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Aplicações Práticas do Diodo em Circuitos

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Rene Freire
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UPEM

Núcleo de Pesquisa em Mecatrônica


CEFET/RJ campus Nova Iguaçu

Eletrônica I
(GELE0631)
Capı́tulo 2
Aplicações do Diodo

Rene Cruz Freire


[Link]@[Link]

Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca


Campus Nova Iguaçu

8/2023
Sumário

Introdução
Análise por Reta de Carga
Configurações com Diodos em Série
Configurações em Paralelo e Série-paralelo
Portas AND/OR (”E/OU”)
Retificador de Meia-Onda
Retificador de Onda Completa
Retificadores com Filtro Capacitivo
Ceifadores
Grampeadores
Diodos Zener
Introdução

▶ Circuitos microeletrônicos são baseados em complexas


estruturas de semicondutores, que têm sido alvo de
pesquisa há mais de sete décadas.
▶ O objetivo final do capı́tulo é o estudo do diodo, mas antes
é necessário entender o funcionamento básico dos
materiaissemicondutores e das condições em que conduzem
corrente.
▶ Dispositivos semicondutores são o coração dos Circuitos
Integrados (CI’s), cuja célula fundamental é a junção PN.
▶ Para entender as caracterı́sticas das junções PN é
importante estudar:
▶ O comportamento dos portadores de carga no estado sólido.
▶ A modificação da densidade dos portadores de carga.
▶ Os diferentes mecanismos de fluxo/transporte de carga.
Análise por Reta de Carga

▶ A análise do diodo pode seguir dois caminhos: usando


caracterı́sticas reais ou aplicando um modelo aproximado
para o dispositivo.
▶ Análise por reta de carga: é usada para analisar o circuito
com diodos usando suas caracterı́sticas reais.
Análise por Reta de Carga

▶ Uma linha reta é definida pelos parâmetros do circuito.


▶ É chamada de reta de carga porque a interseção no eixo
vertical é definido pela carga aplicada R.
Análise por Reta de Carga

▶ O ID máximo é igual a E /R e o VD máximo é igual a E .


▶ O ponto onde a linha de carga e a curva caracterı́stica se
cruzam é o ponto Q, que identifica ID e VD para um diodo
especı́fico em um determinado circuito.
Exemplo 01

1. Para a configuração em série do diodo da figura (a),


empregando a curva caracterı́stica do diodo da figura (b),
determine:
a) VDQ e IDQ .
b) VR .
Exemplo 01

Solução:
a) A reta é traçada entre os pontos VD = E = 10V e
E 10V
ID = = = 20mA. A interseção entre a reta de carga e
R 0,5k Ω
a curva caracterı́stica define o ponto Q como VDQ ∼ = 0,78V e
IDQ ∼
= 18,5mA.

b) A queda de tensão no resistor pode ser calculada de duas


formas:
Pela Lei de Ohm:
VR = IDQ · R = 18,5mA · 0,5k Ω = 9,22V
Pela Lei de Kirchhoff:
VR = E − VD = 10V − 0,78V = 9,22V
Exemplo 01

Solução:
Configurações com Diodos em Série

▶ A resistência direta do diodo geralmente é tão pequena em


comparação com os outros elementos em série do circuito
que pode ser ignorada.
▶ Em geral, um diodo está no estado “ligado” se a corrente
estabelecida pelas fontes aplicadas for tal que sua direção
corresponda à da seta no sı́mbolo do diodo, e VD ≥ 0,7V
para silı́cio, VD ≥ 0,3V para germânio, e VD ≥ 1,2V para
arseneto de gálio.
▶ Pode-se assumir que o diodo está “ligado” e, em seguida,
encontrar a corrente no diodo. Se a corrente flui para o
terminal positivo do diodo, a suposição está correta, caso
contrário, o diodo está “desligado”.
Configurações com Diodos em Série

Polarização Direta
▶ Constantes:
▶ VD(Si) = 0,7V
▶ VD(Ge) = 0,3V
▶ Análise (Diodo Si):
▶ VD = 0,7V (ou VD = E se E < 0,7V )
▶ VR = E − VD
V E − VD
▶ ID = IR = IT = R =
R R
Configurações com Diodos em Série

Polarização Reversa
▶ Análise:
▶ VD = E
▶ VR = 0V
▶ ID = 0A
Exemplo 02

2. Para a configuração em série do diodo da figura abaixo,


determine VD , VR e ID .
Exemplo 02

Solução:
Para um diodo de silı́cio, teremos VD = 0,7V .

