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Deveres e Faltas Disciplinares do Preso

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Dos Juizados Especiais

LEI DE EXECUÇÃO
Criminais
Disposições
PENAL (LEP) Gerais

Lei N. 7.210 de 1984


TÓPICOS DA AULA –

01. Introdução –
02. Deveres do preso;
03. Disposições gerais da disciplina prisional;
04. Das Faltas Disciplinares
05. Procedimento Administrativo Disciplinar;
5.1. Instauração de procedimento para apuração (conforme regulamento)
5.2. Competência para instauração;
5.3. Direitos do preso no PAD:
5. 3.1. Assegurado o direito de defesa (Súm. 533 – STJ);
5. 3.2. Oitiva do preso e dos funcionários;
5. 3.3. Individualização da conduta;
5. 3.4. Arrolar testemunhas;
4. Das espécies e da aplicação da sanção –
5. Da aplicação das sanções administrativas –

5.1. Competência – Diretor ou Juiz;


5.2. Hipóteses de aplicação;
5.3. Dosimetria da sanção.

06. Consequências das faltas graves;


07. Absolvição na esfera penal;
08. Prescrição da falta grave;
09. Regime Disciplinar Diferenciado;
CONTEXTO DE APLICAÇÃO DAS
FALTAS DISCIPLINARES
DEVERES DO PRESO
De acordo com o STJ: “A execução penal, caracterizada pela complexidade das atividades e dos
procedimentos que lhe subjazem, pressupõe um conjunto de deveres e direitos que envolvem o
condenado. Relativamente aos deveres, significa a obrigação de se submeter a uma série de normas de
conduta que norteiam o cumprimento da pena, cuja inobservância enseja as chamadas infrações
disciplinares, classificadas, pela legislação, em leves, médias e graves.”

Desse modo, a execução penal pressupõe um conjunto de deveres e direitos, envolvendo o Estado e o
condenado, de tal sorte que, além das obrigações legais inerentes ao seu particular estado, o condenado
deve submeter-se a um conjunto de normas e execução da pena.

✔ Dever é sinônimo de obrigação, encargo, responsabilidade, incumbência, imposição;

✔ O descumprimento de um dever poderá acarretar ao mesmo tempo um ilícito administrativo e


um ilícito penal. Tópico que veremos à diante.

✔ O rol de deveres do preso é taxativo.


Art. 38. Cumpre ao condenado, além das obrigações legais inerentes ao seu estado,
submeter-se às normas de execução da pena.

Art. 39. Constituem deveres do condenado:


I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença;

✔ Disciplina - Conforme o Art. 44 da LEP, a disciplina consiste na colaboração com a ordem,


na obediência às determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do trabalho.

✔ Cumprimento fiel da sentença - O preso deverá cumprir fielmente a sentença imposta


pelo Juiz. Dessa forma, a desobediência poderá configurar falta disciplinar de natureza
grave ou até mesmo crime.

✔ LEP – Falta Grave – Art. 50, inciso II – Comete falta grave o condenado à pena privativa
de liberdade que fugir;
✔ CÓDIGO PENAL – FUGA – CRIME –

✔ Evasão mediante violência contra a pessoa – Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o
preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra
a pessoa:

✔ Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência;


Art. 39 – II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
relacionar-se;

LEP – Falta Grave – Art. 50, inciso VI – inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do
artigo 39, desta Lei.
A depender do caso, a desobediência ou o desrespeito às autoridades pode configurar os
seguintes crimes:
✔ Resistência (CP, art. 329);
✔ Desobediência (CP, art. 330);
✔ Desacato (CP, art. 331).

STJ – A desobediência aos agentes penitenciários configura falta de natureza grave, a teor da
combinação entre os art. 50, VI, e art. 39, II e V, da Lei de Execuções Penais. Acórdãos: AgRg
no HC 550207/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 18/02/2020, DJe 28/02/2020
Art. 39 (...)
III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados;

IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de


subversão à ordem ou à disciplina;

LEP - Art. 50, inciso I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a
disciplina;
Art. 39 (...)
V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;

LEP - Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na medida
de suas aptidões e capacidade.

Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser executado
no interior do estabelecimento.

Art. 200. O condenado por crime político não está obrigado ao trabalho

Falta Grave – O descumprimento desse dispositivo configura falta grave

LEP - Art. 50, inciso VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta
Lei.
Art. 40 (...)
VI - submissão à sanção disciplinar imposta;

VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores;


Código Penal – Efeitos genéricos e específicos
Art. 91 - São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
Nova Lei de Abuso de Autoridade – Lei N. 13.869/19 – Dos Efeitos da Condenação
Art. 4º - São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a
requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos
causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos;
INDENIZAÇÃO À VITIMA – LEP

LEP – Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não
podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário mínimo.
§ 1° O produto da remuneração pelo trabalho deverá atender:

a) à indenização dos danos causados pelo crime, desde que determinados


judicialmente e não reparados por outros meios;
VIII - indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com a sua
manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do trabalho;
LEP – Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não
podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário mínimo.
§ 1° O produto da remuneração pelo trabalho deverá atender:
d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manutenção do condenado,
em proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação prevista nas letras anteriores.
IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento;
X - conservação dos objetos de uso pessoal.
Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto neste
artigo.
Como podemos perceber, não são todos os deveres que se aplicam aos presos provisórios.
Por exemplo, a obrigatoriedade do trabalho não se aplica ao preso provisório, uma vez que,
conforme o art. 31, parágrafo único da LEP, trata-se de uma faculdade.
DA DISCIPLINA PRISIONAL
(ART. 44 ao Art. 60)
DISPOSIÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA PRISIONAL
Art. 44. A disciplina consiste na colaboração com a ordem, na obediência às
determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do trabalho.
Parágrafo único. Estão sujeitos à disciplina o condenado à pena privativa de
liberdade ou restritiva de direitos e o preso provisório.
Conceito de disciplina – em sentido amplo, a disciplina é um comportamento em
conformidade com as normas legais. A disciplina consiste na obediência às regras, aos
superiores, a regulamentos; consiste na conduta que assegura o bem-estar dos indivíduos
ou o bom funcionamento. O preso que respeita as normas legais e regulamentares é um
preso disciplinado.

Conceito previsto na LEP (Art. 44) – Conforme o dispositivo legal, o preso provisório ou
condenado deverá colaborar com a ordem, bem como colaborar com a obediência às
determinações das autoridades e seus agentes, e também no desempenhar seu trabalho.
EXECUÇÃO DA PENA – EQUILÍBRIO –

A execução da pena é pautada no equilíbrio – de um lado o Estado e do outro o preso.


Desse modo, pressupõe um conjunto de deveres e direitos, envolvendo o ambos.
O Estado deverá cumprir sem mister, com objetivo de recuperar o preso e atender aos fins
da pena.

O preso, de outro lado, deverá cumprir seus deveres e obrigações impostas pela norma.
Essas normas se traduzem em deveres, e representam um código de postura do condenado
perante a Administração e o Estado. Nesse sentido, o descumprimento de deveres e
obrigações configura indisciplina prisional e sujeitará o preso às sanções.

