Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Sistema Terra-Lua-Sol: Fases e eclipses
Rosa M. Ros
União Astronómica Internacional, Universidade Politécnica da Catalunha
(Barcelona, Espanha)
Resumo
Neste trabalho são apresentados alguns modelos sobre as fases da Lua e os eclipses do Sol e da
Lua. Estes eclipses também são usado para determinar as distâncias e diâmetros no sistema
Terra-Lua-Sol.
Finalmente, também é explicada a origem das marés.
Objetivos
• Compreender porque é que a Lua possui fases.
• Compreender a causa dos eclipses da Lua.
• Compreender o motivo dos eclipses do Sol.
• Determinar distâncias e diâmetros do sistema Terra-Lua-Sol.
• Compreender a origem das marés
Posições relativas
O termo “eclipse” é utilizado para fenómenos muito distintos, no entanto em todos os casos
este fenómeno ocorre quando a posição relativa da Terra e da Lua (corpos opacos) obstrui a
passagem da luz solar.
Um eclipse Solar ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, ocultando-o. Este tipo
de eclipse acontece sempre na fase da Lua nova (figura 1).
Os eclipses da Lua ocorrem quando a Lua passa na sombra da Terra. Isto é, quando a Lua está
no lugar oposto ao Sol, portanto, os eclipses lunares acontecem sempre na fase de Lua cheia
(figura 1).
A Terra e a Lua movimentam-se ao longo de órbitas elípticas que não se encontram no mesmo
plano. A órbita da Lua está inclinada 5º relativamente ao plano da eclíptica (plano da órbita da
Terra em torno do Sol). Os dois planos cruzam-se numa reta denominada Linha dos Nodos. Os
eclipses acontecem quando a Lua está próxima da Linha dos Nodos. Se ambos os planos não
formassem um ângulo, os eclipses seriam bem mais frequentes do que apenas entre zero e três
vezes por ano.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Fig. 1: Os eclipses do Sol ocorrem quando a Lua está situada entre o Sol e a Terra (Lua nova). Os eclipses da
Lua ocorrem quando a Lua cruza o cone de sombra da Terra (estando a Terra está situada entre o Sol e a Lua
cheia).
Modelos de máscaras
Modelo da Face Oculta
A Lua tem dois movimentos: rotação e translação, com aproximadamente a mesma duração,
que é de cerca de quarto semanas. Esta é a razão pela qual vemos sempre a mesma metade da
superfície lunar, a partir da Terra.
Observaremos isto com um modelo simples. Começamos por colocar os voluntários que fazem
o papel de Terra e apenas um o de Lua, com uma mascara branca. Colocamos o voluntário
“Lua” em frente à “Terra”, olhando para esta, antes de iniciar o movimento. Ao mesmo tempo
que a Lua rodar 90° na sua órbita em torna da Terra também terá que rodar 90° sobre si mesma
e, portanto, continuará virada de frente para a Terra. Solicitaremos ao voluntário “Terra” se
ele/ela consegue ver a mesma face da Lua ou se consegue ver uma parte diferente. Repetimos
a mesma situação 4 vezes, movendo sempre 90°. É evidente que em cada 90°, que corresponde
a cada semana, a Terra vê sempre a mesma face da Lua, e a parte de trás da cabeça do voluntário
“Lua” nunca é visível.
Modelo de Fases da Lua
Para explicar as fases da Lua é melhor é usar um modelo com uma lanterna ou com um
retroprojetor (que representarão o Sol) e um mínimo 5 voluntários. Um deles estará colocado
no centro, representando a Terra, e os outros 4 posicionar-se-ão ao seu redor, de forma
equidistante, para simular as diferentes fases da Lua. Para tornar a experiência mais atrativa, é
boa ideia usar uma máscara branca que representará a Lua. Todos deverão ficar virados para a
Terra porque sabemos que a Lua tem sempre a mesma face virada para a Terra (figura 2).
