0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações17 páginas

Profecias de Isaías sobre o Messias

Enviado por

Edesio Silva
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações17 páginas

Profecias de Isaías sobre o Messias

Enviado por

Edesio Silva
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

15

LIÇÃO 2

O MESSIAS PROMETIDO
(Is 1-12)

N
os capítulos 1 a 5 do Livro de Isaías, vemos salientada a necessida
de de um Messias. Neles, os pecadores de Judá são arrolados,
destacando a condição desesperadora de Israel, sem um Salvador.
Esse Salvador entra em cena no capítulo seis, como o pré-encarnado medi-
ador entre Deus e os homens: o próprio Cristo (Jo 12.30-41).
Nos capítulos 7 a 12, Isaías prediz que esse divino Mediador deixará o
céu para assumir forma humana e que ministrará na região da Galileia (9.1).
Ele será uma luz na escuridão, conduzindo os homens à salvação (9.2), mi-
nistrando no poder do Espírito Santo (11.2). Não somente será o Salvador,
mas também o Rei dos reis. Ele será o monarca prometido, da linhagem de
Davi (11.1), que reinará com divino poder e sabedoria sobre o mundo (9.6,7).
O Seu trono estará no meio do Seu povo (12.6).
Ao estudarmos o fundo histórico das profecias de Isaías, nesta Lição,
sem dúvida aprofundaremos nosso conhecimento dessas maravilhosas pro-
messas.

ESBOÇO DA LIÇÃO
1. O Tribunal
2. O Monte e a Vinha
3. A Visão do Céu
4. O Nascimento Virginal de Cristo
5. O Ministério e Reino do Emanuel

15
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 16

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Ao concluir o estudo desta Lição, você deverá ser capaz de:


1. Descrever a ilustração principal mencionada no capítulo 1 do
Livro de Isaías;
2. Identificar o significado simbólico de “monte” e “vinha”, referidos
em Isaías 2-5;
3. Citar o propósito da visão de Isaías sobre Cristo, descrita no
capítulo 6;
4. Comentar o fundo histórico da revelação do Emanuel;
5. Alistar as quatro descrições do Emanuel, dadas em Isaías 9.6.
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 17

TEXTO 1

O TRIBUNAL

Como já observado, os primeiros cinco capítulos de Isaías foram escri-


tos durante o reinado de Uzias. No decorrer deste tempo, Deus derramou
Suas bênçãos sobre Judá. Ao invés de manifestar gratidão pelo favor de
Deus, a nação desviou-se, tomou o caminho do formalismo religioso e, em
seguida, afundou no mundanismo. Apesar da aparência de piedade, a nação
afastou-se mais e mais de Deus, fazendo com que Ele a trouxesse a julga-
mento perante o Seu tribunal.

O juiz, o júri e a acusação (Is 1.1-3)


Para ter a atenção dos seus ouvintes, Isaías simulou um drama jurídico
no qual retratou Deus como um juiz intimando Judá para que aparecesse
perante um conjunto de cidadãos, representado pelo céus e a terra (toda
criação); enfim, uma cena de julgamento.
A denúncia contra Judá foi a de “ingratidão”. Isaías declarou que em
toda a natureza não se achou um paralelo de tão grosseira ingratidão. Ele
disse que até o boi conhece o seu dono, e o jumento, o dono da sua manje-
doura, contudo, os judeus se recusavam a reconhecer o Pai celestial. Por
isso Deus teve que deixar de lado Seus planos, já feitos, em prol de Judá.

