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Doenças e sintomas
Edema pulmonar
mulher idosa em leito hospitalar, com máscara de oxigênio para tratar edema pulmonar
por Maria Helena Varella Bruna
Publicado em 02/02/2021
Revisado em 02/02/2021
A principal causa do edema pulmonar é a insuficiência cardíaca, que favorece o acúmulo de sangue
nos vasos capilares dos pulmões e, consequentemente, o aumento da pressão sanguínea dentro deles.
Edema pulmonar é o nome que se dá ao acúmulo de líquido nos alvéolos e interstícios pulmonares,
condição que afeta diretamente o processo de oxigenação do sangue indispensável à vida. Na maior
parte das vezes, ele surge como consequência do extravasamento dos fluidos contidos nos vasos
capilares, fluido que se deposita nos interstícios pulmonares (espaço entre os alvéolos) onde se dá a
troca gasosa, dificultando a respiração.
Veja também: Como é construído o pulmão?
Edema pulmonar pode ocorrer por aumento da pressão nos capilares pulmonares, ou porque os vasos
se tornaram mais porosos e permeáveis, episódios que favorecem a passagem da água para o
parênquima pulmonar. Ele pode ser de diferentes tipos:
edema agudo de pulmão – é uma emergência médica, de início súbito, causada pelo excesso de líquido
proveniente dos vasos sanguíneos, que se deposita nos pulmões. Em geral, afeta pessoas com histórico
anterior de distúrbios cardiovasculares;
edema crônico de pulmão – é um transtorno de evolução mais lenta, com frequência causado por
cardiopatias (doenças que acometem o coração), tais como as causadas por hipertensão arterial, infarto
do miocárdio, doença das válvulas do coração, entre tantas outras. Nesses casos, a dificuldade para
respirar piora com o movimento;
edema pulmonar de grande altitude (EPGA) – é uma desordem que se manifesta, especialmente,
quando a pessoa se submete a mudanças bruscas de altitude sem respeitar o tempo necessário para
adaptar-se às novas exigências do organismo, em virtude da rarefação do ar e da queda na
concentração de hemoglobina. Também conhecido por “Doença das alturas” e “Mal da montanha”,
pode acometer pessoas de todas as idades independentemente do preparo físico e das condições de
saúde;
edema pulmonar neurogênico – é um tipo pouco comum de edema pulmonar, causado por lesões
neurológicas que comprometem o sistema nervoso central.
Causas do edema pulmonar
Insuficiência cardíaca é a principal causa do edema pulmonar. Ela se instala, especialmente, quando o
comprometimento afeta o lado esquerdo do coração, área responsável pelo bombeamento do sangue
arterial vindo dos pulmões para irrigar todo o organismo.
Essa perda de função cardíaca favorece o acúmulo de sangue nos vasos capilares dos pulmões e,
consequentemente, o aumento da pressão sanguínea dentro deles, eventos que facilitam o
extravasamento de líquidos e sua retenção no tecido pulmonar.
Classificação
De acordo com a causa, o excesso de líquidos nos pulmões característico do edema pulmonar pode ser
classificado em cardiogênico e não cardiogênico.
Cardiogênico, quando está ligado, direta ou indiretamente, a doenças do coração. Em geral, ocorre
quando o ventrículo do lado esquerdo não consegue bombear a quantidade de sangue necessária para
os pulmões, a pressão no sistema aumenta e os fluidos extravasam para os alvéolos.
Edema pulmonar não cardiogênico tem como causa outras patologias (meningite, esclerose múltipla,
pneumonia, doença de Chagas) lesões na medula espinhal e traumatismos cranianos, consumo
exagerado de certos medicamentos, do tabaco e do álcool e de outras drogas, por exemplo.
Sintomas do edema pulmonar
Sinais e sintomas do edema pulmonar podem variar de acordo com a causa do distúrbio. De qualquer
modo, em maior ou menor grau, a falta de ar é o sintoma predominante, já que a presença de líquido
nos alvéolos e interstícios pulmonares exige maior esforço para respirar e dificulta a oxigenação do
sangue.
