HEMÁCIAS
SANGUE
- O sangue é um tecido conjuntivo líquido, ligeiramente viscoso, que circula ao longo
do sistema cardiovascular transportando substâncias.
- Sua coloração varia do vermelho rubro, rutilante (sangue arterial) ao vermelho escuro
e ligeiramente opaco (sangue venoso).
-
Elementos figurados
- Em geral, o hemograma quantifica e qualifica os elementos figurados do sangue.
- Entende-se por “elementos figurados do sangue” ao conjunto de células que se
encontram na corrente circulatória, internamente ao endotélio vascular ou nas
proximidades deste, decorrentes de uma solução de continuidade inerente a ele, ou
resultantes de um processo inflamatório.
Células com núcleos (cariotas) e células acariotas
- Embora se originem da medula óssea e órgãos hematomoiéticos, os elementos
figurados diferenciam-se pela função, forma, número e longevidade.
- Os eritrócitos (hemácias ou glóbulos vermelhos) existem, sem dúvida, em maior
número (5,1 a 5,8 milhões por mm3 e vivem 120 dias. Os glóbulos brancos (leucócitos)
contam de 5.000 a 10.000 por mm3 e vivem de 3 a 6-7 dias. Os trombócitos (plaquetas)
somam 250.000 a 450.000 por mm3 e vivem de 5 a 9 dias.
- Eritrócitos e plaquetas não possuem núcleo (acariotes) na sua fase funcional, mas
nucleadas na fase evolutiva não funcional.
HEMÁCIAS (ERITRÓCITOS OU GLÓBULOS VERMELHOS)
- São as células mais abundantes e de maior longevidade do sangue. Sua principal
função é o transporte de hemoglobina (uma proteína), que leva oxigênio dos pulmões
aos tecidos. Esta deve estar dentro da hemácia para executar tal função.
- As hemácias desempenham outras funções, além de transportar hemoglobina. Por
exemplo, possuem anidrase carbônica, enzima que catalisa a reação reversível entre
dióxido de carbono (CO2) e a água para formar ácido carbônico (H2CO3), aumentado a
velocidade dessa reação. A rapidez dessa reação possibilita que a água do sangue
transporte muito CO2 na forma de íon bicarbonato (HCO3-), dos tecidos para os
pulmões, onde é reconvertido em CO2 e eliminado.
- A hemoglobina é excelente tampão ácido-base; devido a isso, a hemácia é
responsável pela maior parte da capacidade do tamponamento ácido-base do sangue.
Formas, dimensões, concentrações e colorações
- As hemácias normais são circulares quando olhadas de frente e possuem a forma de
discos bicôncavos quando olhadas de perfil.
- A forma pode variar muito conforme as hemácias são espremidas ao passarem pelos
capilares. De fato, a hemácia é um “saco” que pode ser deformado em praticamente
qualquer forma.
- O número médio de hemácias por mm3 é:
. Homem 5.200.000 (±300.000)
. Mulher 4.700.000 (±300.000)
- Contagem maior a 7.000.000 é chamada de policitemia, eritrocitose ou poliglobulia,
primária ou secundária. Valores inferiores a 4.500.000 são considerados oligocitemias
(anemia).
- As hemácias concentram a hemoglobina no líquido celular por até 34 g por 100 ml de
células. A concentração não ultrapassa esse valor. Em pessoas normais, a porcentagem
da hemoglobina é sempre próxima do nível máxima em cada célula. Quando a
produção de hemoglobina é deficiente, sua porcentagem pode diminuir bastante
abaixo desse valor, e o volume da hemácia pode também diminuir, devido à falta de
hemoglobina para encher a célula.
- Quando o hematócrito e hemoglobina estão normais, o sangue contém, em média,
15 g de hemoglobina por 100 ml (15 g/dL) nos homens e 14 g por 100 ml (14 g/dL) nas
mulheres.
- Em relação ao transporte de oxigênio, cada grama de hemoglobina se combina a 1,34
ml de oxigênio se a hemoglobina estiver 100% saturada. Sendo assim, o homem
transporta o máximo de 20 ml de oxigênio a cada 100 ml de sangue, e a mulher 19 ml.
- Em condições normais, a hemácia aparece, no microscópio, corada em vermelho
pálido, tendendo ao amarelo, devido a hemoglobina.
