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YOUR EYES ៹៹ r. sukuna (em hiatus)
de lettyeager
vermelhos como sangue
12.2K 1K 4.4K
de lettyeager
Os céus estavam desabando. a
139
Um forte temporal fazia-me questionar se conseguiria chegar em casa em
segurança, sem ser carregada pela ventania que eu via levar embora os
copos descartáveis e a garrafa de plástico que Rina, uma colega de meu
curso, trouxe para nos manter hidratados.
Naquele segundo, eu me encolhia ouvindo os trovões estrondearem acima
do prédio da faculdade. Estava parada próximo ao portão, meu guarda-
chuva aberto protegendo meu corpo, enquanto o frio fazia-me soltar alguns
baixos palavrões.
02:30 batia o relógio. Tarde demais para ainda estar na rua e não na
comodidade de minha morada. Disponibilizei-me para ajudar alguns colegas
de turma na organização de um projeto que estavam montando e me perdi
na horas. Naquele horário, boa parte dos estudantes já havia se despedido e
tomado seu rumo para casa, restando apenas Rina, um outro colega e eu,
que também já estava prestes a pegar meu beco.
Intolerante para tanta chuva, preocupada com a entrevista de emprego que
iria pela manhã, acabei deixando meus materiais com o senhor que esteve a
nos supervisionar na montagem do projeto e respirei fundo antes de me
lançar na tempestade.
Conquanto estivesse com o guarda-chuva, era evidente que o objeto portátil
pouco suportaria debaixo da agressividade natural que pesava em meus
braços.
Pulando de calçada em calçada, passando por lugares com algum tipo
cobertura para me proteger e garantir que meu guarda-chuva aguentasse um
pouco mais, observei as ruas desertas, carecentes de pessoas e automóveis.
Recordei-me do horário.
Bufei ao notar-me ensopada, ainda que com poucos minutos de trajeto.
Minha camiseta pingava água, minha calça jeans não se distanciava do
semelhante e eu agradecia aos deuses por terem me dado a ideia de deixar
meu celular em casa naquele dia. Meu cabelo escorria alguns dos pingos de
chuva, e era engraçado constatar que o vento forte estava me jogando mais
água do que as nuvens acima.
Peguei-me rindo de minha própria desgraça ao perceber romper-se um dos
ferrinhos de meu guarda-chuva.
⏤ Só o que falta agora é eu gripar e perder a entrevista amanhã. ⏤
murmurei ao findar uma risada nervosa.
Corri para abrigar-me debaixo da cobertura de uma loja de instrumentos
musicais. Fechei meu guarda-chuva e tentei equilibrar minha respiração.
Estava exausta. Quase oito meses desde que me mudei para Tóquio e
aqueles meses foram cansativos, estive estudando e esforçando-me mais do
que talvez realmente devesse. Tentando provar para minha mãe que foi uma
boa ideia deixar-me viver sozinha na capital.
Embora estivesse recebendo uma mesada de minha família e ouvindo meu
tio e meu padrasto insistirem que eu não deveria trabalhar, mas aproveitar
minha juventude, eu sentia que precisava de um trabalho, algo que me
fizesse sentir independente enfim. Perder a entrevista do dia seguinte seria
péssimo para mim.
Fechando os olhos, apertei os lábios e soltei um ar quente pela boca. Ouvi
gemidos baixos vindo de um beco ao lado de onde eu estava.
Estranhei.
"Estão transando no meio dessa chuva?" a
169
Não que eu tivesse algum preconceito, cada um com seus fetiches, claro.
Porém, em um tempo como aquele - onde a chuva estava tão forte ao ponto
de pesar ao cair sobre o guarda-chuva -, deveria ser quase impossível se
encontrar algum prazer.
Franzi o cenho quando, repentinamente, os gemidos se converteram em um
grito alto e sofrido. Nada prazeroso.
Apertei o cabo do guarda-chuva em minhas mãos e me aproximei do beco
em passos lentos. Curiosa.
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em um: casamento. UmaInjusto
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(2015-2022) Satoru)
#13 ɪɴ
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ꜰᴀɴꜰɪᴄᴛɪᴏɴ
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(2017...