Por fim, conforme se observa o art. 39, I da LEP, constituem deveres do condenado
comportamento disciplinado.
CONTEXTO DA DISCIPLINA –
Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão
legal ou regulamentar.

∙ Princípio da Legalidade – Em um primeiro momento, esse princípio funciona uma


forma de limitação do poder estatal, e antes de contemplar a execução penal foi entregue ao
Direito Penal. De modo, claro e objetivo: o preso somente poderá ser punido e sofrer as
consequências mais gravosas se houver expressa e anterior previsão legal ou regulamentar
do ato praticado. Caso contrário, não poderá haver punição.

∙ Criação de pombos – Ausência de Falta Grave – A 6ª Turma do Superior Tribunal de


Justiça anulou punição a um preso que mantinha três pombos em sua cela, em uma
penitenciária no interior de São Paulo.
No STJ, a defesa do preso afirmou que ele não portava objeto ou substância ilícita e que o
uso dos pombos para a prática de falta disciplinar era uma suposição das autoridades.
Alegou “atipicidade da conduta”, já que não haveria vedação legal à presença dos pombos,
e que o preso não incorreu em desobediência, pois não recebeu ordem para retirar as aves
da cela.

Conduta não prevista


De acordo com o relator do Habeas Corpus, ministro Rogerio Schietti Cruz, a presença das
aves na cela não permite presumir que elas serviriam a algum propósito ilegal, mesmo o
preso admitindo ser dono de uma delas.

“As faltas graves estão previstas no artigo 50 da LEP e, consoante entendimento pacífico
desta corte, não possibilitam interpretação extensiva ou complementar a fim de acrescer
condutas que lá não estão previstas”, afirmou.

HABEAS CORPUS Nº 284.829 - SP (2013/0410039-3)


§ 1º As sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e moral do
condenado.
§ 2º É vedado o emprego de cela escura.
Princípio da humanização das penas – Significa dizer que o condenado não perde a
sua condição humana. Portanto, não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra
externa declarada; de caráter perpétuo; de trabalho forçado; de banimento; e cruel, que é a
que impõe intenso e ilegal sofrimento.
As penas, sejam administrativas ou penais, deverão sempre respeitar a dignidade da
pessoa humana, observando a integridade física, mental e moral do preso.
§ 3º São vedadas as sanções coletivas.
STJ: “É necessária a individualização da conduta para reconhecimento de falta grave
praticada pelo apenado em autoria coletiva, não se admitindo a sanção coletiva a todos os
participantes indistintamente. Acórdãos; AgRg no HC 557417/SP, Rel. Ministro JORGE
MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 23/03/2020
Art. 46. O condenado ou denunciado, no início da execução da pena ou da prisão, será
cientificado das normas disciplinares.

Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido
pela autoridade administrativa conforme as disposições regulamentares.

Art. 48. Na execução das penas restritivas de direitos, o poder disciplinar será exercido
pela autoridade administrativa a que estiver sujeito o condenado.

Parágrafo único. Nas faltas graves, a autoridade representará ao Juiz da execução


para os fins dos artigos 118, inciso I, 125, 127, 181, §§ 1º, letra d, e 2º desta Lei.
DAS FALTAS E DO
PROCEDIMENTO DISICPLINAR
Faltas graves – Violação de deveres do art. 38 e 39 da LEP.

Faltas graves – Antecipação da prática de crimes. Se observamos as faltas graves, em sua


essência, quer o legislador evitar que o preso progrida em sua conduta e cometa algum crime. Em
tese, a falta grave consiste numa preparação para conduta criminosa.
Antes de analisar os artigos seguintes, é importante enfatizar que temos algumas fases para até
então chegarmos à aplicação da sanção administrativa ao preso. Fases que vão desde a
prática do ilícito administrativo até a efetiva aplicação da sanção: Vejamos:

1. Prática da Falta Disciplinar;


2. Procedimento Administrativo Disciplinar;
3. Da análise das sanções em espécie – Regime Disciplinar Diferenciado –
4. Previsão da Sanção Disciplinar – Espécies de Sanção Disciplinar
5. Aplicação da Sanção.
DAS FALTAS
DISCIPLINARES
Art. 49. As faltas disciplinares classificam-se em leves, médias e graves. A legislação
local especificará as leves e médias, bem assim as respectivas sanções.

Parágrafo único. Pune-se a tentativa com a sanção correspondente à falta consumada.

LEP – Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior
previsão legal ou regulamentar.
O art. 45 traz, de forma expressa, os princípios da reserva legal e da anterioridade da norma.
Desse modo, a durante a Execução Penal, não poderá haver falta ou sanção disciplinar sem
expressa e anterior previsão legal.

Em outras palavras, para que um preso seja submetido a um procedimento para fins de
apurar sua conduta diante de uma possível falta são necessários: que a falta disciplinar esteja
prevista legalmente e que seja anterior ao ato. Nesse sentido,
Rol Taxativo –
STJ: O rol do art. 50 da Lei de Execuções Penais (Lei n. 7.210/1984), que prevê as condutas
que configuram falta grave, é taxativo, não possibilitando interpretação extensiva ou
complementar, a fim de acrescer ou ampliar o alcance das condutas previstas. Acórdãos: HC
481699/RS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em
12/03/2019, DJe 19/03/2019
Apresentar Embriagado –
“A conduta do agravante de se apresentar embriagado, embora consista em comportamento
irregular, não pode gerar a regressão de regime ou indeferir o livramento condicional, pois
não está elencada no rol taxativo das infrações disciplinares previstas no art. 50 da
LEP.” (TJ-MG - Agravo em Execução Penal AGEPN 10261150028858001 MG; Data de
publicação: 19/08/2015)
Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:

I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;

Subverter – incitar a revolta, amotinar, perturbar, desordenar; corromper; sublevar;


conturbar; convulsionar; tumultuar a disciplina prisional, a ordem prisional

Forma de praticar a falta grave – Ação ou omissão (recusa de voltar às celas, recusa de
recebimento de comida – greve de fome).

Motivo justo – Não afasta o caráter indisciplinar.

LEP – Art. 39. Constituem deveres do condenado:


I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença;
Código Penal – Motim de presos
Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
II - fugir;

LEP – Art. 39. Constituem deveres do condenado:


I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença;

Código Penal – Evasão mediante violência contra a pessoa

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de


segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:

Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.


QUANTO AO EMPREGO CONTRA A COISA, OU SEJA, A DESTRUIÇÃO DE
PATRIMÔNIO PÚBLICO, DESTRUIÇÃO OU DANIFICAÇÃO DA CELA PARA FUGIR,
TEMOS DIVERGÊNCIA. VEJAMOS:
O Superior Tribunal de Justiça se pronunciou em 2014, no julgamento do Habeas Corpus
260.350, pela 6ª Turma, e decidiu que a destruição de patrimônio público (buraco na cela) pelo
preso que busca fugir do estabelecimento no qual se encontra encarcerado não configura o
delito de dano qualificado (art. 163, parágrafo único, inciso III do CP), porque
ausente o dolo específico, animus nocendi, sendo, pois, atípica a conduta. (HC 260.350/GO,
Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
13/05/2014, DJe 21/05/2014)”
1. Consoante entendimento firmado por esta Corte, o delito de dano ao patrimônio público,
quando praticado por preso para facilitar a fuga da prisão, exige o dolo específico (animus
nocendi) de causar prejuízo ou dano ao bem público. Precedentes. (grifo nosso) (HC 226.021/
SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 21/06/2012,
DJe 28/06/2012)
Segundo o entendimento desta Corte, a destruição de patrimônio público (buraco na cela) pelo
preso que busca fugir do estabelecimento no qual encontra-se encarcerado não configura o
delito de dano qualificado (art. 163, parágrafo único, inciso III do CP), porque ausente o dolo
específico (animus nocendi), sendo, pois, atípica a conduta.

