0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações18 páginas

Aterro CTR Santa Rosa: Projeto e Impactos

CTR santa rosa aterro sanitario reciclagem
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações18 páginas

Aterro CTR Santa Rosa: Projeto e Impactos

CTR santa rosa aterro sanitario reciclagem
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

2 CTR Santa Rosa:


Estado do Rio de
Janeiro
1. Informações sobre o aterro
1.1 Generalidades do projeto
Operado pela iniciativa privada, o aterro CTR Santa Rosa está localizado no
estado do Rio de Janeiro, no município de Seropédica, bem próximo à cidade do
Rio de Janeiro, a segunda mais populosa do Brasil. O CTR Santa Rosa ocupa uma
área de 1.699.512,97 m2 e começou a receber resíduos em janeiro de 2011,
tendo recebido todas as licenças ambientais necessárias para operação. O aterro
tem expectativa de receber inicialmente 6.000 toneladas de resíduos sólidos
domésticos por dia, no primeiro ano, provenientes dos municípios de Rio de
Janeiro, Seropédica e Itaguaí.
O CTR Santa Rosa está localizado no estado do Rio de Janeiro, entre os muni-
cípios de Seropédica e Itaguaí (22º47’44.53”S e 43º45’38.01” W). Latitude:
– 22.795703, Longitude: – 43.760558).

Figura 1. Localização exata do CTR Santa Rosa, situado entre os


municípios de Seropédica e Itaguaí.

133
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

O projeto de recuperação e aproveitamento de biogás neste aterro, faz parte de um Programa de Atividades
(PoA) sob o MDL no Brasil, denominado “CDM PoA: Projeto de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e de Carbon
Finance da Caixa Econômica Federal. Este PoA foi registrado perante a CQNUMC em 5 de outubro de 20121.
Este projeto no CTR Santa Rosa foi incluido como a primeira atividade de projeto (CPA) sob o PoA previa-
mente mencionado e é denominado: CPA-1: Recuperação do gás de Aterro, geração de energia e distribuição
de biogás do CTR Santa Rosa. Informações detalhadas sobre este CPA podem ser encontradas no site da
Internet da CQNUMC2.
A modalidade de PoAs sob o MDL permite que diversos CPAs possam ser incluidos dentro do PoA em
qualquer momento, uma vez que este último tenha sido registrado.
A entidade cordenadora para a implementação, operação e monitoramento do projeto MDL é a SERB –
SANEAMENTO E ENERGIA RENOVÁVEL DO BRASIL S.A.
O objetivo do CPA-1 Aterro CTR Santa Rosa é capturar e queimar/utilizar o metano gerado pela decompo-
sição de resíduos orgânicos provenientes do Aterro Sanitário CTR Santa Rosa. O projeto também pretende gerar
eletricidade a partir da queima do metano, bem como promover o “upgrade” do gás de aterro e distribuí-lo
através de uma rede de gás natural.
O CPA pode ser resumido da seguinte forma:
••Implementação de um sistema de coleta de gás de aterro;
••Utilização do biogás capturado como combustível para gerar eletricidade que poderá ser usada no pró-
prio local ou vendida para a rede nacional;
••Utilização do biogás capturado na distribuição a consumidores em uma rede de distribuição de gás natural; e
••Queima do excesso de gás de aterro capturado para destruir qualquer emissão de metano.
O sistema de impermeabilização de base será construído visando evitar a contaminação do solo e das
águas subterrâneas. Para tanto, será instalada uma camada dupla de argila compactada, a qual será coberta
com uma manta de PEAD (polietileno de alta densidade) com 1,5 mm de espessura e uma nova camada de
solo para proteção da manta. O aterro será dotado ainda de sistema de drenagem de águas pluviais, de gases
e de líquidos percolados (chorume).
O sistema de monitoramento ambiental inclui, ainda, o monitoramento geotécnico que será implantado
paulatinamente ao longo da operação do aterro, visando assegurar a estabilidade do maciço de resíduos.
Durante a operação da CTR Santa Rosa, está prevista a cobertura diária das células de resíduos com uma
camada de solo de 20 cm de espessura. Tal procedimento evita a atração de animais, tais como baratas, ratos
e aves, além de prevenir o carreamento dos resíduos provocado por ventos ou chuvas.

