0% acharam este documento útil (0 voto)
51 visualizações91 páginas

Ensino de Logaritmos e Escalas Logarítmicas

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
51 visualizações91 páginas

Ensino de Logaritmos e Escalas Logarítmicas

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

Programa de Pós-Graduação em Matemática


Mestrado Profissional - PROFMAT/CCT/UFCG

Érico Felintro de Andrade

UMA PROPOSTA PARA O


APROFUNDAMENTO DO ENSINO DE
LOGARITMOS: AS ESCALAS
LOGARÍTMICAS.

Campina Grande - PB
Agosto/2023
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE
Programa de Pós-Graduação em Matemática
Mestrado Profissional - PROFMAT/CCT/UFCG

Érico Felintro de Andrade

UMA PROPOSTA PARA O APROFUNDAMENTO


DO ENSINO DE LOGARITMOS: AS ESCALAS
LOGARÍTMICAS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresen-


tado ao Corpo Docente do Programa de
Pós-Graduação em Matemática - CCT -
UFCG, na modalidade Mestrado Profissi-
onal, como requisito parcial para obtenção
do título de Mestre.

Orientador: Dr. Marcelo Carvalho Ferreira

Campina Grande - PB
Agosto/2023
A553p Andrade, Érico Felintro de.
Uma proposta para o aprofundamento do ensino de logaritmos: as
escalas logarítmicas / Érico Felintro de Andrade. - Campina Grande, 2023.
89 f. : color.

Dissertação (Mestrado em Matemática) - Universidade Federal de


Campina Grande, Centro de Ciências e Tecnologia, 2023.
"Orientação: Prof. Dr. Marcelo Carvalho Ferreira.”
Referências.
1.
1. Logaritmo. 2. Escalas Logarítmicas. 3. Aplicações das Escalas. 4.
Abordagem Didática. 5. Ensino Médio. I. Ferreira, Marcelo Carvalho. II.
Título.
2.
CDU 51(043)
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECÁRIA ITAPUANA SOARES DIAS GONÇALVES CRB-15/093
À minha filha Maria Beatriz, à minha avó Maria Neli e à minha esposa Leila Araújo.
Agradecimentos

Agradeço a Deus, pelo dom da vida e por me permitir desfrutar de saúde para
poder cursar o Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional - PROFMAT.
À minha avó Maria Neli, por todo o suporte desde o início de minha vida e por
sempre me incentivar a buscar, através dos estudos, a minha qualificação pessoal e
profissional.
Ao meu avô, Amaro Pedro de Andrade (in memorian), que sempre me orientou
a trilhar caminhos que me permitissem desfrutar de novos conhecimentos além de me
ensinar sobre dedicação em tudo que me oportunizasse melhorar a minha condição de
vida e consequentemente da minha família.
À minha esposa Leila Araújo, por todo o apoio, incentivo e compreensão sempre
que precisei me ausentar dos mais variados momentos em família, para me dedicar ao
Mestrado.
Aos meus familiares, pelos incentivos e conselhos em algumas vezes que pensei
não conseguir concluir o curso, de modo especial aqueles que dedicaram parte de suas
rotinas para cuidar de minha filha enquanto eu precisava me dedicar aos estudos, vocês
foram peças essenciais para que eu conseguisse chegar até aqui.
Aos amigos de turma do Mestrado Profissional André Macedo, Andreson Aquino,
Benildo Virginio, Carlos Gonzaga, Cláudio Teodista, Eli Azevedo, Erivan Barbosa,
Gilmar Veríssimo, Gilvandro Correia, Idalice Maria, João Evayr, Rafael Macedo, Wel-
lington Rodrigues e Wirander Pereira por estarem diariamente disponíveis para juntos
estudarmos em grupo de forma remota, debatendo os conteúdos, resolvendo proble-
mas, nos preparando para o tão “temido” Exame Nacional de Qualificação - ENQ e
motivando de forma coletiva toda a nossa turma, visando uma maciça aprovação tanto
nas disciplinas quanto no ENQ.
Às equipes gestoras, aos alunos e colegas de trabalho das escolas Brigadeiro Edu-
ardo Gomes e Escola de Referência em Ensino Médio Professora Benedita de Morais
Guerra, por todas as frases incetivo e palavras de motivação, além de compreenderem
a necessidade do meu afastamento legal de algumas atividades, enquanto estava de-
dicado à minha qualificação profissional. De modo especial a dois deles que partiram
desta vida terrena, mas enquanto aqui estiveram também me incentivaram sempre, o
Professor Luciano Tavares in Memorian e Professor Edízio Lima in Memorian.
Ao meu amigo, desde a graduação, Professor Me. Bruno Pereira, por incansáveis
vezes ter me incentivado a prestar o Exame Nacional de Acesso - ENA e assim poder
cursar o PROFMAT, por sempre estar disponível para me ajudar quando tinha alguma
dificuldade na minha preparação para o ENQ, além de disponibilizar alguns livros
que me auxiliaram nas quatro disciplinas básicas, bem como outros materiais que me
permitiram ter um suporte literário durante o curso.
Ao também amigo de profissão Edson Luiz, por também disponibilizar um vasto
material que me permitiu ter várias referências como suporte para cursar as disciplinas
e avaliações das disciplinas, bem como para o Exame Nacional de Qualificação.
Aos professores da minha turma do PROFMAT da UFCG, Dr. José de Arima-
teia Fernandes, Dr. Marcelo Carvalho Ferreira, Dr. José Fernando Leite Aires, Dr.
Jaime Alves Barbosa Sobrinho, Dr. Daniel Cordeiro de Morais Filho, Dr. Romildo
Nascimento de Lima (Coordenador do Programa), Dr. Rodrigo Cohen Mota Nemer e
Dra. Deise Mara, que mesmo em um período atípico, com a pandemia de COVID-19,
brilhantemente conseguiram nos fazer compreender os conteúdos e nos apoiaram em
todos os momentos de dificuldade e nos motivaram a concluir com sucesso esta nossa
jornada.
Ao Dr. Marcelo Carvalho Ferreira, desta vez como meu orientador, por me auxiliar
com paciência, muita dedicação e sabedoria na construção desta dissertação.
A todos os funcionários da Universidade Federal de Campina Grande - UFCG,
de modo especial aos da Unidade Acadêmica de Matemática - UAMAT, de modo
particular à Secretária Isabela da Silva Souza, por sempre realizar o seu trabalho de
maneira cordial e paciente quando por mim foi solicitada algumas vezes para refazer
declarações que precisavam entregar no meu processo de afastamento para curso na
Secretaria de Educação de Pernambuco.
Ao Professor Dr. Leomaques Francisco Silva Bernardo da UFCG, e ao Professor Dr.
Natan de Assis Lima da UEPB, por terem aceito o convite para comporem a Banca
Examinadora da minha dissertação.
À Sociedade Brasileira de Matemática - SBM pela oferta do curso junto à UFCG,
que permite a nós professores de matemática do país agregar conhecimentos de alto
nível à nossa carreira profissional, elevando assim a qualidade do Ensino de Matemática
nas Escolas em que lecionamos.
À CAPES, pelo suporte financeiro.
“Percebendo que não há nada mais trabalhoso na prática
da matemática, nem que mais prejudique e atrapalhe os
calculadores, do que as multiplicações, as divisões as extra-
ções do quadrado e do cubo dos números muito grandes...
comecei a considerar em minha mente através de que tipo
de arte certa e rápida poderia remover essas dificuldades.”
John Napier, Mirifici logarithmorum
canonis descriptio (1614)
Resumo
Buscamos, na construção deste trabalho, propor uma abordagem mais didática dos
logaritmos aos docentes e discentes do Ensino Médio, contemplando as escalas logarít-
micas. Iniciamos contando um pouco da história de alguns precursores no tema e as
contribuições dadas para o seu desenvolvimento. Após introduzir o logaritmo natural,
fazemos uma abordagem dos principais teoremas sobre as funções logarítmicas e expo-
nenciais. Em seguida, apresentamos algumas aplicações das escalas logarítmicas para
o estudo de certas grandezas e finalmente concluímos sugerindo algumas propostas de
sequências didáticas para serem aplicadas em sala de aula.

Palavras-chave: Logaritmo. Escalas Logarítmicas. Aplicações.


Abstract
We sought, in the development of this work, to propose a more didactic approach to
logarithms for high school teachers and students, taking in consideration logarithmic
scales. We begin by briefly recounting the history of some pioneers in the subject and
their contributions to its development. After introducing the natural logarithm, we
delve into the main theorems concerning logarithmic and exponential functions. Then,
we present some applications of logarithmic scales for the study of certain magnitudes,
and finally, we conclude by suggesting some proposals for didactic sequences to be
applied in the classroom.

Keywords: Logarithm. Logarithmic Scales. Applications.


Lista de ilustrações

Figura 1 –John Napier (1550-1617) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18


Figura 2 –Capa do Livro Descriptio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 3 –Capa do Livro - Constructio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 4 –Segmento AB e Semirreta DE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Figura 5 –Semirreta com origem em D. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Figura 6 –Jost Bürgi (1552-1632) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Figura 7 –Capa do Livro Arithmetische . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Figura 8 –Relógio e Globo de Bürgi feitos no século XVI . . . . . . . . . . . . 25
Figura 9 –Henry Briggs (1561 - 1630) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
Figura 10 –
Capa do Livro Arithmetica Logarithmica . . . . . . . . . . . . . . . 28
Figura 11 –
Tábua de logaritmos de base 10 de Briggs . . . . . . . . . . . . . . 28
Figura 12 –
Área da faixa de hipérbole no intervalo [a, b] . . . . . . . . . . . . . 30
Figura Retângulo de base [a, b] e altura 1b inscrito em H. . . . . . . . . . .
13 – 31
Figura Polígono Retangular P35 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
14 – 31
Figura Áreas Rab e Rak
15 – bk
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Figura 16 –
Área da Região Retangular Pab . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Figura 17 –
Área da Região Retangular Rak bk
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Figura Área da faixa Hab = A (H1x ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
18 – 34
Figura Área da faixa Hab , com a < c < b . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
19 – 35
Figura 20 –
Área da faixa Hab , com b < c < a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
Figura 21 –
Área hachurada é igual a ln x . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 22 –
Representação da área de medida x . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
Figura 23 –
Reta Numérica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Figura 24 –
Reta Numérica Padrão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Figura 25 –
Eixo em Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Figura 26 –
Gráfico com Eixo em Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . 49
Figura 27 –
Gráfico de Ações em Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Figura 28 –
Gráfico de Ações em Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . 51
Figura 29 –
Gráfico da Ação BBAS3 em Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . 52
Figura 30 –
Gráfico da Ação BBAS3 em Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . 53
Figura 31 –
Notícias Sobre Terremotos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
Figura 32 –
Tabela de Intensidades do Som e suas Respectivas Intensidades Re-
lativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Figura 33 – Escala de pH e o grau de acidez de algumas substâncias comuns. . . 59
Figura 34 – Um Recorte das Habilidades da BNCC . . . . . . . . . . . . . . . . 63
Figura 35 – Um Recorte das Habilidades do Currículo de Pernambuco . . . . . 63
Figura 36 – Marcação do ponto correspondente ao número 2 . . . . . . . . . . . 68
Figura 37 – Marcação do ponto correspondente ao número 3 . . . . . . . . . . . 68
Figura 38 – Solução do Exercício Proposto Resolvido 01 . . . . . . . . . . . . . 69
Figura 39 – Tabela de Decibéis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
Figura 40 – Tabela de Efeitos de Terremotos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
Figura 41 – Gráfico em Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
Figura 42 – Gráfico em Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78
Figura 43 – Gráfico em Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
Figura 44 – Gráfico em Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
Figura 45 – Gráfico em Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
Figura 46 – Gráfico em Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
Figura 47 – Excel 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
Figura 48 – Excel 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
Figura 49 – Excel 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
Lista de tabelas

Tabela 1 – Tabela de PA e PG . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Tabela 2 – Tabela de efeitos dos terremotos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Sumário

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.1 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.1.1 Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.1.2 Objetivos Específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.2 Organização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

2 UM POUCO DA HISTÓRIA DOS LOGARITMOS . . . . . . . . 18


2.1 Um breve apanhado sobre a história de John Napier . . . . . . . 18
2.2 Um breve apanhado sobre a história de Joost Bürgi . . . . . . . 23
2.3 Um breve apanhado sobre a história de Henry Briggs . . . . . . . 26

3 PRINCIPAIS TEOREMAS SOBRE LOGARITMOS . . . . . . . 30


3.1 Área de uma faixa de hipérbole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.1.1 Propriedade Fundamental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.1.2 Propriedades Operacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.2 Definição de Logaritmo Natural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.3 Função Exponencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.3.1 Propriedades da Função Exponencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.4 Logaritmos em Outras Bases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45

4 APLICAÇÕES DA ESCALA LOGARÍTMICA PARA O ESTUDO


DE CERTAS GRANDEZAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.1 Escala Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
4.2 Escala Logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
4.3 Algumas motivações para se aprofundar nos estudos das escalas
logarítmicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
4.4 Escala Richter . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
4.5 Escala de Decibéis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4.6 Escala de Potencial Hidrogeniônico - pH . . . . . . . . . . . . . . 58

5 SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS: LOGARITMOS E ESCALAS LO-


GARÍTMICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62

6 CONCLUSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85

APÊNDICES 87

APÊNDICE A – COMO PLOTAR GRÁFICOS EM ESCALA LI-


NEAR E LOGARÍTMICA NO MICROSOFT EX-
CEL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
15

1 Introdução

O ensino de logaritmos é uma parte importante da preparação para exames naci-


onais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e outros vestibulares. Uma
compreensão sólida desse conteúdo é fundamental para que os alunos prossigam nos
estudos em cursos universitários que requerem um bom conhecimento em matemática,
como engenharias, ciências exatas e economia.
A nossa proposta para o aprofundamento do ensino de logaritmos, surge da difi-
culdade que nós, docentes do Ensino Básico, sentimos ao levarmos para a sala de aula
este conteúdo e torná-lo atrativo para os educandos. A maioria dos livros didáticos não
diferem nas propostas de ensino deste conteúdo e, além disso, são raros ou inexistentes
livros didáticos que contemplem alguma seção que explorem em seus textos as escalas
logarítmicas e suas aplicações nos vários contextos presentes no cotidiano dos alunos.
Tomando como norte a Base Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2018), que traz
na seção que contempla a área de matemática e suas tecnologias o seguinte trecho:

No Ensino Médio o foco é a construção de uma visão integrada da


Matemática, aplicada à realidade. Nesse contexto, quando a reali-
dade é a referência, é preciso levar em conta as vivências cotidianas
dos estudantes do Ensino Médio, envolvidos, em diferentes graus da-
dos por suas condições socioeconômicas, pelos avanços tecnológicos,
pelas exigências do mercado de trabalho, pela potencialidade das mí-
dias sociais, entre outros.

