0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações38 páginas

Sistemas de Amortização Financeira

Enviado por

Isabelle Barbosa
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações38 páginas

Sistemas de Amortização Financeira

Enviado por

Isabelle Barbosa
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

MATEMÁTICA

FINANCEIRA
Ricardo Cintra

e-Book 3
Sumário
INTRODUÇÃO������������������������������������������������� 3

SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO���������������������� 5

SISTEMA FRANCÊS��������������������������������������� 7

SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO
CONSTANTE (SAC)�������������������������������������� 17

SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO MISTO (SAM)� 23

CONSIDERAÇÕES FINAIS���������������������������� 32

SÍNTESE������������������������������������������������������� 34

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS &


CONSULTADAS�������������������������������������������� 35

2
INTRODUÇÃO
As maneiras como são planejados os eventos de
pagamento de empréstimos contraídos junto ao
sistema financeiro são conhecidas por Sistemas
de Amortização. Nossa atenção estará, a partir de
agora, direcionada a três desses sistemas, não por
acaso os mais praticados no Brasil e fora dele: o
Sistema Francês, muito conhecido no Brasil como
Sistema Price, o Sistema de Amortização Constante
(SAC) e o Sistema de Amortização Misto (SAM).
Outros, a exemplo do Sistema Americano, Sistema
Hamburguês e Sistema de Amortização Crescente
(SACRE) não serão abordados.

Cada um dos sistemas, como será visto, tem carac-


terísticas muito claras e próprias, de tal forma que
o estudo do tema é bastante facilitado, porque os
três sistemas a estudar são inconfundíveis entre
si. A relevância de se conhecer essas maneiras de
honrar compromissos decorre da possibilidade de
se escolher, sempre que possível, o sistema mais
adequado às características de cada empresa ou
pessoa física, naquele momento e nos momentos
futuros. Você aprenderá a avaliar qual sistema é
mais adequado para um devedor que, inicialmente,
esteja com o caixa mais pressionado, preferindo,
portanto, prestações menores no início dos paga-
mentos. Outros devedores, no mesmo momento,

3
poderão pretender exatamente as prestações
iniciais maiores, para que o custo final de financia-
mento seja menor. Haverá, também, aqueles que
preferirão pagar um pouco mais, mas ter parcelas
iguais pela frente, com total previsibilidade. O mais
importante nesse tipo de decisão é ter as informa-
ções necessárias às decisões conscientes e saber
interpretar essas informações. De nada adiantaria
estar diante de informações sem poder aproveitá-
-las. Seria o mesmo se elas não estivessem lá, não
seria? Bem, vamos começar, então?

4
SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO
Sistemas de amortização são planos de pagamen-
tos com intervalos determinados, cujo objetivo é a
extinção de dívidas, originadas por empréstimo ou
por financiamento. Antes de estudarmos os siste-
mas ou métodos de amortização, já anunciados, é
preciso que alguns componentes mais importantes
do jargão do tema sejam de seu conhecimento e,
mais que conhecidos, sejam perfeitamente com-
preendidos. Antes de qualquer outra providência, é
necessário que você entenda o que é, tecnicamente,
uma prestação. Observe o diagrama seguinte e
nossa conversa será muito facilitada.

Figura 1: Prestação.

Amortização Juros Prestação

Fonte: Elaboração própria.

A ideia, então, é que, desde já, a terminologia seja


usada corretamente, como aqui. Muitas pessoas
dizem “prestação” referindo-se à “amortização”
e vice-versa. Qual o correto? Depende daquilo a
que você pretende se referir. Quando você de-
sejar fazer alguma referência à parcela do valor

5
principal, a ser devolvida todas as vezes em que
você pagar uma das prestações mensais (ou de
qualquer outra periodicidade), você deverá dizer
amortização. Então, em cada um dos pagamentos
que você fizer, em grande parte das vezes, você
estará devolvendo um pouco do capital que lhe foi
emprestado. Você acabou de ler “em grande parte
das vezes”, porque existem sistemas, que não
estudaremos dessa vez, em que isso não ocorre.
Nos três sistemas a serem vistos aqui, a soma de
amortização com os juros devidos a cada período
resultará na prestação. O termo “amortização” é
também utilizado no sentido de “extinção de uma
dívida” – há diversos registros assim na literatura.

