Módulo de Psicopedagogia para Professores
Módulo de Psicopedagogia para Professores
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Módulo de Psicopedagogia
INDE
INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO
Testagem 2012
1
MÓDULO DE PSICOPEDAGOGIA
2
Índice
1. Introdução ao Módulo..............................................................................................................6
2. Competências a Desenvolver no Módulo:................................................................................7
3. Resultados de aprendizagem do módulo:.................................................................................7
4. Visão Geral dos Temas do Módulo..........................................................................................8
2. Unidade Temática I: A Educação e sua História em Moçambique..........................................9
2.1. Introdução da Unidade Temática:.....................................................................................9
2.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática...................................................................9
2.3. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................10
2.3.1. Conceito de Educação.............................................................................................10
2.3.2. Finalidades da Educação.........................................................................................10
2.3.3. Tipos e Modalidades da Educação..........................................................................12
2.3.4. Importância da Educação no Desenvolvimento Humano........................................13
2.3.5. Impacto da Educação no Desenvolvimento Humano..............................................16
2.3.6. Breve História da Educação em Moçambique.........................................................17
2.4. Actividades:....................................................................................................................21
2.5. Autoavaliação.................................................................................................................22
2.6. Chave de Correcção........................................................................................................22
2.7. Bibliografia Complementar............................................................................................23
3. Unidade Temática II. Introdução à Psicopedagogia...............................................................24
3.1. Introdução da Unidade Temática:...................................................................................24
3.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática.................................................................24
3.3. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................25
3.3.1. Conceito de Psicopedagogia....................................................................................25
3.3.2. Técnicas de Pesquisa em Psicopedagogia...............................................................26
3.3.3. Procedimentos Éticos na Recolha de Informação em Psicopedagogia...................28
3.3.4. Contribuições da Psicologia no Estudo da Aprendizagem Humana.......................28
3.3.6. Os Processos de Ensinar e Aprender.......................................................................29
3.3.7. O Papel da Psicopedagogia no Processo de Inclusão Escolar.................................29
3.3.8. Sumário....................................................................................................................32
3
3.4. Actividades.....................................................................................................................33
3.5. Autoavaliação.................................................................................................................34
3.6. Chave de Correcção........................................................................................................34
3.7. Bibliografia Complementar............................................................................................34
4. Unidade Temática III. Noções de Desenvolvimento e de Aprendizagem Humanos.............35
4.1. Introdução da Unidade Temática....................................................................................35
4.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática.................................................................35
4.3. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................36
3.2. Actividades:....................................................................................................................77
3.3. Autoavaliação.................................................................................................................78
3.4. Chave de Correcção........................................................................................................78
3.5. Bibliografia Complementar............................................................................................79
5. Unidade Temática IV: Métodos e Estratégias de Ensino e Aprendizagem............................80
5.1. Introdução da Unidade Temática....................................................................................80
4.1. Evidências Requeridas da Unidade Temática.................................................................81
4.2. Recursos de Aprendizagem.............................................................................................81
4.3. Actividades:..................................................................................................................108
4.4. Autoavaliação...............................................................................................................108
4.5. Chave de Correcção......................................................................................................109
6. Unidade Temática V: Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem.........................111
5.1. Introdução da Unidade Temática:.................................................................................111
5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática...............................................................111
5.3. Recursos de Aprendizagem...........................................................................................111
5.3.1. Recursos Didácticos..............................................................................................111
5.3.2. A Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem.............................................113
5.3.3. O Plano de Aula.....................................................................................................118
5.4. Actividades:..................................................................................................................121
5.5. Autoavaliação...............................................................................................................122
5.6. Chave de Correcção......................................................................................................122
5.7. Bibliografia Complementar..........................................................................................122
4
7. Unidade Temática VI: Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem...........................123
7.1. Introdução da Unidade Temática:.....................................................................................123
7.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática...............................................................123
7.3. Recursos de Aprendizagem...........................................................................................123
7.3.1. Conceito de Avaliação...........................................................................................123
7.3.2. Características da Avaliação..................................................................................123
7.3.3. Objectivos da Avaliação........................................................................................124
7.3.4. O Processo da Avaliação.......................................................................................124
7.3.5. Resultados da Avaliação........................................................................................125
7.3.6. Níveis de Avaliação das Competências Curriculares dos Alunos.........................125
7.3.8. Técnicas de Avaliação...........................................................................................127
7.3.9. Função da Avaliação Contínua..............................................................................127
7.3.10. Instrumentos de Registo da Avaliação..................................................................128
7.3.11. Relação entre Aprendizagem e Avaliação.............................................................128
7.4. Actividades:..................................................................................................................130
7.5. Autoavaliação...............................................................................................................130
6.5. Chave de Correcção..........................................................................................................131
7.6. Bibliografia Complementar..........................................................................................131
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1. Introdução ao Módulo
A Psicopedagogia é uma das disciplinas do curso, desenhado, para a formação de professores
primários. O curso, com a duração de três (3) anos, garante a formação académica e profissional
(formação psicopedagógica) do formando. A Psicopedagogia fornece ao futuro professor, os
princípios e técnicas que lhe permitem compreender e intervir eficazmente no processo de Ensino-
Aprendizagem e a capacidade de avaliar os resultados das actividades dos alunos, bem como da
responsabilidade da escola e dos pais e encarregados de educação. No conjunto com outras áreas
curriculares (outras disciplinas), a Psicopedagogia contribui na formação da personalidade do
formando de modo que esteja em altura de responder às exigências sócio-morais duma sociedade
caracterizada por conflitos de valores, resultantes das mudanças políticas, económicas e tecnológicas,
num mundo cada vez mais globalizado.
Na formação de professores, a Psicopedagogia apoia-se em abordagens psicológicas que requerem
práticas pedagógicas construtivista-humanistas inclusivas, onde a produção de conhecimentos pelo
aluno será orientada ao longo do seu desenvolvimento pessoal, na escola, respeitando as suas
diferenças cognitivas, afectivas, étnico-linguísticas, físico-motoras, entre outras. Assim, o Módulo de
Psicopedagogia tem a finalidade de dotar o futuro professor primário de conhecimentos, princípios,
estratégias e metodologias dentro do quadro evolutivo do Sistema Nacional de Educação orientadas
para o ensino.
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2. Competências a Desenvolver no Módulo:
O Módulo de Psicopedagogia provém do Plano Curricular do Curso de Formação de Professores
Primários e são operacionalizadas em todas as áreas curriculares, sendo as seguintes:
1) Promove o espírito patriótico e de cidadania, regras de convivência democrática e valores
universais;
2) Comunica adequadamente em vários contextos;
3) Age de acordo com os princípios éticos e deontológicos associados à profissão do professor;
4) Demonstra os conhecimentos científicos do Ensino Primário;
5) Demonstra domínio dos conhecimentos das Ciências de Educação relacionadas com o Ensino
Primário;
6) Promove o auto-desenvolvimento profissional e envolver-se no trabalho cooperativo,
colaborativo e articulado;
7) Planifica o processo de Ensino-Aprendizagem;
8) Medeia o processo de Ensino-Aprendizagem;
9) Avalia as necessidades, interesses e progressos dos alunos, adaptando o processo de Ensino-
Aprendizagem à sua individualidade e ao contexto;
10) Desenvolve estratégias e recursos didácticos estimulantes de sucesso para situações concretas
de aprendizagem.
7
7) Relaciona-se com os seus alunos e demais membros da comunidade escolar guiando-se pelos
princípios éticos e humanísticos exigidos pela profissão docente.
Horas
Nº Unidade Temática Conteúdos
(Contacto directo)
1. Conceito de Educação.
2. Finalidades da Educação.
3. Tipos e Modalidaddes da Educação.
4. Importância da Educação no
A Educação e sua História em
I Desenvolvimento Humano 06
Moçambique
5. Impacto da Educação no Desenvolvimento
Humano.
6. Breve História da Educação em
Moçambique
1. Conceito de Psicopedagogia
2. Técnicas de Pesquisa em Psicopedagogia.
3. Procedimentos Éticos na Recolha de
Informação em Psicopedagogia.
4. Contribuições da Psicologia no Estudo da
Aprendizagem Humana.
II Introdução à Psicopedagogia 10
5. Contribuições da Pedagogia no Estudo da
Aprendizagem Humana
6. Os Processos de Ensinar e Aprender na
Educação da Criança
7. O Papel da Psicopedagogia no Processo de
Inclusão Escolar.
1. O Desenvolvimento Humano.
Noções de Desenvolvimento e
III 2. A Aprendizagem Humana. 12
de Aprendizagem Humanos
3. As Necessidaddes Educativas Especiais.
1. Métodos de Ensino
Métodos e Estratégias de 2. Estratégias de Ensino e Aprendizagem
IV 12
Ensino e Aprendizagem 3. Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e
Aprendizagem
1. Recursos Didácticos
Planificação do Processo de 2. Planificação do Processo de Ensino-
V 12
Ensino-Aprendizagem Aprendizagem
3. O Plano de Aula.
1. Conceito de Avaliação.
2. O Processo da Avaliação.
3. Os Resultados da Avaliação
Avaliação do Processo de
VI 4. Níveis da Avaliação 08
Ensino Aprendizagem
5. Tipos de Avaliação
6. Técnicas de Avaliação.
7. Relação entre Aprendizagem e Avaliação
Total 60
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1. Unidade Temática I: A Educação e sua História em Moçambique
A educação na perspectiva deste capítulo é abordada como sendo o veículo impulsionador das actuais
relações humanas, determinadas pelas mudanças tecnológicas, políticas, económicas e ambientais
que se registam em cada país.
As novas realidades nacional e mundial impõem aos governos a reformulação dos seus sistemas
educativos para que o homem se mantenha proativo num contexto em que ele é, ao mesmo tempo,
sujeito e actor de mudanças.
Neste capítulo a educação é abordada em duas partes. Na primeira é feita sua descrição conceitual no
processo de desenvolvimento humano. Nesta linha são apresentadas as suas finalidades visando
incentivar a aprendizagem de cada pessoa ao longo de toda vida através do aprender: a conhecer a
fazer, a conviver e a ser. Os carácteres intencional e não-intencional da educação são abordados a
partir das suas modalidades formal, não-formal e informal. Por outro lado, faz-se uma descrição da
importância dela, em especial da fundamental, para a satisfação das necessidades básicas de
aprendizagem das crianças, jovens e adultos. Depois, discute-se a importância da educação
demonstrando-se as perdas e os ganhos que ela proporciona no desenvolvimento humano em
comunidades que não usufruem dela e que da mesma se beneficiam, respectivamente.
Em segundo plano é feita uma breve descrição da História da Educação em Moçambique partindo-se
de uma perspectiva tradicional para a hodierna
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1.3. Recursos de Aprendizagem
No Dicionário Aurélio Século XXI, a palavra “educação” é definida como sendo o processo de
desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e morais do ser humano visando a sua
integração social. Necessariamente, este processo ocorre num contexto sociocultural específico, no
qual, o indivíduo que está a ser educado apreende e absorve de maneira integrada, criativa e reflexiva
valores, normas, ideias, princípios, regras, costumes e práticas da família e da comunidade a que
pertence.
Em todas as sociedades, desde a antiguidade até aos dias de hoje, a educação é usada como meio e
fim visando a formação do homem para que seja perpetuador dos valores, normas, simbolismos,
costumes e tradições do seu povo. Para tal, a humanidade faz uso de diversos mecanismos formais ou
informais para a condução do processo educativo que é determinado por factores político-
ideológicos, culturais, socioeconómicos e ambientais em uma dada época.
A educação é um processo formativo contínuo direccionado para um indivíduo ou grupos deles
inseridos na família, na comunidade ou em instituições sócio-profissionais e da sociedade civil. Ela
ocorre ao longo de toda a vida do homem, desde a sua nascença até à sua morte.
Historicamente e via de regra, a dinâmica do processo educativo é exercida através de
relacionamentos interpessoais das gerações mais adultas e experientes sobre as mais novas e pouco
socializadas, repassando-as saberes e práticas tradicionais e contemporâneos para que possam se
ajustar e participar activamente na vida social, cultural e produtiva do dia.
Nas sociedades espera-se que qualquer um dos indivíduos que a compõem apresente nos diferentes
meios de convivência conhecimentos, atitudes e comportamentos apropriados à sua idade e sexo.
Quer isto dizer que as expectativas em relação ao desempenho social do indivíduo devem estar
enquadradas nos parâmetros político, económico e cultural do meio ao qual ele pertence. É dentro
desta perspectiva que são ressaltadas as finalidades da educação no contínuo ajustamento do homem
nos processos de desenvolvimento das sociedades.
As rápidas transformações que hoje se registam no mundo, determinadas pelo avanço das tecnologias
de informação e comunicação e pela instabilidade político-económica internacional, estão a
condicionar as relações de produção social em todos os país. Nestes termos, o homem, colocando-se
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como sujeito e actor de mudanças, vê-se como agente principal desses processos sociais que só
podem ocorrer através da dinamização e massificação da educação.
Para que o homem seja proactivo face às mudanças sociais do novo século, cada país deve
reestruturar os seus sistemas educativos tornando-os mais profissionalizantes e academicamente
críticos. Deste modo, a UNESCO sugere que, em cada nação, a educação seja redefinida para o
alcance das seguintes quatro finalidades sociais da aprendizagem humana: o aprender a conhecer, o
aprender a fazer, o aprender a viver com os outros e o aprender a ser.
[Link]. Aprender a Conhecer
No aprender a conhecer ou a aprender, as pessoas devem ser estimuladas para que ao longo de toda a
vida possam elevar as suas capacidades cognitivas produzindo conhecimento como um acto humano
criativo, autónomo e emacipatório. Trata-se de uma aprendizagem repleta de surpresas, ganhos e
perdas construtivos, na percepção e interpretação críticas da realidade social, onde os acertos e os
erros são encarados como factores dinamizadores desse processo. A aquisição de conhecimentos
visando a resolução independente de problemas sociais constitui o ponto mais alto deste propósito.
[Link]. Aprender a Fazer
Esta aprendizagem leva o indivíduo a aprender a viver num meio linguístico-cultural diversificado, a
ser tolerante para consigo mesmo e para com os outros face às suas características individuais
diferentes e a gerir as tensões e conflitos advindos dos intensos fluxos migratórios e interacionais de
pessoas que se registam mundialmente nos dias de hoje. Esta aprendizagem fornece competências
atitudinais e valorativas essenciais que devem ser adquiridas por qualquer ser humano que queira
viver em harmonia com os outros e desenvolver relacionamentos interdependentes sadios e
democeráticos, na base dos princípios dos direitos humanos.
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O aprender a ser refere-se à busca incessante do crescimento total e integral da própria pessoa nos
domínios intelectual, moral, físico, emocional, afectivo, estético e espiritual, sustentada pelas
dinâmicas do contexto sociocultural ao qual pertence. Também cabe a cada um, de maneira
consciente, autónoma, crítica, criativa, proactiva e ética, ser sensível e ágil em relação ao que lhe diz
respeito, assumindo evolutivamente responsabilidades pessoais perante a sociedade como cidadão e
patriota.
Sendo a educação um processo pelo qual a sociedade prepara os seus membros para garantir a sua
continuidade e desenvolvimento pode ser classificada em dois tipos e três modalidades. Os dois tipos
de educação são a intencional que se divide nas modalidades formal e não-formal e a não-
intencional que se desdobra em informal.
[Link]. Educação Intencional
A educação intencional é dirigida para um fim previamente estabelecido, com alguma intensão ou
propósito, implicando objectivos político-ideológicos e socioculturais explícitos. Ela está subdividida
em duas modalidades, podendo ser formal ou não-formal.
[Link].1. Educação Formal
A educação não-formal compreende aquelas actividades educacionais que possuem baixo grau de
estruturação e sistematização, implicando interações pedagógicas flexíveis, fora do sistema formal de
ensino. Constituem exemplos de educação não-formal os cursos de capacitação profissional e de
orientação e muitos outros que visam socializar os seus participantes para um determinado fim
técnico-socialduração.
Os cursos de educação não-formal têm uma aplicação flexível em relação ao tempo (duração), ao
local de realização e à adaptação dos conteúdos de formação.
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Diferentemente da educação intencional, a não-intencional embora tenha um fim socializador do
indivíduo seus objectivos são expontâneos e ilimitados em termos de tempo, local e momento de
ocorrência. A educação não-intencional é a educação informal.
Como se pode deduzir, a educação é uma prática cotidiana ligada à produção e reprodução da vida
social humana através da qual as gerações adultas repassam para as mais novas os conhecimentos,
experiências, atitudes, valores, comportamentos e práticas produtivas e culturais da humanidade. Sua
particularidade é que, dela e para ela, o ser humano deva ser socializado à semelhança dos seus
ancestrais de maneira formal, não-formal e informal, num âmbito intencional ou não-intencional.
Segundo a UNESCO, através da educação básica crianças, jovens e adultos devem satisfazer as suas
necessidades básicas de aprendizagem através do domínio dos seus instrumentos essenciais como a
leitura, a escrita, o cálculo e a solução de problemas.
A satisfação das necessidades básicas de aprendizagem também requer a aquisição dos seus
conteúdos básicos relacionados com os conhecimentos, as atitudes e as habilidades.
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a) Satifazer as necessidades básicas de aprendizagem de todos e de cada criança, jovem e adulto
para que possam sobreviver, desenvolver suas potencialidades, viver e trabalhar com dignidade,
participar do desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e
continuar a aprender ao longo da vida.
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de aprendizagem pode, também, ocorrer através da capacitação técnico-profissional, formal e
não-formal, em matérias relacionadas com a saúde, a nutrição, o meio-ambiente, as tecnologias
de informação e comunicação social, a agricultura, o planeamento familiar e outras.
f) Propiciar um ambiente adequado à aprendizagem uma vez que ela não ocorre em situações de
isolamento mas em ambientes saudáveis, motivadores e estimulantes. A satisfação das
necessiades básicas de aprendizagem deve ser garantida através de programas de apoio
nutricional, sanitário, físico e emocional promotores da saúde mental e do bem estar pessoal e
social, nos quais crianças, jovens e adultos devem participar em permanente interação.
g) Fortalecer alianças com os diferentes segmentos da sociedade para que seja garantida a oferta
de uma educação básica de qualidade para todas as crianças, jovens e adultos. Para o alcance
deste objectivo é requerido aos gestores educacionais dos níveis nacional, provincial, distrital e
municipal que estabeleçam parcerias com os professores, os pais e encarregados de educação e
os próprios aprendentes. As alianças devem ser estendidas a outros órgãos e agências
governamentais, instituições não governamenatis e demais organizações da sociedade civil.
Assim, Pressupõe-se que sendo a educação um valor social imprescindível ao ao bem estar
humano, não se estabelece por si só na sociedade mas associada a outros valores vitais. O
estabelecimento de amplas alianças possibilita a planificação, implementação, gestão,
monitoria e desenvolvimento de programas de educação básica mais integrados e realísticos.s
i) Mobilizar novos recursos humanos, financeiros e materiais para o apoio à educação básica para
que seja garantida uma ampla satisfação das necessidades básicas de aprendizagem de todas
crianças, jovens e adultos. Tais recursos devem provir de diferentes fontes públicas, privadas e
voluntários, com o envolvimento de toda a sociedade. Assim se assegura um importante e forte
investimento social que é o mais importante meio para se elevar a qualidade de vida de um
povo e se projectar o futuro melhor de um país.
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constituem estratégias valiosas para a redução das diparidades de desenvolvimento entre os
países ricos e os pobres. Por outro lado, recai aos países industrializados e aos organismos de
gestão financeira internacionais o dever de fornecerem apoio aos paises em vias de
desenvolvimento para que possam elevar aos seus níveis de crescimento socioeconomico tendo
como factor chave a melhoria e a massificaçao dos programas de educação básica para todos os
seus cidadãos. A satisfação das necessidades básicas de aprendizagem é uma exigência
humanitária mundial visando a promoção da justiça social e dos direitos humanos para a qual
todas as nações possuem responsabilidades de carácter nacional e internacional.
Estudos internacionais supervisados pela UNESCO indicam que a educação de qualidade, embora
não seja única determinante na melhoria das condições de vida dos homens e mulheres, joga um
papel incisivo ao atribuí-los conhecimentos e competências para que possam levar uma vida
produtiva autónoma, reduzir a pobreza, melhorar os níveis de saúde e fazer escolhas certas para a
provisão do bem-estar mental, físico, emocional e espiritual das suas famílias e comunidades.
Algumas evidências advindas do acesso à educação de qualidade, por homens e mulheres, em todo o
mundo são as seguintes:
a) Níveis altos de escolarização dos pais, em especial das mães, têm efeitos directos na
participação activa e sucesso escolar dos seus filhos, em particular das meninas.
d) Adultos com nível educacional mais alto são mais capazes de cuidar da sua própria saúde,
prevenir-se de doenças sexualmente transmissíveis, fazer uma planificação familiar segura e
oferecer aos seus filhos e demais familiares cuidados de saúde mais eficazes.
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e) Estudos feitos em países latino-americanos e asiáticos mostram que as mulheres que participam
de programas de educação de adultos e que também têm acesso à rádio e outras fontes de
informação, tornaram-se mais eficientes na gestão dos problemas de saúde de suas famílias.
f) Mulheres com níveis educacionais mais altos demonstram autoestima e autoconfiança elevados
e têm maior conhecimento sobre HIV/SIDA e outras doenças crónicas ou terminais.
Os resultados da educação sobre a melhoria da qualidade de vida das famílias e comunidades são
ilimitados dependendo o volume e o fluxo deles dos níveis de oferta e grau de participação dos
homens e mulheres envolvidos no processo.
A educação tradicional caracteriza-se pela ausência pré-determinada dos objectivos, conteúdos e das
formas de organização específicas, pelo que não reúne o padrão de educação intencional. Nas
práticas tradicionais todos os seus membros são responsáveis pela boa conduta das novas gerações,
devendo por isso reprimir os comportamentos incorrectos de qualquer criança, independentemente de
ser parente ou não.
Existem vários tipos de educação tradicional de acordo com as comunidades, variando segundo o
género (masculina e feminina), momento (ritos de passagem ou iniciação), desempenhando as
funções: informativa, instrutiva e formativa.
Em geral, a educação tradicional tem carácter pragmático pois, destina-se, essencialmente, a ensinar a
saber fazer coisas concretas tais como:
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b) Actividades culturais: a dança, a arte, os ritos de passagem e de iniciação, a vida adulta, a
assistência familiar o comportamento perante a mulher
c) Durante a gravidez, o nascimento de bebés, a realização de cerimónias fúnebres, a coroação do
régulo, a participação em cerimónias festivas e fúnebres e outras importantes acontecimentos
da comunidade.
d) Técnicas de auto-defesa perante o perigo de pessoas inimigas e estranhas ou diante de animais
ferozes e tratamento de casos de mordedura de cobras venenosas.
e) As práticas da medicina tradicional para o tratamento de doenças mais comuns nas sociedades
em causa.
a) Assegurar a hierarquia política e cultural da classe dominante sobre as ditas classes tradicionais
ou “primitivas”, consideradas estagnadas no processo histórico.
c) Ensinar aos “indígenas” a ler, escrever e contar o mínimo necessário para se comunicarem com
os colonizadores e constituírem a força de trabalho.
e) Ter a necessária educação, hábitos individuais e sociais de modo a poder viver sob a lei pública
e privada portuguesa;
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a) Ensino Indígena. Destinado a elevar, gradualmente, da vida selvagem à vida civilizada dos
povos cultos, a população autóctone das províncias ultramarinas.
b) Ensino Primário Elementar. Destinado às populações “não indígenas, visando dar nos
beneficiários os instrumentos fundamentais do saber e as bases de uma cultura qual,
preparando-os para a vida social”.