Buscamos elaborar um material que inicia situando o leitor no contexto geográfico


e histórico de surgimento do tema, explorando um breve apanhado histórico dos prin-
cipais estudiosos que contribuíram para o desenvolvimento deste. Em seguida, fazemos
uma abordagem diferente das encontradas nos livros didáticos onde apresentamos a
função logarítmica a partir da noção de área sob uma faixa de hipérbole, e os princi-
pais resultados sobre logaritmos e suas demonstrações. Definimos a função exponencial
como a inversa da função logarítmica, seguidas de suas propriedades. Dando continui-
dade, abordamos as escalas linear e logarítmica e exploramos as aplicações das escalas
logarítmicas para o estudo de grandezas como a escala de magnitude de terremotos, a
escala de decibéis, a escala de pH e em gráficos financeiros. Por fim, propomos algu-
mas sequências didáticas que facilitam ao docente a exposição deste conteúdo de forma
mais dinâmica, possibilitando aos discentes compreender a necessidade de fazer uso
das escalas logarítmicas em algumas situações e em quais casos elas são mais eficientes
para representações em gráficos.
Elaboramos três propostas de sequências didáticas visando desenvolver nos alunos
habilidades para a construção de escalas logarítmicas manualmente ou com auxílio de
Capítulo 1. Introdução 16

calculadoras, assim como contextualizar a utilização de escalas logarítmicas para repre-


sentação de informações, além de praticar a resolução de exercícios contemplados em
vestibulares e outras fontes para uma melhor concepção das habilidades desenvolvidas.
Finalmente, no Apêndice apresentamos uma proposta utilizando o Microsoft Ex-
cel, para plotagem de gráficos em escalas logarítmicas com o intuito de proporcionar
aos discentes experiências exitosas que ajudem no desenvolvimento das habilidades
específicas contidas na BNCC (BRASIL, 2018).

1.1 Objetivos
1.1.1 Objetivo Geral
Propor, através de sequências didáticas, um aprofundamento no ensino dos logarit-
mos por meio de aplicações das escalas logarítmicas para docentes e alunos do Ensino
Médio.

1.1.2 Objetivos Específicos


• Descrever um pouco da história da descoberta e desenvolvimento dos logaritmos,
fazendo um breve apanhado histórico das principais contribuições de três dos
principais precursores no desenvolvimento do tema: John Napier, Jost Bürgi e
Henry Briggs;

• Demonstrar os principais resultados sobre logaritmos;

• Explanar sobre os diferentes significados de escalas;

• Definir escalas lineares e escalas logarítmicas;

• Expor algumas aplicações das escalas logarítmicas no estudo de certas grandezas


em algumas áreas do conhecimento, através de análises de gráficos de ações na
área de finanças, as escalas de magnitude de terremoto nas áreas de geografias
e/ou física, e a escala de intensidade sonora também na área de física etc.;

• Propor sequências didáticas que possam ser utilizadas para estudo e construção
de escalas logarítmicas;

• Mostrar através de uma sequência de procedimentos como gerar um gráfico em


escala logarítmica no Microsoft Excel.
Capítulo 1. Introdução 17

1.2 Organização
Esta dissertação é composta por seis capítulos, cada um abordando um conteúdo
específico, conforme apresentamos em resumo a seguir:

• No capítulo um, desenvolvemos a introdução da nossa dissertação.

• No capítulo dois, apresentamos um pouco da história dos logaritmos por meio


de um breve apanhado sobre as contribuições dos três principais responsáveis
pelo descobrimento dos logaritmos, o escocês John Napier, o suíço Jost Bürgi e
o inglês Henry Briggs.

• No capítulo três, apresentamos os principais resultados sobre os logaritmos e suas


demonstrações.

• No capítulo quatro, ilustramos aplicações da escala logarítmica para o estudo


de certas grandezas, as quais contemplam alguns exemplos em finanças, escala
Richter, escala de decibéis e escala de pH.

• No capítulo cinco, sugerimos três sequências didáticas para aplicação em sala de


aula, que contêm o que pretendemos desenvolver de habilidades sobre o tema,
além dos objetivos gerais, objetivos específicos, conteúdo da aula e uma lista de
exercícios para fixação dos conteúdos.

• No capítulo seis, apresentamos as conclusões da nossa dissertação.

• Por fim, deixamos como sugestão uma breve explicação de como gerar gráficos
com eixos em escalas logarítmicas no Microsoft Excel.
18

2 Um pouco da história dos logaritmos

A história dos logaritmos tem seu início entre séculos XVI e XVII, e sua etimologia
remonta à tradução de conceitos gregos logos que significa razão e arithmos que significa
número. Os logaritmos foram desenvolvidos objetivando simplificar, tornar mais rápido
e precisos os complicados cálculos envolvendo as operações de multiplicação e divisão
de números muito grandes que demandavam bastante tempo dos astrônomos e nave-
gadores da época. Serviram também como uma das ferramentas fundamentais para
o desenvolvimento das ciências e da matemática ao longo dos séculos. Com o avanço
da tecnologia, as calculadoras e computadores foram desenvolvidos, tornando assim as
tabelas (tábuas) de logaritmos cada vez menos usuais para realizar cálculos do cotidi-
ano. Ressalta-se que os logaritmos continuam tendo grande importância, auxiliando
nos cálculos de certas grandezas nas mais diversas áreas das ciências e tecnologias.
Neste capítulo, pretendemos realizar um apanhado histórico dos logaritmos, desde
seus primeiros aparecimentos até os desenvolvimentos mais recentes. Inicialmente,
faremos uma breve apresentação dos principais responsáveis pelo descobrimento dos
logaritmos: John Napier e Joost Bürgi. Em seguida, também discorreremos brevemente
sobre a contribuição de Henry Briggs no desenvolvimento dos logaritmos.

2.1 Um breve apanhado sobre a história de John Napier

Figura 1 – John Napier (1550-1617)

Fonte: (SCOTT, 2023)


Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 19

Entre o final do século XVI e início do Século XVII, com o avanço das Navegações
e da Astronomia, os logaritmos surgiram para simplificar extensos cálculos aritméticos
envolvendo as operações de multiplicação e divisão. Associados a esse surgimento,
sobrepõe-se duas personalidades: John Napier e Henry Briggs.
O barão escocês John Napier, que foi matemático, físico, astrônomo, astrólogo e
teólogo, iniciou seus estudos sobre os logaritmos por volta de 1594. Antes de publicar
os resultados de suas pesquisas, procurava construir um conjunto de tábuas (tabelas)
e de regras que tornassem mais simples os engenhosos cálculos que os astrônomos da
época necessitavam fazer. Conseguiu em 1614, três anos antes de sua morte, publicar
seu trabalho no livro intitulado de Mirifici logarithmorum canonis descripitio, cujo sig-
nificado se traduz em Uma descrição da maravilhosa regra dos logaritmos. O trabalho
de Napier foi rapidamente difundido e fortemente utilizado por astrônomos, astrólogos
e navegadores (entre outros) da época e que fizeram uso dessa nova tecnologia por
quase um século.
Napier teve uma segunda obra, publicada postumamente em 1619 e intitulada Miri-
fici logarithmorum canonis constructio, que em tradução livre significa Uma construção
da maravilhosa regra dos Logaritmos. Com a morte de John Napier em 1617, a pu-
blicação da obra foi levada a cabo pelo seu filho Robert Napier. Nela, Napier faz um
convite ao leitor para seguir o seu método de construção, seus cálculos, sua tabela ou
tábua de logaritmos (vide Figura 3) e o raciocínio utilizado. Esta obra possui uma
linguagem mais acessível e notavelmente distinta daquela na obra Descriptio, onde os
cálculos eram exaustivos e complexos ao abordar a definição dos logaritmos.
As capas originais das obras Mirifici logarithmorum canonis descripitio e Mirifici
logarithmorum canonis constructio, são mostradas, respectivamente, nas Figuras 2 e 3.

Figura 2 – Capa do Livro Descriptio Figura 3 – Capa do Livro - Constructio

Fonte: (NORMAN, 2021) Fonte: (NORMAN, 2021)


Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 20

Conforme (LIMA, 2016, p. 2):

Uma tábua de logaritmos consiste em duas colunas de números. A


cada número da coluna à esquerda corresponde um número à sua
direita, chamado o seu logaritmo. Para multiplicar dois números,
basta somar seus logaritmos; o resultado é o logaritmo do produto.
Para achar o produto, basta ler na tábua, da direita para a esquerda,
qual o número que tem aquele logaritmo. Semelhantemente, para
dividir dois números basta subtrair os logaritmos. Para elevar um
número a uma potência basta multiplicar o logaritmo do número
pelo expoente. Finalmente, para extrair a raiz n-ésima de um número
basta dividir o logaritmo de um número pelo índice da raiz.

Napier fez uma associação dos termos de uma progressão geométrica,

b, b2 , b3 , b4 , . . . , bn , . . .

aos termos de uma progressão aritmética

1, 2, 3, 4, . . . , n, . . .

de modo que, ao multiplicar dois termos bm e bp da progressão geométrica, há uma


relação com a soma dos termos m e p da progressão aritmética.
Considerando a tabela a seguir, envolvendo potências de b = 2, vamos calcular, a
título de exemplo, 8 · 16 e a raiz quadrada de 256:

2n n
1
8
-3
1
4
-2
1
2
-1
1 0
2 1
4 2
8 3
16 4
32 5
64 6
128 7
256 8
.. ..
. .

Observe que
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 21

◦ 8 na coluna à esquerda corresponde a 3 na coluna à direita;


◦ 16 na coluna à esquerda corresponde a 4 na coluna à direita;
◦ 3 + 4 = 7 e 7 na coluna à direita corresponde a 128 na coluna à esquerda.

Portanto,

8 · 16 = 128

pode ser obtido reduzindo uma multiplicação a uma simples operação de adição.

Para saber o valor de 256, a partir de observação da coluna à direita, faz-se

8 ÷ 2 = 4. Então, a partir de observação da coluna à esquerda, obtém-se 256 = 16.
É válido observar que um método tão elaborado só possui utilidade prática se
preenchemos as grandes lacunas entre os números da tabela e podemos fazer isto de
duas maneiras. Uma é usar os expoentes fracionários e a outra é escolher um número
pequeno o suficiente como base para que as potências aumentem suficientemente de-
vagar. Entretanto, não se conheciam, plenamente, naquela época, potências da forma
m √
a n = n am . Sendo assim, Napier teve que trabalhar de forma a definir a base como
um número suficientemente pequeno para que a potência aumentasse vagarosamente.
Ele utilizou o número 0,9999999 = 1 − 10−7 , que é bem próximo de 1, como base.
Segundo (EVES, 2011), Napier explica os princípios do seu trabalho em termos
geométricos da seguinte maneira:
Considere um segmento de reta AB e uma semirreta DE, de origem D, conforme
a Figura 4 a seguir. Suponhamos que os pontos C e F se ponham em movimento
simultaneamente a partir de A e D, respectivamente, ao longo dessas linhas, com a
mesma velocidade inicial. Admitamos que C se mova com uma velocidade numerica-
mente sempre igual à distância CB, e que F se mova com velocidade uniforme. Napier
definiu então CB como o logaritmo de DF . Isto é, pondo DF = x e CB = y, logo,

y = N ap · log x.1

Figura 4 – Segmento AB e Semirreta DE

No livro e: a história de um número (MAOR, 2003), o autor expõe um exemplo


prático da explicação de Napier: Supondo que o segmento AB representa uma unidade
1
Tal notação pode ser encontrada em (EVES, 2011) onde Nap · log significa “logaritmo neperiano”.
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 22

de comprimento, e marcamos segmentos iguais, de comprimento arbitrário, ao longo


da semirreta DE a partir de D; Denominemos as extremidades de 0, 1, 2, 3, e assim
por diante.

Figura 5 – Semirreta com origem em D.

Fonte: O Autor.

Como F se move com uma velocidade uniforme, ele vai percorrer estes segmentos em
intervalos de tempo iguais. Quando C começa a se mover a partir de A, F encontra-se
em 0 (o ponto D); quando C chega na metade de AB, F encontra-se em 1; e quando C
cobriu 3/4 de AB, F chegou em 2, e assim por diante. Como y mede a distância que
C ainda tem de percorrer para chegar em B, temos a seguinte tabela:

Tabela 1 – Tabela de PA e PG
y 1 1/2 1/4 1/8 1/16 1/32 1/64 ...
x 0 1 2 3 4 5 6 ...
Fonte: Elaborada pelo autor.

John Napier introduziu em seus textos, definições e resultados que permitiram um


gigantesco avanço em diversas áreas do conhecimento além da matemática, principal-
mente o comércio, a navegação e a astronomia. Tendo sido aceitos pela comunidade
científica de então, foram usados como base para muitos outros estudiosos de sua época,
bem como dos séculos posteriores. Portanto, podemos concluir que a conceituação so-
bre logaritmos, que são estudadas ainda hoje, tem como base os trabalhos desenvolvidos
por Napier, os quais foram aprimorados e aplicados em outros campos da ciências e
tecnologias.
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 23

2.2 Um breve apanhado sobre a história de Joost Bürgi

Figura 6 – Jost Bürgi (1552-1632)

Fonte: Wikipédia.

Jost Bürgi foi, além de fabricante de instrumentos astronômicos e relojoeiro, um


matemático amador suíço que, de maneira independente do que foi produzido por Na-
pier, também descobriu os logaritmos. Há fortes indícios e evidências de que Johannes
Kepler, com quem Bürgi trabalhou como assistente em Praga, teve a ideia de sua ter-
ceira lei do movimento planetário a partir da concepção sobre logaritmos de Bürgi, pois
o próprio Kepler escreve na introdução de seu trabalho sob título Tabelas de Rodolfo
(1627), conforme consta em (O’CONNOR; ROBERTSON, 2010):

... como auxiliares de cálculo, Justus Byrgius foi levado a esses mes-
mos logaritmos muitos anos antes do surgimento do sistema de Na-
pier; mas sendo um homem indolente e muito pouco comunicativo,
em vez de criar seu filho para o benefício público, ele o abandonou
ao nascer.

Assim como Napier, Bürgi buscava construir tabelas e regras que tornassem mais
simples os engenhosos cálculos que os astrônomos da época necessitavam realizar.
Acredita-se que Bürgi tenha começado a utilizar logaritmos por volta de 1588,
embora a data exata de sua descoberta não seja claramente estabelecida pelos histori-
adores, porém, ele apenas publicou seus resultados em 1620, cerca de seis anos após a
publicação do livro de Napier sobre os logaritmos.
Em seu livro intitulado “Arithmetische und Geometrische Progrefs Tabulen”, que
em tradução livre significa “Tabelas Aritméticas e Geométricas de Progressões”, Bürgi
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 24

apresenta suas tabelas logarítmicas e trigonométricas, as quais tiveram uma ampla


aceitação e utilização por astrônomos e matemáticos da época.

Figura 7 – Capa do Livro Arithmetische

Fonte: [Link].

Bürgi e Napier adotaram bases logarítmicas diferentes em seus trabalhos. Bürgi


considerou uma progressão geométrica cuja razão era maior e muito próxima de 1
(1, 0001 = 1 + 10−4 ), com o intuito de obter os termos da sequência muito próximos
e que permitissem, assim, a realização de cálculos com boas aproximações. Enquanto
Bürgi considerou o primeiro termo de sua progressão geométrica como sendo 108 , Napier
partiu de um número menor para o primeiro termo da sua, a saber, 107 . Sendo assim,
as principais diferenças entre Bürgi e Napier estão nas terminologias e nos valores
numéricos adotados para o início do trabalho.
Possivelmente, antes de se dedicar aos logaritmos, Bürgi tenha trabalhado nas ci-
dades de Nuremberg, Augsburg e Cremona como relojoeiro, pois eram as cidades com
um maior desenvolvimento de relojoaria. Devido a sua alta habilidade, supõe-se que
tenha auxiliado na construção de um relógio astronômico projetado pelo professor Kon-
rad Dasypodius, da Universidade de Estrasburgo e, por meio dessa construção, tenha
adquirido sua experiência em matemática, mesmo não havendo aprendido a língua da
ciência da época, o latim. Sua vasta experiência em matemática e astronomia então
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 25

adquiridas eram semelhantes as de alunos que conviviam em círculos científicos na


cidade de Estrasburgo.

