Questões de Direito para PC/PA
Questões de Direito para PC/PA
Investigador e Escrivão
SUMÁRIO
2 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Renato Borelli
Juiz Federal do TRF1. Foi Juiz Federal do TRF5. Exerceu a advocacia privada e pública. Foi servidor público
e assessorou Desembargador Federal (TRF1) e Ministro (STJ). Atuou no CARF/Ministério da Fazenda como
Conselheiro (antigo Conselho de Contribuintes). É formado em Direito e Economia, com especialização em
Direito Público, Direito Tributário e Sociologia Jurídica.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Delegado de Polícia
1. Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organi-
zação; natureza, fins e princípios. 2. Direito Administrativo: conceito, fontes e princípios. 3.
Organização administrativa: centralização, descentralização, concentração e desconcentra-
ção; organização administrativa da União; administração direta e indireta. 4. Agentes públicos:
espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos;
regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos
e vantagens; regime disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa. 5. Poderes
administrativos: poder vinculado; poder discricionário; poder hierárquico; poder disciplinar;
poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do poder. 6. Ato administrativo: conceito;
requisitos, perfeição, validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória; classi-
ficação, espécies e exteriorização; vinculação e discricionariedade. Intervenção do Estado na
propriedade privada. 7. Serviços públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle;
forma, meios e requisitos; delegação: concessão, permissão, autorização. 8. Controle e res-
ponsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo;
responsabilidade civil do Estado. 9. Licitações e Contratos (Lei n. 8.666/93 e alterações).
3 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A vedação ao tratamento discriminatório dos agentes públicos constitui
característica do princípio da impessoalidade.
b. Errada! A assertiva está versando sobre o princípio da eficiência, e não sobre o princípio
da legalidade.
c. Errada! A vedação à promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, tendo
como base a publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos
públicos, sem finalidade educativa, informativa ou de orientação social, coaduna-se com o
princípio da impessoalidade.
d. CERTA!
4 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! É isso mesmo. O princípio da autotutela possibilita à Administração Pública
controlar seus próprios atos, apreciando-os sob dois aspectos, quais sejam:
• legalidade, em que a Administração pode, de ofício ou provocada, anular os seus atos
ilegais; e
• mérito, em que a Administração reexamina um ato legítimo quanto à conveniência e
oportunidade, podendo mantê-lo ou revogá-lo.
Com efeito, a autotutela encontra respaldo legal (art. 53 da Lei n. 9.784/1999) e jurisprudencial
(Súmula 473 do STF):
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e
pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Súmula 473-STF. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.
5 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Conforme o princípio da autotutela, a Administração Pública exerce controle sobre seus
próprios atos, devendo anular os ilegais e revogar os inoportunos.
6 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A questão está versando sobre o princípio da supremacia do interesse público.
Por supremacia do interesse público entende-se que, havendo um conflito entre o
interesse público e o privado, há de prevalecer o interesse público, tutelado pelo Estado.
É esse princípio que fundamenta todas as prerrogativas especiais de que dispõe a
Administração como instrumentos para a consecução dos fins que a Constituição e
as leis lhe impõem.
Correta, portanto, a alternativa “a”.
COMENTÁRIO
Correta a alternativa “c”! O princípio da moralidade impõe a necessidade de atuação ética
dos agentes públicos. Diz respeito à noção de obediência aos valores morais, aos bons
costumes, às regras da boa administração, aos princípios da justiça e da equidade, à ideia
comum de honestidade, à ética, à boa-fé e à lealdade.
7 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! Realmente, nem todos os princípios a que a Administração Pública deve
obediência encontram-se explícitos no art. 37, caput, da Constituição Federal, que cita os
princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência.
Muitos outros estão expostos em normas infraconstitucionais, enquanto outros não estão
nem mesmo previstos formalmente em norma alguma, mas são reconhecidos pela doutrina
e pela jurisprudência por serem decorrência lógica dos ditames da Carta Magna, possuindo,
assim, a mesma relevância que os princípios expressos. São exemplos os princípios da
supremacia do interesse público, da indisponibilidade do interesse público, da motivação,
da razoabilidade e da proporcionalidade, entre outros.
b. Errada! A Administração Pública está obrigada a observar a supremacia dos interesses
da coletividade frente aos interesses estatais, não o inverso.
c. Errada! A exigência de que os administrados, ou seja, a coletividade pública em geral,
devem ser tratados sem qualquer discriminação (benéficas ou detrimentosas), decorre do
princípio da impessoalidade.
O princípio da publicidade impõe à Administração Pública o dever de dar transparência
a seus atos, tornando-os públicos.
d. Errada! Os princípios do contraditório e da ampla defesa se aplicam aos litígios judiciais
administrativos e também aos procedimentos administrativos em geral.
Embora isso não esteja expresso no artigo 37 da CF, que trata da Administração Pública, há
previsão nesse sentido no artigo 5º, inciso LV:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegura-
dos o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
1 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razo-
abilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
8 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
punitivos em que haja acusados, mas estende tais garantias a todos os processos
administrativos, punitivos e não punitivos, ainda que neles não haja acusados, mas
simplesmente litigantes.
Com efeito, litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito
de interesses, não necessariamente uma acusação.
e. Errada! Via de regra, todos os atos administrativos importam em motivação. Afinal, é por
meio da indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito que ensejaram a
prática do ato que será possível exercer o controle da legalidade e da moralidade dos atos
administrativos, bem como assegurar o exercício da ampla defesa e do contraditório.
COMENTÁRIO
a. Errada! O princípio da impessoalidade admite seu exame sob os seguintes aspectos:
1) Dever de isonomia por parte da Administração Pública: prevalece que o administrador
não pode buscar interesses pessoais, mas apenas o interesse público, ou coletivo, devendo
agir de forma abstrata e impessoal, ou seja, com ausência de subjetividade, inferindo-se,
assim, que o ato praticado pelo agente é da pessoa jurídica de direito público e não
do próprio agente e que a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou
beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem de
nortear seu comportamento.
9 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
10 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A Prefeitura Municipal, no caso narrado, reconheceu como válidos todos os atos praticados
pelo servidor afastado, com base no princípio da impessoalidade, que, dentre outras
funções, veda a promoção pessoal do agente à custa das realizações da Administração
Pública.
Com efeito, as realizações governamentais não devem ser atribuídas ao agente ou à
autoridade que as pratica. Estes apenas lhes dão forma. Ao contrário, os atos e provimentos
administrativos devem ser vistos como manifestações institucionais do órgão ou da
entidade pública. O servidor ou autoridade é apenas o meio de manifestação da vontade
estatal.
A própria Constituição Federal contém uma regra expressa decorrente desse princípio, ao
proibir que constem nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos em publicidade de atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos (CRFB, art. 37, § 1º). O STF, inclusive, entende que essa
vedação atinge também qualquer menção ao partido político do administrador público 2.
Assim, uma obra realizada por determinado município não poderá ser anunciada como
sendo de determinado Prefeito, e nem mesmo do partido “X”. Ao contrário, a obra deverá
ser sempre tratada e anunciada como obra da municipalidade ou da Prefeitura, vedada
qualquer alusão às características dos agentes públicos e respectivos partidos políticos,
inclusive eventuais símbolos ou imagens ligados a seus nomes.
Esse enfoque do princípio da impessoalidade, ao retirar a responsabilidade pessoal dos
agentes públicos, permite que se reconheça a validade dos atos praticados em nome da
Administração por agentes cuja investidura no cargo venha a ser futuramente anulada
(agente de fato ou putativo).
2 RExt 191.688.
11 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Questão bem tranquila.
AAdministração Pública obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência, estampados no art. 37, caput, da CF, e conhecidos pelo mnemônico
LIMPE.
L legalidade
I impessoalidade
M moralidade
P publicidade
E eficiência
COMENTÁRIO
a. Errada! O princípio da motivação impõe à Administração o dever de justificar seus atos,
sejam eles vinculados ou discricionários 3, devendo o administrador explicitar os pressupostos
de fato (fatos que ensejaram o ato) e os pressupostos de direito (preceitos jurídicos que
autorizaram sua prática) que o levaram a adotar determinada conduta.
b. Errada! É o princípio da autotutela que garante que o Poder Público exerça o controle
sobre os próprios atos, devendo anular os ilegais e podendo revogar os inconvenientes,
sem a necessidade de buscar o Poder Judiciário.
c. Errada! A alternativa está versando sobre o princípio da legalidade.
3 MS n. 9.944.
12 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A Súmula 683/2013 do STF é um parâmetro para o entendimento do princípio da isonomia,
segundo o qual se deve conferir tratamento igualitário a todos os administrados que se
encontrem na mesma situação jurídica, sem favorecimentos ou discriminações de
qualquer espécie.
Vejamos o teor da Súmula:
Súmula 683-STF: O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do
art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo
a ser preenchido.
Com efeito, é preciso ter em mente que a ideia de isonomia, por vezes, irá pressupor
tratamento desigual entre as pessoas que não se encontram na mesma situação fático-
jurídica (tratamento desigual aos desiguais), desde que respeitado o princípio da
proporcionalidade, razão pela qual o requisito de idade máxima ou mínima exigido para
participação em concursos públicos deve corresponder às necessidades inerentes à função
pública que será exercida. 4
4 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2018.
13 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Assim, a limitação em razão da idade será inconstitucional quando não possuir relação
necessária com o cargo que será ocupado. O STF, por exemplo, já decidiu ser inconstitucional
a fixação da idade mínima de 35 anos para o cargo de Fiscal de Tributos Estaduais e de 45
anos para o cargo de Médico municipal 5.
COMENTÁRIO
A questão discorreu sobre o princípio da eficiência.
Consoante Hely Lopes Meirelles 6 lecionava, “o princípio da eficiência exige que a atividade
administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais
moderno princípio da função administrativa, que já não se contenta em ser desempenhada
apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório
atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros”.
5 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
6 Di Pietro, Direito administrativo, p. 84.
14 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A questão está tratando do princípio da autotutela, que possibilita à Administração Pública
controlar seus próprios atos, apreciando-os sob dois aspectos, quais sejam:
• legalidade, em que a Administração deve, de ofício ou provocada, anular os seus atos
ilegais; e
• mérito, em que a Administração reexamina um ato legítimo quanto à conveniência e
oportunidade, podendo mantê-lo ou revogá-lo.
COMENTÁRIO
a. Errada! A imposição de que a Administração Pública deve agir com boa-fé guarda maior
conexão com o princípio da moralidade.
Em relação ao princípio da publicidade, este impõe à Administração Pública o dever de dar
transparência a seus atos, tornando-os públicos.
b. CERTA! Um dos aspectos do princípio da impessoalidade é o dever de isonomia por parte
da Administração Pública, que deverá conferir igualdade de tratamento aos administrados
que se encontrem em idêntica situação jurídica, sem favorecimentos ou discriminações de
qualquer espécie.
c. Errada! A assertiva está tratando do princípio da publicidade.
O princípio da eficiência, por seu turno, segundo as lições da professora Fernanda Marinela,
está associado à produtividade e à economicidade, ou seja, busca-se a redução de
desperdícios de dinheiro, buscando sua aplicação em serviços públicos com presteza,
perfeição e rendimento funcional.
d. Errada! A prevalência do interesse público sobre o privado fundamenta-se no princípio da
supremacia do interesse público.
15 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
O item está correto! A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, tal como determina o art.
37, caput, da Constituição Federal. Mas, além destes, também deverá observar outros
tantos princípios expostos em normas infraconstitucionais, bem como aqueles não estão
previstos em norma alguma, mas que são reconhecidos pela doutrina e pela jurisprudência
por serem decorrência lógica dos ditames da Carta Magna.
16 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Somente a alternativa “b” está INCORRETA!
Órgãos públicos, fruto do processo de desconcentração administrativa, podem estar
presentes na Administração Pública direta e indireta e não possuem personalidade
jurídica, sendo “um compartimento ou centro de atribuições que se encontra inserido em
determinada pessoa” 7, esta sim dotada de personalidade jurídica.
Ademais, não são criados para o exercício de atividades típicas da Administração
Pública.
Conforme explica Rafael Carvalho Rezende Oliveira:
A criação dos órgãos públicos é justificada pela necessidade de especialização de funções adminis-
trativas, com o intuito de tornar a atuação estatal mais eficiente (ex.: em âmbito federal, os Ministé-
rios, ligados à Presidência da República, são responsáveis por atividades específicas. O Ministério
da Saúde, por exemplo, é o órgão responsável pela gestão e execução de atividades relacionadas
com a saúde) 8.
COMENTÁRIO
Na desconcentração, por meio da criação de órgãos públicos, existe uma especialização de
funções dentro da estrutura estatal, sem que isso resulte na criação de uma nova pessoa
jurídica.
Conforme leciona Rafael Carvalho Rezende Oliveira:
Trata-se de distribuição interna de atividades dentro de uma mesma pessoa jurídica. O resultado
desse fenômeno é a criação de centros de competências, denominados órgãos públicos, dentro da
mesma estrutura hierárquica (ex.: criação de Ministérios, Secretarias etc.) 9.
7 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
8 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
9 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
17 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Ao outorgar determinada atribuição a pessoa não integrante de sua administração direta, o
Estado serve-se da denominada DESCENTRALIZAÇÃO administrativa.
Vamos entender melhor.
A organização administrativa costuma ocorrer por meio de duas técnicas: a desconcentração
e a descentralização.
Na desconcentração administrativa, haverá uma distribuição interna de competências
no âmbito de uma mesma pessoa jurídica, implicando a criação de órgãos públicos.
Já a descentralização administrativa ocorre “quando o Estado desempenha algumas
de suas atribuições por meio de outras pessoas, e não pela sua administração direta. A
descentralização pressupõe duas pessoas distintas: o Estado (a União, o Distrito Federal,
um estado ou um município) e a pessoa que executará o serviço, por ter recebido do Estado
essa atribuição” 10.
COMENTÁRIO
A Administração direta compreende os entes federativos (União, estados, DF e municípios)
e seus respectivos órgãos, a exemplo do Ministério da Educação, órgão vinculado à União.
A Caixa Econômica Federal é uma empresa pública integrante da Administração indireta.
O Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista integrante da Administração
indireta.
10 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
18 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Central são autarquias integrantes
da Administração indireta.
COMENTÁRIO
As autarquias, por meio do contrato de gestão previsto no art. 37, § 8º, da CF, PODEM
ampliar sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
Vejamos:
Art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da ad-
ministração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus
administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o
órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998)
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade
dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
Art. 51. O Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que
tenha cumprido os seguintes requisitos:
I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento;
II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.
§ 1º A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da República.
§ 2º O Poder Executivo editará medidas de organização administrativa específicas para as Agências
Executivas, visando assegurar a sua autonomia de gestão, bem como a disponibilidade de recursos
orçamentários e financeiros para o cumprimento dos objetivos e metas definidos nos Contratos de
Gestão.
19 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
As autarquias são entidades administrativas dotadas de personalidade jurídica de direito
públicas e criadas por lei específica para realizarem atividades típicas de Estado. Submetem-
se a regime jurídico muito semelhante aos dos entes da Administração direta, sendo correto
afirmar são exemplos de prerrogativas estatais estendidas às autarquias a imunidade
tributária recíproca e os privilégios processuais da Fazenda Pública.
Sobre o tema, vajamos o que diz Rafael Carvalho Rezende Oliveira:
Além das características já mencionadas, as autarquias são detentoras de prerrogativas
tributárias e processuais importantes, que podem ser assim resumidas:
a. imunidade tributária (art. 150, § 2º, da CRFB): vedação de instituição de impostos sobre o
patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que “vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes”. A imunidade só existe em relação aos impostos (não
alcança, por exemplo, as taxas) e depende da utilização dos bens, das rendas e dos serviços
nas finalidades essenciais da entidade; e
b. prerrogativas processuais: a autarquia é enquadrada no conceito de Fazenda Pública
e goza das prerrogativas processuais respectivas, tais como: prazo em dobro para todas
as suas manifestações processuais (art. 183 do CPC/2015, não subsistindo a previsão de
prazo quadruplicado para contestação que constava do art. 188 do CPC/1973); duplo grau
de jurisdição, salvo as exceções legais (art. 496 do CPC/2015, que corresponde ao art. 475
do CPC/1973) etc. 11
11 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.
20 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A Lei n. 8.112/1990 fixa que o servidor público é proibido atuar de maneira desidiosa (art.
117, XV), sendo esta uma conduta passível de ser punida com a pena de demissão (art.
132, XIII).
Observe:
Logo, o servidor que procede de forma desidiosa, omitindo-se quanto a atos de fiscalização
e de supervisão que deveria praticar de ofício, de forma reiterada, está sujeito à penalidade
disciplinar de demissão.
COMENTÁRIO
O servidor é obrigado a cumprir apenas as ordens que tenham, no mínimo, aparência de
legalidade, não estando obrigado a realizar aquelas manifestamente ilegais.
Nesse sentido, art. 116, IV, da Lei n. 8.112/1990:
21 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Estão corretas apenas as afirmativas II e III!
I - ERRADA! Senadores da República são agentes públicos e também se caracterizam
como agentes políticos. Isso porque a expressão “agentes públicos” é ampla e genérica,
abrangendo todas as pessoas físicas que exercem funções estatais. São, portanto, “toda
pessoa física que exerça, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição,
nomeação, designação, contratação ou qualquer forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função pública.” 12
Em que pese não existir consenso doutrinário sobre a sua classificação, os agentes públicos,
podem ser divididos, ao menos, nas seguintes espécies:
a. Agentes políticos;
b. Servidores públicos em sentido amplo, o que engloba os servidores estatutários (ou
servidores públicos em sentido estrito), os empregados públicos e os servidores temporários;
e
c. Particulares em colaboração com o Poder Público.
II - CORRETA! Como vimos na explicação acima, os agentes públicos englobam todas
as pessoas físicas que exercem funções estatais, o que, obviamente, significa dizer que
podem estar submetidos ao regime jurídico estatutário ou ao regime jurídico celetista.
III - CORRETA! Os particulares em colaboração com o Poder Público, também
denominados de agentes honoríficos “são aqueles que exercem, transitoriamente, a função
pública, mediante delegação, requisição, nomeação ou outra forma de vínculo, mas não
12 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 138.
22 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Somente as assertivas II e V estão corretas!
I - ERRADA! Os mesários e integrantes de juntas apuradoras, enquanto desempenham essas
funções, estão na condição de agentes públicos enquadrados na espécie de particulares
em colaboração com o Poder Público (e não como agentes políticos!).
13 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
23 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
II - CORRETA! As funções de confiança, conforme o art. 37, II, da CF, só poderão ser
exercidas por servidores ocupantes de cargo efetivo.
Observe:
Art. 37, V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores
ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores
de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se
apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;
III - ERRADA! Nos termos da Constituição Federal, art. 41, os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público, após 03 (três) anos de efetivo
exercício, adquirirão a prerrogativa da ESTABILIDADE (e não da vitaliciedade!).
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
IV - ERRADA! Nem todos os agentes públicos sujeitam-se a regime jurídico estabelecido em
diplomas legais específicos denominados de estatutos. Um exemplo são os empregados
públicos, cuja relação funcional com a Administração Pública é regida, basicamente, pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sendo por isso chamados de “celetistas”.
