SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE SAÚDE articuladamente com o propósito de atender às
demandas para o qual foi concebido”;
• “reunião de pessoas e máquinas, com vistas à
obtenção e processamento de dados que
A informação é instrumento essencial para a atendam à necessidade de informação da
tomada de decisões. Nesta perspectiva, instituição que o implementa”;
representa imprescindível ferramenta à vigilância
• “conjunto de estruturas administrativas e
epidemiológica, por constituir fator
unidades de produção, perfeitamente
desencadeador do processo “informação-
articuladas, com vistas à obtenção de dados
decisão-ação”, tríade que sintetiza a dinâmica
mediante o seu registro, coleta,
de suas atividades que, como se sabe, devem
processamento, análise, transformação em
ser iniciadas a partir da informação de um
informação e oportuna divulgação”.
indício ou suspeita de caso de alguma doença
Em síntese, um sistema de informação deve
ou agravo.
disponibilizar o suporte necessário para que o
Dado - é definido como “um valor quantitativo planejamento, decisões e ações dos gestores,
referente a um fato ou circunstância”, “o número em determinado nível decisório (municipal,
bruto que ainda não sofreu qualquer espécie estadual e federal), não se baseie em dados
de tratamento estatístico”, ou “a matéria- subjetivos, conhecimentos ultrapassados ou
prima da produção de informação”. conjecturas.
Informação - é entendida como “o O SIS é parte dos sistemas de saúde; como
conhecimento obtido a partir dos dados”, “o tal, integra suas estruturas organizacionais e
dado trabalhado” ou “o resultado da análise e contribui para sua missão. É constituído por
combinação de vários dados”, o que implica vários sub-sistemas e tem como propósito
em interpretação, por parte do usuário. É “uma geral facilitar a formulação e avaliação das
descrição de uma situação real, associada a um políticas, planos e programas de saúde,
referencial explicativo sistemático”. subsidiando o processo de tomada de
Não se deve perder de vista que a informação em decisões. Para tanto, deve contar com os
saúde é o esteio para a gestão dos serviços, pois requisitos técnicos e profissionais
orienta a implantação, acompanhamento e necessários ao planejamento, coordenação e
avaliação dos modelos de atenção à saúde e das supervisão das atividades relativas à coleta,
ações de prevenção e controle de doenças. São registro, processamento, análise,
também de interesse dados/informações apresentação e difusão de dados e geração de
produzidos extra-setorialmente, cabendo aos informações.
gestores do Sistema a articulação com os Um de seus objetivos básicos, na concepção do
diversos órgãos que os produzem, de modo a Sistema Único de Saúde (SUS), é possibilitar a
complementar e estabelecer um fluxo regular de análise da situação de saúde no nível local
informação em cada nível do setor saúde. tomando como referencial microrregiões
Oportunidade, atualidade, disponibilidade e homogêneas e considerando, necessariamente,
cobertura são características que determinam a as condições de vida da população na
qualidade da informação, fundamentais para determinação do processo saúde-doença. O
que todo o Sistema de Vigilância Epidemiológica nível local tem, então, responsabilidade não
apresente bom desempenho. Dependem da apenas com a alimentação do sistema de
concepção apresentada pelo Sistema de informação em saúde, mas também com sua
Informação em Saúde (SIS), e sua organização e gestão. Deste modo, outro
sensibilidade para captar o mais aspecto de particular importância é a concepção
precocemente possível as alterações que do sistema de informação, que deve ser
podem ocorrer no perfil de morbimortalidade hierarquizado e cujo fluxo ascendente dos dados
de uma área, e também da organização e ocorra de modo inversamente proporcional à
cobertura das atividades desenvolvidas pela agregação geográfica, ou seja, no nível local faz-
vigilância epidemiológica. se necessário dispor, para as análises
Entende-se sistema como o “conjunto epidemiológicas, de maior número de variáveis.
integrado de partes que se articulam para uma Felizmente, os atuais recursos do
finalidade comum.” Para sistema de processamento eletrônico estão sendo
informação existem várias definições, tais como: amplamente utilizados pelos sistemas de
• “conjunto de unidades de produção, análise e informação em saúde, aumentando sua
divulgação de dados que atuam integradas e eficiência na medida em que possibilitam a
obtenção e processamento de um volume de
dados cada vez maior, além de permitirem a compulsória na área de abrangência da unidade
articulação entre diferentes subsistemas. de saúde. Indica que os profissionais e o sistema
Entre os sistemas nacionais de informação em de vigilância da área estão alertas para a
saúde existentes, alguns se destacam em razão ocorrência de tais eventos.
