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Estudando
Desenvolvimento Neuropsicomotor
Infantil 120 horas
Data de matrícula 02-08-2024.
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1° Módulo: Introdução
2° Módulo: Desenvolvimento da criança (zero a 3 anos)
3° Módulo: Estimulação precoce
4° Módulo: Estimulação da comunicação e linguagem
A interação é o ponto de origem, o lugar de construção da subjetividade e,
portanto, no qual se constrói a linguagem (PALLADINO, 2007). As trocas
comunicativas propiciam a compreensão da linguagem pela criança, a
atribuição de significado às suas emissões, a aprendizagem e o
desenvolvimento cognitivo (WERNECK, 1993).
No processo de interação, adulto e criança são parceiros e as relações
familiares têm papel fundamental para a aquisição da linguagem pela
criança, pois, ao dedicar seu olhar e escuta à criança, o cuidador convoca-a
para um lugar enunciativo, faz dela um destinatário de seus enunciados,
um sujeito capaz de escutar ao outro e de por ele ser escutado. O cuidador,
ao interpretar as manifestações da criança, sejam elas verbais ou não
verbais, reconhece a autoria da produção infantil (PALLADINO, 2007),
legitimando a criança como interlocutor, como parceiro de interações
simbólicas.
A estimulação da comunicação e linguagem voltada à criança com
alterações neurológicas deve buscar tornar mais eficientes ou ampliar suas
possibilidades de expressão (fala, gestos, expressões faciais, uso de
alternativas de comunicação), enriquecer o seu ambiente linguístico e
favorecer a compreensão da linguagem. Deve ainda abranger situações
comunicativas da criança em diversos contextos e proporcionar uma
participação mais ativa nas interações sociais, uma vez que é na interação
e mediação que o ser humano constitui formas de expressão,
compreensão e ação no mundo. Portanto, estimular a comunicação e
linguagem significa deter o olhar além da produção oral da língua. É
necessário focar nas funções da linguagem, comunicação, interação e
cognição, buscar e criar instrumentos que possam mediar a ação da
criança e capacitar seus interlocutores na utilização dessas formas de
interação.
Embora a oralidade/fala possa apoiar o desenvolvimento da comunicação
e linguagem, não é condição indispensável. Crianças com alteração
neurológica podem não desenvolver a fala, mas fazer uso de outras formas
de expressão para a comunicação, apropriar-se da língua e apresentar
aquisições linguísticas.
As funções orais, naturalmente, contribuem para o desenvolvimento da
articulação dos sons e das habilidades verbais e, nessa medida, apontam
direções à estimulação precoce da funcionalidade orofacial, bem como
sugerem aspectos a serem considerados na orientação às famílias de
crianças com transtornos no desenvolvimento neuropsicomotor, uma vez
que os processos de alimentação e de aquisição de linguagem se dão,
principalmente, a partir do vínculo mãe/bebê, das relações e do contexto
familiar (PORTO-CUNHA; LIMONGI, 2008; DADA; ALANT, 2009).
A estimulação precoce da linguagem pode ocorrer de maneira
interdisciplinar, a partir das atividades de vida diária da criança, do
conhecimento e da intervenção nos contextos de vida, por meio do brincar,
da contação de histórias, dentre outros. É importante ressaltar que o
trabalho de estimulação precoce deve ser, sobretudo, lúdico, atrativo,
motivador para a criança. Braga (2010) e Braga, Campos da Paz e Ylvisaker
(2005) propuseram um esquema de atividades, considerando as aquisições
mais relevantes no desenvolvimento nessa faixa etária. A seguir, são
apresentados exemplos de atividades para estimulação da comunicação e
linguagem voltadas à criança de 0 a 3 anos. Após a avaliação do
desenvolvimento, o profissional identifica o estágio de desenvolvimento em
que se encontra a criança e, desta forma, seleciona as atividades de
estimulação que impulsionem novas aquisições. A descrição das
atividades também apresenta sugestões para a família, de modo a
favorecer a continuidade da estimulação no cotidiano e empoderamento da
família para o resgate de seu papel natural de estimular o desenvolvimento
da criança (BRAGA, 2010; 2005).