STJ: O delito de dano ao patrimônio público, quando praticado por preso para facilitar a fuga
do estabelecimento prisional, demanda a demonstração do dolo específico de causar prejuízo
ao bem público (animus nocendi), sem o qual a conduta é atípica.

STJ: “O aresto objurgado alinha-se a entendimento pacificado neste Sodalício no sentido de


que o dano praticado contra estabelecimento prisional, em tentativa de fuga, não configura
fato típico, haja vista a necessidade do dolo específico de destruir, inutilizar ou deteriorar o
bem, o que não ocorre quando o objetivo único da conduta é fugir” (AgRg no AREsp 578.521/
GO, DJe 26/10/2016)
Em sentido contrário, temos decisões do STF no sentido de que configura crime.
Vejamos:
“Comete o crime de dano qualificado o preso que, para fugir, danifica a cela do estabelecimento
prisional em que está recolhido. Cód. Penal, art. 163, parag. único, III. II. - O crime de dano
exige, para a sua configuração, apenas o dolo genérico. III. - H.C. indeferido. (HC 73189,
Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Segunda Turma, julgado em 23/02/1996, DJ
29-03-1996 PP-09346 EMENT VOL-01822-02 PP-00250)”
No mesmo sentido do STF, Guilherme de Sousa Nucci e Rogério Greco entendem ser
perfeitamente possível o enquadramento do fato ao crime de dano qualificado. Ensina Rogério
Greco:
“Entendemos que não se exige para a configuração do crime de dano o chamado animus
nocendi. Basta que o agente tenha conhecimento de que com o seu comportamento está
destruindo, inutilizando ou deteriorando coisa alheia, para que possa ser responsabilizado
pelo delito em estudo, uma vez que o tipo não exige essa finalidade especial. ”
RECOMEÇO DA CONTAGEM – FUGA –
STJ: “Induvidoso que a fuga caracteriza falta grave, implicando regressão de regime e recomeço da
contagem - a partir da recaptura - da fração de pena para nova progressão e alguns outros
benefícios, bem como a perda parcial dos dias remidos.” (Agravo Nº 70046986766, Terceira
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ivan Leomar Bruxel, Julgado em
01/03/2012)
Recomeço da contagem –
STJ: O marco inicial da prescrição para apuração da falta grave em caso de fuga é o dia da
recaptura do foragido. Acórdãos: HC 527625/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 26/11/2019
Fuga – Falta grave de natureza permanente
STJ: A fuga configura falta grave de natureza permanente, porquanto o ato de indisciplina se
prolonga no tempo, até a recaptura do apenado. Acórdãos: HC 527625/SP, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2019, DJe 26/11/2019
III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;

Posse devida – Ex.: presos que trabalham na cozinha.


Crime – Lesão corporal

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:


Pena - detenção, de três meses a um ano.

STJ: “O reconhecimento de falta grave prevista no art. 50, III, da Lei n. 7.210/1984 dispensa a
realização de perícia no objeto apreendido para verificação da potencialidade lesiva, por falta de
previsão legal.” Acórdãos: AgRg no HC 475585/DF, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 07/11/2019, DJe 22/11/2019
IV - provocar acidente de trabalho;
Provocação dolosa –

Provocação culposa – Art. 126 – § 4o O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no


trabalho ou nos estudos continuará a beneficiar-se com a remição.
V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem
prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias:
I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;
II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;
III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;
IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for
determinado.
VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

LEP – Art. 38 – II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
relacionar-se;

Código Penal – Desobediência


Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.
STJ: “A desobediência aos agentes penitenciários configura falta de natureza grave, a teor da
combinação entre os art. 50, VI, e art. 39, II e V, da Lei de Execuções Penais.” Acórdãos: AgRg
no HC 550207/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 18/02/2020, DJe 28/02/2020.
LEP – Art. 38 – V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;
LEP – Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana,
terá finalidade educativa e produtiva.
LEP – Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na
medida de suas aptidões e capacidade.
Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser
executado no interior do estabelecimento.
STJ: Consoante previsão dos art. 50, VI, e art. 39, V, da LEP, configura falta grave a recusa
pelo condenado à execução de trabalho interno regularmente determinado pelo agente público
competente, não havendo que se confundir o dever de trabalho, referendado pela Convenção
Americana de Direitos Humanos (art. 6º), com a pena de trabalho forçado, vedada pela
Constituição Federal - art. 5º, XLVIII, c. Acórdãos: HC 481699/RS, Rel. Ministro
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 12/03/2019, DJe 19/03/2019
VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar,
que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

Código Penal – Corrupção ativa


Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a
praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa,


o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional
Posse de Celular - Art. 50, VII -

STJ: “Após a vigência da Lei n. 11.466, de 28 de março de 2007, constitui falta grave a posse
de aparelho celular ou de seus componentes, tendo em vista que a ratio essendi da norma é
proibir a comunicação entre os presos ou destes com o meio externo.” Acórdãos: HC 278584/
SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
07/11/2013, DJe 20/11/2013
Perícia de aparelho celular
STJ: É prescindível a perícia de aparelho celular apreendido para a configuração da falta
disciplinar de natureza grave do art. 50, VII, da Lei n. 7.210/1984. Acórdãos: AgRg no HC
506102/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 05/12/2019, DJe
17/12/2019
Chip, bateria e carregador –
STF – Conforme o entendimento sufragado pelo Supremo Tribunal Federal e o Superior
Tribunal de Justiça, a posse de componentes de aparelho celular, tais como chip,
bateria e carregador, configura a infração disciplinar prevista no artigo 50 , inciso VII da
Lei de Execução Penal , pois, são acessórios que sem eles, não é possível a comunicação com
outros presos ou com o ambiente externo. Recurso de Agravo RAG 20150020269098 (TJ-DF);
18/11/2015)
Placa de celular –
“O paciente foi surpreendido, em 25/10/2008, na posse de componente de aparelho de
telefonia celular que, segundo o impetrante, seria uma placa. A Turma negou a ordem
ao entender que, com o advento da Lei n. 11.466/2007, que incluiu o inciso VII ao art. 50 da
Lei de Execução Penal, a referida conduta passou a ser considerada típica após 28/3/2007,
data de sua entrada em vigor. Após tal data, este Superior Tribunal firmou o
entendimento de que não só a posse do aparelho de telefonia celular como também o
de acessório essencial a seu funcionamento ensejam o reconhecimento de falta grave.

