100% acharam este documento útil (1 voto)
233 visualizações25 páginas

Culto Omolocô: Sincretismo e Práticas

Enviado por

Pamela Taiana
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
233 visualizações25 páginas

Culto Omolocô: Sincretismo e Práticas

Enviado por

Pamela Taiana
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Omolocô

 Língua
 Descarregar PDF

 Vigiar

 Editar

Saiba mais
Esta página cita fontes, mas que não cobrem todo o conteúdo.

Omolocô[1] (também Omolokô[2]) é uma


religião sincrética praticada no Brasil
tendo como base elementos
africanistas, espíritas e ameríndios.[3]
Índice

História

editar
O M O L O K O
Universo Origem Universo região Universo Etnia Universo
Terra-asasé Mussurumim agua-maia lunda Ar- kitembú kioko Fogo- Dijiku

O vocábulo deriva de duas outras


palavras, oriundas da língua iorubá,
havendo consenso sobre Omo (filho),
mas divergências quanto ao outro
radical, seja quanto ao nome em si, seja
quanto ao seu significado. é uma
pratica religiosa, originária do povo da
Região de Lunda ( leste da África)
denominado kioko, Povo de feição
nitidamente expansionista, os Kiokos
logo se diseminaram pelas zonas
situadas nas nascentes de dois grandes
rios ( Kaungo e Kasai) A expansão,
algumas vezes pacificas, outras hosti. A
palavra OMOLOKO é de origem
mussurumim, ( etnias e região) cuja
tradição religiosa e cultural (bantu)
preservava um culto interligado ao
reino animal (kiama), mineral (kia-mina)
e Vegetal (kirimu) isso cita-se na pagina
19 [4]
De acordo com a versão de luiz da
Silva , pai , pai-de-santo de candomblé
angola, constante do livro Culto
Omoloko - Os Filhos do Terreiro, de
Ornato José da Silva, os radicais
seriam Omo: filho, e Ocô: fazenda ou
zona rural na qual esse culto, por conta
da repressão policial então existente,
era realizado desde a remota época da
escravidão. Enquanto culto, porém, teria
surgido entre o povo africano lunda-
quioco.
Por fim, pode-se ainda relacionar o
significado da
palavra Omolocô ao orixá Ocô, deus da
agricultura, que era cultuado nas noites
de lua nova pelas agricultoras
de inhame.
Ainda hoje continuam as denominações
de terreiro e roça para os locais em que
o culto Omolocô é realizado.
Há práticas rituais e de culto aos orixás,
com assentamentos similares aos
do Candomblé,
Possui ritualística própria, e seu
representante mais expressivo, ainda
que com forte influência umbandista,
foi o tatá Tancredo da Silva Pinto, já
falecido, estafeta dos correios e
morador do Morro de São Carlos,
grande estudioso, colunista e escritor
de livros. A filha de escravos Léa Maria
Fonseca da Costa, entretanto, preservou
o Omolocô conforme consta da obra
Há relatos de que o Omolocô teria sido
instituído no Rio de Janeiro por Maria
Batayo, uma escrava nascida na África
em 1797.[5]
A diáspora dos orixás cultuados no
Omolocô é a mesma utilizada pelo
Candomblé], que os cultua em número
menor e de forma majoritariamente
sincrética.
Há quem defina erroneamente o
Omolocô Candomblé. e não Umbanda.
Pesquisas mais recentes aludem o
termo Omolocô aos locôs, que eram
governados pelo rei Farma, no sertão
de Serra Leoa. Sua cidade chamava-se
Locojá e se localizava à margem do Rio
Mitombo, afluente do rio Benué, que
por sua vez é afluente do grande rio
Níger.
Locojá ficava próxima do reino iorubá.
O povo locô também era conhecido
pelos nomes de lagos, lândogo e sossô.
O nome locô foi primeiramente
registrado em 1606. Também há
registro desse povo com o nome de
loguro. De acordo com pesquisas
realizadas, a tribo locô estava dividida
em outras menores ao longo dos rios
Mitombo, Benué e Níger e no litoral
de Serra Leoa. Em 1664, o filho do rei
Farma foi batizado com o nome de D.
Felipe. Torna-se claro que o sincretismo
afro-católico já acontecia
na África antes da vinda dos africanos
ao Brasil. Acredita-se que a tribo locô
pertencia a um grupo maior chamado
Mane e que alguns de seus integrantes
vieram escravizados para o Brasil e
formaram o Omolocô.
Os povos Mane tinham por costume
usar flechas envenenadas e arcos
curtos, espadas curtas e largas,
azagaias, dardos e facas, que traziam
amarrados embaixo do braço. Para
combater o veneno de suas flechas, em
caso de acidente, usavam uma bolsinha
com um antídoto. Avisavam os seu
inimigos o dia em que iriam atacá-los
através de palhas - tantas palhas, tantos
dias para o ataque. Traziam no braço e
nas pernas correntes de ouro e prata.
Também eram ligados aos brancos que
invadiram a África Negra. Adoravam
assentamentos de deuses e ídolos de
madeira, os quais representavam
homem e animais. Quando não
venciam as guerras, açoitavam os
ídolos. Se as batalhas eram vencidas,
ofereciam aos deuses comidas e
bebidas. Chamavam as mulheres
de cabondos e tinham como marca a
ausência de dois dentes da frente.
Ainda que haja dúvidas sobre o papel
de Maria Batayo na instauração do
Omolocô, estudiosos confirmam seu
início no Rio de Janeiro, no século XIX, a
partir do conhecimento trazido por
negros vindos da África e seus
descendentes, tendo sofrido influência
de diversas vertentes religiosas,
predominantemente o culto aos orixás
e aos orixáss, o que tornou peculiar a
sua forma cultual, que manteve a
cosmologia de cada origem, acrescida
ainda de rituais religiosos
contemporâneos, como
o Espiritismo francês.
Estrutura da roça de santo