Colocaremos a lanterna acesa atrás, e ligeiramente acima, de um dos voluntários que representa
a Lua e começaremos a visualizar as 4 fases (vistas desde a Terra, que está no centro). É muito
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
fácil descobrir que às vezes a máscara está completa iluminada, às vezes só um quarto e outras
vezes não é possível ver nada (porque a luz da lanterna, a luz do Sol, está por trás dessa Lua).
Quando maior for o número de voluntários mais fases da Lua podem ser observadas.
Fig. 2: Modelo da Terra e da Lua com voluntários (para explicar as fases e a face visível da Lua).
Modelo Terra-Lua
Compreender de forma clara as fases da Lua e a geometria que contém o fenómeno dos eclipses
do Sol e da Lua não é simples. Por essa razão é proposto um modelo simples que torna mais
inteligíveis estes processos.
Basta inserir dois pregos (de 3 ou 4 cm) numa barra de madeira de 125 cm. Os pregos estarão
separados 120 cm e em cada um fixaremos duas bolas de 4 e 1 cm (figura 3).
Fig. 3: Modelo com a Terra e a Lua.
É importante seguir estas medidas porque correspondem a um modelo à escala do sistema
Terra-Lua, respeitando as proporções de distâncias e diâmetros.
Diâmetro Terra 12 800 km → 4 cm
Diâmetro Lua 3 500 km → 1 cm
Distância Terra-Lua 384 000 km → 120 cm
Diâmetro Sol 1 400 000 km → 440 cm = 4,4 m
Distância Terra-Sol 150 000 000 km → 4 700 cm = 0,47 km
Tabela 1: Distâncias e diâmetros do sistema Terra-Lua-Sol.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Reprodução das fases da Lua
Num lugar ensolarado, quando a Lua for visível, direcione a barra com a bolinha para a Lua
(figura 4). O observador deve estar posicionado atrás da bola que simula a Terra. A esfera da
“Lua” é vista do mesmo tamanho aparente que a Lua e com a mesma fase. Alterando a
orientação da barra é possível reproduzir as diferentes fases da Lua ao variar a iluminação que
é recebida do Sol. É necessário mover a “Lua” para conseguir todas as fases.
Fig. 4: Usando o modelo no pátio da escola.
A melhor forma de realizar esta atividade é no pátio, mas caso esteja nublado, também é
possível realizar usando um retroprojetor como fonte de luz.
Reprodução dos eclipses de Lua
A barra tem que ser segura de modo que a bolinha da Terra fique direcionada para o Sol (o ideal
é usar um retroprojetor para evitar olhar diretamente o Sol) e a sombra da Terra cubra a Lua
(figuras 5a e 5b), que é maior que a Lua. Deste modo é fácil visualizar um eclipse de Lua.
Fig. 5a e 5b: Simulação de um eclipse de Lua.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Fig. 6: Composição fotográfica de um eclipse de Lua. O nosso satélite cruzando o cone de sombra produzido
pela Terra.
Reprodução dos eclipses de Sol
Aponte a barra de modo que a Lua fique direcionada para o Sol (o ideal é usar um retroprojetor
ou uma lanterna) e que a sombra da Lua seja projetada sobre a esfera terrestre. Desta forma é
possível visualizar um eclipse do Sol, e uma pequena sombra da Lua causa uma pequena
mancha sobre uma região da Terra (figura 7a, 7b e 8).
Fig. 7a e 7b: Simulação eclipse solar.
É difícil conseguir esta posição devido à inclinação que a barra deve ter ser muito precisa (esta
é a razão pela qual ocorrem menos eclipses de Sol que eclipses Lunares).
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Fig. 8: Detalhe da figura anterior 7a.
Fig. 9: Fotografia tirada a partir da MIR do eclipse do Sol de 1999 sobre uma região da superfície terrestre.
Observações
• O eclipse Lunar somente ocorre quando há Lua cheia e o eclipse Solar quando há Lua
nova.
• Um eclipse solar só é visto numa determinada parte, reduzida, da Terra.