A tensão VR é calculada pela lei das malhas:


VR = E − VD = 8V − 0,7V = 7,3V

Por fim, a corrente ID é calculada pela lei de Ohm:


VR 7,3V ∼
IR = = = 3.32mA
R 2,2k Ω
Exemplo 03

3. Repita o exemplo anterior com o diodo invertido.


Exemplo 03

Solução:
Na polarização reversa o diodo se comporta como um circuito
aberto, portanto VD = E = 8V , IR = 0A e VR = 0V .
Configurações com Diodos em Série

Notação de Fonte
Exemplo 04

4. Para a configuração em série do diodo da figura abaixo,


determine VD , VR e ID .
Exemplo 04

Solução:
Neste caso teremos E < 0,7V , ou seja a tensão aplicada é
insuficiente para “ligar” o diodo de silı́cio, portanto
VD = E = 0,5V , IR = 0A e VR = 0V .
Exemplo 05

5. Determine V0 e ID para o circuito série abaixo, sendo


VD(LED) = 1,8V .
Exemplo 05

Solução:

E = 12V > VK1 + VK2 = 0,7V + 1,8V = 2,5V , portanto há


corrente nesse sentido. Aplicando a lei das malhas, temos:
V0 = E − VK1 − VK2 = 12V − 2,5V = 9,5V

Como o resistor está aterrado, VR = V0 :


VR V0 9,5V ∼
IR = = = = 13,97mA
R R 680Ω
Exemplo 06

6. Determine V0 , VD2 e ID para o circuito série abaixo.


Exemplo 06

Solução:

Como um dos diodos está polarizado reversamente, não haverá


condução de corrente no circuito, portanto VD1 = V0 = 0V ,
IR = ID1 = 0A e VD2 = E = 20V .
Exemplo 07

7. Determine I , V1 , V2 e V0 para o circuito série abaixo.


Exemplo 07

Solução:
Exemplo 07

Solução:
O diodo está polarizado diretamente, com o estado “ligado”
denotado por VD = 0,7V . A corrente resultante é calculada
como:
E1 + E2 − VD 10V + 5V − 0,7V ∼
I = = = 2,07mA
R1 + R2 4,7k Ω + 2,2k Ω

As tensões são calculadas como:


V1 = IR1 = 2,07mA · 4,7k Ω = 9,73V
V2 = IR2 = 2,07mA · 2,2k Ω = 4,55V
V0 = V2 − E2 = 4,55V − 5V = −0,45V
Configurações em Paralelo e Série-paralelo

▶ Os métodos usados na seção anterior podem ser estendidos


à análise de configurações em paralelo e em série-paralelo.
▶ Para cada área de aplicação, simplesmente adaptam-se as
etapas sequenciais aplicadas às configurações de diodo em
série.
Exemplo 08

8. Determine V0 , I1 , ID1 e ID2 para o circuito paralelo abaixo.


Exemplo 08

Solução:
Exemplo 08

Solução:
A tensão em elementos paralelos é sempre a mesma, portanto
V0 = 0,7V . A corrente total será:
VR E − VD 10V − 0,7V
I1 = = = = 28,18mA
R R 0,33k Ω
Como os diodos são semelhantes, eles possuirão a mesma
corrente:
I1 28,18mA
ID1 = ID2 = = = 14,09mA
2 2
Exemplo 09

9. Encontre o resistor R para garantir uma corrente de 20 mA


através do diodo “ligado” para o circuito dado. Ambos os
diodos têm tensão de ruptura reversa de 3V e tensão de
ativação média de 2V.
Exemplo 09

Solução:

Aplicando a lei de Ohm, obtemos:


E − VLED E − VLED 8V − 2V
I = →R= = = 300Ω
R I 20mA
Exemplo 10

10. Determine V0 para o circuito paralelo abaixo, sendo


VD(LED) = 2,2V .
Exemplo 10

Solução:
Apenas um dos diodos pode conduzir corrente, de modo a não
violar a lei das malhas. Nesse caso, logo que a tensão no diodo
de silı́cio atingir 0,7V ele passa a conduzir e mantém o nı́vel de
tensão, fazendo o LED se comportar como circuito aberto.
Portanto, temos V0 = 12V − 0,7V = 11.3V .
Exemplo 11

