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Ação de Suprimento Judicial para Casamento

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EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUIZA DE DIREITO DA VARA DE


UNICA DA COMARCA DE ABAETE - MG

JORGE AUGUTO DE JESUS, brasileira, solteiro,


empresário, inscrito no RG nº 40123251/SSP-SP e no
CPF nº 362072998-09, residente e domiciliado na Rua
Salvador Bernal Gonsales, 561, Jardim Paulistano,
Franca - SP, CEP: 14402-411 e ANA CRISTINA SILVA
DA COSTA, menor relativamente incapaz, com 17 anos
de idade, inscrita no RG nº MG 25030889 e no CPF nº
168507306-90, residente e domiciliado na Rua Jader
Moura,1807, Simão da Cunha, Abaeté -MG, CEP: 35620-
000, vem respeitosamente, por meio do seu Advogado,
infra assinado, ajuizar

AÇÃO DE SUPRIMENTO JUDICIAL DE


CONSENTIMENTO PARA CASAR

Em face de CARLA GRACIELA DA SILVA SOUZA,


brasileira, do lar, União Estável, inscrita no RG nº
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16419257 e no CPF nº 097976356-86, residente e
domiciliada na Rua Dimas Fernandes, 277, São João,
Abaeté – MG, CEP nº 35620-000, pelos motivos de fato e
de direito a seguir aduzidos.

DOS FATOS
O Requerente pretende contrair matrimônio com ANA CRISTINA
SILVA DA COSTA, menor púbere, com quem já mantém vida em comum há
mais de um ano.
Apesar de estar em um relacionamento consentido pela mãe de sua
namorada, o Requerente JORGE AUGUTO DE JESUS sofre oposição
injustificada dela, que não o autorizam a realizar o pretendido casamento,
baseado em justificativas fúteis.
Os Requerentes são dois jovens apaixonados que já contam com um
relacionamento afetivo desde 19/06/2023.
A requerente ANA CRISTINA DA SILVA COSTA é menor relativamente
incapaz e busca o deferimento do pedido de suprimento de idade para fins de
contrair casamento.
No presente caso, a requerente já conta com um relacionamento de um
ano com o Requerente JORGE AUGUSTO DE JESUS, mas não pode contar
com a autorização dos pais por motivos fúteis.
A genitora não autoriza o casamento, alegando que pelo fato de
Jorge morar na cidade de Franca/SP, isso dificultará o convívio com a
filha, o que não deve prosperar, eis que a Requerente, sequer, mora com
a genitora.
A Requerente mora com a Srª APARECIDA FRANCISCA DOS REIS,
avó de criação, que cuidou dela desde criança.
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A oposição manifestada pela mãe de ANA CRISTINA SILVA DA
COSTA se afigura injusta e desmotivada, eis que o Requerente JORGE
AUGUTO DE JESUS já não depende econômica e nem financeiramente de
seus pais, pois já tem profissão determinada, inclusive é um empresário do
ramo de calçados na cidade de Franca - SP, o que lhe proporciona rendimento
suficiente para fazer frente às despesas familiares, além do que possui
reputação ilibada na sociedade, ou seja, é um rapaz de boa conduta social e
jamais demonstrou algum desrespeito com sua amada ou seus familiares, que
diga-se de passagem, são totalmente favoráveis ao casamento de ambos,
exceto por pela genitora de sua noiva.
Não obstante, Jorge ainda trabalha como empregado no ramo
Agropecuário para a Srª PAULA FERNANDES CINTRA LEITE, no qual aufere
renda extra considerável para compor seus ganhos. Nessa toada, percebe-se
que é uma pessoa trabalhadora, pois, além de ser empresário, ainda trabalha
registrado conforme faz prova sua CTPS anexa aos autos.
Assim, os Requerentes não veem outra saída senão se socorrer do
judiciário, para que a Douta Magistrada supra o consentimento para que
possam se casar e assim viver suas vidas e desfrutar da companhia um do
outro em amor.

DO DIREITO

Consoante dispõe o Código Civil a respeito da capacidade para o


casamento:

Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos


podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais,
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ou de seus representantes legais, enquanto não atingida
a maioridade civil.
(...)

Art. 1.519. A denegação do consentimento, quando


injusta, pode ser suprida pelo juiz.

No presente caso, considerando a idade de 17 anos, e,


considerando que a denegação de autorização dos pais se deve os
motivos fúteis, ou seja, injusta, enquadra-se perfeitamente ao permissivo
legal do Art. 1.517 do Código Civil, devendo ser deferido o presente
pedido.