Figura 8 – Relógio e Globo de Bürgi feitos no século XVI

Fonte: (O’CONNOR; ROBERTSON, 2010)

Apesar de suas significativas contribuições para a matemática, Bürgi não recebeu


o reconhecimento merecido em sua época, havendo sido seu trabalho ofuscado pelo
trabalho de Napier. Isso foi devido ao fato de Napier ter se antecipado na publicação
dos resultados dos seus estudos sobre o tema. (LIMA, 2016) cita que a influência
de Napier no desenvolvimento dos logaritmos foi muito maior que a de Bürgi, devido
às suas publicações e seu relacionamento com professores universitários. Contudo, o
legado de Bürgi como um pioneiro nas pesquisas sobre logaritmos e suas aplicações na
trigonometria é amplamente reconhecido na atualidade. Ele é considerado uma figura
de grande importância na história da matemática, e suas contribuições continuam sendo
objeto de estudo e apreço por parte dos matemáticos.
No Brasil, são raros os livros didáticos onde encontramos alguma seção que informe
as contribuições de Joost Bürgi ao estudo dos logaritmos. Alguns materiais citam que
ele foi um dos pioneiros, porém explanam com uma maior frequência as contribuições
de Napier e Briggs (cuja contribuição no desenvolvimento dos logaritmos abordare-
mos na próxima seção). Sugerimos aos docentes uma abordagem mais ampla sobre a
história deste notável matemático que teve significativa contribuição no avanço dos es-
tudos sobre logaritmos, os quais continuam sendo relevantes nos mais diversos campos
científicos e tecnológicos, tais como engenharias, ciência da computação e física.
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 26

Bürgi faleceu em 31 de janeiro de 1632 em Kassel, onde atualmente está localizada


a Alemanha, deixando contribuições que serviram como base para o avanço da ma-
temática e da astronomia, influenciando assim diversas gerações de estudiosos nessas
áreas.

2.3 Um breve apanhado sobre a história de Henry Briggs

Figura 9 – Henry Briggs (1561 - 1630)

Fonte: Wikipédia.

Henry Briggs, matemático inglês, é conhecido por sua publicação das tabelas de
logaritmos de Napier e sua significativa contribuição para a aceitação dos logaritmos
pela comunidade científica. Na verdade, ele é considerado o principal responsável pela
divulgação e uso dos logaritmos. Ele foi pioneiro no ensino de geometria no então,
recém fundado, Gresham College, localizado em Londres e mais tarde em Oxford.
Em 1610, em uma de suas cartas escritas ao seu amigo James Usher, Briggs revelou-
se bastante entusiasmado com astronomia, dando atenção especial aos estudos de elip-
ses. Briggs ficou extremamente impressionado ao ler o trabalho de Napier sobre lo-
garitmos, já que a astronomia foi um tema que exigiu diversos cálculos complexos e
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 27

compreendeu a grande ajuda que os logaritmos forneciam para os envolvidos no campo


da astronomia.
Briggs já havia publicado duas tabelas anos antes da obra Descriptio de Napier, uma
em 1602 titulada A Table to find the Height of the Pole (Uma tabela para encontrar a
altura do polo) e outra em 1610, sob o título Tables for the Improvement of Navigation
(Tabelas para a melhoria da navegação), o que demonstra que ele também estava
profundamente envolvido na criação de tabelas que servissem como auxílio nos cálculos
astronômicos.
Após ter contato com a invenção de Napier, Briggs, assim como todos os renomados
matemáticos da época, ficou bastante entusiasmado com tal obra. Tanto que, segundo
(BRUCE, 2006), em sua última carta ao amigo Usher, datada de 10 de março de 1615,
Briggs escreve

“Naper, senhor de Markinston (sic), colocou minha cabeça e minhas


mãos em um trabalho com seus novos e admiráveis logaritmos. Es-
pero vê-lo neste verão, se Deus quiser, pois nunca vi um livro que me
agradasse mais e me deixasse mais maravilhado.”

Ainda em 1615, Briggs viajou até a Escócia e visitou Napier em seu castelo, e con-
forme (MAOR, 2003), durante essa visita, Napier e Briggs concordaram, após diversas
possibilidades, que as tábuas seriam mais úteis se sofressem alterações de modo que
o logaritmo de 1 fosse igual a 0, ou seja, 1 = 100 , e, o logaritmo de base 10 estivesse
relacionado a uma potência conveniente de 10. Em linguagem moderna significa dizer
que se um número positivo N for escrito como 10L , então L é o logaritmo de N, escrito
como log10 N ou simplesmente log N . Atualmente estes logaritmos são denominados
logaritmos decimais. Embora seja bastante comum encontrarmos em livros didáticos
e em livros sobre a história da matemática que Briggs foi responsável por adotar os
logaritmos com log 1 = 0 e, apesar de logaritmos com log 1 = 0 serem apresentados
pela primeira vez no trabalho de Briggs, ele atribui a Napier a autoria da ideia.
No ano de 1617, Briggs publicou uma obra contendo os logaritmos de 1 a 1000, cada
um com 14 casas decimais. Em 1624, foi publicada a obra Arithmetica Logarithmica,
que incluía os logaritmos de base 10 de 1 a 20.000 e de 90.000 a 100.000, também
calculados com 14 casas decimais.
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 28

Figura 10 – Capa do Livro Arithmetica Logarithmica

Fonte: Mathematical Association of America

A Figura 11 a seguir mostra duas páginas do livro Arithmetica Logarithmica de


Briggs, onde é possível observar uma tábua com logaritmos decimais do 1 ao 100
aproximados com 14 casas decimais

Figura 11 – Tábua de logaritmos de base 10 de Briggs

Fonte: Wikipédia
Capítulo 2. Um pouco da história dos logaritmos 29

As tabelas completas contendo os logaritmos dos números naturais entre 20.000


e 90.000 foram publicadas na Holanda em 1628 por Adriaan Vlac (1600 - 1667), um
editor holandês, também desenvolvedor de tabelas de logaritmos, e em Londres no ano
de 1633, cerca de três anos após a morte de Briggs, ocorrida em 26 de janeiro de 1630,
em Oxford, Inglaterra.
Briggs teve sua vida marcada marcada por seu intenso compromisso com a matemá-
tica e seu desejo de torná-la mais acessível e aplicável. Deixou um legado permanente
na história da matemática, além de seus trabalhos serem essenciais para o avanço da
ciência e da tecnologia em seu tempo e posteriores.
Dentre tantas contribuições, a de maior importância foi a popularização dos loga-
ritmos e o desenvolvimento da Tabela Briggsiana, que simplificou e acelerou os cálculos
científicos. Sua dedicação à matemática e seu trabalho incansável tiveram um impacto
profundo na forma como a disciplina é praticada e ensinada até os dias atuais.
30

3 Principais Teoremas sobre logaritmos

Neste capítulo serão apresentados os principais resultados sobre logaritmos e suas


demonstrações. Utilizaremos (LIMA, 2016), (LIMA, 2013) (LIMA et al., 2016) como
principais fontes para consulta das demonstrações dos resultados abordados.

3.1 Área de uma faixa de hipérbole


Para a definição da área de uma faixa de hipérbole, consideramos no plano um
1
sistema de eixos cartesianos. Seja H o ramo positivo do gráfico da função f (x) = ,
x
isto é,
1
 
H = (x, y); x > 0, y = .
x
Define-se uma faixa de hipérbole ao seguinte conjunto:

1
 
Hab = (x, y) ∈ R ; a ≤ x ≤ b, 0 ≤ y ≤
2
,
x
onde 0 < a < b.

Figura 12 – Área da faixa de hipérbole no intervalo [a, b]

Fonte: Elaborado pelo autor.


Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 31

3.1.1 Propriedade Fundamental


A seguir listaremos algumas definições e demonstraremos o que, de acordo com
(LIMA, 2016), é o fato mais importante a respeito das áreas das faixas de hipérbole,
expresso no Teorema 3.1.
No que segue, denotaremos por Rab o retângulo de base [a, b] e altura 1b inscrito em
H, como ilustrado na figura abaixo.

Figura 13 – Retângulo de base [a, b] e altura 1


b
inscrito em H.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Definição 3.1. Denominaremos de polígono retangular a um polígono formado por



um número finito de retângulos adjacentes Rab ′ do tipo acima e o denotaremos por Pab ,
caso inicie em x = a e finde em x = b. Observe que qualquer Pab está contido em Hab .

Exemplo 1. P35 = R34 ∪ R45

Figura 14 – Polígono Retangular P35

Fonte: Elaborado pelo autor.

   
Escreveremos A Rab e A Pab para indicar as áreas de Rab e Pab , respectivamente.
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 32

 
Definição 3.2. A área A Hab da faixa de hipérbole Hab é, o número real cujas apro-
ximações por falta são as áreas dos polígonos retangulares em Hab .

Teorema 3.1. Seja qual for k > 0, as faixas Hab e Hak


bk
têm a mesma área.

Para a demonstração do Teorema 3.1, faz-se a utilização dos dois lemas que seguem.

Lema 3.2. Para todo número real k > 0, os retângulos inscritos em H de bases [a, b]
e [ak, bk] têm a mesma área.

Demonstração. A área de Rab é


  1 a
A Rab = (b − a) · =1− .
b b
Analogamente, a área de Rak
bk
é
  1 a
bk
A Rak = (bk − ak) · =1− .
bk b
Portanto,
   
A Rab = A Rak
bk
.

Figura 15 – Áreas Rab e Rak


bk

Fonte: Elaborado pelo autor.

Lema 3.3. Seja k > 0. Se Pab é um polígono retangular em Hab , então o polígono
bk bk
retangular Pak em Hak tem a mesma área que Pab .
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 33

n
Demonstração. Como Pab = Ri , onde Ri , i = 1, . . . , n, são retângulos contidos em
[

i=1
Hab , pelo Lema 3.2, os retângulos correspondentes Ri′ em Hak
bk
têm a mesma área. Logo
  n
A Pab = A(Ri )
X

i=1
n
= A(Ri′ )
X

i=1
 
= A Pak
bk
.

Esquematicamente,

Figura 16 – Área da Região Retangular Pab

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 17 – Área da Região Retangular Rak


bk

Fonte: Elaborado pelo autor.


Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 34

Considerando os Lemas 3.2 e 3.3 acima, faremos agora a demonstração do Teorema


3.1.

Demonstração. Seja Pab um polígono retangular em Hab . A área de Pab é uma aproxi-
mação por falta de A (Hab ). Pelo Lema 3.3, a área de Pab é igual a área de Pak
bk
, que é
uma aproximação por falta da área de Hakbk
.

Analogamente, se Pa′ é um polígono retangular em Hak
b bk
, usado para aproximar por
b′
falta a sua área, pelo Lema 3.3, o polígono retangular correspondente P ak′ em Hab tem
k
a mesma área e é uma aproximação por falta para a área de Hab .
Portanto, isso significa que as áreas destas duas regiões são números que possuem
exatamente as mesmas aproximações por falta, e desse modo são iguais.

3.1.2 Propriedades Operacionais


Propriedade 1. Decorre do Teorema 3.1 acima que, para qualquer faixa Hab , existe
uma faixa H1x de mesma área.
De fato,
b/a
A(Hab ) = A(H1 ) = A(H1x ), x = b/a.

Figura 18 – Área da faixa Hab = A (H1x )

Fonte: Elaborado pelo autor.

Propriedade 2. Quando a < c < b, tem-se

[a, b] = [a, c] ∪ [c, b].

Logo,
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 35

Hab = Hac ∪ Hcb

e, assim,
   
A Hab = A (Hac ) + A Hcb .

Figura 19 – Área da faixa Hab , com a < c < b

Fonte: Elaborado pelo autor.

Fazendo as convenções
 
A (Haa ) = 0, A Hab = −A (Hba ), para b < a,

é possível mostrar que para os casos

a < b < c; b < a < c; b < c < a; c < a < b; c < b < a,
   
ainda é válido que A Hab = A (Hac ) + A Hcb .

Mostraremos para o caso b < c < a, conforme Figura 20 que segue.


Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 36

Figura 20 – Área da faixa Hab , com b < c < a

Fonte: Elaborado pelo autor.

 
A Hab = −A (Hba )
= − (A (Hbc ) + A (Hca ))
   
= − −A Hcb − A (Hac )
 
= A (Hac ) + A Hcb .

As demonstrações dos demais casos são análogas à acima, desenvolvida para o caso
b < c < a.

Propriedade 3. Seja k > 0. Para b < a, obtemos


   
A Hab = A Hak
bk
.

Demonstração.
 
A Hab = −A (Hba )
 
= −A Hbk
ak
 
= A Hak
bk
.

3.2 Definição de Logaritmo Natural


Definiremos a função Logaritmo Natural a partir do conceito de área sob a faixa de
uma hipérbole e de suas propriedades demonstradas na seção anterior.
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 37

Definição 3.3. Seja x um número real positivo. Definiremos o logaritmo natural


de x denotado por ln x, como


A (H x ) ,

se x ≥ 1,
1
ln x = 
−A (H 1 ) , se 0 < x < 1.
x

Figura 21 – Área hachurada é igual a ln x

Fonte: Elaborado pelo autor.

Definição 3.4. A função Logaritmo Natural (ln) fica definida da seguinte forma

ln : R∗+ → R,

x 7→ ln x

cujo domínio é o conjunto R∗+ dos números reais positivos.

A cada número real x > 0, a função ln faz corresponder seu logaritmo natural, ln x.
Algumas consequências imediatas dessa definição são:

1. Para 0 < x < 1, a função Logaritmo Natural assume valores negativos.

2. Para x = 1 a função se anula, pois

ln 1 = H11 = 0.

3. Decorre diretamente da definição que para x > 1, temos ln x > 0.

4. A função ln x não está definida para x ≤ 0.


Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 38

5. A função Logaritmo Natural é crescente, pois:

(i) Para x > y > 1, tem-se

H1x ⊃ H1y ⇒ ln x = A (H1x ) > ln y = A (H1y ) .

(ii) Para 0 < y < x < 1, tem-se


   
Hy1 ⊃ Hx1 ⇒ A Hy1 > A (Hx1 ) ⇒ −A Hy1 < −A (Hx1 ) ⇒ ln y < ln x.

Portanto, ln x é crescente.

Teorema 3.4. O logaritmo de um produto é igual a soma dos logaritmos dos seus
fatores, ou seja,

ln(xy) = ln x + ln y, ∀ x, y > 0.

Demonstração.

ln(xy) = A (H1xy )
= A (H1x ) + A (Hxxy )
= A (H1x ) + A (H1y )
= ln x + ln y.

Corolário 3.5. Para todo n ∈ N, m ∈ Z e b > 0, temos

(i) ln bn = n · ln b.
(ii) ln b−n = −n · ln b.
m
(iii) ln b n = m
n
· ln b.

A Função Logaritmo Natural é sobrejetiva. Faremos a demonstração a seguir, porém


será necessário um Lema, mais alguns fatos sobre os números reais.

Lema 3.6. Seja ln : R∗+ → R a função Logaritmo Natural. Dados arbitrariamente dois
números reais a < b, existe x > 0 tal que a < ln x < b.

Demonstração do Lema 3.6

ln 2
(i) Observe que ln 2 = A (H12 ) > 0 e seja k ∈ N tal que k > .
b−a
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 39

Um tal k existe, pois N é ilimitado.


