Estudo da Classe 2- Inventários e activos biológicos (existência ou stocks)
Os inventários e activos biológicos (existências ou stocks), integram todos os meios que
constituem a actividade normal da empresa, em outras palavras consideram-se existências, todos
bens armazenáveis adquiridos ou produzidos pela empresa e que se destinam a venda ou a serem
incorporados no processo produtivo.
Considera-se inventários, todos os bens armazenáveis adquiridos ou produzidos pela empresa e
que se destinam a venda ou a serem incorporadas na produção. Os inventários são activos que
(segundo o PGC):
São detidos para a venda no decurso ordinário da actividade empresarial;
Estejam em processo de produção para venda;
Se mantenham na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de
produção ou prestação de serviços.
Os activos são classificados em:
2.2-Mercadorias (bens adquiridos para a revenda);
2.3-Produtos acabados e intermediários (bens finais);
2.4-Subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos;
2.5-Produtos ou serviços em curso;
2.6-Matérias-primas, auxiliares e matérias.
De frisar que esta classificação e em função da natureza da empresa ou da fase de transformação,
porquanto, um produto acabado para uma empresa, pode constituir uma matéria-prima para outra
até mercadoria, para além de ser um produto semi-acabado.
Por exemplo: a farinha de trigo constitui um produto acabado para a moagem, sendo, uma
matéria-prima para a panificadora. Da mesma forma, uma mesa será um produto acabado para a
fábrica de móveis e uma mercadoria para a empresa que comercializa (loja de móveis), entre
outros casos.
Os quatro últimos grupos aparecem-nos em empresas industriais, enquanto as mercadorias são
bens típicos das empresas comerciais. Dai que em contabilidade financeira apenas seja possível o
controlo directo e constante deste grupo de existências (mercadorias), enquanto os outros grupos
serão objecto de análise na contabilidade interna ou analítica de exploração.
A contabilidade financeira constitui um meio preciso para uma gestão de stocks, visto ser através
dela que podem ser apurados os movimentos havidos, os custos e os resultados alcançados.
Sistema de inventários
Classificação: este deve ser efectuado tendo em atenção 2 objectivos:
Conhecimento em qualquer momento, da quantidade e valor dos stocks de que a empresa
e proprietária, ou detém;
Apuramento do custo dos produtos vendidos e consumidos, consequentemente, do
resultado apurado nas vendas ou na produção.
Os apuramentos dos tais investimentos são classificados da seguinte maneira:
a) Sistema de inventário permanente (SIP): permite a determinação do valor do stock
permanentemente através das contas em armazém e apurar em qualquer momento os
resultados obtidos nas vendas ou na produção. São criadas 2 contas neste tipo de
inventário, nomeadamente:
Contas que permite conhecer permanentemente o valor do stocks e;
Contas de custos dos produtos vendidos ou consumidos.
b) Sistema de inventário intermitentes (SII): permite a determinação do valor através de
inventariação directa em armazém, efectuada periodicamente, tendo de se recorrer a
contagens físicas para o conhecimento do mesmo.
Regra de Movimentação Contabilística
Esta classe de contas serve para registar consoante a empresa nos seguintes modelos:
a) As compras e os inventários iniciais e finais (inventário intermitente);
b) O inventário permanente (inventário permanente).
Regra de Movimentação Contabilística
Neste sistema são movimentadas as seguintes contas:
2.1. Compras- são debitadas pelas entradas e através das compras e credita-se pela saída das
mercadorias em armazém, e deve ser saldada.
2.2. Mercadorias- são debitadas pelas entradas em armazém e creditadas pelas saídas, sempre a
preço de custo ( saldo e o valor de stock em armazém);
6.1/ 6.1.1 Custos dos inventários vendidos ou consumidos (CIVMC)- são debitados pelo custo
de aquisição das mercadorias vendidas ou consumidas em contrapartida da respectiva conta de
inventários.
7.1 Vendas- nesta conta registam-se os proveitos das vendas realizadas.
Assim o resultado bruto das vendas (RBV), fica:
RBV= VL-CIVMC, onde;
CIVMC- saldo da conta 6.1. CIVMC.
Então:
RBV= saldo da conta 7.1 – saldo da conta 6.1
Pode –se representar da seguinte forma:
D 2.1. Compra C D 4.2. fornecedores C D 2.2. mercadorias C
A B A C D
B
D 6.1/6.1.1. CIVMC C D 4.1. Clientes C D 7.1. Vendas C
D F E G E
D 8. Resultado C
F G
Descrição:
A. Compras a crédito, pelo preço de custo (PC);
B. Transferência da compra para conta de mercadorias pelo PC da compra;
C. Existências anteriores (inicial);
D. Custo mercadorias vendidas (CMV)- PC da aquisição das mercadorias em armazém,
vendidas;
E. Vendas a crédito, pelo preço de vendas (PV);
F. Transferência do CIVMC para apuramento de resultados;
G. Transferência das vendas para apuramento de resultados.
Movimentação em sistema de inventários intermitentes
Difere do anterior e para se determinar o valor dos inventários e do resultado das vendas, tem
que se proceder a inventariação directa dos bens em stocks (físico) e teremos:
RBV=VL-CIVMC
Assim para se determinar o CIVMC, segue-se a fórmula seguinte:
CIVMC=EI+ compra-EF, em que:
EI= Existência inicial= obtém-se pelo saldo da conta de inventários (2.2. mercadorias);
Compras= saldo da conta 2.1. compras;
EF= Existência final= e feita através da inventariação final.