Primeiros diálogos e Contato visual
Para favorecer os primeiros diálogos e contato visual, posicionese de
frente para a criança para conversar e cantar para ela, enfatizando suas
expressões faciais, com variações no tom e ritmo da voz. Quando a criança
fixar a atenção em sua face, você pode deslocarse, incentivando-a a
acompanhar os movimentos com o olhar. Essa atividade pode ser
associada a outras que visem o controle dos movimentos da cabeça e
descoberta das mãos. Essas atividades podem ser realizadas pela família
no dia-a-dia durante a troca de roupa, alimentação ou banho.
Jogos vocais e Balbucios
Para estimular a produção sonora da criança, a imitação de sons e sua
variação com sons fonéticos da língua, pode-se conversar com ela, emitir
sons ou palavras e incentivá-la a vocalizar. Espere por sua resposta,
concedendo à criança um turno no diálogo, i.e., a sua vez de falar. Também
pode-se repetir os sons, assim como apresentar sons e palavras da língua
materna para que ela tente imitar, tal como papapa... Papai. Esses jogos
podem ser incluídos em diversas situações cotidianas, como a troca de
roupa, alimentação ou banho.
Direcionar do olhar e atenção conjunta
Para promover o uso do direcionar do olhar como forma de expressão, e
favorecer a atenção conjunta, disponha dois ou três objetos, na linha de
visão da criança, para que ela escolha o desejado com o direcionar do
olhar. Ao obter a atenção visual da criança, dirija sua atenção a um alvo
(brinquedo ou pessoa) para atingirem juntos, interlocutor e criança, um
único foco de atenção. Pode ser associada a outras atividades que tenham
por objetivo o equilíbrio de tronco sentado, preensão de objetos e jogos
interativos.
Compreensão e uso de gestos
Para propiciar o uso de apontar como forma de expressão e a
compreensão de gestos, pode-se dispor dois ou mais objetos, fora do
alcance manual da criança, nomeá-los e solicitar que ela escolha um com o
apontar. É preciso valorizar a intenção da criança de apontar,
independentemente de como ela aponta, seja com os pés ou até um
enfático direcionar do olhar.
Apontar é uma forma de comunicação não-verbal que pode expressar as
escolhas da criança em atividades de vida diária e facilitar o uso de outras
alternativas de comunicação, sobretudo a crianças que venham a
apresentar dificuldades na expressão e/ou compreensão oral.
Associe também gestos com verbalizações durante as atividades de vida
diária, tal como “venha cá” ou “dê para mim”. O uso de gestos, dentre
outras pistas visuais, como o apontar, também favorece a comunicação em
crianças com dificuldades na compreensão oral.
Inclua também gestos sociais em situações do dia-a-dia, como o gesto de
dormir na hora de ir para cama, em brincadeiras de mímica, jogos de faz-
de-conta ou músicas. Incentive a criança a imitar e usar gestos durante a
comunicação. É importante valorizar mais a intenção da criança do que
sua precisão no movimento. A comunicação gestual pode predominar em
crianças com dificuldades importantes na fala, o que facilita a
compreensão e fluência no diálogo.
Compreensão de palavras e ordens simples
Para favorecer a compreensão de palavras e de ordens simples, durante as
brincadeiras ou jogos, direcione a atenção da criança a uma pessoa ou
objeto familiar, nomeando-o. Esteja atento para nomear o objeto que a
criança está vendo, i.e., coincida a nomeação com seu foco de atenção
visual, para favorecer a associação do nome ao objeto.
Esta atividade pode ser realizada de modo concomitante a tarefas que
envolvam segurar e soltar ou explorar objetos. Pode-se ainda incluir
solicitações durante jogos ou brincadeiras, como “me dá”. Espere o tempo
necessário para a criança realizar a ação solicitada e ajuste a instrução às
suas potencialidades. O uso de gestos facilita o entendimento da
solicitação a crianças com dificuldades de compreensão oral.
Mímicas orofaciais
A fala demanda planejamento e coordenação orofacial. Quando estiver
brincando, inclua ações como assoprar velas, jogar beijos, fazer bolhas de
sabão ou emitir sons específicos de modo prolongado, como “mmmm” ou
“ssss”. Brinque de alternar expressões faciais como sorrir ou fazer careta.
