1.
INTRODUÇÃO
Este memorial contém toda a minha trajetória, desde criança até os dias de
hoje, que me levaram a escolher a área profissional que estou inserida e pretendo
trabalhar pelo decorrer dos anos. Durante toda a minha infância fui cercada por
minha mãe e minha irmã que sempre me guiaram para que a minha aprendizagem e
minha disciplina, principalmente, dentro e fora da escola fosse impecável. Com elas
ao meu lado sempre fui ensinada que a escola é um lugar de prazeres – no começo
-, mas que também é um lugar sério e que deve ser respeitado e levado a sério
quando fosse a hora certa; que devia respeitar os professores, funcionários, alunos
e qualquer outra pessoa ao meu redor.
O ambiente escolar sempre foi algo que chamou muito a minha atenção, pois
acho impressionante como aquele ambiente nos faz aprender tanto e como os
docentes tem um papel importante nesse contexto, pois acredito que um docente
pode sim fazer a diferença na maneira como a criança vê a escola.
Com esses pontos, então, colocados, começo agora a contar como e quando
tudo aconteceu e de que maneira isso me influenciou para me tornar uma
professora.
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2. O COMEÇO
Meu nome é Carolina, tenho 21 anos, sou nascida em Ourinhos – SP e tenho
uma irmã chamada Júlia, e, meus pais são Chico e Márcia. Nossa família é pequena
e por esse motivo temos uma relação muito próxima. Quando minha irmã tinha 7
anos eu nasci, e ela sempre me viu como uma boneca viva a qual ela poderia
brincar e cuidar como se fosse dela, com isso a nossa relação fraternal é muito
diferente do que a de muitos irmãos que conheço. Ela foi, e é, a pessoa cuja minha
inspiração se baseou e quando precisei de ajuda em todos os sentidos ela com ela
que eu contava. Com meus pais trabalhando o dia todo ela tomou o lugar deles de
pais, e por isso, temos uma relação bem mãe-filha, pelo tempo grande que
passamos juntos e por todas as tarefas e responsabilidades que ela teve para
comigo.
Isso dito, quando eu tinha, digamos entre 2 e 3 anos, ela já estava com algo
entre 9 e 10 anos, e, eu via ela sair de casa todos os dias com a sua mochila e
lancheira para a escola. Eu achava o máximo ter tudo aquilo, principalmente a
lancheira, pois nela continha coisas gostosas. Então, pedi pra minha mãe uma
lancheira igual à da minha irmã para que ficássemos iguais, porém, ela usava-a
somente para ir para a escola, enquanto eu usava dentro de casa, dentro do carro,
no shopping, na rua, em outras palavras, em qualquer lugar. Ter uma lancheira, a
meu ver naquela idade, colocava-me a pé de igualdade intelectual com a minha
irmã, ou pelo menos igualdade etária, pois todos diziam “Olha, a Carolina já é
mocinha, ela também já tem uma lancheira.”, “Olha que menina crescida com a
lancheira na mão”, e isso me fazia querer usá-la em todos os lugares.
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Quando se tem uma irmã mais velha que lhe sirva de modelo como a minha
servia, tudo que parecia muito difícil para outras crianças, para mim era mais do que
demasiada demora a acontecer comigo. Ou seja, quando via a minha irmã indo para
a escola, já sabia de uma maneira ou de outra, que aquela experiência também teria
de acontecer comigo algum dia e por isso esperava ansiosamente para que esse dia
chegasse. Não tardou para chegar e foi uma surpresa para todos, principalmente
para minha mãe. Em meu primeiro dia de escola, minha mãe arrumou minha
lancheira – agora de verdade -, me colocou no carro e então fomos para a escola,
chegando lá, minha mãe estava muito preocupada pensando que eu teria uma
reação parecida com a da minha irmã no seu primeiro dia: um choro sem fim, um
momento de chilique, mais choro, e minha mãe tendo que ficar lá por uma semana
para que ela se acostumasse àquele ambiente. No entanto, para a surpresa dela eu
cheguei à porta da escola, minha professora se apresentou, dei a mão para ela e
entrei sem ao menos olhar para trás para dar tchau. Essa minha reação quanto à
escola chocou minha mãe e ela não sabia se ficava feliz, se chorava achando que
eu não ligava pra ela, mas no final ela viu que isso foi algo bom para mim, pois já
sabia que aquilo fazia parte da vida de uma criança.
