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Crime1:
Derivado do Latim crimen (acusação, queixa, agravo, injúria), em acepção
vulgar, significa toda ação cometida com dolo, ou infração contrária aos costumes, à
moral e à lei, que é igualmente punida, ou que é reprovada, pela consciência.
Ato ou ação, que não se mostra abstração jurídica, mas ação ou omissão pessoal
tecnicamente, diz-se o fato proibido por lei sob ameaça de uma pena, instituída em
benefício da coletividade e segurança social do Estado.
Distingue-se da contravenção, indicando-se esta a violação da lei ou falta de
observância de seus dispositivos, que se pune como meio de defesa das instituições
mantidas.
O crime se estrutura por seus elementos material (objetivo) e moral (subjetivo).
O elemento material evidencia-se na ação ou omissão; o elemento moral da
imputabilidade de que resulta a responsabilidade criminal, fundada na culpa ou no
dolo do ato, praticado, com o qual se viola a lei penal.
Nesta razão, assente se está que o crime deve resultar de ação ou omissão,
voluntária ou intencional, contra a lei penal, a qual constitui sua causa, sem o qual o
resultado não teria ocorrido.
O resultado da ação ou omissão é que pressupõe a existência do crime; a quem
lhe deu causa é que se imputa a ação ou omissão criminosa.
Na relação de casualidade, está a imputabilidade criminal, seja voluntária
(dolosa) ou intencional (culposa).
O crime diz-se consumado ou tentado.
Tentado, quando iniciada a execução, não se consuma por circunstância alheia
à vontade do agente.
Consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.
Crime Complexo: segundo o próprio significado do adjetivo complexo
(evidência de elementos vários), que determina crime complexo é que se constitui ou se
integra pela prática da ação ou omissão de vários fatos ou pela execução de vários
atos, de natureza diferente, isto é, que possam ser encaradas de per si, mas que se
constituíram em violação de vários direitos, baseados numa só intenção.
Desse modo, apesar do complexo de violações singulares, em face da relação
de causalidade entre as mesmas violações e o crime, todas se combinam para a
configuração delituosa, pois que todas as violações anotadas, mesmo que se separem
por intervalo de tempo ou de lugar, entendem-se como elementos constitutivos do
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Fonte: De Plácido e Silva, «Vocabulário Jurídico». 15ª ed. Atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Geraldo
Magela Alves. Rio de Janeiro – RJ. Editora Forense.
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crime composto (complexo), ou como circunstâncias agravantes. Exemplos:
Latrocínio (roubo + homicídio), extorsão mediante sequestro (extorsão + sequestro),
extorsão mediante sequestro qualificado pelo resultado morte (extorsão + sequestro +
homicídio) são exemplos notórios de crimes complexos.
No outro sentido, pode ser compreendido o crime complexo aquele que conduz
em si uma outra figura delituosa, que poderia ser considerada separadamente.
Crime conexo: Assim se diz o crime que, por um laço material ou moral, se liga
a outro crime. E, entre eles, se formam tão estreitas dependências, que se torna
necessário examiná-los em conjunto, em consequência do que devem ser processados
e julgados no mesmo tempo. Delito relacionado a outro porque praticado para a
realização ou ocultação do segundo, porque estão em relação de causa e efeito, ou
porque um é cometido durante a execução do outro. Modalidade unida a outra por um
ponto comum. Assim, o crime de homicídio, executado para eliminar a testemunha de
um roubo.
Crime Continuado: Assim se diz do crime que, embora consistente em mais de
uma ação ou omissão, se mostra resultante de uma só intenção, e tendente à violação
de um mesmo direito.
Mas, para que se diga continuado, faz-se mister que a outra ação ou omissão,
pelas condições de tempo, lugar e maneira de execução, impliquem na prática de mais
de um crime de mesma espécie. Assim, crimes espaçados, contra pessoas diferentes, ou
causados por fatos diferentes e com resultados outros, não se aglutinam para a formação
do crime continuado.
Embora formado por uma série de fatos, que possam ser tomados isoladamente,
aparentemente, assim distintos entre si, encaminhados todos para execução de um
propósito criminoso, o crime continuado, é, precipuamente caracterizado pela unidade
de resolução e pela unidade do direito violado.
São, por seus elementos, além da unidade do direito violado, e unidade de
intensão criminosa, a pluralidade de atos e a evidência deles para integração de um
crime configurado pela lei penal. A evidência do crime continuado impõe ao criminoso
a imputabilidade de uma só pena, relativa a um dos crimes se idêntica, ou a mais grave,
se diversas as penas; mas, em qualquer dos casos, sempre aumentada em um sexto a
dois terços penalidade imposta e aplicável (Código Penal, art. 71). Prevê o artigo 71 do
Código Penal: "Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois
ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições do tempo, lugar, maneira de
execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação
do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticos, ou a mais grave, se
diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços". In casu, os
requisitos são: (a) mais de um crime da mesma espécie; (b) mais de uma ação; e (c)
necessidade de que os crimes posteriores, levando-se em consideração as condições
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de tempo, lugar, maneira de execução, dentre outros, sejam considerados como uma
continuação do primeiro crime.
