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Equações Diferenciais de Primeira Ordem

Material para estudar equações diferenciais ordinarias

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1 Equações diferenciais de primeira ordem

UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE


CENTRO DE EDUCAÇÃO E SAÚDE
UNIDADE ACADÊMICA DE FÍSICA E MATEMÁTICA
Disciplina: Equações Diferenciais Ordinárias Período: 2020.3
Professora: Célia Maria Runo Franco Créditos: 4 CH: 60

AULA 2 - Unidade I

1 Equações diferenciais de primeira ordem

1.1 Equações separáveis

Estudaremos uma classe de equações diferenciais de primeira ordem que pode ser resol-
vida usando a integração direta. Estas equações são chamadas de equações separáveis.
Considere a equação de primeira ordem
dy
= f (x, y) (1)
dx

que pode ser reescrita na forma:

dy
M (x, y) + N (x, y) =0 (2)
dx
onde M (x, y) = −f (x, y) e N (x, y) = 1.
Para o caso particular em que M depende apenas de x e N depende apenas de y , a
equação (2) é da forma:

dy
M (x) + N (y) =0 (3)
dx
ou na forma diferencial
M (x)dx + N (y)dy = 0.

1
1.1 Equações separáveis

dy
Denição 1 A equação = f (x, y) é dita separável se pode ser escrita na forma
dx

M (x)dx + N (y)dy = 0.

Uma equação separável pode ser resolvida integrando-se as funções M e N . Isto é,

Z Z
M (x)dx + N (y)dy = 0. (4)

Sejam H1 e H2 primitivas de M e N , respectivamente. Então:

H10 (x) = M (x)

e
H20 (y) = N (y)

Substituindo na equação (3), temos:

dy
H10 (x) + H20 (y) =0 (5)
dx
Note que, pela regra da cadeia,

dy d
H20 (y) = H2 (y) (6)
dx dx
Logo, a equação (5) é da forma:

d
[H1 (x) + H2 (y)] = 0 (7)
dx
Que integrando, obtemos
H1 (x) + H2 (y) = C (8)

onde C é uma constante arbitrária.


Qualquer função que y = φ(x) que satisfaça a equação (8) é uma solução da equação
(3). A equação (8) dene a solução implicitamente. Se é dada uma condição inicial
y(x0 ) = y0 , então a solução que satisfaz essa condição é obtida fazendo x = x0 e y = y0
na equação (8):

H1 (x0 ) + H2 (y0 ) = C (9)

2
1.1 Equações separáveis

Substituindo o valor de C na equação (8), tem-se:

H1 (x) + H2 (y) = H1 (x0 ) + H2 (y0 )

ou seja,

[H1 (x) − H1 (x0 )] + [H2 (y) − H2 (y0 )] = 0

Z x Z y
M (s)ds = N (s)ds
x0 y0

que é a representação implícita da solução do PVI:

 dy = f (x, y)

dx
 y(x ) = y
0 0

Tenha em mente o fato de que, para obter uma fórmula explícita para a solução, é
preciso resolver a Eq. (8) para y como função de x. Infelizmente, muitas vezes isso é
impossível analiticamente; em tais casos, você pode apelar para a representação gráca
ou para métodos numéricos para encontrar valores aproximados de y para valores dados
de x.

Exemplo 1 Resolva a equação não linear


dy x2
=
dx 1 − y2

Exemplo 2 Resolva o problema de valor inicial


2

 dy = 3x + 4x + 2

dx 2(y − 1)
y(0) = −1

dy
Exercício 1 Resolva a equação + y 2 sin x = 0 e use um software para ilustrar algumas
dx
curvas integrais desta equação.

3
1.2 Equações lineares

y
4

−5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5

−1

−2

−3

−4

Figura 1: Algumas soluções (curvas integrais) do Exemplo 1

1.2 Equações lineares

Uma equação linear de primeira ordem é uma equação que pode ser expressa na forma:

dy
a1 (x) + a0 (x)y = b(x) (10)
dx
onde a1 (x), a0 (x) e b(x) dependem somente da variável independente x e não de y .
Um exemplo típico de uma equação diferencial linear de primeira ordem, que tem
coecientes constantes, é:

dy
= −ay + b
dx

4
1.2 Equações lineares

y
4

−5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5

−1

−2

−3

−4

Figura 2: Solução do Exemplo 2. A solução que satisfaz y(0) = −1 é a que contém oponto
(0, −1) e é válida para x > −2.

onde a e b são constantes dadas.


