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Introdução à Renda Variável e Investimentos

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Ivan
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Renda Variável

Módulo IV
Renda Variável

Módulo IV

Goiânia, 2021
A Única Verdade Possível

A Única Verdade Possível

SUMÁRIO
Apresentação 9

AULA 1
INTRODUÇÃO À RENDA VARIÁVEL 11
AULA 2
BOLSA DE VALORES 13
AULA 3
ABERTURA DE CAPITAL (IPO) 22
AULA 4
NOMENCLATURAS E TERMOS DA BOLSA 28
AULA 5
ESCOLAS DE INVESTIMENTO 33
AULA 6
ANALISANDO AS AÇÕES - PARTE 1 42
AULA 7
ANALISANDO AS AÇÕES - PARTE 2 47
AULA 8
ANALISANDO AS AÇÕES - PARTE 3 54
AULA 9
COMPRANDO AS EMPRESAS DA BOLSA DE VALORES 78
AULA 11
COMPRANDO AÇÕES NA PRÁTICA 89
7
A Única Verdade Possível

AULA 10
COMPRANDO E INSERINDO NO DIAGRAMA 85
AULA 12
PRA QUE SERVE O PREÇO MÉDIO? 94
AULA 13
PROVENTOS 99
AULA 14
DIVIDENDPS E DATA EX 108
AULA 15
DESDOBRAMENTOS E AGRUPAMENTOS 114
AULA 16
ALUGUEL DE AÇÕES 118
AULA 17
íNDICES E ETFs 125
AULA 18
FUNDOS IMBILIÁRIOS 131
AULA 19
ENTENDENDO FUNDOS IMBILIÁRIOS 142
AULA 20
FORMANDO UMA CARTEIRA DE AÇÕES BRASILEIRAS 153
AULA 21
O MÉTODO BURRO 161
8
A Única Verdade Possível

INTRODUÇÃO

Então, vamos lá!

Antes de tudo, o primeiro passo a ser dado é discernir o que o dinheiro compra,
e o que o dinheiro não compra. Compreender que o mais importante que o dinheiro
pode comprar é a sua LIBERDADE. Por exemplo, se por algum acaso, hoje você pa-
rasse de trabalhar, o que aconteceria com a sua vida a partir de então? Muito pro-
vavelmente, você não conseguiria mais pagar as suas contas (imóveis, automóveis,
impostos, etc), também não conseguiria sair de casa e, muito menos, comprar algo
prazeroso. Com riscos concretos de tornar-se um indigente em prazo muito curto
de tempo. Simplesmente, por nunca ter planejado ou ter se preocupado com o seu
futuro econômico.

Neste curso, aprenderemos como atingir a ‘Liberdade Financeira’. Como possuir


mais ativos que passivos, sem ter que trabalhar a mais para que isso ocorra.

Inicialmente, deveremos nos livrar das algemas criadas por nós mesmos no
decorrer da vida. Quitar dívidas que não deveríamos ter contraído, seja o carro
comprado antes da hora ou o apartamento que foi antecipado e não deveria ter
sido. E, assim que aprendermos mais sobre investimentos, seremos senhores do
nosso próprio destino, ou seja, poderemos acessar a LIBERDADE, que é o único
bem que deveríamos possuir na vida.

Estudaremos no curso A Única Verdade Possível 2020, como eliminar todas suas
desculpas e dificuldades que te impedem de atingir a sua ‘Liberdade Financeira’.

Raul Sena
Autor
Copyright©2020 by: Raul Sena

FICHA TÉCNICA

Edição: Raul Sena


Conteúdo: Priscilla Guerra Bernardes
Projeto gráfico e revisão: Carlos Sena
Administração: João Pedro Franco
Edição Nº 1

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP


Câmara Brasileira do Livro, São Paulo. SP, Brasil

20-53454 Sena, Raul Alencar de


A Única Verdade Possível [livro eletrônico] :
Módulo III / Raul Alencar de Sena. -- 1ª edição --
Goiânia, GO : Investidor Sardinha (Do Not Scare Soluções Interativas Ltda), 2020.
169 p. : il.
PDF

ISBN 978-65-993433-0-8

1. Economia. 2. Educação financeira 3. Investimentos


I. Título

CDD-332.6

Índices para catálogo sistemático:


1. Educação financeira : Economia 332.6
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129

DIREITOS RESERVADOS – É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer forma ou


por qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito do autor. A violação dos Direitos Autorais
(Lei nº 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 48 do Código Penal.

Printed in Brazil – 2020


Impresso no Brasil

10
AULA 1

INTRODUÇÃO À
RENDA VARIÁVEL
Tudo que estudamos até aqui estava dentro de um
contexto de previsibilidade. A Renda Fixa, mesmo tendo
sua rentabilidade, muito das vezes, atrelada à inflação,
à taxa Selic, IPCA ou pré-fixada, mas havia uma forma de
garantir que não seria possível perder. Com uma
oscilação ou outra, a Renda Fixa ainda entregaria um
rendimento acima do valor aplicado. Já na Renda
Variável, o cenário é outro. As remunerações podem
oscilar, mas costumam ser muito melhores. Contudo, isso
se deve ao fato de que aqui é possível perder em relação
ao valor aplicado. Logo, trata-se da regra do Prêmio
versus Risco. Na Renda Variável, portanto, é possível não
apenas deixar de ganhar como também perder seu
dinheiro sem garantia. Especialmente, se houver
investimento em uma empresa que falir ou que perder
valor de mercado.
11
A Única Verdade Possível

N
este módulo, abordaremos todas as classes de investimento em
Renda Variável, incluindo ações, fundos imobiliários, ouro, com-
modities, criptomoedas e várias classes de ativos.

É importante ter em mente que nenhum dinheiro que, eventualmente,


viéssemos a precisar dele num prazo de tempo específico, seja ele curto
ou longo. Investimentos em Renda Varável devem ser uma opção sempre
para o longo prazo, especialmente por sua alta flutuação de valores. Isso
quer dizer que a Renda Variável varia bastante e num período basicamente
curto. Algumas vezes, ocorrem oscilações altíssimas em um mesmo dia.

Quem investe em Renda Variável não pode contar com previsibilidade


e precisa encarar a existência de riscos.

12
AULA 2

BOLSA DE VALORES E
O QUE SÃO AÇÕES
Lá no começo do curso, mencionamos algumas empresas que
ficaram muito grandes em razão de ter consolidado grandes
ideias em seus empreendimentos. É o caso do Google, do
Facebook, Amazon e algumas outras. Algumas dessas
empresas abriram participação nas Bolsas de Valores e
tornaram possível que as pessoas tivessem porcentagens
dessas empresas, que custam bilhões podem ser adquiridas
por poucos reais, por meio de suas ações. Na compra de 10%
de ações da empresa, essa pessoa teria direito a 10% dos
lucros da companhia. Basicamente, uma ação é a menor
parcela possível de ser vendida em uma empresa. É impossível
comprar menos de uma ação na Bolsa de Valores.
Para ficar mais claro, considere: PARTICIP – AÇÃO.

13
A Única Verdade Possível

Demonstrativo da subdivisão das ações de uma empresa

Por conseguinte, a Bolsa de Valores é o mercado de compra e venda


dessas participações. Ali, compradores e vendedores se dividem em duas
classes diferentes, e os compradores se subdividem em outras duas facetas:
especuladores e investidores.

Sobre os especuladores, tem-se dois tipos mais recorrentes que são


o DAY TRADE ou o SWING TRADE. No primeiro caso, que é o DAY TRADE,
o sujeito compra um ativo e o vende no mesmo dia, por um valor dife-
rente. Se esse valor for maior, há lucro. Se for menor, há prejuízo. Já o
segundo caso, o SWING TRADE, é uma operação semelhante ao DAY
TRADE, contudo, são transações de compra e venda que não ocorrem
no mesmo dia, podendo ocorrer com um intervalo de até meses entre a
aquisição e a venda.
14
A Única Verdade Possível

O conceito de investidor não enquadra os casos acima pois envolve um ob-


jetivo mais amplo, onde o indivíduo adquire uma parcela de uma empresa e
pensa em participar dos lucros da empresa, inserindo-a em sua construção pa-
trimonial. Ou seja, o investidor visa ganhar dinheiro no longo prazo. O intuito
do curso A Única Verdade Possível é formar investidores e não especuladores,
sobretudo, com ênfase no método Buy and Hold (comprar e manter). O objetivo
de um Holder é comprar uma fatia da empresa e participar dos lucros dessa
companhia. Há uma semelhança com o processo de fundar uma empresa ou
mesmo empreender. Vale frisar que essa perspectiva é a única via coerente de
ganhar dinheiro por meio da compra de ações.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) (feito em 2019 e colocado


abaixo) explicita que a maior parte das pessoas que tentam viver de Day Trade
acabam afundando e perdendo dinheiro com grandes prejuízos. A pesquisa
aponta para um total de 90% de insucesso nessas operações.

Estudo sobre Day Trades feito pela FGV em 2019


15
A Única Verdade Possível

O motivo para tanto é o fato de ser absolutamente impossível adivinhar


o comportamento das ações que são interpeladas por inúmeros fatores,
sendo definidas por uma oferta e demanda, que não é previsível. É uma
tentativa de prever o futuro, com uso de gráficos e estudos, visando acertar
o movimento de um ativo. Essa tentativa de adivinhar com exatidão os grá-
ficos futuros, leva a derrocadas financeiras bastante drásticas.

O objetivo aqui é mostrar como adquirir ações de boas empresas, se tor-


nando sócio delas, e aumentar essas participações usando o próprio lucro
delas, por meio do trabalho dos juros compostos no longo prazo.

Para explanar como tudo isso funciona, vamos usar o seguinte exemplo.
Pense em uma padaria que abra seu capital na Bolsa de Valores com 10
ações, conforme esquema abaixo.

Exemplo da padaria fragmentada em 10 ações, sendo que cada ação equivale a 10 mil reais
16
A Única Verdade Possível

Quem possuir um maior número de ações ordinárias é o sócio


majoritário da empresa (o que inclui também um potencial maior
de decisão, ou seja, é quem manda na companhia), ao passo que
os demais são sócios minoritários. Estes últimos recebem parte
dos lucros, mas não têm acesso ao controle da empresa. Contudo,
esses últimos elegem alguém que possa representá-los. Em
síntese, 50% das ações ordinárias ou mais (ações com direito a
voto), já configuram um acionista majoritário e seriam suficientes
para assegurar o controle administrativo da empresa.

Quando se compra uma parte da empresa na Bolsa de Valores, torna-se um


acionista minoritário. Este acionista não possui uma fatia da companhia suficiente
para tornar-se controlador daquele empreendimento. Isso só ocorrerá caso um
grupo de acionistas minoritários se una, de modo que o total de ações desse grupo
se tornem o bastante para garantir a chance de assumir o controle acionário.

Ainda sem poder de decisão, os acionistas minoritários têm vários direitos,


entre eles, receber 25% dos lucros da empresa em forma de dividendos e saber
do que se passa dentro da companhia. Além disso, se possuir ações ordinárias
pode participar de assembleias. Para entendermos melhor como funciona, vamos
a um exemplo par contextualizar melhor o que estamos falando.

Comparativo do valor das ações da WEGE3 e da OIBR3

17
A Única Verdade Possível

Observando os dois exemplos acima, qual você diria que está mais barata?
A verdade é que não é possível saber com precisão isso sem buscar informar-se
melhor sobre ambas as companhias. Especialmente, porque, para responder
isso, é preciso saber do número total de ações da empresa para se chegar ao
preço por ação. É preciso entender quantos porcentos de uma empresa essa
ação representa.

Assim, 1% de uma empresa que vale 1 milhão será melhor do que 1% de


uma empresa que vale 100 mil reais. É fundamental saber qual porcentagem
da totalidade da empresa essa ação representa. Uma das formas de verificar
isso é por meio dessa planilha, disponibilizada no formato digital desta aula (di-
retamente na plataforma da [Link]) e que pode ser editada. Posterior-
mente, apresentaremos outras formas de realizar essa mensuração de ações.

Abaixo, observa-se a diferença de valor entre a WEGE3 e a OIBR3 ao se ad-


quirir R$ 1 mil em ações:

Cálculo do Ativo WEGE3 e cálculo do Ativo OIBR3


18
A Única Verdade Possível

Comparando os dois exemplos, é possível averiguar que os


mesmos R$ 1 mil reais em ações na WEGE3 te garantem uma
maior participação na empresa do que na OIBR3. Logo,
mesmo com um valor por ação baixo, a OIBR3 tem um custo
maior por sua participação.

Ao longo do curso, vamos compreender que a geração de lucros ou prejuí-


zos, bem como alguns outros fatores que serão apresentados posteriormente
e que influem no valor efetivo de uma companhia.

Novamente, para clarear isso que estamos falando, vamos usar um


caso hipotético para ilustrar o que queremos transmitir acerca da relação
preço x valor.

Exemplo de um mesmo apartamento vendido sob diferentes circunstâncias que interferem


no preço do imóvel

19
A Única Verdade Possível

Imaginemos, como colocado acima, que você seja o dono de um aparta-


mento de R$ 1.000.000,00. Seu vizinho, por motivos desconhecidos, decide
vender o apartamento ao lado por uma insana quantia de R$ 300 mil. Isso te
obriga a vender o seu por 300 mil? Não. Contudo, pode interferir no valor do
seu imóvel caso você opte em vender no mesmo momento que seu vizinho.

Isso acontece diariamente no mercado de ações uma vez que o preço


que as pessoas estão pagando pode ser diferente do valor real de uma
determinada empresa. Quando estão com muita pressa em se desfazer
de suas ações na Bolsa de Valores, as pessoas acabam aceitando qual-
quer valor mediante o desespero desta urgência na venda.

O inverso também é verdadeiro. Quanto mais as pessoas desejam com-


prar uma ação, mais o preço dela tende a subir. Assim, quem tem as ações
de tal empresa, ao perceberem esse interesse do mercado nesses ativos, ele-
vam o preço. Basicamente, é a lei da oferta e da demanda. Quanto menor
for a quantidade disponível dessas ações, maior será a demanda por elas.

Logo, o mais racional é não acompanhar todos os fluxos por impulso e buscar
não vender suas empresas, sobretudo nas circunstâncias de baixa nos valores.

Gráfico de preços por quantidade de ações

20
A Única Verdade Possível

Por meio do Home Broker de sua corretora, é possível acompanhar as osci-


lações nos valores de cada ação. Cada corretora tem seu sistema de Home Bro-
ker, onde é possível acompanhar as ofertas de cada ação. Em suma, cada ação
terá um código quatros letras mais um número (que pode ser 3, 4 ou 11). Esses
códigos se chamam tickers e há muitas formas de se obter esses códigos.

No broker, é possível ver, em tempo real, as ofertas de compra e venda, e a


variação no valor das ações de cada empresa. Em resumo, quanto mais gente
comprando um ativo, o preço dele tende a subir. Quanto menos gente desejar
comprá-lo, mais barato ele irá custar.

Home Broker da corretora Rico com ênfase no ticker da Petrobras PN 2 (PETRA4)

No broker, é possível ver, em tempo real, as ofertas de compra e venda,


e a variação no valor das ações de cada empresa. Em resumo, quanto mais
gente comprando um ativo, o preço dele tende a subir. Quanto menos gente
desejar comprá-lo, mais barato ele irá custar.
21
AULA 3

ABERTURA DE
CAPITAL (IPO)
Uma pergunta corriqueira ao falar de investimentos, mas
muito pertinente, é: por que as empresas decidem ofertar
suas ações na Bolsa de Valores? Ou seja, por qual motivo
as empresas optam por ter mais sócios em seu negócio e
ter que dividir dados financeiros e lucros? A resposta é
muito simples: dinheiro. O intuito é especificamente
captar recursos para expandir o negócio. Para investir em
seu crescimento. Quando as empresas fazem um IPO
(sigla em inglês para Oferta Pública Inicial, que define a
primeira vez que uma companhia faz uma oferta na Bolsa
de Valores). Este processo é pelo qual uma empresa se
torna empresa de capital aberto.
22
A Única Verdade Possível

Diante do exemplo a seguir, temos como compreender o desenrolar desse


processo.

Abertura de capital (IPO) da Padaria do João (exemplificando o


processo de oferta de ações na Bolsa de Valores)

No caso que usamos como exemplo, João é o dono de uma padaria que
foi dividida em ações. Seu objetivo era ampliar seu empreendimento e alcançar
um total de 10 padarias. O valor que ele possuía era de 1 milhão de reis, mas
ele não queria se desfazer de seu patrimônio para investir. Com as ações, ele
conseguiu mais dinheiro e pôde dar continuidade ao crescimento de seu ne-
gócio, aumentando mais unidades, assim como elevando os lucros. Ao buscar
a B3, João encontra sócios de forma segura, o que não aconteceria se ele fosse
em busca de sócios na rua, aleatoriamente.

23
A Única Verdade Possível

Para transformar uma empresa em uma empresa de capital aberto, é neces-


sário ajustar a mesma algumas regras e, normalmente, as empresas são bem
maiores do que do que apenas uma rede de 10 padarias. Para tanto, João preci-
saria criar uma área (que geralmente existe online por meio de um site) em sua
companhia, chamada de Relacionamento com os Investidores (R.I). Essa divisão
da empresa é responsável por informar os sócios sobre quaisquer eventos im-
portantes que acontecem na empresa. Incluindo, aumento ou queda no lucro,
demissões assim como qualquer coisa relevante. Todos esses pormenores preci-
sam ser levados a público. Além disso, a cada 3 meses, são publicados relatórios
importantes sobre o andamento do negócio.

Quando uma empresa se apresenta para a B3, ela se submete ao processo


conhecido como valuation. Em resumo, trata-se da mensuração do valor da
empresa a partir de seus lucros, nas proporções, nos bens patrimoniais etc.
Consideremos que, no nosso exemplo, o valuation na empresa do João foi de-
finido em R$ 20 milhões, o que seria equivalente a 10 anos de lucros da em-
presa de João (figura abaixo).

Valuation da empresa hipotética do João e definição do valor e quantidade de cotas

24
A Única Verdade Possível

De acordo com essa valoração, estipula-se que a empresa poderia


emitir 1 milhão de ações emitidas, cada uma valendo 20 reais. Isso quer
dizer que cada cota equivale a 0,0001% da empresa. Porém, João resolve,
inicialmente, vender apenas 100 mil ações no IPO, ofertando 10% de sua
rede de padarias na proposta inicial. Pelo preço definido no IPO, a padaria
irá captar cerca de R$ 2 milhões. Dentro dessa situação, João precisa con-
vencer os investidores a comprarem a parte que está a venda da padaria.
Para isso, ele apresenta suas convicções, seus projetos de abrir mais 10
unidades com o dinheiro e de realizar reformas nas sedes já existentes.
Ele argumenta que, por meio dessa projeção, sua rede de padarias vai
lucrar R$ 4 milhões em dois anos.

Assim, João acaba convencendo os investidores a se tornarem sócios


da padaria e vende 10% da padaria, em seu IPO (100 mil ações), ficando
com 90% do valor da companhia (900 mil ações). Esse maior número de
cotas assegura que João seja o sócio majoritário. Contudo, qualquer pes-
soa com 20 reais pode se tornar também dona da padaria, que tem 1
milhão de cotas totais, num montante de 20 milhões de reais (daí o valor
da ação: 20 milhões divididos por 1 milhão equivalem a 20 reais, que é
o valor de cada ação).

Em suma, João, antes da abertura de capital na Bolsa, era dono único


da padaria, tinha 100% de posse dela. Não devia satisfações a ninguém
e lucrava seus 2 milhões com o empreendimento. Agora, João detém 90%
da empresa. Entretanto, se antes a empresa lucrava 2 milhões, agora ela
lucra 4 milhões, em razão de ter crescido muito. Logo, o lucro de João
aumentou para R$ 3.600.000. Os sócios ficam com R$ 400.000, corres-
pondentes aos 10% que possuem em ações. Esses sócios receberão o di-
nheiro creditado nas contas de suas corretoras sempre que houver
distribuição de dividendo. Todos, até mesmo João, só recebem quando
ocorre essa divisão dos lucros. Lembrando que cada sócio recebe o per-
centual equivalente a sua quantidade de ações, no caso aqui, seria algo
em torno de 4 reais por ação.

25
A Única Verdade Possível

Eis que surge um legítimo questionamento aqui: a avaliação da em-


presa foi feita antes do IPO, quando ela lucrava R$ 2 milhões. Agora, tendo
crescido tanto, o valuation da empresa mudou? A resposta é que sim,
porém, anteriormente, a empresa era de capital fechado. Agora, ninguém
mais fará a avaliação da empresa. Será o mercado que o fará. Os sócios
podem vender as ações pelo preço que quiserem e quando quiserem.
Basta que se dirijam ao home broker de suas corretoras, enviem uma
ordem de venda, escolham o valor e tentem encontrar alguém que compre
por aquele preço. Não é necessário assinar nada e nem fazer nenhum co-
municado à empresa antes de realizar a transação na Bolsa de Valores.
Além disso, quando se faz uma venda de ações de uma empresa, é pos-
sível optar por quantas ações serão vendidas, sendo possível reter e ven-
der o quando convier.

Assim como em qualquer comércio, pode-se tentar vender as ações


pelo preço que desejar e os compradores podem aceitar ou não. Inclu-
sive, a lei da oferta e demanda. Isso se deve em razão da subjetividade
das pessoas, que têm motivos e critérios muito diferentes na hora de
comprar uma ação. Logo, o lucro pode não ser um fator tão significa-
tivo, assim como pode não ser o único fator que motive alguém a in-
vestir em uma determinada ação. Podem haver pessoas que acreditem
que padarias estão fora de moda ou que, muito em breve, acabarão
por perder espaço nas cidades, etc.

Dependendo do contexto, é possível que os sócios da rede de padarias


do João, desesperados por alguma razão, quisessem vender suas ações por
R$10. Isso faria com que o preço das ações da PADA3 despencasse. Por essa
razão, cabe ao sócio majoritário sempre cuidar bem da empresa de modo a
não afligir seus acionistas a ponto de optarem por liquidar seus ativos, fa-
zendo com que a companhia se desvalorize. Não é incomum que, após um
IPO, uma empresa se valorize muito em razão dos bons resultados. Ações
podem se multiplicar dezenas de vezes o seu valor, ou até centenas e até
milhares. Logo, a PADA3 poderia ir de R$ 20 para R$ 100, aumentando o
patrimônio de João e dos demais sócios.
26
A Única Verdade Possível

Ninguém define o preço de uma empresa. É o mercado quem manda.