11. Determine as correntes I1 , I2 e ID2 .


Exemplo 11

Solução:
Exemplo 11

Solução:
Os diodos estão polarizados diretamente, com o estado “ligado”
denotado por VK1 = VK2 = 0,7V . Assim é possı́vel resolver I1 :
VK2 0,7V
I1 = = = 0,212mA
R1 3,3k Ω
Pela lei das malhas obtém-se V2 :
V2 = E − VK1 = VK2 = 20V − 0,7V − 0,7V = 18,6V
Aplicando a lei de Ohm, obtém-se I2 :
V2 18,6V
I2 = = = 3,32mA
R2 5,6k Ω

Por fim, obtém-se ID2 pela lei dos nós:


ID2 = I2 − I1 = 3,32mA − 0,212mA ∼ = 3,11mA
Portas AND/OR (”E/OU”)

▶ As ferramentas de análise estão agora à nossa disposição e


a oportunidade de analisar uma configuração utilizada em
computadores ilustrará uma das possibilidades de aplicação
desse dispositivo relativamente simples.
▶ Nossa análise está limitada à determinação dos nı́veis de
tensão e não incluirá uma discussão detalhada sobre
álgebra booleana ou lógicas positiva e negativa.
Exemplo 12

12. Determine V0 e I para o circuito abaixo.


Exemplo 12

Solução:
Analisando pela luz da lógica positiva, a entrada de 10V
corresponderá a “1” e a entrada de 0V corresponderá a “0”.
Assim, temos V0 = E − VD = 10V − 0,7V = 9,3V , valor que
polariza D2 reversamente e D1 diretamente, ou seja, apenas D1
está conduzindo. Dessa forma temos um nı́vel de tensão
V0 = 9,3V na saı́da, suficientemente grande para ser
considerado alto (“1”).
Exemplo 12

Solução:
Exemplo 13

13. Determine o nı́vel de saı́da da porta AND de lógica positiva


do circuito abaixo.
Exemplo 13

Solução:
Neste caso temos D1 polarizado reversamente e D2 polarizado
diretamente, resultando que D1 não conduzirá corrente. Deste
modo temos VK em paralelo com E e R, resultando em
V0 = VK = 0,7V , pela proximidade com “0” é um valor
considerado de nı́vel baixo. Calculando a corrente I pela lei de
Ohm:
E − VK 10V − 0,7V
I = = = 9,3mA
R 1k Ω
Exemplo 13

Solução:
Retificador de Meia-Onda
Retificador de Meia-Onda

▶ Para 0 ≤ t ≤ T /2, o diodo está “ligado”.


▶ O diodo é substituı́do pelo curto-circuito equivalente para o
diodo ideal.
Retificador de Meia-Onda

▶ Para T /2 ≤ t ≤ T , o diodo está “desligado”.


▶ O diodo é substituı́do por um circuito aberto.
Retificador de Meia-Onda

O valor médio da tensão é VCC = 0,318Vm , onde Vm é a tensão


de pico do sinal senoidal
Retificador de Meia-Onda

▶ O efeito do uso de um diodo de silı́cio com VK = 0,7V é


mostrado abaixo.
▶ O diodo está “ligado” quando o sinal aplicado é de pelo
menos 0,7 V.
▶ v0 = vi − VK .
▶ Para Vm >> VK : VCC ∼ = 0,318(Vm − VK ).
Exemplo 14

14. Para o circuito abaixo:


a) Esboce a tensão de saı́da v0 e determine o valor CC de
saı́da para o circuito.
b) Repita o item (a) se o diodo ideal for substituı́do por um
diodo de silı́cio.
Exemplo 14

Solução:
a) Neste caso o diodo irá conduzir durante o semiciclo negativo
da senóide:
VCC = −0,318Vm = −0,318 · 20V = −6,36V
Exemplo 14

Solução:
b) Introduzindo o efeito do diodo de silı́cio:
VCC ∼= 0,318(Vm − VK ) = 0,318 · (20V − 0,7V ) = −6,14V
Retificador de Meia-Onda

