Intervenções em Algoritmos na Matemática
Intervenções em Algoritmos na Matemática
Resumo
O estudo aqui relatado foi realizado no 2º semestre de 2003 com 15 alunos de um 3º ano do
O conteúdo escolhido como suporte foi a divisão, enquanto conceito, processo de resolução e
Em aulas semanais de uma hora e meia, as dificuldades observadas eram trabalhadas de modo a
A maior dificuldade do grupo de classe não residia nos conceitos das operações, mas no Cálculo
independente em situações em que não há possibilidade de utilização de outros recursos (lápis, papel,
calculadoras).
Como o estudo evidenciou sérios prejuízos que o uso precoce e aleatório dos algoritmos
causara ao raciocínio lógico-matemático daqueles alunos, ao final do texto estão expostas as conclusões
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e considerações a respeito de seu uso e das vantagens e de se trabalhar as operações enfatizando o
INTRODUÇÃO
O conteúdo escolhido para este estudo foi a divisão, enquanto conceito, processo de
Além do relato, seguem em anexo alguns dos diálogos que ocorreram, que estão
DESENVOLVIMENTO
pública da rede municipal de São Paulo que segundo as impressões da professora manifestava
encontros semanais de uma hora e meia ( antes do horário regular de aulas) entre mim (a pesquisadora)
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Laboratório de Ensino de Matemática do IME – Instituto de Matemática da Usp.
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Nos diálogos os alunos são indicados pelas letras iniciais de seus nomes.
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discussão, partilha e adequação de procedimentos (3).
um segundo semestre na referida série eram: relativa competência de leitura e compreensão de texto;
operações simples ( raciocínio com ou sem algoritmos ); compreensão da construção dos fatos
fundamentais da multiplicação.
abordar, foi estabelecida como prioridade de modo a facilitar o raciocínio sobre eles. A partir dessa
multiplicações;
hábito;
longo).
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Esses encontros com a professora acabaram por não acontecer porque ela foi submetida a uma cirurgia e não retornou até
o final do ano. Os alunos ficaram, então, com vários substitutos da parte administrativa da unidade e somente ao final dos
trabalhos ganharam uma professora fixa que não conhecia bem os alunos e com a qual tive pouco contato.
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Em final de setembro, iniciaram-se os encontros semanais. Os primeiros constituíram-se,
como não poderia deixar de ser, em momentos de adequação de procedimentos, regulação de
comportamentos (4) e tentativa de recuperação de auto-estima (5).
como vemos nos Diálogos 01 ou 05, nos quais os alunos arriscam diferentes operações para o
problema ( “é de mais?, é de menos?, não? então é de dividir!”), sem refletir sobre a pergunta que lhes
é dirigida e sem conseguir justificar adequadamente seu raciocínio ) e o demérito do outro como forma
de ocultar as próprias dificuldades (6). Esta última afastava muito a possibilidade de progresso, pois
com medo de serem ridicularizados, não externavam seu raciocínio e ainda que estivesse correto, não
Somente no 3º encontro ( 10/ 10/ 03) foi possível a aplicação de uma avaliação
diagnóstica mais formal ( composta de 4 problemas com uma ou duas operações e 10 operações com
pouca dificuldade.
Como a avaliação diagnóstica foi basicamente escrita, embora tenha sido lida juntamente
com os alunos, um outro problema evidenciou-se. Dois dos quinze alunos apresentavam problemas de
leitura e interpretação de textos das situações-problema (um com leitura escandida, porém com algum
4 ?
( ) O grupo apresentava-se bastante agitado, com muita dificuldade de atenção e concentração.
5 ?
( ) Quando questionados quanto a seus conhecimentos sobre algum assunto, com freqüência afirmavam “não sei fazer
nada disso”, não se dispondo, então, a executar a atividade.
6 ?
( ) As observações desagradáveis ou “gozações” que os alunos faziam, principalmente no início do estudo, quando um
colega errava, foram omitidas dos textos dos diálogos por serem muitas vezes até desrespeitosas. Basta aqui, a
nosso ver, a menção do comportamento.