Caso necessário, utilize suas mãos para ajudar a criança a protuir a boca.
Realize esta atividade durante outros jogos, como brincar com um carrinho
“brummm”, encenar uma história ou brincar de faz-de-conta.
Jargão e primeiras palavras
Para encorajar a expressão e uso das primeiras palavras, responda às
verbalizações do tipo jargão que a criança emite ou brinque de falar ao
telefone. Use exclamações, perguntas ou afirmações. Inclua também
gestos e palavras familiares para facilitar a compreensão de comunicação.
Embora, os adultos possam achar “bonitinho” o jeito de falar da criança
pequena e até a imitarem,isso não é recomendável. As crianças percebem
a condescendência ou o sentido jocoso que pode acompanhar esses
comportamentos dos adultos, isso tem potencial para intimidar ou
inferiorizar. Palavras ditas de modo não convencional pela criança não
devem ser reforçadas, nem corrigidas ostensivamente, o adulto pode dar o
modelo convencional retomando em seu próprio enunciado a palavra da
criança. Por exemplo, se ela disser “neca” para “boneca”, continue o
diálogo, respondendo: “Boneca? Sim, é uma boneca”. As primeiras palavras
da criança, em geral, referem-se a gestos, objetos e pessoas familiares.
Essas atividades também favorecem a compreensão auditiva e
participação no diálogo.
Ouvir e participar da contação de histórias
Contar histórias para a criança, enfatizando os elementos da narrativa,
como personagens, eventos, sucessão de fatos e contexto onde se passa a
história. O uso de pistas visuais e auditivas, como imagens, onomatopéias
(au-au, toc-toc) ou expressões faciais, facilitam a manutenção da atenção
e compreensão auditiva. Pode-se incluir a exploração de materiais sonoros
que produzam diferentes sons (forte/ fraco, alto/baixo, longo/curto),
acompanhando canções familiares ou criando novas melodias. Brincar de
associar os sons dos materiais a sons fonéticos, como “ffffff” da flauta,
pode propiciar à criança uma experimentação dos modos de articulação de
fonemas, de forma lúdica. Outras atividades são cantar músicas que
envolvam gestos, expressões faciais ou mímicas orofaciais.
Uso de sentenças e contar histórias
Para favorecer o aparecimento das frases e a contextualização do
discurso, é interessante incluir questões durante brincadeiras ou jogos,
incentivando a criança a responder com frases. Inicialmente, a criança usa
frases de uma palavra, depois passa a se expressar com frases de duas
palavras, o que se expande aos poucos. Pode-se incluir questões do tipo
“como pode-se fazer isso?” ou verbalizar a frase incompleta, encorajando a
criança a completar e contextualizar o seu discurso. Recontar situações
cotidianas ou histórias ouvidas também favorece a construção de
sentenças, o que pode ser incentivado por meio de perguntas ou
comentários durante o diálogo.
Aprimorando o diálogo
Variar e enriquecer o ambiente lingüístico da criança propicia o
aprimoramento de seu conhecimento e uso da linguagem, como também
desenvolvimento cognitivo. Assim, é interessante enriquecer o diálogo,
introduzindo novas informações, perguntas e comentários durante a
comunicação. A inclusão de perguntas ou comentários durante a narrativa
da criança facilita tanto a organização dos fatos e a manutenção da
coerência, assim como a expansão do discurso. O uso de jogos também
pode propiciar o desenvolvimento e utilização de suposições e inferências
pela criança. Pode-se dispor objetos conhecidos em uma estante ou
imagens em cima de uma mesa, apresentando todos à criança. Selecione
um sem revelar a ela e forneça pistas, uma de cada vez, até que ela
adivinhe qual é o objeto. As pistas podem ser fonéticas (som ou letra
inicial), semânticas (categoria), ou ainda qualidades ou propriedades do
objeto. Pode-se também encorajar a criança para inventar e liderar o jogo
de adivinhação.
