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Epistemologia Genética de Piaget

fichamento piaget
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UNIVERSIDADE ESTACIO DE SÁ

Pesquisa e Prática em Educação V.

Evelyn dos Santos Sousa

FICHAMENTO V

Queimados
2016
BIBLIOGRAFIA: Jean Piaget / Alberto Munari; tradução e organização: Daniele Saheb. – Recife:
Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. 156 p.: il. – (Coleção Educadores) Inclui
bibliografia. ISBN 978-85-7019-546-3
1. Piaget, Jean, 1896-1980. 2. Educação – Pensadores – História. I. Saheb, Daniele. II. Tí[Link]
37

TÍTULO: JEAN PIAGET / ALBERTO MUNARI

TIPO: APOSTILA / LIVRO

“A longa construção da epistemologia genética”

“Com esta perspectiva, Piaget prosseguiu durante muitos anos dedicando- se ao grande projeto que
o fascinava desde o início de sua carreira: estabelecer “uma espécie de embriologia da
inteligência” (PIAGET, 1976, p.10). Estudando a evolução da inteligência desde a mais tenra
infância, com enfoques e métodos diversos, por meio da confrontação entre estudos de
perspectivas distintas e de especialidades diferentes, Piaget chegou a formular sua famosa hipótese
de um “paralelismo” entre os processos de elaboração do conhecimento individual e os processos
de elaboração do conhecimento coletivo, ou seja, entre a psicogênese e a história das ciências
(Piaget; Garcia, 1983).” p.22

A epistemologia genética

“Mas se a epistemologia genética voltou de novo à questão, é com o duplo intuito de constituir um
método capaz de oferecer os controles e, sobretudo, de retornar às fontes, portanto, à gênese
mesma dos conhecimentos de que a epistemologia tradicional ape- nas conhece os estados
superiores, isto é, certas resultantes. O que se propõe a epistemologia genética é pois pôr a
descoberto as raízes das diversas variedades de conhecimento, desde as suas formas mais
elementares, e seguir sua evolução até os níveis seguintes, até, inclusive, o pensamento científico”
p. 130, 131.

A formação dos conhecimentos (psicogênese)

“Ora, as primeiras lições da análise psicogenética parecem contradizer essas pressuposições. De


uma parte, o conhecimento não procede, em suas origens, nem de um sujeito consciente de si
mesmo nem de objetos já constituídos (do ponto de vista do sujeito) que a ele se imporiam. O
conhecimento resultaria de interações que se produzem a meio caminho entre os dois, dependendo,
portanto,
dos dois ao mesmo tempo, mas em decorrência de uma indiferenciação completa e não de
intercâmbio entre formas distintas. De outro lado, e, por conseguinte, se não há, no início, nem
sujeito, no sentido epistemológico do termo, nem objetos concebidos como tais, nem, sobretudo,
instrumentos invariantes de troca, o problema inicial do conhecimento será pois o de elaborar tais
mediadores.
A partir da zona de contato entre o corpo próprio e as coisas, eles se empenharão então sempre
mais adiante nas duas direções complementares do exterior e do interior, e é desta dupla
construção progressiva que depende a elaboração solidária do sujeito e dos objetos. ” p.132

Os níveis sensório-motores

“ No que diz respeito às ações sensório-motrizes, J. M. Baldwin mostrou, há muito, que o lactente
não manifesta qualquer índice de uma consciência de seu “eu”, nem de uma fronteira estável entre
dados do mundo interior e do universo externo, “adualismo” este que dura até o momento em que
a construção desse “eu” se torna possível em correspondência e em oposição com o dos outros.
Em uma estrutura de realidade que não comporte nem sujeitos nem objetos, evidentemente o único
liame possível entre o que se tornará mais tarde um sujeito e objetos é constituído por ações […]
Desde antes da formação da linguagem, da qual certas escolas, como o positivismo lógico,
exageraram a importância quanto à estruturação dos conhecimentos, vê-se que estes se constituem
no plano da própria ação com suas bipolaridades lógico-matemática e física, logo que, graças às
coordenações nascentes entre as ações, o sujeito e os objetos começam a se diferenciar ao afinar
seus instrumentos de intercâmbio. Mas estes permanecem ainda de natureza material, porque
constituídos de ações, e uma longa evolução será necessária até sua subjetivação em operações. ”
p. 133