• É raro a Terra e a Lua estarem suficientemente alinhadas para que produza um eclipse,
e por isso não ocorrem sempre que há Lua nova ou Lua cheia.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Modelo Sol-Lua
Com a finalidade de visualizar o sistema Sol-Terra-Lua, salientando a importância das
distâncias, vamos usar um novo modelo, considerando o ponto de vista terrestre do Sol e da
Lua. Para este modelo convidamos os estudantes a desenhar e pintar um grande Sol com
diâmetro de 220 cm (mais de 2 metros de diâmetro) num lençol. Com esta experiência
demonstramos que é possível cobrir este grande Sol apenas com uma pequena Lua de 0,6 cm
de diâmetro (menos de 1 cm de diâmetro).
É possível substituir a bola que simula a Lua por um buraco numa tábua de madeira para que
seja mais fácil de realizar a experiência.
Neste modelo, o Sol é colocado a 235 metros da Lua e o observador estará a 60 cm da Lua. Os
estudantes ficarão surpreendidos ao cobrir o grande Sol com esta pequena Lua. Esta relação de
um Sol 400 vezes maior que a Lua não é fácil de imaginar, pelo que é apropriado mostrar um
exemplo para compreender a magnitude das distâncias e o tamanho real no Universo. Todas
estas experiências e atividades ajudam a entender quais são as relações espaciais entre os corpos
celestes durante um eclipse solar. Este método é muito melhor do que ler uma série de números
num livro.
Diâmetro Terra 12 800 km 2.1 cm
Diâmetro Lua 3 500 km 0,6 cm
Distância Terra-Lua 384 000 km 60 cm
Diâmetro Sol 1 400 000 km 220 cm
Distância Terra-Sol 150 000 000 km 235 m
Tabela 2: Distâncias e diâmetros do sistema Terra-Lua-Sol.
Fig. 10: Modelo de Sol. Fig. 11: Observando o Sol e a Lua no modelo.
Medindo o diâmetro do Sol
É possível medir o diâmetro do Sol de diversas formas. Aqui, apresentamos um método simples
usando uma câmara escura. É possível de realizar com uma caixa de sapatos ou com um cano
de papelão que serve de eixo central para o papel alumínio ou filme transparente de cozinha.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
1. Tampe uma das extremidades com papel semitransparente (se possível milimétrico) e a
outra com papel de alumínio, ou papel grosso, onde faremos um buraco com um alfinete
fino (figuras 12 e 13).
2. Direcione a extremidade com o pequeno buraco para o Sol e olhe pelo outro extremo onde
está o papel semitransparente. Medimos o diâmetro, d, da imagem do Sol neste papel
milimétrico.
Fig. 12 e 13: Modelos de câmara escura.
Para calcular o diâmetro do Sol, basta considerar a figura 14, na qual aparecem dois triângulos
semelhantes
Fig. 14: Problema geométrico subjacente.
Podemos estabelecer a relação:
D d
=
L l
Sendo possível calcular o diâmetro do Sol, D:
dL
D=
l
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Conhecendo a distância do Sol à Terra, L = 150 000 000 km, podemos calcular o diâmetro, D,
do Sol (lembre-se que o diâmetro solar é de 1 392 000 km). Também é conhecido o
comprimento do tubo, l, e o diâmetro, d, da imagem do Sol sobre o papel semitransparente.
É possível repetir o exercício com a Lua cheia sabendo que esta se encontra a aproximadamente
400 000 km da Terra.
Tamanhos e Distâncias no sistema Terra-Lua-Sol
Aristarco (310-230 a.C.) deduziu algumas proporções entre as distâncias e os raios do sistema
Terra-Lua-Sol. Calculou o raio do Sol e da Lua, a distância da Terra ao Sol e a distância da
Terra à Lua em relação ao raio da Terra. Alguns anos depois, Eratóstenes (280-192 a.C.)
determinou o raio do nosso planeta e foi possível calcular todas as distâncias e raios do sistema
Terra-Lua-Sol.
A proposta desta atividade consiste em repetir ambas as experiências com os estudantes. A ideia
é reproduzir o processo matemático desenhado por Aristarco e Eratóstenes e, se possível, as
observações por Aristarco e Eratóstenes.