(ii) Decorre de (i) que
ln 2
< b − a. (∗)
k
ln 2
Denotaremos = p.
k

(iii) Os múltiplos inteiros de p, ou seja, np, com n ∈ Z, decompõem a reta real


em intervalos justapostos. Portanto, de (∗), pelo menos um múltiplo de p pertence ao
intervalo (a, b).

(iv) Seja n ∈ Z tal que a < np < b. Então,

ln 2 n n
np = n · = · ln 2 = ln 2 k .
k k
n
(v) Concluímos que para x = 2 k , tem-se a < ln x < b.

Para demonstração do próximo Teorema, utilizaremos alguns fatos sobre números


reais.
Decorre da construção dos números reais, consultada em (LIMA, 2013), que se
α ∈ R, então
α1 α2 αn
α = α0 + + 2 + ··· + n + ···
10 10 10
onde α0 é a parte inteira e αn pode assumir os valores 0, 1, 2, . . . , 9. Daí, para todo
n > 0, o número
α1 α2 αn
βn = α0 + + 2 + ··· + n
10 10 10
é tal que
βn ≤ α

e
1
α − βn < .
10n
. Sejam então x < α e n ≥ 0 tal que
1
< α − x.
10n
Portanto,
1
α − βn < < α − x,
10n
e, assim,
βn > x.
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 40

Definição 3.5. Dizemos que uma função f é ilimitada superiormente se dado


M > 0 existe x no domínio de f tal que f (x) > M .

Lema 3.7. A função Logaritmo Natural é ilimitada superiormente.

Demonstração. Dado M > 0, seja n ∈ N tal que


M
n> .
ln 2
Ou seja, n · ln 2 > M , ou
ln 2n > M.

Finalmente, basta considerarmos x = 2n . ■

Teorema 3.8. A função Logaritmo Natural é sobrejetiva, isto é, dado que qualquer
número real p, existe sempre um (único) número real positivo q tal que ln q = p.

Demonstração. Demonstremos inicialmente para um número real positivo. Dado p > 0


determinaremos q > 0 tal que ln q = p. Encontraremos a representação decimal de q
dada por
q = a0 , a1 a2 a3 . . .

Em seguida, mostraremos que ln q = p.


(i) Determinação de a0 . Como a função ln é crescente e ilimitada, seja a0 ∈ Z tal
que a0 + 1 é o menor inteiro tal que

ln(a0 + 1) > p.

Então
ln a0 ≤ p < ln(a0 + 1).

(ii) Determinação de a1 . Considerando os números


1 2 9
a0 , a0 + , a0 + , . . . , a0 + , a0 + 1,
10 10 10
devem existir dois números consecutivos β1 e β1 + 1
10
desta sequência, tais que

1
 
ln β1 ≤ p < ln β1 + ,
10
ou seja, existe a1 inteiro, 0 ≤ a1 ≤ 9, tal que
a1
β1 = a0 +
10
e
1
 
ln β1 ≤ p ≤ ln β1 + .
10
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 41

(iii) Determinação de a2 . Analogamente, entre os números


1 2 9 1
β1 , β1 + , β1 + 2 , . . . , β1 + 2 , β1 + ,
10 2 10 10 10
devem existir dois números β2 e β2 + 1
102
desta sequência, tais que
1
 
ln β2 ≤ p < ln β2 + 2 ,
10
ou seja, existe a2 inteiro, 0 ≤ a2 ≤ 9, tal que, pondo
a1 a2
β2 = a0 + + 2,
10 10
tem-se
1
 
ln β2 ≤ b < ln β2 + 2 .
10
(iv) Prosseguindo analogamente, obtemos
a1 a2 an
βn = a0 , a1 a2 a3 . . . an = a0 + + + ··· + n
10 100 10
tal que
1
 
ln βn ≤ p < ln βn + n .
10
Seja q = a0 , a1 a2 a3 · · · an · · ·
(v) Mostraremos que devemos ter ln q = p. Supondo que ln q < p, pelo Lema 3.6
existe x > 0 tal que
ln q < ln x < p.
(vi) Como ln é crescente, pelo item (v) temos q < x.
(vii) De (vi), existe n ∈ N tal que x − q > 101n , ou seja, q + 1
10n
< x.
(viii) Portanto, existe n ∈ N tal que
1 1
βn + ≤ q + n < x.
10 n 10
Como ln é crescente, pela desigualdade acima, obtemos
1
 
ln βn + n < ln x.
10
Por outro lado, pelo item (iv),
1
 
p < ln βn + n
10
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 42

e, portanto, p < ln x, contrariando o item (v).


(ix) Analogamente, supondo ln q > p, pelo Lema 3.6, existe x > 0 tal que
ln q > ln x > p.
Com argumentação similar ao item (viii), concluímos que ln q < p, mas isso é contra-
ditório.
Pela tricotomia dos números reais, temos ln q = p, pois não pode ocorrer ln q < p
ou ln q > p.
Demonstremos agora a sobrejetividade de f para um número real negativo.
Para p < 0, temos −p > 0, logo pelo que foi demonstrado acima, existe q > 0 tal
que
ln q = −p.
Pela propriedade n · ln x = ln xn segue que
ln q −1 = − ln q = −(−p) = p.
Portanto, f é sobrejetiva. ■

A seguir, faremos a demonstração do Teorema Fundamental da Função Logaritmo


Natural. Tal demonstração será feita sequencialmente nos conjuntos dos números na-
turais, inteiros, racionais e por fim nos irracionais. Para tal, iremos utilizar a seguinte
definição:

Se 0 < b ̸= 1, x ∈ R − Q, define-se bx = y, onde y > 0 satisfaz ln y = x · ln b.

Teorema 3.9. Existe a > 0 tal que ln ax = x, ∀x > 0.

Demonstração. Como a função logarítmica é sobrejetiva, existe a > 0 tal que ln a = 1.


(i) para m ∈ N, é válido que
ln am = ln (a · a · a · ... · a)
| {z }
m f atores
= ln
|
a + ln a + ln
{z
a + ... + ln a}
m parcelas
= 1 + 1 + 1 + ... + 1
= m.
(ii) Pelo item (i) para −m, com m ∈ N, temos
m + ln(a−m ) = ln am + ln a−m
= ln(am · a−m )
= ln a0
= ln 1
= 0.
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 43

Logo,

ln(a−m ) = −m.

(iii) Pelo item (ii) para r ∈ Q; r = m


n
, em que m ∈ Z e n ∈ N, obtemos

n · ln (ar ) = |ln ar + ...


{z
+ ln ar}
n parcelas
= ln (a · a · a · ... · ar )
r r r
| {z }
n f atores
= ln((ar )n )
= ln arn
= ln am
= m.

Logo,
m
n · ln ar = m ⇒ ln ar = = r.
n
(iv) Para x ∈ R − Q, por definição

ln ax = x · ln a = x · 1 = x.

O número cujo logaritmo natural é igual a 1 é um número irracional e doravante


será denotado por e. Ele é dito número de Euler. Tem-se e ≈ 2, 718281828. Não
é o escopo de nosso trabalho explicitar suas propriedades. Para mais detalhes desse
número consultar o capítulo 8 do livro (LIMA, 2016), bem como (MAOR, 2003), que
explana sobre a história deste número.

3.3 Função Exponencial


Na construção da função exponencial, utilizaremos o fato de que a função logarít-
mica é sobrejetiva.

Definição 3.6. Pela bijetividade da função Logaritmo Natural, existe uma função
f : R → R∗+ inversa da função Logaritmo Natural. Do Teorema 3.9, deduzimos que
f (x) = ex , onde e é o número de Euler.
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 44

Portanto, temos a equivalência

x = ln y ⇔ y = ex . (∗∗)

A função f (x) = ex lê-se função exponencial de base e.


De (∗∗), segue que x = ln y é o expoente ao qual deve-se elevar a base e para obter
y.

Figura 22 – Representação da área de medida x

Fonte: Elaborado pelo Autor.

3.3.1 Propriedades da Função Exponencial


Listaremos a seguir algumas propriedades decorrentes da Definição 3.6:

(i) eln x = x, ∀ x > 0.

(ii) ln ex = x, ∀ x ∈ R.
1
(iii) e−x = .
ex
(iv) ex+y = ex · ey .
ex
(v) ex−y = .
ey
(vi) ek·x = (ek )x .

A título de exemplo, demonstraremos o item (iv).

Demonstração. Como

ln(ex · ey ) = ln ex + ln ey = x + y,
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 45

ex · ey é o número real cujo logaritmo natural é igual a x + y. Decorre disto e da


definição 3.6 que
ex+y = ex · ey .

3.4 Logaritmos em Outras Bases


Dizemos que a função logaritmo natural é de base e, devido a (∗∗). Podem ser
consideradas funções logarítmicas em outras bases, porém todas elas diferem somente
por um fator multiplicativo.

Definição 3.7. Dado 0 < a ̸= 1. Dizemos que f : R∗+ → R é uma função logarítmica
de base a se f (x) = loga x, onde
ln x
loga x = .
ln a
Decorre imediatamente desta definição e das propriedades dos logaritmos naturais
as seguintes propriedades de loga x.

(i) loga (x · y) = loga x + loga y, ∀ x, y > 0.


x
(ii) loga ( ) = loga x - loga y, ∀ x, y > 0.
y
(iii) loga xr = r · loga x, ∀ x > 0, r ∈ R.
ln a
(iv) Para 0 < α ̸= 1, logα x = · loga x.
ln α

Demonstraremos, a título de exemplo, a propriedade (iii) listada acima. Para


demonstração das demais, basta seguir os procedimentos de maneira análoga aos uti-
lizados a seguir. De fato,
ln xr
loga xr =
ln a
ln x
= r·
ln a
= r · loga x.

Definição 3.8. Definimos por função exponencial a qualquer função φ : R → R∗+ , onde
φ(x) = ax , x ∈ R, para algum 0 < a ̸= 1.

Observe que:

(i) f (x) = loga x é invertível, pois ln x o é;


ln a
(ii) loga a = = 1. Daí, loga ax = x, ∀ x ∈ R.
ln a
Capítulo 3. Principais Teoremas sobre logaritmos 46

Assim,
g : R → R∗+

x 7→ g(x) = ax

é a inversa de f . Ela é dita Função Exponencial de Base a. Tem-se

y = loga x ⇔ ay = x.

Da Definição 3.8, decorrem as propriedades:

(i) ax+y = ax · ay .
ax
(ii) ax−y = y .
a
(iii) a(k·x) = (ak )x .

Vamos demonstrar a propriedade do item (iii), e para isto vamos utilizar logaritmos.

loga [(ak )x ] = x · loga (ak ) = k · x.

Logo
ak·x = (ak )x .
47

4 Aplicações da Escala Logarítmica para o


Estudo de Certas Grandezas
Neste capítulo, discorreremos sobre grandezas cuja a representação em uma escala
logarítmica é mais adequada do que aquela em escala aritmética. A partir dessa etapa,
desenvolveremos ideias sobre como apresentar o conteúdo aos discentes do Ensino Mé-
dio.
Dentre os possíveis significados da palavra escala encontrados em (HOUAISS; VIL-
LAR, 2011), contemplamos os seguintes:

• relação entre as proporções de uma representação e as do objeto representado


<escala de um mapa>;

• porto ou lugar determinado em que transportes coletivos param para abasteci-


mento, embarque ou desembarque de carga ou passageiros etc.;

• tabela de horários de trabalho;

• série de graus ou níveis, dispostos segundo a importância de cada um <escala de


valores>;

• e. Celsius escala de temperatura baseada em dois pontos fixos: o de fusão do gelo


e o de ebulição da água, aos quais se atribuem os valores 0 e 100, respectivamente,
estando ambos sob pressão de uma atmosfera;

• e. Richter escala que mede o grau de intensidade dos tremores de terra.

A definição de escala a qual no referimos em nosso texto é aquela cuja representação


gráfica é utilizada na matemática para mostrar a ordem e a magnitude dos números
reais. A reta numérica clássica, da Figura 23 a seguir, que comumente é utilizada para
ordenar e comparar números reais, é um bom exemplo ao que estamos nos referindo.

Figura 23 – Reta Numérica

Fonte: Elaborado pelo autor.


Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 48

4.1 Escala Linear


Na reta numérica, existe uma diferença de exatamente uma unidade de comprimento
entre os números 0 e 1. Essa mesma distância está entre os números 10 e 11, ou -2
e -1. Independentemente da localização na reta, a distância que separa um número x
e x + p, p > 0 fixo, é invariável e não sofre alterações. As escalas lineares baseiam-se
nessa invariância e são muito úteis para medições no mundo real. Podemos usar como
exemplos as trenas utilizadas na engenharia civil e a régua escolar.

Figura 24 – Reta Numérica Padrão

Fonte: Elaborado pelo autor.

Um outro exemplo prático: digamos que traçamos um gráfico onde esteja represen-
tado o tempo gasto por cada participante em uma prova de marcha atlética na categoria
infanto-juvenil (15 a 16 anos). Podemos rotular marcas de escala igualmente espaçadas
em um eixo como 0, 5, 10, 15, 20, etc. O nome do eixo pode ser “tempo (em minu-
tos)”. Neste caso, quando movemos uma marca para a direita, sempre adicionamos 5
minutos, conforme Figura 25 abaixo.

Figura 25 – Eixo em Escala Linear

Fonte: Elaborado pelo autor.

Digamos que um atleta gastou doze minutos para completar a prova. Indicaremos
em nosso gráfico dois quintos do comprimento a partir de 10 entre as marcas de 10 e
15 minutos.
Portanto, destacamos que a escala linear é uma ferramenta bastante utilizada em
diversas áreas do conhecimento, além das já citadas no início desta seção, tais como
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 49

a física, economia, matemática e estatística, entre outras; e tais utilidades se dão


principalmente pelo fato de sua simples e fácil compreensão.

4.2 Escala Logarítmica


Uma escala logarítmica apresenta diferenças significativas em relação a uma es-
cala linear. Nesse tipo de escala, uma distância fixa entre dois pontos no eixo separa
duas potências de uma determinada base b > 0. Portanto, uma escala logarítmica é
aumentada ou diminuída por um fator específico.
As escalas logarítmicas são amplamente utilizadas em diversas áreas do conheci-
mento, desde as ciências e engenharias até a economia e finanças. Elas permitem
representar fenômenos que possuem um amplo conjunto de valores de forma mais com-
pacta e visualmente intuitiva. Por exemplo, a energia liberada durante um terremoto,
a intensidade das ondas sonoras, uma área vasta de floresta, a quantidade de células em
um organismo multicelular ou o número de moléculas no ar. Imaginemos que esteja-
mos trabalhando com um projeto de pesquisa sobre a quantidade de metros quadrados
desmatados na floresta amazônica e haja a necessidade de criar uma escala simplificada
para representar a área desmatada nos diferentes estados que sejam cobertos pelo bi-
oma da amazônia. Podemos decidir por usar uma escala na qual marquemos pontos no
eixo que separem potências inteiras de 10, ou seja, cada ponto no eixo representa uma
potência de base 10 em metros quadrados desmatados, conforme podemos observar no
eixo vertical da Figura 26 que segue.

Figura 26 – Gráfico com Eixo em Escala Logarítmica

Fonte: Elaborado pelo autor.


Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 50

Dessa forma, podemos representar de forma simplificada a quantidade de área des-


matada nos diferentes estados utilizando essa escala, o que facilita a comparação e
análise dos dados em nosso projeto de pesquisa imaginário.
Há duas razões essenciais para a utilização de escalas logarítmicas em tabelas e grá-
ficos. A primeira razão se dá pelo fato de podermos representar dados que apresentam
uma variação em ampla faixa de magnitude, comprimindo seus valores, tornando mais
fácil a visualização e a comparação entre eles. Ao utilizar uma escala logarítmica, a
amplitude dos valores é distribuída de modo mais equilibrado, tornando a visualização
mais clara e facilitando a comparação entre diferentes pontos. A segunda razão é a va-
riação percentual. Nesse caso, analisar a variação relativa dos valores em determinadas
situações do cotidiano é mais pertinente do que a análise da variação absoluta. Uma
escala logarítmica permite que a variação percentual seja visualizada de maneira mais
consistente, pois os incrementos ao longo da escala são proporcionais em termos per-
centuais. Isso pode ser especialmente útil ao lidar com fenômenos que seguem uma lei
de potência ou que apresentam um crescimento exponencial, onde a variação relativa é
mais significativa do que a variação absoluta. Essas são as duas razões principais pelas
quais as escalas logarítmicas são utilizadas em tabelas e gráficos, proporcionando uma
representação visual mais adequada e facilitando a interpretação dos dados.

4.3 Algumas motivações para se aprofundar nos estudos das es-


calas logarítmicas
Atual e frequentemente assistimos anúncios em plataformas digitais ou em canais
de TV em que os principais produtos oferecidos são “aprender a investir no mercado de
ações”, “conquistar sua independência financeira”, “conquistar o seu primeiro milhão
de reais” etc. Por esse motivo, nesta seção pretendemos fazer com que o leitor consiga
realizar uma observação mais aprofundada de gráficos que são normalmente utilizados
no mercado financeiro.
Inicialmente, observemos os dois gráficos a seguir, onde ilustra-se os comportamen-
tos das ações A e B, com investimento inicial de R$ 500, 00 e R$ 1.000, 00, respectiva-
mente.
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 51

Figura 27 – Gráfico de Ações em Escala Linear

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 28 – Gráfico de Ações em Escala Logarítmica

Fonte: Elaborado pelo autor.

Na Figura 27 podemos visualizar a variação da projeção dos valores das ações A e


B ao longo do tempo e notar que as linhas mantêm-se a uma distância constante entre
si. Isto ocorre porque a variação entre os valores iniciais e finais é de R$ 1.500, 00 em
cada uma delas. Já no gráfico da Figura 28 o comportamento muda, o que pode nos
levar em um primeiro momento a pensar que tais gráfico representam ações distintas
daquelas na Figura 27 . Conforme percebemos ao realizarmos a leitura dos gráficos,
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 52

o eixo que representa os valores das ações na Figura 28 apresenta estrutura distinta
daquele na Figura 27. O primeiro é um eixo em escala linear e o segundo é um eixo
em escala logarítmica de base 10.
Pelo comportamento do gráfico da Figura 28, é fácil perceber que o investimento
na ação A é mais vantajoso em comparação com o investimento na ação B. Isto se
dá porque o gráfico em escala logarítmica evidencia a variação percentual dos preços,
enquanto que o gráfico em escala linear apresenta uma variação absoluta dos preços.
Em outro caso, digamos que você se decida pesquisar sobre algumas possibilidades
de investimento, e dentre as opções com potencial crescimento para 2023 está o ativo
do Banco do Brasil - BBSA3. Os gráficos 29 e 30 a seguir, foram plotados no site
TradingView 1 e mostram dados no mesmo período do BBSA3. A diferença é que o
primeiro é representado em escala linear e o segundo em escala logarítmica.

Figura 29 – Gráfico da Ação BBAS3 em Escala Linear

Fonte: Elaborado pelo autor.

1
<[Link] em 07/04/2023
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 53

Figura 30 – Gráfico da Ação BBAS3 em Escala Logarítmica

Fonte: Elaborado pelo autor.

Podemos destacar algumas características que aparecem nos gráficos 29 e 30


∗ No gráfico em escala linear uma variação de preços de R$ 5, 00 a R$ 10, 00, por
exemplo, corresponde a um aumento de R$ 5, 00. Analogamente, uma variação de
R$ 25, 00 a R$ 30, 00. Ou seja, neste tipo de escala os tokens (ícones em vermelho e
verde) possuem medidas de crescimento iguais.
∗∗ No gráfico em escala logarítmica, as mesmas variações exemplificadas anterior-
mente correspondem, respectivamente, a variações de 100% e 20%, ou seja, os ícones
não possuem o mesmo padrão de crescimento.
∗ ∗ ∗ É bastante perceptível que o gráfico da figura 30 mostra um comportamento
do rendimento do ativo durante todo o período sem grandes oscilações nas medidas dos
tokens. A conclusão que podemos obter com esse tipo de análise é que investir neste
ativo é um procedimento seguro, pois observa-se que o mesmo tem crescido no longo
prazo e as oscilações no gráfico plotado em escala logarítmica facilitam na tomada de
decisão sobre a possibilidade de investimento no mesmo.

4.4 Escala Richter


As imagens que compõem a Figura 31 a seguir foram obtidas a partir de reportagens
contidas em sites da internet após pesquisa no buscador [Link], entre fevereiro e
junho de 2023. O texto da pesquisa foi: “Terremoto na Turquia”. Mas o que significa o
título “Terremoto de magnitude 7,8” na imagem a seguir? O trecho da frase que pode
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 54

nos despertar curiosidade é “magnitude 7,8”, pois, como uma magnitude relativamente
pequena pode causar tantos danos, acarretando em tantas mortes e feridos quanto
aquelas vistas nos noticiários da TV, rádio e internet?

Figura 31 – Notícias Sobre Terremotos

Fonte: [Link]

Antes de mais nada deve-se explicar que esse tipo de título de reportagem se ba-
seia na escala Richter, escala logarítmica mais conhecida e utilizada para determinar
a intensidade de terremotos, a qual foi desenvolvida no Instituto de Tecnologia da
Califórnia (Caltech) por Charles F. Richter e Beno Gutenberg, em 1935. Usualmente
quando é apresentada, é introduzida uma tabela contendo intervalos de magnitudes
e alguns dos possíveis efeitos que terremotos com magnitudes compreendidas entre
os intervalos descritos podem causar. Assim, mostra-se uma tabela do tipo abaixo,
sendo raras aquelas vezes em que é apresentado aos leitores a fórmula desenvolvida por
Richter e Gutenberg para se determinar a magnitude de um terremoto.
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 55

Tabela 2 – Tabela de efeitos dos terremotos


Magnitude Richter Efeitos
Menor que 3,5 Geralmente não sentidos, mas gravados.
Entre 3,5 e 5,4 Às vezes sentidos, mas raramente causam danos
Entre 5,5 e 6,0 No máximo causam pequenos danos a prédios bem
construídos, mas podem danificar seriamente casas mal
construídas em regiões próximas.
Entre 6,1 e 6,9 Podem ser destrutivos em áreas em um raio de até 100km
do epicentro.
Entre 7,0 e 7,9 Grandes terremotos. Podem causar sérios danos numa
grande faixa.
8,0 ou mais Enormes terremotos. Podem causar grandes danos em
muitas áreas mesmo que estejam a centenas de quilômetros.

A fórmula desenvolvida por Richter e Guntenberg é

!
A · ∆t3
M = log10 ,
1, 62
onde

• M é a intensidade do terremoto;

• A é a amplitude das ondas (em milímetros) medida com um sismógrafo2 ;

• ∆t é o intervalo de tempo (em segundos) entre a onda superficial (S) e a onda de


pressão máxima (P).

Um outro fato a se observar é a energia dissipada, pois é ela a causadora das


possíveis destruições após um terremoto, e para isto devemos considerar a fórmula
3
E = A2 .

A título de exemplo, vamos verificar (através de cálculo) quais as consequências na


variação um grau a mais na magnitude de um terremoto. Para isto, basta manipularmos
a fórmula desenvolvida por Richter e Gutemberg descrita acima e considerando AM
como a amplitude para magnitude M , obtemos

10M · 1, 62
!
AM · ∆t3 AM · ∆t3
M = log10 ⇒ = 10M ⇒ AM = . (i)
1, 62 1, 62 ∆t3
Ao considerarmos o aumento de um grau na magnitude do terremoto, deduzimos
10M +1 · 1, 62 10M · 1.62 (i)
AM +1 = ⇒ A M +1 = 10 · ⇒ AM +1 = 10 · AM .
∆t3 ∆t3
2
É o aparelho que registra os movimentos do solo.
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 56

Ou seja, um aumento de 1 grau na escala da magnitude de um terremoto, reflete


numa amplitude multiplicada por 10, causando um maior alcance. Portanto, se con-
siderarmos uma variação de 6 para 9 graus na escala de magnitude de um terremoto,
teremos uma amplitude multiplicada por 103 = 1.000 vezes, o que pode causar efeitos
muito mais devastadores.
Analogamente, se considerarmos EM a energia dissipada para magnitude M , para
a variação de 1 (uma) unidade de grau na escala Richter, a energia dissipada pode ser
calculada da seguinte forma:
3 3 3 3 3
EM = (AM ) 2 ⇒ EM +1 = (AM +1 ) 2 = (10 · AM ) 2 = 10 2 · (AM ) 2 ≈ 31, 6 · EM .

Portanto, ao compararmos dois terremotos com a variação de 1 unidade de grau na


escala Richter, a energia dissipada em um deles é capaz de causar danos de aproxima-
damente 32 vezes maior do que aquela dissipada no outro, o que de fato é assustador.

4.5 Escala de Decibéis


O som é uma parte essencial da vida humana e está presente em diversas atividades
como a música, a engenharia, o meio ambiente, a saúde etc. Ele pode nos proporcionar
sensações de tranquilidade, bem como de estresse. Sendo assim, a necessidade de
conhecer e saber quantificar a quantidade de som que o nosso sistema auditivo consegue
suportar é frequente. No que se refere à medidas sonoras, é comum nos depararmos
com a sigla dB, que é a abreviação de decibel.
Segundo (CUNHA, 2016), o decibel tem sua origem em métodos empregados para
quantificar a perda de sinal em circuitos telegráficos e telefônicos, tendo sido os estudos
sobre esta escala desenvolvidos pelo cientista escocês e inventor do telefone, Alexander
Graham Bell (1847-1922). Ele percebeu que a variação de som que o ouvido pode
sentir não acompanha uma escala linear e sim uma escala logarítmica. Em física a
intensidade do som é definida como a potência sonora recebida por unidade de área
de uma superfície, ou seja, é uma medida que descreve a quantidade de energia que
uma onda sonora transporta por unidade de área em uma determinada direção. Essa
grandeza é fundamental para entender a percepção da amplitude ou volume do som
por nossos ouvidos. A intensidade do som está diretamente relacionada com a ampli-
tude da onda sonora. Quanto maior a amplitude, mais energia a onda transporta e,
consequentemente, maior será a intensidade do som.
A escala de decibéis é uma medida baseada na potência em watts. O limite mais
baixo de som audível pelo ouvido humano tem uma intensidade de aproximadamente
10−12 watts por metro quadrado ( m W
2 ). Por outro lado, o ouvido humano é capaz de

detectar sons com uma intensidade tão alta quanto 102 m W


2 . Devido à ampla variação
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 57

entre esses extremos, é conveniente utilizar uma medida que se baseie em potências de
10. Essa medida relativa da intensidade sonora é chamada de decibel (dB).
Uma fórmula que relaciona a intensidade sonora N em mW
2 à sua intensidade relativa

D em decibéis é expressa da seguinte maneira:

N
 
D = 10 log . (4.1)
10−12
A seguir, apresentamos uma tabela que indica a intensidade do som em W
m2
, assim como
os valores correspondentes em decibéis para alguns sons comuns.

Figura 32 – Tabela de Intensidades do Som e suas Respectivas Intensidades Relativas


.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Observe que à medida que os valores de decibéis na coluna da direita aumentam


em 10, as intensidades correspondentes na coluna da esquerda são multiplicadas por
10. Assim, se o número de decibéis aumenta em 20, a intensidade do som se multiplica
por 10 · 10 ou 102 . Se você aumentar o número de decibéis por 40, você multiplica os
watts por metro quadrado por 10 · 10 · 10 · 10, ou 104 .
n
Em geral, um aumento de n dB multiplica a intensidade do som por 10 10 .

Exemplo 2. Quantas vezes mais intenso é um som de 90 decibéis em relação a um


som de 60 decibéis?
n
Solução: Utilizando a expressão 10 10 , afere-se tal aumento na intensidade. Como
30
90 − 60 = 30, a intensidade do som é ampliada em 10 10 = 103 = 1000 m W
2 . Portanto,
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 58

um som de 90 decibéis é 1.000 vezes mais intenso em comparação com um som de 60


decibéis.

Exemplo 3. ([Link]) Durante um show, a intensidade so-


nora nas proximidades do palco era de aproximadamente 1 mW
2 . Sabendo que a intensi-

dade mínima para a audição humana é de 10 m2 , determine o nível de intensidade


−12 W

sonora na região do palco.

Solução: Da fórmula 4.1, obtemos

1
D = 10 log( )
10−12
= 10(log 1 − log 10−12 )
= 10(log 1 + 12 log 10)
= 10(0 + 12)
= 10 · 12
= 120 dB.

Portanto, o nível de intensidade sonora na região do palco é de 120 dB.

Assim, os valores em decibéis aparentam ser lineares somente à primeira vista. A


título de ilustração, do exemplo 1 acima, concluímos que o ouvido percebe um som
de 90 decibéis em comparação com um som inicial de 60 decibéis como um som 1.000
vezes mais intenso. Adicionalmente, utilizando a fórmula 4.1 acima, se você conhece a
intensidade de um som, pode encontrar sua intensidade relativa em decibéis.
Apresentou-se assim mais uma aplicação das escalas logarítmicas em alguns con-
textos do nosso cotidiano, em virtude do som ser algo presente na vida das pessoas,
e que os estudos sobre tal objeto do conhecimento tem sido frequentemente aprofun-
dado, haja vista que, conforme alguns estudos, a exposição prolongada ou repetida a
sons com intensidade igual ou superior a 85 decibéis, pode causar perda permanente
da audição, tornando-se assim um problema de saúde.

4.6 Escala de Potencial Hidrogeniônico - pH


A medida quantitativa da acidez ou basicidade de soluções aquosas e outras soluções
líquidas é chamada de Potencial Hidrogeniônico, habitualmente conhecido por pH.
O termo, amplamente usado em química, biologia e agronomia, é uma medida que
representa os valores de concentração de íons hidrônio [H + ] em uma solução.
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 59

Tal concentração normalmente é expressa numericamente em uma escala com in-


tervalo de 0 a 14, onde 7 é a medida de uma solução considerada neutra, como é o caso
da água pura que possui um pH igual a 7 neste intervalo, enquanto uma solução com
pH menor que 7 é classificada como ácida e uma solução com pH maior que 7 é con-
siderada básica ou alcalina. Tais valores podem ser precisamente medidos utilizando
um instrumento conhecido como peagômetro.

Figura 33 – Escala de pH e o grau de acidez de algumas substâncias comuns.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

É importante observar que quanto menor o valor do pH, mais ácida será a solução.
Isso ocorre devido à natureza logarítmica da escala de pH, onde o mesmo é definido
como o negativo do logaritmo da concentração dos íons.
A escala de pH foi proposta em 1909 pelo bioquímico dinamarquês Peter Lauritz
Sorensen (1868-1939), na qual o pH é determinado pela concentração molar de íons
hidrônio presentes em uma solução aquosa, expressa em equivalentes por litro, mol/L.
(NOVAIS, 2023) afirma que: “Quando desenvolveu tal escala, Sorensen era o químico
chefe dos laboratórios da cervejaria Carlsberg. Com objetivo de aprimorar a quali-
dade de seu produto e estudando fermentação, o químico dinamarquês desenvolveu tal
escala.”
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 60

A fórmula para calcular o pH é dada por

pH = −log[H + ] (4.2)

que pode ser reescrita, levando em consideração que o logaritmo utilizado é de base 10,
da seguinte forma:

H + = 10−pH . (4.3)

Assim, conhecendo a molaridade de hidrônios, saberemos classificá-lo.


Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 4. Se uma solução tiver uma concentração de hidrônio de 3, 6 · 10−8 mol/L


essa solução seria ácida ou alcalina?

Solução: Substituindo os valores dados na questão em (4.2), e com o auxílio de uma


calculadora, obtemos

pH = −log[H + ]
= −log[3, 6 · 10−8 ]
≈ −[−7, 44]
≈ 7, 4.

Portanto, por estar com valor maior que 7, essa solução é considerada alcalina ou
básica.

Exemplo 5. (Udesc/2009) “Chuva ácida” é um termo que se refere à precipitação,


a partir da atmosfera, de chuva com quantidades de ácidos nítrico e sulfúrico maio-
res que o normal. Os precursores da chuva ácida vêm tanto de fontes naturais, tais
como vulcões e vegetação em decomposição, quanto de processos industriais, principal-
mente emissões de dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio resultantes da queima de
combustíveis fósseis.
O pH da água da chuva considerado normal é de 5,5 (devido à presença de ácido
carbônico proveniente da solubilização de dióxido de carbono). Um químico monito-
rando uma região altamente industrializada observou que o pH da água da chuva era
igual a 4,5. Considerando que a acidez está relacionada com a concentração de H3 O+ ,
é correto afirmar que a água com pH 4,5 era:
a) duas vezes mais básica que o normal.
b) duas vezes mais ácida que o normal.
c) dez vezes mais básica que o normal.
d) dez vezes mais ácida que o normal.
e) cem vezes mais ácida que o normal.
Capítulo 4. Aplicações da Escala Logarítmica para o Estudo de Certas Grandezas 61

Solução: Para determinar quantas vezes mais ácida é uma solução com pH igual
a 4,5 em comparação com uma solução de pH igual a 5,5, vamos utilizar a escala
logarítmica de pH.
Utilizando a equação (4.3), obtemos:

Para o pH = 5, 5:

H + = 10−pH
= 10−5,5

Para o pH = 4, 5:

H + = 10−pH
= 10−4,5

Neste caso, a solução de pH 4,5 é considerada mais ácida e a solução de pH 5,5 é


considerada menos ácida. Logo, a diferença de pH entre as duas soluções pode ser
calculada da seguinte forma:

10−4,5
= 10−4,5−(−5,5) = 101 .
10−5,5

Portanto, a solução com pH igual a 4,5 é 10 vezes mais ácida do que aquela com pH 5,5.

Este último exemplo nos faz perceber que a diferença de uma unidade na escala
de pH representa uma variação de 10 vezes na concentração de íons hidrônio (H + ).
Essa relação de variação em potências de 10 é devido à natureza logarítmica da escala
de pH, onde cada unidade de Potencial Hidrogeniônico representa um fator de 10 na
concentração de íons hidrônio.
62

5 Sequências Didáticas: Logaritmos e Es-


calas Logarítmicas

Para (ZABALA, 1998), “Sequência didática é como um conjunto de atividades or-


denadas, estruturadas e articuladas para a realização de certos objetivos educacionais,
que têm um princípio e um fim conhecidos tanto pelos professores como pelos alunos.”
Para além dessa afirmação, a leitura dessa obra nos permite inferir que a importância
dessas sequências reside no fato de que elas oferecem uma estrutura sólida de planeja-
mento e desenvolvimento do currículo de forma coerente e progressiva aos educadores
e, isso é essencial para garantir que os conteúdos sejam abordados de maneira apropri-
ada de acordo com as necessidades e características específicas dos alunos, levando em
consideração seu nível de desenvolvimento, estilo de aprendizagem e interesses.
Uma das notáveis características das sequências didáticas de Zabala é o destaque na
personalização da educação. Elas possibilitam aos professores a flexibilidade necessária
para adaptar as atividades de acordo com o contexto da sala de aula e as habilidades
dos alunos. Isso não apenas torna o ensino mais relevante, mas também envolve os
estudantes de forma mais ativa em seu próprio processo de aprendizagem. Ao seguir
uma sequência didática bem planejada, os alunos são incentivados a explorar tópicos,
refletir sobre conceitos e construir o conhecimento de forma progressiva.
A seguir, propomos três sequências didáticas em que, por meio de atividades sele-
cionadas, esperamos demonstrar a efetividade de aplicação da nossa proposta de apro-
fundamento no estudo de logaritmos em turmas do Ensino Médio. A BNCC (BRASIL,
2018) propõe que as habilidades relacionadas ao estudo das funções logarítmicas sejam
desenvolvidas em turmas do 1º ao 3º ano do ensino médio e, a partir disto, o Currículo
de Pernambuco (PERNAMBUCO, 2021) do Ensino Médio traz em seu organizador
curricular da disciplina de matemática, habilidades que contemplam os estudos e apli-
cações das funções logarítmicas, de forma mais específica, em turmas do 2º Ano do
Ensino Médio.
Iniciamos tomando como documentos norteadores para a nossa proposta de apro-
fundamento do estudo dos logaritmos em turmas do Ensino Médio, a Base Comum
Curricular (BNCC) e o Currículo de Pernambuco do Ensino Médio. Dentre as habili-
dades contidas nas competências gerais da etapa do Ensino Médio da BNCC, encon-
tramos apenas duas que estão relacionadas ao conteúdo logaritmos, conforme a Figura
34 a seguir:
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 63

Figura 34 – Um Recorte das Habilidades da BNCC

Fonte: Brasil, 2021.

O Currículo de Pernambuco é um documento que foi elaborado tomando como refe-


rencial a BNCC e nele é possível encontrar na seção nomeada Organização Curricular,
onde constam as habilidades (EM13MAT305PE21) e (EM13MAT403PE35), que fo-
ram elaboradas com base nas habilidades da Base Comum Curricular (EM13MAT305)
e (EM13MAT403), respectivamente, conforme Figura 35 a seguir:

Figura 35 – Um Recorte das Habilidades do Currículo de Pernambuco

Fonte: Currículo de Pernambuco, 2022.


Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 64

Propostas de Sequências Didáticas sobre


Logaritmos e Escalas Logarítmicas
Sugerimos aos professores que desejem trabalhar a nossa proposta de aprofunda-
mento do ensino de logaritmos, três propostas de sequências didáticas nas quais bus-
camos proporcionar aos alunos uma compreensão mais robusta sobre a aplicação dos
logaritmos na construção de escalas, bem como no entendimento de forma mais apro-
fundada de algumas escalas que nos deparamos em nosso cotidiano, como a escala de
decibéis e a escala Richter, além de compreender o uso deste tipo de escala em gráficos
de ativos financeiros.

PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA 01

A nossa primeira proposta para o aprofundamento no estudo dos logaritmos em


sala de aula está dividida em três partes. Na primeira, fazemos uma revisão da defini-
ção de logaritmos e revisitamos as propriedades básicas sem necessariamente realizar
todas as demonstrações, além de explanarmos o que são escalas lineares e escalas loga-
rítmicas. Na segunda parte, propomos uma atividade prática onde o educador sugere
a construção de algumas escalas logarítmicas a partir de uma sequência de passos, vi-
sando desenvolver nos educandos habilidades que os permitam construir tais escalas e
aplicá-las em situações do cotidiano, fazendo-se o uso de ferramentas tecnológicas ou
não. Por fim, propomos algumas atividades onde os alunos possam utilizar os conheci-
mentos adquiridos e as habilidades desenvolvidas na construção de escalas em paralelo
com as definições, para resolver alguns problemas envolvendo aplicações das escalas
logarítmicas nas diversas áreas do conhecimento e em questões de vestibulares.
Assim, sugerimos dois encontros de 50 minutos para aplicação desta proposta, vi-
sando um aproveitamento do tempo com acompanhamento qualitativo na construção
das escalas.

Objetivo Geral:

Definir escala linear e escala logarítmica e desenvolver a habilidade de construir


uma escala logarítmica, seguindo uma sequência de passos.

Objetivos Específicos:

◦ Definir logaritmo;
◦ Revisitar as propriedades operatórias dos logaritmos;
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 65

◦ Definir escala;
◦ Explanar sobre as escalas linear e logarítmica;
◦ Construir uma escala logarítmica.

1 Revisão da Definição e das Propriedades Básicas de Logarit-


mos

A princípio, vamos considerar os seguintes questionamentos:

Q1 : Qual o valor de x quando 3 é elevado a x resultando em 81?

Solução: 3x = 81 ⇔ 3x = 34 ⇔ x = 4.
1
Q2 : Qual o valor de x quando 5 é elevado a x resultando em ?
25
1 1
Solução: 5x = ⇔ 5x = 2 ⇔ 5x = 5−2 ⇔ x = −2
25 5

Os valores x = 4 e x = −2, nesta ordem, nas soluções dos questionamentos Q1 e


Q2 , são denominados respectivamente, o logaritmo de 81 na base 3, representado por
1 1
log3 81 = 4 e o logaritmo de na base 5, representado por log5 = −2. Assim,
25 25
podemos concluir que Logaritmos são expoentes e defini-los de modo mais preciso,

Sejam a > 0, a ̸= 1 e x > 0, o logaritmo de número x na base a


é representado por loga x e pode ser definido como o expoente y ao
qual devemos elevar a base a para obter o resultado x. Em outras
palavras, o logaritmo é a solução da equação exponencial ay = x.

Vejamos agora, algumas consequências da definição de logaritmo, que alguns auto-


res costumam classificá-las como propriedades dos logaritmos. Tais consequências são
derivadas das regras convencionais de exponenciação.
Suponha que b é um número real positivo e diferente de 1, e x1 e x2 são números
reais positivos. São válidas as seguintes propriedades:

(1) loga 1 = 0

(2) loga a = 1

(3) aloga x = x

(4) loga (x1 · x2 ) = logb x1 + logb x2

x1
 
(5) loga = logb x1 − loga x2
x2
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 66

(6) loga (xα ) = α · logb x; (α ∈ R)

2 Escalas Lineares e Logarítmicas

2.1 Definindo Escala

A palavra escala é composta por vários significados em diferentes áreas do conheci-


mento. Mais comumente, nos deparamos com esta palavra no sentido de uma relação
de proporção entre quantidades e é expressa como uma razão ou uma fração, indicando
a quantidade de redução ou ampliação aplicada, como por exemplo em uma maquete
que representa o projeto de construção de uma nova escola.
Nesta aula, trataremos de um significado específico de escala, representada por um
eixo nivelado de valores que mede algo em intervalos regulares. A reta numérica clás-
sica é um exemplo clássico que podemos associar ao conceito que adotaremos para a
nossa aula.

2.2 O que é uma Escala Linear?

Uma escala linear é um sistema de medição ou representação que segue uma pro-
gressão constante e uniforme de um valor para outro. Nesse tipo de escala, a dois
intervalos de iguais comprimentos em um eixo correspondem diferenças iguais entre
seus respectivos pares de extremos. Assim, a distância de uma unidade de medida
entre os pontos 0 e 1 é a mesma entre os pontos 7 e 8.
As escalas lineares são facilmente encontradas no nosso cotidiano, pois são bastante
utilizadas em gráficos, mapas, representações numéricas e muitos outros contextos para
facilitar a compreensão e a visualização de dados. Elas fornecem uma representação
direta e uniforme dos valores, permitindo uma leitura e interpretação fácil das infor-
mações apresentadas. Elas também são muito boas para medições comuns no dia a
dia. Sua régua escolar, assim como as fitas métricas utilizadas pelos profissionais da
construção civil são mais alguns bons exemplos que podemos citar.

2.3 O que é uma Escala Logarítmica?

Uma escala logarítmica é aquela na qual os números são representados como po-
tências de uma base fixa, sendo os expoentes usados como valores para demarcar os
intervalos de iguais comprimento no eixo. Porém, como nesse tipo de escala os valores
aumentam exponencialmente, a dois intervalos de iguais comprimentos em um eixo,
correspondem a diferenças distintas entre seus respectivos pares de extremos.
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 67

As escalas logarítmicas são usadas quando todas as medidas de uma grandeza são
positivas e tomam valores em uma ampla faixa desde valores muito pequenos a muito
grandes.
Imagine que precisamos medir uma quantidade muito grande de uma grandeza.
Talvez minerais no solo, moléculas no ar ou a intensidade das ondas sonoras, por exem-
plo. Às vezes precisamos criar uma escala simplificada onde cada passo representa um
grande número de unidades e também aumenta/diminui por um determinado fator.
Se um cientista precisa medir bilhões ou mesmo trilhões de moléculas, pode-se ape-
nas fazer uma escala logarítmica, onde a variação de 1 (uma) unidade representa um
aumento por um fator de 10. Isso significaria que ir de 0 a 1 significa aumentar 10
unidades, e ir de 0 a 2 significa aumentar 100 unidades, porque 102 = 100.
Existem algumas razões para usar escalas logarítmicas em tabelas e gráficos. uma
delas é tornar mais fácil a leitura de gráficos nos quais a variação dos valores expostos
é muito grande.
Duas escalas logarítmicas das quais você já deve ter ouvido falar são a escala de
decibéis, que mede a intensidade relativa do som, e a escala Richter, que mede a inten-
sidade dos terremotos.

3 Construindo uma Escala Logarítmica

Vamos construir uma escala logarítmica de base a > 0, seguindo a seguinte sequên-
cia de passos:

P1 : Inicialmente estabelece-se um comprimento padrão de medida, que denotaremos


por N , e corresponderá a um intervalo entre duas potências inteiras, consecutivas
da base a. Por exemplo, de 0,1 a 1, de 1 a 10, de 10 a 100, de 100 a 1000, se
resolvermos trabalhar na base 10; Assim como 0,5 a 1, 1 a 2, 2 a 4 e assim
sucessivamente, se resolvermos trabalhar com a base 2.
Para exemplificar, no que segue, tomaremos N = 10 cm e a = 10.

P2 : Como representaremos os números de 1 a 10 em escala logarítmica de base a = 10,


os números de 1 e 10 são os que se localizam nos extremos dos segmentos com o
intervalo de 1 a 10. Traçamos então um segmento de N = 10 cm.

P3 : Em seguida, marcamos no eixo o ponto correspondente a 2, por exemplo.


Para determinar a localização do ponto onde marcaremos o 2, devemos considerar
que, como o log 2 ≈ 0, 3010, para um comprimento de N = 10 cm, a distância
entre 1 e 2 será de aproximadamente

10 cm x 0,3010 = 3,01 cm
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 68

Figura 36 – Marcação do ponto correspondente ao número 2

Fonte: Elaborado pelo autor.

P4 : Analogamente, para determinar o ponto onde marcaremos o 3, como

log 3 ≈ 0, 4771,

a distância entre 1 e 3 será de aproximadamente

10 cm x 0,4771 = 4,77 cm

Figura 37 – Marcação do ponto correspondente ao número 3

Fonte: Elaborado pelo autor.

P5 : Para marcar um número 1 < α < 10 qualquer, procedemos de maneira análoga


aos passos anteriores. Ou seja, calculamos log α e então fazemos 10 · log α,
determinando assim a localização do ponto correspondente a α.

