PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS
DA CONSTRUÇÃO CIVIL - PGRCC
HIPER MATEUS
Av. João XXIII, Nº 3575
Bairro: Santa Isabel
TERESINA – PI
MARÇO/2021
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ...................................................................................................... 1
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 2
2 INFORMAÇÕES TÉCNICAS ................................................................................... 4
2.1 EMPREENDIMENTO ............................................................................................ 4
2.2 EMPREENDEDOR/CONSTRUTOR ..................................................................... 4
2.3 RESPONSÁVEIS PELA ELABORAÇÃO DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE
RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (PGRCC) ................................................. 4
3 CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO ...................................................... 5
3.1 LOCALIZAÇÃO ..................................................................................................... 5
3.2 JUSTIFICATIVAS E OBJETIVOS DO EMPREENDIMENTO ................................ 6
3.2.1 Objetivos Gerais ............................................................................................... 6
3.2.2 Objetivos Específicos ...................................................................................... 6
3.3 DESCRIÇÃO TÉCNICA ........................................................................................ 7
3.3.1 Instalações da Obra ......................................................................................... 7
3.3.2 Trabalhos em Terra .......................................................................................... 7
3.3.3 Fundações ........................................................................................................ 7
3.3.4 Características da Obra/Empreendimento....................................................... 7
4 LEGISLAÇÃO E NORMAS APLICADAS ............................................................. 10
5 DEFINIÇÕES ......................................................................................................... 12
6 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS GERADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL........ 14
6.1 RESÍDUOS SÓLIDOS ......................................................................................... 15
6.2 RESÍDUOS PERIGOSOS – CLASSE D.............................................................. 17
7 PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS ......................................................... 18
7.1 ACONDICIONAMENTO/ARMAZENAMENTO .................................................... 18
7.2 COLETA E TRANSPORTE ................................................................................. 19
7.3 DISPOSIÇÃO FINAL ........................................................................................... 20
8 CARACTERIZAÇÃO DO CENÁRIO DE ATUAÇÃO ............................................. 21
9 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS GERADOS POR ETAPA DE OBRA ....... 22
9.1 QUANTIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS...................................................................22
10 MANEJO DOS RESÍDUOS DA OBRA ................................................................ 23
10.1 GERAÇÃO ........................................................................................................ 23
10.2 COLETA ............................................................................................................ 23
ii
10.3 TRANSPORTE INTERNO ................................................................................. 23
10.4 ACONDICIONAMENTO E ARMAZENAMENTO ............................................... 24
10.5 TRANSPORTE EXTERNO................................................................................ 25
10.6 DESTINAÇÃO FINAL ........................................................................................ 25
10.7 AÇÕES DE MANEJO ........................................................................................ 26
10.8 PLANO DE MONITORAMENTO ....................................................................... 27
11 TRIAGEM DOS RESÍDUOS ................................................................................ 28
11.1 PLANEJAMENTO ............................................................................................. 28
11.2 METODOLOGIA ................................................................................................ 28
12 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 30
13 REFERÊNCIAS.................................................................................................... 31
14 RESPONSABILIDADE TÉCNICA ....................................................................... 32
iii
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURAS:
3.1 - Localização do empreendimento ......................................................................... 5
3.2 – Implantação do empreendimento........................................................................8
3.3 – Fachada..............................................................................................................9
3.4 – Cortes..................................................................................................................9
7.1 - Cores padrão da Resolução CONAMA nº 275/2001 ......................................... 17
QUADROS:
4.1 - Legislação e Normas Ambientais ...................................................................... 10
7.1 - Coleta e transporte de resíduos para o Empreendimento ................................. 18
iv
1
APRESENTAÇÃO
O atual estudo consiste no Plano de Gerenciamento de Resíduos da
Construção Civil (PGRCC) da obra de implantação de um Empreendimento
Comercial – Hiper Mateus, localizada na Av. João XXIII, Nº3575, bairro: Santa
Isabel, na cidade de Teresina-PI.
O estudo visa sugerir medidas que abordem os aspectos referentes à
minimização do volume final de resíduos produzidos, de forma que durante o
decorrer da obra ocorram de maneira sistematizada e contínua as etapas de: coleta,
armazenamento, transporte e destino final adequado dos mesmos.
As medidas supracitadas têm como foco principal às diretrizes que norteiam o
manejo e direcionamento dos resíduos, em atendimento às exigências da Legislação
Ambiental vigente, com base nas diretrizes estabelecida pela Política Nacional do
Meio Ambiente – Lei nº 6.938/81, visando o estabelecimento de padrões que tornem
possível o desenvolvimento sustentável, através de mecanismos e instrumentos
capazes de conferir ao meio ambiente uma maior proteção.
O principal objetivo do estudo é a elaboração do PGRCC baseado na
resolução CONAMA 307/2002, que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos
para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias
de forma a minimizar os impactos ambientais, tendo em vista as novas redações
dadas pelas resoluções CONAMA 469/2015; 448/12; 431/11; 348/04.
O presente PGRCC é fundamentado em informações colhidas diretamente
com o executor da obra, especialmente em relação aos resíduos gerados pela
construção do empreendimento. Assim sendo, os temas abordados neste PGRCC
estão ligados à classificação e quantificação dos resíduos, orientação ao pessoal
que está diretamente envolvido com o gerenciamento dos resíduos, o manejo e
gerenciamento do resíduo gerado desde o início até o final da obra.
2
1 INTRODUÇÃO
Com o fortalecimento da economia a construção civil é reconhecida como uma
das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, e, por
outro lado, comporta-se, ainda, como grande geradora de impactos ambientais, quer
seja pelo consumo de recursos naturais, pela modificação da paisagem ou pela geração
de resíduos que produz decorrente de perdas causadas por falhas ou omissões nos
projetos e execução, além da má qualidade dos materiais empregados,
acondicionamento impróprio, má qualificação da mão-de-obra, falta de equipamentos e
ausência de uma cultura de reaproveitamento e reciclagem de materiais.
A destinação dos resíduos de construção e demolição não é o único problema
ambiental da construção civil, a exploração de matérias-primas também causa grandes
impactos ambientais. A disposição destes resíduos (RCD) não pode ser realizada em
aterros sanitários, e sim somente em aterros especiais específicos para a destinação
destes tipos de resíduos.
Para tanto, a publicação da Resolução CONAMA nº 307/2002, que estabelece
diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil,
deveria servir de base para as administrações dos municípios e do Distrito Federal para a
elaboração de decretos ou leis, que fossem cumpridos pelos geradores de resíduos,
principalmente os grandes geradores, por meio da elaboração e apresentação de Planos
de Gestão de Resíduos da Construção Civil (CONAMA, 2002).
