Conduta Moral
Ética da Advocacia
Conduta Ética
Deontologia jurídica
Ética no Direito
Moral e Ética
Dentologia
A Deontologia Jurídica e a sua aplicação no âmbito do direito moderno
CONDUTA MORALÉTICA DA ADVOCACIACONDUTA ÉTICADEONTOLOGIA JURÍDICAÉTICA NO
DIREITO
A Deontologia Jurídica e a sua aplicação no âmbito do direito moderno
Publicado por Tiago Ferreira
há 4 anos
RESUMO
O objetivo do presente artigo é pautar as ideias da Deontologia e, mais especificamente, da
Deontologia Jurídica no campo do Direito, abarcando uma conscientização efetiva dos sujeitos
que fazem parte da profissão jurídica. Deve-se frisar que para se alcançar uma função social e
atingir satisfatoriamente o interesse público, é necessário que se haja um comportamento ético
-profissional dos operadores do Direito evitando, assim, atos desonestos e corruptos, sempre
em respeito ao interesse público e aos princípios que envolvem a ética profissional dos juristas.
Pode-se dizer que Deontologia Jurídica é sinônimo de Ética-Profissional, sendo, portanto,
elemento essencial na delimitação de condutas dos profissionais do Direito. A ética e a moral
são de extrema importância no desenvolver da profissão, uma vez que o operador do Direito
tem o papel fundamental de atender à satisfação dos direitos dos cidadãos, onde atuará com
probidade e evitará os possíveis abusos advindos do Poder Público, seja como Advogado, Juiz,
membro do Ministério Público, Defensor Público, bem como os demais profissionais jurídicos
que atuem em prol dos princípios éticos e constitucionais.
Palavras-chave: Deontologia, Deontologia Jurídica, função social, interesse público, Ética-
Profissional.
1. INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como intuito a tratativa acerca do tema da “Deontologia Jurídica”, assim
como os aspectos e as características inerentes ao âmbito da Deontologia e do Direito. A
Deontologia Jurídica é sinônimo de Ética Profissional, uma vez que esse instituto jurídico tem
como objeto o estudo do comportamento ético das profissões do Direito, para que haja uma
adequação no exercício desses profissionais.
Assim, será observado a grande importância da Deontologia Jurídica no âmbito do Direito, bem
como a problemática relacionada à sua plena aplicação no plano jurídico moderno, resultante
de pensamentos antropocêntricos, tendo em vista a dificuldade que vem sendo dada à sua
aplicação pelos operadores do Direito nos dias atuais, pois muito se observa a falta de ética e
de boa-fé desses profissionais para com os seus colegas de profissão, atingindo, inclusive,
terceiros que necessitam de uma tutela jurídica efetiva.
Obstante à essas práticas, a deontologia jurídica deve servir de ferramenta para que a profissão
jurídica seja exercida plenamente, respeitando devidamente os seus princípios e valores,
afastando a corrupção e a desonestidade advinda de juízes, advogados, promotores,
defensores públicos e tantos outros profissionais que possuem o papel essencial de
proporcionar a satisfação do interesse público.
2. A DEONTOLOGIA E SEUS ASPECTOS
Inicialmente, cumpre decifrar o que seria o termo deontologia, cuja etimologia deriva do grego
“déon” ou “deontos” com significado de dever ou obrigação e “logos”, que pode ser discurso ou
tratado. Portanto, além da deontologia ser conhecida como tratado ou conjunto de deveres e da
moral, também pode ser compreendida como ciência do dever e da obrigação, termo este que
está interligado intrinsecamente com a filosofia, a ética e a moral, tendo como fim, modelar o
exercício de determinados grupos de profissionais.
