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Tangência e Derivadas: Conceitos Básicos

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TEMA: DERIVADAS E SUAS APLICAÇÕES

1. Subtema I: Conceitos básicos


1.1. Recta Tangente

A palavra Tangente vem do latim Tangens que significa “Tocar” ou “encostar”. A recta tangente
a uma curva é aquela que “Toca” uma curva em um único ponto.

Definição:

Para definirmos tangência para curvas em geral, precisamos de um método dinâmico que leve em
conta o comportamento das secantes que passam por P e pontos próximos Q, quando Q se move
em direção a P ao longo da curva. Assim:

A tangencia a uma curva em P é a recta através de P cujo coeficiente angular é o limite dos
coeficientes angulares das secantes quando Q> P de cada lado.

1.2. Coeficiente angular e Equação da recta tangente:

O coeficiente angular da curva y=f (x ) em um ponto P ( x 0 , f ( x 0 ) )é o número:

f ( x 0 +h ) −f ( x 0 )
m=lim (Desde que o limite exista )
h →0 h
A reta tangente ao gráfico de f em Pé a reta que passa por P e tem esse coeficiente angular, isto
é:

y−f ( x 0 )=m ( x−x 0 )

Exemplo I:

Determine o coeficiente angular da parábola f ( x )=x 2 no ponto P(2 , 4) .

Escreva uma equação para a tangente à parábola nesse ponto.

Resolução:

Começamos com uma reta secante através de P(2 , 4) e Q(2+ h ,(2+h)2) próximo a P. Então
escrevemos uma expressão para o coeficiente angular da secante PQ e investigamos o que
acontece com o coeficiente angular quando Q se aproxima de Pao longo da curva:

Coeficiente angular da secante:


2 2
Δ y ( 2+ h ) −2 h2 +4 h+4−4 h2 + 4 h
= = = =h+ 4
Δx h h h

Se h> 0, então Q fica acima e à direita de P. Se h< 0, então Q fica à esquerda de P. Em cada caso,
quando Q se aproxima de P ao longo da curva, h tende a zero e o coeficiente angular da secante
tende a4 :

lim ( h+4 )=4


h→ 0

Tomamos 4 como o coeficiente angular da parábola em P. A tangente à parábola em P é a reta


através de P com o coeficiente angular 4:
2
y−2 =4 ( x−2 ) ⟺ y =4 x−8+4 ⟺ y =4 x −4

Exemplo II: Coeficiente angular e a Recta tangente para y=x 2 no ponto ( 1 , f (1) )

Resolução:
2 2 2
f ( 1 ) =1 =1 ; f ( 1+h )= (1+ h ) =h +2 h+1

f ( 1+h )−f ( 1 )
[]
2 2
h +2 h+1−1 h +2 h 0
m=lim =lim =lim =
h →0 h h→0 h h →0 h 0
2 2
h +2 h h +2 h
¿ lim =lim =lim ( h+ 2 )=2
h→ 0 h h →0 h h→0

O coeficiente angular da recta tangente no ponto ( 1 , f ( 1 ) ) :m=2 .

A recta tangente ao gráfico da função y=x 2 no mesmo ponto ( 1 , f ( 1 ) ):


2
y−1 =2 ( x−1 ) ⟺ y=2 x−2+1 ⟺ y=2 x−1

1.3. Taxa de Variação e Derivada num ponto

Consideremos a função f : [ a ,b ] → R. Chamamos taxa de variação de f em [a , b] à razão

f ( b )−f (a)
b−a

Geometricamente, a taxa de variação média corresponde ao declive da secante que une os pontos
do gráfico f ,( a , f ( a ) )e (b , f ( b ) ).

Chamamos taxa de variação instantânea ou derivada de f no ponto de abcissa a ∈ Df ao limite


(quando existe),

f ( b )−f (a)
lim
b→a b−a

Neste caso, a função f diz-se derivável em a e denota-se a derivada de f nesse ponto por f ' ou
df (a)
.
dx

A taxa de variação média [instantânea] também se designa por velocidade média [instantânea]
ou taxa de crescimento média [instantânea], consoante o contexto em que se aplica. Dizemos
que uma função é derivável (num intervalo) se for derivável em todos os pontos desse intervalo.
Tomando h=x−a concluímos imediatamente que a definição de f ' (a) também pode ser
apresentada como o limite, quando existe, de

f ( a+h )−f ( a )
f ' ( x )=lim
h →0 h

O que pode ser útil nalguns cálculos.

