MÓDULO VI – SALÁRIO MATERNIDADE
URBANO E RURAL
1. Conceito
O salário-maternidade é o benefício previdenciário a ser pago à segurada
do Regime Geral de Previdência Social em virtude do nascimento de filho,
inclusive nos casos de natimorto, aborto não criminoso, adoção ou guarda
judicial para fins de adoção.
IN 128/22. Art. 357. O salário-maternidade é o benefício devido aos
segurados do RGPS, inclusive os em prazo de manutenção de qualidade, na
forma do art. 184, que cumprirem a carência, quando exigida, por motivo de
parto, aborto não criminoso, adoção ou guarda judicial para fins de adoção.
2. Início do benefício
O benefício pode ter início 28 dias antes do parto que receberá até 91 dias
depois, salvo segurada desempregada que estiver na qualidade de
segurado ou na data do parto por 120 dias consecutivos.
IN 128/22. Art. 358. O salário-maternidade é devido durante 120 (cento e
vinte) dias, a contar das seguintes ocorrências, consideradas para fixação da
data de início do benefício:
I - parto, inclusive natimorto, podendo o início do benefício ser fixado na DAT
caso o(a) segurado(a) tenha se afastado até 28 (vinte e oito) dias antes do
nascimento da criança, exceto para os(as) segurados (as) em período de
manutenção da qualidade de segurado para as quais o benefício será devido
a partir do nascimento da criança.
3. Categorias que possuem direito
- Empregada
- Empregada doméstica
- Trabalhadora avulsa
- Contribuinte Individual
- Segurada especial
- Facultativa
(Desempregada)
4. Onde requerer?
- Na empresa: empregada
Portaria 991. Art. 426. O pagamento do salário-maternidade ocorrerá por
meio da empresa para a segurada empregada nos casos de requerimentos
realizados a partir de 1º de setembro de 2003, data da publicação da Lei nº
10.701, independentemente da data do afastamento ou do parto.
- Meu INSS, INSS Digital, Central 135: empregada doméstica, trabalhadora
avulsa, contribuinte individual, facultativa e desempregada.
Portaria 991. Art. 427. O pagamento do salário-maternidade ocorrerá
diretamente pelo INSS para os segurados, nos seguintes casos:
I - trabalhador avulso;
II - empregado doméstico;
III- contribuinte individual;
IV - facultativo;
V - segurado especial;
VI - empregados, desde que se enquadrem nas seguintes situações:
a) adoção, guarda judicial para fins de adoção, observado o disposto no § 2º;
b) empregada intermitente;
c) empregada do Microempreendedor Individual;
d) empregada com jornada parcial cujo salário de contribuição seja inferior
ao seu limite mínimo mensal.
VII - os em prazo de manutenção da qualidade de segurado; e
VIII - cônjuge sobrevivente, independentemente de sua filiação.
Exceções:
Decreto 3.048/99. Art. 100-A. O salário-maternidade devido à empregada
do MEI, de que trata o § 26 do art. 9º, será pago diretamente pela
previdência social, e o valor da contribuição previdenciária será deduzido
da renda mensal do benefício, nos termos do disposto no art. 198. (Incluído
pelo Decreto nº 10.410, de 2020)
Art. 100-B. O salário-maternidade devido à empregada intermitente será
pago diretamente pela previdência social, observado o disposto no art. 19-E,
e o valor da contribuição previdenciária será deduzido da renda mensal do
benefício, nos termos do disposto no art. 198, e não será aplicado o disposto
no art. 94. (Incluído pelo Decreto nº 10.410, de 2020)
Art. 100-C. O salário-maternidade devido à empregada com jornada
parcial cujo salário de contribuição seja inferior ao seu limite mínimo mensal,
observado o disposto no art. 19-E, será pago diretamente pela previdência
social, e o valor da contribuição previdenciária deverá ser deduzido da renda
mensal do benefício, nos termos do disposto no art. 198. (Incluído pelo
Decreto nº 10.410, de 2020)
§ 1º Na hipótese de empregos parciais concomitantes, se o somatório dos
rendimentos auferidos em todos os empregos for igual ou superior ao limite
mínimo mensal do salário de contribuição, o salário-maternidade será pago
pelas empresas, observado o disposto no inciso II do caput do art.
98.(Incluído pelo Decreto nº10.410, de 2020)
5. Documentos
Atestado ou certidão de nascimento da criança, identidade, CPF, CTPS e
comprovante de residência,
Segurado especial: autodeclaração e documentos comprobatórios
rurais.
Portaria 991. Art. 423. O documento comprobatório relativo ao fato
gerador para requerimento de salário-maternidade será:
I - a certidão de nascimento da criança;
II - atestado médico específico quando a DAT for anterior ao nascimento
da criança;
III - o atestado médico específico, tratando-se de aborto não criminoso;
IV - o termo, na hipótese de adoção ou guarda judicial para fins de adoção;
V - certidão de natimorto, no caso de natimorto.
VI - sentença judicial nos autos de adoção.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso II, deverá constar no atestado
médico a indicação de que o afastamento ocorreu dentro do período de
28 dias da data prevista para o parto.
6. Natimorto
O termo atribuído ao feto quando morre dentro do útero materno ou durante
o trabalho de parto - Recebe por 120 dias
Obs. Gerar Certidão de óbito: duração igual ou superior a 20 semanas/ O feto
tiver peso corporal igual ou superior a 500 (quinhentos) gramas ou estatura
igual ou superior a 25 cm.
