BASICO
BASICO
em Célula, em Grupo
Motopropulsor e em
Aviônicos
Básico
2016 1
Diretoria Executiva Nacional Responsáveis técnicos
Coordenação de Projetos Especiais Eduardo Afonso de Medeiros Parente
Eduardo Barbosa Libanoro
Educação Presencial Marcelo Giuliano Fernandes
Manutenção de Aeronaves em Célula, Márcio Patrício de Oliveira
em Grupo Motopropulssor
e em Aviônicos Marcos Roberto Ribeiro
Nilton Gasparelli Esteves
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proprietários contatem os editores.
Para contribuir com as novas demandas que têm surgido no modo aéreo, o SEST
SENAT se empenhou em desenvolver um conjunto de livros técnicos, atualizados e
inovadores, tanto no que diz respeito ao setor quanto ao mercado educacional, a fim
de oferecer um material de referência aos alunos do Curso Técnico de Mecânico de
Manutenção de Aeronaves, ofertado em várias unidades do SEST SENAT.
Esses livros técnicos compreendem desde o que é exigido pela legislação vigente até
temas atualizados. Ressalta-se que isso atende à demanda das empresas por profissionais
altamente qualificados e adequados às novas tecnologias presentes no transporte aéreo
no Brasil e no mundo.
Esperamos, dessa forma, que esses livros sejam instrumento motivador para uma
aprendizagem de qualidade e que possam continuar sendo para você uma fonte de
consulta no futuro, quando se tornar mecânico de manutenção de aeronaves.
NICOLE GOULART
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Sumário
Unidade 1
Fatores humanos
Capítulo 1 - Noções básicas sobre fatores humanos.................................................. 19
1.1 Histórico...............................................................................................................19
1.2 Definições.............................................................................................................21
1.3 Modelos de análises de fatores humanos................................................................21
Capítulo 2 - Fatores que afetam o rendimento humano............................................ 27
2.1 Estresse..................................................................................................................27
2.2 Fadiga...................................................................................................................28
2.3 Sobrecarga de trabalho..........................................................................................28
2.4 Excesso de confiança.............................................................................................29
2.5 Tipos de personalidade .........................................................................................29
Capítulo 3 - Trabalho em equipe............................................................................... 31
3.1 Definição e características......................................................................................31
3.2 Estágios de desenvolvimento.................................................................................31
3.3 Equipes de trabalho efetivas...................................................................................32
Capítulo 4 - Comunicação........................................................................................ 35
4.1 Tipos de comunicação...........................................................................................35
4.2 Filtros e barreiras...................................................................................................36
4.3 Elementos da comunicação eficaz..........................................................................36
Capítulo 5 - Fatores ambientais................................................................................ 39
5.1 Iluminação............................................................................................................39
5.2 Temperatura..........................................................................................................39
5.3 Som e ruído..........................................................................................................40
5.4 Qualidade do ar....................................................................................................40
5.5 Acessibilidade........................................................................................................41
Capítulo 6 - Erro humano......................................................................................... 43
6.1 Tipos de erro.........................................................................................................43
6.2 Erro x violação......................................................................................................45
6.3 Fatores locais geradores de erro..............................................................................45
6.4 Princípios do gerenciamento do erro.....................................................................46
6.5 Estratégias de prevenção do erro............................................................................47
5
Capítulo 7 - Cultura de segurança............................................................................ 49
7.1 O que é cultura de segurança?...............................................................................49
7.2 Cultura justa.........................................................................................................49
7.3 Tipos de cultura de segurança................................................................................50
Unidade 2
Física
Capítulo 1 - Mecânica vetorial.................................................................................. 53
1.1 Vetor.....................................................................................................................53
1.2 Operações vetoriais ...............................................................................................57
1.3 Trabalho mecânico, potência, energia e conservação da energia ............................59
1.4 Quantidade de movimento e sua conservação .......................................................65
Capítulo 2 - Mecânica dos fluidos............................................................................. 67
2.1 Fluidos..................................................................................................................67
2.2 Pressão em sólidos e líquidos.................................................................................68
2.3 Experiência de Torricelli e pressão atmosférica.......................................................72
2.4 Unidades de pressão mais utilizadas.......................................................................73
Capítulo 3 - Hidrodinâmica ..................................................................................... 75
3.1 Conceito de hidrodinâmica...................................................................................75
3.2 Equação da continuidade (lei de Castelli)..............................................................76
3.3 Teorema de Bernoulli............................................................................................77
3.4 Aplicação da lei de Castelli e do teorema de Bernoulli...........................................78
Capítulo 4 - Termodinâmica .................................................................................... 85
4.1 Estados físicos da matéria .....................................................................................85
4.2 Temperatura, calor e primeira lei da termodinâmica..............................................85
4.3 Entropia e as 2ª e 3ª leis da termodinâmica...........................................................91
4.4 Teoria cinética dos gases .......................................................................................94
Capítulo 5 - Ótica..................................................................................................... 97
5.1 A natureza da luz...................................................................................................97
5.2 Reflexão..............................................................................................................101
5.3 Refração..............................................................................................................103
Capítulo 6 - Movimento ondulatório e som............................................................ 105
6.1 Natureza do som ................................................................................................105
6.2 Ondas sonoras.....................................................................................................106
6.3 Velocidade do som..............................................................................................109
6.4 Reflexão e refração...............................................................................................110
6
Unidade 3
Inglês técnico
Capítulo 1 - Aircraft – definitions and structure..................................................... 115
1.1 Parts of an airplane and their functions...............................................................115
1.2 Grammar point – verb to be................................................................................118
1.3 Flight, wings and empennage..............................................................................120
1.4 Grammar point – nouns......................................................................................125
1.5 Forces acting on the airplane...............................................................................126
1.6 Good practices in maintenance...........................................................................128
1.7 Grammar point – compound words....................................................................132
Capítulo 2 - Power plant......................................................................................... 135
2.1 Power plant.........................................................................................................135
2.2 Grammar point – articles and sentence structure.................................................147
2.3 Propeller..............................................................................................................149
2.4 Grammar point – verb tenses..............................................................................154
2.5 Good practices in maintenance...........................................................................159
2.6 Grammar point – adverbs and prepositions indicating place................................161
Capítulo 3 - Hydraulic and lubrication systems...................................................... 165
3.1 Hydraulic system and landing gear......................................................................165
3.2 Grammar point – word endings..........................................................................176
3.3 Lubrication system..............................................................................................177
3.4 Grammar point – numeral..................................................................................180
3.5 Good practices in maintenance...........................................................................181
Capítulo 4 - Electrical system and avionics............................................................. 183
4.1 Electrical system, ignition system and flight instruments.....................................183
4.2 Grammar point – adjectives: comparisons...........................................................196
4.3 Communication and navigation systems.............................................................197
4.4 Avionic system and warning system.....................................................................198
4.5 Grammar point – linking words..........................................................................200
4.6 Good practices in maintenance...........................................................................201
Capítulo 5 - Pressurization and fuel system............................................................ 203
5.1 Pressurization system...........................................................................................203
5.2 Grammar point – modal verbs............................................................................205
5.3 Fuel system.........................................................................................................207
5.4 Deicing system....................................................................................................212
5.5 Grammar point – passive voice............................................................................216
5.6 Good practices in maintenance...........................................................................216
Capítulo 6 - Tools and safety equipments............................................................... 219
6.1 Power and hand tools..........................................................................................219
6.2 Grammar point – units of measurements............................................................230
6.3 Safety equipments and alerts...............................................................................233
7
6.4 Grammar point – dimensions..............................................................................235
6.5 Good practices in maintenance...........................................................................236
Unidade 4
Redação técnica
Capítulo 1 - Introdução à redação técnica............................................................... 241
1.1 Definição............................................................................................................241
1.2 RBAC 43 – manutenção, manutenção preventiva, reconstrução e alteração.........242
Capítulo 2 - Registros primários............................................................................. 249
2.1 Definição............................................................................................................249
2.2 Conteúdo e forma de registros de inspeção..........................................................249
2.3 Aprovação para retorno ao serviço.......................................................................251
2.4 Registro de revisão geral e recondicionamento.....................................................251
Capítulo 3 - Registros secundários.......................................................................... 255
3.1 Introdução..........................................................................................................255
3.2 Mapa de controle de inspeções............................................................................256
3.3 Mapa de controle de componentes......................................................................257
3.4 Mapa de controle de diretrizes de aeronavegabilidade..........................................258
3.5 Lista de grandes modificações e grandes reparos..................................................259
Capítulo 4 - Tipos de registros de manutenção....................................................... 261
4.1 Ordem de serviço................................................................................................261
4.2 Ficha de inspeção anual de manutenção (FIAM).................................................262
4.3 Relatório de condição aeronavegável (RCA)........................................................264
4.4 Lista de verificação (LV)......................................................................................266
4.5 Ficha de inspeção................................................................................................268
4.6 Cadernetas de célula, de motor e de hélice...........................................................270
4.7 Diário de bordo...................................................................................................275
4.8 Etiqueta de aprovação de aeronavegabilidade – SEGVOO 003...........................276
4.9 Registro e aprovação de grandes modificações
e grandes reparos – SEGVOO 001.......................................................................281
4.10 Ficha de cumprimento de diretriz de aeronavegabilidade (FCDA).....................282
4.11 Apêndice A – IS 43.9-004 – registro a ser feito nos documentos
de aeronave reparada após acidente/incidente aeronáutico ...................................283
4.12 Apêndice B – IS 43.9-004 – comunicação e conclusão de reparo.......................283
4.13 Apêndice C – IS 43.9-004 – laudo de avarias....................................................284
4.14 Apêndice D – IS 43.9-004 – relatório de reparos...............................................286
4.15 Lista de discrepâncias........................................................................................287
8
Unidade 5
Matemática
Capítulo 1 - Números inteiros................................................................................ 293
1.1 Sistema de numeração ........................................................................................293
1.2 Números naturais ...............................................................................................294
1.3 Números inteiros ................................................................................................294
1.4 Aplicações no dia a dia .......................................................................................294
Capítulo 2 - Números reais..................................................................................... 297
2.1 Frações equivalentes ...........................................................................................297
2.2 Números decimais ..............................................................................................298
2.3 Números reais ...................................................................................................299
2.4 Potências e raízes.................................................................................................300
2.5 Aplicações no dia a dia ......................................................................................302
Capítulo 3 - Razões, proporções e porcentagens..................................................... 305
3.1 Razões.................................................................................................................305
3.2 Proporções .......................................................................................................305
3.3 Porcentagem........................................................................................................306
3.4 Frações, decimais e porcentagem.........................................................................307
3.5 Aplicações no dia a dia........................................................................................308
Capítulo 4 - Sistemas de medidas............................................................................ 311
4.1 Sistema internacional de unidades.......................................................................311
4.2 Medidas de comprimento, área e volume............................................................312
4.3 Medidas de massa e de capacidade.......................................................................314
4.4 Medidas de tempo...............................................................................................315
Capítulo 5 - Álgebra, gráficos e tabelas................................................................... 317
5.1 Polinômios..........................................................................................................317
5.2 Operações com polinômios.................................................................................318
5.3 Equações do primeiro e do segundo graus...........................................................319
5.4 Gráficos...............................................................................................................320
Capítulo 6 - Geometria........................................................................................... 325
6.1 Figuras geométricas.............................................................................................325
6.2 Perímetro............................................................................................................330
6.3 Cálculo de áreas – retângulo, quadrado, triângulo e círculo.................................330
6.4 Cálculo de volumes – prisma, cilindro e esfera....................................................333
9
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição
Capítulo 1 - Ferramentas de uso geral..................................................................... 339
1.1 Martelos e macetes..............................................................................................339
1.2 Chaves de fenda..................................................................................................342
1.3 Alicates................................................................................................................345
1.4 Punções ..............................................................................................................351
1.5 Chaves de boca....................................................................................................354
1.6 Chaves colar........................................................................................................355
1.7 Chaves combinadas.............................................................................................355
1.8 Chaves soquete....................................................................................................355
1.9 Chaves ajustáveis.................................................................................................356
1.10 Ferramentas especiais.........................................................................................356
Capítulo 2 - Ferramentas para cortar metais........................................................... 361
2.1 Tesouras manuais................................................................................................361
2.2 Arcos de serra......................................................................................................362
2.3 Talhadeiras..........................................................................................................363
2.4 Limas..................................................................................................................364
2.5 Máquinas de furar portáteis.................................................................................366
2.6 Brocas.................................................................................................................367
2.7 Alargadores.........................................................................................................368
2.8 Escareadores........................................................................................................369
2.9 Ferramentas para abrir ou recuperar roscas em porcas e parafusos........................369
Capítulo 3 - Metrologia.......................................................................................... 371
3.1 Introdução histórica............................................................................................371
3.2 Sistema internacional de unidades (SI)................................................................374
3.3 Sistema inglês de medidas...................................................................................376
3.4 Conversão de medidas.........................................................................................377
Capítulo 4 - Ferramentas de medição...................................................................... 381
4.1 Régua metálica....................................................................................................381
4.2 Esquadro combinado..........................................................................................382
4.3 Riscador..............................................................................................................382
4.4 Compasso...........................................................................................................382
4.5 Paquímetro.........................................................................................................384
4.6 Micrômetro.........................................................................................................387
4.7 Bloco-padrão.......................................................................................................388
4.8 Relógio comparador............................................................................................389
4.9 Gabaritos............................................................................................................389
4.10 Goniômetro......................................................................................................391
10
Unidade 7
Doutrinamento básico – o mecânico de
manutenção aeronáutica e sua formação
profissional
Capítulo 1 - Doutrinamento básico........................................................................ 395
1.1 A formação profissional do mecânico de manutenção aeronáutica ......................395
1.2 Parte teórica do curso .........................................................................................398
1.3 Parte prática do curso..........................................................................................398
Capítulo 2 - Atividades do mecânico de manutenção de aeronaves......................... 401
2.1 Ingresso na profissão de mecânico de manutenção de aeronaves..........................401
2.2 Obtenção da licença de mecânico de manutenção aeronáutica
e dos certificados de habilitação técnica ...............................................................401
2.3 O exercício da profissão ......................................................................................402
2.4 Atribuições e tarefas ...........................................................................................406
2.5 Revisão, manutenção, inspeção e serviços de rotina em aeronaves
e em seus sistemas.................................................................................................407
2.6 Detecção de defeitos e irregularidades .................................................................409
Capítulo 3 - Segurança do trabalho aplicada à atividade de manutenção
de aeronaves........................................................................................................ 413
3.1 O ambiente do trabalho......................................................................................413
3.2 As condições de trabalho.....................................................................................418
3.3 Os riscos nos tipos de trabalhos mais comuns......................................................419
Capítulo 4 - Regulamentação da profissão de mecânico de manutenção
aeronáutica......................................................................................................... 425
4.1 Direito do trabalho aplicado ao mecânico de aeronaves ......................................425
4.2 Contrato de trabalho celebrado entre o empregador e o empregado ....................427
4.3 O empregado – mecânico de aeronaves...............................................................428
4.4 O empregador – empresa aérea ...........................................................................429
4.5 Higiene e segurança no trabalho .........................................................................430
4.6 Previdência social aplicada à profissão de mecânico de manutenção de aeronaves.431
Unidade 8
Primeiros socorros
Capítulo 1 - Eventos adversos neurológicos............................................................ 437
1.1 Queda do nível de consciência............................................................................437
1.2 Crise convulsiva..................................................................................................438
1.3 Insolação e intermação........................................................................................441
11
Capítulo 2 - Eventos adversos cardiológicos............................................................ 443
2.1 Parada cardiorrespiratória....................................................................................443
2.2 Obstrução arterial...............................................................................................443
2.3 Hemorragias........................................................................................................445
2.4 Estado de choque................................................................................................447
2.5 Desidratação.......................................................................................................448
Capítulo 3 - Eventos respiratórios adversos............................................................. 449
3.1 Crise asmática ....................................................................................................449
3.2 Parada respiratória...............................................................................................450
Capítulo 4 - Eventos tegumentares diversos............................................................ 453
4.1 Queimaduras.......................................................................................................453
4.2 Lesões perfurantes...............................................................................................455
4.3 Corpos estranhos.................................................................................................456
Capítulo 5 - Eventos osteomusculares adversos....................................................... 459
5.1 Entorse................................................................................................................459
5.2 Luxação ..............................................................................................................459
5.3 Fraturas ..............................................................................................................460
Capítulo 6 - Eventos adversos por envenenamento................................................. 463
6.1 Envenenamento por gases...................................................................................463
6.2 Envenenamento por líquidos...............................................................................464
6.3 Envenenamento autoprovocado..........................................................................464
Capítulo 7 - Transporte de acidentados................................................................... 467
7.1 Transporte com auxílio........................................................................................467
7.2 Transporte com os braços....................................................................................467
7.3 Transporte com equipamentos.............................................................................468
Unidade 9
Química
Capítulo 1 - O estudo da matéria............................................................................ 473
1.1 Substância pura e mistura....................................................................................473
1.2 Classificação das misturas....................................................................................474
1.3 Transformações da matéria..................................................................................474
1.4 Propriedades extensivas e intensivas da matéria....................................................475
1.5 Estados de agregação da matéria..........................................................................476
1.6 O estudo do átomo.............................................................................................480
1.7 Massa atômica e massa molecular........................................................................484
1.8 Massa molar e mol..............................................................................................485
Capítulo 2 - A tabela periódica............................................................................... 487
2.1 Organização dos elementos químicos na tabela periódica....................................487
2.2 Propriedades periódicas.......................................................................................490
2.3 Dureza................................................................................................................491
12
Capítulo 3 - Ligações químicas............................................................................... 493
3.1 Propriedades e características dos compostos iônicos...........................................493
3.2 Propriedades e características dos compostos moleculares....................................495
3.3 Propriedades e características dos compostos metálicos........................................498
Capítulo 4 - Coloides e agregados........................................................................... 499
4.1 Classificação dos coloides....................................................................................499
4.2 Propriedades de um sistema coloidal...................................................................500
Capítulo 5 - O estudo das soluções químicas.......................................................... 503
5.1 A água como solvente..........................................................................................503
5.2 Solubilidade ou coeficiente de solubilidade..........................................................504
5.3 Classificação de soluções......................................................................................505
5.4 Aspectos quantitativos de solução........................................................................506
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil
Capítulo 1 - Introdução.......................................................................................... 511
Capítulo 2 - Regulamentação da aviação civil nacional e internacional.................. 515
2.1 Histórico.............................................................................................................515
2.2 Convenção de Chicago........................................................................................516
2.3 Organização de Aviação Civil Internacional (OACI)...........................................517
2.4 Regulamentação da aviação civil nacional............................................................519
Capítulo 3 - Legislação básica atual da aviação civil nacional................................. 521
3.1 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988......................................521
3.2 Lei nº 7.565/1986 – Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA)............................522
3.3 Lei nº 7.183/1984 – Lei do Aeronauta................................................................525
3.4 Lei nº 11.182/2005 – Lei de criação da Agência Nacional
de Aviação Civil (ANAC).....................................................................................525
3.5 Acordos e convenções internacionais...................................................................530
3.6 Legislação complementar....................................................................................530
Capítulo 4 - Órgãos e competências........................................................................ 533
4.1 Conselho de Aviação Civil (CONAC).................................................................533
4.2 Secretaria de Aviação Civil (SAC)........................................................................534
4.3 Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)........................................................535
4.4 Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO)......................536
4.5 Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA)......................................537
4.6 Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA)..........538
Capítulo 5 - Organizações internacionais............................................................... 541
5.1 International Air Transport Association (IATA)......................................................541
5.2 Federal Aviation Administration (FAA).................................................................542
5.3 European Aviation Safety Agency (EASA)..............................................................543
13
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química
Capítulo 1 - Tráfico de drogas ................................................................................ 547
1.1 Conceituando tráfico de drogas...........................................................................547
1.2 O combate ao tráfico de drogas ..........................................................................548
1.3 Ações preventivas................................................................................................548
1.4 Ações de repressão e combate..............................................................................549
Capítulo 2 - Dependência química......................................................................... 551
2.1 Diferentes tipos de drogas...................................................................................551
2.2 Efeito das drogas no organismo...........................................................................553
Atividades
Unidade 1
Fatores humanos.......................................................................................................555
Unidade 2
Física.........................................................................................................................562
Unidade 3
Inglês técnico............................................................................................................572
Unidade 4
Redação técnica.........................................................................................................578
Unidade 5
Matemática...............................................................................................................582
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição............................................................................588
Unidade 7
Doutrinamento básico – o mecânico de manutenção aeronáutica
e sua formação profissional...................................................................................592
Unidade 8
Primeiros socorros.....................................................................................................596
Unidade 9
Química....................................................................................................................602
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil................................................................................610
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química...................................................................615
14
Glossário
Unidade 1
Fatores humanos.......................................................................................................617
Unidade 2
Física.........................................................................................................................617
Unidade 3
Inglês técnico............................................................................................................620
Unidade 4
Redação técnica.........................................................................................................624
Unidade 5
Matemática...............................................................................................................625
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição............................................................................625
Unidade 7
Doutrinamento básico - o mecânico de manutenção aeronáutica
e sua formação profissional...................................................................................628
Unidade 8
Primeiros socorros.....................................................................................................628
Unidade 9
Química....................................................................................................................631
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil................................................................................632
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química...................................................................634
Referências
Unidade 1
Fatores humanos.......................................................................................................635
Unidade 2
Física.........................................................................................................................637
Unidade 3
Inglês técnico............................................................................................................637
Unidade 4
Redação técnica.........................................................................................................639
Unidade 5
Matemática...............................................................................................................641
15
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição............................................................................641
Unidade 7
Doutrinamento básico – o mecânico de manutenção aeronáutica
e sua formação profissional...................................................................................643
Unidade 8
Primeiros socorros.....................................................................................................647
Unidade 9
Química....................................................................................................................648
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil................................................................................649
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química...................................................................652
Gabarito
Unidade 1
Fatores humanos.......................................................................................................655
Unidade 2
Física.........................................................................................................................655
Unidade 3
Inglês técnico............................................................................................................655
Unidade 4
Redação técnica.........................................................................................................655
Unidade 5
Matemática...............................................................................................................656
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição............................................................................656
Unidade 7
Doutrinamento básico – o mecânico de manutenção aeronáutica
e sua formação profissional...................................................................................656
Unidade 8
Primeiros socorros.....................................................................................................656
Unidade 9
Química....................................................................................................................656
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil................................................................................657
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química...................................................................657
16
Unidade 1
Fatores humanos
17
18
Capítulo 1
Noções básicas sobre fatores humanos
A aviação, como parte dos sistemas tecnológicos complexos, necessita da intervenção dos
profissionais de manutenção de aeronaves para preservar o seu nível de confiabilidade e,
consequentemente, de eficiência e segurança.
Isso porque, com a crescente automatização dos sistemas de aviação, os profissionais realizam
menos controle manual direto dos equipamentos. Por conseguinte, a manutenção está se tornando
um importante ponto de interação entre pessoas e tecnologias, em que as capacidades e limitações
humanas podem ter um impacto significativo na segurança e na confiabilidade do sistema.
Como os mecânicos de aeronaves fazem parte do complexo sistema, que é a aviação, e por
natureza não possuem manual nem especificação de desempenho operacional, faz-se necessária
a compreensão dos Fatores Humanos no ambiente da manutenção, como um incremento para
a segurança e a confiabilidade do sistema.
1.1 Histórico
Na I Guerra Mundial, os aviões eram utilizados como um veículo militar, mas rapidamente se
tornaram armas de guerra, quando foram usados para lançar bombas e abater aviões inimigos.
Neste período, os britânicos da Royal Flying Corps, Corporação de Voo da Força Aérea Britânica,
registraram que de cada 100 aviadores que morreram durante o voo, dois morreram de ataque
inimigo, oito por causa de falhas mecânicas ou estruturais da aeronave e 90 em consequência de
suas próprias deficiências individuais (MANUAL TÉCNICO DO EXÉRCITO AMERICANO,
1941, apud HOBBS, 2008).
Enquanto, por um lado, se reconheceu, a partir dos acidentes ocorridos, a variabilidade existente
entre os seres humanos e seu desempenho, por outro lado, havia pouco nível de conhecimento
sobre as características e limitações do desempenho humano.
Como resultado, deu-se ênfase ao processo de seleção, buscando pessoas com habilidades e atitudes
consideradas corretas para pilotar aviões. Entretanto, mesmo com a seleção de candidatos, com as
19
qualidades necessárias, observou-se que ainda cometiam erros que levavam a acidentes e incidentes.
Muitas destas ocorrências foram atribuídas à falta de formação e de treinamento do piloto.
A afirmação do relatório forneceu pouca explicação sobre o porquê e como prevenir essa situação.
Como poderia uma equipe de voo, altamente treinada e experiente, estar distraída com a luz de
advertência do trem de pouso? Questões como esta, gerada por este acidente e outros semelhantes,
provocaram o desenvolvimento de treinamento para melhorar a coordenação da tripulação e o
processo decisório (Crew Resource Management) (HELMREICH; MERRITT; WILHELM, 1999).
Desde então, os estudos sobre Fatores Humanos passaram a considerar não apenas as ações
individuais do piloto, mas também as da tripulação de cabine, das equipes de manutenção, dos
controladores de tráfego aéreo, além de questões organizacionais que envolvem a atividade aérea.
No âmbito da manutenção, somente após o acidente aéreo com um voo de uma companhia
aérea americana sediada em Honolulu, Havaí, em abril de 1988, Kahului, HI, EUA, no qual
houve uma descompressão explosiva em pleno voo e a aeronave perdeu cerca de 1/3 do seu
telhado, em virtude de uma combinação de corrosão e fadiga preexistentes na fuselagem,
que se despertou efetivamente a atenção de órgãos da aviação civil, como a Federal Aviation
Adminstration (FAA), dos EUA, para a importância de lidar com as questões de Fatores
Humanos em manutenção de aeronaves.
20
A partir deste acidente, os estudos sobre Fatores Humanos passaram a ser incluídos na formação
dos profissionais de manutenção. As autoridades de aviação civil dos Estados Unidos da América,
do Reino Unido e do Canadá organizaram simpósios internacionais sobre Fatores Humanos
em manutenção de aeronaves para discutir as questões relativas ao desempenho humano na
atividade de manutenção. Já foram realizadas 15 edições deste evento ao longo dos anos.
1.2 Definições
Segundo a International Civil Aviation Organization (ICAO), ou em português, Organização da
Aviação Civil Internacional (OACI), “fatores humanos referem-se às pessoas em suas situações
de vida e de trabalho, à sua relação com as máquinas, aos procedimentos e ao ambiente que as
rodeiam e, também, às suas relações com os demais” (OACI, 2003, p. 1-8).
De acordo com Edwards (1985 apud HAWKINS, 1993), o objetivo dos fatores humanos é
otimizar o relacionamento entre as pessoas, a tecnologia e o meio ambiente.
Este modelo foi desenvolvido por Edwards, em 1972, e adaptado por Hawkins, em 1984
e 1987. Ele procura enfatizar a ação humana em interação com os demais componentes do
tradicional sistema homem-ambiente-máquina. Assim, seu nome é composto pelas iniciais dos
seus elementos (em inglês): S – Software, H – Hardware, E – Environment e L – Liveware.
21
O elemento humano é o centro da atividade deste modelo e
os demais componentes devem se adaptar e se corresponder
a ele. De acordo com esse modelo, as interfaces dos blocos
devem ter um perfeito encaixe, pois, caso isso não ocorra, os
erros humanos surgirão.
Uma ferramenta de prevenção, utilizada para lidar com os aspectos desta interface, é o
treinamento em Crew Resource Management (CRM), em português chamado de Gerenciamento
de Recursos de Equipe, e a sua versão para a manutenção, Maintenance Resource Management
(MRM), que significa Gerenciamento de Recursos na Manutenção.
Esta interface refere-se ao sistema de apoio disponível no ambiente de trabalho. Aqui se encontra
a interação do homem com procedimentos, manuais, lista de verificação, mapas, programas
de computador, cartas, planos de voo, entre outros. Deve-se observar tanto a sua adequação
quanto a sua disponibilidade para uso. De acordo com a OACI (1998), os problemas nesta
interação só aparecem nos relatórios de acidente, pois são mais difíceis de serem percebidos e,
portanto, de serem resolvidos.
Tabela 1 - Interação no ambiente de trabalho
22
d) Liveware (homem) – hardware (equipamento)
Segundo a OACI (2003), muitos erros acontecem nessa interface, devido à característica natural
do ser humano em se adaptar, levando-o a se acomodar às deficiências do equipamento, o que
se constitui um perigo potencial.
Esta interface foi uma das primeiras preocupações no sentido de tentar adaptar o homem ao
ambiente aeronáutico. Porém, com o desenvolvimento tecnológico, essa situação foi invertida
de tal forma que se passou a adaptar o ambiente às necessidades humanas, ocasionando o
desenvolvimento da pressurização, do ar condicionado, do isolamento acústico nas aeronaves.
Deve-se considerar nessa interação os aspectos de ruído, aceleração, vibração, fuso horário,
condições meteorológicas, características do aeródromo, infraestrutura de apoio e abastecimento,
políticas econômicas e administrativas da organização, etc. Segundo Moreira (2001, p. 37), “os
fatores ambientais e a alteração dos ritmos biológicos sofridos pelos profissionais são uma fonte
de erros importante desta interface”.
Este modelo, concebido pelo professor James Reason, em 1990, parte do princípio que
a indústria aeronáutica é um sistema sociotécnico complexo e que a operação ocorre em
condições de risco. Assim, por meio do seu modelo, Reason procura analisar o modo como os
seres humanos contribuem para as falhas deste sistema.
23
As falhas ativas são conceituadas por Reason, como os erros ou as violações cometidas pelo operador
(mecânico, controlador, piloto), em contato direto com a operação, e têm um impacto imediato na
segurança do sistema, se não forem percebidas e corrigidas a tempo.
Figura 3 - Exemplo do alinhamento das condições latentes e falha ativa no contexto da manutenção
24
Resumindo
Este capítulo forneceu subsídios para uma reflexão sobre a importância dos Fatores Humanos
no contexto da aviação, mais precisamente no âmbito da manutenção. Foram apresentados os
marcos históricos que incentivaram os estudos de Fatores Humanos, as definições que envolvem
o termo Fatores Humanos e os modelos de análises de Fatores Humanos recomendados pela
OACI: SHELL e Reason. O Modelo SHELL auxilia na compreensão das relações existentes
na interface homem-ambiente-máquina. O Modelo Reason, por sua vez, busca analisar de que
modo as falhas no sistema de aviação contribuem para o erro humano.
25
26
Capítulo 2
Fatores que afetam o rendimento humano
2.1 Estresse
Lipp e Malagris (2001) defendem que o estresse é considerado como uma resposta complexa
do organismo humano que envolve reações físicas, psicológicas, mentais e hormonais, frente a
qualquer evento interpretado como desafiante.
A aviação é considerada uma atividade estressante por vários fatores, como tempo e jornada
de trabalho, por exemplo. Na manutenção, o trabalho deve ser executado em curto espaço de
tempo, a fim de evitar atrasos ou cancelamento dos voos, e as rápidas mudanças tecnológicas
também podem adicionar estresse à rotina dos técnicos.
No entanto, cada pessoa reage de modo diverso ao estresse. A mesma situação pode trazer
diferentes graus de dificuldade, ou seja, um determinado acontecimento pode ser estressante
para uma pessoa e para outra não.
A FAA (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, 2000) entende que o estresse pode ser
provocado por agentes físicos, fisiológicos e psicológicos. Os agentes físicos adicionam carga
de trabalho ao indivíduo e tornam o ambiente de trabalho desconfortável. A temperatura
(baixa ou alta), o nível de barulho, a iluminação e os espaços de trabalho são exemplos de
agentes estressores físicos presentes no ambiente de manutenção.
27
2.2 Fadiga
A fadiga é representada por uma sensação de cansaço físico ou mental, alterações fisiológicas e
mudanças no desempenho, em decorrência da duração do tempo de trabalho ou da hora do dia
Fadiga: cansaço físico ou
mental que pode afetar o em que é executado (REASON; HOBBS, 2003).
desempenho humano.
A pessoa fatigada sofre uma redução da habilidade cognitiva, da tomada de decisão, do tempo
de reação, da coordenação e da força. A fadiga reduz, também, o estado de alerta, a capacidade
de concentração e de atenção na execução das tarefas, tendo influência direta no padrão de
desempenho.
No caso da manutenção de aeronaves, alguns fatores exercem maior influência para o surgimento
da fadiga: número excessivo de horas de trabalho, planejamento de trabalho mal elaborado,
programação dos turnos de trabalho inadequada, temperatura, umidade e ruído no ambiente
de trabalho (OACI, 2003).
Estudos realizados pela Australian Transport Safety Bureau (HOBBS, 2008) com técnicos de
manutenção apontaram que, quando sentem sonolência, há um risco maior de cometerem
erros ligados à memória e à percepção.
Para evitar a fadiga, o sono regular e de qualidade, a realização de atividades físicas e a melhoria
das condições de trabalho são essenciais.
Essa sobrecarga decorre, em alguns casos, da falta de pessoal suficiente para planejar, executar,
supervisionar, inspecionar e vigiar a qualidade do trabalho da organização, o que resulta em
acúmulo de tarefas por uma mesma pessoa.
A carga de trabalho excessiva interfere tanto nas tarefas organizacionais, diminuindo a qualidade
do desempenho profissional, quanto na vida social e familiar daquele que faz hora extra para
cumprir sua demanda de trabalho (ARCÚRIO, 2014).
28
2.4 Excesso de confiança
O excesso de confiança é uma atitude que pode afetar o desempenho profissional, uma vez que
conduz à superestimação das informações disponíveis e induz o profissional a crer que possui
competências e habilidades superiores aos demais.
De acordo com Scott Plous (1993), se o profissional estiver extremamente confiante de sua
resposta, ainda assim deve considerar as razões pelas quais uma resposta diferente da sua pode estar
correta, pois dessa maneira os julgamentos serão mais bem avaliados e conduzirão aos acertos.
Resumindo
Este capítulo trouxe alguns fatores, presentes no contexto aeronáutico, que influenciam o
desempenho dos profissionais. O estresse foi apresentado como um elemento comumente
presente na manutenção e na aviação como um todo. Para criar estratégias de enfrentamento
do estresse, viu-se que é preciso reconhecer os agentes provocadores. A fadiga, resultante do
cansaço físico ou mental, é outro fator que afeta o rendimento assim como a sobrecarga de
trabalho, que diminui o estado de alerta, provocando a redução do padrão de desempenho.
Também foi abordado que confiança em excesso pode ser prejudicial, e como os tipos de
personalidade são importantes para execução do trabalho.
29
30
Capítulo 3
Trabalho em equipe
Nessa perspectiva, a equipe de trabalho é caracterizada pela dinamicidade presente nas relações
estabelecidas entre as pessoas, assim como na execução das tarefas que, por sua vez, são
Equipe: conjunto de pessoas
orientadas para a consecução de um objetivo. Dessa maneira, os elementos constitutivos do com objetivos comuns
trabalho em equipe são: pessoas, tecnologias e objetivos. e que atuam de forma
compartilhada.
No trabalho em equipe, a responsabilidade pelo resultado final do trabalho é compartilhada
por todos no grupo. Os mecânicos de aeronaves costumam trabalhar em equipes, com tarefas
específicas. Assim, no hangar, formam-se múltiplas equipes, cada qual com suas próprias
responsabilidades mas todas trabalhando em função do mesmo objetivo: disponibilizar o
equipamento para o voo (OACI, 2003).
Grupos Equipes
31
Identificar os estágios de uma equipe ajuda a reconhecer que certos períodos de turbulência
fazem parte do seu processo de desenvolvimento e que, muitas vezes, é prudente a intervenção
externa (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, 2004).
a) Formação - é iniciada com os contatos para a realização do trabalho. Há um descobri-
mento do outro, mesmo quando esse já é alguém conhecido. Essa fase caracteriza-se pela
incerteza, pois nada está bem definido ainda, sejam as regras, as normas e/ou as respon-
sabilidades e os papéis de cada um. O estágio finaliza quando os indivíduos passam a se
reconhecer como membros da equipe.
b) Conflito - após a identificação dos membros da equipe, inicia-se o processo de ajuste ou
negociação (o que será realizado, por quem e de qual maneira). Se os líderes não forem
formalmente estabelecidos pela organização, começam a se perfilar nesta fase e alguns
membros podem entrar em luta pelo controle da equipe. Saber lidar com o conflito é
importante, pois faz parte do processo de formação e estruturação da equipe.
c) Normatização - essa fase é caracterizada pela coesão entre os membros. Há maior troca
de informações, de forma aberta e espontânea, e maior tolerância face às divergências.
São definidos os papéis, as tarefas e as responsabilidades de cada membro. A conclusão
dessa fase se dá quando são aceitas as normas de comportamento e os procedimentos que
subsidiarão as tarefas a serem cumpridas.
d) Desempenho - esse estágio se concretiza com a execução das atividades previstas. Toda a
energia da equipe se volta para a realização das tarefas, com base nas metas e no comando
estabelecido. É a fase da produtividade.
e) Desintegração - esse estágio ocorre quando os objetivos, que determinaram a criação da
equipe, forem atingidos e não há mais motivos para continuar a existir. É importante
ressaltar que esta fase só está presente nas equipes de trabalho temporário.
Esses estágios se organizam de forma dinâmica e passam por ajustes permanentes durante o
tempo de existência da equipe. Alguns comportamentos característicos têm maior probabilidade
de ocorrer em certos momentos e, por isso, devem ser cuidadosamente observados, a fim de
evitar conflitos e prejudicar a execução do trabalho.
Apesar de não existir uma receita para tornar-se uma equipe de trabalho efetiva, alguns aspectos
devem ser considerados para impulsionar o desempenho da equipe. Um deles é a adequação
entre o número de membros e as tarefas designadas para execução. Além disso, é preciso que
os membros da equipe possuam habilidades e conhecimentos para alcançar os resultados
esperados. Segundo Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2004, p. 377),
32
Outro elemento essencial a uma equipe de trabalho é a margem de liberdade e de
confiança estabelecida para gerenciar os recursos disponíveis e tomar as decisões
necessárias, a fim de promover o sentimento de controle sobre o desempenho e a
responsabilidade pelos resultados. Controle, a mais ou a menos, pode repercutir na
efetividade da equipe.
Propósito claro A equipe tem um propósito claro que é aceito por todos os membros.
Interação descontraída A equipe é descontraída e informal, sem tensões evidentes entre os membros.
Participação Os membros discutem e participam nas decisões e/ou atividades.
Escuta Cada membro da equipe escuta ativamente o outro.
Os membros da equipe são confortáveis o suficiente para discordar um com o outro,
Discordância
se a situação exigir.
Embora possa haver um líder formal, cada membro da equipe pode partilhar
Liderança compartilhada
responsabilidades de liderança, dependendo da situação.
Resumindo
Este capítulo forneceu subsídios para os mecânicos de aeronaves refletirem sobre a importância
do trabalho em equipe, entendido como resultante de um padrão complexo de relações
dinâmicas entre os membros, que utilizam determinadas ferramentas e procedimentos para
atingir os propósitos comuns.
33
34
Capítulo 4
Comunicação
De acordo com Doc. 9824 (OACI, 2003), alguns aspectos precisam ser observados na
estruturação das documentações:
35
• compatibilidade física - a documentação precisar ter compatibilidade física com a tarefa
correspondente, ou seja, é desejável tamanho e peso adequados, letras de fácil leitura e
material resistente.
O ruído é uma interferência para a audição. Equipamentos, aviões, rádio, televisão e outras
pessoas podem servir como meio de desviar a atenção – de quem precisa ouvir. Até o estado
de espírito ou uma temperatura ambiente desconfortável podem servir como distrações no
processo de comunicação (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, 2008).
Comunicar por meio do canal errado pode causar mais problemas do que não comunicar.
Considerando uma situação na qual um mecânico esteja num espaço de difícil alcance, no
interior de uma aeronave, e precise comunicar para outro mecânico ou supervisor a aparência
de um componente. Se escolher utilizar um rádio, é provável que, mesmo descrevendo
verbalmente a aparência do componente, ele não consiga fornecer informações adequadas para
os que estão fora da área de trabalho.
36
Estabelecer e padronizar as reuniões de troca de turno (turnover) promove adequada transferência
de informações da equipe que sai para a equipe que assume o turno. A reunião de início de
turno tem o propósito de comunicar a todos o que foi feito e o que se espera do próximo turno.
Os elementos da comunicação:
Resumindo
Neste capítulo, foram apresentados os tipos de comunicação presentes no contexto da
aviação. A comunicação oral e a escrita são essenciais para o trabalho de manutenção, uma
vez que é orientado pela documentação existente e pela troca de informações entre as equipes.
Abordaram-se, ainda, os aspectos impeditivos para o estabelecimento de uma comunicação
adequada. No intuito de minimizar os problemas de comunicação e facilitar o seu processo,
foram apresentados elementos-chave que contribuem para a eficácia da comunicação.
37
38
Capítulo 5
Fatores ambientais
5.1 Iluminação
A iluminação é importante para o mantenedor no contexto dos Fatores Humanos (interação
homem-meio) e de segurança.
Há dois problemas potenciais associados à iluminação no local de trabalho: pouca luz e pouco brilho.
Em algumas situações difíceis de inspeção de aeronaves, é necessário usar uma iluminação especial,
como por exemplo, a polarizada ou a infravermelho (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, 2000).
Vale salientar que os requisitos de luz podem modificar com a idade. Por exemplo, pessoas mais
velhas podem precisar de quase duas vezes mais iluminação do que as mais novas.
Independentemente da idade, é essencial quebrar a incidência direta da luz nos olhos, colocando
a fonte de luz acima da cabeça ou atrás dos ombros.
5.2 Temperatura
Os fatores que colaboram para um ambiente de trabalho em boas condições: a temperatura
do ar, o calor, a velocidade do ar e a umidade relativa. Condições de temperatura inadequadas
interferem nas capacidades física e mental do ser humano.
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Os melhores métodos de controle dos efeitos da temperatura no desempenho profissional
incluem:
• não forçar o técnico de manutenção a usar roupas ou equipamentos desnecessários;
• usar roupas adequadas ao trabalho e ao clima;
• certificar-se de que o profissional esteja aclimatado à temperatura do ambiente;
• prover alimentação adequada e local de repouso em um ambiente com temperatura amena.
As baixas temperaturas podem ser tão estressantes e perigosas como as altas temperaturas, mas
os efeitos do frio podem ser mais sutis do que os do calor. O adequado é ajustar a temperatura
de acordo com o tipo de trabalho realizado.
Isso deve ser considerado no contexto de um ambiente de trabalho normal desde que o ruído
seja médio, variando tipicamente 70-75 dBA, níveis dentro das áreas de hangares, os quais
devem ser medidos por uma equipe de auditoria da FAA.
5.4 Qualidade do ar
A qualidade do ar pode afetar diretamente determinados níveis de desempenho humano. Algumas
toxinas presentes no ar podem aumentar o risco de traumas cumulativos (lesões nos tendões,
nervos ou ligamentos), pois alteram o fluxo sanguíneo periférico para as mãos, por exemplo.
O aumento dos níveis de monóxido de carbono no ambiente de trabalho pode reduzir o estado
de alerta mental, retardando a velocidade de resposta e, em consequência, aumentando o risco
de um acidente ou erro.
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5.5 Acessibilidade
O local de trabalho da manutenção deve possuir fácil acesso, ou seja, deve estar organizado e
sem obstáculos para a passagem. O piso deve ser adequado para evitar quedas e escorregões,
especialmente na área de execução do serviço de manutenção, onde é comum carregar, empurrar
ou puxar objetos. Assim, o piso necessita de um mínimo coeficiente de atrito estático entre o
calçado e o chão.
Para um trânsito seguro, as superfícies de caminhada devem estar limpas, secas e livres de itens
soltos, como peças e ferramentas.
Resumindo
Este capítulo elencou os fatores ambientais que apresentam potenciais riscos de segurança e
que concorrem para produção de erros humanos no ambiente de trabalho. Comentou sobre
os níveis de luminosidade do ambiente e sobre a influência que a temperatura, alta ou baixa,
exerce no desempenho.
Mostrou que o som (comunicação oral e sinais auditivos) é necessário ao trabalho, pois emite
sinais de alerta ao profissional. Por outro lado, apontou os ruídos com um fator que pode levar
o profissional ao estresse. Por fim, assinalou que a qualidade do ar e a acessibilidade às áreas de
trabalho são fatores ambientais que podem comprometer tanto o desempenho quanto a saúde
do profissional, afetando a segurança do trabalho.
41
42
Capítulo 6
Erro humano
De acordo com Reason (1990), o termo genérico erro humano abrange as ocasiões nas quais
a sequência mental planejada de atividades, mentais ou físicas, falha em alcançar seu objetivo.
Para Rasmussen (1986 apud REASON, 1990), o desempenho humano envolve três níveis de
execução: habilidade, regra e conhecimento.
Deslizes e lapsos
Deslizes e lapsos são as ações que não ocorreram conforme o planejado porque houve uma falha
entre o que se almejava fazer e o que, realmente, foi executado.
Os deslizes são erros resultantes da falta de atenção e ocorrem, normalmente, quando se executa
um trabalho de rotina.
• realizar uma sequência habitual de ações num ambiente familiar ou no trabalho (rotina);
• ocorrer alguma mudança no planejamento da ação ou nas circunstâncias que envolvem a
ação;
• direcionar o foco da atenção para uma preocupação interna ou alguma distração externa,
enquanto se realiza uma ação.
Os lapsos decorrem da falha da memória e podem ter que esperar por uma ocasião específica
para serem notados. Esquecer-se de postar uma carta é um exemplo de lapso, que pode ser
detectado somente quando a pessoa volta para casa e encontra a carta não postada.
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Os lapsos podem ocorrer nos três estágios do processamento da informação pela memória:
Na manutenção de aeronaves, um dos lapsos mais identificados é não completar a etapa de uma
tarefa que foi interrompida durante a sua execução.
No nível das regras, o erro humano pode ocorrer por um desvio da regra ou do procedimento
estabelecidos. São os chamados equívocos. Normalmente, os profissionais da aviação passam
por constantes treinamentos, têm seu trabalho padronizado e os erros podem surgir da aplicação
distorcida de uma regra.
Equívocos
Para qualquer situação, as regras (controles internos ou externos) podem assumir um dos três
estados:
• boas regras, que são apropriadas para a situação;
• regras ruins, que são inapropriadas para a situação;
• não há regras disponíveis.
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O último estado de regras corresponde ao que Rasmussen (1986, apud REASON, 1990)
denominou de nível de desempenho baseado no conhecimento.
No nível do conhecimento, não há regras para o desempenho humano, já que as situações são
novas e as ações devem ser planejadas, usando o processo analítico consciente e o conhecimento
armazenado. É comum que os erros neste nível ocorram quando se lida com um problema
novo ou se realiza uma tarefa pela primeira vez, para a qual o conhecimento ainda está limitado.
Erros envolvem dois tipos distintos de desvios: o desvio involuntário da ação intencionada
(deslizes e lapsos) e o desvio das ações planejadas, que seguem um caminho distinto do objetivo
desejado (equívocos).
As violações podem ser definidas como desvios intencionais das ações, ou seja, são ações
deliberadas, mas não necessariamente condenáveis. É possível que em algumas situações estes
desvios intencionais sejam considerados necessários para manter a operação segura de um
sistema potencialmente perigoso.
Reason e Hobbs (2003), dizem que a experiência mostra que um número relativamente
45
limitado de fatores locais aparece repetidas vezes em relatórios de acidentes e incidentes no
âmbito da manutenção.
Alguns dos fatores-chave que cercam o trabalho de manutenção e os tipos de erros suscetíveis
de ocorrer são listados a seguir.
a) Documentação - esta é uma ferramenta que orienta todo o desempenho do mecânico de
aeronaves. Porém, quanto mais os profissionais se tornam familiarizados com a tarefa,
menos passam a consultar a documentação, dando margem ao erro. Por outro lado, do-
cumentações ambíguas, prolixas ou repetitivas também suscitam erros. Pequenas melho-
rias nos layouts da documentação podem contribuir para a redução de erros.
b) Pressão do tempo - na aviação, pressões para disponibilizar a aeronave o mais rápido
possível para o voo podem levar os profissionais a cometerem erros ao buscarem realizar
o serviço mais rapidamente.
c) Controle e limpeza das ferramentas - a limpeza e os cuidados com as ferramentas e os
equipamentos diminuem as chances de ocorrer erros. Por isso, para prevenir o erro é
essencial manter o controle dos itens utilizados na manutenção e dos componentes re-
movidos ou desmontados.
d) Ferramentas e equipamentos - deficiências nas ferramentas ou nos equipamentos podem
gerar erros e violações, porque diante das poucas alternativas para a realização do traba-
lho, os mantenedores, muitas vezes, assumem uma atitude de posso fazer, comprometen-
do a segurança de voo.
e) Conhecimento e experiência - são dois elementos essenciais para a prevenção do erro. A
falta de um deles pode conduzir a erros de execução. Tarefas executadas por aprendizes
precisam de supervisão mais criteriosa, pois há mais chances de erros. Os experientes, por
possuírem um nível de conhecimento elevado, podem desenvolver excesso de confiança
em sua capacidade e tender a minimizar as condições de risco de erros.
46
e) As pessoas não conseguem facilmente evitar as ações que não tinham a intenção de cometer
A culpa e a punição não fazem sentido quando a intenção é boa e as ações não são execu-
tadas como o planejado.
f ) Erros são consequências, não causas - os erros são produtos de uma cadeia de eventos que
envolve pessoas, equipes, tarefas, ambiente de trabalho e fatores organizacionais. Identificar o
erro é o início da pesquisa, não o fim.
g) Muitos erros são recorrentes - identificar os tipos de erros mais comuns no local de tra-
balho é um efetivo caminho para o gerenciamento.
h) Erros significativos para a segurança podem ocorrer em todos os níveis do sistema - o erro
pode permear todas as esferas da organização, portanto, as técnicas de gerenciamento do
erro devem ser aplicadas em todos os setores.
i) Gerenciamento do erro - as situações são gerenciáveis, mas a natureza humana não, por
isso deve-se buscar gerenciar o que é controlável.
j) Gerenciamento do erro é tornar pessoas boas em excelentes - o principal objetivo do
gerenciamento do erro é tornar as pessoas bem treinadas e altamente motivadas em ex-
celentes profissionais.
k) Não há um melhor caminho - diferentes tipos de erros ocorrem em diferentes níveis da
organização, requerendo diferentes técnicas de gerenciamento.
l) Gerenciamento eficaz de erros visa uma reforma contínua, em vez de correções locais -
isto significa melhorar as condições em que as pessoas trabalham, bem como fortalecer e
ampliar as defesas do sistema em geral.
m) Gerenciar o erro é a parte mais desafiadora e difícil do processo - para ter um efeito
duradouro, o gerenciamento precisa ser continuamente monitorado e ajustado às
novas condições.
Os investigadores modernos compartilham desta visão mais recente de se buscar o que está por
trás do erro humano. Entretanto, segui-la não é uma tarefa fácil, o que pode levar a desistirem do
enfoque sistêmico e focarem nos atos inseguros dos trabalhadores, ou seja, na falha individual.
47
A partir do princípio de que o erro é um componente normal do comportamento humano,
é preciso criar estratégias de identificação e de correção antes que consequências indesejáveis,
como acidentes, aconteçam.
Os autores Helmerich, Merritt e Wilhelm (1999) trazem três tipos de estratégias para o
gerenciamento do erro, a saber:
• reduzir o erro - tem por objetivo agir sobre as fontes de erro, eliminando os fatores con-
tribuintes que o geraram;
• capturar o erro - visa a captura do erro antes que desencadeie consequências adversas;
• mitigar o erro - a intenção é minimizar as consequências adversas que possam ser desen-
cadeadas pelo erro.
Resumindo
Este capítulo buscou ampliar o entendimento dos tipos de erros ocorridos no complexo sistema
que é a aviação, no qual o foco não está apenas no indivíduo, mas também em todo o contexto
que o cerca: o ambiente de trabalho, o suporte oferecido, o equipamento utilizado, entre outros.
A identificação dos prováveis tipos de erros e violações contribui para a adoção de atividades
de prevenção, utilizando estratégias baseadas nos princípios de gerenciamento do erro, o que
reforça a sedimentação de uma cultura de segurança.
48
Capítulo 7
Cultura de segurança
Viu-se anteriormente que o erro humano é inevitável, porém gerenciável. Para que o trabalho
de gestão e prevenção do erro seja efetivo no contexto da manutenção de aeronaves, torna-se
necessária a criação de uma cultura organizacional na qual as normas, as ações e os valores
promovam comportamentos que incentivem a identificação das condições latentes e a adoção
de estratégias para minimizar sua ocorrência, em prol da segurança.
A cultura justa exige identificar ativamente questões que afetam a segurança, como também
respondê-las com medidas adequadas. Por esta razão, a cultura justa envolve tanto indivíduos
quanto organizações, a fim de identificar atitudes e estilos corporativos, respectivamente, que
permitam ou facilitem os atos inseguros e as condições precursoras de acidentes e incidentes.
49
7.3 Tipos de cultura de segurança
Organizações com uma cultura positiva de segurança são caracterizadas pela existência de
subculturas, como:
A adoção de ações, por parte da organização, que gerencie os riscos e enfatize a cultura de
segurança é uma estratégia importante para melhorar as condições de trabalho e reduzir os
acidentes.
Resumindo
Este capítulo apresentou o conceito de cultura de segurança e a importância da sua
sedimentação no ambiente de manutenção de aeronaves. A cultura de segurança leva os
membros da organização a desenvolverem estratégias para lidar com as possíveis falhas de
maneira adequada e justa.
Além disso, os tipos de culturas (ou subculturas) que devem estar presentes na organização
foram expostos, a fim de demonstrar sua importância para a melhoria das condições de trabalho
por meio da implementação da cultura de segurança.
50
Unidade 2
Física
Desde os tempos mais remotos, o ser humano destacou-se das outras espécies por sua
capacidade de aprender e de interagir com o meio em benefício próprio. Assim, entre
outras ciências, desenvolveu a física, que busca entender as leis da natureza e aplicar os
conhecimentos no desenvolvimento da tecnologia. As aeronaves e todos os sistemas
envolvidos na sua manutenção têm como pilar as leis físicas.
Os conteúdos apresentados nesta unidade, organizados em seis capítulos, visam relembrar
os conceitos de física ensinados no Ensino Médio, mas com uma releitura voltada à
manutenção aeronáutica. Os conhecimentos de mecânica, hidrostática, hidrodinâmica,
termodinâmica, ótica e som são a base para o técnico desenvolver a excelência nos processos
de manutenção, tendo em vista o rigoroso padrão exigido nesta atividade.
Espera-se que o estudo destes conteúdos habilite o profissional a prosseguir seu
desenvolvimento técnico e a exercitar a habilidade de trabalhar com as unidades e
os símbolos do Sistema Internacional de Unidades (SI), entre outros encontrados nos
manuais técnicos, pois aeronaves de diversos tipos e nacionalidades estão disponíveis no
mercado nacional e internacional.
52
Capítulo 1
Mecânica vetorial
1.1 Vetor
No estudo da física, é possível observar a existência de grandezas, ditas escalares, representadas
por um número, seguidas de uma unidade. Por exemplo: 1 m2 de área, 10 kg de massa, 10 km
de distância, etc.
Assim, uma grandeza vetorial deve ser capaz de transmitir três informações: sentido, módulo e
direção, enquanto a grandeza escalar, apenas uma.
Na figura a seguir é possível observar que: em (A), os dois vetores têm o mesmo módulo, a mesma
direção e o sentido oposto; em (B), os vetores têm a mesma direção, o mesmo sentido e os módulos
diferentes; e, em (C), os vetores têm o módulo e o sentido igual, mas direções diferentes.
Figura 2.A - Vetores que têm Figura 2.B - Vetores que têm Figura 2.C - Vetores que têm o
o mesmo módulo, a mesma a mesma direção, o mesmo módulo e o sentido igual, mas
direção e o sentido oposto sentido e os módulos diferentes direções diferentes
53
Características das grandezas vetoriais
Intensidade ou módulo - é o número que indica quantas vezes a grandeza vetorial
considerada contém determinada unidade, sendo utilizada a notação |AB| (Figura 1).
Num gráfico, a intensidade da grandeza vetorial é representada pelo comprimento
da flecha.
Direção - é o ângulo que se forma com o eixo de referência.
Suporte ou linha de ação - é a reta que contém o vetor.
Sentido - é a orientação que possui sobre o suporte.
Ponto de aplicação - é o ponto do espaço no qual a grandeza vetorial age.
tan θ = A sin α
A S B + A cos α
α
θ α
B
54
Lei dos cossenos
A lei dos cossenos é uma lei geral, podendo ser utilizada em qualquer combinação
de dois vetores.
Em qualquer triângulo, o quadrado de um dos lados é igual à soma dos quadrados
dos outros dois lados, menos o dobro do produto desses dois lados pelo cosseno do
ângulo formado entre eles.
Para um conjunto de (n) vetores, utiliza-se outro método para encontrar o vetor resultante,
conhecido como processo do polígono. Esse método consiste em traçar vetores equipolentes
aos vetores dados, coincidindo o início de um com o final do outro. O vetor resultante terá
direção e sentido, ligando o início do primeiro com o final do último. Equipolentes: vetores
que possuem mesmo
sentido, mesma direção
e mesma intensidade que
os originais, com pontos
A B C de aplicação distintos.
D
Sistema: é definido como
a parte do universo que
B está sob consideração.
A Qualquer ente ou conjunto
de entes sob enfoque
C define um sistema. Uma
R fronteira hipotética ou real
sempre separa o sistema
D do resto do universo.
Para utilizar as propriedades dos vetores, a fim de representar grandezas físicas, deve ser
considerado o sistema de representação com coordenadas cartesianas.
ax
a x =a cos α
Figura 5 - Decomposição
a do vetor a
y a y =a sin α
a2x + a2y
a2 =55
Para uma representação mais formal, são usados vetores unitários. Os vetores unitários – ou
versores – possuem a mesma orientação dos eixos coordenados e módulo igual a 1. Para os eixos
(x) e (y) os versores são denominados (i) e (j) e os módulos i = 1 = j .
ax
j Onde ( a x ) e ( a y ) fornecem o módulo
aa ==aaexx(i i +
)+aeay(yj j ) fornecem a
i Ax i x direção e sentido.
Figura 6 - Representação dos versores em um plano Adotando essa representação, as operações vetoriais são facilitadas.
O módulo de ( s =
) é(cencontrado y +d y ) j
por:
x + d x ) i + (c
2 2
S = (c x + d x ) + (c y + d y )
C
k
O B y
i
56
Se (O) é a origem do sistema de coordenadas e i = OA , j = OB e k = OC são vetores de módulo
unitário, (Ox), (Oy) e (Oz) podem ser indicadas como as três retas definidas pelos seguimentos
orientados
i =( OAj ),=( OB k) e=( OC ) conhecidos como: eixos das abscissas (x), eixo das ordenadas (y) e
eixos das cotas ou alturas (z), respectivamente. As setas apontam o sentido positivo de cada eixo.
z
P = (xP , yP , z P )
zP
ß
ө yP y
xP
As propriedades apresentadas até então são válidas, também, para os vetores em três dimensões.
O módulo do vetor (P) pode ser calculado por:
P= x
2
z
2 2
y
Px = P × sin ß × cos θ
Py = P × sin ß × sin θ
Pz = P × cos θ
Na física, muitas grandezas são representadas por vetores. A compreensão de conceitos básicos
da física é pré-requisito para a interpretação de manuais técnicos, ato rotineiro da cultura de
manutenção aeronáutica.
Por este motivo, serão apresentadas as principais operações utilizando vetores, pois muitos
assuntos abordados futuramente farão uso dessa ferramenta.
57
No caso de três vetores quaisquer ( U ), ( V ) e ( W ) sendo:
U = u x i + u y j +u z k
V = v x i + v y j +v z k
W = wx i + wy j + w z k
• propriedade associativa ( U + V ) + W = U + ( V + W ), U e V ϵ R3 ;
A
• propriedade comutativa ( U + V ) = ( V + U ), U e V ϵ R3 ;
A
• elemento neutro U + 0 = U , U ϵ R3 ;
A
• elemento oposto U + ( - U ) = 0 , U ϵ R3 .
A
Multiplicando um número real por um vetor, pode-se definir uma operação que, a cada número
(U+
real (b) e a cada vetor ( V + Uum
( V ),) =associa ), vetor
U eV ϵ R3 por bV = bv x i + bv y j + bv z k tal que:
indicado
A
• se b = 0 ou V =0 , então bV = 0
• se b ≠ 0 e V ≠ 0, bV =é caracterizado
0 por:
a) bV // V ;
b) (bV )(=Ue0+
( V )) = ( Vmesmo
têm + U ), sentido
U e V ϵseRb>0 e sentido contrário se b<0;
A 3
c) bV = b bV .
Seja (θ)o ângulo (POQ), define-se como produto escalar desses dois vetores o produto dos
respectivos componentes nas direções ortogonais (x), (y) e (z).
Matematicamente, tem-se: U . V = (u x × v x ) + (u y × v y ) + (u z × v z ).
58
É importante ressaltar que o resultado da multiplicação acima é um escalar, ou seja, um número.
Representado como módulo, o valor pode ser dado pela expressão:
U . V = U . V . cos θ
• U .( V + W ) = U . V + U .W ;
• U . ( bV ) = ( bU ) . V = b ( U . V ) ;
• U . V = V .U;
• U.V =0 ↔ U V , θ = 90° ;
i j k
U × V = ux uy uz
vx vy vz
O vetor resultante do produto vetorial é perpendicular ao plano formado por( U U+)e+V( V ), e seu
módulo pode ser definido por:
U × V = U . V . sin θ
Tomando como exemplo o produto vetorial entre os versores
B = { i , j , k { , para verificar o sentido
do vetor resultante o módulo, nesse caso, é igual a 1.
i × j =k j × i =-k i ×i =0
j × k =i k × j =-i j ×j =0
i × k =-j k×i = j k ×k =0
A energia mecânica é a soma da energia potencial com a energia de movimento dos corpos,
representada pela variação do trabalho. É muito importante entender como ocorre as interações
entre essas grandezas, uma vez que as leis da física têm por base a conservação da massa, da
energia e do momento.
59
1.3.1 Massa
Uma propriedade importante da massa é a inércia, que é a tendência que os corpos têm para
resistirem à mudança do movimento em que se encontram. A lei da inércia, conhecida como
Inércia: resistência que a a primeira lei de Newton, representa a dificuldade de alterar o movimento de uma massa.
matéria oferece à aceleração.
Quanto maior for a massa, maior será a inércia. A inércia vale tanto para iniciar o movimento
quanto para interrompê-lo.
Caso um carro de passeio e um caminhão estejam trafegando em uma rodovia em alta velocidade
e precisem frear bruscamente, o veículo que conseguirá parar com maior facilidade será o carro
de passeio. Esse fenômeno ocorre em razão da inércia.
Segundo Halliday et al. (1996, p. 49) “considere um corpo sobre o qual não atua nenhuma
força resultante. Se o corpo estiver em repouso, ele permanecerá em repouso. Se o corpo estiver
em movimento com velocidade constante, ele continuará nesse mesmo movimento”. Esse é um
dos enunciados possíveis para a conhecida lei da inércia.
1.3.2 Força
A diferença entre massa e peso torna-se mais clara a partir do conceito de peso.
O peso é um tipo de força e está relacionado com a atração da gravidade, ou seja, com a
aceleração da gravidade. A aceleração é a variação da velocidade em certo período de tempo e
sua unidade no SI é (m/s2).
∑ F = ma
Essa equação é considerada a segunda lei de Newton, onde ( ∑ F ) é a soma vetorial de todas aasx =a cos α
forças que agem sobre o corpo, conhecida como forçaaresultante, e ( a )é a aceleração conferida
a y =a sin α
y
à massa (m).
a2 =a2x + a2y
A força pode atuar de formas distintas e, dependendo da ocasião, possui diferentes denominações,
tais como: força peso, força normal e força de atrito. α
ax
a) Força peso
∑ P = mg
60
Onde (g) é a aceleração da gravidade em (m/s2) no SI e o peso é dado no SI em Newton, cujo
símbolo é (N). A unidade de força no SI é o Newton.
∑ F = ma → [ N = kg × m/s2 = kg.m/s2 ]
Tabela 1 - Unidades de força
a cada ação existe uma reação igual em intensidade e oposta em sentido. [...] Quando
um corpo exerce uma força sobre outro, o segundo exerce uma força sobre o primeiro.
Essas duas forças são sempre iguais em intensidade e opostas em sentido.
Essa lei pode ser representada matematicamente, sendo (A) e (B) dois pontos quaisquer no
espaço: FAB = - F BA .
b) Força normal
Para definir força normal, pode-se imaginar uma aeronave com massa (m) estacionada em
um pátio. Essa aeronave aplica uma força peso em cima da pista, cujo módulo é sua massa,
multiplicada pela aceleração da gravidade.
A força normal exercida pela superfície da pista é sempre perpendicular (ou normal) à superfície.
No caso de uma superfície horizontal, o seu módulo é igual à força peso aplicada pela aeronave.
c) Força de atrito
61
O termo atrito é utilizado, normalmente, quando há interação entre sólidos e esta interação
relaciona-se à rugosidade desses sólidos.
1.3.3 Torque
Análogo à força para o movimento linear, existe o torque para o movimento angular. O torque
pode ser entendido como a força que, aplicada a um corpo, produz giro. Por exemplo: a
maçaneta de uma porta sempre fica posicionada na extremidade oposta ao apoio. É uma
questão de lógica, pois essa posição facilita o movimento de abertura da porta. Então, quanto
maior o braço de uma alavanca, maior será o seu torque para uma mesma força. O torque é
representado pela letra grega (τ ) e sua unidade no SI é o (Nm).
Se for aplicada uma força perpendicular na extremidade de uma alavanca de comprimento (I)
haverá, na outra extremidade, um torque cujo módulo vale τ = F l e τ = F l sin θ, caso a força (F)
forme um ângulo (θ) com o braço da alavanca.
1.3.4 Trabalho
O trabalho é representado pela letra (W) e sua unidade no SI é o joule (J = kg.m2/s2). Realiza-
se por uma força constante ( F ), que move um corpo por meio de um deslocamento ( S ), = na
A +B
direção e no sentido da força. Portanto, pode ser definido como o produto das intensidades das
forças e dos deslocamentos.
W
W= para FF ׀׀׀׀SS))
=FFss(para
(para
62
Observa-se, então, que o trabalho está relacionado com o deslocamento. Por exemplo: se duas
pessoas estiverem empurrando uma aeronave em sentidos opostos, com a mesma força, a
aeronave não se moverá. Isso porque existem forças envolvidas, mas não existe deslocamento.
Nesse caso, o trabalho é nulo.
Outra interpretação matemática do trabalho é dada pelo produto escalar. O trabalho pode ser
expresso também como W = F . S , sendo o trabalho (W) uma grandeza escalar.
1.3.5 Potência
A potência está relacionada à capacidade de realizar o trabalho de forma mais rápida ou mais
lenta. A potência é definida como a taxa com a qual o trabalho é realizado. O símbolo que
representa a potência é (P) e sua unidade no SI é o Watt W = J/s .
∆W
P=
∆t
Essa definição de potência é mais utilizada para potência mecânica, proveniente do trabalho
mecânico. Porém, é possível ampliar o conceito de potência, abrangendo todas as formas de
energia. Assim, define-se a potência como a energia liberada por unidade de tempo. A potência
também pode ser expressa pelo produto escalar entre ( F ) e ( v ).
P= F . v
1.3.6 Energia
O conceito de energia está relacionado ao conceito de trabalho. Quando dois sistemas interagem
e um realiza trabalho no outro, existe transferência de energia entre os dois. A unidade de
energia mecânica no SI é a mesma que a unidade de trabalho (joule). A energia pode ser
entendida também como a variação do trabalho. Na natureza, a energia funciona como o
combustível fluindo de um lado para outro, constantemente.
Existem muitos tipos de classificação para a energia: elétrica, térmica, química e mecânica.
Quando uma arma de fogo é disparada, a energia química acumulada na pólvora é transferida
para o projétil pela reação química da explosão. O projétil adquire certa velocidade para atingir
um alvo. Quando esse projétil choca-se com seu alvo, transfere a energia acumulada restante,
causando danos ao alvo.
Como saber quanta energia foi dispensada pelo projétil? A forma de energia mecânica, associada
ao movimento, chama-se energia cinética, comumente representada por (Ec) ou (T), cuja
unidade no SI é a mesma do trabalho.
1
Ec = mv2
2
63
Ao analisar o exemplo anterior, é possível perceber que, quando ocorre a explosão, os gases
são expandidos e empurram o projétil para fora do cano da arma. Observa-se que existe uma
força atuando e, dessa forma, causando um deslocamento. A reação química de explosão realiza
trabalho sobre o sistema e equivale ao ganho de energia cinética do projétil.
Um helicóptero, pairando a certa altura (h) do solo, não se desloca em relação ao observador
e sua velocidade é nula em relação a esse referencial. Se a velocidade é zero, sua energia
cinética é zero (considerando o movimento de deslocamento em relação ao observador
e desconsiderando, para essa análise, o movimento de rotação da hélice, que pode ser
considerado como força interna). Se o piloto desligar o motor, a aeronave cairá, ganhando
energia cinética.
Mas de onde vem a energia? A energia vem do potencial gravitacional. O helicóptero teve que
fornecer energia para ganhar altura. Essa energia ficou guardada.
No caso de uma mola, a energia potencial depende da constante de elasticidade da mola (K)
(propriedade da mola) e do deslocamento da mola em relação à posição de repouso (x).
64
A tabela a seguir apresenta as principais unidades de energia e o fator de conversão para o SI. É
importante ressaltar que os valores apresentados na tabela, adotaram a aceleração da gravidade
média no nível do mar g = 9,80 m/s2.
O momento linear (ou a quantidade de movimento) é uma grandeza vetorial, cujo símbolo é
(p) e a representação matemática é:
p = mv → [kg.m/s] no SI
O exemplo do caminhão e do carro de passeio, utilizado para explicar o conceito de inércia,
pode relacionar a dificuldade de parar do caminhão com o seu momento linear. A massa do
caminhão - é muito maior que a massa do carro de passeio. A velocidade dos dois pode ser
igual, mas a quantidade de movimento do caminhão é muito maior e sua energia cinética é
maior. Por esse motivo, o caminhão tem grande dificuldade de parar.
Na verdade, a segunda lei de Newton foi formulada em termos de momento, pois como afirma
Tipler (1995, p. 205) “se a resultante das forças externas que atuam sobre um sistema for nula,
o momento do sistema permanece constante”.
Com certeza essa é uma das mais importantes leis da física, sendo mais abrangente que a lei
da conservação da energia mecânica. Afirmar que o momento linear é conservado é dizer que:
Essa equação possibilita realizar muitos cálculos, com aplicações extraordinárias, como por
exemplo, o tratamento de cálculos para lançamento de foguetes.
65
Resumindo
Este capítulo enfatizou o desenvolvimento do conceito formal das propriedades dos vetores,
muitas vezes negligenciado no Ensino Médio. Viu-se que dependendo da grandeza física
envolvida, o produto de vetores pode resultar em um escalar ou outro vetor.
Demostrou que a massa e inércia são propriedades da matéria, a força é proporcional à massa
e à aceleração, a energia mecânica é a soma da energia potencial mais cinética, a variação da
energia mecânica é igual ao trabalho realizado e que a energia e o momento são conservados.
66
Capítulo 2
Mecânica dos fluidos
A mecânica dos fluidos estuda o comportamento dos fluidos. O meio pelo qual uma aeronave
se desloca é o ar, um fluido. Por isso, a partir do estudo sobre os principais conceitos da
estática dos fluidos será possível entender como se dá a sustentação de uma aeronave em
voo e o funcionamento de alguns instrumentos de medição que fazem parte da aviônica de
uma aeronave.
2.1 Fluidos
Para o perfeito entendimento do comportamento de um fluido, é necessário fazer uma breve
revisão dos conceitos fundamentais da matéria.
A matéria também possui propriedades mecânicas, térmicas, magnéticas, óticas, entre outras. Léptons: são as partículas
subatômicas que não
De acordo com essas propriedades, pode se apresentar no estado sólido, líquido ou gasoso. sofrem influência da
força nuclear forte
As propriedades da matéria, conceituadas a seguir, ajudarão a compreender o que significa e que mantém os
um fluido. prótons e os nêutrons
unidos; participam
somente das interações
2.1.1 Volume eletromagnéticas e fracas.
Prótons: partícula
Segundo Ferreira (2001), volume é o espaço ocupado por um corpo qualquer. Na física, essa elementar de carga
é a grandeza que expressa a extensão de um corpo em três dimensões: comprimento, largura e elétrica positiva.
Juntamente com os
altura. Sua unidade no SI é dada em metros cúbicos (m3). nêutrons forma os núcleos
dos átomos.
67
a) Massa específica ou densidade absoluta (µ)
m , A unidade: SI kg , g
Para um corpo de massa (m) e volume (V): µ= CGS: .
v m3 cm3
b) Peso específico (ρ)
P N Dina
Considerando (P) o peso do corpo e volume (V): ρ = v , A unidade: SI m3 , CGS: cm3 .
2.1.3 Porosidade
Denomina-se porosidade como a relação entre o volume de espaços ocos (poros) da matéria
sólida e o seu volume total.
Esses espaços podem estar preenchidos por fluidos. A porosidade é expressa em porcentagem.
V
Para (V v) volume de vazios ou volume dos poros e (V) o volume total, a porosidade é dada: η = v
η= v
em %.v
2.1.4 Permeabilidade
É importante destacar que uma matéria sólida tem volume e formas bem definidos, podendo
ser alterados por causa da ação de grandes forças externas ao corpo analisado. O líquido tem
volume definido, mas não a forma.
O líquido toma a forma do recipiente que o contém. O gás não tem forma ou volumes
definidos, ocupando a forma e o volume do recipiente que o contém.
Os líquidos e gases podem escoar facilmente, pois têm facilidade de deformação. É possível dizer
que fluido é o que pode escoar facilmente. Logo, os líquidos e os gases podem ser chamados
de fluidos.
∆A
2.2 Pressão em sólidos e líquidos
∆A ∆F
Para facilitar a compreensão deste assunto, os conceitos de pressão e
densidade precisam ser revistos.
68
Sendo os vetores paralelos, define-se pressão como uma grandeza escalar na qual (F) é o módulo
de (∆F)) e (A) o módulo de (∆A)), matematicamente:
F
P=
A
Para o caso de ( ∆F)) e (∆A)) formarem um ângulo (θ) entre eles, a pressão pode ser dada por:
F cosθ
P=
A
A unidade de pressão no SI é o Pascal, representado por (Pa).
1N
1Pa =
m2
Matematicamente:
Figura 11 - Líquido vazando com
velocidades diferentes
m F Peso ,
µ= → m = µ × V como P= = V = A× h
V A A
A expressão matemática de pressão para líquido mostra que a dependência da pressão fica por
conta da gravidade, da massa específica do líquido (quanto mais denso, maior será a pressão)
e da altura.
hA
hB A
h
B
69
Considerando a Figura 12, que mostra o vazamento de líquido com velocidades diferentes,
tomados dois pontos (A) e (B) em um recipiente contendo um líquido, a pressão dos dois
pontos é dada por: PA = µgha e PB = µghb , para:
PB – PA = µg (h B – hA) = µgh
Com isso, a pressão (P) no ponto (P) pode ser expressa pela seguinte equação:
h
P
P = Patm + µgh
Isso quer dizer que, para dois pontos no mesmo nível de um líquido, a diferença de pressão é
nula. É a partir desse fundamento que os conhecidos vasos comunicantes podem ser estudados.
Para recipientes, que contêm um líquido homogêneo e que se comunicam entre si, ocorrerá
um equilíbrio e o líquido permanecerá no mesmo nível para todos os recipientes. Isso ocorrerá
independentemente de sua forma. A pressão também será a mesma para todos os recipientes.
Isobárica: é aquela em A B C D
que, em um processo
termodinâmico de um
gás ideal, permanece
com a pressão constante
durante o processo.
Líquido 2
Pfundo = P1 + P2 +P3 +Patm = µ1 gh 1 + µ2 gh 2 + µ3 gh 3 + Patm
Líquido 3
Observando a Figura 16, nota-se que uma reta pode ser traçada entre os
Figura 15 - Líquidos imiscíveis com pontos 1 e 2, os quais estarão na mesma pressão. Essa reta é conhecida
densidades diferentes
70
como isobárica.
O próprio trem de pouso funciona por meio de bombas hidráulicas, que transmitem as forças
por meio de óleos para atuadores, responsáveis por movimentar o conjunto do trem de pouso Imiscíveis: que não se
pode ou não se consegue
das aeronaves.
misturar.
No caso de um elevador hidráulico, ( F1 ) é a força aplicada na área 1 (A1) transmitida pelo Atuador: é um elemento
fluido para a área 2 (A2) por ( F2 ). que produz movimento,
atendendo a comandos
que podem ser manuais,
elétricos ou mecânicos.
F1 Incompressível: qualquer
A2 fluido cuja densidade
A1
sempre permanece
constante com o tempo
e que tem a capacidade
de opor-se à compressão
F2 do mesmo, sob qualquer
condição.
Utilizando o princípio de Pascal, é possível dizer que a variação da pressão em qualquer ponto
do fluido é igual à variação da pressão aplicada externamente para líquidos incompressíveis.
F F
∆Pext = ∆P → ∆P1 = ∆P2 → 1 = 2
A1 A2
71
O volume líquido permanece constante.
A1 d2
A 1 × d1 = A2× d2 → =
A2 d1
Pressurização:
conservação da pressão,
de modo artificial,
fazendo com que se
Para (d1 ) e ( d2 ), representando o deslocamento do êmbolo devido às forças ( F1 )e ( F2 ), respectivamente,
mantenha normal, dentro tem-se:
de um local fechado; F1 A1 d2
mantém a pressão = = ↔ F 1 × d1 = F 2 × d2
F2 A2 d1
normal em veículos,
aviões, submarinos etc. Essa relação mostra que o trabalho realizado pela força externa no pistão menor é conservado,
Rarefeito: que se ou seja, é igual ao realizado pela força do fluido no pistão maior.
rarefez; diminuído na
densidade, pouco denso.
