QUEM SÃO
Dentro da religião da Umbanda, Exu assume papéis variados e complexos. Ele não é
apenas o mensageiro, mas também o guardião e o protetor. Esta dualidade de funções
é resultado da influência e interpretação de outras religiões, como o Candomblé, onde
Exu Orixá também é uma entidade destacada.
Nas casas de Umbanda, Exu é frequentemente visto como um sentinela e protetor. Em
sintonia com a tradição yorubá, ele também atua como um mensageiro,
estabelecendo a ponte entre os orixás e a humanidade.
Na Umbanda, o termo "Exu" refere-se a uma espécie de papel desempenhado por
entidades masculinas. Quando essas entidades são femininas, são conhecidas como
Pombogira. É importante destacar que a diferenciação de gênero é uma simplificação,
pois a realidade espiritual dessas entidades é mais complexa. Algumas entidades
evoluídas transcendem a noção de gênero, tendo vivido várias encarnações em corpos
de diferentes gêneros. Para facilitar o entendimento e destacar sua função espiritual,
estas entidades, Exus e Pombogiras, são frequentemente denominadas "Guardiões".
A concepção do Exu na Umbanda incorpora a ideia do Exu Orixá do Yorubá, mas com
um foco diferente. Aqui, ele é visto como um guardião que acompanha a evolução
espiritual do ser humano. Teoricamente, cada pessoa tem pelo menos um Exu ou
Pombogira ao seu lado, ajudando em seu processo evolutivo. E, assim como um
responsável que oferece ao filho não apenas o que ele deseja, mas o que ele realmente
precisa, os Guardiões também permitem que desafios se apresentem na vida das
pessoas, ajudando-as a superá-los.
Estes seres, apresentando-se em diferentes gêneros, atuam como guardiões
espirituais. No entanto, é importante entender que há uma vasta complexidade
envolvida. A nomenclatura pode variar, mas seu propósito permanece firme: guiar e
proteger.
Exu não é apenas uma divindade; na Umbanda, ele também representa uma função
exercida por várias entidades espirituais masculinas, enquanto as femininas são
referidas como Pombogiras. Porém, os conceitos de gênero se tornam mais fluidos e
complexos quando se trata dessas entidades. Para simplificar essa complexidade e
enfatizar seu papel espiritual, ambas são frequentemente referidas como "Guardiões".
Os Guardiões têm um papel fundamental na evolução espiritual das pessoas. Cada
indivíduo é teoricamente acompanhado por, no mínimo, um Exu ou Pombogira, que
auxilia no processo evolutivo da alma. Em sua sabedoria, esses guardiões podem
permitir desafios em nossa vida, não como castigos, mas como oportunidades de
crescimento e aprendizado.
Infelizmente, muitas vezes a figura dos Guardiões é mal interpretada. Devido à
proximidade de suas energias com as dos humanos, alguns acreditam que eles estão a
serviço de nossos caprichos e desejos egoístas. Essa visão distorcida pode ser
encontrada em vídeos e relatos que enfatizam aspectos mais materiais e superficiais,
esquecendo-se da verdadeira essência dessas poderosas entidades.
SUAS LINHAS:
LINHA MALEI
Também conhecida como falange de Malei é regida pelo Exu-Rei. Composta de sete
legiões, cada legião possui um sub-regente ou tenente. Essas legiões ainda se
desdobram cada uma em sete povos (49 povos ao todo) que se desdobram em 7 frentes
de trabalho ou tribos (343 frentes ou tribos).
A linha de Malê é encarada como a regência maior dentro dos Reinos de Quimbanda,
onde estariam os Comandantes dos Exus. Seriam os Exus que teriam mais poder
adquirido conforme as existências, lembrando sempre que poder não implica que ele é
bondoso, apenas que tem grande conhecimento.
Apesar da posição de comando, sua função é mais como um grande conselho. Como os
Exus são não-éticos, acabam fazendo o que eles querem. Logo, mesmo que fosse
determinada uma lei pelo Comando, os mesmos poderiam desobedecer. Então as
decisões tomadas aqui acabando ficando como conselhos e sugestões de conduta.
Geralmente, os médiuns videntes os vêem com vestes escuras e muitas vezes não
possuem brilho algum, são opacos.
