Estou criando este tópico para ajudar usuários gamers, overclockers e power users a resolver, ou pelo
menos mitigar, problemas relacionados a superaquecimento no módulo regulador de
voltagem VRM, incluindo sua parte mais sensível: os Mosfets!
De cara, informo que não sou técnico eletrônico. Sou apenas um usuário curioso (power user)
graduado em engenharia civil e que monta seus próprios PCs desde 1993.
O Problema: Muita Potência e Pouca Força!
O mercado atual de PC desktop tem várias opções de CPUs e GPUs com uma capacidade incrível de
processamento, com CPUs com 4 a 16 núcleos trabalhando até 5Ghz. No entanto, para que estes
processadores entreguem sua potência máxima, é necessário ter força elétrica suficiente para isso.
Tipicamente, estes processadores trabalham com uma tensão variando entre 0.4 e 1.35 Volts, a
depender do regime de trabalho. Em overclock, esta tensão pode ultrapassar os 1.40 Volts.
Considerando que projeto térmico destes processadores dissipa entre 65 e 105 Watts de energia (TDP
- Potência Total Dissipada), podemos estimar que a corrente elétrica total pode chegar a quase 80
Amperes!
Tabela de Corrente estimada para CPUs
Toda essa força elétrica é fornecida a sua CPU (ou GPU) por um conjunto de componentes
chamado VRM, que regula e fornece a exata tensão e corrente necessária ao funcionamento do
processador.
No entanto, nem sempre a VRM está adequadamente dimensionada para trabalhar com processadores
em Overclock ou com regime de trabalho pesado.
Placas-mãe com chipsets de entrada, mais baratas, são projetadas para trabalhar com processadores
mais simples (ou low-end), com baixo consumo de energia, formando um conjunto com preço mais
acessivel. Apesar disso, estas mesmas placas tem suporte físico e lógico (isto é, soquete e BIOS) para
processadores topo de linha, que tem um consumo maior de energia mais elevado.
Quando em regime de trabalho pesado, esta combinação de processadores com TDP elevada e VRMs
de baixa capacidade geram um problema de superaquecimento no VRM, em especial de um
componente chamado MOSFET.
Este superaquecimento, além de reduzir a vida útil de todo o sistema, causa a perda intermitente de
potência, ou "throttling": a frequência do processador cai abruptamente quando esquenta,
retornando à velocidade normal quando os mosfet resfriar.
Ocorrência de Throttling devido a excesso de carga no VRM
Mas este problema também podem acontecer em sistemas de alta performance!
Recentemente, vários YouTubers fizeram reviews sobre o então recém-lançado Intel i9 9900K e este
apresentou forte throttling, mesmo usando placas mãe de ponta:
Spoiler: YouTubers famosos passando vergonha com throttling no Intel i9900k
Para que serve um VRM ?
O VRM é um subsistema eletrônico que transforma energia 12V ou 5V, vindos da sua fonte PSU, em
uma voltagem menor para a CPU e outros subsistemas que precisam de energia em baixa tensão
(memória, chipset, etc), em geral em tensões entre 0.5V e 1.5V, a depender do modelo e do regime de
trabalho da unidade.
O modulo VRM é controlado por um processador de pulso PWM (modulador de comprimento de
pulso) que normalmente são implementados com 4, 6, 8 e 10 fases, sendo o mais comum a
implementação com 4 e 6 fases PWM. Algumas placas mãe (motherboard) oferecem 12 , 16 ou mais
fases PWM com uso de duplicadores.
Para uma explicação detalhada, visite [Link]
Diagrama do circuito de alimentação: Fonte / VRM / CPU:
Quais são os componentes principais a um VRM ?
