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Andragogia na Educação Não Formal

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UNIDADE 2

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO EDUCATIVO EM AMBIENTE


NÃO ESCOLAR
FONTE: CONZATTI, Mônica. Organização do Trabalho Educativo em Ambiente não Escolar. INDAIAL: UNIASSELVI, 2021.

DOCENTE
CARLA GABRIELA DOS SANTOS
Sumário Unidade 2
ASPECTOS RELEVANTES DA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL

TÓPICO 1 – DIVERSIDADE CULTURAL: BASE DA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL


TÓPICO 2 – INSTRUMENTOS PEDAGÓGICOS APLICADOS À EDUCAÇÃO NÃO FORMAL
TÓPICO 3 – ANDRAGOGIA E HEUTAGOGIA
TÓPICO 4 - O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO PEDAGÓGICO, ANDRAGÓGICO E
HEUTAGÓGICO
DIVERSIDADE CULTURAL

 Diariamente sentimos os reflexos da globalização quando nos depararmos com um


universo de informações publicadas praticamente em tempo real nas diferentes mídias
eletrônicas. Esse acesso quase que imediato aos últimos acontecimentos, nos coloca a
par das transformações econômicas, tecnológicas, políticas e culturais, no que
contribuem para que possamos nos tornar protagonistas nos acontecimentos, graças
aos meios de comunicação instantânea.
 Vamos agora destacar três vertentes consideradas essenciais à compreensão do
conceito de cultura, relacionado ao trabalho realizado no campo educacional: cultura
de massa, cultura popular e cultura política.
DIVERSIDADE CULTURAL

 As teorias relacionadas à cultura de massa correspondem a um dos primeiros momentos nos quais são
desenvolvidos estudos relativos aos meios de comunicação, centrados no entendimento dos aspectos psicológicos
das ações coletivas, tendo como tema central a propaganda. Esta, atua como estímulo sobre os indivíduos que
reagiriam com respostas cegas e irracionais, gerando assim movimentos reativos ou de consumo, sem muita
expressão crítica.
 A cultura popular objetiva buscar formas de sensibilização coletiva em função de mudanças sociais significativas
direcionadas aos menos favorecidos e às pessoas das classes excluídas. Vale ressaltar, que todos esses
movimentos não se originaram instantaneamente, sendo necessária a intervenção de outras instâncias, tais como:
a popular, o ministério público, as políticas públicas etc., o que levou certo tempo para sua efetivação.

 A cultura política está relacionada a alguns indicadores sociais, tais quais as atitudes políticas, envolvendo valores
como: confiança e desconfiança, liberdade e coerção, igualdade e hierarquia, interesses universais e paroquiais.
EDUCANDO PARA A DIVERSIDADE

 Para Paula apud Abramowicz (2006, p. 25) “diversidade pode significar variedade,
diferença e multiplicidade, sendo esta a qualidade do que é diferente, o que
distingue uma coisa da outra, a falta de igualdade ou de semelhança”.

 Educar para a diversidade exige que se caminhe paralelamente às atividades


pedagógicas, de maneira dialógica, emergente e interpretativa, sendo necessários
elaborar mecanismos de intervenção, de revisão de valores e atitudes para a
superação de injustiças, preconceitos e estereótipos.
EDUCANDO PARA A DIVERSIDADE

Precisamos lembrar que todos descenderam de um tronco comum, porém diferimos nas
realizações e construções históricas, culturais e sociais. Somos, portanto, constantemente
desafiados pela experiência humana a buscar superação no sentido de não ignorá-las. Um
exemplo disso é quando projetamos numa criança que vende ou pede algo no sinal de trânsito
alguma denominação que a caracteriza como um incômodo à sociedade, esquecendo-nos
completamente que esta criança está perdendo sua dimensão de infância.

A realidade brasileira é culturalmente heterogênea. Sabemos que a instauração dessas


diversidades fixou-se através de conflitos econômicos e por meio de manifestações violentas que
originaram a construção identitária desses povos imigrantes. Um exemplo disso é a capoeira, uma
dança praticada pelos escravos e que hoje é reconhecida como prática cultural.
O SIGNIFICADO DO APRENDER E A DEFINIÇÃO DE EDUCADOR

Aprender não se restringe apenas ao ambiente escolar, mas sim a todos os espaços e
momentos da vida em que algo vem para agregar a nossa dinâmica pessoal. A escola é
mediadora de muitas aprendizagens, mas em outros lugares os ensinamentos absorvidos
também são colocados em prática.

