Deveres e Faltas Disciplinares do Preso
Deveres e Faltas Disciplinares do Preso
LEI DE EXECUÇÃO
Criminais
Disposições
PENAL (LEP) Gerais
01. Introdução –
02. Deveres do preso;
03. Disposições gerais da disciplina prisional;
04. Das Faltas Disciplinares
05. Procedimento Administrativo Disciplinar;
5.1. Instauração de procedimento para apuração (conforme regulamento)
5.2. Competência para instauração;
5.3. Direitos do preso no PAD:
5. 3.1. Assegurado o direito de defesa (Súm. 533 – STJ);
5. 3.2. Oitiva do preso e dos funcionários;
5. 3.3. Individualização da conduta;
5. 3.4. Arrolar testemunhas;
4. Das espécies e da aplicação da sanção –
5. Da aplicação das sanções administrativas –
Desse modo, a execução penal pressupõe um conjunto de deveres e direitos, envolvendo o Estado e o
condenado, de tal sorte que, além das obrigações legais inerentes ao seu particular estado, o condenado
deve submeter-se a um conjunto de normas e execução da pena.
✔ LEP – Falta Grave – Art. 50, inciso II – Comete falta grave o condenado à pena privativa
de liberdade que fugir;
✔ CÓDIGO PENAL – FUGA – CRIME –
✔ Evasão mediante violência contra a pessoa – Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o
preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra
a pessoa:
LEP – Falta Grave – Art. 50, inciso VI – inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do
artigo 39, desta Lei.
A depender do caso, a desobediência ou o desrespeito às autoridades pode configurar os
seguintes crimes:
✔ Resistência (CP, art. 329);
✔ Desobediência (CP, art. 330);
✔ Desacato (CP, art. 331).
STJ – A desobediência aos agentes penitenciários configura falta de natureza grave, a teor da
combinação entre os art. 50, VI, e art. 39, II e V, da Lei de Execuções Penais. Acórdãos: AgRg
no HC 550207/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 18/02/2020, DJe 28/02/2020
Art. 39 (...)
III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados;
LEP - Art. 50, inciso I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a
disciplina;
Art. 39 (...)
V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;
LEP - Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na medida
de suas aptidões e capacidade.
Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser executado
no interior do estabelecimento.
Art. 200. O condenado por crime político não está obrigado ao trabalho
LEP - Art. 50, inciso VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta
Lei.
Art. 40 (...)
VI - submissão à sanção disciplinar imposta;
LEP – Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não
podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário mínimo.
§ 1° O produto da remuneração pelo trabalho deverá atender:
Conceito previsto na LEP (Art. 44) – Conforme o dispositivo legal, o preso provisório ou
condenado deverá colaborar com a ordem, bem como colaborar com a obediência às
determinações das autoridades e seus agentes, e também no desempenhar seu trabalho.
EXECUÇÃO DA PENA – EQUILÍBRIO –
O preso, de outro lado, deverá cumprir seus deveres e obrigações impostas pela norma.
Essas normas se traduzem em deveres, e representam um código de postura do condenado
perante a Administração e o Estado. Nesse sentido, o descumprimento de deveres e
obrigações configura indisciplina prisional e sujeitará o preso às sanções.
Por fim, conforme se observa o art. 39, I da LEP, constituem deveres do condenado
comportamento disciplinado.
CONTEXTO DA DISCIPLINA –
Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão
legal ou regulamentar.
“As faltas graves estão previstas no artigo 50 da LEP e, consoante entendimento pacífico
desta corte, não possibilitam interpretação extensiva ou complementar a fim de acrescer
condutas que lá não estão previstas”, afirmou.
Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido
pela autoridade administrativa conforme as disposições regulamentares.
Art. 48. Na execução das penas restritivas de direitos, o poder disciplinar será exercido
pela autoridade administrativa a que estiver sujeito o condenado.
LEP – Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior
previsão legal ou regulamentar.
O art. 45 traz, de forma expressa, os princípios da reserva legal e da anterioridade da norma.