Outro esclarecimento importante para o entendimento


dos três sistemas: os juros, o outro componente
das prestações, sempre serão cobrados sobre o
saldo devedor, afinal, não pode haver expectativa
de que sejam cobrados juros sobre capital não
utilizado ou já retornado à fonte.

Acesse o Podcast 1 em módulos

6
SISTEMA FRANCÊS
Você já deve ter visto propagandas ou mesmo ter
contratado algum empréstimo cujas prestações são
iguais, da primeira à última. Essas operações são
muito comuns em financiamentos de veículos e de
outros bens de consumo, além de ser amplamente
utilizadas, mesmo em empréstimos não vinculados à
aquisição de bens. É, de longe, o sistema mais utiliza-
do no mundo. Ele é realmente francês, e bem antigo,
pois data do século 18. Seu idealizador, o matemático
Richard Price, acabou por ser homenageado e ter seu
sobrenome batizando o sistema por ele criado. Sim,
o Sistema Francês também é conhecido por Sistema
Price, mas somente aqui no Brasil.

A principal característica desse sistema é o fato


de se estabelecer todas as prestações iguais. A
propósito, nas calculadoras financeiras e em ou-
tros equipamentos, quando se calculam valores
de “prestações iguais”, o programa em uso estará
aplicando, necessariamente, o Sistema Price.

A partir de agora, vamos considerar um mesmo finan-


ciamento hipotético e considerá-lo para apresentar
os três sistemas. Dessa forma, as diferenças entre
eles ficarão mais evidenciadas. Será considerado,
para todos os sistemas, então, um empréstimo
obtido em organismo internacional, com valor
de US$ 50 milhões, a ser pago em 5 prestações,

7
anuais e sucessivas, sob juros efetivos de 14,0%
a.a. Também para facilitar sua compreensão, será
utilizado, nos 3 sistemas, um mesmo layout de
planilha de pagamentos, mostrado a seguir.

Tabela 1: Layout de planilha de pagamentos.


Identificação do Sistema de Amortização

t Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

Total

Fonte: Elaboração própria.

Como a característica do sistema é ter o mesmo


valor para todas as prestações, este deverá ser
o primeiro número a ser determinado. Para isso,
será considerada a relação:

Onde:
VP = Valor principal da operação

i = taxa de juros, por período de capitalização

n = número de períodos de capitalização

8
Substituindo-se os valores (em US$1,000) neces-
sários na equação, teremos:

Já é possível iniciarmos o preenchimento da pla-


nilha referente ao Sistema Francês da operação
em questão, assim:

Tabela 2: Planilha com as prestações.


Sistema Francês (Price)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 14.564,18

2 14.564,18

3 14.564,18

4 14.564,18

5 14.564,18

Total 72.820,89

Fonte: Elaboração própria.

Os dois próximos passos poderão ser realizados


de uma só vez: preencher, nessa ordem, os valores
de juros e de amortização referentes ao primeiro
ano. Os juros 1 incidirão sobre o saldo devedor
(50.000), como se sabe, à razão de 14,0% a.a. e o
valor da amortização que deverá ser feita ao final
do primeiro ano será a diferença entre o valor da
Prestação1 e Amortização1.

9
Tabela 3: Valores para o primeiro ano.
Sistema Francês (Price)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 7.564,18 7.000,00 14.564,18

2 14.564,18

3 14.564,18

4 14.564,18

5 14.564,18

Total 72.820,89

Fonte: Elaboração própria.

Com esses valores encontrados, já é possível


calcularmos o valor de saldo devedor no fim do
segundo ano. Note que no final do primeiro ano o
saldo devedor era de US$ 50 milhões, mas a primeira
amortização (US$ 7,564 milhões) estava para ser
paga, o que faria com que o saldo devedor até o
final do segundo ano fosse US$ 42,435 milhões
(US$ 50 milhões - US$ 7,564 milhões).