Tensão de Pico Inversa do diodo (PIV)


▶ Como o diodo é apenas polarizado diretamente para
metade do ciclo CA, ele também é polarizado reversamente
por meio ciclo.
▶ É importante que a tensão nominal de ruptura reversa do
diodo seja alta o suficiente para suportar o pico de tensão
CA de polarização reversa e evitar entrar na região Zener.
Retificador de Onda Completa

▶ O processo de retificação pode ser melhorado usando um


circuito retificador de onda completa.
▶ A retificação de onda completa produz uma saı́da CC
maior:
▶ Meia-onda: VCC = 0,318Vm
▶ Onda completa: VCC = 0,636Vm
Retificador de Onda Completa

Circuito para o perı́odo 0 ≤ t ≤ T da tensão de entrada vi


Retificador de Onda Completa

▶ Caminho de condução para a região positiva de vi .

▶ Caminho de condução para a região negativa de vi .


Retificador de Onda Completa

O nı́vel CC é agora o dobro do retificador de meia onda

VCC (OC ) = 2VCC (MO) = 2 · 0,318Vm = 0,636Vm


Retificador de Onda Completa

Efeito da utilização do diodo de silı́cio com VK = 0,7V

▶ vi − VK − v0 − VK = 0 → v0 = vi − 2VK
▶ V0max = Vm − 2VK
▶ Para Vm >> 2VK : VCC ∼ = 0,636(Vm − 2VK )
Retificador de Onda Completa

Tensão de Pico Inversa do diodo (PIV)


Retificador de Onda Completa

Transformador com Derivação Central


Retificador de Onda Completa

▶ Condições do circuito para a região positiva de vi .

▶ Condições do circuito para a região negativa de vi .


Retificador de Onda Completa

Tensão de Pico Inversa do diodo (PIV)


Exemplo 15

15. Determine a forma de onda de saı́da do circuito da figura


abaixo e calcule o nı́vel CC na saı́da e a tensão de pico
inversa.
Exemplo 15

Solução:
Para a região positiva de vi :
Exemplo 15

Solução:
Redesenhando o circuito:
Exemplo 15

Solução:
Para a parte negativa os papéis dos diodos são trocados e
obtemos a forma de onda resultante:
Exemplo 15

Solução:
Calculando tensão CC e tensão de pico inversa:
v0 = (1/2)vi
V0max = (1/2)Vimax = (1/2)10V = 5V
VCC = 0,636vi = 0,636 · 5V = 3,18V
Para este caso, temos PIV ≥ Vm , portanto:
PIV = (1/2)Vm = (1/2)10V = 5V .
Retificadores com Filtro Capacitivo

▶ Os circuitos retificadores estudados até aqui, entretanto,


ainda não produzem uma saı́da útil para alimentar
dispositivos eletrônicos.
▶ Ao contrário de uma bateria, o retificador gera uma saı́da
que varia de modo considerável com o tempo.
▶ Devemos, portanto, tentar produzir uma saı́da com um
perfil que se aproxime o máximo possı́vel de uma constante.
▶ Este problema pode ser mitigado com a adição de um
capacitor inicialmente descarregado em paralelo com a
carga alimentada.
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda

▶ 0 ≤ t ≤ t1 → capacitor carrega até atingir Vout = Vp − VD .


▶ t1 ≤ t ≤ t2 → capacitor descarrega numa frequência muito
menor do que Vin , até os seus valores se igualarem.
▶ t2 ≤ t ≤ t3 → Vin aumenta até que Vin − Vout = VD .
▶ t3 ≤ t ≤ t4 → capacitor carrega até atingir Vout = Vp − VD .
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ Em aplicações práticas, a amplitude de ripple, VR , deve
permanecer abaixo de 5 a 10% da tensão de pico de
entrada.
▶ Se a corrente máxima que flui na carga for conhecida, o
valor de C1 pode ser escolhido suficientemente grande para
que o ripple seja aceitável.
▶ Para isto, é necessário calcular VR .
▶ Um ciclo completo de descarga de C1 por RL é dado por:

Vout (t) = (Vp − VD )e −t/τ


t1 ≤ t ≤ t3
τ = RL C1
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ Para assegurar um ripple pequeno, RL C1 deve ser muito
maior que t3 − t1 .
▶ Logo, usando a aproximação e −ϵ ≈ 1 − ϵ, para ϵ << 1,
temos:  
t
Vout (t) ≈ (Vp − VD ) 1 −
Rl C1
Vp − VD t
Vout (t) ≈ (Vp − VD ) − ·
RL C1
▶ O primeiro termo no lado direito representa a condição
inicial em C1 , enquanto o segundo termo representa uma
rampa decrescente.
▶ Como se uma corrente constante igual a (Vp − VD )/RL
descarregasse C1 .
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ A amplitude de ripple é igual à quantidade de descarga em
t = t3 .
▶ Como t4 − t1 é igual ao perı́odo de entrada, Tin , escrevemos
t3 − t1 = Tin − ∆T , onde ∆T = t4 − t3 é o intervalo de
tempo em que D1 conduz. Portanto:
Vp − VD Tin − ∆T
VR = ·
RL C1
▶ Se C1 sofrer uma pequena descarga, o diodo ficara ligado
por um breve perı́odo de tempo, tal que ∆T << Tin , logo:
Vp − VD Tin
VR ≈ · ⇒ Tin = fin−1
RL C1
Vp − VD
VR ≈
RL C1 fin
Exemplo 16

16. Esboce a forma de onda da saı́da do circuito a seguir à


medida que C1 varia de valores muito grandes a muito
pequenos
Exemplo 16

Solução:
Quando o valor de C1 é muito grande, a corrente que flui por
RL quando D1 está desligado produz apenas uma pequena
alteração em Vout . Reciprocamente, quando C1 é muito
pequeno, o circuito se aproxima do retificador de meia-onda
simples e exibe grandes variações de Vout .
Exemplo 17

17. Um transformador converte a tensão de linha de 110V a


60Hz em uma excursão de pico a pico de 9V . Um
retificador de meia-onda com VD = 0,7V segue o
transformador e fornece potência a um notebook modelado
como uma resistência RL = 0,5Ω. Determine o valor
máximo do capacitor de filtragem que mantém o ripple
abaixo de 0,1V .
Exemplo 17

17. Um transformador converte a tensão de linha de 110V a


60Hz em uma excursão de pico a pico de 9V . Um
retificador de meia-onda com VD = 0,7V segue o
transformador e fornece potência a um notebook modelado
como uma resistência RL = 0,5Ω. Determine o valor
máximo do capacitor de filtragem que mantém o ripple
abaixo de 0,1V .
Solução:
Vp − VD Vp − VD 4,5V − 0,7V
VR = → C1 = = =
RL C1 fin RL VR fin 0,5Ω · 0,1V · 60Hz
1,267F
Este é um valor muito grande. O projetista pode buscar um
equilı́brio entre amplitude de ripple, tamanho, peso e custo do
capacitor.
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ interpretando a corrente (Vp − VD )/RL como a corrente IL
na carga:
IL
VR =
C1 fin
▶ Sob polarização direta, a corrente no diodo consiste em
duas componentes:
a) A corrente transiente que flui em C1 .
dVout
IC1 = C1
dt
b) A corrente fornecida a RL .
Vp − VD
IL =
RL
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ Portanto, a corrente de pico no diodo ocorre quando IC1
atinge valor máximo.
▶ Esse momento ocorre quando D1 é ligado, pois é quando
Vout tem inclinação máxima.
▶ Supondo que VD << Vp , notamos que D1 é ligado em
Vin (t1 ) = Vp − VR
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ Assim, para Vin (t) = Vp sen(ωt):

Vp sen(ωin t1 ) = Vp − VR
VR
sen(ωin t1 ) = 1 −
Vp
▶ Desprezando VD , temos Vout ≈ Vin (t), portanto a corrente
no diodo será:
dVout Vp
ID1 (t) = C1 +
dt RL
d Vp
ID1 (t) = C1 [Vp sen(ωin t)] +
dt RL
Vp
ID1 (t) = C1 ωin Vp cos(ωin t) +
RL
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ ID1 (t) atinge seu valor de pico em t = t1 :
Vp
Ip = C1 ωin Vp cos(ωin t1 ) +
RL
▶ Aplicando a identidade sen2 (θ) + cos2 (θ) = 1, temos:
s
VR 2 Vp
 
