INTIMIDADE COM DEUS – Floyd Mclung
CAPÍTULO 4
Vitória sobre o orgulho
Se, através da leitura do capítulo anterior, você tiver identificado áreas de orgulho em sua
vida, que parecem esmagadoras, não desespere. Deus não nos revela o pecado para nos
desanimar e desencorajar. Ao invés disso, Ele quer nos ajudar a superar o pecado. Deus, ao
revelar o orgulho em nós, mostra que existe um muro entre nós e Ele. Se não lidarmos com
esse assunto, esse relacionamento será cortado.
É possível, devido ao coração enganador do homem e a natureza enganosa do orgulho, ter
uma vitória certa e definitiva sobre o orgulho? Não uma vitória que diga que eu nunca terei
que me preocupar sobre esse pecado novamente, mas uma vitória que é certa de momento
em momento.
É muito melhor dizer "sim" a Jesus do que se concentrar em dizer “não” ao
pecado.
Talvez nosso objetivo não deva ser a libertação final do orgulho, mas ter o oposto do orgulho -
humildade.
Nosso foco deve ser a semelhança com Cristo, que é a essência da humildade. Nossa
preocupação, então, não seria focada em nos livrarmos de algo, mas em uma atitude positiva
de ceder ao Senhor Jesus para que Ele possa nos fazer como Ele mesmo. É muito melhor dizer
"sim" a Jesus do que se concentrar em dizer “não” ao pecado.
Muitos têm uma visão defeituosa da humildade. Eles a associam a um certo tremor na voz
quando pessoas piedosas oram, ou a cor da roupa que se vestem (preto, é claro),
especialmente no domingo. Outros temem que a humildade seja aquele desfecho final de
humilhação quando os pecados secretos se tornam conhecidos diante de todos. Mas
humildade não é ser envergonhado com a divulgação de nossos piores pecados. Muitos
criminosos são pegos e punidos com seus crimes expostos na mídia, mas eles não crescem em
humildade. A humildade não vem através da vergonha exposta publicamente. Deus não tem
nenhum desejo de nos envergonhar nos expondo ao ridículo.
A humildade também não é uma forma de ódio a si mesmo. Algumas falsas expressões de
espiritualidade enfatizam a punição de nós mesmos até expulsarmos todo pecado dentro de
nós. Mas Deus nos criou e Sua intenção era que fossemos conforme à Sua imagem para que
nos tornássemos pessoas inteiras, profundamente conscientes de nossa dependência dEle e
profundamente vivas para Seu amor e Sua graça. Tal confiança é o resultado de saber que
fomos perdoados pelo Senhor Jesus e transformados por Sua graça.
Não existe nada pior do que ter que implorar a alguém para fazer aquilo para o qual ela é
qualificada, e essa pessoa dissimular uma falsa espiritualidade. Humildade não é fingir que não
podemos fazer algo que temos capacidade. Também não é uma baixa estimativa de nossos
dons espirituais e habilidades.
Algumas pessoas tratam a humildade como uma experiência mística, algo que acontece de
repente para nós. Mas a humildade não vai nos surpreender misteriosamente por sua própria
vontade. A humildade diante de Deus não é nada se não for provada diante dos homens.
Pedro instruiu os cristãos há muitos anos a “se humilharem”. (1 Pe 5:6)
Tiago, o irmão de Jesus, também entendeu que a humildade deve ser escolhida, usando
praticamente as mesmas palavras: " Humilhem-se diante do Senhor.” (Tiago 4:10)
A humildade então não é
Algo que Deus nos faz,
nem é uma experiência mística;
não é uma forma especial de orar ou vestir
e não é ser humilhado.
Não é ...
ódio a si mesmo,
negação de nossos dons e habilidades
ou isolamento intencional do mundo.
Qual é então a maior de todas as virtudes? Pois de fato é a maior, porque destrava todas as
outras virtudes para nós. A humildade é o solo no qual todos os outros frutos do Espírito
podem crescer. É dito que Martinho Lutero foi uma vez solicitado a nomear a maior virtude
cristã. Ele respondeu, "humildade". E a segunda? "Humildade", foi novamente a resposta. E a
terceira? "Humildade".
O orgulho é o único vício do qual nenhum homem neste planeta é livre. É algo que todos
odeiam quando confrontam nos outros, mas não imaginam que esteja em si mesmos. Como
C.S. Lewis disse: "Não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos e, quanto
mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros.