A geração dos resíduos sólidos da construção civil é grande, podendo
representar mais da metade dos resíduos urbanos. Estima-se que a geração de
RCC, situa-se em torno de 450kg/hab/ano, variando naturalmente de cidade para
cidade e com oscilação na economia.
Considerado de suma importância, o gerenciamento dos RCC deve ser
realizado com o objetivo de se reduzir a geração de resíduos, e consequentemente
as perdas, tendo sua gestão obrigatoriamente iniciada concepção do
empreendimento, seguido pela execução e utilização do mesmo. Outra sugestão
para isso é a reutilização dos materiais que sobram como matérias primas para a
fabricação de outros produtos, procedimento que pode inclusive reduzir os custos de
uma obra (JOHN e CSILLAG 2006).
A necessidade de se aproveitar o RCC, não se resulta apenas da vontade de
economizar, prioriza-se uma atitude fundamental para preservação do Meio Ambiente.
3
O monitoramento da obra deve ser realizado pelo executor durante todo intervalo
de tempo de construção da edificação até o prazo previsto para a conclusão da mesma
levando em consideração todos os pontos apresentados no presente Plano de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A implantação do Plano de
Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil (PGRCC) encontra-se em conformidade
com a Lei Municipal n° 2.475/1996.
Dessa forma, o estudo em questão objetiva a implementação de
procedimento adequado visando minimizar a geração de resíduos na fonte, adequar
a segregação na origem, controlar e reduzir riscos ao meio ambiente e assegurar o
correto manuseio e disposição final dos resíduos oriundos da obra.
4
2 INFORMAÇÕES TÉCNICAS
2.1 Empreendimento
− Edificação Comercial
− Constituição: Comercial – Hiper Mateus
− Endereço: Av. João XXIII, Nº3575, bairro: Santa Isabel, na cidade de Teresina-
PI.
2.2 Empreendedor/Construtor
− Nome: MATEUS SUPERMERCADOS S.A
− Endereço: Av. João XXIII, Nº3575, bairro: Santa Isabel, na cidade de Teresina-PI.
− CNPJ: 03.995.515/0154-31
− Constituição: Pessoa Jurídica de Direito Privado
− Responsável Técnico pela obra:
− Antonio Marques da Costa Neto
− Engenheiro Civil – CREA: 1110148461
2.3 Responsável pela elaboração do plano de gerenciamento de resíduos da
construção civil (PGRCC)
− Lucas Gamaliel Andrade Fialho
− Engenheiro Civil
− CREA: 1918958416
5
3 CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
3.1 Localização
O empreendimento comercial – Hiper Mateus é um empreendimento a ser
implantado em um terreno situado na zona leste de Teresina, em uma área de amplo
desenvolvimento cujo endereço é Av. João XXIII, Nº3575, bairro: Santa Isabel, na
cidade de Teresina-PI.
Em termos de coordenadas geográficas UTM a área está situada: 23M
747845.32 m E/ 9437993.04 m S a 99m de altitude em relação ao nível do mar.
(Figura 3.1).
Figura 3.1 – Localização do empreendimento
Fonte: Google Earth, 2020.
A obra compreende a implantação de um empreendimento comercial
localizado numa área em amplo desenvolvimento em Teresina, contemplando uma
região residencial e comercial incluindo diversos bairros, destacando-se entre eles
Horto, São Cristóvão, São João, entre outros.
A região da obra representa uma área de grande expansão
residencial/comercial do município de Teresina, apresentando proximidade às vias
de acesso da cidade, disponibilidade de serviços públicos de água, telefone, energia
elétrica, transporte, coleta pública de esgoto, saúde e serviços.
6
3.2 Justificativa e Objetivos do empreendimento
O empreendimento configura uma oportunidade de investimento no setor
comercial estando a proposta de desenvolvimento enquadrada pela evolução do
setor comercial da cidade, que reúne excelentes condições e por se encontrar
inserido numa região privilegiada e muito bem servida por vias de acesso que o
interligam às demais regiões da cidade em que se insere.
A perspectiva de estabilidade e crescimento da economia brasileira almejada
para os próximos anos é o cenário econômico desejado pelos lideres do projeto,
para relocalização agora pretendida e possíveis ampliações da atividade em uma
área mais favorável, de modo que possam assim, concretizar o potencial de
empreender, de realizar e crescer.
3.2.1 Objetivos Gerais
− Implantar a infraestrutura necessária para a construção de um empreendimento
comercial – Hiper Mateus, atendendo os princípios do desenvolvimento ambiental
sustentável e as normatizações técnicas de referência do setor.
3.2.2 Objetivos Específicos
− Proporcionar condições adequadas de atendimento à população de Teresina,
alavancando o desenvolvimento local, possibilitando a atração de novos
investimentos para a região, além da geração direta e indireta de empregos,
renda, impostos, tributos e etc.
− Realizar o licenciamento ambiental do empreendimento, atentando para questões
relacionadas à proteção e preservação dos recursos naturais (fauna, flora, ar,
solos, recursos hídricos, etc.), qualidade ambiental, poluição ambiental, controle
de resíduos sólidos e águas residuárias, legislação ambiental e trabalhista,
normatizações técnicas, uso de equipamentos obrigatórios de segurança,
segurança dos trabalhadores, ações de urgência e emergência, instrumentos de
proteção ambiental, dentre outros.
− Minimizar a geração de resíduos na fonte, adequando à segregação na origem,
controlar os riscos aos recursos do meio ambiente, assegurando o gerenciamento
(manuseio, acondicionamento, processamento, reaproveitamento, transporte e
7
destinação final), em conformidade com a Legislação Ambiental.
− Estabelecer práticas organizacionais nos diferentes setores da obra em
atendimento aos requisitos ambientais, normativos, institucionais e Legislação
Estadual e Municipal.
3.3 DESCRIÇÃO TÉCNICA
3.3.1 Instalações da Obra
− Serão edificadas acomodações provisórias para escritório, almoxarifado e
instalações sanitárias destinadas aos operários;
− A locação da obra será feita obedecendo às cotas e indicações dos projetos;
− Serão tomadas as providências relativas às licenças da Prefeitura Municipal e
ligações provisórias de água e energia elétrica.
−
3.3.2 Trabalhos iniciais
− Limpeza do terreno;
− Sinalização e isolamento da área;
− A obra será dotada de dispositivos que garantam as condições adequadas de
segurança e funcionamento do canteiro.
