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Inventários e Ativos Biológicos em Contabilidade

Elaboração: Cláudio Mohamed Manuel Antumane
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Estudo da Classe 2- Inventários e activos biológicos (existência ou stocks)

Os inventários e activos biológicos (existências ou stocks), integram todos os meios que


constituem a actividade normal da empresa, em outras palavras consideram-se existências, todos
bens armazenáveis adquiridos ou produzidos pela empresa e que se destinam a venda ou a serem
incorporados no processo produtivo.

Considera-se inventários, todos os bens armazenáveis adquiridos ou produzidos pela empresa e


que se destinam a venda ou a serem incorporadas na produção. Os inventários são activos que
(segundo o PGC):

 São detidos para a venda no decurso ordinário da actividade empresarial;


 Estejam em processo de produção para venda;
 Se mantenham na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de
produção ou prestação de serviços.

Os activos são classificados em:

 2.2-Mercadorias (bens adquiridos para a revenda);


 2.3-Produtos acabados e intermediários (bens finais);
 2.4-Subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos;
 2.5-Produtos ou serviços em curso;
 2.6-Matérias-primas, auxiliares e matérias.

De frisar que esta classificação e em função da natureza da empresa ou da fase de transformação,


porquanto, um produto acabado para uma empresa, pode constituir uma matéria-prima para outra
até mercadoria, para além de ser um produto semi-acabado.

Por exemplo: a farinha de trigo constitui um produto acabado para a moagem, sendo, uma
matéria-prima para a panificadora. Da mesma forma, uma mesa será um produto acabado para a
fábrica de móveis e uma mercadoria para a empresa que comercializa (loja de móveis), entre
outros casos.

Os quatro últimos grupos aparecem-nos em empresas industriais, enquanto as mercadorias são


bens típicos das empresas comerciais. Dai que em contabilidade financeira apenas seja possível o
controlo directo e constante deste grupo de existências (mercadorias), enquanto os outros grupos
serão objecto de análise na contabilidade interna ou analítica de exploração.

A contabilidade financeira constitui um meio preciso para uma gestão de stocks, visto ser através
dela que podem ser apurados os movimentos havidos, os custos e os resultados alcançados.

Sistema de inventários

Classificação: este deve ser efectuado tendo em atenção 2 objectivos:

 Conhecimento em qualquer momento, da quantidade e valor dos stocks de que a empresa


e proprietária, ou detém;
 Apuramento do custo dos produtos vendidos e consumidos, consequentemente, do
resultado apurado nas vendas ou na produção.

Os apuramentos dos tais investimentos são classificados da seguinte maneira:

a) Sistema de inventário permanente (SIP): permite a determinação do valor do stock


permanentemente através das contas em armazém e apurar em qualquer momento os
resultados obtidos nas vendas ou na produção. São criadas 2 contas neste tipo de
inventário, nomeadamente:
 Contas que permite conhecer permanentemente o valor do stocks e;
 Contas de custos dos produtos vendidos ou consumidos.
b) Sistema de inventário intermitentes (SII): permite a determinação do valor através de
inventariação directa em armazém, efectuada periodicamente, tendo de se recorrer a
contagens físicas para o conhecimento do mesmo.

Regra de Movimentação Contabilística

Esta classe de contas serve para registar consoante a empresa nos seguintes modelos:

a) As compras e os inventários iniciais e finais (inventário intermitente);


b) O inventário permanente (inventário permanente).

Regra de Movimentação Contabilística


Neste sistema são movimentadas as seguintes contas:

2.1. Compras- são debitadas pelas entradas e através das compras e credita-se pela saída das
mercadorias em armazém, e deve ser saldada.

2.2. Mercadorias- são debitadas pelas entradas em armazém e creditadas pelas saídas, sempre a
preço de custo ( saldo e o valor de stock em armazém);

6.1/ 6.1.1 Custos dos inventários vendidos ou consumidos (CIVMC)- são debitados pelo custo
de aquisição das mercadorias vendidas ou consumidas em contrapartida da respectiva conta de
inventários.

