Terras Raras: Mineralogia e Mercado
Terras Raras: Mineralogia e Mercado
MONOGRAFIA
Julho/ 2018
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Monografia apresentada a Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Minas.
Belo Horizonte
Escola de Engenharia da UFMG 2018
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, que me deu força, sabedoria e perseverança para concluir
esse trabalho.
À minha família pelo apoio constante e paciência nos dias difíceis. À minha mãe, Maria
Emília, por ser meu alicerce; ao meu pai, Francisco Assis, pelo apoio, à minha irmã, Camila,
pela ajuda constante e ao meu avô, Geraldo Brito, pelo exemplo de vida.
Aos meus amigos e colegas por tornar esse trabalho mais leve e alegre. Obrigada pelas
orações e torcida.
Ao meu professor orientador, Paulo Viana, pelo direcionamento prestado, meu muito
obrigada.
Aos membros da Banca Examinadora, pela leitura e pelas sugestões oferecidas ao aqui
proposto. À professora Rísia, pela atenção e colaboração.
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 9
2. OBJETIVOS ................................................................................................................................. 10
3. ASPECTOS MINERALÓGICOS E GEOLÓGICOS DAS TERRAS RARAS ........................... 11
4. USOS E APLICAÇÕES................................................................................................................ 14
5. HISTÓRIA DAS TERRAS RARAS NO BRASIL ....................................................................... 19
6. LAVRA ......................................................................................................................................... 21
7. BENEFICIAMENTO .................................................................................................................... 22
7.1 Concentração de Bastnasita nos EUA ............................................................................... 22
7.2 Concentração de Bastnasita na China ............................................................................... 24
7.3 Concentração de Monazita no Brasil................................................................................. 26
7.3.1 Tratamento Químico da Monazita ............................................................................ 27
7.4 Individualização dos Elementos Terras Raras ................................................................. 28
8. MERCADO ................................................................................................................................... 30
8.1 Reservas Mundiais .............................................................................................................. 30
8.2 Reservas no Brasil ............................................................................................................... 31
8.3 Produção e Consumo .......................................................................................................... 33
8.4 Preços ................................................................................................................................... 35
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................ 38
10. CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 40
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................... 41
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LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Elementos de terras raras, sua simbologia e seu número atômico. ...................................... 12
Tabela 2: Ocorrências geológicas de terras raras. ................................................................................ 13
Tabela 3: Aplicações dos elementos de terras raras, por ordem alfabética, Y e Sc. ............................ 14
Tabela 4: Reservas e Produção de Terras Raras .................................................................................. 30
Tabela 5: Produção e consumo de Terras Raras no Brasil ................................................................... 34
Tabela 6: Estimativa de preços dos elementos terras raras de 2014 a 2025 ......................................... 37
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LISTA DE FIGURAS
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RESUMO
Os elementos terras raras estão ganhando cada vez mais visibilidade no mundo contemporâneo
dadas as suas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e ópticas, que os tornam metais de
grande importância econômica e estratégica. Estes metais são usados em produtos de alta
tecnologia e também são empregados na chamada “Tecnologia Limpa” e no controle de
emissões atmosféricas. Neste sentido, pode-se citar os imãs permanentes usados em turbinas
eólicas e carros elétricos, baterias avançadas, entre outros. Este trabalho teve como objeto
principal de pesquisa os Elementos Terras Raras, abordando suas características mineralógicas,
geológicas e história, o mercado e beneficiamento. Neste último, verificou-se que no Brasil a
concentração da monazita, principal mineral minério portador de terras raras, é feita em duas
etapas. Primeiramente são realizados os processos de separação física, que resulta na separação