Na sequência, deveriam ser calculados os juros


a pagar no final do segundo ano, procedimento
simples de aplicar 14% sobre o saldo devedor 2.
O resultado deve ser US$ 5,941.

10
Tabela 4: Valores para o segundo ano.
Sistema Francês (Price)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 7.564,18 7.000,00 14.564,18

2 42.435,82 5.941,02 14.564,18

3 14.564,18

4 14.564,18

5 14.564,18

Total 72.820,89

Fonte: Elaboração própria.

Repetindo-se os procedimentos já explicados,


você terá a tabela referente ao Sistema Francês
completo, como mostrado a seguir:

Tabela 5: Tabela do Sistema Francês completo.


Sistema Francês (Price)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 7.564,18 7.000,00 14.564,18

2 42.435,82 8.623,16 5.941,02 14.564,18

3 33.812,66 9.830,40 4.733,77 14.564,18

4 23.982,26 11.206,66 3.357,52 14.564,18

5 12.775,59 12.775,59 1.788,58 14.564,18

Total 50.000,00 22.820,89 72.820,89

Fonte: Elaboração própria.

11
É possível notar, claramente, que os juros são
declinantes, ao passo que as amortizações são
constantes.

Observe mais este exemplo, apresentado no site


do Banco Central do Brasil (BC). É importante anali-
sarmos exemplos “reais” para que você tenha total
segurança em relação ao que está aprendendo. O
BC tem um canal intitulado Calculadora do Cidadão
(BRASIL, [20--]), onde qualquer pessoa pode simular
algumas operações, com segurança, afinal trata-se
de uma comodidade oferecida por uma autoridade
monetária. Analise a tela oferecida:

Figura 2: Calculadora do cidadão no site do Banco Central


do Brasil.

Fonte: Banco Central do Brasil.

12
Na mesma página, o visitante encontra o seguinte
exercício, proposto pelo próprio BC: “A um cidadão
é oferecido um bem no valor de R$ 1290,00. Para
esse pacote, existe a opção de pagar em 4 pres-
tações mensais fixas sem entrada, com taxa de
juros de 1,99% ao mês. Qual o valor da prestação?”.
Se o interessado preencher corretamente, a tela
passará a ter essa aparência:

Figura 3: Calculadora do cidadão com preenchimento de


exercício proposto.

Fonte: Banco Central do Brasil.

O resultado da simulação será obtido pela utilização


da tecla indicada pela seta vermelha. A resposta
será imediata e, para os dados deste exemplo, seria:

13
Figura 4: Calculadora do cidadão com resolução do
exercício proposto.

Fonte: Banco Central do Brasil.

Observe que, além do valor de cada uma das


parcelas, o BC fornece o total de juros a serem
pagos. Agora, pelo que já se explicou, observe
essa operação em seus detalhes, mas que você
poderia elaborar ou entender completamente se
lhe fosse apresentada. Importante lembrar que,
se as prestações são iguais, o Sistema utilizado
é o Francês.

Tabela 6: Tabela com os valores propostos no exercício


do BC.
Sistema Francês (Price)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 1.290,00 313,03 25,67 338,70

2 976,97 319,26 19,44 338,70

3 657,71 325,61 13,09 338,70

4 332,10 332,09 6,61 338,70

14
Sistema Francês (Price)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1.289,99 64,81 ~
Total 1.354,80
~1.290,99 64,80

Fonte: Elaboração própria.

Valor de cada prestação:

1 + 0,0199 4 × 0,0199
Prest𝐏𝐏𝐏𝐏𝐏𝐏𝐏𝐏𝐏𝐏= 1.290,00 ×
(1 + 0,0199)4 – 1
= 338,70

Valor de juros, referente ao primeiro mês (J1):

J1 = 1.290,00 × 0,0199 = 25,67

Valor de amortização, referente ao primeiro mês


(A1):

A1 = 338,70 – 25,67 = 313,03

Valor de saldo devedor, referente ao 2º, mês (SDv2):

SDv2 = 1.290,00 – 313,03 = 976,97

15
Os demais valores de juros, amortizações e saldos
devedores devem ser calculados de maneira aná-
loga. Seguindo esse procedimento, você chegaria,
para o total de juros, ao valor de R$64,81, muito
próximo (com diferença não significativa, aliás) ao
número fornecido pelo BC aos seus consulentes
(R$64,80). Então, com essa “verificação”, você fica
totalmente confiante? É para ficar!