Reproduzir a experiência de Aristarco
Aristarco determinou que o ângulo entre a linha Lua-Sol e a linha Terra-Sol, quando a Lua está
em quarto, é α = 87º (figura 15).
Fig. 15: Posição relativa da Lua em quarto.
Hoje em dia sabemos que ele estava ligeiramente errado, possivelmente porque foi muito difícil
determinar o preciso instante do quarto de fase da Lua. De fato este ângulo é α = 89º 51’, mas
o processo usado por Aristarco é perfeitamente correto. Na figura 15, é usada a definição de
cosseno, é possível deduzir que,
TL
cos =
TS
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Em que TS é a distância da Terra ao Sol e TL é a distância da Terra à Lua. Então,
aproximadamente,
TS = 400 TL
(apesar de Aristarco ter deduzido TS = 19 TL).
Relação entre o raio da Lua e do Sol
A relação entre o diâmetro da Lua e do Sol deve ser semelhante à fórmula anteriormente obtida,
porque da Terra observam-se ambos os diâmetros iguais a 0,5º. Portanto, os dois raios verificam
RS = 400 RL
Relação entre a distância da Terra à Lua e o raio lunar ou entre a distância da
Terra ao Sol e o raio solar
Aristarco supôs que a órbita da Lua em torno da Terra seria circular. Como o diâmetro
observado da Lua é de 0,5º, o ângulo da trajetória (360°) da Lua em torno da Terra será 720
vezes o diâmetro. O comprimento deste percurso é 2π vezes a distância Terra-Lua, isto é:
2 RL 720 = 2π TL. Resolvendo, encontramos
720 RL
TL =
e por um raciocínio similar,
720 RS
TS =
Esta relação é entre as distâncias à Terra, o raio lunar, o raio solar e o raio terrestre.
Relação entre as distâncias da Terra ao Sol e à Lua, o raio lunar, o raio solar e o
raio terrestre
Durante um eclipse da Lua, Aristarco observou que o tempo necessário para que a Lua cruze o
cone de sombra terrestre era o dobro do tempo necessário para que a superfície da Lua fosse
coberta (figura 16a e 16b). Portanto, deduziu que a sombra do diâmetro da Terra era o dobro
do diâmetro da Lua, ou seja, a relação de ambos os diâmetros ou raios era de 2:1. Atualmente
a informação é de que este valor é de 2,6:1.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Fig. 16a: Medindo o cone de sombra. Fig. 16b: Medindo o diâmetro da Lua.
Sumário final
Tendo em conta os resultados (figura 17)
Fig. 17: Cone de sombra e posições relativas do sistema Terra-Lua-Sol.
deduzimos a seguinte relação:
x x + TL x + TL + TS
= =
2.6 RL RT RS
na qual x é uma variável auxiliar. Introduzindo nesta expressão as relações TS = 400 TL e RS =
400 RL, é possível eliminar x e, simplificando, obter,
401
RL = RT
1440
que permite expressar todas as dimensões mencionadas anteriormente em função do raio da
Terra, assim
2005 80200 401
RS = RT TS = RT TL = RT
18 2
Onde apenas é necessário substituir o raio do nosso planeta para obter todas as distâncias e raios
do sistema Terra-Lua-Sol.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Medições com os estudantes
Repetir as medidas realizadas por Aristarco com os estudantes é uma boa ideia. Em primeiro
lugar, é essencial calcular o ângulo entre o Sol e a Lua em quarto. Para realizar esta medida só
é necessário dispor de um teodolito e saber o exato instante do quarto.
Assim, tentaremos verificar se este ângulo mede α = 87º ou α = 89º 51’ (esta é uma medida
realmente difícil de ser obtida).
Em segundo lugar, durante um eclipse da Lua, usando um cronómetro, é possível calcular a
relação entre os tempos seguintes: “o primeiro e o último contato da Lua com o cone de sombra
terrestre”, ou seja, medir o diâmetro do cone da sombra da Terra (figura 17a) e “o tempo
necessário em cobrir a superfície lunar”, isto é, a medida do diâmetro da Lua (figura17b).