Alguns tipos diferentes de hemácias
1. Esferócitos
2. Esquizócitos
3. Codócitos também chamadas de células em alvo,
4. Hemácias crenadas glóbulos vermelhos de contornos irregulares, cheios de
espículas e pontiagudas
5. Hemácia falciforme
6. Ovalócitos forma ovalada ou elíptica
***********************************************************************
***********************************************************************
******
PRODUÇÃO DE HEMÁCIAS
- Os glóbulos vermelhos não se duplicam e não possuem motilidade própria.
- O processo formador das células sanguíneas é chamado hematopoiese, e ocorre
principalmente no tecido chamado medula vermelha. É dividido em três partes:
1. Eritropoiese produção de eritrócitos
2. Leucopoiese ou leucocitopoiese produção de leucócitos
3. Trombocitopoiese formação das plaquetas
- Nas primeiras semanas de vida embrionária, hemáticas nucleadas são produzidas no
saco vitelino. No segundo trimestre de gestação, o fígado é o principal produtor,
embora um número razoável é produzido pelo baço e linfonodos. No último trimestre,
são produzidas exclusivamente pela medula óssea.
- A medula óssea de quase todos os ossos produz hemácias até os 5 anos. A medula
dos ossos longos, exceto pelas porções proximais do úmero e tíbia, fica muito
gordurosa, deixando de produzir hemácias aos 20 anos. Depois, as hemácias são
produzidas nos ossos membranosos, como vértebras, esterno, costelas e íleo. Mesmo
assim, a medula passa a ser menos produtiva com o avançar da idade.
- Aproximadamente 2,5 milhões de hemácias são produzidas por segundo para
substituir aquelas destruídas pelo fígado.
Importância atual das células-tronco (ou totipotentes)
- As células-tronco (steam cells) estão sendo recolhidas de órgãos fetais, como placenta
e funículo umbilical, para promover diferenciações posteriores em células adultas,
formando órgãos específicos sobretudo no encéfalo e pâncreas.
- As pesquisas atuais estão voltadas para usar células-tronco da medula do próprio
paciente, já quem são menos passíveis de rejeição, já que pertencem ao donatário
(receptor).
- O principal objetivo do transplante de medula óssea é providenciar ao donatário uma
hematopoiese com hemocitoblastos competentes.
Gênese das células sanguíneas
- As hemácias iniciam suas vidas na medula óssea, por meio de tipo único de célula
referido como célula-tronco hematopoiética pluripotente, da qual derivam todas as
células sanguíneas. À medida que essas células se reproduzem, pequena parcela
permanece como células pluripotentes originais, retidas na medula e que reduzem
com a idade.
- As células em estágio intermediário são parecidas com as células-tronco
pluripotentes, apesar de já estarem comprometidas com uma linhagem particular de
células, referida como células-tronco comprometidas.
- As diferentes células-tronco comprometidas, quando crescem em cultura, produzem
colônias de tipos específicos de células. A célula-tronco comprometida produtora de
hemácias é referida como unidade formadora de colônia de eritrócitos ou CFU – E
(colony-forming uniterythrocyte). As unidades formadoras de colônia produtoras de
granulócitos e de
monócitos têm a designação CFU-GM.
- O crescimento e a reprodução das diferentes células-tronco são controlados por
múltiplas proteínas, denominadas indutores do crescimento (com pelo menos 4
principais). Um desses, a interleucina-3, promove crescimento e reprodução de quase
todas células-tronco comprometidas, ao passo que os outros induzem o crescimento
de apenas tipos específicos de células.
- Os indutores de crescimento promovem crescimento e não diferenciação, que é
função das proteínas chamadas de indutores de diferenciação, que determinam a
diferenciação do tipo de células-tronco comprometidas em um ou mais estágios de
desenvolvimento, em relação a células final.
- A formação de indutores de crescimento e diferenciação são controlados por fatores
externos a medula óssea. Por exemplo, no caso de hemácias, a exposição do sangue a
baixo teor de oxigênio, por longo período, resulta na indução do crescimento, da
diferenciação e da produção de um número aumentado de hemácias. No caso de
alguns leucócitos, as doenças infecciosas causam crescimento, diferenciação e
formação final de tipos específicos de leucócitos necessários ao combate de
cada infecção.
Estágios de diferenciação das hemácias
- A primeira célula da linhagem vermelha é o proeritroblasto. Na presença de
estimulação apropriada, grande número dessas células é formado por células-tronco
CFU-E.
