MATEMÁTICA
FINANCEIRA
Ricardo Cintra
e-Book 4
Sumário
INTRODUÇÃO������������������������������������������������� 3
SÉRIES DE PAGAMENTOS����������������������������� 5
ANUIDADES POSTECIPADAS������������������������ 9
Anuidades postecipadas e não diferidas���������������������������� 9
Anuidades postecipadas e diferidas��������������������������������� 15
ANUIDADES ANTECIPADAS������������������������ 27
PERPETUIDADES����������������������������������������� 38
EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS���������������������� 45
CONSIDERAÇÕES FINAIS���������������������������� 51
SÍNTESE������������������������������������������������������� 52
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS &
CONSULTADAS�������������������������������������������� 53
2
INTRODUÇÃO
Neste e-book de Matemática Financeira estuda-
remos as Séries de Pagamentos, também conhe-
cidas por Anuidades, assunto bastante relevante
para quem pretende atuar em finanças, desde as
funções de ingresso na área até as mais elevadas.
Sim, compreender as séries é útil porque esse
conhecimento é necessário em todos os níveis
de uma organização, para um profissional de
finanças. Também neste e-book, será muito útil
que você não deixe de aproveitar a oportunidade
para compreender alguns acontecimentos com os
quais, talvez, você já tenha se deparado, tratando
de assuntos do lar, da família e seus.
Inicialmente você poderá compreender as diferenças
entre pagamentos/recebimentos “com entrada” e
“sem entrada”. Você já ouviu essas expressões?
Certamente sua resposta é sim! E de pagamentos/
recebimentos que serão vitalícios, isto é, “para toda
a vida”, você já teve alguma aproximação, mesmo
que pela TV? Agora, operações (empréstimos
bancários, por exemplo) “com carência” e “sem
carência” são tão comuns que é quase impossível
que você não tenha se aproximado de uma ope-
ração desse tipo, mesmo que sem perceber. Por
um comercial de veículo na TV você passa a saber
que o carro “tal” está à venda em 40 parcelas, mas
3
a primeira delas somente vencerá 90 dias após a
compra. Tem-se, nesse caso, a aplicação de uma
série uniforme “com carência”. Você estudará isso.
Concluindo o e-book, você estudará a “equivalência
de capitais”, tópico que pode ser aplicado em uma
situação de negociação de formas de pagamento/
recebimento. Nessas situações, você vê chamadas
comerciais semelhantes a “aqui o cliente diz como
quer pagar”, “o melhor plano de pagamento é o que
você propõe” etc. Certamente os detalhes serão
muitos, mas da maneira como serão apresentados
a você, estou certo de que seu aproveitamento será
excelente. Vamos ao trabalho?
4
SÉRIES DE PAGAMENTOS
As séries, ou anuidades, embora muito comumente
sejam intituladas “de pagamentos”, poderão ser,
também, “de recebimentos”, dependendo do lado
da negociação em que o observador esteja. Não
é comum ler “séries de recebimentos” em algum
texto, então esteja preparado para resolver proble-
mas que envolvam recebimentos da empresa que
você representa a partir de manuais que tratem de
“série de pagamentos”. Talvez por isso o termo
“anuidades” seja prevalente no meio corporativo.
Existem vários tipos de anuidades, haja vista os
eventos financeiros que as compõem poderem ter
características bem diferentes também. Assim é
que, antes de qualquer outra coisa, é necessário
conhecer a multiplicidade de possibilidades, no
que se refere aos eventos financeiros que, juntos,
constituirão anuidades. Tempo de conhecer as
categorias de eventos, quanto a: 1) valor, 2) perio-
dicidade, 3) quantidade, 4) época das ocorrências,
se no início de cada período ou no seu final, e 5)
existência ou não de período de carência. Analise-
mos, em detalhes, essas diversas possibilidades.
1) Se o critério for o valor de cada evento, as
anuidades poderão ser uniformes, se todos os
eventos tiverem o mesmo valor, e não uniformes,
5
se houver ao menos um evento com valor diferente
dos demais.
2) A periodicidade dos eventos diferenciará uma
anuidade periódica, em que há homogeneidade dos
intervalos, de outra não periódica, na qual haja ao
menos um intervalo diferente dos demais.
3) Quantidade dos eventos, se limitada a um prazo
ou não, determinará se uma anuidade é finita ou
infinita, respectivamente.
4) Se os eventos ocorrerem no início de cada
período, a anuidade será dita antecipada. Note
que o início do primeiro período é o “momento”
de contratação da operação a que se refere a
anuidade. Em uma operação comercial de varejo,
seria o caso de um parcelamento “com entrada”.
Se os eventos ocorrerem no final de cada um
dos períodos, a anuidade deverá ser considerada
postecipada.
5) Anuidade que tenha algum tempo de carência,
isto é, tenha o primeiro evento ocorrendo em inter-
valo maior que um período, após a contratação da
operação, serão chamadas de diferidas. Aquela
cujo primeiro evento ocorra no primeiro período
(sem importar se no seu início ou no seu fim) será
uma anuidade não diferida.