3.3.3 Fundações
As fundações serão executadas de acordo com a sondagem efetuada no
terreno e respectivo projeto. Estas terão profundidade e forma tais que distribuam
sobre o terreno uma pressão compatível com a resistência do mesmo, levando em
consideração os fatores estabelecidos nas normas técnicas vigentes.
3.3.4 Características da Obra/Empreendimento
O empreendimento estará inserido num terreno de 20.000m² sendo
subdividido nas seguintes áreas, conforme o projeto arquitetônico: área 1 –
8.603,93m²; área 2 – 301,82m²; área 3 – 305,04m², área 4 – 687,07m²; área 5 –
1159,65m²; contemplando um estacionamento com 279 vagas para carros, e 108
vagas para motos. A área total permeável será de 4.110,39m², onde área
construída total do empreendimento será 11.057,51m² (ver figura 3.2 a seguir)
8
As áreas descritas anteriormente estão explicitadas na figura a seguir:
Figura 3.2 – Disposição das áreas e quadro de áreas
Fonte: Projeto arquitetônico (2020).
9
A implantação do empreendimento gerará cerca de 400 empregos diretos,
possuindo área de descanso para os funcionários, área administrativa, docas para
entregas de materiais, docas resfriadas, depósito, área de vendas e 34 checkouts
conforme bem como possuirá estrutura metálica conforme figuras a seguir:
Figura 3.3 – Implantação do empreendimento
Fonte: Projeto arquitetônico (2020)
Figura 3.4 – Fachadas e cortes
Fonte: Projeto arquitetônico (2020)
10
4 LEGISLAÇÃO E NORMAS APLICADAS
O presente plano apresenta uma gama de informações, de ordem técnica e
ambiental para a redução do impacto causado pelo empreendimento, visando o
cumprimento das exigências de natureza Ambiental instituídas pela “Política
Nacional de Meio Ambiente”, através da Lei nº 6.938/91 e, ainda de acordo com a
Resolução nº 307/2002 – CONAMA.
A legislação referenciada para nortear o estudo em questão quanto às
exigências ambientais, apresenta-se através do quadro abaixo:
DISPOSITIVO
DESCRIÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE
LEGAL
− Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981. Estabelece a Política Nacional do Meio
Legislação Ambiente;
Federal − Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos
Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e dá outras providências.
− Resolução CONAMA n°01/1986 – Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais
para a avaliação de impacto ambiental;
− Resolução CONAMA n°237/97 – Estabelece norma geral sobre licenciamento
Resoluções ambiental, competências, listas de atividades sujeitas a licenciamento, entre outros;
− Resolução CONAMA n°275/2001 – Estabelece o código de cores para os diferentes
tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores,
bem como campanhas informativas para coleta seletiva.
− NBR 1004/2004 – Resíduos sólidos classificação
− NBR 8419- Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos
urbanos
− NBR 8849- Apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos
urbanos
− NBR 1007/2004- Amostragem de resíduos sólidos
− NBR 12235 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos
− NBR 11175- Incinerações de resíduos sólidos perigosos – padrões de desempenho
− NBR 13463- Coleta de resíduos sólidos
− NBR 13894- Tratamento do solo (landfarming)- procedimento
− NBR 15112- Resíduos da construção civil e resíduos volumosos- área de
transbordo e triagem- diretrizes para o projeto, implantação e operação.
NBR’s − NBR 15113- Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes- aterros-
diretrizes para o projeto, implantação e operação.
− NBR 15114- Resíduos sólidos da construção civil- áreas de reciclagem- diretrizes
para o projeto, implantação e operação.
− NBR 15115- Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil-
execução de camadas de pavimentação – procedimentos.
− NBR 15116- Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil- utilização
em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural – requisitos.
− Resolução 257/99 – Dispõe sobre o descarte adequado sobre pilhas e baterias
− Resolução 275/01 – Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de
resíduos.
− NBR n° 13463/95 – Coleta de Resíduos Sólidos-Classificação;
− NBR 12.980 – Coleta, Varrição e Acondicionamento de Resíduos Sólidos.
Legislação Plano Diretor do Município;
Municipal − Lei nº 2475 / 1996 – Dispõe sobre a política de proteção, conservação, recuperação
11
DISPOSITIVO
DESCRIÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE
LEGAL
e desenvolvimento do meio ambiente, e dá outras providências;
− Lei nº 3.508/2006 – Dispõe sobre sons urbanos, fixa níveis e horários em que será
permitida sua emissão, define os procedimentos para o licenciamento ambiental
para utilização de fonte sonora e dá outras providências;
− Lei Complementar nº 3.560/2006 – Dá nova redação ao Lei de Uso do Solo do
Município;
− Lei Complementar nº 3.610/2007 – Dá nova redação ao Código Municipal de
Posturas e dá outras providências;
− Lei Complementar nº 3.608/2007 – Dá nova redação ao Código de Obras e
Edificações do Município.
− Resolução COMDEMA nº001, de 25 de fevereiro de 2019 (Institui o Controle
Eletrônico de Transportes de Resíduos – CTR Eletrônico);
− Resolução COMDEMA nº002, de 25 de fevereiro de 2019 (Institui o Licenciamento
Ambiental Simplificado para as Áreas que especifica);
− Lei n° 4.854, de 10 de julho de 1996, que dispõe sobre a política de meio ambiente
Legislação do estado do Piauí.
Estadual − Decreto Estadual n° 9.596, de 01 de novembro de 1996, que dispões sobre o
Zoneamento Ecológico-Econômico do estado do Piauí, e da outras providências.
