Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Letras e Ciências Sociais
Departamento de História
Disciplina: Nacionalismo e Indepedȇncia em Moçambique (NIM)
Regime: Laboral
Ano: 3º
Doutora Luisa Muthisse
Estudante: Milton Sabonete Madabo
Texto por resumir: Bragança, Aquino de & Depelchin, Jackes. "Da
idealização da FRELIMO à compreensão da história de Moçambique."
Da idealização da Frelimo
resumo
O Aquino de Bragaça no seu texto tem como principais objectivos situar a problemática do processo
revolucionário iniciado pela FRELIMO no processo de luta armadade libertação nacional,
pretendendo demostrar a possibilidade e necessidade de reanalizar a própria história da FRELIMO e
de Moçambique como base para uma análise mais correcta das contradições que se levantam nos dias
de hoje. Nas suas abordagens usa principalmente as obras de Joseph Hanlon e John Saul. As obras
analisadas pelo Aquino tem como principal objectivo relatar as lutas que fizeram FRELIMO passar de
movimento simplesmente nacionalista para um movimento revolucionário do povo moçambicano.
Umas das críticas relevantes colocadas por Bragança sobre a maioria dos estudiosos, incluindo os
alvos em destaque é o fato de ao se estudar a história da FRELIMO os estudiosos se limitarem aos
objectivos e aos resultados alcançados por esse movimento, deixando muitas vezes por fora questões
relevantes como questionamentos profundos sobre os diversos factores que podem ter determinado
tais resultados alcançados, com esse tipo de abordagem histórica existe muito conhecimento útil que
tem sido deixado por fora, como por exemplo, as tranformações internas do movimento desde a sua
fundação, e o nível de influência que essas transformações tiveram para os resultados finalmente
alcançados em 1975. Outro factor questionado pelo autor é o facto de se construir uma história
propagandista, o fato de sempre que se conta a história da luta armada em Moçambique se centralizar
muito a questão vitoriosa do movimento, estabelecendo uma claro divisão entre o período anterior a
FRELIMO e o período posterior, a forma como os movimentos da esquerda que surgiram são tratados
é meramente condicionado pelos resultados.
Muitas vezes implicitamente a FRELIMO é apontado como sendo o centro das contradiçoes que
dividiram a sociedade moçambicana, ou seja as lutas internas dentro do seio da FRELIMO constitui
uma passagem chave na história da FRELIMO, embora existe uma grande relação entre estes
acontecimentos, se hoje questionarmos, certamente que não teremos respostas. O autor confronta a
ideia de se resumir a história da luta pela independência essencialmente a história da FRELIMO e
observa que para se compreender a FRELIMO é preciso observar na globalidade da história da
sociedade moçambicana. Questiona tambem a interpretação que o movimento teve sobre a adopção
do marxismo-questionando o carácter mau na qual foi tratada a questão da retirada dos quadros com
justificativa de que "estavam a retirar o peixe da água". A questão da operação "No Gordio" tem sido
analisada sido pelos historiadores analisada simplesmente do ponto de vista da vitória na batalha e
tambem na questão da ideia que se tinha das zonas libertadas, é preciso lembrar que nessa altura o
governo colonial vinha fazendo várias reformas e tentando construir uma sociedade nova, as
instituições herdades dos colonos não foram modificadas pelo regime, mas verifica-se uma evacuação
dos quadros em todas as zonas que eram chamadas libertadas, será que essas decisões eram ao todo
benéficas para a população? Muitos autores fundamentam os seus argumentos através de discursos
oficiais e acabam se esquecendo de quentionar ou problematizar essas fontes. A história oficial
quando é transmitida tem a tendência de eximir os principais atores de erros e justificar que estes,
tudo fizeram para corrigir os erros, acabando por ser uma história autojustificativa. A história da
FRELIMO tem sido contada por meio de acontecimentos chaves, dentro desses destacam-se os