Uma atmosfera rarefeita
é aquela que tem a 2.3 Experiência de Torricelli e pressão atmosférica
densidade baixa.
O cientista italiano, Evangelista Torricelli (1608-1647), foi um discípulo de Galileu. Viveu
em Florença (Itália), onde se dedicou a estudar, entre outros assuntos, o vácuo e a pressão
atmosférica, para resolver problemas práticos da época. Teve sua fama eternizada, pois descobriu
o primeiro barômetro atmosférico.
Quanto maior a altitude, menos gás existe, pois a atmosfera torna-se rarefeita. Os alpinistas,
quando enfrentam montanhas muito altas, costumam passar mal por falta de oxigênio. Por esse
motivo, - utilizam cilindros de oxigênio para suprir seu organismo.
72
As aeronaves modernas atingem grandes altitudes, nas quais as pressões são muito baixas e o
ar rarefeito. Em função disso, possuem um sistema de pressurização para manter o ambiente
interno adequado aos passageiros, assim como manter sua sustentação aerodinâmica.
Os pilotos de caça, por exemplo, utilizam máscaras para poder respirar em grandes
altitudes. Existe uma altitude limite de voo que varia para cada tipo de aeronave. Quando
esse limite é ultrapassado, a aeronave perde a sustentação, dando origem ao fenômeno
conhecido como estol.
73
Resumindo
Os líquidos e gases podem escoar facilmente, por isso são chamados de fluidos. A pressão
em um líquido é proporcional à sua densidade, à aceleração da gravidade no local e à altura
da coluna formada acima do ponto no qual se mede a pressão. Para líquidos imiscíveis, com
densidades diferentes, a pressão no fundo do recipiente é igual à soma da pressão causada por
cada líquido.
Foi visto como Torricelli conseguiu medir a pressão atmosférica e também foram apresentadas
variadas formas de expressar a pressão e as unidades mais convenientes para utilizar em
escalas diferentes. Esses conceitos serão utilizados no estudo dos fluidos em movimento no
próximo capítulo.
74
Capítulo 3
Hidrodinâmica
A hidrodinâmica é a parte da mecânica dos fluidos que estuda o fluxo dos líquidos e dos gases.
Estuda, também, o movimento do ar e de outros gases na aerodinâmica e o movimento dos
líquidos na hidráulica. As variáveis: velocidade, pressão, densidade e temperatura, em função
do tempo e espaço, relacionam-se à hidrodinâmica.
A análise do movimento dos fluidos é uma tarefa bastante complexa e, por consequência disso,
não será possível aprofundar o estudo.
Os gases, por exemplo, têm característica compressível, mas, algumas vezes, essa variação de
densidade é tão pequena que pode ser desconsiderada. Para aeronaves em deslocamentos, com
velocidades menores que a do som, o escoamento dor ar na sustentação das asas pode ser
considerado incompressível.
Quanto ao seu movimento, o fluido pode ser classificado como rotacional ou irrotacional.
Quando não existe movimento de rotação de uma parcela do fluido em deslocamento, em
torno do seu centro de massa, o fluido é considerado irrotacional.
Todo fluido possui uma classificação de viscosidade. É de grande relevância, portanto, considerar
essa classificação de viscosidade quando se trabalha com óleo de lubrificação de motor, pois a
escolha incorreta pode levar ao seu superaquecimento, podendo causar acidentes.
75
3.2 Equação da continuidade (lei de Castelli)
No caso da descrição matemática a seguir, não se deve considerar a viscosidade dos fluidos, a
fim de simplificar os cálculos, tendo em vista sua pequena influência no resultado final.
∆V
Q=
∆t
m3
Q → Vazão volumétrica Q = no SI
S
∆t → Intervalo de tempo ∆t = s no SI
O cano, representado na Figura 19, também é conhecido como tubo de corrente. As linhas
representam o movimento do fluído, no qual todas as partículas do fluido seguem linhas,
chamadas linhas de corrente.
76
Chamando de (A1) a área da seção transversal da entrada do tubo e de ( V1) a velocidade de
entrada, o volume de fluido que passa por (A1) é igual a ∆V = A1 v1 ∆t.
O fluido é incompressível, (μ) é constante. Com isso, a massa que passa por (A1)é igual a
∆m1= µA1 v1 ∆t e o fluxo de massa é igual a ∆m1 = µ A1 v1.
∆t
∆m2
Na saída do cano tem-se = µ A2 v2 para um intervalo de tempo muito pequeno, logo o
∆t
fluxo de massa na entrada do cano é µ A1 v1 e, na saída do cano, µ A2 v2 . Como todo fluido que
entra no cano também sai, pode-se dizer que:
µ A1 v1 = µ A2 v2
Esse resultado representa a lei de conservação de massa. A massa se conserva, pois toda massa
que entra no tubo sai. Pode ser expressa, também, da seguinte maneira:
µAv = constante
O resultado apresentado é conhecido como a equação da continuidade. Para o caso mais geral,
em qualquer ponto de um tubo, o escoamento volumétrico ou vazão (Q) de um fluido, que
obedeça às condições iniciais, é constante.
m3
Q = AV = constante, Q = no SI
S
Para ilustrar o teorema, será considerado um fluido de massa (m), passando ao longo de um
tubo de escoamento; e dois sistemas (1 e 2) de mesma massa, que têm área (A ) e (A ), elevação
1 2
em relação a um nível de referência ( h1) e ( h2 ) , velocidade ( V1 ) e ( V2 ) , espaço S1 = v1 ∆t e
S2 = v2 ∆t e pressão ( P1 ) e ( P2 ) , respectivamente.
v2 ∆t = S2
P2 v1
v1 ∆t = S1
P1 v1
A2 h2
A1 h1
77
No sistema 1, a força, devido à pressão ( P1 ), é F1 = P1 A1. O trabalho (W) realizado sobre o
sistema 1 pela força ( F1 ) é W = P1 A1 S1 .
O trabalho, realizado pela gravidade sobre o sistema, ocorre por causa da elevação da massa do
nível inicial para o nível final W = - mg (h2 – h2 ) .
O trabalho, resultante sobre todo o sistema, é igual à soma dos três trabalhos.
W = A1 P1 S1 – A2 P2 S2 - mg (h2 – h1 )
W = (P1 – P2 )(AS) - mg (h2 – h1 )
m
Como os sistemas 1 e 2 têm a mesma massa S1 A1 = S2 A2 = ∆V = , então:
µ
A equação exposta demonstra o trabalho realizado pelas forças sobre o sistema. Como se trata
de um fluido em movimento, o trabalho realizado sobre o sistema evidencia uma variação da
energia cinética do sistema.
1 1 1
Ec = mv2 → ∆Ec = mv22 – mv21
2 2 2
Então:
1 1
W = ∆Ec = (P1 – P2)(m/μ) - mg (h2 – h1) = mv22 – mv21
2 2
1 1
P1 + μv21 + μgh 1 = P2 + μv22 + μgh 2
2 2
1
P+ μv2 + μgh = constante
2
78
Podemos utilizar o teorema de Bernoulli para calcular a velocidade de escoamento de fluidos
que saem de um recipiente. Como exemplo, é possível calcular a velocidade de saída do fluido,
utilizando as informações da Figura 21.
∆h
b
ha
hb
1 1
Pa + μva2 + μgh a = Pb + μvb2 + μgh b
2 2
1 1
μghser
A velocidade ( va ) pode a =desconsiderada, μghfunção
μvb2 + em μvb2 = μgdo(hrecipiente.
b → das dimensões – hb ) A pressão
2 2 a
pode ser considerada Pa = Pb = Patm que é igual à pressão da atmosfera.
vb2 = 2g (ha – hb )
1 1
Pa + μv2 μgh P μvb2 + μgh b
vb =2 2ga(h+a – hb a) = b + 2
1 1
μgh a = μvb2 + μgh b → μvb2 = μg (ha – hb )
2 2
vb2 = 2g (ha – hb )
vb = 2g (ha – hb )
79
Um fluido, com uma massa específica (μ) , escoa por um tubo de área (A) com uma velocidade
(v). Ocorrendo uma diminuição da área do tubo para (A), ou seja, um estrangulamento do tubo,
a velocidade do fluido aumentará e, consequentemente, a pressão nesse ponto será diminuída.
Se acoplarmos um tubo em (U), de massa especifica (μ2), conforme a Figura 22, haverá uma
diferença de altura entre as extremidades do tubo. Isso ocorre pela diferença de pressão entre os
dois pontos de áreas diferentes. Ao aplicar a equação de Bernoulli, prova-se que velocidade na
extremidade de área maior, ponto 1, será dada por:
v =a 2gh (μ2 – μ)
μ (A2 – a2)
Na Figura 22, as linhas de corrente mostram que, na parte de menor área, a velocidade é maior,
pois estão mais próximas. Na parte de maior área, as linhas de corrente estão mais afastadas,
representando velocidade menor.
É válido ressaltar que o posicionamento desse instrumento na aeronave é estratégico para minimizar
os efeitos das turbulências, causadas pelo choque do ar com a fuselagem. A instalação do tubo
busca, também, minimizar os efeitos de acúmulo de água e da formação de gelo, que podem
obstruir a entrada de ar do tubo. Para garantir seu perfeito funcionamento, esses instrumentos são
equipados com drenos de água, sistema antigelo e aquecimento por resistências elétricas.
80
Por ser tão importante, o mantenedor aeronáutico deve zelar pelo perfeito funcionamento desse
dispositivo, pois qualquer obstrução pode causar desde a simples falta de indicação correta da
Mantenedor: profissional
velocidade até a responsabilização por desastres aéreos. que atua na área de
manutenção.
Outra importante aplicação da equação da continuidade está no estudo da sustentação
aerodinâmica. Como uma aeronave, mais pesada do que o ar, consegue se sustentar? Para Aerofólio: qualquer peça, de
formato especial, destinada a
lembrar o princípio de Arquimedes, citado por Halliday et al. (1996, p. 67): “um corpo total ou obter reação favorável do ar,
parcialmente imerso num fluido sofre a ação de uma força de módulo igual ao peso do fluido através do qual se desloca,
deslocado pelo corpo e que aponta para cima”. O volume de ar deslocado por uma aeronave trazendo maior estabilidade à
aeronave.
tem um peso muito menor que o da aeronave. Isso explica o fato de ela não flutuar quando
está parada. No caso de um balão, o volume de ar deslocado tem peso maior que o do balão.
Assim, flutua, pois existe uma força de sustentação (empuxo) que o empurra para cima. Esse
é o princípio de sustentação estática. A sustentação de uma aeronave depende de movimento
relativo entre a aeronave e o fluido ar (sustentação dinâmica).
F
Ângulo de
ataque
1 V1
V1 V1
V2
A equação de Bernoulli explica que, se V1 > V2 → P1 < P2, então aparece uma força de
sustentação que empurra a asa para cima. O ângulo de ataque é o ângulo formado entre a
direção do movimento e a inclinação da asa. Quanto maior o ângulo de ataque, maior será a
força de sustentação.
Existe um limite máximo para o ângulo de ataque. Quando atinge um ponto crítico, que
depende de muitas variáveis, ocorre o aparecimento de turbulências responsáveis pela perda de
sustentação conhecida como estol.
81
As forças envolvidas na sustentação de uma aeronave em voo denominam-se: arrasto, empuxo,
peso e sustentação.
Sustentação
Empuxo
Arrasto
Ângulo de ataque
ento
om ovim
Direção d Peso
a) Arrasto são as forças de resistência que se opõem ao movimento da aeronave e que podem
ser causadas pelos seguintes componentes:
Cisalhamento: pode ser • arrasto por atrito - relacionado com as tensões de cisalhamento e com a rugosidade da
entendido como corte.
Utilizam-se, ainda, os termos
superfície da aeronave. As aeronaves são construídas com revestimentos lisos e a pintu-
tensão de cisalhamento ou ra final contribui para diminuir esse tipo de arrasto;
tensão tangencial, tensão de
corte ou tensão cortante. É • arrasto de forma - gerado pelo desbalanceamento de pressão causado pela separação do
um tipo de tensão, gerado escoamento. Relacionado com a área de contato do fluido com a aeronave. Para dimi-
por forças aplicadas em
nuir esse tipo de arrasto, as superfícies das aeronaves devem ter formato aerodinâmico;
sentidos iguais ou opostos,
em direções semelhantes, • arrasto de interferência - causado pelo arrasto de pressão que se dá por interação das
mas com intensidades
diferentes no material partes das aeronaves. O arrasto da soma das partes é superior ao arrasto das partes
analisado. isoladas;
Vórtices: um vórtex ou • arrasto induzido - dependente da geração de sustentação, ocorre pela diferença de pres-
vórtice (plural: vórtices) é
um escoamento giratório, no
são entre a parte inferior e superior das asas. É caracterizado por um arrasto de pressão,
qual as linhas de corrente causado pelo escoamento induzido, associado aos vórtices criados nas pontas de uma
apresentam um padrão asa de envergadura finita.
circular ou espiral. São
movimentos espirais ao redor b) Empuxo é a força que empurra a aeronave para cima devido ao peso de ar deslocado
de um centro de rotação.
pela aeronave.
c) Peso é a maior força de oposição à sustentação. Acontece pela atração da gravidade em
relação à massa da aeronave. Todas as aeronaves são construídas com ligas metálicas de
menor peso possível. Muitos materiais alternativos estão sendo empregados na composi-
ção das aeronaves no intuito de diminuir o peso final.
d) Sustentação é a força resultante que permite a ocorrência do voo.
82
Resumindo
O escoamento dos fluídos pode ser estacionário ou turbulento, pode ser compressível ou não
compressível, com movimento rotacional ou irrotacional. Pelo teorema de Bernoulli ficou
evidenciado que existe uma relação entre a pressão e a velocidade de escoamento dos fluidos.
Partindo-se desse princípio, podem-se desenvolver superfícies aerodinâmicas com variados fins.
Quando um fluido entra em contato com uma asa de uma aeronave, superfície em formato de
aerofólio, ele direciona o fluxo do ar com velocidades diferentes. As diferenças de velocidades
geram diferenças de pressão, responsáveis por sustentar o voo.
O tubo de Pitot, instrumento utilizado para medir a velocidade de aeronaves, foi desenvolvido
a partir do tubo de Venturi explorando a equação de Bernoulli.
83
84
Capítulo 4
Termodinâmica
A termodinâmica é a parte da ciência que estuda as trocas de calor entre sistemas. Examina
as mudanças de fase da matéria, analisa as condições de transformação de calor em trabalho
e busca compreender o comportamento da matéria próxima da temperatura conhecida como
zero absoluto.
No estado sólido, as moléculas estão ligadas formando redes cristalinas rígidas. O movimento
de translação dos átomos é muito pequeno e a força de ligação entre as moléculas é forte. Com Movimento de translação:
isso, o resultado microscópico é uma substância que apresenta forma e volume constantes. é o movimento do centro
de massa de um corpo em
No estado líquido, as forças de ligação entre as moléculas são menores do que nos sólidos e relação a um referencial
as distâncias médias são maiores, permitindo que apresentem uma maior fluidez. No estado externo ao corpo.
No estado gasoso, as moléculas possuem pouquíssimas ligações entre si, o que permite que se
movimentem livremente em todas as direções, ocorrendo grande movimento de translação.
Nesse estado, a matéria não possui forma ou volume constantes.
85
4.2.1 Temperatura
O calor é analisado de duas formas: microscopicamente e macroscopicamente. Na análise
microscópica, observa-se o movimento individual das moléculas e, na macroscópica, o foco
são as grandezas pressão, volume, temperatura, energia interna, entre outras. Inicialmente, o
estudo macroscópico será evidenciado.
Entende-se por sistema a região delimitada que se analisa. Dessa forma, o termo sistema
termodinâmico é isolado quando nem energia nem matéria saem ou entram. Na prática, isso
dificilmente ocorre, mas para efeito de estudos, tal suposição pode ser considerada. Em um
sistema isolado, as paredes são consideradas adiabáticas (isolantes).
Adiabático: transformação
termodinâmica que se realiza Supondo dois sistemas (A) e (B), isolados em contato por uma parede adiabática, as condições
sem o corpo ou o sistema de um não influenciam o outro. Ao trocar a parede adiabática por uma diatérmica (condutora),
perder ou ganhar qualquer ocorre troca de energia entre os sistemas e as propriedades macroscópicas dos sistemas são
quantidade de calor.
modificadas.
Diatérmico: o que permite a
passagem de calor. Se os sistemas forem mantidos em contato por um longo tempo, chegarão ao equilíbrio de suas
propriedades macroscópicas. Esse estado é conhecido como equilíbrio térmico.
Dois sistemas (A) e (B) que não estejam em contato, mas se estivessem teriam as mesmas
propriedades macroscópicas também se encontram em equilíbrio térmico. Nesse caso utiliza-se
outro sistema (C) de referência para análise.
Se o sistema (A) estiver em equilíbrio térmico com o sistema (C), assim como se (B)
estiver em equilíbrio com (C) também; então (A) e (B) estão em equilíbrio térmico.
Esse princípio é conhecido por muitos autores como lei zero da termodinâmica.
A definição formal de temperatura toma como base a lei zero da termodinâmica. Quando dois
sistemas estão em equilíbrio térmico, eles possuem uma mesma propriedade, que é chamada
temperatura.
Os seres humanos têm a capacidade de definir se algo está quente ou frio, percebendo as
diferentes temperaturas. No entanto, a avaliação de temperatura feita por uma pessoa é muito
subjetiva. Nem sempre duas pessoas que estão em uma mesma piscina concordam com a
temperatura da água. Assim, para adotar um padrão de temperatura mais rigoroso, foram
criadas as escalas termométricas.
a) Escalas termométricas
Para criar uma escala de medição de temperatura, deve-se escolher uma substância com que
86
tenha propriedades que variem com a mudança de temperatura. Por exemplo, a variação do
volume de um líquido (mercúrio de um termômetro), a pressão de um gás a volume constante,
a resistência elétrica de um fio, entre muitas outras. Então, comparam-se as propriedades em
pontos de referência conhecidos e esse intervalo é subdividido em seguimentos menores. Assim,
haverá uma escala de temperatura.
A escala Celsius foi baseada em dois pontos: o ponto de congelamento da água, definido
como zero grau Celsius (0 ºC) e o ponto de ebulição da água, definido como cem graus
Celsius (100 ºC). Essa escala é muito utilizada, tanto para medidas de temperatura do dia a
dia quanto para medidas científicas.
A escala Fahrenheit, padrão nos Estados Unidos, tem como pontos de referência outros
valores. Nessa escala, o congelamento da água acontece em 32 ºF e a ebulição em 212 ºF. O
símbolo (ºF) representa graus Fahrenheit. A relação de conversão entre a escala Celsius e a
Fahrenheit é dada por:
9
TF = T +32
3 C
Outra escala muito importante é a Kelvin, também chamada de escala absoluta. É assim
conhecida porque o ponto de referência para o zero Kelvin é o de temperatura zero absoluto,
a menor temperatura que pode ser atingida. O outro ponto de referência é o triplo da água,
no qual coexistem gelo, água e vapor d’água em equilíbrio. Esse ponto é muito próximo ao de
congelamento da água. A temperatura Kelvin no ponto triplo é TK = 273,16 K .
O tamanho do grau é o mesmo que a escala Celsius e o fator de conversão entre elas é:
TC = TK – 273,16
b) Dilatação térmica
Toda matéria, quando sofre uma variação de temperatura, sofre também uma variação em suas
dimensões. Esse fenômeno é conhecido como dilatação térmica. A dilatação pode ser linear
(uma dimensão), na área (duas dimensões) ou no volume (três dimensões).
87
A dilatação linear ocorre no sentido do comprimento do sólido. Por exemplo: uma barra
esbelta de aço, com comprimento (L), sujeita a uma variação de temperatura ( ∆T ), sofrerá uma
variação de comprimento ( ∆L). A variação é proporcional a um coeficiente que depende de
cada tipo de material. A variação de comprimento da barra pode ser dada por:
∆L = αL∆T, (α) é o coeficiente de dilatação linear [1/K].
O mesmo raciocínio vale para um sólido de duas dimensões, como por exemplo, uma placa de
aço. Nesse caso, o coeficiente de proporcionalidade será duas vezes o valor (α).
No caso dos fluidos, o importante é a variação de volume. Os gases sofrem grandes alterações
de seu volume com a variação da temperatura e da pressão. Para os líquidos, a variação do
volume é proporcional a ( ß ), coeficiente de variação volumar do líquido, sendo:
4.2.2 Calor
Vizinhança: toda parte A troca de energia entre sistemas termodinâmicos, com temperaturas diferentes, permite que
ou região que rodeia um
alcancem o equilíbrio térmico. A energia que flui de um sistema para o outro ou de um sistema
sistema. Um sistema separa-
se da sua vizinhança por para a sua vizinhança, é definida como calor (Q). No SI, a unidade de calor é a mesma de
uma fronteira. Um sistema energia, o joule (J).
juntamente com a sua
vizinhança constitui, em Outras duas unidades, muito utilizadas para representar energia térmica, são: a caloria (cal) e a
última análise, o universo.
unidade térmica britânica (BTU). A relação entre as duas unidades é:
Q J
C=
∆T´ K
C J
c=
m´ kg × K
88
Então:
C Q
c= = → Q = mc∆T = mc (T final – T inicial )
m m∆T
Essa equação relaciona a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura, de uma
substância de massa (m), de uma temperatura inicial ( Ti ) até a temperatura final ( Tf ).
É válida para elevar a temperatura de uma substância em uma mesma fase. Para cada substância
existe uma temperatura, na qual ocorre a mudança de fase. Durante a mudança de fase, a
temperatura permanece constante. Todo calor fornecido é transferido para realizar a transição
de fase.
No caso da água, as mudanças de fase possuem diferentes patamares, conforme a Figura 27.
T [°C]
Vapor
Líquido
PV 100 +
Vapor
Líquido
Sólido
PF 0 +
Líquido Tempo
Sólido
A quantidade de calor transferida por unidade de massa, durante a mudança de fase, é conhecida
como calor latente ou calor de transformaçã[Link] cadadesubstância existe um calor latente de
{ f = Calor fusão
Q = Lm →
no SI é (J/kg).
{L = Calor de vaporização
fusão ( L f )=eCalor
um decalor
fusãolatente de vaporização ( L )=cuja
Q = Lm → v Calorunidade
de vaporização
Q = ∆E int
89
4.2.3 Primeira lei da termodinâmica
Se a um recipiente, contendo um gás (Figura 28.A), for aplicada uma força externa (Figura
28.B), seu volume pode mudar. Assim, o sistema pode trocar o trabalho com a vizinhança. Se
uma força externa for aplicada no recipiente, a parte móvel vai descer, diminuindo o volume
do recipiente. O sistema sofre um acréscimo de energia interna.
F F
A B A B
Para um sistema genérico, no qual ocorre troca de calor e trabalho com a vizinhança, o sistema
tem um estado de energia inicial (E i). Após a troca de calor e trabalho, o sistema passa a ter uma
energia final ( E f ). A variação de energia do sistema será igual ao calor, mais o trabalho trocado
com a vizinhança.
∆Eint = Q + W
Cabe ressaltar que esta equação é válida para a variação dos estados inicial e final do sistema.
Existem diferentes caminhos com valores distintos de (Q) e (W) mas o valor final da variação da
energia interna do sistema depende apenas dos estados de equilíbrio inicial e final.
Portanto, na primeira lei da termodinâmica, (Q) será positivo quando a energia interna aumentar,
ou seja, quando o calor entrar no sistema. O trabalho será positivo quando se realiza trabalho sobre
o sistema, da mesma forma, o sistema recebe um acréscimo de energia (Figura 28.B). Aplica-se a
primeira lei da termodinâmica em várias situações. Para processos em que a temperatura permanecer
constante (processos isotérmicos), a variação da energia interna do gás será zero, portanto:
∆Eint = 0 → 0 = Q + W → W = -Q
90
Toda energia acrescida do trabalho é liberada em forma de calor, mantendo a temperatura
constante ou o inverso.
Para processos nos quais o volume permanece constante, a variação de trabalho é zero. Todo
calor que entra é armazenado na forma de energia interna do sistema.
∆Eint = Q
O inverso também é válido, o trabalho pode ser transformado em calor. Por exemplo: dois
metais sendo atritados produzem calor.
Máquina térmica: são
Se fosse possível construir uma máquina capaz de transformar todo calor em trabalho seria sistemas que realizam a
importante. Mas, na realidade, apenas uma parte do calor é transformada em trabalho, a outra conversão de calor, ou
energia térmica, em trabalho
é transferida para uma região de menor temperatura. mecânico.
W
R=
Q1
W Q – Q2 Q2
R= = 1 =1 –
Q1 Q1 Q1
Sendo assim, se Q 2= 0 , nenhuma energia seria descartada, pois o rendimento seria igual a um,
isto é, 100%. Essa condição ideal não pode ser atingida na realidade. Kelvin-Plank, citado
por Tipler (1995, p. 561), refere-se à segunda lei da termodinâmica da seguinte forma: “é
91
impossível que uma máquina térmica, operando em ciclo, tenha como único efeito a extração
de calor de um reservatório e a execução de quantidade equivalente de trabalho”.
O Ciclo de Carnot é realizado com um gás ideal em um cilindro provido de pistão, utilizando
dois reservatórios térmicos: um à temperatura (TA ) e o outro em temperatura mais baixa (TB ).
O ciclo consiste em quatro processos reversíveis, dois isotérmicos e dois adiabáticos, conforme
diagrama (pV) da Figura 30:
Pa a
QA
Pb b
W
Pd Q TA
B
Pc TB
V
0 Va Vd Vb Vc
O rendimento de uma máquina térmica que opere o ciclo de Carnot pode ser descrito da
seguinte forma:
QA TA TB TA – TB
= → R =1 – =
QB TB TA TA
O rendimento de uma máquina de Carnot depende somente das temperaturas dos reservatórios
entre os quais opera. Sendo o ciclo de Carnot reversível, pode ser percorrido no sentido inverso
para operar um refrigerador:
T – TA
K = B
TB
92
Carnot propôs um teorema geral, aplicável a todas as máquinas térmicas, baseado em sua
máquina térmica ideal reversível. Esse teorema diz que qualquer máquina térmica, operando
entre duas temperaturas, não pode exceder o rendimento Carnot. O rendimento Carnot é o
limite superior para o desempenho de uma máquina térmica.
4.3.2 Entropia
Após certo tempo, uma mistura de água quente e gelo alcançará equilíbrio térmico. Antes de
isso ocorrer, é possível utilizar as duas massas de água, como fonte quente e fonte fria, em uma
máquina térmica para gerar trabalho.
Supondo o sistema isolado, após o equilíbrio térmico, a energia é conservada, mas o estado final
do sistema não permite mais que se utilize essa energia para gerar trabalho. De certa forma,
uma parte da energia torna-se indisponível.
O processo que leva a mistura a alcançar o equilíbrio térmico é dito irreversível, pois não
é possível retornar à condição inicial. Para expressar qualitativamente as características dos
processos irreversíveis, utiliza-se a grandeza física entropia (S). A unidade no SI é (J/K).
A entropia ocorre quando um sistema passa de um estado para outro. Essa é a característica
mais importante quando se trata de entropia. Para um sistema que passe por uma transformação
isotérmica, absorvendo ou descartando certa quantidade de calor ( ∆Q ) em uma temperatura (T),
a variação da entropia pode ser calculada por:
∆Q Entropia: em termodinâmica,
∆S = entropia é a medida de
T desordem das partículas em
um sistema físico. É uma
Quando ( ∆Q ) recebe calor, é positivo; logo ( ∆S ) também. Quando ( ∆Q ) cede calor, ( ∆S )é grandeza termodinâmica
que mensura o grau de
negativo; a entropia do sistema diminui. Os fenômenos naturais, que são irreversíveis, foram irreversibilidade de um
ponto de partida para se concluir que, nesses processos, a entropia total sempre aumenta. sistema.
Dessa forma, é possível afirmar que, na natureza, ( ∆S ) só pode aumentar. Esse é o princípio
de aumento da entropia.
Uma grande implicação dessa relação consiste na chamada 3º lei da termodinâmica, a qual
enuncia que, para uma temperatura absoluta (T) muito baixa (próxima do zero absoluto), todos
os processos cessam, definindo um valor mínimo para a entropia.
∆S zero Kelvin = 0
O aumento da entropia pode ser interpretado como a indisponibilidade da energia para realizar
trabalho ou, até mesmo, movimento. A consequência dessa afirmação é surpreendente. Em
um futuro muito distante, o universo atingirá um estado de equilíbrio térmico e não existirão
mais diferenças de temperatura. Apesar de a energia ter sido conservada, todos os processos
físicos, químicos e biológicos terão cessado. Alguns autores chamam esse fenômeno de morte
térmica do universo.
93
4.4 Teoria cinética dos gases
Alguns sistemas são muito complexos para se estudar. Um gás contido em um recipiente é um
sistema bastante complexo, em função do movimento das moléculas. O gás ideal representa um
modelo de um sistema real simplificado. Partindo da análise de modelos simplificados pode-se
chegar a leis gerais, aplicadas em sistemas complexos.
Gás ideal
Um gás pouco denso contido em um cilindro, como o da Figura 28.A, pode ser considerado
um gás ideal. Observou-se que, mantendo a pressão e o volume constantes, o volume ocupado
pelo gás independe de seu tipo, de sua massa ou do tamanho de suas moléculas. A única relação
percebida foi com o número (N) de moléculas.
V = C1 N → {C(P,T=constantes)
1
constante
PV = C2{ C(N,T=constantes)
2
constante
Para (P) e (N) constantes, o volume aumenta à mediada que a temperatura aumenta.
V = C3 T {C(P, N=constantes)
3
constante
Experimentos demonstram que, para gases de baixa densidade, existe uma relação entre (P),
(V), (N) e (T) que descreve muito bem o comportamento do gás.
PV
=K
NT
Essa equação é mais conhecida quando expressada em função do número de mols (n).
Lembrando que 1mol = 6,002 × 10-23 moléculas. Constante de Avogadro (NA ).
N PV
n = → =K
NA nNA T
PV = nNA KT, como NAK = R = 8,3145 [J/mol × K]
94
Logo:
PV = nRT
Essa é a conhecida lei do gás ideal, que permite determinar as condições iniciais e finais de um gás.
Pi Vi P V
= i i
Ti Tf
Agora, o objetivo é relacionar as grandezas macroscópicas de um gás (P), (V) e (T) com as
grandezas microscópicas, massa e a velocidade das moléculas. No modelo de um gás ideal, sua
composição é de moléculas colidindo elasticamente entre si e com as paredes de recipientes.
Essas colisões são responsáveis por gerar a pressão. Sendo ( vmed) a velocidade média e (m) a
massa das moléculas desse gás, então:
PV = nRT = Nmv2med
PV = NRT= 2N ( 1 mvmed
2
), onde 1 mvmed
2
= Ec
2 2
O termo entre parênteses é a energia cinética média do movimento do gás em uma direção.
Para a energia cinética média de uma molécula tem-se:
3
Ec = KT = ( 1 mvmed
2
)
2 2
Para (N) moles de um gás a energia será igual:
3 3
Ec = NKT = N ( 1 mvmed
2
)= nRT
2 2 2
Então, pode-se concluir que a energia interna de um gás, referente à temperatura, representa o
movimento das moléculas do gás. A energia interna do gás é a energia cinética das moléculas.
Essa interpretação permite dizer que a temperatura é movimento. O estado de zero grau Kelvin
representa a total e completa ausência de movimento.
Resumindo
A temperatura é uma comparação do estado de equilíbrio térmico, associado ao movimento
de translação das moléculas. Dependendo da temperatura, a matéria apresenta-se em fases
distintas. As escalas termométricas mais utilizadas são as Celsius, Fahrenheit e Kelvin. A variação
de energia interna dos sistemas ocorre pelas trocas de calor e de trabalho com as vizinhanças. O
máximo rendimento atingido por uma máquina térmica é quando o processo ocorre pelo ciclo
de Carnot, sendo impossível transformar todo calor em trabalho.
Os conteúdos abordados neste capítulo representam uma síntese dos conceitos mais importantes
da termodinâmica, empregados nos processos de manutenção aeronáutica. Existe uma vasta
literatura disponível sobre esse tema. Recomenda-se, portanto, buscar constantemente o
aprimoramento profissional, fazer a leitura de textos complementares desse e de outros temas,
práticas que representam um diferencial para o desenvolvimento técnico e profissional.
95
96
Capítulo 5
Ótica
A ótica é a parte da física que estuda os fenômenos relativos à luz visível, principalmente no
que se refere à reflexão e à refração. A luz tem propriedades que vão além das explicadas pela
teoria ondulatória. Alguns fenômenos só podem ser entendidos quando se adota um modelo
de luz como matéria. Grande parte do avanço tecnológico alcançado no século XX é fruto do
desenvolvimento do modelo da luz como onda-partícula.
Por intermédio das teorias de Maxwell, a luz ganhou um caráter eletromagnético. A onda
que representava todas as características da luz era uma onda eletromagnética. Nesse ponto,
acreditava-se que a ciência tinha um entendimento completo da natureza da luz, faltando
resolver apenas pequenos problemas, facilmente explicáveis com a teoria ondulatória da luz.
97
No início do século XX, a ciência passou por uma época de efervescência e muitos experimentos
foram realizados. O chamado efeito fotoelétrico foi descoberto por Hertz. Esse efeito não podia
ser explicado pela teoria ondulatória da luz. Então, a ideia da luz como partícula retornou ao
cenário científico.
Em 1905, o físico Albert Einstein, apresentou seu famoso artigo sobre o efeito fotoelétrico.
Ele propunha uma explicação para o fenômeno fotoelétrico por meio da teoria dos quantas de
luz: “a energia da onda luminosa é quantizada em pequenos pacotes, denominados fótons. A
energia de um fóton é proporcional à frequência da onda” (TIPLER, 1995, p. 853).
O modelo proposto por Einstein foi comprovado por experiências realizadas por Milikan.
98
5.1.2 Ondas eletromagnéticas
Existem tipos diferentes de ondas. As ondas que se propagam em uma piscina, em um lago,
em uma mola, em uma corda ou, até mesmo, em fileiras de dominós, são chamadas ondas
mecânicas. O celular, o sinal de TV e o rádio funcionam por causa das ondas eletromagnéticas.
Estudar suas características, portanto, é de extrema importância, uma vez que dois dos principais
sentidos humanos, a visão e a audição, estão associados à luz e ao som, que são tipos diferentes
de ondas: uma eletromagnética e a outra mecânica.
Uma onda se espalha no espaço, sem se localizar em um ponto bem definido, carregando
energia e informação por onde passa. Esse transporte acontece sem levar consigo nenhum
objeto material. Uma onda não transporta matéria. As ondas sonoras serão melhor detalhadas
no capítulo 6 desta unidade.
z (a)
E
x
V
y B
(b)
t=0
c
E max
x
λ
Figura 31.B - Representação de onda harmônica
Pode-se ver na Figura 31.A o esquema que representa uma onda eletromagnética pelo
campo elétrico e campo magnético. Em 31.B, vê-se uma onda harmônica, representando
o deslocamento da onda. Sendo a velocidade de propagação uniforme, de valor conhecido Onda harmônica: onda
c =300.000 km/s , logo: caracterizada por uma função
seno ou cosseno.
{
c = ∆S ∆S = λ → c =
∆t ∆t =T
λ
T
f = 1 [1/s] → c = λf = λ
T T
99
Utilizando o modelo corpuscular da luz, pode-se dizer que a energia de cada frequência de onda
é quantizada. Para cada frequência existe um pacote de energia, o fóton, que se comporta como
Quantizada: em física, a
palavra quantum foi usada
uma partícula. Para obter o valor da energia, utiliza-se a constante de Planck (h).
para designar a menor
quantidade que uma h = 6,626 × 10-34 J.s
grandeza ou propriedade é E = hf
encontrada na natureza
Espectro: no âmbito
científico, é uma ← Aumento da frequência (v)
representação das 1024 1022 1020 1018 1016 1014 1012 1010 108 106 104 102 100 v (Hz)
amplitudes ou das
intensidades dos
Raios γ Raios x UV IR Microondas FM AM Ondas longas de rádio
componentes ondulatórios
ondas rádio
de um sistema, quando
discriminadas umas das 10-16 10-14 10-12 10-10 10-8 10-6 10-4 102 100 102 104 106 108 λ (m)
outras, em função de suas Aumento do comprimento de onda (λ) →
respectivas frequências.
Espectro visível
Infravermelho:
denominação das radiações
eletromagnéticas de
frequência inferior à do
extremo vermelho do
espectro solar (comprimento 400 500 600 700
de onda entre 770 e 1000 Aumento do comprimento de onda (λ) in nm →
nm).
Ultravioleta: ondas Figura 32 - Tipo de onda eletromagnética em função da sua frequência e comprimento de onda
eletromagnéticas com
frequência superior ao
visível. Ao analisar a Figura 32, pode-se observar que o espectro eletromagnético é bastante extenso.
Conforme a frequência ou o comprimento de onda existe uma energia característica da onda.
Quanto maior a frequência, mais energética será a onda. Percebe-se que existe um comprimento
de onda característico para cada tipo de uso.
As ondas maiores, menor frequência, são utilizadas para rádios. Estão associadas às partes mais
externas dos átomos.
As ondas menores, maior frequência, são mais energéticas, com maior poder de penetração na
matéria. Estão associadas às partes mais internas dos átomos.
Porque possui um receptor de radiação (olho), calibrado para a faixa de 400 nm a 700 nm de
comprimento de onda? Certamente, isso tem a ver com a teoria de evolução de Darwin. O
fato de os seres humanos terem a capacidade de enxergar, justamente essa faixa de radiação,
é uma comprovação da teoria da evolução. A natureza é sábia: os seres humanos enxergam,
exatamente, o comprimento de onda mais abundante na natureza.
100
A fonte de energia da terra é o Sol e, não por acaso, as pessoas são adaptadas para enxergar a
radiação que o Sol mais emite. A Figura 33 mostra as curvas de emissão de radiação do Sol. No
eixo horizontal há os comprimentos de onda e, no eixo vertical, a irradiância (quantidade de
luz que chega).
Irradiância: é a quantidade
A curva preta representa o valor teórico de emissão do Sol. A curva vermelha representa a radiação de fluxo radiante, recebida
por unidade de área em
que chega à atmosfera e a curva amarela representa a radiação que chega ao nível do mar. uma superfície, levando
em consideração todas as
É possível observar que uma parte considerável de radiação não ultrapassa a atmosfera e, direções possíveis.
justamente o intervalo de radiação que tem maior irradiância é aquele que chega em maior
quantidade ao nível do mar, considerado a faixa do visível. Isso comprova que os seres humanos
são adaptados ao meio.
0.25
Ultravioleta Visível Infravermelho
Irradiação solar extraterrestre
0.20 Irradiação solar ao nível do mar
0.15 O2
H2O
H2O, O2
0.10
H2O
H2O, CO2
0.05
0.00
0.0 0.3 0.6 0.9 1.2 1.5 1.8 2.1 2.4 2.7 3.0
Comprimento de onda (µm)
Conhecer a característica dual da luz e entender o espectro de irradiação do Sol permite afirmar
que luz é a radiação eletromagnética, cujo comprimento de onda é percebido pelo olho humano.
5.2 Reflexão
Os corpos que podem emitir luz são denominados luminosos. Exemplos de corpos luminosos
são o Sol, as lâmpadas e a vela. Os corpos que enviam a luz recebida de corpos luminosos são
chamados de iluminados. Praticamente tudo o que existe se enquadra nesse segundo grupo.
101
• Transparentes - deixam passar a luz em trajetórias regulares, permitindo a observação
perfeita através dos objetos.
• Translúcidos - deixam passar a luz de forma irregular, permitindo apenas ver os contornos
dos objetos.
• Opacos - não permitem a passagem da luz.
Mesmo sabendo que a luz tem natureza dual, para efeito do estudo que será feito agora, pode-se
considerá-la como um raio de luz; linhas orientadas que representam a direção e o sentido de
propagação da luz.
O conjunto de raios de luz é denominado feixe de luz e pode ser convergente, divergente
ou paralelo.
Analisando as Figuras 34.A e 34.B, nota-se que quando um feixe de raios paralelos propaga-se
em um meio (1) e incide sobre a interface (S) de um meio (2), ocorrem simultaneamente os
fenômenos: reflexão, refração e absorção. Quando o raio de luz retorna para o meio (1), diz-se
que ocorreu a reflexão, podendo ser regular ou difusa.
S (1) (1)
(2) (2)
Figura 34.A - Reflexão da luz de forma regular Figura 34.B - Reflexão da luz de forma difusa
No caso da reflexão regular, os raios incidentes chocam-se com a superfície e são refletidos,
como mostram as Figura 35.A e 35.B. Os raios que incidem formam um ângulo (i) com a
normal ao plano. O ângulo (r), formado pelas ondas refletidas, tem o mesmo valor de (i). O
mesmo fenômeno acontece com o som: i = r.
N N
i r i r
S (1) S
(2) (1)
Figura 35.A - Raio de luz sendo refletido em uma Figura 35.B - Raio de luz sendo refletido em uma
superfície plana superfície curva (2)
102
5.3 Refração
A refração é o fenômeno que ocorre quando a luz muda de meio de propagação. Quando a luz,
viajando em um meio (1), incide em uma superfície (S), que separa do meio (2) e penetra no
meio (2), mudando sua direção, diz-se que a luz sofreu refração, como na Figura 36.A. Os raios
de luz, que incidem perpendicularmente à superfície, não mudam a direção, conforme mostra
a Figura 36.B.
Figura 36.A - Representação de raio de luz Figura 36.B - Representação de raio de luz
refratado com ângulo diferente de 90º refratado com 90º
No exemplo da Figura 36, vê-se a luz, que viajava no ar, incidindo na água. Observa-se que o
ângulo formado entre o raio de luz e a normal é menor na água. Isso porque a velocidade da
luz na água é menor que no ar.
Índice de refração
Uma grandeza adimensional é denominada índice de refração absoluto (n) para caracterizar os
meios envolvidos na refração da luz.
n=
c
v { cv →→ velocidade da luz no vácuo
velocidade da luz no meio analisado
O índice de refração absoluto depende da luz que se propaga, apresentando o valor máximo
para o violeta e mínimo para o vermelho. Para o vácuo, o índice de refração é igual a um, pois
a velocidade (v) é igual a (c). O índice de refração do ar também pode ser considerado um.
Pode-se definir, também, o índice de refração relativo entre dois meios como sendo o quociente
entre seus índices de refração absolutos. Considerando dois meios (A) e (B), tem-se:
n v
n = A = A
AB n v
B B
103
Uma importante aplicação deste conceito está na transmissão de informação pelas fibras óticas.
Fios com núcleo de vidro ou plástico extrudido. Um feixe de luz é lançado em uma extremidade
da fibra percorrendo-a por sucessivas reflexões. É possível enviar grande quantidade de
Extrudido: material que informação por milhares de quilômetros, viajando na velocidade da luz. A fibra ótica é utilizada
sofreu uma passagem
forçada, através de um também no sistema de cabeamento de aeronaves.
orifício, de uma porção de
metal ou de plástico, para
que adquira forma alongada
ou filamentosa.
Outra aplicação está no sistema de detecção e telemetria pelo radar aeronáutico, em inglês,
radio detection and ranging (RADAR). É um sistema de rádio-detecção, usando a reflexão de
ondas eletromagnéticas. Existem diversos tipos de radar utilizados para a busca de superfície,
busca aérea, determinação da altitude, direção de tiro (militar), aproximação de aeronaves,
navegação, entre outras finalidades. O radar de navegação, por exemplo, é um radar de pulsos,
que emite ondas de frequência muito elevada, em pulsos de duração extremamente curta e
mede o intervalo de tempo entre a transmissão do pulso e a recepção do eco, refletido no alvo.
Resumindo
Viu-se que a natureza da luz é complexa, apresentando características de partícula quando
interage com a matéria e as características de onda quando se propaga nos meios. A luz visível
é apenas uma pequena faixa do espectro irradiado pelo Sol.
As ondas de menor comprimento são mais energéticas, têm capacidade de interagir mais
próximas aos núcleos dos átomos. Por esse motivo, são utilizadas em equipamentos para
formar imagem. Os aparelhos de raio-X, por exemplo, são empregados para detectar trincas
nas estruturas de aeronaves. Essas ondas são prejudiciais à saúde, portanto, devem-se adotar
medidas de proteção contra a exposição à radiação.
As ondas de maior comprimento são muito utilizadas na comunicação por serem menos
energéticas e não prejudicarem a saúde. A comunicação via rádio, radares e satélites opera com
ondas na faixa de frequência inferior ao visível.
104
Capítulo 6
Movimento ondulatório e som
O som, assim como a luz, também apresenta comportamento ondulatório, mas com uma
grande diferença em relação à luz. É necessário que exista um meio de propagação para o som.
Percebe-se que todas as características do som podem ser representadas por ondas, comprovadas
por fenômenos como o eco. No ambiente de manutenção aeronáutica, o profissional está
exposto a sons irritantes de alta intensidade. Por isso, entender a natureza do som é importante
para atuar na prevenção de possíveis danos causados por essa exposição.
Os fenômenos sonoros estão relacionados à vibração dos corpos materiais: o som de um tambor,
a corda de um violão ou mesmo a voz humana. A origem de um som está sempre na vibração
de um corpo. Quando as cordas vocais vibram, produzem o som da voz. Mas, espaçonaves
explodindo, produzem vibração. Por que não é possível ouvir o som no espaço? Para que haja
transmissão do som, deve existir um meio de propagação. No vácuo, que é o caso do espaço,
não existe meio de propagação. Assim sendo, não existe som.
O som pode se propagar pelos meios sólidos, líquidos e gasosos. O meio mais comum de
propagação é o ar. O ouvido humano é um instrumento calibrado para detectar o som que se
propaga pelo ar. Quando um material vibra, como um sino, por exemplo, desloca o ar à sua
volta, causando um aumento da pressão. O movimento vibratório do sino causa uma variação
de pressão que se propaga pelo ar até chegar aos ouvidos humanos. O sistema auditivo detecta
a variação de pressão e o cérebro traduz como o som
que as pessoas ouvem.
105
O som possui uma natureza ondulatória. O fato de se propagar por um meio material, de ter
uma velocidade finita, evidenciada pelo intervalo de tempo que se leva para ouvir o trovão,
após vermos o relâmpago e o fenômeno reflexão, evidenciado pelos ecos, são a comprovação
da natureza ondulatória do som. Pode-se concluir, então, que: o som é uma onda longitudinal,
que se propaga em um meio material, com frequência entre 20 Hz e 20.000 Hz.
Esse exemplo ajuda a demonstrar algumas importantes características das ondas. As ondas
transportam energia sem transportar massa. Uma rolha, boiando no lago, ao ser atingida pela
perturbação, realiza movimentos em torno do seu centro de massa, recebendo energia cinética
e potencial, e retorna praticamente para a mesma posição. As ondas transmitem informações a
grandes distâncias. Portanto, as antenas instaladas na torre de controle de tráfego aéreo recebem
informações de aeronaves a milhares de quilômetros.
Quanto à direção do movimento, podem ser classificadas como: transversal, quando as partículas
se movimentam na direção perpendicular à direção de propagação da onda e longitudinal,
quando as partículas se movimentam para frente e para traz na direção de propagação da onda.
106
Figuras 40.A e 40.B são bons exemplos. O som, objeto de estudo, é uma onda desse tipo de
propagação, assim como a luz. De acordo com a forma da frente de propagação de onda, pode-
se classificá-la como plana ou esférica. Um estalar de dedos produz uma frente de onda esférica.
Raio de onda
Figura 40.A - Frentes de ondas sonoras planas Figura 40.B - Frente de ondas sonoras esféricas
As ondas são, ainda, classificadas de acordo com a variação no tempo. Um pulso que viaja
isolado e que pode ou não se repetir, não tem um período definido. Se o movimento se
repetir, pode ser classificado como periódico. O caso mais simples é o movimento harmônico
simples (MHS). Algumas características desse tipo de movimento podem ser empregadas
no estudo do som.
No caso de uma corda tensa, na qual uma extremidade é fixa e, na outra, existe uma fonte que gera
ininterruptamente um movimento igual, pode-se considerar como um MHS. A onda da corda é
uma onda transversal. Os atributos elencados nesse exemplo valem para qualquer onda periódica.
A pessoa da Figura 41 faz o papel da fonte. Nota-se que o movimento se repete ao logo do
tempo. O intervalo de tempo no qual ocorre todo ciclo é nomeado de período (T) da onda
cuja unidade no SI é o segundo (s). A distância percorrida pela onda no período (T), entre as
cristas ou vales, é o comprimento (λ), e a unidade no SI é o metro (m). A unidade utilizada para
comprimento de onda muito pequeno é o angstrom 1A = 10-10m . A distância entre o ponto de
equilíbrio e a máxima elevação da crista é chamada de amplitude (α) da onda. A velocidade de
propagação da onda na corda é uniforme, logo:
v = ∆S
∆t {∆S =λ
∆t =T
→v =
λ
T
107
Como a frequência da onda, o número de oscilações pela unidade de tempo é expressa em hertz.
f= 1 [1/s] → v = λf
T
C Pressão
do ar
Na Figura 42.A é possível notar uma onda se propagando em uma mola. Na Figura 42.B, o ar
está dentro de um tubo cujo êmbolo oscila, provocando a diferença de pressão que se propaga
ao longo do tubo. E na Figura 42.C, o gráfico representa a propagação do ar da Figura 42.B.
Observa-se que no caso da Figura 42.B há uma onda sonora propagando-se em um tubo.
O gráfico da Figura 42.C representa essa onda sonora, exatamente como foi visto no caso
do MHS. Isso mostra que todas as propriedades são válidas para as ondas sonoras. Nesse
sentido, em síntese, as ondas mecânicas longitudinais de pressão, que se propagam nos
fluídos, são denominadas ondas sonoras.
6.2.1 Intensidade
I= ∆E como P ∆E → I P
= =
A × ∆t ∆t A
108
No SI, a unidade de intensidade é (W/m2). O aparelho auditivo humano é sensibilizado pela
intensidade em escala logarítmica. Os limites máximos e mínimos de audição humana estão
entre 1W/m2 e 10-12W/m2 respectivamente. Acima de 1W/m2 o som fica insuportável. Existe
uma grandeza para medir intensidade auditiva ou nível sonoro. A sua unidade é o bel, de
símbolo (ß), em homenagem a Alexander Graham Bell.
NS = 10log I
I0 { I0 → a menor intensidade do som audível 1W/s2
I → a intensidade do som que se quer medir
Assim, a intensidade do som é tanto maior quanto for a amplitude da onda sonora.
Entender o que significa a intensidade do som e os possíveis danos causados ao aparelho auditivo,
por exposição a níveis inadequados durante longos períodos de tempo, é muito importante para
todo mantenedor aeronáutico. Os ambientes operacionais são demasiadamente ruidosos, pois
as intensidades sonoras envolvidas são muito altas. O motor a jato de uma aeronave produz em
torno de 140 dB. O limite máximo aceitável para trabalhar oito horas sem equipamentos de
proteção individual (EPI) é de 85 dB, conforme a NR 15 do Ministério do Trabalho.
6.2.2 Altura
A altura é a característica do som que permite classificá-lo como grave ou agudo. A altura está
relacionada à frequência. Quanto mais agudo for um som, maior será sua frequência. As notas
musicais são diferenciadas pela altura e, em uma escala musical, as notas mais agudas têm maior
frequência de vibração.
6.2.3 Timbre
Como é possível diferenciar um piano de um violão, quando ambos emitem uma mesma
nota musical, com a mesma frequência e intensidade? O ouvido humano tem a capacidade
de reconhecer a forma da onda. Sons de mesma intensidade e frequência, produzidos por
diferentes instrumentos, têm ondas de formato diferente, conhecidas como timbre.
109
Isso ocorre porque, como abordado anteriormente, a propagação do som ocorre pelo
choque elástico das moléculas, umas com as outras. Quanto mais próximas estiverem as
moléculas, mais rápida será a interação. A velocidade do som nos gases pode ser expressa
pela seguinte equação:
v=
γRT
m { T → temperatura
m → massa
R → constante universa
cp cp → capacidade calorífica a pressão constante
γ=
cv {c → capacidade calorífica a volume constante
v
A barreira do som
O cientista austríaco Ernest Mach (1838-1916) foi o primeiro a medir a velocidade do som no
ar. Por isso, a relação entre a velocidade de uma aeronave e das ondas sonoras causadas por ela
nesse mesmo meio foi batizada de Mach. 1 Mach é igual a 340 m/s.
Quando uma aeronave se desloca em velocidades inferiores a 1 Mach, as ondas sonoras, causadas
por ela, viajam na frente. Ouve-se o som antes de se ver a aeronave. Quando a velocidade
de deslocamento ultrapassa 1 Mach, cria-se uma onda de choque, conhecida como estrondo
sônico. Nessa condição, avista-se a aeronave antes de se ouvir o som.
110
6.4.1 Reflexão
Interface: elemento de
ligação entre dois ou mais
Figura 44 - Ondas sonoras sendo refletidas componentes de um sistema.
ou filamentosa.
As ondas incidentes que partem de (A), chocam-se com uma barreira (isso ocorre também em uma
interface entre meios distintos), e são refletidas para (B). As ondas que incidem, formam um ângulo
(i) com a normal ao plano. O ângulo (r), formado pelas ondas refletidas, tem o mesmo valor de (i).
Na reflexão, a frequência, a velocidade de propagação e o comprimento da onda não mudam.
i=r
6.4.2 Refração
A refração é o fenômeno que acontece quando uma onda muda de meio de propagação. A
velocidade de propagação da onda é alterada, logo, o comprimento também. A frequência
permanece constante.
111
Na Figura 45, observa-se dois meios de propagação quaisquer distintos (1 e 2). A onda que
incide muda sua direção quando muda de meio. Sendo (i) o ângulo de incidência, formado
com a normal, e (r) o ângulo formado com a normal, após a refração. Pode-se dizer que:
v1 v2 v1 sin i λ1f λ1
f= = = = =
λ1 λ2 v2 sin r λ2f λ2
Existem alguns ensaios realizados nas aeronaves, a fim de detectar falhas na estrutura metálica
os quais utilizam a reflexão e a refração de ondas ultrassônicas. Esse é apenas um exemplo do
campo de aplicação desses conceitos na indústria aeronáutica.
Resumindo
Neste capítulo, aprendeu-se que as ondas sonoras podem se propagar nos gases líquidos e
sólidos. Quanto maior a densidade do meio, maior será a velocidade do som nesse meio.
Percebeu-se que algumas características das ondas sonoras são semelhantes às ondas de luz e a
maior diferença entre elas está no meio de propagação. Aprendeu-se, também, que o som só se
propaga nos meios materiais, enquanto que a luz pode se propagar no vácuo.
Com o capítulo 6, esta unidade de física básica está concluída, após revisão dos conceitos mais
utilizados no desenvolvimento das unidades técnicas.
112
Unidade 3
Inglês técnico
113
114
Capítulo 1
Aircraft – definitions and structure
Aeronave (aircraft, do inglês) é qualquer máquina capaz de sustentar voo, ou seja, um nome
genérico que abrange todo aparelho de navegação aérea. Dentre eles temos: avião, helicóptero, Aircraft: avião, qualquer
balão, etc. A estrutura de um avião é dividida em cinco partes: fuselagem, empenagem, asas, trem máquina capaz de sustentar
de pouso e sistema de propulsão (também conhecido como grupo motopropulsor). Cada modelo voo. Dentro deste grupo,
pode-se ter balões, dirigíveis,
apresenta suas particularidades em relação a esses itens, o que diferencia uma da outra. helicópteros, aviões e
planadores. Assim, tomar
Pelo fato de a aeronave ser muito complexa, a área da manutenção foi dividida em três grupos: cuidado para não confundir
grupo motopropulsor, células e aviônicos. Assim, o técnico se especializa em uma área específica aircraft com airplane (avião).
e tem um conhecimento básico nas outras partes. Power plant: pode ser
traduzido como grupo
motopropulsor ou sistema
motopropulsor. É composto
1.1 Parts of an airplane and their functions basicamente pelo motor e pela
hélice ou somente o motor
(quando não utiliza hélice).
What is an airplane?
Definition: Any of various vehicles capable of flight, held up by the force of air
flowing around their wings, and driven by jet engines or propellers.
1.1.1 Fuselage
Is the central part of an airplane. It is designed to carry the pilots, passengers and cargo. At
the front of the fuselage, there is an area called cockpit, where the pilots control the airplane.
Fuselage is the main structure or body of the fixed-wing aircraft. It provides space for cargo,
controls, accessories, passengers, and other equipment. In single-engine aircraft, the fuselage
115
houses the power plant. In multiengine aircraft, the engines may be either in the fuselage,
attached to the fuselage, or suspended from the wing structure.
Houses: neste contexto, a
palavra Houses é utilizada
como verbo alojar. Neste
caso, a fuselagem do avião
aloja o grupo motopropulsor.
Em inglês, é comum uma
palavra que normalmente é
aplicada como substantivo
ser utilizada como verbo.
Semimonocoque: são
estruturas nas quais os
esforços são suportados
pelas cavernas e/ou
anteparos, revestimento e
longarinas.
O combustível, em algumas
aeronaves, também é transportado
dentro das asas. Esse tipo de asa
recebe o nome de wet wing (asa
molhada). Observe a Figura 4.
116
1.1.2 Power plant
Is the principle support of the airplane when parked, taxiing, taking off, or when landing. The
most common type of landing gear consists of wheels, but airplanes can also be equipped with
floats for water operations, or skis for landing on snow.
Landing gear employing a rear-mounted wheel is called conventional landing gear. Airplanes
with conventional landing gear are sometimes referred to as tail wheel airplanes.
117
1.2 Grammar point – verb to be
Os textos apresentados ao longo do curso são ricos em termos técnicos usados no cotidiano do
técnico em manutenção aeronáutica. Os manuais informam o que deve ser feito e a execução
incorreta de um procedimento pode acarretar um alto custo para a empresa, podendo gerar um
acidente com consequências muito sérias.
A seguir, há algumas regras gramaticais importantes para a tradução dos textos em Língua Inglesa.
No primeiro exemplo, John is a pilot (John é um piloto), o verbo to be (is) é utilizado como o
verbo ser. Já, no segundo exemplo, The airplane is inside the hangar (A aeronave está dentro do
hangar), o verbo to be (is) é utilizado como o verbo estar. Vamos aprender a conjugar esse verbo.
Verbo to be = ser/estar
Tradução Forma contraída
I am Eu sou/estou I’m
You are Você é/está – Tu és/estás You’re
He is Ele é/está He’s
She is Ela é/está She’s
It is Ele(a) é/está (objetos e animais) It’s
We are Nós somos/estamos We’re
You are Vocês são/estão – Vós sois/ estais You’re
They are Eles(as) são/estão They’re
O verbo to be será bastante utilizado nesta unidade e, na maioria das vezes, a frase aparecerá
com palavras que equivalem aos pronomes da tabela acima (I, you, he, she, it, we, you, they).
b) The mechanics are tired. (Os mecânicos estão cansados.) The mechanics - they.
d) The propellers are broken. (As hélices estão quebradas.) The propellers (objeto)
- they.
118
O verbo to be pode ser utilizado nas formas negativa e interrogativa (ver tabelas).
Tabela 2 - Verbo to be
Examples:
The weight of the airplane isn’t light. (O peso da aeronave não é leve.)
The pilots aren’t in the cockpit. (Os pilotos não estão na cabine do avião.)
Tabela 3 - Vocabulário
119
1.3 Flight, wings and empennage
a) Lift, weight, drag, thrust, wings are responsible to provide lift. They support the weight
of the airplane and can also carry fuel. There are many types of wings in different aircraft.
120
Aircraft flight control systems consist
of primary and secondary systems. The
Spoiler: também chamados
ailerons, elevator and rudder constitute the de Speedbrakes, são
primary control system and are required superfícies móveis
posicionadas sobre as asas
to control an aircraft safely during flight.
de aviões que, ao se abrirem,
Wing flaps, leading edge devices, spoilers, descolam o escoamento do
and trim systems constitute the secondary vento relativo criando um
estol controlado nas asas,
control system and improve the performance reduzindo a sustentação
characteristics of the airplane or relieve the naquela região da asa.
Figura 12 - Sistema de controle de voo
pilot of excessive control forces.
Trim tabs: compensadores
• Flaps are movable sections located on the airplane’s wings. There is one flap in each são superfícies de controle
de voo auxiliares ligadas a
wing and they move in the same direction at the same time, resulting in the creation bordo de fuga das superfícies
of drag and lift. Flaps are responsible to make the airplane to fly more slowly when de controle de voo primárias.
Os compensadores reduzem
preparing to land.
a força necessária para
• Ailerons are movable sections located on the edge of the airplane’s wings. There is one mover uma superfície de
controle primária.
aileron in each wing and they move in opposite directions (when one goes up, the
other goes down). They are responsible for making turns by controlling movement
around the longitudinal axis.
b) Empennage is the tail assembly or the rear part of an airplane. It includes the horizontal
and vertical stabilizers, elevators and rudder.
• Horizontal stabilizer prevents an up-and-down
motion of the nose, which is called pitch.
• Vertical stabilizer keeps the nose of the plane from
swinging from side to side, which is called yaw.
• Rudder is the movable and vertical section of the
tail. It is responsible to control the lateral move-
ment around the vertical axis. When the rudder
moves in one direction, the aircraft nose moves
to the same direction.
Figura 13 - Empenagem
• Elevator is the movable, horizontal section of the
tail. It is responsible to climb or descend the air-
plane. When the elevator moves in one direction, the aircraft nose moves in the same
direction (up or down). Pitch: arfagem. Movimento
da aeronave em torno do
c) Flight seu eixo lateral ou horizontal,
fazendo com que o nariz da
Whenever an airplane changes its flight attitude or position in flight, it rotates about one or aeronave se mova para cima
ou para baixo.
more of three axes, which are imaginary lines that pass through the airplane’s center of gravity.
At the point where all three axes intersect, each is at a 90° angle to the other two. Yaw: guinada é o movimento
da aeronave em torno do
The axis, which extends lengthwise through the fuselage from the nose to the tail, is the seu eixo vertical, fazendo
com que o nariz da aeronave
longitudinal axis. se mova de um lado para o
outro.
The axis, which extends crosswise from wing tip to wing tip, is the lateral axis.
121
The axis, which passes vertically through the center of
gravity, is the vertical axis.
Motions of an airplane
Technical text
One aircraft filled with passengers, cargo, and fuel can weigh more than 400,000
kilos. How do you get an aircraft with that amount of weight into the air? And how
do you keep it there? Simple! An aircraft is help up by air.
122
When an aircraft runs on the runway, during the takeoff, the faster it goes, the more
air comes under the wings. This causes a “low pressure system” above the wing, the
faster the air travels, the lower the pressure is. Finally, the pressure difference is so
great that it pulls the jet up into the air.
Fonte - EUA, 2012a.
• Takeoff angle
As the aircraft hurtles down the runway, finally attaining a speed of 300 kilometers per hour,
the pilot pulls back on the yoke, lifting the nose wheels off the runway and, finally, the whole
aircraft takes off. With the help of flaps on the wings and tail, the pilot can adjust how the air
flows around the aircraft.
The fly-by-wire (FBW) control system employs electrical signals that transmit the pilot’s actions
from the flight deck through a computer to the various flight control actuators. Fly-by-wire: sistema
de comando de voo que
utiliza a transmissão de
dados às superfícies de
controle por meio de cabos
ou fios protegidos. Dessa
forma, todo comando feito
pelo piloto no manche é
processado e avaliado pelo
computador, para então
ser transmitido, total ou
parcialmente, às superfícies
de comando de voo.
123
A figura a seguir apresenta as principais partes da aeronave, juntamente com as superfícies de
comando (palavras escritas em negrito na figura). Além disso, são apresentadas as respectivas
funções de cada parte indicada na figura (palavras escritas entre parênteses).
Tabela 4 - Vocabulário
124
1.4 Grammar point – nouns
Devido a sua grande aplicação no idioma, é necessário conhecer as regras que formam o plural.
Plural dos substantivos:
a) Regra geral - o plural dos substantivos ocorre da mesma maneira que em português,
acrescentando-se S à palavra.
• Aileron - ailerons.
• Force - forces.
• Spoiler - spoilers.
b) Substantivos terminados em CH, S, SS, SH, X, Z e O acrescenta-se ES no final.
• Airbus - airbuses.
• Approach - approaches.
• Compass - compasses.
• Crash - crashes.
• Box - boxes.
• Cargo - cargoes.
• Quiz - quizzes.
Exceções - radio (rádio), commando (commandos), kilo (kilos),
c) Substantivos que terminam em vogal + y - acrescenta-se somente –s no final.
• key - keys.
• day - days.
d) Substantivos que terminam em consoante + y - retira-se o y e acrescentam-se -ies.
• accessory - accessories.
• facility - facilities.
• sky - skies.
e) Plurais irregulares que não seguem a regra geral.
• man - men (homens).
• woman - women (mulheres).
• child - children (crianças).
125
• person - people (pessoas).
• foot - feet (pés).
• life - lives (vidas).
• knife - knives (facas).
f ) Substantivos incontáveis que só existem na forma singular e, por mais que o sentido seja
plural, o verbo fica sempre no singular.
• equipment - equipamento(s).
• homework - tema(s) de casa.
• information - informação(ões).
• luggage/baggage - bagagem(ns).
• weather - tempo meteorológico.
Apenas as principais regras gramaticais do plural dos substantivos foram apresentadas como
base para tradução e compreensão de textos técnicos. É importante o aprofundamento do
estudo para melhorar a base de entendimento do idioma.
126
The forces must be balanced to the airplane move in a straight line at airspeed.
The next figure shows the equality.
Let’s see what happens when the forces are unbalanced (not balanced).
O vocabulário técnico disponibilizado no final do texto serve de apoio para a tradução do texto
a seguir.
An airplane in flight, four forces are ever present: lift, weight, thrust, and drag. Lift and drag are
considered aerodynamic forces because they exist due to the movement of the aircraft through
the air. The weight pulls down on the plane opposing the lift created by air flowing over the
wing. Thrust is generated created by the propeller or engine and opposes drag caused by air
resistance to the frontal area of the airplane.
127
At the rear of the wings and stabilizers are small moving sections that are attached to the
fixed sections by hinges. Changing the rear portion of a wing will change the amount of
force that the wing produces. The ability to change forces gives us a means of controlling and
maneuvering the airplane.
Tabela 5 - Vocabulário
128
Technical Orders
Technical Orders, commonly called ‘TO’, are a written reference for all aspects of aircraft
maintenance, providing information ranging from schematics and wiring diagrams to
how to change aircraft parts. They lay out every aspect of aircraft maintenance for
specific aircraft, providing a blueprint in maintaining a particular aircraft.
Ground Safety
Keeping hangars, shop, and the flight line orderly and clean is essential to safety
and efficient maintenance. It is very important that maintenance personnel don’t
let any debris or object on the floor, because they can get sucked into a jet engine
and causes serious damages. This is what we call FOD – Foreign Object Debris or
Foreign Object Damage.
Foreign Object Debris (FOD) is a substance, debris or article alien to the vehicle or
system which would potentially cause damage.
Foreign Object Damage is any damage attributed to a foreign object that can be
expressed in physical or economic terms that may or may not degrade the product’s
required safety and/or performance characteristics. Typically, FOD is an aviation
term used to describe debris on or around an aircraft or damage done to an aircraft.
FOD includes loose hardware, tools, parts, pavement fragments, catering supplies,
building materials, rocks, sand, pieces of luggage, pens, coins, badges, hats, soda
cans, paper clips, rags, trash, paperwork and even wildlife. Anything that can find
its way into an aircraft engine or flight control mechanisms is a recipe for foreign
object damage.
And this damage can result in anything from minor repairs to catastrophic events.
FOD can be found anywhere in the aviation environment – from the manufacturing
plant to airport terminal gates, cargo aprons, taxiways and runways.
The National Aerospace FOD Prevention, Inc. estimates the cost of FOD to the
global aerospace industry at $4 billion annually. These dollars are spent largely
repairing aircraft engine damage caused by the ingestion of foreign objects from
runways. Perhaps most importantly, FOD is preventable.
129
Tipos mais comuns de FOD
Entre todos os objetos listados no texto, nenhum tem maior ou menor importância. Ressalta-se
que um objeto, por menor que seja, é um FOD e deve ser descartado no local correto. A seguir
será abordado um grupo de itens chamados de prendedores (fasteners), que podem representar
exemplares de FOD, caso não sejam corretamente utilizados.
Screws (parafusos) - a type of threaded connector used to fix things together by rotating it.
Figura 25 - Parafusos
Bolts (parafusos com cabeça e porca) - a metal rod with a head, which screws into a nut.
Nuts (porcas de parafusos) - a metal ring which screws on a bolt to hold it tight.
130
Washers (arruelas) - a flat thin ring or a perforated plate used in joints or assemblies to ensure
tightness, prevent leakage, or relieve friction.
Figura 28 - Arruelas
Cotter pin - a metal pin used to fasten two parts of a mechanism together.
Rivet - is a type of metal bolt or pin with a head on one end, inserted through one of the aligned
holes in the parts to be joined and then compressed on the plain end to form a second head.
Figura 29 - Diversos
Be careful! Small parts such as fasteners, wires, fittings, safety wires, pins and gaskets are easily
forgotten and difficult to be found. It is very important the work area remains clean, organized
and all debris can be placed in appropriate containers.
In July 2000, during takeoff, one aircraft of a french company (Flight 4590) ran over a piece
of metal on the runway. The piece of metal caused a tire to fail. Pieces of the tire ruptured the
fuel tank, ignited the fuel and ultimately resulted in a loss of aircraft control that ended with Fuel tanks: tanques de
it crashing into a nearby hotel. The result was the death of 113 people, the destruction of the combustível dos aviões
devem ser concebidos,
hotel and the loss of a 46 million dollar aircraft. It was a FOD incident. localizados e instalados
para reter o combustível
Tabela 6 - Vocabulário
quando sujeito a cargas
de inércia resultantes de
Inglês Português Inglês Português fatores de carga estática e
Diagrama, desenho em possíveis ocasiões em
Blueprint Lag Atraso, retardo
técnico que o avião pousa com o
Cap nut Porca de capa Leakage Vazamento trem de pouso recolhido.
Eles também devem reter
Carriage bolt Parafuso de carruagem Rivet Rebite o combustível no caso de
Clutch Embreagem Rod Haste perda de um motor.
Cotter pin Contrapino Safety wire Arame de freno
Coupling nut Porca de acoplamento Set Jogo, conjunto
131
Inglês Português Inglês Português
Damage Dano, avaria Slotted screw Parafuso de fenda cruzada
Debris Detritos Spanner Chave
Dowel screw Cavilha rosqueada Spline Estriado
Eyebolt Pino com olhal Tapping screw Parafuso autoatarraxante
Fasten (verbo) Apertar Taxiway Pista para o avião taxiar
Fastener Prendedor Tool Ferramenta
Fitting Conexão Wire Arame
Gasket Gaxeta, junta Wiring diagram Diagrama de fiação elétrica
Jam nut Contraporca
O princípo básico em uma palavra composta é: uma palavra é considerada chave, enquanto as
outras são qualificadoras.
Tabela 7 - Palavra-chave
Ao observar as duas frases anteriores, nota-se que o significado da expressão foi alterado quando
a ordem das palavras foi invertida. No primeiro exemplo, brake disc significa disco de freio,
enquanto, no segundo exemplo, disc brake significa freio a disco. O mesmo ocorre com flight
level e level flight.
132
• Flight level - aircraft altitude (altitude de voo da aeronave).
• Level flight - horizontal flight (voo horizontal).
Figura 30 - 14 Bis
Fonte: Agência Força Aérea.
Resumindo
Foram descritas, neste capítulo, as partes principais de uma aeronave, bem como suas funções,
modelos e diferenças. Além disso, foram vistas as forças que nela agem e as condições para que
o avião estabeleça um voo seguro.
133
134
Capítulo 2
Power plant
Neste capítulo, será abordado o conjunto motopropulsor, que é o conjunto formado por motores,
hélices e partes que complementam esses dois grupos. Serão mostrados os principais tipos de
motores utilizados em aeronaves e seus componentes básicos e um pouco sobre as hélices.
Conceitos gramaticais serão apresentados durante o capítulo, servindo de base para tradução
dos textos e manuais técnicos do assunto mencionado.
Reciprocating piston
Figura 32 - Motor a pistão
engine: motores alternativos
também são motores
2.1.1 Reciprocating piston engines térmicos de combustão
interna. Eles convertem
a expansão dos gases de
They power the conventional vehicles like automobiles, tractors, motorcycles, boats, trains, combustão em movimento
airplanes, and other devices used by us. All reciprocating engines are basically the same. Most of linear dos pistões dentro de
them use liquid fuel, requiring an ignition system, a cooling system, and a lubrication system. cilindros.
135
2.1.2 Parts of reciprocating piston engines and their functions
136
d) Connecting rod is the link that transmits forces between
the piston and the crankshaft. Connecting rods must
be strong enough to remain rigid under load and yet be
light enough to reduce the inertia forces that are produ-
ced when the rod and piston stop, change direction, and
start again at the end of each stroke.
e) Valve - the fuel/air mixture enters the cylinders throu-
gh the intake valve ports, and burned gases are expelled
through the exhaust valve ports. The head of each valve Figura 37 - Biela
opens and closes these cylinder ports.
f ) Valve Operating Mechanism (Cam) - for a reciproca-
ting engine operate properly, each valve must open at
the proper time, stay open for the required length of
time, and close at the proper time.
g) Crankshaft is the backbone of the reciprocating engine. It is subjected to most of the for-
ces developed by the engine. Its main purpose is to transform the reciprocating motion
of the piston and connecting rod into rotary motion for rotation of the propeller.
137
A figura a seguir mostra o motor alternativo completo empregado em aeronaves e suas diversas
partes. Além dos sete principais itens, existem outros acessórios que compõem o equipamento.
Figura 43 - Carburador
138
d) Oil pump is designed to supply oil under pressure to the parts of the engine that require lu-
brication, then circulate the oil through coolers as needed, and return the oil to the oil tank.
e) Cylinder head - the purpose of the cylinder head is to provide a place for combustion of
the fuel/air mixture and to give the cylinder more heat conductivity for adequate cooling.
f ) Piston ring prevents leakage of gas pressure from the combustion chamber and
reduces to a minimum the seepage of oil into the combustion chamber.
g) Spark Plugs - the function of the spark plug in an ignition system is to conduct a
short impulse of high-voltage current through the wall of the combustion chamber.
h) Starter is used for rotating an internal-combustion engine so as to initiate the
engine’s operation under its own power.
Figura 47 - Figura em
corte de uma vela de
ignição
Figura 48 - Arranque
139
i) Generator is turned directly by the engine through the accessory gear box and produces
power any time the engine is turning.
j) Tachometer is an instrument that measures the rotational speed of an object.
Figura 49 - Gerador
Figura 50 - Tacômetro
k) Oil Filter - as oil passes through the fine-mesh screen, dirt, sediment, and other foreign
matter are removed and settle to the bottom of the housing.
l) Oil Pressure Relief Valve - an oil pressure regulating (relief ) valve limits oil pressure to the
value specified by the engine manufacturer.
m) Bearings - any surface which supports, or is supported by, another surface. The parts
must be held in position within very close tolerances to provide efficient and quiet
operation, and yet allow freedom of motion.
Figura 52.A - Mancal liso Figura 52.B - Rolamento de roletes Figura 52.C - Rolamento
de esfera
140
2.1.4 Gas turbine engines
To move an airplane through the air, we have to use some kind of propulsion system to generate
thrust. The most widely used form of propulsion system for modern aircraft is the gas turbine
engine. Turbine engines come in a variety of forms.
The compressor and turbine are linked by the central shaft and rotate together. This group of
parts is called the turbomachinery.
141
2.1.5 Let’s know more about gas turbine or jet engines!
Most modern passenger and military aircraft are powered by gas turbine engines, which are
also called jet engines. There are several different types of gas turbine engines, but all turbine
engines have some parts in common. All turbine engines have an inlet to bring free stream air
into the engine.
The compressor increases the pressure of the incoming air before it enters the combustor. There
are two main types of compressors: axial and centrifugal. In the axial compressor, the flow
through the compressor travels parallel to the axis of rotation. In the centrifugal compressor,
the flow through this compressor is turned perpendicular to the axis of rotation. Centrifugal
compressors are still used on small turbojets and turbo shaft engines. Modern large turbojet
and turbofan engines usually use axial compressors.
A turbine typically has a series of compressor wheels mounted on a single shaft, and each wheel
or fan is referred to as a stage. Each stage increases the compression of the airflow – what is
referred to as a multistage compressor. In contrast, the term multispool engine refers to turbine
engines where there is more than one shaft running though the core, each shaft having it own
142
independent set of compressors and turbines that turn at different speeds. The term spool
denotes the compressor, the turbine, and the shaft that connects the two.
Turbine transforms a portion of the kinetic (velocity) energy of the exhaust gases into mechanical
energy to drive the gas generator compressor and accessories
Combustion chamber or combustor - the section of a gas turbine engine in which fuel is
injected. This fuel mixes with air from the compressor and burns. The intense
heat from the combustion expands the air flowing through the combustor
and directs it through the turbine. Combustors are also called burners.
Blade is the portion of a gas turbine engine that operates at a high temperature.
The hot section includes the combustion, turbine, and exhaust sections.
143
Impeller is a type of compressor that uses a vaned plate like impeller. Air is taken into the
center, or eye, of the impeller and slung outward by centrifugal force into a diffuser where its
velocity is decreased and its pressure increased.
Core engine is the gas generator portion of a turboshaft, turboprop, or turbofan engine.
The core engine consists of the portion of the compressor used to supply air for the engine
operation, diffuser, combustors, and turbine(s) used to drive the compressor. The core engine
provides the high-velocity gas to drive the fan and/or any free turbines that provide power for
propellers, rotors, pumps, or generators.
Figura 63 - Ignitor
144
Fuel nozzle is responsible to inject the proper amount of fuel into the combustion chamber.
Fuel Control Unit (FCU) controls power output by varying fuel flow to the burner.
