Euphorbiaceae nas Caatingas do Rio São Francisco
Euphorbiaceae nas Caatingas do Rio São Francisco
2008
RESUMO – (A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil). Euphorbiaceae é uma das famílias
mais representativas da caatinga, particularmente nas áreas sobre dunas arenosas do médio rio São Francisco, no Estado da Bahia, Brasil.
O levantamento das espécies de Euphorbiaceae nessa formação foi efetuado com base em coletas realizadas na região e materiais de
herbário. A família está representada nas áreas estudadas por 20 espécies, distribuídas nos seguintes gêneros: Alchornea Swartz (uma
espécie); Chamaesyce S.F. Gray (3); Cnidoscolus Pohl (4); Croton L. (4); Dalechampia L. (1); Jatropha L. (3); Manihot Miller (2);
Sapium P. Browne (1) e Tragia L. (1). Chamaesyce alsinifolia (Boiss.) Sátiro, C. chamaeclada (Ule) Sátiro, Croton paludosus Mull. Arg.,
Manihot catingae Ule e M. heptaphylla Ule são endêmicas do Estado da Bahia. Cnidoscolus quercifolius Pohl e C. urnigerus (Pax) Pax
são restritas às regiões de caatinga do Brasil. São apresentadas chaves para gêneros e espécies, descrições, ilustrações, dados sobre
distribuição geográfica e habitat, bem como comentários sobre as espécies.
ABSTRACT – (The family Euphorbiaceae on the sand dunes of the middle São Francisco River, Bahia State, Brazil). Euphorbiaceae is
one of the most representative families in the caatinga especially on the sand dunes of the middle São Francisco River, in the state of
Bahia, Brazil. The survey of Euphorbiaceae species from this formation was based on field work and herbaria collections. The family is
represented in the study area by 20 species: Alchornea Swartz (one species); Chamaesyce S.F. Gray (3); Cnidoscolus Pohl (4); Croton
L. (4); Dalechampia L. (1); Jatropha L. (3); Manihot Miller (2); Sapium P. Browne (1) and Tragia L. (1). Chamaesyce alsinifolia (Boiss.)
Sátiro, C. chamaeclada (Ule) Sátiro, Croton paludosus Mull. Arg., Manihot catingae Ule and M. heptaphylla Ule are endemic to the state
of Bahia. Cnidoscolus quercifolius Pohl and C. urnigerus (Pax) Pax are restricted to caatinga regions of Brazil. Identification keys,
morphological descriptions, illustrations, notes on geographic distribution, habitat and comments on each species are provided.
Key words: Euphorbiaceae, sand dunes, middle São Francisco River, flora
1
Parte da dissertação de Mestrado da primeira Autora
2
Universidade Estadual de Feira de Santana, Pós-Graduação, Laboratório de Biologia, Km 03 BR 116, s.n., Campus Universitário, 44031-460
Feira de Santana, BA, Brasil
3
Universidade Federal da Bahia, Instituto de Biologia, Rua Barão de Jeremoaba, s.n., Campus Universitário de Ondina, 40170-115 Salvador,
BA, Brasil
4
Autor para correspondência: larisatiro@[Link]
100 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
Chave para os gêneros de Euphorbiaceae das caatingas arenosas do médio rio São Francisco, Bahia
1. Folhas opostas a verticiladas, de base assimétrica, com estípulas interpeciolares; inflorescência
do tipo ciátio.............................................................................................................................. 2. Chamaesyce
1. Folhas alternas, de base simétrica, sem estípulas ou, se presentes, nunca interpeciolares;
inflorescência de outros tipos
2. Plantas com tricomas urticantes
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 101
1. Alchornea castaneifolia (Willd.) Adr. Juss., Euph. fr., A. Allan & G. Vieira 2551 (SP). Mato Grosso
Tent.: 42. 1824. do Sul: Corumbá, 27/III/1991, fr., V.M. Resende et al.
409 (SP). São Paulo: Parque Nacional de Araguaia,
Arbustos a árvores 4-6 m alt., em geral dióicos,
sem látex, sem tricomas urticantes. Folhas simples, 23/III/1999, fr., M.A. Silva et al. 4103 (SP).
alternas, coriáceas, concolores; lâmina foliar Alchornea castaneifolia diferencia-se das demais
lanceolada, 5,3-12×1,3-1,5 cm, ápice obtuso- espécies do gênero pelas folhas lanceoladas e flores
mucronado, margem denteado-glandulosa, base pistiladas dialissépalas. Além disso, seu fruto obovóide
cuneada, simétrica, glabra; pecíolo 0,3-1,0 cm compr.; difere dos frutos trígonos ou globosos comuns para o
glândulas 2, na junção do pecíolo com a lâmina foliar, gênero.
estipelas ausentes; estípulas ausentes. Inflorescências É comumente encontrada em solos arenosos e
em panículas espiciformes, terminais ou axilares. Flores associada a bancos de areia. Possui registros para o
estaminadas em inflorescências parciais glomerulares, Brasil às margens dos rios São Francisco, Tocantins e
bracteadas, pediceladas, diclamídeas, cálice no alto do rio Negro, em solos periodicamente alagados.
dialissépalo, glabro, sépalas 2; estames 7-8, em Popularmente é conhecida como oeirana, orana,
1 verticilo, fundidos na base formando uma estrutura pau-mole, mangue e saran.
discóide, anteras com tecas não divergentes,
2. Chamaesyce S.F. Gray, Nat. Arrang. Brit. Pl. 2:
estaminódios ausentes, disco nectarífero ausente.
260. 1821.
Flores pistiladas 3-bracteadas, pediceladas, diclamí-
deas, cálice dialissépalo, sépalas 4, ovais; ovário Ervas ou subarbustos, eretos a prostrados,
globóide, pubescente, 1 óvulo/lóculo; estiletes 2, inteiros, monóicos, latescentes, sem tricomas urticantes. Folhas
livres, glabros, disco nectarífero ausente. Fruto cápsula simples, opostas a verticiladas, membranáceas a
tricoca, obovóide, ca. 3,0×2,7 mm, esparsamente coriáceas, concolores a discolores; lâmina foliar
pubescente; sementes 2, elipsóides, ecarunculadas. oblonga a elíptica, ápice mucronado a arredondada,
Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba, margem inteira a serreada, base oblíqua, assimétrica,
20/VII/1974, fl. fr., A.L. Costa 2138 (ALCB). glabrescente a glabra, curto-peciolada a subséssil,
Material adicional: BRASIL. Bahia: Xique-Xique, glândulas ausentes na junção do pecíolo com a lâmina
22/VI/1996, fl. fr., M.L.S. Guedes 2945 (ALCB, foliar, estipelas ausentes; estípulas interpeciolares,
CEPEC). Mato Grosso: Barão de Melgaço, 5/X/1979, unidas na base ou livres, não glandulares. Inflores-
102 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
cências do tipo ciátio, terminais ou axilares, com 5 lobos estípulas triangulares, ca. 0,2 mm compr., inteiras,
alternando-se com 4(5) glândulas nectaríferas, ciliadas, unidas na base. Ciátios solitários, axilares,
associadas ou não a apêndices petalóides, apresentando elípsóides, glabros; lobos estreito-triangulares, agudos,
brácteas internas. Flores estaminadas em 5 cincínios pubescentes; glândulas nectaríferas 4, sésseis,
com 1-10 flores cada, pediceladas, aclamídeas, transversalmente elípticas; apêndices petalóides 4,
formadas por um único estame, anteras com 2 tecas obovados, irregularmente 3-lobados, iguais entre si,
divergentes, estaminódios ausentes, disco nectarífero glabros, alvos; brácteas internas do ciátio lineares,
ausente. Flores pistiladas pediceladas, aclamídeas; ca. 1,2 mm compr., inteiras no ápice, pubescentes.
ovário elipsóide a globóide, glabro a tomentoso, 1 óvulo/ Flores estaminadas 20, ca. 1,0 mm compr. Flor pistilada
lóculo; estiletes 3, bífidos, livres ou unidos na base, ca. 3,0 mm compr.; ovário elipsóide, glabro; estiletes
glabros, disco nectarífero ausente. Fruto cápsula unidos na base, bífidos, glabros; estigmas capitados.
tricoca, globóide a elipsóide, glabro; sementes ovóides Fruto elipsóide, ca. 1,5×0,9 mm, glabro; sementes
a oblongas, ecarunculadas. ovóides.