Geometricamente, derivada de f em a corresponde ao declive da recta tangente ao gráfico de f no


ponto ( a , f ( a ) ), recta essa cujo declive é o limite dos declives das secantes que unem os pontos do
gráfico de f , ( a , f ( a ) ), e ( x , f ( x ) ),, quando x tende para a .

Tem-se que f é derivável em a se e só se admitir recta tangente ao seu gráfico no ponto ( a , f ( a ) ).


Para determinarmos uma equação para esta recta tangente, comecemos por recordar que uma
equação da recta com declive m que passa no ponto ( x 0 , y 0 ) é dada por,

y− y 0=m ( x−x 0 )
No caso da recta tangente tem-se, x 0=a , y 0 =f (a) e m=f '(a) . Portanto, uma equação da recta
tangente ao gráfico de f em ( a , f ( a ) ) é dada por:

y=f ( a ) + f '( a) ( x−a )

Exemplo I:

A taxa de variação média de f ( x )=5 x 2 +2 x no intervalo [0 ,1] é

f ( 1 )−f (0) 5∙ 12 +2∙ 1−( 5∙ 02 +2 ∙ 0 )


= =5+2=7
1−0 1

A taxa de variação instantânea de f ( x )=5 x 2 +2 x em x=0 , isto é, derivada de f ( x )=5 x 2 +2 x em


x=0 é

' f ( x )−f ( 0 ) 2
5 x +2 x
f ( x )=lim =lim =lim ( 5 x+ 2 )=2
x →0 x −o x→0 x x→0

Para funções definidas por ramos a existência de derivada tem que ser estudada considerando os
limites,

f ' e ( x )= lim ¿
−¿ f ( a +h) −f ( a ) '
h →0 e f d ( x )= lim ¿¿
h h →0
f ( a+ h)−f ( a)
+¿
¿
h

que se designam, respectivamente, por derivada lateral esquerda e derivada lateral direita de
f (x) em x=0 .

A existência de derivada em a é equivalente à existência e igualdade de derivadas laterais nesse


ponto.

Exemplo II:

Consideremos a função

f ( x )=
{2 x−1 , se x ≥1
2
x , se x <1

Tem-se
'
f d (x )= lim ¿
+¿ f ( 1+ h) −f ( 1)
h →0 = lim ¿¿
h +¿ [ 2( 1+h )−1]− (2 ∙1−1)
h→ 0 = lim ¿¿
h 2h
h → 0+ ¿ = 2¿
h

e
'
f e ( x )= lim ¿
−¿ f ( 1+ h) −f ( 1)
h →0 = lim ¿¿
h −¿
2
(1+ h) −1
2

h→ 0 = lim ¿¿
h 2
h +2h
h→ 0−¿ = lim ¿¿
h
h→ 0 −¿ ( h+2) =2 ¿

Como f ' e ( 1 )=f ' d (1 )=2, existe f ' ( 1 ) =2.

Teorema:

Se f : D f → R é uma função derivável num ponto a ∈ Df , então f é contínua em a .

Observações:

 Se f não é contínua num ponto então não é derivável nesse ponto.


 Se f é contínua num ponto, f pode ser não derivável nesse ponto, como ocorre, por
exemplo, com a função f ( x )=x no ponto x=0 .

Derivadas de algumas funções elementares.


Com k , α ∈ R.

1.4. Regras de derivação

Teorema: sejam f , g : D → R funções deriváveis e k ∈ R . São válidas as seguintes propriedades:

 (Derivada da soma ou diferença) f ± g : D→ R é derivável, tendo-se

( f ± g )' (x)=f ' ( x ) ± g' ( x ) , ∀ x ∈ D

 (Derivada do produto) fg : D → R ee derivável, tendo-se

( fg )' ( x )=f ' ( x ) g ( x ) +f ( x) g ' ( x ) , ∀ x ∈ D

Em particular, k ∈ R , kf é derivável e ( kf )' =kf ' .


f
 (Derivada do quociente) se além disso g '(x )≠ 0 para todo o x ∈ D , então :D→R é
g
derivável, tendo-se

()
' '
f ' f ( x ) g ( x )−f (x )g ( x )
(x )= ,∀ x ∈D
g g 2 (x)