1.2 Geração e disposição dos resíduos


A quantidade estimada de resíduos a ser recebido é baseada em detalhes técnicos da concessão do local
e nos dados de coleta de lixo disponíveis para os municípios que depositarão resíduos sólidos urbanos no CTR
Santa Rosa, com acréscimo anual pelo coeficiente de crescimento vegetativo da população. A tabela 1 apre-
senta a projeção dos resíduos que se espera sejam depositados no aterro sanitario:
1
[Link]
2
[Link]

134
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

Tabela 1. Resíduo residencial a ser depositado anualmente no CTR Santa Rosa.3


Ano Peso dos resíduos residenciais (toneladas)
2011 1.043.500
2012 3.019.122
2013 3.352.313
2014 3.385.836
2015 3.419.695
2016 3.453.892
2017 3.488.431
2018 3.523.315
2019 3.558.548
2020 3.594.134
2021 3.630.075
2022 3.666.376
2023 3.703.039
2024 3.740.070
2025 3.777.470
2026 3.815.245
2027 3.853.398
2028 3.891.932
2029 3.930.851
2030 3.970.159
2031 4.009.861
2032 4.049.960
A caracterização dos resíduos sólidos urbanos é baseada na caracterização de resíduos realizada pela
prefeitura do município do Rio4.
Tipo de resíduo (%) base úmida
Papel/papelão 16,08%
Plásticos 20,31%
Vidro 2,84%
Matéria orgânica 53,63%
Metal 1,74%
Outros inertes 1,09%
Folhas 1,26%
Madeira 0,34%
Borracha 0,23%
Têxteis 1,75%
Couro 0,18%
Ossos 0,01%
Coco 0,40%
Parafina 0,01%
Eletrônicos 0,13%

3
Fonte: “Edital de concorrência da Comlurb”
4
Caracterização dos resíduos pela prefeitura do Rio (Caracterização gravimétrica e microbiológica dos resíduos sólidos domiciliares – 2009), também disponível
on-line em [Link]

135
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

2. Geração de gás de aterro e potencial de redução de


emissões pela combustão e aproveitamento do LFG
2.1 Modelo de Geração de Gás de Aterro e Método de Estimativa
A estimativa ex-ante da quantidade de metano que teria sido destruída/queimada durante o ano, em
toneladas de metano (MDproject, y) foi calculada de acordo com a quinta versão, aprovada, da “Ferramenta para
determinar emissões de metano evitadas através da disposição de resíduos em um local de disposição de
resíduos sólidos”, considerando a seguinte equação adicional:

BECH 4, SWDS, y
MD project,y =
GWPCH 4
Onde:
y
16
BECH 4,SWDS , y = ϕ ⋅ (1 − f ) ⋅ GWPCH 4 ⋅ (1 − OX ) ⋅ ⋅ F ⋅ DOC f ⋅ MCF ⋅ ∑ ∑W j,x ⋅ DOC j ⋅ e −k ( y − x ) ⋅ (1 − e −k j )
12 x =1 j

Onde:

Emissões de metano evitadas durante o ano y com a prevenção da destinação de


= resíduos no local de destinação de resíduos sólidos (SWDS) durante o período a partir
do início da atividade de projeto até o fim do ano y (tCO2e)
= Fator de correção do modelo para considerar as incertezas do modelo (0,9)
= Fração de metano capturada no SWDS e queimada em flare, incinerada ou usada de
outra maneira.
Potencial de Aquecimento Global do metano, válido para o período de compromisso
=
relevante.
Fator de oxidação (refletindo o volume de metano do SWDS que é oxidado no solo ou
=
em outro material utilizado na cobertura dos resíduos)
= Fração de metano no gás do SWDS (fração de volume) (0,5)
Fração de carbono orgânico degradável (DOC do inglês “Degradable Organic Carbon”)
=
passível de decomposição
= Fator de correção do metano
= Quantidade de orgânico tipo j não depositado no SWDS no ano x (toneladas)
= Fração de carbono orgânico degradável (por peso) no tipo de resíduo j
= Taxa de decaimento para o tipo de resíduo j
= Tipo de resíduo (índice)
Ano desde que o aterro começou a receber os resíduos [x varia do primeiro ano de
= operação do aterro (x=1) até o ano para o qual as emissões foram calculadas (x=y)]
Observação: esta definição representa uma correção da Ferramenta conforme ACM0001
= Ano para o qual foram calculadas as emissões de metano

136
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

O implementador do projeto CPA-1 CTR Santa Rosa prevê que o projeto será empreendido em três fases: a pri-
meira irá abranger a instalação do sistema de coleta de gás de aterro e do flare. Na segunda fase, será insta-
lado o sistema de geração de energia, e na terceira, haverá a implementação da planta de tratamento de gás,
que fará o “upgrade” do gás de aterro para distribuição através de uma rede de distribuição de gás natural.