Sabe-se que para se viver plenamente em uma sociedade é necessário que sejam interpostas
determinadas regras de condutas, proporcionando, assim, a delimitação de como se deve ou
não agir e punindo os que desrespeitem as referidas regras, proporcionalmente. O mesmo
ocorre em determinados grupos profissionais, onde para que prevaleçam a honestidade e a
probidade dos agentes, faz-se necessário haver uma regulação de condutas, com o fito de
conduzir o comportamento destes grupos, evitando-se que tais práticas possam se reproduzir
gerando desonra à ética que se propõe.
O termo foi introduzido pelo filósofo e jurista Jeremy Bentham, o qual propôs tratar a ética
como fundamento do dever e das normas.
Observa-se o porquê que a deontologia também é conhecida como “Teoria do Dever”, onde
mais uma vez demonstra-se o destaque no campo das profissões, sendo necessário se
constituir códigos de condutas com fundamentos éticos e morais, para que assim seja possível
nortear o cumprimento das atribuições acerca dessas profissões. É possível calcular a grande
importância da deontologia quando se mede o papel em determinados grupos profissionais,
podendo abarcar, em sua espécie, a Deontologia Jurídica, Médica, Farmacêutica, Contábeis e
muitas outras existentes. Portanto, o entendimento que se deve extrair da deontologia é que
este instituto abarca princípios e regras de condutas e deveres, sendo necessário que cada
profissional seja regulamentado por um contexto deontológico específico, onde seja delimitado
suas formas de agir e exercer a referida profissão. Assim ocorre com os Códigos de Ética, por
exemplo, criados com o fito de se ter uma prestação de serviço plena e confiável em relação às
suas relações pessoais e sociais, onde não seria possível se não houvesse a presença da ética
e da moral.
Como se vê, a deontologia está entrelaçada com a ética e a moral, tendo-as como fundamento
de seu estudo, uma vez que estes institutos são destaques da ciência filosófica. Vale a
diferenciação de cada um destes institutos para melhor compreensão do tema aqui abordado:
A origem etimológica de Ética é o vocábulo grego "ethos", a significar "morada", "lugar onde se
habita". Mas também quer dizer "modo de ser" ou "caráter" (NALINI, 2009, p. 19).
Nas palavras de Nalini, ética se faz mediante condutas reiteradas de uma dada sociedade,
baseada nos costumes sociais e no caráter das pessoas, ou seja, é considerada como algo já
inserido nos costumes dos cidadãos, mediante um hábito bondoso, empírico e virtuoso, que é
passada de geração para geração, evoluindo juntamente com a sociedade. A ética,
diferentemente da moral, possui uma natureza mais ampla onde abrange o próprio
entendimento de “ciência da práxis”, assim como disciplinava filosoficamente Platão e
Aristóteles. Portanto, a ética não possui natureza coercitiva, na verdade, sua função é de
formalizar e prever os valores, costumes e princípios construídos por uma dada sociedade
como o ser e o dever ser, fazendo com que esses valores sejam perpetuados e adequados ao
meio social presente, dando ênfase às normas morais.
A moral do romano “mores”, pode ser compreendida também como “costumes”, que mais
propriamente se refere ao conjunto de normas que visam regulamentar as condutas e o
comportamento humano. Há na moral uma concretude maior do que na ética, onde se há a
presença de normas com fito de guiar o homem, diferenciando o certo do errado, o moral do
imoral, de modo mais coercitivo.
Destaca-se, pois, que a deontologia se assemelha à ética, onde o seu intuito é buscar constituir
e adequar as normas morais existentes. Nos dias atuais, pode-se conhecer a deontologia como
a “Ética Profissional”, instituto utilizado como ferramenta de diversas áreas profissionais, tendo
o objetivo justamente de suplementar as ações dos homens, evitando-se que estes atuem de
forma incorreta e injusta um para com os outros.
3. A DEONTOLOGIA JURÍDICA
Como demonstrado anteriormente, a deontologia tem função de regulamentar certos grupos
profissionais englobando a ética e a moral na sua prática. Logo, seria um equívoco afirmar que
o Direito não está abarcado pela Deontologia, que neste caso trata-se, mais especificamente,
da Deontologia Jurídica.