editar
Roça de santo é uma denominação
utilizada pelos adeptos do Omolocô
para designar o local onde se
concentram as comemorações e rituais
aos orixás. O termo é uma referência ao
período colonial, em que os escravos
cultuavam os orixás às escondidas nas
roças e fazendas dos senhores de
engenho.
A roça de santo possui distintos locais
para concentração de axé, com funções
diversas, como proteger, encantar,
equilibrar e acentuar a fé
dos iniciados da roça.
A roça de santo é dividida em dois
ambientes, o público (Quintal), local
onde se pode beber e fumar, e onde se
serve o ajeum (refeição, comida), sendo
um lugar em que é permitida maior
descontração, e o sagrado.
O ambiente sagrado é dividido em:
 Sala, onde se encontram os atabaques
e onde é executado o xirê do santo,
saídas e obrigações
 Peji, onde se guardam todos os
apetrechos e vestimentas dos orixás
 Roncó, onde estão guardados parte dos
segredos da roça de santo e onde são
realizadas as iniciações
 Cozinha de santo, onde se preparam
todas as comidas de santo
 Quartos de santo, onde ficam os ibás e
os objetos mais sagrados dos orixás
O que é Umbanda Omolokô?
Por Mario Filho

O Babalorixá Ornato José da Silva afirma, em seu livro, “Culto Omolokô: os filhos do
Terreiro”, que a palavra Omolokô é de origem Yorùbá e significa: Ọmọ (filho)
e Oko (fazenda). A fazenda, para o autor, seria a zona rural onde esse culto, por causa
da repressão policial que havia naquela época (início do século XX), era realizado, ou
seja, na mata ou em lugar de difícil acesso, no interior das fazendas dos donos de
escravizados.2

Talvez, por causa disso, possamos teorizar que hoje temos as denominações de
“Terreiro” e “Roça” para os lugares onde os cultos afro-brasileiros e de matriz africana
são realizados.