IN 128/22. Art. 358. O salário-maternidade é devido durante 120 (cento e
vinte) dias, a contar das seguintes ocorrências, consideradas para fixação
da data de início do benefício:
I - parto, inclusive natimorto, podendo o início do benefício ser fixado na DAT
caso o(a) segurado(a) tenha se afastado até 28 (vinte e oito) dias antes do
nascimento da criança, exceto para os(as) segurados (as) em período de
manutenção da qualidade de segurado para as quais o benefício será devido
a partir do nascimento da criança;
7. Aborto não criminoso
Aborto espontâneo ou previstos em lei (estupro ou risco de vida para a mãe)
- Recebe por 2 semanas
IN 128/22. Art. 358, § 1º. Em caso de aborto não criminoso, comprovado
mediante atestado médico, a segurada terá direito ao salário-maternidade
correspondente a 2 (duas) semanas, a partir da data do aborto.
Portaria 991. Art. 432. A comprovação do aborto será realizada mediante
apresentação de atestado médico com informação de CID específico, não
sendo necessária a avaliação do atestado pela Perícia Médica Federal.
§ 1º. Deverá constar no atestado médico:
I - nome da segurada;
II - indicação em um dos seguintes códigos da Classificação Internacional de
Doenças - CID, O02, O03, O04, O05 e O06, incluindo suas ramificações.
III - data do aborto
8. Idade Mínima
Lei 8.213/91. Art. 11, VII, 2. c) cônjuge ou companheiro, bem como filho
maior de 16 (dezesseis) anos de idade ou a este equiparado, do segurado
de que tratam as alíneas a e b deste inciso, que, comprovadamente,
trabalhem com o grupo familiar respectivo.
Na via administrativa por força de Ação Civil Pública n° nº 5031617-
51.2018.4.04.7100/RS, o INSS é obrigado a aceitar o trabalho obrigatório
de qualquer idade. A ACP foi normatizada através da Portaria Conjunta
INSS/PFE n° 7, de 09 de abril de 2020.
PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-MATERNIDADE. REQUISITOS LEGAIS.
MENOR DE 16 ANOS DE IDADE. CONCESSÃO. 1. Comprovados a
maternidade, a qualidade de segurada e o cumprimento do período de
carência, quando exigível, é devido o benefício de salário-maternidade à
autora. 2. A vedação constitucional ao trabalho do adolescente
(inciso XXXIII, art. 7º, Constituição Federal) é norma protetiva e não
serve para prejudicar o menor que efetivamente trabalhou, retirando-
lhe a proteção de benefícios previdenciários. (TRF-4 - AC:
50110081220204049999 5011008-12.2020.4.04.9999, Relator: MÁRCIO
ANTÔNIO ROCHA, Data de Julgamento: 17/11/2020, TURMA
REGIONAL SUPLEMENTAR DO PR)
9. Carência
IN 128/22. Art. 197. Na análise do direito ao salário-maternidade, deverá
ser observada a categoria do requerente na data do fato gerador,
verificando-se a carência da seguinte forma:
I - 10 (dez) contribuições mensais para os segurados contribuinte
individual, facultativo e especial, assim como para os que estiverem em
período de manutenção da qualidade de segurado decorrente dessas
categorias, observado o disposto no art. 201, no caso do segurado
especial; e
II - isenção de carência para os segurados empregado, empregado
doméstico e trabalhador avulso, assim como para os que estiverem em
prazo de manutenção de qualidade de segurado decorrente dessas
categorias.
Decreto 3.048/99. Art. 97. Parágrafo único. Durante o período de graça
a que se refere o art. 13, a segurada desempregada fará jus ao
recebimento do salário-maternidade, situação em que o benefício será
pago diretamente pela previdência social. (Redação dada pelo Decreto nº
10.410, de 2020)
Portaria 991. Art. 419, § 1º. Se a perda da qualidade de segurado vier a
ocorrer no período de 28 (vinte e oito) dias anteriores ao parto, será devido
o salário-maternidade.
Portaria 991. Art. 428. Observadas as situações e condições previstas
na legislação, o salário-maternidade será devido:
I - independente de carência, ao:
a) empregado, inclusive de Microempreendedor Individual;
b) trabalhador avulso;
c) empregado doméstico; e
d) aos que estiverem em prazo de manutenção de qualidade de segurado
decorrente dessas categorias.
II - quando cumprida carência de 10 (dez) contribuições mensais, ao:
a) contribuinte individual;
b) facultativo;
c) segurado especial; e
d) aos que estiverem em prazo de manutenção de qualidade de segurado
decorrente dessas categorias.
10. Parto Antecipado
Art. 430. Em caso de parto antecipado, o período de carência será
reduzido em número de contribuições equivalentes ao número de meses
em que o parto for antecipado.
§ 1º. Para análise do benefício nas situações descritas no caput não é
necessária avaliação da Perícia Médica Federal.
§ 2º. Para comprovação do parto antecipado, deverá ser apresentado o
atestado médico indicando em quantos meses foi antecipado o parto em
conjunto com a certidão de nascimento ou de óbito, no caso de natimorto.
11. Recolhimento abaixo do mínimo após Reforma da
Previdência
Decreto 3.048/99. Art. 19-E. A partir de 13 de novembro de 2019, para
fins de aquisição e manutenção da qualidade de segurado, de carência,
de tempo de contribuição e de cálculo do salário de benefício exigidos
para o reconhecimento do direito aos benefícios do RGPS e para fins de
contagem recíproca, somente serão consideradas as competências cujo
salário de contribuição seja igual ou superior ao limite mínimo mensal do
salário de contribuição. (Incluído pelo Decreto nº 10.410, de 2020)
12. Recuperação da qualidade de segurado
Lei 8.213/91. Art. 27-A. Na hipótese de perda da qualidade de segurado,
para fins da concessão dos benefícios de auxílio-doença, de aposentadoria
por invalidez, de salário-maternidade e de auxílio-reclusão, o segurado
deverá contar, a partir da data da nova filiação à Previdência Social, com
metade dos períodos previstos nos incisos I, III e IV do caput do art. 25
desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
Exemplos:
MEI ou CI pagou uma contribuição
em dia em 2019, está com 4 meses
grávida, se pagar 5 meses agora vai Não
ter direito ao salário-maternidade?