de sua maior relevância para a vigilância A notificação de surtos também deve ser feita
epidemiológica: por esse instrumento, obedecendo os
seguintes critérios:
• casos epidemiologicamente vinculados de
SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVOS DE agravos inusitados. Sua notificação deve estar
NOTIFICAÇÃO (SINAN) consoante com a abordagem sindrômica, de
acordo com as seguintes categorias: síndrome
O mais importante sistema para a vigilância
diarréica aguda, síndrome ictérica aguda,
epidemiológica foi desenvolvido entre 1990 e
síndrome hemorrágica febril aguda, síndrome
1993, visando sanar as dificuldades do
respiratória aguda, síndrome neurológica aguda
Sistema de Notificação Compulsória de
e síndrome da insuficiência renal aguda, dentre
Doenças (SNCD) e substituí-lo, tendo em vista o
outras;
razoável grau de informatização disponível no
• casos agregados, constituindo uma situação
país. O Sinan foi concebido pelo Centro Nacional
epidêmica de doenças não constantes da lista
de Epidemiologia, com o apoio técnico do
de notificação compulsória;
Datasus e da Prefeitura Municipal de Belo
Horizonte para ser operado a partir das unidades • casos agregados das doenças constantes da
de saúde, considerando o objetivo de coletar e lista de notificação compulsória, mas cujo
processar dados sobre agravos de notificação volume de notificações operacionalmente
em todo o território nacional, desde o nível local. inviabiliza o seu registro individualizado.
Mesmo que o município não disponha de Ficha Individual de Investigação (FII) - na
microcomputadores em suas unidades, os maioria das vezes, configura-se como roteiro de
instrumentos deste sistema são preenchidos investigação, distinto para cada tipo de agravo,
neste nível e o processamento eletrônico é feito devendo ser utilizado, preferencialmente, pelos
nos níveis centrais das secretarias municipais serviços municipais de vigilância ou unidades de
de saúde (SMS), regional ou secretarias saúde capacitadas para a realização da
estaduais (SES). É alimentado, principalmente, investigação epidemiológica. Esta ficha, como
pela notificação e investigação de casos de referido no tópico sobre investigação de surtos e
doenças e agravos constantes da lista nacional epidemias, permite obter dados que possibilitam
de doenças de notificação compulsória, mas é a identificação da fonte de infecção e
facultado a estados e municípios incluir outros mecanismos de transmissão da doença. Os
problemas de saúde regionalmente importantes. dados, gerados nas áreas de abrangência dos
Por isso, o número de doenças e agravos respectivos estados e municípios, devem ser
contemplados pelo Sinan, vem aumentando consolidados e analisados considerando
progressivamente desde seu processo de aspectos relativos à organização, sensibilidade e
implementação, em 1993, sem relação direta cobertura do próprio sistema de notificação,
com a compulsoriedade nacional da notificação, bem como os das atividades de vigilância
expressando as diferenças regionais de perfis de epidemiológica.
morbidade registradas no Sistema. Além dessas fichas, o sistema também possui
planilha e boletim de acompanhamento de
No Sinan, a entrada de dados ocorre pela
surtos, reproduzidos pelos municípios, e os
utilização de alguns formulários padronizados:
boletins de acompanhamento de hanseníase e
Ficha Individual de Notificação (FIN) - é
tuberculose, emitidos pelo próprio sistema.
preenchida para cada paciente, quando da
A impressão, distribuição e numeração desses
suspeita de problema de saúde de notificação
formulários é de responsabilidade do estado ou
compulsória (Portaria GM nº 2.325, de 8 de
município. O sistema conta, ainda, com
dezembro de 2003) ou de interesse nacional,
módulos para cadastramento de unidades
estadual ou municipal, e encaminhada pelas
notificadoras, população e logradouros, dentre
unidades assistenciais aos serviços
outros.
responsáveis pela informação e/ou vigilância
epidemiológica. É também utilizada para a A Figura 1 traz o fluxo de informação definido
notificação negativa. pelo Ministério da Saúde. Após o preenchimento
dos referidos formulários, as fontes notificadoras
Notificação negativa - é a notificação da não-
deverão encaminhá-los para o primeiro nível
ocorrência de doenças de notificação
informatizado. A partir daí, os dados serão
enviados para os níveis hierárquicos superiores
por meio magnético (arquivos de transferência
gerados pelo Sistema).