Considere a importância que a Palavra de Deus dá à humildade:
Mateus 18:4 “Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no
Reino dos Céus.”
Salmos 149:4 “Porque o Senhor se agrada do seu povo e exalta os humildes com a
salvação.”
Provérbios 3:34 “Certamente ele zomba dos zombadores, mas dá graça aos humildes.”
Jó 22:29 “Deus rebaixa os orgulhosos, mas salva os humildes.” (NTLH)
Tiago 4:10 “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”
A história conta que um dos melhores e mais sábios cristãos do Sec. XVI, Philip Neri, foi
solicitado pelo Papa para investigar a crescente reputação de uma certa noviça em um
convento perto de Roma. Ela tinha a fama de ser uma santa. Neri cavalgou em sua mula
através da lama e do barro das estradas rurais no inverno para o Convento. Chegando lá, pediu
que a noviça fosse enviada a ele. Quando ela entrou na sala, ele pediu-lhe que tirasse as botas
embebidas em lama da longa viagem. Ela se voltou com raiva e se recusou a fazer tarefa de
tamanha insignificância. Ela ficou ofendida com a própria ideia de que ela, com sua reputação,
poderia ser convidada a fazer tal coisa. Neri não disse mais nada. Ele deixou o Convento e
voltou para Roma. “Não pense mais sobre o assunto", ele disse ao Papa. "Aqui não há santa,
pois aqui não há humildade".
Ao contrário do que se poderia esperar, a humildade não é apreciada ou desejada por algumas
pessoas. Ela é vista pelo homem como fraqueza. Não se espera das pessoas que admitam seus
erros ou peçam perdão. A humildade é parecida com Cristo, e nem todos querem pessoas
parecidas com Cristo ao redor.
O que é humildade?
É, antes de tudo, a dependência de Deus. É o homem, como uma criatura, reconhecendo sua
absoluta e total dependência de Deus, o Criador. Isto é mais do que o mero reconhecimento
de que Deus nos criou.
Dependência, que é fruto da humildade, é uma atitude que vem de nosso relacionamento com
Deus. É olhar diariamente para Deus como um amigo, como a única verdadeira fonte de
perdão e misericórdia, e como aquele que dá conselho e direção em cada decisão importante
na vida.
A humildade é um desejo no coração do homem por um relacionamento e comunhão com
Deus. Mesmo para o homem que não conhece a Deus, há uma profunda consciência de que
algo está faltando. Quando o homem descobre que Deus o ama e lhe oferece o perdão através
de Jesus Cristo e Sua morte sacrificial na cruz, sendo humilde, anseia por saber mais. Na
verdade, ele anseia conhecer a Deus.
A humildade leva o homem para além da religiosidade, quer seja uma procissão, uma
peregrinação ou uma contrição. Essas coisas podem até falar de Deus ao homem, mas
nenhuma forma religiosa ou símbolo, no final, pode substituir o encontro pessoal com o Deus
Vivo.
As ações feitas para Deus podem satisfazer a alma por um período, mas vem um momento em
que o solo seco do próprio espírito clama por mais do que já vivemos antes. Nossa tendência é
substituir formalidade no lugar da realidade, ação ao invés de relacionamento e compromissos
ao invés de comunhão. A humildade clama pela realidade. A humildade diz que não devemos
mais substituir o fazer pelo ser, o fervor religioso pela realidade espiritual, mas que devemos
conhecer pessoalmente e intimamente o nosso Criador e Senhor.
Finalmente, a humildade é a libertação de esconder e fingir que somos uma coisa quando na
realidade, somos outra. Humildade é ter a vontade de ser conhecido por quem realmente
somos. Vivemos em um mundo que recompensa a superficialidade e que encoraja
encobrirmos nossas fraquezas, falhas, feridas e pecados. Ao sermos honestos sobre nossos
fracassos passados ou presente fraquezas, não estou sugerindo que devemos contar a todos
tudo sobre nós mesmos. Há um lugar para a discrição. Estar aberto não é derramar sua alma
para cada pessoa que você encontra. Significa, no entanto, que nos conformamos com nossos
medos e fracassos, e os compartilhamos com pessoas piedosas que estão próximas a nós.
A admissão franca de nossas necessidades, problemas e deficiências nos
permite ser livres do engano do orgulho.