Ip = C1 ωin Vp 1 − 1 − +
Vp RL
s
2VR V2 Vp
Ip = C1 ωin Vp − R2 +
Vp Vp RL
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Meia-onda
▶ Como VR << Vp , desprezamos o segundo termo na raiz
quadrada:
s
2VR Vp
Ip ≈ C1 ωin Vp +
Vp RL
s !
Vp 2VR
Ip ≈ RL C1 ωin +1
RL Vp
Exemplo 18

18. Supondo VD ≈ 0 e C1 = 1,267F , determine a corrente de


pico no diodo do exemplo 17.
Exemplo 18

18. Supondo VD ≈ 0 e C1 = 1,267F , determine a corrente de


pico no diodo do exemplo 17.
Solução:
s !
Vp 2VR
Ip = RL C1 ωin +1
RL Vp
 r 
4,5V 2 · 0,1V
Ip = · 0,5Ω · 1,267F · 2π · 60Hz · +1
0,5Ω 4,5V
Ip = 462,14A

Este valor é muito grande. Vale notar que a corrente que flui
em C1 é muito maior do que aquela que flui em RL .
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Onda Completa


▶ O retificador de meia-onda estudado anteriormente
bloqueia os semiciclos negativos da entrada, permitindo
que o capacitor seja descarregado pela carga durante quase
todo o perı́odo.
▶ Portanto, o circuito ficar sujeito a um intenso ripple na
presença de uma carga grande (corrente alta).
▶ Uma simples modificação no circuito permite reduzir o
ripple de tensão por um fator de dois.
▶ Essa modificação consiste em inverter o semiciclo negativo
através de uma ponte de diodos, formando assim o
retificador de onda completa com filtro capacitivo.
Retificadores com Filtro Capacitivo

Retificador de Onda Completa

▶ Como a descarga do capacitor ocorre por quase metade do


ciclo de entrada, o ripple é aproximadamente igual à
metade do retificador de meia-onda:
1 Vp − 2VD
VR ≈ ·
2 RL C1 fin
▶ A expressão de Ip segue igual ao retificador de meia-onda,
uma vez que consideramos VD ≈ 0.
Retificadores com Filtro Capacitivo

Resumo
▶ Durante o pico do semiciclo negativo do retificador de
meia-onda, temos VD,off = Vp + Vout ≈ 2Vp , o que
significa que o diodo deve suportar uma tensão reversa da
ordem de 2Vp sem sofrer ruptura.
Ceifadores

Ceifadores são circuitos que utilizam diodos para “ceifar” uma


porção de um sinal de entrada sem distorcer o restante da
forma de onda aplicada.
Ceifadores

Ceifador com Fonte em Série


Adicionar uma fonte CC em série com o diodo de corte altera a
polarização direta efetiva do diodo.
Ceifadores
Exemplo 19

19. Determine a forma de onda de saı́da do circuito da figura


abaixo.
Exemplo 19

Solução:
Exemplo 20

20. Determine a forma de onda de saı́da do circuito da figura


abaixo.
Exemplo 20

Solução:
Ceifadores

Ceifador Paralelo
▶ O diodo em um circuito ceifador paralelo “corta” qualquer
tensão na polarização direta.
▶ Uma fonte de tensão CC pode ser adicionada em série com
o diodo para alterar o nı́vel de corte.
Exemplo 21

21. Determine a forma de onda de saı́da do circuito da figura


abaixo.
Exemplo 21

Solução:
Exemplo 22

22. Determine a forma de onda de saı́da do circuito da figura


abaixo utilizando um diodo de silı́cio com VK = 0,7V .
Exemplo 22

Solução:
Ceifadores

Resumo Ceifadores em Série


Ceifadores

Resumo Ceifadores em Paralelo


Grampeadores

Um grampeador é um circuito constituı́do de um diodo, um


resistor e um capacitor que desloca uma forma de onda para um
nı́vel CC diferente, sem alterar a aparência do sinal aplicado.
Grampeadores

▶ R é escolhido de modo que o perı́odo de descarga


5τ = 5RC seja muito maior que o perı́odo T /2 ≤ t ≤ T , e
supõe-se que o capacitor retenha toda a sua carga.
▶ Polarização direta: diodo se comporta como curto e o
capacitor é carregado.
▶ Polarização reversa: diodo se comporta como circuito
aberto e o capacitor se comporta como uma fonte de tensão
CC em série com V .
Exemplo 23