Exemplos: determinar a derivada de cada uma das seguintes funções:

1. f ( x )=(x 2+ 2 x )(x 3+1)

5
2x
2. f ( x )= 3
x +1

3. f ( x )=x 4+ x3 +2 x

4. f ( x )=ln x+ se n x

Resolução

1 . f ( x )=( x 2+ 2 x ) ( x 3 +1 ) ⟹ f ' (x)=( x2 +2 x ) ' ( x3 +1 ) +(x 2 +2 x )( x 3+ 1)'

⟺ f ' ( x )=[ ( x 2 ) '+ ( 2 x ) ' ] ( x3 +1 ) + ( x 2+2 x ) [ ( x 3 ) + 1' ]


'

¿ ( 2 x+2 ) ( x 3 +1 ) + ( x 2 +2 x ) ( 3 x 2 )=( 2 x +2 ) ( x3 +1 ) +3 x 2 ( x2 +2 x )
4 ' 3 '
2 . f ( x )=x + x +2 x ⟹ f ( x ) =( x ) + ( x ) + ( 2 x ) =4 x + 3 x +2
4 3 ' ' 3 2

' ' ' 1


3 . f ( x )=ln x + sen x ⟹ f ( x )=( ln x ) + ( sen x ) = +cos x
x

1.5. Teorema sobre funções deriváveis

Teorema 1: se a função f (x) tem derivada no ponto x=c , então f (x) é continua em x=c .

Proposição: uma função é contínua em todos os pontos onde ela é derivável.

Teorema2 (Propriedade do valor intermediário das funções): se a e b são dois pontos


quaisquer do um intervalo [ a , b ] em que f (x) é derivável, então a derivada assume qualquer valor
f ' (a) e f ' (b).
1.6. Derivada de Função composta

Consideremos as funções f (x) e g(x ) onde u=g (x) . Para todo x tal que g(x ) está no domínio de
f (x), podemos escrever y=f ( u )=f (g(x )) , isto é, podemos considerar a função composta
( fog )( x )=f (g( x )).

1.6.1. Teorema: A Regra de Cadeia

Se f (u) é derivável no ponto u=g (x) e g(x ) é derivável em x , então a função Composta
( fog )( x )=f (g( x )) é derivável em x e

( fog )' (x )=f ' ( g ( x ) ) ∙ g' ( x ) =f ' (u) ∙u '

Na notação de Leibiniz, se y=f (u) e u=g (x) , então

dy dy du
= ∙
dx du dx

du
Onde é calculado em u=g (x).
dx

Exemplo I:

7 dy
Dada a função y=( x2 +5 x +2 ) , determinar .
dx

Resolução:
7 2
y=u =f ( u ) , onde u=x +5 x +2=g ( x )

Assim, pela Regra de Cadeia,

dy dy du 6
= ∙ =7 u ∙ ( 2 x+ 5 )=7 ( x +5 x+ 2 ) ∙ ( 2 x+5 )
6 2
dx du dx

Usando a regra de derivação da função composta e a tabela de derivadas de funções elementares


dada anteriormente, obtemos a seguinte tabela, onde f denota uma função derivável que pode
entrar na composição:

(f α)' αf
α−1 '
∙f α∈R

(ef )' f
e ∙f '
( ln f ) ' f'
f

( sen f ) ' ( cos f ) ∙ f '

( cos f ) ' −( sen f ) ∙ f '

( tg f ) ' ( sec 2 f ) ∙ f '

( arc sen f ) ' f'


√1−f 2
( arc cos f ) ' −f '
√1−f 2
( arc tg f ) ' f'
2
1+ f

Exemplo II:

2 dy
Dada a função y=e x + sen ( 2 x )+ cos2 x , determinar .
dx

Resolução: Sejam as funções u=x ² , v=2 x e w=cos x . Assim pode-se reescrever


u 2
y=e + sen v + w

E assim, pela Regra de Cadeia


'
y '=( e +sen ( 2 x ) +cos x ) =( e + sen v+ w ) =( e ) + ( sen v ) + ( w )
x
2
2 u 2 u ' ' ' 2 '

¿ e u ∙ u' + ( cos v ) ∙ v ' +2 w ∙ w' =e x ∙ 3 x2 +cos ( 2 x ) ∙2+2 cos x ∙ (−sen x )