A honestidade sobre nossas deficiências deve se tornar um estilo de vida. Por exemplo, se
falharmos em cumprir nossas responsabilidades no trabalho, não devemos procurar encobrir,
e sim, admitir o erro e pedir perdão. E se ofendermos um membro da família, devemos
também humilhar-nos e pedir desculpas por nossa insensibilidade e impaciência. A admissão
franca de nossas necessidades, problemas e deficiências nos permite ser livres do engano do
orgulho. Devemos estar tão abertos quanto necessário para obter ajuda e libertação de nossos
problemas. Por sermos honestos, podemos receber o amor, a compreensão e o apoio que
necessitamos em tempos de estresse e dificuldade.
O fato de encobrir nossos pecados, até mesmo os "pequenos" terá sempre um efeito em nós.
As pequenas concessões se transformam em grandes fracassos. As pessoas perdem o respeito
por nós e têm dificuldade em confiar quando encobrimos nossos erros e deficiências. Quando
as pessoas descobrem através de outra pessoa que não temos sido completamente honestos,
eles perdem a confiança. Então nós somos tentados a acrescentar manipulação ao nosso
orgulho, e mentira à nossa falta de humildade. A honestidade implacável sobre nós mesmos é
a única maneira de quebrar este padrão de orgulho e decepção.
Algumas Maneiras Práticas de Cultivar a Humildade
Quando escrevo sobre humildade, não estou tratando de um assunto para o "santo". Isto não
é uma qualidade de vida que deve ser desenvolvida por uma elite. Todo cristão que leva
seriamente seu compromisso com Jesus reconhece a grande necessidade de cultivar esta
virtude. Nossa integridade como crentes depende de nossa resposta à ordem de nos
humilharmos. Paulo deixa claro em seus escritos que humildade deve afetar todas as áreas da
nossa vida. Para os crentes do primeiro século, ele disse: “Quanto à honra, deem sempre
preferência aos outros", e "Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a lei
de Cristo. Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo.”
Também fala: “...peço que vocês vivam de maneira digna da vocação a que foram chamados,
com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor,
fazendo tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” ... Não façam nada por
interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores
a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos
outros.” “Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revistam-se de profunda
compaixão, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência. Suportem-se uns aos
outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa.
Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros. Acima de tudo isto,
porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” (Romanos 12:10; Gálatas 6:2-3; Efésios
4:2-3; Filipenses 2:3-4; Colossenses 3:12-14).
Esses versículos nos levam a meditar sobre como a humildade se relaciona com várias áreas de
nossa vida diária. Eu sugiro que, depois de lê-las, você volte a essas meditações diariamente,
pedindo a Deus que aplique à sua vida de forma prática. Comece cada leitura pedindo ao
Espírito Santo a revelação de seu coração como Deus o vê, e como Deus quer ajudar você a se
humilhar. Ao nos humilharmos, em resposta ao tratamento do Espírito Santo, Deus promete
nos dar mais graça.
Foco no Senhor, não em nós mesmos
Quem está no centro de nossa vida tem muito a ver com humildade. Ao comparar o homem
carnal e o homem espiritual nos capítulos 7 e 8 de Romanos, Paulo se concentra na
centralidade relacionado a cada um. O homem carnal está preocupado consigo mesmo. Ele é o
centro de seu próprio universo. Na verdade, a palavra "eu" é usada vinte vezes na passagem
que descreve o homem carnal. Em contraste, a palavra "eu" é usada apenas duas vezes na
descrição do homem espiritual, (na versão em inglês, usada pelo autor). Só podemos nos
concentrar em uma coisa de cada vez. Ou estamos nos concentrando em nós mesmos ou no
Senhor, vivendo supremamente para Deus ou para nós mesmos.
Ao optarmos por nos concentrar no Senhor, ficamos livres da preocupação com nós mesmos.
Por outro lado, o orgulho nos mantém prisioneiros de nós mesmos: justiça própria,
autocomiseração, narcisismo, autossuficiência. autocongratulação, e autoindulgência. A
humildade nos liberta deste estado miserável e nos permite desfrutar de Deus e dos outros de
uma forma que as pessoas orgulhosas não podem. Colossenses 3:12-13
Servir aos Outros
É um dos grandes paradoxos do Cristianismo, ser maior no Reino significa ser o servo de todos.
Cristo é nosso exemplo. “... ele (Jesus) se esvaziou, assumindo a forma de servo;” (Filipenses
2:7a). A pessoa que mais serve no Reino é a pessoa que entende que Jesus se tornou um servo
para eles. Com esta revelação, sua única motivação na vida cristã é servir como tem sido
servido.