A tabela 2 apresenta os principais parâmetros e os respectivos valores utilizados no cálculo das emissões
no cenário da linha de base:

Tabela 2. Informações para determinação da linha de base

Dados Valor Unidade Fonte

Ano de abertura 2011


Ano de fechamento 2025
Composição dos resíduos
Madeira e produtos de madeira 0,3%
Celulose, papel e papelão 16,1%
Porcentagem do Haztec – Projeto
Resíduos de alimentos 53,6%
total de resíduos Aterro Gramacho
Têxteis 1,9%
Resíduos de poda 1,3%
Resíduos inertes 26,8%
MCF 1.0 IPCC 2006
K (taxa de decaimento)
Madeira e produtos de madeira 0,035
Celulose, papel e papelão 0,07
IPCC 2006
Resíduos de alimentos 0,40 —
Para clima tropical úmido
Têxteis 0,07
Resíduos de poda 0,17
Resíduos inertes 0
DOCf 0,5 IPCC 2006
DOCj
Madeira e produtos de madeira 43
Celulose, papel e papelão 40
IPCC 2006
Resíduos de alimentos 15 %
Resíduos úmidos
Têxteis 24
Resíduos de poda 20
Resíduos inertes 0

137
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

Tabela 3. Média anual de valores meteorológicos para o estado do Rio de Janeiro: tempera-
tura e precipitação
Mês Temperatura média (Celsius) Precipitação média (mm)
Jan 26 114
Fev 27 104
Mar 26 104
Abr 24 137
Mai 23 86
Jun 22 81
Jul 21 56
Ago 22 51
Set 22 86
Out 23 89
Nov 24 97
Dez 25 170
Média anual 24 1.175

2.2 Resultados da Modelagem de Gás de Aterro


Baseado nas hipóteses e nos valores de entrada para o modelo de estimativa de geração de biogás para o Aterro
CTR Santa Rosa, estima–se que para o ano de 2013, a geração de biogás alcance um valor de 16.424 m3/hora.
Em 2032, após 21 anos de operação do aterro, esta taxa de geração seria de 45.775 m3/hora.
Para o projeto MDL, a eficiência de captura de biogás gerado é estimada em cerca de 50% e se mantém
constante durante a vida útil do projeto. Esta é uma suposição razoável e conservadora, já que enquanto o
aterro se encontrar em operação, existirão áreas expostas na massa de resíduos por donde pode haver migra-
ção de biogás.
Admitindo a eficiência de captura de 50%, a quantidade de biogás capturada para 2013 é estimada em
8.212 m3/h, o que equivale a 4.106 m3/h de metano (CH4), considerando uma composição de 50% de CH4
no biogás.
A tabela 4 apresenta a projeção de geração e recuperação de biogás e metano do projeto.
Baseado nestas taxas de geração foi determinado o potencial de geração de eletricidade a partir do
biogás, a quantidade que poderia estar disponível para “upgrade” e injeção na rede de gas natural e a fração
remanescente de biogás que deverá ser queimada no flare.

138
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

Tabela 4. Projeção de geração e recuperação de biogás

Biogás Biogás Biogás Biogás Metano Metano


Ano Gerado Gerado Capturado Capturado Capturado Capturado
(m3 LFG) (m3 LFG/hora) (m3 LFG) (m3 LFG/hora) (m3 CH4) (m3 CH4/hora)

2011 24.862.530 2.838

2012 89.625.482 10.231 22.406.370 5.074 11.203.185 2.537

2013 143.870.054 16.424 71.935.027 8.212 35.967.513 4.106

2014 184.043.964 21.010 92.021.982 10.505 46.010.991 5.252

2015 214.611.878 24.499 107.305.939 12.250 53.652.970 6.125

2016 238.581.051 27.235 119.290.525 13.618 59.645.263 6.809

2017 257.980.551 29.450 128.990.275 14.725 64.495.138 7.362

2018 274.182.624 31.299 137.091.312 15.650 68.545.656 7.825

2019 288.118.225 32.890 144.059.112 16.445 72.029.556 8.223

2020 300.421.592 34.295 150.210.796 17.147 75.105.398 8.574

2021 311.527.244 35.562 155.763.622 17.781 77.881.811 8.891

2022 321.735.083 36.728 160.867.541 18.364 80.433.771 9.182

2023 331.254.095 37.814 165.627.047 18.907 82.813.524 9.454

2024 340.231.713 38.839 170.115.857 19.420 85.057.928 9.710

2025 348.773.552 39.814 174.386.776 19.907 87.193.388 9.954

2026 356.956.685 40.748 178.478.342 20.374 89.239.171 10.187

2027 364.838.586 41.648 182.419.293 20.824 91.209.647 10.412

2028 372.463.171 42.519 186.231.586 21.259 93.115.793 10.630

2029 379.864.873 43.364 189.932.437 21.682 94.966.218 10.841

2030 387.071.414 44.186 193.535.707 22.093 96.767.853 11.047

2031 394.105.687 44.989 197.052.843 22.495 98.526.422 11.247

2032 400.987.047 45.775 200.493.524 22.887 100.246.762 11.444

139
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

A tabela 5 apresenta a distribuição de metano considerada pelos proponentes do projeto para cada um
dos componentes: i) flare, ii) geração de eletricidade e iii) upgrade; isto para o primeiro período creditício do
projeto, que vai de 2012 até 2019. Os valores de 2012 consideram o início em julho e aquêles de 2019 con-
sideram o término do primeiro período creditício em junho.