7.1 Vendas- nesta conta registam-se os proveitos das vendas realizadas.

Assim o resultado bruto das vendas (RBV), fica:

RBV= VL-CIVMC, onde;

CIVMC- saldo da conta 6.1. CIVMC.

Então:

RBV= saldo da conta 7.1 – saldo da conta 6.1

Pode –se representar da seguinte forma:

D 2.1. Compra C D 4.2. fornecedores C D 2.2. mercadorias C


A B A C D
B
D 6.1/6.1.1. CIVMC C D 4.1. Clientes C D 7.1. Vendas C
D F E G E

D 8. Resultado C
F G

Descrição:

A. Compras a crédito, pelo preço de custo (PC);


B. Transferência da compra para conta de mercadorias pelo PC da compra;
C. Existências anteriores (inicial);
D. Custo mercadorias vendidas (CMV)- PC da aquisição das mercadorias em armazém,
vendidas;
E. Vendas a crédito, pelo preço de vendas (PV);
F. Transferência do CIVMC para apuramento de resultados;
G. Transferência das vendas para apuramento de resultados.

Movimentação em sistema de inventários intermitentes

Difere do anterior e para se determinar o valor dos inventários e do resultado das vendas, tem
que se proceder a inventariação directa dos bens em stocks (físico) e teremos:

RBV=VL-CIVMC

Assim para se determinar o CIVMC, segue-se a fórmula seguinte:


CIVMC=EI+ compra-EF, em que:

EI= Existência inicial= obtém-se pelo saldo da conta de inventários (2.2. mercadorias);

Compras= saldo da conta 2.1. compras;

EF= Existência final= e feita através da inventariação final.

O CIVMC aparece evidenciado na conta 6.1. pelo que o resultado bruto das vendas e feito das
seguintes maneira:

RBV=Saldo da conta 7.1 – saldo da conta 6.1

Assim contabilisticamente o inventário intermitente ficara da seguinte maneira ilustrada:

D [Link] C D 4.2. Fornecedores C D 4.1. Clientes C


A D A B

D 7.1. Vendas C D 2.2 Mercadorias C D 6.1/6.1.1. CIVMC C


F B C E E G
D

D 8. RESULTADOS C
G F
Descrição:

A. Compras a crédito, pelo PC de compra;


B. Vendas a crédito, pelo PV;
C. Inventários anteriores (SI);
D. Transferência das compras para a conta de inventários no fim do período quando
pretenda apurar o resultado;
E. Regularizações do saldo da conta de inventários, para que correspondam aos inventários
finais apuradas por inventariação directa, o debito da conta 6.1. CIVMC, relativo ao
mesmo período;
F. Transferência das vendas para o apuramento de resultados ;
G. Transferência do CIVMC para o apuramento de resultado.

Critério de valorimetria

A valorização dos inventários, como processo de determinação dos preços de custo das entradas
e saídas de armazém, assume um relevo tanto mais especial, quanto maior for o volume de stocks
da empresa.

Nas entradas os inventários devem ser valorizados pelo seu PC como preço da factura, fretes,
seguros, impostos específicos.

Assim:

PC=P. Factura+ Despesas de compra- Descontos Comerciais obtidos

Estudo das contas e subcontas

Conta 2.1. compras

Âmbito e movimentação

Nesta conta e lançada o custo das aquisições de matéria-prima e de bens aprovisionáveis


destinados ao consumo ou a venda. Esta conta debita-se pelas compras efectuadas e despesas e
credita-se pelas deduções e pela transferência do saldo para a respectiva conta de inventários.

2.1. Compras

Aquisições de bens armazenáveis; Descontos e abatimentos em compras;

Despesas em compras. Devolução de compras;

Transferência do saldo para a adequada conta de


inventarios

Conta 2.2. mercadorias: são bens adquiridos pela empresa com destino a venda.