Aprender é um processo que tem início a partir do confronto com a realidade objetiva e
os diferentes significados que cada um de nós constrói acerca da realidade que nos
envolve, tendo por consideração as experiências individuais e as regras sociais
existentes.
O SIGNIFICADO DO APRENDER E A DEFINIÇÃO DE EDUCADOR

O professor terá certeza sobre a aquisição da aprendizagem quando:


• Considera a realidade objetiva ou as circunstâncias que envolvem seu aluno; isto é, quem este aluno
é, o que sabe, o que busca saber, onde se pretende levá-lo com a aprendizagem;
• Confronta essa realidade com alguns saberes escolares da disciplina trabalhada;
• Observa que associação seu aluno pode fazer, relacionando suas circunstâncias e os saberes
acessados, além de suas experiências individuais e as regras sociais existentes.

Precisamos entender que o educador não nasce pronto, mas se constrói na formação contínua, ao
longo da sua própria caminhada e das experiências adquiridas com o tempo. Pensar e repensar a
prática pedagógica utilizando-se dos questionamentos propostos pelo autor, anteriormente citado
norteará quais pontos necessitam ser aperfeiçoados e agregará, à sua ação, outros procedimentos. É
muito significativo, ao pedagogo, identificá-los e incorporá-los, distanciando-se cada vez mais das
rotinas caracterizadas como primitivas.
O ESTUDO ATIVO E A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL

O estudo ativo envolve uma série de procedimentos que visam despertar nos alunos habilidades e
hábitos de caráter permanente, sendo estes expostos por Libâneo (2013), da seguinte forma:
• Exercícios de reprodução: visam à aplicação de testes rápidos que objetivam a verificação da
assimilação e domínio das habilidades como: repetição de experimentos; treino ortográfico;
solução de exercícios do material didático; com orientação.
• Tarefas de preparação para o estudo: trata-se do diálogo estabelecido entre o professor e os
educandos, bem como os alunos entre si, em que relatam experiências, opiniões,
questionamentos, observação de outros materiais (por exemplo: ilustrações, materiais
alternativos, objetos e/ou animais), em que manifestam suas conclusões, além de revisarem a
matéria anterior.
O ESTUDO ATIVO E A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL

• Tarefas na fase de assimilação da matéria: conversação sobre os conhecimentos e


experiências que os alunos trazem para a aula; confronto entre os conhecimentos
sistematizados e os acontecimentos da realidade e do cotidiano dos alunos; verbalização do
entendimento dos alunos em relação aos conceitos que estão sendo explicados pelo
professor e suas conclusões parciais.
• Tarefas na fase de consolidação e aplicação: nesta etapa encontra-se a revisão e os
exercícios de fixação; a aplicação em problemas suscitados na prática, com dados da
experiência cotidiana e as tarefas de casa.
ANDRAGOGIA E HEUTAGOGIA

Aquino (2007) nos provoca à reflexão quando coloca em questão se a pedagogia é uma forma
adequada para o ensino e aprendizagem dos adultos ou se a andragogia, como abordagem
que considera a postura crítica e a necessidade de experimentação, seria capaz de trazer
melhores resultados para esse grupo particular de aprendizes. O autor sustenta um
contínuo andragógico-pedagógico, visando que professores e organizações sejam capazes
de se mover em busca de uma combinação entre as duas abordagens.
ANDRAGOGIA E HEUTAGOGIA
HEUTAGOGIA

A heutagogia representa e reforça a busca da autonomia do aprendiz e a liberdade de escolha


em “o que e como” aprender aliado aos objetivos, desejos, possibilidades e metas pessoais.
Cabe ao professor a ação de mediador e orientador nas escolhas dos aprendizes, buscando
disponibilizar meios e instrumentos que contribuirão para a eficácia desse processo. A
aprendizagem autodeterminada promove ao aprendiz a autoafirmação e autorrealização,
buscando colocá-lo sempre como responsável pelo processo de construção do
conhecimento.
EDUCAÇÃO HOLÍSTICA