2
2 x
¿ 3 x e +2 cos ( 2 x )−2 sen x ∙cos x

1.7. Derivadas de Ordem Superior


 Se uma função f é derivável, então f ' é uma função.
 A derivada de f ' , denotada por f ' ' , é chamada segunda derivada ou derivada de ordem
dois de f .
 Similarmente, a terceira derivada ou derivada de ordem três de f é f '' ' =( f '' ) ' .
 De um modo geral, a n-ésima derivada ou derivada de ordem n de f é f (n) =( f (n−1) ) ' .
Observação: se f (t) fornece a posição de uma partícula no tempo t , então a segunda derivada de
f corresponde à aceleração da partícula.

Exemplo: determine a derivada, a segunda derivada e terceira derivada da função


5 3
f ( x )=2 x −5 x + 2 x−4 .

Resolução:
5 3
f ( x )=2 x −5 x + 2 x−4
5 ' 3 '
⟹ f ( x )=( 2 x ) −( 5 x ) + ( 2 x ) −4 ' ⟺ f ( x )=10 x −15 x +2
' ' ' 4 2

4 ' 2 '
⟹ f ( x )= ( 10 x ) −( 15 x ) +2 ⟺ f ( x )=40 x −30 x
'' ' '' 3

3 '
⟹ f ( x )=( 40 x ) −( 30 x ) ⟺ f ( x )=120 x −30
''' ' ' '' 2

1.8. Derivada da função inversa

Teorema: seja y=f (x ) uma função definida em um intervalo aberto (a ,b) . Suponhamos que
f (x) admita uma função inversa x=g( y) contínua. Se f ’ ( x ) existe e é diferente de zero para
qualquer ponto x ∈ ¿) , então ↕ g ( x )=f −1 ( x )é derivável e vale

' 1 1 ' 1
g ( y )= = ou g ( f ( x ) )=
f '(x ) f '(g( y)) f ' ( x)

Prova:

Sendo g ( x )=f −1 ( x), tem-se g ( f ( x ) )=x para x ∈ ( a , b ) e usando a regra de cadeia, conclui-se:

' ' 1
g ( f ( x ) ) ∙ f ' (x)=1⟺ g ( f ( x ) )=
f ' (x)

Exemplo:

Seja y=x 2−1 , x >0. Determine g '(3) onde g=f −1 .

Resolução:

x=g ( y )= √ y +1= ( y+ 1 )
½
' 1 −½ 1 ' 1 1
g ( y )= ( y +1 ) = ⟹ g ( 3 )= =
2 2 √ y +1 2 √ 3+1 4

1.9. Derivada da função Implícita

Dizemos que a função y=f (x ) é definida implicitamente pela equação F (x , y )=0 . Se ao


substituirmos y por f (x) nesta equação obtemos uma identidade, isto é, F (x , f (x))=0 .

1− √ x
A equação √ x+ 2 y −1=0 define implicitamente a função y= 2 . De facto, substituindo na
1−√ x
equação √ x+ 2 y −1=0btemos a identidade √ x+ 2 −1=0.
2

Ora, suponhamos que a equação F ( x , y )=0 define implicitamente uma função derivável.

y=f (x ). Usaremos a Regra da Cadeia para determinar y '=f '(x ) sem explicitar y .

Exemplo: Sabendo que y=f (x ) é definida implicitamente pela equação x y 2+ y 3 =x+2 y .


Determinar y '=f '(x ).

Resolução:
' '
( x y 2 ) + ( y 3 ) =( x )' + ( 2 y )' ⟺ y 2 + x ∙ 2 y y' +9 y 2 y ' =1+2 y ' . Isolando y ' na última igualdade, temos
' 1− y ²
y= 2
.
2 xy + 9 y −2

Teorema: seja y uma funao continuaa de x , definida pela equação F ( x , y )=0 , em que
F ( x , y ) , F x ' (x , y ) e F y ' (x , y ) são funções contínuas num certo domínio D contendo o pponto
(x , y ), cujas coordenadas verificam a equação F ( x , y )=0, alem disso, suponhamos que nesse
ponto F y ' (x , y )≠ 0 . A derivada da função y de x , é então:

' −F x ' (x , y)
yx =
F y '(x , y)

1.10. Derivada de funções paramétricas

Se a dependência entre a função y e o argumento x ee dada através do parâmetro t ,


dy

{
'
x=φ ( t ) então y ' = y t ou ainda dy = dt
x
y=ψ (t ) xt
'
dx dx
dt

Exemplo: ache
dy
dx
se {
x =a cos t
y=a sen t
.