MEI só abriu a empresa e nunca
contribuiu, descobriu a gravidez
quer pagar os meses em atraso e
mais os atuais, vai ter direito ao Não
salário-maternidade?
MEI ou CI pagou 8 meses em 2018
todas em atraso, descobriu a
gravidez agora, quer pagar os 5 Não
meses para recuperar a carência,
vai ter direito ao salário-
maternidade?
CI pagou 12 meses em 2018, só que
a primeira em dia foi o 10° mês, está Não
com 5 meses de gravidez, se pagar
agora 5 meses vai ter direito ao
salário-maternidade?
MEI ou CI pagou 6 meses em 2019,
a segunda estava em dia e as outras
4 em atraso e agora descobriu a Sim
gravidez, está com 3 meses,
pagando 5 meses vai ter direito ao
salário-maternidade?
MEI ou CI pagou 4 meses em 2018,
a primeira já estava em dia e agora
descobriu a gravidez, está com 3 Não
meses, pagando 5 meses vai ter
direito ao salário-maternidade?
MEI ou CI pagou 5 meses em 2017,
a primeira já estava em dia e agora
está com 7 meses, pagando 5 Não
meses agora vai ter direito ao
salário-maternidade?
Desempregada atualmente
trabalhou na empresa de
02/05/2015 a 04/10/2016, agora
está grávida de 3 meses, pagando 5 Sim
meses como CI ou facultativo vai ter
direito ao salário-maternidade?
Desempregada atualmente
trabalhou de 01/01/2014 a
28/02/2014 em uma empresa, agora Não
que está grávida de 3 meses, se
pagar 5 meses como CI ou
facultativo vai ter direito ao salário-
maternidade?
Desempregada atualmente
trabalhou de 04/04/2012 a
25/02/2013 em uma empresa, agora Não
que está grávida de 7 meses, se
pagar 5 meses como CI ou
facultativo vai ter direito ao salário-
maternidade?
Desempregada trabalhou de
01/01/2021 a 31/01/2021, criança
nasceu em 12/03/2021, faz jus ao Sim (recolhimentos no mínimo)
salário-maternidade?
13. Afastamento da atividade
Decreto 3.048/99. Art. 93-C. A percepção do salário-maternidade, inclusive
nos termos do disposto no art. 93-B, está condicionada ao afastamento do
trabalho ou da atividade desempenhada pelo segurado ou pela segurada,
sob pena de suspensão do benefício. (Incluído pelo Decreto nº 10.410, de
2020)
IN 128/22. Art. 357, § 2º. O recebimento do salário-maternidade está
condicionado ao afastamento das atividades laborais, sob pena de
suspensão de benefício.
PORTARIA Nº 133/DIRBEN/INSS, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2020.
Implementa a transferência sistêmica/automática da contribuição do(a)
segurado(a) contribuinte individual que exerce atividade por conta própria,
Microempreendedor Individual – MEI e facultativo(a) dentro do período de
salário maternidade (B-80)
14. Desempregada demitida sem justa causa
Ação Civil Pública nº 5041315-27.2017.4.04.7000/PR - Memorando-Circular
Conjunto nº 44 /DIRBEN/PFE/INSS Em 30 de novembro de 2017.
“Conceder o benefício de salário-maternidade às gestantes desempregadas
no curso da gravidez, preenchidos os demais requisitos ao benefício,
pagando-os diretamente”, afastando-se o entendimento de que o pagamento
do benefício seria de responsabilidade da empresa nos casos de gestantes
demitidas “sem justa causa”, de que trata o art. 97 do Regulamento da
Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deve abranger
todo território nacional, alcançando todas as Agências da Previdência Social-
APS”.
15. Isenção de carência para auxílio por incapacidade
temporária para gestante de alto risco
Em cumprimento à Ação Civil Pública n° 5051528-83.2017.4.04.7100, o
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) providenciou a adequação do seu
regulamento interno para garantir isenção de carência para concessão de
auxílio-doença às seguradas gestantes cuja gravidez seja comprovada
clinicamente como de alto risco e haja recomendação médica para
afastamento do trabalho por mais de 15 dias consecutivos em razão dessa
condição clínica.
O Ofício-Circular Interinstitucional nº 3/SPMF-
ME/DIRBEN/DIRAT/PFE/INSS tratou da adequação nos sistemas do INSS
para cumprimento da decisão. Considerando que os casos de gestação de
alto risco não estão elencados entre as doenças isentas de carência, os
sistemas do INSS estão preparados para o processamento automático da
isenção de que trata a ACP.
Importante destacar que a decisão judicial não afasta a realização de perícia
médica tendo em vista necessidade de constatação de incapacidade
laborativa por gestação de alto risco por período superior a 15 dias
16. Qualidade de segurado após salário-maternidade
O percepção salário-maternidade é um dos motivos para a manutenção da
qualidade de segurado.
IN 128/2022. Art. 184. Período de manutenção da qualidade de segurado, ou
período de graça, é aquele em que o segurado mantém sua condição,
independentemente de contribuição, correspondendo ao seguinte lapso
temporal:
II - até 12 (doze) meses após a cessação de benefícios por incapacidade,
salário-maternidade ou após a cessação das contribuições, para o
segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela
Previdência Social, observado que o salário-maternidade deve ser
considerado como período de contribuição.