6
A partir deste ponto, cada um dos tipos de anuidade
será apresentado, analisado, em seus detalhes, mas,
antes de se iniciar o estudo propriamente dito, é
interessante que sejam conhecidas a simbologia e
os modelos gráficos que serão utilizados. Observe
atentamente o diagrama seguinte, um diagrama de
fluxo de caixa (DFC), que representa uma anuidade
genérica, em que:
PV = Valor presente (Nesse caso, um recebimento;
pode representar um empréstimo bancário)
i = Taxa de juros da operação
Linha horizontal, com escala numerada “0” a “N”
= Linha de tempo em que ocorre a operação. “0”
é o momento da contratação e início do primeiro
período; 1 é o fim do primeiro período e início do
segundo; 2 é o fim do segundo período e início do
terceiro; N é o fim do enésimo período.
PMT = Valor de cada um dos eventos financeiros,
nesse caso iguais e negativos, portanto, pagamen-
tos sequenciais.
7
Figura 1: Diagrama de fluxo de caixa de anuidade
genérica.
Fonte: Elaboração própria.
8
ANUIDADES POSTECIPADAS
Esse é o tipo mais comumente visto. Os pagamentos
ou recebimentos ocorrerão no fim de cada período.
ANUIDADES POSTECIPADAS E NÃO
DIFERIDAS
Vamos imaginar um empréstimo bancário no va-
lor de R$200.000,00, contratado pelo prazo de 6
meses, à taxa efetiva de 2,5% a.m. O banco espera
receber 6 parcelas iguais e sucessivas, vencendo-
-se a primeira 30 dias após a contratação. O DFC
dessa operação seria:
Figura 2: Diagrama de fluxo de caixa para empréstimo de
200 mil e prazo de 6 meses à taxa de 2,5% a.m.
Fonte: Elaboração própria.
9
E qual seria o valor de cada uma das parcelas? A
resposta virá com a aplicação da relação:
𝑃𝑃𝑃𝑃[𝑖𝑖 (1 + 𝑖𝑖+)
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 =
[ 1 + 𝑖𝑖 + − 1]
Substituindo-se os valores conhecidos, chega-se
ao valor de cada uma das 6 parcelas (PMT), assim:
200.000[0,025 1 + 0,025 -]
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 =
[ 1 + 0,025 - − 1]
= 36.309,99
Note que, a partir dessa relação, você terá três
outras possibilidades de soluções para proble-
mas, nesta mesma classificação de anuidades.
Você poderá obter valores de PV e N por meio das
relações a seguir:
𝑃𝑃𝑃𝑃×𝑖𝑖
1 − 1 + 𝑖𝑖 +, 𝐿𝐿𝐿𝐿 1 − 𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃
𝑃𝑃𝑃𝑃 = 𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃× 𝑁𝑁 = −
𝑖𝑖 𝐿𝐿𝐿𝐿 (1 + 𝑖𝑖)
Se o seu objetivo, entretanto, for obter o valor de
i a partir das outras variáveis, as notícias não são
muito boas. Algebricamente, você só conseguirá
o que pretende pelos processos de 1) “tentativa
e erro”, bastante penoso, impreciso e, por isso
10
mesmo, abandonado há tempos, e 2) interpolação
linear, muito demorado e até pouco justificável em
dias atuais. Nesse caso, em particular (cálculo do
valor de i), o mais sensato é recorrer à tecnologia
e utilizar calculadoras financeiras e softwares
para soluções de problemas financeiros. Uma
das calculadoras financeiras mais utilizadas por
estudantes e profissionais é a HP12C. Somente por
isso, apresenta-se a solução baseada nesse equi-
pamento. Segue um passo a passo para o cálculo
de “i”, conhecidos o valor atual ou presente (PV),
prazo da operação (N) e valor da anuidade (PMT):
1) Certifique-se de que, no visor (próximo ao centro),
não aparece a palavra “BEGIN”, mas se ela estiver
lá, pressione as teclas g e 8 e ela desaparecerá.
2) Pressione as teclas f e CLX (esse procedimento
é cautelar, pelo que é desejável antes de toda nova
sequência de cálculos; assim se apaga o conteúdo
de todos os registradores da calculadora, evitan-
do que você faça um cálculo, utilizando dados
armazenados de cálculos anteriores e, pior, sem
perceber). Agora, pode-se começar o cálculo de “i”.
3) Pressione (teclas) ou insira (números)
200.000 PV
6N
11
36.309,99 CHS PMT (Obs.: a tecla CHS altera
o sinal algébrico do número inserido; note que,
depois de pressioná-la, 36.309,99 foi alterado
para (-) 36.309,99, como deve ser, afinal é valor
de pagamentos.)
i → Visor mostrará 2,5 (a taxa de juros que se
buscava conhecer) ou número próximo, com vá-
rias casas decimais. Se você pressionar f e 2, o
número será exibido com duas casas decimais,
f e 3 provocarão exibição do resultado com três
casas decimais e assim por diante.)
Ainda se tratando das anuidades postecipadas e
não diferidas, há uma aplicação muito interessante
(diante de sua grande utilidade) a apresentar: a
formação de capital ou acumulação.
Agora, em nosso exemplo, não consideraremos
empréstimo, mas a intenção de um investidor de
reunir, em época futura e prazo conhecido, uma
certa soma. Vamos observar como é isso?
Suponha que você deseje comprar um bem daqui
a 4 meses, à vista. Hoje você não dispõe do di-
nheiro necessário, mas tem possibilidade de fazer
depósitos mensais, de tal forma que no final dos 4
meses possa fazer sua compra. O DFC represen-
tativo dessa operação seria:
12
Figura 3: Diagrama de fluxo de caixa para operação
sugerida.
Fonte: Elaboração própria.