Chamaesyce é um gênero cosmopolita e possui Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba,
ca. 250 espécies, localizadas em sua maioria nos 23/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4796 (HUEFS);
trópicos e subtrópicos americanos e na África (Burger II/1989, fl. fr., P. Rocha 34 (SP).
& Huft 1995; Webster & Burch 1967; Webster Chamaesyce alsinifolia está sendo proposta
1994a; b). São plantas quase sempre associadas a solos como uma nova combinação por possuir filotaxia oposta,
arenosos e habitats perturbados. folhas com base assimétrica e estípulas interpeciolares,
características que definem o gênero Chamaesyce.
Chave para as espécies de Chamaesyce das Distingue-se das demais espécies do gênero, ocorrentes
caatingas arenosas do médio rio São Francisco, na área de estudo, pelo hábito ereto, ciátio elipsóide,
Bahia apêndices petalóides iguais entre si e brácteas internas
do ciátio lineares pubescentes.
Sua distribuição é restrita à Bahia, e, atualmente,
1. Ervas eretas; ciátios elipsóides, à região de Ibiraba. É conhecida popularmente como
apêndices petalóides iguais entre si; “quebra-pedra”.
brácteas internas do ciátio lineares,
2.2. Chamaesyce chamaeclada (Ule) Sátiro, comb.
ápice inteiro ............................. 2.1. C. alsinifolia
nov.
1. Ervas prostradas; ciátios campa-
Euphorbia chamaeclada Ule, Engl. Jahrb. 42: 224.
nulados ou turbinados, apêndices
1908.
petalóides desiguais entre si; brácteas
Fig. 1-10
internas do ciátio irregulares, ápice
irregularmente lobado, lobos agudos Ervas prostradas, glabras. Folhas opostas,
2. Ciátios campanulados, vilosos cartáceas, discolores; lâmina foliar elíptica, 3,0-10,0×
internamente próximo às glândulas 2,0-6,0 mm, ápice obtuso-mucronulado, margem inteira,
nectaríferas; flores estaminadas 15 base oblíqua, glabra; pecíolo ca. 1,0 mm compr.;
por ciátio ........................2.2. C. chamaeclada estípulas triangulares, ca. 0,5 mm compr., fimbriadas,
2. Ciátios turbinados, glabros unidas na base. Ciátios solitários, axilares,
internamente; flores estaminadas campanulados, vilosos internamente próximo às
4-5 por ciátio ....................... 2.3. C. thymifolia glândulas nectaríferas; lobos deltóides, apiculados, com
tricomas fimbriados; glândulas nectaríferas 4, sésseis,
transversalmente elípticas; apêndices petalóides 4,
2.1. Chamaesyce alsinifolia (Boiss.) Sátiro, comb.
largamente ovados, irregularmente 3-5 lobados,
nov.
desiguais entre si, glabros, alvos; brácteas internas do
Euphorbia alsinifolia Boiss., Cent. Euphorb.: 16.
ciátio irregulares, ca. 0,8 mm compr., 4 lobadas, lobos
1860.
agudos com margem pubescente. Flores estaminadas
Ervas eretas, 10-20 cm alt., pubescentes. Folhas 15, ca. 1,2 mm compr. Flor pistilada 1,5-2,5 mm compr.;
opostas, membranáceas, discolores; lâmina foliar ovário globóide, glabro; estiletes unidos na base, bífidos,
oblonga, 3,0-5,0×2,0-3,2 mm, ápice mucronado, margem glabros; estigmas capitados. Fruto globóide, ca.
inteira, base oblíqua, glabra; pecíolo 1,0-1,2 mm compr.; 2,0×1,8 mm, glabro; sementes ovóides.
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 103
Figuras 1-10. Chamaesyce chamaeclada (Ule) Sátiro. 1. Hábito. 2. Lâmina foliar. 3. Bráctea. 4. Ciátio. 5. Invólucro do ciátio em corte
longitudinal. 6. Flor pistilada. 7-8. Apêndices petalóides. 9. Fruto. 10. Semente (Nunes et al. 537).
104 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
Material examinado: BRASIL. Bahia: Casa Chamaesyce thymifolia ocorre em quase todo o
Nova, 16/VI/2001, fl. fr., T.S. Nunes et al. 537 território brasileiro. Caracteriza-se por seu hábito
(HUEFS). prostrado, apêndices petalóides desiguais entre si,
Chamaesyce chamaeclada é uma espécie rara, ciátios turbinados, internamente glabros, e pelo pequeno
endêmica da Bahia. A espécie é comumente confundida número de flores estaminadas.
com C. prostrata, a qual se diferencia pelos apêndices
3. Cnidoscolus Pohl, Pl. bras. icon. descr. 1: 56. 1827.
petalóides iguais entre si, pela menor quantidade de
flores estaminadas (5) por ciátio e pelas glândulas Ervas, subarbustos ou arbustos monóicos,
nectaríferas estipitadas. Chamaesyce chamaeclada latescentes, com tricomas urticantes. Folhas simples,
diferencia-se de C. alsinifolia pelos apêndices alternas, membranáceas a subcoriáceas, concolores;
petalóides desiguais, em contraste com o ciátio lâmina foliar em geral palmada, ápice agudo a obtuso,
actinomorfo da última. margem inteira a serreada, base cuneada a cordada,
simétrica, glabra a velutino-tomentosa, peciolada, em
2.3. Chamaesyce thymifolia (L.) Millsp., Publ. Field geral com glândulas na junção com o pecíolo; estipelas
Columbiam Mus., Bot. Ser. 2: 412. 1916. ausentes; estípulas não interpeciolares, livres,
Euphorbia thymifolia L., Sp. pl. 1: 454. 1953. glandulares ou não. Inflorescências em dicásios
Ervas prostradas, pubescentes. Folhas opostas, terminais, brácteas presentes, bractéolas ausentes.
membranáceas, concolores ou discolores; lâmina foliar Flores estaminadas distais, sésseis a pediceladas,
oblongo-elíptica, 4,0-7,0×3,0-4,0 mm, ápice monoclamídeas, cálice gamossépalo, tubuloso, 5-lobado,
arredondado, margem serreada, base oblíqua, glabro a velutino; estames 10-15 em 2-4 verticilos, livres
glabrescente; pecíolo ca. 1,0 mm compr.; estípulas ou unidos de diversas formas, anteras com tecas não
lanceoladas, ca. 1,0 mm compr., inteiras, unidas na divergentes, estaminódios às vezes presentes, disco
base. Ciátios solitários, axilares, turbinados, nectarífero anelar extraestaminal. Flores pistiladas
externamente pilosos, internamente glabros; lobos proximais, sésseis a pediceladas, monoclamídeas, cálice
triangulares, acuminados, pubescentes; glândulas em geral dialissépalo, glabro a velutino; ovário ovóide
nectaríferas 4, sésseis, transversalmente elípticas; a piriforme, glabro a velutino, 1 óvulo/lóculo, estiletes
apêndices petalóides 4, obtriangulares, sinuados, 3, bífidos a multífidos, livres ou unidos na base, disco
desiguais entre si, glabros, alvos; brácteas internas do nectarífero anelar extraestaminal. Fruto cápsula tricoca,
ciátio irregulares, ca. 1,0 mm compr., 3 lobadas, lobos globóide a oblongo, com tricomas urticantes aculei-
agudos com margem pubescente. Flores estaminadas formes; sementes elipsóides a oblongas, carunculadas.