- Uma vez formado, o proeritroblasto, ele se divide por diversas vezes, até formar
hemácias maduras. A primeira geração são os eritroblastos basófilos, que acumulam
pouca quantidade de hemoglobina. Nas gerações sucessivas, as células ficam cheias
com hemoglobina, na concentração de 34%; o núcleo se condensa até tamanho muito
pequeno e seu resíduo final e absorvido ou excretado e o retículo endoplasmático
também e reabsorvido. Nesse estágio, a célula é denominada reticulócito, por ainda
conter pequena quantidade de material basofílico, consistindo em remanescentes do
aparelho de Golgi, mitocôndrias e algumas organelas. Durante o estágio de reticulócito,
as células saem da medula óssea, entrando nos capilares sanguíneos por diapedese.
- O material basófilo remanescente do reticulócito desaparece de 1 a 2 dias e, a partir
daí, a célula é chamada de hemácia madura. Devido a vida curta, a concentração dos
reticulócitos entre as células vermelha é menos de 1%.
A eritropoetina e a produção de hemácias
- A eritropoetina regula a produção de hemácias.
- A massa total de células sanguíneas da linhagem vermelha é regulada em limites
estreitos, de modo que:
1. Um número adequado de hemácias sempre esteja disponível para transportar
oxigênio
2. As células não sejam tão numerosas a ponto de impedir o fluxo sanguíneo
- A oxigenação tecidual é o regulador mais essencial da produção de hemácias. As
condições que causam diminuição do transporte de oxigênio normalmente aumentam
a produção de hemácias. Quando a pessoa fica anêmica (hemorragia ou outra
condição), a medula óssea, de imediato, inicia a produção de grande quantidade de
hemácias.
- A destruição da medula óssea por raios X, acarreta hiperplasia da medula óssea para
suprir a demanda de hemácias.
- Nas grandes altitudes, onde há diminuição do oxigênio no ar, ele é transportado em
quantidade insuficiente e há aumento da produção de hemácias. Nesse caso, a
quantidade de oxigênio transportado controla a produção de hemáticas.
- Patologias circulatórias que causam redução do fluxo sanguíneo tecidual e as que
promovem redução da absorção de oxigênio podem aumentar a produção de
hemácias, como na insuficiência cardíaca crônica e doenças pulmonares. A hipóxia
resultante aumenta a produção de hemácias, e consequente aumento do hematócrito
e em geral do volume de sangue.
- A eritropoetina estimula a produção de hemácias e sua formação aumenta com a
hipóxia. O principal estímulo para a produção de hemácias nos estados de baixa
oxigenação é o hormônio eritropoetina. Na ausência dela, a hipoxia tem pouco ou
nenhum efeito na produção eritrocitária. Entretanto, quando o sistema da
eritropoetina está funcional, a hipoxia aumenta a produção de eritropoetina, e, por
sua vez, a eritropoetina aumenta a produção eritrocitária até o desaparecimento da
hipoxia.
- A eritropoetina é formada principalmente no rim (cerca de 90%), e o restante no
fígado.
- A hipoxia do tecido renal leva ao aumento dos níveis teciduais do fator induzível por
hipoxia 1 (HIF-1), que serve como fator de transcrição para grande número de genes
induzíveis por hipoxia, incluindo o gene da eritropoetina. O HIF-1 se liga a elemento de
resposta a hipoxia, residente no gene da eritropoetina, aumentando sua produção.
- A hipoxia em outras partes do corpo, mas não nos rins, também estimula a secreção
renal de eritropoetina, que sugere um sensor não renal que envia um sinal adicional
para os rins, que produz eritropoetina. A norepinefrina e epinefrina, além de diversas
prostaglandinas, estimulam a produção de eritropoetina.
- Quando os dois rins são removidos ou destruídos por doença renal, invariavelmente
há anemia, visto que os 10% da eritropoetina produzidos em outros tecidos (sobretudo
no fígado) só são suficientes para estimular de 33% a 50% da produção eritrocitária.
- A eritropoetina estimula a produção de proeritroblastos a partir das células-tronco
hematopoéticas. Quando uma pessoa é colocada em atmosfera com baixa
concentração de oxigênio, a eritropoetina é formada em alguns minutos a horas,
atingindo a produção máxima em 24 horas. Contudo, quase nenhuma hemácia nova
aparece no sangue até 5 dias depois. Sendo assim, foi estabelecido que o efeito
principal da eritropoetina consiste na estimulação da produção de proeritroblastos a
partir de células-tronco hematopoéticas na medula óssea. A eritropoetina também
estimula a diferenciação mais rápida destas células. A produção de células continua,
contando que a pessoa permaneça no estado de baixo teor de oxigênio ou até que
hemácias suficientes tenham sido produzidas para transportar níveis adequados de
oxigênio, apesar da baixa concentração do mesmo. Nesse momento, a produção de
eritropoetina diminui para um nível adequado.
