UNIDADE 4
PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
Objetivos
• Conhecer conceitos relacionados à produção.
• Conhecer elementos fundamentais de automação.
Conteúdos
• Fundamentos de produção.
• Fundamentos de automação.
Orientações para o estudo da unidade
Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:
1) Utilize um caderno de anotações para colocar suas dúvidas e ideias que
forem surgindo conforme o desenvolvimento dos seus estudos.
2) As ideias apresentadas a seguir serão muito importantes para seu aper-
feiçoamento e não esgotam o tema. Ele é passível de questionamen-
tos. Sugerimos, portanto, pesquisas constantes, sempre buscando o
aprofundamento.
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UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
3) Ao se aproximar do final deste material, lembre-se de que você terá uma
visão geral do que estudou. Retome, então, os principais pontos analisa-
dos até agora.
90 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
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1. INTRODUÇÃO
Nesta unidade, você aprofundará seus conhecimentos
a respeito de produção e automação e suas aplicações. Inicial-
mente, vamos descrever os fundamentos sobre produção; na
sequência, vamos discutir os fundamentos de automação, com
a proposta de aplicação de automação em nossa fábrica hipoté-
tica, ou seja, a produção fictícia de um ventilador industrial para
equipamentos (cooler) em três tamanhos.
2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA
O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su-
cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú-
do Digital Integrador.
2.1. PRODUÇÃO INDUSTRIAL
De acordo com Martins e Laugeni (2006, p. 11), "a função
produção pode ser entendida como o conjunto de atividades
que levam à transformação da matéria-prima em produtos". Es-
ses autores partem da ideia primária de transformação da ma-
téria-prima em um bem ou produto que, necessariamente, terá
maior valor devido à agregação de atividades de processo. Isso é
bem simples do ponto de vista de descrição, entretanto muitos
conceitos e etapas estão envolvidos na obtenção desses produ-
tos ou de um produto qualquer. Tentaremos fazer uma aborda-
gem resumida, mas consistente a respeito desse assunto.
© INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 91
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Desenhos, tempos-padrão e estrutura do produto
Dois elementos dos mais importantes na área da Enge-
nharia e, em particular, na produção são as "especificações" e
os “lead times”. As especificações são definidas, na maioria das
vezes, em desenhos técnicos, e os lead times são definidos nas
“folhas” de processos, que só existem por meio de representa-
ções gráficas derivadas das especificações (FULLMANN, 2009).
Essas afirmações resumem uma quantidade densa de ex-
periência fabril. Uma organização que produz produtos e bens
de consumo pode ou não deter a propriedade intelectual des-
tes bens, ou apenas manufaturá-los. Em qualquer situação, a
organização precisará de especificações para manufaturar seus
produtos.
Desenho técnico é praticamente a linguagem universal da
Engenharia. Ele é normatizado e requisita uma interpretação téc-
nica hábil, pois representa graficamente o que se deseja montar,
construir, soldar, usinar etc.
As folhas de processo existem para definir como um produ-
to deve ser realizado. Elas são receitas técnicas, representando
o passo a passo, muitas vezes, não com o objetivo apenas de
mostrar como fazer, mas com o propósito principal de registrar
os tempos-padrão de cada etapa reconhecida no processo.
A Figura 1 mostra o produto de nossa organização
hipotética.
92 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
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Figura 1 Conjunto ventilador axial.
Os ventiladores são montados conforme a configuração
mostrada na Figura 1, para os tipos (a), (b) e (c). Trata-se de um
conjunto ventilador axial. A empresa compra os racks e os ven-
tiladores axiais e monta-os. Os módulos montados aplicam-se à
ventilação de equipamentos industriais.
A Figura 2 mostra as especificações do ventilador básico
usado na montagem.
Figura 2 Ventilador axial básico.
O rack é mostrado na Figura 3.
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Figura 3 Rack para ventilador axial.
Vamos destacar agora os desenhos e as especificações dos
produtos montados pela Claret Fan Tray Corporation (nossa em-
presa fictícia).
A folha de processo é um documento importante que des-
creve como e quais materiais e insumos são usados na confecção
do produto.
94 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
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A Figura 4 mostra uma folha de processo do produto hipo-
tético de nossa empresa.