Quadro 4.1 – Legislação e Normas Ambientais
12
5 DEFINIÇÕES
• Geradores: são pessoas físicas ou jurídicas, responsáveis por atividade ou
empreendimentos que geram os resíduos da construção civil, segundo
classificação estabelecida pela Resolução nº 307/2002;
• Prestador de Serviço: a pessoa física ou jurídica de direto privado, devidamente
licenciada, contratada pelo gerador de resíduos da construção civil para
execução de qualquer etapa do processo de gerenciamento desses resíduos;
• Poder Público: o executivo municipal por meio dos seus órgãos competentes;
• Aterro de resíduos da construção civil e de resíduos inertes: área onde são
empregadas técnicas de disposição da construção civil classe A, conforme
classificação da Resolução do CONAMA nº 307 de 05 de julho de 2002, e de
resíduos inertes do solo, visando à estocagem de materiais segregados, de
forma a possibilitar o uso futuro dos materiais e/ou futura utilização da área,
conforme princípios de engenharia para confiná-los ao menor volume possível,
sem causar danos à saúde pública e o Meio Ambiente;
• Beneficiamento: consiste na operação que permite a requalificação dos
resíduos da construção civil, por meio da sua reutilização, reciclagem,
valorização energética e tratamento para outras aplicações;
• Cedente de área para recebimento de inertes: a pessoa física ou jurídica de
direito privado que autoriza a utilização de área de sua propriedade devidamente
licenciada pela autoridade Ambiental competente, para recebimento de material
proveniente de escavação do solo e resíduos sólidos classe A;
• Reciclagem: é o processo de transformação de resíduos a construção civil que
envolve a alteração das propriedades físicas e físico-químicas dos mesmos,
tornando os insumos destinados a processos produtivos;
• Resíduos da Construção Civil (RCC): são os provenientes de construções,
reformas, reparos, demolições de obras de construção civil, e os resultantes da
preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto
em geral, solos, rochas, metais, colas, tintas, madeiras e compensados, forros,
argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiações
elétricas e outros, comumente chamados de entulho de obras, caliça ou metralha;
• Resíduos Sólidos: materiais resultantes de processo de produção,
13
transformação, utilização ou consumo, oriundos de atividades humanas, de
animais, ou resultantes de fenômenos naturais, cuja destinação será
ambientalmente e sanitariamente adequada;
• Reutilização: é o aproveitamento dos resíduos da construção civil sem
transformação física ou físico-química, assegurado, quando necessário, o
tratamento destinado ao cumprimento dos padrões de saúde pública e Meio
Ambiente;
• Segregação: consiste na triagem dos resíduos da construção civil no local de
origem ou em áreas licenciadas para esta atividade, segundo a classificação
exigida por norma regulamentadora.
14
6 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS GERADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
A resolução do CONAMA n° 307, de julho de 2002, disciplina o
armazenamento de resíduos sólidos de construção civil e ainda separa estes
resíduos em quatro classes assim definidas:
I – Classe A: são resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais
como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras
obras de infra-estrutura, inclusive de solo proveniente de terraplenagem;
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes
cerâmicos, (tijolos, tubos, telhas, placas de revestimentos etc.) argamassas e
concreto;
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em
concreto (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;
II – Classe B: são resíduos recicláveis para outras destinações, tais como:
plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens vazias de tintas
imobiliárias e gesso;
III – Classe C: são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas
tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/
recuperação;
IV – Classe D: são resíduos perigosos oriundos do processo de construção,
tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de
demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e
outros.
A referida Resolução CONAMA nº 307, em seu art.10, prevê ainda a forma de
destinação final destes produtos:
Art. 10. Os resíduos da construção civil serão destinados das seguintes
formas:
I – Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados,
ou encaminhados às áreas de aterros de resíduos de construção civil, sendo
dispostos de modo a permitir sua utilização ou reciclagem futura.
II – Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados à área de
armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir sua utilização ou
reciclagem futura;
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III – Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em
conformidade com as normas técnicas específicas;
IV – Classe D: deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e
destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.
Este dispositivo do Conselho Nacional do Meio Ambiente estabelece ainda
um prazo para que as entidades da federação, especificados os municípios e o
Distrito Federal, elaborem seus respectivos Planos Integrados de Gerenciamento de
Construção Civil os quais contemplarão os Programas de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos da Construção Civil. O que está expresso no art. 11 da resolução
supracitada.
Desta forma, o SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente) demonstra a
preocupação com a disposição final deste tipo de resíduo e compromete, tanto o
Estado como as empreiteiras com a responsabilidade do destino destes produtos.
A quantidade de resíduos oriundos da construção civil é bastante variável e
depende de uma série de fatores, tais como: renda, número de empregados e
quantidade de matéria-prima a ser utilizada. Por esse motivo que o responsável legal
pelo empreendimento se preocupa fundamentalmente em coletar a maior
quantidade de resíduos gerados, dando corretamente o seu destino na disposição
final.
6.1 Resíduos Sólidos
Os resíduos sólidos provenientes das atividades cotidianas da obra, as quais
não estão diretamente ligadas aos processos construtivos, podem ser classificados
como:
- Lixo Domiciliar: composto basicamente de restos de alimentos, embalagens
de plástico, metal, vidro, papelão, jornais e revistas;
- Lixo Comercial: incluindo resíduos originados da atividade realizada em
escritórios, hotéis, lojas, etc., compostos basicamente de papéis, papelão e
embalagens em geral;
- Lixo Especial: são resíduos que não podem ser removidos pela coleta
regular ou que necessitam de coleta especial por sua toxicidade ou, ainda, que são
resultado da atividade da construção civil.
16
No que diz respeito ao lixo domiciliar, prevê-se a implantação de um serviço
de coleta seletiva para separar o material que será destinado ao aterro sanitário do
município do material que será reciclado.
Seu armazenamento dar-se-á em duas etapas. A primeira, nas dependências
da obra em centrais de armazenamento de resíduos sólidos. Tais centrais estarão
representadas por caçambas de cinco metros cúbicos com tampas para diminuir as
possibilidades de contaminação e, também, minimizar os impactos visuais
decorrentes da implantação deste tipo de ambiente.
A segunda etapa será seu armazenamento definitivo. O material não
reciclável terá como destino o aterro sanitário do município sendo estes, deslocados
semanalmente da central de armazenamento de resíduos sólidos. Por outro lado, o
material reciclável será remetido para unidades de processamento, caso haja
viabilidade para este deslocamento, senão serão abertas áreas de bota-fora, nos
termos da Resolução CONAMA n° 307, para o condicionamento deste material até o
momento que seja viável seu deslocamento e processamento. O mesmo destino terá
o resíduo sólido comercial, devido à dificuldade de transporte do material para
entidades que possam processar e comercializar o resíduo.
Os resíduos sólidos especiais, assim definidos por sua capacidade de reação
e diluição no meio ambiente, provocando toxidade e alterações físico-químicas no
solo e na água, terão como destino final às empresas de reprocessamento deste
material. Também terão seu armazenamento em duas etapas, as quais são
discriminadas a baixo:
Armazenamento na central de resíduos sólidos: neste caso separadamente
dos resíduos domésticos e comerciais. Serão armazenados em caixas de madeira
devidamente identificadas;
Armazenamento definitivo: dizem respeito às empresas de reciclagem deste
tipo de material. Devido ao local da obra, este transporte torna-se difícil de ser
realizado, porém quando do início das obras, deverão ser realizados os contatos
para decidir a melhor forma de implementar esta medida, decidindo a empresa a
receber o material e o procedimento administrativo que relacionará o empreendedor
com esta empresa (contratação ou convênio).