Quem tem as ações diz por quanto quer vender e quem não tem diz por
quanto quer comprar. A empresa, depois do IPO, não recebe mais nada
dessa negociação, logo, compras e vendas realizadas depois da Oferta Pú-
blica Inicial só dão lucro ou prejuízo ao acionista. Se os acionistas majoritá-
rios optarem por vender mais uma parcela da empresa, eles podem fazer
um FOLLOW ON, ou seja, uma nova oferta. IPO é o nome dado apenas à
primeira oferta.

Sintetizando de forma simples, o mercado de ação funciona de forma


simples e dinâmica, com pessoas podendo comprar e vender quando qui-
serem. Os controladores da empresa podem decidir quando querem distri-
buir os lucros, contudo, eles seguirão o mesmo prazo e só receberão quando
todos os sócios forem receber.

A empresa é obrigada a distribuir, pelo menos, 25% dos lucros por ano,
SE ela tiver lucro. Ela pode escolher reter os lucros para expandir mais seu
desempenho e, nesse caso, os acionistas ganhariam mais com a valorização
de suas ações.

27
AULA 4

NOMENCLATURAS E
TERMOS DA BOLSA
Para dar seguimento à compreensão dos ativos de
Renda Variável, é importante ter uma compreensão mais
específica sobre os termos e nomenclaturas da Bolsa de
Valores. Primordialmente, é válido lembrar que a compra de
ações, apesar de lhe transformar em um sócio da empresa,
não lhe imputa responsabilidades. Assim, se a empresa falir,
por exemplo, você não responderia como sócio, mas como
investidor. No caso das empresas da Bolsa de Valores, o
máximo que você pode perder é o valor investido.
Você não perderia nada além que viesse de problemas
relacionados à má gestão, não poderia ser processado por
funcionários. As responsabilidades seriam limitadas por ser
uma Sociedade Anônima, o que quer dizer que o nome dos
acionistas não é divulgado.
28
A Única Verdade Possível

O
utro detalhe relevante é a respeito da elaboração dos tickers da Bolsa.
As ações ordinárias são representadas pelo digito 3 no final do ticker.
Essas ações dão direito a voto, participação em assembleias e controle
da empresa, caso assuma posição relevante. São chamadas de ações ON.
Um exemplo é a PETR3. Um dos diferenciais dessa ação é o direito ao voto e
ao controle da empresa (no caso dos acionistas que detém o maior número
de cotas, ao menos 5%, sendo então considerado um acionista relevante).

Já as Ações Preferenciais, representadas pelo digito 4 no final do ticker, são


ações sem direito a voto, com garantia aos sócios apenas de terem participação
nos lucros. Essas ações são chamadas de PN e dão direito a 10% a mais na dis-
tribuição de dividendos que as ações ordinárias. Um exemplo é o BBDC4 (pre-
ferenciais do Banco Bradesco). A questão da preferência nos lucros, que é dada
às ações PN em relação às ON, não significam que as com ticker 3 não recebam
dividendos, mas que as que têm o ticker 4 receberão os dividendos mais 10%.

Os dígitos 5 e 6, que aparecem no final de alguns ticker, estão ligados


às ações preferenciais de classe A e B. Elas estão caindo em desuso, é
raro encontrá-las. São ativos com garantia de direitos especiais nos di-
videndos de acordo com o estatuto de cada empresa. Alguns casos do
tipo são vistos em ações da empresa Alfa Consórcios.

Há ainda as ações UNITS que são denotadas pelo digito 11 ao final do


ticker. Uma UNIT é um pacote de ações contendo ativos PN e ON. No caso
do Banco Inter, o BIDI11 é a soma de 2 ações PN com uma ação ON. O
objetivo dela é aumentar a liquidez das ações (no caso, a BIDI11 custa R$
46,12 em razão da soma de uma BIDI3, que custa 15, 85, com duas BIDI4
que custam 15,85 cada, totalizando no valor da BIDI11).

Normalmente, as ações ordinárias são mais caras e menos negociadas,


uma vez que são ações controladoras. As ações UNIT são sempre mais
caras em razão de serem um pacote de ações ON e PN, em quantidades
específicas. E as preferenciais, dentre todas, são as mais baratas por não
darem direito a voto.
29
A Única Verdade Possível

Os acionistas minoritários, em muitos casos, acabavam não nego-


ciando as ações ON, por não se interessarem por estas ações. Houve um
aumento na procura por ações preferenciais (PN), uma vez que a maioria
das pessoas estava mais interessada nos dividendos. Por essa razão,
foram criadas as ações UNITS. A intenção era facilitar as negociações
dos majoritários. Vale frisar que não é necessário decorar os códigos,
uma vez que há vários locais para pesquisar a ação de seu interesse e
obter o código dela.

Muita gente diz que os sócios são só os portadores de


ações ON, porque eles podem controlar a empresa.
Contudo, essa teoria não faz muito sentido. Se você for
um acionista minoritário, o melhor é escolher uma ação
mais rentável, ou seja, que distribuem mais lucro, desde
que tenham TAG ALONG. Isso porque nem todas as
ações PN têm direito a TAG ALONG, ao contrário.

Tag Along é um sistema de proteção aos acionistas minoritários, no


qual se garante o direito de vender sua participação pelo mesmo valor
que o controlador, no caso de uma aquisição. Ações do tipo PN e UNITs
estão caindo cada vez mais em desuso, no futuro, talvez só existam ações
ON. Portanto, é importante estar de olho quando for aportar, se há TAG
ALONG ao não nas ações e quantos porcentos dessa TAG ALONG é asse-
gurado nesse investimento.

Quanto maior o nível de governança corporativa, melhor. Empresas com ní-


veis baixos de governança, não oferecem segurança aos acionistas minoritários.
Essa governança garante a transparência e, para que isso pudesse ser conferido,
a B3 criou definições para que se conheça esse nível de governança. O gráfico
abaixo mostra os níveis de governança e suas respectivas diferentes.
30
A Única Verdade Possível

Classificação de ações por tipo de governança e suas distinções

No modelo tradicional, o Free Float (oferta de ações disponíveis para nego-


ciação no mercado) não seguia nenhuma regra específica. Após um determinado
tempo desde a fundação, tem-se as de nível 1, cujo Free Floating é de no mínimo
25%, bem como as de nível 2 e do Novo Mercado. Dentro dessas classificações
também entram o número e tipos ações emitidas, demonstrações financeiras
em padrão internacional, número de membros presentes no Conselho de Ad-
ministração, presença da Tag Along e a presença obrigatória ou facultativa da
Câmara de Arbitragem Bovespa. A empresa é quem escolhe em qual nível de
governança deseja se enquadrar, assim como o acionista tem o direito de esco-
lher a empresa que atenda aos requisitos que ele considere importante.

As negociações da Bolsa de Valores ocorrem por meio do Pregão, que é


como é conhecido o leilão de compra e venda de ações, acontece todos os
dias úteis do mês, das 09h30 às 17h15. Esse horário pode ser alterado.

O mercado padrão é onde você pode negociar um mínimo lote em múl-


tiplos de 100 (100, 200, 300, 1000, 5000). Já o mercado fracionado é onde
se compra ou vende ações em múltiplos inferiores a 100, se um valor mínimo
determinado, de 1 a 99.
31
A Única Verdade Possível

Para entender melhor, imagine que você queira vender 150 ações.
Para tanto, seria preciso vender 100 no lote padrão e 50 no fracionado.
Para negociar no mercado fracionado, basta acrescentar um F na frente
do ticker. Exemplo: PETR4F, VALE3F, BIDI3F. Todas as ações podem ser
negociadas em lote ou fracionadas. São as mesmas ações, mas basica-
mente, você compra de modo fracionado ou vice e versa. Em suma,
seria como um mercado de atacado e varejo.

Outro detalhe importante dentro da compreensão da


nomenclatura,
é o nome dado às empresas mediante suas proporções. Assim
sendo, temos:

• LARGE CAPS OU BLUE CHIPS – Empresas que possuem 50 bilhões


ou
mais de valor de mercado.

• MID CAPS – Empresas que têm entre 10 e 50 milhões de reais em


valor de mercado.

• SMALL CAPS – Empresas que têm menos de 10 bilhões de valor


de mercado.

Importante ressaltar que, quanto menor o tamanho da empresa, maior o


potencial de crescimento e maior o risco. As Large Caps ou Blue Chips são as
gigantes da Bolsa de Valores (Petrobras, Vale Itaú, Banco do Brasil, Ambev,
Bradesco, entre outras. São companhia com poucas chances de irem à falecia.
As Mid Caps são empresas de tamanho médio (nem pequenas e nem gigan-
tes). Por fim, as Small Caps são empresas menores e, portanto, com maior
potencial de crescimento e maior risco de falência.
32
AULA 5

AS ESCOLAS DE
INVESTIMENTO
Para falarmos da diferença crucial entre preço e valor
(algo intrínseco para quem vai investir), é preciso abordar
as diferentes visões das escolas de investimento. Essa
confusão entre preço e valor faz com que pessoas
inteligentes tomem decisões estúpidas. Pra simplificar,
podemos dizer que o valor é algo ou algum serviço que
realmente vale. O preço é o quanto se paga por esse algo
ou por algum serviço.

33
A Única Verdade Possível

W
arren Buffet definiu o preço como sendo o que se paga e o valor
como sendo aquilo que se leva. Imaginemos que estejamos
numa situação hostil, tendo acabado de passar por um assalto.
Contudo, nos restou um relógio que, na época em que foi comprado, cus-
tou 1 mil reais. Entretanto, no momento pós-assalto, sem carteira, dinheiro
ou celular, o objeto foi tudo que ficou. Para que a gente consiga voltar pra
casa, possa conseguir algum dinheiro para isso, suponhamos que a gente
deseje trocar esse relógio por uma corrida de taxi, por exemplo. O mesmo
percurso custaria 15 reais, mas naquele momento, valeu os 1 mil reais do
relógio. Já o mesmo relógio começou a valer menos em razão da situação.
O preço para adquiri-lo numa situação de emergência não seria nunca o
mesmo que foi desembolsado para comprá-lo na loja.

Dito isso, também precisamos reforçar que investidor e especulador são


duas classes diferentes de pessoas que aportam. Entre os investidores, exis-
tem diferentes escolas de análises de ações. As duas principais são: Value
Investing e Buy and Hold. Ambas são, inclusive, com visão de longo prazo.

É possível utilizar as duas escolas, adequando seus ensinamentos para


cada tipo de investimento e do momento. No caso do Value Investing, há
grandes investidores que seguem essa linha de análise. Warren Buffet,
que é o maior investidor do mundo, assim como seu mentor, Benjamin
Grahan, são dois exemplos. O mercado deixa escapar alguns detalhes
muito das vezes, confundindo preço com valor, sem precificar as ações
corretamente, uma vez que existem discrepâncias entre o pensamento do
mercado e a realidade. Os value investors tentam encontrar assimetrias
de mercado e comprar boas ações por preços inferiores ao que valem.

No método Value Investing, os principais indicadores são referentes ao


preço da ação: P/VP, P/L, etc. O P/VP é o preço por valor patrimonial, que con-
siste em pegar o preço de uma ação e dividir peço mesmo valor de seu pa-
trimônio. Benjamin Graham dizia que um bom investimento seria o resultado
dessa operação, de modo que o resultado desse P/VP fosse menor que 1 ou
um pouco acima disso.
34
A Única Verdade Possível

Warren Buffet costumava falar que o ideal era comprar empresas ruins por
preços excelentes. Logo, uma empresa negociada abaixo de seu P/VP estaria
sendo desacreditada pelo mercado, mas seria comprada no intuito de que se
valorizasse. O investidor usava um termo específico para falar dessas ações: cha-
rutos já fumados. Segundo ele, eram charutos que, mesmo já estando fumados,
ainda poderiam render mais uma tragada. Atualmente, Buffet já pontuou que
mudou essa perspectiva, apesar de ainda seguir a linha do Value Investing. Ele
diz que, hoje em dia, o que ele procura são empresas excelentes por bons preços
e não mais empresas ruins por preços excelentes. Na Bolsa de Valores, os preços
são formados com base na Oferta e Demanda, por isso, é sim possível encontrar
assimetrias e achar boas empresas com preços impressionantes. Especialmente
porque uma empresa pode ser avaliada com base em inúmeros critérios dife-
rentes, cada pessoa tem sua forma de avaliar distintamente.

Como se viu, não existe um carimbo onde se identifica uma empresa como
estando abaixo do preço correto. Até porque se existisse, as pessoas compra-
riam. Por isso, é valioso fazer uma análise detalhista. Para realizar esse feito,
Benjamin Graham desenvolveu algumas técnicas que usam indicadores como
o P/VP, P/L e outros, para conseguir encontrar as boas oportunidades.

A metodologia Value Investing continua sendo uma relevante forma de


analisar empresas e investir, no entanto, é improvável que o investidor ama-
dor consiga ampliar essas técnicas com eficiência. Muitos erros acabam acon-
tecendo no meio do percurso na tentativa de se fazer esses cálculos de forma
precisa. Especialmente, quando se considera as perspectivas de curto e longo
prazo, bem como demais fatores no mercado que interferem nisso.

Durante crises, por exemplo, é possível encontrar empresas excelentes


muito abaixo do valor. Nos investimentos, é mais fácil analisar o passado
do que prever o futuro. Mesmo que as empresas tenham os mesmos indi-
cadores, é possível que, no futuro, apenas uma delas tenha sucesso. Há
uma infinidade de critérios subjetivos que podem interferir no resultado.
Trocando em miúdos, é possível sim lucrar como o Warren Buffet, mas é
necessário ter uma certa ‘malícia’ com investimentos, algo que o investidor
35
A Única Verdade Possível

amador, certamente, não terá. De qualquer forma, é inegável que é possível


sim comprar empresas abaixo do valor justo em mutas oportunidades.

Crises gerais no mercado mundial não são difíceis de acontecer. Na ver-


dade, sempre temos uma crise a caminho. O mercado lida a todo tempo com
altas e baixas. Recentemente, lidamos em 2020 com a pandemia do Coro-
navírus e pudemos verificar o quanto o mundo inteiro viveu um colapso. In-
clusive o mercado de ações. Desta forma, ficou ainda mais claro que é
essencial estar sempre preparado para o caso de uma grande crise chegar.

Tendo isso em mente, é salutar ter uma reserva de oportunidade para


se aproveitar da crise e do desespero do mercado, conseguindo comprar
ações abaixo do preço justo. O Value Investing é exatamente estar atento
a essas crises e suas oportunidades, buscando ativos subvalorizados para
comprar em grande quantidade, aproveitando-se da situação.

Só pra ter uma ideia da potencialidade dessa modalidade utilizada pelo


Warren Buffet, que é a Value Investing, observe abaixo o gráfico de pro-
gressão da holding que ele tem: a Berkshire Hathaway. A companhia saiu
de US$ 7.100 dólares para US$ 268 mil dólares por ação nos últimos 30
anos. Quem investiu 10 mil no começo da holding, atualmente, conta com
R$ 378 mil dólares na empresa, quase 2 milhões de dólares.

Valorização da Berkshire Hathaway em 30 anos


36
A Única Verdade Possível

Na sequência, temos uma outra escola de investimentos, conhecida


como Buy and Hold. Esse método parte da premissa de que o mercado já
precificou todos os itens de forma eficiente. Os investidores que se utilizam
deste método acreditam que, como temos milhões de investidores anali-
sando os números o dia todo, não faz sentido acreditar que conseguiremos
descobrir algo novo por nós mesmos. Alguns radicais dessa teoria são tão
crentes na precificação exata do mercado que, nem mesmo durante crises,
admitem que podem ocorrer assimetrias nesses preços.

A principal filosofia do Buy and Hold é aportar e não vender. Ou seja,


comprar uma ação e continuar com ela. Um holder só vende suas ações
se os fundamentos da empresa se modificarem. Fora isso, não há exce-
ções. É comprar e morrer com elas. O lucro vem apenas dos dividendos.
Um dos grandes ícones dessa filosofia é o bilionário Luiz Barsi Filho que,
nos últimos tempos, o maior investidor pessoa física do Brasil.

Para os holders, só interessa comprar empresas lucrativas. Quanto mais an-


tiga for essa empresa, melhor é a avaliação. Não precisa necessariamente se
preocupar com o valor que está pagando pelas ações, uma vez que procuram
verificar a ascendência de lucros consistentes. Simplesmente, sustentam a ideia
de comprar as ações e aguardar o longo prazo. Não costumam trabalhar com
reservas de oportunidades e não interrompem os aportes mesmo durante as
crises. Na visão deles, esperar quase sempre é mais vantajoso do que vender.

Ambas as escolas têm excelentes resultados. Luiz Barsi, por exemplo,


alega não precisar de uma reserva de oportunidade uma vez que recebe 7
dígitos (milhões) apenas em dividendos. Contudo, a maioria das pessoas,
não contam com recebimentos similares e, assim sendo, a reserva de opor-
tunidade se torna absolutamente importante. É sensato tentar condensar os
ideais das duas escolas. Para começar, mantendo uma reserva de oportunidades
pois, em raras exceções, é possível encontrar empresas ainda sem lucro mas
com amplo crescimento. Empresas de tecnologia são alguns dos exemplos de
empresas que demoram a dar lucro, mas quando atingem esse patamar, con-
seguem crescimentos vertiginosos e se tornam empresas incríveis. É o caso do
37
A Única Verdade Possível

Facebook, Whatsapp, Uber. Todas são empresas que começaram dando pre-
juízo, mas que, depois de um tempo, conseguiram crescer ou apresentar pro-
jeções de crescimento. Um Buy and Hold clássico nunca investiria nessas
empresas vistas como ‘potenciais’.

Grandes negócios podem passar por crises e ter anos de prejuízo até con-
seguir se recuperar. É muito vantajoso aportar em empresas que costumam ser
boas pagadoras de dividendos e, se optar por comprar, escolha boas empresas
para que consiga permanecer com elas. Portanto, escolha cautelosamente.

Nunca abra mão de ter critérios fundamentais como:


• Escolher empresas competitivas, que sejam líderes em seus setores;
• Aportar em empresas lucrativas;
• Investir em empresas sem dívidas ou, no mínimo, com dívidas
controladas;
• Escolher empresas que não sejam demasiadamente caras (se não
está sendo negociada muito acima do valor justo);
• Se fundamentar no ROE (Returno on equity) para investir em
uma empresa (ver se o retorno sobre o patrimônio líquido dessa
empresa é bom);
• Buscar companhias com margens líquidas coerentes e positivas.

Já adiantamos que, apesar da simulação, o adequado não seria investir


igualmente a mesma quantia em todas as empresas e sim, colocar mais di-
nheiro nas companhias mais seguras e menos nas mais arriscadas. Lembrando
que, na Bolsa de Valores, é possível investir o quanto e em quantas empresas
você desejar. Contudo, o exemplo serve para aprimorar a compreensão distri-
butiva dos ativos. Voltemos ao exemplo. Imaginemos que a empresa G faliu,
te fazendo perder todo o seu dinheiro. Já a empresa I perdeu metade de seu
valor (R$ 5 mil), mesmo com os dividendos do período.
38
A Única Verdade Possível

Simulação de aportes de R$10 mil em 10 empresas diferentes

Para facilitar nossa compreensão, vamos fazer uma simulação de um


investimento de R$ 10 mil. Contudo, temos a empresa J que se valorizou
40%, a H, 56%, a empresa A, 113% e a B 433%. C se expandiu em 2700%
e a D em incríveis 3500%. A E teve valorização de 87% e a F de 200%. Em
sumo, mesmo com as empresas que perderam valor ou faliram, o ganho
total no período foi de R$ 777.600,00 como se vê no gráfico abaixo:

Valorização/desvalorização das empresas em 10 anos de investimento


39
A Única Verdade Possível

No balanço geral dos investimentos, é inegável a evolução patrimonial.


E detalhe: na simulação, foram considerados apenas aportes únicos, sem
novos acréscimos nesse longo prazo, contando apenas com o trabalho dos
juros compostos. Parece irreal, mas é mais tangível do que parece. Inclusive,
em toda a história da B3, apenas 19 empresas foram à falência. Para provar
o grau de veracidade de nosso exemplo, o gráfico abaixo mostra o exemplo
de duas empresas de B3 e suas respectivas valorizações: a Magazine Luiza
(MGLU3) em 5 anos e a Lojas Americanas (LAME4) em dez anos.

Gráfico de valorização das ações de Magazine Luiza (em 5 anos) e Lojas Americanas (em 10 anos)

Como se viu, a Magazine Luiza contou com uma expansão de 12.032%


em apenas cinco anos, ao passo que as ações da Lojas Americanas se ala-
vancaram 908% em dez anos. Obviamente, também é possível perder di-
nheiro mesmo com boas empresas. O risco de desvalorização existe como
a possibilidade de valorização. Não há previsão 100% certeira.

O gráfico abaixo mostra um claro exemplo de duas boas empresas, a Weg


(WEG3) e a Drogaria Raia (RADL3), que, apesar de terem tido uma valorização
de 734% e 775% respectivamente, enfrentaram momentos de queda.

40
A Única Verdade Possível

Gráfico de evolução das ações WEG3 e RADL3 em 5 anos

41
AULA 6

ANALISANDO AS
AÇÕES – PARTE 1
A análise de ações é um processo complexo, porém, simples.
Ainda assim, é preciso dizer que existem outras formas mais
simples de se analisar uma ação. Entretanto, partiremos da
máxima proferida por H. L. Mencken de que “todo problema
complexo tem uma solução simples e errada”, logo, não
vamos buscar atalhos que possam, posteriormente, dificultar
nossa trajetória dentro dos investimentos ou mesmo
prejudicar os resultados. Especialmente porque a economia
não é uma ciência exata e isso envolve muitos fatores que
podem interferir uns nos outros. Algo que, na verdade,
ocorre com todas as ciências humanas onde existem fatores
subjetivos e dependentes das ações humanas.

42
A Única Verdade Possível

Para facilitar a análise que optamos por fazer aqui, vamos dividir o
procedimento em 3 etapas diferentes:
• Setor;
• A empresa;
• Os números.