Nessa época vivíamos em Salvador – BA, e a escola que frequentávamos era
muito boa, as professoras muito atenciosas, os projetos pedagógicos também eram
muito interessantes. Um dos mais memoráveis momentos nesta escola foi a festa
para o dia dos pais, na qual cada aluno trazia uma caixa e um doce ou um bombom.
Com a caixa, lembro-me que enfeitamos com muito amor, muito carinho e muito
cuidado, pintamos, fizemos enfeites e tudo o mais que era possível, fora a caixa
também pintamos uma camisa para nossos pais com as duas palmas dizendo que
eles eram 10. Voltando a caixa, fixemos buracos nela onde encaixaríamos nossa
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cabeça, braços e pernas, tornando, então essa caixa uma caixa de presente, e
querendo dizer, com nós dentro, que nós éramos o presente de dia dos pais, como
mostrado na Imagem 1.
Imagem 1 – Dia dos Pais
Em Salvador eu tive, então, o começo da minha vida acadêmica, e nela tive
ótimas experiências e participei de várias atividades pedagógicas daquela escola
que até hoje tenho como futuras ideias para quando eu tiver exercendo a minha
função de professora, pois foram marcantes para mim e sei que será para as futuras
crianças da mesma maneira.
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3. A MUDANÇA
Meu pai trabalhava como gerente de uma empresa de pneus e por esse motivo
ele tinha de se mudar muito para administrar as outras lojas e com isso nós íamos
para onde ele ia. Como disse anteriormente, nasci em Ourinhos – SP, mas mudamo-
nos para Bauru – SP e depois para Salvador – BA, e quatro anos mais tarde
mudamo-nos para Campinas – SP de uma vez por todas. A cidade de Campinas foi
muito boa para nós, principalmente quando se fala sobre o clima, que pra quem não
sabe em Salvador o clima era muito quente a ponto de sufocar. Entretanto, uma
coisa que não esperava era ter tantas pessoas fazendo piadas e falando mal do meu
sotaque baiano. Uma criança de cinco anos que muda de um estado para outro não
sabe que existe algo como o sotaque e isso me pegou de surpresa, pois pela
primeira vez eu sofri bullying. Sei pelo o que as pessoas ao meu redor me contam
que perdi meu sotaque, por causa das brincadeiras das crianças da nova escola, em
menos de dois meses. Não sei se isso aconteceu somente pelo fato do bullying ou
se foi pelo fato de crianças se adaptarem tão rápido ao ambiente em que são
colocadas. De qualquer maneira isso foi o que aconteceu.
Porém, a vinda para esta escola nova não foi de todo ruim, tive boas
experiências lá também; lembro-me de brincar bastante em um parque que eles
tinham no fundo da escola, um ambiente bem aberto, com muitas árvores e muitos
brinquedos, mas o que mais me marcou dessa escola foi o fato de eu sempre ajudar
a professora a cuidar dos alunos que iam brincar e voltavam com o nariz sangrando,
seja de brigas, seja de algo natural. Eu adorava o fato de poder ajudar e de fingir
que eu era tão importante quanto à professora. E também, no parque tinham muitas
cigarras, e elas me marcaram, pois me recordo levando várias das cascas delas pra
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casa e isso enlouquecia minha mãe e eu adorava. Mas, ainda sim, acredito que o
que mais me marcou naquela época e naquela escola foi a biblioteca que eles
tinham, e que até hoje consigo me lembrar das capas dos livrinhos que lia, e,
lembrá-los me dá um sentimento de pura nostalgia.
Essa foi a turma que me fez mudar meu sotaque e também a professora que
me inspirou posteriormente, na Imagem 2. Eu sou a que está no meio do coração
com a outra garota, a qual posteriormente terei uma história engraçada para contar.
Imag
em 2 – Primeira escola em Campinas.
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4. A ESCOLHA
Ao chegar a Campinas moramos primeiramente no bairro Taquaral, e, após um
incidente com criminosos na casa de nossos vizinhos meus pais decidiram mudar de
casa e então viemos para Sousas, um bairro tranquilo com uma vizinhança mais
tranquila ainda. Foi então que fui para uma escola recém-aberta chamada Illuminare.