4-5, ca. 1,0 mm compr. Flor pistilada ca. 1,4 mm compr., Cnidoscolus inclui cerca de 50-75 espécies
ovário globóide, tomentoso; estiletes livres, bífidos, exclusivas da América Tropical, dentre as quais 18 são
glabros; estigmas capitados. Fruto globóide, ca. encontradas no Brasil (Webster 1994a; Macbride
2,0×2,0 mm, glabro; sementes oblongas. 1951). A Região Nordeste é considerada um dos centros
Material examinado: BRASIL. Bahia: Remanso, de diversidade do gênero, com 11 espécies (Macbride
27/II/2000, fl. fr., A. Nascimento 242 (ALCB). 1951).
Chave para as espécies de Cnidoscolus das caatingas arenosas do médio rio São Francisco, Bahia
1. Folhas sem glândulas na junção do pecíolo com a lâmina foliar; estames vilosos na base
...........................................................................................................................................3.2. C. quercifolius
1. Folhas com numerosas glândulas na junção do pecíolo com a lâmina foliar; estames glabros
2. Folhas cartáceas; estames 15, estaminódios 4-5, filiformes; flores pistiladas sésseis ..... 3.1. C. bahianus
2. Folhas membranáceas; estames 10, estaminódios ausentes; flores pistiladas pediceladas
3. Flores estaminadas com cálice tubular-hipocrateriforme e pistiladas dialissépalas, não
urticantes; estames internos soldados pela base dos filetes; estiletes livres, 4-fidos a multí-
fidos .................................................................................................................................... 3.3. C. urens
3. Flores estaminadas e pistiladas com cálice tubular-urceolado, urticantes; estames livres;
estiletes unidos na base, bífidos .................................................................................. 3.4. C. urnigerus
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 105
3.1. Cnidoscolus bahianus (Ule) Pax & K. Hoffm., do pecíolo com a lâmina foliar; estípulas triangulares,
in Engl. & Prantl, Nat. Pflazenfam. ed. 2, 19c: 164. ca. 1,0×2,5 mm, glanduloso-fimbriadas, glabras.
1931. Inflorescências com 6-10 dicásios, brácteas 0,2-1,4 cm
compr., triangulares a elípticas, agudas, inteiras,
Subarbustos a arbustos ca. 2,5 m alt. Folhas
cartáceas; lâmina foliar 3-5 lobada, ovada, 3,0-7,0× glabras. Flores estaminadas sésseis a curto-
5,5-11,0 cm, lobo central 3,0-7,0×1,5-3,0 cm, lobos pediceladas, cálice campanulado, lobos obovados,
laterais 2,0-5,5×1,0-3,0 cm, ápice agudo, margem pubérulos, urticantes; estames 10, em 2 verticilos,
denteada, sem apículos glandulares nas terminações unidos em coluna, vilosos na base, sésseis a subsésseis;
das nervuras, ciliada, base cordada, velutino- estaminódios 4, filiformes. Flores pistiladas pediceladas,
tomentosos; pecíolo 2,0-4,0 cm compr.; glândulas cálice dialissépalo, sépalas oblongas, glabras, não
numerosas na junção do pecíolo com a lâmina foliar; urticantes; ovário piriforme, glabro; estiletes tetráfidos,
estípulas triangulares, ca. 1,0×1,2 mm, glanduloso- unidos na base. Fruto piriforme, ca. 1,0 cm compr.;
fimbriadas, pubérulas. Inflorescências com ca. 8 sementes oblongas.
dicásios, brácteas 2,0-3,0 mm compr., triangulares, Material examinado: BRASIL. Bahia: Campo
agudas, inteiras, pubescentes. Flores estaminadas Alegre de Lourdes, 15/VI/2001, fl. fr., T.S. Nunes 443
sésseis, cálice hipocrateriforme, lobos ovados, (HUEFS). Casa Nova, 1/IX/2002, fl. fr., L.P. de
pubérulos, urticantes; estames 15, em 2 verticilos, Queiroz 7409 (HUEFS); 5/X/2003, fl. fr., K.R.B. Leite
unidos em coluna, glabros, filetes 1,5-10,5 mm compr.; et al. 391 (HUEFS). Ibiraba, 15/X/2000, fl. fr., L.P.
estaminódios 4-5, filiformes. Flores pistiladas sésseis, de Queiroz et al. 6499 (HUEFS). Remanso,
cálice dialissépalo, sépalas oblanceoladas, glabras, não 16/VI/2001, fl. fr., T.S. Nunes et al. 499 (HUEFS);
urticantes; ovário piriforme, velutino; estiletes 4/X/2003, fl., K.R.B. Leite et al. 377 (HUEFS).
multífidos, livres. Fruto ovóide ou elipsóide, ca. 1,2 cm Cnidoscolus quercifolius apresenta variações
compr.; sementes oblongas. foliares relacionadas à profundidade dos lobos da
Material examinado: BRASIL. Bahia: Campo lâmina, embora seja sempre referida como pinatilobada.
Alegre de Lourdes, 21/V/2000, fl. fr., L.P. de Queiroz Suas características marcantes estão relacionadas à
et al. 6198 (HUEFS); 31/VIII/2002, fl., L.P. de ausência de glândulas na junção do pecíolo com a
Queiroz 7378 (HUEFS). Remanso, 28/II/2000, fl. lâmina foliar e à disposição de seus 10 estames em 2
fr., M.L.S. Guedes et al. 7003 (ALCB); fl. fr., verticilos, completamente unidos em coluna.
T. Ribeiro et al. 64 (ALCB); 4/VII/20000, fl. fr., M.M. Cnidoscolus quercifolius está restrita às regiões
da Silva et al. 440 (HUEFS). de caatinga do Brasil. Popularmente é conhecida como
Cnidoscolus bahianus distingue-se das demais favela, faveleira, cansanção e favela-de-galinha.
espécies do gênero ocorrentes na área de estudo pela
3.3. Cnidoscolus urens (L.) Arthur, Torreya 21: 11.
lâmina foliar velutino-tomentosa e por apresentar 15
1921.
estames sésseis dispostos em 2 verticilos unidos em
Fig. 11-17
coluna.
É comum em áreas de caatinga, sobre solos Subarbustos a arbustos 0,5-2,5 m alt. Folhas
argilosos ou argilo-arenosos. Ocorre em diversos membranáceas; lâmina foliar 3-5-lobada, ovada,
Estados, principalmente no Nordeste do Brasil. É 4,0-7,0×6,5-8,3 cm, lobo central 4,0-6,5×2,0-3,8 cm,
popularmente conhecida como “favela-branca”, lobos laterais 2,3-5,3×1,0-3,0 cm, ápice agudo, margem
“favela-brava”, “favela-de-galinha” e “cansanção- serreada, sem apículos glandulares nas terminações
branco”. das nervuras, base cordada, pubescentes; pecíolo
5,0-13,0 cm compr.; glândulas numerosas na junção
3.2. Cnidoscolus quercifolius Pohl, Pl. bras. icon.
do pecíolo com a lâmina foliar; estípulas triangulares,
descr. 1: 62. 1827.
ca. 2,0×1,8 mm, glanduloso-fimbriadas, glabras.