Resolução:

dx ' dy '
=( a cos t ) =−a sen t e =( a sen t ) =a cos t
dt dt

dy
dy dt dy a cos t
= ⟺ = =−cotg t
dx dx dx −a sen t
dt

2. Aplicações da derivada
2.1. A regra de L’Hospital

0 ∞
Esta regra permite calcular certos tipos de limites (cujas indeterminações são do tipo ou )
0 ∞
aplicando as regras de derivação.

Sejam f e gfunções deriváveis num intervalo aberto I , exceto possivelmente, num ponto a ∈ I .
Suponha que g ’( x)≠ 0 , ∀ x ∈ I e x ≠ a .

f ' (x) f ( x) f '( x)


a ¿ Se lim f (x )=lim g (x)=0 e lim =L , então lim =lim =L
x→ a x →a x →a g ' ( x) x →a g( x ) x→ a g ' (x )

f '(x ) f (x ) f ' (x)


b ¿ Se lim f (x )=lim g (x)=± ∞ e lim =L , então lim =lim =L
x→ a x→ a x→a g ' (x) x → a g (x) x →a g ' ( x)

Exemplo: calcule os limites abaixo usando a regra de L’Hospital.


x 4 x
e −1 x + x−2 sen x−x e
a ¿ lim b ¿ lim 2 c ¿ lim x −x d ¿ lim Resolução:
x →0 x x →1 x −1 x → 0 e + e −2 x →+∞ x ²

[] ( e x −1 ) '
x 0 x x
e −1 e −1 0 e −1 e 0
a ¿ lim =lim = ⟹ lim =lim '
=lim =e =0
x →0 x x→ 0 0 0 x→0 x x →0 x x →0 1

[]
( x 4 + x −2 ) '
4 4 3
x + x −2 1 +1−2 0 4 x +1
b ¿ lim 2 =lim 2 = ⟹ lim =lim
x →1 x −1 x→ 1 1 −1 0 x →1 ( x 2−1 ) ' x→ 1 2 x
3
4 ∙ 1 +1 5
¿ =
2 ∙1 2

c ¿ lim
x→ 0
sen x−x sen 0−0
=lim 0 −0 =
0
e +e −2 x → 0 e + e −2 0
x −x []( sen x−x ) '
⟹ lim x − x
x → 0 ( e +e −2 ) '

¿ lim
x→ 0
cos x −1 0
x
e −e −x
0 [] ( cos x −1 ) '
x→ 0 ( e −e ) '
−sen x −sen 0
= ⟹ lim x − x =lim x − x = 0 −0 =0
x→ 0 e +e e +e

e
x
( ex )' e
x
(ex ) ' x
e e
+∞
+∞
d ¿ lim = lim 2 = lim = lim = lim = = =+ ∞
x →+∞ x ² x →+∞ ( x ) ' x→+ ∞ 2 x x →+∞ ( 2 x ) ' x →+∞ 2 2 2

2.2. Interpretação cinemática da derivada

Velocidade

Considere um corpo que se move em linha reta e seja s=s (t) a sua função horária, isto é, o
espaço percorrido em função do tempo. O deslocamento do corpo no intervalo de tempo t e t+ Δt
é definido por Δs=s (t+ Δt )−s (t) .

A velocidade média do corpo neste intervalo de tempo é definida por

∆ s s (t+ Δt)−s (t)


v m= =
∆t ∆t

A velocidade média do corpo não dá uma informação precisa sobre a velocidade em cada instante
do movimento no intervalo de tempo t e t+ Δt . Para obtermos a velocidade instantânea do corpo
no instante t , precisamos calcular a velocidade média em intervalos de tempo cada vez menores,
isto é, fazendo Δt → 0.

A velocidade instantânea do corpo no instante t é definida por

∆s s ( t+ Δt )−s ( t ) '
v ( t )= lim v m= lim = lim =s ( t ) ⟺ v ( t )=s '(t )
∆ t →0 ∆t→0 ∆ t ∆t→0 ∆t

A velocidade instantânea v(t) é a primeira derivada da função horária s(t).