Figura 4 Folha de processo do ventilador de rede.
Uma folha de processo, normalmente, possui um croqui
na etapa mais relevante do produto a ser fabricado, ou mesmo
um croqui para cada etapa de processo descrita na coluna des-
crição da operação. A informação mais importante na folha de
processo, além da descrição da operação, é o registro do tempo
de fabricação de cada etapa de processo.
Podemos observar na folha da Figura 4 um procedimen-
to muito comum que é o registro de pequenos lotes de peças,
quando o tempo de processo é muito ínfimo. Os tempos regis-
trados nessas folhas geralmente são referenciados em minutos.
A montagem de um "rack" levaria 0,53 minuto ou 31,8 segun-
dos. Operações com menos de 4 segundos são muito difíceis de
registrar.
Observe, por fim, que o tempo-padrão para esse produ-
to em particular é de 3,7 minutos (lote de 10 unidades), e que
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a fabricação tem realizado o lote de peças em 5,3 minutos, o
que corresponde a uma eficiência de 70% apenas. Este indicador
mais adiante servirá de justificativa para a eliminação de perdas
(30%) do setor com a sugestão de automação.
Todo produto possui o que chamamos “árvore de estrutura
do produto”.
Nossa Fan Tray, com seis ventiladores cuja folha de proces-
so você observou na Figura 4, possui a "árvore de estrutura do
produto" mostrada na Figura 5.
Figura 5 Estrutura do produto ventilador de rede.
A árvore de estrutura do produto mostra as quantidades
(entre colchetes) das partes a serem usadas na montagem e os
lead times de cada parte ou componente fabricado ou que passe
por processo de fabricação. As partes do produto adquiridas de
terceiros não possuem lead times.
De acordo com Martins e Laugeni (2006), os tempos de
fabricação são obtidos por apontamento, que pode ser realiza-
do por registro do próprio colaborador ou por registro de um
apontador. Os tempos-padrão são obtidos por cronometragem
associados a técnicas estatísticas e quadros especializados. Al-
guns desses quadros fixam parâmetros.
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O Quadro 1 define, por exemplo, parâmetros referentes ao
esforço e à habilidade dos operadores ao realizarem uma tarefa.
Quadro 1 Habilidade e esforço.
HABILIDADE ESFORÇO
FRACA
FRACO
Não adaptado ao trabalho, comete erros
Falta de interesse no trabalho e utiliza
e seus movimentos são inseguros.
métodos inadequados.
REGULAR
REGULAR
Adaptado relativamente ao trabalho.
As mesmas tendências, porém com
Comete erros e seus movimentos são quase
menos intensidade.
inseguros.
NORMAL
NORMAL
Trabalha com constância e se esforça
Trabalha com exatidão satisfatória,
razoavelmente.
o ritmo se mantém razoavelmente
constante. BOM
BOA Trabalha com constância e confiança,
muito pouco ou nenhum tempo perdido.
Tem confiança em si mesmo, ritmo
constante, com raras hesitações. EXCELENTE
EXCELENTE Trabalha com rapidez e com movimentos
precisos.
Precisão nos movimentos, nenhuma
hesitação e ausência de erros. EXCESSIVO
SUPERIOR Lança-se numa marcha impossível de
manter. Não serve para estudos de
Movimentos sempre iguais, mecânicos,
tempo.
comparáveis ao de uma máquina.
Fonte: Toledo Jr. (1989, p. 40).
O Quadro 2 mostra os parâmetros do Quadro 1 "valorados"
e identificados por letras e números. Este procedimento dispõe
o que na manufatura chamamos de fatores de ritmo. Vamos
dar um exemplo para facilitar a absorção do conceito. Um cro-
nometrista para e passa a observar um operador em um posto
de trabalho. Tal profissional é treinado para reconhecer e julgar
os parâmetros habilidade e esforço do operador, em função da
tarefa que ele está realizando e do ambiente.
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De acordo com o que observa, o cronometrista pode de-
cidir se a habilidade e o esforço são regulares ou excelentes.
Esse trabalho é inteiramente subjetivo, mas, como menciona-
do, o profissional é treinado para realizar o melhor julgamento
possível.