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entendimento e outro que, após averiguação apresentava-se ainda na fase de escrita silábica ( 7) e,
Além destes, também os demais alunos demonstravam dificuldades não tanto em ler,
mas em interpretar os textos das situações-problemas (no Diálogo nº 02, M e C acham que o problema
apresentado não pode ser resolvido por conter apenas um número). Habituados a maneiras estáticas e
formais de apresentação das situações problemas, nas quais os números eram sempre evidentes ou
sugeriam operações, caso fugissem ao padrão ao qual estavam habituados, não conseguiam
essa altura, 3º encontro, a partir dos primeiros contatos e da avaliação diagnóstica foi necessário rever o
plano de trabalho.
Antes da avaliação diagnóstica, havia sido iniciado um contato com formas alternativas
de cálculo mental, com atividades em folhas soltas para casa. Logo ao propor à classe as primeiras
folhas ficou evidente a necessidade de trabalhar com números que representassem valores que eles
pudessem estimar. E com o decorrer dos encontros essas atividades foram abandonadas por se tratarem
de uma alternativa para o cálculo. Como eles ainda não tinham o hábito de usar nenhum tipo de
resolução que não fosse o algoritmo, o caso não era de oferecer alternativas (que talvez corressem o
hábito de estimarem valores aproximados para as respostas, exercitando o cálculo mental pessoal. O
Tanto nos encontros iniciais como na avaliação diagnóstica ficou claro que, quanto às
claros ( necessitando somente reforço nas idéias aditiva e comparativa da subtração), porém quanto à
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Fase do processo de aprendizagem da escrita na qual o aluno registra para cada sílaba uma letra equivalente ou não àquelas
utilizadas na escrita da palavra dentro da norma. No caso deste aluno ele utilizava letras relacionadas ao som. Ex. para
registrar a palavra camelo utilizava as letras - K M O.
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multiplicação e à divisão as dificuldades eram bem maiores, tanto quanto aos conceitos como quanto
incorretamente dando à elas repostas absurdas, sem perceberem o quanto ou conseguir justificá-las,
conforme pode ser observado no Diálogo nº 03, do anexo, no qual Jo sugere a Mt que corte os zeros
do dividendo e do divisor sem explicar o porquê ou no Diálogo nº 04, quando My conclui que 100 : 3
dá menos que 50 porque se na tabuada do 3 o maior número é 30, então a resposta tem que ser
muito a compreensão do erro. Por exemplo, em diferentes diálogos ( nº 06, 07 e 08 do anexo) pode-se
observar que toda vez que a professora solicitava que fizessem estimativas de resposta para
conseguiam utilizar estratégias de cálculo mental e sempre verbalizavam passos do algoritmo que
realizavam mentalmente.
procurar: desmistificar o erro, enfatizando-o como parte importante da aprendizagem para se construir
com posterior discussão coletiva das soluções, para que, além de compreenderem seus processos,
percebessem que outros poderiam existir. Sob o aspecto conceitual, procurar embasar e justificar
procedimentos e regras que os alunos já haviam tomado ciência e que por terem decorado usavam
aleatoriamente como num jogo de sorte e azar (caso de Ap no Diálogo nº 05, anexo)
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7
Como o trabalho que vinha sendo desenvolvido com a professora da classe era voltado
ao domínio dos algoritmos das quatro operações, de modo a não desprezar uma aprendizagem já
iniciada, eles não foram abandonados, porém passaram a ser trabalhados de modo a que se
Sempre que se discutia uma resolução de problema com o uso de algoritmos, enfocava-
caso da divisão, a relação entre o divisor, o dividendo e a estimativa da resposta ou do número de casas
que poderia haver no quociente. Para prevenir situações, como no Diálogo nº 09, no qual a aluna Jo
enreda-se com a posição dos numerais, encontrando para o quociente da operação um valor muito mais
Assim, neste estudo foram identificados vários problemas decorrentes do uso prematuro
ficava clara a confusão que estabeleciam quanto ao valor relativo e absoluto dos algarismos ( ver o
Diálogo nº 10 ).
mental ) ao “ qual o número que multiplicado ao divisor daria o dividendo” ( pesquisa mecânica da
tabuada, que também não estava fixada) , como pode ser verificado no Diálogo nº 11.
