Centro Universitário UNA
Curso bacharelado em Nutrição
Trabalho de conclusão do curso
Estudo sobre a Relação Emocional e Alimentação
Bruna de Almeida Romanelli
Priscila Ariádina Santos
Pouso Alegre
2023
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Estudo sobre a Relação Emocional e Alimentação
Trabalho de conclusão do curso
Apresentado no Centro Universitário UNA
do Estado de Minas Gerais com
requisito em Bacharelado em Nutrição
Orientador: Prof. Élida Paula Dini de Franco
Pouso Alegre
2023
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SUMÁRIO:
[Link]ÇÃO.....................................................................................04
1.1 Considerações Gerais...............................................................04
1.1.1 Nutrição e Saúde Mental.............................................04
1.1.2 A Complexa Relação Entre Psicologia e Nutrição......04
1.2 Justificativa...............................................................................05
[Link]..................................................................................06
2.1 Seleção de dados.......................................................................06
2.2 Termos de busca........................................................................06
2.3 Critério de inclusão e exclusão.................................................06
2.4 Processo de seleção de artigos..................................................06
2.5 Análise e busca dos artigos ......................................................06
2.6 Redação da revisão bibliográfica..............................................06
[Link]........................................................................07
4. CONCLUSÃO......................................................................................14
REFERÊNCIAS.......................................................................................15
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1. Introdução
Este trabalho explora uma interação complexa entre emoções, fatores sociais e culturais, e nossas
escolhas alimentares, e como essa dinâmica impacta nossa saúde física e mental. Emoções, como
o estresse e a felicidade, muitas vezes influenciam escolhas alimentares impulsivas e menos
saudáveis, enquanto fatores sociais e culturais desempenham um papel significativo, direcionando
a conformidade com expectativas do grupo e associando determinadas emoções a especificidades
específicas. Esse ciclo pode resultar em ganho de peso, risco de obesidade e deficiências
nutricionais, contribuindo para problemas de saúde física e emocional. A seleção de escolhas
alimentares conscientes e estratégias de regulação emocional torna-se crucial para manter um
estilo de vida equilibrado e saudável. (BETTIN,2017)
A nutrição desempenha um papel vital na saúde mental, afetando diretamente o funcionamento do
cérebro e a regulação de substâncias químicas cerebrais. Uma dieta balanceada e rica em nutrientes
essenciais pode promover a saúde mental e auxiliar na prevenção e tratamento de transtornos
psiquiátricos. A psicologia investiga a relação entre mente e comportamento humano, abrangendo
padrões alimentares e os fatores psicológicos associados à alimentação. Terapeutas e psicólogos
se dedicam a compreender esses fatores subjacentes em hábitos alimentares disfuncionais. A
psiquiatria, como uma especialidade médica, concentra-se na avaliação, diagnóstico e tratamento
de transtornos mentais, incluindo transtornos alimentares, frequentemente colaborando com
nutricionistas e psicólogos em abordagens multidisciplinares para o tratamento dessas condições.
A relação entre psicologia e nutrição investiga a ligação complexa entre aspectos psicológicos e
alimentação, considerando influências desde a infância, como educação alimentar, cultura, mídia
e disponibilidade de alimentos. Essa interconexão é essencial para compreender o comportamento
alimentar e os transtornos relacionados, como anorexia e bulimia, que muitas vezes têm raízes em
fatores psicológicos, como baixa autoestima e pressão social para atender a padrões de beleza. O
ambiente molda nossa percepção dos alimentos e contribui para a formação de uma imagem
corporal negativa. A compreensão dessa relação é fundamental para o desenvolvimento de
estratégias de prevenção e tratamento de transtornos alimentares, promovendo uma relação
saudável com a comida e a conscientização alimentar. (BARBOSA et al,2018)
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1.1 Justificativa
Esta pesquisa é motivada por diversas razões essenciais, sendo crucial diante do aumento dos
problemas de saúde relacionados à alimentação, como obesidade, diabetes, transtornos alimentares
e distúrbios psicológicos. Compreender as influências psicológicas e sociais nas escolhas
alimentares torna-se imperativo para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e
tratamento dessas condições. Além disso, nossas escolhas alimentares não apenas impactam nossa
saúde física, mas também têm implicações diretas em nossa qualidade de vida e bem-estar
emocional. A compreensão de como emoções e fatores sociais moldam nossos hábitos alimentares
é fundamental para promover uma vida equilibrada e saudável. Dada a complexidade dessas
relações, uma abordagem multidisciplinar se faz necessária, envolvendo áreas como psicologia,
nutrição, psiquiatria e outras disciplinas. Tal abordagem é justificada pelo fato de que intervenções
eficazes para problemas alimentares frequentemente requerem a colaboração entre profissionais
de diferentes campos. (BARBOSA et al,2018).