Aceleração
De forma análoga ao conceito de velocidade vem o de aceleração: A aceleração média do corpo
no intervalo de tempo t e t+ Δt é definida por

∆ v v (t+ Δt)−v (t)


a m= =
∆t ∆t

A aceleração instantânea do corpo no instante t é definida por

∆v v ( t + Δt ) −v ( t )
a ( t )= lim am = lim = lim =v ' ( t ) ⟺ a ( t )=v ' (t)
∆ t →0 ∆t→0 ∆ t ∆ t→0 ∆t

Como v (t)=s ' (t) podemos escrever a aceleração instantânea como a segunda derivada dos
espaço em relação ao tempo. Assim a (t)=s ' ' (t).

2.3. Taxa de variação

Δy
Definição: se y=f (x ) é uma função, a razão é chamada de taxa média de variação da
Δx
Δy f ( x+ Δx )−f ( x )
função f no intervalo [ x , x+ Δx] e a derivada f ' ( x )= lim = lim é chamada de
∆ x →0 Δx ∆ x → 0 Δx
taxa de variação da função f no ponto x . Assim, toda taxa de variação num ponto pode ser
interpretada como uma derivada.

Diretrizes para resolver problemas de taxa de variação

 Desenhe uma figura para auxiliar a interpretação do problema;


 Identifique e denote as taxas que são conhecidas e a que será calculada;
 Ache uma equação que relacione a quantidade, cuja taxa será encontrada, com as
quantidades
 cujas taxas são conhecidas;
 Derive esta equação em relação ao tempo, ou use a regra da cadeia, ou a derivação
implícita para determinar a taxa desconhecida;
 Após determinada a taxa desconhecida, calcule-a em um ponto apropriado.

Exemplo: suponha que um óleo derramado através da ruptura do tanque de um navio se espalhe
em forma circular cujo raio cresce a uma taxa de 2 m/h. Com que velocidade a área do
derramamento está crescendo no instante em que o raio atingir 60 m?

Resolução:
A taxa com que o raio cresce é de 2 m/h. Podemos interpretar e denotar esta taxa de variação
dr
como =2 m/h.
dt

Queremos calcular a taxa com que a área cresce em relação ao tempo. Podemos denotar esta taxa
dA
de variação como . A área do derramamento é circular, logo A=πr ² .
dt

dA dr
Queremos calcular e temos . A regra da cadeia relaciona estas razões através de
dt dt

dA dA dr dA
= ∙ ⟹ =2 πr ∙ 2=4 πr .
dt dr dt dt

Quando o raio atingir 60 m a área do derramamento estará crescendo a uma taxa de


4 π ∙ 60 m² /h=240 π m ²/h.

2.4. Estudo de funções


2.4.1. Máximos e mínimos

Definição: uma função y=f (x ) tem um ponto de máximo relativo em x=x 0, se existe um

intervalo aberto A , contendo x 0 , tal que f (x 0) ≥ f ¿), para todo x ∈ A . f (x 0) é chamado de valor
máximo relativo.

Definição: uma função y=f (x ) tem um ponto de mínimo relativo em x=x 1, se existe um

intervalo aberto B, contendo x 1 , tal que f (x 1)≤ f ¿), para todo x ∈ B . f (x 1) é chamado de valor
mínimo relativo.
2.4.2. Critérios para determinar os extremos de uma função

Teorema: (Critério da primeira derivada para determinação de extremos)

Seja f uma função contínua num intervalo fechado [a , b] que possui derivada em todo ponto do
intervalo (a ,b), exceto possivelmente num ponto k :

a) Se f ' (x)>0 para todo x <k e f ' (x)<0 para todo x >k , então f tem um máximo relativo
em k ;
b) Se f ' (x)<0 para todo x <k e f ' (x)>0 para todo x >k , então f tem um mínimo relativo
em k .

O seguinte teorema também é utilizado para determinação de extremos de uma função. Ele é
aplicado quando a análise do sinal da primeira derivada não é imediata (simples).

Teorema: (Critério da segunda derivada para determinação de extremos)

Seja f uma função derivável num intervalo (a ,b) e k um ponto crítico de f neste intervalo, isto é,
f ’ (k )=0 . Então:

a) f ’ ’(k )< 0⇒ f tem um máximo relativo em k;


b) f ’ ’(k )> 0⇒ f tem um mínimo relativo em k.