Finalmente, é possível verificar se a relação entre os tempos é 2:1 ou é de 2,6:1.
O objetivo mais importante desta atividade não é o resultado obtido para cada raio ou distância.
O mais importante é que os estudantes descubram que, se utilizarem seus conhecimentos e
inteligência, podem obter interessantes resultados apenas com poucos recursos. Neste caso, o
talento de Aristarco foi muito importante para tentar obter uma ideia acerca do tamanho do
sistema Terra-Lua-Sol.
Medir o raio da Terra seguindo o processo usado por Eratóstenes com os estudantes também é
uma excelente proposta. Apesar da experiência de Eratóstenes ser bem conhecida,
apresentamos aqui uma versão reduzida com o intuito de completar a experiência anterior.
Reproduzir a experiência de Eratóstenes
Eratóstenes foi diretor da Biblioteca de Alexandria. Num dos textos da biblioteca ele leu que
na cidade de siena (atualmente Assuão) no dia de solstício de verão, ao meio dia, o Sol era
refletivo no fundo de um poço, o que equivale a uma vara não produzir sombra. Ele notou que,
no mesmo dia e à mesma hora, em Alexandria, uma vara produzia sombra. A parir destes factos
ele deduziu que a superfície da Terra não podia ser plana, mas que seria esférica (figuras 18a e
18b).
Fig. 18a e 18b: Numa superfície plana as duas estacas produzem sobras a mesma sombra, mas quando a
superfície é curava as sombras são diferentes.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Considere duas estacas colocadas perpendicularmente ao solo, em duas localidades da
superfície terrestre sobre o mesmo meridiano. As estacas devem apontar para o centro da Terra.
Normalmente é melhor usar um fio-de-prumo no qual é marcado um ponto do fio para poder
medir os comprimentos. É necessário medir a distância no fio-de-prumo, do solo até à marca,
e o comprimento da sombra, da base do prumo até a sombra da marca no fio-de-prumo.
Fig. 19: Situação de prumos e ângulos na experiência de Eratóstenes.
Consideramos que os raios solares são paralelos. Estes raios solares produzem duas sombras,
uma para cada estaca, ou fio-de-prumo. Medindo o comprimento do prumo e da sua sombra e
usando a definição de tangente, obtêm-se os ângulos α e β (figura 19). O ângulo central γ pode
ser calculado conferindo que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a π radianos. Então
deduzimos π = π − α + β + γ e simplificando
=−
no qual α e β foram obtidos a partir da medição do prumo e da sua sombra.
Finalmente, estabelecendo uma proporcionalidade entre o ângulo γ, a longitude de seu arco, d,
(determinado pela distância sobre o meridiano entre as duas localidades), e 2π radianos do
círculo meridiano e o seu comprimento 2πRT, obtemos,
2RT d
=
2
Então conclui-se que:
d
RT =
onde γ se obteve a partir da observação, em radianos, e d é a distância em km entre as duas
localidades. É possível achar d a partir de um bom mapa.
Na situação de Esratóstenes, o ângulo era zero e = , e com a distância entre Alexandria e
Siena, é obtido um bom resultado do raio terrestre.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
Também é necessário mencionar que o objetivo desta atividade não é a exatidão dos resultados.
É esperado que os estudantes descubram que pensando e usando todas as possibilidades pode
produzir resultados surpreendentes.
Marés
As marés são a subida e descida do nível do mar causado pelos efeitos combinados da rotação
da Terra e das forças gravitacionais exercidas pela Lua e o Sol. A forma do fundo do mar e da
região costeira também têm influência nas marés, embora em menor escala. As marés são
produzidas num período de aproximadamente 12 horas e meia.
As marés acontecem, principalmente, pela atração entre a Lua e a Terra. As marés altas ocorrem
nas partes da Terra que estão de frente para a Lua e no lado oposto (figura 20). Nos pontos
intermediários ocorrem as marés baixas.
Fig. 20: Efeito das marés.