e produção de minerais pesados que ocorrem juntamente com a monazita, como o rutilo,
ilmenita e zirconita. A monazita, por sua vez, segue para a segunda fase do processamento, que
consiste na sua abertura química para produção de diversos compostos de terras raras. A
individualização dos elementos terras raras é bastante complexa, uma vez que todos eles
apresentam propriedades químicas e físicas muito semelhantes. Desse modo, as técnicas mais
frequentemente usadas tiram partido das diferenças de solubilidade entre os elementos
(Cristalização Fracionada e Extração por Solventes), e nas diferença de oxidação dos elementos
(Troca iônica). O Brasil, embora seja atualmente o segundo maior detentor mundial de terras
raras, em termos de reserva, não é competitivo no mercado e sua produção encontra-se
praticamente paralisada, pois não possui tecnologia para beneficiar estes metais. Portanto,
investimentos acadêmicos e empresariais neste setor faz-se muito importantes, para que as
terras raras não se tornem apenas mais uma commodity de exportação brasileira
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ABSTRACT
CUNHA, Jessica Tavares. Rare Earths - Mineralogical and Geological Aspects, Processing
and Market - A Review. Belo Horizonte: UFMG, 2018. Monograph
Rare Earth Elements are gaining more and more visibility in the contemporary world because
their magnetic, electrical, catalytic and optical properties, making them metals of great
economic and strategic importance. These metals are used in high technology products and are
also used in "Clean Technology" and in the control of atmospheric emissions. In this use, the
permanent magnets used in wind turbines and electric cars, batteries, are an example. This work
had the Rare Earth Elements as main object of research, approaching its mineralogical,
geological characteristics and history, the market and the processing. In this last topic, it was
verified that in Brazil the concentration of the monazite, main mineral ore bearing rare earth, is
made in two stages. The first event is the processes of physical separation, which result in the
separation and production of heavy minerals and which are accompanied by monazite such as
rutile, ilmenite and zirconite. The monazite, on the other hand, goes to the second stage of
processing (chemical processing), which is able to determine the production of rare earth
compounds. The individualization of rare earth elements is quite complex, because all they have
very similar physical and chemical properties. Thus, the most used techniques consider the
solubility differences between the elements (fractional crystallization and solvent extraction)
and the oxidation variation of the elements (ion exchange). Although Brazil is currently the
world's second largest holder of rare earth reserves, is not competitive in the market and your
production is virtually paralyzed, because it does not have technology for the processing of
these metals. Therefore, academic and business investments in this sector becomes very
important, so that rare earths do not become just another Brazilian export commodity.
Keywords: Rare Earth Elements; High tech; Strategic Minerals; Monazite; Monazite Chemical
Treatment; Individualization of Rare Earth Elements.
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1. INTRODUÇÃO
Chamados por alguns de “o ouro do século XXI” as terras raras são um grupo de metais
lantanídeos cujos elementos possuem número atômico (Z) entre 57 (lantânio) e 71 (lutécio),
incluindo ainda o escândio (Z = 21) e o ítrio (Z = 39).
O nome “terras” é devido ao fato de que, ao serem descobertos, nos séculos XVIII e XIX,
estes elementos foram isolados, na forma de óxidos, a partir de seus minerais. Naquela época o
termo “terras” era uma designação geral para óxidos metálicos, tal como em “metais alcalino-
terrosos”, por exemplo. Já o termo “raras” é devido ao fato de que estes elementos foram
inicialmente encontrados apenas em alguns minerais na Suécia, e também devido à sua
separação ser muito complexa. No entanto, o nome emite uma ideia errônea a respeito da
ocorrência desses elementos na crosta terrestre, uma vez que se trata de elementos metálicos
(não propriamente óxidos) cuja abundância é alta. Por exemplo, cério, lantânio e neodímio são
mais abundantes que cobalto, níquel e chumbo e mesmo os elementos mais raros, como lutécio
e tulio, possuem maior ocorrência do que a prata e os metais do grupo da platina.
Dos mais de 250 minerais que possuem terras raras, a monazita ((La,Ce,Th) PO4),
bastnasita ((La,Ce,Nd)CO3F) e xenotima ((Y,Dy,Yb)PO4) são os mais importantes e de maior
demanda industrial.
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2. OBJETIVOS
Dada a tamanha importância econômica e estratégica das terras raras e seu emprego em
tecnologias limpas e de ponta, esses elementos podem ser considerados os minerais do futuro.
Portanto, esse trabalho tem como objetivo fazer uma revisão bibliográfica completa dos
elementos terras raras desde seus aspectos mineralógicos e geológicos, passando pelos seus
usos e aplicações, processos de lavra e concentração e ainda uma análise de mercado e as
perspectivas para o futuro.