16. Salário-maternidade para sexo masculino
- Em caso de falecimento da mãe
IN 128/22. Art. 360. No caso de falecimento do segurado que fazia jus ao
benefício de salário-maternidade, será devido o pagamento do respectivo
benefício ao cônjuge ou companheiro (a) sobrevivente, desde que possua
qualidade de segurado e carência, na data do fato gerador.
§ 1º. O pagamento ao cônjuge ou companheiro (a) sobrevivente é devido
para fatos geradores a partir de 23 de janeiro de 2014, data do início da
vigência do art. 71-B da Lei nº 8.213, de 1991, e se aplica ao cônjuge ou
companheiro(a) sobrevivente que adotar ou obtiver guarda judicial para fins
de adoção.
§ 4º. O benefício devido no caput será pago pelo tempo restante a que teria
direito o segurado falecido(a), que poderá ser total.
§ 5º. O pagamento do benefício de que trata o caput deverá ser requerido até
o último dia do prazo previsto para o término do salário-maternidade
originário.
OBS. Prazo de 120 dias para requerer.
- Adoção ou guarda judicial para fins de adoção.
IN 128/22. Art. 359. Na hipótese de adoção ou guarda judicial para fins de
adoção, o salário-maternidade é devido ao segurado independentemente de
os pais biológicos terem recebido o mesmo benefício quando do nascimento
da criança.
§ 1º. Quando houver adoção ou guarda judicial para fins de adoção
simultânea de mais de uma criança, é devido um único salário-maternidade,
observado o disposto no art. 241.
§ 2º. Na ocorrência de adoção ou guarda judicial para fins de adoção, o
benefício de salário-maternidade não poderá ser concedido a mais de um
segurado, em decorrência do mesmo processo de adoção ou guarda,
inclusive na hipótese de um dos adotantes ser vinculado a RPPS.
Obs. Se a mãe adotiva não for segurada, mas o pai sim, faz jus ele ao
benefício.
PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-MATERNIDADE.
SEGURADO HOMEM. ADOÇÃO DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE.
PRIMAZIA DO INTERESSE DO MENOR. ISONOMIA ENTRE FILHOS.
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. PROTEÇÃO À FAMÍLIA CENTRADA
NO INTERESSE DOS FILHOS MENORES. REMESSA NECESSÁRIA E
APELAÇÃO DO INSS DESPROVIDAS. 1 - A Constituição reconhece como
direitos sociais, a fim de assegurá-los, inclusive mediante cobertura da
Previdência Social, a proteção à maternidade e à infância (artigos 6º, 7º,
XVIII, e 201, II). No âmbito do Regime Geral da Previdência Social, foi
previsto o benefício de salário-maternidade, a ser concedido de acordo com
os ditames legais, observando-se o princípio tempus regit actum. 2 - Em sua
redação original, a Lei de Benefícios da Previdência Social previu a
possibilidade de concessão do salário-maternidade tão somente às
seguradas empregada, trabalhadora avulsa e empregada doméstica (artigo
71). Com a vigência, em 28.03.1994, da Lei n.º 8.861/94, a segurada especial
passou a constar do rol das beneficiárias do salário-maternidade, sendo-lhe
devido o benefício no valor de um salário mínimo (artigo 39, parágrafo único,
da LBPS). Em 29.11.1999, com a vigência da Lei n.º 9.876/99, todas as
seguradas do RGPS, independente de sua classificação, passaram a ter
direito ao benefício. A partir de 16.04.2002, com a vigência da Lei n.º
10.421/02, que incluiu o artigo 71-A na Lei n.º 8.213/91, o benefício também
passou a ser devido no caso de adoção ou obtenção de guarda judicial para
fins de adoção de criança. Com a vigência da Lei n.º 12.873/13, em
25.10.2013, também se garantiu direito ao salário-maternidade ao segurado,
e não apenas à segurada, que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de
adoção de criança. 3 - Discute-se, no caso concreto, a possibilidade de
concessão do benefício ao segurado homem, que adotou ou obteve guarda
judicial para fins de adoção de criança no período anterior à vigência da Lei
n.º 12.873/13. 4 - A questão é de alta relevância, eis que demanda do
julgador, na solução do conflito - que revela algo muito além de embate de
um determinado indivíduo, mas, sim, social -, uma efetiva compreensão do
arcabouço constitucional de proteção à infância e à família, assim como da
finalidade dos institutos da adoção, das licenças maternidade e paternidade
e do benefício previdenciária denominado salário-maternidade. 5 - Não resta
dúvida que a sociedade brasileira passou por profundas transformações na
dinâmica familiar, em um espaço de tempo extremamente curto. Em menos
de meio século passamos de uma noção de família hierarquizada, centrada
em torno do casamento entre um homem e uma mulher, na qual cumpria
àquele o pátrio poder, para um conceito extremamente plural de família, com
observância prioritária do interesse dos filhos menores. Homens e mulheres
passaram a ter o mesmo papel na hierarquia familiar e os filhos a gozar dos
mesmos direitos, independentemente de serem havidos ou não da relação
do casamento, ou por adoção; há pais ou mães solteiros; temos os
relacionamentos homoafetivos etc. 6 - O direito não é estático, nem absoluto,
e, tal como a sociedade, também deve evoluir no tempo. O mundo se
encontra em constante mudança e o processo civilizatório não pode ser
ignorado pelo Judiciário apenas porque os textos legais não acompanham a
velocidade da dinâmica social. A própria forma como percebemos a
magnitude dos direitos garantidos por nossa Constituição evolui com o
passar do tempo, reflexo de nosso próprio crescimento como civilização.
