 5º ano;

 Ensino Técnico Elementar de 2 anos e profissional (industrial/comercial) de 3 anos.

 Ensino Técnico Profissional, com secções preparatórias aos institutos


industrial/comercial.

 Do nível de Ensino Geral:

 Ciclo preparatório (2) anos.

 Ciclo Liceal (5) anos.

 Estudos Gerais Universitários.

A organização escolar para a formação de professores obedecia as mesmas finalidades e filosofia da


estrutura educacional anterior.

Os professores que leccionavam nas escols missionárias para os afriacanos não assimilados eram
também não assimilados e formados nas Escolas Normais durante 4 anos nas quais ingressavam com
o n;ivel de 4ª Classe.

Os professores das escolas oficiais para brancos, asiáticos e assimilados eram formados e vinham de
Portugal.

[Link]. Educação nas “Zonas Libertadas”

19
Foram consideradas por zonas libertadas, as regiões do território nacional onde a administração
colonial se retirou, as populações abandonaram as suas povoações para escapar à repressão colonial e
viver sob a protecção da FRELIMO. Progressivamente, este processo desenvolvia-se, surgindo as
zonas libertadas e semi-libertadas, isto é, zonas onde a totalidade da vida das populações dependia da
orientação da FRELIMO, onde no quotidiano se aplicavam as palavras de ordem do movimento,
constituindo lugares, momento e espaço de ensaio de uma sociedade nova e de exercício do poder, de
aprendizagem de novos valores para a formação de uma sociedade, não baseada em racismo,
tribalismo, regionalismo e de outros males próprios do regime colonial.

Eduardo Mondlane – definiu a educação como uma condição político-ideológica básica para o
sucesso da luta armada em Moçambique. É assim que se justifica a concepção dos programas de
instrução militar e educacionais ao mesmo tempo. – Ex: A Escola Secundária, Instituto de
Moçambique em Tanzânia; destinada às crianças moçambicanas que já tinham saído de
Moçambique, e outras junto dos centros de instrução ou bases centrais e regionais.

O sistema educativo nas zonas libertadas (1969/70) foi definido para responder aos seguintes
objectivos:

a) A formação do Homem Novo, com uma nova mentalidade que para além de ser capaz de
resolver os problemas imediatos colocados pela revolução quer dizer:

b) Formar o “Homem Novo” com plena consciência do poder da sua inteligência e da força
transformadora do seu trabalho na sociedade e na natureza; livre de concepções supersticiosas e
subjectivas

c) Rejeitar firme e violentamente todas as tendências do individualismo, bem como da corrupção;

d) Criar (nos alunos) uma personalidade moçambicana sem subserviência (espírito servil) algum,
assuma a sua realidade (sócio-cultural), saiba estar em contacto com o mundo exterior,
assimilar criticamente as ideias e experiências de outros povos;

e) Criar uma nova atitude na mulher, emancipá-la na sua consciência e comportamento e no


homem um novo comportamento e mentalidade em relação à mulher.

O Sistema de Educação nas Zonas Libertadas apresentava a seguinte estrutura:

a) Educação formal – destinada a crianças e adolescentes com 4 níveis (pré-primário, primário,


secundário (Bagamoio em Tanzânia), que nunca chegou a funcionar.

b) Formação de Professores – em cursos nacionais e provinciais – de 3 meses a 1 ano.

20
As disciplinas de maior relevância ministradas nas escolas das Zonas Libertadas, por níveis de
ensino, eram as seguintes:

a) No Ensino Primário: Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, Ciências, História, Trabalhos


Práticos, Política, Educação Artística e Educação Física.

b) No Ensino Secundário: Língua Portuguesa, Inglês, Política, História, Geografia, Matemática,


Ciências Naturais, Física, Química, Biologia, Trabalhos Práticos, Desenho e Educação Física.

[Link]. Educação Pós-Independência

A Educação Pós-Independência refere-se ao sistema de ensino introduzido no país depois de ter sido
proclamada a Independência Nacional até aos dias de hoje. Ao longo deste período o sistema
educativo sofreu várias reformas que tinham em vista adequar a formação dos moçambicanos em
conformidade com os contextos sócio-políticos, económicos e culturais de cada época. Deste modo
ocorreram neste período vários acontecimentos que determinaram as reformas feitas ao sistema de
educação, nomeadamente:

a) De 1975/82:

 a nacionalização da educação a 24 de Julho de 1975 e a consequente suspensão de todas


as formas do sistema do ensino colonial português;

 a proclamação do direito à educação para todos os moçambicanos, pela Constituição da


Republica e consequente massificação do acesso à educação em todos os níveis de
ensino;

 a introdução de um currículo educacional transitório do sistema colonial português para o


nacional;

 a criação dos centros de formação de professores primários e consequente abolição das


instituições portuguesas vocacionadas à formação de professores;

b) Em 1983, procedeu-se à introdução do Sistema Nacional de Educação (SNE), através da Lei nº


4/83.

c) Em 1990, é introduzida a Constituição da República, que possibilita a reabertura do ensino


particular em 1991 e o reajustamento da Lei do SNE, através da Lei nº 6/92.

d) Em 2004 é introduzido o Plano Curricular do Ensino Básico, ora em vigor, em consequência da


reforma do currículo escolar anterior.

21
1.4. Actividades:

a) Faça uma tabela comparativa entre os tipos de educação, indicando os aspectos que os
diferenciam e, por último, ilustre em exemplos sobre a sua manifestação em Moçambique.

b) Faça uma tabela comparativa entre as modalidades de educação enquadradas nos respectivos
tipos, indicando as particularidades que as diferenciam e, por último, ilustre em exemplos sobre
a sua manifestação em Moçambique.

c) Explique por que no período colonial muita gente natural de Moçambique não teve o acesso à
escolarização.

d) Apresente as principais etapas das mudanças introduzidas na educação no período pós-


independência.

e) Fale das classes existentes no Ensino Primário e do seu enquadramento por ciclos?

f) Em que consiste a progressão de aprendizagem por ciclos?

g) Em que aspectos positivos se manifesta a educação tradicional em Moçambique?

1.5. Autoavaliação

Com esta ocasião e após ter lido o texto sobre “a Educação e sua história em Moçambique” e
partindo de princípio de que o indivíduo que está a ser educado apreende e absorve de maneira
integrada, criativa e reflexiva valores, normas, ideias, princípios, regras, costumes e práticas da
família e da comunidade a que pertence, responde:
a) A quem está direccionada a educação como processo formativo e contínuo?
b) Destaque as quatro (4) finalidades de educação estabelecidas pela UNESCO para que o
Homem seja proactivo face às mudanças sociais do novo século.
c) Como é que a educação em Moçambique está organizada, na escola primária, para o
cumprimento de 4 pilares da educação estabelecidas pela UNESCO?
d) Sabendo que as 4 finalidades de educação estabelecidas pela UNESCO não só se cumprem
através das escolas, aponte outras modalidades de educação que realizam o seu papel fora do
âmbito escolar.

22
1.6. Chave de Correcção

Nós concordamos consigo, quando respondeu:


a) Partindo de princípio que a educação é exercida ao nível individual ou colectivamente, ela está
direccionada a indivíduo ou grupo de indivíduos (colectivo).
b) Destacando as quatro (4) finalidades de educação estabelecidas pela UNESCO para que o
Homem seja proactivo face às mudanças sociais do novo século, se apresentam: Aprender a
conhecer, Aprender a fazer, Aprender a viver com os outros e Aprender a ser.
c) Para o cumprimento de 4 pilares da educação estabelecidos pela UNESCO, a educação em
Moçambique está organizada, na escola primária, por um Plano Curricular em que os
conteúdos estão distribuídos por diferentes disciplinas ou áreas curriculares. As disciplinas ou
áreas curriculares, por seu turno, apresentam os conteúdos de forma gradual, do simples ao
complexo, ao nível de ciclos e classes.
d) Sabendo que as 4 finalidades de educação estabelecidas pela UNESCO não só se cumprem
através das escolas, as outras modalidades de educação que realizam o seu papel fora do âmbito
escolar, são: Educação Não-Formal e Educação Informal.

1.7. Bibliografia Complementar

 Delors, J. (1997). Educação, Um Tesouro a Descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão


Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo: Cortez Editora
 Gómez, Miguel Buendia. (1999). Educação Moçambicana: história de um processo (1962-
1984). Maputo: Livraria Universitária – UEM.
 Mazula, B. (1995). Educação, Cultura e Ideologia em Moçambique (1975-1985). s/l: Edições
Afrontamento
 Mondlane, E. (1995). Lutar Por Moçambique. Maputo: Centro de Estudos Moçambicanos
 UNESCCO. (1998). Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das
necessidades básicas de aprendizagem.
[Link]/images/0008/000862/[Link]: recuperado aos 08 de Março de 2012.
 Vieira, S. (2010). Participei, Por Isso Testemunho. Maputo: Ndijira.
 Departamento de Educação de Adultos: glossário. (2010). Terminologia Básica de Educação de
Jovens e Adultos. Maputo: dvv Internacional

23
2. Unidade Temática II. Introdução à Psicopedagogia

Duração da Unidade: 10 Horas

2.1. Introdução da Unidade Temática:

“Introdução à Psicopedagogia” é o título desta Unidade Temática. São desenvolvidos nela o conceito,
o objecto e os objectivos da Psicopedagogia com a qual é feita uma correlação com a Psicologia e a
Psicologia, bem como com outras áreas científicas afins.
Em seguida são apresentadas as técnicas de pesquisa mais usadas pelos psicopedagogos no contexto
escolar para a identificação dos tipos e causas das dificuldades de aprendizagem, especialmente, a
observação, a entrevista, a anamnese, o questionário e a produção e leitura de imagens.
São feitas recomendações aos professores em relação às atitudes e comportamentos éticos que devem
exibir na aplicação das técnicas de pesquisa assim como o tratamento que devem dar à informação
recolhida e sistematizada.
De forma resumida são feitas algumas referências à Psicologia e à Pedagogia no contributo que dão à
Psicopedagogia no estudo da aprendizagem humana tendo em conta os seus objectos, o
comportamento e a educação, respectivamente.
Uma relação dialética é apresentada entre o aprender e o ensinar como factores diferentes,
inseparáveis e complementares do processo educativo, especificamente no que diz respeito às
dinâmicas do ensino-aprendizagem.
Uma discussão final é apresentada em torno do papel da Psicopedagogia na processo da Inclusão
Escolar. Nestes termos a Educação Inclusiva é apresentada como paradigma da Psicopedagogia na
perspectiva de fornecer instrumentos conceituais, metodológicos e técnicos de prevenção e terapia
das dificuldades de aprendizagem. Para fechar a Unidade é fornecida uma tabela comparativa das
perspectivas contraditórias e opostas, da Integração Escolar e da Inclusão Escolar sendo esta última a
que orienta a visão e as práticas do processo de ensino-aprendizagem propostos neste Manual.

2.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática

No final do estudo desta Unidade Temática, o formando:


a) Identifica as partes que compõem a Psicopedagogia e a funcao de cada uma das partes.
b) Identifica o papel da Psicopedagogia.
c) Aplica os processos de Ensinar e Aprender.

24
2.3. Recursos de Aprendizagem

2.3.1. Conceito de Psicopedagogia

A Psicopedagogia é uma área do saber científico que estuda os processos relacionados com a
aprendizagem humana. Ela fornece-nos conhecimentos e técnicas para percebermos como o ser
humano aprende, quando aprende, de quem aprende, o que aprende, como aplica o que aprende, o
que faz para aprender mais e melhor e o que faz ou deve fazer para não fracassar na aquisição da
aprendizagem. Estas questões traduzem a complexidade, a diversidade e a singularidade da natureza
humana, para as quais a Psicopedagogia se debruça e vai buscar respostas apropriadas para satisfazer
as necessidades de aprendizagem do ser humano nos seus diferentes estágios de desenvolvimento e,
em particular, durante a aquisição da aprendizagem formal.
O objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de aprendizagem que as aborda de modo
preventivo e terapêutico, numa perspectiva de inclusão escolar.
Para dar respostas aos questionamentos acima apresentados os psicopedagogos, para além de fazerem
uso dos conhecimentos sistematizados pela Psicologia e pela Pedagogia auxiliam-se de outras áreas
científicas como a Antropologia, a Sociologia, a Linguística, a Medicina, a Neurologia, a Psicanálise
e outras.
Na sua prática profissional o psicopedagogo utiliza estratégias, métodos, técnicas e instrumentos
científicos que lhe permitem analisar e intervir com rigor no processo de desenvolvimento da
aprendizagem humana Por todas estas razões a Psicopedagogia é vista como um campo de
conhecimento científico muldidisciplinar.

A Psicopedagogia estuda o comportamento do aluno (educando) e do professor (educador) em


situações de aprendizagem e ensino propondo formas que possam contribuir para o alcance do
sucesso escolar. Por outro lado, a Psicopedagogia orienta os gestores, os técnicos e os professores a
planificarem e implementarem programas educacionais que visam o desenvolvimento intelectual,
físico, sócio-emocional e integral do aluno.

A Psicopedagogia fornece ao professor, os princípios e técnicas que lhe permitem compreender e


intervir eficazmente no processo de ensino-aprendizagem e a capacidade de avaliar os resultados das
actividades dos alunos, bem como da responsabilidade da escola e dos pais e encarregados de
educação.
Na formação de professores, a Psicopedagogia apoia-se em abordagens psicológicas que requerem
práticas pedagógicas construtivista-humanistas, ou seja, inclusivas, nas quais a produção de

25
conhecimento pelo aluno é orientada ao longo do seu desenvolvimento, respeitando as suas
diferenças cognitivas, étnico-linguísticas, físico-motoras e outras.

2.3.2. Técnicas de Pesquisa em Psicopedagogia

Como em qualquer outro campo das ciências, a Psicopedagogia nas suas àreas de estudo aplica
métodos, técnicas ou instrumentos para recolher, analisar, sistematizar e divulgar os resultados da
informação relacionada com uma determinada pesquisa. Sendo assim, as principais técnicas por ela
aplicadas são: a observação, a entrevista, a ananmese, o questionário e a leitura de imagens.
Actualmente, as técnicas e instrumentos de estudo dos psicopedagogos estão simplificados de tal
forma que qualquer professor pode aplicá-los para poder colher e registar informação útil sobre a
situação socioescolar do seu aluno, como pode ser percebido abaixo:
Para o professor poder ter mais informações sobre o comportamento da criança pode observá-la em
diferentes momentos e situações na escola, como por exemplo, na hora do lanche, na formatura, nas
brincadeiras (jogos) com os colegas.
[Link]. A Obsrevação
Esta é a técnica mais usada pelos professores. Aliás, eles quase sempre assistem aulas dos seus
colegas. Nesse processo observam e registam do professor observado os comportamentos que
estimulam a criança a aprender mais e aqueles comportamentos que possam prejudicar a aquisição da
aprendizgem.
Um exercício similar ao descrito acima pode ser feito pelos professores aos seus alunos. Só os
observando enquato estiverem a estudar individualmente ou no grupo poderá saber como é que um
determinado aluno se comporta na sala de aula para ser considerado estudioso. E, o que é que num
outro tem contribuido para que não estude bem como dele se espera. Observando este aluno várias
vezes, em diferentes dias, aulas e momentos no recreio o professor poderá descobrir coisas
interessantes sobre o menino, ou por outra, poderá tirar conclusões preliminares do que faz com que
ele não tenha um bom desempenho escolar.
[Link]. A Entrevista
Depois de ter sido feita a observação, naturalmente o professor fez alguns registos sobre o
comportamento do aluno. Em algum momento poderá não ter percebido como ele em situações
diferentes comporta-se de um jeito e em outras iguais comporta-se de outra. Isto pode ser muito
inquietante.
Para poder sanar as suas dúvidas o professor deverá ter uma conversa com o aluno para o explicar
por que é que se comportou de uma maneira numa situação e de outra numa outra. O professor estará
assim a orientar uma entrevista. Esta é uma técnica constituída por uma lista de perguntas dirigidas a
uma pessoa ou a um pequeno grupo delas.

26
Se o professor achar que o diálogo que teve com o seu aluno não obteve as respostas que esperava ou
que dela surgiram outras inquietações pode muito bem solicitar a presença dos pais do menino para
os entrevistar, também.
As entrevistas que o professor for a dar ao menino e aos seus pais, juntos ou seperadamente, devem
ser orientadas duma forma educada, respeitosa, carinhosa, alegre e profissional o que lhe permitirá ter
muitas respostas ou informações do que quererá saber sobre o menino.
[Link]. O Questionário
O questionário ou inquérito, tal como a entrevista, é uma técnica constituída por uma lista de
perguntas. No entanto, é aplicado em grandes grupos de pessoas ou alunos para deles se saber, por
exemplo, que opinião têm sobre as causas do elevado número de reprovações na escola.
Do questionário aplicado sairão muitas respostas dos alunos sobre o problema colocado. A análise
dessas respostas deve ser feita em função das percepções e do ponto de vista dos alunos. A opinião
deles será um importante contributo para a tomada de uma atitude pela Direcção da Escola com vista
à solução do problema.
[Link]. A Anamnese
A anamnese é um tipo de entrevista que o professor pode usar com a finalidade de conhecer a história
de saúde, de doença, de deficiência e de vida da criança, desde o seu nascimento até aos dias
correntes. Esta técnica é muitas vezes usada quando se suspeita ou se tem a certeza de que a criança
está a passar por alguma enfermidade ou dificuldade que afecta o seu rendimento escolar. É sempre
aconselhável ouvir a própria criança a falar na primeira pessoa, das suas percepções, sentimentos,
pensamentos, tristezas, alegrias, desejos e necessidades.
Nestes casos o depoimento dos pais é fundamental. Eles é que conhecem as histórias completas de
saúde e doença do filho. Para além de darem informações verbais úteis é recomendável que
apresentem comprovativos clínicos em relação à assistência médica que o filho está a ter ou que já
tenha tido.
[Link]. Produção e Leitura de Imagens
Tal como as anteriores esta técnica é muito produtiva. O professor, usando imagens, figuras ou
fotografias (que podem ser também da família) cuidadosarmente seleccionadas poderá orientar a
criança para fazer a observação, a leitura e a interpretação das mesmas. Neste exercício ao fazer a sua
interpretação o professor deve estar atento à imaginação da criança na interpretação das imagens para
descrever outras situações já vividas ou fantasiadas.
Esta técnica não se limita apenas na leitura de imagens, gravuras ou fotografias. A criança pode
também produzí-las a seu bel-prazer para depois serem analizadas pelo professor com a ajuda de
outros especialistas educacionais, se necessário.

27
2.3.3. Procedimentos Éticos na Recolha de Informação em Psicopedagogia

Os resultados obtidos através da aplicação isolada ou combinadas das diferentes técnicas devem ser
tratados pelo professor com cuidado e profissionalismo pois, há uma exigência ética para tal.
Durante a aplicação das técnicas, sempre que houver necessidade de se fazer uso de instrumentos
auxiliares de registo (anotar e usar máquinas de fotografar, de filmar e de gravar), o professor deve
solicitar à criança ou ao pais e encarregado de educação a autorização para tal, explicando
devidamente os propósitos da recolha da informação e as suas finalidades. Os resultados devem estar
no anonimato, têm que ser sigilosos e devem ser usados exclusivamente para efeitos de estudo e
melhoria da qualidade de aprendizagem da criança. Nenhuma técnica é por si só conclusiva. Quanto
mais técnicas forem aplicadas maior número de informação se terá sobre os comportamentos de um
aluno.

2.3.4. Contribuições da Psicologia no Estudo da Aprendizagem Humana

A Psicologia, duma maneira genérica é definida como sendo o estudo científico do comportamento
humano e animal. Seu objecto de estudo é o comportamento.
Através das suas áreas de especialização (Psicologia da Aprendizagem, Psicologia Educacional,
Psicologia do Ensino, Psicologia Clínica e muitas outras ) a Psicologia faz diferentes e vários estudos
sobre o comportamento humano em ambiente escolar que subsidiam a Psicopedagogia no estudo do
ensino e da aprendizagem.
2.3.5. Contribuições da Pedagogia no Estudo da Aprendizagem Humana
A Pedagogia é o campo do conhecimento científico que estuda de maneira sistemática a teoria e a
prática educativa que ocorre na sociedade. Também pode ser entendida como a arte e a ciência de
ensinar crianças ao ser diferenciada da Andragogia vista como arte e ciência de orientar o adulto a
aprender.

O objecto de estudo da Pedagogia é a educação buscando entender e desenvolver cientificamente


argumentos, métodos e técnicas favoráveis aos processos de ensinar e aprender.

A Pedagogia tem como finalidade melhorar os processos de ensino e aprendizagem através da


reflexão, sistematização e produção de conhecimentos resultantes da prática educativa social. Ela se
apoia à Didática para o desenvolvimento da arte de ensinar.

28
2.3.6. Os Processos de Ensinar e Aprender

A Educação e o Ensino devem adaptar-se à natureza biológica e psicológica da criança e às


tendências de seu desenvolvimento, que já se encontram basicamente prontas desde o nascimento.

Ensinar e Aprender constituem processos didácticos básicos. A acção principal do professor é


garantir a unidade didáctica entre ensino e aprendizagem, através do processo de ensino. Ensino e
aprendizagem são duas facetas de um mesmo processo. O professor planifica, dirige e controla o
processo de ensino, tendo em vista estimular e suscitar a actividade própria dos alunos para a
aprendizagem.
Ensinar visa estimular, dirigir, incentivar, impulsionar a aprendizagem dos alunos. A tarefa principal
do ensino consiste em assegurar a difusão e o domínio dos conhecimentos sistematizados e legados
pela humanidade.
Aprender visa apropriar-se dos conhecimentos e habilidades através das modificações das condições
exógenas e endógenas do próprio aluno.

2.3.7. O Papel da Psicopedagogia no Processo de Inclusão Escolar

Como foi referido antes, o objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de aprendizagem
das crianças e jovens. Para lidar com elas a Psicopedagogia faz uso da abordagem da inclusão escolar
que coloca o aprendente como principal actor em todo o processo de ensino-aprendizagem.
A Educação Inclusiva é um paradigma de desenvolvimento da escola no seu todo, virado para o
acolhimento educacional de todas as crianças e jovens respeitando as suas diversidades físico-mental,
cultural, social, linguística, racial, religiosa e outras particularidades no processo de ensino-
aprendizagem. Para tal, ela dá ao psicopedagogo e, particularmente ao professor, a oportunidade de
mobilizar todos os recursos disponíveis no seu contexto educacional para poder escolarizar com
sucesso crianças e jovens que experimentam dificuldades escolares.

Historicamente, o processo de educação de crianças com deficiências ocorreu em quatro períodos


distintos, desde a atinguidade até aos dias de hoje, como vem explicado abaixo.

a) Período da Exclusão.

Desde a Antiga Grécia até ao Século XVIII, as pessoas com deficiência recebiam tratamento
desumano; eram privadas de participar na vida social das suas famílias; recebiam conotações
demoníacas; eram isoladas nas montanhas, internadas ou abandonadas nas prisões e
manicómios; e praticava-se o infanticídio sobre elas.

b) Período da Segregação,

29
Na Europa (Espanha), no Século XVI iniciou a escolarização de pessoas com deficiência
auditiva. No entanto, no Século XVIII, na França foi criado o primeiro instituto educacional
para surdos, em 1760, iniciando-se assim com a criação e expansão das Escolas Especiais.

c) Período da Integração.

Ocorreu a partir da segunda metade do Século XIX, período em que se generalizou a criação
das escolas especiais para se garantir a escolaridade obrigatória para todas as pessoas com
deficiências, na Europa e na América do Norte. Fundamentalmente, as pessoas com
deficiências começaram a frequentar as escolas regulares uma vez que as especiais eram
discriminatórias, não oferecendo a todos oportunidades e direitos iguais de acesso escolar. Os
alunos com deficiências tinham que se adaptar às características fisicas, materiais e
sociopedagogicas oferecidas pelas escolas regulares.

d) Período da Inclusão

Período iniciado na segunda metade do Século XX, na Europa e na América do Norte até aos
dias de hoje, como resultado da luta dos movimentos sociais em defesa dos direitos humanos
das pessoas com deficiências. Buscavam a transformação das escolas regulares em centros de
promoção da inclusão social. Estas, em todas as suas dimensões humana, pedagógico-
curricular, física, material e arquitectónica tinham que se adaptar às características físico-
mentais de todos os seus alunos sem nenhum tipo de discriminação.
A partir da década de 90, no mundo todo e no mosso país, o movimento pró-inclusão escolar
experimentou significativos avanços. No entanto, durante esse processo muitas práticas de integração
foram e continuam a ser confundidas com as de inclusão escolar.
Actualmente, o que se verifica em muitas escolas moçambicanas é a prática da integração escolar
porque embora estejam abertas para a escolarização de crianças e jovens com deficiências, persistem
as atitudes segregacionistas e discriminatórias sobre eles.
Muitos esforços estão a ser feitos a nível das políticas macrocurriculares para que se implante no país
uma efectiva abordagem inclusiva do processo de ensino-aprendizagem. Mesmo assim, a maior parte
dos professores continua a apresentar atitudes retrógradas perante a deficiência, a estrutura
arquitectónica das escolas dificulta a acessibilidade, as abordagens e práticas pedagógicas continuam
orientadas para o professor e para os conteúdos e as ajudas aos professores na prática de
metodologias e estratégias de ensino centradas no aluno continuam limitadas.
A Psicopedagogia apresenta uma proposta de mudança atitudinal na orientação dos processos de
ensino-aprendizagem em que todo o movimento e todas as práticas tenham que passar de uma
perspectiva de integração para a desejada inclusão escolar. O presente Manual foi elaborado na

30
perspectiva de provocar mudanças nas atitudes e práticas pedagógicas dos professores de modo a
virem a ser efectivamente inclusivas.

Na Tabela 01, abaixo, são apresentados os dois paradigmas contraditórios da abordagem e prática do
processo de ensino-aprendizagem de crianças e jovens com deficiências ou necessidades educativas
especiais.

Tabela 01
(Comparação entre as perspectivas de Integração Escolar e InclusãoEscolar)
A Perspectiva da Integração Escolar A Perspectiva da Inclusão Escolar
A referência é o aluno visto no âmbito individual. A referência é o currículo visto no âmbito social.
As dificuldades de aprendizagem são definidas em
As dificuldades de aprendizagem são definidas em
termos de tarefas, actividades e condições
termos das características do aluno.
existentes na sala de aula ou na escola.

“O Aluno é o Problema”
“O Contexto está Inadequado”

Um grupo de crianças é identificado como tendo Qualquer criança em qualquer momento do seu

características especiais. processo de escolarização pode sentir dificuldades


de aprendizagem.

“Há necessidade de se aplicar o diagnóstico” “Há que celebrar as diferenças individuais”


As dificuldades dos alunos podem sugerir
Os alunos precisam de ensino especial” para
maneiras de melhorar o ensino e a aprendizagem
resolverem seus problemas escolares.
de todos.
“Encaminhar o Aluno para a Escola Especial”
“Melhorar a Gestão da Escola”
É melhor ensinar um grupo de alunos com Melhorar o ensino implica melhorar a
problemas semelhantes. aprendizagem de todos os alunos.
“Implantar a Segregação Escolar” “Celebrar as Diferenças Individuais”
Os professores devem se beneficiar de apoio
Outros alunos são normais e se beneficiam do mútuo na busca de alternativas para a melhoria do
ensino tal como ele existe. processo de ensino-aprendizagem.
“Especialização do Professor” “Colaboração e Reflexão no Desenvolvimento
Profissional dos Professores”

Fonte: UNESCO (1998)

Nas Unidades Temáticas III e IV do presente Manual são desenvolvidas com mais detalhes os
conceitos, métodos e estratégias de ensino e aprendizagem orientados especificamente para crianças e
jovens com deficiências.

31
Assume-se desde já que qualquer tipo de deficiência mental, sensorial e física, assim como as
manifestações de superdotação e talentosas nos alunos por interferirem negativamente nos processos
de aprendizagem dos seus portadores, passam as ser designados de necessidades educativas especiais.
A magnitude positiva ou negativa da manifestação delas fica em grande medida dependente das
atitudes e comportamentos que os profissionais do Sector da Educação (o professor, formador,
gestor, o planificador e dirigentes) poderão apresentar perante ou no tratamento delas.

2.3.8. Sumário

 A Psicopedagogia é uma área do saber científico que estuda os processos relacionados com a
aprendizagem humana.
 O objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de aprendizagem que as aborda de
modo preventivo e terapêutico, numa perspectiva de inclusão escolar.
 Os psicopedagogos, para além de fazerem uso dos conhecimentos sistematizados pela
Psicologia e pela Pedagogia auxiliam-se de outras áreas científicas como a Antropologia, a
Sociologia, a Linguística, a Medicina, a Neurologia, a Psicanálise e outras.
 Na formação de professores, a Psicopedagogia apoia-se em abordagens psicológicas que
requerem práticas pedagógicas construtivistas e humanistas.
 As principais técnicas por ela aplicadas são: a observação, a entrevista, a ananmese, o
questionário e a leitura de imagens.
 Os resultados obtidos através da aplicação isolada ou combinadas das diferentes técnicas
devem ser tratados pelo professor com cuidado e profissionalismo pois, há uma exigência ética
para tal.
 Durante a aplicação das técnica, sempre que houver necessidade de se fazer uso de
instrumentos auxiliares de registo, o professor deve solicitar à criança ou aos pais e
encarregados de educação a autorização para tal, explicando devidamente os propósitos da
recolha da informação e as suas finalidades.
 Os resultados devem estar no anonimato, têm que ser sigilosos e devem ser usados
exclusivamente para efeitos de estudo e melhoria da qualidade de aprendizagem da criança.
Nenhuma técnica é por si só conclusiva.
 A Psicologia é definida como sendo o estudo científico do comportamento humano e animal e,
seu objecto de estudo é o comportamento.
 Através das suas áreas de especialização a Psicologia faz diferentes e vários estudos sobre o
comportamento humano em ambiente escolar que subsidiam a Psicopedagogia no estudo do
ensino e da aprendizagem.