Seu objetivo, agora, é descobrir o valor mensal
(PMT) que você deverá reservar de tal forma que
se suas reservas forem aplicadas à taxa “i”, no
final do prazo e logo após o último depósito, você
tenha reunido o montante (S) desejado. A solução
é simples e pode ser obtida com o uso da relação.
𝑖𝑖
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 = 𝑆𝑆×
1 + 𝑖𝑖 * − 1
Então, se seu objetivo for reunir R$8.000,00 nos
“próximos” 4 meses, fazendo depósitos mensais
remunerados a 0,5% a.m., cada depósito deverá ter
o valor de PMT, a ser obtido após a substituição
dos dados da operação. Assim:
13
Pode ser que você esteja inseguro com o resulta-
do encontrado, então, o que acha de verificar se
o valor pretendido será de fato obtido com os 4
depósitos, iguais e sucessivos, de R$1.985,06? O
valor de capital acumulado (montante S) pode ser
obtido com uso da relação:
1 + 𝑖𝑖 * − 1
𝑆𝑆 = 𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃×
𝑖𝑖
Fazendo-se a verificação:
É comprovado, então, o valor dos 4 depósitos
(PMT) a fazer. Você, agora, pode ficar tranquilo e
constituir sua reserva (S) para fazer sua compra
daqui a 4 meses.
14
ANUIDADES POSTECIPADAS E
DIFERIDAS
O termo diferimento, entre outros significados,
tem o de adiamento, retardo. Diferir, portanto,
pode ter o significado de adiar, transferir para
momento posterior etc. No contexto de aplicação
da Matemática Financeira, é exatamente esse o
conceito que se considera. Passamos a tratar
de anuidades diferidas, mas por que “diferidas”?
Porque há no estudo dessas séries algumas, ou
muitas, oportunidades para se considerar, avaliar
e calcular efeitos de adiamentos. Adiamentos de
quê? Dos eventos financeiros.
Quando você estudou o primeiro tipo de série
uniforme postecipada, não diferida, o que você
conheceu foi um modelo de série em que o primeiro
evento (PMT) ocorre no final do primeiro período
(t=1), repetindo-se a intervalos idênticos, sem in-
terrupção, até o fim do último período. O primeiro
modelo que você conheceu foi, portanto, esse:
15
Figura 4: Diagrama de fluxo de caixa para operação
sugerida.
Fonte: Elaboração própria.
Esse DFC se referiu a uma operação de crédito no
valor de R$200.000,00, a ser paga em 6 parcelas
iguais e sucessivas, sob juros contratuais de 2,5%
a.m., cuja primeira parcela deveria vencer ao final
do primeiro período (t=1), como mostra o diagrama
antecedente. Sem muitasw explicações, por enquanto
(somente por enquanto), você vai conhecer, já, o
DFC dessa mesma operação (quase a mesma!),
se o primeiro pagamento fosse programado para
o final do terceiro período (t=3). Observe o que
aconteceria:
16
Figura 5: Diagrama de fluxo de caixa para operação
sugerida.
Fonte: Elaboração própria.
O que aconteceu? Vamos entender.
A operação continua se referindo a um empréstimo
de R$200.000,00. O número de parcelas continua
o mesmo, isto é, seis; a taxa de juros não foi alte-
rada (2,5 % a.m.). Entretanto, o DFC está diferente
e o valor das parcelas também. O motivo dessas
diferenças é que essa segunda série é diferida,
enquanto a anterior (aquela primeira) não o é.
Uma série postecipada tem seu primeiro pagamento/
recebimento em t=1. Esse DFC mais recente repre-
senta uma série cujo primeiro pagamento/recebi-
mento ocorre em t=3, ou seja, dois períodos depois
do que seria, digamos, “normal”. Para compreensão,
pode-se dizer que o início dos pagamentos/recebi-
17
mentos foi “atrasado”, “adiado” por dois períodos
e é exatamente esse adiamento por dois períodos
que será aqui considerado um “diferimento por 2
períodos”. Deverá ser entendido, então, que uma
série diferida é aquela em que a primeira parcela
ocorre em t > 1, isto é, a partir de t=2. Observe os
DFCs a seguir, que servem ao propósito de evitar
um engano bastante comum aos que se iniciam
nestes estudos: confundir o primeiro período da
operação com parte do período de diferimento.
Exemplo 1 – Série uniforme postecipada, com
diferimento de um período.
Figura 6: Diagrama de fluxo de caixa para série uniforme
postecipada, com diferimento de um período.
Fonte: Elaboração própria.
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Exemplo 2 – Série uniforme postecipada, com
diferimento de dois períodos.
Figura 7: Diagrama de fluxo de caixa para série uniforme
postecipada, com diferimento de dois períodos.
Fonte: Elaboração própria.
A observação atenta dos dois exemplos antece-
dentes permite-nos concluir que o primeiro perí-
odo não faz parte de diferimento algum; em vez
disso, qualquer diferimento será contado depois
dele (a partir de t=2), excluindo-o, portanto. No
exemplo 1, o deferimento é de apenas 1 período
(d = 1), enquanto no segundo o deferimento é de
2 períodos (d=2).
19
Para apresentar, em detalhes, as anuidades diferi-
das, a operação que servirá de base será: aplica-
ção financeira no valor de R$50.000,00, sob taxa
de 0,3% a.m. Instituição financeira pagará, a seu
investidor, principal e juros, em cinco parcelas,
ocorrendo a primeira no final do terceiro mês após
o depósito. Qual deverá ser o valor de cada parcela
a ser recebida pelo investidor?
