Impacto das Crises nos Bancos Brasileiros
Impacto das Crises nos Bancos Brasileiros
FATEC JUNDIAÍ
JUNDIAÍ/SP - BRASIL
14 E 15 DE JUNHO DE 2024
RESUMO
Uma crise pode ter um enorme impacto no sistema financeiro – para não mencionar as repercussões sociais e
económicas da falência de um banco. É por isso que este estudo se aprofundou em como as crises afetaram a saúde
financeira dos bancos brasileiros. Após analisar dados de 2000 a 2019 — projeções financeiras semestrais e
informações cadastrais de diversos bancos comerciais do BACEN (Banco Central). Com esses dados, foram
utilizados indicadores da metodologia CAMEL para medir como esses números mudaram durante os períodos de
crise. Foi testada a sensibilidade desses indicadores, com teste de diferença de médias, e forma encontradas
algumas tendências interessantes surgindo durante esses tempos turbulentos. O capital social registou um aumento
em relação aos ativos – mas o mesmo aconteceu com as carteiras de crédito de alto risco, embora com poucos
depósitos, e as despesas aumentaram enquanto as receitas de serviços diminuíram. Diferenças estatisticamente
significativas surgiram na maioria dos indicadores de gestão de qualidade, mostrando taxas de rentabilidade mais
baixas através da medida de Receita Operacional - levando os bancos a direcionar mais ativos para estratégias de
investimentos de curto prazo durante uma crise, tudo apontando para uma concluímos alcançados por este estudo:
Indicadores recomendados por A metodologia CAMEL realmente pinta um quadro mais claro durante a
turbulência financeira.
ABSTRACT
Given the impact that crises can have on the financial system and the social and economic consequences that bank
failure can have on the economy, the present study aimed to analyze the impact of crises on the financial indicators
of Brazilian banks. For this, data were collected from semi-annual financial statements and registration
information from multiple and commercial banks available at BACEN (Central Bank), from 2000 to 2019. Then,
indicators from the CAMEL methodology were used to measure these results in comparison with periods
considered a crisis. To test the sensitivity of the indicators in times of crisis, the mean difference test was used. As
a result, there was an increase in the share of Share Capital in relation to Assets. There was also an increase in
the share of significant credit portfolios at levels considered higher risk and with a lower quantity of deposits.
There was an increase in expenses and a reduction in service revenues. Furthermore, it can be observed that the
difference in the average values of four of the five indicators associated with management quality were statistically
relevant. Furthermore, profitability measured by the Operating Revenue rate was lower. Finally, it was observed
that banks tend to allocate a greater portion of their assets to short-term investments in times of crisis. In
conclusion, this study agrees with the success of the indicators recommended by the CAMEL methodology, which
responds better to periods of financial turbulence..
1. INTRODUÇÃO
2. EMBASAMENTO TEÓRICO
A crise econômica do Brasil, que foi ainda mais aprofundada pela pandemia da COVID-
19, apresentou obstáculos significativos para as empresas. Nestes tempos desafiadores e
incertos, em que muitos setores foram impactados devido à sua inter-relação com o crescimento
do PIB de outras nações (como setores tão variados como o turismo ou mesmo o esporte), já
que as empresas precisam encontrar uma saída, ou inventar uma.
De acordo com Assis (2016), a pandemia está a causar uma recessão econômica global
– cujas consequências permanecem envoltas em incerteza. Vários setores estão enfrentando
XV FATECLOG – Logística com Inovação e ESG
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quedas acentuadas devido a medidas de distanciamento social que restringem ainda mais a
procurar através do seu impacto nas atividades relacionadas que afetam o PIB, como os serviços
de produção. As elevadas taxas de desemprego observadas em muitos países agravaram ainda
mais estes problemas. No entanto, no meio desta imprevisibilidade, existem dois pontos focais
cruciais: É vital aproveitar as oportunidades emergentes, mesmo nas sombras iminentes de
ameaças iminentes.