32
 A Pedagogia é o campo do conhecimento científico que estuda de maneira sistemática a teoria
e a prática educativa que ocorre na sociedade. O objecto de estudo da Pedagogia é a educação.
 Ensinar e Aprender constituem processos didácticos básicos. A acção principal do professor é
garantir a unidade didáctica entre ensino e aprendizagem, através do processo de ensino.
Ensino e aprendizagem são duas facetas de um mesmo processo.
 Ensinar visa estimular, dirigir, incentivar, impulsionar a aprendizagem dos alunos. A tarefa
principal do ensino consiste em assegurar a difusão e o domínio dos conhecimentos
sistematizados e legados pela humanidade.
 Aprender visa apropriar-se dos conhecimentos e habilidades através das modificações das
condições exógenas e endógenas do próprio aluno.
 Como foi referido antes, o objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de
aprendizagem das crianças e jovens.
 Para lidar com elas a Psicopedagogia faz uso da abordagem da inclusão escolar que coloca o
aprendente como principal actor em todo o processo de ensino-aprendizagem.
 A Educação Inclusiva é um paradigma de desenvolvimento da escola no seu todo, virado para o
acolhimento educacional de todas as crianças e jovens respeitando as suas diversidades físico-
mental, cultural, social, linguística, racial, religiosa e outras particularidades no processo de
ensino-aprendizagem.
 O processo de educação de crianças com deficiências ocorreu em quatro períodos distintos,
desde a atinguidade até aos dias de hoje, nomeadamente: Período da Exclusão, Período da
Segregação, Período da Integração e Período da Inclusão.
 A Psicopedagogia apresenta uma proposta de mudança atitudinal na orientação dos processos
de ensino-aprendizagem em que todo o movimento e todas as práticas tenham que passar de
uma perspectiva de integração para a desejada inclusão escolar.
 Integração e Inclusão são dois paradigmas contraditórios da abordagem e prática do processo
de ensino-aprendizagem de crianças e jovens com deficiências ou necessidades educativas
especiais.

2.4. Actividades

a) Quais as partes que compõem a Psicopedagogia e qual a função de cada parte?


b) Identifique o papel da Psicopedagogia.
c) Mencione o que a Psicopedagogia fornece ao professor.

33
d) Qual é a acção principal do professor nos processos de Ensinar e Aprender?
e) O que significa Ensinar e Aprender?

2.5. Autoavaliação

a) O que estuda a Psicologia e a Pedagogia?


b) Em que contexto a Psicopedagogia exerce o seu papel?
c) O que significa Ensinar e Aprender?
d) O que fornece a Psicopedagogia ao professor?

2.6. Chave de Correcção

Nós concordamos consigo, quando respondeu:


a) A Psicologia, na relação com a Pedagogia, estuda o comportamento e os processos mentais e, a
Pedagogia realiza os processos de ensinar e educar, tendo em conta as considerações da
Psicologia.
b) A psicopedagogia exerce o seu papel no Processo de Ensino-Aprendizagem.
c) Ensinar visa estimular, dirigir, incentivar, impulsionar o processo de Aprendizagem dos
alunos. A tarefa principal do Ensino consiste em assegurar a difusão e o domínio dos
conhecimentos sistematizados legados pela humanidade. Aprender visa apropriar dos
conhecimentos e habilidades através das modificações das condições externas e internas do
aluno.
d) A Psicopedagogia fornece ao professor, os princípios e técnicas que lhe permitem compreender
e intervir eficazmente no processo de Ensino-Aprendizagem e a capacidade de avaliar os
resultados das actividades dos alunos, bem como da responsabilidade da escola e dos pais e
encarregados de educação.

2.7. Bibliografia Complementar

 Mialarret, G. (1992). A Psicopedagogia. Lisboa: Publicações D. Quixote, Lda.


 Mantoan, M. (2006). Inclusão Escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna.
 Lassek, R. & Mambuque. (2006). O. Ensino Centrado na Criança: módulo de formação de
professores em exercício. Maputo: Ministério da Educação.

34
3. Unidade Temática III. Noções de Desenvolvimento e de Aprendizagem Humanos

Duração da Unidade: 12 Horas

3.1. Introdução da Unidade Temática

Na actualidade é cada vez maior o interesse dos gestores educacionais, professores, pais e demais
educadores em conhecerem melhor o ser humano nas diferentes etapas do seu desenvolvimento
físico-motor, cognitivo, linguístico e psicossocial.
Como qualquer outro animal o ser humano guia-se por quatro princípios básicos de sobrevivência:
nasce, cresce, reproduz e morre. No entanto, distingue-se desses outros por ser racional e pró-activo
na sua maneira de viver.
A natureza humana é determinada pelo seu desenvolvimento, desde a sua concepção até à sua morte
e pela aprendizagem que adquire e aplica no processo de transformação da natureza para a
preservação e perpetuação da sua espécie. Nestes termos, desenvolvimento e aprendizagem são
conceitos dinâmicos que se interligam e inter-relacionam mutuamente sendo difícil ou mesmo
impossível determinar onde começa um e termina o outro ao longo do crescimento humano.
O presente capítulo está dividido em três partes. Na primeira estão descritos os processos
relacionados com o desenvolvimento humano tais como o conceito de desenvolvimento humano,
seus factores, estágios, aspectos e teorias que o explicam. Também é feita uma abordagem de como
ocorre a socialização humana e como se forma a sua personalidade.
Na segunda parte é feita a explicação dos processos da aprendizagem humana fazendo-se referência
ao seu conceito, aos pré-requisitos necessários para que ela ocorra, aos produtos dela resultantes, às
formas que explicam a sua aquisição, às variáveis nela envolvidas, às características da sua dinâmica
e aos factores que facilitam a sua aquisição.
Finalmente, as necessidades educativas especiais são abordadas na terceira parte. Neste sentido são
apresentados o seu conceito, seus grupos, tipos e causas e, depois, as atitudes favoráveis para com
elas.

3.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática

No final do estudo desta Unidade Temática, o formando:

a) Orienta o processo de Ensino-Aprendizagem centrado no aluno, tendo em conta os factores do


desenvolvimento, formas de aprendizagem e Necessidades Educativas Especiais.
b) Apresenta actividades integradoras e aglutinadoras, respeitando princípios pedagógicos e o
desenvolvimento cognitivo dos alunos.

35
c) Identifica os alunos com Necessidades Educativas Especiais;

3.3. Recursos de Aprendizagem

3.3.1. O Desenvolvimento Humano


[Link]. Conceito de Desenvolvimento Humano
O desenvolvimento humano refere-se aos diferentes e sequenciais estágios maturacionais biológicos
que todo o ser humano vivencia desde a sua concepção, passando pelo nascimento, até alcançar a sua
plenitude de vida e a morte. Assim, a maturação tem a ver com os padrões evolutivos de mudanças
geneticamente programadas que o ser humano apresenta durante o seu amadurecimento orgânico e
mental . Estas mudanças registam-se, simultânea e paralelemente no tamanho e forma corporais, na
formação celular, no funcionamento hormonal, na estrutura óssea, na consistência muscular e em
todos os sistemas ou funções corporais internos e externos.
No contínuo processo maturacional as conexões neuro-fisiológicas amadurecem ganhando cada vez
mais precisão na captação dos estímulos do meio ambiente através dos órgão dos sentidos. Mais
tarde, em fracções de segundos, as informações captadas do exterior e mesmo do interior do
organismo são conduzidas para o sistema nervoso central que as codifica e emite as respostas
apropriadas a cada situação estimuladora.
O desenvolvimento ou a maturação ao longo de toda a vida é um processo inato, próprio da natureza
humana, que determina, cronologicamente, o aparecimento gradual de destrezas e capacidades que
levam a pessoa a perceber e interagir com o meio em função da idade e do sexo.
[Link].1. Princípios do Desenvolvimento Humano
O desenvolvimento humano ao longo de toda a vida inicia na gestação na qual o zigoto (óvulo
fecundado pelo espermatozóide) se transforma em embrião e este, depois, em feto.
Dois princípios regulam a maturação humana: (i) o princípio céfalo-caudal, que quer dizer, da cabeça
para os pés e (ii) o princípio próximo-distal, ou seja, do centro do corpo para as suas extremidades.

O princípio céfalo-caudal diz que o desenvolvimento humano ocorre de cima para baixo, ou seja, da
cabeça para os pés. Quer isto dizer que ainda no período da gestação o cérebro do bebé cresce muito
rápido e a cabeça é desproporcionalmente grande em relação a todo o corpo. Por exemplo, no
primeiro ano de vida o cérebro do bebé tem 70 % do peso de um adulto, mas o resto do corpo tem
apenas 10 a 20 % desse peso.

De acordo com o princípio próximo-distal o desenvolvimento motor do bebé ocorre de dentro para
fora, isto é, do centro do corpo para fora. No útero, a cabeça e o tronco do bebé desenvolvem-se
primeiro do que os braços e as pernas, depois as mãos e os pés e, finalmente, os dedos das mãos e dos

36
pés. Por exemplo, em primeiro lugar, o bebé desenvolve a capacidade de usar os braços e as coxas
(próximos do centro do corpo) e, depois, usa os antebraços, as pernas, as mãos, os pés e os dedos das
mãos e dos pés.

[Link].2. Idades do Desenvolvimento Humano


Em todas as sociedades espera-se que o desenvolvimento humano aconteça de uma forma
padronizada, uniforme e única. Embora este processo tenha o mesmo direccionamento e passe pelas
mesmas etapas evolutivas em toda a espécie humana, ele tem momentos e ritmos maturacionais
irregulares e específicos (próprios) em cada pessoa.
A dinâmica dos diferentes estágios de amadurecimento orgânico e mental de cada indivíduo pode ser
verificada através da interligação das suas idades biológica e cronológica.
a) Idade Biológica
Refere-se ao real momento de amadurecimento de um órgão ou sistema corporal, pronto para
desempenhar a sua função natural.
b) Idade Cronológica
É entendida como os anos de vida de alguém verificados a partir do dia do seu nascimento tendo
como referência de mensuração o calendário civil.
Uma pessoa está madura quando a sua idade biológica se ajusta adequadamente à sua idade
cronológica. Quer isto dizer que o desempenho de uma tarefa socialmente requerida deve ser
avaliado positivamente em função da correspondência apropriada entre idade biológia e idade
cronológica. Nestes termos, e excepcionalmente, podem ocorrer situações em que a idade
cronológica ou de crescimento, pode ser maior que a idade biológica. Situações inversas têm sido
verificadas no decurso do desenvolvimento humano.
Na interação entre idade biológica e idade cronológica têm se registado as seguintes situações do
processo de desenvolvimento humano:
 Em uma situação de maturação orgânica avançada, a idade cronológica é maior que a biológica.
 Em uma situação de maturação orgânica retardada, a idade cronológica é menor que a idade
biológica
 Numa situação de maturação orgânica esperada ou regular a idade cronológgica é igual à idade
biológica.

Em todas as situações acima apresentadas factores hereditários e ambientais jogam um papel decisivo
na manifestação dos comportamentos específicos do ser humano.

37
Factores de Desenvolvimento Humano

Hereditariedade e ambiente são factores que determinam os processos, os ritmos e as condições


(favoráveis ou desfavoráveis) de um desenvolvimento humano esperado, “padrão”, “pleno” ou
“normal” e também anómalo. São responsáveis pelo estabelecimento da singularidade, totalidade e
historicidade da natureza humana, tornando os homens iguais e diferentes entre si.
Devido à forte interacção entre hereditariedade e ambiente sobre o desenvolvimento humano, muitas
vezes fica difícil determinar que padrões de comportamento são originados por um ou pelo outro
factor. Abaixo é feita uma breve explicação de como estes factores influenciam, separada e
mutuamente, a “construção” do homem.
[Link].3. Influências da Hereditariedade no Desenvolvimento Humano

Todo o ser humano possui características orgânicas semelhantes às do seu pai e às da sua mãe.
Assim, a hereditariedade refere-se a toda a informação genética (os genes), inata, própria da natureza
humana, que um indivíduo herda dos seus progenitores, sendo um factor determinante na formação e
no desenvolvimento de qualquer pessoa.

O fenómeno da transmissão genética não ocorre apenas no ser humano mas, também, em todos os
seres vivos. Esta é a forma pela qual o homem reproduz-se, nasce, desenvolve-se e preserva-se, de
geração em geração.
A unidade fundamental de transmissão hereditária é o gene. Cada célula humano contém milhares de
genes constituídos pelo ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA).
O ADN determina a constituição bioquímica e a funcionalidade de cada célula do ser humano. Ele é
o código genético que possui toda a informação biológica que é transmitida de pais para filhos no
acto da concepção. Por exemplo, as características observáveis que nos levam a descrevermos
alguém como sendo parecido com o pai ou com a mãe (alto, negro, branco, mistiço, de olhos
castanhos, de cabelos crespos, magro, gordo, etc) são determinadas pelos genes, pelo ADN.
Algumas vezes, durante o período da gestação, a formação e transmissão dos genes não têm ocorrido
regularmente como o esperado ou desejado. Nesse processo têm se registado anomalias que podem
estar relacionadas com as seguintes causas:
 má formação dos genes de um ou de ambos progenitores;
 acidentes e infecções intra-uterinos;
 doenças contraídas pela mãe durante a gravidez;
 incompatibilidade sanguínea dos progenitores;
 má nutrição e cuidados de saúde inadequados da mãe;
 consumo impróprio de drogas e outras substâncias químicas durante a gestação;

38
 imaturidade orgânica e gravidez tardia da gestante;
 acidentes traumáticos ocorridos durante o parto;
 instabilidade emocional da mãe durante a gravidez;
 elevado número e pouco espaçamento de gravidezes.
Como se pode concluír, as anomalias que se registam durante o período da gestação resultam em
deficiências congénitas (adquiridas antes e durante o nascimento) nos bebés, de natureza física,
mental ou sensorial. Deste modo, muitos cuidados em saúde assistida, estabilidade emocional e
alimentação apropriada devem ser assumidos e praticados pela mulher gestante, o que poderá
contribuir em grande medida para uma boa formação dos genes e o nascimento de crianças sadias em
todos os aspectos.
[Link].4. Influências do Ambiente sobre o Desenvolvimento Humano
O meio ambiente é constituído por todos os elementos sociais e físicos que são externos ao homem e
se encontram em permanente e contínua mutação e interacção entre si.
Os factores sociais envolvem o homem e as suas práticas, produções, interacções e experiências
históricas, culturais e económicas nos processos de transformação, conservação e preservação do
meio para o benefício pessoal e de toda a humanidade. Os factores físicos do meio ambiente são o
clima, a vegetação, os solos, o ar, a água, os alimentos e outros. Quer isto dizer que o
desenvolvimento humano ocorre num ambiente ecológico específico, constituído por uma complexa
rede social de actores, seres e interações.
As práticas tradicionais e modernas da humanidade sobre o meio ambiente são exercidas socialmente
através da aquisição por aprendizagem, de pais para filhos ou dos mais velhos para os mais novos ou
ainda por acúmulo de experiências no contacto directo com a natureza.
O ambiente social restrito que é a família é o berço do desenvolvimento de qualquer ser humano. A
criança recém-nascida em interação com os pais, irmãos e demais familiares mais próximos vai
adquirindo, gradualmente, em função do sexo, da idade e da cultura, conhecimentos, atitudes,
comportamentos,valores, regras e demais normas de convivência do seu meio sociocultural. Estas
competências tornam-se mais complexas à medida que a criança vai crescendo e ampliando suas
interações num um ambiente ecológico mais amplo, na escola e na comunidade.

Os processos de adaptação do homem ao meio processam-se através de influências mútuas. Quer isto
dizer que de uma maneira dinámica e proativa o homem domina e modifica a natureza ao mesmo
tempo que também é moldado pelo meio nas suas características físicas, cognitivas e comunicativas
em função das suas necessidades de desenvolvimento pessoal e social.

Em todas as sociedades espera-se que a interação homem-ambiente seja naturalmente sadia ao longo
de toda a vida. Contudo, há eventos do próprio meio que podem produzir anolalias no

39
desenvolvimento humano. Tais anormalidades referem-se à aquisição de deficiências físicas, mentais
e sensoriais, cujas causas podem ser uma ou a combinação dos seguintes determinantes:

 a fome e a má nutrição da criança em desenvolvimento;

 as doenças infecciosas e crónicas;

 as guerras, desastres naturais, acidentes e violência doméstica; e

 o consumo impróprio de drogas e outras substâncias químicas.

Em todo o processo relacional homem-ambiente, cabe ao próprio homem fazer uma gestão
inteligente do meio de modo a renová-lo, preservá-lo e protegê-lo para o bem do seu
desenvolvimento e estabilidade física, intelectual e afectivo-emocional.

[Link].5. Influências da Hereditariedade e do Ambiente no Desenvolvimento Humano


Hereditariedade e aprendizagem interagem mutuamente exercendo influência directa na formação e
desenvolvimento do indivíduo ao longo de toda a vida. Se por um lado, as características físico-
orgânicas e as capacidades mentais pessoais são determinadas pelo ADN herdado dos progenitores,
por outro, o meio ambiente contribui de maneira decisiva oferecendo condições favoráveis ou
desfavoráveis para o desenvolvimento e estimulação das características humanas. É nesta intrínseca
interacção entre hereditariedade e ambiente que ocorre o desenvolvimento humano e a consequente
formação da sua personalidade.
Estudos recentes veêm demonstrando como a hereditariedade e o ambiente têm influenciado a
maturação ou o desenvolvimento humano. Por exemplo, o ambiente intra-uterino pode ser perturbado
por factores extra-uterinos (eventos ambientais) durante o período da gestação. A instabilidade
emocional ou o consumo impróprio de drogas pela mãe gestante afectam negativamente na formação
e no desenvolvimento dos genes. Estas situações podem provocar no bebé em crescimentos
diferentes tipos de deficiências.
Até há bem pouco tempo via-se a competência de andar como uma característica puramente
determinada por factores biológicos. No entanto, o meio exerce a sua influência propiciando ao
indivíduo o desenvolvimento de destrezas específicas através da repetição dos movimentos, das
condições estruturais do meio, das práticas produtivas e das necessidades sociais.
O desenvolvimento das capacidades cognitivas, linguísticas e psicomotoras de uma criança de seis
anos que ingressa na 1ª classe não é determinada apenas pela natureza dos seus genes. Associam-se a
elas as suas experiências anteriores de ter ou não frequentado um jardim de infância ou centro pré-
escolar, que são ambientes nos quais a criança, numa intensa e dinâmica interação com outras da sua

40
idade, e sob orientação de um educador ou educadora, activa mais cedo as suas capacidades e
habilidades em comparação com aquela que não frequentou tais centros infantis.
Estudos recentes relacionados com a inteligência, a agressividade, a obesidade e outros traços de
personalidade são conclusivos de que a hereditariedade e o ambiente influenciam-se mutuamente
sendo difícil, muitas vezes, descerever o grau de determinação de um factor sobre o outro.
Como indicam os estudos efectuados pelos cientistas das áreas de genética e desenvolvimento
humano, nos dias de hoje está provado que hereditariedade e ambiente são factores que estão em
permanente interação e, mutuamente, exercem influência na determinação das características físicas,
cognitivas, psicomotoras e psicossociais ou de personalidade de cada indivíduo, sendo difícil a
separação de uma da outra.
[Link]. Estágios do Desenvolvimento Humano

Os estágios de desenvolvimento humano são similares em toda a espécie humana podendo haver
ligeiras diferenças em termos de género, duração e ritmo maturacional. Quer isto dizer que algumas
pessoas têm maturação e desenvolvimento mais lentos ou mais rápidos do que as outras.
Uma vez que o crescimento humano ocorre de maneira dinâmica, contínua e em espiral não há
fronteiras fixas entre um estágio e o seguinte que determine o momento de maturação de cada pessoa.
Como já foi referido anteriormente, esse momento é geralmente determinado pela interação entre
factores genéticos e ambientais.
Em seguida são apresentados os diferentes estágios maturacionais do ser humano, relacionados com
as suas respectivas faixas etárias:

 Pré-natal (gestação) – do início da concepção até ao nono mês de gestação.


 Nascimento –que dura um pouco mais de 12 horas.
 Infância (1ª infância) – de 0 aos 3 anos de idade.
 Pré-escolar (2ª infância) – dos 3 aos 6 anos de idade.
 Escolar (3ª infância) – dos 6 aos 12 anos de idade.
 Pré-adolescência – dos 12 aos 14 anos de idade.
 Adolescência – dos 14 aos 21 anos de idade.
 Fase Adulta – dos 21 aos 65 anos
 Velhice – mais de 65 anos de idade.

No processo de desenvolvimento humano os estágios e as faixas etárias interligam-se com os


aspectos de desenvolvimento que abaixo são apresentados.

[Link]. Aspectos do Desenvolvimento Humano

41
Vários aspectos de maturação orgânica registam-se ao longo do processo de desenvolvimento
humano. Referem-se às competências, capacidades e habilidades de socialização que cada ser
humano adquire, regularmente, em cada faixa etária, em função da idade, sexo e cultura.

A apresentação de cada um dos aspectos é feita para fins didácticos uma vez que todos eles estão
entrelaçados e influenciam-se mutuamente na formação e no dinâmico funcionamento da
personalidade de cada indivíduo.

Dentre vários aspectos constituintes da personalidade humana os seleccionados para este Manual são
os seguintes:

[Link].1. Desenvolvimento Físico-Motor

Refere-se ao crescimento ou maturação orgânica, isto é, do ponto de vista neurofisiológico, muscular


e ósseo que ocorre simultaneamente com o desenvolvimento das competências e habilidades de
coordenação motora ampla e fina.

[Link].2. Desenvolvimento Cognitivo


Diz respeito à maturação neurológica e ao desenvolvimento dos processos mentais como cognição
(conhecimento), inteligência, raciocínio, percepção, pensamento, criatividade, imaginação e outros.
[Link].3. Desenvolvimento da Linguagem
Trata-se da aquisição da linguagem que começa com os choros e evolui progressivamente para as
expressões faciais, os gestos, a fala e, finalmente, a adopção de padrões simbólicos mais complexos
da comunicação humana.
[Link].4. Desenvolvimento Psicossocial

Relaciona-se com as competências interaccionais que a criança vai adquirindo, continuamente, nas
relações que estabelece com o seu meio sociocultural, em cada uma das etapas do seu
desenvolvimento.

Na Tabela 02, abaixo, são apresentadas alguns aspectos do desenvolvimento humano e as


competências maturacionais que as caracterizam, em cada um dos estágios etários.

42
Tabela 02
(Estágios e Aspectos do Desenvolvimento Humano)
Estágios do
Aspectos do Desenvolvimento (da)
Desenvolvimento
Nr
Faixa
Período Físico-motor Cognitivo Linguagem Afectivo-emocional Psicossocial
etária
 Dentro do útero (na mulher) inicia a fertilização com a formação do embrião através da união entre o espermatezóide e o óvulo, como resultado da relação
sexual entre um homem e uma mulher.
 Com a fertilização do óvulo forma-se o zigoto que é unicelular, iniciando-se assim o estágio germinal que durará aproximadamente 2 semanas.
Início da
 Neste período o zigoto entra num processo rápido de crescimento, dividindo-se em mais de bilhões de outras células complexas e especializadas que vão dar
vida
origem a uma nova vida humana.
 Desenvolvem-se também a placenta, o cordão umbilical, o saco amniótico e outros órgãos vitais com funções importantíssimas que irão contribuir para a
sustentação, alimentação e proteção do feto em crescimento no útero.
 Durante as 8 ou 12 semanas seguintes ocorre o estágio embrionário. Trata-se de um período extremamente crítico no qual os diferentes sistemas e
respectivos órgãos corporais se desenvolvem rapidamente.
 Neste estágio inicia a formação da pele, dentes, unhas, cabeça, boca, cabelo, olhos, orelhas, órgãos sensoriais, sistema nervoso central, cérebro, medula
Gestação

3 meses
Pré- espinal, sistemas fisiológicos, fígado, pâncreas, glândulas, músculos e esqueleto.
01 depois
natal  O embrião em mudanças rápidas e constantes torna-se vulnerável às influências destrutivas do ambiente pré-natal.
 É neste estágio que ocorrem frequentemente os abortos expontâneos resultantes da má formação dos cromossomas e de práticas e hábitos nocivos como o
consumo de álcool e outras drogas, o esforço físico desmidido, a alimentação inadequada, a instabilidade emocioal, a violência, as doenças.
 Nas últimas 26 ou 30 semanas, até ao nascimento o feto (a futura criança em crescimento no ventre da mãe) acelera o seu desenvolvimento de maneira rápida
e activa. Trata-se do estágio fetal que finaliza o processo da gestação.
 Neste estágio todos os órgãos corporais e suas funções ficam prontos para a ocorrência do nascimento. É identificável o sexo do feto.
9 meses  Já quase pronto para nascer o bebé já se comporta: respira, flexiona o corpo e seus membros, olha, engole, chupa os dedos, articula os dedos dos pés e das
depois mãos, regista pulsações cardíacas
 Ë diferenciável o comportamento dos fetos em função do sexo.
 Os sentidos gustativo, olfactivo, tactil, visual e auditivo estão suficientemente desenvovidos para o momento do nascimento.
 Corpo com cerca de 30cm de extensào e 1,35kg de peso.
02 Nascimento  O nascimento do bebé ocorre em quatro estágios: no primeiro, registam-se as contracções uterinas que se intensificam à medida que se aproxima o momento
em que o feto será expelido devido à dilatação do córtex e ao esforço que a mãe faz no processo; no segundo estágio, como consequência da total dilatação
do córtex e do contínuo esforço da mãe o bebé emerge completamente para o exterior, ocorrendo assim o seu nascimento; no terceiro estágio a placenta e o
cordão umbilical que durante todo o período da gestação mantiveram o bebé vitalmente ligado à mãe são expelidos do corpo dela; no quarto e último estágio,
com o fim do trabalho de parto a mãe repousa para se recuperar sobre observação médica.

43
 Em média, o bebé recém-nascido inicia a sua vida com cerca de 45cm de estatura e 3 kg de peso, havendo ligeiras diferenças entre meninos e meninas sendo
eles mais compridos e pesados que elas
 Durante o primeiro mês de vida o bebé passa por um período de transição (o período neonatal), da vida uterina que levava no vertre da mãe para uma vida
autónoma no meio ambiente sócio-cultural, até à sua morte. Neste período o bebé perde algum peso voltando a recuperá-lo algumas semanas depois.
 Os sistemas corporais (respiratório, circulatório e gastrointestinal), a regulação da temperatura e o sistema nervoso central (cérebro e medula espeinal)
funcionam plenamente.
 O bebé tem um relógio biológico que regula os seus ciclos de sono, vigília e actividades (alimentação, eliminação e humor). Estes estados parecem ser inatos
uma vez que todos os recém-nascidos de qualquer sociedade ou cultura vivem a mesma situação, havenndo algumas variações individuais em termos de
duração dos mesmos.
 Os comportamentos do bebé são genericamente reflexivos que vão diminuindo com o crescimento e à medida que ele vai adquirindo competências no
controle dos seus movimentos corporais.
 Neste início de vida o bebé não tem nenhum conhecimento e nenhuma experiência, mas capacidades e estrutura cognitiva para experimentar, adaptar-se e
paricipar activamente na transformação dos meios físico e sócio-cultural em que vive.

