Alunos: Vasco Veigas nº24 Turma: 10CT1 ano letivo
2023/2024
Jose Proença nº16
No âmbito da disciplina de Filosofia.
Erradicação da pobreza:
Será possível erradicá-la?
Se sim, é um dever moral ajudar?
Erradicação da pobreza.
Será possível erradicar a pobreza extrema? E se sim, temos o dever moral de ajudar na
erradicação da pobreza?
Antes de mais falaremos sobre o que é a pobreza. A pobreza pode ser absoluta ou
relativa, a pobreza absoluta está relacionada com a falta de acesso a bens e recursos
básicos necessários para a sobrevivência, já a pobreza relativa considera a posição dos
indivíduos em relação aos demais na sociedade, levando em conta a desigualdade social
etc.. A pobreza que mais falaremos vai ser a pobreza absoluta.
Erradicar a pobreza absoluta seria uma tarefa demorada e difícil de se concretizar, pois
existem diferentes países com níveis de desenvolvimento mais baixos ou mais altos e
países com muita riqueza e outros com pouca riqueza, sendo a maioria das vezes os
menos desenvolvidos também os mais pobres. Para mudar estas coisas será necessário a
conscientização do povo sobre os direitos humanos e por fim a uma corrupção que levaria a
um dinheiro mais dividido e um povo mais evoluído tanto economicamente como
socialmente. Outra maneira de poder ajudar no desenvolvimento dos países é o uso do
ensino, pois, a nossa educação ao longo da vida ditará as nossas ações do futuro”O
homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” - Immanuel Kant
Nós, também podemos ajudar estes países ao fornecer qualquer tipo de suplemento
alimentar necessário para esses países, doar dinheiro ou qualquer tipo de [Link]
a nossa ajuda e a própria “autoajuda” dos países com eles mesmos, nós acreditamos que
sim, é possível que a pobreza possa ser erradicada, por mais que existam corrupções,
desigualdades inerentes, ou até a dificuldade ao apelo geral sobre ajudar a melhor estes
países.
Agora que acreditamos que é possível a erradicação da pobreza, é um dever moral
nosso, ajudar-nos essas pessoas?
Para refletirmos sobre esta questão usamos como referência duas perspetivas distintas
sobre este assunto, sendo elas a visão de Peter Singer, ou também chamada de visão
Utilitarista. A outra perspetiva usada foi a visão deôntica. Vamos apresentar em que é cada
perspectiva acredita, os seus argumentos a favor e as objeções das mesmas.
Peter Singer, um filósofo utilitarista, defende que temos o dever de ajudar a combater todos
os males. Segundo o mesmo, a pobreza absoluta é um mal, logo é o dever de todos ajudar
a acabar com a pobreza absoluta. Como esta é uma tese em que assenta na perspetiva
utilitarista, podemos concluir que o objetivo é sempre trazer o bem-estar/felicidade para o
máximo de pessoas possíveis, logo a melhor opção é ajudar a acabar com a pobreza. Um
outro argumento que esta visão defende é o facto de sermos moralmente responsáveis
caso não fizermos nada a respeito do assunto e que qualquer ação que contribua para
reduzir esse sofrimento é moralmente exigida, por exemplo se optarmos por não ajudar os
mais necessitados, logo somos responsáveis pelo sofrimento e pela morte que poderíamos
ter evitado. Peter Singer salientava ainda que a nossa responsabilidade inclui as
consequências dos nossos atos mas também a nossa negligência: “Se fôssemos incapazes
de empatia - de nos colocarmos na posição de outros e de ver que o sofrimento deles é
como o nosso -, então o raciocínio ético não levaria a parte alguma. Se a emoção sem
razão é cega, então a razão sem emoção é impotente.” - Peter Singer.
Objeções pertinentes à Peter Singer:
● Ao minimizarmos imparcialmente o bem-estar, teremos de fazer árduos sacrifícios
pessoais, pois significa que teremos de abdicar de parte de compromissos e
“sonhos” que fazem com que a vida tenha valor para nós próprios.