Primeira providência, sempre, elaborar o DFC da
operação:
Figura 8: Diagrama de fluxo de caixa para operação
sugerida.
Fonte: Elaboração própria.
20
Momento de conhecermos a 1ª relação das anui-
dades diferidas, que permite calcular o valor das
parcelas (PMT), conhecidas as outras variáveis.
Presença estreante neste estudo é o expoente “d”,
que é o número de períodos de diferimento da série.
𝑖𝑖
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 = 𝑃𝑃𝑃𝑃 1 + 𝑖𝑖) × ,-
1 − 1 + 𝑖𝑖
Antes de passarmos para os cálculos, um lembrete
sobre diferimento: o primeiro período jamais faz
parte do diferimento! Nessa operação-modelo,
os pagamentos ao investidor terão início no final
do terceiro período, isto é, 2 períodos além do
primeiro, então são 2 os períodos de diferimento
(d = 2). Agora podemos passar aos cálculos, com
tranquilidade. Vamos lá!
0,003
𝑃𝑃𝑀𝑀𝑀𝑀 = 50.000 1 + 0,003 ,× /0
1 − 1 + 0,003
= 10.150,81
21
Tendo sido calculado o valor de cada parcela, já
é possível completar o DFC de nossa operação-
-modelo. Assim:
Figura 9: Diagrama de fluxo de caixa para
operação-modelo.
Fonte: Elaboração própria.
Haverá, também, a situação em que o valor pre-
sente (PV), valor atual ou, simplesmente, valor da
operação é desconhecido. Para essa situação, o
DFC seria.
22
Figura 10: Diagrama de fluxo de caixa para operação-
modelo com PV desconhecido.
Fonte: Elaboração própria.
A solução para valor da aplicação (PV), conhecidas
as demais variáveis da operação, virá da relação:
23
.1 − 1 + 0,003
𝑃𝑃𝑃𝑃 = [10.150,81 ÷ 1 + 0,003 ]×
0,003
= 50.000,00
E agora vamos tratar de taxas de juros? Neste caso
em particular (os diferimentos) vem uma oportuni-
dade importante para mais algumas informações
sobre utilização de calculadoras financeiras.
23
Figura 11: Diagrama de fluxo de caixa para operação-
modelo com “i” desconhecido.
Fonte: Elaboração própria.
Nesse tipo de problema, deparamo-nos com uma
sequência diferenciada de fluxos de caixa, que não
começam em t=1 e isso é impeditivo para que se
calcule a taxa, a partir de PV, FV, PMT etc., na cal-
culadora eletrônica, como foi feito até aqui. Com
essa configuração, tem-se que aplicar o conceito
de “taxa implícita” ou taxa interna de retorno (TIR)
da operação. Vamos analisar como lidar com isso.
Seria bom você já procurar identificar algumas
teclas na HP12C que serão necessárias:
CF0 = Forma reduzida de Cash Flowzero, ou seja,
o momento de início da operação; equivale ao
momento (t = 0).
24
CFj = Forma reduzida de Cash Flowj, ou seja, refere-
-se a todos os fluxos de caixa que não ocorram em
t=0. O índice “j” poderá assumir valores inteiros,
superiores a zero.
Nj = É uma tecla “de repetição” sucessiva em flu-
xos de caixa; se um número é repetido 5 vezes (j
= 5), e assim sucessivamente. Você não precisará
inseri-lo no programa 5 vezes, bastará uma vez,
com uso dessa tecla, no formato 5 g Nj (o uso da
tecla azul “g” será necessário todas as vezes em
que a função que se pretende usar for, também,
escrita em azul).
IRR = Taxa interna de retorno (TIR), com suas ini-
ciais na língua inglesa. É uma função escrita em
amarelo, então, sua utilização deverá ser precedida
da tecla “f”, amarela.
Vamos, então, colocar os fluxos de caixa da operação
no programa hospedado pela calculadora HP12C.
Primeiro, o procedimento de segurança operacional:
apagar todos os registradores → f CLx
50.000 CHS g CF0 (CHS troca o sinal algébrico,
lembra-se?)
0 g CFj (esse é o fluxo de caixa referente a t = 1,
que tem valor = 0, mas precisa ser inserido)
25
2 g Nj (lembra-se da tecla de repetição? O “zero”
é valor para t = 1 e t = 2, então você pode inserir
apenas uma vez o “zero” e informar ao programa
que o número se repete 2 vezes seguidas)
10.150,81 g CFj
5 g Nj
f IRR → 0,3 % a.m. (De fato, construímos essa
operação com a taxa de 0,3 % a.m.)
Chegou a hora de você conhecer as Séries Antecipadas.
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26
ANUIDADES ANTECIPADAS
Esse tipo é menos frequente que as postecipadas,
mas isso não deve ser uma sinalização para você
atribuir menor importância a essa modalidade, na
qual os pagamentos ou recebimentos ocorrerão
no início de cada período.
Recorde a operação que você conheceu, no início
desses estudos. Seu DFC está reproduzido logo
a seguir.
Figura 12: Diagrama de fluxo de caixa para operação
postecipada proposta.
Fonte: Elaboração própria.