44
Estágios do Desenvolvimento Aspectos do Desenvolvimento
Nr
Período Faixa etária Físico-motor Cognitivo Linguagem Psicossocial
 O crescimento físico e o desenvolvimento
motor do recém-nascido ocorrem  As capacidades sensório-motoras do bebé
normalmente dentro dos princípios céfalo- tornam-se mais elaboradas com o  Suas bases de desenvolvimento psicossocial estão
caudal e próximo-distal. crescimento deixando de se comportar na directamente ligadas com as emoções, o
 O crescimento e desenvolvimento de base de reflexos mas sim para a satisfação temperamento e as experiências de vida com os
todos os sistemas e órgãos corporais é de necessidades orientadas para um pais e outras pessoas significativas.
 Começa a comunicar-se gesticulando e,
rápido, principalmente no primeiro ano, objectivo.  A expressão das emoções relaciona-se com a
progressivamente, balbuceia, imita sons
mas decrescendo nos dois anos seguintes.  Desenvolve as capacidades de observação maturação do cérebro e os desenvolvimentos
linguísticos, soletra palavras simples e a
 O bebê é totalmente dependente dos pais e e imitação simplificada de gestos e cognitivo e da autoconsciência.
primeira palavra, com uma ideia completa,
outros para se locomover, se alimentar e palavras das pessoas mais crescidas e  Exprime as suas emoções através do choro, do riso
surge entre os 10 e 14 meses dando início
cuidar da sua higiene. próximas. e do sorriso.
com o seu discurso linguístico.
 Com o evolutivo amadurecimento da  Nomeia e manipula objectos cada vez  A amamentação é um factor chave no
 Desenvolve a linguagem a partir do
estrutura orgãnico-mental, a criança mais complexos dando-lhes algum fortalecimento da relação entre mãe e filho.
manuseio concreto de objectos a partir dos
aprende a locomover-se, a se sentar, a significado e funcionalidade social.  Desenvolve aspectos básicos de responsabilidade e
quais estabelece relações de causa e efeito
gatinhar, a andar, a segurar os objectos  Práticas e hábitos de escuta e discurso de independência; é activa explorando e
da sua realidade sócio-cultural.
com mais vigor e a coordenar os seus coerentes, leitura e escrita se desenvolvem compreendendo o mundo à sua volta e distingue as
 Todos os dias aprende novas palavras. Esta
movimentos corporais. a partir da exposição a estimulos acções permitidas das não permitidas.
competência vai evoluindo
 As capacidades sensoriais da criança audiovisuais directos e activos como  A criança é egocêntrica por não compreender que
1ª Infância

0 aos significativamente podendo usar palavras


Infân ganham um rápido desenvolvimento já contar histórias, ouvir diferentes e faz parte de um grupo que partilha os seus haveres;
03 3 como mamã, papã, etc, formular algumas
cia podendo fazer a discriminação de agradáveis sons, rabiscar, desenhar, sua percepção é de que tudo o que está ao seu
anos frases complexas com sentido e
estimulos; o tacto é o mais apurado com tactear, saborear, cheirar, experimentar, redor é seu.
gramaticalmente correctas, nomeiar alguns
grande sensibilidade à dor; o olfacto, o etc. 
objectos do seu meio e atingir um
paladar e a audição evoluem podendo o  Interioriza algumas regras sociais básicas  Expressa sentimentos de desagrado, tristeza,
vocabulário com cerca de 800 a mil
bebé demostrar preferências por odores, do que pode e não pode fazer e do certo e satisfação e alegria.
papavras.
sabores e sons. errado a partir da permanente interacção  Tem nos pais os principais modelos.
 Inicia com o processo de representação
 O leite materno administrado com os pais e outras pessoas mais  Tem noção das recompensas pelos bons
mental dos acontecimentos com alguma
exclusivamente é o alimento aconselhado próximas e de experiências pessoais bem comportamentos e dos castigos pelos maus.
acertividade.
para a alimentação do bebé por ser mais ou mal sucedidas.  Desenvolve o processo de identificação em relação
 Desenvolve o pensamento simbólico sendo
completo e possuir anticorpos protectores  No fim desta faixa já interage e partilha aos amigos, parentes, colegas e outras pessoas do
capaz de antecipar os acontecimentos do
de infecções e outras doenças infantis. seus objectos com os outros; inicia com a mesmo sexo ou do sexo oposto.
dia-a-dia a partir das suas causas.
 Depois do sexto mês de vida a dieta internalização de regras; diferencia as  Distingue as semelhanças e diferenças dos padrões
 Possui a gramática e a sintaxe
alimentar começa a variar introduzindo- pessoas com base no sexo; revela de comportamento das pessoas do seu sexo e do
desenvolvidas.
se, gradualmente, alimentos mais sólidos. preferências por objectos, alimentos, oposto.
 Com o ser desenvolvimento rápido, o roupas e brincadeiras; busca  Sua personalidade se forma na expectativa da
crescimento reduz e o bebé ganha relutantemente por uma autonomia na resolução bem sucedida da crise confiança básica x
autonomia para se locomover, manipular apresentação de certos comportamentos desconfiança básica.
objectos, comer e realizar outras acção como vestir, comer, subir, descer, etc.
significativas.

45
 O crescimento físico aumenta lentamente
do que no estágio anterior.
 Os meninos são, ligeiramente, mais altos,
pesados e musculosos do que as meninas.
 A primeira dentição está completa e os
sistemas corporais (muscular, ósseo,
nervoso, respiratório, circulatório,
Pré- 3 digestívo e imunitário) amadurecem  Reduz gradulamente o seu egocentrismo
2ª Infância

escol aos consistentemente. aprendendo a partilhar com os outros o que é seu e


04  
ar 6  A enurese (fazer xi-xi na cama durante a o que é dos outros.
anos noite) é frequente mas que vai 
desaparecendo com o crescimento sem
necessidade de um acopanhamento
médico especializado.
 Há progressos significativos nas
competências motoras grossas e finas e na
coordenação óculo-motora.

 Distinguir acções e soluções correctas das
erradas.
 Apresenta soluções diversificadas para os
 Os dentes de leite começam a cair, um por seus problemas do dia-a-dia.
um.  Busca explicações racionais dos seus
 O aumento do peso e da altura reduzem actos, opções e crenças.
tanto nos meninos como nas meninas.  Distingue seus comportamentos e papéis
 Em média, crianças com a mesma idade, sociais com os de crianças da sua idade,
6 em ambos sexos, possuiem massa do mesmo sexo ou do sexo oposto.
3ª Infância

Esco aos muscular, estatura e peso semelhantes.  Aumenta a importância dos amigos e do
05  
lar 12  As diferenças entre meninos e meninas professor como modelos de vida havendo
anos em termos de força física, formato uma percepção inversa em relação aos
coporal, timbre de voz, preferências pais e familiares directos.
sociais e outros atributos acentuam-se  Desenvolve percepções pessoais,
progressivamente devido ao contínuo positivas ou negativas, sobre seus auto-
crescimento e aos incentivos sociais em conceito, auto-imagem e auto-estima a
relação aos papéis de género. partir das comparações que faz de si com
os outros com os quais se identifica nas
relações interpessoais.

 Regista uma instabilidade no crescimento
caracterizada por intensas e
desproporcionais transformações físicas e
12
psicológicas.
Pré- aos
06  É o início da puberdade, tanto nos   
adolescência 14
meninos como nas meninas, período
anos
caracterizado pelo rápido crescimento
corporal e amadurecimento dos órgãos
sexuais.
07 Adolescência 14  As mudanças e as diferenças físicas e  Nos meios familiar, escolar e social as 

aos psicológicas entre meninos e meninas responsabilidades, em termos de

46
direitos e deveres, com características
distintas para cada sexo, tendo em conta
os factores biológicos e sócio-culturais.
 A realização de actividades em função
do grupo de amigos ganha um grande
destaque em detrimento do interesse
familiar.
 Os amigos passam a ser o modelo de
21 tornam-se mais intensas, nítidas e vida e não os pais, vistos anntes como
anos observáveis. seus grandes heróis.
 O desafio e o questionamento das
regras sociais passa a constituir uma
orientação na sua maneira de ser e estar,
dentro da ilusão da possibilidade de
provocar mudanças na sua sociedade e
no mundo.
 O interesse pela cultura física, estética
corporal e

47
[Link]. Teorias do Desenvolvimento Humano
Desde a atiguidade até aos dias de hoje, o homem tem vindo a efectuar vários e complexos
estudos sobre a sua natureza, a sua constituição e a sua relação com o meio em que vive. Mesmo
considerando as valiosas descobertas científicas alcançadas ao longa história da pesquisa humana
muitas dúvidas, inquietações e insertezas persistem sobre o seu conhecimento real. Nesse
processo foram criadas teorias, formuladas metodologias e produzidos instrumentos apropriados
para se construir o conhecimento sobre o homem. Das muitas teorias já elaboradas pela
humanidade, aqui serão apresentadas algumas através das quais se explica como ocorre o
desenvolvimento humano em todas as sociedades, numa perspectiva biossocial. Em seguida, de
maneira resumida, são apresentadas as teorias do desenvolvimento humano elaboradas por Jean
Piaget e Sigmund Freud.
[Link].1. Teoria do Desenvolvimento Cognitivo
Jean Piaget foi um epistemólogo suíço que até hoje é considerado o principal estudioso das
questões relacionadas com o desenvolvimento mental da criança, particularmente no que diz
respeito ao pensamento e ao conhecimento (cognição).
Fazendo observações sistemáticas e questionando os comportamentos e as respostas dos seus
filhos e outros meninos Piaget descobriu a lógica da construção do pensamento e do
conhecimento pelas crianças. Assim criou a teoria do desenvolvimento cognitivo.
Na sua teoria Piaget descreve que, universalmente, a criança é um ser orgânico e activo, que está
em contínuo crescimento e com inteligência ou capacidades inatas para se adaptar às
características do seu meio socioambiental.
A teoria peagetiana postula também que o processo de desenvolvimento cognitivo ocorre em
estágios qualitativamente diferentes sendo que, em cada um deles, a criança apresenta novas
maneiras de pensar, operar e lidar com o ambiente. Neste continuum desenvolvimental, em cada
um dos estágios, ou seja, na interação entre o organismo (criança) e o meio socioambiente
ocorrem os mecanismos de organização e adaptação do aparelho cognitivo da criança.
a) Organização
À medida que a criança interage com o meio vai construíndo um conjunto de ideias complexas
sobre ele, denominado esquemas mentais que estão relacionados com a maneira física e sensorial
como todas as crianças agem para lidarem com uma dada situação da realidade social.
Os esquemas mentais são estruturas cognitivas que se referem, por exemplo, ao olhar (esquema
de olhar), apanhar (esquema de apanhar), segurar (esquema de segurar) etc. Neste processo de
construção do conhecimento sobre a realidade a partir de situações simples, a criança vai criando

48
e categorizando esquemas mentais mais complexos podendo daí observar, analisar, raciocinar,
comparar, deduzr e tomar decisões.
b) Adaptação
Na sua relação com o meio, quando a criança sai bem sucedida de um esquema simples para
outro mais complexo, diz-se que ela se adaptou à nova realidade social, à nova informação, isto
é, construíu um novo conhecimento. No entanto, uma vez que o conhecimento é dinâmico e
requer a integração de outros novos conhecimentos para se ampliar, a adaptação vai se recorrer
dos princípios de assimilação, acomodação e equilibração.
 Assimilação
A assimilação é o processo de absorver um novo conhecimento, experiência ou informação em
algum esquema, estrutura cognitiva ou modo de pensamento já existente. Por exemplo, qualquer
aprendizagem para que seja assimilada deve ser integrada num conjunto de outros
conhecimentos e experiências vividos anteriormente.
 Acomodação
A acomodação refere-se ao processo de mudança das estruturas cognitivas, ideias ou
pensamentos anteriores face à inclusão de um novo conhecimento. Através da acomodação a
criança reorganiza as suas ideias, melhora as suas habilidades e muda as suas estratégias de se
relacionar com o meio socioambientel.
 Equilibração
Devido à necessidade de se ajustar à sua realidade social, o organismo da criança está
permanetemente em mudanças nos seus processos de assimilação e acomodação, buscando o
equilíbrio ou a coerência social. A equilibração será então o processo pelo qual a criança luta
para alcançar um entendimento total do mundo que a rodeia.
Quando fica difícil assimilar e acomodar uma nova experiência a criança reestrutura os seus
padrões mentais até alcançar o equilíbrio, ocorrendo assim o seu gradual desenvolvimento
cognitivo de estágio em estágio. Para explicar esta dinâmica Piaget criou os seguintes quatro
estágio de desenvolvimento cognito: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e
operatório-formal. As características de cada um deles estão descritas na Tabela 03, abaixo.
[Link].2. Teoria do Desenvolvimento Psicossexual
No início do século XX, Sigmund Freud, médico neurologista e judeu-austríaco, criou a Teoria
do Desenvolvimento Psicossexual denominada também por Teoria da Personalidade, Teoria
Psicanalítica ou, simplismente, Psicanálise.

49
A Teoria Psicossexual tem uma abordagem terapêutica e seu objectivo é fazer com que as
pessoas se sintam curadas ao conhecerem os conflitos emocionais e inconscientes causados por
experiências traumáticas reprimidas durante a infância.
A teoria freudiana está especificamente orientada para explicar como ocorre o desenvolvimento
da personalidade, em dois processos maturacionais, ou seja, através do desenvolvimento do ego
(eu) que representa o amadurecimento cognitivo e o desenvolvimento psicossexual, que exprime
o amadurecimento afectivo.
Diz Freud que em cada pessoa, a personalidade é formada nos primeiros anos de vida como
consequência dos conflitos entre os impulsos biológicos inatos e as exigências da sociedade.
Estes conflitos ocorrem no decurso dos cinco estágios evolutivos da personalidade que são: Fase
Oral, Fase Anal, Fase Fálica, Fase da Lactência e Fase Genital. As características de cada uma
destas fases estão descritas na Taleba 03, que abaixo é apresentada, resumidamente.

50
Tabela 03
(Teorias do Desenvolvimento Humano)
Teorias de
Teóricos Estágios Faixas Etárias Descrição
Desenvolvimento
Durante o seu crescimento o bebé torna-se, gradualmente, capaz de organizar actividades em relação ao ambiente
Sensório-motor 00 aos 2 anos
através de actividades sensoriais e motoras.
A criança desenvolve um sistema de representações e usa símbolos para representar pessoas, lugares e acontecimentos.
Pré-operatório 02 aos o7 anos
A linguagem e o jogo simbólico são manifestações importantes neste estágio.
Cognitivo Jean Piaget
Logicamente, a criança pode resolver problemas se estiverem focalizados no aqui e agora. Não está em condições de
Operatório-concreto 07 aos 12 anos
pensar de maneira abstracta.
A partir da adolescência a pessoa já pensa duma forma abstracta, lida com situações hipotéticas e pensa sobre
Operatório-formal 12 à Idade Adulta
possibilidades.
Sociocultural Lev Vygotsky
As principais fontes do prazer do bebé são a boca, a língua e os lábios satisfeito através da sucção e da alimentação.
Fase Oral 00 aos 18 meses
Seu principal apego é a mãe que o proporciona prazer através da boca.
A zona de gratificação passa a ser a região anal pela qual a criança retém e elimina as fezes. O sucesso pela passagem
Fase Anal 18 meses aos 03 anos desta fase será reforçado pela postura dos pais na orientação do treino esfincteriano, levando a criança a expelir a urina
e as fezes no momento e lugar certos.
Sigmund
Psicossexual A criança liga-se ao pai do sexo oposto e, depois, identifica-se com o do mesmo sexo. O centro de satisfação são os
Freud Fase Fálica 03 aos 06 anos
órgão genitais.
É um período de relativa calmia dos impulsos de desenvolvimento. A satisfação do crescimento ocorre atrás do
Fase de Lactência 06 aos 12 anos
desenvolvimento intelectual e do investimento nas actividades e habilidades escolares.
Fase Genital 12 à Idade Adulta É tempo de maturação da intimidade e sexualidade adulta.
Confiança Básica x Através da mãe ou do seu educador principal o bebé desenvolve o sentido do mundo ser um lugar bom e seguro,
00 aos 18 meses
Desconfiança cultivando como virtudes o apego e a esperança.
Autonomia x Dúvida A criança desenvolve o equilíbrio e a sua independência sobre suas habilidades físicas e esfincterianas evitando a
18 meses aos 03 anos
(Vergonha) vergonha e a dúvida. Cultiva a vontade como virtude.
A criança desenvolve a iniciativa quando tenta fazer coisas novas assertiva e agressivamente, mas preocupada em
Iniciativa x Culpa 03 aos 06 anos
exprimir a culpa. A virtude cultivada é a finalidade.
Mestria (Deligência) x A criança adquire competências e normas básicas da cultura e habilidades escolares ou enfrenta sentimentos de
06 aos 12 anos
Inferioridade incompetência. A virtude desenvolvida é a competência.
Psicossocial Erik Erikson Identidade x Confusão de O adolescente deve determinar o sentido do seu self (eu), fazer a sua escolha profissional e adquirir uma identidade
12 aos 20 anos
Identidade sexual adulta ou então sentirá confusão no desempenho de papéis. A virtude cultivada é a fidelidade.
A pessoa busca estabelecer compromissos e relacionamentos íntimos como casar e formar família. Se ficar mal
Intimidade x Isolamento 20 aos 35 anos
sucedido poderá sofrer de isolamento e auto-absorção. Como virtude desenvolve o amor.
O adulto maduro está preocupado com a realização e criatividade profissional e na confirmação e orientação da
Criatividade x Estagnação 35 aos 60 anos
geração seguinte ou então sentirá um empobrecimento pessoal. Desenvolve como virtude os cuidados.
Os mais velhos aceitam o seu próprio self, a vida corrente e a morte ou então o desespero sobre a incapacidade de
Integridade x Desespero + de 65 anos
reviver a vida, cultivando como virtude a sabedoria.

51
Teorias de Faixas
Fundadores Estágios Descrição
Desenvolvimento Etárias
Orientação para a punição e para a obediência:
As crianças obedecem às regras dos outros para evitarem a
Estágio 1
punição. Valorizam a obediência porque sabem que os adultos
Moralidade As crianças, sob controlo externo, têm mais poder.
Nível 04 aos
Pré- obedecem às regras para evitarem a Individualismo, orientação instrumental e intercâmbio:
I 10 anos
Convencional punição ou para serem premiadas. As crianças submetem-se às regras devido a interesses
Estágio 2 pessoais e a consideração pelo que os outros podem fazer por
elas em troca. O que é bom para elas é o que lhes proporciona
resultados agradáveis.
Manutenção das relações mútuas, aprovação dos outros, a
regra de ouro:
Estágio 3 As crianças querem agradar e ajudar os outros. Podem julgar
As crianças internalizam os padrões das as intenções dos outros e desenvolver as suas próprias ideias
Lawrence
Moral Nível Moralidade 10 aos autoridades, preocupadas com o como acerca do que é ser boa pessoa.
Kohlberg
II Convencional 13 anos ser ”bom”, como agradar aos outros e Preocupação com sistema e consciência sociais (lei e
como manter a ordem social. ordem):
Estágio 4 As crianças estão preocupadas com o seu próprio dever,
mostrando respeito pela autoridade e mantendo a ordem
social.
Moralidade do contrato social, dos direitos individuais e
da lei aceite democraticamente:
Estágio 5 Os adolescentes reconhecem os conflitos Os adolescentes pensam em termos racionais, valorizando a
Moralidade
Nível + de 13 entre padrões morais e o seu próprio vontade da maioria e o bem-estar da sociedade. Normalmente,
Pós-
III anos julgamento com base em princípios de vêem estes valores como melhor apoiados pela adesão à lei.
Convencional
certo e errado e de igualdade e justiça. Moralidade dos princípios éticos universais:
Estágio6 As pessoas agem segundo os seus padrões internalizados,
sabendo que se condenariam a si próprios se não o fizessem.
Fontes: Bee (1996), Biaggio (1988), Papalia & Olds (2000) e Papalia, Olds & Feldman (2001).

52
[Link]. O Processo de Socialização Hunana
As interações que ocorrem entre a hereditariedade e o meio ambiente, ao longo de todo o
processo de desenvolvimento humano, ganham consistência com a socialização do indivíduo. É
ela que o faz pertencer a um grupo social específico. Também fá-lo participar activa e
efectivamente na transformação da sociedade de que faz parte.
A socialização refere-se a todas as práticas sociais através das quais todo ser humano aprende,
assimila e vivencia valores, normas, regras, crenças, princípios, códigos, rituais, costumes e
demais atributos sociais que são preservados e transmitidos de geração em geração.
No processo de socialização, que inicia na infância e decorre ao longo de toda a via, o indivíduo
aprende a desempenhar papéis sociais que os vai exercer nos diferentes contextos familiar,
escolar, comunitário e profissional.
[Link].1. Expectativas de Papéis
Todas as sociedades, com o processo de socialização dos indivíduos que a compõem,
desenvolvem expectativas em relação aos papéis que irão desempenhar integrados nos seus
diferentes grupos e contextos sociais. Os papéis são determinados em função da idade, do sexo
e da posição social que o indivíduo ocupa no seu grupo social.
Todas as pessoas, desde que nascem até que morram, são educadas conforme o seu sexo. As
expectativas sociais que se constroiem em relação aos homens são de que nos seus actos eles
sejam virís, incisivos, competitivos, arrojados, ambiciosos, persistentes, aventureiros,
inteligentes, lógicos, racionais, etc. Das mulheres espera-se que sejam carinhosas, tolerantes,
gentís, calorosas, expressivas, emotivas, meigas, ordeiras, cuidadosas, etc. Guiados por estas
expectativas os pais educam os seus filhos na base dos papéis de género que devem exibir nos
seus contextos de vida.
Em todas as culturas a diferenciação sexual inicia no nascimento e prolonga-se pela vida à fora.
O uso dos tipos de roupas, brinquedos, jogos, linguagem e outros são estimulados conforme as
características específicas de cada sexo.\ e assim se determinam as expectativas de papéis em
relação ao sexo.
No processo de socialização as expectativas de papéis podem também ser determinadas em
função da posição que cada indivíduo ocupa no seu grupo social. Tal papel pode ser mutável
conforme a situação ou contexto.
As expectativas de papéis de um pai, mãe e filho ou filha são restritas ao grupo familiar ao qual
pertencem perante a sociedade. Contudo, os mesmos na escola, no local de trabalho, na igreja,

53
no grupo associativo, no lazer, na rua e noutros lugar qualquer desempenham papéis
caracteísticos desse lugar.
As expectativas de papéis, construídas socialmente, comprovam que o ser humano está contínua
e permanentemente em processo de desenvolvimento e socialização desempenhando papéis
distintos em contextos distintos.
[Link].2. Tipos de Socialização
Discutiu-se já que a socialização humana refere-se à interiorização pelo indivíduo dos valores
culturais do grupo social ao qual pertence. Existem dois tipos de socialização: a primária e a
secundária.
a) Socialização Primária
A socialização primária é aquela que ocorre durante a infância quando a pessoa aprende,
interioriza e exibe as regras, os costumes, a linguagem, as crenças e os valores básicos de
convivência humana similares aos partilhados pelos membros do seu grupo social. É através
dela que a criança constrói a confiança em si mesma e nos outros mais próximos
A socialização primária ocorre na família que é a principal responsável pela iniciação da
educação e formação humana da pessoa. Nesta etapa o indivíduo forma o seu autoconceito e a
sua personalidade pelos quais vai se identificar e se diferenciar de todos os outros humanos.
b) Socialização Secundária
A socialização secundária é toda aquela que ocorre depois da infância, orientada para o
desempenho de papéis nos vários contextos sociais, ou seja, na escola, no trabalho, na igreja,
etc. Através dela o indivíduo estabelece seus relacionamentos com o mundo externo ao da sua
família e, ao mesmo tempo, desenvolve competências para alargar cada vez mais esse
relacionamento visando a sua inserção e participação social efectivas.
[Link].3. Agentes Socializadores
Três agentes sociais são os principais agentes socializadores da criança, nomeadamente, a
família, os amigos e a escola.

a) A Família
A família é a base da socialização primária da criança na qual são satisfeitas as suas
necessidades vitais relacionadas com o carinho, a alimentação, a proteção, a saúde, a educação
e demais factores de sobrevivência pessoal e social.
Nos primeiros meses de vida o bebé não distingue o seu corpo do da sua mãe, sendo ela a fonte
de satisfação de todas as suas necessidades básicas. A mãe o alimenta, o protege e o acarinha,
desenvolvendo nele a confiança básica. Com o crescimento a criança vai descobrindo que ao

54
seu redor não está só. Outras pessoas fazem parte da sua vida: a própria mãe, o pai e os irmãos
(caso os tenha).
Cada um dos pais desempenha papéis sociais específicos orientados para a educação da criança.
A influência paterna estará mais virada para o desenvolvimento das capacidades e habilidades
cognitiva e psicomotora grossa devido às suas atitudes e acções virís e normativas. Por outro
lado, o papel materno será mais de natureza afectiva e psicomotora fina, que moldará a criança
para ser mais afectuosa, tolerante, estética, respeitosa, delicada, etc.
b) Os Amigos
O grupo de amigos ou pares ganha maior importância na socialização à medida que a criança
vai crescendo. Através das suas relações de amizade as crianças vão desenvolvendo
conhecimentos e competência de convivência socialmente desejáveis em função do sexo e da
idade.
Os relacionamentos que são estabelecidos na base da amizade cultivam nas crianças os
sentimentos de identidade e de pertença a um grupo. Desta maneira elas aprendem a
desempenhar outros papéis para além dos de filho, irmão, neto e primo.
Nas brincadeiras, imitando as acções educativas e profissionais dos pais e outros adultos, as
crianças ainda muito cedo, vão se posicionando na estrutura social como sujeitos válidos e
participativos no desenvolvimento das suas famílias e comunidades. Com o crescimento elas
vão conquistando alguma autonomia e fazendo julgamentos dos papéis dos pais e dos adultos
no processo socioeducativo global.
c) A Escola
Diferentemente dos processos de socialização orientados nas famílias e nos grupos de pares que
são não-intencionais e informais, a socialização escolar é por natureza intencional podendo ser
formal ou não-formal.
Depois da família, a escola é o segundo mais importante agente socializador da criança. É ela
que fornece ao indivíduo os conhecimentos e as competências necessárias para a sua inserção
na vida social activa e produtiva.
As competências e habilidades sociais que o indivíduo deve desenvolver estão
cronologicamente organizadas num programa curricular cujo cumprimento está
responsabilizado a um professor para um determinado número de alunos.
Na escola o professor é o principal agente socializador usando para tal estratégias, métodos e
técnicas apropriadas visando a facilitação da aprendizagem ou a socialização desejável dos seus
alunos. Neste processo espera-se que o aluno adquira e aplique no seu contexto de vida
socioprofissional (para o bem pessoal e social) os conhecimentos e as competências de leitura,
escrita e raciocínio lógico-matemático.
55
A socialização do aluno para uma vida profissional e sociocultural activas através da escola
deve estar intrinsecamente relacionada com a aquisição e vivência das competência do aprender
a aprender, a fazer a conviver e a ser.
Como principal agente socializador na escola, em todas as actividades em que esteja envolvido,
o professor deve ser permanentemente estimulado para que assuma atitudes e comportamentos
ético-profissionais exemplares para toda a comunidade escolar.
d) Outros Agentes Socializadores
Para além da família, dos amigos e da escola outros agentes influenciam de maneira notável no
processo de socialização do indivíduo. Trata-se da igreja, dos grupos associativos e dos órgãos
de comunicação de massas (TV, rádio, internet, etc).
O papel socializador da igreja está essencialmente virado para a transmissão de valores morais e
de valorização e respeito pela vida humana.
Nos grupos associativos as pessoas buscam a identidade e pertença a um grupo da sociedade
civil no qual possam se engajar para o exercício da cidadania, ou seja, reivindicando seus
direitos e deveres de participação social.
Com a mundialização da economia e os rápidos acesso e uso das tecnologias de informação os
meios de comunicação tornaram-se num valioso agente socializador. Por exemplo através da
TV e da internet podem ser veiculadas mensagens de carácter educativo e informativo para
pessoas de todas as idades e lugares, no exacto momento em estiver a ocorrer um dado facto.

Como foi abordado anteriormente, através do processo de socialização ocorre a formação da


personalidade de um indivíduo, com carácter e temperamento ajustados aos padrões
socioculturais do seu grupo familiar e comunitário, seja de que sexo for.
[Link]. Conceito de Personalidade
A personalidade refere-se ao conjunto de características psicológias e físicas que são únicas no
indivíduo e que determinam os seus padrões de comportamento, pensamento, sentimento e
outras manifestações sociais particulares. De uma maneira mais simples, costuma-se dizer que a
personalidade é o que a pessoa é, ou seja, como as outras pessoas a veêm a partir das suas
maneiras habituais de agir, de pensar, de sentir, de falar e de se relacionar com os outros.
As características de personalidade são únicas, marcantes, consistentes e relativamente
duradoiras em cada pessoa, sendo construídas a partir da interacção dinâmica entre factores
hereditários e ambientais e a experiência pessoal.

A formação da personalidade é directamente influenciada pelas práticas produtivas e


manifestações socioculturais do grupo social ao qual a pessoa pertence ou com o qual se
identifica. Neste processo interativo com seus semelhantes a pessoa vai construíndo o

56
conhecimento de si mesma (autoconceito), a sua própria imagem (autoimagem) e a avaliação
de si mesmo (autoestima), através da aprendizagem.

O auto conceito diz respeito à maneira como cada um forma a sua própria personalidade.
Refere-se, especificamente, como a pessoa se constrói a partir da sua autoavalia no que é, no
que é capaz de fazer, no que os outros pensam que é capaz e no que gostaria de ser. É no âmbito
deste dinamismo de se autoconhecer que a pessoa adopta papéis que a sociedade espera que ele
os assuma e os execute com competência e habilidade.

A autoimagem tem a ver com a visão que a pessoa tem de si mesma construída a partir da
estimulação social, de experiências passadas e das expectativas pessoais. Através dela a pessoa
avalia as suas competências cognitivas, afectivas e psicomotoras, bem como os seus
sentimentos, as suas percepções e as suas caracterrísticas físicas. A avaliação que a pessoa faz
de si parte da avaliação que os outros mais próximos fazem dela mesma.

A autoestima refere-se à avaliação ou ao julgamento positivo ou negativo que a pessoa faz de


si mesmo.
Tendo como referência os outros com os quais se relaciona no dia-a-dia, cada indivíduo para se
sentir inserido num meio social está permanentemente a autoavaliar-se. Neste processo ele
procura saber o que é capaz de fazer, em termos de competências e, que importância ele mesmo
tem para com os outros, ou seja, qual é o seu valor no grupo. Assim, ao autoavaliar o seu
desempenho social a pessoa pode chegar à conclusão de que é ou não competente no que faz e,
no mesmo sentido, julgar-se prestativa ou não para com os outros.
Quem se avalia positivamente tem autoestima alta e se sentirá valorizada no seu meio social.
Em sentido contrário, quem se avalia negativamente, achando que nunca faz bem o que lhe
compete fazer, terá autoestima baixa e, consequentemente, não se sentirá com valor social.
A formação da personalidade é um processo biológico e socialmente dinâmico influenciado
pelos relacionamentos que a pessoa tem com o seu meio social e pelas expectativas de inserção
que esse meio tem para com ela.