● Exemplo: Garret Hardin critica a ideia de Peter Singer apresentando a “ética do bote
salva-vidas” que consiste num naufrágio em que as pessoas que se encontram nos
botes salva vidas tentam salvar a vida das outras que se encontram a naufragar,
afogando-se também.
● Se isto acontecesse, no caso da pobreza absoluta, a economia mundial seria
prejudicada, parando a evolução humana.
Segundo a visão deontológica, a moralidade de uma ação, vem da intenção do agente,
logo, nesta situação, alguém que não ajuda mas que nem sequer tenha pensado em ajudar,
não se pode considerar a ação moralmente errada porque a mesma nem sequer pensou no
assunto. Mas alguém que ajuda com a intenção de fazer o bem das pessoas, já pode ser
considerada uma ação moralmente correta, mas ajudar com intenções malignas de
segundas intenções, ou não ajudar por não querer, aí já é considerado uma ação
moralmente errada.
Outro argumento que esta visão defende é o facto de não sermos responsáveis pela morte
das pessoas que vivem na pobreza pois nunca poderemos ser responsáveis por algo que
não causamos, e que por exemplo também não podemos ser julgados por usarmos o
dinheiro ganho pelo fruto do nosso trabalho para nosso proveito pessoal, do que doá-lo aos
pobres, já que o dinheiro é nosso.
● Esta perspetiva tem uma objeção principal, sendo ela o facto de que se nós
estivéssemos no lugar das pessoas necessitadas também queríamos ajuda, mas
mesmo assim não ajudamos o outro, mostrando assim o lado egoísta que nós temos
perante os outros.
Após apresentadas as teses das diferentes perspetivas a que nós acreditamos mais correta
é a visão deontológica, pois a visão utilitarista afirma que se optarmos por não ajudar os
necessitados, somos responsáveis pelo seu sofrimento, mas, se certa pessoa já estava no
estado de pobreza por fatores que não têm nada haver conosco, porque é que somos
responsabilizados? Ou o que nos garante que a pessoa que estamos a ajudar irá realmente
usar aquele dinheiro doado para alimento etc.. e não para comprar um maço de cigarros ou
uma garrafa de vinho? Acho que é errado não doar, mas não devemos ser
responsabilizados pela situação em que a pessoa se encontra.
Outro argumento contra é o facto da objeção de que o comportamento egoísta das pessoas
invalida o dever moral de ajudar na erradicação da pobreza não é convincente do ponto de
vista deontológico. A ética deontológica sustenta que devemos de agir com uma boa
intenção/vontade, independentemente das ações ou motivações individuais de outras
pessoas, ou seja imparcialmente.
Concluindo, nós acreditamos que é possível erradicar a pobreza, mas é uma tarefa muito
difícil, já que existem muitos fatores que influenciam no processo. Defendemos também a
visão deôntica, apesar das diferentes visões apresentarem aspectos verdadeiros,
acreditamos que existe livre-arbítrio e que cada pessoa tem a capacidade de escolher entre
ajudar ou não os mais necessitados com base em seus próprios critérios pessoais, ou seja
mesmo que seja uma boa atitude é necessário que seja realizada por boa vontade.
Bibliografia e Webgrafia
A Filosofia para a Erradicação da Pobreza: Reflexões e Soluções | Actualizado junio 2024
([Link])
Pobreza - Nações Unidas - ONU Portugal ([Link])
[Link]
A estruturalidade da pobreza e da exclusão social na sociedade portuguesa – conceitos,
dinâmicas e desafios para a acção ([Link])
(PDF) A pobreza a partir da perspectiva utilitarista de Singer e da ética kantiana em O’Neill |
Poverty from Singer's utilitarian perspective and O'Neill’s Kantian ethics ([Link])
Países em desenvolvimento - conceito, características e exemplos ([Link])
O homem não é nada além daquilo que a... Immanuel Kant - Pensador
Borges, J.; Paiva, M.; Tavares, O; (2021), Em Questão; 1ªedição, Porto Editora; Unidade
Industrial da Maia