V - CORRETA! O abuso de poder, segundo CARVALHO FILHO, pode decorrer de duas
causas 14:
1ª) o agente atua fora dos limites de sua competência; e
2ª) o agente, embora dentro de sua competência, afasta-se do interesse público que deve
nortear todo o desempenho administrativo
No primeiro caso, diz-se que o agente atuou com “excesso de poder”, e, no segundo, com
“desvio de poder”.
Excesso de poder é a forma de abuso própria da atuação do agente fora dos limites de sua
competência administrativa. Nesse caso, ou o agente invade atribuições cometidas a outro
agente, ou se arroga o exercício de atividades que a lei não lhe conferiu.
Já o desvio de poder é a modalidade de abuso em que o agente busca alcançar fim diverso
daquele que a lei lhe permitiu, como bem assinala LAUBADÈRE. A finalidade da lei está
sempre voltada para o interesse público. Se o agente atua em descompasso com esse
fim, desvia-se de seu poder e pratica, assim, conduta ilegítima. Por isso é que esse vício
é também denominado de desvio de finalidade, denominação, aliás, adotada na lei que
disciplina a ação popular (Lei n. 4.717, de 29/06/1965, art. 2º, parágrafo único, e).
14 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 32ª ed. rev., atual. e ampl. São
Paulo: Atlas, 2018.
24 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A questão está versando sobre a forma de provimento do cargo denominada reversão. Nos
termos do art. 25, I, da Lei n. 8.112/1990:
COMENTÁRIO
De acordo com o art. 14 da Lei n. 8.112/1990:
Da Readaptação
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades com-
patíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspe-
ção médica.
25 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! O controle externo das finanças públicas é incumbido ao Poder Legislativo, o qual
é auxiliado pelo TRIBUNAL DE CONTAS (e não pelo Ministério Público!).
Nesse sentido, artigos 70 e 71 da Constituição Federal, que tratam do modelo utilizado em
âmbito federal, mas que, por simetria, também é o utilizado nas demais unidades federativas.
26 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 37, I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham
os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
COMENTÁRIO
Conforme o art. 127 da Lei n. 8.112/1990, somente a alternativa “A” (demissão) contemplou
penalidade disciplinar. Todas as demais hipóteses representam, em suma, infrações
administrativas.
Vejamos:
27 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Estão corretos os itens I e II.
I. Certo! É o que estabelece a Súmula 591 do STJ.
Súmula 510-STF. Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela
cabe o mandado de segurança ou a medida judicial.
III. Errado! Conforme a Súmula 592 do STF, o excesso de prazo para a conclusão do
processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo
à DEFESA (e não à Administração Pública!).
28 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Trata-se do poder regulamentar ou normativo.
b. Errada! Trata-se do poder disciplinar.
c. Errada! Trata-se do poder hierárquico.
d. CERTA! Narrou corretamente o conceito de poder de polícia.
29 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
É o PODER HIERÁRQUICO (e não o poder disciplinar!) que confere à Administração Pública
a capacidade de ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas no
âmbito interno da Administração.
O poder disciplinar deriva do poder hierárquico, sendo “a prerrogativa reconhecida à
Administração para investigar e punir, após o contraditório e a ampla defesa, os agentes
públicos, na hipótese de infração funcional, e os demais administrados sujeitos à disciplina
especial administrativa.” 15
COMENTÁRIO
O abuso de poder caracteriza-se pelo exercício das competências administrativas com
excesso de poder ou desvio de finalidade.
Conforme lição de Rafael Carvalho de Rezende Oliveira:
O abuso do poder pode ocorrer em duas hipóteses:
a. excesso de poder: a atuação do agente público extrapola a competência delimitada na lei
(ex.: policial que utiliza da força desproporcional para impedir manifestação pública); e
b. desvio de poder (ou de finalidade): quando a atuação do agente pretende alcançar
finalidade diversa do interesse público (ex.: edição de ato administrativo para beneficiar
parentes). 16
Com efeito, poderá ocorrer tanto por meio de condutas comissivas como através
de condutas omissivas. É válido lembrar que a lei atribui aos agentes públicos as mais
variadas competências, impondo a eles o dever de agir em determinadas hipóteses, de
modo que, nestes casos, a sua não atuação, ou seja, a sua omissão implica uma conduta
abusiva por não cumprimento da finalidade da norma. Em resumo: condutas omissivas
ensejam abuso de poder na modalidade desvio de poder ou de finalidade.
15 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
16 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.
30 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Com base nesse trecho, incorre em desvio de finalidade o policial que aciona o alarme
sonoro e a iluminação vermelha intermitente da viatura, sem serviço de urgência que o
justifique, para efeito de ter a circulação facilitada em meio a via de trânsito congestionada.
COMENTÁRIO
Como visto na explicação da questão anterior, há abuso de poder na forma desvio de
finalidade “quando a atuação do agente pretende alcançar finalidade diversa do interesse
público” 17. No caso narrado, o acionamento do alarme sonoro e da iluminação vermelha
intermitente da viatura policial com o objetivo de atender interesses próprios (facilitar o
tráfego em via de trânsito congestionada) e não com vistas à concretização de interesses
públicos consubstancia flagrante hipótese de desvio de finalidade.
COMENTÁRIO
O poder hierárquico é aquele por meio do qual há a distribuição e o escalonamento vertical
de funções no interior (âmbito interno) da organização administrativa, com o objetivo
de viabilizar uma atuação mais coordenada e organizada. Dele decorre uma série de
prerrogativas aos agentes públicos hierarquicamente superiores em relação aos agentes a
eles subordinados, a exemplo dos poderes de dar ordens, controle ou fiscalização, revisional
e disciplinar.
17 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6º ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.
31 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Logo, correto apontar que, no âmbito interno da Administração direta do Poder Executivo,
há manifestação do poder hierárquico entre órgãos e agentes.
COMENTÁRIO
Ao aplicar penalidade a servidor público, em processo administrativo, o Estado exerce seu
poder DISCIPLINAR.
O poder disciplinar “é a prerrogativa reconhecida à Administração para investigar e punir,
após o contraditório e a ampla defesa, os agentes públicos, na hipótese de infração funcional,
e os demais administrados sujeitos à disciplina especial administrativa. O poder disciplinar é
exercido por meio do Processo Administrativo Disciplinar (PAD).” 18
Não se confunde com o poder regulamentar, que “é a prerrogativa reconhecida à
Administração Pública para editar atos administrativos gerais para fiel execução das leis.” 19
COMENTÁRIO
O motivo “é a causa imediata do ato administrativo. É a situação de fato e de direito que
determina ou autoriza a prática do ato, ou, em outras palavras, o pressuposto fático e jurídico
(ou normativo) que enseja a prática do ato.” Significa dizer que “os atos administrativos
18 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
19 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
32 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
são praticados quando ocorre a coincidência, ou subsunção, entre uma situação de fato
(ocorrida no mundo natural, também chamado mundo empírico) e uma hipótese descrita
em norma legal.” 20
A Lei n. 4.717/1965 (que regula a ação popular), no seu art. 2º, parágrafo único, alínea d,
descreve o vício de motivo nestes termos: “a inexistência dos motivos se verifica quando a
matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente
ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”.
Conforme Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino:
Embora esse dispositivo da Lei n. 4.717/1965 mencione, literalmente, tão só a “inexistência dos
motivos”, o seu enunciado, na verdade, permite identificar – assim como o faz a doutrina – duas
variantes de vício de motivo, a saber:
a. Motivo inexistente:
Melhor seria dizer fato inexistente. Nesses casos, a norma prevê: somente quando presente o fato
“x”, deve-se praticar o ato “y”. Se o ato “y” é praticado sem que tenha ocorrido o fato “x”, o ato é
viciado por inexistência material do motivo.
(...)
b. motivo ilegítimo (ou juridicamente inadequado):
Nessas hipóteses, existe uma norma que prevê: somente quando presente o fato “x”, deve-se pra-
ticar o ato “y”. A administração, diante do fato “z”, enquadra-o erroneamente na hipótese legal, e
pratica o ato “y”. Pode-se dizer que há incongruência entre o fato e a norma, ou seja, está errado o
enquadramento daquele fato naquela norma.
A diferença dessa situação para a anterior é que, na anterior, não havia fato algum, ao passo que
falamos em motivo ilegítimo, incongruente, impertinente ou juridicamente inadequado quando existe
um fato, mas tal fato não se enquadra corretamente na norma que determina ou autoriza a prática
do ato. A administração pratica o ato, ou porque analisou erroneamente o fato, ou porque interpretou
erroneamente a descrição hipotética do motivo constante da norma. 21
20 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 543.
21 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 545-546.
33 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”!
A questão retratou o atributo da autoexecutoriedade.
Na lição da professora Di Pietro: “Consiste a autoexecutoriedade em atributo pelo qual o
ato administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração Pública, sem
necessidade de intervenção do Poder Judiciário.” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito
Administrativo. 32ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019).
A autora pontua, ainda, que nem todos os atos administrativos gozarão do respectivo
atributo, que somente será admissível:
1) quando expressamente previsto em lei;
2) quando se trata de medida urgente que, caso não adotada de imediato, possa ocasionar
prejuízo maior para o interesse público.
COMENTÁRIO
A questão versa sobre a extinção dos atos administrativos, narrando o conceito de revogação.
Assim, um ato será revogado quando apesar de ter sido editado em conformidade com a lei
e permanecer válido, passou a ser considerado inoportuno e inconveniente ao interesse
público.
Segundo DI PIETRO: “Revogação é o ato administrativo discricionário pelo qual a
Administração extingue um ato válido, por razões de oportunidade e conveniência.” 22
Não se confunde com a anulação (alguns autores preferem chamar de invalidação), que é
a extinção do ato administrativo por razões de ilegalidade, isto é, trata-se da invalidação
do ato administrativo que foi editado em desconformidade com a ordem jurídica.
22 PIETRO. Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 32ª ed. Rio de Janeiro: Forense,
2019.
34 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Convalidação, por seu turno, “é o salvamento do ato administrativo que apresenta vícios
sanáveis.” 23 É a correção do ato administrativo ilegal com o objetivo de mantê-lo no mundo
jurídico produzindo os seus efeitos regulares.
De acordo com o art. 55 da Lei n. 9.784/1999:
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a
terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria
Administração.
COMENTÁRIO
Os efeitos da convalidação são retroativos (ex tunc).
Nesse sentido, Rafael Carvalho Rezende Oliveira:
A convalidação ou sanatória é o salvamento do ato administrativo que apresenta vícios
sanáveis. O ato de convalidação produz efeitos retroativos (ex tunc), preservando o ato
ilegal anteriormente editado 24.
23 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
24 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2018.
35 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Muito embora não existe consenso na doutrina sobre os elementos (ou requisitos) dos atos
administrativos, tem prevalecido que estes seriam:
• Competência (agente competente);
• Finalidade;
• Forma;
• Motivo; e
• Objeto.
Os elementos do ato administrativo podem ser decorados a partir do seguinte mnemônico:
CO FI FO MO-OB
CO Competência
FI Finalidade
FO Forma
MO motivo
OB objeto
COMENTÁRIO
São os atributos (ou características) dos atos administrativos:
a. Presunção de legitimidade e de veracidade;
b. Imperatividade; e
36 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. Autoexecutoriedade.
Observe, portanto, que apenas a alternativa “d” pode estar correta, pois foi a única que
indicou um atributo dos atos administrativos.
COMENTÁRIO
A doutrina define que a utilidade pública estará presente nas hipóteses em que a
desapropriação se destina ao atendimento de mera conveniência do Poder Público,
não sendo imprescindível. Exemplo: desapropriação de um imóvel para a construção de um
hospital público.
COMENTÁRIO
A assertiva narrou hipótese de requisição administrativa. Prevista no art. 5º, inciso XXV,
da Constituição Federal, a requisição administrativa define-se como a modalidade de
intervenção estatal na propriedade mediante a qual o Poder Público, por ato unilateral e
37 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 5º, XXV, da CRFB. No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar
de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.
COMENTÁRIO
O enunciado está narrando situação caracterizadora de limitação administrativa, ato
genérico por meio do qual o Poder Público impõe a proprietários indeterminados
obrigações com o objetivo de fazer com que aquela propriedade atenda à sua função social.
Trata-se de medida de caráter geral direcionadas a todos os proprietários daquela
determinada região, fundamentada no poder de polícia do Estado, “gerando para os
proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do
direito de propriedade ao bem-estar social” (DI PIETRO).
São exemplos a limitação à altura dos prédios em determinada região da cidade, a
obrigação de permitir o ingresso de agentes da fiscalização tributária e da vigilância sanitária;
a obrigação de instalar extintores de incêndio nos prédios; o parcelamento e edificação
compulsórios de terrenos para atender a função social delimitada no Plano Diretor.
25 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e
ampl. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018, p. 635.
38 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
O enunciado refere-se à modalidade de licitação leilão, nos termos do art. 22, § 2º, da Lei
n. 8.666/1993, abaixo transcrito:
§ 5º Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis
inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a
alienação de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao
valor da avaliação.
COMENTÁRIO
a. CERTA! Entre as finalidades às quais as licitações públicas se destinam, está a de oferecer
iguais condições a todos que queiram contratar com a Administração, promovendo, em nome
da isonomia, a possibilidade de participação no certame licitatório de quaisquer interessados
que preencham as condições previamente fixadas no instrumento convocatório.
39 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Correto, portanto, afirmar que são uma prática destinada a garantir a observância do princípio
constitucional da isonomia.
Nesse sentido, art. 3º, caput, da Lei n. 8.666/1993:
b. Errada! O art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, afirma que as obras, serviços,
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública. Mais
minucioso, o art. 2º da Lei n. 8.666/1993 exige prévia licitação para contratações da
Administração com terceiros relativas a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras,
alienações, concessões, permissões e locações.
É, portanto, possível concluir pela obrigatoriedade de licitação para contratar os seguintes
objetos mediatos:
• Compra de bens móveis ou imóveis;
• Contratação de serviços, inclusive de seguro e de publicidade;
• Realização de obras;
• Alienação de bens públicos e daqueles adquiridos judicialmente ou mediante dação em
pagamento, doação, permuta e investidura (art. 17 da Lei n. 8.666/1993);
• Outorga de concessão de serviço público;
• Expedição de permissão de serviço público.
c. Errada! Via de regra, a Lei n. 8.666/1993 dispõe, em seu art. 40, XIV, a, que prazo do
pagamento será em até 30 dias (e não à vista!), contado a partir da data final do período de
adimplemento de cada parcela.
Vejamos:
Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição
interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de
que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem
como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte:
[...]
XIV - condições de pagamento, prevendo:
a. prazo de pagamento não superior a trinta dias, contado a partir da data final do período de adim-
plemento de cada parcela;
40 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Correta! Trata-se do previsto no art. 14 da Lei n. 8.666/1993.
Art. 14. Nenhuma compra será feita sem a adequada caracterização de seu objeto e indicação dos
recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de
quem lhe tiver dado causa.
b. Correta! Está de acordo com o art. 20 da Lei n. 8.666/1993.
Art. 20. As licitações serão efetuadas no local onde se situar a repartição interessada, salvo por
motivo de interesse público, devidamente justificado.
41 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. INCORRETA! Ao contrário, no art. 24, VI, da Lei n. 8.666/1993, temos que é dispensável
a licitação quando a União tiver de intervir no domínio econômico para regular preços ou
normalizar o abastecimento.
§ 4º Nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a tomada de preços e, em
qualquer caso, a concorrência.
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “c”!
Define-se a adjudicação como o ato final do certame licitatório, pois será por meio dela
que a Administração declarará o licitante vencedor. Em termos mais técnicos, significa
dizer que é através da adjudicação que o objeto da licitação será atribuído ao vencedor.
42 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! É o que legitima o art. 65, I, b, da Lei n. 8.666/1993; in verbis:
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos
seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a. quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos;
b. quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminui-
ção quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
43 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Errada! Como visto no art. 65, I, a, transcrito acima, é possível a alteração unilateral do
contrato pela Administração Público na hipótese em que houver modificação do projeto ou
das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos.
Alternativas “c”, “d” e “e”: erradas! As situações narradas nas alternativas são hipóteses
em que será possível a alteração do contrato por acordo das partes (e não de maneira
unilateral pela Administração Pública), nos termos do art. 65, II, da Lei n. 8.666/1993.
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos
seguintes casos:
[...]
II - por acordo das partes:
a. quando conveniente a substituição da garantia de execução;
b. quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem como do
modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais
originários;
c. quando necessária a modificação da forma de pagamento, por imposição de circunstâncias su-
pervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação
ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contraprestação de fornecimento de bens
ou execução de obra ou serviço;
44 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”!
De acordo com o art. 22, § 3º, da Lei n. 8.666/1993:
§ 3º Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, ca-
dastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrati-
va, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais
cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência
de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.
COMENTÁRIO
a. Errada! Na situação narrada, para a licitação ser dispensável, é necessário que o preço
seja compatível com o valor de mercado, não havendo na Lei n. 8.666/1993 a exigência de
que o preço não seja superior a 10% do valor de mercado, conforme o art. 24, X.
45 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
d. Errada! Segundo o art. 24, XX, da Lei n. 8.666/1993, exige-se que o preço contratado
seja compatível com o praticado no mercado, não existindo a limitação de 15% citada na
alternativa.
Observem:
e. Errada! A limitação disposta no art. 24, XXI, da Lei n. 8.666/1993, é de 20% (e não de
25%!).
46 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Assertiva I: correta! É o que aponta o art. 22, § 1º, da Lei n. 8.666/1993.
Assertiva II: errada! De acordo com o art. 22, § 2º, da Lei n. 8.666/1993:
47 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 3º Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, ca-
dastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrati-
va, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais
cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência
de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.
Assertiva IV: correta! Está de acordo com o art. 22, § 4º, da Lei n. 8.666/1993.
48 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Todas as assertivas estão corretas, correspondendo à literalidade do art. 21, incisos I a III
e § 1º, da Lei n. 8.666/1993.
Art. 21. Os avisos contendo os resumos dos editais das concorrências, das tomadas de preços, dos
concursos e dos leilões, embora realizados no local da repartição interessada, deverão ser publica-
dos com antecedência, no mínimo, por uma vez:
I - no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação feita por órgão ou entidade da Adminis-
tração Pública Federal e, ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial ou totalmente com
recursos federais ou garantidas por instituições federais;
II - no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quando se tratar, respectivamente, de licitação
feita por órgão ou entidade da Administração Pública Estadual ou Municipal, ou do Distrito Federal;
III - em jornal diário de grande circulação no Estado e também, se houver, em jornal de circulação
no Município ou na região onde será realizada a obra, prestado o serviço, fornecido, alienado ou
alugado o bem, podendo ainda a Administração, conforme o vulto da licitação, utilizar-se de outros
meios de divulgação para ampliar a área de competição.
§ 1º O aviso publicado conterá a indicação do local em que os interessados poderão ler e obter o
texto integral do edital e todas as informações sobre a licitação.
[...]
COMENTÁRIO
Maria estará sujeita à pena de detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, além da
pena correspondente à violência, conforme preceitua o art. 95 da Lei n. 8.666/1993.
Art. 95. Afastar ou procura afastar licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou ofereci-
mento de vantagem de qualquer tipo:
49 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se abstém ou desiste de licitar, em razão da van-
tagem oferecida.
COMENTÁRIO
Assertiva I: correta! Trata-se do disposto no art. 18 da Lei n. 8.666/1993.