Afterburner is a component in the exhaust system of a turbojet or turbofan engine used to increase
the thrust for takeoff and for special flight conditions. Fuel is sprayed into the hot, oxygen-rich
exhaust in the afterburner, where it is ignited and burned to produce additional thrust.
Full authority digital engine - or electronics - control (FADEC) uses electronic sensors for its
inputs and controls fuel flow with electronic outputs.
Full authority digital
engine control (FADEC):
equipamento eletrônico
digital responsável pelo
controle de combustível dos
motores das aeronaves.
Ele atua durante todas
as operações do motor,
exercendo a plena autoridade
pelo controle de fluxo de
combustível, a partir dos
comandos recebidos da
cabine de pilotos.
Figura 66 - Fadec
145
Cowling - the removable cover that encloses an aircraft engine.
Tabela 8 - Vocabulário
146
2.2 Grammar point – articles and sentence structure
Para realizar uma tradução correta e concisa, é necessário o domínio do contexto no qual a leitura
é realizada. Neste caso, ter conhecimento do assunto relacionado sobre uma parte específica da
aeronave. Entretanto, só o vocabulário técnico não permitirá a compreensão em sua totalidade,
sendo necessário o conhecimento básico de alguns pontos gramaticais. O conteúdo a seguir é um
resumo das principais regras gramaticais de uma das classes de palavras mais utilizadas: o artigo.
2.2.1 Artigo
Artigo é a classe de palavras que indica, ao mesmo tempo, o gênero e o número dos substantivos.
Além disso, ele indica se o nome a que se refere é definido ou indefinido.
a) Definite article - the
O artigo definido the pode significar O, A, OS, AS, em português. Sua correta tradução
depende da frase em que está inserido.
Exemplos:
• The cylinder - O cilindro.
• The pistons - Os pistões.
• The propeller - A hélice.
• The valves - As válvulas.
147
I. A (um, uma) é utilizado antes de palavras que iniciam com som de consoante.
• A cylinder (um cilindro).
• A turbine (uma turbina).
II. AN (um, uma) é utilizado antes de palavras que iniciam com som de vogal.
• An accelerator (um acelerador).
• An installation (uma instalação).
Conhecer a estrutura básica das orações facilita a compreensão e a tradução dos textos técnicos.
Segundo o autor Philip Shawcross, a frase está basicamente dividida em sujeito, verbo, objeto,
meios e propósitos. Não é necessário que toda oração tenha esses cinco elementos, conforme
será visto nos exemplos a seguir.
Tabela 9 - Estrutura básica das orações
Verbo - fix.
The fuel/air mixture enters the cylinders through the intake valve ports.
Verbo - enters.
Sujeito - Starter.
Verbo - is used.
148
2.3 Propeller
Aircraft propellers or airscrews convert rotary motion from piston engines or turboprops to
provide propulsive or traction force. There are several types of propellers. It can have two, three, Propeller: hélice é a unidade
four, five, six or more blades and can be installed in front or behind the wing. The propeller is que deve absorver a potência
de saída do motor e gerar o
usually attached to the crankshaft of a piston engine, either directly or through a reduction gear
empuxo para a aeronave.
box. They may be fixed or variable pitch.
Pusher propeller is a propeller installed on an aircraft engine so that it faces the rear of the
aircraft. Thrust from the propeller pushes rather than pulls the aircraft.
Tractor propeller is a propeller mounted on the upstream end of a drive shaft in front of the
supporting structure.
149
Track is the path followed by a blade segment of a propeller in one rotation.
Effective pitch is the actual distance a propeller advances in one revolution through the air.
The Picture above shows typical propeller blade positions from feather position through the
reverse position. Normal sequence of blade travel is feather, high pitch, low pitch, locks/ground
idle, reverse pitch, and then back following the same path. Fixed turboprop engines are shut
down on the locks to prevent load on the engine during restart.
Spinner is a streamlined fairing fitted over a propeller hub that reduces the aerodynamic drag.
Blade station is a reference position on a propeller blade that is a specified number of inches
from the center of the propeller hub. Blade shank is the rounded portion of a propeller blade
between the root and the airfoil section. Blade butt is the end of a propeller blade that fits into
the hub. Blade tip is the opposite end from the root of a propeller blade.
150
Overspeed condition is a speed condition in which the engine is turning at an rpm higher than
that for which the propeller governor is set.
Constant-speed feathering propeller is the feathering propeller, utilizes a single oil supply from
a governing device to hydraulically actuate a change in blade angle.
Blade tracking is the process of determining the positions of the tips of the propeller blades
relative to each other (blades rotating in the same plane of rotation).
151
Tabela 10 - Vocabulário
Algumas peças são identificadas pela semelhança dessas com objetos, partes do
corpo humano ou objetos conhecidos, conforme a tabela a seguir.
152
Tabela 12 - Nomenclatura de termos por semelhança
Filtros em forma de
Finger filters Finger Dedo (mão)
dedos
153
2.4 Grammar point – verb tenses
Ao utilizar documentos técnicos, é imprescindível compreender exatamente a mensagem do
texto. Conhecer as formas verbais e as suas particularidades é essencial na compreensão da
mensagem do texto e facilita a atividade de contextualização das orientações constantes em
textos técnicos, além da atividade que se deve realizar nos ambientes de manutenção aeronáutica.
Dessa forma, serão estudados os tempos verbais comumente utilizados em documentos técnicos
(os mais usuais nesse tipo de linguagem).
Tempos verbais
a) Infinitivo
O infinitivo é a forma nominal que indica a ação propriamente dita, sem situá-la no
tempo, aproximando-se da função substantiva. É utilizado para expressar um objetivo ou
um propó[Link] serve de base para os outros tempos verbais.
Os verbos to be (ser, estar) e to have (ter) se destacam por serem amplamente utilizados.
154
Os adjetivos em inglês são INVARIÁVEIS. Isto significa que eles não variam em
gênero e número, tendo a mesma forma tanto para o singular quanto para o plural.
Exemplos:
No caso dos manuais técnicos, o imperativo é utilizado para mostrar quais instruções devem
ser seguidas ou realizadas, apresentando-se na mesma forma que o infinitivo sem o TO.
De acordo com o livro english for aircraft, de Philip Shawcross, os verbos listados na
tabela a seguir são os mais utilizados na linguagem técnica.
155
Apenas com o intuito de familiarização com textos técnicos, será apresentada a seguir
uma lista de procedimentos, conhecida como check list. Nesse tipo de texto, são utilizados
os verbos preponderantemente na forma nominal do infinitivo. A seguir, será apresentado
Check list: lista de um exemplo de check list para os procedimentos a serem efetivados antes da partida de
verificação que fornece
a sequência correta um motor de uma aeronave.
de um determinado
procedimento. Ao usar Before starting an aircraft engine
o check list, o técnico
diminui drasticamente o • Position the aircraft to head into the prevailing; wind to ensure adequate airflow over
risco de esquecer alguma the engine, for cooling purposes.
etapa de uma sequência
de procedimentos de • Make sure that no property damage or personal injury will occur from the propeller
manutenção. blast or jet exhaust.
Fire extinguishers: trata-se
• If external electrical power is used for starting, ensure that it can be removed safely
dos extintores de incêndio
para as classes A, B, C e and it is sufficient for the total starting sequence.
D. Os extintores são itens
obrigatórios nos ambientes • During any and all starting procedures, a “fireguard” equipped with a suitable fire
de manutenção e operação extinguisher shall be stationed in an appropriate place. A fireguard is someone familiar
de aeronaves.
with aircraft starting procedures. The fire extinguisher should be a CO2 extinguisher
of at least pound capacity. The appropriate place is adjacent to the outboard side of
the engine, in view of the pilot, and also where he or she can observe the engine/
aircraft for indication of starting problems.
• If the aircraft is turbine engine powered, the area in front of the jet inlet must be kept
clear of personnel, property, and/or debris (FOD).
• These “before starting” procedures apply to all aircraft powerplants.
• Follow manufacturer’s checklists for start procedures and shutdown procedures.
156
• Vapor in fuel system.
• Water in carburetor.
• Defective ignition wiring.
• Booster magneto defective.
• Incorrect valve and/or ignition timing.
• Defective magneto.
• Broken impulse coupling.
• Magneto breaker points defective.
• Incorrect valve clearance.
• Defective priming system.
• Internal trouble in carburetor.
• Intake manifold air leaks.
• Broken, shredded or defective camshaft.
• Internal engine failure.
• Spark plug wires crossed.
• Miscellaneous (turn engine over slowly by hand with the master & magneto switch
off and note any unusual condition, particularly low compression.
d) Gerúndio
O gerúndio é a forma nominal do verbo utilizada para indicar uma ação contínua que
está, esteve ou estará em andamento, ou seja, um processo verbal não finalizado.
Smoking is forbidden.
O particípio passado é utilizado para indicar uma ação realizada, um estado ou uma
condição.
157
Starter is used for rotating an internal-combustion engine.
Como a maioria dos verbos utilizados em textos técnicos é regular, eles são formados da
seguinte maneira:
• Fix - Fixed
• Clean - Cleaned
• Drill - Drilled
Apesar de a maioria dos verbos utilizados em manuais técnicos serem regulares, existem
alguns irregulares que devem ser estudados com atenção, pois estão presentes nesse tipo
de texto. A peculiaridade desses verbos é que eles não seguem uma regra para diferenciar o
infinitivo do particípio passado, sendo necessária a memorização de cada grupo de verbos
e suas variações. A seguir, serão apresentados alguns exemplos de verbos irregulares.
Tabela 14 - Verbos irregulares
Infinitivo Particípio
Be Been
Do Done
Fly Flown
Go Gone
Have Had
Read Read
Send Sent
Set Set
f ) Futuro
Para escrever frases no futuro em Língua Inglesa, pode-se utilizar as palavras shall e will.
Enquanto este último pode ser usado para uma ação no futuro, o primeiro (shall) é
utilizado para indicar necessidade, ordem ou procedimento que deve ser realizado. O
futuro é formado da seguinte maneira:
Compressor shall increase the pressure of the incoming air before it enters the combustor.
158
2.5 Good practices in maintenance
Ground safety
159
Hearing Protection
Auxiliary power unit (APU) is a gas turbine engines used primarily during aircraft ground
operation to provide electricity, compressed air, and/or shaft power for main engine start, air
conditioning, electric power and other aircraft systems. APUs can also provide backup electric
power during in-flight operation.
Tabela 15 - Vocabulário
160
2.6 Grammar point – adverbs and prepositions indicating place
Advérbios e preposições indicando lugar.
• Near - perto.
• Away from - distante de.
• Across from - em frente de; transversalmente.
• In the middle of - no meio de.
• Straight ahead - direto em frente.
• Right - direita.
161
• Left - esquerda.
• Far from - longe de.
Figura 81 - Advérbios
• In/inside - dentro.
• On - sob; em contato com.
• At - em local específico.
• Near - perto.
• Under - abaixo; em contato com.
• Over - em cima; sem estar em contato.
• Below - debaixo; sem estar em contato.
• Above - em cima; sem estar em contato.
• Round/around - por todo lado; em volta de; em torno.
• Through - através; quando algo entra por um lado e sai pelo outro.
162
• Among - entre; mais de duas pessoas, objetos.
• Between - entre; duas pessoas, objetos.
• Behind - atrás.
• In front of - em frente a.
• Along - ao longo; quando algo se move em uma direção constante.
• Across - de um lado para outro.
• Up - para cima.
• Down - para baixo.
• Opposite - oposto.
• Onto - deslocar-se para um local; sobre a superfície de alguma coisa.
• Off - para fora.
• Into - para dentro.
• Out of - fora de; para fora de.
• Past - passado; em referência a outro ponto.
• Next to/by/beside - próximo.
• Against - contra; em contato físico com.
• Over - por cima da superfície; topo de alguma coisa.
• From to - from indica um ponto de partida; to indica um ponto de chegada.
• Toward - em direção de algo.
163
Resumindo
Neste capítulo, foi visto que o grupo motopropulsor (powerplant) é formado pelo motor, hélice
e outras partes complementares. A diversidade e complexidade deste assunto fizeram com
que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) criasse uma especialidade chamada Grupo
Motopropulsor para formação de técnicos nesta área. Todas as três especialidades estudam os
conceitos básicos gerais da aeronave, tendo cada uma o aprofundamento direcionado para cada
área de atuação.
Além do conteúdo técnico, práticas adequadas de manutenção foram mostradas com o intuito
de aumentar a segurança na área operacional. Todo conceito gramatical estudado serve de
apoio à correta compreensão e tradução dos textos e manuais técnicos.
164
Capítulo 3
Hydraulic and lubrication systems
Neste capítulo, serão estudados os termos técnicos peculiares aos sistemas hidráulicos de
Valves: válvulas são
aeronaves, do trem de pouso e do sistema de lubrificação de motores convencionais de aeronaves. utilizadas para diversas
Todos eles são essenciais ao funcionamento das aeronaves. Os primeiros estão presentes em funções dentro dos sistemas
de uma aeronave. No
diversos equipamentos, principalmente naqueles relacionados com comandos de voo, abertura
sistema hidráulico, elas
de portas e rampas, acionamento de trem de pouso e outros que precisam do sistema hidráulico controlam a pressão, a
para reduzir os esforços para o acionamento de superfícies ou dispositivos. direção e o volume do fluido.
Power-driven pumps:
são bombas mecânicas,
3.1 Hydraulic system and landing gear ou seja, são acionadas por
dispositivos mecânicos
a partir do movimento
Um sistema hidráulico nada mais é do que um conjunto de partes que acionam outros transmitido do motor da
aeronave.
componentes por meio de pressão transmitida por um fluido. Esse conceito está baseado na Lei
de Pascal, cujo teorema explica que, quando se aplica uma força a um líquido, a pressão causada Electrically-driven pumps:
são bombas acionadas por
se distribui de forma integral e igualmente em todas as direções e sentidos.
motores elétricos que não
dependem do acionamento
Serão apresentados, a seguir, textos técnicos explorando o vocabulário básico encontrado nos do motor para funcionar,
manuais técnicos que tratam de sistemas hidráulicos de aeronaves. desde que haja energia
elétrica suficiente em seu
circuito.
3.1.1 Definition and components
165
Hand pump is used in some older aircraft for the operation of hydraulic subsystems and in
a few newer aircraft systems as a backup unit. Hand pumps are generally installed for testing
purposes, as well as for using in emergencies.
166
Check valve allows fluid to flow unimpeded in one direction, but prevents
or restricts fluid flow in the opposite direction.
Pressure relief valve is used to limit the amount of pressure being exerted
on a confined liquid. This is necessary to prevent failure of components or
Figura 86 - Válvula de retenção
rupture of hydraulic lines under excessive pressures. The pressure relief valve
is, in effect, a system safety valve.
Actuator converts the fluid pressure into mechanical force, or action, to perform work. It is
used to impart powered linear motion to some movable object or mechanism.
Figura 87 - Atuador
Filter is a screening or straining device used to clean the hydraulic fluid, preventing foreign
particles and contaminating substances from remaining in the system. Filter modules are often
equipped with a bypass relief valve to open if the filter clogs, permitting continued hydraulic
flow and operation of aircraft systems.
167
A próxima figura mostra um diagrama esquemático de um sistema hidráulico simples. Cada
elemento tem a sua função específica no sistema.
168
reducing valves are used in hydraulic systems where
it is necessary to lower the normal system operating
pressure by a specified amount.
169
a) Packing is a hydraulic seal used internally on a sliding or moving assembly.
Fitting is an attachment device that is used to connect components to the hydraulic system.
They have different sizes and types.
170
Hydraulic tubes are usually made from stainless steel, aluminum or titanium. One disadvantage
of aluminum tubing is that it is easier to damage when compared to steel and titanium ones.
Steel is cheaper and more resistant than titanium.
Tabela 16 - Vocabulário
Landing gear - aircraft landing gear supports the entire weight of an aircraft during landing and
ground operations. They are attached to primary structural members of the aircraft. The type
of gear depends on the aircraft design and its intended use.
171
Most landing gears have wheels to facilitate operation to and from hard surfaces,
such as airport runways. Other gear feature skids for this purpose, such as those
found on helicopters, balloon gondolas, and in the tail area of some tail dragger
aircraft. Aircraft that operate to and from frozen lakes and snowy areas may be
equipped with landing gear that have skis.
Figura 103 - Trem de pouso Aircraft that operate to and from the surface of water have pontoon-type
com esqui landing gear. Regardless of the type of landing gear utilized, shock absorbing
equipment, brakes, retraction mechanisms, controls, warning devices, cowling,
fairings, and structural members necessary to attach the gear to the aircraft are considered parts
of the landing gear system.
Three basic arrangements of landing gear are used: tail wheel-type landing gear (conventional),
tandem landing gear, and tricycle-type landing gear.
a) Tail wheel - type landing gear is also known as conventional gear because many early
aircraft use this type of arrangement.
Arrangement: arranjo ou The main gear are located forward of the center of gravity,
configuração de um sistema
ou componente.
causing the tail to require support from a third wheel
assembly. A few early aircraft designs use a skid rather than
Center of gravity: o centro
a tail wheel.
de gravidade de um avião é
o ponto onde os pesos das b) Tandem landing gear - few aircraft are designed with
partes da aeronave e da
carga se concentram. tandem landing gear. As the name implies, this type Figura 104 - Trem de pouso
convencional
of landing gear has the main gear and tail gear aligned
on the longitudinal axis of the aircraft.
Figura 105 - Trem de pouso em tandem Figura 106 - Trem de pouso triciclo
c) Tricycle - type landing gear - the most commonly used landing gear arrangement is the
tricycle-type landing gear. It is comprised of main gear and nose gear.
The landing gear can be fixed or retractable. Fixed landing gears are used in many small, single
engine aircraft. The retractable ones are used to eliminate the parasite drag as the speed of the
aircraft increases.
In addition to supporting the aircraft for taxi, the forces of impact on an aircraft during landing
must be controlled by the landing gear. This is done in two ways:
a) The shock energy is altered and transferred throughout the airframe at a different rate and
time than the single strong pulse of impact.
The leaf - type spring gear utilizes flexible spring steel, aluminum, or composite struts that
172
receive the impact of landing and return it to the airframe to dissipate at a rate that is not
harmful. The gear flexes initially and forces are transferred as it returns to its original position.
b) The shock is absorbed by converting the energy into heat ener-
gy. True shock absorption occurs when the shock energy of
landing impact is converted into heat energy, as in a shock
strut landing gear. This is the most common method of lan-
ding shock dissipation in aviation. It is used on aircraft of all
sizes. A typical pneumatic/hydraulic shock strut uses compres-
sed air or nitrogen combined with hydraulic fluid to absorb
Figura 107 - Trem de pouso
and dissipate shock loads. com feixes de mola
The nose landing gear is steerable. It is retracted forward and up into the
lower forward fuselage and is enclosed by two doors.
173
The main landing gear is located in the lower left and right wing area adjacent to the midfuselage.
They are also retracted forward and up into the left and right lower wing area, and each is
enclosed with a single door.
There is a system of lights used to indicate the condition of the landing gear. It is called Landing
Gear Warning System.
Aircraft wheels are important components of a landing gear system. They support the entire
weight of the aircraft during taxi, takeoff, and landing. The typical aircraft wheel is lightweight,
strong, and made from aluminum alloy. Some magnesium alloy wheels also exist. Nearly all
modern aircraft wheels are of this two piece construction.
The wheel is divided in two halves: inboard wheel half and outboard wheel half and they are
not identical.
All aircraft are equipped with brakes. Their proper functioning is relied upon for safe operation
of the aircraft on the ground.
174
The brakes slow the aircraft and stop it in a reasonable amount of time.
They hold the aircraft stationary during engine run-up and, in many cases,
steer the aircraft during taxi. On most aircraft, each of the main wheels is
equipped with a brake unit. In the typical brake system, mechanical and/or
hydraulic linkages to the rudder pedals allow the pilot to control the brakes.
Single disc brakes are used on small and light aircraft. Dual disc brakes are used on aircraft
where a single disc on each wheel does not supply sufficient braking friction. Two discs are
keyed to the wheel instead of one. Multiple disc brakes are used on large and heavy aircraft.
Aircraft tires may be tube-type or tubeless. They support the weight of the aircraft while it is
on the ground and provide the necessary traction for braking and stopping. The tires also help
absorb the shock of landing and cushion the roughness of takeoff, roll-out, and taxi operations.
Tabela 17 - Vocabulário
175
3.2 Grammar point – word endings
Conhecer as diversas terminações das palavras é essencial para a tradução e a compreensão do
vocabulário técnico. Os sufixos e os prefixos usados em Língua Inglesa, muitas vezes, possuem
significados iguais ou semelhantes aos utilizados em português. Eles podem informar a função,
o componente ou o agente relacionado à palavra em que são empregados.
As terminações S e ES, no final da palavra, podem indicar plural, terceira pessoa do singular
ou posse:
• brake (freio) brakes (freios) singular/plural
• switch (chave) switches (chaves) singular/plural
• provide (prover) provides (prover) 3ª pessoa singular
• press (pressionar) presses (pressionar) 3ª pessoa singular
• mechanic’s tools (ferramentas do mecânico) Pronome possessivo
• pilots’ instructions (instruções dos pilotos) Pronome possessivo
Uma mesma palavra pode ser um verbo em uma frase e substantivo em outra.
• Aircraft landing gear supports the entire weight of an aircraft during landing and ground
operations. (verbo)
• The landing gear is a support for the aircraft. (substantivo)
A terminação -ING pode indicar uma ação (quando funciona como verbo da oração) ou função
(quando é um substantivo).
a) Testing - the action (to test).
b) Actuating - the function (actuation).
A terminação -ED é utilizada para indicar que uma ação foi realizada ou o estado de algo.
Ela representa o particípio dos verbos regulares que, na maioria dos casos, funcionam como
adjetivos e vêm antecedidos pelo verbo “to be”. A seguir, são apresentados alguns exemplos.
176
a) Electrical motor pumps are installed for use in emergencies.
b) The operation of landing gear is accomplished with hydraulic power systems.
Já a terminação ER/-OR é utilizada para indicar um componente que faz uma ação ou função.
a) Controller - a component which controls.
b) Connector - a component which connects.
No primeiro exemplo, controller tem sua origem na palavra control (controlar). Assim, controller
(controlador) é o componente que faz a ação do verbo control (controlar). Da mesma forma,
temos a palavra connector, como o componente que faz a função de conectar.
Lubrication system - the primary purpose of a lubricant is to reduce friction between moving
parts. In theory, fluid lubrication is based on the actual separation of the surfaces so that no
metal-to-metal contact occurs. Oil is generally pumped throughout the engine to all areas that
require lubrication. Engines are subjected to several types of friction. Friction may be defined
as the rubbing of one object or surface against another. One surface sliding over another surface
causes sliding friction.
177
Parts of a lubrication system
a) Sump (aircraft engine component) is a low point in an aircraft engine in which lubrica-
ting oil collects and is stored or transferred to an external oil tank. A removable sump at-
tached to the bottom of the crankcase of a reciprocating engine is often called an oil pan.
b) Oil Pressure Pump - oil entering the engine is pressurized, filtered, and regu-
lated by units within the engine. As oil enters the engine, it is pressurized by
a gear-type pump.
c) Oil tanks are generally associated with a dry sump lubrication system, while
a wet sump system uses the crankcase of the engine to store the oil. Oil tanks
are usually constructed of aluminum alloy.
Oil filter used on an aircraft engine is usually one of four types: screen, cuno,
canister, or spin-on. As oil passes through the fine-mesh screen, dirt, sediment,
and other foreign matter are removed and settle to the bottom of the housing.
Figura 118 - Bomba de
pressão de óleo tipo
engrenagem
178
d) Oil pressure regulating valve limits oil pressure to a predetermined value, depending on
the installation. This valve is sometimes referred to as a relief valve but its real function is
to regulate the oil pressure at a present pressure level.
e) Oil cooler allows oil to flow through the spaces between the tubes while the cooling air
passes through the tubes. The cooler, either cylindrical or elliptical shaped, consists of a
core enclosed in a double-walled shell.
f ) Scavenger oil pump has several stages that pull oil from the
bearing compartments and gear boxes and sends the oil to
the tank. At the tank, the oil enters the de-aerator, which
separates the air from the scavenge oil. The oil returns to
the tank and the air is vented through a check valve over-
board.
g) Oil pressure gauge indicates the pressure that oil enters the
engine from the pump. This gauge warns of possible engi-
ne failure caused by an exhausted oil supply, failure of the
Figura 123 - Bomba de recuperação em corte
179
oil pump, burned-out bearings, ruptured oil lines, or other causes that may be indicated
by a loss of oil pressure.
Tabela 18 - Vocabulário
Cardinal numbers:
1 - one 6 - six 11 - eleven 16 - sixteen
2 - two 7 - seven 12 - twelve 17 - seventeen
3 - three 8 - eight 13 - thirteen 18 - eighteen
4 - four 9 - nine 14 - fourteen 19 - nineteen
5 - five 10 - ten 15 - fifteen 20 - twenty
Quando os números a serem escritos são superiores a vinte (twenty), coloca-se um hífen
separando a dezena da unidade. (Ex.: 27 - twenty-seven).
21 - twenty-one 27 - twenty-seven 50 - fifty
22 - twenty-two 28 - twenty-eight 60 - sixty
23 - twenty-three 29 - twenty-nine 70 - seventy
24 - twenty-four 30 - thirty 80 - eighty
25 - twenty-five 31 - thirty-one 90 - ninety
26 - twenty-six 40 - forty 100 - one hundred
180
Exemplos:
Os números ordinais são usados para exprimir ordem ou lugar de algo. A abreviação é feita de
forma simples, bastando acrescentar as duas últimas letras de sua forma extensa ao número.
Exemplos:
A abreviação torna-se simples porque, exceto os três primeiros números (first - 1st), (second -
2nd) e (third - 3rd), os demais terminam em -TH.
Os numerais também podem ser representados por prefixos que passam a ideia de quantidade.
Observe:
• unidirectional antena (antena unidirecional – uma só direção);
• one-engine airplane (aeronave com um motor);
• biplane (avião biplano); Hydraulic ground power
units: unidades hidráulicas
• two-engine airplane (aeronave com dois motores); de apoio utilizadas em
atividades de manutenção.
• tridimensional graph (gráfico tridimensional).
Elas fornecem óleo hidráulico
pressurizado controlado
para testes nos sistemas
3.5 Good practices in maintenance hidráulicos das aeronaves.
181
During the maintenance procedures in aircraft hydraulic system is required much attention
because of the risk of accidents with hydraulic oil leak under pressure, which can have serious
consequences. So before pressurizing the system we must ensure that all fittings and system
items are properly installed. It should be noted that the hydraulic ground power units should
also be periodically reviewed in order to maintain in working safely.
Resumindo
Neste capítulo, foram vistos diversos termos peculiares aos textos técnicos sobre sistemas
hidráulicos de aeronaves: trem de pouso, sistema de lubrificação de motores alternativos
empregados em aeronaves e sistema de freios. Conheceram-se diversos componentes desses
sistemas e suas funções. Da mesma forma, apresentaram-se algumas orientações de segurança
que devem ser observadas durante a operação e a manutenção de sistemas hidráulicos e conceitos
gramaticais da Língua Inglesa.
182
Capítulo 4
Electrical system and avionics
O sistema elétrico da aeronave tem como função gerar, distribuir e controlar a energia elétrica
que será utilizada pelos equipamentos ali encontrados. Como as aeronaves estão utilizando cada
vez mais recursos tecnológicos, o resultado é um maior número de dispositivos que necessitam
desta energia fornecida pelo sistema elétrico, fazendo com que ele seja de vital importância para
o funcionamento de todo o sistema.
Na aviação em geral, mas principalmente na aviação militar, os aviões estão sendo modernizados, ou
seja, os equipamentos analógicos estão sendo substituídos por dispositivos eletrônicos controlados
por computadores por meio de diversos sensores espalhados por toda a aeronave. Eles recebem o
nome de aviônicos e o piloto consegue acessar informações como: temperatura do motor, nível de
combustível, etc. por intermédio de displays LCD localizados na cabine de pilotagem. Por esses
motivos, o sistema elétrico ajuda a garantir a segurança do voo e das pessoas a bordo do avião.
O sistema elétrico é o responsável por fornecer energia elétrica para o avião. Ele recebe atenção
especial por parte dos técnicos de manutenção por interligar uma grande quantidade de
equipamentos. Já o sistema de ignição tem uma finalidade mais específica. Ele é o responsável
por produzir as centelhas (faíscas) nas velas para provocar a combustão nos cilindros do motor.
Ele é separado completamente do sistema elétrico do avião e pode utilizar magnetos ou baterias
para a ignição, dependendo do tipo da aeronave.
Em relação aos instrumentos de voo, cada avião apresenta uma configuração que será de
acordo com a tecnologia nele aplicada. Os instrumentos têm como função suprir necessidades
e limitações dos seres humanos, garantindo uma elevada segurança no voo. Existem os
instrumentos que são básicos e todas as aeronaves possuem e outros que também auxiliam os
pilotos, mas não são obrigatórios sua aquisição.
The satisfactory performance of any modern aircraft depends on a very great degree on the
continuing reliability of electrical systems and subsystems. Modern aircraft have complex
electrical systems that control almost every aspect of flight.
183
In general, electrical systems can
be divided into different categories
according to the function of the system.
Common systems include lighting,
engine starting, and power generation.
This system is powered by the engine-
driven alternator or generator, but when
the aircraft is on ground or emergency
the battery is the responsible.
The battery best suited for a particular application depends on the relative importance of several
characteristics, such as weight, cost, volume, service or shelf life, discharge rate, maintenance,
and charging rate. Lead-acid and Ni-Cd batteries are assembled with a number of cells that
provide 12 or 24 volts.
184
There are three types of DC generator: series wound, parallel (shunt) wound, and series-parallel
(or compound wound). The appropriate generator is determined by the connections to the
armature and field circuits with respect to the external circuit.
Twin engine aircraft use two alternators (or generators) and it is vital to ensure that both
alternators share the electrical load equally. This process of equalizing alternator outputs is
often called paralleling. In general, paralleling is a simple process when dealing with DC power
systems found on light aircraft.
185
Virtually all modern aircraft employ an electric motor to start the aircraft engine. Since starting
the engine requires several horsepower, the starter motor can often draw 100 or more amperes.
For this reason, all starter motors are controlled through a solenoid. The starter can be powered
by either the aircraft battery or the external power supply.
Many aircraft contain a separate power distribution bus specifically for electronics equipment.
This bus is often referred to as an avionics bus. Since modern avionics equipment employs
Bus: barramentos. Servem sensitive electronic circuits, it is often advantageous to disconnect all avionics from electrical
para comunicação ou
alimentação entre os power to protect their circuits.
dispositivos da aeronave. O
computador central recebe
informação de diversos 4.1.2 Let’s know more about electrical system components!
sensores por meio do
barramento de dados do a) Wiring - improperly or carelessly
sistema.
maintained wiring can be a source
Wiring: wiring representa of both immediate and potential
toda a fiação da aeronave.
danger. A wire is described as a
single, solid conductor, or as a
stranded conductor covered with
an insulating material. Because
of in-flight vibration and flexing,
conductor round wire should
be stranded to minimize fatigue
breakage.
186
c) Insulation is the protection of the wire. The type of conductor insulation material varies
with the type of installation. It is based on environment, such as abrasion resistance,
corrosion resistance, mechanical strength, heat distortion and others. The development
of better and safer insulation materials is ongoing.
d) Grounding is the process of electrically connecting conductive objects to either a con-
ductive structure or some other conductive return path for the purpose of safely comple-
ting either a normal or fault circuit.
e) Junction boxes are used for collecting, organizing, and distribu-
ting circuits to the appropriate harnesses that are attached to the
equipment. Junction boxes are also used to conveniently house
miscellaneous components, such as relays and diodes. Junction
boxes that are used in high-temperature areas should be made of
stainless steel.
f ) Connectors (plugs and receptacles) facilitate maintenance when
frequent disconnection is required. There is a multitude of types
of connectors. The connector types that use crimped contacts are Figura 133 - Caixa de junção com
chicotes conectados
generally used on aircraft. Some of the more common types are
the round cannon type, the rectangular, and the module blocks.
g) Switches are devices that open and close circuits. They consist of one or
more pair of contacts. The current in the circuit flows when the contacts
are closed. There are many types of switches:
• Single-pole single-throw (SPST) opens and closes a single circuit pole
indicates the number of separate circuits that can be activated, and throw
indicates the number of current paths.
• Double-pole single-throw (DPST) turns two circuits on and off with one Figura 134 - Conector elétrico
lever.
• Single-pole double-throw (SPDT) routes circuit current to either of
two paths. The switch is On in both positions. For example, switch
turns on red lamp in one position and turns on green lamp in the other
position.
• Double-pole double-throw (DPDT) activates two separate circuits at
the same time.
• Double-throw switches have either two or three positions.
• Two position switch pole always connected to one of the two throws.
• Three-position switches have a center Off position that disconnects the
Figura 135 - pole from both throws.
Interruptor de duas
posições
187
• Toggle and rocker switches control most of aircraft’s electrical components. Aircraft that
are outfitted with a glass cockpit often use push buttons to control electrical components.
Figura 136.A - Interruptores tipo balancim Figura 136.B - Interruptores tipo tecla
• Precision (micro) switches - micro switches require very little pressure to activate. These
types of switches are spring loaded, once the pressure is removed, the contacts return to
the normal position.
h) Solenoids are used as switching devices where a weight reduction can be achieved or elec-
trical controls can be simplified. Solenoids have a movable core/armature that is usually
made of steel or iron, and the coil is wrapped around the armature.
i) Relays - current flowing through the coil of an electromechanical relay creates a magnetic
field that attracts a lever and changes the switch contacts. The coil current can be on or
off. So relays have two switch positions, and they are double throw switches.
j) Fuses and circuit breakers - conductors should be protected with circuit breakers or fuses
located as close as possible to the electrical power source bus. The circuit breaker or fuse
should open the circuit before the conductor emits smoke.
A fuse is placed in series with the voltage source and all current must flow through it. When
the current exceeds the capacity of the fuse the metal strip heats up and breaks. As a result of
this, the flow of current in the circuit stops.
188
A circuit breaker is an automatically operated electrical
switch designed to protect an electrical circuit from
damage caused by an overload or short circuit. Its basic
function is to detect a fault condition and immediately
discontinue electrical flow. Unlike a fuse that operates
once and then has to be replaced, a circuit breaker can be
reset to resume normal operation.
189
• Landing and taxi lights - landing lights are installed in aircraft to illuminate runways
during night landings.
Tabela 19 - Vocabulário
All ignition systems must deliver a high-tension spark across the electrodes of each spark plug
in each cylinder of the engine in the correct firing order. The potential output voltage of
the system must be adequate to arc the gap in the spark plug electrodes under all operating
conditions. The spark plug is threaded into the cylinder head with the electrodes exposed to the
combustion area of the engine’s cylinder.
190
Ignition systems can be divided into two classifications: magneto-ignition systems or electronic
full authority digital engine control (FADEC) systems for reciprocating engines. Ignition
systems can also be subclassified as either single or dual magneto-ignition systems.
191
Booster coil - the booster coil is separate from the magneto and can generate a series
of sparks on its own. During the start cycle, these sparks are routed to the trailing
finger on the distributor rotor and then to the appropriate cylinder ignition lead.
Distributor is a high-voltage selector switch that is gear driven from the shaft of the
rotating magnet in a magneto. The distributor rotor picks up the high voltage from
the secondary winding of the coil and directs it to high-voltage terminals. From here,
it is carried by high-tension ignition leads to the spark plugs.
They are crucial to conducting safe flight operations and it is important that the pilot
have a basic understanding of their operation. Let’s study some important instruments
and their functions.
Pitot/Static systems - pitot pressure, or impact air pressure, is sensed through an open-
192
end tube pointed directly into the relative wind
flowing around the aircraft. The pitot tube
connects to pressure operated flight instruments
such as the altimeter indicator (ASI).
193
• fuel pressure gauge;
• fuel flowmeter;
• manifold pressure gauge;
• oil temperature gauge;
• oil pressure gauge;
• tachometer;
• exhaust gas temperature gauge;
• cylinder head temperature gauge;
• torquemeter.
Generally, the instrument marking system consists of three colors: red, yellow, and green.
A red line, or mark, indicates a point beyond which a dangerous operating condition
exists. The yellow arc covers a given range of operation and is an indication of caution.
The green arc shows a normal and safe range of operation.
Oil pressure gauge - generally, there is only one oil pressure gauge for
each aircraft engine. The oil pressure gauge indicates the pressure,
in psi, that the oil of the lubricating system is being supplied to
the moving parts of the engine. Excessive oscillation of the gauge
Figura 154 - Indicador analógico da
temperatura do ar no carburador pointer indicates that there is air in the lines leading to the gauge, or
that some unit of the oil system is functioning improperly.
Oil temperature gauge - the oil temperature gauge line in the aircraft is connected
at the oil inlet to the engine. Three range markings are used on the oil temperature
gauge. The green arc on the dial shows the minimum oil temperature permissible
for ground operational checks or during flight. The green mark between 25 °F
and below 245 °F shows the desired oil temperature for
continuous engine operation. The red mark at 245 °F
indicates the maximum permissible oil temperature.
194
indications, the operator can determine whether an engine is operating at the correct fuel/air
mixture for a given power setting. Fuel flow is measured normally in gallons per hour.
Manifold pressure gauge records the pressure as an absolute pressure reading. Absolute pressure
takes into account the atmospheric pressure plus the pressure in the intake manifold. The
red line indicates the maximum manifold pressure permissible during takeoff. The green arc
starts at 35 ”Hg and continues to the 44 ”Hg. The red line on the gauge, at 49 ”Hg shows the
manifold pressure recommended for takeoff. This pressure should not be exceeded.
Tachometer gauge shows the engine crankshaft rpm. The tachometer, often referred to as
TACH, is calibrated in hundreds with graduations at every 100-rpm interval.
Cylinder head temperature gauge - cylinder head temperatures are indicated by a gauge
connected to a thermocouple attached to the cylinder, that tests show to be the hottest on an
engine in a particular installation. The scales are calibrated in increments of 10°, with numerals
at the 0°, 100°, 200°, and 300° graduations. The space between any two graduation marks
represents 10 °C.
Thermocouple: termopar é
um sensor composto por uma
liga de dois metais distintos,
que se baseia na diferença
de temperatura das suas
extremidades para gerar uma
força eletromotriz.
Torquemeter indicates the amount of torque being produced at the propeller shaft. A change in
pressure from the valve that is connected to a transducer is then converted to an electrical signal
and is transmitted to the flight deck. The torquemeter can readout in pounds-feet of torque,
percent of horsepower, or horsepower.
Tabela 21 - Vocabulário
195
4.2 Grammar point – adjectives: comparisons
Adjetivo é a classe de palavras que serve para qualificar o substantivo. Eles podem ser usados
na frase de três maneiras distintas: na sua forma comum, no comparativo e no superlativo,
conforme os exemplos a seguir:
a) The aircraft 145 is big. (A aeronave 145 é grande.)
b) The aircraft 747 is bigger than the aircraft 145. (A aeronave 747 é maior que a aeronave
145.)
c) The aircraft AN-225 is the biggest airplane. (A aeronave AN-225 é a maior aeronave.)
No primeiro exemplo, o adjetivo big qualifica a aeronave 145. No segundo, o termo bigger than
compara a aeronave 747 com a 145. No terceiro exemplo, o termo the biggest forma o superlativo.
Seguem algumas regras gramaticais para formar o comparativo e o superlativo dos adjetivos.
4.2.1 Comparativo
a) Comparativos de igualdade são formados da seguinte maneira: as + adjetivo + as.
Ex: Relays are as important as fuses in an electric circuit.
b) Comparativos de inferioridade são formados com a seguinte estrutura: less + adjetivo +
than.
Ex: Magnetic compass circuit is less complicated than gyroscope system circuit.
c) Comparativos de superioridade são formados acrescentando-se -er à maioria dos adjetivos
curtos.
Ex: long - longer short - shorter fast - faster small - smaller
Observações:
• Quando o adjetivo termina em y, troca-se por i e acrescenta-se -er. Quando é formado por
consoante - vogal - consoante, dobra-se a última letra e acrescenta-se o -er.
Ex: heavy - heavier , big - bigger
• Adjetivos longos e advérbios são precedidos de more (superioridade).
Ex: reliable - more reliable, slowly - more slowly
• Alguns adjetivos são considerados irregulares e, por isso, não seguem as regras citadas
anteriormente.
Ex: good - better, bad - worse.
4.2.2 Superlativos
a) Acrescenta-se -est à maioria dos adjetivos curtos, sendo sempre antecedidos pelo artigo
definido the. Adjetivos longos e advérbios são precedidos de the most (superioridade).
Ex.: long - the longest; fast - the fastest; reliable - the most reliable; slowly - the most slowly.
196
b) Os adjetivos irregulares não seguem as regras apresentadas.
Ex: good - the best, bad - the worst
Very high frequency omnidirectional range (VOR) is the primary navigational aid. The VOR
ground station is oriented to magnetic north and transmits azimuth information to the aircraft,
providing 360 courses TO or FROM the VOR station. When DME is installed with the VOR,
it is referred to as a VOR/DME and provides both azimuth and distance information. The
courses oriented FROM the station are called radials.
Distance measuring equipment (DME) - when used in conjunction with the VOR system,
DME makes it possible for pilots to determine an accurate geographic position of the aircraft,
including the bearing and distance TO or FROM the station. The aircraft DME transmits
interrogating radio frequency (RF) pulses, which are received by the DME antenna at the
ground facility.
Global positioning system (GPS) is a satellite-based radio navigation system, which broadcasts
a signal that is used by receivers to determine precise position anywhere in the world. GPS
197
operation is based on the concept of ranging and triangulation from a group of satellites in
space which act as precise reference points. Much of aviation communication and navigation
is accomplished through the use of radio waves. Communication by radio was the first use
of radio frequency transmissions in aviation. In aviation, a variety of radio waves are used for
communication. The figure illustrates the radio spectrum that includes the range of common
aviation radio frequencies and their applications.
• Very low frequency (VLF), low frequency (LF), and
medium frequency (MF) - radio waves produced at
these frequencies ranging from 3 kHz to 3 MHz are
known as ground waves or surface waves.
• High frequency (HF) - radio waves travel in a straight
line and do not curve to follow the earth’s surface. The-
se kinds of radio waves are known as sky waves.
• Above HF transmissions, radio waves are known as spa-
ce waves. They are only capable of line-of-sight trans-
mission and do not refract off of the ionosphere. Most
aviation communication and navigational aids operate
with space waves. This includes VHF (30-300MHz),
UHF (300MHz-3GHz), and super high frequency
(SHF) (3GHz-30GHz) radio waves.
• VHF communication radios are the primary commu-
nication radios used in aviation. VHF radios are used
for communications between aircraft and air traffic
control (ATC), as well as air-to-air communication be-
Figura 162 - Faixas
tween aircraft. de radiofrequência
Tabela 22 - Vocabulário
198
The electronic flight instrument systems integrate many individual instruments into a single
presentation called a primary flight display (PFD). A PFD presents information about primary
flight instruments, navigation instruments, and the status of the flight in one integrated
Primary Flight Display
display. Some systems include powerplant information and other systems information in the (PFD): é um display LCD que
same display. fornece diversas informações
de voo como temperatura do
In addition to a PFD directly in front of the pilot, a multi-function display (MFD) that motor, altitude, entre outras,
simplificando o trabalho do
provides the display of information added to primary flight information is used within the piloto.
flight deck. Information such as a moving map, approach charts, terrain awareness warning
system, and weather depiction can all be illustrated on the MFD.
Figura 163 - Display de informações de voo Figura 164 - Tela do display com informações
do local do voo
The terrain awareness and warning system (TAWS) uses GPS positioning and
a database of terrain and obstructions to provide true predictability of the
upcoming terrain and obstacles. The warnings it provides pilots are both aural
and visual, instructing the pilot to take specific action.
199
Tabela 23 - Vocabulário
A tabela a seguir apresenta outras conjunções com o mesmo valor semântico que as apresentadas
anteriormente.
Tabela 24 - Conjunções
200
4.6 Good practices in maintenance
Electrostatic discharge (ESD) is the sudden flow of electricity between two electrically charged
objects usually caused by contact. It is important to take care when handling some equipments
or components. If you touch them, it can create sparks and damage electronic devices. There
are some ESD protection equipments used by the workers.
• ESD jacket - provide shielding from static charges on your clothing.
• Grounders - worn on each shoe to connect a walking or standing person to ground. Also
known as ESD heel.
• Wrist band - safely grounds a person working at a workstation.
Resumindo
Foram descritos, neste capítulo, diversos termos técnicos utilizados em manuais de sistemas
elétricos de aeronaves e de ignição de motores alternativos utilizados em aeronaves.
Identificaram-se também vários instrumentos de voo e suas funções, além de alguns itens de
comunicação e aviônicos.
201
202
Capítulo 5
Pressurization and fuel system
Outro sistema utilizado pela aeronave é o de combustível, sendo ele quem armazena e distribui o
combustível para o motor. Apesar de parecer simples esta função, ele deve fornecer a quantidade
correta em todos os momentos do voo. Isso inclui as alterações na velocidade (acelerações e
desacelerações), mudanças de altitudes e até mesmo em manobras bruscas. A eficiência desses
sistemas garante um voo seguro e confortável para a tripulação e os passageiros.
Aircraft cabin pressurization can be controlled via two different modes of operation. The first
is the isobaric mode, which works to maintain cabin altitude at a single pressure despite the
changing altitude of the aircraft. For example, the flight crew may select to maintain a cabin
altitude of 8,000 feet (10.92 psi). In the isobaric mode, the cabin pressure is established at the
203
8,000 foot level and remains at this level, even as
the altitude of the aircraft fluctuates.
204
5.1.3 Let’s know more about pressurization system components!
Pack valve is the valve that regulates bleed air from the pneumatic manifold into the air cycle
air conditioning system.
Water separator - the cool air from the air cycle machine can no longer
hold the quantity of water it could when it was warm. A water separator
is used to remove the water from the saturated air before it is sent to the
aircraft cabin.
Tabela 25 - Vocabulário
205
Quando um técnico faz a manutenção ou troca de algum equipamento da aeronave, ele deve
seguir uma publicação técnica fornecida pelo fabricante do avião, que mostra exatamente os
procedimentos que devem ser seguidos. A ordem dos procedimentos ou o procedimento em
si não podem ser alterados, podendo resultar em dano ao equipamento. Os verbos modais são
muito utilizados nestas ocasiões, passando a ideia de obrigatoriedade do que deve ser feito.
Como eles se enquadram em uma categoria especial de verbos, o próprio modal é utilizado para
formar as frases negativas e interrogativas. Desta forma, não se utilizam os auxiliares do, does e
did nas orações com modais, pois ele realiza esta função. A seguir, serão apresentadas algumas
regras gramaticais para seu emprego.
a) Não é utilizado nas formas nominais: infinitivo, particípio e gerúndio.
b) Apresenta a mesma forma para todos os sujeitos (I, you, he, she, it, we, you, they).
You should rest. He should rest. They should rest.
c) São seguidos de verbos no infinitivo sem o To.
I can swim. You may go. He should study.
d) Seguem a mesma regra para a negação e interrogação do verbo To be.
He can work here. He cannot work here. Can he work here?
e) Não é permitido o uso de dois modais em uma mesma frase, neste caso, é necessário
trocar um dos modais por seu equivalente.
We must go to the hospital. We will have to go to the hospital.
Os modais can, may e could são utilizados para expressar possibilidade, capacidade ou
probabilidade, podendo ser técnica ou física.
• Aircraft cabin pressurization can be controlled via two different modes of operation.
• The electronic pressurization panel may contain no gauges.
• A temperature selector in the cockpit can be adjusted to input the desired temperature.
• Fuel valves can be manually operated.
5.2.2 Necessity
Os modais must, have e shall são utilizados para expressar necessidade. Nesses casos, shall não
indica a ideia de futuro.
• A cabin pressurization system has to accomplish several functions.
• The total usable capacity of any tank(s) must be enough for at least 30 minutes of opera-
tion at maximum continuous power.
206
5.2.3 Condition
O If é utilizado para expressar a ideia de condição. As expressões in the event of e in the case of
também são comumente usadas.
• The mechanic checks if there is a leakage in the tank.
• If the backlash is excessive, check the entire operating mechanism for worn joints, loose
pins, and broken drive lugs.
5.2.4 Advice
207
• Engine-driven pumps - all aircraft have at least one fuel pump to deliver clean fuel un-
der pressure to the fuel metering device for each engine. Engine-driven pumps are the
primary delivery device. On reciprocating engines, one main fuel pump must be engi-
ne-driven and there must be at least one for each engine. Turbine engines also require
dedicated fuel pumps for each engine. Any pump required for operation is considered a
main fuel pump.
• Booster pumps are auxiliary pumps - sometimes known as booster pumps or boost
pumps, auxiliary pumps are used to provide fuel under positive pressure to the engine-
driven pump and during starting when the engine-driven pump is not yet up to speed
for sufficient fuel delivery. On many large aircraft, boost pumps are used to move fuel
from one tank to another.
• Fuel valves - there are many fuel valves used in
aircraft in aircraft fuel systems. They are used to
shut off fuel flow or to route the fuel to a desired
location. Light aircraft fuel systems may include
only one valve, the selector valve. Large aircraft
fuel systems have numerous valves. Fuel valves
can be manually operated, solenoid operated, or
operated by electric motor.
• Selector valve - is set from the cockpit to select
the tank from which fuel is to be delivered to
the engine.
• Fuel pressure gauges - monitoring fuel pres-
sure can give the pilot early warning of a fuel
system related malfunction. Verification that the
Figura 179 - Ilustração da válvula seletora fuel system is delivering fuel to the fuel metering
208
device can be critical. In aircraft equipped with an auxiliary pump for starting and to
backup the engine-driven pump, the fuel pressure gauge indicates the auxiliary pump
pressure until the engine is started. When the auxiliary pump is switched off, the gauge
indicates the pressure developed by the engine-driven pump.
• Lines - the components of an aircraft fuel system are joined together by fuel lines. They are
made of metal tubing connected by flexible hoses. The metal tubing is usually made of alu-
minum alloy, and the flexible hose is made of synthetic rubber or polytetrafluoroethylene.
• Hoses - flexible hose assemblies are used when lines may be under pressure and subject
to axial loads. Any hose that is used must be shown to be suitable for a particular appli-
cation. Where high temperatures may exist during engine operation or after shutdown,
fuel hoses must be capable of withstanding these temperatures.
• Fuel strainer or filter - two main types of fuel cleaning device are utilized on air-
craft. Fuel strainers are usually constructed of relatively coarse wire mesh. They
are designed to trap large pieces of debris and prevent their passage through the
fuel system. Fuel strainers do not inhibit the flow of water. Fuel filters generally
are usually fine mesh.
In various applications, they can trap fine sediment that can be only thousands
of an inch in diameter and also help trap water. The technician should be aware
that the terms “strainer” and “filter” are sometimes used interchangeably.
• Fuel heaters and ice prevention - turbine powered aircraft operate at high altitude
where the temperature is very low. As the fuel in the fuel tanks cools, water in the Figura 181 - Filtro de
combustível tipo tela
fuel condenses and freezes. It may form ice crystals in the tank. The formation of
ice on the filter element blocks the flow of fuel through the filter. Fuel heaters are
used to warm the fuel so that ice does not form.
• Fuel tank vents - to allow proper fuel flow, each fuel tank must be
vented from the top part of the expansion space. The vents must be
arranged to prevent the loss of fuel when the airplane is parked in any
direction on a ramp having a one-percent slope.
• Fuel system drains - aircraft fuel systems must be fitted with at least
one drain to allow safe drainage of the entire fuel system with the air-
plane in its normal ground attitude. The drain must discharge the fuel
clear of all parts of the aircraft. Figura 182 - Tubo de suspiro do
tanque de combustível
209
• Carburetor must measure the airflow through the induction system and
use this measurement to regulate the amount of fuel discharged into the
airstream.
• Fuel discharge nozzles - there is one no-
zzle for each cylinder located in the cylin-
der head. Each nozzle incorporates a cali-
brated jet. The jet size is determined by the
available fuel inlet pressure and the maxi-
mum fuel flow required by the engine.
Figura 183 - Carburador
Excessive heat is always undesirable in both reciprocating and turbine aircraft engines. If means
were not available for its control or elimination, major damage or complete engine failure
would occur. Although the vast majority of reciprocating engines are air cooled, some diesel
liquid-cooled engines are being made available for light aircraft.
The most common means of controlling cooling is the use of cowl flaps. These flaps are opened
and closed by electric motor-driven jackscrews, by hydraulic actuators, or manually in some
light aircraft.
Cowling and baffles are designed to force air over the cylinder cooling fins. The baffles direct
the air close around the cylinders and prevent it from forming hot pools of stagnant air while
the main streams rush by unused.
210
5.3.2 Fuel system inspection and maintenance
The inspection of a fuel system installation consists basically of an examination of the system
for conformity to design requirements together with functional tests to prove correct operation.
Inspect the entire system for wear, damage, or leaks. Make sure that all units are securely
attached and properly safetied. Here some procedures:
• The drain plugs or valves in the fuel system should be opened to check for the presence
of sediment or water.
• The filter and sump should also be checked for sediment, water, or slime.
• The filters or screens, including those provided for flowmeters and auxiliary pumps, must
be clean and free from corrosion.
• The controls should be checked for freedom of movement, security of locking, and free-
dom from damage due to chafing.
• The fuel vents should be checked for correct positioning and freedom from obstruction;
otherwise, fuel flow or pressure fueling may be affected.
• If booster pumps are installed, the system should be checked for leaks by operating the
pumps. During this check, the ammeter or load meter should be read and the readings
of all the pumps, where applicable, should be approximately the same.
Após realizar os procedimentos de teste no sistema completo, veja a inspeção em partes específicas:
a) Fuel tanks - all applicable panels in the aircraft skin or structure should be removed and
the tanks inspected for corrosion on the external surfaces, for security of attachment, and
for correct adjustment of straps and slings. Check the fittings and connections for leaks
or failures.
b) Lines and fittings - be sure that the lines are properly supported and that the nuts and
clamps are securely tightened. Replace any hose that has collapsed at the bends or as a
result of misaligned fittings or lines. Some hoses tend to flare at the ends beyond the
clamps. This is not an unsatisfactory condition unless leakage is present.
c) Selector valves - rotate selector valves and check for free operation, excessive backlash,
and accurate pointer indication. If the backlash is excessive, check the entire operating
mechanism for worn joints, loose pins, and broken drive lugs. Replace any defective
parts. Inspect cable control systems for worn or frayed cables, damaged pulleys, or worn
pulley bearings.
d) Pumps - during an inspection of booster pumps, check for the following conditions:
• proper operation;
• leaks and condition of fuel and electrical connections;
• wear of motor brushes;
• be sure the drain lines are free of traps, bends, or restrictions;
• check the engine-driven pump for leaks and security of mounting;
• check the vent and drain lines for obstructions.
211
e) Main line strainers - drain water and sediment from the main line strainer at each
preflight inspection. Remove and clean the screen at the periods specified in the airplane
maintenance manual. Check for leaks and damaged gaskets.
Tabela 27 - Vocabulário
212
start. Ice buildup increases drag and reduces lift. It causes destructive vibration and hampers
true instrument readings. Control surfaces become unbalanced or frozen. Ice, snow, and slush
have a direct impact on the safety of flight.
In the figure above, an ice detector alerts the flight crew of icing conditions and, on some
aircraft, automatically activates ice protection systems. One or more detectors are located on
the forward fuselage.
The wing leading edges, or leading edge slats, and horizontal and vertical stabilizer leading edges Anti-icing systems: sistema
que previne a formação de
of many aircraft make and models have anti-icing systems installed to prevent the formation of
gelo em áreas críticas da
ice on these components. The most common anti-icing systems used are thermal pneumatic, aeronave sujeitas à formação
thermal electric, and chemical. The figure shows a thermal wing anti-icing (WAI) system. de gelo.
Figura 187 - Ilustração das áreas protegidas pelo sistema de proteção contra gelo
213
Chemical anti-icing is used in some aircraft to anti-ice the leading edges of the wing, stabilizers,
windshields, and propellers. An antifreeze solution is pumped from a reservoir through a mesh
screen embedded in the leading edges of the wings and stabilizers.
The aircrew can monitor the WAI system on the onboard computer maintenance page. This
system is composed by valves, ducts, pressure sensors and controlled by the ACIPS computer card.
A few modern aircraft are equipped with electric deice boots on wing sections or on the horizontal
stabilizer. These boots contain electric heating elements which are bonded to the leading edges
214
similarly to pneumatic deice boots. When activated, the boots heat up and melt the ice off of
leading edge surfaces. The elements are controlled by a sequence timer in a deice controller.
215
5.5 Grammar point – passive voice
A voz passiva é utilizada para dar ênfase à ação e não à pessoa que a realiza. Por esse motivo,
ela tem destaque em documentos técnicos, em que o importante é orientar ou mostrar
como um procedimento deve ser realizado. O verbo de uma frase na voz passiva apresenta a
seguinte estrutura:
Uma das maiores dificuldades ao utilizar a voz passiva é distinguir o particípio dos verbos a
serem utilizados. Os verbos em inglês são divididos em regulares e irregulares, sendo que os
regulares apresentam uma regra simples para formar o particípio.
A regra geral é acrescentar -ed ao verbo. Em alguns casos, existem outras mudanças, como se
verifica na tabela a seguir.
Tabela 29 - Verbos regulares
216
The presence of microorganisms in turbine engine fuels is a critical problem. There are hundreds
of varieties of these life forms that live in free water at the junction of the water and fuel in a
fuel tank. They form a visible slime that is dark brown, grey, red, or black in color.
This microbial growth can multiply rapidly and can cause interference with the proper functioning
of filter elements and fuel quantity indicators. Moreover, the slimy water/microbe layer in contact
with the fuel tank surface provides a medium for electrolytic corrosion of the tank.
The presence and level of microorganisms in a fuel tank can also be measured with a field
device. The test detects the metabolic activity of bacteria, yeast, and molds, including sulfate
reducing bacteria, and other anaerobe microorganisms. This could be used to determine the
amount of anti-microbial agent to be added to the fuel.
Tabela 30 - Vocabulário
Resumindo
Foram apresentados termos e conceitos empregados em textos técnicos sobre sistemas de
pressurização e ar-condicionado de aeronaves, sistemas de combustível utilizados em aeronaves
equipadas com motores alternativos, sistemas de degelo e antigelo, bem como as principais
fontes de contaminação de combustíveis de aeronaves.
Foram abordados também diversos itens que integram esses sistemas e algumas normas
gramaticais da Língua Inglesa.
217
218
Capítulo 6
Tools and safety equipments
Esta recomendação deve ser seguida, pois na aviação existem ferramentas específicas para
trabalhos que fogem ao senso comum. Além de ter o conhecimento do serviço a ser realizado, é
necessário saber as normas de segurança e utilizar os equipamentos de proteção adequados para
qualquer ocasião dentro da área de manutenção.
e) Grinders are used to sharpen knives, tools, and blades as well as grinding steel, metal
objects, drill bits, and tools.
219
f ) Grinding wheel is made of a bonded abrasive and provides an efficient way to cut, sha-
pe, and finish metals. Available in a wide variety of sizes and numerous shapes, grinding
wheels are also used to sharpen knives, drill bits, and many other tools, or to clean and
prepare surfaces for painting or plating.
g) Drills - drilling holes is a common operation in the airframe repair shop. While a small
portable power drill is usually the most practical tool for common operations in airframe
metalwork, a drill press is sometimes better for other situations.
Figura 196 - Esmeril Figura 197 - Rebolo abrasivo Figura 198 - Furadeira
manual pneumática
When the access to a place where drilling is difficult or impossible with a straight drill motor,
various types of drill extensions and adapters are used. Extension drill bits are widely used for
drilling holes in locations that require reaching through small openings or past projections. The
figure below illustrates the parts of the drill bit.
i) High speed steel (HSS) drill bits come in short shank or
standard length, sometimes called jobbers length. HSS drill
bits can withstand temperatures nearing the critical range
of 1,400 °F without losing their hardness.
j) Hand snips - there are several kinds of hand snips, each of
which serves a different purpose. Straight, curved, and avia-
tion snips are in common use. Aviation snips are designed es-
pecially for cutting heat treated aluminum alloy and stainless
steel. They are also adaptable for enlarging small holes. The
blades have small teeth on the cutting edges and are shaped
for cutting very small circles and irregular outlines.
Figura 201 - Tipos de brocas
220
k) Hacksaws - the common hacksaw has a blade, a frame, and a handle. The handle can be
obtained in two styles: pistol grip and straight.
l) Scissors are used for cutting various thin materials, such as paper, cardboard, metal foil,
thin plastic, cloth, rope, and wire.
m) Chisel is a hard steel cutting tool that can be used for cutting and chipping any metal
softer than the chisel itself. It can be used in restricted areas and for such work as shearing
rivets, or splitting seized or damaged nuts from bolts.
n) Files are manufactured in a variety of shapes and sizes. They are used to square ends, file
rounded corners, remove burrs and slivers from metal, straighten uneven edges, file holes
and slots, and smooth rough edges.
221
• hand files are parallel in width and tapered in thickness;
• mill files are usually tapered slightly in thickness and in width
for about one-third of their length;
• square files may be tapered or blunt and are double cut;
• round or rattail files are circular in cross section and may be
either tapered or blunt and single or double cut;
• triangular and three square files are triangular in cross section;
• half-round files cut on both the flat and round sides;
• warding file - rectangular in section and tapers to narrow
point in width;
• knife file - knife blade section;
• vixen files - curved-tooth files are especially designed for rapid
filing and smooth finish on soft metals and wood;
o) hand taps are used to cut threads on the inside of a hole.
They are made of hard tempered steel and ground to an exact
size. Hand taps are usually provided in sets of three taps for
each diameter and thread series.
p) Punches are used to locate centers for drawing circles, to start holes for drilling, to punch
holes in sheet metal, to transfer location of holes in patterns, and to remove damaged
rivets, pins or bolts. Solid or hollow punches are the two types generally used.
222
• prick punch is primarily used during layout to place
reference marks on metal because it produces a small
indentation;
• center punch is used to make indentations in metal as
an aid in drilling;
• drive punch is made with a flat face instead of a point
because it is used to drive out damaged rivets, pins, and
bolts that sometimes bind in holes;
• pin punch typically has a straight shank characterized
by a hexagonal body;
• transfer punch - a transfer punch uses a template or Figura 209 - Punção de transferência
existing holes in the structure to mark the locations of
new holes.
Tabela 31 - Vocabulário
223
hammer-like tool with a head made of hickory, rawhide, or rubber. It is handy for sha-
ping thin metal parts without causing creases or dents with abrupt corners.
b) Screwdriver can be classified by its shape, type of blade, and blade length. It is made for
loosening or tightening screws or screw head bolts. The two types of recessed head screws
in common use are the Phillips and the Reed & Prince.
If the screwdriver is the wrong size, it cuts and burrs the screw slot, making it
worthless. A screwdriver with the wrong size blade may slip and damage adjacent
parts of the structure.
c) Pliers - there are many types of pliers and each one has a specific
usage. In aircraft repair work, the most used are the diagonal,
needle nose, and duckbill ones. The size of pliers indicates their
overall length, usually ranging from 5 to 12 inches.
• diagonal pliers can be used to cut wire, rivets, small screws, and
cotter pins, besides being practically indispensable in removing
or installing safety wire;
Figura 212 - Alicates • round nose pliers are used to crimp metal;
• duckbill pliers are used exclusively for twisting safety wire.
• needle nose pliers are used to hold objects and make adjustments in tight places.
d) Wrenches most often used in aircraft maintenance are classified as open-end, box-end,
socket, adjustable, ratcheting and special wrenches.
224
types of handles, extensions, and attachments are available to make it possible to use socket
wrenches in almost any location or position.
Simple machine is any mechanical device that changes energy to help make tasks easier.
• Lever is considered the simplest machine. There are three basic parts in all levers: the
fulcrum “F,” a force or effort “E,” and a resistance “R.”
• Pulleys are simple machines in the form of a wheel mounted on a fixed axis and supported
by a frame. The wheel, or disk, is normally grooved to accommodate a rope.
225
• Wheel and axle - the axle is a rod that goes through the wheel. They help objects to move.
The faster the axle is turned, the faster the wheel spins.
• Inclined plane is a simple machine that allows large objects to be raised against the force
of gravity, with less work than needed to directly lift the object.
• Wedge is a simple machine made up of two inclined planes put together are used to push
two objects apart, or cut an object into pieces. It can also hold objects in place. A wedge gets
in between objects and splits it apart. An object like wood can be split apart with a wedge.
226
90° angle for reaching and marking through holes.
• Dividers have two legs joined at the top by a pivot. They are used to scribe circles
and arcs and for transferring measurements from the rule to the work. Dividers
have both legs tapered to needle points.
• Calipers are used for measuring diameters and distances or for comparing distances
and sizes. The three common types of calipers are inside, outside, and hermaphro-
Figura 220 - Riscador
dite calipers, such as gear tool calipers.
de arcos
• Micrometers - the smallest measurement which can be made with the use of the steel rule
is one sixty-fourth of an inch in common fractions, and one-hundredth of an inch in de-
cimal fractions. To measure more closely than this (in thousandths and ten-thousandths
of an inch), a micrometer is used.
There are four types of micrometer calipers, each designed for a specific use: outside mi-
crometer, inside micrometer, depth micrometer, and thread micrometer. They are avai-
lable in a variety of sizes and some of them are equipped with electronic digital liquid
crystal display (LCD).
• Feeler gauge is a type of measuring tool consisting of strips of precision-ground steel of
accurately measured thickness. They are a bunch of fine thickened steel strips with marked Feeler gauge: calibrador
thickness which are used to measure gap width or clearance between surface and bearings. de folgas. Utilizado quando
é necessário deixar uma
determinada folga entre dois
componentes. É composto
por uma série de lâminas
com espessuras precisas.
227
• Steel tape is a flexible ruler. It consists of a ribbon of metal strip with linear-measurement
markings.
• Screw-pitch gauges are used to determine the pitch or lead of a screw thread.
• Thickness gages are switchable from metric reading to inch reading. The figure beside is
a digital thickness gage.
228
• Hydraulic ground power units, sometimes called hydraulic mule, provide hydraulic pres-
sure to operate the aircraft systems during maintenance.
• Portable ground heater keeps cabins and cockpits efficiently heated during short or long
durations, keeping personnel, electronics, cargo and customers comfortable. It can be
brought to any location, providing portable emergency heat for stranded aircraft. Portable
ground heater is also used for heating aircraft hangars and can be moved to a repair location
to heat specific areas of a building.
• Aircraft maintenance stands provide ideal safety conditions for maintenance at high air-
craft parts. They are essential for the maintenance services for large aircraft.
Aircraft maintenance
stands: plataformas de
manutenção utilizadas
principalmente em aeronaves
de grande porte que
permitem o acesso seguro às
partes altas das aeronaves.
Existem diversos tipos
de plataformas, conforme
a finalidade e o tipo de
aeronave apoiada.
Tabela 32 - Vocabulário
229
Chave estrela de boca
Flare nut wrench Ribbon Fita
aberta
Fulcrum Apoio Round nose pliers Alicate de bico curvo
Ground power unit Fonte externa de energia Rule Régua
Hammer Martelo Safety wiring Frenagem
Hickory Nogueira (madeira) Screwdriver Chave de fenda
Hinge handle Cabo articulado Screw-pitch gauges Medidor de rosca
Hook spanner Chave de gancho Scriber Riscador
Hydraulic mule Mula hidráulica Speed handle Arco de velocidade
Mallet Macete Steel tape Trena de aço
Micrometer Micrômetro Striking Impacto
Multimeter Multímetro Strip Tira, folha
Needle nose pliers Alicate de bico fino Thickness gages Calibrador de folgas
Notches Entalhes Thread Rosca
Wedge Cunha
kilograms and grams pounds and ounces The weight of the piece is 150 grams.
(quilogramas e gramas) (libras e onças) Put 10 ounces of salt here.
A escolha de qual tipo de medida deve ser utilizada está relacionada com a decisão do país em
adotar o sistema métrico (metric) ou não métrico (non-metric) de medidas. No Reino Unido (UK)
230
e nos Estados Unidos (USA), predomina o uso do sistema não métrico. As tabelas a seguir fazem a
correspondência entre esses dois padrões.
Tabela 34 - Relação entre sistema métrico e não métrico
Metric Non-Metric
10 milimetres (mm) = 1 centimetre (cm) = 0.394 inch
Lenght 100 centimetres = 1 metre (m) = 39.4 inches/ 1.094 yards
1000 metres = 1 kilometre (km) = 0.6214 mile
1000 milligrams (mg) = 1 gram (g) = 15.43 grains
Weight 1000 grams = 1 kilogram (kg) = 2.205 pounds
1000 kilograms = 1 tonne = 19.688 hundredweight
10 mililitres (ml) = 1 centilitre = 0.018 pint (0.021 US pint)
Capacity 100 centilitres (cl) = 1 litre (l) = 1.76 pints (2.1 US pints)
10 litres = 1 decalitre (dal) = 2.2. gallons (2.63 US gallons)
Non-Metric Metric
1 inch (in) - = 25.4 milimetres
12 inches = 1 foot (ft) = 30.40 centimetres
3 feet (3ft) = 1 yard (yd) = 0.914 metres
Lenght
220 yards = 1 furlong = 201.17 metres
8 furlongs = 1 mile = 1.609 kilometres
1760 yards/5280 feet = 1 mile = 1.609 kilometres
437 grains = 1 ounce (oz) = 28.35 grams
16 ounces = 1 pound (lb) = 0.454 kilogram
Weight 14 pounds = 1 stone(st) = 6.356 kilograms
8 stone = 1 hundredweight (cwt) = 50.8 kilograms
20 hundredweight = 1 ton = 1016.04 kilograms
20 fluidounces (fl oz) = 1 pint (pt) = 0.568 litre (56.8 cl)
British
2 pints = 1 quart (qt) = 1.136 litres
capacity
8 pints = 1 gallon (gal.) = 4.546 litres (4.55 litres)
16 US fluidounces = 1 USpint = 0.473 litre
American
2 US pints = 1 US quart = 0.946 litre
capacity
4 US quarts = 1 USgallon = 3.785 litres
231
Para converter a escala de Fahrenheit para Celsius, utilizam-se as fórmulas a seguir:
86 °F = ? °C
86 °F = 30 °C
30 °C = 86 °F
The water boils at a temperature of one hundred degrees Celsius (100 °C) or two
hundred and twelve degrees Fahrenheit (212 °F).
Durante as atividades de manutenção aeronáutica, deve-se estar atento aos materiais trabalhados,
que possuem características próprias e podem requerer procedimentos de execução diferentes.
Portanto, o técnico deve conhecer muito bem o tipo de material com o qual está trabalhando.
Da mesma forma, deve saber identificar as cores que normalmente são utilizadas em manuais
técnicos de manutenção.
A seguir, serão mostradas tabelas que apresentam exemplos de materiais compostos utilizados
em aeronaves e algumas cores básicas empregadas em textos técnicos.
232
Tabela 37 - Cores
Performing maintenance on aircraft and their components requires the use of electrical tools
which can produce sparks, along with heat-producing tools and equipment, flammable and
explosive liquids, and gases. As a result, a high potential exists for fire to occur. Measures must
be taken to prevent a fire from occurring and to also have a plan for extinguishing it.
Figura 232.A - Figura 232.B - Líquido Figura 232.C - Figura 232.D - Metais
Combustíveis Comuns inflamável Equipamentos elétricos
• Water extinguishers are the best type to use on Class “A” fires. Water has two effects on fire:
it deprives fire of oxygen and cools the material being burned. Since most petroleum pro-
ducts float on water, water-type fire extinguishers are not recommended for Class “B” fires.
• Carbon dioxide CO2 extinguishers are used for Class (A), (B), and (C) fires, extinguishing
the fire by depriving it of oxygen. Additionally, like water-type extinguishers, CO2 cools
the burning material.
Never use CO2 on Class (D) fires. As with water extinguishers, the cooling effect of
CO2 on the hot metal can cause explosive expansion of the metal.
233
• Dry powder extinguishers while effective on Class (B) and (C) fires, are the best for use on
Class (D) fires. Dry powder is not recommended for aircraft use (except on metal fires as
a fire extinguisher) because the leftover chemical residues and dust often make cleanup
difficult, and can damage electronic or other delicate equipment.
Earmuff Earplug
6.3.3 Alerts
Alerts provide information on potential hazards, and proper procedures. They are used in
situations from manuals, to descriptions of physical activities.
• Danger indicates a hazardous situation which, if not avoi-
ded, will result in death or serious injury.
• Warning indicates a hazardous situation which, if not avoi-
ded, could result in death or serious injury.
• Caution indicates a hazardous situation which, if not avoi-
ded, could result in minor or moderate injury.
• Notice is used to address practices not related to physical injury.
• Safety instructions signs indicate specific safety related ins- Figura 233 - Alertas
tructions or procedures.
234
6.4 Grammar point – dimensions
Para trabalhar com aeronaves, faz-se necessário conhecer alguns termos técnicos referentes às
dimensões do avião.
235
Deve-se prestar atenção ao sistema de medida utilizado nos manuais dos equipamentos e de
procedimentos usados na aviação. Dependendo do caso, será necessário fazer a conversão de
um sistema de medida para outro.
Nas inspeções não periódicas, são executados reparos extraordinários, como panes nos sistemas,
colisões com objeto fixo, colisões com aves, etc.
Visual inspection is very important during maintenance services on aircraft and equipment for
checking possible damages and defects.
• Corrosion - loss of metal from the surface by chemical or electrochemical action. The
corrosion products generally are easily removed by mechanical means. Iron rust is an
example of corrosion.
• Crack - a physical separation of two adjacent portions of metal, evidenced by a fine or
thin line across the surface caused by excessive stress at that point.
236
• Erosion - loss of metal from the surface by mechanical action of foreign objects, such as
grit or fine sand. The eroded area is rough and may be lined in the direction in which the
foreign material moved relative to the surface.
• Nick - local break or notch on an edge. Usually it involves the displacement of metal
rather than loss.
• Pitting - sharp, localized breakdown (small, deep cavity) of metal surface, usually with
defined edges.
• Scratch - slight tear or break in metal surface from light, momentary contact by foreign
material.
Tabela 39 - Vocabulário
Resumindo
Neste capítulo, conheceram-se algumas ferramentas manuais e elétricas de extrema importância
na vida do mecânico de aeronaves. Analisou-se também o vocabulário técnico de diversos itens
que integram os equipamentos de segurança e os tipos mais comuns de alertas, além de serem
destacadas as diferenças entre as cores utilizadas no campo da aviação.
Para finalizar, foram vistas as unidades de medidas com as diferenças do sistema métrico e
não métrico, utilizados em diversos países. Trabalharam-se as dimensões dos equipamentos,
ampliando o vocabulário para compreender os textos técnicos que foram estudados ao longo
desta unidade.
237
238
Unidade 4
Redação técnica
239
240
Capítulo 1
Introdução à redação técnica
O devido registro deve ser apresentado e entregue ao proprietário e/ou operador desse
produto em sua versão original, pois ele garante o que foi feito ou deixado de fazer.
241
O documento pode também ter que ser apresentado a algum representante da autoridade de
aviação civil para fins de comprovação da condição da aeronave ou de uma de suas partes,
conforme aplicável.
Certificado de tipo:
O registro de revisão geral e reconstrução trata de questões que devem ser observadas por
documento emitido pela ocasião da confecção de registros de revisão geral e reconstrução (ou recondicionamento),
autoridade de aviação inclusive no tocante à realização e à conclusão dos serviços.
civil que atesta que a
aeronave teve seu projeto
avaliado e considerado
em conformidade com os
1.2.2 Pessoas autorizadas a executar manutenção, manutenção preventiva,
requisitos de certificação. reconstrução e alteração
Não conformidades: não
atendimento a um requisito
Estabelece a qualificação mínima necessária para os diversos tipos de pessoas autorizadas (física
específico da legislação e jurídica) a executar serviços de manutenção, manutenção preventiva, reconstrução e alteração
aeronáutica em vigor ou em aeronaves e suas partes.
de um requisito técnico
estabelecido em manual ou
documento técnico.
1.2.3 Aprovação para retorno ao serviço após manutenção, manutenção
preventiva, reconstrução e alteração
Uma questão muito importante é a aprovação para retorno ao serviço após manutenção
preventiva, manutenção, reconstrução ou alteração, pois deve ser providenciado o registro
adequado, de acordo com o tipo de trabalho realizado que ateste essa aprovação. Esse é o
momento em que a pessoa designada para a função deve verificar se todas as tarefas foram
adequadamente realizadas e se todas as não conformidades foram corrigidas. Após essa
verificação, ele assumirá a responsabilidade pela condição aeronavegável do produto em relação
aos serviços que foram contratados e realizados, fazendo a anotação necessária na documentação
da aeronave, atestando essa condição.
242
1.2.4 Pessoas autorizadas a aprovar o retorno ao serviço de um artigo após
manutenção, manutenção preventiva, reconstrução e alteração
Estabelece qual a qualificação mínima para que os diversos tipos de pessoa (física e jurídica)
sejam autorizados a aprovar o retorno ao serviço de um artigo após ele ter sido submetido a
trabalhos de manutenção preventiva, manutenção, modificações ou reparos.
Serão dispostas nos capítulos adiante as regras para confecção dos registros de manutenção
preventiva, manutenção, modificações e reparos, quanto a sua forma e organização.
Controle de componentes com tempo limite de vida, ou seja, aquela peça para a qual tenha
sido estabelecido um limite obrigatório de substituição, conforme previsto no projeto de tipo
aprovado, nas instruções de aeronavegabilidade continuada ou no manual de manutenção do
fabricante do produto aeronáutico. Projeto de tipo aprovado:
é o projeto da aeronave,
Existem muitos componentes para os quais o fabricante prevê a troca após determinado do motor e da hélice que
foi criado pelo fabricante
período de tempo de operação, seja calendário (dias, meses, anos), horário (horas de operação), do produto aeronáutico,
ou cíclico (de acordo com critérios do fabricante). Alguns devem ser descartados e não mais de acordo com os
requisitos regulamentares e
utilizados e outros podem ser revisados ou reconstruídos, conforme aplicável.
devidamente aprovado pela
autoridade de aviação civil.