Desse modo, a durante a Execução Penal, não poderá haver falta ou sanção disciplinar sem
expressa e anterior previsão legal.
Em outras palavras, para que um preso seja submetido a um procedimento para fins de
apurar sua conduta diante de uma possível falta são necessários: que a falta disciplinar esteja
prevista legalmente e que seja anterior ao ato. Nesse sentido,
Rol Taxativo –
STJ: O rol do art. 50 da Lei de Execuções Penais (Lei n. 7.210/1984), que prevê as condutas
que configuram falta grave, é taxativo, não possibilitando interpretação extensiva ou
complementar, a fim de acrescer ou ampliar o alcance das condutas previstas. Acórdãos: HC
481699/RS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em
12/03/2019, DJe 19/03/2019
Apresentar Embriagado –
“A conduta do agravante de se apresentar embriagado, embora consista em comportamento
irregular, não pode gerar a regressão de regime ou indeferir o livramento condicional, pois
não está elencada no rol taxativo das infrações disciplinares previstas no art. 50 da
LEP.” (TJ-MG - Agravo em Execução Penal AGEPN 10261150028858001 MG; Data de
publicação: 19/08/2015)
Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:
Forma de praticar a falta grave – Ação ou omissão (recusa de voltar às celas, recusa de
recebimento de comida – greve de fome).
STJ: O delito de dano ao patrimônio público, quando praticado por preso para facilitar a fuga
do estabelecimento prisional, demanda a demonstração do dolo específico de causar prejuízo
ao bem público (animus nocendi), sem o qual a conduta é atípica.
STJ: “O reconhecimento de falta grave prevista no art. 50, III, da Lei n. 7.210/1984 dispensa a
realização de perícia no objeto apreendido para verificação da potencialidade lesiva, por falta de
previsão legal.” Acórdãos: AgRg no HC 475585/DF, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 07/11/2019, DJe 22/11/2019
IV - provocar acidente de trabalho;
Provocação dolosa –
Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem
prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias:
I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;
II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;
III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;
IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for
determinado.
VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.
LEP – Art. 38 – II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
relacionar-se;
STJ: “Após a vigência da Lei n. 11.466, de 28 de março de 2007, constitui falta grave a posse
de aparelho celular ou de seus componentes, tendo em vista que a ratio essendi da norma é
proibir a comunicação entre os presos ou destes com o meio externo.” Acórdãos: HC 278584/
SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
07/11/2013, DJe 20/11/2013
Perícia de aparelho celular
STJ: É prescindível a perícia de aparelho celular apreendido para a configuração da falta
disciplinar de natureza grave do art. 50, VII, da Lei n. 7.210/1984. Acórdãos: AgRg no HC
506102/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 05/12/2019, DJe
17/12/2019
Chip, bateria e carregador –
STF – Conforme o entendimento sufragado pelo Supremo Tribunal Federal e o Superior
Tribunal de Justiça, a posse de componentes de aparelho celular, tais como chip,
bateria e carregador, configura a infração disciplinar prevista no artigo 50 , inciso VII da
Lei de Execução Penal , pois, são acessórios que sem eles, não é possível a comunicação com
outros presos ou com o ambiente externo. Recurso de Agravo RAG 20150020269098 (TJ-DF);
18/11/2015)
Placa de celular –
“O paciente foi surpreendido, em 25/10/2008, na posse de componente de aparelho de
telefonia celular que, segundo o impetrante, seria uma placa. A Turma negou a ordem
ao entender que, com o advento da Lei n. 11.466/2007, que incluiu o inciso VII ao art. 50 da
Lei de Execução Penal, a referida conduta passou a ser considerada típica após 28/3/2007,
data de sua entrada em vigor. Após tal data, este Superior Tribunal firmou o
entendimento de que não só a posse do aparelho de telefonia celular como também o
de acessório essencial a seu funcionamento ensejam o reconhecimento de falta grave.
”
Posse de fone de Celular –
STJ: “A posse de fones de ouvido no interior do presídio é conduta formal e materialmente
típica, configurando falta de natureza grave, uma vez que viabiliza a comunicação intra e
extramuros.”
VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave
contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho
de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante
extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. (Incluído pela Lei
nº 12.654, de 2012)
§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido submetido à
identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser
submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
Art. 51. Comete falta grave o condenado à pena restritiva de direitos que:
III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta lei.
a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por
edital;
STJ: “A prática de fato definido como crime doloso no curso da execução penal caracteriza
falta grave, independentemente do trânsito em julgado de eventual sentença penal
condenatória.” (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 - Tema 655) Acórdãos: HC
262572/RS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado
em 12/11/2013, DJe 28/11/2013
02.
COMPETÊNCIAS PARA A INSTAURAÇÃO
DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO –
Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido
pela autoridade administrativa conforme as disposições regulamentares.
Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do
diretor do estabelecimento e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do
juiz competente. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)
Súmula 533 do STJ – Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução
penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do
estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado
constituído ou defensor público nomeado. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje 15/06/2015.
Controle Jurisdicional – Sanção Aplicada pelo Diretor –
STJ: A decisão proferida pela autoridade administrativa prisional em processo administrativo
disciplinar - PAD que apura o cometimento de falta grave disciplinar no âmbito da execução penal é
ato administrativo, portanto, passível de controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Acórdãos:
AgRg no AREsp 1439580/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
15/10/2019, DJe 28/10/2019
03.
DIREITOS DO PRESO NO PAD –
✔ Direito de Defesa –
✔ Oitiva do preso e dos funcionários –
✔ Individualização da conduta –
DIREITO DE DEFESA –
Art. 59. Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua
apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.
Súmula 533 do STJ – Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por
advogado constituído ou defensor público nomeado. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015,
Dje 15/06/2015.
Ausência de Defesa – Não aplicabilidade da Súmula Vinculante 5 -
Súmula Vinculante 5 - A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição.
É NULA A SINDICÂNCIA QUE VISE APURAR A FALTA GRAVE DO PRESO QUANDO
AUSENTE O ADVOGADO.
Foi instaurada sindicância para apuração do cometimento de falta grave imputada ao paciente em sede
de execução penal; ao final reconheceu-se o cometimento da falta grave (posse de aparelho
celular dentro do presídio), contudo sem a presença do defensor quando da oitiva do acusado.
A Turma entendeu não aplicável a Súmula vinculante n. 5 do STF, pois os precedentes que a embasam
estão vinculados ao Direito Administrativo. Não se está a tratar de um mero procedimento
administrativo disciplinar em que um sujeito sobre o qual recai a suspeita de uma falta pode,
investido de plenos poderes, exercer seus direitos e prerrogativas e demonstrar sua inocência..
HC 193.321-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 31/5/2011.
INEXISTÊNCIA DE DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO NA OITIVA DE TESTEMUNHAS
STJ: No processo administrativo disciplinar instaurado para apuração de falta grave supostamente
praticada no curso da execução penal, a inexistência de defesa técnica por advogado na oitiva de
testemunhas viola os princípios do contraditório e da ampla defesa e configura causa de
nulidade do PAD. Acórdãos: HC 517663/MG, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 01/10/2019, DJe
11/10/2019)
2. OITIVA DO PRESO E DOS FUNCIONÁRIOS;
Sanção coletiva –
STJ: É necessária a individualização da conduta para reconhecimento de falta grave
praticada pelo apenado em autoria coletiva, não se admitindo a sanção coletiva a todos os
participantes indistintamente. Acórdãos; AgRg no HC 557417/SP, Rel. Ministro JORGE
MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 23/03/2020
Princípio constitucional da intranscendência
STJ: A imposição da falta grave ao executado em razão de conduta praticada por terceiro,
quando não comprovada a autoria do reeducando, viola o princípio constitucional da
intranscendência (art. 5º, XLV, da Constituição Federal). Acórdãos: AgRg no HC 510838/MG,
Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 20/08/2019, DJe 03/09/2019
DAS ESPÉCIES DE SANÇÕES
ADMINISTRATIVAS –
Art. 53. Constituem sanções disciplinares:
I - advertência verbal;
II - repreensão;
✔ Competência –
✔ Hipóteses de aplicação da sanção –
✔ Dosimetria da sanção –
COMPETÊNCIA PARA APLICAÇÃO DA SANÇÃO
DISCIPLINAR
Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do
diretor do estabelecimento e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do
juiz competente. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)
I - o elogio;
II - a concessão de regalias.