He was so close, his breath hit myS/n, uma garota com problemas de
lips. His eyes darted from my eyes to
família, mas com uma habilidade
my lips. I stared intently, awaiting his
extraordinária, qual seria? Gojo
next move. His lips fell near my ear.
Satoru percebe que essa menina
"Shut up and... tem habilidades e vai atrás dela. O
que...
Possuía um péssimo costume desde pequena, e não conseguia conter minha
necessidade maldita de desvendar o desconhecido que me rodeava. Tal
necessidade que nunca me trouxe nada além de repreensões e castigos.
"Mas que..." Meus lábios se separaram involuntariamente.
Paralisada em frente ao beco, senti um nó se formar em minha garganta e
minhas pernas travarem. Meu corpo tremulou e, possivelmente, não era uma
consequência do clima gélido à volta. Com os olhos arregalados, presenciei a
cena mais perturbadora de minha vida.
Um homem estava sendo esfaqueado ali, naquele beco, em minha frente.
Fora jogado ao chão conforme suas lamúrias se dissipavam ao vento e,
provavelmente, suas forças se esvaíam até a última centelha de vitalidade
presente em seu corpo. Um outro homem, um pouco mais baixo,
acomodava-se sobre sua barriga, fincava na direção de seu olho esquerdo
uma pequena faca de cozinha e, no repentino silêncio instalado naquele
espaço, iniciava uma sequência gutural de risadas.
Uma onda de calafrios percorreu com violência minha espinha ao ouvi-lo.
⏤ Olha só... Acho que agora tu não vai mais poder me irritar com esse olhar
nojento cheio de vida, né? ⏤ baixo, em uma entonação rouca, pronunciou
por entre risos.
Sua voz era gravemente poderosa e conseguia ser ainda mais alta que os
trovões que acompanharam aquela noite. Era horripilante. Esforcei-me para
visualizar mais de sua fisionomia, contudo, o breu aos arredores me abstinha
da visão de seus traços. Seu rosto estava baixo e fitava fixamente o homem
morto caído no chão.
Sua risada voltava a reverberar.
⏤ Ei, menina ⏤ soprou. ⏤ Nunca te ensinaram que é feio ouvir a conversa
dos outros, não?
E só então percebi o quão exposta eu estava em frente àquele beco, percebi
quando, ao fim de sua frase, ele ergueu a cabeça para me encarar, ainda
sobre o cadáver.
Estremeci.
Não consegui ver muito de sua face facínora, mas mesmo naquela escuridão,
e pela chuva que caía, eu pude ver seus olhos, brilhando como rubis.
Vermelhos como sangue. a
36
O assassino se levantou, ainda me olhava.
Meu corpo finalmente voltou à ativa, assim que o vi dar seu primeiro passo
em minha direção. Então corri. Corri como nunca antes, corri como se minha
vida dependesse disso. E provavelmente dependia.
Minha casa não ficava longe do prédio da faculdade onde eu cursava.
Conseguiria chegar a tempo de me esconder no fim. Porém, ao cogitar o
cenário em que o assassino poderia me seguir até lá e finalmente me matar,
acabei hesitando em fugir pelo caminho que me levaria à minha casa.
Burra! a
81
Me amaldiçoei. Não conseguia pensar, minha mente estava cheia e vazia ao
mesmo tempo. Tremia e meu coração estava quase quebrando meus ossos e
rasgando minha pele, pulando para fora do corpo. Não sabia em qual direção
seguir.
Entro em uma rua, pouco movimentada por causa da chuva, mas bem
iluminada por algumas lojas. Entrar em uma delas não me parecia má ideia.
Na verdade, qualquer coisa, naquele momento, que pudesse me ajudar a
distrair o assassino não me parecia má ideia.
E tudo estaria bem se ele não me encontrasse.
Acabo entrando em uma pequena loja de doces, sendo logo recebida por
uma senhora.
⏤ Minha nossa! Você está bem, minha filha? Está toda molhada!
Sua voz passeou da bancada de bolinhos e chegou até mim em um tom
preocupado. A lojinha estava vazia, com exceção da senhora baixinha, não
haviam clientes. Uma consequência da chuva e do horário.