A partir de 1962, sem alterar a sua natureza e finalidade a estrutura educacional em Moçambique
passou a ser a seguinte:
a) Ensino de Adaptação. Compreendendo três anos, com ingresso aos 10 anos e destinado aos
indígenas.
Os professores que leccionavam nas escols missionárias para os afriacanos não assimilados eram
também não assimilados e formados nas Escolas Normais durante 4 anos nas quais ingressavam com
o n;ivel de 4ª Classe.
Os professores das escolas oficiais para brancos, asiáticos e assimilados eram formados e vinham de
Portugal.
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Foram consideradas por zonas libertadas, as regiões do território nacional onde a administração
colonial se retirou, as populações abandonaram as suas povoações para escapar à repressão colonial e
viver sob a protecção da FRELIMO. Progressivamente, este processo desenvolvia-se, surgindo as
zonas libertadas e semi-libertadas, isto é, zonas onde a totalidade da vida das populações dependia da
orientação da FRELIMO, onde no quotidiano se aplicavam as palavras de ordem do movimento,
constituindo lugares, momento e espaço de ensaio de uma sociedade nova e de exercício do poder, de
aprendizagem de novos valores para a formação de uma sociedade, não baseada em racismo,
tribalismo, regionalismo e de outros males próprios do regime colonial.
Eduardo Mondlane – definiu a educação como uma condição político-ideológica básica para o
sucesso da luta armada em Moçambique. É assim que se justifica a concepção dos programas de
instrução militar e educacionais ao mesmo tempo. – Ex: A Escola Secundária, Instituto de
Moçambique em Tanzânia; destinada às crianças moçambicanas que já tinham saído de
Moçambique, e outras junto dos centros de instrução ou bases centrais e regionais.
O sistema educativo nas zonas libertadas (1969/70) foi definido para responder aos seguintes
objectivos:
a) A formação do Homem Novo, com uma nova mentalidade que para além de ser capaz de
resolver os problemas imediatos colocados pela revolução quer dizer:
b) Formar o “Homem Novo” com plena consciência do poder da sua inteligência e da força
transformadora do seu trabalho na sociedade e na natureza; livre de concepções supersticiosas e
subjectivas
d) Criar (nos alunos) uma personalidade moçambicana sem subserviência (espírito servil) algum,
assuma a sua realidade (sócio-cultural), saiba estar em contacto com o mundo exterior,
assimilar criticamente as ideias e experiências de outros povos;
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As disciplinas de maior relevância ministradas nas escolas das Zonas Libertadas, por níveis de
ensino, eram as seguintes:
A Educação Pós-Independência refere-se ao sistema de ensino introduzido no país depois de ter sido
proclamada a Independência Nacional até aos dias de hoje. Ao longo deste período o sistema
educativo sofreu várias reformas que tinham em vista adequar a formação dos moçambicanos em
conformidade com os contextos sócio-políticos, económicos e culturais de cada época. Deste modo
ocorreram neste período vários acontecimentos que determinaram as reformas feitas ao sistema de
educação, nomeadamente:
a) De 1975/82:
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1.4. Actividades:
a) Faça uma tabela comparativa entre os tipos de educação, indicando os aspectos que os
diferenciam e, por último, ilustre em exemplos sobre a sua manifestação em Moçambique.
b) Faça uma tabela comparativa entre as modalidades de educação enquadradas nos respectivos
tipos, indicando as particularidades que as diferenciam e, por último, ilustre em exemplos sobre
a sua manifestação em Moçambique.
c) Explique por que no período colonial muita gente natural de Moçambique não teve o acesso à
escolarização.
e) Fale das classes existentes no Ensino Primário e do seu enquadramento por ciclos?
1.5. Autoavaliação
Com esta ocasião e após ter lido o texto sobre “a Educação e sua história em Moçambique” e
partindo de princípio de que o indivíduo que está a ser educado apreende e absorve de maneira
integrada, criativa e reflexiva valores, normas, ideias, princípios, regras, costumes e práticas da
família e da comunidade a que pertence, responde:
a) A quem está direccionada a educação como processo formativo e contínuo?
b) Destaque as quatro (4) finalidades de educação estabelecidas pela UNESCO para que o
Homem seja proactivo face às mudanças sociais do novo século.
c) Como é que a educação em Moçambique está organizada, na escola primária, para o
cumprimento de 4 pilares da educação estabelecidas pela UNESCO?
d) Sabendo que as 4 finalidades de educação estabelecidas pela UNESCO não só se cumprem
através das escolas, aponte outras modalidades de educação que realizam o seu papel fora do
âmbito escolar.
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1.6. Chave de Correcção
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2. Unidade Temática II. Introdução à Psicopedagogia
“Introdução à Psicopedagogia” é o título desta Unidade Temática. São desenvolvidos nela o conceito,
o objecto e os objectivos da Psicopedagogia com a qual é feita uma correlação com a Psicologia e a
Psicologia, bem como com outras áreas científicas afins.
Em seguida são apresentadas as técnicas de pesquisa mais usadas pelos psicopedagogos no contexto
escolar para a identificação dos tipos e causas das dificuldades de aprendizagem, especialmente, a
observação, a entrevista, a anamnese, o questionário e a produção e leitura de imagens.
São feitas recomendações aos professores em relação às atitudes e comportamentos éticos que devem
exibir na aplicação das técnicas de pesquisa assim como o tratamento que devem dar à informação
recolhida e sistematizada.
De forma resumida são feitas algumas referências à Psicologia e à Pedagogia no contributo que dão à
Psicopedagogia no estudo da aprendizagem humana tendo em conta os seus objectos, o
comportamento e a educação, respectivamente.
Uma relação dialética é apresentada entre o aprender e o ensinar como factores diferentes,
inseparáveis e complementares do processo educativo, especificamente no que diz respeito às
dinâmicas do ensino-aprendizagem.
Uma discussão final é apresentada em torno do papel da Psicopedagogia na processo da Inclusão
Escolar. Nestes termos a Educação Inclusiva é apresentada como paradigma da Psicopedagogia na
perspectiva de fornecer instrumentos conceituais, metodológicos e técnicos de prevenção e terapia
das dificuldades de aprendizagem. Para fechar a Unidade é fornecida uma tabela comparativa das
perspectivas contraditórias e opostas, da Integração Escolar e da Inclusão Escolar sendo esta última a
que orienta a visão e as práticas do processo de ensino-aprendizagem propostos neste Manual.
24
2.3. Recursos de Aprendizagem
A Psicopedagogia é uma área do saber científico que estuda os processos relacionados com a
aprendizagem humana. Ela fornece-nos conhecimentos e técnicas para percebermos como o ser
humano aprende, quando aprende, de quem aprende, o que aprende, como aplica o que aprende, o
que faz para aprender mais e melhor e o que faz ou deve fazer para não fracassar na aquisição da
aprendizagem. Estas questões traduzem a complexidade, a diversidade e a singularidade da natureza
humana, para as quais a Psicopedagogia se debruça e vai buscar respostas apropriadas para satisfazer
as necessidades de aprendizagem do ser humano nos seus diferentes estágios de desenvolvimento e,
em particular, durante a aquisição da aprendizagem formal.
O objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de aprendizagem que as aborda de modo
preventivo e terapêutico, numa perspectiva de inclusão escolar.
Para dar respostas aos questionamentos acima apresentados os psicopedagogos, para além de fazerem
uso dos conhecimentos sistematizados pela Psicologia e pela Pedagogia auxiliam-se de outras áreas
científicas como a Antropologia, a Sociologia, a Linguística, a Medicina, a Neurologia, a Psicanálise
e outras.
Na sua prática profissional o psicopedagogo utiliza estratégias, métodos, técnicas e instrumentos
científicos que lhe permitem analisar e intervir com rigor no processo de desenvolvimento da
aprendizagem humana Por todas estas razões a Psicopedagogia é vista como um campo de
conhecimento científico muldidisciplinar.
25
conhecimento pelo aluno é orientada ao longo do seu desenvolvimento, respeitando as suas
diferenças cognitivas, étnico-linguísticas, físico-motoras e outras.
Como em qualquer outro campo das ciências, a Psicopedagogia nas suas àreas de estudo aplica
métodos, técnicas ou instrumentos para recolher, analisar, sistematizar e divulgar os resultados da
informação relacionada com uma determinada pesquisa. Sendo assim, as principais técnicas por ela
aplicadas são: a observação, a entrevista, a ananmese, o questionário e a leitura de imagens.
Actualmente, as técnicas e instrumentos de estudo dos psicopedagogos estão simplificados de tal
forma que qualquer professor pode aplicá-los para poder colher e registar informação útil sobre a
situação socioescolar do seu aluno, como pode ser percebido abaixo:
Para o professor poder ter mais informações sobre o comportamento da criança pode observá-la em
diferentes momentos e situações na escola, como por exemplo, na hora do lanche, na formatura, nas
brincadeiras (jogos) com os colegas.
[Link]. A Obsrevação
Esta é a técnica mais usada pelos professores. Aliás, eles quase sempre assistem aulas dos seus
colegas. Nesse processo observam e registam do professor observado os comportamentos que
estimulam a criança a aprender mais e aqueles comportamentos que possam prejudicar a aquisição da
aprendizgem.
Um exercício similar ao descrito acima pode ser feito pelos professores aos seus alunos. Só os
observando enquato estiverem a estudar individualmente ou no grupo poderá saber como é que um
determinado aluno se comporta na sala de aula para ser considerado estudioso. E, o que é que num
outro tem contribuido para que não estude bem como dele se espera. Observando este aluno várias
vezes, em diferentes dias, aulas e momentos no recreio o professor poderá descobrir coisas
interessantes sobre o menino, ou por outra, poderá tirar conclusões preliminares do que faz com que
ele não tenha um bom desempenho escolar.
[Link]. A Entrevista
Depois de ter sido feita a observação, naturalmente o professor fez alguns registos sobre o
comportamento do aluno. Em algum momento poderá não ter percebido como ele em situações
diferentes comporta-se de um jeito e em outras iguais comporta-se de outra. Isto pode ser muito
inquietante.
Para poder sanar as suas dúvidas o professor deverá ter uma conversa com o aluno para o explicar
por que é que se comportou de uma maneira numa situação e de outra numa outra. O professor estará
assim a orientar uma entrevista. Esta é uma técnica constituída por uma lista de perguntas dirigidas a
uma pessoa ou a um pequeno grupo delas.
26
Se o professor achar que o diálogo que teve com o seu aluno não obteve as respostas que esperava ou
que dela surgiram outras inquietações pode muito bem solicitar a presença dos pais do menino para
os entrevistar, também.
As entrevistas que o professor for a dar ao menino e aos seus pais, juntos ou seperadamente, devem
ser orientadas duma forma educada, respeitosa, carinhosa, alegre e profissional o que lhe permitirá ter
muitas respostas ou informações do que quererá saber sobre o menino.
[Link]. O Questionário
O questionário ou inquérito, tal como a entrevista, é uma técnica constituída por uma lista de
perguntas. No entanto, é aplicado em grandes grupos de pessoas ou alunos para deles se saber, por
exemplo, que opinião têm sobre as causas do elevado número de reprovações na escola.
Do questionário aplicado sairão muitas respostas dos alunos sobre o problema colocado. A análise
dessas respostas deve ser feita em função das percepções e do ponto de vista dos alunos. A opinião
deles será um importante contributo para a tomada de uma atitude pela Direcção da Escola com vista
à solução do problema.
[Link]. A Anamnese
A anamnese é um tipo de entrevista que o professor pode usar com a finalidade de conhecer a história
de saúde, de doença, de deficiência e de vida da criança, desde o seu nascimento até aos dias
correntes. Esta técnica é muitas vezes usada quando se suspeita ou se tem a certeza de que a criança
está a passar por alguma enfermidade ou dificuldade que afecta o seu rendimento escolar. É sempre
aconselhável ouvir a própria criança a falar na primeira pessoa, das suas percepções, sentimentos,
pensamentos, tristezas, alegrias, desejos e necessidades.
Nestes casos o depoimento dos pais é fundamental. Eles é que conhecem as histórias completas de
saúde e doença do filho. Para além de darem informações verbais úteis é recomendável que
apresentem comprovativos clínicos em relação à assistência médica que o filho está a ter ou que já
tenha tido.
[Link]. Produção e Leitura de Imagens
Tal como as anteriores esta técnica é muito produtiva. O professor, usando imagens, figuras ou
fotografias (que podem ser também da família) cuidadosarmente seleccionadas poderá orientar a
criança para fazer a observação, a leitura e a interpretação das mesmas. Neste exercício ao fazer a sua
interpretação o professor deve estar atento à imaginação da criança na interpretação das imagens para
descrever outras situações já vividas ou fantasiadas.
Esta técnica não se limita apenas na leitura de imagens, gravuras ou fotografias. A criança pode
também produzí-las a seu bel-prazer para depois serem analizadas pelo professor com a ajuda de
outros especialistas educacionais, se necessário.
27
2.3.3. Procedimentos Éticos na Recolha de Informação em Psicopedagogia
Os resultados obtidos através da aplicação isolada ou combinadas das diferentes técnicas devem ser
tratados pelo professor com cuidado e profissionalismo pois, há uma exigência ética para tal.
Durante a aplicação das técnicas, sempre que houver necessidade de se fazer uso de instrumentos
auxiliares de registo (anotar e usar máquinas de fotografar, de filmar e de gravar), o professor deve
solicitar à criança ou ao pais e encarregado de educação a autorização para tal, explicando
devidamente os propósitos da recolha da informação e as suas finalidades. Os resultados devem estar
no anonimato, têm que ser sigilosos e devem ser usados exclusivamente para efeitos de estudo e
melhoria da qualidade de aprendizagem da criança. Nenhuma técnica é por si só conclusiva. Quanto
mais técnicas forem aplicadas maior número de informação se terá sobre os comportamentos de um
aluno.
A Psicologia, duma maneira genérica é definida como sendo o estudo científico do comportamento
humano e animal. Seu objecto de estudo é o comportamento.
Através das suas áreas de especialização (Psicologia da Aprendizagem, Psicologia Educacional,
Psicologia do Ensino, Psicologia Clínica e muitas outras ) a Psicologia faz diferentes e vários estudos
sobre o comportamento humano em ambiente escolar que subsidiam a Psicopedagogia no estudo do
ensino e da aprendizagem.
2.3.5. Contribuições da Pedagogia no Estudo da Aprendizagem Humana
A Pedagogia é o campo do conhecimento científico que estuda de maneira sistemática a teoria e a
prática educativa que ocorre na sociedade. Também pode ser entendida como a arte e a ciência de
ensinar crianças ao ser diferenciada da Andragogia vista como arte e ciência de orientar o adulto a
aprender.
28
2.3.6. Os Processos de Ensinar e Aprender
Como foi referido antes, o objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de aprendizagem
das crianças e jovens. Para lidar com elas a Psicopedagogia faz uso da abordagem da inclusão escolar
que coloca o aprendente como principal actor em todo o processo de ensino-aprendizagem.
A Educação Inclusiva é um paradigma de desenvolvimento da escola no seu todo, virado para o
acolhimento educacional de todas as crianças e jovens respeitando as suas diversidades físico-mental,
cultural, social, linguística, racial, religiosa e outras particularidades no processo de ensino-
aprendizagem. Para tal, ela dá ao psicopedagogo e, particularmente ao professor, a oportunidade de
mobilizar todos os recursos disponíveis no seu contexto educacional para poder escolarizar com
sucesso crianças e jovens que experimentam dificuldades escolares.
a) Período da Exclusão.
Desde a Antiga Grécia até ao Século XVIII, as pessoas com deficiência recebiam tratamento
desumano; eram privadas de participar na vida social das suas famílias; recebiam conotações
demoníacas; eram isoladas nas montanhas, internadas ou abandonadas nas prisões e
manicómios; e praticava-se o infanticídio sobre elas.
b) Período da Segregação,
29
Na Europa (Espanha), no Século XVI iniciou a escolarização de pessoas com deficiência
auditiva. No entanto, no Século XVIII, na França foi criado o primeiro instituto educacional
para surdos, em 1760, iniciando-se assim com a criação e expansão das Escolas Especiais.
c) Período da Integração.
Ocorreu a partir da segunda metade do Século XIX, período em que se generalizou a criação
das escolas especiais para se garantir a escolaridade obrigatória para todas as pessoas com
deficiências, na Europa e na América do Norte. Fundamentalmente, as pessoas com
deficiências começaram a frequentar as escolas regulares uma vez que as especiais eram
discriminatórias, não oferecendo a todos oportunidades e direitos iguais de acesso escolar. Os
alunos com deficiências tinham que se adaptar às características fisicas, materiais e
sociopedagogicas oferecidas pelas escolas regulares.
d) Período da Inclusão
Período iniciado na segunda metade do Século XX, na Europa e na América do Norte até aos
dias de hoje, como resultado da luta dos movimentos sociais em defesa dos direitos humanos
das pessoas com deficiências. Buscavam a transformação das escolas regulares em centros de
promoção da inclusão social. Estas, em todas as suas dimensões humana, pedagógico-
curricular, física, material e arquitectónica tinham que se adaptar às características físico-
mentais de todos os seus alunos sem nenhum tipo de discriminação.
A partir da década de 90, no mundo todo e no mosso país, o movimento pró-inclusão escolar
experimentou significativos avanços. No entanto, durante esse processo muitas práticas de integração
foram e continuam a ser confundidas com as de inclusão escolar.
Actualmente, o que se verifica em muitas escolas moçambicanas é a prática da integração escolar
porque embora estejam abertas para a escolarização de crianças e jovens com deficiências, persistem
as atitudes segregacionistas e discriminatórias sobre eles.
Muitos esforços estão a ser feitos a nível das políticas macrocurriculares para que se implante no país
uma efectiva abordagem inclusiva do processo de ensino-aprendizagem. Mesmo assim, a maior parte
dos professores continua a apresentar atitudes retrógradas perante a deficiência, a estrutura
arquitectónica das escolas dificulta a acessibilidade, as abordagens e práticas pedagógicas continuam
orientadas para o professor e para os conteúdos e as ajudas aos professores na prática de
metodologias e estratégias de ensino centradas no aluno continuam limitadas.
A Psicopedagogia apresenta uma proposta de mudança atitudinal na orientação dos processos de
ensino-aprendizagem em que todo o movimento e todas as práticas tenham que passar de uma
perspectiva de integração para a desejada inclusão escolar. O presente Manual foi elaborado na
30
perspectiva de provocar mudanças nas atitudes e práticas pedagógicas dos professores de modo a
virem a ser efectivamente inclusivas.
Na Tabela 01, abaixo, são apresentados os dois paradigmas contraditórios da abordagem e prática do
processo de ensino-aprendizagem de crianças e jovens com deficiências ou necessidades educativas
especiais.
Tabela 01
(Comparação entre as perspectivas de Integração Escolar e InclusãoEscolar)
A Perspectiva da Integração Escolar A Perspectiva da Inclusão Escolar
A referência é o aluno visto no âmbito individual. A referência é o currículo visto no âmbito social.
As dificuldades de aprendizagem são definidas em
As dificuldades de aprendizagem são definidas em
termos de tarefas, actividades e condições
termos das características do aluno.
existentes na sala de aula ou na escola.
“O Aluno é o Problema”
“O Contexto está Inadequado”
Um grupo de crianças é identificado como tendo Qualquer criança em qualquer momento do seu
Nas Unidades Temáticas III e IV do presente Manual são desenvolvidas com mais detalhes os
conceitos, métodos e estratégias de ensino e aprendizagem orientados especificamente para crianças e
jovens com deficiências.
31
Assume-se desde já que qualquer tipo de deficiência mental, sensorial e física, assim como as
manifestações de superdotação e talentosas nos alunos por interferirem negativamente nos processos
de aprendizagem dos seus portadores, passam as ser designados de necessidades educativas especiais.
A magnitude positiva ou negativa da manifestação delas fica em grande medida dependente das
atitudes e comportamentos que os profissionais do Sector da Educação (o professor, formador,
gestor, o planificador e dirigentes) poderão apresentar perante ou no tratamento delas.
2.3.8. Sumário
A Psicopedagogia é uma área do saber científico que estuda os processos relacionados com a
aprendizagem humana.
O objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de aprendizagem que as aborda de
modo preventivo e terapêutico, numa perspectiva de inclusão escolar.
Os psicopedagogos, para além de fazerem uso dos conhecimentos sistematizados pela
Psicologia e pela Pedagogia auxiliam-se de outras áreas científicas como a Antropologia, a
Sociologia, a Linguística, a Medicina, a Neurologia, a Psicanálise e outras.
Na formação de professores, a Psicopedagogia apoia-se em abordagens psicológicas que
requerem práticas pedagógicas construtivistas e humanistas.
As principais técnicas por ela aplicadas são: a observação, a entrevista, a ananmese, o
questionário e a leitura de imagens.
Os resultados obtidos através da aplicação isolada ou combinadas das diferentes técnicas
devem ser tratados pelo professor com cuidado e profissionalismo pois, há uma exigência ética
para tal.
Durante a aplicação das técnica, sempre que houver necessidade de se fazer uso de
instrumentos auxiliares de registo, o professor deve solicitar à criança ou aos pais e
encarregados de educação a autorização para tal, explicando devidamente os propósitos da
recolha da informação e as suas finalidades.
Os resultados devem estar no anonimato, têm que ser sigilosos e devem ser usados
exclusivamente para efeitos de estudo e melhoria da qualidade de aprendizagem da criança.
Nenhuma técnica é por si só conclusiva.
A Psicologia é definida como sendo o estudo científico do comportamento humano e animal e,
seu objecto de estudo é o comportamento.
Através das suas áreas de especialização a Psicologia faz diferentes e vários estudos sobre o
comportamento humano em ambiente escolar que subsidiam a Psicopedagogia no estudo do
ensino e da aprendizagem.
32
A Pedagogia é o campo do conhecimento científico que estuda de maneira sistemática a teoria
e a prática educativa que ocorre na sociedade. O objecto de estudo da Pedagogia é a educação.
Ensinar e Aprender constituem processos didácticos básicos. A acção principal do professor é
garantir a unidade didáctica entre ensino e aprendizagem, através do processo de ensino.
Ensino e aprendizagem são duas facetas de um mesmo processo.
Ensinar visa estimular, dirigir, incentivar, impulsionar a aprendizagem dos alunos. A tarefa
principal do ensino consiste em assegurar a difusão e o domínio dos conhecimentos
sistematizados e legados pela humanidade.
Aprender visa apropriar-se dos conhecimentos e habilidades através das modificações das
condições exógenas e endógenas do próprio aluno.
Como foi referido antes, o objecto de estudo da Psicopedagogia são as dificuldades de
aprendizagem das crianças e jovens.
Para lidar com elas a Psicopedagogia faz uso da abordagem da inclusão escolar que coloca o
aprendente como principal actor em todo o processo de ensino-aprendizagem.
A Educação Inclusiva é um paradigma de desenvolvimento da escola no seu todo, virado para o
acolhimento educacional de todas as crianças e jovens respeitando as suas diversidades físico-
mental, cultural, social, linguística, racial, religiosa e outras particularidades no processo de
ensino-aprendizagem.
