Práticas Curriculares de Extensão PUC Minas
Práticas Curriculares de Extensão PUC Minas
Organizadoras:
Ev’Ângela Batista Rodrigues de Barros
Lucimar Magalhães de Albuquerque
Marcia Colamarco Ferreira Resende
1a edição
Belo Horizonte
PUC Minas
2019
ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR
Grão-chanceler: Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Reitor: Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Vice-reitora: Profª. Patrícia Bernardes
Assessor Especial da Reitoria: Prof. José Tarcísio Amorim
Chefe de Gabinete do Reitor: Prof. Paulo Roberto de Sousa
PRÓ-REITORES
Extensão: Prof. Wanderley Chieppe Felippe
Gestão Financeira: Prof. Paulo Sérgio Gontijo do Carmo
Graduação: Prof.ª Maria Inês Martins
Logística e Infraestrutura: Prof. Rômulo Albertini Rigueira
Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Sérgio de Morais Hanriot
Recursos Humanos: Prof. Sérgio Silveira Martins
SECRETARIAS ESPECIAIS
Secretaria de Comunicação: Prof. Mozahir Salomão Bruck
Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional: Prof. Carlos Barreto Ribas
Secretaria Geral: Prof. Ronaldo Rajão Santiago
Secretaria de Cultura e Assuntos Comunitários: Prof.ª Maria Beatriz Rocha Cardoso
Assessoria de Assuntos Estudantis: Prof. Renato Durval Martins
COMISSÃO ORGANIZADORA
Prof.ª Ev’Ângela Batista Rodrigues de Barros
Prof.ª Lucimar Magalhães de Alburquerque
Prof.ª Marcia Colamarco Ferreira Resende
Camila da Conceição Mendes Costa
REVISÃO LINGUÍSTICA
Prof.ª Ev’Ângela Batista Rodrigues de Barros
Thomaz de Oliveira Gomes (Estagiário da PROEX; Graduando do Curso de Letras PUC Minas)
Larissa Gouveia Duarte (Graduanda do Curso do Curso de Letras PUC Minas)
DIAGRAMAÇÃO
Camila da Conceição Mendes Costa
Thomaz de Oliveira Gomes (Estagiária da PROEX; Graduando do Curso Letras PUC Minas)
FICHA CATALOGRÁFICA
Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
ISBN: 978-85-8239-098-6
CDU: 371.214
Ficha catalográfica elaborada por Fernanda Paim Brito - CRB 6/2999
SUMÁRIO
PREFÁCIO
APRESENTAÇÃO
ARTIGOS CIENTIFÍCOS
RELATOS DE EXPERIÊNCIA
PREFÁCIO
A crise sociopolítica e econômica que vimos atravessando, em nosso país, nos últimos anos,
tem trazido grandes mudanças ao cotidiano das universidades. Inovação, sustentabilidade e
qualidade são as palavras de ordem, na contemporaneidade, seja para as ações no âmbito do ensino,
da pesquisa ou da extensão – e isso é compreensível, pois precisamos investir em qualidade, inovar
estrategicamente para a superação dos obstáculos (não há como enfrentar novos problemas com
respostas anacrônicas...) e, ao fazê-lo, criar (ou adequar) metodologias que permitam a manutenção
e a consolidação das ações. Dito de outra forma, salienta-se a nossos olhos o quanto precisamos que
nosso trabalho, a partir da premissa da aprendizagem contínua, permita (res)significar o
investimento feito e assegurar o aprimoramento metodológico a partir dos resultados obtidos.
Esse preâmbulo quis evidenciar o quanto a Universidade, como as demais instituições de
ensino, desde a educação básica, é instituída e instituinte, isto é, ela recebe os reflexos do contexto
socioeconômico e político – que vem sob a forma de injunções, na maioria das vezes –, mas não os
assimila passivamente; pelo contrário, reage com seus instrumentos e recursos humanos e materiais
disponíveis e, ao (trans)formar pessoas, constrói novas realidades, pois também é força instituinte.