A senhora, que lia um livro de receitas sentada em uma cadeira ao lado da
bancada a alguns metros de mim, levantou e caminhou apressadamente em
minha direção.
⏤ E-Eu... ⏤ engoli o bolo formado em minha garganta. Iria responder, mas
fui interrompida.
⏤ Venha cá, vou te dar uma toalha. ⏤ a mulher me ofereceu seu braço para
que eu me apoiasse. ⏤ Oh, pobrezinha...
Encarei-a atentamente. Assustada. Ela balançou algumas vezes a cabeça,
observando meu estado encharcado e aterrorizado.
⏤ Essa chuva está um horror! Não deveria sair de casa quando o tempo está
assim. ⏤ ela me repreende, guiando-me até uma porta alguns passos atrás
da bancada. Era uma cozinha. ⏤ Você pode ficar aqui até a chuva passar.
A senhora de madeixas grisalhas me levou a uma cadeira de madeira e me
sentou cuidadosamente, deixando-me por alguns segundos para procurar
algo em uma bolsa no chão ao lado de um armário.
⏤ Aqui. ⏤ sorriu docemente ao puxar uma toalha de dentro de sua bolsa,
caminhou até mim e a estendeu sobre meus ombros, apertando-os
delicamente antes de afastar-se. ⏤ É bom se manter aquecida para não
pegar nenhuma gripe.
Sua gentileza devolveu-me a voz que havia perdido ao entrar na lojinha.
⏤ M-Muito obrigada... ⏤ sorrio ainda trêmula.
Ela retribuiu o sorriso e se curvou levemente. Acreditei que fosse dizer mais
alguma coisa quando foi interrompida por um tilintar que soou pela lojinha.
Ela, assim, virou-se rapidamente e saiu da cozinha, deixando-me só.
O silêncio do cômodo me trouxe recordações horripilantes de minutos atrás.
A risada daquele homem volta a ecoar em minha cabeça. A voz grave e seus
olhos rúbeos intimidantes.
"Eu vou morrer!" Era tudo o que conseguia imaginar.
⏤ Preciso sair daqui... ⏤ sussurro, sentindo meu corpo estremecer
amedrontado outra vez.
Fito o relógio na parede, o que marcava quase três da madrugada. Se ele
estivesse mesmo me seguindo, poderia acabar até matando a pobre
senhora.
A última coisa que queria era colocar pessoas em perigos assim, ainda que,
naquele momento, aquela realmente lascada fosse eu.
Levantei-me da cadeira, caminhando para fora da cozinha. Senti um frio
subir por meu corpo ao sair daquele cômodo, o que me fez arrepiar por
completo.
A senhora estava atendendo um cliente na bancada, distraída. Resolvi
esgueirar-me por entre os móveis, tentando não ser percebida, porém,
acabei por falhar, visto que precisaria passar pela bancada de bolinhos para
sair.
⏤ Querida, já vai?
Apertei os lábios e virei meu rosto um pouco para o lado para, assim, olhá-la.
⏤ S-Sim. A chuva nem tá tão forte e eu moro aqui perto... ⏤ sorri fraco,
retirando a toalha de meus ombros e entregando a ela, que negou com um
sorriso tão doce quanto aqueles que estavam na vitrine.
⏤ Tudo bem, filha, mas vá com cuidado. ⏤ ofereceu novamente a toalha
para minhas mãos. ⏤ E pode ficar com a toalha.
Não contive um sorriso fraco e emocionado.
⏤ Muito obrigada mesmo. ⏤ apertei o macio da toalha entre meus dedos.
Ela sacudiu suas mãos e soltou uma risada fraca.
⏤ Não foi nada, minha filha. Volte quando quiser.
Assenti.
Virei-me, caminhando em direção à porta, pondo a toalha sobre o ombro
esquerdo. A boa hospitalidade da senhora me trouxe mais um sorriso
acompanhado da gratidão. Era um alívio saber que ainda existiam pessoas
gentis como ela. Triste imaginar que qualquer outro talvez tivesse me
expulsado ao perceber meu estado completamente molhado e
desamparado.