Art. 18. Na concorrência para a venda de bens imóveis, a fase de habilitação limitar-se-á à compro-
vação do recolhimento de quantia correspondente a 5% (cinco por cento) da avaliação.
Assertiva II: errada! Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja
derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por
ato da autoridade competente, não sendo necessária autorização legislativa específica, na
forma do art. 19 da Lei n. 8.666/1993.
Art. 19. Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de procedimentos
judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da autoridade competente,
observadas as seguintes regras:
50 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Assertiva III: correta! É o que anota o art. 39, parágrafo único, da Lei n. 8.666/1993.
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, consideram-se licitações simultâneas aquelas
com objetos similares e com realização prevista para intervalos não superiores a trinta dias e
licitações sucessivas aquelas em que, também com objetos similares, o edital subsequente
tenha uma data anterior a cento e vinte dias após o término do contrato resultante da licitação
antecedente.
Não confunda! Consideram-se:
a. licitações simultâneas: o conjunto de licitações com objetos similares e em cuja realização
entre uma e outra existam intervalos não superiores a 30 dias; e
b. licitações sucessivas: o conjunto de licitações em que, também com objetos similares, o
edital subsequente tenha uma data anterior a 120 dias após o término do contrato resultante
da licitação antecedente.
Assertiva IV: correta! É o que estabelece o art. 4º, V, da Lei n. 10.520/2002.
Art. 4º A fase externa do pregão será iniciada com a convocação dos interessados e observará as
seguintes regras:
[...]
V - o prazo fixado para a apresentação das propostas, contado a partir da publicação do aviso, não
será inferior a 8 (oito) dias úteis;
51 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A subconcessão é permitida pela Lei nº 8.987/1995 em seu artigo 26. Entretanto,
deve ser precedida de concorrência (ou seja, nova licitação) e é necessário, ainda, que a
possibilidade de subconcessão esteja prevista no contrato de concessão, estabelecendo-se
os limites admitidos.
b. Errada! A extinção por encampação exige prévia indenização, nos termos do art. 37 da
Lei n. 8.987/1995.
Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.
c. CERTA! De acordo com o art. 38, § 6º, da Lei n. 8.987/1995, a declaração de caducidade
não resultará para o poder concedente em qualquer espécie de responsabilidade em relação
aos encargos, ônus, obrigações ou compromissos com terceiros ou com empregados da
concessionária.
d. Errada! Conforme o artigo 23-A da Lei n. 8.987/1995, o contrato de concessão poderá
prever o emprego de mecanismos privados para resolução de disputas decorrentes ou
relacionadas ao contrato, inclusive a arbitragem, a ser realizada no Brasil e em língua
portuguesa, nos termos da Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996.
e. Errada! A Lei n. 8.987/1995 exige que a concessão e a permissão de serviço público sejam
precedidas de licitação, nada falando sobre a obrigatoriedade de autorização legislativa.
52 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 2º, § 3º, da Lei n. 11.079/2004.
53 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 10, § 3º, da Lei n. 11.079/2004.
§ 3º As concessões patrocinadas em que mais de 70% (setenta por cento) da remuneração do par-
ceiro privado for paga pela Administração Pública dependerão de autorização legislativa específica.
54 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. Errada! Narra o art. 5º, I, da Lei n. 11.079/2004, que as cláusulas dos contratos de parceria
público-privada serão compatíveis com a amortização dos investimentos realizados, sendo
que o prazo de vigência do contrato não será inferior a 05 (cinco) nem superior a 35 (trinta
e cinco) anos, incluída eventual prorrogação.
55 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A questão está se referindo à encampação, modo de extinção da concessão de serviços
públicos prevista no art. 37 da Lei n. 8.987/1995.
Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.
COMENTÁRIO
Em que pese a Lei n. 8.987/1995 autorize a interrupção de serviço público em virtude de
inadimplemento do usuário (art. 6º, § 3º, II), a jurisprudência dos Tribunais Superiores é
pacífica quanto à impossibilidade da interrupção quando se tratar de serviços públicos
essenciais, a exemplo do fornecimento de energia elétrica para um hospital público.
56 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A permissão de serviço público deve ser precedida de licitação, como designa o
art. 2º, IV, da Lei n. 8.987/1995.
b. Errada! De acordo com o art. 7º-A da Lei n. 8.987/1995, deve ser oferecido aos
consumidores e usuários o mínimo de seis datas opcionais (e não o mínimo de quatro
datas!) para escolherem os dias de vencimento de seus débitos.
Art. 7º-A. As concessionárias de serviços públicos, de direito público e privado, nos Estados e no
Distrito Federal, são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês de vencimen-
to, o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus débitos.
§ 5º A concessionária deverá divulgar em seu sítio eletrônico, de forma clara e de fácil compreensão
pelos usuários, tabela com o valor das tarifas praticadas e a evolução das revisões ou reajustes
realizados nos últimos cinco anos.
d. Errada! A Lei n. 8.987/1995, no art. 33, estabelece o prazo 30 dias (e não de 15 dias!).
Art. 33. Declarada a intervenção, o poder concedente deverá, no prazo de trinta dias, instaurar
procedimento administrativo para comprovar as causas determinantes da medida e apurar respon-
sabilidades, assegurado o direito de ampla defesa.
57 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.
Art. 38. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a critério do poder concedente, a
declaração de caducidade da concessão ou a aplicação das sanções contratuais, respeitadas as
disposições deste artigo, do art. 27, e as normas convencionadas entre as partes.
§ 1º A caducidade da concessão poderá ser declarada pelo poder concedente quando:
I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo por base as normas,
critérios, indicadores e parâmetros definidores da qualidade do serviço;
II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais ou regulamentares
concernentes à concessão;
III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas as hipóteses decorren-
tes de caso fortuito ou força maior;
IV - a concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou operacionais para manter a
adequada prestação do serviço concedido;
V - a concessionária não cumprir as penalidades impostas por infrações, nos devidos prazos;
VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente no sentido de regularizar a
prestação do serviço; e
VII - a concessionária não atender a intimação do poder concedente para, em 180 (cento e oitenta)
dias, apresentar a documentação relativa a regularidade fiscal, no curso da concessão, na forma do
art. 29 da Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993.
[...]
COMENTÁRIO
A delegação negocial de serviços públicos pode ocorrer mediante: concessão,
permissão ou autorização.
58 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Segundo entendimento da doutrina, a autorização se constitui em ato administrativo
unilateral, discricionário e precário pelo qual o poder público delega a execução de um
serviço público de sua titularidade, para que o particular o execute predominantemente
em seu próprio benefício. Seguindo a definição do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles,
“serviços autorizados são aqueles que o Poder Público, por ato unilateral, precário e
discricionário, consente na sua execução por particular para atender a interesses coletivos
instáveis ou emergência transitória”.
Vale lembrar que, tratando-se de ato administrativo, a autorização de serviço público, via
de regra, não depende de licitação, uma vez que esta só é exigível para a realização de
contrato.
59 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A questão descreveu o conceito de concessão de serviço púbico.
Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello:
Concessão de serviço público é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de
um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome próprio, por sua conta e risco,
nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público, mas sob garantia
contratual de um equilíbrio econômico-financeiro, remunerando-se pela própria exploração
do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do
serviço. 27
27 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 27ª ed. São Paulo, 2010.
60 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! Segundo José dos Santos Carvalho Filho, os serviços públicos, com base no
critério da obrigatoriedade, podem ser classificados em compulsórios e facultativos, sendo
facultativos, se for possível a suspensão da prestação do serviço, ou compulsórios, quando
não é possível de ocorrer a suspensão. 28
Há que se destacar que o tema classificação dos serviços públicos costuma apresentar
variações a depender do doutrinador estudado.
b. Errada! Quanto aos usuários (destinatários), os serviços púbicos podem ser uti universi
(universais, coletivos ou gerais), que são aqueles dirigidos a toda a coletividade, não
possuindo usuários determinados, e uti singuli (singulares ou individuais), quando voltados
a usuários determinados
É com base no critério da titularidade federativa que se dividirão em federais, estaduais,
distritais, municipais e comuns.
c. Errada! Quanto à essencialidade, distinguem-se em serviços essenciais e serviços não
essenciais.
d. Errada! Quanto à entidade a quem foram atribuídos (critério da titularidade federativa),
poderão ser federais, estaduais, distritais, municipais e comuns.
É quanto aos usuários (destinatários) que serão uti universi (universais, coletivos ou gerais)
ou uti singuli (singulares ou individuais).
e. Errada! No tocante ao modo de prestação (execução) dos serviços públicos, estes podem
ser prestados de forma centralizada ou descentralizada.
Quando o serviço público é prestado pela própria pessoa jurídica federativa que detém
a sua titularidade, diz-se que o serviço está sendo prestado de forma centralizada.
Ocorre que, em várias situações, o ente político titular daquele serviço público, embora
mantendo a sua titularidade, transfere a pessoas alheias à sua estrutura administrativa
a responsabilidade pela prestação, hipótese em que o serviço passa a ser executado de
forma descentralizada.
28 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Atlas, 2018, p.
339.
61 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Antes de analisarmos cada alternativa, importante relembrar que a descentralização dos
serviços públicos pode ser feita de duas formas: a) por outorga (delegação legal); ou b) por
delegação (delegação negocial).
Na descentralização por outorga (também conhecida por delegação legal), o Estado
cria uma entidade (autarquia, fundação pública, sociedade de economia mista ou empresa
pública) e lhe transfere, por lei, a execução de um serviço público.
Na descentralização por delegação (também conhecida por delegação negocial), o
Poder Público transfere por contrato ou ato unilateral a execução do serviço, para que
o delegado preste o serviço em seu próprio nome e por sua conta e risco, nas condições
previamente estabelecidas e sob controle estatal.
Posto isto, vamos aos itens.
a. Errada! A outorga é realizada por meio de lei, apenas!
b. CERTA! Na outorga, transfere-se a execução dos serviços públicos, mantendo-se a
titularidade com a pessoa jurídica federativa que detém a sua titularidade (União, estados,
Distrito Federal e municípios).
O ente político, mesmo quando transfere a terceiros a responsabilidade pela prestação de
serviços públicos, sempre conserva a sua titularidade, o que lhe garante a manutenção,
em qualquer caso, da competência para regular e controlar a prestação desses serviços.
c. Errada! A delegação pode se dar também para em favor de particulares, tal como ocorre
na delegação negocial.
d. Errada! A outorga (delegação legal) se dá em favor das pessoas da Administração Pública
indireta, apenas.
e. Errada! Na delegação, transfere-se apenas a execução dos serviços públicos.
62 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
I. Errada! No art. 8º, III, da Lei n. 11.079/2004, admite-se a celebração de contrato de
parceria público-privada em que as obrigações pecuniárias contraídas pela Administração
Pública sejam garantidas por intermédio da contratação de seguro-garantia com companhia
seguradora não controlada pelo Poder Público.
II. Errada! Realmente, as PPPs não poderão ser firmadas por período inferior a 5 (cinco)
anos, bem como não poderão deixar de prever a repartição de riscos entre as partes,
inclusive, nesse último caso, os referentes a caso fortuito e força maior.
Sobre o tema, art. 5º I e III, da Lei n. 11.079/2004:
63 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
III. Correta! Isso mesmo. Define o art. 2º, § 4º, III, da Lei n. 11.079/2004 que:
IV. Errada! Em que pese ser vedada a celebração de PPP cujo valor do contrato seja inferior
a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), na forma do art. 2º, § 4º, I, o item está errado
porque o prazo de vigência do contrato não poderá ser superior a 35 anos (e não a 30
anos!), incluindo eventual prorrogação (art. 5º, I).
64 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A assertiva está fazendo referência às formas como os serviços públicos podem
ser prestados, e não necessariamente ao seu conceito.
De grosso modo, e sendo extremamente pragmáticos, podemos afirmar que serviço público
nada mais é que um “serviço ao público”, prestado pelo Estado, mas que, como vimos ao
longo de toda a aula de hoje, pode ter a execução delegada às entidades da Administração
Pública indireta e aos particulares, que exercerão a atribuição em seu próprio nome e
sob a sua responsabilidade.
b. CERTA! De fato, é possível que o concessionário do serviço público se remunere pela
própria exploração da atividade assumida.
Como bem ensina Rafael Rezende Carvalho Oliveira, em relação à concessão comum
disciplinada pela Lei n. 8.987/1995:
A remuneração do concessionário, que explora o serviço público por sua conta e risco, é uma carac-
terística essencial do contrato de concessão.
Em regra, a remuneração do concessionário é efetivada pela cobrança da tarifa dos usuários do ser-
viço público concedido. A tarifa, prevista no contrato de concessão e fixada nos termos da proposta
vencedora na licitação, deverá ser atualizada e revista durante a execução do contrato, como forma
de preservação do equilíbrio econômico-financeiro do ajuste. 29
Art. 9º A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licita-
ção e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato.
[...]
§ 2º Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manter-se o equilíbrio
econômico-financeiro.
d. Errada! Estabelece o art. 15, § 4º, da Lei n. 8.987/1995 que, em igualdade de condições
apresentadas, dar-se-á preferência à proposta apresentada por empresa brasileira.
29 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
65 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 5º O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando a conveni-
ência da outorga de concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área e prazo.
COMENTÁRIO
Todos os itens estão corretos.
I. Correto! Vejamos o que o art. 2º, II e III, da Lei n. 8.987/1995 disciplina:
66 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
II. Correto! É exatamente o que o art. 2º, I, da Lei n. 8.987/1995 define sobre a permissão
de serviço público.
Art. 40. A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que
observará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive
quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente.
COMENTÁRIO
A enunciado está se referindo à encampação, forma de extinção da concessão positivada
no art. 37 da Lei n. 8.987/1995.
Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.
67 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A responsabilidade civil do Estado por ato comissivo é OBJETIVA (e não subjetiva!) e
baseada na teoria do risco administrativo. Justamente por gozar de natureza objetiva, NÃO
se exige do particular, que foi a vítima, a comprovação da culpa ou o dolo do agente público.
Estamos falando aqui da responsabilidade civil extracontratual do Estado nas
situações em que que o agente público, no exercício das suas funções e através de uma
conduta positiva, provoca prejuízo a terceiros. Nessas situações, a Constituição Federal
determina no art. 37, § 6º, que o Estado tem o dever de reparar o particular prejudicado,
independentemente da verificação de dolo ou culpa no agir do agente público, elementos
subjetivos que somente ganharão importância para o exercício do direito de regresso do
Estado perante o causador do prejuízo.
Vejamos:
Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, asse-
gurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Pela teoria do risco administrativo, a atuação estatal que cause dano a terceiros faz nascer para
a administração pública a obrigação de indenizar, independentemente da existência de falta do
serviço ou de culpa de determinado agente público. Basta que exista o dano decorrente de atuação
administrativa, sem que para ele tenha concorrido o terceiro prejudicado. Como o dano causado a
terceiros pela atividade administrativa deverá ser indenizado independentemente de perquirição a
respeito da existência de culpa – seja “culpa administrativa”, seja culpa pessoal de um determinado
agente público –, diz-se que essa modalidade de responsabilidade civil é do tipo objetiva. 30
30 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 916.
68 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A culpa recíproca da vítima NÃO é causa excludente da responsabilidade do Estado,
mas, sim, uma causa atenuante, capaz de diminuir o valor da indenização suportada pelo
Estado.
Por culpa recíproca da vítima, devemos compreender a situação em que esta concorre para
o resultado danoso por ela mesma experimentado. Adverte-se, porém, que muito embora
tenha concorrido para o prejuízo, sua conduta não foi a causa única para a concretização do
episódio, tratando-se, como dito, de hipótese de concorrência de culpas (culpa concorrente).
Com isso, não há que se falar na exclusão da responsabilidade do Estado, de maneira
integral, mas, sim, de circunstância que ensejará o abatimento proporcional do quantum
indenizatório conforme a parcela de culpa que a própria vítima houver apresentado.
Deveras, são causas excludentes da responsabilidade do Estado, segundo a teoria do risco
administrativo adotada no art. 37, § 6º, da CF, por romperem o nexo de causalidade:
a. Culpa exclusiva da vítima;
b. Culpa de terceiro; e
c. Caso fortuito e força maior.
COMENTÁRIO
O controle da atuação administrativa pode ser classificado a partir dos mais variados
critérios. Um deles é o momento em que é realizado, sendo possível apontar três formas: o
controle prévio, o controle concomitante e o controle posterior.
a. Controle prévio: “é aquele realizado antes da formação do ato controlado. Dessa forma,
o controle pode ser feito quando o ato administrativo está na iminência de ser praticado ou
quando ainda se encontra em formação. É possível, por exemplo, a impetração de Mandado
de Segurança Preventivo para impedir a prática de um ato ilegal.” 31
31 CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 4ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2017. p. 391.
69 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Ao contrário do afirmado na assertiva, o controle parlamentar exercido pelo Poder Legislativo
LIMITA-SE às hipóteses previstas na CF.
O controle legislativo ou parlamentar é aquele efetuado pelo Poder Legislativo sobre
os atos do Poder Executivo, conforme critérios políticos ou financeiros e nos limites
estabelecidos pelo texto constitucional. Com efeito, “os casos de controle parlamentar sobre
o Poder Executivo devem constar expressamente da Constituição Federal, pois consagram
verdadeiras exceções ao princípio constitucional da separação de poderes (art.
2º da CRFB), não se admitindo, destarte, a sua ampliação por meio da legislação
infraconstitucional.” 34
32 CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 4ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2017. p. 391.
33 CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 4ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2017. p. 391.
34 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.
70 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
GABARITO
1. d
2. a
3. a
4. a
5. c
6. a
7. d
8. e
9. c
10. d
11. c
12. d
13. d
14. b
15. C
16. B
17. C
18. E
19. D
20. E
21. C
22. D
23. E
24. e
25. b
26. d
27. e
28. c
29. a
30. b
31. d
32. E
33. E
34. C
35. C
36. E
37. C
38. b
71 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
39. c
40. d
41. b
42. d
43. c
44. b
45. b
46. c
47. a
48. c
49. c
50. a
51. b
52. c
53. c
54. e
55. c
56. d
57. c
58. a
59. a
60. b
61. e
62. c
63. d
64. d
65. c
66. a
67. b
68. a
69. b
70. e
71. b
72. E
73. C
74. C
75. E
72 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
DIREITO CONSTITUCIONAL
Delegado de Polícia
73 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
O Poder Constituinte Originário caracteriza-se por ser inicial, ilimitado, autônomo e
incondicionado.
É inicial, “pois instaura uma nova ordem jurídica, rompendo, por completo, com a ordem
jurídica anterior”. 35
É ilimitado juridicamente, “no sentido de que não tem de respeitar os limites postos pelo
direito anterior”. 36
35 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.
36 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.
74 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Sabe-se que ao Poder Constituinte Derivado é vedado propor emendas tendentes
a abolir as cláusulas pétreas, mas ATENÇÃO: muito embora a restrição incida apenas nos
casos tencionados a abolir as cláusulas pétreas, a assertiva, de forma genérica, considerou
também ser vedado propostas que impliquem a mera alteração, sem especificar se há, de
fato, intenção de abolir.
Art. 60, § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
37 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.
38 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.
75 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 60, § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
76 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “d”!
Quanto à origem, a Constituição Federal de 1988 classifica-se como promulgada, também
sendo denominada de democrática, votada ou popular.
Consideram-se promulgadas aquelas Constituições cuja criação teve participação popular.
