Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Figuras Monolineares e Traçado de Esteiras Rectangulares
Nome do estudante: Alex Melinho Marcelino Mário
Código de Estudante: 708216571
Curso: Licenciatura em Ensino de Matemática
Disciplina: Matemática na Historia e Etnomatematica
Ano de frequência: 3º ano
Universidade Católica
Niassa
2024
Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Figuras Monolinear e Traçado de Esteiras Rectangulares.
Curso: Licenciatura em Ensino de Matemática
Trabalho da cadeira de (Matemática na Historia
e Etnomatematica) MHE, que versa sobre
“Figuras Monolinear e Traçado de Esteiras
Rectangulares” a ser entregue no departamento
de ciências Naturais e Exactas para efeitos
avaliativos.
Docente: Ananias Pontavida
Universidade Católica
Niassa
2024
Índice
I. Introdução ............................................................................................................................ I-- 4 -
II. Objectivos ........................................................................................................................... II-- 4 -
A. Geral ........................................................................................................................ II-- 4 -
B. Específicos ............................................................................................................... II-- 4 -
III. Metodologias ...................................................................................................................... III-- 4 -
IV. Figuras Monolineares e Traçado de Esteiras Rectângulares ........................................... IV-- 5 -
A. Figuras monolineares ..............................................................................................IV-- 5 -
B. Simetria e monolinearidade dos Lusonas .................................................................IV-- 5 -
C. A galinha-do-mato fugitiva ......................................................................................IV-- 6 -
D. Definição de traçado de Esteiras rectangulares ........................................................IV-- 9 -
E. Traçado de Esteiras rectangulares .......................................................................... IV-- 10 -
F. A Etnomatemática no quotidiano da Escola ........................................................... IV-- 11 -
G. Aproveitamento didáctico do desenho das esteiras rectangulares. .......................... IV-- 13 -
V. Conclusão .......................................................................................................................... V-- 14 -
VI. Bibliografia ...................................................................................................................... VI-- 15 -
I. Introdução
Simetria é quando as partes de um elemento dividido no meio são iguais. Esse conceito é
utilizado na matemática, na geometria, na gramática, na arte, na natureza e na arquitectura. O
termo simetria vem do grego syn (junto) + metron (medida ou a qualidade do que tem a mesma
medida). Sendo assim, se um elemento é separado em partes e ambas, quando sobrepostas, têm o
mesmo tamanho, ele é considerado simétrico
II. Objectivos
A. Geral
Investigar e compreender as propriedades e características das figuras monolineares e do
traçado de esteiras rectangulares, buscando uma compreensão abrangente desses
conceitos na matemática e geometria.
B. Específicos
Analisar as propriedades das figuras monolineares e seu comportamento em diferentes
contextos geométricos.
Estudar os métodos e técnicas para o traçado de esteiras rectangulares, compreendendo
sua aplicação prática e teórica.
Identificar as relações entre figuras monolineares e traçado de esteiras rectangulares,
explorando possíveis intersecções e aplicações conjuntas desses conceitos.
III. Metodologias
Para a elaboração do presente trabalho para além dos conhecimentos práticos que possuímos,
recorrei a pesquisa bibliográfica que consistiu nas interpretações sólidas e fundamentadas por
diferentes autores de destaque que debruçaram-se sobre o tema em alusão e também recorre a
pesquisa documental, para recolher informações em diversos relatórios, monografias e teses de
doutoramento.
III-- 4 -
IV. Figuras Monolineares e Traçado de Esteiras Rectangulares
A. Figuras monolineares
As figuras monolineares são representações artísticas que utilizam apenas uma linha contínua
para criar formas, padrões e imagens. Esse estilo de arte valoriza a continuidade da linha, muitas
vezes explorando a simplicidade e a fluidez dos traços para expressar diferentes conceitos e
emoções. As figuras monolineares podem ser encontradas em diversas manifestações artísticas,
como desenhos, tatuagens, ilustrações e design gráfico, e são apreciadas por sua elegância e
capacidade de transmitir significados de forma minimalista.
B. Simetria e monolinearidade dos Lusonas
Os lusonas são um tipo de arte tradicional do povo Lunda, da região da África Central. Eles
consistem em padrões geométricos complexos e simétricos, muitas vezes representando conceitos
abstratos, histórias ou símbolos culturais.
A simetria desempenha um papel importante nos lusonas, pois muitos deles são desenhados de
forma a criar equilíbrio e harmonia visual por meio de formas simétricas e repetitivas. A simetria
é valorizada por sua capacidade de transmitir ordem e beleza nos padrões dos lusonas.