Casos de hanseníase e tuberculose, além do
preenchimento da ficha de
notificação/investigação, devem constar do
boletim de acompanhamento, visando a
atualização de seu acompanhamento até o
encerramento para avaliação da efetividade do
tratamento, de acordo com as seguintes
orientações:
• o primeiro nível informatizado deve emitir o
Boletim de Acompanhamento de Hanseníase e
Os agravos e doenças relacionados no Quadro Tuberculose, encaminhando-o às unidades para
1 devem ser prontamente notificados às complementação dos dados;
Secretarias Estaduais de Saúde, as quais • os meses propostos para a alimentação da
deverão informar tal fato imediatamente à informação são, no mínimo: janeiro, abril, julho
Secretaria de Vigilância em Saúde, por meio do e outubro, para a tuberculose; janeiro e julho,
correio eletrônico notifica@[Link] ou às para a hanseníase;
áreas técnicas do Ministério da Saúde • cabe ao 1º nível informatizado emitir o boletim
responsáveis por seu acompanhamento, sem de acompanhamento para os municípios não-
prejuízo do registro das notificações pelos informatizados;
procedimentos rotineiros do Sinan. • após retornar das unidades os boletins devem
Quadro 1: Agravos de notificação imediata via ser analisados criticamente e as correções
fax, telefone ou e-mail, além da digitação e devem ser solicitadas de imediato à unidade de
transferência imediata por meio magnético, no saúde;
Sinan. • a digitação das informações na tela de
acompanhamento e arquivamento dos boletins
deve ser realizada no 1º nível informatizado.
O encerramento das investigações referentes
aos casos notificados como suspeitos e/ou
confirmados deve ocorrer até o prazo máximo de
60 dias da data de notificação, exceto:
Propõe-se, de maneira geral, que as fichas
individuais de notificação sejam preenchidas
pelos profissionais de saúde nas unidades
assistenciais, as quais devem manter uma
segunda via arquivada pois a original é
remetida para o serviço de vigilância
epidemiológica responsável pelo
desencadeamento das medidas de controle Preconiza-se que em todas as instâncias os
necessárias. Este, por sua vez, além dessa dados aportados pelo Sinan sejam consolidados
incumbência, deve encaminhar os formulários e analisados e que haja uma retroalimentação
para o setor de digitação das secretarias dos níveis que o precederam, além de sua
municipais, para que posteriormente os redistribuição, segundo local de residência dos
arquivos de transferência sejam enviados por pacientes objetos das notificações. No nível
meio magnético às secretarias estaduais e, federal, os dados do Sinan são processados,
em seguida, ao Ministério da Saúde, conforme analisados juntamente com aqueles que
periodicidade definida na Figura 2. chegam por outras vias e divulgados pelo
Figura 2: Periodicidade para envio dos arquivos Boletim Epidemiológico do SUS e informes
de transferência do Sinan. epidemiológicos eletrônicos, disponibilizados no
site [Link].
Ao contrário dos demais sistemas, em que as operacionais estão disponíveis para os agravos
críticas de consistência são realizadas antes do de notificação compulsória, bem como toda a
seu envio a qualquer outra esfera de governo, a documentação necessária para a correta
necessidade de desencadeamento imediato de utilização do Sistema (dicionário de dados e
uma ação faz com que, nesse caso, os dados instrucionais de preenchimento das fichas
sejam remetidos o mais rapidamente possível, Manual de Normas e Rotinas e Operacional).
ficando a sua crítica para um segundo momento Para que o Sinan se consolide como a principal
- quando do encerramento do caso e, fonte de informação de morbidade para as
posteriormente, o da análise das informações doenças de notificação compulsória, faz-se
para divulgação. No entanto, apesar desta necessário garantir tanto a cobertura como a
peculiaridade, esta análise é fundamental para qualidade das informações. Sua utilização
que se possa garantir uma base de dados com plena, em todo o território nacional,
qualidade, não podendo ser relegada a segundo possivelmente possibilitará a obtenção dos
plano, tendo em vista que os dados já foram dados indispensáveis ao cálculo dos principais
encaminhados para os níveis hierárquicos indicadores necessários para o monitoramento
superiores. dessas doenças, gerando instrumentos para a
A partir da alimentação do banco de dados do formulação e avaliação das políticas, planos e
Sinan, pode-se calcular a incidência, programas de saúde, subsidiando o processo de
prevalência, letalidade e mortalidade, bem tomada de decisões e contribuindo para a
como realizar análises de acordo com as melhoria da situação de saúde da população.