A cultura desempenha um papel vital em nossas escolhas alimentares, sendo as normas sociais
influências significativas em nossa dieta. Esta dinâmica é especialmente relevante em um mundo
globalizado, onde as pessoas estão expostas a uma ampla variedade de influências culturais e
sociais. Assim, compreender esses aspectos é essencial para promover escolhas alimentares
saudáveis em contextos diversos. (FERREIRA,2021)
2. METODOLOGIA
2.1 Seleção de dados
A pesquisa foi realizada por meio da seleção de bases de dados nacionais confiáveis e relevantes,
como Google Acadêmico, Scielo, Repositório Ânima, Pubmed.
2.2 Termos de busca
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Os termos de busca utilizados foram combinações de palavras-chave como "psicologia
nutricional", "fatores psicológicos na alimentação", “transtornos alimentares”, "comportamento
alimentar", "saúde mental" e "alimentação saudável", entre outros.
2.3 Critério de inclusão e exclusão
Os critérios de inclusão para os artigos, estarem publicados nos últimos cinco anos e abordarem
diretamente a interseção entre psicologia e nutrição. Serão excluídos artigos que não atendam a
esses critérios.
2.4 Processo de seleção de artigos
• Realizamos a busca nas bases de dados utilizando os termos de busca definidos.
• Analisamos os títulos e resumos dos artigos resultantes para avaliar sua
relevância para o tema da pesquisa.
• Selecionamos os artigos que atenderam aos critérios de inclusão para uma
leitura completa.
• Realizamos a leitura completa dos artigos selecionados e fizemos anotações
críticas, destacando os principais resultados, metodologias utilizadas e
conclusões.
2.5 Análise e busca dos artigos
Realizamos uma análise comparativa dos artigos selecionados, identificando padrões, tendências
e discrepâncias nas descobertas. Sintetizamos os principais achados, destacando a relação entre
psicologia e nutrição.
2.6 Redação da revisão bibliográfica
Por fim, redigimos a revisão bibliográfica, estruturando-a de acordo com os padrões acadêmicos
e incluindo a introdução, metodologia, revisão de literatura, resultados, discussão e conclusão.
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3. Desenvolvimento
Emoção e escolha alimentares
As emoções desempenham um papel fundamental nas escolhas alimentares das pessoas, afetando
o que elas comem, quanto comem e quando comem. A incapacidade de regular as emoções
adequadamente está diretamente relacionada a uma maior sensibilidade a emoções negativas, o
que, por conseguinte, podendo ter um impacto sobre os hábitos alimentares.
O termo "emoção" pode abranger uma variedade de significados, desde descrever uma emoção
específica, como raiva ou tristeza, até se referir a um estado emocional não especificado, como o
estresse emocional. As emoções e experiências têm um impacto na escolha de alimentos, e quando
o ato de comer é utilizado como uma forma de lidar com essas emoções, isso é conhecido como
"alimentação emocional" (DOĞAN et al, 2011; citado por BETTIN, 2017).
As emoções desempenham um papel significativo na tomada de decisões alimentares e, assim, têm
a capacidade de afetar a maneira como as pessoas escolhem o que comer. A capacidade de regular
as emoções por parte de um indivíduo desempenha um papel crucial na influência das emoções
sobre suas escolhas alimentares. Portanto, existe uma relação entre a falta de controle emocional e
os padrões alimentares associados à obesidade. A suposição é que as variações individuais na
autorregulação emocional, como o autocontrole e a capacidade de adiar a gratificação, podem ser
fatores que ajudam a reduzir o consumo de calorias, mesmo quando há pressões ambientais para o
excesso de consumo de alimentos. De maneira ampla, a regulação emocional envolve os esforços
conscientes e inconscientes de uma pessoa para controlar a intensidade e a natureza de suas
respostas emocionais diante das mais diversas situações. Uma regulação emocional eficaz pode
melhorar a sensação geral de competência, o que, por sua vez, pode promover um estilo de vida
mais saudável. Por outro lado, uma regulação emocional deficiente pode aumentar a
suscetibilidade a emoções negativas. (LU et al., 2016; citado por BETTIN, 2017).