No edema pulmonar agudo, os sintomas se instalam de repente, quando os pulmões se enchem com o
líquido extravasado dos vasos sanguíneos e o coração não consegue bombear o sangue
adequadamente. A dificuldade para respirar, que piora com o movimento ou quando a pessoa se deita,
pode vir acompanhada de agitação intensa, ansiedade, tosse seca ou produtiva com expectoração
espumosa e sinais de sangue. Sensação de afogamento, taquicardia, sudorese intensa, cianose
(coloração arroxeada na pele, nos lábios e na ponta dos dedos) são outros sintomas possíveis. Nos casos
mais graves, o quadro pode evoluir rapidamente para colapso do sistema respiratório e morte.
No edema pulmonar crônico, a dificuldade para respirar agrava com o esforço físico e quando a pessoa
se deita, mas alivia na posição sentada. Ganho de peso rápido, inchaço nos membros inferiores em
virtude da retenção de líquidos no organismo, chiado no peito, fadiga extrema, crises de tosse com
expectoração rosada são sintomas também comuns nesse tipo de edema, que se desenvolve
lentamente, e pode perdurar por longo tempo.
Quanto ao edema de alta altitude, em muitos aspectos os sintomas são semelhantes aos do edema
agudo de pulmão. Entre eles, é importante destacar: dor de cabeça que surge de repente e vai
aumentando de intensidade, falta de ar após esforço físico, tosse, taquicardia, febre baixa, dor e chiado
no peito, fraqueza.
No que se refere ao edema pulmonar neurogênico, é uma condição relativamente rara, que pode
ocorrer após danos cerebrais causados por traumatismo cranioencefálico, cirurgia cerebral e crises
convulsivas.
Fatores de risco
A insuficiência cardíaca é uma doença crônica, de longa evolução, que impede o coração de exercer
adequadamente suas funções. Assim como as demais doenças que elevam a pressão no coração, ela
constitui fator de risco para a formação de edemas pulmonares.
De um lado, ela é o sinal de uma doença, que afetou a capacidade de o coração bombear o sangue na
medida necessária para atender às necessidades de oxigênio e nutrientes do organismo. De outro,
representa um fator de risco para a formação de edemas pulmonares. Entretanto, não é o único. Entre
eles, vale mencionar ainda a ocorrência de episódios anteriores de edemas, doenças como diabetes,
DPOC, tuberculose, apneia do sono, infecções virais, o uso de drogas, a inalação de fumaça e a
exposição brusca a altitudes acima de 2.500m.
Hipóxia (baixa concentração dos níveis de oxigênio nos tecidos do corpo), síndrome do desconforto
respiratório agudo, hipertensão pulmonar secundária e derrame pleural são complicações graves do
edema pulmonar, que podem ser fatais.
Diagnóstico do edema pulmonar
Dada a gravidade que a doença pode representar, num primeiro momento, o diagnóstico do edema
pulmonar é essencialmente clínico, baseado no exame físico, nos sinais e sintomas apresentados e, na
medida do possível, no levantamento do histórico do paciente.
Vencida essa primeira etapa de atendimento, o médico certamente irá solicitar exames, sejam
laboratoriais ou de imagem, a fim de confirmar o diagnóstico, identificar as causas específicas da doença
e orientar o tratamento. Esse é o caso de alguns exames de sangue – dosagem de sódio e potássio e dos
marcadores de função renal – e dos exames de raios X e tomografia de tórax, importantes também para
estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças, e da oximetria de pulso, que avalia a
quantidade de oxigênio presente na corrente sanguínea.
Por sua vez, tanto o eletrocardiograma e o ecocardiograma, quanto a ultrassonografia dos pulmões, já
demonstraram ser recursos úteis para diagnóstico e tratamento do edema pulmonar.
Prevenção
A única maneira de prevenir o edema pulmonar, é promover mudanças no estilo de vida que permitam
evitar os fatores de risco e que possam induzir recidivas da doença. Para tanto, é fundamental:
praticar atividade física com regularidade;
manter sob controle a pressão arterial, os níveis de glicose, colesterol e triglicérides no sangue, bem
como o peso corpóreo;
dar preferência uma dieta saudável, equilibrada e com baixo teor de sal;
ficar distante do cigarro e do álcool;
tratar as doenças de base que possam favorecer a formação de novos edemas pulmonares.