Contudo, deixando os pensamentos doces de lado, meu sorriso se tornou
um monte de cinzas ao perguntar-me se um dia teria a oportunidade de
voltar ali. Claro, se não fosse morta logo quando colocasse meus pés para
fora. E, pensando assim, saí da loja cautelosamente, procurando por algum
pedaço de madeira ou uma pedra para me defender.
Mesmo sendo fraca, lutaria pela minha vida. a
30
Andando a passos assustados, eu tentava prestar atenção em cada ponto das
ruas, tanto a minha frente, como atrás. Não havia notado antes, mas
acreditava que o medo da morte era o mais perturbador. A sensação de estar
sendo perseguida era péssima e horripilante.
Como se, a qualquer momento, ele fosse me encontrar.
⏤ Achei que precisaria matar a velha. a
198
Petrifiquei.
Senti meu coração errar todas as batidas e me situar em um novo estado de
pânico.
Era ele.
Ele me encontrou.
⏤ Achei que você fosse mais esperta também ⏤ baixo, mas alto o bastante
para que eu o ouvisse, ele disse.
Sentia sua presença aproximando-se de mim. Seus passos faziam eco em
meus ouvidos. Ele estava atrás de mim. Então de repente ele estava ao meu
lado, me abraçando meus ombros, achegando seus lábios de meu ouvido.
⏤ Deveria ter pedido ajuda pra velha. a
17
Lutava contra mim mesma. Tentava me mover, tentava parar de tremer e
reagir, mas não conseguia. Não podia. Ele falava de forma ameaçadora
próximo ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar a cada palavra.
Deus, eu só queria poder respirar regularmente outra vez.
⏤ Aprenda a prestar atenção à volta, princesinha. ⏤ fora erguida em frente
a meus olhos uma sacola de doces, os doces da lojinha da senhora.
Ele era o cliente que ela atendia e na pressa eu não percebi. Estava tão
obcecada em chegar logo em um lugar seguro e me esconder que parei de
prestar atenção em absolutamente tudo. a
7
Como posso ser tão burra?
⏤ P-Por... ⏤ tentei pronunciar minhas súplicas, mas nem mesmo eu
conseguia ouvir minha voz fraca.
⏤ Onde você mora? a
132
Ouvi-lo perguntar me fez subir outro arrepio. Então a imagem de minha
pessoa sendo assassinada no tapete de minha sala começou a circular em
minha cabeça.
⏤ Eu... ⏤ tentava falar em meio as lágrimas que teimavam em molhar
minhas bochechas.
Eu iria realmente morrer aquela noite.
⏤ Você disse pra velhota que morava aqui perto. Onde é? ⏤ ele continuava
a ignorar minha fala.
Meu olhar examinou a rua onde me encontrava e reconheci de imediato a
vizinhança. Apontei na direção em que conhecia ficar minha casa, sentindo-o
começar a andar e me levar junto. Tremulava. Momentos atrás, eu só corria
para me salvar, não conseguia pensar em mais nada. Sequer cogitei a ideia
de contar alguma coisa para a senhora.
Seríamos duas mortas se eu tivesse contado.
Enquanto andávamos, eu me colocava a me arrepender por todos os erros e
ações impensadas. Começava a imaginar que talvez fosse melhor ter criado
raíz no pátio da faculdade.
Sentia o cheiro de sangue adentrar minhas narinas, trazendo a mim mais
desespero.
Avistei o pequeno portão de minha casa e estremeci.
"Ele iria me matar lá dentro?" "Se eu gritasse alguém me salvaria?" Eu me
perguntava mesmo sabendo as respostas.
E eu estava surpresa que, mesmo em puro desespero, havia acertado o
endereço apenas apontando com meu indicador trêmulo e assustado.
Minha respiração pesava.
Seria morta e sem direito a socorro. Afinal, aquela rua era um ambiente ermo
e silencioso. Se eu bem sabia, antigamente aquela região era palco de brigas
de gangues e vendedores de drogas. E, apesar da polícia ter conseguido
retomar a área e fazer dali um lugar pacífico e bom para se viver, algumas
pessoas ainda se sentiam receosas sobre começar alguma rotina naquele
lugar.
Porém, para mim, não parecia ruim. Não parecia até aquela maldita noite.