Uma vez julgados os parâmetros, esse profissional classifi-
ca, por exemplo, a habilidade em E-1 ou E-2 (se julgou a habili-
dade como regular), ou B-1 ou B-2 (se julgou a habilidade como
excelente). Tal procedimento também é adotado para o esforço.
O Quadro 2 mostra os fatores de ritmo.
Quadro 2 Fatores de ritmo.
CÁLCULO DA EFICIÊNCIA
HABILIDADE ESFORÇO
0,15 A-1 0,13 A-1
SUPERIOR EXCESSIVO
0,13 A-2 0,12 A-2
0,11 B-1 0,1 B-1
EXCELENTE EXCELENTE
0,08 B-2 0,08 B-2
0,06 C-1 0,05 C-1
BOA BOM
0,03 C-2 0,02 C-2
1 D NORMAL 1 D NORMAL
-0,1 E-1 -0 E-1
REGULAR REGULAR
-0,1 E-2 -0,1 E-2
-0,2 F-1 -0,1 F-1
FRACA FRACA
-0,2 F-2 -0,2 F-2
Fonte: Toledo Jr. (1989, p. 42).
O fator de ritmo “normaliza” o tempo cronometrado. Mas,
o que significa “normalizar” o tempo cronometrado?
O tempo normal é o realizado por um operador que traba-
lha de forma normal (sem correria ou lentidão), em condições
normais.
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Observe, no Quadro 2, que o multiplicador é 1, se for essa
a situação (TOLEDO JR., 1989). Observe, também no Quadro 2,
que todos os valores deverão ser somados com “1”.
Em outras palavras, se o operador estiver "correndo" por-
que alguém está observando-o, o observador julgará que a ha-
bilidade e o esforço estão acima do normal, escolhe um fator
de ritmo e multiplica o tempo cronometrado; este fator “puxa”
o tempo cronometrado para próximo do tempo normal. Isso é
o que chamamos de normalização do tempo-padrão. Mas falta
ainda adicionarmos os fatores de fadiga e monotonia.
O Quadro 3 mostra os fatores associados à fadiga e à
monotonia.
Quadro 3 Fatores de fadiga e monotonia.
ESFORÇO TEMPO DE ABONO POR
ESFORÇO FÍSICO
MENTAL RECUPERAÇÃO MONOTONIA
DURAÇÃO
% TEMPO
GRAU ABONO GRAU ABONO FATOR DO CICLO ABONO
RECUPERAÇÃO
(MIN.)
Muito
1,80% 0a5 1 0 a 0,05 7,80%
leve
0,06 a
Leve 0,60% 6 a 10 0,9 5,40%
0,25
0,26 a
Leve 3,60% 11 a 15 0,8 3,60%
0,50
Médio 1,80% 16 a 20 0,71 0,5 a 1,0 2,10%
Médio 5,40% 21 a 25 0,62 1,0 a 4,0 1,50%
Pesado 3,00% 26 a 30 0,54 4,0 a 8,0 1,00%
Pesado 7,20% 31 a 35 0,46 8,0 a 12,0 0,60%
12,0 a
36 a 40 0,39 0,30%
16,0
Muito
9,00% 41 a 45 0,32 > 16,0 0,10%
pesado
46 a 50 0,26 Indistinto 0%
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ESFORÇO TEMPO DE
ABONO POR
ESFORÇO FÍSICO
MENTAL RECUPERAÇÃO
MONOTONIA
DURAÇÃO
% TEMPO
GRAU ABONO GRAU ABONO FATOR DO CICLO ABONO
RECUPERAÇÃO
(MIN.)
51 a 55 0,2
55 a 60 0,15
Fonte: Toledo Jr. (1989, p. 44).
Apenas para exemplificar, vamos realizar o cálculo da fadi-
ga quando existe o tempo automático. Imaginemos uma situa-
ção de campo com os tempos de ciclo levantados por um crono-
metrista que usa o cronômetro de centésimo de minuto.
O Quadro 4 mostra um exemplo de cálculo de fadiga.
Quadro 4 Exemplo de cálculo de fadiga.