O desenvolvimento da acusação (1.4-9)


Nesta altura do drama, Deus é retratado qual promotor público expondo
os pecados de Judá. Nota-se, porém, que Deus não abandona o Seu povo.
Com brandura, Ele procura persuadi-lo para que reconheça os seus erros.
Voltando do júri, qual pai com o coração magoado, Deus dirige Suas palavras
ao réu, o filho rebelde.
O réu, Judá, é representado como um homem cheio de contusões, cha-
gas podres e feridas purulentas, que recusa deixar sua rebelião e voltar para
casa, para ali receber o socorro médico necessário (1.6). Tais feridas são
descritas como o resultado direto de um modo pecaminoso de viver, seme-
lhante ao modo de viver das antigas cidades de Sodoma e Gomorra — as
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 18

duas cidades mais iníquas em toda a história bíblica. (Leia Gênesis 19.).
A defesa do réu (Is 1.10-15)
Sabendo que Judá se defenderia alegando seus numerosos sacrifícios
e bastante zelo religioso, Deus dá continuação à refutação dessa defesa
imaginária.
Em primeiro lugar, Deus admite que o povo se sacrificara bastante, sem-
pre observando os sábados e demais dias santos; apesar desse zelo, descui-
dara de uma coisa muito importante — a verdadeira condição do seu cora-
ção. Foi justamente isso que ocupou a mente de Deus e não a sua adoração
pública! Deus deixa bem claro que, na realidade, tais sacrifícios, sem sinceri-
dade genuína, não passavam de rituais hipócritas, resultando em orações
impedidas (v. 15).

Oferta de absolvição (Is 1.16-19)


Tendo enfatizado nitidamente que Judá merecia a mesma condenação
que caiu sobre Sodoma e Gomorra, Deus resolveu absolver o povo de qual-
quer culpa, caso se arrependesse verdadeiramente. Isaías lembra ao povo
sobre um certo elemento corante, vindo da Fenícia, usado antigamente para
tingir de vermelho tecidos e roupas feitas, que era irremovível, uma vez apli-
cado.
De igual modo foram os pecados do povo — deixaram manchas indelé-
veis na alma e na vida da nação rebelde. Mesmo assim, pela misericórdia do
Deus onipotente, o povo ainda podia tornar-se absolutamente são e puro “...
ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão
brancos como a neve...” (Is 1.18). Acrescentando a isso o perdão, Deus
estava disposto a abençoar a nação se o povo decidisse viver em espírito de
humildade e obediência a Ele (1.19).

O julgamento (Is 1.20-31)


Mesmo oferecida a Judá a opção de arrepender-se e evitar a devida
punição pelos pecados, o seu julgamento foi anunciado com a esperança de
que isso a levasse à resolução de obedecer a Deus.
“Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; por-
que a boca do SENHOR o disse... os que deixarem o SENHOR perecerão.”
(Is 1.20,28)
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 19

Este aviso de punição influenciou tudo o que Isaías escreveu no seu livro até
o capítulo 37. Nessa altura da história de Judá, o povo realmente arrependeu-
se e assim livrou-se da calamidade da invasão assíria.

TEXTO 2

O MONTE E A VINHA
(Is 2-5)

A mensagem dos profetas do Antigo Testamento quanto ao futuro, é mui-


tas vezes indefinida quanto ao tempo do seu cumprimento e quanto à ordem
cronológica dos acontecimentos preditos.
Numa visão de Isaías (caps. 2-5), temos exemplo disto. Nestes capítu-
los, o profeta condenou a hipocrisia daquele tempo; predisse a invasão dos
inimigos de Judá num futuro imediato e também esboçou o plano de Deus a
se cumprir num futuro muito distante. A ordem desses eventos foi lógica, mas,
não cronológica.
Revelando eventos que aconteceriam num futuro distante, Deus procu-
rou fazer a nação de Judá se lembrar de que Ele tinha um plano para com ela.
Em seguida, vemos esclarecida a permissão divina quanto à invasão que
Judá sofreria. Isaías explicou que o sofrimento momentâneo de uma invasão
prepararia a nação de tal maneira que, depois, obedeceria a Deus, confor-
mando-se por completo à Sua vontade.

O monte do SENHOR (2-4)


No capítulo 2, versículos 1-4, Isaías divisa o reinado milenar de Cristo. A
expressão “monte do SENHOR” (v. 3) fala de Jerusalém. Trata-se do “monte
Sião”, onde foi edificada a cidade de Jerusalém com o seu belo e santo
templo.
O monte Sião eleva-se acima dos morros circundantes de Jerusalém e,
este texto (cap. 2) diz que Isaías viu todas as tribos e povos da terra subindo
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 20

dos vales até o monte de Deus, a fim de prestar homenagem a Cristo.