Crime Contínuo: assim se diz o crime que não se realiza instantaneamente,
anotando-se de execução prolongada, sem qualquer interrupção. Não se confunde com o
crime continuado, pois que neste há a pluralidade de ações, enquanto no crime contínuo
o fato criminoso ou ilícito é um só. Sua execução é que se dilata ou se prolonga,
persistindo, assim, o agente em estado de delinquência ou em prolongada e sucessiva
violação à lei penal. É o caso do sequestro.
Crime Culposo: É o crime que teve como causa a imprudência, negligência
ou imperícia do agente, se prevista e punida pela lei penal. Negligência: É falta de
atenção , relaxamento, ausência de precaução, descuido. É sempre uma omissão
(conduta negativa). Exemplo: pai que deixa a arma carregada em local acessível a
criança ou adolescente. Imprudência: criação desnecessária de perigo. É pratica de
fato perigoso. É sempre realização de movimento de corpo (é positiva). Exemplo:
dirigir em alta velocidade (incompatível com o local). Imperícia: É falta de habilidade
técnica. É a falta de destreza, aptidão para o exercício de determinada arte ou profissão.
Exemplo: médico que não realiza procedimento cirúrgico correto e causa dano a
paciente. Não domina a prática cirúrgica.
Crime de Responsabilidade: Regula o crime de responsabilidade do Presidente
da República, dos ministros de Estado e do STF, dos governadores e secretários de
estado a Lei nº 1.079, de 10 – 04 - 50.
O crime de Responsabilidade dos prefeitos e vereadores tem sua base legal no
DL nº 201, de 27 – 02 – 67.
Segundo a constituição Federal de 1988, art. 85, são crimes de responsabilidade
os atos do Presidente da República que atentam contra a Constituição e especialmente
contra: a) a existência da União; b) o livre exercício dos poderes Legislativo e
Judiciário, do MP e dos poderes constitucionais das unidades da Federação; c) o
exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; d) a segurança interna do país; e)
a probidade na administração; f) a lei orçamentária; g) o cumprimento da lei e das
decisões judiciais.
Admitida a acusação contra o Presidente da República, pelo voto de 2/3 da
Câmara dos Deputados, será ele julgado pelo crime de responsabilidade pelo Senado
Federal, e em uma vez instaurado o processo, o Presidente ficará suspenso de suas
funções por 180 dias.
Se o julgamento não se concluir, decorrido o prazo da suspensão, cessará o
afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.
Crime Doloso: É o crime voluntário, isto é, aquele em que o agente teve a
intenção maldosa de produzir o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo.
Crime formal: Em oposição ao crime material, o crime formal é o que se
considera constituído sem que se levem em consideração os resultados pretendidos
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pelo agente, mas simplesmente pela intenção, em virtude do próprio ato material ou
do meio em que a lei incrimina. Tal seja a falsificação de moedas.
Crime Funcional: Assim se diz de toda infração praticada por uma pessoa,
quando investida em certa função, da qual se prevalece para praticar o ato ilícito que
venha a infringir a lei penal.
Os crimes funcionais tomam, propriamente, várias denominações: prevaricação,
suborno, peculato, concussão, abuso de autoridade. Crime funcional, pois, é a
designação genérica. Prevaricação: crime cometido por funcionário público quando,
indevidamente, este retarda ou deixa de praticar ato de ofício, ou pratica-o contra
disposição legal expressa, visando satisfazer interesse pessoal. Suborno: é um ato ilícito
que consiste na ação de induzir alguém a praticar determinado ato em troca de dinheiro,
bens materiais ou outros benefícios particulares. Peculato: crime que consiste na
subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público ou de coisa móvel
apreciável, para proveito próprio ou alheio, por funcionário público que os administra
ou guarda; abuso de confiança pública. Concussão: é o ato de exigir para si ou para
outrem, dinheiro ou vantagem em razão da função, direta ou indiretamente, ainda que
fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Abuso de
Autoridade: um abuso consiste no uso excessivo, injusto, inadequado ou impróprio de
algo ou de alguém. A autoridade, por sua vez, é o poder, a potestade e a faculdade de
quem governa ou que exerce o comando.
Posto isto, pode-se dizer que o abuso de autoridade tem lugar quando um
superior ou dirigente se excede no exercício das suas funções perante um subordinado
ou dependente.
Crime impossível: É aquele que, por ineficácia absoluta dos meios ou por
absoluta impropriedade com o objeto, não podia ser consumado. Os exemplos clássicos
para ilustrar tal norma consistem nas hipóteses de tentar matar alguém com uma arma
de brinquedo (absoluta ineficácia do meio) e consumir substância de efeito abortivo
para estimular aborto sem estar grávida (absoluta impropriedade do objeto)
(ESTEFAM, 2015, p. 263).