O
nosso foco é usar essa análise para encontrar bons negócios, mesclando
uma ênfase na realidade e também nos gráficos e indicadores de mercado.
Não faremos uma análise puramente técnica, visando o preço, ainda que
a gente precise mencionar as precificações e os fatores envolvidos nisso.

Antes de investir em uma empresa, temos que avaliar o setor como um


todo e essa não é uma tarefa fácil. Contudo, apesar de ser uma tarefa traba-
lhosa é a única forma de fazer uma análise bem feita. Em 1949, Benjamin Gra-
han lançou seu livro ‘O investidor inteligente’. Naquela época, o crescimento
do setor aéreo era óbvio e contava com projeções de crescimento expressivo.
Assim sendo, esse setor já estava precificado por todos os investidores. No en-
tanto, o que não era óbvio é que, mesmo crescendo vertiginosamente, esse
setor não teria capacidade para gerar lucro aos acionistas. Essa visão foi algo
nítido na obra de Grahan, que apostava na metodologia do Value Investing. E
basicamente, essa vertente conta com a possibilidade de análise de previsibi-
lidade, considerando dados concretos do momento e seus gráficos. Obvia-
mente, não se pode prever o futuro e, tampouco, ter certeza de que um
determinado setor será OBVIAMENTE lucrativo e promissor. Especialmente, se
considerarmos que existem escolhas individuais que não necessariamente se-
guem padrões de comportamento e tendências.

O gráfico abaixo mostra as 57 empresas aéreas que faliram apenas no


Brasil, sem considerar outros locais do mundo, totalizando um grande ce-
mitério de companhias aéreas. Isso é algo que não poderia ter sido previsto
pelos gráficos que antecederam esse declínio.
43
A Única Verdade Possível

Listagem com as 57 empresas do setor aéreo que faliram no Brasil

É claro que a aviação é um setor que dificilmente poderia ser relegado


ao extermínio, uma vez que os aviões são meios de transporte muito eficazes
e que se tornaram muito necessários pra humanidade. Contudo, trata-se de
um setor com muitos subsídios, mas que, ainda assim, tem pouca eficácia
na geração de lucro aos acionistas. Observando os gráficos, isso se mostra
muito claro. Há até um jargão jocoso em relação ao setor aéreo, que se tor-
nou famoso justamente por conta dos históricos de prejuízo das empresas
do segmento. Dizem que nesse setor só existem dois tipos de empresas: as
que já faliram e as que vão falir.

Com isso, podemos perceber que, se o setor é ruim, não importa se a


empresa é boa porque eventualmente ela irá sofrer os efeitos. É quase
como indagar se valeria a pena investir em filmes fotográficos em 2020,
tendo ciência da realidade das fotos digitais inclusive extraídas por smartp-
hones. Independente de se aplicar recursos em uma empresa que tende a
ter boa gestão, seria um desperdício de recursos. Com isso, concluímos
que a análise setorial serve para eliminar setores que podem se tornar en-
godos na sua carteira de investimento, ainda que possam apresentar bons
resultados em termos técnicos.
44
A Única Verdade Possível

Em sequência, depois de pesquisar o setor como um todo e de estuda-


lo superficialmente, nosso objetivo passa a ser um segmento coerente
para se investir. De preferência, é viável que se pesquise por conta própria,
podendo tirar proveito do conhecimento prévio que você tem.

Em síntese, quanto mais comum, perene (duradouro) e independente


for um setor, melhores serão os investimentos. Isso porque investir em
um setor excessivamente regulado se mostra sempre mais perigoso. É o
caso das companhias de telefonia e do próprio setor aéreo que citamos
acima. Dentro dessa perspectiva, são raras as exceções de setores que
têm influência de governos e que ainda se tornam viáveis para investi-
mentos seguros.

Setores com grande exposição a riscos externos à operação também


podem ser menos atrativos em termos de segurança para investir. Quanto
mais previsível for uma operação, melhor será para o setor.

Entre os ramos menos complexos e com menos falências, temos


setores financeiros (bancos, operadoras de crédito, etc), de materiais
básicos (celulose, mineração, etc), saúde (convênios, hospitais, etc)
e utilidade pública (saneamento básico, energia, etc). Por outro lado,
com mais complexidade e incidência de falências, temos setores de
comunicação (empresas de telefonia e internet), consumo cíclico (em-
presas como Vivara, CVC, Movida, Hering e demais com consumo
‘não essencial’), consumo não cíclico (Agropecuária, Processados, Ali-
mentos, Bebidas, Comércio, Distribuição e outros representantes de
consumo ‘essencial’), petróleo, gás e biocombustíveis. Ainda assim,
sempre há exceções em ambos os lados.

Para explanar isso, vamos usar um setor como exemplo e demonstrar


como pesquisar sobre um determinado setor. No site Investidor Sardinha,
é possível encontrar os vários setores para investimento (e alguns subse-
tores). Peguemos como exemplo o setor financeiro.

45
A Única Verdade Possível

Busca no Setor Financeiro dentro do site Investidor Sardinha

Dentro dessa ala no site, é possível pesquisar pelos subsetores dentro


de um setor (banco, holding, empresas de exploração de imóveis, etc) e
pelo segmento específico de seu interesse (mais informações sobre a atua-
ção e sobre o produto ou serviço dessa empresa).

O ideal é avaliar as empresas de um determinado setor que você tiver


escolhido. Por que escolher o setor antes de mais nada? Para não cair no
risco de ficar enviesado. Uma vez feita a análise setorial, vá para a averi-
guação das empresas, conhecendo o estilo e demais características de
cada uma delas, o que inclui, não apenas os números, mas também as
histórias que existem por trás de seus códigos e valores.

46
AULA 7

ANALISANDO AS
AÇÕES – PARTE 2
Dando continuidade, após fazer uma análise setorial, é
preciso ir a fundo para checar as empresas nas quais você
pretende investir. Um termo importante de ser apresentado
aqui, é o Scuttlebutt que tem origem na história da navegação,
significando “rumores” ou “fofocas”. Naquela época, os
marinheiros, quando estavam em alto-mar, se reuniam para
beber água potável, uma vez que a água do mar não era
viável para consumo e, assim sendo, a água limpa ficava
acumulada em um mesmo lugar, uma espécie de poço um
tanto fundo para mantê-la adequada à ingestão com uma boa
temperatura. Ao redor desse lugar, os tripulantes se juntavam
para beber um gole de água, uma vez que subiam o recipiente
com a água nessas ocasiões e dividiam entre eles. Durante
esse momento, eles praticavam o que chamamos de
Scuttlebutt, que era essa troca de boatos, conversavam sobre
coisas do navio e por aí vai.
47
A Única Verdade Possível

O
autor do livro Ações comuns, Lucros extraordinários, Philip Arthur
Fisher, utilizou esse termo para denominar um método de análise
de ações, que é um dos mais úteis e incríveis do mundo inteiro.

Algumas pessoas, hoje em dia, chamam essa filosofia de growth in-


vesting. Fisher comprava empresas depois de estudar a fundo dezenas de
revistas especializadas na área Ele ainda entrevistava algumas pessoas re-
levantes por várias horas, no intuito de obter informações e construir sua
análise a respeito do foco de seu estudo. O foco eram empresas especia-
lizadas em inovação, impulsionadas por pesquisa e desenvolvimento. O
objetivo dessa filosofia é comprar boas empresas por preços razoáveis.

Conversar com clientes, funcionários e executivos é uma parte muito


útil desse processo, caso consiga. A visão do Fisher induz que se faça
essa busca usando todas as formas e estratégias que puder. Alguns tre-
chos de sua obra, que definem bastante essa crença, estão transcritos
abaixo e podem representar bastante a visão do autor sobre o processo
de compra de ações.

“Se o trabalho for bem feito ao comprar uma ação, a época


de vender é quase nunca (...). O investidor bem sucedido,
normalmente, é um indivíduo que é intrinsecamente
interessado nos problemas da empresa (...). O mercado de
ações é composto por indivíduos que sabem o preço de tudo,
mas que não sabem o valor de nada (...).
Investidores conservadores dormem bem”.

Philip Fisher

48
A Única Verdade Possível

Atualmente, existem muitos recursos para adquirir essas informações de


forma simplificada. Em especial, por meio da tecnologia. Um exemplo é o
Linkedin, onde se pode buscar pelo nome das pessoas, adquirindo um canal
de comunicação dentro da empresa de seu interesse.

Digamos que Fisher transformou seu método em 15 perguntas que de-


vemos responder antes de investir em uma companhia. Algumas delas não
são acessíveis para investidores comuns, então, o ideal é que se busque
preencher o máximo que conseguir dessas lacunas.

A primeira pergunta dentro do questionário de Fisher é: “A empresa possui


produtos e serviços com potencial de mercado suficiente para viabilizar um au-
mento considerável nas vendas por diversos anos?”. Essa pergunta tenta ave-
riguar se a empresa tem um lucro coerente e que pode permanecer em alta,
ou se pode ser substituída, perdendo valor e decaindo diante do mercado. Atra-
vés dessa resposta, podemos eliminar empresas ‘da moda’ ou que tenham lu-
cros cíclicos, com riscos evidentes ou sem projeções seguras e perenes.

Em seguida, a segunda pergunta é: “A administração está determinada


a continuar a desenvolver produtos ou processos que aumentariam ainda
mais o potencial do total de vendas, caso o potencial de crescimento das li-
nhas de produção mais atraentes no momento já tenha sido explorado exaus-
tivamente?”. Essa indagação busca analisar se houve um esgotamento do
produto/serviço central, se existe uma proposta de continuidade daquilo
frente às mudanças. É o caso da Coca-cola que, diante das críticas da venda
produtos com muito açúcar, lançou a Coca-cola zero, por exemplo, mostrando
uma capacidade de adaptação e ajuste frente à realidade e ao mercado.

Depois disso, a terceira pergunta: “Quão efetivos são os esforços da


empresa, em pesquisa e desenvolvimento, em relação ao seu porte”. Aqui
o objetivo é descobrir o quanto de investimento uma determinada com-
panhia investe em evolução. Nos balanços patrimoniais, isso costuma ser
colocado bem evidente, chamando atenção para os recursos destinados à
pesquisa e inovação.
49
A Única Verdade Possível

A quarta pergunta se refere à gestão comercial: “a empresa tem uma


organização em vendas acima da média?”. Uma das formas bem fáceis de
descobrir isso é indo ao reclame aqui e pesquisando essa empresa lá, além
de buscar se informar sobre os processos de marketing, conferindo se a em-
presa está alinhada com a boa reputação com os clientes daquela compa-
nhia, mantendo a satisfação dessas pessoas com um relacionamento
saudável frente ao que a empresa oferece.

Em quinto: “A empresa possui uma margem de lucro considerável?”.


Aqui, temos um indicador fundamentalista, lembrando que
não se analisa apenas os gráficos do passado, uma vez que não
há uma garantia de que ela vá permanecer nesse patamar. Por
isso, analisar a progressão desse lucro, observando se ela tem
crescido mesmo com a entrada de novos concorrentes, se
tem conseguido ter êxito mesmo em momentos de crise e por
aí vai. Inclusive, a melhor forma de ver isso é comparando
empresas de um mesmo setor.

A sexta pergunta é uma continuidade da anterior: “O que a empresa faz


para manter ou melhorar as margens de lucro?”. O intuito é checar como a
empresa lida com as margens de lucro, qual esforço tem investido para ter
crescimento e seguir expandindo seus lucros.

A sétima questão se refere aos recursos humanos de uma companhia: “a em-


presa possui boas relações (trabalhistas) com seu quadro de pessoal?”. Uma dica
boa pra checar isso é jogando o nome da empresa no site JusBrasil, onde estão
listados os processos, inclusive trabalhistas, problemas com sindicatos, governo,
existência de greves, atraso de salários etc. Uma empresa cheia de processos, onde
os funcionários aparentemente não gostam de trabalhar lá, certamente, terá uma
interferência no atendimento ao cliente e no crescimento da entidade de modo
geral. Esse questionamento não necessariamente torna uma empresa ruim, mas
pode ser um fator de alerta para ter cautela na hora de se aportar recursos.
50
A Única Verdade Possível

A oitava indagação é sobre as relações entre os executivos: “a empresa


tem boas relações com seus executivos?”. Se há muita troca de presidentes,
muito transtorno entre os membros da diretoria e se existe uma governança
amistosa e equilibrada, isso pode contar pontos a favor de uma empresa.
Boas relações entre os executivos é algo importante. Trocas podem ocorrer,
mas uma constância pode ser mais relevante no ponto de vista de perspec-
tiva. Para ver isso, verifique se a companhia está frequentemente em busca
de head hunters, de novos líderes, é um sinal de que está sempre ocorrendo
substituições. É importante avaliar cada caso com cautela.

Em nono temos: “a empresa vai a fundo na sua administração?”. Essa res-


posta é bastante difícil de descobrir de forma precisa, uma vez que investiga
particularidades dentro da gestão, quem são os sócios e o quanto se compro-
metem com aquela empresa, qual a flexibilidade dentro dos ideais na empresa,
como funciona o controle de cada fragmento da companhia e por aí vai.

A décima pergunta, portanto, é muito importante: a em-


presa tem uma boa análise de gastos e controle de custos?
Apesar de parecer complicado compreender isso, não é. As
empresas costumam liberar resultados preliminares bem antes
dos resultados do fechamento. A distância entre esses dados
pode demonstrar uma empresa sem controle seguro de orça-
mento. Se a empresa apresenta os dados corretamente e de
forma precisa, isso garante a ela o potencial de uma boa em-
presa para captar investimentos.

A pergunta 11 questiona se “existem outros aspectos do negócio, peculiares


ao seu segmento de atuação que irão fornecer, ao investidor, pistas importantes
sobre como a empresa pode se sobressair com relação a seus concorrentes?”.
Aqui a intenção é perceber quais as possibilidades da empresa de sair na frente
de seus adversários do mesmo setor, quão forte seja sua marca e se possui pa-
tentes ou pessoas estratégicas engajadas na atuação da companhia.

51
A Única Verdade Possível

Por conseguinte, a pergunta doze questiona quais as projeções de curto


e longo prazo de uma empresa: “a empresa possui uma estratégia de curto
ou de longo prazo em relação aos lucros e resultados”. A resposta dessa
pergunta pode denotar quão visionária essa empresa é. É preciso que a com-
panhia mostre suas expectativas mais próximas e as que são direcionadas
para um intervalo maior, o que simboliza a resiliência dessa empresa.

Adiante, na décima terceira posição, temos outra questão fundamen-


tal: “no futuro, é provável que o crescimento da empresa necessitará da
emissão de mais ações para financiar seu negócio, de maneira que o
grande número de ações irá anular o benefício dos acionistas que se an-
teciparam a esse crescimento?”. Quando uma empresa começa a aumentar
suas cotas de ações a todo momento, ampliando suas ofertas no mercado
em busca de dinheiro, temos um indicativo de que ela está, gradualmente,
liquidando seus sócios mais antigos a cada novo follow on. Se isso for
bem frequente, ou você fará subscrição a todo instante ou você perderá,
em algum momento, sua sociedade. Claro que há casos de empresas que
conseguem fazer novas emissões de ações, mas que são acompanhadas
pelo crescimento do lucro para os acionistas, ou seja, são empresas que
não fazem essas captações em detrimento do retorno de seus sócios. Isso
é um bom sinal na hora de investir em uma companhia.

Já a décima quarta pergunta, trata da comunicação da empresa com


seus acionistas em momentos de crise: “a empresa fala abertamente a seus
acionistas, mas “se fecha” em situações conturbadas e diante decepções?”.
O que acontece aqui é a flutuação no viés de comunicação da empresa que,
em momentos de prosperidade, está sempre em contato com a imprensa
e com seus acionistas, mas que, em momentos delicados, silencia suas
notas, se omite e se esquiva de esclarecer as questões que estão ocorrendo
e como se pretende enfrentar um determinado problema. É válido frisar
que nenhuma empresa tem a capacidade de prever crises ou de garantir
imunidade frente a possíveis problemas, mas ela tem a obrigação de re-
portar tudo que ocorre dentro do empreendimento, sejam nos bons ou
maus momentos, nas altas e baixas.
52
A Única Verdade Possível

Por fim, a décima quinta, novamente fundamental, é: “a empresa conta


com uma administração de integridade inquestionável?”. Empresas com
muito histórico de corrupção, com recorrentes fraudes, explicita uma admi-
nistração de péssima integridade, o que a torna inviável no sentido de cres-
cimento e valorização.

Philip Fisher costumava dizer que a boa empresa, não apenas tem re-
sultados e projeções positivas, mas que tem a capacidade de concluir seus
planos. Assim sendo, é importante observar os detalhes desse questioná-
rio. Mas é importante dizer que nem sempre será possível responder todas
as questões ou mesmo respondê-las de forma exata, assim como nem
todas as empresas serão aprovadas em todas as questões do questionário,
sendo necessário a você, dosar seus critérios, seus interesses e comparar
as empresas, validando quais desses aspectos são indispensáveis para
suas intenções.

53
AULA 8

ANALISANDO AS
AÇÕES – PARTE 3
Em sequência em nosso procedimento de análise, após as
etapas anteriores, vamos à análise fundamentalista. Essa
análise consiste em um resumo dos números de uma empresa.
Esses números todos formam os indicadores fundamentalistas
que podem viabilizar a análise de modo mais simples do que
se você fosse olhar os balanços de forma bem aprofundada.
Os indicadores fundamentalistas são uma forma de tornar
menos complexa a apresentação e análise dos números,
dando mais celeridade na investigação de empresas. Eles são
uma facilidade moderna e mudaram completamente a forma
de investir na Bolsa de Valores. Eles são muito mais acessíveis
e legíveis do que o que consta no DRE empresarial, que é o
Demonstrativo do Resultado do Exercício.
54
A Única Verdade Possível

C
ontudo, esses indicadores não devem ser uma verdade absoluta,
ainda que sejam muito pertinentes. Eles são importantes para de-
monstrar como foi o passado de uma empresa, mas não são o sufi-
ciente para dizer como será o futuro dela. O caso da Blockbuster (antiga
locadora de filmes) é um caso que demonstra claramente o quanto o futuro
pode ser incerto. Olhando os números passados da empresa, ninguém
imaginou que ela iria à falência anos depois.

Diante disso, é importante reforçar que a análise precisa englobar


muitos aspectos de uma companhia. Duas empresas com indicadores
idênticos não têm exatamente a mesma garantia de manterem a
igualdade em seus resultados no futuro. Assim, a primeira coisa que
precisamos olhar para adquirir uma visão geral de uma empresa é:

• Valor de mercado dela;


• Número de ações;
• Volume média negociado;
• Governança corporativa;
• Lucro operacional;
• Lucro líquido.

Como costumamos fazer, vamos à prática para exemplificar. Abrindo o


site Fundamentus, vamos investigar o valor de mercado da Itausa (ITSA4).
Basicamente, o valor de mercado é encontrado multiplicando-se o número
total de ações vezes o preço da ação (no caso, a cotação do dia). A seguir,
segue o perfil da empresa no site Fundamentus.

55
A Única Verdade Possível

Perfil da Itausa (ITSA4) no site Fundamentus

No caso da Itausa, uma empresa avaliada em mais de 78 bilhões de


reais (blue chip), podemos verificar que se trata de uma grande empresa,
inclusive com volume médio negociado elevado, o que representa uma
efetiva liquidez das ações (algo que permitiria que você comprasse e ven-
desse a qualquer momento). Abaixo, tem-se o exemplo da Teka (TEKA3),
onde o volume negociado é baixo, o que significa que a possibilidade de
venda dessas ações é mais difícil de ocorrer de acordo com a conveniência
do investidor. No caso da ação da Teka, o volume médio está estimado
em 23.905 reais, o que quer dizer que, se você tem um montante de 50
mil investidos ali, a companhia não teria esse valor disponível para uma
negociação imediata.

56
A Única Verdade Possível

Perfil da Teka (TEKA4) no site da Fundamentus

Outro fator a ser observado é se a empresa oscila muito em relação


a sua cotação (o que pode ser identificado comparando o preço mínimo
e máximo da ação em 52 semanas). Para observarmos, voltemos ao
exemplo da Itausa (cuja volatilidade é baixa), com uma empresa com a
situação inversa, como é o caso da mineradora do Eike Batista, a MMX
(MMXM3).

57
A Única Verdade Possível

Perfil da MMX (MMXM3) no site Fundamentus

As ações da mineradora oscilaram entre R$ 1,27 e R$ 16,11, o que


mostra uma elevada volatilidade, isto é, uma insegurança quanto ao
valor da empresa e seu grau de confiabilidade para investimento. Ana-
lisando o restante dos dados da empresa, pode-se notar um cresci-
mento vertiginoso seguido de uma brusca queda, a questão de lucros
e prejuízos não acompanha uma lógica, mostrando bastante a desor-
ganização da companhia. Em especial, o lucro líquido do último trimes-
tre e no último ano.

O exato oposto ocorre na Itausa, onde observa-se um lucro ascendente e


uma boa relação com o lucro operacional (EBIT). Esse lucro operacional trata-se
do lucro destinado ao crescimento da empresa no que tange seu empreende-
dorismo, onde se subtraem as despesas administrativas, comerciais e operacio-
nais (inclusive, sendo essa a diferença para o lucro bruto). No âmbito financeiro,
é comum falar que este é lucro de uma empresa antes dos juros e impostos.
58
A Única Verdade Possível

Um importante parâmetro a ser feito é comparar o EBIT com o valor de


Disponibilidade, que é o dinheiro que a companhia tem em caixa. O ideal é
que esses valores sejam próximos, do contrário isso pode representar um
risco. No caso da Itausa, não necessariamente, uma vez que ela é uma hol-
ding que trabalha justamente com esse trânsito constante de dinheiro. En-
tretanto, vamos analisar o perfil da Grendene (GRND3):

Perfil da Grenden (GRND3) no site Fundamentus

Comparando o lucro líquido da Grendene com o EBIT dela, observamos


uma considerável diferença. Ao realizar a subtração do lucro líquido menos o
operacional, chegamos à conclusão de que a companhia fatura 88.157.000
milhões apenas com investimentos. Ainda é uma empresa coerente, mas se
ultrapassar muito desse volume, quer dizer que a empresa ganha mais di-
nheiro com transações financeiras do que com o que produz, o que inferioriza
a saúde econômica dessa empresa.
59
A Única Verdade Possível

Para checar a governança de uma empresa, precisamos nos dirigir


para outro site, o Fundamentei. Nesse site, é possível ter acesso gratuito
por 5 anos. Lá, temos como inquirir a questão da governança, a presença
ou não de tag along, nível de listagem etc. O segmento de listagem da
Itausa é de nível 1, o que quer dizer que caso a empresa faça uma venda,
o tag along dela é de 80%. Valendo dizer que o nível 1 é o mais baixo
nesse quesito. O ideal é que o tag along seja de 100%, garantindo que
os acionistas minoritários recebam 100% da oferta que os acionistas ma-
joritários. O tag along é um dos mecanismos da governança de uma em-
presa, que certifica que a mesma oferece transparência e garantia aos
seus investidores.