- Na ausência de eritropoetina, ocorre formação de poucas hemácias. Quando em
grande quantidade, e caso exista ferro e outros nutrientes suficientes, a produção
eritrocitária pode aumentar por 10 vezes ou mais.
Maturação das hemácias
- Devido a contínua necessidade de reposição de hemácias, as células eritropoéticas da
medula óssea estão entre as células de mais rápidos crescimento e reprodução do
corpo. Sua maturação e produção são afetados pelo estado nutricional.
- Duas vitaminas são muito importantes para a maturação final das células da linhagem
vermelha:
1. Vitamina B12 (cianocobalamina)
2. Ácido fólico (folato, vitamina B9 ou ácido pteroilglutâmico)
- A deficiência de vitamina B9 e B12 resulta na falha da maturação nuclear durante a
eritropoese (processo de maturação das hemácias).
- Além disso, as células eritroblásticas da medula, além de não conseguirem se
proliferar com rapidez, produzem hemácias maiores que as normais, referidas como
macrócitos, que têm membrana frágil, irregular, grande e ovalada em vez do disco
bicôncavo. Essas células recém-formadas são capazes de transportar oxigênio
normalmente, porém sua fragilidade faz com que tenham de 40 a 60 dias.
Falência de maturação por deficiência de absorção de vitamina B12 no trato
gastrointestinal (anemia perniciosa)
- Uma causa comum da maturação anormal de hemácias é a falta de absorção de
vitamina B12 pelo trato gastrointestinal. Esse defeito é encontrado na anemia
perniciosa, onde a anormalidade consiste na atrofia da mucosa gástrica que é incapaz
de produzir secreções gástricas normais. As glândulas gástricas secretam a
glicoproteína referida como fator intrínseco, que se combina a vitamina B12 e a torna
absorvível pelo intestino. A falta do fator intrínseco diminui a disponibilidade de
vitamina B12 devido à falha da absorção da vitamina no intestino.
- Uma vez absorvida, a vitamina B12 é armazenada no fígado e liberada de forma lenta,
conforme necessidade da medula óssea.
- A quantidade mínima de vitamina B12 necessária por dia para manutenção da
maturação eritrocitária é de apenas 1 a 3 microgramas, e a reserva hepática e em
outros tecidos é 1.000 vezes essa quantidade. Portanto, é necessário de 3 a 4 anos de
absorção deficiente de vitamina B12 para causar anemia por falha de maturação.
Falência de maturação causada pela deficiência de ácido fólico
- O ácido fólico é constituinte normal de vegetais verdes, frutas e carnes
(especialmente fígado). Entretanto, é facilmente destruído no cozimento.
- Problemas de absorção gastrointestinal, como na doença do intestino delgado
denominada espru, muitas vezes pode haver dificuldade em absorver ácido fólico e
vitamina B12.
- Em muitas situações de maturação anormal, a causa consiste na deficiência da
absorção intestinal de ácido fólico e vitamina B12.
TAMANHO DOS ERITRÓCITOS
- O tamanho da hemácia normal, medida pelo diâmetro, é de 7,2 a 7,6 micra, variando
com a idade. Nas duas primeiras semanas de vida é de 8 a 8,2 micra. A partir da
segunda semana, diminui para atingir o mínimo (7 micra) por volta dos 12 meses.
Entre 2 a 7 anos atinge o tamanho do adulto.
- Em relação ao tamanho, a terminologia varia:
1. Macrocítico (8 μm)
2. Normocítico (7,2 μm)
3. Microcítico (6,5 μm)
. Obs: μ = micro, que equivale a 10-6
- A anisocitose é o conjunto de células de diferentes tamanhos e ocorre quando a
medula óssea é obrigada a lançar numerosas hemácias, ou quando a medula está
esgotada por anemia prolongada. A poiquilocitose (ou pecilocitose) é a alteração da
forma. A anisopoiquilocitose é a alteração de forma e tamanho dos eritrócitos. Os
eritrócitos com formato anormal são chamados de poiquilócitos.
- A reticulocitose é a presença do eritrócito que ainda não chegou à fase de maturação
completa, ou seja, um eritrócito imaturo; apresenta remanescentes de núcleo e não
transportam oxigênio.