características de pessoa, tempo e lugar, Indicadores são variáveis susceptíveis à
particularmente no que tange às doenças mensuração direta, produzidos com
transmissíveis de notificação obrigatória, periodicidade definida e critérios constantes. A
além de outros indicadores epidemiológicos e disponibilidade de dados, simplicidade técnica,
operacionais utilizados para as avaliações uniformidade, sinteticidade e poder
local, municipal, estadual e nacional. discriminatório são requisitos básicos para sua
As informações da ficha de investigação elaboração. Os indicadores de saúde refletem o
possibilitam maior conhecimento acerca da estado de saúde da população de determinada
situação epidemiológica do agravo investigado, comunidade.
fontes de infecção, modo de transmissão e
identificação de áreas de risco, dentre outros
importantes dados para o desencadeamento das SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE
atividades de controle. A manutenção periódica MORTALIDADE (SIM)
da atualização da base de dados do Sinan é
fundamental para o acompanhamento da
situação epidemiológica dos agravos incluídos
no Sistema. Dados de má qualidade, oriundos Criado em 1975, este sistema iniciou sua fase de
de fichas de notificação ou investigação com a descentralização em 1991, dispondo de dados
maioria dos campos em branco, informatizados a partir de 1979.
inconsistências nas informações (casos com Seu instrumento padronizado de coleta de
diagnóstico laboratorial positivo, porém dados é a Declaração de Óbito (DO), impressa
encerrado como critério clínico) e duplicidade em três vias coloridas, cuja emissão e
de registros, entre outros problemas distribuição para os estados, em séries pré-
freqüentemente identificados nos níveis numeradas, é de competência exclusiva do
estadual ou federal, apontam para a Ministério da Saúde. Para os municípios, a
necessidade de uma avaliação sistemática da distribuição fica a cargo das secretarias
qualidade da informação coletada e digitada estaduais de saúde, devendo as secretarias
no primeiro nível hierárquico de entrada de municipais se responsabilizarem por seu
dados no Sistema, que torna possível a controle e distribuição entre os profissionais
obtenção de dados confiáveis, indispensáveis médicos e instituições que a utilizem, bem como
para o cálculo de indicadores extremamente pelo recolhimento das primeiras vias em
úteis, tais como as taxas de incidência, hospitais e cartórios.
letalidade, mortalidade e coeficiente de O preenchimento da DO deve ser realizado
prevalência, entre outros. exclusivamente por médicos, exceto em locais
Roteiros para a realização da análise da onde não existam, situação na qual poderá ser
qualidade da base de dados e cálculos dos preenchida por oficiais de Cartórios de Registro
principais indicadores epidemiológicos e Civil, assinada por duas testemunhas. A
obrigatoriedade de seu preenchimento, para Figura 3: Fluxo da declaração de óbito.
todo óbito ocorrido, é determinada pela Lei
Federal n° 6.015/73. Em tese, nenhum
sepultamento deveria ocorrer sem prévia
emissão da DO. Mas, na prática, sabe-se da
ocorrência de sepultamentos irregulares, em
cemitérios clandestinos (e eventualmente
mesmo em cemitérios oficiais), o que afeta o
conhecimento do real perfil de mortalidade,
sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.