Consoante as escritas do professor Luiz Lima Langaro (2008, p. 152), este dispõe acerca do
conceito de deontologia jurídica, a saber:
"Podemos, então, dizer que, etimologicamente, o conceito de deontologia é a"ciência dos
deveres"ou simplesmente"tratado de deveres". Consequentemente, Deontologia Jurídica é a
disciplina que trata dos deveres e dos direitos dos agentes que lidam com o Direito, isto é, dos
advogados, dos juízes e dos promotores de justiça, e de seus fundamentos éticos e legais."
Verificado o conceito, destaca-se mais uma vez que a ética se assemelha com a deontologia,
uma vez que, o objeto da primeira, versa sobre as orientações de condutas morais, já a
segunda, tem como seu objeto as regras morais ou jurídicas que visam controlar as ações de
membros de um determinado grupo profissional. Desse modo, ambas as ciências acrescem à
conduta um dever com fundamento na moral, pois um profissional regulado pela ética terá o
instinto de agir de forma positiva, tendo ele, portanto, que observar se seus atos praticados
estão de acordo ou não com a moral, fazendo com que se sinta limitado na sua forma de agir.
Portanto, se na prática o profissional internamente já qualifica a sua pretendida ação como
positiva, deverá ele segui-la por ser a mais correta, cristalizando o entendimento proposto pela
deontologia jurídica.
Para melhor compreensão, dispõe Nalini (2009, p. 135), com as palavras de Manuel Santaella
López (1992):
"(...) a deontologia jurídica há de compreender e sistematizar, inspirada em uma ética
profissional, o status dos distintos profissionais e seus deveres específicos que dimanam das
disposições legais e das regulações deontológicas, aplicadas à luz dos critérios e valores
previamente decantados pela ética profissional. Por isso, há que distinguir os princípios
deontológicos de caráter universal (probidade, desinteresse, decoro) e os que resultam
vinculados a cada profissão jurídica em particular: a independência e imparcialidade do juiz, a
liberdade no exercício profissional da advocacia, a promoção da justiça e a legalidade cujo
desenvolvimento corresponde ao Ministério Público etc."
Diante do quanto observado, conclua-se que não é o bastante que o (a) bacharel em Direito
tenha uma grande educação moral, pois mesmo que este possua uma boa orientação
educacional transmitida pelos seus pais ou pelos dogmas religiosos, isto não será o suficiente
para fazer com que aquele profissional saiba se portar durante o exercício da sua profissão,
uma vez que para aquela profissão, em especial, é sempre necessário haver um estudo
aprimorado de comportamento profissional. Desse modo, faz-se imprescindível que o
profissional seja doutrinado de maneira ética, porém especificadamente de acordo com a
profissão que exerça, como ocorre, por exemplo, na medicina e na advocacia, vez que cada
uma delas terá o seu respectivo estilo ético de trabalhar obedecendo as diretrizes que lhes
foram ensinadas durante a graduação, sempre em prol de que seja resguardado o cumprimento
de suas obrigações para com os seus pacientes ou clientes, respectivamente.
4. A IMPORTÂNCIA DA DEONTOLOGIA JURÍDICA PARA OS JURISTAS
Como se observou nos capítulos anteriores, a deontologia aplicada ao estudo do Direito tem
grande relevância na serventia do dia a dia do profissional, não só do advogado, como também,
das demais figuras públicas que se vinculam ao campo jurídico. Assim, sendo a deontologia a
ciência dos deveres, a Deontologia Jurídica trata mais propriamente sobre os direitos e
obrigações dos operadores do Direito, sejam eles os advogados, juízes, promotores,
defensores públicos, delegados, bem como as demais figuras públicas vinculadas ao âmbito do
Direito.