O processo de educação de crianças com deficiências ocorreu em quatro períodos distintos,
desde a atinguidade até aos dias de hoje, nomeadamente: Período da Exclusão, Período da
Segregação, Período da Integração e Período da Inclusão.
A Psicopedagogia apresenta uma proposta de mudança atitudinal na orientação dos processos
de ensino-aprendizagem em que todo o movimento e todas as práticas tenham que passar de
uma perspectiva de integração para a desejada inclusão escolar.
Integração e Inclusão são dois paradigmas contraditórios da abordagem e prática do processo
de ensino-aprendizagem de crianças e jovens com deficiências ou necessidades educativas
especiais.
2.4. Actividades
33
d) Qual é a acção principal do professor nos processos de Ensinar e Aprender?
e) O que significa Ensinar e Aprender?
2.5. Autoavaliação
34
3. Unidade Temática III. Noções de Desenvolvimento e de Aprendizagem Humanos
Na actualidade é cada vez maior o interesse dos gestores educacionais, professores, pais e demais
educadores em conhecerem melhor o ser humano nas diferentes etapas do seu desenvolvimento
físico-motor, cognitivo, linguístico e psicossocial.
Como qualquer outro animal o ser humano guia-se por quatro princípios básicos de sobrevivência:
nasce, cresce, reproduz e morre. No entanto, distingue-se desses outros por ser racional e pró-activo
na sua maneira de viver.
A natureza humana é determinada pelo seu desenvolvimento, desde a sua concepção até à sua morte
e pela aprendizagem que adquire e aplica no processo de transformação da natureza para a
preservação e perpetuação da sua espécie. Nestes termos, desenvolvimento e aprendizagem são
conceitos dinâmicos que se interligam e inter-relacionam mutuamente sendo difícil ou mesmo
impossível determinar onde começa um e termina o outro ao longo do crescimento humano.
O presente capítulo está dividido em três partes. Na primeira estão descritos os processos
relacionados com o desenvolvimento humano tais como o conceito de desenvolvimento humano,
seus factores, estágios, aspectos e teorias que o explicam. Também é feita uma abordagem de como
ocorre a socialização humana e como se forma a sua personalidade.
Na segunda parte é feita a explicação dos processos da aprendizagem humana fazendo-se referência
ao seu conceito, aos pré-requisitos necessários para que ela ocorra, aos produtos dela resultantes, às
formas que explicam a sua aquisição, às variáveis nela envolvidas, às características da sua dinâmica
e aos factores que facilitam a sua aquisição.
Finalmente, as necessidades educativas especiais são abordadas na terceira parte. Neste sentido são
apresentados o seu conceito, seus grupos, tipos e causas e, depois, as atitudes favoráveis para com
elas.
35
c) Identifica os alunos com Necessidades Educativas Especiais;
O princípio céfalo-caudal diz que o desenvolvimento humano ocorre de cima para baixo, ou seja, da
cabeça para os pés. Quer isto dizer que ainda no período da gestação o cérebro do bebé cresce muito
rápido e a cabeça é desproporcionalmente grande em relação a todo o corpo. Por exemplo, no
primeiro ano de vida o cérebro do bebé tem 70 % do peso de um adulto, mas o resto do corpo tem
apenas 10 a 20 % desse peso.
De acordo com o princípio próximo-distal o desenvolvimento motor do bebé ocorre de dentro para
fora, isto é, do centro do corpo para fora. No útero, a cabeça e o tronco do bebé desenvolvem-se
primeiro do que os braços e as pernas, depois as mãos e os pés e, finalmente, os dedos das mãos e dos
36
pés. Por exemplo, em primeiro lugar, o bebé desenvolve a capacidade de usar os braços e as coxas
(próximos do centro do corpo) e, depois, usa os antebraços, as pernas, as mãos, os pés e os dedos das
mãos e dos pés.
Em todas as situações acima apresentadas factores hereditários e ambientais jogam um papel decisivo
na manifestação dos comportamentos específicos do ser humano.
37
Factores de Desenvolvimento Humano
Todo o ser humano possui características orgânicas semelhantes às do seu pai e às da sua mãe.
Assim, a hereditariedade refere-se a toda a informação genética (os genes), inata, própria da natureza
humana, que um indivíduo herda dos seus progenitores, sendo um factor determinante na formação e
no desenvolvimento de qualquer pessoa.
O fenómeno da transmissão genética não ocorre apenas no ser humano mas, também, em todos os
seres vivos. Esta é a forma pela qual o homem reproduz-se, nasce, desenvolve-se e preserva-se, de
geração em geração.
A unidade fundamental de transmissão hereditária é o gene. Cada célula humano contém milhares de
genes constituídos pelo ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA).
O ADN determina a constituição bioquímica e a funcionalidade de cada célula do ser humano. Ele é
o código genético que possui toda a informação biológica que é transmitida de pais para filhos no
acto da concepção. Por exemplo, as características observáveis que nos levam a descrevermos
alguém como sendo parecido com o pai ou com a mãe (alto, negro, branco, mistiço, de olhos
castanhos, de cabelos crespos, magro, gordo, etc) são determinadas pelos genes, pelo ADN.
Algumas vezes, durante o período da gestação, a formação e transmissão dos genes não têm ocorrido
regularmente como o esperado ou desejado. Nesse processo têm se registado anomalias que podem
estar relacionadas com as seguintes causas:
má formação dos genes de um ou de ambos progenitores;
acidentes e infecções intra-uterinos;
doenças contraídas pela mãe durante a gravidez;
incompatibilidade sanguínea dos progenitores;
má nutrição e cuidados de saúde inadequados da mãe;
consumo impróprio de drogas e outras substâncias químicas durante a gestação;
38
imaturidade orgânica e gravidez tardia da gestante;
acidentes traumáticos ocorridos durante o parto;
instabilidade emocional da mãe durante a gravidez;
elevado número e pouco espaçamento de gravidezes.
Como se pode concluír, as anomalias que se registam durante o período da gestação resultam em
deficiências congénitas (adquiridas antes e durante o nascimento) nos bebés, de natureza física,
mental ou sensorial. Deste modo, muitos cuidados em saúde assistida, estabilidade emocional e
alimentação apropriada devem ser assumidos e praticados pela mulher gestante, o que poderá
contribuir em grande medida para uma boa formação dos genes e o nascimento de crianças sadias em
todos os aspectos.
[Link].4. Influências do Ambiente sobre o Desenvolvimento Humano
O meio ambiente é constituído por todos os elementos sociais e físicos que são externos ao homem e
se encontram em permanente e contínua mutação e interacção entre si.
Os factores sociais envolvem o homem e as suas práticas, produções, interacções e experiências
históricas, culturais e económicas nos processos de transformação, conservação e preservação do
meio para o benefício pessoal e de toda a humanidade. Os factores físicos do meio ambiente são o
clima, a vegetação, os solos, o ar, a água, os alimentos e outros. Quer isto dizer que o
desenvolvimento humano ocorre num ambiente ecológico específico, constituído por uma complexa
rede social de actores, seres e interações.
As práticas tradicionais e modernas da humanidade sobre o meio ambiente são exercidas socialmente
através da aquisição por aprendizagem, de pais para filhos ou dos mais velhos para os mais novos ou
ainda por acúmulo de experiências no contacto directo com a natureza.
O ambiente social restrito que é a família é o berço do desenvolvimento de qualquer ser humano. A
criança recém-nascida em interação com os pais, irmãos e demais familiares mais próximos vai
adquirindo, gradualmente, em função do sexo, da idade e da cultura, conhecimentos, atitudes,
comportamentos,valores, regras e demais normas de convivência do seu meio sociocultural. Estas
competências tornam-se mais complexas à medida que a criança vai crescendo e ampliando suas
interações num um ambiente ecológico mais amplo, na escola e na comunidade.
Os processos de adaptação do homem ao meio processam-se através de influências mútuas. Quer isto
dizer que de uma maneira dinámica e proativa o homem domina e modifica a natureza ao mesmo
tempo que também é moldado pelo meio nas suas características físicas, cognitivas e comunicativas
em função das suas necessidades de desenvolvimento pessoal e social.
Em todas as sociedades espera-se que a interação homem-ambiente seja naturalmente sadia ao longo
de toda a vida. Contudo, há eventos do próprio meio que podem produzir anolalias no
39
desenvolvimento humano. Tais anormalidades referem-se à aquisição de deficiências físicas, mentais
e sensoriais, cujas causas podem ser uma ou a combinação dos seguintes determinantes:
Em todo o processo relacional homem-ambiente, cabe ao próprio homem fazer uma gestão
inteligente do meio de modo a renová-lo, preservá-lo e protegê-lo para o bem do seu
desenvolvimento e estabilidade física, intelectual e afectivo-emocional.
40
idade, e sob orientação de um educador ou educadora, activa mais cedo as suas capacidades e
habilidades em comparação com aquela que não frequentou tais centros infantis.
Estudos recentes relacionados com a inteligência, a agressividade, a obesidade e outros traços de
personalidade são conclusivos de que a hereditariedade e o ambiente influenciam-se mutuamente
sendo difícil, muitas vezes, descerever o grau de determinação de um factor sobre o outro.
Como indicam os estudos efectuados pelos cientistas das áreas de genética e desenvolvimento
humano, nos dias de hoje está provado que hereditariedade e ambiente são factores que estão em
permanente interação e, mutuamente, exercem influência na determinação das características físicas,
cognitivas, psicomotoras e psicossociais ou de personalidade de cada indivíduo, sendo difícil a
separação de uma da outra.
[Link]. Estágios do Desenvolvimento Humano
Os estágios de desenvolvimento humano são similares em toda a espécie humana podendo haver
ligeiras diferenças em termos de género, duração e ritmo maturacional. Quer isto dizer que algumas
pessoas têm maturação e desenvolvimento mais lentos ou mais rápidos do que as outras.
Uma vez que o crescimento humano ocorre de maneira dinâmica, contínua e em espiral não há
fronteiras fixas entre um estágio e o seguinte que determine o momento de maturação de cada pessoa.
Como já foi referido anteriormente, esse momento é geralmente determinado pela interação entre
factores genéticos e ambientais.
Em seguida são apresentados os diferentes estágios maturacionais do ser humano, relacionados com
as suas respectivas faixas etárias:
41
Vários aspectos de maturação orgânica registam-se ao longo do processo de desenvolvimento
humano. Referem-se às competências, capacidades e habilidades de socialização que cada ser
humano adquire, regularmente, em cada faixa etária, em função da idade, sexo e cultura.
A apresentação de cada um dos aspectos é feita para fins didácticos uma vez que todos eles estão
entrelaçados e influenciam-se mutuamente na formação e no dinâmico funcionamento da
personalidade de cada indivíduo.
Dentre vários aspectos constituintes da personalidade humana os seleccionados para este Manual são
os seguintes:
Relaciona-se com as competências interaccionais que a criança vai adquirindo, continuamente, nas
relações que estabelece com o seu meio sociocultural, em cada uma das etapas do seu
desenvolvimento.
42
Tabela 02
(Estágios e Aspectos do Desenvolvimento Humano)
Estágios do
Aspectos do Desenvolvimento (da)
Desenvolvimento
Nr
Faixa
Período Físico-motor Cognitivo Linguagem Afectivo-emocional Psicossocial
etária
Dentro do útero (na mulher) inicia a fertilização com a formação do embrião através da união entre o espermatezóide e o óvulo, como resultado da relação
sexual entre um homem e uma mulher.
Com a fertilização do óvulo forma-se o zigoto que é unicelular, iniciando-se assim o estágio germinal que durará aproximadamente 2 semanas.
Início da
Neste período o zigoto entra num processo rápido de crescimento, dividindo-se em mais de bilhões de outras células complexas e especializadas que vão dar
vida
origem a uma nova vida humana.
Desenvolvem-se também a placenta, o cordão umbilical, o saco amniótico e outros órgãos vitais com funções importantíssimas que irão contribuir para a
sustentação, alimentação e proteção do feto em crescimento no útero.
Durante as 8 ou 12 semanas seguintes ocorre o estágio embrionário. Trata-se de um período extremamente crítico no qual os diferentes sistemas e
respectivos órgãos corporais se desenvolvem rapidamente.
Neste estágio inicia a formação da pele, dentes, unhas, cabeça, boca, cabelo, olhos, orelhas, órgãos sensoriais, sistema nervoso central, cérebro, medula
Gestação
3 meses
Pré- espinal, sistemas fisiológicos, fígado, pâncreas, glândulas, músculos e esqueleto.
01 depois
natal O embrião em mudanças rápidas e constantes torna-se vulnerável às influências destrutivas do ambiente pré-natal.
É neste estágio que ocorrem frequentemente os abortos expontâneos resultantes da má formação dos cromossomas e de práticas e hábitos nocivos como o
consumo de álcool e outras drogas, o esforço físico desmidido, a alimentação inadequada, a instabilidade emocioal, a violência, as doenças.
Nas últimas 26 ou 30 semanas, até ao nascimento o feto (a futura criança em crescimento no ventre da mãe) acelera o seu desenvolvimento de maneira rápida
e activa. Trata-se do estágio fetal que finaliza o processo da gestação.
Neste estágio todos os órgãos corporais e suas funções ficam prontos para a ocorrência do nascimento. É identificável o sexo do feto.
9 meses Já quase pronto para nascer o bebé já se comporta: respira, flexiona o corpo e seus membros, olha, engole, chupa os dedos, articula os dedos dos pés e das
depois mãos, regista pulsações cardíacas
Ë diferenciável o comportamento dos fetos em função do sexo.
Os sentidos gustativo, olfactivo, tactil, visual e auditivo estão suficientemente desenvovidos para o momento do nascimento.
Corpo com cerca de 30cm de extensào e 1,35kg de peso.
02 Nascimento O nascimento do bebé ocorre em quatro estágios: no primeiro, registam-se as contracções uterinas que se intensificam à medida que se aproxima o momento
em que o feto será expelido devido à dilatação do córtex e ao esforço que a mãe faz no processo; no segundo estágio, como consequência da total dilatação
do córtex e do contínuo esforço da mãe o bebé emerge completamente para o exterior, ocorrendo assim o seu nascimento; no terceiro estágio a placenta e o
cordão umbilical que durante todo o período da gestação mantiveram o bebé vitalmente ligado à mãe são expelidos do corpo dela; no quarto e último estágio,
com o fim do trabalho de parto a mãe repousa para se recuperar sobre observação médica.
43
Em média, o bebé recém-nascido inicia a sua vida com cerca de 45cm de estatura e 3 kg de peso, havendo ligeiras diferenças entre meninos e meninas sendo
eles mais compridos e pesados que elas
Durante o primeiro mês de vida o bebé passa por um período de transição (o período neonatal), da vida uterina que levava no vertre da mãe para uma vida
autónoma no meio ambiente sócio-cultural, até à sua morte. Neste período o bebé perde algum peso voltando a recuperá-lo algumas semanas depois.
Os sistemas corporais (respiratório, circulatório e gastrointestinal), a regulação da temperatura e o sistema nervoso central (cérebro e medula espeinal)
funcionam plenamente.
O bebé tem um relógio biológico que regula os seus ciclos de sono, vigília e actividades (alimentação, eliminação e humor). Estes estados parecem ser inatos
uma vez que todos os recém-nascidos de qualquer sociedade ou cultura vivem a mesma situação, havenndo algumas variações individuais em termos de
duração dos mesmos.
Os comportamentos do bebé são genericamente reflexivos que vão diminuindo com o crescimento e à medida que ele vai adquirindo competências no
controle dos seus movimentos corporais.
Neste início de vida o bebé não tem nenhum conhecimento e nenhuma experiência, mas capacidades e estrutura cognitiva para experimentar, adaptar-se e
paricipar activamente na transformação dos meios físico e sócio-cultural em que vive.
44
Estágios do Desenvolvimento Aspectos do Desenvolvimento
Nr
Período Faixa etária Físico-motor Cognitivo Linguagem Psicossocial
O crescimento físico e o desenvolvimento
motor do recém-nascido ocorrem As capacidades sensório-motoras do bebé
normalmente dentro dos princípios céfalo- tornam-se mais elaboradas com o Suas bases de desenvolvimento psicossocial estão
caudal e próximo-distal. crescimento deixando de se comportar na directamente ligadas com as emoções, o
O crescimento e desenvolvimento de base de reflexos mas sim para a satisfação temperamento e as experiências de vida com os
todos os sistemas e órgãos corporais é de necessidades orientadas para um pais e outras pessoas significativas.
Começa a comunicar-se gesticulando e,
rápido, principalmente no primeiro ano, objectivo. A expressão das emoções relaciona-se com a
progressivamente, balbuceia, imita sons
mas decrescendo nos dois anos seguintes. Desenvolve as capacidades de observação maturação do cérebro e os desenvolvimentos
linguísticos, soletra palavras simples e a
O bebê é totalmente dependente dos pais e e imitação simplificada de gestos e cognitivo e da autoconsciência.
primeira palavra, com uma ideia completa,
outros para se locomover, se alimentar e palavras das pessoas mais crescidas e Exprime as suas emoções através do choro, do riso
surge entre os 10 e 14 meses dando início
cuidar da sua higiene. próximas. e do sorriso.
com o seu discurso linguístico.
Com o evolutivo amadurecimento da Nomeia e manipula objectos cada vez A amamentação é um factor chave no
Desenvolve a linguagem a partir do
estrutura orgãnico-mental, a criança mais complexos dando-lhes algum fortalecimento da relação entre mãe e filho.
manuseio concreto de objectos a partir dos
aprende a locomover-se, a se sentar, a significado e funcionalidade social. Desenvolve aspectos básicos de responsabilidade e
quais estabelece relações de causa e efeito
gatinhar, a andar, a segurar os objectos Práticas e hábitos de escuta e discurso de independência; é activa explorando e
da sua realidade sócio-cultural.
com mais vigor e a coordenar os seus coerentes, leitura e escrita se desenvolvem compreendendo o mundo à sua volta e distingue as
Todos os dias aprende novas palavras. Esta
movimentos corporais. a partir da exposição a estimulos acções permitidas das não permitidas.
competência vai evoluindo
As capacidades sensoriais da criança audiovisuais directos e activos como A criança é egocêntrica por não compreender que
1ª Infância
45
O crescimento físico aumenta lentamente
do que no estágio anterior.
Os meninos são, ligeiramente, mais altos,
pesados e musculosos do que as meninas.
A primeira dentição está completa e os
sistemas corporais (muscular, ósseo,
nervoso, respiratório, circulatório,
Pré- 3 digestívo e imunitário) amadurecem Reduz gradulamente o seu egocentrismo
2ª Infância
Esco aos muscular, estatura e peso semelhantes. Aumenta a importância dos amigos e do
05
lar 12 As diferenças entre meninos e meninas professor como modelos de vida havendo
anos em termos de força física, formato uma percepção inversa em relação aos
coporal, timbre de voz, preferências pais e familiares directos.
sociais e outros atributos acentuam-se Desenvolve percepções pessoais,
progressivamente devido ao contínuo positivas ou negativas, sobre seus auto-
crescimento e aos incentivos sociais em conceito, auto-imagem e auto-estima a
relação aos papéis de género. partir das comparações que faz de si com
os outros com os quais se identifica nas
relações interpessoais.
Regista uma instabilidade no crescimento
caracterizada por intensas e
desproporcionais transformações físicas e
12
psicológicas.
Pré- aos
06 É o início da puberdade, tanto nos
adolescência 14
meninos como nas meninas, período
anos
caracterizado pelo rápido crescimento
corporal e amadurecimento dos órgãos
sexuais.
07 Adolescência 14 As mudanças e as diferenças físicas e Nos meios familiar, escolar e social as
aos psicológicas entre meninos e meninas responsabilidades, em termos de
46
direitos e deveres, com características
distintas para cada sexo, tendo em conta
os factores biológicos e sócio-culturais.
A realização de actividades em função
do grupo de amigos ganha um grande
destaque em detrimento do interesse
familiar.
Os amigos passam a ser o modelo de
21 tornam-se mais intensas, nítidas e vida e não os pais, vistos anntes como
anos observáveis. seus grandes heróis.
O desafio e o questionamento das
regras sociais passa a constituir uma
orientação na sua maneira de ser e estar,
dentro da ilusão da possibilidade de
provocar mudanças na sua sociedade e
no mundo.
O interesse pela cultura física, estética
corporal e
47
[Link]. Teorias do Desenvolvimento Humano
Desde a atiguidade até aos dias de hoje, o homem tem vindo a efectuar vários e complexos
estudos sobre a sua natureza, a sua constituição e a sua relação com o meio em que vive. Mesmo
considerando as valiosas descobertas científicas alcançadas ao longa história da pesquisa humana
muitas dúvidas, inquietações e insertezas persistem sobre o seu conhecimento real. Nesse
processo foram criadas teorias, formuladas metodologias e produzidos instrumentos apropriados
para se construir o conhecimento sobre o homem. Das muitas teorias já elaboradas pela
humanidade, aqui serão apresentadas algumas através das quais se explica como ocorre o
desenvolvimento humano em todas as sociedades, numa perspectiva biossocial. Em seguida, de
maneira resumida, são apresentadas as teorias do desenvolvimento humano elaboradas por Jean
Piaget e Sigmund Freud.
[Link].1. Teoria do Desenvolvimento Cognitivo
Jean Piaget foi um epistemólogo suíço que até hoje é considerado o principal estudioso das
questões relacionadas com o desenvolvimento mental da criança, particularmente no que diz
respeito ao pensamento e ao conhecimento (cognição).
Fazendo observações sistemáticas e questionando os comportamentos e as respostas dos seus
filhos e outros meninos Piaget descobriu a lógica da construção do pensamento e do
conhecimento pelas crianças. Assim criou a teoria do desenvolvimento cognitivo.
Na sua teoria Piaget descreve que, universalmente, a criança é um ser orgânico e activo, que está
em contínuo crescimento e com inteligência ou capacidades inatas para se adaptar às
características do seu meio socioambiental.
A teoria peagetiana postula também que o processo de desenvolvimento cognitivo ocorre em
estágios qualitativamente diferentes sendo que, em cada um deles, a criança apresenta novas
maneiras de pensar, operar e lidar com o ambiente. Neste continuum desenvolvimental, em cada
um dos estágios, ou seja, na interação entre o organismo (criança) e o meio socioambiente
ocorrem os mecanismos de organização e adaptação do aparelho cognitivo da criança.
a) Organização
À medida que a criança interage com o meio vai construíndo um conjunto de ideias complexas
sobre ele, denominado esquemas mentais que estão relacionados com a maneira física e sensorial
como todas as crianças agem para lidarem com uma dada situação da realidade social.
Os esquemas mentais são estruturas cognitivas que se referem, por exemplo, ao olhar (esquema
de olhar), apanhar (esquema de apanhar), segurar (esquema de segurar) etc. Neste processo de
construção do conhecimento sobre a realidade a partir de situações simples, a criança vai criando
48
e categorizando esquemas mentais mais complexos podendo daí observar, analisar, raciocinar,
comparar, deduzr e tomar decisões.
b) Adaptação
Na sua relação com o meio, quando a criança sai bem sucedida de um esquema simples para
outro mais complexo, diz-se que ela se adaptou à nova realidade social, à nova informação, isto
é, construíu um novo conhecimento. No entanto, uma vez que o conhecimento é dinâmico e
requer a integração de outros novos conhecimentos para se ampliar, a adaptação vai se recorrer
dos princípios de assimilação, acomodação e equilibração.