Dividindo a equação (10) por a1 (x), podemos escrevê-la na forma padrão:

dy
+ p(x)y = q(x) (11)
dx
onde p(x) = a0 (x)/a1 (x) e q(x) = b(x)/a1 (x).

dy
Exemplo 3 Resolva a equação = −ay + b onde a e b são constantes dadas.
dx

Solução: Se a 6= 0 e y 6= b/a então podemos reescrever a equação na forma:

5
1.2 Equações lineares

dy
= −a(y − b/a)
dx

dy/dx
= −a
y − b/a
Separando as variáveis e integrando, obtemos:

ln|y − b/a| = −ax + C

ou seja,
y(x) = b/a + Ce−ax

.
Em particular, considerando a = b = 1 a solução é dada por y(x) = 1 + Ce−x . A
Figura 3 mostra a representação gráca das soluções para alguns valores de C : C = 0,
C = 1, C = −1, C = 2 e C = −2.

dy
Exercício 2 Resolva a equação = y + 1 e use um software para fazer a ilustração
dx
gráca da solução para alguns valores de C . Depois descreva, em poucas palavras, as
diferenças entre as soluções obtidas no exemplo 3.

Este método direto, usado para resolver o exemplo 3, não pode ser usado para resolver
a equação (11).
Método dos fatores integrantes (Devido à Leibniz)
Este método consiste em multiplicar a equação (11) por uma determinada função µ(x),
escolhida de modo que a equação resultante seja facilmente integrável. A função µ(x) é
chamada fator integrante.
Queremos determinar µ(x) de modo que o lado direito da equação multiplicada
dy
µ(x) + µ(x)p(x)y = µ(x)q(x) (12)
dx
seja a derivada do produto µ(x).y . Lodo, devemos ter que
dy d dy dµ
µ(x) + µ(x)p(x)y = [µ(x).y] = µ(x) + y.
dx dx dx dx
Isso exige que µ satisfaça a equação:

6
1.2 Equações lineares

y
4

−5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5

−1

−2

−3

−4

Figura 3: Algumas soluções do exemplo 3.


= µ(x)p(x) (13)
dx
Para encontrar a função µ(x), note que a equação (13) é uma equação separável, que
pode ser escrita na forma: (1/µ)dµ = p(x)dx e integrando dos dois lados, temos:

(14)
R
p(x)dx
µ(x) = e

Com essa escolha de µ(x), a equação (12) torna-se:

d
[µ(x).y] = µ(x)q(x)
dx
que tem a solução:

7
1.2 Equações lineares

Z
1
y= [ µ(x)q(x)dx + C] (15)
µ(x)
onde C é uma constante arbitrária. Essa forma é conhecida como solução geral de (11).
Quando não for possível calcular a integral (15) em termos de funções elementares, a
solução geral da equação (11) é:

Z t
1
y= [ µ(x)q(x)dx + C] (16)
µ(x) t0

onde t0 é algum limite inferior de integração conveniente.

Exemplo 4 Encontre a solução geral para


dy 1 1
+ y = ex/3
dx 2 2

Exemplo 5 Resolva o PVI 


 ty 0 + 2y = 4t2
 y(1) = 2

Teorema 1 Se as funções p e q são contínuas em um intervalo aberto (a, b) que contenha


o ponto x0 , então existe uma única função y = φ(x) que satisfaz a equação diferencial
dy
+ p(x)y = q(x)
dx
para cada x ∈ (a, b) e que também satisfaz a condição inicial y(x0 ) = y0 .

Exemplo 6 Use o Teorema 1 para encontrar um intervalo no qual o problema de valor


inicial 
 ty 0 + 2y = 4t2
 y(1) = 2
tem uma única solução.

Solução: Temos que a função q(t) = 4t é contínua para todo t e a função p(t) = 2/t
é contínua para t 6= 0. O intervalo (0, +∞) contém a condição inicial e o Teorema 1
garante que existe uma única solução do PVI deste intervalo. Note que, (0, +∞) é o
maior intervalo que contém a condição inicial.

8
1.2 Equações lineares

y
4

(x,y) = (0,1)
2

−5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5

−1

−2

−3

−4

Figura 4: Algumas soluções do exemplo 4.

Exercício 3 Use o Teorema 1 para encontrar um intervalo no qual o problema de valor


inicial 
 x3 y 0 + 4x2 y = e−x
 y(−1) = 0
tem uma única solução.

9
1.2 Equações lineares

y
4

−3 −2 −1 1 2 3

−1

−2

−3

−4

Figura 5: Algumas soluções do exemplo 5. Se C > 0 as soluções são assintóticas ao eixo


y (positivo). Se C < 0 as soluções são assintóticas ao eixo y (negativo).

10

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