17
6.2 Resíduos Perigosos – CLASSE D
Os veículos de transporte e comboios (tanques móveis) de combustíveis
devem conter estruturas para coleta e acondicionamento de resíduos.
As áreas onde são realizadas as lavagens de equipamentos e oficinas devem
ter sistema de drenagem de forma que não coloque em risco áreas de mananciais
de captação e habitações. O armazenamento de combustíveis, óleos lubrificantes,
insumos agrícolas e outros produtos químicos devem ser realizados em construções
com bacias de contenção, de acordo com a Norma Técnica NBR 7505, e estar
distantes no mínimo 30 metros de qualquer corpo d’água. Em oficinas, os
colaboradores devem ser instruídos a separar os resíduos gerados e acondicionados
com segurança, para posterior correto descarte final dentro da legislação vigente.
Ainda devem ser observados os seguintes pontos:
• Realizar abastecimento de implementos, seja com combustível ou
insumos, distanciando-se o máximo possível das áreas de preservação
permanente, evitando contaminação de solo e água;
• Adotar medidas corretivas e/ou minimizadoras em caso de vazamento,
coletando o produto contaminante e o solo contaminado.
• Os resíduos sólidos a serem gerados deverão ser encaminhados a
locais devidamente habilitados para esta finalidade (aterros sanitários,
aterros industriais, etc.).
18
7 PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS
A implementação de um empreendimento gera grande fluxo de resíduos
durante sua realização, visando além do desejo de economizar uma atitude
fundamental para proteção do Meio Ambiente.
Prioriza-se para obra em questão a adoção das seguintes medidas:
• Reduzir o desperdício e o volume de resíduos gerados;
• Segregar os resíduos por classes e tipos;
• Reutilizar materiais, elementos e componentes que não requisitem
transformações;
• Reciclar os resíduos, transformando-os em matéria-prima para a
produção de novos produtos.
7.1 Acondicionamento/Armazenamento
A primeira etapa do processo de remoção dos resíduos sólidos da construção
RCC corresponde à atividade acondicionamento dos resíduos. Deverá acontecer o
mais próximo possível do local de geração dos resíduos, dispondo-os de forma
compatível com seu volume e preservando a boa organização dos espaços nos
diversos setores da obra. Em alguns casos, os resíduos deverão ser coletados e
levados diretamente para os locais de acondicionamento final.
Para a obra em questão serão utilizados bags, baias e caçambas
estacionárias para o acondicionamento dos resíduos.
Figura 7.1 – Cores padrão da Resolução CONAMA nº 275/2001
19
7.2 Coleta e Transporte
A operação de coleta engloba desde a partida do veículo da sua garagem,
compreendendo todo o percurso gasto na viagem para a remoção dos resíduos dos
locais onde foram acondicionados aos locais de descarga, até o retorno ao ponto de
partida.
A coleta utilizada para esse tipo de obra será para resíduos não
contaminados.
A seguir, Quadro 7.1, sugere como pode ser realizada coleta e transporte de
resíduos da construção civil para obra:
TIPOS DE RESÍDUOS REMOÇÃO DOS RESÍDUOS
Blocos de concreto, blocos cerâmicos, outros Caminhão com equipamento poliguindaste ou
componentes cerâmicos, argamassas, caminhão com caçamba basculante, sempre coberto
concreto, tijolos e assemelhados. com lona.
Caminhão com equipamento poliguindaste,
caminhão com caçamba basculante ou caminhão
com carroceria de madeira respeitando as
Madeira
condições de segurança para a acomodação da
carga na carroceria do veículo, sempre coberto com
lona.
Caminhão ou outro veículo de carga, desde que os
Plásticos (sacaria de embalagens, aparas de bags sejam retirados fechados para impedir mistura
tubulações etc.) com outros resíduos na carroceria e dispersão
durante o transporte.
Caminhão ou outro veículo de carga, desde que os
Papelão (sacos e caixas de embalagens dos
bags sejam retirados fechados para impedir mistura
insumos utilizados durante a obra) e papéis
com outros resíduos na carroceria e dispersão
(escritório)
durante o transporte
Caminhão preferencialmente equipado com
Metal (ferro, aço, fiação revestida, arames
guindaste para elevação de cargas pesadas ou
etc.)
outro veículo de carga.
Caminhão ou outro veículo de carga, desde que os
Serragem e EPS (poliestireno expandido, sacos ou bags sejam retirados fechados para
exemplo: isopor). impedir mistura com outros resíduos na carroceria e
dispersão durante o transporte
Caminhão com equipamento poliguindaste ou
Gesso de revestimento, placas acartonadas e
caminhão com caçamba basculante, sempre coberto
artefatos
com lona.
Caminhão com equipamento poliguindaste ou
Solo caminhão com caçamba basculantes, sempre
coberto com lona.
Caminhão ou outro veículo de carga, com cuidado
Telas de fachada e de proteção
para contenção da carga durante o transporte.
Materiais, instrumentos e embalagens
contaminados por resíduos perigosos
(exemplos: embalagens plásticas e de metal, Caminhão ou outro veículo de carga, sempre
instrumentos de aplicação como broxas, coberto.
pincéis, trinchas e outros materiais auxiliares
como panos, trapos, estopas etc.)
Quadro 7.1 - Coleta e transporte de resíduos para a obra
20
7.3 Disposição Final
No tocante às alternativas de disposição final dos resíduos, o aterro é o que
reúne as maiores vantagens, considerando a redução de impactos ocasionados pelo
descarte de resíduos sólidos.
As soluções para a destinação dos resíduos devem combinar compromisso
ambiental e viabilidade econômica, garantindo a sustentabilidade e as condições
para a reprodução da metodologia pelos construtores. Os fatores determinantes na
designação de soluções para a destinação dos resíduos são os seguintes:
I. Possibilidade de reutilização ou reciclagem dos resíduos nos próprios
canteiros;
II. Proximidade dos destinatários para minimizar custos de deslocamento;
III. Conveniência do uso de áreas especializadas para a concentração de
pequenos volumes de resíduos mais problemáticos, visando à maior eficiência na
destinação.
Conforme estabelece o Código de Posturas e a Política Ambiental municipal
(Lei Complementar n° 3.610/2007), quando o volume de entulho for superior a
1m3/dia o Empreendedor se responsabilizará pela remoção e destinação do resíduo.
Portanto, se faz necessário contratar o serviço legalizado das empresas de
transporte que operam com caçambas, credenciadas pela SEMDUH/CELIMP,
conforme sugestões abaixo.