Perfil da Itaúsa no site Fundamentei

60
A Única Verdade Possível

Adiante, podemos observar a Sinqia (SQIA3), onde o segmento de lista-


gem é de nível do Novo Mercado, ou seja, com 100% de tag along. Em se-
quência, também temos o perfil da Trans Paulista (TRPL3 e TRPL4), com nível
de listagem 1 e tag along de 80% nas ações ordinárias e 0% nas preferenciais.
Inclusive, no caso da Trans Paulista, pode-se verificar que, entre os sócios ma-
joritários, está a Isa Capital do Brasil, onde apenas só 1% das ações são de
gestão (preferenciais), o que denota uma empresa fechada, com comando
centralizado demais.

Perfis da Sinqia e da da Trans Paulistana Fundamentei

É bom lembrar que não é necessário decorar os tickers de todas as em-


presas, inclusive quando estiver na fase de estudos pré-investimento. No site
Investidor Sardinha, você pode obter esse código digitando o nome da em-
presa, além de outras informações, como: o que a empresa faz, quais suas
características primordiais, seu tamanho, setor de atuação, se está (ou não)
ou não em processo de recuperação judicial, principais produtos, quem são
os sócios e demais conteúdos, para pesquisar as empresas de seu interesse,
incluindo os links relevantes para complementar a sua análise.
61
A Única Verdade Possível

Depois dessa análise, passaremos para a análise dos indicadores de efi-


ciência dessa empresa, o que inclui:

- Margem Líquida – Lucro Líquido / Receita Líquida (Depois que a em-


presa faz uma venda, quanto sobra pra ela);
- Margem EBIT – EBIT / Receita Líquida.

Ao acessar alguns sites específicos, como é o caso do Investidor 10,


você pode encontrar o percentual exato de lucro líquido. No caso da
Itaúsa, esse valor (em razão até de suas características enquanto holding,
seu tamanho, performance) tem uma margem líquida de 144%. Um valor
que parece surreal, mas quando se tratam de indicadores, não é anormal.
Assim como não é anormal encontrar valores negativos, como no caso da
Petrobrás, onde quando fizemos a operação de dividir o lucro dela pela
receita líquida, nesse momento da análise que fizemos, obtivemos um re-
sultado negativo, no caso, -12,79%.

Perfis da Itaúsa e da Petrobras no site Investidor 10

62
A Única Verdade Possível

Em continuidade, temos uma empresa com um percentual mais coe-


rente diante dos dois extremos que vimos anteriormente. A Magazine
Luiza (MGLU3), no momento da análise, estava com uma margem líquida
de 1,70%, como se percebe abaixo.

Perfil da Magazine Luiza no site Investidor 10

Quanto maior a margem líquida, melhor. No caso da Magazine Luiza,


podemos demonstrar isso quando comparamos a margem bruta que é de
27,69% com a líquida. Isso quer dizer que a cada 100 reais que a empresa
vende, ela lucra 27,69 reais. Contudo, quando observamos a margem lí-
quida, percebemos que o que de fato sobra pra empresa após seus custos
é apenas R$ 1,70.

Assim podemos acordar que uma boa margem líquida pra indústria
seria de 8% (mais ou menos) e para o setor de serviços por volta de 20%.
No varejo, dificilmente, se terá uma margem líquida positiva, com certas
exceções, como algumas empresas que vendem joias, artigos esportivos
vestuários, por exemplo.
63
A Única Verdade Possível

A Margem Líquida apertada não é um impeditivo para se investir em


uma empresa. Inclusive, esse indicador é usado para que a empresa se
proteja, principalmente diante potenciais concorrentes.

Continuando, vamos focar no EBIT, que é o lucro operacional. A sigla, que quer
dizer Earnings Before Interest and Taxes, se refere exatamente ao lucro que existe
antes dos juros e impostos. A Sadia é um exemplo de uma empresa que tinha um
EBIT inadequado para seus outros indicadores. Há alguns anos, ela comprou a
Perdigão e, por muito descontrole, acabou quebrando, evidenciando que ela vinha
ganhando dinheiro mais com as operações do que com sua atividade de fato.

Para equalizar ainda mais essa análise, surgiu o EBITDA, que é o Earning
Before Interest Taxes Depreciation and Amortization. Esse referencial se di-
ferencia do EBIT porque desconsidera a amortização (itens intangíveis, que
fazem a empresa perder valor, incluindo patentes, direitos de propriedade
intelectual, contratos relevantes) e a depreciação (itens tangíveis, é o caso
de objetos comprados pela empresa que pedem valor concretamente), o
que ignora o que a empresa possa ter perdido. Assim sendo, o EBIT tende
a ser mais preciso e coerente para fazer uma averiguação correta.

A diferença entre o EBIT e o EBITDA pode ser vista logo mais, na distinção
do valor de cada um desses indicadores pertencentes a empresa Magazine Luiza.

Perfil da Magazine Luiza no site do Investidor 10

64
A Única Verdade Possível

Uma das vantagens de se ter os dois indicadores é exatamente ver o


quanto a empresa perdeu com amortização e depreciação, mas não é reco-
mendável utilizar o indicador do EBITTDA como referência isolada. No caso
da Magazine Luiza, como apresentado supracitado, não houve tanta depre-
ciação e amortização. O que é bem diferente da situação da Movida.

Perfil da Movida no site do Investidor 10

No caso da Movida, a depreciação e amortização sofridas pela compa-


nhia podem ser percebidas pela diferença entre o EBIT e EBITDA. Aqui no
Brasil, é comum se referir ao EBITDA como Lagida (inclusive, no mercado fi-
nanceiro tem-se uma preferência pela sigla).

Assim sendo, é recomendável usar como indicador de eficiência a MAR-


GEM EBIT, uma vez que, através dele, é possível termos algo mais condizente
com a realidade, principalmente porque desconsiderar a depreciação e amor-
tização é algo perigoso.

65
A Única Verdade Possível

Uma análise criteriosa não precisa ser necessariamente complicada.


Além disso, é válido esclarecer que investir em uma empresa ruim e arris-
cada não é necessariamente errado, desde que se tenha consciência do
contexto e realizado cálculos antes. Isso quer dizer que você não pode se
enganar quanto ao fato de uma empresa ser de fato ruim, porque isso
pode afetar seu julgamento. Tendo consciência de que uma empresa é ar-
riscada, certamente, você aportará com mais responsabilidade e irá se
expor bem menos do que faria em uma empresa com menores riscos. Em
caso de perda, você terá uma previsibilidade do valor perdido e estará
preparado para esse acontecimento.

Indo adiante, é preciso ir para a etapa onde se identifica a rentabili-


dade de uma empresa e seu crescimento. Nesse sentido, se utilizam
alguns indicadores que podem preencher essa questão da análise.

• ROE;
• ROIC;
• Crescimento de Receita Bruta (somente para empresas de tecnologia);
• Crescimento do Lucro.

O primeiro deles, o ROE, trata-se do Return on equity. Em suma, trata-


se do retorno sobre o patrimônio, logo, o quanto a empresa consegue ren-
tabilizar em cima de seu próprio patrimônio. É valioso dizer que este é um
dos melhores indicadores de eficiência.

Digamos que duas empresas têm um patrimônio total de R$ 100 mil


e atuam no mesmo setor, elas deveriam ter um lucro parecido, mas não é
isso que acontece na Bolsa de Valores. Um ROE de 10% indicaria que essa
empresa lucra R$ 10 mil com seu patrimônio de R$ 100 mil.
66
A Única Verdade Possível

Perfil da Grendene no site Fundamentus

Basicamente, o ROE é o lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido.


No caso da Grendene, como se vê no site Fundamentus, 10,2%. Essa mar-
gem foi encontrada quando se realizou a divisão do lucro líquido dos úl-
timos 12 meses (362.294.000) pelo patrimônio líquido ([Link]).
Um detalhe importante para ressalvar é que o lucro líquido dos últimos
três meses, quando não apresenta bons resultados, não necessariamente
significa que a empresa é inviável ou pode ser classificada como ruim. A
companhia pode ter tido um prejuízo não recorrente, causado por um im-
posto que foi pago, o fechamento de uma loja, etc, ou até um investimento
na infraestrutura, logística da empresa e outros aprimoramentos.

ROIC é Return on capital, ou seja, retorno sobre capital investido. Esse


indicador não considera somente a rentabilidade em cima do patrimônio
líquido da empresa, mas também de dívidas. Em resumo, é o retorno sobre
todo o capital que a empresa tem à disposição, é o quanto todo o dinheiro
da empresa consegue rentabilizar. Esse ROIC costuma variar bastante.
67
A Única Verdade Possível

Perfis da Renner (LREN3) e da Petrobras (PETR3) no site do Fundamentus

No caso da Petrobras, podemos ver no site da Fundamentus, um ROIC ne-


gativo, o que quer dizer que a empresa teve um retorno negativo sobre o total
aplicado. Há casos onde esses dados nem aparecem, como é comum em em-
presas do ramo financeiro, uma vez que elas ganham dinheiro basicamente
com operações financeiras. Valendo ainda reforçar que a fórmula básica para
se obter o ROIC é calculando fazendo a divisão do EBIT por Ativos, Fornece-
dores e Caixa (no RI da empresa constam todos esses dados).

No caso das empresas de tecnologia ou small caps, é imprescindível ques-


tionar ainda se a receita da empresa cresceu nos últimos 5 anos. Isso se dá
devido ao fato dessas companhias demorarem muitas vezes a ter lucro. Além
disso, uma small cap pode estar fazendo aquisições, investindo, bem como
as empresas de tecnologia também buscam incrementar o negócio com es-
tratégias que podem atrasar o recebimento de lucros estáveis.

68
A Única Verdade Possível

Só se questiona se o lucro cresceu nos últimos 5 anos, quando não se


tratar dessas small caps ou companhias de tecnologia. Daí a gente se vê
diante da indagação: por que verificar RECEITA e não LUCRO em empresas
de tecnologia? Simples. É comum que essas companhias utilizem a es-
tratégia conhecida como ‘cash burn’, que é literalmente torrar dinheiro
para crescer. Nesses momentos, elas ficam sem lucro por um tempo.
Assim, é normal que algumas empresas de tecnologia apresentem pre-
juízo no começo, como caso da Amazon que, até 2014, dava até mesmo
prejuízo. Contudo, após algum tempo, a empresa tornou seu fundador,
Jeff Bezos, um dos homens mais ricos do mundo.

Gráfico de progressão de lucro da Amazon: é Perfil da Sinqia no site


normal que as gigantes da tecnologia apresentem Fundamentei, com ênfase na
prejuízo no começo exibição da receita dos
últimos 5 anos

Como se observou, a receita da Sinqia cresceu com o passar do tempo de


forma vertiginosa. Contudo, seu lucro é descendente, mostrando uma redução
ano após ano, como dissemos. Nesse mesmo site, é possível fazer a compara-
ção ao buscar os gráficos fundamentalistas da Receita Líquida e do Lucro Lí-
quido. Também há um gráfico fundamentalista da Dívida Bruta, que pode ser
comparado com o Patrimônio Líquido. Se olharmos no perfil disponível no site
Fundamentus, há um espaço específico para falar do percentual dessa dívida
em relação ao seu patrimônio.
69
A Única Verdade Possível

Perfil da Sinqia no site Fundamentus

No caso da Sinqia, esse valor é de 0,18, um número muito baixo se comparado


com o patrimônio completo da companhia. O recomendável é que esse valor seja
sempre inferior a 3 para que haja um endividamento controlado e que não ameaça
a saúde financeira da empresa. A dívida, inclusive, não pode estar maior do que o
crescimento da receita no gráfico.

Abaixo, temos uma empresa que não se encontra no ramo da tecno-


logia e nem é uma small cap, logo, trata-se de uma companhia consoli-
dada e que não está em fase de crescimento, a Itaúsa. Ou seja, aqui, o
lucro crescente importa sim e ele aparece no perfil disponibilizado pelo
site Fundamentei, seja no plano geral, como no gráfico fundamentalista.

E a seguir temos ainda, no mesmo site, os gráficos fundamentalistas trazendo


as margens de Lucro Líquido, Dívida Bruta e Receita Líquida, denotando a relação
entre esses marcadores.

70
A Única Verdade Possível

Perfil da Itaúsa no site Fundamentei, com ênfase em seu balanço ao longo dos anos,
incluindo lucro líquido, receita líquida e dívida

Gráfico fundamentalista da empresa Sinqia, no site Fundamentei, com as relações da Receita


Líquida, Lucro Líquido e Dívida Bruta Líquida com o passar dos anos

71
A Única Verdade Possível

Reforçando que uma análise coerente deve sempre fazer um paralelo do


crescimento da empresa em relação ao seu endividamento, comparando-os
de forma equilibrada. Olhar apenas a dívida não é sensato pelo motivo que
dissemos, que é o fato da empresa estar investindo ou de ter um envidamento
pequeno mensurado com o patrimônio líquido. Inclusive, existe um indicador
chamado CAPEX, que é o quanto a empresa capitaliza em investimentos.

Depois de ter checado a qualidade do negócio, resta ver se o preço


das ações está de fato atrativo. Muita gente peca por começar e
encerrar a análise unicamente no preço. Contudo, ignorá-lo pode
ser um erro ainda pior. Nesse interim, para fazer essa valuation
precisamos checar alguns indicadores:

• P/L; • P/SR;
• P/VP; • DY.

Para chegar ao Preço por Lucro (P/L), pega-se o preço da cotação e di-
vide pelo lucro por ação (ambos disponibilizados no site da Fundamentus).
Trata-se de quantas vezes o lucro dessa empresa o mercado está pagando.
Vamos usar a ITSA4 como exemplo.

Perfil de ITSA4 no site Fundamentus, foco no P/L, Cotação e Lucro por Ação (LPA)

72
A Única Verdade Possível

Em resumo, o P/L é o preço atual da ação dividido pelo valor do lucro por
ação. Alguns investidores dizem que esse indicador te diz em quanto tempo
seu investimento irá te pagar. Na realidade, ele é basicamente o preço que o
mercado está disposto a pagar pelos lucros de uma empresa. Esse indicador
deve ser colocado em paralelo com o crescimento da receita, podendo dar uma
visão otimista da ascensão da empresa. Quanto menor o P/L melhor, desde que
não seja negativo. Lembrando que, no caso das empresas de tecnologia e small
caps, sempre aparecerá esticado.

O preço de P/VP é o preço atual da cotação dividido pelo valor patri-


monial por ação. Trata-se de um indicador que diz quantas vezes o inves-
tidor está pagando pelo patrimônio da empresa. Em alguns casos, ele pode
ser enganoso. Primeiramente, porque esse valor pode estar encarecido
quando comparado com outros do mesmo ramo. Entretanto, a marca faz
toda a diferença na apreciação da empresa no mercado, por isso, é impor-
tante sempre comparar o P/VP com o P/L. Vamos ao exemplo:

Perfil da Weg no site Fundamentus

Dentro do valor patrimonial, constam todos os elementos tangíves e in-


tangíveis da empresa, desde seus objetos, até suas sedes e assim por diante.
73
A Única Verdade Possível

Por conseguinte, vamos ao P/SR ou Price to Sales Ratio. Esse indicador sinaliza
qual o otimismo do mercado em relação à empresa em questão. Quanto mais pró-
ximo de 1 ele estiver, melhor é a avaliação do mercado sobre os ativos da compa-
nhia, indicando que o preço estabelecido está correto. Nessa lógica, empresas com
índice abaixo de 1 estariam subvalorizadas. É o quanto se paga pelas vendas da
empresa. O P/SR varia de acordo com o setor da empresa. Esse indicador pode ser
exagerado ou não mas deve ser comparado com o restante da análise.

Na sequência, temos o Dividend Yield, que é o dividendo pago por ação


dividido pelo preço da ação. Pode-se considerar que o rendimento de divi-
dendos é o indicador que mostra quanto um ativo pagou em proventos (divi-
dendos e juros sobre capital próprio para as ações e aluguéis para FIIs), nos
últimos 12 meses, em relação as suas cotações atuais). É a maneira de saber
qual o percentual o investidor teria ganhado de lucro, com base no valor atual
de uma determinada ação. É um indicador muito pertinente para quem não
tem a ideia de manter a ação e que não busca só o lucro futuro.

Perfil do Bradesco (BBDC4) no site Fundamentus

74
A Única Verdade Possível

No caso do Bradesco, o Dividend Yield é de 8,3%. A partir de 4, já se con-


sidera um DY alto, uma vez que são 4% de lucro em cima do que foi investido
na empresa. É uma previsibilidade de rendimentos em tese. Esse em tese se
dá pelo fato de não ter uma garantia efetiva de contratação (como ocorre com
alguns produtos da renda fixa). No momento do pagamento, a cotação pode
ser maior ou menor, assim como o Lucro Líquido. Em geral, quando o preço
de uma ação sobe, o Dividend Yield diminuiria uma vez que o lucro distribuído
deveria ser transferido para um número de cotas diferentes. Caso a parcela
de lucro a ser distribuída aumente, isso também afetaria o DY positivamente,
aumentando-o. Existem inclusive empresas Pay Out, que dão 100% dos lucros
para os sócios (exemplo Saraiva), com um DY de 190% até 2013.

Perfil da Saraiva no site Fundamentei, ênfase nos Balanços Anuais

Isso aconteceu quando a Saraiva pegou todo o lucro e distribuiu para


os acionistas. Isso interferiu na cotação da ação na época, como se per-
cebe abaixo no gráfico que mostra a oscilação de valores da ação por
volta de 2012 e 2013, começando com crescentes subidas, até perder o
valor bruscamente, uma vez que ela distribuiu mais dividendos da em-
presa do que recebeu.
75
A Única Verdade Possível

Oscilação no valor da ação da Saraiva

Quando muita gente acabou tirando todo o dinheiro em razão desse


DY altíssimo, esgotando o caixa da empresa, que não investiu em si
mesma (tendo, inclusive um baixo CAPEX como se pode ver no gráfico
supra colocado. Em razão disso, a Saraiva acabou ficando sem dinheiro
em caixa, tendo prejuízo e culminando em uma recuperação judicial.

Logo, pode-se verificar que distribuir todo o lucro da empresa, sem in-
vestir em si mesma, pode fazer com que a empresa assine uma sentença
de prejuízo adiante. No caso de empresas como os bancos, tipo o Bra-
desco, é comum que haja distribuição total de lucros, já que o serviço é
basicamente esse, de realizar operações financeiras.

76
A Única Verdade Possível

Para descobrir se uma empresa está cara ou barata de modo mais rá-
pido, pode-se calcular o Valor Intrínseco de uma empresa, segundo a
forma de Graham. Graham aceitava pagar um P/L de 15 (ou seja, 15 vezes
o lucro da empresa) e um P/VPA de 1,5 por uma empresa (preço a ser pago
por patrimônio, no caso de Graham, ele aceitava pagar 1,5 real para cada
1 real), mantendo uma boa margem de segurança. No caso do P/VPA é
sempre importante procurar o valor mais próximo de 1.

Essa fórmula não é indicada como fonte única (especialmente para


avaliar empresas de tecnologia, que dificilmente responderiam bem a
esse cálculo), mas pode ser utilizada para agilizar uma análise. Graham
criou uma fórmula para calcular quanto deveria ser o valor justo de
uma ação. Multiplicando 15 por 1,5, ele chegou ao índice de 22,5.
Logo, a fórmula dele era uma raiz quadrada de (22,5 x LPA X VPA).

√ (22,5 x LPA X VPA)


Fórmula de Graham

Não é recomendável usar essa fórmula antes de fazer a análise qualita-


tiva, contudo, pode-se utilizar como critério de eliminação, como mais uma
chancela antes de investir. Uma vez tendo feito todas essas análises, a per-
gunta é: já se pode investir? A resposta é NÃO. É preciso utilizar o Diagrama
do Cerrado e realizar comparações entre companhias do mesmo setor.

77
AULA 9

COMPRANDO AS
EMPRESAS DA
BOLSA DE VALORES
Antes de investir em qualquer empresa, é essencial
compará-la com outras dentro do mesmo setor. Isso
oferece a chance de ter uma melhor noção das
características de cada negócio. É enfático pesquisar
marcas de um mesmo setor, uma vez que, estando
inseridas em um ramo similar, os indicadores,
margens e outras características podem ter um maior
grau de correspondência justa, o que garante uma
comparação efetiva.

78
A Única Verdade Possível

A
ntes de investir em qualquer empresa, é essencial compará-la com
outras dentro do mesmo setor. Isso oferece a chance de ter uma me-
lhor noção das características de cada negócio. É enfático pesquisar
marcas de um mesmo setor, uma vez que, estando inseridas em um ramo
similar, os indicadores, margens e outras características podem ter um maior
grau de correspondência justa, o que garante uma comparação efetiva.

No caso de uma empresa que estiver alheia de um setor amplo, o mais


recomendado é buscar companhias que se aproximem do segmento onde
atua a empresa em questão, mas sempre tendo consciência de que, fora de
um mesmo setor, qualquer comparação pode ser irreal.

É então que, diante de empresas de um mesmo setor, se


busque averiguar os seguintes aspectos:

• Idade do negócio (quando mais velha for uma empresa, melhor,


pois significa que ela resistiu a prova do tempo, superou diversos
momentos diferentes e conseguiu sobreviver ainda assim;

• Nível de governança comparativa (se é uma empresa de nível 1,


nível 2, 3 ou se enquadra-se no novo mercado; se tem e quanto tem
de Tag Along);

• Força da Marca (o quanto a empresa se destaca entre suas


concorrentes, o quanto é conhecida, etc.);

• Estrutura física (mostra a grandeza da empresa em número de


sede, possível presença em muitas cidades, países. É uma questão
de diversificação);

• Diferenciais competitivos (se a empresa não depende


exclusivamente de um único cliente, de um único contrato e assim
por diante).