Na figura abaixo estão em destaque os principais componentes do VRM:
PWM - é o controlador principal do VRM, com o papel de regular a tensão a ser entregue à
CPU e susbsistemas. Funciona gerando pulso elétricos de comprimento variável, que sinalizam
aos Mosfets quanto permitir ou não a passagem de corrente elétrica;
Mosfet - (Metal-Oxyd Semiconductor Field Effect Transistor) são micro chaves elétricas
controladas pelo PWM, deixando passar energia (ON) até a tensão atingir a voltagem alvo (1.2v,
por exemplo), fechando (OFF) logo em seguida. Existe uma curva eficiência na operação do
Mosfet, que decresce a medida que é necessário passar mais corrente para alimentar a CPU.
Choke - bobina ou filtro de indução, reduz a tensão na fase ON do mosfet, criando uma rampa
crescente de tensão; quando em OFF, Há uma descarrega energia ;
Capacitores - acumulam energia na fase ON e descarregam energia na fase OFF, criando uma
rampa decrescente de tensão. Os capacitores tem duplo papel: de acumular o excesso de carga
quando a tensão (volts) está alta e descarregar energia quando a tensão cair, realimentando o
subsistema e estabilizando a tensão.
Reconhecendo os componentes do VRM
Fonte: Blog EKW
Porque os Mosfets esquentam tanto ?
Toda energia que alimenta o processador passa pelos mosfet. Por exemplo, um processador de TDP
95W, trabalhando com 1.4V, vai precisar de ~67 Amperes!
Lembrando a fórmula de potência elétrica é:
Potência (Watts) = Tensão (Volts) * Corrente (Amperes)
A partir de certos valores de corrente, a eficiência do mosfet cai e ele começa a consumir energia e
esquentar. Além disso, os mosfets são construidos com um limite térmico de operação, em geral de
105ºC. Trabalhar próximo ou acima disso irá reduzir a vida útil do componente ou mesmo danifica-lo.
Veja no diagrama abaixo a curva de eficiência e perda de energia têrmica de um mosfet usado numa
certa placa mãe. Observe que a partir de um certo valor (no caso 10A) a eficiência cai drasticamente.
Esta perda de eficiência, em português claro, é perde energética na forma de calor.
Curva de Eficiência de um Mosfet
Fonte: Blog da EKW
Tem solução ?
Sim e não. Conforme o observado pelo colega @Pereba
"O desempenho das fases (do VRM) é um conjunto da qualidade dos mosfet, controladora, bobinas,
capacitores e temperatura. Enfim, saber entender o projeto de alimentação que foi implementado pelo
fabricante.
(...)
Não adianta somente melhorar a temperatura com dissipadores se o projeto de alimentação da placa
mãe vem 'ruim' de fábrica."
Ou seja, não é possivel exceder uma limitação de projeto!
Mas é possivel melhorar a eficiência do VRM reduzindo as temperaturas nos subsistemas, dentro das
limitações do projeto elétrico do VRM em questão.
Com alguma refrigeração, pode-se reduzir as temperaturas dos componentes do VRM, de forma a
aumentar a eficiência elétrica e assim o VRM será capaz de entregar energia conforme previsto em seu
projeto. Essa redução de temperatura de trabalho pode ser feita com uso de ventilação direta e com
uso de dissipadores térmicos, como mostrado abaixo:
Dissipador passivo, aplicado sobre mosfets:
Fonte: Bit-Tech
Ventilação forçada sobre a Placa mãe:
Fonte: autor.
Refrigeração com dissipador MOS-C1, da Enzo Technology
Fonte: Enzotech
Refrigeração a água, com monobloco da EKW
Fonte: EKW
Como medir a temperatura do meu VRM?
Na ausência de um sensor próprio na placa mãe, pode-se usar um termômetro infravermelho para
medir a temperatura externa.
Existem os vários modelos termômetros infravermelho disponíveis no mercado:
do tipo câmera, standalone ou acoplados em smartphones;
pontuais, tipo pistola, com diversos modelos preços bem acessiveis;
Termômetro infravermelho digital, tipo pistola, com mira.
Termômetro infravermelho do tipo câmera, com tela de alta resolução.