Escola nova, mas com um currículo pedagógico bem diferente do que já tínhamos
visto, de uma forma boa. O currículo continha, além das aulas obrigatórias e
normais, aulas de canto, instrumentos e de circo. Tentem imaginar uma criança com
seus sete anos tendo aula de circo, pulando em cama elástica, fazendo piruetas e
todas àquelas coisas de circo que crianças conseguem fazer, em outras palavras um
paraíso para as crianças. Porém, esse paraíso não durou muito. Em meu segundo
ano nessa mesma escola, foi proibido correr e brincar de corda, elástico na hora do
intervalo. Isso me marcou muito, pois não entendia porque tiraram aquele momento
de descontração de nós, e, logo percebi que a diretora da escola não tinha, na
verdade, muita paciência para crianças e ouvi-las gritar, rir e fazer bagunça era algo
que ela não podia aguentar, sendo assim ela retirou todas as brincadeiras dos
intervalos deixando-as reservadas somente para as aulas de Educação Física.
Contudo essa escola só portava alunos do Fundamental I e tive, então, que me
mudar de escola. Mudei-me então para outra escola recém-aberta, chamada San
Conrado. Essa escola, também particular, era menor do que a anterior, para se ter
noção ela foi montada dentro de duas casas, em outras palavras, escola pequena,
particular, poucos alunos. Essa foi a experiência mais marcante da minha vida e a
mias importante de todas. Na quinta série tínhamos apenas três alunas na sala, e
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isso fez com que as aulas se tornassem, praticamente, aulas particulares. Para
ajudar, os professores eram extremamente qualificados e muito atenciosos, tendo
em vista o número reduzido de alunos dentro de sala de aula, e, isso me fez ver o
quão maravilhoso era ser professor. Todos eram muito alegres, dinâmicos, e tinham
muita didática, fizemos diversas aulas fora da escola para aprender mais, etc. Tive
uma experiência incrível nessa escola, e foi com os professores que tive lá que quis
me tornar professora, pois, naquele momento eu presenciei professores que
realmente amavam o que faziam e faziam seus trabalhos muito bem feitos.
Pelo fato de termos bons professores, muita atenção e poucos alunos, meu
desempenho sempre foi muito bom assim como as minhas notas e isso me incentiva
sempre a me esforçar para continuar a me sair bem, pois isso não só me satisfazia
como também satisfazia meus pais. Porém as meninas que estudavam comigo não
estavam satisfeitas com a escola, e eu, muito ingênua, disse que seguiria elas pra
qualquer lugar, e então na oitava série, nos mudamos para outro colégio em
Campinas, de grande porte, com muitos alunos.
Esse colégio, porém, não tinha o que eu gostava tanto no San Conrado, a
atenção voltada para os alunos e seus problemas, a amizade entre os alunos e a
tranquilidade e a sensação de estar em família. E lá eu percebi que a profissão de
professor muda muito de pessoa pra pessoa e de instituição para instituição, e nesta
instituição os professores não pareciam estar ali por gostar do que faziam, mas pelo
dinheiro, e isso me abriu os olhos para um mal da profissão: o dinheiro. É de
conhecimento da maioria que a profissão de professor não é a das mais bem pagas
neste país, e por isso quem se torna professor tende a procurar trabalho nos locais
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mais bem pagos, pois não conseguem sobreviver com os salários baixos e
esquecem o porquê estão ali ou o porquê escolheram aquela profissão.
Ao presenciar esse outro lado da educação, decidirmos voltar para o San
Conrado e terminar a nossa oitava série onde já tínhamos conhecimento dos
professores, dos alunos e de todos ao nosso redor, além do método de ensino,
claro. E ao terminar a oitava série eu já tinha certeza do que queria fazer: dar aula,
só ainda não sabia qual área exata queria me encaixar e deixei que o tempo, então,
me dissesse.
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5. EXPERIÊNCIA RUIM
Ao término do meu oitavo ano, eu tive de decidir o que fazer; estava muito em
dúvida se o que eu queria era continuar no curso normal de ensino médio ou se
queria fazer algum curso técnico. Junto com isso, a situação financeira dos meus
pais não estava muito boa e por isso decidi ir para o Colégio Politécnico Bento
Quirino, onde teria o ensino médio e técnico por um preço razoável, porém eu não
esperava que aqueles três anos em diante fossem tão ruins.
Depois de seis anos estudando em boas escolas, com infraestruturas muito
boas, chegar ao Bento Quirino foi um choque, me senti estudando em uma escola
pública, na qual meus tinham que pagar. E não era só a infraestrutura que era ruim,
os professores também não estavam muito contentes de estarem ali e aquilo, hoje,
faz parte do maior arrependimento da minha vida. Uma escolha errada e me
arrependo para o resto de minha vida.