Crime Instantâneo: Ao contrário do contínuo, que também se diz permanente,
o crime instantâneo é o que se pratica em um só instante, ou seja, aquele cuja duração
entre o início e a consumação do fato delituoso, não entra em conta de uma apreciação
pela presteza com que se registra, ao contrário do contínuo ou permanente, em que o
agente se mantém, por largo espaço, em permanente ou contínuo estado de
criminalidade ou delinquência.
Crime Material: Ao contrário do formal, o crime material aquele que somente
se diz consumado com o resultado pretendido pelo agente, não se admitindo nele a
presunção de intenção sem a evidência do dano material, punido pela lei penal.
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Na efetividade do dano, está, pois, o caráter do crime material, pois que nele
está o resultado pretendido sem o qual o crime não se diz perfeito ou consumado.
O crime material só se consuma com a produção do resultado naturalístico,
como a morte no homicídio.
Crime Militar: Num sentido genérico, diz-se crime militar todo o delito ou
infração prevista e punida pela lei penal militar.
E, dentro desta compreensão, os crimes militares dizem-se própria ou
propriamente militares. São propriamente militares ou essencialmente militares aqueles
que supõem, ao mesmo tempo, a qualidade de militar do ato e o caráter militar do
agente. Dizem-se ainda puramente militares ou meramente militares.
Constituem-se, pois, delitos que se mostram declarados nas leis militares e são
praticados por pessoas alistadas nas fileiras das três armas.
E, como crimes impropriamente militares ou acidentalmente militares, aqueles
que, sendo por sua natureza ou intrinsicamente comuns, se tornam militares, já pelo
caráter militar do agente, já pela natureza militar do local, já pela anormalidade da
época ou tempo em que se praticam ou os que objetivamente militares sejam
cometidos por pessoas não-militares (paisanos).
Crime Preterintencional: É a designação que se dá ao crime que resultou da ação
criminosa do agente, mas que ultrapassou os objetivos visados por ele. É o resultado
não desejado pelo agente, ou que excedeu a sua intenção criminosa. O crime
preterdoloso é uma espécie de crime agravado pelo resultado, no qual o agente pratica
uma conduta anterior dolosa, e desta decorre um resultado posterior culposo. Há dolo
no fato antecedente e culpa no consequente. [1]
Exemplo: Lesão Corporal seguida de morte (art. 129, § 3º, CP). Explicando:
um sujeito pretendia praticar um roubo, porém, por erro ao manusear a arma, acaba
atirando e matando a vítima. Nesse caso o agente agiu com a intenção de roubar
(conduta dolosa) e por imprudência acaba matando a vítima (conduta culposa),
respondendo ele por ambos, desde que caracterize-se pelos menos a culpa no resultado.
Porém o latrocínio, que é o roubo seguido de morte, ou seja, o indivíduo mata
para concretizar seu roubo, não é um crime preterdoloso, pois o delinquente tinha a
intenção, dolo, no roubo e no homicídio.
Crime Qualificado: Assim se diz da configuração delituosa ou criminal, que se
encontra inscrita ou apontada na lei penal, com a sanção a que está sujeita.
Por essa razão, firma-se o princípio de que: «“Não há crime sem lei anterior que o
defina. Não há pena sem prévia cominação legal”» (Código Penal, art. 1º). (Princípio
da Legalidade: O princípio «nullum crimen nulla poena sine lege» é cláusula
pétrea da Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso XXXIX e fundamento do
Direito penal brasileiro).
Em resumo, estabelece que ninguém será punido sem que haja uma lei prévia,
escrita, estrita e certa.
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O paradoxo está em admitir que uma regra seja válida em um sentido e não em
outra. A lei nunca retroage, se não em favor do réu. Neste caso, ela sempre retroage.
Isso quer dizer, que uma nova lei, jamais irá retroagir, ou seja, punir alguém por um fato
que não era considerado crime ou aumentar a pena daquele que já foi processado ou
condenado. Mas se o individuo já foi processado ou condenado, a lei que, de qualquer
maneira beneficie o réu, sempre irá retroagir, obrigatoriamente.
Crime Político: Todo fato culposo, seja praticado individualmente ou por um
grupo de pessoas, dirigido contra a segurança ou estabilidade das instituições públicas
ou que resulte em lesão à ordem política, entende-se crime político.
Nesta razão, crime político resulta da ação dirigida contra a segurança do Estado
seja em referência à sua independência, à sua soberania ou à forma de seu governo.
(1) Crime político próprio: é aquele que causa ameaça à ordem institucional ou ao
sistema vigente.
(2) Crime político impróprio: é o crime comum conexo ao delito político, ou
seja, um crime de natureza comum, porém dotado de conotação político-ideológica. Por
exemplo, assaltar um banco para obter fundos para determinado grupo político constitui
crime político impróprio. “Por exemplo: assaltar um banco para obter fundos para
determinado grupo político”. Outro exemplo seria ato de guerrilha (conceito
de "Pequena Guerra", ou seja e/ou que poderia ser simplesmente).
Fonte: De Plácido e Silva. «Vocabulário Jurídico».15ª ed. Atualizadores: Nagib
Slaibi Filho e Geraldo Magela Alves. Rio de Janeiro – RJ, 1998. Editora Forense.