EXUS
– Exu Rei das Sete Encruzilhadas
– Exu Marabô
– Exu Mangueira
– Exu Tranca Ruas das Almas
– Exu Tiriri
– Exu Veludo
– Exu dos Rios ou Campinas
O termo Malê também é em referência ao povo de Malê, africanos islâmicos trazidos
como escravos para o Brasil. Eles sabiam ler, escrever e sabiam matemática. Viviam de
forma mais social1 do que as demais tribos africanas, devido a influência do Islã.
Geralmente, pela cultura, eram escolhidos pelos senhores de escravos para serem
Capitães-do-Mato e prevenirem a fuga dos negros escravizados. Como havia certa
divergência dos malês com outros povos, esses os viam como infiéis, acabavam
fazendo essa triste função de forma “despreocupada” e sem peso na consciência.
Lembrando que estamos falando de espíritos que se tornaram exus.
Também tinham o costume de levar amarrado no pescoço em um saco de couro, partes
escritas do Alcorão e chamavam isso de Patuá. Esses africanos também eram
conhecidos como Mandingas, daí que surge a expressão: “Quem não pode com
mandinga não carrega patuá”, ou seja, muitos negros não-malês, tentavam escapar das
garras da escravidão fingindo que eram malês, colocando um patuá em volta do
pescoço. Porém, quando eram pegos pelos Mandingas, tinham que ler o que estava
dentro e esses não sabiam ler, logo eram descobertos.
LINHA DAS ALMAS
O regente desta falange é Omulu-Rei. Pode parecer estranho esse nome, mas uma
questão histórica é que esses espíritos eram chamados de Omuluns, depois perderam
o N no nome e acabam confundidos com o orixá Omulu. De qualquer forma, isso é algo
que é debatido exaustivamente em terreiros mais antigos, pois quase nada ficou
registrado de forma escrita.
Muitos dos espíritos que se encontram nessa falange, acabam também recebendo a
alcunha de omulus. São espíritos que se apresentam de forma um pouco mais
rudimentar, até mesmo grotesca. São cobertos de pelos e com unhas em forma de garra,
alguns até se manifestam com chifres e com aspectos lembrando lobos, com olhos
vermelhos. É bom sempre lembrar que a manifestação se dá assim porque os espíritos
podem manipular seus perispíritos para a forma que quiserem.
Como estes atuam nos cemitérios, muitas vezes, lidando com ladrões de ectoplasma,
eles precisam se manifestar de forma a assustar tais espíritos ou entidades. Existe uma
casta de elementais inferiores que trabalham ora para eles, ora contra eles, chamados
Lêmures. Todas suas entregas são feitas no cemitério também. Essa falange também
atua encaminhando as almas ou, às vezes, as prendendo em seus espaços vibratórios
para depuração, na maioria das vezes por meio do sofrimento.
Dentro desta falange encontramos Exus que atuam de forma muito agressiva, por
exemplo o Exu Mirim, geralmente atuando em trabalhos de extrema complexidade.
Dizem que ele só é chamado quando nenhum outro Exu resolveu a situação. Também
podemos destacar o Exu Pimenta, que tem esse nome em alusão a queima que a
pimenta produz.
EXUS
– Exu Mirim
– Exu Pimenta
– Exu Sete Montanhas
– Exu Ganga
– Exu Kaminaloá
– Exu Malê
– Exu Quirombô
- Exu Maré
Há vários Exus em diversas linhas que são encantados, como é o caso do Exu
Quirombô, cujo trabalho não deve ser feito por meio da incorporação mediúnica. Outra
curiosidade é sobre Exu Maré, que é muito confundido com o orixá Oxumaré, porém o
Maré aqui no nome do Exu tem relação com o movimento e o fluxo do mar.
LINHA DO CEMITÉRIO OU DOS CAVEIRAS
Também conhecida como Falange dos Caveiras é regida pelo Exu João Caveira, chefe do
cemitério e por sua consorte Rosa Caveira (uma Pombagira).
Todos os caveiras ou que levam em seu nome algo que lembre caveira – ossos, crânio,
esqueleto – está contido dentro desta linha. Eles se manifestavam com características
esqueléticas, às vezes como caveiras completas e por outras vezes apenas com o rosto
em forma de caveira e todo o resto do corpo coberto por um manto. Mas nem todos que
se encontram dentro das legiões, povos e tribos do cemitério são caveiras, apenas estão
sob o comando destes.