Nada revela mais claramente os motivos do coração do que como reagimos quando nos é
pedido para servir aos outros. Será que consideramos algumas tarefas abaixo de nossa
dignidade? Será que sentimos que somos muito maduros no Senhor para cortar a grama do
pastor ou trabalhar no berçário? Estamos muito ocupados para ajudar com os empregos mais
baixos?
Um grande convento do interior de uma cidade tinha uma freira que sempre cantava hinos
enquanto estendia roupa na lavanderia. Havia uma qualidade contagiante de alegria nela. Uma
jovem freira noviça após várias semanas no convento, ficou intrigada com esta freira mais
velha e perguntou por que ela estava sempre tão alegre. À sua pergunta, a velha freira
respondeu: "O Senhor me chamou para servir aqui há muitos anos atrás e considero um
privilégio estender roupa para os outros". A novata ficou impressionada com essa atitude, mas
foi ainda mais abençoada quando ouviu a história. Durante muitos anos, essa freira foi a
Madre Superiora do convento até que envelheceu demais para carregar a carga da
responsabilidade. Foi-lhe oferecido um cargo com menos responsabilidade em um convento
menor, mas sentia que Deus a havia chamado especificamente para o convento onde ela
estava. A única outra posição naquela época era na lavanderia. Ela, então, aceitou o cargo de
bom grado.
Eu fui desafiado quando ouvi esta história. Aquela freira tinha um chamado de Deus para
servir e ela estava determinada a cumprir sua vocação. Seu coração para servir foi claramente
revelado a todos quando ela escolheu uma posição humilde que lhe permitiria continuar
servindo. Aquela freira sabia que sua verdadeira espiritualidade não dependia de nenhum
título que lhe tivesse sido dado no passado, mas de sua vontade de servir ao Senhor através do
serviço aos outros.
Aprender com os Outros
O orgulho nos leva a ter uma perspectiva muito estreita da vida. Acreditamos que temos todas
as respostas corretas e, portanto, não reconhecemos que precisamos aprender com os outros.
A humildade, pelo contrário, nos leva a perceber que há algo de valor a ser aprendido através
de todos.
Precisamos da perspectiva mais ampla de vida que a humildade pode trazer. Isso não significa
que devemos ser jogados de um lado para o outro como folhas ao vento, acreditando em tudo
o que nos é dito. Mas significa, sim, que reconhecemos nossa necessidade da contribuição de
outros. Nenhum de nós possui as respostas para todas as situações da vida, e por isso
precisamos aprender uns com os outros.
Será que Deus não dá uma revelação completa da verdade a nenhum indivíduo ou grupo a fim
de nos manter dependentes uns dos outros? Precisamos da contribuição de pessoas de todas
as partes do Corpo de Cristo. Se não reconhecermos esta necessidade, vamos perder muito do
que Deus quer nos revelar.
Encorajar Outros
Dar incentivo é uma maneira fácil e indolor de desenvolver a humildade. Muda também nossa
perspectiva sobre outras pessoas. Para incentivar os outros, temos que buscar as suas
qualidades e deixar de lado todas as críticas e comparações, concentrando-nos sinceramente
apenas em seus pontos fortes. O orgulho quer nos impedir de dar encorajamento, nos fazendo
focar no ciúme, na desconfiança e no desprezo.
Encorajar os outros é uma experiência alegre para pessoas humildes, e se estamos tendo
dificuldade, precisamos ir até o Senhor e pedir que nos mostre o porquê.
Confiar em Outros
Deus nos confiou o dom mais precioso de todos, Seu amor e Sua confiança. Mas, somos dignos
dessa confiança? Vivemos consistentemente de acordo com a confiança que Deus depositou
em nós? Sei que eu, não. Eu falhei muitas vezes com o Senhor. Quando me arrependi, Deus
sempre me deu outra chance. Estendemos essa mesma confiança a outros? Ou, será que
dizemos: "Você me decepcionou. Nunca mais!”. Se eu for humilde, darei aos outros o mesmo
amor e confiança que Deus me deu. Quando retemos a confiança a uma pessoa que lamenta
verdadeiramente o erro que cometeu, sentimos nosso orgulho. Estamos dizendo a ela: “Você
não é boa o suficiente, você não pode atender ao meu padrão e nunca atenderá". Mas, confiar
em qualquer pessoa neste mundo pecaminoso e caído é um negócio arriscado. No entanto,
Deus parece pensar que é um risco que vale a pena! Ele não confia em nós porque somos
perfeitos, mas por causa de Sua misericórdia e graça para conosco. Sua confiança se baseia na
graça e não em nosso desempenho, e devemos assegurar que a graça seja a base da confiança
que depositamos nos outros.