No geral, são fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita diretamente
pelo povo, para, em nome dele, confeccionar o novo texto constitucional.
a. Errada! Quanto à forma, a CF/1988 é escrita.
Definem-se como escritas ou instrumentais as Constituições elaboradas por um órgão
constituinte especialmente encarregado dessa tarefa, a ele competindo tarefa de sistematizá-
las em um ou vários documentos solenes.
b. Errada! Quanto ao modo de elaboração, a CF/1988 é dogmática.
Constituição dogmática “é aquela escrita e sistematizada em um documento que traz as
ideias dominantes (dogmas) em uma determinada sociedade num determinado período
(contexto) histórico.” (FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional.
9ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador. JusPODIVM, 2017).
c. Errada! Quanto à estabilidade, a CF/1988 é rígida à medida que, para ser alterada,
deverá observar procedimento mais rigoroso do que o previsto para a alteração das
normas infraconstitucionais. Nesse sentido, atual Constituição brasileira para ser modificada
depende de votação em dois turnos, em Casa do Congresso Nacional, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros (art. 60, §
2º, da CF).
77 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Quanto à origem, a Constituição brasileira de 1988 é promulgada, também sendo
denominada de democrática, votada ou popular. Consideram-se promulgadas aquelas
Constituições cuja criação teve participação popular. No geral, são fruto do trabalho de
uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita diretamente pelo povo, para, em nome dele,
confeccionar o novo texto constitucional.
Quanto ao modo de elaboração, é dogmática ou sistemática, pois foi escrita de uma
só vez por órgão especialmente constituído para esta finalidade, refletindo os dogmas e
valores então em voga.
Quanto à alterabilidade, classifica-se como rígida, porque, para ser modificada, deverá
observar processo de alteração mais dificultoso do que o exigido para a alteração das
espécies normativas infraconstitucionais.
Quanto à dogmática, é considerada eclética ou heterodoxa, à medida que as suas normas
não refletem uma única ideologia. Ao contrário, procuram conciliar ideologias opostas, típicas
de uma sociedade pluralista.
Por fim, quanto ao critério ontológico de Karl Loewenstein, há autores, a exemplo de
Pedro Lenza, que classificam a atual Constituição brasileira como normativa, e outros, como
é o caso de Bernardo Gonçalves, que a definem como nominativa.
A classificação ontológica fundamenta-se no grau de correspondência do texto constitucional
com a realidade, sendo normativa a Constituição cujas normas, por corresponderem à
realidade política e social do Estado, efetivamente dominam o processo político, ou seja,
limitam, de fato, o poder, sendo juridicamente válidas, reais e efetivas. Já as constituições
nominativas são aquelas que, apesar de pretenderem regular o processo político do
Estado, não conseguem fazê-lo efetivamente, porque as suas disposições são dissonantes
da realidade política e social, caracterizando-se juridicamente como válidas, porém, não
sendo reais e tampouco efetivas.
78 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A irredutibilidade do salário é a regra, tratando-se de garantia que somente poderá
ser afastada por meio de convenção ou acordo coletivo, conforme o art. 7º, VI, da CF).
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
b. Errada! Segundo o art. 7, IX, da CF, é direito dos trabalhadores urbanos e rurais a
remuneração do trabalho noturno superior à do diurno.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
c. Errada! De fato, define o art. 7º, XI, da CF, que é direito dos trabalhadores a participação
nos lucros, ou resultados, que será, contudo, desvinculada da remuneração.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
79 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Errada! O aviso prévio proporcional ao tempo de serviço deverá ser de, no MÍNIMO, 30
dias (art. 7º, XXI, da CF).
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos
da lei;
COMENTÁRIO
a. CERTA! A assertiva reproduziu exatamente o teor do art. 14, § 7º, da CF, que consagrou
a denominada inelegibilidade reflexa por parentesco.
Façamos a leitura do dispositivo constitucional:
80 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
d. Errada! O sistema eleitoral majoritário é o adotado nas eleições para Senador da República,
Presidente da República, Governadores da República e Prefeitos. Se, no caso dos três
últimos cargos, se admite uma única reeleição, o mesmo não se aplica aos Senadores da
República, que podem se reeleger sem limite do número de vezes.
COMENTÁRIO
a. Errada! O alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os maiores de 70 anos,
sendo obrigatórios para aqueles que têm 65 anos.
Observem:
b. Errada! Os estrangeiros NÃO podem alistar-se como eleitores, a teor do art. 14, § 2º, da
CF.
81 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 14, § 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do servi-
ço militar obrigatório, os conscritos.
c. Errada! Os inalistáveis, aqueles que não podem se alistar como eleitores, são
INELEGÍVEIS, posto que uma das condições de elegibilidade é justamente o alistamento
eleitoral.
Sobre o tema, art. 14, § 3º, III, da CF:
Art. 14, § 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze
dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrup-
ção ou fraude.
Art. 14, § 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo
o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
COMENTÁRIO
As condições de elegibilidade estão previstas no art. 14, § 3º, do texto constitucional, a
saber:
82 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A questão encontra amparo no art. 12, II, a, da CF, devendo ser considerado
brasileiro NATURALIZADO (e não brasileiro nato!).
Vejamos:
83 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 13, § 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo
nacionais.
e. Errada! Nem sempre o brasileiro que adquirir outra nacionalidade perderá a nacionalidade
brasileira. A Constituição Federal, no art. 12, § 4º, II, previu duas hipóteses excepcionais em
que isso não ocorrerá.
Observe:
84 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 12, I, c, da CF:
c. Errada! Apenas a Constituição Federal poderá fixar distinções entre brasileiros natos e
naturalizados, sendo vedado à lei infraconstitucional tratar do tema. Isto está claro no art.
12, § 2º, da CF, que assim impõe:
Art. 12, § 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo
nos casos previstos nesta Constituição.
85 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”! Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que
adquirir outra nacionalidade, exceto nos casos previstos na própria Constituição Federal.
A questão exige conhecimento sobre a previsão constante no art. 12, § 4º, da CF.
Vejamos:
86 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Apenas a alternativa “c” apresentou cargos privativos de brasileiros natos, tal como prevê
o art. 12, § 3º, incisos VI, IV e VII.
87 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! É vedado o anonimato, nos termos do art. 5º, IV, da CF.
Art. 5º, IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, inde-
pendentemente de censura ou licença;
c. Errada! A casa é asilo inviolável do indivíduo e, como regra, ninguém nela pode penetrar
sem consentimento do morador. Excepcionalmente, porém, a Constituição Federal elenca
situações em que será possível adentrar no imóvel sem autorização do morador. Essas
hipóteses são as seguintes:
1) Flagrante delito ou desastre (em qualquer horário!);
2) Prestação de socorro (em qualquer horário!); e
3) Por determinação judicial (apenas durante o dia!).
Vejamos:
Art. 5º, XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consenti-
mento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial;
Art. 5º, X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegura-
do o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Art. 5º, V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por
dano material, moral ou à imagem;
88 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Em verdade, o que a Carta Política de 1988 determina é que ninguém será obrigado
a fazer ou deixar de fazer algo, SENÃO em virtude de lei. Temos aqui o princípio da legalidade,
do qual decorre que apenas a lei poderá criar direitos, deveres e vedações aos particulares.
Trata-se de verdadeira garantia constitucional destinada à proteção dos indivíduos contra
os arbítrios praticados pelo Estado e até mesmo contra os arbítrios praticados por outros
particulares, assegurando aos indivíduos ampla liberdade para fazerem o que quiserem,
desde que não consista num comportamento ou atividade proibidos por lei.
Vejamos:
Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
c. Errada! A lei NÃO excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito,
consoante o art. 5º, XXXV, da CF, que versa sobre o princípio da inafastabilidade da
jurisdição.
Art. 5º, XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
89 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Errada! A lei NÃO prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada,
nos termos do art. 5º, XXXVI, da CF.
Art. 5º, XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
COMENTÁRIO
a. Correta! Está de acordo com o art. 5º, LIII, da CF:
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
b. INCORRETA! NÃO são admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos,
isto é, as provas obtidas por meios ilícitos são INADMISSÍVEIS no processo.
Nesse sentido, art. 5º, LVI, da CF:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegura-
dos o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
90 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A questão está fundamentada no art. 5º, XLIII, cuja redação consagrou que:
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;
Correta, portanto, a alternativa “b”! A lei considerará crime inafiançável e insuscetível de
graça ou anistia o terrorismo.
COMENTÁRIO
a. Errada! Os estrangeiros residentes no Brasil SÃO iguais perante a lei em relação aos
cidadãos brasileiros, haja vista que o art. 5º, caput, da CF, determina que TODOS são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.
Observem:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasi-
leiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igual-
dade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)
91 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Errada! De acordo com o art. 5º, caput, da CF, transcrito linhas acima, é assegurada
aos cidadãos brasileiros e aos estrangeiros não apenas a inviolabilidade de seu direito à
segurança e à propriedade, mas também a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade e à
igualdade.
Novamente, façamos a leitura do dispositivo constitucional:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos bra-
sileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)
c. CERTA! Está de acordo com o art. 5º, I, da CF, in verbis:
Art. 5º, I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
e. Errada! A Constituição Federal de 1988, no art. 5º, III, assegura que NINGUÉM pode ser
submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
Art. 5º, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
Administração Pública
COMENTÁRIO
As hipóteses de acumulação remunerada de cargos públicos estão previstas no art. 37, XVI,
da CF, não se encaixando o agente penitenciário em qualquer delas.
Para ficar mais claro, façamos a leitura do dispositivo constitucional:
92 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 37, XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver com-
patibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a. a de dois cargos de professor;
b. a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c. a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamen-
tadas;
COMENTÁRIO
De acordo com o regime constitucional brasileiro, art. 37, V, as funções de confiança
devem ser exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo.
Vejamos:
Art. 37, V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condi-
ções e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia
e assessoramento;
Não confunda!
93 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está INCORRETO o que se afirma em II, apenas!
A questão encontra amparo no art. 38 da Constituição Federal e, antes de realizarmos
o exame individual de cada item, que tal fazermos a leitura do respectivo dispositivo
constitucional?
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de man-
dato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela Emenda Constitucional n.
19, de 1998)
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, empre-
go ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe
facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as
vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo,
e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de
serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência social, permanecerá filiado a esse
regime, no ente federativo de origem. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 103, de 2019)
94 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
II: INCORRETO! Nos termos do art. 38, IV, o período em que o servidor ficou afastado do
seu cargo, emprego ou função para exercer mandato eletivo NÃO será contado para fins
de promoção.
III: correto! Está de acordo com o art. 38, III.
COMENTÁRIO
a. Errada! O Poder Legislativo NÃO possui como incumbência exclusiva a função legislativa.
Esta, em verdade, é a sua função principal, típica, porém também exerce funções atípicas,
próprias dos outros poderes estruturais do Estado. Para ilustrar, podemos citar que o
Senador Federal exerce função jurisdicional, típica do Poder Judiciário, quando julga o
Presidente da República por crimes de responsabilidade (impeachment), bem como exerce
função administrativa, típica do Poder Executivo, quando organiza concurso público para
o provimento de cargos efetivos em seu quadro pessoal ou realiza licitação pública para
adquirir bens e serviços.
b. Errada! No âmbito federal, o Poder Legislativo é caracterizado pelo BICAMERALISMO
(e não pelo unicameralismo!), haja vista que é exercido pelo Congresso Nacional, que se
compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Para ficar mais claro, compreenda que bicameralismo é o regime em que o Poder
Legislativo é exercido por duas Câmaras, a Câmara baixa e a Câmara alta. No Brasil, elas
correspondem à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, respectivamente, sendo o
Senado a Casa que representa os Estados federados, enquanto a Câmara representa o
povo.
Sobre o tema, vejamos o art. 44 da CF:
95 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal,
eleitos segundo o princípio majoritário.
d. CERTA! De fato, os Deputados Federais são eleitos para uma legislatura, isto é, para 04
(quatro) sessões legislativas.
Sobre a legislatura, temos no parágrafo único do art. 44 que:
Art. 44, parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
Uma sessão legislativa, portanto, tem duração de 1 (um) ano, de modo que uma legislatura
será composta por quatro sessões legislativas.
e. Errada! Cada Estado e o Distrito Federal elegerão 3 (TRÊS) Senadores, com mandato de
oito anos (art. 46, § 1º, da CF).
Art. 46, § 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
96 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Incumbe privativamente ao Senado Federal aprovar previamente, por voto secreto, após
arguição pública, a escolha de Magistrados, nos casos estabelecidos pela Constituição
Federal de 1988.
COMENTÁRIO
a. Errada! Os Senadores serão eleitos para mandatos de oito anos (art. 46, § 1º, da CF).
Art. 46, § 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito
anos.
b. Errada! Cada Senador será eleito com 02 (dois) suplentes (art. 46, § 3º, da CF).
97 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos
Ministros de Estado (e não pelo Congresso Nacional!), como determina o art. 76 da CF.
Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de
Estado.
c. Errada! Cabe ao Congresso Nacional (e não ao Senado Federal!) emitir licença para o
Presidente e o Vice-Presidente da República se ausentarem do País por período superior a
15 dias.
Nesse sentido, art. 83 da CF:
Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do Congresso
Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de perda do cargo.
98 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa
dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos
os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.
Art. 86, § 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabili-
zado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
COMENTÁRIO
a. Errada! Trata-se de competência privativa do Senado Federal, conforme o art. 52, V, da
CF:
99 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de
2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo:
(...)
§ 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro-Corregedor e ficará
excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe, além das atribuições que lhe
forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes:
(...)
III – requisitar e designar magistrados, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de juízos
ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e Territórios.
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, cons-
tituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar
sua criação.
(...)
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
(...)
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
100 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Dentre as atribuições do Presidente da República indicadas nas alternativas, apenas a
sanção e a promulgação das leis não dependem de licença, autorização ou referendo do
Congresso Nacional. O gabarito, portanto, é a letra “a”.
Vale lembrar que se trata da atribuição prevista no art. 84, IV, da CF:
101 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Apenas a alternativa “e” não elencou competência privativa do Presidente da República.
Isso porque a Constituição Federal assevera que incumbe ao Presidente da República
expedir DECRETOS e REGULAMENTOS (e não instruções!) para a fiel execução das
LEIS, conforme o disposto no art. 84, IV:
102 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
As alternativas “a”, “b”, “c” e “d”, por seu turno, dizem respeito às atribuições estampadas,
respectivamente, nos incisos X, XIII, XIX e XXI, do art. 84, in verbis:
COMENTÁRIO
O erro está na parte final do item, haja vista que a extinção de cargo público federal vago
por meio de decreto, atribuição do Presidente da República prevista no art. 84, VI, b, da
CF, é competência delegável aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República
ou ao Advogado-Geral da União, nos termos do parágrafo único do referido dispositivo
constitucional.
Vejamos:
103 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Aprofundando o tema, significa dizer que são as atribuições passíveis de delegação pelo
presidente da República:
1) editar decretos autônomos (inciso VI);
2) conceder indulto e comutar penas (inciso XII); e
3) prover (e desprover) cargos públicos federais (inciso XXV, primeira parte).
COMENTÁRIO
O conceito de sistema de governo diz respeito ao modo como se relacionam os
Poderes Executivo e Legislativo. São dois os sistemas de governo: presidencialismo e
parlamentarismo.
Já o conceito de forma de governo envolve a maneira como se dá a relação entre
governantes e governados. Existem duas formas de governo: a república e a monarquia.
COMENTÁRIO
Explica Bernardo Gonçalves que:
Ao se falar em República, destacamos os seguintes elementos:
1) forma de Governo que se opõe ao modelo monárquico, pois o povo é o titular do poder
político, exercendo este direta ou indiretamente por meio de representantes;
2) igualdade formal entre as pessoas, pois não há tratamento estamental na sociedade, e
a legislação não permite discriminações, devendo todos receber o mesmo tratamento;
3) eleição dos detentores do poder político, tais eleições marcam o caráter temporário de
permanência como detentor do poder;
104 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
No art. 1º da Constituição Federal está previsto que:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
(...)
Nesse primeiro artigo da CF/1988, evidencia-se que o Brasil adotou o princípio republicano
e o princípio federativo, isto é, adotou a República como forma de governo e a Federação
como forma de Estado.
Ser uma Federação significa que o Poder Constituinte Originário, quando da elaboração do
texto constitucional, adotou um modelo caracterizado pela descentralização do exercício do
poder político, que não fica alocado na mão de um só ente, mas, sim, distribuído entre mais
de um ente federado dotado de autonomia.
Já a forma de governo republicana caracteriza-se, em suma, pelo fato de o povo ser o titular
do poder político, exercendo este diretamente ou indiretamente por meio de representantes
eleitos para mandatos por tempo determinado e que tem o dever de prestar contas de suas
condutas. A República, portanto, define-se pela representatividade, temporariedade e
responsabilidade política do Chefe de governo e/ou do Estado.
39 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. rev., ampl. e atual.
Salvador. JusPODIVM, 2017. p. 295.
105 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Memorize!
COMENTÁRIO
Todos os itens estão certos!
A questão versa sobre as atribuições do Presidente da República.
I: CERTO! O Brasil adotou como sistema de governo o presidencialismo, e neste as
funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo encontram-se concentradas nas mãos de
uma única pessoa, o Presidente da República.
II: CERTO! É o que estabelece o art. 84, VII, da CF:
III: CERTO! Conforme o art. 49, II, da CF, é da competência exclusiva do Congresso
Nacional autorizar o Presidente da República a permitir que forças estrangeiras transitem
pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos
previstos em lei complementar.
Com efeito, o art. 84, XXII, dispõe que, em tais casos excepcionais previstos em lei
complementar, será do Presidente da República a competência privativa para permitir que
forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente.
Observem:
106 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
(...)
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados
os casos previstos em lei complementar;
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
(...)
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo
território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
Com base nisso, o CEBRASPE considerou correto afirmar que ao Presidente da República
cabe permitir que forças estrangeiras transitem em território nacional ou nele permaneçam.
COMENTÁRIO
Acerca da organização contemporânea do Estado brasileiro, anote:
107 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
No Brasil, ao se adotar o sistema presidencialista de governo, as funções de Chefe de Estado
e de Chefe de Governo são exercidas cumulativamente pelo Presidente da República.
Nesse sentido, atua como Chefe de Governo quando executa as políticas públicas, gerencia
a máquina pública. Isto é, quando efetivamente governa e também exerce a liderança da
política nacional 40, como se nota da leitura da atribuição prevista no inciso XXIII, do art. 84,
da CF/1988:
Noutra via, atua como Chefe de Estado quando exerce a função simbólica de representar
internacionalmente o país, na linha do disposto nos incisos VII, VIII, XVIII, segunda parte
(convocar e presidir o Conselho de Defesa Nacional), XX do art. 84 da CF/1988.
40 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. rev., ampl. e atual.
Salvador. JusPODIVM, 2017. p. 1.104.
108 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
No que concerne às características do presidencialismo, está correto o que consta
APENAS em I, II e IV.
I: correto! De fato, no sistema presidencialista de governo, o Presidente da República
exerce o papel de Chefe de Estado e de Chefe de Governo.
II: correto! Narra o art. 76 da CF/1988 que: “O Poder Executivo é exercido pelo Presidente
da República, auxiliado pelos Ministros de Estado”.
