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Supernova: A Busca por Estrelas e Legados

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SUPERNOVA

Capítulo 1: EM BUSCA DA ESTRELAS


Nossa história começa há muito tempo, antes mesmo da formação da Terra como a
conhecemos, antes mesmo da era do homem estar estabelecida.
Dois buracos negros de magnitude incomensuráveis colidiram, lançando uma imensa
onda de gravidade pelo universo. Viajando na velocidade da luz, essa poderosa onda de
gravidade percorreu milhares de anos-luz, até nos atingir em 14 de setembro de 2015.
Esse evento foi detectado pelo LIGO (Observatório de Ondas Gravitacionais por
Interferômetro a Laser) em Hansford, Washington D.C., este evento foi um marco para
a comunidade científica mundial ao comprovar a existência de buracos negros na
galáxia. As teorias sobre a constituição das estrelas e o surgimento dos buracos negros
eram vistas com ceticismo, apesar de nomes como Albert Einstein e Stephen Hawking
terem chamado a atenção por algum tempo com suas teorias e teses bem
fundamentadas, mas ao longo dos anos, suas teorias caíram em descrédito,
consideradas por muitos como ficção científica. No entanto, a colisão dos buracos
negros confirmou a veracidade dessas teorias. Na obra "Teoria da Relatividade Geral",
Einstein propôs que corpos com grandes massas geram ondulações no espaço-tempo -
e ele estava certo! Essa descoberta mudou a perspectiva do mundo em relação ao
trabalho desses físicos, transformando seus livros e estudos em materiais valiosos e
guias para futuras descobertas.
Imediatamente após essa descoberta, a NASA (Administração Nacional de Aeronáutica
e Espaço) iniciou um programa espacial com o objetivo de recriar, em menor escala, um
buraco negro. O interesse nesse evento está relacionado à busca por energia ilimitada,
uma vez que os recursos naturais estão se esgotando e gerando poluição que degrada
nosso planeta. Em teoria, esse programa criaria algo semelhante a uma estrela,
adicionando elementos pesados, como o ferro, em seu núcleo, fazendo com que a
"estrela" entrasse em colapso e gerasse uma quantidade massiva de energia.
O renomado astrônomo e consultor da NASA, professor Cole, da faculdade de Harvard,
foi encarregado de tornar realidade e comprovar todas as teorias de Einstein e Hawking.
Sua experiência e conhecimento o tornam a maior autoridade em Física da atualidade.
Antes de sua morte, Hawking confiou a ele os rumores de uma "herança", estudos não
publicados, mas sempre que o assunto é mencionado, o professor Cole se mostra
evasivo. A tarefa à sua frente não será fácil: construir um supercolisor capaz de gerar e
suportar o poder de uma estrela, sem contar que a estrutura de um buraco negro ainda
é amplamente desconhecida. Diante desses desafios, o professor Cole sente-se
motivado a dar o seu melhor e deixar seu próprio legado para a humanidade.
Esses foram eventos grandiosos eu nunca imaginaria que poderiam ter alguma
influência em minha vida, ou até que eu poderia fazer parte de algo maior. Sabe como
é no geral somos ensinados desde bem cedo a ter expectativas factíveis com a nossa
realidade, sobretudo condição social e financeira.
Sim, a história se repete com milhões de jovens em todo mundo. Muitas vezes ficamos
presos, como que em um mantra, essa ideia que fica retinindo na cabeça, como que
dizendo: “não posso”, “não consigo”. No entanto, forças maiores, tal qual a de buracos
negros supermassivos podem ter influência e causar uma quebra de paradigma. Vou
contar para vocês como isso aconteceu comigo.
Na noite dos eventos citados, lógico que não estamos falando da colisão dos buracos
negros, mas sim do dia em sua força poderia chegou à Terra, estava muito desmotivado,
tinha acabo de discutir com a minha mãe sobre o meu futuro, sobre o que ela esperava
para mim e “tals”. Sinceramente, sei que ela se preocupa comigo, que quer um futuro
bom para mim; mas eu precisava fazer algo para ajudar ela e minha tia em casa, por isso
tinha decidido, parar um pouco os estudos trabalhar para complementar a renda lá de
casa.
A propósito eu estudo em uma escola técnica do outro lado da cidade, só a escola em si
gera uma grande despesa, mesmo eu sendo bolsista preciso levar a refeição e tem a
questão do transporte também, por isso decidi não fazer a especialização depois de me
formar no curso técnico. Isso gerou muita tensão em casa, meu professor o Sr. Thomas,
meu maior incentivador, ligou para minha mãe para pedir para ela me convencer a não
desistir dos estudos. Minha mãe não gostou nada disso e veio me falar “um monte”. O
pior de tudo é que ela usou a velha frase: "o que seu pai iria querer para você?".
Isso com certeza me abalou, me fez pensar duas vezes e me entristeceu muito. O fato é
que meu pai não está aqui, estamos sem ele a 10 anos já. Lembrar dele me deixa, sabe...,
desconfortável. E muito ruim ter saudade do que você nunca viveu, mas poderia ter
vivido. Esse sentimento me levou a querer sair de casa, ir para algum lugar mais
tranquilo onde eu poderia refletir melhor, mas não poderia sair enquanto minha mãe
ainda estivesse acordada.