A ansiedade é um transtorno comum e debilitante, que é considerado um fator de risco para a
anorexia e a obesidade devido às alterações no apetite, levando a uma associação significativa
entre o estado emocional e os padrões de alimentação. Vários estudos demonstram que,
independentemente da origem do transtorno emocional, a forma como uma pessoa se alimenta
pode ter um impacto direto em seu bem-estar emocional. É importante notar que isso pode levar
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as pessoas a se envolverem em comportamentos prejudiciais, como a compulsão alimentar
(SANTOS, 2022).
Portanto, se houver uma regulação inadequada das emoções, isso pode afetar a capacidade de
autorregulação em outras áreas, como o controle do comportamento alimentar. Assim, parece
razoável supor que as teorias que explicam a compulsão alimentar no Transtorno de Compulsão
Alimentar e o excesso de ingestão alimentar na obesidade estejam relacionadas a problemas na
autorregulação devido a emoções intensas (LEEHR et al., 2015; citado por BETTIN, 2017).
Fatores socias e culturais
O comportamento alimentar humano é afetado por uma variedade de fatores que englobam
elementos fisiológicos, antropológicos, sociais, econômicos, culturais, emocionais e sensoriais.
Recentemente, tem havido um aumento na compreensão da relevância dos aspectos relacionados
ao sabor, que envolvem a sensação de recompensa e prazer, na tomada de decisões alimentares.
Isso se deve ao reconhecimento de que as escolhas alimentares não são motivadas apenas pela
necessidade fisiológica de saciar a fome, mas também pelo prazer, pelos desejos e pela gratificação
associada ao ato de consumir determinados alimentos. Os transtornos alimentares estão
intrinsecamente relacionados à distorção cultural e social, e visto que o ambiente familiar e o
contexto sociocultural servem de base para esses problemas de saúde, a alimentação desempenha
um papel fundamental na sociedade moderna. Ela não apenas contribui para a manutenção da
identidade social e a afirmação da posição social, mas também desempenha um papel essencial na
preservação das conexões sociais, servindo como uma ponte que nos permite relembrar o passado.
surge uma preocupação em relação a como as famílias ensinam as crianças a se alimentarem. Com
frequência, as famílias utilizam a comida como um meio de recompensa, oferecendo alimentos às
crianças como forma de reforçar comportamentos desejados, colocando a comida como uma
moeda de troca, recompensando a criança com o alimento ou até mesmo estabelecendo associações
que podem resultar em consequências prejudiciais no futuro, como a promoção da ideia de "comer
para ficar forte", "comer para não ficar doente”, "comer para suportar a rotina de estudos", entre
outras. Isso pode criar a percepção de que, em momentos difíceis, a comida se torna um recurso
para buscar força e conforto. É crucial destacar o potencial da educação como um agente de
mudança nos estilos de vida e na formação de hábitos alimentares saudáveis. Na promoção de uma
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alimentação adequada, é importante ressaltar dois pontos fundamentais: primeiro; a modificação
de comportamentos alimentares a longo prazo é um objetivo que frequentemente enfrenta desafios
significativos; segundo; os hábitos alimentares na idade adulta têm raízes nos hábitos adquiridos
na infância. Esses dois aspectos apontam para a necessidade de concentrar esforços na intervenção
e promoção de comportamentos alimentares saudáveis nos primeiros anos da infância, a fim de
que perdurem ao longo de toda a vida (SILVA et al, 2008; citado por TORRES et al, em 2020).
Ao longo do tempo, houve várias mudanças na definição do que é considerado um corpo ideal,
como o corpo magro, musculoso ou "fitness", que atualmente é visto como um estereótipo
desejado. Os conteúdos veiculados pelos meios de comunicação têm o potencial de exercer
influência nas escolhas de um indivíduo, afetando tanto sua saúde física quanto sua saúde mental
de várias maneiras. Por um lado, esses meios promovem um ideal de beleza centrado na magreza
e, por outro lado, enfatizam a importância da alimentação, apresentando imagens de comida e
divulgando informações distorcidas sobre nutrição. Isso pode levar as pessoas a adotarem práticas
alimentares questionáveis (TIGGEMANN et al., 2018; citado por FERNANDES EM 2019).