Tratamento do edema pulmonar
Não existe tratamento específico para o edema pulmonar, doença grave que pode levar a óbito, mas
que também pode ser curada, se receber atendimento rápido e adequado. Daí, a importância de
encontrar a causa responsável pelo aumento do conteúdo líquido nos pulmões e propor o tratamento
apropriado.
Nos casos de edema agudo de pulmão, a primeira medida terapêutica consiste em fornecer oxigênio a
100% por meio de máscara facial, cânula nasal ou máscara de pressão positiva. Às vezes, é necessário
recorrer a ventiladores mecânicos para diminuir o esforço respiratório.
Paralelamente, são introduzidos medicamentos – diuréticos, vasodilatadores, anti-hipertensivos – que
ajudam a controlar a presença de líquido no organismo e aqueles indicados para o tratamento da causa
que determinou o episódio de edema pulmonar, a fim de selecionar o melhor procedimento
terapêutico.
Recomendações
Procure assistência médica de emergência pelo telefone 192 (SAMU), ou 193 (Corpo de Bombeiros), se
você ou alguém perto de você apresentar sintomas característicos de insuficiência cardíaca e do edema
pulmonar. Esses serviços estão preparados para providenciar rápido atendimento de forma a evitar
complicações graves que podem ser fatais. Nessas condições, nunca vá dirigindo para o hospital ou
posto de saúde. Peça a um parente ou amigo para acompanhá-lo;
Nunca se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes ouvir a opinião do médico
que recomendou o tratamento;
Mantenha a atividade física regular, evite o excesso de peso, controle a pressão arterial e os níveis de
açúcar no sangue. Esse é um bom caminho para viver mais e melhor.
Perguntas frequentes sobre edema pulmonar
Quais os sintomas do edema pulmonar?
Os sintomas do edema pulmonar podem variar de acordo com sua causa.
No edema pulmonar agudo, os sintomas se instalam de repente, quando os pulmões se enchem com o
líquido extravasado dos vasos sanguíneos e o coração não consegue bombear o sangue
adequadamente. A dificuldade para respirar, que piora com o movimento ou quando a pessoa se deita,
pode vir acompanhada de agitação intensa, ansiedade, tosse seca ou produtiva com expectoração
espumosa e sinais de sangue. Sensação de afogamento, taquicardia, sudorese intensa, cianose
(coloração arroxeada na pele, nos lábios e na ponta dos dedos) são outros sintomas possíveis.
No edema pulmonar crônico, a dificuldade para respirar agrava com o esforço físico e quando a pessoa
se deita, mas alivia na posição sentada. Ganho de peso rápido, inchaço nos membros inferiores em
virtude da retenção de líquidos no organismo, chiado no peito, fadiga extrema, crises de tosse com
expectoração rosada são sintomas também comuns nesse tipo de edema, que se desenvolve
lentamente, e pode perdurar por longo tempo.
O que é edema agudo de pulmão?
O edema agudo de pulmão é uma emergência médica, de início súbito, causada pelo excesso de líquido
proveniente dos vasos sanguíneos, que se deposita nos pulmões. Em geral, afeta pessoas com histórico
anterior de distúrbios cardiovasculares.
Fontes
*Mayo Clinic – Diseases ans conditions/Edema pulmonar
*Cleveland Cinic – Diseases and conditions – Edema pulmonar, AltitudeSickness, hipertensão pulmonar
*Up To Date – Noncardiogenic pulmonar edema
*Minuto saudável – Edema pulmonar (Pedro Pinheiro)
*MSD Manuals – Insuficiência Cardíaca e Edema pulmonar
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Tags
pulmão
coração
pneumologia
Maria Helena Varella Bruna é redatora e revisora, trabalha desde o início do Site Drauzio Varella, ainda
nos anos 1990. Escreve sobre doenças e sintomas, além de atualizar os conteúdos do Portal conforme as
constantes novidades do universo de ciência e saúde.
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