2.4.3. Monotonicidade

Podemos identificar os intervalos onde uma função é crescente ou decrescente através do estudo
do sinal da derivada da função. Segue a proposição:

Proposição: Seja f uma função contínua no intervalo [a , b] e derivável no intervalo (a ,b).

a) Se f ’ ( x )> 0 para todo x ∈(a , b), então f é crescente em [a , b];


b) Se f ’ (x )< 0 para todo x ∈(a , b), então f é decrescente em [a , b].

Noção geométrica:

a) Se a função derivada é positiva para todo x ∈(a , b) então, geometricamente, a reta


tangente tem inclinação positiva para todo x ∈(a , b).
'
f ( x )=tg ( α )> 0⟹ 0< α < 90 °

b) Se a função derivada é negativa para todo x ∈(a , b) então, geometricamente, a reta


tangente tem inclinação negativa para todo x ∈(a , b).

f ' ( x )=tg ( α )< 0⟹ 90 ° < α <180 °

2.4.4. Concavidade e ponto de inflexão

Definição: dizemos que uma função f tem concavidade voltada para cima (C.V.C) num intervalo
(a ,b) se f ´ é crescente neste intervalo. Em outras palavras, se o gráfico da função estiver acima de
qualquer reta tangente.

Definição: dizemos que uma função f tem concavidade voltada para baixo (C.V.B) num intervalo
(a ,b) se f ´ é decrescente neste intervalo. Em outras palavras, se o gráfico da função estiver abaixo
de qualquer reta tangente.
Através do estudo do sinal da segunda derivada podemos determinar os intervalos onde uma
função tem concavidade voltada para cima ou para baixo. Vejamos a seguinte proposição.

Proposição: Seja f uma função contínua e derivável até a segunda ordem no intervalo (a,b):

a) Se f ’ ’(x )>0 para todo x ∈(a , b), então f tem concavidade voltada para cima em (a ,b);
b) Se f ’ ’(x )<0 para todo x ∈(a , b), então f tem concavidade voltada para baixo em (a ,b) .

Definição: Um ponto P(k , f (k )) do gráfico de uma função contínua f é chamado de ponto de


inflexão (P.I.) se ocorre uma mudança de concavidade na passagem por P, ou seja, ee o ponto k
tal que f '' ( k )=0.

2.4.5. Assíntotas horizontais e verticais

Definição: a reta de equação x=k é uma assíntota vertical do gráfico de uma função y=f (x ), se
pelo menos uma das seguintes afirmações for verdadeira:

a) lim ¿
+¿
x→ k f (x)=± ∞ ¿

b) lim ¿
−¿
x→ k f (x)=± ∞ ¿

Definição: A reta de equação y=k é uma assíntota horizontal do gráfico de uma função y=f (x ),
se pelo menos uma das seguintes afirmações for verdadeira:
lim f ( x)=k
a) x→+∞

lim f (x)=k
b) x→−∞

2.5. Problemas de optimização

Diretrizes para resolução de problemas de optimização

1. Leia cuidadosamente o problema. Esboce uma figura para auxiliar a sua interpretação;

2. Identifique e denomine com variáveis as quantidades informadas no problema;

3. Determine algumas relações (ou fórmulas) entre as variáveis;

4. Determine qual variável deve ser otimizada (maximizada ou minimizada) . Expresse esta
variável

como função de uma das outras variáveis;

5. Determine o ponto crítico da função obtida o item anterior;

6. Determine o(s) extremo(s) com o auxílio dos critérios da 1a e 2a derivadas.

Exemplo: uma empresa deseja produzir potes cilíndricos de 300ml para armazenar certo tipo de
produto. Sabe-se que estes potes devem ter área total mínima para reduzir o custo de impressão
dos rótulos. De todos os cilindros de volume igual a 300ml, qual possui menor área total (raio da
base e altura)? Devemos então buscar uma solução que minimize a área total do cilindro,
reduzindo assim o custo de impressão dos rótulos nos potes. Variados problemas práticos,
semelhantes a esse, em diversos ramos do conhecimento, são resolvidos com o auxílio das
derivadas.

Resolução:
De todos os cilindros de volume igual a 300ml, qual possui menor área total (raio da base e
altura)?