Além disso, é fundamental ressaltar o impacto significativo das tendências sociais, dos meios de
comunicação e das redes sociais em nossa percepção e relação com a alimentação. A divulgação
de informações relacionadas à alimentação em plataformas online, blogs e programas de televisão
que é algo normatizado. Paralelamente, a proliferação de aplicativos voltados para a alimentação
e o bem-estar é uma realidade, com uma ampla gama de conteúdos sobre comida sendo
compartilhados instantaneamente (Lupton & Fieldman, 2020; citado por RODRIGUES 2021).
Nos últimos anos, temos observado um aumento da busca por um estilo de vida mais saudável,
com ênfase na nutrição, evitando alimentos considerados "não saudáveis" ou prejudiciais à saúde.
Isso cria uma divisão nítida, de um lado, temos produtos considerados benéficos e saudáveis,
enquanto do outro, encontramos produtos demonizados considerados prejudiciais à saúde.
(RODRIGUES 2021).
A literatura tem enfatizado que a definição de uma alimentação saudável é uma tarefa complexa.
Enfrentamos um cenário em que existe uma abundância de informações disponíveis, muitas delas
desprovidas de respaldo científico, mas que se espalham rapidamente. A ênfase na priorização da
saúde e do bem-estar, muitas vezes relegando esses aspectos acima de tudo o mais, reduz a
concepção fundamental de saúde a uma abordagem estritamente nutricional dos alimentos e a
padrões rigorosos do que é considerado ideal em termos de saúde, em detrimento de outras
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dimensões, como o prazer e a dimensão social. (Crawford, 2006; Katz, 1997, citado por Arguedas,
2020; citado por RODRIGUES 2021).
O engajamento com as redes sociais, muitas vezes apresentando uma realidade que não
corresponde à vida cotidiana, pode resultar em sentimentos de insatisfação, vazio e tristeza. Isso
pode ter um impacto negativo na satisfação com o próprio corpo e levar à distorção da imagem
corporal devido à busca de um ideal de beleza ou padrão estético. Esses fatores podem, por sua
vez, influenciar a adoção de práticas alimentares pouco saudáveis ou inadequadas.
(FERNANDES,2019).
Classificar alimentos como "bons ou ruins", "saudáveis ou não saudáveis" não é benéfico para os
pacientes. Em vez disso, incentiva-se a inclusão de alimentos em uma "alimentação saudável"
baseada no equilíbrio e levando em consideração atributos essenciais como sabor e prazer. Essa
abordagem visa capacitar o paciente a tomar decisões mais informadas em relação à sua dieta,
considerando não apenas os aspectos nutricionais dos alimentos, mas também o contexto de sua
vida biopsicossocial e cultural (MATHIAS, 2021).
A obesidade na contemporaneidade é um fenômeno complexo que abrange uma variedade de
fatores, desde políticas de controle do corpo até os padrões de beleza estabelecidos. Além disso,
as normas sociais estão ligadas à midiatização das imagens, o que resulta em uma exposição
excessiva dos corpos. Diante desse cenário, compreendemos as causas que contribuem para o
aumento crescente do número de pessoas que optam por cirurgias estéticas. Neste contexto, a
cultura desempenha um papel significativo, uma vez que a mesma cultura que incentiva o consumo
excessivo de alimentos como um símbolo de status é a mesma que, de maneira paradoxal, rotula o
indivíduo como alguém que não se encaixa nos padrões de beleza socialmente aceitos. Isso ilustra
a ambiguidade das influências culturais sobre o comportamento alimentar e a percepção da
imagem corporal. (FERNANDES,2019).
Transtornos Alimentares e Fatores Psicológicos
Diante disso, o Transtorno Alimentar (TN) desempenha um papel crucial ao auxiliar o paciente na
construção de um percurso gradual, tornando viável a execução do planejamento alimentar.
Profissionais especializados em Transtornos Alimentares utilizam diversas técnicas, incluindo a
"Entrevista Motivacional", "Comer Intuitivo", "Comer em Atenção Plena" e a "Terapia Cognitivo
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Comportamental". Estas técnicas são escolhidas com base na sua eficácia e são aplicadas para
motivar o paciente no processo de mudança do comportamento alimentar (ALVARENGA, 2019).
Além disso, é essencial ressaltar que a abordagem terapêutica busca considerar as características
individuais do paciente, incluindo traços de personalidade como possessividade, perfeccionismo,
passividade e introversão, que são comuns em casos de Anorexia Nervosa (AN). Por outro lado,
pacientes com Bulimia Nervosa (BN) apresentam frequentemente traços de sociabilidade,
comportamento gregário, inclinação a comportamentos de risco e impulsividade. A impulsividade
e a instabilidade afetiva são aspectos centrais em pessoas com Bulimia Nervosa, enquanto o
Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) é uma comorbidade comum nesses casos.