De acordo com o princípio fundamental da deontologia forense, o profissional do Direito deve
ter em mente que ele possui uma grande responsabilidade, não só a de aplicar a lei no caso
concreto, mas a de saber como aplica-la da maneira mais correta e efetiva. Não obstante ao
conhecimento técnico e apurado do Direito, será ainda necessário que o profissional jurídico
atue com zelo aos princípios e valores sociais devendo impor comportamentos voltados para
as mudanças e avanços que a sociedade lhe propõe, sempre atuando em respeito à ciência,
com consciência perante seus colegas e jurisdicionados. Além do princípio da deontologia
forense supramencionado, há também outros como o da dignidade, do decoro profissional, do
coleguismo, da correção profissional, da diligência, da confiança, da fidelidade e etc. Na obra de
Miguel Reale (2002, p. 163), cumpre manifestar o entendimento previsto pelo professor Sílvio
de Macedo (1982):
"O homem pelo Direito, adquire uma inserção no processo social e adquire uma consciência
aguda da transformação da comunidade. Não é êle apenas o técnico do Direito, quando tem
vocação deontológica. O Direito não se exaure como função técnica, porque se completa
deontològicamente. E essa auto-consciência reflexa não é uma imposição profissional, e sim
algo além do pragmatismo jurídico, um privilégio de quem tem algo a dar à humanidade."
Facilmente se observa a importância da ética profissional no exercício dos operadores do
Direito. O juiz é uma das figuras que deve atuar inteiramente com a deontologia jurídica, pois ao
julgar um processo o que estará em jogo será os interesses de um particular, muitas vezes com
extrema necessidade, como casos de vida ou morte. Seria um bom exemplo, quando o
advogado requere um pedido de tutela cautelar, porém a situação exigia a concessão de uma
tutela antecipada de urgência. Nesses casos, é plenamente cabível a aplicação do princípio da
fungibilidade pelo juiz, acatando a tutela com efeito diverso, ou seja, da que se pretendia. Além
do juiz, a figura do promotor também é inteiramente importante que atue com probidade, uma
vez que este tem como papel principal a fiscalização da fiel execução da lei, ou seja, deverá
atuar com lealdade, transparência e com respeito tanto à Carta Magna presente no
ordenamento jurídico brasileiro e as demais legislações, quanto aos seus colegas (juízes e
defensores). Outro exemplo de figura imprescindível à administração da justiça é o defensor
público, pois terá ele o papel de assegurar os direitos dos assistidos hipossuficientes que não
possuem condições financeiras para custear um advogado particular.
O Código de Ética e Disciplina da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em seu Capítulo I “Das
Regras Deontológicas Fundamentais”, no seu artigo 2º dispõe:
"Art. 2º O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado
democrático de direito, da cidadania, da moralidade pública, da Justiça e da paz social,
subordinando a atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce.
Parágrafo único. São deveres do advogado:
I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo seu
caráter de essencialidade e indispensabilidade;
II – atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e
boa-fé;
III – velar por sua reputação pessoal e profissional;
IV – empenhar-se, permanentemente, em seu aperfeiçoamento pessoal e profissional;
V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis;"
Outro princípio que reforça a grande importância dos valores inerentes às figuras jurídicas
citadas anteriormente é o da função social, que terá como seu objeto a transformação da
sociedade em prol da consciência e da satisfação jurídica de todos os cidadãos. Complementa
o professor Sílvio de Macedo (1982) na obra de Miguel Reale (2002, p.162): “Ao Jurista,
consciente dessa responsabilidade na sua profissão, se lhe pode atribuir o "papel" de agente
transformador da sociedade.”