• FADIGA FÍSICA E MENTAL
Fadiga física M 1,80% Quadro 3
Fadiga mental M 5,40% Quadro 3
Subtotal 7,20%
• RECUPERAÇÃO DA FADIGA
Tempo de ciclo (11,51 + 20,25 + 11,56) 43,32 Cronômetro
Tempo de recuperação 20,25 Observado
% de tempo (20,25/43,32) 47%
•FATOR DE RECUPERAÇÃO 0,26 Quadro 3
Abono por fadiga
Fadiga líquida 7,20 × 0,26 1,87% Quadro 3
Abono por monotonia (26 < 43,32 < 50) 3,60% Quadro 3
Total 5,47%
Fonte: adaptado de Barnes (1999).
100 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
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Veja no exemplo (Quadro 4) que o tempo de recuperação é
um tempo observado. Este tempo é uma porcentagem do tempo
de ciclo e, conforme o Quadro 3, quanto maior a porcentagem
de tempo em relação ao tempo de ciclo ele representar, menor
será o fator usado no cálculo da fadiga. Em outras palavras, se
uma pessoa realiza uma tarefa que leva 60 centésimos de minu-
to e não tem tempo para se recuperar deste consumo de ener-
gia, o fator de recuperação ficará próximo de 1 (Quadro 3).
Qual a importância do que você está aprendendo? Na
realidade, de acordo com Martins e Laugeni (2006), o tempo-
-padrão é a base para qualquer estudo dentro da manufatura.
Ele impacta diretamente todas as decisões nas fábricas: custos,
layout, balanceamento de linhas, produtividade e eficiência etc.
Com o tempo-padrão, podemos, inclusive, decidir se precisamos
mudar o processo de fabricação.
O processo de montagem de nossa "Fan Tray" está com
30% de ineficiência (informação dada na folha de processo). Será
necessário melhorar esse processo. A automação pode ser uma
das soluções. Mas este é assunto do próximo tópico.
Com os sites indicados no Tópico 3. 1., você vai aprimo-
rar seus conhecimentos sobre desenhos, tempos-padrão e es-
trutura do produto. Antes de prosseguir para o próximo assun-
to, acesse os referidos sites, procurando assimilar o conteúdo
estudado.
© INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 101
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
2.2. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL
Para Moraes e Castrucci (2007): “automação envolve qual-
quer sistema que substitua o trabalho humano, em favor da se-
gurança, da qualidade dos produtos, da rapidez da produção ou
da redução de custos”.
A automação é um conceito e um conjunto de técnicas por
meio das quais se constroem sistemas ativos capazes de atuar
com eficiência ótima pelo uso de informações recebidas do meio
sobre o qual atuam.
Ainda de acordo com Moraes e Castrucci (2007), quanto ao
grau de complexidade e aos meios de realização física, a automa-
ção industrial pode ser classificada em:
• Automações especializadas (menor complexidade):
empregam microprocessadores com programação e
memórias do tipo ROM. Exs.: automação interna aos
aparelhos eletrônicos, automóveis.
• Automações de âmbito local (média complexidade):
baseiam-se no uso dos CLPs. Exs.: transportadores, pro-
cessos químicos e térmicos.
• Grandes sistemas de automação (maior complexida-
de): utilizam programação comercial e científica em
software de tempo real. Exs.: controladores de voos,
metroviário e sistemas militares.
Para se realizar a automação de uma máquina-ferramenta,
é necessário conhecer suas características estruturais mínimas.
O Quadro 5 mostra algumas características básicas de má-
quinas-ferramentas convencionais.
102 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
Quadro 5 Características de máquinas-ferramentas.
Fonte: Stoeterau (2004, p. 14).
© INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 103
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Observe no Quadro 5 que há uma relação estrita entre o
processo e a máquina, por exemplo, o processo de retificação
é realizado em uma máquina chamada retífica. Na automação,
essas características, movimento de corte, avanço e volume, são
“consideradas” nos estudos. Infelizmente, não é possível enten-
der perfeitamente a automação sem contato com ela. Por isso,
apresentamos a seguir dois exemplos completos de estudo en-
volvendo a automação de um processo, incluindo os cálculos de
retorno de investimentos.