16
SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO
CONSTANTE (SAC)
O nome desse segundo sistema, que tem larga
aplicação internacionalmente e é muito elogiado
(muito mesmo!) no Brasil e em outros países,
já é notícia significativa acerca de sua principal
característica. Isso mesmo! Nesse sistema, as
amortizações são constantes e deverão ter seu
valor calculado e lançado na planilha. Lembra-se
da definição de amortização? Seu valor, então,
será facilmente determinado, dividindo-se o valor
da operação pela quantidade de parcelas (cinco,
nesse caso) assim:

Amortização
Conhecidas todas as amortizações, já é possível,
também, preencher todos os valores de saldo
devedor, conforme quadro a seguir:

Tabela 7: Valores de saldo devedor e amortização.


Sistema de Amortização Constante (SAC)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 10.000,00

2 40.000,00 10.000,00

3 30.000,00 10.000,00

4 20.000,00 10.000,00

17
Sistema de Amortização Constante (SAC)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

5 10.000,00 10.000,00

Total 50.000,00

Fonte: Elaboração própria.

Com todos os valores de saldo devedor indicados,


passa a ser possível calcular, também, todos os
valores de juros:

Tabela 8: Valores de saldo devedor, amortização e juros.


Sistema de Amortização Constante (SAC)

Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 10.000,00 7.000,00

2 40.000,00 10.000,00 5.600,00

3 30.000,00 10.000,00 4.200,00

4 20.000,00 10.000,00 2.800,00

5 10.000,00 10.000,00 1.400,00

Total 50.000,00 21.000,00

Fonte: Elaboração própria.

Feito isso, somando-se cada amortização com os


valores de juros, referentes a cada ano, terá sido
determinado o valor de cada prestação e comple-
tado o quadro SAC assim:

18
Tabela 9: Valores de saldo devedor, amortização, juros e
prestação.
Sistema de Amortização Constante (SAC)
Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

1 50.000,00 10.000,00 7.000,00 17.000,00

2 40.000,00 10.000,00 5.600,00 15.600,00

3 30.000,00 10.000,00 4.200,00 14.200,00

4 20.000,00 10.000,00 2.800,00 12.800,00

5 10.000,00 10.000,00 1.400,00 11.400,00

Total 50.000,00 21.000,00 71.000,00

Fonte: Elaboração própria.

Antes de prosseguirmos para mais um sistema,


seria interessante uma comparação (por mais de
um critério) dos dois modelos já comentados, Price
(linha azul na figura a seguir) e SAC (linha laranja).
Essa primeira figura compara valores das prestações
e deixa muito claro que o Sistema Francês perma-
nece mais oneroso que o SAC, na maior parte do
prazo da operação. Prestações decrescentes são
um grande atrativo do SAC, quanto maior o prazo
da operação mais vantagem trará o sistema em
relação aos outros dois. Esse sistema faz grande
sucesso internacional, inclusive junto a bancos de
desenvolvimento (ou de fomento) como é o nosso
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).

19
Figura 5: Gráfico comparativo do valor da parcela entre o
sistema Price e o sistema SAC.

Fonte: CalculadoraFácil.

Na próxima figura, é destacada a rampa bem vi-


gorosa traçada pela linha azul, que representa a
amortização do Sistema Price. A linha do SAC, por
definição, não poderia ter outro traçado diferente
do que se vê.

20
Figura 6: Gráfico comparativo da amortização entre o
sistema Price e o sistema SAC.

Fonte: CalculadoraFácil.

E quanto ao saldo devedor, o que se observa em


Price x SAC? A linha azul (Price), apresenta um
claro desvio em relação ao que se poderia chamar
de trajetória reta mostra que o saldo devedor do
Sistema Francês demora mais para ser reduzido.
Essa é uma boa razão para que o Sistema Francês
seja evitado para operações de prazo mais longo,
pois ele impõe sacrifício financeiro ao devedor.