O CIVMC aparece evidenciado na conta 6.1. pelo que o resultado bruto das vendas e feito das
seguintes maneira:
RBV=Saldo da conta 7.1 – saldo da conta 6.1
Assim contabilisticamente o inventário intermitente ficara da seguinte maneira ilustrada:
D [Link] C D 4.2. Fornecedores C D 4.1. Clientes C
A D A B
D 7.1. Vendas C D 2.2 Mercadorias C D 6.1/6.1.1. CIVMC C
F B C E E G
D
D 8. RESULTADOS C
G F
Descrição:
A. Compras a crédito, pelo PC de compra;
B. Vendas a crédito, pelo PV;
C. Inventários anteriores (SI);
D. Transferência das compras para a conta de inventários no fim do período quando
pretenda apurar o resultado;
E. Regularizações do saldo da conta de inventários, para que correspondam aos inventários
finais apuradas por inventariação directa, o debito da conta 6.1. CIVMC, relativo ao
mesmo período;
F. Transferência das vendas para o apuramento de resultados ;
G. Transferência do CIVMC para o apuramento de resultado.
Critério de valorimetria
A valorização dos inventários, como processo de determinação dos preços de custo das entradas
e saídas de armazém, assume um relevo tanto mais especial, quanto maior for o volume de stocks
da empresa.
Nas entradas os inventários devem ser valorizados pelo seu PC como preço da factura, fretes,
seguros, impostos específicos.
Assim:
PC=P. Factura+ Despesas de compra- Descontos Comerciais obtidos
Estudo das contas e subcontas
Conta 2.1. compras
Âmbito e movimentação
Nesta conta e lançada o custo das aquisições de matéria-prima e de bens aprovisionáveis
destinados ao consumo ou a venda. Esta conta debita-se pelas compras efectuadas e despesas e
credita-se pelas deduções e pela transferência do saldo para a respectiva conta de inventários.
2.1. Compras
Aquisições de bens armazenáveis; Descontos e abatimentos em compras;
Despesas em compras. Devolução de compras;
Transferência do saldo para a adequada conta de
inventarios
Conta 2.2. mercadorias: são bens adquiridos pela empresa com destino a venda.
Âmbito e movimentação:
Utilizando o SIP, esta conta debita-se pelas entradas e credita-se pelas saídas ( ao PC), no
seguinte esquema:
2.2. Mercadorias
Compras de mercadorias; Custos das vendas de mercadorias;
Custos das devoluções de venda; Devolução de compra;
Sobras; Quebras;
Ofertas de terceiros Ofertas e terceiros;
Sinistros;
imparidades
\
Assim o saldo representa o valor das existências de mercadorias em armazém.
Usando o SII a conta 2.2 e movimentada no fim do exercício quando se procede a inventariação
física das existências. No lançamento contabilístico
D [Link] C D 2.2 Mercadorias C D 6.1. CIVMC C
valor inicial A A B B
CIVMC
Estudo das sub-contas
2.2.1 Mercadorias em trânsito: corresponde as mercadorias adquiridas pela empresa, mas que
ainda não entraram no seu armazém.
Regra de movimento
Movimento após a compra: quando se confirma a recepção de documentos da compra e de
despesas adicionais (transporte, direitos, seguros).
D 2.1. Compra C D Caixa/banco/fornecedor C
A A
E simultaneamente:
D 2.2.1. Mercadorias em tran
C D 2.1. Compra C
A A
Transferenci
a
Quando se realiza a recepção das mercadorias, teremos os seguintes movimentos:
D 2.2. mercadorias C D 2.2.1. mercadoria em trans. C
A A
Depois da entrada da mercadoria em nosso armazém, deve-se fazer um lançamento para anular a
conta de mercadorias em trânsito, e esta e usada como uma conta transitória, conforme o acima
explicitado.
2.2.2. Mercadorias em poder de terceiros: são mercadorias da empresa que estão com
terceiros, não em poder da empresa.
Ex: entrega de mercadoria de um fornecedor ao revendedor, que ultimo ganha a comissão pela
venda do mesmo.
1. Pelo envio da mercadoria ao revendedor (consignatário)
D 2.2. Mercadorias C D [Link], poder terceiro C
A B
2. Pela venda por parte do revendedor ( deve ser comprovada por documentos justificativos)
D 4.1/1.1/1.2 C D 7.1 vendas C
A A
Pelo custo das mercadorias vendidas:
D 6.1/6.1.1/[Link] . mercadorias C D 2.2. mercadorias C
A A
Pelo preço de aquisição
No caso de devolução de mercadorias o lançamento seria inverso.