congressos, foi concebida a ideia de que a colocação de Jorge Rebelo e de Marcelino dos Santos na
direção do partido a tempo inteiro tinha sido um resultado do 3º congresso em que tinha sido decidido
dar mais peso ao partido e dessa forma fornecer mais quadros ao partido, mas oque aconteceu na
reallidade foi diferente. De 1977 a 1983 o partido foi enfraquecido constantemente em relação ao
estado, as reformulações feitas podem ser consideradas provas das dificuldades na concretização das
palavras de ordem no sentido de reforçar o partido. Percebe-se nos discursos presidenciais uma
capacidade de autocrítica, mas isso é na verdade uma proteção para evitar possiveis acusações de
ultra-esquerdismo e/ou confusionismo. Por exemplo o discurso contra as ilegalidades do aparelho
repressivo é usado como prova séria da intenção do estado em estabelecer o poder popular. Os
historiadores como John Saul tem defendido que o marxismo-leninismo adoptado pela FRELIMO
conseguiu evitar todos os aspectos negativos de todos os tipos de Marxismo-Leninismo, defendem
que a FRELIMO evitou falhas do soialismo africano e o hipercentralismo do socialismo dos paises da
europa oriental. Mas se começa a enfrentar problemas profundos que impedem o avanço da revolução
socialista, os analistas caem no pessoalismo e falam das personalidades dos dirigentes da FRELIMO.
Discute-se a questão dos aspirantes a burguesia, onde verifica-se que estes vinham das camadas mais
privilegiadas do período colonial, contudo a tomada do poder por parte da FRELIMO dificultou as
monobras deste grupo, contudo quando estes aperceberam-se que as vantagens só podiam ser obtidas
através do estado, engajaram-se de modo a conquistar posições de destaque no aparelho do estado.
Isso era possivel pois naquele rgime havia a concepção de que o estado e o partido podiam ser
isolados do resto da sociedade. Segundo o autor as decisões do paertido e do estado nos fazem
questionar o seguinte: Não seria o estado um instrumento um instrumento previlegiado de
transformação da sociedade moçambicana?
Muitas vezes os quadros do partido se isolavam das massas, pois acreditavam que seu contacto com as
massas lhes faria perder a respeitabilidade, p+ostura essa que certa vez foi criticada pelo primeiro
secretário do DTI em 1981. Para esses quadros ser chefe responsável implicava necessariamente viver
longe das massas e acima d tudo ser temido por elas. Este posicionamento era totalmente contraditório
a certos princípios que já tinham sido estabelecidos como: uso do aparelho do estado como
instrumento privilegiado de transformação da sociedade moçambicana; O facto do estado ser
considerado como defensor dos operários e camponeses. O autor critica os trabalhos feitos sobre a
FRELIMO, e o principal motivo é a ausência da análise sobre o inimigo. Este é tambem um factir
determinante pois é estudando tambem o inimigo que poderemos conhecer as transformações
provocada nesta luta. Precisamos tambem lembrar que s a FRELIMO conseguiu vencer a luta foi por
conta da determinação em conhecer o inimigo, como deixou claro Machel, que era preciso continuar
estudando o inimigo, e que nunca o conheceríamos o suficiente pois as manobras do inimigo estão
sempre em evolução.
Conclusão
Neste ensaio o Aquino de Bragança chama a nossa atenção para o perigo de se ignorar vários
questionamentos importantes quando se estuda a História da FRELIMO, usando como
referências de destaque as obras de Joseph Hanlon e John Saul, nos faz perceber o perigo que a
história oficial pode nos levar. Deixa claro que mesmo através das fontes oficiais existem bases para
se construir uma história problematizada e que sirva de reflexão e de estudo sobre a situação actual. É
preciso abandonar o espírito de vitória ao estudar ao analisar os textos das fontes oficiais e começar a
fazer uma análise mais global sobre a relação entre o partido e a sociedade naquela altura. Defende
que o espírito de vitória pode conduzir a desprezar o inimigo e consequentemente conduzir ao
aventureirismo.