Posse de fone de Celular –
STJ: “A posse de fones de ouvido no interior do presídio é conduta formal e materialmente
típica, configurando falta de natureza grave, uma vez que viabiliza a comunicação intra e
extramuros.”
VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave
contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho
de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante
extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. (Incluído pela Lei
nº 12.654, de 2012)

§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido submetido à
identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser
submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)

§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de


identificação do perfil genético. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Crime doloso – Falta grave

Posse de drogas no interior do estabelecimento prisional –


Esta Corte possui jurisprudência no sentido de que a posse de drogas no interior do
estabelecimento prisional, ainda que para o uso próprio, configura falta disciplinar de
natureza grave, à luz do art. 52 da Lei de Execução Penal, não sendo requisito para o seu
reconhecimento o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Precedentes. – Habeas
corpus não conhecido”. (HC 301.684/RS, Rel. Ministro ERICSON MARANHO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 06/08/2015,
DJe 28/08/2015)
STJ: “A posse de drogas no curso da execução penal, ainda que para uso próprio, constitui
falta grave.” Acórdãos: AgRg no HC 547354/DF, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 06/02/2020, DJe 13/02/2020
Indispensabilidade do laudo toxicológico da Droga –
STJ: “É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade
da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de
estabelecimento prisional.” Acórdãos: AgRg no HC 547354/DF, Rel. Ministro REYNALDO
SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 06/02/2020, DJe 13/02/2020
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório.

Art. 51. Comete falta grave o condenado à pena restritiva de direitos que:

I - descumprir, injustificadamente, a restrição imposta;

II - retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta;

III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta lei.

Sanção – CP – Art. 44, § 4o – A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de


liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da
pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de
direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. (Incluído pela Lei
nº 9.714, de 1998)
LEP – Art. 181. A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas
hipóteses e na forma do artigo 45 e seus incisos do Código Penal.

§ 1º A pena de prestação de serviços à comunidade será convertida quando o condenado:

a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por
edital;

b) não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa em que deva prestar serviço;

c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto;

d) praticar falta grave;


PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Fases do Procedimento Administrativo Disciplinar –
1. Instauração de procedimento para apuração (conforme regulamento)
2. Competência para instauração;
3. Direitos do preso no PAD:

3.1. Assegurado o direito de defesa (Súm. 533 – STJ);


3.2. Oitiva do preso e dos funcionários;
3.3. Individualização da conduta;
3.4. Arrolar testemunhas;

4. Das espécies de sanção administrativa –


5. Da aplicação das sanções administrativas –

5.1. Competência – Diretor ou Juiz;


5.2. Hipóteses de aplicação;
5.3. Dosimetria da sanção.
01.
INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO
PARA APURAÇÃO (CONFORME
REGULAMENTO)
Art. 59. Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua
apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.

Parágrafo único. A decisão será motivada.

Necessidade de procedimento administrativo


Súmula 533 do STJ – Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por
advogado constituído ou defensor público nomeado. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015,
Dje 15/06/2015.
DISPENSA DO TRÂNSITO EM JULGADO –

Súmula 526 – STJ – O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato


definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de
sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato. STJ. 3ª
Seção. Aprovada em 13/05/2015

STJ: “A prática de fato definido como crime doloso no curso da execução penal caracteriza
falta grave, independentemente do trânsito em julgado de eventual sentença penal
condenatória.” (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 - Tema 655) Acórdãos: HC
262572/RS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado
em 12/11/2013, DJe 28/11/2013
02.
COMPETÊNCIAS PARA A INSTAURAÇÃO
DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO –
Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido
pela autoridade administrativa conforme as disposições regulamentares.

Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do
diretor do estabelecimento e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do
juiz competente. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)

Súmula 533 do STJ – Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução
penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do
estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado
constituído ou defensor público nomeado. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje 15/06/2015.
Controle Jurisdicional – Sanção Aplicada pelo Diretor –
STJ: A decisão proferida pela autoridade administrativa prisional em processo administrativo
disciplinar - PAD que apura o cometimento de falta grave disciplinar no âmbito da execução penal é
ato administrativo, portanto, passível de controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Acórdãos:
AgRg no AREsp 1439580/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
15/10/2019, DJe 28/10/2019
03.
DIREITOS DO PRESO NO PAD –

✔ Direito de Defesa –
✔ Oitiva do preso e dos funcionários –
✔ Individualização da conduta –
DIREITO DE DEFESA –

Art. 59. Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua
apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.
Súmula 533 do STJ – Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por
advogado constituído ou defensor público nomeado. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015,
Dje 15/06/2015.
Ausência de Defesa – Não aplicabilidade da Súmula Vinculante 5 -
Súmula Vinculante 5 - A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição.
É NULA A SINDICÂNCIA QUE VISE APURAR A FALTA GRAVE DO PRESO QUANDO
AUSENTE O ADVOGADO.
Foi instaurada sindicância para apuração do cometimento de falta grave imputada ao paciente em sede
de execução penal; ao final reconheceu-se o cometimento da falta grave (posse de aparelho
celular dentro do presídio), contudo sem a presença do defensor quando da oitiva do acusado.
A Turma entendeu não aplicável a Súmula vinculante n. 5 do STF, pois os precedentes que a embasam
estão vinculados ao Direito Administrativo. Não se está a tratar de um mero procedimento
administrativo disciplinar em que um sujeito sobre o qual recai a suspeita de uma falta pode,
investido de plenos poderes, exercer seus direitos e prerrogativas e demonstrar sua inocência..
HC 193.321-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 31/5/2011.
INEXISTÊNCIA DE DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO NA OITIVA DE TESTEMUNHAS
STJ: No processo administrativo disciplinar instaurado para apuração de falta grave supostamente
praticada no curso da execução penal, a inexistência de defesa técnica por advogado na oitiva de
testemunhas viola os princípios do contraditório e da ampla defesa e configura causa de
nulidade do PAD. Acórdãos: HC 517663/MG, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 01/10/2019, DJe
11/10/2019)
2. OITIVA DO PRESO E DOS FUNCIONÁRIOS;

Presunção de legitimidade e de veracidade – Agentes Penitenciários –


STJ: A palavra dos agentes penitenciários na apuração de falta grave é prova idônea
para o convencimento do magistrado, haja vista tratar-se de agentes públicos, cujos atos e
declarações gozam de presunção de legitimidade e de veracidade. Acórdãos: AgRg no HC
550207/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em
18/02/2020, DJe 28/02/2020
Interrogatório do sentenciado – último ato - não obrigatoriedade –
STJ: “No processo administrativo disciplinar que apura a prática de falta grave, não há
obrigatoriedade de que o interrogatório do sentenciado seja o último ato da
instrução, bastando que sejam respeitados o contraditório e a ampla defesa, e que um defensor
esteja presente.” Acórdãos HC 483451/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA,
Q(Prof. Ayres Barros)UINTA TURMA, julgado em 26/02/2019, DJe 15/03/2019
3. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA –

Sanção coletiva –
STJ: É necessária a individualização da conduta para reconhecimento de falta grave
praticada pelo apenado em autoria coletiva, não se admitindo a sanção coletiva a todos os
participantes indistintamente. Acórdãos; AgRg no HC 557417/SP, Rel. Ministro JORGE
MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 23/03/2020
Princípio constitucional da intranscendência
STJ: A imposição da falta grave ao executado em razão de conduta praticada por terceiro,
quando não comprovada a autoria do reeducando, viola o princípio constitucional da
intranscendência (art. 5º, XLV, da Constituição Federal). Acórdãos: AgRg no HC 510838/MG,
Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 20/08/2019, DJe 03/09/2019
DAS ESPÉCIES DE SANÇÕES
ADMINISTRATIVAS –
Art. 53. Constituem sanções disciplinares:

I - advertência verbal;

II - repreensão;

III - suspensão ou restrição de direitos (artigo 41, parágrafo único);

IV - isolamento na própria cela, ou em local adequado, nos estabelecimentos que


possuam alojamento coletivo, observado o disposto no artigo 88 desta Lei.