Estudo de caso real: exemplo 1
Uma empresa apresentava o seguinte problema: o proces-
so atual para abastecimento do silo central era realizado manu-
almente, como mostra a Figura 6.
Figura 6 Abastecimento de silo.
104 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
O processo de abastecimento manual ocorre por meio de
362 sacarias de 25 kg cada uma por dia.
A proposta de melhoria compreende a construção de uma
plataforma e posterior eliminação da bomba de vácuo.
A Figura 7 mostra a plataforma proposta com um bag.
Figura 7 Plataforma e bag.
A melhoria proposta representa um ganho em redução de
consumo de energia, com a eliminação da bomba de vácuo. Ob-
serve os cálculos:
• Características do motor: potência nominal = 15 cv
(11,04 kW). Rendimento (%) = 88,5 % (1,13). 4 polos/
IP 55 – WEG.
• Condições de funcionamento: horas × dia × mês × ano
(24 × 30 × 12) = 8.640 horas.
© INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 105
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
• Cálculo do consumo em kWh: consumo = potência
nominal × quantidade de horas × rendimento. 11,04
kWh × 1 hora × 1,13 × 24 horas × 30 dias × 12 meses =
107.740,8 kWh.
• Cálculo do consumo em R$: custo do kWh = R$ 0,22.
Consumo por ano = 107.740,8 kWh × 0,22 × 2 motores
= R$ 47.405,94.
Há ainda o ganho com a redução de mão de obra envolvida
no processo.
Mão de Obra × encargos × turnos = R$ 1.000,00/mês × 2 ×
3 = R$ 72.000,00/ano.
Ganho total: 47.405,94 + 72.000,00 = R$ 119.405,94.
O investimento na construção da plataforma foi: R$
15.000,00. O cálculo do retorno de investimento com base no
método EVA, Valor Econômico Agregado, é mostrado no Quadro 6.
Quadro 6 Retorno de investimento por EVA.
ID VARIÁVEIS VALORES
1 Ganho total 119.405,94
2 Investimento realizado com a plataforma 15.000,00
3 Imposto de renda de 40% do ID 01 47.762,38
4 Custo de oportunidade de 20% do ID 02 3.000,00
5 Desconto (ID 03 + ID 04) 50.762,38
6 NOPAT (ID 01 – ID 05) 68.643,56
7 Projeção (necessária para obter ID 06 a 20% aa) 343.217,82
O estudo de caso mostrado servirá de base para projetos
futuros, principalmente no que diz respeito ao cálculo do retor-
no de investimento por meio de um método moderno. Observe
que o valor equivalente ao imposto de renda de 40% e o equiva-
106 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
lente ao custo de oportunidade, representado por 20% do custo
investido na construção da plataforma, serão somados e, poste-
riormente, irão subtrair-se do ganho total.
A parcela que sobra é chamada NOPAT. O NOPAT, Lucro
Operacional Líquido Após Impostos, representa o ganho líquido
anual real em dinheiro, com a implementação do projeto. Para
ganhar este valor considerando um investimento que retorne
20%, teriam que ser aplicados R$ 343.217,82.
Estudo de caso real: exemplo 2
O processo de troca do comprimento de tubos de 6 m para
tubos de 3 m exige, atualmente, o auxílio de uma talha para des-
locar o chanfrador da posição "A" para a posição "B". Este pro-
cesso obriga a parar a linha, gerando refugos, horas improduti-
vas e desperdício de mão de obra. Na mudança de linha para a
confecção do tubo de 3 m, o motor é deslocado para a posição B,
a cerca de 3 m de diferença.
Proposta de melhoria: consiste na construção de uma in-
fraestrutura que suporte o motor sobre o equipamento e que
permita seu deslocamento sem uso de talha. A implementação
do projeto eliminou o processo de parar a linha para troca do
tubo de 6 m para o de 3 m. Com isso, ganhou-se tempo, não
havendo mais geração de refugos, nem desperdício de mão de
obra (MO).
O Quadro 7 mostra o ganho em R$, com a eliminação da
parada referente à mão de obra.
© INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 107
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
Quadro 7 Ganho referente à mão de obra.
