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Questões de Direito para PC/PA

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA

Investigador e Escrivão

SUMÁRIO

DIREITO ADMINISTRATIVO .................................................................... 3


Gabarito................................................................................................ 71
DIREITO CONSTITUCIONAL................................................................... 73
Gabarito...............................................................................................138
DIREITO PENAL....................................................................................140
Gabarito...............................................................................................175
DIREITO PROCESSUAL PENAL...............................................................176
Gabarito...............................................................................................217

2 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Renato Borelli
Juiz Federal do TRF1. Foi Juiz Federal do TRF5. Exerceu a advocacia privada e pública. Foi servidor público
e assessorou Desembargador Federal (TRF1) e Ministro (STJ). Atuou no CARF/Ministério da Fazenda como
Conselheiro (antigo Conselho de Contribuintes). É formado em Direito e Economia, com especialização em
Direito Público, Direito Tributário e Sociologia Jurídica.

DIREITO ADMINISTRATIVO

Banca organizadora: AOCP

Temas cobrados no edital

Delegado de Polícia
1. Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organi-
zação; natureza, fins e princípios. 2. Direito Administrativo: conceito, fontes e princípios. 3.
Organização administrativa: centralização, descentralização, concentração e desconcentra-
ção; organização administrativa da União; administração direta e indireta. 4. Agentes públicos:
espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos;
regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos
e vantagens; regime disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa. 5. Poderes
administrativos: poder vinculado; poder discricionário; poder hierárquico; poder disciplinar;
poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do poder. 6. Ato administrativo: conceito;
requisitos, perfeição, validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória; classi-
ficação, espécies e exteriorização; vinculação e discricionariedade. Intervenção do Estado na
propriedade privada. 7. Serviços públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle;
forma, meios e requisitos; delegação: concessão, permissão, autorização. 8. Controle e res-
ponsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo;
responsabilidade civil do Estado. 9. Licitações e Contratos (Lei n. 8.666/93 e alterações).

Investigador de Polícia Civil, Escrivão de Polícia Civil e Papiloscopista.


1. Noção de organização administrativa. 1.1 Centralização, descentralização, concentra-
ção e desconcentração. 1.2 Administração direta e indireta. 1.3 Autarquias, fundações, empre-
sas públicas e sociedade de economia mista; 2. Ato administrativo. 2.1 Conceito, requisi-
tos, atributos, classificação e espécies; 3. Agente público. 3.1 Legislação pertinente. 3.1.2 Lei
Orgânica da Polícia Civil do Estado do Pará (Lei Complementar n. 022/1994 e alterações).
3.1.3 Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos do Estado do Pará – Lei n. 5.810/1994 e
suas alterações. 3.1.4 Disposições constitucionais aplicáveis. 4. Poderes administrativos. 4.1.
Hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia. 4.2 Uso e abuso do poder. 5. Licitações e
Contratos (Lei n. 8.666/93 e alterações). 5.1 Princípios. 5.2 Contratação direta, dispensa e

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

inexigibilidade. 5.3 Modalidades, tipos e procedimentos. 6. Controle da administração pública.


6.1 Controle judicial. 6.2 Controle legislativo. 7. Responsabilidade civil do Estado. 7.1 Res-
ponsabilidade por ato comissivo do Estado. 7.2 Responsabilidade por omissão do Estado. 7.3
Requisitos para a demonstração da responsabilidade do Estado. 7.4 Causas excludentes e
atenuantes da responsabilidade do Estado.

Estado, governo e Administração Pública: conceitos, elementos, poderes e organi-


zação; natureza, fins e princípios. Direito Administrativo: conceito, fontes e princípios
(apenas para o cargo de Delegado de Polícia!).

1. (INSTITUTO AOCP/CÂMARA DE MARINGÁ-PR/ADVOGADO/2017) Em relação aos Prin-


cípios Constitucionais da Administração Pública, assinale a alternativa correta.
a. A vedação ao tratamento discriminatório dos agentes públicos constitui característica do
princípio da moralidade.
b. A observância às normas de boa administração, em que a Administração Pública de-
verá concretizar suas atividades visando extrair o maior número possível de efeitos
positivos e obtenção de excelência de recursos, diz respeito à aplicação do princípio da
legalidade.
c. A vedação à promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, tendo como base
a publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos,
sem finalidade educativa, informativa ou de orientação social, coaduna-se com o princí-
pio da publicidade.
d. Os atos praticados à luz da moralidade podem ser entendidos como aqueles que inte-
gram o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração.
e. O princípio da legalidade não subordina a Administração Pública à lei.

COMENTÁRIO
a. Errada! A vedação ao tratamento discriminatório dos agentes públicos constitui
característica do princípio da impessoalidade.
b. Errada! A assertiva está versando sobre o princípio da eficiência, e não sobre o princípio
da legalidade.
c. Errada! A vedação à promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, tendo
como base a publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos
públicos, sem finalidade educativa, informativa ou de orientação social, coaduna-se com o
princípio da impessoalidade.
d. CERTA!

4 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! Ao contrário, o princípio da legalidade subordina a Administração Pública à lei.


Como vimos em aula, o princípio da legalidade estabelece que toda e qualquer atividade
da Administração Pública deve ser autorizada por lei. Em outras palavras, diz-se que a
Administração só pode agir segundo a lei (secundum legem), e não contra a lei (contra
legem) ou além da lei (praeter legem).

2. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/AUDITOR FISCAL DE TRIBUTOS


MUNICIPAIS/2020) Acerca do princípio administrativo da autotutela, assinale a alternati-
va correta.
a. Esse princípio permite à Administração Pública a revisão de seus atos, seja por vícios de
ilegalidade (invalidação), seja por motivos de conveniência e oportunidade (revogação).
b. A autotutela repele e abomina favoritismos e restrições indevidas, exigindo tratamento
equânime e marcado pela neutralidade, proibindo que o agente público utilize seu cargo
para a satisfação de interesses pessoais.
c. Esse princípio exige que a ação da administração seja ética e respeite os valores jurídi-
cos e morais.
d. A autotutela exige que a atuação do Poder Público seja transparente, com informações
acessíveis à sociedade.
e. Segundo tal princípio, os atos administrativos se revestem de uma presunção relativa de
que são praticados legitimamente, de acordo com as normas jurídicas.

COMENTÁRIO
a. CERTA! É isso mesmo. O princípio da autotutela possibilita à Administração Pública
controlar seus próprios atos, apreciando-os sob dois aspectos, quais sejam:
• legalidade, em que a Administração pode, de ofício ou provocada, anular os seus atos
ilegais; e
• mérito, em que a Administração reexamina um ato legítimo quanto à conveniência e
oportunidade, podendo mantê-lo ou revogá-lo.
Com efeito, a autotutela encontra respaldo legal (art. 53 da Lei n. 9.784/1999) e jurisprudencial
(Súmula 473 do STF):

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e
pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Súmula 473-STF. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.

5 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Errada! É o princípio da impessoalidade (e não o da autotutela!) que repele e abomina


favoritismos e restrições indevidas, exigindo tratamento equânime e marcado pela
neutralidade, proibindo que o agente público utilize seu cargo para a satisfação de interesses
pessoais.
c. Errada! Decorre do princípio da moralidade a exigência de que a ação da Administração
seja ética e respeite os valores jurídicos e morais.
d. Errada! Advém do princípio da publicidade a exigência de que a atuação do Poder Público
seja transparente, com informações acessíveis à sociedade.
e. Errada! A presunção relativa de que os atos administrativos são praticados legitimamente,
de acordo com as normas jurídicas, é um dos atributos dos atos administrativos. Não
corresponde, assim, a um princípio e nem tampouco ao princípio da autotutela.

3. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/PERITO OFICIAL CRIMINAL/2019) O princípio pelo qual a Ad-


ministração Pública exerce controle sobre seus próprios atos, tendo a possibilidade de
anular os ilegais e de revogar os inoportunos, denomina-se
a. Princípio da Legalidade.
b. Princípio da Autotutela.
c. Princípio da Motivação dos Atos Administrativos.
d. Princípio da Continuidade Administrativa.
e. Princípio da Moralidade Administrativa.

COMENTÁRIO
Conforme o princípio da autotutela, a Administração Pública exerce controle sobre seus
próprios atos, devendo anular os ilegais e revogar os inoportunos.

4. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/PERITO OFICIAL CRIMINAL/2019) Para o Direito Administra-


tivo, o princípio que determina privilégios jurídicos, sobrepondo o interesse público ao
particular, privilegiando a administração pública em face dos administrados e garantindo
à Administração Pública prerrogativas e obrigações não extensíveis aos administrados, é
denominado
a. princípio da supremacia do interesse público.
b. princípio da indisponibilidade do interesse público.
c. princípio da legalidade.
d. princípio da impessoalidade.
e. princípio da moralidade.

6 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A questão está versando sobre o princípio da supremacia do interesse público.
Por supremacia do interesse público entende-se que, havendo um conflito entre o
interesse público e o privado, há de prevalecer o interesse público, tutelado pelo Estado.
É esse princípio que fundamenta todas as prerrogativas especiais de que dispõe a
Administração como instrumentos para a consecução dos fins que a Constituição e
as leis lhe impõem.
Correta, portanto, a alternativa “a”.

5. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/INVESTIGADOR/2019) Tanto os agentes públicos quanto a


Administração Pública devem agir conforme os preceitos éticos, já que tal violação impli-
cará em uma transgressão do próprio Direito, o que caracterizará um ato ilícito de modo a
gerar a conduta viciada em uma conduta invalidada. O enunciado refere-se ao Princípio da
a. Legalidade.
b. Impessoalidade.
c. Moralidade.
d. Supremacia do Interesse Público.
e. Eficiência.

COMENTÁRIO
Correta a alternativa “c”! O princípio da moralidade impõe a necessidade de atuação ética
dos agentes públicos. Diz respeito à noção de obediência aos valores morais, aos bons
costumes, às regras da boa administração, aos princípios da justiça e da equidade, à ideia
comum de honestidade, à ética, à boa-fé e à lealdade.

6. (AOCP/CODEM-PA/ADVOGADO/2017/ADAPTADA) Os princípios são norteadores de


todo o ordenamento jurídico. O mesmo se pode afirmar sobre a administração pública.
Assim, considerando a natureza, os fins e os princípios básicos de Direito Administrativo,
assinale a alternativa correta.
a. Apesar de a Constituição Federal elencar expressamente cinco princípios da adminis-
tração pública, é entendido pela doutrina que outros princípios constitucionais também
se aplicam à presente temática, bem como outros que sequer são mencionados no texto
constitucional.
b. A Administração Pública está obrigada por lei ao cumprimento de certas finalidades,
entre elas a supremacia dos interesses estatais frente aos interesses da coletividade.

7 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Pelo princípio da publicidade, os administrados, ou seja, a coletividade pública em geral,


devem ser tratados sem qualquer discriminação (benéficas ou detrimentosas).
d. Oss princípio do contraditório e da ampla defesa se aplicam quando de litígios judiciais
administrativos, mas não nos procedimentos administrativos em geral.
e. Os atos administrativos não importam em motivação, uma vez que se presume a lisura
e a moralidade da Administração Pública.

COMENTÁRIO
a. CERTA! Realmente, nem todos os princípios a que a Administração Pública deve
obediência encontram-se explícitos no art. 37, caput, da Constituição Federal, que cita os
princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência.
Muitos outros estão expostos em normas infraconstitucionais, enquanto outros não estão
nem mesmo previstos formalmente em norma alguma, mas são reconhecidos pela doutrina
e pela jurisprudência por serem decorrência lógica dos ditames da Carta Magna, possuindo,
assim, a mesma relevância que os princípios expressos. São exemplos os princípios da
supremacia do interesse público, da indisponibilidade do interesse público, da motivação,
da razoabilidade e da proporcionalidade, entre outros.
b. Errada! A Administração Pública está obrigada a observar a supremacia dos interesses
da coletividade frente aos interesses estatais, não o inverso.
c. Errada! A exigência de que os administrados, ou seja, a coletividade pública em geral,
devem ser tratados sem qualquer discriminação (benéficas ou detrimentosas), decorre do
princípio da impessoalidade.
O princípio da publicidade impõe à Administração Pública o dever de dar transparência
a seus atos, tornando-os públicos.
d. Errada! Os princípios do contraditório e da ampla defesa se aplicam aos litígios judiciais
administrativos e também aos procedimentos administrativos em geral.
Embora isso não esteja expresso no artigo 37 da CF, que trata da Administração Pública, há
previsão nesse sentido no artigo 5º, inciso LV:

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegura-
dos o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

Os princípios também estão previstos no caput do art. 2º da Lei n. 9.784/1999 1.


O mestre Hely Lopes Meirelles ensinava que, ao falar em “litigantes” ao lado de “acusados”,
a Constituição não limita o contraditório e a ampla defesa aos processos administrativos

1 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razo-
abilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

punitivos em que haja acusados, mas estende tais garantias a todos os processos
administrativos, punitivos e não punitivos, ainda que neles não haja acusados, mas
simplesmente litigantes.
Com efeito, litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito
de interesses, não necessariamente uma acusação.
e. Errada! Via de regra, todos os atos administrativos importam em motivação. Afinal, é por
meio da indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito que ensejaram a
prática do ato que será possível exercer o controle da legalidade e da moralidade dos atos
administrativos, bem como assegurar o exercício da ampla defesa e do contraditório.

7. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/ADVOGADO/2015/ADAPTADA) Assinale a alternati-


va correta.
a. O Princípio da Impessoalidade, previsto no art. 37 da Constituição Federal, apresenta-
-se exclusivamente no sentido de que os atos e provimentos administrativos são impu-
táveis não ao funcionário que os pratica, mas ao órgão ou entidade administrativa da
Administração Pública.
b. O Poder Regulamentar da Administração Pública abrange somente o poder de regular o
seu próprio funcionamento interno, não abrangendo a edição de normas complementa-
res à lei, para sua fiel execução.
c. O Princípio da Supremacia do interesse público não prevalece sobre o Princípio da Ga-
rantia da Propriedade Privada.
d. Com o Princípio da Autotutela, a Administração Pública exerce controle sobre os seus
próprios atos, com a possibilidade de anular os ilegais e revogar os inconvenientes ou
inoportunos, independentemente de recurso ao Poder Judiciário.
e. Poder Disciplinar que cabe à Administração Pública permite que a eventual penalidade
possa ser aplicada sem que haja o contraditório e a ampla defesa.

COMENTÁRIO
a. Errada! O princípio da impessoalidade admite seu exame sob os seguintes aspectos:
1) Dever de isonomia por parte da Administração Pública: prevalece que o administrador
não pode buscar interesses pessoais, mas apenas o interesse público, ou coletivo, devendo
agir de forma abstrata e impessoal, ou seja, com ausência de subjetividade, inferindo-se,
assim, que o ato praticado pelo agente é da pessoa jurídica de direito público e não
do próprio agente e que a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou
beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem de
nortear seu comportamento.

9 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

2) Dever de conformidade aos interesses públicos: o princípio da impessoalidade, aqui,


se assemelha ao princípio da finalidade, oportunidade em que qualquer ato praticado com
objetivo diverso do interesse público será considerado nulo, por desvio de finalidade.
3) Vedação à promoção pessoal dos agentes públicos: as realizações governamentais
não devem ser atribuídas ao agente ou à autoridade que as pratica. Estes apenas lhes
dão forma. Ao contrário, os atos e provimentos administrativos devem ser vistos como
manifestações institucionais do órgão ou da entidade pública. O servidor ou autoridade é
apenas o meio de manifestação da vontade estatal.
b. Errada! O poder regulamentar da Administração Pública também abrange a edição de
normas complementares à lei, para sua fiel execução, o que se faz por meio dos decretos
regulamentares, previstos no art. 84, IV, da CF.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para
sua fiel execução;

c. Errada! O princípio da supremacia do interesse público pode vir sim a prevalecer


sobre o princípio da garantia da propriedade privada, tal como ocorre nas hipóteses de
desapropriação.
d. CERTA! Perfeito! É isso mesmo.
e. Errada! Eventual penalidade que venha a ser aplicada no exercício do poder disciplinar
que cabe à Administração Pública deve observar o contraditório e a ampla defesa.

8. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/ADVOGADO/2017/ADAPTADA) Um profissional foi irregu-


larmente empossado no cargo público de advogado da Prefeitura de Cajazeiras, tendo
praticado diversos atos em nome da administração e no interesse público. Após a consta-
tação da irregularidade, por processo administrativo regular, a Prefeitura Municipal afastou
o servidor, mas reconheceu como válidos todos os atos praticados por ele, tendo aplicado
como justificativa para tal o princípio da
a. celeridade.
b. eficiência.
c. presunção da veracidade dos atos.
d. moralidade administrativa.
e. impessoalidade.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A Prefeitura Municipal, no caso narrado, reconheceu como válidos todos os atos praticados
pelo servidor afastado, com base no princípio da impessoalidade, que, dentre outras
funções, veda a promoção pessoal do agente à custa das realizações da Administração
Pública.
Com efeito, as realizações governamentais não devem ser atribuídas ao agente ou à
autoridade que as pratica. Estes apenas lhes dão forma. Ao contrário, os atos e provimentos
administrativos devem ser vistos como manifestações institucionais do órgão ou da
entidade pública. O servidor ou autoridade é apenas o meio de manifestação da vontade
estatal.
A própria Constituição Federal contém uma regra expressa decorrente desse princípio, ao
proibir que constem nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos em publicidade de atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos (CRFB, art. 37, § 1º). O STF, inclusive, entende que essa
vedação atinge também qualquer menção ao partido político do administrador público 2.
Assim, uma obra realizada por determinado município não poderá ser anunciada como
sendo de determinado Prefeito, e nem mesmo do partido “X”. Ao contrário, a obra deverá
ser sempre tratada e anunciada como obra da municipalidade ou da Prefeitura, vedada
qualquer alusão às características dos agentes públicos e respectivos partidos políticos,
inclusive eventuais símbolos ou imagens ligados a seus nomes.
Esse enfoque do princípio da impessoalidade, ao retirar a responsabilidade pessoal dos
agentes públicos, permite que se reconheça a validade dos atos praticados em nome da
Administração por agentes cuja investidura no cargo venha a ser futuramente anulada
(agente de fato ou putativo).

9. (AOCP/PREFEITURA DE JUIZ DE FORA-MG/AUDITOR FISCAL/2016) A Administração


Pública obedecerá aos princípios de
a. legalidade, pessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
b. legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, apenas.
c. legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
d. legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e ineficiência.
e. legalidade, impessoalidade, morosidade, publicidade e eficiência.

2 RExt 191.688.

11 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
Questão bem tranquila.
AAdministração Pública obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência, estampados no art. 37, caput, da CF, e conhecidos pelo mnemônico
LIMPE.
L legalidade
I impessoalidade
M moralidade
P publicidade
E eficiência

10. (AOCP/PREFEITURA DE JUIZ DE FORA-MG/AUDITOR FISCAL/2016) Sobre o Princípio


da Motivação, é lícito afirmar que ele
a. obriga o Estado a proporcionar aos seus agentes públicos condições para que estejam
sempre motivados a atender o interesse público.
b. garante que o Poder Público exerça o controle sobre os próprios atos, podendo anular
os ilegais e revogar os inconvenientes, sem a necessidade de buscar o Poder Judiciário.
c. obriga que o administrador público obedeça à lei e ao Direito, o que inclui os princípios
administrativos, sob pena de responder disciplinar, civil e criminalmente.
d. determina que o administrador público deve expor os fundamentos de fato e de direito
que embasaram sua decisão ou ato praticado.
e. decorre do próprio Estado de Direito e motiva à autoridade competente a se sentir obri-
gada a dar publicidade de seus atos.

COMENTÁRIO
a. Errada! O princípio da motivação impõe à Administração o dever de justificar seus atos,
sejam eles vinculados ou discricionários 3, devendo o administrador explicitar os pressupostos
de fato (fatos que ensejaram o ato) e os pressupostos de direito (preceitos jurídicos que
autorizaram sua prática) que o levaram a adotar determinada conduta.
b. Errada! É o princípio da autotutela que garante que o Poder Público exerça o controle
sobre os próprios atos, devendo anular os ilegais e podendo revogar os inconvenientes,
sem a necessidade de buscar o Poder Judiciário.
c. Errada! A alternativa está versando sobre o princípio da legalidade.

3 MS n. 9.944.

12 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. CERTA! De fato, como visto na explicação da alternativa “a”, o princípio da motivação


determina que o administrador público deve expor os fundamentos de fato e de direito que
embasaram sua decisão ou ato praticado.
e. Errada! A alternativa está versando sobre o princípio da publicidade.

11. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/ADVOGADO/2015) A Súmula 683/2013 do STF, que reafir-


ma legitimidade sobre o limite de idade em concurso público pela natureza das atribuições
do cargo, é um parâmetro para o entendimento de qual princípio do Direito Administrativo?
a. Autotutela.
b. Presunção de legitimidade.
c. Isonomia.
d. Finalidade.
e. Motivação.

COMENTÁRIO
A Súmula 683/2013 do STF é um parâmetro para o entendimento do princípio da isonomia,
segundo o qual se deve conferir tratamento igualitário a todos os administrados que se
encontrem na mesma situação jurídica, sem favorecimentos ou discriminações de
qualquer espécie.
Vejamos o teor da Súmula:

Súmula 683-STF: O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do
art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo
a ser preenchido.

Com efeito, é preciso ter em mente que a ideia de isonomia, por vezes, irá pressupor
tratamento desigual entre as pessoas que não se encontram na mesma situação fático-
jurídica (tratamento desigual aos desiguais), desde que respeitado o princípio da
proporcionalidade, razão pela qual o requisito de idade máxima ou mínima exigido para
participação em concursos públicos deve corresponder às necessidades inerentes à função
pública que será exercida. 4

4 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2018.

13 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Assim, a limitação em razão da idade será inconstitucional quando não possuir relação
necessária com o cargo que será ocupado. O STF, por exemplo, já decidiu ser inconstitucional
a fixação da idade mínima de 35 anos para o cargo de Fiscal de Tributos Estaduais e de 45
anos para o cargo de Médico municipal 5.

12. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/ADVOGADO/2015) De acordo com Wander Garcia, o prin-


cípio da Administração Pública “que impõe o dever de a Administração Pública atender sa-
tisfatoriamente às necessidades dos administrados, bem como de o administrador público
fazer o melhor, como profissional, diante dos meios de que dispõe” é o
a. princípio da segurança jurídica.
b. princípio da moralidade administrativa.
c. princípio da publicidade.
d. princípio da eficiência.
e. princípio da impessoalidade.

COMENTÁRIO
A questão discorreu sobre o princípio da eficiência.
Consoante Hely Lopes Meirelles 6 lecionava, “o princípio da eficiência exige que a atividade
administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais
moderno princípio da função administrativa, que já não se contenta em ser desempenhada
apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório
atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros”.

13. (INSTITUTO AOCP/UFS/ADVOGADO/2014) O princípio que concede à Administração o


poder de anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, por-
que deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportu-
nidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvados em todos os casos, a apreciação
judicial, denomina-se
a. princípio da legalidade.
b. princípio da impessoalidade.
c. princípio da proporcionalidade.
d. princípio da autotutela.
e. princípio da publicidade.

5 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
6 Di Pietro, Direito administrativo, p. 84.

14 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A questão está tratando do princípio da autotutela, que possibilita à Administração Pública
controlar seus próprios atos, apreciando-os sob dois aspectos, quais sejam:
• legalidade, em que a Administração deve, de ofício ou provocada, anular os seus atos
ilegais; e
• mérito, em que a Administração reexamina um ato legítimo quanto à conveniência e
oportunidade, podendo mantê-lo ou revogá-lo.

14. (AOCP/TCE-PA/AUDITOR/2012/ADAPTADA) Assinale a alternativa que retrata correta-


mente o princípio da Administração Pública mencionado.
a. Publicidade, segundo o qual a Administração Pública deve agir com boa-fé.
b. Impessoalidade, de acordo com o qual a Administração Pública não pode agir benefi-
ciando uns e prejudicando outros.
c. Eficiência, que é a transparência da Administração Pública.
d. Moralidade administrativa, que é a prevalência do interesse público sobre o privado.
e. Legalidade, de acordo com o qual a Administração Pública pode fazer tudo o que a lei
não proibir expressamente.

COMENTÁRIO
a. Errada! A imposição de que a Administração Pública deve agir com boa-fé guarda maior
conexão com o princípio da moralidade.
Em relação ao princípio da publicidade, este impõe à Administração Pública o dever de dar
transparência a seus atos, tornando-os públicos.
b. CERTA! Um dos aspectos do princípio da impessoalidade é o dever de isonomia por parte
da Administração Pública, que deverá conferir igualdade de tratamento aos administrados
que se encontrem em idêntica situação jurídica, sem favorecimentos ou discriminações de
qualquer espécie.
c. Errada! A assertiva está tratando do princípio da publicidade.
O princípio da eficiência, por seu turno, segundo as lições da professora Fernanda Marinela,
está associado à produtividade e à economicidade, ou seja, busca-se a redução de
desperdícios de dinheiro, buscando sua aplicação em serviços públicos com presteza,
perfeição e rendimento funcional.
d. Errada! A prevalência do interesse público sobre o privado fundamenta-se no princípio da
supremacia do interesse público.

15 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Noutra via, o princípio da moralidade está relacionado à ideia de honestidade, de boa


conduta, de obediência aos princípios éticos e normas morais, à correção de atitude e à
boa-fé no exercício da atividade administrativa.
e. Errada! O princípio da legalidade, sob a ótica da Administração Pública, significa que esta
pode fazer tudo o que a lei autoriza ou determina.
É preciso ter bastante atenção, pois o conteúdo do postulado da legalidade varia de acordo
com o destinatário.
O saudoso professor Hely Lopes Meirelles já explicava que:

LEGALIDADE PARA O AGENTE PÚBLICO ou ADMINISTRADOR PÚBLICO – somente pode fa-


zer o que a lei autoriza e determina; é chamado de CRITÉRIO DE SUBORDINAÇÃO À LEI.
LEGALIDADE PARA O PARTICULAR – pode fazer tudo o que a lei NÃO proíbe. É o CRITÉRIO DA
NÃO CONTRADIÇÃO À LEI.

15. (AOCP/TRT 9ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO/2004/ADAPTADA) Considere a assertiva a


seguir em relação à Administração Pública:
A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoali-
dade, moralidade, publicidade e eficiência, dentre outros.

COMENTÁRIO
O item está correto! A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, tal como determina o art.
37, caput, da Constituição Federal. Mas, além destes, também deverá observar outros
tantos princípios expostos em normas infraconstitucionais, bem como aqueles não estão
previstos em norma alguma, mas que são reconhecidos pela doutrina e pela jurisprudência
por serem decorrência lógica dos ditames da Carta Magna.

Organização administrativa: centralização, descentralização, concentração e des-


concentração; organização administrativa da União; administração direta e indireta.

16. (PREFEITURA DE SÃO BENTO DO SUL-SC/2019/INSTITUTO AOCP/FISCAL DE POS-


TURAS) Em se tratando da organização da Administração Pública, assinale a alternativa
INCORRETA.
a. Concentração é a técnica de cumprimento de competências administrativas por meio de
órgãos públicos despersonalizados e sem divisões internas.
b. Órgão público é uma pessoa jurídica de direito público interno, pertencente à Adminis-
tração Pública indireta, criada por lei específica para o exercício de atividades típicas da
Administração Pública.

16 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Na desconcentração, as atribuições são repartidas entre órgãos públicos pertencentes


a uma única pessoa jurídica, mantendo a vinculação hierárquica.
d. Na descentralização administrativa, as competências administrativas são distribuídas a
pessoas jurídicas autônomas, criadas pelo Estado para tal finalidade.

COMENTÁRIO
Somente a alternativa “b” está INCORRETA!
Órgãos públicos, fruto do processo de desconcentração administrativa, podem estar
presentes na Administração Pública direta e indireta e não possuem personalidade
jurídica, sendo “um compartimento ou centro de atribuições que se encontra inserido em
determinada pessoa” 7, esta sim dotada de personalidade jurídica.
Ademais, não são criados para o exercício de atividades típicas da Administração
Pública.
Conforme explica Rafael Carvalho Rezende Oliveira:

A criação dos órgãos públicos é justificada pela necessidade de especialização de funções adminis-
trativas, com o intuito de tornar a atuação estatal mais eficiente (ex.: em âmbito federal, os Ministé-
rios, ligados à Presidência da República, são responsáveis por atividades específicas. O Ministério
da Saúde, por exemplo, é o órgão responsável pela gestão e execução de atividades relacionadas
com a saúde) 8.

17. (PC-SE/2018/CEBRASPE/DELEGADO DE POLÍCIA) No que se refere aos institutos da


centralização, da descentralização e da desconcentração, julgue o item a seguir.
Na administração pública, desconcentrar significa atribuir competências a órgãos de uma
mesma entidade administrativa.

COMENTÁRIO
Na desconcentração, por meio da criação de órgãos públicos, existe uma especialização de
funções dentro da estrutura estatal, sem que isso resulte na criação de uma nova pessoa
jurídica.
Conforme leciona Rafael Carvalho Rezende Oliveira:

Trata-se de distribuição interna de atividades dentro de uma mesma pessoa jurídica. O resultado
desse fenômeno é a criação de centros de competências, denominados órgãos públicos, dentro da
mesma estrutura hierárquica (ex.: criação de Ministérios, Secretarias etc.) 9.

7 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
8 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
9 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

17 [Link]
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18. (POLÍCIA FEDERAL/2018/CEBRASPE/AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL) Acerca da or-


ganização da administração pública brasileira, julgue o item subsequente.
Ao outorgar determinada atribuição a pessoa não integrante de sua administração direta,
o Estado serve-se da denominada desconcentração administrativa.

COMENTÁRIO
Ao outorgar determinada atribuição a pessoa não integrante de sua administração direta, o
Estado serve-se da denominada DESCENTRALIZAÇÃO administrativa.
Vamos entender melhor.
A organização administrativa costuma ocorrer por meio de duas técnicas: a desconcentração
e a descentralização.
Na desconcentração administrativa, haverá uma distribuição interna de competências
no âmbito de uma mesma pessoa jurídica, implicando a criação de órgãos públicos.
Já a descentralização administrativa ocorre “quando o Estado desempenha algumas
de suas atribuições por meio de outras pessoas, e não pela sua administração direta. A
descentralização pressupõe duas pessoas distintas: o Estado (a União, o Distrito Federal,
um estado ou um município) e a pessoa que executará o serviço, por ter recebido do Estado
essa atribuição” 10.

19. (ADAF-AM/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE DE FISCALIZAÇÃO AGROPECUÁRIA)


Qual, dos citados a seguir, integra a Administração Pública Direta da União?
a. Caixa Econômica Federal.
b. Banco do Brasil.
c. Instituto Nacional do Seguro Social – INSS.
d. Banco Central.
e. Ministério da Educação.

COMENTÁRIO
A Administração direta compreende os entes federativos (União, estados, DF e municípios)
e seus respectivos órgãos, a exemplo do Ministério da Educação, órgão vinculado à União.
A Caixa Econômica Federal é uma empresa pública integrante da Administração indireta.
O Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista integrante da Administração
indireta.

10 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

18 [Link]
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Central são autarquias integrantes
da Administração indireta.

20. (PRF/2012/CEBRASPE/AGENTE ADMINISTRATIVO) No que se refere à administração


direta e indireta, julgue o item subsecutivo.
As autarquias não podem ampliar sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira,
pois isso acarretaria prejuízo do controle finalístico realizado pela administração pública.

COMENTÁRIO
As autarquias, por meio do contrato de gestão previsto no art. 37, § 8º, da CF, PODEM
ampliar sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
Vejamos:

Art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da ad-
ministração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus
administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o
órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998)
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade
dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.

Destaca-se que receberão a qualificação de agências executivas as autarquias e as


fundações que celebrarem o citado contrato, conforme previsão constante no art. 51 da Lei
n. 9.649/1998:

Art. 51. O Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que
tenha cumprido os seguintes requisitos:
I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento;
II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.
§ 1º A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da República.
§ 2º O Poder Executivo editará medidas de organização administrativa específicas para as Agências
Executivas, visando assegurar a sua autonomia de gestão, bem como a disponibilidade de recursos
orçamentários e financeiros para o cumprimento dos objetivos e metas definidos nos Contratos de
Gestão.

21. (PRF/2012/CEBRASPE/AGENTE ADMINISTRATIVO) No que se refere à administração


direta e indireta, julgue o item subsecutivo.
São exemplos de prerrogativas estatais estendidas às autarquias a imunidade tributária
recíproca e os privilégios processuais da Fazenda Pública.

19 [Link]
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COMENTÁRIO
As autarquias são entidades administrativas dotadas de personalidade jurídica de direito
públicas e criadas por lei específica para realizarem atividades típicas de Estado. Submetem-
se a regime jurídico muito semelhante aos dos entes da Administração direta, sendo correto
afirmar são exemplos de prerrogativas estatais estendidas às autarquias a imunidade
tributária recíproca e os privilégios processuais da Fazenda Pública.
Sobre o tema, vajamos o que diz Rafael Carvalho Rezende Oliveira:
Além das características já mencionadas, as autarquias são detentoras de prerrogativas
tributárias e processuais importantes, que podem ser assim resumidas:
a. imunidade tributária (art. 150, § 2º, da CRFB): vedação de instituição de impostos sobre o
patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que “vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes”. A imunidade só existe em relação aos impostos (não
alcança, por exemplo, as taxas) e depende da utilização dos bens, das rendas e dos serviços
nas finalidades essenciais da entidade; e
b. prerrogativas processuais: a autarquia é enquadrada no conceito de Fazenda Pública
e goza das prerrogativas processuais respectivas, tais como: prazo em dobro para todas
as suas manifestações processuais (art. 183 do CPC/2015, não subsistindo a previsão de
prazo quadruplicado para contestação que constava do art. 188 do CPC/1973); duplo grau
de jurisdição, salvo as exceções legais (art. 496 do CPC/2015, que corresponde ao art. 475
do CPC/1973) etc. 11

Agentes públicos: espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas;


cargo, emprego e função públicos; regime jurídico único: provimento, vacância, remo-
ção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime disciplinar; responsabi-
lidade civil, criminal e administrativa.

22. (TRT 1ª REGIÃO/2018/INSTITUTO AOCP/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRA-


TIVA/ADAPTADA) Nos termos da Lei n. 8.112/1990, que dispõe acerca do regime jurídico
dos servidores públicos federais, o servidor que procede de forma desidiosa, omitindo-se
quanto a atos de fiscalização e de supervisão que deveria praticar de ofício, de forma rei-
terada, está sujeito À penalidade disciplinar de
a. advertência.
b. suspensão de até 30 (trinta) dias.

11 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.

20 [Link]
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Investigador e Escrivão

c. suspensão de até 90 (noventa) dias.


d. demissão.
e. remoção.

COMENTÁRIO
A Lei n. 8.112/1990 fixa que o servidor público é proibido atuar de maneira desidiosa (art.
117, XV), sendo esta uma conduta passível de ser punida com a pena de demissão (art.
132, XIII).
Observe:

Art. 117. Ao servidor é proibido:


XV - proceder de forma desidiosa;
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.

Logo, o servidor que procede de forma desidiosa, omitindo-se quanto a atos de fiscalização
e de supervisão que deveria praticar de ofício, de forma reiterada, está sujeito à penalidade
disciplinar de demissão.

23. (IFOB/2018/INSTITUTO AOCP/ANALISTA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO) O servi-


dor público federal possui deveres perante a Administração e o administrado. Em relação
aos deveres previstos na Lei n. 8.112/1990, julgue o item a seguir.
O servidor deve cumprir as ordens superiores, não podendo, em qualquer hipótese, cogi-
tar sua legalidade.

COMENTÁRIO
O servidor é obrigado a cumprir apenas as ordens que tenham, no mínimo, aparência de
legalidade, não estando obrigado a realizar aquelas manifestamente ilegais.
Nesse sentido, art. 116, IV, da Lei n. 8.112/1990:

Art. 116. São deveres do servidor:


(...)
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;

24. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Com relação


aos agentes públicos em geral e seu regime jurídico, leia as afirmativas a seguir.
I – Senadores da República não são agentes públicos, mas se caracterizam como agen-
tes políticos.

21 [Link]
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II – Agentes públicos podem estar submetidos ao regime jurídico estatutário ou ao regime


jurídico celetista.
III – A atuação como jurado é caracterizada pela ação do particular que colabora com o
poder público.
IV – Empregado público, por definição, é todo agente público que trabalha em uma Empre-
sa Estatal.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a. II e IV.
b. III e IV.
c. I e II.
d. I e III.
e. II e III.

COMENTÁRIO
Estão corretas apenas as afirmativas II e III!
I - ERRADA! Senadores da República são agentes públicos e também se caracterizam
como agentes políticos. Isso porque a expressão “agentes públicos” é ampla e genérica,
abrangendo todas as pessoas físicas que exercem funções estatais. São, portanto, “toda
pessoa física que exerça, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição,
nomeação, designação, contratação ou qualquer forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função pública.” 12
Em que pese não existir consenso doutrinário sobre a sua classificação, os agentes públicos,
podem ser divididos, ao menos, nas seguintes espécies:
a. Agentes políticos;
b. Servidores públicos em sentido amplo, o que engloba os servidores estatutários (ou
servidores públicos em sentido estrito), os empregados públicos e os servidores temporários;
e
c. Particulares em colaboração com o Poder Público.
II - CORRETA! Como vimos na explicação acima, os agentes públicos englobam todas
as pessoas físicas que exercem funções estatais, o que, obviamente, significa dizer que
podem estar submetidos ao regime jurídico estatutário ou ao regime jurídico celetista.
III - CORRETA! Os particulares em colaboração com o Poder Público, também
denominados de agentes honoríficos “são aqueles que exercem, transitoriamente, a função
pública, mediante delegação, requisição, nomeação ou outra forma de vínculo, mas não

12 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 138.

22 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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ocupam cargos ou empregos públicos.” 13 São exemplos: jurados, mesários em eleições,


empregados das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, notários
e registradores, particulares requisitados para o serviço militar, estagiários contratados pela
Administração Pública etc.
IV - ERRADA! Empregado público, por definição, NÃO é todo agente público que trabalha em
uma empresa estatal. Em verdade, são as pessoas físicas contratadas pela Administração
Pública sob o regime da legislação trabalhista para ocuparem emprego público.

25. (PC-PA/2012/MS CONCURSOS/DELEGADO DE POLÍCIA) Analise as assertivas, a se-


guir, relacionadas a agentes públicos e, em seguida, aponte a alternativa correta.
I – Os mesários e integrantes de juntas apuradoras, enquanto desempenham tais fun-
ções, estão na condição de agentes públicos e, quanto à classificação tradicional, são
considerados como agentes políticos.
II – As funções de confiança só poderão ser exercidas por servidores ocupantes de cargo
efetivo.
III – Nos termos da Constituição Federal, os servidores nomeados para cargo de provi-
mento efetivo em virtude de concurso público, após 03 (três) anos de efetivo exercício,
adquirirão a prerrogativa da vitaliciedade.
IV – Todos os agentes públicos sujeitam-se ao regime jurídico estabelecido nos diplomas
legais específicos denominados de estatutos.
V – Segundo José dos Santos Carvalho Filho, o desvio de poder ocorre quando o agente
público pratica o ato, não voltado para o interesse público, mas sim para o interesse
privado.
a. Somente as assertivas II e III estão corretas.
b. Somente as assertivas II e V estão corretas.
c. Somente as assertivas I, II e V estão corretas.
d. Somente as assertivas I, III e IV estão corretas.
e. Somente as assertivas II, IV e V estão corretas.

COMENTÁRIO
Somente as assertivas II e V estão corretas!
I - ERRADA! Os mesários e integrantes de juntas apuradoras, enquanto desempenham essas
funções, estão na condição de agentes públicos enquadrados na espécie de particulares
em colaboração com o Poder Público (e não como agentes políticos!).

13 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

23 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

II - CORRETA! As funções de confiança, conforme o art. 37, II, da CF, só poderão ser
exercidas por servidores ocupantes de cargo efetivo.
Observe:
Art. 37, V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores
ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores
de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se
apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;
III - ERRADA! Nos termos da Constituição Federal, art. 41, os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público, após 03 (três) anos de efetivo
exercício, adquirirão a prerrogativa da ESTABILIDADE (e não da vitaliciedade!).
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
IV - ERRADA! Nem todos os agentes públicos sujeitam-se a regime jurídico estabelecido em
diplomas legais específicos denominados de estatutos. Um exemplo são os empregados
públicos, cuja relação funcional com a Administração Pública é regida, basicamente, pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sendo por isso chamados de “celetistas”.
V - CORRETA! O abuso de poder, segundo CARVALHO FILHO, pode decorrer de duas
causas 14:
1ª) o agente atua fora dos limites de sua competência; e
2ª) o agente, embora dentro de sua competência, afasta-se do interesse público que deve
nortear todo o desempenho administrativo
No primeiro caso, diz-se que o agente atuou com “excesso de poder”, e, no segundo, com
“desvio de poder”.
Excesso de poder é a forma de abuso própria da atuação do agente fora dos limites de sua
competência administrativa. Nesse caso, ou o agente invade atribuições cometidas a outro
agente, ou se arroga o exercício de atividades que a lei não lhe conferiu.
Já o desvio de poder é a modalidade de abuso em que o agente busca alcançar fim diverso
daquele que a lei lhe permitiu, como bem assinala LAUBADÈRE. A finalidade da lei está
sempre voltada para o interesse público. Se o agente atua em descompasso com esse
fim, desvia-se de seu poder e pratica, assim, conduta ilegítima. Por isso é que esse vício
é também denominado de desvio de finalidade, denominação, aliás, adotada na lei que
disciplina a ação popular (Lei n. 4.717, de 29/06/1965, art. 2º, parágrafo único, e).

14 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 32ª ed. rev., atual. e ampl. São
Paulo: Atlas, 2018.

24 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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26. (PREFEITURA DE BETIM-MG/2020/INSTITUTO AOCP/AUDITOR FISCAL DE TRIBU-


TOS MUNICIPAIS) O retorno à atividade do servidor aposentado, no interesse da Admi-
nistração ou quando cessar a invalidez temporária, é uma forma de provimento do cargo
denominada
a. nomeação.
b. promoção vertical.
c. recondução.
d. reversão.
e. readaptação.

COMENTÁRIO
A questão está versando sobre a forma de provimento do cargo denominada reversão. Nos
termos do art. 25, I, da Lei n. 8.112/1990:

Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado:


I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria;

27. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/AUXILIAR PERÍCIA MÉDICO-LEGAL) O retorno à ativi-


dade do servidor aposentado, no interesse da Administração ou quando cessar a invalidez
temporária, é uma forma de provimento do cargo denominada
a. nomeação.
b. promoção vertical.
c. recondução.
d. reversão.
e. readaptação.

COMENTÁRIO
De acordo com o art. 14 da Lei n. 8.112/1990:

Da Readaptação
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades com-
patíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspe-
ção médica.

28. (DPE-PR/2014/NC-UFPR/DEFENSOR PÚBLICO) Considere a hipótese de servidor públi-


co estável que é demitido, após procedimento. Assinale a alternativa correta.
a. O controle externo das finanças públicas é incumbido ao Poder Legislativo, o qual é
auxiliado pelo Ministério Público de cada ente da Federação.

25 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. O processo administrativo disciplinar depende umbilicalmente da sindicância. Todo


e qualquer processo disciplinar deverá ser declarado nulo se não for precedido de
sindicância.
c. A sindicância é peça investigativa dispensável e instrumental. No entanto, diante de sua
natureza preparatória ao processo disciplinar, o contraditório e a ampla defesa não são
essenciais a garantir sua legitimidade.
d. Os cargos e empregos públicos poderão ser ocupados somente por brasileiros natos,
pois se trata de questão de soberania nacional a garantia do acesso aos cargos e em-
pregos aos brasileiros que nasceram no Brasil.

COMENTÁRIO
a. Errada! O controle externo das finanças públicas é incumbido ao Poder Legislativo, o qual
é auxiliado pelo TRIBUNAL DE CONTAS (e não pelo Ministério Público!).
Nesse sentido, artigos 70 e 71 da Constituição Federal, que tratam do modelo utilizado em
âmbito federal, mas que, por simetria, também é o utilizado nas demais unidades federativas.

Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e


das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade,
aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, me-
diante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribu-
nal de Contas da União, ao qual compete: (...)

b. Errada! O processo administrativo disciplinar (PAD) NÃO depende umbilicalmente da


sindicância.
O PAD é o instrumento que deverá ser utilizado pela Administração para a aplicação de
penalidades por infrações graves cometidas por seus servidores, devendo sempre
ser instaurado para a aplicação das penalidades de suspensão por mais de 30 dias, de
demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em
comissão, conforme define o art. 146 da Lei n. 8.112/1990.
A sindicância, por seu turno, constitui mecanismo mais célere de apurar irregularidades
praticadas pelos servidores. Uma vez concluída, a sindicância poderá resultar numa das
seguintes situações previstas no art. 145 da Lei n. 8.112/1990:
a. arquivamento do processo;
b. aplicação das penalidades de advertência ou de suspensão por até 30
dias; ou
c. instauração de PAD, se for verificado tratar-se de caso que enseje aplicação
de penalidade mais grave.

26 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

No último caso, quando a sindicância concluir pela necessidade de instauração de


PAD, impõe o art. 154 que “os autos da sindicância integrarão o processo disciplinar, como
peça informativa da instrução”.
A sindicância, portanto, pode vir a ser uma etapa prévia do PAD, mas não é obrigatória a
sua instauração anterior.
c. CERTA! De fato, a sindicância é peça investigativa dispensável e instrumental em relação
ao PAD. Assim, por não haver na sindicância uma acusação formal e não se pretender aplicar
penalidades por meio dela, o contraditório e a ampla defesa não precisam ser garantidos ao
investigado, que os exercerá no âmbito do processo administrativo disciplinar.
Quando, todavia, a sindicância não for utilizada como etapa prévia ao PAD, mas, sim, como
efetivo instrumento de aplicação de penalidades (advertência ou a suspensão por até 30
dias), o contraditório e a ampla defesa prévios deverão ser assegurados ao servidor.
d. Errada! Os cargos e empregos públicos NÃO serão ocupados somente por brasileiros
natos, mas também por brasileiros naturalizados e, na forma da lei, por estrangeiros.
De acordo com o art. 37, I, da CF:

Art. 37, I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham
os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;

29. (UFCA/2014/CCV/UFC/ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO/ADAPTADA) De acordo


com o Regime Jurídico Único, é considerada penalidade disciplinar:
a. demissão.
b. abandono de cargo.
c. acumulação de cargo.
d. proceder de formar desidiosa.
e. recusar fé à documentos públicos.

COMENTÁRIO
Conforme o art. 127 da Lei n. 8.112/1990, somente a alternativa “A” (demissão) contemplou
penalidade disciplinar. Todas as demais hipóteses representam, em suma, infrações
administrativas.
Vejamos:

Art. 127 da Lei n. 8. 112/1990. São penalidades disciplinares:


I - advertência;
II - suspensão;
III - demissão;
IV cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V - destituição de cargo em comissão;
VI - destituição de função comissionada.

27 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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30. (UPE/2019/UPENET/IAUPE/ADVOGADO) Analise as assertivas a seguir:


I – É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que
devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla
defesa.
II – Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe
o mandado de segurança ou a medida judicial.
III – O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa
nulidade, se houver demonstração de prejuízo à Administração Pública.
Está CORRETO o que se afirma em
a. I e III, apenas.
b. I e II, apenas.
c. II e III, apenas.
d. I, apenas.
e. todas.

COMENTÁRIO
Estão corretos os itens I e II.
I. Certo! É o que estabelece a Súmula 591 do STJ.

Súmula 591-STJ. É permitida a prova emprestada no processo administrativo disciplinar, desde


que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa.

II. Certo! Está de acordo com a Súmula 510 do STF.

Súmula 510-STF. Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela
cabe o mandado de segurança ou a medida judicial.

III. Errado! Conforme a Súmula 592 do STF, o excesso de prazo para a conclusão do
processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo
à DEFESA (e não à Administração Pública!).

Súmula 592-STJ. O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só


causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Poderes administrativos: poder vinculado; poder discricionário; poder hierárquico;


poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do poder.

31. (PREFEITURA DE SÃO BENTO DO SUL-SC/2019/INSTITUTO AOCP/FISCAL DE TRI-


BUTOS) Sobre o poder de polícia atribuído à administração pública, assinale a defini-
ção correta.
a. O poder de polícia consiste na possibilidade de os chefes do Poder Executivo editarem
atos administrativos gerais e abstratos, ou gerais e concretos, expedidos para dar fiel
execução à lei.
b. O poder de polícia consiste na possibilidade de a Administração aplicar punições aos
agentes públicos que cometam infrações funcionais.
c. O poder de polícia é o de que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar as funções
de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes.
d. O poder de polícia representa uma atividade estatal restritiva dos interesses privados,
limitando a liberdade e a propriedade individual em favor do interesse público.

COMENTÁRIO
a. Errada! Trata-se do poder regulamentar ou normativo.
b. Errada! Trata-se do poder disciplinar.
c. Errada! Trata-se do poder hierárquico.
d. CERTA! Narrou corretamente o conceito de poder de polícia.

32. (UNIR/2018/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO DE LABORATÓRIO) Princípio vem do latim


principium e quer dizer base inicial, fonte, nascedouro, alicerce, começo, início, origem,
ponto de partida. Nesse sentido, em relação à Administração Pública e seus Poderes Ad-
ministrativos em respeito à base hierárquica e disciplinar, julgue, como VERDADEIRO ou
FALSO, o item a seguir.
O poder disciplinar é aquele que confere à Administração Pública a capacidade de or-
denar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas no âmbito interno da
Administração. Está em consonância com a ordem disciplinar constante dos órgãos da
Administração Pública, pois estes devem ser estruturados de tal forma que se cria uma
relação de coordenação e subordinação entre uns e outros, cada qual com atribuições
definidas em lei.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
É o PODER HIERÁRQUICO (e não o poder disciplinar!) que confere à Administração Pública
a capacidade de ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas no
âmbito interno da Administração.
O poder disciplinar deriva do poder hierárquico, sendo “a prerrogativa reconhecida à
Administração para investigar e punir, após o contraditório e a ampla defesa, os agentes
públicos, na hipótese de infração funcional, e os demais administrados sujeitos à disciplina
especial administrativa.” 15

33. (PRF/2019/CEBRASPE/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) No tocante aos poderes ad-


ministrativos e à responsabilidade civil do Estado, julgue o próximo item.
O abuso de poder, que inclui o excesso de poder e o desvio de finalidade, não decorre de
conduta omissiva de agente público.

COMENTÁRIO
O abuso de poder caracteriza-se pelo exercício das competências administrativas com
excesso de poder ou desvio de finalidade.
Conforme lição de Rafael Carvalho de Rezende Oliveira:
O abuso do poder pode ocorrer em duas hipóteses:
a. excesso de poder: a atuação do agente público extrapola a competência delimitada na lei
(ex.: policial que utiliza da força desproporcional para impedir manifestação pública); e
b. desvio de poder (ou de finalidade): quando a atuação do agente pretende alcançar
finalidade diversa do interesse público (ex.: edição de ato administrativo para beneficiar
parentes). 16
Com efeito, poderá ocorrer tanto por meio de condutas comissivas como através
de condutas omissivas. É válido lembrar que a lei atribui aos agentes públicos as mais
variadas competências, impondo a eles o dever de agir em determinadas hipóteses, de
modo que, nestes casos, a sua não atuação, ou seja, a sua omissão implica uma conduta
abusiva por não cumprimento da finalidade da norma. Em resumo: condutas omissivas
ensejam abuso de poder na modalidade desvio de poder ou de finalidade.

15 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
16 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

34. (PRF/2002/CEBRASPE/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Considere o seguinte tre-


cho, de autoria de Hely Lopes Meirelles.

O desvio de finalidade ou de poder verifica-se quando a autoridade, embora atuando


nos limites de sua competência, pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos obje-
tivados pela lei ou exigidos pelo interesse público. O desvio de finalidade ou de poder é,
assim, a violação ideológica da lei, ou, por outras palavras, a violação moral da lei, coli-
mando o administrador público fins não queridos pelo legislador, ou utilizando motivos e
meios imorais para a prática de um ato administrativo aparentemente legal.

Com base nesse trecho, incorre em desvio de finalidade o policial que aciona o alarme
sonoro e a iluminação vermelha intermitente da viatura, sem serviço de urgência que o
justifique, para efeito de ter a circulação facilitada em meio a via de trânsito congestionada.

COMENTÁRIO
Como visto na explicação da questão anterior, há abuso de poder na forma desvio de
finalidade “quando a atuação do agente pretende alcançar finalidade diversa do interesse
público” 17. No caso narrado, o acionamento do alarme sonoro e da iluminação vermelha
intermitente da viatura policial com o objetivo de atender interesses próprios (facilitar o
tráfego em via de trânsito congestionada) e não com vistas à concretização de interesses
públicos consubstancia flagrante hipótese de desvio de finalidade.

35. (PRF/2012/CEBRASPE/AGENTE ADMINISTRATIVO) No que se refere aos poderes da


administração, julgue o item seguinte.
No âmbito interno da administração direta do Poder Executivo, há manifestação do poder
hierárquico entre órgãos e agentes.

COMENTÁRIO
O poder hierárquico é aquele por meio do qual há a distribuição e o escalonamento vertical
de funções no interior (âmbito interno) da organização administrativa, com o objetivo
de viabilizar uma atuação mais coordenada e organizada. Dele decorre uma série de
prerrogativas aos agentes públicos hierarquicamente superiores em relação aos agentes a
eles subordinados, a exemplo dos poderes de dar ordens, controle ou fiscalização, revisional
e disciplinar.

17 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6º ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Logo, correto apontar que, no âmbito interno da Administração direta do Poder Executivo,
há manifestação do poder hierárquico entre órgãos e agentes.

36. (PRF/2012/CEBRASPE/AGENTE ADMINISTRATIVO) No que se refere aos poderes da


administração, julgue o item seguinte.
Ao aplicar penalidade a servidor público, em processo administrativo, o Estado exerce seu
poder regulamentar.

COMENTÁRIO
Ao aplicar penalidade a servidor público, em processo administrativo, o Estado exerce seu
poder DISCIPLINAR.
O poder disciplinar “é a prerrogativa reconhecida à Administração para investigar e punir,
após o contraditório e a ampla defesa, os agentes públicos, na hipótese de infração funcional,
e os demais administrados sujeitos à disciplina especial administrativa. O poder disciplinar é
exercido por meio do Processo Administrativo Disciplinar (PAD).” 18
Não se confunde com o poder regulamentar, que “é a prerrogativa reconhecida à
Administração Pública para editar atos administrativos gerais para fiel execução das leis.” 19

Ato administrativo: conceito; requisitos, perfeição, validade, eficácia; atributos;


extinção, desfazimento e sanatória; classificação, espécies e exteriorização; vincula-
ção e discricionariedade.

37. (PRF/2019/CEBRASPE/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) No tocante a atos adminis-


trativos, julgue o item a seguir.
Tanto a inexistência da matéria de fato quanto a sua inadequação jurídica podem configu-
rar o vício de motivo de um ato administrativo.

COMENTÁRIO
O motivo “é a causa imediata do ato administrativo. É a situação de fato e de direito que
determina ou autoriza a prática do ato, ou, em outras palavras, o pressuposto fático e jurídico
(ou normativo) que enseja a prática do ato.” Significa dizer que “os atos administrativos

18 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

19 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

são praticados quando ocorre a coincidência, ou subsunção, entre uma situação de fato
(ocorrida no mundo natural, também chamado mundo empírico) e uma hipótese descrita
em norma legal.” 20
A Lei n. 4.717/1965 (que regula a ação popular), no seu art. 2º, parágrafo único, alínea d,
descreve o vício de motivo nestes termos: “a inexistência dos motivos se verifica quando a
matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente
ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”.
Conforme Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino:

Embora esse dispositivo da Lei n. 4.717/1965 mencione, literalmente, tão só a “inexistência dos
motivos”, o seu enunciado, na verdade, permite identificar – assim como o faz a doutrina – duas
variantes de vício de motivo, a saber:
a. Motivo inexistente:
Melhor seria dizer fato inexistente. Nesses casos, a norma prevê: somente quando presente o fato
“x”, deve-se praticar o ato “y”. Se o ato “y” é praticado sem que tenha ocorrido o fato “x”, o ato é
viciado por inexistência material do motivo.
(...)
b. motivo ilegítimo (ou juridicamente inadequado):
Nessas hipóteses, existe uma norma que prevê: somente quando presente o fato “x”, deve-se pra-
ticar o ato “y”. A administração, diante do fato “z”, enquadra-o erroneamente na hipótese legal, e
pratica o ato “y”. Pode-se dizer que há incongruência entre o fato e a norma, ou seja, está errado o
enquadramento daquele fato naquela norma.
A diferença dessa situação para a anterior é que, na anterior, não havia fato algum, ao passo que
falamos em motivo ilegítimo, incongruente, impertinente ou juridicamente inadequado quando existe
um fato, mas tal fato não se enquadra corretamente na norma que determina ou autoriza a prática
do ato. A administração pratica o ato, ou porque analisou erroneamente o fato, ou porque interpretou
erroneamente a descrição hipotética do motivo constante da norma. 21

38. (TRE-PE/2017/CEBRASPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA) O atribu-


to que consiste na possibilidade de certos atos administrativos serem decididos e exe-
cutados diretamente pela própria administração, independentemente de ordem judicial,
denomina-se
a. presunção de legitimidade.
b. autoexecutoriedade.
c. motivação.
d. tipicidade.
e. imperatividade.

20 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 543.
21 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 545-546.

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”!
A questão retratou o atributo da autoexecutoriedade.
Na lição da professora Di Pietro: “Consiste a autoexecutoriedade em atributo pelo qual o
ato administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração Pública, sem
necessidade de intervenção do Poder Judiciário.” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito
Administrativo. 32ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019).
A autora pontua, ainda, que nem todos os atos administrativos gozarão do respectivo
atributo, que somente será admissível:
1) quando expressamente previsto em lei;
2) quando se trata de medida urgente que, caso não adotada de imediato, possa ocasionar
prejuízo maior para o interesse público.

39. (PREFEITURA DE VIANA-ES/2019/CONSULPAM/GUARDA MUNICIPAL) É a supressão


de um ato administrativo legítimo e eficaz, realizada pela Administração, por não mais lhe
convir a sua existência. Pressupõe, portanto, um ato legal e perfeito, mas inconveniente
ao interesse público. Em relação ao ato administrativo aqui descrevemos a:
a. Convalidação.
b. Invalidação.
c. Revogação.
d. Anulação.

COMENTÁRIO
A questão versa sobre a extinção dos atos administrativos, narrando o conceito de revogação.
Assim, um ato será revogado quando apesar de ter sido editado em conformidade com a lei
e permanecer válido, passou a ser considerado inoportuno e inconveniente ao interesse
público.
Segundo DI PIETRO: “Revogação é o ato administrativo discricionário pelo qual a
Administração extingue um ato válido, por razões de oportunidade e conveniência.” 22
Não se confunde com a anulação (alguns autores preferem chamar de invalidação), que é
a extinção do ato administrativo por razões de ilegalidade, isto é, trata-se da invalidação
do ato administrativo que foi editado em desconformidade com a ordem jurídica.

22 PIETRO. Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 32ª ed. Rio de Janeiro: Forense,
2019.

34 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Convalidação, por seu turno, “é o salvamento do ato administrativo que apresenta vícios
sanáveis.” 23 É a correção do ato administrativo ilegal com o objetivo de mantê-lo no mundo
jurídico produzindo os seus efeitos regulares.
De acordo com o art. 55 da Lei n. 9.784/1999:

Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a
terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria
Administração.

40. (PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/2020/INSTITUTO AOCP/GUARDA MUNICI-


PAL) A convalidação é uma forma de corrigir vícios existentes em um ato ilegal praticado
pela Administração Pública através de seus agentes. Em relação aos seus efeitos, assina-
le a alternativa correta.
a. Os efeitos da convalidação não são retroativos.
b. Os efeitos da convalidação terão validade a partir do seu reconhecimento.
c. Não geram efeitos a convalidação em função de atos praticados pelos seus agentes.
d. Os efeitos da convalidação são retroativos.
e. A convalidação tem efeitos (ex nunc), a partir do presente.

COMENTÁRIO
Os efeitos da convalidação são retroativos (ex tunc).
Nesse sentido, Rafael Carvalho Rezende Oliveira:
A convalidação ou sanatória é o salvamento do ato administrativo que apresenta vícios
sanáveis. O ato de convalidação produz efeitos retroativos (ex tunc), preservando o ato
ilegal anteriormente editado 24.

41. (PREFEITURA DE VIANA-ES/2019/CONSULPAM/GUARDA MUNICIPAL) Os atos admi-


nistrativos são atos jurídicos praticados, segundo o Direito Administrativo, pelas pessoas
administrativas, por intermédio de seus agentes, no exercício de suas competências fun-
cionais, capaz de produzir efeitos com fim público. O exame do ato administrativo revela
nitidamente a existência de requisitos necessários à sua formação. Tais componentes,
pode-se dizer, constituem a infraestrutura do ato administrativo, seja ele vinculado ou dis-
cricionário, simples ou complexo, de império ou de gestão. São todos elementos indispen-
sáveis à sua validade:

23 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.
24 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2018.

35 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

a. Legalidade, finalidade, forma, motivo e executoriedade.


b. Competência, finalidade, forma, objeto e motivo.
c. Legalidade, competência, finalidade, objeto e discricionariedade.
d. Finalidade, forma, objeto, discricionariedade e motivo.

COMENTÁRIO
Muito embora não existe consenso na doutrina sobre os elementos (ou requisitos) dos atos
administrativos, tem prevalecido que estes seriam:
• Competência (agente competente);
• Finalidade;
• Forma;
• Motivo; e
• Objeto.
Os elementos do ato administrativo podem ser decorados a partir do seguinte mnemônico:
CO FI FO MO-OB
CO Competência
FI Finalidade
FO Forma
MO motivo
OB objeto

42. (PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/2020/INSTITUTO AOCP/GUARDA MUNICI-


PAL) Ato administrativo é a declaração do Estado ou de quem o represente, que produz
efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob o regime jurídico de direito público
e sujeita ao controle pelo Poder Público. Todavia, para o ato administrativo estar revestido
de validade, é necessário qual dos seguintes atributos?
a. Atipicidade.
b. Poder de Polícia.
c. Presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos.
d. Intempestividade.
e. Poder discricionário.

COMENTÁRIO
São os atributos (ou características) dos atos administrativos:
a. Presunção de legitimidade e de veracidade;
b. Imperatividade; e

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RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Autoexecutoriedade.
Observe, portanto, que apenas a alternativa “d” pode estar correta, pois foi a única que
indicou um atributo dos atos administrativos.

Intervenção do Estado na propriedade privada (apenas para o cargo de Delegado de


Polícia!).

43. (AOCP/SERCOMTEL S.A TELECOMUNICAÇÕES/ANALISTA/2016) São pressupostos


da desapropriação a necessidade pública, a utilidade pública e o interesse social. Assinale
a alternativa correspondente ao principal aspecto caracterizador da utilidade pública.
a. Emergência.
b. Utilização ilícita.
c. Conveniência.
d. Desigualdade.
e. Interesse.

COMENTÁRIO
A doutrina define que a utilidade pública estará presente nas hipóteses em que a
desapropriação se destina ao atendimento de mera conveniência do Poder Público,
não sendo imprescindível. Exemplo: desapropriação de um imóvel para a construção de um
hospital público.

44. (AOCP/TCE-PA/AUDITOR/2012) A utilização coercitiva e temporária, em caso de emer-


gência ou calamidade, de bens particulares pelo Poder Público por ato de execução ime-
diata e direta da autoridade requisitante e com indenização ulterior, se houver dano, é uma
forma de intervenção do Estado na propriedade, denominada de
a. desapropriação.
b. requisição.
c. confisco.
d. limitação administrativa.
e. ocupação temporária.

COMENTÁRIO
A assertiva narrou hipótese de requisição administrativa. Prevista no art. 5º, inciso XXV,
da Constituição Federal, a requisição administrativa define-se como a modalidade de
intervenção estatal na propriedade mediante a qual o Poder Público, por ato unilateral e

37 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

autoexecutório, utiliza bens móveis, imóveis e serviços de particulares para enfrentar


situações transitórias de perigo público imediato ou iminente, sendo assegurada ao
proprietário, se houver dano, indenização posterior.
São exemplos: requisição de hospitais privados, serviços médicos e de ambulâncias em
razão de epidemia para tratamento dos doentes; requisição de barcos e de ginásios privados
na hipótese de inundação para salvamento e alojamento dos desabrigados 25.
Façamos a leitura do dispositivo constitucional:

Art. 5º, XXV, da CRFB. No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar
de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.

45. (AOCP/TCE-PA/ASSESSOR TÉCNICO DE PROCURADORIA/2012) Acerca da Interven-


ção na Propriedade, quando a atuação do Poder Público, por meio de norma geral e abs-
trata, impõe obrigações a proprietários indeterminados, definindo o número de andares
em construções verticais, caracteriza-se
a. uma servidão administrativa.
b. uma limitação administrativa.
c. um tombamento.
d. uma desapropriação indireta.
e. uma requisição administrativa.

COMENTÁRIO
O enunciado está narrando situação caracterizadora de limitação administrativa, ato
genérico por meio do qual o Poder Público impõe a proprietários indeterminados
obrigações com o objetivo de fazer com que aquela propriedade atenda à sua função social.
Trata-se de medida de caráter geral direcionadas a todos os proprietários daquela
determinada região, fundamentada no poder de polícia do Estado, “gerando para os
proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do
direito de propriedade ao bem-estar social” (DI PIETRO).
São exemplos a limitação à altura dos prédios em determinada região da cidade, a
obrigação de permitir o ingresso de agentes da fiscalização tributária e da vigilância sanitária;
a obrigação de instalar extintores de incêndio nos prédios; o parcelamento e edificação
compulsórios de terrenos para atender a função social delimitada no Plano Diretor.

25 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e
ampl. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018, p. 635.

38 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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Licitações e Contratos (Lei n. 8.666/1993 e alterações).

46. (INSTITUTO AOCP/UFPB/2019/AUDITOR/ADAPTADA) “Trata-se da modalidade de lici-


tação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a ad-
ministração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação
de bens imóveis prevista no art. 19”. Conforme a Lei Federal n. 8.666/1993 que institui
normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências, o
enunciado refere-se à modalidade de
a. convite.
b. concorrência.
c. leilão.
d. tomada de preço.
e. concurso.

COMENTÁRIO
O enunciado refere-se à modalidade de licitação leilão, nos termos do art. 22, § 2º, da Lei
n. 8.666/1993, abaixo transcrito:

§ 5º Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis
inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a
alienação de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao
valor da avaliação.

47. (INSTITUTO AOCP/UFPB/2019/AUDITOR) A Lei Federal n. 8.666/1993 regulamenta o art.


37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Ad-
ministração Pública e dá outras providências. Sobre as licitações, é correto afirmar que
a. são uma prática destinada a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia.
b. devem ser aplicadas somente em casos relacionados com obras públicas.
c. salvo exceções, as licitações exigem que pagamentos ocorram sempre à vista.
d. a seleção da proposta mais vantajosa independe de quaisquer princípios.
e. devem ocorrer sempre a cada dois anos, mesmo sendo sobre um item intangível.

COMENTÁRIO
a. CERTA! Entre as finalidades às quais as licitações públicas se destinam, está a de oferecer
iguais condições a todos que queiram contratar com a Administração, promovendo, em nome
da isonomia, a possibilidade de participação no certame licitatório de quaisquer interessados
que preencham as condições previamente fixadas no instrumento convocatório.

39 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Correto, portanto, afirmar que são uma prática destinada a garantir a observância do princípio
constitucional da isonomia.
Nesse sentido, art. 3º, caput, da Lei n. 8.666/1993:

Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isono-


mia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento
nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios bási-
cos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes
são correlatos.

b. Errada! O art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, afirma que as obras, serviços,
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública. Mais
minucioso, o art. 2º da Lei n. 8.666/1993 exige prévia licitação para contratações da
Administração com terceiros relativas a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras,
alienações, concessões, permissões e locações.
É, portanto, possível concluir pela obrigatoriedade de licitação para contratar os seguintes
objetos mediatos:
• Compra de bens móveis ou imóveis;
• Contratação de serviços, inclusive de seguro e de publicidade;
• Realização de obras;
• Alienação de bens públicos e daqueles adquiridos judicialmente ou mediante dação em
pagamento, doação, permuta e investidura (art. 17 da Lei n. 8.666/1993);
• Outorga de concessão de serviço público;
• Expedição de permissão de serviço público.
c. Errada! Via de regra, a Lei n. 8.666/1993 dispõe, em seu art. 40, XIV, a, que prazo do
pagamento será em até 30 dias (e não à vista!), contado a partir da data final do período de
adimplemento de cada parcela.
Vejamos:

Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição
interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de
que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem
como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte:
[...]
XIV - condições de pagamento, prevendo:
a. prazo de pagamento não superior a trinta dias, contado a partir da data final do período de adim-
plemento de cada parcela;

40 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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d. Errada! A seleção da proposta mais vantajosa, na forma do art. 3º da Lei n. 8.666/1993,


depende da estrita conformidade “com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade,
da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao
instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos”

Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a se-


leção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional
sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos
da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que
lhes são correlatos.

e. Errada! Não há na Lei n. 8.666/1993 qualquer exigência nesse sentido.

48. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/2020/AUDITOR FISCAL) Acerca da Lei


de Licitações (Lei Federal n. 8.666/1993), assinale a alternativa INCORRETA.
a. Nenhuma compra será feita sem a adequada caracterização de seu objeto e indicação
dos recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato e res-
ponsabilidade de quem lhe tiver dado causa.
b. As licitações serão efetuadas no local onde se situar a repartição interessada, salvo por
motivo de interesse público, devidamente justificado.
c. É indispensável a licitação quando a União tiver que intervir no domínio econômico para
regular preços ou normalizar o abastecimento.
d. Nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a tomada de preços
e, em qualquer caso, a concorrência.
e. É dispensável a licitação na contratação de remanescente de obra, serviço ou forneci-
mento, em consequência de rescisão contratual, desde que atendida a ordem de clas-
sificação da licitação anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo licitante
vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido.

COMENTÁRIO
a. Correta! Trata-se do previsto no art. 14 da Lei n. 8.666/1993.

Art. 14. Nenhuma compra será feita sem a adequada caracterização de seu objeto e indicação dos
recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de
quem lhe tiver dado causa.
b. Correta! Está de acordo com o art. 20 da Lei n. 8.666/1993.

Art. 20. As licitações serão efetuadas no local onde se situar a repartição interessada, salvo por
motivo de interesse público, devidamente justificado.

41 [Link]
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c. INCORRETA! Ao contrário, no art. 24, VI, da Lei n. 8.666/1993, temos que é dispensável
a licitação quando a União tiver de intervir no domínio econômico para regular preços ou
normalizar o abastecimento.

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
VI - quando a União tiver que intervir no domínio econômico para regular preços ou normalizar o
abastecimento;

d. Correta! É o que disciplina o art. 23, § 4º, da Lei n. 8.666/1993.

§ 4º Nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a tomada de preços e, em
qualquer caso, a concorrência.

e. Correta! Corresponde à previsão do art. 24, XI, da Lei n. 8.666/1993.

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
XI - na contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento, em consequência de resci-
são contratual, desde que atendida a ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as mes-
mas condições oferecidas pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido;

49. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/2020/AUDITOR FISCAL) Assinale a al-


ternativa que apresenta o conceito correto de “adjudicação” nas licitações públicas.
a. É o ato administrativo pelo qual a autoridade superior manifesta sua concordância com
a legalidade e a conveniência do procedimento licitatório.
b. É a necessidade de verificação da capacidade do licitante no exercício de direitos e de-
veres, para caso de eventual responsabilização pelas obrigações pactuadas.
c. É o ato administrativo pelo qual se declara como satisfatória a proposta vencedora do
procedimento e se afirma a intenção de celebrar o contrato com o seu ofertante.
d. É o ato que tem o condão de demonstrar que o interessado está devidamente inscrito
nos cadastros públicos pertinentes e regular com suas obrigações fiscais e trabalhistas.
e. É sinônimo da comercialização, prestação ou execução, de forma direta, de produtos,
serviços ou obras especificamente relacionadas com seus respectivos objetos sociais.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “c”!
Define-se a adjudicação como o ato final do certame licitatório, pois será por meio dela
que a Administração declarará o licitante vencedor. Em termos mais técnicos, significa
dizer que é através da adjudicação que o objeto da licitação será atribuído ao vencedor.

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Importante ressaltar que corresponde a um ato declaratório do qual resulta mera


expectativa de direito quanto à celebração do contrato, ou seja, a Administração, após a
adjudicação, não tem o dever de obrigatoriamente concretizar a contratação, uma vez que
o procedimento licitatório poderá ser anulado por motivo de ilegalidade ou revogado em
razão de interesse público ou com base em fatos supervenientes. Todavia, se for contratar,
somente poderá fazer com o licitante vencedor.
Segundo o art. 64, § 3º, da Lei n. 8.666/1993, decorridos 60 (sessenta) dias da data da
entrega das propostas, sem ter havido convocação para a contratação, ficam os licitantes
liberados das condições que ofereceram.

50. (AOCP/PREFEITURA DE JUIZ DE FORA-MG/2016/PROCURADOR MUNICIPAL) O Mu-


nicípio de Juiz de Fora, após o devido procedimento licitatório, celebrou contrato para exe-
cução de uma obra. Após a formalização do contrato, a Administração Pública do Municí-
pio pretende alterá-lo unilateralmente. De acordo com o que dispõe a Lei n. 8.666/1990,
assinale a alternativa que apresenta uma situação em que se justifica a pretendida
modificação.
a. Quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos pela Lei.
b. Quando houver modificação do projeto ou das especificações, não importando a verifi-
cação da adequação técnica aos seus objetivos.
c. Quando necessária a modificação da forma de pagamento, por imposição de circuns-
tâncias supervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do pa-
gamento, com relação ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contra-
prestação de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço.
d. Quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem
como do modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos
termos contratuais originários.
e. Quando conveniente a substituição da garantia de execução.

COMENTÁRIO
a. CERTA! É o que legitima o art. 65, I, b, da Lei n. 8.666/1993; in verbis:

Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos
seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a. quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos;
b. quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminui-
ção quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;

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b. Errada! Como visto no art. 65, I, a, transcrito acima, é possível a alteração unilateral do
contrato pela Administração Público na hipótese em que houver modificação do projeto ou
das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos.
Alternativas “c”, “d” e “e”: erradas! As situações narradas nas alternativas são hipóteses
em que será possível a alteração do contrato por acordo das partes (e não de maneira
unilateral pela Administração Pública), nos termos do art. 65, II, da Lei n. 8.666/1993.

Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos
seguintes casos:
[...]
II - por acordo das partes:
a. quando conveniente a substituição da garantia de execução;
b. quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem como do
modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais
originários;
c. quando necessária a modificação da forma de pagamento, por imposição de circunstâncias su-
pervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação
ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contraprestação de fornecimento de bens
ou execução de obra ou serviço;

51. (INSTITUTO AOCP/CISAMUSEP/2016/ADVOGADO/ADAPTADA) O “convite” é a modali-


dade de Licitação
a. entre interessados cadastrados do ramo pertinente ao seu objeto, escolhidos e convi-
dados em número mínimo de dois pela unidade administrativa, a qual afixará, em local
apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados
na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência
mínima de 30 dias da apresentação das propostas.
b. entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e
convidados em número mínimo de três pela unidade administrativa, a qual afixará, em
local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastra-
dos na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedên-
cia de até 24 horas da apresentação das propostas.
c. entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e
convidados em número máximo de três pela unidade administrativa, a qual afixará, em
local apropriado, cópia do instrumento convocatório para publicidade, sendo vedada, no
entanto, a participação de candidatos não convidados.
d. entre interessados cadastrados do ramo pertinente ao seu objeto, escolhidos e convida-
dos em número máximo de cinco pela unidade administrativa, a qual afixará, em local
apropriado, cópia do instrumento convocatório para publicidade, sendo vedada, no en-
tanto, a participação de candidatos não convidados.
e. entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e
convidados em número máximo de cinco pela unidade administrativa, a qual afixará, em
local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastra-

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dos na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedên-


cia de mínima de 10 dias antes da apresentação das propostas.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”!
De acordo com o art. 22, § 3º, da Lei n. 8.666/1993:

§ 3º Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, ca-
dastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrati-
va, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais
cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência
de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.

52. (INSTITUTO AOCP/CÂMARA DE MARINGÁ-PR/2018/ADVOGADO) É dispensável


a licitação
a. para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precí-
puas da administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem a
sua escolha, desde que o preço não seja superior a 10% do valor de mercado, segundo
avaliação prévia.
b. na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da
pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à
recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação
ético-profissional.
c. para a aquisição de bens ou serviços nos termos de acordo internacional específico
aprovado pelo Congresso Nacional, quando as condições ofertadas forem manifesta-
mente vantajosas para o Poder Público.
d. na contratação de associação de portadores de deficiência física, sem fins lucrativos e
de comprovada idoneidade, por órgãos ou entidades da Administração Pública, para a
prestação de serviços ou fornecimento de mão de obra, desde que o preço contratado
seja de até 15% superior ao praticado no mercado.
e. para a aquisição ou contratação de produto para pesquisa e desenvolvimento, limitada,
no caso de obras e serviços de engenharia, a 25% (vinte por cento) do valor de que trata
a alínea “b” do inciso I do caput do art. 23 da Lei n. 8.666/1993.

COMENTÁRIO
a. Errada! Na situação narrada, para a licitação ser dispensável, é necessário que o preço
seja compatível com o valor de mercado, não havendo na Lei n. 8.666/1993 a exigência de
que o preço não seja superior a 10% do valor de mercado, conforme o art. 24, X.

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Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
X - para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da
administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem a sua escolha, desde
que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo avaliação prévia;

b. Errada! Para ser dispensável a licitação na hipótese descrita, além de a contratada


precisar deter inquestionável reputação ético-profissional, não poderá ter fins lucrativos.
Destarte, incorreta a assertiva por estar incompleta.

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
XIII - na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa,
do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do
preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins
lucrativos;

c. CERTA! Está de acordo com o art. 24, XIV, da Lei n. 8.666/1993.

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
XIV - para a aquisição de bens ou serviços nos termos de acordo internacional específico aprovado
pelo Congresso Nacional, quando as condições ofertadas forem manifestamente vantajosas para o
Poder Público;

d. Errada! Segundo o art. 24, XX, da Lei n. 8.666/1993, exige-se que o preço contratado
seja compatível com o praticado no mercado, não existindo a limitação de 15% citada na
alternativa.
Observem:

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
XX - na contratação de associação de portadores de deficiência física, sem fins lucrativos e de
comprovada idoneidade, por órgãos ou entidades da Administração Pública, para a prestação de
serviços ou fornecimento de mão-de-obra, desde que o preço contratado seja compatível com
o praticado no mercado.

e. Errada! A limitação disposta no art. 24, XXI, da Lei n. 8.666/1993, é de 20% (e não de
25%!).

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
XXI - para a aquisição ou contratação de produto para pesquisa e desenvolvimento, limitada, no
caso de obras e serviços de engenharia, a 20% (vinte por cento) do valor de que trata a alínea “b”
do inciso I do caput do art. 23;

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53. (AOCP/COREN-SC/2013/ADVOGADO) Analise as assertivas e assinale a alternativa que


aponta a(s) correta(s).
I – Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase
inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualifica-
ção exigidos no edital para execução de seu objeto.
II – Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente
ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3
(três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instru-
mento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente espe-
cialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro)
horas da apresentação das propostas.
III – Convite é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou
que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia
anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.
IV – Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de
trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remune-
ração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa
oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.
a. Apenas I.
b. Apenas II e III.
c. Apenas I e IV.
d. Apenas I, II e IV.
e. I, II, III e IV.

COMENTÁRIO
Assertiva I: correta! É o que aponta o art. 22, § 1º, da Lei n. 8.666/1993.

§ 1º Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de


habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital
para execução de seu objeto.

Assertiva II: errada! De acordo com o art. 22, § 2º, da Lei n. 8.666/1993:

§ 2º Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou


que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data
do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.

Assertiva III: errada! Na forma do art. 22, § 3º, da Lei n. 8.666/1993:

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§ 3º Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, ca-
dastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrati-
va, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais
cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência
de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.

Assertiva IV: correta! Está de acordo com o art. 22, § 4º, da Lei n. 8.666/1993.

§ 4º Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho


técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores,
conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de
45 (quarenta e cinco) dias.

54. (AOCP/COREN-SC/2013/ADVOGADO/ADAPTADA) Analise as assertivas e assinale a al-


ternativa que aponta a(s) correta(s).
De acordo com a Lei de Licitações e Contratos (Lei n. 8.666/1993), os avisos contendo
os resumos dos editais das concorrências, das tomadas de preços, dos concursos e dos
leilões, embora realizados no local da repartição interessada, deverão ser publicados com
antecedência, no mínimo, por uma vez
I – no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação feita por órgão ou entidade da
Administração Pública Federal e, ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial
ou totalmente com recursos federais ou garantidas por instituições federais.
II – no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quando se tratar, respectivamente,
de licitação feita por órgão ou entidade da Administração Pública Estadual ou Munici-
pal, ou do Distrito Federal.
III – em jornal diário de grande circulação no Estado e também, se houver, em jornal de
circulação no Município ou na região onde será realizada a obra, prestado o serviço,
fornecido, alienado ou alugado o bem, podendo ainda a Administração, conforme o
vulto da licitação, utilizar-se de outros meios de divulgação para ampliar a área de
competição.
IV – o aviso publicado conterá a indicação do local em que os interessados poderão ler e
obter o texto integral do edital e todas as informações sobre a licitação.
a. Apenas I.
b. Apenas II e III.
c. Apenas I e IV.
d. Apenas I, II e IV.
e. I, II, III e IV.

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COMENTÁRIO
Todas as assertivas estão corretas, correspondendo à literalidade do art. 21, incisos I a III
e § 1º, da Lei n. 8.666/1993.

Art. 21. Os avisos contendo os resumos dos editais das concorrências, das tomadas de preços, dos
concursos e dos leilões, embora realizados no local da repartição interessada, deverão ser publica-
dos com antecedência, no mínimo, por uma vez:
I - no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação feita por órgão ou entidade da Adminis-
tração Pública Federal e, ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial ou totalmente com
recursos federais ou garantidas por instituições federais;
II - no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quando se tratar, respectivamente, de licitação
feita por órgão ou entidade da Administração Pública Estadual ou Municipal, ou do Distrito Federal;
III - em jornal diário de grande circulação no Estado e também, se houver, em jornal de circulação
no Município ou na região onde será realizada a obra, prestado o serviço, fornecido, alienado ou
alugado o bem, podendo ainda a Administração, conforme o vulto da licitação, utilizar-se de outros
meios de divulgação para ampliar a área de competição.
§ 1º O aviso publicado conterá a indicação do local em que os interessados poderão ler e obter o
texto integral do edital e todas as informações sobre a licitação.
[...]

55. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/2020/ANALISTA JURÍDICO) Maria,


servidora pública municipal de Betim, lotada no departamento de licitações, durante deter-
minado procedimento licitatório que visava à aquisição de materiais de escritório, usando
de violência e grave ameaça, afastou o licitante José da participação do certame.
Considerando a situação hipotética descrita, nos termos da Lei de Licitações, Maria estará
sujeita à pena de
a. detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
b. detenção, de 2 (dois) a 3 (três) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
c. detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
d. detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.
e. reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

COMENTÁRIO
Maria estará sujeita à pena de detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, além da
pena correspondente à violência, conforme preceitua o art. 95 da Lei n. 8.666/1993.

Art. 95. Afastar ou procura afastar licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou ofereci-
mento de vantagem de qualquer tipo:

49 [Link]
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Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se abstém ou desiste de licitar, em razão da van-
tagem oferecida.

56. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/2020/ANALISTA JURÍDICO) Analise as


assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas acerca da temática de licitações.
I – Na concorrência para a venda de bens imóveis, a fase de habilitação limitar-se-á à
comprovação do recolhimento de quantia correspondente a 05% (cinco por cento) da
avaliação.
II – Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de procedi-
mentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da autori-
dade competente, desde que precedidos de autorização legislativa específica.
III – Consideram-se licitações simultâneas aquelas com objetos similares e com realiza-
ção prevista para intervalos não superiores a 30 (trinta) dias e licitações sucessivas
aquelas em que, também com objetos similares, o edital subsequente tenha uma data
anterior a 120 (cento e vinte) dias após o término do contrato resultante da licitação
antecedente.
IV – Com relação ao pregão, o prazo fixado para a apresentação das propostas, contado a
partir da publicação do aviso, não será inferior a 08 (oito) dias úteis.
a. Apenas I e II.
b. Apenas III e IV.
c. Apenas I, II e III.
d. Apenas I, III e IV.
e. Apenas II, III e IV.

COMENTÁRIO
Assertiva I: correta! Trata-se do disposto no art. 18 da Lei n. 8.666/1993.

Art. 18. Na concorrência para a venda de bens imóveis, a fase de habilitação limitar-se-á à compro-
vação do recolhimento de quantia correspondente a 5% (cinco por cento) da avaliação.

Assertiva II: errada! Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja
derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por
ato da autoridade competente, não sendo necessária autorização legislativa específica, na
forma do art. 19 da Lei n. 8.666/1993.

Art. 19. Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de procedimentos
judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da autoridade competente,
observadas as seguintes regras:

50 [Link]
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I - avaliação dos bens alienáveis;


II - comprovação da necessidade ou utilidade da alienação;
III - adoção do procedimento licitatório, sob a modalidade de concorrência ou leilão.

Assertiva III: correta! É o que anota o art. 39, parágrafo único, da Lei n. 8.666/1993.
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, consideram-se licitações simultâneas aquelas
com objetos similares e com realização prevista para intervalos não superiores a trinta dias e
licitações sucessivas aquelas em que, também com objetos similares, o edital subsequente
tenha uma data anterior a cento e vinte dias após o término do contrato resultante da licitação
antecedente.
Não confunda! Consideram-se:
a. licitações simultâneas: o conjunto de licitações com objetos similares e em cuja realização
entre uma e outra existam intervalos não superiores a 30 dias; e
b. licitações sucessivas: o conjunto de licitações em que, também com objetos similares, o
edital subsequente tenha uma data anterior a 120 dias após o término do contrato resultante
da licitação antecedente.
Assertiva IV: correta! É o que estabelece o art. 4º, V, da Lei n. 10.520/2002.

Art. 4º A fase externa do pregão será iniciada com a convocação dos interessados e observará as
seguintes regras:
[...]
V - o prazo fixado para a apresentação das propostas, contado a partir da publicação do aviso, não
será inferior a 8 (oito) dias úteis;

Serviços públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle; forma, meios


e requisitos; delegação: concessão, permissão, autorização.

57. (AOCP/CÂMARA DE RIO BRANCO-AC/ANALISTA LEGISLATIVO/2016) Sobre conces-


são e permissão do serviço público, é correto afirmar que
a. não se admite qualquer forma de subconcessão.
b. a extinção por encampação não exige prévia indenização.
c. a extinção por caducidade não resultará para o poder concedente responsabilidade com
terceiros ou com funcionários da concessionária.
d. não se admite convenção de arbitragem.
e. a licitação sempre deve ser precedida de autorização legislativa.

51 [Link]
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COMENTÁRIO
a. Errada! A subconcessão é permitida pela Lei nº 8.987/1995 em seu artigo 26. Entretanto,
deve ser precedida de concorrência (ou seja, nova licitação) e é necessário, ainda, que a
possibilidade de subconcessão esteja prevista no contrato de concessão, estabelecendo-se
os limites admitidos.
b. Errada! A extinção por encampação exige prévia indenização, nos termos do art. 37 da
Lei n. 8.987/1995.

Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.

c. CERTA! De acordo com o art. 38, § 6º, da Lei n. 8.987/1995, a declaração de caducidade
não resultará para o poder concedente em qualquer espécie de responsabilidade em relação
aos encargos, ônus, obrigações ou compromissos com terceiros ou com empregados da
concessionária.
d. Errada! Conforme o artigo 23-A da Lei n. 8.987/1995, o contrato de concessão poderá
prever o emprego de mecanismos privados para resolução de disputas decorrentes ou
relacionadas ao contrato, inclusive a arbitragem, a ser realizada no Brasil e em língua
portuguesa, nos termos da Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996.
e. Errada! A Lei n. 8.987/1995 exige que a concessão e a permissão de serviço público sejam
precedidas de licitação, nada falando sobre a obrigatoriedade de autorização legislativa.

58. (AOCP/CÂMARA DE MARINGÁ-SP/ADVOGADO/2017/ADAPTADA) Em relação às con-


cessões especiais de serviços públicos, assinale a alternativa correta.
a. Não constitui parceria público-privada a concessão comum quando não envolver contra-
prestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
b. Se o Governo Estadual contratar empresa privada para a construção, manutenção e
administração de penitenciária, mediante pagamento mensal proporcional ao número
de detentos, estará realizando concessão simples, regida pela Lei n. 8.666/1993.
c. Na concessão administrativa, que constitui modalidade de concessão de serviço públi-
co, instituída como forma de parceria público-privada, a remuneração do concessionário
se dá exclusivamente por tarifa paga pelos usuários sem qualquer contraprestação pe-
cuniária do concedente (parceiro público), uma concessão patrocinada.
d. O Poder Público não poderá realizar a celebração de contratos de parceria público-
-privada para prestação de serviços de transporte público coletivo, uma vez que se trata

52 [Link]
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de serviço submetido ao regime de autorização.


e. É permitida a celebração de contratos de parceria público-privada que tenha como obje-
to único o fornecimento de mão de obra, o fornecimento e instalação de equipamentos
ou a execução de obra pública.

COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 2º, § 3º, da Lei n. 11.079/2004.

§ 3º Não constitui parceria público-privada a concessão comum, assim entendida a concessão de


serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei n. 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quan-
do não envolver contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.

b. Errada! Se o Governo Estadual contratar empresa privada para construção, manutenção


e administração de penitenciária, mediante pagamento mensal proporcional ao número
de detentos, estará realizando parceria público-privada, na modalidade concessão
administrativa, regida pela Lei n. 11.079/2004, e não concessão simples.
Nesse sentido, vejamos o art. 2º, § 2º, da Lei n. 11.079/2004:

Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocina-


da ou administrativa.
[...]
§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública
seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação
de bens.

c. Errada! Na concessão administrativa, a forma de remuneração da concessionária é


basicamente a contraprestação paga pela Administração; não há, no entanto, impedimento
de que o concessionário receba recursos de outras fontes complementares. Segundo a
professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro 26, o que não é possível na concessão administrativa
é a possibilidade de cobrança de tarifa do usuário, porque do contrário se trataria de
concessão patrocinada.
d. Errada! Admite-se ao Poder Público celebrar contratos de parceria público-privada para
prestação de serviços de transporte público coletivo, de modo que, em geral, essa concessão
ocorrerá na modalidade patrocinada, aquela em que o usuário também paga uma tarifa pela
utilização.
e. Errada! De acordo com art. 2º, § 4º, III, da Lei n. 11.079/2004, é vedada a celebração de
contratos de parceria público-privada que tenha como objeto único o fornecimento de mão
de obra, o fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra pública.

26 Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito administrativo, p. 326.

53 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:


I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);
II - cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou
III - que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e instalação
de equipamentos ou a execução de obra pública.

59. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/ANALISTA JURÍDICO/2020) Conforme


a Lei n. 11.079/2004, que regulamenta a parceria público-privada, assinale a alternati-
va correta.
a. As concessões patrocinadas em que mais de 70% (setenta por cento) da remuneração
do parceiro privado for paga pela Administração Pública dependerão de autorização
legislativa específica.
b. É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada cujo valor do contrato
seja inferior a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais).
c. As cláusulas dos contratos de parceria público-privada serão compatíveis com a amor-
tização dos investimentos realizados, sendo que o prazo de vigência do contrato não
será inferior a 05 (cinco) nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, excluída eventual
prorrogação.
d. As obrigações pecuniárias contraídas pela Administração Pública em contrato de parceria
público-privada podem ser garantidas por intermédio da contratação de seguro-garantia
com companhias seguradoras, sejam estas controladas ou não pelo Poder Público.
e. A contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público-privada
poderá ser feita somente por ordem bancária ou cessão de créditos não tributários.

COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 10, § 3º, da Lei n. 11.079/2004.

§ 3º As concessões patrocinadas em que mais de 70% (setenta por cento) da remuneração do par-
ceiro privado for paga pela Administração Pública dependerão de autorização legislativa específica.

b. Errada! É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada cujo valor do


contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), nos termos do art. 2º, § 4º,
I, da Lei n. 11.079/2004.

§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:


I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);

54 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! Narra o art. 5º, I, da Lei n. 11.079/2004, que as cláusulas dos contratos de parceria
público-privada serão compatíveis com a amortização dos investimentos realizados, sendo
que o prazo de vigência do contrato não será inferior a 05 (cinco) nem superior a 35 (trinta
e cinco) anos, incluída eventual prorrogação.

Art. 5º As cláusulas dos contratos de parceria público-privada atenderão ao disposto no art. 23 da


Lei n. 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo também prever:
I – o prazo de vigência do contrato, compatível com a amortização dos investimentos realizados,
não inferior a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, incluindo eventual prorrogação;

d. Errada! As obrigações pecuniárias contraídas pela Administração Pública em contrato de


parceria público-privada podem ser garantidas por intermédio da contratação de seguro-
garantia com companhias seguradoras que NÃO sejam controladas pelo Poder Público.

Art. 8º As obrigações pecuniárias contraídas pela Administração Pública em contrato de parceria


público-privada poderão ser garantidas mediante:
(...)
III – contratação de seguro-garantia com as companhias seguradoras que não sejam controladas
pelo Poder Público;

e. Errada! A contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público-


privada poderá ser feita por ordem bancária, cessão de créditos não tributários, outorga
de direitos em face da Administração Pública, outorga de direitos sobre bens públicos
dominicais e outros meios admitidos em lei.

Art. 6º A contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público-privada pode-


rá ser feita por:
I – ordem bancária;
II – cessão de créditos não tributários;
III – outorga de direitos em face da Administração Pública;
IV – outorga de direitos sobre bens públicos dominicais;
V – outros meios admitidos em lei.

60. (INSTITUTO AOCP/CISAMUSEP-PR/ADVOGADO/2016) Quando, na concessão de ser-


viços públicos, houver a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo da
concessão, por motivo de interesse público, tem-se o que se considera
a. encampação.
b. caducidade.
c. reversão.
d. outorga.
e. disponibilidade.

55 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A questão está se referindo à encampação, modo de extinção da concessão de serviços
públicos prevista no art. 37 da Lei n. 8.987/1995.

Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.

61. (INSTITUTO AOCP/CISAMUSEP-PR/ADVOGADO/2016) Uma concessionária de serviço


público determina o corte no fornecimento de energia elétrica de um hospital público em
virtude de inadimplemento. Nessa situação hipotética,
a. será legal a paralisação do serviço, pois a inadimplência do usuário constitui exceção ao
princípio da continuidade e veda o enriquecimento sem causa.
b. será legal a paralisação do serviço, desde que ocorra após o período de 30 dias de
inadimplência.
c. será ilegal a paralisação do serviço, pois a interrupção do serviço deve ser precedida de
aviso prévio, por meio de notificação judicial, após 10 dias de inadimplência.
d. será ilegal a paralisação, pois, tratando-se de inadimplência do usuário, deve haver pré-
vio aviso e 15 dias de suspensão parcial antes da efetiva paralisação do serviço.
e. será ilegal a paralisação do serviço por inadimplemento do usuário, tendo em vista que
dará ensejo a interrupção de um serviço essencial à coletividade.

COMENTÁRIO
Em que pese a Lei n. 8.987/1995 autorize a interrupção de serviço público em virtude de
inadimplemento do usuário (art. 6º, § 3º, II), a jurisprudência dos Tribunais Superiores é
pacífica quanto à impossibilidade da interrupção quando se tratar de serviços públicos
essenciais, a exemplo do fornecimento de energia elétrica para um hospital público.

STJ - Jurisprudência em Teses n 13/2014: “É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públi-


cos essenciais quando inadimplente unidade de saúde, uma vez que prevalecem os interesses de
proteção à vida e à saúde.”

62. (INSTITUTO AOCP/PREFEITURA DE BETIM-MG/ANALISTA JURÍDICO/2020) A respeito


da Lei n. 8.987/1995, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação
de serviços públicos, assinale a alternativa correta.
a. Permissão de serviço público consiste na delegação, a título precário, dispensada a li-
citação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física
ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.

56 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. As concessionárias de serviços públicos são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao


usuário, dentro do mês de vencimento, o mínimo de quatro datas opcionais para esco-
lherem os dias de vencimento de seus débitos.
c. A concessionária deverá divulgar em seu sítio eletrônico, de forma clara e de fácil com-
preensão pelos usuários, tabela com o valor das tarifas praticadas e a evolução das
revisões ou reajustes realizados nos últimos cinco anos.
d. Declarada a intervenção, o poder concedente deverá, no prazo de 15 (quinze) dias, ins-
taurar procedimento administrativo para comprovar as causas determinantes da medida
e apurar responsabilidades, assegurado o direito de ampla defesa.
e. Considera-se caducidade a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e
após prévio pagamento da indenização.

COMENTÁRIO
a. Errada! A permissão de serviço público deve ser precedida de licitação, como designa o
art. 2º, IV, da Lei n. 8.987/1995.

Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:


[...]
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação
de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capaci-
dade para seu desempenho, por sua conta e risco.

b. Errada! De acordo com o art. 7º-A da Lei n. 8.987/1995, deve ser oferecido aos
consumidores e usuários o mínimo de seis datas opcionais (e não o mínimo de quatro
datas!) para escolherem os dias de vencimento de seus débitos.

Art. 7º-A. As concessionárias de serviços públicos, de direito público e privado, nos Estados e no
Distrito Federal, são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês de vencimen-
to, o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus débitos.

c. CERTA! É o que exige o art. 9º, § 5º, da Lei n. 8.987/1995.

§ 5º A concessionária deverá divulgar em seu sítio eletrônico, de forma clara e de fácil compreensão
pelos usuários, tabela com o valor das tarifas praticadas e a evolução das revisões ou reajustes
realizados nos últimos cinco anos.      

d. Errada! A Lei n. 8.987/1995, no art. 33, estabelece o prazo 30 dias (e não de 15 dias!).

Art. 33. Declarada a intervenção, o poder concedente deverá, no prazo de trinta dias, instaurar
procedimento administrativo para comprovar as causas determinantes da medida e apurar respon-
sabilidades, assegurado o direito de ampla defesa.

57 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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e. Errada! A assertiva narrou o conceito de encampação, conforme o art. 37 da Lei n.


8.987/1995.

Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.

A caducidade, por seu turno, encontra-se regulada no art. 38:

Art. 38. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a critério do poder concedente, a
declaração de caducidade da concessão ou a aplicação das sanções contratuais, respeitadas as
disposições deste artigo, do art. 27, e as normas convencionadas entre as partes.
§ 1º A caducidade da concessão poderá ser declarada pelo poder concedente quando:
I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo por base as normas,
critérios, indicadores e parâmetros definidores da qualidade do serviço;
II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais ou regulamentares
concernentes à concessão;
III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas as hipóteses decorren-
tes de caso fortuito ou força maior;
IV - a concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou operacionais para manter a
adequada prestação do serviço concedido;
V - a concessionária não cumprir as penalidades impostas por infrações, nos devidos prazos;
VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente no sentido de regularizar a
prestação do serviço; e
VII - a concessionária não atender a intimação do poder concedente para, em 180 (cento e oitenta)
dias, apresentar a documentação relativa a regularidade fiscal, no curso da concessão, na forma do
art. 29 da Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993.
[...]

63. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/PERITO OFICIAL CRIMINAL/2019) Assinale a alternativa que


apresenta corretamente as duas categorias de concessões de serviços públicos.
a. Concessões públicas e as concessões privadas.
b. Concessões ordinárias e as concessões administrativas.
c. Concessões administrativas e as concessões privadas.
d. Concessões comuns e as concessões especiais.
e. Concessões públicas e as concessões patrocinadas.

COMENTÁRIO
A delegação negocial de serviços públicos pode ocorrer mediante: concessão,
permissão ou autorização.

58 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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As concessões de serviços públicos, conforme a disciplina jurídica, podem ser divididas em


duas espécies:
1ª) concessões comuns (disciplinadas pelas Leis n. 8.987/1995 e 9.074/1995); e
2ª) concessões especiais, conhecidas como parcerias público-privadas (previstas na
Lei n. 11.079/2004, mas também sujeitas a alguns dispositivos da Lei n. 8.987/1995).
As concessões comuns, por sua vez, se subdividem em duas modalidades:
a. concessão de serviços públicos; e
b. concessão de serviço público precedida da execução de obra pública.
Já as concessões especiais (parcerias público-privadas) também se subdividem em duas
categorias:
a. concessão patrocinada; e
b. concessão administrativa.

64. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/PERITO OFICIAL CRIMINAL/2019) A autorização de serviço


público pode ser considerada um
a. contrato administrativo por prazo determinado, sendo dispensada prévia licitação.
b. ato administrativo unilateral, vinculado e precário.
c. contrato administrativo por prazo indeterminado, precedido de licitação.
d. ato administrativo unilateral, discricionário e precário.
e. contrato administrativo precário por prazo indeterminado, sendo dispensada prévia
licitação.

COMENTÁRIO
Segundo entendimento da doutrina, a autorização se constitui em ato administrativo
unilateral, discricionário e precário pelo qual o poder público delega a execução de um
serviço público de sua titularidade, para que o particular o execute predominantemente
em seu próprio benefício. Seguindo a definição do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles,
“serviços autorizados são aqueles que o Poder Público, por ato unilateral, precário e
discricionário, consente na sua execução por particular para atender a interesses coletivos
instáveis ou emergência transitória”.
Vale lembrar que, tratando-se de ato administrativo, a autorização de serviço público, via
de regra, não depende de licitação, uma vez que esta só é exigível para a realização de
contrato.

59 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

65. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/INVESTIGADOR/2019) Contrato através do qual o Estado de-


lega a alguém o exercício de um serviço público e este aceita prestá-lo em nome do Poder
Público sob condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Estado, mas por sua con-
ta, risco, remunerando-se pela cobrança de tarifas diretamente dos usuários do serviço
e tendo a garantia de um equilíbrio econômico-financeiro. O enunciado apresentado é a
definição de
a. autorização de serviço público.
b. permissão de serviço público.
c. concessão de serviço público.
d. consórcio público.
e. convênio público.

COMENTÁRIO
A questão descreveu o conceito de concessão de serviço púbico.
Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello:
Concessão de serviço público é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de
um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome próprio, por sua conta e risco,
nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público, mas sob garantia
contratual de um equilíbrio econômico-financeiro, remunerando-se pela própria exploração
do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do
serviço. 27

66. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2019) Os serviços públicos podem


ser classificados
a. quanto à obrigatoriedade da utilização, em compulsórios e facultativos.
b. quanto aos usuários, em federais, estaduais, distritais e municipais.
c. quanto à essencialidade, em serviços de execução direta ou de execução indireta.
d. quanto à entidade a quem foram atribuídos, em gerais ou específicos.
e. quanto à forma de execução, em essenciais ou não essenciais.

27 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 27ª ed. São Paulo, 2010.

60 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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COMENTÁRIO
a. CERTA! Segundo José dos Santos Carvalho Filho, os serviços públicos, com base no
critério da obrigatoriedade, podem ser classificados em compulsórios e facultativos, sendo
facultativos, se for possível a suspensão da prestação do serviço, ou compulsórios, quando
não é possível de ocorrer a suspensão. 28
Há que se destacar que o tema classificação dos serviços públicos costuma apresentar
variações a depender do doutrinador estudado.
b. Errada! Quanto aos usuários (destinatários), os serviços púbicos podem ser uti universi
(universais, coletivos ou gerais), que são aqueles dirigidos a toda a coletividade, não
possuindo usuários determinados, e uti singuli (singulares ou individuais), quando voltados
a usuários determinados
É com base no critério da titularidade federativa que se dividirão em federais, estaduais,
distritais, municipais e comuns.
c. Errada! Quanto à essencialidade, distinguem-se em serviços essenciais e serviços não
essenciais.
d. Errada! Quanto à entidade a quem foram atribuídos (critério da titularidade federativa),
poderão ser federais, estaduais, distritais, municipais e comuns.
É quanto aos usuários (destinatários) que serão uti universi (universais, coletivos ou gerais)
ou uti singuli (singulares ou individuais).
e. Errada! No tocante ao modo de prestação (execução) dos serviços públicos, estes podem
ser prestados de forma centralizada ou descentralizada.
Quando o serviço público é prestado pela própria pessoa jurídica federativa que detém
a sua titularidade, diz-se que o serviço está sendo prestado de forma centralizada.
Ocorre que, em várias situações, o ente político titular daquele serviço público, embora
mantendo a sua titularidade, transfere a pessoas alheias à sua estrutura administrativa
a responsabilidade pela prestação, hipótese em que o serviço passa a ser executado de
forma descentralizada.

67. (INSTITUTO AOCP/PC-ES/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2019) A descentralização adminis-


trativa ocorre quando há a transferência da responsabilidade, pelo exercício de atividades
administrativas pertinentes à Administração Pública, a pessoas jurídicas auxiliares por ela
criadas com essa finalidade ou para particulares, podendo se dar por meio da outorga ou

28 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Atlas, 2018, p.
339.

61 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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delegação de serviços públicos. A respeito da outorga e da delegação de serviços públi-


cos, assinale a alternativa correta.
a. É possível realizar a outorga por meio de lei, contrato administrativo ou ato administrativo.
b. Na outorga, transfere-se a titularidade e a execução dos serviços públicos.
c. A delegação pode se dar exclusivamente para as pessoas da Administração Públi-
ca Indireta.
d. A outorga pode se dar para pessoas da Administração Pública Indireta ou para os parti-
culares, dependendo do caso.
e. Na delegação, transfere-se a titularidade e a execução dos serviços públicos.

COMENTÁRIO
Antes de analisarmos cada alternativa, importante relembrar que a descentralização dos
serviços públicos pode ser feita de duas formas: a) por outorga (delegação legal); ou b) por
delegação (delegação negocial).
Na descentralização por outorga (também conhecida por delegação legal), o Estado
cria uma entidade (autarquia, fundação pública, sociedade de economia mista ou empresa
pública) e lhe transfere, por lei, a execução de um serviço público.
Na descentralização por delegação (também conhecida por delegação negocial), o
Poder Público transfere por contrato ou ato unilateral a execução do serviço, para que
o delegado preste o serviço em seu próprio nome e por sua conta e risco, nas condições
previamente estabelecidas e sob controle estatal.
Posto isto, vamos aos itens.
a. Errada! A outorga é realizada por meio de lei, apenas!
b. CERTA! Na outorga, transfere-se a execução dos serviços públicos, mantendo-se a
titularidade com a pessoa jurídica federativa que detém a sua titularidade (União, estados,
Distrito Federal e municípios).
O ente político, mesmo quando transfere a terceiros a responsabilidade pela prestação de
serviços públicos, sempre conserva a sua titularidade, o que lhe garante a manutenção,
em qualquer caso, da competência para regular e controlar a prestação desses serviços.
c. Errada! A delegação pode se dar também para em favor de particulares, tal como ocorre
na delegação negocial.
d. Errada! A outorga (delegação legal) se dá em favor das pessoas da Administração Pública
indireta, apenas.
e. Errada! Na delegação, transfere-se apenas a execução dos serviços públicos.

62 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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68. (INSTITUTO AOCP/TRT 1ª REGIÃO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018)


Analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).
Conforme a Lei n. 11.079/2004, é vedada a celebração de contrato de parceria público-
-privada:
I – em que as obrigações pecuniárias contraídas pela Administração Pública sejam ga-
rantidas por intermédio da contratação de seguro-garantia com companhia seguradora
não controlada pelo Poder Público.
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos, bem como que não
preveja a repartição de riscos entre as partes, dispensado, nesse último caso, os refe-
rentes a caso fortuito e força maior.
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e insta-
lação de equipamentos ou a execução de obra pública.
IV – cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), bem
como nos casos em que o prazo de vigência do contrato seja superior a 30 (trinta)
anos, incluindo eventual prorrogação.
a. Apenas III.
b. Apenas I e III.
c. Apenas I e IV.
d. Apenas II e III.
e. Apenas II e IV.

COMENTÁRIO
I. Errada! No art. 8º, III, da Lei n. 11.079/2004, admite-se a celebração de contrato de
parceria público-privada em que as obrigações pecuniárias contraídas pela Administração
Pública sejam garantidas por intermédio da contratação de seguro-garantia com companhia
seguradora não controlada pelo Poder Público.

Art. 8º As obrigações pecuniárias contraídas pela Administração Pública em contrato de parceria


público-privada poderão ser garantidas mediante:
[...]
III – contratação de seguro-garantia com as companhias seguradoras que não sejam controladas
pelo Poder Público;

II. Errada! Realmente, as PPPs não poderão ser firmadas por período inferior a 5 (cinco)
anos, bem como não poderão deixar de prever a repartição de riscos entre as partes,
inclusive, nesse último caso, os referentes a caso fortuito e força maior.
Sobre o tema, art. 5º I e III, da Lei n. 11.079/2004:

63 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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Art. 5º As cláusulas dos contratos de parceria público-privada atenderão ao disposto no art. 23 da


Lei n. 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo também prever:
I – o prazo de vigência do contrato, compatível com a amortização dos investimentos realizados,
não inferior a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, incluindo eventual prorrogação;
[...]
III – a repartição de riscos entre as partes, inclusive os referentes a caso fortuito, força maior, fato
do príncipe e álea econômica extraordinária;

III. Correta! Isso mesmo. Define o art. 2º, § 4º, III, da Lei n. 11.079/2004 que:

§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:


I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);
II - cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou
III - que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e instalação
de equipamentos ou a execução de obra pública.

IV. Errada! Em que pese ser vedada a celebração de PPP cujo valor do contrato seja inferior
a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), na forma do art. 2º, § 4º, I, o item está errado
porque o prazo de vigência do contrato não poderá ser superior a 35 anos (e não a 30
anos!), incluindo eventual prorrogação (art. 5º, I).

69. (AOCP/CODEM-PA/ADVOGADO/2017/ADAPTADA) Conforme determina o art. 175 da


Constituição Federal Brasileira de 1988, fica o Poder Público encarregado, nos limites le-
gais, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação,
da prestação de serviços públicos. Nesse sentido, considerando os conceitos e as regras
gerais dos serviços públicos, assinale a alternativa correta.
a. Os serviços públicos podem ser definidos como a atribuição do exercício de uma ativida-
de de interesse público pelo Estado a alguém que aceite prestá-lo em nome do próprio
ente estatal, cujas responsabilidades pertencem a este último.
b. O concessionário do serviço público tem o direito de se remunerar pela própria explora-
ção da atividade assumida.
c. Os contratos de serviço público não poderão prever mecanismos de revisão das tarifas,
cabendo à lei firmar os instrumentos necessários para ser mantido o equilíbrio econômi-
co-financeiro.
d. Em razão do princípio da isonomia, quando em igualdade de condições apresentadas,
não será dada preferência à proposta apresentada por empresa brasileira.
e. Após a publicação do edital de licitação, abre-se prazo de 15 (quinze) dias para que o
Poder Público apresente a justificativa para a outorga de concessão ou permissão do
serviço público, caracterizando objeto, área e prazo.

64 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
a. Errada! A assertiva está fazendo referência às formas como os serviços públicos podem
ser prestados, e não necessariamente ao seu conceito.
De grosso modo, e sendo extremamente pragmáticos, podemos afirmar que serviço público
nada mais é que um “serviço ao público”, prestado pelo Estado, mas que, como vimos ao
longo de toda a aula de hoje, pode ter a execução delegada às entidades da Administração
Pública indireta e aos particulares, que exercerão a atribuição em seu próprio nome e
sob a sua responsabilidade.
b. CERTA! De fato, é possível que o concessionário do serviço público se remunere pela
própria exploração da atividade assumida.
Como bem ensina Rafael Rezende Carvalho Oliveira, em relação à concessão comum
disciplinada pela Lei n. 8.987/1995:

A remuneração do concessionário, que explora o serviço público por sua conta e risco, é uma carac-
terística essencial do contrato de concessão.
Em regra, a remuneração do concessionário é efetivada pela cobrança da tarifa dos usuários do ser-
viço público concedido. A tarifa, prevista no contrato de concessão e fixada nos termos da proposta
vencedora na licitação, deverá ser atualizada e revista durante a execução do contrato, como forma
de preservação do equilíbrio econômico-financeiro do ajuste. 29

Em relação às concessões especiais da Lei n. 11.079/2004, na concessão administrativa,


a forma de remuneração da concessionária é basicamente a contraprestação paga pela
Administração, vedada a possibilidade de cobrança de tarifa do usuário, ao passo que, na
concessão patrocinada, a remuneração se dá pela combinação de tarifas cobradas dos
usuários e contraprestação pecuniária do parceiro público.
c. Errada! Os contratos de serviço público poderão prever mecanismos de revisão das
tarifas, conforme fica claro no art. 9º, § 2º, da Lei n. 8.987/1995.

Art. 9º A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licita-
ção e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato.
[...]
§ 2º Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manter-se o equilíbrio
econômico-financeiro.

d. Errada! Estabelece o art. 15, § 4º, da Lei n. 8.987/1995 que, em igualdade de condições
apresentadas, dar-se-á preferência à proposta apresentada por empresa brasileira.

29 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.

65 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 4º Em igualdade de condições, será dada preferência à proposta apresentada por empresa


brasileira.

e. Errada! O Poder Público, antes de publicar o edital de licitação, deverá apresentar


justificativa para a outorga de concessão ou permissão do serviço público, caracterizando
objeto, área e prazo.

Sobre o tema, art. 5º da Lei n. 8.987/1995:

Art. 5º O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando a conveni-
ência da outorga de concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área e prazo.

70. (AOCP/TCE-PA/AUDITOR/2012) No que se refere às hipóteses de delegação de serviço


público, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).
I – Não é possível a concessão comum de serviço público à pessoa física. Só pode ser
concedido à pessoa jurídica ou consórcio de empresas.
II – A permissão de serviço público é a delegação, a título precário, mediante licitação, da
prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica
que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.
III – A autorização de serviço público se formaliza através de ato administrativo unilateral.
IV – A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão.
a. Apenas I.
b. Apenas II e III.
c. Apenas I e IV.
d. Apenas I, III e IV.
e. I, II, III e IV.

COMENTÁRIO
Todos os itens estão corretos.
I. Correto! Vejamos o que o art. 2º, II e III, da Lei n. 8.987/1995 disciplina:

Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:


[...]
II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, me-
diante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas
que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado;
III - concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou par-
cial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público,
delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa ju-
rídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta
e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a
exploração do serviço ou da obra por prazo determinado;

66 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

II. Correto! É exatamente o que o art. 2º, I, da Lei n. 8.987/1995 define sobre a permissão
de serviço público.

Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:


[...]
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de
serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacida-
de para seu desempenho, por sua conta e risco.

III. Correto! Segundo entendimento da doutrina, a autorização se constitui em ato


administrativo unilateral, discricionário e precário pelo qual o poder público delega
a execução de um serviço público de sua titularidade, para que o particular o execute
predominantemente em seu próprio benefício.
IV. Correto! Está de acordo com o art. 40 da Lei n. 8.987/1995.

Art. 40. A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que
observará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive
quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente.

71. (AOCP/TCE-PA/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/2012) A causa de extinção da


concessão, na hipótese de interesse público superveniente à concessão tornar mais con-
veniente a prestação do serviço pelo próprio Poder Público, diretamente, denomina-se
a. reversão.
b. encampação.
c. caducidade.
d. rescisão.
e. anulação.

COMENTÁRIO
A enunciado está se referindo à encampação, forma de extinção da concessão positivada
no art. 37 da Lei n. 8.987/1995.

Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo
da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.

67 [Link]
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Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle


judicial; controle legislativo; responsabilidade civil do Estado.

72. (PRF/2019/CEBRASPE/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) No tocante aos poderes ad-


ministrativos e à responsabilidade civil do Estado, julgue o próximo item.
A responsabilidade civil do Estado por ato comissivo é subjetiva e baseada na teoria do
risco administrativo, devendo o particular, que foi a vítima, comprovar a culpa ou o dolo do
agente público.

COMENTÁRIO
A responsabilidade civil do Estado por ato comissivo é OBJETIVA (e não subjetiva!) e
baseada na teoria do risco administrativo. Justamente por gozar de natureza objetiva, NÃO
se exige do particular, que foi a vítima, a comprovação da culpa ou o dolo do agente público.
Estamos falando aqui da responsabilidade civil extracontratual do Estado nas
situações em que que o agente público, no exercício das suas funções e através de uma
conduta positiva, provoca prejuízo a terceiros. Nessas situações, a Constituição Federal
determina no art. 37, § 6º, que o Estado tem o dever de reparar o particular prejudicado,
independentemente da verificação de dolo ou culpa no agir do agente público, elementos
subjetivos que somente ganharão importância para o exercício do direito de regresso do
Estado perante o causador do prejuízo.
Vejamos:

Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, asse-
gurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Na lição de Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo:

Pela teoria do risco administrativo, a atuação estatal que cause dano a terceiros faz nascer para
a administração pública a obrigação de indenizar, independentemente da existência de falta do
serviço ou de culpa de determinado agente público. Basta que exista o dano decorrente de atuação
administrativa, sem que para ele tenha concorrido o terceiro prejudicado. Como o dano causado a
terceiros pela atividade administrativa deverá ser indenizado independentemente de perquirição a
respeito da existência de culpa – seja “culpa administrativa”, seja culpa pessoal de um determinado
agente público –, diz-se que essa modalidade de responsabilidade civil é do tipo objetiva. 30

30 Marcelo Alexandrino. Vicente Paulo. Direito administrativo descomplicado. 25ª ed. rev. e atual. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 916.

68 [Link]
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73. (SEFAZ-AL/2020/CEBRASPE/AUDITOR DE FINANÇAS E CONTROLE DE ARRECA-


DAÇÃO DA FAZENDA ESTADUAL) Acerca da responsabilidade civil do Estado, julgue o
item a seguir.
A culpa recíproca da vítima é causa excludente da responsabilidade do Estado.

COMENTÁRIO
A culpa recíproca da vítima NÃO é causa excludente da responsabilidade do Estado,
mas, sim, uma causa atenuante, capaz de diminuir o valor da indenização suportada pelo
Estado.
Por culpa recíproca da vítima, devemos compreender a situação em que esta concorre para
o resultado danoso por ela mesma experimentado. Adverte-se, porém, que muito embora
tenha concorrido para o prejuízo, sua conduta não foi a causa única para a concretização do
episódio, tratando-se, como dito, de hipótese de concorrência de culpas (culpa concorrente).
Com isso, não há que se falar na exclusão da responsabilidade do Estado, de maneira
integral, mas, sim, de circunstância que ensejará o abatimento proporcional do quantum
indenizatório conforme a parcela de culpa que a própria vítima houver apresentado.
Deveras, são causas excludentes da responsabilidade do Estado, segundo a teoria do risco
administrativo adotada no art. 37, § 6º, da CF, por romperem o nexo de causalidade:
a. Culpa exclusiva da vítima;
b. Culpa de terceiro; e
c. Caso fortuito e força maior.

74. (PRF/2012/CEBRASPE/AGENTE ADMINISTRATIVO) Acerca do controle da administra-


ção, julgue o item que se segue.
A autorização do Senado Federal, necessária para que a União, os estados, o Distrito
Federal ou os municípios contraiam empréstimos externos, é exemplo de controle prévio
ou preventivo.

COMENTÁRIO
O controle da atuação administrativa pode ser classificado a partir dos mais variados
critérios. Um deles é o momento em que é realizado, sendo possível apontar três formas: o
controle prévio, o controle concomitante e o controle posterior.
a. Controle prévio: “é aquele realizado antes da formação do ato controlado. Dessa forma,
o controle pode ser feito quando o ato administrativo está na iminência de ser praticado ou
quando ainda se encontra em formação. É possível, por exemplo, a impetração de Mandado
de Segurança Preventivo para impedir a prática de um ato ilegal.” 31

31 CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 4ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2017. p. 391.

69 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Controle concomitante: “é exercido durante a execução da atividade controlada, como


ocorre, por exemplo, na fiscalização exercida durante execução de uma obra pública.” 32
c. Controle posterior: “é aquele que verifica a regularidade e conveniência diante de atos
administrativos já praticados em sua inteireza. Trata-se de forma de retirada de atos
administrativos perfeitos, ou seja, que já cumpriram todas as etapas necessárias à sua
formação.” 33
Nesse sentido, o item está correto, podendo a previsão do art. 52, V, da CF (autorização do
Senado Federal para que a União, Estados, Distrito Federal e Municípios possam contrair
empréstimos externos) ser apontada como exemplo de controle legislativo prévio.

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:


(...)
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

75. (PRF/2012/CEBRASPE/AGENTE ADMINISTRATIVO) Acerca do controle da administra-


ção, julgue o item que se segue.
O controle parlamentar exercido pelo Poder Legislativo não se limita às hipóteses previs-
tas na CF.

COMENTÁRIO
Ao contrário do afirmado na assertiva, o controle parlamentar exercido pelo Poder Legislativo
LIMITA-SE às hipóteses previstas na CF.
O controle legislativo ou parlamentar é aquele efetuado pelo Poder Legislativo sobre
os atos do Poder Executivo, conforme critérios políticos ou financeiros e nos limites
estabelecidos pelo texto constitucional. Com efeito, “os casos de controle parlamentar sobre
o Poder Executivo devem constar expressamente da Constituição Federal, pois consagram
verdadeiras exceções ao princípio constitucional da separação de poderes (art.
2º da CRFB), não se admitindo, destarte, a sua ampliação por meio da legislação
infraconstitucional.” 34

32 CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 4ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2017. p. 391.
33 CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 4ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2017. p. 391.
34 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.

70 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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GABARITO

1. d
2. a
3. a
4. a
5. c
6. a
7. d
8. e
9. c
10. d
11. c
12. d
13. d
14. b
15. C
16. B
17. C
18. E
19. D
20. E
21. C
22. D
23. E
24. e
25. b
26. d
27. e
28. c
29. a
30. b
31. d
32. E
33. E
34. C
35. C
36. E
37. C
38. b

71 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

39. c
40. d
41. b
42. d
43. c
44. b
45. b
46. c
47. a
48. c
49. c
50. a
51. b
52. c
53. c
54. e
55. c
56. d
57. c
58. a
59. a
60. b
61. e
62. c
63. d
64. d
65. c
66. a
67. b
68. a
69. b
70. e
71. b
72. E
73. C
74. C
75. E

72 [Link]
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Investigador e Escrivão

DIREITO CONSTITUCIONAL

Banca organizadora: AOCP

Temas cobrados no edital

Delegado de Polícia

1. Direito Constitucional: natureza; conceito e objeto; perspectiva sociológica; perspec-


tiva política; perspectiva jurídica; fontes formais; concepção positiva. 2. Constituição: sentido
sociológico; sentido político; sentido jurídico; conceito, objetos e elementos. 3. Neoconstitu-
cionalismo. 4. Hermenêutica: princípios constitucionais. 5. Classificações das Constituições:
constituição material e constituição formal; constituição-garantia e constituição-dirigente;
normas constitucionais. 6. Poder constituinte: fundamentos do poder constituinte; poder cons-
tituinte originário e derivado; reforma e revisão constitucionais; limitação do poder de revisão;
emendas à Constituição. 7. Direitos e garantias fundamentais: direitos e garantias individuais
e coletivos; tutela constitucional das liberdades; direitos sociais; direitos de nacionalidade;
direitos políticos; dos partidos políticos. Remédios constitucionais. 8. Organização político-
-administrativa da República Federativa do Brasil: regras de organização; repartição de com-
petências e intervenção. 9. Poder Legislativo: fundamento, atribuições e garantias de indepen-
dência; processo legislativo: conceito, objetos, atos, espécies normativas e os procedimentos.
10. Poder Executivo: forma e sistema de governo; chefia de Estado e chefia de governo; atri-
buições e responsabilidades do Presidente da República. 11. Poder Judiciário: disposições
gerais; Supremo Tribunal Federal; Superior Tribunal de Justiça; tribunais regionais federais e
juízes federais; tribunais e juízes dos Estados. 12. Funções essenciais à Justiça: Ministério
Público; Advocacia; Defensoria Pública. 13. Controle de constitucionalidade: conceito; siste-
mas de controle de constitucionalidade; sistema brasileiro de controle de constitucionalidade;
inconstitucionalidade por ação e inconstitucionalidade por omissão; arguição de descumpri-
mento de preceito fundamental. 14. Defesa do Estado e das instituições democráticas: estado
de defesa e estado de sítio; forças armadas; segurança pública; organização da segurança
pública. 15. Ordem social: base e objetivos da ordem social; seguridade social; educação,
cultura e desporto; ciência e tecnologia; comunicação social; meio ambiente; família, criança,
adolescente e idoso.

Investigador de Polícia Civil, Escrivão de Polícia Civil e Papiloscopista.

1. Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direito à


vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade;

73 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

cidadania e direitos políticos; partidos políticos; garantias constitucionais individuais; garantias


dos direitos coletivos, sociais e políticos. 2. Administração Pública. 3. Poder Executivo: forma
e sistema de governo; chefia de Estado e chefia de governo. 4. Defesa do Estado e das insti-
tuições democráticas: segurança pública; organização da segurança pública. 5. Ordem social:
base e objetivos da ordem social; seguridade social; meio ambiente; família, criança, adoles-
cente, idoso, indígena.

Direito Constitucional: natureza; conceito e objeto; perspectiva sociológica; pers-


pectiva política; perspectiva jurídica; fontes formais; concepção positiva. Constitui-
ção: sentido sociológico; sentido político; sentido jurídico; conceito, objetos e elemen-
tos. Neoconstitucionalismo. Hermenêutica: princípios constitucionais. Classificações
das Constituições: constituição material e constituição formal; constituição-garantia
e constituição-dirigente; normas constitucionais. Poder constituinte: fundamentos do
poder constituinte; poder constituinte originário e derivado; reforma e revisão consti-
tucionais; limitação do poder de revisão; emendas à Constituição (apenas para o cargo
de Delegado de Polícia!!!).

76. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/AUXILIAR PERÍCIA MÉDICO LEGAL) O Poder Consti-


tuinte classifica-se em Poder Constituinte Originário e Poder Constituinte Derivado. Assi-
nale a alternativa que apresenta as características do Poder Constituinte Originário.
a. Inicial, ilimitado, subordinado e condicionado.
b. Inicial, ilimitado, autônomo e incondicionado.
c. Inicial, limitado, subordinado e incondicionado.
d. Decorrente, limitado, subordinado e reformador.
e. Limitado, permanente, autônomo e condicionado.

COMENTÁRIO
O Poder Constituinte Originário caracteriza-se por ser inicial, ilimitado, autônomo e
incondicionado.
É inicial, “pois instaura uma nova ordem jurídica, rompendo, por completo, com a ordem
jurídica anterior”. 35
É ilimitado juridicamente, “no sentido de que não tem de respeitar os limites postos pelo
direito anterior”. 36

35 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.
36 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.

74 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

É autônomo, “visto que a estruturação da nova constituição será determinada,


autonomamente, por quem exerce o poder constituinte originário”. 37
É incondicionado, “e soberano na tomada de suas decisões, porque não tem de submeter-
se a qualquer forma prefixada de manifestação.” 38

77. (PREFEITURA DE CURITIBA-PR/2019/NC-UFPR/PROCURADOR) Desde a sua promul-


gação, a Constituição da República de 1988 sofreu uma série de alterações, e o tema da
reforma não sai de pauta dos governos que lhe sucederam. Sobre o assunto, assinale a
alternativa correta.
a. Uma das prerrogativas do poder constituinte derivado é o de alteração de cláusu-
las pétreas.
b. No regime constitucional brasileiro atual, está expressamente vedada a consideração
de limites materiais ao poder de reforma constitucional.
c. No Brasil, o poder constituinte originário é aquele que decorre do Título I da Constituição
da República, não havendo sentido falar que ele subsiste fora da Constituição.
d. O poder constituinte originário pode deliberar pelo reconhecimento ou não de direitos
adquiridos segundo a ordem jurídica anterior.
e. Poder constituinte derivado é aquele que se destina à correção de inconstitucionalidades.

COMENTÁRIO
a. Errada! Sabe-se que ao Poder Constituinte Derivado é vedado propor emendas tendentes
a abolir as cláusulas pétreas, mas ATENÇÃO: muito embora a restrição incida apenas nos
casos tencionados a abolir as cláusulas pétreas, a assertiva, de forma genérica, considerou
também ser vedado propostas que impliquem a mera alteração, sem especificar se há, de
fato, intenção de abolir.

Art. 60, § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.

b. Errada! Os limites materiais ao Poder de Reforma são também conhecidos como


cláusulas pétreas, expressamente elencados no §4º do art. 60 da Constituição Federal:

37 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.
38 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23ª ed. São Paulo: Saraiva Educação,
2019.

75 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 60, § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.

c. Errada! O poder constituinte originário ou de primeiro grau é o poder de elaborar uma


nova ordem constitucional, ou seja, de criar uma Constituição, quando o Estado é novo
(poder constituinte originário histórico), ou de substituí-la por outra, quando o Estado já
existe (poder constituinte originário revolucionário). Portanto, é um poder inicial, ilimitado,
autônomo e incondicionado.
O poder originário é também permanente ou latente, já que não se esgota com a edição de
uma nova Carta, no sentido de que o povo, conquanto tenha tomado uma decisão, pode
revisá-la, mudar posteriormente essa decisão, sobrevivendo a ela e fora dela como forma e
exteriorização da liberdade humana, em verdadeira abstração de subsistência, reavivando-
se desse estado de inércia, até que haja uma nova situação na qual se justifique e requeira
a quebra abruta da ordem jurídica posta para uma completamente original.
d. CERTA! Como o Poder Constituinte Originário é inicial, é ele quem fornece as bases
jurídicas do novo ordenamento, traçando as regras que serão, a partir de então, válidas.
Assim, embora a regra seja a ausência de direito adquirido face à nova Constituição, nada
impede que o Poder Constituinte Originário delibere, expressamente, de modo contrário.
Com efeito, no silêncio do constituinte originário, o Supremo Tribunal Federal adota a regra
da retroatividade mínima em relação aos efeitos da norma constitucional inovadora, ou
seja, “a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em
que ela entra em vigor”.
No entanto, nada impede que a norma revolucionária, já que é manifestação do Poder
Constituinte Originário, ilimitado e incondicionado, preveja a retroatividade média (a lei nova
atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela) ou máxima (a lei ataca
fatos consumados), desde que exista previsão expressa na Constituição.
e. Errada! O Poder Derivado não se presta à correção de inconstitucionalidades, mas à
alteração da Constituição ou à criação de Constituições pelos Estados.

78. (PREFEITURA DE PORTO NACIONAL-TO/2019/COPESE UFT/ASSISTENTE ADMINIS-


TRATIVO) A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é classificada segun-
do alguns critérios. Como exemplo, a sua forma, a sua estabilidade, a sua extensão, o seu
modo de elaboração e a sua origem.
Sobre esta última classificação, indique a seguir a alternativa CORRETA:
a. Escrita: redigida em um único documento para ser lei máxima de um Estado.
b. Dogmática: concebida por um órgão constituinte a partir de ideias e princípios.
c. Rígida: constituições escritas que poderão ser alteradas por um processo legislativo

76 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

mais complexo que outras normas do ordenamento jurídico.


d. Promulgada: estabelecida por meio de processo democrático, fruto de uma assembleia
composta por representantes do povo.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “d”!
Quanto à origem, a Constituição Federal de 1988 classifica-se como promulgada, também
sendo denominada de democrática, votada ou popular.
Consideram-se promulgadas aquelas Constituições cuja criação teve participação popular.
No geral, são fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita diretamente
pelo povo, para, em nome dele, confeccionar o novo texto constitucional.
a. Errada! Quanto à forma, a CF/1988 é escrita.
Definem-se como escritas ou instrumentais as Constituições elaboradas por um órgão
constituinte especialmente encarregado dessa tarefa, a ele competindo tarefa de sistematizá-
las em um ou vários documentos solenes.
b. Errada! Quanto ao modo de elaboração, a CF/1988 é dogmática.
Constituição dogmática “é aquela escrita e sistematizada em um documento que traz as
ideias dominantes (dogmas) em uma determinada sociedade num determinado período
(contexto) histórico.” (FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional.
9ª ed. rev. ampl. e atual. Salvador. JusPODIVM, 2017).
c. Errada! Quanto à estabilidade, a CF/1988 é rígida à medida que, para ser alterada,
deverá observar procedimento mais rigoroso do que o previsto para a alteração das
normas infraconstitucionais. Nesse sentido, atual Constituição brasileira para ser modificada
depende de votação em dois turnos, em Casa do Congresso Nacional, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros (art. 60, §
2º, da CF).

79. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) A Constituição Federal brasileira de 1988


classifica-se quanto à origem, ao modo de elaboração, à alterabilidade, à dogmática e ao
critério ontológico de Karl Loewenstein, respectivamente, em
a. outorgada, dogmática, rígida, eclética e normativa.
b. outorgada, histórica, semirrígida, ortodoxa e nominalista.
c. promulgada, dogmática, rígida, eclética e normativa.
d. promulgada, histórica, semirrígida, ortodoxa e nominalista.
e. cesarista, histórica, imutável, eclética e semântica.

77 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
Quanto à origem, a Constituição brasileira de 1988 é promulgada, também sendo
denominada de democrática, votada ou popular. Consideram-se promulgadas aquelas
Constituições cuja criação teve participação popular. No geral, são fruto do trabalho de
uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita diretamente pelo povo, para, em nome dele,
confeccionar o novo texto constitucional.
Quanto ao modo de elaboração, é dogmática ou sistemática, pois foi escrita de uma
só vez por órgão especialmente constituído para esta finalidade, refletindo os dogmas e
valores então em voga.
Quanto à alterabilidade, classifica-se como rígida, porque, para ser modificada, deverá
observar processo de alteração mais dificultoso do que o exigido para a alteração das
espécies normativas infraconstitucionais.
Quanto à dogmática, é considerada eclética ou heterodoxa, à medida que as suas normas
não refletem uma única ideologia. Ao contrário, procuram conciliar ideologias opostas, típicas
de uma sociedade pluralista.
Por fim, quanto ao critério ontológico de Karl Loewenstein, há autores, a exemplo de
Pedro Lenza, que classificam a atual Constituição brasileira como normativa, e outros, como
é o caso de Bernardo Gonçalves, que a definem como nominativa.
A classificação ontológica fundamenta-se no grau de correspondência do texto constitucional
com a realidade, sendo normativa a Constituição cujas normas, por corresponderem à
realidade política e social do Estado, efetivamente dominam o processo político, ou seja,
limitam, de fato, o poder, sendo juridicamente válidas, reais e efetivas. Já as constituições
nominativas são aquelas que, apesar de pretenderem regular o processo político do
Estado, não conseguem fazê-lo efetivamente, porque as suas disposições são dissonantes
da realidade política e social, caracterizando-se juridicamente como válidas, porém, não
sendo reais e tampouco efetivas.

Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direito


à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade; direitos sociais; naciona-
lidade; cidadania e direitos políticos; partidos políticos; garantias constitucionais indi-
viduais; garantias dos direitos coletivos, sociais e políticos.

80. (TRE-AC/2015/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO JUDICIÁRIO) No tocante aos direitos dos


trabalhadores urbanos e rurais, assinale a alternativa que está de acordo com o que dis-
põe o texto constitucional.

78 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

a. A irredutibilidade do salário só é prevista quando disposta em convenção ou fruto de


acordo coletivo.
b. A remuneração do trabalho noturno poderá ser superior à do diurno, somente quando
sua previsão estiver disposta em convenção ou for fruto de acordo coletivo.
c. É direito desses trabalhadores a participação nos lucros ou resultados, vinculada à re-
muneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme defi-
nido em lei.
d. O repouso semanal remunerado deverá ser preferencialmente aos domingos.
e. O aviso prévio proporcional ao tempo de serviço deverá ser de, no máximo, 30 dias.

COMENTÁRIO
a. Errada! A irredutibilidade do salário é a regra, tratando-se de garantia que somente poderá
ser afastada por meio de convenção ou acordo coletivo, conforme o art. 7º, VI, da CF).

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;

b. Errada! Segundo o art. 7, IX, da CF, é direito dos trabalhadores urbanos e rurais a
remuneração do trabalho noturno superior à do diurno.

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

c. Errada! De fato, define o art. 7º, XI, da CF, que é direito dos trabalhadores a participação
nos lucros, ou resultados, que será, contudo, desvinculada da remuneração.

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;

d. CERTA! Está de acordo com o art. 7º, XV, da CF:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

79 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! O aviso prévio proporcional ao tempo de serviço deverá ser de, no MÍNIMO, 30
dias (art. 7º, XXI, da CF).

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
(...)
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos
da lei;

81. (TRE-AC/2015/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ADAPTADA) Consoante às


normas constitucionais brasileiras, assinale a alternativa correta.
a. São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consan-
guíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de
Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja
substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
eletivo e candidato à reeleição.
b. Não são inelegíveis os analfabetos, sendo, todavia, facultativa a sua inscrição como eleitor.
c. É vedada a possibilidade de Lei Complementar estabelecer outros casos de ilegibilidade
além dos já previstos na Constituição.
d. Para todos os cargos majoritários, é permitida uma única reeleição.

COMENTÁRIO
a. CERTA! A assertiva reproduziu exatamente o teor do art. 14, § 7º, da CF, que consagrou
a denominada inelegibilidade reflexa por parentesco.
Façamos a leitura do dispositivo constitucional:

§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou


afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado
ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

b. Errada! Os analfabetos SÃO inelegíveis, na forma do art. 14, § 4º, da CF:

§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

Quanto à parte final da assertiva, está correta. Realmente, é facultativa a inscrição do


analfabeto como eleitor, nos termos do art. 14, § 1º, II, a, da CF:

§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:


(...)
II - facultativos para:
a. os analfabetos;

80 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! NÃO é vedada a possibilidade de Lei Complementar estabelecer outros casos de


ilegibilidade além dos já previstos na Constituição, que, aliás, em seu art. 14, § 9º, determinou
justamente o contrário do indicado na alternativa.

§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessa-


ção, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato conside-
rada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência
do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta
ou indireta.

d. Errada! O sistema eleitoral majoritário é o adotado nas eleições para Senador da República,
Presidente da República, Governadores da República e Prefeitos. Se, no caso dos três
últimos cargos, se admite uma única reeleição, o mesmo não se aplica aos Senadores da
República, que podem se reeleger sem limite do número de vezes.

82. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/AUXILIAR PERÍCIA MÉDICO-LEGAL) Acerca dos direi-


tos políticos e suas disposições constitucionais, assinale a alternativa correta.
a. O alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os maiores de 65 anos.
b. Podem alistar-se como eleitores os estrangeiros.
c. São elegíveis os inalistáveis.
d. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze
dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômi-
co, corrupção ou fraude.
e. A ação de impugnação de mandato tramitará sob a tutela do princípio da publicidade,
respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

COMENTÁRIO
a. Errada! O alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os maiores de 70 anos,
sendo obrigatórios para aqueles que têm 65 anos.
Observem:

Art. 14, § 1º O alistamento eleitoral e o voto são:


I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a. os analfabetos;
b. os maiores de setenta anos;
c. os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.

b. Errada! Os estrangeiros NÃO podem alistar-se como eleitores, a teor do art. 14, § 2º, da
CF.

81 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 14, § 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do servi-
ço militar obrigatório, os conscritos.

c. Errada! Os inalistáveis, aqueles que não podem se alistar como eleitores, são
INELEGÍVEIS, posto que uma das condições de elegibilidade é justamente o alistamento
eleitoral.
Sobre o tema, art. 14, § 3º, III, da CF:

Art. 14, § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:


(...)
III - o alistamento eleitoral;

d. CERTA! É o que estabelece o art. 14, § 10, da CF:

Art. 14, § 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze
dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrup-
ção ou fraude.

e. Errada! A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça (e não sob a


tutela do princípio da publicidade!), conforme determina expressamente o art. 14, § 11, da CF.

Art. 14, § 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo
o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

83. (TRE-AC/2015/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO JUDICIÁRIO) NÃO constitui condição de


elegibilidade prevista na constituição
a. a quitação eleitoral.
b. o pleno gozo dos direitos políticos.
c. a filiação partidária.
d. a nacionalidade brasileira, nativa ou naturalizada.
e. a idade mínima para o cargo em disputa.

COMENTÁRIO
As condições de elegibilidade estão previstas no art. 14, § 3º, do texto constitucional, a
saber:

§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:


I - a nacionalidade brasileira; (alternativa “d”!)
II - o pleno exercício dos direitos políticos; (alternativa “b”!)
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária; (alternativa “c”!)
VI - a idade mínima de: (alternativa “e”!)
a. trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;

82 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;


c. vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e
juiz de paz;
d. dezoito anos para Vereador.

Destarte, somente a alternativa “a” não elencou condição de elegibilidade prevista na


Constituição, sendo o gabarito da questão.

84. (SUSIPE-PA/2018/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO EM GESTÃO PENITENCIÁRIA) A Cons-


tituição Federal prevê as normas no que tange à nacionalidade de brasileiros natos e na-
turalizados. Acerca desses preceitos, assinale a alternativa correta.
a. São brasileiros natos os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exi-
gida, aos originários de países de língua portuguesa, apenas residência por um ano
ininterrupto e idoneidade moral.
b. São brasileiros naturalizados os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasi-
leira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.
c. É privativo de brasileiro nato o cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça.
d. São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo
nacionais.
e. Será declarada a perda da nacionalidade ao brasileiro que adquirir outra nacionalidade,
em qualquer hipótese.

COMENTÁRIO
a. Errada! A questão encontra amparo no art. 12, II, a, da CF, devendo ser considerado
brasileiro NATURALIZADO (e não brasileiro nato!).
Vejamos:

Art. 12. São brasileiros:


(...)
II - naturalizados:
a. os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países
de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;

b. Errada! São brasileiros NATOS (e não brasileiros naturalizados!) os nascidos no


estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço
da República Federativa do Brasil.

Art. 12. São brasileiros:


I - natos:
(...)
b. os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja
a serviço da República Federativa do Brasil;

83 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! O cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) NÃO É privativo de


brasileiro nato, mas apenas o de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Disciplina o art. 12, § 3º, da CF, que são privativos de brasileiro nato os cargos:

I - de Presidente e Vice-Presidente da República;


II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa

d. CERTA! É o que estabelece o art. 13, § 1º, da CF:

Art. 13, § 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo
nacionais.

e. Errada! Nem sempre o brasileiro que adquirir outra nacionalidade perderá a nacionalidade
brasileira. A Constituição Federal, no art. 12, § 4º, II, previu duas hipóteses excepcionais em
que isso não ocorrerá.
Observe:

Art. 12, § 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:


(...)
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a. de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b. de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado es-
trangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;  

85. (ADAF-AM/2018/INSTITUTO AOCP/AUXILIAR DE FISCALIZAÇÃO AGROPECUÁRIA/


ADAPTADA) Sobre a nacionalidade brasileira, assinale a alternativa correta.
a. Também se consideram brasileiros natos os nascidos em país estrangeiro, filhos de pai
brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com-
petente ou venham a residir no Brasil e optem, a qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira.
b. Os estrangeiros de qualquer nacionalidade podem requerer e adquirir a nacionalidade
brasileira desde que não tenham sido condenados criminalmente e que, ainda, residam
no Brasil há mais de cinco anos ininterruptos.
c. A lei infraconstitucional estabelecerá distinção entre brasileiros natos e naturalizados.
d. Os estrangeiros originários de países de língua portuguesa podem requerer e adquirir a
nacionalidade brasileira desde que residam no Brasil há mais de seis meses ininterruptos.
e. Os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República podem ser ocupados por bra-
sileiros naturalizados.

84 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 12, I, c, da CF:

Art. 12. São brasileiros:


I - natos:
a. os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes
não estejam a serviço de seu país;
b. os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja
a serviço da República Federativa do Brasil;
c. os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados
em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem,
em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;

b. Errada! Realmente, os estrangeiros de qualquer nacionalidade podem requerer e adquirir


a nacionalidade brasileira desde que observados os seguintes requisitos, previstos no art.
12, II, b, da CF:
a. Residir no Brasil há mais de 15 (QUINZE) anos ininterruptos (e não há mais de cinco anos
ininterruptos como afirmado na alternativa “b”!);
b. Não ter condenação criminal (penal); e
c. Requerer a naturalização.
Vejamos:

Art. 12. São brasileiros:


(...)
II - naturalizados:
(...)
b. os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há
mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade
brasileira.

c. Errada! Apenas a Constituição Federal poderá fixar distinções entre brasileiros natos e
naturalizados, sendo vedado à lei infraconstitucional tratar do tema. Isto está claro no art.
12, § 2º, da CF, que assim impõe:

Art. 12, § 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo
nos casos previstos nesta Constituição.

d. Errada! Os estrangeiros originários de países de língua portuguesa podem requerer e


adquirir a nacionalidade brasileira desde que residam no Brasil por, no mínimo, UM ano
ininterrupto (e não por seis meses!) e gozem de idoneidade moral.
Vejamos:

85 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 12. São brasileiros:


(...)
II - naturalizados:
a. os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países
de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;

e. Errada! Os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República são privativos de


brasileiros natos, isto é, NÃO podem ser ocupados por brasileiros naturalizados, conforme
o art. 12, § 3º, I, da CF.

Art. 12, § 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:


I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.

86. (CBM-BA/2017/IBFC/SOLDADO DO CORPO DE BOMBEIRO) Assinale a alternativa cor-


reta sobre nacionalidade nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil.
a. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade,
exceto nos casos previstos na própria Constituição Federal.
b. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade,
em qualquer caso.
c. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade,
exceto no caso de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira.
d. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade,
exceto no caso de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro
residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território.
e. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade,
exceto no caso de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro re-
sidente em estado estrangeiro, como condição para o exercício de direitos civis diversos
da permanência em seu território.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”! Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que
adquirir outra nacionalidade, exceto nos casos previstos na própria Constituição Federal.
A questão exige conhecimento sobre a previsão constante no art. 12, § 4º, da CF.
Vejamos:

86 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 12, § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:


I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao inte-
resse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a. de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b. de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado es-
trangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;

87. (SUSIPE-PA/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE PRISIONAL) De acordo com a Constitui-


ção Federal de 1988, quais dos seguintes cargos são privativos de brasileiros natos?
a. Senador, Presidente e Vice-Presidente da República.
b. Oficial das Forças Armadas, Deputado Federal e Ministro do Superior Tribunal de Justiça.
c. Oficial das Forças Armadas, Ministro do Supremo Tribunal Federal e Ministro de Estado
da Defesa.
d. Ministros de Estado, Ministro do Supremo Tribunal Federal e Ministro do Superior Tribu-
nal de Justiça.
e. Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do Senado Federal e Presidente das
Assembleias Legislativas.

COMENTÁRIO
Apenas a alternativa “c” apresentou cargos privativos de brasileiros natos, tal como prevê
o art. 12, § 3º, incisos VI, IV e VII.

§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:


I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas;
VII - de Ministro de Estado da Defesa.

88. (PREFEITURA DE VALENÇA-BA/2016/INSTITUTO AOCP/AGENTE DE TRÂNSITO) As-


sinale, conforme dispõe a Constituição Federal de 1988, a alternativa correta no que diz
respeito aos direitos e deveres individuais e coletivos.
a. É livre a manifestação do pensamento, sendo permitido o anonimato.
b. É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, de-
pendendo apenas de licença para tanto.
c. A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consenti-
mento do morador, mesmo nos casos de flagrante delito ou desastre.
d. São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegu-
rado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

87 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, sendo vedada a indeniza-


ção por danos morais.

COMENTÁRIO
a. Errada! É vedado o anonimato, nos termos do art. 5º, IV, da CF.

Art. 5º, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

b. Errada! É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,


que NÃO dependem de licença para tanto (art. 5º, IX, da CF).

Art. 5º, IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, inde-
pendentemente de censura ou licença;

c. Errada! A casa é asilo inviolável do indivíduo e, como regra, ninguém nela pode penetrar
sem consentimento do morador. Excepcionalmente, porém, a Constituição Federal elenca
situações em que será possível adentrar no imóvel sem autorização do morador. Essas
hipóteses são as seguintes:
1) Flagrante delito ou desastre (em qualquer horário!);
2) Prestação de socorro (em qualquer horário!); e
3) Por determinação judicial (apenas durante o dia!).
Vejamos:

Art. 5º, XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consenti-
mento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial;

d. CERTA! É o que disciplina o art. 5º, X, da CF:

Art. 5º, X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegura-
do o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

e. Errada! É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, bem como também


é assegurada a indenização por danos morais, quando for o caso.
Nesse sentido, art. 5º, V, da CF:

Art. 5º, V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por
dano material, moral ou à imagem;

88 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

89. (PREFEITURA DE VALENÇA-BA/2016/INSTITUTO AOCP/FISCAL AMBIENTAL) Assinale


a alternativa que apresenta um dos direitos e garantias fundamentais constantes na Cons-
tituição Federal de 1988.
a. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, ainda que em virtude de lei.
b. É garantido o direito de propriedade.
c. A lei excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.
d. É assegurado a todos, mediante o pagamento de taxa, o direito de petição aos Poderes
Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.
e. A lei prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

COMENTÁRIO
a. Errada! Em verdade, o que a Carta Política de 1988 determina é que ninguém será obrigado
a fazer ou deixar de fazer algo, SENÃO em virtude de lei. Temos aqui o princípio da legalidade,
do qual decorre que apenas a lei poderá criar direitos, deveres e vedações aos particulares.
Trata-se de verdadeira garantia constitucional destinada à proteção dos indivíduos contra
os arbítrios praticados pelo Estado e até mesmo contra os arbítrios praticados por outros
particulares, assegurando aos indivíduos ampla liberdade para fazerem o que quiserem,
desde que não consista num comportamento ou atividade proibidos por lei.
Vejamos:

Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

b. CERTA! Corresponde à previsão contida no art. 5º, XXII, da CF:

Art. 5º, XXII - é garantido o direito de propriedade;

c. Errada! A lei NÃO excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito,
consoante o art. 5º, XXXV, da CF, que versa sobre o princípio da inafastabilidade da
jurisdição.

Art. 5º, XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

d. Errada! É assegurado a todos, INDEPENDENTEMENTE do pagamento de taxas, o direito


de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
poder, segundo o art. 5º, XXXIV, a, da CF.

Art. 5º, XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:


a. o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder;
b. a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de
situações de interesse pessoal;

89 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! A lei NÃO prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada,
nos termos do art. 5º, XXXVI, da CF.

Art. 5º, XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

90. (INES/2013/INSTITUTO AOCP/ASSISTENTE DE ALUNOS) Em relação aos direitos e ga-


rantias fundamentais previstos na Constituição Federal, assinale a alternativa INCORRETA.
a. Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.
b. São admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.
c. Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são as-
segurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
d. Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.
e. Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória.

COMENTÁRIO
a. Correta! Está de acordo com o art. 5º, LIII, da CF:

LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;

b. INCORRETA! NÃO são admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos,
isto é, as provas obtidas por meios ilícitos são INADMISSÍVEIS no processo.
Nesse sentido, art. 5º, LVI, da CF:

LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

c. Correta! Está de acordo com o art. 5º, LV, da CF:

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegura-
dos o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

d. Correta! Está de acordo com o art. 5º, LIV, da CF:

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

e. Correta! Está de acordo com o art. 5º, LVII, da CF:

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

90 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

91. (TRE-AC/2015/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO JUDICIÁRIO) A lei considerará crime(s)


inafiançável(is) e insuscetível(is) de graça ou anistia
a. os crimes contra a administração pública.
b. o terrorismo.
c. os crimes eleitorais.
d. o racismo.
e. os crimes contra a ordem econômica.

COMENTÁRIO
A questão está fundamentada no art. 5º, XLIII, cuja redação consagrou que:
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;
Correta, portanto, a alternativa “b”! A lei considerará crime inafiançável e insuscetível de
graça ou anistia o terrorismo.

92. (ADAF-AM/2018/INSTITUTO AOCP/AUXILIAR DE FISCALIZAÇÃO AGROPECUÁRIA)


Em relação aos direitos e garantias individuais e coletivos, nos termos do art. 5º, da Cons-
tituição Federal de 1988, assinale a alternativa correta.
a. Os estrangeiros residentes no Brasil não são iguais perante a lei em relação aos cida-
dãos brasileiros.
b. É assegurada, exclusivamente aos cidadãos brasileiros, apenas a inviolabilidade de seu
direito à segurança e à propriedade.
c. Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.
d. Não é livre a manifestação do pensamento.
e. Apenas os cidadãos brasileiros não podem ser submetidos à tortura nem a tratamento
desumano ou degradante.

COMENTÁRIO
a. Errada! Os estrangeiros residentes no Brasil SÃO iguais perante a lei em relação aos
cidadãos brasileiros, haja vista que o art. 5º, caput, da CF, determina que TODOS são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.
Observem:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasi-
leiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igual-
dade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)

91 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Errada! De acordo com o art. 5º, caput, da CF, transcrito linhas acima, é assegurada
aos cidadãos brasileiros e aos estrangeiros não apenas a inviolabilidade de seu direito à
segurança e à propriedade, mas também a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade e à
igualdade.
Novamente, façamos a leitura do dispositivo constitucional:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos bra-
sileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)
c. CERTA! Está de acordo com o art. 5º, I, da CF, in verbis:

Art. 5º, I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

d. Errada! Ao contrário do afirmado na assertiva, É LIVRE a manifestação do pensamento,


conforme o art. 5º, IV, da CF.

Art. 5º, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

e. Errada! A Constituição Federal de 1988, no art. 5º, III, assegura que NINGUÉM pode ser
submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

Art. 5º, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

Administração Pública

93. (SEJUS-CE/2017/INSTITUTO AOCP/AGENTE PENITENCIÁRIO) De acordo com a Cons-


tituição Federal, o profissional, na qualidade de agente penitenciário,
a. não poderá acumular, de forma remunerada, nenhum outro cargo público com o seu.
b. poderá acumular o seu cargo, de forma remunerada, com um cargo público de técnico
ou científico.
c. poderá acumular o seu cargo, de forma remunerada, com cargo ou emprego público
privativo de profissional de saúde.
d. poderá acumular o seu cargo, de forma remunerada, com um cargo público de professor.

COMENTÁRIO
As hipóteses de acumulação remunerada de cargos públicos estão previstas no art. 37, XVI,
da CF, não se encaixando o agente penitenciário em qualquer delas.
Para ficar mais claro, façamos a leitura do dispositivo constitucional:

92 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 37, XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver com-
patibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a. a de dois cargos de professor;
b. a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c. a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamen-
tadas;

94. (TCE-PB/2018/CEBRASPE/AGENTE DE DOCUMENTAÇÃO) De acordo com o regime


constitucional brasileiro, as denominadas funções de confiança devem ser exercidas
a. de forma exclusiva por servidor ocupante de cargo efetivo, e destinam-se apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento.
b. por servidor aposentado que retorne ao serviço público para exercer qualquer atividade
diversa daquela em que tenha se dado a aposentadoria.
c. somente por quem não possua cargo efetivo, nos limites fixados na legislação, e se des-
tinam apenas à atividade meio.
d. por qualquer cidadão, salvo se forem destinadas a atividades de direção ou assessora-
mento jurídico.
e. por pessoa natural, com ou sem vínculo com o poder público, e destinam-se a qualquer
atividade – meio ou fim – realizada na administração pública.

COMENTÁRIO
De acordo com o regime constitucional brasileiro, art. 37, V, as funções de confiança
devem ser exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo.
Vejamos:

Art. 37, V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condi-
ções e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia
e assessoramento;  

Não confunda!

Funções de confiança Cargos em comissão


Podem ser ocupados por qualquer pessoa, servidor
público ou não.
São exercidas exclusivamente por
À legislação ordinária cabe definir os casos, condi-
servidores estatutários, ocupantes de
ções e percentuais mínimos de cargos comissiona-
cargos efetivos.
dos que deverão, obrigatoriamente, ser ocupado por
servidores de carreira.

93 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

95. (SEAP-MG/2014/IBFC/AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIA) Analise as seguin-


tes afirmações, relativas à disciplina constitucional sobre o servidor público que venha a
desempenhar mandato eletivo:
I – O servidor, investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou fun-
ção, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.
II – Em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu
tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, inclusive para promoção.
III – O servidor, investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários,
perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remune-
ração do cargo eletivo.
Está INCORRETO o que se afirma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. I e III, apenas.
d. II e III, apenas.

COMENTÁRIO
Está INCORRETO o que se afirma em II, apenas!
A questão encontra amparo no art. 38 da Constituição Federal e, antes de realizarmos
o exame individual de cada item, que tal fazermos a leitura do respectivo dispositivo
constitucional?

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de man-
dato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela Emenda Constitucional n.
19, de 1998)
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, empre-
go ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe
facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as
vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo,
e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de
serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência social, permanecerá filiado a esse
regime, no ente federativo de origem. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 103, de 2019)

Feita essa leitura, vejamos os itens.


I: correto! Está de acordo com o art. 38, I.
Realmente, o servidor, investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego
ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.

94 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

II: INCORRETO! Nos termos do art. 38, IV, o período em que o servidor ficou afastado do
seu cargo, emprego ou função para exercer mandato eletivo NÃO será contado para fins
de promoção.
III: correto! Está de acordo com o art. 38, III.

Poder Legislativo: fundamento, atribuições e garantias de independência; processo


legislativo: conceito, objetos, atos, espécies normativas e os procedimentos (apenas
para o cargo de Delegado de Polícia!).

96. (FUNPAPA/2018/INSTITUTO AOCP/EDUCADOR SOCIAL DE RUA) No tocante ao Poder


Legislativo, assinale a alternativa correta.
a. Possui como incumbência exclusiva a função legislativa.
b. No âmbito federal, o poder legislativo é caracterizado pelo unicameralismo.
c. O Senado Federal compõe-se de representantes do povo, eleitos segundo o princípio
majoritário.
d. Os Deputados Federais são eleitos para uma legislatura, isto é, para 4 (quatro) sessões
legislativas.
e. Cada Estado e o Distrito Federal elegerão 2 (dois) Senadores, com mandato de oito anos.

COMENTÁRIO
a. Errada! O Poder Legislativo NÃO possui como incumbência exclusiva a função legislativa.
Esta, em verdade, é a sua função principal, típica, porém também exerce funções atípicas,
próprias dos outros poderes estruturais do Estado. Para ilustrar, podemos citar que o
Senador Federal exerce função jurisdicional, típica do Poder Judiciário, quando julga o
Presidente da República por crimes de responsabilidade (impeachment), bem como exerce
função administrativa, típica do Poder Executivo, quando organiza concurso público para
o provimento de cargos efetivos em seu quadro pessoal ou realiza licitação pública para
adquirir bens e serviços.
b. Errada! No âmbito federal, o Poder Legislativo é caracterizado pelo BICAMERALISMO
(e não pelo unicameralismo!), haja vista que é exercido pelo Congresso Nacional, que se
compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Para ficar mais claro, compreenda que bicameralismo é o regime em que o Poder
Legislativo é exercido por duas Câmaras, a Câmara baixa e a Câmara alta. No Brasil, elas
correspondem à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, respectivamente, sendo o
Senado a Casa que representa os Estados federados, enquanto a Câmara representa o
povo.
Sobre o tema, vejamos o art. 44 da CF:

95 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal.

c. Errada! O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito


Federal (art. 46 da CF), de modo que é a Câmara dos Deputados que é composta por
representantes do povo (art. 45 da CF).

Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal,
eleitos segundo o princípio majoritário.

d. CERTA! De fato, os Deputados Federais são eleitos para uma legislatura, isto é, para 04
(quatro) sessões legislativas.
Sobre a legislatura, temos no parágrafo único do art. 44 que:

Art. 44, parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

Quanto à sessão legislativa, corresponde ao período de trabalho parlamentar durante o


ano, compreendendo o período de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de
dezembro, nos termos do art. 57 da Constituição Federal, in verbis:

Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17


de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro.

Uma sessão legislativa, portanto, tem duração de 1 (um) ano, de modo que uma legislatura
será composta por quatro sessões legislativas.
e. Errada! Cada Estado e o Distrito Federal elegerão 3 (TRÊS) Senadores, com mandato de
oito anos (art. 46, § 1º, da CF).

Art. 46, § 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.

97. (ADAF-AM/2018/INSTITUTO AOCP/ADMINISTRADOR/ADAPTADA) Sobre o Poder Le-


gislativo Federal, assinale a alternativa correta.
a. Cada Estado e o Distrito-Federal elegerão 03 (três) Senadores, com mandato de 04
(quatro) anos.
b. Cada Senador será eleito com 01 (um) suplente.
c. Incumbe privativamente ao Senado Federal autorizar a instauração de processo contra
o Presidente e o Vice-Presidente e os Ministros de Estado.
d. Incumbe privativamente à Câmara dos Deputados processar e julgar o Presidente e o
Vice-Presidente nos crimes de responsabilidade.

96 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Incumbe privativamente ao Senado Federal aprovar previamente, por voto secreto, após
arguição pública, a escolha de Magistrados, nos casos estabelecidos pela Constituição
Federal de 1988.

COMENTÁRIO
a. Errada! Os Senadores serão eleitos para mandatos de oito anos (art. 46, § 1º, da CF).

Art. 46, § 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito
anos.

b. Errada! Cada Senador será eleito com 02 (dois) suplentes (art. 46, § 3º, da CF).

Art. 46, § 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.

Alternativa “c” e “d”: erradas! As assertivas “c” e “d” inverteram as competências. Na


verdade, incumbe privativamente à Câmara dos Deputados autorizar a instauração de
processo contra o Presidente e o Vice-Presidente e os Ministros de Estado (art. 51, I, da
CF) e ao Senado Federal processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente nos crimes de
responsabilidade (art. 52, I, da CF).
Vejamos:

Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:


I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o
Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado;
(...)
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de respon-
sabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;   
(...)

e. CERTA! É o que determina o art. 52, III, a, da CF:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:


(...)
III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:
a. Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
(...)

97 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Poder Executivo: forma e sistema de governo; chefia de Estado e chefia de governo;


atribuições e responsabilidades do Presidente da República.

98. (FUNPAPA/2018/INSTITUTO AOCP/ARTE EDUCADOR) No tocante ao Poder Executivo,


assinale a alternativa correta conforme a Constituição Federal de 1988.
a. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelo Congres-
so Nacional.
b. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respecti-
vos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente
da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.
c. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do Sena-
do Federal, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de per-
da do cargo.
d. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, nos últimos dois
anos do período presidencial, far-se-á nova eleição noventa dias depois de aberta a
última vaga.
e. O Presidente da República, na vigência de seu mandato, pode ser responsabilizado por
atos estranhos ao exercício de suas funções.

COMENTÁRIO
a. Errada! O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos
Ministros de Estado (e não pelo Congresso Nacional!), como determina o art. 76 da CF.

Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de
Estado.

b. CERTA! É o que estabelece o art. 80 da CF.

Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos


cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos
Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.

c. Errada! Cabe ao Congresso Nacional (e não ao Senado Federal!) emitir licença para o
Presidente e o Vice-Presidente da República se ausentarem do País por período superior a
15 dias.
Nesse sentido, art. 83 da CF:

Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do Congresso
Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de perda do cargo.

98 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. Errada! Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, nos últimos


dois anos do período presidencial, far-se-á nova eleição 30 (TRINTA) dias depois de aberta
a última vaga.
A eleição será realizada 90 dias depois de aberta última vaga no caso de a vacância dos
dois cargos ocorrer nos primeiros dois anos do mandato presidencial.
Com atenção, façamos a leitura do art. 81 da CF:

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa
dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos
os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

e. Errada! O Presidente da República, na vigência de seu mandato, NÃO pode ser


responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções, consoante o art. 86, §
4º, da CF.

Art. 86, § 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabili-
zado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

99. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/AUXILIAR PERÍCIA MÉDICO-LEGAL) Dentre outras, é/


são atribuição(ões) privativa(s) do Presidente da República, segundo as disposições cons-
titucionais,
a. autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Esta-
dos, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios.
b. requisitar e designar magistrados, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de
juízos ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e Territórios.
c. prover, na forma prevista na Constituição Federal, os cargos de juiz de carreira da res-
pectiva jurisdição.
d. realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil.
e. nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Fe-
deral e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral
da República, o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando
determinado em lei.

COMENTÁRIO
a. Errada! Trata-se de competência privativa do Senado Federal, conforme o art. 52, V, da
CF:

99 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:


(...)
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

b. Errada! Trata-se de competência privativa do Ministro-Corregedor do Conselho Nacional


de Justiça, que, aliás, será um Ministro do STJ, conforme o art. 52, V, da CF:

Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de
2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo:
(...)
§ 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro-Corregedor e ficará
excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe, além das atribuições que lhe
forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes:
(...)
III – requisitar e designar magistrados, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de juízos
ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e Territórios.  

c. Errada! Ao Presidente da República compete prover, na forma prevista na Constituição


Federal, art. 84, XXV, os cargos público federais.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;

d. Errada! Compete às comissões constituídas no âmbito do Congresso Nacional realizarem


audiências públicas com entidades da sociedade civil, segundo o art. 58, § 2º, III, da CF.

Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, cons-
tituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar
sua criação.
(...)
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
(...)
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;

e. CERTA! É o que estabelece o art. 84, XIV, da CF.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e
dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o pre-
sidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei;

100 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

100. (SJDH-PE/2017/CEBRASPE/AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIA) É dispen-


sável licença, autorização ou referendo do Congresso Nacional para que o presidente
da República
a. sancione e promulgue leis.
b. fique ausente do país por mais de quinze dias.
c. firme tratados ou convenções internacionais.
d. declare guerra, caso haja agressão estrangeira.
e. celebre a paz.

COMENTÁRIO
Dentre as atribuições do Presidente da República indicadas nas alternativas, apenas a
sanção e a promulgação das leis não dependem de licença, autorização ou referendo do
Congresso Nacional. O gabarito, portanto, é a letra “a”.
Vale lembrar que se trata da atribuição prevista no art. 84, IV, da CF:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para
sua fiel execução;

Façamos, agora, a análise das demais alternativas.


b. Errada! O Presidente da República precisa de autorização do Congresso Nacional para
se ausentar do país por mais de 15 dias (art. 49, III, da CF).

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:


(...)
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a
ausência exceder a quinze dias;

c. Errada! Os tratados e convenções internacionais firmados pelo Presidente da República


dependem do referendo do Congresso Nacional (art. 84, VIII c/c art. 49, I, da CF).

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso
Nacional;
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos
ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;

101 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. Errada! O Presidente da República precisa de autorização do Congresso Nacional para


declarar guerra, caso haja agressão estrangeira, ou de seu referendo no caso de a agressão
ocorrer no intervalo das sessões legislativas (art. 84, XIX c/c art. 49, II, da CF).

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou
referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condi-
ções, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
(...)
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados
os casos previstos em lei complementar;

e. Errada! O Presidente da República precisa de autorização do Congresso Nacional para


celebrar paz (art. 84, XX c/c art. 49, II, da CF).

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
(...)
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados
os casos previstos em lei complementar;

101. (SEJUS-PI/2010/NUCEPE/AGENTE PENITENCIÁRIO) Compete privativamente ao Pre-


sidente da República, nos termos da Constituição de 1988, EXCETO:
a. decretar e executar a intervenção federal.
b. exercer o comando supremo das forças armadas.
c. declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional
ou referendado por ele.
d. conferir condecorações e distinções honoríficas.
e. expedir instruções para a execução de leis, decretos e regulamentos.

COMENTÁRIO
Apenas a alternativa “e” não elencou competência privativa do Presidente da República.
Isso porque a Constituição Federal assevera que incumbe ao Presidente da República
expedir DECRETOS e REGULAMENTOS (e não instruções!) para a fiel execução das
LEIS, conforme o disposto no art. 84, IV:

102 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos
para sua fiel execução;

As alternativas “a”, “b”, “c” e “d”, por seu turno, dizem respeito às atribuições estampadas,
respectivamente, nos incisos X, XIII, XIX e XXI, do art. 84, in verbis:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
X - decretar e executar a intervenção federal;
(...)
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha,
do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes
são privativos;  
(...)
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional
ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas con-
dições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;
(...)
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;

102. (TCE-PE/2017/CEBRASPE/ANALISTA DE GESTÃO) No que diz respeito às atribuições


e responsabilidades do presidente da República e às atribuições do Poder Legislativo,
julgue o seguinte item.
Quando um cargo público federal estiver vago, o presidente da República poderá extingui-
-lo por decreto, sendo essa competência indelegável.

COMENTÁRIO
O erro está na parte final do item, haja vista que a extinção de cargo público federal vago
por meio de decreto, atribuição do Presidente da República prevista no art. 84, VI, b, da
CF, é competência delegável aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República
ou ao Advogado-Geral da União, nos termos do parágrafo único do referido dispositivo
constitucional.
Vejamos:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a. organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despe-
sa nem criação ou extinção de órgãos públicos
b. extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
(...)

103 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos


incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da Repú-
blica ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas dele-
gações.

Aprofundando o tema, significa dizer que são as atribuições passíveis de delegação pelo
presidente da República:
1) editar decretos autônomos (inciso VI);
2) conceder indulto e comutar penas (inciso XII); e
3) prover (e desprover) cargos públicos federais (inciso XXV, primeira parte).

103. (PREFEITURA DE COCAL-PI/2019/IMA/AUXILIAR ADMINISTRATIVO/ADAPTADA)


Considere a seguinte afirmação:
O sistema de governo é o modo como se relacionam os poderes e a forma de governo é a
maneira como o poder político é dividido e exercido no âmbito de um Estado.

COMENTÁRIO
O conceito de sistema de governo diz respeito ao modo como se relacionam os
Poderes Executivo e Legislativo. São dois os sistemas de governo: presidencialismo e
parlamentarismo.
Já o conceito de forma de governo envolve a maneira como se dá a relação entre
governantes e governados. Existem duas formas de governo: a república e a monarquia.

104. (TEM/2003/ESAF/AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/ADAPTADA) Um dos elementos


essenciais do princípio republicano é a obrigatoriedade de prestação de contas, pela ad-
ministração pública, sob as penas da lei, no caso de descumprimento desta obrigação.

COMENTÁRIO
Explica Bernardo Gonçalves que:
Ao se falar em República, destacamos os seguintes elementos:
1) forma de Governo que se opõe ao modelo monárquico, pois o povo é o titular do poder
político, exercendo este direta ou indiretamente por meio de representantes;
2) igualdade formal entre as pessoas, pois não há tratamento estamental na sociedade, e
a legislação não permite discriminações, devendo todos receber o mesmo tratamento;
3) eleição dos detentores do poder político, tais eleições marcam o caráter temporário de
permanência como detentor do poder;

104 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

4) responsabilidade política do Chefe de governo e/ou do Estado, cabendo a prestação


de contas de suas condutas.” 39
Assim, tomando por base a quarta característica acima descrita, correto apontar que um
dos elementos essenciais do princípio republicano é a obrigatoriedade de prestação de
contas, pela administração pública, sob as penas da lei, no caso de descumprimento desta
obrigação.

105. (TCE-PB/2018/CEBRASPE/AGENTE DE DOCUMENTAÇÃO) De acordo com os princí-


pios fundamentais estabelecidos na CF, assinale a opção que apresenta, respectivamen-
te, as formas de Estado e de governo adotadas no Brasil.
a. Federação e República
b. Federação e presidencialismo
c. Presidencialismo e República
d. República e Federação
e. República e presidencialismo

COMENTÁRIO
No art. 1º da Constituição Federal está previsto que:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
(...)

Nesse primeiro artigo da CF/1988, evidencia-se que o Brasil adotou o princípio republicano
e o princípio federativo, isto é, adotou a República como forma de governo e a Federação
como forma de Estado.
Ser uma Federação significa que o Poder Constituinte Originário, quando da elaboração do
texto constitucional, adotou um modelo caracterizado pela descentralização do exercício do
poder político, que não fica alocado na mão de um só ente, mas, sim, distribuído entre mais
de um ente federado dotado de autonomia.
Já a forma de governo republicana caracteriza-se, em suma, pelo fato de o povo ser o titular
do poder político, exercendo este diretamente ou indiretamente por meio de representantes
eleitos para mandatos por tempo determinado e que tem o dever de prestar contas de suas
condutas. A República, portanto, define-se pela representatividade, temporariedade e
responsabilidade política do Chefe de governo e/ou do Estado.

39 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. rev., ampl. e atual.
Salvador. JusPODIVM, 2017. p. 295.

105 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Memorize!

Forma de Estado Forma de governo Sistema de governo


Federação República Presidencialismo

106. (TRE-TO/2017/CEBRASPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Ao presidente da República cabe


I – A chefia de Estado e a de governo.
II – Manter relações com Estados estrangeiros, bem como acreditar seus representantes
diplomáticos.
III – Permitir que forças estrangeiras transitem em território nacional ou nele permaneçam.
Assinale a opção correta.
a. Apenas o item I está certo.
b. Apenas o item II está certo.
c. Apenas o item III está certo.
d. Todos os itens estão certos.

COMENTÁRIO
Todos os itens estão certos!
A questão versa sobre as atribuições do Presidente da República.
I: CERTO! O Brasil adotou como sistema de governo o presidencialismo, e neste as
funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo encontram-se concentradas nas mãos de
uma única pessoa, o Presidente da República.
II: CERTO! É o que estabelece o art. 84, VII, da CF:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;

III: CERTO! Conforme o art. 49, II, da CF, é da competência exclusiva do Congresso
Nacional autorizar o Presidente da República a permitir que forças estrangeiras transitem
pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos
previstos em lei complementar.
Com efeito, o art. 84, XXII, dispõe que, em tais casos excepcionais previstos em lei
complementar, será do Presidente da República a competência privativa para permitir que
forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente.
Observem:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

106 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

(...)
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados
os casos previstos em lei complementar;
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
(...)
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo
território nacional ou nele permaneçam temporariamente;

Com base nisso, o CEBRASPE considerou correto afirmar que ao Presidente da República
cabe permitir que forças estrangeiras transitem em território nacional ou nele permaneçam.

107. (CGE-CE/2019/CEBRASPE/AUDITOR DE CONTROLE INTERNO) Acerca da organiza-


ção contemporânea do Estado brasileiro, é correto afirmar que
a. a forma de Estado vigente é denominada Estado unitário.
b. a forma de governo adotada é a presidencialista.
c. o presidente da República é o chefe de Estado, mas não o chefe de governo.
d. a forma de Estado vigente é o Estado democrático de direito.
e. a forma de governo adotada é a república e o regime político é o democrático.

COMENTÁRIO
Acerca da organização contemporânea do Estado brasileiro, anote:

Forma de Estado Forma de governo Sistema de governo Regime político


Presidencialismo,
exercendo o Presidente
Federação
República as funções de Chefe de Democrático
(Estado federado)
Governo e de Chefe de
Estado.

O gabarito, assim, é a alternativa “e”! A forma de governo adotada é a República, e o


regime político é o democrático.

108. (AL-MA/2013/FGV/ADVOGADO) Assinale a alternativa que indica a função exercida pelo


presidente da República, dentre as previstas no texto constitucional federal, considerada
como inerente à função de Chefia de Governo.
a. Celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional.
b. Presidir o Conselho de Defesa Nacional.
c. Enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual previsto na Constituição.
d. Manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos.

107 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congres-


so Nacional.