V - inclusão no regime disciplinar diferenciado. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)


DA APLICAÇÃO DAS SANÇÕES
DISCIPLINARES –

✔ Competência –
✔ Hipóteses de aplicação da sanção –
✔ Dosimetria da sanção –
COMPETÊNCIA PARA APLICAÇÃO DA SANÇÃO
DISCIPLINAR
Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do
diretor do estabelecimento e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do
juiz competente. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)

§ 1o A autorização para a inclusão do preso em regime disciplinar dependerá de


requerimento circunstanciado elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra
autoridade administrativa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)

§ 2o A decisão judicial sobre inclusão de preso em regime disciplinar será precedida de


manifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de quinze
dias. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)

Art. 55. As recompensas têm em vista o bom comportamento reconhecido em favor do


condenado, de sua colaboração com a disciplina e de sua dedicação ao trabalho.
Art. 56. São recompensas:

I - o elogio;

II - a concessão de regalias.

Parágrafo único. A legislação local e os regulamentos estabelecerão a natureza e a


forma de concessão de regalias.
HIPÓTESES DE APLICAÇÃO DA SANÇÃO

Parágrafo único. Nas faltas graves, aplicam-se as sanções previstas nos incisos III a V
do art. 53 desta Lei.

Art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a


trinta dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado.

Parágrafo único. O isolamento será sempre comunicado ao Juiz da execução.


DOSIMETRIA NA APLICAÇÃO DA SANÇÃO

Art. 57. Na aplicação das sanções disciplinares, levar-se-ão em conta a natureza, os


motivos, as circunstâncias e as conseqüências do fato, bem como a pessoa do faltoso e
seu tempo de prisão.
CONSEQUÊNCIAS DAS
FALTAS GRAVES;
FALTA GRAVE E VERIFICAÇÃO DO REQUISITO SUBJETIVO – BENEFÍCIOS DA
EXECUÇÃO PENAL –
Concessão de benefícios da execução penal
STJ: “A falta grave pode ser utilizada a fim de verificar o cumprimento do requisito
subjetivo necessário para a concessão de benefícios da execução penal.” Acórdãos: AgRg no
HC 554100/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 18/03/2020

Concessão do livramento condicional – Requisito Subjetivo


STJ: A falta disciplinar grave impede a concessão do livramento condicional, por evidenciar a
ausência do requisito subjetivo relativo ao comportamento satisfatório durante o resgate da
pena, nos termos do art. 83, III, do Código Penal – CP. Acórdãos: HC 554833/SP, Rel.
Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 16/03/2020
STJ: A falta disciplinar grave impede a concessão do livramento condicional

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a falta disciplinar
grave impede a concessão do livramento condicional, por evidenciar a ausência do
requisito subjetivo relativo ao comportamento satisfatório durante o resgate da pena, nos
termos do art. 83, III, do Código Penal. A decisão (HC 554.833/SP teve como relator o ministro
Joel Ilan Paciornik)

STJ – Esta Corte superior pacificou o entendimento segundo o qual, apesar de as faltas
graves não interromperem o prazo para a obtenção de livramento condicional,
Súmula n. 441 do Superior Tribunal de Justiça – STJ, justificam o indeferimento do
benefício, pelo inadimplemento do requisito subjetivo. Na hipótese, o pedido de
livramento condicional foi indeferido ao paciente pelo Tribunal a quo com fundamento,
sobretudo, no histórico do apenado, que possui registro de 2 faltas disciplinares de natureza
grave. 3. Não se aplica limite temporal à análise do requisito subjetivo, devendo ser analisado
todo o período de execução da pena, a fim de se averiguar o mérito do apenado. Precedentes.
4. Habeas corpus não conhecido. (HC 554.833/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK,
QUINTA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 16/03/2020)
Saída temporária – Requisito subjetivo –
STJ: “O cometimento de falta grave é motivo idôneo para o indeferimento do benefício da
saída temporária, por ausência de preenchimento do requisito subjetivo.” Acórdãos: HC
514230/RJ, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em
17/09/2019, DJe 24/09/2019
Progressão de regime – Requisito subjetivo –
STJ – “ Para a concessão da progressão de regime, deve o reeducando preencher os requisitos
de natureza objetiva (lapso temporal) e subjetiva (bom comportamento carcerário), nos termos
do art. 112 da LEP. IV – Na hipótese, as instâncias ordinárias entenderam que não foi
preenchido o requisito subjetivo, com base em fatos concretos ocorridos no curso da execução
penal, quais sejam, o registro da prática de sucessivas faltas disciplinares de natureza grave.
(AgRg no HC 554.100/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 10/03/2020,
DJe 18/03/2020)
Graves cometidas em período longínquo –
“Faltas graves cometidas em período longínquo e já reabilitadas não configuram fundamento
idôneo para indeferir o pedido de progressão de regime, para que os princípios da
razoabilidade e da ressocialização da pena e o direito ao esquecimento sejam respeitados”.
(HC 544368/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 05/12/2019, DJe 17/12/2019)
FALTA GRAVE E VERIFICAÇÃO DO REQUISITO OBJETIVO – BENEFÍCIOS DA
EXECUÇÃO PENAL –

Súmula 534 do STJ - “A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a
progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento
dessa infração”.

Súmula 535-STJ - A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de
pena ou indulto.

Súmula 441-STJ - A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento
condicional.
FALTA GRAVE E REVOGAÇÃO DE BENEFÍCIOS DA EXECUÇÃO PENAL –
1. Revogação da Autorização do trabalho Externo – Art. 37, parágrafo único.
LEP – Art. 37 (...) Parágrafo único. Revogar-se-á a autorização de trabalho externo ao preso que
vier a praticar fato definido como crime, for punido por falta grave, ou tiver comportamento
contrário aos requisitos estabelecidos neste artigo.
2. Revogação do benefício da Progressão Especial –
Art. 112 - § 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do
benefício previsto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018)

3. Interrupção do prazo para a obtenção da progressão no regime –


Art. 112 – § 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade
interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em
que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
4. Regressão de Regime – Art. 118, I.
Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a
transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:
I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;

5. Revogação da saída temporária – Art. 125, caput.


Art. 125. O benefício será automaticamente revogado quando o condenado praticar fato
definido como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições impostas na
autorização ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso.
6. Revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido – Art. 127.
Art. 127. Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido,
observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração
disciplinar (Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011)
7. Revogação da monitoração eletrônica – Art. 146-D.
Art. 146-D. A monitoração eletrônica poderá ser revogada:
II - se o acusado ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência
ou cometer falta grave.