Fig. 21: Efeito, sobre a água, da aceleração diferenciada da Terra em diferentes áreas do oceano.
O fenómeno das marés já era conhecido na antiguidade, mas sua explicação apenas foi possível
após a descoberta da Lei da Gravidade Universal de Newton (1687).
mT mL
Fg =
d2
A Lua exerce uma força gravitacional sobre a Terra. Quando há uma força gravitacional é
possível considerar que existe uma aceleração gravitacional, de acordo com a segunda lei de
Newton (F = m.a). Desta forma a aceleração da Lua sobre a Terra é dada por
mL
ag = G
d2
No qual mL é a massa da Lua e d é a distância da Lua a um ponto da Terra.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
A parte sólida da Terra é um corpo rígido e, por isso, é possível considerar toda a aceleração
sobre esta parte sólida aplicada no centro da Terra. No entanto, a água é líquida e sofre uma
aceleração diferencial que depende da distância à Lua. Assim, a aceleração do lado mais
próximo da Lua é maior que do lado mais afastado. Em consequência, a superfície do oceano
vai gerar um elipsoide (figura 20).
Esse elipsoide permanece sempre com a zona mais alongada para a Lua (figura 19) e a Terra
vai girar por baixo. Assim cada ponto da Terra terá 2 vezes ao dia uma maré alta seguida de
uma maré baixa. Na realidade o período entre marés é um pouco superior a 12 horas e a razão
é que a Lua gira em relação à Terra com um período sinódico de aproximadamente 29,5 dias.
Significa que percorre 360º em 29,5 dias, pelo que a Lua vai avançar no céu aproximadamente
12,2º em cada dia, ou seja, 6,6º a cada 12 horas. Como em cada hora a Terra gira sobre si mesma
aproximadamente 15º, 6,6º equivalem a 24 minutos, portanto cada ciclo de maré é de 12 horas
e 24 minutos. Como o intervalo de tempo entre a maré alta e a maré baixa é a metade; o tempo
compreendido da maré alta até a maré baixa, ou da maré baixa até a maré alta, será de 6h e
12min.
Fig. 22: Marés vivas e marés mortas.
Devido a sua proximidade, a Lua é a que mais influencia as marés. Mas o Sol também tem
influência nas marés. Quando a Lua e o Sol estão em conjunção (Lua nova) ou em oposição
(Lua cheia) ocorrem as marés vivas. Quando a Lua e o Sol exercem atrações gravitacionais
perpendiculares (Quarto crescente e Quarto minguante) ocorrem as marés mortas (figura 22).
Bibliografia
• Alonso, M., Finn,E. Física – um curso universitário. Volume I. Ed. Edgard Blucher,
1972.
• Broman, L., Estalella, R., Ros, R.M., Experimentos de Astronomía. 27 pasos hacia
el Universo, Editorial Alambra, Madrid, 1988.
• Broman, L., Estalella, R., Ros, R.M., Experimentos de Astronomía, Editorial
Alambra, Mexico, 1997.
Publicações da NASE Sistema Terra-Lua-Sol
• Fucili, L., García, B., Casali, G., “A scale model to study solar eclipses”,
Proceedings of 3rd EAAE Summer School, 107, 109, Barcelona, 1999.
• Lanciano, N., Strumenti per i giardino del cielo, Edizioni junior, Spaggiari Eds,
Roma, 2016.
• Reddy, M. P. M., Affholder, M. Descriptive physical oceanography: State of the
Art. Taylor and Francis. 249, 2001.
• Ros, R.M., Lunar eclipses: Viewing and Calculating Activities, Proceedings of 9th
EAAE International Summer School, 135, 149, Barcelona, 2005.
• Ros, R.M., Viñuales, E., Aristarchos’ Proportions, Proceedings of 3rd EAAE
International Summer School, 55, 64, Barcelona, 1999.
• Ros, R.M., Viñuales, E., El mundo através de los astrónomos alejandrinos,
Astronomía, Astrofotografía y Astronáutica, 63, 21. Lérida, 1993.