Render seus Direitos para os Outros
Nossa sociedade se baseia em direitos pessoais. Estes direitos vêm de diversas formas: o
direito a uma casa, um quarto particular, um banho quente, três refeições por dia e o direito
de defender-nos quando atacados ou quando nossa reputação for ameaçada.
Também sentimos que temos o direito de ser ouvidos e consultados quando são tomadas
decisões que tenham um impacto em nossas vidas. A mentalidade predominante de nossa
sociedade com relação aos direitos parece ser: se eu não cuidar dos meus direitos, não
chegarei a lugar algum na vida.
Os cristãos, no entanto, marcham ao ritmo de um tambor diferente. Jesus é nosso exemplo
quando se trata de direitos. Ele foi acusado, difamado e traído, mas não lutou uma única vez
por seus direitos. Ele perdoou Seus acusadores, abençoou aqueles que O perseguiram e de
bom grado entregou Sua vida.
Buscar Justiça para os Outros
Quando nos mudamos pela primeira vez para um subúrbio da cidade, perguntamos a nossos
filhos o que eles pensavam sobre a ideia. Tivemos algumas discussões maravilhosas com
nossos dois pequenos, Matthew e Misha. Um dia, um deles disse que achava que deveríamos
nos mudar para "Red Light" (nome do bairro) porque faria Jesus feliz. “Por quê?", perguntamos
espantados. “Bem, diz naquela canção que cantamos que Ele nos mostrou o que é bom, que
devemos fazer justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente com nosso Deus"!
Da boca de pequeninos! Nós cantamos Miquéias 6:8 em nossos tempos de adoração
comunitária e Misha tinha ouvido como uma criança de seis anos o significado das palavras. O
versículo diz: “Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Que
pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.”
As pessoas não são apenas pecadoras, elas sofreram pecados contra elas, e nós somos
chamados a defender os direitos dos pobres (Provérbios 31:8-9). Quando o avivamento chega
a uma nação, como aconteceu na época de Charles Finney na América, as pessoas são
confrontadas com seus pecados contra os oprimidos. O evangelho deve ser aplicado aos
costumes e padrões sociais, se quisermos levá-lo a sério. Para Finney isso significava enfrentar
a escravidão e falar em nome da emancipação das mulheres na América.
Podemos ser desprezados, escarnecidos, incompreendidos e ridicularizados por fazê-lo, mas se
nós, como cristãos, permanecemos em silêncio diante do racismo, da pobreza, da injustiça, da
exploração dos recursos da Terra e da grande desigualdade, então nós cedemos às opiniões
dos outros. Nosso orgulho se interpôs no caminho do Evangelho. Devemos deixar de lado a
opinião pública e falar por aqueles que não têm voz. É a coisa mais humilde a fazer.
Admita suas Necessidades e Fraquezas para os Outros
Ironicamente, a chave da vitória na vida cristã se encontra em aprender a lidar com o fracasso!
O poder de Cristo se torna perfeito na fraqueza. Se dizemos que não somos fracos, não temos
necessidade de Seu poder em nossa vida. Por outro lado, quando reconhecemos nossas
limitações e fraquezas, somos liberados para pedir ajuda ao Senhor e a outros.
“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não
está em nós.” (1 João 1:8). Nenhum de nós é perfeito e não devemos agir como se o fôssemos.
Um homem orgulhoso cobre suas fraquezas enquanto o homem humilde as admite. A
humildade nos liberta do medo do fracasso e nos permite abraçar o amor e a afirmação dos
outros - todos nós precisamos disso. Admitir nossas fraquezas, especialmente sentimentos de
inferioridade, é uma das formas mais assertivas de superar nossas inseguranças.
A humildade nos liberta de nosso medo do fracasso e nos permite receber o amor e afirmação
que precisamos. Encobrir medos profundos é uma forma de orgulho e impede que outras
pessoas se cheguem até nós.
Em alguns casos, um complexo de inferioridade é apenas o orgulho “saindo pela culatra”. Você
pode se sentir inferior e ainda estar muito orgulhoso. Você nunca poderá ter verdadeira
humildade enquanto estiver preocupado com você mesmo. Um complexo de inferioridade
pode ser um estado de espírito muito egocêntrico. Deus quer ajudar para que saiamos do
nosso egocentrismo e que sejamos livres para pensar nos outros e em suas necessidades. Jesus
é o exemplo supremo de alguém que estava preocupado com as necessidades dos outros e
não as SUAS próprias necessidades.