Assim como o povo das almas, eles recebem suas oferendas e entregas dentro do
cemitério e atuam de forma mais organizada na saúde, tanto a dando quanto a tirando.
Além disso, organizam todo o espaço do Cemitério.
Seu João Caveira (representado pela primeira tumba negra do lado esquerdo) é o regente
do campo-santo e sua consorte é a Rosa Caveira (pomba-gira, representada pela
primeira tumba branca do lado direito). Também são ofertados para destruir os inimigos,
acabando com sua saúde e energia vital, assim como seus negócios e afins. Logo
podemos deduzir que são também ativados para combater tais ativações negativas.
EXÚS
– Exu Tatá Caveira
– Exu Brasa
– Exu Pemba
– Exu do Lodo
– Exu Carangola
– Exu Arranca Toco
– Exu Pagão
LINHA NAGÔ
Essa falange traz um nome conhecido por nós em sua regência, que também rege
conjuntamente a falange dos Exus Marinhos dentro da Linha de Iemanjá, o Exu Gererê.
Por se tratar de um Exu Encantado, possui uma maior disposição energética para atuar
em duas frentes.
Sua principal função é encontrar os espíritos perdidos e enredá-los em suas energias,
ou seja prender em espécies de redes. Os Exus que aqui se apresentam entendem muito
de magia nas diversas formas: natural (com elementos da natureza), astral (com uso de
entidades e forças espirituais) e outras práticas.
Conhecem bastante cultos de vodu e magias similares, das tradições daomeanas e
yorubás. Algumas de suas atuações mágicas são quase impossíveis de serem
revertidas, geralmente causam até a morte de algumas pessoas (se estiver dentro do
seu merecimento).
Muitos ativam essa linha sem conhecer dos malefícios que podem gerar, pois o próprio
operador da magia (o encarnado) quando aciona essa linha para trabalhos maléficos ou
não-éticos, acaba dando parte de sua energia, em língua de terreiro, põe a mão na
macumba também.
São os evocados para trabalhos rápidos e práticos. Essa linha abarca os espíritos
chamados de Ganga, povo muito misterioso e altamente violento. Suas incorporações
não são feitas por qualquer um, pois é necessário um tônus vital diferenciado para fazê-
lo. Antigamente era comum ver esses espíritos se manifestar em médiuns de forma
violenta, chegando a bater com a cabeça na parede até sangrar ou o médium desmaiar,
também abrindo feridas nos corpos dos médiuns. Já vi a manifestação de um Ganga,
quebrando uma cadeira de madeira ao meio com um chute.
EXUS
– Exu Quebra Galho
– Exu Sete Cruzes
– Exu Gira Mundo
– Exu dos Cemitérios
– Exu da Capa Preta
– Exu Curador
– Exu Ganga
LINHA DE MOSSO RUBI
O regente desta linha é o controverso Exu Kaminaloá, que é um exu de Função (Serviço)
e não deve ser incorporado.
Essa linha tem o predomínio de espíritos que causam (e desfazem) perturbações de
origem espiritual, principalmente as mentais. São conhecedores do aspecto mais
profundo da psique humana e dos processos físico-biológicos envolvidos entre mente,
emoção e matéria.
Também atuam para trazer mais inteligência e melhorar a concentração, estudos e
ampliação de dons mentais. Porém trazem desequilíbrios mentais e toda desordem de
doenças ligadas ao cérebro, inclusive tumores.
Pessoas que acreditam que podem incorporar todos tipos de exu, mesmo os menos
comuns, com nomes diferentes, geralmente caem em perturbações espirituais e
colocam toda a culpa na entidade. Contudo essas entidades estão cumprindo o papel
delas na Criação, a culpa é sempre do médium. Inclusive em uma obsessão espiritual
mais de 70% (quiçá 99%) é culpa do obsedado, o obsessor só explora a porta aberta e o
convite.
EXÚS
– Exu dos Ventos (ventania)
– Exu dos Morcego
– Exu Sete Portas
– Exu Tranca Tudo
– Exu Marabá
– Exu Sete Sombras
– Exu Calunga
Essa falange é muito complicada. A maioria das entidades que são citadas ou estão em
subníveis desta falange não deve ser incorporada e nem sequer evocada.