21
Figura 7: Gráfico comparativo do saldo devedor entre o
sistema Price e o sistema SAC.

Fonte: CalculadoraFácil.

Acesse o Podcast 2 em módulos

22
SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO
MISTO (SAM)
O Sistema de Amortização Misto (SAM) também
é utilizado em operações de prazos mais longos,
como ocorre com o financiamento de imóveis.
Aliás, não há coincidência nisso, o sistema foi
criado pelo extinto Banco Nacional da Habitação
(BNH), no final dos anos 1970. Aquele banco era o
gestor do Sistema Financeiro da Habitação (SFH),
responsabilidade que foi herdada pela Caixa Eco-
nômica Federal.

Hora de observarmos o quadro SAM completo: em


qualquer operação, o valor da quinta prestação
SAM será a média aritmética simples entre a quinta
prestação Price e a quinta prestação SAC, e assim
por diante. Somente com essas informações e já
conhecendo os quadros Price e SAC completamente
já é possível compor o quadro SAM:

Tabela 10: Valores de saldo devedor, amortização, juros e


prestação pelo SAM.
Sistema de Amortização Misto (SAM)
Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação
1 50.000,00 8.782,09 7.000,00 15.782,09
2 41.217,91 9.311,58 5.770,51 15.082,09
3 31.906,33 9.915,20 4.466,89 14.382,09

4 21.991,13 10.603,33 3.078,76 13.682,09

23
Sistema de Amortização Misto (SAM)
Ano Saldo Devedor Amortização Juros Prestação

5 11.387,80 11.387,80 1.594,29 12.982,09

Total 50.000,00 21.910,44 71.910,44

Fonte: Elaboração própria.

Uma nota importante: é fato que todas as prestações


SAM são médias aritméticas das prestações Price
e SAC, de mesma ordem, mas você não precisará
conhecer as duas planilhas inteiras para calcular
qualquer prestação SAM. Para isso, basta que você
tenha o valor da amortização SAC e da prestação
Price. Considere a relação a seguir:

Onde:

= Prestação SAM de ordem t

PrestPrice = Valor da prestação Price

AmortSAC = Valor da amortização SAC

i = taxa de juros a considerar, em qualquer sistema

n = prazo de operação

t = “valor” da ordem cuja prestação se deseja


determinar

24
Vamos analisar se a relação matemática funciona?
No que se refere à operação que se tem usado
como modelo, nos três sistemas, vamos determinar
a quarta prestação SAM, isto é, ?

Passo 1: Determinar o valor da Prestação Price


1 + 0,14 5×0,14
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑡𝑡𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 = 50.000× = 14.564,18
1 + 0,14 5 − 1

Passo 2: Determinar o valor da Amortização SAC

Amortização

Passo 3: Substituir valores na equação

𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑡𝑡&'()
= 0,5{14.564,18 + 10.000 1 + 0,14 5 − 4 + 1 }

Terá dado certo? Necessário conferir a planilha


SAM, já estudada, e analisar se a quarta prestação
tem esse valor mesmo. Se estiver correto, teremos
mais uma informação válida, mais um recurso.

Estudados os três sistemas e feitos alguns comen-


tários comparativos, ao longo da apresentação,
perceba o que acontece quando os três sistemas

25
têm alguns valores monetários destacados e
mostrados simultaneamente. A tabela seguinte
traz três critérios de comparação: total de juros
pagos, valores das primeiras prestações e das
últimas (quintas, nesse caso). O Price se mostra
o mais caro, consumindo mais dinheiro para o
pagamento de juros.

Se o critério for a pressão que cada sistema exerce


sobre o caixa do devedor, nos primeiros tempos
do financiamento, nota-se que o SAM deve ser
evitado por aqueles devedores ou candidatos a
essa condição que estejam com restrições de
orçamento. As prestações iniciais desse sistema
são bem maiores que nos outros dois casos.

E na fase final de cada financiamento, qual é o


mais oneroso? O Price é o grande derrotado nes-
se critério – bem mais caro que os concorrentes.
Lembra-se de que quando começamos a tratar de
Matemática Financeira dissemos que, embora o
foco do curso seja o corporativo, haveria benefícios
para as finanças pessoais, suas e de sua família?
Estou certo de que, tratando-se de sistemas de
amortização, particularmente se a prazo mais
longo, você pretenderá manter o Price à distância.