Tabela 5. Destinação do biogás capturado pelo projeto

Metano para geração Metano para a planta


Metano Capturado Metano para o flare
Ano de eletricidade de processamento
(m3 CH4) (m3)
(m3) (m3)

2011
2012 11.203.185 11.203.185 — —
2013 35.967.513 27.867.513 8.100.000 —
2014 46.010.991 18.200.991 8.100.000 19.710.000
2015 53.652.970 17.742.970 16.200.000 19.710.000
2016 59.645.263 23.735.263 16.200.000 19.710.000
2017 64.495.138 20.485.138 24.300.000 19.710.000
2018 68.545.656 24.535.656 24.300.000 19.710.000
2019 35.869,623 10.028.774 16.066.849 9.774.000

Com base nesta distribuição e considerando a densidade e o potencial de aquecimento global em relação
ao dióxido de carbono, pode-se determinar a quantidade destruída deste GEE em cada um dos componentes.
As tabelas a seguir apresentam os resultados esperados:

Tabela 6. Quantidade anual de metano destruído por queima na atividade do projeto

Ano MD queimado (tCH4)

01/07/2012-31/12/2012 7.227
2013 17.978
2014 11.742
2015 11.446
2016 15.312
2017 13.215
2018 15.828
01/01/2019-30/06/2019 6.372
Total 99.120

140
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

No que diz respeito a capacidade de geração, a capacidade máxima de geração estimada é de 25,47 MW.
Os motores para geração de eletricidade serão instalados em pacotes de 3 unidades. As unidades em operação
serão as seguintes:
••2013-2014: 3 unidades X 1,06 MW, total 4,245 MW
••2015-2016: 6 unidades X 1,06 MW, total 8,490 MW
••2017-2018: 9 unidades X 1,06 MW, total 12,735 MW
••2019-2020: 12 unidades X 1,06 MW, total 16,980 MW
••2021-2022: 15 unidades X 1,06 MW, total 21,225 MW
••2023-2027: 18 unidades X 1,06 MW, total 25,470 MW

Tabela 7. Quantidade anual de metano usado para gerar eletricidade e quantidade de eletri-
cidade gerada e deslocada da rede

MD para eletricidade Eletricidade deslocada da rede


Ano
(tCH4) Ano MWh tCO2e
01/07/2012-31/12/2012 0 01/07/2012-31/12/2012 0 —
2013 5.806 2013 33.960 10.512
2014 5.806 2014 33.960 10.512
2015 11.612 2015 67.920 21.024
2016 11.612 2016 67.920 21.024
2017 17.418 2017 101.880 31.535
2018 17.418 2018 101.880 31.535
01/01/2019-30/06/2019 11.517 01/01/2019-30/06/2019 67.362 20.851
Total 81.189 Total 474.882 146.992

Tabela 8. Quantidade anual de metano injetada na rede de distribuição de gás natural

Ano MD pl (tCH4)
01/07/2012-31/12/2012 0
2013 0
2014 14.128
2015 14.128
2016 14.128
2017 14.128
2018 14.128
01/01/2019-30/06/2019 7.006
Total 77.646

141
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

Como consequência, as emissões de linha de base são:

Tabela 9. Estimativa ex-ante das emissões de linha de base (ajustado para CO2e) neste CPA

MD projeto GWP CH4 Deslocamento para a rede BE,y


Ano
(tCO2e) (tCO2e) (tCO2e)
01/07/2012-31/12/2012 151.775 10.512 151.775
2013 499.463 10.512 509.975
2014 665.197 21.024 675.708
2015 780.919 21.024 801.943
2016 862.100 31.535 883.123
2017 939.997 31.535 971.532
2018 994.871 20.851 1.026.406
01/01/2019-30/06/2019 1.054.262 10.512 1.075.113
Total 5.948.584 146.992 6.095.576

Emissões do projeto
As emissões do projeto são determinadas a partir de duas fontes, uma do uso de energia elétrica, estimado
de acordo com a “Ferramenta para calcular as emissões de linha de base, do projeto e/ou as emissões fugiti-
vas pelo consumo de eletricidade” – Cenário A: Consumo de eletricidade da rede; e a outra a partir da combus-
tão de combustíveis fósseis, estimadas de acordo com a “Ferramenta para calcular as emissões de projeto ou
emissões fugitivas de CO2 da queima de combustíveis fósseis”:

PE y = PE EC , y + PE FC , j , y

As emissões atribuíveis ao consumo de combustíveis fósseis (PEFC,j,y) é desprezível, assim sendo, as emis-
sões do projeto correspondem, basicamente, ao consumo de eletricidade do projeto (PEEC,y). A tabela 10 mostra
a previsão de emissões do projeto:

Tabela 10. previsão de emissões do projeto devido ao consumo de eletricidade


Ano PEEC,y (tCO2e)
01/07/2012-31/12/2012 101
2013 201
2014 201
2015 201
2016 201
2017 201
2018 201
01/01/2019-30/06/2019 100
Total 1.406

142
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

2.3 Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)


As reduções de emissões são calculadas conforme segue:

ER y = BE y − PE y

Onde:
= Reduções de emissões no ano y (tCO2e/ano)
= Emissões da linha de base no ano y (tCO2e/ano)
= Emissões do projeto no ano y (tCO2/ano)

A tabela 11 apresenta o resumo da estimativa de reduções de emissões do projeto.