Em contraste com as crises de guerra que ameaçavam o mundo dos
seus dias, Isaías pôde ver o Milênio como uma época de paz universal:

“... estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas


lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra
outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Is 2.4)

O profeta compartilhou essa revelação dos planos futuros do que Deus


tem a fazer com Jerusalém e Judá, num esforço final de encorajar o povo a
voltar ao seu Deus: “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR.”
(Is 2.5).
O povo, infelizmente, estava tão envolvido no pecado, que ignorou os
apelos de Deus. De novo, Isaías esforça-se, numa tentativa de convencer o
povo a mudar de caminho, expondo os planos de Deus, consoante o futuro
próximo. Num esforço final de despertar a nação, Isaías explica que Deus
permitiria que Jerusalém sofresse um sítio assírio (Is 3.1) e, finalmente, fosse
destruída por Babilônia (Is 3.8).
Apesar do desastre que viria, ainda houve uma mensagem de esperan-
ça: A promessa da parte de Deus de não abandonar totalmente o Seu povo!
Ao profetizar novamente acerca da época milenária, pela primeira vez no seu
livro, Isaías apresenta Cristo. Ele o descreve como “O Renovo do SENHOR”
que um dia reinará no “monte Sião” (Is 4.2,3). Renovo é um broto de árvore
que é podada quase a ponto de extinção, mas que, depois de certo tempo,
volta à vida, dando muito fruto na estação própria.

A vinha (Is 5)
O capítulo 5 é tanto um cântico como um ser-
mão. O profeta canta acerca de uma vinha que foi
plantada e cultivada pelo próprio Deus. Essa vinha,
contudo, só produziu uvas azedas. Por causa dis-
so, Ele removeu cerca e transformou em pasto para
que fosse pisoteada. Também ordenou que não
chovesse mais sobre ela.
Isaías explica que, nesta parábola, Deus está
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 21

representando um lavrador, e a casa de Israel uma vinha (v. 7). Nesta lingua-
gem figurada, as uvas bravas significam:
1. Violência. A expulsão dos donos legais das terras (v. 8).
2. Indiferença quanto às coisas espirituais. “... nem olham para as
obras das suas mãos.” (v. 12).
3. Imprudência para com Deus. “... Apresse-se Deus, leve a cabo
a sua obra, para que a vejamos; aproxime-se, manifeste-se o conselho do
Santo de Israel, para que o conheçamos.” (v. 19).
4. Inversão de valores. “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem,
mal...” (v. 20).
5. Embriaguez — “... heróis para beber vinho...” (v. 22).
A remoção da “sebe” (cerca) da vinha de Deus se refere à remoção da
Sua proteção contra os inimigos invasores. Segundo o versículo 26, bastaria
Deus assobiar e um leão (símbolo da Assíria) atacaria essa vinha (v.29).
Setecentos anos depois de Isaías, Cristo Jesus também usou a mesma
ilustração da vinha, buscando conscientizar os judeus do Seu tempo quanto à
obediência ao “Dono” da vinha. (Leia Mt 21.33; Mc 12.1; Lc 13.6).

TEXTO 3

A VISÃO DO CÉU
(Is 6)

A morte do rei Uzias, um grande rei da história de Judá, preocupou


muito o profeta Isaías. Obviamente a estrutura política e a condição espiritual
da nação seriam profundamente influenciadas pela morte do rei.
Turbado no seu espírito, Isaías foi ao templo para orar e receber confor-
to de Deus. Estando em meditação, ficou extasiado com a presença divina e
teve uma visão do céu, onde viu o Rei dos reis assentado no Seu trono,
refulgente de glória. Através dessa experiência, Deus queria firmar em Isaías
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 22