FORMAÇÃO DA HEMOGLOBINA
- Hemoglobina é o corante que dá a cor avermelhada típica das hemácias, cuja função
é ligar-se principalmente ao oxigênio, na inspiração, e ao gás carbônico, na expiração.
- A hemoglobina é uma cromoproteína constituída de 96% de uma proteína globulina e
de 4% de um grupo prostético não proteico chamado heme.
- A síntese de hemoglobina começa nos proeritroblastos e prossegue até mesmo no
estágio de reticulócitos. Portanto, quando os reticulócitos deixam a medula óssea e
penetram na corrente sanguínea, continuam formando quantidades diminutas de
hemoglobina, até que após 1 dia ou mais se transformem em hemácias maduras.
- A hemoglobina, tanto na forma de oxi-hemoglobina e carboxi-hemoglobina, contém
Fe++, enquanto a meta-hemoglobina contém Fe+++.
- No adulto, diariamente, são destruídas e formadas cerca de 8 g de hemoglobina.
- A forma mais comum de hemoglobina no ser humano é a hemoglobina A, que é a
combinação de duas cadeias alfa e duas cadeias beta. Essas quatro cadeias se ligam
frouxamente para formar a hemoglobina.
- Cada cadeia de hemoglobina contém um átomo de ferro. Como existem 4 cadeias de
hemoglobina em cada molécula completa de hemoglobina, são encontrados quatro
átomos de ferro em cada hemoglobina. Cada átomo de ferro se liga a uma molécula de
oxigênio, perfazendo o total de 4 moléculas de oxigênio (ou 8 átomos de oxigênio)
transportadas por cada hemoglobina.
- Heme- é uma molécula não proteica de porfirina com Fe++ que forma o elemento
conector do oxigênio com hemoglobina. É também chamada de ferroprotoporfirina.
- A natureza das cadeias da hemoglobina determina sua afinidade de ligação ao
oxigênio. Anormalidades nas cadeias alteram as características físicas da hemoglobina.
Por exemplo, na anemia falciforme, o aminoácido valina é substituído pelo ácido
glutâmico. Quando essa hemoglobina é exposta a baixos teores de oxigênio, formam-
se cristais alongados no interior das hemácias. Esses cristais impossibilitam as células
de passar por capilares pequenos, e as extremidades pontiagudas dos cristais podem
romper a membrana celular, causando anemia falciforme.
- A característica mais importante da hemoglobina é a capacidade de combinação,
frouxa e reversível, com o oxigênio. Sua função primária é se combinar ao oxigênio no
pulmão e liberá-lo nos capilares periféricos, onde a tensão gasosa de oxigênio é muito
menor. Essa ligação é extremamente frouxa, de modo que essa combinação é
facilmente reversível. Além disso, o oxigênio não se transforma em oxigênio iônico,
mas é transportado na forma de oxigênio molecular (O2), onde é liberado nos tecidos
na forma molecular.
- Dependendo da maior ou menor quantidade de hemoglobina na hemácia, este
pigmento poderá se apresentar com maior ou menor coloração, configurando a
anisocromia. As diferenças de coloração da hemácia se chamam hipercrômica,
isocrômica ou hipocrômica.
METABOLISMO DO FERRO
- Devido a importância do ferro não só na formação da hemoglobina, mas também em
outros elementos essências, é essencial a compreensão da sua utilização no corpo.
- A quantidade total de ferro no corpo é de 4 a 5 g, com 65% na forma de
hemoglobina; 4% na forma de mioglobina; 1% na forma de vários compostos heme
que promovem oxidação intracelular; 0,1% combinado com proteína transferrina no
sangue; 15% a 30% armazenados para uso futuro no fígado, na forma de ferritina.
Transporte e armazenamento de ferro
- Quando o ferro é absorvido no intestino delgado, ele se combina no sangue, com a
beta globulina apotransferrina para formar transferrina, que é transportada pelo
plasma. O ferro, na transferrina, está ligado frouxamente e, por conseguinte, pode ser
liberado para qualquer célula, em qualquer ponto do corpo.
- O excesso de ferro no sangue é depositado nos hepatócitos e, em menor quantidade,
nas células reticuloendoteliais da medula óssea.
- No citoplasma das células, o ferro se combina principalmente com a proteína
apoferritina, formando ferritina (que pode conter pequenas a grandes quantidades de
ferro). Este ferro armazenado, na forma de ferritina, é referido como ferro de
depósito.