COMENTÁRIO
No Brasil, ao se adotar o sistema presidencialista de governo, as funções de Chefe de Estado
e de Chefe de Governo são exercidas cumulativamente pelo Presidente da República.
Nesse sentido, atua como Chefe de Governo quando executa as políticas públicas, gerencia
a máquina pública. Isto é, quando efetivamente governa e também exerce a liderança da
política nacional 40, como se nota da leitura da atribuição prevista no inciso XXIII, do art. 84,
da CF/1988:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamen-
tárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;

Noutra via, atua como Chefe de Estado quando exerce a função simbólica de representar
internacionalmente o país, na linha do disposto nos incisos VII, VIII, XVIII, segunda parte
(convocar e presidir o Conselho de Defesa Nacional), XX do art. 84 da CF/1988.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Na-
cional;
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;

Correta a alternativa “c”!

109. (ARTESP/2017/FCC/AGENTE DE FISCALIZAÇÃO À REGULAÇÃO DE TRANSPORTE/


TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO) Considere:
I – O Presidente da República exerce o papel de Chefe de Estado e de Chefe de Governo.
II – Os Ministros são auxiliares do Chefe do Executivo e demissíveis por ele a qualquer
momento.
III – O Presidente da República tem longa participação no processo legislativo.
IV – O povo é quem elege, direta ou indiretamente, o Chefe do Executivo para o cumpri-
mento de um mandato.

40 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. rev., ampl. e atual.
Salvador. JusPODIVM, 2017. p. 1.104.

108 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

No que concerne às características do presidencialismo, está correto o que consta APE-


NAS em
a. I e III.
b. II.
c. I, II e III.
d. III e IV.
e. I, II e IV.

COMENTÁRIO
No que concerne às características do presidencialismo, está correto o que consta
APENAS em I, II e IV.
I: correto! De fato, no sistema presidencialista de governo, o Presidente da República
exerce o papel de Chefe de Estado e de Chefe de Governo.
II: correto! Narra o art. 76 da CF/1988 que: “O Poder Executivo é exercido pelo Presidente
da República, auxiliado pelos Ministros de Estado”.
Os Ministros de Estado são, assim, meros auxiliares do Presidente, escolhidos livremente
e demissíveis ad nutum.
Destarte, deve-se afirmar que os Ministros de Estado são os auxiliares diretos do Presidente
e que eles podem ser nomeados e exonerados sem a participação do Congresso Nacional.
III: errado! O Presidente da República NÃO tem longa participação no processo legislativo.
Em verdade, no processo legislativo, ele poderá atuar na fase de iniciativa, naqueles temas
que sejam da sua competência, e nas leis ordinárias e complementares exercerá sanção ou
veto, existindo atos normativos nos quais ele não atuará em qualquer fase, a exemplo das
resoluções e decretos legislativos, por serem atos interna corporis.
IV: correto! Via de regra, o Presidente da República, no Brasil, será eleito diretamente
pelo povo para o exercício de um mandato de quatro anos, admitida a reeleição. Existe,
contudo, a possibilidade de essa eleição se dar de maneira indireta quando configurada
dupla vacância nos dois últimos anos do mandato presidencial. Se assim ocorrer, caberá
ao Congresso Nacional eleger o novo Presidente, na forma do art. 81, II, da CF; in verbis:

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa
dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os
cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

109 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

110. (ARTESP/2017/FCC/AGENTE DE FISCALIZAÇÃO À REGULAÇÃO DE TRANSPORTE/


TÉCNICO EM CONTABILIDADE/ADMINISTRAÇÃO) Considere:
I – Elegibilidade dos representantes, ou seja, as autoridades são investidas no poder pela
eleição, que poderá ser direta ou indireta.
II – Temporariedade do mandato.
III – Responsabilidade dos governantes, os quais devem prestar contas de seus atos.
IV – Trata-se da mais antiga forma de governo ainda em vigor.
No que concerne às características da forma de governo republicana, está correto o que
consta APENAS em
a. I e IV.
b. II e III.
c. I, II e III.
d. I, II e IV.
e. III e IV.

COMENTÁRIO
No que concerne à forma de governo republicana, esta se caracteriza, em suma, pelo fato
de o povo ser o titular do poder político, exercendo este direta ou indiretamente por meio
de representantes eleitos para mandatos por tempo determinado e que tem o dever de
prestar contas de suas condutas. A República, portanto, define-se pela representatividade,
temporariedade e responsabilidade política do Chefe de Governo e/ou do Estado, o
que torna os itens I, II e III corretos.
Por seu turno, o item IV está errado. A República se contrapõe à Monarquia, não sendo a
mais antiga forma de governo ainda em vigor.

111. (PC-PR/2007/NC-UFPR/DELEGADO DE POLÍCIA) São atribuições e responsabilidades


do Presidente da República, EXCETO:
a. declarar guerra no caso de agressão estrangeira, independentemente de autorização
ou referendo do Congresso Nacional, se a situação for de urgência e comprometer a
segurança nacional.
b. iniciar o processo legislativo.
c. nomear os comandantes da Marinha, do Exército, da Aeronáutica e os Ministros do Tri-
bunal de Contas da União.
d. nomear e exonerar os Ministros de Estado.
e. conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituí-
dos em lei.

110 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
O gabarito é a alternativa “a”!
As atribuições do Presidente da República, nomeadas de “competências privativas”, estão
listadas no art. 84 da Constituição Federal, de modo que, de todas as competências listadas
no enunciado, a única que não encontra perfeita consonância com o dispositivo legal é a
alternativa “a”, ao dizer que a declaração da guerra independerá de autorização ou referendo
do Congresso Nacional, o que não é verdade. A decisão do Presidente da República deve
sempre se amparar no Congresso Nacional, seja com a autorização deste (ato anterior à
declaração da guerra), seja com o seu referendo (ato que corrobora a declaração).
Nesse sentido, vejamos o art. 84, XIX, da CF:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou
referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condi-
ções, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;

Quanto às demais alternativas, estão em consonância com o art. 84, incisos I, III, XII, XII e
XV, abaixo transcritos:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


I - nomear e exonerar os Ministros de Estado; (alternativa “d”!)
(...)
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição; (alternativa
“b”!)
(...)
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos
em lei; (alternativa “e”!)
(...)
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes
são privativos; (alternativa “c”!)         
(...)
XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;
(alternativa “c”!)

112. (TRE-TO/2017/CEBRASPE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA) O presi-


dente da República poderá delegar aos ministros de Estado, ao procurador-geral da Re-
pública ou ao advogado-geral da União a competência para
a. o exercício do comando supremo das Forças Armadas.

111 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. a concessão de indulto e para a comutação de penas.


c. a decretação do estado de defesa.
d. a decretação e execução de intervenção federal.
e. a celebração de tratados internacionais sujeitos a referendo do Congresso Nacional.

COMENTÁRIO
Consoante o parágrafo único do art. 84 da CF: “O Presidente da República poderá delegar
as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de
Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão
os limites traçados nas respectivas delegações.”
São, assim, as atribuições passíveis de delegação pelo Presidente da República:
1) editar decretos autônomos (inciso VI);
2) conceder indulto e comutar penas (inciso XII); e
3) prover (e desprover) cargos públicos federais (inciso XXV, primeira parte).
Vejamos cada uma das hipóteses!
1) Edição de decretos autônomos (inciso VI)

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


(...)
VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a. organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despe-
sa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b. extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
2) Concessão de indultos e comutação de penas (inciso XII)
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
(...)
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em
lei;
3) Provimento (e desprovimento) de cargos públicos federais (inciso XXV, primeira parte)
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
(...)
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;

Cuidado! Poderá ser delegada a atribuição concernente ao provimento (ou desprovimento)


de cargos públicos federais, mas não a de extinção.

113. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA) A Constituição da Repú-


blica Federativa do Brasil define as condutas consideradas como crime de responsabilida-
de se praticadas pelo Presidente da República no âmbito das suas funções. Em relação

112 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

aos crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República, NÃO é correto


afirmar que
a. o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado
por atos estranhos ao exercício de suas funções.
b. é crime de responsabilidade o ato do Presidente da República que atente contra a Cons-
tituição Federal e, especialmente, contra o exercício dos direitos políticos, individuais
e sociais.
c. Ao Senado compete decidir se deve receber ou não a denúncia cujo prosseguimento foi
autorizado pela Câmara.
d. Não há direito à defesa prévia antes da avaliação da denúncia pelo Presidente da Câmara.
e. o Presidente ficará suspenso de suas funções nos crimes de responsabilidade, após a
instauração do processo pela Câmara dos Deputados.

COMENTÁRIO
Cuidado, pois a questão está exigindo a indicação da alternativa INCORRETA.
a. Correta! Está de acordo com o art. 86, § 4º, da CF.

Art. 86, § 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabiliza-
do por atos estranhos ao exercício de suas funções.

b. Correta! Define o art. 85, III, da CF, que:

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a
Constituição Federal e, especialmente, contra:
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

c. Correta! O STF, no julgamento da ADPF n. 378, declarou a constitucionalidade da aplicação


analógica dos art. 44, 45, 46, 47, 48 e 49 da Lei n. 1.079/1950, dispositivos que versam sobre
o rito do processo de impeachment contra Ministros do STF e PGR, ao processamento no
Senado Federal de crime de responsabilidade contra Presidente da República.
Assim, conforme trecho extraído da ementa do julgado:

(...) Apresentada denúncia contra o Presidente da República por crime de responsabilidade, compe-
te à Câmara dos Deputados autorizar a instauração de processo (art. 51, I, da CF/1988). A Câmara
exerce, assim, um juízo eminentemente político sobre os fatos narrados, que constitui condição
para o prosseguimento da denúncia. Ao Senado compete, privativamente, processar e julgar
o Presidente (art. 52, I), locução que abrange a realização de um juízo inicial de instauração
ou não do processo, isto é, de recebimento ou não da denúncia autorizada pela Câmara. (...)

113 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

(ADPF n. 378 MC, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043
DIVULG. 07/03/2016, PUBLIC. 08/03/2016)
Ao Senado, portanto, compete decidir se deve receber ou não a denúncia cujo prosseguimento
foi autorizado pela Câmara.
d. Correta! A Lei n. 1.079/1950 não previu a oportunidade para o exercício de defesa prévia
pelo Presidente da República antes da avaliação da denúncia pelo Presidente da Câmara.
A sistemática foi considerada constitucional pelo STF, que também no julgamento ADPF n.
378, definiu que:

(...) A apresentação de defesa prévia não é uma exigência do princípio constitucional da am-
pla defesa: ela é exceção, e não a regra no processo penal. Não há, portanto, impedimento
para que a primeira oportunidade de apresentação de defesa no processo penal comum se
dê após o recebimento da denúncia. No caso dos autos, muito embora não se assegure defe-
sa previamente ao ato do Presidente da Câmara dos Deputados que inicia o rito naquela Casa,
colocam-se à disposição do acusado inúmeras oportunidades de manifestação em ampla instrução
processual. Não há, assim, violação à garantia da ampla defesa e aos compromissos internacionais
assumidos pelo Brasil em tema de direito de defesa. Improcedência do pedido.

(ADPF n. 378 MC, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043
DIVULG. 07/03/2016 PUBLIC. 08/03/2016) (Grifos nossos)
e. INCORRETA! O art. 86, § 1º, II, da CF, consigna que o Presidente ficará suspenso de
suas funções nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pela Senado
Federal (e não pela Câmara dos Deputados!).

Art. 86, § 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:


II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.

114. (PC-SP/2018/VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA) Supondo que o Presidente da Repú-


blica decida nomear como novo Ministro de Defesa FULANO DE TAL, é correto afirmar
que referido Ministro
a. deverá possuir no mínimo 18 anos de idade, podendo ser brasileiro nato ou naturaliza-
do, no gozo de seus direitos políticos.
b. obrigatoriamente, deverá possuir mais de 21 anos de idade e ser exclusivamente brasi-
leiro nato, no gozo de seus direitos políticos.
c. uma vez nomeado, caso pratique crime de responsabilidade juntamente com o Presi-
dente da República, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
d. deverá contar no máximo 30 anos de idade, podendo ser brasileiro nato ou naturalizado,
no gozo dos seus direitos políticos.

114 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. tendo preenchido os requisitos constitucionais para sua nomeação e assumido o cargo,


caso pratique infração penal comum, será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça.

COMENTÁRIO
De acordo com o art. 87 da CF, os Ministros de Estado deverão ter mais de 21 anos de
idade e estar no exercício dos direitos políticos.

Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e
no exercício dos direitos políticos.

Via de regra, os Ministros de Estado poderão ser brasileiros natos ou naturalizados. No


caso, porém, do Ministro de Estado da Defesa, função indicada no enunciado da questão,
é obrigatório que este seja brasileiro nato, segundo o art. 12, § 3º, VII, da CF.

Art. 12, § 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:


VII - de Ministro de Estado da Defesa   

Feitas estas observações, vamos à análise de cada uma das alternativas.


a. Errada! Supondo que o Presidente da República decida nomear como novo Ministro de
Defesa FULANO DE TAL, este deverá ter mais de 21 anos de idade, estar no exercício dos
direitos políticos e ser obrigatoriamente brasileiro nato.
b. CERTA! Como visto acima, o Ministros de Estado deverão ter mais de 21 anos de idade,
estar no exercício dos direitos políticos e, no caso específico do Ministro de Estado da
Defesa, ser brasileiro nato.
Novamente, observe que o enunciado da questão deixou claro que a eventual nomeação de
FULANO DE TAL seria para o posto de Ministro de Defesa.
c. Errada! Regra geral, os Ministros de Estado, tanto nas infrações penais comuns quanto
nos crimes de responsabilidade, serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102,
I, c, da CF). No entanto, caso pratiquem crime de responsabilidade juntamente com o
Presidente da República, a competência para julgamento passará a ser do Senado Federal,
nos termos do art. 52, I, da CF, e não mais do Supremo Tribunal Federal.

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:


I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade,
bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos
crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

d. Errada! O Ministro de Estado de Defesa deverá ser brasileiro nato e contar com mais de
21 anos de idade, não havendo na Constituição Federal a imposição de um limite máximo
de idade.

115 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! Caso pratique infração penal comum, os Ministros de Estado serão julgados pelo
Supremo Tribunal Federal (e não pelo Superior Tribunal de Justiça!).
Nesse sentido está o art. 102, I, c, da CF.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição,


cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
c. nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado
e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art.
52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes
de missão diplomática de caráter permanente;

Poder Judiciário: disposições gerais; Supremo Tribunal Federal; Superior Tribunal


de Justiça; tribunais regionais federais e juízes federais; tribunais e juízes dos Estados
(apenas para o cargo de Delegado de Polícia!).

115. (SUSIPE-PA/2018/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS)


Sobre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, assinale a alternativa correta.
a. O Supremo Tribunal Federal é órgão político, portanto não é órgão pertencente ao Po-
der Judiciário.
b. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de doze Ministros, escolhidos dentre cidadãos
com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber
jurídico e reputação ilibada.
c. O Poder Legislativo, no âmbito da União, é exercido pelo Congresso Nacional, que se
compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, sendo que a Câmara com-
põe-se de representantes dos Estados e o Senado Federal compõe-se de representan-
tes do povo.
d. Cada Senador será eleito com dois suplentes.
e. O Poder Executivo, no âmbito federal, é exercido pelo Presidente da República, auxi-
liado pelos Ministros de Estado, sendo que a eleição do Presidente da República será
apartada do Vice-Presidente, que poderá ser independente.

COMENTÁRIO
a. Errada! O Supremo Tribunal Federal é um dos órgãos pertencentes ao Poder Judiciário.
Nesse sentido, vejamos o art. 92 da CF, que elenca os órgãos do Poder Judiciário:

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:


I - o Supremo Tribunal Federal;

116 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

I-A - o Conselho Nacional de Justiça;


II - o Superior Tribunal de Justiça;
II-A - o Tribunal Superior do Trabalho;
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
VI - os Tribunais e Juízes Militares;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

b. Errada! O erro está logo no começo da assertiva, posto que o STF é composto por 11
(ONZE) ministros, e não por 12, como afirmado.
Sobre o tema, art. 101 da CF:

Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos
com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e
reputação ilibada.
c. Errada! O erro está na parte final da assertiva, pois a Câmara é composta de representantes
do povo e o Senado Federal é composto de representantes dos estados e do Distrito Federal,
conforme os artigos 45 e 46 da CF.

Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema pro-
porcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos
segundo o princípio majoritário.

d. CERTA! É o que estabelece o art. 46, § 3º, da CF:

Art. 46, § 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.

e. Errada! A eleição do Presidente da República NÃO será apartada do Vice-Presidente,


mas simultânea, segundo o art. 77 da CF.

Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultane-


amente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em
segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente.

116. (TRT/1ª REGIÃO – RJ/2018/INSTITUTO AOCP/TÉCNICO JUDICIÁRIO) De acordo com


o que dispõe a Constituição Federal, assinale a alternativa correta acerca do Estatuto da
Magistratura.
a. Deve ser estabelecido por Lei Ordinária de iniciativa do Poder Executivo.
b. É instituído por Lei Complementar de iniciativa do Congresso Nacional.
c. Será disposto por Lei Ordinária de inciativa do Senado Federal.

117 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. Deve ser estabelecido por Lei Ordinária de iniciativa do Congresso Nacional.


e. É instituído por Lei Complementar de iniciativa do Supremo Tribunal Federal.

COMENTÁRIO
Questão bastante simples!
Narra o art. 93, caput, da CF:

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatu-
to da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...)

Defesa do Estado e das instituições democráticas: segurança pública; organização


da segurança pública.

117. (ITEP-RN/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE) De acordo com o dis-


posto na Constituição Federal de 1988, é incumbência da polícia federal
a. o patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
b. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
c. exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária dos estados.
d. apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, servi-
ços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim
como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e
exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei.
e. o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública.

COMENTÁRIO
a. Errada! O patrulhamento ostensivo das rodovias federais cabe à Polícia Rodoviária
Federal, conforme o art. 144, § 2º, da CF.

Art. 144, § 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias
federais.

b. Errada! Compete às Polícias Civis as funções de polícia judiciária e a apuração de


infrações penais, exceto as militares, na forma do art. 144, § 4º, da CF.

Art. 144, § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalva-
da a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais,
exceto as militares.

118 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! À Polícia Federal incumbe exercer, com exclusividade, as funções de polícia


judiciária da União (e não a polícia judiciária dos Estados!), segundo o art. 144, § 1º, V, da CF.

Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido
pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
(...)
V - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

d. CERTA! É o que estabelece o art. 144, § 1º, I, da CF.

Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido
pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme,
segundo se dispuser em lei;
(...)

e. Errada! É das Polícias Militares a atribuição para exercer o policiamento ostensivo e a


preservação da ordem pública, a teor do art. 144, § 5º, da CF.

Art. 144, § 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem públi-
ca; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução
de atividades de defesa civil.

118. (ITEP-RN/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE DE NECRÓPSIA) A segurança pública,


dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Acerca da segurança pú-
blica, assinale a alternativa correta.
a. Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada
a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações pe-
nais, inclusive as militares.
b. Uma das atribuições da polícia ferroviária federal é realizar o patrulhamento ostensivo
das rodovias federais.
c. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares, as forças auxiliares e a reserva
do Exército subordinam-se, juntamente com as polícias civis, diretamente ao Presidente
da República.
d. Uma das atribuições da polícia federal é exercer as funções de polícia marítima, aero-
portuária e de fronteiras.
e. Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas a apurar infrações pe-
nais contra a ordem política e social.

119 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
a. Errada! O erro está na parte final da assertiva, posto que às Polícias Civis NÃO incumbe
a apuração de infrações militares e o art. 144, § 4º, deixa isso claro.
Vejamos:

Art. 144, § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada
a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto
as militares.

b. Errada! Muito cuidado aqui, uma vez que uma das atribuições da Polícia Ferroviária
Federal é realizar o patrulhamento ostensivo das FERROVIAS federais.
É a Polícia Rodoviária Federal a responsável pelo patrulhamento ostensivo das rodovias
federais.
Sobre o tema, vejamos:

Art. 144, § 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias
federais.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estrutura-
do em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

c. Errada! As Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares, as forças auxiliares e


a reserva do Exército subordinam-se, juntamente com as Polícias Civis, diretamente aos
Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (e não ao Presidente da
República!), segundo o art. 144, § 6º, da CF.

Art. 144, § 6º As polícias militares e os corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do
Exército subordinam-se, juntamente com as polícias civis e as polícias penais estaduais e distri-
tal, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 104, de 2019)

d. CERTA! Está de acordo com o art. 144, § 1º, III, da CF.

Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido
pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
(...)
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;   

e. Errada! Os Municípios até poderão constituir guardas municipais, mas estas deverão
ser destinadas à proteção dos bens, serviços e instalações municipais, NÃO podendo ser
incumbidas da apuração de infrações penais.

120 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Nesse sentido está o art. 144, § 8º, da CF:

Art. 144, § 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus
bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.

119. (SAP-SC/2019/FEPESE/AGENTE PENITENCIÁRIO) Analise as afirmativas abaixo a


respeito da segurança pública, com base na Constituição Federal de 1988.
1. Os Municípios poderão, conforme dispuser a lei, constituir guardas municipais destina-
das à proteção de seus bens, serviços e instalações.
2. A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos da segurança pública
será fixada na forma de subsídio.
3. Às polícias civis cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública.
4. A polícia federal destina-se a exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a. São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.
b. São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
c. São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
d. São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.
e. São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.

COMENTÁRIO
São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4!
Afirmativa 1: correta! Trata-se da autorização contida no art. 144, § 8º, da CF:

§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, ser-
viços e instalações, conforme dispuser a lei.

Afirmativa 2: correta! Prevê o art. 144, § 9º, da CF, que:

§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será
fixada na forma do § 4º do art. 39.

Com efeito, o § 4º do art. 39 trata da remuneração em forma de subsídio.

§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Es-


taduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única,
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou
outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.

121 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

A conclusão, portanto, é de que a remuneração dos servidores policiais integrantes dos


órgãos da segurança pública será fixada na forma de subsídio.
Afirmativa 3: errada! Às Polícias MILITARES cabem a polícia ostensiva e a preservação
da ordem pública (art. 144, § 5º, da CF).
No que tange às Polícias Civis, a elas incumbem, ressalvada a competência da União, as
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
Vejamos:

§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a com-
petência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto
as militares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos
corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de ativi-
dades de defesa civil.

Afirmativa 4: correta! Está de acordo com o art. 144, § 1º, III, da CF:

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União
e estruturado em carreira, destina-se a:
(...)
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras.

120. (PREFEITURA DE CAXIAS-MA/2018/IMA/GUARDA MUNICIPAL) A segurança pú-


blica, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preser-
vação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguinte(s) órgão(s):
a. Polícia federal.
b. Polícia rodoviária federal e polícia ferroviária federal.
c. Polícias civis e polícias militares e corpos de bombeiros militares.
d. Todas as alternativas acima estão corretas.

COMENTÁRIO
As alternativas “a”, “b” e “c” corretamente indicaram órgãos previstos no art. 144 da CF
como responsáveis pela segurança pública, razão pela qual o gabarito da questão é a
assertiva “d”: “Todas as alternativas acima estão corretas”.
Observe:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida
para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguintes órgãos:
I - polícia federal; (alternativa “a”!)

122 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

II - polícia rodoviária federal; (alternativa “b”!)


III - polícia ferroviária federal; (alternativa “b”!)
IV - polícias civis; (alternativa “c”!)
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. (alternativa “c”!)
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 104,
de 2019)

121. (PGM CAMPO GRANDE-MS/2019/CEBRASPE/PROCURADOR MUNICIPAL) Com rela-


ção à organização do Estado e às funções essenciais à justiça, julgue o item subsecutivo.
Situação hipotética: Determinado estado da Federação violou autonomia municipal por
ter repassado a seus municípios, em valor menor do que o devido e com atraso, receitas
tributárias obrigatórias determinadas pela Constituição Federal de 1988. Assertiva: Nes-
sa situação, o presidente da República não pode decretar de ofício intervenção federal no
referido estado.

COMENTÁRIO
A Constituição Federal prevê que será possível a intervenção da União nos Estados com o
objetivo de assegurar a autonomia municipal (art. 34, VII, c), de modo que a intervenção
em tais casos dependerá de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, e de
representação do Procurador-Geral da República.
Na situação narrada na questão, portanto, o Presidente da República não poderá decretar
de ofício a intervenção federal no estado.

Art. 34 da CF. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
c. autonomia municipal;
Art. 36 da CF. A decretação da intervenção dependerá:
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da Repú-
blica, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal.

Ordem social: base e objetivos da ordem social; seguridade social; meio ambiente;
família, criança, adolescente, idoso, indígena.

122. (PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO-SP/2019/VUNESP/PROCURADOR DO


MUNICÍPIO) De acordo com o que disciplina a Constituição Federal, a questão da Ordem
Social tem como base e objetivo, respectivamente,
a. a defesa do consumidor e a preservação do meio ambiente.
b. a defesa da propriedade privada e a preservação de um meio ambiente sadio.
c. a propriedade privada e a defesa do consumidor.
d. o primado do trabalho e o bem-estar e a justiça sociais.

123 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. o primado do trabalho e a defesa do consumidor.

COMENTÁRIO
De acordo com o art. 193 da CF:

Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a
justiça sociais.

Correta, portanto, a alternativa “d”. A Ordem Social tem como base e objetivo, respectivamente,
o primado do trabalho e o bem-estar e a justiça sociais.

123. (TJ-PR/2019/NC-UFPR/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/RE-


MOÇÃO) A família, a criança, o adolescente, o jovem e o idoso receberam tratamento
prioritário na Constituição de 1988, reconhecendo-se, inclusive, a vulnerabilidade como
uma característica essencial merecedora de atenção. Sobre o assunto, assinale a alterna-
tiva correta.
a. Segundo a redação constitucional, os direitos e deveres da sociedade conjugal são
exercidos com igualdade entre o homem e a mulher, ressalvada a natural vocação da
mulher para com as obrigações do lar.
b. Nos termos da Constituição da República de 1988, apenas a família é a responsável
por colocar a criança a salvo da opressão e da discriminação, não cabendo ao Estado
intervir em sua condição, salvo mediante autorização.
c. O texto constitucional atual tornou obrigatória a participação de entidades não gover-
namentais em programas estatais de atenção à saúde da criança, do adolescente
e do jovem.
d. O texto constitucional atual impõe como obrigatória a existência de legislação sobre nor-
mas de construção dos logradouros e edifícios de uso público, a fim de garantir acesso
adequado aos portadores de deficiência.
e. A proteção constitucional especial ao jovem implica a adoção da idade mínima de 12
anos para a admissão ao trabalho.

COMENTÁRIO
a. Errada! A Constituição Federal NÃO fez qualquer ressalva quanto à “natural vocação da
mulher para com as obrigações do lar”.
Deveras, em seu art. 226, § 5º, assegura que:

Art. 226, § 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo
homem e pela mulher.

124 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Errada! Nos termos da Constituição da República de 1988, art. 227, a família, a sociedade
e o Estado (e não apenas a família!) são responsáveis por colocar a criança a salvo da
opressão e da discriminação.

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e


ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer,
à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e co-
munitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.  

c. Errada! O texto constitucional atual PERMITE, mas não tornou obrigatória, a participação
de entidades não governamentais em programas estatais de atenção à saúde da criança,
do adolescente e do jovem.
Sobre o tema, § 1º do art. 227:

Art. 227, § 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adoles-
cente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas
específicas e obedecendo aos seguintes preceitos:
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil;
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de
deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem
portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do
acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as
formas de discriminação.   

d. CERTA! É que determina o art. 227, § 2º, da CF:

Art. 227, § 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso públi-
co e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas
portadoras de deficiência.

e. Errada! Consoante o art. 227, § 3º, I, da CF, a proteção constitucional especial ao jovem
implica a adoção da idade mínima de 14 ANOS (e não a idade mínima de 12 anos!) para a
admissão ao trabalho.

Art. 227, § 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:


I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 7º,
XXXIII;
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola;
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na relação
processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar espe-
cífica;
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pes-
soa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade;

125 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos
termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abando-
nado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao jovem
dependente de entorpecentes e drogas afins.

Organização político-administrativa da República Federativa do Brasil: regras de


organização; repartição de competências e intervenção (apenas para o cargo de Dele-
gado de Polícia!).

124. (CÂMARA DE RIO BRANCO-AC/2016/INSTITUTO AOCP/ANALISTA LEGISLATIVO)


Sobre a organização do Estado, assinale a alternativa correta.
a. São poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, independen-
tes e harmônicos entre si, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
b. Compete ao Município legislar sobre o horário de funcionamento das agências bancárias.
c. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante
controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na
forma da lei
d. Após a promulgação da Constituição de 1988, só é possível a criação de Tribunais de
Contas Municipais por municípios com mais de um milhão de habitantes.
e. Os territórios não poderão ser divididos em municípios.

COMENTÁRIO
a. Errada! Amparada na literalidade do art. 2º da CF/1988, a assertiva está errada, pois está
previsto no texto constitucional que:

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.

b. Errada! Conforme a Súmula Vinculante 38: “É competente o Município para fixar o horário
de funcionamento de estabelecimento comercial.”
Não confunda com a competência para fixar o horário de funcionamento bancário, que é
da União, nos termos da Súmula 19 do STJ, cuja redação assim disciplina: “A fixação do
horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da União.”
c. CERTA! É o que determina o art. 31 da CF/1988:

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante con-
trole externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.

126 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. Errada! Após a promulgação da Constituição de 1988, restou vedada a criação de


Tribunais de Contas Municipais, na forma do art. 31, § 4º, da CF/1988:

§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

e. Errada! Os territórios poderão ser divididos em municípios, segundo o art. 33, § 1º, da
CF/1988:

§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber,
o disposto no Capítulo IV deste Título.

125. (COREN-SC/2013/INSTITUTO AOCP/ADVOGADO) Assinale a alternativa correta. Com-


pete privativamente à União legislar sobre
a. responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
b. direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espa-
cial e do trabalho.
c. educação, cultura, ensino e desporto.
d. criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas.
e. procedimentos em matéria processual.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”, na forma art. 22, I, da CF/1988:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do
trabalho;

As demais alternativas indicaram matérias de competência legislativa concorrente entre


União, os Estados e o Distrito Federal.
Vejamos:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do
trabalho;
(...)
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artís-
tico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e ino-
vação;
X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
XI - procedimentos em matéria processual;

127 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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126. (PREFEITURA DE MATINHOS-PR/2019/NC-UFPR/ADVOGADO) O artigo 24 da Cons-


tituição da República elenca as competências concorrentes da União, dos Estados e do
Distrito Federal. Sobre o tema, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes
afirmativas:
( ) As competências concorrentes previstas no artigo 24 da Constituição da República
são legislativas.
( ) No âmbito da legislação concorrente, cabe à União o estabelecimento de normas ge-
rais, o que não exclui a competência suplementar dos Estados.
( ) Na ausência de lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência
legislativa plena, a fim de atender suas peculiaridades.
( ) A superveniência de lei federal sobre normas gerais revoga as leis estaduais, no que
lhe forem contrárias.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
a. V – F – V – V.
b. F – V – V – V.
c. V – F – F – V.
d. F – V – F – F.
e. V – V – V – F.

COMENTÁRIO
A sequência correta é V – V – V – F!
Afirmativa I: verdadeira! Realmente, as competências concorrentes previstas no artigo 24
da Constituição da República são legislativas.
Assim determina o caput do art. 24:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

Afirmativa II: verdadeira! Do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 24 da CF, temos que, no âmbito
da legislação concorrente, cabe à União o estabelecimento de normas gerais, o que não
exclui a competência suplementar dos Estados.
Observe:

Art. 24, § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabele-


cer normas gerais.
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplemen-
tar dos Estados.

Afirmativa III: verdadeira! Trata-se da previsão contida no § 3º do art. 24 da CF.

128 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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Art. 24, § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legis-
lativa plena, para atender a suas peculiaridades.  

Afirmativa IV: falsa! A superveniência de lei federal sobre normas gerais NÃO revogará
as leis estaduais no que lhe forem contrárias, mas, sim, suspenderá a sua eficácia, nos
termos do § 4º do art. 24 da CF.

Art. 24, § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei esta-
dual, no que lhe for contrário.  

127. (PREFEITURA DE SÃO LUIZ-MA/2018/AOCP/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/DIREI-


TO) Quanto à criação, à incorporação, à fusão e ao desmembramento dos Municípios,
assinale a alternativa correta.
a. Far-se-á por lei federal.
b. Dependerá de referendo da população dos Municípios envolvidos.
c. Deverá obedecer os requisitos previstos em Lei Complementar Estadual.
d. É obrigatório preservar a continuidade e a unidade histórico-cultural do ambiente urbano.
e. É obrigatória a divulgação de estudo de viabilidade municipal, apresentado e publicado
na forma da lei.

COMENTÁRIO
Para corretamente responder a questão, era essencial conhecer o art. 18, § 4º, da CF, que
assim dispõe:

§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei es-


tadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta
prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Es-
tudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.     

Feita a leitura do dispositivo, vamos à resolução das alternativas:


a. Errada! A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios, far-se-ão
por lei estadual (e não por lei federal!).
b. Errada! Dependerá de plebiscito (e não de referendo!) da população dos municípios
envolvidos.
c. Errada! Deverá obedecer os requisitos previstos em Lei Complementar Federal (e não
em Lei Complementar Estadual!).
d. Errada! A Constituição Federal não faz qualquer exigência nesse sentido.
e. CERTA! É o que determina a parte final do § 4º do art. 18.

129 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
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Funções essenciais à Justiça: Ministério Público; Advocacia; Defensoria Pública


(apenas para o cargo de Delegado de Polícia!).

128. (CÂMARA DE RIO BRANCO-AC/2016/INSTITUTO AOCP/PROCURADOR) Segundo o


texto Constitucional, o que é função institucional do Ministério Público?
a. Promover, concorrentemente, a ação penal pública, na forma da lei.
b. Participar de sociedade comercial, na forma da lei.
c. Consultoria e assessoramento ao Poder Executivo.
d. Elaborar estudos e preparar informações, por solicitação de autoridade prevista na
Constituição Federal.
e. Requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os
fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais.

COMENTÁRIO
a. Errada! Nos termos do art. 129, I, da CF, é função institucional do Ministério Público
promover, privativamente (e não concorrentemente!), a ação penal pública, na forma da lei.

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

b. Errada! É vedado aos membros do Ministério Público participar de sociedade comercial,


conforme o art. 128, § 5º, II, c, da CF/1988:

§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procu-
radores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público,
observadas, relativamente a seus membros:
II - as seguintes vedações:
c. participar de sociedade comercial, na forma da lei;

c. Errada! De acordo com o art. 128, IX, da CF/1988, ao Ministério Público é vedado prestar
consultoria a entidades públicas.

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


(...)
IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade,
sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

Ademais, compete à Advocacia-Geral da União as funções de consultoria e assessoramento


ao Poder Executivo (art. 131 da CF/1988).

130 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vincula-
do, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar
que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessora-
mento jurídico do Poder Executivo.

d. Errada! A CF/1988 não elencou tal atribuição no rol das funções institucionais do Ministério
Público estampado no art. 129.
e. CERTA! Está de acordo com o art. 129, IX, da CF/1988:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


(...)
IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade,
sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

129. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/INVESTIGADOR) De acordo com o texto constitucio-


nal, assinale a alternativa correta acerca das Funções Essenciais à Justiça.
a. O Ministério Público da União compreende apenas o Ministério Público Federal e o Mi-
nistério Público do Trabalho.
b. A destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da Repúbli-
ca, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal.
c. São princípios institucionais da Defensoria Pública a pluralidade, a divisibilidade e a in-
dependência funcional.
d. A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nome-
ação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta anos, de notável
saber jurídico e reputação ilibada.
e. É vedado, aos membros do Ministério Público, exercer a advocacia e qualquer outra
função pública, inclusive de magistério.

COMENTÁRIO
a. Errada! De acordo com o art. 128 da CF/1988, o Ministério Público da União compreende
o Ministério Público Federal, do Trabalho, Militar e do Distrito Federal e Territórios.

Art. 128. O Ministério Público abrange:


I - o Ministério Público da União, que compreende:
a. o Ministério Público Federal;
b. o Ministério Público do Trabalho;
c. o Ministério Público Militar;
d. o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II - os Ministérios Públicos dos Estados.

b. CERTA! É o que determina o art. 128, § 2º, da CF/1988:

131 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 2º A destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da República, de-


verá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal.

c. Errada! Nos termos do art. 134, § 4º, da CF:

§ 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a indepen-


dência funcional, aplicando-se também, no que couber, o disposto no art. 93 e no inciso II do art.
96 desta Constituição Federal.  

d. Errada! O Advogado-Geral da União será escolhido pelo Presidente da República dentre


cidadãos maiores de 35 anos.
Observe o art. 131, § 1º, da CF:

§ 1º A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nomeação pelo
Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico
e reputação ilibada.

e. Errada! Segundo o art. 128, § 5º, II, d, da CF/1988, que versa sobre as vedações aos
membros do Ministério Público, estes não podem exercer, mesmo que em disponibilidade,
qualquer outra função pública, SALVO uma de magistério.
Vejamos:
§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procu-
radores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público,
observadas, relativamente a seus membros:
(...)
II - as seguintes vedações:
(...)
d. exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério;

130. (MPC-PA/2019/CEBRASPE/ANALISTA MINISTERIAL/CONTROLE EXTERNO) Ao tra-


tar das denominadas funções essenciais à justiça, a Constituição Federal de 1988 (CF)
exige que a representação judicial dos entes da federação deva ser feita por órgão ou
instituição composta por advogados públicos
a. da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
b. da União, dos estados e do Distrito Federal apenas.
c. dos estados, do Distrito Federal e dos municípios apenas.
d. dos municípios apenas.
e. da União apenas.

132 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A Constituição Federal, ao disciplinar a Advocacia Pública nos artigos 131 e 132, NÃO
previu expressamente a figura do procurador municipal.
Assim, correto afirmar que, ao tratar das denominadas funções essenciais à justiça, a
Constituição Federal de 1988 (CF) exige que a representação judicial dos entes da Federação
deva ser feita por órgão ou instituição composta por advogados públicos da União, dos
estados e do Distrito Federal apenas.

131. (TRF 5ª REGIÃO/2017/FCC/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA) Dentre


as funções essenciais à Justiça, inclui-se a Advocacia Pública, a respeito da qual, a Cons-
tituição Federal estabelece que
a. a Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre no-
meação pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de trinta
e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, após a aprovação de seu
nome pela maioria absoluta dos membros do Supremo Tribunal Federal, para mandato
de quatro anos, permitida a recondução.
b. a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vincu-
lado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei
complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de
consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.
c. os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual
o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da
Ordem dos Advogados do Brasil apenas na fase da prova oral que consiste na arguição
pública dos candidatos a ela admitidos, exercerão a representação judicial e a consulto-
ria jurídica das respectivas unidades federadas.
d. aos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal é assegurada estabilidade após
dois anos de efetivo exercício, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos
próprios, após relatório circunstanciado das corregedorias.
e. a representação da União, na execução da dívida ativa de natureza tributária, cabe à
Procuradoria-Geral da República, observado o disposto em lei.

COMENTÁRIO
a. Errado! O Advogado-Geral da União não precisa ser integrante da carreira da advocacia
pública e não depende de aprovação de seu nome pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo o art. 131, § 1º, da CF:

133 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 131, § 1º A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre no-
meação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável
saber jurídico e reputação ilibada.
b. Certo! Corresponde ao previsto no art. 131, caput, da CF:
Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vincula-
do, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar
que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessora-
mento jurídico do Poder Executivo.

c. Errado! A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deverá participar de todas as fases do
concurso público destinado ao provimento dos cargos de Procurador do Estado e do Distrito
Federal (art. 132 da CF).

Art. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o
ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos
Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria
jurídica das respectivas unidades federadas.

d. Errado! Aos procuradores referidos nesse artigo assegura-se estabilidade após três anos
de efetivo exercício, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios, após
relatório circunstanciado das corregedorias (art. 132, parágrafo único, da CF).
e. Errado! A representação da União, na execução da dívida ativa de natureza tributária,
cabe à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, observado o disposto em lei (art. 131, §
3º, da CF).

Controle de constitucionalidade: conceito; sistemas de controle de constitucionali-


dade; sistema brasileiro de controle de constitucionalidade; inconstitucionalidade por
ação e inconstitucionalidade por omissão; Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (apenas para o cargo de Delegado de Polícia!).

132. (DER-CE/2016/UECE/CEV/PROCURADOR AUTÁRQUICO) A Arguição de Descumpri-


mento de Preceito Fundamental é exemplo de Controle de Constitucionalidade
a. difuso.
b. concentrado.
c. misto.
d. não previsto no direito brasileiro.

134 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) está consagrada no art.
102, § 1º, da Constituição Federal, e regulamentada pela Lei n. 9.882/1992, que, no seu art.
1º, assim dispõe:

Art. 1º A arguição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Su-
premo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante
de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo fe-
deral, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
II - (VETADO)

É exemplo de controle de constitucionalidade concentrado, pois a competência para o


seu julgamento pertence exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, órgão de cúpula do
Poder Judiciário. Também são exemplos de controle concentrado de constitucionalidade a
Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI), a Ação Declaratória de Constitucionalidade
(ADC) e a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO).
O modelo em voga não se confunde com o controle difuso de constitucionalidade, que
pode ser realizado por todos os juízes.
No Brasil, via de regra, o controle concentrado ocorre pela via principal (ou por via
de ação), ou seja, por meio de um processo objetivo no qual o Tribunal Constitucional
examinará se um ato normativo em tese contraria ou não o texto constitucional, mediante
decisão de efeito erga omnes, ao passo que o controle difuso se devolverá pela via
incidental (ou por via de exceção), na qual a questão da constitucionalidade se coloca
como incidente processual a ser enfrentado no iter de um caso concreto a ser decidido
pelo Poder Judiciário. Isto é, “a questão da inconstitucionalidade é resolvida incidentalmente,
servindo tão somente como fundamento da decisão que julgará o pedido principal do
autor” 41, sendo proferida em decisão de efeitos inter partes, é dizer, válidos somente entre
as partes envolvidas no processo.

133. (TRT 12ª REGIÃO/2017/FGV/ANALISTA JUDICIÁRIO) Após ser cientificado do ajuiza-


mento de diversas ações judiciais em que se discutia a compatibilidade, com a Constitui-
ção Federal de 1988, da Lei Municipal X, de 1987, o Prefeito Municipal solicitou que sua

41 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. rev., ampl. e atual.
Salvador. JusPOOIVM, 2017. p. 1.437.

135 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

assessoria analisasse a possibilidade de algum legitimado vir a submetê-la ao controle


concentrado de constitucionalidade.
À luz da narrativa acima e da sistemática constitucional, uma vez preenchidos os demais
requisitos exigidos pela ordem jurídica, seria correta a utilização da:
a. arguição de descumprimento de preceito fundamental perante o Supremo Tribu-
nal Federal;
b. suspensão de segurança perante o Tribunal de Justiça;
c. ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal;
d. declaração de não recepção perante o Tribunal de Justiça;
e. reclamação constitucional perante o Supremo Tribunal Federal.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”!
Observe que a Lei Municipal X foi editada no ano de 1987, ou seja, antes da entrada em
vigor da Constituição Federal de 1988.
Tratando-se de norma pré-constitucional, o controle de constitucionalidade perante a
Constituição vigente será efetuado por meio de controle concentrado de constitucionalidade
concretizado através da propositura de ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental) perante o Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 1º, parágrafo único,
I, da Lei n. 9.882/1999 e do art. 102, § 1º, da CF.
Vejamos:

Art. 1º da Lei n. 9.882/1999, parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de


preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo fe-
deral, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
Art. 102, CF. (...)
§ 1º A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será
apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.

Com efeito, o art. 2º, I, da Lei n. 9.882/1999 estabelece que poderão propor ADPF todos os
legitimados para a ADI (ação direta de inconstitucionalidade).
São os legitimados para propor ADI:

Art. 103 da CF. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de cons-
titucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;

136 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;


VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

134. (PREFEITURA DE VITÓRIA-ES/2007/CEBRASPE/PROCURADOR MUNICIPAL) Acer-


ca dos sistemas de controle de constitucionalidade, tendo por base a distinção fundada no
órgão que executa o controle, julgue os seguintes itens.
No sistema concentrado de controle de constitucionalidade, há uma preponderância da
natureza subjetiva da lide, uma vez que o controle é exercido no caso concreto.

