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Análise de Drácula: Sexualidade e Terror

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2023

Resenha:

Drácula de
Bram Stoker
Por Julia Dias Reis
Introdução e
ficha técnica

Titulo: Drácula
Autor: Bram Stoker
Publicação: 1898
Páginas: 580
Gênero: Terror gótico

Mais de um século se passou desde aquele lançamento tímido, em que o livro


publicado pela Archibald Constable and Company, de Londres custava 6 shillings. Em
todo esse tempo, Drácula nunca saiu de catálogo. É impresso continuamente, não saiu
de moda e duvido que saia um dia. Um romance vitoriano por excelência que foi
considerado muito violento para a época, mas que não só marcou gerações como
cristalizou a imagem do vampiro no imaginário ocidental.

Mesmo a obra de Stoker não sendo a primeira obra de vampiro a chegar às


livrarias. John Polidori, utilizando-se de um conto inacabado de Lord Byron, bem antes
de Stoker, já tinha escrito O Vampiro naquela tempestuosa noite de 1816, que daria
origem a Frankenstein, de Mary Shelley. O poema de Goethe, Die Braut von Korinth (A
Noiva de Corinto), de 1797, também tem um ar vampiresco e Carmilla, de Joseph
Sheridan Le Fanu é uma grande inspiração para Drácula, pois há grandes
similaridades entre elas.

O que distingue Drácula de obras anteriores é seu formato epistolar e a


fundamentação histórica. Essa fundamentação, ainda que frouxa, mas que já é senso
comum, nos leva à Europa Oriental, onde viveu Vlad Tepes (Vlad, o Empalador, em
romeno), voivoda (príncipe) da Valáquia, hoje Romênia. Bram uniu o medo vitoriano
de tudo o que era estrangeiro aos mitos interioranos relacionados a cadáveres
chupadores de sangue. Estava criado o Drácula.

Através de fragmentos de cartas, diários e notícias de jornal, acompanhamos a


jornada de várias pessoas que começam a ser atormentadas por Drácula, um nobre
romeno que tem a intenção de se mudar para Londres.

"Bem-vindo à minha casa. Entre livrimente. Parta


em segurança e deixe um pouco da felicidade que
traz consigo!"
A verdadeira história do Drácula é controversa e envolve mistérios e lendas. A figura
conhecida como Conde Drácula é amplamente associada a Vlad III, o Príncipe da Valáquia,
também conhecido como Vlad, o Empalador. Vlad III governou a Valáquia (atual Romênia)
no século XV e é conhecido por sua crueldade e violência.

Contudo, é importante notar que muitas das histórias e lendas associadas a Vlad III são
exageradas e provavelmente foram inventadas posteriormente. Bram Stoker, o autor de
“Drácula”, escreveu o livro como ficção, inspirado em várias fontes, incluindo lendas, folclore,
histórias verdadeiras, e sua imaginação.

Desse modo, a idealização da imagem do vampiro é criada a partir da lenda em torno da


ficção criada pelo autor onde a transformação do Conde Drácula em vampiro é retratada
como um resultado de sua escolha em aderir a uma prática sombria e maligna conhecida
como vampirismo. Ele é retratado como um homem desesperado e insaciável, disposto a
qualquer coisa para prolongar sua vida e seu poder.

Na história, Drácula é descrito como tendo sido mordido por um vampiro durante uma
batalha, e ter escolhido abandonar sua humanidade e se tornar um vampiro também. Ele
passa a ter poderes sobrenaturais, como a capacidade de se transformar em morcegos ou
névoa, e a habilidade de controlar a mente de outras pessoas.

Drácula também é retratado como tendo que se alimentar de sangue humano para
sobreviver, e como sendo imortal, a menos que seja morto de uma maneira específica. Ele
passa a ser visto como uma ameaça sombria e perigosa, perseguindo vítimas para se
alimentar e expandir seu poder e influência.