a confiança de que os governantes terrestres aparecem e desaparecem, po-


rém quem controla tudo e todos é o Rei eterno.
Alguns estudantes da Bíblia discutem a supracitada experiência do pro-
feta como sendo ou não a sua chamada original para o ministério. Em Isaías
1.1, percebemos que Isaías foi profeta durante os reinados de Uzias, Jotão,
Acaz e Ezequias.
Durante esse tempo o profeta estadista pregou em Jerusalém. Os
versículos 1 a 13 do capítulo 6, contudo, relatam que ele foi purificado e
consequentemente foi comissionado no ano da morte do rei Uzias. Sem dúvi-
da, ele havia escrito os capítulos 1 a 5 antes desse tempo; agora, confirmava-
se o seu ministério profético.
A finalidade desta visão foi levar o profeta a uma maior consagração, a
um ministério mais profundo e fortalecer a sua fé em Deus, sabendo que
brevemente os males da guerra, por causa dos vis pecados de Judá, atingiri-
am o povo.

A visão de Cristo (Is 6.1-4)

Ao tratar desse assunto, João, o Evangelista, afirma que nessa visão


Isaías realmente viu Cristo pré-encarnado (Jo 12.41).
Essa visão de Cristo, que Isaías teve, é bem similar à visão que João
teve nos capítulos 4 e 5 do Apocalipse. Em duas ocasiões, em visão, o profeta
foi ao céu, onde contemplou o santuário celeste. Nos dois casos ele viu seres
angelicais, cada um com seis asas, entoando “Santo, Santo, Santo!”. Há uma
diferença, contudo, digna de ser mencionada. Isaías viu a Cristo primeiro
como rei, e só depois O viu como Cordeiro (Is 53). O apóstolo João, no
entanto, num futuro distante, teve uma visão mais completa, vendo Cristo rei-
nando, como o Cordeiro que pagara o preço da nossa redenção.

Uma visão de si mesmo (Is 6.5-7)


Tendo contemplado a plena Glória de Cristo, humilhado, Isaías confes-
sou-se indigno de adorar a Cristo, com lábios impuros. Para purificá-lo um
anjo tocou os seus lábios com uma brasa viva do altar. Isso não quer dizer, é
lógico, que Isaías não fosse um filho de Deus. Ao contrário, era a voz de
Deus falando à consciência cauterizada de Judá. O que essa passagem nos
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 23

ensina é que a pessoa mais justa em si mesma, sem pureza espiritual, não
tem condições de adorar a Deus.
Dois altares eram usados no templo:
- o maior, feito de bronze, para oferecer sacrifícios;
- o menor, feito de ouro, para oferecer incenso.
É importante notar que a “brasa viva” (Is 6.6) foi tirada do altar menor,
que ficava diante da cortina que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo.
O altar do incenso sempre tinha bra-
sas vivas e era usado nas cerimônias,
quando o Sumo Sacerdote entrava no
Lugar Santíssimo, onde estava a Arca
do Concerto, que simbolizava o trono
de Deus.
Antes de penetrar além do véu
separador, o Sumo Sacerdote asper-
gia sangue em certos pontos deste al-
tar para se purificar. O altar do incenso simbolizava o acesso livre ao trono de
Deus. Quando verteu o Seu sangue na cruz do Calvário e subiu aos céus, o
nosso Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, garantiu uma entrada franca e perma-
nente ao Lugar Santíssimo do Pai. Vejamos o seguinte:

“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos,


pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos
consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.” (Hb 10.19,20)

Uma visão da missão a cumprir (Is 6.8-13)


Uma tendência natural entre os obreiros é a de medir o êxito do seu
ministério em termos de sucesso entre os homens, citando totais de converti-
dos, levantamento de vultosas quantias de dinheiro etc. Tal forma de medir
sucesso não é própria para obreiros do Senhor.
Vejamos a vida e o ministério de Isaías. Mesmo antes de iniciar seu
ministério, Deus o advertiu para não esperar uma aceitação entusiástica da
sua mensagem; antes, deveria saber que as suas palavras seriam mal acolhi-
das, com exceção de uma minoria. Apesar disso, Deus declarou a Isaías que
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 24

o seu ministério seria de muita importância e que, mesmo sendo desprezado,


a sua tarefa em favor de Judá seria a expressão da vontade de Deus para a
sua vida.