Basta a humildade para confessar nossos medos aos que nos rodeiam. Com a ajuda deles e do
Senhor, podemos receber o amor de Deus e ser libertos para amar e servir aos outros. Para
alguns de nós pode levar muito tempo e ajuda, mas ao recebermos o amor de Deus através
dos outros, podemos ser livres.
Veja-se Como os Outros Veem Você
Seria interessante se pudéssemos sair de nossos corpos e nos vermos como outros nos veem.
Embora nunca possamos ser tão objetivos, ao ouvirmos os outros e recebermos qualquer
crítica que possam ter a nosso respeito, com agradecimentos genuínos, podemos obter, em
pequena parte, uma visão objetiva de nossas vidas.
Nada nos levará à humildade como o fato de nos vermos como outros nos veem. Peça a Deus
e a seus amigos que o ajudem a avaliar seus pontos fortes e fraquezas. Escolha ser conhecido
por quem você é. Retire todos os esqueletos do armário. Não esconda nada. Confesse
regularmente suas fraquezas, tentações e pecados, pedindo a Deus por Seu perdão. Faça disso
um compromisso diário, e à medida que você o faz, acabará se tornando cada vez mais
parecido com o Senhor Jesus.
Lembre-se sempre, a humildade é o resultado de uma vida piedosa. A humildade crescerá em
nossas vidas através da dependência de Deus, fome de conhecê-Lo, e o reconhecimento das
áreas de pecado ou fraqueza que tenhamos.
Primeiro devemos orar com o coração aberto e estar dispostos a ter qualquer pecado em
nossa vida revelado. Espere na fé que Deus trabalhe em seu coração. Não tente trabalhar com
um sentimento de arrependimento se nada acontecer. Não confunda convicção e condenação.
A convicção é um claro entendimento em Deus de que pecamos. É específica, é bíblica e traz a
compreensão do que fizemos de errado e por quê. A convicção traz a dor piedosa, mas é
acompanhada pela esperança, porque é obra do Espírito Santo. A condenação é vaga e deixa
você desesperançado e confuso. É o que acontece quando o inimigo ou outros tentam
convencê-lo de que você não é bom, um fracasso, e sem valor. É como uma nuvem cinzenta
que paira sobre você.
A convicção produz indignidade, mas a condenação dá um sentimento de inutilidade. Resista
ao inimigo quando se sentir condenado, e diga ao Senhor que acolhe Sua convicção. Quando
você escolhe esta atitude, isso lhe dá força para fazer frente à mentira de que você é inútil e
sem esperança. Você sabe que é sincero diante de Deus porque a sinceridade é uma escolha,
não um sentimento. A Palavra de Deus nos promete que Ele nos purificará se nós formos
abertos a Ele e confessarmos os pecados (1 João 1:9).
Em segundo lugar, devemos nos arrepender de qualquer pecado que Deus nos revele. O
arrependimento deve se tornar um modo de vida e não algo que fazemos uma única vez. O
arrependimento é um ato de fé. É confessando diante de Deus o pecado conhecido em nossa
vida, e escolhendo, por Sua graça, afastar-se dele, que recebemos Seu perdão pela fé, porque
é isso que Ele promete em Sua Palavra.
Em terceiro lugar, devemos ser honestos com os outros sobre nosso pecado. Humildade diante
de Deus sem a humildade correspondente diante dos outros é um entrave para o nosso
crescimento. Temos de confessar nosso pecado às pessoas espiritualmente maduras para que
elas possam estar conosco na batalha contra o pecado. Isso cria responsabilidade.
Em quarto lugar, meditar diariamente na Palavra de Deus. Isto permite que Deus renove
nossas mentes e ensine novas maneiras de pensarmos sobre nós mesmos e sobre os outros.
Enquanto meditamos, Ele nos trará compreensão e nos dará os recursos necessários para
expor e superar o orgulho em nossa vida.
Em quinto lugar e o mais importante, devemos morrer para nós mesmos diariamente. Até que
estejamos preparados para pedir a Deus que faça o que for necessário, independentemente
do custo, para nos livrar do orgulho, nunca desfrutaremos das bênçãos da humildade.
Eu o encorajo a rever os dois capítulos anteriores em suas devoções diárias e orar
cuidadosamente através de cada ponto.