Podemos relacionar, também, o significado da palavra Omolokô com o Òrìṣà Oko,


Orixá da agricultura ou com o Òrìṣà Irókò, Orixá que habita a árvore de mesmo nome e
é cultuado no Candomblé. Segundo se diz, o orixá Oko era cultuado no Rio de Janeiro e
era assentado junto com o Òrìṣà Ọṣọ́ ọ̀ si (Oxossi), pois Oko, assim como Ọṣọ́ ọ̀ si são
caçadores, porém não há dados suficientes que possam confirmar isso.

Outra associação que podemos fazer é a sua relação ao vodun Loko cultuado pelo
povo Fon-Jêje, que tem como correspondente yorùbá o orixá Irókò, já citado, e que por
sua vez, corresponde ao Inkisi Tempo (Kitembo) na nação Angola de Candomblé. Na
época em que os cultos religiosos de origem africana eram proibidos, esse Orixá foi
sincretizado a Santo Onofre.

Pesquisas mais recentes dão conta de que a origem do nome Omoloko, também está
ligado ao povo Loko. A tribo Loko estava dividida em tribos menores ao longo dos Rios
Mitombo, Bênue e Níger, e no litoral de Serra Leoa. Sua cidade principal era Lokoja,
que ficava muito próximo ao reino Yorùbá. Crê-se que alguns escravizados do povo
Loko, no Brasil, vieram a formar o que alguns chamam de Nação Omolokô.

Segundo Taata Tancredo da Silva Pinto, organizador e o maior incentivador


da Umbanda Omolokô, cujo nome iniciático (Sunna3) era Fọ̀lkétu Olóròfẹ̀, o culto
Omolokô chegou ao Brasil proveniente do sul de Angola, onde era praticado por uma
pequena tribo pertencente ao grupo Lunda-Quiôco, que ficava às margens do rio
Zambeze, que lhes fornecia alimentação no período das cheias.

Para o músico e escritor Nei Lopes o Omolokô seria um…

antigo culto banto cuja expansão se verificou principalmente no Rio de Janeiro, na


primeira metade do Séc. XX. O nome liga-se provavelmente ao quimbundo
muloko, “juramento”; ou ao suto, moloko, “genealogia”, “geração”, “tribo”. Na
Angola pré-colonial, Nganga-ia-Muloko era o sacerdote encarregado da proteção
contra os raios.4

Podemos afirmar, então, que o nome Omolokô define um culto originário do Rio de
Janeiro com práticas rituais e de culto aos Orixás, Bacuros/Inkices ou Voduns e que
possui, também, culto aos Caboclos, Pretos-velhos, Exus e demais Entidades Espirituais
da Umbanda em geral e outras entidades encontradas no Catimbó-Jurema, Toré,
Babaçuê, Tambor de Mina etc.

O culto Omolokô é apontado por estudiosos do assunto e praticantes como um dos


principais influenciadores da formação da Umbanda africanizada ao lado do Candomblé
de Caboclo, da Cabula e do próprio Candomblé.5

Em que pese essa ligação principal com o Rio de Janeiro, sabe-se que o Omolokô
organizou-se principalmente em algumas regiões do sudeste do país, que
forneceram grande contingentes de migrantes para a capital do Estado da
Guanabara. […] O Omolokô era forte na zona da mata mineira, em todo o estado
do Rio, no nordeste paulista e em parte do Espírito Santo – sobretudo nas áreas
rurais. As correntes migratórias internas teriam trazido (ou reforçado) essa
modalidade de religião afro-brasileira para o Rio de Janeiro – e elas existiam
também em outras partes da cidade: Luiz Edmundo (1987, pp. 72-73), por
exemplo, relata a existência, no início do século XX, de um Terreiro na antiga
travessa do Castelo, comandado por um certo João Gamba, natural de Luanda,
cujos rituais apresentavam formas muito semelhantes de incorporação e
ressignificação de diferentes matrizes religiosas.6