Considerando também a influência de padrões de interação familiar no desenvolvimento de
Transtornos Alimentares, é crucial que a abordagem terapêutica leve em conta as percepções
diferenciadas que pacientes com AN e BN têm sobre suas famílias. Isso envolve reconhecer as
descrições idealizadas de famílias por parte de pacientes com AN e as queixas de falta de afeto e
cuidados por parte de pacientes com BN, contrastando essas percepções com observações de
pessoas próximas. A abordagem terapêutica deve, portanto, ser sensível às nuances individuais de
cada caso, considerando não apenas os sintomas manifestos, mas também as características
pessoais, familiares e culturais que podem influenciar o desenvolvimento e a manutenção dos
Transtornos Alimentares. (ALVARENGA, 2019).
Estratégias para escolhas alimentares mais conscientes
Escolher alimentos de forma consciente é fundamental para uma dieta saudável e equilibrada. Aqui
estão algumas estratégias que constam no GUIA ALIMENTAR DA POPULAÇÃO BRASILEIRA,
2021, de modo a conscientizar a população a fazer escolhas alimentares mais conscientes, com
referências para ajudar na tomada de decisões informadas:
• Leia rótulos nutricionais: Ao comprar alimentos embalados, leia os rótulos nutricionais
para entender melhor o conteúdo de calorias, gorduras, proteínas, fibras, açúcares e outros
nutrientes. Use essas informações para tomar decisões mais informadas sobre o que você
está comendo.
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• Conheça os ingredientes: Verifique a lista de ingredientes nos rótulos dos alimentos.
Procure alimentos com ingredientes naturais e evite produtos com uma longa lista de
ingredientes químicos e aditivos.
• Priorize alimentos integrais: Alimentos integrais, como frutas, vegetais, grãos inteiros,
proteínas magras e laticínios com baixo teor de gordura, geralmente são mais nutritivos do
que alimentos processados.
• Reduza o consumo de alimentos ultraprocessados: Evite alimentos ricos em açúcar,
gorduras trans, sódio e outros aditivos artificiais, pois eles geralmente são prejudiciais à
saúde.
• Planeje refeições equilibradas: Tente criar refeições equilibradas que incluam uma
variedade de alimentos de diferentes grupos alimentares. Isso garantirá que você obtenha
os nutrientes necessários.
• Pratique a moderação: A moderação é a chave para uma alimentação saudável. Mesmo
alimentos menos saudáveis podem ser desfrutados ocasionalmente, desde que não se
tornem a base da sua dieta.
• Esteja atento às porções: Comer porções adequadas é importante para evitar o excesso de
calorias. Use tamanhos de porção recomendados e evite porções excessivamente grandes.
• Esteja atento à fome e saciedade: Coma quando estiver com fome e pare quando estiver
satisfeito. Isso ajuda a evitar o excesso de comida.
• Evite comer em frente à TV ou ao computador: Comer distraído pode levar ao consumo
excessivo de calorias. Tente comer conscientemente, focando na comida e saboreando cada
mordida.
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• Faça escolhas sustentáveis: Considere o impacto ambiental de suas escolhas alimentares.
Opte por alimentos locais e sazonais sempre que possível e reduza o desperdício de
alimentos.
• Consulte profissionais de saúde: Se tiver dúvidas sobre sua dieta ou necessidades
alimentares específicas, consulte um nutricionista ou médico para orientação
personalizada.
Entretanto, é importante destacar que o aumento do consumo da comida afetiva durante emoções
negativas tem elevado o padrão da obesidade e consequentemente níveis psicossomáticos. O
excesso de peso relacionado ao exagero da comida emocional revela a existência de componentes
afetivo-emocionais no fator obesidade, causando alterações no comportamento alimentar do
indivíduo. (VILELA, 2020).
Em conclusão, é essencial reconhecer a interligação entre as escolhas alimentares conscientes, a
saúde emocional e a obesidade. A compreensão desses fatores é crucial para desenvolver
estratégias eficazes no combate aos padrões alimentares prejudiciais, promovendo assim uma
abordagem holística para o bem-estar físico e mental. (ALVARENGA, 2019).