Assimilação
A assimilação é o processo de absorver um novo conhecimento, experiência ou informação em
algum esquema, estrutura cognitiva ou modo de pensamento já existente. Por exemplo, qualquer
aprendizagem para que seja assimilada deve ser integrada num conjunto de outros
conhecimentos e experiências vividos anteriormente.
Acomodação
A acomodação refere-se ao processo de mudança das estruturas cognitivas, ideias ou
pensamentos anteriores face à inclusão de um novo conhecimento. Através da acomodação a
criança reorganiza as suas ideias, melhora as suas habilidades e muda as suas estratégias de se
relacionar com o meio socioambientel.
Equilibração
Devido à necessidade de se ajustar à sua realidade social, o organismo da criança está
permanetemente em mudanças nos seus processos de assimilação e acomodação, buscando o
equilíbrio ou a coerência social. A equilibração será então o processo pelo qual a criança luta
para alcançar um entendimento total do mundo que a rodeia.
Quando fica difícil assimilar e acomodar uma nova experiência a criança reestrutura os seus
padrões mentais até alcançar o equilíbrio, ocorrendo assim o seu gradual desenvolvimento
cognitivo de estágio em estágio. Para explicar esta dinâmica Piaget criou os seguintes quatro
estágio de desenvolvimento cognito: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e
operatório-formal. As características de cada um deles estão descritas na Tabela 03, abaixo.
[Link].2. Teoria do Desenvolvimento Psicossexual
No início do século XX, Sigmund Freud, médico neurologista e judeu-austríaco, criou a Teoria
do Desenvolvimento Psicossexual denominada também por Teoria da Personalidade, Teoria
Psicanalítica ou, simplismente, Psicanálise.
49
A Teoria Psicossexual tem uma abordagem terapêutica e seu objectivo é fazer com que as
pessoas se sintam curadas ao conhecerem os conflitos emocionais e inconscientes causados por
experiências traumáticas reprimidas durante a infância.
A teoria freudiana está especificamente orientada para explicar como ocorre o desenvolvimento
da personalidade, em dois processos maturacionais, ou seja, através do desenvolvimento do ego
(eu) que representa o amadurecimento cognitivo e o desenvolvimento psicossexual, que exprime
o amadurecimento afectivo.
Diz Freud que em cada pessoa, a personalidade é formada nos primeiros anos de vida como
consequência dos conflitos entre os impulsos biológicos inatos e as exigências da sociedade.
Estes conflitos ocorrem no decurso dos cinco estágios evolutivos da personalidade que são: Fase
Oral, Fase Anal, Fase Fálica, Fase da Lactência e Fase Genital. As características de cada uma
destas fases estão descritas na Taleba 03, que abaixo é apresentada, resumidamente.
50
Tabela 03
(Teorias do Desenvolvimento Humano)
Teorias de
Teóricos Estágios Faixas Etárias Descrição
Desenvolvimento
Durante o seu crescimento o bebé torna-se, gradualmente, capaz de organizar actividades em relação ao ambiente
Sensório-motor 00 aos 2 anos
através de actividades sensoriais e motoras.
A criança desenvolve um sistema de representações e usa símbolos para representar pessoas, lugares e acontecimentos.
Pré-operatório 02 aos o7 anos
A linguagem e o jogo simbólico são manifestações importantes neste estágio.
Cognitivo Jean Piaget
Logicamente, a criança pode resolver problemas se estiverem focalizados no aqui e agora. Não está em condições de
Operatório-concreto 07 aos 12 anos
pensar de maneira abstracta.
A partir da adolescência a pessoa já pensa duma forma abstracta, lida com situações hipotéticas e pensa sobre
Operatório-formal 12 à Idade Adulta
possibilidades.
Sociocultural Lev Vygotsky
As principais fontes do prazer do bebé são a boca, a língua e os lábios satisfeito através da sucção e da alimentação.
Fase Oral 00 aos 18 meses
Seu principal apego é a mãe que o proporciona prazer através da boca.
A zona de gratificação passa a ser a região anal pela qual a criança retém e elimina as fezes. O sucesso pela passagem
Fase Anal 18 meses aos 03 anos desta fase será reforçado pela postura dos pais na orientação do treino esfincteriano, levando a criança a expelir a urina
e as fezes no momento e lugar certos.
Sigmund
Psicossexual A criança liga-se ao pai do sexo oposto e, depois, identifica-se com o do mesmo sexo. O centro de satisfação são os
Freud Fase Fálica 03 aos 06 anos
órgão genitais.
É um período de relativa calmia dos impulsos de desenvolvimento. A satisfação do crescimento ocorre atrás do
Fase de Lactência 06 aos 12 anos
desenvolvimento intelectual e do investimento nas actividades e habilidades escolares.
Fase Genital 12 à Idade Adulta É tempo de maturação da intimidade e sexualidade adulta.
Confiança Básica x Através da mãe ou do seu educador principal o bebé desenvolve o sentido do mundo ser um lugar bom e seguro,
00 aos 18 meses
Desconfiança cultivando como virtudes o apego e a esperança.
Autonomia x Dúvida A criança desenvolve o equilíbrio e a sua independência sobre suas habilidades físicas e esfincterianas evitando a
18 meses aos 03 anos
(Vergonha) vergonha e a dúvida. Cultiva a vontade como virtude.
A criança desenvolve a iniciativa quando tenta fazer coisas novas assertiva e agressivamente, mas preocupada em
Iniciativa x Culpa 03 aos 06 anos
exprimir a culpa. A virtude cultivada é a finalidade.
Mestria (Deligência) x A criança adquire competências e normas básicas da cultura e habilidades escolares ou enfrenta sentimentos de
06 aos 12 anos
Inferioridade incompetência. A virtude desenvolvida é a competência.
Psicossocial Erik Erikson Identidade x Confusão de O adolescente deve determinar o sentido do seu self (eu), fazer a sua escolha profissional e adquirir uma identidade
12 aos 20 anos
Identidade sexual adulta ou então sentirá confusão no desempenho de papéis. A virtude cultivada é a fidelidade.
A pessoa busca estabelecer compromissos e relacionamentos íntimos como casar e formar família. Se ficar mal
Intimidade x Isolamento 20 aos 35 anos
sucedido poderá sofrer de isolamento e auto-absorção. Como virtude desenvolve o amor.
O adulto maduro está preocupado com a realização e criatividade profissional e na confirmação e orientação da
Criatividade x Estagnação 35 aos 60 anos
geração seguinte ou então sentirá um empobrecimento pessoal. Desenvolve como virtude os cuidados.
Os mais velhos aceitam o seu próprio self, a vida corrente e a morte ou então o desespero sobre a incapacidade de
Integridade x Desespero + de 65 anos
reviver a vida, cultivando como virtude a sabedoria.
51
Teorias de Faixas
Fundadores Estágios Descrição
Desenvolvimento Etárias
Orientação para a punição e para a obediência:
As crianças obedecem às regras dos outros para evitarem a
Estágio 1
punição. Valorizam a obediência porque sabem que os adultos
Moralidade As crianças, sob controlo externo, têm mais poder.
Nível 04 aos
Pré- obedecem às regras para evitarem a Individualismo, orientação instrumental e intercâmbio:
I 10 anos
Convencional punição ou para serem premiadas. As crianças submetem-se às regras devido a interesses
Estágio 2 pessoais e a consideração pelo que os outros podem fazer por
elas em troca. O que é bom para elas é o que lhes proporciona
resultados agradáveis.
Manutenção das relações mútuas, aprovação dos outros, a
regra de ouro:
Estágio 3 As crianças querem agradar e ajudar os outros. Podem julgar
As crianças internalizam os padrões das as intenções dos outros e desenvolver as suas próprias ideias
Lawrence
Moral Nível Moralidade 10 aos autoridades, preocupadas com o como acerca do que é ser boa pessoa.
Kohlberg
II Convencional 13 anos ser ”bom”, como agradar aos outros e Preocupação com sistema e consciência sociais (lei e
como manter a ordem social. ordem):
Estágio 4 As crianças estão preocupadas com o seu próprio dever,
mostrando respeito pela autoridade e mantendo a ordem
social.
Moralidade do contrato social, dos direitos individuais e
da lei aceite democraticamente:
Estágio 5 Os adolescentes reconhecem os conflitos Os adolescentes pensam em termos racionais, valorizando a
Moralidade
Nível + de 13 entre padrões morais e o seu próprio vontade da maioria e o bem-estar da sociedade. Normalmente,
Pós-
III anos julgamento com base em princípios de vêem estes valores como melhor apoiados pela adesão à lei.
Convencional
certo e errado e de igualdade e justiça. Moralidade dos princípios éticos universais:
Estágio6 As pessoas agem segundo os seus padrões internalizados,
sabendo que se condenariam a si próprios se não o fizessem.
Fontes: Bee (1996), Biaggio (1988), Papalia & Olds (2000) e Papalia, Olds & Feldman (2001).
52
[Link]. O Processo de Socialização Hunana
As interações que ocorrem entre a hereditariedade e o meio ambiente, ao longo de todo o
processo de desenvolvimento humano, ganham consistência com a socialização do indivíduo. É
ela que o faz pertencer a um grupo social específico. Também fá-lo participar activa e
efectivamente na transformação da sociedade de que faz parte.
A socialização refere-se a todas as práticas sociais através das quais todo ser humano aprende,
assimila e vivencia valores, normas, regras, crenças, princípios, códigos, rituais, costumes e
demais atributos sociais que são preservados e transmitidos de geração em geração.
No processo de socialização, que inicia na infância e decorre ao longo de toda a via, o indivíduo
aprende a desempenhar papéis sociais que os vai exercer nos diferentes contextos familiar,
escolar, comunitário e profissional.
[Link].1. Expectativas de Papéis
Todas as sociedades, com o processo de socialização dos indivíduos que a compõem,
desenvolvem expectativas em relação aos papéis que irão desempenhar integrados nos seus
diferentes grupos e contextos sociais. Os papéis são determinados em função da idade, do sexo
e da posição social que o indivíduo ocupa no seu grupo social.
Todas as pessoas, desde que nascem até que morram, são educadas conforme o seu sexo. As
expectativas sociais que se constroiem em relação aos homens são de que nos seus actos eles
sejam virís, incisivos, competitivos, arrojados, ambiciosos, persistentes, aventureiros,
inteligentes, lógicos, racionais, etc. Das mulheres espera-se que sejam carinhosas, tolerantes,
gentís, calorosas, expressivas, emotivas, meigas, ordeiras, cuidadosas, etc. Guiados por estas
expectativas os pais educam os seus filhos na base dos papéis de género que devem exibir nos
seus contextos de vida.
Em todas as culturas a diferenciação sexual inicia no nascimento e prolonga-se pela vida à fora.
O uso dos tipos de roupas, brinquedos, jogos, linguagem e outros são estimulados conforme as
características específicas de cada sexo.\ e assim se determinam as expectativas de papéis em
relação ao sexo.
No processo de socialização as expectativas de papéis podem também ser determinadas em
função da posição que cada indivíduo ocupa no seu grupo social. Tal papel pode ser mutável
conforme a situação ou contexto.
As expectativas de papéis de um pai, mãe e filho ou filha são restritas ao grupo familiar ao qual
pertencem perante a sociedade. Contudo, os mesmos na escola, no local de trabalho, na igreja,
53
no grupo associativo, no lazer, na rua e noutros lugar qualquer desempenham papéis
caracteísticos desse lugar.
As expectativas de papéis, construídas socialmente, comprovam que o ser humano está contínua
e permanentemente em processo de desenvolvimento e socialização desempenhando papéis
distintos em contextos distintos.
[Link].2. Tipos de Socialização
Discutiu-se já que a socialização humana refere-se à interiorização pelo indivíduo dos valores
culturais do grupo social ao qual pertence. Existem dois tipos de socialização: a primária e a
secundária.
a) Socialização Primária
A socialização primária é aquela que ocorre durante a infância quando a pessoa aprende,
interioriza e exibe as regras, os costumes, a linguagem, as crenças e os valores básicos de
convivência humana similares aos partilhados pelos membros do seu grupo social. É através
dela que a criança constrói a confiança em si mesma e nos outros mais próximos
A socialização primária ocorre na família que é a principal responsável pela iniciação da
educação e formação humana da pessoa. Nesta etapa o indivíduo forma o seu autoconceito e a
sua personalidade pelos quais vai se identificar e se diferenciar de todos os outros humanos.
b) Socialização Secundária
A socialização secundária é toda aquela que ocorre depois da infância, orientada para o
desempenho de papéis nos vários contextos sociais, ou seja, na escola, no trabalho, na igreja,
etc. Através dela o indivíduo estabelece seus relacionamentos com o mundo externo ao da sua
família e, ao mesmo tempo, desenvolve competências para alargar cada vez mais esse
relacionamento visando a sua inserção e participação social efectivas.
[Link].3. Agentes Socializadores
Três agentes sociais são os principais agentes socializadores da criança, nomeadamente, a
família, os amigos e a escola.
a) A Família
A família é a base da socialização primária da criança na qual são satisfeitas as suas
necessidades vitais relacionadas com o carinho, a alimentação, a proteção, a saúde, a educação
e demais factores de sobrevivência pessoal e social.
Nos primeiros meses de vida o bebé não distingue o seu corpo do da sua mãe, sendo ela a fonte
de satisfação de todas as suas necessidades básicas. A mãe o alimenta, o protege e o acarinha,
desenvolvendo nele a confiança básica. Com o crescimento a criança vai descobrindo que ao
54
seu redor não está só. Outras pessoas fazem parte da sua vida: a própria mãe, o pai e os irmãos
(caso os tenha).
Cada um dos pais desempenha papéis sociais específicos orientados para a educação da criança.
A influência paterna estará mais virada para o desenvolvimento das capacidades e habilidades
cognitiva e psicomotora grossa devido às suas atitudes e acções virís e normativas. Por outro
lado, o papel materno será mais de natureza afectiva e psicomotora fina, que moldará a criança
para ser mais afectuosa, tolerante, estética, respeitosa, delicada, etc.
b) Os Amigos
O grupo de amigos ou pares ganha maior importância na socialização à medida que a criança
vai crescendo. Através das suas relações de amizade as crianças vão desenvolvendo
conhecimentos e competência de convivência socialmente desejáveis em função do sexo e da
idade.
Os relacionamentos que são estabelecidos na base da amizade cultivam nas crianças os
sentimentos de identidade e de pertença a um grupo. Desta maneira elas aprendem a
desempenhar outros papéis para além dos de filho, irmão, neto e primo.
Nas brincadeiras, imitando as acções educativas e profissionais dos pais e outros adultos, as
crianças ainda muito cedo, vão se posicionando na estrutura social como sujeitos válidos e
participativos no desenvolvimento das suas famílias e comunidades. Com o crescimento elas
vão conquistando alguma autonomia e fazendo julgamentos dos papéis dos pais e dos adultos
no processo socioeducativo global.
c) A Escola
Diferentemente dos processos de socialização orientados nas famílias e nos grupos de pares que
são não-intencionais e informais, a socialização escolar é por natureza intencional podendo ser
formal ou não-formal.
Depois da família, a escola é o segundo mais importante agente socializador da criança. É ela
que fornece ao indivíduo os conhecimentos e as competências necessárias para a sua inserção
na vida social activa e produtiva.
As competências e habilidades sociais que o indivíduo deve desenvolver estão
cronologicamente organizadas num programa curricular cujo cumprimento está
responsabilizado a um professor para um determinado número de alunos.
Na escola o professor é o principal agente socializador usando para tal estratégias, métodos e
técnicas apropriadas visando a facilitação da aprendizagem ou a socialização desejável dos seus
alunos. Neste processo espera-se que o aluno adquira e aplique no seu contexto de vida
socioprofissional (para o bem pessoal e social) os conhecimentos e as competências de leitura,
escrita e raciocínio lógico-matemático.
55
A socialização do aluno para uma vida profissional e sociocultural activas através da escola
deve estar intrinsecamente relacionada com a aquisição e vivência das competência do aprender
a aprender, a fazer a conviver e a ser.
Como principal agente socializador na escola, em todas as actividades em que esteja envolvido,
o professor deve ser permanentemente estimulado para que assuma atitudes e comportamentos
ético-profissionais exemplares para toda a comunidade escolar.
d) Outros Agentes Socializadores
Para além da família, dos amigos e da escola outros agentes influenciam de maneira notável no
processo de socialização do indivíduo. Trata-se da igreja, dos grupos associativos e dos órgãos
de comunicação de massas (TV, rádio, internet, etc).
O papel socializador da igreja está essencialmente virado para a transmissão de valores morais e
de valorização e respeito pela vida humana.
Nos grupos associativos as pessoas buscam a identidade e pertença a um grupo da sociedade
civil no qual possam se engajar para o exercício da cidadania, ou seja, reivindicando seus
direitos e deveres de participação social.
Com a mundialização da economia e os rápidos acesso e uso das tecnologias de informação os
meios de comunicação tornaram-se num valioso agente socializador. Por exemplo através da
TV e da internet podem ser veiculadas mensagens de carácter educativo e informativo para
pessoas de todas as idades e lugares, no exacto momento em estiver a ocorrer um dado facto.
56
conhecimento de si mesma (autoconceito), a sua própria imagem (autoimagem) e a avaliação
de si mesmo (autoestima), através da aprendizagem.
O auto conceito diz respeito à maneira como cada um forma a sua própria personalidade.
Refere-se, especificamente, como a pessoa se constrói a partir da sua autoavalia no que é, no
que é capaz de fazer, no que os outros pensam que é capaz e no que gostaria de ser. É no âmbito
deste dinamismo de se autoconhecer que a pessoa adopta papéis que a sociedade espera que ele
os assuma e os execute com competência e habilidade.
A autoimagem tem a ver com a visão que a pessoa tem de si mesma construída a partir da
estimulação social, de experiências passadas e das expectativas pessoais. Através dela a pessoa
avalia as suas competências cognitivas, afectivas e psicomotoras, bem como os seus
sentimentos, as suas percepções e as suas caracterrísticas físicas. A avaliação que a pessoa faz
de si parte da avaliação que os outros mais próximos fazem dela mesma.
A abordagem da Aprendizagem Humana, principal foco deste Manual é feita para que seja
entendida a sua dinâmica associada aos processos sociais e ambientais que influenciam de
maneira directa o aprender de cada um. Nesta secção são trazidos para discussão o conceito de
aprendizagem, a sua transferência após adquirida, os pré-requisitos para que ela ocorra de
forma eficaz, os seus produtos, a forma como as crianças aprendem, as suas variáveis e as suas
caracterísricas dinâmicas.
57
[Link]. Conceito de Aprendizagem
A aprendizagem ou o processo de aprender é intrínseco à natureza humana. Quer isto dizer que
todo e qualquer ser humano é potencial e permanentemente aprendiz. Duma maneira
intencional ou não o homem está continuamente a aprender.
A aprendizagem envolve o homem em todos os lugares onde quer que esteja (em casa, na
escola, na igreja, no serviço, no jardim, no lazer e em todo e qualquer evento desportivo,
cultural e recreativo, individual ou colectivo), em todas as suas realizações e em todas as
circunstâncias, sejam elas difíceis, dolorosas ou gratificantes. A aprendizagem pressupõe,
principalmente, a tomada de consciência dos estímulos do meio para uma tomada ou mudança
de atitude e de comportamento, ou ainda para uma tomada de decisão.
A aprendizagem humana é influenciada por uma combinação dinâmica de factores hereditários
(inatos) e ambientais. Os primeiros são intrínsecos ao homem e são determinados pela
maturação orgânica. Os ambientais são de natureza físico-social e extrínsecos ao homem. São
estes os principais causadores dos comportamentos aprendidos, ou da aprendizagem, ao longo
do processo de socialização.
A aprendizagem ou o aprender é aqui definido como o processo determinado por mudanças ou
modificações relativamente permanentes do comportamento, resultantes da experiência prática
directa ou indirecta e da observação da realidade social.
As mudanças relativamente duradoiras que se registam no comportamento pessoal resultantes
da maturação orgânica e aquelas que são temporais originadas pelo consumo de drogas, pela
fadiga e por outras situações semelhantes não são consideradas aprendizagem.
[Link]. Transferência da Aprendizagem
A verificação e a mensuração da aprendizagem são registadas a partir do momento em que o
indivíduo aplica na sua vida corrente e de maneira apropriada os conhecimentos e competências
resultantes de uma situação de aprendizagem, tais como significados, factos, preceitos,
conceitos, hábitos, princípios, habilidades e operações.
Denomina-se transferência de aprendizagem a capacidade que o indivíduo tem de aplicar um
conteúdo aprendido na sala de aula e em outras situações ou contextos da vida prática. A
aplicação de um conhecimento anterior numa aprendizagem presente e desta numa
aprendizagem futura é um processo de transferência da aprendizagem.
A transferência de aprendizagem ocorre quando o que se aprende numa situação problema é
usado em outra igual ou diferente, na escola ou fora dela.
Existem três tipos de transferência de aprendizagemou seja: positiva, negativa e nula.
[Link].1. Transferência Positiva
58
A transferência é positiva quando uma experiência ou um facto anteriormente aprendidos
favorecem a aquisição de novas aprendizagens. Nestes casos há uma coerência entre
aprendizagem, memorização e desempenho positivo. Quer isto dizer que existe uma correlação
positiva entre o que foi aprendido, o que foi memorizado e o que foi aplicado na vida prática.
[Link].2. Transferência Negativa
Diz-se que a transferência é negativa quando uma experiência ou um facto aprendido antes
interfere negativamente na aquisição de uma nova aprendizagem.
[Link].3. Transferência Nula
A transferência é nula ou neutra quando uma experiência anterior não causa nenhum efeito ou
não interfere na aprendizagem de um novo conhecimento ou habilidade.
[Link]. Pré-requisitos para a Aprendizagem
Qualquer que seja a aprendizagem que se pretenda adquirir ou transmitir requer pré-requisitos,
seja ela simples ou complexa. Quer isto dizer que para o indivíduo poder aprender deverão estar
reunidas certas condições prévias e básicas que vão dar suporte e valor ao novo conteúdo. Na
ausência dessas condições a aprendizagem não tem como ocorrer. Um procedimento contrário
pode provocar no indivíduo distúrbios e traumas psicológicos. Deste modo, são pré-requisitos
para a aprendizagem a maturação, a intelegência, a motivação e as experiências passadas:
[Link].1. Maturação
A maturação refere-se ao processo de amadurecimento das estruturas orgânicas do indivíduo
que o levam a poder ter competência para aprender. Ela é um processo porque a pessoa está em
permanente e contínuo crescimento ao longo das diferentes e evolutivas faixas etárias.
Na maturação ocorrem diferenciações estruturais e funcionais neuro-fisiológicas do organismo,
levando-o a padrões específicos de comportamentos. É pessoal e, normalmente, todo o ser
humano passa pelas mesmas etapas, havendo variações individuais em relação ao sexo, à idade,
ao ritmo e ao tempo de amadurecimento. Quer isto dizer que a aprendizagem deve ser analisada
tendo em conta as idades biológica e cronológica do aprendente.
O desempenho satisfatório ou não do aluno numa dada actividade escolar é determinado pelo
amadurecimento da sua estrutura neuro-fisiológica e pelos estímulos do ambiente físico-social.
Deste modo, na aprendizagem, as modificações de comportamento registam-se por causa da
acção educativa, do processamento da informação, da observação, da imitação, do treino e da
experiência sociocultural.