No culto Omolokô as divindades possuem nomes em língua Yorùbá, Fon-Ewe ou


Congo-Angola. Na maioria dos Terreiros Omolokô há o culto aos Orixás, em
semelhança ao Candomblé Ketu, por isso são utilizados os Oríkì (poemas laudatórios,
que mencionam os valores, atividade e importância de um Orixá, Rei, autoridade etc)
para homenageá-los. Os Orúkọ (nomes iniciáticos) são dados por meio da consulta ao
Jogo de Búzios. Seus “assentamentos” são semelhantes aos feitos no Candomblé e os
Exus são feitos em argila, à semelhança de um busto de uma pessoa, ou então,
simbolicamente, em ferro.

Taata Tancredo afirmava que: “a Umbanda é [gn] africana, é um patrimônio da raça


negra” e que achava graça quando ouvia os “líderes da Umbanda Branca dizendo que
a religião [apenas] sofre influência das tradições africanas”7. Para ele, a Umbanda é
um culto de origem africana e esse viés africanista da Umbanda pode ser visto em uma
de suas afirmações:

Terreiro de Umbanda que não usar tambores e outros instrumentos rituais, que
não cantar pontos em linguagem africana, que não oferecer sacrifício de preceito e
nem preparar comida de santo, pode ser tudo, menos Terreiro de Umbanda.4

Para afirmar a característica africana da Umbanda e dar uma formação intelectual aos
praticantes do Omolokô, organiza no Rio de Janeiro o primeiro curso de língua e cultura
Iorubá.

Na Umbanda Omolokô há iniciação para Orixá, Vodun ou Bacuro, com recolhimento


do iniciando à “camarinha” por um período não inferior a três dias. Além da chamada
divindade tutelar, que é assentado primeiro, o membro de um Terreiro de Umbanda
Omolokô é iniciado para mais duas outras divindades, que farão parte do “enredo”
espiritual do adepto.
Há, também, a consagração para as entidades espirituais com as quais trabalharão, que
serão firmadas ou assentadas.

Várias casas de Umbanda, cujas formas de culto são consideradas de cunho africanista,
originaram-se do culto Omolokô, ou das antigas Casas de Macumba que, mais tarde,
foram reconhecidas como praticantes do culto Omolokô, especialmente depois da
divulgação de suas práticas nos livros escritos por Taata Tancredo da Silva Pinto. Essas
Casas mantiveram uma estrutura de culto aos Orixás, em harmonia com os guias
espirituais.9

Sobre a Umbanda Omolokô, podemos ver no site de Internet da Federação de Umbanda


do Brasil (FUB) a seguinte afirmação:

Não objetivamos afirmar que a Umbanda Omolokô seja a melhor ou a pior. Em


minha concepção a Omolokô é a mais “original”, no sentido de manifestações, é a
que mais se próxima daquilo que as entidades que povoam os cultos afro-
brasileiros ou afro-ameríndios representam. No Omolokô as entidades não
precisam se utilizar dos comportamentos “doutrinados”, em que tudo é padrão. As
entidades podem se manifestar livremente e isso é muito desejável. Os Babalorixás
e Yálorixás não determinam como as entidades devem se manifestar, apenas
determinam como deve ser o comportamento ético do médium, colaborando com
seu crescimento espiritual, atraindo para si entidades de Luz.10
Omolokô
 Redação OBatuque

 maio 4, 2023

 0

Por Wander Timbalada

A nossa africanidade atravessou gerações e trouxe uma bagagem


de sambas-enredos que se perpetuaram no carnaval por meio das
escolas de samba. Se formos elencar aqui, não daria para falarmos
de todos, porém uns marcaram época e até hoje são lembrados
nas quadras de agremiações e rodas de samba. Seguem seus
versos e tenho certeza de que você vai cantar por algum tempo:

Abram alas meus tumbeiros//aos sete portais da Bahia//é a arte


negra que desfila com seus encantos e magias//da sua terra
trouxeram a saudade da capoeira do berimbau//dos enfeites
coloridos, do pilão colher de pau – “A arte negra da lendária
Bahia”, Estácio de Sá 1976.