Exercício Resolvido
1. Trace um segmento de reta medindo N = 10 cm e continue marcando os pontos
no eixo de acordo com a escala logarítmica de base 10, conforme procedemos nos
itens P2 e P3 . Determine os pontos onde devem ser marcados os valores de 4, 5,
6, 7, 8 e 9.
Solução: Com o auxílio de uma calculadora, obtemos as seguintes aproximações
com três casas decimais: log 4 ≈ 0, 602, log 5 ≈ 0, 698, log 6 ≈ 0, 778, log 7 ≈
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 69

0, 845, log 8 ≈ 0, 903, log 9 ≈ 0, 954. A partir daí, basta procedermos de modo
análogo ao que fizemos em P1 , P2 e P3 .

Figura 38 – Solução do Exercício Proposto Resolvido 01

Fonte: Elaborado pelo autor.

Exercícios Propostos

1. Em um eixo, marque pontos em escala logarítmica de base 10, com um intervalo


entre as potências 10 e 100. Onde devem estar marcados os pontos correspon-
dentes as dezenas de 20 a 90.

2. Em um eixo, marque pontos em escala logarítmica de base 10 entre as potências


10−1 e 100 .

3. Utilizando o exercício 1, meça, com uma régua, a distância d12 entre os números
1 e 2. Em seguida meça a distância d14 entre 1 e 4. obtenha a soma D desses
valores.
Feito isso, partindo do número 1, determine qual número corresponde a distância
D.

4. Agora responda ao seguinte questionamento: qual número corresponde a distân-


cia D̃ = d14 + d15 ? Qual das propriedades dos logaritmos que explica o resultado?
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 70

PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA 02

Na nossa segunda proposta, visamos expor de forma eficaz a aplicação das escalas
logarítmicas na escala de intensidade sonora conhecida como a escala de decibéis e
na escala de magnitude de terremotos, a escala Richter, através de um breve resumo
explicativo sobre cada uma dessas escalas que estão fortemente presentes no nosso coti-
diano, seja ao ouvir uma música em um momento de lazer ou em uma festa, ou seja ao
assistirmos a um noticiário que nos reporta a um terremoto em algum lugar do mundo.
Dando continuidade, propomos um exercício respondido seguido de uma lista proposta
de exercícios para que os alunos possam desenvolver as habilidades contempladas na
BNCC (BRASIL, 2018) e no Currículo de Pernambuco (PERNAMBUCO, 2021).
Para aplicação desta proposta, também sugerimos dois encontros de 50 minutos.

Objetivo Geral:

Explanar a aplicação da escala logarítmica nas escalas de intensidade sonora e


de magnitude de terremotos, proporcionando aos estudantes uma compreensão mais
profunda das razões por trás da escolha de uma escala logarítmica para representar as
mudanças nas unidades de medida nas escalas de decibéis e Richter, por meio de uma
seleção de exercícios.

Objetivos Específicos:

◦ Explicar o que é a escala de intensidade sonora;


◦ Expor a fórmula para relacionar a intensidade sonora com a intensidade em decibéis,
bem como apresentar a correspondência entre elas;
◦ Explanar a escala de magnitude de terremoto;
◦ Mostrar uma tabela de relações entre a magnitude e seus possíveis efeitos;
◦ Apresentar uma fórmula para encontrar a magnitude de um terremoto e assim poder
inferir os possíveis efeitos;
◦ Praticar exercícios que tornem a compreensão dos conteúdos com mais significado.

1 A Escala de Decibéis

A variação de intensidade entre os sons mais sutis que necessitamos ouvir e os


sons mais altos presentes nos mais diversos ambientes do nosso cotidiano é bastante
significativa. O som mais silencioso que um ouvido humano pode captar tem uma
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 71

w
intensidade de cerca de 10−12 watts por metro quadrado, ou seja, 0,000000000001 2 .
m
Todavia, o ouvido humano também pode ouvir sons com uma intensidade tão grande
w
quanto 100 2 . O decibel (dB) é uma unidade criada para mensurar a intensidade do
m
som, é utilizada para descrever esta ampla gama de fenômenos sonoros, que vai desde
o sussurro mais suave até o barulho ensurdecedor como o de um motor a jato. Devido
à ampla variação na intensidade absoluta dos sons, a unidade dB é definida em termos
de uma escala logarítmica.
w
Uma fórmula que relaciona a intensidade sonora N em 2 à sua intensidade relativa
m
D em decibéis é
N
 
D = 10 log .
10−12
A Figura 39 a seguir, disponível em (GARZIN, 2022), mostra a intensidade do som
w
em 2 e os valores de decibéis correspondentes, para alguns sons comuns.
m

Figura 39 – Tabela de Decibéis

Fonte: [Link]

Observe que à medida que os valores de decibéis na coluna da direita aumentam


em 10, as intensidades correspondentes na coluna da esquerda são multiplicadas por
10. Assim, se o número de decibéis aumenta em 20, a intensidade do som se multiplica
por 10 · 10 ou 102 . Se você aumentar o número de decibéis em 40, você multiplica os
watts por metro quadrado por 10 · 10 · 10 · 10, ou 104 .
n
Em geral, um aumento de n dB multiplica a intensidade do som por 10 10 mw2 .
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 72

Exercício Resolvido

1. Devido a uma lei na França, os fabricantes tiveram que limitar a intensidade


do som de seus MP3 players a 100 decibéis. Quantas vezes mais intensa é a
intensidade máxima de 115 decibéis de um determinado MP3 player do que a
intensidade limitada imposta na França?

Solução: É sabido que para uma variação de n decibéis corresponde uma variação
n
de 10 10 mw2 na intensidade do som. Assim, levando em consideração a diferença
no nível de decibéis 115 − 100 = 15dB, obtemos

15
10 10 = 101,5 ≈ 32

Portanto, a intensidade máxima do som é 32 mw2 mais intensa que o limite imposto
na França.

Exercícios Propostos
1. Grunhir ao bater na bola tornou-se uma questão controversa no tênis profissional.
Algumas pessoas estão preocupadas que esses sons altos sejam distrações injustas
para o jogador adversário. Os grunhidos de Serena Williams foram medidos a
uma intensidade sonora de 6, 31 · 10−4 mw2 . Encontre a intensidade relativa do som
em decibéis.

2. A intensidade máxima de som do MP3 player da Melody é de 115 dB. Qual é a


intensidade máxima do som em watts por metro quadrado?

3. (Retirado de Brasil Escola) Durante um jogo de futebol, a intensidade sonora é


próxima de 80 dB. Supondo que, no momento do gol, a intensidade sonora torne-
se 1000 vezes maior, qual é o valor do nível sonoro, em dB, no momento do gol?

4. (Retirado de Brasil Escola) Durante um show, a intensidade sonora nas proximi-


dades do palco era de aproximadamente 1 mw2 . Sabendo que a intensidade mínima
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 73

para a audição humana é de 10−12 mw2 , determine o nível de intensidade sonora na


região do palco.

2 A Escala de Magnitude de Terremoto (Escala Richter)

É bastante comum, após ocorrer um terremoto em algum lugar do mundo, ouvir,


assistir ou ler nos mais diversos veículos de notícias sobre a unidade de medida utilizada
para descrever as magnitudes dos terremotos: Escala Richter. Tal escala foi desenvol-
vida em 1935 pelos sismólogos Charles Richter e Bueno Gutemberg, e é amplamente
utilizada para medir a energia liberada por um terremoto nos dias atuais. A escala
Richter é baseada em registros sísmicos e fornece uma medida da magnitude das ondas
sísmicas geradas pelo terremoto.
A magnitude de um terremoto é determinada na escala Richter, usando o logaritmo
da amplitude máxima registrada pelas ondas sísmicas. De maneira mais clara, isso
significa que cada aumento de 1 unidade na escala Richter representa um aumento de
10 vezes na amplitude das ondas sísmicas e cerca de 31,6 vezes mais energia liberada.
A tabela abaixo fornece uma breve descrição dos efeitos de terremotos de diferentes
magnitudes.

Figura 40 – Tabela de Efeitos de Terremotos

Fonte: (IEZZI et al., 2016)

Com base na Figura 40 acima, é válido ressaltar que existe uma diferença entre a
magnitude de um terremoto e intensidade de um terremoto. A magnitude refere-se a
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 74

medida da energia liberada pelo terremoto, enquanto a intensidade se refere aos efeitos
observados e percebidos pelas pessoas e pelas estruturas afetadas.
No livro (SMOLE; DINIZ, 2020, pág. 100), é possível encontrar que a magnitude
de um terremoto é medida da seguinte maneira: o sismógrafo registra duas ondas
sísmicas, a primária P e a secundária S. Com base no intervalo de tempo entre elas
∆t, e na amplitude das ondas sísmicas A, utiliza-se a função da escala Richter, também
conhecida como escala de magnitude local ML :

A · ∆t3
ML = log10 A + 3 · log10 (8 · ∆t) − 2, 92 ⇒ ML = log10 ( )
1, 62
Uma outra fórmula bastante utilizada para calcular a intensidade de um terremoto
é a que segue

2 E
M= · log10 ( ),
3 E0
onde, M é a magnitude do terremoto, E é a energia liberada pelo terremoto e E0 é a
energia liberada por um outro sismo usado como referência.

Exercício Resolvido
1. [[Link]] Há diversas formas de analisar a intensidade de um terremoto.
Uma delas é a Escala Richter, que utiliza a fórmula R = 23 · log( EE0 ), em que
R é a magnitude do terremoto na escala Richter e E é a energia liberada pelo
terremoto na unidade kW h, sendo E0 = 7·10−3 kW h. Considerando log 7 = 0, 85,
se um terremoto atingir a magnitude 7, 5 na Escala Richter, determine a energia
liberada por ele, em kW h.
Solução: Utilizando a fórmula dada e as informações contidas na questão, obte-
mos

2 E
R = · log( ) ⇒
3 E0
2 E
7, 5 = · log( )⇒
3 7 · 10−3
3 E
7, 5 · = log( )⇒
2 7 · 10−3
22, 5
= log E − log(7 · 10−3 ) ⇒
2
11, 25 = log E − (log 7 + log 10−3 ) ⇒
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 75

11, 25 = log E − (0, 85 − 3 log 10) ⇒


11, 25 = log E − 0, 85 + 3 ⇒
log E = 11, 25 − 2, 15 ⇒
log E = 9, 1 ⇒
E = 109,1 .

Portanto, a energia liberada pelo terremoto de magnitude 7,5 dado no problema


é de 109,1 kwh.

Exercícios Propostos

1. Um terremoto de 7,6 graus de magnitude na escala Richter é quantas vezes mais


forte do que um de magnitude de 5,6 graus na mesma escala?

2. Se a magnitude de um terremoto na escala Richter for 1,4 maior que outro,


quantas vezes mais força haverá no terremoto mais poderoso?

3. (Retirado de Portal da Obmep) Terremotos são eventos naturais que não têm
relação com eventos climáticos extremos, mas podem ter consequências ambien-
tais devastadoras, especialmente quando seu epicentro ocorre no mar, provocando
tsunamis. Uma das expressões para se calcular a violência de um terremoto na
escala Richter é:

M= 2
3
· log10 ( EE0 ),

onde M é a magnitude do terremoto, E é a energia liberada (em joules) e E0 =


104,5 joules é a energia liberada por um pequeno terremoto usado como referência.
Qual foi a ordem de grandeza da energia liberada pelo terremoto do Japão de 11
de março de 2011, que atingiu magnitude 9 na escala Richter?

4. (ENEM PPL 2018) Em março de 2011, um terremoto de 9,0 graus de magnitude


na escala Richter atingiu o Japão matando milhares de pessoas e causando grande
destruição. Em janeiro daquele ano, um terremoto de 7,0 graus na escala Richter
atingiu a cidade de Santiago Del Estero, na Argentina. A magnitude de um
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 76

terremoto, medida pela escala Richter, é R = log( AA0 ), em que A é a amplitude


do movimento vertical do solo, informado em um sismógrafo, A0 é uma amplitude
de referência e log representa o logaritmo na base 10. A razão entre as amplitudes
dos movimentos verticais dos terremotos do Japão e da Argentina é:
9
(a) 1,28 (b) 2,0 (c) 10 7 (d) 100 (e) 109 − 107 .

PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA 03

Esta terceira e última proposta de sequência didática, tem por finalidade expor
aos discentes as diferenças entre os gráficos gerados em uma escala linear e em grá-
ficos nos quais há a aplicação das escalas logarítmicas. Apresentamos tais diferenças
em duas situações relacionadas a finanças e uma situação relacionada a pandemia de
Covid-19. Sugerimos também uma lista de exercícios para fixação e aperfeiçoamento,
onde buscamos questões de vestibulares, bem como questões disponíveis no Portal da
Matemática.
Deixamos como sugestão adicional, uma atividade que pode ser trabalhada com os
alunos em sala de aula, descrita no Apêndice - A, cuja finalidade é proporcionar aos
discentes a experiência de criar gráficos em escala linear e escala logarítmica utilizando
a ferramenta Microsoft Excel.
Para aplicação desta nossa terceira proposta de sequência didática, recomendamos
tal como as duas primeiras, dois encontros de 50 minutos cada.

Objetivo Geral:

Despertar e desenvolver junto aos discentes a construção e análise de gráficos re-


presentados em eixos em escala linear como também em escala logarítmica, através de
exemplos práticos presentes em nosso cotidiano.

Objetivos Específicos:

◦ Mostrar as diferenças entre gráficos gerados em escala linear e gráficos em escala


logarítmica;
◦ Analisar com os alunos os comportamentos e características dos gráficos;
◦ Resolver exercícios visando contemplar questões sobre o conteúdo presentes em ves-
tibulares
◦ Construir, com o auxílio de ferramentas tecnológicos, gráficos utilizando o Microsoft
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 77

Excel.

1 Gráficos em Escala Logarítmica

Os gráficos em escala logarítmica representam a evolução de determinada grandeza


com base em dados que são expressos em intervalos muito grandes ou muito pequenos.
Ao analisar um gráfico em escala logarítmica, é fundamental recordar que uma mesma
distância entre dois pares de pontos no eixo não representa uma diferença igual em
termos absolutos, mas sim uma diferença proporcional. Por exemplo, em um gráfico
em escala logarítmica de base 10, a distância entre 10 e 100 é a mesma que entre
100 e 1000. Isso ocorre porque cada unidade no eixo representa o múltiplo, pelo fator
10, da potência anterior. Isso possibilita apresentar uma grande quantidade de dados
numéricos de forma compacta, tornando-se uma opção vantajosa.
Os gráficos a seguir retratam diferenças entre gráficos em escala linear e gráficos
em escala logarítmica, aplicados em diferentes situações do cotidiano com as quais
podemos nos deparar.

Figura 41 – Gráfico em Escala Linear

Fonte: Elaborado pelo Autor.


Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 78

Figura 42 – Gráfico em Escala Logarítmica

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Nos gráficos das Figuras 41 e 42 acima, temos o preço de compra e a projeção do


preço de venda da Ação A ao valor de, respectivamente, R$ 50,00 e R$ 125,00 e o preço
de compra e a projeção do preço de venda da Ação B ao valor de, respectivamente,
R$ 80,00 e R$ 155,00. Note que no gráfico gerado em escala linear, a variação de
preços das ações A e B têm características semelhantes e valores iguais a R$ 75,00,
o que pode levar um iniciante em investimentos a optar pela ação B por gerar um
montante maior, porém não mais vantajoso. Em contrapartida, no gráfico gerado em
escala logarítmica, o comportamento das variações de preços facilita a análise de uma
possível tomada de decisão sobre em qual das duas ações uma pessoa deva investir,
pois, a projeção do lucro obtido na operação de compra e venda das ações é mostrado
em valores percentuais, de modo que a variação de preços da ação A em comparação
com a ação B, torna-se mais vantajosa haja vista o lucro percentual dela ser 31,25%
maior que na mesma operação com a ação B.
Vejamos mais alguns exemplos, onde os dados foram inseridos em uma tabela e
transformados em gráficos em escala linear e em escala logarítmica
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 79

Figura 43 – Gráfico em Escala Linear

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Figura 44 – Gráfico em Escala Logarítmica

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Nos gráficos das figuras 43 e 44, acima, percebemos que, quando os valores dos
lucros médios apresentam uma grande diferença, o gráfico mais indicado para fazer
observações é o gráfico em escala logarítmica, pois no gráfico da Figura 43, os pontos
que marcam os valores do lucro médio dos sete primeiros produtos não se mostram
razoavelmente perceptíveis de maneira que determinar tais valores seja uma fácil tarefa,
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 80

enquanto que no gráfico da Figura 44, a identificação dos valores dos lucros médios
torna-se clara.
A pandemia de Covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2 ou Novo Coronavírus,
causou sérios impactos sociais, culturais, econômicos, políticos, históricos, na medi-
cina, nos laboratórios, universidades etc., no mundo inteiro sem quaisquer precedentes
recentes na história das epidemias.
Os gráficos a seguir retratam o número de casos informados semanalmente e o total
de casos registrados no Brasil no período de 22/03/2020 a 01/08/2020. Estes dados
estão disponíveis em (CONASS, 2023), site do Conselho Nacional de Secretários de
Saúde - CONASS, onde consta também o número de óbitos causados pela covid-19
informados até a data atual.

Figura 45 – Gráfico em Escala Linear

Fonte: Elaborado pelo Autor.


Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 81

Figura 46 – Gráfico em Escala Logarítmica

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Observando os gráficos das figuras 45 e 46 acima, podemos perceber no primeiro


gráfico que os pontos que marcam tanto o total de casos até determinada semana,
quanto aqueles pontos que marcam o número de casos da semana estão posicionados
de modo que, determinar quaisquer valores que eles indicam se torna uma tarefa pra-
ticamente impossível se tivermos acesso apenas ao gráfico, sem os dados expostos de
maneira mais detalhada, por outro lado, no gráfico em escala logarítmica da figura 46,
tal tarefa fica mais fácil de ser executada (mesmo que por aproximações), pois, mais
uma vez os dados possuem uma variação de números muito grande, e, sendo assim, o
gráfico em escala logarítmica aparece como uma poderosa ferramenta de exposição de
dados bem mais útil que o gráfico em escala linear.

Exercícios para Fixação e Aperfeiçoamento

1. (ENEM 2011 - Adaptada) A Escala de Magnitude de Momento (abreviada como


MMS e denotada como Mw ), introduzida em 1979 por Thomas Haks e Hiroo Ka-
namori, substituiu a Escala de Richter para medir a magnitude dos terremotos
em termos de energia liberada. Menos conhecida pelo público, a MMS é, no en-
tanto, a escala usada para estimar as magnitudes de todos os grandes terremotos
da atualidade. Assim como a escala Richter, a MMS é uma escala logarítmica.
Ela é descrita pela fórmula:
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 82

2
Mw = −10, 7 + log10 (M0 )
3
onde M0 é o momento sísmico (usualmente estimado a partir dos registros de
movimento da superfície, através dos sismogramas), cuja unidade é o dina · cm.
O terremoto de Kobe, acontecido no dia 17 de Janeiro de 1995, foi um dos
terremotos que causaram maior impacto no Japão e na comunidade científica
internacional. Teve magnitude Mw = 7, 3.
Mostrando que é possível determinar a medida por meio de conhecimentos ma-
temáticos, qual foi o momento sísmico M0 do terremoto de Kobe em (dina · cm)?
a) 10−5,10 b) 10−0,73 c) 1012 d) 1021,65 e) 1027,00

2. (Unifor-CE) Desde tempos imemoriais, o homem vem buscando formas de medir


e quantificar fenômenos naturais. Nesse processo, desenvolveu ferramentas físicas
e abstratas para auxiliá-lo. Uma dessas ferramentas desenvolvidas foi o logaritmo
na base 10, representado aqui por log. A medida da magnitude R de um terre-
moto, medido pela escala Richter, é R = log Ta + B, onde a é a amplitude(em
micrômetros) do movimento vertical do solo, que é informado em um sismógrafo;
T é o período do abalo sísmico em segundos; e B é a amplitude do abalo sísmico,
com distância crescente partindo do centro do terremoto. Em 16 de setembro
de 2015, um terremoto de magnitude 8,3 atingiu o Chile, próximo a região de
Valparaíso, deixando várias vítimas. Em 08 de setembro de 2017, um terremoto
de magnitude 5,3 atingiu a região norte do Japão.
Sabendo que os dois terremotos acima tiveram a mesma amplitude B e período
T , podemos afirmar que o terremoto no Chile foi
a) 2 vezes mais forte que o do Japão.
b) 3 vezes mais forte que o do Japão.
c) 10 vezes mais forte que o do Japão.
d) 100 vezes mais forte que o do Japão.
e) 1000 vezes mais forte que o do Japão.

3. (Cesgranrio) Quando a orelha humana é submetida continuamente a ruídos de


nível sonoro superior a 85 dB, sofre lesões irreversíveis. Por isso, o Ministério
do Trabalho estabelece o tempo máximo diário que um trabalhador pode ficar
exposto a sons muito intensos. Esses dados são apresentados a seguir:
Capítulo 5. Sequências Didáticas: Logaritmos e Escalas Logarítmicas 83

Nível sonoro (dB): 85; tempo máximo de exposição (h): 8


Nível sonoro (dB): 90; tempo máximo de exposição (h): 4
Nível sonoro (dB): 95; tempo máximo de exposição (h): 2
Nível sonoro (dB): 100; tempo máximo de exposição (h): 1

Observa-se, portanto, que a cada aumento de 5 dB no nível sonoro, o tempo


máximo de exposição cai para a metade. Sabe-se ainda que, ao assistir a um
Show de Rock, espectadores próximos às caixas de som estão expostos a um nível
sonoro de 110 dB. O nível de intensidade sonora (N ) é expresso em decibel (dB)
por:
I
N = 10 log ,
I0
onde I = intensidade sonora fornecida pela caixa de som; I0 = intensidade padrão,
corresponde ao limiar da audição (para o qual N = 0). Para o nível de intensidade
N = 120dB, a intensidade sonora fornecida pela caixa de som, deverá ser de:
a) 1014 I0 b) 1012 I0 c) 1200I0 d) 120I0 e) 12I0

4. Supondo que log 3 = 0, 477 e log 103 = 2, 013, qual o tempo mínimo necessário
para que uma população, que cresce 3% ao ano, triplique?

5. A área de uma floresta vem diminuindo 20% ao ano devido a exploração humana.
Se isso continuar acontecendo, em quanto tempo a área desta floresta ficará re-
duzida a décima parte de sua área atual? (Utilize log 2 = 0, 3 e log 3 = 0, 48)

6. Suponha que o preço de um automóvel tenha uma desvalorização média de 19%


ao ano sobre o preço do ano anterior. Se F representa o preço inicial (preço de
fábrica) e p(t), o preço após t anos, pede-se:

a) A expressão para p(t).

b) O tempo mínimo necessário, em número inteiro de anos, após a saída da fábrica,


para que um automóvel venha a valer menos que 5% do valor inicial. (Utilize
log 2 = 0, 301 e log 3 = 0, 477).
84

6 Conclusões

Diante do exposto em nossa dissertação, podemos concluir que as escalas logarít-


micas desempenham um papel fundamental em diversas áreas do conhecimento, ofere-
cendo uma perspectiva única na análise e representação de fenômenos complexos. A
utilização deste material para aplicação das sequências didáticas, tem como foco desen-
volver habilidades mais aprofundadas nos estudantes do Ensino Médio, que são nossos
principais alvos em conjunto com os professores desta etapa de ensino. Essas escalas
têm a capacidade de comprimir intervalos extensos, permitindo uma visualização mais
clara e detalhada de dados que abrangem várias ordens de magnitude. Além disso, elas
facilitam a identificação de padrões ocultos e relações não lineares, que muitas vezes
passariam despercebidos em escalas lineares.
É importante ressaltar que o uso de escalas logarítmicas requer cuidado e compre-
ensão, pois a natureza da escala pode levar a interpretações equivocadas ou erros de
análise. Além disso, em alguns casos, a escolha entre escalas logarítmicas ou lineares
pode depender do contexto específico do problema em questão. Como sugestão para
futuros estudos, pensamos ser interessante investigar mais a fundo a aplicação de esca-
las logarítmicas em campos emergentes, como inteligência artificial, análise de dados e
biologia molecular. Tornando ainda mais amplo o potencial dessa poderosa ferramenta
de representação e análise.
Em suma, as escalas logarítmicas constituem um recurso valioso para compreender
fenômenos complexos e expressar relações não lineares. Seu uso eficiente e compre-
ensão adequada podem levar a descobertas significativas e avanços em várias áreas,
contribuindo para o progresso do conhecimento humano.
Esperamos que nossa dissertação sirva como suporte para os docentes que desejem
aprofundar os estudos dos logaritmos com seus alunos do Ensino Médio, bem como
objeto de referência para futuros trabalhos científicos que busquem desenvolver um
novo material com novas perspectivas.
85

Referências

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. 2018. Disponível em: <http:


//[Link]/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.
pdf>. Acesso em: 11 mar. 2023. Citado 4 vezes nas páginas 15, 16, 62 e 70.

BRUCE, I. Briggs’ ARITHMETICA LOGARITHMICA. 2006. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 20 dez.
2022. Citado na página 27.

CONASS. Situação de Saúde da População. 2023. Disponível em: <https:


//[Link]/painelconasscovid19/>. Acesso em: 25 mai. 2023. Citado na
página 80.

CUNHA, A. O que é Decibel? 2016. Disponível em: <[Link]


o-que-e-decibel/>. Acesso em: 14 abr. 2023. Citado na página 56.

EVES, H. Introdução à História da Matemática, tradução: Hygino H. [S.l.]:


Domingues, São Paulo: Editora da Unicamp, 2011. Citado na página 21.

GARZIN, B. Ruído no ambiente de trabalho. 2022. Disponível em: <https:


//[Link]/ruido-no-ambiente-de-trabalho/>. Acesso em: 23 mai. 2023.
Citado na página 71.

HOUAISS, A.; VILLAR, M. d. S. Dicionário houaiss conciso. São Paulo: Moderna,


2011. Citado na página 47.

IEZZI, G. et al. Matemática : ciências e aplicações : ensino médio. [S.l.]: São Paulo:
Saraiva, 2016. Citado na página 73.

LIMA, E. L. Números e Funções Reais. [S.l.]: Coleção PROFMAT. Sociedade


Brasileira de Matemática, 2013. Citado 2 vezes nas páginas 30 e 39.

LIMA, E. L. Logaritmos. [S.l.]: Coleção do Professor de Matemática. Sociedade


Brasileira de Matemática, 2016. Citado 5 vezes nas páginas 20, 25, 30, 31 e 43.

LIMA, E. L. et al. A matemática do Ensino Médio. [S.l.]: Coleção do Professor de


Matemática. Sociedade Brasileira de Matemática, 2016. v. 1. Citado na página 30.

MAOR, E. e: A História de um Número; tradução de Jorge Calife. [S.l.]: Rio de


Janeiro: Record, 2003. Citado 3 vezes nas páginas 21, 27 e 43.

NORMAN, J. John Napier inventa logaritmos. 2021. Disponível em: <https:


//[Link]/[Link]?id=367>. Acesso em: 10 dez. 2022.
Citado na página 19.

NOVAIS, S. A. O que é pH? 2023. Disponível em: <[Link]


o-que-e/quimica/[Link]>. Acesso em: 15 mai. 2023. Citado na página 59.
Referências 86

O’CONNOR, J. J.; ROBERTSON, E. F. Joost Burgi, Biografia. 2010. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 18 dez.
2022. Citado 2 vezes nas páginas 23 e 25.

PERNAMBUCO. Currículo de Pernambuco: Ensino Médio. 2021. Disponível em:


<[Link] Acesso em:
11 mar. 2023. Citado 2 vezes nas páginas 62 e 70.

SCOTT, J. F. John Napier, Matemático Escocês. 2023. Disponível em: <https:


//[Link]/biography/John-Napier>. Acesso em: 10 dez. 2022. Citado
na página 18.

SMOLE, K. S.; DINIZ, M. I. Ser Protagonista: Matemática e suas tecnologias:


Álgebra e educação financeira: Ensino Médio. [S.l.]: São Paulo: Edições SM, 2020.
Citado na página 74.

ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998. Citado
na página 62.
Apêndices
88

APÊNDICE A – Como Plotar Gráficos em


Escala Linear e Logarítmica no Microsoft
Excel

Nesta seção descreveremos uma sequência de procedimentos para ser feita no Mi-
crosoft Excel e mostraremos através de algumas imagens o passo a passo para que o
leitor possa plotar gráficos em escalas lineares, bem como em escalas logarítmicas. Por
ser um procedimento simples e de fácil execução, o docente pode aplicar no ambiente
escolar com os estudantes sem muitas dificuldades.
Antes de iniciarmos, é importante ressaltar que os procedimentos sugeridos a seguir
são voltados aos usuários do Sistema Operacional Windows e que possuam, previamente
instalado em seus aparelhos, o pacote de aplicativos Microsoft Office, dentre os quais
utilizaremos o Microsoft Excel.
Procedimentos a serem executados no Microsoft Excel por qualquer pessoa que
nesta redação podemos nos referir como executor:

1. Em primeiro lugar abra um novo documento;

2. Preencha a planilha com os dados que você quer gerar o seu gráfico;

3. Selecione os dados e em seguida clique em Inserir > Gráficos Recomendados >


Linha > OK. Conforme sequência 1, 2, 3, 4 e 5 circuladas nas figuras 47 e 48 a
seguir;
APÊNDICE A. Como Plotar Gráficos em Escala Linear e Logarítmica no Microsoft Excel 89

Figura 47 – Excel 1

.
Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 48 – Excel 2

.
Fonte: Elaborado pelo autor.

O gráfico que aparecerá no documento possui os valores do eixo vertical em escala


linear e para alterar tais valores do eixo para escala logarítmica, devemos proceder
conforme os itens a seguir:

4. Selecione o eixo vertical de valores e com o mouse posicionado sobre o mesmo eixo,
clique com o botão direito do mouse e em seguida selecione a opção Formatar
Eixo;
APÊNDICE A. Como Plotar Gráficos em Escala Linear e Logarítmica no Microsoft Excel 90

5. Aparecerá um Painel de Tarefas onde deve ser selecionada a caixinha Escala


logarítmica, feito isso, será ativada automaticamente uma opção para alteração
da base da escala na qual o executor pode realizar a mudança de base caso deseje;

6. Finalmente, o gráfico será automaticamente plotado em um eixo em escala loga-


rítmica.

Figura 49 – Excel 3

.
Fonte: Elaborado pelo autor.

Observação: Caso o executor deseje reverter o gráfico para um em escala linear,


deve-se proceder de maneira análoga a dos itens [4.] e [5.] onde deverá desmarcar a
opção Escala logarítmica.

Você também pode gostar