QT. MÃO DE OBRA R$/h ENCARGOS TEMPO|h TOTAL
2 Ajudante 4,04 ×2 1 R$ 16,16
2 Ferramenteiro 6,43 ×2 2 R$ 51,44
1 Operador 6,43 ×2 0,75 R$ 9,65
Total mês R$ 77,25
Total ano R$ 927,00
Pode parecer um ganho ínfimo, porém esse valor repre-
senta apenas as horas paradas para a troca de linha das dimen-
sões dos tubos de 6 para 3 m.
O Quadro 8 mostra o ganho em reais (R$), com a elimina-
ção da parada referente aos refugos gerados.
Quadro 8 Ganho referente à matéria-prima.
ITEM R$/Kg Kg REFUGADOS TOTAL
Máquina chanfradora 2,92 65 R$ 189,80
Composto 3,00 90 R$ 270,00
Total mês R$ 459,80
Total ano R$ 5.517,60
O Quadro 9 mostra o ganho em reais (R$), com a elimina-
ção da parada referente à eliminação do tempo de troca e apro-
veitamento dessas horas.
Quadro 9 Ganho com a eliminação do tempo de troca.
Kg/horas R$/kg HORAS GANHAS TOTAL
400 3,00 3 R$ 3.600,00
Total do ano, considerando 1 parada|mês R$ 43.200,00
Custo total da infraestrutura proposta e implementada = $
15.500,00 (A)
Ganho total no ano, com a eliminação do problema = R$
927,00 + R$ 5.515,60 + R$ 43.200,00 = R$ 49.644,60 (B).
108 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
O Quadro 10 mostra o cálculo de retorno de investimento
pelo método EVA. Observe que adotamos neste caso um ganho
anual de 12%. A princípio pode parecer engraçado apresentar-
mos dois estudos de caso nos quais a prioridade é a demons-
tração do retorno de investimento, mas gostaríamos de lembrar
que não faz sentido nenhum instituir melhorias por meio da
automação sem demonstrar o retorno que isto representa. Na
complementação desses estudos, você fará oportunamente uma
pesquisa sobre EVA.
Quadro 10 Retorno de investimento por meio de EVA.
ID VARIÁVEIS VALORES
1 Ganho total 49.644,60
2 Investimento realizado com a infraestrutura 15.500,00
3 Imposto de renda de 40% do ID 01 19.857,84
4 Custo de oportunidade de 12% do ID 02 1.860,00
5 Desconto (ID 03 + ID 04) 21.717,84
6 NOPAT (ID 01 – ID 05) 27.926,76
7 Projeção (necessária para obter ID 06 a 12% aa) 232.723,00
Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas
no Tópico 4, você deve consultar os sites e o vídeo indicados no
Tópico 3. 2., para compreender melhor a automação industrial
Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––
Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo
(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a
lista de vídeos.
© INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 109
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e
selecione: Instalações Industriais – Vídeos Complementares –
Complementar 4.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR
O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmen-
te os conteúdos apresentados nesta unidade.
3.1. DESENHOS, TEMPOS-PADRÃO E ESTRUTURA DO PRODU-
TO
No site indicado a seguir, você poderá se aprofundar no
tema “tempo-padrão”. O autor do texto explora as velocidades
do operador e traz vários exercícios sobre tempos e métodos. É
um material de qualidade inquestionável.
• MUNIZ, J. Organização da produção: estudo de tempos
e métodos. 2011. Disponível em: <[Link]
[Link]/~fabricio/materia2>. Acesso em: 28 nov.
2014.
Faça a leitura da apostila de métodos, tempos e movimen-
tos disponibilizada no seguinte link:
• FACULDADES INTEGRADAS CAMPOS SALLES. Métodos,
tempos e movimentos. Disponível em: <[Link]
[Link]/fac2013/[Link]>. Acesso
em: 28 nov. 2014.
A fim de que você aprimore seus conhecimentos sobre o
tema “estrutura do produto”, indicamos uma pesquisa no site
110 © INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
do software MaxiProd. Este programa, originalmente, trabalha o
sequenciamento de produção, entretanto, para discutir este as-
sunto, é necessário compreender a estrutura do produto e MRP.
• MAXIPROD – SOFTWARE DE GESTÃO EMPRESARIAL.