Nome da Empresa Endereço Telefone
Limpe Entulho Rua Nossa Senhora da Assunção, 3120,
(86) 3219-1042
Esplanada bairro: Esplanada
Papa Entulho Av. Ininga, nº 1721, bairro de Fátima (86) 3232-2600
Rua Gênese Celeste, nº 2330,
Pega Entulho (86) 3083-3083
bairro Horto Florestal
Tele Entulho Rua Ipiranga, nº 35, bairro de Fátima (86) 3083-3083
Av. Homero Castelo Branco, nº 3235, Sala
Tirentulho JAS (86) 3233-9191
A, bairro Ininga
Quadro 7.3 – Empresas credenciadas pela SEMDUH/CELIMP
Fonte: [Link]
21
8 CARACTERIZAÇÃO DO CENÁRIO DE ATUAÇÃO
O cenário de atuação do presente estudo se aplica à obra de implantação de
uma edificação comercial, situada à Av. João XXIII, Nº 3575, bairro: Santa Isabel, no
município de Teresina-PI.
Para recebimentos de resíduos da construção civil existem empresas
particulares envolvidas com a coleta paga, do tipo tira entulho, e a disponibilidade de
diversos terrenos particulares que recebem entulho da construção como aterro para
regularizar topografia em áreas de relevo irregular. A gestão dos resíduos em
Teresina, incluindo a administração do aterro, é feita pela Prefeitura Municipal,
sendo que a coleta e o transporte são de responsabilidade de empresas privadas
contratadas através de licitação.
Os serviços a serem realizados podem ser sinteticamente descritos da
seguinte forma:
• Limpeza do terreno;
• Instalação do canteiro de obra,
• Sinalização de Segurança;
• Fundações e estruturas;
• Vedação e cobertura;
No final da obra, o construtor promoverá a completa restauração da área
ocupada pelas instalações da obra.
22
9 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS GERADOS POR ETAPA DE OBRA
ETAPA DA OBRA TIPO DE RESÍDUOS GERADOS CLASSES
Instalação e rotina do Tabuas, agregados, material elétrico, papel, plástico
canteiro de obra/ (mole e duro) e papelão, embalagens diversas, pregos,
A, B e D
desmobilização do resíduos ambulatoriais (algodões, bases, embalagens de
canteiro de obra remédios) e sacos de cimento.
Sinalização de
Tabuas, plástico, tintas e solventes, material elétrico. BeD
Segurança
Blocos, pregos, arame, sobra de argamassa, agregados
Estrutura A, B
e sacos de cimento.
Sobra de argamassa, agregados, sacos de cimento e
Vedação AeB
materiais cerâmicos como tijolo, por exemplo.
Cobertura Recortes de aço, parafusos inservíveis, arame. B
9.1 Quantificação dos resíduos gerados na obra
A resolução CONAMA 307/2002 estabelece os requisitos que um Plano de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) deve contemplar, e
dentre eles ela estabelece a caracterização e quantificação dos resíduos.
A quantificação dos resíduos pode ser feita de algumas maneiras, dentre elas
estão os check-lists (ou fichas de verificação) que contemplam cada etapa da obra e
quantos metros cúbicos de entulho foram gerados em cada etapa da construção.
Entretanto, como a elaboração do PGRCC precede a construção da edificação, é
razoável que seja feita uma estimativa da quantidade de resíduos com base em
estudos já realizados, para que seja possível chegar num valor mais representativo
da realidade.
Dessa forma, Pinto (1999) estabeleceu o "Método das Áreas Licenciadas" e
chegou a um valor médio de Taxa de geração de resíduos de construção de 150kg
por metro quadrado construído. Para o caso em questão será adotada uma taxa de
150kg/m² onde chegaremos a um total de 1.658.626,5kg. Dessa forma, levando em
consideração que a densidade aparente do entulho é de 1t/m³ temos que:
Volume de Entulho Estimado ≅ 1.658,63m³
23
10 MANEJO DOS RESÍDUOS DA OBRA
Com relação ao manejo dos resíduos da obra, o presente Plano de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil estabelece a respectiva sequência
de etapas para o correto manejo dos resíduos:
10.1 Geração
Foi possível estimar a quantidade de RCC que pode ser gerado durante a
obra com uma taxa de 150kg/m², conforme a literatura consultada. Sabe-se que
aplicado as recomendações deste PGRCC haverá uma redução na geração e
descarte desses resíduos haja visto o correto manejo e reaproveitamento dos
mesmos na obra como forma de logística reversa.
A geração dos resíduos dependerá da etapa que a obra estará sendo dividida
basicamente em três etapas principais: instalações provisórias, fundações,
superestrutura e cobertura. Já os efluentes são resultantes do uso doméstico dos
empregados, sendo a destinação final, as instalações de esgotamento sanitário do
local.
10.2 Coleta
A coleta de resíduos será efetuada por equipe de profissionais devidamente
treinados e equipados com luvas, botas, materiais de proteção adequados (EPI’s)
iniciando com a limpeza da obra, através de varrição de cada ambiente/pátio,
removendo os resíduos das lixeiras, transferindo-os para sacos de lixo maiores e
respeitando a segregação dos mesmos.
A empresa licenciada recolhe os resíduos, e deve efetuar as rotas indicadas
para cada tipo de resíduo: recicláveis, não recicláveis e perigosos.
Quando houver necessidade de armazenamento intermediário, os resíduos
deverão ser contidos de forma adequada e segura até que se tenha um volume
mínimo para comercialização ou disposição final.
10.3 Transporte Interno
Após o recolhimento, será efetuado o transporte destes resíduos, por meio de
carrinhos de mão ou giricas até o local de armazenamento dos resíduos existente
na obra.
24
10.4 Acondicionamento e Armazenamento
O acondicionamento do lixo visa basicamente a atender às condições
sanitárias, pelo controle de vetores, poluição hídrica e aspectos de bem-estar
proporcionando conforto, melhorando a estética local e favorecendo a melhoria da
qualidade de vida. O acondicionamento inadequado ou impróprio do lixo oferece os
meios para proliferação e desenvolvimento principalmente de moscas, ratos e baratas.
O acondicionamento deverá ser em local de armazenamento apropriado de
maneira a facilitar a coleta para o transporte, sem prejudicar o andamento das
atividades do empreendimento.
Os tipos de recipientes apropriados para o acondicionamento dos materiais
descartáveis são:
− Metálicos: de lata ou chapa galvanizada ou pintada;
− Plástico rígido;
− Saco plástico: de polietileno, colorido, não devendo ser transparente;
− Saco de papel: só de papel, ou de papel com camada interna de plástico.