26
Tabela 11: Comparativo financeiro entre os diferentes
sistemas.
Comparativo financeiro
Critério Price SAC SAM
Total de Juros 22.820,89 21.000,00 21.910,44
Prestação 1 14.564,18 7.000,00 15.782,09
Prestação 5 14.564,18 11.400,00 12.982,09

Fonte: Elaboração própria.

Uma análise comparativa, agora, dos três siste-


mas, simultaneamente, em meio gráfico, poderá
evidenciar um pouco mais alguns aspectos.

Figura 8: Análise comparativa entre os três sistemas.

Fonte: Vieira Sobrinho (2018).

27
Na operação a que se refere o gráfico, a partir do
quadragésimo mês, a prestação do SAC inicia
uma queda bastante acentuada, distanciando-se
da prestação Price (obviamente, porque ela é fixa)
e da SAM. Quanto ao Sistema SAM, não se deve
esperar muitos comentários, já que, por definição,
ele estará sempre em situação intermediária em
relação aos dois sistemas que lhes deram origem.
Esse gráfico deixa muito clara a superioridade (em
termos de benefícios) do SAC em relação ao Price,
particularmente em prazos maiores.

Figura 9: Análise comparativa entre os três sistemas.

Fonte: Vieira Sobrinho (2018).

28
Certamente você se recorda da seguinte afirma-
ção: “o menor caminho entre dois pontos é uma
reta”. Com este pensamento, observe o gráfico
imediatamente anterior. Ele relaciona saldo de-
vedor com número de ordem da prestação e se
refere aos três sistemas que estamos estudando.
É notável que no sistema SAC o saldo devedor cai
mais rapidamente (é o menor caminho entre dois
pontos!); as linhas que representam a queda de
saldo devedor nos outros 2 sistemas são curvas,
portanto, representam caminhos mais longos,
quedas mais lentas de saldo devedor.

Os juros são devidos sobre saldo devedor, certo?


Então, nos sistemas de amortização em que o
saldo devedor cai mais lentamente (Price e SAM),
o que se deve esperar que aconteça com os juros
embutidos em cada prestação desses mesmos
dois sistemas? Deve-se esperar que os juros
caiam mais lentamente ou mais rapidamente? É
exatamente dessa questão que o gráfico a seguir
trata. Observe-o:

29
Figura 10: Análise comparativa entre os três sistemas.

Fonte: Vieira Sobrinho (2018).

Você percebeu que, como era esperado, no gráfico


valor das parcelas de juros X Número de ordem da
prestação, os juros do SAC caem mais rapidamente
que nos outros dois sistemas? Se você percebeu
isso, o assunto está muito bem compreendido por
você. Se não percebeu, leia mais uma vez essa aná-
lise gráfica e as informações que dela se extraem.

SAIBA MAIS

Você gostaria de conhecer a opinião do Banco Central


do Brasil sobre alguns componentes de conteúdo que
você está estudando? Fica a sugestão de você seguir o

30
link abaixo e ler uma pergunta (Pergunta nº8) enviada ao
BACEN e a resposta que o cidadão ou cidadã recebeu.
Pode ser positivo você perceber que seu vocabulário,
nesta pauta, já é tão profissional quanto o da autoridade.
Saiba mais em:

[Link]
perguntasfrequentes-respostas/faq_creditoimobiliario

31
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Sistemas de Amortização (ou Sistemas de
Pagamento) têm vasto campo de aplicação no
meio comercial, com algumas especificidades a
se considerar. O Sistema Francês é o que mais
possibilidades tem de ser aplicado, porque é útil
para qualquer atividade em que se possam utilizar
parcelamentos com prestações iguais. Assim, se
o ambiente (real ou virtual) for comercial varejista,
onde se estiver comprando um eletrodoméstico,
lá estará o “Price”; se a conversa se referir a uma
renegociação de dívida ou a uma compra de veículo,
desde que o pagamento esteja sendo negociado em
parcelas iguais, lá estará bem, você já sabe. Com
os outros sistemas já se tem usos mais restritos.