Aquela série foi dita “postecipada” porque os
eventos financeiros deveriam ocorrer ao final de
cada período, lembra-se? Pois bem, compare com
o DFC a seguir, representativo de uma operação
27
com mesmos dados, porém com pagamentos/
recebimentos ocorrendo no início de cada período.
Figura 13: Diagrama de fluxo de caixa para operação com
pagamentos/recebimentos ocorrendo no início de cada
período.
Fonte: Elaboração própria.
Note que a quantidade de pagamentos permane-
ce a mesma (6), mas o primeiro é esperado para
o momento t = 0, isto é, para o início do primeiro
período. A diferença, em termos gráficos, é peque-
na, mas financeiramente é bem expressiva, como
será visto.
Pode-se aproveitar o DFC mais recente para iniciar
a demonstração de cada uma das operações com
anuidades antecipadas, começando pelo cálculo do
valor de cada uma das parcelas (PMT). A relação
a ser utilizada é:
28
𝑖𝑖
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 = 𝑃𝑃𝑃𝑃× +, ÷ (1 + 𝑖𝑖)
1 − 1 + 𝑖𝑖
Substituindo-se os números já seus conhecidos,
tem-se:
0,025
𝑃𝑃𝑀𝑀𝑀𝑀 = 200.000× ./ ÷ 1 + 0,025
1 − 1 + 0,025
= 35.424,38
Um valor de parcela menor que o encontrado
para a anuidade postecipada, para mesmo valor
principal, prazo e taxa. É esperado que isso corra
em anuidades antecipadas, parcelas com valor
menor, afinal, com a “antecipação”, é reduzido o
efeito do tempo sobre o valor do dinheiro, porque,
neste caso, o tempo de devolução do empréstimo
foi reduzido em um período.
Prosseguindo o estudo sobre as anuidades ante-
cipadas, tem-se, agora, o objetivo de conhecer o
valor atual (valor principal, valor do empréstimo)
que deu origem ao DFC exibido a seguir:
29
Figura 14: Diagrama de fluxo de caixa para operação de
PV desconhecido.
Fonte: Elaboração própria.
Note que, já na data da contratação (t=0), há uma
parcela, o que caracteriza, sem qualquer dúvida, que
a série em questão é antecipada. Valor de parcela
(PMT) e valor atual (PV) são relacionados por:
+,
1 − 1 + 𝑖𝑖
𝑃𝑃𝑃𝑃 = 𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃× ×(1 + 𝑖𝑖 )
𝑖𝑖
Conhecidas as demais variáveis, substituindo-as
na relação, você obterá, sem dificuldades, o valor
que deu origem às parcelas. Assim:
30
01
1 − 1 + 0,025
𝑃𝑃𝑉𝑉 = 35.424,38× × 1 + 0,025
0,025
= 200.000,00
Você lembra da poupança planejada para comprar
aquele objeto de desejo, no futuro? Esse exercício
de imaginação, mas totalmente realista, foi realizado
quando o tema eram as anuidades postecipadas.
É necessário voltar ao assunto, porque, como já
é possível notar, há uma mudança de sistema
“postecipado” para “antecipado” (e vice-versa). A
proposta, agora, é voltar ao planejamento de pou-
pança (reserva financeira) para constituir capital em
data futura, porém tratando de séries antecipadas.
O contexto é: você decide fazer depósitos mensais
remunerados, para comprar seu presente para você
mesmo daqui a 4 meses. Entretanto, o primeiro
depósito não será feito de hoje a um mês, mas
hoje mesmo – essa é a grande diferença! Observe
o DFC da operação:
31
Figura 15: Diagrama de fluxo de caixa para operação de
PMT desconhecido.
Fonte: Elaboração própria.
Aqui há uma particularidade: somente os depósitos
são antecipados; o resgate do valor acumulado (S
ou FV) continuará ocorrendo em t=4, portanto não
será antecipado para t=3 (aliás, seria interessante
você observar que o equívoco de imaginar o resga-
te antecipado para t=3 faria com que a aplicação
financeira fosse feita por três períodos apenas, o
que alteraria, sem justificativa, e causando mais
dano, o perfil da operação).
Pois bem! Entendidos perfil e contexto da operação,
hora de calcular o valor de cada depósito, de tal
maneira que em t=4 você tenha o dinheiro para sua
32
compra, como planejado. As parcelas (PMT) se
relacionam com o montante a acumular (S), assim:
𝑖𝑖
𝑃𝑃𝑀𝑀𝑀𝑀 = 𝑆𝑆× ÷ (1 + 𝑖𝑖)
1 + 𝑖𝑖 * − 1
Exceto o valor desejado, PMT, todos os demais
são conhecidos, então, por substituições diretas,
pode-se concluir esta etapa, calculando o valor de
cada depósito, dessa maneira:
0 ,005
𝑃𝑃𝑀𝑀𝑀𝑀 = 8.000× ÷ 1 + 0,005
1 + 0,005 - − 1
= 1.975,19
Como tem sido feito até aqui, e para que você con-
tinue com total segurança quanto às informações
que vem recebendo, o que você acha de verificar a
operação sob o ponto de vista de um observador
que conhece o objetivo da operação (acumular
capital em 4 meses), mas não conhece a meta
(acumular quanto?); sabe que existe a disponibili-
dade mensal de R$1.975,19 para depósitos e que
estes serão remunerados a 0,5% a.m.? Para esse
observador, o DFC disponível seria:
33
Figura 16: Diagrama de fluxo de caixa para operação de S
ou FV desconhecidos.