3.3.2. A Aprendizagem Humana

A abordagem da Aprendizagem Humana, principal foco deste Manual é feita para que seja
entendida a sua dinâmica associada aos processos sociais e ambientais que influenciam de
maneira directa o aprender de cada um. Nesta secção são trazidos para discussão o conceito de
aprendizagem, a sua transferência após adquirida, os pré-requisitos para que ela ocorra de
forma eficaz, os seus produtos, a forma como as crianças aprendem, as suas variáveis e as suas
caracterísricas dinâmicas.
57
[Link]. Conceito de Aprendizagem
A aprendizagem ou o processo de aprender é intrínseco à natureza humana. Quer isto dizer que
todo e qualquer ser humano é potencial e permanentemente aprendiz. Duma maneira
intencional ou não o homem está continuamente a aprender.
A aprendizagem envolve o homem em todos os lugares onde quer que esteja (em casa, na
escola, na igreja, no serviço, no jardim, no lazer e em todo e qualquer evento desportivo,
cultural e recreativo, individual ou colectivo), em todas as suas realizações e em todas as
circunstâncias, sejam elas difíceis, dolorosas ou gratificantes. A aprendizagem pressupõe,
principalmente, a tomada de consciência dos estímulos do meio para uma tomada ou mudança
de atitude e de comportamento, ou ainda para uma tomada de decisão.
A aprendizagem humana é influenciada por uma combinação dinâmica de factores hereditários
(inatos) e ambientais. Os primeiros são intrínsecos ao homem e são determinados pela
maturação orgânica. Os ambientais são de natureza físico-social e extrínsecos ao homem. São
estes os principais causadores dos comportamentos aprendidos, ou da aprendizagem, ao longo
do processo de socialização.
A aprendizagem ou o aprender é aqui definido como o processo determinado por mudanças ou
modificações relativamente permanentes do comportamento, resultantes da experiência prática
directa ou indirecta e da observação da realidade social.
As mudanças relativamente duradoiras que se registam no comportamento pessoal resultantes
da maturação orgânica e aquelas que são temporais originadas pelo consumo de drogas, pela
fadiga e por outras situações semelhantes não são consideradas aprendizagem.
[Link]. Transferência da Aprendizagem
A verificação e a mensuração da aprendizagem são registadas a partir do momento em que o
indivíduo aplica na sua vida corrente e de maneira apropriada os conhecimentos e competências
resultantes de uma situação de aprendizagem, tais como significados, factos, preceitos,
conceitos, hábitos, princípios, habilidades e operações.
Denomina-se transferência de aprendizagem a capacidade que o indivíduo tem de aplicar um
conteúdo aprendido na sala de aula e em outras situações ou contextos da vida prática. A
aplicação de um conhecimento anterior numa aprendizagem presente e desta numa
aprendizagem futura é um processo de transferência da aprendizagem.
A transferência de aprendizagem ocorre quando o que se aprende numa situação problema é
usado em outra igual ou diferente, na escola ou fora dela.
Existem três tipos de transferência de aprendizagemou seja: positiva, negativa e nula.
[Link].1. Transferência Positiva

58
A transferência é positiva quando uma experiência ou um facto anteriormente aprendidos
favorecem a aquisição de novas aprendizagens. Nestes casos há uma coerência entre
aprendizagem, memorização e desempenho positivo. Quer isto dizer que existe uma correlação
positiva entre o que foi aprendido, o que foi memorizado e o que foi aplicado na vida prática.
[Link].2. Transferência Negativa
Diz-se que a transferência é negativa quando uma experiência ou um facto aprendido antes
interfere negativamente na aquisição de uma nova aprendizagem.
[Link].3. Transferência Nula
A transferência é nula ou neutra quando uma experiência anterior não causa nenhum efeito ou
não interfere na aprendizagem de um novo conhecimento ou habilidade.
[Link]. Pré-requisitos para a Aprendizagem
Qualquer que seja a aprendizagem que se pretenda adquirir ou transmitir requer pré-requisitos,
seja ela simples ou complexa. Quer isto dizer que para o indivíduo poder aprender deverão estar
reunidas certas condições prévias e básicas que vão dar suporte e valor ao novo conteúdo. Na
ausência dessas condições a aprendizagem não tem como ocorrer. Um procedimento contrário
pode provocar no indivíduo distúrbios e traumas psicológicos. Deste modo, são pré-requisitos
para a aprendizagem a maturação, a intelegência, a motivação e as experiências passadas:
[Link].1. Maturação
A maturação refere-se ao processo de amadurecimento das estruturas orgânicas do indivíduo
que o levam a poder ter competência para aprender. Ela é um processo porque a pessoa está em
permanente e contínuo crescimento ao longo das diferentes e evolutivas faixas etárias.
Na maturação ocorrem diferenciações estruturais e funcionais neuro-fisiológicas do organismo,
levando-o a padrões específicos de comportamentos. É pessoal e, normalmente, todo o ser
humano passa pelas mesmas etapas, havendo variações individuais em relação ao sexo, à idade,
ao ritmo e ao tempo de amadurecimento. Quer isto dizer que a aprendizagem deve ser analisada
tendo em conta as idades biológica e cronológica do aprendente.
O desempenho satisfatório ou não do aluno numa dada actividade escolar é determinado pelo
amadurecimento da sua estrutura neuro-fisiológica e pelos estímulos do ambiente físico-social.
Deste modo, na aprendizagem, as modificações de comportamento registam-se por causa da
acção educativa, do processamento da informação, da observação, da imitação, do treino e da
experiência sociocultural.
Identificadas as causas endógenas e exógenas do sucesso ou insucesso escolar em cada
aprendente torna-se necessário formular estratégias que permitam a prevenção e a correcção dos
erros escolares detectados, bem como a potenciação das potencialidades, tendo sempre em
perspectiva as idades bilógica e cronológica anteriormente abordadas.
59
[Link].2. Inteligência
A inteligência é a capacidade que o indivíduo tem de julgar, compreender, adaptar-se e tirar
conclusões sobre problemas ou questões com os quais se depara na sua vida diária. Nestes
termos, é inteligente aquele que tem capacidade para aprender, resolver problemas, adaptar-se a
novas situações de vida, ajustar-se ao ambiente e interagir com outras pessoas. A inteligência
difere de pessoa para pessoa de modo qualitativo e quantitativo.
a) Diferença qualitativa
A diferença qualitativa refere-se às áreas ou campos em que a pessoa realiza alguma actividade
com autonomia, segurança, rapidez e assertividade. Assim, a inteligência pode ser abstracta,
mecânica e social.
Na inteligência abstracta a pessoa tem facilidade de lidar com conteúdos, palavras, números,
fórmulas, diagramas, códigos, etc. Na inteligência mecânica o indivíduo lida com extrema
facilidade com dispositivos mecânicos e com todas as actividades que exigem, basicamente,
uma actividade psicomotora (artes, desporto, engenharia, etc.). Por fim, as pessoas socialmente
inteligentes são hábeis em relacionar-se, adaptar-se e desenvolver laços interpessoais saudáveis
em diferentes contextos socioculturais.
As diferenças qualitativas de inteligência estão directamente associadas a um outro factor
determinante na aquisição da aprendizagem pela criança. Trata-se dos estilos de aprendizagem.
 Os estilos de aprendizagem
Os estilos de aprendizagem referem-se às inclinações, aos gostos ou à queda que uma criança
tem por uma determinada área de conhecimento. Assim, a criança desenvolve maneiras próprias
e únicas de explorar este conhecimento que lhe é favorável.
Cabe ao professor saber identificar (através da avaliação contínua) o estilo de cada criança e
valorizá-lo, explorando e transportando as estratégias que ela usa para bem aprender o que
gosta, para o que não gosta ou não tem inclinação, isto é, de fraco domínio. A perspectiva é de
que a criança possa potenciar as suas estratégias de aprendizagem para as áreas que não tem
domínio de modo a reduzir ou, principalmente, eliminar o desconforto, a angústia e o desânimo
advindo delas e aprender melhor, de maneira agradável e com prazer.
b) Diferença quantitativa
Em relação à diferença quantitativa a inteligência pode ser analisada a partir de termos de
comparação dos níveis de inteligência de uma pessoa para outra. Para tal são usados testes
padronizados de inteligência vulgarmente denominados Testes de Inteligência ou Testes
Psicológicos.
Através dos testes de inteligência é determinada a capacidade de desempenho de alguém numa
tarefa de inteligência qualitativa. O resultado desta avaliação é denominado Quoeficiente de
60
Inteligência (QI). Ela é expressa de acordo com os valores de uma escala classificativa e
padronizada.
Os testes psicológicos são muito usados para se determinar o grau de adaptabilidade ou de
desempenho escolar de uma criança.
Nos casos em que o desempenho da criança é avaliado como estando abaixo do normal para a
idade, sexo e contexto e considerada deficiente mental. Em situação inversa, isto é, com
desempenho superior à média a criança é considerada superdotada ou talentosa. Em ambos
casos estamos na presença de crianças com necessidades educativas especiais.
Nas diferenças quantitativas de inteligência podem ser ainda registados os ritmos de
aprendizagem, também determinantes no aprender da criança.
 Ritmos de aprendizagem
O ritmo de aprendizagem tem a ver com a velocidade ou o tempo que uma criança leva para
aprender um determinado conteúdo ou para executar uma tarefa. Normalmente, umas crianças
têm sido muito mais rápidas do que as outras na execução das actividades escolares. Muitas
vezes os gestores educacionais, os professores e os pais ou encarregados de educação têm
associado a aprendizagem lenta das suas crianças à deficiência mental o que é uma percepção
errada. Nem sempre significa que a criança que aprende lentamente tenha algum distúrbio a
nível neural. Muitas vezes esta dificuldade é superada gradualmente pela própria criança à
medida que vai avançando no seu crescimento.
Por norma as nossas escolas trabalham na base de um modelo padronizado e homogéneo de
ensino-aprendizagem. As tarefas escolares são as mesmas e executadas no mesmo limite de
tempo para todos. Contudo, os factores individuais de maturação neuro-fisiológica são
esclarecedores de que cada criança tem o seu próprio ritmo e tempo de desenvolvimento mental
e, consequentemente, de aprendizagem dos processos da vida diária e escolar. Para a superação
deste problema cabe ao professor saber usar estratégias de diferenciação e dosagem das
actividades escolares em conformidade com as características de cada criança sem, contudo, pôr
em causa os objectivos de aprendizagem que devem ser os mesmos para todos.
[Link].3. Motivação
Todo o comportamento humano tem uma causa. Quer isto dizer que algum motivo consciente
ou inconsciente leva-nos a agir de uma maneira ou de outra para satisfazermos as nossas
necessidades através da obtenção de algo para a nossa auto-conservação e auto-expressão.
Um motivo ou necessidade refere-se a um estado de tensão, uma impulsão interna, que dirige e
mantém o comportamento humano voltado para um objectivo que é, neste caso, um incentivo.
A motivação procura explicar por que é que o ser humano comporta-se desta ou daquela
maneira em contextos iguais ou diferentes.
61
A motivação refere-se ao comportamento que é causado por necessidades internas do indivíduo
e que é orientado em direcção aos objectos que podem satisfazer essas necessidades ou
motivos.
Satisfeita uma necessidade surge outra, de maneira contínua e infinita. São as necessidades que
dão direcção e conteúdo ao comportamento humano. Quanto mais nos satisfazemos numa acção
maior é a tendência dessa acção ocorrer com mais frequência. Ela leva-nos à gratificação, à
satisfação de um prazer e à manutenção do equilíbrio de vida.
O amor paternal ou conjugal, a amizade, os ganhos materiais, os bons desempenhos escolar e
profissional e os elogios (estímulos sociais positivos) dão ao indivíduo maior confiança em si
mesmo, maior auto-estima e maior desejo de auto-realização.
Quando uma acção humana não é satisfeita provoca tensão, desconforto, desprazer e frustração.
A tendência de ela voltar a ocorrer torna-se mínima. Assim, estabelece-se um desequilíbrio no
estilo de vida do indivíduo.
Todo o comportamento humano é direccionado para a satisfação de um desejo agradável e
prazeroso. Pois, o prazer é individual e cada um possui maneiras peculiares de buscar a
satisfação do seu prazer.
[Link].4. Experiências Passadas
A experiência de vida que o indivíduo tem constitui outro determinante para a aquisição da
aprendizagem.
Durante o período do seu desenvolvimento o indivíduo adquire aprendizagem de significados,
factos, preceitos, conceitos, hábitos e habilidades que em grande medida irão lhe facilitar a
aquisição de novas aprendizagens. Estas experiências passadas ou anteriores são consideradas
favoráveis para um bom encaminhamento do processo de aprendizagem.
Qualquer estímulo positivo que o aluno recebe por desempenhar satisfatoriamente uma tarefa
estimula-o para a fácil e rápida aquisição de novas aprendizagens.
O primeiro contacto que a criança tiver com o seu futuro professor ou futura escola vai ter um
grande impacto no seu desempenho escolar. Dependendo deste contacto ela pode vir a ter uma
fobia ou inadaptação escolar ou então uma relação agradável com ela.
Para que a escola seja de facto aceite pelas crianças que a frequentam precisa ser organizada,
participativa, afectiva e dinâmica na oferta de actividades de interesse delas. Na orientação do
processo de ensino-aprendizagem deve-se ter em conta os conhecimentos culturais, linguísticos
e sociais que cada criança possui pois, ela não é uma “tábula rasa”.
[Link]. Produtos da Aprendizagem
Qualquer processo educativo é mensurado a partir dos resultados ou produtos alcançados pelos
seus alunos no âmbito da implementação de um plano curricular.
62
Embora os produtos da aprendizagem sejam globais em função da natureza humana, dotado de
capacidades cognitivas, afectivas e psicomotoras, eles são analisados duma maneira particular e
integral uma vez que a modificação de um dos produtos influencia os demais. Os produtos da
aprendizagem humana podem ser cognitivos, afectivos e psicomotores.
[Link].1. Produtos Cognitivos
O que evidencia a aprendizagem dos produtos cognitivos são as novas informações e
conhecimentos assimilados pelo aprendente. Eles são de natureza cognitiva e intelectiva, e são
demonstráveis, por exemplo, através da memorização de datas, nomeação de pessoas ou a
compreensão de escritos simples e complexos e a capacidade de sistematizar, avaliar e aplicar
conhecimentos em diferentes contextos de vida. Maior parte dos produtos cognitivos é
constituído por conceitos e princípios.
a) Conceitos
Os conceitos são conhecimentos relacionados com uma classe de objectos, seres vivos e
fenómenos que possuem uma característica comum.
b) Princípios
Os princípios são constituídos por regras, características que determinam certos fenómenos e
conclusões.
[Link].2. Produtos Afectivos
Os produtos afectivos estão relacionados com a capacidade do indivíduo desenvolver um
sentimento valorativo em relação a um ser, objecto, fenómeno. Eles podem suscitar
manifestações emocionais e sentimentos variados em relação aos eventos da realidade social
objectivo ou subjectiva.
[Link].3. Produtos psicomotores
Os produtos motores caracterizam-se por serem observáveis. São descritíveis na base das
manifestações comportamentais humanas.
É observando e mensurando os comportamentos que se obtêm os resultados da aprendizagem
humana.
[Link]. Formas de Aprendizagem
As formas de aprendizagem de conhecimentos, atitudes e comportamentos relacionam-se com
as teorias que explicam como a criança aprende. Referem-se às estratégias que a criança usa e
desenvolve, única e pessoalmente, para aprender algo.
As ciências psicológicas têm realizado amplos estudos para se descobrir como as crianças
aprendem. É importante saber-se de que maneira a criança aprende, o que permite a produção e
o melhoramento dos materiais, programas, conteúdos, métodos e técnicas que possam facilitar

63
cada vez mais a aprendizagem considerando as suas características pessoais do aprendente e a
diversidade do contexto em que ele vive.
Das várias formas de aprendizagem estudadas pelos psicopedagogos são aqui destacadas as
seguintes: aprendizagem por condicionamento, aprendizagem social, aprendizagem cognitiva,
aprendizagem sociocultural, aprendizagem por descoberta, aprendizagem significativa,
aprendizagem reflexiva, aprendizagem centrada na criança e aprendizagem construtivista.
[Link].1. Aprendizagem por Condicionamento
Nos anos 30 do século XX, o norte-americano Burrhus Skinner formulou a teoria da
aprendizagem por condicionamento que até hoje influencia de maneira significativa os
processos e métodos de aprendizagem escolar, em todo o mundo. Os defensores desta teoria
dizem que toda a aprendizagem humana é feita por condicionamento.
A aprendizagem por condicionamento (também denominada por condicionamento operante ou
ainda por ensaio-e-erro), parte do principio de que um comportamento, socialmente desejável,
quando seguido de uma recompensa ou elogio, tende a ser exibido repetida e continuamente.
O condicionamento operante é uma forma de aprendizagem que se estabelece entre a
manifestação do comportamento e a recompensa resultante dele.
Um comportamento socialmente desejado tende a ser estimulado ou reforçado positivamente
(reforço ou estímulo positivo) para que seja repetido sempre que foi necessário, em condições
apropriadas.
Um exemplo da aplicação do reforço positivo é quando o professor elogia o seu aluno por ter
feito os deveres de casa (TPC). Dada a gratificação do incentivo social recebido, é muito
provável que nas aulas seguintes a criança apresente sempre ao professor o TPC realizado e de
forma correcta.
O comportamento pode também ser reforçado negativamente (reforço ou estímulo negativo)
para que ocorra conforme o desejado. Basta para isso retirar o estímulo que impede que tal
comportamento seja apresentado satisfatoriamente.
Qualquer factor que impede que o aluno aprenda o esperado é um estímulo negativo. Quando
retirado a aprendizagem volta a ocorrer fluentemente e talvez melhor. A falta de afecto pelo
professor, a má definição dos objectivos de ensino, a deficiente selecção dos conteúdos de
ensino e muitas outras situações de sala de aula mal elaboradas constituem reforços negativos
para o comportamento de aprender.
Um comportamento não desejado socialmente é punido para que não seja exibido nunca mais.
A punição (castigo) é a prática mais usada nos meios familiar, escolar e profissional para se
reprimir um mau comportamento. No entanto, ela nunca foi uma estratégia educativa eficaz.

64
Muitas vezes a criança é castigada sem ter consciência do erro que cometeu, ou por o seu acto
ter sido mal entendido.
Uma outra forma de eliminar um comportamento é a extinção. Ela verifica-se quando é retirado
o estímulo reforçador do comportamento.
O que determina a apresentação ou não de um comportamento pela criança são os estímulos
(reforços) que ela recebe do meio sócio-ambiental em vive.
[Link].2. Aprendizagem Social
Nos anos 60 do século passado o canadense Albert Bandura, desenvolveu nos Estados Unidos
da América a teoria da aprendizagem social que enquadra os processos de observação, imitação
e modelação.
Ao observar um seu ídolo ou modelo (pai, mãe, irmão ou um outro alguém admirado) a
comportar-se de uma determinada maneira, de forma verbal (através da fala) ou não-verbal
(através de gestos), a criança vai ter uma maior tendência de imitá-lo. Neste processo os
comportamentos dela vão evoluindo e se modelando, até atingirem a perfeição na sua execução.
Durante a aquisição da linguagem a criança inicialmente balbucia. Com o passar do tempo
começa a emitir algumas palavras ou expressões (sem sentido, destorcidas ou incompletas)
ouvidas dos mais velhos. Com o avanço da sua maturação biológica e a aquisição de maior
competência para aprender a criança, progressivamente, acaba apresentando com eficácia o
comportamento desejado. O mesmo procedimento pode ser observado na aprendizagem da
linguagem escrita e de comportamentos não-verbais.
As principais fontes da aprendizagem social são os ambientes naturais dos relacionamentos
interpessoais, os meios audiovisuais (filmes, programas televisivos, internet, revistas, rádio,
livros...) e outros eventos socioculturais.
Pela aprendizagem social a criança assimila conhecimentos, normas, valores e crenças ao longo
do seu processo de socialização na família, na escola, na comunidade e em outros contextos
sociais. Acredita-se que grande parte das aprendizagens entre os seres humanos registam-se
através da observação e da imitação de modelos.
[Link].3. Aprendizagem Cognitiva
A teoria da aprendizagem cognitiva foi formulada pelo psicólogo suíço, Jean Piaget. Embora
não esteja directamente relacionada com a aprendizagem em si, mas com o desenvolvimento
cognitivo da criança, ou seja, com a aquisição de conhecimento, muitas vezes esta teoria é
apresentada como se fosse da aprendizagem dadas as influências directas e recíprocas que tem
com o desenvolvimento cognitivo infantil.
Segundo a teoria piagetiana os processos mentais ou cognitivos (percepção, memória,
criatividade, linguagem, atenção, julgamento, resolução de problemas e outros) são importantes
65
determinantes do comportamento humano. Quer isto dizer que no contacto permanente com o
meio ambiente a criança recebe dele várias e diferentes informações que as absorve através dos
órgãos dos sentidos. Depois, essas informações são conduzidas para o sistema nervoso central,
através dos neurónios, numa fracção de segundos. Ao chegarem ao cérebro os estímulos são
identificados e processados dando origem aos comportamentos e, em consequência, a aquisição
de conhecimento.
Os defensores da teoria cognitiva da aprendizagem comparam o funcionamento da mente
humana com o de um computador. No computador são introduzidos dados ou informações que
em seguida são processados, gerando novos produtos, os resultados.
[Link].4. Aprendizagem Sociocultural
A aprendizagem sociocultural tem no psicólogo e bielorrusso Lev Vygotsky o principal teórico.
Segundo ele, a criança ao interagir com o seu contexto sociocultural (meio externo) e, depois,
como consequência dessa interacção desenvolve a sua estrutura mental ou cognitiva (meio
interno).
Como ser interactivo, a criança adquire a aprendizagem a partir dos relacionamentos que
estabelece consigo mesma, com a ajuda de outras pessoas próximas e experientes e ainda,
através da influência e acção que exerce sobre o seu meio sociocultural. Como consequência
deste processo ela desenvolve o pensamento e a linguagem.
[Link].5. Aprendizagem por Descoberta
O psicólogo e norte-americano Jerome Bruner, foi quem desenvolveu a teoria da aprendizagem
por descoberta. Ele diz que para que a aprendizagem se efective é necessário que, em primeiro
lugar, a criança esteja preparada ou predisposta para tal. Quer isto dizer que a maturação
biológica e as experiências passadas são factores determinantes para a aquisição do
conhecimento. Em segundo lugar, as condições para que ela aconteça devem ser adequadas. Por
outras palavras, os conteúdos e os materiais para a aprendizagem devem estar preparados e
disponíveis de forma lógica e organizada de modo que a criança possa integrá-los facilmente na
sua estrutura cognitiva.
Ao serem disponibilizados novos conteúdos de aprendizagem (princípios, ideias, problemas,
conceitos) à criança, ela vai organizá-los e explorá-los. Depois, vai estabelecer conexões a
partir de experiências anteriores que a levarão à descoberta de novos conhecimentos a partir de
mecanismos simples para os mais complexos, de maneira evolutiva e em espiral.
Estando a criança envolvida no processo de descoberta da sua própria aprendizagem, o
professor tem a tarefa de motivar, facilitar e mediar tal processo considerando os contextos
social e cultural na qual ocorre.
[Link].6. Aprendizagem Significativa
66
A aprendizagem significativa foi formulada pelo psicólogo David Ausubel, nascido nos Estados
Unidos da América.

Para Ausubel cada indivíduo possui uma estrutura cognitiva organizada de maneira hierárquica.
Ela é constituída por ideias, valores e todos os conteúdos aprendidos ao longo da vida,
encontrando-se integrados na mente. É nesta estrutura que as novas aprendizagens ficam
armazenadas para uma posterior utilização.
Diz-se que a aprendizagem é significativa quando os conteúdos já existentes na estrutura
cognitiva da criança são valorizados e ampliados através da integração e internalizadas das
novas ideias aprendidas dentro ou fora da sala de aula, para posterior utilização no dia-a-dia das
interacções socioculturais.
Quando uma criança aprende algum conteúdo, dentro ou fora da sala de aula, e depois o aplica
na sua vida quotidiana de uma maneira útil, criativa e apropriada, para a melhoria da sua vida
diz-se que a aprendizagem foi significativa.
[Link].7. Aprendizagem Reflexiva
Formado em Psicologia, o norte-americano John Dewey propôs a teoria da aprendizagem
reflexiva. Para ele aprender significa aprender a pensar. Pensar é questionar, investigar,
descobrir, criticar, resolver problemas.
Segundo Dewey a aprendizagem reflexiva é a melhor forma de desenvolver o pensamento e o
desempenho das crianças no contexto sócio-escolar. Por isso, o ensino deve ser activo e
baseado na aplicação de métodos diversificados, favoráveis à facilitação da aprendizagem
permanente.
[Link].8. Aprendizagem Centrada na Criança
Carl Rogers, psicólogo norte-americano, criou o princípio da aprendizagem centrada no aluno.
Para ele qualquer ser humano está em condições de criar oportunidades para se auto-realizar a
partir do processo de aprendizagem, visando o melhoramento das suas capacidades físicas e
mentais.
A forma de aprendizagem proposta por Rogers deve estar centrada no aluno, cabendo ao
professor o papel de facilitador desse processo. Só assim o aluno pode assumir a
responsabilidade de dirigir o seu crescimento pessoal de maneira activa, criativa e
independente.

[Link].9. Aprendizagem Construtivista


Na perspectiva da aprendizagem construtivista ou Construtivismo, segundo a argentina Emília
Ferreiro, ensinar e aprender, significa construir um novo conhecimento, descobrir novas formas

67
de ver e interpretar a realidade tomando em conta os conhecimentos e experiências adquiridos
anteriormente.

O construtivismo pode ser visto também como uma forma de aprendizagem através da qual a
criança, servindo-se do pensamento e da reflexão sobre as relações interpessoais e as
actividades que estabelece diariamente com o seu meio ambiente, constrói um novo
conhecimento. Esta construção só é possível com o apoio do professor e de outras pessoas,
dentro e fora da sala de aula.

Factores relacionados com a maturação bio-mental, a adaptação ao meio físico-social e os


interesses, motivações e necessidades pessoais determinam como a criança constrói o seu
próprio conhecimento, ou seja, como ela aprende.
Na orientação do processo de construção do conhecimento pela criança todas as formas de
aprendizagem anteriormente discutidas são válidas. Isto deve-se pelo facto de cada criança ter
maneiras, momentos e ritmos próprios e peculiares de aprender. Cada uma capta, processa,
interpreta, percebe e reage à sua maneira às informações que recebe do meio sócio-cultural.
Na sala de aula, cabe ao professor saber humanizar a aprendizagem da criança atendendo de
maneira personalizada as suas motivações, interesses e necessidades de crescimento e auto-
realização, dentro do seu contexto de vida.

[Link]. Variáveis Intervenientes no Processo de Aprendizagem


As variáveis referem-se a todos os elementos intervenientes e indispensáveis ao processo de
ensino-aprendizagem, tais como objectivos, conteúdos, materiais, características do aluno,
características do professor, interacções na sala de aula, ambiente escolar e as relações entre
família, escola e comunidade.
Todas estas variáveis devidamente formuladas, constituídas ou orientadas concorrem para uma
positiva aquisição da aprendizagem. A má determinação de apenas uma provoca efeitos
indesejáveis à aquisição da aprendizagem.
[Link]. Características da Aprendizagem
Durante a sua ocorrência a aprendizagem assume diferente características que são peculiares a
ela mesma. Tais características básicas são as seguintes:
[Link].1. Contínua
Desde o momento em que nasce e ao longo de toda a vida o homem envolve-se num processo
contínuo de aprendizagem dinamizado por factores pessoais e contextuais. Este carácter
contínuo da aprendizagem integra os determinantes histórico e sociocultural do
desenvolvimento humano.
[Link].2. Dinâmica
68
A aquisição da aprendizagem requer um dinamismo da estrutura mental do indivíduo para a
identificação, integração, elaboração e tomada de decisão em relação a toda a informação que
recebe do meio ambiente.
[Link].3. Gradual
A aprendizagem ocorre em espiral, por etapas e gradualmente, a partir de eventos simples para
os mais complexos. Uma aprendizagem anterior constitui uma base forte para a aquisição e
facilitação de aprendizagens posteriores.
[Link].4. Integrativa
Cada aprendizagem que o indivíduo adquire amplia e restaura a anterior tornando esta mais
profunda e abrangente, dando assim ao indivíduo uma nova perspectiva da realidade em que
vive, do homem e do mundo.
[Link].5. Pessoal
A aprendizagem depende exclusivamente dos ritmos de desenvolvimento das capacidades
cognitivas, afectivas e psicomotoras de cada um e do grau do seu envolvimento no processo.
Quem aprende, aprende para si e numa para o outro. A vivência de experiências semelhantes
pressupõe aprendizagens diferentes entre os indivíduos.
[Link].6. Inacabada
Nenhum conhecimento adquirido é por si só conclusivo. Na infância, na adolescência, na
juventude, na adultez e na velhice o indivíduo adquire conhecimentos que os vai reformulando
ao longo das subsequentes etapas do seu desenvolvimento.
[Link].7. Social
Qualquer aprendizagem, individual ou colectiva, tem uma finalidade social. Por isso ela deve
ser partilhada em todos os momentos e lugares, ao longo de toda a vida.
[Link].8. Agradável
Muitas vezes adquire-se a aprendizagem de maneira difícil e dolorosa. Mas o seu fim social
torna-a prazerosa e agradável. Os erros que o indivíduo comete no processo estimulam-no para
os evitar nas vezes subsequentes e sentir a agradabilidade de uma aprendizagem bem feita e
com solidez.
[Link].9. Mutável (provoca mudanças)
A aprendizagem remete-nos a mudanças simples e profundas na nossa maneira de estar e de se
relacionar com os outros e com o mundo. Através dela mudamos nossas ideias, nossas atitudes,
nossos comportamentos, nossas convicções e perspectivas sobre a realidade social. Este
processo de mudança pode ser penoso ou gratificante. Assim, a aprendizagem constitui um
desafio permanente à mudança de nossas vidas.
[Link]. Factores Facilitadores da Aprendizagem
69
Estudos educacionais recentes têm vindo a demonstrando que há maiores possibilidades de
ocorrência de aprendizagem efectiva em salas de aulas que apresentam os seguintes factores:
[Link].1. Aprendizagem Activa
A aplicação de métodos activos de aprendizagem leva os alunos a interagirem
permanentemente de forma conjunta e cooperativa para desenvolverem as suas capacidades
cognitivas, afectivas e psicomotoras, visando a resolução de problemas práticos do dia-a-dia
[Link].2. Negociação de Objectivos
Embora as motivações das crianças para aprenderem sejam geralmente extrínsecas é sempre
desejável que as suas opiniões sobre os objectivos da aula sejam ouvidas para que sintam
incorporadas as suas ideias e participem agradavelmente no processo de aprendizagem.
[Link].3. Demonstração, Prática e Reflexão Sobre a Prática
O cultivo da demonstração e reflexão sobre o produto das suas aprendizagem tem resultado
continuamente no aumento da motivação e na elevação da aprendizagem dos alunos.
[Link].4. Avaliação sobre a prática
A avaliação contínua dos alunos através de técnicas variadas e do feedback positivo dado pelo
professor contribui para que os alunos sintam a aprendizagem fácil, prazerosa e sólida em
função da aplicação dos conhecimentos adquiridos em outros contextos diferentes da escola.
[Link].5. Apoio
O apoio sistemático e individualizado na sala de aulas, principalmente aos alunos com
necessidades educativas especiais, tem contribuído para o desenvolvimento da segurança
pessoal para participar nas activamente da aula o que tem elevado a auto-estima deles.
3.3.3. Necessidades Educativas Especiais

Toda a criança em idade escolar tem, potencialmente, necessidades educativas especiais.