Parágrafo único. Nas faltas graves, aplicam-se as sanções previstas nos incisos III a V
do art. 53 desta Lei.
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a falta disciplinar
grave impede a concessão do livramento condicional, por evidenciar a ausência do
requisito subjetivo relativo ao comportamento satisfatório durante o resgate da pena, nos
termos do art. 83, III, do Código Penal. A decisão (HC 554.833/SP teve como relator o ministro
Joel Ilan Paciornik)
STJ – Esta Corte superior pacificou o entendimento segundo o qual, apesar de as faltas
graves não interromperem o prazo para a obtenção de livramento condicional,
Súmula n. 441 do Superior Tribunal de Justiça – STJ, justificam o indeferimento do
benefício, pelo inadimplemento do requisito subjetivo. Na hipótese, o pedido de
livramento condicional foi indeferido ao paciente pelo Tribunal a quo com fundamento,
sobretudo, no histórico do apenado, que possui registro de 2 faltas disciplinares de natureza
grave. 3. Não se aplica limite temporal à análise do requisito subjetivo, devendo ser analisado
todo o período de execução da pena, a fim de se averiguar o mérito do apenado. Precedentes.
4. Habeas corpus não conhecido. (HC 554.833/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK,
QUINTA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 16/03/2020)
Saída temporária – Requisito subjetivo –
STJ: “O cometimento de falta grave é motivo idôneo para o indeferimento do benefício da
saída temporária, por ausência de preenchimento do requisito subjetivo.” Acórdãos: HC
514230/RJ, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em
17/09/2019, DJe 24/09/2019
Progressão de regime – Requisito subjetivo –
STJ – “ Para a concessão da progressão de regime, deve o reeducando preencher os requisitos
de natureza objetiva (lapso temporal) e subjetiva (bom comportamento carcerário), nos termos
do art. 112 da LEP. IV – Na hipótese, as instâncias ordinárias entenderam que não foi
preenchido o requisito subjetivo, com base em fatos concretos ocorridos no curso da execução
penal, quais sejam, o registro da prática de sucessivas faltas disciplinares de natureza grave.
(AgRg no HC 554.100/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 10/03/2020,
DJe 18/03/2020)
Graves cometidas em período longínquo –
“Faltas graves cometidas em período longínquo e já reabilitadas não configuram fundamento
idôneo para indeferir o pedido de progressão de regime, para que os princípios da
razoabilidade e da ressocialização da pena e o direito ao esquecimento sejam respeitados”.
(HC 544368/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 05/12/2019, DJe 17/12/2019)
FALTA GRAVE E VERIFICAÇÃO DO REQUISITO OBJETIVO – BENEFÍCIOS DA
EXECUÇÃO PENAL –
Súmula 534 do STJ - “A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a
progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento
dessa infração”.
Súmula 535-STJ - A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de
pena ou indulto.
Súmula 441-STJ - A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento
condicional.
FALTA GRAVE E REVOGAÇÃO DE BENEFÍCIOS DA EXECUÇÃO PENAL –
1. Revogação da Autorização do trabalho Externo – Art. 37, parágrafo único.
LEP – Art. 37 (...) Parágrafo único. Revogar-se-á a autorização de trabalho externo ao preso que
vier a praticar fato definido como crime, for punido por falta grave, ou tiver comportamento
contrário aos requisitos estabelecidos neste artigo.
2. Revogação do benefício da Progressão Especial –
Art. 112 - § 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do
benefício previsto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018)
STJ: A decisão que reconhece a prática de falta grave disciplinar deverá ser desconstituída
diante das hipóteses de arquivamento de inquérito policial ou de posterior absolvição na esfera
penal, por inexistência do fato ou negativa de autoria, tendo em vista a atipicidade da conduta.