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3. ASPECTOS MINERALÓGICOS E GEOLÓGICOS DAS TERRAS RARAS
Segundo GALDINO (2015), os elementos terras raras podem ser encontrados em rochas
carbonatíticas, granito, pegmatito e rochas silicatadas em concentrações entre 10 e 300 mg/g.
Também podem ser encontrados em depósitos arenosos aluviais ou marinhos que recebem a
denominação de depósitos placers.
Os três minerais portadores de terras raras de maior importância econômica e industrial são
a monazita, bastnaesita e xenotimio. A bastnasita possui sistema de cristalização hexagonal,
tem massa específica de 4,9 a 5,2 g/cm3, dureza entre 4,0 e 5,0 graus Mohs, coloração amarelo,
de brilho vítreo a graxo. O xenotímio possui sistema de cristalização tetragonal, tem massa
específica de 4,4 a 5,1 g/cm3, dureza entre 4,5 graus Mohs, coloração marrom amarelada, de
brilho vítreo.
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Já o xenotímio, segundo VIEIRA; LINS (1997), é um fosfato de ítrio e outros elementos da
fração pesada das terras-raras, apresentando teores variáveis desses elementos, 40-69% de ítrio,
4-19% de itérbio, 4-14% de érbio, 5-14% de disprósio e 1-8% de gadolínio. É a fonte mais
importante de ítrio, apresentando em média um teor de 60%. O xenotímio ocorre associado
usualmente à monazita, porém, em quantidades menores que essa. Entre suas mais importantes
propriedades físicas, pode-se mencionar que é mais fortemente magnético que a monazita, fato
que permite sua separação por métodos magnéticos.
Os elementos terras raras são divididos entre leves (elementos com número atômico Z entre
51 a 63) e pesados (número atômico Z entre 64 a 71), acrescidos do ítrio (Z=39) e o escândio
(Z=21), conforme Tabela 1:
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Tabela 2: Ocorrências geológicas de terras raras.
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4. USOS E APLICAÇÕES
Tabela 3: Aplicações dos elementos de terras raras, por ordem alfabética, Y e Sc.
Como exemplos de aplicações de terras raras no uso cotidiano pode-se citar as lâmpadas
fluorescentes (La, Tb, Eu), auto falantes (Nd, Sm), computadores (Ce, Nd), monitor de vídeo
(Y/Te/Eu), o telefone celular utilizando auto falantes com ímãs, lentes de câmaras fotográficas
(La), equipamentos de Raio-X e ressonância magnética, entre outros (SENADO, 2013). Na
indústria automobilística, por exemplo, são inúmeras as aplicações dos elementos terras raras.
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Figura 2: Diversas aplicações dos elementos terras raras
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De acordo com a Figura 3, pode-se analisar as principais aplicações dos elementos terras
raras e seus percentuais de utilização em termos de volume e valor agregado.
Figura 3: Principais aplicações das Terras Raras e seus percentuais de utilização em termos de volume e valor.
De acordo com a Figura 3, a aplicação dos elementos terras raras nos processos de
catálise, especialmente no craqueamento do petróleo e redução da emissão de poluentes pelos
motores automotivos, correspondem a 20% em termos de volume. No entanto, esse percentual
cai para apenas 5% em termos de valor agregado, isso porque neste processo são utilizados
principalmente o cério e lantânio, elementos de maior abundância e relativamente baratos. A
aplicação dos elementos terras raras na produção de magnetos também corresponde a
aproximadamente 1/5 (21%) em termos de volume, porém é o maior percentual (37%) em
termos de valor agregado. Os magnetos de terras raras, sobretudo os imãs permanentes (Sm-Co
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e Nd-Fe-B) são usados em discos rígidos, dínamos, auto falantes e turbinas eólicas (FILHO;
SERRA, 2013).
Por fim, os luminóforos, que correspondem a 7% do volume usado de terras raras são
responsáveis por aproximadamente 1/3 do percentual de valor agregado. Isto se justifica devido
ao fato de os elementos empregados nesta aplicação serem menos abundantes e de elevado grau
de pureza (99,9%). Alguns exemplos de aplicações em luminóforos são as lâmpadas
fluorescentes convencionais e compactas, visualização (tubos de raios catódicos, displays de
plasma), lasers, LEDs (light-emitting diodes), marcadores ópticos luminescentes, entre outros.