79
A Única Verdade Possível

No caso de uma empresa que estiver alheia de um setor amplo, o mais


recomendado é buscar companhias que se aproximem do segmento onde
atua a empresa em questão, mas sempre tendo consciência de que, fora de
um mesmo setor, qualquer comparação pode ser irreal.

A questão da idade é, de longe, a mais importante, uma vez que


uma empresa que existe há mais tempo já provou sua
durabilidade. Ao contrário dos seres humanos, quanto mais uma
empresa sobrevive ao tempo, mais forte ela fica e maiores as
chances de que continue crescendo e se estendendo durante
muitos anos. Quanto mais tempo de vida em uma empresa, mais
trocas de governança, mais problemas enfrentados e superados,
logo, mais chances de ser um negócio lucrativo. Depois da idade,
os critérios podem até variar, contudo, seguindo essa ordem
costumam demonstrar uma boa eficiência no momento de
mensuração de empresas.

Todos esses valores ‘não numéricos’ são essenciais na hora de escolher


um investimento. Além desses, é relevante fazer uma análise do limiar ético
de cada companhia. Esse viés é bastante pessoal, já que nem todas as pes-
soas procuram encarar esse referencial, até porque não terão que conviver
logicamente com o cotidiano de cada negócio onde está aportando. Entre-
tanto, é válido refletir se é coerente com seus princípios participar de lucros
que vão contra suas ideias e valores.

Pode não fazer sentido para um vegano se tornar sócio de uma empresa
que trabalha com abate de animais e lucra muito no agronegócio. Assim
como pode ser incoerente para um ambientalista, investir no setor de mi-
neração, por exemplo. Ignorar esses fatores pode atrapalhar a sua avaliação
de um negócio. Não considere investimentos em empresas que tem práticas
que você discorda, que são contrárias aos seus princípios morais.
80
A Única Verdade Possível

Alguns setores que, frequentemente, desafiam a ética de


investidores são:
• Abate de animais (halal (abate diferenciado que exporta para
países muçulmanos ou de outras religiões que não aprovam o
consumo de carne; ou comum);

• Drogas (cigarros, bebidas alcóolicas, maconha);

• Farmacêuticas (algumas fazem testes em animais, fazem


propagandas de medicamentos de forma perniciosa);

• Insumos agrícolas (podem ter práticas ambientais condenáveis);


• Estatais (ou empresas que financiam campanhas eleitorais, que
estão envolvidas em corrupção, etc.);

• Geração de Energia (empresas negligentes, com riscos de


acidentes ou com possíveis agressões ao meio ambiente e infrações
frente ao direito dos indígenas);

• Armamento.

É indispensável que o investidor verifique se está investindo de acordo


com suas crenças, em pleno alinhamento com as empresas onde vai aportar.
A comparação entre duas ou mais empresas, tem sempre a finalidade de
eliminar a menos eficiente. É importante realizar esse processo sem viés ou
justificativas, até porque o tempo de escolher uma boa história nesse ponto
de análise já passou.
81
A Única Verdade Possível

Para fixar a compreensão do assunto, vamos ao exemplo. Acessando o


site do Investidor 10, vamos buscar a empresa WIZS Soluções (WIZS3). Neste
site, uma opção bacana é que ao buscar por uma empresa, ele
automaticamente a enquadra em um setor e em um subsetor, para
justamente facilitar a tarefa de mensurar. No caso aqui, o Investidor 10
identificou que a WIZS só possui uma concorrente direta, a Alper (APER3).
Ao clicar no botão comparar, você se deparará com um gráfico contendo a
rentabilidade das duas empresas e com uma análise do valor que você teria
caso tivesse investido em ambas as empresas, considerando o
reinvestimento dos dividendos em um prazo de 2, 5 ou 10 anos.

Oscilação da WIZS3 no buscador Google Gráfico de Evolução de Receita da WIZS3 em


comparação com o da APRE3, no site Investidor 10

Entretanto, a empresa foi bastante viável no que diz respeito aos


dividendos em um prazo de 5 anos. Podemos observar que ela se consolidou
em sua evolução de receita, tendo um crescimento muito mais estável do
que a Alper. A Alper, inicialmente, começou a crescer com mais força do que
a Wizs, mas isso foi artificial, uma vez que essa evolução foi acompanhada
de uma seguida e progressiva queda.
82
A Única Verdade Possível

Quando se altera a data de cálculo da rentabilidade, verifica-se que a Wizs


teve um IPO em baixa, o que deu menos retorno para quem investiu desde
esse IPO (em 2015). Ainda no site Investidor 10, pode-se encontrar a diferença
de evolução do lucro de cada uma das empresas e a comparação dos
indicadores de ambas (que você pode, inclusive, selecionar os de seu
interesse), como se vê adiante, inclusive com a indicação de quais os
indicadores mais importantes e realmente necessários para serem exibidos.

Gráfico de comparação da evolução do lucro da WIZS3 e da APRE3, no site Investidor 10

Gráfico de comparação dos indicadores da WIZS3 e da APRE3, no site Investidor 10


83
A Única Verdade Possível

Filtros recomendados a serem inseridos previamente todas as vezes


que se for pesquisar por uma empresa, no site Investidor 10

É justo lembrar que quanto mais arriscada uma empresa, menor deve
ser o grau de exposição em sua carteira daquele ativo. No site do Investidor
Sardinha, é possível também obter uma análise resumida, ao digitar o nome
da empresa no buscador dentro da página. Contudo, caso você queira fazer
a sua própria análise comparativa, pode ir direto ao Investidor 10.

84
AULA 10

COMPRANDO E INSERINDO
NO DIAGRAMA

Uma vez feitas todas as análises, chega o momento de


inserir no Diagrama do Cerrado. Esse diagrama tem como
objetivo medir a resiliência das empresas, afinal, assim como
o cerrado, que é uma vegetação invertida, de raízes tortas e
maiores que a copa, sua carteira também deve seguir esse
mesmo delineado, e especialmente, o intuito é fazer
com que os investimentos a serem feitos lá tenham a mesma
resistência que o cerrado que, mesmo diante condições
hostis, consegue resistir e se manter em crescimento. As
árvores do cerrado são frondosas na base e que
justamente por isso, permanecem mesmo diante as
intempéries do tempo.
85
A Única Verdade Possível

L
ogo, não queremos as empresas que mais chamam atenção do público
em geral, mas as que possuem mais força e resistência, o que não
necessariamente quer dizer fama. Com base em perguntas de SIM e NÃO,
vamos definir uma nota de resistência para as companhias que sejam de nosso
interesse. Com base na resistência das empresas, será possível definir um
percentual máximo de exposição a risco. Todas as perguntas podem e DEVEM
ser alteradas por cada investidor, o importante é conservar a essência.

O Diagrama do Cerrado é uma sugestão compartilhada por quem o aplica


na prática, mas não deve ser tratado como sendo uma verdade absoluta. Os
alunos da AUVP, ao finalizarem essa aula, recebem o acesso ao cadastro que
irá dar permissão para entrar na gestão de carteira, onde será possível avaliar
as estatísticas. Nesse espaço, aparece o percentual de renda fixa e variável,
bem como o grau de exposição em investimentos em renda nacional e
internacional, com opções de ver os ativos em dólar ou em reais.

Acesso à Gestão de Investimentos na plataforma AUVP

Nesse diagrama do Cerrado, é possível também selecionar quais são os


valores de seu interesse dentro da análise de cada instituição, com a finalidade
de usar o algoritmo da plataforma para responder suas inquirições a respeito das
empresas que estiverem em sua mira de investimentos. Ali também constará
quanto percentualmente deverá ser aportado de renda fixa e de renda variável e
os valores. Ambos a serem definidos pelo investidor. Assim que se fizer essa
definição, o algoritmo apresenta a orientação sobre aportar imediatamente em
um determinado ativo ou esperar, a depender do que for inserido como meta.
86
A Única Verdade Possível

O diagrama irá lhe instruir quanto à análise, buscando dar uma nota para
os pontos da empresa no intuito de revelar qual o percentual deve ser investido
nela, com base nas características que representam risco ou potencial cres-
cimento, e que sejam logicamente coerentes com sua estratégia.

Perfil da WEGE3 no site da Fundamentus

Filtros do Diagrama na Plataforma da UVP na Gestão de Investimentos

87
A Única Verdade Possível

Entre os critérios, a serem colocados no filtro com intuito de receber


respostas coerentes na avaliação das empresas, estão qual o lucro
líquido da empresa, bem como sua dívida líquida, além do ROE (se
historicamente for maior que 5%) e como é a dívida ruim da empresa
(se o GAF for maior que 10 ou DL/P/L for menor que 50% ou ainda se
a dívida líquida em si for negativa). Também há a possibilidade de
inserir dados sobre crescimento da receita, os dividendos, quanto essa
companhia investe em tecnologia e pesquisa, qual seu lucro opera-
cional, seu preço dividido pelo valor patrimonial, a idade da empresa,
vantagens competitivas (se a empresa for a líder em seu setor, sendo
a primeira colocada), sua perenidade (um aspecto similar a idade, mas
que leva em conta a estabilidade dessa empresa ao longo de sua
existência desde a fundação), o tamanho (small cap, media cap ou blue
chip), como é a gestão da companhia (nível de governança, se há ou
não ocorrências de corrupção e fraudes divulgadas na mídia), seu teor
de independência (se é ou não estatal) e seu diagnóstico de P/L (se o
preço dividido pelo lucro está abaixo de 30).

Ao final, depois de responder a todos esses critérios, a plataforma dará


uma nota para a empresa no momento de inserir no diagrama do cerrado. A
partir disso, será recomendado aportar imediatamente ou não, assim como a
sugestão de quantos porcentos você deve ter daquele ativo.

88
AULA 11

COMPRANDO AÇÕES
NA PRÁTICA
Nesta parte, vamos ensinar como comprar uma ação na
prática, a partir da página de diversas corretoras diferentes.
Indo bem direto ao proposto, vamos abrir a página de uma
das corretoras, onde estarão todos os ativos que estão
listados nela (os que estiverem em outra corretora estarão na
respectiva página). Ao acessar a ala de compra de ações, você
terá que digitar o ticker de seu interesse, onde se deparará
com a melhor oferta do dia e, ali mesmo, irá definir qual
quantidade deseja comprar de um determinado ativo.

89
A Única Verdade Possível

Operação de compra do
ativo ENGIE3F, no mercado
fracionado
Página da Corretora Rico, na aba de compra de ações com
ênfase na compra do ativo ENGIE3

Também é possível comprar no mercado fracionário, que é a possibilidade


de adquirir ativos em menor quantidade do que a mínima possível.

A
depender do valor, a compra pelo mercado fracionário não compensa
em razão da taxa de corretagem em relação ao total do aporte. No
caso da ENGIE3F, esta taxa, para um montante de R$50,11, é de R$
7,50. Um valor que colocado percentualmente é mais do que 10% do total,
o que transforma essa pequena taxa em uma alta taxa quando comparada
com o todo aportado. Assim, sempre que for investir, é importante calcular
essa viabilidade em relação ao total. É válido lembrar que há corretoras com
taxa de corretagem grátis, portanto, é também muito relevante orçar em
corretoras distintas.

Indo diretamente no Home Broker, temos a visão do que de fato está


ocorrendo no mercado financeiro naquele momento, incluindo o valor ofere-
cido por quem quer comprar e a quantia oferecida por quem quer vender.
Basta que se procure por um ativo em específico que será possível verificar
por quanto tal ação está sendo negociada. Quando o preço de compra e
vende colide, ocorre a transação.
90
A Única Verdade Possível

A depender do valor, a compra pelo mercado fracionário não compensa


em razão da taxa de corretagem em relação ao total do aporte. No caso da
ENGIE3F, esta taxa, para um montante de R$50,11, é de R$ 7,50. Um valor que
colocado percentualmente é mais do que 10% do total, o que transforma essa
pequena taxa em uma alta taxa quando comparada com o todo aportado.
Assim, sempre que for investir, é importante calcular essa viabilidade em relação
ao total. É válido lembrar que há corretoras com taxa de corretagem grátis,
portanto, é também muito relevante orçar em corretoras distintas.

Indo diretamente no Home Broker, temos a visão do que de fato está


ocorrendo no mercado financeiro naquele momento, incluindo o valor ofere-
cido por quem quer comprar e a quantia oferecida por quem quer vender.
Basta que se procure por um ativo em específico que será possível verificar
por quanto tal ação está sendo negociada. Quando o preço de compra e
vende colide, ocorre a transação.

Home Broker da Corretora Rico

91
A Única Verdade Possível

Ordem de compra inserida no Home Broker da Corretora Rico

É possível inserir uma ordem de compra, com a data limite e o valor de-
sejado (mínimo e máximo/ star e stop) com sua devida quantidade. Caso esse
valor seja encontrado, a compra do ativo será efetuada. O mesmo se dá para
os casos em que se deseja vender ações. Basta colocar o valor pretendido na
venda, assim como a data e quantidade. Existe o botão de start, com o valor
mínimo, e o valor de stop, que é o valor máximo a ser negociado.

Página da Corretora Clear, em ênfase na compra do ativo EGIE3 e EGIE3F


92
A Única Verdade Possível

Ao entrar na página da corretora Clear, é possível também buscar por um


ativo específico, assim como colocar as ordens de compra e venda e acessar
o home broker. Uma vez que o valor limite pretendido se enquadrar no valor
que está sendo negociado, a compra é executada instantaneamente.

Essa questão de start e stop serve principalmente para medir o limite má-
ximo de perda e limite máximo de ganho. Os traders costumam trabalhar
bastante com esse mecanismo.

93
AULA 12

PRA QUE SERVE O


PREÇO MÉDIO?
Nesta parte, vamos abordar o que é o preço médio, para que
ele serve e como calculá-lo. Antes de mais nada, é importante
recordar que as ações mudam de preço a todo momento. Os
valores oscilam a todo momento. Assim sendo, o seu valor
patrimonial (enquanto detentor da ação) também oscila da
mesma maneira, acompanhando as altas e quedas das ações.
O valor que temos investido nunca é idêntico ao valor do
investimento, uma vez que logo após o aporte, esse valor já
terá se modificado. Como compramos ações da mesma
empresa em períodos diferentes nosso preço médio em uma
ação precisa ser calculado.

94
A Única Verdade Possível

N
esta parte, vamos abordar o que é o preço médio, para que ele serve e
como calculá-lo. Antes de mais nada, é importante recordar que as
ações mudam de preço a todo momento. Os valores oscilam a todo mo-
mento. Assim sendo, o seu valor patrimonial (enquanto detentor da ação) tam-
bém oscila da mesma maneira, acompanhando as altas e quedas das ações.

O valor que temos investido nunca é idêntico ao valor do investimento, uma


vez que logo após o aporte, esse valor já terá se modificado. Como compramos
ações da mesma empresa em períodos diferentes nosso preço médio em uma
ação precisa ser calculado. Desta forma, para saber por quanto você comprou
uma ação não basta ir na corretora e ver o valor da posição consolidada, pois
ali estará o valor atual das ações. O valor pelo qual você comprou estará nas
notas de corretagem que, todas as vezes em que você comprar uma ação, será
emitida pela corretora, como no exemplo abaixo (tipo um cupom fiscal).

Nota de Corretagem emitida pela corretora Rico com os valores pagos em cada ação

No caso de ter comprado várias ações em períodos diferentes, é neces-


sário descobrir qual o preço médio, tanto para inserir na Declaração de Im-
posto de Renda e para medir a rentabilidade. Declarar os valores, é diferente
de pagar os impostos. Declarar é apenas informar para a Receita Federal,
sobre a compra no início do ano. Isso é obrigatório. A Receita quer saber se
os seus investimentos são compatíveis com a renda que você declara. Só é
necessário pagar imposto quando se realizam vendas com lucro.
95
A Única Verdade Possível

Assim, para calcular o preço médio, basta somar separadamente os va-


lores que investiu e a quantidade de ações que comprou. Exemplificando a
conta, tem-se a figura abaixo, com a ação da WEG como exemplo.

Fórmula para calcular o preço médio da ação

Importante ressaltar que, caso do IR, só é necessário calcular as ações do


ano vigente à declaração. Além da funcionalidade do Preço Médio no IR, há ou-
tras finalidades úteis desse cálculo. É o caso da averiguação da rentabilidade.

Imagine que nós tenhamos investido em WEGE3 por um preço de R$


53,59. Essa ação foi parar em R$23,59. O que se pode fazer? Para empatar-
mos, uma vez tendo investido R$ 5.359 e 100 ações e estando com R$ 2.
359, a ação precisaria ter uma alta de 100%.

Gráfico de oscilação do preço da ação WEGE3


96
A Única Verdade Possível

É possível usar a queda a seu favor, basta que se denote a ação em queda
como ação em ação em promoção. Assim, a ação em queda será vista como
uma oportunidade de mais aporte e não de venda. Compras nas quedas cor-
rige seu valor, por isso, é vantajoso ter uma reserva de oportunidade. Acom-
panhe a figura abaixo, onde se aportou mais na perda e se fez um cálculo do
preço médio, visando a retomada do lucro.

Compra de ações da WEG3 após uma perda, no intuito de


aproveitar a queda para retomar a rentabilidade

Assim, usando mais dinheiro para comprar mais ativos, é possível subir
o preço médio de uma ação. Isso, desde que essa ação seja boa e desde que
a queda não tenha sido motivada por uma perda de fundamentos. Do con-
trário, é recomendável permanecer com a ação (ou aportar nas baixas) com
o objetivo de lucrar a longo prazo. Essa é, inclusive, a postura dos grandes
investidores no mundo. Eles aproveitam as crises para encher o carrinho.

Noticiário do comportamento de Warren Buffet e Luiz Barsi em relação aos aportes em momentos de crise
97
A Única Verdade Possível

Quando a crise chega, o ideal é investir sua reserva aos poucos. O ideal
é usar a reserva com calma e, à medida que a crise avançar, aumentar os
aportes, sem usar toda a reserva de oportunidade de uma só vez.

Em suma, sempre que você ouvir falar em crise na Bolsa de Valores, traduza
para promoção. Quanto menor o preço que você pagar nas suas participações
em boas empresas, melhor. Ter uma reserva de oportunidade não é obrigatório,
mas contribui exponencialmente com a construção do patrimônio.

Existem várias ferramentas que podem ajudar a acompanhar seus


investimentos, um deles é o Gorila. Nessa plataforma, você precisa
inserir manualmente um por um dos seus investimentos. Por ali, tam-
bém é possível colocar os valores de compra e quantidades de ações
para obter o preço médio. Caso não queira fazer forma manual no
Gorila, é possível acessar o portal do investidor ([Link]). Todo
mundo que investe no Brasil, possui uma conta no CEI. Basta que
você acesse a primeira vez e crie uma senha. Logo a seguir, todos os
seus investimentos que já estarão inseridos ali poderão ser transpor-
tados para o Gorila, permitindo o acompanhamento das ações e o
tal cálculo do preço médio.

98
AULA 13

PROVENTOS
Uma vez tendo se tornado sócio de uma empresa, você passa
a ter alguns direitos como acionista. Esses direitos são pagos
de 4 formas diferentes, são elas:

- Dividendos;
- Juros sobre Capital Próprio;
- Bonificação;
- Direitos de Subscrição.

Os dividendos, basicamente, são o direito de participação nos


lucros de uma empresa de capital aberto. Eles são pagos de
acordo com a quantidade de ações, como no exemplo abaixo.

99
A Única Verdade Possível

Exemplo de como funciona o pagamento de dividendos pela quantidade de ações

A
s empresas sempre informam qual o percentual do lucro ela irá distribuir
e o quanto ela paga por ação. De acordo com a lei das S.A (lei 6.404 de
1976), todas as empresas devem distribuir ao menos 25% do lucro lí-
quido em forma de dividendos. Contudo, vale ressaltar que ela só é obrigada
a distribuir esses dividendos se tiver registrado lucro. A empresa pode optar
ainda em investir o dinheiro no crescimento, o que faria com que esse lucro
não fosse registrado, logo, ela não teria que pagar os tais dividendos. Quando
esse tipo de situação ocorre, o patrimônio da empresa aumenta e você, como
sócio, dono de uma porcentagem, também vê o seu patrimônio se valorizar.

De modo geral, alguns investidores se sentem prejudicados ao não receber


dividendos, sendo que a empresa está reinvestindo no negócio. É necessário
entender que, ao reinvestir no negócio, a sua empresa cresce assim como seu
patrimônio, afinal, sendo acionista, você também é dono da empresa.
100
A Única Verdade Possível

Um exemplo claro de distribuição de dividendos é a Itaúsa (ITASA3 ITSA4)


que é a holding do Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4). Uma holding é uma empresa
que tem por objetivo social adquirir participação em outras empresas. O qua-
dro a seguir informa o quanto pagou em dividendos por ação no ano de
2019, 2018 e 2017.

Total de Dividendos pagos pela Itaúsa de 2017, 2018 e 2019

Diante do quadro podemos observar que, referente ao pagamento de


dividendos, o valor nominal e o valor líquido são os mesmos. Isso acontece
porque os dividendos são isentos de imposto de renda. Já no JCP (juros
sobre capital próprio), o imposto é retido na fonte, ou seja, a tributação
ocorre no momento do pagamento do provento. Abaixo, podemos identificar
como isso ocorre.

Remuneração paga aos acionistas seja em caráter de JCP, Dividendos ou Dividendos Adicionais
101
A Única Verdade Possível

O Juro sobre Capital Próprio é um outro tipo de provento que é


possível ter sendo acionista. No caso dos JCPs, o valor nominal e o
líquido são diferentes, uma vez que o recolhimento do imposto é feito
na hora do pagamento. Ao pagar Juros sobre Capital Próprio aos
acionistas, a empresa faz o lançamento como despesa e, com isso, há
um benefício fiscal, uma vez que o imposto foi repassado no momento
do pagamento e assim estará listado em seu relatório contábil.

Há empresas que optam pelo JCP, outras por dividendos e algumas pelos
dois (como é o caso da Itaúsa).