O registro do óbito deve ser feito no local de
ocorrência do evento. Embora o local de Uma vez preenchida a DO, quando se tratar de
residência seja a informação comumente mais óbitos por causas naturais, ocorridos em
utilizada, na maioria das análises do setor saúde estabelecimento de saúde, a primeira via
a ocorrência é fator importante no planejamento (branca) será da secretaria municipal de saúde
de algumas medidas de controle, como, por (SMS); a segunda (amarela) será entregue aos
exemplo, no caso dos acidentes de trânsito e familiares do falecido, para registro em Cartório
doenças infecciosas que exijam a adoção de de Registro Civil e emissão da Certidão de Óbito
medidas de controle no local de ocorrência. Os (ficando retida no cartório); a terceira (rosa)
óbitos ocorridos fora do local de residência serão ficará arquivada no prontuário do falecido. Nos
redistribuídos, quando do fechamento das óbitos de causas naturais ocorridos fora do
estatísticas, pelas secretarias estaduais e estabelecimento de saúde, mas com assistência
Ministério da Saúde, permitindo, assim, o acesso médica, o médico que fornecer a DO deverá
aos dados tanto por ocorrência como por levar a primeira e terceira vias para a SMS,
residência do falecido. entregando a segunda para os familiares do
O SIM constitui importante elemento para o falecido. Nos casos de óbitos de causas
Sistema Nacional de Vigilância naturais, sem assistência médica, em locais que
Epidemiológica, tanto como fonte principal de disponham de Serviço de Verificação de Óbitos
dados, quando há falhas de registro de casos (SVO), estes serão responsáveis pela emissão
no Sinan, quanto como fonte complementar, da DO, obedecendo o mesmo fluxo dos
por também dispor de informações sobre as hospitais. Em lugares onde não exista SVO, um
características de pessoa, tempo e lugar, médico da localidade deverá preencher a DO
assistência prestada ao paciente, causas obedecendo o fluxo anteriormente referido para
básicas e associadas de óbito, extremamente óbitos ocorridos fora do estabelecimento de
relevantes e muito utilizadas no diagnóstico saúde, com assistência médica. Nos óbitos por
da situação de saúde da população. causas naturais em localidades sem médicos, o
As informações obtidas pela DO também responsável pelo falecido, acompanhado de
possibilitam o delineamento do perfil de duas testemunhas, comparecerá ao Cartório de
morbidade de uma área, no que diz respeito às Registro Civil onde será preenchida a DO. A
doenças mais letais e às doenças crônicas não segunda via deste documento ficará retida no
sujeitas à notificação compulsória, cartório e a primeira e terceira vias serão
representando, praticamente, a única fonte recolhidas pela secretaria municipal de saúde.
regular de dados. Para as doenças de notificação Nos óbitos por causas acidentais ou violentas, o
compulsória, a utilização eficiente desta fonte médico legista do Instituto Médico-Legal (IML)
de dados depende da verificação rotineira da deverá preencher a DO (nos locais onde não
presença desses agravos no banco de dados do exista IML um perito é designado para tal
SIM. Deve-se também checar se as mesmas finalidade), seguindo-se o mesmo fluxo adotado
constam no Sinan, bem como a evolução do para os hospitais.
caso para óbito. As SMS realizarão a busca ativa dessas vias em
O fluxo da declaração de óbito é apresentado na todos os hospitais e cartórios, evitando a perda
Figura 3 e o acesso às suas informações de registro de óbitos no SIM, com conseqüente
consolidadas para os níveis nacional, regional, perfil irreal da mortalidade da sua área de
estadual e municipal é disponibilizado em CD- abrangência. Nas SMS, as primeiras vias são
ROM. A SVS também disponibiliza essas digitadas e enviadas em disquetes para as
informações na internet, pelo site Regionais, que fazem o consolidado de sua área
[Link]. e o enviam para as secretarias estaduais de
saúde, que consolidam os dados estaduais e os
repassam para o Ministério da Saúde.
Em todos os níveis, sobretudo no municipal, que
está mais próximo do evento, deve ser realizada
a crítica dos dados, buscando a existência de
inconsistências como, por exemplo, causas de
óbito exclusivas de um sexo sendo registradas
em outro, causas perinatais em adultos, registro
de óbitos fetais com causas compatíveis apenas
com nascidos vivos e idade incompatível com a
doença.
A análise dos dados do SIM permite a
construção de importantes indicadores para o
delineamento do perfil de saúde de uma região.
Assim, a partir das informações contidas nesse
Sistema, pode-se obter a mortalidade
proporcional por causas, faixa etária, sexo, local
de ocorrência e residência e letalidade de
agravos dos quais se conheça a incidência, bem
como taxas de mortalidade geral, infantil,
materna ou por qualquer outra variável contida
na DO, uma vez que são disponibilizadas várias
formas de cruzamento dos dados. Entretanto,
em muitas áreas, o uso dessa rica fonte de
dados é prejudicada pelo não preenchimento
correto das DO, com omissão de dados como,
por exemplo, estado gestacional ou puerperal,
ou pelo registro excessivo de causas mal
definidas, prejudicando o uso dessas
informações nas diversas instâncias do sistema
de saúde. Estas análises devem ser realizadas
em todos os níveis do sistema, sendo subsídios
fundamentais para o planejamento de ações dos
gestores.