Fonte: Elaboração própria.
Com as informações disponíveis e a relação:
1 + 𝑖𝑖 * − 1
𝑆𝑆 = 𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃× ×(1 + 𝑖𝑖)
𝑖𝑖
O valor a ser resgatado, no final do quarto mês,
pode ser determinado assim:
1 + 0,005 , − 1
𝑆𝑆 = 1.975,19× × 1 + 0,005
0 ,005
= 8.000,00
34
Você percebe, certamente, que os números vão se
confirmando conforme avançamos, e é isso que
deve acontecer, para que você esteja certo de que
os passos são firmes e o caminho correto. Vamos
prosseguir, então.
Hora de tratar de taxa de juros. Como foi visto,
durante estudos das anuidades postecipadas, o
cálculo da taxa traz algumas dificuldades, contor-
náveis totalmente, graças à tecnologia.
Figura 17: Diagrama de fluxo de caixa para operação de i
desconhecido.
Fonte: Elaboração própria.
35
Quando “i” for a variável desconhecida, e sem o uso
de calculadora financeira ou planilha eletrônica, o
trabalho e a possibilidade de algum erro aumen-
tam significativamente. Por isso, mais uma vez, e
pelo que já foi explicado, não se recomendam os
processos de “tentativa e erro” e o de interpolação
linear. Aceitemos, então, o que a tecnologia nos
oferece e, mais uma vez, utilizemos a calculadora
financeira HP12C.
1) Certifique-se de que, no visor (próximo ao centro),
apareça a palavra “BEGIN”; para isso, pressione as
teclas g e 7 e ela desaparecerá. Essa providência,
imprescindível, fará com que o programa hospedado
pela calculadora considere a série “antecipada”.
2) Pressione as teclas f e CLX (apaga o conteúdo
de todos os registradores da calculadora, evitando
que você faça um cálculo, utilizando dados arma-
zenados de cálculos anteriores). Agora, pode-se
começar o cálculo de “i”.
3) Pressione (teclas) ou insira (números).
a) 4 N
b) 1.975,19 CHS PMT (você já viu: a tecla CHS
altera o sinal algébrico do número inserido)
c) 8.000 FV
36
d) i → Visor mostrará 0,5 (a taxa de juros que
se buscava conhecer) ou número próximo, com
várias casas decimais; se você pressionar f e 2,
o número será exibido com duas casas decimais;
f e 3 provocarão exibição do resultado com três
casas decimais e assim por diante.
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37
PERPETUIDADES
Existem operações de perfil extraordinário que,
exatamente porque são assim consideradas, são
menos “visíveis” que outras. Assim são aquelas
que propiciam rendas (R) por um prazo enorme
ou sem possibilidade de ser determinado e que,
portanto, tendem ao infinito. Além disso, o valor
principal, ou atual (PV) é presumido como imutável,
assim como a taxa de juros (i). Ora, se você tem
um capital que não se modifica, esse capital sofre
incidência de taxa de juros igualmente imutável,
então os juros decorrentes dessa interação de
“i” com “PV” são também presumidos imutáveis,
perpétuos. Por isso mesmo essas rendas são
denominadas perpetuidades. Observe, a seguir, o
DFC genérico dessas operações:
Figura 18: Diagrama de fluxo de caixa genérico para
perpetuidades.
Fonte: Elaboração própria.
38
O valor de cada evento (R, PMT, PGTO) é dado
pela relação
PMT, R, PGTO = PV × i
Um título com valor de R$15.000,00 que pague
renda vitalícia (ou perpétua) à razão de 1,0% a.m.
pode ser um exemplo dessa operação, que, é bom
repetir-se, é bem incomum. Quais seriam o valor
dessa renda e o DFC da operação? A renda seria:
PMT = 15.000 × 0,015 = 225,00
Ou seja, R$225,00 a serem recebidos por toda a
vida, conforme o diagrama:
Figura 19: Diagrama de fluxo de caixa para operação
proposta com título de R$15.000,00.
Fonte: Elaboração própria.
39
Uma perpetuidade não tem valor futuro possível de
ser calculado, afinal não se conhece o prazo dessa
série especialíssima, mas seu valor presente pode
ser conhecido assim:
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃
𝑃𝑃𝑃𝑃 =
𝑖𝑖
Com dados do exemplo dado, considerando-se,
para efeito de estudos, desconhecido o valor de
PV, teríamos:
225
𝑃𝑃𝑃𝑃 = = 15.00,00
0,015
Existe, ainda, um “caso particular deste caso
particular”. É o estudo das perpetuidades com
crescimento, em que:
𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
𝑃𝑃𝑃𝑃 =
𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑 − 𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 (𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑)
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃
=
𝑖𝑖 − 𝑔𝑔
Esse modelo é bastante conhecido dos profissio-
nais que analisam desempenho de ações pelo
nome de Modelo de Gordon. Nesse modelo, e
para esses profissionais, a aplicação é conhecer
o “preço justo” de uma ação, na verdade, o valor
40
presente de uma perpetuidade crescente, por con-
ta de rendimentos a serem incorporados. Vamos
observar como funciona o modelo, começando
por conhecer seus pressupostos:
1) Os pagamentos crescem a uma taxa constante
(“g”, no modelo).
2) O retorno esperado (“K”, no modelo) pelo
acionista é superior à taxa de crescimento. Esse
“retorno esperado” reflete o custo do capital próprio
da empresa, sob análise.
