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Adoção de Gato: Uma Nova Vida

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Recomeço

– Amor? – Chama ele baixinho.


Acordo assustada, ele está sério. Mas me dá um beijo.
– Tem um gatinho no banheiro, só pra avisar. – Diz ele e sai.
Levanto meio sem entender e vou ver o gato. Abro a porta e me deparo
com a coisa mais doce e fofa do mundo, ele mia e se esfrega nas minhas
pernas ronronando. Sento no vaso com ele no colo e fico lhe acariciando,
ele está molhado e me pergunto o motivo do meu marido o ter trago para
casa.
Lembro dos outros dois que estão do lado de fora do banheiro miando, olho
dentro dos olhos azuis daquele serzinho e começo a relembrar…
Acordei de mau humor, estava frio e chovendo, levanto-me arrastando e me
perco em pensamentos aleatórios enquanto bebericava o chá. O alarme do
celular toca, saio com pressa, chego dois minutos antes do guardinha do
posto começar a distribuir as fichas.
– Não sei até hoje como não vi ele ali antes. – Falo esfregando o nariz no
gato.
As pessoas vão entrando e eu observo cinco crianças perto da grade, elas
riem e chutam uma bola marrom estranha presa à grade. Olho mais
atentamente a “bola” e meu coração gela.
– Aquilo é um gato? – Sussurro pra mim mesma. – Ei! – Berro e vou em
direção às crianças que param e me olham assustadas.
Todos me olham e o silêncio reina, me sinto andando em câmera lenta.
– Chispem daí! Ou vou chutar vocês também. – Meu sangue fervia e eu não
conseguia tirar os olhos daquela bolinha assustada que não emitia nenhum
som.
Me abaixei perto da grade e acariciei a cabeça dele que olhou pra mim e
abriu a boca, mas não saiu nenhum som. Chorei enquanto o desamarrava.
– Que nojo moça, joga isso fora! Isso traz doenças.
Olhei para trás e vi uma senhora com cara de nojo me olhando, ao lado dela
estava o moleque que chutou o gato momentos antes. Respirei fundo
aninhando o gato ao peito.
– Isso vai te fazer mal. – Continuou ela.
– Mal? – Perguntei perdendo a paciência. – Mal pior você fez ao não corrigir
esse moleque enquanto judiava dele. – Falei apontando para a criança. – E
doença tem você, a doença de não se importar com o sofrimento alheio.
Saio dali sem a consulta médica que fui procurar, mas achei uma vida que
precisava de cuidados mais do que eu. No final das contas, meu mal estar
era uma virose que melhorou em mais uma semana e o gato não era
marrom, era branco e amarelo.
Rio ao ver que o gato me olhava fixamente enquanto relembrava e lhe
contava como trouxe meu Ace para casa.
– Não precisa me olhar assustado assim, você está seguro agora. – Beijei
seu focinho e o coloquei no chão. – Logo tudo que você passou será
esquecido, assim como aqueles dois lá fora esqueceram.
Dou uma última olhada pra ele e saio do banheiro me deparando com meus
outros dois gatos me encarando bem zangados.
– Nem me olhem assim, ele é o novo irmão de vocês. – Pego os dois gordos
no colo, tarefa difícil ultimamente, e volto para a cama. – Vamos dormir
mais um pouco e depois escolher o nome dele.
Eles miam e se aconchegam em mim, sei que estão zangados, mas logo
terei três bolas de pêlo brincando pela casa.
– Sejam bonzinhos com ele. – Peço acariciando a cabeça de ambos. – Para o
papai trazer ele, algo bem ruim aconteceu e ele é um bebê, igual quando
vocês chegaram.
Eles ronronam e eu tento voltar a dormir enquanto penso num nome para o
meu mais novo filho.

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