Interessa aqui compreender como ela aprende embora tenha adversidades de natureza física,
sensorial e mental. Neste sentido, as crianças são caracterizadas em função das suas
necessidades e sugeridas algumas medidas pedagógicas para que seja melhorada a qualidade de
aprendizagem delas.
[Link]. Conceito de Necessidades Educativas Especiais
O conceito de Necessidades Educativas Epeciais começou a ser difundido em 1978 a partir da
sua incorporação no “RelatórioWarnock”, apresentado ao Parlamento do Reino Unido, pela
Secretaria de Estado para a Educação e Ciências. No entanto, ele só foi adotado e redifinido
pela UNESCO, em 1994, na Declaração de Salamanca, passando a abranger todas as crianças e
jovens cujas necessidades provenham das dificuldades de aprendizagem escolar.

70
Segundo a UNESCO, as Necessidades Educativas Especiais referem-se a toda e qualquer ajuda
pedagógica que crianças, jovens e adultos (excluídos ou não do sistema escolar regular)
necessitam para aprender. Isto é, há uma necessidade educativa especial quando um problema
(físico, sensorial, mental, emocional, social, cultural, ambiental ou qualquer combinação destes
factores) afecta a aprendizagem ao ponto de serem necessários acessos especiais ao currículo e
condições de aprendizagem especialmente adaptadas para que o aluno possa receber uma
educação apropriada.
As necessidades educativas especiais estão relacionadas com as dificuldades de aprendizagem
apresentadas por qualquer aprendente. Quer isto dizer que qualquer criança, ao longo do seu
processo de escolarização pode sentir algum desconforto ou problema para assimilar algum
conteúdo, resultando daí o seu baixo, parcial ou global desempenho. Conclui-se, então, que
todo e qualquer aluno tem, potencialmente, necessidades educativas especiais.

[Link]. Grupos, Tipos e Causas das Necessidades Educativas Especiais


Sem propósitos classificatórios ou discriminatórios a literatura especializada tem apresentado
distinções entre as necessidades educativas especiais. Elas têm sido descritas em grupos, tipos e
causas em função do grau de afectação, das características de desenvolvimento de quem as
possui e do contexto em que ocorrem.

[Link].1. Grupos de Necessidades Educativas Especiais

Existem dois grandes grupos de crianças e jovens com necessidades educativas especiais: as
permanentes e as transitórias:

a) Necessidades Educativas Especiais Permanentes.

As necessidades educativas especiais permanentes são apresentadas por aquelas crianças e


jovens que experimentam dificuldades em aprender por terem uma ou mais deficiências
relativamente insanáveis de tipo sensorial, mental, físico-motor e emocional ou psicossocial.

b) Necessidades Educativas Especiais Transitórias

São transitórias as necessidades educativas especiais que ocorrem num período de tempo
relativamente curto. São aqui enquadradas as crianças e jovens que apresentando habitualmente
rendimento escolar regular ou acima da média, de maneira progressiva ou abrupta,
experimentam dificuldades para aprender.

[Link].2. Tipos de Necessidades Educativas Especiais

71
Há diferentes tipos de necessidades educativas especiais identificadas em crianças e jovens de
qualquer idade, sexo e sociedade, cujas características de desenvolvimento interferem de
maneira incisiva na aprendizagem.
Sem pretenção de se fazer um levantamento exaustivo a seguir são apresentados alguns tipos de
necessidades comumente descritos pela literatura especializada, nomeadamente:
 a superdotação e o talento;
 as dificuldades de aprendizagem;
 as deficiências (mental, visual, auditiva, físico-motora e múltiplas);
 a síndrome de down;
 a síndrome de asperger;
 o autismo;
 a paralesia cerebral;
 os problemas de linguagem e fala;
 o traumatismo craniano;
 os distúrbios emocionais ou psicossociais; e
 os problemas de saúde.
[Link].3. Causas das Necessidades Educativas Especiais
De modo geral, as necessidades educativas especiais são causadas por uma isolada ou
combinada multiplicidade de factores congénitos (hereditários) e ambientais.
Grande parte das necessidades especiais permanentes tem causas congénitas e ambientais
identificáveis e originadas, respectivamente, pela má formação dos genes, deficiente
funcionamento hormonal e acidentes intra-uterinos e, pela deficiente nutrição e consumo
impróprio de drogas pela gestante.
As necessidades especiais transitórias têm causas ambientais e provêem, em grande medida de
acidentes humanos e naturais, de interações e eventos sociais pobres e outros factores múltiplos
e difusos.
Na Tabela 04 abaixo são apresentadas, de forma resumida, algumas causas das necessidades
educativas especiais permanentes e transitórias.
Tabela 04
(Causas das Deficiências)
Necessidades Educativas Especiais
Permanentes Transitórias
Causas Congénitas
Ambientais Ambientais
(Hereditárias)
 Má formação dos  Deficiente nutrição e  Acidentes humanos e naturais;
genes; consumo indevido de  Guerras e violência doméstica;
 Deficiente drogas pela gestante;  Deficiente nutrição e consumo
funcionamento  Doênças infecciosas;e impróprio de drogas pela criança;
hormonal;  Outras.  Pobreza extrema;
 Acidentes intra-  Exclusão social e escolar;
uterinos; e  Discriminação determinada por
 Outras. dierenças individuais (raça, sexo,
religião, status social, étnico-
linguísta...); e
72
 Outras.
Tanto para as necessidades especiais permanentes, como para as transitórias, há, na verdade,
uma infinidade de factores adversos que podem concorrer para que uma criança baixe de
rendimento escolar. Nem todos eles são de fácil identificação e controle pelos professores,
gestores educacionais e pais ou encarregados de educação. Surge daí a necessidade de se
estabelecerem parcerias entre a escola, a família e a comunidade visando o desenho e aplicação
de estratégias que concorram para o alcance do sucesso escolar de toda e qualquer criança e
jovem, esteja ele dentro ou fora da escola.
[Link]. Atitudes Favoráveis à Escolarização de Crianças e Jovens com Necessidades
Educativas Especiais
Nas sociedades contemporâneas a escola regular é, por excelência, o melhor lugar convencional
onde toda e qualquer criança e jovem, sem nenhum tipo de discriminação, devem receber a
educação formal, principal plataforma de desenvolvimento pessoal e social.
É através da escola regular que qualquer indivíduo se estrutura e se valoriza ao adquirir
conhecimentos e competências essenciais para poder aprender, fazer, conviver e ser na vida em
sociedade. Para tanto, ela deve se reestruturar, no seu todo, de modo a ser flexível visando a
satisfação das necessidades básicas de aprendizagem, sejam elas pessoais e ou colectivas.
Em todo decurso da escolarização cabe ao professor tomar a liderança que lhe compete,
desenvolvendo empatias, métodos e estratégias de orientação escolar para todos os alunos,
particularmente dos que têm necessidades educativas especiais.
Na sala de aula inclusiva o professor deve personalizar a relação pedagógica, previlegiando
relações carinhosas entre os alunos e entre eles e ele. Nunca deve perder de vista de que a chave
do sucesso escolar de qualquer criança e jovem é o carinho. Deve com isto aceitar qualquer
aluno tal como ele é, na sua condição de ser diferente.
A maneira de o professor se dirigir e se comunicar com todos os alunos, individual e
colectivamente, deve ser exemplar e educativa de modo a estimular o desenvolvimento de
relacionamentos e atitudes de respeito, de conhecimento mútuo, de tolerância e de cooperação.
Todos alunos devem ser informados pelo professor, com clareza e sem preconceitos, das
características pessoais e das condições de aprendizagem de cada aluno.
Os métodos e estratégias de ensino-aprendizagem que o professor for a aplicar na sala de aula
devem ser participativos o que requererá dele criatividade na tomada de atitudes favoráveis e na
aplicação de técnicas apropriadas à satisfação das necessidades de aprendizagem de todos os
alunos. Quer isto dizer que as atitudes e as técnicas de que o professor deve se dispor deverão
flexibilizar a sua prática de bem ensinar fazendo com que qualquer aluno aprenda
independentemente das suas características pessoais, bem como das condições de ensino e

73
aprendizagem oferecidas localmente. Por exemplo, qualquer professor deve estar preparado,
psicológica e tecnicamente, para dar aulas debaixo duma árvore, a uma turma numerosa e que
tenha alunos com necessidades educativas especiais.
O envolvimento dos pais e encarregados de educação na escolarização dos seus filhos ou
educandos deve ser activo. É pertinente que sejam os primeiros a terem atitudes positivas em
relação às necessidades educativas especiais. Para além disso é importante que acompanhem o
rendimento escolar dos seus filhos e educandos. Deverão, também, ser envolvidos na partilha
de informações e ideias sobre os benefícios educacionais da heterogeneidade da classe de modo
a serem eliminadas atitudes preconceituosas e esteriotipadas sobre as necessidades educativas
especiais, dando-lhes espaço para se pronunciarem sobre a nova realidade escolar dos filhos e
educandos.
É importante que alunos, professores, pais, encarregados de educação e toda a comunidade que
envolve a escola usufruam os benefícios sociais da participação de crianças e jovens com
necessidades educativas especiais nas escolas regulares pois, ela pressupõe a democratização da
escola, a melhoria da qualidade de ensino, a promoção dos direitos humanos e a construção
duma sociedade igualitária de inclusiva.
[Link]. Sumário
O desenvolvimento humano refere-se aos diferentes estágios maturacionais geneticamente
programados que o ser humano apresenta durante o seu amadurecimento orgânico e mental. Ele
inicia na gestação na qual o zigoto (óvulo fecundado pelo espermatozóide) se transforma em
embrião e este, depois, em feto. Os princípios céfalo-caudal e próximo-distal regulam a
maturação humana.

Hereditariedade e ambiente são factores que determinam os processos, ritmos e condições de


um desenvolvimento humano esperado. São responsáveis pelo estabelecimento da
singularidade, totalidade e historicidade da natureza humana, tornando os homens iguais e
diferentes entre si.

Os estágios de desenvolvimento são as diferentes etapas de amadurecimento orgânico e mental


pelas quais o ser humano passa do nascimento até à morte, podendo ser rápido ou lento.
Os aspectos de maturação orgânica dizem respeito às competências, capacidades e habilidades
de socialização que cada ser humano adquire, regularmente, em cada faixa etária, em função da
idade, sexo e cultura. No presente Manual referem-se aos desenvolvimentos cognitivo,
damlinguagem, psicossocial e físico-motor
As teorias do desenvolvimento humano resultam dos estudos seculares que os cientístas veêm
fazendo para o conhecimento da natureza humana. Destacam-se neste Manual as teorias do

74
desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, do desenvolvimento sociocultural de Lev Vygotsky,
do desenvolviemento psicossexual de Sigmund Freud, do desenvolvimento psicossocial de Erik
Erikson e do Desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg.

A socialização refere-se a todas as práticas sociais através das quais todo ser humano aprende,
assimila e vivencia valores, normas, regras, crenças, princípios, códigos, rituais, costumes e
demais atributos sociais que são preservados e transmitidos de geração em geração. Ela pode
ser primária e secundária tendo como principais agentes socializadores a família, a escola ne os
amigos.
A personalidade refere-se ao conjunto de características psicológias e físicas que são únicas no
indivíduo e que determinam os seus padrões de comportamento, pensamento, sentimento e
outras manifestações sociais particulares. No processo de formação da personalidade, como
resultado da interação com os outros, a pessoa vai construíndo o conhecimento de si mesma
(autoconceito), a sua própria imagem (autoimagem) e a avaliação de si mesmo (autoestima),
através da aprendizagem.

A aprendizagem ou o aprender humano é o processo determinado por mudanças ou


modificações relativamente permanentes do comportamento, resultantes da experiência prática
directa ou indirecta e da observação da realidade social. Diz-se que a pessoa aprendeu (houve
transferência de aprendizagem) quando consegue aplicar num outro contexto um conteúdo
adquirido em sala de aula.
Para um indivíduo poder aprender deverão estar reunidas algumas condições prévias e básicas
tais como a maturação, a intelegência, a memória, a motivação, a atenção e as experiências
passadas:
O estilo de aprendizagem refere-se às inclinações que uma criança tem por uma determinada
área de conhecimento. Assim, ela desenvolve maneiras próprias e únicas de explorar este
conhecimento que lhe é favorável. Por outro lado, o ritmo de aprendizagem tem a ver com a
velocidade ou o tempo que uma criança leva para aprender um determinado conteúdo ou para
executar uma tarefa.
Produtos de aprendizagem são os resultados escolares obtidos pelos alunos num determinamdo
momento do processo de ensino-aprendizagem. Eles podem ser cognitivos, afectivos e
psicomotores.
As formas de aprendizagem de conhecimentos, atitudes e comportamentos referem-se às
estratégias que a criança usa e desenvolve, única e pessoalmente, para aprender algo. As formas
de aprendizagem destacadas neste Manual são as seguintes: Aprendizagem por
Condicionamento de Skinner, Aprendizagem Social de Bandura, Aprendizagem Cognitiva de

75
Piaget, Aprendizagem Sociocultural de Vygotsky, Aprendizagem por Descoberta de Brunner,
Aprendizagem Significativa de Ausebel, Aprendizagem Reflexiva de Dewey, Aprendizagem
Centrada na Criança de Rogers e Aprendizagem Construtivista de Ferreiro.
As variáveis referem-se a todos os elementos intervenientes e indispensáveis ao processo de
ensino-aprendizagem, tais como objectivos, conteúdos, materiais, características do aluno,
características do professor, interacções na sala de aula, ambiente escolar e as relações entre
família, escola e comunidade.

Todas estas variáveis devidamente formuladas, constituídas ou orientadas concorrem para uma
positiva aquisição da aprendizagem. A má determinação de apenas uma provoca efeitos
indesejáveis à aquisição da aprendizagem.

No processo de ensino-aprendizagem a aprendizagem activa, a negociação dos objectivos, o


apoio, a avaliação sobre a prática e a demonstração, prática e reflexão sobre a prática são os
principais factores que concorrem para a facilitação da aprendizagem dos alunos na sala de
aula.
As necessidades educativas especiais referem-se a toda e qualquer ajuda pedagógica que
crianças e jovens necessitam para aprender. Há uma necessidade educativa especial quando um
problema pessoal afecta a aprendizagem ao ponto de serem necessários acessos especiais ao
currículo e condições de aprendizagem especialmente adaptadas para que o aluno possa receber
uma educação apropriada. Elas estão relacionadas com as dificuldades de aprendizagem
apresentadas por qualquer aprendente no decurso da sua escolarização.
As necessidades educativas especiais podem ser permanentes e ou transitórias causadas por
factores hereditários e ambientais.
Em todo decurso da escolarização cabe ao professor tomar a liderança que lhe compete,
desenvolvendo empatias, métodos e estratégias de orientação escolar para todos os alunos,
particularmente dos que têm necessidades educativas especiais. Na sala de aula inclusiva o
professor deve personalizar a relação pedagógica, previlegiando relações carinhosas entre os
alunos e entre eles e ele. Nunca deve perder de vista de que a chave do sucesso escolar de
qualquer criança e jovem é o carinho. Deve com isto aceitar qualquer aluno tal como ele é, na
sua condição de ser diferente.

76
3.2. Actividades:

A. Na actualidade é cada vez maior o interesse dos gestores educacionais, professores, pais e
demais educadores em conhecerem melhor o ser humano nas diferentes etapas do seu
desenvolvimento. Combinados os factores do desenvovimento e da aprendizagem
humanos, que aspectos essenciais, na qualidade do professor, a ter em conta ao nível:
a) Físico-motor?
b) Cognitivo?
c) Afectivo?
d) Linguístico?
e) Psicossocial?
B. Embora entre desenvolvimento e aprendizagem são conceitos dinâmicos que se
interligam e inter-relacionam mutuamente sendo difícil ou mesmo impossível determinar
onde começa um e termina o outro ao longo do crescimento humano, qual deles é
preponderante para efeitos de transformação qualitativamente superior do comportamento
do Homem?
C. O sucesso da aprendizazem que é ao mesmo tempo sua preocupação como professor
depende essencialmente do uso frequente de deteminados recursos no processo de
interiorização e memorização de conteúdos por parte do aluno. Para esse processo,
indique, pelo menos, dois desses recursos, considerados mais usuais, principalmente, na
aprendizagem da escrita inicial das 1ªs classes do Ensino Primário.
D. Indique a forma da aprendizagem mais adequada que melhor facilita a assimilação da
escrita inicial na escola primária, em que o seu exemplo como professor, nesse processo,
é extremamente necessário.

3.3. Autoavaliação

O processo de Ensino-Aprendizagem realiza-se com plena observação dos factores do


desenvolvimento do ser humano, da aprendizagem e de Necessidades Educativas Especiais
(NEE) sob mediação do professor.
a) Que finalidade tem o conhecimento de existência de estágios e factores do
desenvolvimento humano por parte do professor?

77
b) Tendo em conta os estágios do desenvolvimento do ser humano, diga segundo sua
análise, o estágio em que se começa com o processo da aprendizagem?
c) Em que faixa etária, em Moçambique, se inicia a aprendizagem escolar e como os
conteúdos estão organizados e distribuídos na escola primária?
d) Aponte dois recursos chave utilizados pelos alunos da 1ª classe na aprendizagem da
escrita inicial, quer de letras, quer de algarismos, tendo em conta que a escrita modelo do
professor, nesse processo, é extremamente necessário.
e) Diga o que fará, na qualidade do professor, em relação a alunos que não poderem
aprender no mesmo ritmo normal com os outros?

3.4. Chave de Correcção

Nós concordamos consigo, quando respondeu:


a) O conhecimento sobre os estágios e factores do desenvolvimento humano por parte do
professor tem a finalidade de este poder planificar e sequenciar os conteúdos adequados e
ajustados de aprendizagem que possoam desenvolver competências requeridas em cada
um dos estágios.
b) O processo de aprendizagem inicia, de uma maneira geral, a partir do nascimento do ser
humano.
c) A aprendizagem escolar em Moçambique tem lugar no ser humano, a partir dos seis (6)
anos de idade. E, na Escola Primária Moçambicana, os conteúdos estão organizados em
disciplinas ou áreas curriculares e distribuídos por classes.
d) Tendo em conta a escrita modelo do professor, que é extremamente necessário, na
aprendizagem da escrita inicial, quer de letras, quer de algarismos, os dois recursos chave
utilizados pelos alunos da 1ª classe são, a observação e a imitação de modelos.
e) Em relação a alunos que não poderem aprender no mesmo ritmo normal com os outros, o
professor recorrerá a Necessidades Educativas Especiais (NEE).

3.5. Bibliografia Complementar

 Baptista, R. (1997). Necessidades Educativas Especiais. Lisboa: Dinalivro


 Coll, C., Marchesi, A., Palacios, J. & Colaboradores. (2004). Desenvolvimento
Psicológico e Educação: psicologia evolutiva. Volume 1. (2ª Ed.). Porto Alegre:
ARTMED Editora

78
 Quist, D. (2007). Métodos do Ensino Primário: Manual do professor. Maputo, Editora
Nacional de Moçambique.
 Libâneo, J. (2005). Pedagogia e Pedagogos: Para Quê? (8ª Ed.). São Paulo: Cortez
Editora.
 Libâneo, J. (2001). Didáctica. São Paulo: Cortez Editora.
 Piletti, C. (2001). Didáctica Geral. (23ª Ed). São Paulo: Ática.
 Nielsen, L. (1999). Necessidades Educativas Especiais na Sala de Aulas. Porto: Porto
Editora.
 Riel, S. & Heimburge, J. (2000). Como Ensinar Todos os Alunos na Sala de Aulas
Inclusiva. Porto: Porto Editora.
 Fauman, M. (2002). Guia de Estudo para o DSM-IV-TR. Lisboa: CLIMEPSI Editores.
 Frances, A. & Ross, R. (2004). Casos Clínicos: DSM-IV-TR: guia para o diagnostico
diferencial. Lisboa: CLIMEPSI Editores.
 American Psychiatric Association. (2006). DSM-IV-TR: Manual de Diagnostico e
Estatística das Perturbações Mentais. (4ª ed.). Lisboa: CLIMEPSI Editores.
 Sprinthall, Norman A. & Sprinthall, R. (1990). Psicologia Educacional: uma abordagem
desenvolvimentista. Lisboa: Mcgraw-Hill.
 Costa, A., Leitão, F., Santos, J., Pinto, J. & Fino, M.. (1996). Currículo Funcionais. Vol 2:
elementos para desenvolvimento e aplicação. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.
 Correia, L. (1997). Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes
Regulares. Porto: Porto Editora.
 Organização Mundial de Saúde. (1995). Classificação Internacional das Deficiências,
Incapacidades e Desvantagens (HANDICAPS). Lisboa: Secretariado Nacional de
Reabilitação.
 Vandenplas-Holper, Cr. (2000). Desenvolvimento Psicológico na Idade Adulta e Durante
a Velhice: maturidade e sabedoria. Porto: Edições ASA
 Papalia, D., Olds, S. & Feldman, R. (2001). O Mundo da Criança. (8ª Ed.). Lisboa:
McGraw-Hill
 Brazelton, T. & Greenspan, S. (2002). As Necessidades Essenciais das Crianças. São
Paulo: ARTMED Editora
 Michener, H., DeLamater, J. & Myers, D. (2005). Psicologia Social. São Paulo: Thonson

4. Unidade Temática IV: Métodos e Estratégias de Ensino e Aprendizagem

Duração da Unidade: 12 Horas

4.1. Introdução da Unidade Temática

O presente capítulo faz uma abordagem sobre os Métodos e Estratégias de Ensino-


Aprendizagem em três partes distintas. Em primeiro lugar é feita a apresentação dos Métodos

79
de Ensino. Em segundo lugar disserta-se sobre as Estratégias de Ensino e Aprendizagem e,
finalmente, são discutidos os Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e Aprendizagem.
Antes do desenvolvimento de cada uma das secções desta Unidade Temática torna-se
importante alertar a todos agentes educacionais (professores, formadores, gestores,
planificadores e eleboradores de políticas) que não existe nenhum método, estratégia ou técnica
que suplante a atitude afectiva que se deve ter com todas as crianças e jovens que estejam ou
não em processo de escolarização ou ainda, que tenham ou não necessidades educativas
especiais. Por mais sofisticadas e O carinho e o apego são a chave fundamental do sucesso
escolar de cada criança e jovem aprendentes.
Os métodos, as estratégias e as técnicas de ensino e aprendizagem seleccionados para serem
aplicados devem estar imbuídos de atitudes e prédisposições afectivas e carinhosas dos seus
aplicadores, particularmente, professores e formadores. Eles são os principais meios a serem
utilizados para que os aprendentes possam aprender a aprender em contextos educacionais
heterogéneos dos seus participantes e complexos do ponto de vista sociocultural.
Na análise que é feita sobre os Métodos de Ensino são descritos o seu conceito, as etapas da
execução dos mesmos, apresentada a classificação deles e estabelecidas as relações entre as
aprendizagens activa e passiva.
As abordagem das Estratégias de Ensino e Aprendizagem são feitas de maneira discriminada,
isto é, as primeiras orietadas para os professores e as segundas para os alunos. As Estratégias de
Ensino referem-se aos procedimentos ou técnicas que os professores adoptam para facilitarem a
aprendizagem dos seus alunos. As Estratégias de Aprendizagem estão relacionadas com as
atitudes e comportamentos qua os alunos adoptam para melhor aprenderem.
Finalmente, em relação aos Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e Aprendizagem são
abordados assuntos relacionados com os conceitos de cada uma das seguintes deficiências
mental, visual, auditiva, físico-motora e múltipla, apresentando-se também algumas sugestões
educacionais básicas para cada uma delas.

4.1. Evidências Requeridas da Unidade Temática

No final do estudo desta Unidade Temática, o formando:


 Gere uma turma considerando a heterogeneidade e o número elevado de alunos;
 Utiliza recursos didácticos apropriados em diferentes contextos;
 Aplica correctamente o método e a estratégia adequados para cada grupo coetâneo.

80
4.2. Recursos de Aprendizagem

4.2.1. Métodos de Ensino


Os métodos de ensino aqui abordados, como um dos procedimentos que os professores aplicam
para ajudarem os alunos a aprenderem, para o seu entendimento implicam a sua conceituação,
as etapas da sua execução, a sua classificação e as correlações que se podem estabelecer entre
os passivos e os activos, como vem descrito em seguida.
[Link]. Conceito de Método de Ensino
Para qualquer actividade que o homem deseja realizar a fim de alcançar um determinado
resultado é obrigado a reflectir sobre como executá-la, ou seja, de que maneira vai fazer, qual
procedimento usar, de que forma vai realizar e que caminho seguirá para lá chegar. Nestes
termos, pretende-se saber qual é o método que será aplicado para que seja atingido o resultado
pretendido. Na orientação do processo de ensino-aprendizagem o professor aplica métodos de
ensino para fazer com que seus alunos aprendam, alcançando os resultados da aprendizagem
que ele determinou previamente.
Etimologicamente, a palavra método tem a sua origem nos termos grego meta que significa
meta e thodos que significa caminho trajecto, meio para alcançar algo. Assim, a expressão
método de ensino é aqui definida como sendo o caminho, o rumo ou o direccionamento que o
professor segue na organização das actividades de ensino para que seus alunos possam
aprender. Refere-se também a um conjunto de meios, procedimentos, processos, regras e acções
pedagógicas que visam o alcance de um objectivo educativo pelo professor. Permite ainda que
o professor leve os alunos a formarem convicções, atitudes, hábitos e formas de comportamento
expressos nos programas de ensino.
Por outro lado, a palavra “técnica” é originária do termo grego thecnicu que significa “como
fazer”, “como realizar” algo.

Pelo método de ensino o professor tem a opção e a liberdade de escolher a direcção que
pretender dar ao processo de ensino para que seus alunos possam aprender, efectivamente.

Embora a acção docente seja um processo de previsão e autonomia o método de ensino requer o
estabelecimento de uma relação de interdependência entre o sujeito ensinante, aquele que
ensina (o professor) e o sujeito aprendente, aquele que aprende (o aluno).
[Link]. Etapas de Execução do Método de Ensino

81
A aplicação do método de ensino ocorre em três etapas preditivas, nomeadamente, a da
planificação, da prática e da avaliação.
[Link].1. A Etapa da Planificação do Método de Ensino
Esta etapa refere-se ao diagnóstico e à fundamentação do contexto em que vai decorrer a
aplicação do método.
a) Diagnóstico
Ao fazer o diagnóstico do contexto o professor deve tomar em conta as condições e as
circunstâncias em que o processo de ensino-aprendizagem vai se realizar, considerando as
características do aluno e a pertinência dos conteúdos, recursos, objectivos e local.
Em relacção ao aluno é preciso diagnosticar os seus conhecimentos prévios, as suas
características cognitivas e fisico-motoras, as suas necessidades de aprendizagem e as
potencialidades para poder aprender mais, melhor e respeitando seus estilos e ritmos de
aprendizagem.
Os conteúdos e os objectivos devem ir ao encontro das necessidades de aprendizagem do aluno,
de forma flexível e evolutiva durante todo o processo de ensino.
b) Fundamentação
A fundamentação refere-se ao conhecimento do método e à motivação e justificação da sua
escolha e aplicação. Os argumentos para tal devem estar coerentes com os resultados do
diagnóstico.
[Link].2. A Etapa da Prática do Método de Ensino
A etapa da prática está relacionada com a aplicação do método, antecedida da explicação do seu
encaminhamento. Ë fundamental que esteja explícito para todos os implicados ou não sobre
quais serào os passos que deverão ser seguidos no método de modo a proporcionar os
resultados desejados.
[Link].3. A Avaliação do Método de Ensino
Aqui a avaliação é feita sobre os resultados da aplicação do método. É direccionada para os
níveis de participação e desempenho dos alunos e do professor e para o contexto, os processos e
a prática de modo a se garantir a aprendizagem do conhecimento nos seus aspectos e conceitos
essenciais.
[Link]. Classificação do Método de Ensino
Os critérios de classificação dos Métodos de Ensino variam de autor para autor. Neste estudo
são apresentados seis tipos de métodos, nomeadamente: o expositivo, o interrogativo, o
demonstrativo, o de elaboração conjunta, o de trabalho independente, o activo e o especial.