Nesse contexto, os princípios constitucionais tem particular relevância a fim
de nortear a aplicação do direito aos fatos concretos. 7 - A Constituição da
República promulgada em 1988, que representou um marco jurídico
significativo da transformação da sociedade brasileira, é voltada à garantia
dos direitos do homem. Além de assentar o respeito à dignidade humana e à
igualdade, garantiu a especial proteção do Estado a diversos direitos sociais,
dentre o quais merecem destaque a infância e a família. Tida como base da
sociedade (artigo 226, caput, da CF), a família foi conceituada como uma
comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (§ 4º),
relembrando que homens e/ou mulheres são iguais entre si na entidade
familiar (§ 5º), bem como que não há distinção entre os filhos (artigo 227, §
6º). Atribuiu-se (artigo 227 da CF) como dever da família, da sociedade e do
Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
8 - É justamente no âmbito desses direitos que se tem o instituto da adoção,
haja vista que, independentemente das situações que as colocaram sob
adoção, todas essas crianças e adolescentes têm o direito de serem criados
e educados no seio de uma família. É precisamente esse direito da criança
ou adolescente à convivência familiar que, estruturalmente, justifica as
licenças gestante e paternidade e o benefício previdenciário de salário
maternidade. Não é o interesse dos pais que se tem em mente, mas, sim,
prioritariamente, o da criança ou adolescente. Não há dúvida que mães e/ou
pais querem estar em período integral com seus filhos, recém-nascidos ou
adotados, a fim de lhes propiciar o necessário acolhimento no seio familiar.
Porém, o que se deve manter em foco é que a proteção especial do Estado
se dá em favor das crianças ou adolescentes que adentram a entidade
familiar, a fim de que, ao permitir estabilidade de emprego com respectiva
remuneração aos pais e/ou mães, estes possam propiciar aquele
imprescindível acolhimento na família. 9 - Os direitos à família, à infância,
assim como à previdência social, são direitos sociais, que, como os demais
direitos humanos de segunda geração, caracterizam-se pelo status positivus
socialis, ao exigir a ação direta do Estado para sua proteção. Não se tratam
mais dos clássicos direitos de liberdade (da primeira geração dos direitos do
homem) que impõem um status negativus ao Estado, protegendo-os ao não
constrangê-los, mas de imperativo social para efetiva fruição de seus direitos.
Dessa sorte, não há como garantir os direitos prioritariamente defendidos na
Carta Magna mediante a concessão de estabilidade de emprego (licença-
gestante de cento e vinte dias) com sua respectiva remuneração (salário-
maternidade) apenas à mulher que dá à luz um recém-nascido, tais direitos
devem, por força da isonomia entre os filhos, da dignidade da pessoa humana
e da primazia do interesse do menor, ser estendidos a todo adotante, homem
ou mulher, seja o adotado criança ou adolescente. 10 - Traz-se à baila as
brilhantes ponderações do i. ministro Roberto Barroso, representativas da
mutação da interpretação constitucional sobre o tema ocorrida no âmbito do
próprio Supremo Tribunal Federal, em voto condutor proferido no julgamento
pelo Plenário de nossa Suprema Corte, em 10.03.2016, do Recurso
Extraordinário autuado sob n.º 778.889/PE, com repercussão geral, em que
se fixou tese no sentido de que os prazos da licença adotante não podem ser
inferiores aos prazos da licença gestante, o mesmo valendo para as
respectivas prorrogações, bem como que, em relação à licença adotante, não
é possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada.
Embora não se tivesse tratado naquele leading case da possibilidade de
concessão de salário-maternidade ao homem adotante, as razões do que ali
se decidiu se aplicam com a mesma autoridade hermenêutica ao caso ora
sub judice. Aliás, diga-se de passagem que a questão do homem adotante
não passou despercebida dos Ministros do e. STF, sendo inclusive objeto de
menção nos debates orais. 11 - Não há que se falar em ausência de fonte
prévia de custeio, haja vista que, independentemente da nomenclatura do
benefício e conforme supra exposado, o salário-maternidade não visa dar
cobertura previdenciária à maternidade em si considerada, isto é, não é
devido à mulher que dá á luz um recém-nascido, mas sim, visa garantir ao
filho (a) um tempo mínimo de convivência familiar plena assim que inserido
no seio da família, mediante a preservação, nesse período, da remuneração
percebida por seu pai ou mãe, que terá de se afastar de suas atividades
laborativas. 12 - Com todas essas considerações, entende-se devido o
salário-maternidade, pelo período de 120 (cento e vinte) dias, ao
segurado homem que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de
adoção de criança ou adolescente. 13 - No caso concreto, o impetrante
comprovou sua qualidade de segurado e a obtenção de guarda de
criança para fins de adoção, fazendo jus à percepção do salário
maternidade 14 - Remessa necessária e apelação não providas. (TRF-3 -
ApCiv: 00073460420134036183 SP, Relator: DESEMBARGADOR
FEDERAL CARLOS DELGADO, Data de Julgamento: 23/09/2019, SÉTIMA
TURMA, Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:03/10/2019)
17. Mais de um salário-maternidade
IN 128/22. Art. 361. No caso de vínculos concomitantes ou de atividade
simultânea, o segurado fará jus ao salário-maternidade relativo a cada
emprego ou atividade, não sendo considerado para este fim os vínculos ou
atividades em prazo de manutenção da qualidade de segurado decorrente de
uma das atividades.
18. Prorrogação do salário-maternidade
IN 128/2022. Art. 358, § 2º. Na hipótese de parto, o benefício poderá, em
casos excepcionais, ter suas datas de início e fim estendidas em até 2 (duas)
semanas, mediante atestado médico específico submetido à avaliação
médico-pericial.
§ 3º. Para os segurados em período de graça, a prorrogação tratada no § 2º
caberá apenas para repouso posterior ao fim do benefício.