As características adequadas dos recipientes particularmente para
acondicionamento do lixo são as seguintes:
− Ser hermético, ou seja, à prova d’água;
− Ter tampa bem ajustada ou sistema adequado de fechamento;
− Ser resistente, inclusive à corrosão;
− Ser de capacidade adequada, com volume máximo de 100 litros, o que
corresponde a mais ou menos 30 kg;
− Ser provido de alças, quando rígido e meio cheio, para que possa ser manipulado
com facilidade por um homem;
− Ter forma tronco-cônica, quando rígido, o que facilita o esvaziamento e a
limpeza;
− Ser de polietileno e não transparente, quando for saco plástico;
Estes recipientes devem atender às seguintes normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT):
− EB588 – sacos plásticos para acondicionamento de lixo;
− P-EB 588 – recipientes padronizados para lixo;
− MB 732 – sacos plásticos para acondicionamento de lixo.
25
Os resíduos inertes e materiais inservíveis não recolhidos pela coleta
convencional, serão depositados em caçambas estacionárias ou containers
dispostos em locais estratégicos.
Os resíduos putrescíveis como os restos orgânicos vegetais e animais,
procedendo de preparo e consumo dos alimentos, devem ser adequadamente
acondicionados, antes de serem depositados nos recipientes. É conveniente
acondicioná-los previamente em sacos plásticos, o que reduzirá os odores
desagradáveis, tanto nos recipientes como durante a coleta e o transporte, bem
como o acesso de moscas; também reduz a corrosão dos recipientes metálicos, pois
serão lavados com menor freqüência; além disso, a adoção dessa prática facilita o
esvaziamento dos recipientes.
10.5 Transporte Externo
Nesta etapa os resíduos sólidos (lixo), deverão ser transportados pelas
empresas prestadoras de serviços de limpeza devidamente licenciada (Certificado
de Registro Cadastral) na Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (SEMAM) portando Licença de Funcionamento conforme foi mencionado
anteriormente.
Deve-se considerar que, a prestadora de serviços de limpeza deverá
apresentar segurança e pontualidade, uma vez que a falha operacional na coleta,
transporte e destinação do lixo, poderá gerar efeitos negativos como poluição visual,
odores e surgimento de focos de vetores como moscas, mosquitos etc.
A freqüência de viagens para a área de destino final do lixo será em função
da quantidade de rejeitos sólidos produzidos, devendo-se considerar que durante os
picos de produção é provável que o transporte seja diário.
10.6 Destinação Final
Os resíduos de construção civil (RCC’s) são constituídos de uma ampla
variedade de produtos, que podem ser classificados em solos, materiais “cerâmicos”
(rochas naturais; concreto; argamassas a base de cimento e cal; resíduos de
cerâmica vermelha, como tijolos e telhas; cerâmica branca, especialmente a de
26
revestimento; cimento-amianto; gesso – pasta e placa; vidro), materiais metálicos
(aço para concreto armado, latão, chapas de aço galvanizado, etc.), e materiais
orgânicos (madeira natural ou industrializada; plásticos diversos; materiais
betuminosos; tintas e adesivos; papel de embalagem; restos de vegetais e outros
produtos de limpeza de terrenos).
A proporção entre estas fases é muito variável e depende da origem. Os
resíduos que estes materiais geram poderão ser encaminhados para reciclagem ou
aterros, dependendo das condições físicas, financeiras e dos fins aplicáveis e
disponíveis.
A destinação final será dada pela empresa de coleta de entulho contratada
pelo empreendedor, nesse caso, esta deve ser cadastrada junto à SEMDUH e
possuir Licença de Operação vigente junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente
e Recursos Hídricos – SEMAM. Essa destinação deverá ocorrer em locais
apropriados para tal fim, tais como:
• Aterros de Pequeno Porte (no caso de resíduos Classe A) – L R C
Freitas situado à BR 316 – Loteamento Josélio Soares;
• Aterros Sanitários (no caso de resíduos domésticos), Centrais de
Tratamento de Resíduos (CTR) etc - Aterro Municipal de Teresina
situado à BR 316, Km 7, Santo Antonio;
10.7 Ações de Manejo
A gerência da obra deverá informar de modo educativo e acompanhar os
funcionários sobre a separação dos resíduos gerados, para posterior coleta seletiva
e destinação final adequada. Deverá ainda, dispor de coletores em refeitórios e
demais dependências da obra para resíduos sólidos recicláveis, não recicláveis e
orgânicos, de forma que fique protegido de intempéries. Se houver necessidade de
transporte por meio do empreendedor, deve ser feito de maneira também seletiva e
com destinação final adequada.
Os resíduos da construção civil não devem estar dispostos de forma que haja
carreamento para corpos d’água.
Os materiais recicláveis como latas, vidros e plásticos deverão ser
esvaziados completamente e colocados em recipientes adequados. Poderão ser
27
utilizados recipientes de fibra de vidro, os quais deverão manter cores diferentes
e portarem tampas.
Recomenda-se que seja colocado o símbolo de reciclagem com o nome do
material a ser recolhido (ex. plástico – vidro – lata), nas cores preta ou branca
dependendo da cor do recipiente. O padrão de cores destes recipientes se dá de
acordo com a resolução CONAMA n.º 275 de 25 de abril de 2001, já devidamente
especificadas anteriormente.
Caso os materiais da coleta seletiva sejam destinados à comercialização os
dividendos auferidos poderão ser empregados em benefícios sociais tendo como
alvo os funcionários da própria construtora. Outra opção de emprego do dinheiro
arrecadado com o material é a constituição de uma caixa de benefícios em favor dos
funcionários que irão trabalhar diretamente no setor de limpeza.
10.8 Plano de Monitoramento
Deverá ser realizado o acompanhamento da evolução do sistema de
gerenciamento implantado, através do monitoramento das ações planejadas e
proposições de ações corretivas, devendo as informações serem disponibilizadas
quando solicitadas.
É fundamental a elaboração de planilhas referindo a geração mensal de
resíduos, classificação, forma e local de armazenamento, destinação final, entre
outros.
28
11 TRIAGEM DOS RESÍDUOS
Para a triagem dos resíduos, recomenda-se que seja feita através da coleta
seletiva, que se constitui da segregação e classificação dos resíduos e análise das
possibilidades de reuso, reciclagem e destinação final.
11.1 Planejamento
Deverá haver uma estruturação de equipes de trabalho, que serão
constituídas por funcionários do canteiro de obra, responsáveis pela coleta, seleção
e transporte dos resíduos.