Implicações para a saúde publica
A relação entre saúde e alimentação é um aspecto crucial que deveria ser enfatizado nas políticas
de saúde pública, visando o bem-estar de todas as faixas etárias da população. A conscientização
sobre como nossas escolhas alimentares afetam nossa saúde mental é essencial, e as intervenções
podem trazer benefícios significativos. Para a população mais jovem, deve ser incorporado nas
escolas, programas educacionais voltados a educação nutricional, habilidades culinárias desde
cedo. Desse modo ensinar importância de uma alimentação equilibrada, a conexão entre alimentos
e emoções e a prevenção de transtornos alimentares, estamos fornecendo-lhes ferramentas para
tomar decisões alimentares mais conscientes e saudáveis ao longo de suas vidas. (GUIA
ALIMENTAR DA POPULAÇÃO BRASILEIRA, 2021).
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Por outro lado, a população mais idosa também se beneficia de intervenções relacionadas à
alimentação e saúde mental. À medida que envelhecemos, a saúde mental pode ser influenciada
por fatores como solidão, depressão e ansiedade. Uma dieta equilibrada, rica em nutrientes que
apoiam a função cerebral, pode contribuir para a saúde mental e reduzir o risco de declínio
cognitivo. A relação entre saúde mental e alimentação é uma questão que afeta a todos,
independentemente da idade. Portanto, a conscientização e as intervenções relacionadas à
alimentação e saúde mental devem ser integradas às políticas de saúde pública de maneira
abrangente, visando a promoção do bem-estar e a prevenção de problemas de saúde mental em
todas as faixas etárias da população. A educação e o acesso a alimentos saudáveis desempenham
um papel vital nesse processo, garantindo que as pessoas possam tomar decisões alimentares
conscientes e benéficas para sua saúde mental ao longo da vida. (MINISTERIO DA SAÚDE, 2021).
Conclusão
A relação entre emoções, fatores sociais, culturais e escolhas alimentares é complexa e tem um
impacto significativo na saúde física e mental. Este trabalho explorou como as emoções, como
estresse e felicidade, influenciam as escolhas alimentares impulsivas e menos saudáveis, enquanto
os fatores sociais e culturais pressionam a conformidade com expectativas do grupo e associam
determinadas emoções a pratos específicos. Essa dinâmica pode levar a problemas de saúde física,
como obesidade, distúrbios alimentares e deficiências nutricionais, afetando o bem-estar
emocional das pessoas.
A nutrição desempenha um papel vital na saúde mental, e compreender a interseção entre
psicologia e nutrição é fundamental para lidar com hábitos alimentares disfuncionais e transtornos
alimentares. A pesquisa revelou a influência da regulação emocional na alimentação e como a falta
de controle emocional pode levar a comportamentos alimentares prejudiciais. Os fatores sociais e
culturais desempenham um papel importante nas escolhas alimentares, com influências que vão
desde a infância, como a educação alimentar e a cultura familiar, até a mídia e as tendências
alimentares contemporâneas. A busca incessante por padrões de beleza muitas vezes distorcidos e
as pressões sociais podem levar a insatisfação com o corpo e distorção da imagem corporal,
contribuindo para transtornos alimentares.
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O trabalho também destacou a importância da escolha alimentar consciente, que vai além de
classificar alimentos como "bons ou ruins". Incentivar a inclusão de alimentos em uma
"alimentação saudável" com base no equilíbrio e no prazer é uma abordagem mais capacitadora,
levando em consideração aspectos nutricionais, bem como o contexto de vida biopsicossocial e
cultural.
Além disso, foram fornecidas estratégias para escolhas alimentares mais conscientes, que incluem
a leitura de rótulos, o conhecimento de ingredientes, a priorização de alimentos integrais, a
moderação, a atenção à fome e saciedade, entre outras.
Essas descobertas têm implicações significativas para a saúde pública. É crucial que políticas de
saúde incluam a conscientização sobre a relação entre alimentação e saúde mental, bem como
intervenções desde a infância até a terceira idade. Educação nutricional e habilidades culinárias
nas escolas, programas educacionais e campanhas de conscientização são essenciais para capacitar
as pessoas a tomar decisões alimentares mais saudáveis e conscientes. Além disso, políticas
públicas devem promover o acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis e incentivar ambientes
que favoreçam escolhas alimentares saudáveis.
Em resumo, este trabalho destaca a importância de uma abordagem holística para a relação entre
psicologia, nutrição e escolhas alimentares, visando o bem-estar físico e mental de indivíduos de
todas as idades.
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