Aplicam-se aos registros de alguns tipos de inspeção que estão previstos em regulamentos que
tratam sobre requisitos operacionais de aeronaves civis de modo geral e aquelas específicas às
aeronaves operadas por empresas aéreas.
Nessa seção, o RBAC 43 trata de forma clara sobre a proibição de falsificação de registros, bem
como sobre a sua reprodução ou alteração com fins fraudulentos.
Aqueles que cometerem as proibições dispostas poderão ter suspensa ou cassada, pela ANAC, a
licença de tripulante, despachante operacional de voo ou mecânico de manutenção aeronáutica
243
(no caso de pessoas físicas). Também podem ser suspensos, ou cassados, o certificado de
organização de manutenção e/ou de operador, de produção ou ainda a autorização de produção
de acordo com uma ordem técnica padrão (OTP), um atestado de produto aeronáutico
aprovado (APAA) ou suas especificações de produtos ou processos, como aplicável (no caso de
Ordem técnica padrão
empresas certificadas).
(OTP): especificação
ou padrão mínimo de
desempenho emitido pela
autoridade de aviação civil, 1.2.9 Regras de execução (geral)
para determinados itens
utilizados em aeronaves As regras de execução (geral) tratam sobre as regras de execução de manutenção de forma
civis.
abrangente. Nelas, fica definido que, na execução dos serviços de manutenção, reparos,
Atestado de produto reconstrução e modificação, devem ser usados métodos, técnicas e práticas estabelecidas na última
aeronáutico aprovado
revisão do manual de manutenção do fabricante, ou nas instruções para aeronavegabilidade
(APAA): documento que
aprova a produção de continuada preparadas pelo fabricante ou outros métodos, técnicas e práticas aceitáveis pela
peças de modificação ou autoridade de aviação civil brasileira. É importante lembrar também que é importante utilizar
de reposição em produtos
informações técnicas atualizadas.
aprovados.
Tempo limite de vida (TLV): Essas regras expõem sobre a necessidade de se usar ferramentas, equipamentos e aparelhos de
tempo máximo de operação teste que assegurem a execução do trabalho, de acordo com práticas industriais de aceitação
permitido para um item, após
o qual ele é descartado para
geral. Se o fabricante do produto que estiver sendo submetido a serviços de manutenção
o uso. recomendar o uso de equipamentos e aparelhos de testes especiais, a pessoa deverá utilizá-los.
Time between overhall
Caso queira usar outros que sejam equivalentes, equipamentos e aparelhos de testes especiais
(TBO): tempo máximo entre devem ser submetidos à aceitação pela ANAC.
revisões gerais definido nos
respectivos programas de
manutenção. 1.2.10 Regras adicionais para execução de inspeções
A inspeção deve ser feita de modo que comprove que o produto aeronáutico atende a todos
os requisitos de aeronavegabilidade aplicáveis, a fim de obter sua aprovação para retorno ao
serviço de forma segura.
A máquina, assim como o ser humano, também se desgasta. O metal perde o material
e a consistência no decorrer do tempo devido às intempéries e ao atrito com outras
partes, o que pode comprometer sua confiabilidade.
244
1.2.12 Manutenção, manutenção preventiva, reconstrução e alteração
executada em artigos brasileiros por organizações estrangeiras
Esse subtítulo refere-se à possibilidade de se realizar serviços de manutenção por empresas que
estejam instaladas em outro país. A princípio, esse país deve ter um acordo com o Brasil para
reconhecimento mútuo das funções de manutenção e a empresa prestadora do serviço deve seguir os
termos desse acordo quando aprovar o retorno ao serviço do produto aeronáutico por ela trabalhado,
inclusive no tocante à documentação resultante dos trabalhos de manutenção realizados.
Uma empresa estrangeira, não certificada pela ANAC, poderá realizar serviços desde que:
• a ANAC ateste que há compatibilidade entre os sistemas de regulação das funções de
manutenção de produtos aeronáuticos do Brasil e da autoridade de aviação civil local;
• essa empresa de manutenção seja certificada pela autoridade de aviação civil local e esteja
regularizada;
• a aprovação para o retorno ao serviço seja feita em documento equivalente ao previsto no
RBAC 43;
• as informações técnicas que serviram como base para realização de grande modificação
e grande reparo sejam consideradas aprovadas pela autoridade de aviação civil brasileira.
O Apêndice A do RBAC 43 apresenta os diversos tipos e exemplos de tarefas que podem vir a
ser consideradas como grandes alterações (modificações) e grandes reparos.
No caso de grandes modificações, depende de qual parte da aeronave e/ou do tipo de alteração
que estiver sendo executada a tarefa.
No caso de grandes reparos, depende dos serviços de recuperação feitos em determinadas partes
da aeronave cujos trabalhos podem envolver resistência, reforço, emenda e fabricação de peças
estruturais primárias ou sua substituição, quando feita por meio de rebitagem ou solda, entre
outras situações.
Esse apêndice do RBAC também apresenta exemplos de manutenção preventiva, que são
tarefas que não envolvem operações complexas de montagem.
245
1.2.15 Apêndice D do RBAC 43 − objetivos e detalhes de itens a serem
incluídos nas inspeções anuais e inspeções de 100 horas
O Apêndice D do RBAC 43 trata sobre itens de inspeção que devem estar inseridos nas
instruções de inspeção de 100 horas aplicáveis às aeronaves que tiveram o tempo total de
operações de voo menor ou igual a 100 horas no período de um ano.
Nesse apêndice também estão estabelecidos os pontos que devem ser verificados na inspeção
anual de manutenção. Verifica-se na inspeção se a aeronave:
• está com toda a sua documentação correta;
• está de acordo com seu projeto de tipo aprovado;
• está com todas as grandes modificações e grandes reparos baseados em dados técnicos
aprovados;
• está em conformidade com todas as diretrizes de aeronavegabilidade (DA) aplicáveis;
Diretrizes de • ter sido corretamente mantida por empresas certificadas, por meio de programa de ma-
aeronavegabilidade nutenção/inspeção estabelecido conforme o RBHA 91 ou por um programa de manu-
(DA): informação de
tenção estabelecido conforme o RBAC 135 ou RBAC 121.
aeronavegabilidade
continuada de caráter
mandatório, emitida pela
autoridade de aviação civil 1.2.16 Apêndice E do RBAC 43 – testes e inspeções do sistema do altímetro
como emenda ao RBAC 39.
O Apêndice E do RBAC 43 descreve as tarefas que devem ser desempenhadas na execução de
Altímetro: instrumento
usado para medir alturas testes e inspeções no sistema de altímetro da aeronave que opera segundo as regras de voo por
ou altitudes, geralmente instrumentos – esses procedimentos devem ser feitos, pelo menos, a cada dois anos.
em forma de um barômetro
aneroide, destinado a A obrigatoriedade de realizar a inspeção do sistema de altímetro está estabelecida no RBHA 91.
registrar alterações da
pressão atmosférica que
acompanham as variações
de altitude.
Transponder: transmissor de
rádio na cabine do piloto que
se comunica por meio de um
radar de solo com o controle
de tráfego aéreo.
Figura 1 - Altímetro
246
A obrigatoriedade de se realizar inspeção no transponder também está estabelecida no RBHA 91.
Figura 2 - Transponder
Resumindo
Neste capítulo, foi mostrada a importância do RBAC 43. Por meio dele, a autoridade de aviação
civil brasileira estabeleceu os requisitos básicos para elaboração de registros de manutenção ade-
quados que atestem as condições de aeronavegabilidade de produtos aeronáuticos que sejam sub-
metidos à manutenção, à manutenção preventiva, aos reparos, à reconstrução ou à modificação.
247
248
Capítulo 2
Registros primários
Registro primário é o apontamento adequado das tarefas que foram executadas, atestando o
resultado dos serviços de manutenção de forma clara, completa e concisa. Uma atividade tão
importante quanto a realização dos serviços propriamente dito.
2.1 Definição
De acordo com o RBAC 43, os registros de manutenção de um produto aeronáutico devem
conter a descrição dos serviços executados (ou referência a dados aceitáveis pela autoridade
Produto aeronáutico: termo
aeronáutica). Assim sendo, constituem registros primários de manutenção aqueles que usado para aeronave, motor
apresentem a descrição do serviço realizado, como, por exemplo, registros feitos na parte 3 de ou hélice, assim como
componentes e partes deles.
cadernetas de célula, motores e hélices, ordens de serviços, fichas de cumprimento de diretriz
de aeronavegabilidade (FCDA), formulários SEGVOO 001 e SEGVOO 003, etc. Programa de manutenção:
documento que descreve
Como o próprio nome diz, esses registros são a fonte primária de informações que atestam a as tarefas específicas de
manutenção programada
condição aeronavegável ou não de um produto aeronáutico. É o registro principal das atividades e suas frequências de
de manutenção. O registro de cumprimento (registro primário) deverá ser completo e claro, realização e procedimentos
relacionados.
conter o método de cumprimento utilizado e o resultado da ação de manutenção executada.
No caso de tarefas de inspeção, se for necessário trocar ou reparar algum componente por não
estar em conformidade com os requisitos de aeronavegabilidade, deve estar descrito também
qual ação deve ser tomada para sua correção. Pode-se fazer referência à ordem de serviço que
249
discriminou as tarefas a serem realizadas, desde que todos os dados e observações resultantes
dos trabalhos realizados estejam ali registrados e seja entregue em sua forma original para
o responsável primário da aeronave – proprietário ou operador devidamente registrado no
Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB).
Registro Aeronáutico
Brasileiro (RAB): órgão
No registro primário, deve-se colocar a data de início e término dos trabalhos. Há casos de
da ANAC responsável por
registrar as aeronaves civis empresas atestarem que determinado serviço foi realizado em um período em que a aeronave
brasileiras. encontrava-se voando, inclusive até em região diferente do local onde foi atestada a realização
de manutenção, demonstrando a possibilidade de estar ocorrendo fraude.
É necessário registrar o nome da pessoa responsável pela execução dos serviços e a sua assinatura,
para comprovar sua responsabilidade. Com relação à qualificação, essa pessoa deve atender ao
que está previsto no RBAC 43, que trata das qualificações mínimas do pessoal autorizado para
executar manutenção, manutenção preventiva, reconstrução e alteração.
Por fim, deve ser registrado ainda o nome e a assinatura do responsável pela aprovação para
retorno ao serviço após a conclusão das tarefas. Essa pessoa deve verificar se todas as tarefas
foram executadas adequadamente, verificando in loco o desempenho do trabalho de todos os
técnicos e o resultado de cada ação. Para tanto, deve inspecionar os pontos previsto nas tarefas
designadas, como, por exemplo, os itens da ficha de inspeção utilizada como guia para realização
de uma inspeção programada. Com relação à qualificação, essa pessoa deve atender ao que está
previsto no RBAC 43, que trata das qualificações mínimas do pessoal autorizado a aprovar o
retorno ao serviço após manutenção, manutenção preventiva, reconstrução e alteração.
No texto do registro, além de identificar os dados técnicos que serviram de base para a inspeção
final do produto, deve também estar claro o resultado desse trabalho, ou seja, se o produto está
ou não aeronavegável.
Existem diversas formas de registros primários que serão vistos no capítulo 4 desta unidade,
conforme relacionado a seguir (entre outros):
• ordem de serviço;
• ficha de inspeção anual de manutenção (FIAM);
• relatório de condição aeronavegável (RCA);
250
• lista de verificação (LV);
• ficha de inspeção;
• cadernetas de célula, motor e hélice;
• diário de bordo;
• etiqueta de aprovação de aeronavegabilidade – SEGVOO 003;
• registro e aprovação de grandes modificações e grandes reparos – SEGVOO 001;
• ficha de cumprimento de dretriz de aeronavegabilidade – FCDA;
• Apêndice A – IS 43.9-004 – registro a ser feito nos documentos de aeronave reparada;
• Apêndice B – IS 43.9-004 – comunicação de conclusão de reparo;
• Apêndice C – IS 43.9-004 – laudo de avarias;
• Apêndice D – IS 43.9-004 – relatório de reparos;
• lista de discrepâncias.
Deverá ser emitido um formulário SEGVOO 001 no caso de aprovação de serviços classificados
como grande reparo ou grande modificação, ou uma declaração de conclusão de reparos
adequadamente preenchida. Caso o reparo ou modificação tiver acarretado qualquer alteração
nas limitações operacionais da aeronave, ou nos dados de voo contidos no manual de voo
aprovado, tais limitações e modificações devem ser apropriadamente revisadas.
251
Caso o componente, ao atingir o seu TBO, apresentar algum defeito ou tiver se acidentado, ele
deve ser entregue em uma oficina certificada para ser submetida a uma revisão geral.
A revisão consiste, inicialmente, em uma inspeção preliminar em que é feita uma avaliação do
estado externo e de seus componentes. Em seguida, inicia-se o processo de desmontagem, limpeza
e inspeção das partes desmontadas. Na revisão geral, o componente é totalmente desmontado
para que suas partes sejam inspecionadas e avaliadas dentro dos critérios estabelecidos nos
respectivos manuais. Nessa fase, são feitos vários testes para avaliação do material.
Após esse procedimento, são descartadas as partes condenadas e aquelas que já deveriam
ser substituídas nas revisões, conforme aplicável. Depois desse processo, é feita a montagem
rigorosa do componente de acordo com as instruções do fabricante, inclusive com a instalação
de novas peças em substituição àquelas condenadas.
Após a montagem, e antes de ser liberado para retorno ao serviço, o componente deve ser
submetido a testes, de acordo com dados técnicos aceitáveis pela ANAC, que tenham sido
formulados e documentados por detentor de certificado de tipo (CT), certificado suplementar
Certificado suplementar de tipo (CST) ou atestado de produto aeronáutico aprovado (APAA). Esse ensaio é importante,
de tipo (CST): documento pois nele são colhidos todos os parâmetros de desempenho e temperaturas e, também, nas
emitido pela autoridade de
aviação civil para aprovação
primeiras horas de funcionamento, há maior probabilidade de falhas no equipamento,
de projeto de modificação decorrente de problemas de montagens, ajustes, entre outros, conforme demonstrado no
de tipo de um produto esquema a seguir.
aeronáutico.
252
É importante que o componente seja testado após ter sido submetido a uma revisão
geral em virtude de se verificar seu correto funcionamento e também, porque no
início de sua vida útil há uma elevada probabilidade de falha (mortalidade infantil)
decorrente de problemas na execução desse trabalho, seja por instalação inadequada,
componentes defeituosos ou por montagem incorreta.
Na revisão geral, o produto mantém sua identidade anterior (matrícula, número de série,
histórico de manutenção, etc.).
A anotação dos registros decorrentes dessa revisão é feita apenas após a conclusão de todos os
trabalhos, inclusive o teste do equipamento no final da revisão. A aprovação para retorno ao
serviço é feita por meio do uso da etiqueta de aprovação de aeronavegabilidade (SEGVOO
003). Depois, é feita anotação na caderneta aplicável (célula, motor ou hélice).
Na reconstrução, um componente pode receber uma nova identidade, ou seja, ele pode perder sua
identidade anterior (número de série, histórico de manutenção). É como se fosse um motor novo.
Resumindo
Neste capítulo, viu-se que o registro primário de manutenção é o registro principal da tarefa
realizada. Ele é o registro que atesta a condição de um produto aeronáutico. Se o produto
foi considerado aeronavegável após o serviço ao qual foi submetido, deve ser atestada a sua
condição aeronavegável, no formato de registro aplicável.
253
254
Capítulo 3
Registros secundários
Registros secundários são obtidos em decorrência da análise feita dos registros primários, cujos
dados são sintetizados em forma de mapas, listagens ou tabelas. É o registro simplificado
das atividades de manutenção que referencia ou complementa um registro primário de
manutenção executada.
3.1 Introdução
Os registros secundários demonstram a presente situação da aeronave e de cada um de seus
componentes controlados, ou seja, aqueles componentes que possuem tempo limite de vida
(TLV) e/ou tempo limite para revisão geral (TBO), contado a partir da data de fabricação Componentes controlados:
ou a partir da última revisão geral. Os registros secundários demonstram também a presente são os componentes que
situação da aeronave e suas partes em relação ao programa de manutenção (inspeções) adotado possuem limite de utilização
para revisão, substituição,
(recomendado ou aprovado, conforme aplicável) e a presente situação de cumprimento das teste e/ou calibração
diretrizes de aeronavegabilidade (DA) aplicáveis ao modelo da aeronave. previstos no programa de
manutenção do fabricante.
Os registros secundários baseiam-se nos registros primários de cada procedimento de manutenção
executado na aeronave e nas suas partes (esses procedimentos garantem a aeronavegabilidade
continuada da aeronave). Nesses registros, utilizam-se tabelas chamadas de mapas, que são um
resumo demonstrativo das condições de uma aeronave em determinado momento.
Os mapas podem ser estáticos, isto é, ser atualizados somente quando o equipamento se submete
a uma tarefa de manutenção, principalmente uma inspeção anual de manutenção (IAM). Os
respectivos mapas de inspeções, de componentes e de diretrizes de aeronavegabilidade são
atualizados pela oficina ou setor de manutenção da empresa aérea e entregues ao proprietário/
operador da aeronave, juntamente com os registros primários de manutenção. A partir desse
momento, o responsável primário deve fazer o acompanhamento da situação da aeronave a fim
de evitar que qualquer item vença o tempo.
Esses mapas também podem ser dinâmicos quando a atualização diária é feita, ou seja, quando
se faz o lançamento diário das horas efetivamente voadas pela aeronave ou são cumpridas
inspeções e/ou revisões programadas, ou sempre que há o cumprimento de uma nova diretriz
de aeronavegabilidade ou uma DA repetitiva. Nesse método, procura-se um meio eficaz que
atualize automaticamente os campos de horas voadas e os créditos disponíveis relativos a
cada tipo de intervenção de manutenção que possam ter prazo de vencimento (horas, ciclos,
calendário, ano, mês, dias).
As planilhas eletrônicas são muito utilizadas pelas empresas aéreas, por sua possibilidade de
armazenar dados e fazer os cálculos mais necessários. No mercado, existem vários outros tipos
de programas de controle técnico que facilitam bastante esse trabalho.
255
Os registros secundários não são os substitutos dos registros primários, apenas mostram, de
forma prática e resumida, o estado da aeronave e os seus componentes com relação às tarefas
de manutenção programadas, substituição ou revisão de partes controladas e diretrizes de
aeronavegabilidade aplicáveis. Só serão aceitos como registros primários os mapas fornecidos
pelo fabricante para demonstrar quais diretrizes de aeronavegabilidade foram incorporadas na
fabricação da aeronave e das suas partes (ou reconstrução), conforme aplicável.
Todo registro secundário feito deverá conter o número ou a referência do registro primário
utilizado para o retorno ao serviço, bem como possuir a identificação da pessoa que transcreveu
tal registro de modo que se possa verificar a veracidade do registro secundário efetuado.
Por exemplo, se o programa adotado pelo operador de uma aeronave possui inspeções periódicas
de 50, 100, 200, 500 e 1000 horas, as inspeções são lançadas na primeira coluna da tabela e
cada uma delas em uma linha separada, de forma simplificada para melhor compreensão.
Na segunda coluna, insere-se, por exemplo, quantas horas totais a aeronave tem e o dia em que
está sendo elaborada a tabela.
Na terceira coluna, pode-se inserir quantas horas totais ela tinha e a data do último cumprimento
da referida inspeção.
Na quarta coluna, inserem-se quantas horas disponíveis (podem ser dias e ciclos, conforme
aplicável) até a próxima intervenção daquele tipo.
256
Outro exemplo pode ser visto na Tabela 2, que usa uma planilha de computador.
Tabela 2 - Mapa de controle de inspeções – planilha eletrônica
Esse mapa deve ser elaborado e/ou atualizado ao se atestar uma IAM, ou quando da realização
de uma grande inspeção (check-C, 1000 horas, por exemplo).
257
• na sexta coluna, lançar os créditos disponíveis para aquele componente, seja em horas,
dias (calendário), seja em ciclos, conforme aplicável.
Esse mapa deve ser elaborado e/ou atualizado ao se atestar uma IAM, ou quando ocorrer a
revisão geral de algum componente.
258
Esse mapa deve ser elaborado e/ou atualizado ao se atestar uma IAM, ou quando for realizada
uma grande inspeção (check-C, por exemplo), ou ainda por ocasião do cumprimento de uma DA.
Ao saber que todas as grandes modificações e os grandes reparos atendem aos requisitos da
regulamentação aeronáutica brasileira em vigor, inclusive no tocante à aprovação para retorno
ao serviço (Apêndice B do RBAC 43), é necessário que as modificações sejam registradas em
uma lista específica para facilitar o controle e para fins de verificação por representantes da
autoridade de aviação civil:
259
Essa lista deve ser elaborada e/ou atualizada ao se atestar uma IAM, quando for incorporada ou
desincorporada alguma grande modificação, ou sempre que for realizado algum grande reparo,
mantendo a lista em ordem e em dia.
Resumindo
Os registros secundários são baseados em registros primários e não devem utilizados como seus
substitutos, a não ser, no caso de ter sido fornecido pelo fabricante para demonstrar quais DAs
foram incorporadas na fabricação ou na reconstrução.
260
Capítulo 4
Tipos de registros de manutenção
Ademais, esses registros servem como garantia das condições aeronavegáveis do produto e
conferem comprovação às autoridades de aviação civil, bem como aos fins comerciais da
aeronave e das peças aeronáuticas.
O controle das ordens de serviço fica a critério da empresa. Elas podem ser registradas, por
exemplo, em um livro de controle, por ordem numérica, identificando o cliente, o produto
para o qual ela foi emitida, o número de série do referido produto, as instruções especiais para
o caso e qual o tipo de trabalho a ser desenvolvido.
As ordens de serviço, assim como outros formulários, devem estar relacionadas nos respectivos
manuais das empresas (organização de manutenção aeronáutica ou empresa aérea), assim como
as instruções de preenchimento.
A ordem de serviço, quando entregue em sua forma original para o cliente, também é
considerada como um registro primário para fins de composição do histórico de manutenção
da aeronave e das suas partes.
261
Tabela 7 - Ordem de serviço
Para que seja atestada uma IAM, é necessário que a empresa tenha a seguinte documentação
disponível para analisar:
• os registros de manutenção da aeronave desde a sua fabricação, incluindo as cadernetas
de célula, motor e hélice; laudos de revisão geral; etiquetas amarelas; SEGVOO 003 ou
etiquetas/CAE de motores, de hélices e de componentes instalados;
• todos os registros primários, como, por exemplo, as FCDA e todos os registros secundá-
rios, os mapas de controle de DA, o de componentes controlados e o de inspeções.
262
Após a conclusão da IAM, deve ser preenchida a FIAM e outras documentações pertinentes,
como a declaração de inspeção anual de manutenção (DIAM) e a lista de não conformidades
no caso da aeronave ter sido reprovada na IAM.
263
Tabela 8.B - Ficha de inspeção anual de manutenção – verso
264
O CA é o documento emitido pela autoridade de aviação que autoriza uma aeronave a ser
operada. Tal certificado pode ter sua validade suspensa ou cancelada se for comprovado
que a aeronave não atende aos requisitos de aeronavegabilidade continuada, dependendo
da gravidade. A validade do CA pode vencer após seis anos da data da emissão do primeiro
certificado, ou após a última revalidação.
Para revalidar o CA das aeronaves que operam segundo o RBHA 91 (aviação geral) e/ou RBAC
135, deve ser apresentado à ANAC o RCA/LV a cada seis anos, desde que essas aeronaves não
sejam empregadas no transporte público regular.
No caso da aeronave não operada por empresas aéreas, a responsabilidade pela emissão do
RCA/LV é da oficina de manutenção certificada, segundo o RBAC 145 e conforme seu manual
de qualidade (MCQ). No caso de empresas aéreas, essa responsabilidade é da própria empresa
aérea operadora da aeronave, segundo seu manual geral manutenção (MGM) e, exclusivamente,
com aeronaves da sua frota.
Para as aeronaves de categoria de transporte aéreo público regular de passageiros e cargas (RBAC
135 e 121), o RCA/LV não é utilizado para revalidação do CA e, sim, para verificar se elas estão
em condições aeronavegáveis. Nesse caso, o RCA/LV deve ser apresentado à ANAC a cada três
anos, em substituição à IAM. A revalidação do CA é feita por meio de vistoria da ANAC.
A empresa que emitir esse CA estará comprovando as mesmas condições que são verificadas na
IAM, só que para fins de renovação do certificado. A empresa encaminha para a ANAC uma
via do RCA juntamente com a lista de verificação (LV) a fim de que seja emitido um novo CA
para a aeronave, com validade de seis anos.
265
Tabela 9 - Relatório de condição de aeronavegabilidade
266
Tabela 10 - Lista de verificação para emissão de RCA
267
Tabela 10 - Lista de verificação para emissão de RCA (continuação)
As fichas de inspeção para realização de manutenção devem estar atualizadas e fazer referência
à publicação técnica de onde foram retiradas, mostrando claramente a última revisão e a data
de sua emissão.
Podem ser empregadas fichas de inspeção em língua estrangeira, porém, se o mecânico não tiver
conhecimento dessa língua, deverá receber auxílio apropriado. Em uma oficina de manutenção
aeronáutica, o responsável por providenciar a tradução das informações técnicas em língua
estrangeira é o responsável técnico, enquanto, na empresa aérea, é o diretor de manutenção.
A ficha também pode ser traduzida se as informações originais estiverem em outra língua.
A tradução precisa ser feita por alguém da área de manutenção aeronáutica, designado pela
268
empresa de transporte aéreo, devendo estar o procedimento e a responsabilidade pela tradução
definidos no manual da empresa.
Tabela 11 - Ficha de inspeção
269
Tabela 11 - Ficha de inspeção (continuação)
As cadernetas de célula, de motor e de hélice são aplicáveis para todas as aeronaves civis brasileiras
que operam segundo as regras do RBHA 91 e RBAC 135. Aplica-se ainda ao motor e à hélice
adquirida para estoque ou posterior instalação em uma aeronave que opera segundo as referidas
regulamentações. Estas aeronaves podem seguir procedimentos alternativos, desde que aceitos
270
formalmente pela autoridade de aviação civil. Para as aeronaves que operam segundo as regras
do RBAC 121, é opcional o uso de cadernetas.
Tendo em vista que as cadernetas são a principal fonte de registro de manutenção, seguem
algumas instruções de preenchimento para conhecimento.
Capa
a) Caderneta de célula nº - preencher com número sequencial/marcas da aeronave/ano de
abertura da caderneta. Ex.: 02/PT-XYZ/02.
b) Aeronave de marcas - preencher com as marcas de nacionalidade e de matrícula da aero-
nave. Ex.: PT-XYZ.
c) Fabricante, modelo e N/S - preencher com os dados técnicos totalmente corretos da ae-
ronave, devendo estar de acordo com sua plaqueta de identificação.
d) Nome ou logotipo da empresa operadora (opcional) - preencher com os dados do opera-
dor ou seu logotipo, caso desejável.
Termo de abertura
a) Caderneta de célula nº - preencher com o número da caderneta constante da capa.
b) Pág. - preencher com a sequência numérica. Ex.: 20/140, ou seja, vigésima folha de 140
existentes.
c) Dias e ano - preencher em numérico.
d) Mês - preencher por extenso.
e) Marcas - preencher com as marcas de nacionalidade e de matrícula da aeronave. Ex.:
PT-XYZ.
f ) Fabricante, modelo e N/S - preencher com os dados técnicos totalmente corretos da ae-
ronave, devendo estar de acordo com a plaqueta de identificação.
271
g) TSN, CSN, ano de fabricação - preencher com as horas e os ciclos desde nova, ano de
fabricação.
Tabela 12.A - Modelo de caderneta de célula – parte I
272
g) Cód./rubrica - preencher com o código e a rubrica da pessoa responsável pelo lançamen-
to das horas e dos ciclos voados.
273
Tabela13.B - Modelo de caderneta de célula - parte IV – IS 43.9-003
274
f ) TSN e CSN - preencher com as horas totais voadas e ciclos totais de operação desde a
fabricação da aeronave, completados no momento da instalação do componente.
g) Part number - preencher com o número de parte de identificação do componente.
h) Nomenc. - preencher com a nomenclatura do componente.
i) Número de série - preencher com o número de série de identificação do componente.
j) TSN e CSN - preencher com as horas e os ciclos desde o novo do componente.
k) TSO e CSO - preencher com as horas e os ciclos desde a revisão geral do componente.
l) Nome, código e assinatura - preencher com o nome, o código da ANAC e a assinatura do
mecânico e do inspetor que supervisionou o serviço na função de inspetor da empresa, ou
com o CREA do tecnólogo ou do engenheiro responsável pelo retorno ao serviço da aeronave.
m) Motivo e CHE/Certificado ETA - preencher com o motivo da instalação ou remoção
do componente e com o número do CHE ou certificado ETA da empresa que executou
a instalação ou remoção. Ex.: realizado overhaul. CHE 9901-00.
O diário de bordo deverá ser assinado pelo comandante da aeronave, que também é o responsável
pelas anotações que nele constam, incluindo o total de tempo de voo e de jornada.
De acordo com o CBA, o comandante da aeronave efetuará o registro, no diário de bordo, dos
nascimentos e dos óbitos que porventura ocorram durante o voo, podendo ser extraída cópia
para fins de direito, conforme necessário.
Na parte II do diário bordo, são efetuados os registros da situação técnica da aeronave, como,
por exemplo:
• tipo da última intervenção de manutenção (exceto trânsito e diária);
• tipo da próxima intervenção de manutenção (exceto trânsito e diária);
• horas de célula previstas para a próxima intervenção de manutenção;
• data do voo - dia/mês/ano;
• local para registro de discrepâncias técnicas constatadas pela tripulação e/ou manutenção;
275
• local para liberação da manutenção (trânsito, inspeções, etc.) - aprovação para retorno
ao serviço;
• local para rubrica do comandante da aeronave;
• local para rubrica do mecânico responsável pela liberação da aeronave, de acordo com o
RBAC 43.
276
certificados representam uma garantia governamental sobre o produto, normalmente perante
outra nação; por isso, sua utilização é tradicional nas operações de importação/exportação, sendo
também recomendado para operações domésticas. Os certificados possuem mais de uma utilidade:
a) Quando se trata de partes novas, o SEGVOO 003 informa que um certo produto foi fa-
bricado de acordo com determinado dado de projeto aprovado e está em condição segura
de operação (aeronavegabilidade), ou em fase de aprovação (conformidade) e sob um
sistema de produção aprovado (ou em processo de aprovação). Utiliza-se o lado esquerdo
do campo do certificado referente à aprovação para retorno ao serviço, enquanto o lado
direito deve ser anulado com um traço diagonal.
b) Quando se trata de partes usadas que passaram por um serviço de manutenção ou revisão
geral, conforme o RBAC 43, e estão próprias para o retorno à operação, utiliza-se o lado
direito do campo do certificado referente à aprovação para retorno ao serviço e o lado
esquerdo deve ser anulado com um traço diagonal. Nesse caso, a função da etiqueta é a
aprovação para retorno ao serviço.
O RBAC requer que o registro de manutenção de uma aeronave, de célula, de motor, de hélice,
de rotor e de equipamento, após manutenção, manutenção preventiva, recondicionamento,
modificação ou reparo, contenha uma anotação com a descrição (ou referência a dados
aceitáveis pela autoridade aeronáutica competente) do trabalho executado, da data de início
e término dele e o nome e a assinatura da pessoa de quem aprovou o retorno ao serviço do
produto aeronáutico.
O certificado de liberação autorizada – formulário SEGVOO 003 – deve ser utilizado como
meio de cumprimento em relação a registro primário de manutenção, visando à aprovação
para o retorno ao serviço de motores, de hélices e de produtos aeronáuticos classes II e III, após
manutenção, manutenção preventiva, recondicionamento, modificação ou reparo.
277
deve ser utilizado. O uso dessa etiqueta para o movimento de partes entre aeronaves de uma
mesma empresa aérea é opcional.
Tabela 15 - Certificado de liberação autorizada – SEGVOO 003 – IS 43.9-002
Campo 2 - Título (title): Agência Nacional de Aviação Civil (Brazilian Civil Aviation Authority)/
certificado de liberação autorizada (authorized release certificate)/Etiqueta de aprovação de
aeronavegabilidade (airwortiness approval tag), impresso, título do documento.
Campo 3 - Certificado nº (certificate nº/system tracking ref.): o objetivo desse campo é identificar
o formulário com um número único para efeito de controle e rastreabilidade. Assim, a empresa
tem definido, a seu critério, um sistema de numeração.
278
Campo 4 - Empresa (organization): nome e endereço da empresa aérea ou de manutenção ou
fabricante que está emitindo a etiqueta.
Campo 6 - Item (item): quando se emitir a etiqueta, um nº único de item ou nº múltiplo de itens
pode ser usado para vários part number com o destino final em comum. Itens múltiplos devem ser
numerados, em sequência. Caso o espaço seja insuficiente para todos os itens a serem aprovados,
deve-se abrir nova etiqueta, com outro número (campo 3) ou pode-se utilizar uma lista anexa à
etiqueta, com referência cruzada ao seu número (campo 3). Nesse último caso, insira lista em anexo.
Campo 8 - Número da peça (part number): colocar o número da peça como indicado nos
documentos de projeto.
279
• cumprimento ou não cumprimento de diretrizes de aeronavegabilidade;
• informações sobre a vida limite da peça, dados referentes ao reparo, à cura ou ao tempo
de estocagem;
• declaração de liberação para satisfazer os requisitos de uma autoridade aeronáutica
estrangeira;
• declaração de liberação para satisfazer às condições de um acordo bilateral de manutenção;
• quando utilizado para aprovação de exportação para produtos classe II e III, para produtos que
tenham retornado ao serviço, baseado no RBAC 43, as seguintes palavras podem ser inseridas
em (letra maiúscula): EXPORT, USED PART, SHIPPED PER COUNTRY ACCEPTANCE
LETTER OF USED PART (repectivamente, em português, exportação, parte usada, carta de
aceitação da parte usada enviada por país) – o uso da palavra EXPORT é opcional e seu uso
depende dos requisitos de acordos bilaterais ou requisitos do país importador. Essas palavras,
dependendo dos requisitos do país importador, não são necessárias para partes recém-revisadas.
Campo 19 - Aprovação para o retorno ao serviço: marque com um (X) o quadro que representa
qual regulamento foi utilizado para aprovação para retorno ao serviço, o RBAC 43.9 ou o
regulamento de outra autoridade aeronáutica.
Campo 22 - Nome (name): nome, digitado ou impresso, do inspetor que assinou a aprovação
para o retorno ao serviço no campo 20.
Campo 23 - Data (date): data em que a etiqueta é assinada e o produto aeronáutico é aprovado
para o retorno ao serviço.
Quando se usa o SEGVOO 003 para identificar partes que são trocadas entre empresas
aéreas ou empresas de manutenção instaladoras ou, ainda, quando removidas de
uma aeronave, deve constar no mínimo, os seguintes dados da remoção: aeronave,
data, horas totais (TSN) e horas após revisão (TSO) do componente, horas totais da
aeronave e TBO usado pela empresa, conforme aplicável.
280
4.9 Registro e aprovação de grandes modificações e grandes
reparos – SEGVOO 001
O formulário SEGVOO 001 é utilizado para registro de grandes modificações e grandes reparos
e tem basicamente duas funções.
a) Prover proprietários e operadores de um registro de grandes modificações e grandes repa-
ros feitos em sua aeronave, indicando-se detalhes e aprovação.
b) Prover ao executante do serviço de um registro de grandes modificações e grandes reparos
feitos por ele.
281
4.10 Ficha de cumprimento de diretriz de aeronavegabilidade
(FCDA)
Um registro primário de cumprimento deve ser completo e claro, contendo o método de
cumprimento utilizado e o resultado da ação executada. Exemplificando: uma DA normalmente
requer inspeções periódicas que podem ser do tipo inspeção visual ou por meio de ensaio não
destrutivo, até a incorporação de uma ação final que poderá estar descrita, por referência,
em um boletim de serviço. Uma DA pode também requerer uma revisão em procedimentos
operacionais do manual de voo da aeronave. Dessa forma, o registro deve apresentar, com
clareza, o método de cumprimento utilizado.
282
4.11 Apêndice A – IS 43.9-004 – registro a ser feito nos documen-
tos de aeronave reparada após acidente/incidente aeronáutico
A empresa certificada deverá fazer um registro do serviço executado na caderneta de célula da
aeronave ou em documento equivalente, conforme o modelo a seguir, após a conclusão dos
serviços de reparos na aeronave avariada por acidente/incidente aeronáutico.
Figura 7 - Apêndice A – Modelo do registro a ser feito na documentação da aeronave reparada após acidente/
incidente aeronáutico ou ocorrência de solo – IS 43.13-004
283
Figura 8 – Apêndice B – Modelo do documento de comunicação e conclusão de reparos a ser enviado para a
ANAC – IS 43.13-004
284
preencher um laudo de avarias padronizado, conforme o modelo que segue, que discriminará
detalhadamente os danos sofridos pela aeronave, incluindo fotografias.
285
Figura 9 - Apêndice C – Laudo de avarias – IS 43.13-004 (continuação)
286
ser arquivado juntamente com o laudo de avarias por um período não inferior a cinco anos,
findo esse período, ficará a critério da empresa certificada seu destino.
Para os itens permitidos ficarem inoperantes, segundo o RBHA 91, deverá ser instalado um
287
placar que cumpra com a regulamentação de certificação da aeronave, em cada instrumento
inoperante e nos controles na cabine de comando de cada um dos equipamentos inoperantes.
Deve-se marcar tais instrumentos com a palavra inoperante e adicionar estes itens à lista de
discrepâncias fornecida ao operador ou ao proprietário da aeronave.
288
Resumindo
Neste capítulo, foram apresentados diversos tipos de registros primários utilizados na
escrituração dos serviços de manutenção, modificação, reparos e recondicionamento. O mais
importante é que os documentos sejam preenchidos de forma clara e concisa, não deixando
dúvidas quanto à exatidão do cumprimento das instruções de aeronavegabilidade continuada,
previstas na regulamentação de aviação e nas publicações técnicas emitidas pelos fabricantes de
aeronaves, motores, hélices e componentes aeronáuticos.
289
290
Unidade 5
Matemática
291
292
Capítulo 1
Números inteiros
A ideia de número, suas generalizações e aplicações, estão muito mais presentes na sociedade
do que se pode imaginar.
Os números são utilizados para auxiliar ações corriqueiras, como contar quantos alunos há Corriqueiras: aquelas que
em uma sala de aula, ou em ações complexas, como salvar vidas em um hospital e fazer uma ocorrem com frequência.
aeronave voar.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
A estrutura desse sistema é formada por classes – unidades, milhares, milhões, bilhões, etc. – e
estas, por sua vez, são subdivididas em três ordens: unidades (U), dezenas (D) e centenas (C).
A leitura e a escrita dos números são feitas por classes da direita para a esquerda.
O princípio fundamental desse sistema é que dez unidades de uma ordem qualquer
formam uma de ordem imediatamente superior.
293
Tabela 1 - Quadro de classes
No caso do número colocado na Tabela 1, deve-se ler: trinta e seis bilhões, cento e cinquenta e
oito milhões, noventa e quatro mil e um.
Depois dos bilhões, têm-se ainda as classes trilhões, quatrilhões, quinquilhões, etc.
O, 1, 2, 3, 4, 5...
Os números naturais também são utilizados com outras finalidades, em códigos, por exemplo,
no código de endereçamento postal (CEP) ou em números de documentos, como a carteira de
motorista, entre outros.
N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, ...}
294
Por exemplo, os geógrafos chamam de altitude a distância vertical medida entre determinado
ponto e o nível médio do mar. Os pontos localizados ao nível do mar têm altitude zero,
os localizados acima do nível do mar têm altitudes positivas e os abaixo do nível mar têm
altitudes negativas.
Obs.: a figura a seguir é formada por quadrículas que representam quadrados de 200 m
de lado.
Quadrículas: pequenos
quadrados, todos com
lado de mesma medida,
usados como auxiliares da
visualização de medidas,
áreas figuras, etc.
Resumindo
Para facilitar os estudos com números, estes costumam ser classificados de acordo com certas
propriedades consideradas importantes. Neste capítulo foi possível aprender sobre os dois
primeiros tipos de números, os naturais e os inteiros, com destaque para certas propriedades,
como a posição relativa dos algarismos e a estrutura do quadro de classes e ordens.
Também foi possível aprender sobre diferentes maneiras de representar esses tipos de
números, como sua representação em forma de conjuntos (N) e (Z) e suas representações
geométricas na reta numerada.
295
296
Capítulo 2
Números reais
Juntos, os números racionais e irracionais vão compor o conjunto dos números reais, necessários
na hora de representar quantidades contínuas, como aquelas presentes em intervalos de
comprimento, massa, volume, etc.
Para obter frações equivalentes a uma fração dada, deve-se multiplicar (ou dividir) o
numerador ou o denominador da fração por um mesmo número diferente de zero.
297
2.2 Números decimais
Os números decimais são, na verdade, uma representação especial das frações decimais, isto
é, eles são baseados na ideia de se dividir o inteiro em dez partes, cem partes, mil partes, etc.
1
1 um centésimo = = 0,01
um décimo = = 0,1 100
10
1
um milésimo = = 0,001
1000
É possível observar agora as novas ordens formadas a partir dos números decimais: décimos,
centésimos e milésimos.
Tabela 2 - Quadro de ordens
... C D U d c m dm ...
2 , 9 5
298
A Matemática nos meios de comunicação
= 280.730.000
Exemplos:
15 15 8 1,875
→ representação → divisão
8 fracionária 70 1,875 representação
60 decimal finita
40
0
4 4 3 -1,333
- → representação → divisão
3 fracionária 10 1,333... representação decimal
10
infinita e periódica
10
299
Em oposição aos números racionais, existem os números irracionais, representados pela letra (I).
Um número irracional não pode ser representado por uma fração, mas por uma representação
decimal infinita e não periódica.
Uma das mais importantes propriedades dos números reais é o fato de poder representá-los por
pontos de uma reta: cada número real corresponde a um único ponto da reta e cada ponto da
reta corresponde a um único número real.
Com os números reais, é possível representar quantidades contínuas como altura, massa, área,
volume, etc.
• 2 é a base;
2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 25
• 5 é o expoente;
Em 2 = 32, destacamos
5
• 32 é a potência.
Lê-se: dois elevado à quinta potência
é igual a trinta e dois.
300
Em geral, se a ∈ R e n ∈ Z, temos:
a0 = 1, para a ≠ 0
an = a . a . a ... a, para n ≥ 2
n fatores
a1 = a, para qualquer a a-n = 1 , para a ≠ 0
an
Formando par com a potenciação, surge a operação radiciação, sendo uma a inversa da outra.
Entre as raízes mais usadas, estão a raiz quadrada e a raiz cúbica. Por exemplo:
a) Qual o número positivo cujo quadrado é igual a 9? Esse número é chamado de raiz
quadrada de 9.
Indica-se √9 = 3
301
É muito fácil usar a calculadora para extrair
a raiz quadrada de um número.
√29 = 5,3851648
b) Qual o número cujo cubo é igual a -8? Esse número é chamado de raiz cúbica
de -8.
3
Indica-se -8 = -2
Dado o esquema:
2 1
5 5 1 1 1 1 1
5 5 5 5 5
302
2 1 5
5 5 5
correspondem a 48000 corresponde a (o todo) correspondem a
48000 : 2 = 24000 5 × 24000 = 120000
Em seguida, subtrai-se essa soma da distância entre os pontos A e B: 100 – 62,61 = 37,39.
Dessa maneira, chega-se à resposta procurada: 37,39 quilômetros separam os dois automóveis.
D U d c
2 5 , 4 6
+
3 7 , 1 5
6 2 , 6 1
C D U d c
1 0 0 , 0 0
–
6 2 , 6 1
3 7 , 3 9
303
Figura 14 - Representação esquemática do conjunto dos números reais
Resumindo
Neste capítulo, por meio dos números reais, foi possível abordar os estudos sobre os campos
numéricos. A partir do conjunto dos números naturais, construíram-se, por sucessivas
ampliações, o conjunto dos inteiros e o conjunto dos racionais, obtendo-se, finalmente, o
conjunto (R) dos números reais como união dos números racionais e dos irracionais.
Foi visto também que cada número real corresponde a um único ponto da reta e cada ponto da
reta corresponde a um único número real. Com isso, percebeu-se que, por meio dos números
reais, as quantidades contínuas, como altura, massa, área, volume, etc., podem ser representadas.
304
Capítulo 3
Razões, proporções e porcentagens
Construir uma peça de aeronave sem utilizar a matemática é impossível. Isso porque todos
os objetos que a compõem nascem de projetos com desenhos em pequena escala, os quais, na
realidade, são construídos com ampliações desse desenho, que têm como base o conhecimento
matemático das razões, das proporções e da porcentagem.
3.1 Razões
O quociente entre dois números é um instrumento muito útil para compará-los. Seguem exemplos: Quociente: resultado
30 3 de uma divisão.
a) A idade de Maria é 30 anos e de André, 40. O quociente entre suas idades é ou .
40 4
É possível, então, comparar as idades: para cada 3 anos que Maria viveu, André já viveu 4.
b) Em certo mapa, a distância em linha reta entre Brasília e
Teresina é representada por 2,5 cm, enquanto, na realida-
de, essa distância é de 1250 km. Estabelecendo o coefi-
ciente entre esses dois números, chega-se à escala utilizada
no mapa.
2,5 = 1
125.000.000 50.000.000
3.2 Proporções
Em Matemática, a igualdade entre duas razões é chamada de proporção.
305
A propriedade fundamental das proporções diz que, em toda proporção, o produto dos meios
é igual ao produto dos extremos
3.3 Porcentagem
A porcentagem é usada para representar, de maneira prática, determinada parte de um todo.
A expressão tantos por cento, indicada com o símbolo %, quer dizer alguns por um cento.
Assim, com relação ao Gráfico 1, 31% (lê-se: trinta e um por cento) significa que, de cada
grupo de 100 residências pesquisadas no Distrito Federal (DF), 31 estão equipadas com
microcomputador.
Valor Taxa
400 100
400 = 100 → 100x = 30 . 400 → x = 120
x 30
x 30
306
2º modo: diretamente.
Resposta: R$ 1.579,50.
Figura 18 - Visor exibido na calculadora
durante a realização do cálculo de
1.350 aumentado em seus 17%
Resposta: R$ 357,00.
307
Exemplos:
Representar uma fração por meio de um número decimal ou por uma porcentagem:
Representar uma porcentagem por meio de uma fração ou por um número decimal:
a) 15% = 15 = 0,15
100
Resolução:
Resolução:
8 cm = 0,08 m
308
Resumindo
Neste capítulo, foi visto como o quociente ou a razão entre dois números é um instrumento
muito útil para compará-los. Essa razão pode ser expressa por uma fração, uma porcentagem
ou um número decimal.
As proporções também foram abordadas. O uso desse ferramental matemático ajuda a resolver
alguns problemas ligados a situações bem práticas, como o uso das escalas ou a representação
de séries de números por meio da média aritmética.
309
310
Capítulo 4
Sistemas de medidas
Em Matemática, falar em medidas é referir-se a uma comparação do que se deseja medir com Braça: corresponde a
determinada medida considerada padrão. distância entre as pontas
dos dedos das duas
mãos de um homem
Por longo tempo, cada povo teve o próprio sistema de medidas, baseado em unidades arbitrárias quando seus braços
e imprecisas, como, por exemplo, aquelas baseadas no corpo humano: palmo, pé, polegada, estão estendidos em
braça, côvado. direções opostas.
A fim de facilitar a comunicação entre as pessoas de todo o mundo, no que diz respeito às
tomadas de medidas, criou-se, em 1960, o sistema internacional de unidades (SI), adotado
oficialmente em vários países, inclusive no Brasil. Esse sistema fixa certas unidades básicas
de medida.
311
4.2 Medidas de comprimento, área e volume
Para comparar um valor com outro, utiliza-se uma grandeza predefinida denominada
unidade-padrão.
A unidade-padrão para medir comprimentos é o metro, o qual é indicado pela letra (m).
Para medir extensões muito grandes, ou muito pequenas, existem os chamados múltiplos e
submúltiplos do metro mostrados na tabela a seguir.
km hm dam m dm cm mm
É possível observar a relação com o sistema de numeração decimal: quando lidas da esquerda
para a direita, cada unidade contém dez vezes a unidade seguinte.
Exemplo:
312
Usando a polegada
A polegada, no Brasil, é usada em determi-
nadas situações bem particulares, como em
medidas de diâmetros de tubulações, de ca-
beças de parafusos e também na descrição
do tamanho da tela de televisores e de com-
putadores (definido pelo comprimento da
diagonal da tela).
4.2.2 Área
Exemplo:
313
Pode parecer difícil imaginar essa superfície, mas não se ela for convertida para (mm2).
4.2.3 Volume
O metro cúbico é a unidade fundamental para calcular volumes, cuja representação é (m3).
Observa-se a relação com o sistema de numeração decimal: quando lidas da esquerda para a
direita, cada unidade contém mil vezes a unidade seguinte.
Exemplo:
314
Tabela 6 - Medidas de massa
Exemplo:
315
São várias as unidades de tempo utilizadas: horas, minutos, segundos, dias, semanas, meses,
anos, etc. A seguir estão algumas relações entre elas:
• 1 dia tem 24 horas; 1 hora tem 60 minutos; 1 minuto tem 60 segundos;
• 1 mês pode ter de 28 a 31 dias; 1 década tem 10 anos; 1 século tem 100 anos; 1 milênio
tem 1000 anos.
Exemplos:
a) A sessão de cinema vai começar às 14h 45min e terá duração de 1h 40min. Que horas vai
terminar essa sessão?
14 h 45 min
+
1 h 40 min
15 h 85 min
Em 85 min, há 1 h 25 min (85 – 60 = 25)
b) Clarisse pratica ginástica 5 dias por semana, 1 hora e meia por dia. Quantas horas e quantos
minutos ela pratica ginástica por semana?
Por dia: 1 hora e meia = 1 hora + 0,5 hora = 60 min + 0,5 . 60 min
450 60
–
420 7
30 → 7h30min
Resposta: ela pratica 7 horas e 30 minutos de ginástica por semana.
Resumindo
Neste capítulo, mostrou-se que medir é comparar uma grandeza com uma unidade de referência
do mesmo padrão expressa por um número que diz quantas vezes a unidade cabe na grandeza.
Em determinadas circunstâncias específicas, certas medidas costumam ser tomadas fora do SI,
especialmente as do sistema imperial britânico, como a milha, o pé e a polegada.
316
Capítulo 5
Álgebra, gráficos e tabelas
A álgebra é a parte da matemática que trata mais diretamente do uso de letras para represen-
tar números.
5.1 Polinômios
8x
12 a3b4c
17
Essas expressões são constituídas por um número que multiplica uma ou mais letras, ou apenas
um número, as quais são chamadas monômios.
Um monômio é formado basicamente por duas partes: a parte numérica, chamada de coeficiente
e a parte formada pela variável ou produto de variáveis, chamada de parte literal.
coeficiente: 5 coeficiente: -4
5x parte literal: x -4x3y2
parte literal: x3y2
Variável: x Variáveis: x e y
317
Adição e subtração de monômios
Exemplos:
a) 2x2 + 3x2 =
(2 + 3) x2 = 5x2
b) 5x3 + x5 – 8x3 – 5x5 + 10x3 + 8x5 =
(5 – 8 +10) x3 + (1 – 5 + 8) x5 =
7x3 + 4 x5
Expressões formadas por um único monômio ou por adições ou subtrações de monômios são
chamadas de polinômios.
Exemplos:
a) 5x3
b) 2x – y4
c) 5b2c – 3b5cd – 3b2c
Exemplos:
318
5.3 Equações do primeiro e do segundo graus
O sistema de equações equivale a estratégias que permitem resolver problemas os quais envolvem
mais de uma variável e, pelo menos, duas equações.
2y = 12
3x – 1 = 0 4x – 1 = 3 – 8x
3
Exemplo:
Resolução da equação 4x – 1 = 23 – 8x
Resolver uma equação do primeiro grau significa encontrar o valor que, substituído pela
incógnita, torna a igualdade verdadeira.
Exemplo:
4x – 1 = 23 – 8x → 4x + 8x = 23 + 1
12x = 24 → x = 24 : 12 → x = 3
Resposta: x = 3.
Exemplos:
a) 4x2 – 3x + 5 = 0 (a = 4; b = -3 e c = 5)
b) x2 – 5 = 0 (a = 1; b = 0 e c = -5)
x = -b ± √∆ , em que ∆ = b2 – 4ac
2a
319
Exemplos:
Resolver a equação x2 – 4x + 3 = 0
a = 1; b = -4 e c = 3
∆ = b2 – 4ac = 4
x = 4± √4 → x' = 4 + 2 = 3 ou x'' = 4 – 2 = 1
2 2 2
5.4 Gráficos
Na prática, uma função pode ser representada por um conjunto de pares ordenados, criados a
partir de sua lei de formação. Os pares ordenados assim criados produzem o que se chama de
gráfico da função.
São vários os tipos de funções e seus respectivos gráficos. A seguir são destacadas as funções do
primeiro e do segundo graus.
Observações:
Para fazer o gráfico da função do primeiro grau é suficiente marcar dois de seus pontos distintos
e, a seguir, traçar a reta que passa por esses pontos.
Exemplo:
Tabela 8 - Espaço percorrido em função do tempo
Velocidade constante
x (horas) f(x) (km)
0 0
1 40
2 80
3 120
4 160
320
Nas figuras a seguir, foram anotados espaços percorridos por um trem que viaja à velocidade
constante de 40 km por hora, em função do tempo de viagem.
É possível observar que esse movimento pode ser descrito pela lei y = 40x ou f(x) = 40x, em
que (y) é o espaço percorrido em metros e (x) é o tempo em horas (x ≥ 0).
Ou seja, existe aí uma função do primeiro grau. Tomando dois de seus pontos, por exemplo,
(1,40) e (2,80), será possível obter o gráfico dessa função:
Exemplos:
O gráfico da função do segundo grau é sempre uma curva aberta chamada parábola.
321
Observações:
Exemplo:
Inicialmente, será organizada uma tabela atribuindo valores convenientes a x e assim descobrir
alguns pares ordenados do gráfico procurado.
x y = f(x) (x, y)
-3 5 (-3, 5)
-2 0 (-2, 0)
-1 -3 (-1, -3)
0 -4 (0, -4)
1 -3 (1, -3)
2 0 (2, 0)
3 5 (3, 5)
Unindo os pontos marcados, uma parábola é traçada, obtendo assim o gráfico procurado.
322
Resumindo
Diante do exposto, foi visto como os matemáticos utilizam letras para representar e generalizar
situações envolvendo números. O ramo da Matemática que estuda a utilização desse tipo de
recurso é a álgebra.
323
324
Capítulo 6
Geometria
A geometria acompanha o homem desde a antiguidade e está presente nas mais diferentes
situações do dia a dia, tanto no espaço profissional, pessoal, quanto na natureza. No mundo da
aviação, são muitos os usos da geometria, como, por exemplo, na localização das aeronaves, no
desenho geométrico do espaço aéreo ou das próprias aeronaves, nas definições de procedimentos,
como o ângulo de ataque, entre outros.
a) Ângulos
Um ângulo é uma região do plano limitado por duas se-
mirretas de mesma origem.
Figura 30 - Representação
gráfica de um ângulo
325
Entre os ângulos, destacam-se:
b) Polígonos
Polígonos são figuras fechadas formadas por segmentos de reta, consecutivos e não coli-
neares, sendo caracterizados por: ângulos, vértices, diagonais, lados, entre outros.
326
Exemplos:
Figura 37.A - Triângulo Figura 37.B - Quadrilátero Figura 37.C - Pentágono Figura 37.D - Hexágono
3 lados 4 lados 5 lados 6 lados
Figura 37.E - Heptágono Figura 37.F - Octógono Figura 37.G - Eneágono Figura 37.H - Decágono
7 lados 8 lados 9 lados 10 lados
327
c) Prisma
Figura 39.A - Prisma Figura 39.B - Prisma Figura 39.C - Prisma Figura 39.D - Prisma
triangular quadrangular pentagonal hexagonal
Congruentes: duas
figuras são congruentes
se possuem a mesma
forma e o mesmo Figura 41 - Paralelepípedo
tamanho. Figura 40 - Cubo
O cubo é um corpo formado por seis faces quadradas, todas congruentes entre si e
dispostas, aos pares, de forma paralela.
328
Existem também prismas inclinados ou oblíquos, como de-
monstrado ao lado.
d) Cilindro
Uma circunferência que gira em torno de seu diâmetro varre uma superfície denominada
superfície esférica. Uma esfera é um conjunto formado pelos pontos de uma superfície
esférica e pelos pontos interiores a essa superfície.
Os elementos referenciais de uma esfera são o seu centro (c) e o seu raio (r).
329
6.2 Perímetro
Diferentemente da área, que é o cálculo do tamanho uma superfície, o perímetro é a soma do
comprimento de um contorno.
Exemplo:
Resposta: 52 metros.
C = r → c = 2 πr
2π Figura 47 - Circunferência
Exemplos:
a) Calcular o comprimento aproximado da circunferência de 8 cm de raio.
c = 2 πr → c = 2 . 3,14 . 8 → c = 50,24 cm
b) Qual o comprimento de um arco de 60° em uma circunferência de 24 cm de raio?
330
6.3.1 Retângulo e quadrado
Total = 15 . 5 = 75 quadrículas.
Área = 75 U.
Retângulo
A área do retângulo é
calculada multiplicando a AR = b . h
medida do comprimento (b)
pela medida da altura (h).
Figura 51 - Retângulo
Quadrado
A área do quadrado é
calculada multiplicando AQ = l2
a medida do lado (l) por
si mesma.
Figura 52 - Quadrado
Exemplo:
Certo terreno retangular foi negociado por R$ 60,00 o metro quadrado, tendo 52 m de
comprimento e 25 m de largura. Após a compra, percebeu-se que o terreno tinha, na verdade,
3 m a mais de comprimento e 2 m a menos de largura. Nesse caso, o novo dono do terreno
ganhou ou perdeu dinheiro? Quanto?
331
6.3.2 Triângulo
Assim:
Figura 53.A - Triângulo e retângulo com bases e
alturas respectivamente iguais
AT=b×h
2
Exemplo:
Solução:
A T = 4 × 2,5 = 5 → 5cm2
2
6.3.3 Círculo
AC = π r2
Figura 54 - Circunferência
de centro (O) e raio (r)
332
Exemplo:
A = π × r²
A = 3,14 × 5²
A = 3,14 × 25
A = 78,5 m² Figura 55 - Circunferência de
10 m de diâmetro
Calculando os 8% de aumento:
Em um baralho no qual todas as cartas têm as mesmas dimensões e estão dispostas de diferentes
maneiras, qual das pilhas apresenta o maior volume?
De acordo com essa ideia, o chamado princípio de Cavalieri afirma que as quatro pilhas têm o mes-
mo volume, uma vez que são formadas pelas mesmas cartas e pela soma dos volumes de cada carta.
Com base nisso, a seguir serão expostos os cálculos dos volumes do prisma e da pirâmide.
6.4.1 Prisma
Acerca dos prismas das Figuras 39.A, B, C e D, é possível destacar dois elementos comuns em
todos eles: as duas bases (inferior e superior) são iguais, assim como a altura (distância entre as
bases) é a mesma.
333
Para calcular o volume de um prisma (VP), basta multiplicar a área da sua base (AB) por sua
altura (h).
Exemplo:
AB = 42 = 16
h = 11
VP = AB × h = 16 × 11 = 176
VP = 176 cm3
Figura 57 - Prisma quadrangular cuja
base é um quadrado de lado 4 cm e
6.4.2 Cilindro de altura mede 11 cm
Exemplo:
V = π × r² × h
V = 3,14 × 4² × 10
Figura 59 - Cilindro de
V = 3,14 × 16 × 10
raio 4 m e altura 10 m
V = 502,4 m³
334
6.4.3 Esfera
VE = 4 π r3
3
Exemplo:
Transformando em (m³):
Transformando em litros:
Resumindo
Neste capítulo, foram estudadas as principais figuras geométricas consideradas em dois grupos:
o primeiro formado por aquelas que apresentam todos os seus pontos em um mesmo plano e,
por isso, chamadas de figuras planas e, o segundo, formado pelos sólidos geométricos, figuras
que apresentam três dimensões.
Também foram analisadas as figuras geométricas sob o ponto de vista da geometria métrica,
calculando perímetros e áreas de figuras planas e volumes de sólidos geométricos.
335
336
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição
337
338
Capítulo 1
Ferramentas de uso geral
Alguns tipos de ferramentas de uso geral são representados por martelos e macetes, alicates
e alguns tipos de chaves. Ferramentas de uso especiais são representadas por torquímetros,
tensiômetro, clinômetro e por outros tipos de chaves.
Mossas: pequenos
O macete é semelhante ao martelo; contudo, sua cabeça é fabricada principalmente em madeira, amassados.
couro cru ou borracha. É utilizado em serviços que causariam danos pelo impacto empreendido
Goiva: ferramenta de seção
com o metal, para formar partes delgadas em chapas de metais sem deixar mossas, e para bater
côncavo-convexa, com
em um formão ou em uma goiva, em que é recomendado o uso de macete de madeira. o corte do lado côncavo,
utilizada por artesãos e
A seguir serão apresentados diversos tipos de martelos de possível utilização pelo mecânico artistas para talhar os
de aeronaves. contornos de peças de
madeira, metal ou pedra.
Nos martelos de cabeça metálica, as medidas são tomadas tendo por referência somente o
formato e o peso da cabeça, não sendo computada a parte do cabo, que compõe esta ferramenta
apenas como um acessório para sua aplicabilidade. O mecânico deve escolher o martelo que for
mais indicado ao serviço a ser realizado, observando se o cabo foi montado corretamente para
garantir a firmeza necessária.
Deve-se usar o martelo como sendo a extensão do antebraço, em que o cotovelo e o pulso são
dobrados durante o golpeamento. O golpe deve ser desferido por meio de movimentos precisos
e com muito cuidado, para que o trabalho seja conduzido sem a ocorrência de acidentes.
339
As laterais do martelo não devem ser usadas para bater, pois o correto é utilizar as suas faces,
mantendo-as sempre lisas e sem dentes. Deve-se golpear de forma a manter a perpendicularidade
Perpendicularidade: que entre a face do martelo e o objeto, pois, além de evitar danos à superfície trabalhada, o martelo
forma um ângulo reto (90
será preservado e terá sua durabilidade aumentada.
graus) com outra linha ou
plano.
Este é o tipo mais conhecido e mais comum de martelo encontrado na atualidade. Possui
cabeça de aço com cabo de madeira. Pode ser encontrado também com cabo de aço e com
revestimento de borracha, para evitar que o martelo escorregue da mão durante a execução
do trabalho e para que o choque do impacto sobre a mão e o antebraço seja minimizado. É
utilizado tanto para fixar ou retirar pregos e outros objetos, quanto para abrir caixas com sua
extremidade em forma de unha fendida.
Este é um modelo de martelo leve, fabricado com a finalidade de pregar pregos finos, pinos
ou tachas (tachinhas). Ele é confeccionado com a cabeça achatada na parte de trás, com uma
ranhura no meio para facilitar o apontamento de pregos pequenos. Sua utilização é perfeita
para serviços que requeiram agilidade e cuidado, em que o emprego de martelos grandes e
pesados tornariam a execução do serviço impraticável, como é o caso da montagem de pinos de
pequeno porte em diversos equipamentos.
340
1.1.4 Martelo de pena
O martelo de pena é considerado uma versão maior e mais pesada do martelo de estofador.
Ele é fabricado em dois formatos: o martelo de pena reta e o martelo de pena cruzada. Eles são
usados para bater em pregos pequenos, pinos ou tachas, principalmente em espaços reduzidos,
e também para recuperar chapas de metal com pequenos amassados.
Este tipo de martelo é usado quando o trabalho é feito em superfícies que não podem ser
danificadas, ou para aplicar golpes em metais macios. Por essa razão, a cabeça é feita de materiais
mais macios que o aço, como o cobre, o latão, o alumínio, a borracha dura, o plástico ou a
poliamida, o couro cru, ou mesmo os feitos de madeira.
Alguns modelos são fabricados de forma que as faces podem ser removidas e substituídas
conforme o tipo de aplicação, ou mesmo quando já estiverem sem condições de uso. Martelos
341
macios não podem ser utilizados no desempenho de trabalhos grosseiros, nem para golpear
ferramentas ou objetos finos de aço, pois seriam danificados em pouco tempo.
Além das chaves de fenda, existem as diversas ponteiras de aço que são
feitas para tais encaixes e que são usadas juntamente com uma chave
na qual elas são fixadas. A seguir serão detalhadas as especificidades de
cada tipo de chave.
342
1.2.1 Chave de fenda comum
Este tipo de chave de fenda somente será usado em parafusos ou prendedores com encaixe
tipo fenda na cabeça. O airloch, também chamado entre os mecânicos de dizu, é um tipo
de prendedor utilizado na fixação de carenagens em aeronaves, o qual possui uma trava na
Airloch: tipo de prendedor
extremidade, forçada por uma mola. Ao girá-lo com uma certa pressão, ele prenderá ou fixado em uma carenagem e
soltará o componente. que possui uma trava forçada
por uma mola.
Nesta chave, a extremidade é feita para parafusos de cabeçote com duas fendas cruzadas, ou
seja, duas fendas transversais entre si (parafuso cruzeta). A chave de fenda Reed and Prince é
semelhante à chave de fenda Phillips, mas com o encaixe em forma de cruz perfeita e com a
ponta bem aguçada, diferentemente da ponta da chave Phillips, que é mais rombuda.
A chave de fenda Pozidriv (abreviatura da palavra em inglês positive drive) é muito parecida com a
chave de fenda Phillips; porém o cabeçote desses parafusos possui uma depressão ou cavidade entre
as partes que formam a cruzeta, para que a chave se encaixe também nas ranhuras, reforçando
ainda mais o acoplamento no parafuso. Este tipo de chave é utilizada para parafusos Pozidriv,
TrafixPZ ou Supadriv, não sendo intercambiáveis, ou seja, não se pode usar uma para o tipo de
encaixe da outra, pois isso traria danos tanto para a ferramenta quanto para o encaixe do parafuso.
343
1.2.3 Chave de fenda Robertson
A chave de fenda Robertson é usada em parafusos com cabeçotes com encaixe quadrado em seu
centro. Como o idealizador desse tipo de chave e parafusos foi o canadense Peter Lymburner
Robertson, em 1908, o seu uso é muito comum em indústrias automobilísticas no Canadá.
Essa chave é assim denominada por ser usada em parafusos com encaixes triangulares, em forma
de três entalhes radiais que saem de cada lado deste triângulo, os quais parecem ter a forma
de três asas. São muito utilizadas em equipamentos eletrônicos e em carenagens de aeronaves.
A chave Torq-set também é parecida com a chave de fenda Phillips. A diferença entre elas está
em possuir as quatro partes que compõem a sua cruzeta em desalinho, pois não se cruzam ao
meio como nas chaves de fenda cruzada. O parafuso para esse tipo de chave também é utilizado
na indústria aeronáutica, principalmente na fixação de carenagens.
É a chave utilizada em parafusos Spanner, os quais possuem dois furos redondos em seu cabeçote,
sendo utilizados na indústria de elevadores e também nas estruturas do metrô londrino. Esse
tipo de encaixe é utilizado em montagens em que se deseja dificultar a violação dos parafusos
pela sua especificidade, o que requer o uso de chave apropriada.
Este é um tipo de chave muito utilizada na mecânica aeronáutica, pois foi projetada para
serviços em que o espaço vertical é limitado. É utilizada tanto para parafusos com fendas
comuns, quanto para aqueles de fendas cruzadas, tendo ambas as extremidades dobradas a
344
90º da haste. Os tipos de fenda comum possuem uma ponta alinhada com o sentido da haste
e a outra em perpendicularidade com esta, para a retirada ou a fixação de parafusos em locais
também com limitação do curso de giro.
uma pressão constante, evitando-se danos ao parafuso ou à região ao redor dele. Diversos tipos
de ponteiras podem ser utilizadas com ela (fenda comum, fenda cruzada, etc.), tornando-a uma
chave prática e que atende a uma gama de serviços que não requeiram grandes esforços.
1.3 Alicates
Os alicates são ferramentas muito utilizadas na manutenção aeronáutica, sendo fabricados em
diversos tipos e tamanhos, variando de acordo com a especificidade de cada serviço. Os mais
usados em reparos e manutenção, em geral, são os alicates de corte diagonal, alicate ajustável,
alicate de ponta (bico redondo), alicate de bico de pato e alicate de freno.
345
Ao se medir um alicate, deve-se considerar o seu comprimento total e como o seu tamanho
é determinado. Eles são fabricados em aço cromovanádio, além de receberem tratamento
térmico, o que lhes proporciona uma vida útil mais duradoura e normalmente com o tamanho
Cromovanádio: tipo especial
de aço formado pela entre 5 e 12 polegadas.
combinação de diferentes
ligas. A seguir serão apresentados detalhes dos principais tipos de alicates utilizados.
Ranhurada: com entalhes ou
sulcos feitos em suas faces. 1.3.1 Alicate universal
Contrapinos: pinos feitos
de arames de aço bem Este tipo de alicate é o mais comum. Encontrado tanto em residências quanto em oficinas
resistente, formado por duas em geral, é o mais conhecido e utilizado em quase todos os trabalhos. Possui uma ponta bem
hastes em uma extremidade,
e com a outra extremidade
ranhurada, uma parte ovalizada com dentes e uma ou mais partes cortantes, tendo excelente
curvada para serem resistência à pressão aplicada. É uma ferramenta muito utilizada em trabalhos de mecânica,
colocados no furo, que passa eletrônica e na construção civil.
pela porca e pelo parafuso,
dobrando-se as hastes, uma
para cada lado, o que trava
esse conjunto.
É um alicate que possui lâminas cortantes em diagonal com a parte lateral externa de sua
cabeça, as quais depreendem elevada potência ao realizar o corte. É usado para cortar arames,
fios, rebites, pequenos parafusos e contrapinos. Além disso, é uma ferramenta indispensável
para os serviços de instalação e remoção de frenagens com arame. É um alicate muito utilizado
na indústria, no artesanato e na manutenção eletrônica.
346
1.3.3 Alicate de bico redondo
bico redondo.
É usado para segurar, puxar, dobrar, girar e cortar objetos dos mais diversos formatos, feitos de
metais macios, como, por exemplo, cabos, fios, arames e chapas finas de metais.
347
1.3.6 Alicate de bico chato
Também são chamados de bico de papagaio ou bomba d’água, justamente por serem muito
utilizados em serviços de gás encanado, assemelharem-se ao formato do bico de um papagaio.
São muito usados em serviços de encanamento de água.
348
Esses alicates são ajustáveis em relação ao eixo,
que pode ser deslizante ou ranhurado, possuindo
os mordentes em ângulo com os cabos. São
utilizados para apertar porcas serrilhadas do
sistema elétrico, tubos de gás encanado ou tubos
hidráulicos e em outros inúmeros serviços,
adaptando-se rapidamente a variados diâmetros
de canos de PVC, ferro ou cobre e de mangueiras Figura 24 - Alicate gasista
na execução das tarefas, assim como não precisa de muito espaço em relação à sua alocação na
caixa de ferramentas.
Esse alicate é utilizado principalmente para frenar parafusos e porcas de uso aeronáutico,
realizando o travamento pela dupla torção em arames de aço próprios para esse fim, permitindo
ao mecânico aeronáutico colocar, trançar, cortar e torcer as pontas finais do arame de travamento
Crimpador: sinônimo de
e, assim, realizar o acabamento de forma ágil, rápida e segura. Apesar de ter o seu uso voltado, grimpador; que é utilizado
principalmente, aos serviços em aeronaves, eles podem ser utilizados no travamento de bujões de para prensar terminais,
óleo, de torneiras de drenagem e de válvulas diversas, em serviços hidráulicos. Essas ferramentas acoplando o cabo no plugue
específico por meio de
são fabricadas em aço cromovanádio, o que garante maior resistência, durabilidade e segurança deformação das partes que
em sua aplicação. ficarão conectadas.
349
1.3.12 Alicate descascador de fios
350
1.3.15 Alicate de pressão
Eles são fabricados em diversos modelos e tamanhos. São usados para segurar e fixar com
determinada pressão peças e superfícies, para crimpar terminais na falta de um alicate crimpador,
e para, fugindo da regra geral aplicada aos diversos tipos de alicates, apertar ou desapertar
porcas e parafusos presos com torques baixos, ou mesmo danificados, justamente por prendê-
Torques: quantidade de força
los de forma a ficarem travados. A pressão aplicada em seus mordentes pode ser regulada pelo aplicada no aperto de uma
ajuste do parafuso que fica na extremidade traseira do cabo superior. porca ou parafuso.
Os alicates nunca devem ser utilizados em serviços que excedam sua capacidade,
pois sofrerão torções e desgastes, formando mossas em suas bordas, ou quebrarão,
ficando assim impróprios ao uso. Também não devem ser usados para girar porcas
ou parafusos, pois estes seriam danificados em poucos segundos, em detrimento aos
vários anos de uso que teriam se fosse utilizada uma ferramenta correta. Uma exceção
a essa regra é o uso do alicate de pressão, que pode prensar e travar firmemente
parafusos ou porcas com torques não muito elevados.
1.4 Punções
O punção consiste em um bastão de metal com uma ponta moldada que pode ser cônica ou
não, tendo a outra extremidade adaptada para receber o golpeamento por um martelo. Essa
ferramenta pode ser fabricada para realizar diversas funções, sendo utilizada para:
• marcar centros de desenhos circulares em chapas de metal;
• marcar locais onde se queira fazer furações nas peças em geral ou
em chapas de metal;
• fazer a transferência da furação de um gabarito para a peça original;
• estampar números ou letras em peças ou chapas de metal;
• abrir furos por estampagem com diversos formatos (desenhos) em
metais ou em outros materiais (plástico, couro, etc.);
351
• remover rebites, pinos ou parafusos nos motores ou ou-
tras partes na aeronave; e
• auxiliar na montagem de peças. De acordo a função
desempenhada, os punções podem ser sólidos ou ocos,
fabricados geralmente em aço, materiais ultrarresistentes.
Este é um tipo de punção usado para se fazer marcas de referência em metais. Também pode ser
utilizado para transferir medidas de um desenho no papel, que é usado como gabarito, diretamente
para a peça trabalhada. O papel é colocado sobre o metal, então o puncionamento é realizado
com o uso de um martelo nos pontos determinados, sendo desferidos golpes leves para não se
correr o risco de danificar a ferramenta, que poderá ficar envergada e, consequentemente, causar
sérios danos ao material trabalhado. Esta marcação pode ser usada tanto para a furação, quanto
para o delineamento de pontos exteriores que irão servir de referência para o corte desse material.
352
1.4.3 Punção extrator (cônico)
Este punção também é denominado de punção cônico, o qual é utilizado para a extração de
rebites danificados, de pinos ou de parafusos que, por diversos motivos, ficam emperrados em
seus alojamentos, situados em várias partes da aeronave, em automóveis, em motocicletas ou
em outros equipamentos.
O punção extrator é fabricado com uma face plana em sua extremidade ao invés de uma ponta,
tendo seu corpo cônico até a medida da largura da haste a ser golpeada, o que permite um
golpeamento mais forte, sendo o mais adequado para se iniciar esse tipo de serviço. Sua medida
é determinada pela largura da face, a qual normalmente varia de 1/8 a 1/4 de polegada.
O punção para pinos, também denominado de punção toca pinos, tem a mesma finalidade do
punção extrator, mas é menos resistente ao golpeamento, de forma a empenar facilmente por
possuir a haste de ação paralela e na mesma medida de sua face. Sua medida varia de 1/16 a 3/8
de polegada de diâmetro, e este deve ser utilizado para complementar o serviço iniciado pelo
uso do punção extrator, sendo aplicado na finalização do trabalho executado.
353
furo em que será fixado o rebite, existindo no centro de sua face uma minúscula ponta, a qual
garante que toda a marcação seja procedida com exatidão do centro.
O uso deste punção, devido à sua praticidade, é mais requisitado quando há muitos furos a
serem realizados e que exijam certa precisão. Sua ponta deve ser posicionada no local que se
queira marcar; então, deve-se exercer uma pressão manual sobre o seu cabo, de forma que
sua ponta seja pressionada por uma mola comprimida até o final de seu curso. Ela então é
liberada repentinamente, golpeando sua ponta e procedendo a marcação com exatidão no local
determinado do metal a ser trabalhado. A força a ser aplicada nesse golpeamento é sujeita à
regulagem, devendo ser ajustada pela ação de girar a outra extremidade do punção automático
no sentido de aperto.
Essas chaves podem ser encontradas tanto em milímetros como em polegadas, possuindo duas
medidas diferentes, uma em cada boca. A medida de uma boca em milímetros varia de 1 mm
entre suas bocas e em polegadas varia de 1/16”. Estas são as medidas mais encontradas, porém
existem chaves em polegadas com aberturas em divisões de 32 e também de 64 avos da polegada.
354
1.6 Chaves colar
Também são denominadas de chaves estrela ou chaves caixa por
envolver em sua totalidade porcas, parafusos e outras peças que
permitam o encaixe e o giro nelas, procedendo ao aperto ou
afrouxamento desses itens. São fabricadas com 6, 8 e 12 pontos,
sendo esta última a mais utilizada por permitir o giro em acessos
com deslocamento limitado de até 15°, podendo ser fixa ou
de catraca, que é uma evolução desse tipo de ferramenta. Suas
medidas são semelhantes às medidas das chaves de boca.
Figura 39 - Chave colar
As destacáveis possuem um encaixe quadrado do outro lado para colocação de uma chave auxiliar,
que pode ser uma chave catraca, uma chave de fenda quadrada, um arco de velocidade, um cabo
articulado, ou um cabo em T, os quais têm um encaixe macho quadrado em sua extremidade
com uma esfera sob ação de mola para fixá-los no encaixe da soquete. As chaves soquetes podem
ser curtas ou longas e são muito utilizadas na manutenção aeronáutica, devido à sua praticidade
e possibilidade de giro rápido e pelo uso de diversos acessórios. É o caso das extensões e da junta
articulada, que permite que o trabalho seja realizado em diversas posições e acessos.