Além de ser uma história de terror vitoriano, Drácula é também uma reflexão sobre a
natureza humana e o lado sombrio da sociedade. O livro apresenta personagens complexos
e profundos em que apresentam conflitos internos que exploram questões éticas e morais.

Dentre outros tópicos e possível uma relação direta a temas voltados ao romence ,como
na pŕopria história de tragédia de Drácula quanto na relações aprofundas no livro entre
Haker e Mina, e tabem a pautas de questionamento a fé católica sendo aquela que ainda
predominava na região e os reias intereses da igreja com toda a proposta ligada as atitudes
expressas bem no início da obra, seja pela não proteção de esposa do Conde ou pela falsa
segurança e promesas sem fundo feitas ao atula vampiro mas antes cavaleiro de gerações
devotas a fé católica.

Em linhas gerais para uma prévia introdutória Drácula é uma obra de literatura gótica
clássica que conta a história de um vampiro que ameaça a sociedade londrina. O livro
explora temas como o amor, a fé e a luta contra o mal, e apresenta personagens complexos
e conflitos internos. A escrita de Stoker é intensa e cria uma atmosfera sombria que é a
marca registrada da obra.
Com apresentado inicialmente, o livro tem a forma de um diário narrado pelos principais
personagens: Jonathan Harker, que encontra o vampiro em seu castelo, sua noiva Mina, o
médico John Seward e Lucy Westenra, vítima de Drácula transformada em vampira.

A obra conta a história do Conde Drácula, um vampiro que procura expandir sua influência
em Londres. O protagonista, Jonathan Harker, viaja para a Transilvânia para negociar uma
venda de terra com Drácula, mas acaba preso na fortaleza do conde. Lá, ele descobre a
verdadeira natureza do conde e escapa, mas é gravemente ferido.
De volta para Londres, Harker se casa com sua noiva, Mina, e juntos eles investigam o
paradeiro de Drácula. Enquanto isso, Drácula começa a se alimentar de mulheres da
sociedade londrina e sua influência sobre eles começa a aumentar. Quando Mina é
sequestrada, Jonathan, Van Helsing, um especialista em vampiros, e outros amigos unem
forças para encontrá-la e derrotar Drácula.
A jornada do grupo leva-os de Londres à Transilvânia, onde eles enfrentam desafios e
perigos para alcançar sua missão. No final, eles destroem Drácula e salvam Mina.

“Que espécie de homem será esse, ou que tipo de


criatura ou simples fera está ali oculta sob as
feições de um homem? Sinto o terror deste
demoníaco lugar aniquilar-me. Estou em pânico –
em pânico mortal – e não há uma saída para mim.
Estou imobilizado por uma rede de terror sobre a
qual o meu cérebro se nega a raciocinar”.

Ao longo da história são apresentadas diversas perspectivas em torno de opniões e


comportamento dos persogens. Como logo nos momentos iniciais em que Jonathan
aparece em que ele acha a figura do conde excêntrica e ao mesmo tempo fascinante,
porém aos poucos percebe que não é mais um convidado. A palidez sepulcral do nobre, a
falta de um reflexo no espelho e as coisas bizarras que viu acontecer no castelo o fazem
perceber que sua vida está em risco.
Analise
Psicológica
Um dos primeiros pontos a se ressala em
uma análise psicológica de "Drácula" poderia
se citar logo como porta de entrada pra
outra visões e interpretações da obra uma
Questões a parte que
analise do próprio Drácula, tendo em vista a
profundidade de camadas construida para a poderiam vir a explicar muita
criação do persogem. coisa, seria atrelar a obra ao
Determinismo, já que como a
Diferente dos outros personagens, o Conde
aparece pouco, e mesmo dando nome ao obra e o próprio Conde
romance, ele não é o narrador, nem perpassam por diferentes
conhecemos sua versão da história. Mas sua momentos históricos
figura é semelhante a de qualquer lorde
influênciados por diversas
inglês, ainda que ele tenha um lado sinistro.
culturas como seu iníco na
Ademais, uma das primeiras coisa a se Idade Média, passando pelo
pontuar seia a essa forma reclusa que se Renascimento e chegando na
contrapõe com uma obstinação da
personagem que logo se torna uma
Revolução Industrial, pode
obsessão que no desenrrolar da história se explicar a volatilidade do
apresenta quase como um sentimento de personagem que quanto mais
insuficiencia própria e moral que se da muita
o tempo pass mais recluso e
provavelmente pela confiança que foi
quebrada nas origens da transformação do amargurado o morto-vivo se
Vampiro ao o seu simbolo de maior devoção, encontra.
a igreja, não cumprir a unica promessa
incubida a eles, proteger a vida de sua
esposa.