Âmbito e movimentação:

Utilizando o SIP, esta conta debita-se pelas entradas e credita-se pelas saídas ( ao PC), no
seguinte esquema:

2.2. Mercadorias

Compras de mercadorias; Custos das vendas de mercadorias;

Custos das devoluções de venda; Devolução de compra;

Sobras; Quebras;

Ofertas de terceiros Ofertas e terceiros;

Sinistros;

imparidades
\

Assim o saldo representa o valor das existências de mercadorias em armazém.

Usando o SII a conta 2.2 e movimentada no fim do exercício quando se procede a inventariação
física das existências. No lançamento contabilístico

D [Link] C D 2.2 Mercadorias C D 6.1. CIVMC C


valor inicial A A B B

CIVMC

Estudo das sub-contas

2.2.1 Mercadorias em trânsito: corresponde as mercadorias adquiridas pela empresa, mas que
ainda não entraram no seu armazém.

Regra de movimento

Movimento após a compra: quando se confirma a recepção de documentos da compra e de


despesas adicionais (transporte, direitos, seguros).

D 2.1. Compra C D Caixa/banco/fornecedor C


A A

E simultaneamente:

D 2.2.1. Mercadorias em tran


C D 2.1. Compra C
A A
Transferenci
a

Quando se realiza a recepção das mercadorias, teremos os seguintes movimentos:

D 2.2. mercadorias C D 2.2.1. mercadoria em trans. C


A A

Depois da entrada da mercadoria em nosso armazém, deve-se fazer um lançamento para anular a
conta de mercadorias em trânsito, e esta e usada como uma conta transitória, conforme o acima
explicitado.

2.2.2. Mercadorias em poder de terceiros: são mercadorias da empresa que estão com
terceiros, não em poder da empresa.

Ex: entrega de mercadoria de um fornecedor ao revendedor, que ultimo ganha a comissão pela
venda do mesmo.

1. Pelo envio da mercadoria ao revendedor (consignatário)

D 2.2. Mercadorias C D [Link], poder terceiro C


A B
2. Pela venda por parte do revendedor ( deve ser comprovada por documentos justificativos)

D 4.1/1.1/1.2 C D 7.1 vendas C


A A

Pelo custo das mercadorias vendidas:

D 6.1/6.1.1/[Link] . mercadorias C D 2.2. mercadorias C


A A

Pelo preço de aquisição

No caso de devolução de mercadorias o lançamento seria inverso.

Conta 2.3. produtos acabados e intermediários

Inclui os bens que provem da actividade produtiva da empresa ou que possam ser objecto de
venda. Assim podem ser registadas nesta classe de conta:

 Bens produzidos pela empresa que atingiram a fase final de produção, aptos para a venda
(produtos acabados);
 Bens produzidos ou adquiridos que ainda não atingiram a fase final de fabrico, mas que
possam ser objecto de venda;
 Bens adquiridos, semelhantes aos por si produzidos, com vista a reforçar o stock.

Regras de movimentação
Esta conta sera creditada no fim do exercício pelo valor das existências iniciais e debitada pelo
valor das existenciais finais em contrapartida da conta 8.1. resultados operacionais.

O lançamento e feito da seguinte forma:

D 7.1/7.1.2 [Link]. Intrm.


D 2.3. produ. Acab. E intermadiario C C
Ei Ei Ei Ef
(A) Ef B B (A)

A= Existência final; B existência Iniciais

Conta 2.4. sub-produtos, resíduos e refugos: são bens derivados do processo produtivo que
não sejam incluídos na conta anterior.

O seu movimento contabilístico e idêntico ao anterior apresentado.