Muçurumim, nagô//Omolokô, Congo e Guiné//Atotô de Zambi-rei


do Candomblé – “Mar Baiano em noite de Gala” – Unidos de São
Lucas 1976.

“Bailou no ar//um ecoar de um canto de alegria//três princesas


africanas na sagrada Bahia//Yá Kalá, Yá Deta, Yá Nassô//cantaram
assim a tradição Nagô” – “Criação do Mundo na tradição Nagô”,
Beija-flor de Nilópolis 1978.

O tempo passou e registrou ainda mais uma infinidade sambas-


enredos que enredaram a cultura e a religiosidade afros no nosso
carnaval rico e cultural.

Estamos em 2023 e partindo para o próximo ano, e várias escolas


já definiram seus temas. Boa parte delas trará para os palcos de
desfiles enredos baseados na africanidade religiosa.

Na coluna anterior, falei sobre Exu. Hoje venho falar, tenho certeza
de que será de grande importância, esclarecimento e sobretudo
de referência para todos aqueles que fazem parte do cenário afro-
religioso aqui no Brasil.

A Nação Omolokô aqui no Brasil é de muita importância para a


nossa cultura afrodescendente, porém é uma das mais mal-
entendidas e não devidamente reconhecida pelas demais nações
do nosso panteão do afro-religioso do Brasil.

Digo isso já apontando a questão da sua feitura, que


erroneamente não é reconhecida por alguns desinformados, pelo
fato de não se raspar a cabeça dos seus iniciados, conforme as
demais nações do Candomblé brasileiro fazem.

Um outro motivo de referência, que não é reconhecido e nem


citado em nenhuma outra nação, é o termo “Roça”, utilizado para
denominar as casas de santo. Ela veio do Omolokô, pelo fato desse
nome se originar das “Roças”, onde eram feitos os preceitos para o
orixá Okô que dá origem ao nome Omolokô e também por ser o
orixá que está ligado aos plantios, à agricultura, à terra arada e
alimentada para gerar a fartura do homem, ou seja, mais um
indicativo de que o Omolokô veio antes das demais nações aqui no
Brasil. Então porque não respeitá-lo e reconhecê-lo principalmente
como uma nação.

O Omolokô é subdivido em: Omolokô Bantu, Omolokô Macumba e


Omolokô Nagô.

O Omolokô cultua orixá, sendo que sem subdivisões e sim de uma


forma chama tutelados ao orixá central do axé da casa, exemplo:
Ogum é Ogum, Xangô é Xangô sem a referência de nomes, e sim
da energia do orixá. Na verdade, o Omolokô também cultua os
caboclos, boiadeiros, pretos-velhos e exus que a Umbanda cultua.

Por isso, entende-se a diferença entre o Candomblé e a Umbanda,


e o Omolokô, que é do Candomblé, cultua os orixás no caso da
nação Keto, Efon (Efan), Nagô, Muçurumim e o Nkici (Inquice) na
nação Angola e Vodus e na nação Jeje. Já a Umbanda cultua
falanges e falangeiros, que são entidades evoluídas que vêm à
Terra com as vibrações muito elevadas, mas não são diretamente
orixás. Podemos citar como exemplo os caboclos, os bugres, os
pretos-velhos, os boiadeiros, os êres e os exus catiços.
Podemos classificar o Omolokô como uma religião de ritualística
própria e sincrética, que tem como base na sua prática os
elementos: africanistas, espíritas e ameríndios, tendo a
característica de cultuar os orixás africanos, sem subdivisões e sim
com a sua pura essência e do seu nome.

