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ECA: Direitos e Proteção à Infância

estatuto criança e adolescente

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Resenha Avaliativa

Acadêmico(a): ILDEANNE DOS SANTOS COSTA


Curso: Segunda Licenciatura em Pedagogia
Disciplina: ECA e Adolescente em Conflito com a Lei

Com base no texto indicativo você deve elaborar uma redação, de duas a cinco
páginas, no modelo resenha.

Texto:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao


adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-
los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão.

Você, assistente social de uma creche municipal, a qual atende crianças de


zero a cinco anos, recebe uma das professoras relatando que Miguel, de 4
anos, apresentava lesões escuras nas costas, nos braços e nas pernas,
características de violência física.
É de seu conhecimento e de toda a equipe de profissionais atuantes na creche,
que a condição social da família de Miguel é precária, com vínculos fragilizados
e relatos de uso de drogas por um dos familiares.
Enquanto assistente social responsável pelo serviço, quais medidas de
atendimento são necessárias, com base no Estatuto da Criança e do
Adolescente?
O percurso histórico da infância e adolescência no Brasil é permeado por
dificuldades de compreensão sobre as necessidades e peculiaridades dessas fases da
vida humana. Só recentemente, crianças e adolescentes foram concebidos como sujeitos
de direitos, o que se deu com a aprovação da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que,
em seu artigo 227, assegura-lhes os direitos fundamentais. Dois anos mais tarde, em
1990, o Brasil aprovou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com o intuito de
complementar a CF e estabelecer detalhadamente como deveria ser a proteção integral a
infância e adolescência no país

Entre os direitos humanos estabelecidos na CF/88 (anteriormente afirmado nas


Convenções Internacionais, das quais o Brasil é signatário), destacam-se aqueles que
objetivam garantir a dignidade da pessoa humana e colocam todos os brasileiros em
condições de igualdade. Esses direitos são também base do trabalho dos profissionais
do Serviço Social e, portanto, devem ser conhecidos e defendidos. São eles o direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, à propriedade, ao pluralismo, à democracia e
à justiça social, ao desenvolvimento, a não ser torturado. Provêm da Constituição,
também, os direitos sociais que devem alcançar todos os brasileiros e brasileiras, quais
sejam: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência
aos desamparados. Todos esses são direitos que estão no escopo do Serviço Social e,
como tal, os assistentes sociais devem criar maneiras de garanti-los e lutar para que
sejam efetivados, alcançando a todos com igual intensidade

O sistema de garantia de direitos direcionados às crianças e aos adolescentes no


Brasil passou por importantes transformações ao longo dos anos. Merece destaque a
aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que substitui o antigo Código
de Menores e traz a perspectiva de rompimento com a visão da infância relacionada à
pobreza e à marginalidade. O ECA reconhece que essa população é composta por
pessoas em desenvolvimento e sujeitos de direitos. Para o atendimento de suas
necessidades e a efetivação de seus direitos, o documento estabelece um sistema de
garantias que é essencial, apesar dos inúmeros desafios e limites vivenciados

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é, para os brasileiros, um marco


normativo de grande importância e que tem o objetivo de regrar a relação do Estado, da
família e da sociedade como um todo em todos os temas relacionados às crianças e aos
adolescentes. É reconhecido internacionalmente como uma lei abrangente e
contemporânea e foi construído com base nas convenções, diretrizes e tratados
internacionais, dos quais o Brasil é também signatário.

A criação do ECA ocorreu para regulamentar os artigos 227 e 228 da Constituição


Federal de 1988, que tratam da proteção de crianças e adolescentes e apontam de quem
é a responsabilidade de prover a proteção dessa parcela da população. O ECA passa a
tratar da proteção integral a todas as crianças e os adolescentes brasileiros,
independentemente de sua condição ou classe social, ou seja, essa lei protege a todos
sem distinção é importante destacar o artigo 3º, que, logo em seu início, esclarece que as
crianças e os adolescentes são demandatários de todos os direitos fundamentais
inerentes à pessoa humana, ou seja, além daqueles direitos previstos no ECA, esse
público deverá alcançar quaisquer outros direitos que sejam dirigidos à pessoa humana.
Esse artigo dá às crianças e aos adolescentes o reconhecimento de serem pessoas
dignas de atenção e os coloca na situação de sujeitos de direitos. Esse artigo abrange a
todos os indivíduos contidos na faixa etária a que se destinam, sejam eles de qualquer
etnia, raça, cor, religião, condição econômica ou outras condições que os diferenciem é a
responsabilidade da família, do poder público e da sociedade em geral de priorizar a
efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes sob qualquer circunstância. Essa
responsabilidade está imputada a todos os cidadãos brasileiros e não é uma escolha.
Todos estamos obrigados a defender e garantir que esses direitos alcancem os seus
destinatários, o que quer dizer que, tanto na nossa vida particular como cidadãos quanto
na nossa vida profissional, temos o dever de aplicar o ECA, independentemente do
nosso desejo.