82
Cada um dos métodos está caracterizado na Tabela 05, onde estão detalhados a descrição, as
principais características, as vantagens e desvantagens e as principais regras e técnicas de sua
aplicação.

83
Tabela 05
(Caracterização dos Métodos de Ensino)
N° Métodos Descrição Principais Características Vantagens Devantagens Regras de Aplicação Principais Técnicas
 O professor não controla a  Definir bem os
 Número elevado de
 Situa-se na área do aquisição de objectivos.
participantes.
saber-saber. conhecimentos.  Organizar
 Grande quantidade
 O receptor é  A participação dos alunos sequencialmente as
O professor assume de informação.
essencialmente passivo. é nula. ideias e os conteúdos.
na íntegra a execução  Necessidade de
 A “autoridade” está no  O professor não leva em  Recorrer a técnicas que
e a orientação do pouco material
professor. conta os factores como a potenciam a
processo enquando os pedagógico.
 Todos os alunos curiosidade, as aprendizagem.
alunos demonstram-  Iniciativa, dinâmica
recebem a informação necessidades individuais  Deve ser afirmativo,
se passivos. Para a e controle da aula
01 Expositivos colectivamente, ao de aprendizagem. simples e preciso.
sua sua aplicação o pelo professor.
mesmo tempo e no  A experiência ou o  Não deve ler-se um
professor faz uso de  Transmissão dos  Testemunhos
mesmo ritmo. conhecimento prévio dos texto.
recursos verbais, conteúdos em
 A obtenção dos alunos.  Devem ser utilizadas
ilustrativos, pouco tempo.  Analogias
resultados não é  Perda da atenção e baixo imagens e exemplos.
demonstrativos e de  Desenvolvimento
homogénea. rendimento na  Deve-se ter cuidado com
exemplos. das capacidades de  Mnemónicos
 A relação entre aprendizagem devido á a postura, o olhar, a voz,
concentração e
professor e alunos é exposição longa. o posicionamento...
actividade mental  Repetições
formal.  Sobrecarga na memória de  Fazer uma síntese no fim
dos alunos.
curta duração. da aula.
 Experiências
 As perguntas devem
pessoais
ser/estar:
 curtas e claras;
 Situa-se na área do  Permite a  Exige uma forte  Exemplos e
 apresentadas
saber-saber e saber- participação de um preparação do professor ilustrativos
Consiste em fazer naturalmente;
fazer. número elevado de para induzir a participação
com que o aluno  adaptadas aos
 É dinâmico e alunos. esperada.  Imagens mentais
descubra o que se conhecimentos do
participativo.  É dinâmico e  Não funciona por si só. (imaginação).
pretende ensinar, grupo;
 A “autoridade” está no participativo.  Podem ser registadas
dando-se mais  feitas a todos os
02 Interrogativos professor.  Permite o controle resistências pelos alunos
importância ao alunos; e
 Deve ser usado da aprendizagem. tímidos.
processo de  apresentadas do geral
conjuntamente com o  Permite uma boa  As questões devem estar
pensamento para o particular.
método expositivo. interação entre adaptadas à maturidade do
independente e activo  As respostas devem ser
 A obtenção dos professor e alunos. grupo.
de quem aprende. feitas de acordo com os
resultados não é  A participação do  Sua aplicação exige
objectivos da aula.
homogénea. aluno é relevante. tempo.
 As respostas “sim” e
“não” devem ser
complementadas.
84
85
N° Método Descriçao Principais Características Vantagens Devantagens Regras de Aplicação Principais Técnicas
 Dar tarefas claras
compreensíveis e
 A importância do
adequadas
trabalho independente
 Aproveitar o resultado
está na actividade
das tarefas para toda a
mental dos alunos.
classe  Testemunhos
O professor propõe  As tarefas devem
 Propicia a falta de controlo  Dominar as técnicas do  Analogias
aos alunos tarefas sejam claras,
do tempo. trabalho  Mnemónicos
individuais e compreensíveis e à
 Incumprimento de tarefas  Desenvolver  Repetições
independentes, altura dos  Desenvolvimento
por falta de meios e habilidades e hábitos  Experiências
Trabalho cabendo a ele indicar conhecimentos e da da independência
03 materiais para a sua de trabalho pessoais
Independente os passos, as capacidade de para a auto-
execução. independente,  Exemplos e
metodologias, a raciocínio dos alunos. aprendizagem
 Embaraço por tarefas colaborativo e criativo ilustrativos
bibliografia, o padrão  O professor assegura
demasiadas difíceis, longas  Sistematizar e  Imagens
de qualidade e os as condições para que
e orientações insuficientes. consolidar mentais
critérios de avaliação. o trabalho seja
conhecimentos, (imaginação).
realizado e faz a
habilidade e hábitos
monitoria do mesmo.
 Possibilitar a cada
 Atribuição da maior
aluno para
actividade aos alunos.
individualmente
resolver problemas
04 Demonstrativos  Situa-se no patamar do  Exige mais tempo, materiais  Analogias
saber-fazer. e equipamentos específicos  Fórum ou
 Necessita de mais para a sua aplicação. plenária
 Adequado ao
tempo, quando  Seu sucesso é inversamente  Debate
desenvolvimento
comparado com o proporcional ao número de  Discussão em
de competências
m’etodo expositivo elementos do grupo.  Os meios de ensino grupo
psicomotoras.
Está estruturado de  Funciona melhor em  Não toma em conta a devem estar visíveis e  Grupos de
 Suscita grande
forma pedagógica e grupos pequenos. personalidade do em local acessível à trabalho
participação dos
andragógica para  O professor deve aprendente, as suas aprendizagem.  Estudo de caso
aprendentes.
ensinar alguém a dominar científica e especificidades e  Há uso e manipulação  Demonstração
 Origina elevada
executar uma terefa pedagogicamente o necessidades de dos materiais e  Visitas de
adesão ao permitir
recorrendo a uma tema. aprendizagem. equipamentos de estudo
uma aprendizagem
demonstração.  O professor lidera  Orienta o ensino de forma ensino e  Seminário
individualizada.
permanentemente todas padronizada. aprendizagem.  Jogos e
 Facilita o controle
as tarefas  Não estimula a criatividade, enigmas.
e a avaliação dos
demonstrativas. a autonomia e o
resultados.
 O método assenta na envolvimento na
técnica da aprendizagem.
demonstração.  A aprendizagem é
86
mecânica.

87
N° Método Descriçao Principais Características Vantagens Devantagens Regras de Aplicação Principais Técnicas
 Formar interações
Trata-se da junção dos
 Enriquecimento dos activas entre professor-
métodos: expositivo e  Fórum ou
conhecimentos através alunos e alunos-alunos.
interrogativo. O plenária
 Promove a assimilação dos outros.  Promover a
professor dirige a  Debate
ativa dos conteúdos.  Evolução na conversação e o
discussão a partir de  Discussão em
 Suscita a atividade mental formulação e diálogo entre os alunos
perguntas previamente  Perda da grupo
através da obtenção de argumentação de e estes com o
preparadas, aprendizagem na  Grupos de
respostas pensadas sobre a questões, na professor.
confirmando ou conversa quando trabalho
Elaboração causa de determinados capacidade de  Desenvolver nos
05 corrigindo as respostas não bem orientada.  Brainstorming
Conjunta fenômenos. elaboração de opiniões alunos habilidades de
dos alunos. O professor  Timidez na (chuva de ideiais)
 Faz avaliação crítica duma e pontos de vista. expressar opiniões
faz um resumo participação por  Estudo de caso
situação de aprendizagem.  Desenvolvimento no fundamentadas e
indicando o que deve medo de errar.  Role-play
 Busca novos caminhos respeito pelas opiniões verbalizar a sua
ser assimilado. O  Demonstração
para a soluções de dos outros; própria experiência.
método propõe uma  Visitas de estudo
problemas.  Controle imediato do  Orientar os trabalhos
igualdade de  Seminário
nível de assimilação e com todos os alunos,
actividades entre  Jogos e enigmas
aprendizagem. em pequenos grupos e
professor e alunos.
individualmente
 Fórum ou
plenária
 Situa-se ao nível do saber-  Debate
fazer e fazer-fazer.  Jogos
 O professor estimula,  Discussão em
participa e orienta. grupo
O aluno é o agente
 Na sua intervenção o  Grupos de
voluntário, activo e
professor tem em atenção trabalho
consciente da sua
a pessoa.  Brainstorming
educação. Engloba em
 A iniciativa e a (chuva de ideiais)
si todos os métodos
05 Activos imaginação são solicitadas  Estudo de caso
centrando a
ao aluno.  Role-play
problemática da
 Permite:  Demonstração
educação na
 a orientação de aulas  Visitas de estudo
participação activa do
dinâmicas e participativas;  Seminário
aluno.
e  Jogos e enigmas.
 uma excelente integração  Projectos
do formador no grupo dos  Leitura de textos
alunos.  Reflexão
individual e
grupal
Especial Está directamente Uso do método para a  Fórum ou
88
plenária
 Debate
aprendizagem:
 Discussão em
 do Sistema Braille para a
orientado para a grupo
aprendizagem dos alunos
satisfação das  Grupos de
com deficiência visual.
necessidades de trabalho
 da Língua de Sinais para
aprendizagem dos  Brainstorming
alunos com deficiência
alunos com (chuva de ideiais)
auditiva.
necessidades  Estudo de caso
 das habilidades para a vida
educativas especiais  Role-play
para alunos com
específicas  Demonstração
deficiências mental e
 Visitas de estudo
múltipla profundas.
 Seminário
 Jogos e enigmas.
Fontes: Libâneo (2001);

89
[Link] Relação entre Métodos Passivos e Métodos Activos
O Método de Aprendizagem Activa opõe-se ao Método de Aprendizagem Passiva, também
denominado por Tradicional, na abordagem dos objectivos, processos, participação e
resultados. Na Tabela 06, abaixo, é feita a diferenciação entre os dois métodos.

Tabela 06
(Relação entre Aprendizagem Activa e Aprendizagem Passiva)
Características Aprendizagem Activa Aprendizagem Passiva
Forma novos tipos de gestores do ambiente e
Filosofia Forma cidadãos obedientes, valorizando o
da sociedade, capazes de prosseguir os
educacional saber livresco
estudos
A criança é dotada de potencialidades
Verifica-se a supremacia do adulto que é a
(criatividade, iniciativa, autonomia
Conceito da fonte de informação. Ele corrige as faltas da
progressiva e interactiva...) que somente
criança criança sem contemplar as estruturas
precisa de ser promovida para desenvolver-
mentais que tem.
se.
O aluno é actor da sua própria formação,
Concepção da ensino funcional, concretizado, papel Condicionamento (estímulo e resposta),
aprendizagem importante concedido à motivação, aos repetição mecânica, ensino livresco.
objectos afectivos, etc.
Anima, ajuda, organiza as actividades, incita
Papel do Fonte principal de informação, censura,
à autonomia, arbitra, disponibiliza fontes de
professor regula, professa, corrige, sanciona, avalia.
informação, motiva.
Executa as tarefas definidas pelo professor
Situa-se no grupo, é capaz de auto organizar- que é o único juiz. O papel do aluno é
se, participa activamente no conjunto das geralmente limitado a repetir, a aprender de
Papel do aluno
actividades, implica-se, solicita apoios do cor e restituir informações que lhe são
professor e dos colegas. comunicadas para dar prova que ele
responde aos critérios do professor.
Sanciona, põe a tónica sobre as fraquezas do
Ajuda a identificar os pontos fortes dos
aluno. Os critérios de avaliação são
fracos e remedeia contribuindo com um
escondidos, frequentemente à criança. A
Papel da apoio ao aluno,
criança é avaliada, unicamente sobre as
avaliação Desenvolve uma estratégia de ajuda a partir
competências que o professor terá escolhido.
de critérios e indicadores bem conhecidos do
Não dá conta de todas as aquisições mas de
aluno.
armadilhas que são frequentes.
Fonte: Libâneo (2001)
Embora as diferenças de abordagem educacional sejam claras e evidentes entre os modelos
activo e passivo como é proposto na Tabela acima, há uma complementaridade prática entre
elas. Quer isto dizer que não existem situações puras de aprendizagem activa ou de
aprendizagem passiva.
Face às mudanças necessárias do actual modelo passivo para o activo no sistema educacional
moçambicano deve-se tomar em conta o seguinte:
a) Motivar o aluno para a aprendizagem, confrontando necessidades e interesses com a visão
do mundo e com experiências anteriores.
b) Adequar a aprendizagem ao nível do desenvolvimento do aluno e relacioná-la com
conhecimentos, atitudes e comportamentos já adquiridos.

90
c) Fornecer informações, indicar dados e criar espaços que facilitem a compreensão, a
organização e a retenção dos conhecimentos.
d) Levar os alunos a compreenderem os objectivos das aprendizagens.
e) Iniciar a aprendizagem baseando-se nos conhecimentos da criança e gradualmente passar
às situações de aprendizagem mais gerais.
f) Assumir a prática como modo de aprendizagem significativa - o saber fazer - o saber
aplicar conhecimentos, capacidades e competências a situações reais e o saber transferir
conhecimentos, capacidades e competências adquiridas a novas situações.
Os Métodos de Ensino explicitam os caminhos, as técnicas e as actividades que o professor
deve aplicar para facilitar a aprendizagem de todos os seus alunos. Eles complementam-se no
decurso das práticas pedagógicas não havendo nenhum que se sobrepõe sobre os outros.
Mesmo assim, os Métodos Activos ganham particular destaque no processo por permitirem a
aplicação de todos os outros.
4.2.2. Estratégias de Ensino e Aprendizagem
Do ponto de vista etimiológico a palavra estratégia provêm do grego strategia que significa arte
de planear guerras; habilidade, astúcia, esperteza, manha, estratagema.
[Link]. Estratégias de Ensino
As estratégias de ensino referem-se aos procedimentos utilizadas pelo professor visando a
facilitação da aprendizagem dos seus alunos. Também podem ser consideradas como as
técnicas que o professor usa para adequar o ensino às maneiras peculiares de aprendizagem de
cada aluno.
Algumas estratégias de ensino desenvolvidas pelos professores na sala de aula referem-se,
especificamente à aplicação das técnicas de:
 selecção dos objectivos e conteúdos da aula;
 comunicação na sala de aula;
 gestão do tempo da aula;
 produção, uso e manutenção do material didáctico;
 identificação e apoio aos alunos com dificuldades de aprendizagem;
 formação, orientação e gestão de grupo;
 organização dos alunos na sala de aula;
 organização do ambiente da sala de aula;
 avaliação e registo de desempenho escolar dos alunos.
As estratégias de ensino agregam valor na aprendizagem dos alunos e tornam-se importantes ao
processo educacional no seu todo quando os seus conteúdos são significativos.

91
[Link]. Estratégias de Aprendizagem
No âmbito deste Manual as estratégias de aprendizagem referem-se às atitudes, procedimentos
e comportamentos que os alunos adoptam para aprenderem.

Ao utilizar as estratégias e, auxiliando-se da maturação, motivação, inteligência, memória,


atenção e experiências passadas, o aluno desenvolve habilidades cognitivas que o levarão a
aprender mais, melhor, rápido e em pouco tempo, considerando as suas necessidades e
possibilidades de aprendizagem. Deste modo, as estratégias dão ao aluno um leque de escolhas
convenientes para aprender com eficácia tais como passos, ferramentais, actividades e outros
procedimentos.
[Link].1. Tipos de Estratégias de Aprendizagem
Na literatura que trata de questões relacionadas com a aprendizagem e desempenho escolar são
apresentados vários tipos de estratégias de aprendizagem que os alunos aplicam para poderem
aprender com sucesso. Algumas dessas estratégias são as seguintes:
a) Estratégias de Ensaio
Envolvem a repetição das actividades através da fala, ou da escrita do material a ser
aprendido.
b) Estratégias de Elaboração
Implicam o estabelecimento de conexões entre o material novo a ser ensinado e o velho já
familiar.
c) Estratégias de Organização
Referem-se à estruturação a nível organizacional do material a ser aprendido,
subdividindo-o em partes, identificando relações subordinadas e superordinadas e outras
categorizações.
d) Estratégias de Monitoramento
Referem-se ao acompanhamento da compreensão dos conteúdos levando o indivíduo a
estar consciente do que capta e absorve quando é ensinado.
e) Estratégias Afectivas
São aquelas em que o aluno busca eliminar sentimentos desagradáveis e não favoráveis à
aprendizagem.
Muitas outras estratégias empregues pelos alunos existem, relacionadas com a auto-avaliação, a
organização e transformação, o estabelecimento de metas e planificação, a busca de
informação, o registo de informação, o auto-monitoramento, a organização do ambiente, a
busca de ajuda e revisão.

92
[Link].2. Importância do Desenvolvimento de Estratégias de Aprendizagem
Nos últimos anos os cientístas educacionais têm se interessado cada vez mais na pesquisa de
estratégias de aprendizagem dos alunos. Este interesse está relacionada com os seguintes
factores:
a) O emprego de estratégias pelos alunos e consequente sucesso na aprendizagem (eficácia
das estratégias).
b) O sucesso escolar dos alunos e a tendência de cada vez mais fazerem uso de estratégias de
aprendizagem (satisfação na aprendizagem)
c) As estratégias bem sucedidas fazem com que os alunos sejam mais autónomos na
aquisição da aprendizagem (aprendizagem autónoma)
d) O interesse crescente na pesquisa de estratégias de aprendizagem possibilita o
melhoramento delas pelos alunos no processo de aquisição da aprendizagem (ensino das
estratégias).
O ensino de estratégias de aprendizagem é um procedimento que muitos professores têm vindo
a promover no sentido de levar os alunos a aprender a aprender.
[Link].3. Ensino de Estratégias de Aprendizagem (ensinar a aprender a aprender)
Hoje em dia, uma das principais funções do professor no processo de educação é ensinar os
seus alunos a aprender a aprender. Neste sentido, os alunos tornam-se mais autónomos,
criativos, questionadores, críticos e desenvolvem o pensamento divergente.
Dentre vários, alguns dos objectivos que justificam o ensino de estartégias de aprendizagem aos
alunos, são os seguintes:
a) Autodiagnosticar os pontos fortes e aqueles que precisam de ser melhorados na
aprendizagem dos alunos.
b) Tornar os alunos mais conscientes do que os auxilia para aprenderem algo de forma
eficiente.
c) Desenvolver nos alunos uma ampla variedade de habilidades de resolução de problemas.
d) Pôr os alunos a experimentarem estratégias familiares e não familiares.
e) Monitorar o desempenho dos alunos.
f) Transferir estratégias bem-sucedidas para novos contextos de aprendizagem.
Ao se ensinar os alunos a desenvolver e aplicar melhor as suas próprias estratégias de
aprendizagem pretende-se que eles sejam mais responsáveis e autónomos na busca do sucesso
escolar e, futuramente, na vida profissional.

4.2.3. Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e Aprendizagem

93
Os métodos e estratégias especiais de ensino e aprendizagem aqui apresentados estão orientados
para os alunos com necessidades educativas especiais específicas, isto é, para aqueles que têm
deficiências, cujas necessidades demandam ajudas pedagógicas na aquisição da aprendizagem.
Contudo, os métodos e estratégias usados para a aprendizagem de crianças que não tenham
nenhum tipo de deficiência são totalmente válidos para aquelas que as têm. Elas precisam de ser
aplicadas de maneira personalizada, carinhosa, frontal e objectiva.
Abaixo são apresentadas algumas sugestões ou recomendações psicopedagógicas básicas para
serem aplicadas por todos os professores e, especialmente, para aqueles que têm nas suas
turmas regulares alunos com deficiência mental, deficiência visual, deficiência auditiva,
deficiência físico-motora e deficiências múltiplas.
[Link]. Conceito e Ajudas Educacionais para a Deficiência Mental
A principal característica da deficiência mental (cognitiva ou intelectual) é a redução da
capacidade intelectual (QI) de um indivíduo situada abaixo dos padrões considerados normais
para a sua idade. A pessoa com retardo mental tem o funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, acompanhado de limitações no comportamento adaptativo
em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida
doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-
suficiência, habilidades académicas, trabalho, lazer, saúde e segurança.
Diferentemente das deficiências visual e auditiva na deficiência mental não se faz uso de uma
metodologia própria ou específica para a orientação do processo de ensino-aprendizagem.
Os métodos e estratégias aplicados para a aquisição da aprendizagem em pessoas sem
deficiências são os mais recomendáveis para a estimulação educacional de quem as possui. O
que se requer é que tais procedimentos sejam desenvolvidos com maior amplitude e
profundidade e de maneira mais personalizada, paciente, afectiva, tolerante, ética e profissional.
Neste tipo de deficiência uma vez diagnosticada uma ligeira ou significativa alteração na
estrutura mental do indivíduo torna-se necessária a aplicação de um plano de estimulação
cognitiva visando a busca da sua autonomia social e da melhoria da sua qualidade de vida.
Deste modo, técnicas remediadoras, compensadoras e adaptativas poderão ser administradas
para a elevação dos níveis de atenção, memória, organização da informação, resolução de
problemas e socialização dessa pessoa.
No contexto escolar os métodos activos são, por excelência, o recurso educacional mais
recomendado para a adaptação socioescolar da pessoa com deficiência mental. Outras técnicas
de eleição e de aplicação combinada, são a ludoterapia (tradicional e convencional), os
exercícios individualizados e colectivos de repetitição, a utilização de material audio-visual

94
apropriado e diversificado, a simulação, a demonstração, a exemplificação e a reflexão sobre a
prática do dia-a-dia.

As práticas preventivas do fracasso escolar podem ser elevadas através do desenvolvimento do


diagnóstico precoce das deficiências na educação pré-escolar, na família e na comunidade. Na
escola devem ser promovidos hábitos de higiene pessoal, familiar e comunitária; de
alimentação apropriada e balanceada; de saneamento do meio ambiente; da prática rotineira de
exercícios físicos; e da prática diária da vigilância em saúde. Na transição da adolescência para
a vida adulta é recomendável, com vista à inserção profissional e social das pessoas com
deficiência mental, a orientação vocacional baseada na avaliação de competências, de interesses
e aspirações do indivíduo
Dependendo do nível de comprometimento cognitivo que o aluno possa ter a busca da
competência acadêmica pode não ser o objectivo maior a ser alcançado mas sim a elevação das
competências de interação social tais como vestir-se bem; ser higiénico; obedecer ordens;
transmitir recados; solicitar ajuda; apoiar os outros; manifestar os seus desejos, sentimentos
pensamentos e necessidades, sejam eles agradáveis ou não; e elevar seus níveis de autoconceito,
autoconfiança e autoestima.
[Link]. Conceito de Deficiência Visual
O termo deficiência visual refere-se às pessoas que possuem baixa, subnormal ou ausência total
de visão. Mormente, elas apresentam diminuição ou ausência das suas respostas visuais, mesmo
após tratamento ou correcção óptica convencional.
As pessoas com deficiência visual possuem enormes limitações para poderem frequentar a
educação regular e mesmo a especializada. Normalmente, estas restrinções ocorrem devido às
características do próprio processo educativo que requer a aquisição de material específico para
a aquisição da aprendizagem formal.
[Link].1. O Sistema Braille
O Sistema Braille é um método de leitura e escrita táctil e em relevo utilizado no processo de
ensino e aprendizgem de pessoas cegas. Foi inventado na França, em 1825, por Louis Braille,
quando cego e com apenas 15 anos de idade.
Hoje, utilizado universalmente como alfabelto convencional em diferentes países e línguas, o
Braille é um importante instrumento de educação, formação e inclusão social e o principal meio
de comunicação das pessoas cegas com o mundo, estabelecida através da leitura e da escrita.
Os "Símbolos Universais do Sistema Braille" são constituídos por letras do alfabeto, sinais de
pontuação, números, notações musicais e científicas e toda a grafia comum universal.

95
Os instrumentos normalmente usados para a escrita alfabética em Braille são o Papel Braille, a
Reglete (Pauta), o Punção (Ponteiro) e a Máquina de Dactilografar (Máquina Perkins) e o
Ábaco (Soroban) para a escrita numérica e o cálculo matemático, como pode ser observado nas
imagens abaixo. Para pessoas de baixa vião tem se estimulado o uso de lupas.
Nos últimos anos, com o rápido avanço das tecnologias de informacão e comunicação os
sistemas de escrita e leitura em Braille evoluíram bastante o que tem facilitado e melhorado
cada vez mais a qualidade de comunicação das pessoas com deficiência visual com o mundo
que os rodeia.
[Link].2. Sugestões Educacionais Básicas
As sugestões metodológicas orientadas para a educação de adolescentes e jovens com
deficiência visual estão discriminadas abaixo:
 Sempre que possível, passar para o aluno a mesma lição dada à turma.
 Os estudantes e professores devem ter o cuidado de não criarem baixas expectativas,
apenas com base na deficiência visual.
 Promover reuniões para discutir as dificuldades e os progressos encontrados.
 Convidar pais de crianças com deficiência ou professores que já tiveram esta experiência
para dar depoimentos.
 É preciso que o professor adapte as representações gráficas e os recursos didácticos que
vai utilizar.
 Para ensinar Matemática, o instrumento mais utilizado é o ábaco. Seu manuseio é fácil e
pode ajudar até mesmo os alunos que veêm, pois ele concretiza todas as operações
matemáticas.
 O cálculo mental deve ser estimulado desde o início da aprendizagem e que será útil,
posteriormente, quando o aluno estudar álgebra.
 A mobilização de recursos pedagógicos para a facilitação da aprendizagem do aluno com
deficiência visual deve ser considerada um direito seu que deve ser satisfeito.
 O apoio ao aluno com deficiência deve ser considerado de responsabilidade de todos.
 Disponibilizar com antecedência os textos e livros considerando que a transcrição destes
para formatos alternativos (Áudio, Braille e outros) demanda tempo adicional.
 Se possível, o material de estudo deve ser fornecido sob a forma de textos ampliados,
textos em Braille, textos e aulas gravadas em áudio ou em disquete, de acordo com as
necessidades do aluno e as possibilidades da escola.
 O aluno poderá ainda precisar de utilizar auxiliares ópticos e equipamento informático
adaptado, assim como apoio para trabalho de laboratório e do pessoal da biblioteca.

96
 Durante as aulas é útil identificar os conteúdos de uma figura e descrever a imagem e a
sua posição relativa a itens importantes.
 Substituir os gráficos, fluxogramas e tabelas por outras questões ou utilizar gráficos
simples em relevo.
 Transcrever em Braille as provas e outros materiais escolares impressos.
 Possibilitar usar formas alternativas nas provas: o aluno pode ler o que escreveu em
Braille; fazer gravação em fita cassete ou escrever com tipos ampliados.
 Ampliar o tempo disponível para a realização das provas.
 Evitar dar um exame diferente, pois isso pode ser considerado discriminatório e dificulta
a avaliação comparativa com os outros estudantes;
 Ajudar só na medida do necessário.
 Facilitar a locomoção do aluno na sala de aulas, corredores e no recinto escolar
removendo os obstáculos que possam dificultar o seu acesso ao currículo.
É importante ressaltar que, ao serem adaptados os recursos didácticos para facilitar a
aprendizagem dos alunos com deficiência o professor acaba beneficiando todos os outros
alunos, pois recorre a materiais concretos, que são bons para a compreensão dos conceitos.

97
Instrumentos para a escrita no Sistema Braille

Ábacos (Sorobans)

Regletes (Réguas ou Pautas)

Punção (Ponteiro)

Máquinas Perkins Brailler

98
99
Alfabeto Braille

Conceito de Deficiência Auditiva


A deficiência auditiva refere-se à perda total (surdez) ou parcial (hipoacusia) da capacidade de
ouvir sons do meio ambiente.
Tal como as pessoas com deficiência visual, as deficientes auditivas enfrentam inúmeras
barreiras para poderem participar na educacão escolar. Esta limitação ocorre pelo facto de
grande parte da informação escolar ser transmitida por via oral, para ouvintes. As estimulações
auditivas são escassas ou nulas o que afecta negativamente na aprendizagem das pessoas com

100
surdez ou com baixa perda auditiva. O principal veículo de comunicação entre a comunidade
surda é a Língua de Sinais.

[Link].3. A Língua de Sinais


No meio educacional o principal método utilizado para o ensino e aprendizagem das crianças e
jovens com deficiência auditiva é a Língua de Sinais.
A Língua de Sinais é uma língua de modalidade gestual-visual com estrutura gramatical própria
sendo matena ou natural das pessoas surdas.
Para a determinação do seu significado os sinais (letras ou algarismos) possuem parâmetros de
formação, como por exemplo a localização das mãos em relação ao corpo, a expressão facial, a
movimentação que se faz ou não na hora de produzir o sinal e outros.
[Link].4. Sugestões Educacionais Básicas
Recomendações básicas que possam ser dadas aos professores que tenham alunos com
deficiência auditiva nas suas salas de aulas são as seguintes:
 A identificação dos alunos com deficiência auditiva na turma a partir do uso de diferentes
instrumentos sonoros locais.
 Sempre que for possível, recomendar o disgnóstico da acuidade auditiva dos alunos para
que se possa identificar o nível residual auditivo e o tipo de reforços educacionais o aluno
possa necessitar.
 A sensibilização de todos os alunos, em particular, e de toda a comunidade escolar, no
geral, sobre a maneira diferente e atenciosa que deve ser observada na comunicação com
aquele que tiver deficiência auditiva.
 Quanto maior for o número de alunos ouvintes que conhecerem a Língua de Sinais,
melhor será a participação escolar de todos em particular daqueles que têm deficiência
auditiva.
 As aulas devem ser, o máximo possível, concretas, práticas e ricas no uso de material
concretizador, permitindo que os alunos façam simulações, demonstrações, análise de
imagens, manuseio de objectos e apresentação de exemplos da vida diária em relação aos
conteúdos em estudo.
 O tom de voz do professor deve ser normal, perceptível e pausado.
 O recurso à gesticulação e à mímica são estratégias válidas na comunicação com os
surdos, mas usadas de maneira moderada e sem exageros.
 A articulação facial (lábios, olhos...) durante o discurso oral deve ser usada como um
potencial recurso para a aquisição da linguagem pela pessoa surda.