Arbustos ca. 4,0 m alt. Folhas cartáceas a Inflorescências com ca. 16 dicásios, brácteas
subcoriáceas; lâmina foliar pinatilobada a inteira, ovada 2,0-3,0 mm compr., estreito-triangulares, ápice agudo,
a oblanceolada ou irregularmente triangular, 2,3-8,9× margem inteira, pubescentes. Flores estaminadas
1,0-3,2 cm, lobos 0,5-0,7×0,4-0,8 cm, ápice agudo a sésseis, cálice tubular-hipocrateriforme, lobos elíptcos
obtuso, margem inteira, apículos glandulares nas a oblongos, glabros, não urticantes; estames 10, em 2
terminações das nervuras, base cuneada, glabros; verticilos, o mais externo livre, o mais interno soldado
pecíolo 1,8-3,2 cm compr.; glândulas ausentes na junção pela base dos filetes, glabros, filetes 5,2-10,0 mm
106 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
compr.; estaminódios ausentes. Flores pistiladas Alegre de Lourdes, 30/VIII/2002, fl. fr., L.P. de
pediceladas, cálice dialissépalo, ou raramente com Queiroz 7375 (HUEFS); Remanso, 28/II/2000, fl. fr.,
sépalas unidas até 1/2 de seu comprimento, sépalas M.L.S. Guedes 392 (ALCB).
elípticas, glabras, não urticantes; ovário ovóide, glabro; Cnidoscolus urnigerus é a única espécie de todo
estiletes tetráfidos a multífidos, livres. Fruto globóide o gênero cujas flores apresentam cálice tubular-
a subglobóide, ca. 1,2 cm compr.; sementes oblongas. urceolado. Tem ocorrência restrita às caatingas do
Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba, Brasil e é conhecida popularmente como “cansanção”.
26/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4874 (HUEFS).
Cnidoscolus urens possui uma ampla variação 4. Croton L., Sp. pl. 2: 1004. 1753.
morfológica e distingue-se das demais espécies do Árvores, arbustos ou subarbustos monóicos,
gênero pelas sépalas livres ou curtamente unidas das latescentes, com tricomas simples, estrelados ou
flores pistiladas, e pelas flores estaminadas com cálice escamiformes, sem tricomas urticantes. Folhas simples,
tubular-hipocrateriforme. alternas, membranáceas a cartáceas, concolores ou
Distribuída por todo o território brasileiro, discolores; lâmina foliar elíptica a ovada, ápice agudo
Cnidoscolus urens é conhecida popularmente como a obtuso-mucronulado, margem inteira, base cuneada
cansanção-de-leite, cansanção, arre-diabo, pinha- a cordada, simétrica, glabrescente a pubescente,
queimadeira, urtiga, urtiga-de-mamão e urtiga- peciolada; glândulas ausentes na junção do pecíolo com
cansanção. É uma planta invasora, principalmente de a lâmina foliar; estipelas ausentes; estípulas não
pastagens, beira de estradas e terrenos baldios. interpeciolares, livres, glandulares ou não. Inflores-
cências racemosas ou pseudo-racemosas, terminais,
3.4. Cnidoscolus urnigerus (Pax) Pax, in Engl. &
brácteas presentes ou ausentes, 1 flor por bráctea,
Prantl, Nat. Planzenfam. ed. 2. 19c: 166. 1931.
bractéolas ausentes. Flores estaminadas apicais, em
Fig. 18-26
nós distais da ráquis, pediceladas, diclamídeas, em geral
Arbustos ca. 1,5 alt. Folhas membranáceas; lâmina dialissépalas, glabrescentes a pubescentes; estames em
foliar 3-5-lobada, ovada, 4,2-8,3×7,5-15,2 cm, lobo número variado, em 1 verticilo, livres, anteras com
central 5,5-7,0×2,5-3,0 cm, lobos laterais 5,5-7,0× tecas não divergentes, estaminódios ausentes, disco
1,8-2,7 cm, ápice agudo, margem denteada, ciliada, com nectarífero segmentado em glândulas opostas às
apículos glandulares nas terminações das nervuras, sépalas. Flores pistiladas em nós proximais da ráquis,
base cordada, esparsamente velutinos; pecíolo curtamente pediceladas a sésseis, em geral
4,5-12,0 cm compr.; glândulas numerosas na junção monoclamídeas, se diclamídeas, com pétalas muito
do pecíolo com a lâmina foliar; estípulas triangulares, reduzidas, cálice em geral dialissépalo, glabrescente a
1,0-2,0×1,0-1,5 mm, glanduloso-fimbriadas, pubes- pubescente; ovário globóide, pubescente, 1 óvulo/lóculo;
centes. Inflorescências com ca. 16 dicásios, brácteas estiletes 3, geralmente ramificados na porção superior,
ca. 1,0 mm compr., triangulares, agudas, inteiras, livres ou unidos em tubo, disco nectarífero segmentado
pubescentes. Flores estaminadas sésseis, cálice em glândulas opostas às sépalas. Fruto cápsula tricoca,
tubular-urceolado, lobos ovais, velutinos, urticantes; oblongo a globóide, pubescente; sementes oblongas,
estames 10, em 2 verticilos, livres, glabros, filetes carunculadas.
2,0-3,0 mm compr.; estaminódios ausentes. Flores O gênero Croton é um dos mais diversificados da
pistiladas curto-pediceladas, cálice tubular-urceolado, família Euphorbiaceae. É representado por cerca de
lobos ovais, velutinos, urticantes; ovário piriforme, 800 espécies, a maioria americana, embora tenham
pubescente; estiletes bífidos, unidos na base. Fruto sido registradas mais de 200 espécies paleotropicais
oblongo, ca. 6,0 mm compr.; sementes elipsóides a (Webster 1994b). Burger & Huft (1995) consideraram
elíptico-oblongas. a América do Sul e o México como importantes centros
Material examinado: BRASIL. Bahia: Campo de diversidade do gênero.
Chave para as espécies de Croton das caatingas arenosas do médio rio São Francisco, Bahia
1. Flores pistiladas curtamente pediceladas, estiletes multífidos, fundidos na base ............. 4.5. C. sonderianus
1. Flores pistiladas sésseis, estiletes bífidos ou multífidos, livres
2. Folhas cartáceas, pecíolo glabro, lâmina foliar com base cordada; estiletes multífidos .....4.3. C. paludosus
2. Folhas membranáceas, pecíolo pubescente, lâmina foliar com base cuneada; estiletes bífidos
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 107
Figuras 11-26. Cnidoscolus urens (L.) Arthur. 11. Ramo com inflorescência. 12. Fruto. 13. Flor pistilada com cálice rebatido. 14. Gineceu.
15. Androceu. 16. Flor estaminada. 17. Estípula (Queiroz 4874). C. urnigerus (Pax) Pax. 18. Ramo com inflorescência. 19. Brácteas da
inflorescência. 20. Estípula. 21. Cálice da flor estaminada. 22. Androceu 23. Gineceu. 24. Cálice da flor pistilada. 25. Fruto. 26. Semente
(Queiroz 7375).
108 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
4.1. Croton campestris [Link]. Hil., Pl. usuel. bras. pl.: ambas verde-claro; pecíolo 0,4-1,3 cm compr.,
60. 1828. pubescente; estípulas inconspícuas, não glandulares.
Arbusto ca. 1,0 m alt., com tricomas estrelados Inflorescências 3,0-6,5 cm compr., racemosas, brácteas
alvo-amarelados. Folhas membranáceas, discolores; ausentes. Flores estaminadas ca. 3,0 mm compr.,
lâmina foliar elíptica, 2,0-4,0×0,5-1,5 cm, ápice agudo, pedicelo pubescente, dialissépalas, sépalas obovadas,
margem esparsamente denteada, base cuneada, face ápice obtuso, internamente vilosas na base,
adaxial pubescente, enegrecida, face abaxial externamente pubescentes na parte central,
pubescente, glauca; pecíolo 0,2-0,6 cm compr., dialipétalas, pétalas espatuladas, ápice obtuso, vilosas
pubescente; estípulas inconspícuas na junção do pecíolo na base e no ápice; estames 16, filetes ca. 1,5 mm
com a lâmina foliar, glandulares. Inflorescências compr., com esparsos tricomas filiformes na base.