A função social do advogado ocorre quando este presta efetivamente o seu papel jurídico,
atuando de forma consciente e se pautando nas fontes, nas leis e nos princípios jurídicos
existentes. O advogado deve buscar atender aos direitos fundamentais previstos na Carta
Magna inerentes a todos os cidadãos, devendo fazer com que estes direitos sejam
reconhecidos pelo judiciário quando forem feridos por algo ou alguém. A função social do
advogado visa preservar a ordem jurídica e a justiça social assegurando a plena aplicação das
leis com lealdade e transparência. O professor Sílvio de Macedo (1982, p.164) ressalta: “Com
essa consciência deontológica, o Jurista não respeita tabus, nem preconceitos. É uma força
inteligente em ação, a serviço da transformação da sociedade.”
Logo, o advogado tem a típica função de administrar e aplicar a justiça, possibilitando que o
seu patrocinado tenha a plena tutela jurisdicional do Estado, devendo este confiar no papel do
causídico. Deverá o advogado atuar de forma ética, buscando por todos os meios jurídicos
possíveis assegurar os direitos do seu cliente, compondo, portanto, a angularização processual
(Estado-juiz, advogado e parte).
5. A DEONTOLOGIA JURÍDICA NO ÂMBITO DA ADVOCACIA MODERNA
O Direito brasileiro moderno vem enfrentando diversos problemas no que tange à sua fiel
aplicação ética, problemas estes advindos das figuras dos juízes, advogados e dos membros
do Ministério Público, tornando-se estatísticas no âmbito da improbidade administrativa e dos
crimes voltados para a ordem econômica brasileira. São, portanto, atos que vão de encontro
com os ditames da deontologia jurídica e da Lei Maior que rege todo o território nacional.
Apesar de todo conteúdo ético demonstrado e a importância dos valores referentes à
deontologia jurídica, muitas vezes os operadores do Direito, que deveriam prestar um serviço
público adequado, íntegro e efetivo, agem em desacordo com a lei para se locupletar às custas
do Estado, acarretando grande prejuízo, não só para a Administração Pública, como também
para o interesse público presente. Tal fato demonstra a problemática existente em relação ao
fiel cumprimento da Ética Profissional, onde a visão dos homens tornou-se cada vez mais
egoísta e antropocentrista.
O Direito é ferramenta imprescindível para alcançar a paz e a justiça social pois desde que haja
mais de uma pessoa em um único território, embates e direitos irão surgir a partir dali em
relação aos bens pertencentes a cada um e ao respeito que estes deverão possuir um para
com o outro. Tanto é verdade que não se sabe ao certo quando e onde o Direito surgiu para as
civilizações, porém, a certeza é que ele se tornou necessário. Sequencialmente após o
surgimento das normas surgiram também pessoas que pudessem intermediar a sua aplicação,
os Advogados, satisfazendo os direitos dos cidadãos face às irregularidades do Estado
soberano.
Em relação ao tema abordado e a advocacia, cabe reafirmar o importante papel dado aos
advogados pela Constituição Federal de 1988, onde no seu artigo 133 diz: “Art. 133. O
advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e
manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.
Como observado, a figura do advogado é de extrema importância para a administração da
justiça, pois é para ele que os cidadãos recorrem em busca da concessão de uma tutela judicial
efetiva e célere. A problemática surge quando os advogados, que estão regidos por um Código
de Ética, atuam com inobservância das normas e princípios éticos para se locupletarem às
custas do seu cliente, muitas vezes hipossuficiente em termos de conhecimentos jurídicos e
que o procurou para satisfazer o seu interesse.
Fundamenta Nalini (2009, p. 145) ao afirmar:
"Vive-se um momento trágico nas carreiras jurídicas. Há um sentimento disseminado de que
existe uma irreconciliável divisão entre o legal e o moral. E isso elimina a fé pública na lei. Os
advogados parecem desdenhar essa percepção popular e reforçam a impressão de que a ética
e a moral não têm lugar na lei."
O fato é notório e tem como exemplos: a falta de sigilo profissional; a cobrança de honorários
acima do recomendado, acarretando prejuízo ao cliente; desrespeito aos outros colegas,
quando da captação de clientes mediante promessas jurídicas improváveis; compras de
decisões, muitas vezes incoerentes, mediante pagamento de propina; proposição de atos de
natureza procrastinatória, engarrafando o Judiciário e prejudicando as partes envolvidas na lide
processual, dentre outros...