Nos planos de pagamentos que envolvam prazos


mais longos, o SAC é mais indicado, pelo que já
se viu em detalhes, e, mesmo que não seja ofere-
cido, avaliando-se custo, a recomendação é clara
no sentido de que haja a tentativa de adotá-lo na
operação de que se estiver tratando. Pedir nada
custa e, nesse caso, literalmente, poderá valer di-
nheiro. Aliás, nesse caso, o que custa é não pedir.

O Sistema de Amortização Misto, na atualidade, e


entre os três, é o menos utilizado e, quando isso
ocorre, é para prazos mais longos também. E ainda
bem que é assim, porque “aquele já famoso” sistema

32
das prestações iguais será tanto mais prejudicial
ao pagante quanto maior for o prazo da operação
e você viu isso, em números e em gráficos.

33
MATEMÁTICA
FINANCEIRA

Sistemas de Amortização

• O Sistema Francês, adotado mundialmente, tem grande aplicação, não só no


ambiente bancário, financeiro, mas no ambiente comercial varejista. Não há como
negar-lhe atenção.

• O Sistema de Amortização Constante (SAC), além de seu emprego em outros


países e por instituições financeiras oficiais, assumiu protagonismo no Brasil, haja
vista suas vantagens em relação a outros sistemas.

• O Sistema de Amortização Misto, resultante da “união” dos outros dois sistemas,


também foi apresentado, começando pelos fundamentos do sistema, além de
inclui-lo nos diversos momentos de análise comparativa, preparados para você.

• O tratamento algébrico do tema foi também detalhado em várias oportunidades


e apresentado a você, passo a passo, cuidadosamente, com muito apoio de
ilustrações.
Referências Bibliográficas
& Consultadas
3 DIFERENÇAS ENTRE SISTEMA SAC E TABELA
PRICE. Calculadora fácil, 2019. Disponível em:
[Link]
sistema-sac-e-tabela-price. Acesso em: 4 out.
2019.

ASSAF NETO, A. Matemática financeira: edição


universitária. São Paulo: Atlas, 2017. [Minha
Biblioteca]

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Boletim Focus.


Brasília, 18 set. 2019. Disponível em: https://
[Link]/content/focus/focus/
[Link]. Acesso em 24 set. 2019.

BRANCO, A. C. C. Matemática financeira


aplicada: método algébrico, HP-12C, Microsoft
Excel. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015.
[Minha Biblioteca].

BRASIL. Banco Central do Brasil.


Ministério da Fazenda. Calculadora do
cidadão. [20--]. Disponível em: https://
[Link]/CALCIDADAO/publico/
[Link]
Acesso em: 16 Out. 2019.
BREALEY, R. A.; MYERS, S. C.; ALLEN, F.
Princípios de finanças corporativas. 12. ed.
Porto Alegre: AMGH, 2018. [Minha Biblioteca].

GIMENES, C. M. Matemática financeira com HP


12C e Excel: uma abordagem descomplicada.
São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.
[Biblioteca Virtual].

GIMENES, C. M. Matemática financeira. [Link].


São Paulo: Pearson, 2009. Disponível em
[Biblioteca Virtual].

GITMAN, L. J.; ZUTTER, C. J. Princípios da


administração financeira. 14. ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2017. [Biblioteca Virtual].

ÍNDICE nacional de preços ao consumidor


amplo-IPCA. Portal [Link], 2019. Disponível
em: [Link]
Acesso em 27 set. 2019.

NETO, A. A.; LIMA, F. G. Curso de administração


financeira. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2019. [Minha
Biblioteca].

NETO, A. A.; LIMA, F. G. Fundamentos da


administração financeira. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 2017. [Minha Biblioteca].
PUCCINI, A. L. Matemática financeira: objetiva
e aplicada. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
[Minha biblioteca].

SAMANEZ, C. P. Matemática financeira:


aplicações à análise de investimentos. 4.
ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
[Biblioteca Virtual].

VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática financeira.


8. ed. São Paulo: Atlas, 2018. [Minha Biblioteca].

Você também pode gostar