Em conseqüência destas dificuldades o trabalho passou a ter três focos principais: logo
no começo da aula, iniciávamos com o estudo dos fatos fundamentais – desenho dos diagramas – que
eram terminados em casa (ao final dos encontros, dezembro, tínhamos montado e recortado a tábua de
Pitágoras). A seguir, tanto em situações-problemas como em operações soltas, nos voltávamos para o
depois em duplas e por fim coletivamente com toda a classe. Terminando o dia realizávamos a
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verificação das respostas através da discussão e execução dos algoritmos como apresentado no
Diálogo nº12.
DISCUSSÃO
parece ser o maior responsável pela dificuldade de raciocínio que os alunos apresentavam, resultando
O uso de estratégias pessoais de cálculo era tão pouco usual que no Diálogo nº 02
quando a pesquisadora explica que a resolução do problema poderá ser feita, também, através de um
desenho, a aluna identificada como Ap, sem compreender, lhe pergunta se pode fazer “qualquer”
educativa e do processo de ensino foram de fundamental importância para a percepção dos problemas
e busca de soluções.
procedimentos e algoritmos.
procedimentos seguintes. O investimento nas atitudes e posturas resultou bastante positivo. Ao final do
ano a atitude do grupo em relação aos erros cometidos e à liberdade de fazer perguntas era bastante
positiva. Manifestavam compreender que estavam aprendendo e que, portanto, podiam arriscar-se sem
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que isso merecesse censura, como no Diálogo nº 13 quando D inicia uma gozação e MT ( aluno
bastante tímido que se manifestava pouco) sente-se à vontade e chama sua atenção.
importantes para que percebessem e entendessem seu processo de raciocínio e para a compreensão
dos equívocos.
para o desenvolvimento de formas alternativas de raciocínio, pois como já comprovado por PARRA
Contudo, ainda que tenha havido algum progresso, sobretudo no que tange às posturas,
devido ao pequeno espaço de tempo do estudo, o hábito ainda não havia se instalado e ao final do ano,
mesmo quando solicitados a resolver situações e operações utilizando formas pessoais de raciocínio ou
a justificar respostas, verificava-se a dificuldade que tinham para se desligar da articulação mecânica
dos algoritmos que ainda preponderava em seu raciocínio ( como no caso de M , citado em diversas
oportunidades, que ao final do ano, apesar de seu interesse ainda tinha extrema dificuldade em desligar-
se do algoritmo).
operações, antes do fechamento do resultado pelo algoritmo, esse procedimento parecia ainda não lhes
ser natural ou o mais apropriado e, por isso não o exercitavam a menos que fossem sistematicamente
“induzidos” a realizá-los.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Fica claro que, além dos aspectos matemáticos, nosso foco principal, muitos outros
cálculos ou somente algoritmos nas séries iniciais até porque, há que se ter claro que ambos são
importantes. O que o professor deve ter claro, tanto quanto a um como quanto a outro, é sua função,
significado real e utilidade enquanto recurso para solução de problemas, para que através da
Tendo em vista a situação aqui relatada e a bibliografia utilizada, é importante que sejam
algoritmos.
adequada ou da resposta correta e exata a um problema e sim ao cálculo correto, à análise de dados, ao
estabelecimento de relações, à fundamentação das respostas (PARRA & SAIZ, 1994), tornando a
relação do aluno com a matemática mais pessoal e ativa, articulando o que ele já sabe com o que deve
aprender, visto que, comprovadamente, o conhecimento matemático se dá através das interações feitas
mental, caminho aparentemente mais longo, porém menos difícil e mais natural na busca de respostas,
Através dele o aluno tem a possibilidade de não só encontrar a resposta, mas antecipar e
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Nos referimos aqui aos aspectos atitudinais, citados no início deste texto– postura frente às próprias dificuldades e as dos
colegas e mesmo ao fato de os alunos apresentarem defasagens não característica à série.