Identificadas as causas endógenas e exógenas do sucesso ou insucesso escolar em cada
aprendente torna-se necessário formular estratégias que permitam a prevenção e a correcção dos
erros escolares detectados, bem como a potenciação das potencialidades, tendo sempre em
perspectiva as idades bilógica e cronológica anteriormente abordadas.
59
[Link].2. Inteligência
A inteligência é a capacidade que o indivíduo tem de julgar, compreender, adaptar-se e tirar
conclusões sobre problemas ou questões com os quais se depara na sua vida diária. Nestes
termos, é inteligente aquele que tem capacidade para aprender, resolver problemas, adaptar-se a
novas situações de vida, ajustar-se ao ambiente e interagir com outras pessoas. A inteligência
difere de pessoa para pessoa de modo qualitativo e quantitativo.
a) Diferença qualitativa
A diferença qualitativa refere-se às áreas ou campos em que a pessoa realiza alguma actividade
com autonomia, segurança, rapidez e assertividade. Assim, a inteligência pode ser abstracta,
mecânica e social.
Na inteligência abstracta a pessoa tem facilidade de lidar com conteúdos, palavras, números,
fórmulas, diagramas, códigos, etc. Na inteligência mecânica o indivíduo lida com extrema
facilidade com dispositivos mecânicos e com todas as actividades que exigem, basicamente,
uma actividade psicomotora (artes, desporto, engenharia, etc.). Por fim, as pessoas socialmente
inteligentes são hábeis em relacionar-se, adaptar-se e desenvolver laços interpessoais saudáveis
em diferentes contextos socioculturais.
As diferenças qualitativas de inteligência estão directamente associadas a um outro factor
determinante na aquisição da aprendizagem pela criança. Trata-se dos estilos de aprendizagem.
Os estilos de aprendizagem
Os estilos de aprendizagem referem-se às inclinações, aos gostos ou à queda que uma criança
tem por uma determinada área de conhecimento. Assim, a criança desenvolve maneiras próprias
e únicas de explorar este conhecimento que lhe é favorável.
Cabe ao professor saber identificar (através da avaliação contínua) o estilo de cada criança e
valorizá-lo, explorando e transportando as estratégias que ela usa para bem aprender o que
gosta, para o que não gosta ou não tem inclinação, isto é, de fraco domínio. A perspectiva é de
que a criança possa potenciar as suas estratégias de aprendizagem para as áreas que não tem
domínio de modo a reduzir ou, principalmente, eliminar o desconforto, a angústia e o desânimo
advindo delas e aprender melhor, de maneira agradável e com prazer.
b) Diferença quantitativa
Em relação à diferença quantitativa a inteligência pode ser analisada a partir de termos de
comparação dos níveis de inteligência de uma pessoa para outra. Para tal são usados testes
padronizados de inteligência vulgarmente denominados Testes de Inteligência ou Testes
Psicológicos.
Através dos testes de inteligência é determinada a capacidade de desempenho de alguém numa
tarefa de inteligência qualitativa. O resultado desta avaliação é denominado Quoeficiente de
60
Inteligência (QI). Ela é expressa de acordo com os valores de uma escala classificativa e
padronizada.
Os testes psicológicos são muito usados para se determinar o grau de adaptabilidade ou de
desempenho escolar de uma criança.
Nos casos em que o desempenho da criança é avaliado como estando abaixo do normal para a
idade, sexo e contexto e considerada deficiente mental. Em situação inversa, isto é, com
desempenho superior à média a criança é considerada superdotada ou talentosa. Em ambos
casos estamos na presença de crianças com necessidades educativas especiais.
Nas diferenças quantitativas de inteligência podem ser ainda registados os ritmos de
aprendizagem, também determinantes no aprender da criança.
Ritmos de aprendizagem
O ritmo de aprendizagem tem a ver com a velocidade ou o tempo que uma criança leva para
aprender um determinado conteúdo ou para executar uma tarefa. Normalmente, umas crianças
têm sido muito mais rápidas do que as outras na execução das actividades escolares. Muitas
vezes os gestores educacionais, os professores e os pais ou encarregados de educação têm
associado a aprendizagem lenta das suas crianças à deficiência mental o que é uma percepção
errada. Nem sempre significa que a criança que aprende lentamente tenha algum distúrbio a
nível neural. Muitas vezes esta dificuldade é superada gradualmente pela própria criança à
medida que vai avançando no seu crescimento.
Por norma as nossas escolas trabalham na base de um modelo padronizado e homogéneo de
ensino-aprendizagem. As tarefas escolares são as mesmas e executadas no mesmo limite de
tempo para todos. Contudo, os factores individuais de maturação neuro-fisiológica são
esclarecedores de que cada criança tem o seu próprio ritmo e tempo de desenvolvimento mental
e, consequentemente, de aprendizagem dos processos da vida diária e escolar. Para a superação
deste problema cabe ao professor saber usar estratégias de diferenciação e dosagem das
actividades escolares em conformidade com as características de cada criança sem, contudo, pôr
em causa os objectivos de aprendizagem que devem ser os mesmos para todos.
[Link].3. Motivação
Todo o comportamento humano tem uma causa. Quer isto dizer que algum motivo consciente
ou inconsciente leva-nos a agir de uma maneira ou de outra para satisfazermos as nossas
necessidades através da obtenção de algo para a nossa auto-conservação e auto-expressão.
Um motivo ou necessidade refere-se a um estado de tensão, uma impulsão interna, que dirige e
mantém o comportamento humano voltado para um objectivo que é, neste caso, um incentivo.
A motivação procura explicar por que é que o ser humano comporta-se desta ou daquela
maneira em contextos iguais ou diferentes.
61
A motivação refere-se ao comportamento que é causado por necessidades internas do indivíduo
e que é orientado em direcção aos objectos que podem satisfazer essas necessidades ou
motivos.
Satisfeita uma necessidade surge outra, de maneira contínua e infinita. São as necessidades que
dão direcção e conteúdo ao comportamento humano. Quanto mais nos satisfazemos numa acção
maior é a tendência dessa acção ocorrer com mais frequência. Ela leva-nos à gratificação, à
satisfação de um prazer e à manutenção do equilíbrio de vida.
O amor paternal ou conjugal, a amizade, os ganhos materiais, os bons desempenhos escolar e
profissional e os elogios (estímulos sociais positivos) dão ao indivíduo maior confiança em si
mesmo, maior auto-estima e maior desejo de auto-realização.
Quando uma acção humana não é satisfeita provoca tensão, desconforto, desprazer e frustração.
A tendência de ela voltar a ocorrer torna-se mínima. Assim, estabelece-se um desequilíbrio no
estilo de vida do indivíduo.
Todo o comportamento humano é direccionado para a satisfação de um desejo agradável e
prazeroso. Pois, o prazer é individual e cada um possui maneiras peculiares de buscar a
satisfação do seu prazer.
[Link].4. Experiências Passadas
A experiência de vida que o indivíduo tem constitui outro determinante para a aquisição da
aprendizagem.
Durante o período do seu desenvolvimento o indivíduo adquire aprendizagem de significados,
factos, preceitos, conceitos, hábitos e habilidades que em grande medida irão lhe facilitar a
aquisição de novas aprendizagens. Estas experiências passadas ou anteriores são consideradas
favoráveis para um bom encaminhamento do processo de aprendizagem.
Qualquer estímulo positivo que o aluno recebe por desempenhar satisfatoriamente uma tarefa
estimula-o para a fácil e rápida aquisição de novas aprendizagens.
O primeiro contacto que a criança tiver com o seu futuro professor ou futura escola vai ter um
grande impacto no seu desempenho escolar. Dependendo deste contacto ela pode vir a ter uma
fobia ou inadaptação escolar ou então uma relação agradável com ela.
Para que a escola seja de facto aceite pelas crianças que a frequentam precisa ser organizada,
participativa, afectiva e dinâmica na oferta de actividades de interesse delas. Na orientação do
processo de ensino-aprendizagem deve-se ter em conta os conhecimentos culturais, linguísticos
e sociais que cada criança possui pois, ela não é uma “tábula rasa”.
[Link]. Produtos da Aprendizagem
Qualquer processo educativo é mensurado a partir dos resultados ou produtos alcançados pelos
seus alunos no âmbito da implementação de um plano curricular.
62
Embora os produtos da aprendizagem sejam globais em função da natureza humana, dotado de
capacidades cognitivas, afectivas e psicomotoras, eles são analisados duma maneira particular e
integral uma vez que a modificação de um dos produtos influencia os demais. Os produtos da
aprendizagem humana podem ser cognitivos, afectivos e psicomotores.
[Link].1. Produtos Cognitivos
O que evidencia a aprendizagem dos produtos cognitivos são as novas informações e
conhecimentos assimilados pelo aprendente. Eles são de natureza cognitiva e intelectiva, e são
demonstráveis, por exemplo, através da memorização de datas, nomeação de pessoas ou a
compreensão de escritos simples e complexos e a capacidade de sistematizar, avaliar e aplicar
conhecimentos em diferentes contextos de vida. Maior parte dos produtos cognitivos é
constituído por conceitos e princípios.
a) Conceitos
Os conceitos são conhecimentos relacionados com uma classe de objectos, seres vivos e
fenómenos que possuem uma característica comum.
b) Princípios
Os princípios são constituídos por regras, características que determinam certos fenómenos e
conclusões.
[Link].2. Produtos Afectivos
Os produtos afectivos estão relacionados com a capacidade do indivíduo desenvolver um
sentimento valorativo em relação a um ser, objecto, fenómeno. Eles podem suscitar
manifestações emocionais e sentimentos variados em relação aos eventos da realidade social
objectivo ou subjectiva.
[Link].3. Produtos psicomotores
Os produtos motores caracterizam-se por serem observáveis. São descritíveis na base das
manifestações comportamentais humanas.
É observando e mensurando os comportamentos que se obtêm os resultados da aprendizagem
humana.
[Link]. Formas de Aprendizagem
As formas de aprendizagem de conhecimentos, atitudes e comportamentos relacionam-se com
as teorias que explicam como a criança aprende. Referem-se às estratégias que a criança usa e
desenvolve, única e pessoalmente, para aprender algo.
As ciências psicológicas têm realizado amplos estudos para se descobrir como as crianças
aprendem. É importante saber-se de que maneira a criança aprende, o que permite a produção e
o melhoramento dos materiais, programas, conteúdos, métodos e técnicas que possam facilitar
63
cada vez mais a aprendizagem considerando as suas características pessoais do aprendente e a
diversidade do contexto em que ele vive.
Das várias formas de aprendizagem estudadas pelos psicopedagogos são aqui destacadas as
seguintes: aprendizagem por condicionamento, aprendizagem social, aprendizagem cognitiva,
aprendizagem sociocultural, aprendizagem por descoberta, aprendizagem significativa,
aprendizagem reflexiva, aprendizagem centrada na criança e aprendizagem construtivista.
[Link].1. Aprendizagem por Condicionamento
Nos anos 30 do século XX, o norte-americano Burrhus Skinner formulou a teoria da
aprendizagem por condicionamento que até hoje influencia de maneira significativa os
processos e métodos de aprendizagem escolar, em todo o mundo. Os defensores desta teoria
dizem que toda a aprendizagem humana é feita por condicionamento.
A aprendizagem por condicionamento (também denominada por condicionamento operante ou
ainda por ensaio-e-erro), parte do principio de que um comportamento, socialmente desejável,
quando seguido de uma recompensa ou elogio, tende a ser exibido repetida e continuamente.
O condicionamento operante é uma forma de aprendizagem que se estabelece entre a
manifestação do comportamento e a recompensa resultante dele.
Um comportamento socialmente desejado tende a ser estimulado ou reforçado positivamente
(reforço ou estímulo positivo) para que seja repetido sempre que foi necessário, em condições
apropriadas.
Um exemplo da aplicação do reforço positivo é quando o professor elogia o seu aluno por ter
feito os deveres de casa (TPC). Dada a gratificação do incentivo social recebido, é muito
provável que nas aulas seguintes a criança apresente sempre ao professor o TPC realizado e de
forma correcta.
O comportamento pode também ser reforçado negativamente (reforço ou estímulo negativo)
para que ocorra conforme o desejado. Basta para isso retirar o estímulo que impede que tal
comportamento seja apresentado satisfatoriamente.
Qualquer factor que impede que o aluno aprenda o esperado é um estímulo negativo. Quando
retirado a aprendizagem volta a ocorrer fluentemente e talvez melhor. A falta de afecto pelo
professor, a má definição dos objectivos de ensino, a deficiente selecção dos conteúdos de
ensino e muitas outras situações de sala de aula mal elaboradas constituem reforços negativos
para o comportamento de aprender.
Um comportamento não desejado socialmente é punido para que não seja exibido nunca mais.
A punição (castigo) é a prática mais usada nos meios familiar, escolar e profissional para se
reprimir um mau comportamento. No entanto, ela nunca foi uma estratégia educativa eficaz.
64
Muitas vezes a criança é castigada sem ter consciência do erro que cometeu, ou por o seu acto
ter sido mal entendido.
Uma outra forma de eliminar um comportamento é a extinção. Ela verifica-se quando é retirado
o estímulo reforçador do comportamento.
O que determina a apresentação ou não de um comportamento pela criança são os estímulos
(reforços) que ela recebe do meio sócio-ambiental em vive.
[Link].2. Aprendizagem Social
Nos anos 60 do século passado o canadense Albert Bandura, desenvolveu nos Estados Unidos
da América a teoria da aprendizagem social que enquadra os processos de observação, imitação
e modelação.
Ao observar um seu ídolo ou modelo (pai, mãe, irmão ou um outro alguém admirado) a
comportar-se de uma determinada maneira, de forma verbal (através da fala) ou não-verbal
(através de gestos), a criança vai ter uma maior tendência de imitá-lo. Neste processo os
comportamentos dela vão evoluindo e se modelando, até atingirem a perfeição na sua execução.
Durante a aquisição da linguagem a criança inicialmente balbucia. Com o passar do tempo
começa a emitir algumas palavras ou expressões (sem sentido, destorcidas ou incompletas)
ouvidas dos mais velhos. Com o avanço da sua maturação biológica e a aquisição de maior
competência para aprender a criança, progressivamente, acaba apresentando com eficácia o
comportamento desejado. O mesmo procedimento pode ser observado na aprendizagem da
linguagem escrita e de comportamentos não-verbais.
As principais fontes da aprendizagem social são os ambientes naturais dos relacionamentos
interpessoais, os meios audiovisuais (filmes, programas televisivos, internet, revistas, rádio,
livros...) e outros eventos socioculturais.
Pela aprendizagem social a criança assimila conhecimentos, normas, valores e crenças ao longo
do seu processo de socialização na família, na escola, na comunidade e em outros contextos
sociais. Acredita-se que grande parte das aprendizagens entre os seres humanos registam-se
através da observação e da imitação de modelos.
[Link].3. Aprendizagem Cognitiva
A teoria da aprendizagem cognitiva foi formulada pelo psicólogo suíço, Jean Piaget. Embora
não esteja directamente relacionada com a aprendizagem em si, mas com o desenvolvimento
cognitivo da criança, ou seja, com a aquisição de conhecimento, muitas vezes esta teoria é
apresentada como se fosse da aprendizagem dadas as influências directas e recíprocas que tem
com o desenvolvimento cognitivo infantil.
Segundo a teoria piagetiana os processos mentais ou cognitivos (percepção, memória,
criatividade, linguagem, atenção, julgamento, resolução de problemas e outros) são importantes
65
determinantes do comportamento humano. Quer isto dizer que no contacto permanente com o
meio ambiente a criança recebe dele várias e diferentes informações que as absorve através dos
órgãos dos sentidos. Depois, essas informações são conduzidas para o sistema nervoso central,
através dos neurónios, numa fracção de segundos. Ao chegarem ao cérebro os estímulos são
identificados e processados dando origem aos comportamentos e, em consequência, a aquisição
de conhecimento.
Os defensores da teoria cognitiva da aprendizagem comparam o funcionamento da mente
humana com o de um computador. No computador são introduzidos dados ou informações que
em seguida são processados, gerando novos produtos, os resultados.
[Link].4. Aprendizagem Sociocultural
A aprendizagem sociocultural tem no psicólogo e bielorrusso Lev Vygotsky o principal teórico.
Segundo ele, a criança ao interagir com o seu contexto sociocultural (meio externo) e, depois,
como consequência dessa interacção desenvolve a sua estrutura mental ou cognitiva (meio
interno).
Como ser interactivo, a criança adquire a aprendizagem a partir dos relacionamentos que
estabelece consigo mesma, com a ajuda de outras pessoas próximas e experientes e ainda,
através da influência e acção que exerce sobre o seu meio sociocultural. Como consequência
deste processo ela desenvolve o pensamento e a linguagem.
[Link].5. Aprendizagem por Descoberta
O psicólogo e norte-americano Jerome Bruner, foi quem desenvolveu a teoria da aprendizagem
por descoberta. Ele diz que para que a aprendizagem se efective é necessário que, em primeiro
lugar, a criança esteja preparada ou predisposta para tal. Quer isto dizer que a maturação
biológica e as experiências passadas são factores determinantes para a aquisição do
conhecimento. Em segundo lugar, as condições para que ela aconteça devem ser adequadas. Por
outras palavras, os conteúdos e os materiais para a aprendizagem devem estar preparados e
disponíveis de forma lógica e organizada de modo que a criança possa integrá-los facilmente na
sua estrutura cognitiva.
Ao serem disponibilizados novos conteúdos de aprendizagem (princípios, ideias, problemas,
conceitos) à criança, ela vai organizá-los e explorá-los. Depois, vai estabelecer conexões a
partir de experiências anteriores que a levarão à descoberta de novos conhecimentos a partir de
mecanismos simples para os mais complexos, de maneira evolutiva e em espiral.
Estando a criança envolvida no processo de descoberta da sua própria aprendizagem, o
professor tem a tarefa de motivar, facilitar e mediar tal processo considerando os contextos
social e cultural na qual ocorre.
[Link].6. Aprendizagem Significativa
66
A aprendizagem significativa foi formulada pelo psicólogo David Ausubel, nascido nos Estados
Unidos da América.
Para Ausubel cada indivíduo possui uma estrutura cognitiva organizada de maneira hierárquica.
Ela é constituída por ideias, valores e todos os conteúdos aprendidos ao longo da vida,
encontrando-se integrados na mente. É nesta estrutura que as novas aprendizagens ficam
armazenadas para uma posterior utilização.
Diz-se que a aprendizagem é significativa quando os conteúdos já existentes na estrutura
cognitiva da criança são valorizados e ampliados através da integração e internalizadas das
novas ideias aprendidas dentro ou fora da sala de aula, para posterior utilização no dia-a-dia das
interacções socioculturais.
Quando uma criança aprende algum conteúdo, dentro ou fora da sala de aula, e depois o aplica
na sua vida quotidiana de uma maneira útil, criativa e apropriada, para a melhoria da sua vida
diz-se que a aprendizagem foi significativa.
[Link].7. Aprendizagem Reflexiva
Formado em Psicologia, o norte-americano John Dewey propôs a teoria da aprendizagem
reflexiva. Para ele aprender significa aprender a pensar. Pensar é questionar, investigar,
descobrir, criticar, resolver problemas.
Segundo Dewey a aprendizagem reflexiva é a melhor forma de desenvolver o pensamento e o
desempenho das crianças no contexto sócio-escolar. Por isso, o ensino deve ser activo e
baseado na aplicação de métodos diversificados, favoráveis à facilitação da aprendizagem
permanente.
[Link].8. Aprendizagem Centrada na Criança
Carl Rogers, psicólogo norte-americano, criou o princípio da aprendizagem centrada no aluno.
Para ele qualquer ser humano está em condições de criar oportunidades para se auto-realizar a
partir do processo de aprendizagem, visando o melhoramento das suas capacidades físicas e
mentais.
A forma de aprendizagem proposta por Rogers deve estar centrada no aluno, cabendo ao
professor o papel de facilitador desse processo. Só assim o aluno pode assumir a
responsabilidade de dirigir o seu crescimento pessoal de maneira activa, criativa e
independente.
67
de ver e interpretar a realidade tomando em conta os conhecimentos e experiências adquiridos
anteriormente.
O construtivismo pode ser visto também como uma forma de aprendizagem através da qual a
criança, servindo-se do pensamento e da reflexão sobre as relações interpessoais e as
actividades que estabelece diariamente com o seu meio ambiente, constrói um novo
conhecimento. Esta construção só é possível com o apoio do professor e de outras pessoas,
dentro e fora da sala de aula.
70
Segundo a UNESCO, as Necessidades Educativas Especiais referem-se a toda e qualquer ajuda
pedagógica que crianças, jovens e adultos (excluídos ou não do sistema escolar regular)
necessitam para aprender. Isto é, há uma necessidade educativa especial quando um problema
(físico, sensorial, mental, emocional, social, cultural, ambiental ou qualquer combinação destes
factores) afecta a aprendizagem ao ponto de serem necessários acessos especiais ao currículo e
condições de aprendizagem especialmente adaptadas para que o aluno possa receber uma
educação apropriada.
As necessidades educativas especiais estão relacionadas com as dificuldades de aprendizagem
apresentadas por qualquer aprendente. Quer isto dizer que qualquer criança, ao longo do seu
processo de escolarização pode sentir algum desconforto ou problema para assimilar algum
conteúdo, resultando daí o seu baixo, parcial ou global desempenho. Conclui-se, então, que
todo e qualquer aluno tem, potencialmente, necessidades educativas especiais.
Existem dois grandes grupos de crianças e jovens com necessidades educativas especiais: as
permanentes e as transitórias:
São transitórias as necessidades educativas especiais que ocorrem num período de tempo
relativamente curto. São aqui enquadradas as crianças e jovens que apresentando habitualmente
rendimento escolar regular ou acima da média, de maneira progressiva ou abrupta,
experimentam dificuldades para aprender.
71
Há diferentes tipos de necessidades educativas especiais identificadas em crianças e jovens de
qualquer idade, sexo e sociedade, cujas características de desenvolvimento interferem de
maneira incisiva na aprendizagem.
Sem pretenção de se fazer um levantamento exaustivo a seguir são apresentados alguns tipos de
necessidades comumente descritos pela literatura especializada, nomeadamente:
a superdotação e o talento;
as dificuldades de aprendizagem;
as deficiências (mental, visual, auditiva, físico-motora e múltiplas);
a síndrome de down;
a síndrome de asperger;
o autismo;
a paralesia cerebral;
os problemas de linguagem e fala;
o traumatismo craniano;
os distúrbios emocionais ou psicossociais; e
os problemas de saúde.
[Link].3. Causas das Necessidades Educativas Especiais
De modo geral, as necessidades educativas especiais são causadas por uma isolada ou
combinada multiplicidade de factores congénitos (hereditários) e ambientais.
Grande parte das necessidades especiais permanentes tem causas congénitas e ambientais
identificáveis e originadas, respectivamente, pela má formação dos genes, deficiente
funcionamento hormonal e acidentes intra-uterinos e, pela deficiente nutrição e consumo
impróprio de drogas pela gestante.
As necessidades especiais transitórias têm causas ambientais e provêem, em grande medida de
acidentes humanos e naturais, de interações e eventos sociais pobres e outros factores múltiplos
e difusos.
Na Tabela 04 abaixo são apresentadas, de forma resumida, algumas causas das necessidades
educativas especiais permanentes e transitórias.