Os Ministros de Estado são, assim, meros auxiliares do Presidente, escolhidos livremente
e demissíveis ad nutum.
Destarte, deve-se afirmar que os Ministros de Estado são os auxiliares diretos do Presidente
e que eles podem ser nomeados e exonerados sem a participação do Congresso Nacional.
III: errado! O Presidente da República NÃO tem longa participação no processo legislativo.
Em verdade, no processo legislativo, ele poderá atuar na fase de iniciativa, naqueles temas
que sejam da sua competência, e nas leis ordinárias e complementares exercerá sanção ou
veto, existindo atos normativos nos quais ele não atuará em qualquer fase, a exemplo das
resoluções e decretos legislativos, por serem atos interna corporis.
IV: correto! Via de regra, o Presidente da República, no Brasil, será eleito diretamente
pelo povo para o exercício de um mandato de quatro anos, admitida a reeleição. Existe,
contudo, a possibilidade de essa eleição se dar de maneira indireta quando configurada
dupla vacância nos dois últimos anos do mandato presidencial. Se assim ocorrer, caberá
ao Congresso Nacional eleger o novo Presidente, na forma do art. 81, II, da CF; in verbis:
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa
dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os
cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.
109 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
No que concerne à forma de governo republicana, esta se caracteriza, em suma, pelo fato
de o povo ser o titular do poder político, exercendo este direta ou indiretamente por meio
de representantes eleitos para mandatos por tempo determinado e que tem o dever de
prestar contas de suas condutas. A República, portanto, define-se pela representatividade,
temporariedade e responsabilidade política do Chefe de Governo e/ou do Estado, o
que torna os itens I, II e III corretos.
Por seu turno, o item IV está errado. A República se contrapõe à Monarquia, não sendo a
mais antiga forma de governo ainda em vigor.
110 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
O gabarito é a alternativa “a”!
As atribuições do Presidente da República, nomeadas de “competências privativas”, estão
listadas no art. 84 da Constituição Federal, de modo que, de todas as competências listadas
no enunciado, a única que não encontra perfeita consonância com o dispositivo legal é a
alternativa “a”, ao dizer que a declaração da guerra independerá de autorização ou referendo
do Congresso Nacional, o que não é verdade. A decisão do Presidente da República deve
sempre se amparar no Congresso Nacional, seja com a autorização deste (ato anterior à
declaração da guerra), seja com o seu referendo (ato que corrobora a declaração).
Nesse sentido, vejamos o art. 84, XIX, da CF:
Quanto às demais alternativas, estão em consonância com o art. 84, incisos I, III, XII, XII e
XV, abaixo transcritos:
111 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Consoante o parágrafo único do art. 84 da CF: “O Presidente da República poderá delegar
as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de
Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão
os limites traçados nas respectivas delegações.”
São, assim, as atribuições passíveis de delegação pelo Presidente da República:
1) editar decretos autônomos (inciso VI);
2) conceder indulto e comutar penas (inciso XII); e
3) prover (e desprover) cargos públicos federais (inciso XXV, primeira parte).
Vejamos cada uma das hipóteses!
1) Edição de decretos autônomos (inciso VI)
112 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Cuidado, pois a questão está exigindo a indicação da alternativa INCORRETA.
a. Correta! Está de acordo com o art. 86, § 4º, da CF.
Art. 86, § 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabiliza-
do por atos estranhos ao exercício de suas funções.
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a
Constituição Federal e, especialmente, contra:
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
(...) Apresentada denúncia contra o Presidente da República por crime de responsabilidade, compe-
te à Câmara dos Deputados autorizar a instauração de processo (art. 51, I, da CF/1988). A Câmara
exerce, assim, um juízo eminentemente político sobre os fatos narrados, que constitui condição
para o prosseguimento da denúncia. Ao Senado compete, privativamente, processar e julgar
o Presidente (art. 52, I), locução que abrange a realização de um juízo inicial de instauração
ou não do processo, isto é, de recebimento ou não da denúncia autorizada pela Câmara. (...)
113 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
(ADPF n. 378 MC, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043
DIVULG. 07/03/2016, PUBLIC. 08/03/2016)
Ao Senado, portanto, compete decidir se deve receber ou não a denúncia cujo prosseguimento
foi autorizado pela Câmara.
d. Correta! A Lei n. 1.079/1950 não previu a oportunidade para o exercício de defesa prévia
pelo Presidente da República antes da avaliação da denúncia pelo Presidente da Câmara.
A sistemática foi considerada constitucional pelo STF, que também no julgamento ADPF n.
378, definiu que:
(...) A apresentação de defesa prévia não é uma exigência do princípio constitucional da am-
pla defesa: ela é exceção, e não a regra no processo penal. Não há, portanto, impedimento
para que a primeira oportunidade de apresentação de defesa no processo penal comum se
dê após o recebimento da denúncia. No caso dos autos, muito embora não se assegure defe-
sa previamente ao ato do Presidente da Câmara dos Deputados que inicia o rito naquela Casa,
colocam-se à disposição do acusado inúmeras oportunidades de manifestação em ampla instrução
processual. Não há, assim, violação à garantia da ampla defesa e aos compromissos internacionais
assumidos pelo Brasil em tema de direito de defesa. Improcedência do pedido.
(ADPF n. 378 MC, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043
DIVULG. 07/03/2016 PUBLIC. 08/03/2016) (Grifos nossos)
e. INCORRETA! O art. 86, § 1º, II, da CF, consigna que o Presidente ficará suspenso de
suas funções nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pela Senado
Federal (e não pela Câmara dos Deputados!).
114 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
De acordo com o art. 87 da CF, os Ministros de Estado deverão ter mais de 21 anos de
idade e estar no exercício dos direitos políticos.
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e
no exercício dos direitos políticos.
d. Errada! O Ministro de Estado de Defesa deverá ser brasileiro nato e contar com mais de
21 anos de idade, não havendo na Constituição Federal a imposição de um limite máximo
de idade.
115 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Errada! Caso pratique infração penal comum, os Ministros de Estado serão julgados pelo
Supremo Tribunal Federal (e não pelo Superior Tribunal de Justiça!).
Nesse sentido está o art. 102, I, c, da CF.
COMENTÁRIO
a. Errada! O Supremo Tribunal Federal é um dos órgãos pertencentes ao Poder Judiciário.
Nesse sentido, vejamos o art. 92 da CF, que elenca os órgãos do Poder Judiciário:
116 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Errada! O erro está logo no começo da assertiva, posto que o STF é composto por 11
(ONZE) ministros, e não por 12, como afirmado.
Sobre o tema, art. 101 da CF:
Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos
com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e
reputação ilibada.
c. Errada! O erro está na parte final da assertiva, pois a Câmara é composta de representantes
do povo e o Senado Federal é composto de representantes dos estados e do Distrito Federal,
conforme os artigos 45 e 46 da CF.
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema pro-
porcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos
segundo o princípio majoritário.
117 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Questão bastante simples!
Narra o art. 93, caput, da CF:
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatu-
to da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...)
COMENTÁRIO
a. Errada! O patrulhamento ostensivo das rodovias federais cabe à Polícia Rodoviária
Federal, conforme o art. 144, § 2º, da CF.
Art. 144, § 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias
federais.
Art. 144, § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalva-
da a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais,
exceto as militares.
118 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido
pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
(...)
V - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido
pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme,
segundo se dispuser em lei;
(...)
Art. 144, § 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem públi-
ca; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução
de atividades de defesa civil.
119 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! O erro está na parte final da assertiva, posto que às Polícias Civis NÃO incumbe
a apuração de infrações militares e o art. 144, § 4º, deixa isso claro.
Vejamos:
Art. 144, § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada
a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto
as militares.
b. Errada! Muito cuidado aqui, uma vez que uma das atribuições da Polícia Ferroviária
Federal é realizar o patrulhamento ostensivo das FERROVIAS federais.
É a Polícia Rodoviária Federal a responsável pelo patrulhamento ostensivo das rodovias
federais.
Sobre o tema, vejamos:
Art. 144, § 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias
federais.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estrutura-
do em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
Art. 144, § 6º As polícias militares e os corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do
Exército subordinam-se, juntamente com as polícias civis e as polícias penais estaduais e distri-
tal, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 104, de 2019)
Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido
pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
(...)
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
e. Errada! Os Municípios até poderão constituir guardas municipais, mas estas deverão
ser destinadas à proteção dos bens, serviços e instalações municipais, NÃO podendo ser
incumbidas da apuração de infrações penais.
120 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 144, § 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus
bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
COMENTÁRIO
São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4!
Afirmativa 1: correta! Trata-se da autorização contida no art. 144, § 8º, da CF:
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, ser-
viços e instalações, conforme dispuser a lei.
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será
fixada na forma do § 4º do art. 39.
121 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a com-
petência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto
as militares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos
corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de ativi-
dades de defesa civil.
Afirmativa 4: correta! Está de acordo com o art. 144, § 1º, III, da CF:
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União
e estruturado em carreira, destina-se a:
(...)
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras.
COMENTÁRIO
As alternativas “a”, “b” e “c” corretamente indicaram órgãos previstos no art. 144 da CF
como responsáveis pela segurança pública, razão pela qual o gabarito da questão é a
assertiva “d”: “Todas as alternativas acima estão corretas”.
Observe:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida
para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguintes órgãos:
I - polícia federal; (alternativa “a”!)
122 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A Constituição Federal prevê que será possível a intervenção da União nos Estados com o
objetivo de assegurar a autonomia municipal (art. 34, VII, c), de modo que a intervenção
em tais casos dependerá de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, e de
representação do Procurador-Geral da República.
Na situação narrada na questão, portanto, o Presidente da República não poderá decretar
de ofício a intervenção federal no estado.
Art. 34 da CF. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
c. autonomia municipal;
Art. 36 da CF. A decretação da intervenção dependerá:
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da Repú-
blica, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal.
Ordem social: base e objetivos da ordem social; seguridade social; meio ambiente;
família, criança, adolescente, idoso, indígena.
123 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
De acordo com o art. 193 da CF:
Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a
justiça sociais.
Correta, portanto, a alternativa “d”. A Ordem Social tem como base e objetivo, respectivamente,
o primado do trabalho e o bem-estar e a justiça sociais.
COMENTÁRIO
a. Errada! A Constituição Federal NÃO fez qualquer ressalva quanto à “natural vocação da
mulher para com as obrigações do lar”.
Deveras, em seu art. 226, § 5º, assegura que:
Art. 226, § 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo
homem e pela mulher.
124 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Errada! Nos termos da Constituição da República de 1988, art. 227, a família, a sociedade
e o Estado (e não apenas a família!) são responsáveis por colocar a criança a salvo da
opressão e da discriminação.
c. Errada! O texto constitucional atual PERMITE, mas não tornou obrigatória, a participação
de entidades não governamentais em programas estatais de atenção à saúde da criança,
do adolescente e do jovem.
Sobre o tema, § 1º do art. 227:
Art. 227, § 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adoles-
cente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas
específicas e obedecendo aos seguintes preceitos:
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil;
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de
deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem
portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do
acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as
formas de discriminação.
Art. 227, § 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso públi-
co e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas
portadoras de deficiência.
e. Errada! Consoante o art. 227, § 3º, I, da CF, a proteção constitucional especial ao jovem
implica a adoção da idade mínima de 14 ANOS (e não a idade mínima de 12 anos!) para a
admissão ao trabalho.
125 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos
termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abando-
nado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao jovem
dependente de entorpecentes e drogas afins.
COMENTÁRIO
a. Errada! Amparada na literalidade do art. 2º da CF/1988, a assertiva está errada, pois está
previsto no texto constitucional que:
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.
b. Errada! Conforme a Súmula Vinculante 38: “É competente o Município para fixar o horário
de funcionamento de estabelecimento comercial.”
Não confunda com a competência para fixar o horário de funcionamento bancário, que é
da União, nos termos da Súmula 19 do STJ, cuja redação assim disciplina: “A fixação do
horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da União.”
c. CERTA! É o que determina o art. 31 da CF/1988:
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante con-
trole externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
126 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Errada! Os territórios poderão ser divididos em municípios, segundo o art. 33, § 1º, da
CF/1988:
§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber,
o disposto no Capítulo IV deste Título.
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”, na forma art. 22, I, da CF/1988:
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do
trabalho;
(...)
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artís-
tico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e ino-
vação;
X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
XI - procedimentos em matéria processual;
127 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A sequência correta é V – V – V – F!
Afirmativa I: verdadeira! Realmente, as competências concorrentes previstas no artigo 24
da Constituição da República são legislativas.
Assim determina o caput do art. 24:
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
Afirmativa II: verdadeira! Do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 24 da CF, temos que, no âmbito
da legislação concorrente, cabe à União o estabelecimento de normas gerais, o que não
exclui a competência suplementar dos Estados.
Observe:
128 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 24, § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legis-
lativa plena, para atender a suas peculiaridades.
Afirmativa IV: falsa! A superveniência de lei federal sobre normas gerais NÃO revogará
as leis estaduais no que lhe forem contrárias, mas, sim, suspenderá a sua eficácia, nos
termos do § 4º do art. 24 da CF.
Art. 24, § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei esta-
dual, no que lhe for contrário.
COMENTÁRIO
Para corretamente responder a questão, era essencial conhecer o art. 18, § 4º, da CF, que
assim dispõe:
129 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Nos termos do art. 129, I, da CF, é função institucional do Ministério Público
promover, privativamente (e não concorrentemente!), a ação penal pública, na forma da lei.
§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procu-
radores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público,
observadas, relativamente a seus membros:
II - as seguintes vedações:
c. participar de sociedade comercial, na forma da lei;
c. Errada! De acordo com o art. 128, IX, da CF/1988, ao Ministério Público é vedado prestar
consultoria a entidades públicas.
130 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vincula-
do, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar
que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessora-
mento jurídico do Poder Executivo.
d. Errada! A CF/1988 não elencou tal atribuição no rol das funções institucionais do Ministério
Público estampado no art. 129.
e. CERTA! Está de acordo com o art. 129, IX, da CF/1988:
COMENTÁRIO
a. Errada! De acordo com o art. 128 da CF/1988, o Ministério Público da União compreende
o Ministério Público Federal, do Trabalho, Militar e do Distrito Federal e Territórios.
131 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 1º A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nomeação pelo
Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico
e reputação ilibada.
e. Errada! Segundo o art. 128, § 5º, II, d, da CF/1988, que versa sobre as vedações aos
membros do Ministério Público, estes não podem exercer, mesmo que em disponibilidade,
qualquer outra função pública, SALVO uma de magistério.
Vejamos:
§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procu-
radores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público,
observadas, relativamente a seus membros:
(...)
II - as seguintes vedações:
(...)
d. exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério;
132 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A Constituição Federal, ao disciplinar a Advocacia Pública nos artigos 131 e 132, NÃO
previu expressamente a figura do procurador municipal.
Assim, correto afirmar que, ao tratar das denominadas funções essenciais à justiça, a
Constituição Federal de 1988 (CF) exige que a representação judicial dos entes da Federação
deva ser feita por órgão ou instituição composta por advogados públicos da União, dos
estados e do Distrito Federal apenas.
COMENTÁRIO
a. Errado! O Advogado-Geral da União não precisa ser integrante da carreira da advocacia
pública e não depende de aprovação de seu nome pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo o art. 131, § 1º, da CF:
133 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 131, § 1º A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre no-
meação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável
saber jurídico e reputação ilibada.
b. Certo! Corresponde ao previsto no art. 131, caput, da CF:
Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vincula-
do, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar
que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessora-
mento jurídico do Poder Executivo.
c. Errado! A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deverá participar de todas as fases do
concurso público destinado ao provimento dos cargos de Procurador do Estado e do Distrito
Federal (art. 132 da CF).
Art. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o
ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos
Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria
jurídica das respectivas unidades federadas.
d. Errado! Aos procuradores referidos nesse artigo assegura-se estabilidade após três anos
de efetivo exercício, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios, após
relatório circunstanciado das corregedorias (art. 132, parágrafo único, da CF).
e. Errado! A representação da União, na execução da dívida ativa de natureza tributária,
cabe à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, observado o disposto em lei (art. 131, §
3º, da CF).
134 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) está consagrada no art.
102, § 1º, da Constituição Federal, e regulamentada pela Lei n. 9.882/1992, que, no seu art.
1º, assim dispõe:
Art. 1º A arguição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Su-
premo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante
de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo fe-
deral, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
II - (VETADO)
41 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. rev., ampl. e atual.
Salvador. JusPOOIVM, 2017. p. 1.437.
135 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”!
Observe que a Lei Municipal X foi editada no ano de 1987, ou seja, antes da entrada em
vigor da Constituição Federal de 1988.
Tratando-se de norma pré-constitucional, o controle de constitucionalidade perante a
Constituição vigente será efetuado por meio de controle concentrado de constitucionalidade
concretizado através da propositura de ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental) perante o Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 1º, parágrafo único,
I, da Lei n. 9.882/1999 e do art. 102, § 1º, da CF.
Vejamos:
Com efeito, o art. 2º, I, da Lei n. 9.882/1999 estabelece que poderão propor ADPF todos os
legitimados para a ADI (ação direta de inconstitucionalidade).
São os legitimados para propor ADI:
Art. 103 da CF. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de cons-
titucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
136 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
O quesito em comento está ERRADO tanto ao afirmar que há uma preponderância, no
controle concentrado de constitucionalidade, da natureza subjetiva da lide, quanto ao dizer
que tal controle é exercido em face de um caso concreto. Isso porque, contrario sensu,
o controle de constitucionalidade na modalidade concentrada tem como uma de suas
principais características a abstração, que nada mais é do que a análise acerca da (in)
constitucionalidade da norma posta em discussão em caráter genérico, abstrato, isto é, não
vinculado a uma demanda específica, ou seja, a uma relação subjetiva cuja litigiosidade
tenha sido submetida à apreciação do Poder Judiciário.
COMENTÁRIO
Na ADI n. 4.451/DF, por unanimidade, os Ministros STF declararam a inconstitucionalidade
de dispositivos da Lei das Eleições (Lei n. 9.504/1997) que impediam emissoras de rádio
e televisão de veicular programas de humor envolvendo candidatos, partidos e coligações
nos três meses anteriores ao pleito, como forma de evitar que sejam ridicularizados ou
satirizados.
De acordo com o Pretório Excelso:
137 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
GABARITO
76. b
77. d
78. d
79. c
80. d
81. a
82. d
83. a
84. d
85. a
86. a
87. c
88. d
89. b
90. b
91. b
92. c
93. a
94. a
95. b
96. d
97. e
98. b
99. e
100. a
101. e
102. C
103. E
104. C
105. a
106. d
107. e
108. c
109. e
110. c
111. a
138 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
112. b
113. e
114. b
115. d
116. e
117. d
118. d
119. b
120. d
121. C
122. d
123. d
124. c
125. b
126. e
127. e
128. e
129. b
130. b
131. b
132. b
133. a
134. E
135. C
139 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
DIREITO PENAL
Delegado de Polícia
1. Direito Penal e Poder Punitivo. 1.1 Política Criminal e Criminologia. Noções básicas.
1.2 Criminalização Primária e Secundária. 1.3 Seletividade do sistema penal. 1.4 Direito Penal
de Autor e Direito Penal do Ato. 1.5 Garantismo Penal. 1.6 Direito Penal do Inimigo. 1.7 Evo-
lução Histórica da Legislação Penal. História da Programação Criminalizante no Brasil. 1.8
Genealogia do Pensamento Penal. 1.9 Bem jurídico. 2. Funções da Pena. Teorias. 3. Carac-
terísticas e Fontes do Direito Penal. 4. Princípios aplicáveis ao Direito Penal. 5. Interpretação
da lei penal. 5.1 Analogia. 6. Aplicação da lei penal. 6.1 A lei penal no tempo e no espaço.