Tabela 11. Estimativa de reduções de emissões

Estimativa das emissões Estimativa das emissões Estimativa das reduções


Ano da atividade do projeto da linha de base de emissões gerais
(toneladas de CO2e) (toneladas de CO2e) (toneladas de CO2e)
01/07/2012-31/12/2012 101 151.775 151.674
2013 201 509.975 509.774
2014 201 675.708 675.508
2015 201 801.943 801.742
2016 201 883.123 882.923
2017 201 971.532 971.331
2018 201 1.026.406 1.026.205
01/01/2019-30/06/2019 100 1.075.113 1.075.013
Total (toneladas de CO2e) 1.406 6.095.576 6.094.170

3. Concepção
Conforme já mencionado anteriormente, o gás de aterro coletado será utilizado para gerar eletricidade,
parte dele passará por um “upgrade” e será distribuído através de uma rede de distribuição de gás natural, e o
excesso será queimado para evitar quaisquer emissões de metano para a atmosfera.
O CPA-1 CTR Santa Rosa contém os seguintes componentes:

3.1 Sistema de coleta de gás de aterro


O estado da arte da tecnologia de coleta de gás a ser incluída neste CPA considera os seguintes itens
listados abaixo:
••Poços verticais usados para extração do gás e chorume.
••Poços horizontais utilizados para extrair o gás.

143
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

••Otimização do espaçamento entre poços para a máxima coleta com o menor custo.
••Cabeçotes dos poços projetados para a medição de gás.
••Extração de condensado e sistema de armazenamento projetado em pontos estratégicos abaixo de todo
o sistema de gás.

3.2 Estação de pré-tratamento do gás de aterro


Todo o gás de aterro coletado será pré-tratado para remover a umidade e outras impurezas, a fim de evitar
a corrosão dos sistemas subsequentes de queima (sistema de queima, geradores de eletricidade e estação de
“upgrade” do gás de aterro).

3.3 Sistema de queima do gás de aterro


O CPA-1 CTR Santa Rosa terá um sistema de queima no local para incinerar o gás produzido e não utilizado
pelos outros sistemas, bem como para os períodos de manutenção em que o motor poderá não estar em ope-
ração. O sistema de queima do gás de aterro inclui os itens abaixo:
••Um flare enclausurado com sistema de controle de combustão.
••Sistema soprador utilizado para causar pressão negativa na tubulação (antes do soprador) e pressão
positiva (após o soprador) para direcionar o gás para o flare.
••Sistema de monitoramento contínuo da composição do gás (metano, oxigênio, dióxido de carbono e
equilíbrio), vazão e temperatura de queima.
••Sistema de segurança de reinício, no caso de desligamento.
••Monitoramento da eficiência do flare.

3.4 Sistema de geração de eletricidade


Será implementada uma instalação de motores modulares. Pequenas unidades geradoras com motores
modulares possibilitam adaptar o equipamento aos volumes de gás específicos do local. À medida que os
volumes de gás aumentam ou diminuem com o tempo, mais módulos podem ser acrescentados ou então
remanejados para outros locais. A instalação dos diversos motores modulares ocorrerá de acordo com os está-
gios planejados identificados na análise de investimentos realizada para o projeto.
A unidade instalada será constituída pelas instalações de desgaseificação e pela casa de força. Essas
instalações incluem os sopradores, trocadores de calor e resfriadores. Em caso de manutenção ou desliga-
mento do sistema, todo o gás de aterro será redirecionado para o sistema de queima para destruir adequada-
mente o metano que não será utilizado para gerar energia.

144
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

3.5 Estação de “upgrade” do gás de aterro


Como parte deste CPA, o gás de aterro passará por um tratamento posterior e será comprimido para inje-
ção na rede de distribuição de gás natural, para distribuição do gás natural vendido ao público consumidor. Em
alguns casos, será necessário remover o CO2 presente no gás de aterro. Em caso de manutenção ou desliga-
mento do sistema, todo o gás de aterro antes destinado à estação de “upgrade” será redirecionado para o
sistema de queima para destruir adequadamente o metano que não passar pelo processo de “upgrade”. Por-
tanto, o sistema incluirá os seguintes elementos:
••Sistema de pré-purificação do gás de aterro
••Sistema de absorção por variação de pressão
••Sistema de desidratação
••Sistema de purificação do dióxido de carbono
••Biogás de alimentação do compressor booster
••Gás de alimentação do compressor
••Compressor que alimenta a unidade de purificação de CO2
••Compressor para refrigeração
••Torre de resfriamento com bombas de circulação
••Sistema de ar dos instrumentos
••Centro de controle dos motores no prédio da casa de força
••DCS no prédio da sala de controle

3.6 Dutos de gás de aterro conectados à rede de distribuição de gás


Este componente abrange o sistema de dutos utilizado para conectar o gás de aterro extraído e tratado à
uma rede de distribuição de gás, pela qual o gás de aterro coletado chegará ao usuário final.