O progresso econômico brasileiro parou em 2015, após um período de crescimento
sustentado. Este fato foi destacado por Trovão e Araújo (2019). De 2003 a 2008, o Brasil
registrou uma taxa média constante de crescimento anual de 4,2%, levando-o a expandir-se
ainda mais em mais 2,8% nos seis anos subsequentes – mas depois vieram as sombras escuras
lançadas pela recessão de 2015-2016 que parou sobre o PIB e por renda capita. Estas paisagens
desoladas prenunciaram os desafios trazidos pela pandemia global em 2020, que agravaram os
problemas em todos os setores: uma onda iminente de adversidades..Cada setor parecia abrir
sua caixa de Pandora com mais encerramentos que conduzissem a desafios econômicos;
pareceu que mais setores foram afetados posteriormente, agravando sua situação.
Há uma compensação de economistas de uma recessão global como resultado da Covid-
19, com consequências de longo alcance na economia mundial. Gopinath sublinha que a crise
económica provocada pela Covid-19 se destaca de todas as outras crises que a humanidade já
viveu: nesta crise global, não somos capazes de prever com certeza o que nos espera amanhã,
como corroboram estas palavras relacionadas devido ao VALOR ECONÔMICO (2020). De
acordo com Gandra (2020), os setores da indústria, serviços e consumo evoluem para números
negativos selecionados no Indicador Composto Ascendente da Economia (IACE) com quedas
significativas: 46,6%, 33,5% e 28,9%, respectivamente – estas devem-se a medidas de
distanciamento social. Com base nas suas contribuições, o Instituto Fiscal Independente prevê
uma possível perda de 7% do PIB em 2020 se as perturbações continuarem; Isto sublinha a
incerteza, bem como a gravidade, que provavelmente excede o que a maioria das pessoas prevê
actualmente.
Em linha com Irajá (2020), existem indicadores adicionais preocupantes. A dívida está
pública em 84,9%, enquanto o aumento dos pedidos de seguro-desemprego gira em torno de
39%. Para resolver esta questão, precisamos de uma compreensão completa dos desafios que
abrangem as pequenas e microempresas e, mais importante, precisamos de elaborar um plano
estratégico que possa combater eficazmente crises de todas as formas e tamanhos. Isto suscita
preocupação especial, uma vez que o Brasil não teve sucesso em controlar qualquer aspecto de
um surto.
Da mesma forma, CBSB (1988) apresenta uma perspectiva dinâmica sobre o risco de
crédito — definida por Caouette et al. (1988) como a probabilidade de os mutuários não
cumprirem as suas obrigações contratuais, por vezes sinónimo de preços. A prática de
gerenciamento de risco de crédito não é universal e difere para cada tipo de instituição
financeira com base na regulamentação estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Os níveis
foram classificados em um amplo espectro, de AA a H – o que implica que a classificação em
si não é padrão entre as instituições, mas sim uma previsão determinada com base em critérios
específicos definidos pelo Banco Central do Brasil e aplicados universalmente. As
classificações fornecem informações sobre as taxas de preços que deverão ser consideradas
parte da avaliação da sua previsão, enquanto essas classificações informam sobre as taxas de
preços que serão avaliadas subjetivamente durante a sua previsão.
Operação, por assim dizer: a essência e o objetivo de qualquer operação desse tipo
especificamente uma parte fundamental na garantia da segurança, onde as operações
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especializadas têm maior probabilidade de serem seguras. Na sua vertente racional, os modelos
estatísticos assumem a responsabilidade pela classificação adequada dos riscos — e, portanto,
pelos processos de tomada de decisão para aprovação de crédito. De acordo com os acordos de
Basileia, cada instituição é incentivada a criar seu próprio modelo de gestão de riscos, baseado
em dados históricos e perfis de clientes (BACEN), abrindo caminho para uma abordagem
altamente personalizada no tratamento de riscos.
sendo preferível uma proporção mais elevada, pois significa mais recursos para os bancos
repassarem aos mutuários de recursos. Em essência, maiores recursos dos bancos significam
que mais ajuda pode ser dada aos beneficiários, beneficiando assim ambas as partes envolvidas.
O indicador L1 é utilizado para avaliar o nível de ativos líquidos dentro do ativo total,
sendo que níveis mais elevados apresentam melhor liquidez (RESENDE, 2021).