6.2 Tempo e lugar do crime. 6.3 Territorialidade e extraterritorialidade da lei penal. 6.4 Pena
cumprida no estrangeiro. 6.5 Eficácia da sentença estrangeira. 6.6 Contagem de prazo. 6.7
Frações não computáveis da pena. 6.8 Irretroatividade da lei penal. 6.9 Conflito aparente de
normas penais. 7. Do Delito. 7.1 Classificação dos crimes. 7.2 Teoria da Ação. 7.3 Teoria do
tipo. O fato típico e seus elementos. 7.4 Relação de causalidade. Teorias. Imputação objetiva.
7.5 Tipos dolosos de ação. 7.6 Tipos dos Crimes de Imprudência. 7.7 Tipos dos Crimes de
Omissão. 7.8 Consumação e tentativa. 7.9 Desistência voluntária e arrependimento eficaz.
7.10 Arrependimento posterior. 7.11 Crime impossível. 8. Agravação pelo resultado. 9. Erro.
9.1 Descriminantes putativas. 9.2 Erro determinado por terceiro. 9.3 Erro sobre a pessoa.
9.4 Erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição). 10. Concurso de crimes. 11. Ilicitude. 12.
Culpabilidade. 13. Concurso de Pessoas. 14. Ação penal. 15. Punibilidade e causas de extin-
ção. 16. Prescrição e decadência (Sugestão na reunião de fechamento). 17. Crimes contra a
pessoa. 18. Crimes contra o patrimônio. 19. Crimes contra a propriedade imaterial. 20. Crimes
contra a organização do trabalho. 21. Crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito
aos mortos. 22. Crimes contra a dignidade sexual. 23. Crimes contra a família. 24. Crimes
contra a incolumidade pública. 25. Crimes contra a paz pública. 26. Crimes contra a fé pública.
27. Crimes contra a Administração Pública. 28. Crimes contra as finanças públicas.
1. Princípios básicos do Direito Penal. 2. A lei penal no tempo e no espaço. 2.1. Tempo e
lugar do crime. 2.2. Lei penal excepcional, especial e temporária. 2.3. Contagem de prazo. 2.4
Irretroatividade da lei penal. 3. Conceito analítico de crime (típico, ilícito e culpável). 3.1. Crime
140 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
consumado e tentado. 3.2. Ilicitude e causas de exclusão. 3.3 Excesso punível. 4. Concurso
de Pessoas. 5. Crimes contra a pessoa. 6. Crimes contra o patrimônio; 7. Crimes contra a
Administração Pública; 8. Disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Penal.
A lei penal no tempo e no espaço. Tempo e lugar do crime. Lei penal excepcional,
especial e temporária. Contagem de prazo. Irretroatividade da lei penal.
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”!
A ultratividade penal consiste na possibilidade de a lei penal já revogada continuar a regular
os fatos praticados durante a sua vigência.
Dois exemplos clássicos são a lei excepcional e a lei temporária. A primeira está relacionada
a situações de anormalidade, vigendo enquanto as circunstâncias que motivaram a sua
edição permanecerem; a segunda é aquela cujo prazo de duração é predeterminado no
tempo na medida em que o seu termo final encontra-se expressamente estabelecido.
Ambas, conforme o art. 3º do Código Penal, mesmo depois de revogadas, continuarão a
regular os acontecimentos ocorridos durante o período que estavam em vigor.
Observe:
Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
Outro exemplo de ultratividade penal ocorre quando lei penal mais benéfica ao réu for
revogada por lei mais gravosa. Neste caso, o diploma mais benéfico, mesmo revogado,
continuará a regular as condutas praticadas no curso da sua vigência.
As assertivas “c” e “d” tratam da mesma espécie de lei: a lei penal interpretativa ou
explicativa, aquela destinada tão somente a esclarecer o conteúdo de uma outra norma.
Um exemplo é o art. 327 do Código Penal, que define “funcionário público, para os efeitos
penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou
função pública.”
141 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A retroatividade da lei penal mais benéfica tem sede no texto constitucional, em
seu art. 5º, XL, mas NÃO está condicionada a qualquer requisito. Significa dizer: basta
tratar-se de lei mais benéfica para que se aplique a fatos pretéritos. Nesse sentido é o art.
5º, XL, da CF e art. 2º do CP:
CF, art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
CP, art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando
em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
142 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A forma pela qual se dará a contagem dos prazos penais encontra-se estabelecida no art.
10 do Código Penal. Vejamos:
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos
pelo calendário comum.
Com base no disposto no Código Penal, está INCORRETA a alternativa “b”, pois ausente
qualquer previsão no sentido de que o prazo que terminar em domingo ou dia feriado
considerar-se-á prorrogado até o dia útil imediato.
Em verdade, os prazos penais são improrrogáveis, ou seja, mesmo que o termo inicial ou
final caia num sábado, domingo, ou feriado, não se prorroga.
143 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Não confunda com os prazos PROCESSUAIS penais, que, além de serem prorrogáveis
(se terminarem em sábado, domingo ou dia feriado, considerar-se-ão prorrogados até o dia
útil imediato), devem excluir do cômputo o dia do começo e incluir o dia do término. Assim:
• Prazo penal: na contagem, deve ser computado o dia do início e desprezado o dia do
término. São improrrogáveis.
• Prazo processual penal: na contagem, deve ser excluído o dia do início e computado
o dia do término. São prorrogáveis.
COMENTÁRIO
O crime de moeda falsa está inserido no Título X do Código Penal, dedicado aos crimes
contra a fé pública, especificamente capitulado no art. 289 desse Diploma Repressivo:
Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no
país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire,
vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circu-
lação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou diretor, geren-
te, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
144 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava
ainda autorizada.
COMENTÁRIO
a. Errada! A lex tertia não encontra amparo na jurisprudência dos Tribunais Superiores,
assentes no sentido de que se deve aplicar uma ou outra lei na sua integralidade, em bloco,
sem que se possa combinar os aspectos mais favoráveis delas.
b. Errada! A regra do tempus regit actum preceitua que deve se aplicar ao fato criminoso a
lei vigente ao tempo de sua prática. Com efeito, a ultratividade da lei temporária não constitui
uma exceção à regra, mas, ao contrário, sua expressão, porque a lei temporária regerá os
fatos praticados quando da sua vigência, ainda que deixe de vigorar posteriormente.
c. Errada! A assertiva é contrária ao enunciado 711 do STF, que assim enuncia:
Súmula 711-STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente,
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”.
145 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Ninguém pode ser condenado por ações ou omissões que, no momento em que forem cometidas,
não sejam delituosas, de acordo com o direito aplicável. Tampouco se pode impor pena mais grave
que a aplicável no momento da perpetração do delito. Se depois da perpetração do delito a lei dis-
puser a imposição de pena mais leve, o delinquente será por isso beneficiado.
COMENTÁRIO
Segundo o art. 13, § 2º, do Código Penal:
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resulta-
do. O dever de agir incumbe a quem:
a. tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b. de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c. com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
Assim, o gabarito, com base no art. 13, § 2º, a, do CP, é a alternativa “b”!
146 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
De acordo com o art. 14, I, do Código Penal, ocorre crime consumado quando nele se
reúnem todos os elementos de sua definição legal. Vejamos:
COMENTÁRIO
De acordo com o art. 14, II, do Código Penal, considera-se crime na forma tentada quando,
iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Vejamos:
147 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! O Código Penal elencou três hipóteses de exclusão da imputabilidade.
Vejamos:
148 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! O conceito de imputabilidade penal compreende a capacidade mental do indivíduo
de, ao tempo da ação ou omissão, entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se
de acordo com esse entendimento. Considera-se, para tanto, a sua idade ao tempo do
crime, bem como eventual doença mental, desenvolvimento mental incompleto, retardado
ou embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior.
b. Errada! Entre as causas de exclusão da imputabilidade, encontra-se a embriaguez
completa proveniente de caso fortuito ou força maior.
149 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Emoção e paixão
Art. 28, CP - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força
maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de
caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
c. Errada! A legislação penal brasileira adotou, como regra, o critério biopsicológico como
aquele de aferição da imputabilidade, que considera a idade do agente no momento do
crime. Assim, a lei brasileira presume, de maneira relativa, que o maior de 18 (dezoito) anos
goza de capacidade biológica suficiente para discernir condutas ilícitas das lícitas.
d. Certa! A assertiva versa sobre o tratamento legal do semi-imputável, dispondo o art. 26,
parágrafo único, do CP que:
Parágrafo único. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não
era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.
e. Errada! Entre as causas de exclusão da imputabilidade, encontra-se a embriaguez
completa proveniente de caso fortuito ou força maior. A embriaguez incompleta – ainda que
acidental –, a voluntária e a culposa não excluem a imputabilidade.
150 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
teorias normativas, seja a extremada seja a limitada, excluem o dolo e a culpa de sua
apreciação.
COMENTÁRIO
A nosso juízo, a questão não apresenta nenhuma alternativa que atenda ao comando
do enunciado, mas serve como um importante instrumento de estudo.
a. Correta! De fato, a teoria normativa pura, adotada pelo finalismo, retira o dolo da
culpabilidade e o coloca no tipo penal. Além disso, o dolo deixa de contemplar a consciência
da ilicitude, que passa a ser um elemento da culpabilidade, mas na sua forma potencial.
Sendo assim, a culpabilidade passa a ser um juízo de reprovação social incidente sobre
o fato e seu autor, devendo o agente ser imputável, atuar com consciência potencial de
ilicitude, sendo-lhe exigível conduta diversa.
b. Correta! O tratamento conferido pela teoria limitada da culpabilidade às descriminantes
putativas é distinto conforme a natureza do erro. Segundo essa teoria, se o erro do agente
incidir sobre uma situação fática inexistente, mas que, se existisse, tornaria a conduta
legítima, haveria erro de tipo permissivo. Por outro lado, se o erro recair sobre a existência
ou sobre os limites de uma causa de justificação, o agente agirá em erro de proibição.
c. Correta! Tanto a teoria normativa quanto a teoria limitada da culpabilidade consagram
como elementos da culpabilidade a potencial consciência da ilicitude, a imputabilidade e a
exigibilidade de conduta diversa. Na verdade, a teoria limitada da culpabilidade só ganha
relevo no tratamento das descriminantes putativas.
d. Correta! A teoria psicológica pura só tinha como elementos o dolo e a culpa, sendo
a imputabilidade o seu pressuposto. Por outro lado, as teorias normativa e limitada da
culpabilidade dispensam a análise do dolo e da culpa.
151 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “e” (todos os itens estão corretos).
A imputabilidade, ao lado da potencial consciência da ilicitude e da exigibilidade de
conduta diversa, são os elementos que compõem a culpabilidade. Isto é, para o agente ser
considerado culpável, ele precisará ser imputável.
Na lição de Rogério Sanchez “imputabilidade é capacidade de imputação, ou seja,
possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal.”
O Código Penal brasileiro elencou três hipóteses que excluem a imputabilidade. São elas:
1) Anomalia psíquica (art. 26, caput, do CP):
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial.
3) Embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior (art. 28, § 2º, do
CP):
Art. 28, § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito
ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento
152 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Inicialmente, crime falho e tentativa imperfeita não são sinônimos. Crime falho
(ou tentativa perfeita) ocorre quando o agente esgota todos os meios de execução ao seu
alcance e, mesmo assim, a consumação do crime não ocorre por circunstâncias alheias à
sua vontade. De outra sorte, na tentativa imperfeita (ou inacabada), o processo executório
é interrompido e o agente não consegue esgotar os meios de execução que lhe estão
disponíveis. Aqui, o agente é impedido de prosseguir na execução por circunstâncias alheias
à sua vontade.
b. Errada! Na desistência voluntária, embora se exija voluntariedade, não se exige
espontaneidade. No caso de o agente desistir de prosseguir na execução por conselho de
seu advogado, a decisão do agente é voluntária, mas não espontânea – será espontânea
quando a ideia da desistência partir dele mesmo. Por outro lado, será voluntária quando a
desistência não resultar de coação moral ou física, ainda que a sua ideia tenha partido de
outrem.
Logo, existe sim desistência voluntária no caso de agente que desiste de prosseguir com
os atos de execução por conselho de seu advogado.
c. CERTA! Pela teoria objetiva, consagrada no art. 14, II, do Código Penal, a punição pela
tentativa se atém ao perigo efetivo que o bem jurídico corre, o que somente se configura
quando os atos executórios, de caráter unívoco, têm início, com idoneidade, para atingi-lo.
d. Errada! O arrependimento posterior não exclui a tipicidade do crime, apenas funciona
como causa de redução de pena.
Sobre o arrependimento posterior, façamos a leitura do art. 16 do Código Penal:
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou res-
tituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.
153 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! O arrependimento eficaz, previsto no art. 15 do Código Penal, ocorre quando
o agente, depois de praticar os atos executórios, impede que o resultado se produza,
respondendo apenas pelos atos já praticados.
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resul-
tado se produza, só responde pelos atos já praticados.
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou res-
tituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.
c. Errada! O crime impossível ou tentativa inidônea ocorre quando, por ineficácia absoluta
do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. Tal
instituto encontra assento no art. 17 do CP:
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta improprie-
dade do objeto, é impossível consumar-se o crime.
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resul-
tado se produza, só responde pelos atos já praticados.
e. Errada! Tentativa (art. 14, II, do CP) é a não consumação do crime por circunstâncias
alheias à vontade do agente.
154 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Concurso de Pessoas
COMENTÁRIO
a. Correta! Está de acordo com o art. 29, caput, do CP.
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena
deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais
grave.
155 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras!
Afirmativa 1: VERDADEIRA! A afirmativa narrou o crime de receptação culposa, previsto
no art. 180, § 3º, do Código Penal.
Art. 180, § 3º Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e
o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.
Afirmativa 2: falsa! Comete crime de ROUBO PRÓPRIO (e não de extorsão!) aquele que
subtrai, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, mediante grave ameaça ou violência
contra a pessoa. Nesse sentido, art. 157, caput, do CP:
156 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência
a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para
si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer
alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Afirmativa 3: falsa! Comete crime de ROUBO IMPRÓPRIO (e não crime de furto!) aquele
que, logo após subtrair a coisa, emprega grave ameaça, a fim de assegurar a detenção da
coisa para si. Nesse sentido, art. 157, § 1º, do CP:
Art. 157, § 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência
contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa
para si ou para terceiro.
Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
42 MASSON, Cleber. Direito penal: parte especial arts. 121 a 212. 8ª ed. São Paulo: Forense,
2018.
157 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A conduta narrada no enunciado da questão é aquela tipificada no art. 347 do CP, isto é,
fraude processual. Observe:
Fraude processual
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de
lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não
iniciado, as penas aplicam-se em dobro.
COMENTÁRIO
A pena para o crime de “dano qualificado” é a de detenção, de seis meses a três anos,
e multa, além da pena correspondente à violência, nos termos do art. 163, parágrafo
único, do CP, in verbis:
158 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos;
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”!
I: certo! É o que estabelece o art. 321 do Código Penal.
Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública,
valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.
159 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Concussão
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
III: certo! Está tipificada no art. 315 do Código Penal a conduta de dar às verbas ou rendas
públicas aplicação diversa da estabelecida em lei, correspondendo ao crime de “emprego
irregular de verbas ou rendas públicas”.
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
COMENTÁRIO
A questão narrou o crime de advocacia administrativa, conduta tipificada no art. 321 do
CP.
Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública,
valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.
160 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Montou um grupo nas redes sociais e convocou amigos e escaladores. No dia marcado
para a subida, havia previsão de chuva e ventos, que poderiam ocorrer na metade do tra-
jeto. No pé do pico, lugar de início da subida, foi colocada uma placa indicando que não
era seguro escalar em função das condições climáticas. Como a escalada era muito longa,
ele foi orientado por colegas instrutores que não promovesse a escalada. Três amigos
de Mélvio, que não tinham experiência nessa prática esportiva, foram fazer a escalada
para prestigiar Mélvio. Um deles, ao ouvir a fala dos demais instrutores, resolveu não su-
bir, mas os outros dois cederam à insistência de Mélvio, que considerava a subida fácil,
apesar de longa. Feliz, Mélvio disse que, apesar da chuva e do vento previstos, nada iria
derrubá-los na escalada e que tudo estava sob controle, afirmando que muitas vezes tais
previsões estavam erradas. Mesmo sabendo que não era 100% seguro fazer a escalada,
principalmente para os iniciantes, Mélvio se colocou como responsável por seus amigos,
garantindo-se em seus 10 anos de experiência. Não obstante, a previsão se confirmou.
Com a chegada do vento e da tempestade, Mélvio não conseguiu dar o suporte prometido
para seus amigos, que acabaram sendo arremessados, pelo vento e chuva, para baixo.
Com a queda, os dois amigos vieram a falecer.
Sabe-se que:
I – restou comprovado que o material de escalada de Mélvio era compatível com os níveis
de segurança exigidos para escaladas nas condições acima expostas;
II – o instrutor possuía autonomia e registro para a promover escaladas, com experiência
no tipo de subida proposto e reconhecido pela ACE;
III – o percentual de acertos de tais previsões do tempo, para as próximas horas, era de
95% em relação ao local da escalada, como estava exposto na placa;
IV – os amigos de Mélvio que caíram somente subiram com a garantia de segurança do
instrutor.
É correto afirmar que Mélvio:
a. deve responder por homicídio doloso em sua forma direta, devido a sua condição de
agente garantidor.
b. deve responder por homicídio culposo, devido a sua condição de agente garantidor.
c. não deve responder por homicídio, uma vez que seus amigos aceitaram sua garantia
para subir.
d. não deve responder pela prática de homicídio, uma vez que o mau tempo era alheio à
sua vontade.
e. deve responder por homicídio doloso, considerando o dolo eventual, porque, mesmo
sem a intenção de matar, não levou em consideração os avisos dos demais instrutores.
161 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Mélvio, mesmo ciente das condições climáticas que poderia pôr em risco a prática de
escalada, decidiu insistir no seu intento inicial, considerando que a sua expertise na prática
superasse qualquer adversidade. Além disso, ele atuou na condição de garante da segurança
de seus dois amigos, nos termos do art. 13, § 2º, do Código Penal:
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a. tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b. de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c. com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
Sendo assim, Mélvio, devido à sua condição de agente garantidor, deve responder por
homicídio culposo, por ter atuado com culpa consciente, acreditando que o resultado não
se realizaria.
COMENTÁRIO
a. Errada! O homicídio praticado por grupo de extermínio é hediondo, a teor do art. 1º, I, da
Lei n. 8.072/1990:
Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei n. 2.848,
de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, consumados ou tentados:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que co-
metido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII);
b. CERTA! Essa é uma das hipóteses de homicídio qualificado, prevista no art. 121, § 2º, V,
do Código Penal:
162 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. Errada! Essa é uma circunstância que agrava a pena, nos termos do art. 61, II, i, do CP:
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o
crime:
(...)
i. quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
d. Errada! Essa é uma causa de aumento de pena, mas restrita ao homicídio culposo e ao
feminicídio, conforme art. 121, §§ 4º e 7º, II, do CP:
§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservân-
cia de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à
vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
(...)