Paramos em frente a minha casa. Lembrei da chave que estava em meu
bolso, mas hesitei em pegá-la. Ele estava me olhando.
⏤ Não vai abrir? ⏤ indaga, fazendo-me engolir em seco.
Eu precisava.
Puxei lentamente a chave que estava no bolso de minha calça jeans,
sentindo bruscamente ela ser tomada de minha mão.
Ele abriu o portão e rapidamente me puxou para dentro.
Meu coração estava a mil. Estava tão disparado que era de se admirar ainda
não ter infartado.
Passamos pela porta e adentramos a sala, onde ele me soltou e foi em
direção ao sofá. Retirou o moletom que vestia, junto com uma regata preta
que usava por baixo da peça, juntou tudo em sua mão e atirou em mim.
⏤ Coloca pra secar. a
158
Franzi o cenho.
Como é que é?
⏤ Eu não tenho secadora... ⏤ admiti um pouco baixo pelo medo que
sentia. Também estava supresa, precisava confessar.
⏤ Tanto faz ⏤ bocejou se jogando no sofá. ⏤ Até que tua casa não é ruim.
Engoli em seco.
⏤ Obrigada...
Eu deveria agradecer?
⏤ Não acredito que agradeceu. ⏤ riu. ⏤ Cadê seus pais?
Abri a boca por alguns segundos antes de responder. Não estava
processando a situação em meu cérebro. Era como se ainda estivesse
sentada na cadeira de madeira da lojinha de doces.
⏤ Moro sozinha...
⏤ Isso é bom. ⏤ sorriu, fechando os olhos.
Percebi o que acabara de fazer e quis me acertar um soco no olho. Confessei
viver só. Um erro que, deveria dizer, não fora o pior naquela noite, mas
merecia consideração.
Então a ficha caiu.
Em uma madrugada, eu havia presenciado um assassinato, sido perseguida
pelo assassino e então, naquele mesmo instante, ele estava simplesmente
quase dormindo em meu sofá.
Eu trouxe um assassino pra dentro de casa.
Ele iria acabar me matando se eu lhe falasse o endereço errado, era óbvio. Eu
já não estava mais no direito de cometer mais erros enquanto agia sem
pensar, embora trazê-lo para dentro de minha casa também fosse um erro.
Mas um erro menos burro.
"Eu vou morrer!", choraminguei em minha mente, vendo minha eu interior
espernear de tanto chorar.
Começo a procurar a faca nos bolsos do moletom, aproveitando que ele não
estava prestando atenção, mas acabo por não encontrar nada.
⏤ Tá procurando isso aqui, né? ⏤ me assusto ao ouvir a voz dele me
chamar.
Ele estava balançando a faca em sua mão, ainda de olhos fechados. a
24
⏤ Eu costumo ser rápido com meus trabalhos, mas você é engraçada. a
57
Merda.
⏤ Por favor, não me mate... ⏤ senti minha voz vacilar por um momento, o
que para ele aparentou ser bastante cômico, já que ele riu.
⏤ E por que não? ⏤ continuava com os olhos fechados, dessa vez com um
sorrisinho de canto.
E eu ainda estava parada próximo à porta.
⏤ E-Eu... Eu não sei... ⏤ nervosa, eu não sabia o que dizer. Minha cabeça
estava um completo nada.
⏤ Tá brincando. Não tem motivo pra viver? ⏤ voltou a rir.
⏤ Claro que tenho... ⏤ reprimi os lábios.
⏤ Então me dá um.
⏤ Eu... Eu quero realizar meu sonho. ⏤ disse a primeira besteira que me
veio na mente.
⏤ Ah, é? ⏤ riu de forma irônica.
⏤ Quero ajudar minha família também. a
48
Bom, é um motivo bom.
⏤ Sim. Você sem boa conduta financeira quer salvar seu pai das bebidas e
sua mãe do câncer. Que fofo.
Segurei a careta incrédula.
⏤ Minha mãe tem uma ótima saúde e meu pai não é alcoólatra. ⏤
respondo um pouco ofendida.
⏤ Mas você é pobre, não é? ⏤ perguntou abrindo um dos olhos.