Formas não-verbais de comunicação predominam na expressão de
crianças com envolvimento motor grave, fala pouco inteligível ou com
déficit cognitivo. Além disso, as respostas que os interlocutores
comumente esperam dessas crianças nem sempre lhe são possíveis ou
emitidas no tempo esperado, havendo perda na compreensão e fluência do
diálogo. Para favorecer o desenvolvimento da comunicação e linguagem, é
importante procurar: 1) formas alternativas de comunicação para expandir
seus meios de expressão; 2) ajustar a dinâmica temporal do diálogo, o que
implica familiarização dos interlocutores com a criança, e, 3) enriquecer o
ambiente linguístico para fomentar o desenvolvimento de sua linguagem e
cognição.
Seguem algumas sugestões de atividades que são indicadas para a
estimulação do desenvolvimento da comunicação e linguagem dessas
crianças.
Meneio de cabeça: Uma das formas de expressão muito observadas
nessas crianças é o direcionar do olhar, o que acaba restringindo a
comunicação ao contexto imediato, ao que está no ambiente. Sinais
comunicativos para “sim” e “não” propiciam o desprendimento da
linguagem dessas crianças desse contexto, permitindo a elas responder
perguntas relacionadas a experiências vividas ou situações de
aprendizagem. Busca-se combinar com a criança sinais convencionados
socialmente, como meneios de cabeça, gestos como o de “ok” ou
vocalizações como “ão” para não, pois estes sinais serão mais facilmente
compreendidos fora do contexto familiar. Pode-se começar com escolhas
simples na rotina diária, ofertando um brinquedo ou alimento e
perguntando: “Você quer o caminhão?”, e aguardar a resposta da criança.
Quando a limitação motora restringe o desenvolvimento de gestos sociais,
pode-se convencionar com a criança sinais específicos, como olhar para
cima ou para baixo, levantar ou abaixar braços ou pernas. Esses sinais
poderão ser compreendidos em outros contextos, desde que sejam
compartilhados com novos interlocutores. Embora o uso predominante de
meneios de cabeça não propicie à criança uma participação igualável à
fala no diálogo, essas formas de expressão agilizam o jogo dialógico e
estarão presentes, de modo concomitante, na utilização de sistemas
alternativos de comunicação.
Estimulação da Motricidade Orofacial
O trabalho na estimulação precoce quanto às funções motoras orais visa,
nos primeiros anos de vida, melhorar a sucção, mastigação, deglutição,
respiração e fonação, que atuam como pré-requisitos para a aquisição do
ato motor da fala. Então a região orofacial irá se desenvolver de forma
harmoniosa e favorável, a partir das orientações no que diz respeito à
alimentação associadamente com o trabalho oromiofuncional (WERNECK,
1993).
Um número grande de RN apresenta dificuldades de se alimentar
eficientemente por via oral, principalmente os recém-nascidos pré termo
(RNPT). A assistência à alimentação desses bebês visa promover uma
situação de alimentação adequada, quanto à nutrição, ganho de peso,
vínculo mãe/RN, sem risco de aspiração ou stress excessivo (BASSETO;
RAMOS, 1996).
Estudos mostram que as características mais encontradas nos neonatos
são: incoordenação de sucção-deglutição-respiração, sucção ineficiente e
movimentos incoordenados de língua e mandíbula, curva descendente de
peso, fadiga durante as mamadas e regurgitação ou aspiração frequente.
Tais alterações são decorrentes, na maioria dos casos, de imaturidade do
sistema sensório-motor-oral, ou de malformações anatômicas envolvendo
as estruturas que participam durante a sucção e deglutição (BASSETO;
RAMOS, 1996).
Atualmente, um número maior de bebês que necessitam de cuidados
especiais tem sobrevivido, o que gera um aumento da utilização de sondas
e dos problemas a ela relacionados até a transição para via oral completa.
As dificuldades de motricidade oral podem ser consideráveis em crianças
com alterações neurológicas, como parece ser o caso de parte das
crianças com Síndrome Congênita do Vírus Zika. Os aspectos a serem
considerados são:
Promoção do Aleitamento Materno: deve-se dar atenção especial para a
capacidade de sucção desde o primeiro dia de vida, avaliando a eficiência
da amamentação do seio materno, avaliando a capacidade de pega e
observando o ganho de peso.