Porém, estão muito presentes hoje em dia, devido a quantidade de médiuns em
desequilíbrio emocional e psicológico. O trabalho com esses exus, na maioria das
vezes, é feito através de oferendas, pontos e indiretamente.
Incorporar um exu destes não te transformará em um médium mais poderoso. Poderá é
causar o inverso e invalidar toda sua mediunidade, podendo até causar doenças físicas
e acabar com sua sanidade mental.
Um dos poucos Exus que podem ser incorporados é o Exu da Porteira (ou Sete Portas)
porém sua principal função, ao lado dos Oguns é fazer uma triagem dos espíritos que
entram nos espaços de culto. Outros exus comuns, porém ainda perigosos, são Exu
Ventania e o Exu Morcego.
LINHA DOS CABOCLOS QUIMBANDEIROS
Chefiados pelo Exu Pantera Negra. Uma falange bem interessante, pois os seus
falangeiros são Caboclos “Esquerdeiros” com características de Exu. Isso se dá
claramente pela evolução e poder que tais caboclos tem do lado intelectual, porém
ainda estão acometidos da baixa evolução moral ou são assim claramente pela sua
oposição ao status quo cristão.
A entidade Pantera Negra se manifesta em giras de direita como Caboclo e em giras de
esquerda como Exu. Porém não é uma entidade comum de ser vista nos terreiros, pelo
menos não por meio da incorporação, pois carrega um questão de ancestralidade
(sangue) com aqueles que são de sua família. Esse é um fenômeno interessante que
encontramos em outros rituais com ascendência indígena e africana, a entidade
escolher se manifestar naqueles que carregam seu sangue, seu DNA, sua herança
cultural, de alguma forma.
Essa é uma entidade que supostamente descende da realeza de Daomé, ou melhor, a
realeza de Daomé descende dessa entidade. Em Daomé essa mesma entidade é
chamada de Agassu. Apesar de seu nome e da sua ascendência felina, ele não se
manifestará desta forma, se jogando no chão e ficando “em quatro patas” tentando
morder as pessoas. A isso damos o nome de mistificação e o médium precisa passar
por um tratamento para voltar ao equilíbrio.
Os Caboclos Quimbandeiros atuam no aspecto das magias negras, curam doenças que
são consideradas impossíveis, até mesmo daqueles que são desenganados pelos
médicos. Conhecem os veios de minerais nobres e podem enriquecer aqueles que eles
julgarem necessário (vide a história do rei de Daomé, atual Benin).
Dentro desta falange também vemos muitos índios que habitavam o continente
Americano em sua porção Norte (Canadá e EUA). Por serem grandes guerreiros,
geralmente acompanham outros falangeiros de direita até as zonas negativas para
combater outros espíritos negativos e fazem resgates. Geralmente são vistos com
machadinhas, lanças e até mesmo baionetas, por meio da visão astral.
EXUS
– Exu Sete Cachoeiras
– Exu Tronqueira
– Exu Sete Poeiras
– Exu da Matas
– Exu Sete Pedras
– Exu do Cheiro
– Exu Pedra Negra
LINHA MISTA
A linha mista é ainda hoje uma linha muito misteriosa para a quimbanda e outras
religiões afro-brasileiras. Ela não possui entidades específicas de Exus ou Pomba
Giras, pois, mantêm uma reunião completa de todas para o ajuntamento dos mortos.
Ela tem como chefe o Exu dos Rios (ou Campinas), que controla os Kiumbras, espíritos
que desencarnaram que louvam ao Exu. O polo passivo desta linha é composto por
todas as representações de Pomba Gira, é justamente por isso que ela é muito diversa
e, também, denominada como linha mista.
COMO AGRADAR
Pombagiras e Exús são entidades que gostam muito de bebidas. Mais
especificamente, cachaça para os Exús e champanhes e sidras para Pombagiras. Mas,
na verdade, aceitam qualquer bebida de preferência que não sejam geladas.
Exús e Pombagiras da Umbanda são cultuados às segundas-feiras, mas aceitam
oferendas todos os dias após as 19h.
As velas para Pombagiras e Exús podem ser toda vermelha, toda preta, bicolor preta e
vermelha ou toda branca.
As Pombagiras preferem cigarros de filtro branco ou cigarrilhas, já os Exús gostam mais
de cigarros de filtro amarelo, cigarrilhas fortes e charutos.