3.7 Sistema de monitoramento


O CPA-1 CTR Santa Rosa possuirá o que há de mais moderno em equipamentos de monitoramento, os
quais serão calibrados de acordo com a metodologia de monitoramento aprovada. Todo o pessoal envolvido
será capacitado para operar corretamente os equipamentos de monitoramento. A descrição detalhada do
plano de monitoramento e dos equipamentos está na seção B.6 do correspondente CPA-DD.
Os dados dos parâmetros de operação e monitoramento serão colhidos por cada operador no local e
encaminhados para a Caixa Econômica. Os dados serão eletronicamente registrados (guardados por dois anos
após o fim do período de obtenção de créditos) e escritos em separado. Como procedimento de backup, os
dados do monitoramento serão impressos periodicamente.

145
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

A figura 2 mostra as fronteiras do projeto e os processos envolvidos.

Figura 2. Representação esquemática simplificada dos limites do projeto CPA

Produção de resíduos

Coleta e transporte de resíduos

Resíduos depositados no aterro

Produção de gás de aterro

Rede de distribuição Dutos de gás de “Upgrade” do gás Coleta de gás


Queima
de gás natural aterro de aterro de aterro

Consumo no Geração de Eletricidade


próprio local eletricidade exportada

Rede de
eletricidade

Uso final Uso final

4. Análise econômica
Como parte da demonstração da adicionalidade do CPA, os proponentes do projeto realizaram uma
análise de investimentos para avaliar se o projeto é rentável por si mesmo, sem a necessidade dos créditos
de carbono.
Para esta análise foram utilizadas as diretrizes e os procedimentos estabelecidos pelo Conselho Executivo
do MDL. Neste caso, foi seleccionado uma análise de “benchmark”.
Para realizar a análise de “benchmark”, foi realizada uma avaliação do fluxo de caixa do projeto e da
sua taxa interna de retorno (TIR) (sem os incentivos financeiros do MDL) ao longo de um período de 21
anos. Para a análise de benchmark foi feita uma comparação da TIR do projeto com as Notas do Tesouro
Nacional do Brasil.
De acordo com o PoA, o benchmark foi determinado pelas Notas do Tesouro Nacional (NTN), um indicador
financeiro de longo prazo e de baixo risco do Tesouro Nacional brasileiro, onde a taxa média da NTN-F 010117
para o mês de julho, 12,09%, foi usada para fins de comparação.
146
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

Dado que a Análise Financeira se dá em termos reais e que a NTN está em termos nominais, o benchmark
deve ser convertido em termos reais descontando o índice de inflação, cuja meta estabelecida pelo governo
para o mesmo período foi de 4,5%5. Portanto, a TIR do benchmark para o CPA no Brasil em termos reais, foi
estabelecida em 12,09% em termos nominais, o que equivale a 7,26% em termos reais6.
Todos os valores de parâmetros financeiros utilizados na análise de benchmark estão relacionados abaixo:
••A análise de investimentos é realizada sobre um período de 21 anos (até 2031), baseada na vida útil
prevista para o projeto7,8.
••Impostos sobre vendas9:
••ICMS: 18%
••PIS (Programa de Integração Social): 1,65%
••COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social): 7,60%
••Taxa de câmbio usada para a análise de investimentos: 1,80 R$/US$ e 2,2 R$/Euro10.
••Capacidade de geração: a capacidade máxima de geração é de 25,47 MW. Os motores para geração de
eletricidade serão instalados em pacotes de 3 unidades11. As unidades em operação serão as seguintes:
••2013-2014: 3 unidades X 1,06 MW, total 4,245 MW
••2015-2016: 6 unidades X 1,06 MW, total 8,490 MW
••2017-2018: 9 unidades X 1,06 MW, total 12,735 MW
••2019-2020: 12 unidades X 1,06 MW, total 16,980 MW
••2021-2022: 15 unidades X 1,06 MW, total 21,225 MW
••2023-2027: 18 unidades X 1,06 MW, total 25,470 MW
••As receitas da eletricidade são calculadas utilizando o Leilão de Energia Renovável (pequenas centrais
hidrelétricas, bagaço e eólica), 28 de agosto de 2010: 148,39 R$/MWh12 (82,4 US$/MWh).
••As receitas de venda de gás de aterro para a rede de distribuição são calculadas utilizando um valor de
0,5877 R$/m313 (0,3265 US$/m3)
••Investimento:
••Sistema de coleta de gás de aterro14 (Perfuração + Rede de dutos + poços verticais + Bombas de
chorume + Soldagem e Montagem): R$ 26.496.727 (US$ 14.720.404), prevendo-se o término de
20% em 2011 e 4% para os anos seguintes até 2031.
••Sistema de queima de gás de aterro15 (Sistema de flare e soprador): R$ 3.339.000 (US$ 1.855.000)