Acórdãos: HC 524396/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA
TURMA, julgado em 15/10/2019, DJe 22/10/2019
REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO –
HIPÓTESES DE APLICAÇAO DO
REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO
1ª HIPÓTESE –
“Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando
ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou
condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime
disciplinar diferenciado, com as seguintes características:
∙ Súmula 639 – “Não fere o contraditório e o devido processo decisão que, sem ouvida prévia da
defesa, determine transferência ou permanência de custodiado em estabelecimento
penitenciário federal”.
“duração máxima de até 2 (dois) anos, sem § 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o
prejuízo de repetição da sanção por nova regime disciplinar diferenciado poderá ser
falta grave de mesma espécie;” prorrogado sucessivamente, por períodos de 1
(um) ano, existindo indícios de que o preso:
CORRESPONDÊNCIA DO PRESO
Por prazo não superior a 30 dias. A fiscalização ocorre sempre que a emissão ou
(art. 58, LEP) recebimento de correspondência.
PROGRESSÃO DE REGIME E O
REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO –
STF – “Não faz jus ao benefício da progressão de regime o condenado que esteja cumprindo pena
em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de segurança pública ou que integre
organização criminosa, pois tais circunstâncias evidenciam a ausência dos requisitos subjetivos
para a progressão de regime prisional.” (julgamento do HC 131.649/RJ; Informativo STF 838.)
A Segunda Turma afirmou que a transferência do apenado para o sistema federal tem, em regra,
como fundamento razões que atestam que, naquele momento, o condenado não tem mérito para
progredir de regime. Observou que a transferência seria cabível no interesse da segurança
pública ou do próprio preso (Lei 11.671/2008, art. 3º).
Frisou que o paciente seria líder de organização criminosa. Ademais, mesmo sem cometer
infrações disciplinares, o preso que pertencesse à associação criminosa não satisfaria aos
requisitos subjetivos para a progressão de regime. A pertinência à sociedade criminosa seria
crime e também circunstância reveladora da falta de condições de progredir a regime prisional
mais brando. A Segunda Turma ainda registrou que a manutenção do condenado em regime
fechado, com base na falta de mérito do apenado, não seria incompatível com a jurisprudência do
STF. (Brasília, 5 a 9 de setembro de 2016 - Nº 838.)
Dos Juizados Especiais
LEI DE EXECUÇÃO
Criminais
Disposições
PENAL (LEP) Gerais
01. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a Lei de Execução Penal, cumpre ao condenado, além
das obrigações legais inerentes ao seu estado, submeter-se às normas de execução da penal.
02. (Prof. Ayres Barros) Todos os deveres dos presos previstos na LEP são aplicados aos presos
condenados e provisórios.
03. (Prof. Ayres Barros) Constituem deveres do condenado e do preso provisório, dentre outros,
o comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença.
04. (Prof. Ayres Barros) A obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
relacionar-se constituem deveres do preso condenado. Nesse sentido, é correto afirmar que a
desobediência aos agentes penitenciários configura falta de natureza grave.
05. (Prof. Ayres Barros) A execução do trabalho constitui um dos deveres do preso condenado e
provisório, de modo que a recusa configura falta grave.
06. (Prof. Ayres Barros) Apesar de a execução do trabalho constituir um dos deveres do preso, o
condenado por crime político não está obrigado ao trabalho.
07. (Prof. Ayres Barros) Além de outros, constituem deveres do preso a submissão à sanção
disciplinar imposta; bem como a indenização à vitima ou aos seus sucessores.
08. (Prof. Ayres Barros) A indenização ao Estado das despesas realizadas com a sua
manutenção é dever relativo, que deverá ser analisado conforme a possibilidade, mediante
desconto proporcional da remuneração do trabalho.
09. (Prof. Ayres Barros) Constituem deveres do condenado, dentre outros, a higiene pessoal e
asseio da cela ou alojamento; bem como a conservação dos objetos de uso pessoal. Nesse caso,
havendo descumprimento, haverá falta grave.