3) A empresa analisada precisa ser consolidada,
assim reconhecida pelo mercado, e com grande
previsibilidade do pagamento de dividendos. Essa
condição deve ser bem clara para todos, afinal, se
a empresa não permite previsibilidade de ganhos
ao acionista, o modelo não se sustenta, passa a ser
um mero exercício matemático sem compromisso
com a realidade.
𝐷𝐷%
𝑃𝑃" =
𝐾𝐾 − 𝑔𝑔
Onde:
P0 = Valor presente da ação
D1 = Dividendo no tempo t = 1
K= Custo do Capital Próprio
41
g = Taxa de crescimento do dividendo
Para aplicação do modelo, um exemplo: um analista
espera que a empresa sob análise pague R$5,00,
a título de dividendo por ação (DPA, para muitos),
nos próximos 12 meses. Retorno esperado é de
12,0% sobre o ativo no mesmo período. Estando a
empresa em período de maturidade (atenção! Se a
empresa está em momento de alta performance,
valorização forte etc., este modelo não deve ser
aplicado. É para empresas maduras), é esperado
crescimento dos dividendos à taxa anual de 3,0%.
Qual o “preço justo” que esse analista irá considerar
para a ação analisada? Extraindo-se as variáveis,
para aplicação do modelo, teríamos:
D1 = 5,0
K = 12,0 %
g = 3,0 %
Aplicando o modelo:
5,0
𝑃𝑃" = = 55,56
0,12 − 0,13
42
Em suas decisões, esse analista consideraria
R$55,56 como valor intrínseco da ação avaliada;
para ele, é o “preço justo” dessa ação. Em termos
genéricos, trata-se do valor presente de uma per-
petuidade crescente.
Você achou esse exemplo “amargo”? Vamos a um
segundo talvez “mais doce” e não menos realista.
Deixemos o mercado de ações visitemos o mercado
imobiliário, agora:
Um investidor em imóveis constrói pequenos edi-
fícios de apartamentos, para locação residencial.
Para o próximo ano, ele estima renda líquida de
R$200.000,00 e tem a expectativa de que essa
renda cresça à razão de 5,0% nos próximos anos.
Em sua análise, o investidor considera 12,0% uma
“boa” taxa de desconto para seu fluxo de caixa.
Qual seria o valor presente do investimento?
As variáveis presentes são:
y Renda líquida (PMT) = 200.0000,00
y Taxa de crescimento (g) = 5,0% a.a.
y Taxa de desconto (i) = 12,0%
Aplicando-se o modelo:
𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 200.000
𝑃𝑃𝑃𝑃 = = = 2.857.142,86
𝑖𝑖 − 𝑔𝑔 0,12 − 0,05
43
A conclusão é que, trazido a valor presente, a
renda líquida obtida com o investimento vale
R$2.857.142,86.
44
EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS
Este estudo é tão importante quanto os anteriores.
Não há, aqui, item mais importante ou menos im-
portante. Eles são, aí sim, complementares entre si.
Este último tópico, portanto, completa os diversos
estudos já feitos na Matemática Financeira. Este
item trata, em última análise, da comparação de
valores monetários que estão em épocas diferentes
ou planos financeiros diferentes (de recebimento
ou de pagamento), quando se está em situação de
escolha necessária. O tópico é bem interessante
e útil ao nosso dia a dia. Vamos ver:
Corre o mês de julho e você está conversando
com um amigo sobre finanças pessoais. Pode
ocorrer a seguinte situação: seu amigo conta que,
em outubro do “ano passado”, recebeu um prêmio
de R$2.000,00 por desempenho no trabalho; no
mês passado (portanto junho) foi novamente
premiado, dessa vez com R$1.800,00. Seu amigo
se declara feliz porque “ganhou R$ 3.800,00 extras
em 9 meses”. Vamos analisar essa afirmação de
seu amigo, tecnicamente? Uma vez mais, primeiro
passo: elaborar DFC da “operação”.
45
Figura 20: Diagrama de fluxo de caixa para operação
proposta na equivalência de capitais.
Fonte: Elaboração própria.
Embora justificadamente feliz, seu amigo comete
uma impropriedade técnica das mais graves em
finanças: considerar valores monetários ocorridos em
diferentes épocas como se a época fosse a mesma.
Aqueles dois valores não poderiam ser somados,
porque, agindo-se assim, ignora-se um princípio
financeiro crítico que é o efeito do tempo sobre
o valor do dinheiro. Não fosse uma descontraída
conversa entre amigos, o correto teria sido “colocar”
os dois valores na mesma época, qualquer época,
mesmo que uma não citada na conversa. Assim,
os R$2.000,00 deveriam ser “colocados” em julho,
com seu valor adaptado a essa diferença no tempo
e somente assim, com seu novo valor, somados aos
R$1.800,00. Alternativamente, a mesma operação
46
poderia ser feita com os R$1.800,00, colocando-
-os em outubro do ano passado. Qualquer época
poderia ser escolhida, desde que os dois valores,
“devidamente ajustados”, estivessem na mesma
data/época. A época escolhida para que capitais
sejam nela comparados, somados, subtraídos
etc. chama-se data focal, conceito vital para este
estudo, doravante.
Quando dois ou mais capitais serão ditos equiva-
lentes? Somente quando, se “transportados” para
a mesma data/época (data focal), considerada
uma taxa de juros, tiverem seus valores iguais.