As ligas metálicas, terceira classe de materiais que mais associa valor aos elementos terras raras,
são amplamente utilizadas em baterias recarregáveis (níquel-hidreto metálico), aplicadas, por
exemplo, no desenvolvimento de veículos híbridos (FILHO; SERRA, 2013).
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5. HISTÓRIA DAS TERRAS RARAS NO BRASIL
Segundo GALDINO (2015), em 1885 teve início a exploração de terras raras no Brasil
a partir da retirada de areia monazítica da região de Prado, Bahia. A extração era gratuita, uma
vez que, naquele tempo, o governo não tinha ciência da importância das terras raras. A
justificativa usada pelos exploradores era de que a areia retirada seria usada como lastro para
os navios retornarem aos Estados Unidos e Europa.
Até 1915 o Brasil era o maior fornecedor de monazita do mundo e até meados da década
de 40 alternou a posição de maior produtor mundial com a Índia (SENADO, 2013).
Apenas no final de 1940 é que o Brasil, por iniciativa privada, começou a produzir
compostos derivados das terras raras. A produção era realizada pela USAM (Usina de Santo
Amaro), pertencente à ORQUIMA (Indústrias Químicas Reunidas S/A), a partir da monazita
da UPRA (Usina de Praia), pertencente à SULBA (Sociedade Comercial de Minérios LTDA)
(CETEM, 2005). Em 1946 o Brasil foi pioneiro, com a ORQUIMA, a separar e produzir
industrialmente as primeiras terras raras (SENADO, 2013).
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Em 2002 a produção de terras raras foi praticamente desativada (FILHO; SERRA,
2013). Com a descoberta do depósito de Mountain Pass, nos EUA e a entrada da China no
mercado de terras raras por volta de 1980 o Brasil perdeu representatividade e competitividade
no setor (SENADO, 2013).
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6. LAVRA
A lavra dos minérios portadores de terras raras pode ser entendida, de maneira geral, pela
citação abaixo:
Os minérios de terras raras são caracterizados por suas diferentes tipologias e podem ser
lavrados de diferentes formas, não necessariamente de forma padronizada. O método de lavra
deve levar em consideração a geologia da jazida, os minerais minérios e os minerais de ganga
presentes. A Monazita e o Xenotímio, por exemplo, são lavrados basicamente por dragagem de
aluviões e areias de praia mineralizados. Outros depósitos também são lavrados de forma
superficiais, usando desmonte hidráulico, pás carregadeiras, trator de lâmina e caminhões. No
caso da Bastnasita o método de lavra aplicado é de lavra em bancadas à céu aberto, utilizando
técnicas de perfuração e desmonte, transportados para o processo de cominuição em moinhos,
logo após cominuídos são peneirados, aquecidos e encaminhados a usina de beneficiamento
(GALDINO, 2015).
Vale ressaltar que o material proveniente do decapeamento da área, bem como o estéril,
geralmente retornam à jazida para preenchimento da cava e reconstituição do terreno,
minimizando assim o impacto da lavra.
21
7. BENEFICIAMENTO
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Figura 4: Fluxograma de concentração do minério de Mountain Pass, EUA.
23
cleaner, enquanto o rejeito era descartado. Ao final das flotações cleaner obtinha-se um
concentrado final com 60 a 63% de OTR e 65 a 70% de recuperação (VIEIRA; LINS, 1997).
Parte deste concentrado final era direcionado ao comércio e parte seguia para o
tratamento químico. Primeiramente, realizava-se a lixiviação com ácido clorídrico, a pH 10
para promover a dissolução da ganga carbonatada (que não havia sido separada através da
flotação), elevando o teor de OTR para cerca de 70%. Logo após o concentrado seguia para
etapa de calcinação, que elimina os fluorocarbonatos e elevando o teor de OTR para cerca de
90% (VIEIRA; LINS, 1997).
24
Figura 5: Fluxograma simplificado de concentração em escala industrial do minério de Baiyun Ebo, China.
25
7.3 Concentração de Monazita no Brasil
Segundo SOARES (1994), a etapa de decomposição com ácido sulfúrico ocorre em uma
temperatura de aproximadamente 180 a 200 graus Celsius, com o tempo variando entre 2 a 4
horas conforme a granulometria do minério. Geralmente o processo ocorre em fornos rotativos.