COMENTÁRIO
O quesito em comento está ERRADO tanto ao afirmar que há uma preponderância, no
controle concentrado de constitucionalidade, da natureza subjetiva da lide, quanto ao dizer
que tal controle é exercido em face de um caso concreto. Isso porque, contrario sensu,
o controle de constitucionalidade na modalidade concentrada tem como uma de suas
principais características a abstração, que nada mais é do que a análise acerca da (in)
constitucionalidade da norma posta em discussão em caráter genérico, abstrato, isto é, não
vinculado a uma demanda específica, ou seja, a uma relação subjetiva cuja litigiosidade
tenha sido submetida à apreciação do Poder Judiciário.

135. (POLÍCIA FEDERAL/2018/CEBRASPE/DELEGADO) A respeito dos direitos fundamen-


tais e do controle de constitucionalidade, julgue o item que se segue.
De acordo com o STF, é inconstitucional proibir que emissoras de rádio e TV difundam áu-
dios ou vídeos que ridicularizem candidato ou partido político durante o período eleitoral.

COMENTÁRIO
Na ADI n. 4.451/DF, por unanimidade, os Ministros STF declararam a inconstitucionalidade
de dispositivos da Lei das Eleições (Lei n. 9.504/1997) que impediam emissoras de rádio
e televisão de veicular programas de humor envolvendo candidatos, partidos e coligações
nos três meses anteriores ao pleito, como forma de evitar que sejam ridicularizados ou
satirizados.
De acordo com o Pretório Excelso:

(...) 5. O direito fundamental à liberdade de expressão não se direciona somente a proteger as


opiniões supostamente verdadeiras, admiráveis ou convencionais, mas também aquelas que são
duvidosas, exageradas, condenáveis, satíricas, humorísticas, bem como as não compartilhadas pe-
las maiorias. Ressalte-se que mesmo as declarações errôneas estão sob a guarda dessa garantia
constitucional. 6. Ação procedente para declarar a inconstitucionalidade dos incisos II e III (na
parte impugnada) do artigo 45 da Lei n. 9.504/1997, bem como, por arrastamento, dos pará-
grafos 4º e 5º do referido artigo.
(ADI n. 4.451, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 21/06/2018,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-044 DIVULG. 01/03/2019 PUBLIC 06/03/2019)

137 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

GABARITO

76. b
77. d
78. d
79. c
80. d
81. a
82. d
83. a
84. d
85. a
86. a
87. c
88. d
89. b
90. b
91. b
92. c
93. a
94. a
95. b
96. d
97. e
98. b
99. e
100. a
101. e
102. C
103. E
104. C
105. a
106. d
107. e
108. c
109. e
110. c
111. a

138 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

112. b
113. e
114. b
115. d
116. e
117. d
118. d
119. b
120. d
121. C
122. d
123. d
124. c
125. b
126. e
127. e
128. e
129. b
130. b
131. b
132. b
133. a
134. E
135. C

139 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

DIREITO PENAL

Banca organizadora: AOCP

Temas cobrados no edital

Delegado de Polícia

1. Direito Penal e Poder Punitivo. 1.1 Política Criminal e Criminologia. Noções básicas.
1.2 Criminalização Primária e Secundária. 1.3 Seletividade do sistema penal. 1.4 Direito Penal
de Autor e Direito Penal do Ato. 1.5 Garantismo Penal. 1.6 Direito Penal do Inimigo. 1.7 Evo-
lução Histórica da Legislação Penal. História da Programação Criminalizante no Brasil. 1.8
Genealogia do Pensamento Penal. 1.9 Bem jurídico. 2. Funções da Pena. Teorias. 3. Carac-
terísticas e Fontes do Direito Penal. 4. Princípios aplicáveis ao Direito Penal. 5. Interpretação
da lei penal. 5.1 Analogia. 6. Aplicação da lei penal. 6.1 A lei penal no tempo e no espaço.
6.2 Tempo e lugar do crime. 6.3 Territorialidade e extraterritorialidade da lei penal. 6.4 Pena
cumprida no estrangeiro. 6.5 Eficácia da sentença estrangeira. 6.6 Contagem de prazo. 6.7
Frações não computáveis da pena. 6.8 Irretroatividade da lei penal. 6.9 Conflito aparente de
normas penais. 7. Do Delito. 7.1 Classificação dos crimes. 7.2 Teoria da Ação. 7.3 Teoria do
tipo. O fato típico e seus elementos. 7.4 Relação de causalidade. Teorias. Imputação objetiva.
7.5 Tipos dolosos de ação. 7.6 Tipos dos Crimes de Imprudência. 7.7 Tipos dos Crimes de
Omissão. 7.8 Consumação e tentativa. 7.9 Desistência voluntária e arrependimento eficaz.
7.10 Arrependimento posterior. 7.11 Crime impossível. 8. Agravação pelo resultado. 9. Erro.
9.1 Descriminantes putativas. 9.2 Erro determinado por terceiro. 9.3 Erro sobre a pessoa.
9.4 Erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição). 10. Concurso de crimes. 11. Ilicitude. 12.
Culpabilidade. 13. Concurso de Pessoas. 14. Ação penal. 15. Punibilidade e causas de extin-
ção. 16. Prescrição e decadência (Sugestão na reunião de fechamento). 17. Crimes contra a
pessoa. 18. Crimes contra o patrimônio. 19. Crimes contra a propriedade imaterial. 20. Crimes
contra a organização do trabalho. 21. Crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito
aos mortos. 22. Crimes contra a dignidade sexual. 23. Crimes contra a família. 24. Crimes
contra a incolumidade pública. 25. Crimes contra a paz pública. 26. Crimes contra a fé pública.
27. Crimes contra a Administração Pública. 28. Crimes contra as finanças públicas.

Investigador de Polícia Civil, Escrivão de Polícia Civil e Papiloscopista.

1. Princípios básicos do Direito Penal. 2. A lei penal no tempo e no espaço. 2.1. Tempo e
lugar do crime. 2.2. Lei penal excepcional, especial e temporária. 2.3. Contagem de prazo. 2.4
Irretroatividade da lei penal. 3. Conceito analítico de crime (típico, ilícito e culpável). 3.1. Crime

140 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

consumado e tentado. 3.2. Ilicitude e causas de exclusão. 3.3 Excesso punível. 4. Concurso
de Pessoas. 5. Crimes contra a pessoa. 6. Crimes contra o patrimônio; 7. Crimes contra a
Administração Pública; 8. Disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Penal.

A lei penal no tempo e no espaço. Tempo e lugar do crime. Lei penal excepcional,
especial e temporária. Contagem de prazo. Irretroatividade da lei penal.

136. (POLÍCIA MILITAR-PB/2018/IBFC/SOLDADO/ÁREA COMBATENTE) Dentre as alterna-


tivas abaixo, assinale aquela que admite a possibilidade de reconhecimento e aplicação
da “ultratividade penal”:
a. lei penal incriminadora.
b. lei penal excepcional.
c. lei penal interpretativa.
d. lei penal explicativa.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “b”!
A ultratividade penal consiste na possibilidade de a lei penal já revogada continuar a regular
os fatos praticados durante a sua vigência.
Dois exemplos clássicos são a lei excepcional e a lei temporária. A primeira está relacionada
a situações de anormalidade, vigendo enquanto as circunstâncias que motivaram a sua
edição permanecerem; a segunda é aquela cujo prazo de duração é predeterminado no
tempo na medida em que o seu termo final encontra-se expressamente estabelecido.
Ambas, conforme o art. 3º do Código Penal, mesmo depois de revogadas, continuarão a
regular os acontecimentos ocorridos durante o período que estavam em vigor.
Observe:

Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

Outro exemplo de ultratividade penal ocorre quando lei penal mais benéfica ao réu for
revogada por lei mais gravosa. Neste caso, o diploma mais benéfico, mesmo revogado,
continuará a regular as condutas praticadas no curso da sua vigência.
As assertivas “c” e “d” tratam da mesma espécie de lei: a lei penal interpretativa ou
explicativa, aquela destinada tão somente a esclarecer o conteúdo de uma outra norma.
Um exemplo é o art. 327 do Código Penal, que define “funcionário público, para os efeitos
penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou
função pública.”

141 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

137. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA) “Chamamos de extra-


-atividade a capacidade que tem a lei penal de se movimentar no tempo regulando fatos
ocorridos durante sua vigência, mesmo depois de ter sido revogada, ou de retroagir no
tempo, a fim de regular situações ocorridas anteriormente à sua vigência” (GRECO, Ro-
gério. Curso de Direito Penal: parte geral. vol. 1. 17ª ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2015,
p. 159). Segundo esse autor a extra-atividade é gênero do qual seriam espécies a ultra-
-atividade e a retroatividade.
Leia as afirmativas a seguir e marque a alternativa correta:
a. A garantia penal positivada na Constituição Federal brasileira (1988) promove a retroa-
tividade da lei penal mais benéfica quando o condenado, por uma conduta típica, apre-
senta residência fixa, após cometimento do ilícito penal.
b. A lei penal possui ultra-atividade, nos casos em que, mesmo após sua revogação por lei
mais gravosa, continua sendo válida em relação aos efeitos penais mais brandos da lei
que era vigente no momento da prática delitiva.
c. A aplicação da irretroatividade em direito penal funciona como garantia legal do ius pu-
niendi que pretende auferir a punição mais gravosa ao condenado.
d. A ultra-atividade da lei penal funciona como mecanismo de endurecimento da norma
penal, ao passo que funciona como técnica de resolução de conflito para aplicação de
um direito penal punitivo.
e. A figura da ultra-atividade da norma penal realiza o objetivo de garantir a condenação do
réu pela norma penal vigente na prática da conduta delitiva, com o principal objetivo de
promover a segurança jurídica em âmbito penal.

COMENTÁRIO
a. Errada! A retroatividade da lei penal mais benéfica tem sede no texto constitucional, em
seu art. 5º, XL, mas NÃO está condicionada a qualquer requisito. Significa dizer: basta
tratar-se de lei mais benéfica para que se aplique a fatos pretéritos. Nesse sentido é o art.
5º, XL, da CF e art. 2º do CP:

CF, art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
CP, art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando
em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.

b. CERTA! A ultra-atividade da lei penal se refere, em síntese, à aplicação da lei penal já


revogada. Uma das hipóteses de sua ocorrência é a aplicação da lei penal ao fato que lhe é
contemporâneo quando for mais benéfica que a lei que lhe sucedeu.

142 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! A garantia da irretroatividade da lei penal confere segurança jurídica ao infrator


da lei, na medida em que lhe evita surpresas quanto à punição de fato criminoso, impedindo
que novas regras, mais gravosas, disciplinem a sua conduta. Assim, em tese, deverão ser
aplicadas as regras punitivas vigentes ao tempo do fato, ressalvada a possibilidade de a lei
mais benéfica retroagir.
d. Errada! A ultra-atividade da lei penal NÃO serve como mecanismo de endurecimento da
norma penal, pelo contrário, garante a aplicação da norma penal mais benéfica, vigente ao
tempo do fato, quando norma mais gravosa lhe sobrevém. Mas isso nem sempre acontece.
No caso das normas excepcionais ou temporárias, a ultra-atividade garante a aplicação de
tais normas aos fatos praticados durante a sua vigência, ainda que elas sejam sucedidas
por normas mais benéficas.
e. Errada! A condenação pela norma vigente ao tempo do fato só acontecerá quando tal
norma não for revogada por outra mais benéfica ou quando se tratar de lei temporária ou
excepcional. Em regra, a ultra-atividade busca garantir a aplicação da lei vigente ao tempo
do fato, quando esta se mostrar mais benéfica ao agente.

138. (PREFEITURA DE PETROLINA/2019/IDIB/GUARDA CIVIL MUNICIPAL) A respeito da


contagem dos prazos penais, assinale a alternativa incorreta com base no disposto no
Código Penal:
a. Contam-se os anos pelo calendário comum.
b. O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á prorrogado até o dia
útil imediato.
c. Os meses são contados pelo calendário comum.
d. O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
e. Os dias são contados pelo calendário comum.

COMENTÁRIO
A forma pela qual se dará a contagem dos prazos penais encontra-se estabelecida no art.
10 do Código Penal. Vejamos:

Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos
pelo calendário comum.

Com base no disposto no Código Penal, está INCORRETA a alternativa “b”, pois ausente
qualquer previsão no sentido de que o prazo que terminar em domingo ou dia feriado
considerar-se-á prorrogado até o dia útil imediato.
Em verdade, os prazos penais são improrrogáveis, ou seja, mesmo que o termo inicial ou
final caia num sábado, domingo, ou feriado, não se prorroga.

143 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Não confunda com os prazos PROCESSUAIS penais, que, além de serem prorrogáveis
(se terminarem em sábado, domingo ou dia feriado, considerar-se-ão prorrogados até o dia
útil imediato), devem excluir do cômputo o dia do começo e incluir o dia do término. Assim:
• Prazo penal: na contagem, deve ser computado o dia do início e desprezado o dia do
término. São improrrogáveis.
• Prazo processual penal: na contagem, deve ser excluído o dia do início e computado
o dia do término. São prorrogáveis.

139. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) João Car-


los, 30 anos, brasileiro, com residência transitória na Argentina, aproveitando-se da aqui-
sição de material descartado por uma indústria gráfica falida, passou a fabricar moeda
brasileiro em território argentino. Para garantir a diversidade da moeda falsificada, João
imprimia notas de 50 e de 100 reais. Ao entrar em território brasileiro, João foi revistado
por policiais, que encontraram as notas falsificadas em meio a sua bagagem. João foi acu-
sado da prática do crime previsto no artigo 289 do Código Penal.
De acordo com as teorias que informam a aplicação da lei penal brasileira no espaço, é
correto dizer que, nesse caso, cabe a aplicação
a. da lei argentina, em atenção à regra da territorialidade, uma vez que o crime fora prati-
cado na Argentina.
b. incondicionada da lei brasileira, uma vez que o crime cometido atenta contra a fé pública.
c. condicionada da lei brasileira, pelo fato de a conduta ter sido cometida em território
argentino.
d. condicionada da lei brasileira, já que a conduta integra dois ordenamentos jurídicos.
e. da lógica da extraterritorialidade, já que o fato ocorreu em território argentino.

COMENTÁRIO
O crime de moeda falsa está inserido no Título X do Código Penal, dedicado aos crimes
contra a fé pública, especificamente capitulado no art. 289 desse Diploma Repressivo:

Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no
país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire,
vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circu-
lação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou diretor, geren-
te, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.

144 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava
ainda autorizada.

Tratando-se de crime contra a fé pública praticado no estrangeiro, aplica-se a lei penal


de forma incondicionada, a teor do art. 7º, I, b, do Código Penal:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:


I - os crimes:
b. contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo
Poder Público;

140. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre a lei penal, tem-se o seguinte:


a. A jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal
admite a aplicação combinada das partes benéficas de leis penais distintas (lex tertia).
b. A ultratividade da lei penal temporária, prevista no artigo 3º do Código Penal, constitui
exceção legal à regra do tempus regit actum.
c. Não se aplica a lex gravior ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessa-
ção da permanência.
d. A retroatividade de lei penal benéfica ao réu é expressamente prevista na Convenção
Americana sobre Direitos Humanos.
e. Admite-se a aplicação da analogia in malam partem no Direito Penal.

COMENTÁRIO
a. Errada! A lex tertia não encontra amparo na jurisprudência dos Tribunais Superiores,
assentes no sentido de que se deve aplicar uma ou outra lei na sua integralidade, em bloco,
sem que se possa combinar os aspectos mais favoráveis delas.
b. Errada! A regra do tempus regit actum preceitua que deve se aplicar ao fato criminoso a
lei vigente ao tempo de sua prática. Com efeito, a ultratividade da lei temporária não constitui
uma exceção à regra, mas, ao contrário, sua expressão, porque a lei temporária regerá os
fatos praticados quando da sua vigência, ainda que deixe de vigorar posteriormente.
c. Errada! A assertiva é contrária ao enunciado 711 do STF, que assim enuncia:

Súmula 711-STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente,
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”.

d. CERTA! A retroatividade benéfica da lei penal encontra expresso abrigo no art. 9º da


Convenção Americana sobre Direitos Humanos, como se vê:

Artigo 9. Princípio da legalidade e da retroatividade

145 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Ninguém pode ser condenado por ações ou omissões que, no momento em que forem cometidas,
não sejam delituosas, de acordo com o direito aplicável. Tampouco se pode impor pena mais grave
que a aplicável no momento da perpetração do delito. Se depois da perpetração do delito a lei dis-
puser a imposição de pena mais leve, o delinquente será por isso beneficiado.

e. Errada! A analogia in malam partem não é admitida no Direito Penal, em razão do


princípio da reserva legal. No entanto, admite-se a interpretação analógica, um processo de
interpretação que retira o sentido da norma a partir de uma fórmula casuística oferecida pela
própria lei.

Conceito analítico de crime (típico, ilícito e culpável). Crime consumado e tentado.


Ilicitude e causas de exclusão. Excesso punível.

141. (PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/2020/INSTITUTO AOCP/GUARDA MUNICI-


PAL) A omissão, prevista no Código Penal Brasileiro, é penalmente relevante quando o
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe àquele que
a. com seu comportamento criou o risco da ocorrência.
b. tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.
c. agiu de forma prudente, mas sem sucesso no resultado.
d. mesmo sem dar causa ao risco da ocorrência, deixou de agir.
e. ainda que de outra forma, não assumiu a responsabilidade de impedir o resultado.

COMENTÁRIO
Segundo o art. 13, § 2º, do Código Penal:

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resulta-
do. O dever de agir incumbe a quem:
a. tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b. de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c. com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

Assim, o gabarito, com base no art. 13, § 2º, a, do CP, é a alternativa “b”!

142. (PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/2020/INSTITUTO AOCP/GUARDA MUNICI-


PAL) Em relação ao Crime Consumado, de acordo com o art. 14 do Código Penal Brasilei-
ro – CPB –, é correto afirmar que ele ocorre
a. quando se reúnem todos os elementos subjetivos.
b. quando nele se encontram elementos objetivos após o crime.
c. quando nele não se reúnem os elementos de sua definição legal.

146 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.


e. somente quando reunir o autor, testemunha e a vítima.

COMENTÁRIO
De acordo com o art. 14, I, do Código Penal, ocorre crime consumado quando nele se
reúnem todos os elementos de sua definição legal. Vejamos:

Art. 14 - Diz-se o crime:


Crime consumado:
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

143. (PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/2020/INSTITUTO AOCP/GUARDA MUNICI-


PAL) Considera-se crime na forma tentada, quando
a. iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade da vítima.
b. iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
c. antes da execução, e por circunstâncias alheias à vontade do agente, ele desiste.
d. é consumado, mas por circunstâncias alheias à sua vontade o agente desiste.
e. iniciada a execução, se consuma por vontade do agente.

COMENTÁRIO
De acordo com o art. 14, II, do Código Penal, considera-se crime na forma tentada quando,
iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Vejamos:

Art. 14 - Diz-se o crime:


Crime consumado:
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

144. (ITAIPU BINACIONAL/2019/NC-UFPR/AGENTE DE SEGURANÇA) No Direito Penal,


imputável é aquela pessoa a quem é possível atribuir um fato punível. De modo geral,
qualquer pessoa é imputável, EXCETO na hipótese de:
a. embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior, menoridade, doença
mental e desenvolvimento mental incompleto ou retardado.

147 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. embriaguez preordenada, menoridade, senilidade e desenvolvimento mental incompleto


ou retardado.
c. embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior, menoridade, senilida-
de e desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
d. emoção, violenta paixão e embriaguez preordenada.
e. erro de tipo, erro de proibição e violenta emoção.

COMENTÁRIO
a. CERTA! O Código Penal elencou três hipóteses de exclusão da imputabilidade.
Vejamos:

Embriaguez completa prove-


Anomalia psíquica Menores de 18 anos niente de caso fortuito ou força
(art. 26, caput, do CP) (art. 27 do CP) maior
(art. 28, § 1º, do CP)
Art. 26. É isento de pena
o agente que, por doença Art. 28, § 1º É isento de pena
mental ou desenvolvimento o agente que, por embriaguez
Art. 27. Os menores de 18
mental incompleto ou retar- completa, proveniente de caso
(dezoito) anos são penalmente
dado, era, ao tempo da ação fortuito ou força maior, era, ao
inimputáveis, ficando sujeitos
ou da omissão, inteiramente tempo da ação ou da omissão,
às normas estabelecidas na
incapaz de entender o caráter inteiramente incapaz de enten-
legislação especial.  
ilícito do fato ou de determinar- der o caráter ilícito do fato ou de
-se de acordo com esse enten- determinar-se de acordo com esse
dimento. entendimento.

b. Errada! Embriaguez preordenada é aquela em que o agente ingere bebida alcoólica ou


consome substância de efeitos análogos com a objetivo de praticar um crime. Completa
ou incompleta, não é causa de inimputabilidade (o agente permanece sendo imputável),
correspondendo, em verdade, a circunstância agravante da pena (artigo 61, II, l, do CP)
Ademais, a senilidade (demência senil) não torna o agente inimputável.
c. Errada! Como visto acima, a senilidade (demência senil) não é causa excludente da
imputabilidade do agente.
d. Errada! Emoção, violenta paixão e embriaguez preordenada não são causas excludentes
da imputabilidade. Sobre o tema, art. 28 do CP:

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


I - a emoção ou a paixão;
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogo

148 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! O erro de tipo não exclui a imputabilidade, correspondendo a instituto mais


relacionado à tipicidade. Isso porque, se for essencial e inevitável, também denominado
de justificável, escusável ou invencível, afastará o dolo e a culpa e, consequentemente, a
tipicidade, substrato do crime que engloba os citados elementos subjetivos.
Já o erro de proibição, se inevitável ou escusável, configura causa de exclusão da
culpabilidade, não por excluir a imputabilidade penal, mas sim por afastar o potencial
conhecimento da ilicitude do fato pelo agente.
Vale lembrar que a culpabilidade é formada por três elementos: potencial consciência da
ilicitude, imputabilidade e exigibilidade de conduta diversa. O agente somente será culpável
se presentes esses três requisitos.

145. (PC-BA/2019/VUNESP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA) De acordo com o Estatuto Penal


brasileiro, são elementos da culpabilidade a imputabilidade, a potencial consciência da
ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.
Sobre a imputabilidade, assinale a alternativa correta.
a. O conceito de imputabilidade penal compreende a capacidade mental do indivíduo, con-
siderando-se apenas a sua idade ao tempo do crime.
b. Entre as causas de exclusão da imputabilidade, encontra-se a embriaguez completa ou
incompleta, mas sempre voluntária.
c. A legislação penal brasileira adotou o critério biopsicológico como aquele de aferição da
imputabilidade, independentemente da idade do infrator ao tempo do fato.
d. Ao agente que, em virtude da perturbação da saúde mental, não for inteiramente capaz
de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendi-
mento, poderá ser imposta pena como sanção, porém com redução de 1 (um) a 2/3
(dois terços).
e. O agente que por embriaguez incompleta e voluntária não for, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato será isento de pena.

COMENTÁRIO
a. Errada! O conceito de imputabilidade penal compreende a capacidade mental do indivíduo
de, ao tempo da ação ou omissão, entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se
de acordo com esse entendimento. Considera-se, para tanto, a sua idade ao tempo do
crime, bem como eventual doença mental, desenvolvimento mental incompleto, retardado
ou embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior.
b. Errada! Entre as causas de exclusão da imputabilidade, encontra-se a embriaguez
completa proveniente de caso fortuito ou força maior.

149 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

A embriaguez incompleta – ainda que acidental –, a voluntária e a culposa não excluem a


imputabilidade.

Emoção e paixão
Art. 28, CP - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força
maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de
caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

c. Errada! A legislação penal brasileira adotou, como regra, o critério biopsicológico como
aquele de aferição da imputabilidade, que considera a idade do agente no momento do
crime. Assim, a lei brasileira presume, de maneira relativa, que o maior de 18 (dezoito) anos
goza de capacidade biológica suficiente para discernir condutas ilícitas das lícitas.
d. Certa! A assertiva versa sobre o tratamento legal do semi-imputável, dispondo o art. 26,
parágrafo único, do CP que:
Parágrafo único. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não
era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.
e. Errada! Entre as causas de exclusão da imputabilidade, encontra-se a embriaguez
completa proveniente de caso fortuito ou força maior. A embriaguez incompleta – ainda que
acidental –, a voluntária e a culposa não excluem a imputabilidade.

146. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Com relação à culpa-


bilidade e suas teorias, é INCORRETO afirmar:
a. A teoria normativa pura, a fim de tipificar uma conduta, desloca a análise do dolo ou da
culpa para o fato típico, transformando a culpabilidade em um juízo de reprovação social
incidente sobre o fato típico e antijurídico e sobre seu autor.
b. O Código Penal vigente adota a teoria limitada da culpabilidade, pela qual as descrimi-
nantes putativas incidentes sobre a existência ou os limites de uma causa de justificação
sempre são consideradas erro de proibição.
c. São elementos da culpabilidade, tanto para a teoria normativa quanto a limitada, a im-
putabilidade, a consciência potencial da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.
d. Segundo a teoria psicológica idealizada por Von Liszt e Beling, a imputabilidade é pres-
suposto da culpabilidade, fazendo o dolo e a culpa parte de sua análise. Por sua vez, as

150 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

teorias normativas, seja a extremada seja a limitada, excluem o dolo e a culpa de sua
apreciação.

COMENTÁRIO
A nosso juízo, a questão não apresenta nenhuma alternativa que atenda ao comando
do enunciado, mas serve como um importante instrumento de estudo.
a. Correta! De fato, a teoria normativa pura, adotada pelo finalismo, retira o dolo da
culpabilidade e o coloca no tipo penal. Além disso, o dolo deixa de contemplar a consciência
da ilicitude, que passa a ser um elemento da culpabilidade, mas na sua forma potencial.
Sendo assim, a culpabilidade passa a ser um juízo de reprovação social incidente sobre
o fato e seu autor, devendo o agente ser imputável, atuar com consciência potencial de
ilicitude, sendo-lhe exigível conduta diversa.
b. Correta! O tratamento conferido pela teoria limitada da culpabilidade às descriminantes
putativas é distinto conforme a natureza do erro. Segundo essa teoria, se o erro do agente
incidir sobre uma situação fática inexistente, mas que, se existisse, tornaria a conduta
legítima, haveria erro de tipo permissivo. Por outro lado, se o erro recair sobre a existência
ou sobre os limites de uma causa de justificação, o agente agirá em erro de proibição.
c. Correta! Tanto a teoria normativa quanto a teoria limitada da culpabilidade consagram
como elementos da culpabilidade a potencial consciência da ilicitude, a imputabilidade e a
exigibilidade de conduta diversa. Na verdade, a teoria limitada da culpabilidade só ganha
relevo no tratamento das descriminantes putativas.
d. Correta! A teoria psicológica pura só tinha como elementos o dolo e a culpa, sendo
a imputabilidade o seu pressuposto. Por outro lado, as teorias normativa e limitada da
culpabilidade dispensam a análise do dolo e da culpa.

147. (PREFEITURA DE PETROLINA/2019/IDIB/GUARDA CIVIL MUNICIPAL) De acordo com


o Código Penal, não excluem a imputabilidade penal:
I – a coação sofrida pelo agente, se em obediência a ordem manifestamente ilegal de
superior hierárquico;
II – a embriaguez culposa;
III – a violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima.
Analisados os itens, pode-se afirmar corretamente que:
a. Apenas o item I está correto.
b. Apenas o item II está correto.
c. Apenas o item III está correto.
d. Apenas os itens I e II estão corretos.
e. Todos os itens estão corretos.

151 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “e” (todos os itens estão corretos).
A imputabilidade, ao lado da potencial consciência da ilicitude e da exigibilidade de
conduta diversa, são os elementos que compõem a culpabilidade. Isto é, para o agente ser
considerado culpável, ele precisará ser imputável.
Na lição de Rogério Sanchez “imputabilidade é capacidade de imputação, ou seja,
possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal.”
O Código Penal brasileiro elencou três hipóteses que excluem a imputabilidade. São elas:
1) Anomalia psíquica (art. 26, caput, do CP):

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

2) Menores de 18 anos (art. 27, caput, do CP):

Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial.

3) Embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior (art. 28, § 2º, do
CP):

Art. 28, § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito
ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento

I: certo! A coação sofrida pelo agente, se em obediência a ordem manifestamente ilegal de


superior hierárquico, não exclui a imputabilidade.
Em verdade, a obediência do agente à ordem manifesta LEGAL de superior hierárquico é
causa excludente da culpabilidade, mas em razão de afastar o elemento exigibilidade de
conduta diversa.
II e III: certos! O Código Penal, art. 28, I e II, previu expressamente que a embriaguez
culposa, a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal.

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


I - a emoção ou a paixão;
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.

152 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

148. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Com relação ao iter


criminis, é CORRETO afirmar:
a. No crime falho ou na tentativa imperfeita, o processo de execução é integralmente rea-
lizado pelo agente e o resultado é atingido.
b. Não existe desistência voluntária no caso de agente que desiste de prosseguir com os
atos de execução por conselho de seu advogado, já que ausente a voluntariedade.
c. Com relação à tentativa, o Código Penal adota, como regra, a teoria objetiva e aplica
ao agente a pena correspondente ao crime consumado, reduzida de um a dois terços,
conforme maior ou menor tenha sido a proximidade do resultado almejado.
d. O arrependimento posterior tem natureza jurídica de causa de exclusão da tipicidade,
desde que restituída a coisa ou reparado o dano nos crimes praticados sem violência ou
grave ameaça até o recebimento da denúncia ou queixa.

COMENTÁRIO
a. Errada! Inicialmente, crime falho e tentativa imperfeita não são sinônimos. Crime falho
(ou tentativa perfeita) ocorre quando o agente esgota todos os meios de execução ao seu
alcance e, mesmo assim, a consumação do crime não ocorre por circunstâncias alheias à
sua vontade. De outra sorte, na tentativa imperfeita (ou inacabada), o processo executório
é interrompido e o agente não consegue esgotar os meios de execução que lhe estão
disponíveis. Aqui, o agente é impedido de prosseguir na execução por circunstâncias alheias
à sua vontade.
b. Errada! Na desistência voluntária, embora se exija voluntariedade, não se exige
espontaneidade. No caso de o agente desistir de prosseguir na execução por conselho de
seu advogado, a decisão do agente é voluntária, mas não espontânea – será espontânea
quando a ideia da desistência partir dele mesmo. Por outro lado, será voluntária quando a
desistência não resultar de coação moral ou física, ainda que a sua ideia tenha partido de
outrem.
Logo, existe sim desistência voluntária no caso de agente que desiste de prosseguir com
os atos de execução por conselho de seu advogado.
c. CERTA! Pela teoria objetiva, consagrada no art. 14, II, do Código Penal, a punição pela
tentativa se atém ao perigo efetivo que o bem jurídico corre, o que somente se configura
quando os atos executórios, de caráter unívoco, têm início, com idoneidade, para atingi-lo.
d. Errada! O arrependimento posterior não exclui a tipicidade do crime, apenas funciona
como causa de redução de pena.
Sobre o arrependimento posterior, façamos a leitura do art. 16 do Código Penal:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou res-
tituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.

153 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

149. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) Quando o agente, em crime cometido


sem violência ou grave ameaça à pessoa, repara voluntariamente o dano até o recebi-
mento da denúncia, ocorre:
a. arrependimento eficaz.
b. arrependimento posterior.
c. crime impossível.
d. desistência voluntária.
e. tentativa.

COMENTÁRIO
a. Errada! O arrependimento eficaz, previsto no art. 15 do Código Penal, ocorre quando
o agente, depois de praticar os atos executórios, impede que o resultado se produza,
respondendo apenas pelos atos já praticados.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resul-
tado se produza, só responde pelos atos já praticados.

b. CERTA! A conduta descrita no enunciado corresponde à figura do arrependimento


posterior, inserta no art. 16 do Código Penal:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou res-
tituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.

c. Errada! O crime impossível ou tentativa inidônea ocorre quando, por ineficácia absoluta
do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. Tal
instituto encontra assento no art. 17 do CP:

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta improprie-
dade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

d. Errada! A desistência voluntária, disciplinada no art. 15 do CP, ocorre quando o agente


desiste de prosseguir na execução do crime, respondendo apenas pelos atos já praticados.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resul-
tado se produza, só responde pelos atos já praticados.

e. Errada! Tentativa (art. 14, II, do CP) é a não consumação do crime por circunstâncias
alheias à vontade do agente.

154 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 14 - Diz-se o crime:


(...)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

Concurso de Pessoas

150. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/INVESTIGADOR) Considerando as disposições do Có-


digo Penal em relação ao concurso de pessoas, assinale a alternativa INCORRETA.
a. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.
b. Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto
a um terço.
c. Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o
resultado mais grave.
d. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, ainda que ele-
mentares do crime.
e. O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em con-
trário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

COMENTÁRIO
a. Correta! Está de acordo com o art. 29, caput, do CP.

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.

b. Correta! Está de acordo com o art. 29, § 1º, do CP.

§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um


terço.

c. Correta! Está de acordo com o art. 29, § 2º, do CP.

§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena
deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais
grave.

d. INCORRETA! As circunstâncias e as condições de caráter pessoal, quando elementares


do crime, se comunicam, de acordo com o art. 30 do CP.
Circunstâncias incomunicáveis

155 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando


elementares do crime.

e. Correta! Está de acordo com o art. 31 do CP.

Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário,


não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

151. (ITAIPU BINACIONAL/2019/NC-UFPR/AGENTE DE SEGURANÇA) A legislação penal


prevê um amplo rol de crimes contra o patrimônio, cada qual com os seus elementos cons-
titutivos próprios. A respeito do assunto, considere as seguintes afirmativas:
1. Comete crime de receptação aquele que recebe coisa que, pela desproporção entre o
valor e o preço, deve presumir-se obtida por meio criminoso.
2. Comete crime de extorsão aquele que subtrai, para si ou para outrem, coisa alheia mó-
vel, mediante grave ameaça ou violência contra a pessoa.
3. Comete crime de furto em concurso com ameaça aquele que, logo após subtrair a coi-
sa, emprega grave ameaça, a fim de assegurar a detenção da coisa para si.
4. Comete crime de apropriação indébita aquele que, inicialmente, tem a posse de boa-fé
sobre a coisa, mas, num segundo momento, transforma essa posse em domínio, passan-
do a praticar atos típicos de proprietário.
Assinale a alternativa correta.
a. Somente a afirmativa 4 é verdadeira.
b. Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
c. Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
d. Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
e. As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

COMENTÁRIO
Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras!
Afirmativa 1: VERDADEIRA! A afirmativa narrou o crime de receptação culposa, previsto
no art. 180, § 3º, do Código Penal.

Art. 180, § 3º Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e
o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.

Afirmativa 2: falsa! Comete crime de ROUBO PRÓPRIO (e não de extorsão!) aquele que
subtrai, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, mediante grave ameaça ou violência
contra a pessoa. Nesse sentido, art. 157, caput, do CP:

156 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência
a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

O crime de extorsão está previsto no art. 158 do CP:

Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para
si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer
alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

Afirmativa 3: falsa! Comete crime de ROUBO IMPRÓPRIO (e não crime de furto!) aquele
que, logo após subtrair a coisa, emprega grave ameaça, a fim de assegurar a detenção da
coisa para si. Nesse sentido, art. 157, § 1º, do CP:

Art. 157, § 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência
contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa
para si ou para terceiro.

Afirmativa 4: VERDADEIRA! O crime de apropriação indébita é aquele previsto no art. 168


do CP com a seguinte redação:

Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Explica Cleber Masson que “a nota característica do crime de apropriação indébita é a


existência de uma situação de quebra de confiança, pois a vítima voluntariamente entrega
uma coisa móvel ao agente, e este, após encontrar-se na sua posse ou detenção, inverte
seu ânimo no tocante ao bem, passando a comportar-se como seu proprietário.” De modo
que “é fundamental que o sujeito esteja de boa-fé ao ingressar na posse ou na detenção
da coisa alheia móvel, ou seja, é preciso que tenha a intenção de devolvê-la à vítima no
momento oportuno ou de dar a ela a sua correta destinação. Destarte, se o agente, ao
receber o bem, já tinha a intenção de apropriar-se dele, o crime será de estelionato (CP,
art. 171). Também comete estelionato o indivíduo que recebe algum bem por equívoco da
vítima, e, ao constatá-lo, fica em silêncio, aceitando-o.” 42

42 MASSON, Cleber. Direito penal: parte especial arts. 121 a 212. 8ª ed. São Paulo: Forense,
2018.

157 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Crimes contra a pessoa; crimes contra o patrimônio; crimes contra a Administra-


ção Pública.

152. (PC-ES/2018/INSTITUTO AOCP) O sujeito que inova artificiosamente, na pendência de


processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de
induzir a erro o juiz ou o perito, ou, ainda, se a inovação se destina a produzir efeito em
processo penal, ainda que não iniciado, responderá pelo crime de
a. favorecimento pessoal.
b. fraude processual.
c. favorecimento real.
d. coação no curso do processo.
e. patrocínio infiel.

COMENTÁRIO
A conduta narrada no enunciado da questão é aquela tipificada no art. 347 do CP, isto é,
fraude processual. Observe:

Fraude processual
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de
lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não
iniciado, as penas aplicam-se em dobro.

153. (CÂMARA DE RIO BRANCO-AC/2016/INSTITUTO AOCP/POLICIAL LEGISLATIVO)


Qual é a pena para o crime de “Dano Qualificado”?
a. Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa. Não é necessário representação.
b. Pena – detenção, de um ano, que pode ser estendida até cinco anos, e multa.
c. Pena – reclusão de seis meses a quatro anos ou multa.
d. Pena – reclusão. Cabe ao delegado decidir se o tempo é de um ano ou mais e não há a
necessidade de uma representação.
e. Pena – detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à
violência.

COMENTÁRIO
A pena para o crime de “dano qualificado” é a de detenção, de seis meses a três anos,
e multa, além da pena correspondente à violência, nos termos do art. 163, parágrafo
único, do CP, in verbis:

158 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos;
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

154. (PREFEITURA DE PETROLINA/2019/IDIB/GUARDA CIVIL MUNICIPAL)


I – No crime de advocacia administrativa, o agente patrocina, direta ou indiretamente,
interesse privado perante a Administração Pública, valendo-se da qualidade de fun-
cionário.
II – No crime de concussão, o agente exige, para si ou para outrem, direta ou indiretamen-
te, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida.
III – Está tipificada no Código Penal a conduta de dar às verbas ou rendas públicas aplica-
ção diversa da estabelecida em lei.
Analisados os itens, pode-se afirmar corretamente que:
a. todos os itens estão corretos.
b. apenas o item I está correto.
c. apenas o item III está correto.
d. apenas os itens I e II estão corretos.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”!
I: certo! É o que estabelece o art. 321 do Código Penal.

Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública,
valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.

II: certo! Trata-se da tipificação contida no art. 316 do Código Penal

159 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Concussão
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

III: certo! Está tipificada no art. 315 do Código Penal a conduta de dar às verbas ou rendas
públicas aplicação diversa da estabelecida em lei, correspondendo ao crime de “emprego
irregular de verbas ou rendas públicas”.
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas

Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

155. (PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/2020/INSTITUTO AOCP/GUARDA MUNICI-


PAL) Está prevista como crime a conduta de “Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse
privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário”.
Diante do exposto, assinale a alternativa que apresenta o crime a que o funcionário públi-
co estará sujeito ao cometer tal conduta.
a. Condescendência criminosa.
b. Advocacia administrativa.
c. Violência arbitrária.
d. Prevaricação.
e. Corrupção passiva.

COMENTÁRIO
A questão narrou o crime de advocacia administrativa, conduta tipificada no art. 321 do
CP.

Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública,
valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.

156. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Mélvio é


instrutor de escaladas, membro da Associação Capixaba de Escaladas (ACE). Sua es-
pecialidade é escalar picos com alto grau de dificuldade. Em comemoração aos seus 10
(dez) anos como instrutor, resolveu promover uma escalada em Afonso Claudio, cidade
do Espírito Santo, na Pedra de Lajinha, que está entre os cinco picos mais altos do Brasil.

160 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Montou um grupo nas redes sociais e convocou amigos e escaladores. No dia marcado
para a subida, havia previsão de chuva e ventos, que poderiam ocorrer na metade do tra-
jeto. No pé do pico, lugar de início da subida, foi colocada uma placa indicando que não
era seguro escalar em função das condições climáticas. Como a escalada era muito longa,
ele foi orientado por colegas instrutores que não promovesse a escalada. Três amigos
de Mélvio, que não tinham experiência nessa prática esportiva, foram fazer a escalada
para prestigiar Mélvio. Um deles, ao ouvir a fala dos demais instrutores, resolveu não su-
bir, mas os outros dois cederam à insistência de Mélvio, que considerava a subida fácil,
apesar de longa. Feliz, Mélvio disse que, apesar da chuva e do vento previstos, nada iria
derrubá-los na escalada e que tudo estava sob controle, afirmando que muitas vezes tais
previsões estavam erradas. Mesmo sabendo que não era 100% seguro fazer a escalada,
principalmente para os iniciantes, Mélvio se colocou como responsável por seus amigos,
garantindo-se em seus 10 anos de experiência. Não obstante, a previsão se confirmou.
Com a chegada do vento e da tempestade, Mélvio não conseguiu dar o suporte prometido
para seus amigos, que acabaram sendo arremessados, pelo vento e chuva, para baixo.
Com a queda, os dois amigos vieram a falecer.
Sabe-se que:
I – restou comprovado que o material de escalada de Mélvio era compatível com os níveis
de segurança exigidos para escaladas nas condições acima expostas;
II – o instrutor possuía autonomia e registro para a promover escaladas, com experiência
no tipo de subida proposto e reconhecido pela ACE;
III – o percentual de acertos de tais previsões do tempo, para as próximas horas, era de
95% em relação ao local da escalada, como estava exposto na placa;
IV – os amigos de Mélvio que caíram somente subiram com a garantia de segurança do
instrutor.
É correto afirmar que Mélvio:
a. deve responder por homicídio doloso em sua forma direta, devido a sua condição de
agente garantidor.
b. deve responder por homicídio culposo, devido a sua condição de agente garantidor.
c. não deve responder por homicídio, uma vez que seus amigos aceitaram sua garantia
para subir.
d. não deve responder pela prática de homicídio, uma vez que o mau tempo era alheio à
sua vontade.
e. deve responder por homicídio doloso, considerando o dolo eventual, porque, mesmo
sem a intenção de matar, não levou em consideração os avisos dos demais instrutores.

161 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
Mélvio, mesmo ciente das condições climáticas que poderia pôr em risco a prática de
escalada, decidiu insistir no seu intento inicial, considerando que a sua expertise na prática
superasse qualquer adversidade. Além disso, ele atuou na condição de garante da segurança
de seus dois amigos, nos termos do art. 13, § 2º, do Código Penal:
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a. tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b. de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c. com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
Sendo assim, Mélvio, devido à sua condição de agente garantidor, deve responder por
homicídio culposo, por ter atuado com culpa consciente, acreditando que o resultado não
se realizaria.

157. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) De acordo com o Código Penal, há homi-


cídio qualificado quando for cometido
a. por grupo de extermínio.
b. para assegurar a impunidade de outro crime.
c. estando o ofendido sob a imediata proteção da autoridade.
d. contra pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.
e. por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança.

COMENTÁRIO
a. Errada! O homicídio praticado por grupo de extermínio é hediondo, a teor do art. 1º, I, da
Lei n. 8.072/1990:

Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei n. 2.848,
de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, consumados ou tentados:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que co-
metido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII);

b. CERTA! Essa é uma das hipóteses de homicídio qualificado, prevista no art. 121, § 2º, V,
do Código Penal:

Art. 121, § 2° Se o homicídio é cometido:


V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

162 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! Essa é uma circunstância que agrava a pena, nos termos do art. 61, II, i, do CP:

Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o
crime:
(...)
i. quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;

d. Errada! Essa é uma causa de aumento de pena, mas restrita ao homicídio culposo e ao
feminicídio, conforme art. 121, §§ 4º e 7º, II, do CP:

§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservân-
cia de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à
vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
(...)
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado:
(...)
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física
ou mental;

e. Errada! O homicídio praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço
de segurança, é causa de aumento de pena, consoante estabelece o § 6º do art. 121 do CP:

§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

158. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) De acordo com o arti-


go 129 do Código Penal Brasileiro, trata-se de lesão corporal de natureza gravíssima:
a. aceleração de parto.
b. debilidade permanente de membro, sentido ou função.
c. deformidade permanente.
d. perigo de vida.