2,0-3,0 cm compr., racemosas, bracteadas, brácteas Flores pistiladas ca. 4,0 mm compr., sésseis,
ca. 1,0mm compr., elípticas a ovadas, ápice agudo, dialissépalas, sépalas oval-lanceoladas, ápice agudo,
pubescentes. Flores estaminadas ca. 2,5 mm compr., internamente glabrescentes, externamente pubes-
pediceladas, pedicelo pubescente, dialissépalas, sépalas centes; ovário globóide, pubescente; estiletes bífidos,
elípticas, ápice arredondado, internamente vilosas na livres, glabros. Fruto oblongo, ca. 5,0 mm compr.;
base, externamente pubescentes, dialipétalas, pétalas sementes obovóides, lisas.
espatuladas, ápice levemente retuso, densamente Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba,
vilosas na base; estames 15, filetes ca. 2,0 mm compr., 22/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4765 (HUEFS, SP);
vilosos na base. Flores pistiladas ca. 4,0 mm compr., 23/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4855 (HUEFS, SP);
sésseis, dialissépalas, sépalas elípticas, ápice agudo, 24/II/1997, fl., L. P. de Queiroz 4824 (HUEFS);
internamente vilosas na base, externamente pubes- II/1989, fl. fr., P. Rocha 36 (SPF); 30/XII/2002, fl. fr.,
centes; ovário globóide, densamente pubescente; A.T.A. Rodarte 143 (ALCB).
estiletes bífidos, livres, pubescentes até a ramificação. Croton heliotropiifolius diferencia-se de
Fruto oblongo, ca. 5,0 mm compr.; sementes oblongas, C. campestris pelas folhas concolores, inflorescência
rugosas. eglandular, sementes lisas e ramos com tricomas
Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba, dendríticos.
2/II/2000, fl. fr., A.F.R. Teixeira 1 (HRB). Forrageira comum da Bacia do Parnaíba
Croton campestris é caracterizada pelo (Nascimento et al. 1999 apud Sampaio et al. 2002), a
indumento alvo-amarelado de tricomas estrelados, pelas planta exala odor agradável, especialmente quando
inflorescências densas, com muitas flores pistiladas, suas folhas são maceradas. É popularmente conhecida
cujos ramos dos estiletes são frágeis. A rugosidade por “marmeleiro” e “velame”.
das sementes é uma característica importante na
4.3. Croton paludosus Müll. Arg., Linnaea 34:
delimitação da espécie.
133.1865.
Espécie típica de vegetações abertas como
cerrado, também ocorre em campos rupestres e Subarbusto 50-70 cm alt., formando touceiras, com
caatingas através do Brasil, sendo conhecida tricomas estrelados esverdeados. Folhas cartáceas,
popularmente como “velame”. concolores; lâmina foliar ovada, 0,4-2,0×0,4-1,5 cm,
ápice obtuso-mucronulado, margem serreada, base
4.2. Croton heliotropiifolius Kunth, in H.B.K., Nov.
cordada, faces adaxial e abaxial glabrescentes, verde-
Gen. Sp. 2: 75. 1817.
oliva; pecíolo ca. 0,5 cm compr., glabro; estípulas
Arbusto ca. 1,0 m alt., com tricomas estrelados e inconspícuas, não glandulares. Inflorescências
dendríticos, ocreados. Folhas membranáceas, ca. 3,5 cm compr., racemosas, brácteas ausentes.
concolores; lâmina foliar largo-elíptica, 1,9-4,0× Flores estaminadas ca. 2,5 mm compr., pedicelo glabro,
1,3-2,6 cm, ápice agudo, margem inteira, base cuneada, dialissépalas, sépalas elípticas, ápice agudo, glabras,
face adaxial glabrescente, face abaxial pubescente, dialipétalas, pétalas lanceoladas, ápice acuminado,
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 109
glabras; estames 10, filetes ca. 2,3 mm compr., glabros. 5. Dalechampia scandens L., Sp. pl.: 1054. 1753.
Flores pistiladas ca. 3,0 mm compr., sésseis, Fig. 35-43
dialissépalas, sépalas elípticas, ápice agudo, glabras;
Ervas escandentes, monóicas, sem látex, com
ovário globóide, pubescente; estiletes multífidos, livres, tricomas filiformes urticantes. Folhas simples, alternas,
glabros. Fruto globóide, ca. 4,0 mm compr.; sementes membranáceas, discolores; lâmina foliar profun-
oblongas, lisas. damente 3-lobada, lobos assimétricos; lobo central
Material examinado: BRASIL. Bahia: Casa 2,0-5,0×0,8-1,4 cm, lobos laterais 1,6-4,7×0,8-1,7 cm,
Nova, 5/VII/2003, fl. fr., L.P. de Queiroz et al. 7906 ápice agudo, margem denticulada, base cordada,
(HUEFS); 8/II/2004, fl. fr., L.P. de Queiroz et al. 9100 simétrica, pubescentes; pecíolo 1,0-3,2 cm, glândulas
(HUEFS). ausentes na junção do pecíolo com a lâmina foliar;
Croton paludosus é endêmica do Estado da estipelas filiformes na base da lâmina foliar, ca. 2,0 mm
Bahia, só encontrada no município de Casa Nova, no compr.; estípulas estreito-triangulares, ca. 3,0 mm
complexo de dunas arenosas do médio rio São compr., não interpeciolares, livres, não glandulares,
Francisco. glabras. Inflorescências em pseudantos 2-bracteados,
4.4. Croton sonderianus Müll. Arg., in A.P. de axilares; brácteas involucrais ovadas, 0,8-12,0×
7,0-10,0 mm, foliáceas, 3-lobadas no ápice, lobo central
Candolle, Prodr. 15(2): 557. 1866.
2,0-5,0×0,8-1,4 cm, lobos laterais 1,6-4,7×0,8-1,7 cm,
Fig. 27-34
ápice agudo, margem denteada, ciliada. Flores
Arbusto ca. 4,0 m alt., com tricomas estrelados estaminadas ca. 8, pediceladas, pedicelo menor que
ou filiformes, amarelados. Folhas membranáceas, 1,0 mm compr., monoclamídeas, envolvidas por uma
fortemente discolores; lâmina foliar oblongo-ovada, bractéola flabeliforme, dialissépalas, sépalas 4, elípticas,
4,0-6,5×0-3,1 cm, ápice agudo, margem inteira, base ápice agudo, glabras; estames numerosos, em 1
cordada, face abaxial pubescente, esbranquiçada, face verticilo, fundidos em coluna, anteras com tecas não
adaxial glabrescente, verde-escura; pecíolo, 0,5-12 cm divergentes, estaminódios ausentes, disco nectarífero
compr., pubescente; estípulas ca. 0,5 cm compr., não ausente. Flores pistiladas 3, curto-pediceladas, envoltas
glandulares. Inflorescências ca. 15 cm compr., por 1 bractéola globosa de ca. 2,0×2,5 mm, serícea em
racemosas, brácteas ausentes. Flores estaminadas ca. ambas as faces, dialissépalas, sépalas 8, desiguais entre
3,5 mm compr., pedicelo pubescente, dialissépalas, si; ovário globóide, glabro, 1 óvulo/lóculo; estilete
sépalas elípticas, ápice agudo, internamente glabras, 1,0-2,0 mm compr., dilatado no ápice, disco nectarífero
externamente pubescentes, dialipétalas, pétalas ausente. Fruto cápsula tricoca, globóide, ca. 5,0 mm
oblongas, ápice agudo, internamente vilosas na metade compr., glabro, sépalas e estiletes persistentes;
superior, externamente esparsamente vilosas, ciliadas; sementes globóides.
estames ca. 17, filetes ca. 1,5 mm compr., vilosos na Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba,
base. Flores pistiladas ca. 5,0 mm compr., curtamente 22/I/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4768 (HUEFS);
pediceladas, sépalas ovadas, ápice agudo, internamente 26/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4862 (HUEFS).
vilosas na base, externamente pubescentes; ovário Segundo Webster & Armbruster (1991), o gênero
globóide, pubescente; estiletes multífidos, com 2 níveis Dalechampia possui mais de 100 espécies tropicais.
de ramificação, fundidos na base, pubescentes. Fruto Distribuída na América Tropical (Webster & Burch
e sementes não vistos. 1967), D. scandens é a espécie-tipo do gênero, e foi
Material examinado: BRASIL. Bahia: Campo registrada em diversas localidades no Brasil, distri-
Alegre de Lourdes, 27/XII/2001, fl. fr., T.S. Nunes buindo-se em ambientes de floresta, beira de estrada,
et al. 657 (HUEFS). Ibiraba, 17/II/1989, fl., P. Rocha restingas e caatingas de solo arenoso associado a rios.