Tabela 04
(Causas das Deficiências)
Necessidades Educativas Especiais
Permanentes Transitórias
Causas Congénitas
Ambientais Ambientais
(Hereditárias)
Má formação dos Deficiente nutrição e Acidentes humanos e naturais;
genes; consumo indevido de Guerras e violência doméstica;
Deficiente drogas pela gestante; Deficiente nutrição e consumo
funcionamento Doênças infecciosas;e impróprio de drogas pela criança;
hormonal; Outras. Pobreza extrema;
Acidentes intra- Exclusão social e escolar;
uterinos; e Discriminação determinada por
Outras. dierenças individuais (raça, sexo,
religião, status social, étnico-
linguísta...); e
72
Outras.
Tanto para as necessidades especiais permanentes, como para as transitórias, há, na verdade,
uma infinidade de factores adversos que podem concorrer para que uma criança baixe de
rendimento escolar. Nem todos eles são de fácil identificação e controle pelos professores,
gestores educacionais e pais ou encarregados de educação. Surge daí a necessidade de se
estabelecerem parcerias entre a escola, a família e a comunidade visando o desenho e aplicação
de estratégias que concorram para o alcance do sucesso escolar de toda e qualquer criança e
jovem, esteja ele dentro ou fora da escola.
[Link]. Atitudes Favoráveis à Escolarização de Crianças e Jovens com Necessidades
Educativas Especiais
Nas sociedades contemporâneas a escola regular é, por excelência, o melhor lugar convencional
onde toda e qualquer criança e jovem, sem nenhum tipo de discriminação, devem receber a
educação formal, principal plataforma de desenvolvimento pessoal e social.
É através da escola regular que qualquer indivíduo se estrutura e se valoriza ao adquirir
conhecimentos e competências essenciais para poder aprender, fazer, conviver e ser na vida em
sociedade. Para tanto, ela deve se reestruturar, no seu todo, de modo a ser flexível visando a
satisfação das necessidades básicas de aprendizagem, sejam elas pessoais e ou colectivas.
Em todo decurso da escolarização cabe ao professor tomar a liderança que lhe compete,
desenvolvendo empatias, métodos e estratégias de orientação escolar para todos os alunos,
particularmente dos que têm necessidades educativas especiais.
Na sala de aula inclusiva o professor deve personalizar a relação pedagógica, previlegiando
relações carinhosas entre os alunos e entre eles e ele. Nunca deve perder de vista de que a chave
do sucesso escolar de qualquer criança e jovem é o carinho. Deve com isto aceitar qualquer
aluno tal como ele é, na sua condição de ser diferente.
A maneira de o professor se dirigir e se comunicar com todos os alunos, individual e
colectivamente, deve ser exemplar e educativa de modo a estimular o desenvolvimento de
relacionamentos e atitudes de respeito, de conhecimento mútuo, de tolerância e de cooperação.
Todos alunos devem ser informados pelo professor, com clareza e sem preconceitos, das
características pessoais e das condições de aprendizagem de cada aluno.
Os métodos e estratégias de ensino-aprendizagem que o professor for a aplicar na sala de aula
devem ser participativos o que requererá dele criatividade na tomada de atitudes favoráveis e na
aplicação de técnicas apropriadas à satisfação das necessidades de aprendizagem de todos os
alunos. Quer isto dizer que as atitudes e as técnicas de que o professor deve se dispor deverão
flexibilizar a sua prática de bem ensinar fazendo com que qualquer aluno aprenda
independentemente das suas características pessoais, bem como das condições de ensino e
73
aprendizagem oferecidas localmente. Por exemplo, qualquer professor deve estar preparado,
psicológica e tecnicamente, para dar aulas debaixo duma árvore, a uma turma numerosa e que
tenha alunos com necessidades educativas especiais.
O envolvimento dos pais e encarregados de educação na escolarização dos seus filhos ou
educandos deve ser activo. É pertinente que sejam os primeiros a terem atitudes positivas em
relação às necessidades educativas especiais. Para além disso é importante que acompanhem o
rendimento escolar dos seus filhos e educandos. Deverão, também, ser envolvidos na partilha
de informações e ideias sobre os benefícios educacionais da heterogeneidade da classe de modo
a serem eliminadas atitudes preconceituosas e esteriotipadas sobre as necessidades educativas
especiais, dando-lhes espaço para se pronunciarem sobre a nova realidade escolar dos filhos e
educandos.
É importante que alunos, professores, pais, encarregados de educação e toda a comunidade que
envolve a escola usufruam os benefícios sociais da participação de crianças e jovens com
necessidades educativas especiais nas escolas regulares pois, ela pressupõe a democratização da
escola, a melhoria da qualidade de ensino, a promoção dos direitos humanos e a construção
duma sociedade igualitária de inclusiva.
[Link]. Sumário
O desenvolvimento humano refere-se aos diferentes estágios maturacionais geneticamente
programados que o ser humano apresenta durante o seu amadurecimento orgânico e mental. Ele
inicia na gestação na qual o zigoto (óvulo fecundado pelo espermatozóide) se transforma em
embrião e este, depois, em feto. Os princípios céfalo-caudal e próximo-distal regulam a
maturação humana.
74
desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, do desenvolvimento sociocultural de Lev Vygotsky,
do desenvolviemento psicossexual de Sigmund Freud, do desenvolvimento psicossocial de Erik
Erikson e do Desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg.
A socialização refere-se a todas as práticas sociais através das quais todo ser humano aprende,
assimila e vivencia valores, normas, regras, crenças, princípios, códigos, rituais, costumes e
demais atributos sociais que são preservados e transmitidos de geração em geração. Ela pode
ser primária e secundária tendo como principais agentes socializadores a família, a escola ne os
amigos.
A personalidade refere-se ao conjunto de características psicológias e físicas que são únicas no
indivíduo e que determinam os seus padrões de comportamento, pensamento, sentimento e
outras manifestações sociais particulares. No processo de formação da personalidade, como
resultado da interação com os outros, a pessoa vai construíndo o conhecimento de si mesma
(autoconceito), a sua própria imagem (autoimagem) e a avaliação de si mesmo (autoestima),
através da aprendizagem.
75
Piaget, Aprendizagem Sociocultural de Vygotsky, Aprendizagem por Descoberta de Brunner,
Aprendizagem Significativa de Ausebel, Aprendizagem Reflexiva de Dewey, Aprendizagem
Centrada na Criança de Rogers e Aprendizagem Construtivista de Ferreiro.
As variáveis referem-se a todos os elementos intervenientes e indispensáveis ao processo de
ensino-aprendizagem, tais como objectivos, conteúdos, materiais, características do aluno,
características do professor, interacções na sala de aula, ambiente escolar e as relações entre
família, escola e comunidade.
Todas estas variáveis devidamente formuladas, constituídas ou orientadas concorrem para uma
positiva aquisição da aprendizagem. A má determinação de apenas uma provoca efeitos
indesejáveis à aquisição da aprendizagem.
76
3.2. Actividades:
A. Na actualidade é cada vez maior o interesse dos gestores educacionais, professores, pais e
demais educadores em conhecerem melhor o ser humano nas diferentes etapas do seu
desenvolvimento. Combinados os factores do desenvovimento e da aprendizagem
humanos, que aspectos essenciais, na qualidade do professor, a ter em conta ao nível:
a) Físico-motor?
b) Cognitivo?
c) Afectivo?
d) Linguístico?
e) Psicossocial?
B. Embora entre desenvolvimento e aprendizagem são conceitos dinâmicos que se
interligam e inter-relacionam mutuamente sendo difícil ou mesmo impossível determinar
onde começa um e termina o outro ao longo do crescimento humano, qual deles é
preponderante para efeitos de transformação qualitativamente superior do comportamento
do Homem?
C. O sucesso da aprendizazem que é ao mesmo tempo sua preocupação como professor
depende essencialmente do uso frequente de deteminados recursos no processo de
interiorização e memorização de conteúdos por parte do aluno. Para esse processo,
indique, pelo menos, dois desses recursos, considerados mais usuais, principalmente, na
aprendizagem da escrita inicial das 1ªs classes do Ensino Primário.
D. Indique a forma da aprendizagem mais adequada que melhor facilita a assimilação da
escrita inicial na escola primária, em que o seu exemplo como professor, nesse processo,
é extremamente necessário.
3.3. Autoavaliação
77
b) Tendo em conta os estágios do desenvolvimento do ser humano, diga segundo sua
análise, o estágio em que se começa com o processo da aprendizagem?
c) Em que faixa etária, em Moçambique, se inicia a aprendizagem escolar e como os
conteúdos estão organizados e distribuídos na escola primária?
d) Aponte dois recursos chave utilizados pelos alunos da 1ª classe na aprendizagem da
escrita inicial, quer de letras, quer de algarismos, tendo em conta que a escrita modelo do
professor, nesse processo, é extremamente necessário.
e) Diga o que fará, na qualidade do professor, em relação a alunos que não poderem
aprender no mesmo ritmo normal com os outros?
78
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Michener, H., DeLamater, J. & Myers, D. (2005). Psicologia Social. São Paulo: Thonson
79
de Ensino. Em segundo lugar disserta-se sobre as Estratégias de Ensino e Aprendizagem e,
finalmente, são discutidos os Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e Aprendizagem.
Antes do desenvolvimento de cada uma das secções desta Unidade Temática torna-se
importante alertar a todos agentes educacionais (professores, formadores, gestores,
planificadores e eleboradores de políticas) que não existe nenhum método, estratégia ou técnica
que suplante a atitude afectiva que se deve ter com todas as crianças e jovens que estejam ou
não em processo de escolarização ou ainda, que tenham ou não necessidades educativas
especiais. Por mais sofisticadas e O carinho e o apego são a chave fundamental do sucesso
escolar de cada criança e jovem aprendentes.
Os métodos, as estratégias e as técnicas de ensino e aprendizagem seleccionados para serem
aplicados devem estar imbuídos de atitudes e prédisposições afectivas e carinhosas dos seus
aplicadores, particularmente, professores e formadores. Eles são os principais meios a serem
utilizados para que os aprendentes possam aprender a aprender em contextos educacionais
heterogéneos dos seus participantes e complexos do ponto de vista sociocultural.
Na análise que é feita sobre os Métodos de Ensino são descritos o seu conceito, as etapas da
execução dos mesmos, apresentada a classificação deles e estabelecidas as relações entre as
aprendizagens activa e passiva.
As abordagem das Estratégias de Ensino e Aprendizagem são feitas de maneira discriminada,
isto é, as primeiras orietadas para os professores e as segundas para os alunos. As Estratégias de
Ensino referem-se aos procedimentos ou técnicas que os professores adoptam para facilitarem a
aprendizagem dos seus alunos. As Estratégias de Aprendizagem estão relacionadas com as
atitudes e comportamentos qua os alunos adoptam para melhor aprenderem.
Finalmente, em relação aos Métodos e Estratégias Especiais de Ensino e Aprendizagem são
abordados assuntos relacionados com os conceitos de cada uma das seguintes deficiências
mental, visual, auditiva, físico-motora e múltipla, apresentando-se também algumas sugestões
educacionais básicas para cada uma delas.
80
4.2. Recursos de Aprendizagem
Pelo método de ensino o professor tem a opção e a liberdade de escolher a direcção que
pretender dar ao processo de ensino para que seus alunos possam aprender, efectivamente.
Embora a acção docente seja um processo de previsão e autonomia o método de ensino requer o
estabelecimento de uma relação de interdependência entre o sujeito ensinante, aquele que
ensina (o professor) e o sujeito aprendente, aquele que aprende (o aluno).
[Link]. Etapas de Execução do Método de Ensino
81
A aplicação do método de ensino ocorre em três etapas preditivas, nomeadamente, a da
planificação, da prática e da avaliação.
[Link].1. A Etapa da Planificação do Método de Ensino
Esta etapa refere-se ao diagnóstico e à fundamentação do contexto em que vai decorrer a
aplicação do método.
a) Diagnóstico
Ao fazer o diagnóstico do contexto o professor deve tomar em conta as condições e as
circunstâncias em que o processo de ensino-aprendizagem vai se realizar, considerando as
características do aluno e a pertinência dos conteúdos, recursos, objectivos e local.
Em relacção ao aluno é preciso diagnosticar os seus conhecimentos prévios, as suas
características cognitivas e fisico-motoras, as suas necessidades de aprendizagem e as
potencialidades para poder aprender mais, melhor e respeitando seus estilos e ritmos de
aprendizagem.
Os conteúdos e os objectivos devem ir ao encontro das necessidades de aprendizagem do aluno,
de forma flexível e evolutiva durante todo o processo de ensino.
b) Fundamentação
A fundamentação refere-se ao conhecimento do método e à motivação e justificação da sua
escolha e aplicação. Os argumentos para tal devem estar coerentes com os resultados do
diagnóstico.
[Link].2. A Etapa da Prática do Método de Ensino
A etapa da prática está relacionada com a aplicação do método, antecedida da explicação do seu
encaminhamento. Ë fundamental que esteja explícito para todos os implicados ou não sobre
quais serào os passos que deverão ser seguidos no método de modo a proporcionar os
resultados desejados.
[Link].3. A Avaliação do Método de Ensino
Aqui a avaliação é feita sobre os resultados da aplicação do método. É direccionada para os
níveis de participação e desempenho dos alunos e do professor e para o contexto, os processos e
a prática de modo a se garantir a aprendizagem do conhecimento nos seus aspectos e conceitos
essenciais.
[Link]. Classificação do Método de Ensino
Os critérios de classificação dos Métodos de Ensino variam de autor para autor. Neste estudo
são apresentados seis tipos de métodos, nomeadamente: o expositivo, o interrogativo, o
demonstrativo, o de elaboração conjunta, o de trabalho independente, o activo e o especial.
82
Cada um dos métodos está caracterizado na Tabela 05, onde estão detalhados a descrição, as
principais características, as vantagens e desvantagens e as principais regras e técnicas de sua
aplicação.
83
Tabela 05
(Caracterização dos Métodos de Ensino)
N° Métodos Descrição Principais Características Vantagens Devantagens Regras de Aplicação Principais Técnicas
O professor não controla a Definir bem os
Número elevado de
Situa-se na área do aquisição de objectivos.
participantes.
saber-saber. conhecimentos. Organizar
Grande quantidade
O receptor é A participação dos alunos sequencialmente as
O professor assume de informação.
essencialmente passivo. é nula. ideias e os conteúdos.
na íntegra a execução Necessidade de
A “autoridade” está no O professor não leva em Recorrer a técnicas que
e a orientação do pouco material
professor. conta os factores como a potenciam a
processo enquando os pedagógico.
Todos os alunos curiosidade, as aprendizagem.
alunos demonstram- Iniciativa, dinâmica
recebem a informação necessidades individuais Deve ser afirmativo,
se passivos. Para a e controle da aula
01 Expositivos colectivamente, ao de aprendizagem. simples e preciso.
sua sua aplicação o pelo professor.
mesmo tempo e no A experiência ou o Não deve ler-se um
professor faz uso de Transmissão dos Testemunhos
mesmo ritmo. conhecimento prévio dos texto.
recursos verbais, conteúdos em
A obtenção dos alunos. Devem ser utilizadas
ilustrativos, pouco tempo. Analogias
resultados não é Perda da atenção e baixo imagens e exemplos.
demonstrativos e de Desenvolvimento
homogénea. rendimento na Deve-se ter cuidado com
exemplos. das capacidades de Mnemónicos
A relação entre aprendizagem devido á a postura, o olhar, a voz,
concentração e
professor e alunos é exposição longa. o posicionamento...
actividade mental Repetições
formal. Sobrecarga na memória de Fazer uma síntese no fim
dos alunos.
curta duração. da aula.
Experiências
As perguntas devem
pessoais
ser/estar:
curtas e claras;
Situa-se na área do Permite a Exige uma forte Exemplos e
apresentadas
saber-saber e saber- participação de um preparação do professor ilustrativos
Consiste em fazer naturalmente;
fazer. número elevado de para induzir a participação
com que o aluno adaptadas aos
É dinâmico e alunos. esperada. Imagens mentais
descubra o que se conhecimentos do
participativo. É dinâmico e Não funciona por si só. (imaginação).
pretende ensinar, grupo;
A “autoridade” está no participativo. Podem ser registadas
dando-se mais feitas a todos os
02 Interrogativos professor. Permite o controle resistências pelos alunos
importância ao alunos; e
Deve ser usado da aprendizagem. tímidos.
processo de apresentadas do geral
conjuntamente com o Permite uma boa As questões devem estar
pensamento para o particular.
método expositivo. interação entre adaptadas à maturidade do
independente e activo As respostas devem ser
A obtenção dos professor e alunos. grupo.
de quem aprende. feitas de acordo com os
resultados não é A participação do Sua aplicação exige
objectivos da aula.
homogénea. aluno é relevante. tempo.
As respostas “sim” e
“não” devem ser
complementadas.
84
85
N° Método Descriçao Principais Características Vantagens Devantagens Regras de Aplicação Principais Técnicas
Dar tarefas claras
compreensíveis e
A importância do
adequadas
trabalho independente
Aproveitar o resultado
está na actividade
das tarefas para toda a
mental dos alunos.
classe Testemunhos
O professor propõe As tarefas devem
Propicia a falta de controlo Dominar as técnicas do Analogias
aos alunos tarefas sejam claras,
do tempo. trabalho Mnemónicos
individuais e compreensíveis e à
Incumprimento de tarefas Desenvolver Repetições
independentes, altura dos Desenvolvimento
por falta de meios e habilidades e hábitos Experiências
Trabalho cabendo a ele indicar conhecimentos e da da independência
03 materiais para a sua de trabalho pessoais
Independente os passos, as capacidade de para a auto-
execução. independente, Exemplos e
metodologias, a raciocínio dos alunos. aprendizagem
Embaraço por tarefas colaborativo e criativo ilustrativos
bibliografia, o padrão O professor assegura
demasiadas difíceis, longas Sistematizar e Imagens
de qualidade e os as condições para que
e orientações insuficientes. consolidar mentais
critérios de avaliação. o trabalho seja
conhecimentos, (imaginação).
realizado e faz a
habilidade e hábitos
monitoria do mesmo.
Possibilitar a cada
Atribuição da maior
aluno para
actividade aos alunos.
individualmente
resolver problemas
04 Demonstrativos Situa-se no patamar do Exige mais tempo, materiais Analogias
saber-fazer. e equipamentos específicos Fórum ou
Necessita de mais para a sua aplicação. plenária
Adequado ao
tempo, quando Seu sucesso é inversamente Debate
desenvolvimento
comparado com o proporcional ao número de Discussão em
de competências
m’etodo expositivo elementos do grupo. Os meios de ensino grupo
psicomotoras.
Está estruturado de Funciona melhor em Não toma em conta a devem estar visíveis e Grupos de
Suscita grande
forma pedagógica e grupos pequenos. personalidade do em local acessível à trabalho
participação dos
andragógica para O professor deve aprendente, as suas aprendizagem. Estudo de caso
aprendentes.
ensinar alguém a dominar científica e especificidades e Há uso e manipulação Demonstração
Origina elevada
executar uma terefa pedagogicamente o necessidades de dos materiais e Visitas de
adesão ao permitir
recorrendo a uma tema. aprendizagem. equipamentos de estudo
uma aprendizagem
demonstração. O professor lidera Orienta o ensino de forma ensino e Seminário
individualizada.
permanentemente todas padronizada. aprendizagem. Jogos e
Facilita o controle
as tarefas Não estimula a criatividade, enigmas.
e a avaliação dos
demonstrativas. a autonomia e o
resultados.
O método assenta na envolvimento na
técnica da aprendizagem.
demonstração. A aprendizagem é
86
mecânica.
87
N° Método Descriçao Principais Características Vantagens Devantagens Regras de Aplicação Principais Técnicas
Formar interações
Trata-se da junção dos
Enriquecimento dos activas entre professor-
métodos: expositivo e Fórum ou
conhecimentos através alunos e alunos-alunos.
interrogativo. O plenária
Promove a assimilação dos outros. Promover a
professor dirige a Debate
ativa dos conteúdos. Evolução na conversação e o
discussão a partir de Discussão em
Suscita a atividade mental formulação e diálogo entre os alunos
perguntas previamente Perda da grupo
através da obtenção de argumentação de e estes com o
preparadas, aprendizagem na Grupos de
respostas pensadas sobre a questões, na professor.
confirmando ou conversa quando trabalho
Elaboração causa de determinados capacidade de Desenvolver nos
05 corrigindo as respostas não bem orientada. Brainstorming
Conjunta fenômenos. elaboração de opiniões alunos habilidades de
dos alunos. O professor Timidez na (chuva de ideiais)
Faz avaliação crítica duma e pontos de vista. expressar opiniões
faz um resumo participação por Estudo de caso
situação de aprendizagem. Desenvolvimento no fundamentadas e
indicando o que deve medo de errar. Role-play
Busca novos caminhos respeito pelas opiniões verbalizar a sua
ser assimilado. O Demonstração
para a soluções de dos outros; própria experiência.
método propõe uma Visitas de estudo
problemas. Controle imediato do Orientar os trabalhos
igualdade de Seminário
nível de assimilação e com todos os alunos,
actividades entre Jogos e enigmas
aprendizagem. em pequenos grupos e
professor e alunos.
individualmente
Fórum ou
plenária
Situa-se ao nível do saber- Debate
fazer e fazer-fazer. Jogos
O professor estimula, Discussão em
participa e orienta. grupo
O aluno é o agente
Na sua intervenção o Grupos de
voluntário, activo e
professor tem em atenção trabalho
consciente da sua
a pessoa. Brainstorming
educação. Engloba em
A iniciativa e a (chuva de ideiais)
si todos os métodos
05 Activos imaginação são solicitadas Estudo de caso
centrando a
ao aluno. Role-play
problemática da
Permite: Demonstração
educação na
a orientação de aulas Visitas de estudo
participação activa do
dinâmicas e participativas; Seminário
aluno.
e Jogos e enigmas.
uma excelente integração Projectos
do formador no grupo dos Leitura de textos
alunos. Reflexão
individual e
grupal
Especial Está directamente Uso do método para a Fórum ou
88
plenária
Debate
aprendizagem:
Discussão em
do Sistema Braille para a
orientado para a grupo
aprendizagem dos alunos
satisfação das Grupos de
com deficiência visual.
necessidades de trabalho
da Língua de Sinais para
aprendizagem dos Brainstorming
alunos com deficiência
alunos com (chuva de ideiais)
auditiva.
necessidades Estudo de caso
das habilidades para a vida
educativas especiais Role-play
para alunos com
específicas Demonstração
deficiências mental e
Visitas de estudo
múltipla profundas.
Seminário
Jogos e enigmas.
Fontes: Libâneo (2001);
89
[Link] Relação entre Métodos Passivos e Métodos Activos
O Método de Aprendizagem Activa opõe-se ao Método de Aprendizagem Passiva, também
denominado por Tradicional, na abordagem dos objectivos, processos, participação e
resultados. Na Tabela 06, abaixo, é feita a diferenciação entre os dois métodos.
Tabela 06
(Relação entre Aprendizagem Activa e Aprendizagem Passiva)
Características Aprendizagem Activa Aprendizagem Passiva
Forma novos tipos de gestores do ambiente e
Filosofia Forma cidadãos obedientes, valorizando o
da sociedade, capazes de prosseguir os
educacional saber livresco
estudos
A criança é dotada de potencialidades
Verifica-se a supremacia do adulto que é a
(criatividade, iniciativa, autonomia
Conceito da fonte de informação. Ele corrige as faltas da
progressiva e interactiva...) que somente
criança criança sem contemplar as estruturas
precisa de ser promovida para desenvolver-
mentais que tem.
se.