Recomenda-se ainda, treinamento da equipe de trabalho, que deverá ser
realizado por engenheiro ou técnico de Segurança do Trabalho, visando capacitar os
funcionários nas atividades da coleta seletiva e de destinação dos resíduos, além da
presença de uma equipe de Comunicação Social que será responsável pelo contato
com instituições públicas, privadas e ONGs para estabelecer parcerias para
reciclagem dos resíduos. Deve ser formada pelo engenheiro da obra, um
representante do empreendedor, um técnico na área de construção civil, ou de
saneamento e meio ambiente.
11.2 Metodologia
Para a escolha da metodologia de trabalho esse plano se baseou nas
diretrizes indicadas na legislação vigente e anteriormente referenciada além de
trabalhos pertinentes ao assunto bem como campanha de campo e coleta de dados
do cenário local onde será implantado o empreendimento.
a) Rotina de coleta
Será implantada diariamente ao final do horário de serviço, por caminhão da
construtora ou terceirizada e em horário fixo, uma rotina de coleta dos resíduos que
deverão ser depositados em área adequada no próprio canteiro da obra, ou em uma
área devidamente isolada (muro ou cerca), nos casos em que não houver espaço
físico disponível no canteiro. O acondicionamento dos resíduos na área destinada
para triagem deve seguir a NBR 10.004. Ao longo dos trechos de serviços serão
dispostos recipientes para colocação dos resíduos conforme suas características,
prevendo-se:
29
— Deposito de matéria orgânica;
— Deposito de papel, papelão e plásticos;
— Deposito de madeira;
— Depósito de metais;
— Deposito para materiais diversos.
b) Rotina de triagem
Recomenda-se a deposição dos resíduos em locais separados, destinando-se
para o aterro municipal a matéria orgânica coletada. A seleção dos demais resíduos
deverá ser realizada semanalmente para definição do destino final dos mesmos,
havendo a necessidade de um funcionário responsável pela organização da triagem
e que controle o transporte destes resíduos para o destino final.
A destinação dos resíduos será feita em função da legislação municipal,
estadual e federal.
Dentre os possíveis destinos previstos para os resíduos gerados em obra,
tem-se:
− Madeira: padarias e olarias;
− Papel, papelão e plástico: associações e organizações não-governamentais (ONG’s);
− Sobras de argamassas, de concretos, demolição de pavimento e materiais cerâmicos
quebrados: poderão constituir aterro em terrenos particulares ou públicos conforme
acordos mantidos com a Prefeitura ou proprietários particulares;
− Sucata de obra (materiais elétricos, hidráulicos, sanitários, pregos, arames,
sobras de corte de ferro, sobras de cavaletes e placas, materiais cerâmicos em
bom estado de uso, sacos de cimento, embalagens de tintas): serão enviados
para matriz da construtora para reuso;
− Algodões, embalagens e remédios: colocação em valas impermeabilizadas
específicas no aterro da cidade.
Os materiais recicláveis também poderão ser doados ou vendidos, para
destinação ambientalmente adequada, sendo a retirada e o transporte de
responsabilidade do comprador.
Definidos os parceiros, independente do responsável pela retirada de
material, a mesma será realizada em caçambas estacionárias, caminhões e ou
maquinário com proteção lateral.
30
12 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nas medidas de execução do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
da Construção Civil, será priorizado o reaproveitamento do material reciclável no ato
da coleta, fazendo com que haja um melhor aproveitamento quanto ao
acondicionamento e transporte dos resíduos.
Os equipamentos de transporte utilizados serão veículos apropriados e
compatíveis com as características dos resíduos, conforme as Normas da ABNT e
Leis Ambientais.
Avalia-se que os procedimentos descritos neste estudo possam auxiliar o
empreendedor a ter êxito quanto à gestão dos resíduos na área em questão.
A implantação da gestão ambiental de resíduos da construção civil nos
canteiros de obras de forma fundamentada e consciente servirá como referência a
ser seguida pelo presente ramo de atividade.
Diante do exposto, pode-se afirmar que o empreendimento é necessário e
viável em termos socioambientais, desde que respeitadas as orientações acerca das
medidas sugeridas neste PGRCC para que as condições naturais não sofram
interferências substanciais negativas.
31
13 REFERÊNCIAS
ABNT. NBR 10004. Resíduos da construção civil sólidos – Diretrizes para o
Projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro, 2004.
ABNT. NBR 15112: Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas
de transbordo e triagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação. Rio
de Janeiro, 2004.
ABNT. NBR 15113: Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes –
Aterros – Diretrizes para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro, 2004.
ABNT. NBR 15114: Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de reciclagem
– Diretrizes para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro, 2004.
ABNT. NBR 15115: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil –
Execução de camadas de pavimentação – Procedimentos. Rio de Janeiro, 2004.
ABNT. NBR 15116: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção
civil – Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função
estrutural – Requisitos. Rio de Janeiro, 2004.
CONAMA Resolução nº 275, de 25 de junho de 2001. Simbologia dos resíduos.
Brasília: MMA/CONAMA. 2001.
CONAMA, Resolução nº 307, de 05 de julho de 2002. Diretrizes e procedimentos
para a gestão dos resíduos da construção. Brasília: MMA/CONAMA.2002.
CONSONI, A.J.; SILVA, I.C.; GIMENEZ, FILHO, A. Disposição final do lixo. D’
ALMEIDA, M.L.O; VILHENA, A. (Coord.). Lixo municipal: Manual de gerenciamento
integrado. 2ª Ed. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT/ Compromisso
Empresarial para Reciclagem – CEMPRE, 2000. Cap. 05, p. 251-291.
FIGUEIREDO, Paulo Jorge Moraes. A sociedade do lixo: os resíduos, a questão
energética e a crise ambiental. Piracicaba: UNIMEP, 1994.
JOHN, V. M. Reciclagem de resíduos na construção civil: Contribuição para
metodologia de pesquisa e desenvolvimento. 2000, 113f. Tese (Livre-Docência)
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.
JÚNIOR, N.B.C. (Coord.) Cartilha de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para
Construção Civil. SINDUSCOM – MG, 2005.
PINTO, T. P.; GONZÁLES, J. L. R. (Coord.). Manejo e gestão dos resíduos da
construção civil. Volume 1 – Manual de orientação: como implementar um
sistema de manejo e gestão nos municípios. Brasília: CAIXA, 2005.194p.
PINTO, Tarcísio de Paula. Metodologia para a gestão diferenciada de resíduos
sólidos da construção urbana. São Paulo, v. 189, 1999.
32
14 RESPONSABILIDADE TÉCNICA
Lucas Gamaliel Andrade Fialho
Engenheiro Civil
Registro Nacional: 1918958416