ico específico e divisível da jurisdição (conceito amplo de serviço pú blico),
podem ser cobradas tendo por base de cálculo o valor da causa ou da
condenação (custas ad valorem). Entretanto, se a alíquota for excessiva ou
se inexistir previsão de um teto (valor máximo absoluto), elas se tornam
ilegítimas, por perderem a correlação com o valor gasto pelo Estado para
prestar o serviço, e por configurarem uma maneira indireta de a lei excluir
da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito, ferindo o
princípio do livre acesso à jurisdição.
Tal entendimento, já cediço, é hoje objeto da Súmula 667 do Supremo
Tribunal Federal,
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ampafjpafna~fnmasõrgnirongsrãmgkmfs serviço jurisdicional não possuir
condições de pagar as custas, a lei autoriza o magistrado a conceder o
benefício da justiça gratuita, o que, sob a ótica do direito tributário,
equivale a uma concessão de isenção em caráter individual.
Ainda no tocante às custas, é interessante relembrar que nem sempre elas
foram cobradas sobre o valor da causa ou da condenação. No Direito
brasileiro, houve uma época em que elas eram estipuladas com base no
número de carimbos apostos no processo. Apesar de soar antiquada, a
sistemática era bem mais condizente com o espírito do sistema tributário
nacional, visto que uma maior quantidade de carimbos significava uma
maior quantidade de despachos e decisões proferidas durante o trâmite
processual, de forma a gerar uma razoável proporcionalidade entre a
“quantidade do serviço prestado” e o valor da taxa cobrada.
O STF tem se mantido nessa linha de raciocínio, apesar de, por vezes,
utilizar-se de verdadeiros “malabarismos interpretativos” para vislumbrar,
em casos um tanto obscuros, a existência da necessária correlação entre a
base de cálculo da taxa e o custo da atividade estatal que constitui sua
hipótese de incidência.
Cap. 1 • NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
Um excelente exemplo disso foi o julgamento em que o Tribunal foi instado a
se pronunciar sobre a taxa pela coleta domiciliar de lixo instituída pelo
Município de São Carlos/SP. O ente tributante utilizou-se de uma maneira
bastante curiosa de repartir os custos da prestação do referido serviço entre
seus beneficiários. Foi feito um rateio proporcional à área construída de
cada imóvel beneficiado. Houve contestação da cobrança sob a alegação de
que não existe qualquer correlação entre a área construída de um imóvel e
os valores despendidos pelo Estado para nele coletar lixo, ou com o grau de
utilização do serviço por parte dos respectivos proprietários. Entretanto, o
STF, ao analisar o tema (RE 232.393/SP), entendeu que “o fato de a alíquota
da referida taxa variar em função da metragem da área construída do
imóvel - que constitui apenas um dos elementos que integram a base de
cálculo do IPTU - não implica identidade com a base de cálculo do IPTU, afas
Tal entendimento, já cediço, é hoje objeto da Súmula 667 do Supremo
Tribunal Federal,
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ampafjpafna~fnmasõrgnirongsrãmgkmfs tando-se a alegada ofensa ao art.
145, § 2.°, da CF”. Na fundamentação do acórdão, o Tribunal acatou a
presunção de que os imóveis maiores produzirão mais lixo que os imóveis
menores, sendo justa a cobrança da taxa com valores proporcionais a essa
utilização presumida do serviço. Por ser extremamente oportuno,
transcreve-se o seguinte excerto do voto vencedor (Min. Carlos Velloso):
"Numa outra perspectiva, deve-se entender que o cálculo da taxa de lixo,
com base no custo do serviço dividido proporcionalmente às áreas
construídas dos imóveis, é forma de realização da isonomia tributária, que
resulta na justiça tributária (CF, art. 150, II). É que a presunção é no sentido
de que o imóvel de maior área produzirá mais lixo do que o imóvel menor. O
lixo produzido, por exemplo, por imóvel com mil metros quadrados de área
construída, será maior do que o lixo produzido por imóvel de cem metros
quadrados. A previsão é razoável e, de certa forma, realiza também o
princípio da capacidade contributiva do art. 145, § 1.°, da C.F., que, sem
embaraço de ter como destinatária (sic) os impostos, nada impede que
possa aplicar-se, na medida do possível, às taxas" (STF, Tribunal Pleno, RE
232.393/SP, Rei. Min. Carlos Velloso, j. 12.08.1999, DJ 05.04.2002, p. 55).
Registre-se que, em 2008, a nova composição do Supremo Tribunal Federal,
julgando caso semelhante, desta feita relativo ao Município de Campinas/SP,
reafirmou o entendimento aqui detalhado, tendo o Ministro Ricardo
Lewandowski proposto a edição de súmula vinculante acerca da matéria.