DAS PROVAS QUE PRETENDE PRODUZIR


Para demonstrar o direito arguido no presente pedido, o autor pretende
instruir seus argumentos com as seguintes provas:

a) Depoimento pessoal da genitora Srª CARLA GRACIELA DA


SILVA COSTA, para esclarecimentos sobre o motivo real da
negativa de autorização de sua filha para o casamento com o noivo,
nos termos do Art. 385 do CPC;

b) Ouvida de testemunhas, uma vez que a requerente vem sofrendo


abusos dentro de casa pelo padrasto com anuência da mãe, ante o
que a requerente não convive com a mãe a anos, cujo rol segue
abaixo: Srª APARECIDA FRANCISCA DOS REIS, inscrita no RG nº
MG 4674470 e no CPF nº 854208676-72, residente e domiciliada na
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Rua Jader Moura, 1807, Simão da Cunha, Abaeté - MG, CEP:
35620-000 e VALDEMAR FRANCISCO DE SOUSA, aposentado,
avô materno de ANA CRISTINA SILVA DA COSTA,
residente e domiciliado na Rua Jader Moura, 1807, Simão da
Cunha, Abaeté - MG, CEP: 35620-000.

c) Obtenção dos documentos de atendimento, junto ao CONSELHO


TUTELAR E CREAS, nos termos do Art. 396 do CPC;

Importante esclarecer sobre a indispensabilidade da prova documental


e testemunhal, pois trata-se de meio mínimo necessário a comprovar o direito
pleiteado, sob pena de grave cerceamento de defesa, como destaca o STJ:

CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DA


PRODUÇÃO DE PROVA ORAL E COMPLEMENTAÇÃO
DE PERÍCIA. Constitui-se cerceamento de defesa o
indeferimento da produção de prova oral e prova técnica
visando comprovar tese da parte autora, considerando o
julgamento de improcedência do pedido relacionado a
produção da prova pretendida. (TRT-4 - RO:
00213657920165040401, Data de Julgamento:
23/04/2018, 5ª Turma)
Tratam-se de provas necessárias ao contraditório e à ampla defesa,
conforme dispõe o Art. 369 do Novo CPC, "As partes têm o direito de
empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda
que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em
que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do
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juiz."
Trata-se da positivação ao efetivo exercício do contraditório e da ampla
defesa disposto no Art. 5º da Constituição Federal:

"Art. 5º (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes;(...)"

A doutrina ao disciplinar sobre este princípio destaca:

"(...) quando se diz "inerentes" é certo que o legislador


quis abarcar todas as medidas passíveis de serem
desenvolvidas como estratégia de defesa. Assim, é
inerente o direito de apresentar as razões da defesa
perante o magistrado, o direito de produzir provas,
formular perguntas às testemunhas e quesitos aos
peritos, quando necessário, requerer o depoimento
pessoal da parte contrária, ter acesso aos documentos
juntados aos autos e assim por diante." (DA SILVA,
Homero Batista Mateus. Curso de Direito do Trabalho
Aplicado - vol. 8 - Ed. RT, 2017. Versão ebook. Cap. 14)
Para tanto, o autor pretende instruir o presente com as provas acima
indicadas, sob pena de nulidade do processo.

DA GRATUIDADE DOS EMOLUMENTOS


O artigo 5º, incs. XXXIV e XXXV da Constituição Federal assegura a
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todos o direito de acesso à justiça em defesa de seus direitos, independente do
pagamento de taxas, e prevê expressamente ainda que a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.
Ao regulamentar tal dispositivo constitucional, o Código de Processo
Civil prevê:

Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou


estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as
custas, as despesas processuais e os honorários
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma
da lei.

§ 1º A gratuidade da justiça compreende:


(...)

IX - os emolumentos devidos a notários ou


registradores em decorrência da prática de registro,
averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à
efetivação de decisão judicial ou à continuidade de
processo judicial no qual o benefício tenha sido
concedido.
Portanto, devida a gratuidade em relação aos emolumentos
extrajudiciais exigidos pelo Cartório. Nesse sentido são os precedentes sobre o
tema:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - JUSTIÇA GRATUITA -


EMOLUMENTOS E CERTIDÕES JUDICIAIS -
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ABRANGÊNCIA. Segundo o artigo 98, § 1º, inciso IX do
Código de Processo Civil a concessão de justiça gratuita
abrange "os emolumentos devidos a notários ou
registradores em decorrência da prática de registro,
averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à
efetivação de decisão judicial ou à continuidade de
processo judicial no qual o benefício tenha sido
concedido". (TJ-MG - Agravo de Instrumento-Cv
1.0000.23.326525-5/001, Relator(a): Des.(a) Maurílio
Gabriel, julgamento em 26/04/2024, publicação da súmula
em 02/05/2024)
Assim, por simples petição, uma vez que inexistente prova da condição
econômica do Requerente, requer o deferimento da gratuidade dos
emolumentos necessários para o deslinde do processo.

DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, REQUER:

A total procedência dos pedidos para declarar o suprimento


judicial de consentimento para que os nubentes possam contrair o
casamento.

DOS REQUERIMENTOS

1. A citação da genitora da requerente, para se manifestar, querendo,


no prazo legal;
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2. A intimação do órgão do Ministério Público para que acompanhe o
presente feito;

3. A produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente


a documental e testemunhal.

4. A condenação da Requerida ao pagamento das custas e honorários


advocatícios em 20 % (vinte por cento).

Dá-se à causa o valor de R$ 1.412,00 (hum mil e quatrocentos e


doze reais).

Termos em que,

Pede Deferimento.

Abaete, 03 de junho de 2024

ELIEL LUCAS RODRIGUES


ADVOGADO
OAB/MG 220168

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