Muitos dos professores que tive, tanto técnicos, como normais, não tinham
muita motivação para ir trabalhar, e muitos dos técnicos não sabiam do que estavam
falando, o que tornavam o nosso aprendizado muito mais complexo e nossa
motivação cada vez menor. A escola era uma bagunça e não havia ambiente
motivador, ou no mínimo com algum interesse para que me desse forças para
continuar, porém meus pais, como já citei, não tinham condições de colocar em uma
escola melhor, então tive que continuar a frequentar essa escola até o fim.
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A cada ano que passou, vendo aqueles professores trabalhando muito mal,
sem nenhuma vontade e sem nenhum interesse sobre o que acontecia com a sua
sala, foi o ápice da minha escolha de profissão. Eu, então, decidi de uma vez por
todas que iria ser professora e que nunca, jamais, iria me deixar chegar ao nível
daqueles professores que tive, disse a mim mesma que em qualquer lugar que eu
fosse eu ia trabalhar duro e não ia desanimar, mesmo sabendo que não iria ser fácil.
Hoje levo na mente a imagem de alguns professores que tive que largavam
mão da sala em prol de si mesmos, ou que não se davam ao mínimo de interesse de
ensinar o que lhes eram dado ou sequer preparar uma simples aula. Hoje sou
professora e sei o quão importante é preparar uma aula, mas ainda assim, na
universidade, vejo que há muitos professores que continuam a não ligar pro que
fazem e deixam de usar alguns minutos de seu dia para preparar uma aula digna
dessa faculdade que tem tanto nome.
Obs.: A menina que está no coração junto comigo na Imagem 1 é a ex-namorada do
meu ex-namorado, que no ensino médio nos reencontramos nessa situação meio
constrangedora e que após eu ter scaneado essa foto – ainda bem – ela picotou
inteira.
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6. INDECISÃO
O tempo que levei para terminar o ensino médio pareceu-me mais longo do
que o normal, e no final, com o ensino pobre que tive não sabia se conseguiria
passar em uma boa universidade sem ter que fazer um cursinho, porém, naquela
época eu já trabalhava e por isso ia ficar muito trabalhoso terminar o ensino médio,
fazer o TCC do técnico, trabalhar e, ainda mais, fazer cursinho. Por esse motivo, o
ano seguinte ao meu ano de conclusão do ensino médio foi um ano de indecisão na
minha vida.
Com o dinheiro que arrecadei do meu trabalho, mas uma ajuda dos meus pais,
eu decidi, então, fazer um intercâmbio para os Estados Unidos para trabalhar de
babá e estudar. Minha sorte nunca foi muito grande, e eu escolhi logo o ano
posterior ao da crise financeira dos americanos, e por esse motivo fiquei,
praticamente, o ano inteiro de 2010 sem fazer nada, já que para ir para o
intercâmbio eu precisava de uma família que estivesse em bom estado financeiro,
pois eu iria ser paga o tempo inteiro que eu estivesse lá. E isso complicou muito as
coisas, pois o país estava em crise.
Sem nada determinado até meados de Agosto, decidi entrar para o cursinho e
prestar o vestibular, pois já que o intercâmbio aparentemente não ia dar certo
precisava achar um rumo para minha vida. Fiz três meses de cursinho, prestei o
vestibular – Matemática na Unicamp e Pedagogia na USP – e passei na Unicamp. A
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felicidade da família foi enorme, a maior festa, tudo preparado e certo para o
próximo ano que tendia a ser melhor do que esse que estávamos. A vida é cheia de
surpresas, e em Dezembro recebo o convite de ir para os Estados Unidos para faze,
então meu intercâmbio tão esperado, e com uma chance tão grande a minha frente
não pensei muito, arrumei minhas malas e fui (obs.: Gostaria de ter prestado a
segunda fase da prova da Unicamp, porém embarquei um dia antes das provas,
então essa é uma dúvida que sempre tive: Será que eu teria passado?).
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7. A VIAGEM
Esse foi um momento da minha vida que agradeço a tudo e a todos por ter tido
e sei que isso foi fundamental para meu amadurecimento tanto pessoal, quanto
psicológico e, principalmente, profissional. Morei nos Estados Unidos por um ano e
meio cuidando de três crianças – uma de dois anos, um de cinco anos e um de sete
anos - enquanto seus pais trabalhavam praticamente o dia todo. Com o fato de os
pais trabalharem muito eu fui responsável por tudo que acontecia com elas, desde
lavar roupa até fazer lição de casa.