17/51 (SP, SPF); 24/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz Caracteriza-se pelas brácteas involucrais
4829 (HUEFS); 5/VIII/2000, fl. fr., A.T.A. Rodarte 3-lobadas no ápice, lâminas foliares profundamente
124 (ALCB). 3-lobadas e tricomas urticantes. Popularmente é
Forrageira comum da bacia do Parnaíba (Sampaio conhecida como “feijão-ortiga”, “matuntin”, “cipó-
et al. 2002), Croton sonderianus é bem distribuída urtiga” e “cipó-de-fogo”.
pelo Nordeste do Brasil. A espécie é caracterizada
6. Jatropha L., Sp. pl.: 1006. 1753.
por folhas acentuadamente discolores e estiletes
multífidos em 2 níveis de ramificação. Árvores, arbustos ou subarbustos monóicos,
É conhecida popularmente como “marmeleiro”. latescentes, com tricomas simples ou glandulares
110 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
Figuras 27-34. Croton sonderianus Müll. Arg. 27. Ramo com inflorescência. 28. Estípula. 29. Sépala da flor estaminada (face externa).
30. Flor estaminada. 31. Pétala da flor estaminada (face externa). 32. Sépala da flor pistilada (face externa). 33. Ramo do estilete.
34. Gineceu (27. Nunes et al. 65; 28-34. Queiroz 4829).
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 111
Figuras 35-43. Dalechampia scandens L. 35. Ramo com inflorescências. 36. Flor estaminada. 37. Inflorescência com bráctea involucral
rebatida. 38. Fruto. 39. Bractéola flabeliforme que envolve as flores estaminadas. 40. Flores pistiladas envoltas por bractéola globosa.
41. Flor pistilada sem as sépalas. 42. Sépala da flor estaminada. 43. Sépalas da flor pistilada (35. Queiroz 4768; 36-43. Queiroz 4862).
112 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
estipitados, sem tricomas urticantes. Folhas simples, glandulares, base cordada, vilosa; pecíolo 3,3-10,5 cm
alternas, membranáceas a semi-suculentas, concolores compr., pubescente; estípulas truladas, 0,3-0,9 cm
a levemente discolores; lâmina foliar lobada a inteira, compr., ápice agudo, margem fimbriada, glandulares.
ápice agudo a retuso, margem inteira a serreada, base Inflorescências com brácteas ca. 0,9×0,2 cm,
arredondada a cordiforme, simétrica, glabra a vilosa, lanceoladas, ápice agudo, margem ciliada, com
peciolada; glândulas ausentes na junção do pecíolo com tricomas glandulares; bractéolas ca. 0,4×0,15 cm,
a lâmina foliar; estipelas ausentes; estípulas não irregulares, ápice agudo, margem ciliada, com tricomas
interpeciolares, livres, glandulares ou não. Inflores- glandulares. Flores estaminadas ca. 1,7 cm compr.,
cências em dicásios terminais, brácteas e bractéolas pedicelo pubescente, sépalas ovais, ápice obtuso,
presentes. Flores estaminadas em nós distais da ráquis, margem ciliada, com tricomas glandulares; pétalas
pediceladas, diclamídeas, dialissépalas, glabras a espatuladas, ápice obtuso, margem inteira, glabras,
ciliadas; estames 7-10, em 2 verticilos, parcialmente vermelhas; estames 8, unidos pela base dos filetes, disco
soldados, anteras com tecas não divergentes, nectarífero segmentado em glândulas opostas às
estaminódios ausentes, disco nectarífero segmentado sépalas. Flores pistiladas 1,3-1,8 cm compr., pedicelo
ou inteiro. Flores pistiladas em nós proximais da ráquis, pubescente, sépalas oval-lanceoladas, ápice agudo,
pediceladas, diclamídeas, dialissépalas, dialipétalas, margem ciliada, com tricomas glandulares; pétalas
glabras a ciliadas; ovário oblongo a ovóide, glabro, 1 espatuladas, ápice obtuso, margem inteira, glabras,
óvulo/lóculo; estiletes 3, livres a curtamente fundidos vermelhas; ovário ovóide, glabro; estiletes 3, livres,
na base, disco nectarífero inteiro. Fruto cápsula tricoca, glabros, estigmas reniformes, profundamente lobados,
oblongo, glabro; sementes oblongas a globosas, disco nectarífero inteiro. Fruto ca. 2,5 cm compr.;
carunculadas. sementes oblongas.
O gênero Jatropha possui cerca de 150 espécies, Material examinado: BRASIL. Bahia: Casa
em sua maioria africana e americana (Webster 1994b). Nova, 1/IX/2001, fr., D.L. Santana 549 (ALCB);
Campo Alegre de Lourdes, 2/IX/2000, fl. fr., A.C.S.
Chave para as espécies de Jatropha das caatingas Rocha et al. 6 (HUEFS); 15/VI/2001 fl. fr., T.S. Nunes
arenosas do médio rio São Francisco, Bahia et al. 452 (HUEFS); fl. fr., A.M. Miranda 3977
(HUEFS). Remanso, 3/VII/2000, fl., M.M. Silva et al.
1. Lâmina foliar inteira, orbicular, glabra 421 (HUEFS); 28/II/2002, fl. fr., A. Nascimento et al.
.................................................... 6.2. J. mutabilis 248 (ALCB).
1. Lâmina foliar lobada, com tricomas Jatropha mollissima distingue-se das demais
glandulares nas margens dos lobos espécies de Jatropha da área por suas lâmina foliar
2. Lâmina foliar 5-lobada; flores 5-lobada. É comum no nordeste do Brasil e norte da
estaminadas e pistiladas com Argentina, sendo, segundo Pax (1910), nativa da
pétalas vermelhas; estigma reni- caatinga e outras regiões secas do nordeste do Brasil
forme ...................................6.1. J. mollissima
e Minas Gerais. É conhecida popularmente como
2. Lâmina foliar 3-lobada; flores
“pinhão”, denominação utilizada para diversas espécies
estaminadas e pistiladas com
de Jatropha.
pétalas alvo-amareladas a ama-
relas; estigma oblongo, com ápice 6.2. Jatropha mutabilis (Pohl) Baill., Adansonia 4:
retuso ...................................... 6.3. J. ribifolia 267. 1864.