Quanto à monolinearidade, embora os lusonas tradicionais não sejam exclusivamente
monolineares, é possível encontrar elementos monolineares em alguns desses padrões. A
utilização de linhas contínuas em certas partes dos lusonas pode contribuir para a fluidez e
elegância das formas representadas.
Portanto, a simetria e a monolinearidade têm papéis distintos, mas complementares, nos lusonas,
contribuindo para a riqueza visual e cultural dessas expressões artísticas tradicionais.
Os lusonas tradicionais apresentam diversas características distintas, incluindo:
Padrões geométricos: Os lusonas são conhecidos por seus padrões geométricos
complexos, muitas vezes representando conceitos abstratos, histórias ou símbolos
culturais. A simetria desempenha um papel importante na composição desses padrões.
IV-- 5 -
Uso de cores: Os lusonas frequentemente empregam uma paleta de cores vibrantes e
variadas, contribuindo para a riqueza visual das peças.
Significados culturais: Muitos lusonas carregam significados culturais profundos,
transmitindo valores, crenças e tradições do povo Lunda.
Expressão artística: Os lusonas são uma forma de expressão artística tradicional,
transmitida ao longo das gerações e valorizada como parte da identidade cultural do povo
Lunda.
Alguns desenhos lusonasé que as suas linhas se podem desenhar sem levantar o dedo (1-linear) e
dizem-se Monolineares.
Os sona monolineares são semelhantes uns aos outros, cada um apresentando um desenho básico
em forma triangular. O desenho inicia com o modelo triangular e é transformado para o modelo
monolinear com a ajuda de um laço.
C. A galinha-do-mato fugitiva
Os sona podem ser classificados de acordo com o tipo de algoritmo geométrico usado para os
desenhar, por exemplo, as marcas deixadas no chão por uma galinha perseguida, como ilustra a
figura abaixo:
De acordo com este algoritmo, a galinha-do-mato é considerada fugitiva quando todos os pontos
da rede tiver a fronteiras de uma única linha fechada, caso contrário a galinha é dita não fugitiva.
(MALUCUA;2006;51)
De uma forma geral, a galinha-do-mato diz-se fugitiva da rede (t,k) se satisfaz as seguintes
condições:
1.𝒕 𝐞 𝒌 ∈ ℕ
2. 𝒕 ∈ {𝒏ú𝒎𝒆𝒓𝒐𝒔 𝒊𝒎𝒑𝒂𝒓𝒆𝒔}
IV-- 6 -
3. 𝒌 ∈ {𝒏ú𝒎𝒆𝒓𝒐𝒔 𝒑𝒂𝒓𝒆𝒔}
4. t 3 k >t
5. m.d .c(t , k ) 1
6. t e k são números consecutivos
Observe que a rede (9,10) acima satisfaz as condições mencionadas, daí que a galinha pode ser
considerada fugitiva na rede. Verifique se nas seguintes redes a galinha-do-mato foge.
Rede (3,4)
Rede (7,8)
Ora, nas redes (3,4) e (7, 8) os valores de t e k são consecutivos e observam as condições
impostas no algoritmo da galinha fugitiva. Então, pode-se dizer que a galinha-do-mato foge em
ambos os casos.
GERDES (2014:99) propõe um algoritmo para a construção de linhas do tipo galo em fuga:
Passo1: Uma linha do tipo “galo-em-fuga” arranca ligeiramente acima de um dos pontos,
numerados de par (segundo, quarto, sexto, etc.), da primeira fila. O referido número par tem de
ser diferente de 2𝑛 . Vira se, para a direita, em torno desse ponto e, em seguida, desce-
severticalmente em ziguezague, como mostra a Figura.
IV-- 7 -
Se o número par for igual a 2𝑛, então avança-se com o Passo 7.
Passo 2: Quando a linha chega à última fila, vira para a direita à volta do ponto mais próximo e
sobe fazendo um ângulo de 45º com as filas e colunas, até chegar à primeira fila ou à última
coluna.
Passo 3: Quando a linha chega à primeira fila, vira para a direita à volta do ponto mais próximo.
Se este ponto é o mesmo que aquele acima do qual a linha arrancou, então pára-se; um caminho
do tipo “galo em fuga”foi completado. Se o ponto não é nem o mesmo que o ponto de arranque
nem o último ponto da fila, repete-se o passo 1. Se é o último ponto da fila, então avança-se com
o Passo 7.
Passo 4: Quando a linha chega à última coluna, vira, para cima, à volta do ponto mais próximo e
avança em seguida, horizontalmente, da direita para a esquerda, em ziguezague.