Além do pagamento do JCP ou dos dividendos, existe esse processo cha-


mado de bonificação. Esta é outra possibilidade que a empresa tem de fa-
vorecer os acionistas, dando a eles mais ações. É como se a companhia
pagasse os acionistas com mais ações da própria empresa, aumentando
assim a participação desse acionista na empresa.

No quadro abaixo, podemos conferir um histórico de eventos da em-


presa Itaúsa ao longo dos anos, incluindo as bonificações e subscrições.

Histórico de Eventos da Itaúsa (subscrições e bonificações de ações)

102
A Única Verdade Possível

As bonificações, assim como outros proventos, acontecem de acordo


com a posição acionária. Uma vantagem da bonificação é o “reinvestimento”
automático na própria empresa e o aumento de posição acionária. A em-
presa define uma proporção. O exemplo adiante mostra como isso ocorre.

Exemplo do estabelecimento de proporção de uma empresa para gerir suas bonificações

Todos esses direitos oferecidos aos acionistas e tratados ante-


riormente são exemplos de dar proventos aos sócios sem que estes
precisem se preocupar com o pagamento de impostos. No caso dos
dividendos, por serem isentos e caírem direto na conta, no JCP por
ter uma incidência de 15% já retida na fonte, o que também não cria
a obrigação de pagar imposto a partir dali, além das bonificações,
que são apenas a aquisição de ações e requerem apenas o informe
a ser feito para a receita em relação ao número de ações que o acio-
nista estiver portando. Basicamente, são direitos mais simples.

Contudo, há casos mais complexos. É o caso do direito de subscrição.


Diferente dos demais proventos, os direitos de subscrição não são entregues
de maneira automática. Você, enquanto acionista, PRECISA se manifestar.
Peguemos o exemplo da padaria do João a seguir.
103
A Única Verdade Possível

Exemplo de subscrição na padaria do João

Digamos que no IPO da padaria do João foram emitidas 100 cotas e


você adquiriu uma, o que correspondia a 1% da empresa. Assim sendo, logo
depois, a padaria do João decide que emitirá mais 100 ações novas, o que
transformaria os 100% da empresa, que antes eram 100 ações, em 200, e
a sua cota, que era de 1%, se transformar em 0,5%. Exceto, claro, se você
quiser comprar uma nova cota por um preço abaixo do mercado. Sem com-
prar a nova ação, você acaba sendo diluído a cada nova emissão de ações.

Tendo isso em mente, caso a empresa decida emitir novas ações,


ela tem que oferecer o direito de SUBSCRIÇÃO, assim, ela garante que
você possa comprar uma quantidade de ações, que seja suficiente para
manter a sua posição acionária na empresa.

Este direito de SUBSCRIÇÃO é importante para que, no longo prazo, a


relevância do sócio na empresa não diminua. Quanto maior a quantidade
de ações, maior o número de ações com preço diferenciado um sócio tem
esse direito de adquirir. Lembrando que exercer esse direito deve ser algo
feito em empresas nas quais o investidor acredita potencialmente. Do con-
trário, ser diluído ainda é uma opção melhor do que vender.
104
A Única Verdade Possível

Há ainda a oferta secundária, que é algo além do follow on (criação de


novas ações). Na oferta secundária, ao invés de criar novas ações, a empresa
pega as já existentes (em posse dos controladores por exemplo) e oferta no
mercado. Abaixo, ainda usando a padaria do João como exemplo, temos
uma explanação do que seria isso.

Exemplo de Oferta Secundária

No caso da oferta secundária, a questão da diluição não existe. Há,


porém, o caso da oferta restrita, que é quando a empresa opta por reali-
zar a oferta subsequente de ações a um grupo de investidores qualifica-
dos. Esses investidores, no entanto, não são escolhidos por acaso. Eles
devem atender a alguns critérios que os qualificam. Por exemplo, ser pes-
soa física ou jurídica com carteira de investimento superior a R$ 1 milhão.
Além disso, na oferta restrita, a empresa só pode dispor das ações a, no
máximo, 75 investidores. Contudo, somente 50 destes podem tomar
parte dessa oferta. Sendo você um acionista da empresa, estarão listadas
na corretora as opções de subscrições e as opções que competem ao perfil
das ações que você detiver.
105
A Única Verdade Possível

Acessando a página de investimentos na corretora, temos abaixo um exem-


plo de ação que ofereceu oportunidade de subscrição e para facilitar a com-
preensão, utilizaremos o exemplo para sinalizar como exercer esse direito.

Acesso da Corretora Rico, após acessar o menu de investimentos adquiridos, com ênfase
na subscrição oferecida pelo Fundo Imobiliário CSHG

Como se observa acima, na opção de subscrição do Fundo Imobiliário


CSHG, aparecem as quantidades totais e as quantidades disponíveis, assim
como o preço, percentual equivalente daquela oferta, data limite para subscri-
ção e para pagamento.

Cotação do FII CSHG no buscador Google

106
A Única Verdade Possível

Ao compararmos o preço da cotação vigente da ação, com o preço de


subscrição oferecido, é possível calcular quanto, em reais, essa oferta deu de
vantagem ao acionista que se subscrever. No caso, sendo o preço de subs-
crição R$ 155,37 e o da cotação no mercado da data pesquisada R$ 172,70,
o ganho, para quem fizer a subscrição, foi de R$ 17,33 por ação. Assim é
preciso calcular a quantidade desejada a adquirir (dentro das disponíveis para
aquisição), e multiplicar pelo preço de subscrição, assegurando a existência
desse valor disponível no saldo da corretora na data prevista, para que essa
compra seja efetivada.

107
AULA 14

DIVIDENDOS E DATA EX

A primeira coisa a ser esclarecida é que não existe impressão


de dinheiro. Logo, o dividendo não sai do nada, ele sai do
caixa da empresa. Os dividendos nada mais são do que a
sua participação nos lucros da empresa. O valor pago na
forma de dividendos saí do preço da ação. Pra facilitar a
compreensão, vamos ao exemplo da padaria do João,
contando toda a sua estrutura logística, maquinário, etc,
chegou-se à avaliação de 1 milhão de reais. Desse montante,
suponhamos que R$ 100.000,00 fosse dinheiro no caixa da
empresa. Veja a situação que ocorre nos quadros 1 e 2.

108
A Única Verdade Possível

Quadro 1

Quadro 2

109
A Única Verdade Possível

N
o exemplo supracitado, é possível ver que o valor dos dividendos sai di-
retamente do caixa. A empresa, inicialmente, faz um payout, que é a por-
centagem do Lucro Líquido do período que será distribuído em forma de
dividendos. Após definir o payout, chegamos ao valor que será pago por ação,
dividindo o montante pela quantidade de ações emitidas por esta companhia.
Além disso, é informado de quanto em quanto tempo será distribuído esses di-
videndos (se anual, trimestral, etc). Temos então a seguinte linha do tempo:

Linha do tempo de Dividendos

A empresa então, acompanhando essa linha do tempo, define então quando


será a DATA EX. Data ex-dividendos é a data na qual uma ação perde direito a
dividendos. Assim sendo, receberá os dividendos quem dormir com as ações
no dia da DATA EX. Exemplo: se a data ex for definida para o dia 15 de junho,
as ações compradas após essa data não receberão pagamento de dividendos.

Em síntese, a DATA EX é o dia no qual uma ação perde o direito a ter divi-
dendos. Tipo, se a data ex for 15 de junho, as ações compradas após essa data
não receberão o pagamento de dividendos. Deste modo, o valor dos dividendos
é descontado do preço da ação, exatamente como no exemplo da padaria. De-
pois disso, as ações podem cair ou subir normalmente, mas é importante frisar
que este valor saiu do preço, mesmo que a ação volte ao patamar anterior, uma
vez que esse valor foi removido.
110
A Única Verdade Possível

Abaixo, temos um exemplo de que formas a distribuição de dividendos cos-


tuma ser noticiada na mídia.

Notícia divulgada no portal Valor Investe no dia 17/02/2020

Se você não está na fase de viver de renda, é importante reinvestir todo o


valor recebido para aumentar o seu patrimônio. Na tabela abaixo, temos uma
demonstração da diferença dessa conduta na construção do patrimônio ao
longo do tempo.

Notícia divulgada no portal Valor Investe no dia 17/02/2020


111
A Única Verdade Possível

Olhando a tabela, se tem o valor reinvestindo os dividendos e sem reinvestir


os dividendos. Mesmo sem fazer aportes mensais, o reinvestimento de divi-
dendos uma vez ao ano possibilitou uma diferença enorme no montante acu-
mulado no término dos 10 anos. Além de aumentar seu patrimônio, o
reinvestimento de dividendos aumenta sua participação na empresa, o que
consequentemente aumenta os dividendos a serem recebidos no futuro.

Resumo final da diferença da progressão patrimonial com ações da Fleury (FLRY3)


tendo e não tendo o reinvestimento de dividendos

Para incrementar a compreensão da validade do reinvestimento dos divi-


dendos, temos mais um exemplo, onde U$ 100,00 investidos na bolsa ameri-
cana de 1871 a 2010, com e sem o reinvestimento de dividendos, teriam uma
variação no valor final de “APENAS” U$ 7.750.000,00.

Progressão patrimonial, com e sem reinvestimento de dividendos, no valor de


100 dólares aplicados na bolsa americana

A diferença patrimonial quando se pratica o reinvestimento dos dividendos é


colossal, uma vez que é o jeito com o qual você colocará os juros compostos tra-
balhando no montante aportado. Uma coisa essencial também a ser feita, inclusive
na hora de selecionar empresas para investir, é como calcular o Dividend Yield.
112
A Única Verdade Possível

Fórmula do cálculo do Dividend Yield

Apesar de ser um indicativo de que a empresa vem apresentado bons re-


sultados (pois só paga dividendos quem tem lucro), os dividendos não são um
fator decisivo na hora de investir. É preciso analisar se a distribuição de divi-
dendos não está sendo prejudicial para a empresa. Para que a empresa cresça,
é necessário fazer aquisições e investimentos.

É arriscado escolher uma empresa para aportar, levando em consideração


apenas o quanto ela distribui em dividendos. Imagine que você encontre uma
empresa que paga 10% de Dividend Yield, ou seja, num investimento de 100
mil reais, ela pagará 10 mil reais por ano.

Após uma década desse investimento, a empresa cresce pouco, pois


a maioria do dinheiro que ela usou foi para pagar os dividendos prome-
tidos. Assim, o seu patrimônio total passa a ser, após os 10 anos, 200 mil
reais investidos em totalidade na companhia (considerando o valor in-
vestido + o recebido em dividendos).

Em contraposição, um outro investidor, menos imediatista, opta por aportar


em uma empresa que apresenta um bom crescimento, mas que paga apenas
2% de dividendos. Investindo 100 mil, o retorno seria anual de 2 mil. Após 10
anos, essa empresa cresce e esse investidor vê seu patrimônio se valorizar e
crescer. Ao final de 10 anos, ele tem R$ 1.000.000,00. Assim sendo, ele recebe
os mesmos 20 mil de renda que você, graças ao Dividend Yield de 2%. Isso
quer dizer que 2% de muita coisa é muito melhor do que 10% de pouco.
113
AULA 15

DESDOBRAMENTOS E
AGRUPAMENTOS
Outra coisa comum de ocorrer no mercado é o
desdobramento (split) e o agrupamento (inplit).
Começando pelo desdobramento ou split, podemos
começar dizendo que, quando temos uma nota muito
grande, é normal se ver com dificuldade por não ter
dinheiro trocado. Assim, é algo comum que a gente
procure trocar essas notas maiores por algumas
menores e equivalentes ao valor da maior, que é bem
menos líquida que as de valores inferiores.

114
A Única Verdade Possível

O
utra coisa comum de ocorrer no mercado é o desdobramento (split) e o
agrupamento (inplit). Começando pelo desdobramento ou split, podemos
começar dizendo que, quando temos uma nota muito grande, é normal
se ver com dificuldade por não ter dinheiro trocado. Assim, é algo comum que
a gente procure trocar essas notas maiores por algumas menores e equivalentes
ao valor da maior, que é bem menos líquida que as de valores inferiores.

Algo similar é o que ocorre com as ações. O preço delas aumenta e, com
isso, elas começam a se tornar menos líquidas. Para dar mais liquidez, a em-
presa pode optar por desdobrar suas ações em partes menores, como no exem-
plo a seguir, onde para resgatar um lote (100 ações) não seriam necessários
10 mil reais e sim 1 mil reais.

Figura exemplificando o desdobramento de uma companhia

A única melhoria seria o aumento na liquidez e esse aumento pode fazer a


cotação subir novamente, já que mais pessoas podem comprar a ação agora.
Investidores iniciantes podem confundir e achar que a ação caiu, o que pode
incorrer numa súbita vontade de comprarem ações sem entender o movimento,
o que irá, de fato, fazer com que o preço delas suba.
115
A Única Verdade Possível

Abaixo, colocamos um aviso feito pela empresa Sinqia RI, informando seus
acionistas sobre um desdobramento que faria nas ações SQIA3. No comunicado,
constam informações sobre as datas relacionadas ao desdobramento, número
de ações de antes e depois, valores negociados e demais dados relevantes.

Notificação enviada pela Sinqia para seus acionistas, informando


sobre desdobramento nas ações SQIA3

Em regra geral, o desdobramento é um sinal positivo, indica que a em-


presa está crescendo e, por isso, precisa aumentar a liquidez de suas ações.
A ação se valorizou.

Grupamento ou Inplit é basicamente o contrário e ocorre quando o preço


da ação cai demais, é normal que ela faça um grupamento, criando espaço para
cair ainda mais. É sempre um sinal ruim. Ao invés de dividirmos uma ação em
vários, vamos agrupar várias ações em uma ação. Muitas vezes acontece para
cumprir a regra, que determina que uma empresa não pode ser cotada abaixo
de R$ 1 no Brasil, durante muito tempo. Abaixo, segue fragmento onde se en-
contra a determinação da BM&fBovespa, a respeito do valor das ações.
116
A Única Verdade Possível

Trecho do Manual do Emissor

Para ter mais espaço para acompanhar a queda da cotação, a ação se agrupa,
justamente tendo mais chances de amparar a baixa no valor que, como foi esta-
belecido, não pode negociar uma ação por menos de 1 real. Portanto, em geral,
os grupamentos são uma oposição à liquidez daquela ação, significando que ela
está performando mal no mercado. A seguir, temos uma notificação de grupa-
mento, elaborada pela Tecnisa, para seus acionistas da ação TCSA3.

TECNISA S.A.
Companhia Aberta
CNPJ
P n° 08.065.557/0001-12
NIRE [Link]

AVISO
S AOS ACIONISTAS

GRUPAM
P ENTO DAS AÇÕES

TECNISA S.A., sociedade anônima, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na
Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.72 7 9, 1º andar, Itaim Bibi, CEP 04538-133, com seus atos
constitutivos arquivados na Junta Com o ercial do Estado de São Paulo 0 JUCESP sob b o NIRE
35.30
300.3
0 331.61
613,
3 inscrita no CNPJ sob o nº 08.065.55557/0001-12, registrada na Comissão de Valores
/.-,+,*',.&% $#CVM"!% ..% .,% -'% .',% #"% &.-% .% ,.% -5, com suas ações
. ,&% % -.+&% % +.'&% &.-% .% ,.% # "% $#Companhia"! % % ., ,% .% .%
Relevante divulgado em 18 de março de 2020, comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral,
que, em Assembleia Geral Extraordinária á da Companhia realizada, em segunda convoccação, na
'&%%$#AGE"!% .,%'..%.%' .%%.+,%&%&%.',*',& %.,,& %
escriturais e sem valor nominal, de em missão da Companhia, na proporção de 10 (dez) açções para
formar 1 (uma) ação,
ação sem modificação o do valor do capital social,
socia
al nos termos do art. 12 da Lei das
%$#Grupamento"! % . .'%-,.

1. Quantidade de Ações Grupadas. Será grupada a totalidade das 736.192.307 (setecentas e


trinta e seis milhões, cento e noventa e duas mil, trezentas e sete) ações ordinárias, nom
minativas,
escriturais e sem valor nominal, de emiissão da Companhia.

2.
2 Ajuste da Posição Acionária. Durante o prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da AGE,
AGE
isto é, entre 6 de maio de 2020 e 4 de junho de 2020, os acionistas
a poderão realizar ajustes em suas
posições acionárias em lotes múltiplos de 10 (dez) ações ordinárias de emissão da Companhia a fim
de preservar a titularidade de um número inteiro de ações após ó o Grupamento. Os ajustes serão
realizados pelos próprios acionistas, a seu livre e exclusivo critério, por meio de neggociações
privadas ou por meio de sociedades cor o retoras de sua livre esccolha autorizadas a opera
ar pe la B3
S.A. 0 '&,+ %.+& %+ .%$#B3"!

Aviso da Tecnisa sobre o Grupamento das Ações TCSA3, encaminhado para seus acionistas

Neste caso, também constam as datas, mudanças na quantidade e valor


das ações e demais especificidades relacionadas à posição acionária.

117
AULA 16

ALUGUEL DE AÇÕES
Para compreender como funciona o aluguel de ações, é
preciso inquerir o porquê de alguém ter o interesse em
alugar uma ação. Primeiramente, para vender uma
ação na Bolsa de Valores, não é necessário ter essa ação.
Inclusive, a Bolsa de Valores é o único lugar do mundo
onde isso acontece. Em geral, quando se fala em vendas
de ações, costuma se falar sobre day trade ou swing trade.
Vou exemplificar abaixo o procedimento, mas já vale
adiantar que se trata de uma estupidez. Imagine que a
gente quisesse vender uma ação da Petrobras (PETR3)
mesmo sem tê-la.

118
A Única Verdade Possível

Aviso da Tecnisa sobre o Grupamento das Ações TCSA3, encaminhado para seus acionistas

A
ideia da compra de uma ação para venda parte do princípio da especu-
lação. Imagina-se que será possível lucrar com a queda ou alta de uma
ação. Em geral, quem aluga, pensa que o preço cairá e, por isso, realiza
uma operação chamada de venda a descoberto. Funciona da seguinte forma:

Figura 1 - Demonstrativo de como funciona a venda a descoberto


119
A Única Verdade Possível

Figura 2 - Demonstrativo de como funciona a venda a descoberto

É possível, como se viu no modelo acima, pegar emprestadas as ações


de alguém que estiver alugando as próprias ações. Em uma operação de
day trade, no início do dia, você vende a ação que não tem e, ao final do
dia, compra essas ações de volta. Se o preço de venda for maior do que o
de compra, você terá lucro. Do contrário, prejuízo.

Demonstrativo de lucro ou prejuízo no procedimento de aluguel de ações em operações de trade


120
A Única Verdade Possível

Esse procedimento de pegar um ativo emprestado para efetuar uma venda


nele e, depois disso, devolver o ativo ao dono original dele, jamais funcionaria
em qualquer outro segmento. Seria impossível pegar a casa de alguém empres-
tada e vende-la, podendo devolver essa casa para o proprietário inicial. No caso
das ações, elas são homogêneas e só são emprestadas por investidores que dis-
ponibilizam essas ações, por não terem intuito de vendê-las em um curto prazo.

Assim sendo, a maior dúvida a respeito desse tema é sobre os riscos


que ele envolve exatamente para esse investidor de longo prazo. Logo,
existe o risco de quem empresta a ação, não recebê-la de volta? Não. O
dinheiro estando em custódia na corretoria você teria seu dinheiro pro-
tegido em absoluto. Quanto aos dividendos, o mesmo ocorre e a corre-
tora repassará os dividendos. A única coisa que muda é que o investidor
que empresta suas ações não pode vender nenhuma delas, enquanto
estiverem alugadas.

Em regra geral, essa possibilidade de operar a curto prazo em busca da ala-


vancagem, permite que uma pessoa opere dezenas de vezes alavancado, ou seja,
com um dinheiro que ela não tem. Em suma: é o caminho perfeito para o fracasso.
Primeiramente, observe o gráfico de alavancagem disponibilizado pela corretora.

Tabela de Alavancagem disponibilizada


pela corretora, com a lista de ativos e
seus multiplicadores
121
A Única Verdade Possível

Desenhando o problema da Alavancagem

É absolutamente desaconselhado alugar ações para vender, uma vez que


o risco de errar em sua estimativa é grande e assim, uma vez que se trabalha
com um dinheiro que você não possui, você adquirirá uma dívida no valor ala-
vancado, fora o que ficar devendo para a corretora para custear esse processo.

Contudo, sendo um investidor de longo prazo, é vantajoso em determi-


nadas circunstâncias alugar suas ações para essas operações. Há um rece-
bimento por isso, ainda que bem pequeno, que dependendo do valor pode
nem compensar a dor de cabeça de ter suas ações travadas para qualquer
venda até que sejam ‘devolvidas’. Abaixo, segue a tela da corretora com al-
gumas transições, incluindo o valor de ganho por aluguel de ações (que po-
derá ser identificado como TAXAS BTC).
122
A Única Verdade Possível

Painel da Corretora Rico com transações ativas, incluindo pagando de alugueis de ações (taxas BTC)

Quanto maior a oscilação de um ativo, maior a procura por transações


de curto prazo, o que tende a aumentar a taxa paga para quem aluga. Ainda
assim, é importante verificar o valor pago é bem pequeno, vale ponderar se
de fato compensa, uma vez que a maior parte do lucro nessas transações.

Na prática, para disponibilizar suas ações para aluguel, é preciso


preencher o Formulário de Aluguel de Ações da corretora (conforme
abaixo). A corretora informa sempre quais as condições para o doador
(quem disponibiliza ações via aluguel) e para o tomador (quem aluga as
ações), incluindo as taxas e comissões que possam aumentar a rentabili-
dade dos envolvidos na operação.

123
A Única Verdade Possível

Formulário de cadastro para Aluguel de Ações da corretora Rico

Uma vez tendo preenchido o formulário, as ações estarão disponíveis para


essas operações imediatamente. Enquanto estiverem alugadas, as ações não
apareceram para venda no broker, mas os dividendos serão pagos normal-
mente. O que você não pode é vender essas ações enquanto elas estiverem
alugadas (você precisaria esperar que elas fossem devolvidas), contudo, qual-
quer problema de insolvência, a corretora lhe devolverá o dinheiro.