Conta 2.3. produtos acabados e intermediários
Inclui os bens que provem da actividade produtiva da empresa ou que possam ser objecto de
venda. Assim podem ser registadas nesta classe de conta:
Bens produzidos pela empresa que atingiram a fase final de produção, aptos para a venda
(produtos acabados);
Bens produzidos ou adquiridos que ainda não atingiram a fase final de fabrico, mas que
possam ser objecto de venda;
Bens adquiridos, semelhantes aos por si produzidos, com vista a reforçar o stock.
Regras de movimentação
Esta conta sera creditada no fim do exercício pelo valor das existências iniciais e debitada pelo
valor das existenciais finais em contrapartida da conta 8.1. resultados operacionais.
O lançamento e feito da seguinte forma:
D 7.1/7.1.2 [Link]. Intrm.
D 2.3. produ. Acab. E intermadiario C C
Ei Ei Ei Ef
(A) Ef B B (A)
A= Existência final; B existência Iniciais
Conta 2.4. sub-produtos, resíduos e refugos: são bens derivados do processo produtivo que
não sejam incluídos na conta anterior.
O seu movimento contabilístico e idêntico ao anterior apresentado.
Conta 2.6 matérias- primas, auxiliares e materiais
São incluídas nesta classe de contas, as sub contas seguintes:
2.6.1. Matérias-primas: bens que se destinam a ser incorporados nos produtos finais (farinha-
pão);
2.6.2. Matérias subsidiários: são bens necessários a produção e que sua incorporação não e
obrigatória nos produtos finais, sendo complementares (colas no fabrico de mesas de madeira).
2.6.3. Materiais: são bens envolventes das mercadorias ou produtos, indispensáveis ao seu
acondicionamento transacções (vide o PGC as suas respectivas sub-contas).
O movimento contabilístico e idêntico a da conta 2.2. mercadorias.
Conta 2.7 activos biológicos
Um activo biológico e um animal ou planta vivos no âmbito das actividades agrícolas. Estes
activos proporcionam a transformação biológica necessária a formação de produto agrícola.
Assim um produto agrícola e um produto colhido dos activos biológicos da empresa que poderá
ser vendido em bruto ou transformação após a colheita.
Exemplo: activos biológicos: carneiros, árvores em uma plantação, plantas, gado, arbustos,
vinhas.
Produtos agrícolas: la, troncos, algodão, cana sacarina, leite, folha, uvas.
Produtos resultantes de processamento: fio de la, carpetes de madeira, fio de algodão, roupas,
açúcar, queijo, salsicha, cha,tabaco.
As suas sub-contas são;
2.7.1. de produção
[Link].animais
[Link]. plantas
2.7.2. consumíveis
[Link].animis
[Link]. plantas
Nos activos biológicos de produção temos por exemplo o gado bovino que pode-se obter o leite,
as árvores de fruta e elas permanecem vivas aquando do processo de produção. Nos activos
biológicos consumíveis são os que são colhidos como produtos agrícolas ou vendidos como
activos biológicos.
Exemplo: gado caprino abatido para a produção de carne ou venda, as colheitas d milho, trigo,
árvores para o abate e produção de madeira.
Conta 2.8. regularização dos inventários
Destina-se a servir de contrapartida ao registo de quebras, sobras, saídas e entradas por ofertas,
entre outros, a tipologia de factos patrimoniais susceptíveis de registo nesta conta e:
Quebras e sobras de existências;
Ofertas de existências;
Transferência entre contas de existências;
Transferência para e de contas de imobilizados;
Beneficiação de mercadorias usadas.
Assim pode-se contabilisticamente seguir os passos seguintes:
1. Quebras e sobras de existências
Pode-se distinguir os seguintes movimentos:
a) Quebras (sobras) normais: verificado com alguma regularidade e resultante da
actividade normal.
b) Quebras (sobras) anormais : as que se verificam como imprevisíveis, resultante
dos factos alheios ao exercício da actividade (acidentes, roubos, incêndios).
Contabilisticamente teremos:
Alteração da quantidade e do valor global, mantendo-se consequentemente, o custo unitário da
existência em armazém a conta 2.8. elas debitam-se pelas sobras e creditam-se pelas quebras.
Demonstração:
D 6.8.4/[Link]. quebras C D 2.8 regulrizacao de existencia C
A A
Quebras normais
D 2.8 regulrizacao de existencia C D 7.6/7.6.4/[Link]. sobras C
A A
Sobras anormais
Beneficiação de mercadorias usadas
Algumas empresas comercias possuem departamentos técnicos, oficinais, secções de reparação,
onde reparam e beneficiam bens adquiridos em estado de uso que posteriormente são vendidos,
como mercadorias dos seus stocks. Como a explicitar adequadamente o CIVMC ( pois ao valor
de aquisição, deverão ser acrescidos os materiais ou pecas substituídas, os serviços próprios ou
prestados por terceiros).
Assim temos por sua via disto o seguinte movimento:
A conta 2.8 e transitória e saldara, após o seu uso em contrapartida da adequada conta de
inventários, nos SIP e SII. Neste âmbito existe um pormenor diferenciador: o momento em que
se opera a transferência do saldo ocorrido.