Esta decomposição resulta em sulfatos de terras raras (e também sulfatos de tório e titânio),
conforme reação a seguir:
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Cério e lantânio podem ser obtidos por precipitação a partir de misturas de terras raras
obtidas como resultado do processamento de concentrados minerais de monazitas e
bastnaesitas. Isto se deve principalmente ao fato de que estes são os principais constituintes
destes concentrados e podem ser separados com relativa facilidade com ajustes de acidez e
níveis de oxidação a partir de soluções de seus cloretos. A única instalação industrial de
fracionamento operada no Brasil pela NUCLEMON até 1991, produzia compostos de cério e
lantânio e fracionava ainda uma mistura de cloretos de terras raras em leves e médias + pesadas,
empregando extração por solventes. (SOARES, 1994).
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8. MERCADO
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que garante custos relativamente baixos em relação aos demais
produtores. Nas duas outras, a bastnaesita é obtida diretamente por
mineração. As reservas na Mongólia Interior atingem um teor de 1,5%
de óxidos e fator de recuperação de 25% a 50%. Em Sichuan, as reservas
chegam a um teor de 3% de óxidos de TR e fator de recuperação de 50%.
O mineral extraído em Sichuan tem composição semelhante. A extração
de elementos de TR ocorre também nas províncias de Guangdong, de
Hunan, de Jiangxi e de Jiangsu, a partir de argilas lateríticas. Nessas
argilas, o conteúdo de cério é baixo, mas o de elementos pesados de TR
e de ítrio é particularmente elevado (BNDES, 2012, p.376).
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Figura 7: Localização de depósitos e ocorrências de terras raras no Brasil.
É reconhecido que o Brasil tem um grande potencial no que se refere aos elementos
terras raras, justificado pela pluralidade de suas ocorrências, a multiplicidade dos seus
ambientes geológicos e a sua dispersão geográfica. No Brasil já há evidências bastante
consistentes de que as terras raras formam vários depósitos em todo o território, estando mais
comumente associadas a ambientes minerais, como por exemplo, placers litorais e de rios;
complexos alcalino-carbonatíticos, minérios associados ao zircão, anatásio, pirocloro,
cassiterita e apatita (LAPIDO LOUREIRO, 2013).
No final de 2012, o DNPM aprovou novas reservas lavráveis, em duas áreas de Araxá
das empresas CBMM e CODEMIG, com 14.2 milhões de toneladas e 7.7 milhões de toneladas
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de óxidos de terras raras (OTR) contidos, e teores de 3.0% e 2.3%, respectivamente. Outra área
em Itapirapuã Paulista, com 97.96 mil toneladas de OTR contidos, teor de 4.89%, de
titularidade da Vale Fertilizantes S/A também foi aprovada. Estas novas áreas elevaram o Brasil
à posição de segundo maior detentor mundial de reservas de OTR, logo após a China (DNPM,
2015).
Além das novas áreas aprovadas em 2012, outras reservas contribuem para o Brasil ser
considerado o segundo maior detentor mundial de terras raras. As reservas pertencentes à
Mineração Terras Raras, em Poços de Caldas (MG), possuem 3 Milhões de toneladas de
minério lavrável, com teor de 1,15% de OTR, perfazendo um total de 34,8 mil toneladas de
OTR contidos. As Indústrias Nucleares do Brasil – INB, em São Francisco do Itabapoana (RJ),
detêm 338,4 mil toneladas de minério lavrável, com teor de 0,129% de monazita, totalizando
438 toneladas de monazita contida. A exploração realizada pela VALE S/A, no Vale do Sapucaí
(MG) conta com 5,7 mil toneladas de terras raras de reservas medidas e indicadas, contendo
62% de monazita, equivalente a 3,56 kt) (DNPM, 2015).
Além disso, existem também outras reservas ainda não aprovadas pelo DNPM, como
por exemplo a província mineral de Pitinga, em Presidente Figueiredo (AM), com 2 milhões de
toneladas de xenotímio e teor de 1% de ítrio, e a província de Catalão(GO), onde a VALE é
proprietária de um depósito com 32,8 milhões de toneladas de reservas lavráveis com teor
médio de 8,4 % de OTR - óxidos de terras raras contidos, e teores de urânio e tório inferiores a
0,01% (Lapido-Loureiro, 2011). No rejeito da mineração do nióbio da CBMM, em Araxá, estão
concentradas quantidades importantes de terras raras, com grande potencial de aproveitamento.