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dito porque, ao lidar com as quantidades como um todo, os alunos apuram seu senso numérico e
ampliam suas idéias sobre valor posicional, diferentemente do que ocorre no trabalho com algoritmos,
conforme vão inventando procedimentos cada vez mais eficientes, vão transformando os anteriores até
utilizá-lo enquanto um recurso, um procedimento mais rápido para se chegar à resposta e não como um
fim em si mesmo. Até porque é importante que os alunos dominem procedimentos mais “eficazes” de
resolução rápida, que não demandem reflexão a cada passo e cuja vantagem é a economia do tempo
contato com os algoritmos das operações, sem o exercício e sem o estabelecimento das estratégias de
cálculo mental traz seqüelas quase que irreversíveis. Pois quando se “atropela” a aprendizagem com o
ensino dos algoritmos antes do domínio do cálculo, não se trabalha sua lógica, somente sua seqüência e
regras (ERMEL, 1991) e por se tratar de conhecimento não questionado, apenas memorizado, portanto
unilateral, bloqueia o raciocínio, não permitindo que se realize o estabelecimento de relações, sua
principal característica, e passando a constituir-se, como destaca BROUSSEAU (in FRANCHI, 1999),
O uso irrefletido do algoritmo faz com que o aluno nem se quer perceba que sua resposta
pode estar errada, visto que se detém apenas no procedimento e não à lógica ou a pertinência da
resposta.
Contudo, há que se destacar que o problema não reside no uso dos algoritmos, e sim em
como e quando ele deve ser apresentado ao aluno. Como seu objetivo é a rapidez e não a compreensão
(ERMEL, 1995) ele deve ser o último passo do processo de evolução dos procedimentos de cálculo,
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para que caso ocorra algum problema, o aluno tenha a alternativa de utilizar os cálculos pensados
Na pesquisa que realizamos ficou claro que grande parte das dificuldades dos alunos
devia-se ao uso de regras que foram memorizadas irrefletidamente e que por não terem significado não
estratégias de cálculo e o raciocínio básico para resolução de problemas, com a intenção de amparar os
alunos que se viam muitas vezes paralisados em seu raciocínio pela mecanização de procedimentos aos
Mas a tarefa foi apenas iniciada, porque mais difícil que criar um hábito é tentar
modificá-lo.
BIBLIOGRAFIA
CARRAHER T.N. Aprender Pensando – Contribuições da Psicologia Cognitiva para a Educação. 10ª edição
INRP – ERMEL. A Descoberta dos Números – Contar, Cantar e Calcular. Coleção Perspectivas Atuais da
KAMII C, LIVINGSTON SL. Desvendando a Aritmética – Implicações da Teoria de Jean Piaget, 2ª edição.
PARRA C. E SAIZ I. Didática da Matemática. Uma reflexão psicopedagógica . Porto Alegre . Artes Médicas,
1996
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(Tentando alertá-los para a reflexão e o levantamento de estimativas em substituição à resolução mecânica da operação.
Mas ainda demonstram muita ansiedade.)
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( Problema proposto na Avaliação Diagnóstica .O diálogo aponta para a fixação dos alunos nos numerais apresentados no
problema em detrimento da tentativa de entendimento do texto e para a dificuldade em perceberem que há diferentes
formas de resolver problemas.)
Prof - Vamos ler este problema. Mamãe encontrou a caixa de bombons pela [Link] e
Daniela comemos somente 4 bombons. Quantos bombons havia na caixa?
- bem, agora vocês poderão resolver o problema como preferirem, ou através de
operações ou, se preferirem, poderão desenhá-lo, ok?
M - ué, professora, mas falta alguma coisa neste problema, só tem um número.
Prof - você acha que só tem um número?
M - é, só o 4.
Prof - mas M, leia o problema novamente para descobrir um outro número. Na verdade existe
uma palavra que representa um número. O número é o segredo.