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado:
(...)
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física
ou mental;
e. Errada! O homicídio praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço
de segurança, é causa de aumento de pena, consoante estabelece o § 6º do art. 121 do CP:
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
COMENTÁRIO
A lesão corporal está tipificada no art. 129 do Código Penal, podendo ser leve, grave ou
gravíssima, como se vê:
Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal de natureza grave
163 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 1º Se resulta:
I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º Se resulta:
I - incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
COMENTÁRIO
a. Errada! A reincidência, na verdade, INTERROMPE a prescrição, conforme estabelece o
art. 117, VI, do Código Penal:
164 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Errada! A reincidência, por si só, NÃO impede o livramento condicional, embora o torne
mais dificultoso, tratando-se de reincidência em crime doloso (art. 83, II, do CP). Apenas
a reincidência em crime hediondo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
tráfico de pessoas e terrorismo impede a concessão do livramento condicional, a teor do art.
83, V, do CP. Confira:
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade
igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:
(...)
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
(...)
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática
de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o ape-
nado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.
Art. 33, § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva,
segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de
transferência a regime mais rigoroso:
a. o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b. o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito),
poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c. o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o
início, cumpri-la em regime aberto.
d. CERTA! Não ser reincidente em crime doloso é um dos requisitos para obter a benesse
da suspensão condicional da pena, nos termos do art. 77, I, do Código Penal:
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser sus-
pensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
Art. 44, § 3º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face
de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha
operado em virtude da prática do mesmo crime.
165 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Nos crimes contra a dignidade sexual, em geral, a pena é aumentada em 2/3
(dois terços), e não de metade, se do delito resulta gravidez da vítima, conforme art. 235-A
do Código Penal:
b. Errada! Embora a conduta de Luiz pareça se amoldar ao fato típico inserto no art. 320
do Código Penal, que criminaliza a condescendência criminosa, a assertiva não deixou
claro se a infração praticada por Amâncio ocorreu no exercício da função, o que torna
inviável a tipificação. Para além dessa consideração, há quem considere inexistir relação de
subordinação hierárquica entre o Inspetor e o Delegado.
c. Errada! Na verdade, nesse caso, a pena é aumentada em um terço, segundo dispõe o
art. 250, §1º, II, g, do Código Penal:
Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
166 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
d. Errada! O crime de supressão de documento, capitulado no art. 305 do Código Penal, não
alcança a conduta de reter, mas apenas de destruir (arruinar, eliminar), suprimir (extinguir,
acabar) ou ocultar (esconder, sonegar).
Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio,
documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco
anos, e multa, se o documento é particular.
e. CERTA! No crime de falsa identidade (art. 307, CP), o agente se faz passar por outra
pessoa sem apresentar documento que corrobore a sua identidade. Quando o agente se
vale de documento falso para se passar por outra pessoa, ele incide nas penas do crime de
uso de documento falso, capitulado no art. 304 do Código Penal. Vejamos:
Falsa identidade
Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio
ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais
grave.
Uso de documento falso
Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297
a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
167 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Henrique praticou o crime de uso de documento falso, previsto no art. 304 do Código Penal:
Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297
a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
168 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. art. 125, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal
(aborto provocado por terceiro sem consentimento). Já Pedro responderá como partíci-
pe no crime de Robson.
d. art. 124, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 126 do Código Penal (aborto provocado por
terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.
e. art. 126, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por
terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.
COMENTÁRIO
Ana, ao consentir com o aborto, se subsume ao delito do art. 124, segunda parte, do Código
Penal:
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos.
Por outro lado, Robson responderá pelo delito do art. 126 do Código Penal:
Já Pedro responderá como partícipe do crime tipificado no art. 126 do Código Penal, porque,
embora não tenha realizado diretamente o núcleo do tipo penal, colaborou com o propósito
de interrupção da gravidez.
Obs.: o aborto consentido é um exemplo de exceção à teoria monista adotada pelo Código
Penal. Por essa teoria, todos que, de alguma forma, contribuíram para o delito devem
responder pelo mesmo crime. No entanto, no caso do aborto consentido pela gestante,
cada agente (gestante e aquele que pratica o aborto) respondem por delitos autônomos,
previstos no art. 124 e 126 do Código Penal.
169 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
relata a história para Joana, sua mãe. Esta, abismada com a história, procura a delegacia
do bairro e narra os fatos acima descritos.
Diante desta situação hipotética, assinale a alternativa correta do ponto de vista legal.
a. Gumercinda e Caio responderão pelo delito de satisfação de lascívia mediante a pre-
sença de criança ou adolescente.
b. Gumercinda e Caio não cometeram nenhum crime.
c. Gumercinda e Caio praticaram exploração sexual de criança ou adolescente.
d. Gumercinda e Caio praticaram crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
e. Apenas Gumercinda responderá pelo delito de satisfação de lascívia mediante a pre-
sença de criança ou adolescente.
COMENTÁRIO
Caio e Gumercinda não praticaram crime algum. Poderia cogitar-se da prática do delito de
satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente, descrito no art. 218-A
do Código Penal. No entanto, tal delito exige dolo e, além disso, elemento subjetivo especial
do tipo, consubstanciado na intenção de satisfazer lascívia própria ou alheia:
Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar,
conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.
Erro. Descriminantes putativas. Erro determinado por terceiro. Erro sobre a pessoa.
Erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição) (temas cobrados apenas para o cargo
de Delegado!).
COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 21 do CP.
170 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não mani-
festamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
c. Errada! A ordem manifestamente ilegal não deve ser cumprida, razão pela qual deverão
ser responsabilizados tanto o superior hierárquico quanto o executor.
Apenas se o fato for cometido em estrita obediência à ordem NÃO manifestamente ilegal de
superior hierárquico que somente o autor da ordem será punido, conforme o art. 22 do CP,
acima transcrito.
d. Errada! O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado NÃO isenta de pena,
mas faz o agente responder como se tivesse acertado a pessoa contra quem gostaria de ter
agido, nos termos do art. 20, §3° do CP.
171 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Na verdade, trata-se da figura conhecida como aberratio ictus, contemplada no
art. 73 do Código Penal:
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir
a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime
contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também
atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime,
sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como
crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime,
sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como
crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
c. Errada! A mãe não age em erro de proibição, mas em erro de tipo, porque se equivoca
sobre um elemento que constitui um tipo penal.
d. CERTA! No erro de proibição indireto, o agente sabe que a sua conduta é típica, mas
supõe presente uma norma permissiva, ora supondo existir uma causa excludente da
ilicitude, ora supondo estar agindo nos limites da descriminante. O erro de proibição indireto
é previsto no art. 20, § 1º, do CP:
Descriminantes putativas
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação
de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de
culpa e o fato é punível como crime culposo.
172 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Celso, ao empurrar Maurício para evitar que a fruta lançada por Joca lhe
atingisse, age em legítima defesa de terceiro com excesso exculpante ou, no máximo, com
excesso culposo. O excesso exculpante busca eliminar a culpabilidade do indivíduo por não
poder ser exigível dele outra conduta diante das circunstâncias do caso concreto. Já se se
considerar tratar-se de excesso culposo, Celso responderá apenas pelos atos que excedeu
ao necessário para afastar a injusta agressão.
b. Errada! Se, no mesmo contexto fático, o agente causa lesões corporais de natureza
grave e gravíssima contra a mesma vítima, praticará crime único, com a aplicação da pena
relativa à lesão gravíssima. Trata-se da aplicação do princípio da consunção, quando o
autor do delito pratica dois ou mais crimes e um deles é meio necessário para a prática de
outro, caso em que o primeiro delito será absorvido pelo segundo.
c. CERTA! O erro de tipo permissivo está previsto no art. 20, § 1º, do Código Penal, segundo
o qual: “É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o
erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo”. O Código Penal adotou a Teoria
Limitada da Culpabilidade, pela qual o erro sobre os pressupostos fáticos de uma causa de
173 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
justificação constitui um erro de tipo permissivo, gerando os mesmos efeitos penais do erro
de tipo: exclusão do dolo e permissão da punição como crime culposo, se houver previsão
legal.
d. Errada! Cuida-se de uma progressão criminosa, quando o agente inicialmente pretendia
executar uma conduta menos grave, mas, durante o iter criminis, altera o seu intento inicial,
deflagrando a execução de crime mais grave, que pressupõe o primeiro. Nesse caso, então,
o agente responderá apenas pelo crime mais grave, que, no caso, é a tentativa de homicídio.
174 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
GABARITO
136. b
137. b
138. b
139. b
140. d
141. b
142. d
143. b
144. a
145. d
146. x
147. e
148. c
149. b
150. d
151. b
152. b
153. e
154. a
155. b
156. b
157. b
158. c
159. d
160. e
161. b
162. a
163. b
164. a
165. e
166. c
175 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Delegado de Polícia
176 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Estão corretas as assertivas I, III e IV.
Assertiva I: correta! É o que indica o art. 16 do CPP:
Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial,
senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
Assertiva II: errada! A autoridade policial NÃO poderá mandar arquivar autos de inquérito,
na forma do art. 17 do CPP.
Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver
notícia.
177 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao ju-
ízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão
entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
COMENTÁRIO
a. Errada! Notitia criminis inqualificada é a denúncia anônima, também chamada de delação
apócrifa. Lembre-se de que a denúncia anônima não pode, por si só, deflagrar o inquérito
penal. Antes, a autoridade policial deve realizar diligências para apurar a idoneidade da
acusação.
b. Errada! A delatio criminis postulatória é a comunicação da ocorrência de infração penal
ou de sua autoria feita pela vítima à autoridade competente, solicitando providências como
a instauração do inquérito. A representação também é uma espécie de delatio criminis
postulatória.
c. Errada! Notitia criminis de cognição imediata é o conhecimento de uma infração penal por
meio das atividades rotineiras (atuação funcional) da autoridade policial.
d. Errada! Notitia criminis de cognição mediata ocorre quando alguém do povo, a vítima,
o Juiz ou o Ministério Público levam à autoridade policial a notícia da existência de uma
infração penal.
e. CERTA! Notitia criminis de cognição coercitiva ocorre quando a autoridade policial toma
conhecimento do fato delituoso mediante a apresentação do indivíduo preso em flagrante.
178 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras!
Afirmativa 1: verdadeira! O item reproduz a redação literal do art. 14 do Código de Processo
Penal:
Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência,
que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver
notícia.
Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em
que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria e indi-
cando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.
179 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
O acesso ao inquérito policial deve ser sempre franqueado ao advogado do indiciado no
tocante aos elementos de informação já documentados, conforme assegura a Súmula
Vinculante 14:
Súmula Vinculante 14: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.
A decretação do sigilo não afeta o direito do advogado de ter acesso aos autos. Para o STF:
Há, é verdade, diligências que devem ser sigilosas, sob risco de comprometimento do seu bom
sucesso. Mas, se o sigilo é aí necessário à apuração e à atividade instrutória, a formalização docu-
mental de seu resultado já não pode ser subtraída ao indiciado nem ao defensor, porque, é óbvio,
cessou a causa mesma do sigilo. (...) Os atos de instrução, enquanto documentação dos elementos
retóricos colhidos na investigação, esses devem estar acessíveis ao indiciado e ao defensor, à luz
da Constituição da República, que garante à classe dos acusados, na qual não deixam de situar-se
o indiciado e o investigado mesmo, o direito de defesa. O sigilo aqui, atingindo a defesa, frustra-
-lhe, por conseguinte, o exercício. (...) 5. Por outro lado, o instrumento disponível para assegurar
a intimidade dos investigados (...) não figura título jurídico para limitar a defesa nem a publicidade,
enquanto direitos do acusado. E invocar a intimidade dos demais investigados, para impedir o aces-
so aos autos, importa restrição ao direito de cada um dos envolvidos, pela razão manifesta de que
os impede a todos de conhecer o que, documentalmente, lhes seja contrário. Por isso, a autoridade
que investiga deve, mediante expedientes adequados, aparelhar-se para permitir que a defesa de
cada paciente tenha acesso, pelo menos, ao que diga respeito a seu constituinte.
(HC n. 88.190, voto do Rel. Min. Cezar Peluso, 2ª T, j. 29/08/2006, DJ de 06/10/2006.)
180 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Dentre as diversas características do inquérito policial, merecem destaque as seguintes:
→ Inquisitividade: ao contrário da ação penal, esse procedimento não se subordina aos
princípios do contraditório e da ampla defesa. Pelo contrário, a autoridade policial conduz
as investigações de forma unilateral com base na discricionariedade, sem a definição de um
rito pré-estabelecido e sem a necessidade de participação do investigado.
→ Sigilo: nos termos do art. 20 do CPP: “A autoridade assegurará no inquérito o sigilo
necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.”.
→ Dispensabilidade: o titular da ação penal pode dispensar total ou parcialmente o
inquérito, desde que já possua justa causa para a instauração da ação penal.
→ Escrito: o art. 9º do CPP assegura que: “Todas as peças do inquérito policial serão,
num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela
autoridade”.
À vista disso, é equivocado atribuir o caráter de “público” ao inquérito policial.
181 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
d. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias, se o indiciado tiver sido preso em
flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir
do dia da comunicação ao juiz do cumprimento da ordem de prisão, ou no prazo de 30
(trinta) dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.
e. No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas. Quando o fato for de difícil eluci-
dação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos
autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo acordado pelo Ministé-
rio Público e marcado pelo juiz.
COMENTÁRIO
a. CERTA! É o que prevê o § 1º do art. 10 do CPP:
§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz compe-
tente.
b. Errada! A reprodução simulada dos fatos não pode contrariar a moralidade ou a ordem
pública. Logo, não poderá ser realizada em qualquer situação e em qualquer crime
Nesse sentido, art. 7º do CPP:
Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a au-
toridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie
a moralidade ou a ordem pública.
c. Errada! Obriga o art. 9º do CPP que todas as peças do inquérito policial sejam, num só
processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, deverão ser rubricadas
pela autoridade.
Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou dati-
lografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante,
ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se
executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem
ela.
182 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Errada! O prazo para a realização de novas diligências será fixado pelo Juiz, segundo art.
10, § 3º, do CPP:
§ 3º Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer
ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado
pelo juiz.
COMENTÁRIO
a. Errada! O requerimento para instauração de inquérito policial não obriga o Delegado a
deflagrar o procedimento administrativo, tanto é que o Código de Processo Penal (art. 5º, §
2º) prevê recurso ao Chefe de Polícia no caso de o Delegado indeferir o requerimento.
§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe
de Polícia.
183 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba
ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verifica-
da a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto
ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
Ação Penal
COMENTÁRIO
Dispõe o art. 25 do CPP que:
184 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Apenas a alternativa “a” está incorreta!
O titular da ação penal pública, seja ela incondicionada ou condicionada, é o Ministério
Público. A diferença é que, na ação penal pública condicionada, ao contrário do que ocorre
na ação penal pública incondicionada, a atuação do parquet fica subordinada à concretização
de uma condição, que pode ser a representação do ofendido ou a requisição do Ministro da
Justiça.
COMENTÁRIO
a. Correta!
Código Penal
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.
185 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Correta!
Código Penal
Art. 100, § 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o
exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.
c. Correta!
Código Penal
Art. 100, § 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem
tenha qualidade para representá-lo.
d. Correta!
Código Penal
Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia.
Provas
186 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! De fato, autoriza o art. 156, II, do CPP, que, antes de proferir a sentença, o Juiz
poderá, de ofício, determinar a realização de diligências complementares para esclarecer
ponto relevante.
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
(...)
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.
b. Errada! As provas derivadas daquelas consideradas ilícitas, via de regra, também deverão
ser consideradas ilícitas, sendo, portanto, inadmissíveis no processo penal. Consistem,
assim, em provas ilícitas por derivação.
Conforme Renato Brasileiro:
Provas ilícitas por derivação são os meios probatórios que, não obstante produzidos, validamente,
em momento posterior, encontram-se afetados pelo vício da ilicitude originária, que a eles se trans-
mite, contaminando-os, por efeito de repercussão causal. 43
Essa contaminação por derivação, aliás, fundamenta-se na célebre teoria dos frutos da
árvore envenenada, que, após a Lei n. 11.690/2008, passou a constar expressamente no
§ 1º, do art. 157, do CPP.
Vejamos:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei.
11.690, de 2008)
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado
o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei n. 11.690, de 2008)
43 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7ª ed. rev., ampl. e
atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2019, p. 647.
187 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
BRASILEIRO elucida:
De acordo com a teoria ou exceção da fonte independente, se o órgão da persecução penal de-
monstrar que obteve, legitimamente, novos elementos de informação a partir de uma fonte autô-
noma de prova, que não guarde qualquer relação de dependência, nem decorra da prova origina-
riamente ilícita, com esta não mantendo vínculo causal, tais dados probatórios são admissíveis,
porque não contaminados pela mácula da ilicitude originária. 44
De acordo com a teoria da descoberta inevitável, também conhecida como exceção da fonte hipo-
tética independente, caso se demonstre que a prova derivada da ilícita seria produzida de qualquer
modo, independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida. 45
Em que pese a teoria não tenha sido expressamente citada pelo legislador do Código de
Processo Penal, doutrina e jurisprudência majoritárias assentam que o seu conteúdo pode
ser extraído do art. 157, § 2º, do CPP, pelo qual: “considera-se fonte independente aquela
que, por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução
criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.”
c. Errada! O Juiz, ao sentenciar o processo, NÃO pode fundamentar sua decisão
exclusivamente com base nas provas produzidas em fase de inquérito policial, como bem
determina o art. 155 do CPP:
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamen-
tado de qualquer das partes.
e. Errada! O silêncio do acusado em seu interrogatório NÃO pode ser interpretado como
confissão.
Nesse sentido, art. 198 do CPP:
Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a
formação do convencimento do juiz.
44 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7ª ed. rev., ampl. e
atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2019, p. 649.
45 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7ª ed. rev., ampl. e
atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2019, p. 651.
188 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Ao contrário! Via de regra, o Direito Processual Penal brasileiro adota o sistema
de avaliação de prova denominado “livre convicção”, “livre convencimento” ou “da persuasão
racional”, segundo o qual o Juiz deverá formar a sua convicção pela livre apreciação da
prova produzida nos autos, sempre de maneira motivada, falando-se, assim, na existência
de um livre convencimento motivado.
b. Errada! Como visto acima, via de regra adota-se o sistema de avaliação de prova
denominado “livre convencimento motivado”. No que tange ao Tribunal do Júri, porém, aplica-
se o sistema da “íntima convicção”, o que confere aos jurados ampla liberdade decisória, à
medida que poderão decidir segundo suas próprias convicções, afastada a necessidade de
fundamentação.
c. Errada! O Juiz NÃO poderá fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação. Nesse sentido, art. 155 do CPP:
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório ju-
dicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.