REFERENDO DE MEDIDA CAUTELAR. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. ADI. IMPUGNAÇÃO DE COMPLEXO
NORMATIVO QUE INCLUI ATO ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO.
FUNGIBILIDADE. ADPF. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE
PRECEITO FUNDAMENTAL. REQUISITOS PRESENTES.
CONHECIMENTO. PROBABILIDADE DO DIREITO. PROTEÇÃO
DEFICIENTE. OMISSÃO PARCIAL. MÃES E BEBÊS QUE NECESSITAM
DE INTERNAÇÃO PROLONGADA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO
PERÍODO DE LICENÇA-MATERNIDADE E DE PAGAMENTO DE
SALÁRIO-MATERNIDADE NO PERÍODO DE 120 DIAS POSTERIOR À
ALTA. PROTEÇÃO À MATERNIDADE E À INFÂNCIA COMO DIREITOS
SOCIAIS FUNDAMENTAIS. ABSOLUTA PRIORIDADE DOS DIREITOS
DAS CRIANÇAS. DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR. MARCO LEGAL
DA PRIMEIRA INFÂNCIA. ALTA HOSPITALAR QUE INAUGURA O
PERÍODO PROTETIVO. 1. Preliminarmente, assento, pela fungibilidade, o
conhecimento da presente ação direta de inconstitucionalidade como
arguição de descumprimento de preceito fundamental, uma vez que
impugnado complexo normativo que inclui ato anterior à Constituição e
presentes os requisitos para a sua propositura. 2. Margem de normatividade
a ser conformada pelo julgador dentro dos limites constitucionais que ganha
relevância no tocante à efetivação dos direitos sociais, que exigem, para a
concretização da igualdade, uma prestação positiva do Estado, material e
normativa. Possibilidade de conformação diante da proteção deficiente.
Precedente RE 778889, Relator (a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
Pleno, julgado em 10/03/2016. 3. O reconhecimento da qualidade de preceito
fundamental derivada dos dispositivos constitucionais que estabelecem a
proteção à maternidade e à infância como direitos sociais fundamentais (art.
6º) e a absoluta prioridade dos direitos da crianças, sobressaindo, no caso, o
direito à vida e à convivência familiar (art. 227), qualifica o regime de proteção
desses direitos. 4. Além disso, o bloco de constitucionalidade amplia o
sistema de proteção desses direitos: artigo 24 da Convenção sobre os
Direitos da Criança (Decreto n.º 99.710/1990), Objetivos 3.1 e 3.2 da Agenda
ODS 2030 e Estatuto da Primeira Infância (Lei n.º 13.257/2016), que alterou
a redação do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/1990), a
fim de incluir no artigo 8º, que assegurava o atendimento pré e perinatal,
também o atendimento pós-natal. Marco legal que minudencia as
preocupações concernentes à alta hospitalar responsável, ao estado
puerperal, à amamentação, ao desenvolvimento infantil, à criação de vínculos
afetivos, evidenciando a proteção qualificada da primeira infância e, em
especial, do período gestacional e pós-natal, reconhecida por esta Suprema
Corte no julgamento do HC coletivo das mães e gestantes presas (HC
143641, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma,
julgado em 20/02/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-215 DIVULG 08-10-
2018 PUBLIC 09-10-2018). 5. É indisputável que essa importância seja ainda
maior em relação a bebês que, após um período de internação, obtêm alta,
algumas vezes contando com já alguns meses de vida, mas nem sempre
sequer com o peso de um bebê recém-nascido a termo, demandando
cuidados especiais em relação a sua imunidade e desenvolvimento. A alta é,
então, o momento aguardado e celebrado e é esta data, afinal, que inaugura
o período abrangido pela proteção constitucional à maternidade, à infância e
à convivência familiar. 6. Omissão inconstitucional relativa nos dispositivos
impugnados, uma vez que as crianças ou suas mães que são internadas
após o parto são desigualmente privadas do período destinado à sua
convivência inicial. 7. Premissas que devem orientar a interpretação do
art. 7º, XVIII, da Constituição, que prevê o direito dos trabalhadores à
licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração
de cento e vinte dias. Logo, os cento e vinte dias devem ser
considerados com vistas a efetivar a convivência familiar, fundada
especialmente na unidade do binômio materno-infantil. 8. O perigo de dano
irreparável reside na inexorabilidade e urgência da vida. A cada dia, findam-
se licenças-maternidade que deveriam ser estendidas se contadas a partir da
alta, com o respectivo pagamento previdenciário do salário-maternidade, de
modo a permitir que a licença à gestante tenha, de fato, o período de duração
de 120 dias previsto no art. 7º, XVIII, da Constituição. 9. Presentes o fumus
boni iuris e o periculum in mora, defiro a liminar, a fim de conferir interpretação
conforme à Constituição ao artigo 392, § 1º, da CLT, assim como ao artigo
71 da Lei n.º 8.213/91 e, por arrastamento, ao artigo 93 do seu Regulamento
(Decreto n.º 3.048/99), e assim assentar (com fundamento no bloco
constitucional e convencional de normas protetivas constante das razões
sistemáticas antes explicitadas) a necessidade de prorrogar o benefício, bem
como considerar como termo inicial da licença-maternidade e do respectivo
salário-maternidade a alta hospitalar do recém-nascido e/ou de sua mãe, o
que ocorrer por último, quando o período de internação exceder as duas
semanas previstas no art. 392, § 2º, da CLT, e no art. 93, § 3º, do Decreto n.º
3.048/99. (STF - MC-Ref ADI: 6327 DF - DISTRITO FEDERAL 0087691-
65.2020.1.00.0000, Relator: Min. EDSON FACHIN, Data de Julgamento:
03/04/2020, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-154 19-06-2020)
19. Salário-maternidade de 6 meses.
- Servidores Públicos
- Empresas privadas que aderiram ao programa “Empresa Cidadã”, (Lei
11.770/2008).