- Pequenas quantidades de ferro no reservatório de depósito são armazenadas
sob forma extremamente insolúvel, denominada hemossiderina. Isso ocorre, de modo
particular, quando a quantidade total de ferro no organismo é superior à que pode ser
acomodada no reservatório de depósito da apoferritina.
- Quando o ferro sérico diminui, parte do ferro no depósito de ferritina é mobilizada e
transportada como transferrina até a área do corpo onde é necessária. A característica
singular da transferrina consiste em sua forte ligação aos receptores das membranas
celulares das hemácias na medula óssea. A seguir, juntamente com o ferro ligado, ela é
ingerida pelo eritroblasto por endocitose, libera o ferro para as mitocôndrias, onde o
heme é sintetizado.
- Nas pessoas com quantidade inadequada de transferrina, a deficiência do transporte
de ferro para os eritroblastos provoca anemia hipocrômica grave (hemácias com
quantidade de hemoglobina menor que o normal).
- Quando as hemácias completam seu tempo de vida e são destruídas, a hemoglobina
liberada é fagocitada. O ferro é liberado e armazenado, em sua maior parte, no
reservatório de ferritina para ser usado conforme seja necessário, para formar nova
hemoglobina.
Perda diária de ferro
- O homem excreta 0,6 mg/dia de ferro, principalmente nas fezes.
- Quantidades adicionais são perdidas em toda hemorragia.
- Para a mulher, a perda adicional sanguínea menstrual leva, alongo prazo, à média de
1,3 mg/dia.
Absorção de ferro a partir do trato intestinal
- O ferro é absorvido em todas as porções do intestino delgado.
- A absorção é extremamente lenta, com máximo de alguns miligramas por dia. Essa
velocidade significa que, mesmo quando grande quantidade de ferro está na dieta,
somente pequena proporção é absorvida.
- Quando o corpo fica saturado com ferro, a absorção de fero adicional pelo trato
intestinal diminui. Por outro lado, quando as reservas estão depletadas, a intensidade
da sua absorção pode ser acelerada por 5 ou 6 vezes o normal. O ferro corporal é
regulado em grande parte pela variação da intensidade da sua absorção.
TEMPO DE VIDA DAS HEMÁCIAS
- Quando as hemácias são transportadas da medula óssea para o sistema circulatório,
elas circular 120 dias antes de serem destruídas no fígado e baço.
- Embora elas não tenham núcleo, mitocôndrias ou retículo endoplasmático, elas
possuem enzimas capazes de metabolizar glicose e produzir ATP. Essas enzimas
também mantêm:
1. Flexibilidade de sua membrana celular
2. Transporte de íons através da membrana
3. O ferro das hemoglobinas na forma ferrosa, em vez da férrica
4. Impedirem a oxidação das proteínas nas hemácias
- Mesmo assim, o sistema metabólico senil das hemácias fica, de forma progressiva,
menos ativo, e as células mais frágeis, devido ao desgaste dos processos vitais.
- Quando a membrana das hemácias fica frágil, a célula se rompe durante a passagem
em algum ponto estreito da circulação. Muitas hemácias se autodestroem no baço,
onde os espaços entre as trabéculas da polpa vermelha, pelos quais as hemácias
passam, medem apenas 3 micrômetros, em comparação ao diâmetro de 8
micrômetros das hemácias.
- Quando o baço é removido, o número de hemácias anormais e de células senis
circulantes no sangue aumenta consideravelmente.
Destruição da hemoglobina por macrófagos
- Quando as hemácias se rompem e liberam hemoglobina, ela é fagocitada por
macrófagos em muitas partes do organismo, mas de modo especial pelas células de
Kupffer, no fígado, e macrófagos, no baço e medula óssea.
- Em horas a dias, os macrófagos liberam o ferro da hemoglobina no sangue, para ser
transportado pela transferrina até a medula óssea, para produção de hemácias, ou
para o fígado, para armazenamento na forme de ferritina.
HEMOGRAMA
- O hemograma compreende a contagem global e relativa de glóbulos vermelhos,
brancos, dosagem de hemoglobina, determinação do valor globular e a contagem
específica dos leucócitos e trombócitos.
- O hemograma é um exame complementar. Ele complementa uma hipótese
diagnóstica, não tendo valor diagnóstico isoladamente. Há necessidade do exame
clínico.
- O hemograma possui um valor limitado. Ele evidencia a presença ou não de um
distúrbio, ou de uma doença ou alteração da normalidade, mas não indica o local que
ocorre no organismo do paciente.