O primeiro nível do pensamento pré-operatório

“ Desde as ações elementares iniciais, não coordenadas entre si e não suficientes para assegurar
uma diferenciação estável entre sujeito e objetos, às coordenações com diferenciações, realizou-se
um grande progresso que basta para garantir a existência dos primeiros instrumentos de interação
cognitiva.
Com a linguagem, o jogo simbólico, a imagem mental etc., a situação muda, por outro lado, de
modo notável: às ações simples que garantem as interdependências diretas entre o sujeito e os
objetos se superpõe em certos casos um novo tipo de ações, que é interiorizado e mais
precisamente conceitualizado: por exemplo, com mais capacidade de se deslocar de A para B, o
sujeito adquire o poder de representar a si mesmo esse movimento AB e de evocar pelo
pensamento outros deslocamentos.” p. 134

a) O primeiro nível do estágio das operações “concretas”

“A idade de sete a oito anos em média assinala um fato decisivo na elaboração dos instrumentos de
conhecimento: as ações interiorizadas ou conceitualizadas com as quais o sujeito tinha até aqui de
se contentar, adquirem o lugar de operações enquanto transformações reversíveis, que modificam
certas variáveis e conservam as outras a título de invariantes.
Esta novidade fundamental é devida uma vez mais ao progresso das coordenações, vindo as
operações se constituir em sistemas de conjunto ou “estruturas”, suscetíveis de se fecharem e por
este fato assegurando a necessidade das composições que elas comportam, graças ao jogo das
transformações diretas e inversas. ” p. 134, 135

b) O segundo nível das operações “concretas”

“Neste subestágio (cerca de nove a dez anos) atinge-se o equilíbrio geral das operações
“concretas” além das formas parciais já equilibradas desde o primeiro nível. De resto, é o degrau
que as lacunas próprias à natureza das operações concretas começam a fazer sentir em certos
setores, sobretudo no setor da causalidade, e onde estes novos desequilíbrios preparam de algum
modo o reequilíbrio do conjunto que caracterizará o estágio seguinte e do qual se apercebem às
vezes alguns esboços intuitivos.” p. 136

“ Do ponto de vista das operações lógicas, pode-se notar o seguinte: a partir dos sete a oito anos o
sujeito é capaz de elaborar estruturas multiplicativas tão bem quanto aditivas, a saber, tabelas
com registros duplos (matrizes), comportando classificações segundo dois critérios ao mesmo
tempo, correspondências seriais ou seriações duplas (por exemplo, folhas de árvore seriadas na
vertical conforme seu tamanho e na horizontal conforme seus matizes mais ou menos escuros).
Contudo, trata-se, no caso, mais de sucesso em relação à questão proposta (“dispor as figuras o
melhor possível”, sem sugestão sobre a disposição a encontrar) do que de uma utilização
espontânea da estrutura. Ao nível dos nove a dez anos, por outro lado, quando se tratar de separar
as dependências funcionais num problema de indução (por exemplo entre os ângulos de reflexão e
de incidência), observa-se uma capacidade geral de destacar covariações quantitativas, sem ainda
dissociar os fatores como será o caso no estágio seguinte, mas pondo em correspondência relações
seriadas ou classes. No domínio causal, por outro lado, este nível de 9 a 10 anos
apresenta uma mistura bastante curiosa de progressos notáveis e de lacunas não menos significa-
tivas que se apresentam não raro até como espécies de regressões aparentes. ” p. 136, 137

As operações formais

“Com as estruturas operatórias “formais” que começam a se constituir por volta dos 11 a 12 anos,
chegamos à terceira grande fase do processo que leva as operações a se libertarem da duração, isto
é, do contexto psicológico das ações do sujeito com aquelas que comportam dimensões causais
além de suas propriedades implicadoras ou lógicas, para atingir finalmente esse aspecto
extemporâneo que é peculiar das ligações lógico-matemáticas depuradas. ” p.137

“ A primeira fase era a da função semiótica (cerca de um a dois anos) que, com a subjetivização da
imitação em imagens e a aquisição da linguagem, permite a condensação das ações sucessivas
em representações simultâneas. A segunda grande fase é a do início das operações concretas que,
ao coordenar as antecipações e as retroações, chegam a um a reversibilidade suscetível de traçar
retrospectivamente o curso do tempo e garantir a conservação dos pontos de partida. As operações
“formais” assinalam, por outro lado, uma terceira etapa em que o conhecimento ultrapassa o
próprio real para inserir-se no possível e para relacionar diretamente o possível ao necessário, sem
a mediação indispensável do concreto: ora, o possível cognitivo, tal como, por exemplo, a
sequência infinita de números inteiros, a potência do contínuo ou simplesmente as dezesseis
operações resultantes das combinações de duas proposições p e q e de suas negações, é
essencialmente extemporâneo. Com efeito, a primeira característica das operações formais
é a de poder recair sobre hipóteses e não mais apenas sobre os objetos: é esta novidade
fundamental da qual todos os estudiosos do assunto notaram o aparecimento perto dos 11 anos. ”
p.137, 138

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