Figura 41.A - Chave soquete Figura 41.B - Maleta com chaves soquetes e
acessórios
355
1.9 Chaves ajustáveis
Estas chaves são utilizadas com a mesma função de uma chave de boca, possuem um mordente
fixo e outro regulável, sendo movimentado por um sem-fim no setor dentado do punho, o
Sem-fim: tipo de rosca que permite aberturas em várias medidas, desde 0 a 1/2” (meia polegada) ou mais. O ângulo
aplicado em ferramentas de abertura da boca em relação ao punho é de 22,5°, e a força de tração deve ser aplicada
reguláveis. sempre sobre o mordente fixo. Apesar de sua versatilidade, ela não foi feita com a finalidade de
substituir as chaves de boca, colar ou soquete padronizadas, as quais suportam maior torque ao
retirar ou fixar parafusos ou porcas.
Este tipo de chave possui o corpo hexagonal, com a extremidade virada em forma de L, o que
facilita o seu giro. É usada em parafusos com cabeçotes com uma depressão sextavada em seu
centro. São feitas em aço cromovanádio, normalmente nas medidas entre 3/64” a 1/2”. Apesar
de atualmente seu uso ser comum, ela ainda é considerada como uma ferramenta especial.
356
1.10.2 Chave Torx
A chave de gancho pode ser fixa ou regulável, sendo usada em porcas redondas lisas de diversos
diâmetros com ranhuras ou furos em seu exterior, consistindo em um cabo (punho) em uma
extremidade e um arco na outra, que abraça a parte circular da porca ou peça cilíndrica a ser
girada. Tem um pino ou ressalto em sua extremidade, o qual é encaixado nos furos ou nas
ranhuras. Também pode-se encontrar a chave de gancho em forma de U, a qual possui uma
série de ressaltos, tanto em torno da parte interna do U para encaixar nos entalhes ou ranhuras
de uma porca ou de um plugue, quanto fixados no plano vertical em relação ao cabo, sendo
encaixados na face da porca a ser removida.
1.10.4 Torquímetros
Os tipos mais comuns de torquímetros encontrados em uma oficina são o de catraca, barra
flexível, relógio, estrutura rígida e o eletrônico (digital), todos dotados de instrumentos
indicadores montados em seus punhos onde os torques são percebidos visualmente ou pelo som
de um estalo (impulso repentino) ao atingir-se o torque ajustado. Essa ferramenta de precisão
deve ser inspecionada antes do uso, tanto no quesito de seus aspectos físicos, quanto no quesito
da validade de uso, pois está sujeita a calibrações periódicas, que devem ser cumpridas à risca,
visando a obter o máximo de garantia na exatidão da leitura do torque realizado.
357
1.10.5 Chave de correia
1.10.8 Tensiômetro
358
leitura da tensão que foi aplicada. O diâmetro do cabo a ser analisado
e a temperatura ambiente exercem influência direta no uso desta
ferramenta. Com esse objetivo, há tabelas que são consultadas para
a escolha do levantador apropriado e, também, para a correta leitura
da tensão aplicada de acordo com a temperatura ambiente em que é
realizada a manutenção.
1.10.9 Clinômetro
Figura 50 - Tensiômetro com calços e tabela
O clinômetro também pode ser chamado de inclinômetro e é utilizado para ajustes
para a conferência do grau aplicado às superfícies de comando em
uma aeronave, medindo a sua amplitude na regulagem dos sistemas
que controlam esses comandos de voo, conferindo-lhes um correto
deslocamento, podendo ser usado para medir aileron, leme de
profundidade, ângulo de deslocamento do flape, etc.
Resumindo
Neste capítulo, foram mostradas ferramentas de uso geral utilizadas na manutenção de
aeronaves, assim como algumas ferramentas especiais que também são usadas na manutenção.
Foi destacada a importância da conservação das ferramentas e principalmente a segurança ao
executar o trabalho, pois cada tipo de ferramenta foi projetada para atender a uma ou mais
funções específicas. Logo, não se deve utilizá-las para exercer uma função para a qual não
foram fabricadas.
359
360
Capítulo 2
Ferramentas para cortar metais
Também não se pode esquecer da importância do uso dos equipamentos de proteção individuais
(EPIs) na realização dos serviços de reparos estruturais. EPIs, como óculos, luvas, máscaras de
proteção facial, aventais de couro, etc., são essenciais na prevenção de acidentes; nesse tipo de
serviço o risco de acontecer um acidente é grande, devido ao fato do corte ou do desbaste de
metal formar arestas cortantes antes de receberem o acabamento final.
A tesoura de corte reto é utilizada quando o corte em linha reta, a ser realizado em uma
chapa, não pode ser feito por uma guilhotina e, também, para realizar cortes circulares na
parte exterior de curvas em chapas de metais. Já as tesouras de bico curvo e as de bico de falcão
servem para o corte circular da parte interna de uma curva, ou mesmo para o corte de raios
diversos traçados nas chapas.
As tesouras de aviação são fabricadas com três tipos de corte: corte reto, corte direito e corte
esquerdo. São muito utilizadas para cortar materiais macios, como chapas de ligas de alumínio
tratadas a quente, ou de aço inoxidável e, também, para o alargamento de pequenos furos, pois
suas lâminas possuem pequenos dentes na face de corte, o que permite o corte de pequenos
diâmetros circulares e de linhas irregulares.
361
Os punhos são como os dos alicates, nos quais a força é aplicada para incidir em suas lâminas
uma grande pressão de corte, por meio da articulação que faz a transmissão dessa força por
alavancamento; pode cortar chapas com .051” (cinquenta e um milésimos da polegada) ou mais.
Figura 52.A - Tesoura reta Figura 52.B - Tesoura bico de falcão Figura 52.C - Tesouras de aviação
Pelo fato de não remover uniformemente todo o material, quando o corte é feito, ocorrem
pequenas fraturas ao longo deste e torna-se necessário realizar o corte à 1/32” de distância da linha
demarcada, para depois ser feito o desbaste da chapa com uma lima de mão até atingir essa linha.
Estas tesouras não são apropriadas para o corte de metais muito duros, pois estes,
consequentemente, danificariam as suas lâminas cortantes.
O passo dos dentes indica a quantidade destes por polegada, sendo mais utilizadas as que têm
o passo de 14, 18, 24 ou 32 dentes por polegada. Na hora de realizar o trabalho, o mecânico
deve escolher a lâmina correta e com o passo adequado a cada tipo de material a ser cortado.
A lâmina com 14 dentes por polegada é usada para cortes em aço de máquina, aço laminado
ou aço estrutural. A que tem o passo de 18 dentes, é utilizada para cortes em barras sólidas de
alumínio, bronze, aço ferramenta e ferro fundido. Recomenda-se a lâmina com passo de 24
dentes por polegada para serrar perfis finos de tubulações e chapas de metal. E por fim, a lâmina
com 32 dentes por polegada é recomendada para o corte de aços mais duros e resistentes (latão,
aço de ferramentas, ferro fundido e materiais de seção sólida).
362
A peça a ser cortada deve ser presa preferencialmente em uma morsa, o que garantirá uma
melhor fixação desta, devendo-se usar a quina de uma lima para fazer um pequeno sulco na
extensão a ser cortada, que servirá de guia para a serra.
2.3 Talhadeiras
São ferramentas fabricadas em aço duro, criteriosamente endurecidas e temperadas para cortar
e desbastar todo tipo de metal com estrutura mais macia que as delas próprias, como por
exemplo, arames ou fios, tiras de ferro, ou pequenas barras e varas de metal. Nas aeronaves, elas
podem ser usadas em acessos difíceis para cortar rebites ou para a retirada de porcas presas e
parafusos danificados.
Sua medida é determinada pela largura da parte cortante, com o comprimento variando entre
12 cm (5”) e 20 cm (8”), e o ângulo de corte de sua extremidade cortante deve ser afiado entre
60° e 70°. Ao proceder ao corte, deve-se segurar firmemente a talhadeira com umas das mãos e
golpeá-la com um martelo bola ou de pena.
Existem vários tipos de talhadeiras, cada uma com características específicas. O bedame chato
é um tipo especial de talhadeira laminada a frio, tendo a largura de sua parte cortante mais
estreita e com a lateral mais larga que sua haste, o que garante maior reforço e resistência ao
impacto. É usado para cortar cantos em esquadros ou ranhuras.
A talhadeira de ponta arredondada deve ser usada em cortes realizados em ranhuras redondas
ou semicirculares, em cantos com formas circulares e também para redirecionar uma broca ao
centro no local a ser furado. Já a talhadeira com ponta em diamante é utilizada para o corte
363
de ranhuras e ângulos agudos internos, sendo fabricada com quatro faces cônicas, com uma
afiação que lhe proporciona uma ponta aguda com forma de diamante.
2.4 Limas
São ferramentas fabricadas em aço com alto teor de carbono em sua composição, sendo
endurecidas e temperadas para adquirir maior resistência no desbaste de superfícies. São
utilizadas para desbastar extremidades em esquadro, limar arestas arredondadas, remover
rebarbas e lascas de metais, retificar bordas irregulares, limar orifícios e ranhuras e para alisar
superfícies ásperas.
Como existem diversos tipos de limas, com tamanhos variados e com características diferentes,
elas são identificadas e catalogadas pelo comprimento, que é medido da ponta até a haste do
cabo. Isso sem contar com o tamanho da espiga que se acopla ao cabo, pela forma da seção reta,
Espiga: parte componente
que é o formato do perfil da própria lima (redonda, triangular, quadrada, etc.), e pelo corte,
da lima que é fixada dentro que pode ser simples (picado simples), com fileiras de dentes que se estendem pelo corpo da
do punho. lima em uma só direção em um ângulo de 65° a 85°. Pode ser também duplo (picado cruzado),
Picado: granulação dos com uma fileira, formando um ângulo entre 40º a 45º (chamada de primeiro corte ou overcut),
dentes das limas. e uma outra (chamada segundo corte ou upcut no sentido contrário), que cruza com a primeira
Bastarda: granulação média num ângulo entre 65° e 85° em relação à lateral; é mais fina e menos profunda que a primeira
dos dentes de uma lima. fileira. O corte também é classificado pela granulação dos dentes (grau do picado), podendo
Murça: granulação fina dos a lima ser muito grossa, grossa, bastarda, de corte médio (bastardinha), murça e murça fina.
dentes de uma lima.
364
2.4.1 Limas mais usadas
As limas mill são específicas para acabamentos, sendo usadas para limar metais macios. São
levemente adelgaçadas tanto na espessura quanto na largura, o que compreende um terço do
seu tamanho. Possuem corte simples na extensão de suas faces e nas bordas laterais.
Adelgaçada: delgada, que
vai afinando ao longo de seu
A lima quadrada possui corte duplo, podendo ser adelgaçada ou não em sua extensão. É muito comprimento.
requisitada para limagem de ranhuras, encaixes de chavetas, ou mesmo para a limagem de
superfícies. Logicamente, as limas redondas possuem a sua seção reta circular, podendo ser
adelgaçadas ou rombudas em relação às suas pontas, sendo fabricadas com cortes simples ou
duplos. Normalmente, são usadas na limagem de superfícies com perfis circulares ou côncavos,
podendo ser utilizadas também para recuperação ou alargamento de furos.
A lima triangular possui sua seção reta em forma de um triângulo equilátero, sendo de corte
simples e utilizadas para limagem e afiação dos dentes de serras ou serrotes, assim como
na limagem de superfícies. Já o limatão triangular possui corte duplo e é usado para limar
ângulos internos, fios de rosca em parafusos, peças com roscas externas e para a limagem de
ferramentas de corte.
A lima meia-cana é fabricada com um lado plano e o outro em forma de um arco circular,
possuindo corte simples ou duplo em ambos os lados. É usada na limagem de superfícies
circulares ou côncavas e de superfícies retas. A grosa possui a seção reta semelhante à da lima
meia-cana, porém, com os dentes granulados bastante grossos, fabricada especificamente para
o uso em madeiras.
A lima para chumbo possui corte simples e é fabricada em diversos tamanhos, especificamente
para limagem em metais extremamente macios. A lima retangular pontiaguda tem sua seção
reta retangular, porém é adelgaçada até ficar pontiaguda, sendo usada na limagem em espaços
bastante reduzidos.
A lima faca possui a seção reta com o formato de uma faca, com uma de suas bordas mais larga e
lisa, e a outra afunilada e cortante, sendo usada para fazer ferramentas e moldes, na limagem de
ângulos agudos e em espaços estreitos. As limas vixen possuem os dentes curvos, sendo utilizadas
para trabalhos rápidos de limagem e acabamento fino, tanto em metais, quanto em madeiras.
As que têm o corte regular são adaptadas para limagem em ferro fundido, aço macio, cobre,
latão, alumínio, madeira, ardósia, mármore, fibra, borracha, etc. Já as de corte fino são usadas
365
em serviços que necessitem de pouca retirada de material, mas que exijam um acabamento com
excelente qualidade, possibilitando surpreendentes resultados na limagem de superfícies de aço,
ferro fundido, bronze fosforoso, latão branco e de todos os metais duros.
Primeiramente, a lima deve estar com o cabo corretamente fixado em sua espiga. Para realizar a
limagem reta, movimenta-se a lima sobre todo o comprimento da peça, deslizando-a levemente
na diagonal (limagem cruzada), pegando o punho com a ponta apoiada na parte carnuda da
mão e com o polegar pressionando a parte superior do cabo, de forma a segurar a outra ponta
da lima com o polegar e os outros dois primeiros dedos da outra mão. O desbaste é realizado
com o movimento para a frente, devendo-se aliviar a pressão no retorno da lima.
Sempre escolha a lima mais apropriada ao material e ao trabalho a ser realizado. As limas devem
ser guardadas separadamente umas das outras para não sofrerem danos pelo atrito entre elas, e
em locais secos, para evitar a corrosão. A fim de manter a lima limpa durante o trabalho, deve-
se golpeá-la contra a bancada a cada cinco limadas, soltando as limalhas que ficam presas nos
dentes. Utiliza-se também uma escova de aço para concluir a limpeza ao término do serviço, o
Limalhas: restos de que manterá o corte e evitará possíveis arranhões nas superfícies trabalhadas.
materiais retirados de um
objeto pelo processo de
limagem ou esmerilhamento.
As primeiras máquinas de furar utilizadas foram as chamadas batedeira de ovos, pois elas
possuíam uma alavanca e um sistema de engrenagens que transmitem o giro ao mandril
manualmente. Depois, surgiram as furadeiras pneumáticas e elétricas, fabricadas em diversos
formatos e tamanhos, com acessórios que facilitam o trabalho, como é o caso do apoio que é
fixado no corpo da furadeira que possibilita o uso do peso do corpo para a força aplicada sobre
a broca. Entre estas, a furadeira pneumática é a mais indicada para serviços em áreas próximas
366
a materiais inflamáveis, justamente por não gerar centelhas e não representar perigo de fogo ou
explosão, como serviços realizados próximos aos tanques de combustível.
2.6 Brocas
As brocas são ferramentas desenvolvidas para furação em diversos tipos de
materiais, constituindo-se em uma haste cilíndrica de aço endurecido com uma
parte sólida para sua fixação nas furadeiras, e outra estriada, formando dois
canais em espiral até a ponta, que são destinados à saída do material cortado.
Pode-se encontrar também brocas que possuem hastes cônicas, próprias para
o encaixe cônico fêmea das furadeiras de coluna ou de bancada, e brocas com Figura 57 - Brocas
um encaixe especial, como o slotted drive system (SDS) que é um sistema de
encaixe rápido, no qual a haste possui duas ranhuras e uma chaveta para fixação e travamento
na furadeira. O corpo da broca compreende toda a parte helicoidal, ou seja, começa no início da
estria e se estende até a ponta e possui uma margem na parte externa da estria que serve de guia,
tendo o diâmetro menor após esta margem, o que ajuda a diminuir o atrito entre a broca e a
parede do furo. Se houver a perda do corte, a broca deve ser afiada imediatamente, obedecendo-
se alguns procedimentos, de forma que a ponta fique com um ângulo de 59° para a maioria
dos aços, ou com um ângulo de 90° para metais mais macios, verificando, por meio de um
calibrador de afiação, se ambas as arestas cortantes estão na mesma medida e no ângulo desejado.
367
2.7 Alargadores
Os alargadores são utilizados para aumentar a medida de um orifício, ou mesmo recuperá-lo ao
retirar rebarbas em suas paredes. São fabricados de aço carbono ou de aço rápido, sendo estes
os mais duradouros, e podem ser manuais ou para máquinas. Os manuais possuem a haste
paralela com uma ponta quadrada para que, com o uso de um desandador, a ferramenta seja
girada e realize o desbaste do material. Os alargadores para máquinas possuem a haste cônica,
própria para o engate direto nessas máquinas.
Ao realizar o alargamento de um furo, não se deve remover mais que .007” (sete milésimos
da polegada), pois um corte além dessa medida pode danificar as lâminas dos alargadores pela
resistência do material retirado, que é consequentemente aumentada. Suas lâminas recebem
tratamento térmico, sendo endurecidas a tal ponto que podem ser quebradas facilmente, por isso
há a necessidade de manuseá-los com muito cuidado. Ao ajustar um furo, os alargadores devem
ser girados sempre no sentido do corte das lâminas, com firmeza e movimentos constantes, o
que evita vibrações na ferramenta e garante furos trabalhados sem marcas ou defeitos em suas
paredes internas.
Existem diversos tipos de alargadores: alargadores manuais retos, manuais cônicos, retos para
máquinas, em espiral para máquinas, de expansão ou ajustáveis. Esses alargadores são os mais
comuns utilizados. Algumas particularidades sobre eles: os de estrias retas têm o custo mais
baixo que os de estria helicoidais, porém estes últimos garantem melhor acabamento por
tenderem a causar menores vibrações. Para facilitar o início do alargamento do furo, alguns
alargadores são fabricados com o início da ponta cônico, porém, quando se deseja ajustar furos
cegos até atingir o seu final, utiliza-se alargadores sem conicidade, ou seja, retos até a ponta.
368
Outro tipo muito utilizado por sua praticidade é o de expansão, que normalmente é fabricado
nas medidas entre 1/4” e 1” de diâmetro, variando gradualmente em 1/32” a medida de
um para a do outro. O alargador ajustável também é muito utilizado, por permitir o ajuste
em diversas medidas de diâmetros, o que o torna muito versátil e prático. Têm-se também
os cônicos, utilizados para ajuste em orifícios cônicos que exijam um perfeito ângulo de
conicidade em seus encaixes.
2.8 Escareadores
Os escareadores são ferramentas usadas para rebaixamento
em conicidade das bordas de furos quando é necessário o
embutimento de rebites ou parafusos, a fim de que estes
fiquem no mesmo nível das superfícies a serem fixadas. Eles
são fabricados com diversos ângulos, porém o escareador-
padrão possui um ângulo de 100° em sua ponta cortante.
369
Existem dois tipos de cossinetes: os sólidos ou comuns e os ajustáveis. Os sólidos são fabricados
na medida padrão de cada tipo de rosca. Já os ajustáveis possuem um parafuso que regula o
diâmetro da ferramenta e, ao ser apertado, aumenta o diâmetro desta, criando folga na rosca.
Para proceder a rosca, os machos e os cossinetes devem ser girados, o que acontece pelo uso do
punho em T e de desandadores, que, quando acoplados aos cossinetes, formam um conjunto
denominado de tarraxa.
Desandadores: cabos
acessórios para girar machos
ou cossinetes na abertura
de roscas em porcas ou Resumindo
parafusos.
Tarraxa: conjunto formado Foram apresentadas diversas ferramentas utilizadas em cortes de metais e reparos estruturais,
por um desandador e um
como tesouras, arcos de serra, talhadeiras, limas, máquinas de furar, brocas, alargadores,
cossinete.
escareadores e ferramentas para abertura e recuperação de roscas em porcas e parafusos.
Todas as ferramentas devem ser utilizadas dentro da capacidade para a qual foram fabricadas,
devendo ser limpas e acondicionadas em locais próprios, visando à sua preservação e garantia
da funcionalidade que cada uma deve ter em sua aplicação.
370
Capítulo 3
Metrologia
O mecânico de aviões deve estar apto a reconhecer esses dois sistemas de medidas, a compreender
e proceder as transformações entre as medidas do sistema inglês para o sistema internacional de
unidades, assim como as transformações realizadas dentro do próprio sistema inglês, em relação
às medidas de polegadas fracionárias e milesimais.
371
Como cada pessoa possui membros com medidas diferentes, tomou-se por base as medidas do
corpo do rei, para que todos se sujeitassem a elas, tendo em vista a autoridade real. Na própria
Bíblia encontram-se trechos que fazem menção à medida em côvados e cúbitos (SOCIEDADE
TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 2015), que correspondem aproximadamente
à distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio ou três palmos, respectivamente. Um
côvado mede, aproximadamente, 44,5 cm (SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS
E TRATADOS, 1990).
Um exemplo é o relato da construção da arca de Noé. O cúbito era usado pelos egípcios, há
aproximadamente 4000 anos. Os egípcios também desenvolveram um cúbito padrão único, o
qual foi gravado nas paredes dos seus principais templos, dando origem ao cúbito padrão, que
servia de base para a conferência das barras de madeira confeccionadas por cada um, ou mesmo
para servir de modelo para confecção de uma nova barra.
372
O próprio Sócrates (470-399 a.C.), quatro séculos antes de Cristo, disse que “a faculdade de
pesar, de medir e de contar permite ao espírito humano livrar-se das aparências sensoriais”
(SILVA, 2008, p. 10). Ou seja, pesos ou medidas não devem ser quantificados de forma subjetiva,
por apenas parecerem estar em equidade, sendo necessário estabelecer modelos padronizados,
que não obrigatoriamente têm que ser os mais precisos, mas, sim, aqueles aceitos por consenso
e que atendam a todos os envolvidos, em dado contexto social.
Esses modelos padronizados podem ser estendidos à universalização de acordo com seu uso
e aceitação, com a finalidade de que a distribuição dos bens sociais e a produção dos bens
materiais sejam realizadas de forma padronizada e em equidade, buscando-se garantir um senso
de justiça, o que, de fato, evidencia uma finalidade mais explícita da metrologia, a do “seu
conteúdo social” (SILVA, 2008, p. 12).
Já a polegada, o pé, a jarda e a milha correspondem aos padrões desenvolvidos e muito utilizados
pela Inglaterra por volta dos séculos XV e XVI e também nos dias atuais, apesar da Inglaterra ter
aderido ao sistema internacional de unidades (SI). A toesa foi um padrão considerado como um
relevante avanço de medição no século XVII, consistindo em uma barra de ferro com dois pinos Toesa: antiga unidade de
nas extremidades chumbada na parede externa do Grand Chatelet em Paris, a qual equivale a medida de comprimento
originária da França
seis pés (aproximadamente 182,9 cm). Depois disso, houve na França a necessidade de se criar pré-revolucionária,
um padrão facilmente copiado, no qual os múltiplos fossem definidos com base no sistema equivalente a seis pés, ou
aproximadamente um metro
decimal, que já havia sido criado na Índia (400 a.C.), tornando-se lei e dando origem ao metro.
e oitenta e dois centímetros.
O sistema métrico, por sua eficiência e simplicidade, foi adotado por vários países no século
XIX. Com o avanço científico, construiu-se um padrão reforçado com seção transversal em X,
o qual tinha dois traços limitadores para precisar sua medida, que recebeu uma adição de 10%
de irídio em sua composição, tornando-se mais durável. Este fato culminou, em 1889, em uma
terceira definição:
373
pela luz no vácuo durante um intervalo de tempo de 1/299792458 de segundo. Também houve
mudança na temperatura de referência para a calibração, que atualmente é de 20 ºC.
Assim,
O SI é adotado em quase todo o mundo moderno, em comum acordo na busca por uniformizar
e melhorar as relações internacionais nas diversas medições realizadas, facilitando os acordos
comerciais e ajudando no próprio desenvolvimento tecnológico e econômico mundial. O SI
não é um sistema fechado, ele se sujeita à evolução mundial, acompanhando-a de forma a
proporcionar que modificações sejam feitas, logicamente por meio de acordos entre os países que
o adotaram, visando sempre estar em harmonia com os avanços tecnológicos que possam ocorrer.
Antes de ter ocorrido a padronização das medidas baseadas no SI, diversos países definiam
por conta própria suas unidades de medidas, o que trazia dificuldades na hora de realizar as
transações comerciais, assim como na hora de proceder ao intercâmbio científico entre eles.
Evidencia-se com isso a importância da unificação dessas medidas, além da implementação de
meios para que essas padronizações sejam mantidas e protegidas.
Nos dias atuais, o órgão que tem essa importante incumbência é o Bureau International des
Poids et Mesures (BIPM), localizado na França, o qual tem a responsabilidade de manter a
padronização dos protótipos de medidas aceitos internacionalmente.
Entre as grandezas abrangidas pelo SI, está a de comprimento metro (m), que é uma unidade
básica de medida. Já houve várias definições para o metro, porém, a mais atual, acordada é: “O
metro é o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante um intervalo de tempo
de 1/299 792 458 de segundo” (RAYMUNDO, 2009, p. 18). Isso fixando-se a velocidade da
luz no vácuo em 299 792 458 m/s.
Mesmo com essa nova definição, o protótipo internacional original do metro, aprovado na 1ª
CGPM (1889) continua sendo cuidadosamente conservado no BIPM. Também, em 1889, foi
determinado que, das 32 barras-padrão fabricadas na França em 1826, a de nº 26 destinava-
se ao Brasil, sendo guardada e preservada criteriosamente até os dias de hoje no Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT).
374
Para atender a várias necessidades em relação às medidas de comprimento, o metro é abordado
de forma escalonada em múltiplos e submúltiplos, sendo as variações de medidas mais comuns
as seguintes: quilômetro (km), hectômetro (hm), decâmetro (dam), metro (m), decímetro (dm),
centímetro (cm) e milímetro (mm).
Logicamente, existem subdivisões em graduações maiores ou menores que estas no SI, com
múltiplos e submúltiplos do metro. A Tabela 1 mostra alguns desses valores.
Para realizar a transformação de uma unidade do metro para outra, multiplica-se o valor da
medida dada juntamente com o seu fator de multiplicação em função do metro pelo da medida
requerida com o seu expoente multiplicado por -1.
Exemplo 1 (da maior unidade de medida para a menor): para transformar 15 metros em
milímetros, multiplica-se 15x100 por 10-3.(-1), que será igual a 15x1x103 = 15.000 milímetros.
Exemplo 2 (da menor unidade de medida para a maior): para transformar 12 centímetros em
hectômetro, multiplica-se 12x10-2 por 102.(-1), que será igual a 12x10-4 = 0,0012 hm.
Outra forma fácil de fazer essa transformação é usar a tabela para escrever as medidas
corretamente. Então, faz-se o deslocamento da vírgula que separa a parte inteira da parte
decimal dessas medidas, movimentando-a da coluna da unidade dada para a coluna da unidade
375
para a qual se quer proceder a transformação. Têm-se como exemplo as seguintes medidas a
serem transformadas:
• 0,0345 dam em mm;
• 56,87 m em hm;
• 49 cm em km.
km hm dam m dm cm mm
0, 0 3 4 5
5 6, 8 7
4 9,
km hm dam m dm cm mm
3 4 5,
0, 5 6 8 7
0, 0 0 0 4 9
Com isso, tanto a Inglaterra quanto os territórios sob seu domínio utilizaram esse sistema de
medidas para facilitar suas transações comerciais e outras atividades que o exigissem. Esse sistema
é totalmente diferente do sistema métrico ou do SI, que é o mais utilizado mundialmente, de
forma que, em 1959, houve a definição comparativa da jarda e das suas subdivisões em função
do metro, no qual uma jarda (yd) corresponde a 0,91440 metros (m), um pé (ft) a 304,8
milímetros (mm), e uma polegada (inch) a 25,4 milímetros (mm).
376
polegada), 1/16” (um dezesseis avos da polegada), 1/32” (um trinta e dois avos da polegada),
1/64” (um sessenta e quatro avos da polegada) e 1/128” (um cento e vinte e oito avos da
polegada). Nesse sistema fracionário, deve-se atentar para que o numerador seja simplificado
até formar uma fração irredutível inteira, ou seja, o numerador se torne um número ímpar.
Exemplo:
Nesse sistema, a polegada é dividida em 16 partes, tendo cada divisão a medida de 1/16”. Cada
uma dessas 16 partes é subdividida em 8 partes, tendo cada subdivisão a medida de 1/128”.
Como esse sistema fracionário dificulta os cálculos tanto na indústria quanto nas transações
comerciais, também foi criada a divisão decimal da polegada, visando melhorar essas relações,
de forma a obter-se a leitura pelo menos em milésimos da polegada, ou seja, com pelo menos
três casas após o ponto (mesma função da vírgula), ou em décimos de milésimos da polegada,
com quatro casas após o ponto. Há medidas que requerem maior precisão de leitura, sendo
realizadas em milionésimos da polegada, sendo chamadas de micropolegadas (micro inch ou μ
inch). Exemplo:
Precisão: alto índice de
• .250” = 250 milésimos da polegada; confiabilidade em relação às
suas leituras de medidas.
• 1.1247” = 1 polegada e 1247 décimos de milésimos;
• .725” = 725 milésimos da polegada;
• .000003” = 3 μ inch (micropolegadas).
377
Não esquecer de colocar as aspas, pois são elas que representam a polegada como
símbolo de sua unidade de medida.
Exemplo:
• 12,7 mm ÷ 25,4 = 0,5 → .500” - quinhentos milésimos da polegada;
• 4,7625 mm ÷ 25,4 = 0,1875 → .1875” - mil oitocentos e setenta e cinco décimos de
milésimos da polegada.
Para realizar essa conversão, multiplica-se a medida dada em polegada por 25,4. O resultado
será diretamente o valor da medida que se quer em milímetros.
Exemplo:
• .625” × 25,4 = 15,875 mm;
• 2.250” × 25,4 = 57,15 mm;
• .750” × 25,4 = 19,05 mm.
Exemplo:
• 5/16” → 5 ÷ 16 = 0,3125 → .3125”;
• 4.3/8” → 3 ÷ 8 = 0,375 → 4.375”;
• 1/4” → 1 ÷ 4 = 0,25 → .250”.
Há duas formas de se fazer essa conversão, utilizando somente a parte milesimal para proceder
ao cálculo, pois a parte inteira da polegada já fará parte do resultado.
378
zeros quantas forem as casas decimais da medida dada e, depois, procede-se à simplificação, de
preferência inicia-se pelo número 25 ou múltiplo deste, o que facilitará chegar ao resultado.
Exemplo:
250 250 ÷ 250 1” 1”
• 250” → → = →R=
1000 1000 ÷ 250 4 4
Na segunda forma, multiplica-se o valor da medida milesimal da polegada por 128, que é
a menor subdivisão da polegada. Desta vez, considera-se o ponto que exercerá a função de
vírgula, ficando o resultado no numerador da fração. Depois, coloca-se o número 128 também
no denominador, para então proceder-se à realização da simplificação dessa fração, até ela se
tornar na menor fração inteira possível.
Exemplo:
.5625 . 128 72 72 ÷ 8 9” 9”
• .5625” → = → = →R =
128 128 128 ÷ 8 16 16
Nessas duas formas de conversão, foram trabalhadas medidas exatas, porém haverá situações
em que será necessário fazer uma aproximação no valor do numerador, o que é aceitável por
se tratar de medidas milesimais da polegada. Desta forma, o resultado estará dentro de uma
margem de tolerância.
Resumindo
Neste capítulo, foi abordado o que é a metrologia e foi feito breve resumo do desenvolvimento
histórico dela até chegar aos padrões utilizados no mundo atualmente.
379
380
Capítulo 4
Ferramentas de medição
Ferramentas de medição são ferramentas de precisão utilizadas para se conferir medidas em geral.
São tipos de ferramentas de medição réguas metálicas, esquadro combinado, riscador, compassos,
paquímetro, micrômetro, blocos-padrão, relógio comparador, gabaritos e goniômetros.
Na área da manutenção, será dada ênfase às ferramentas usadas tanto na fabricação de peças,
quanto na complexa e importante verificação de tolerâncias de desgastes que estas venham a
sofrer com o decorrer de seu uso na manutenção das aeronaves. Isto é um controle essencial
para segurança e prevenção de acidentes aeronáuticos.
Na manutenção aeronáutica, o trabalho em aeronaves tanto pode ser executado com medidas
em milímetros, quanto com medidas em polegadas. As divisões no SI podem ser grafadas de
milímetro em milímetro, ou de meio em meio milímetro.
As divisões no sistema de polegadas, por sua vez, são grafadas na forma fracionária da polegada,
em submúltiplos divididos em partes iguais, sendo essas em metades (1/2”), em quartos (1/4”),
em oitavos (1/8”), em dezesseis avos (1/16”), em trinta e dois avos (1/32”) e em sessenta e
quatro avos da polegada (1/64”), de forma que uma polegada é dividida em 16 partes iguais, a
partir das quais se extraem os múltiplos e submúltiplos dessa divisão fracionária.
No sistema de polegadas, as medidas podem ser expressas tanto na forma fracionária, quanto na
forma decimal, ou seja, os decimais equivalentes de uma fração da polegada.
381
4.2 Esquadro combinado
O esquadro combinado é usado da mesma forma
que um esquadro comum, porém é mais versátil
que este por ser regulável. Ele pode ser fixado em
diversas posições na régua que está encaixada nele
por meio de uma ranhura central desta, deslizando
para a posição desejada para ser usado tanto na
traçagem de linhas em ângulos de 45°, como para
medir a profundidade ou a altura de uma peça.
4.3 Riscador
O riscador é uma ferramenta acessória de medição, usada para
traçagem de linhas em superfícies metálicas. São confeccionados
em aço para ferramentas, ou com pontas de aço endurecido por
tratamento térmico, nos tamanhos entre 4 e 12 polegadas. Podem
ser encontrados com as duas extremidades bem pontiagudas, sendo
uma reta e a outra dobrada a 90° para facilitar a marcação por meio de
furos. Também, podem ser totalmente retos, porém possuem somente
uma das extremidades pontiagudas, ou mesmo em forma de uma
caneta, feitos de metal macio com ponta de aço endurecido.
4.4 Compasso
Os compassos, além de serem utilizados para riscar arcos e círculos, são considerados como
ferramentas de medição por serem usados para transferência de medidas de um desenho para
382
o trabalho, ou mesmo para a comparação das dimensões das peças trabalhadas com as medidas
de uma régua ou outra escala apropriada. São compostos por duas hastes, apresentando diversas
formas e unidas por um eixo em uma das extremidades, sendo pressionadas, ou não, por uma
mola. Alguns possuem um dispositivo de regulagem de sua abertura.
Os compassos comuns possuem a ponta de uma de suas hastes pontiagudas e a outra com um
suporte para fixação de grafite, já os compassos usados na mecânica para riscarem chapas de
metais possuem as duas extremidades de aço e pontiagudas.
383
• compasso de medidas internas - tem a ponta de suas hastes curvadas para fora, podendo
possuir mola ou não no ponto de união destas. São usados para medição de diâmetros
internos de tubos, furos, ou mesmo de larguras em ranhuras, distâncias entre peças e
partes componentes em motores ou em superfícies diversas;
• compasso de medidas externas - tem as hastes com formato circular encurvadas para den-
tro e pode possuir mola, ou não, no ponto de união destas. É utilizado para medição em
diâmetros externos de peças circulares, ou mesmo de espessuras de partes componentes
nas peças em geral;
• compasso hermafrodita - pode exercer a função dos dois compassos anteriores, porém
em medidas que não requeiram elevada precisão. Esse tipo de compasso tem uma haste
com ponta cilíndrica e ajustável, e a outra haste reta e encurvada na ponta para dentro.
É usado para traçar linhas paralelas, para a localização ou confirmação de centros, para
transferência de medidas, ou para conferência de medidas a partir de uma borda.
4.5 Paquímetro
O paquímetro é uma ferramenta de precisão também
denominado de calibre Vernier. É usado na medição de peças
em geral, tanto na fabricação destas, quanto na conferência
dos desgastes sofrido por elas, averiguando medidas
internas, externas, de profundidade e, também, conferência
do passo de roscas. São fabricados em aço inoxidável e em
variedade de tipos e modelos, os quais recebem graduações
tanto em milímetros, quanto em polegadas, podendo ser
analógicos, digitais ou de relógio.
Figura 74 - Paquímetro digital e paquímetro analógico
384
Essa ferramenta possui um botão impulsor usado para movimentá-lo; um parafuso de trava
para fixá-lo em determinada medida; um bico, uma orelha e uma haste fina, os quais deslizam
sobre a haste fixa do paquímetro para realização das medições.
Para a medição de peças, o cursor do paquímetro deve ser impulsionado por meio do botão
impulsor, de forma suave, sem forçá-lo, até que a peça seja tocada. O travamento se dá ao
apertar o parafuso de travamento. Isso fornecerá a leitura da medida verificada, sendo os bicos
fixo e móvel utilizados para medidas externas, as orelhas fixa e móvel, para as medidas internas,
e a haste fina, que desliza no centro da haste fixa do paquímetro (dentro da ranhura), para as
medidas de profundidade.
A referência da leitura será o intervalo compreendido entre o zero grafado na haste fixa do
paquímetro e o zero do Vernier grafado no cursor, de forma que, nas escalas grafadas em
milímetros, se verifica a quantidade de milímetros inteiros que ficaram compreendidos nesse
intervalo após a abertura dos bicos, das orelhas ou da extensão da haste fina do paquímetro, o
385
que dará a parte inteira da medida em milímetros. Verifica-se então, no Vernier do cursor, qual
é o traço grafado que coincide no mesmo alinhamento de qualquer um dos traços grafados
na haste fixa do paquímetro, que corresponderá à parte decimal da medida realizada. Se a
resolução for de 0,05 mm, o Vernier representará a medida de um milímetro dividida em dez
partes, tendo cada uma o valor de 1/10 do milímetro (0,1 mm). Cada parte decimal destas é
subdividida em duas partes, tendo cada uma o valor de 1/20 do milímetro (0,05 mm).
Em relação às escalas grafadas em polegadas (sistema inglês de medidas), estas podem ser
encontradas na forma fracionária ou milesimal, sendo a parte decimal escrita após um ponto,
e não após uma vírgula como no sistema internacional de unidades. Não há necessidade de
se escrever o zero à esquerda desse ponto. A referência para medição será primeiramente o
intervalo compreendido entre o zero grafado na haste do paquímetro e o zero do Vernier,
correspondendo à parte fracionária ou milesimal da polegada dessa medição iniciada.
Após ultrapassar a medida de uma polegada (1”), a referência será o intervalo compreendido
entre cada polegada inteira ultrapassada e o zero do Vernier, o que corresponderá à quantidade
de polegadas inteiras que a medida representa, escritas à esquerda do ponto. Em uma escala
grafada na forma fracionária da polegada, esta é dividida em 16 partes, tendo cada parte o
valor de 1/16 avos da polegada. O Vernier grafado no cursor representa o intervalo entre cada
uma dessas 16 partes subdivida em outras oito partes, cada uma com o valor de 1/128 avos da
polegada (1/16” ÷ 8 = 1/128”).
No caso da escala em polegadas na forma milesimal, a polegada é dividida em dez partes com
o valor de .100” (cem milésimos da polegada) cada, sendo cada uma dessas partes subdivididas
em quatro outras partes com o valor de .025” (vinte e cinco milésimos da polegada) cada, as
quais são grafadas na haste fixa do paquímetro. A escala grafada no Vernier do cursor representa
cada uma dessas quatro subdivisões, porém subdividida novamente em 25 outras partes com o
valor de .001” (um milésimo da polegada) cada uma. A partir da referência, soma-se cada uma
das dez divisões de .100”, assim como cada uma das quatro subdivisões de .025” ultrapassadas
pelo zero do Vernier do cursor. Assim, será somado a este resultado uma das 25 subdivisões do
Vernier grafadas no cursor e indicada pelo traço desse Vernier que ficar alinhado com qualquer
traço da escala grafada na haste fixa do paquímetro. O resultado final dessa somatória será o
valor da parte milesimal desta medida, a qual também deverá ser escrita à direita do ponto.
386
4.6 Micrômetro
O micrômetro é uma ferramenta de alta precisão, sendo mais
preciso que o paquímetro. Ele também é usado na medição de
peças em geral, na verificação de medidas internas, externas,
de profundidade e também para roscas. São fabricados em
diversos tamanhos e modelos, os quais recebem graduações
tanto em milímetros, quanto em polegadas, podendo ser
analógicos ou digitais.
Figura 76 - Paquímetro digital e paquímetro analógico
O micrômetro é composto por partes fixas, como o arco, a bainha e o encosto (contato fixo),
e por partes móveis, sendo estas o tambor e a haste (fuso). Esta haste movimenta-se e afasta-se
do encosto quando o tambor é girado, por meio de um parafuso micrométrico existente no
seu prolongamento e por uma porca, que é presa na bainha, de forma que o espaço entre as
faces da haste e do encosto seja a medida requerida. O tambor possui em sua extremidade uma
catraca, que é utilizada para que as faces de medição sejam encostadas na peça de forma suave,
sem exageros no aperto. As medidas são grafadas no tambor e na bainha.
Os tipos de micrômetros mais utilizados são basicamente quatro, sendo eles para medidas
externas, para medidas internas, de profundidade e para roscas. São fabricados tanto para
medidas em polegadas (de 0 a 1/2”, 0 a 1”, 1 a 2”, 2 a 3”, 3 a 4”, 4 a 5”, 5 a 6”, entre outras),
quanto para medidas em milímetros (de 0 a 25 mm, 25 a 50 mm, entre outras). O tipo
mais utilizado é o micrômetro para medidas externas, utilizado para medição de diâmetros e
espessuras em geral.
387
4.6.3 Leitura de micrômetro
Deve-se ter muito cuidado ao manusear o micrômetro durante a leitura de medidas, pois trata-
se de um instrumento sensível e sujeito a sérios danos por quedas, impactos, atritos sofridos
por suas faces ou mesmo pelo excesso de pressão ao apertar a haste móvel. Qualquer dano
comprometeria uma correta leitura das medidas.
No micrômetro milimétrico, a bainha é grafada com uma linha central com traços acima,
representando um milímetro cada (1 mm), e com traços abaixo, representando meio milímetro
cada (0,5 mm). O tambor é grafado com traços que completam meio milímetro ao dar uma
volta inteira, representando um centésimo de milímetro cada um (0,01 mm). A referência
para a medida é o espaço compreendido entro o zero grafado na bainha e a borda do tambor,
devendo-se somar a quantidade de milímetros que a borda ultrapassou e a metade do milímetro
representada pelo traço inferior da linha central da bainha se este também for ultrapassado. Este
resultado deve ser somado com o valor indicado pelo traço do tambor que estiver alinhado com
a linha central da bainha, ou que tiver ultrapassado essa linha no sentido vertical para baixo, o
que resultará no valor final da medida.
Para as medidas em polegada, a bainha é grafada com uma linha central e com traços acima
desta, os quais dividem uma polegada em dez partes com o valor de .100” (cem milésimos
da polegada) cada, sendo cada uma dessas partes subdivididas em quatro outras partes com o
valor de .025” (vinte e cinco milésimos da polegada) cada, semelhantemente como é grafado
na haste fixa do paquímetro, e o tambor com traços de .001” (um milésimo da polegada)
cada, até completar uma volta representando a medida de .025” (vinte e cinco milésimos da
polegada). Deve-se somar cada uma das dez divisões de .100”, assim como cada uma das quatro
subdivisões de .025” ultrapassadas pela borda do tambor, somando-se esse resultado com o
valor indicado pelo traço do tambor que estiver alinhado com a linha central da bainha, ou que
tiver ultrapassado essa linha no sentido vertical para baixo, o que também resultará no valor
final da medida.
Para micrômetros com leitura em décimos de milésimos, apenas acrescenta-se, na quarta casa
decimal, o valor da linha da bainha (linhas paralelas à linha central) que se alinhar com qualquer
das linhas grafadas no tambor.
4.7 Bloco-padrão
Por mais simples que pareçam, os blocos-padrão são primordiais para a metrologia. É por meio
de suas medidas que os diversos instrumentos e ferramentas utilizados para realizar medições
são calibrados, em uma relação de valores e incertezas previamente estabelecidas das medidas
por eles fornecidas.
388
Podem ser fabricados em aço tratado termicamente, com
dureza acima de 800 HV, de cerâmica de zircônio cujo uso
é recente, mas que possui vantagens sobre o aço, com dureza
acima de 1400 HV, utilizados também como bloco protetor,
e em tungstênio, que são utilizados como bloco protetor por
ser mais resistentes que os de aço e por ter maior dureza, acima
de 1500 HV.
É constituído por um relógio graduado com ponteiro e uma haste móvel ligada
a este por um sistema interno, de forma que, quando a haste é pressionada, o
ponteiro gira no sentido horário, indicando uma marcação positiva, ou seja,
a medida é maior que a outra anterior. Da mesma forma, se o ponteiro girar
no sentido anti-horário, indicará uma diferença negativa, sendo a medida em
questão menor que a anterior, tida como referência. Figura 79 - Relógio comparador
São ferramentas de medição simples, fabricadas em aço e utilizadas como parâmetros para controle Rastreabilidade
de superfícies (ângulos, curvas, entre outros formatos diversos), analisadas ao encostá-las contra o dimensional: é a capacidade
de traçar o histórico de
encaixe do gabarito. A comparação é feita ao observar, apenas visualmente, o fio de luz que passa determinado padrão de
entre a peça e o gabarito, sem a atribuição do valor de desvio nos pontos observados. medida, se a sua aplicação
está de acordo com os
Os gabaritos mais utilizados são os verificadores de raios, os gabaritos de ângulo fixo para padrões determinados,
por meio de informações
ferramentas de corte, os escantilhões para roscas métricas e Whitworth, o pente de rosca, o previamente registradas.
calibrador de folga, o compasso, o pente de raio, a fieira, entre outros.
389
Calibradores de folga e verificadores são os dois tipos mais comuns de gabaritos.
São fabricados em aço endurecido por cementação, ou revestido de cromo duro, carboneto
de tungstênio, entre outros metais, adquirindo resistência à abrasão, pois seu uso é constante.
Normalmente, são constituídos por um conjunto de lâminas substituíveis de 13 mm ou 1/2”
de largura, as quais recebem tratamento térmico e abrangem uma gama de medidas máximas
e mínimas em um intervalo determinado, constituindo-se em padrões com baixa incerteza
de medição.
390
As Figuras 84 e 85 apresentam um verificador de rosca e um verificador de diâmetro interno.
4.10 Goniômetro
O goniômetro é um instrumento simples, fabricado em
aço, sendo composto por um transferidor graduado em
180° e uma haste central. Pode possuir também uma régua
graduada em sua lateral. É utilizado para conferência da
medição de ângulos externos em peças e superfícies que
não exijam extrema precisão. Sua haste é posicionada no
centro da base do transferidor, por meio de um articulador
com sistema de trava para fixação desta no ângulo desejado.
Figura 86 - Goniômetro
Resumindo
Foram abordados os principais instrumentos e ferramentas de medição que são de extrema
importância ao mecânico de aeronaves. Estudou-se tanto as ferramentas mais complexas, com
partes móveis e delicadas, quanto as ferramentas simples, que funcionam como importantes
acessórios para realização das tarefas de medição.
Tais ferramentas devem ser usadas com extremo cuidado, requerendo um controle rigoroso,
tanto em sua armazenagem quanto em sua calibração. Esse controle deve ser periódico, a fim
de garantir que a leitura do instrumento esteja dentro da tolerância aceitável, ou seja, o mais
correta possível. Elas são fabricadas por máquinas de alta precisão, por meio das quais recebem,
de forma acurada, as marcas de suas gradações. Isto exige do mecânico o máximo de cuidado
para evitar quedas, ou mesmo sofrer outros impactos, atritos e torções, pois seriam danificadas
e teriam sua precisão de leitura comprometida.
391
392
Unidade 7
Doutrinamento básico – O mecânico de
manutenção aeronáutica e sua formação
profissional
Esta unidade é composta por quatro capítulos. O primeiro trata do doutrinamento básico:
processo de cognição e formação dos mecânicos de aeronaves.
O segundo capítulo aborda as atividades do mecânico de manutenção de aeronaves,
demonstrando que, antes da realização das tarefas mantenedoras, o profissional deverá
ingressar na profissão de forma a obter uma licença de mecânico de manutenção. Depois
de qualificado, ele deverá possuir habilidades necessárias para desempenhar os serviços de
inspeção, revisão e reparos nas diversas aeronaves.
O terceiro capítulo, por sua vez, trata da segurança do trabalho aplicada à atividade,
expondo os cuidados necessários no ambiente de trabalho. Ressaltam-se, pois, os riscos mais
comuns detectados nos trabalhos e a utilização de equipamentos de proteção individual
(EPIs), com o objetivo de proteger a integridade física do mantenedor de aeronaves.
Por último, o quarto capítulo discorre sobre a regulamentação da profissão. Com ênfase
no direito do trabalho aplicado ao mecânico aeronáutico, mostra a utilização das leis
com o viés na atividade mantenedora, inclusive com julgamentos de casos concretos,
mostrando o entendimento dos tribunais em situações específicas, envolvendo empresas
de manutenção e mecânicos de aeronaves. Trata, ainda, da higiene e da segurança do
trabalho e do aspecto previdenciário.
393
394
Capítulo 1
Doutrinamento básico
O doutrinamento básico deve ser padronizado nas instituições de ensino da aviação civil.
Ademais, consiste no processo de conhecimento da estrutura, do funcionamento, da execução
e da supervisão de um planejamento de ensino para formação de um profissional da aviação
que atua na área de manutenção de aeronaves.
Já os módulos especializados, com um total de 650 horas/aula cada um, têm uma parcela do
curso voltada para a prática de manutenção de aeronaves em organização de manutenção de
produtos aeronáuticos certificada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
395
se por formação técnico-profissional metódica para os efeitos do contrato de aprendizagem
as atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade
progressiva desenvolvidas no ambiente de trabalho” (BRASIL, 2005c, p. 1).
O Estado, representado pela ANAC, nos termos do art. 37, parágrafo 6º, da Constituição
da República, e comprovado pelo disposto na Lei nº 11.182/2005, é o ente responsável pela
certificação das entidades de ensino da aviação civil (aeroclubes e escolas de aviação civil), de
acordo com o disposto no art. 98 da Lei nº 7.565/1986.
Em outras palavras, com o aparecimento dos institutos, das universidades, dos sistemas e das
demais entidades privadas, as opções de escolha dos futuros alunos de cursos de manutenção
de aeronaves serão expandidas.
No que se refere aos aeroclubes, uma vez homologados pela ANAC, prestarão serviços de
utilidade pública, nos termos do parágrafo 1º do art. 98 da Lei nº 7.565/1986, com a aprovação
do Estado. Serão o ente autorizatário (RBHA 140, seção 140.65) e, por conseguinte, poderão
ser responsabilizados nos termos do art. 37, parágrafo 6º, da Constituição da República,
observando o disposto no art. 302 (infrações) do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA).
Autorizatário: é um ato Nesse contexto, se o aeroclube obtiver as condições mínimas de infraestrutura e de ensino, como
administrativo unilateral,
emanado da Anac, instalações compatíveis com as salas de aula e número de alunos, dependências da instituição
revogável a qualquer ou quaisquer outras locadas, com o uso de recursos sensoriais capazes de atingir aos objetivos
tempo e independente de traçados no planejamento do curso, certamente não serão alvo de imputação de infrações e,
interpelação, que autoriza
a pessoa jurídica a se consequentemente, cumprirão com os requisitos estabelecidos na legislação.
constituir como empresa
de táxi-aéreo ou de serviço As escolas de aviação civil funcionarão nos moldes previstos no art. 98, caput, da Lei nº
aéreo especializado. 7.565/1986, com homologação com validade de cinco anos, nos termos do RBHA 141, seção
141.5(a), podendo solicitar homologação do curso de mecânico de manutenção aeronáutica,
de acordo com o previsto no RBHA 141, seção 141.11(a)(3)(i). O curso de mantenedor de
aeronaves, necessariamente, deverá conter as partes teóricas e práticas, conforme previsto no
RBHA 141, seção 141.11(b).
Além disso, elas estarão sujeitas à análise de qualidade dos serviços prestados [RBHA 141, seção
396
141.79(b)] aos cursos que estiverem homologados, inclusive o de mantenedor de aeronaves,
dentro do sistema de garantia de qualidade, uma vez que os requisitos regulamentares precisam
ser cumpridos e, por conseguinte, avaliados nas auditorias realizadas pela ANAC.
De acordo com o MCA 58-13, item 6.4, os instrutores admitidos no corpo docente da escola
de aviação civil devem possuir experiência teórica e prática. Deverão atuar de acordo com as
regras da instituição e o planejamento do curso, orientados pela coordenação da escola, de
modo que os conteúdos programáticos e a carga horária dos cursos estabelecidos pela ANAC
satisfaçam a proposta da instituição de ensino.
Desta forma, tais escolas devem contar, ainda, com a participação de um profissional de pedagogia,
que supervisionará e apoiará o desenvolvimento do curso de mantenedor de aeronaves. Será
competência da direção, da coordenação e da pedagoga da escola a descrição de estratégias, de
modo que as instruções de aperfeiçoamento contínuo aconteçam no processo de aprendizagem.
Em resumo, o pedagogo avaliará a real qualidade do curso e do corpo docente, a fim de formar
profissionais capacitados e qualificados para atuar e ter sucesso no mercado de trabalho.
Reuniões periódicas deverão ser realizadas com a participação do corpo técnico-pedagógico e
da direção da instituição.
Cabe às instituições de ensino promover oportunidades para que o aluno do curso, no decorrer
de sua vida acadêmica, adquira competências não só para direcionamentos teóricos e práticos
relacionados aos conhecimentos técnicos, mas, também, para conhecimentos administrativos,
de segurança e operacionais, entre outros, pois o profissional da manutenção é multifuncional.
397
1.2 Parte teórica do curso
Conforme exposto, o curso de mecânico em manutenção aeronáutica é constituído de quatro
etapas, divididas em módulos: um módulo básico e três especializados. Para se tornar um
mecânico em manutenção aeronáutica, o aluno precisará concluir, pelo menos, duas etapas,
com aproveitamento, ou seja, o módulo básico e um módulo especializado, nos termos do
RBHA 65, seção 65.85(a).
Nesse contexto, o desafio é fazer com que haja um equilíbrio entre o teórico e o prático, de
modo a facilitar as operações a serem efetuadas em cada etapa dos trabalhos.
398
Resumindo
Neste capítulo, observou-se que o doutrinamento básico do mantenedor de aeronaves é dividido
em módulos. O módulo básico é o pré-requisito para realizar os módulos especializados, quais
sejam: célula, grupo motopropulsor e aviônicos. Tanto o módulo básico quanto os especializados
são dotados de conhecimentos teóricos. Contudo, apenas os módulos especializados terão aulas
práticas, em um total de 60 horas de duração.
Esse conhecimento é essencial para a condução da aeronave no espaço aéreo, serviço que deve
ser prestado de forma compatível às necessidades e exigências do mercado, em atendimento à
sociedade, em virtude de ser uma atividade de risco.
399
400
Capítulo 2
Atividades do mecânico de manutenção
de aeronaves
O ingresso na profissão, por fim, acontece com a aprovação nos exames de conhecimento
teórico, pertinentes à habilitação pretendida, e com a obtenção do certificado de conhecimentos
teóricos (CCT).
401
de manutenção aeronáutica. Entende-se por licença o documento expedido pela ANAC que
permitirá o efetivo exercício específico das funções a que se refere, no âmbito da aviação civil.
A conclusão do curso pressupõe a aprovação no exame ministrado pela ANAC, cujo percentual
de aproveitamento exigido para aprovação é 70%, conforme previsto na seção 65.75(b). Em
decorrência da aprovação, o concluinte terá direito ao certificado de conhecimentos teóricos
(CCT de mecânico de aeronaves).
Há três níveis de manutenção a serem realizados pelas empresas aéreas. O primeiro está na
chamada organização de manutenção de produtos aeronáuticos, regido pelo RBAC 145. Sua
aplicabilidade está calcada na seção 145.1(a):
402
As organizações de manutenção são as chamadas oficinas de manutenção de aeronaves, porque
efetuam serviços de recuperação dos produtos aeronáuticos. Nesse sentido, é necessário
conceituar manutenção. De acordo com o disposto no RBAC 1, a “manutenção é qualquer
atividade de inspeção, revisão, reparo, limpeza, conservação ou substituição de partes de uma
aeronave e seus componentes, mas exclui a manutenção preventiva” (BRASIL, 2011a, p. 1).
Fazer manutenção é:
As instalações devem possuir espaço físico compatível para abrigar equipamentos, materiais
e outros recursos necessários para executar adequadamente a manutenção nos aviões e nos
helicópteros. São esses recursos equipamentos de soldagem, usinagem, jateamento, dispositivos
elétricos e eletrônicos, prateleiras, guinchos, talhas, bandejas, entre outras ferramentas. Os
equipamentos de apoio à manutenção serão utilizados para dar suporte aos trabalhos de
inspeções, às revisões e ao recondicionamento de produtos aeronáuticos.
403
A empresa deverá garantir sua capacidade operacional, assegurando que há número suficiente
de mecânicos de aeronaves com vínculo empregatício, capacitados e treinados para executar,
inspecionar e supervisionar os serviços de manutenção de aeronaves, com intuito de colocar o
maior número possível de aeronaves na condição de disponível para o voo.
No que tange aos requisitos de treinamento, a oficina de aeronaves deverá possuir um programa
de treinamento de mecânicos de aeronaves capaz de garantir uma capacitação continuada aos
mecânicos que irão realizar os serviços de manutenção e manutenção preventiva, de acordo
com o previsto na seção 145.163.
No segundo nível, ou estágio, ainda no âmbito da aviação geral, o RBAC 135 apresenta os
requisitos operacionais – como operações complementares ou por demanda – e estabelece
regras que regem essas operações.
A atividade aérea possui, ainda, o serviço de táxi aéreo. Esse serviço consiste em transporte aéreo
não regular, baseado na livre negociação entre o contratante e o contratado, com atendimento
independente de horário, nos termos do art. 220 da Lei n° 7.565/1986. As empresas de táxi
aéreo também devem realizar ou contratar os serviços de manutenção em suas aeronaves.
Assim, existem duas situações:
Nesse contexto, a finalidade é fazer com que os serviços de manutenção sejam efetuados com
a máxima eficiência. Para tanto, espaço físico, ferramentas, equipamentos e recursos humanos
da empresa de táxi aéreo terão de ser, pelo menos, no mesmo nível daqueles que detêm a
certificação de organização de manutenção (RBAC 145).
404
Voar Aviação Ltda. - CHE 9108-01/ANAC
Fone 062 3878-3888 – Goiânia (GO)
Nesta data, foi realizada VISTORIA TÉCNICA ESPECIAL na aeronave marcas PT-OZJ, modelo King Air C90,
fabricante Beechcraft/Raytheon, S/N: LJ-951, categoria de registro TPP, por motivo de Renovação do Certificado
de Aeronavegabilidade, e foi verificado que ela se encontra em perfeitas condições de aeronavegabilidade, de
acordo com os RBHAs e IACs aplicáveis, podendo retornar ao serviço.
O terceiro nível, ou estágio, ocorre quando uma empresa aérea de aviação de grande porte
(regida pelo RBAC 121) atua no mercado com transporte regular de passageiros e cargas. São as
chamadas linhas aéreas e regulares que, em face de intensa operação, terão de ter uma estrutura
de manutenção de suas aeronaves mais complexa.
Da mesma maneira acontece com as empresas de táxi aéreo, nas regulares e nas linhas aéreas.
Existem duas situações:
• a empresa é certificada para realizar serviços de linhas aéreas, domésticas e suplementar e,
também, trabalhos de manutenção em suas aeronaves;
• a empresa terá de contratar uma organização de manutenção que seja certificada pela
ANAC, a fim de que a oficina de manutenção efetue os serviços nas aeronaves.
405
aeronáutico. Contudo, o responsável pela qualidade dos serviços sempre será um engenheiro
mecânico ou aeronáutico.
Quanto a aeronaves operadas por aeroclubes, as manutenções são quase sempre feitas em
organizações de manutenção de produtos aeronáuticos (RBAC 145). Logo, as exigências
para os mantenedores são as contidas neste regulamento, bem como no RBHA 65, uma vez
que a aeronave é de pequeno porte. Os aeroclubes terão de contratar empresas certificadas
pela ANAC para que elas executem os serviços de manutenção nos aviões, deixando-os em
condições aeronavegáveis [RBHA 91, seção 91.7(a)].
406
empresa. O gestor responsável (GR), por exemplo, é a única e identificável pessoa que tem
poder legal ou hierárquico para autorizar ou recusar quaisquer gastos relacionados à condução
das operações pretendidas, em conformidade com os requisitos regulamentares da segurança
operacional da empresa [seção 145.3(a)]. Ele é a pessoa designada pela oficina de manutenção,
e aceita pela ANAC, que promove a política de segurança operacional, inclusive assumindo
a responsabilidade primária pela organização, ou seja, a responsabilidade técnica acerca de
qualquer trabalho desempenhado pela empresa de manutenção de aeronaves.
A alta direção de qualquer empresa necessita estar bem assessorada, a fim de tomar decisões
acertadas em momentos cruciais da sua história. Nesse contexto, profissionais com as
qualificações e as funções citadas são indispensáveis ao bom funcionamento da organização
de manutenção. Um detém o conhecimento de gestão de negócios, que faz a avaliação dentro
da conveniência e da oportunidade para arcar ou não com compromissos; e o outro, a perícia
necessária sobre o todo da organização.
No entanto, não se deve desprezar aqueles que fazem o negócio acontecer. Os mecânicos de
manutenção aeronáutica, conforme se afirmou, são os profissionais possuidores de licença de
MMA e, pelo menos, de uma habilitação técnica em célula, grupo motopropulsor ou aviônicos,
capazes de realizar tarefas de manutenção, manutenção preventiva, reparos, recondicionamentos
em produtos aeronáuticos, de tal sorte que restabeleça a vida útil deles.
Em uma empresa de grande porte (certificada nos moldes do RBAC 121), o executante dos
trabalhos de manutenção de aviões são os mecânicos de manutenção aeronáutica ou engenheiros
aeronáuticos. O inspetor, por sua vez, será, necessariamente, um engenheiro aeronáutico. Este
último deverá buscar ser orientador, empático, objetivo, fiscalizador, perseverante, motivador,
líder, procurando conduzir as tarefas, cumprir e fazer cumprir requisitos aplicáveis.
Existem variadas inspeções, revisões e serviços que estão previstos nos manuais de manutenção de
407
uma dada aeronave. A manutenção preventiva consiste em procedimentos e ações antecipadas que
buscam manter o produto aeronáutico e seus componentes libertos de falhas e mau funcionamento.
A manutenção preditiva, por sua vez, é um tipo de ação fundamentada no conhecimento das
circunstâncias e condições de cada um dos componentes que fazem parte do equipamento.
Tais informações podem ser obtidas pelo acompanhamento do desgaste de partes importantes.
As inspeções são intervenções que buscam analisar, visualizar ou examinar a condição física
e operacional de um produto aeronáutico ou componente. Podem ser configuradas, desde
um prévoo ou pós-voo, até a inspeção oriunda da desmontagem completa de um material,
dispositivo ou peça, de tal sorte que seja capaz de atestar a integridade e a real situação de um
artefato aeronáutico.
Existem dois tipos de inspeções de pré-voo: o quente e o frio. O primeiro ocorre quando há a
necessidade de o mecânico de aeronaves efetuar a partida da aeronave para verificar todos os
parâmetros concernentes ao funcionamento e à perfomance do motor, da hélice e dos demais
sistemas do avião. Tudo isso é realizado em solo. A inspeção de pré-voo frio, por sua vez, são as
observações feitas sem efetivamente utilizar fontes externas ou o acionamento de dispositivos
que possam alimentar a aeronave, na qual não há funcionamento do grupo motopropulsor.
408
As inspeções obrigatórias são aquelas estipuladas em intervalos especificados pelo fabricante
do produto aeronáutico, baseada em horas, ciclos de operação e calendário. Portanto, um
programa de manutenção de aeronavegabilidade continuada deverá ser capaz de assegurar que:
• cada aeronave liberada para voo esteja aeronavegável e adequadamente mantida para a
operação de transporte aéreo;
• as manutenções ou as modificações realizadas pelo operador, ou por outra pessoa contra-
tada, sejam realizadas em conformidade com o manual geral de manutenção do operador;
• as manutenções e as modificações sejam realizadas por pessoas treinadas, competentes e
com facilidades e equipamentos adequados;
• por meio de um sistema contínuo de supervisão, investigação, coleta de dados, análi-
ses, ações corretivas e monitoramento das ações corretivas, a eficácia de todas as partes
do programa de manutenção de aeronavegabilidade continuada esteja em conformidade
com o manual geral de manutenção.
Os ensaios não destrutivos são inspeções que têm por objetivo averiguar a integridade física
de uma peça, um componente ou produto aeronáutico, em busca de possíveis descontinui-
dades ou defeitos, por meio de princípios físicos bem definidos, diante do uso contínuo
daqueles componentes.
O ensaio não inviabiliza a utilização futura da peça ou do componente aeronáutico. Tal fato
acontece sem o uso de aparelhos, uma vez que seja impossível verificar os primeiros sinais de
que há algo que resultará em falha, mau funcionamento ou desgaste exagerado. Esses recursos
são utilizados mediante inspeção por partículas magnéticas, líquidos penetrantes, testes
ultrassônicos, entre outros.
À medida que as aeronaves realizem voos, as inspeções por líquidos penetrantes são feitas
em metais, plásticos, borrachas, entre outros, com a finalidade de encontrar possíveis
descontinuidades superficiais ou em vias de serem abertas nas superfícies metálicas. Tais falhas
são oriundas de fadiga, porosidade, estresses e outras ocorrências.
409
da descontinuidade por meio de um corante revelador visível ou fluorescente que realçará a
imagem de fadiga, o excesso de esforço ou a descontinuidade do material metálico.
O teste ultrassônico consiste em usar ondas acústicas nos meios de inspeção (todos os tipos de
metais) sem que ocorram danos a eles para detecção de descontinuidades internas das peças, no
manuseio ou na estocagem do produto aeronáutico. Em outras palavras, é o monitoramento
do comportamento de ondas ultrassom em um material.
A aeronave agrícola EMB-200, 201 e 202 prevê verificações de itens com 50h, 100h, como
mostrado a seguir.
No sistema de combustível:
• filtro de combustível e válvula dreno;
• elemento filtrante do filtro;
• bombas elétricas auxiliares e conexões;
• tanques, tubulações, drenos, bujões de reabastecimento;
• drenagem do combustível e verificação o interior do tanque;
• suspiros de combustível;
• válvula de corte;
• liquidômetro e transmissor de quantidade de combustível.
No trem de pouso:
• fluido dos freios, tubulações e mangueiras, discos, sapatas, conjuntos dos freios e cilindros
mestres;
• rodas do trem dianteiro, rolamentos das rodas, pernas do trem, pneus e amortecedores;
• lubrificação dos rolamentos do trem dianteiro e bequilha;
• lubrificação do mecanismo da bequilha;
• bequilha, pneu, rolamentos, cabos, molas;
• sistema do freio de estacionamento;
• reservatório hidráulico, nível de fluidos, pressão pneumática.
410
Resumindo
Dividiu-se este capítulo em dois momentos. No primeiro, foi visto que as atividades do
mecânico de manutenção de aeronaves ocorrem a partir da inserção na profissão que acontecerá
com a obtenção de conhecimentos teóricos, feita de forma interdisciplinar dentro do conteúdo
especificado no RBHA 65. A aquisição do certificado de conhecimentos teóricos (CCT)
acontece, efetivamente, com a aprovação no exame aplicado pela ANAC, o qual possibilitará a
aferição dos conhecimentos acerca das tarefas mantenedoras de aeronaves.
411
412
Capítulo 3
Segurança do trabalho aplicada à
atividade de manutenção de aeronaves
Tanto o local de trabalho, onde são realizadas as ações de manutenção e o restabelecimento dos
produtos aeronáuticos, quanto os meios colocados à disposição dos mantenedores de aeronaves
– equipamentos de proteção individuais –, são indicadores das possibilidades de ocorrência de
acidentes nos lugares nos quais são realizadas a manutenção e a recuperação de aeronaves. O
grande desafio é minimizar o número de ocorrências no âmbito do trabalho aeronáutico.
Alguns requisitos contidos nos regulamentos (RBAC 145, 43 e 91) e nas normas regulamen-
tadoras, deverão ser seguidos e cumpridos criteriosamente. A utilização dos equipamentos de
proteção individual (EPIs), por exemplo, é de caráter obrigatório, pois algumas condições na-
turais de trabalho são desfavoráveis. Devido a isso, é necessário que o mantenedor aeronáutico EPI: equipamento de
proteja sua integridade física, ainda que os riscos sejam identificados e diminuídos. proteção individual,
necessário à proteção
O ambiente de trabalho em uma oficina de aeronaves precisa cumprir requisitos para da integridade física do
mantenedor.
receber a certificação e manter-se em atividade. Além disso, dependendo do tipo de
serviço realizado, o mecânico deve utilizar equipamentos e ferramentas de precisão no
desempenho das tarefas, de acordo com o previsto nas diversas publicações técnicas do
fabricante daquele produto aeronáutico.
413
A manutenção de produtos aeronáuticos precisa realizar processos complexos e delicados. Para
tanto, necessita de embasamento teórico-prático com a finalidade de propiciar à empresa as
condições necessárias ao desenvolvimento e ao aprimoramento das ações, de modo que seu
desempenho atinja níveis satisfatórios de eficiência e eficácia, aliado à segurança nos trabalhos
aeronáuticos.
De acordo com o disposto no RBAC 145, seção 145.214-I(a), “cada organização de manutenção
certificada deve submeter à aceitação da ANAC um plano de implementação de um sistema de
gerenciamento da segurança operacional (SGSO), adequado ao seu porte e à complexidade de
suas operações” (BRASIL, 2014b, p. 20). Este regulamento descreve como obter um certificado
de organização de manutenção de produtos aeronáuticos e contém as regras relacionadas ao seu
desempenho na manutenção, na manutenção preventiva ou na alteração de artigos aos quais
se aplica o RBAC 43.
O SGSO é a gestão de atos ordenados, assim a adoção de medidas padronizadas pelas oficinas de
manutenção de aeronaves são instrumentos de grande valia para prevenir e impedir ocorrências
capazes de trazer problemas laborais nos locais de trabalho das organizações de manutenção.
414
Com isso, o desempenho na prestação de serviços do ramo aeronáutico pode ser siste-
maticamente revisto e ajustado. Por outro lado, é fundamental que, periodicamente,
sejam efetuadas auditorias e avaliações internas, com o objetivo de analisar os dados e
salvaguardar a segurança e a melhoria contínua, pois a informação é uma das principais
ferramentas para o aperfeiçoamento de um sistema.
d) Promoção da segurança operacional (ocupacional) inclui a necessidade de formação con-
tinuada e outras ações que criem uma cultura de segurança positiva nos diversos níveis da
organização de manutenção, assegurando a troca de informações entre o corpo técnico de
mantenedores da empresa, disseminando e inter-relacionando as lições de segurança com
as boas práticas de manutenção em aeronaves. O processo de gerenciamento de risco das
organizações de manutenção é baseado no cumprimento de etapas, como representado
no fluxograma a seguir.
Retroalimentação e
Um problema de segurança é detectado
registro da identificação e
avaliação dos perigos e/ou
mitigação do(s) risco(s)
Agir e continuar
a operação SIM O nível do risco é aceitável? NÃO
415
O MOM descreve a política e os procedimentos de uma organização de manutenção, isto é,
o modus operandi da empresa no contexto da aviação, estabelecendo metas a serem cumpridas
dentro do trajeto dos passos que vão ser adotados por ela. Isso assegura na organização o
desenvolvimento de suas tarefas de modo satisfatório com os meios disponíveis.
Após a aquisição, o componente e a peça devem ser estocados da maneira mais adequada
possível, seguindo condições ambientais determinadas (controle de temperatura e umidade),
nos termos dos requisitos específicos, a fim de garantir o controle de qualidade deles. Por
fim, o mecânico terá a confiabilidade para receber o suprimento do produto aeronáutico e,
consequentemente, efetuar a troca da peça sem percalços de forma oportuna.
416
A boa conservação das instalações do hangar é uma circunstância fundamental ao desenvolvimento
apropriado dos serviços aeronáuticos. O hangar é o grande abrigo de aeronaves. Consiste em um
espaço destinado ao armazenamento e à guarda de produtos aeronáuticos (aviões), que serve para
organização da manutenção e para o estabelecimento de escritórios das empresas aéreas.
Ele poderá ser edificado em alvenaria e modulado com espaço físico excelente, de preferência com
laboratórios de estruturas (usinagem e soldagem), que devem possuir equipamentos como: serras,
tornos, plainas e equipamentos destinados à realização dos trabalhos de soldagem. Na fabricação
de peças de aço, operações de esmerilhamento, retificação e polimento, faz-se necessário que
o mantenedor tenha cuidado com o manuseio do maquinário, assim como com a proteção
individual nos serviços de inspeção, reparos e recondicionamento dos componentes estruturais. Esmerilhamento: polir ou
despolir (para tornar fosco)
com esmeril.
Nesse ambiente de trabalho (organização de manutenção), com o fim específico de prevenir
a ocorrência de acidentes de trabalho e, por consequência, o aeronáutico, a alta direção da
empresa deve levar em conta a trilogia da segurança operacional.
O homem, o meio e a máquina são os três pilares da aviação e, em torno deles, são desenvolvidos
os trabalhos do sistema de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos (SIPAER). Isso
inclui a segurança do trabalho.
O homem é um ser com limitações e, mesmo tendo evoluído bastante, não apresenta a
segurança e o controle que a tecnologia criada por ele pode apresentar. E quando se trata de
aeronaves, o progresso desse meio de transporte tem sido impressionante, pois, se as aeronaves
forem submetidas a um programa de manutenção periódico e adequado, raramente são a causa
principal dos acidentes. A maioria dos acidentes aeronáuticos sofre a influência das ações do
ser humano, portanto, é sobre ele que se concentra a maior parte das atenções da prevenção.
Já a máquina representa a aeronave, com os seus diversos sistemas e o meio identifica o espaço
no qual se desenvolve a atividade aérea, dentro da organização de manutenção, na pista de
pouso e decolagem, bem como no espaço aéreo.
O fator humano compreende o estudo do ser humano nos aspectos fisiológico e psicológico.
O fator operacional engloba a pesquisa das ações do homem no desempenho da atividade,
seja como piloto, mecânico, seja como controlador de tráfego aéreo, etc. E o fator material diz
respeito à aeronave, principalmente, sob os aspectos de projeto e fabricação. Há alguns anos,
o SIPAER expandiu as suas pesquisas além do trinômio homem-meio-máquina, englobando
também a organização.
417
O laboratório de sistemas tem por objetivo a montagem, inspeção e revisão de motores, de
trens de pouso, sistemas hidráulicos e hélices. Pode possuir fornos para realização de tratamento
térmico, bancadas para regulagem, limpeza e reparos de motores, amortecedores e reparos de
sistemas hidráulicos, entre outros.
Os EPIs podem ser utilizados em situações de emergência, como por exemplo, por ocasião de
despressurização da aeronave em que máscaras cairão para fornecer oxigênio para passageiros e
tripulantes. Luvas e aventais poderão ser usados pelos mantenedores, por ocasião da realização
de ensaios não destrutivos, por exemplo, líquidos penetrantes, entre outros. Dentro do hangar,
a utilização de exaustores pode ser considerada como medida complementar, denominada
de proteção coletiva no sentido de purificar o ar, no âmbito da empresa de manutenção de
aeronaves, tornando o local de trabalho mais agradável.
418
Por meio da Portaria nº 3214, 8 de junho de 1978, foram aprovadas as normas regulamentadoras
(NRs) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que fazem parte da segurança e a da
medicina do trabalho. Dessa forma, com o advento das NRs, aconteceu um grande avanço na
NR: trata de assunto
prevenção de acidentes de trabalho, porque as normas devem ser cumpridas tanto por empresas concernente à segurança do
públicas quanto por empresas privadas. trabalho.
A NR 6 (EPI) determina a utilização pelos empregados dos EPIs, para atividades que o
exponham a risco. O empregador deve fornecer, gratuitamente aos mantenedores, os EPIs
com o certificado de aprovação, ou seja, a marca de qualidade. Nos trabalhos de usinagem,
a proteção para a cabeça faz-se necessária – o protetor para face, óculos de segurança contra
os impactos de partículas, óculos de segurança contra os respingos de produtos agressivos –,
a fim de evitar irritação nos olhos. Além disso, as máscaras para soldadores e os capacetes de
segurança poderão ser usados.
Quanto à proteção para membros inferiores, nos trabalhos de manutenção de aviões poderão
ser utilizados calçados de proteção contra riscos de origem mecânica, térmica, elétrica, agentes
agressivos, entre outros. Em relação à proteção auditiva, é necessária a utilização de protetores
auriculares, bem como abafadores, sobretudo nos trabalhos de pista de pouso e decolagem, pois
é um local onde os sons e ruídos são totalmente desfavoráveis.
A proteção respiratória ocorre com a utilização de máscaras de filtro químico, bem como
equipamentos de proteção respiratória que são utilizados em lugares insalubres, ou seja, onde
a poluição do ar for constante. Aliada a essa medida preventiva, deve-se utilizar exaustores no
hangar para garantir a limpeza constante do ambiente na oficina de manutenção.
419
A execução consiste em colocar em prática o programa de manutenção das aeronaves que foi
idealizado, de modo que os mantenedores e os inspetores estejam aptos a desenvolver suas
habilidades no desempenho das tarefas de inspeção, reparo, limpeza, revisão e condicionamento,
com o objetivo de não ultrapassar os limites e tornar o avião um produto aeronáutico
aeronavegável, nos termos do RBHA 91, seção 91.7.
Por fim, a atualização que decorre da própria evolução da atividade aérea requer que alguns
requisitos e procedimentos sejam adequados à realidade operacional da empresa. A falta de
atualização dos procedimentos deixará a organização fragilizada, de tal modo que as falhas
latentes possam se tornar ativas e, por conseguinte, se manifestar em um acidente de trabalho,
configurando-se em riscos.