COMENTÁRIO
A lesão corporal está tipificada no art. 129 do Código Penal, podendo ser leve, grave ou
gravíssima, como se vê:

Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal de natureza grave

163 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 1º Se resulta:
I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º Se resulta:
I - incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.

A partir da leitura do dispositivo legal, vamos julgar as alternativas:


a. Errada! Aceleração de parto configura lesão corporal de natureza grave (art. 129, § 1º, IV,
do CP).
b. Errada! A debilidade permanente de membro, sentido ou função é causa de lesão corporal
grave (art. 129, § 1º, III, do CP).
c. CERTA! A deformidade permanente constitui lesão corporal de natureza gravíssima (art.
129, § 2º, IV, do CP).
d. Errada! Perigo de vida é tido como lesão corporal de natureza grave (art. 129, § 1º, II, do
CP).

Punibilidade e causas de extinção. Prescrição e decadência (temas cobrados apenas


para o cargo de Delegado!).

159. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) Segundo o Código Penal, a reincidência


a. suspende o curso da prescrição.
b. impede a concessão de livramento condicional.
c. impõe regime inicial fechado para cumprimento de pena.
d. impede a suspensão condicional da pena, se em crime doloso.
e. impossibilita a substituição das penas privativas de liberdade pelas restritivas de direito.

COMENTÁRIO
a. Errada! A reincidência, na verdade, INTERROMPE a prescrição, conforme estabelece o
art. 117, VI, do Código Penal:

Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:


(...)
VI - pela reincidência.

164 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Errada! A reincidência, por si só, NÃO impede o livramento condicional, embora o torne
mais dificultoso, tratando-se de reincidência em crime doloso (art. 83, II, do CP). Apenas
a reincidência em crime hediondo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
tráfico de pessoas e terrorismo impede a concessão do livramento condicional, a teor do art.
83, V, do CP. Confira:

Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade
igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:
(...)
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
(...)
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática
de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o ape-
nado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.

c. Errada! A reincidência recrudesce o regime de pena, mas NÃO impõe, necessariamente,


o regime inicial fechado, conforme se extrai do § 2º do art. 33 do Código Penal:

Art. 33, § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva,
segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de
transferência a regime mais rigoroso:
a. o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b. o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito),
poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c. o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o
início, cumpri-la em regime aberto.

d. CERTA! Não ser reincidente em crime doloso é um dos requisitos para obter a benesse
da suspensão condicional da pena, nos termos do art. 77, I, do Código Penal:

Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser sus-
pensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;

e. Errada! A reincidência em crime doloso, embora, a priori, afaste a possibilidade da


substituição da pena corporal pela restritiva de direitos, não impede de forma absoluta a
substituição, caso esta se mostre socialmente recomendável, a teor do § 3º do art. 44 do
Código Penal. Apenas a reincidência específica impede de forma absoluta a substituição da
pena.

Art. 44, § 3º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face
de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha
operado em virtude da prática do mesmo crime.

165 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Crimes contra a propriedade imaterial. Crimes contra a organização do trabalho.


Crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos. Crimes contra
a dignidade sexual. Crimes contra a família. Crimes contra a incolumidade pública.
Crimes contra a paz pública. Crimes contra a fé pública. Crimes contra as finanças
públicas (temas cobrados apenas para o cargo de Delegado!).

160. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA) Marque a alternativa cor-


reta do ponto de vista legal.
a. No crime de estupro, aumenta-se a pena de metade se resultar a gravidez da vítima.
b. Luiz, delegado de polícia civil, lotado em uma determinada delegacia de polícia, deixou,
por indulgência, de responsabilizar o inspetor Amâncio após tomar conhecimento de
que este teria praticado uma determinada infração. Nesse contexto, pode-se afirmar que
o delegado praticou, em tese, o crime de condescendência criminosa.
c. No crime de incêndio, aumenta-se a pena em dois terços se o delito for praticado em
galeria de mineração.
d. Aquele que dolosamente retém documento de identidade de terceira pessoa responde
pelo delito de supressão de documento.
e. No crime de Falsa Identidade, o agente não apresenta nenhum documento de identida-
de para se identificar.

COMENTÁRIO
a. Errada! Nos crimes contra a dignidade sexual, em geral, a pena é aumentada em 2/3
(dois terços), e não de metade, se do delito resulta gravidez da vítima, conforme art. 235-A
do Código Penal:

Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada:


(...)
III - de metade a 2/3 (dois terços), se do crime resulta gravidez;

b. Errada! Embora a conduta de Luiz pareça se amoldar ao fato típico inserto no art. 320
do Código Penal, que criminaliza a condescendência criminosa, a assertiva não deixou
claro se a infração praticada por Amâncio ocorreu no exercício da função, o que torna
inviável a tipificação. Para além dessa consideração, há quem considere inexistir relação de
subordinação hierárquica entre o Inspetor e o Delegado.
c. Errada! Na verdade, nesse caso, a pena é aumentada em um terço, segundo dispõe o
art. 250, §1º, II, g, do Código Penal:

Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

166 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 1º - As penas aumentam-se de um terço:


II - se o incêndio é:
g. em poço petrolífico ou galeria de mineração;

d. Errada! O crime de supressão de documento, capitulado no art. 305 do Código Penal, não
alcança a conduta de reter, mas apenas de destruir (arruinar, eliminar), suprimir (extinguir,
acabar) ou ocultar (esconder, sonegar).

Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio,
documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco
anos, e multa, se o documento é particular.

e. CERTA! No crime de falsa identidade (art. 307, CP), o agente se faz passar por outra
pessoa sem apresentar documento que corrobore a sua identidade. Quando o agente se
vale de documento falso para se passar por outra pessoa, ele incide nas penas do crime de
uso de documento falso, capitulado no art. 304 do Código Penal. Vejamos:

Falsa identidade
Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio
ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais
grave.
Uso de documento falso
Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297
a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

161. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA) No dia 09/07/2017, Hen-


rique foi parado em uma fiscalização da Operação Lei Seca. Após solicitar a Carteira
Nacional de Habilitação (CNH) de Henrique, o policial militar que participava da operação
suspeitou do documento apresentado. Procedeu então à verificação na base de dados do
DETRAN e confirmou a suspeita, não encontrando o número de registro que constava na
CNH, embora as demais informações (nome e CPF), a respeito de Henrique, estivessem
corretas. Questionado pelo policial, Henrique confessou que havia adquirido o documento
com Marcos, seu vizinho, que atuava como despachante, tendo pago R$ 2.000,00 pelo
documento. Afirmou ainda que sequer havia feito prova no DETRAN. Acrescente-se que,
durante a instrução criminal, ficou comprovado que, de fato, Henrique obteve o documento
de Marcos, sendo este o autor da contrafação. Além disso, foi verificado por meio de perí-
cia judicial que, no estado em que se encontra o documento, e em face de sua aparência,
pode iludir terceiros como se documento idôneo fosse. Logo, pode-se afirmar que a con-
duta de Henrique se amolda ao crime de

167 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

a. falsificação de documento público, previsto no caput do art. 297 do Código Penal.


b. uso de documento falso, previsto no art. 304 do Código Penal.
c. falsa identidade, previsto no art. 307 do Código Penal.
d. falsidade ideológica, previsto no caput art. 299 do Código Penal.
e. falsificação de documento particular, previsto no caput do art. 298 do Código Penal.

COMENTÁRIO
Henrique praticou o crime de uso de documento falso, previsto no art. 304 do Código Penal:

Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297
a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

Sobre a questão, é importante considerar que:


• O responsável pela contrafação do documento não responderá pelo crime de uso.
• Só se responsabilizará o agente pelo uso de documento falso se ele não for o respon-
sável pela falsificação.
• O crime de falsa identidade não reclama a exibição de documento falso, bastando que
o agente afirme ser outra pessoa.
• O crime de falsificação de documento implica no fabrico de documento falso. Aqui, o
documento é materialmente falso.
• No crime de falsidade ideológica, o documento é verdadeiro, no entanto, o agente insere
informações falsas nele.

162. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Ana, após


realizar exame médico, descobriu estar grávida. Estando convicta de que a gravidez se
deu em decorrência da prática de relação sexual extraconjugal que manteve com Pedro,
seu colega de faculdade, e temendo por seu matrimônio, decidiu por si só que iria praticar
um aborto. A jovem comunicou a Pedro que estava grávida e pretendia realizar um aborto
em uma clínica clandestina. Pedro, por sua vez, procurou Robson, colega que cursava
Medicina, e o convenceu a praticar o aborto em Ana. Assim, alguns dias depois de combi-
nar com Pedro, Robson encontrou Ana e realizou o procedimento de aborto.
Sobre a questão apresentada, é correto afirmar que a conduta de Ana se amolda ao crime
previsto no
a. art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 126, do Código Penal
(aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como partíci-
pe no crime de Robson.
b. art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 124, segunda parte, do
Código Penal. Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.

168 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. art. 125, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por
sua vez, tem sua conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal
(aborto provocado por terceiro sem consentimento). Já Pedro responderá como partíci-
pe no crime de Robson.
d. art. 124, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 126 do Código Penal (aborto provocado por
terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.
e. art. 126, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por
terceiro com consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Ana.

COMENTÁRIO
Ana, ao consentir com o aborto, se subsume ao delito do art. 124, segunda parte, do Código
Penal:

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos.

Por outro lado, Robson responderá pelo delito do art. 126 do Código Penal:

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:


Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Já Pedro responderá como partícipe do crime tipificado no art. 126 do Código Penal, porque,
embora não tenha realizado diretamente o núcleo do tipo penal, colaborou com o propósito
de interrupção da gravidez.
Obs.: o aborto consentido é um exemplo de exceção à teoria monista adotada pelo Código
Penal. Por essa teoria, todos que, de alguma forma, contribuíram para o delito devem
responder pelo mesmo crime. No entanto, no caso do aborto consentido pela gestante,
cada agente (gestante e aquele que pratica o aborto) respondem por delitos autônomos,
previstos no art. 124 e 126 do Código Penal.

163. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) A profissio-


nal do sexo Gumercinda atende a seus clientes no local onde reside juntamente com seu
filho Joaquim, de dez anos. O local é bastante exíguo, tendo pouco mais de quinze metros
quadrados, onde existem apenas um quarto e um banheiro, ficando a cama onde Joaquim
dorme ao lado da cama da mãe. Em uma determinada madrugada, Gumercinda acerta um
“programa sexual” com Caio e o leva até sua casa. Durante o ato sexual, Joaquim acorda
e presencia tudo, sem que Gumercinda ou Caio percebam que ele está assistindo à cena.
No dia seguinte, Joaquim vai para a escola e conta o fato a um amigo, o qual, por sua vez,

169 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

relata a história para Joana, sua mãe. Esta, abismada com a história, procura a delegacia
do bairro e narra os fatos acima descritos.
Diante desta situação hipotética, assinale a alternativa correta do ponto de vista legal.
a. Gumercinda e Caio responderão pelo delito de satisfação de lascívia mediante a pre-
sença de criança ou adolescente.
b. Gumercinda e Caio não cometeram nenhum crime.
c. Gumercinda e Caio praticaram exploração sexual de criança ou adolescente.
d. Gumercinda e Caio praticaram crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
e. Apenas Gumercinda responderá pelo delito de satisfação de lascívia mediante a pre-
sença de criança ou adolescente.

COMENTÁRIO
Caio e Gumercinda não praticaram crime algum. Poderia cogitar-se da prática do delito de
satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente, descrito no art. 218-A
do Código Penal. No entanto, tal delito exige dolo e, além disso, elemento subjetivo especial
do tipo, consubstanciado na intenção de satisfazer lascívia própria ou alheia:

Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar,
conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.

Erro. Descriminantes putativas. Erro determinado por terceiro. Erro sobre a pessoa.
Erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição) (temas cobrados apenas para o cargo
de Delegado!).

164. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/INVESTIGADOR) Assinale a alternativa correta.


a. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável,
isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
b. Se o fato é cometido sob coação resistível, só é punível o autor da coação.
c. Se o fato é cometido em estrita obediência à ordem, ainda que manifestamente ilegal,
de superior hierárquico, só é punível o autor da ordem.
d. O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado isenta de pena.
e. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e não permite a
punição por crime culposo, ainda que previsto em lei.

COMENTÁRIO
a. CERTA! Está de acordo com o art. 21 do CP.

170 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Erro sobre a ilicitude do fato


Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável,
isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da
ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

b. Errada! Tratando-se de coação resistível, coator e coagido responderão em concurso de


pessoas, tendo o coagido direito a atenuante prevista no art. 65, III, c, do CP.
É no caso de coação irresistível que somente será punível o autor da coação, na forma do
art. 22 do CP.

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não mani-
festamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

c. Errada! A ordem manifestamente ilegal não deve ser cumprida, razão pela qual deverão
ser responsabilizados tanto o superior hierárquico quanto o executor.
Apenas se o fato for cometido em estrita obediência à ordem NÃO manifestamente ilegal de
superior hierárquico que somente o autor da ordem será punido, conforme o art. 22 do CP,
acima transcrito.
d. Errada! O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado NÃO isenta de pena,
mas faz o agente responder como se tivesse acertado a pessoa contra quem gostaria de ter
agido, nos termos do art. 20, §3° do CP.

Erro sobre a pessoa


§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se conside-
ram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente
queria praticar o crime.

e. Errada! Define o art. 20 do CP que:

Erro sobre elementos do tipo


Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a puni-
ção por crime culposo, se previsto em lei.

165. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Com relação ao erro


no Direito Penal, é CORRETO afirmar:
a. Quando, por erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa
que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o
crime contra aquela, considerando-se as qualidades da vítima que almejava. No caso
de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do
concurso formal: estamos diante da figura conhecida como aberratio criminis.

171 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. O agente que, objetivando determinado resultado, termina atingindo resultado diverso


do pretendido, responde pelo resultado diverso do pretendido somente por culpa, se for
previsto como delito culposo. Quando o agente alcançar o resultado almejado e também
resultado diverso do pretendido, responderá pela regra do concurso formal, restando
configurada a aberratio causae.
c. Mãe que, a fim de cuidar do machucado de seu filho, aplica sobre o ferimento ácido,
pensando tratar-se de pomada cicatrizante, age em erro de proibição.
d. Fazendeiro que, para defender sua propriedade, mata posseiro que a invade, pensando
estar nos limites de seu direito, atua em erro de proibição indireto.

COMENTÁRIO
a. Errada! Na verdade, trata-se da figura conhecida como aberratio ictus, contemplada no
art. 73 do Código Penal:

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir
a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime
contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também
atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime,
sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como
crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.

b. Errada! Trata-se da figura conhecida como aberratio criminis ou resultado diverso do


pretendido, prevista no art. 74 do Código Penal:

Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime,
sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como
crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.

c. Errada! A mãe não age em erro de proibição, mas em erro de tipo, porque se equivoca
sobre um elemento que constitui um tipo penal.
d. CERTA! No erro de proibição indireto, o agente sabe que a sua conduta é típica, mas
supõe presente uma norma permissiva, ora supondo existir uma causa excludente da
ilicitude, ora supondo estar agindo nos limites da descriminante. O erro de proibição indireto
é previsto no art. 20, § 1º, do CP:

Descriminantes putativas
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação
de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de
culpa e o fato é punível como crime culposo.

172 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

166. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Analise os casos hi-


potéticos abaixo e assinale a alternativa CORRETA:
a. Do alto de uma árvore, Joca atira uma fruta contra a cabeça de Maurício. Celso, per-
cebendo a intenção de Joca, assustado e com o fim de evitar a lesão contra Maurício,
empurra a vítima com força. Na queda, Maurício acaba por quebrar o braço. Nessa hipó-
tese, tendo Celso agido de forma excessiva, deve responder por lesão corporal dolosa.
b. O agente que provoca, de forma dolosa, várias lesões corporais, de natureza grave e
gravíssima contra a mesma vítima, em um mesmo contexto fático, responde por crime
continuado.
c. Policial Civil que, durante uma festa de casamento, confunde convidado com um “peri-
goso assaltante” foragido e, imediatamente, dá voz de prisão ao indivíduo que, assusta-
do, corre do policial, fazendo com que este efetue disparos de arma de fogo que atingem
mortalmente o convidado pelas costas, segundo a teoria limitada da culpabilidade, atua
em descriminante putativa derivada de erro de tipo permissivo.
d. Semprônio entra em luta corporal contra Beltrano, seu desafeto e, após provocar-lhe
vários ferimentos, resolve matá-lo, desferindo contra ele dois disparos de arma de fogo
que não atingem a vítima. Preso em flagrante, Semprônio responderá por lesão corpo-
ral, tentativa de homicídio e disparo de arma de fogo, em concurso material de crimes.

COMENTÁRIO
a. Errada! Celso, ao empurrar Maurício para evitar que a fruta lançada por Joca lhe
atingisse, age em legítima defesa de terceiro com excesso exculpante ou, no máximo, com
excesso culposo. O excesso exculpante busca eliminar a culpabilidade do indivíduo por não
poder ser exigível dele outra conduta diante das circunstâncias do caso concreto. Já se se
considerar tratar-se de excesso culposo, Celso responderá apenas pelos atos que excedeu
ao necessário para afastar a injusta agressão.
b. Errada! Se, no mesmo contexto fático, o agente causa lesões corporais de natureza
grave e gravíssima contra a mesma vítima, praticará crime único, com a aplicação da pena
relativa à lesão gravíssima. Trata-se da aplicação do princípio da consunção, quando o
autor do delito pratica dois ou mais crimes e um deles é meio necessário para a prática de
outro, caso em que o primeiro delito será absorvido pelo segundo.
c. CERTA! O erro de tipo permissivo está previsto no art. 20, § 1º, do Código Penal, segundo
o qual: “É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o
erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo”. O Código Penal adotou a Teoria
Limitada da Culpabilidade, pela qual o erro sobre os pressupostos fáticos de uma causa de

173 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

justificação constitui um erro de tipo permissivo, gerando os mesmos efeitos penais do erro
de tipo: exclusão do dolo e permissão da punição como crime culposo, se houver previsão
legal.
d. Errada! Cuida-se de uma progressão criminosa, quando o agente inicialmente pretendia
executar uma conduta menos grave, mas, durante o iter criminis, altera o seu intento inicial,
deflagrando a execução de crime mais grave, que pressupõe o primeiro. Nesse caso, então,
o agente responderá apenas pelo crime mais grave, que, no caso, é a tentativa de homicídio.

174 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

GABARITO

136. b
137. b
138. b
139. b
140. d
141. b
142. d
143. b
144. a
145. d
146. x
147. e
148. c
149. b
150. d
151. b
152. b
153. e
154. a
155. b
156. b
157. b
158. c
159. d
160. e
161. b
162. a
163. b
164. a
165. e
166. c

175 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

DIREITO PROCESSUAL PENAL

Banca organizadora: AOCP

Temas cobrados no edital

Delegado de Polícia

Direito Processual Penal: 1. Processo Penal Brasileiro. Processo Penal Constitucional. 2.


Princípios fundamentais. 3. Aplicação da lei processual no tempo e no espaço. 3.1 Disposi-
ções preliminares do Código de Processo Penal. 4. Interpretação da lei processual penal. 5.
Fase Pré-Processual: Inquérito policial. 6. Processo, procedimento e relação jurídica proces-
sual. 6.1 Elementos identificadores da relação processual. 6.2 Formas do procedimento. 6.3
Princípios gerais e informadores do processo. 6.4 Pretensão punitiva. 6.5 Tipos de processo
penal. 7. Ação penal. 8. Ação civil Ex Delicto. 9. Jurisdição e Competência. 10. Questões e
processos incidentes. 11. Prova. 12. Sujeitos do Processo. 13. Prisão, medidas cautelares e
liberdade provisória. 13.1 Alterações da Lei Federal n. 12.403/2011. 14. Citações e intima-
ções. 15. Atos Processuais e Atos Judiciais. 16. Sentença: coisa julgada, habeas corpus,
mandado de segurança em matéria criminal. 17. Procedimentos. 17.1 Processo comum. 17.2
Processos especiais. 17.3 Lei n. 8.038/1990 – normas procedimentais para os processos
perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF). 18. Lei n.
9.099/1995 e Lei n. 10.259/2001 e suas alterações (juizados especiais cíveis e criminais).
18.1 Termo circunstanciado de ocorrência. 18.1.1 Atos processuais. 18.1.2 Forma, lugar e
tempo. 19. Prazos. 19.1 Características, princípios e contagem. 20. Nulidades. 21. Recursos
em geral. 22. Habeas corpus e seu processo. 23. Normas processuais da Lei n. 7.210/1984
e suas alterações (execução penal). 24. Relações jurisdicionais com autoridade estrangeira.
25. Disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Processo Penal. 26. Lei n. 12.830/2013
(investigação criminal). 27. Disposições constitucionais aplicáveis ao direito processual penal.
28. Entendimento dos tribunais superiores acerca dos institutos de Direito Processual Penal.

Investigador de Polícia Civil, Escrivão de Polícia Civil e Papiloscopista.

1. Disposições preliminares do Código de Processo Penal. 2. Inquérito policial. 2.1 His-


tórico, natureza, conceito, finalidade, características, fundamento, titularidade, grau de cogni-
ção, valor probatório, formas de instauração, notitia criminis, delatio criminis, procedimentos
investigativos, indiciamento, garantias do investigado, conclusão. 3. Ação Penal. 4. Compe-
tência. 5. Prova. 6. Citações e intimações. 7. Prisão e liberdade provisória. 8. Disposições
constitucionais aplicáveis ao Direito Processual Penal. 9. Lei n. 9.099/1995.

176 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Inquérito policial. Histórico, natureza, conceito, finalidade, características, funda-


mento, titularidade, grau de cognição, valor probatório, formas de instauração, noti-
tia criminis, delatio criminis, procedimentos investigativos, indiciamento, garantias do
investigado, conclusão.

167. (MPE-BA/2013/AOCP) De acordo com o Código de Processo Penal, analise as asserti-


vas e assinale a alternativa que aponte as corretas.
I – O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade poli-
cial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
II – A autoridade policial poderá mandar arquivar autos de inquérito.
III – Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta
de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se
de outras provas tiver notícia.
IV – Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao
juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante
legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
a. Apenas I e II.
b. Apenas I, II e IV.
c. Apenas I, III e IV.
d. Apenas I e III.
e. I, II, III e IV.

COMENTÁRIO
Estão corretas as assertivas I, III e IV.
Assertiva I: correta! É o que indica o art. 16 do CPP:

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial,
senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

Assertiva II: errada! A autoridade policial NÃO poderá mandar arquivar autos de inquérito,
na forma do art. 17 do CPP.

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

Assertiva III: correta! Trata-se do disposto no art. 18 do CPP.

Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver
notícia.

177 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Assertiva IV: correta! É o que dispõe o art. 19 do CPP:

Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao ju-
ízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão
entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

168. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) Quando o inquérito policial é instaurado a


partir de um auto de prisão em flagrante delito, diz-se haver:
a. notitia criminis inqualificada.
b. delatio criminis postulatória.
c. notitia criminis de cognição imediata.
d. notitia criminis de cognição mediata.
e. notitia criminis de cognição coercitiva.

COMENTÁRIO
a. Errada! Notitia criminis inqualificada é a denúncia anônima, também chamada de delação
apócrifa. Lembre-se de que a denúncia anônima não pode, por si só, deflagrar o inquérito
penal. Antes, a autoridade policial deve realizar diligências para apurar a idoneidade da
acusação.
b. Errada! A delatio criminis postulatória é a comunicação da ocorrência de infração penal
ou de sua autoria feita pela vítima à autoridade competente, solicitando providências como
a instauração do inquérito. A representação também é uma espécie de delatio criminis
postulatória.
c. Errada! Notitia criminis de cognição imediata é o conhecimento de uma infração penal por
meio das atividades rotineiras (atuação funcional) da autoridade policial.
d. Errada! Notitia criminis de cognição mediata ocorre quando alguém do povo, a vítima,
o Juiz ou o Ministério Público levam à autoridade policial a notícia da existência de uma
infração penal.
e. CERTA! Notitia criminis de cognição coercitiva ocorre quando a autoridade policial toma
conhecimento do fato delituoso mediante a apresentação do indivíduo preso em flagrante.

169. (PC-PR/2007/NC-UFPR/DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre o Inquérito Policial, conside-


res as seguintes afirmativas:
1. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer dili-
gência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
2. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta
de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de
outras provas tiver notícia.

178 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

3. A instauração de inquérito nas ações penais públicas é essencial ao oferecimento da


denúncia.
4. Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em
que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade po-
licial para que seja instaurado inquérito.
Assinale a alternativa correta.
a. As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
b. Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
c. Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
d. Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
e. Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.

COMENTÁRIO
Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras!
Afirmativa 1: verdadeira! O item reproduz a redação literal do art. 14 do Código de Processo
Penal:

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência,
que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

Afirmativa 2: verdadeira! É exatamente esse o teor do art. 18 do Código de Processo


Penal, como se vê:

Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver
notícia.

Lembre-se de que o arquivamento do inquérito sempre dependerá de decisão do Juiz.


Afirmativa 3: falsa! O inquérito policial é dispensável. O inquérito policial é um procedimento
administrativo informativo, destinado a apurar a existência de infração penal e sua autoria,
a fim de que o titular da ação penal disponha de elementos suficientes para promovê-la.
Sendo assim, se já se obteve o fim a que ele se destina – colher elementos que apontem a
materialidade do crime e indícios de sua autoria –, o inquérito se faz dispensável, podendo
ser substituído por outros procedimentos investigativos, como o PIC (Procedimento
Investigatório Criminal), realizado pelo Ministério Público.
Afirmativa 4: verdadeira! É essa a previsão do art. 27 do Código de Processo Penal:

Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em
que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria e indi-
cando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.

179 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

170. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA) Gerson está responden-


do a procedimento investigatório, conduzido por delegado de Polícia Civil. Em meio a in-
vestigação foi decretado sigilo do inquérito policial para assegurar as investigações. Nes-
sa situação hipotética, marque a alternativa CORRETA.
a. O advogado somente terá acesso aos autos do inquérito policial se não for decretado o
seu sigilo, caso em que terá que aguardar a instauração do processo judicial.
b. O advogado poderá examinar aos autos do inquérito policial e ainda ter informações
sobre os atos de investigação que ainda serão realizados.
c. Nos crimes hediondos o advogado do indiciado não terá acesso aos autos para assegu-
rar a proteção das investigações.
d. O advogado poderá examinar aos autos do inquérito policial ainda que tenha sido decre-
tado o seu sigilo.
e. O sigilo decretado no inquérito policial não impede que os meios de comunicações tele-
visivas tenham acesso, tendo em vista a necessidade de se preservar a ordem pública.

COMENTÁRIO
O acesso ao inquérito policial deve ser sempre franqueado ao advogado do indiciado no
tocante aos elementos de informação já documentados, conforme assegura a Súmula
Vinculante 14:

Súmula Vinculante 14: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.

A decretação do sigilo não afeta o direito do advogado de ter acesso aos autos. Para o STF:

Há, é verdade, diligências que devem ser sigilosas, sob risco de comprometimento do seu bom
sucesso. Mas, se o sigilo é aí necessário à apuração e à atividade instrutória, a formalização docu-
mental de seu resultado já não pode ser subtraída ao indiciado nem ao defensor, porque, é óbvio,
cessou a causa mesma do sigilo. (...) Os atos de instrução, enquanto documentação dos elementos
retóricos colhidos na investigação, esses devem estar acessíveis ao indiciado e ao defensor, à luz
da Constituição da República, que garante à classe dos acusados, na qual não deixam de situar-se
o indiciado e o investigado mesmo, o direito de defesa. O sigilo aqui, atingindo a defesa, frustra-
-lhe, por conseguinte, o exercício. (...) 5. Por outro lado, o instrumento disponível para assegurar
a intimidade dos investigados (...) não figura título jurídico para limitar a defesa nem a publicidade,
enquanto direitos do acusado. E invocar a intimidade dos demais investigados, para impedir o aces-
so aos autos, importa restrição ao direito de cada um dos envolvidos, pela razão manifesta de que
os impede a todos de conhecer o que, documentalmente, lhes seja contrário. Por isso, a autoridade
que investiga deve, mediante expedientes adequados, aparelhar-se para permitir que a defesa de
cada paciente tenha acesso, pelo menos, ao que diga respeito a seu constituinte.
(HC n. 88.190, voto do Rel. Min. Cezar Peluso, 2ª T, j. 29/08/2006, DJ de 06/10/2006.)

180 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

171. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA) “O inquérito policial é um


procedimento administrativo, não judicial, e por isso mesmo pode ter caráter explicitamen-
te inquisitorial, isto é, registrar por escrito, com fé pública, emprestada pelo cartório que
a delegacia possui, informações obtidas dos envolvidos sem que estes tenham conheci-
mento das suspeitas contra eles.” (LIMA, Roberto Kant de; MOUZINHO, Glaucia. DILE-
MAS – Vol. 9 – n. 3 – SET-DEZ 2016 – pp. 505-529). Assinale, a seguir, a característica
INCORRETA quanto ao inquérito policial brasileiro.
a. não possui contraditório e ampla defesa.
b. é escrito.
c. é público.
d. é dispensável.
e. é sigiloso.

COMENTÁRIO
Dentre as diversas características do inquérito policial, merecem destaque as seguintes:
→ Inquisitividade: ao contrário da ação penal, esse procedimento não se subordina aos
princípios do contraditório e da ampla defesa. Pelo contrário, a autoridade policial conduz
as investigações de forma unilateral com base na discricionariedade, sem a definição de um
rito pré-estabelecido e sem a necessidade de participação do investigado.
→ Sigilo: nos termos do art. 20 do CPP: “A autoridade assegurará no inquérito o sigilo
necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.”.
→ Dispensabilidade: o titular da ação penal pode dispensar total ou parcialmente o
inquérito, desde que já possua justa causa para a instauração da ação penal.
→ Escrito: o art. 9º do CPP assegura que: “Todas as peças do inquérito policial serão,
num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela
autoridade”.
À vista disso, é equivocado atribuir o caráter de “público” ao inquérito policial.

172. (PC-PI/2018/NUCEPE/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) Em relação aos procedimentos


do inquérito policial, é CORRETO afirmar que:
a. A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará os autos ao juiz
competente.
b. Em qualquer situação e em qualquer crime e para verificar a possibilidade de haver a
infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à
reprodução simulada dos fatos.
c. Todas as peças do inquérito policial serão, num só processo, reduzidas a escrito ou digi-
tadas e, neste caso, há dispensa de serem todas as páginas rubricadas pela autoridade.

181 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias, se o indiciado tiver sido preso em
flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir
do dia da comunicação ao juiz do cumprimento da ordem de prisão, ou no prazo de 30
(trinta) dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.
e. No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas. Quando o fato for de difícil eluci-
dação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos
autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo acordado pelo Ministé-
rio Público e marcado pelo juiz.

COMENTÁRIO
a. CERTA! É o que prevê o § 1º do art. 10 do CPP:

§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz compe-
tente.

b. Errada! A reprodução simulada dos fatos não pode contrariar a moralidade ou a ordem
pública. Logo, não poderá ser realizada em qualquer situação e em qualquer crime
Nesse sentido, art. 7º do CPP:

Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a au-
toridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie
a moralidade ou a ordem pública.

c. Errada! Obriga o art. 9º do CPP que todas as peças do inquérito policial sejam, num só
processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, deverão ser rubricadas
pela autoridade.

Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou dati-
lografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

d. Errada! O prazo para o término do inquérito no caso de indiciado preso preventivamente


deve se iniciar a partir do dia em que se executar a prisão. No mais, a assertiva está de
acordo com o art. 10 do CPP:

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante,
ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se
executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem
ela.

182 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! O prazo para a realização de novas diligências será fixado pelo Juiz, segundo art.
10, § 3º, do CPP:

§ 3º Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer
ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado
pelo juiz.

173. (PC-MS/2018/FAPEMS/DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre as diligências que podem ser


realizadas pelo Delegado de Polícia, é correto afirmar que
a. caso o ofendido ou seu representante legal apresente requerimento para instauração
de inquérito policial, a autoridade policial deve atender ao pedido, em observância do
princípio da obrigatoriedade.
b. deparando-se com uma notícia na imprensa que relate um fato delituoso, a autoridade
policial deve instaurar inquérito policial de ofício, elaborando, conforme determina o Có-
digo de Processo Penal vigente, um relatório sobre a forma como tomou conhecimen-
to do crime.
c. conforme disposição expressa no Código de Processo Penal vigente, o Delegado de
Polícia não é obrigado a determinar a realização de perícia requerida pelo investigado,
ofendido ou seu representante legal, quando não for necessária ao esclarecimento da
verdade, ainda que se trate de exame de corpo de delito, pois a investigação é conduzi-
da de forma discricionária.
d. o inquérito policial é um procedimento discricionário, portanto, cabe ao Delegado de
Polícia conduzir as diligências de acordo com as especificidades do caso concreto, não
estando obrigado a seguir uma sequência predeterminada de atos.
e. poderá a autoridade policial determinar em todas as espécies de crimes, atendidos
os requisitos legais e suas peculiaridades, a reconstituição do fato delituoso, desde
que não contrarie a moralidade ou a ordem pública, com a participação obrigatória do
investigado.

COMENTÁRIO
a. Errada! O requerimento para instauração de inquérito policial não obriga o Delegado a
deflagrar o procedimento administrativo, tanto é que o Código de Processo Penal (art. 5º, §
2º) prevê recurso ao Chefe de Polícia no caso de o Delegado indeferir o requerimento.

§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe
de Polícia.

b. Errada! O Delegado, antes de instaurar o inquérito policial, deve verificar a procedência


das informações, conforme reza o art. 5º, § 3º, do CPP:

183 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba
ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verifica-
da a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

c. Errada! De fato, as diligências requeridas no curso do inquérito pelo ofendido, ou seu


representante legal, ou indiciado não obrigam a autoridade policial, é dizer: cabe ao Delegado
averiguar a necessidade e conveniência de tais diligências. No entanto, o exame de corpo
de delito não está à mercê do juízo do delegado; ele tem caráter obrigatório quando se trata
de crimes que deixam vestígios. Nesse sentido é o caput do art. 158 do CPP:

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto
ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

d. CERTA! Um dos princípios que pautam o inquérito policial é a discricionariedade. Nessa


esteira, a autoridade policial possui amplos poderes para conduzir as investigações da forma
que melhor entenda, tendo sempre como escopo apurar a autoria e a materialidade do fato
criminoso.
e. Errada! O indiciado não é obrigado a participar da reprodução simulada dos fatos em
razão do princípio da não autoincriminação ou nemo tenetur se detegere.

Ação Penal

174. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Em se tratando de ação


penal pública condicionada, assinale a alternativa correta em relação à representação
do ofendido.
a. A representação é retratável até a sentença de primeiro grau.
b. Oferecida a denúncia, a representação torna-se irretratável.
c. A representação é retratável em qualquer fase do processo.
d. Uma vez efetivada a representação, não há que se falar em retratação.
e. Recebida a denúncia, a representação torna-se irretratável.

COMENTÁRIO
Dispõe o art. 25 do CPP que:

Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.

Correta, portanto, a alternativa “b”! Oferecida a denúncia, a representação torna-se


irretratável.

184 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

175. (ITEP-RS/2018/INSTITUTO AOCP/PERITO TÉCNICO LEGISTA) Quanto à titularidade


da ação penal, assinale a alternativa INCORRETA.
a. O titular da ação penal pública condicionada é a vítima ou os seus sucessores.
b. O titular da ação penal pública incondicionada é o Ministério Público.
c. O titular da ação penal privada exclusiva é a vítima ou os seus sucessores.
d. O titular da ação penal privada personalíssima é somente a vítima.
e. O titular da ação penal privada subsidiária é a vítima ou os seus sucessores.

COMENTÁRIO
Apenas a alternativa “a” está incorreta!
O titular da ação penal pública, seja ela incondicionada ou condicionada, é o Ministério
Público. A diferença é que, na ação penal pública condicionada, ao contrário do que ocorre
na ação penal pública incondicionada, a atuação do parquet fica subordinada à concretização
de uma condição, que pode ser a representação do ofendido ou a requisição do Ministro da
Justiça.

176. (POLÍCIA CIENTÍFICA DO PARANÁ/2007/NC-UFPR/POLICIAL CIVIL/INVESTIGADOR)


Praticado o crime, cabe ao Poder Judiciário, garantindo ao agente a ampla defesa, pro-
cessá-lo e julgá-lo mediante a competente ação penal, em relação à qual é INCORRE-
TO afirmar:
a. A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.
b. A ação penal pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o
exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.
c. A ação penal de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem
tenha qualidade para representá-lo.
d. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no
prazo legal, cabendo ao Ministério Público intervir em todos os termos do processo e,
a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação penal como parte
principal.
e. A representação, na ação penal pública condicionada, é retratável até que seja proferida
a sentença.

COMENTÁRIO
a. Correta!
Código Penal

Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.

185 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Correta!

Código Penal
Art. 100, § 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o
exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.

c. Correta!

Código Penal
Art. 100, § 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem
tenha qualidade para representá-lo.

d. Correta!

Código de Processo Penal


Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo
legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva,
intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo
tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

e. INCORRETA! A representação, na ação penal pública condicionada, é retratável até o


oferecimento da denúncia, conforme o art. 102 do CP e do art. 25 do CPP.

Código Penal
Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia.

Código de Processo Penal

Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.

Provas

177. (ITEP-RS/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE) Segundo a doutrina,


prova é o conjunto de elementos produzidos pelas partes e/ou pelo Juiz, visando à forma-
ção do convencimento quanto a atos, fatos e circunstâncias. Nesse contexto, referente à
matéria de provas prevista no Código de Processo Penal, assinale a alternativa correta.
a. Antes de proferir a sentença, o Juiz pode, de ofício, determinar a realização de diligên-
cias complementares para esclarecer ponto relevante.
b. A prova obtida por meios ilícitos não será admitida no processo, porém aquelas que
derivarem dela podem ser utilizadas.
c. O juiz, ao sentenciar o processo, pode fundamentar sua decisão exclusivamente com
base nas provas produzidas em fase de inquérito policial.
d. O interrogatório, por se tratar de ato de defesa, não pode ser realizado novamente no
mesmo processo.

186 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. O silêncio do acusado em seu interrogatório pode ser interpretado como confissão.

COMENTÁRIO
a. CERTA! De fato, autoriza o art. 156, II, do CPP, que, antes de proferir a sentença, o Juiz
poderá, de ofício, determinar a realização de diligências complementares para esclarecer
ponto relevante.

Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
(...)
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.

b. Errada! As provas derivadas daquelas consideradas ilícitas, via de regra, também deverão
ser consideradas ilícitas, sendo, portanto, inadmissíveis no processo penal. Consistem,
assim, em provas ilícitas por derivação.
Conforme Renato Brasileiro:

Provas ilícitas por derivação são os meios probatórios que, não obstante produzidos, validamente,
em momento posterior, encontram-se afetados pelo vício da ilicitude originária, que a eles se trans-
mite, contaminando-os, por efeito de repercussão causal. 43

Essa contaminação por derivação, aliás, fundamenta-se na célebre teoria dos frutos da
árvore envenenada, que, após a Lei n. 11.690/2008, passou a constar expressamente no
§ 1º, do art. 157, do CPP.
Vejamos:

Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei.
11.690, de 2008)
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado
o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei n. 11.690, de 2008)

Importa salientar que, em duas situações excepcionais, os elementos probatórios conexos


a uma prova ilícita poderão ser aceitos. São elas:
1ª exceção) Teoria ou exceção da fonte independente
Está consagrada na segunda parte do § 1º do art. 157 do CPP, o qual determina: “são
também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado
o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser
obtidas por uma fonte independente das primeiras.”

43 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7ª ed. rev., ampl. e
atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2019, p. 647.

187 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

BRASILEIRO elucida:

De acordo com a teoria ou exceção da fonte independente, se o órgão da persecução penal de-
monstrar que obteve, legitimamente, novos elementos de informação a partir de uma fonte autô-
noma de prova, que não guarde qualquer relação de dependência, nem decorra da prova origina-
riamente ilícita, com esta não mantendo vínculo causal, tais dados probatórios são admissíveis,
porque não contaminados pela mácula da ilicitude originária. 44

2ª exceção) Teoria da descoberta inevitável


Na lição de BRASILEIRO:

De acordo com a teoria da descoberta inevitável, também conhecida como exceção da fonte hipo-
tética independente, caso se demonstre que a prova derivada da ilícita seria produzida de qualquer
modo, independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida. 45

Em que pese a teoria não tenha sido expressamente citada pelo legislador do Código de
Processo Penal, doutrina e jurisprudência majoritárias assentam que o seu conteúdo pode
ser extraído do art. 157, § 2º, do CPP, pelo qual: “considera-se fonte independente aquela
que, por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução
criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.”
c. Errada! O Juiz, ao sentenciar o processo, NÃO pode fundamentar sua decisão
exclusivamente com base nas provas produzidas em fase de inquérito policial, como bem
determina o art. 155 do CPP:

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

d. Errada! O interrogatório pode ser realizado novamente no mesmo processo, tanto de


ofício ou a pedido de fundamento de qualquer das partes, conforme o art. 196 do CPP:

Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamen-
tado de qualquer das partes.

e. Errada! O silêncio do acusado em seu interrogatório NÃO pode ser interpretado como
confissão.
Nesse sentido, art. 198 do CPP:

Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a
formação do convencimento do juiz.

44 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7ª ed. rev., ampl. e
atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2019, p. 649.
45 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7ª ed. rev., ampl. e
atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2019, p. 651.

188 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

178. (PC-ES/2018/INSTITUTO AOCP/INVESTIGADOR) Sobre as provas no processo penal


brasileiro, assinale a alternativa correta.
a. O direito processual penal brasileiro não adota o sistema de avaliação de prova denomi-
nado “livre convicção” em nenhum dos ritos existentes no Código de Processo Penal.
b. O Tribunal do Júri utiliza o sistema de avaliação de prova chamado de “prova legal ou
tarifada”, onde há o preestabelecimento de um determinado valor para cada prova pro-
duzida no processo.
c. O juiz poderá fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos co-
lhidos na investigação se a defesa do réu assim anuir em audiência de interrogatório.
d. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício
ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas con-
sideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporciona-
lidade da medida.
e. São expressamente vedadas ao Juízo.

COMENTÁRIO
a. Errada! Ao contrário! Via de regra, o Direito Processual Penal brasileiro adota o sistema
de avaliação de prova denominado “livre convicção”, “livre convencimento” ou “da persuasão
racional”, segundo o qual o Juiz deverá formar a sua convicção pela livre apreciação da
prova produzida nos autos, sempre de maneira motivada, falando-se, assim, na existência
de um livre convencimento motivado.
b. Errada! Como visto acima, via de regra adota-se o sistema de avaliação de prova
denominado “livre convencimento motivado”. No que tange ao Tribunal do Júri, porém, aplica-
se o sistema da “íntima convicção”, o que confere aos jurados ampla liberdade decisória, à
medida que poderão decidir segundo suas próprias convicções, afastada a necessidade de
fundamentação.
c. Errada! O Juiz NÃO poderá fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação. Nesse sentido, art. 155 do CPP:

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório ju-
dicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

d. CERTA! Está de acordo com o art. 156, I, do CPP:

Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.

189 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Errada! Em um sistema processual penal democrático e balizado na concretização de


direitos fundamentais como a presunção de inocência e o devido processo legal, as provas
não são apenas admitidas como essenciais para qualquer julgamento.

179. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) A busca domiciliar será reali-


zada quando fundadas razões a autorizarem, EXCETO na hipótese de
a. prender criminosos.
b. colher qualquer elemento de convicção.
c. apreender pessoas vítimas de crime.
d. submeter suspeito de cometimento de crime ao reconhecimento pessoal.
e. descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “d”, por ser a única que não indicou hipótese que autoriza a busca
domiciliar, nos termos do art. 240, § 1º, do CPP, que assim define:

Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal.


§ 1º Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para:
a. prender criminosos;
b. apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;
c. apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos;
d. apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim
delituoso;
e. descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;
f. apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspei-
ta de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato;
g. apreender pessoas vítimas de crimes;
h. colher qualquer elemento de convicção.