5
Fonte: Banco Central do Brasil. [Link]
6
Fonte: Banco Central do Brasil. [Link]
7
Projeto definido como captura de biogás, geração de eletricidade, fornecimento de gás a consumidores através da rede de distribuição de gás e/ou queima de gás.
8
Vida útil do equipamento, Fonte: Estudo de Viabilidade do Projeto Biogás Seropédica
9
Fonte: PIS 1,65% e COFINS 7,6%.pdf. Receita Federal do Brasil (Ministério da Fazenda) [Link]
[Link]#Base de cálculo
10
O preço de referência da eletricidade é baseado no segundo leilão de fontes de energia renovável (26 de agosto de 2010). Os resultados do leilão podem ser
consultados no site da CCEE:
11
GE ENERGY JENBACHER – HAZTEC – Proposta [Link]
12
O preço de referência da eletricidade é baseado no segundo leilão de fontes de energia renovável (28 de agosto de 2010). Para fins de conservadorismo, foi
escolhido o preço mais alto do leilão: R$ 148,39/MWh. Disponível no site da CCEE: [Link]
LEILAO&vgnextoid=ed7c645eb56ba210VgnVCM1000005e01010aRCRD&qryRESULTADO-LEILAO-CD-RESULTADO-LEILAO=0101645eb56ba210VgnVCM100
0005e01010a____&x=10&y=8
13
Comunicação CEG
14
Fonte: Estudo de Viabilidade do Projeto Conceitual – Santa Rosa.
15
Fonte: Seropedica [Link]

147
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

••Grupo motriz, composto de motores, construção da planta, conexão, etc: R$ 13.683.462


(US$ 7.601.923,47)
••Planta de processamento de gás de aterro16 (incluindo impostos de importação17):
R$ 40.132.011 (US$ 22.295.562)
••Operação e Manutenção (O&M):
••O&M do sistema de eletricidade18: 576.000 R$/ano (320.000US$/ano) (fixo) e R$ 36/MWh
(US$20/MWh).
••Custos de O&M do sistema de coleta de gás de aterro e flare19: R$ 480.000/ano
(US$ 266.667/ano), com taxa de acréscimo de 4% até 2031
••O&M da planta de processamento de gás de aterro20: R$ 1.929.280/ano (US$ 1.071.822/ano)
••Custos administrativos21: R$ 420.000/ano (US$ 233.333/ano).
••Custos com seguro22: 0,177% do investimento/ano.
••A reforma do primeiro grupo motriz (composto de 3 motores) é estimada em: R$ 400.400 (US$ 667.333)
(necessária após 60.000 horas de operação)23.
••Os valores de mercado para os grupos motrizes instalados em 2017 e 2019 estão inclusos.
••Os diferentes grupos de motores são considerados para uma vida útil de 15 anos. O valor de mercado foi
calculado utilizando-se uma taxa de depreciação de 10%24.
Usando as hipóteses relacionadas na seção anterior, a TIR de projeto calculada é de 5,09%, abaixo do
benchmark de 7,26%.
Adicionalmemte, de acordo com as regras do MDL, é necessário preparar também uma análise de sensibi-
lidade. O objetivo da análise de sensibilidade é examinar se a conclusão referente à viabilidade financeira do
CPA proposto continua sólida e coerente com as variações razoáveis a que as hipótese estão sujeitas. A análise
de investimentos só proporciona um argumento válido a favor da adicionalidade se comprovar a impossibili-
dade de o projeto ser financeiramente atraente.
Como primeira parte da análise de sensibilidade, a viabilidade financeira do CPA foi examinada conside-
rando somente a geração de eletricidade (sem considerar a planta de processamento de gás de aterro para
venda de biogás à rede de distribuição), e somente a distribuição do biogás (sem considerar a geração de
eletricidade). O resumo dos resultados obtidos nesta primeira parte da análise de sensibilidade realizada para
a atividade de projeto segue abaixo:

16
Fonte: Linde [Link]
17
Fonte: Import_levies_BiogasPlant.pdf
18
Fonte: O&M – HAZTEC – Proposta Técnica e Comercial Rev [Link]
19
Fonte: Estudo de Viabilidade do Projeto Conceitual – Santa Rosa
20
Fonte: Linde_Haztec [Link]
21
Fonte: Estudo de Viabilidade do Projeto Conceitual – Santa Rosa
22
Fonte: Haztec [Link]
23
Fonte: Overhaull Motores JMS [Link]
24
Fonte: Taxas de [Link]. Instrução Normativa SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998 ([Link]
ant2001/1998/i)