TEXTO 4

O NASCIMENTO VIRGINAL DE CRISTO


(Is 7 e 8)

De profunda importância nos capítulos 7-12 de Isaías é o título “Emanuel”,


que significa “Deus Conosco”. Isaías, assim prediz a encarnação do “Verbo”.
Mesmo que o referido título apareça somente duas vezes (7.14; 8.8), os tre-
chos 9.2-14 e 11.1-10 tratam do mesmo personagem.

Fundo histórico
A revelação do Emanuel foi concedida por Deus a Isaías, num tempo em
que o povo ainda se lembrava do impacto das três invasões assírias às terras
de Israel e de Judá.* Essas invasões são mencionadas nestes capítulos di-
versas vezes e devem ser bem compreendidas, para uma correta interpreta-
ção dessas passagens.
Acaz, rei de Judá, foi avisado pelo profeta para não ir à Assíria pedir
socorro militar, mas esse aviso do profeta foi menosprezado. Ele foi e selou
uma aliança com nação. Em seguida, a Assíria invadiu a Síria com sucesso,
bem como as terras do norte de Israel (região da Galileia, 732 a.C.). O péssi-
mo resultado disso foi que Judá tornou-se quase escravo da Assíria e, através
da aliança feita, foram introduzidos em Judá muitos ídolos estrangeiros, os
quais terminaram sendo aceitos e adorados pelos judeus.
A segunda invasão assíria ocorreu por causa da rebelião de Israel. Por
anos a fio, Israel foi obrigado a servir aos assírios. Ao morrer o rei assírio,
houve a mudança de governo e Israel tentou livrar-se do jugo inimigo e alcan-
çar a sua liberdade. Essa insurreição de Israel não teve êxito e terminou com
a destruição de sua capital, Samaria.
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 25

A fim de evitar novas revoltas, os líderes da nação foram levados cativos


para a Assíria, juntamente com outros cativos de estados vassalos daquele
país (722 a.C.). No decorrer dos anos, os povos estranhos trazidos para
Israel pela Assíria casaram-se com os israelitas que ficaram no país, forman-
do assim a raça samaritana (2Rs 17.24).
A terceira invasão assíria teve lugar contra Judá. Ao morrer um outro rei
da Assíria, as nações de Judá, Egito e outras mais tentaram sacudir o jugo
assírio. A única nação dentre estas que escapou do exército assírio foi Judá,
e isso no último momento, pela intervenção de um anjo enviado por Deus (2Rs
19.35).
Nínive: Capital da Assíria
Damasco: Capital da Síria
Samaria: Capital de Israel

Jerusalém: Capital de Judá

O nascimento virginal de Cristo


Foi no tempo da primeira inva-
são assíria que Deus pela primeira vez
revelou ao profeta Isaías o fato de um
libertador vindouro que seria chama-
do “Emanuel”.
Deus enviou o profeta ao rei
Acaz com a promessa de que Judá
não sofreria destruição pela aliança
de Peca, rei de Israel, com Rezim, rei
da Síria. Isaías então profetizou que, dentro de 65 anos, tanto Samaria como
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 26

Damasco estariam em ruínas.


Isaías, então, divisando um futuro mais distante, predisse o nascimento
de um libertador que teria um título divino e nasceria de uma virgem: “... eis
que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.” (Is
7.14). Eruditos modernistas criticam esta profecia em dois pontos:
1. A palavra virgem (almah, em hebraico), nesse texto, no original,
pode significar uma mulher jovem em idade de casar ou virgem no sentido
sexual;
2. Isaías estava afirmando que o menino nasceria naqueles dias,
isto é, durante a vida do profeta.
Quanto ao primeiro ponto, a palavra almah poderia referir-se a uma
mulher jovem em idade de casar, nas Escrituras Sagradas, mas, nunca se lê
esta palavra simples-mente moça. Onde quer que apareça a palavra almah, o
contexto sempre indica virgem, no sentido mais estrito da palavra! Além disso,
no Novo Testamento, onde a palavra almah é citada, traduzida para o grego, o
vocábulo é parthenos, referindo-se específica e unicamente a uma virgem,
no sentido pleno da palavra.
Quanto ao segundo ponto, por vezes, os profetas, num só texto, referem-
se ao presente e ao futuro remoto (Is 7.14 e 17). Embora pareça estranho o
fato de o profeta, de repente, passar do presente para o futuro, 700 anos
adiante, é o que Isaías faz aqui; e não é um caso isolado. Isso é muito comum
na mensagem profética da Bíblia! (Compare 2Sm 7.11-16; Zc 6.9-15).