É também logo no seu início que o Estatuto vai afirmar a primazia de que a
criança e o adolescente recebam proteção e socorro em quaisquer circunstâncias. Isso
vale tanto para o atendimento nos serviços públicos e privados quanto para a formulação
e execução das políticas públicas ou para a destinação de recursos públicos, devendo
sempre prevalecer a ideia de que crianças e adolescentes são indivíduos em
desenvolvimento. Isso equivale a dizer que, no planejamento ou execução das políticas
públicas, a infância e a adolescência deverão ter prioridade, de modo que as diversas
políticas públicas precisam trabalhar intersetorialmente para a execução desse princípio,
inclusive, adequando os orçamentos públicos dos entes federados para atender às
necessidades desse segmento.

Conforme previsão do art. 98, do ECA, a situação de risco se faz presente


quando uma criança ou adolescente está com seus direitos fundamentais violados ou
ameaçados de lesão. Pode ocorrer por ação ou omissão da sociedade ou do Estado, por
falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável e em razão da própria conduta da
criança e do adolescente.

As medidas protetivas aplicadas com a finalidade de cessar a situação de risco,


proteger a criança ou adolescente e garantir o pleno gozo dos direitos ameaçados ou
violados, e cabe ao Juízo da Infância e da Juventude aplicar as medidas protetivas
previstas no artigo 101, incisos I a IX, do Estatuto da Criança e do Adolescente, quais
sejam: encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade,
orientação, apoio e acompanhamento temporários; matrícula e frequência obrigatórias
em estabelecimento oficial de ensino fundamental; inclusão em programa comunitário ou
oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente; requisição de tratamento médico,
psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; inclusão em programa
oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
acolhimento institucional; inclusão em programa de acolhimento familiar e colocação em
família substituta.

O ECA prevê ainda medidas pertinentes aos pais ou responsável, em seu artigo
129, incisos I a X, quais sejam: encaminhamento a programa oficial ou comunitário de
proteção à família; inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e
tratamento a alcoólatras e toxicômanos; encaminhamento a tratamento psicológico ou
psiquiátrico; encaminhamento a cursos ou programas de orientação; obrigação de
matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua frequência e aproveitamento escolar;
obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;
advertência; perda da guarda; destituição da tutela e suspensão ou destituição do poder
familiar.

Para os profissionais que lidam diariamente com famílias, é imprescindível ter


conhecimento e convencer-se do importante papel que têm a desempenhar na defesa
dessa importante lei, que, sozinha, não alcançará os propósitos para os quais foi criada.
É necessário que, para além de tratar o ECA como base das ações diárias que
contemplem crianças e adolescentes, também busquemos defender a execução dos
seus preceitos, para que a dignidade e o respeito à infância e à adolescência, prometidos
desde 1990, possam de fato ser alcançados. No cotidiano de trabalho, ao lidar com
situações de violação de direitos, é fundamental que os profissionais se furtem ao
agravamento do problema, evitando a revitimização, o constrangimento e o desrespeito
dos sujeitos que são, naquele momento, sua responsabilidade

A dificuldade de diálogo entre os serviços ofertados pela rede, a carência de


infraestrutura, os recursos escassos e até mesmo a qualidade com que são oferecidos os
atendimentos constituem entraves para a plena execução da política. Como você pode
observar, mesmo com todos os avanços consolidados e com todas as modificações
ocorridas após a aprovação do Estatuto, muitos desafios e limites persistem na
atualidade. Ainda hoje existem políticas ou programas que atuam de maneira
fragmentada e até mesmo pontual, pouco contribuindo para a efetivação dos direitos das
crianças e adolescentes. Isso acontece porque a prática ainda mantém características
conservadoras e não é desenvolvida a partir da perspectiva do direito.

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