A visão dos personagens é perceptivel as impressõe voltadas a figura pálida e exêntrica


do Conde que , junto com o ambiente gótico claustrofóbico, o medo escancarado dos
vitorianos vem-se de uma descrição de uma criatura além de muito obstinada,
manipuladora para conseguir seus interesses, que a partir de uma visão pré estabelecida
pelos outros personagens da figura nefasta do Conde, chega a ser assustador sua
inteligência e imponência diante dos protagonistas, tendo em vista que no decorrer da
leitura pouco conhecemos a visão de Drácula.

Outro ponto de destaque seria o da prória imortalidade do Conde que infuência


diretamente na construção e no comportamental do personagem, já que, na maioria das
obras é possivel afirmar que o maior desejo de um imortal, seria a própria morte. Drácula é
o perfeito horror cultural do fim de século: algo que, embora continue vivo há séculos, ainda
assim está morto; um morto-vivo que suga a vitalidade dos vivos, tal como fazia a própria
civilização europeia.

Um passado que nos persegue não é nada mais que isso: um morto que permanece vivo
e suga nossa energia vital. Um fardo, um parasita, um hospedeiro que vive sobre nossos
ombros e que lutamos e sacudimos com violência para lançar ao chão, mas que sempre
volta.
“Só compreendemos a verdadeira dimensão de
certos horrores quando nos vemos face a face com
eles.”

"Somente quem já sofreu com os temores da noite


há de compreender o doce alívo da manhã-para o
coração e para os olhos."

A obra também abre portas para outras analises de alguns personagens, como o do
próprio Jonathan que no início se mostra apreensivo em relação as atitudes do Conde, mas
assim que percebe que ele não é só mais um covidado na residência, suas expressões e
atitudes um pouco evasivas e apreensivas, ainda seguindo o profissionalismo de sua área,
é trocada por sensações de apatia e dessespero, quase sem sua força vital, com o único
objetivo de se manter vivo o maxímo de tempo o possível. Mas que logo fuga com o grupo
cria-se alí uma esperança ou um setimento generalizado de coragem (provável pico de
adrenalina e mais coisas a parte).

Vale destacar a participação de Mina na obra, que mesmo por ter passagens que me
incomodam bastante dela sendo menosprezada por vários personagens masculinos (é
justificavel lembra que é uma obra do século XIX escrita por um homem) um dos maiores
erros da obra está justamente nessa superficialidade colocada na personagem, assim
como nos excessos do autor em colocá-la como sexo frágil. Porém, se comtrapondo em
muitos extremos a situação inicial, Mina aparenta ser a personagem mais importante da
obra, seja pela fácil desenvoltura em soluções de problemas ou até mesmo a coragem que
ela tem para enfrentrar o Conde, alg que na minha visão é até um pouco irônico.

“Vou melhorar minha aparência, e, se continuar


com vontade de chorar, darei um jeito de fazer isso
longe dele. Suponho que seja uma dessas lições
que nós, pobres mulheres, precisamos aprender na
vida…”

“Somos muito gratas, dr. Seward, por tudo que o


senhor fez, mas precisa cuidar para não se estafar.
Está tão pálido. Precisa de uma esposa ou de uma
enfermeira que cuide bem um pouquinho do
senhor, isso sim!”