124
A Única Verdade Possível

AULA 17

ÍNDICES E ETFs
Uma das maiores dúvidas relacionadas à questão dos
índices é a respeito do significado do famoso Índice Bovespa.
Em síntese, este índice corresponde a uma carteira teórica de
investimentos, feita pela B3 (Bolsa, Brasil, Balcão), que é a
empresa responsável pela nossa bolsa de valores. Inclusive, a
B3, antigamente, se chamava BM&F BOVESPA. Contudo, esse
nome ficou tão popular que, mesmo após o rebranding, o
nome Índice Bovespa permaneceu. As nomenclaturas são
bastante difundidas, sendo a parte index, que significa índice,
BVMF, que é a segunda parte e indica qual índice é, e a
terceira parte, IBOV, que se refere ao ticker do índice.

125
A Única Verdade Possível

Representação da oscilação do índice Ibovespa (INDEX/BVMF IBOV)

O
índice costuma funcionar em horário comercial e tem oscilações ao
longo do dia como qualquer outra carteira de ações. A única função
do índice é indicar se a Bolsa de Valores, de modo geral está caindo
ou subindo. Para tanto, eles compilaram em uma carteira, as ações mais ne-
gociadas, com as porcentagens ideais de acordo com o grau de relevância de
cada uma delas no mercado. Assim, a cada 4 meses, essas porcentagens são
modificadas para que o índice reflita fielmente a realidade do mercado.

Para montar essa carteira, eles utilizaram algumas regras importantes.


Dentre as regras para essa elaboração, duas se destacam: as ações listadas
ali não podem valer menos de R$ 1,00 (Penny Stocks). As ações somadas
(55ª 65 empresas, a depender do período) precisam corresponder a 80%
de todo o volume negociado na Bolsa de Valores nos últimos 4 meses. Por
isso, é uma representação realista do mercado como um todo.

Sendo o IBOVESPA uma carteira de ações, os pontos nada mais são do


que o valor pago que seria gasto em reais para comprar os ativos (literal-
mente). É o quanto você gastaria para comprar essa carteira hipotética. Da
mesma forma, ao redor do mundo, há outros índices para fornecer as diretrizes
de confiança do mercado para os investidores. Obviamente, outros índices
usam outras proporções e outras empresas em sua composição.
126
A Única Verdade Possível

Índice Standart & Poor´s, Índice Dow Jones e Índice Nasdak

A verdade é que não existe forma de investir diretamente no índice. Para isso,
seria necessário copiar a carteira, e comprar as mesmas ações, acompanhando
as atualizações. Contudo, existem os ETFs que, basicamente, fazem isso. O ETF é
um fundo que replica o comportamento do índice, comprando as mesmas ações,
na mesma proporção e atualizando à medida que o índice for atualizado.

O termo ETF quer dizer “Exchange-traded fund” ou em português


“Fundos Negociados em Bolsa”. Aqui no Brasil, o ETF que simula o IBO-
VESP é o BOVA11.

BOVA11 (Índice que simula o IBOVESPA)


127
A Única Verdade Possível

Assim sendo, pelo valor cotado desse ETF é possível comprar uma par-
ticipação em todas as empresas que compõem o IBOVESPA. Logo, a oscila-
ção que incidirá nesse fundo será a mesma que a do Índice Bovespa.

Outra opção que replica um índice é IVVB11. Este ETF replica o índice S&P
500, que é o índice americano das 500 maiores empresas da Bolsa dos Estados
Unidos (EUA). Um detalhe relevante é o fato dessa replicação ocorrer em dólar,
deixando uma exposição também em moeda americana na carteira dos in-
vestidores que comprarem o IVVB11. Isso, inclusive, quer dizer que se o dólar
subir, ainda que o índice S&p 500 caia, o valor em carteira nacional subirá por
conta da alta da moeda.

ETF IVVVB11 que replica o Índice Standart and Poor´s

No Brasil, há um número restrito de ETFs, porém, há milhares de opções


no mercado americano. A diversidade é realmente imensa. Ainda que isso es-
teja mudando ao longo do tempo.

128
A Única Verdade Possível

ETFs norte-americanas Advisorshares T/PURE CANNABIS ETF, Technology Select Sector


SPDR Fund e PowerShares QQQ Trust Series 1

Lista de ETF´s existentes no mercado brasileiro

Ainda que sejam fundos, o processo de compra é exatamente o mesmo que


se realiza para comprar uma ação. E parar gerir todas as ações inseridas nesses
fundos, também é importante dizer que é cobrada uma taxa de administração.
129
A Única Verdade Possível

Existem desvantagens nos investimentos em ETF´s, a começar da pouca


oferta e da quase nula variedade deles, sobretudo, aqui no Brasil, onde se en-
contram pouquíssimas opções de ativos. Além disso, os ETF´s não pagam divi-
dendos, eles reinvestem os ganhos. Isso pode ser uma boa para alguns, uma vez
que o reinvestimento já é realizado de forma automática. Contudo, por não re-
ceber os dividendos, você pode acabar não aproveitando momentos e oportuni-
dades para reinvestir esses dividendos em outros lugares, se eles fossem pagos.

Outra questão é que não há isenção fiscal nas vendas, algo que é as-
segurado para negociações de até R$ 20.000,00 em vendas com lucro. No
caso dos ETF´s, isso não existe. Qualquer venda com lucro, gera a neces-
sidade de emitir uma DARF e de fazer o recolhimento do imposto devido.

Até por conta disso, é seguro dizer que é mais viável comprar até mesmo
o IVVB11 no exterior, se você comprasse esse índice aqui no Brasil, você pa-
garia uma relativa taxa. Como o IVVB11 replica o índice S&P, seria mais fácil
comprar o ETF que replica o mesmo índice lá fora. Ou seja, em dólar.

Para sintetizar, seguem então os principais ETF´s disponíveis no Brasil.

Lista de ETF´s disponíveis no Brasil

Via de regra, os ETF´s no exterior costumam ser muito mais vantajoso


e, por isso, é aconselhável aguardar o módulo de investimentos no exterior
para esmiuçar melhor esses pormenores.
130
AULA 18

FUNDOS IMOBILIÁRIOS

Um investimento que tem se tornado cada vez mais famoso


no Brasil são os fundos imobiliários. Basicamente, esses
fundos são uma espécie de condomínio de investidores.
Normalmente, o capital dos investidores é utilizado para a
aquisição de terrenos e construções de imóveis. Após a
construção, esses imóveis são locados ou arrendados e
esse é o chamado Fundo.

131
A Única Verdade Possível

E
sses investidores unem recursos para comprar imóveis ou proprieda-
des. Depois disso, eles alugam os imóveis adquiridos. Como o dinheiro
de todos os alugueis, os esses investidores, de acordo com o capital
ali investido, definem cotas. Após isto, cada um receberá sua participação
nos lucros com os alugueis.

Esses investidores unem recursos para comprar imóveis ou propriedades.


Depois disso, eles alugam os imóveis adquiridos. Como o dinheiro de todos os
alugueis, os esses investidores, de acordo com o capital ali investido, definem
cotas. Após isto, cada um receberá sua participação nos lucros com os alugueis.

Como funcionam os Fundos Imobiliários

Estando unidos, as pessoas podem acumular um valor muito acima somando


o dinheiro de todos e dividindo em partes correspondentes. Reunidos, obviamente
essas pessoas têm um valor mais elevado para comprar algo maior e melhor.

Nesse processo de elaboração dos fundos tributários, os investidores


elegem um deles para se tornar o gestor do fundo, para que essa pessoa
fique encarregada de auxiliar nas medidas a serem tomadas no dia a dia do
fundo. Uma vez eleito pelos cotistas, esse gestor será quem tomará decisões,
com base sempre no regulamento do fundo, de qual operação realizar, qual
imóvel comprar, qual alugar, quem será o inquilino, entre outras coisas. Além
de investir em imóveis físicos, os fundos podem investir em títulos relacio-
nados ao segmento imobiliário (CRI´s e LCI´s).
132
A Única Verdade Possível

Como todo investimento tem um risco, nos imóveis não é diferente. Os in-
vestimentos podem ser bem sucedidos ou não. Isso determina o quanto cada
cotista irá receber com base no lucro apurado. A soma do dinheiro e propriedades
compõe o patrimônio do fundo, que é dividido em frações desse mesmo fundo.

Da mesma forma que o investidor como sócio não pode se considerar


dono do imóvel, também não lhe será incumbida nenhuma responsabilidade
por aquele imóvel. Seja por cobrar aluguel, reparar danos causados por
algum desastre, ou qualquer outra coisa do gênero. O investir, enquanto co-
tista, tem responsabilidade limitada, da mesma forma que é com as ações.

Importante reforçar que investir em imóveis não é a


mesma coisa que investir em fundos imobiliários,
especialmente, por estes últimos possuírem
algumas vantagens em relação aos imóveis de fato:
- LIQUIDEZ: as cotas de Fundos Imobiliários possuem alta liquidez, ou
seja, você pode se desfazer de sua participação de maneira muito mais
simples do que seria vender um imóvel seu efetivamente.

- PREÇO: ser cotista de um fundo demanda um investimento muito


menor do que comprar um imóvel para alugar ou arrendar. O montante
imobilizado ao investir em um fundo é muito menor.

- PRATICIDADE: ao investir em fundos imobiliários, diferentemente do


investimento em imóveis, você não precisa se preocupar com problemas
cotidianos como inquilinos, IPTU, alugueis em atraso, entre outros.

- PREVISIBILIDADE: por lei, os FII´s precisam distribuir 95% dos


rendimentos em forma de dividendos. Por isso, há uma previsibilidade
maior no recebimento de proventos.
133
A Única Verdade Possível

- DIVERSIFICAÇÃO: acima de tudo, investindo em um fundo, você


diversifica muito mais do que comprando um imóvel. Com uma cota,
você pode ter participações em diversos imóveis. Esta, inclusive, é a
maior vantagem desses investimentos. Você pode ter participação em
um shopping, uma sala, um prédio, algo muito menos arriscado do que
ter apenas uma casa e, assim, caso ela se desocupasse, ficaria sem o
rendimento, além de ter apenas ela como fonte de recebimento. Caso um
inquilino atrase, por estar dentro do fundo e por estar em mais fundos,
isso teria um impacto ínfimo em sua vida financeira, o que não
aconteceria caso você fosse dono de um imóvel concretamente. Além do
quesito da renda, a questão da localização é outra vantagem.

- ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA: no Brasil, os FII´s são isentos de


Imposto de Renda no recebimento de alugueis. No entanto, qualquer
venda nas cotas (COM LUCRO) é necessário que seja recolhida a
devida tributação.

A seguir, podemos ver um exemplo do informativo de Pagamento de


Proventos, onde está listado o nome do fundo, seu ticker, nome responsável,
cnppj e demais dados do empreendimento, datas (da informação, data-base
e data de pagamento), valor dos proventos e assim por diante.

134
A Única Verdade Possível

Exemplo de um documento de Informações sobre Pagamento de Proventos do


Fundo Imobiliário Kinea (KNRI11)

135
A Única Verdade Possível

Assim como ocorre com as ações, nos Fundos Imobiliários pode ocorrer
as Subscrições. Os proventos são pagos de acordo com a quantidade de
cotas, do mesmo modo que ocorre com a posição acionária. As maiores di-
ferenças, portanto, entre ações e FII´s basicamente são a não existência de
diferenciação de cotas, como ocorre no caso das ações, onde há ações or-
dinárias e preferenciais. Além disso, os fundos imobiliários não podem ser
endividar, ou seja, o único patrimônio é o dos cotistas do fundo. Nos FII´s
também ocorre uma distribuição de 95% do lucro obrigatoriamente. Ali,
também não há crescimento expressivo, assim como se vê nas empresas da
Bolsa, uma vez que a valorização patrimonial de um fundo é muito mais
lenta do que a de uma empresa. Até porque os FII´s são obrigados a distri-
buir 95% do lucro, logo, não irão construir um novo imóvel usando os pro-
ventos. Por fim, também pode-se dizer que não há distinção entre o mercado
padrão e o fracionário (lotes).

Também vale destacar a não volatilidade dos preços que é muito menor.
Isso acontece pois é mais fácil precificar os fundos com base em seu patri-
mônio, uma vez que são imóveis. Mesmo em momentos de crise, os preços
das cotas caem de maneira diferente do que no caso das ações. Abaixo, po-
demos identificar essa diferença nas oscilações de acordo com o comparativo
abaixo entre as variações de valor do Ibovespa e do IFIX.

Comparativo entre as oscilações do Índice Bovespa e do IFIX


136
A Única Verdade Possível

Em suma, é possível elencar algumas vantagens e desvantagens do in-


vestimento nos Fundo Imobiliários.

Comparativo de Vantagens e Desvantagens

Independentemente do quão atrativo possam ser os Fundos Imobiliários, é


importante lembrar que é essencial ponderar diante de seu perfil e estratégias,
bem como balancear as suas vantagens e desvantagens desse tipo de ativo.

Também é importante averiguar quais os tipos de fundos imobiliários


existem disponíveis e o ramo de atuação de cada um. Abaixo estão lista-
dos os principais:

Principais Fundos Imobiliários no Brasil


137
A Única Verdade Possível

Os fundos de desenvolvimento imobiliário são classes mais arrisca-


das, porém, que oferecem um potencial de ganho maior. A gestão desse
tipo de fundo atua na construção de imóveis para a comercialização vi-
sando o lucro. Como lidam com um prazo muito apertado, esse prazo
acaba sendo para investidores com perfil de risco maior. As obras podem
sofrer de diversos problemas, o que atrapalha o rendimento para os co-
tistas. Alguns exemplos de risco são licenças ambientais, imóveis não
vendidos, habite-se ou o preço da obra estar acima do esperado. Esses
fundos são indicados para investidores com mais sangue frio, uma vez
que esses riscos podem impactá-los de forma mais ampla. O risco desse
tipo de fundo é enorme, é como se você fosse sócio do incorporador.
Temos alguns exemplos do tipo mais conhecidos, quais sejam:

- MFII11
- CTXT11
- RBDS11
- RBBV11

Também existem os Fundos de Renda de Shopping. É uma classe de


fundos que pertence a empreendimentos em Shopping Centers. Eles têm
por objetivo alugar os espaços comerciais dentro dos Shoppings para lo-
jistas etc. Uma característica importante dentro dessa classe de fundo é
a recorrência da receita. Além de recorrência na receita, um quesito es-
sencial é a diversificação, uma vez que esses fundos possuem contratos
com diversos lojistas. Outro ponto importante é a questão da baixa va-
cância (imóveis vagos, ou seja, sem inquilinos), que, em um shopping,
por ter várias salas para alugar, nunca dependerá de um único locatário.
Inclusive, durante a pandemia do COVID-19, muitos desses fundos sofre-
ram em razão dos lockdowns que obrigaram os shoppings a fechar, in-
correndo com isto, na perda de inquilinos em muitos deles. Entre os mais
famosos estão, XPML11, FIGS11, FLRP11 e ABCP11.
138
A Única Verdade Possível

Também existem os fundos que têm por objetivo alugar imóveis co-
merciais e instalações logísticas entram na classe de Fundos de Lajes Cor-
porativas e Galpões Logísticos. As instalações comerciais são basicamente
imóveis corporativos em grandes edifícios comerciais. Já os galpões logís-
ticos são grandes áreas destinadas a estoque e logística de mercadorias.
Tais fundos, apesar de serem voláteis e de dependerem muito do ânimo
do mercado, possuem contratos menos susceptíveis a cancelamentos. Os
mais conhecidos são o FFCI11, BMLC11B, EDGA11B e o HGLG11.

Existem ainda os Fundos de Hotéis que, da mesma forma que os de-


mais, exploram a atividade imobiliária, com o diferencial de terem o setor
hoteleiro como foco. Podemos citar o BRHT11B e o HTMX11B como dois
fortes exemplos dessa classe.

Há também os Fundos de Escolas, Universidades e Hospitais


que tendem a ser num pouco mais complicados por estarem
vinculados à atividade pública. Nesse âmbito, o fechamento
de um hospital, uma ordem de despejo, quando estão
diante dessa questão da utilidade pública, se tornam mais
difíceis e isso pode interferir na rentabilidade. Exemplo do
tipo são o AEFI11, o FAED11B, o FCFL11 e o HCRI11.

Há os fundos que são voltados apenas para alugar imóveis apenas


para hospitais e cujo nome é exatamente esse: Fundos Imobiliários de
Hospitais. Assim como na classe de ativos que falamos anteriormente,
esses fundos estão diante de uma atuação mais complicada. Exemplos
do tipo são o HCRI11B (Hospital da Criança)) e NSLU11B (Hospital Nossa
Senhora de Lourdes).

139
A Única Verdade Possível

Existem ainda os Fundos de Fundos que são os que compram cotas de


outros fundos. São extremamente diversificados exatamente por mirarem
em uma variedade maior de outros fundos. Apesar de serem ótimos, vale
reforçar que possuem uma dupla cobrança na taxa de administração, sendo
uma taxa paga à gestão do fundo de fundos e a outra que é cobrada dire-
tamente dos fundos em que ele investe. A administração dessa classe de
ativos faz uma gestão ativa diversificando a carteira e aproveitando bons
momentos para adquirir novas cotas. Os fundos de fundos desempenham
um papel protetivo na carteira, por estarem diversificados em outros fundos.
Os mais famosos do tipo são TFOF11, o BCFF11, o CXRI11 e o PLRI11.

Avançando, tem-se ainda os Fundos de Compra e Venda de Imóveis


que são voltados a localizar oportunidades de comprar e vender imóveis
visando o lucro (chamada especulação imobiliária). Por depender de
boas oportunidades no mercado imobiliário, estes fundos estão susce-
tíveis à situação do mercado. Por este motivo, seus rendimentos são
mais variáveis. O BRCR11 é um fundo que representa essa classe.

Os Fundos de Recebíveis Imobiliários são fundos que investem em recebí-


veis imobiliários, aqueles que foram ensinados no módulo de renda fixa. In-
vestimentos em CRI´s (certificados de recebíveis imobiliários) e LCI´s letras
de crédito imobiliário. São ativos com alta rentabilidade, porém, acompanha-
dos de um alto risco. Os fundos desse segmento precisam ter uma boa saúde
financeira por cona da volatilidade no recebimento. Leia-se: risco de calote,
por isso é necessário ter cautela. Ainda assim, é mínima a incidência conhecida
de casos assim e, inclusive, eles são bem populares entre os iniciantes, por
conta da procura por esta alta rentabilidade e pelo fato de os riscos serem
desconhecidos. Podemos destacar o VRTA11, o KNCR11 e o MXRF11.

Os Fundos Mistos também compõem uma das classes de fundos que,


neste caso, investe em aplicações financeiras, sejam em recebíveis, com
os fundos de recebíveis, e em imóveis físicos. A atuação inclui aquisição,
incorporações demais atividades relacionadas. É o que fazem os JSIM11,
FGFLB, MBRF11 e MFII11.
140
A Única Verdade Possível

Os principais fatores para se analisar começam com a avaliação do Di-


vidend Yield. Ou seja, do quanto está sendo pago em proventos aos cotistas.
No caso do Yield, existem algumas nuances como o tipo do fundo (os riscos
envolvidos, como vimos o caso dos fundos de recebíveis cuja rentabilidade
é alta assim como o risco. Deve-se estar atento à retenção do rendimento
para pagar um valor acumulado em um mês específico (o que faz com que
o Yield seja distorcido). Além disso, é imprescindível analisar a constância
nos pagamentos, para se ter uma noção real do indicador.

Também é importante ter como fator de análise o P/VPA (preço sobre


o valor patrimonial). Nos fundos, este indicador não pode ser muito alto,
uma vez que estamos falando de imóveis, que são bem avaliados e pre-
cificados pelo mercado. A única coisa que um fundo tem é o seu patri-
mônio. Não faz sentido um PVP muito elevado. É como se você estivesse
comprando um imóvel que vale R$ 1 milhão por R$ 1.500.000,00. O ideal
é que o valor seja o mais próximo de 1 possível para evitar perdas por
uma inflação no valor. Assim, na hora de investir em fundos imobiliários,
é sempre necessário pagar um preço justo.

Também é essencial observar os imóveis do fundo, quantidade, clientes


e localização. Como os fundos imobiliários atuam com base em seus imóveis,
é mais do que necessário conhecer quais imóveis fazem parte do fundo (por
exemplo, um fundo cujo único inquilino é um locatário de um único hospital
representa pouca diversidade e alto risco caso haja inadimplência ou proble-
mas com essa pessoa). É importante saber quem são os inquilinos. Além
disso, a localização é algo indispensável na hora de se analisar um fundo.

Taxa de vacância e duração dos contratos também devem ser observa-


das. A duração contratual serve como estimativa da previsibilidade de renda
do fundo. Já a taxa de vacância deve ser analisada uma vez que os imóveis
vazios, não alugados, significam custos extras para o fundo, além de imo-
bilizar um patrimônio. Inclusive, esses são indicativos da capacidade daquele
fundo de captar recursos e gerar uma rentabilidade segura.

141
AULA 19

ENTENDENDO E
COMPRANDO FUNDOS
IMOBILIÁRIOS
O intuito principal dessa aula é demonstrar como fazer a
análise de um fundo imobiliário, evitando que se compre
cotas em fundos que não oferecem segurança. Ao contrário
das ações, inclusive, os fundos devem ser os mais simples
possíveis, com o maior número de informações explícitas, e
necessariamente com rentabilidades estratosféricas, mas sim
com mais previsibilidade.

142
A Única Verdade Possível

U
m dos sites muito usados para avaliar os fundos é o funds explorer.
Dentro da página haverá uma aba com os rankings de FII´s. onde es-
tarão listados todos os fundos imobiliários disponíveis, sendo inclusive
possível analisar por setor, por preço atual, liquidez diária, dividendo, Dividend
Yield, dy acumulado (mês, semestre, ano) ou ainda pelo código do fundo.

Rankink dos FIIs no site FundsExplorer

Usando como referência o XPCM11, podemos fazer uma análise crite-


riosa do perfil daquele fundo. No exemplo abaixo, temos na descrição que
o XPCM11 é um fundo monoativo de tijolo. Isso quer dizer que é um fundo
imobiliário com uma única propriedade.

Descrição do fundo XPCM11

143
A Única Verdade Possível

Adiante, é possível investigar qual é o ativo em questão, tal como sua


localização.