- Lei 13.985/2020 - Crianças com Microcefalia (doenças transmitidas pelo
Aedes Aegypti)
Art. 5º. No caso de mães de crianças nascidas até 31 de dezembro de 2019
acometidas por sequelas neurológicas decorrentes da Síndrome Congênita
do Zika Vírus, será observado o seguinte:
II - o salário-maternidade de que trata o art. 71 da Lei nº 8.213, de 24 de julho
de 1991, será devido por 180 (cento e oitenta) dias.
20. Acumulação de salário-maternidade com auxílio por
incapacidade temporária
Portaria 991/22. Art. 396. O segurado ou a segurada em gozo de auxílio por
incapacidade temporária, inclusive decorrente de acidente do trabalho, terá
o benefício suspenso administrativamente no dia anterior ao da DIB do
salário-maternidade.
21. Salário-maternidade com aposentadoria
Decreto 3.048/99. Art. 103. A segurada aposentada que retornar à atividade
fará jus ao pagamento do salário-maternidade, de acordo com o disposto no
art. 93.
Art. 173. O segurado em gozo de aposentadoria que voltar a exercer
atividade abrangida pelo RGPS, observados o disposto no art. 168 e, nos
casos de aposentadoria especial, o disposto no parágrafo único do art. 69,
fará jus: (Redação dada pelo Decreto nº 10.491, de 2020)
I - ao salário-família e à reabilitação profissional, quando empregado,
inclusive o doméstico, ou trabalhador avulso; e (Incluído pelo Decreto nº
10.491, de 2020)
II - ao salário-maternidade. (Incluído pelo Decreto nº 10.491, de 2020)
IN 128/22. Art. 357. § 8º. Será devido pagamento do salário-maternidade ao
aposentado que permanecer ou retornar à atividade e que esteja filiado como
segurado obrigatório.
22. Prazo para requerimento
IN 128/2022. Art. 357. § 5º. O salário-maternidade poderá ser requerido no
prazo de 5 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador, exceto na situação
prevista no § 5º do art. 360, que trata do cônjuge ou companheiro (a)
sobrevivente.
Portaria 991. Art. 429. O salário-maternidade poderá ser requerido no prazo
de 5 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador.
Parágrafo único. A Medida Provisória nº 871, de 2019, criou prazo de 180
(cento e oitenta) dias para requerer o benefício de salário-maternidade e
obter direito ao recebimento dos valores, sob pena de decair este direito após
decorrido este período. No entanto, em razão da não conversão em lei, a
Medida Provisória nº 871, de 2019, não gerou quaisquer efeitos, aplicando-
se o prazo do caput a todos os requerimentos, inclusive com fato gerador
durante o período de sua vigência.
MP 871. Lei 8213/91. Art. 71-D. O direito ao salário-maternidade decairá se
não for requerido em até cento e oitenta dias da ocorrência do parto ou da
adoção, exceto na ocorrência de motivo de força maior e ou caso fortuito,
conforme disposto no Regulamento.
Obs. Para nascidos entre 18/01/2019 a 17/06/2019.
PREVIDENCIÁRIO. PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO.
SUSPENSÃO PRAZO PRESCRIÇÃO. SALÁRIO-MATERNIDADE.
TRABALHADORA RURAL. ATIVIDADE RURAL. 1. No caso Concreto:
Certidão de nascimento da criança: 04/02/2003. Ajuizamento da ação:
29/10/2008. Requerimento administrativo: 17/02/2004. Comunicação
indeferimento: 04/04/2004. 2. A prescrição do direito ao salário-
maternidade é de 5 (cinco) anos e deve ser contada do vencimento de
cada parcela mensal, tendo seu curso suspenso quando pendente
análise de requerimento administrativo, nos termos do parágrafo único do
artigo 4º do Decreto nº. 20.910/32. 3. Nascida a criança em 04/02/2003 (fl.
11) e considerando que o ajuizamento da ação se deu em data de
29/10/2008, tem-se por materializada a prescrição de todas as parcelas
pedidas pela autora. Isso já considerado o período de suspensão do prazo
prescricional operado no curso da análise do requerimento administrativo
(17/02/2004-04/04/2004). 4. Apelação prejudicada. Prescrição reconhecida
de ofício. (TRF-1 - AC: 680740920114019199, Relator: DESEMBARGADOR
FEDERAL CANDIDO MORAES, Data de Julgamento: 02/07/2014,
SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: 18/08/2014)
INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO INTERPOSTO PELA PARTE
[Link]Á[Link] ADMINISTRATIVO.
SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO
DESPROVIDO. 1. Pedido de concessão de salário maternidade para rurícola.
2. Sentença de procedência. Aplicação do princípio promisero. Entendimento
de que apesar de não existir documentos contemporâneos aptos a
comprovar a carência os depoimentos da parte autora e das testemunhas
foram claros para a comprovação da atividade agrícola e, de acordo com a
inspeção judicial, a parte autora possui aparência de agricultora. 3. Reforma
da sentença pela Turma Recursal do Rio Grande do Norte. Entendimento de
que no caso presente, a criança nasceu em 06/05/2003 e a ação foi proposta
em 12/12/2009, depois de decorridos mais de seis anos do nascimento do
rebento, de modo que todas as parcelas supostamente devidas foram
atingidas pela prescrição, ainda que se considere o período de suspensão
entre o requerimento administrativo (07/05/2007) e a ciência do requerente
da negativa do benefício (27/07/2007). 4. Incidente de uniformização de
jurisprudência, interposto pela parte autora, com fundamento no art. 14, da
Lei nº 10.259/2.001.5. Indicação, pela parte recorrente, do seguinte
precedente: PEDILEF n.º2006.70.95.006794-9.6. Alegação de que a autora
anexou diversos documentos servíveis como início de prova material que, em
seu conjunto, comprovam o exercício da atividade rural em regime de
economia familiar, gerando direito ao benefício requerido. Sustenta a
interrupção do prazo prescricional quinquenal a partir do requerimento
administrativo, que ocorreu em 07.05.2007.7. Admissibilidade do incidente
pela Tuma Recursal do Rio Grande do Norte.8. Distribuição do incidente.9.