O outro nascimento (Is 8)


As profecias do capítulo 8 tratam do futuro imediato, quando predizem a
queda de Samaria e o ataque da Babilônia contra Judá.
A fim de enfatizar a Sua mensagem, Deus usou uma ilustração através
de um dos dois filhos que Isaías teria. Este filho seria chamado “Maer-Salal-
Hás-Baz” significando rápido à presa, veloz ao despojo (ARC), ou “Rápido-
Despojo-Presa-Segura” (Is 8.3 - ARA). A um outro filho (o primeiro) também
foi dado um nome simbólico, revelando um fato ligado ao cativeiro babilônico,
muito depois da invasão assíria. O menino recebeu o nome “Sear-Jasube”
significando um remanescente voltará (ARC) ou “Um-Resto-Volverá” (Is 7.3
- ARA).
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 27

Através destes dois nomes, Deus mostrou a Judá o Seu plano até que
Seu povo voltasse do cativeiro. Através do nome “Emanuel”, Deus revelou Seu
plano para o Seu povo da época da Igreja, plano esse que abrange o Milênio.

* Convém lembrar que:

- Uns 200 anos antes, depois da morte de Salomão, as dez


tribos do Norte se rebelaram contra Roboão, filho de Salomão, e
formaram o chamado Reino do Norte;

- Essas dez tribos são chamadas, na Bíblia, por diversos


nomes como Israel, Efraim (a tribo principal) e Samaria (a capital
do reino);

- As tribos que restaram no sul, Judá e Benjamim, são cha-


madas de Judá, em razão da sua predominância sobre Benjamim.
A capital de Judá foi Jerusalém.
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 28

TEXTO 5

O MINISTÉRIO E REINO DO EMANUEL


(Is 9-12)

O Emanuel foi apresentado no capítulo 7 e continua como o personagem


principal até o fim do capítulo 12. Embora Seu nome apareça somente em
7.14 e 8.8, não há sombra de dúvida de que o rei incomparável citado nessas
referências é o mesmo Emanuel.

A predição do ministério do Emanuel na Galileia (Is 9.1-5)

O 9º capítulo de Isaías prediz que o


Emanuel ministrará, primeiramente na
Galileia — território das antigas tribos de
Zebulom e Naftali. É nesta área que se loca-
lizam as cidades de Nazaré, Caná e
Cafarnaum.
Esse território é altamente importante,
pois, nessa localidade da Terra Santa, apa-
receu o Emanuel pela primeira vez como por-
ta-voz do Pai.
Também é interessante notar que, segun-
do a História, essa terra foi a primeira parte
da nação a cair ante o ataque dos invasores
assírios (732 a.C.).
Assim, a duração do cativeiro é descrita
aqui como um período de trevas e, dissipan-
do-se tais trevas, brilharia a grande luz do
mundo:
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 29

“Terra de Zebulom, terra de Naftali... Galileia dos gentios! O


povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam
na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.”
(Mt 4.15,16).

Deus encarnado (Is 9.6,7)