Heinrich idealizou cinco pedras de dominó em que cada peça representa uma situação
satisfatória ao acontecimento de um acidente. Em outras palavras, os acidentes industriais são
resultado de uma sequência de eventos, tal qual uma sequência de quedas de dominós. A partir
do momento em que se provocar a queda da primeira pedra, haverá a queda das demais em
sequência. A teoria do dominó estabelecia cinco bases presentes nos acidentes industriais:
• origem e condição social do homem, o qual não está dissociado do meio em que vive;
• defeitos morais (temperamento como atributo da personalidade);
• ação ou condição insegura;
• acidente em si;
• lesão individual.
Por condições inseguras, entende-se que os acidentes ocorram em virtude das circunstâncias
do lugar de trabalho (organização de manutenção). Também são denominadas como riscos
profissionais, como uso de máquinas de esmeril sem proteção, de equipamentos elétricos não
isolados, ambiente que requer precisão na leitura da calibração dos instrumentos de aeronaves
com iluminação insuficiente, etc.
Caso alguns riscos não sejam controlados, poderão ser condições latentes ao acontecimento de
doenças do trabalho. Sendo assim, a ausência ou a falta do equipamento de proteção individual
poderá redundar em atos inseguros dos mantenedores nas empresas de manutenção.
420
De acordo com James Reason, em algumas organizações, a alta direção poderá tomar decisões
com falhas as quais resultarão em falhas latentes. Somando-se a isso, se os programas e os
procedimentos a serem adotados pelas oficinas de manutenção forem deficientes (MOM,
MCQ, programa de treinamento, etc.), eles também resultarão em falhas latentes. Consiste
em uma somatória de fatores que irá culminar em condições inseguras e, consequentemente,
nos riscos.
Os erros são os lapsos cometidos por descuidos, distrações ou esquecimentos. Eles são
involuntários. As violações, por sua vez, são infrações às normas ou aos procedimentos de
forma voluntária. A somatória de erros e violações pode ser caracterizada por:
• falta de comunicação - ausência de capacidade de entender e de se fazer entendido;
• complacência - falta de percepção acerca das situações que possam ocasionar algum risco;
• falta de conhecimento - ausência de treinamento ou experiência, a fim de realizar uma
tarefa;
• distração - falta de atenção, confusão mental ou distúrbios emocionais;
• falta de trabalho em equipe - incapacidade de interagir e efetuar tarefas em conjunto;
• fadiga - cansaço excessivo em função do trabalho, de outras atividades ou problemas;
• infrações às normas - realizar uma tarefa sem seguir normas ou procedimentos contidos
nas publicações técnicas das aeronaves;
• pressão de tempo - urgência em concluir uma atividade, deixando de lado alguns proce-
dimentos de segurança de voo e do trabalho;
• falta de assertividade - dificuldade em expressar suas ideias, opiniões e suas necessidades;
• estresse - físico, mental ou emocional;
• falta de vigilância - incapacidade de ficar atento para observar todas as situações;
• falta de recursos - ausência de equipamentos, manuais técnicos, ferramentas para efetuar
a manutenção nas aeronaves.
421
capaz de atingir os aspectos técnicos, comportamentais e organizacionais. A supervisão da
manutenção deverá estar constantemente em ação.
O chefe de manutenção da empresa aérea tem como principal atribuição ser o responsável
pela qualidade dos serviços de manutenção da empresa, mesmo que realizados por empresas
contratadas. Deverá interagir junto à diretoria, para que sejam tomadas todas as providências
no sentido de garantir a qualidade técnica e as condições de aeronavegabilidade da aeronave
da empresa, executando ou fazendo com que seja executada toda ação necessária ao fiel
cumprimento do programa de manutenção e diretrizes emanadas da autoridade aeronáutica.
Resumindo
Neste capítulo, foi visto que a segurança do trabalho é aplicável à atividade aérea e, por
consequência, à manutenção de aeronaves. Sendo assim, o ambiente das oficinas de aeronaves
deve ser o mais apropriado, porque ele terá ferramentas, maquinário e, ao mesmo tempo,
EPIs necessários ao desempenho das tarefas de modo eficiente e eficaz, tendo em vista que a
integridade física dos profissionais da manutenção de aeronaves é de suma importância para o
perfeito desempenho das inspeções, dos reparos e dos recondicionamentos de uma aeronave.
422
A utilização dos EPIs como forma neutralizadora das ações adversas do ambiente na organização
de manutenção tem por escopo salvaguardar o mantenedor. É regulamentada pela NR 6,
pois todo local de trabalho na manutenção de aeronaves contém riscos que não podem ser
eliminados, mas podem ser reduzidos e administrados.
423
424
Capítulo 4
Regulamentação da profissão de
mecânico de manutenção aeronáutica
No processo, ficou comprovado que as atividades do autor eram executadas dentro de área de
risco, uma vez que, no local do trabalho, embora eventual, havia abastecimento de aeronaves e
enchimento de vasilhames.
425
No sentido de fazer justiça, a 2° Turma do TRT da sexta região versou acerca da aplicação ou
não da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT.
Entendo que as disposições dos parágrafos 6º e 8º, do artigo 477 da CLT, não ensejam
interpretação extensiva [...] Sabendo-se que a multa (§ 8º) é devida apenas em face
da “inobservância do disposto no § 6º”, que, por sua vez, estabelece prazo para o
“pagamento das parcelas” rescisórias, claro que somente a impontualidade constitui
motivo para aplicação dessa penalidade (BRASIL, 2011, p. 4).
Não demonstrada nos autos, pelas provas pericial, testemunhal e documental, analisadas
em conjunto, a exposição dos trabalhadores substituídos a condições perigosas, merecendo
ser confirmada a sentença neste particular. Contudo, diante da conclusão pericial de que
os equipamentos de proteção individual fornecidos pela empregadora não são aptos a
elidir a ação nociva decorrente da exposição dos trabalhadores substituídos a agentes
químicos, quando do desempenho de suas funções como Mecânicos de Manutenção de
Aeronaves ou Mecânicos Assistentes em favor da reclamada, e considerando evidenciar
a prova documental (especialmente as fichas de controle de EPIs anexadas ao processo)
não ter havido o correto fornecimento de equipamentos de proteção a tais empregados,
na medida em que notadamente insuficientes aqueles cuja entrega foi documentada pela
empregadora, fazem jus os substituídos ao adicional de insalubridade em grau máximo,
em parcelas vencidas, observado o período não prescrito de vigência dos respectivos
contratos de trabalho, e vincendas. Apelo do Sindicato autor parcialmente provido
(BRASIL, 2013, p. 1).
426
4.2 Contrato de trabalho celebrado entre o empregador e
o empregado
O contrato de trabalho pode ser conceituado como vínculo jurídico estabelecido entre
o empregado (mecânico de aeronaves), que presta serviço de forma pessoal, subordinada e
não eventual, e o empregador (oficina ou empresa aérea), recebendo, como contraprestação,
a remuneração. O regulamento brasileiro da aviação civil 145 (RBAC 145) prevê pessoal
habilitado e capacitado para trabalhar como mecânico. De acordo com a seção 145.151,
segundo a qual se dispõe acerca de requisitos de pessoal, cada organização de manutenção
certificada deve:
(a) designar uma pessoa com vínculo contratual com a organização de manutenção
como gerente responsável (GR) pessoa única e identificável que, na estrutura da
organização de manutenção, tem o poder hierárquico de autorizar ou recusar quaisquer
gastos relacionados à condução das operações pretendidas a ser cadastrado na ANAC;
(b) prover pessoal com vínculo contratual e qualificado para planejar,
registrar, supervisionar, executar, inspecionar e aprovar para retorno ao
serviço de manutenção, manutenção preventiva ou alteração executada sob
o certificado de organização de manutenção e suas especificações operativas;
(c) assegurar que exista número suficiente desse pessoal com vínculo contratual com
treinamento ou conhecimento, e experiência na execução de manutenção, manutenção
preventiva ou alteração, conforme autorizado no certificado de organização de
manutenção e respectivas especificações operativas, para assegurar que todo serviço
seja executado de acordo com o RBAC 43 (BRASIL, 2014b, p. 13).
427
DECISÃO: A Quinta Turma, à unanimidade, conheceu dos recursos ordinários.
No mérito, deu provimento parcial ao recurso do reclamante para determinar o
pagamento, como extras, das horas excedentes da 6ª diária, com observância do
divisor 180, bem como para condenar a reclamada ao pagamento do auxílio-refeição
nos dias que a prorrogação da jornada obreira extrapolar 2 horas, consoante jornada
fixada neste julgamento, de tal sorte que mantidos os demais parâmetros e reflexos
fixados na sentença. Deu parcial provimento ao apelo da reclamada para limitar a
condenação ao pagamento de 1 hora extra pela não fruição do intervalo intrajornada
aos dias em que, conforme fixado pela r. sentença, não houve concessão integral do
referido intervalo, mantidos os reflexos deferidos. Elevou o valor da condenação
em R$10.000,00 com custas igualmente elevadas em R$ 200,00, a cargo da ré.
Certifico que esta matéria será publicada no DEJT, dia 15.05.2015 (divulgada no dia
14.05.2015) (BRASIL, 2015, p. 1).
Por seu turno, a quebra do contrato de trabalho acontecerá com a rescisão. O RBAC 145, seção
145.163(c), dispõe que:
Essas exigências servem para comprovar o cumprimento de requisitos da ANAC, mesmo após o
rompimento do contrato do mecânico com a empresa, para provar a formação continuada dele.
428
A convenção coletiva de trabalho de 2014/2015, realizada entre o Sindicato Nacional dos
Aeroviários e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, estabeleceu as condições que
vigorarão para os aeroviários filiados ao Sindicato Nacional dos Aeroviários, exceto os filiados ao
das empresas de táxi aéreo.
A convenção coletiva mencionada foi caracterizada por uma campanha histórica na luta de
conquista de direitos dos trabalhadores aeroviários, em face da intervenção da Federação Nacional
dos Trabalhadores em Aviação Civil (FENTAC) da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
A organização de manutenção RBAC 145, devidamente certificada pela ANAC, tem por objetivo
restabelecer a vida útil do avião e dos helicópteros. Ocorre que intervenções de manutenção
devem ser efetuadas pontualmente (em intervalos de tempos, ciclos, após a operação da aeronave
e em intervalo de horas de voo). Nesse contexto, os limites não podem ser ultrapassados. Sendo
assim, a empregadora (organização de manutenção) terá que prover condições para a execução
dos trabalhos de manutenção nas diversas aeronaves.
As empresas de grande porte que realizam linhas aéreas regulares terão de contratar profissionais
para efetuar serviços em suas aeronaves, quer sejam profissionais pertencentes da própria empresa
detentora de uma certificação de linhas aéreas, quer sejam de outros mecânicos de manutenção
aeronáutica, oriundos de empresas subcontratadas, nos mesmos serviços, de uma organização de
manutenção alheia, nos termos da seção 121.371(d):
429
Cada detentor de certificado deve manter ou deve determinar que cada pessoa com
contrato para execução de inspeções obrigatórias mantenha uma lista atualizada de
pessoas habilitadas que foram treinadas, qualificadas e autorizadas a executar tais
inspeções. Cada pessoa deve ser identificada por nome, título ocupacional, nº do
certificado ou do registro emitido pela ANAC e pelas inspeções que está autorizada
a fazer. O detentor de certificado (ou as pessoas por ela contratadas para executar
inspeções obrigatórias) deve fornecer instruções escritas a cada uma dessas pessoas,
descrevendo a extensão de sua autoridade e responsabilidade e de suas limitações nas
inspeções. Essa lista deve ficar à disposição dos INSPAC (BRASIL, 2010, p. 111).
(b) Cada detentor de certificado que mantenha suas aeronaves de acordo com o
parágrafo 135.411(a)(2) deve:
(2) fazer contrato com outra pessoa para execução de manutenção, manutenção
preventiva, modificações e reparos. Entretanto, o detentor de certificado deve
assegurar-se que qualquer trabalho executado pela outra pessoa seja executado de
acordo com o seu manual e com este regulamento (BRASIL, 2014a, p. 120).
430
• controlar os riscos ambientais com os dados colhidos por meio de medições dos equipa-
mentos, realizar as medidas de controle, baseados em procedimentos de engenharia e nos
recursos econômicos disponíveis.
431
São benefícios do dependente do segurado:
• pensão por morte;
• auxílio reclusão - pago enquanto o segurado estiver cumprindo pena (se falecer neste
período converte-se para pensão por morte).
De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho de 2014/2015, nos termos da cláusula social
n° 21, que trata sobre a complementação de auxílio previdenciário, são:
A cláusula n° 33, que versa sobre garantia de emprego ao acidentado, prevê que:
Essa cláusula reflete o direito à estabilidade no emprego. Contudo, existem dois requisitos a
serem observados, quais sejam:
• possuir mais de 15 anos desenvolvendo seus serviços de reparo, inspeção, recondicio-
namento, reconstrução, ou seja, trabalhos de manutenção em aviões em uma mesma
organização de manutenção (oficina);
• ter trabalhado de tal forma que falte pelo menos três anos para obter o direito à solicitação
de sua aposentadoria. Tais conquistas de direito previdenciários a serem concedidos aos
aeroviários, inclusive aos mecânicos de manutenção de aeronaves, foram fruto de lutas,
batalhas dentro da perspectiva do estado democrático de direito em que todos se sub-
metem à lei. Sendo assim, o mecânico de aeronaves, a exemplo dos outros profissionais,
podem viver com dignidade, consagrado no art. 1°, inciso III, da Constituição Federal.
432
Resumindo
Neste capítulo, foi vista a importância da regulamentação da profissão do mecânico de
manutenção aeronáutica, uma vez que o direito tem por objetivo salvaguardar as liberdades
individuais, estabelecer parâmetros e deveres no predomínio da lei. Além disso, reconhecer que
esses trabalhadores têm grande relevância no mundo do trabalho, o qual culminou na escolha
de um dia específico para sua comemoração.
433
434
Unidade 8
Primeiros socorros
Primeiros socorros são procedimentos de emergência que devem ser adotados em casos de
acidentes ou de situações adversas. Entretanto, nem sempre as pessoas que estão próximas
àquela que necessita de socorro são profissionais de saúde. Por isso, conhecimentos básicos
sobre ações corretas, a serem tomadas num momento emergencial, podem minimizar
consequências, em vez de agravá-las.
Esta unidade apresentará situações que expõem as pessoas ao risco de morte, assim como
os sinais e os sintomas a serem observados, a fim de que os primeiros socorros sejam
realizados de modo efetivo.
Outros eventos adversos, relacionados à saúde e aos acidentes em geral (de trânsito,
aéreo, de trabalho, em domicílio), também serão abordados, demonstrando a aplicação
de técnicas de primeiros socorros em cenários específicos e possibilitando a avaliação da
melhora ou da piora do quadro inicial da pessoa assistida.
É importante destacar que, se bem utilizadas, as técnicas de socorro facilitam o trabalho
das equipes de saúde na continuidade do atendimento, sem provocar danos adicionais à
pessoa com problemas de saúde ou que tenha sofrido um acidente.
Os conteúdos desta unidade são importantes para o mecânico de aviação, tendo em
vista os riscos inerentes à sua atividade, especialmente àqueles relacionados à exposição a
altas temperaturas, tanto do ambiente quanto dos componentes de motores e peças. Por
outro lado, o fato de permanecerem em pé, por longos períodos de tempo, manipulando
substâncias como óleos lubrificantes, por exemplo, pode originar situações de emergência.
435
436
Capítulo 1
Eventos adversos neurológicos
O sistema nervoso controla todas as ações voluntárias e involuntárias do corpo humano. Ações
voluntárias são aquelas que ocorrem por vontade própria (comer, andar, falar) e involuntárias
são as que acontecem sem que sejam percebidas (respirar, bater o coração).
O córtex cerebral é a maior parte do cérebro humano. É o responsável pelo pensamento e pela
ação e está divido em quatro lobos: frontal (raciocínio, soluções de problemas, partes da fala,
emoções); temporal (memória, linguagem, reconhecimento de estímulos auditivos); parietal
(percepção de sensações como o tato, a dor, o calor); occipital (processamento visual de cores,
movimentos, distâncias).
A ocorrência de disfunções, relacionadas ao sistema nervoso, pode gerar graves consequências à vida
das pessoas. No entanto, se receberem cuidados imediatos, terão maiores chances de recuperação.
O nível de consciência é uma das funções do sistema nervoso que possui grande relevância. Por
definição, o nível de consciência se refere à resposta que o ser humano dá a determinados estímulos.
437
É possível perceber o nível de consciência de uma pessoa, observando sua abertura ocular.
Quando uma pessoa está acordada e desperta, seus olhos ficam abertos espontaneamente.
Entretanto, em algumas situações, a pessoa só abre os olhos se receber um estímulo sonoro ou
um estímulo doloroso.
Para que se determine o nível de consciência, frente a um evento adverso, utiliza-se a seguinte
classificação:
A estas etapas (alerta à inconsciência) dá-se o nome de queda de nível de consciência. Se uma
pessoa demonstrar esta evolução negativa, pode ocorrer uma crise convulsiva, uma parada
respiratória e, até mesmo, uma parada cardíaca.
Portanto, se uma pessoa precisar de algum estímulo para manter os olhos abertos, é sinal que há
alteração no sistema nervoso central e que precisa de atendimento médico. Assim, até a chegada
de uma equipe de saúde, deve-se estimular a pessoa insistentemente, chamando-a pelo nome
ou usando o tratamento senhor(a).
A sinapse, por sua vez, acontece com determinada velocidade para que a informação
chegue ao seu destino de maneira completa e correta. Caso haja alguma alteração, tanto nos
neurotransmissores quanto na velocidade de transmissão, a pessoa experimenta uma sensação
438
de vazio de pensamento, como se estivesse em um transe. Esta manifestação é chamada,
tecnicamente, de crise convulsiva.
• pequeno mal - quando a pessoa experimenta uma sensação de vazio, como se estivesse
perdida no tempo e no espaço, sem ouvir a ninguém e sem interagir com o ambiente a
sua volta; Grunhido: som produzido
• grande mal - quando a pessoa passa por uma alteração na condução das sinapses que esti- pela saída de ar pela via
aérea obstruída.
mula de forma acentuada os músculos do corpo, fazendo-os contrair de forma tão intensa
que chega a produzir um grunhido que sai pela boca e um tremor que retorce o corpo.
Na crise convulsiva de pequeno mal, a pessoa precisa ser acompanhada durante toda a crise
para que não se machuque e nem corra outros riscos. É comum saber de pessoas que tiveram
este tipo de crise convulsiva e subiram no alto de caminhões, ficaram na beira de penhascos,
atravessaram ruas com carros em movimento, entre outros locais onde ocorreram risco de vida.
Neste caso, preferencialmente, a pessoa deve ser colocada sentada, com as costas apoiadas sobre
uma parede, ou apoiada de outra maneira, para que esteja segura ao recobrar a consciência.
Quando isso acontecer, a pessoa que a atende deve orientá-la quanto ao local em que está,
perguntar se está bem e lembrar do que aconteceu.
Na crise convulsiva de grande mal, a condição da pessoa é mais grave, pois estará inconsciente
e com seu corpo tremendo. Essa crise é dividida em:
439
Na crise focal ou localizada, apenas uma parte do corpo, como os braços e as pernas, mexe-se
de forma independente, o que se conclui que o cérebro tem algum controle sobre os órgãos que
estão imóveis.
Diante de uma crise convulsiva de grande mal, é possível adotar procedimentos que garantam
a segurança da pessoa:
Sudorese: propriedade Algumas pessoas ainda acreditam que a saliva, proveniente da crise convulsiva, pode transmitir
corporal que ajuda a regular doenças, mas isso não é verdade. Basta lavar as mãos ou a região do corpo que teve contato com
a temperatura do corpo. suor
a saliva e nada acontecerá. Vale destacar que os procedimentos de primeiros socorros são muito
excessivo.
importantes e não podem deixar de acontecer em função de crenças populares, que não têm
Sialorreia: secreção
fundamentação científica.
excessiva de saliva, que
pode ser causada por
problemas neurológicos,
Caso a pessoa seja diagnosticada por um médico como epilética, a crise convulsiva será a
intoxicação ou lesão da principal manifestação da doença, tanto no caso de pequeno quanto de grande mal. Não tomar
mucosa bucal. regularmente a medicação ou combiná-la com álcool etílico, pois isso pode contribuir para o
aparecimento das crises.
440
1.3 Insolação e intermação
Casos de insolação podem ocorrer quando a pessoa fica exposta ao sol por um período
prolongado.
Na praia, mesmo sob uma barraca de tecido, há exposição solar, pois o sol propaga sua
luminosidade, irradiando calor. O calor, por sua vez, aquece o corpo a temperaturas muito
altas, obrigando-o a suar. Assim, sem que a pessoa perceba, o corpo não consegue mais regular
sua temperatura por meio do suor.
Se uma pessoa ficar exposta ao sol ou a altas temperaturas, o corpo gastará muita energia, que
será retirada das fontes alimentares e da gordura, para manter este equilíbrio. Em determinado
momento, a perda de líquido, pela exposição ao calor, faz este mecanismo falhar, provocando
desequilíbrio.
Com isso, as funções cardiológica e respiratória também falham e o corpo entra em colapso.
Isso acontece porque estas funções dependem do líquido que circula nos vasos sanguíneos e da
umidificação das vias aéreas.
As manifestações deste colapso são: confusão mental, cefaleia, tonteira, coração acelerado, entre
outras, que podem levar ao desmaio e deixar a pessoa inconsciente. Axilas: região anatômica
situada entre o tórax e os
Para prevenir estas manifestações, não é aconselhável se expor ao sol entre 11 e 16 horas, pois braços.
neste horário o sol é muito intenso. Porém, há profissões que exigem a exposição solar durante
este período.
Neste cenário, o trabalhador deverá usar roupas leves e claras, que protejam a pele, ingerir
grande quantidade de líquidos durante todo o período de trabalho, e fazer pequenas pausas à
sombra para resfriar o corpo. É importante tentar conciliar a ingestão de líquidos durante os
intervalos e à sombra.
Caso a pessoa fique inconsciente, deve ser colocada no solo, preferencialmente, em ambiente
refrigerado. Se não for possível, deve ser levada a um local bastante arejado e seu corpo deve ser
resfriado com panos umedecidos no pescoço, na testa e nas axilas.
Não se deve jogar água gelada sobre o corpo, pois isso pode piorar a situação por reduzir
rapidamente a temperatura corporal. A cabeça deverá ser mantida elevada. Posteriormente, a
pessoa deve ser encaminhada a um posto de atendimento.
441
Para reverter as consequências da intermação, é importante que a pessoa seja retirada do
ambiente aquecido o quanto antes, a fim de que haja o resfriamento gradual do corpo através
da pele, como nos casos de insolação.
Em ambas as situações há risco de morte e a pessoa, mesmo que recobre a consciência, deve ser
encaminhada ao posto de atendimento.
Resumindo
Neste capítulo, foram apresentados eventos neurológicos adversos que podem comprometer a
vida das pessoas, assim como os procedimentos de primeiros socorros a serem adotados.
Todos os eventos adversos tratados têm em comum a inconsciência, como sinal claro de
alteração no funcionamento do sistema nervoso.
442
Capítulo 2
Eventos adversos cardiológicos
Os eventos cardiológicos ocorrem por diversas razões. Alguns eventos cardiológicos são
merecedores de atenção, considerando a frequência com que ocorrem, principalmente quando
a pessoa lida com tarefas que exigem esforço físico e que podem produzir outros acidentes.
Mas o que pode provocar uma PCR? As causas mais comuns são: a obstrução de uma artéria
que alimenta o coração com sangue rico em oxigênio, a perda excessiva de sangue (hemorragia),
o estado de choque e a falta de líquidos no corpo (desidratação).
Quando o cano entope, a água não escoa. O mesmo ocorre com as artérias, mas há uma
diferença básica: o sistema circulatório não é aberto como os canos da casa. No sistema
circulatório, o sangue não passa adiante da obstrução e os tecidos, que ficam depois dela, não
443
recebem a oxigenação e os nutrientes necessários para manter a vida. É aí que ocorre o infarto
(os termos enfarte ou infarto estão corretos).
Quando a obstrução das artérias acontece, a pessoa experimenta uma sensação de cansaço,
mesmo se estiver em repouso. Isso porque, em virtude da dificuldade de passagem do sangue,
o coração é obrigado a bater mais rápido e com mais força. E o coração só consegue fazer isso
se o músculo cardíaco tiver força para contrair o músculo e deixar o sangue circular. Acontece,
então, um ciclo vicioso. Se o sangue não passa pelas artérias não é possível que os tecidos sejam
oxigenados. Aparecem o cansaço e as dores no peito, geralmente ignorados. Apenas quando estas
dores não são mais suportadas, pede-se ajuda ou aguarda-se até acontecer um infarto fulminante.
A PCR ocorre quando o coração para de bater por não conseguir mais bombear o sangue
para o corpo. A pessoa se queixa de dor na região precordial (região do coração) como se algo
a apertasse. Se apresentar sudorese intensa, tonteiras e até vômito, deve-se colocá-la sentada
Esterno: osso localizado na ou deitada, afrouxar-lhe as roupas e pedir ajuda especializada para que seja transportada
região anterior e central do
imediatamente ao hospital. Estes são sintomas clássicos de infarto do miocárdio. Caso a pessoa
tórax.
fique inconsciente, além de chamar por ajuda especializada, os primeiros socorros podem ser
prestados, conforme a sequência listada a seguir:
444
Durante a compressão torácica, não é necessário se preocupar em oferecer oxigênio para
a vítima, pois geralmente não há equipamento que proteja o socorrista e que ofereça
uma quantidade suficiente de oxigênio. O ar que a pessoa tem servirá até que a ajuda
especializada chegue.
O impacto emocional de ver uma pessoa nesta situação é muito grande e pode gerar medo e
insegurança. É importante conscientizar-se que ela terá mais chances de sobreviver se for rápida
e adequadamente atendida.
Para evitar o infarto é importante ter uma dieta balanceada, sem alimentos que
contribuam para o acúmulo de gordura nas artérias.
2.3 Hemorragias
A hemorragia é uma condição de risco à integridade da pessoa, pois caso persista por tempo
prolongado pode levar à morte imediata.
Os vasos sanguíneos são revestidos por estruturas musculares. Estas estruturas podem resistir,
com maior ou menor intensidade, a impactos, cortes ou à execução de atividades laborais. O
ser humano possui dois tipos de vasos sanguíneos com diferentes funções: as veias e as artérias.
As artérias são vasos mais robustos. Possuem estrutura muscular em maior quantidade para que
o sangue percorra o corpo e possa, assim, nutrir os tecidos. Este percurso é ditado pela força
que o coração tem para bombear o sangue e, por isso, a velocidade, a intensidade e o volume
de sangramento, provenientes de uma artéria, são sempre maiores se comparados aos de uma
veia. A coloração do sangue é mais clara, como um vermelho vivo e a visualização do sangue,
quando o sangramento é exteriorizado, é como um esguicho.
445
Em contrapartida, se ocorre o rompimento de uma veia, o sangramento
acontece de maneira diferente, pois cada tipo de vaso (artérias e veias)
possui estruturas anatômicas com características diferentes.
O profissional que faz esta compressão deve usar um pano limpo e seco, ou uma gaze
de algodão, e luvas de procedimento para não entrar em contato com o sangue da outra
Vulto: quantidade. pessoa. Isso porque o sangue é responsável pela transmissão de inúmeras doenças, como a
AIDS e a hepatite.
Sutura: procedimento
cirúrgico realizado por
médico para o fechamento
Dependendo da localização do sangramento, de sua intensidade e se houver uma lesão
de lesões. profunda na pele, o serviço especializado de saúde precisa fazer uma sutura dos vasos sanguíneos
Otorragia: sangramento do
envolvidos e da pele na região afetada. Caso contrário, apenas a compressão e a fixação de um
ouvido. curativo com adesivo é suficiente para conter a hemorragia e favorecer a cicatrização.
Rinorragia: sangramento do Podem ocorrer sangramentos que não são provocados por cortes na pele. Um exemplo é a
nariz.
otorragia, provocada por um trauma direto no ouvido ou pelo aumento da pressão arterial
Vasodilatação: processo que da pessoa. Neste caso, o sangramento funciona como um mecanismo de defesa para que o
ocorre quando os músculos
lisos das paredes dos vasos
aumento da pressão arterial não reflita em algum órgão mais importante, como o cérebro. O
sanguíneos se dilatam. mesmo pode acontecer com a rinorragia. O sangue escorre subitamente do nariz, sem que a
está relacionado com a pessoa perceba.
manutenção e regulação da
pressão arterial e na redução
Nas duas situações expostas, o sangramento deve ser contido com uma gaze ou um chumaço
da nutrição dos tecidos.
de algodão. Além disso, é importante verificar a pressão arterial e fazer uma investigação dos
Trauma direto: choque que
medicamentos que a pessoa faz uso e que contêm vasodilatadores.
ocorre entre duas superfícies.
Hipertensa: a pessoa que A hemorragia interna está relacionada ao rompimento de vasos sanguíneos que irrigam
está com a pressão arterial os órgãos. O abdômen é uma região do corpo que concentra grande quantidade de vasos
elevada.
sanguíneos e órgãos muito vascularizados, sendo, portanto, a região de maior risco em
Cefaleia: dor de cabeça. casos de trauma direto. O crânio é outra região na qual o sangramento não é facilmente
Taquicardia: fenômeno identificado. Quando não é possível visualizar o sangue, somente por meio da observação
relacionado ao aumento da de sinais de gravidade é que o socorrista pode suspeitar que uma hemorragia interna está em
frequência de batimentos do
andamento. Quando ocorre um trauma na cabeça ou se a pessoa é, sabidamente, hipertensa
coração.
e tem cefaleia de início repentino, sonolência e confusão mental há indicações mais precisas
Pulso: onda de condução de que há um sangramento.
do sangue no interior dos
vasos sanguíneos em que
Os sintomas apresentados por uma pessoa com hemorragia interna são: taquicardia, taquipneia,
se verifica a frequência e o
ritmo do bombeamento do pulso acelerado e desorientação mental. Em suma, podem ser assim caracterizados:
coração.
446
• taquicardia - refere-se ao aumento da frequência
cardíaca.
• taquipneia - refere-se ao aumento da frequência
respiratória.
Taquipneia: fenômeno
• pulso acelerado - refere-se ao aumento da frequên- relacionado ao aumento da
cia cardíaca verificada pelo pulso radial. A frequ- frequência de respirações.
ência de pulso é medida com o posicionamento Pulso radial: onda de pulso
dos dedos indicador e médio, normalmente, sobre localizada na extremidade do
braço mais próxima às mãos.
a artéria radial. No caso de hemorragia interna, as
ondas do pulso ficam aceleradas e/ou irregulares. Hipovolêmico: que tem
pouco volume.
Figura 10 - Palpação do pulso radial • desorientação - quando a pessoa não responde
coerentemente às solicitações verbais. Isotônico: substância
que não interfere na
concentração das soluções.
As hemorragias internas só podem ser tratadas com procedimentos realizados no centro
cirúrgico de um hospital. Por isso, a rápida identificação destes sinais é importante para o
tratamento correto e imediato.
O choque distributivo ocorre quando o coração não é capaz de bombear o sangue corretamente,
provocando uma congestão de líquido nos pulmões e em outros órgãos.
O choque provocado pela passagem da corrente elétrica pelo corpo é chamado choque elétrico.
Dependendo da intensidade, causa queimaduras e até mesmo óbito.
O choque hipovolêmico é causado pela falta de sangue circulando no corpo. Isto pode ocorrer
por algumas razões especiais. No caso de ambientes de trabalho, o choque, causado pela perda
sanguínea em ferimentos e lesões dos vasos, tem chamado a atenção. A pessoa fica pálida, com
a pele fria e úmida, as frequências cardíaca e respiratória aumentam.
O tratamento oferecido pela equipe de socorro tem como objetivo a reposição do volume de
sangue perdido, para que o coração volte a funcionar adequadamente. Esta reposição acontece
com o uso de substâncias isotônicas, tais como o soro fisiológico. Na unidade hospitalar, talvez
seja necessário fazer uma transfusão sanguínea.
447
As outras fases do choque hipovolêmico são mais severas e os sinais e sintomas mais intensos,
variando entre a sonolência e a inconsciência. Nestes casos, o tratamento hospitalar é a única
medida de socorro.
2.5 Desidratação
A falta de líquidos no corpo, além de provocar um aumento dos batimentos cardíacos, diminuir
a concentração, a capacidade de raciocínio e os reflexos, também deixa o sangue mais espesso,
podendo causar uma trombose e até a morte por parada cardíaca, devido à diminuição de
potássio e de sódio na corrente sanguínea.
Trombose: obstrução da
circulação do sangue em
virtude da formação de um
coágulo (trombo) sanguíneo. Resumindo
Neste capítulo, foram abordados os pontos relevantes no atendimento à parada cardiorrespi-
ratória, conforme preconizado no Brasil e no mundo. Destacou-se como a alimentação e o
sedentarismo influenciam na obstrução dos vasos sanguíneos e, ainda, como as hemorragias
comprometem a função cardiológica e as demais funções corporais. Mostrou-se que, caso as he-
morragias não sejam rapidamente tratadas, trarão graves consequências ou até mesmo a morte.
448
Capítulo 3
Eventos respiratórios adversos
A respiração é uma das funções vitais mais importantes para o ser humano. A manutenção
da permeabilidade das vias aéreas influencia na entrada e na saída do ar. Os eventos adversos
que podem comprometer a função da respiração aumentam a frequência respiratória e podem
influenciar outros sistemas corporais. Vias aéreas: estruturas
anatômicas por onde passa o
ar até chegar aos pulmões.
Entre os eventos adversos respiratórios, identifica-se a crise asmática e a parada respiratória.
Mucosa: tecido que reveste
os órgãos internamente.
Secreção: substância
A crise asmática ocorre quando a pessoa entra em contato com uma substância que provoca produzida pelo nosso corpo
reação alérgica nos tecidos das vias aéreas, reduzindo a passagem de ar e comprometendo o com reação à invasão de
micro-organismos.
funcionamento da respiração.
Sibilo: som produzido pelo
O sistema respiratório possui canais por onde o ar passa, antes que chegue aos pulmões, para ser estreitamento da via aérea.
purificado, e retorne ao sangue para a nutrição dos sistemas do corpo. Estes canais são chamados Dispneia: dificuldade de
de vias aéreas e são compostos pela traqueia, brônquios e bronquíolos, entre outros. A mucosa, respirar.
que envolve estas partes do sistema respiratório, é responsável pela filtração e progressão do
ar inspirado, para que chegue limpo aos pulmões e diminua a chance de invasões de micro-
organismo que causam doenças.
As mucosas, da mesma forma que impedem a invasão de bactérias, entram em contato com
substâncias desconhecidas que causam inflamação nas vias aéreas. Estas ficam edemaciadas
e dificultam a passagem do ar que entra e sai dos pulmões. Isso gera uma reação em cadeia,
fazendo com que os brônquios também fiquem com o seu diâmetro reduzido e comecem a
produzir uma secreção que contribui para a saída da substância invasora.
A pessoa precisa, então, aumentar a frequência respiratória e fazer força para colocar o ar para
fora. Esta ação vem acompanhada de um chiado, parecendo um miado de gato, chamado
de sibilo. A falta de ar e a dispneia são sintomas frequentemente relatados por pessoas com
crise asmática. O socorro imediato está em retirar a pessoa do ambiente em que os sintomas
iniciaram ou reduzir o contato com as substâncias manipuladas antes que sintomas comecem.
449
Se a via aérea não permite a passagem do ar, a pessoa não consegue respirar e pode
morrer. Outras pessoas são sabidamente alérgicas e têm a doença asma. Por esta
razão, devem estar atentas aos riscos ocupacionais no exercício de sua atividade.
Caso a pessoa fique inconsciente, deve ser colocada sobre uma superfície rígida para que o
socorrista aplique movimentos compressivos sobre o abdômen, no sentido do peito. Os
movimentos devem ser continuados até que o objeto seja deslocado e permita a passagem do
ar (Figura 11.C).
Figura 11.A - Compressão do Figura 11.B - Compressão Figura 11.C - Compressão do abdômen
abdômen com o paciente em pé do abdômen com o paciente com o paciente deitado
do abdômen com o paciente sentado
450
Quando o serviço especializado chegar, deve ser iniciada uma ventilação artificial, com o uso
de um respirador artificial (tipo AMBU), e uma fonte de oxigênio deve ser utilizada para tentar
ventilar o paciente adequadamente. Na hipótese de estes procedimentos não resolverem, o
médico pode optar por fazer uma cricotireoidostomia, a fim de abrir uma passagem de ar na
traqueia da pessoa.
Cricotireoidostomia:
procedimento cirúrgico para
promover a permeabilidade
Resumindo das vias aéreas.
Neste capítulo, viu-se que a via aérea é fundamental para que o corpo humano troque o gás
carbônico pelo oxigênio. Assim, toda vez que uma pessoa se queixar de que está com dificuldade
na respiração, é importante adotar procedimentos que mantenham as vias aéreas abertas. Caso
medidas não sejam tomadas, a pessoa pode deixar de respirar correndo risco de morte.
451
452
Capítulo 4
Eventos tegumentares diversos
A pele é o maior órgão do corpo humano e, além da função de barreira natural contra micro-
organismos, também exerce a função de regular a temperatura corporal. Desse modo, quando
lesionada, pode alterar a função de órgãos importantes para a vida, tais como o coração.
Injúria: traumatismo
4.1 Queimaduras provocado por pressão
externa.
A queimadura pode ser definida como toda e qualquer alteração na perda de continuidade da Plasma sanguíneo:
pele, decorrente de agente térmico, elétrico ou químico. Estes três tipos de agentes causais são substância líquida que forma
o sangue e é responsável
encontrados em qualquer lugar: na praia, tomando banho de sol, em casa, por meio de um
pela sua fluidez.
choque, pela aplicação de um produto químico na pele.
Vasoconstricção: processo
A queimadura provoca uma lesão local, também chamada de injúria, com a migração de sangue que ocorre quando os
músculos lisos das paredes
para a região e a perda de plasma sanguíneo. Isso faz com que o líquido, que está dentro dos dos vasos sanguíneos se
vasos sanguíneos, se mova para fora dos vasos, ficando entre os demais tecidos, ocorrendo contraem. está relacionado
vasoconstricção periférica e flictenas. à manutenção e à regulação
da temperatura corporal,
Os flictenas são como bolhas, que têm em seu interior plasma sanguíneo. Este plasma sai de evitando que o corpo perca
calor para o meio exterior.
dentro do vaso sanguíneo em função do aumento da temperatura da pele e, então, é retido e
resfriado fora do vaso sanguíneo. Esta condição, em grande escala, provoca a desidratação do Alterações sistêmicas:
alterações que ocorrem no
corpo e alterações sistêmicas importantes. corpo acometendo todos os
sistemas.
Os sinais e sintomas apresentados por vítimas de queimadura, geralmente, são:
Hepiremia: área com
concentração de vasos
• taquicardia - é reflexa ao próprio evento, mas também pode ocorrer em virtude da perda
sanguíneos e de coloração
líquida; avermelhada.
• taquipneia - está associada à taquicardia para compensar o trabalho cardíaco, mas tam-
bém ocorre em casos de queimaduras de vias aéreas, pela redução dos espaços ventilató-
rios devido à lesão da mucosa;
• sudorese - serve para reduzir a temperatura corporal;
• sede - ocorre devido à perda líquida corporal;
• dor - em virtude da lesão de terminações nervosas presentes na pele;
• hepiremia - coloração avermelhada da pele pela migração de sangue para a região da
queimadura;
• angústia e irritabilidade - provocadas pela dor, mas que também podem estar relaciona-
das à redução da oxigenação corporal e cerebral devido à perda de líquidos;
453
• risco de infecção - provocado pela lesão na pele, uma vez que a pele perde a continuidade
e fica aberta.
A classificação da queimadura é feita a partir de três eixos principais. O primeiro eixo está
relacionado ao agente causal. O segundo eixo é a avaliação da profundidade da queimadura.
E o terceiro eixo é a superfície corporal queimada (SCQ). Estes eixos se complementam e
permitem que se avalie a gravidade da queimadura e as repercussões que pode produzir ao
paciente queimado.
• cabeça: 9%;
• tronco: 18% (frente e dorso);
• cada braço: 9%;
• cada lado da perna: 9%;
• genitália: 1%.
454
4.1.3 Tratamentos
Existem vários tratamentos para a reversão dos efeitos causados pelas queimaduras, entre
eles a reposição volêmica, que estabiliza a quantidade de líquido circulante no corpo, a
antibioticoterapia, que combate ou previne o aparecimento de infecções e a enxertia de tecidos
que repõe os tecidos perdidos pela queimadura e não se regeneram espontaneamente.
Nos primeiros socorros, a pele queimada deve ser resfriada com água corrente para conter a
propagação do calor. Se a queimadura for causada por agentes químicos, a redução do contato
da substância com a pele deve ser atenuada com o uso de água ou agentes antídotos.
Antídoto: substância que
No caso das queimaduras elétricas, a interrupção da corrente de energia deve ser providenciada, anula o efeito de outra
mas as regras predeterminadas para desativar a fonte de energia precisam ser seguidas, a fim substância.
de que a pessoa que está auxiliando não se torne outra vítima. A superfície queimada deve ser
Hemodinâmica: relacionada
coberta com uma gaze de algodão estéril para evitar a contaminação da pele exposta. No ambiente ao fluxo de sangue na
hospitalar deve ser realizada uma gasometria, com o objetivo de avaliar o comprometimento da corrente sanguínea.
oxigenação dos órgãos por meio do sangue. Em seguida, são feitos exames laboratoriais, como Profilaxia: ação que evita
o hemograma, com a avaliação do hematócrito e do quantitativo de hemácias circulantes. a proliferação de micro-
organismos.
As enzimas cardíacas também são avaliadas quando ocorrem queimaduras elétricas. Se a pessoa Ação bactericida: mata as
queimada apresenta instabilidade hemodinâmica, é feita uma reposição volêmica, com a bactérias de forma direta.
finalidade de corrigir a perda de líquido causada pela queimadura no organismo. A dor é um
Ação bacteriostática:
dos sintomas mais expressivos nos pacientes queimados. Por isso, o tratamento medicamentoso não destrói diretamente
é iniciado com a administração de analgésicos e anti-inflamatórios. Além disso, a profilaxia as bactérias. no entanto,
interfere de maneira negativa
com antibióticos serve para reduzir o risco de infecções. Nas queimaduras elétricas, o caminho no metabolismo bacteriano,
do choque traz risco de arritmias cardíacas e pode causar queimaduras térmicas em função da interrompendo ou até mesmo
intensidade da voltagem que produziu o choque. inibindo o seu crescimento e
sua multiplicação.
As lesões causadas por queimadura necessitam de curativos realizados diariamente. Os curativos Debridamento: retirada de
podem ser feitos no próprio leito do paciente, obedecendo a critérios de esterilidade, utilizando tecido da pele.
pomadas e cremes com ação bactericida e bacteriostática. Estes dois tipos de pomadas são
medicamentos e, por essa razão, necessitam de prescrição médica para serem aplicados sobre a
pele. Em alguns casos, é necessário retirar o tecido morto que fica sobre a pele queimada. Este
procedimento de debridamento só deve ser feito em ambiente hospitalar.
Antes de remover a pessoa para uma unidade de atendimento, ou até mesmo esperar pelo
atendimento, o socorrista deve avaliar a localização do corpo em que a lesão ocorreu. Conforme
a região há maior ou menor risco de sangramento ou de perfuração de órgão.
455
Após esta verificação, é importante que o objeto causador da perfuração não seja retirado do
corpo. O socorrista deve manter o objeto fixo ao local, independentemente de seu tamanho.
Isso porque não é possível ver até que ponto o objeto penetrou na pele e, se não se mantiver
fixo, pode produzir lesão pendular no interior do corpo.
456
Resumindo
Neste capítulo, foi visto que as queimaduras são eventos que comprometem a função de
diferentes sistemas e que o atendimento imediato pode reduzir o risco de complicações e,
até mesmo, de morte. A classificação das queimaduras permite que o tratamento correto seja
efetuado, garantindo a proteção da vítima. Demonstrou-se que as lesões penetrantes podem
oferecer danos aos vasos sanguíneos e aos órgãos e que devem, em algumas situações, ser
tratadas com cirurgia. Por fim, mostrou-se que os corpos estranhos, embora não ofereçam risco
imediato à vida, podem fazer com que a função de determinado órgão fique alterada.
457
458
Capítulo 5
Eventos osteomusculares adversos
5.1 Entorse
A entorse é provocada pelo alongamento excessivo das
articulações, produzindo dor intensa e edema na região
comprometida. Em geral, as pessoas se referem a esta
situação, usando um termo muito comum: torção. A
Figura 13 mostra um exemplo de entorse.
5.2 Luxação
Hematoma: acúmulo de
sangue, em determinado
A luxação é a saída de uma estrutura óssea
lugar do organismo, causado
da articulação a qual pertence. Em geral, pela ruptura de vasos
esta articulação já está comprometida sanguíneos ou veias.
por um evento traumático anterior ou Tipoia: lenço ou tira de pano
doenças inflamatórias do osso. A pessoa que se amarra no pescoço
para descanso de braço
experimenta dor no local e tem, assim como
quebrado ou ferido.
no caso da luxação, a deformidade e a função
Figura 14 - Luxação: o osso fora da comprometida. Na Figura 14 é possível
articulação do cotovelo ver a articulação do cotovelo luxada com a
Fonte: Fotomontagem
desorganização dos ossos.
Neste caso, o socorro está em imobilizar o braço comprometido provisoriamente, utilizando uma
tipoia, envolvida com uma atadura de crepom que deve ser passada pelo pescoço para apoiá-lo.
459
5.3 Fraturas
As fraturas representam grande parte dos afastamentos prolongados dos afazeres profissionais.
Neste sentido, é importante reforçar que as medidas de segurança, previstas para os ambientes
de trabalho, precisam ser respeitadas, com o intuito de diminuir a ausência por acidentes.
As fraturas são classificadas, basicamente, conforme sua apresentação. Pode ser uma fratura
incompleta, quando a estrutura do osso é parcialmente rompida, ou completa, quando esta
estrutura é totalmente rompida.
Perfusão: distribuição de
líquidos ou gases na corrente
sanguínea.
Para atender a uma pessoa que sofre uma fratura, o socorrista deve realizar a imobilização do
seguimento comprometido que, assim como os outros tipos de lesões do sistema osteomuscular,
apresentará deformidade, dor local e edema.
460
Resumindo
Neste capítulo, foram listados diferentes tipos de lesões osteomusculares e como se apresentam.
Foi visto que as fraturas são as lesões de maior preocupação, por envolverem um grande número
de estruturas e, também, por se apresentarem de diferentes formas. Algumas fraturas causam
dor intensa e incapacidade temporária.
461
462
Capítulo 6
Eventos adversos por envenenamento
Os principais EPI são: luvas, gorros, óculos e máscaras. Em algumas situações são necessários
macacões e jalecos especiais, por exemplo, que protegem contra os efeitos de substâncias que
possam entrar em contato com a pele.
As luvas também evitam o contato de susbtâncias com a pele. O gorro reduz a possibilidade
de contato com o cabelo e com o couro cabeludo. Os óculos evitam que respingos e vapores
sejam absorvidos pela mucosa dos olhos. E, por fim, as máscaras reduzem, ou mesmo, evitam
a inalação dos produtos que liberam gases.
Existem máscaras com diferentes propósitos. Caso haja exposição a produtos, cujos gases são
nocivos quando inalados, a máscara deve possuir um filtro tanto para partículas quanto para
os gases.
O envenenamento por gases é uma ameaça frequente, ainda mais intensa quando o trabalho
é realizado em ambientes confinados. Se a permanência nestes ambientes for prolongada, os
dispositivos de segurança podem não atender adequadamente ao que se propõe. Isso ocorre,
por exemplo, com o gás freon, usado em refrigeração. Neste caso, a retirada da pessoa para um
local arejado e a oferta de máscara de oxigênio servem como solução para o problema.
Porém, quando o confinamento é ainda mais prolongado, como nos incêndios, a pessoa
pode precisar de uma oferta de oxigênio com maior concentração, para reverter os efeitos do
monóxido de carbono no organismo. O monóxido de carbono se liga às células do sangue e não
permite a oxigenação adequada dos tecidos. A pessoa pode tossir muito e até ficar inconsciente.
463
6.2 Envenenamento por líquidos
As substâncias líquidas são campeãs em envenenamentos, seja de forma acidental ou provocada.
Os líquidos, tanto por via oral quanto através da pele, são facilmente assimilados pelo organismo
humano. Porém, é possível que sejam rapidamente retirados do contato com os tecidos do
estômago ou da própria pele.
No caso da ingestão de líquidos, o tipo de substância deve ser identificado de imediato, a fim
de que seja possível oferecer à vítima um antídoto, no ambiente hospitalar. A lavagem gástrica
é um procedimento comumente realizado nos hospitais de modo a diminuir ou neutralizar
os efeitos causados pela ingestão de líquidos prejudiciais, tais como gasolina, ácidos e outros
líquidos desconhecidos.
Assim, ao perceber que uma pessoa ingeriu um produto desconhecido, é importante não
provocar vômito, pois este procedimento agrava a lesão que pode ter sido produzida durante
a ingestão da substância. O hospital deve fazer contato com o centro de intoxicações ou com
o órgão similar, para que o antídoto correto seja administrado e a solução ingerida perca seu
efeito no organismo, evitando complicações em longo prazo.
A reversão de situações como estas, só acontece quando o efeito da substância ingerida acaba.
Dependendo da dose ingerida e do peso da pessoa, este processo pode levar horas. A conduta,
diante da mudança súbita do comportamento, é afastar temporariamente a pessoa de suas
atividades, principalmente quando estas envolverem a manipulação de peças e máquinas.
464
Resumindo
Neste capítulo, foi esclarecido que, para atender a uma pessoa envenenada, é preciso conhecer
os antídotos necessários e realizar consulta a um serviço especializado para o atendimento
adequado. Foram listados três tipos de envenenamento: o envenenamento por gases, o
envenenamento por líquidos e o envenenamento autoprovocado. Chamou-se atenção para os
equipamentos de proteção individual que o profissional deve usar caso, em sua rotina, esteja
diretamente em contato com alguma substância que possa provocar envenenamento. Por fim,
foram apresentadas as atitudes a serem tomadas, caso um profissional seja envenenado.
465
466
Capítulo 7
Transporte de acidentados
467
7.3 Transporte com equipamentos
Os equipamentos para o transporte de acidentados são diversos. Aqueles utilizados com maior
frequência são apresentados a seguir.
É um dispositivo que deve ser utilizado sempre que há suspeita de algum problema na coluna,
que pode ser provocado por uma queda, acidentes de trânsito, brigas entre duas ou mais pessoas,
entre outros. Os colares são colocados ao redor do pescoço (região cervical) e restringem os
movimentos de lateralização, flexão, extensão e rotação do pescoço.
Este equipamento permite que a vítima seja retirada de locais de difícil manejo, como por
exemplo, carros, ônibus, aviões e outros locais muito apertados. A técnica usada para retirar
uma pessoa de dentro de um carro, por exemplo, chama-se extricação, que compreende a
imobilização da vítima para que seja retirada de um lugar do qual não pode ou não deve sair
por meios próprios.
O colete é um equipamento que envolve a vítima e imobiliza tanto a parte do pescoço quanto
das costas e da pelve. Além disso, se for usado ao contrário, de ponta a cabeça, pode também
imobilizar as pernas, no caso de fratura de um osso.
A maca de atendimento é um equipamento que serve tanto para transportar o paciente tanto
fora quanto dentro de uma ambulância, de maneira segura e rápida.
Ela possui quatro rodas e é feita de alumínio, metal que apresenta grande durabilidade e
resistência. É articulada, podendo ser abaixada no chão para facilitar o posicionamento do
paciente sobre ela. A maca também pode ser colocada e fixada dentro da ambulância ao
468
conduzir o paciente ao hospital. Pode, ainda, ser posicionada de forma que auxilie o paciente a
ficar sentado durante o transporte. Precisa de grades para a proteção do paciente contra quedas.
Resumindo
Neste capítulo, foram apresentados equipamentos e manobras manuais utilizados para
transportar vítimas. É fundamental que o socorrista saiba que o transporte é um elo importante
entre o atendimento e os primeiros socorros. Destacou-se que, se o transporte das vítimas não
for adequado, pode comprometer ainda mais a segurança do atendimento e o quadro de saúde.
469
470
Unidade 9
Química
471
472
Capítulo 1
O estudo da matéria
Na química, a matéria é definida como tudo aquilo que possui massa e ocupa lugar no espaço.
Toda a matéria é formada por pequenas partículas, chamadas de átomos. A palavra átomo é
originária do grego e significa indivisível.
Isoctano: composto
Substância química é todo material que possui composição e fórmula químicas definidas orgânico derivado do
petróleo que possui oito
e apresenta propriedades químicas e físicas constantes. O alumínio, por exemplo, é uma átomos de carbonos em sua
substância. Qualquer placa de alumínio, independentemente de como for obtida, se estiver constituição.
pura, apresenta as mesmas propriedades e a mesma composição química. Origem fóssil: combustíveis
originados pela
Uma substância química pode ser: decomposição de restos de
animais e plantas soterrados
• simples - formada por um único elemento químico, como, por exemplo, o alumínio (Al) que, ao longo de milhões de
e o ferro (Fe); anos, sofreram diferentes
reações químicas.
• composta - formada por dois ou mais elementos químicos diferentes, como, por exem-
Destilação: processo de
plo, a água (H2O)e o isoctano (C8H18), componente principal da gasolina utilizada em
separação dos componentes
carros e em aeronaves. de misturas homogêneas
que utiliza como princípio
Para facilitar a compreensão, uma porção limitada da matéria será chamada de sistema. Quando a diferença do ponto de
um sistema é formado por duas ou mais substâncias diferentes, tem-se uma mistura. Assim, ebulição dos componentes
da mistura.
pode-se dizer que o aço não é uma substância pura, pois é composto, principalmente, de ferro,
carbono e pequenas quantidades de outros metais.
A água potável, por exemplo, também não é um composto puro. É uma mistura, pois nela
existem diferentes sais dissolvidos. Potabilidade e pureza não são sinônimos. Água potável é a
água adequada para o consumo humano.
473
1.2 Classificação das misturas
Uma mistura pode ser:
• homogênea - possui um único aspecto físico em toda a sua extensão, sendo totalmente
transparente (única fase). Mesmo com a utilização do mais potente ultramicroscópio,
Ultramicroscópio:
não é possível diferenciar fases no sistema;
instrumento que apresenta • heterogênea - apresenta mais de um aspecto físico em sua extensão. Portanto, possui fases
uma iluminação lateral que
distintas que podem ser diferenciadas com os olhos humanos ou com o auxílio de um
o permite revelar objetos
invisíveis ao microscópico ultramicroscópio.
comum.
Toda mistura homogênea é chamada de solução e possui dois componentes principais: o
soluto e o solvente. O solvente é a substância que apresenta maior quantidade de matéria e o
soluto, menor quantidade. O aço, a água potável e o ar atmosférico são exemplos de misturas
homogêneas. A Figura 1.A mostra que a água, adicionada ao sal de cozinha, também é uma
mistura homogênea.
As misturas heterogêneas são classificadas em dois tipos: dispersões grosseiras, com fases que podem
ser visualizadas a olho nu, e coloides. Os coloides, aparentemente, parecem sistemas homogêneos,
mas são formados por diferentes fases que podem ser discriminadas ou separadas com auxílio
de equipamentos e de métodos físicos de separação, comumente, utilizados em laboratório. Na
Figura 1.B, a água, adicionada ao óleo vegetal, exemplifica uma mistura heterogênea.
Na transformação física, a matéria pode sofrer alterações em sua forma, em seu tamanho,
em sua aparência, mas não em sua composição. A evaporação da água é um exemplo de
transformação física. A água, no estado líquido, transforma-se em vapor, mas continua sendo a
mesma substância do estado inicial.
No entanto, quando a matéria sofre uma transformação química, sua composição muda, originando
a formação de uma nova substância. A corrosão é um exemplo de transformação química na aviação.
A composição do metal passa por mudanças, dando origem à formação de diferentes compostos.
474
1.4 Propriedades extensivas e intensivas da matéria
Toda a matéria apresenta massa e volume, mesmo que desprezíveis. A massa e o volume indicam
a quantidade de matéria de um sistema e têm propriedades extensivas. Isso significa que não
dependem da natureza do material. Por exemplo: a massa de 1 kg de algodão ocupará um
volume muito maior que a massa de 1 g de algodão.
475
• Densidade (d) - é a razão entre a massa (m) e o volume (v) ocupado por uma amostra de
um determinado material. Normalmente, é expressa em grama por mililitro.
d = m/v
Algumas vezes, as pessoas dizem que um material é pesado quando, na verdade, é denso.
Por exemplo: um navio é extremamente pesado, mas flutua na água, o que significa que
é menos denso que a água. Embora a massa do navio seja muito grande, seu volume é
bem extenso. Assim, a razão entre a sua massa e o seu volume é menor que 1 g/ml, que é
a densidade da água na temperatura de 25 °C.
• Ponto de fusão (PF) ou temperatura de fusão (TF) - é a temperatura na qual uma subs-
tância passa do estado sólido para o gasoso, numa certa pressão atmosférica. A tempera-
tura de fusão do alumínio, ao nível do mar, é de 660,3 °C. A água, por sua vez, funde a
uma temperatura de 0 °C nas mesmas condições ambientes.
• Ponto de ebulição (PE) ou temperatura de ebulição (TE) - é a temperatura na qual uma
substância pura passa do estado líquido para o gasoso, em determinada pressão atmosfé-
rica. O alumínio passa do estado líquido para o gasoso a uma temperatura de 2519 °C ao
nível do mar.
• Solubilidade - é a quantidade máxima de um soluto, que se dissolve em determinada
quantidade de um solvente, numa dada temperatura. A solubilidade do cloreto de sódio
em água é de 36 g/100 ml a 20 °C. Isso significa que, nesta temperatura, 100 ml de água
dissolvem, no máximo, 36 g de cloreto de sódio. Uma adição de sal em quantidade maior
que 36 g, resultará na precipitação do material em excesso.
Precipitação: quando
um sólido não se dissolve
completamente em um 1.5 Estados de agregação da matéria
líquido, o excesso afunda
no recipiente, deixando o
sistema com duas fases.
A matéria encontra-se em três estados físicos fundamentais: sólido, líquido e gasoso. Como é
este fenômeno é chamado possível observar nas Figuras 2.A, B e C, o arranjo das partículas tem maior ou menor grau de
de precipitação. agregação, em decorrência de seu estado físico.
476
A Tabela 1 compara as características da matéria nos três estados físicos.
Tabela 1 - Comparação entre as diferentes características da matéria
• fusão - é o processo pelo qual a matéria passa do estado sólido para o líquido;
• vaporização - é o processo pelo qual a matéria passa do estado líquido para o gasoso. A
vaporização, que ocorre quando um sistema aquece, é chamada de ebulição, sendo uma
passagem rápida e facilmente perceptível. A evaporação, diferentemente, é um processo
lento e natural, como a água dos rios ou lagos, que evapora vagarosamente com o passar
do tempo;
• condensação e liquefação - são processos pelos quais a matéria passa do estado gasoso
para o líquido. Na condensação, a passagem ocorre pela diminuição da temperatura. Na
liquefação, o material no estado gasoso é convertido num líquido, por meio do aumento
da pressão externa;
• solidificação - é o processo pelo qual a matéria passa do estado líquido para o sólido;
• sublimação ou ressublimação - é o processo de conversão direta da matéria do estado
sólido para o gasoso e vice-versa. O gelo seco (dióxido de carbono) e a naftalina, por
exemplo, passam diretamente do estado sólido para o gasoso, sem passarem pelo estado
líquido.
477
A Figura 3 ilustra, esquematicamente, as mudanças dos estados físicos da matéria.
Por meio deste processo, podem ser fundidas ligas metálicas de níquel,
de alumínio, de cobre, entre outras. Estas ligas apresentam grande
resistência ao calor e são necessárias para a produção de diversas peças
estruturais utilizadas em motores de avião e equipamentos aeroespaciais.
Figura 4 - Peças fundidas
A Figura 4 expõe diferentes modelos de peças fundidas, tais como:
conexões de tubulações, bloco de motor de automóveis e de aeronaves,
pistões, anéis dos pistões, rodas e eixos de manivela.
478
GRÁFICO 1 - Curva de aquecimento de uma substância pura
Uma mistura comum não altera seu estado físico com temperatura constante. O processo de
fusão do aço, uma liga metálica, não ocorre em uma única temperatura, mesmo se a pressão
externa for mantida constante.
O Gráfico 2 representa o aquecimento de uma mistura comum, sendo possível notar a variação
de temperatura durante os fenômenos físicos.
479
1.6 O estudo do átomo
Aproximadamente há 2400 anos, dois filósofos gregos, Leucipo e Demócrito, formularam a
hipótese de que a matéria era formada por minúsculas partículas indivisíveis (a menor porção
da matéria) as quais foram chamadas de átomos.
Tal hipótese ficou adormecida durante séculos. Somente em 1803, o cientista John Dalton
resolveu estudar a fundo o assunto e formulou a primeira descrição de um átomo, baseada em
observações experimentais.
Até hoje, a estrutura exata de um átomo ainda é um mistério para a ciência. Nem o mais
poderoso aparelho de microscopia é capaz de visualizá-lo e de descrevê-lo exatamente. Por isso,
a descrição do átomo é feita por meio de modelos.
Figura 6 - Pudim de
passas de Thomson
480
Assim, composta por partículas de carga elétrica, a matéria era capaz de conduzir
eletricidade. Ressalta-se que estudo dos fenômenos de eletricidade possibilitou a construção
de aparelhos que aumentaram a qualidade de vida das pessoas. A lâmpada elétrica é um
exemplo de como um simples aparelho ocasionou grandes mudanças na sociedade.
Somente em 1932, o físico inglês James Chadwick descobriu o nêutron, partícula subatômica,
eletricamente neutra, também presente no núcleo do átomo.
É importante ressaltar que os átomos e as moléculas não podem ser vistos. Raramente
menciona-se que estas partículas são apenas modelos criados e imaginados para serem similares
às experiências realizadas em laboratórios.
481
1.6.2 Número atômico e número de massa
Hoje são conhecidos, oficialmente, 112 elementos químicos. A maior parte, 91 elementos, é de
origem natural e uma pequena parte é artificial, produzida em laboratório.
O número atômico (Z) de um átomo é o número de prótons (p) que ele possui e o que caracteriza
um elemento químico. O número de massa (A) é a soma de prótons e nêutrons (n) presentes
no núcleo de um átomo.
A=p+n
A informação científica deve ser de fácil acesso. Sendo assim, a química possui uma linguagem
universal, que pode ser compreendida por todas as pessoas que vivem em diferentes países e
que falam línguas distintas.
Para isso, todo elemento químico é representado por um símbolo, que é o mesmo em qualquer
lugar do planeta. Por exemplo: o elemento químico alumínio é representado pelas letras (Al);
o ferro, pelo símbolo (Fe). O que muda de um país para o outro é apenas a tradução do nome
do elemento, mas o seu símbolo é o mesmo.
Quando um elemento químico é representado por seu símbolo, o número que se encontra
abaixo, ao lado esquerdo, indica o número atômico. O número que está acima, ao lado esquerdo
ou ao lado direito, indica o número de massa.
26
Fe56, onde
Z = p = 26
A = 56
Um átomo está neutro quando o seu número de prótons (p) é igual ao seu número de elétrons (e).
Por exemplo: o átomo de Ferro Z = p = 26 está neutro quando possui 26 elétrons, pois p = e.
Íons são átomos que perderam ou ganharam elétrons, logo, ficaram com um número de prótons
diferente do número de elétrons. Os íons podem ser positivos ou negativos.
482
Os cátions são íons positivos. Um cátion é formado quando um átomo perde elétrons e fica
com número maior de partículas com cargas positivas que negativas p > e. Por exemplo, cátion
bivalente de cálcio:
20
Ca+2 (a carga +2 indica que o átomo perdeu 2 elétrons)
Z = p = 20
e = 18
Os ânions são íons negativos. Um ânion é formado quando um átomo recebe elétrons e
fica com maior número de partículas negativas do que positivas, p < e. Por exemplo, ânion
monovalente de cloro:
17
Cl- (a carga -1 indica que o átomo ganhou 1 elétron)
Z = p = 17
e = 18
Os elétrons de um átomo podem estar distribuídos ao redor do núcleo em até sete camadas
eletrônicas ou níveis de energia. Cada camada eletrônica comporta um número máximo de
elétrons, conforme representado na Tabela 2.
Tabela 2 - Número máximo de elétrons que podem ocupar diferentes camadas eletrônicas
Camada K L M N O P Q
Nível 1 2 3 4 5 6 7
Contudo, dois elétrons que se encontram na mesma camada eletrônica, podem apresentar
energias diferentes. Então, ficam em subcamadas distintas, que podem estar na mesma camada
eletrônica. Estas subcamadas também recebem o nome de subníveis de energia (s), (p), (d) ou (f).
A camada eletrônica mais externa de um átomo e, por conseguinte, mais distante do núcleo,
chama-se camada de valência, na qual estão os elétrons de valência.
483
A camada (K) ou nível (1) apresenta apenas uma subcamada (s). Esta representação pode ser
observada no diagrama da Figura 9.
484
A Figura 10 elucida a seguinte lógica: um átomo de carbono-12 é dividido em 12 partes, logo,
uma unidade de massa atômica (u) equivale a 1/12 (um doze avos) da massa de um átomo do
isótopo de carbono-12.
A massa atômica de um átomo indica quantas vezes ele é mais pesado que 1/12 do átomo
isótopo do carbono-12. Por exemplo:
Por este motivo, comparativamente à matemática, que usa o termo centena para se referir a 100
unidades, a química usa o termo mol para expressar quantidade de matéria.
Portanto, assim como uma dúzia, de qualquer material, possui 12 unidades, 1 mol, de qualquer
espécie analisada, possui 6 × 1023 unidades.
485
Resumindo
Neste primeiro capítulo, foram apresentados conceitos básicos e fundamentais sobre a química:
a matéria é tudo aquilo que possui massa e ocupa lugar no espaço; uma substância é uma
porção de matéria que apresenta composição química definida; uma mistura é quando há mais
de uma substância reunida num mesmo sistema.
Foram abordadas as características dos três estados físicos fundamentais da matéria: o sólido,
o líquido e o gasoso, bem como os seus diferentes processos de mudança. Neste contexto,
foram descritos os diferentes tipos de transformações da matéria: o físico (que não modifica a
sua composição química) e o químico (que modifica a sua composição química e que resulta
na formação de novas substâncias). Por conseguinte, foi apresentado o estudo dos átomos e da
simbologia química de forma prática e aplicada.
486
Capítulo 2
A tabela periódica
O primeiro cientista a organizar os elementos químicos em uma tabela foi Dmitri Mendeleev,
em 1869. Para ele, os elementos com propriedades semelhantes se encontravam em uma mesma
coluna, dispostos em ordem crescente de massa atômica.
Na tabela periódica atual, os 118 elementos químicos conhecidos estão organizados em ordem
crescente de número atômico. Por exemplo: todo átomo que possui número atômico 1 (apenas
um próton em seu núcleo) é o elemento químico hidrogênio.
A maior parte dos nomes dos elementos químicos origina-se do grego e do latim. As informações
sobre cada um, contidas na tabela periódica, normalmente são expressas conforme representação
exposta na Figura 11.
487
A tabela periódica apresenta sete linhas horizontais chamadas de períodos. Os períodos indicam
Lantanídeos: conjunto de
o número de camadas eletrônicas do átomo. Por exemplo: um elemento que está no segundo
elementos químicos que período, apresenta apenas duas camadas eletrônicas e sua camada de valência é a (L).
fazem parte do sexto período
da tabela periódica. São As séries dos lantanídeos e dos actinídeos fazem parte do sexto e do sétimo período,
15 elementos: do número
respectivamente. Nestas séries existem elementos com propriedades químicas muito variáveis
atômico 57 (lantânio) ao 71
(lutécio). e complexas que, praticamente, não são estudados num curso de química básica. Então, para
facilitar o manuseio da tabela, os elementos são colocados ao lado de fora.
Actinídeos: conjunto de
elementos químicos que
fazem parte do sétimo
Atualmente, por determinação da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC),
período da tabela periódica. os grupos são enumerados de 1 a 18. A tabela periódica da Sociedade Brasileira de Química
São 15 elementos: do (SBQ), exibida na Figura 12, distribui os elementos químicos em sete linhas horizontais e 18
número atômico 89 (actínio)
ao 103 (laurêncio). colunas. Pode-se observar que as colunas referem-se aos grupos ou às famílias.
Para facilitar a classificação dos elementos químicos, a tabela periódica apresenta diferentes cores.
Na tabela oficial da SBQ, representada na Figura 12, os metais estão destacados em verde.
Como se pode notar, a maior parte dos elementos químicos que existem são metais. Todos
os metais são sólidos na temperatura ambiente, exceto o mercúrio que é um líquido bastante
488
viscoso. Os metais apresentam alto ponto de fusão e de ebulição, são bons condutores de
calor e eletricidade, são dúcteis e maleáveis, características que serão abordadas de forma mais
Dúcteis: materiais,
aprofundada no capítulo 3. normalmente metais, que
podem se estirar, sem se
Os ametais (não metais) apresentam características contrarias às dos metais. Possuem baixos romper, transformando-se
pontos de fusão e de ebulição. Também são péssimos condutores de calor e de eletricidade e são num fio.
representados na cor bege. Maleáveis: materiais,
normalmente metais, com
Os gases nobres, organizados na coluna 18, na cor azul, e o elemento hidrogênio (H) não são capacidade de serem
classificados como metais. transformados em lâminas.
Os elementos químicos que pertencem a uma mesma família apresentam o mesmo número de
elétrons na camada mais externa e propriedades químicas semelhantes. Os grupos ou famílias
são divididos da maneira descrita a seguir.
a) Grupo 1 - metais alcalinos: extremamente reativos e apresentam um elétron na camada
de valência. A terminação de sua distribuição eletrônica é ns1.
b) Grupo 2 - metais alcalinos terrosos: muito reativos e apresentam dois elétrons na camada
de valência. A terminação de sua distribuição eletrônica é ns2.
c) Grupo 13 - grupo do boro: são os elementos químicos que apresentam três elétrons na
camada de valência. A terminação de sua distribuição eletrônica é ns2 np1.
d) Grupo 14 - grupo do carbono: são os elementos químicos que apresentam quatro elé-
trons na camada de valência. A terminação de sua distribuição eletrônica é ns2 np2.
e) Grupo 15 - grupo do nitrogênio: são os elementos químicos que apresentam cinco elé-
trons na camada de valência. A terminação de sua distribuição eletrônica é ns2 np3.
f ) Grupo 16 - calcogênios: apresentam seis elétrons na camada de valência. A terminação de
sua distribuição eletrônica é ns2 np4.
g) Grupo 17 - halogênios: apresentam sete elétrons na camada de valência. A terminação de
sua distribuição eletrônica é ns2 np7.
h) Grupo 18 - gases nobres: apresentam oito elétrons na camada de valência. A terminação
de sua distribuição eletrônica é ns2 np8, exceto o hélio que possui apenas dois elétrons e a
distribuição eletrônica é 1s2.
i) Hidrogênio: não pertence a qualquer família e apresenta apenas um elétron. Sua distri-
buição eletrônica é 1s1.
Diferentes estudos comprovam que o número de elétrons, apresentado pelo átomo em sua
camada de valência, está intimamente relacionado à sua reatividade e ao tipo de interação
química que estabelece com outros átomos.
489
2.2 Propriedades periódicas
As propriedades periódicas são aquelas que variam, periodicamente, de acordo com o aumento
do número atômico dos elementos e podem ser previstas ao longo da tabela periódica. A
periodicidade dos elementos pode ser extremamente útil para prever suas diferentes propriedades
e seus comportamentos.
Para elementos de uma mesma família, à medida que o número de camadas eletrônicas
aumenta, há uma diminuição da energia de ionização, acompanhada pela facilidade da retirada
de elétrons de camadas mais externas do que internas, visto que os últimos estão menos atraídos
pelo núcleo.
Num mesmo período, a energia de ionização aumenta no sentido dos ametais, conforme
ilustrado na Figura 15. Os metais apresentam baixa energia de ionização e, consequentemente,
tendem a perder elétrons facilmente, formando cátions.
490
A afinidade eletrônica expressa a energia liberada quando
um átomo isolado, e no estado gasoso, recebe um elétron. A
natureza procura estabilidade. Logo, quanto menor a energia de
um sistema, maior a sua estabilidade.
2.3 Dureza
A dureza é uma propriedade mecânica específica de materiais
sólidos, associada à resistência ao risco e às deformações. Quando
relacionada aos elementos químicos e à tabela periódica, a Figura 16 - Sentido da afinidade eletrônica
dureza é classificada como uma propriedade aperiódica, pois na tabela periódica
varia de forma irregular à medida que o número atômico do
elemento aumenta. Normalmente os elementos mais pesados, com maiores valores de número
atômico, são os átomos de maior dureza.
Para analisar a dureza de um material, são considerados os tipos de átomos presentes em sua
constituição e o tipo de interação existente entre eles.
Importante ressaltar que uma liga metálica muito utilizada na indústria aeronáutica é a mistura
composta por alumínio (Al) e cobre (Cu), em função de sua alta dureza (resistência) e baixa
densidade, características imprescindíveis às aeronaves.
Resumindo
Este capítulo abordou a organização dos elementos químicos na tabela periódica. A tabela
periódica é formada por sete linhas horizontais, as quais indicam o número de camadas
eletrônicas que o átomo possui, e por 18 linhas verticais, que são os grupos ou as famílias.
Elementos de um mesmo grupo apresentam o mesmo número de elétrons na camada de
valência e nas propriedades químicas semelhantes.
A dureza, por outro lado, é uma propriedade aperiódica, visto que não varia de forma regular
ao longo da tabela periódica. A dureza é uma característica de fundamental importância para a
escolha de materiais utilizados na indústria aeronáutica.
491
492
Capítulo 3
Ligações químicas
Neste tipo de ligação há transferência de elétrons do metal para o ametal, formando íons. O
metal, ao doar elétrons, transforma-se num cátion e o ametal, ao receber elétrons, torna-se um
ânion. Assim, ocorre a formação do composto iônico. Uma ligação iônica é uma interação
extremamente forte, pois acontece entre íons, de cargas opostas, que se mantêm unidos por
meio de uma atração eletrostática.
Num composto iônico sólido, os cátions e os ânions se organizam de forma ordenada e regular
formando um retículo cristalino. O cloreto de sódio (NaCl), principal componente do sal de
cozinha, é um exemplo de composto iônico. Sua estrutura cristalina forma uma rede, na qual
íons positivos (cátions) são rodeados por íons negativos (ânions), como aparece na Figura 17. Retículo cristalino: é um
arranjo simétrico de íons,
átomos ou moléculas,
formando uma grade
extremamente organizada
e regular.
Em 1916, o cientista Gilbert Lewis formulou a regra do octeto. Resumidamente, esta regra
postula que os átomos, de diferentes elementos, estabelecem ligações químicas, doando,
recebendo ou compartilhando elétrons, a fim de adquirirem a configuração eletrônica de gás
nobre. Como explicitado anteriormente, o gás nobre possui oito elétrons na última camada (ou
dois elétrons, no caso dos átomos que têm apenas uma camada eletrônica, como o hidrogênio).
Apenas os gases nobres são estáveis na forma isolada e não necessitam fazer qualquer tipo de ligação
com outros átomos. Os demais elementos tendem a interagir entre si para também ficarem estáveis.
493
3.1.2 Representação dos compostos iônicos
Cada elemento químico, que pertence a um grupo ou a uma família, apresenta uma determinada
quantidade de elétrons em sua camada de valência. Por exemplo: todos os elementos do grupo
1, como o sódio (11Na), apresentam apenas um elétron de valência.
Quando um átomo de sódio perde um elétron, fica com a mesma configuração eletrônica do
hélio (10Ne), que é um gás nobre. Por outro lado, o átomo de cloro (17Cl), que pertence ao grupo
17 e possui sete elétrons de valência, ao receber um elétron apresenta a configuração eletrônica
do argônio (18Ar).
11
Na: 1s2 2s2 2p6 3s1 (forma cátion com carga +1)
Cl: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 (forma ânion com carga -1)
17
12
Mg: 1s2 2s2 2p6 3s2 (forma cátion com carga +2)
494
3.1.3 Propriedades dos compostos iônicos
A fórmula estrutural representa com um traço cada par de elétrons compartilhados entre dois
átomos. Quando dois átomos compartilham apenas um par de elétrons, tem-se uma ligação
simples. No caso da molécula de CO2 são ligações duplas, nas quais há dois pares de elétrons,
compartilhados entre o átomo de carbono e cada oxigênio. Uma ligação é chamada de tripla
quando há três compartilhamentos de elétrons entre dois átomos. A fórmula molecular indica
apenas os elementos químicos diferentes e a quantidade de átomos presentes na molécula.
495
3.2.2 Geometria molecular
A teoria da repulsão dos pares de elétrons da camada de valência [em inglês, valence shell electron
pair repulsion (VSEPR)] afirma que uma molécula apresenta uma geometria molecular que
minimiza as repulsões entre os pares de elétrons da camada de valência do átomo central. A
Rearranjo espacial: ocorre
quando uma molécula se Figura 21 representa os três tipos de repulsões eletrônicas que podem existir em uma molécula.
reorganiza no espaço para
adquirir uma conformação,
o mais estável possível, em
determinadas condições.
A geometria de uma molécula é aquela em que há a maior separação possível (maior ângulo)
entre os elétrons do átomo central para minimizar principalmente as repulsões entre elétrons
não compartilhados que são as mais intensas. A Tabela 4 mostra a representação das geometrias
moleculares segundo a VSEPR.