148
Estudo de caso 2: CTR Santa Rosa – Estado do Rio de Janeiro

Variação TIR
Somente geração de eletricidade (sem venda de biogás) 3,40%
Somente distribuição de eletricidade (sem geração de eletricidade) 0,13%

Conforme mostrado na tabela acima, sem a receita do MDL, as TIRs das variações do projeto considerando
somente geração de eletricidade ou somente distribuição do biogás são inferiores à taxa de benchmark de
7,26%. Dessa forma, as variações propostas para o projeto não são financeiramente atraentes para os
investidores.
Como segunda parte da análise de sensibilidade do CPA, foram adotadas as seguintes hipóteses, por
serem os custos mais significativos envolvidos na atividade de projeto:
••Variação no preço do gás de aterro vendido em + 10%;
••Variação no preço da eletricidade vendida em +10%
••Variação no CAPEX do sistema de “upgrade” do gás em – 10%;
••Variação no OPEX da geração de energia em – 10%.
A tabela 12 resume as TIRs resultantes da aplicação das diferentes hipóteses.

Tabela 12. Análise de sensibilidade


Valor de
Variações Valor inicial Unidades TIR
variação
Variação no preço do gás
0,5877 0,6465 R$/m3 6,66%
de aterro vendido em + 10%
Variação no preço da eletricidade
148,39 163,23 R$/MWh 7,02%
vendida em +10%
Variação no CAPEX do sistema de “upgrade”
40.132.011 36.118.810 R$ 6,30%
do gás em – 10%
Variação no OPEX da geração
137.126.880 123.414.192 R$ 6,47%
de energia em – 10%

Conforme mostrado na tabela acima, a TIR do projeto permaneceu abaixo do benchmark quando os indi-
cadores financeiros acima flutuaram dentro da faixa de – 10% a +10%. De acordo com a análise de sensibili-
dade, a TIR do projeto ainda está muito abaixo do benchmark de 7,26%.
Portanto, sem as receitas do MDL, o CPA proposto não é financeiramente atraente.
Segundo recomendação da Ferramenta para demonstração e avaliação da adicionalidade, a análise mos-
trou que é improvável que o CPA seja atraente do ponto de vista econômico/financeiro.

149
Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos

5. Conclusões e comentários
1. Este projeto apresenta um claro exemplo dos benefícios que os créditos de carbono podem trazer para
este tipo de iniciativas. Na análise financeira foi demonstrado que sem os benefícios economicos do
MDL, o projeto não é atraente financeiramente já que a TIR é de 5,06%, a qual está abaixo do bench-
mark de 7,26%.
2. Este projeto também apresenta particularidades e desafíos muito específicos por ser parte do segundo
Programa de Atividades (PoA) a ser registrado no Brasil e o segundo no mundo no setor de aterros sani-
tários. Os procedimentos estabelecidos no PoA requerem uma coordenação adequada entre as partes
envolvidas para garantir o êxito na implementação do projeto e na geração das RCEs.
3. O projeto é muito interessante pois inclue tres componentes associados com o destino final do biogás
recuperado: i) purificação e injeção na rede de gás natural, ii) geração de eletricidade e iii) queima do
excesso de biogás em uma tocha. Esta configuração também faz com que o projeto seja o primeiro no
Brasil a ser registrado sob o MDL e que inclue estas tres componentes.
4. Estima-se que o projeto vá gerar cerca de 6 milhões de tCO2e no seu primeiro período creditício, que vai
desde 2012 até 2019. O projeto espera conseguir uma redução de 509.744 tCO2e em 2013 e chegar
a cerca de 1.075.013 tCO2e em 2019. A média anual estimada seria de 794.672 tCO2e.
5. O mercado de carbono apresenta atualmente muitas incertezas e não é possível determinar com certeza
os preços futuros das RCEs. No entanto, devido ao fato do projeto ter sido registrado antes do final de
2012, apresenta certas vantagens competitivas que fazem com que seu preço possa ser atraente. Con-
forme foi demonstrado na análise de investimentos apresentada no CPA, as receitas pela venda das
RCEs são fundamentais para garantir a sustentabilidade do projeto, motivo pelo qual, sua estratégia de
comercialização é um aspecto crítico.
6. O projeto, além de contribuir com a redução de emissões de GEE, apresenta outros aspectos e co-
-benefícios que contribuem para o desenvolvimento sustentável. Implementar este tipo de iniciativas,
implica que o aterro deve ser operado com muitos controles, diminuindo assim a possibilidade de gera-
ção de outros impactos ambientais. Além disso, gera-se a necessidade de mão de obra durante a fase
de construção e operação, envolve transferência de tecnologías e capacitação em temas associados
com o manejo de biogás, além de utilizar uma fonte de energía não convencional e renovável, sustituindo
o uso de combustíveis fósseis.

150

Você também pode gostar