Com efeito, corretas as demais alternativas, pois compatíveis com as alíneas a, e, g e h.

180. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Antônio foi


preso em flagrante sob a acusação da prática de tráfico de drogas. A polícia apreendeu
seu telefone celular. O Delegado abriu o aplicativo WhatsApp no celular do suspeito e
verificou que, nas conversas de Antônio, as mensagens comprovaram que ele realmente
negociava drogas, e assumia a prática de outros crimes graves. As referidas mensagens
foram transcritas pelo escrivão e juntadas ao inquérito policial, em forma de certidão. Nes-
sa situação hipotética, de acordo com as regras de admissibilidade das provas no proces-
so penal brasileiro, marque a alternativa CORRETA.
a. É necessário ordem judicial tanto para a apreensão de telefone celular como também
para o acesso às mensagens de WhatsApp.

190 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Tendo em vista que é dispensável ordem judicial para a apreensão de telefone celular,
também não é necessária autorização para o acesso as mensagens de WhatsApp, visto
que se trata de medida implícita à apreensão.
c. É necessário somente requisição do Ministério Público para o acesso às mensagens
de WhatsApp.
d. Como se trata de procedimento preliminar investigatório, não é necessária a prévia au-
torização judicial para que a autoridade policial possa ter acesso ao WhatsApp da pes-
soa que foi presa em flagrante delito.
e. É necessária prévia autorização judicial para que a autoridade policial possa ter acesso
ao WhatsApp da pessoa que foi presa em flagrante delito.

COMENTÁRIO
No entendimento do Superior Tribunal de Justiça:

Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração
de dados e de conversas registradas no WhatsApp presentes no celular do suposto autor de fato
delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante.
STJ. 6ª Turma. RHC n. 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/04/2016 (Info 583).

Assim, na atuação em crime em flagrante, é dispensável autorização judicial para a


apreensão de telefone celular, no entanto subsiste a imprescindibilidade da ordem judicial
para perquirir as mensagens nele armazenadas. Nesse sentido:

Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a
apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo
telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracte-
res, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa
ou móvel ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática.
STJ. 5ª Turma. RHC n. 67.379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593).

181. (ITEP-RS/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE) Acerca do exame


de corpo de delito e perícias em geral, assinale a alternativa correta.
a. Os exames de corpo de delito somente poderão ser realizados em dias úteis.
b. A confissão do acusado é suficiente para a comprovação das infrações penais que dei-
xam vestígios.
c. As perícias em geral serão, em regra, realizadas por peritos oficiais, portadores de diplo-
ma de curso superior, não cabendo às partes formularem quesitos ou indicar assisten-
te técnico.
d. Não sendo possível realizar o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os
vestígios, tal prova poderá ser suprida pela prova testemunhal.

191 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. É obrigatória a juntada de fotografias, esquemas e desenhos, para acompanhar os lau-


dos de que representem lesões.

COMENTÁRIO
a. Errada! Disciplina o art. 161 do CPP que:

Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora.

b. Errada! A confissão do acusado NÃO é suficiente para a comprovação das infrações


penais que deixam vestígios, sendo necessária a realização do exame de corpo de delito.
Observe:

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto
ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

c. Errada! O erro está na parte final da assertiva, pois as partes podem formular quesitos e
indicar assistente técnico, a teor do art. 159, § 3º, do CPP:

§ 3º Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante


e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.

d. CERTA! Trata-se do disposto no art. 167 do CPP:

Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios,
a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

e. Errada! A juntada de fotografias, esquemas e desenhos para acompanhar os laudos de


que representem lesões não é obrigatória, devendo ocorrer quando for possível. Nesse
sentido:

Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, junta-
rão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.

182. (PC-SP/2018/VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA) A respeito da prova, é correto afirmar:


a. Não se admite a produção de provas não disciplinadas em lei, sob pena de violação do
princípio da taxatividade.
b. A produção da chamada prova emprestada deve obedecer ao procedimento previsto no
CPP, sob pena de seu não aproveitamento.
c. Fonte de prova é o instrumento por meio do qual se introduzem no processo os elemen-
tos probatórios.

192 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. Meio de prova é tudo que é idôneo a fornecer o resultado apreciável para a deci-
são do juiz.
e. Elemento de prova é o dado bruto que se extrai da fonte da prova, ainda não valorado
pelo juiz.

COMENTÁRIO
a. Errada! No processo penal, admite-se, em regra, todo tipo de prova. Apenas as provas
ilícitas e as derivadas de ilícitas são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas dos autos
do processo. Sobre o tema, vide art. 157 do CPP:

Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras.
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe,
próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.

b. Errada! Quanto à produção da prova emprestada, não se faz necessário observar o


procedimento processual penal, bastando que se assegurem às partes o contraditório e
a ampla defesa sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutá-la
adequadamente, o que basta para se afigurar válido o empréstimo. Recentemente, aliás, o
STJ se manifestou pela desnecessidade de identidade de partes com relação ao processo
em que a prova emprestada foi originalmente produzida. Nesse sentido:

Conforme entendimento desta Corte Superior, uma vez garantido às partes do processo o contra-
ditório e ampla defesa por meio de manifestação quanto ao teor da prova emprestada, como no
caso dos autos, não há vedação para sua utilização, ainda que não exista identidade de partes com
relação ao processo na qual foi produzida.
(AgRg no AREsp 1.104.676/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
11/12/2018, DJe 01/02/2019).

c. Errada! Fontes de prova são pessoas e coisas de onde provém a prova; são aqueles
elementos externos ao processo, dos quais se podem extrair informações relevantes para a
comprovação do alegado. A definição trazida pela alternativa se refere aos meios de prova.
d. Errada! Meios de prova são os instrumentos que permitem levar ao Juiz os elementos
que o ajudarão a formar seu entendimento acerca do caso; é todo elemento pelo qual se
procura mostrar a existência e a veracidade de um fato.
e. CERTA! Os elementos de prova são todos os fatos ou circunstâncias em que reside a
convicção do Juiz; é cada um dos dados objetivos que confirmam ou negam uma asserção
a respeito de um fato que interessa à decisão da causa.

193 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

183. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Em matéria de pro-


vas no processo penal, é CORRETO afirmar:
a. A absolvição independe de o acusado provar o alegado.
b. A declaração de ilicitude de uma prova necessariamente implica nulidade absoluta de
todo o processo.
c. A prova testemunhal não poderá ser determinada de ofício pelo juiz.
d. Não há contaminação da prova quando ficar evidenciado seu nexo causal com a prova
originária.

COMENTÁRIO
a. CERTA! O acusado tem a favor de si o princípio da presunção de inocência, que
transporta o ônus da prova para a acusação. Sendo assim, ainda que o acusado não prove
sua inocência, se a acusação não se desincumbir do encargo de provar a culpa do réu, ou
não afastar a dúvida razoável sobre sua inocência, se imporá a absolvição.
b. Errada! A prova ilícita só eivará de ilicitude as provas que dela derivarem; não torna nulo
todo o processo.

Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras.

c. Errada! A despeito do sistema acusatório, o Juiz pode determinar, de ofício, a oitiva de


testemunhas, conforme estabelece o art. 209 do CPP:

Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas
pelas partes.

d. Errada! Pelo contrário, se há vínculo causal entre determinada prova e a prova tida como
ilícita, aquela também deverá ser desconsiderada, porque também eivada pelo vício da
ilicitude. Trata-se da teoria da árvore dos frutos envenenados, pela qual toda prova que
derive de uma prova ilícita também será tida por ilícita. A prova derivada da ilícita só não
será ilegítima quando não for evidenciado o nexo de causalidade entre elas ou a prova
derivada puder ser obtida por uma fonte independente. Nesse sentido:

Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma
fonte independente das primeiras.
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe,
próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.

194 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Competência

184. (PC-ES/2019/INSTITUTO ACESSO/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Marcelo


exerce atividade de camelô na Avenida Central, no Centro, na cidade do Rio de Janeiro,
no Estado do Rio de Janeiro. Por não aceitar a negociação com agentes de segurança
pública, um tipo de “arrego”, teve sua mercadoria apreendida, visto que comercializava
pacotes de cigarro da marca “Buenos Tragos”, considerada suspeita pelos agentes de
segurança. Os cigarros “Buenos Tragos” são oriundos do Paraguai e possuem um preço
bem mais baixo que os nacionais, mas são vendidos de forma clandestina. No entanto,
esses cigarros são produtos aprovados pela ANVISA e, portanto, é permitida sua importa-
ção e comercializados no Brasil, desde que cumpridas as obrigações legais e tributárias.
Vale ressaltar, no entanto, que Marcelo não possuía nota fiscal dos cigarros apreendidos
em sua posse. Conduzido à delegacia de Polícia Civil, Marcelo confessou que adquiriu os
cigarros de Valentina, uma mulher que também mora no Rio de Janeiro e fornece merca-
dorias para os camelôs.
Nessa situação hipotética, de acordo com as regras de competência, marque a alternativa
CORRETA.
a. Compete à Justiça Estadual o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho
quando apreendido em comércio informal irregular.
b. Compete à Justiça Federal tanto quanto à Justiça Estadual o julgamento dos crimes de
contrabando e de descaminho.
c. Compete à Justiça Estadual o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho
tendo em vista que a apreensão se deu pela Polícia Militar do Estado.
d. Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho,
ainda que inexistentes indícios de transnacionalidade na conduta.
e. Compete a Justiça Estadual, pois não houve transnacionalidade na conduta do agente e
uma vez que a mercadoria apreendida já havia sido internalizada e Marcelo não concor-
reu de qualquer forma, seja direta ou indireta, para a efetiva importação desses cigarros.

COMENTÁRIO
Essa celeuma quanto à competência foi recentemente objeto de apreciação do Superior
Tribunal de Justiça, que assim consignou:

Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho, ainda que
inexistentes indícios de transnacionalidade na conduta.”
STJ. 3ª Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/09/2018 (Info 635).

Posto isso, correta a alternativa “d”!

195 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

185. (ITEP-RS/2018/INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE) O Código de Pro-


cesso Penal trata, em seus artigos 69 a 91, da matéria de competência. Por conceito, com-
petência é a delimitação do poder jurisdicional, ou seja, é a distribuição do poder/dever de
julgar entre os juízos. Em relação à competência, assinale a alternativa correta.
a. No processo penal, a competência será definida, em regra, pelo local do domicílio do réu.
b. Havendo duas ou mais pessoas sendo acusadas do mesmo crime, a competência será
fixada pela conexão.
c. Existindo conflito entre a competência do tribunal do júri e a de outro órgão da justiça
comum, prevalecerá a competência do júri.
d. A conexão e a continência importarão sempre na unidade de processo e julgamento.
e. No concurso entre a jurisdição comum e a do juízo da infância e juventude, prevalece-
rá a comum.

COMENTÁRIO
a. Errada! Indica o art. 70 do CPP que:

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração,
ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

Apenas de maneira excepcional a competência será determinada pelo local do domicílio do


réu, consoante o art. 72 do CPP:

Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou
residência do réu.
§ 1º Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção.
§ 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que
primeiro tomar conhecimento do fato.

b. Errada! Havendo duas ou mais pessoas sendo acusadas do mesmo crime, a competência
será fixada pela continência (e não pela conexão!), na forma do art. 77, II, do CPP:

Art. 77. A competência será determinada pela continência quando:


I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração;

c. CERTA! É o que determina o art. 78, I, do CPP:

Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguin-
tes regras:
I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência do júri;

196 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

d. Errada! A conexão e a continência NEM sempre importarão na unidade de processo e


julgamento, como se depreende da leitura do art. 79, I e II, do CPP:

Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo:


I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar;
II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores.

e. Errada! No concurso entre a jurisdição comum e a do juízo da infância e juventude,


as infrações deverão ser julgadas em processos separados, cada qual correndo no juízo
adequado (o que envolver maior de 18 anos na jurisdição comum e o que envolver ato
infracional no juízo de menores), de acordo com o art. 79, II, do CPP, acima transcrito.

186. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/PERITO OFICIAL CRIMINAL) Sobre jurisdição e com-


petência, assinale a alternativa integralmente de acordo com o que prescreve o Código de
Processo Penal.
a. A distribuição dos autos jamais será determinante para a fixação da competência ju-
risdicional.
b. A competência será, de regra, determinada pela natureza da infração, ou, no caso de
tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.
c. Compete ao Tribunal do Júri o julgamento de todos os crimes contra a vida previstos no
Código Penal, consumados ou tentados.
d. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pela prerrogativa
de função.
e. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou
mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

COMENTÁRIO
a. Errada! No art. 69 do CPP estão previstos os critérios que determinam a competência
jurisdicional, dentre os quais encontra-se no inciso IV a distribuição como fator determinante.
Observe:

Art. 69. Determinará a competência jurisdicional:


I - o lugar da infração:
II - o domicílio ou residência do réu;
III - a natureza da infração;
IV - a distribuição;
V - a conexão ou continência;
VI - a prevenção;
VII - a prerrogativa de função.

197 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

b. Errada! Nos termos do art. 70 do CPP:

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou,
no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

c. Errada! Ao Tribunal do Júri compete o julgamento dos crimes dolosos contra a vida,
consumados ou tentados, consoante o art. 5°, XXXVII, d, da CF/1988 e art. 74, § 1º do CPP:

Art. 5º, XXXVIII, da CF. é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,
assegurados: (...)
d. a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
Art. 74 do CPP. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização
judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri.
§ 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122,
parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados.

d. Errada! Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo


domicílio ou residência do réu, a teor do art. 72 do CPP:

Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou
residência do réu.

e. CERTA! É o que determina o art. 71 do CPP:

Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais
jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

187. (PC-MA/2018/CEBRASPE/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) A polícia civil instaurou e


concluiu o inquérito policial relativo a roubo havido em uma agência franqueada dos Cor-
reios. Encaminhados os autos à justiça estadual, o órgão do MP ofereceu denúncia contra
os autores, a qual foi recebida pelo juízo competente.
Nessa situação hipotética, conforme o posicionamento dos tribunais superiores acerca
dos aspectos processuais que definem a competência para processar e julgar delitos,
a. por ser o sujeito passivo do delito uma empresa pública federal franqueada, a compe-
tência para o processo e o julgamento do crime será da justiça federal.
b. por se tratar de uma agência franqueada de uma empresa pública, a competência para
o processo e o julgamento do crime será da justiça estadual.
c. a competência para o processo e o julgamento do crime será concorrente, tornando-se
prevento o juízo que receber a peça inaugural.
d. o critério balizador para determinar a competência do juízo será exclusivamente territorial.
e. a polícia civil e o MP estadual não têm competência para a persecução pré-processual
e processual do delito, respectivamente.

198 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
A princípio, os crimes praticados em detrimento de empresas públicas são da competência
da Justiça Federal, por força do art. 109, IV, da CF:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


(...)
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interes-
se da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e
ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

No entanto, em caso de crime praticado contra agência dos Correios, deve-se perquirir de
qual espécie de agência se trata. Tratando-se de agência própria, subsiste a competência
da Justiça Federal. Por outro lado, se a agência for franqueada, a competência passará
a ser da Justiça Estadual, porque, nesse caso, se entende que não há prejuízo à empresa
pública federal, já que, segundo o contrato de franquia, a franqueada responsabiliza-se
por eventuais perdas e danos dos bens cedidos pela franqueadora. Por fim, tratando-se de
agência comunitária, a competência será da Justiça Federal.
Para facilitar a memorização:

Competência dos crimes praticados contra agência dos Correios


Agência própria Justiça Federal
Agência franqueada Justiça Estadual
Agência comunitária Justiça Federal

Nesse sentido é a jurisprudência do STJ:

PENAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO PENAL. CRIME DE ROUBO PERPETRADO CON-


TRA AGÊNCIA COMUNITÁRIA DOS CORREIOS, CONSTITUÍDA MEDIANTE CONVÊNIO ENTRE
A ECT E O MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO BATISTA/SC. INTERESSE RECÍPROCO NO SERVIÇO
PRESTADO, INCLUSIVE DA EMPRESA PÚBLICA FEDERAL. DANO DE PEQUENO VALOR. IR-
RELEVÂNCIA. PERDA MATERIAL E PREJUÍZO AO SERVIÇO POSTAL. COMPETÊNCIA DA JUS-
TIÇA FEDERAL.
1. Nos crimes praticados em detrimento das agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégra-
fos – ECT, esta Corte Superior já firmou o entendimento de que a fixação da competência depende
da natureza econômica do serviço prestado. Se explorado diretamente pela empresa pública – na
forma de agência própria –, o crime é de competência da Justiça Federal. De outro vértice, se a
exploração se dá por particular, mediante contrato de franquia, a competência para o julgamento da
infração é da Justiça estadual.
2. A espécie, contudo, guarda peculiaridade, pois a agência alvo do roubo é tida como “comuni-
tária”. Constituída sob a forma de convênio entre a ECT e a prefeitura municipal, ostenta interesse

199 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

recíproco dos entes contratantes, inclusive da empresa pública federal.


3. Embora noticiado que o ilícito importou em pequeno prejuízo à empresa pública, o fato é que
houve perda material e prejuízo ao serviço postal; logo é o caso de firmar a competência da Justiça
Federal para conhecer do feito, nos termos do art. 109, IV, da Constituição Federal.
4. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo Federal e Juizado Especial de Brusque
– SJ/SC, o suscitante.
(CC 122.596/SC, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
08/08/2012, DJe 22/08/2012) (Grifos nossos)

Prisão e liberdade provisória

188. (ITEP-RS/2018/INSTITUTO AOCP/PERITO TÉCNICO LEGISTA) Sobre prisões, liberda-


de provisória e medidas cautelares diversas da prisão, assinale a alternativa correta.
a. Tem-se o denominado flagrante presumido se o agente é perseguido, logo após, pela
autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser
autor da infração.
b. Recebido o auto de prisão em flagrante pelo juiz, ele deve aguardar a manifestação
das partes.
c. Tem-se o denominado flagrante presumido se o agente é encontrado, logo depois, com
instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.
d. O réu afiançado não terá outras obrigações a cumprir, exceto a de comparecer a todos
os atos do inquérito e do processo.
e. Suspensão do exercício de função pública não pode ser aplicada como medida cau-
telar diversa da prisão, pois tal sanção pressupõe sentença condenatória transitada
em julgado.

COMENTÁRIO
a. Errada! A assertiva narrou o conceito de flagrante impróprio, isto é, quando o agente é
preso logo após cometer a infração penal, depois de ser perseguido pela autoridade, pelo
ofendido, ou por qualquer pessoa em situação que faça induzir ser autor daquela infração,
nos termos do art. 302, III, do CPP:

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


(...)
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação
que faça presumir ser autor da infração;

200 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Previsto no art. 302, IV, do CPP, tem-se o flagrante presumido, assimilado ou ficto quando
o agente é encontrado logo depois da prática delituosa com instrumentos, objetos, armas
ou qualquer coisa que faça presumir ser ele o autor da infração, sendo desnecessária a
existência de perseguição. Veja:

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


(...)
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser
ele autor da infração.

b. Errada! Narra o art. 301 do CPP que:

Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro)
horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença
do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério
Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: (Redação dada pela Lei n. 13.964,
de 2019)
I - relaxar a prisão ilegal; ou (Incluído pela Lei n. 12.403, de 2011).
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art.
312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da
prisão; ou (Incluído pela Lei n. 12.403, de 2011).
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei n. 12.403, de 2011).

c. CERTA! Perfeito! É isso mesmo.


d. Errada! O réu afiançado poderá ter outras obrigações a cumprir. Sobre o tema, prevê-se,
no art. 319, § 4º, do CPP, que a fiança poderá ser cumulada com outras medidas cautelares.

§ 4º A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser
cumulada com outras medidas cautelares.

e. Errada! Suspensão do exercício de função pública pode ser aplicada como medida
cautelar diversa da prisão, conforme o art. 319, VI, do CPP:

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:


(...)
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira
quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais;

189. (PC-GO/2018/UEG/DELEGADO DE POLÍCIA) Segundo o Código de Processo Penal, é


cabível a prisão domiciliar, em substituição à prisão preventiva, quando o agente for:
a. magistrado.
b. Ministro de Estado.
c. pessoa maior de setenta anos.
d. pessoa portadora de diploma de ensino superior.

201 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até doze anos de ida-
de incompletos.

COMENTÁRIO
O artigo 318 do CPP traz as hipóteses em que o Juiz pode substituir a prisão preventiva pela
domiciliar, vejamos:

Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com de-
ficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos.
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste
artigo.

Dentre as alternativas da questão, a única que corresponde a uma hipótese listada no art.
317 é a alternativa “e”.

190. (PC-AP/2017/FCC/DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre a prisão em flagrante, é correto


afirmar que
a. é ato exclusivo da autoridade policial nos casos de perseguição logo após a prática
do delito.
b. deve o delegado de polícia representar pela prisão preventiva, quando o agente é en-
contrado, logo depois, com instrumentos ou papéis que façam presumir ser ele autor da
infração, dada a impossibilidade de prisão em flagrante.
c. é vedada pelo Código de Processo Penal, em caso de crime permanente, diante da
possibilidade de prisão temporária.
d. a falta de testemunhas do crime impede a lavratura do auto de prisão em flagrante, de-
vendo a autoridade policial instaurar inquérito policial para apuração do fato.
e. o auto de prisão em flagrante será encaminhado ao juiz em até 24 horas após a realiza-
ção da prisão, e, caso não seja indicado o nome de seu advogado pela pessoa presa,
cópia integral para a Defensoria Pública.

202 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

COMENTÁRIO
a. Errada! A prisão em flagrante, ainda quando se trate de flagrante impróprio (isto é,
quando o agente é preso logo após cometer a infração penal, depois de ser perseguido pela
autoridade, pelo ofendido, ou por qualquer pessoa em situação que faça induzir ser autor
daquela infração), pode ser realizada por qualquer pessoa do povo, em caráter facultativo,
nos termos do art. 301 do CPP:

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem
quer que seja encontrado em flagrante delito.

b. Errada! Nesse caso, a autoridade policial deve prender o agente em flagrante, e não
representar pela prisão preventiva. Cuida-se do chamado flagrante presumido, assimilado
ou ficto, previsto no art. 302, IV, do CPP, quando o agente é encontrado logo depois da
prática delituosa com instrumentos, objetos, armas ou qualquer coisa que faça presumir ser
ele o autor da infração, sendo desnecessária a existência de perseguição.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


(...)
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser
ele autor da infração.

c. Errada! Pelo contrário, o Código de Processo Civil determina que, nas infrações
permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência
(art. 303 do CPP).

Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar
a permanência.

d. Errada! A falta de testemunha não impede a prisão em flagrante, mas o auto deve ser
assinado por duas testemunhas, além do condutor da prisão, que tenham testemunhado a
apresentação do preso à autoridade. É o que regula o art. 302, § 2º, do CPP:

§ 2º A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante; mas, nesse
caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a
apresentação do preso à autoridade.

e. CERTA! É esse o teor do art. 306, § 1º, do CPP:

§ 1º Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao juiz compe-
tente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia
integral para a Defensoria Pública.

203 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

191. (PC-SP/2018/VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA) Em relação à prisão em flagrante, as-


sinale a alternativa correta.
a. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não seja superior a 2 anos.
b. O delito putativo por obra do agente provocador é contemplado na lei e mesmo na dou-
trina como espécie do chamado quase-flagrante.
c. Para existir a prisão em flagrante nas hipóteses de perseguição é necessário que o
agente seja preso em até 24 horas após o fato.
d. A atribuição para a lavratura do auto de prisão em flagrante é da autoridade policial do
local em que ocorrer a prisão-captura, mesmo que esta se dê em local diverso do da
prática do crime.
e. Chama-se flagrante impróprio a situação de prisão em que o agente é surpreendido
quando acabou de cometer o delito.

COMENTÁRIO
a. Errada! A autoridade policial poderá conceder fianças na hipótese de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não ultrapasse 4 (quatro) anos. É o que determina o caput do
art. 322 do CPP:

Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos.

b. Errada! O delito putativo por obra de agente provocador, ou flagrante provocado, ocorre
quando alguém, de forma insidiosa, provoca o agente à prática de um crime, ao mesmo
tempo que toma providências para que este não se consume. Nesse caso, não há crime, a
teor do enunciado 145 do STF:

Súmula 145-STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a
sua consumação.”

O quase-flagrante, por outro lado, ocorre quando o agente é perseguido logo após a infração
pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser
ele o autor da infração, nos termos do art. 302, III, do CPP, in verbis:

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


(...)
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação
que faça presumir ser autor da infração;

204 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

c. Errada! Embora essa seja uma afirmação comum para os leigos, inexiste qualquer
previsão legal nesse sentido. A configuração do flagrante, em verdade, deve se alinhar
apenas ao que estabelece o art. 302, in verbis:

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação
que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser
ele autor da infração.

d. CERTA! Cabe à autoridade do local da captura a lavratura do auto de prisão em flagrante,


segundo normativa do art. 290 do CPP:

Art. 290. Se o réu, sendo perseguido, passar ao território de outro município ou comarca, o executor
poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-o imediatamente à autoridade
local, que, depois de lavrado, se for o caso, o auto de flagrante, providenciará para a remoção do
preso.

e. Errada! O flagrante impróprio, ou quase-flagrância, exige a perseguição do agente logo


após a prática da infração (art. 302, III, do CPP). O flagrante descrito na alternativa é o
próprio, que acontece quando o agente está praticando ou acaba de cometer o delito (art.
302, I e II, do CPP).

192. (PC-MG/2018/FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Sobre o regime jurídi-


co da liberdade provisória, é CORRETO afirmar:
a. A cassação da fiança poderá ocorrer com a inovação da classificação do delito tido, ini-
cialmente, como afiançável.
b. Não poderá haver reforço da fiança mediante inovação da classificação do delito.
c. O pagamento da fiança poderá ser dispensado pela autoridade policial, em face da situ-
ação econômica do preso.
d. O quebramento injustificado da fiança importará na perda da totalidade do seu valor.

COMENTÁRIO
a. CERTA! É essa a previsão do art. 399 do CPP:

Art. 339. Será também cassada a fiança quando reconhecida a existência de delito inafiançável, no
caso de inovação na classificação do delito.

b. Errada! No caso de inovação da classificação do delito, será exigido o reforço da fiança,


a teor do art. 340, III, do CPP:

205 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 340. Será exigido o reforço da fiança:


(...)
III - quando for inovada a classificação do delito.

c. Errada! A dispensa da fiança é ato que compete ao Juiz, e não ao Delegado, conforme se
extrai do art. 325, §1º, I c/c art. 350 do CPP:

Art. 325, § 1º Se assim recomendar a situação econômica do preso, a fiança poderá ser:
I - dispensada, na forma do art. 350 deste Código;
Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a situação econômica do preso, po-
derá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328
deste Código e a outras medidas cautelares, se for o caso.

d. Errada! O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do seu


valor, segundo art. 343 do CPP:

Art. 343. O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do seu valor, caben-
do ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o caso, a decretação
da prisão preventiva.

Citações e intimações

193. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Dar-se-á a formação com-


pleta do processo quando
a. oferecida a denúncia.
b. recebida a denúncia.
c. apresentada a resposta à acusação.
d. citado o acusado.
e. intimado o acusado.

COMENTÁRIO
Correta a alternativa “d”, com base no art. 363 do CPP, que assim dispõe:

Art. 363. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado.

Lei n. 9.099/1995

194. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/PERITO OFICIAL CRIMINAL) O Juizado Especial Cri-


minal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação,
o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas

206 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

as regras de conexão e continência. O Juizado Especial Criminal está regulado pela Lei n.
9.099/1995. No que se refere ao Procedimento nos Juizados Especiais Criminais, segun-
do a referida Lei, é correto afirmar que
a. todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o
Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.
b. a sentença, que deverá conter o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz.
c. em nenhuma hipótese poderá ser oferecida queixa oralmente.
d. da decisão de rejeição da denúncia ou queixa não caberá apelação.
e. em sede de Juizados Especiais Criminais não cabem Embargos de Declaração, em ra-
zão do princípio da celeridade processual que rege o procedimento.

COMENTÁRIO
a. CERTA! É o que determina o art. 33 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 33. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não
requeridas previamente, podendo o Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinen-
tes ou protelatórias.

b. Errada! A sentença dispensa o relatório, nos termos do art. 38 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 38. A sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve resumo dos fatos
relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório.

c. Errada! Poderá ser oferecida queixa oralmente na ação penal de iniciativa do ofendido,
segundo o art. 77, § 3º, da Lei n. 9.099/1995:

§ 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral, cabendo ao Juiz
verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso determinam a adoção das providências
previstas no parágrafo único do art. 66 desta Lei.

d. Errada! Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa caberá apelação. Assim determina


o art. 82 da Lei nº 9.099/1995:

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que
poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição,
reunidos na sede do Juizado.

e. Errada! Em sede de Juizados Especiais Criminais cabem Embargos de Declaração,


quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição ou omissã[Link]:

Art. 83. Cabem embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade,
contradição ou omissão.

207 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

195. (TJ-PR/2013/NC-UFPR/JUIZ/ADAPTADA) Em uma infração penal de menor potencial


ofensivo, de competência do Juizado Especial Criminal, tendo como fundamento a Lei n.
9.099/1995, é correto afirmar:
a. Como o principal objetivo do Juizado Especial é a busca da conciliação, poderá haver a
composição dos danos civis, que será homologada pelo juiz e, em caso de recurso, este
poderá ser julgado por turma composta de três juízes em exercício no primeiro grau de
jurisdição.
b. Não obtida a composição dos danos civis, poderá o Ministério Público realizar proposta
de transação penal, sendo que da decisão que apreciá-la caberá recurso a ser julgado
por turma composta de três juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição.
c. Uma vez aceita e imposta a transação penal, o autor da infração não poderá ser con-
siderado reincidente, mas poderá ser impedido de obter o mesmo benefício no prazo
de cinco anos e, caso não cumpra a transação penal, o ofendido poderá executá-la no
juízo cível.
d. Não aceita a transação penal, o Ministério Público poderá de imediato oferecer denúncia
oral, sem necessidade de reduzi-la a termo e, da decisão que rejeitá-la, caberá recur-
so a ser julgado por turma composta de três juízes em exercício no primeiro grau de
jurisdição.

COMENTÁRIO
a. Errada! De fato, é perfeitamente possível a composição dos danos civis em conciliação
realizada no Juizado Especial Criminal. No entanto, ao contrário do que a assertiva afirma,
a decisão que homologa essa conciliação é irrecorrível e, além disso, importa renúncia ao
direito de queixa ou representação. É o que se afirma no art. 74, parágrafo único, da Lei n.
9.099/1995:

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condi-
cionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou repre-
sentação.

b. CERTA! Tratando-se de ação penal pública incondicionada ou condicionada à


representação, o Ministério Público formulará proposta de conciliação que, se aceita, será
consignada em sentença pelo Juiz. Dessa sentença, caberá apelação que, nos termos do
art. 82 da Lei n. 9.099/1995, poderá ser julgada por turma composta de três juízes em
exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

208 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Art. 76, § 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará
a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas
para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.
Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá
ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos
na sede do Juizado.

c. Errada! O erro da assertiva está no final da sua redação. O descumprimento da transação


penal não pode ser executado de imediato no juízo cível. Isso porque a transação penal não
gera efeitos civis, cabendo aos interessados propor a ação cabível no juízo cível. É esse o
teor do §6º do art. 76 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 76, § 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de
antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis,
cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível.

d. Errada! De fato, se o acusado recusar a proposta de transação penal, o Ministério


Público poderá, desde já, oferecer denúncia oral, no entanto ela deverá ser reduzida a
termo, entregando-se cópia ao acusado, que dela ficará citado e intimado a comparecer à
audiência de instrução e julgamento. É o que diz o art. 78 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 78. Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-se cópia ao acusado,
que com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiên-
cia de instrução e julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o
responsável civil e seus advogados.

196. (TJ-PR/2019/NC-UFPR/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/PRO-


VIMENTO/ADAPTADA) Sobre os institutos previstos na Lei n. 9.099/1995, Lei dos Juiza-
dos Especiais, assinale a alternativa correta.
a. Segundo a jurisprudência do STF, admite-se a suspensão condicional do processo por
crime continuado, mesmo quando a soma da pena mínima da infração mais grave com
o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.
b. Os crimes cuja pena mínima cominada em abstrato seja igual ou inferior a um ano serão
processados e julgados pelo procedimento sumaríssimo.
c. Segundo jurisprudência do STJ, o benefício da suspensão do processo é aplicável em
relação às infrações penais cometidas em concurso material ou concurso formal, ainda
que a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante,
ultrapasse o limite de um ano.
d. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independen-
temente da pena prevista, não se aplicam o procedimento previsto na Lei n. 9.099/1995
e os benefícios da transação penal e da suspensão condicional do processo.

209 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. Os crimes cuja pena mínima cominada em abstrato seja igual ou inferior a dois anos
serão processados e julgados pelo procedimento sumaríssimo.

COMENTÁRIO
a. Errada! Segundo a jurisprudência do STF (Súmula 723), NÃO se admite a suspensão
condicional do processo por crime continuado quando a soma da pena mínima da infração
mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.

Súmula 723-STF: “Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se
a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a
um ano.”

Vale destacar que o art. 89 da Lei n. 9.099/1995 determina que a suspensão condicional do
processo somente será cabível quando, entre outros requisitos legais, ao crime for cominada
pena mínima em abstrato igual ou inferior a um ano.
Quanto ao crime continuado, o art. 71 do Código Penal define que:

Art. 71. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes,
devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de
um sexto a dois terços.

Destarte, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um
sexto for superior a um ano, não cabe suspensão condicional do processo, por violação ao
patamar da pena mínima igual ou inferior a 1 ano.
b. Errada! O procedimento sumaríssimo, previsto na Lei n. 9.099/1995, é o adotado para o
julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, o que abrange:
• As contravenções penais; e
• Os crimes cujas penas MÁXIMAS em abstrato não ultrapassem dois anos.
Nesse sentido, art. 61 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos,
cumulada ou não com multa.

c. Errada! Segundo jurisprudência do STJ (Súmula 243), o benefício da suspensão do


processo NÃO é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material ou
concurso formal quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência
da majorante, ultrapassar o limite de um ano. Vejamos:

210 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Súmula 243-STJ: “O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações


penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de
um (01) ano.”

d. CERTA! A Lei n. 11.340/2006 previu expressamente em seu art. 41 que: “Aos crimes
praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena
prevista, não se aplica a Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995.” Significa dizer que aos
ilícitos positivados na Lei Maria da Penha não incidem os institutos consagrados na Lei n.
9.099/1995, a exemplo da transação penal e da suspensão condicional do processo.
e. Errada! Como visto na explicação da alternativa “b”, os crimes cuja pena MÁXIMA
cominada em abstrato seja igual ou inferior a dois anos serão processados e julgados pelo
procedimento sumaríssimo.

197. (PC-PR/2007/NC-UFPR/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) Sobre o Juizado Espe-


cial Criminal (Lei n. 9.099/1995) e seus institutos, considere as seguintes afirmativas:
1. O benefício da suspensão condicional do processo não é aplicável em relação às infra-
ções penais cometidas em concurso material ou formal, quando a pena mínima cominada,
seja pela somatória, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um ano.
2. O Juizado Especial Criminal tem competência para conciliação, julgamento e execução
das infrações penais de menor potencial ofensivo, consideradas como tais aquelas cuja
pena máxima não exceda a 2 anos.
3. A competência do juizado será determinada pelo lugar do domicílio do autor ou do réu.
4. Os atos processuais serão públicos e poderão se realizar em horário noturno e em
qualquer dia da semana.
Assinale a alternativa correta.
a. Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
b. Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
c. Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
d. Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
e. Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras

COMENTÁRIO
Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras!
Afirmativa 1: verdadeira! Trata-se do entendimento cristalizado na Súmula 243 do STJ.

Súmula 243-STJ: “O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações


penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de
um (01) ano.”

211 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Afirmativa 2: verdadeira! As afirmações narradas na alternativa podem ser extraídas do


dos artigos 60, caput e 61 da Lei n. 9.099/1995.
Vejamos:

Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem compe-
tência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor poten-
cial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.
(...)
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei,
as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois)
anos, cumulada ou não com multa.

Afirmativa 3: falsa! A competência do juizado será determinada pelo lugar em que foi
praticada a infração penal (e não pelo lugar do domicílio do autor ou do réu!).
Assim preceitua o art. 63 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração
penal.

Afirmativa 4: verdadeira! Está de acordo com o art. 64 da Lei n. 9.099/1995:

Art. 64. Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno e em qualquer
dia da semana, conforme dispuserem as normas de organização judiciária.

Processo, procedimento e relação jurídica processual. Elementos identificadores da


relação processual. Formas do procedimento. Princípios gerais e informadores do pro-
cesso. Pretensão punitiva. Tipos de processo penal (apenas para o cargo de Delegado
de Polícia!).

198. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/PERITO OFICIAL CRIMINAL) Sobre o rito especial dos


processos sobre crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, o que prescreve o
direito processual penal brasileiro?
a. Nos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, competirá o processo e jul-
gamento aos juízes leigos até o recebimento da denúncia.
b. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição do
juiz, ser-lhe-á nomeado advogado público filiado à procuradoria respectiva ao ente fede-
rativo, a quem caberá apresentar o pedido de suspensão dos autos até a devida citação.
c. A resposta não poderá ser instruída com documentos e justificações, mas tão somente
com a indicação de eventuais testemunhas abonatórias.
d. Na instrução criminal dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos e nos
demais termos desse tipo de processo, observar-se-á o disposto nos capítulos do Códi-
go de Processo Penal relativos após processos de rito comum.

212 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

e. O Juízo não poderá rejeitar a denúncia antes que se efetive a fase instrutória do proces-
so penal com o interrogatório do réu.

COMENTÁRIO
A questão versa sobre os crimes de responsabilidade dos servidores públicos, que nada
mais são do que os denominados “crimes funcionais”, previstos nos artigos 312 ao 326
do Código Penal e com rito próprio disciplinado nos artigos 513 ao 518 do Código de
Processo Penal.
a. Errada! Nos crimes de responsabilidade dos servidores públicos, competirá o processo e
julgamento aos Juízes de Direito (e não aos Juízes leigos!), como se depreende do art. 513
do CPP:
Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento
competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justi-
ficação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibili-
dade de apresentação de qualquer dessas provas.

b. Errada! Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição
do Juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar, nos
termos do art. 514, parágrafo único, do CPP:

Parágrafo único. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição
do juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar.

c. Errada! A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações. Nesse sentido,
art. 515, parágrafo único, do CPP:

Parágrafo único. A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações.

d. CERTA! Isso mesmo! Narra o art. 518 do CPP que:

Art. 518. Na instrução criminal e nos demais termos do processo, observar-se-á o disposto nos
Capítulos I e III, Título I, deste Livro.

e. Errada! O Juízo poderá rejeitar a denúncia antes que se efetive a fase instrutória do
processo penal com o interrogatório do réu, se convencido, pela resposta do acusado ou do
seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação. Assim prevê o art. 516
do CPP:

Art. 516. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se convencido, pela
resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação.

213 [Link]
RODADA DE QUESTÕES PC/PA
Investigador e Escrivão

Recursos em geral
(apenas para o cargo de Delegado de Polícia!)

199. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Sobre o habeas corpus, é


correto afirmar que
a. qualquer coação que parta de autoridade pública e constranja sujeito particular enseja a
impetração de habeas corpus.
b. a concessão do habeas corpus consequentemente obstará o processo, pondo termo no
seu prosseguimento jurisdicional.
c. o habeas corpus, embora classificado pela legislação processual penal brasileira como
“recurso penal”, é uma ação de impugnação de natureza constitucional.
d. o habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem,
exceto pelo Ministério Público, órgão de natureza acusatória.
e. apenas os tribunais colegiados têm competência para expedir de ofício ordem de ha-
beas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na
iminência de sofrer coação ilegal.

COMENTÁRIO
a. Errada! Como dispõem o art. 647 do CPP e o art. 5º, LXVIII, da CF/1988, o habeas corpus
é cabível para tutelar o direito de ir e vir diante de uma violência ou coação ilegal. Logo, não
é qualquer coação que legitimará a impetração do remédio constitucional em análise, mas
apenas as coações ilegais.
Com efeito, em rol exemplificativo, prevê o art. 648 do CPP que:

Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:


I - quando não houver justa causa;
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;
III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;
IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza;
VI - quando o processo for manifestamente nulo;
VII - quando extinta a punibilidade.

b. Errada! De acordo com o art. 651 do CPP:

Art. 651. A concessão do habeas corpus não obstará, nem porá termo ao processo, desde que este
não esteja em conflito com os fundamentos daquela.

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c. CERTA! De fato, o habeas corpus, embora classificado pela legislação processual penal
brasileira como “recurso penal”, é uma ação de impugnação de natureza constitucional
fundamentada no art. 5º, LXVIII, da CF/1988, que assim impõe:

LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

d. Errada! O habeas corpus também poderá ser impetrado pelo Ministério Público. Nesse
sentido, art. 654 do CPP:

Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem,
bem como pelo Ministério Público.

e. Errada! Tanto os Tribunais como os Juízes de 1º grau possuem competência para expedir
de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém
sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal.
Nesse sentido, arts. 647 e 649 do CPP:

Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer
violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.
Art. 649. O juiz ou o tribunal, dentro dos limites da sua jurisdição, fará passar imediatamente a or-
dem impetrada, nos casos em que tenha cabimento, seja qual for a autoridade coatora.

200. (PC-ES/2019/INSTITUTO AOCP/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Em se tratando de decisão


impugnável por meio de apelação e de recurso em sentido estrito, assinale a alternati-
va correta.
a. Deverá ser interposta apenas a apelação, ainda que parte da decisão seja atacável por
meio de recurso em sentido estrito.
b. Deverão ser interpostos a apelação e o recurso em sentido estrito, por força do princípio
da taxatividade dos recursos.
c. Poderá ser interposto(a) apelação ou recurso em sentido estrito à luz do princípio da
fungibilidade recursal.
d. Deverá ser interposto apenas o recurso em sentido estrito, ainda que parte da decisão
seja atacável por meio de apelação.
e. O recorrente deverá optar por recorrer apenas da matéria atacável por apelação ou da
matéria atacável por recurso em sentido estrito, não sendo possível recorrer de ambas.

COMENTÁRIO
Está correta a alternativa “a”! Deverá ser interposta apenas a apelação, ainda que parte
da decisão seja atacável por meio de recurso em sentido estrito.

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Isso porque aponta o art. 593, § 4º, do CPP, que:

§ 4º - Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito, ainda que
somente de parte da decisão se recorra.

201. (PC-MA/2018/CEBRASPE/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) Uma autoridade policial de-


terminou a instauração de inquérito policial para apurar a prática de suposto crime de ho-
micídio. Entretanto, realizadas as necessárias diligências, constatou-se que a punibilidade
estava extinta em razão da prescrição.
Nessa situação,
a. é cabível recurso em sentido estrito com o objetivo de trancar o inquérito policial, mas
somente após a decisão que recebe a denúncia.
b. não há instrumento processual capaz de trancar o inquérito policial.
c. poderá ser impetrado habeas corpus com o objetivo de trancar o inquérito policial.
d. poderá ser impetrado mandado de segurança contra o ato da autoridade policial para
trancar o inquérito policial.
e. é cabível recurso de apelação com o objetivo de trancar o inquérito policial, mas somen-
te em caso de sentença penal condenatória.

COMENTÁRIO
O trancamento do inquérito policial constitui medida excepcional dedicada a encerrar o
procedimento investigativo quando se constata, sem a necessidade de revolvimento da
matéria fático-probatória, a ausência de justa causa para a acusação, a atipicidade da
conduta ou a extinção da punibilidade. Para tanto, a defesa deve valer-se do habeas corpus.
Assim, na situação narrada, diante da constatação de que a punibilidade estava extinta em
razão da prescrição, poderá ser impetrado habeas corpus com o objetivo de trancar o
inquérito policial.

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GABARITO
167. c
168. e
169. b
170. d
171. c
172. a
173. d
174. b
175. a
176. e
177. c
178. d
179. d
180. e
181. d
182. e
183. a
184. d
185. c
186. e
187. b
188. c
189. e
190. e
191. d
192. a
193. d
194. a
195. b
196. d
197. a
198. d
199. c
200. a
201. c

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