⏤ Sim...
Mas qual era a desse interrogatório?
⏤ É mesmo uma graça. ⏤ disse ele, fazendo-me começar a perder a
paciência com suas ironias, mesmo não estando em uma boa posição para
perdê-la. Ele sentou no sofá, olhando ao redor de minha humilde sala. ⏤
Livros...
Vi-o levantar e caminhar em direção aos livros nas caixas abaixo do móvel da
televisão, puxando um, passando a folheá-lo.
Ele estava distraído. Aquela aparentava ser uma ótima deixa para correr e
sumir daquela cidade, mas quando decidi parar e pensar um pouco mais,
percebi que não teria para onde ir ou dinheiro comigo para pagar a
passagem de avião para o inferno mais próximo.
Pensei em atacá-lo, mas não tinha certeza do quão bons eram os reflexos
daquele homem. Ele poderia muito bem me pegar no momento em que eu
estivesse perto de dar-lhe um golpe, e então me matar. a
3
⏤ Você estuda, pirralha? a
11
Assustei-me ao ouvir sua voz novamente.
⏤ Sim. ⏤ respondi retomando o fôlego que perdi ao ser pega a devanear.
⏤ Eu larguei a escola bem cedo. Foi quando cometi meu primeiro
assassinato ⏤ fez uma pequena pausa em sua fala para rir, ele parecia achar
graça até do vento. ⏤ Matei o mascote da turma. Era um esquilo pequeno,
os olhos dele me irritavam.
⏤ Então... Você mata tudo o que te irrita? ⏤ senti a necessidade de
perguntar.
⏤ Eu mato o que me irritar, ou quem eu sou pago pra matar. ⏤ diz simples
virando para me encarar, fazendo-me engolir em seco. Seus olhos foram de
encontro aos meus em uma rapidez admirável. ⏤ A chuva parece ter
passado.
Caminhando em direção à porta, ele passou por mim, fitando-me com um
olhar provocador.
Mas...
Não vai me matar?
⏤ S-Suas roupas... ⏤ estendi-lhe o moletom, ouvindo-o rir.
⏤ Pode ficar. Ainda nos veremos, de qualquer forma.
⏤ Como?
⏤ Menina burra, eu vou te matar ainda. Esqueceu? ⏤ ele para bem em
minha frente, pondo sua mão sobre minha cabeça. Falava como se fosse
uma coisa óbvia e eu fosse uma criança sem muita sabedoria. ⏤ Não
andianta gritar ou fugir, tá? Eu vou te matar, mas você pode tentar ligar pra
polícia.
Ele me direciona um sorriso sardônico e se vira para a saída.
Assim que passa pelo portão, ele se volta para mim e me observa por alguns
segundos, como se aguardasse uma reação, reação essa que eu desconhecia.
Mantive-me empacada no mesmo canto próximo à porta, feito uma mula,
segurando seu moletom comigo.
Ele se foi após constatar que eu não iria me mover ou tentar algo para pará-
lo.
Alguns segundos depois, corri para fora, para ter certeza de que ele
realmente estava indo embora, mas ao chegar lá, não o vi mais. Apenas a rua
deserta.
Tranco o portão e corro para dentro de casa, fechando todas as janelas e
portas que ainda estavam entreabertas.
Repentinamente, estava na mira de um assassino. Alguém que me ameaçava
apenas com o olhar.
Andei pela sala, de um lado para o outro até sentir minhas pernas doerem.
Ao me sentar no sofá, pensei na maldita confusão em que havia me
enfiando. Senti algo gelado sob minha coxa.
A faca.
Ele havia deixado a faca no sofá.
Expirei profundamente.
Minha cabeça começou a dar algumas pontadas de dor assim que comecei a
pensar. Minha única certeza estava fervilhando em minha mente, ganhando
forma em frente a meus olhos.
Ele iria me matar.
Ele com certeza iria me matar.
Avançar para o próximo capítulo
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Escreve um comentário...
sukunaSgf__
EU LEMBRO DESSA FICCCCCC
Há 3d Responder
pezssegonk
se a índole dela é duvidosa, não sei mais o que a minha é
Há 4d Responder
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