Eu posso dizer que vi estrelasses ritualísticos acontecerem entre as


nações Muçurumim e Omolokô. O Muçurumim por parte da
senhora Maria Bamgbose, minha bisavó, e Omolokô por parte do
senhor Tiãozinho das Almas, onde eu nasci e fui criado, escutando
o grande mestre da época, o senhor Alabê Agnaldo, que cantava
como ninguém essa essência do Omolokô.

Outras três grandes personalidades que representam essa linha


são: Yalorixá Mariáde Amélia, Professor Benister e o Babalorixá
Alexandre de Xangô.

Mariáde Amélia

Mãe Mariáde Amélia Henrique dos Santos (Okeamim) é iniciada há


cerca de 50 anos no Omolokô e há 26 no Candomblé. Ela é minha
querida e amada zeladora de santo na qual fui confirmado Ogan
por sua Iemanjá Sobá há 35 anos. Mãe Mariáde foi filha de santo
inicialmente de Iraci dos Prazeres Gomes, que lhe iniciou na Nação
Omolokô. Quando Iraci partiu para o Orum deixou Mariáde Amélia
aos cuidados da Oké Larokê Caynara Brás Augusto, filha do
Babaribô José Luiz de Iemanjá. Mariáde foi educada
espiritualmente por Vó Okê Laroquê, que faleceu em 2013 com a
idade de 100 anos. Nessa grande família, Tia Surica iniciou no
Omolokô há 77 anos. Ela foi mãe criadeira de Mãe Mariáde, elas
são primas legítimas, fiéis e amigas mantendo viva a essência
dessa árvore familiar e espiritual.

Mãe Mariáde diz que o culto do Omolokô chegou ao Brasil


proveniente do Sul de Angola, onde era praticado por uma
pequena tribo pertencente ao grupo Luanda-Quiôco, cujo
significado Omolokô é: Omo = filho, Loko = referente ao orixá da
agricultura Okô. Segundo alguns registros, uma africana chamada
de Maria Batayo era uma escrava e filha de Nanã. Maria Batayo
chegou ao Brasil nos idos de 1960 e deu uma grande contribuição
a Tancredo da Silva Pinto para introduzir o culto do Omolokô aqui
no país.

Mãe Mariáde cita, como grandes zeladores que cultuaram o


Omolokô aqui com muita propriedade e força, os saudosos
Managua, Kainaguá, Djalma de Lalú, Léia Maria Fonseca,
Caribaldina, Yá Cleia de Oxóssi, Ricardina, Yá Mocinha, Alaíde de
Omolu, Mãe Caribaldina, Caynara Braz Augusto, da Nação Keto,
mais conhecida como Mãe Oké Laroquê.

Eles são grandes guardiões da Nação Omolokô e da cultura de


matrizes africanas. Deles vieram toda a essa essência, então
podemos dizer que somos frutos dessa raiz.

Nosso querido professor José Benister nos concedeu um


depoimento que traz um pouco de informações importantes dessa
rara Nação Omolokô:

José Benister
“Agradeço esse convite e vou lhe dizendo em princípio que o meu
conhecimento sobre o Omolokô tem como base minha
participação prática na casa de Gerson de Xangô (1913-1977),
conhecido como Fugeco, sendo meus estudos através de
pesquisas e depoimentos diversos com Djalma, Tancredo (1904-
1979), Dila (1908-1990), e outros.

Tenho observado que não há uma unidade na modalidade de


culto e nem do histórico do Omolokô. Denominações como
Omolokô Nagô, Umbanda, Nagô, Macumba revelam formas
sincréticas de culto.”

O ritual de Omolokô possui as mesmas entidades religiosas


identificadas com a Umbanda, Candomblé e até o Catolicismo.
Variando através da modalidade de práticas e ritos diversos. E por
isso pode ser entendido diante da história de vida dos antigos
africanos. Viviam “misturados” com linguagens diferentes.