8. Conversão da pena de prestação de serviços à comunidade – Art. 181, §1º, d


Art. 181. A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses
e na forma do artigo 45 e seus incisos do Código Penal.
d) praticar falta grave;
PRESCRIÇÃO DA FALTA GRAVE –
3 ANOS – CÓDIGO PENAL –
Até o dia 05 de Maio de 2010 – Prescreve em 02 anos –
STJ: “Diante da inexistência de legislação específica quanto ao prazo prescricional para apuração
de falta grave, deve ser adotado o menor lapso prescricional previsto no art. 109 do CP, ou seja, o
de 3 anos para fatos ocorridos após a alteração dada pela Lei n. 12.234, de 5 de maio de
2010, ou o de 2 anos se a falta tiver ocorrido até essa data. Acórdãos: AgRg nos EDcl no
REsp 1248357/MS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, QUINTA TURMA, julgado em
19/11/2013, DJe 25/11/2013
Após o dia 05 de Maio de 2010 – Prescreve em 03 anos (atualmente) –
STJ – “Se o Estado demorar muito tempo para punir o condenado que praticou uma falta
disciplinar, haverá a prescrição da infração disciplinar. Não existe lei federal prevendo de quanto
será esse prazo prescricional. Por essa razão, a jurisprudência aplica, por analogia, o
menor prazo prescricional existente no Código Penal, qual seja, o de 3 anos, previsto no
art. 109, VI, do CP. Assim, se entre o dia da infração disciplinar e a data de sua apreciação tiver
transcorrido prazo superior a 3 anos, a prescrição restará configurada. STF. 2ª Turma. HC 114422/
RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 6/5/2014 (Info 745). STJ. 5ª Turma. HC 426.905/RJ, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/02/2018.
1. ABSOLVIÇÃO NA ESFERA PENAL –

STJ: A decisão que reconhece a prática de falta grave disciplinar deverá ser desconstituída
diante das hipóteses de arquivamento de inquérito policial ou de posterior absolvição na esfera
penal, por inexistência do fato ou negativa de autoria, tendo em vista a atipicidade da conduta.
Acórdãos: HC 524396/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA
TURMA, julgado em 15/10/2019, DJe 22/10/2019
REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO –
HIPÓTESES DE APLICAÇAO DO
REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO
1ª HIPÓTESE –

“Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando
ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou
condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime
disciplinar diferenciado, com as seguintes características:

Art. 52, caput – Primeira hipótese de Aplicação do RDD –

∙ Súmula 526 – STJ – O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato


definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de
sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato. STJ. 3ª
Seção. Aprovada em 13/05/2015
∙ Súmula 533 – STJ – Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do
estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado
constituído ou defensor público nomeado. (Súmula 533, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
10/06/2015, DJe 15/06/2015).

∙ Súmula 639 – “Não fere o contraditório e o devido processo decisão que, sem ouvida prévia da
defesa, determine transferência ou permanência de custodiado em estabelecimento
penitenciário federal”.

“A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de não haver


malferimento ao contraditório ou ampla defesa, pela ausência de oitiva prévia da defesa acerca
da decisão que determina tanto a transferência quanto a permanência do custodiado em
estabelecimento penitenciário federal, quando se constatar o caráter urgente e emergencial da
medida ou o prejuízo que a ouvida preliminar do preso poderia acarretar para a garantia da
ordem pública. Precedentes” (HC 455.702/PR, j. 20/09/2018)
2ª HIPÓTESE – PRESO DE ALTA PERICULOSIDADE –

§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos presos provisórios ou


condenados, nacionais ou estrangeiros:

I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou


da sociedade;

3ª HIPÓTESE – PRESO QUE PARTICIPA DE GRUPO CRIMINOSO

§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos presos provisórios ou


condenados, nacionais ou estrangeiros:

II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a


qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada,
independentemente da prática de falta grave.
PRESO QUE PARTICIPA DE GRUPO CRIMINOSO

§ 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa,


associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois)
ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado será
obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal.

§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar diferenciado deverá


contar com alta segurança interna e externa, principalmente no que diz respeito à
necessidade de se evitar contato do preso com membros de sua organização criminosa,
associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais.
CARACTERÍSTICAS DO REGIME
DISCIPLINAR DIFERENCIADO –
Art. 52, I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção
por nova falta grave de mesma espécie;

Antes do Pacote Anticrime Depois do Pacote Anticrime


Art. 52, I - LEP Art. 52, II – LEP
“duração máxima de trezentos e sessenta “duração máxima de até 2 (dois) anos, sem
dias, sem prejuízo de repetição da sanção prejuízo de repetição da sanção por nova falta
por nova falta grave de mesma espécie, até grave de mesma espécie;”
o limite de um sexto da pena aplicada;”
Repetição da sanção Prorrogação do RDD

Art. 52, I – LEP Art. 52, §4º

“duração máxima de até 2 (dois) anos, sem § 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o
prejuízo de repetição da sanção por nova regime disciplinar diferenciado poderá ser
falta grave de mesma espécie;” prorrogado sucessivamente, por períodos de 1
(um) ano, existindo indícios de que o preso:

I - continua apresentando alto risco para a ordem


e a segurança do estabelecimento penal de origem
ou da sociedade;

II - mantém os vínculos com organização


criminosa, associação criminosa ou milícia
privada, considerados também o perfil criminal e
a função desempenhada por ele no grupo
criminoso, a operação duradoura do grupo, a
superveniência de novos processos criminais e os
resultados do tratamento penitenciário.
Art. 52, II - recolhimento em cela individual; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de
2019)
Art. 52, III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, por
pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2
(duas) horas; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Antes do Pacote Anticrime Depois do Pacote Anticrime


Art. 52, I - LEP Art. 52, II - LEP
III - visitas semanais de duas pessoas, sem “visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez,
contar as crianças, com duração de duas a serem realizadas em instalações equipadas
horas; para impedir o contato físico e a passagem de
objetos, por pessoa da família ou, no caso de
terceiro, autorizado judicialmente, com duração
de 2 (duas) horas;
§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será gravada em sistema de
áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada por agente
penitenciário.

§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar diferenciado, o preso que


não receber a visita de que trata o inciso III do caput deste artigo poderá, após prévio
agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da família, 2
(duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos.” (NR)
Art. 52, V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo
expressa autorização judicial em contrário; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO

Visitas (art. 52, III) Entrevistas (art. 52, IV)

Visitas quinzenais Sem previsão


Periodicidade

Pessoas Pessoa da família ou, no caso de terceiro, Pessoas autorizadas;


autorizado judicialmente. Aplica-se ao defensor do preso.