Arbusto 1,5-2,0 m, com tricomas glandulares
6.1. Jatropha mollissima (Pohl) Baill., Adansonia 4:
curtamente estipitados. Folhas semi-suculentas,
268. 1864.
concolores; lâmina foliar orbicular, 1,4-3,2×1,6-3,8 cm,
Fig. 44-55
ápice retuso, margem inteira sem tricomas glandulares,
Subarbustos a arbustos 0,8-3,0 m alt., com base arredondada, glabra; pecíolo 0,7-1,6 cm compr.,
tricomas glandulares longamente estipitados. Folhas glabro; estípulas não vistas. Inflorescências com
membranáceas, concolores a levemente discolores; brácteas ca. 0,3×0,1 cm, triangulares, ápice agudo,
lâmina foliar 5-lobada, largamente ovada, lobo central margem ciliada, com tricomas glandulares; bractéolas
3,6-7,4×1,6-3,5 cm, lobos laterais 2,8-6,9×1,6-3,3 cm, ca. 0,1 cm compr., triangulares, ápice agudo, margem
ápice agudo, margem ciliada e com tricomas ciliada, com tricomas glandulares. Flores estaminadas
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 113
Figuras 44-55. Jatropha mollissima (Pohl) Baill. 44. Ramo com inflorescência. 45. Estípula. 46. bractéola. 47. Bráctea da inflorescência.
48. Sépala da flor pistilada. 49. Fruto. 50. Semente. 51. Gineceu com disco nectarífero. 52. Pétala da flor pistilada. 53. Pétala da flor
estaminada. 54. Androceu com disco nectarífero. 55. Sépala da flor estaminada (44-50, 54-55. Nunes et al. 452; 51-53. Silva et al. 241).
114 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
ca. 1,8 cm compr., pedicelo glabro, sépalas espatuladas, estiletes 3, fundidos na base, glabros, estigmas oblongos,
ápice obtuso, margem ciliada, com tricomas ápice retuso, disco nectarífero inteiro. Fruto ca. 1,0 cm
glandulares; pétalas obovais, ápice obtuso, margem compr.; sementes oblongas.
inteira, glabras, vermelhas; estames 8, unidos pela base Material examinado: BRASIL. Bahia: Casa Nova,
dos filetes, disco nectarífero inteiro. Flores pistiladas 28/XII/2001, fl. fr., T.S. Nunes et al. 699 (HUEFS).
ca. 0,8 cm compr., pedicelo glabro, sépalas elípticas, Remanso, 27/II/2000, fl. fr., L. Passos et al. 384 (HUEFS);
ápice agudo, margem ciliada, sem tricomas glandulares; 28/II/2000, fl. fr., L. Passos et al. 388 (HUEFS).
pétalas espatuladas, ápice obtuso, margem inteira, Jatropha ribifolia distingue-se das demais
glabras, vermelhas; ovário oblongo, glabro; estiletes 3, espécies de Jatropha da área por sua lâmina foliar
livres, glabros, estigmas horizontalmente elípticos, ápice 3-lobada e flores alvo-amareladas a amarelas. É muito
profundamente lobado, disco nectarífero inteiro. Fruto comum no nordeste do Brasil, sendo popularmente
ca. 2,4 cm compr.; sementes globóides. conhecida como “pinhãozinho” e “pinhão-manso”.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Campo
Alegre de Lourdes, fl. fr., T.S. Nunes et al. 655 7. Manihot Mill., Gard. Dict. ed. 4. 1754.
(HUEFS). Casa Nova, 17/X/1990, fl., A.F. Fierro et al. Árvores ou arbustos, monóicos, latescentes, sem
1972 (SPF); 28/XII/2001, fl. fr., T.S. Nunes et al. 702 tricomas urticantes. Folhas simples, alternas, cartáceas,
(HUEFS). Ibiraba, 4/X/1987, fl., M.U. Trefant 35 concolores a discolores; lâmina foliar em geral lobada,
(SPF); 20/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 6434 ápice agudo a acuminado, margem inteira a sinuosa,
(HUEFS); 23/II/1997, fl. fr., L.P. de Queiroz 4788 base cordada, simétrica, glabra, subséssil a peciolada;
(HUEFS). Remanso, 27/II/2000, fl. fr., A. Nascimento glândulas ausentes na junção do pecíolo com a lâmina
et al. 234 (HUEFS); 28/XII/2001, fl. fr., T.S. Nunes foliar; estipelas ausentes; estípulas não interpeciolares,
et al. 666 (HUEFS); 1/IX/2002, fl. fr., L.P. de Queiroz livres, não glandulares. Inflorescências em racemos
7396 (HUEFS). ou panículas, terminais, raramente axilares, brácteas
Jatropha mutabilis distingue-se das demais presentes, 1 flor por bráctea, bractéolas presentes.
espécies de Jatropha da área por sua lâmina foliar Flores estaminadas apicais, pediceladas, monocla-
orbicular, inteira. Distribui-se pela Região Nordeste do mídeas, gamossépalas, glabras; estames em geral 10,
Brasil, especialmente nos Estados da Bahia e Alagoas. em 2 verticilos, livres, os mais externos com filetes
É conhecida popularmente como “pinhão”. mais longos que os mais internos, anteras com tecas
não divergentes, estaminódios ausentes, disco
6.3. Jatropha ribifolia (Pohl) Baill., Adansonia 4: 268. nectarífero inteiro. Flores pistiladas basais, pediceladas,
1864. monoclamídeas, dialissépalas, glabras; ovário glabro,
Arbusto ca. 2,0 m alt., com tricomas glandulares 1 óvulo/lóculo; estilete curto a ausente, inteiro. Fruto
curtamente estipitados. Folhas membranáceas, cápsula tricoca, ovóide a elipsóide, glabro; sementes
concolores; lâmina foliar 3-lobada, ovada, lobo central ovóides, carunculadas.
2,0-3,0×1,5-2,0 cm, lobos laterais 1,6-2,5×0,8-1 cm, Manihot é um gênero neotropical que inclui cerca
ápice obtuso, margem ciliada, com tricomas glandulares, de 60 espécies, a grande maioria da América do Sul
base cordada, pubescente; pecíolo 1,5-2,5 cm compr., (Webster 1994a).
pubescente; estípulas lineares, 0,2-0,4 cm compr., ápice
agudo, margem fimbriada, glandulares. Inflorescências Chave para as espécies de Manihot das caatingas
com brácteas ca. 0,4×0,2 cm e bractéolas ca. arenosas do médio rio São Francisco, Bahia
0,2×0,1 cm, oblongo-lanceoladas, ápice agudo, margem 1. Lâmina foliar 3-lobada, lobos elípti-
ciliada, com tricomas glandulares. Flores estaminadas cos.............................................. 7.1. M. catingae
ca. 7,5 mm compr., pedicelo glabro, sépalas elípticas, 1. Lâmina foliar 4-5-lobada, lobos oblon-
ápice obtuso, margem inteira, sem tricomas glandulares; go-pandurados ..................... 7.2. M. heptaphylla
pétalas largo-obovadas, ápice obtuso, margem inteira,
glabras, amarelas; estames 7, unidos pela base dos
7.1. Manihot catingae Ule, Bot. Jahrb. Syst. 62: 221.
filetes, disco nectarífero inteiro. Flores pistiladas ca.
1908.
1,0 cm compr., pedicelo glabro, sépalas ovadas, ápice
Fig. 56-61
agudo, margem ciliada, com tricomas glandulares;
pétalas espatuladas, ápice truncado, margem inteira, Árvore ca. 4,0 m alt., glabra. Folhas concolores;
glabras, alvo-amareladas; ovário oblongo, glabro; lâmina foliar 3-lobada, ovada, 2,0-5,5×5,5-11,3 cm; lobos
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 115
elípticos, lobo central 2,0-5,5×0,8-1,7 cm, lobos laterais 8. Sapium glandulosum (L.) Morong, Ann. New York
1,6-5,0×0,7-1,1 cm, ápice agudo, margem inteira, base Acad. Sci. 7: 227. 1893.
levemente cordada, glabros; pecíolo 2,0-7,0 cm compr., Fig. 72-79
glabro; estípulas triangulares, 1,0-2,0×1,5-2,5 mm,
Árvore 3,0-8,0 m alt., monóicas, latescentes,
ápice agudo, margem denteada, setáceas. Inflores-
glabras. Folhas simples, alternas, espiraladas,
cências em racemos terminais, brácteas triangulares membranáceas, concolores; lâmina foliar oboval,
a estreito-triangulares, ca. 0,4 cm compr., ápice agudo, 4,5-1,0×2,4-4,7 cm, ápice acuminado, margem
margem denteada, setáceas; bractéolas estreito- serrilhada, com apículos glandulares nas terminações
triangulares, ca. 0,2 cm compr., ápice agudo, margem das nervuras, base atenuada, glabra; pecíolo 0,4-1,0 cm
denteada, setáceas. Flores estaminadas ca. 1,5 cm compr.; glândulas 2 na junção do pecíolo com a lâmina
compr., pedicelo glabro, cálice 5-lobado, lobos ovais, foliar; estipelas ausentes; estípulas triangulares, ca.