Incidência do art. 4º, parágrafo único do decreto n.º 20.910/32, in verbis: Não
corria prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no
pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou
funcionários encarregados de estudar e apurá-la. Parágrafo único. A
suspensão da prescrição, neste caso, verificar-se-á pela entrada do
requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das
repartições públicas, com designação do dia, mês e ano.” .10. Observa-se
que se trata de hipótese de suspensão da prescrição e não interrupção.11.
Cito importante precedente deste Colegiado: PEDILEF n.º 0502234-
79.2008.4.05.8102, Rel. Juiz Federal Adel Américo Dias de Oliveira,
requerimento administrativo de benefício previdenciário suspende o prazo
prescricional, e não o interrompe como pretende a parte autora” 12. Ainda
que se considere suspenso ou interrompido o prazo prescricional, decorreu
tempo hábil para requerer o salário-maternidade.13. Incidente improvido.
(TNU - PEDILEF: 5099223720094058400 RN, Relator: JUÍZA FEDERAL
VANESSA VIEIRA DE MELLO, Data de Julgamento: 17/04/2013, Data de
Publicação: DOJ 23/04/2013)
23. Desconto no Salário-Maternidade
Portaria 991. Art. 454. Durante o período de recebimento de salário-
maternidade, será devida a contribuição previdenciária na forma estabelecida
nos arts. 198 e 199 do RPS.
Art. 455. A contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade será
descontada:
I - pela empresa, nos casos de empregado, sobre a remuneração relativa aos
dias trabalhados, aplicando-se a alíquota correspondente à remuneração
mensal integral, respeitado o limite máximo do Salário de Contribuição;
II - pelo INSS quando do pagamento do benefício.
Art. 456. O valor da contribuição previdenciária observará a categoria do
segurado:
I - empregado: desconto pelo empregador, referente à parcela da
contribuição a seu cargo, e referente à parcela devida pelo segurado,
observadas as alíquotas previstas no art. 198 do RPS;
II - empregado doméstico: desconto pelo empregador referente a parcela da
contribuição a seu cargo, sendo que a parcela devida pela empregada
doméstica será descontada pelo INSS no benefício, observadas as alíquotas
previstas no art. 198 do RPS;
III - contribuinte individual e facultativo: o desconto da contribuição
previdenciária será realizado no benefício, no valor de 20%, 11% ou 5%,
conforme a última contribuição;
IV - para a segurada em prazo de manutenção da qualidade de segurado, a
contribuição devida será aquela correspondente à sua última categoria.
24. Renda Mensal do benefício
Empregada - renda mensal igual à sua remuneração no mês do seu
afastamento
Trabalhadora Avulsa - última remuneração integral equivalente a um mês
de trabalho
Empregada doméstica - corresponde ao valor do seu último salário de
contribuição
Contribuinte individual, facultativa, qualidade de segurado - corresponde
a 1/12 (um doze avos) da soma dos doze últimos salários de contribuição,
apurados em período não superior a quinze meses.
Segurada Especial – salário mínimo
Obs. Intermitente – média aritmética simples dos últimos 12 meses anteriores
ao parto.
Decreto 3.048/99. Art. 100-B. O salário-maternidade devido à empregada
intermitente será pago diretamente pela previdência social, observado o
disposto no art. 19-E, e o valor da contribuição previdenciária será deduzido
da renda mensal do benefício, nos termos do disposto no art. 198, e não será
aplicado o disposto no art. 94. (Incluído pelo Decreto nº 10.410, de 2020)
§ 1º. O salário-maternidade de que trata este artigo consiste na média
aritmética simples das remunerações apuradas no período referente aos
doze meses que antecederem o parto, a adoção ou a obtenção da guarda
para fins de adoção. (Incluído pelo Decreto nº 10.410, de 2020)
IN 128/22. Art. 240. A renda mensal do salário-maternidade será calculada,
observado o disposto no art. 19-E do RPS, da seguinte forma:
I - para a segurada empregada, consiste numa renda mensal igual à sua
remuneração integral, ou em caso de salário total ou parcialmente variável,
na média aritmética simples dos seus 6 (seis) últimos salários;
II - para a segurada trabalhadora avulsa, corresponde ao valor de sua última
remuneração integral equivalente a um mês de trabalho, observado o
disposto no inciso I em caso de salário variável;
III - para a segurada doméstica, corresponde ao valor do seu último salário
de contribuição, ou em caso de salário total ou parcialmente variável, na
média aritmética simples dos seus 6 (seis) últimos salários de contribuição;
IV - para as seguradas contribuinte individual, facultativo, para a segurada
especial que esteja contribuindo facultativamente e para os que mantenham
qualidade de segurado corresponde a 1/12 (um doze avos) da soma dos doze
últimos salários de contribuição, apurados em período não superior a quinze
meses anteriores ao fato gerador;
V - para a segurada especial que não esteja contribuindo facultativamente,
corresponde ao valor de um salário mínimo.