Nas alterações de tônus e postura podem ser observadas a dificuldades de
amamentação, como tosse e alteração respiratória, dificuldades de
progressão das consistências alimentares.
Por conta dessas dificuldades é comum que crianças com tais alterações
façam uso de mamadeira por longo prazo.
Deve-se orientar seu uso adequado, bem como de outros instrumentos
para a alimentação.
É imprescindível a avaliação das habilidades e funções da respiração e
deglutição. Tal avaliação deve ser feita no local de nascimento, e ao longo
dos retornos mensais ao pediatra. Na suspeita de alterações nas funções
avaliadas é necessário o encaminhamento, para acompanhamento regular,
ao profissional especializado ou por equipe multiprofissional.
Estar atento às disfagias (alterações de uma fase ou entre as fases da
deglutição), que pode variar de grau leve e moderado até formas graves do
transtorno, que podem gerar complicações como: pneumonia aspirativa;
perda de peso; desnutrição; desidratação. Durante os exames clínicos é
possível avaliar a necessidade de investigação especializada para
situações específicas (deglutição, doença de refluxo gastresofágico,
retardo de esvaziamento gástrico). Tais profissionais devem ter
conhecimento da anatomofisiologia da deglutição.
A estimulação precoce da motricidade orofacial é indicada e visa: otimizar
as condições de força, mobilidade e sensibilidade das estruturas orais.
Está frequentemente associada a apresentação de alimentos, realização
de manobras e técnicas compensatórias de mastigação e deglutição.
As famílias devem ser envolvidas e participar intensamente da
estimulação, o que promove momentos preciosos de integração sensorial
e induzir o ato motor de preensão manual (por exemplo, o momento da
mamada, pelo odor e tato; o momento da alimentação pela experiência
com diferentes consistências, temperaturas, sabores etc., bem como pelo
ato relacional e vinculação afetiva que este momento provoca).
É muito importante o acompanhamento regular com os profissionais das
equipes de Saúde da Família e Unidades Básicas de Saúde para
acompanhar e monitorar o crescimento e estado nutricional, evolução e
aquisições dos marcos neuromotores e linguísticos, funções cognitivas e
habilidades socioafetivas próprias da idade. Quando encontrada alguma
alteração, essas equipes devem fazer a referência destes usuários às
unidades de saúde especializadas para o acompanhamento específico se
necessário, bem como monitorar a adesão e os resultados do tratamento.
Ver mais: .
A avaliação clínica motora oral é fundamental para decidir sobre a forma
de alimentação mais adequada e segura: quando iniciar a sucção não
nutritiva (SNN), quando iniciar alimentação via oral (VO), quando passar
para alimentação exclusiva por via oral e também quando esta deve ser
suspendida. Um programa seguro, bem estruturado, que reconhece os
problemas individuais específicos e globais do RN é a melhor forma de
garantir uma alimentação eficiente e funcional (XAVIER, 1998). Os
requisitos nutricionais para neonatos que necessitam de cuidados
especiais variam de acordo com o peso de nascimento, a idade gestacional
e alterações metabólicas. As vias de alimentação utilizadas são: via oral
(seio materno, copinho, colher e mamadeira), via enteral (sonda
orogástrica, nasogástrica ou gastrostomia) e via parenteral (central ou
periférica). A nutrição parenteral é, normalmente, indicada para iniciação
do suporte nutricional e deve ser ministrada até que o alimento enteral seja
suficiente para promover o adequado ganho de peso (XAVIER, 1998).
Quando o neonato atinge uma maior habilidade de sucção e uma melhor
coordenação desta com a deglutição e a respiração, conseguindo ingerir
toda a quantidade de alimento estipulado para cada alimentação e
ganhando peso satisfatoriamente, deve-se fazer a retirada da sonda,
passando-se a alimentação exclusivamente oral (PIAZZA, 1999). A sucção,
a deglutição e a respiração precisam ocorrer em conjunto, de maneira
efetiva e com alta precisão em termos de duração e coordenação, para
resultar em uma situação de alimentação segura e efetiva (XAVIER, 1998).