Por outro lado, L2 ajuda a identificar a proporção dos ativos de curto prazo no ativo
total, o que é fundamental para determinar a posição de liquidez. L3 indica até que ponto as
responsabilidades imediatas podem ser cumpridas a partir dos disponíveis a curto prazo, que
idealmente devem incluir algum dinheiro facilmente acessível para as necessidades de
pagamento dos recursos devidos. Para L4, o seu valor inferior a uma significaria a incapacidade
de uma organização satisfatória as exigências de levantamento de depósitos, enquanto um rácio
de liquidez positivo acima de uma implicação adequação no cumprimento destas duas
exigências sem dificuldade; finalmente temos L5 cujo valor positivo maior que também nos diz
se de fato essa folga existe mesmo após uma captura.
3. DISCUSSÕES E RESULTADOS
Os indicadores CAMEL nos grupos de crise e não-crise foram comparados usando o
teste de diferença de médias. Nossa hipótese é que não há diferença significativa nos valores
médios dos indicadores entre esses dois grupos.
C1
Mean 7,0690 7,0040 7,1574 -0,1534
Std Dev 6,2423 6,3479 6,0958
Min -19,2341
Max 154,6455
C2
Mean 0,3379 0,3261 0,3539 -0,0277**
Std Dev 0,4867 0,4910 0,4807
Min -1,2903
Max 4,7325
C3
Mean 0,4723 0,4463 0,5077 -0,0614
Std Dev 17,5578 17,5340 17,5944
Min -17,0745
Max 944,5587
C4
Mean 0,5414 0,6162 0,4397 0,1765
Std Dev 18,4502 18,9288 17,7819
Min -130,3736
Max 962,8105
C5
Mean 0,2631 0,2703 0,2534 0,0169*
Std Dev 0,4263 0,4916 0,3163
Min 0,0072
Max 14,6405
Fonte: Elaboração própria.
Ao analisar o indicador C5, que avalia a relação entre o Capital Social e o Ativo Total
das instituições, torna-se evidente que em tempos de estabilidade económica, o capital próprio
assume uma posição de maior destaque na estrutura global de capital. Consequentemente, isto
leva a uma redução dos riscos potenciais para a empresa, pois significa uma diminuição da
dependência de recursos externos. Os pontos de vista expressos por estudiosos como Capelletto
Especificamente, não houve diferença significativa na parcela média não provisionada dos
ativos de maior risco em relação ao Patrimônio Líquido ajustado. durante os anos desenvolvido
para ambos os grupos.
Um fator essencial para avaliar a qualidade dos ativos de um banco é a capacidade da
instituição para mobilizar recursos de forma eficiente para empréstimos. Esta avaliação pode
ser feita através de dois indicadores principais: A1 e A5. A1 mede a relação entre os ativos
geradores de rendimento através da intermediação financeira e o ativo total do banco, enquanto
A5 analisa que a percentagem do total dos ativos é financiada através de depósitos.
Resende (2012) sugere que a geração de receitas através da intermediação de recursos
depende da dependência dos bancos de taxas de juros elevados – normalmente procuram
grandes volumes de depósitos, uma vez que os investidores revelam quantidade suficiente de
recursos para emprestar aos mutuários de crédito . Apesar de não haver evidência de melhoria
nos períodos de crise ou de significância estatística observada com o indicador A5, embora
tenhamos alguma melhoria gradual observada ao longo do tempo sem que estas condições
específicas fossem cumpridas.
No entanto, como afirma A5, os bancos observam um aumento nos montantes dos
depósitos em períodos de instabilidade económica. Esta disparidade tem um significado
específico na mídia. Sugere que, durante as crises, os bancos enfrentem uma escassez de
recursos disponíveis para conceder empréstimos aos mutuários de crédito, restringindo assim a
sua capacidade de gerar através de receitas da intermediação.
Resende (2012) sugere que o fator M3 seja definido de forma que garanta que uma
receita de serviços seja capaz de cobrir todas as despesas administrativas, com valor igual ou
superior a 1. Porém, ao avaliar as instituições como um todo, fica evidente que esta condição
não é cumprida, mesmo em períodos negativos em que o desempenho é relativamente bom e
apresenta médias superiores aos momentos de instabilidade analisadas.