189 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “d”, por ser a única que não indicou hipótese que autoriza a busca
domiciliar, nos termos do art. 240, § 1º, do CPP, que assim define:
190 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
b. Tendo em vista que é dispensável ordem judicial para a apreensão de telefone celular,
também não é necessária autorização para o acesso as mensagens de WhatsApp, visto
que se trata de medida implícita à apreensão.
c. É necessário somente requisição do Ministério Público para o acesso às mensagens
de WhatsApp.
d. Como se trata de procedimento preliminar investigatório, não é necessária a prévia au-
torização judicial para que a autoridade policial possa ter acesso ao WhatsApp da pes-
soa que foi presa em flagrante delito.
e. É necessária prévia autorização judicial para que a autoridade policial possa ter acesso
ao WhatsApp da pessoa que foi presa em flagrante delito.
COMENTÁRIO
No entendimento do Superior Tribunal de Justiça:
Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração
de dados e de conversas registradas no WhatsApp presentes no celular do suposto autor de fato
delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante.
STJ. 6ª Turma. RHC n. 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/04/2016 (Info 583).
Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a
apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo
telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracte-
res, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa
ou móvel ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática.
STJ. 5ª Turma. RHC n. 67.379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593).
191 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Disciplina o art. 161 do CPP que:
Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora.
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto
ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
c. Errada! O erro está na parte final da assertiva, pois as partes podem formular quesitos e
indicar assistente técnico, a teor do art. 159, § 3º, do CPP:
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios,
a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, junta-
rão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.
192 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
d. Meio de prova é tudo que é idôneo a fornecer o resultado apreciável para a deci-
são do juiz.
e. Elemento de prova é o dado bruto que se extrai da fonte da prova, ainda não valorado
pelo juiz.
COMENTÁRIO
a. Errada! No processo penal, admite-se, em regra, todo tipo de prova. Apenas as provas
ilícitas e as derivadas de ilícitas são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas dos autos
do processo. Sobre o tema, vide art. 157 do CPP:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras.
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe,
próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
Conforme entendimento desta Corte Superior, uma vez garantido às partes do processo o contra-
ditório e ampla defesa por meio de manifestação quanto ao teor da prova emprestada, como no
caso dos autos, não há vedação para sua utilização, ainda que não exista identidade de partes com
relação ao processo na qual foi produzida.
(AgRg no AREsp 1.104.676/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
11/12/2018, DJe 01/02/2019).
c. Errada! Fontes de prova são pessoas e coisas de onde provém a prova; são aqueles
elementos externos ao processo, dos quais se podem extrair informações relevantes para a
comprovação do alegado. A definição trazida pela alternativa se refere aos meios de prova.
d. Errada! Meios de prova são os instrumentos que permitem levar ao Juiz os elementos
que o ajudarão a formar seu entendimento acerca do caso; é todo elemento pelo qual se
procura mostrar a existência e a veracidade de um fato.
e. CERTA! Os elementos de prova são todos os fatos ou circunstâncias em que reside a
convicção do Juiz; é cada um dos dados objetivos que confirmam ou negam uma asserção
a respeito de um fato que interessa à decisão da causa.
193 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. CERTA! O acusado tem a favor de si o princípio da presunção de inocência, que
transporta o ônus da prova para a acusação. Sendo assim, ainda que o acusado não prove
sua inocência, se a acusação não se desincumbir do encargo de provar a culpa do réu, ou
não afastar a dúvida razoável sobre sua inocência, se imporá a absolvição.
b. Errada! A prova ilícita só eivará de ilicitude as provas que dela derivarem; não torna nulo
todo o processo.
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras.
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas
pelas partes.
d. Errada! Pelo contrário, se há vínculo causal entre determinada prova e a prova tida como
ilícita, aquela também deverá ser desconsiderada, porque também eivada pelo vício da
ilicitude. Trata-se da teoria da árvore dos frutos envenenados, pela qual toda prova que
derive de uma prova ilícita também será tida por ilícita. A prova derivada da ilícita só não
será ilegítima quando não for evidenciado o nexo de causalidade entre elas ou a prova
derivada puder ser obtida por uma fonte independente. Nesse sentido:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras.
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe,
próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
194 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Competência
COMENTÁRIO
Essa celeuma quanto à competência foi recentemente objeto de apreciação do Superior
Tribunal de Justiça, que assim consignou:
Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho, ainda que
inexistentes indícios de transnacionalidade na conduta.”
STJ. 3ª Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/09/2018 (Info 635).
195 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! Indica o art. 70 do CPP que:
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração,
ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.
Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou
residência do réu.
§ 1º Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção.
§ 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que
primeiro tomar conhecimento do fato.
b. Errada! Havendo duas ou mais pessoas sendo acusadas do mesmo crime, a competência
será fixada pela continência (e não pela conexão!), na forma do art. 77, II, do CPP:
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguin-
tes regras:
I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência do júri;
196 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! No art. 69 do CPP estão previstos os critérios que determinam a competência
jurisdicional, dentre os quais encontra-se no inciso IV a distribuição como fator determinante.
Observe:
197 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou,
no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.
c. Errada! Ao Tribunal do Júri compete o julgamento dos crimes dolosos contra a vida,
consumados ou tentados, consoante o art. 5°, XXXVII, d, da CF/1988 e art. 74, § 1º do CPP:
Art. 5º, XXXVIII, da CF. é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,
assegurados: (...)
d. a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
Art. 74 do CPP. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização
judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri.
§ 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122,
parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados.
Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou
residência do réu.
Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais
jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.
198 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
A princípio, os crimes praticados em detrimento de empresas públicas são da competência
da Justiça Federal, por força do art. 109, IV, da CF:
No entanto, em caso de crime praticado contra agência dos Correios, deve-se perquirir de
qual espécie de agência se trata. Tratando-se de agência própria, subsiste a competência
da Justiça Federal. Por outro lado, se a agência for franqueada, a competência passará
a ser da Justiça Estadual, porque, nesse caso, se entende que não há prejuízo à empresa
pública federal, já que, segundo o contrato de franquia, a franqueada responsabiliza-se
por eventuais perdas e danos dos bens cedidos pela franqueadora. Por fim, tratando-se de
agência comunitária, a competência será da Justiça Federal.
Para facilitar a memorização:
199 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A assertiva narrou o conceito de flagrante impróprio, isto é, quando o agente é
preso logo após cometer a infração penal, depois de ser perseguido pela autoridade, pelo
ofendido, ou por qualquer pessoa em situação que faça induzir ser autor daquela infração,
nos termos do art. 302, III, do CPP:
200 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Previsto no art. 302, IV, do CPP, tem-se o flagrante presumido, assimilado ou ficto quando
o agente é encontrado logo depois da prática delituosa com instrumentos, objetos, armas
ou qualquer coisa que faça presumir ser ele o autor da infração, sendo desnecessária a
existência de perseguição. Veja:
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro)
horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença
do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério
Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: (Redação dada pela Lei n. 13.964,
de 2019)
I - relaxar a prisão ilegal; ou (Incluído pela Lei n. 12.403, de 2011).
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art.
312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da
prisão; ou (Incluído pela Lei n. 12.403, de 2011).
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei n. 12.403, de 2011).
§ 4º A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser
cumulada com outras medidas cautelares.
e. Errada! Suspensão do exercício de função pública pode ser aplicada como medida
cautelar diversa da prisão, conforme o art. 319, VI, do CPP:
201 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até doze anos de ida-
de incompletos.
COMENTÁRIO
O artigo 318 do CPP traz as hipóteses em que o Juiz pode substituir a prisão preventiva pela
domiciliar, vejamos:
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com de-
ficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos.
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste
artigo.
Dentre as alternativas da questão, a única que corresponde a uma hipótese listada no art.
317 é a alternativa “e”.
202 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A prisão em flagrante, ainda quando se trate de flagrante impróprio (isto é,
quando o agente é preso logo após cometer a infração penal, depois de ser perseguido pela
autoridade, pelo ofendido, ou por qualquer pessoa em situação que faça induzir ser autor
daquela infração), pode ser realizada por qualquer pessoa do povo, em caráter facultativo,
nos termos do art. 301 do CPP:
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem
quer que seja encontrado em flagrante delito.
b. Errada! Nesse caso, a autoridade policial deve prender o agente em flagrante, e não
representar pela prisão preventiva. Cuida-se do chamado flagrante presumido, assimilado
ou ficto, previsto no art. 302, IV, do CPP, quando o agente é encontrado logo depois da
prática delituosa com instrumentos, objetos, armas ou qualquer coisa que faça presumir ser
ele o autor da infração, sendo desnecessária a existência de perseguição.
c. Errada! Pelo contrário, o Código de Processo Civil determina que, nas infrações
permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência
(art. 303 do CPP).
Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar
a permanência.
d. Errada! A falta de testemunha não impede a prisão em flagrante, mas o auto deve ser
assinado por duas testemunhas, além do condutor da prisão, que tenham testemunhado a
apresentação do preso à autoridade. É o que regula o art. 302, § 2º, do CPP:
§ 2º A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante; mas, nesse
caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a
apresentação do preso à autoridade.
§ 1º Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao juiz compe-
tente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia
integral para a Defensoria Pública.
203 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! A autoridade policial poderá conceder fianças na hipótese de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não ultrapasse 4 (quatro) anos. É o que determina o caput do
art. 322 do CPP:
Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos.
b. Errada! O delito putativo por obra de agente provocador, ou flagrante provocado, ocorre
quando alguém, de forma insidiosa, provoca o agente à prática de um crime, ao mesmo
tempo que toma providências para que este não se consume. Nesse caso, não há crime, a
teor do enunciado 145 do STF:
Súmula 145-STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a
sua consumação.”
O quase-flagrante, por outro lado, ocorre quando o agente é perseguido logo após a infração
pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser
ele o autor da infração, nos termos do art. 302, III, do CPP, in verbis:
204 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. Errada! Embora essa seja uma afirmação comum para os leigos, inexiste qualquer
previsão legal nesse sentido. A configuração do flagrante, em verdade, deve se alinhar
apenas ao que estabelece o art. 302, in verbis:
Art. 290. Se o réu, sendo perseguido, passar ao território de outro município ou comarca, o executor
poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-o imediatamente à autoridade
local, que, depois de lavrado, se for o caso, o auto de flagrante, providenciará para a remoção do
preso.
COMENTÁRIO
a. CERTA! É essa a previsão do art. 399 do CPP:
Art. 339. Será também cassada a fiança quando reconhecida a existência de delito inafiançável, no
caso de inovação na classificação do delito.
205 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. Errada! A dispensa da fiança é ato que compete ao Juiz, e não ao Delegado, conforme se
extrai do art. 325, §1º, I c/c art. 350 do CPP:
Art. 325, § 1º Se assim recomendar a situação econômica do preso, a fiança poderá ser:
I - dispensada, na forma do art. 350 deste Código;
Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a situação econômica do preso, po-
derá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328
deste Código e a outras medidas cautelares, se for o caso.
Art. 343. O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do seu valor, caben-
do ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o caso, a decretação
da prisão preventiva.
Citações e intimações
COMENTÁRIO
Correta a alternativa “d”, com base no art. 363 do CPP, que assim dispõe:
Art. 363. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado.
Lei n. 9.099/1995
206 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
as regras de conexão e continência. O Juizado Especial Criminal está regulado pela Lei n.
9.099/1995. No que se refere ao Procedimento nos Juizados Especiais Criminais, segun-
do a referida Lei, é correto afirmar que
a. todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o
Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.
b. a sentença, que deverá conter o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz.
c. em nenhuma hipótese poderá ser oferecida queixa oralmente.
d. da decisão de rejeição da denúncia ou queixa não caberá apelação.
e. em sede de Juizados Especiais Criminais não cabem Embargos de Declaração, em ra-
zão do princípio da celeridade processual que rege o procedimento.
COMENTÁRIO
a. CERTA! É o que determina o art. 33 da Lei n. 9.099/1995:
Art. 33. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não
requeridas previamente, podendo o Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinen-
tes ou protelatórias.
Art. 38. A sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve resumo dos fatos
relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório.
c. Errada! Poderá ser oferecida queixa oralmente na ação penal de iniciativa do ofendido,
segundo o art. 77, § 3º, da Lei n. 9.099/1995:
§ 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral, cabendo ao Juiz
verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso determinam a adoção das providências
previstas no parágrafo único do art. 66 desta Lei.
Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que
poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição,
reunidos na sede do Juizado.
Art. 83. Cabem embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade,
contradição ou omissão.
207 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
COMENTÁRIO
a. Errada! De fato, é perfeitamente possível a composição dos danos civis em conciliação
realizada no Juizado Especial Criminal. No entanto, ao contrário do que a assertiva afirma,
a decisão que homologa essa conciliação é irrecorrível e, além disso, importa renúncia ao
direito de queixa ou representação. É o que se afirma no art. 74, parágrafo único, da Lei n.
9.099/1995:
Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condi-
cionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou repre-
sentação.
208 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 76, § 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará
a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas
para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.
Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá
ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos
na sede do Juizado.
Art. 76, § 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de
antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis,
cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível.
Art. 78. Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-se cópia ao acusado,
que com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiên-
cia de instrução e julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o
responsável civil e seus advogados.
209 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. Os crimes cuja pena mínima cominada em abstrato seja igual ou inferior a dois anos
serão processados e julgados pelo procedimento sumaríssimo.
COMENTÁRIO
a. Errada! Segundo a jurisprudência do STF (Súmula 723), NÃO se admite a suspensão
condicional do processo por crime continuado quando a soma da pena mínima da infração
mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.
Súmula 723-STF: “Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se
a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a
um ano.”
Vale destacar que o art. 89 da Lei n. 9.099/1995 determina que a suspensão condicional do
processo somente será cabível quando, entre outros requisitos legais, ao crime for cominada
pena mínima em abstrato igual ou inferior a um ano.
Quanto ao crime continuado, o art. 71 do Código Penal define que:
Art. 71. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes,
devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de
um sexto a dois terços.
Destarte, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um
sexto for superior a um ano, não cabe suspensão condicional do processo, por violação ao
patamar da pena mínima igual ou inferior a 1 ano.
b. Errada! O procedimento sumaríssimo, previsto na Lei n. 9.099/1995, é o adotado para o
julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, o que abrange:
• As contravenções penais; e
• Os crimes cujas penas MÁXIMAS em abstrato não ultrapassem dois anos.
Nesse sentido, art. 61 da Lei n. 9.099/1995:
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos,
cumulada ou não com multa.
210 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
d. CERTA! A Lei n. 11.340/2006 previu expressamente em seu art. 41 que: “Aos crimes
praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena
prevista, não se aplica a Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995.” Significa dizer que aos
ilícitos positivados na Lei Maria da Penha não incidem os institutos consagrados na Lei n.
9.099/1995, a exemplo da transação penal e da suspensão condicional do processo.
e. Errada! Como visto na explicação da alternativa “b”, os crimes cuja pena MÁXIMA
cominada em abstrato seja igual ou inferior a dois anos serão processados e julgados pelo
procedimento sumaríssimo.
COMENTÁRIO
Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras!
Afirmativa 1: verdadeira! Trata-se do entendimento cristalizado na Súmula 243 do STJ.
211 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem compe-
tência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor poten-
cial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.
(...)
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei,
as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois)
anos, cumulada ou não com multa.
Afirmativa 3: falsa! A competência do juizado será determinada pelo lugar em que foi
praticada a infração penal (e não pelo lugar do domicílio do autor ou do réu!).
Assim preceitua o art. 63 da Lei n. 9.099/1995:
Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração
penal.
Art. 64. Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno e em qualquer
dia da semana, conforme dispuserem as normas de organização judiciária.
212 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
e. O Juízo não poderá rejeitar a denúncia antes que se efetive a fase instrutória do proces-
so penal com o interrogatório do réu.
COMENTÁRIO
A questão versa sobre os crimes de responsabilidade dos servidores públicos, que nada
mais são do que os denominados “crimes funcionais”, previstos nos artigos 312 ao 326
do Código Penal e com rito próprio disciplinado nos artigos 513 ao 518 do Código de
Processo Penal.
a. Errada! Nos crimes de responsabilidade dos servidores públicos, competirá o processo e
julgamento aos Juízes de Direito (e não aos Juízes leigos!), como se depreende do art. 513
do CPP:
Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento
competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justi-
ficação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibili-
dade de apresentação de qualquer dessas provas.
b. Errada! Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição
do Juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar, nos
termos do art. 514, parágrafo único, do CPP:
Parágrafo único. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição
do juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar.
c. Errada! A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações. Nesse sentido,
art. 515, parágrafo único, do CPP:
Art. 518. Na instrução criminal e nos demais termos do processo, observar-se-á o disposto nos
Capítulos I e III, Título I, deste Livro.
e. Errada! O Juízo poderá rejeitar a denúncia antes que se efetive a fase instrutória do
processo penal com o interrogatório do réu, se convencido, pela resposta do acusado ou do
seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação. Assim prevê o art. 516
do CPP:
Art. 516. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se convencido, pela
resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação.
213 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
Recursos em geral
(apenas para o cargo de Delegado de Polícia!)
COMENTÁRIO
a. Errada! Como dispõem o art. 647 do CPP e o art. 5º, LXVIII, da CF/1988, o habeas corpus
é cabível para tutelar o direito de ir e vir diante de uma violência ou coação ilegal. Logo, não
é qualquer coação que legitimará a impetração do remédio constitucional em análise, mas
apenas as coações ilegais.
Com efeito, em rol exemplificativo, prevê o art. 648 do CPP que:
Art. 651. A concessão do habeas corpus não obstará, nem porá termo ao processo, desde que este
não esteja em conflito com os fundamentos daquela.
214 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
c. CERTA! De fato, o habeas corpus, embora classificado pela legislação processual penal
brasileira como “recurso penal”, é uma ação de impugnação de natureza constitucional
fundamentada no art. 5º, LXVIII, da CF/1988, que assim impõe:
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
d. Errada! O habeas corpus também poderá ser impetrado pelo Ministério Público. Nesse
sentido, art. 654 do CPP:
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem,
bem como pelo Ministério Público.
e. Errada! Tanto os Tribunais como os Juízes de 1º grau possuem competência para expedir
de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém
sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal.
Nesse sentido, arts. 647 e 649 do CPP:
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer
violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.
Art. 649. O juiz ou o tribunal, dentro dos limites da sua jurisdição, fará passar imediatamente a or-
dem impetrada, nos casos em que tenha cabimento, seja qual for a autoridade coatora.
COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”! Deverá ser interposta apenas a apelação, ainda que parte
da decisão seja atacável por meio de recurso em sentido estrito.
215 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
§ 4º - Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito, ainda que
somente de parte da decisão se recorra.
COMENTÁRIO
O trancamento do inquérito policial constitui medida excepcional dedicada a encerrar o
procedimento investigativo quando se constata, sem a necessidade de revolvimento da
matéria fático-probatória, a ausência de justa causa para a acusação, a atipicidade da
conduta ou a extinção da punibilidade. Para tanto, a defesa deve valer-se do habeas corpus.
Assim, na situação narrada, diante da constatação de que a punibilidade estava extinta em
razão da prescrição, poderá ser impetrado habeas corpus com o objetivo de trancar o
inquérito policial.
216 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
GABARITO
167. c
168. e
169. b
170. d
171. c
172. a
173. d
174. b
175. a
176. e
177. c
178. d
179. d
180. e
181. d
182. e
183. a
184. d
185. c
186. e
187. b
188. c
189. e
190. e
191. d
192. a
193. d
194. a
195. b
196. d
197. a
198. d
199. c
200. a
201. c
217 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão
218 [Link]