Assim reafirma Nalini (2009, p. 156):
"Além de regras deontológicas fundamentais, a normativa contempla capítulos das relações
com o cliente, do sigilo profissional, da publicidade, dos honorários profissionais, do dever de
urbanidade e do processo disciplinar. Dentre as linhas norteadoras do Código incluem-se o
aprimoramento no culto dos princípios éticos e no domínio da ciência jurídica."
A advocacia é, portanto, uma profissão que visa garantir a fiel execução da lei, evitando-se que
o particular, que teve o seu direito ferido, permaneça prejudicado, buscando mediante todos os
meios jurídicos e instâncias possíveis que seja assegurada a satisfação do direito. Além de
cumprir o seu papel com respaldo na sua capacidade técnica-jurídica, deverá o advogado atuar
de forma ética, transparente e com consciência, para que o seu cliente tenha uma garantia
jurídica em sua plenitude. Frise-se que a advocacia é uma atividade meio e não fim, ou seja, não
é possível se prometer decisões, mesmo aquelas dadas como “causa ganha”.
De fato, o advogado tem que cumprir com sua função com expertise, entretanto este deverá
sempre lembrar que está revestido de uma função ética e imprescindível à administração da
justiça.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do quanto observado, a deontologia como ciência dos deveres abre um leque de
diversos valores e princípios éticos, adentrando-os nos diversos grupos profissionais.
Demostra-se, pois, ser cada vez mais imprescindível a presença da Deontologia jurídica, da
ética e da moral no âmbito do Direito, pelo motivo de que por muita das vezes vem deixando a
desejar, fato resultante dos comportamentos contrários aos princípios deontológicos
apresentados por muitos dos operadores do Direito.
A Deontologia Jurídica é ciência dos deveres pautados na órbita do Direito. Por ser uma ciência
jurídica, deve o estudo da Deontologia sempre se adequar à modernidade e ao desenvolvimento
social, proporcionando uma estabilidade e uma eficácia maior no que tange os profissionais
específicos da área jurídica.
Para que a proposta ética da deontologia seja cumprida com mais exatidão pelos grupos
profissionais, é importante que não só haja uma delimitação de condutas mais propícia à época
atual, como também é necessário que os profissionais busquem cumprir suas atribuições sem
desrespeitar os ditames do Código de Ética. Os profissionais jurídicos devem ter em mente que
suas práticas ilícitas interferem na saúde pública dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e
Judiciário) como também a si mesmos.
Portanto, reitera-se que tais profissionais devem ter em mente que é possível se obter sucesso
na carreira jurídica sem ir de encontro com os princípios éticos e deontológicos e, por fim, sem
acarretar prejuízos ao interesse público.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF,
Senado, 1988.
BRASIL. Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994. Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB).
Código de Ética e Disciplinar da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, VADE MECUM, Editora
Saraiva, 21ª edição, 2016, São Paulo.
LANGARO, Luis Lima. Curso de Deontologia Jurídica. 6ª ed. São Paulo. Saraiva, 2008.
MACEDO, Sílvio de. História do Pensamento Jurídico. 1º ed. Rio de Janeiro. Freitas Bastos,
1982.
NALINI, José Renato. Ética Geral e Profissional. 7ª ed. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2009.
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20ª. Ed. São Paulo. Saraiva, 2002.
SANTAELLA, Manuel Lopez. El nuevo derecho de la publicidad. 1ª ed. Madri. Civitas, 1992.
DEONTOLOGIA JURÍDICA. Disponível em: <[Link] Acesso em:
10 out. 2017.
FUNÇÃO SOCIAL DO ADVOGADO: PROFISSIONALISMO E ÉTICA. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 10 out. 2017.
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