- É dividido em:
1. Eritrograma
2. Leucograma
3. Plaquetograma
ERITROGRAMA
Hemácias
- Os valores variam de acordo com o sexo:
. Homem 4.900.000 a 5.500.000
. Mulher 4.400.000 a 5.000.000
- Valores maiores são chamados de poliglobulias, e menores são chamados de
oligocitemias (anemia).
- Contagem maior a 7.000.000 é chamada de policitemia, eritrocitose ou poliglobulia,
primária ou secundária.
Hemoglobina
- Indica anemia quando reduzido e policitemia, quando aumentado.
- Os valores variam de acordo com o sexo:
. Homem 13,6 a 17,2 g/dL
. Mulher 12,0 a 15,0 g/dL
- A hemoglobina deve ser funcionante (de boa qualidade) e não desnaturada, como
meta-hemoglobina, carboxi-hemoglobina ou sulfa-hemoglobina.
Hematócrito ou VG (volume globular)
- Representa qual o percentual que a parte vermelha do sangue representa do total. É
o volume ocupado pelos glóbulos vermelhos. Por exemplo, um hematócrito de 40%
significa que, em 100 ml de sangue, há 40 ml de hemácias.
- O valor médio é de 42% a 45%, com mínimo e máximo de 41% a 53%,
respectivamente.
- Indica anemia quando reduzido e policitemia, quando aumentado.
VCM (volume corpuscular médio) ou VGM (volume globular médio)
- É um índice hematimétrico e indica o tamanho médio dos eritrócitos. Basicamente
seria o volume média de cada glóbulo vermelho.
- Relação entre o volume globular obtido pelo hematócrito e o número de eritrócitos,
obtido pela hematimetria (contagem de hemácias).
- O resultado vem em micra cúbicas (μm3) ou femtolitros (fL).
- Obtém-se pela fórmula: VCM = _____hematócrito (%) x 10_______ Obs: mm3 = μl
número de hemácias (milhões/mm 3)
- Por exemplo: 5.080.000 milhões de eritrócitos por mm3, com hematócrito de 46,7%
. 46,7 % x 10 = 91,93 fL ou μm3
5,08
- Os valores normais variam de 80 a 100 fL, sendo a média 86 μm3.
- Nas anemias macrocíticas (deficiência das vitaminas B9 e B12, anemia
megaloblástica), os valores estão acima de 100 μm3 (macrocitose). Nas anemias
microcíticas (deficiência de ferro e talassemia), abaixo 80 de μm3 (microcitose).
- Uma hemácia macrocítica não é, necessariamente, melhor, pois podem estar em
menor número ou possuir menor quantidade de hemoglobina, gerando a anemia.
. Obs: fL é uma unidade de medida de volume igual a 10-15 litro ou 1 micrômetro cúbico
(μm3).
Hemoglobina corpuscular média (HCM ou HbCM) ou hemoglobina globular média
(HGM ou HbGM)
- É a quantidade média de hemoglobina que tem dentro de cada hemácia.
- É obtida pela relação entre o valor da hemoglobina em g/dL e a concentração de
eritrócitos.
- É útil para dizer se a anemia está sendo causada por uma falta de hemoglobina nos
eritrócitos.
- O resultado vem em picogramas (pg) e os valores vão de 26 a 34 pg por eritrócito.
- A fórmula da HCM é: HCM = hemoglobina x 10
hemácias
- Por exemplo: 15,9 g/dL de hemoglobina e 5.080.000 milhões de hemácias
. 15,9 x 10 = 31,3 pg
5,08
- Estão elevados em anemias macrocíticas (megaloblástica e perniciosa), alcoolismo,
cirrose, hepatite B e C, quimioterapia, lactentes e recém-nascidos. Estão diminuídos
em anemias microcíticas, normocíticas, talassemia e esferocitose hereditária.
- O grau de hemoglobinização da hemácia reflete em sua cor:
1. Hipocromia (hipocromatose) abaixo de 26 pg (HCM baixo)
2. Normocromia de 26 a 34 pg (HCM normal)
3. Hipercromia (hipercromatose) acima de 34 pg (HCM alto)
Concentração da hemoglobina corpuscular média (CHbCM) ou concentração da
hemoglobina globular média (CHbGM)
- É a concentração média de hemoglobina em cada hemácia. Exprime a relação entre a
saturação da hemoglobina e o volume de cada hemácia.
- Os valores normais são de 32 g/dL a 36 g/dL.