23. Determine v0 para o circuito da figura abaixo para a


entrada indicada.
Exemplo 23

Solução:
Polarização direta: determinando v0 e VC .
Exemplo 23

Solução:
Polarização reversa: determinando v0 .
Exemplo 23

Solução:
Grampeadores

Resumo Grampeadores (5τ >> T /2)


Diodos Zener

▶ O diodo Zener é um tipo de diodo que permite a corrente


passe não apenas na polarização direta como um diodo
normal, mas também na polarização reversa se a tensão for
maior que a tensão de ruptura conhecida como “tensão
Zener” (VZ ).
▶ Normalmente a tensão Zener está no intervalo
1,8V ≤ VZ ≤ 200V .
▶ É utilizado como regulador de tensão.
Diodos Zener

Circuitos equivalentes aproximados do diodo Zener nas três


regiões possı́veis de aplicação.
Exemplo 24

24. Determine as tensões de referência fornecidas pelo circuito


da figura abaixo, que utiliza um LED de cor branca para
indicar que a energia está ligada. Quais são os valores da
corrente que passa pelo LED, a potência fornecida pela
fonte e a potência absorvida pelo LED e o diodo Zener 1?
Exemplo 24

Solução:
V01 = VZ2 + VK = 3,3V + 0,7V = 4V
V02 = VZ1 + V01 = 6V + 4V = 10V

Corrente através do LED branco:


40V − V02 − VLED 40V − 10V − 4V
IR = ILED = = = 20mA
R 1,3k Ω

Potência fornecida pela fonte:


PS = EIS = EIR = 40V · 20mA = 800mW

Potência absorvida pelo LED:


PLED = VLED ILED = 4V · 20mA = 80mW

Potência absorvida pelo diodo Zener 1:


PZ1 = VZ1 IZ1 = 6V · 20mA = 120mW
Diodos Zener

Regulador Zener Básico


▶ Remova o diodo Zener do circuito.
▶ Calcule a tensão de circuito aberto.
▶ Se V ≥ VZ , o diodo Zener está “ligado”.
▶ Se V < VZ , o diodo Zener está “desligado”.
Diodos Zener

Regulador Zener Básico


▶ Determinando o estado do diodo Zener.

▶ Substituindo o diodo Zener pelo seu equivalente “ligado”.


Exemplo 25

25. Para o circuito abaixo:


a) Determine VL , VR , IZ e PZ .
b) Repita o item (a) com RL = 3k Ω
Exemplo 25

Solução:
a) Determinando o estado do diodo:
RL 1,2k Ω
V = VL = Vi = 16V = 8,73V
R + RL 1k Ω + 1,2k Ω
Exemplo 25

Solução:
Como V = 8,73V < VZ = 10V então o diodo está
“desligado”, portanto:
V = VL = 8,73V
IZ = 0A
PZ = VZ IZ = VZ · 0A = 0W
VR = Vi − VL = 16V − 8,73V = 7,27V
Exemplo 25

Solução:
b) Determinando o estado do diodo:
RL 3k Ω
V = VL = Vi = 16V = 12V
R + RL 1k Ω + 3k Ω
Exemplo 25

Solução:
Como V = 12V > VZ = 10V então o diodo está “ligado”,
portanto:
VL = VZ = 10V
VR = Vi − VL = 16V − 10V = 6V
VR VL 6V 10V
IZ = IR − IL = − = − = 2,67mA
R RL 1k Ω 3k Ω
PZ = VZ IZ = 10V · 2,67mA = 26,7mW
PZ = 26,7mW < PZM = 30mW → o diodo opera sem
“queimar”.
Exercı́cios - Capı́tulo 2

▶ Análise por Reta de Carga - 1, 4;


▶ Configurações com Diodo em Série - 7;
▶ Configurações em Paralelo e em Série-paralelo - 13;
▶ Entradas Senoidais: Retificação de Meia-onda - 22, 23, 24,
26;
▶ Retificação de Onda Completa - 29, 31;
▶ Ceifadores - 34;
▶ Grampeadores - 37;
▶ Diodos Zener - 42, 43.

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