Duas das três crianças já frequentavam a escola e por isso eu acabei tendo um
ponto de vista, de outro país, sobre como a educação funciona, levando em conta
conteúdo das séries e lições. O que mais me chamou a atenção foi como o ensino
de uma escola pública lá é excelente, podendo até dizer um pouco complexo demais
para as crianças, no meu ponto de vista. Recordo-me de uma atividade de fixação
de adição em matemática, onde a criança tinha um minuto para fazer entre trinta e
quarenta contas básicas de adição entre dois números, como por exemplo, 9+8, ou
7+3, etc. Eu achava isso fantástico e, ao mesmo tempo, meio assustador, porém
funcionava, a criança realmente raciocinava mais rápido. Tinham também, lições de
escrita de textos, ou caça palavras, ou até estudo de palavras que tem o mesmo
som, mas que se escrevem diferentes; não podendo esquecer-se dos livros! Esses
eram uma obsessão para as crianças, eu fiquei abismada sobre o quanto aquelas
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crianças gostavam de ler; eram livros da escola que elas precisavam ler e fora esses
íamos à biblioteca e pegávamos mais uma dúzia ou mais para a semana. Uma
cultura fantástica que eles têm.
Ao ajudá-los a fazer as lições eu comecei a aprender muito mais rápido o
inglês e comecei a me fascinar com a educação americana. Tendo isso em vista, fui
para uma faculdade pequena da cidade e me inscrevi em um curso de Psicologia,
pois queria saber mais sobre o comportamento humano e o porquê as pessoas têm
certas atitudes; mais tarde decidi fazer um curso de Ciências e Matemática para
crianças até a terceira série, o qual me encantou ao ver o leque de possibilidades
que podem ser trabalhados dentro dessas áreas quando se tem vontade. E muito do
que aprendi nesse último curso utilizei durante minha experiência de babá com as
crianças que iam para a escola. Por último, decidi fazer um curso de Psicologia
Infantil para tentar entender o porquê as crianças agem de tantas formas diferentes
em algumas situações que a meu ver não necessitavam de tanto alarde.
Cada dia que passei nos Estados Unidos, cuidando dessas crianças e
presenciando o dia-a-dia delas na escola foi fazendo crescer uma vontade dentro de
mim de tentar usufruir aquele pouco que aprendi lá, aqui no Brasil; tentar mostrar
que tudo depende da forma como tudo é organizado, mas infelizmente, esse é o
Brasil e as coisas andam muito devagar por aqui e isso é muito frustrante.
Contudo, a experiência que tive ao lado daquelas crianças e daquela cultura,
me fazem ver que há muito que ser feito ainda no Brasil para que tenhamos uma
educação tão boa para todos, sem exceção. E é por isso que hoje faço esse curso,
para tentar ajudar a melhorar de pouquinho em pouquinho a nossa educação,
fazendo a minha parte e esperando que todos façam as suas.
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8. A DECISÃO FINAL
Um ano e meio se passou e eu tive que voltar para o Brasil; pensei que ia ser
muito difícil me adaptar novamente a essa vida cara e sem muitas oportunidades do
brasileiro, mas até que não foi tão ruim. No dia em que desembarquei no Brasil tive
uma entrevista na escola de idiomas que trabalho até o presente dia e a qual me
deu a visão, pela primeira vez, do professor.
Ao voltar eu já estava certo do que eu queria, por isso voltei para o cursinho,
me empenhei e prestei novamente o vestibular dessa vez sem pretensão de viajar
ou ter algo que me impeça novamente. Porém, vejo que se eu tivesse passado
anteriormente, talvez eu não entendesse a importância dessa área na minha vida e,
principalmente, na vida dos alunos.
Hoje, como professora, sou grata pela profissão que escolhi, mesmo com os
contratempos financeiros, pois vejo que não há nada mais bonito e mais arrepiante,
emocionalmente, do que a relação professor aluno, e esse vínculo que se cria entre
nós. Passei por várias experiências ao longo da minha curta vida, porém eles forem
essenciais para me guiar para o caminho que estou seguindo hoje.
Senão fosse a ótima professora no infantil, ou os ótimos professores do ensino
fundamental, ou os péssimos professores do ensino médio, ou as crianças no
exterior, eu não estaria onde estou e orgulhosa de dizer que essa é a profissão que
me identifico realmente, e é nela que desejo continuar, pois sei que nasci para isso e
que não há nada melhor do que a relação que se forma nesse momento.
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Espero ter deixado claro, durante toda essa minha trajetória, como é que vim
para essa área e o porquê ela me fascina tanto. Obrigada.
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