Passo 5: Quando a linha chega à primeira coluna, vira, se possível, para cima, à volta do ponto
mais próximo, e, em seguida, sobe para a direita fazendo um ângulo de 45° com as filas e
colunas.
IV-- 8 -
Passo 6: Se não é possível virar para cima, a linha vira para a esquerda e para baixo à volta do
ponto mais próximo, isto é, do primeiro ponto da primeira coluna, e, em seguida, desce em
ziguezague para o último ponto da primeira coluna, vira em torno deste ponto e sobe para a
direita, fazendo um ângulo de 45° com as filas e colunas.
Passo 7:Quando a linha chega ao último ponto da primeira fila, vira à volta dele e desce ao longo
da última coluna em ziguezague; vira à volta do último ponto desta coluna e continua
horizontalmente para a esquerda em ziguezague.
D. Definição de traçado de Esteiras rectangulares
O traçado de esteiras retangulares refere-se a um padrão geométrico que consiste em linhas retas
que se entrelaçam formando uma grade retangular. Esse padrão pode ser utilizado em diversas
formas de arte, design ou arquitetura para criar efeitos visuais interessantes, texturas ou
composições simétricas. Os traçados de esteiras retangulares são frequentemente explorados em
contextos artísticos e culturais, sendo apreciados por sua regularidade e pela sensação de ordem
que transmitem. Eles podem ser encontrados em diferentes manifestações artísticas, desde
trabalhos manuais até projetos arquitetônicos e urbanísticos. Elas podem ser monolineares ou
polineares.
IV-- 9 -
As linhas traçadas não tocam nas extremidades da caixa, obtém-se um desenho da galinha-do-
mato perseguida, como ilustra a figura abaixo:
E. Traçado de Esteiras rectangulares
O traçado de esteiras rectangulares é uma prática matemática e cultural documentada pelo
etnomatemática Paulus Gerdes em suas pesquisas. Este é um exemplo de como os conhecimentos
matemáticos estão presentes em diversas culturas ao redor do mundo, inclusive em práticas
cotidianas e artesanais.
As esteiras rectangulares podem ser utilizadas como suportes para diversas actividades, como
assentos, camas ou tapetes, e o traçado dessas esteiras envolve conceitos geométricos e
matemáticos. Através de padrões e técnicas específicas, as comunidades que produzem essas
esteiras demonstram um conhecimento matemático incorporado em suas tradições.
A pesquisa de Paulus Gerdes destaca a importância de reconhecer e valorizar os diferentes modos
de expressão matemática presentes nas culturas ao redor do mundo, contribuindo para uma
compreensão mais ampla e inclusiva da matemática como parte integrante da diversidade
cultural.
O investigador etnomatemático Paulus Gerdes desenvolveu um conceito para entender o
procedimento:
1º Passo: Partindo da primeira figura, percebam que se trata de uma rede trançada composta de m
linhas e n colunas.
IV-- 10 -
2º Passo: Colocamos ao redor da figura uma caixa.
3º Passo: Se removermos o traço, teremos somente os pontos. Consideramos como se
estivéssemos olhando parauma caixa com pregos, vista de cima.
4º Passo: Agora a ideia é imaginar que se emite um feixe de luz vermelho em um ângulo de 45º a
partir do lado, directamente abaixo do ponto inferior esquerdo.
5º Passo: Este feixe de luz, saltará de todos os lados em ângulos de 45°, seguindo um caminho
que define a forma como uma versão rectangular da rede trançada.
F. A Etnomatemática no quotidiano da Escola
A etnomatemática no cotidiano da escola traz consigo uma abordagem que reconhece e valoriza
os conhecimentos matemáticos presentes nas diferentes culturas e contextos sociais dos
estudantes. Isso significa que a matemática não é vista como algo distante da realidade, mas sim
como uma disciplina que pode ser compreendida e explorada a partir das experiências e vivências
dos alunos.
Ao incorporar a etnomatemática na rotina escolar, os educadores podem promover uma
abordagem mais inclusiva e contextualizada do ensino da matemática. Isso pode envolver a
exploração de práticas matemáticas tradicionais de diferentes culturas, a discussão sobre
IV-- 11 -
problemas do dia-a-dia que envolvem conceitos matemáticos e a valorização das diversas formas
de pensar e resolver questões matemáticas.
Além disso, a etnomatemática no cotidiano da escola pode contribuir para o fortalecimento da
identidade cultural dos estudantes, ao reconhecer e valorizar os conhecimentos matemáticos
presentes em suas comunidades e tradições.