Assim que ela pegou no sono eu saí em busca das estrelas. Como sempre, eu escolhi a
janela do meu quarto como a saída perfeita. Era a minha rota de fuga confiável e segura.
A noite envolvia a cidade em um manto de escuridão, concedendo a mim a tranquilidade
necessária para buscar meu lugar de refúgio. Me dirigi determinado ao prédio
abandonado, um majestoso edifício de 20 andares que se erguia imponente no
horizonte urbano. Com passos silenciosos, adentrei no interior do prédio, guiado pela
memória e familiaridade com cada corredor e cada escada, cada degrau tinha um
número em minha cabeça, não conseguia subir ou descer sem contá-los.
Enquanto subia os andares, o ambiente ao meu redor parecia ganhar vida própria. A
penumbra tomava conta dos corredores estreitos, e o som de sua respiração ecoava
pelos espaços vazios. Chegando ao topo, abri a porta que me conduzi à cobertura do
prédio.
A cobertura, situada nas alturas, era o meu santuário. Lá em cima, as luzes da cidade
perdiam sua intensidade, proporcionando um ambiente mais escuro e propício à
contemplação das estrelas. A imensidão do céu noturno se estendia diante dos meus
olhos, pontilhada por incontáveis estrelas brilhantes. A lua, majestosa e serena, lançava
sua suave luminosidade sobre a cidade adormecida.
Ainda sem saber o que o destino reservava, permaneci na cobertura, absorvendo a
serenidade do lugar e alimentando minha paixão pelas estrelas. Naquela noite, eu
iniciava minha jornada, alheio às aventuras extraordinárias que o estava a minha frente,
onde o universo revelaria seus mistérios e segredos mais profundos. E foi exatamente o
que aconteceu, de repente algo no céu parecia diferente distorcido, tive a impressão de
que as estrelas se mexeram, como quando objetos estão em cima de um lençol e você
provoca uma ondulação, não consegui acreditar no que eu estava vendo, alguns
segundos depois senti uma forte pressão em cima de mim, me senti como que dentro
de uma máquina de ressonância magnética, um som estridente ecoou em meus ouvidos
que me fez colocar as aos para tapá-los. Tudo isso durou apenas alguns segundos, tanto
que pensei estar como que sonhando acordado.
O céu se tornou estável novamente, mesmo assim algo me dizia que eu não havia
sonhado ou imaginado nada, algo de muito estranho acabara de acontecer. Na minha
mente ficou a dúvida se outras pessoas também presenciaram este acontecimento.
Decidi retornar para casa antes que minha tia chegasse e minha mãe acordasse. Com
cuidado, comecei a descer os vinte andares do prédio abandonado, passando pelos
corredores vazios. Cada passo era calculado, pisando suavemente para não fazer
barulho. Eu conhecia cada canto e curva daquele lugar, como se fosse a extensão da
minha própria casa. Aquela noite não era diferente, exceto pelo que aconteceu naquele
terraço, ninguém iria acreditar em mim.
Ao chegar ao térreo, abri a porta cuidadosamente e entrei na rua, imerso na escuridão
noturna. Guiado pela minha familiaridade com a cidade, me movi rapidamente pelas
ruas silenciosas. Eu sabia exatamente o caminho mais rápido e discreto para chegar em
casa sem levantar suspeitas.
Ao chegar em frente da minha casa, parei por um momento para observar ao redor,
garantindo que ninguém me notasse. Eu precisava ser invisível. Satisfeito com a
segurança do local, encontrei o ponto preciso para escalar a parede e alcançar a janela
do meu quarto.
Com movimentos ágeis e leves, comecei a subir, apoiando-me nas saliências da parede.
Cada movimento era natural, como se eu tivesse feito aquilo mil vezes antes. E, na
verdade, já havia feito. Afinal, aquela era a minha rota de escape confiável, o meu acesso
à liberdade noturna.
Quando finalmente alcancei a janela, com um movimento suave e silencioso, deslizei-a
para cima e me introduzi no meu quarto, como uma sombra deslizando pela escuridão.
Ali dentro, a penumbra era apenas quebrada pela suave luz da lua, que se infiltrava pelas
frestas das cortinas.
Com passos leves, percorri o quarto, conhecendo cada móvel e obstáculo em meu
caminho. Sabia exatamente onde estava tudo, mesmo na escuridão. Acender as luzes
estava fora de cogitação, não queria atrair a atenção de minha mãe. Movendo-me
silenciosamente, eu sabia que não podia ser detectado.
Finalmente, alcancei minha cama, sentindo um alívio imenso. Eu tinha conseguido
chegar em casa sem ser notado. Suspirei, deixando escapar a tensão acumulada das
minhas aventuras noturnas. Deitei-me, sabendo que meu segredo estava seguro e que
o cansaço logo me venceria.
Antes de fechar os olhos, fui até a janela e a fechei cuidadosamente, garantindo que
tudo ficasse exatamente como estava antes. Agora, na tranquilidade do meu quarto, eu
estava em paz. Os sonhos que me aguardavam seriam repletos de estrelas e
possibilidades, enquanto minha tia não chegava e minha mãe continuava a dormir,
alheia às minhas escapadas noturnas.
Com um sorriso satisfeito nos lábios, entreguei-me ao descanso merecido, sabendo que
minha próxima aventura noturna estava apenas esperando pelo momento certo para
acontecer.

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