Se por um lado temos uma personagem fragilizada pelo autor, por outro temos um
personagem (homem) extremamente conveniente para a narrativa. O doutor Van Helsing é
quem parece ser o ser sobrenatural dessa obra, isso porque o personagem parece um
super-herói. Entre seus títulos estão o de cientista, médico, advogado, filósofo e doutor em
letras, tais honrarias o fazem esperto até demais, sempre solucionando os conflitos da
narrativa de forma muito “fácil”.
Fora o próprio terror da obra ( que se você lê interessado ou espera um livro que pingue
sangue e cenas grotescas dignas de filmes de terror de slasher, lamento), que em minha
opnião é mais um terror psicológico do que terror puro , que espreita os sonhos dos
personagens, "Drácula é uma obra que consegue hoje atrelar-se a vários temas e correntes
científicas.

Dentre essas o romance merece um destaque, já que ele se expressa de várias formas
seja a partir de vivências e lembranças de Drácula e o que já é inicialmente explicitado
haver entre Jonathan e Mina.

A fé também merce sua menção honrrosa, visto que boa parte do livro gira em torno de
percepções religiosas, seja a partir da pórpiamennção ou até mesmo da dá forma até
antagônica com que ela é tratada. As pautas de um questionamento a fé católica e sua
real pretensão com todos os acontecidos que, até mesmo para visao do Conde conseguiu
sr tratada comoum infielidae e um descumprimento de promessas.

Alguma correntes a serem relembradas seriam o próprio Determinismo citado


anteriormente, que mesmo não tendo essa característica, é possível remeter-se visto que
prega uma ideia de que raça, meio, e situação influênciam em quem você é ou deixa de ser
se comprovando a partir das mudanas hitóricas e gográficas ao longo da obra.

Drácula de Bram Stoker é um livro que tem um potencial sexual imenso. Ao escrever o
romance, implicitamente confunde pecado com a sexualidade de uma forma
[Link] sensuais e sexuais são descritas, principalmente com a chegada das
três vampiras, aproximando-se sedutoramente de um impotente mas desejoso Jonathan.
Conclusão

O livro nos faz crer que a figura do vampiro existe. Se existe um trunfo
para a obra de Stoker é esse. O ambiente gótico claustrofóbico, o medo
escancarado dos vitorianos ao que era de fora e o trem do progresso que se
acelerava rumo ao futuro, as mudanças sociais que vinham com a Nova
Mulher, tudo isso contribuiu para transformar o romance em um clássico
absoluto, daqueles que ainda serão lidos e adaptados. Pois o medo da
mudança é algo natural do ser humano. O medo do estrangeiro, do Outro, o
medo do que vem de fora que possa abalar nossa realidade. É por isso que
enredos como Drácula ou Frankenstein nunca sairão de moda, pois o ser
humano, enquanto existir, alimentará esse medo do Outro.

A escrita de Stoker é hábil em criar tensão e suspense, fazendo com que


o leitor experimente medo e apreensão ao longo da história. Além disso, os
personagens são ricos e complexos, oferecendo uma variedade de
perspectivas e emoções para o leitor. O livro aborda temas universais, como
o bem versus o mal, amor e coragem, e luta contra o medo, e é amplamente
influente na cultura popular

Não há como tentar compreender a figura atual do vampiro sem recorrer


a Drácula e tudo o que foi feito desde então. Com suas virtudes e defeitos, o
livro que retrata o medo vitoriano do desconhecido, o personificou na figura
do Conde Drácula e criou um imaginário popular tão cristalizado que não
temos como nos desvencilhar mais dele. Esta edição é, para mim, a
definitiva, não apenas pela beleza da obra, mas pelos extras que também
servem como fonte de consulta. Edição mais que recomendada e leitura
obrigatória!

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