Da disciplina Prisional – Disposições Gerais –
10. (Prof. Ayres Barros) A disciplina consiste na colaboração com a ordem, na obediência às
determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do trabalho.
11. (Prof. Ayres Barros) Contemplando o princípio da legalidade, a Lei de Execução penal
afirma que não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou
regulamentar.
13. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a Lei de Execução Penal, as faltas disciplinares
classificam-se em leves, médias e graves, todas previstas na LEP, assim como as respectivas
sanções.
14. (Prof. Ayres Barros) Constitui falta média a recusa do condenado em submeter-se ao
procedimento de identificação do perfil genético.
17. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, o rol do art. 50 da Lei de Execuções Penais (Lei n.
7.210/1984), que prevê as condutas que configuram falta grave, é taxativo, não possibilitando
interpretação extensiva ou complementar, a fim de acrescer ou ampliar o alcance das condutas
previstas.
18. (Prof. Ayres Barros) Não configura falta grave a conduta do preso que mantém pombos na
cela, já que não haveria vedação legal à presença dos pombos.
19. (Prof. Ayres Barros) A conduta do preso de se apresentar embriagado configura falta grave,
que pode gerar a regressão de regime ou indeferimento do livramento condicional.
20. (Prof. Ayres Barros) A fuga do preso configura falta grave e, além disso, conforme o caso
concreto, poderá configurar crime do art. 352 do Código Penal – Evasão mediante violência contra
a pessoa.
21. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, a fuga caracteriza falta grave, implicando
regressão de regime e recomeço da contagem - a partir da recaptura - da fração de pena para nova
progressão e alguns outros benefícios, bem como a perda parcial dos dias remidos.
22. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, o marco inicial da prescrição para apuração da
falta grave em caso de fuga é o dia da recaptura do foragido, uma vez que a fuga configura tem
natureza permanente, porquanto o ato de indisciplina se prolonga no tempo, até a recaptura do
apenado.
23. (Prof. Ayres Barros) A conduta de possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a
integridade física de outrem configura falta grave. Nesse caso, para o reconhecimento de falta
grave é indispensável a realização de perícia no objeto apreendido para verificação da
potencialidade lesiva, por falta de previsão legal.
24. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, a posse de drogas no curso da execução penal,
ainda que para uso próprio, constitui falta grave.
25. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, é prescindível a confecção do laudo toxicológico
para comprovar a materialidade da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada
com o apenado no interior de estabelecimento prisional.
26. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, é imprescindível a perícia de aparelho celular
apreendido para a configuração da falta disciplinar de natureza grave do art. 50, VII, da Lei n.
7.210/1984.
FALTA GRAVE – POSSE DE APARELHO TELEFÔNICO –
27. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal e o
Superior Tribunal de Justiça, a posse de componentes de aparelho celular, tais como chip, bateria
e carregador, configura a infração disciplinar grave da Lei de Execução Penal.
28. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, a posse de fones de ouvido no interior do presídio
é conduta formal e materialmente típica, configurando falta de natureza grave, uma vez que
viabiliza a comunicação intra e extramuros.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR –
29. (Prof. Ayres Barros) Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua
apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.
30. (Prof. Ayres Barros) O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido
pela autoridade judiciária conforme as disposições regulamentares.
31. (Prof. Ayres Barros) Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução
penal, é necessária a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado.
32. (Prof. Ayres Barros) A prática de fato definido como crime doloso no curso da execução penal
caracteriza falta grave, que depende do trânsito em julgado de eventual sentença penal condenatória.
33. (Prof. Ayres Barros) A decisão proferida pela autoridade administrativa prisional em processo
administrativo disciplinar - PAD que apura o cometimento de falta grave disciplinar no âmbito da execução
penal é ato administrativo, portanto, não é passível de controle de legalidade pelo Poder Judiciário.
Direitos do preso no PAD –
34. (Prof. Ayres Barros) Não é nula a sindicância que vise apurar a falta grave do preso quando
ausente o advogado.