Conta 2.6 matérias- primas, auxiliares e materiais

São incluídas nesta classe de contas, as sub contas seguintes:

2.6.1. Matérias-primas: bens que se destinam a ser incorporados nos produtos finais (farinha-
pão);

2.6.2. Matérias subsidiários: são bens necessários a produção e que sua incorporação não e
obrigatória nos produtos finais, sendo complementares (colas no fabrico de mesas de madeira).

2.6.3. Materiais: são bens envolventes das mercadorias ou produtos, indispensáveis ao seu
acondicionamento transacções (vide o PGC as suas respectivas sub-contas).

O movimento contabilístico e idêntico a da conta 2.2. mercadorias.

Conta 2.7 activos biológicos


Um activo biológico e um animal ou planta vivos no âmbito das actividades agrícolas. Estes
activos proporcionam a transformação biológica necessária a formação de produto agrícola.
Assim um produto agrícola e um produto colhido dos activos biológicos da empresa que poderá
ser vendido em bruto ou transformação após a colheita.

Exemplo: activos biológicos: carneiros, árvores em uma plantação, plantas, gado, arbustos,
vinhas.

Produtos agrícolas: la, troncos, algodão, cana sacarina, leite, folha, uvas.

Produtos resultantes de processamento: fio de la, carpetes de madeira, fio de algodão, roupas,
açúcar, queijo, salsicha, cha,tabaco.

As suas sub-contas são;

2.7.1. de produção

[Link].animais

[Link]. plantas

2.7.2. consumíveis

[Link].animis

[Link]. plantas

Nos activos biológicos de produção temos por exemplo o gado bovino que pode-se obter o leite,
as árvores de fruta e elas permanecem vivas aquando do processo de produção. Nos activos
biológicos consumíveis são os que são colhidos como produtos agrícolas ou vendidos como
activos biológicos.

Exemplo: gado caprino abatido para a produção de carne ou venda, as colheitas d milho, trigo,
árvores para o abate e produção de madeira.

Conta 2.8. regularização dos inventários


Destina-se a servir de contrapartida ao registo de quebras, sobras, saídas e entradas por ofertas,
entre outros, a tipologia de factos patrimoniais susceptíveis de registo nesta conta e:

 Quebras e sobras de existências;


 Ofertas de existências;
 Transferência entre contas de existências;
 Transferência para e de contas de imobilizados;
 Beneficiação de mercadorias usadas.

Assim pode-se contabilisticamente seguir os passos seguintes:

1. Quebras e sobras de existências


Pode-se distinguir os seguintes movimentos:
a) Quebras (sobras) normais: verificado com alguma regularidade e resultante da
actividade normal.
b) Quebras (sobras) anormais : as que se verificam como imprevisíveis, resultante
dos factos alheios ao exercício da actividade (acidentes, roubos, incêndios).

Contabilisticamente teremos:

Alteração da quantidade e do valor global, mantendo-se consequentemente, o custo unitário da


existência em armazém a conta 2.8. elas debitam-se pelas sobras e creditam-se pelas quebras.

Demonstração:

D 6.8.4/[Link]. quebras C D 2.8 regulrizacao de existencia C


A A

Quebras normais

D 2.8 regulrizacao de existencia C D 7.6/7.6.4/[Link]. sobras C


A A
Sobras anormais

Beneficiação de mercadorias usadas

Algumas empresas comercias possuem departamentos técnicos, oficinais, secções de reparação,


onde reparam e beneficiam bens adquiridos em estado de uso que posteriormente são vendidos,
como mercadorias dos seus stocks. Como a explicitar adequadamente o CIVMC ( pois ao valor
de aquisição, deverão ser acrescidos os materiais ou pecas substituídas, os serviços próprios ou
prestados por terceiros).

Assim temos por sua via disto o seguinte movimento:

A conta 2.8 e transitória e saldara, após o seu uso em contrapartida da adequada conta de
inventários, nos SIP e SII. Neste âmbito existe um pormenor diferenciador: o momento em que
se opera a transferência do saldo ocorrido.

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