Isso tudo aumenta ainda mais a potencialidade competitiva do Brasil (DNPM, 2015).
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Tabela 5: Produção e consumo de Terras Raras no Brasil
Apesar do Brasil ser o segundo maior detentor de reservas de óxidos de terras raras,
segundo o Sumário Mineral de 2015, não houve produção de terras raras no país em 2014.
O consumo aparente dos manufaturados ficou praticamente estável em 2014 (de 415
toneladas para 408 toneladas), mas o de compostos químicos aumentou 40 % em relação a 2013
(de 887 toneladas para 1.244 toneladas) (DNPM, 2015).
34
8.4 Preços
Embora os preços tenham recuado desde 2011, ainda permanecem em patamares muito
mais altos que os de 2002. Os preços dos metais de terras-raras são tradicionalmente um pouco
maiores que os dos respectivos óxidos e, em geral, os pesados — menos abundantes e de
extração mais cara — são mais caros que os leves. A diferença de preços dos diversos elementos
costuma ser gigantesca. O quilo do óxido de cério, por exemplo, foi comercializado em agosto
de 2011 por US$ 150, enquanto a mesma quantidade de óxido de európio custava US$ 5.880
(SENADO, 2013).
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Figura 8: Preço dos elementos terras raras de 2006 a 2013
A importância estratégica das terras raras ficou bastante clara após a China embargar as
exportações destes elementos para o Japão como represália à prisão de um navegante de pesca
chinês que estava em uma área marítima disputada pelos dois países. O Japão teve problemas
com este embargo, uma vez que sua economia depende muito dos produtos de alta tecnologia.
36
Tabela 6: Estimativa de preços dos elementos terras raras de 2014 a 2025
Com o aumento da produção de terras raras por outros países, espera-se que o preço volte
a estabilizar. A Tabela 6 mostra a previsão dos preços futuros para estes elementos.
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9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A seguir, cita-se alguns exemplos das estratégias que o Brasil deverá adotar até 2030,
para se tornar competitivo no mercado das terras raras:
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Realizar mapeamento de ocorrências, identificação e dimensionamento das reservas e
viabilizar a produção e o processamento mineral de TRs; Encaminhar e aprovar o novo marco
regulatório mineral, explicitando aspectos referentes ao desenvolvimento da cadeia produtiva
de TRs; Promover políticas públicas de cunho mineral, industrial voltadas para o
desenvolvimento da cadeia produtiva de TRs; Equacionar as questões ambientais relacionadas
à presença de radionuclídeos em jazidas na legislação brasileira; Criar mecanismos de
financiamento em condições compatíveis com os concorrentes internacionais e incentivos para
atração de empresas de toda a cadeia produtiva e suas aplicações; Viabilizar as cadeias
produtivas de aplicações de TRs de forma sustentável e competitiva; Consolidar e expandir
infraestrutura de laboratórios, facilidades de pesquisa, suporte técnico e logístico ao
desenvolvimento da cadeia produtiva de TRs (CGEE, 2013, p.27).
Atualmente, existe a consciência de que falta tecnologia nesse setor, porém grande empresas
como Vale e Petrobrás ainda não demonstraram interesse uma vez que, comparado ao montante
gerado pela comércio de minério de ferro e petróleo, o mercado de terras raras ainda representa
uma fatia muito pequena. A única empresa que tem se engajado mais nessa questão é a CBMM.
No entanto, uma mobilização do setor acadêmico e empresarial faz-se muito importante, dado
o cenário atual.
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10. CONCLUSÃO
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11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DNPM. Departamento Nacional de Produção Mineral. Terras Raras. Sumário Mineral, 2015.
Forecast of rare earth oxide prices worldwide from 2014 to 2025. Disponível em:
[Link]
acesso em 19/06/2018.
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LAPIDO – LOUREIRO, F. E. O Brasil e a Reglobalização da Indústria das Terras Raras.
Rio de Janeiro: CETEM/ MCTI, 2013.
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