101
 Qualquer explicação que o professor queira dar à turma ou a um aluno qualquer deve ser
feita de maneira frontal e directa para que o diálogo seja perceptível para todos.
 Na sala de aula o aluno com deficiência auditiva deve se sentar sempre em frente, diante
do professor, para que possa acompanhar os seus movimentos faciais ao pronunciar as
palavras e frases.
 Quanto maior for a informação escrita a ser passada pelo professor, melhor será para a
aprendizagem do aluno com deficiência auditiva.
 As mensagens veiculadas pelo professor no processo de ensino-aprendizagem devem ser
ilustrativas com imagens vivas e sugestivas, com objectos manuseáveis, estabelecendo-se
uma relação de complementaridade entre o áudio e o visual.
É recomendável que todos os alunos, particularmente os que têm deficiência auditiva, entrem
em contacto directo com pessoas que tenham o mesmo tipo de deficiência e que tenham obtido
sucesso ao longo das suas vidas familiar, escolar e profissional, cujos efeitos são reconhecidos
socialmente, a fim de servirem de modelo.

102
Alfabeto da Língua Moçambicnna de Sinais

103
[Link]. Conceito de Deficiência Físico-Motora
A Deficiência físico-motora é uma disfunção física ou motora, congénita ou adquirida, podendo
afectar o indivíduo nas várias habilidades de interação com o seu meio socioambiental.
Caracteriza-se pela disfunção ou interrupção dos movimentos de um ou mais membros
superiores e inferiores ou de ambos.
Na deficiência físico-motora não há comprometimento da estrutura cognitiva ou intelectual da
pessoa. Quer isto dizer que, normalmente, entre deficiência físico-motora e deficiência mental
não há correlação nenhuma. Tal facto só ocorrere nos casos em que a pessoa possa ter
deficiência múltipla, isto é, com mais de uma deficiência, situação que será abordada na secção
seguinte.
[Link].1. Tipos de Deficiência Físico-Motora
As pessoas com deficiência físico-motora podem ter paralisia ou paresia.
A paralisia se refere à perda da capacidade de contração muscular voluntária, por interrupção
funcional ou orgânica em um ponto qualquer da via motora, que pode ir do córtex cerebral até o
próprio músculo. Na paralisia regista-se a paralisação dos movimentos corporais (membros) e a
insensibilidade de toda a parte afectada.
Há três tipos tipos de paralisia: a hemiplegia, a paraplegia e a tetraplegia. A hemiplegia é a
paralisação do lado esquerdo ou direito do corpo, afectando ao mesmo tempo os membros
inferior e superior do mesmo lado. A paraplegia é a paralisação da do corpo a aprtir da cintura
para baixo, afectando os menbros inferiores. A tetraplegia refere-se à paralização de todo o
corpo e todos os membros, desde a zona do pescoço até á ponta dos pés.
A paresia está relacionada com a limitação ou fraqueza (debilidade) nos movimentos dos
membros superiores ou inferiores. Os movimentos ocorrem abaixo do padrào normal no que se
refere à força e resistência muscular e à precisão e amplitude dos movimentos.
[Link].2. Sugestões Educacionais Básicas
Para a socialização do aluno com deficiência físico-motora são aqui apresentadas as sguintes
sugestões educacionais:
a) Na sala de aulas os alunos deverão ocupar um lugar relativamente próximo ao do
professor.
b) Os alunos que usam uma cadeira de rodas devem ter mesas adaptadas às suas
necessidades de acomodação.
c) A incontinência urinária é um dos obstáculos mais desagradáveis e ameaçadores da
autoestima. O professor deverá ter em atenção os horários de evacuação da criança para
que não surjam situações embaraçosas e explicar a situação aos outros alunos.

104
d) Para ajudar a criança na execução das habilidades sociais, deve escolher aquelas
relacionadas às exigências diárias como deitar, sentar e levantar-se, arremessar e pegar
objetos, parar e mudar de direção e outras.
e) Estimular a interação da criança com com os colegas, permitindo a troca de idéias, a
expressão de emoções e o contacto físico para auxiliar a execução das diversas atividades.
f) Utilizar material concreto e o quadro com letras magnéticas para facilitar a formação de
palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos braços.
g) O professor deve-se cultivar pesquisando informações sobre as características gerais e
específicas da deficiência.
Para o bem-estar físico e mental da criança com deficiência físico-motora, o professor deve
procurar saber do seu histórico pessoal e escolar solicitando informação à família e ao médico
sobre o estado de saúde e quais os efeitos dos remédios que tem tomando. Este conhecimento é
a base para sugerir qualquer actividade que exija esforço físico.
No contexto escolar os métodos activos são, por excelência, o recurso educacional mais
recomendado para a participação socioescolar do aluno com deficiência. Outras técnicas de
eleição e de aplicação combinada, são a ludoterapia (tradicional e convencional), os exercícios
individualizados e colectivos de repetitição, a utilização de material audio-visual apropriado e
diversificado, a simulação, a demonstração, a exemplificação e a reflexão sobre a prática do
dia-a-dia.
Dependendo do nível de comprometimento cognitivo, visual, auditivo e físico que o aluno
possa ter a busca da competência acadêmica pode não ser o objectivo maior a ser alcançado
mas sim a elevação das competências de interação social tais como vestir-se bem; ser higiénico;
obedecer ordens; transmitir recados; arrumar a casa e o material escolar, solicitar ajuda; apoiar
os outros; manifestar os seus desejos, sentimentos pensamentos e necessidades, sejam eles
agradáveis ou não; e elevar seus níveis de autoconceito, autoconfiança e autoestima.
Comprometimento profissional, afectividade, criatividade e ética profissional são atributos
requeridos a qualquer professor. No entanto, ganham um alto nível de exigência e
responsabilidade quando se está perante uma criança e jovem com deficiência cognitiva ou
qualquer outra (visual, auditiva, físico-motora e múltipla).
[Link]. Sumário
Ao longo da presente Unidade Temática ao se discutir sobre os Métodos e Estratégias de
Ensino e Aprendizagem foram retidos os seguintes apontamentos:
 O Método de Ensino é o caminho que o professor segue na organização das actividades
de ensino para que seus alunos possam aprender.

105
 Pelo método de ensino o professor tem a opção e a liberdade de escolher a direcção que
pretender dar ao processo de ensino para que seus alunos possam aprender,
efectivamente.
 A planificação, a prática e a avaliação são as etapas de execução do Método.
 Seis tipos de métodos e respectiva caracterização são apresentados ao longo do Manual: o
expositivo, o interrogativo, o demonstrativo, o de elaboração conjunta, o de trabalho
independente, o activo e o especial.
 As estratégias de aprendizagem referem-se às atitudes, procedimentos e comportamentos
que os alunos adoptam para aprenderem.
 Algumas estratégias de aprendizagem usadas pelos alunos para melhorarem o seu
desempenho escolar são: estratégias de ensaio, estratégias de elaboração, estratégias de
organização, estratégias de monitoramento, estratégias afectivas.
 Cientístas têm desenvolvido pesquisas na área das estratégias de aprendizagem devido aos
seguintes factores: eficácia das estratégias, satisfação na aprendizagem, aprendizagem
autónoma, ensino das estratégias.
 Os métodos e estratégias usados para a aprendizagem de crianças que não tenham
nenhum tipo de deficiência são totalmente válidos para aquelas que as têm. Elas precisam
de ser aplicadas de maneira personalizada, carinhosa, frontal e objectiva.
 A principal característica da deficiência mental é a redução da capacidade intelectual de
um indivíduo situada abaixo dos padrões considerados normais para a sua idade.
 O termo deficiência visual refere-se às pessoas que possuem baixa, subnormal ou
ausência total de visão. Mormente, elas apresentam diminuição ou ausência das suas
respostas visuais, mesmo após tratamento ou correcção óptica convencional.
 O Sistema Braille é um método de leitura e escrita táctil e em relevo utilizado no processo
de ensino e aprendizgem de pessoas cegas. Foi inventado na França, em 1825, por Louis
Braille, quando cego e com apenas 15 anos de idade.
 Sugestões metodológicas orientadas para a educação de pessoas com deficiência visual
estão discriminadas abaixo:
 Buscar o apoio do professor especialista, para que ensine a criança o sistema Braille
e acompanhe no processo de aprendizagem.
 Disponibilizar com antecedência os textos e livros considerando que a transcrição
destes para formatos alternativos (Áudio, Braille e outros) demanda tempo
adicional.

106
 O cálculo mental deve ser estimulado desde o início da aprendizagem e que será
útil, posteriormente, quando o aluno estudar álgebra.
 Se possível, o material de estudo deve ser fornecido sob a forma de textos
ampliados, textos em Braille, textos e aulas gravadas em áudio ou em disquete, de
acordo com as necessidades do aluno e as possibilidades da escola.
 O aluno poderá ainda precisar de utilizar auxiliares ópticos e equipamento
informático adaptado, assim como apoio para trabalho de laboratório e do pessoal
da biblioteca.
 No meio educacional o principal método utilizado para o ensino e aprendizagem das
crianças e jovens com deficiência auditiva é a Língua de Sinais. É uma língua de
modalidade gestual-visual com estrutura gramatical própria sendo matena ou natural das
pessoas surdas.
 Recomendações básicas para os professores:
 A sensibilização de todos os alunos, em particular, e de toda a comunidade escolar,
no geral, sobre a maneira diferente e atenciosa que deve ser observada na
comunicação com aquele que tiver deficiência auditiva.
 Quanto maior for o número de alunos ouvintes que conhecerem a Língua de Sinais,
melhor será a participação escolar de todos em particular daqueles que têm
deficiência auditiva.
 Na sala de aula o aluno com deficiência auditiva deve se sentar sempre em frente,
diante do professor, para que possa acompanhar os seus movimentos faciais ao
pronunciar as palavras e frases.
 As pessoas com deficiência físico-motora podem ter paralisia ou paresia.
 Sugestões educacionais para a socialização do aluno com deficiência físico-motora:
 Na sala de aulas os alunos deverão ocupar um lugar relativamente próximo ao do
professor.
 Os alunos que usam uma cadeira de rodas devem ter mesas adaptadas às suas
necessidades de acomodação.
 Utilizar material concreto e o quadro com letras magnéticas para facilitar a
formação de palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos
braços.
 O professor deve-se cultivar pesquisando informações sobre as características gerais
e específicas da deficiência.

107
 Dependendo do nível de comprometimento cognitivo, visual, auditivo e físico que o aluno
possa ter a busca da competência acadêmica pode não ser o objectivo maior a ser
alcançado mas sim a elevação das competências de interação social tais como vestir-se
bem; ser higiénico; obedecer ordens; transmitir recados; arrumar a casa e o material
escolar, solicitar ajuda; apoiar os outros; manifestar os seus desejos, sentimentos
pensamentos e necessidades, sejam eles agradáveis ou não; e elevar seus níveis de
autoconceito, autoconfiança e autoestima.
 Comprometimento profissional, afectividade, criatividade e ética profissional são
atributos requeridos a qualquer professor. No entanto, ganham um alto nível de exigência
e responsabilidade quando se está perante uma criança e jovem com deficiência cognitiva
ou qualquer outra (visual, auditiva, físico-motora e múltipla).

4.3. Actividades:

a) Quais as técnicas de formação dos grupos de alunos para o trabalho pedagógico?


b) Explique por palavras suas:
 O conceito de método.
 Os critérios de escolha dos métodos.
c) Indique os dois grandes grupos de métodos.
d) Explique como pode trabalhar com turmas numerosas e mistas.
e) Como monitorar a aprendizagem de cada aluno.
f) Técnicas de formação dos grupos.
g) Apresente as constatações em sessões sob orientação do Formador.
h) Analise cada um dos casos e registe as principais constatações.
i) Apresente as constatações em sessões sob orientação do Formador.

4.4. Autoavaliação

a) Defina o Método de Ensino.


b) Identifique as principais etapas de aplicação de qualquer Método de Ensino.
c) Mencione os métodos de ensino.
d) Indique os Métodos de Ensino mais importantes que os outros.

108
4.5. Chave de Correcção

Nós concordamos consigo, quando respondeu:


a) O Método de Ensino é o caminho que o professor segue na organização das actividades
de ensino para que seus alunos possam aprender.
b) A planificação, a prática e a avaliação são as etapas de execução de qualquer Método de
Ensino.
c) São métodos de ensino o expositivo, o interrogativo, o demonstrativo, o de elaboração
conjunta, o de trabalho independente, o activo e o especial.
d) Todos os métodos são importantes, pois cada um é complementado pelos restantes.

4.6. Bibliografia Complementar

 Quist, D. (2007). Métodos do Ensino Primário: Manual do professor. Maputo, Editora


Nacional de Moçambique.
 Libâneo, J. (2005). Pedagogia e Pedagogos: Para Quê? (8ª Ed.). São Paulo: Cortez
Editora.
 Libâneo, J. (2001). Didáctica. São Paulo: Cortez Editora.
 Lima, A. (2006). Os métodos de Ensino. Recuperado aos 05 de abril de 2012 de:
[Link]
 Piletti, C. (2001). Didáctica Geral. (23ª Ed). São Paulo: Ática.
 Nielsen, L. (1999). Necessidades Educativas Especiais na Sala de Aulas. Porto: Porto
Editora.
 Riel, S. & Heimburge, J. (2000). Como Ensinar Todos os Alunos na Sala de Aulas
Inclusiva. Porto: Porto Editora.
 Fauman, M. (2002). Guia de Estudo para o DSM-IV-TR. Lisboa: CLIMEPSI Editores.
 Frances, A. & Ross, R. (2004). Casos Clínicos: DSM-IV-TR: guia para o diagnostico
diferencial. Lisboa: CLIMEPSI Editores.
 American Psychiatric Association. (2006). DSM-IV-TR: Manual de Diagnostico e
Estatística das Perturbações Mentais. (4ª ed.). Lisboa: CLIMEPSI Editores.

109
 Sprinthall, Norman A. & Sprinthall, R. (1990). Psicologia Educacional: uma abordagem
desenvolvimentista. Lisboa: Mcgraw-Hill.
 Costa, A., Leitão, F., Santos, J., Pinto, J. & Fino, M.. (1996). Currículo Funcionais. Vol 2:
elementos para desenvolvimento e aplicação. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.
 Correia, L. (1997). Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes
Regulares. Porto: Porto Editora.
 Organização Mundial de Saúde. (1995). Classificação Internacional das Deficiências,
Incapacidades e Desvantagens (HANDICAPS). Lisboa: Secretariado Nacional de
Reabilitação.
 Rangel, Mary. (2007). M’etodos de Ensino para a Aprendizagem e a Dinamizaç~ao das
Aulas. (3ª Ed.). Campinas: Papirus Editora
 Vilaça, M. (Janeiro, 2008). O Ensino de Estratégias de Aprendizagem em Materiais
Didáticos: ensinar a aprender línguas. Revista Eletrónica do Instituto de Humanidades.
Volume VI. Número XXIV. Recuperado em 28 de Março de 2012 em:
[Link]/unidades_acad/ihm/graduacao/letras/revista/galleries/downloads/
[Link]
 Rodrigues, R. (Maio de 2005). Estratégias de Ensino e Aprendizagem para Modalidade
de Educação à Distância. Recuperado aos 29 de Março de 2012 em
[Link]
 Boruchovitch, E. (1999). Estratégias de Aprendizagem e Desempenho Escolar:
considerções para a prática educacional. Revista Psicologia Reflexãoe e Crítica. Volume
12. Ano 002. Recuperado aos 30 de Março de 2012 em
[Link]

110
5. Unidade Temática V: Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem

Duração da Unidade: 12 Horas

5.1. Introdução da Unidade Temática:

5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática

No final do estudo desta Unidade Temática, o formando:


 Elabora planos de aula de forma criativa e metódica.
 Produz material didáctico.
 Aplica planos de aulas de forma comprometida e flexível, obedecendo os padrões
estabelecidos nos programas de ensino.
 Apresenta trabalho escrito de análise crítica de programas de ensino, planos de aulas,
aulas observadas na escola de práticas e manuais escolares.

5.3. Recursos de Aprendizagem

5.3.1. Recursos Didácticos

[Link]. Conceito de Recurso Didáctico


Recursos Didácticos são os meios ou instrumentos utilizados na elaboração do planos de aulas,
garantindo a realização do processo de ensino-aprendizagem na escola. Na perspectiva deste
Manual são recursos didácticos os seguintes: o Plano Curricular do Ensino Básico, os
Programas de Ensino, o Manual do Professor, o Livro do Aluno e outros recursos audiovisuais.
[Link].1. Plano Curricular do Ensino Básico (PCEB)
O PCEB, introduzido em 2004 é o documento orientador da implementação do Currículo do
Ensino Básico em vigor em Moçambique.
[Link].2. Programas de Ensino
Os Programas de Ensino do Ensino Básico são os principais guias de trabalho dos professores
pelos quais orientam as suas práticas pedagógicas aplicando os objectivos, os conteúdos, as
metodologias e a avaliação do ensino em cada classe e disciplina deste nível de ensino.

111
[Link].3. Manual do Professor

O Manual do Professor apresenta orientações e sugestões metodológicas que cada professor, na


sua classe e diante da sua turma, deve seguir e aplicar em cumprimento dos Programas de
Ensino.
[Link].4. Livro do Aluno
O livro do Aluno é o documento escolar que apresenta de forma didáctica todos os conteúdos
de aprendizagem que o aluno deve apreender em determinada classe e disciplina.
[Link].5. Recursos Audiovisuais
Os recursos audiovisuais são todos os materiais didácticos com os quais os professores e alunos
se auxiliam na orientação do ensino e na aquisição da aprendizagem, respectivamente. Os
materiais didácticos podem ser tradicionais, convencionais e de produção local. Actualmente,
devido aos avanços das tecnologias de informação e comunicação muitos recursos audiovisual
são produzidos com algum padrão de sufisticação, do ponto de vista tecnológico.
[Link]. Funções dos Recursos Didácticos
Na orientação do processo de ensino-aprendizagem os meios didácticos desempenham as
seguintes funções:
a) Possibilitam um processo eficaz de ensino aprendizagem, visto que garantem a base
material para as actividades dos alunos e do professor.
b) Permitem racionalizar as actividades dos alunos e do professor.
c) Facilitam o processo de aquisição de conhecimentos pois, visualizam fenómenos da
natureza e da sociedade, formando representações concretas e facilitando os processos de
abstracção e de penetração na essência dos objectos e dos fenómenos.
d) Estimulam a aprendizagem, criando motivos e interesses nos alunos.
e) Possibilitam o processo de formação de capacidades e habilidades de pensar, falar,
observar entre outros.
f) Facilitam o processo de fixação dos conhecimentos pela memória, pois aplicando os
meios didácticos em todas as etapas do processo de ensino, estes podem constituir a base
material para a consolidação e fixaçãodos conhecimentos.
g) Os meios didácticos constituem um potencial educativo no processo de ensino-
aprendizagem.
[Link]. Classificação dos Recursos Didácticos
Os principais recursos didácticos classificam-se da seguinte forma:
a) Objectos naturais (animais, plantas preparadas, pedras, minerais, frutos).

112
b) Aparelhos e instrumentos de experimentação laboral (microscópio, lupas, ensaios
laboratoriais).
c) Equipamentos e seus acessórios (retroprojectores, projectores de slide, rádio, TV,
gravadores, computador, datashow, slide, filmes, discos, cassetes, vídeos, CD).
d) Meios gráficos (mapas, livros, manuais, jornais, fichas, quadros).
e) Meios básicos de ensino (caderno, esferográfica, compasso, carimbos, ponteiros, réguas
escantilhões).
f) Os móveis e imóveis escolares (carteiras, cadeiras, quadro preto, cortinas para escurecer a
sala, quadros decorativos, salas de aulas, bibliotecas).

5.3.2. A Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem

[Link]. Conceito de Planificação de Aulas


A Planificação de uma aula é uma previsão do conteúdo e das actividades do professor e dos
alunos a serem tratados em situação real de interacção na sala de aula, visando o alcance de
determinados objectivos de instrução e educação. É a sequência de tudo o que vai ser
desenvolvido num determinado tempo lectivo.
[Link]. Objectivos da Planificação de Aulas
A Planificação de aulas tem os seguintes objectivos:
a) Evitar a rotina e a improvisação.
b) Contribuir para a realização dos objectivos visados.
c) Promover a eficiência do ensino.
d) Garantir maior segurança na direcção.
e) Garantir economia de tempo e energia.
[Link]. Tipos de Aulas
Na escola, o processo de construção do conhecimento ocorre, essencialmente, com base na
aula. A aula é a forma básica de organização do ensino. Nela são criadas e transformadas as
condições necessárias para que os alunos aprendam. Entretanto, a ideia comum que se tem
quando se fala de aula é a de um professor expor a matéria perante uma classe silenciosa. Esta
ideia é actualmente alvo de fortes críticas, porque o ensino, consiste no processo de facilitação
ou ajuda para a aquisição da aprendizagem. Assim, a aula deve ser entendida como conjunto de
meios e condições pelos quais o professor dirige e estimula o processo de ensino, em função da
actividade própria do aluno no processo de aprendizagem escolar. Em outras palavras, o
processo de ensino, através das aulas, possibilita o encontro entre os alunos e a matéria de
ensino, preparada didacticamente, com base nos planos anuais ou temáticos existentes.

113
A aula, em função dos seus objectivos, classifica-se de diferentes tipos que podem ser:
Introdutória, de Transmissão do Conteúdo Novo, de Repetição, de Exercício, de Sistematização
e de Avaliação.

[Link].1. Aula Introdutora


Uma aula de Introdutória é a que é dada geralmente no início do estudo de um capítulo ou
unidade temática. Este tipo de aula dá uma informação aos alunos sobre os objectivos a serem
alcançados com o estudo, como primeiro passo. No segundo passo, o professor prepara os
alunos de modo a que tenham uma base para receberem conhecimentos através dos exercícios
de consolidação, como garantia do nível inicial. Com esses exercícios, os alunos têm a
oportunidade de repetir e sistematizar o conteúdo essencial, sob a orientação do professor. O
terceiro passo consiste em o professor apresentar para o registo dos alunos, os temas propostos
para a realização dos objectivos pretendidos, como plano para o cumprimento dos objectivos
parciais. Finalmente, o quarto e último passo da aula consiste na marcação de trabalhos para
casa (TPC). Estes exercícios devem ter duas facetas: uma que permite a consolidação dos
conhecimentos essenciais adquiridos anteriormente e outra que deve ser aquela em que alguns
dos exercícios marcados só têm a solução com base na matéria a ser dada posteriormente. No
entanto, esta táctica metódica tem em vista conduzir os alunos a novos objectivos, sendo
conhecida por “orientação dos objectivos” pois, cria interesses, necessidades e disposição para a
aprendizagem de novos conteúdos.
[Link].2. Aula de Transmissão de Conteúdo Novo
Neste tipo de aula o primeiro passo é preenchido pela estimulação de aprendizagem. A fase de
estimulação compreende três objectivos que são:
a) Criar disposição e ambiente favorável aos alunos, que consiste, por exemplo, em
estimular a turma através de uma conversa animada e breve, só com o fim de fazer reinar
a ordem e a disciplina que garantam o bom decurso da aprendizagem.
b) Consolidar o nível inicial e orientar os alunos para o novo conteúdo através de exercícios
de aplicação dos conhecimentos transmitidos.
c) Conseguir uma motivação permanente, com o fim de manter interesse e atenção dos
alunos, através da variação de estímulos, que consiste na colocação de perguntas, na
realização de algumas acções de repetição, de jogos de regra, durante o decurso da aula.
Quando não há interesse e atenção, o aluno não existe. É o mesmo que o professor estar a
falar para uma sala vazia.

114
Uma vez dada a estimulação, o segundo passo da aula consiste na transmissão do conteúdo
novo. O terceiro passo é ocupado pelos exercícios de consolidação da nova matéria. O último
passo é constituído por repetição da matéria com base na correcção de exercícios e atribuição
de tarefas para serem realizadas em casa.
[Link].3. Aula de Repetição
A aula de repetição, por sua vez, começa com uma estimulação. O segundo passo consiste na
repetição do conteúdo já dado, incluindo o registo de alguns assuntos essenciais. O último passo
deste tipo de aula faz terminar a aula fornecendo exercícios para casa aos alunos.
[Link].4. Aula de Exercício
A aula de exercício também tem a estimulação como primeiro passo, repetindo a matéria dada
através da correcção do TPC. O segundo passo compreende um breve resumo sobre a matéria
em repetição. O terceiro passo consiste na realização de exercício sobre as matérias ministradas,
recorrendo a várias formas de organização de ensino, em termos de disposição dos alunos na
sala de aula. O último passo consiste na correcção dos exercícios e atribuição do TPC.
[Link].5. Aula de Sistematização
Um outro tipo de aula é a de sistematização. A aula tem a função de estruturar os
conhecimentos adquiridos e consolidados que, uma vez sistematizados, criam possibilidades
para a sua aplicação em diferentes situações.
O primeiro passo faz parte da estimulação, onde inclui a correcção do TPC. O segundo passo
consiste na sistematização da matéria dada, incluindo o registo do essencial. O último passo da
aula compreende a atribuição do TPC.
[Link].6. Aula de Avaliação
Finalmente, o último tipo de aula é o de avaliação. Este tem a função de levar o aluno a aplicar
os conhecimentos adquiridos, consolidados e sistematizados. O seu primeiro passo consiste na
estimulação, onde se faz a preparação para o início da avaliação. O segundo passo consiste na
realização da avaliação. O terceiro passo compreende a recolha de provas. O último passo
consiste na correcção, entrega e análise dos resultados de avaliação dos processos de ensino e
de aprendizagem, em que se apreciam as actividades do professor e dos alunos.
[Link]. Elementos do Plano de Aula
Os elementos essenciais do Plano duma aula são os aspectos que prevêem a realização do
ensino-aprendizagem e garantem acima de tudo a aprendizagem dos alunos. Esses elementos,
tendo em conta os diferentes modelos de planos de aulas, são os seguintes: tema da aula,
objectivos (geral e específicos), conteúdos, recursos didácticos, método do ensino, actividades
ou tarefas de aprendizagem, avaliação da aula ou resumo da aula, organização dos alunos no

115
tratamento da matéria (trabalho em grupo ou individual) na sala de aula, desenvolvimento do
tema, procedimentos didácticos, função didáctica, tempo para cada função didáctica
(motivação, tratamento do novo conteúdo, etc), actividades alternativas, áreas com problemas,
trabalho de casa e previsão da aula seguinte:
a) Assunto ou tema da aula. É nesta parte do plano em que se deve clarificar qual o assunto
que deverá ser dado;
b) Objectivos (geral e específicos). Consistem na previsão do que os alunos deverão fazer,
saber e ser durante e depois da aula. Estes deverão abarcar os assuntos de domínio
cognitivo, afectivo e psicomotor.
c) Material didáctico. Nesta parte do plano deve-se indicar os recursos materiais ou
tecnológicos necessários para a aula, observando quais deles estão disponíveis na
instituição e quais improvisar. Se possível testar a funcionalidade destes materiais antes
da aula, sobretudo quando se trata de equipamentos eléctricos.
d) Desenvolvimento do tema. Nesta fase, o professor preve as suas actividades e as dos
alunos; escolha o método que lhe parecer mais adequado às características dos
componentes da turma; usa os meios de ensino no momento mais oportuno, anota no
quadro os aspectos mais importantes da aula como por exemplo as datas históricas, os
nomes das personagens ou autores dos actos mais importantes da aula, conceitos,
esquemas, palavras de difícil escrita ou pronúncia; envolve todos os alunos nas
actividades da aula; e planifica as actividades destinadas a verificar que os objectivos da
aula foram alcançados.
e) Procedimentos didácticos. Neste momento da aula faz-se a previsão das técnicas, métodos
e meios didácticos serão usados, que perguntas serão lançadas e que tipo de controlo e
verificação de conhecimentos será feito.
f) Resumo da aula. Nesta fase faz-se um balanço da aula, autoavaliação sobre como
decorreu a aula, se os alunos aprenderam e o que deveria ter sido tratado melhor.
g) Previsão da aula seguinte. São contemplados os aspectos que garantem a próxima aula.
[Link]. Funções Didácticas da Aula
As funções didácticas são etapas, fases ou momentos de aquisição das qualidades necessárias
no processo da formação dos alunos. Elas constituem orientações para o professor poder dirigir
o processo de ensino-aprendizagem. Estão relacionadas entre si, pois o seu funcionamento
como sistema permite que os resultados duma determinada fase sirvam de base para as
exigências das etapas seguintes. Cada passo de uma aula corresponde uma função didáctica
predominante. Isso significa que a aula é realizada com mais de uma função didáctica. Cada

116
fase ou passo da aula corresponde a uma só função didáctica, que é dominante, embora nela se
registe o envolvimento das restantes, com o fim de, no conjunto elas assegurarem a eficácia da
assimilação da matéria. Em cada função didáctica, como momento ou passo da aula que reflecte
as regularidades do processo de ensino-aprendizagem é proposto o tempo de sua duração,
conteúdo a tratar, método dominante, conjunto de meios e formas de ensino a utilizar, e
inclusive as actividades concretas do alunos e do professor. As funções didácticas integrantes
de uma aula são as seguintes: Introdução e Motivação, Transmissão e Assimilação, Domínio e
Consolidação e Controlo e Avaliação.
[Link].1. Introdução e Motivação
A Introdução e Motivação desempenham grande papel para o sucesso de aprendizagem dos
alunos. Esta tem em vista preparar o aluno para o início da aula e para a fase seguinte. Esta
preparação tem três objectivos fundamentais:
a) Criar disposição e ambiente favoráveis aos alunos, que possam assegurar o bom decurso
da aprendizagem.
b) Consolidar o nível inicial e orientar os alunos para o novo conteúdo de aprendizagem.
c) Conseguir uma motivação permanente, com o fim de manter interesse e atenção dos
alunos, através da variação de estímulos.
A duração da Introdução e Motivação depende do objectivo da aula. Todavia, em geral, esta
função didáctica dura menos tempo em relação à de Transmissão e Assimilação.
[Link].2. Mediação e Assimilação
A Transmissão e Assimilação está no centro do processo de ensino-aprendizagem em que se
transmite e se assimila a matéria. Nesta função didáctica são observados três aspectos
fundamentais:
a) O nível inicial dos alunos, isto é, a situação actual do domínio de conhecimentos.
b) Os objectivos a atingir.
c) Os conteúdos a seleccionar.
Estes aspectos, são a base para a escolha dos métodos de ensino. A transmissão do conteúdo
novo realiza-se através de duas fontes principais: directa e indirecta. Na fonte directa, o aluno
obtém conhecimentos através do contacto directo com a realidade por meio da observação,
experimentação, demonstração e excursão. Na fonte indirecta, o conhecimento se adquire
através da linguagem verbal e não verbal. No entanto, no processo de ensino-aprendizagem
predomina a via indirecta que se caracteriza por exposição oral do professor. Contudo, o
processo de ensino-aprendizagem funciona melhor quando se utilizam ambas as vias.
[Link].3. Domínio e Consolidação

117
A função Domínio e Consolidação é o momento da aula em que o aluno realiza várias acções,
com o fim de consolidar os conhecimentos transmitidos e assimilados. Nesta consolidação os
alunos realizam as seguintes acções:
a) Repetir e resumir;
b) Sistematizar e integrar;
c) Exercitar;
d) Aplicar.
Consolidar não é só não esquecer, mas dominar, para elevar o nível das atitudes e convicções. É
nesta função didáctica que se faz a sistematização e aplicação dos conhecimentos. A
sistematização condiciona a solidez dos conhecimentos. Sistematizar é estruturar logicamente,
dando visão do conjunto de conhecimentos transmitidos e assimilados. A sistematização, para
além de facilitar uma boa consolidação, condiciona a aplicação dos conhecimentos em
situações novas. O conteúdo está consolidado quando o aluno souber aplicá-lo. A Domínio e
Consolidação dá informação ao professor sobre como o aluno percebeu a matéria e quais
aspectos precisam de reparo ou de mais explicação.
[Link].4. Controlo e Avaliação
A última função didáctica é a de Controlo e Avaliação. Esta função consiste em acompanhar
todo o processo de ensino-aprendizagem, avaliando-se as actividades do professor e dos alunos,
em função dos objectivos definidos. Avalia-se, no entanto, o nível atingido, identificam-se os
problemas ou dificuldades que existem e propõem-se, no fim, medidas para a sua superação. As
dificuldades do processo de ensino-aprendizagem podem ser de vários motivos. Elas podem ser
ocasionadas por má definição ou formulação dos objectivos, conteúdos e métodos de ensino,
por uma reflexão inadequada ou má criação de condições concretas, por má qualidade do
trabalho dos professores ou dos alunos, ou mesmo por má qualidade do trabalho dos dirigentes
da educação.