A penetração branca se interessou o que fez ampliar a prática,


com novas ideias de compreensão, muito embora continuasse
perseguidas, como exemplo: a religião afro, aqui praticada pelo
Candomblé, se diferencia em muito com a da África. As demais
foram aqui criadas e em muito com variantes: Umbanda sincrética,
de mesa, esotérica, Omolokô, branca etc.; Omolokô, nagô,
macumba etc.; Candomblé, Ketu, Jeje e Angola. No caso do
Candomblé, tudo é feito da mesma forma, apenas com linguagem
diferente.

Eu tive a oportunidade de fazer um relato sobre a prática do


Omolokô, em razão da forma religiosa não ser devidamente
comentada. Ouvi seus cânticos perfeitos, alguns que eu conhecia
bem. No Omolokô, tudo é cantado, rezado e pouco falado.

No fim do século retrasado, foi feita uma citação do ritual de


Cábula, cultuada nos boques e locais afastados, conforme trecho
do livro de Nina Rodrigues, escrito em 1901: “Há diversos desses
espíritos protetores, Tata Guerreiro, Tata Rompe Mato, Tata Flor
de Carunga”. Era uma prática que invocava espíritos de ancestrais
denominados de báculo.

As reuniões eram escondidas no meio do mato e embaixo de


grandes árvores.

Okô, em Yorubá, significa fazenda, roça e espaço afastado. A


palavra Omolokô seria uma denominação de filhos, pessoas na
roça e roceiros. A letra “L” está escrita e precisamos saber sua
tradução. É a palavra “Ni” que pode significar o verbo ter, possuir,
dizer etc. Quando usada antes de substantivo transforma-se em
“L” (babalorixá, babalawo etc.).

Maria Batayo faleceu aos 129 anos, por volta dos anos de 1926,
onde morava no Morro de São Carlos, no Bairro do Estácio.

De fato, os orixás não possuem subdivisões, alguns possuem


denominações diferentes como Cinda (Oxum), Cita (Inhançã),
Zambara (Xangô) e Canjira (Ogum).
A coroa une o que está abaixo dela e o que está acima. Separa o
terrestre do celestial e o humano do divino. Símbolo de poder e
luz. Símbolo da realeza do orixá. Essa coroa também me remete a
um personagem do Omolokô, chamado Chico Rei.

Laço vermelho: os vínculos, que unem os membros de um corpo


social, exprimem uma união até a morte ou além da morte.
Porque o laço tem um formato de um oito deitado, não tem início
e não tem fim; as flechas: instrumento dos Lunda Kiocos, que
também tem relacionamento com a morte; as folhas: representam
uma coletividade, unida numa ação coletiva, e num pensamento
comum; uma tribo! Acredita-se que a Tribo Iocô pertencia a um
grupo maior chamado Mane e que alguns de seus integrantes
vieram escravizados para o Brasil e formaram o Omolocô.

Os povos Mane tinham como costume usar flechas envenenadas e


arcos curtos, espadas curtas e largas, azagaias, dardos e facas,
que traziam amarrados embaixo do braço. Para combater o
veneno de suas flechas, em caso de acidente, usavam uma
bolsinha com um antídoto. Avisavam aos seus inimigos o dia em
que iriam atacá-los através de palhas – tantas palhas, tantos dias
para o ataque. Traziam no braço e nas pernas correntes de ouro e
prata.

“A família não é um mercado que vamos visitar e depois nos


separamos”.

Mwene Dumba – Watembo.

Bacuros:

Exú * Aluvaiá/Pambu Njila;

Ogum * Kangira;

Oxossi * Madé;

Ossaim * Catendê/ Ngurufinda;

Omolu * Kaviungo;

Oxumarê * Hangolô;

Xangô * Jambanguri;

Tempo * Kitembu/Iroko;

Logun Edé * Telekompensu;

Oyá * Yapopô/Cita;

Oxum * Sinda/Kissimbi;

Ibeji * Kafulu/Wunji;

Nanã * Zumbá/Zumbarandá/Gangazumba;

Yemanjá * Kaiá/N’ginja;
Obá * Mina Lugando;

Yewá (cobra branca) * Mina Nganji;

Oxaguiã * Malembá;

Tempo * Kitembo/ Iroko;

*Orixá Okô;

Oxalufã * Ferimã/ Lembá/Lembaranganga/Kassuté.