Escolhendo um ERP para sua empresa. Disponível em:
<[Link]
-de-produto/>. Acesso em: 28 nov. 2014.
3.2. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL
Veja o seguinte portal informativo, que traz diversos mate-
riais sobre o tema "automação industrial".
• AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL. Home page. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
28 nov. 2014.
Em particular, há o artigo intitulado "Qual a diferença en-
tre automação e instrumentação?”, que pode ser pesquisado no
seguinte link:
• AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL. Qual a diferença entre auto-
mação e instrumentação? Disponível em: <[Link]
[Link]/qual-diferenca-entre-auto-
macao-e-instrumentacao/>. Acesso em: 28 nov. 2014.
Ainda sobre automação industrial, sugerimos uma pesqui-
sa sobre os robôs industriais da KUKA, uma das poucas empresas
nacionais sobre robôs. Apesar de o escopo deste material não
ser robôs, vale a pena conhecê-los no site indicado a seguir.
• KUKA. Nossos robôs industriais. Disponível em: <http://
[Link]/brazil/br/products/industrial_
robots/>. Acesso em: 28 nov. 2014.
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UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
Para o tema “EVA”, Valor Econômico Agregado, indicamos
o vídeo a seguir.
• BISCO, E. Como calcular o EVA e o MVA. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 28 nov. 2014.
• WERNKE, R; MENDES, E. Z. Avaliação de desempenho
pelo EVA (Economic Value Added) em transportadora
de passageiros. In: CONGRESSO DE CONTROLADORIA E
FINANÇAS, 3., 2009, Florianópolis. Anais... Florianópo-
lis: UFSC/Departamento de Ciências Contábeis, 2009.
Disponível em: <[Link]
anais/3CCF/[Link]>. Acesso em: 28 nov.
2014.
4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteú-
dos estudados para sanar as suas dúvidas.
1) O que é produção?
2) Qual a diferença entre tempo cronometrado, tempo normal e
tempo-padrão?
3) O que é automação industrial?
4) O que é folha de processo?
5) Escolha um processo em sua empresa e descreva-o com detalhes, inse-
rindo os tempos-padrão de cada etapa. Após esta fase, faça a sugestão de
uma melhoria neste processo e indique quanto se ganharia usando o EVA.
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UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au-
toavaliativas propostas:
1) As questões de 1 a 4 são respondidas por meio de simples pesquisa nesta
unidade. A questão 5 implica em uma pesquisa de campo.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalizamos a última unidade. Como você pôde perceber,
grande parte dos conceitos de produção e automação será discu-
tida com mais detalhes em materiais específicos no futuro. Espe-
ramos que tenham gostado desta breve introdução. Lembramos,
mais uma vez, que os casos 1 e 2, descritos nesta unidade, serão
as bases para diversos projetos ao longo do curso.
Veja agora o Conteúdo Digital Integrador que ampliará o
seu conhecimento sobre o assunto.
6. E-REFERÊNCIAS
Lista de figuras
Figura 2 Ventilador axial básico. Disponível em: <[Link]
file/03_products/08-catalog%20download/Sunon%20AC%20Axial%20Fan%20&%20
Blower_(191-W).pdf>. Acesso em: 27 nov. 2014.
Figura 3 Rack para ventilador axial.
Site pesquisado
MAXIPROD – SOFTWARE DE GESTÃO EMPRESARIAL. Escolhendo um ERP para sua
empresa. Disponível em: <[Link] Acesso em: 28 nov.
2014.
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UNIDADE 4 – PRODUÇÃO E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAIS
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARNES, R. M. Estudo de tempos e movimentos. São Paulo: Edgard Blucher, 1999.
FULLMANN, C. O trabalho – mais resultado com menos esforço, custo – passos para a
produtividade. São Paulo: Educator, 2009.
MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Saraiva,
2006. 562 p.
MORAES, C. C.; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de
Janeiro: LTC, 2007.
STOETERAU, R. L. Introdução ao projeto de máquinas-ferramentas modernas. Santa
Catarina: Editora da UFSC, 2004.
TOLEDO JR., I. F. B. Tempos e métodos. São Paulo: Itys-Fides Bueno de Toledo Jr. e Cia.
Ltda., 1989. (Série Racionalização Industrial).
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