35. (Prof. Ayres Barros) Para apuração do cometimento de falta grave imputada ao paciente
em sede de execução penal, é possível a realização do PAD sem a presença do defensor, uma vez
que, conforme a Súmula Vinculante 5, a falta de defesa técnica por advogado no processo
administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
36. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, a palavra dos agentes penitenciários
na apuração de falta grave é prova idônea para o convencimento do magistrado, haja vista tratar-
se de agentes públicos, cujos atos e declarações gozam de presunção de legitimidade e de
veracidade.
37. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, no processo administrativo
disciplinar que apura a prática de falta grave, não há obrigatoriedade de que o interrogatório do
sentenciado seja o último ato da instrução, bastando que sejam respeitados o contraditório e a
ampla defesa, e que um defensor esteja presente.
39. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, a imposição da falta grave ao
executado em razão de conduta praticada por terceiro, quando não comprovada a autoria do
reeducando, viola o princípio constitucional da intranscendência (art. 5º, XLV, da Constituição
Federal).
Das espécies e da aplicação da sanção –
40. (Prof. Ayres Barros) Dentre outras, constituem sanções disciplinares: advertência verbal e a
repreensão, aplicadas pelo Diretor do Estabelecimento na hipótese de falta grave.
41. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a LEP, na hipótese de falta grave, o diretor poderá suspender o
direito à visita do preso por prazo superior a 30 dias, desde que devidamente fundamentados.
42. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a LEP, na hipótese de falta grave, o diretor poderá suspender o
direito à correspondência do preso, independentemente de autorização judicial.
43. (Prof. Ayres Barros) A exceção do Regime Disciplinar Diferenciado, todas as sanções são aplicadas
pelo Diretor do Estabelecimento Prisional.
44. (Prof. Ayres Barros) Na aplicação das sanções disciplinares, levar-se-ão em conta a natureza, os
motivos, as circunstâncias e as conseqüências do fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão.
Consequências Das Faltas Graves –
45. (Prof. Ayres Barros) A condenação por falta disciplinar grave não impede a concessão do
livramento condicional.
46. (Prof. Ayres Barros) A condenação por falta grave não é motivo idôneo para o indeferimento
do benefício da saída temporária.
47. (Prof. Ayres Barros) A condenação por falta grave não justifica a negativa para o
indeferimento da progressão de regime.
48. (Prof. Ayres Barros) A prática de falta grave não interrompe a contagem do prazo para a
progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa
infração.
49. (Prof. Ayres Barros) A prática de falta grave interrompe o prazo para fim de comutação de
pena ou indulto.
50. (Prof. Ayres Barros) A falta grave interrompe o prazo para obtenção de livramento
condicional.
51. (Prof. Ayres Barros) A falta grave prescreve em 3 anos.
52. (Prof. Ayres Barros) A decisão que reconhece a prática de falta grave disciplinar deverá ser
desconstituída diante das hipóteses de arquivamento de inquérito policial ou de posterior
absolvição na esfera penal, por inexistência do fato ou negativa de autoria, tendo em vista a
atipicidade da conduta.
53. (Prof. Ayres Barros) A prática de crime doloso, por si só, não enseja a aplicação da do
Regime Disciplinar Diferenciado.
54. (Prof. Ayres Barros) Uma das características do Regime Disciplinar Diferenciado são as
visitas quinzenais de 2 (duas) pessoas da família por vez, sendo vedada a visitação de terceiros
que não são familiares.
55. (Prof. Ayres Barros) Ao ingressarem no RDD, os presos, após prévio agendamento, têm
direito de ter contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da família, 2 (duas) vezes por
mês e por 10 (dez) minutos.
56. (Prof. Ayres Barros) Visando resguardar o direito à privacidade, as visitas não serão
gravadas.
57. (Prof. Ayres Barros) Durante o cumprimento do RDD, haverá a fiscalização do conteúdo da
correspondência do preso, desde que devidamente autorizado pelo juiz.
60. (Prof. Ayres Barros) Em qualquer hipótese de aplicação, o regime disciplinar diferenciado
poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano.
Dos Juizados Especiais
Criminais
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QUESTÕES