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Desaparecimento na Floresta dos Sussurros

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Na cidadezinha de Vale Sombrio, havia uma lenda antiga sobre a Floresta dos Sussurros.

Os moradores sempre advertiam os mais jovens a nunca se aventurarem lá, especialmente


após o anoitecer. Diziam que a floresta era habitada por algo antigo e maligno, algo que se
alimentava do medo e das almas dos incautos.

Júlia, uma jovem cheia de vida e ceticismo, não acreditava em tais histórias. Para ela, eram
apenas superstições criadas para assustar as crianças. Quando seus amigos mencionaram
a floresta durante uma noite de conversa, ela riu e desafiou a todos, dizendo que iria até lá
sozinha e passaria a noite inteira sem medo algum.

Apesar das tentativas dos amigos de dissuadi-la, Júlia estava decidida. Naquela mesma
noite, ela pegou uma lanterna, seu celular e seguiu em direção à Floresta dos Sussurros. A
lua estava coberta por nuvens pesadas, e o vento soprava suavemente, carregando consigo
um murmúrio quase imperceptível.

Ao chegar na entrada da floresta, Júlia sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas
ignorou o sentimento. A floresta era densa, com árvores antigas e galhos retorcidos que
pareciam formar figuras fantasmagóricas no escuro. A cada passo, o som de folhas secas
esmagadas sob seus pés ecoava, como se algo estivesse seguindo-a.

Conforme adentrava mais na floresta, Júlia começou a ouvir sussurros distantes, quase
como vozes chamando seu nome. Ela parou, olhando ao redor, mas não viu nada além da
escuridão e das sombras das árvores. "É só o vento", disse a si mesma, tentando manter a
calma.

Os sussurros, no entanto, não pararam. Eles ficaram mais altos, mais insistentes,
parecendo vir de todas as direções. "Júlia... Júlia..." A voz era arrastada e distorcida, como
se estivesse sendo puxada de outro mundo. Ela começou a sentir seu coração acelerar,
mas ainda assim continuou, tentando provar para si mesma que não havia nada a temer.

De repente, a lanterna de Júlia piscou e apagou, mergulhando-a na escuridão total. Ela


tentou acendê-la novamente, mas a lanterna não respondia. Em pânico, pegou o celular,
mas o dispositivo também estava sem sinal e sem bateria, apesar de estar completamente
carregado quando saiu de casa.

O medo começou a tomar conta. Os sussurros agora estavam ao seu redor, formando
palavras que ela não conseguia compreender. Júlia começou a correr, mas a floresta
parecia mudar à medida que avançava. O caminho que ela havia seguido desapareceu, e
as árvores pareciam se fechar ao seu redor, formando um labirinto de escuridão.

Ela tropeçou em uma raiz e caiu, machucando o joelho. Ao olhar para cima, viu uma figura
ao longe, uma sombra alta e indistinta, que parecia flutuar entre as árvores. A figura se
aproximou lentamente, e os sussurros se intensificaram, tornando-se um coro de vozes
macabras.

Desesperada, Júlia tentou se levantar, mas suas pernas não obedeciam. A figura estava
cada vez mais perto, e agora ela podia ver olhos vermelhos brilhando na escuridão, fixos
nela. Um frio sobrenatural tomou conta do ambiente, e Júlia sentiu a vida ser drenada de
seu corpo, como se algo estivesse sugando sua energia.

A última coisa que ela ouviu antes de tudo se apagar foi o som de risadas, risadas sombrias
e distorcidas que ecoavam pela floresta.

Na manhã seguinte, os amigos de Júlia, preocupados por ela não ter voltado, formaram um
grupo para procurá-la. Ao entrarem na Floresta dos Sussurros, encontraram apenas o
celular dela, caído no chão, com uma única foto tirada naquela noite: uma imagem borrada,
mostrando uma sombra alta e indistinta, com olhos vermelhos brilhando no fundo.

Júlia nunca foi encontrada. E desde então, ninguém mais se atreveu a entrar na Floresta
dos Sussurros. A lenda cresceu, e o nome de Júlia foi adicionado à lista daqueles que
desapareceram, sem deixar rastro, nas profundezas daquela floresta amaldiçoada.

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