Dessa forma, a etnomatemática no cotidiano da escola não apenas enriquece o ensino da
matemática, mas também promove uma educação mais inclusiva, que reconhece a diversidade de
saberes e práticas matemáticas ao redor do mundo.
A disciplina conhecida como matemática, na verdade, é uma Etnomatemática que teve sua
origem e desenvolvimento na Europa mediterrânea, com contribuições das civilizações indiana e
islâmica. Posteriormente, no século XVI e XVII, essa forma de matemática foi difundida e
imposta em todo o mundo. Actualmente, a matemática adquiriu um carácter de universalidade,
especialmente devido ao domínio da ciência e tecnologia modernas desenvolvidas a partir do
século XVII na Europa. Essas influências mútuas moldaram a matemática como a conhecemos
hoje, presente nos currículos escolares ao redor do mundo.
Na obra "Da etnomatemática e arte-design e matrizes cíclicas" (2010), o etnomatemática Paulus
Gerdes destaca a importância da conscientização cultural na formação dos professores de
Matemática. Um exemplo disso é o pedido de Gerdes aos estudantes de diferentes regiões do país
para explicarem como são construídas as bases rectangulares das casas tradicionais em suas
regiões.
Um dos métodos apresentados pelos estudantes para construção das bases rectangulares envolve
o uso de dois paus longos de bambu dispostos no chão como ponto de partida.
Essa abordagem demonstra a relevância da etnomatemática ao conectar os conhecimentos
matemáticos com as práticas culturais locais, enriquecendo assim o entendimento da disciplina e
promovendo uma educação matemática mais inclusiva e contextualizada.
IV-- 12 -
G. Aproveitamento didáctico do desenho das esteiras rectangulares.
O desenho das esteiras rectangulares pode ser aproveitado de diversas maneiras no contexto
didáctico, especialmente para explorar conceitos matemáticos e culturais de forma
interdisciplinar.
Do ponto de vista matemático, o desenho das esteiras rectangulares pode ser utilizado para
abordar conceitos como proporções, simetria, geometria e padrões, permitindo aos alunos
explorar e compreender esses conceitos de forma prática e visual. Além disso, o estudo das
esteiras rectangulares pode ser uma oportunidade para discutir medidas, cálculo de áreas e
perímetros, proporcionando uma aplicação concreta desses conceitos matemáticos.
Já do ponto de vista cultural, o desenho das esteiras rectangulares pode ser uma porta de entrada
para a discussão sobre as tradições e práticas artesanais de diferentes culturas ao redor do mundo.
Isso possibilita aos alunos uma compreensão mais ampla da diversidade cultural e a valorização
das contribuições de diferentes comunidades para o desenvolvimento humano.
Além disso, o desenho das esteiras rectangulares pode ser integrado a actividades práticas, como
a confecção artesanal de esteiras utilizando materiais diversos, promovendo assim a criatividade,
a habilidade manual e o trabalho em equipa.
Dessa forma, o aproveitamento didáctico do desenho das esteiras rectangulares pode enriquecer o
ensino ao proporcionar uma abordagem interdisciplinar que integra matemática, arte e cultura,
estimulando a aprendizagem significativa e o respeito à diversidade.
IV-- 13 -
V. Conclusão
Os sona monolineares são semelhantes entre si, apresentando um desenho triangular básico que é
transformado em um modelo Monolinear com a ajuda de um laço. Segundo esse algoritmo, a
galinha-do-mato é considerada fugitiva quando todos os pontos da rede formam uma única linha
fechada, caso contrário, ela é considerada não fugitiva. A Etnomatemática, definida por Ubiratan
D’Ambrósio, compreende as diferentes formas de matemáticas presentes em grupos culturais,
reconhecendo a presença da matemática na cultura de todos os povos e sua origem na resolução
de problemas do dia-a-dia. Isso envolve compreender e valorizar a matemática praticada por
diferentes profissões e em diversas culturas, como a indígena, cigana e ribeirinha.
V-- 14 -
VI. Bibliografia
Acher, M. - “ Ethnomathemtics” - Brooke&Cole - (1991) Caraher, T; Carahes, D.; Schliemann,
A - “Na vida dez, na escola zero” - Cotez - (1988)
Cristaldo, J. - “ Uma teocracia na Amazônia”. Ponto Crítico - Jornal a Folha de São Paulo.
(12/02/95)
D’Ambrósio, U. - “Ethnomatematicsanditsplace in the History of Pedagogy of Mathematics” -
For the Learning of Mahthematics - (1985) 5#1
D’Ambrósio, U. - “Etnomatemática: Um Programa” - Educação Matemática em Revista -
SBEM (1993) nº 1, 5 - 11 - (1996)
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