O aluno é actor da sua própria formação,
Concepção da ensino funcional, concretizado, papel Condicionamento (estímulo e resposta),
aprendizagem importante concedido à motivação, aos repetição mecânica, ensino livresco.
objectos afectivos, etc.
Anima, ajuda, organiza as actividades, incita
Papel do Fonte principal de informação, censura,
à autonomia, arbitra, disponibiliza fontes de
professor regula, professa, corrige, sanciona, avalia.
informação, motiva.
Executa as tarefas definidas pelo professor
Situa-se no grupo, é capaz de auto organizar- que é o único juiz. O papel do aluno é
se, participa activamente no conjunto das geralmente limitado a repetir, a aprender de
Papel do aluno
actividades, implica-se, solicita apoios do cor e restituir informações que lhe são
professor e dos colegas. comunicadas para dar prova que ele
responde aos critérios do professor.
Sanciona, põe a tónica sobre as fraquezas do
Ajuda a identificar os pontos fortes dos
aluno. Os critérios de avaliação são
fracos e remedeia contribuindo com um
escondidos, frequentemente à criança. A
Papel da apoio ao aluno,
criança é avaliada, unicamente sobre as
avaliação Desenvolve uma estratégia de ajuda a partir
competências que o professor terá escolhido.
de critérios e indicadores bem conhecidos do
Não dá conta de todas as aquisições mas de
aluno.
armadilhas que são frequentes.
Fonte: Libâneo (2001)
Embora as diferenças de abordagem educacional sejam claras e evidentes entre os modelos
activo e passivo como é proposto na Tabela acima, há uma complementaridade prática entre
elas. Quer isto dizer que não existem situações puras de aprendizagem activa ou de
aprendizagem passiva.
Face às mudanças necessárias do actual modelo passivo para o activo no sistema educacional
moçambicano deve-se tomar em conta o seguinte:
a) Motivar o aluno para a aprendizagem, confrontando necessidades e interesses com a visão
do mundo e com experiências anteriores.
b) Adequar a aprendizagem ao nível do desenvolvimento do aluno e relacioná-la com
conhecimentos, atitudes e comportamentos já adquiridos.
90
c) Fornecer informações, indicar dados e criar espaços que facilitem a compreensão, a
organização e a retenção dos conhecimentos.
d) Levar os alunos a compreenderem os objectivos das aprendizagens.
e) Iniciar a aprendizagem baseando-se nos conhecimentos da criança e gradualmente passar
às situações de aprendizagem mais gerais.
f) Assumir a prática como modo de aprendizagem significativa - o saber fazer - o saber
aplicar conhecimentos, capacidades e competências a situações reais e o saber transferir
conhecimentos, capacidades e competências adquiridas a novas situações.
Os Métodos de Ensino explicitam os caminhos, as técnicas e as actividades que o professor
deve aplicar para facilitar a aprendizagem de todos os seus alunos. Eles complementam-se no
decurso das práticas pedagógicas não havendo nenhum que se sobrepõe sobre os outros.
Mesmo assim, os Métodos Activos ganham particular destaque no processo por permitirem a
aplicação de todos os outros.
4.2.2. Estratégias de Ensino e Aprendizagem
Do ponto de vista etimiológico a palavra estratégia provêm do grego strategia que significa arte
de planear guerras; habilidade, astúcia, esperteza, manha, estratagema.
[Link]. Estratégias de Ensino
As estratégias de ensino referem-se aos procedimentos utilizadas pelo professor visando a
facilitação da aprendizagem dos seus alunos. Também podem ser consideradas como as
técnicas que o professor usa para adequar o ensino às maneiras peculiares de aprendizagem de
cada aluno.
Algumas estratégias de ensino desenvolvidas pelos professores na sala de aula referem-se,
especificamente à aplicação das técnicas de:
selecção dos objectivos e conteúdos da aula;
comunicação na sala de aula;
gestão do tempo da aula;
produção, uso e manutenção do material didáctico;
identificação e apoio aos alunos com dificuldades de aprendizagem;
formação, orientação e gestão de grupo;
organização dos alunos na sala de aula;
organização do ambiente da sala de aula;
avaliação e registo de desempenho escolar dos alunos.
As estratégias de ensino agregam valor na aprendizagem dos alunos e tornam-se importantes ao
processo educacional no seu todo quando os seus conteúdos são significativos.
91
[Link]. Estratégias de Aprendizagem
No âmbito deste Manual as estratégias de aprendizagem referem-se às atitudes, procedimentos
e comportamentos que os alunos adoptam para aprenderem.
92
[Link].2. Importância do Desenvolvimento de Estratégias de Aprendizagem
Nos últimos anos os cientístas educacionais têm se interessado cada vez mais na pesquisa de
estratégias de aprendizagem dos alunos. Este interesse está relacionada com os seguintes
factores:
a) O emprego de estratégias pelos alunos e consequente sucesso na aprendizagem (eficácia
das estratégias).
b) O sucesso escolar dos alunos e a tendência de cada vez mais fazerem uso de estratégias de
aprendizagem (satisfação na aprendizagem)
c) As estratégias bem sucedidas fazem com que os alunos sejam mais autónomos na
aquisição da aprendizagem (aprendizagem autónoma)
d) O interesse crescente na pesquisa de estratégias de aprendizagem possibilita o
melhoramento delas pelos alunos no processo de aquisição da aprendizagem (ensino das
estratégias).
O ensino de estratégias de aprendizagem é um procedimento que muitos professores têm vindo
a promover no sentido de levar os alunos a aprender a aprender.
[Link].3. Ensino de Estratégias de Aprendizagem (ensinar a aprender a aprender)
Hoje em dia, uma das principais funções do professor no processo de educação é ensinar os
seus alunos a aprender a aprender. Neste sentido, os alunos tornam-se mais autónomos,
criativos, questionadores, críticos e desenvolvem o pensamento divergente.
Dentre vários, alguns dos objectivos que justificam o ensino de estartégias de aprendizagem aos
alunos, são os seguintes:
a) Autodiagnosticar os pontos fortes e aqueles que precisam de ser melhorados na
aprendizagem dos alunos.
b) Tornar os alunos mais conscientes do que os auxilia para aprenderem algo de forma
eficiente.
c) Desenvolver nos alunos uma ampla variedade de habilidades de resolução de problemas.
d) Pôr os alunos a experimentarem estratégias familiares e não familiares.
e) Monitorar o desempenho dos alunos.
f) Transferir estratégias bem-sucedidas para novos contextos de aprendizagem.
Ao se ensinar os alunos a desenvolver e aplicar melhor as suas próprias estratégias de
aprendizagem pretende-se que eles sejam mais responsáveis e autónomos na busca do sucesso
escolar e, futuramente, na vida profissional.
93
Os métodos e estratégias especiais de ensino e aprendizagem aqui apresentados estão orientados
para os alunos com necessidades educativas especiais específicas, isto é, para aqueles que têm
deficiências, cujas necessidades demandam ajudas pedagógicas na aquisição da aprendizagem.
Contudo, os métodos e estratégias usados para a aprendizagem de crianças que não tenham
nenhum tipo de deficiência são totalmente válidos para aquelas que as têm. Elas precisam de ser
aplicadas de maneira personalizada, carinhosa, frontal e objectiva.
Abaixo são apresentadas algumas sugestões ou recomendações psicopedagógicas básicas para
serem aplicadas por todos os professores e, especialmente, para aqueles que têm nas suas
turmas regulares alunos com deficiência mental, deficiência visual, deficiência auditiva,
deficiência físico-motora e deficiências múltiplas.
[Link]. Conceito e Ajudas Educacionais para a Deficiência Mental
A principal característica da deficiência mental (cognitiva ou intelectual) é a redução da
capacidade intelectual (QI) de um indivíduo situada abaixo dos padrões considerados normais
para a sua idade. A pessoa com retardo mental tem o funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, acompanhado de limitações no comportamento adaptativo
em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida
doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-
suficiência, habilidades académicas, trabalho, lazer, saúde e segurança.
Diferentemente das deficiências visual e auditiva na deficiência mental não se faz uso de uma
metodologia própria ou específica para a orientação do processo de ensino-aprendizagem.
Os métodos e estratégias aplicados para a aquisição da aprendizagem em pessoas sem
deficiências são os mais recomendáveis para a estimulação educacional de quem as possui. O
que se requer é que tais procedimentos sejam desenvolvidos com maior amplitude e
profundidade e de maneira mais personalizada, paciente, afectiva, tolerante, ética e profissional.
Neste tipo de deficiência uma vez diagnosticada uma ligeira ou significativa alteração na
estrutura mental do indivíduo torna-se necessária a aplicação de um plano de estimulação
cognitiva visando a busca da sua autonomia social e da melhoria da sua qualidade de vida.
Deste modo, técnicas remediadoras, compensadoras e adaptativas poderão ser administradas
para a elevação dos níveis de atenção, memória, organização da informação, resolução de
problemas e socialização dessa pessoa.
No contexto escolar os métodos activos são, por excelência, o recurso educacional mais
recomendado para a adaptação socioescolar da pessoa com deficiência mental. Outras técnicas
de eleição e de aplicação combinada, são a ludoterapia (tradicional e convencional), os
exercícios individualizados e colectivos de repetitição, a utilização de material audio-visual
94
apropriado e diversificado, a simulação, a demonstração, a exemplificação e a reflexão sobre a
prática do dia-a-dia.
95
Os instrumentos normalmente usados para a escrita alfabética em Braille são o Papel Braille, a
Reglete (Pauta), o Punção (Ponteiro) e a Máquina de Dactilografar (Máquina Perkins) e o
Ábaco (Soroban) para a escrita numérica e o cálculo matemático, como pode ser observado nas
imagens abaixo. Para pessoas de baixa vião tem se estimulado o uso de lupas.
Nos últimos anos, com o rápido avanço das tecnologias de informacão e comunicação os
sistemas de escrita e leitura em Braille evoluíram bastante o que tem facilitado e melhorado
cada vez mais a qualidade de comunicação das pessoas com deficiência visual com o mundo
que os rodeia.
[Link].2. Sugestões Educacionais Básicas
As sugestões metodológicas orientadas para a educação de adolescentes e jovens com
deficiência visual estão discriminadas abaixo:
Sempre que possível, passar para o aluno a mesma lição dada à turma.
Os estudantes e professores devem ter o cuidado de não criarem baixas expectativas,
apenas com base na deficiência visual.
Promover reuniões para discutir as dificuldades e os progressos encontrados.
Convidar pais de crianças com deficiência ou professores que já tiveram esta experiência
para dar depoimentos.
É preciso que o professor adapte as representações gráficas e os recursos didácticos que
vai utilizar.
Para ensinar Matemática, o instrumento mais utilizado é o ábaco. Seu manuseio é fácil e
pode ajudar até mesmo os alunos que veêm, pois ele concretiza todas as operações
matemáticas.
O cálculo mental deve ser estimulado desde o início da aprendizagem e que será útil,
posteriormente, quando o aluno estudar álgebra.
A mobilização de recursos pedagógicos para a facilitação da aprendizagem do aluno com
deficiência visual deve ser considerada um direito seu que deve ser satisfeito.
O apoio ao aluno com deficiência deve ser considerado de responsabilidade de todos.
Disponibilizar com antecedência os textos e livros considerando que a transcrição destes
para formatos alternativos (Áudio, Braille e outros) demanda tempo adicional.
Se possível, o material de estudo deve ser fornecido sob a forma de textos ampliados,
textos em Braille, textos e aulas gravadas em áudio ou em disquete, de acordo com as
necessidades do aluno e as possibilidades da escola.
O aluno poderá ainda precisar de utilizar auxiliares ópticos e equipamento informático
adaptado, assim como apoio para trabalho de laboratório e do pessoal da biblioteca.
96
Durante as aulas é útil identificar os conteúdos de uma figura e descrever a imagem e a
sua posição relativa a itens importantes.
Substituir os gráficos, fluxogramas e tabelas por outras questões ou utilizar gráficos
simples em relevo.
Transcrever em Braille as provas e outros materiais escolares impressos.
Possibilitar usar formas alternativas nas provas: o aluno pode ler o que escreveu em
Braille; fazer gravação em fita cassete ou escrever com tipos ampliados.
Ampliar o tempo disponível para a realização das provas.
Evitar dar um exame diferente, pois isso pode ser considerado discriminatório e dificulta
a avaliação comparativa com os outros estudantes;
Ajudar só na medida do necessário.
Facilitar a locomoção do aluno na sala de aulas, corredores e no recinto escolar
removendo os obstáculos que possam dificultar o seu acesso ao currículo.
É importante ressaltar que, ao serem adaptados os recursos didácticos para facilitar a
aprendizagem dos alunos com deficiência o professor acaba beneficiando todos os outros
alunos, pois recorre a materiais concretos, que são bons para a compreensão dos conceitos.
97
Instrumentos para a escrita no Sistema Braille
Ábacos (Sorobans)
Punção (Ponteiro)
98
99
Alfabeto Braille
100
surdez ou com baixa perda auditiva. O principal veículo de comunicação entre a comunidade
surda é a Língua de Sinais.
101
Qualquer explicação que o professor queira dar à turma ou a um aluno qualquer deve ser
feita de maneira frontal e directa para que o diálogo seja perceptível para todos.
Na sala de aula o aluno com deficiência auditiva deve se sentar sempre em frente, diante
do professor, para que possa acompanhar os seus movimentos faciais ao pronunciar as
palavras e frases.
Quanto maior for a informação escrita a ser passada pelo professor, melhor será para a
aprendizagem do aluno com deficiência auditiva.
As mensagens veiculadas pelo professor no processo de ensino-aprendizagem devem ser
ilustrativas com imagens vivas e sugestivas, com objectos manuseáveis, estabelecendo-se
uma relação de complementaridade entre o áudio e o visual.
É recomendável que todos os alunos, particularmente os que têm deficiência auditiva, entrem
em contacto directo com pessoas que tenham o mesmo tipo de deficiência e que tenham obtido
sucesso ao longo das suas vidas familiar, escolar e profissional, cujos efeitos são reconhecidos
socialmente, a fim de servirem de modelo.
102
Alfabeto da Língua Moçambicnna de Sinais
103
[Link]. Conceito de Deficiência Físico-Motora
A Deficiência físico-motora é uma disfunção física ou motora, congénita ou adquirida, podendo
afectar o indivíduo nas várias habilidades de interação com o seu meio socioambiental.
Caracteriza-se pela disfunção ou interrupção dos movimentos de um ou mais membros
superiores e inferiores ou de ambos.
Na deficiência físico-motora não há comprometimento da estrutura cognitiva ou intelectual da
pessoa. Quer isto dizer que, normalmente, entre deficiência físico-motora e deficiência mental
não há correlação nenhuma. Tal facto só ocorrere nos casos em que a pessoa possa ter
deficiência múltipla, isto é, com mais de uma deficiência, situação que será abordada na secção
seguinte.
[Link].1. Tipos de Deficiência Físico-Motora
As pessoas com deficiência físico-motora podem ter paralisia ou paresia.
A paralisia se refere à perda da capacidade de contração muscular voluntária, por interrupção
funcional ou orgânica em um ponto qualquer da via motora, que pode ir do córtex cerebral até o
próprio músculo. Na paralisia regista-se a paralisação dos movimentos corporais (membros) e a
insensibilidade de toda a parte afectada.
Há três tipos tipos de paralisia: a hemiplegia, a paraplegia e a tetraplegia. A hemiplegia é a
paralisação do lado esquerdo ou direito do corpo, afectando ao mesmo tempo os membros
inferior e superior do mesmo lado. A paraplegia é a paralisação da do corpo a aprtir da cintura
para baixo, afectando os menbros inferiores. A tetraplegia refere-se à paralização de todo o
corpo e todos os membros, desde a zona do pescoço até á ponta dos pés.
A paresia está relacionada com a limitação ou fraqueza (debilidade) nos movimentos dos
membros superiores ou inferiores. Os movimentos ocorrem abaixo do padrào normal no que se
refere à força e resistência muscular e à precisão e amplitude dos movimentos.
[Link].2. Sugestões Educacionais Básicas
Para a socialização do aluno com deficiência físico-motora são aqui apresentadas as sguintes
sugestões educacionais:
a) Na sala de aulas os alunos deverão ocupar um lugar relativamente próximo ao do
professor.
b) Os alunos que usam uma cadeira de rodas devem ter mesas adaptadas às suas
necessidades de acomodação.
c) A incontinência urinária é um dos obstáculos mais desagradáveis e ameaçadores da
autoestima. O professor deverá ter em atenção os horários de evacuação da criança para
que não surjam situações embaraçosas e explicar a situação aos outros alunos.
104
d) Para ajudar a criança na execução das habilidades sociais, deve escolher aquelas
relacionadas às exigências diárias como deitar, sentar e levantar-se, arremessar e pegar
objetos, parar e mudar de direção e outras.
e) Estimular a interação da criança com com os colegas, permitindo a troca de idéias, a
expressão de emoções e o contacto físico para auxiliar a execução das diversas atividades.
f) Utilizar material concreto e o quadro com letras magnéticas para facilitar a formação de
palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos braços.
g) O professor deve-se cultivar pesquisando informações sobre as características gerais e
específicas da deficiência.
Para o bem-estar físico e mental da criança com deficiência físico-motora, o professor deve
procurar saber do seu histórico pessoal e escolar solicitando informação à família e ao médico
sobre o estado de saúde e quais os efeitos dos remédios que tem tomando. Este conhecimento é
a base para sugerir qualquer actividade que exija esforço físico.
No contexto escolar os métodos activos são, por excelência, o recurso educacional mais
recomendado para a participação socioescolar do aluno com deficiência. Outras técnicas de
eleição e de aplicação combinada, são a ludoterapia (tradicional e convencional), os exercícios
individualizados e colectivos de repetitição, a utilização de material audio-visual apropriado e
diversificado, a simulação, a demonstração, a exemplificação e a reflexão sobre a prática do
dia-a-dia.
Dependendo do nível de comprometimento cognitivo, visual, auditivo e físico que o aluno
possa ter a busca da competência acadêmica pode não ser o objectivo maior a ser alcançado
mas sim a elevação das competências de interação social tais como vestir-se bem; ser higiénico;
obedecer ordens; transmitir recados; arrumar a casa e o material escolar, solicitar ajuda; apoiar
os outros; manifestar os seus desejos, sentimentos pensamentos e necessidades, sejam eles
agradáveis ou não; e elevar seus níveis de autoconceito, autoconfiança e autoestima.
Comprometimento profissional, afectividade, criatividade e ética profissional são atributos
requeridos a qualquer professor. No entanto, ganham um alto nível de exigência e
responsabilidade quando se está perante uma criança e jovem com deficiência cognitiva ou
qualquer outra (visual, auditiva, físico-motora e múltipla).
[Link]. Sumário
Ao longo da presente Unidade Temática ao se discutir sobre os Métodos e Estratégias de
Ensino e Aprendizagem foram retidos os seguintes apontamentos:
O Método de Ensino é o caminho que o professor segue na organização das actividades
de ensino para que seus alunos possam aprender.
105
Pelo método de ensino o professor tem a opção e a liberdade de escolher a direcção que
pretender dar ao processo de ensino para que seus alunos possam aprender,
efectivamente.
A planificação, a prática e a avaliação são as etapas de execução do Método.
Seis tipos de métodos e respectiva caracterização são apresentados ao longo do Manual: o
expositivo, o interrogativo, o demonstrativo, o de elaboração conjunta, o de trabalho
independente, o activo e o especial.
As estratégias de aprendizagem referem-se às atitudes, procedimentos e comportamentos
que os alunos adoptam para aprenderem.
Algumas estratégias de aprendizagem usadas pelos alunos para melhorarem o seu
desempenho escolar são: estratégias de ensaio, estratégias de elaboração, estratégias de
organização, estratégias de monitoramento, estratégias afectivas.
Cientístas têm desenvolvido pesquisas na área das estratégias de aprendizagem devido aos
seguintes factores: eficácia das estratégias, satisfação na aprendizagem, aprendizagem
autónoma, ensino das estratégias.
Os métodos e estratégias usados para a aprendizagem de crianças que não tenham
nenhum tipo de deficiência são totalmente válidos para aquelas que as têm. Elas precisam
de ser aplicadas de maneira personalizada, carinhosa, frontal e objectiva.
A principal característica da deficiência mental é a redução da capacidade intelectual de
um indivíduo situada abaixo dos padrões considerados normais para a sua idade.
O termo deficiência visual refere-se às pessoas que possuem baixa, subnormal ou
ausência total de visão. Mormente, elas apresentam diminuição ou ausência das suas
respostas visuais, mesmo após tratamento ou correcção óptica convencional.
O Sistema Braille é um método de leitura e escrita táctil e em relevo utilizado no processo
de ensino e aprendizgem de pessoas cegas. Foi inventado na França, em 1825, por Louis
Braille, quando cego e com apenas 15 anos de idade.
Sugestões metodológicas orientadas para a educação de pessoas com deficiência visual
estão discriminadas abaixo:
Buscar o apoio do professor especialista, para que ensine a criança o sistema Braille
e acompanhe no processo de aprendizagem.
Disponibilizar com antecedência os textos e livros considerando que a transcrição
destes para formatos alternativos (Áudio, Braille e outros) demanda tempo
adicional.
106
O cálculo mental deve ser estimulado desde o início da aprendizagem e que será
útil, posteriormente, quando o aluno estudar álgebra.
Se possível, o material de estudo deve ser fornecido sob a forma de textos
ampliados, textos em Braille, textos e aulas gravadas em áudio ou em disquete, de
acordo com as necessidades do aluno e as possibilidades da escola.
O aluno poderá ainda precisar de utilizar auxiliares ópticos e equipamento
informático adaptado, assim como apoio para trabalho de laboratório e do pessoal
da biblioteca.
No meio educacional o principal método utilizado para o ensino e aprendizagem das
crianças e jovens com deficiência auditiva é a Língua de Sinais. É uma língua de
modalidade gestual-visual com estrutura gramatical própria sendo matena ou natural das
pessoas surdas.
Recomendações básicas para os professores:
A sensibilização de todos os alunos, em particular, e de toda a comunidade escolar,
no geral, sobre a maneira diferente e atenciosa que deve ser observada na
comunicação com aquele que tiver deficiência auditiva.
Quanto maior for o número de alunos ouvintes que conhecerem a Língua de Sinais,
melhor será a participação escolar de todos em particular daqueles que têm
deficiência auditiva.
Na sala de aula o aluno com deficiência auditiva deve se sentar sempre em frente,
diante do professor, para que possa acompanhar os seus movimentos faciais ao
pronunciar as palavras e frases.
As pessoas com deficiência físico-motora podem ter paralisia ou paresia.
Sugestões educacionais para a socialização do aluno com deficiência físico-motora:
Na sala de aulas os alunos deverão ocupar um lugar relativamente próximo ao do
professor.
Os alunos que usam uma cadeira de rodas devem ter mesas adaptadas às suas
necessidades de acomodação.
Utilizar material concreto e o quadro com letras magnéticas para facilitar a
formação de palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos
braços.
O professor deve-se cultivar pesquisando informações sobre as características gerais
e específicas da deficiência.