Posteriormente, foi então editada a Súmula Vinculante 29, cuja redação,
bastante ampla, é a seguinte:
STF - Súmula Vinculante 29 - "É constitucional a adoção no cálculo do
valor de taxa de um ou mais elementos da base de cálculo própria de
determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma
base e outra".
DIREITO TRIBUTÁRIO - Ricardo Alexandre
O posicionamento tem sido bastante abordado em concursos públicos. A
título de exemplo, o CEBRASPE utilizou-se do acórdão do STF e, no concurso
para Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados, realizado em 2002,
elaborou a seguinte assertiva [correta]: “A taxa de lixo domiciliar que,
entre outros elementos, toma por base de cálculo o metro quadrado do imó
vel, preenche os requisitos da constitucionalidade, atendidos , os princípios
da isonomia tributária e da capacidade contributiva, ainda que o IPTU
considere como um dos elementos para fixação de sua base de cálculo a
metragem da área construída”.
Um outro detalhe é digno de nota. Em tópico anterior, transcreveu-se uma
questão do concurso para Advogado da DESENBAHIA, realizado em 2002, na
qual a Fundação Carlos Chaga?, ratificando seu apego à literalidade,
considerou correta a afirmação: “É certo que o princípio da capacidade
contributiva encontra-se intrinsecamente ligado ao da igualdade tributária e
aplica-se apenas aos impostos, e não às taxas, empréstimos compulsórios e
contribuição de melhoria”.
Em face do expresso pronunciamento do Supremo Tribunal Federal no
sentido de que nada impede que o princípio da capacidade contributiva seja
aplicado às taxas, a assertiva deveria ter sido considerada incorreta.
Percebe-se que a FCC se apegou à redação literal do citado art. 145, § l.°.
Entretanto, se a redação da questão afirmar que o princípio não pode ser
aplicado às taxas, o erro torna-se evidente e, mesmo que a banca seja a
FCC, a afirmação deve ser tomada por falsa.
Outro ponto de grande relevância é a aceitação, por parte do STF, da
criação de taxas com valores fixos constantes em tabelas que tomem
como referência grandezas que, a rigor, poderíam ser consideradas como
bases de cálculo próprias de impostos.
A título de exemplo, a Lei 7.940/1989 instituiu a taxa de fiscalização dos
mercados de títulos e valores mobiliários, que, em alguns casos,
variava em função do patrimônio líquido dos contribuintes, o que, para
alguns, além de configurar base de cálculo própria de imposto, significaria
cálculo da taxa em função do capital social da empresa, prática vedada pelo
parágrafo único do art. 77 do CTN.
Para as companhias abertas com patrimônio líquido de até 10 milhões de
Bônus do Tesouro Nacional - BTN, a taxa equivalería a 1.500 BTN; para as
companhias abertas cujo patrimônio líquido estivesse acima de 10 milhões
e abaixo de 50 milhões de BTN, a taxa equivalería a 3.000 BTN; já para as
companhias abertas cujo patrimônio líquido fosse superior a 50 milhões de
BTN, a taxa seria de 4.000 BTN.
O Supremo Tribunal Federal acabou por entender que o patrimônio líquido
não era a base de cálculo da taxa, mas tão somente um fator de
referência para definir o valor a ser pago pelas empresas, estipulado na
forma de tributo fixo.
Cap. 1 • NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
A argumentação parece contraditória e merece esclarecimentos. A lei
instituidora da taxa previu um valor fixo a ser pago para cada faixa de
patrimônio líquido dos sujeitos passivos. Assim, a taxa não era calculada
mediante a multiplicação de uma alíquota pelo patrimônio líquido da
empresa, de forma que este não seria a “base de cálculo” do tributo, mas
apenas uma grandeza usada como referência para definir o valor fixo a ser
cobrado.
Em 2003, sepultando as discussões, o STF editou a Súmula 665, cujo teor é
o seguinte:
STF - Súmula 665 - "É constitucional a taxa de fiscalização dos mercados
de títulos e valores mobiliários instituída pela Lei 7.940/1989".
Na mesma linha, em julgado de outubro de 2008, o Tribunal considerou
constitucional lei do Estado de São Paulo que utilizou como fator de
referência para a cobrança da taxa paga aos cartórios para a transferência
de imóveis o valor do imóvel transferido, considerando-se como tal o
mesmo que foi apurado na cobrança do Imposto sobre Propriedade
Territorial e Urbana (IPTU).
Apesar de dois Ministros entenderem que se estava utilizando para uma
taxa base de cálculo de dois impostos (IPTU e ITBI), o Tribunal, por maioria,
adotou o mesmo raciocínio esposado quando do julgamento acerca da taxa
de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários. Na ocasião, o
saudoso Ministro Menezes Direito (Relator), assentou que a variação do
valor da taxa em função dos padrões considerados pela lei estadual “não
significa que o valor do imóvel seja a sua base de cálculo”, pois tal
montante “é apenas usado como parâmetro para determinação do valor des