A análise da redução de custos nas instituições, uma vez que o objetivo é aumentar a
eficiência, é um aspecto crucial que merece ser mais explorado. O indicador de eficiência M7
é muito importante neste caso. Isso nos ajuda a entender como as despesas operacionais se
relacionam com o ativo total.
Se observarmos como este indicador muda ao longo do tempo, podemos ver que há
picos durante certos períodos de crise, onde as despesas também aumentam – uma observação
que não passa despercebida aos analistas perspicazes. Uma rápida olhada na Tabela 3 revela
que esses picos realmente merecem a nossa atenção porque mostram um aumento
estatisticamente significativo — com um valor médio mais elevado — o que significa que
podemos dar-nos ao luxo de ser menos parcimoniosos: especialmente durante esses períodos
de crise.
Em tempos de instabilidade económica, há uma diminuição notável na eficácia da
gestão, como demonstrado pelas conclusões delineadas na Tabela 3. Este declínio na eficiência
é evidente na redução das receitas de serviços em relação às despesas administrativas, bem
como no aumento de custos operacionais. O M6 contribui ainda para este padrão ao avaliar as
oscilações das despesas operacionais entre os encerramentos dos balanços, utilizando
diferenças médias.
[Link] (E)
O retorno médio das organizações de 2001 a 2019 foi de 0,84% ao investigar este
indicador que calcula a relação entre o Lucro Líquido e o Patrimônio Líquido médio. Note-se
que esta média foi maior e mais significativa nos períodos sem crise, conforme mostra a Tabela
4. Embora a margem do Lucro Líquido sobre a Receita Operacional (E8) não tenha apresentado
diferenças substanciais entre os dois grupos, um olhar mais atento sobre a Receita Operacional
O resultado em relação à Receita Operacional (E7) indica que os períodos de crise realmente
tiveram desempenho superior, com disparidade significativa observada nas médias.
4. CONCLUSÕES
As conclusões deste relatório sublinham o valor da avaliação do risco de crédito durante
as crises – um esforço que garante a estabilidade e a robustez financeira das instituições
financeiras. O método CAMEL foi considerado eficaz na análise bancária do Brasil em tempos
economicamente instáveis, proporcionando aos tomadores de decisão índices excessivos em
seus altos riscos, exigindo padrões operacionais e de liderança em restrições críticas.
O estudo concluiu que as crises têm um grande impacto no desempenho financeiro dos
bancos, com alterações a um nível estatisticamente significativo nas seguintes áreas —
adequação de capital, qualidade dos ativos, qualidade de gestão, rentabilidade e liquidez. As
variações revelam os desafios enfrentados pelas instituições financeiras em tempos de crise,
que influenciam sobremaneira. Um estudo sobre a utilização de índices financeiros para
detectar mudanças na estrutura de ativos bancários que impeçam estratégias estratégicas em
períodos de instabilidade.
Um plano de liquidez sólido foi visto como um elemento essencial em tempos
turbulentos, de acordo com as conclusões deste estudo. A importância do controle adequado do
risco de crédito foi enfatizada pela proposta do autor de contratação do CAMEL como uma
ferramenta para avaliar a estabilidade financeira de um banco – cenários de insolvência
intuitivamente baseados em heurísticas. Os efeitos das crises sobre os bancos precisam de ser
compreendidos — como um pré-requisito para instituir medidas preventivas e iniciativas de
reforço de gestão de riscos fundamentados em crises, cujo objetivo é garantir a solidez do
sistema financeiro e dos interesses dos consumidores das partes interessadas .
.
REFERÊNCIAS
CONRADO, Joice Kelly Ortega; CAVALCANTE, Talita de Fatima Silva. Gestão financeira
em tempos de crise. Agrotécnica deLlins. Unisalesiano - Centro Universitário Católico
Salesiano Auxilium. Curso de Administração. Lins – SP, 2016.
DORNELAS, J. Por que empreender em tempos de crise pode ser um bom negócio.
Economia, São Paulo-SP, 2015. Disponível em: [Link] Acesso em 27
de abril de 2024.
IRAJÁ, V. Coronavírus: Economia brasileira pode sofrer efeitos por mais de dez anos. Veja,
2020. Disponível em: [Link]
sofrer-impactos-por-mais-de-dez-anos/. Acesso em 23 de fevereiro de 2024
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