(todos se mostram meio confusos)
C - a única palavra que é um número é metade.
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Prof -e que número é metade, C ?
D -é repartido no meio.
C -é dividido?
Ap -pode fazer qualquer desenho?
Prof -como assim? O desenho apontado no problema, não é, Ap? A caixa de bombons.
Ap -ah !
C -então, é de dividir, pro ?
Prof -talvez, vamos desenhar o problema? Havia sobre a mesa uma caixa com somente
metade dos bombons. Então o que ponho deste lado?
Alunos - ! ?
Prof - o que coloco deste lado da caixa ?
C - o que tinha antes.
Prof - antes de quê ?
C - de comer
Prof - então o que tinha?
C - tinha 4.
Prof - Todo mundo concorda?
Alunos - ! ?
Prof - bem, C disse que desse lado havia 4 bombons que foram comidos. Quanto é este lado?
Alunos - ! ?
Prof - o problema não diz que é a metade? Então quanto havia aqui, mesmo?
C -4
Prof - Venha desenhar, C. ( C veio ) Então se você desenhou o que elas comeram, 4, e isso era a
metade. Quantos bombons havia na caixa, gente?
Alunos - tinha oito.
Prof - muito bem. Agora. Procurem resolver o problema na folha fazendo o operação adequada.
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Prof - bem, então como ninguém se lembra desta regra, vamos deixar Mt
resolver do jeito dele.
(Mt realizou-a normalmente, esquecendo-se de subtrair pelo processo longo, usado pela
classe, e multiplicando o quociente pelo divisor inteiro, sem realizá-lo por cada ordem,
conforme regra do algoritmo)
Mt - duas vezes dez, vinte.
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Prof - Bem, vamos lembrar qual nossa frase mais importante. Quem se
lembra?
Alunos - ??
M - Vamos pensar um pouco na conta, antes de resolvê-la.
Prof - você se lembrou sem ler? Ótimo, M. Não se esqueçam, se se lembrarem
de pensar na conta antes de respondê-la, vão errar menos.
- vou, então, escrever uma conta pra vocês pensarem. Eu quero saber se
ela vai dar mais, menos ou igual a 50 ? ( a operação era 100 : 3)
D - dá menos, professora. Porque dá 3.
Prof -3?
D - é. Corta os dois zeros e aí faz.
Prof - por que se corta?
Jo - é, podia cortar, mas como vou cortar os dois zeros se não tem também
os dois do outro lado para serem cortados? Não pode.
Prof - bem, mas eu não pedi para fazer a conta. Perguntei se dará mais ou
menos que 50.
My - se o 3 tá ali, o 100 ali e na tabuada do 3 não tem 100, então vai dar
menos que 50.
Prof - não entendi.
My - na tabuada do 3 o maior número é 30. Como vai dar 50? Então é menos.
Prof - My, vamos esquecer um pouco a tabuada. Pense, então, se a operação
fosse 100 : 2. Ela daria mais, menos ou igual a 50 ?
Pl - não vai dar mais porque é 2. É menos, se fosse mais era 60, 70, mas se
aí é 2, então é menos que 50.
Prof - Todos acham que é menos que 50?
Alunos - achamos.
Prof - então vamos ver aqui. Se eu divido uma certa quantidade por 2, significa que
dividi como?
Alunos - ??
Prof - se eu tenho uma maçã ou um chocolate e eu divido em duas partes, é o
mesmo que dizer que eu fiz o que com eles?
Alunos - dividiu.
Prof - como ?
Alunos - no meio.... na metade.
Prof - então vamos à conta. Nesse caso não é a mesma coisa. Se eu tenho 100 lápis e os
divido em duas caixas, quantos posso colocar em cada uma?, posso dizer que quero
saber a metade de 100?
Alunos - é. 50. Então é igual.
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Prof - Na operação 123 + 35 vocês acham que a resposta será maior ou menor que 123?
Ap - maior
Prof - por que?
Ap - porque o maior está em cima e o menor está embaixo.