Esta é condição necessária para a equivalência
de capitais.
Proposta: avalie-se, para exemplificar o conceito,
se R$1.000,00 hoje são equivalentes a R$1.102,50
daqui a 2 meses, considerando-se 5,0% a.m. como
taxa de juros.
Três são os caminhos para responder o desafio.
1) transportar R$1.000,00 de hoje para 2 meses
à frente e comparar os 2 valores “lá”; 2) trazer os
R$1.102,50 para hoje e, da mesma forma, compa-
rar os 2 valores e 3) transportar os dois valores
para qualquer data e compará-los “lá”. Para você
ficar confiante, as três soluções serão utilizadas.
Analisemos:
47
→ Solução 1: no modelo de juros compostos, viu-
-se que valor de montante (ou valor futuro) pode
ser determinado aplicando-se a relação S ou FV
= PV(1+i)n. Fazendo isso, vamos “transportar” os
R$1.000,00 para dois meses à frente, ajustando
seu valor:
FV = 1.000 (1+0,05)2 = 1.102,50
Note que, lá no 2º mês à frente, os valores são
idênticos. Sim, os dois capitais são equivalentes!
→ Solução 2: De S ou FV = PV (1 + i)n , vem que
𝐹𝐹𝐹𝐹
𝑃𝑃𝑃𝑃 = (
. Fazendo isso, vamos “transportar” os
1 + 𝑖𝑖
R$1.102,50 de dois meses à frente para hoje, ajus-
tando seu valor:
1.102,50
𝑃𝑃𝑃𝑃 = = 1.000,00
1 + 0,05 +
Note que, hoje, os valores são idênticos. Sim, os
dois capitais são equivalentes!
→ Solução 3: Vamos “transportar” os dois valores
para 5 meses à frente, a contar de hoje. Atenção!
Para o valor de dois meses à frente, serão apenas
3 meses de “transporte”, certo?
Passo 1 – Os R$1.000,00 de hoje, levados 5 meses
à frente, valerão:
48
FV = 1.000 (1 + 0,05)5 = 1.276,28
Passo 2 – Os R$1.102,50 de dois meses à frente
valerão 3 meses mais tarde:
FV = 1.102,50 (1 + 0,05)3 = 1.276,28
Lá, no 5º mês a partir de hoje, os capitais se igua-
lam também. A conclusão é: sim, os dois capitais
são equivalentes!
𝐹𝐹𝐹𝐹
De S ou FV = PV (1 + i)n vem que 𝑃𝑃𝑃𝑃 = .
1 + 𝑖𝑖 (
Fazendo isso, vamos “transportar” os R$ 1.102,50
de dois meses à frente, para hoje, ajustando seu
valor:
1.102,50
𝑃𝑃𝑃𝑃 = = 1.000,00
1 + 0,05 +
Note que, hoje, os valores são idênticos. Sim, os
dois capitais são equivalentes!
FIQUE ATENTO
Se dois ou mais capitais são equivalentes em uma deter-
minada data focal, também o serão em qualquer outra.
Não existe, portanto, o caso de capitais equivalentes em
uma data focal e não equivalentes em outra(s)!
49
Esse conceito não se aplica somete a capitais “isola-
dos”. Fluxos de caixa inteiros podem ser equivalentes
entre si. Basta que se enquadrem no conceito, ou seja,
se dois fluxos de caixa tiverem o mesmo valor em uma
data focal, serão ditos equivalentes, por isso você pode
ter planos de pagamentos diferentes em prazos, valores
de parcelas etc., mas que se equivalham, literalmente.
50
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Da definição e tipologia aos detalhes das perpetui-
dades e capitais equivalentes, esta Unidade sobre
séries mostrou a você quantas operações financei-
ras estão ao seu, ao nosso redor, diariamente, sem
que precisemos procurar por elas. Elas nos acham.
O principal valor dessa unidade é o poder de mobilizar
o estudante na direção de, a partir de agora, ficar
atento a muitos detalhes (sobre finanças) até então
passados despercebidos. Dia a dia sem Matemática
é uma impossibilidade. Dia a dia sem Matemática
Financeira é um risco enorme para quem a ignora
ou desdenha. Muito mais que um componente
curricular valioso é meio de ganho de autonomia no
exercício da cidadania. As séries de pagamento, ou
anuidades, cuja apresentação ora se conclui é tema
relevante, pela diversidade de contribuições à vida
do estudante – à vida, não só ao trabalho!
Séries antecipadas (utilizadas nas vendas “com
entrada”), séries diferidas (aquelas “com carência”
ou que tem o apelo “pague a 1ª parcela, somente
após o Carnaval”), necessidade de reconhecer
capitais equivalentes (ou não) são comuns para
todos, não financistas e financistas; para estes
últimos, certamente, a relevância do tema é muito
maior, sem dúvidas.
Espero que, além de instruído, naquilo que cons-
tituiu nossos objetivos, você se sinta mobilizado!
51
MATEMÁTICA
FINANCEIRA
Séries de Pagamento
• Anuidades postecipadas;
_____________________________________________________________________________________
– Anuidades postecipadas e não diferidas;
– Anuidades postecipadas e diferidas.
• Anuidades antecipadas;
• Perpetuidades;
• Perpetuidades;
Referências Bibliográficas
& Consultadas
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universitária. São Paulo: Atlas, 2017. [Minha
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