Quantidade 2 Pessoas por vez; Sem previsão

Tempo de De 2 (duas) horas; Sem previsão


Duração
Locais Instalações equipadas para impedir o Em instalações equipadas para
contato físico e a passagem de objetos impedir o contato físico e a
passagem de objetos
Locais com
permissão de Sem previsão Mediante expressa
contato físico e a autorização judicial
passagem de
objetos

Fiscalização Será gravada em sistema de áudio ou de Sempre monitoradas;


áudio e vídeo e, com autorização judicial, O monitoramento não se aplica ao
fiscalizada por agente penitenciário. (Art. Defensor do Preso.
52, §6º)

Visita – Art. 52, § 7º Após os primeiros 6 (seis) meses


de regime disciplinar diferenciado, o preso
Contato
que não receber a visita de que trata o inciso
Telefônico III do caput deste artigo poderá, após prévio Sem previsão
agendamento, ter contato telefônico, que
será gravado, com uma pessoa da família, 2
(duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos.
Art. 52, IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de
sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja contato com presos do
mesmo grupo criminoso; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Antes do Pacote Anticrime Depois do Pacote Anticrime


Art. 52, IV - LEP Art. 52, IV - LEP
“o preso terá direito à saída da cela por 2 “direito do preso à saída da cela por 2 (duas)
horas diárias para banho de sol.” horas diárias para banho de sol, em grupos de até
4 (quatro) presos, desde que não haja contato com
presos do mesmo grupo criminoso;”
Art. 52, VI - fiscalização do conteúdo da correspondência; (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)

CORRESPONDÊNCIA DO PRESO

Art. 41, XV e parágrafo único, Art. 52, VI

Suspensão ou Restrição do direito de ter Fiscalização do conteúdo da correspondência;


contato com o mundo exterior por meio de
correspondência escrita,

Aplica-se na hipótese de falta grave. Realizado independentemente de falta disciplinar;

Trata-se de punição. Não se trata de punição.

Por prazo não superior a 30 dias. A fiscalização ocorre sempre que a emissão ou
(art. 58, LEP) recebimento de correspondência.
PROGRESSÃO DE REGIME E O
REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO –
STF – “Não faz jus ao benefício da progressão de regime o condenado que esteja cumprindo pena
em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de segurança pública ou que integre
organização criminosa, pois tais circunstâncias evidenciam a ausência dos requisitos subjetivos
para a progressão de regime prisional.” (julgamento do HC 131.649/RJ; Informativo STF 838.)

A Segunda Turma afirmou que a transferência do apenado para o sistema federal tem, em regra,
como fundamento razões que atestam que, naquele momento, o condenado não tem mérito para
progredir de regime. Observou que a transferência seria cabível no interesse da segurança
pública ou do próprio preso (Lei 11.671/2008, art. 3º).

Frisou que o paciente seria líder de organização criminosa. Ademais, mesmo sem cometer
infrações disciplinares, o preso que pertencesse à associação criminosa não satisfaria aos
requisitos subjetivos para a progressão de regime. A pertinência à sociedade criminosa seria
crime e também circunstância reveladora da falta de condições de progredir a regime prisional
mais brando. A Segunda Turma ainda registrou que a manutenção do condenado em regime
fechado, com base na falta de mérito do apenado, não seria incompatível com a jurisprudência do
STF. (Brasília, 5 a 9 de setembro de 2016 - Nº 838.)
Dos Juizados Especiais
LEI DE EXECUÇÃO
Criminais
Disposições
PENAL (LEP) Gerais

Lei N. 7.210 de 1984


Dos Juizados Especiais
Criminais
Disposições Gerais
QUESTÕES
Dos deveres do preso –

01. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a Lei de Execução Penal, cumpre ao condenado, além
das obrigações legais inerentes ao seu estado, submeter-se às normas de execução da penal.

02. (Prof. Ayres Barros) Todos os deveres dos presos previstos na LEP são aplicados aos presos
condenados e provisórios.

03. (Prof. Ayres Barros) Constituem deveres do condenado e do preso provisório, dentre outros,
o comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença.
04. (Prof. Ayres Barros) A obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
relacionar-se constituem deveres do preso condenado. Nesse sentido, é correto afirmar que a
desobediência aos agentes penitenciários configura falta de natureza grave.

05. (Prof. Ayres Barros) A execução do trabalho constitui um dos deveres do preso condenado e
provisório, de modo que a recusa configura falta grave.

06. (Prof. Ayres Barros) Apesar de a execução do trabalho constituir um dos deveres do preso, o
condenado por crime político não está obrigado ao trabalho.

07. (Prof. Ayres Barros) Além de outros, constituem deveres do preso a submissão à sanção
disciplinar imposta; bem como a indenização à vitima ou aos seus sucessores.
08. (Prof. Ayres Barros) A indenização ao Estado das despesas realizadas com a sua
manutenção é dever relativo, que deverá ser analisado conforme a possibilidade, mediante
desconto proporcional da remuneração do trabalho.

09. (Prof. Ayres Barros) Constituem deveres do condenado, dentre outros, a higiene pessoal e
asseio da cela ou alojamento; bem como a conservação dos objetos de uso pessoal. Nesse caso,
havendo descumprimento, haverá falta grave.
Da disciplina Prisional – Disposições Gerais –

10. (Prof. Ayres Barros) A disciplina consiste na colaboração com a ordem, na obediência às
determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do trabalho.

11. (Prof. Ayres Barros) Contemplando o princípio da legalidade, a Lei de Execução penal
afirma que não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou
regulamentar.

12. (Prof. Ayres Barros) O condenado ou denunciado, no início da execução da pena ou da


prisão, será cientificado das normas disciplinares.
DAS FALTAS DISCIPLINARES –

13. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a Lei de Execução Penal, as faltas disciplinares
classificam-se em leves, médias e graves, todas previstas na LEP, assim como as respectivas
sanções.

14. (Prof. Ayres Barros) Constitui falta média a recusa do condenado em submeter-se ao
procedimento de identificação do perfil genético.

15. (Prof. Ayres Barros) O princípio da proporcionalidade é cumprido na previsão legal de


redução da sanção para faltas disciplinares tentadas.
16. (Prof. Ayres Barros) A prática de fato previsto como crime doloso configura falta grave, o
que, por si só, não viabiliza a inclusão do preso no Regime Disciplinar Diferenciado.

17. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, o rol do art. 50 da Lei de Execuções Penais (Lei n.
7.210/1984), que prevê as condutas que configuram falta grave, é taxativo, não possibilitando
interpretação extensiva ou complementar, a fim de acrescer ou ampliar o alcance das condutas
previstas.

18. (Prof. Ayres Barros) Não configura falta grave a conduta do preso que mantém pombos na
cela, já que não haveria vedação legal à presença dos pombos.
19. (Prof. Ayres Barros) A conduta do preso de se apresentar embriagado configura falta grave,
que pode gerar a regressão de regime ou indeferimento do livramento condicional.

20. (Prof. Ayres Barros) A fuga do preso configura falta grave e, além disso, conforme o caso
concreto, poderá configurar crime do art. 352 do Código Penal – Evasão mediante violência contra
a pessoa.

21. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, a fuga caracteriza falta grave, implicando
regressão de regime e recomeço da contagem - a partir da recaptura - da fração de pena para nova
progressão e alguns outros benefícios, bem como a perda parcial dos dias remidos.

22. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, o marco inicial da prescrição para apuração da
falta grave em caso de fuga é o dia da recaptura do foragido, uma vez que a fuga configura tem
natureza permanente, porquanto o ato de indisciplina se prolonga no tempo, até a recaptura do
apenado.
23. (Prof. Ayres Barros) A conduta de possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a
integridade física de outrem configura falta grave. Nesse caso, para o reconhecimento de falta
grave é indispensável a realização de perícia no objeto apreendido para verificação da
potencialidade lesiva, por falta de previsão legal.

24. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, a posse de drogas no curso da execução penal,
ainda que para uso próprio, constitui falta grave.

25. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, é prescindível a confecção do laudo toxicológico
para comprovar a materialidade da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada
com o apenado no interior de estabelecimento prisional.

26. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, é imprescindível a perícia de aparelho celular
apreendido para a configuração da falta disciplinar de natureza grave do art. 50, VII, da Lei n.
7.210/1984.
FALTA GRAVE – POSSE DE APARELHO TELEFÔNICO –

27. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal e o
Superior Tribunal de Justiça, a posse de componentes de aparelho celular, tais como chip, bateria
e carregador, configura a infração disciplinar grave da Lei de Execução Penal.

28. (Prof. Ayres Barros) De acordo com o STJ, a posse de fones de ouvido no interior do presídio
é conduta formal e materialmente típica, configurando falta de natureza grave, uma vez que
viabiliza a comunicação intra e extramuros.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR –

29. (Prof. Ayres Barros) Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua
apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.

30. (Prof. Ayres Barros) O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido
pela autoridade judiciária conforme as disposições regulamentares.

31. (Prof. Ayres Barros) Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução
penal, é necessária a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado.

32. (Prof. Ayres Barros) A prática de fato definido como crime doloso no curso da execução penal
caracteriza falta grave, que depende do trânsito em julgado de eventual sentença penal condenatória.

33. (Prof. Ayres Barros) A decisão proferida pela autoridade administrativa prisional em processo
administrativo disciplinar - PAD que apura o cometimento de falta grave disciplinar no âmbito da execução
penal é ato administrativo, portanto, não é passível de controle de legalidade pelo Poder Judiciário.
Direitos do preso no PAD –

34. (Prof. Ayres Barros) Não é nula a sindicância que vise apurar a falta grave do preso quando
ausente o advogado.

35. (Prof. Ayres Barros) Para apuração do cometimento de falta grave imputada ao paciente
em sede de execução penal, é possível a realização do PAD sem a presença do defensor, uma vez
que, conforme a Súmula Vinculante 5, a falta de defesa técnica por advogado no processo
administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

36. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, a palavra dos agentes penitenciários
na apuração de falta grave é prova idônea para o convencimento do magistrado, haja vista tratar-
se de agentes públicos, cujos atos e declarações gozam de presunção de legitimidade e de
veracidade.
37. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, no processo administrativo
disciplinar que apura a prática de falta grave, não há obrigatoriedade de que o interrogatório do
sentenciado seja o último ato da instrução, bastando que sejam respeitados o contraditório e a
ampla defesa, e que um defensor esteja presente.

38. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, é necessária a individualização da


conduta para reconhecimento de falta grave praticada pelo apenado em autoria coletiva, não se
admitindo a sanção coletiva a todos os participantes indistintamente.

39. (Prof. Ayres Barros) Conforme entendimento do STJ, a imposição da falta grave ao
executado em razão de conduta praticada por terceiro, quando não comprovada a autoria do
reeducando, viola o princípio constitucional da intranscendência (art. 5º, XLV, da Constituição
Federal).
Das espécies e da aplicação da sanção –

40. (Prof. Ayres Barros) Dentre outras, constituem sanções disciplinares: advertência verbal e a
repreensão, aplicadas pelo Diretor do Estabelecimento na hipótese de falta grave.

41. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a LEP, na hipótese de falta grave, o diretor poderá suspender o
direito à visita do preso por prazo superior a 30 dias, desde que devidamente fundamentados.

42. (Prof. Ayres Barros) De acordo com a LEP, na hipótese de falta grave, o diretor poderá suspender o
direito à correspondência do preso, independentemente de autorização judicial.

43. (Prof. Ayres Barros) A exceção do Regime Disciplinar Diferenciado, todas as sanções são aplicadas
pelo Diretor do Estabelecimento Prisional.

44. (Prof. Ayres Barros) Na aplicação das sanções disciplinares, levar-se-ão em conta a natureza, os
motivos, as circunstâncias e as conseqüências do fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão.
Consequências Das Faltas Graves –

45. (Prof. Ayres Barros) A condenação por falta disciplinar grave não impede a concessão do
livramento condicional.

46. (Prof. Ayres Barros) A condenação por falta grave não é motivo idôneo para o indeferimento
do benefício da saída temporária.

47. (Prof. Ayres Barros) A condenação por falta grave não justifica a negativa para o
indeferimento da progressão de regime.

48. (Prof. Ayres Barros) A prática de falta grave não interrompe a contagem do prazo para a
progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa
infração.
49. (Prof. Ayres Barros) A prática de falta grave interrompe o prazo para fim de comutação de
pena ou indulto.

50. (Prof. Ayres Barros) A falta grave interrompe o prazo para obtenção de livramento
condicional.
51. (Prof. Ayres Barros) A falta grave prescreve em 3 anos.

52. (Prof. Ayres Barros) A decisão que reconhece a prática de falta grave disciplinar deverá ser
desconstituída diante das hipóteses de arquivamento de inquérito policial ou de posterior
absolvição na esfera penal, por inexistência do fato ou negativa de autoria, tendo em vista a
atipicidade da conduta.

Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) –

53. (Prof. Ayres Barros) A prática de crime doloso, por si só, não enseja a aplicação da do
Regime Disciplinar Diferenciado.

54. (Prof. Ayres Barros) Uma das características do Regime Disciplinar Diferenciado são as
visitas quinzenais de 2 (duas) pessoas da família por vez, sendo vedada a visitação de terceiros
que não são familiares.
55. (Prof. Ayres Barros) Ao ingressarem no RDD, os presos, após prévio agendamento, têm
direito de ter contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da família, 2 (duas) vezes por
mês e por 10 (dez) minutos.

56. (Prof. Ayres Barros) Visando resguardar o direito à privacidade, as visitas não serão
gravadas.

57. (Prof. Ayres Barros) Durante o cumprimento do RDD, haverá a fiscalização do conteúdo da
correspondência do preso, desde que devidamente autorizado pelo juiz.

58. (Prof. Ayres Barros) Durante o cumprimento do RDD, é obrigatória a participação em


audiências judiciais por videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo
ambiente do preso.
59. (Prof. Ayres Barros) Não faz jus ao benefício da progressão de regime o condenado que
esteja cumprindo pena em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de segurança
pública ou que integre organização criminosa, pois tais circunstâncias evidenciam a ausência dos
requisitos subjetivos para a progressão de regime prisional.

60. (Prof. Ayres Barros) Em qualquer hipótese de aplicação, o regime disciplinar diferenciado
poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano.
Dos Juizados Especiais
Criminais
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QUESTÕES

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