Para a Educação Holística, a aprendizagem é vista como um processo experimental e orgânico,


buscando sempre estabelecer conexões com um assunto central para os processos
curriculares. Este modelo procura equilibrar os vários elementos de aprendizagem como:
conteúdos e processos; aprendizagem e avaliação, o pensamento analítico e criativo;
trabalhando em prol da inclusão e objetivando suprir as diferentes necessidades.
EDUCAÇÃO HOLÍSTICA
PERSPECTIVA HUMANISTA

Paz (2010) afirma que nos últimos tempos não houve destaque a uma corrente pedagógica
humanista propriamente dita, mas o humanismo através da valorização do homem, na
busca de métodos práticos e desenvolvimento do raciocínio fez-se presente na maioria das
concepções pedagógicas do século XX. Esta abordagem é totalmente centrada no aluno,
como pessoa inserida no mundo e em processo de constantes descobertas. Para tanto,
considera a pessoa muito mais do que um organismo biológico, ou seja, como alguém que
pensa, sente, escolhe, decide e é capaz de mudar.
PERSPECTIVA HUMANISTA

Dentre os estudiosos do humanismo, o psicólogo norte-americano, Carl Ransom Rogers,


destacou-se por desenvolver um método psicoterapêutico centrado no próprio cliente,
sendo essa teoria aplicada também à educação. Rogers propunha uma aprendizagem
significativa, ou seja, que aquilo que for ensinado torne-se relevante ao aluno, causando
interesse e estando de acordo com seus ideais e propósitos, favorecendo o crescimento da
pessoa e motivando-a a aprender. Além de Carl Rogers, o desenvolvimento do pensamento
humanista contou com nomes de grande importância como Célestin Freinet, Maria
Montessori e Paulo Freire, integrando suas ideias.
METODOLOGIA ANDRAGÓGICA

A andragogia estuda o processo de aprendizagem no adulto. O desenvolvimento desta nova


corrente de aprendizagem partiu das exigências do mundo corporativo, das experiências
prévias, objetivos particulares de aprendizagem e as necessidades pessoais. A metodologia
andragógica preza que o adulto deva ser conduzido no seu processo de aquisição de
conhecimento através uso da aprendizagem facilitada.
METODOLOGIA ANDRAGÓGICA

Aquino (2007) destaca quatro abordagens para a implantação de uma aprendizagem facilitada: a)
Aprendizagem autodirecionada: em meados da década de 1970, Malcon Knowles e Carl Rogers
dão início a um movimento educativo, cujo professor não estaria mais ocupando o lugar de
detentor do conhecimento. Nesta nova perspectiva, os alunos se tornariam mais envolvidos e
capazes de autodirecionar seu aprendizado. O autodirecionamento na aprendizagem é baseado
na filosofia humanista.
b) Aprendizagem transformadora: surgiu na década de 1970, a partir das pesquisas de Jack
Mezirow da Universidade de Columbia. Esta aprendizagem objetivava guiar os alunos para uma
transformação pessoal e amadurecimento intelectual, tornando-os pessoas completas, ou seja,
provocando-os à reflexão crítica sobre suposições, crenças e valores próprios. A responsabilidade
do educador nesta abordagem é prestar auxílio aos alunos para que atinjam seus objetivos, para
que ajam de maneira autônoma e socialmente responsável.
METODOLOGIA ANDRAGÓGICA

c) Aprendizagem vivencial: nos anos 80, o professor David Kolb, da Case Western University,
propôs que a aprendizagem nos adultos seria mais significativa a partir do momento que o
objeto da aprendizagem fosse mais direta e profundamente vivenciado do que
simplesmente recebido de maneira passiva, ou seja, quando o professor explica o aluno faz
anotações.
d) Pensamento complexo e a transdisciplinaridade: esta linha defende a posição de que, no
mundo contemporâneo, é imprescindível saber quando usar o raciocínio cartesiano e o
pensamento sistêmico. Aplicado à aprendizagem, este processo é transdisciplinar, ou seja, é
preciso conhecer o todo e criá-lo por meio de uma estreita inter-relação das partes
(vertente sistêmica), porém buscando respeitar a ordem mais favorável de ocorrência delas
(vertente cartesiana) de acordo com as características pessoais.
“ Até a próxima
unidade,
bons estudos!

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