- A fórmula da CHCM é: CHCM = hemoglobina x 100
hematócrito
- Por exemplo: hemoglobina de 15,9 g/dL e hematócrito de 46,7%
. 15,9 x 100 = 34,05 g/dL
46,7%
- Está aumentado nas anemias macrocíticas, esferocitose hereditária, latentes e
recém-nascidos. Está diminuído nas anemias microcíticas e normocíticas, leucemia,
linfoma, talassemia e hipotireoidismo.
RDW (variação de distribuição das hemácias) ou índice de anisocitose
- A sigla RDW significa red cell distribution width (amplitude de distribuição das
hemácias).
- Representa o cálculo da distribuição do diâmetro dos eritrócitos. Parâmetro que
mede a variabilidade de tamanho das hemácias (grau de anisocitose). Anisocitose
significa: a (não) + isso (igual) + kytos (célula) + ose (doença).
- Os valores normais são:
1. RDW-CV (coefficient of variation/coeficiente de variação) de 11,5% a 14,5%.
2. RDW-SD (standard deviation/desvio padrão) 39,0 a 46,0 fL
- Quanto maior o número, maior o grau de anisocitose entre as hemácias. Vale lembrar
que variações de tamanho das hemácias são normais, mas discrepâncias acima da
normalidade podem sugerir doenças.
- É útil no diagnóstico etiológico das anemias.
LEUCOGRAMA
- No leucograma definiremos os seguintes elementos:
1. Neutrófilos
2. Mielócitos
3. Bastonetes
4. Segmentados
5. Eosinófilos
6. Basófilos
7. Linfócitos típicos
8. Linfócitos atípicos
9. Monócitos
Valor absoluto e valor relativo
- Valor absoluto, na contagem leucocitária, é o número de glóbulos brancos por mm 3.
Calcula-se por regra de três. Por exemplo: uma contagem de 8.000 leucócitos por mm 3
e 60% de neutrófilos terá 60 x 8.000 dividido por 100 = 4.800 mm 3. Quer dizer que, em
100 leucócitos, 60 são neutrófilos; em 8.000 leucócitos contidos em 1 mm 3 de sangue,
4.800 serão neutrófilos.
- Valor relativo é o número percentual dos elementos do sangue. Trata-se do valor de
cada elemento em 100 células. Quando falamos que há 60% de neutrófilos, significa
que em 100 glóbulos brancos, há 60 neutrófilos.
Desvio à esquerda (neutrófilos)
-
Neutrófilos: bastonetes e segmentados
- Os neutrófilos são granulócitos que se encontram de 45,5% a 73,5%, ou 3.200 a 6.000
neutrófilos por mm3. Valores maiores são chamados de neutrofilia, e menores, de
neutropenia.
- Sua vida média é de 6 dias.
- São as mais ativadas do sangue e mais dotadas de mobilidade, cuja principal função é
a fagocitose.
- Movimentam-se numa média de 3 mm por hora, a 37°C.
Total de leucócitos
- Leucocitose é o aumento global de leucócitos por mm3 acima de 11.000. A leucopenia
é a diminuição dos leucócitos abaixo de 4.500.
- Os leucócitos (granulocíticos e agranulocíticos), que possuem função protetora por
meio da produção de anticorpos (principalmente linfócitos) e fagocitose
(principalmente neutrófilos), possuem uma vida efêmera, de 3 a 12 dias.
Mielócitos e metamielócitos
- Mielócito é o nome dado as células derivadas da medula e que podem resultar em
eritroblasto (que resultará em uma hemácia) ou em mieloblasto granulocítico ou
agranulócitos. São encontrados na concentração de 0%.
- Os metamielócitos são a fase seguinte de maturação dos mielócitos. São encontrados
na concentração de 0% a 1%.
- Tanto os mielócitos como os metamielócitos são células imaturas
Eosinófilos
- Existem na porcentagem de 1% a 4%, ou de 150 a 240 por mm3.
- Sua duração é de 8 a 12 dias.
- Uma contagem superior a 240, damos o nome de eosinofilia.
Basófilos
- Às vezes, essa célula acompanha as modificações quantitativas dos eosinófilos.
- Sua porcentagem é de 0% a 1%, ou de 40 a 80 por mm3.
Monócitos
- Sua porcentagem é de 3% a 10%.
- São considerados macrófagos, e tem função de defesa orgânica e produção de
anticorpos.
- Locomovem-se com uma velocidade de 30 μm por segundo.
- O aumento é chamado de monocitose. Sua diminuição, chamada de monocitopenia.