UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE DIREITO E CIÊNCIAS DO ESTADO
Turma 178 - B
Deborah Cristina de Morais
ATIVIDADE AVALIATIVA
Belo Horizonte
2022
Sobre a análise do caso, esta poderá ser analisada sob dois aspectos: num primeiro se
concerne a análise doutrinária a respeito, e a segunda faz menção a letra da lei propriamente
dita.
Inicialmente destaca-se que não existe concordância doutrinária sobre o cabimento ou
não do recurso no caso em tela. O Superior Tribunal de Justiça em julgado recente da Quarta
Turma decidiu que a aplicação de agravo interno interposto contra decisão de
inadmissibilidade é irrecorrível, nos termos do voto do Min. Raul Araújo.
Entretanto, por se tratar de situação complexa, não há unanimidade, e parte da doutrina
entende pela aceitação do recurso agravo em recurso especial, que encontra amparo no art.
1.042 do CPC/2015, que infere dizendo que cabe agravo contra decisão do presidente ou do
vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso
especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de
repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. (Redação dada pela Lei nº
13.256, de 2016). Esta tese encontra amparo também no Enunciado 77 que aponta:
ENUNCIADO 77 – Para impugnar decisão que obsta trânsito a recurso
excepcional e que contenha simultaneamente fundamento relacionado à
sistemática dos recursos repetitivos ou da repercussão geral (art. 1.030, I, do
CPC) e fundamento relacionado à análise dos pressupostos de
admissibilidade recursais (art. 1.030, V, do CPC), a parte sucumbente deve
interpor, simultaneamente, agravo interno (art. 1.021 do CPC) caso queira
impugnar a parte relativa aos recursos repetitivos ou repercussão geral e
agravo em recurso especial/extraordinário (art. 1.042 do CPC) caso queira
impugnar a parte relativa aos fundamentos de inadmissão por ausência dos
pressupostos recursais.
Uma segunda linha doutrinária considera possível o cabimento de um novo recurso
especial. Sobre esta problemática, manifestou-se o professor Eduardo Arruda Alvim, dizendo:
O segundo – agravo interno – será cabível quando o recurso especial for
inadmitido por haver tese firmada em recurso especial repetitivo. Nesse caso,
o recurso, previsto no art. 1.021, será conhecido pelo próprio tribunal a quo.
Assim, a depender do fundamento da decisão que inadmite o recurso
especial, será cabível diferente modalidade recursal. Isso gera importante
questionamento, relativo à possibilidade de interposição de recurso após o
julgamento do agravo interno interposto no próprio tribunal local, pois o
CPC não dá qualquer resposta clara a esse respeito. Diante disso, respeitáveis
setores da doutrina acabaram por dar soluções diversas ao problema. Para
Nelson Nery Jr. e Georges Abboud, ao art. 1.030, § 1º, do CPC/15 deve ser
emprestada interpretação conforme ao Texto Constitucional. Para os autores,
a Constituição atribuiu ao STJ e ao STF a competência para julgar REsp e
RE, respectivamente, o que inclui a decisão, em caráter definitivo, acerca da
admissibilidade dos recursos excepcionais. Dessa forma, somente tais Cortes
é que poderão julgar, em última instância, a admissibilidade dos recursos de
sua competência.46 De outra banda, Teresa Arruda Alvim e Bruno Dantas,
em relação ao não conhecimento de recurso extraordinário pelo tribunal de
origem, são peremptórios em afirmar que ‘‘da decisão do agravo interno (art.
1.021) caberá, se preenchidos os demais pressupostos, recurso especial e
recurso extraordinário”. Assim, a divergência doutrinária consiste em
afirmar, de um lado, que após o julgamento do agravo interno será cabível
agravo em recurso especial, na forma do art. 1.042 do CPC/2015, lido em
conformidade com a Constituição, e de outro, que será cabível novo recurso
especial ou extraordinário. Há, portanto, inquestionável dúvida objetiva e
atual, que, ao que nos parece, deve ser solucionado pela aplicação do
princípio da fungibilidade entre agravo e recurso especial (ou extraordinário,
se o caso).1
Em relação à letra da lei propriamente dita, o código de Processo Civil não tem êxito em
solucionar a questão, visto que o Art. 1030. não é claro o seu posicionamento. Contudo,
aponta a lei que, em relação a inadmissibilidade fundamentada no inciso I do Art. 1030,
caberá o agravo interno e que contra a decisão de inadmissibilidade na forma do inciso V,
caberá agravo em recurso especial.
Nesta controvérsia, a posição majoritária, todavia, aplica a doutrina restritiva, que indica
pela não aplicação do recurso destacado na situação discutida, tendo o STJ já decidido pela
não aplicação, conforme exalta julgado abaixo.
AGRAVO INTERNO NA PETIÇÃO. RECURSO ESPECIAL.
DENEGADO NA ORIGEM COM FUNDAMENTO NO REGIME DOS
RECURSOS REPETITIVOS (CPC/2015, ART. 1.030, I, b). COMPETENTE
AGRAVO INTERNO INTERPOSTO NA ORIGEM (CPC/2015, ART.
1.030, § 2º). DENEGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE RECURSO
DESSA DECISÃO. NÃO IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS
FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO INTERNO
DESPROVIDO. 1. De acordo com a nova ordem processual civil, contra a
decisão que nega seguimento a recurso especial com base no art. 543-C, § 7º,
I, do CPC/1973 (art. 1.040, I, do CPC/2015), não cabe agravo ou qualquer
outro recurso para o eg. STJ. Tal entendimento, todavia, não significa
concluir pela irrecorribilidade de tal decisão, pois, da decisão que nega
seguimento a recurso especial interposto contra acórdão julgado em
conformidade com entendimento firmado em julgamento processado pelo
regime de recursos repetitivos, o recurso cabível é o agravo interno, para o
próprio Tribunal, na forma do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015. Entretanto,
1
ALVIM, Eduardo Arruda. Principais aspectos do recurso especial. Enciclopédia jurídica da PUC-SP. Celso
Fernandes Campilongo, Alvaro de Azevedo Gonzaga e André Luiz Freire (coords.). Tomo: Processo Civil.
Cassio Scarpinella Bueno, Olavo de Oliveira Neto (coord. de tomo). 1. ed. São Paulo: Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, 2017. Disponível em:
[Link]
contra essa segunda decisão, proferida pelo Tribunal de origem em agravo
interno, não há mais recurso. 2. É inviável o agravo interno que deixa de
infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, nos
termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015. 3. Agravo interno desprovido. (STJ
- AgInt na Pet: 11755 PE 2016/0272737-0, Relator: Ministro LÁZARO
GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª
REGIÃO), Data de Julgamento: 27/02/2018, T4 - QUARTA TURMA, Data
de Publicação: DJe 02/03/2018
Deste modo, seguindo a corrente majoritária e decisões a respeito, aponta-se que não haverá
o cabimento recurso do acórdão que julga o agravo interno interposto contra decisão do
vice-presidente que inadmite recurso especial/extraordinário.