107
Dependendo do nível de comprometimento cognitivo, visual, auditivo e físico que o aluno
possa ter a busca da competência acadêmica pode não ser o objectivo maior a ser
alcançado mas sim a elevação das competências de interação social tais como vestir-se
bem; ser higiénico; obedecer ordens; transmitir recados; arrumar a casa e o material
escolar, solicitar ajuda; apoiar os outros; manifestar os seus desejos, sentimentos
pensamentos e necessidades, sejam eles agradáveis ou não; e elevar seus níveis de
autoconceito, autoconfiança e autoestima.
Comprometimento profissional, afectividade, criatividade e ética profissional são
atributos requeridos a qualquer professor. No entanto, ganham um alto nível de exigência
e responsabilidade quando se está perante uma criança e jovem com deficiência cognitiva
ou qualquer outra (visual, auditiva, físico-motora e múltipla).
4.3. Actividades:
4.4. Autoavaliação
108
4.5. Chave de Correcção
109
Sprinthall, Norman A. & Sprinthall, R. (1990). Psicologia Educacional: uma abordagem
desenvolvimentista. Lisboa: Mcgraw-Hill.
Costa, A., Leitão, F., Santos, J., Pinto, J. & Fino, M.. (1996). Currículo Funcionais. Vol 2:
elementos para desenvolvimento e aplicação. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.
Correia, L. (1997). Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes
Regulares. Porto: Porto Editora.
Organização Mundial de Saúde. (1995). Classificação Internacional das Deficiências,
Incapacidades e Desvantagens (HANDICAPS). Lisboa: Secretariado Nacional de
Reabilitação.
Rangel, Mary. (2007). M’etodos de Ensino para a Aprendizagem e a Dinamizaç~ao das
Aulas. (3ª Ed.). Campinas: Papirus Editora
Vilaça, M. (Janeiro, 2008). O Ensino de Estratégias de Aprendizagem em Materiais
Didáticos: ensinar a aprender línguas. Revista Eletrónica do Instituto de Humanidades.
Volume VI. Número XXIV. Recuperado em 28 de Março de 2012 em:
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Rodrigues, R. (Maio de 2005). Estratégias de Ensino e Aprendizagem para Modalidade
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[Link]
Boruchovitch, E. (1999). Estratégias de Aprendizagem e Desempenho Escolar:
considerções para a prática educacional. Revista Psicologia Reflexãoe e Crítica. Volume
12. Ano 002. Recuperado aos 30 de Março de 2012 em
[Link]
110
5. Unidade Temática V: Planificação do Processo de Ensino-Aprendizagem
111
[Link].3. Manual do Professor
112
b) Aparelhos e instrumentos de experimentação laboral (microscópio, lupas, ensaios
laboratoriais).
c) Equipamentos e seus acessórios (retroprojectores, projectores de slide, rádio, TV,
gravadores, computador, datashow, slide, filmes, discos, cassetes, vídeos, CD).
d) Meios gráficos (mapas, livros, manuais, jornais, fichas, quadros).
e) Meios básicos de ensino (caderno, esferográfica, compasso, carimbos, ponteiros, réguas
escantilhões).
f) Os móveis e imóveis escolares (carteiras, cadeiras, quadro preto, cortinas para escurecer a
sala, quadros decorativos, salas de aulas, bibliotecas).
113
A aula, em função dos seus objectivos, classifica-se de diferentes tipos que podem ser:
Introdutória, de Transmissão do Conteúdo Novo, de Repetição, de Exercício, de Sistematização
e de Avaliação.
114
Uma vez dada a estimulação, o segundo passo da aula consiste na transmissão do conteúdo
novo. O terceiro passo é ocupado pelos exercícios de consolidação da nova matéria. O último
passo é constituído por repetição da matéria com base na correcção de exercícios e atribuição
de tarefas para serem realizadas em casa.
[Link].3. Aula de Repetição
A aula de repetição, por sua vez, começa com uma estimulação. O segundo passo consiste na
repetição do conteúdo já dado, incluindo o registo de alguns assuntos essenciais. O último passo
deste tipo de aula faz terminar a aula fornecendo exercícios para casa aos alunos.
[Link].4. Aula de Exercício
A aula de exercício também tem a estimulação como primeiro passo, repetindo a matéria dada
através da correcção do TPC. O segundo passo compreende um breve resumo sobre a matéria
em repetição. O terceiro passo consiste na realização de exercício sobre as matérias ministradas,
recorrendo a várias formas de organização de ensino, em termos de disposição dos alunos na
sala de aula. O último passo consiste na correcção dos exercícios e atribuição do TPC.
[Link].5. Aula de Sistematização
Um outro tipo de aula é a de sistematização. A aula tem a função de estruturar os
conhecimentos adquiridos e consolidados que, uma vez sistematizados, criam possibilidades
para a sua aplicação em diferentes situações.
O primeiro passo faz parte da estimulação, onde inclui a correcção do TPC. O segundo passo
consiste na sistematização da matéria dada, incluindo o registo do essencial. O último passo da
aula compreende a atribuição do TPC.
[Link].6. Aula de Avaliação
Finalmente, o último tipo de aula é o de avaliação. Este tem a função de levar o aluno a aplicar
os conhecimentos adquiridos, consolidados e sistematizados. O seu primeiro passo consiste na
estimulação, onde se faz a preparação para o início da avaliação. O segundo passo consiste na
realização da avaliação. O terceiro passo compreende a recolha de provas. O último passo
consiste na correcção, entrega e análise dos resultados de avaliação dos processos de ensino e
de aprendizagem, em que se apreciam as actividades do professor e dos alunos.
[Link]. Elementos do Plano de Aula
Os elementos essenciais do Plano duma aula são os aspectos que prevêem a realização do
ensino-aprendizagem e garantem acima de tudo a aprendizagem dos alunos. Esses elementos,
tendo em conta os diferentes modelos de planos de aulas, são os seguintes: tema da aula,
objectivos (geral e específicos), conteúdos, recursos didácticos, método do ensino, actividades
ou tarefas de aprendizagem, avaliação da aula ou resumo da aula, organização dos alunos no
115
tratamento da matéria (trabalho em grupo ou individual) na sala de aula, desenvolvimento do
tema, procedimentos didácticos, função didáctica, tempo para cada função didáctica
(motivação, tratamento do novo conteúdo, etc), actividades alternativas, áreas com problemas,
trabalho de casa e previsão da aula seguinte:
a) Assunto ou tema da aula. É nesta parte do plano em que se deve clarificar qual o assunto
que deverá ser dado;
b) Objectivos (geral e específicos). Consistem na previsão do que os alunos deverão fazer,
saber e ser durante e depois da aula. Estes deverão abarcar os assuntos de domínio
cognitivo, afectivo e psicomotor.
c) Material didáctico. Nesta parte do plano deve-se indicar os recursos materiais ou
tecnológicos necessários para a aula, observando quais deles estão disponíveis na
instituição e quais improvisar. Se possível testar a funcionalidade destes materiais antes
da aula, sobretudo quando se trata de equipamentos eléctricos.
d) Desenvolvimento do tema. Nesta fase, o professor preve as suas actividades e as dos
alunos; escolha o método que lhe parecer mais adequado às características dos
componentes da turma; usa os meios de ensino no momento mais oportuno, anota no
quadro os aspectos mais importantes da aula como por exemplo as datas históricas, os
nomes das personagens ou autores dos actos mais importantes da aula, conceitos,
esquemas, palavras de difícil escrita ou pronúncia; envolve todos os alunos nas
actividades da aula; e planifica as actividades destinadas a verificar que os objectivos da
aula foram alcançados.
e) Procedimentos didácticos. Neste momento da aula faz-se a previsão das técnicas, métodos
e meios didácticos serão usados, que perguntas serão lançadas e que tipo de controlo e
verificação de conhecimentos será feito.
f) Resumo da aula. Nesta fase faz-se um balanço da aula, autoavaliação sobre como
decorreu a aula, se os alunos aprenderam e o que deveria ter sido tratado melhor.
g) Previsão da aula seguinte. São contemplados os aspectos que garantem a próxima aula.
[Link]. Funções Didácticas da Aula
As funções didácticas são etapas, fases ou momentos de aquisição das qualidades necessárias
no processo da formação dos alunos. Elas constituem orientações para o professor poder dirigir
o processo de ensino-aprendizagem. Estão relacionadas entre si, pois o seu funcionamento
como sistema permite que os resultados duma determinada fase sirvam de base para as
exigências das etapas seguintes. Cada passo de uma aula corresponde uma função didáctica
predominante. Isso significa que a aula é realizada com mais de uma função didáctica. Cada
116
fase ou passo da aula corresponde a uma só função didáctica, que é dominante, embora nela se
registe o envolvimento das restantes, com o fim de, no conjunto elas assegurarem a eficácia da
assimilação da matéria. Em cada função didáctica, como momento ou passo da aula que reflecte
as regularidades do processo de ensino-aprendizagem é proposto o tempo de sua duração,
conteúdo a tratar, método dominante, conjunto de meios e formas de ensino a utilizar, e
inclusive as actividades concretas do alunos e do professor. As funções didácticas integrantes
de uma aula são as seguintes: Introdução e Motivação, Transmissão e Assimilação, Domínio e
Consolidação e Controlo e Avaliação.
[Link].1. Introdução e Motivação
A Introdução e Motivação desempenham grande papel para o sucesso de aprendizagem dos
alunos. Esta tem em vista preparar o aluno para o início da aula e para a fase seguinte. Esta
preparação tem três objectivos fundamentais:
a) Criar disposição e ambiente favoráveis aos alunos, que possam assegurar o bom decurso
da aprendizagem.
b) Consolidar o nível inicial e orientar os alunos para o novo conteúdo de aprendizagem.
c) Conseguir uma motivação permanente, com o fim de manter interesse e atenção dos
alunos, através da variação de estímulos.
A duração da Introdução e Motivação depende do objectivo da aula. Todavia, em geral, esta
função didáctica dura menos tempo em relação à de Transmissão e Assimilação.
[Link].2. Mediação e Assimilação
A Transmissão e Assimilação está no centro do processo de ensino-aprendizagem em que se
transmite e se assimila a matéria. Nesta função didáctica são observados três aspectos
fundamentais:
a) O nível inicial dos alunos, isto é, a situação actual do domínio de conhecimentos.
b) Os objectivos a atingir.
c) Os conteúdos a seleccionar.
Estes aspectos, são a base para a escolha dos métodos de ensino. A transmissão do conteúdo
novo realiza-se através de duas fontes principais: directa e indirecta. Na fonte directa, o aluno
obtém conhecimentos através do contacto directo com a realidade por meio da observação,
experimentação, demonstração e excursão. Na fonte indirecta, o conhecimento se adquire
através da linguagem verbal e não verbal. No entanto, no processo de ensino-aprendizagem
predomina a via indirecta que se caracteriza por exposição oral do professor. Contudo, o
processo de ensino-aprendizagem funciona melhor quando se utilizam ambas as vias.
[Link].3. Domínio e Consolidação
117
A função Domínio e Consolidação é o momento da aula em que o aluno realiza várias acções,
com o fim de consolidar os conhecimentos transmitidos e assimilados. Nesta consolidação os
alunos realizam as seguintes acções:
a) Repetir e resumir;
b) Sistematizar e integrar;
c) Exercitar;
d) Aplicar.
Consolidar não é só não esquecer, mas dominar, para elevar o nível das atitudes e convicções. É
nesta função didáctica que se faz a sistematização e aplicação dos conhecimentos. A
sistematização condiciona a solidez dos conhecimentos. Sistematizar é estruturar logicamente,
dando visão do conjunto de conhecimentos transmitidos e assimilados. A sistematização, para
além de facilitar uma boa consolidação, condiciona a aplicação dos conhecimentos em
situações novas. O conteúdo está consolidado quando o aluno souber aplicá-lo. A Domínio e
Consolidação dá informação ao professor sobre como o aluno percebeu a matéria e quais
aspectos precisam de reparo ou de mais explicação.
[Link].4. Controlo e Avaliação
A última função didáctica é a de Controlo e Avaliação. Esta função consiste em acompanhar
todo o processo de ensino-aprendizagem, avaliando-se as actividades do professor e dos alunos,
em função dos objectivos definidos. Avalia-se, no entanto, o nível atingido, identificam-se os
problemas ou dificuldades que existem e propõem-se, no fim, medidas para a sua superação. As
dificuldades do processo de ensino-aprendizagem podem ser de vários motivos. Elas podem ser
ocasionadas por má definição ou formulação dos objectivos, conteúdos e métodos de ensino,
por uma reflexão inadequada ou má criação de condições concretas, por má qualidade do
trabalho dos professores ou dos alunos, ou mesmo por má qualidade do trabalho dos dirigentes
da educação.
Pretende-se neste Manual apresentar uma proposta de plano de aula orientado para as
competências. Nestes termos seus elementos constituintes do plano são: Módulo,
Classe/Ano,Tempo (duração), Tema, Objectivo Geral, Objectivos Específicos, Conteúdos,
Habilidade/ Competências, Estratégias, Recursos e Avaliação,
A preparação de aulas é uma tarefa indispensável. Por isso, deve resultar num documento
escrito que preverá as actividades concretas do professor e dos alunos. É nesse documento que
o professor descreve os seguintes elementos da aula: objectivos, conteúdos, funções didácticas,
métodos e meios de ensino, etc.
118
[Link]. Modelo de Plano de Aula
O plano de aula é um detalhe de tudo o que vai ser realizado pelo professor em um determinado
tempo lectivo. Por sua vez, o modelo de um plano de aula é a forma de apresentação gráfica do
detalhe dessa aula.
Abaixo são apresentados alguns exemplos de Modelos de Planos de Aula. Não existe um
modelo que seja mais eficiente e eficaz que o outros. O melhor modelo deve ser aquele que
assegura o bom desempenho do professor e que leva à aprendizagem de todos os alunos.
Tabela 07
(Modelo de um Plano de Aula)
Escola: Disciplina: Classe:
Professor/a: Data:
Tipo/de aula:
Tema:
Objectivos específicos:
119
As principais habilidades a serem desenvolvidas, durante o micro-ensino, são a espontaneidade,
a abordagem do essencial, a gestão do tempo, a variação do estímulo, a colocação de perguntas
e orientação no processo de elaboração das respostas, comunicação, domínio da turma,
promoção de participação dos alunos, tratamento de alunos por seus próprios nomes, etc.
[Link]. Micro-Aula
120
processo de fixação dos conhecimentos pela memória, pois aplicando os meios
didácticos em todas as etapas do processo de ensino, estes podem constituir a base
material para a consolidação e fixaçãodos conhecimentos.
Os recursos didácticos podem ser classificam: aparelhos e instrumentos de
experimentação laboratorial; aparelhos técnicos escolares; meios gráficos; meios básicos
de ensino; e móveis e imóveis escolares
A Planificação de uma aula é uma previsão do conteúdo e das actividades do professor e
dos alunos a serem tratados em situação real de interacção na sala de aula, visando o
alcance de determinados objectivos de instrução e educação.
São objectivos da Planificação de Aulas: evitar a rotina e a improvisação; contribuir
para a realização dos objectivos visados; promover a eficiência do ensino; garantir
maior segurança na direcção; garantir economia de tempo e energia.
A aula, em função dos seus objectivos, classifica-se de diferentes tipos que podem ser:
Introdutória, de Transmissão do Conteúdo Novo, de Repetição, de Exercício, de
Sistematização e de Avaliação.
As funções didácticas são etapas, fases ou momentos de aquisição das qualidades
necessárias no processo da formação dos alunos. São as seguintes: Introdução e
Motivação, Transmissão e Assimilação, Domínio e Consolidação e Controlo e
Avaliação.
5.4. Actividades:
121
f)
122
5.5. Autoavaliação
123
6. Unidade Temática VI: Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem
Nesta Unidade, a avaliação ao ser vista como uma apreciação sistemática sobre os dados
relevantes do processo de ensino-aprendizagem, é abordada a partir dos seus diferentes e
relevantes tópicos. Assim, são feitas explicações breves em torno do conceito, características,
objectivos, processos, resultados e níveis de mensuração dos conhecimentos adquiridos pelos
estudantes num determinado espaço de tempo.
Após a conclusão do Módulo, espera-se que o futuro professor seja capaz de aplicar os
instrumentos de avaliação com justeza, objectividade e transparência, o que pressupõe esteja
apto para participar profissionalmente na melhoria da qualidade do ensino.
O progresso humano é garantido pela análise constante dos resultados do seu trabalho. No
processo de ensino-aprendizagem esta análise chama-se avaliação.
A avaliação é uma apreciação sistemática sobre os dados relevantes do processo de ensino-
aprendizagem, que auxiliam o professor a medir o desempenho dos alunos, a reflectir e a tomar
decisões sobre a dinâmica do seu trabalho, de forma a melhorar o seu desempenho.
124
a) A avaliação surge como análise do processo de ensino-aprendizagem e baseia-se no
princípio de que se deve avaliar de modo mais objectivo possível a todos os alunos e a
cada um, segundo os objectivos previamente determinados.
b) A avaliação efectua-se mediante trabalhos de pesquisa, nonografias, resumos de textos,
elaboração de relatórios, provas e exames escolares, obtendo-se dados mensuráveis para
se determinar o grau de competência de cada aluno.
c) Através da avaliação também se determina o progresso e a maneira como os objectivos
foram alcançados, e sobre como foram aplicados os métodos e os recursos didácticos.
d) A Avaliação é parte integrante do processo de ensino-aprendizagem e não uma etapa
isolada.
125
6.3.5. Resultados da Avaliação
126
d) Análise. Refere-se à habilidade de desdobrar uma comunicação em seus elementos ou
partes, com os seus constituintes.
e) Síntese. Trata-se da habilidade para combinar elementos e partes de modo a formar um
todo.
Na preparaçăo e realizaçăo da avaliaçăo devem ser observados os sguintes aspectostemos que
seguir algumas regras, como por exemplo:
a) Ter presentes os objectivos e conteúdos tratados durante as aulas.
b) Preparar mais perguntas do que as necessárias, para depois seleccionar as mais
adequadas.
c) Identificar correctamente as perguntas.
d) Deve-se evitar que a resposta de alguma pergunta condicione a resposta da outra seguinte.
e) Determinar o tempo para a realização do teste, em função da velocidade média da
realização da turma.
f) Diversificar o tipo de perguntas, seu nível de exigências ou de assimilação, ou seja,
incluir na medida do possível, itens diversificados de perguntas, sendo de memorização,
de aplicação, de criação/análise e síntese dos conteúdos;
g) Planificar a correcção e cotação, tendo em conta a distribuição dos pontos pelas alíneas,
de maneira que só se opera em números; e a distribuição de cotação segundo o grau de
dificuldades e exigências das perguntas;
h) Evitar a distribuição de cotação a eventuais respostas fora do contexto, mesmo que se
revelem cientificamente correctas.
[Link]. Competências Psicomotoras
Consistem em alunos poderem revelar ou demonstrar o que já conseguem fazer durante a
realização das actividades de aprendizagem, como por exemplo, qualidade de caligrafia ou
trabalho de escrita no caderno e no quadro de giz, de desenho, actividades de ofícios, etc.
Lembre-se que o exemplo do professor, sobretudo da escrita, constitui o modelo.
[Link]. Atitudes
Consistem no comportamento do aluno com outros alunos, a atitude perante a escola e a
aprendizagem, bem como a interacção com outras pessoas. O exemplo positivo do professor e
das pessoas com quem vive e convive é mais uma vez solicitado.
6.3.7. Tipos de Avaliação
Para avaliar o processo de ensino-aprendizagem são necessários os seguintes tipos de avaliação,
na Tabela 08:
127
Tabela 08
(Tipos de Avaliação)
Serve para determinar o nível das capacidades actuais como
pressupostos para uma nova aprendizagem formativa,
Avaliação Diagnóstica
normalmente é feita no inicio do ano lectivo: no início de
aprendizagem de classe ou unidade temática.
Determina o progresso da aprendizagem, fornecendo dados
relevantes para o desenvolvimento da aprendizagem e
Avaliação Formativa
permitir a recolha e identificação dos erros e a respectiva
correcção se necessário ao longo do ano lectivo
Determina o progresso do aluno (seja no final dum ano ou
Avaliação Sumativa de estudo), tem como objectivo de certificar o grau atingido
pelo aluno em função dos objectivos fixados
128
está a decorrer o processo de Ensino- Aprendizagem de modo a obter indicações que lhe
permitam máxima rentabilidade pedagógica possível e fazer a verificação do progresso face aos
objectivos intermédios e finais previstos.
Os objectivos, conteúdos, métodos, meios e formas de avaliação são elementos que funcionam
de forma integrada, quer dizer o papel desempenhado por um tem relação com os papéis
desempenhados pelos restantes.
Os objectivos duma aula são as capacidades, as competências, as habilidades e as boas atitudes
de personalidade que se pretendem alcançar, parcialmente no final da aula ou no final de uma
determinada unidade temática. São parciais por serem parte dos objectivos previstos no
programa geral da disciplina de uma dada classe.
129
A realização desses objectivos está dependente de um conjunto de conteúdos e matérias
seleccionadas para o efeito, cuja concretização depende, por sua vez, de um conjunto de
orientações e estratégicas metodológicas.
A adopção de uma dada estratégia depende dos conhecimentos que o professor tiver sobre a
realidade característica da turma e da sua própria experiencia profissional. Dos objectivos,
determinam-se os conteúdos, e destes, os métodos. Mas, para a realização destes componentes,
precisaremos de recursos materiais para tornar a abordagem dos conteúdos o mais fácil
possível.
Os recursos deverão estar de acordo com os temas e as exigências próprias de cada aula e as
características da turma. Por exemplo alguns meios didácticos não são recomendáveis para o
seu uso numa turma numerosa ou turmas a funcionar ao ar livre, etc.
Da mesma maneira que os objectivos e os conteúdos foram elaborados com base em factores
políticos, socioeconómicos e se condicionam mutuamente, determinando o tipo de recursos,
metodológicos e tecnológicos necessários, as formas de avaliações irão também depender da
maneira como as aulas tiverem sido dadas, o tipo de recursos utilizado ao longo do processo, os
resultados do controlo parcial feito em cada aula. Estes elementos formam um ciclo do
processo, assim representado:
Figura 01
(2) (3)
OBJECTIVOS CONTEÚDOS
(1) (4)MÉTODO
S/
SOCIEDADE
TÉCNICAS
(6)AVALIAÇÃO (5)MEIOS/
DOS RECURSOS
RESULTADOS
TECNOLÓGICOS
Com o registo do desempenho dos alunos, o professor, tem a condição de dar informações aos
pais ou encarregados de educação no sentido de os sensibilizar a se envolverem na
aprendizagem dos seus filhos ou educandos para efeitos de acompanhamento e ajuda.
130
6.4. Actividades:
6.5. Autoavaliação
a) Após uma aula de Matemática o professor aplicou uma AS, diga que tipo de avaliação se
trata?
b) Após o primeiro trimestre de aulas os professores convocam os pais e encarregados de
educação para darem informações sobre o desempenho dos alunos aos pais e
naturalmente transmitir-lhes algumas recomendações. Que tipo de avaliação se trata?
c) No fim do ano há lugar os Conselhos de notas: Que tipo de avaliação se trata?
131
6.5. Chave de Correcção
132
MORRIS, Charles G. e Maito, Albert A. Introdução à Psicologia. 6ª ed. , São Paulo,
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133