Tabela 4 - Geometrias moleculares VSEPR
Tipos de Número de
Fórmula Modelos de preenchimento
Modelos de bolas estrutura átomos ao redor
molecular espacial ou de Stuart molecular do átomo central
Linear
BeH2 2
(é plana)
Trigonal
BF3 3
(é plana)
Tetraédrica
CH4 4
(é espacial)
Bipirâmide
PCI3 trigonal 5
(é espacial)
Octaédrica
SF4 6
(é espacial)
496
3.2.3 Polaridade de moléculas
Para analisar a geometria e a polaridade das moléculas, utiliza-se o conceito de vetor momento
de dipolo ou dipolar (μ). Um vetor é uma entidade matemática caracterizada por sentido,
direção e módulo. O vetor momento de dipolo de uma ligação é sempre direcionado para o
átomo mais eletronegativo (região mais rica em elétrons da ligação).
Densidades eletrônicas:
Como em uma molécula pode existir mais de uma interação entre diferentes átomos, é
são regiões presentes
necessário analisar o vetor momento de dipolo resultante (μr). Se o vetor momento de dipolo em uma molécula que
resultante for zero (μr)=0, a molécula é apolar, caso contrário (μr)≠0, a molécula é polar. Uma apresentam uma maior
quantidade de elétrons.
molécula polar apresenta uma densidade eletrônica desigual.
HCl Polar
CO2 Apolar
H2O Polar
NH3 Polar
497
3.3 Propriedades e características dos compostos metálicos
As propriedades físicas dos metais, que levam ao seu difundido uso em incontestáveis projetos,
podem ser facilmente listadas. Quando os metais em geral e os metais de transição em particular
são examinados, verifica-se que há pouca diferença de eletronegatividade de elemento para
elemento. Portanto, metais e ligas não são aptos a experimentar ligações iônicas.
Uma substância metálica é aquela formada unicamente por metais. A regra do octeto não
explica de maneira satisfatória a ligação metálica. A explicação mais simples e utilizada para este
tipo de interação é chamada de modelo de mar de elétrons. Este modelo afirma que os elétrons
de valência do metal estão soltos e se movem livremente por todo o sólido. Isso explica a boa
condutividade elétrica destes materiais.
Condutividade elétrica: A Figura 23 ilustra o modelo de mar de elétrons de átomos dos grupos 1 e 2 que estabelecem
propriedade usada para ligações metálicas.
medir a capacidade de
um material conduzir
eletricidade.
Os metais são maleáveis e dúcteis, podem ser convertidos em lâminas e transformados em fios,
respectivamente. Estas propriedades são muito importantes para a especificação do metal a ser
utilizado numa indústria.
Resumindo
Neste capítulo, foram abordadas algumas propriedades e características de determinadas
substâncias, as quais estão diretamente relacionadas ao tipo de interação existente entre os
átomos que as formam. Os únicos átomos que existem isolados na natureza são os gases
nobres. Os demais elementos químicos tendem a doar, a receber ou a compartilhar elétrons
para adquirirem a configuração eletrônica de um gás nobre e, assim, ficarem com oito ou dois
elétrons na camada de valência, adquirindo estabilidade.
Uma ligação iônica é aquela em que há transferência de elétrons de um metal para um ametal
formando íons. Em uma ligação covalente ocorre o compartilhamento de elétrons e a formação
de substâncias moleculares, tipo de interação que, normalmente, ocorre entre ametais. A ligação
metálica é aquela realizada unicamente por metais nos quais os elétrons de valência ficam soltos
na estrutura, o que justifica a condução de eletricidade e de calor destes materiais.
498
Capítulo 4
Coloides e agregados
Um sistema que apresenta duas ou mais substâncias é chamado de mistura. Os coloides são
misturas heterogêneas de, pelo menos, duas fases diferentes que, ao serem observadas pelos
olhos humanos, assemelham-se a uma mistura homogênea. As fases podem ser diferenciadas
apenas com o auxílio de um ultramicroscópio.
ao movimento) e o desgaste das peças. A lubrificação das peças do motor de uma aeronave é Estabilizantes: são
muito importante para sua durabilidade e sua segurança. substâncias adicionadas em
alimentos que asseguram
as características físicas de
emulsões e de suspensões,
4.1 Classificação dos coloides aumentando a sua
durabilidade.
499
A Figura 24 mostra alguns exemplos de coloides comumente utilizados no dia a dia das pessoas.
A Tabela 6 apresenta a classificação dos coloides, de acordo com o estado de agregação dos
componentes envolvidos, para a formação de diferentes coloides.
Tabela 6 - Tipos de dispersões coloidais
Como é possível perceber, os coloides estão presentes no cotidiano das pessoas desde as primeiras
horas do dia. Na higiene pessoal: o sabonete, o xampu, a pasta de dente e a espuma ou o creme
de barbear. Na maquiagem: os cosméticos. No café da manhã: o leite, o café, a manteiga, os
cremes vegetais e as geleias de frutas.
500
fenômeno é chamado de movimento browniano, em homenagem ao botânico escocês
Robert Brown, que o descreveu pela primeira vez em 1827.
b) Efeito Tyndall
Resumindo Espalhamento: é um
processo rápido, no qual a luz
é absorvida por partículas,
Neste capítulo, foram apresentados conceitos sobre coloides, bem como sua aplicação nas constituintes de uma mistura,
e emitida em outra direção.
indústrias química, farmacêutica, agrícola e tecnológica. Diversos materiais, utilizados
diariamente pelas pessoas, são classificados como coloides.
Os coloides são misturas heterogêneas, que apresentam no mínimo duas fases distintas, que
podem ser diferenciadas apenas com o auxílio de um ultramicroscópio. Os coloides apresentam
características especificadas no movimento browniano, que se refere ao movimento desordenado
e ininterrupto das partículas presentes no sistema coloidal; e no efeito Tyndall, que explica o
espalhamento e a dispersão da luz ao ser incidida em uma mistura.
501
502
Capítulo 5
O estudo das soluções químicas
Para que a maioria das reações químicas ocorra, é necessário que seus reagentes estejam dissolvidos
em um líquido. Milhões de reações químicas são realizadas diariamente nas indústrias, nos Reagentes: materiais que
laboratórios, em domicílios, nos organismos dos seres vivos, na combustão da gasolina entre se combinam entre si para
outras. Muitas das misturas que são consumidas pelo homem no dia a dia são soluções. realizar reações químicas e
transformarem-se em novas
substâncias.
Em 1887, o cientista Arrhenius apresentou uma teoria sobre a dissolução de compostos iônicos
em água. A dissolução do cloreto de sódio (NaCl) em água, por exemplo, foi representada pelo
cientista da seguinte forma:
Uma solução é chamada de aquosa quando o solvente é a água. A água é chamada de solvente
universal, não por dissolver todas as substâncias que existem no planeta, mas por ser o solvente
mais aplicado, além de ser abundante e capaz de dissolver grande parte das substâncias.
Uma bateria de avião, por exemplo, pode conter diferentes soluções aquosas, pois se trata
de um dispositivo capaz de converter energia química em energia elétrica. Isso significa que
uma reação química espontânea pode gerar energia elétrica. Uma bateria bastante utilizada em
aeronaves são as ácidas, que possuem placas interiores de chumbo (Pb) e uma solução aquosa
de ácido sulfúrico (H2SO4). Numa solução aquosa de ácido sulfúrico, a água é o solvente e o
ácido é o soluto.
503
5.2 Solubilidade ou coeficiente de solubilidade
A solubilidade ou o coeficiente de solubilidade (CS) é a quantidade máxima de um soluto que
se dissolve em determinada quantidade de solvente, numa certa temperatura.
A solubilidade é uma propriedade física que caracteriza uma substância pura. Por exemplo: em
uma temperatura de 20 °C, 203,9 g é a quantidade máxima de sacarose (C12H22O11), principal
componente do açúcar comum, que se dissolve em 100 g de água. A solubilidade do sal, cloreto
de potássio (KCl), nas mesmas condições, é de 370 g para cada 100 g de água. Os coeficientes
de solubilidades de diferentes substâncias são obtidos experimentalmente.
Dependendo do estado físico dos solutos e dos solventes, a solução pode receber diferentes
denominações:
• solução sólida - formada apenas por substâncias sólidas. Exemplo: o ouro 18 quilates, que
apresenta ouro, prata e resquícios de outros metais em sua composição;
• solução gasosa - todos os componentes da mistura são gases. A mistura formada apenas
por gases é homogênea e, portanto, é uma solução. Exemplo: o ar atmosférico, que é uma
mistura dos gases oxigênio, nitrogênio, argônio e outros;
• solução sólido-líquido - soluto sólido dissolvido num solvente líquido. Exemplo: sal de
cozinha dissolvido na água;
• solução líquido-líquido - todos os componentes da solução são líquidos. Exemplo: o
álcool e a água se misturam em quaisquer proporções, formando este tipo de solução;
• solução gás-líquido - quando um gás está dissolvido em um líquido. Exemplo: o gás oxi-
gênio dissolvido na água para que os peixes respirem e sobrevivam.
Alguns fatores podem alterar o coeficiente de solubilidade de uma substância. Para uma solução
gás-líquido o aumento da pressão externa e a diminuição da temperatura do meio ampliam a
solubilidade dos gases em um líquido.
Pressão externa: é a
medida da ação de uma No caso das soluções sólido-líquido ou líquido-líquido, a pressão, praticamente, não afeta no
ou mais forças sobre
um espaço. a pressão coeficiente de solubilidade, mas o aumento da temperatura pode favorecer (ou não) tal solubilidade.
atmosférica é resultado da
força que os gases exercem Como exposto anteriormente, a solubilidade de uma substância em água, por exemplo, pode
sobre a superfície dos ser determinada, experimentalmente, a partir da variação da temperatura do meio e da medida
corpos.
da quantidade de soluto dissolvida.
504
do soluto. Esta dissolução ocorre com a absorção de energia de uma fonte externa. O
Gráfico 3 demonstra a curva de solubilidade de uma substância que apresenta dissolução
endotérmica em água.
GRÁFICO 3 - Curva de solubilidade em dissolução endotérmica
505
• solução saturada - é aquela que, em determinada temperatura, possui quantidade de
soluto exatamente igual à sua solubilidade no solvente. Portanto, é a quantidade máxima
de soluto capaz de ser dissolvida;
• solução saturada com corpo de fundo - é aquela que, em determinada temperatura,
possui quantidade de soluto maior que a sua solubilidade no solvente. Assim, forma um
corpo de fundo, em razão do excesso de soluto que não se dissolveu.
Por exemplo: uma solução aquosa de hidróxido de sódio (NaOH) apresenta uma concentração
de 40 g/l. Isso significa que um litro desta solução possui uma massa de 40 g do soluto hidróxido
de sódio.
A concentração (mol/l) indica a quantidade em mol de soluto (n), presente em 1 litro de solução,
como mostra a expressão::
Número de mols do soluto
C=
Volume de solução (l)
Por exemplo: uma solução aquosa de hidróxido de sódio (NaOH) apresenta uma concentração
de 0,1mol/l. Isso significa que um litro desta solução possui uma quantidade de matéria de
0,1 mol do soluto hidróxido de sódio. Para preparar esta solução em laboratório é necessário
que a massa de NaOH seja pesada com a balança. Assim, é preciso calcular a sua massa molar:
NaOH = 40 g/mol
X = 4 g de NaOH
506
Como é possível observar, para o preparo de uma solução de concentração 0,1 mol/l, são
necessários 4 g de NaOH.
Resumindo
Toda solução química é uma mistura homogênea. Numa solução existem duas partes principais:
o solvente, substância presente em maior quantidade; e o soluto, substância presente em menor
quantidade.
Alguns fatores externos podem alterar o coeficiente de solubilidade de certas soluções, compostas
apenas por líquidos ou por sólidos dissolvidos em líquido. Se o aumento da temperatura ocasiona
o crescimento da solubilidade, tem-se uma dissolução endotérmica. Porém, se o aumento da
temperatura acarreta a diminuição da solubilidade tem-se uma dissolução exotérmica. Diversas
soluções estão presentes em vários campos de atuação, que vão da indústria farmacêutica à
indústria petrolífera.
507
508
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil
509
510
Capítulo 1
Introdução
O primeiro passo para estudar os temas pertinentes à aviação civil é entender a definição do
termo. Aviação civil é a utilização não militar da aviação, de natureza comercial ou privada.
Atualmente, a aviação civil no Brasil é regulada por leis, que são complementadas por normas
expedidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), no âmbito de sua competência
conferida por lei. Dessa forma, a ANAC foi qualificada como autoridade da aviação civil para
planejar, gerenciar e controlar esse setor, nos limites da lei. Como autoridade da aviação civil
brasileira, cabe à ANAC, entre outras atribuições, regulamentar e fiscalizar as atividades da
aviação civil e de infraestrutura aeronáutica e aeroportuária.
Regras subsidiárias: são
Incluem ainda tarefas que podem ser entendidas como a instituição de normas ou de regras
regras que complementam
referentes ao funcionamento de certas atividades e à execução de atos e, também, zelar para que as regras principais de
essas normas sejam fielmente cumpridas. maior hierarquia. Como
exemplo, podem-se citar os
A regulamentação abrange a ordenação de regras subsidiárias ou suplementares que definem ou regulamentos que explicam
ou padronizam condutas
orientam práticas, de modo a se conduzirem os assuntos e as atividades já regulados por leis. estabelecidas em lei.
É fazer valer, na prática, a vontade da lei. Não é função das normas suplementares, portanto,
instituir nova regra não autorizada por lei, nem estabelecer princípio ou regra divergente da lei.
Nesse cenário, cabe à ANAC a emissão de documentos que estabeleçam conceitos, práticas
e procedimentos relacionados a diversas áreas da aviação civil sob sua responsabilidade, em
consonância com os padrões internacionais estabelecidos para o setor.
511
Conforme está disposto no portal eletrônico da ANAC, a atividade regulatória do transporte
aéreo envolve duas frentes de atuação: a regulação técnica e a regulação econômica.
Como se pode supor, há diversas atividades relacionadas à aviação civil. Ao viajar de avião,
verificam-se alguns serviços típicos de aeroporto, tais como check-in, bagagem, transporte
terrestre, contraincêndio, climatização, informação, entre tantos outros. Existem, também, as
atividades ligadas ao voo da aeronave, tais como formação e treinamento da tripulação, dos
Contraincêndio: serviço
oferecido em aeroportos mecânicos, serviços de manutenção das aeronaves e de apoio ao voo, etc.
que envolve salvamento
e combate a incêndio em Há ainda o serviço de controle de tráfego aéreo, que gerencia o fluxo dos voos nos céus, e o
situações de acidentes serviço de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos, que zela para que a aviação
aeronáuticos no aeroporto
e nas proximidades. A
continue a ser um dos transportes mais seguros. Como se vê, é uma série de atividades que se
atividade de prevenção relacionam e se complementam para que o usuário utilize com conforto e segurança os serviços
a incêndios também é aéreos como meio de transporte.
atribuição desse tipo de
serviço.
Seguindo o raciocínio, conclui-se que a regulação e o gerenciamento de todas essas atividades
requerem uma quantidade de normas expressivas. Por esse motivo, outros órgãos dividem as
tarefas com a ANAC, de acordo com suas competências, estabelecidas por lei.
512
As competências para execução do gerenciamento e o apoio à aviação civil no Brasil são
divididas da seguinte forma:
a) ANAC - órgão central do setor de aviação civil brasileira;
b) INFRAERO - responsável pela administração e infraestrutura dos aeroportos sob sua
responsabilidade;
c) DECEA - órgão central do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB),
subordinado ao Comando da Aeronáutica;
d) CENIPA - centro responsável pela investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos,
assim como o DECEA, subordinado ao Comando da Aeronáutica.
Resumindo
Neste capítulo, explicitou-se uma abordagem geral sobre a necessidade de regulamentação da
aviação civil nacional e internacional, com a apresentação de conceitos, definições e organizações
envolvidas com o setor.
513
514
Capítulo 2
Regulamentação da aviação civil nacional
e internacional
Para que a aviação civil atingisse a grandeza atual, foi necessário um grande esforço em nível
mundial a fim de que todas as atividades pertinentes a esse setor fossem amparadas por
normas legais comuns. Para tanto, realizaram-se diversas convenções e acordos internacionais
com a finalidade de padronizar as legislações e regras operacionais.
2.1 Histórico
Antes de abordar a legislação nacional, é importante fazer um resumo sobre a evolução
histórica da regulamentação da aviação civil mundial, com o fim de contextualizar o
atual estágio da legislação no país e os órgãos responsáveis pela regulamentação e pelo
gerenciamento da aviação civil brasileira.
515
Dessa forma, a partir das convenções internacionais, criou-se uma padronização que
facilitou o entendimento e o amparo legal das atividades inerentes à aviação civil em nível
global. Por ser um marco regulatório internacional, a Convenção de Chicago será estudada
separadamente no tópico seguinte.
516
A Convenção de Chicago substituiu as Convenções de Paris (1919), que regulamentava a
navegação aérea internacional, e a de Havana (1928), sobre a aviação comercial.
Cabe destacar que os membros participantes das convenções internacionais não são
obrigados a aderir à determinada convenção. O país-membro deve protocolar na
OACI o interesse em aderir à convenção e, posteriormente, ratificar essa intenção,
inserindo os termos da convenção em seu ordenamento jurídico. No Brasil, as
convenções internacionais são aprovadas pelo Congresso Nacional, por meio
de decreto legislativo, e promulgadas por decreto do Presidente da República.
517
Art. 43. Esta Convenção estabelece uma organização que se denominará Organização
Internacional de Aviação Civil, e será composta de uma Assembleia, de um Conselho
e demais órgãos julgados necessários. (BRASIL, 1946, p. 1).
Standards and
recommended practices A principal atividade da OACI é promover a padronização internacional das práticas e
(SARP): qualquer
especificação de
recomendações a serem observadas pelos países no tocante aos procedimentos técnicos da
características físicas, aviação civil, na qualificação e na habilitação do pessoal navegante e de terra, nas regras de
configuração, material, circulação no espaço aéreo, de meteorologia, mapas aeronáuticos, unidades de medidas,
desempenho, pessoal ou
procedimento, cuja aplicação
operação de aeronaves, nacionalidade e registro de aeronaves, certificados de navegabilidade,
uniforme é reconhecida como comunicações aeronáuticas, tráfego aéreo, busca de salvamento, investigação e prevenção de
necessária à segurança ou à acidentes, ruído e segurança.
regularidade da navegação
aérea internacional.
A organização tem sede em Montreal, no Canadá, e escritórios em Bangkok (Tailândia),
Procedures for air Cairo (Egito), Dacar (Senegal), Lima (Peru), Cidade do México (México), Nairóbi (Quênia)
navigation services
e Paris (França). Atualmente, a OACI conta com 191 países-membros que compõem a
(PANS): são procedimentos
recomendados para Assembleia-Geral. O órgão máximo da organização é o Conselho, composto por 36 países-
serviços de navegação membros da Assembleia-Geral por ela eleitos, para um mandato de três anos.
aérea que especificam com
mais detalhes em relação O Conselho tem um presidente eleito pelos próprios membros e conta com órgãos
às normas e às práticas
recomendadas. São divididos especializados, entre os quais a Comissão de Navegação Aérea, que elabora e recomenda,
em três categorias: PANS- para aprovação do Conselho da OACI, normas e práticas recomendadas, em inglês, standards
ATC (Air Traffic Control), and recommended practices (SARP), e procedimentos para os serviços de navegação aérea,
PANS-ATM (Air Traffic
Management) e PANS-OPS em inglês, procedures for air navigation services (PANS), visando à segurança e à eficácia da
(Aircraft Operations). aviação civil internacional.
518
As comissões são compostas de 19 pessoas dotadas de competência e experiência em ciência
e em prática aeronáutica. Os membros da comissão são indicados pelos Estados contratantes
e nomeados pelo Conselho da OACI. Eles atuam na qualidade de peritos, opinando sobre
assuntos técnicos, que visem a melhorar a segurança, a qualidade e a eficiência da aviação
civil em escala global.
A partir desse marco, a aviação civil brasileira passou a ter a regulamentação crescente com base
em leis, tratados e convenções de que o Brasil foi signatário, chegando à legislação atual.
Resumindo
Neste capítulo, apresentou-se uma introdução ao estudo da regulamentação da aviação civil
nacional e internacional, além disso, o histórico da regulamentação com seus principais fatos,
as principais convenções internacionais e a Convenção de Chicago. Conheceu-se, também,
a Organização Internacional de Aviação Civil e as principais leis que regulam a aviação civil
brasileira.
Dessa forma, pode-se perceber o quanto avançaram a aviação civil brasileira e a mundial e
quanto esse setor requer a integração de normas, governos, empresas e órgãos para que a aviação
civil continue a contar com a confiança das pessoas e a ser um grande negócio em nível global.
519
520
Capítulo 3
Legislação básica atual da aviação civil nacional
O amparo legal das atividades ligadas à aviação civil brasileira é composto de normas
nacionais e internacionais, de direito público e privado, que integram principalmente
o ramo do Direito Aeronáutico. Devido ao extenso e variado número de relações e
responsabilidades que se verificam nas atividades do setor, diversos outros ramos do direito
amparam as relações jurídicas, tais como o Direito do Consumidor, Direito Civil, Penal,
Administrativo, entre outros.
Desses dispositivos, cabe destacar o fato de pertencer à União a competência privativa para
legislar sobre Direito Aeronáutico, ou seja, o Poder Executivo Federal é quem detém a
competência para a iniciativa de lei referente a tema ligado ao Direito Aeronáutico.
521
3.2 Lei nº 7.565/1986 – Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA)
O Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) é o principal documento da legislação brasileira
sobre a aviação civil nacional. Ele foi inserido no ordenamento jurídico brasileiro por meio
da Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986, e sofreu diversas alterações posteriores.
O código dispõe praticamente sobre todos os aspectos da aviação civil. Está disposto em 11
títulos, divididos da seguinte maneira:
a) introdução;
b) do espaço aéreo e seu uso para fins aeronáuticos;
c) da infraestrutura aeronáutica;
Disposições finais: as d) das aeronaves;
disposições finais são
informações colocadas ao
e) da tripulação;
final do ato legislativo que f ) dos serviços aéreos;
se relacionam com o todo g) do contrato de transporte aéreo;
de um título, ou mesmo
do corpo do texto legal. h) da responsabilidade civil;
Tais disposições visam a i) das infrações e providências administrativas;
esclarecer, complementar j) dos prazos extintivos;
ou acrescentar informações
tratadas do texto legal. k) disposições finais e transitórias.
522
O artigo 1º estabelece as normas que são fontes do Direito Aeronáutico e explica o processo
de adesão a tratados, convenções e atos internacionais.
Art. 12 Ressalvadas as atribuições específicas, fixadas em lei, submetem-se às normas
(artigo 1º, § 3º), orientação, coordenação, controle e fiscalização do Ministério da
Aeronáutica:
I - a navegação aérea.
II - o tráfego aéreo.
III - a infraestrutura aeronáutica.
IV - a aeronave.
V - a tripulação.
VI - os serviços, direta ou indiretamente relacionados ao voo (BRASIL, 1986, p.1).
523
aérea e à infraestrutura aeronáutica (artigos 97 a 100).
VIII - o sistema de indústria aeronáutica (artigo 101).
IX - o sistema de serviços auxiliares (artigos 102 a 104).
X - o sistema de coordenação da infraestrutura aeronáutica (artigo 105).
[...]
[...]
Art. 47. O Sistema de Proteção ao Voo visa à regularidade, segurança e eficiência do
fluxo de tráfego no espaço aéreo, abrangendo as seguintes atividades:
I - de controle de tráfego aéreo.
II - de telecomunicações aeronáuticas e dos auxílios à navegação aérea.
III - de meteorologia aeronáutica.
IV - de cartografia e informações aeronáuticas.
V - de busca e salvamento.
VI - de inspeção em voo.
VII - de coordenação e fiscalização do ensino técnico específico.
VIII - de supervisão de fabricação, reparo, manutenção e distribuição de equipamentos
terrestres de auxílio à navegação aérea (BRASIL, 1986, p. 1).
Como se pode observar, a partir da leitura dos artigos a seguir, o CBA é importante fonte de
informação sobre as definições de conceitos utilizados na aviação civil. Tais informações são
muito importantes para o próprio entendimento da lei e para a delegação de responsabilidades
aos órgãos que atuam no setor, conforme se verifica nos artigos a seguir:
524
[...]
Art. 94. O sistema de facilitação do transporte aéreo, vinculado ao Ministério da Aero-
náutica, tem por objetivo estudar as normas e recomendações pertinentes da Organiza-
ção de Aviação Civil Internacional - OACI e propor aos órgãos interessados as medidas
adequadas a implementá-las no país, avaliando os resultados e sugerindo as alterações
necessárias ao aperfeiçoamento dos serviços aéreos.
[...]
Art. 100. Os programas de desenvolvimento de ensino e adestramento de pessoal
civil vinculado à infraestrutura aeronáutica compreendem a formação, aperfeiçoa-
mento e especialização de técnicos para todos os elementos indispensáveis, imediata
ou mediatamente, à navegação aérea, inclusive à fabricação, revisão e manutenção
de produtos aeronáuticos ou relativos à proteção ao voo.
Parágrafo único. Cabe à autoridade aeronáutica expedir licença ou certificado
de controladores de tráfego aéreo e de outros profissionais dos diversos setores de
atividades vinculadas à navegação aérea e à infraestrutura aeronáutica.
[...]
[...]
Art. 114. Nenhuma aeronave poderá ser autorizada para o voo sem a prévia expedição
do correspondente certificado de aeronavegabilidade que só será válido durante o
prazo estipulado e enquanto observadas as condições obrigatórias nele mencionadas
(artigos 20 e 68, § 2°)(BRASIL, 1986, p. 1).
A lei também aborda o regime de trabalho, os limites de voo e de pouso por jornada, os
períodos de repouso, a alimentação, as férias, entre outros assuntos.
525
Como se pode observar, o governo federal delegou responsabilidade à ANAC para
regularização e fiscalização das atividades ligadas à aviação civil no Brasil. Dessa forma, ao
estudar a lei de criação da ANAC, se reconhece o próprio funcionamento da aviação civil
brasileira, haja vista que ela é o órgão central desse setor.
[...]
Art. 8º. Cabe à ANAC adotar as medidas necessárias para o atendimento do interesse
público e para o desenvolvimento e fomento da aviação civil, da infraestrutura
aeronáutica e aeroportuária do país, atuando com independência, legalidade,
impessoalidade e publicidade, competindo-lhe:
I - implementar, em sua esfera de atuação, a política de aviação civil.
526
II - representar o país junto aos organismos internacionais de aviação civil, exceto
nos assuntos relativos ao sistema de controle do espaço aéreo e ao sistema de
investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos.
III - elaborar relatórios e emitir pareceres sobre acordos, tratados, convenções e
outros atos relativos ao transporte aéreo internacional, celebrados ou a ser celebrados
com outros países ou organizações internacionais.
IV - realizar estudos, estabelecer normas, promover a implementação das normas
e recomendações internacionais de aviação civil, observados os acordos, tratados e
convenções internacionais de que seja parte a República Federativa do Brasil.
V - negociar o estabelecimento de acordos e tratados sobre transporte aéreo
internacional, observadas as diretrizes do CONAC.
VII - regular e fiscalizar a operação de serviços aéreos prestados no país, por empresas
estrangeiras, observados os acordos, tratados e convenções internacionais de que
seja parte a República Federativa do Brasil.
VIII - promover, junto aos órgãos competentes, o cumprimento dos atos internacionais
sobre aviação civil ratificados pela República Federativa do Brasil.
[...]
X - regular e fiscalizar os serviços aéreos, os produtos e processos aeronáuticos,
a formação e o treinamento de pessoal especializado, os serviços auxiliares, a
segurança da aviação civil, a facilitação do transporte aéreo, a habilitação de
tripulantes, as emissões de poluentes e o ruído aeronáutico, os sistemas de reservas,
a movimentação de passageiros e carga e as demais atividades de aviação civil.
XI - expedir regras sobre segurança em área aeroportuária e a bordo de aeronaves
civis, porte e transporte de cargas perigosas, inclusive o porte ou transporte
de armamento, explosivos, material bélico ou de quaisquer outros produtos,
substâncias ou objetos que possam por em risco os tripulantes ou passageiros, ou a
própria aeronave ou, ainda, que sejam nocivos à saúde.
[...]
XIII - regular e fiscalizar a outorga de serviços aéreos.
XIV - conceder, permitir ou autorizar a exploração de serviços aéreos.
XV - promover a apreensão de bens e produtos aeronáuticos de uso civil, que
estejam em desacordo com as especificações.
XVI - fiscalizar as aeronaves civis, seus componentes, equipamentos e serviços de
manutenção, com o objetivo de assegurar o cumprimento das normas de segurança de voo.
XVII - proceder à homologação e emitir certificados, atestados, aprovações e
autorizações, relativos às atividades de competência do sistema de segurança de
voo da aviação civil, bem como licenças de tripulantes e certificados de habilitação
técnica e de capacidade física e mental, observados os padrões e normas por ela
estabelecidos.
XVIII - administrar o Registro Aeronáutico Brasileiro.
[...]
XXI - regular e fiscalizar a infraestrutura aeronáutica e aeroportuária, com exceção
das atividades e procedimentos relacionados com o sistema de controle do espaço
aéreo e com o sistema de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos
(BRASIL, 2005, p. 1).
527
Em relação ao inciso XXI, destaca-se que o sistema de controle do espaço aéreo e o sistema
de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos continuam sob a responsabilidade do
Comando da Aeronáutica.
[...]
XXX - expedir normas e estabelecer padrões mínimos de segurança de voo, de
desempenho e eficiência, a serem cumpridos pelas prestadoras de serviços aéreos
e de infraestrutura aeronáutica e aeroportuária, inclusive quanto a equipamentos,
materiais, produtos e processos que utilizarem e serviços que prestarem.
XXXI - expedir certificados de Aeronavegabilidade.
XXXII - regular, fiscalizar e autorizar os serviços aéreos prestados por aeroclubes,
escolas e cursos de aviação civil.
XXXIII - expedir, homologar ou reconhecer a certificação de produtos e processos
aeronáuticos de uso civil, observados os padrões e normas por ela estabelecidos.
XXXIV - integrar o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos
– SIPAER.
[...]
XL - elaborar e enviar o relatório anual de suas atividades à Secretaria de Aviação
Civil da Presidência da República e, por intermédio da Presidência da República,
ao Congresso Nacional.
[...]
XLIII - decidir, em último grau, sobre as matérias de sua competência.
[...]
XLV - deliberar, na esfera técnica, quanto à interpretação das normas e recomendações
internacionais relativas ao sistema de segurança de voo da aviação civil, inclusive os
casos omissos.
[...]
§ 2º A ANAC observará as prerrogativas específicas da Autoridade Aeronáutica,
atribuídas ao Comandante da Aeronáutica, devendo ser previamente consultada
sobre a edição de normas e procedimentos de controle do espaço aéreo que
tenham repercussão econômica ou operacional na prestação de serviços aéreos e de
infraestrutura aeronáutica e aeroportuária.
[...]
§ 6º Para os efeitos previstos nesta lei, o Sistema de Controle do Espaço Aéreo
Brasileiro será explorado diretamente pela União, por intermédio do Comando da
Aeronáutica, ou por entidade a quem ele delegar.
§ 7º As expressões infraestrutura aeronáutica e infraestrutura aeroportuária,
mencionadas nesta lei, referem-se às infraestruturas civis, não se aplicando o disposto
nela às infraestruturas militares.
[...]
Art. 9º. A ANAC terá como órgão de deliberação máxima a Diretoria, contando,
também, com uma Procuradoria, uma Corregedoria, um Conselho Consultivo e
uma Ouvidoria, além das unidades especializadas.
Art. 10. A Diretoria atuará em regime de colegiado e será composta por 1 (um)
Diretor-Presidente e 4 (quatro) Diretores, que decidirão por maioria absoluta,
cabendo ao Diretor-Presidente, além do voto ordinário, o voto de qualidade.
(BRASIL, 2005, p. 1).
528
As fontes de receita da ANAC estão indicadas no artigo 31 da Lei nº 11.182/2005:
Art. 31. Constituem receitas da ANAC:
I - dotações, créditos adicionais e especiais e repasses que lhe forem consignados no
Orçamento Geral da União.
II - recursos provenientes de convênios, acordos ou contratos celebrados com
órgãos ou entidades federais, estaduais e municipais, empresas públicas ou privadas,
nacionais ou estrangeiras, e organismos internacionais.
III - recursos do Fundo Aeroviário.
IV - recursos provenientes de pagamentos de taxas.
[...]
X - outros recursos que lhe forem destinados.
Art. 32. São transferidos à ANAC o patrimônio, o acervo técnico, as obrigações e os
direitos de organizações do Comando da Aeronáutica, correspondentes às atividades
a ela atribuídas por esta lei (BRASIL, 2005, p. 1).
Como consequência do artigo 47, I, as normas que ainda não foram reformadas pela ANAC
continuam em vigor, sendo interpretadas com base na legislação atual. Quanto ao tema,
cabem os seguintes comentários:
• para regulamentar os assuntos sob sua competência legal, a ANAC utiliza normas in-
fralegais, ou seja, normas que possuem força normativa, mas que não podem extrapolar
os poderes conferidos por lei. As resoluções da ANAC têm força legal, uma vez que a lei
conferiu a ela a competência para deliberar nas esferas administrativa e técnica;
• há diversas normas anteriores à criação da ANAC sobre praticamente todos os assuntos
de sua competência, editadas pelo extinto Departamento de Aviação Civil (DAC), pelo
Comando da Aeronáutica ou pelo antigo Ministério da Aeronáutica, que continuam em
vigor e foram recepcionadas com status de resolução da Agência;
• após a leitura da lei de criação da ANAC, é possível constatar que ela recebeu uma longa
lista de competências que abrange duas naturezas distintas, uma econômica, que se refere
às atividades ligadas à prestação de serviços ao consumidor, e outra técnica, concernente
às atividades relacionadas ao voo das aeronaves e todo o apoio para realização do voo. Daí
a afirmação de que a ANAC exerce a figura central da estrutura da aviação civil brasileira.
Veja-se, na íntegra, o artigo 47:
Art. 47. Na aplicação desta Lei, serão observadas as seguintes disposições:
I - os regulamentos, normas e demais regras em vigor serão gradativamente substituídos
por regulamentação a ser editada pela ANAC, sendo que as concessões, permissões
e autorizações pertinentes a prestação de serviços aéreos e a exploração de áreas e
instalações aeroportuárias continuarão regidas pelos atuais regulamentos, normas e
regras, enquanto não for editada nova regulamentação.
[...]
III - as atividades de administração e exploração de aeródromos exercidas pela Empresa
Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO passarão a ser reguladas por atos
da ANAC (BRASIL, 2005, p. 1).
529
3.5 Acordos e convenções internacionais
A regulamentação da aviação civil sofre interferência de processos de padronização que
são efetivados por meio de acordos e tratados internacionais. Por esse motivo, o Direito
Aeronáutico recebe uma influência muito grande do Direito Internacional.
530
3.6.1 Resolução
A ANAC efetiva ações normativas por meio de resoluções quando necessita instituir, aprovar
ou modificar normas que estão sob sua competência, tais como regulamentos, programas,
regimento interno e normas de caráter administrativo da Agência, tornando público esses
atos, por meio de publicação em Diário Oficial. Cita-se como exemplo a Resolução nº 64,
de 26 de novembro de 2008, publicada no Diário Oficial da União, em 27 de novembro de
2008, que aprova o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil nº 01.
A Resolução da ANAC n° 30, de 21 de maio de 2008, no seu artigo 1°, instituiu o Regulamento
Brasileiro da Aviação Civil, norma de caráter geral e abstrato com efeito externo ou externo
e interno, visando a estabelecer requisitos destinados à aviação civil brasileira.
O RBAC 01, que aborda as definições, as regras de redação e as unidades de medida para
uso nos RBAC, em suas disposições finais, estabelece que, nas definições constantes desse
regulamento, quando houver menção a um RBAC ainda não emitido, deverá ser considerado
como referência o RBHA correspondente em vigor, até que este seja substituído pelo RBAC
apropriado. Portanto, os RBHA continuam em vigor até a sua revogação por um RBAC.
A Resolução da ANAC n° 30 instituiu, em seu art. 14, a instrução suplementar, como norma
suplementar, de caráter geral, editada pelo superintendente da área competente, objetivando
esclarecer, detalhar e orientar a aplicação de requisitos previstos em RBAC.
531
A tabela a seguir exemplifica a relação entre os temas tratados nas instruções suplementares e
nos regulamentos a que fazem referência. A própria numeração da IS faz referência ao RBAC
de origem.
Tabela 1 - Exemplos de regulamentos e instruções suplementares correspondentes da ANAC
IS Assunto Referência
IS 91-21-001A Utilização de dispositivos eletrônicos portáteis RBAC 21
IS 39-001A Diretrizes de aeronavegabilidade RBAC 39
IS 145-002 Certificação de empresa de manutenção estrangeira RBAC 145
Resumindo
Neste capítulo, explicitaram-se os aspectos relevantes dos principais documentos que
regulam as atividades da aviação civil brasileira e as fontes de consulta desses documentos.
532
Capítulo 4
Órgãos e competências
No Brasil, há diversos órgãos que exercem atribuições específicas na aviação civil brasileira
e atuam de maneira coordenada para o pleno funcionamento da aviação civil no âmbito
nacional. Esses órgãos exercem competências de planejamento, elaboração de políticas de
aviação civil, normatização do setor, infraestrutura, apoio logístico, segurança, entre tantas
outras responsabilidades.
Ainda de acordo com o decreto supracitado, o Conselho é composto por oito ministros, mais
o chefe da Casa Civil da Presidência da República e do comandante da Aeronáutica, cabendo a
presidência ao ministro de Estado chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC).
A secretaria do Conselho é exercida pela Secretaria de Aviação Civil, que, segundo Resolução do
CONAC nº 2, de 8 de julho de 2009, também coordena a Comissão Técnica de Coordenação
das Atividades Aéreas, de natureza consultiva, integrada por representantes de ministérios,
da ANAC, do Gabinete do Comandante da Aeronáutica, do Departamento de Controle do
Espaço Aéreo (DECEA), da INFRAERO, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes
Aeronáuticos (CENIPA) e do Departamento de Polícia Federal (DPF).
533
III - aprovar as diretrizes de suplementação de recursos para linhas aéreas e aeroportos
de interesse estratégico, econômico ou turístico;
IV - promover a coordenação entre as atividades de proteção de voo e as
atividades de regulação aérea;
V - aprovar o plano geral de outorgas de linhas aéreas;
VI - estabelecer as diretrizes para a aplicabilidade do instituto da concessão ou
permissão na exploração comercial de linhas aéreas (BRASIL, 2000, p. 1).
O mesmo decreto prevê que o CONAC deve elaborar anualmente um relatório, encaminhado
à Presidência da República para avaliar as atividades desenvolvidas pelos diversos setores
ligados à aviação civil no país e as suas perspectivas.
534
4.3 Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)
A ANAC é uma autarquia especial, vinculada à Secretaria de Aviação Civil (SAC) e ao
Ministério da Defesa, dotada de independência administrativa, autonomia financeira, ausência
de subordinação hierárquica e mandato fixo de seus dirigentes, com competência para regular e
fiscalizar as atividades de aviação civil e de infraestrutura aeronáutica e aeroportuária.
Ela foi instituída pela Lei nº 11.182, de 2005, e regulamentada pelo Decreto nº 5.731, de
2006, que dispõe sobre sua instalação, estrutura organizacional e aprova seu regulamento.
535
Como se pode observar, não estão no campo de atuação da ANAC as atividades de
investigação de acidentes aeronáuticos e do controle do espaço aéreo, que ficam a cargo,
respectivamente, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (CENIPA) e do
Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), subordinados ao Ministério da
Defesa e Comando da Aeronáutica.
Em termos práticos, a ANAC é o órgão mais próximo do profissional que atua na área de
aviação civil, haja vista que é responsável pela emissão de licenças e habilitação para pilotos,
mecânicos de manutenção aeronáutica, despachantes de voo, fixação de requisitos para as
escolas de aviação, entre tantas outras atividades relacionadas às atividades da aviação civil.
536
VIII - executar ou promover a contratação de estudos, planos, projetos, obras e
serviços relativos às suas atividades;
IX - executar ou promover a contratação de estudos, planos, projetos, obras e
serviços de interesse do Ministério da Aeronáutica, condizentes com seus objetivos,
para os quais forem destinados recursos especiais;
X - celebrar contratos e convênios com órgãos da Administração Direta e
Indireta do Ministério da Aeronáutica, para prestação de serviços técnicos
especializados;
XI - promover a formação, treinamento e aperfeiçoamento de pessoal especializado,
necessário às suas atividades;
XII - promover e coordenar junto aos órgãos competentes as medidas necessárias
para instalação e permanência dos serviços de segurança, polícia, alfândega e saúde
nos aeroportos internacionais, supervisionando-as e controlando-as para que sejam
fielmente executadas;
XIII - promover a execução de outras atividades relacionadas com a sua finalidade
(BRASIL, 1972, p. 1).
537
§ 2º São ainda subordinados ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo: o Centro
de Gerenciamento da Navegação Aérea, o Grupo Especial de Inspeção em Voo, os
Grupos de Comunicação e Controle, os seus Institutos, os Parques de Material de
Eletrônica e os Serviços Regionais de Proteção ao Voo (Redação dada pelo Decreto nº
7.069, de 2010) (BRASIL, 2009, p. 1).
O CENIPA foi criado pelo Decreto nº 69.565, de 19 de novembro de 1971, como órgão
central do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER). Sua
criação representou o surgimento de uma nova filosofia de prevenção de acidentes a ser
538
difundida no país: a palavra inquérito foi substituída e as investigações passaram a ser
realizadas com o único objetivo de promover a prevenção de acidentes aeronáuticos, em
concordância com normas internacionais.
539
i) Planejar, executar e supervisionar a formação, o treinamento e o aperfeiçoamento
técnico-profissional dos recursos humanos para o exercício das atividades no âmbito
do SIPAER;
j) Elaborar o Programa de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (PPAA) para a avia-
ção civil e militar brasileira, bem como, juntamente com o DECEA, o Programa
de Segurança Operacional Específico (PSOE) do Comando da Aeronáutica; e
k) Representar o País junto aos organismos internacionais nos assuntos relacionados
com a prevenção e a investigação de acidentes aeronáuticos (BRASIL, 2015, p. 1).
Resumindo
Neste capítulo, viu-se que, em virtude da grande amplitude e complexidade das atividades
ligadas ao setor de aviação civil, as competências foram atribuídas por lei a órgãos
especializados. Nesse cenário, foram vistas as principais atribuições e características dos
seguintes órgãos:
• Conselho de Aviação Civil;
• Secretaria de Aviação Civil;
• Agência Nacional de Aviação Civil;
• Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária;
• Departamento de Controle do Tráfego Aéreo;
• Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.
Foi verificado que todos esses órgãos atuam de maneira coordenada, cada um exercendo as
competências conferidas por lei e seguindo a política de aviação civil nacional determinada pela
autoridade brasileira do setor. Também foi visto que a ANAC exerce a figura central da aviação
civil brasileira, cabendo a ela a maior parte das atribuições da aviação civil brasileira.
540
Capítulo 5
Organizações internacionais
A aviação civil engloba atividades complexas, tanto de natureza técnica quanto de ordem
econômica. É difícil imaginar o setor hoje em dia sem a atuação das principais organizações
de regulamentação, de apoio e fomento às atividades ligadas à aviação, as quais são referências
para a harmonização de normas que regem a aviação civil e para a elaboração de parâmetros e
condutas que buscam a segurança de todas as atividades desenvolvidas no setor.
Com sede em Montreal, no Canadá, a IATA conta atualmente com cerca de 250 linhas
aéreas associadas, em 118 países, representando aproximadamente 84% do total de tráfego
aéreo mundial. Possui 63 escritórios em 60 países, divididos em cinco regiões: China e
Norte da Ásia, Ásia-Pacífico, África e Oriente Médio, Europa e Américas. A IATA mantém
relações estreitas com governos e agências de aviação, aeroportos, prestadores de serviços de
navegação aérea e associações de companhias aéreas regionais.
Uma das ações marcantes da IATA foi a criação de uma estrutura coerente de preços que
evitou a concorrência predatória entre as empresas aéreas, respeitando os interesses do
consumidor. A primeira conferência de tráfego foi realizada em 1947, no Rio de Janeiro, e
chegou a um acordo unânime sobre cerca de 400 resoluções. As regras e os mecanismos da
IATA referentes às tarifas aéreas e sua regulamentação estão inseridos em diversos acordos
bilaterais e multilaterais de transporte aéreo.
541
No Brasil, como resultado desse processo, na prática, toda a comercialização do transporte
aéreo internacional de passageiro e de carga está subordinada às regras e aos mecanismos
da IATA, cujas resoluções precisam ser aprovadas pela ANAC para serem incorporadas à
legislação interna do país.
Outra ação importante efetivada pela IATA diz respeito à criação de códigos para a
identificação de companhias aéreas, destinos, aeronaves, aeroportos e documentos de
trânsito. Eles são fundamentais para o bom funcionamento de centenas de aplicações
eletrônicas que foram construídas em torno destes sistemas de codificação, para fins de
tráfego de passageiros e de carga.
A missão principal da IATA é representar, liderar e servir à indústria aérea. Entre os seus
objetivos centrais constam os de prover transporte aéreo com segurança, eficiência e
economia. Com esse foco, ela exerce um papel fundamental para o desenvolvimento da
aviação civil mundial, sendo uma fonte importante para o desenvolvimento e harmonização
das regras de aviação civil em escala mundial. A IATA possui uma série de programas
importantes nas áreas de segurança, de simplificação de negócios, de questões ambientais e
de serviços, que servem de base para as ações e regulamentações dos países adeptos.
Sediada em Washington, D.C., a FAA nasceu em 1940, com a criação da Civil Aeronautics
Administration. Em 1958, um decreto federal transferiu as competências desse órgão para
um novo, denominado Federal Aviation Agency, e, em 1967, a sua designação mudou para
Federal Aviation Administration.
542
Outras informações sobre a FAA podem ser obtidas no endereço a seguir: http://
[Link] (em inglês).
Resumindo
Neste capítulo, apresentaram-se algumas organizações estrangeiras de regulamentação em
matéria de aviação civil e suas principais características. Ademais, estudaram-se o papel da
IATA e suas principais atribuições, bem como as agências FAA e EASA e suas importâncias
para a regulamentação da aviação civil mundial.
543
544
Unidade 11
Tráfico de drogas e
dependência química
Não são poucas as situações em que pessoas deixam seus empregos e suas famílias
em função do consumo de drogas. Somado a isso, existe uma grande quantidade de
usuários e dependentes que adoece em função do consumo de substâncias que, até
podem trazer um prazer imediato, mas têm um custo elevado, tanto para o coletivo
quanto para o indivíduo.
Esta unidade está dividida em dois capítulos. O primeiro aborda a prevenção e a repressão
no combate às drogas e ao tráfico de drogas, e o segundo apresenta a dependência química,
os efeitos que as drogas produzem no corpo humano e seus impactos no comportamento
e nas relações sociais de quem é dependente.
545
546
Capítulo 1
Tráfico de drogas
O tráfico de drogas é considerado um problema mundial, que tem como pano de fundo a Narcotráfico: o mesmo que
geração e a circulação de dinheiro sem o controle efetivo dos governos. O tráfico financia uma tráfico de drogas.
grande parcela de investimentos para que a produção ocorra no mundo e faça o capitalismo Usuário de drogas:
prevalecer, com a lógica quem tem mais, pode mais. Para Morais (2006), tanto agentes estatais, a pessoa que faz uso de
produtos, substâncias ou
como empresas de segurança privada e usuários se beneficiam com a circulação de drogas e o
drogas lícitas e ilícitas, que
fomento à violência. causam dependência física
ou psíquica, mas ainda
Estima-se que o tráfico de drogas movimente cerca de 320 bilhões de dólares em todo o mundo possui o completo domínio
anualmente (EFE, 2014). Esta é apenas uma estimativa, pois como não há pagamento de de suas vontades e de seus
atos.
impostos, não é possível precisar o quanto de dinheiro circula no narcotráfico.
Dependente químico:
A produção de drogas é feita, principalmente, em países da América Latina, mas também no a pessoa que está
subordinada ao uso de
Oriente Médio e na Ásia. Dentre os países que participam dessa produção estão Colômbia e
produtos, substâncias ou
Peru, na América Latina, Afeganistão, no Oriente Médio, e Japão e Cingapura, na Ásia. drogas lícitas e ilícitas, sem
ser capaz de responder por
Estes países não são os únicos a produzirem e a comercializarem drogas, mas são os principais suas vontades e por seus
produtores. Quanto ao consumo, os maiores consumidores de drogas no mundo são os Estados atos.
O tráfico de drogas não traz consequências apenas para os usuários e dependentes. É um grave
problema mundial, associado, diretamente, à violência, à produção de armas, ao crime, à
marginalidade, à corrupção.
De acordo com o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon,
a cada três minutos morre alguém no mundo por motivos relacionados às drogas, o que
547
representa uma tragédia global. E as crianças também são vítimas, pois quando os seus pais são
toxicodependentes, aumenta a probabilidade de elas próprias consumirem drogas e expõe-nas
ao risco de doenças mentais, crime e violência, além de doenças infecciosas como a AIDS e
hepatite C (LUSA, 2011).
A partir da aprovação da PNAD, foi promulgada a Lei n.11.343/2006 que institui o Sistema
Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) e prescreve medidas para prevenção do uso
indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas
para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e define crimes, entre
outras providências.
Esta Lei estabelece que oferecer, consumir e produzir drogas, entre outras atividades ilícitas,
é crime. Mas uma pessoa que apenas portar a droga, para consumo próprio, é tratada como
dependente e não como criminosa, e por tal razão, sua pena é educativa. O traficante, que
vende drogas em grandes quantidades, está passível às penas de restrição de liberdade.
548
A PNAD propõe uma série de ações educacionais voltadas à prevenção ao uso de drogas. Tais
ações devem estar orientadas no sentido de promover valores voltados à saúde física e mental,
individual e coletiva, ao bem-estar, à integração socioeconômica e a valorização das relações
familiares, considerando seus diferentes modelos.
Para tanto, escola e família devem estar engajadas e firmar uma sólida parceria para que se
reúnam, continuamente, a fim de socializar conhecimentos e de compartilhar experiências
sobre drogas. Conhecendo e compreendendo o tema, pais e/ou responsáveis estarão mais
preparados e fundamentados para orientar seus filhos e esclarecer suas dúvidas por meio do
diálogo franco e aberto.
Campanhas, programas de TV, livros, etc. são considerados excelentes recursos educacionais
preventivos. No entanto, precisam elaborados com seriedade e responsabilidade. A PNAD
recomenda que as mensagens veiculadas sejam claras, atualizadas e fundamentadas
cientificamente, considerando as especificidades do público-alvo, as diversidades culturais, a
vulnerabilidade, respeitando as diferenças de gênero, raça e etnia.
A PNAD ressalta, ainda, que a efetiva prevenção contra o uso de drogas depende do
comprometimento e da cooperação entre os diferentes segmentos da sociedade brasileira e
os órgãos governamentais. Portanto, compete a cada cidadão brasileiro fiscalizar as ações de
prevenção às drogas desenvolvidas pelos órgãos e pelas entidades governamentais.
Ações preventivas custam menos aos cofres públicos, causam impacto positivo, ampliam
conhecimentos e, por conseguinte, promovem a mudança de comportamento.
A PM repreende o crime a partir da sua ocorrência. Por exemplo: se uma pessoa comete um assalto, o
policial militar que presencia tal delito tem o dever de prender o assaltante e encaminhá-lo à delegacia
para que a ocorrência seja registrada. A ação encerra-se no momento da condução do assaltante à
delegacia e posterior registro do delito. Assim, a PM trata a repressão baseada no ato concreto do
delito, ou seja, a pessoa precisa ser flagrada para ser presa. Além de repreender aqueles que vendem a
droga, a PM combate a circulação das drogas nas cidades, por meio do policiamento ostensivo.
A PC, por sua vez, tem um caráter investigativo no processo de repressão e combate ao tráfico de
drogas. Para efetuar uma prisão há necessidade de investigação o que, muitas vezes, leva tempo.
Pode levar meses, e até anos, para que alguém seja preso, ou alguma droga seja apreendida.
Ao contrário da PM, a PC investiga e chega aos traficantes e àqueles que gerenciam o negócio.
Por ter atribuições judiciárias, a PC pode apreender grandes volumes de drogas diferentes
pontos de distribuição.
549
Delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE), localizadas nas Superintendências Regionais
da PF. O comando nacional é exercido pela Coordenação Geral de Polícia de Entorpecentes
(CGPRE), sediada em Brasília. A atuação da PF, neste ramo, dá ênfase ao tráfico de drogas
internacional e interestadual.
É importante salientar que a PF detém o chamado ciclo completo de polícia. Isso porque,
diferentemente da PM e da PC, tem atribuições tanto de polícia ostensiva quanto judiciária.
Assim como a maioria das polícias de países desenvolvidos, a PF exerce as funções preventiva,
investigativa e repressiva nos assuntos de sua competência.
Resumindo
Este capítulo apresentou o tráfico de drogas como um problema mundial associado à violência,
à produção de armas, ao crime, à marginalidade, à corrupção. Para combater e reprimir o
tráfico de drogas no Brasil, o Governo Federal aprovou a Política Nacional Antidrogas (PNAD)
e promulgou a Lei n. 11.343/2006, que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre
Drogas (Sisnad).
Foram apresentadas, também, ações de combate e repressão realizadas pela PM, PC e PF, assim
como ações educacionais voltadas à prevenção do uso de drogas.
550
Capítulo 2
Dependência química
A dependência química pode ser constatada quando a pessoa tem seu comportamento social
alterado pela falta da droga. Nesta situação, o dependente gera brigas e discussões e chega
ao ponto de verbalizar sua necessidade de consumir drogas para se sentir bem e para realizar
determinada atividade.
No caso do álcool, estas atitudes agressivas são frequentes e notórias, sobretudo em ambientes
sociais, pois o dependente não consegue parar de beber.
As drogas naturais são aquelas encontradas na natureza e podem ser consumidas pelas pessoas
diretamente. O exemplo mais comum deste tipo de droga é a cannabis sativa, conhecida como
maconha, erva muito cultivada em diversos países.
A maconha ganhou status nos Estados Unidos, nos anos 1930, pois o álcool estava proibido e
Letargia: lentidão.
as pessoas frequentavam bares para consumir este tipo de droga. Posteriormente, foi proibida
em muitos países. Acreditava-se que a cânhamo (fibra da erva) contida na cannabis sativa era
potente e barata para ser produzida, mas ao longo do tempo sofreu grande concorrência com
outros produtos.
551
desagradável. O ópio tem alto poder viciante e é consumido pela inalação em cachimbo, após
aquecimento da substância.
Figura 2 - Papoula
Fonte: [Link] / © Linda Kenney
Existem ainda drogas que são classificadas como semissintéticas, pois são elaboradas a partir de
uma substância natural, mas precisam ser processadas para alcançarem os efeitos de uma droga.
Dentre elas estão a cocaína e o crack.
A cocaína é obtida a partir da folha de coca, muito usada por colombianos e peruanos na forma
de chás ou para mascar e diminuir os efeitos da altitude. A cocaína é uma droga ingerida por
inalação, com coloração branca e consistência de pó.
O crack é uma droga derivada da cocaína, cujo consumo se dá por meio do aquecimento da
pedra e a inalação do vapor exalado dela. É uma droga barata e de fácil acesso, o que facilita o
uso e, consequentemente, gera a dependência.
552
2.2 Efeito das drogas no organismo
As drogas podem apresentar diferentes manifestações no corpo das pessoas: emagrecimento,
alteração da coloração e do turgor da pele e alteração do paladar, comprometendo a percepção
de gostos ácidos ou de temperaturas elevadas.
Turgor: força exercida pela
água contida em uma célula.
Porém, os efeitos que as drogas produzem no sistema neurológico, no comportamento das
pessoas e no sistema cardiológico merecem destaque. Torpor: sensação de
confusão mental.
Drogadição: consumo de
2.2.1 Efeito das drogas no sistema neurológico droga.
As drogas podem afetar diferentes sistemas do corpo humano, mas é sobre o sistema nervoso Sinapses cerebrais:
transferência de informações
que têm maior efeito e repercussão. Algumas drogas possuem efeito de agitação, fazendo com entre os neurônios por meio
que as pessoas fiquem mais vigilantes e alegres. Tal euforia é, geralmente, seguida de uma forte de neurotransmissores.
depressão e da busca de uma nova dose da droga, ainda mais intensa, para reviver a euforia
sentida anteriormente.
Isso leva a pessoa a buscar drogas com uma frequência mais intensa, tendendo a seguir para
drogas com maior poder destrutivo.
Além da euforia e da agitação, as drogas podem agir sobre o sistema nervoso central produzindo
alucinações. Como exemplo é possível citar os efeitos de medicamentos à base de ópio, como a
codeína e a morfina. Tais medicamentos produzem um estado de torpor, além de alucinações.
Conforme a dose utilizada, a pessoa visualiza figuras mitológicas, cores que nunca viu antes e
pode falar sem controle, como se estivesse conversando com alguém. Os tratamentos para estes
tipos de drogadição precisam, muitas vezes, de acompanhamento multidisciplinar para que a
pessoa se liberte da dependência.
Por fim, as drogas podem causar sonolência e letargia. Esse é o principal efeito da maconha
e dos tranquilizantes, que atuam no sistema nervoso central, provocando uma depressão da
velocidade das sinapses cerebrais. Por isso, o pensamento torna-se mais lento e, por vezes,
confuso e incoerente.
Outras funções controladas pelo sistema nervoso central podem ser afetadas pelas drogas, tais
como a visão e a coordenação motora.
As pessoas estabelecem relações sociais ao longo da vida, com pessoas do seu círculo familiar,
do seu trabalho e de amigos.
A dependência química leva a um afastamento das pessoas que convivem com o usuário. Este
afastamento é proporcional à dependência química. O dependente químico, por medo ou
censura, deixa de conviver com as pessoas mais próximas para se manter sob o efeito das drogas
por mais tempo.
553
Antes de afastar-se completamente, é comum a ocorrência de brigas e discussões no círculo de
amizades ou no espaço familiar. Os hábitos de higiene deixam de existir e a promiscuidade e
a prostituição passam a ser rotineiros, uma que fica muito difícil para o dependente químico
conseguir se manter no emprego ou conseguir dinheiro. É comum a morte de dependentes
químicos que, em decorrência do afastamento dos familiares e amigos, são sepultados como
indigentes em qualquer cemitério público.
A droga só chega rapidamente ao cérebro porque antes passa pelo sistema cardiológico,
produzindo efeitos muito negativos. Um sintoma frequente em pessoas com dependência
química é a agitação, fruto do efeito adrenérgico que a droga provoca. Mesmo no caso de uma
Efeito adrenégico: efeito
droga tranquilizante, as pessoas podem experimentar sensações de taquicardia e palpitação. A
ocorrido no corpo pela elevação da temperatura corporal e o cansaço também são reações comuns a quem abusa de
ativação de receptores drogas, tanto as estimulantes quanto as sedativas.
celulares que provocam,
por exemplo, aumento da
A pressão arterial pode se elevar e causar secura na boca. As extremidades ficam mais frias, pois
frequência cardíaca, aumento
da pressão arterial e aumento o sangue migra para nutrir órgãos importantes, como cérebro, pulmão e coração, daí o cansaço
no tamanho das pupilas. e a agitação. Em casos mais críticos, as pessoas podem sofrer infarto do coração e acidente
vascular cerebral.
Resumindo
Este capítulo apresentou a diferença entre as drogas naturais e as sintéticas. As drogas naturais
são aquelas encontradas na natureza e podem ser consumidas pelas pessoas diretamente. A
cannabis sativa, conhecida como maconha, é um exemplo de droga natural. As drogas sintéticas
são substâncias químicas psicoativas que provocam alucinações por estimular ou deprimir o
sistema nervoso central. Os tranquilizantes, a cocaína, o ecstasy e o crack são alguns exemplos
deste tipo de droga.
Os efeitos das drogas causam danos no cérebro e no coração. Além dos efeitos no organismo,
o dependente químico compromete suas relações sociais, pois se afasta da família e dos amigos
para usar drogas.
554
Atividades
Unidade 1
Fatores humanos
Capítulo 1 - Noções básicas sobre fatores humanos
1 Sobre os marcos históricos que influenciaram as atividades dos fatores humanos,
pode-se afirmar que:
a) As atividades surgiram anos após a I Guerra Mundial.
b) A II Guerra Mundial dificultou o progresso na área dos fatores humanos.
c) O acidente aeronáutico com um voo da Aloha Airlines, em abril de 1988, Kahului, HI,
EUA, tornou-se um alerta para a necessidade de organizar a área dos Fatores humanos.
d) A criação do Sistema de Reporte de Segurança na Aviação, em 1975, pela United Air-
lines, por ter caráter punitivo dificultou a evolução da área de fatores humanos.
555
4 Assinalar a alternativa correta sobre o Modelo SHELL.
a) Procura enfatizar a ação humana em interação com os demais componentes do tradi-
cional sistema homem–meio–máquina.
b) O elemento central desse modelo de análise de fatores humanos é o equipamento
utilizado para trabalhar.
c) As interfaces dos blocos devem evitar um perfeito encaixe, pois, caso isso não ocorra,
os erros humanos surgirão.
d) O suporte lógico é considerado o elemento mais crítico e flexível do sistema, podendo
sofrer variações, além de estar sujeito a limitações.
5 O Modelo Reason, também conhecido como Modelo do Queijo Suiço, foi desenvol-
vido em 1990. Sobre esse modelo pode-se afirmar que:
a) Desconsidera os riscos que envolvem a operação.
b) Procura analisar o modo como os seres humanos contribuem para as falhas do sistema
sociotécnico complexo.
c) As falhas ativas são consideradas decorrentes de decisões ou medidas adotadas, antes
do acidente, por quem tem o poder de decisão.
d) O foco está apenas nas falhas ativas, uma vez que as condições latentes podem ficar por
muito tempo camufladas na organização, sem produzir efeitos.
556
3 São estratégias para evitar a sobrecarga de trabalho:
a) Diminuir as pausas para descanso.
b) Estender o tempo de trabalho em um dia para que possa ter descanso maior no dia seguinte.
c) Variar as responsabilidades do profissional, a fim de que sua mente não se sobrecarre-
gue com a execução da mesma tarefa.
d) Estabelecer pausas para descanso durante a jornada de trabalho, adequar a escala de
trabalho e adequar o número de profissionais à demanda de trabalho.
557
4 As equipes de trabalho efetivas possuem alguns aspectos característicos. Dentre eles:
a) As atribuições de trabalho são distribuídas de forma justa entre os membros.
b) As responsabilidades não podem ser compartilhadas entre os membros.
c) Não é permitido qualquer tipo de discussão entre os membros da equipe.
d) A formalidade na interação entre os membros da equipe é fundamental para o trabalho.
Capítulo 4 - Comunicação
1 De acordo com a ICAO, as documentações devem possuir alguns aspectos que faci-
litem a compreensão, tais como:
a) Redundância da informação.
b) Excesso de exemplos.
c) Legibilidade da informação.
d) Pouco detalhamento.
558
4 No contexto da aviação, há alguns métodos que contribuem para a adequada troca
de informações. Dentre eles:
a) A padronização das reuniões de início e de troca de turno.
b) A centralização de toda a informação no líder da equipe de trabalho.
c) A departamentalização das informações entre os membros da equipe.
d) A reunião, apenas dos líderes de equipe, no início e na troca de turno.
559
4 Conforme as afirmativas a seguir:
a. A qualidade do ar pode afetar diretamente determinados níveis de desempenho humano.
b. Toxinas presentes no ar podem aumentar o nível de alerta mental.
A alternativa correta é:
a) A- verdadeira; B - falsa.
b) A - verdadeira; B - verdadeira.
c) A - falsa; B - verdadeira.
d) A - falsa; B - falsa.
560
4 Segundo as afirmativas:
a. De acordo com James Reason, o erro humano é intrinsecamente ruim.
b. Erros são causas de desajustes na organização.
c. Para Dekker, o erro humano não é randômico.
A alternativa correta é:
a) A - Verdadeira; B - Falsa; C - Falsa.
b) A - Verdadeira; B - Verdadeira; C - Verdadeira.
c) A - Falsa; B - Falsa; C - Verdadeira.
d) A - Falsa; B - Falsa; C - Falsa.
3 A cultura que reforça a melhora contínua dos processos, por meio da divulgação das
informações e dos relatórios recebidos, a fim de que os profissionais possam apren-
der as lições de segurança é a:
a) Cultura da informação.
b) Cultura flexível.
c) Cultura da justiça.
d) Cultura da aprendizagem.
561
4 Conforme as afirmativas:
a. A cultura de segurança favorece um ambiente de complacência.
b. A cultura justa fomenta a autorregulação da organização em matéria de segurança.
c. A cultura de segurança favorece a gestão dos riscos no âmbito organizacional.
A alternativa correta é:
a) A - Verdadeira; B - Falsa; C - Falsa.
b) A - Verdadeira; B - Verdadeira; C - Verdadeira.
c) A - Falsa; B - Verdadeira; C - Verdadeira.
d) A - Falsa; B - Falsa; C - Falsa.
Unidade 2
Física
Capítulo 1 - Mecânica vetorial
1 Três forças distintas são aplicadas em um mesmo ponto, sendo as forças dadas pelos
vetores ( ), ( ), ( ) em Newton. Qual será o vetor resultante ( ) e quanto vale seu
módulo?
a) .
b) .
c) .
d) .
562
2 Um piloto, após fazer o check list, começou a taxiar uma aeronave em direção a
runway seguindo este percurso: saiu do pátio em linha reta por 36 metros até atingir
a taxiway, virou 90° à esquerda e seguiu por 108 metros quando, virou 90° à direita
por mais 45 metros em linha reta até aproar na runway. Quantos metros a aeronave
se deslocou até a runway? Caso fosse possível seguir uma linha reta, do ponto de
partida até o ponto de chegada, quantos metros a aeronave deixaria de se deslocar?
a) 135 e 54 metros.
b) 189 e 54 metros.
c) 189 e 135 metros.
d) 54 e 135 metros.
a) 4 m e 75 N.
b) 2 m e 25 N.
c) 2 m e 50 N.
d) 4 m e 25 N.
563
5 Uma caixa d’água de 90 kg precisa ser içada até o telhado de um pequeno edifício de
altura igual a 18 m. A caixa é içada com velocidade constante, em 1,0 min. Conside-
rando g = 10 m/s2, calcular a potência mecânica mínima necessária para realizar essa
tarefa em watts. Desprezar o efeito do atrito.
a) 250 W.
b) 270 W.
c) 300 W.
d) 320 W.
564
4 Três vasos de formatos diferentes (A), (B) e (C) contêm água e os três se comunicam.
Com relação à pressão no fundo do vaso, pode-se dizer que:
a) .
b) .
c) .
d) .
a) F/8.
b) 8 F.
c) F/S.
d) S/F.
Capítulo 3 - Hidrodinâmica
1 Supondo um fluido de massa específica , escoando por um tubo con-
forme a figura abaixo. A relação entre as áreas é . Se a velocidade na seção de
área a é igual a (V), qual será a velocidade na seção de área (A)?
a) V.
b) .
c) .
d) .
565
2 Vê-se na figura a seguir um galão cheio de água com um furo. Qual será a velocidade
de escoamento da água no ponto (b)? Dados: ha = 55 cm, hb = 10 cm, g = 10 m/s².
3 Uma válvula de vaso sanitário possui uma vazão de 1,8 litros por segundo (norma
ABNT). Para um reservatório de 1.000 litros, supondo o uso apenas para a descarga
com tempo médio de duração de 5 segundos, quantas descargas seriam possíveis
realizar nessas condições? Para a caixa acoplada, a vazão é de 0,6 litros por segundo,
para o mesmo tempo de duração de descarga, quantas descargas seriam possíveis
nesse caso?
e) Válvula 475 e caixa acoplada 366.
f ) Válvula 280 e caixa acoplada 120.
g) Válvula 155 e caixa acoplada 465.
h) Válvula 133 e caixa acoplada 333.
4 O tanque da figura a seguir tem grandes dimensões e descarrega água pelo tubo
indicado. Considerando o fluido ideal, com seção do tubo de 10 cm2, determinar a
velocidade de saída da água.
566
5 Uma aeronave possui 2 toneladas. Supondo que o contato do ar ocorra somente com as
asas, que a área total delas seja 30 m2, dividida igualmente entre a parte superior e inferior,
e que elas possuam um desenho no qual a velocidade na parte superior seja 1,3 vezes a da
parte inferior. Sendo a massa especifica da atmosfera 1,3 Kg/m2 e g = 10 m/s2, qual será a
velocidade mínima para essa aeronave decolar?
a) 122 Km/h.
b) 139 Km/h.
c) 196 Km/h.
d) 236 Km/h.
Capítulo 4 - Termodinâmica
1 A estrutura e a fuselagem das aeronaves são constituídas de ligas metálicas, na maio-
ria, ligas de alumínio. As aeronaves estão sujeitas a grandes variações de tempera-
tura. Considerando que uma aeronave estacionada no pátio está em uma tempe-
ratura inicial de 50 °C e que quando atinge uma grande altitude, a temperatura
passa para -10 °C e considerando o coeficiente de dilatação térmica do alumínio
, quantos por cento diminuirá uma área inicial de de revestimento
de chapa de alumínio nessas condições?
a) 12,8.
b) 8,55.
c) 0,276.
d) 0,073.
567
4 Um bloco de alumínio (c = 0,22 cal / g . ºC), de massa pesando 1 Kg, é deixado no
interior de um forno até entrar em equilíbrio térmico com ele. Logo ao ser retirado,
é colocado em um reservatório de água de 100 litros (c = 1,0 cal / g . ºC), a 30 ºC.
Supondo que ocorra apenas troca de calor entre a água e o bloco de alumínio e que o
conjunto atinja a temperatura de equilíbrio de 32 ºC, determinar a temperatura do
forno.
a) 20 °C.
b) 153 °C.
c) 458 °C.
d) 941 °C.
Capítulo 5 - Ótica
1 Atualmente, a comunidade científica utiliza o modelo onda-partícula para entender
as características da luz. Nesse modelo, a luz se comporta como matéria em alguns
fenômenos e como onda em outros. Quais dos fenômenos listados estão associados
ao comportamento onda e ao comportamento partícula da luz, respectivamente?
a) Espalhamento Compton e efeito fotoelétrico.
b) Difração e efeito fotoelétrico.
c) Interferência e difração.
d) Espalhamento Compton e difração.
2 Os olhos humanos são instrumentos calibrados para fazer a leitura de ondas ele-
tromagnéticas com comprimento de onda de 700 nanômetros a 400 nanômetros.
Sabemos que as ondas eletromagnéticas têm velocidade no ar de, aproximadamente,
300.000 Km/s e que o forno micro-ondas gera uma onda de frequência da ordem de
1010 Hz. Tomando como base essas informações, identificar qual das alternativas a
seguir está correta.
a) As ondas eletromagnéticas geradas por um forno de micro-ondas são visíveis, pois seu
comprimento de onda é da ordem de 10-7 metros. Só não é possível enxergar as ondas
porque, ao abrir a porta do forno micro-ondas, ele é desligado.
b) As ondas eletromagnéticas geradas por um forno de micro-ondas não são visíveis, pois
seu comprimento de onda é da ordem de 10-10 metros. O forno de micro-ondas é blin-
dado, as ondas eletromagnéticas geradas por ele tem energia equivalente aos aparelhos
de raio-x e são prejudiciais à saúde.
568
c) As ondas eletromagnéticas geradas por um forno de micro-ondas não são visíveis, pois
seu comprimento de onda é da ordem de 10-3 metros. Este comprimento de onda é
muito maior do que o ser humano pode enxergar.
d) As ondas eletromagnéticas geradas por um forno de micro-ondas são visíveis, pois seu
comprimento de onda é da ordem de 10-12 metros. O ser humano só não consegue
enxergar as ondas porque o forno de micro-ondas é blindado. As ondas eletromagné-
ticas geradas por ele têm energia equivalente aos aparelhos de raio-x e são prejudiciais
à saúde.
3 Um raio de luz forma um ângulo de 30° e 50º com a superfície que separa o ar (n = 1) e
o meio (X), conforme mostrado a seguir. A velocidade da luz no ar pode ser considera-
da 300.000 Km/s. Qual o valor do índice de refração do meio (X)? E qual a velocidade
da luz nesse meio?
4 A luz se propaga no ar com velocidade de 300.000 km/s. Quando a luz sofre refração
no vidro, sua velocidade é reduzida em torno de 25%. Qual é o índice de refração do
vidro?
a) 1,33.
b) 1,25.
c) 0,75.
d) 0,65.
5 O Sol é a maior fonte de energia da terra. Ele emite ondas eletromagnéticas que
viajam pelo espaço e chegam até nós. Com relação à energia total irradiada pelo Sol,
analisar as alternativas e indicar a correta.
a) Toda energia do Sol que chega é absorvida na atmosfera.
b) Toda energia solar que chega à atmosfera é refletida.
c) Apenas uma pequena parte da energia solar que chega é absorvida na atmosfera, o
restante chega até a superfície.
d) Grande parte da energia solar que chega é absorvida na atmosfera e apenas uma peque-
na parte da energia chega até a superfície.
569
Capítulo 6 - Movimento ondulatório e som
1 Em alguns filmes norte-americanos sobre o velho oeste, os índios encostam o ouvido
no solo para saber se uma tropa de cavalos se aproxima. Com base nas propriedades
de propagação de ondas sonoras, qual a razão para que eles utilizem essa técnica?
a) As ondas sonoras sofrem menos interferência quando estão mais próximas do solo,
permitindo ouvir melhor o deslocamento das tropas.
b) No solo, a frequência de propagação da onda sonora é maior, sendo assim, os índios
conseguem perceber a chegada das tropas de uma distância maior.
c) As ondas sonoras possuem velocidade de propagação maior nos sólidos, por isso os
índios conseguem ouvir antes o som que se propaga pelo solo.
d) O comprimento das ondas é maior no solo, permitindo ouvir mais forte os galopes dos
cavalos.
3 Sabe-se que os limites de intensidade de uma onda sonora, máximos e mínimos para
a audição humana, são da ordem de 1W/m2 e 10-12 W/m2, respectivamente. O ruí-
do do motor a jato de uma aeronave pode atingir o nível sonoro de 140 dB. Qual a
intensidade desse ruído?
a) 10-4 W/m2.
b) 10-2 W/m2.
c) 10 W/m2.
d) 102 W/m2.
570
4 As ondas sonoras possuem diversas qualidades fisiológicas. A figura a seguir repre-
senta ondas sonoras produzidas por instrumentos musicais diferentes, tocando a
mesma nota. O período e a amplitude são iguais para todas. Qual qualidade fisioló-
gica da onda sonora permite que se faça a distinção do instrumento musical?
Ondas sonoras
a) Timbre.
b) Altura.
c) Nível sonoro.
d) Intensidade.
5 Uma onda, deslocando-se no ar, atinge a superfície da água e refrata. Sabendo que
, f = 50 Hz e a velocidade da onda no ar é igual a v = 340 m/s , qual será
o valor do comprimento de onda e a velocidade na água?
a) 26 m e 12 m/s.
b) 28 m e 1400 m/s.
c) 2000 m e 24 m/s.
d) 1250 m e 1500 m/s.
571
Unidade 3
Inglês técnico
Capítulo 1 - Aircraft - definitions and structure
1 Qual das alternativas a seguir completa a lacuna da frase a seguir corretamente?
___________ is designed to carry the pilots, passengers and cargo.
a) Empennage.
b) Fuselage.
c) Power plant.
d) Landing gear.
2 Which alternative, according to the motions of the airplane, completes the sentences
below?
I. _________ is controlled by the ailerons.
II. __________ is controlled by the elevators.
III. __________ is controlled by the rudder.
a) Yaw – Pitch – Roll.
b) Roll – Yaw – Pitch.
c) Pitch – Roll – Yaw.
d) Roll – Pitch – Yaw.
3 De acordo com as forças existentes em um voo, qual das alternativas a seguir estão
incorretas?
a) Thrust is the forward force produced by the power plant/propeller.
b) Drag opposes thrust.
c) Weight is only the load of the airplane.
d) Lift opposes the downward force of.
4 O que acontecerá com a aeronave se a força LIFT for maior que weight (lift>weight)
durante o voo?
a) O avião irá subir.
b) O avião irá cair.
c) O avião irá desacelerar.
d) O avião irá acelerar.
5 Which alternative refers to a connector used to fix things together by rotating it?
a) Screws.
b) Bolts.
c) Nuts.
d) Washers.
572
Capítulo 2 - Power plant
1 What is the power plant definition?
a) Power plant is the aircraft engine.
b) Power plant is the aircraft jet engine.
c) Power plant is the complete installation of an aircraft engine, propeller, and all acces-
sories needed for its proper function.
d) Power plant is the backbone of the reciprocating engine.
2 Fill in the blanks the correct answer according to the parts of jet engines.
I. __________ transforms a portion of the kinetic (velocity) energy of the exhaust gases
into mechanical energy to drive the gas generator compressor and accessories.
II. __________ is responsible to inject the proper amount of fuel into the combustion
chamber.
III. __________ is the gas generator portion of a turboshaft, turboprop, or turbofan
engine.
IV. __________ is the section of a gas turbine engine in which fuel is injected.
a) Turbine, fuel nozzle, burner, spoon.
b) Turbine, fuel nozzle, core engine, combustion chamber.
c) Compressor, fuel nozzle, burner, core engine.
d) Turbine, diffuser, combustion chamber, spoon.
3 Which part of power plant is the removable cover that encloses an aircraft engine?
a) Cowling.
b) Firewall.
c) Power plant.
d) Afterburner.
573
Capítulo 3 - Hydraulic and lubricate system
1 What is the function of hydraulic pumps?
a) They are used to drain the fluids out of the reservoir for maintenance operation.
b) Hydraulic pump is responsible to convert the engine power or electrical power to
hydraulic power.
c) Hydraulic pumps are used only in emergencies.
d) They are to control the direction of movement of a hydraulic actuating cylinder or
similar device.
2 Fill in the blanks the correct answers according to the functions of reciprocating
engine lubrication system.