5.3.3. O Plano de Aula

Pretende-se neste Manual apresentar uma proposta de plano de aula orientado para as
competências. Nestes termos seus elementos constituintes do plano são: Módulo,
Classe/Ano,Tempo (duração), Tema, Objectivo Geral, Objectivos Específicos, Conteúdos,
Habilidade/ Competências, Estratégias, Recursos e Avaliação,
A preparação de aulas é uma tarefa indispensável. Por isso, deve resultar num documento
escrito que preverá as actividades concretas do professor e dos alunos. É nesse documento que
o professor descreve os seguintes elementos da aula: objectivos, conteúdos, funções didácticas,
métodos e meios de ensino, etc.

118
[Link]. Modelo de Plano de Aula
O plano de aula é um detalhe de tudo o que vai ser realizado pelo professor em um determinado
tempo lectivo. Por sua vez, o modelo de um plano de aula é a forma de apresentação gráfica do
detalhe dessa aula.
Abaixo são apresentados alguns exemplos de Modelos de Planos de Aula. Não existe um
modelo que seja mais eficiente e eficaz que o outros. O melhor modelo deve ser aquele que
assegura o bom desempenho do professor e que leva à aprendizagem de todos os alunos.

Tabela 07
(Modelo de um Plano de Aula)
Escola: Disciplina: Classe:
Professor/a: Data:
Tipo/de aula:
Tema:
Objectivos específicos:

Estratégia de Acção Meios


Função Evidências de
Tempo Conteúdo
Didáctica Requeridas Alunos Professor Ensin
o

[Link]. Aplicação de um Plano de Aulas


[Link]. Conceito de Micro-Ensino
O Micro-Ensino é uma técnica aplicada na prática pedagógica pelos professores, com a
finalidade de aperfeiçoar ou adquirir habilidades de ensino, procurando ser cada vez mais
dinâmicos e interactivos. No que concerne a indivíduos em formação, o micro-ensino constitui
uma técnica em que o futuro professor tem a oportunidade de simular situações essenciais do
processo de ensino-aprendizagem para a aquisição de habilidades, numa situação não real e
concreta da sala de aulas.
[Link]. Eficácia do Micro-Ensino na Aprendizagem dos Formandos
A eficácia do micro-ensino na aprendizagem dos formandos consiste no desenvolvimento de
determinadas habilidades através de micro-aulas.

119
As principais habilidades a serem desenvolvidas, durante o micro-ensino, são a espontaneidade,
a abordagem do essencial, a gestão do tempo, a variação do estímulo, a colocação de perguntas
e orientação no processo de elaboração das respostas, comunicação, domínio da turma,
promoção de participação dos alunos, tratamento de alunos por seus próprios nomes, etc.

[Link]. Micro-Aula

Micro-aula é a forma de realização do micro-ensino. Uma micro-aula realiza-se em condições


não reais de uma sala de aulas com alunos de uma determinada classe, mas sim, de um
formando para outros formandos, com a supervisão do formador, simulando conteúdos de
diferentes disciplinas do Plano Curricular.
[Link]. Aplicação do Micro-Ensino na Aprendizagem dos Formandos (Simulação)
Com a micro-aula os formandos desenvolvem habilidades instrumentais, actividades de saber-
fazer indispensáveis à realização da prática profissional do professor. Os formandos como
praticantes acreditam e simulam a realidade que irão enfrentar, não só pelo manuseamento do
conteúdo teórico específico do curso, mas também e, principalmente, pela preparação de aulas,
doseamento dos conteúdos e da gestão do tempo de realização de aulas que terá que realizar.
A profissão docente é eminentemente prática em que o modo de aprender será a partir da
observação, imitação, reprodução e, às vezes, reelaboração dos modelos existentes na prática
consagrados como bons.
[Link]. Sumário
 Os Recursos Didácticos são tidos como os meios ou instrumentos utilizados na
elaboração do planos de aulas, tais como: o Plano Curricular do Ensino Básico, os
Programas de Ensino, o Manual do Professor, o Livro do Aluno e os Recursos
Audiovisuais.
 Os recursos audiovisuais são todos os materiais didácticos com os quais os professores e
alunos se auxiliam na orientação do ensino e na aquisição da aprendizagem,
respectivamente.
 Algumas das funções dos recursos didácticos são: possibilitam um processo eficaz de
ensino aprendizagem, visto que garantem a base material para as actividades dos alunos
e do professor; facilitam o processo de aquisição de conhecimentos pois, visualizam
fenómenos da natureza e da sociedade, formando representações concretas e facilitando
os processos de abstracção e de penetração na essência dos objectos e dos fenómenos;
estimulam a aprendizagem, criando motivos e interesses nos alunos; e facilitam o

120
processo de fixação dos conhecimentos pela memória, pois aplicando os meios
didácticos em todas as etapas do processo de ensino, estes podem constituir a base
material para a consolidação e fixaçãodos conhecimentos.
 Os recursos didácticos podem ser classificam: aparelhos e instrumentos de
experimentação laboratorial; aparelhos técnicos escolares; meios gráficos; meios básicos
de ensino; e móveis e imóveis escolares
 A Planificação de uma aula é uma previsão do conteúdo e das actividades do professor e
dos alunos a serem tratados em situação real de interacção na sala de aula, visando o
alcance de determinados objectivos de instrução e educação.
 São objectivos da Planificação de Aulas: evitar a rotina e a improvisação; contribuir
para a realização dos objectivos visados; promover a eficiência do ensino; garantir
maior segurança na direcção; garantir economia de tempo e energia.
 A aula, em função dos seus objectivos, classifica-se de diferentes tipos que podem ser:
Introdutória, de Transmissão do Conteúdo Novo, de Repetição, de Exercício, de
Sistematização e de Avaliação.
 As funções didácticas são etapas, fases ou momentos de aquisição das qualidades
necessárias no processo da formação dos alunos. São as seguintes: Introdução e
Motivação, Transmissão e Assimilação, Domínio e Consolidação e Controlo e
Avaliação.

5.4. Actividades:

a) Por que são necessários os meios de ensino durante as aulas?


b) Fale da importância dos meios de ensino.
c) Dê classificação dos meios de ensino e faça a lista dos mais usados durante as suas
aulas.
d) Procure um Programa de Ensino e verifique nas orientações metodológicas as
principais partes de um Plano de aula: tema, tipo de aula, objectivos, a matéria a
tratar, funções didácticas, os métodos e os meios a utilizar, incluindo as actividades
do professor e dos alunos.
e) Realize juntamente com colegas do curso sob orientação do seu Formador, várias
sessões do Micro-Ensino e qualifique-se como professor dinâmico e interactivo.

121
f)

122
5.5. Autoavaliação

a) Mencione os aspectos essencialmente considerados no processo de aprender a ensinar.


b) Que instrumento os professores recorrem para efeitos de uniformização da planificação
do Processo de Ensino-Aprendizagem?
c) Que significado tem o Micro-Ensino em relação ao formando de um curso de Formação
de professores?
d) Fale da finalidade da Micro-Aula.

5.6. Chave de Correcção

Nós concordamos consigo, quando respondeu:


a) São considerados os aspectos como: assistência às aulas, planificação e realização de
aulas.
b) Recorrem a um instrumento denominado “Modelo do Plano de Aula”.
c) O Micro-ensino para o futuro professor significa a oportunidade de simular situações
essenciais do processo de ensino-aprendizagem para a aquisição de habilidades, treinando
leccionar numa situação não real e concreta da sala de aulas.
d) A Micro-aula para os formandos tem a finalidade de desenvolver habilidades de ensinar,
de mediar, de facilitar o processo de aprendizagem. Essas actividades de treinamento do
saber-fazer são indispensáveis à realização da prática profissional do professor.

5.7. Bibliografia Complementar


 Quist, D. (2007). Métodos do Ensino Primário: Manual do professor. Maputo, Editora Nacional de
Moçambique.
 Libâneo, J. (2005). Pedagogia e Pedagogos: Para Quê? (8ª Ed.). São Paulo: Cortez
Editora.
 Libâneo, J. (2001). Didáctica. São Paulo: Cortez Editora.
 Piletti, C. (2001). Didáctica Geral. (23ª Ed). São Paulo: Ática.
 Costa, A., Leitão, F., Santos, J., Pinto, J. & Fino, M.. (1996). Currículo Funcionais. Vol 2:
elementos para desenvolvimento e aplicação. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.

123
6. Unidade Temática VI: Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem

Duração da Unidade: 12 Horas

6.1. Introdução da Unidade Temática:

Nesta Unidade, a avaliação ao ser vista como uma apreciação sistemática sobre os dados
relevantes do processo de ensino-aprendizagem, é abordada a partir dos seus diferentes e
relevantes tópicos. Assim, são feitas explicações breves em torno do conceito, características,
objectivos, processos, resultados e níveis de mensuração dos conhecimentos adquiridos pelos
estudantes num determinado espaço de tempo.

Após a conclusão do Módulo, espera-se que o futuro professor seja capaz de aplicar os
instrumentos de avaliação com justeza, objectividade e transparência, o que pressupõe esteja
apto para participar profissionalmente na melhoria da qualidade do ensino.

6.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática

No final do estudo desta Unidade Temática, o formando:


 Produz diferentes instrumentos de avaliação;
 Aplica diferentes técnicas de Avaliação das competências curriculares dos alunos.

6.3. Recursos de Aprendizagem

6.3.1. Conceito de Avaliação

O progresso humano é garantido pela análise constante dos resultados do seu trabalho. No
processo de ensino-aprendizagem esta análise chama-se avaliação.
A avaliação é uma apreciação sistemática sobre os dados relevantes do processo de ensino-
aprendizagem, que auxiliam o professor a medir o desempenho dos alunos, a reflectir e a tomar
decisões sobre a dinâmica do seu trabalho, de forma a melhorar o seu desempenho.

6.3.2. Características da Avaliação

Quatro características descrevem a avaliação, nomeadamente:

124
a) A avaliação surge como análise do processo de ensino-aprendizagem e baseia-se no
princípio de que se deve avaliar de modo mais objectivo possível a todos os alunos e a
cada um, segundo os objectivos previamente determinados.
b) A avaliação efectua-se mediante trabalhos de pesquisa, nonografias, resumos de textos,
elaboração de relatórios, provas e exames escolares, obtendo-se dados mensuráveis para
se determinar o grau de competência de cada aluno.
c) Através da avaliação também se determina o progresso e a maneira como os objectivos
foram alcançados, e sobre como foram aplicados os métodos e os recursos didácticos.
d) A Avaliação é parte integrante do processo de ensino-aprendizagem e não uma etapa
isolada.

6.3.3. Objectivos da Avaliação

Os objectivos de Avaliação consistem em identificar as necessidades dos alunos e a melhorar a


organização e as condições do processo de ensino e da actividade do professor, para tornar a
aprendizagem dos alunos mais eficaz.

6.3.4. O Processo da Avaliação

Da mesma maneira como sabemos que o processo de ensino-aprendizagem é constituido por


um conjunto de actividades do professor e dos alunos: a planificaçăo e realização das
actividades do professor e actividades dos alunos, o Processo de Avaliação é constituído por
determinados instrumentos e determinadas técnicas para exercer a sua função de medir a
qualidade do processo e do desempenho. Por isso é necessário que o professor saiba que tipos
de instrumentos a usar nesse processo e de acordo com os objectivos na medição dos resultados.
Existem várias técnicas e instrumentos de avaliaçăo:
a) Para a avaliaçăo diagnóstica pode-se utilizar o teste diagnóstico, a ficha de observação ou
qualquer outro instrumento elaborado pelo professor.
b) Para a avaliaçăo formativa, temos as observaçŏes, os exercícios, os questionários, as
pesquisas, etc.
c) Finalmente, para a avaliaçăo sumativa, os dois tipos de instrumentos mais utitilizados são
as provas objectivas e subjectivas.
Se, por um lado, as provas objectivas têm a vantagem da precisăo e clareza, elas são mais
limitadas que as subjectivas, pois estas últimas, oferecem mais chances ao aluno para colocar a
sua opiniao, formar conceitos e generalizações.

125
6.3.5. Resultados da Avaliação

Os resultados da avaliação do processo de ensino-aprendizagem devem ser apurados de forma


sistemática e contínua de modo que a qualidade do processo e do desempenho dos seus
principais actores seja garantida em tempo útil.
As modalidades básicas de controlo e avaliação do processo de ensino-aprendizagem são as
seguintes:
a) Sistemáticas: mediante a utilização de técnicas didácticas de medição metodológica e
criteriosa.
b) Periódicas ou formativas: entendidas como realizadas durante o processo.
c) Sumativas ou finais: realizadas ao término de cada período lectivo ou etapa do programa
curricular.
Os resultados de aprendizagem dos alunos poderão ser expressos em valores, por exemplo, na
escala de 0 a 20, da seguinte maneira e mediante uma classificação quantitativa e outra
qualitativa, como vem estipulado no Regulamento Geral do Ensino Básico:
 De 19 a 20 valores - Excelente
 De 17 a 18 valores – Muito Bom (MB)
 De 14 a 16 valores – Bom (B)
 De 10 a 13 valores – Satisfatório (S)
 De 00 a 09 valores - Não Satisfatório (NS)

6.3.6. Níveis de Avaliação das Competências Curriculares dos Alunos

[Link]. Competências Cognitivas


Ao escolher uma técnica ou instrumento de avaliaçăo deve se ter presente, o tipo de
competências, de habilidades que se deseja verificar no aluno. De acordo com a classificaçăo de
Bloom são os seguintes os diferentes níveis ou categorias de habilidades cognitivas:
a) Conhecimento. Envolve a evocação de informaçŏes, conhecimento de terminologias,
factos especificos, critérios e metodologias, princípios e generalização de teorias e
estruturas.
b) Compreensăo. Refere-se ao entendimento de uma mensagem literária contida numa
comunicaçăo. Para o nível da compreensão o aluno não deve somente, repetir mas
compreender o que aprendeu de maneira suficiente para a firmá-lo de modo diferente.
c) Aplicação. Refere-se à habilidade para usar as abstraçŏes em situaçŏes particulares e
concretas.

126
d) Análise. Refere-se à habilidade de desdobrar uma comunicação em seus elementos ou
partes, com os seus constituintes.
e) Síntese. Trata-se da habilidade para combinar elementos e partes de modo a formar um
todo.
Na preparaçăo e realizaçăo da avaliaçăo devem ser observados os sguintes aspectostemos que
seguir algumas regras, como por exemplo:
a) Ter presentes os objectivos e conteúdos tratados durante as aulas.
b) Preparar mais perguntas do que as necessárias, para depois seleccionar as mais
adequadas.
c) Identificar correctamente as perguntas.
d) Deve-se evitar que a resposta de alguma pergunta condicione a resposta da outra seguinte.
e) Determinar o tempo para a realização do teste, em função da velocidade média da
realização da turma.
f) Diversificar o tipo de perguntas, seu nível de exigências ou de assimilação, ou seja,
incluir na medida do possível, itens diversificados de perguntas, sendo de memorização,
de aplicação, de criação/análise e síntese dos conteúdos;
g) Planificar a correcção e cotação, tendo em conta a distribuição dos pontos pelas alíneas,
de maneira que só se opera em números; e a distribuição de cotação segundo o grau de
dificuldades e exigências das perguntas;
h) Evitar a distribuição de cotação a eventuais respostas fora do contexto, mesmo que se
revelem cientificamente correctas.
[Link]. Competências Psicomotoras
Consistem em alunos poderem revelar ou demonstrar o que já conseguem fazer durante a
realização das actividades de aprendizagem, como por exemplo, qualidade de caligrafia ou
trabalho de escrita no caderno e no quadro de giz, de desenho, actividades de ofícios, etc.
Lembre-se que o exemplo do professor, sobretudo da escrita, constitui o modelo.
[Link]. Atitudes
Consistem no comportamento do aluno com outros alunos, a atitude perante a escola e a
aprendizagem, bem como a interacção com outras pessoas. O exemplo positivo do professor e
das pessoas com quem vive e convive é mais uma vez solicitado.
6.3.7. Tipos de Avaliação
Para avaliar o processo de ensino-aprendizagem são necessários os seguintes tipos de avaliação,
na Tabela 08:

127
Tabela 08
(Tipos de Avaliação)
Serve para determinar o nível das capacidades actuais como
pressupostos para uma nova aprendizagem formativa,
Avaliação Diagnóstica
normalmente é feita no inicio do ano lectivo: no início de
aprendizagem de classe ou unidade temática.
Determina o progresso da aprendizagem, fornecendo dados
relevantes para o desenvolvimento da aprendizagem e
Avaliação Formativa
permitir a recolha e identificação dos erros e a respectiva
correcção se necessário ao longo do ano lectivo
Determina o progresso do aluno (seja no final dum ano ou
Avaliação Sumativa de estudo), tem como objectivo de certificar o grau atingido
pelo aluno em função dos objectivos fixados

6.3.8. Técnicas de Avaliação

Existem várias técnicas de avaliaçăo:


Aas técnicas de avaliação estão relacionadas com os diferentes instrumentos que são utilizados
em cada tipo de avaliaçao, como vem discriminado abaixo.
a) Na avaliaçăo diagnóstica as técnicas usadas são: o pré-teste, o teste diagnóstico, a ficha
de observação e qualquer outro instrumento elaborado pelo professor.
b) A avaliaçăo formativa pode ser feita através da observação, dos exercicios, dos
questionários e das pesquisas.
c) Finalmemnte para a avaliaçăo sumativa, os dois tipos de instrumentos mais utitilizados
são as provas objectivas e subjectivas.
Se, por um lado, as provas objectivas têm a vantagem da precisăo e clareza, elas são mais
limitadas que as subjectivas, pois estas últimas, oferecem mais chances ao aluno para colocar a
sua opiniao, formar conceitos e generalizações.
Também constituem técnicas de avaliação, conversas com os alunos, tarefas práticas,
observação directa, apontamentos do aluno, auto-avaliação, TPC, elaboração de projectos,
montagem de uma exposição, testes escritos, etc.

6.3.9. Função da Avaliação Contínua

A Avaliação Formativa também chamada Avaliação Contínua, tem a função de regulação e,


durante a realização das aulas ao longo do ano lectivo, o professor vai analisando a forma como

128
está a decorrer o processo de Ensino- Aprendizagem de modo a obter indicações que lhe
permitam máxima rentabilidade pedagógica possível e fazer a verificação do progresso face aos
objectivos intermédios e finais previstos.

6.3.10. Instrumentos de Registo da Avaliação

Os registos constituem um procedimento importante no processo de avaliação, porque ajudam a


construir uma imagem clara do progresso e do sucesso de cada aluno. Sem os registos, o
professor, não terá a possibilidade de ajudar os alunos que precisam de melhorar ou até mesmo
para dar informações aos pais ou encarregados de educação no sentido de os sensibilizar a se
envolverem na aprendizagem dos seus filhos ou educandos. Afinal que registos que devem ser
feitos?
Os registos que devem ser feitos, são entre outros, os seguintes:
a) Registos de frequência às aulas e às actividades;
b) Registos de Avaliação Contínua;
c) Registo de notas das provas;
d) Registo de notas de Exame.
Estes registos de consulta e de orientação são arquivados através dos seguintes instrumentos:
a) Livro de Turma (para o registo das faltas, das médias do aproveitamento trimestral de
cada aluno, dados pessoais dos alunos e dos pais, dados de participação dos pais) ;
b) Verbete (para o registo das notas de ACS,s e uma AP de cada trimestre);
c) Caderno do Desempenho (regista-se a informação sobre competências dos alunos em
trabalhos diários);
d) Pauta de Frequência.
e) Pauta Final.

6.3.11. Relação entre Aprendizagem e Avaliação

Os objectivos, conteúdos, métodos, meios e formas de avaliação são elementos que funcionam
de forma integrada, quer dizer o papel desempenhado por um tem relação com os papéis
desempenhados pelos restantes.
Os objectivos duma aula são as capacidades, as competências, as habilidades e as boas atitudes
de personalidade que se pretendem alcançar, parcialmente no final da aula ou no final de uma
determinada unidade temática. São parciais por serem parte dos objectivos previstos no
programa geral da disciplina de uma dada classe.

129
A realização desses objectivos está dependente de um conjunto de conteúdos e matérias
seleccionadas para o efeito, cuja concretização depende, por sua vez, de um conjunto de
orientações e estratégicas metodológicas.
A adopção de uma dada estratégia depende dos conhecimentos que o professor tiver sobre a
realidade característica da turma e da sua própria experiencia profissional. Dos objectivos,
determinam-se os conteúdos, e destes, os métodos. Mas, para a realização destes componentes,
precisaremos de recursos materiais para tornar a abordagem dos conteúdos o mais fácil
possível.
Os recursos deverão estar de acordo com os temas e as exigências próprias de cada aula e as
características da turma. Por exemplo alguns meios didácticos não são recomendáveis para o
seu uso numa turma numerosa ou turmas a funcionar ao ar livre, etc.
Da mesma maneira que os objectivos e os conteúdos foram elaborados com base em factores
políticos, socioeconómicos e se condicionam mutuamente, determinando o tipo de recursos,
metodológicos e tecnológicos necessários, as formas de avaliações irão também depender da
maneira como as aulas tiverem sido dadas, o tipo de recursos utilizado ao longo do processo, os
resultados do controlo parcial feito em cada aula. Estes elementos formam um ciclo do
processo, assim representado:

Figura 01
(2) (3)

OBJECTIVOS CONTEÚDOS

(1) (4)MÉTODO
S/
SOCIEDADE
TÉCNICAS
(6)AVALIAÇÃO (5)MEIOS/
DOS RECURSOS
RESULTADOS
TECNOLÓGICOS

6.3.12. Papel dos pais na melhoria do desempenho escolar dos filhos

Com o registo do desempenho dos alunos, o professor, tem a condição de dar informações aos
pais ou encarregados de educação no sentido de os sensibilizar a se envolverem na
aprendizagem dos seus filhos ou educandos para efeitos de acompanhamento e ajuda.

130
6.4. Actividades:

a) Procure em qualquer escola mais próxima um documento intitulado: Regulamento Geral


do Ensino Básico - REGEB;
b) Leia os capítulos dedicados a avaliação como forma de se preparar para a discussão que
terá lugar sob orientação do seu Formador.
c) Apresente as constatações em sessões sob orientação do Formador.
d) Visite uma escola mais próxima e se inteire dos instrumentos de registo de avaliação dos
alunos nela existentes.
e) Aprecie os diferentes instrumentos de avaliação elaborados e identifique as técnicas neles
aplicadas.
f) Após uma aula de matemática o professor aplicou uma ACS, diga de que tipo de
avaliação se trata.
g) Após o primeiro trimestre de aulas os professores convocam os pais e encarregados de
educação para darem informações sobre o desempenho dos alunos aos pais e
naturalmente transmitir-lhes algumas recomendações. De que tipo de avaliação se trata.
h) No fim do ano há lugar os Conselhos de notas: De que tipo de avaliação se trata.
i) Apresente as constatações em sessões sob orientação do Formador.

6.5. Autoavaliação

a) Após uma aula de Matemática o professor aplicou uma AS, diga que tipo de avaliação se
trata?
b) Após o primeiro trimestre de aulas os professores convocam os pais e encarregados de
educação para darem informações sobre o desempenho dos alunos aos pais e
naturalmente transmitir-lhes algumas recomendações. Que tipo de avaliação se trata?
c) No fim do ano há lugar os Conselhos de notas: Que tipo de avaliação se trata?

131
6.5. Chave de Correcção

Nós concordamos consigo, quando respondeu:


a) Trata-se de Avaliação formativa.
b) Trata-se de Avaliação sumativa.
c) Trata-se de Avaliação sumativa.

6.6. Bibliografia Complementar

 Quist, D. (2007). Métodos do Ensino Primário: Manual do professor. Maputo, Editora


Nacional de Moçambique.
 BAPTISTA, Rafael. Necessidades Educativas Especiais. Lisboa, Dinalivro, 1997.
 BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologias – Uma Introdução ao estudo de Psicologia. 13ª
ed., São Paulo, Saraiva, 2002.
 COSTA, A., Leitão, F., Santos, J., Pinto, J. & Fino, M. (1996.). Currículo Funcionais.
Vol 2: elementos para desenvolvimento e aplicação. Lisboa
 GOLIAS, Manuel. (1993). Sistema de Ensino em Moçambique. Maputo, Editora Escolar
 GÓMEZ, Miguel Buendia. (1999). Educação Moçambicana: história de um processo
(1962-1984). Maputo: Livraria Universitária – UEM.
 LASSEK, R. & Mambuque, A. Ensino Centrado na Criança: módulo de formação de
professores em exercício. Maputo: Ministério da Educação, 2006.
 Lei 4/83 do Sistema Nacional de Educação em Moçambique.
 Lei 6/92 do Sistema Nacional de Educação em Moçambique.
 LIBȂNEO, José Carlos. (2005). Pedagogia e Pedagogos, Para Quê?. 8ª ed., São Paulo,
Cortez Editora
 LIBȂNEO, José Carlos. (2001). Didáctica. São Paulo, Cortez Editora.
 MANTOAN, M. Inclusão Escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna,
2006.
 MAZULA, Brazão. Educação, Cultura e Ideologia em Moçambique (1975-1985). s/l:
Edições Afrontamento, 1995.

132
 MORRIS, Charles G. e Maito, Albert A. Introdução à Psicologia. 6ª ed. , São Paulo,
Prentice Hall, 2004.
 NIELSEN, L. Necessidades Educativas Especiais na Sala de Aulas. Porto: Porto Editora,
1999.
 OLIVEIRA, José H. Barros De. Psicologia da Educação. 2ª ed., Porto, Legis, 2007.
 Organização Mundial de Saúde. Classificação Internacional das Deficiências,
Incapacidades e Desvantagens (HANDICAPS). Lisboa: Secretariado Nacional de
Reabilitação, 1995.
 PILETTI, Claudino. Didáctica Geral. 23ª ed., São Paulo, Ática, 2001.
 QUIST, Dawn. Métodos do Ensino Primário: Manual do professor. Maputo, Editora
Nacional de Moçambique, 2007.
 RIEL, S. & Heimburge, J. Como Ensinar Todos os Alunos na Sala de Aulas Inclusiva.
Porto: Porto Editora, 2000.

133

Você também pode gostar