Descrição do fundo XPCM11

Localização do ativo pertencente ao


fundo XPCM11

Edifício Macaé, ativo do fundo XPCM11

Taxa de Vacância do XPCM11


144
A Única Verdade Possível

O fundo monoativo é basicamente como comprar um único imóvel,


ainda que seja um edifício, em especial por estar longe dos grandes centros.
Há também o site [Link], onde podemos buscar o XPCM11 para inves-
tigar os proventos e a rentabilidade anual.

Últimos rendimentos do XPCM11 no site [Link]

De acordo com os últimos rendimentos, pode-se ver que há uma cons-


tância nos pagamentos, logo, o Dividend Yield dele está bastante vantajoso
também (1,43%).

Informações adicionais do fundo XPCM11 no site [Link]


145
A Única Verdade Possível

Se optarmos por escolher tendo o dividend yiel, existe chance do mesmo


panorama se repetir com os outros ativos, que se destacarem a partir desse
critério. A seguir, buscando por fundos imobiliários de shoppings (que tiveram
grandes quedas durante a pandemia em razão dos lockdowns, como citado
na aula anterior), vamos buscar analisar o fundo HSML11. Como é possível
verificar, nesse ativo, inclusive, o dividend yield está bem baixo (0,22%).

Descrição do fundo HSML11 no site fundsexplorer

Cotação do HSML11 no site fundsexplorer Detalhes relacionados ao fundo HSML11


no site fundsexplorer

146
A Única Verdade Possível

Localização dos ativos do fundo HSML11 no site fundsexplorer

Vacância do HSML11, no site fundsexplorer Gráfico demonstrativo do pagamento de


dividendos do fundo HSML11, ao longo do tempo

Ao analisar a última figura, identificamos o problema da crise que afetou


o pagamento dos proventos que, no caso, teve uma relação com a crise pro-
vocada pela pandemia. Analisando os detalhes, é possível confirmar as infor-
mações e perceber que houve uma queda, ainda que o histórico de
pagamento de proventos do fundo seja bem consolidado desde a data em
que ele surgiu. Quanto mais recente, contudo, maior relativamente é o risco.
Mas vale lembrar que fundos imobiliários no Brasil são algo recente enquanto
classe de ativos aqui no Brasil, portanto, não é incomum se deparar com fun-
dos imobiliários bem recentes.
147
A Única Verdade Possível

Ao observar outro fundo no site [Link], o XPML11, nos deparamos


com um fundo um pouco mais caro, cujo registro é mais antigo. Ao observar
o gráfico de progressão do pagamento de dividendos, tem-se uma maior cons-
tância na distribuição dos dividendos.

Localização de alguns dos 13 ativos pertencentes ao fundo XPML11

Vacância do fundo XPML11, no site


Gráfico temporal do pagamento de provendos [Link]
do fundo XPML11, no site [Link]

Ainda no segmento de shoppings, vamos à análise do VISC11 no site


[Link].
148
A Única Verdade Possível

Descrição do fundo VISC11, no site [Link]

Ao analisar o VISC11, percebemos que ele está sendo negociado abaixo


do valor patrimonial, tem um dividend yield de 0,23%. Ao observar suas co-
tações, é perceptível que o fundo já começou a se recuperar após a queda so-
frida na pandemia, refletindo em uma maior cotação, após súbita queda.

Histórico de dividendos do VISC11, no


Gráfico da progressão na cotação do fundo site [Link]
VICS11, exibido no site fundsexplorer

149
A Única Verdade Possível

Alguns dos ativos do fundo VISC11 Vacância do VISC11, exibida em gráfico


com suas localizações no site [Link]

Ao analisar os detalhes desse fundo, notamos que seu valor patrimonial


tem se elevado, juntamente com o preço. Houve já uma recuperação após a
pandemia, inclusive talvez em razão de sua grande diversificação de ativos
inseridos no fundo.

Acessando o [Link], podemos encontrar o histórico desse fundo (que


já existe desde 2013 na CVM) e a relação de rendimentos anuais, assim como
os proventos mais recentes.

Informações do VISC11 no [Link]

150
A Única Verdade Possível

Gráfico da cotação do VISC11 ao longo do Últimos rendimentos e rendimentos anuais do


tempo, exibido no site [Link] VISC11, exibidos no site [Link]

Ao comparar os fundos, vale mensurar o dividend yield, bem como a cota-


ção, o histórico, o contexto, valor patrimonial negociado. Também é importante
escolher o que tiver maior número de ativos, menor taxa de administração,
além de buscar um equilíbrio entre os demais indicadores. Taxa de ocupação,
valor patrimonial muito acima de 1 (negociado acima do valor real).

Uma vez escolhido o fundo imobiliário, o ideal é que se pesquise mais


afundo cada imóvel inserido lá, verificando quem está alugando aquele imó-
vel, quais as condições dele, os devidos contratos e assim por diante, afinal,
você se tornará parcialmente dono do imóvel. Basta escolher quanto deseja
investir com base no valor da cota a ser aplicada, sempre comparando com
ativos similares e analisando o histórico e suas devidas variações. Também é
importante analisar como funciona um fundo de fundo, uma vez que costu-
mam ter boas rentabilidades e variedade.

Fundo de fundo BCFF11, no site [Link]


151
A Única Verdade Possível

Detalhes relacionados ao BCFF11, exibidos no site [Link]

Variação da Rentabilidade do BCFF11, exibida Oscilação do dividend yield em relação ao tempo,


no site [Link] exibida no site [Link]

Analisando a rentabilidade, é possível ver que há grandes oscilações no pa-


gamento de dividendos. Contudo, é possível perceber que mesmo nas circuns-
tâncias de baixa ainda houve um pagamento relativamente constante e não
menos que 0,61% de yield, em especial se compararmos com outros fundos,
lembrando que não há dependência de um único ativo, usufruindo de uma
grande oscilação. A crítica maior que se faz com esses fundos é em relação a
dupla existência de taxas de administração. Obviamente, deve-se estar atento
a essas taxas buscando verificar se faz sentido para sua estratégia.
152
AULA 20

FORMANDO UMA
CARTEIRA DE AÇÕES
BRASILEIRAS
Inicialmente, usaremos essa aula para formar uma carteira
de ações brasileiras. A priori, não utilizaremos fundos
imobiliários pelo simples fato de que optaremos por inserir
esses ativos quando fizermos a apresentação das carteiras
internacionais, podendo fazer um comparativo com as opções
nacionais. Na hora de pensar em uma carteira de ações,
muitas pessoas pensam primeiro nas empresas, essa é uma
ideia incorreta. Muito das vezes, isso cria um viés que pode
nos levar a errar na hora de incluir ativos na nossa carteira.
Primeiro, precisamos pensar em SETORES que gostaríamos de
investir e participar.

153
A Única Verdade Possível

A
Bolsa de Valores se divide em 11 macro setores principais: Bens In-
dustriais, Consumo Cíclico, Consumo Não Cíclico, Financeiro, Mate-
riais Básicos, Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Saúde, Tecnologia da
Informação, Telecomunicações e Utilidade Pública.

O primeiro passo é escolher quais são os setores nos quais você gostaria
de se inserir. A seguir, é importante comparar as empresas depois de olhar
o setor. É necessário ter muito cuidado com o viés caso a pessoa escolha a
empresa dentro do setor, antes de olhar e busque informações depois, para
corroborar a escolha feita.

Uma carteira consistente de renda varável precisa ter ações de dife-


rentes setores e com diferentes objetivos. Começa com grandes empresas
e vai seguindo um funil para e menores em direção ao topo. O diagrama
vai tender para isso naturalmente, mas é importante entender o porquê
dos posicionamentos.

Formato sugerido da carteira

Para formar a base da carteira usando nosso triângulo, é recomendável uti-


lizar setores mais perenes, ou seja, que já foram testados pelo tempo. Esse é o
espaço onde poderíamos acrescentar os fundos imobiliários do tipo Tijolo, para
dar robustez para a carteira.
154
A Única Verdade Possível

Setores e empresas recomendados para a base da carteira

Acima, estão apenas alguns exemplos de empresas mais seguras, de se-


tores perenes e estratégicos. São muitas outras. Para começar a constituir
essa carteira, vamos investir R$ 10.000 tendo como base seis empresas.

ITAÚSA – Garantindo uma maior diversificação, a Itaúsa é uma holding


que controla o maior banco privado do Brasil: o Itaú. Além disso, a com-
panhia tem participação relevante em Alpargatas, Duratex e NTS.

WEG – Para conferir mais robustez e crescimento na base da carteira, uma


empresa forte que investe em tecnologia e inovação.

ENGIE – A maior empresa privada do ramo de eletricidade do país.

SANEPAR – A melhor empresa de saneamento básico da Bolsa de Valores.

KLABIN – Fundada em 1899, a empresa é uma das maiores fabricantes de


celulose do mundo e tem investido para se tornar uma das maiores na
produção do papel Kraftliner.

BB SEGURIDADE – Uma holdind que participa ativamente do lucro de vá-


rias seguradoras do Brasil, um negócio extremamente lucrativo com um
ROE muito atraente inclusive. Apesar da influência do governo, a empresa
tem uma governança segura.
155
A Única Verdade Possível

Essas empresas vão corresponder a 60% da parte de renda variável no


canal. Todas essas empresas são antigas, consistentes e que podem dar uma
boa consolidação para a base da carteira. São boas atacantes e boas goleiras
e podem lidar com as oscilações de mercado. São empresas anti-frágeis.

O meio do triângulo pode ser composto por empresas de setores estratégicos


que você considere pertinentes, desde que tenham lucros. O meio é uma parte
da carteira muito importante, onde devem estar incluídas companhias de seg-
mentos estratégicos e em ascensão, com grande potencial. É possível cogitar
empresas lucrativas de todas as naturezas. Contudo, a melhor recomendação é
seguir na direção das que estejam em MOVIMENTO, investindo pesado. Media
ou small caps são até admitidas, contanto, que não tenham prejuízos.

Setores e empresas recomendadas para ocupar o meio do triângulo

Novamente, devemos optar por companhias que tenham demonstrado


lucro e resistência mesmo frente às intempéries do mercado. Na nossa su-
gestão, vamos incluir no meio empresas cuja marca é coerência:

M DIAS BRANCO – 84 anos de mercado, essa empresa é fabricante de


produtos a base de farinha de trigo, com margem de lucro incrível e
bem lucrativa. É uma small cap, porém, uma empresa bastante rentá-
vel e promissora.
156
A Única Verdade Possível

FLEURY – O laboratório que mais investe em pesquisa e inovação está


presente no mercado há mais de 94 anos. Ao longo do tempo, se rein-
ventou e tem fortalecido investimentos de exames domiciliares.

VIVARA – A empresa que reinventou o mercado das joias no Brasil, tem ex-
pandido esse tema para outro nível. Tendo sido fundada em 1962, a com-
panhia fez seu IPO recentemente e, portanto, ainda está desvalorizada.

Uma vez tendo constituída a base e o meio com empresas lucrativas,


tem-se o momento de conjecturar, de especular, assim, não há critérios
rígidos, unicamente que estejam dentro da sua estratégia. No topo,
suas expectativas podem ganhar força, junto com suas impressões,
hipóteses, planos para o futuro. Assim, é possível incluir empresas de
diversas naturezas, incluindo que existam dívidas relevantes, prejuízo,
vale qualquer coisa, desde que você acredite que isso é um bom
negócio. O importante é que isso seja a menor parte do seu capital e u
risco convexo, onde os ganhos são ilimitados. Todo o dinheiro aqui não
deve ultrapassar jamais os limites de segurança, considere esse
dinheiro perdido, afinal, essa etapa envolve muito risco.

Setores e empresas recomendadas para ocupar o topo


157
A Única Verdade Possível

Os ganhos são ilimitados, mas as perdas devem ser limitadas, já que a


ideia é quantificar uma quantidade específica de dinheiro aplicado com risco.
Caso você não queira nenhum tipo de risco, constitua o topo tal qual o meio,
investindo em empresas robustas e com coerência. Jamais mantenha mais
de 10% de seu patrimônio aplicado em risco é algo tido como absoluta-
mente insano, ainda que seja possível, desde que haja consciência do risco
de perda total e de prejuízo naquele investimento.

Assim é importante ressaltar que a construção da carteira onde a


maior parte do capital está alocada em empresas lucrativas e uma pe-
quena parte em empresas de maior risco é uma busca, sobretudo, por
uma empresa com segurança acima de tudo, mas com rentabilidade.
Esse modelo garante tranquilidade no longo prazo, para entender que
os momentos de forte volatilidade não mudam nada no lucro das suas
empresas, assim como fica assegurado que uma pequena parte de sua
carteira está livre de ativos de maior risco, onde seu capital pode ser
multiplicado por diversas vezes.

Obviamente, a construção da carteira nesses moldes não é obrigatória.


Cada um deve estudar sua própria realidade e adequar sua carteira a sua
estratégia. Essa proposta é a de uma carteira de risco moderado, conside-
rando a exposição em renda fixa. Como o capital que propusemos é de ape-
nas 10 mil reais, foi feita a opção de não adicionar os fundos imobiliários
ainda, em especial por conta não apresentação das opções de fundos simi-
lares no exterior (que serão úteis para se fazer um comparativo, antes de
realmente optar por um FII específico).

Para diminuir ainda mais esse risco, uma exposição de 30 a 60% em


FIIs, dependendo do seu perfil, pode reduzir ainda mais esse risco. Lem-
brando sempre que é necessário identificar seu perfil e adequar seus inves-
timentos a ele. Com um capital pequeno, é preferível não ter tanta exposição
em fundos imobiliários. Eles têm um limite de crescimento. Para pessoas
com perfil mais ousado, ainda é importante apostar na segurança, que é de
cerca de 25% nos FIIs dentro da Renda Variável.
158
A Única Verdade Possível

Aqui, isso seria o equivalente a R$ 2.500, levanto em consideração que


estamos supondo um investimento de 10 mil, logo, essa carteira teria um
amplo potencial de crescimento e, por isso, fizemos a opção de manter ações
seguras com um percentual coerente. Quando pensar em investir em fundos
imobiliários e ações, lembre-se que imóveis jamais se valorizam na mesma
velocidade que as empresas, mas também são menos arriscados.

Depois que as empresas foram escolhidas, fiz a opção de lançá-las no


Diagrama do Cerrado, antes de efetivamente comprá-las, para definir os
percentuais e obter as notas. Essas notas foram dadas de forma diferente,
conforme a resistência, quanto mais baixa a resistência, menor o percentual.

Setores e empresas recomendadas para ocupar o topo

Uma vez tendo as notas, o Diagrama do Cerrado fará indicações percen-


tuais do aporte recomendado, com base nas proporções desejadas. Como
o aporte de nosso exemplo é pequeno, vamos fazer isso a mercado. Se fosse
um valor maior, o ideal seria ir comprando um valor pequeno, mês a mês.
Tenha como regra que, se seu o valor for mais de 10 vezes o aporte mensal,
divida-o por 10 para fazer isso mensalmente.
159
A Única Verdade Possível

Para incluir em nossa carteira tenho como base sempre as proporções


desejadas. Lembrando que as ações não têm valor exato, portanto, a ideia
é buscar uma aproximação.

Setores e empresas recomendadas para ocupar o topo

Em resumo, o quadro acima o é apenas resultado do valor total (10 mil)


multiplicado pela porcentagem sugerida no diagrama de cada uma das em-
presas. É muito aconselhável que aportes maiores não sejam feitos de uma só
vez. O ideal é ir espaçando, investindo devagar, de modo que se chegue a um
preço médio na compra e se evite a aquisição de anomalias do mercado de
uma única vez. Como o aporte do exemplo era pequeno, ele foi feito na íntegra.

No caso, fizemos a inserção de cada investimento manualmente no Gorila,


mais a critério de analisar detalhadamente a posição consolidada, que incluirá
todos os investimentos em renda fixa e variável e seus devidos rendimentos.
Por ali, também é possível ir acompanhando a evolução da carteira ao longo
do tempo, bem como foi o comportamento da rentabilidade dessa carteira.
160
AULA 21

O MÉTODO
BURRO

O que torna os seres humanos todos iguais são emoções,


como a felicidade, tristeza, medo, surpresa, raiva. Algo que
nos identifica enquanto seres humanos, mas que também nos
diferencia dos animais, é também a habilidade de comunicar
essas emoções uns para os outros. E quando abordamos as
questões relacionadas à emoção, podemos tirar uma lição
importante sobre como lidar com sua carteira da melhor
forma, uma abordagem que chamamos de o método burro.

161
A Única Verdade Possível

I
maginemos que você está passeando por uma floresta à noite, pisando
num terreno lamacento, um tanto pegajoso, mas de difícil identificação,
uma vez que a única luz que se tem é a luz da lua. No meio desse trajeto,
você avista uma caverna, cujo interior é ainda mais difícil de fazer aferições
do que a floresta escura onde você está. Ao se aproximar, você logo identifica
um cheiro muito desagradável. De repente, imagine que você pise em algo
mole que envolveu todo o seu pé. O cheiro se espalhou pelo ambiente, ao
olhar pra baixo, seus olhos, já acostumados com a escuridão, conseguem per-
ceber um corpo repleto de larvas que começam a subir em sua panturrilha.

Provavelmente, você acabou de sentir nojo, afinal, essa é uma sensação


que te conecta com todas as pessoas que ouviram essa história. Ao mesmo
tempo que todos sentimos da mesma forma, somos todos igualmente so-
ciáveis e temos o costume de andar em bandos.

No mundo, isso transformou os seres humanos em seres implacáveis e


a nossa conexão uns com os outros, a partilha de sentimentos e nossa co-
nexão uns com os outros são possibilidades incríveis. Por isso, conseguimos
prosperar mesmo nascendo absolutamente fracos e incapazes. Daí, puxamos
a reflexão: se isso na vida real nos faz um grande bem, no mundo dos in-
vestimentos, essas características nos transformam em investidores horríveis.

A prova disso foi um estudo feito pela Cass Business School de Londres,
que atesta que chimpanzés investem melhor do que seres humanos.

Estudo, feito pela Cass Business School de


Londres, que atesta que chimpanzés
apresentam melhor desempenho que humanos
em investimentos feitos aleatoriamente
162
A Única Verdade Possível

Esse estudo não queria provar que os animais são bons e sim que os
humanos são ruins quando tentam se guiar pelo efeito de manada ou agir
de forma especulativa em relação ao comportamento humano, como os day
traders costumam fazer (pesquisa da FGV atesta percentual quase total de
derrocadas nas operações de day trade).

Pesquisa da FGV atestando 99% de prejuízos ocorridos com Day Traders

O ser humano, quando tenta prever as reações humanas, guiado por


emoções. Até porque isso é absolutamente impossível de ser assertivo,
sendo nada menos que uma aposta. Na Bolsa de Valores, essas apostas
envolvem dinheiro. Se a bolsa fosse um jogo de cara ou coroa, podería-
mos dizer que antes de lançar a moeda haveria um dealer para interme-
diar as operações e ele cobraria 0,5 centavos por aposta. Portanto, quem
ganhar a aposta, terá 95 centavos para cada 1 real apostado, logo, 1,90
tirando os 5 centavos pagos por ambas as partes. Quem perder, teria
perdido 1 real.
163
A Única Verdade Possível

A verdade é que, com essas apostas aleatórias, independentemente dos


erros ou acertos, isso nos deixará mais pobres, uma vez que estaremos sem-
pre pagando pelas operações. A matemática da Bolsa de Valores tem essa
mentalidade de ganho similar a uma casa de jogos, se vista num curto prazo.
Já no longo prazo, sem pagar taxas de aluguel ou corretagem, ainda assim
é difícil acertar na base da aposta. Lembra das emoções? Elas são as res-
ponsáveis por tumultuar o processo.

Por exemplo, a Magazine Luiza enfrentou uma queda na cotação de seus


ativos em um determinado mês. Daí, muitos tomados pelo medo, venderam
seus ativos. O que significou uma maior queda. Outros, todavia, compraram
na baixa, na expectativa de uma subida. Em ambos os casos, houve oscila-
ções e perdas de dinheiro.

Oscilações da Magazine Luiza

Isso quer dizer que, quando guiadas pelo medo, as pessoas agem de
forma irracional e vendem ou mesmo compram guiadas pelo efeito ma-
nada. Abaixo, o gráfico do Bitcoin e da própria Magazine Luiza demons-
tram exatamente a mesma coisa. Sempre que o valor sobre, aumenta a
procura pela criptomoeda.
164
A Única Verdade Possível

Gráfico de procura por Bitcoin versus gráfico Gráfico de procura pelas ações da Magazine
da cotação do Bitcoin Luiza versus gráfico de cotação das ações
da Magazine Luiza

Obviamente, a mídia corrobora para que esse processo seja completo,


e noticia os dados de modo a espalhar o pânico ou excessivo entusiasmo.
A figura abaixo mostra a relação dos gráficos com as capas das revistas
com manchetes econômicas.

Relação das capas de revistas com manchetes econômicas com as oscilações


sofridas pela Bolsa de Valores
165
A Única Verdade Possível

Como então não se deixar guiar pelo efeito manada e cair nessa ar-
madilha? Basta direcionar o nosso cérebro por questões mais racionais.
Algo bacana a ser feito é substituir nossas emoções para direcionar os in-
vestimentos por algo terceirizado: inserindo no diagrama do cerrado. Ali,
será possível balancear as metas, com o perfil das empresas, valores e
percentuais. Tudo conforme a nota de cada companhia onde será alocado
o capital. O intuito do diagrama é sempre manter as proporções.

Exemplos de figuras com as proporções inseridas no Diagrama do Cerrado

No diagrama, obviamente, você ainda precisará pensar, inclusive para


se enquadrar no percentual ideal indicado pelo mecanismo. Você pode al-
terar de acordo com suas preferências, porém, o sistema serve justamente
para garantir a coerência.
166
A Única Verdade Possível

Edição em formato digital e impresso a pedido da Editora iSardinha no Inverno de


2021. Fontes Humans777 Cn BT 13/16 pontos e LT Bt para os títulos. Papel couchê
fosco 115g no miolo e 210g capa revestida em Bopp, costurado e colado. Papel de
árvores de reflorestamento da Suzano com todos etapas de produção controladas
dentro das normas internacionais do FSC (Forest Stewardship Council – Conselho de
Manejo Florestal. Este produto é reciclável, não o descarte em via pública.
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