Abrindo o cilindro, temos:

Sabe-se que o volume do cilindro é V =π r 2 h e a área total é A=2 πr ²+2 πrh.

Queremos determinar os valores do raio (r ) da base e a altura (h ) de um cilindro de 300 ml de


volume (V ) que possua mínima área total ( A ).

Já sabemos determinar o ponto de mínimo de uma função através dos dois critérios vistos, mas a
função área possui duas variáveis r e h. Poderemos resolver este problema isolando uma das
variáveis em V =π r 2 h (com V = 300) e substituí-la em A=2 πr ²+2 πrh.

2 300
300=π r h ⟹ h=
πr ²

2 300 600
Temos então que A=2 π r +2 πr =2 πr ²+ . Conseguimos então tornar a função área
πr
2
r
como função de uma única variável. Vamos determinar o ponto crítico desta função:

600
A ' =4 πr − 2
. Resolvendo agora a equação A ' =0 :
r

4 πr −
600
r 2
600
=0 ⟹ 4 πr= 2 ⟹ r 3 =
r
600

⟹ r=
3 600


≈ 3.6 cm

A' ' =4 π +
1200
r 3
⟹ A'' (√ 600
3

4π )
=4 π +8 π=12 π >0

Como A' ' (√ 600


3

4π )
>0 temos que r=
√ 4 π é o ponto de mínimo da função A ¿
600
3

2 º critério para determinação de extremos ¿ . Substituindo r=


obtemos h ≈ 7 ,2 cm .

3 600

300
em h= 2 ,
πr
2.6. Derivada da função exponencial e suas aplicações

Proposição: se f ( x )=a x , ( a> 0 e a ≠ 1 ) ,então f ' ( x )=a x ln ( a ).

Prova:

' a
x+ ∆ x
−a
x
a x ( a∆ x −1 ) x
∆x
a −1 x
f ( x )= lim = lim lim a ∙ lim =a ln ( a )
∆ x →0 ∆x ∆ x→ 0 ∆x ∆ x →0 ∆x →0 ∆x

∆x
a −1
lim =ln ( a ) é uma consequênciaimportante do limite fundamental exponencial .
∆ x→ 0 ∆x

Caso particular: se f ( x )=e x , então f ' ( x )=e x ln ( e )=e x, onde e é o número neperiano.

Exemplos:

x x
1 . f ( x )=17 ⟹ f ' ( x )=17 ln ( 17 )

5 x
25 x ( 2 ) 1 5 x 1 5x
= 3 = 3 = ( 2 ) ⟹ f ( x ) = ( 2 ) ln ( 2 )
5 x−3 5 x−3 ' 5
2 . f ( x )=2 ⟺ f ( x )=2
2 2 8 8

5 x
⟺ f ' ( x)= 32 ln ( 2 )
8

As derivadas de funções exponenciais têm várias aplicações em diversas áreas, algumas delas
incluem:

 Modelagem de crescimento populacional: muitos modelos de crescimento populacional


utilizam funções exponenciais. A derivada dessas funções é usada para calcular a taxa
instantânea de crescimento populacional em um determinado momento.
 Física e engenharia: em fenômenos como a descarga de um capacitor, a corrente em um
circuito RC, ou a difusão de uma substância em um meio, as funções exponenciais e suas
derivadas são essenciais para descrever o comportamento do sistema ao longo do tempo.
 Biologia e medicina: modelos de crescimento de organismos, como bactérias em cultura,
ou a propagação de uma doença infecciosa em uma população, muitas vezes usam
funções exponenciais e suas derivadas para descrever o processo.
 Economia e finanças: em problemas de juros compostos, a derivada da função
exponencial é usada para calcular a taxa instantânea de crescimento do valor do
investimento ao longo do tempo.

Referências bibliográficas:

Demidovitch, B. P. (1985). Problemas e Exercícios de Análise Matemática (7ª edição). São


Paulo: Editora MIR.

Leithold, L. (1994). O Cálculo com Geometria Analítica. (3ª ed.). São Paulo, SP: Harbra.
Mualacua, I. R. (2017). Manual de Cálculo Diferencial e Integral em R . Beira: UCM – CED.

Piskunov, N. S. (2010). Cálculo Diferencial e Integral (2ª edição). Volume I. São Paulo: Editora
MIR.

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