I. ____________ is a tank in which an adequate supply of fluid for the system is stored.
II. ___________ is used to control the direction of movement of a hydraulic actuating
cylinder.
III. __________ converts the fluid pressure into mechanical force.
IV. __________ is a screening or straining device used to clean the hydraulic fluid.
a) Reservoir, Actuator, Selector valve, Filter.
b) Actuator, Reservoir, Filter, Selector valve.
c) Reservoir, Selector valve, Actuator, Filter.
d) Actuator, Filter, Reservoir, Selector valve.
3 What kind of landing gear is comprised of main gear and nose gear?
a) Tricycle-type landing gear.
b) Tandem landing gear.
c) Conventional landing gear.
d) Tail wheel-type landing gear.
4 Which part of an aircraft is responsible to slow the aircraft and stop it in a reasona-
ble amount of time?
a) Landing gear.
b) Wheel.
c) Tire.
d) Brake.
574
Capítulo 4 - Electrical system, ignition system and flight instruments
1 What is the function of generators in electric aircraft system?
a) They are often used for starting the engine or maintenance activities on the aircraft.
b) They are responsible to power the aircraft while flying.
c) They are a simple process when dealing with DC power systems found on light air-
craft.
d) They are often used when the aircraft is on ground or emergency.
3 Qual sistema de iluminação da aeronave consiste de três lâmpadas, sendo uma ver-
melha, uma branca e uma verde?
a) Anti-collision lights.
b) Landing lights.
c) Taxi lights.
d) Position lights.
575
Capítulo 5 - Pressurization and fuel system
1 Which alternative is NOT the function of aircraft pressurization system?
a) It should circulate air from inside the cabin to the outside at a rate that quickly elimi-
nates odors and to remove stale air.
b) It must ensure adequate passenger comfort and it is not related to the flight safety.
c) It must be designed to prevent rapid changes of cabin pressure, which can be uncom-
fortable or injurious to passengers and crew.
d) Pressurizing an aircraft cabin assists in making flight possible in all hostile environ-
ment of the upper atmosphere.
3 What kind of fuel is used on aircraft reciprocating engines and turbine engines res-
pectively?
a) Gasoline and gasoline.
b) Kerosene and kerosene.
c) Kerosene and gasoline.
d) Gasoline and kerosene.
4 Choose the answer that lists the most common anti-icing systems used in aircraft?
a) Thermal, thermal electric, and mechanical.
b) Pneumatic, mechanical, and chemical.
c) Thermal pneumatic, thermal electric, and chemical.
d) Pneumatic, electric, and chemical.
576
Capítulo 6 - Tools and safety equipments
1 Qual das alternativas a seguir não é uma ferramenta de corte de metal?
a) Hammer.
b) Snips.
c) Hacksaw.
d) Chisel.
4 Which ground support equipment has an onboard engine that turns a generator to
produce power?
a) Ground support air units.
b) Ground Power Unit (GPU).
c) Hydraulic mule.
d) Portable ground heater.
577
Unidade 4
Redação técnica
Capítulo 1 - Introdução
1 O principal regulamento, atualmente em vigor, que trata sobre o conteúdo e forma
dos registros de manutenção além de outros assuntos, é o:
a) RBHA 43.
b) RBHA 91.
c) RBAC 43.
d) CBAer.
3 Conforme o regulamento 43, quais as ações que poderão ser tomadas pela ANAC, no
caso da identificação de que algum registro de manutenção falsificado?
a) Somente advertência.
b) Exigirá apenas que seja realizada novamente a manutenção requerida.
c) Aplicará apenas uma advertência e caso reincida será aplicada uma multa.
d) O mecânico que realizou o referido registro poderá ter sua licença suspensa.
5 O Apêndice D estabelece quais os objetivos e detalhes de itens que devem ser inclu-
ídos na inspeção de:
a) Transponder.
b) 100 horas.
c) Após a conclusão de grandes reparos.
d) Na revisão de um componente aeronáutico.
578
Capítulo 2 - Registros Primários
1 Das alternativas a seguir, marque a CORRETA:
a) Somente os serviços de manutenção referentes ao cumprimento de programa de ma-
nutenção devem ser registrados.
b) Ao se fazer referência do tipo de serviço executado, não há necessidade da assinatura
do responsável pela execução do serviço, apenas do inspetor que aprovou, mesmo
sendo uma pessoa diferente.
c) Ao se fazer referência à ordem de serviço no registro de manutenção não há necessi-
dade de se descrever todo o serviço realizado desde que seja entregue uma via original
para o proprietário da aeronave.
d) Ao se fazer o registro de um serviço de manutenção é exigido apenas o tipo de inspeção
e assinatura do responsável pela execução.
579
Capítulo 3 - Registros Secundários
1 Marque a alternativa CORRETA:
a) Os registros primários demonstram a presente situação da aeronave e de cada um de
seus componentes controlados.
b) Os registros secundários podem substituir qualquer registro primário para fins de
comprovação de realização da atividade de manutenção.
c) Os registros secundários se baseiam nos registros primários de cada procedimento de
manutenção executado na aeronave.
d) Os registros secundários são o principal registro das atividades de manutenção que
referencia ou complementa um registro primário de manutenção executada.
580
Capítulo 4 - Tipos de Registros de Manutenção.
1 O instrumento que a empresa utiliza para descrever os tipos de serviços a serem
executados em uma determinada aeronave, também considerados como registro pri-
mário, é o/a:
a) Lista de discrepâncias.
b) Relatório de Condição Aeronavegável.
c) Ordem de Serviço.
d) Lista de Verificação.
2 Documento utilizado para fins de comprovação perante a ANAC das condições aero-
navegáveis de aeronaves utilizadas no transporte aéreo público regular de passageiros:
a) FIAM.
b) RCA/LV.
c) Diário de Bordo.
d) SEGVOO 001.
581
Unidade 5
Matemática
Capítulo 1 - Números Inteiros
1 Sobre o sistema de numeração, marcar a alternativa incorreta:
a) A estrutura do sistema de numeração é formada por classes como unidades, milhares,
milhões, que são subdivididas em unidades, dezenas e centenas.
b) Com a tecnologia, quase ninguém mais utiliza o Sistema de Numeração Decimal,
devido às suas desvantagens: não representa nenhum número, mesmo que a partir de
dez algarismos.
c) Dez unidades de uma ordem qualquer formam uma de ordem imediatamente superior.
d) A leitura e a escrita dos números são feitas por classes da direita para a esquerda.
2 Considerando-se os números -4; -3; -2,3; -1; +1; +2; +5,01; +7; +8,5; +20, quais são
inteiros?
a) +1; +2; +5,01; +7; +8,5; +20.
b) -4; -3; -2,3; -1.
c) -4; -3; -2,3; -1; +1; +2; +5,01; +7; +8,5; +20.
d) -4; -3; -1; +1; +2; ; +7; +20.
582
5 A seguir estão as temperaturas mínimas registradas em algumas cidades em certo
dia:
583
4 Quais os números reais estão associados aos pontos A, B e C?
2 e 0,08.
a)
25
4 e 0,08.
b)
25
2 e 0,8.
c) 25
4 e 0,8.
a) 25
2
2 Como fica como uma taxa de porcentagem?
5
a) 25%.
b) 10%.
c) 40%.
a) 60%.
584
4 A declividade de uma ladeira é expressa pela razão entre sua altura e seu afastamento
(veja a figura). Se uma ladeira tem 15% de declividade e um afastamento de 90 m,
qual é a sua altura?
a) 13,5 m.
b) 15 m.
c) 12,5 m.
d) 125 m.
5 Um lojista vende suas mercadorias com 20% de lucro sobre o preço de venda. Por
quanto deverá vender uma mercadoria que foi adquirida por R$ 80,00?
a) R$ 96,00.
b) R$ 100,00.
c) R$ 120,00.
d) R$ 80,00.
2 Um muro é feito de blocos retangulares. Cada bloco tem 12 cm3 de volume. Sabendo
que, na sua construção, foram usados 350 desses blocos, qual é o volume do muro
em metros cúbicos?
a) 4,2.
b) 0,050.
c) 0,0042.
d) 0,000050.
3 Um bebê toma 4 mamadeiras de 150 ml por dia. Com uma lata de leite em pó, ob-
têm-se aproximadamente 3 litros de leite. Em quantos dias o bebê consome o leite
dessa lata?
a) 3.
b) 4.
c) 5.
d) 6.
585
4 Um grupo de amigos vai fazer um churrasco para 50 pessoas. Quantos quilogramas
de carne, no mínimo, serão necessários, levando em conta que a média de consumo
por pessoa será de 320 g?
a) 5.
b) 8.
c) 10.
d) 16.
586
3 Uma das raízes de 0,1x2 – 0,7x+1 = 0 é:
a) 2.
b) 0,4.
c) 3.
d) 0,1.
a) y = x2 -3x.
a) y = x2 -3x.
a) y = -x2 +6x -5.
b) y = x2 +2x -3.
Capítulo 6 - Geometria
1 Sabe-se que o perímetro desse triângulo é 370 cm. Sendo assim, o
maior lado da figura mede:
a) 11 cm.
b) 14 cm.
c) 15 cm.
d) 20 cm.
2 Observa a bússola. Uma pessoa está caminhando para o norte (N), mas, de
repente, se vira para o sudeste (SE). Qual a medida do ângulo que repre-
senta essa mudança de direção?
a) 90 graus.
b) 135 graus.
c) 150 graus.
d) 180 graus.
587
3 Um comício foi realizado no centro de uma praça circular, em
um tablado também circular, conforme esboço ao lado. Fora
da área do tablado, e exclusivamente dentro da praça, o comí-
cio foi assistido por uma população estimada em 3 pessoas por
m2. Quantas pessoas assistiram ao comício? (use π = 3,14)
a) 15100.
b) 22154.
c) 31086.
d) 40314.
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição
Capítulo 1 - Ferramentas de uso geral
1 Em relação aos martelos, assinale a alternativa correta.
a) Martelos macios podem ser usados em trabalhos grosseiros, sem a preocupação de
serem danificados.
b) Martelos macios podem ser usados em trabalhos grosseiros, porém deve-se ter um
pequeno cuidado para não os danificar.
c) Martelos macios sempre devem ser usados em trabalhos grosseiros, independentemen-
te de qualquer situação.
d) Martelos macios não devem ser usados em trabalhos grosseiros, pois podem ser dani-
ficados.
588
2 Como pode ser classificada a chave de fenda?
a) Simplesmente pelo tamanho da ponta.
b) Pelo seu formato, tipo e comprimento da haste.
c) Pelo punho e tamanho da ponta.
d) Somente pelo comprimento da haste.
4 Que tipo de chave também é chamada de caixa e que envolve completamente a porca
ou o parafuso, geralmente são feitas em 12 pontos para serem usadas em lugares que
se limitam a um deslocamento pequeno, de apenas 15°?
a) Chave ajustável.
b) Chave de boca.
c) Chave Phillips.
d) Chave colar.
5 Qual ferramenta deve ser usada para que determinada pressão possa ser aplicada em
uma porca ou parafuso, medindo a quantidade de força de torção ou de giro?
a) Micrômetro.
b) Multímetro.
c) Torquímetro.
d) Tensiômetro.
589
2 De que maneira limas e grosas são catalogadas?
a) Pelo comprimento, pela forma da seção reta e pelo corte.
b) Pela largura, pela espessura e pelo cabo.
c) Pela asperosidade, pela largura e pelo trabalho final.
d) Somente pelo tipo da ponta.
3 Quais ferramentas pontiagudas são giradas para executar furos nos materiais e que
são feitas de uma barra cilíndrica de aço endurecido, tendo estrias em espiral em
volta de todo o comprimento do corpo e uma ponta cônica com arestas cortantes
formadas pelo final das estrias?
a) Talhadeiras.
b) Machos.
c) Punções.
d) Brocas.
Capítulo 3 - Metrologia
1 Transformando 98,754 metros (m) em milímetros (mm), tem-se:
a) 9,8754 mm.
b) 987,54 mm.
c) 98.754 mm.
d) 9875,4 mm.
590
3 Transformando 6,35 mm em medida de polegada milesimal, tem-se:
a) .0625”.
b) .500”.
c) .250”.
d) .750”.
591
4 Que parte componente do micrômetro é utilizada para que o tambor seja girado
e, ao encostar a haste e o encosto fixo na peça a ser medida, não sofra pressão de-
masiada, havendo um deslizamento no giro desse componente para não ocorrer tal
inconveniente?
a) Bainha.
b) Catraca.
c) Porca de ajuste.
d) Arco.
Unidade 7
Doutrinamento básico – o mecânico de
manutenção aeronáutica e sua formação
profissional
Capítulo 1 - Doutrinamento básico
1 A formação profissional do mecânico de manutenção aeronáutica que estabelece
requisitos para emissão de licença para os mantenedores está regulamenta por qual
regulamento:
a) RBHA 91.
b) RBAC 43.
c) RBHA 65.
d) RBAC 145.
592
3 Quantos módulos especializados possuem o Curso de Mecânico em Manutenção
Aeronáutica?
a) Cinco.
b) Quatro.
c) Dois.
d) Três.
593
4 Qual é o regulamento que rege a Organização de Manutenção de Produtos Aeronáu-
ticos?
a) RBAC 45.
b) RBAC 43.
c) RBAC 135.
d) RBAC 145.
594
4 A teoria do dominó estabelecia quantas bases presentes nos acidentes industriais?
a) Cinco.
b) Quatro.
c) Três.
d) Seis.
595
4 Qual é o número da norma regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego,
que trata de atividades e operações perigosas?
a) NR 10.
b) NR 04.
c) NR 06.
d) NR 16.
Unidade 8
Primeiros socorros
Capítulo 1 - Eventos neurológicos adversos
1 Dentre as regiões que formam o cérebro qual é responsável pela visão?
a) Parietal.
b) Frontal.
c) Occiptal.
d) Ventral.
2 Em relação ao nível de consciência, é possível dizer que uma pessoa tem abertura
ocular espontânea quando os olhos estão:
a) Entreabertos.
b) Abertos.
c) Abertos ao comando verbal.
d) Abertos ao estímulo de dor.
596
4 Os neurotransmissores são substâncias que atuam nos neurônios. Quando a trans-
missão destas substâncias não acontece adequadamente, existe um descontrole nas
sinapses. Como se chama o tipo de alteração neurológica, representada por tremores
e inconsciência?
a) Crise convulsiva.
b) Crise hipertensiva.
c) Herniação.
d) Hipertrofia.
2 Os sintomas que precisam ser identificados em uma pessoa com suspeita de infarto são:
a) Cefaleia e náusea.
b) Dor no peito com irradiação para os braços.
c) Dor generalizada no corpo com vômitos.
d) Dor no braço com dormência.
597
5 No caso de otorragias, como deve ser posicionado o rosto da pessoa para reduzir o
sangramento?
a) Elevado.
b) Abaixado.
c) Posição anatômica.
d) Lateralizado conforme a narina que sangra.
2 Quando uma pessoa tem a via aérea obstruída, qual manobra é utilizada para
desobstruí-la?
a) Valsalva.
b) Heimlich.
c) Vagal.
d) Blumberg.
4 O procedimento cirúrgico usado para abrir uma via aérea provisória chama-se:
a) Cricotireoidostomia.
b) Traqueostomia.
c) Ventriculostomia.
d) Jejunostomia.
598
Capítulo 4 - Eventos tegumentares diversos
1 As queimaduras são lesões na pele causadas por diferentes tipos de agentes. Qual
destes agentes pode causar uma queimadura química?
a) Solventes.
b) Óleo quente.
c) Creolina.
d) Vapor d’água.
2 As queimaduras provocam a migração de sangue para o local da lesão. Neste caso
há saída de uma substância do sangue que provoca uma bolha, também chamada de
flictema. Qual o nome desta substância?
a) Hemácias.
b) Eletrólitos.
c) Plasma.
d) Prisma.
5 Em caso de objetos que perfuram o corpo, a primeira ação do socorrista deve ser:
a) Manter o objeto no local e fazer uma compressa fria.
b) Retirar o objeto do local para evitar a progressão do objeto.
c) Manter o objeto bem fixado no local.
d) Retirar o objeto do local e fazer uma compressão na ferida.
599
Capítulo 5 - Eventos osteomusculares
1 Os sinais relatados por uma pessoa que sofreu uma entorse são:
a) Dor e calor.
b) Dor e edema.
c) Dor e desvio.
d) Dor e cianose.
2 A ação que o socorrista deve executar ao atender uma pessoa que sofreu uma luxação
no ombro é:
a) Reposicionar a articulação.
b) Reposicionar a articulação e imobilizar com gesso.
c) Imobilizar em posição de conforto para a pessoa, usando atadura de crepom.
d) Imobilizar com atadura de crepom após reposicionar a articulação.
Capítulo 6 - Envenenamentos
1 Qual a ação imediata do socorrista em casos de inalação de gases em locais confina-
dos e que causam envenenamento?
a) Colocar imediatamente a pessoa em contato com o oxigênio.
b) Retirar a pessoa do ambiente confinado.
c) Manter a pessoa no ambiente respirando oxigênio.
d) Manter a pessoa no ambiente até o gás se dissipar.
600
2 Qual razão fisiológica explica a facilidade que as pessoas têm de se envenenarem com
o monóxido de carbono?
a) Porque ele nos faz bem à saúde.
b) Porque ele nos faz mal à saúde.
c) Porque ele é sensível à hemácia.
d) Porque ele é sensível à hemoglobina.
5 Qualquer substância líquida pode ser absorvida pela pele e pela corrente sanguínea
se ingerida. Neste caso, qual sistema é afetado diretamente?
a) Tegumentar.
b) Cardíaco.
c) Neurológico.
d) Respiratório.
601
2 Ao ser colocado sobre a prancha, a mobilização em bloco do paciente serve para que
não ocorra:
a) Queda da prancha.
b) Deslizamento da prancha.
c) Movimentos laterais.
d) Movimentos na coluna.
3 Se o colete de imobilização dorsal for usado invertido, qual segmento corporal pode
ser imobilizado?
a) Cervical.
b) Tórax.
c) Lombar.
d) Pernas.
Unidade 9
Química
Capítulo 1 - O estudo da matéria
Texto para as questões 1 e 2.
O molibdênio é um elemento conhecido há longo tempo por sua capacidade de conferir
a propriedade de estabilidade à alta temperatura ao aço. Embora uma pequena porcen-
tagem do molibdênio total produzido tenha sido usada na forma pura, o seu maior valor
aparece quando ligado com o alumínio, o silício, o titânio, o tungstênio, o vanádio, e o
cromo, formando ligas. O futuro mais promissor para as ligas de molibdênio parece ser
em campos em que são encontradas temperaturas elevadas, um exemplo de aplicação
corrente são em motores de avião a jato e peças de turbina a gás.
Fonte - FULCO, R.R et al. Ligas metálicas. Disponível em: [Link]
PDF. Acesso em: 6 jul. 1015.
602
1 Em relação às propriedades químicas e físicas do aço e à importância deste material
para a sociedade, pode-se afirmar que:
a) O aço é uma mistura heterogênea, composta por diferentes metais e, portanto, ao
sofrer um processo de mudança de estado físico, mantém a temperatura do sistema
sempre constante, caso a pressão também seja mantida constante.
b) O aço é uma mistura homogênea sólida e, portanto, apresenta um único aspecto físico
em toda a sua extensão.
c) Uma liga metálica é uma substância composta que apresenta uma única fase.
d) A liga metálica de molibdênio é uma mistura homogênea sólida que sofre processo de fu-
são com temperatura invariável, caso a pressão externa também seja mantida constante.
2 O molibdênio (Mo) é um elemento químico sólido que possui ponto de fusão igual a
2623 °C e ebulição igual a 4639 °C, em nível do mar. Em relação a este metal e suas
propriedades, a alternativa correta é:
a) No estado gasoso, os átomos de molibdênio se apresentam mais próximos um dos
outros e com uma estrutura mais organizada.
b) O molibdênio é uma substância simples que apresenta alto ponto de fusão e de ebuli-
ção e, na temperatura ambiente, encontra-se no estado sólido.
c) A expansão de uma placa de molibdênio com a temperatura ocorre porque os seus
átomos expandem-se.
d) Na praia, ao se aquecer uma placa de molibdênio até uma temperatura de 3000 °C,
esta sofrerá um processo de sublimação, passando diretamente para o estado gasoso.
603
5 Segundo notícia do site Com Ciência das SBPC, pesquisadores da Unicamp encon-
traram na cinza residual, na fumaça e no papel carbonizado do cigarro, traços de
potássio, cálcio, cromo, manganês, ferro, níquel, cobre, zinco, estrôncio, rubídio,
cádmio, bário e chumbo. Estes materiais são absorvidos pelo organismo, concen-
trando-se no fígado, nos rins e nos pulmões, tendo meia vida de dez a 30 anos, po-
dendo causar, entre outras moléstias, a fibrose pulmonar que diminui a capacidade
ventilatória dos pulmões.
Fonte - Disponível em: [Link] Acesso em: 6 jul. 2015.
604
1 Em relação ao conteúdo relacionado à tabela periódica, especificamente ao átomo de
carbono, é correto afirmar:
a) O carbono é um metal que se encontra no segundo período da tabela periódica e per-
tence ao grupo 14.
b) O carbono é representado pelo símbolo (C), possui número atômico 6 e seu átomo
neutro apresenta quatro elétrons na camada de valência.
c) O carbono é um elemento extremamente estável, motivo que explica a sua utilização
para produzir materiais compostos, aplicados na construção de novas aeronaves. Esta
estabilidade ocorre pelo fato de o carbono ser um gás nobre e apresentar oito elétrons
em sua camada de valência.
d) O carbono é um metal alcalino terroso de fundamental importância para a produção
de novos materiais, indispensáveis à indústria tecnológica.
605
5 Na classificação periódica, os elementos químicos, situados nas colunas 1 e 14, são
denominados, respectivamente:
a) Halogênios e metais alcalinos.
b) Metais alcalinos e grupo do boro.
c) Metais alcalinos e metais alcalinos terrosos.
d) Metais alcalinos terrosos e gases nobres.
2 Nas substâncias H2O, CO2, (C), (Fe) e NaBr, os tipos de ligações químicas predomi-
nantes são, respectivamente:
a) Covalente, iônica, covalente, metálica e iônica.
b) Covalente, covalente, metálica, metálica e iônica.
c) Covalente, covalente, covalente, metálica e iônica.
d) Iônica, covalente, covalente, metálica e iônica.
606
5 Até recentemente, os aviões comerciais eram construídos com metais comuns, como
o alumínio e o aço. Em 1974, a européia Airbus foi pioneira ao usar a tecnologia de
compósitos em um leme de direção em seu primeiro avião, o A300. Desde então, os
fabricantes de aviões têm dependido cada vez mais de materiais de alta tecnologia Compósitos: são materiais
mais leves, mais fortes e menos suscetíveis à corrosão que os metais que substituem. constituídos por duas
ou mais substâncias
Fonte - Disponível em: [Link] compostas ou duas fases,
Acesso em: 7 jul. 2015 com propriedades físicas e
químicas diferentes em sua
Considerando os metais e o tipo de ligação química por eles estabelecida, a alterna- composição.
tiva correta é:
a) Um metal ou uma liga metálica são constituídos por átomos que estabelecem ligações
iônicas entre si e, portanto, estes materiais são sólidos na temperatura ambiente.
b) Uma substância metálica é aquela formada, unicamente, por metais que se ligam por
uma interação chamada de modelo de mar de elétrons.
c) Um metal apresenta elevada maleabilidade, tanto é que, quando aquecido, pode-se
transformá-lo em fio.
d) Os metais, normalmente, são bem solúveis em água e etanol.
607
3 Uma solução coloidal é uma dispersão na qual as partículas do disperso possuem diâme-
tro entre 1 e 100 nm (nanômetro). Quanto aos sistemas coloidais, é correto afirmar que:
a) São misturas homogêneas de três fases.
b) São misturas heterogêneas que se comportam como mistura homogênea, pois aparen-
tam uma solução de apenas uma fase.
c) Sedimentam-se facilmente, formando sistemas heterogêneos.
d) Possuem partículas dissolvidas e invisíveis.
608
2 Quanto ao conceito de soluções, a alternativa correta é:
a) Soluções são misturas homogêneas de dois componentes, sendo um deles a água.
b) As soluções apresentam-se apenas na fase líquida.
c) Em uma solução de água e etanol, a água é o solvente.
d) O soluto sempre é o componente em menor quantidade.
Na2SO4
488 543
(sulfato de sódio)
KClO3
12 22
(hipocloreto de potássio)
4 Uma solução aquosa de ácido sulfúrico H2SO4, para ser utilizada em baterias de
chumbo, deve apresentar uma concentração igual a 392 g/l. Em relação a esta solu-
ção, a alternativa correta é:
a) Sua concentração molar é igual a 4 mol/l.
b) A massa de ácido sulfúrico, presente em 500 ml da solução, está acima de 200 g.
c) Na solução o ácido sulfúrico é o solvente.
d) Uma solução aquosa insaturada de ácido sulfúrico é sempre uma mistura heterogênea.
609
5 Qual a massa de ácido sulfúrico necessária para preparar 200 ml da solução presente
na bateria?
a) 784 g.
b) 78,4 g.
c) 392 g
d) 78,4 Kg
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil
Capítulo 1 - Introdução
1 O conceito de aviação civil pode ser definido como o(a):
a) Conjunto de atividades ligadas à aviação de transporte de passageiros.
b) Utilização da aviação com fins militares e não militares.
c) Utilização não militar da aviação, de natureza comercial ou privada.
d) Utilização da aviação para transporte de passageiros.
2 Qual órgão da aviação civil brasileira é qualificado por lei como Autoridade da Avia-
ção Civil?
a) Comandante da Aeronáutica.
b) Agência Nacional de Aviação Civil.
c) INFRAERO.
d) Secretaria de Aviação Civil.
3 A atividade regulatória do transporte aéreo realizada pela Anac envolve duas frentes
de atuação, que são a regulação a:
a) Legislativa e a econômica.
b) Técnica e a jurídica.
c) Interna e externa.
d) Técnica e a regulação econômica.
610
5 Cabe à ANAC, entre outras atribuições:
a) Regulamentar as atividades de controle de tráfego aéreo nacional.
b) Regulamentar e fiscalizar as atividades da aviação civil e de infraestrutura aeronáutica
e aeroportuária.
c) Investigar os acidentes aeronáuticos ocorridos em solo brasileiro.
d) Administrar os aeroportos sob sua responsabilidade.
611
5 A respeito dos acordos estabelecidos em Convenções Internacionais de Aviação Ci-
vil, pode-se dizer que:
a) São de cumprimento obrigatório pelos participantes da convenção.
b) Têm validade a partir da assinatura do acordo.
c) Não são de cumprimento obrigatório pelos participantes e precisam ser ratificados
pelos governos participantes.
d) São de cumprimento obrigatório pelos participantes e não participantes da convenção.
612
Capítulo 4 - Órgãos e competências
1 Qual órgão de assessoramento da Presidência da República formula a política de
ordenação da aviação civil brasileira?
a) Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
b) Secretaria de Aviação Civil (SAC).
c) Conselho de Aviação Civil (CONAC).
d) Comando da Aeronáutica.
3 Assinale a alternativa que traz a empresa pública responsável por administrar, operar
e explorar, industrial e comercialmente, a infraestrutura aeroportuária que lhe for
atribuída pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República:
a) ANAC.
b) CONAC.
c) DECEA.
d) INFRAERO.
613
Capítulo 5 - Organizações internacionais
1 Assinale a organização internacional que tem como objetivo proporcionar a coo-
peração entre os associados em matéria de segurança, regularidade e economia no
transporte aéreo, em benefício dos usuários:
a) International Air Transport Association (IATA).
b) Federal Aviation Administration (FAA).
c) European Aviation Safety Agency (EASA).
d) International Civil Aviation Organization (ICAO).
4 Assinale a alternativa que diz respeito à autoridade da União Europeia (UE) que
trata da segurança da aviação.
a) International Civil Aviation Organization (ICAO).
b) Federal Aviation Administration (FAA).
c) International Air Transport Association (IATA).
d) European Aviation Safety Agency (EASA).
5 Qual associação que possui uma série de programas importantes nas áreas de se-
gurança, de simplificação de negócios, de questões ambientais e de serviços, que
servem de base para ações e regulamentações dos países adeptos?
a) EASA.
b) IATA.
c) FAA.
d) IACO.
614
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química
Capítulo 1 - Tráfico de drogas
1 O tráfico de drogas está baseado:
a) No consumo de drogas.
b) Na entrega de drogas.
c) Na oferta de drogas.
d) Na produção de drogas.
3 De acordo com o Secretário Geral da ONU, qual parcela da sociedade também tem
sido vítima do tráfico de drogas?
a) Os adultos.
b) Os idosos.
c) As mulheres férteis.
d) As crianças.
615
Capítulo 2 - Dependência química
1 A maconha e a cocaína são drogas que podem ser classificadas, respectivamente,
como:
a) Naturais e sintéticas.
b) Naturais e semissintéticas.
c) Sintéticas e semissintéticas.
d) Semissintéticas e naturais.
616
Glossário
Unidade 1
Fatores humanos
Canal de comunicação - Meio físico ou virtual, que assegura a circulação da mensagem, por
exemplo, ondas sonoras, no caso da voz. O canal deve garantir o contato entre emissor e receptor.
Cultura organizacional - Conjunto de crenças, valores e atitudes compartilhado pelos
membros de uma organização e que define seu modo de agir.
Equipe - Conjunto de pessoas com objetivos comuns e que atuam de forma compartilhada.
Ergonomia - Ciência que estuda a relação entre o homem e o trabalho, visando a integração
entre as condições, as capacidades e as limitações do trabalhador e a eficiência do sistema
em que está inserido.
Erro humano - Ação involuntária que desvia da intenção planejada.
Fadiga - Cansaço físico ou mental que pode afetar o desempenho humano.
Parafrasear - Explanar, explicar, comentar.
Perfil profissiográfico - Dimensionamento das responsabilidades, dos conhecimentos, das
experiências, das habilidades, das aptidões e das atitudes presentes em um indivíduo e que
o qualifica para o desempenho adequado de determinada função.
Personalidade - Conjunto de características que reflete o modo de ser de uma pessoa.
Sistemas complexos - Sistemas formados pela interação de várias áreas.
Violação - Desvio intencional do curso de uma ação planejada.
Unidade 2
Física
Adiabático - Transformação termodinâmica que se realiza sem o corpo ou o sistema perder
ou ganhar qualquer quantidade de calor.
Aerofólio - Qualquer peça, de formato especial, destinada a obter reação favorável do ar,
através do qual se desloca, trazendo maior estabilidade à aeronave.
Atuador - É um elemento que produz movimento, atendendo a comandos que podem ser
manuais, elétricos ou mecânicos.
617
Cápsula aneroide - Diafragma sensível à variação de pressão.
Cisalhamento - Pode ser entendido como corte. Utilizam-se, ainda, os termos tensão de ci-
salhamento ou tensão tangencial, tensão de corte ou tensão cortante. É um tipo de tensão,
gerado por forças aplicadas em sentidos iguais ou opostos, em direções semelhantes, mas
com intensidades diferentes no material analisado.
Corpuscular - Relativo a corpúsculos. Partículas. Radiação corpuscular é a radiação consti-
tuída de um feixe de partículas elementares ou de núcleos atômicos.
Diatérmico - O que permite a passagem de calor.
Entropia - Em termodinâmica, entropia é a medida de desordem das partículas em um
sistema físico. É uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de
um sistema.
Equipolentes - Vetores que possuem mesmo sentido, mesma direção e mesma intensidade
que os originais, com pontos de aplicação distintos.
Espalhamento - Processo pelo qual partículas ou radiação eletromagnética (fótons, na des-
crição quântica) sofrem uma mudança em sua sua trajetória ou em sua energia ao interagi-
rem com uma ou mais de partículas.
Espectro - No âmbito científico, é uma representação das amplitudes ou das intensidades
dos componentes ondulatórios de um sistema, quando discriminadas umas das outras, em
função de suas respectivas frequências.
Extrudido - Material que sofreu uma passagem forçada, através de um orifício, de uma
porção de metal ou de plástico, para que adquira forma alongada ou filamentosa.
Forças conservativas - Uma força conservativa é aquela cujo trabalho total realizado depen-
de apenas dos pontos inicial e final e não do caminho percorrido.
Fuselagem - É a camada de proteção exterior de uma estrutura, geralmente de metal. O
nome vem da palavra francesa fuselé, que significa forma aerodinâmica.
Imiscíveis - Que não se pode ou não se consegue misturar.
Inércia - Resistência que a matéria oferece à aceleração.
Incompressível - Qualquer fluido cuja densidade sempre permanece constante com o tem-
po e que tem a capacidade de opor-se à compressão do mesmo, sob qualquer condição.
Infravermelho - Denominação das radiações eletromagnéticas de frequência inferior à do
extremo vermelho do espectro solar (comprimento de onda entre 770 e 1000 nm).
Interface - Elemento de ligação entre dois ou mais componentes de um sistema.
Irradiância - É a quantidade de fluxo radiante, recebida por unidade de área em uma super-
fície, levando em consideração todas as direções possíveis.
Isobárica - É aquela em que, em um processo termodinâmico de um gás ideal, permanece
com a pressão constante durante o processo.
618
Léptons - São as partículas subatômicas que não sofrem influência da força nuclear forte
e que mantém os prótons e os nêutrons unidos; participam somente das interações eletro-
magnéticas e fracas.
Mantenedor - Profissional que atua na área de manutenção.
Máquina térmica - São sistemas que realizam a conversão de calor, ou energia térmica, em
trabalho mecânico.
Movimento de translação - É o movimento do centro de massa de um corpo em relação a
um referencial externo ao corpo.
Nêutrons - Partícula elementar que não possui carga elétrica. Juntamente com os prótons,
forma os núcleos dos átomos.
Paradigma - É um termo com origem no grego que significa modelo, padrão. No sentido
lato corresponde a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada
situação.
Pressurização - Conservação da pressão, de modo artificial, fazendo com que se mantenha
normal, dentro de um local fechado; mantém a pressão normal em veículos, aviões, sub-
marinos etc.
Prótons - Partícula elementar de carga elétrica positiva. Juntamente com os nêutrons forma
os núcleos dos átomos.
Onda harmônica - Onda caracterizada por uma função seno ou cosseno.
Ortogonal - Perpendicular; capaz de formar um ângulo reto, ângulo de 90º.
Quantizada - Em física, a palavra quantum foi usada para designar a menor quantidade que
uma grandeza ou propriedade é encontrada na natureza.
Quarks - É uma partícula elementar e um dos dois elementos básicos que constituem a matéria
(o outro é o lépton). Quarks se combinam para formar partículas compostas chamadas hádrons.
Rarefeito - Que se rarefez; diminuído na densidade, pouco denso. Uma atmosfera rarefeita
é aquela que tem a densidade baixa.
Rugosidade - Conjunto de desvios microgeométricos, caracterizado pelas pequenas saliên-
cias e reentrâncias presentes em uma superfície.
Sistema - É definido como a parte do universo que está sob consideração. Qualquer ente ou
conjunto de entes sob enfoque define um sistema. Uma fronteira hipotética ou real sempre
separa o sistema do resto do universo.
Ultravioleta - Ondas eletromagnéticas com frequência superior ao visível.
Vizinhança - Toda parte ou região que rodeia um sistema. Um sistema separa-se da sua
vizinhança por uma fronteira. Um sistema juntamente com a sua vizinhança constitui, em
última análise, o universo.
Vórtices - Um vórtex ou vórtice (plural: vórtices) é um escoamento giratório, no qual as
linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral. São movimentos espirais ao
redor de um centro de rotação.
619
Unidade 3
Inglês técnico
Aircraft - Aeronave, qualquer máquina capaz de sustentar voo. Dentro deste grupo, pode-
mos ter balões, dirigíveis, helicópteros, aviões e planadores. Assim, tomar cuidado para não
confundir aircraft com airplane (avião).
Aircraft maintenance stands - Plataformas de manutenção utilizadas principalmente em
aeronaves de grande porte que permitem o acesso seguro às partes altas das aeronaves.
Existem diversos tipos de plataformas, conforme a finalidade e o tipo de aeronave apoiada.
Alerts - Informações padronizadas que alertam os usuários sobre possíveis condições de
perigo, bem como o grau que representa esse perigo. Podem ser de atenção, cuidado ou pe-
rigo, sendo utilizado em manuais de operação e manutenção de equipamentos, bem como
nos ambientes de manutenção e linhas de voo.
Anti-icing systems - Sistema que previne a formação de gelo em áreas críticas da aeronave
sujeitas à formação de gelo.
Arrangement - Arranjo ou configuração de um sistema ou componente.
Blade stations - Estações das pás são linhas de referências imaginárias, transversais à pá e
medidas a partir do centro do cubo da hélice. Nessas estações, são realizadas as medições de
alinhamento, ângulo, largura e espessura das pás.
Bus - Barramentos. Servem para comunicação ou alimentação entre os dispositivos da
aeronave. O computador central recebe informação de diversos sensores por meio do bar-
ramento de dados do sistema.
Center of Gravity - O centro de gravidade de um avião é o ponto onde os pesos das partes
da aeronave e da carga se concentram.
Check list - Lista de verificação que fornece a sequência correta de um determinado pro-
cedimento. Ao usar o check list, o técnico diminui drasticamente o risco de esquecer se
alguma etapa de uma sequência de procedimentos de manutenção.
Contaminants - São impurezas que contaminam o combustível de aviação, as quais devem
ser evitadas. Podem ser líquidas, sendo a água o exemplo mais comum; sólidas, como resí-
duos de materiais externos e de corrosão nos tanques integrais externos e de corrosão nos
tanques integrais; além dos microorganismos que se multiplicam na interface do combus-
tível com a água.
Differential mode - Sistema de pressurização que mantém uma diferença de pressão cons-
tante entre a pressão do ar no interior da cabine e a pressão do ar ambiente.
Electric ground power units - Equipamentos móveis que fornecem energia elétrica em solo
para a partida das aeronaves que não possuam unidade de potência (energia) auxiliar ou
fonte de força auxiliar. Também é conhecida como APU, do termo Auxiliary Power Unit e
pode ser usada por uma questão de economia de combustível.
620
Electrically-driven pumps - São bombas acionadas por motores elétricos que não depen-
dem do acionamento do motor para funcionar, desde que haja energia elétrica suficiente
em seu circuito.
ECAM - Electronic Centralized Aircraft Monitor - Conjunto de monitoramento e aler-
ta automático dos sistemas e alerta automático da célula da aeronave e dados do motor.
Quando um problema é detectado ou uma falha ocorre, o monitor primário, juntamente
com uma sugestão auditiva e visual, alerta o piloto. O sistema também exibe a ação corre-
tiva para o problema, bem como a ação sugerida em caso de fracasso na primeira sugestão.
Ao realizar o sistema de monitoramento automaticamente, o piloto fica livre para fazer a
pilotagem da aeronave.
EICAS - Engine Indicating and Crew Alerting System - Sistema de monitoramento e alerta
cujo objetivo é monitorar os sistemas da aeronave para o piloto. Ele monitora dados do
motor e da célula do avião. Ele executa as mesmas funções do ECAM.
FADEC - Full Authority Digital Engine Control - Equipamento eletrônico digital respon-
sável pelo controle de combustível dos motores das aeronaves. Ele atua durante todas as
operações do motor, exercendo a plena autoridade pelo controle de fluxo de combustível,
a partir dos comandos recebidos da cabine de pilotos.
Feeler gauge - Calibrador de folgas. Utilizado quando é necessário deixar uma determinada
folga entre dois componentes. É composto por uma série de lâminas com espessuras pre-
cisas.
Fire extinguishers - Trata-se dos extintores de incêndio para as classes (A), (B), (C) e (D). Os
extintores são itens obrigatórios nos ambientes de manutenção e operação de aeronaves.
Flaperon - Superfície de comando que funciona como flap e aileron.
Flight line - Linha de operação de aeronaves onde ocorrem as partidas e chegadas das pistas
de pouso e decolagem.
Fly-by-wire - Sistema de comando de voo que utiliza a transmissão de dados às superfícies
de controle através de cabos ou fios protegidos. Dessa forma, todo comando feito pelo pi-
loto no manche é processado e avaliado pelo computador, para então ser transmitido, total
ou parcialmente, às superfícies de comando de voo.
Fod - De Foreign Object Debris. É qualquer objeto, vivo ou não, localizado em local ina-
dequado, podendo potencialmente causar danos a aeronaves e pessoas.
Fuel tanks - Tanques de combustível dos aviões devem ser concebidos, localizados e insta-
lados para reter o combustível quando sujeito a cargas de inércia resultantes de fatores de
carga estática e em possíveis ocasiões em que o avião pousa com o trem de pouso recolhido.
Eles também devem reter o combustível no caso de perda de um motor.
Gas Turbine - Turbinas a gás são motores térmicos de combustão interna. Eles utilizam a
expansão dos gases provenientes da queima de combustível para girar uma ou mais turbinas
que geram empuxo.
Gauge - Instrumento de medição.
621
Gear-type pump - São bombas mecânicas, ou seja, são acionadas por dispositivos mecâni-
cos a partir do movimento transmitido do motor da aeronave.
Glass cockpit - Designação de uma cabine de aeronave em que as informações dos instrumen-
tos e equipamentos de voo são apresentadas de forma digital, tipicamente em telas de LCD.
Hand tools - Ferramentas manuais são largamente utilizadas nas atividades de manutenção
aeronáutica. Dentre elas estão alicate, chave de fenda, martelo, punção, serra manual, entre
tantas outras.
Hostile environment of the upper atmosphere - Quanto maior a altitude do voo, menor é
a pressão e a temperatura externas. Portanto, quanto maior a altitude, mais hostil é o am-
biente. Por exemplo, no nível do mar, a pressão é de 14,69 psi e 15 ºC, ao subir à altitude
de 30.000 pés, a pressão é de 4,37 psi e a temperatura, de 44,4 ºC negativos.
Houses - Neste contexto, a palavra Houses é utilizada como verbo alojar. Neste caso, a
fuselagem do avião aloja o grupo motopropulsor. Em inglês, é comum uma palavra que
normalmente é aplicada como substantivo ser utilizada como verbo.
Hydraulic ground power units - Unidades hidráulicas de apoio utilizadas em atividades de
manutenção. Elas fornecem óleo hidráulico pressurizado controlado para testes nos siste-
mas hidráulicos das aeronaves.
Isobaric mode - Sistema de pressurização em que a pressão da cabine é mantida constante
a despeito da mudança de altitude da aeronave.
Monocoque - São estruturas com revestimento trabalhante. Seu formato aerodinâmico é
determinado pelas cavernas. As cargas aerodinâmicas são suportadas por essas cavernas e
também pelo revestimento.
Movements of the piston - Etapas de um ciclo de motor a combustão interna, ciclo Otto:
admissão (induction stroke), compressão (compression stroke), explosão (power stroke/expan-
sion stroke) e escapamento (exhaust stroke).
Multimeter - Multímetro é um instrumento de medição eletrônico que combina várias
funções de medição em um único equipamento. Um multímetro típico é capaz de medir
tensão, corrente e resistência de um circuito.
Navigation system - Sistema de navegação da aeronave. Utiliza equipamentos da aeronave
trabalhando em conjunto com equipamentos de terra. Os dois devem estar em perfeito
funcionamento para fornecer a informação correta para o voo.
Oscilloscope - Osciloscópio. Instrumento de medida eletrônico que cria um gráfico bidi-
mensional visível de uma ou mais diferenças de potencial. O eixo horizontal do monitor
normalmente representa o tempo, tornando o instrumento útil para mostrar sinais peri-
ódicos. Ele permite a visualização e análise, em geral, de sinais de tensão na forma de um
gráfico em função do tempo. Pode ser do tipo digital ou analógico.
Outrigger wheels - São pequenas rodas instaladas próximas às pontas das asas das aeronaves
que possuem trem de pouso em tandem.
Pitch - Arfagem. Movimento da aeronave em torno do seu eixo lateral ou horizontal, fazen-
do com que o nariz da aeronave se mova para cima ou para baixo.
622
Power-driven pumps - São bombas mecânicas, ou seja, são acionadas por dispositivos me-
cânicos a partir do movimento transmitido do motor da aeronave.
Powerplant - Pode ser traduzido como grupo motopropulsor ou sistema motopropulsor. É
composto basicamente pelo motor e pela hélice ou somente o motor (quando não utiliza hélice).
Precession - Precessão é a força aplicada ao rotor do giroscópio com o objetivo de incliná-
-lo. A reação a essa força ocorre no ponto de 90 graus em relação ao plano rotacional.
Preflight inspection - A inspeção de pré-voo de um avião é o processo para averiguar as
condições de aeronavegabilidade da aeronave antes da decolagem. Há uma série de verifi-
cações constantes em check list que devem ser efetivadas pelo piloto ou pelo membro da
tripulação com competência para tal.
Primary Flight Display (PFD) - É um display lcd que fornece diversas informações de voo
como temperatura do motor, altitude, entre outras, simplificando o trabalho do piloto.
Propeller - Hélice é a unidade que deve absorver a potência de saída do motor e gerar o
empuxo para a aeronave.
Propeller unbalance - Para corrigir o desbalanceamento da hélice, são realizados o balance-
amento estático das pás e o balanceamento dinâmico da hélice.
Reciprocating Piston Engine - Motores alternativos também são motores térmicos de com-
bustão interna. Eles convertem a expansão dos gases de combustão em movimento linear
dos pistões dentro de cilindros.
Rigidity - Rigidez é uma propriedade dos giroscópios que enquanto seu rotor estiver giran-
do a altas velocidades, tende a permanecer na mesma posição e no mesmo plano de rotação,
exceto por uma pequena quantidade de precessão.
Semimonocoque - São estruturas nas quais os esforços são suportados pelas cavernas e/ou
anteparos, revestimento e longarinas.
Spoiler - Também chamados de Speedbrakes, são superfícies móveis posicionadas sobre as
asas de aviões que, ao se abrirem, descolam o escoamento do vento relativo criando um
estol controlado nas asas, reduzindo a sustentação naquela região da asa.
Technical order - São publicações técnicas que fornecem todas as informações sobre a ope-
ração e a manutenção de sistemas e equipamentos que utilizados em uma aeronave.
Thermocouple - Termopar é um sensor composto por uma liga de dois metais distintos
que se baseia na diferença de temperatura das suas extremidades para gerar uma força ele-
tromotriz.
Trim tabs - Compensadores são superfícies de controle de voo auxiliares ligadas a bordo
de fuga das superfícies de controle de voo primárias. Os compensadores reduzem a força
necessária para mover uma superfície de controle primária.
Valves - Válvulas são utilizadas para diversas funções dentro dos sistemas de uma aeronave.
No sistema hidráulico, elas controlam a pressão, a direção e o volume do fluido.
Wiring - Wiring representa toda a fiação da aeronave.
Yaw - Guinada é o movimento da aeronave em torno do seu eixo vertical, fazendo com que
o nariz da aeronave se mova de um lado para o outro.
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Unidade 4
Redação técnica
Aeronavegabilidade - Propriedade ou capacidade de uma aeronave realizar um voo seguro
ou navegar com segurança no espaço aéreo.
Aeronavegabilidade continuada - Ações de manutenção preventiva, manutenção, recondi-
cionamento, modificações e reparos de qualquer aeronave e seus componentes de modo
que possam desempenhar, satisfatoriamente e com segurança, as operações para a qual eles
foram projetados.
Altímetro - Instrumento usado para medir alturas ou altitudes, geralmente em forma de
um barômetro aneroide, destinado a registrar alterações da pressão atmosférica que acom-
panham as variações de altitude.
Atestado de produto aeronáutico aprovado (APAA) - Documento que aprova a produção
de peças de modificação ou de reposição em produtos aprovados.
Certificado de tipo - Documento emitido pela autoridade de aviação civil que atesta que
a aeronave teve seu projeto avaliado e considerado em conformidade com os requisitos de
certificação.
Certificado suplementar de tipo (CST) - Documento emitido pela autoridade de aviação
civil para aprovação de projeto de modificação de tipo de um produto aeronáutico.
Componentes controlados - São os componentes que possuem limite de utilização para revi-
são, substituição, teste e/ou calibração previstos no programa de manutenção do fabricante.
Diretrizes de aeronavegabilidade (DA) - Informação de aeronavegabilidade continuada de
caráter mandatório, emitida pela autoridade de aviação civil como emenda ao RBAC 39.
Inspetor de aviação civil (Inspac) - Agente público designado pela ANAC para executar a
fiscalização e o apoio à aviação civil.
Manutenção preventiva - Operação de preservação simples e de pequena monta, como a
substituição de pequenas partes padronizadas que não envolvem operações complexas de
montagem e desmontagem.
Não conformidades - Não atendimento a um requisito específico da legislação aeronáutica
em vigor ou de um requisito técnico estabelecido em manual ou documento técnico.
Ordem técnica padrão (OTP) - Especificação ou padrão mínimo de desempenho emitido
pela autoridade de aviação civil, para determinados itens utilizados em aeronaves civis.
Produto aeronáutico - Termo usado para aeronave, motor ou hélice, assim como compo-
nentes e partes deles.
Programa de manutenção - Documento que descreve as tarefas específicas de manutenção
programada e suas frequências de realização e procedimentos relacionados.
Projeto de tipo aprovado - É o projeto da aeronave, do motor e da hélice que foi criado pelo
fabricante do produto aeronáutico, de acordo com os requisitos regulamentares e devida-
mente aprovado pela autoridade de aviação civil.
624
Recondicionamento (reconstrução) - Produto aeronáutico que foi desmontado, limpo, ins-
pecionado, reparado como necessário, remontado e testado para as mesmas tolerâncias e
limites de um item novo, usando componentes novos ou usados.
Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) - Órgão da Anac responsável por registrar as aero-
naves civis brasileiras.
Responsável primário - Principal responsável pela conservação de uma aeronave em condi-
ções aeronavegáveis.
Tempo limite de vida (TLV) - Tempo máximo de operação permitido para um item, após
o qual ele é descartado para o uso.
Time between overhall (TBO) - Tempo máximo entre revisões gerais definido nos respec-
tivos programas de manutenção.
Transponder - Transmissor de rádio na cabine do piloto que se comunica por meio de um
radar de solo com o controle de tráfego aéreo.
Unidade 5
Matemática
Braça - Corresponde a distância entre as pontas dos dedos das duas mãos de um homem
quando seus braços estão estendidos em direções opostas.
Congruentes - Duas figuras são congruentes se possuem a mesma forma e o mesmo tama-
nho.
Corriqueiras - Aquelas que ocorrem com frequência.
Côvado - Medida antiga usada no Egito que representa a distância aproximada de 3 pal-
mos.
Quadrículas - Pequenos quadrados, todos com lado de mesma medida, usados como auxi-
liares da visualização de medidas, áreas figuras, etc.
Quociente - Resultado de uma divisão.
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição
Adelgaçada - Delgada, que vai afinando ao longo de seu comprimento.
Airloch - Tipo de prendedor fixado em uma carenagem e que possui uma trava forçada por
uma mola.
Artefatos - Utensílios ou objetos fabricados pelo homem.
625
Bastarda - Granulação média dos dentes de uma lima.
Braça - Medida compreendida entre a ponta dos dois dedos médios, estando a pessoa com
os braços abertos e bem esticados.
Cabeçotes dos parafusos - Tipo de fendas na cabeça dos parafusos.
Calibrações - Verificação periódica das incertezas de medidas por meio de gabaritos, sendo
as ferramentas ajustadas até atingir valores aceitáveis em seus resultados.
Calibre Vernier - Instrumento usado na medida de comprimentos e ângulos. Seu nome é
homenagem a Pierre Vernier, matemático francês que o inventou no séc. XVII.
Conicidade do bico - Forma cônica do bico que vai afinando seu diâmetro até a ponta.
Contrapinos - Pinos feitos de arames de aço bem resistente, formado por duas hastes em uma
extremidade, e com a outra extremidade curvada para serem colocados no furo, que passa pela
porca e pelo parafuso, dobrando-se as hastes, uma para cada lado, o que trava esse conjunto.
Côvado - Medida antiga usada no Egito que representa a distância entre o osso do cotovelo
e a ponta do dedo médio.
Crimpador - Sinônimo de grimpador; que é utilizado para prensar terminais, acoplando o
cabo no plugue específico por meio de deformação das partes que ficarão conectadas.
Cromovanádio - Tipo especial de aço formado pela combinação de diferentes ligas.
Cúbito - Medida antiga que equivale a três palmos.
Delgadas - Afuniladas, que vai se afinando em relação à sua espessura ou à sua largura.
Desandadores - Cabos acessórios para girar machos ou cossinetes na abertura de roscas em
porcas ou parafusos.
Dizu - Nome dado ao airloch no cotidiano da manutenção aeronáutica.
Escareamento - Retirada de material da borda de furos de forma a ficar com conicidade,
para que parafusos fiquem no mesmo nivelamento da superfície da chapa.
Espiga - Parte componente da lima que é fixada dentro do punho.
Flanges - Formatação cônica na extremidade de tubos para vedação por encaixe; dobragem
feita na extremidade de chapas de metal.
Frenagens - Travamento feito com arames de aço na cabeça dos parafusos de forma que, se
um girar no sentido de afrouxamento, o outro irá girar no sentido de aperto, e vice-versa.
Goiva - Ferramenta de seção côncavo-convexa, com o corte do lado côncavo, utilizada por
artesãos e artistas para talhar os contornos de peças de madeira, metal ou pedra.
HV - Unidade de medida de dureza das superfícies, sendo uma abreviatura do método
Vikers Hardness.
Incerteza - Diferença entre a medida existente em vários padrões de medidas utilizados e
a leitura desses padrões em determinado instrumento, visando proceder a calibração deste
para um patamar aceitável de tolerância.
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Jarda - Medida inglesa que compreende o espaço entre a ponta do nariz e a cabeça do dedo
polegar, estando a pessoa com a mão fechada e o braço esticado.
Limalhas - Restos de materiais retirados de um objeto pelo processo de limagem ou esme-
rilhamento.
Mandril - Parte frontal giratória de uma furadeira onde são fixadas as brocas ou as ponteiras
com fendas diversas.
Mordentes - Bicos dos alicates com partes internas ranhuradas.
Mossas - Pequenos amassados.
Murça - Granulação fina dos dentes de uma lima.
Padrões - Objetos com medidas aceitas como referência em acordo entre os interessados,
servindo como base para conferência de medidas ou para confecção de outras réplicas destes.
Passo - Quantidade de dentes ou fios de rosca em uma polegada de extensão.
Perpendicularidade - Que forma um ângulo reto (90 graus) com outra linha ou plano.
Picado - Granulação dos dentes das limas.
Ponteiras - Pontas de aço formatadas em diversos tipos de fendas, que tem o corpo sextava-
do para ser acoplada a uma chave soquete.
Precisão - Alto índice de confiabilidade em relação às suas leituras de medidas.
Ranhurada - Com entalhes ou sulcos feitos em suas faces.
Rastreabilidade dimensional - É a capacidade de traçar o histórico de determinado padrão
de medida, se a sua aplicação está de acordo com os padrões determinados, por meio de
informações previamente registradas.
Rebarbas - Sobra de material pelo desbaste de peças.
Resolução de precisão - Menor medida que pode ser lida em um instrumento de medição.
Rombuda - Termo técnico usado para representar uma ponta que não é delgada, ou seja,
não é fina.
Sem-fim - Tipo de rosca aplicado em ferramentas reguláveis.
Tarraxa - Conjunto formado por um desandador e um cossinete.
Temperada - Que sofreu tratamento térmico para o endurecimento de sua estrutura física,
ficando mais resistente ao atrito.
Toesa - Antiga unidade de medida de comprimento originária da França pré-revolucio-
nária, equivalente a seis pés, ou aproximadamente um metro e oitenta e dois centímetros.
Torques - Quantidade de força aplicada no aperto de uma porca ou parafuso.
627
Unidade 7
Doutrinamento básico - o mecânico de
manutenção aeronáutica e sua formação
profissional
Autorizatário - É um ato administrativo unilateral, emanado da Anac, revogável a qualquer
tempo e independente de interpelação, que autoriza a pessoa jurídica a se constituir como
empresa de táxi-aéreo ou de serviço aéreo especializado.
EPI - Equipamento de proteção individual, necessário à proteção da integridade física do
mantenedor.
Esmerilhamento - Polir ou despolir (para tornar fosco) com esmeril.
NR - Trata de assunto concernente à segurança do trabalho.
Organização de manutenção - Prerrogativa legal para prestar serviços de manutenção, ma-
nutenção preventiva e alterações em produtos aeronáuticos.
Osciloscópio - Aparelho medidor que permite visualizar, numa tela catódica, as variações
de uma tensão.
RBAC - Regulamento brasileiro de aviação civil. São normas de caráter geral e abstrata que
estabelecem requisitos para a aviação civil.
RBHA - São normas de caráter geral e abstrata que estabelecem requisitos para aviação civil.
Radiação ionizante - É a radiação que possui energia suficiente para ionizar átomos e mo-
léculas.
Unidade 8
Primeiros socorros
Ação bactericida - Mata as bactérias de forma direta.
Ação bacteriostática - Não destrói diretamente as bactérias. No entanto, interfere de ma-
neira negativa no metabolismo bacteriano, interrompendo ou até mesmo inibindo o seu
crescimento e sua multiplicação.
Alterações hipertensivas - Alterações relacionadas ao aumento da pressão arterial.
Alterações sistêmicas - Alterações que ocorrem no corpo acometendo todos os sistemas.
Ansiolítico - Medicamento usado para tratar ansiedade e agitação.
Antídoto - Substância que anula o efeito de outra substância.
Asma - Doença provocada pela redução do espaço das vias aéreas.
628
Axilas - Região anatômica situada entre o tórax e os braços.
Cefaleia - Dor de cabeça.
Cricotireoidostomia - Procedimento cirúrgico para promover a permeabilidade das vias aéreas.
Debridamento - Retirada de tecido da pele.
Derme - Região da pele abaixo da derme onde existe grande rede de vasos sanguíneos e
tecidos conjuntivos.
Dispneia - Dificuldade de respirar.
Edemaciado - Inchado.
Epiderme - Região da pele mais superficial que oferece proteção ao corpo.
Epilepsia - Doença neurológica que produz alteração na condução das sinapses cerebrais.
Esterno - Osso localizado na região anterior e central do tórax.
Extensão - Movimento de estiramento dos músculos do corpo de maneira involuntária por
alterações do cérebro.
Flexão - Movimento de contração dos músculos do corpo de maneira involuntária por
alterações no cérebro.
Folículo piloso - Estrutura do tecido da pele responsável pela produção de pêlos.
Grunhido - Som produzido pela saída de ar pela via aérea obstruída.
Heimlich - Médico americano que em 1974 desenvolveu uma manobra para a desobstru-
ção das vias aéreas. A Manobra de Heimlich é realizada por um socorrista para a desobs-
trução das vias aéreas.
Helicoidais ou espiral - Em formato de hélice.
Hematoma - Acúmulo de sangue, em determinado lugar do organismo, causado pela rup-
tura de vasos sanguíneos ou veias.
Hemodinâmica - Relacionada ao fluxo de sangue na corrente sanguínea.
Hepiremia - Área com concentração de vasos sanguíneos e de coloração avermelhada.
Hipertensa - A pessoa que está com a pressão arterial elevada.
Hipovolêmico - Que tem pouco volume.
Injúria - Traumatismo provocado por pressão externa.
Instilada - Ato de umedecer, umidificar.
Intermação - Perturbação do organismo causada por excessivo calor em locais úmidos e
não arejados.
Isotônico - Substância que não interfere na concentração das soluções.
Mucosa - Tecido que reveste os órgãos internamente.
Neurotransmissores - Substâncias químicas que conduzem o impulso nervoso entre os
neurônios.
629
Otorragia - Sangramento do ouvido.
Otorrinolaringologista - Médico especialista em otorrinolaringologia, que trata das doen-
ças da orelha (ouvido), do nariz e da garganta.
Perfusão - Distribuição de líquidos ou gases na corrente sanguínea.
Plasma sanguíneo - Substância líquida que forma o sangue e é responsável pela sua fluidez.
Profilaxia - Ação que evita a proliferação de micro-organismos.
Pulso - Onda de condução do sangue no interior dos vasos sanguíneos em que se verifica a
frequência e o ritmo do bombeamento do coração
Pulso radial - Onda de pulso localizada na extremidade do braço mais próxima às mãos.
Rinorragia - Sangramento do nariz.
Secreção - Substância produzida pelo nosso corpo com reação à invasão de micro-organismos.
Sedativos - Substância que alteração o nível de consciência provocando sonolência. Provoca
sedação.
Sequelas - Efeitos, resultados ou consequências de um acontecimento, de um fato, etc.
Sialorreia - Secreção excessiva de saliva, que pode ser causada por problemas neurológicos,
intoxicação ou lesão da mucosa bucal.
Sibilo - Som produzido pelo estreitamento da via aérea.
Sinapses cerebrais - Transmissão de informações entre neurônios.
Sudorese - Propriedade corporal que ajuda a regular a temperatura do corpo. Suor excessivo.
Sutura - Procedimento cirúrgico realizado por médico para o fechamento de lesões.
Taquicardia - Fenômeno relacionado ao aumento da frequência de batimentos do coração
Taquipneia - Fenômeno relacionado ao aumento da frequência de respirações
Tipoia - Lenço ou tira de pano que se amarra no pescoço para descanso de braço quebrado
ou ferido.
Trauma direto - Choque que ocorre entre duas superfícies.
Troca gasosa - Processo em que o pulmão troca o oxigênio pelo gás carbônico com a cor-
rente sanguínea.
Trombose - Obstrução da circulação do sangue em virtude da formação de um coágulo
(trombo) sanguíneo.
Vasoconstricção - Processo que ocorre quando os músculos lisos das paredes dos vasos
sanguíneos se contraem. Está relacionado à manutenção e à regulação da temperatura cor-
poral, evitando que o corpo perca calor para o meio exterior.
Vasodilatação - Processo que ocorre quando os músculos lisos das paredes dos vasos san-
guíneos se dilatam. Está relacionado com a manutenção e regulação da pressão arterial e na
redução da nutrição dos tecidos.
Vias aéreas - Estruturas anatômicas por onde passa o ar até chegar aos pulmões.
630
Vigília - Relativo à vigilância; observação.
Vulto - Quantidade.
Unidade 9
Química
Actinídeos - Conjunto de elementos químicos que fazem parte do sétimo período da tabela
periódica. São 15 elementos: do número atômico 89 (actínio) ao 103 (laurêncio).
Compósitos - São materiais constituídos por duas ou mais substâncias compostas ou duas
fases, com propriedades físicas e químicas diferentes em sua composição.
Condutividade elétrica - Propriedade usada para medir a capacidade de um material con-
duzir eletricidade.
Cristalino - Parte do olho humano, sendo uma estrutura biconvexa, gelatinosa, possuindo
grande elasticidade, que diminui progressivamente com a idade.
Densidades eletrônicas - São regiões presentes em uma molécula que apresentam uma
maior quantidade de elétrons.
Destilação - Processo de separação dos componentes de misturas homogêneas que utiliza
como princípio a diferença do ponto de ebulição dos componentes da mistura.
Dúcteis - Materiais, normalmente metais, que podem se estirar, sem se romper, transfor-
mando-se num fio.
Emulsificantes - São substâncias adicionadas às emulsões (tipo de coloide), com o objetivo
de aumentar sua estabilidade cinética, deixando-as mais homogêneas e estáveis.
Eletricidade - Fenômeno resultante da presença e do fluxo de carga elétrica, tais como re-
lâmpagos, eletricidade estática e corrente elétrica em fios elétricos.
Espalhamento - É um processo rápido, no qual a luz é absorvida por partículas, constituin-
tes de uma mistura, e emitida em outra direção.
Espectroscopia - Técnica físico-química de análise de dados realizada por meio da transmis-
são, absorção ou reflexão da energia radiante incidente em uma amostra.
Estabilizantes - São substâncias adicionadas em alimentos que asseguram as características
físicas de emulsões e de suspensões, aumentando a sua durabilidade.
Humor vítreo - Líquido, similar a uma geleia, que completa a maior parte do olho (em sua
parte posterior).
Ionizar (ionização) - Processo pelo qual uma molécula ou um átomo tornam-se portadores
de uma carga elétrica positiva ou negativa, formando íons.
Íons livres - São íons que se encontram dissolvidos em um solvente e não apresentam mais
estrutura cristalina e organizada. As moléculas do solvente rodeiam cada íon, deixando o
sistema mais estável.
631
Isoctano - Composto orgânico derivado do petróleo que possui oito átomos de carbonos
em sua constituição.
Isótopos - Cada um dos átomos de um mesmo elemento, cujo núcleo possui o mesmo
número de prótons e número diferente de nêutrons.
Lantanídeos - Conjunto de elementos químicos que fazem parte do sexto período da tabela
periódica. São 15 elementos: do número atômico 57 (lantânio) ao 71 (lutécio).
Ligas metálicas - Materiais formados por dois ou mais metais. As ligas metálicas são mis-
turas homogêneas.
Maciço - Material que apresenta a mesma massa distribuída em toda a sua extensão.
Maleáveis - Materiais, normalmente metais, com capacidade de serem transformados em
lâminas.
Origem fóssil - Combustíveis originados pela decomposição de restos de animais e plantas
soterrados que, ao longo de milhões de anos, sofreram diferentes reações químicas.
Polímeros - Compostos formados por combinações repetidas de moléculas mais simples.
Pressão externa - É a medida da ação de uma ou mais forças sobre um espaço. A pressão
atmosférica é resultado da força que os gases exercem sobre a superfície dos corpos.
Precipitação - Quando um sólido não se dissolve completamente em um líquido, o excesso
afunda no recipiente, deixando o sistema com duas fases. Este fenômeno é chamado de
precipitação.
Radioatividade - É um fenômeno natural ou artificial no qual núcleos de átomos instáveis
se desintegram e emitem radiações que podem (ou não) ser em forma de partículas.
Reagentes - Materiais que se combinam entre si para realizar reações químicas e transfor-
marem-se em novas substâncias.
Rearranjo espacial - Ocorre quando uma molécula se reorganiza no espaço para adquirir
uma conformação, o mais estável possível, em determinadas condições.
Retículo cristalino - É um arranjo simétrico de íons, átomos ou moléculas, formando uma
grade extremamente organizada e regular.
Ultramicroscópio - Instrumento que apresenta uma iluminação lateral que o permite reve-
lar objetos invisíveis ao microscópico comum.
Unidade 10
Regulamentação da aviação civil
Administração Pública Federal Indireta - Pessoas jurídicas constituídas para o desempenho
especializado de um serviço público. São vinculadas à administração pública direta, mas
gozam de autonomia de gestão. Exemplo: autarquias, fundações, empresas públicas, socie-
dades de economia mista.
632
Aeronavegabilidade - Duas condições são necessárias para a emissão de um certificado de
aeronavegabilidade: a aeronave deve estar em conformidade com seu projeto de tipo e em
condição de operação segura.
Concessão - Delegação da prestação de serviço público, feita pelo poder concedente, me-
diante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou ao consórcio de em-
presas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo
determinado.
Contraincêndio - Serviço oferecido em aeroportos que envolve salvamento e combate a
incêndio em situações de acidentes aeronáuticos no aeroporto e nas proximidades. A ativi-
dade de prevenção a incêndios também é atribuição desse tipo de serviço.
Disposições finais - As disposições finais são informações colocadas ao final do ato legislati-
vo que se relacionam com o todo de um título, ou mesmo do corpo do texto legal. Tais dis-
posições visam esclarecer, complementar ou acrescentar informações tratadas do texto legal.
Disposições transitórias - Conforme a própria designação da expressão “transitórias” faz
entender, tais disposições referem-se às normas editadas com a finalidade de disciplinar
situações temporárias, que após se efetivarem, fazem com que essas disposições não tenham
mais eficácia. Portanto são normas temporárias, que se extinguem após o atendimento das
condições para que a norma principal entre em vigor. Também são colocadas ao final do
ato legislativo.
Facilitação - Conjunto de medidas destinadas a desembaraçar a aeronave, o tripulante, o
passageiro e a carga aérea.
Fomento - Estímulo, impulso, auxílio. Promoção do progresso.
Inspeção em voo - Inspeção com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança dos ser-
viços prestados pelo DECEA, uma vez que os mantém aferidos e operando todos os equi-
pamentos de auxílio à navegação aérea, aproximação e pouso disponibilizados pelo Brasil.
Permissão - Delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públi-
cos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para
seu desempenho, por sua conta e risco.
Procedures for air navigation services (Pans) - São procedimentos recomendados para ser-
viços de navegação aérea que especificam com mais detalhes em relação às normas e às
práticas recomendadas. São divididos em três categorias: PANS-ATC (Air Traffic Control),
PANS-ATM (Air Traffic Management) e PANS-OPS (Aircraft Operations).
Regras subsidiárias - São regras que complementam as regras principais de maior hierar-
quia. Como exemplo, podem-se citar os regulamentos que explicam ou padronizam con-
dutas estabelecidas em lei.
Standards and recommended practices (Sarp) - Qualquer especificação de características físi-
cas, configuração, material, desempenho, pessoal ou procedimento, cuja aplicação unifor-
me é reconhecida como necessária àpara a segurança ou à regularidade da navegação aérea
internacional.
633
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química
Alucinógeno - Refere-se à droga ou à substância que provoca alucinações.
Clandestino - Que existe ou atua ocultamente, de modo não oficial, por ser objeto de
proibição.
Dependente químico - A pessoa que está subordinada ao uso de produtos, substâncias ou
drogas lícitas e ilícitas, sem ser capaz de responder por suas vontades e por seus atos.
Drogadição - Consumo de droga.
Efeito adrenégico - Efeito ocorrido no corpo pela ativação de receptores celulares que pro-
vocam, por exemplo, aumento da frequência cardíaca, aumento da pressão arterial e au-
mento no tamanho das pupilas.
Entorpecente - Substância tóxica que pode causar sensações inebriantes, agindo sobre os
centros nervosos, provocando dependência e danos físicos e mentais.
Ilícito - Tudo aquilo que é proibido por lei.
Letargia - Lentidão.
Narcotráfico - O mesmo que tráfico de drogas.
Sinapses cerebrais - Transferência de informações entre os neurônios por meio de neuro-
transmissores.
Torpor - Sensação de confusão mental.
Turgor - Força exercida pela água contida em uma célula.
Usuário de drogas - A pessoa que faz uso de produtos, substâncias ou drogas lícitas e ilícitas,
que causam dependência física ou psíquica, mas ainda possui o completo domínio de suas
vontades e de seus atos.
634
Referências
Unidade 1
Fatores humanos
ALMEIDA, I. M. Abordagem sistêmica de acidentes e sistemas de gestão de saúde e segu-
rança do trabalho. INTERFACEHS – Revista de Gestão Integrada em Saúde do Traba-
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Unidade 2
Física
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BURKARTER, E. et al. Física Ensino Médio. 2ª ed. Curitiba: Editoração Eletrônica Ícone
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Unidade 3
Inglês técnico
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Unidade 4
Redação técnica
BRASIL. Agência Nacional de Aviação Civil. IS 43.9-001A: Instruções para Preenchimen-
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nais: operações complementares e por demanda. 2014a. Emenda nº 03. Disponível em:
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Leitura complementar:
Unidade 5
Matemática
GIOVANNI, J. R.; PARENTE, E. Aprendendo Matemática: 6º ao 9º ano. São Paulo:
Ed. FTD, 2004.
IEZZI, G. et al. Matemática: volume único. Ensino Médio. São Paulo: Ed. Atual, 2010.
______. Matemática e Realidade. Ensino Fundamental. São Paulo: Ed. Atual, 2012.
Unidade 6
Ferramentas manuais e de medição
ALBERTAZZI, A. Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial. – 1ª ed. – Ba-
rueri: Manole, 2008.
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SENAI. Metrologia módulos especiais: mecânica. São Paulo: [s.n.], 200-]. Disponível
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______. BÍBLIA. Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada. Nova York, EUA: 2015.
Revisão de 2015.
Leituras complementares:
642
SANTANA, R. G. Metrologia. – 1ª ed. – Curitiba: Editora do Livro Técnico, 2012.
______. Paquímetro virtual com nônio ou vernier com 25 divisões em polegada mi-
lesimal simulador de uso e leitura. 2015. Disponível em: < [Link]
webpage/metrologia/[Link]>. Acesso em: 17 set. 2015.
Unidade 7
Doutrinamento básico – o mecânico de
manutenção aeronáutica e sua formação
profissional
BRASIL. Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). IS 43-001: Elegibilidade, Qualidade e
Identificação de Peças de Reposição Aeronáuticas. 2009. Revisão A. Disponível em: <http://
[Link]/certificacao/CI/Textos/[Link]>. Acesso em: 08 mar. 2015.
______. Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). RBAC 01: Definições, regras de re-
dação e unidades de medida. 2011a. Emenda 02. Disponível em: <[Link]
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ção Preventiva, Reconstrução e Alterações. 2013b. Emenda 01. Disponível em: <http://
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nais: operações complementares e por demanda. 2010. Emenda nº 03. Disponível em:
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Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Disponível em: <http://
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docomando-da-aeronautica->. Acesso em: 08 mar. 2015.
645
______. Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região). Aeroviário. Jornada de Trabalho. Nos
termos do artigo 20 do Decreto 1.232/62, é assegurada jornada reduzida aos empregados
que, habitual e permanentemente, executam serviços de pista, cuja definição se encontra
no artigo 1º, caput e § 1º, da Portaria 265/62 da Diretoria de Aeronáutica Civil. Recurso
Ordinário nº 0011316-06.2013.5.03.0144. Recorrentes: Thiago Porto e VRG Linhas
Aéreas S.A. Recorridos: VRG Linhas Aéreas S.A. e Thiago Porto. Relatora: Maria Cecília
Alves Pinto. Belo Horizonte: 13 de maio de 2015.
______. Tribunal Regional do Trabalho (4ª Região). Recurso Ordinário do Sindicato Au-
tor - Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre. Adicionais de Periculosidade e de Insa-
lubridade em grau máximo. Não demonstrada nos autos, pelas provas pericial, testemu-
nhal e documental, analisadas em conjunto, a exposição dos trabalhadores substituídos
a condições perigosas, merecendo ser confirmada a sentença neste particular. Contudo,
diante da conclusão pericial de que os equipamentos de proteção individual fornecidos
pela empregadora não são aptos a elidir a ação nociva decorrente da exposição dos traba-
lhadores substituídos a agentes químicos, quando do desempenho de suas funções como
Mecânicos de Manutenção de Aeronaves ou Mecânicos Assistentes em favor da reclamada,
e considerando evidenciar a prova documental (especialmente as fichas de controle de EPIs
anexadas ao processo) não ter havido o correto fornecimento de equipamentos de proteção
a tais empregados, na medida em que notadamente insuficientes aqueles cuja entrega foi
documentada pela empregadora, fazem jus os substituídos ao adicional de insalubridade
em grau máximo, em parcelas vencidas, observado o período não prescrito de vigência
dos respectivos contratos de trabalho, e vincendas. Apelo do Sindicato autor parcialmente
provido. Recurso Ordinário nº 0000416-03.2012.5.04.0004. Recorrente: Sindicato dos
Aeroviários de Porto Alegre. Recorrido: TAP Manutenção e Engenharia Brasil S.A. Prola-
tora da Sentença Juíza Fabiane Martins. Porto Alegre: 11 de março de 2013c.
______. Tribunal Regional do Trabalho (6ª Região). Ementa: Recurso Ordinário. Multa
Rescisória. Artigo 477, § 8º, da CLT. Diferenças. Indevida. Entendo que as disposições
dos parágrafos 6º e 8º, do artigo 477 da CLT, não ensejam interpretação extensiva, isso
porque, em se tratando de sanção, deve ser interpretada restritivamente. Sabendo-se que a
multa (§ 8º) é devida apenas em face da “inobservância do disposto no § 6º”, que, por sua
vez, estabelece prazo para o “pagamento das parcelas” rescisórias, claro que somente a im-
pontualidade constitui motivo para aplicação dessa penalidade. Ademais, além do simples
fato de, por decisão judicial, haver acréscimo de “parcelas”, ou inclusão de outros títulos,
não assegura, em absoluto, o pagamento da multa em apreço, que - repita-se - tem motivo
e finalidade diversos. No caso dos autos, o pedido da atrial limitou-se às diferenças, razão
pela qual deve ser improvido o apelo, no particular. Recurso Ordinário nº 0000044-
04.2011.5.06.0014. Recorrentes: Ana Paula Alves de Lima e Silvana Pageú Menezes Araú-
jo. Recorrida: Distribuidora Farmacêutica Panarello LTDA. Relatora: Des. Maria Clara
Saboya A. Bernardino. Recife: 24 de novembro de 2011b.
646
atividades na área de abastecimento de aeronaves, excetuando apenas aqueles que perma-
necem a bordo durante o período de abastecimento. Precedentes. Recurso de Revista não
conhecido. Recurso de Revista nº TST-RR-2278-97.2011.5.03.0092. Recorrente: TAP
Manutenção e Engenharia Brasil S.A. Recorrido: Alexandre Moreira Villar. Relatora: Mi-
nistra Maria de Assis Calsing. Brasília, 9 de maio de 2014d.
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Unidade 8
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Unidade 10
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UNIÃO EUROPEIA. European Aviation Safety Agency (EASA). The Agency. 2015. Dis-
ponível em: <[Link] Acesso em: 20 mar. 2015.
Unidade 11
Tráfico de drogas e dependência química
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652
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id=1886978&page=-1>. Acesso em: 10 jul. 2015
Leitura complementar:
653
654
Gabarito
Unidade 2 - Física
Capítulo Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
1 D B C A B
2 C B D A B
3 C B D A C
4 C B D D C
5 B C D A C
6 C A D A B
655
Unidade 5 - Matemática
Capítulo Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
1 B D C A B
2 A B A D A
3 A C B A D
4 A A C D C
5 C B A B D
6 D B C A D
Unidade 9 - Química
Capítulo Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
1 B B D A B
2 B C A D B
3 A C D A B
4 C A B D A
5 B D C A B
656
Unidade 10 - Regulamentação
da Aviação Civil
Capítulo Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
1 C B D A B
2 B D D A C
3 C D B A B
4 C D D A B
5 A B D D B
657