Prof - então, nesta operação se eu mudar os números de lugar, assim: 35 + 123, eu mudo a
resposta?
Ap - não !
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Prof - por que?
Ap - porque só mudou o lugar: o menor está em cima e o maior está embaixo.
Prof - então, por que a resposta é maior que 123 ?
Ap - porque é de vezes.
Prof - ! ? (espantada, não respondo)
Ap - então é de dividir?
Prof - calma não chutem, pensem. Por que na soma de 123 + 35 a resposta é maior que 123 ?
Ap - não sei.
Prof - Ap, se eu tenho 123 flores e junto a elas mais 35, como fica ?
Ap - eu disse, fica mais.
Prof - ta. E por que fica mais ?
Ap - ! ? ( não consegue responder)
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(A fixação no algoritmo embotando o raciocínio a ponto de o aluno sequer considerar as questões feitas.)
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(Mesmo mentalmente continuam a seccionar os números para realizar o algoritmo, sem conseguirem pensar nas
quantidades como um todo, percebendo a lógica dos resultados)
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(Sem conseguir raciocinar com números absolutos ou estimar possibilidades de respostas, a confusão com o valor
posicional se estabelece)
Prof - vamos montar 24 : 2. 24 |_2__ Quantos números, quantas ordens vocês acham
que
haverá na resposta, no quociente desta “conta”?
Jo - três.
P - você quer dizer que vai haver três casas na resposta. Assim: __ __ __? Bem, então vamos
ver a que isto corresponde ? Que casa é esta (a da unidade) ?
Alunos - ? ?
Prof - vamos. U – unidade...
Alunos - (como que pegando no embalo...) dezena (D), centena (C)
Prof - bem, e aqui (mostro o dividendo), quantas casas tenho ? Falem os nomes, por favor.
Alunos - duas. Dezena e unidade (eu coloco acima dos numerais: D e U) .
Prof - então, quando divido uma quantidade, fico com mais ou com menos ?
Alunos - menos.
Prof - então, como posso dividir um número que só tem dezenas e ainda cada pessoa ficar com
centenas ?
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(mostro a “conta”)
Jo - sabe o que é professora, o 2 dá pra dividir por 2 e o 4 também dá pra dividir por 2, por
isso dá 3.
Prof - (na hora não entendi e continuei)* Vamos ver ? 2 divide por 2 ?
Alunos - divide, dá 1.
Prof - 4 divide por 2 ?
Alunos - divide, dá 2.
Prof - então, quantas casas vou ter na resposta ?
Alunos - duas.
Prof - quais seus nomes?
Alunos - dezena e unidade.
Prof - então, se eu tenho aqui no dividendo duas casas, posso ter, como disse a Jo, três casas no
Quociente? Ou seja, ter no quociente um número maior de casas do que no número que
estou
dividindo ?
Alunos - não.
* Na hora, não entendi a hipótese de Jo, que também calou-se e não se manifestou mais. Porém ao transcrever o diálogo
percebi, pelo encadeamento de suas idéias que ela quando disse “3”, não se referira à quantidade de casas que haveria no
quociente, conforme eu supus, mas ao número 3. Ela concluiu que daria “3” porque somou o 1 (resposta da dezena dividida
por 2 2 : 2 = 1 ) com o 2 ( resposta da unidade dividida por 2 4 : 2 = 2 )
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* ao transcrever o diálogo procurei entender a resposta de D. D é uma criança bastante agitada, mas que tem raciocínio rápido. Acredito
que, embora a operação estivesse na horizontal, ao invés de estimar sua resposta, ele tenha tentado resolvê-la. E ao fazê-lo, confundiu-se
no algoritmo e, ao ver 25 + 9, somou o 9 da unidade do subtraendo às duas ordens (dezena e unidade) do minuendo, tendo como resultado
124 -› ou seja -› 9+5=14, (sobe-se o 1), 9+2+1=12
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( Ao invés de se envergonharem por não saber, como inicialmente, agora sabem que devem ser respeitados)
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