Obs.: nem todos Bacuros ou Inkices são iniciados, mas podem ser
cultuados e reverenciados.

Iniciação no Omolokô

O Omolokô é uma religião iniciática. Na concepção dos Lundas-


Kiocos, os Bacuros são forças imateriais da natureza que só
podem se manifestar e expressar através de certas pessoas de
suas escolhas, com harmonia e plenitude se as mesmas forem
iniciadas.

O ciclo de iniciação no Omolokô dura 28 dias, porque segue o ciclo


lunar (quatro fases de lua, cada uma com sete dias, totalizando 28
dias). Sete dias antes do recolhimento, o neófito tomará sete
banhos preparatórios que começarão a preparação do seu corpo e
espírito para a iniciação. O período de recolhimento é praticado
entre três e sete dias, há pessoas que recolhem em 14 dias, porém
o mais comum são sete.

Na iniciação Omolokô não se raspa a cabeça toda. Não se abre


“curas” no corpo com navalhas e sim com pemba, pois acredita-se
que essas “marcas” ficam no duplo etérico da pessoa, não
necessitando cortar o corpo físico. Por catular e não raspar, o
Omolokô recebe várias críticas negativas, inclusive querendo
desmerecer a feitura.
Alexandre de Xangô

A título de esclarecimento e não de imposição de opinião, citarei


alguns odus do tratado de Ifá e de sacerdotes da tradicional
religião Yorubá, para apreciarmos outras visões sobre o mesmo
assunto.

Odu Odí Iroso – “As pessoas deste Odu não podem raspar a
cabeça quando fazem ‘Santo’. Tesoura e navalha não lhes vão à
cabeça.”

Odu Oxê Meji – “Este Odu orienta não raspar o cabelo, porque a
força e a sorte da pessoa estão no cabelo.” Não raspar, cuidar
bem, deixar cumprido e deixar forte.

Uma pessoa pode ser iniciada em cultos oriundos de matriz


africana sem raspar a cabeça. A raspagem não é obrigatória
dentro da religião tradicional Yorubá. Essa obrigatoriedade se fez
no Brasil. Não podemos julgar o que é feito no culto de outras
pessoas sem conhecimento ou embasamento para tal.

Na religião tradicional Yorubá há os cultos a vários Orixás, e cada


culto tem suas “famílias”, e cada família tem seu sistema. No culto
a Orunmilá, certas famílias não raspam a cabeça de mulher. No
culto ao orixá Ogum, para certas famílias, é proibido raspar. No
culto a Obaluaiê, raspa-se um lado da cabeça, espera crescer um
pouco, raspa-se o outro lado e quando começa a crescer, raspa-se
os dois lados e se fazem os rituais.
Vander da Silva Fructuoso, mais conhecido como Wander
Timbalanda, é produtor musical, intérprete, compositor, colunista
do site [Link] e filho carnal de Walter Fructuoso, o
Waltinho de Oxalá, raiz de Muçurumim por parte da senhora Maria
Bamgbósé, sua primeira zeladora de santo. Waltinho de Oxalá,
após a morte de sua mãe, Maria Bobochê passa para a casa de
Tiãozinho das Almas, onde recebe todas as obrigações no
Omolokô Nagô.

Nesse caso, Wander Timbalada vem ser descendente dessa


senhora, integrante da família Bobochê, que trouxe o Candomblé
para o Brasil.

Timbalada é iniciado, desde 24 de julho de 1985, por


Mariáde Amélia Henrique dos Santos (Okeamim).

Você também pode gostar