Isaías 9.6,7 é um dos textos bíblicos mais importantes sobre a divindade
de Cristo. Nessa passagem temos uma profecia de que o Cristo, uma vez
encarnado e vindo ao mundo, teria quatro títulos que O distinguiria como ser
divino. “Porque um menino nos nasceu... e o seu nome será: Maravilhoso
Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Is 9.6). Estu-
demos esses títulos.
1. “Maravilhoso Conselheiro”. Embora algumas versões da Bíblia
dividam com uma vírgula esse título em dois, é bem claro no idioma hebraico
que as duas palavras devem ser combinadas formando um só título. A palavra
que em hebraico significa maravilhoso é pele, usada exclusivamente para
falar de Deus e as Suas obras — nunca do homem.
Isaías usou esse título para mostrar que a sabedoria de Cristo é
sobrenatural. O apóstolo Paulo expressou a mesma verdade 800 anos depois
de Isaías, quando escreveu, “em quem todos os tesouros da sabedoria e do
conhecimento estão ocultos.” (Cl 2.3). Temos mais uma indicação de que
esse título trata da divindade de Cristo. Essa expressão, ali, revela a sabedo-
ria de Deus: “... ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria.” (Is
28.29).
2. “Deus Forte”. É o segundo título do Emanuel. Alguém já disse
que a palavra Deus não expressa sempre a divindade, porque muitas vezes é
usada para descrever outros deuses de nível inferior (Jo 10.34; 2Co 4.4). Dr.
Edward Young, tratando disso no seu comentário sobre o Livro de Isaías, dá
três razões porque o dito título refere-se à deidade de Cristo:
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 30

a) Isaías não emprega o termo “El” (Deus) ao referir-se ao homem. Por


exemplo, o profeta escreve, “... os egípcios são homens (ADÃO) e não
deuses (EL)...” (Is 31.3).

b) A mesma expressão “Deus forte” é usada pelo próprio profeta Isaías


quando fala de Jeová: “Os restantes se converterão ao Deus forte, sim,
os restantes de Jacó.” (10.21).
c) O Antigo Testamento usa a palavra “EL”, no singular, unicamente para
referir-se a Deus e a ninguém mais! A forma singular da palavra Deus
pode ser usada, no idioma português, para referir-se a outra pessoa
além de Deus, mas, no hebraico o termo é outro completamente dife-
rente.”

3. “Pai da Eternidade”. É o terceiro título do Emanuel. Esse nome


sublime deve surpreender muitos que pensam que Cristo é tão somente o
Filho de Deus. Na realidade, o título “filho” salienta a relação de Cristo como
mediador entre nós e o Pai. O Seu relacionamento para com os salvos é
expresso através de uma diversidade de termos. Por exemplo, para destacar
a sua intercessão sacerdotal a nosso favor, Ele é chamado nosso “irmão” (Hb
2.12). Quando entra em destaque a remissão dos pecados, Ele é chamado
“Cordeiro” (Ap 5.6). Quanto ao Seu amor paternal e o cuidado para com Seus
filhos, Ele é identificado como o “Pai da Eternidade” (Is 9.6).
A força infinita da palavra eterno destaca a Sua divindade. Note
bem, que os dois conceitos, “pai” e “eterno” aparecem em Isaías 63.16: “...
tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguida-
de.”.
4. “Príncipe da Paz”. É o último título dado aqui ao Emanuel. Em si
mesmo a expressão não indica divindade; entretanto, a paz que vem por
Cristo é uma paz sobrenatural. Na esfera espiritual, Ele promove a nossa paz
interior, com Deus: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1). No plano universal Ele
trará paz total ao mundo quando aqui reinar. A História tem demonstrado
sobejamente que tal paz jamais será possível sem a intervenção de um poder
divino e miraculoso (Is 2.4). Quando essa paz reinar, até a própria natureza
terá paz sobrenatural! ( Is 11.7,8).
LIÇÃO 2: ISAÍAS — O MESSIAS PROMETIDO 31

Habitando com seu povo (Is 12.1-6)


Este trecho da Bíblia é conhecido como o “Cântico dos Redimidos”. Ele
forma uma perfeita conclusão à seção do Livro de Isaías, conhecida como o
“Livro do Emanuel”, pois trata do gozo dos redimidos.
O cântico alude primeiro à tristeza resultante do estado de afastamento
de Deus. Depois, vem o regozijo porque a ira de Deus foi removida e veio a
restauração normal da comunhão. Por isso, os redimidos podem saciar-se
nas “fontes da salvação” (12.3) e proclamar ao mundo “os seus feitos” (12.4).
O brado de júbilo do último versículo deste cântico resume todos os seis
capítulos que tratam do Emanuel (Deus conosco), a saber, capítulos 7-12:
“Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no
meio de ti.” (v. 6).

Você também pode gostar