Diversas pesquisas apontam que a sucção não nutritiva (SNN) é
fundamental para que o RN desenvolva um padrão adequado de sucção. A
sucção é um reflexo, mas pode ser modificada a partir da experiência
(XAVIER, 1998; NEIVA; LEONE, 2006). A SNN permite viabilizar uma
alimentação segura, funcional, agradável e prazerosa ao RN. A SNN
promove o vedamento labial, melhora o ritmo, o canolamento, o
peristaltismo, a coordenação sucção-deglutiçãorespiração, adequação da
musculatura oral, facilita a associação da sucção com a saciação, facilita
a digestão, altera os estados de vigília, melhora a oxigenação durante e
após as mamadas, maior ganho de peso, transição para a alimentação por
VO mais rápida e fácil, e acelera o processo de alta hospitalar. Estudos
mostram que o dedo enluvado é a forma mais eficaz de estimulação da
SNN. (XAVIER, 1998; NEIVA; LEONE, 2006).
Outros estímulos são importantes, além da SNN, tais como estímulos
táteis (toques peri e intra orais), olfativos, térmicos e gustativos (PIAZZA,
1999). Diversos autores apontam que a estimulação extra e intraoral
devem ser feitas um pouco antes do horário de alimentação e que a sucção
não nutritiva deve ser estimulada durante a alimentação enteral com uso
da mama esvaziada ou do dedo enluvado (PIAZZA, 1999; XAVIER, 1998).
Pontos relevantes a serem estimulados neste aspecto é a manipulação
passiva e/ou ativa dos músculos orofaciais associado a treino indireto
e/ou direto de deglutição, utilizando vários recursos (tátil, gustativo,
térmico, proprioceptivo). Essas manipulações, visam trabalhar a
sensibilização e/ou dessensibilização extra e intra oral.
A técnica de estimulação oromotora e a técnica de sucção não nutritiva e
sucção nutritiva organizam a sequência sucção/ deglutição/respiração
durante a alimentação propiciando a maturação e coordenação destas
funções. A própria transição de consistência alimentar e a adequação de
recursos para a alimentação são aspectos que favorecem diretamente o
desenvolvimento orofacial. Esta abordagem visa a adequação das funções
estomatognáticas permitindo um processo seguro e eficaz da deglutição,
visto que a alimentação pode ser utilizada como estratégias diária de
adequação de sensibilidade, tônus, mobilidade de órgãos
fonoarticulatórios.
Assim como inicialmente o bebê necessita sugar para desenvolver suas
estruturas orais, ele, posteriormente, necessitará mastigar para continuar
este desenvolvimento e amadurecimento. A mastigação é uma função
condicionada e aprendida. No início, nas sopinhas, os legumes devem ser
amassados com garfo e oferecidos na colher. Os pais devem oferecer
alimentos com sabores e consistências variadas, assim o bebê poderá ter
um desenvolvimento melhor quanto à parte muscular e óssea. A criança
precisa mastigar para ter um bom desenvolvimento das estruturas orais.
Aos dois anos, a sucção deixa de ter total importância e a mastigação
passa a ser fundamental.
Para que a criança desenvolva a mastigação, é preciso que a partir dos 7
meses de idade ela comece a ter contato com pedaços de fruta e de pão,
dando preferência a alimentos mais consistentes e fibrosos. Ex: pão
francês, cenoura crua, beterraba, carnes em pedaços. Deixe que a criança
participe das refeições com toda a família. Depois que a criança tiver
todos os seus dentes (entre um ano e meio e dois anos), ela poderá se
alimentar com a mesma comida do adulto (JUNQUEIRA, 1999).
Vale ainda destacar que a adequação de tônus, postura e mobilidade,
desempenha função preparatória para a coordenação envolvida na futura
articulação da fala. Assim sendo, as manobras que visam à aceitação de
estímulos, a conscientização da região trabalhada e o reconhecimento oral,
favorecem o equilíbrio do tônus e da postura e, consequentemente, a
realização dos movimentos específicos dos órgãos fonoarticulatórios
(BARATA; BRANCO, 2010).
5° Módulo: Uso de Tecnologia Assistiva Habilitar ou Desabilitar
6° Módulo: O brincar na estimulação precoce Habilitar ou Desabilitar
7° Módulo: Participação Familiar na Estimulação Precoce
8° Módulo: Referências Bibliográficas
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