ápice arredondado, margem inteira, esparsamente 3,0×1,0 mm, escariosas, ápice agudo, margem serreada,
pubescentes na face abaxial; estames 10, livres, não interpeciolares, livres, não glandulares, glabras.
externos ao disco nectarífero. Flores pistiladas ca. Inflorescências espiciformes, 6,0-10,0 cm compr.,
1,4 cm compr., pedicelo glabro, sépalas não observadas; terminais, brácteas não observadas, bractéolas
ovário subglobóide, glabro; estiletes e estigmas não presentes. Flores estaminadas distais, 6-8 por
observados. Fruto subglobóide, ca. 1,5 cm compr.; bractéola; bractéolas triangulares, ca. 1,0 mm compr.,
sementes ovóides. ápice agudo, margem denticulada, ciliada, com 2
Material examinado: BRASIL. Bahia: glândulas pateliformes na base; flores subsésseis,
Remanso, 27/II/2000, fr., M.L.S. Guedes 6989 monoclamídeas, cálice fundido na base, ápice 2-partido,
(ALCB); 28/II/2000, fr., N.G. Jesus et al. 848 lobos arredondados, glabros; estames 2, em 1 verticilo,
(ALCB); 1/III/2000, fr., M.L.S. Guedes et al. 7019 filetes ca. 0,2 cm compr., glabros, anteras com tecas
(ALCB). não divergentes, estaminódios ausentes, disco
Manihot catingae é facilmente reconhecida por nectarífero ausente. Flores pistiladas basais, 1 por
sua lâmina foliar 3-lobada, com lobos elípticos. O bractéola, bractéolas estreito-triangulares, ca. 0,8 mm
material-tipo da espécie foi coletado no município de compr., ápice agudo, margem denticulada, ciliada, com
Remanso. De acordo com Rogers & Appan (1973), a 2 glândulas pateliformes na base; flores pediceladas,
distribuição de Manihot catingae é restrita ao Estado monoclamídeas, cálice urceolado, lobos 3, ápice agudo,
da Bahia. margem inteira, glabros; ovário globóide, estipitado,
glabro, 1 óvulo/lóculo; estiletes 3 inteiros, fundidos na
7.2. Manihot heptaphylla Ule, Tropenpflanzer 11: 863.
base, glabros, disco nectarífero ausente. Fruto cápsula
1907.
tricoca, globóide, ca. 7,0 mm compr., glabro; sementes
Fig. 62
arredondadas, ecarunculadas.
Árvore ca. 4,0 m alt., glabra. Folhas discolores; Material examinado: BRASIL. Bahia: Remanso,
lâmina foliar 4-5-lobada, largamente ovada, 2,5-3,5× 18/X/1990, A.F. Fierro et al. 1997 (SPF); 28/II/2000,
7,0-11,0 cm; lobos oblongo-pandurados, lobo central fl. fr., M.R. Fonseca et al. 1290 (HUEFS);
2,5-3,5×0,7-1,4 cm, lobos laterais 2,5-3,3×0,6-1,3 cm, 28/XII/2001, fl., T.S. Nunes et al. 678 (HUEFS).
ápice acuminado, margem sinuosa, base profunda- O gênero Sapium inclui atualmente com cerca de
mente cordada, glabros; pecíolo 3,2-7,5 cm compr., 100 espécies, distribuídas por regiões tropicais de todo
glabro; estípulas estreito-triangulares, 1,0-1,2× o mundo, a maioria delas concentrada nas Américas
0,4-0,6 mm, ápice agudo, margem inteira, setáceas. (Webster 1994b).
Inflorescências e flores não observadas. Fruto Sapium glandulosum é a espécie mais comum
obcônico, levemente emarginado no ápice, ca. 1,5 cm do gênero, ocorrendo em quase toda a região
compr.; sementes não observadas. neotropical (Cordeiro 1992).
Material examinado: BRASIL. Bahia: Ibiraba,
9. Tragia bahiensis Müll. Arg., Linnaea 34: 182. 1865.
26/II/1997, fr., L.P. de Queiroz 4865 (HUEFS, SP).
Fig. 63-71
Esta espécie é facilmente reconhecida por seus
lobos foliares oblongo-pandurados. Segundo Rogers & Ervas volúveis, monóicas, sem látex, com tricomas
Appan (1973), a distribuição de Manihot heptaphylla glandulares estipitados e urticantes. Folhas simples,
é restrita à Bahia. alternas, membranáceas, concolores; lâmina foliar
116 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
Figuras 56-62. Manihot catingae Ule. 56. Ramo com fruto. 57. Fruto. 58. Semente. 59. Gineceu sem estigmas. 60. Androceu. 61. Sépala
da flor estaminada. (57-59. Guedes 6989; 56, 60-61. Queiroz et al. 1142). Manihot heptaphylla Ule. 62. Ramo com fruto (note os lobos
panduriformes da lâmina foliar) (Queiroz et al. 4865).
Acta bot. bras. 22(1): 99-118. 2008. 117
Figuras 63-79. Sapium glandulosum (L.) Morong 63. Ramo com inflorescências. 64. Flor pistilada com glândulas pateliformes e
bractéola. 65. Estípula. 66. Lâmina foliar. 67. Semente. 68. Fruto. 69. Flor pistilada. 70. Flor estaminada (Nunes et al. 678). Tragia
bahiensis Müll. Arg. 71. Ramo com inflorescências. 72. Estípula. 73. Fruto. 74. Gineceu. 75. Bractéola da flor pistilada. 76. Flor
pistilada. 77. Bractéola da flor estaminada. 78. Bráctea da inflorescência. 79. Flor estaminada (Cavalcanti et al. 34).
118 Sátiro & Roque: A família Euphorbiaceae nas caatingas arenosas do médio rio São Francisco, BA, Brasil
elíptica a ovada, 2,2-7,0×0,7-3,0 cm, ápice acuminado, Burger, W. & Huft, M. 1995. Flora Costaricensis-Família 113:
margem denteada, base cordada, pubescente; pecíolo Euphorbiaceae. Fieldiana 36: 1-167.
Carneiro, D.C.; Cordeiro, I. & França, F. 2002. A família
0,4-3,0 cm compr., glândulas ausentes na junção do
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pecíolo com a glândula foliar, estipelas ausentes; Milagres, Bahia, Brasil. Boletim de Botânica,
estípulas oval-lanceoladas, ca. 0,2,0×0,1 cm, ápice Universidade de São Paulo 20: 31-47.
agudo, margem ciliada, não interpeciolares, livres, não Cordeiro, I. 1992. Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais:
glandulares, glabras. Inflorescências espiciformes, Euphorbiaceae. Boletim de Botânica, Universidade de
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pubescentes; estames 3, em 1 verticilo, unidos na base, Gardens.
filetes ca. 0,4 mm compr., dilatados na base, glabros, Holmgren, P.K.; Keuken, W. & Schofield, E.K. 1990. Index
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Tragia possui cerca de 125 espécies, sendo bem Pax, F. 1910. Euphorbiaceae-Jatropheae. In: A. Engler (ed.).
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