Se antes muitos se queixavam de um certo distanciamento entre o fazer acadêmico e a
realidade em que se inscreviam as instituições de ensino superior (IES), hoje percebemos que, não
importa se pública ou privada, a razão de ser dessas instituições é o diálogo próximo com a
sociedade, a escuta atenta de suas demandas e a postura responsiva de parceiros que se reconhecem
1
Possui graduação em Psicologia pela PUC Minas, Especialização em Psicologia pela PUC Minas, Especialização em
Psicoterapia Contemporânea pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e mestrado em Educação pela
PUC Minas (2001). Foi Pró-reitor do campus da PUC Minas em Arcos. Atualmente é Pró-reitor de Extensão da PUC
Minas e professor titular da mesma Universidade.
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como instâncias complementares, como partícipes que medeiam um processo cujo foco é a
produção e a disseminação de saberes de variada natureza – científicos, humanos, sociais,
tecnológicos, metodológicos, etc. – visando a tornar a vida em sociedade melhor, mais fácil ou,
idealmente, mais igualitária e harmoniosa.
De longa data, a Extensão vem se constituindo como o braço que ressignifica o papel da
universidade. Todas essas demandas apontadas indiciam o expressivo e relevante papel da extensão
universitária como ponte entre esses dois ângulos de uma mesma estrutura. Perdida aquela
concepção de extensão assistencialista que perdurou décadas, assentada agora na firme convicção
da parceria entre sujeitos (numa relação mais simétrica, na qual os beneficiários são vistos como
protagonistas – de fato e de direito), a extensão tem construído um percurso de consolidação das
modalidades mais conhecidas e tradicionais (como os eventos, cursos e projetos, prestação de
serviços ou apoio tecnológico), ao lado de outras mais inovadoras, como as Práticas Curriculares de
Extensão (PCE).
Esta última modalidade foi inserida no Regulamento da Pró-reitoria de Extensão, aprovado
pelo Conselho Universitário da PUC Minas, em 2015, mas já era praticada em nossa universidade,
de modo experimental por um grupo de 16 professores, desde 2012, antecipando uma resolução do
Conselho Nacional de Educação, homologada pelo Ministério da Educação, que trouxe a esperada
regulamentação da Extensão Universitária, aí se incluindo a curricularização da extensão. Na PUC
Minas, as PCE foram oficializadas, por uma iniciativa conjunta da Pró-Reitoria de Extensão e Pró-
Reitoria de Graduação, em 2016, tendo sido feita sua implantação gradativa em todos os cursos de
graduação da PUC Minas, meta já alcançada no final de 2018. Convictos de que não é aceitável,
atualmente, que algum graduando faça todo o seu percurso acadêmico sem ter a oportunidade
de travar contato com o grande potencial formativo da Extensão, as PCE têm se mostrado como um
caminho acertado para otimização dos recursos dispendidos.
Essa história de investimento – de tempo, de recursos humanos e financeiros – , mas
sobretudo de convencimento e de formação de outros atores da Rede Proex, constituída pelos
coordenadores de Extensão – dos cursos, dos Institutos / Faculdades, das Unidades constitutivas
da PUC Minas – não é algo que se caracteriza por um avanço linear e constante. Trata-se de um
processo, e, como tal, envolve fluxos e contrafluxos.
Criar um sistema de gestão de disciplinas de prática – à semelhança do SGE (Sistema de
Gestão de Estágios), com que os docentes registram tudo o que concerne aos processos envolvidos
nos estágios, demandou uma aproximação sensível com a Pró-reitoria de Graduação e com a
gestora dos processos de informatização – GTI – para formatarmos um sistema factível. Exigiu
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APRESENTAÇÃO
Na carreira docente, quem nunca se pegou perante as seguintes questões: como faço para
que os alunos entendam a importância dessa disciplina na sua formação profissional? O que criar
para que possam se implicar com que está sendo lecionado? Com certeza, esses são desafios
pedagógicos e operacionais que habitam o pensamento de muitos professores do ensino superior.
A coletânea que constitui este e-book nasceu desses questionamentos e traz diversas
experiências de professores e alunos que conseguiram enfrentar os desafios mencionados – e outros
– de maneira criativa e exitosa. O cerne dos textos que são apresentados aqui foi o entendimento de
que o lugar universitário da aprendizagem profissional transcende a sala de aula e não se encerra em
absorção de teorias e técnicas, mas sim, abrange aspectos que interagem com as representações
sociais, com a dinâmica dos valores humanos e com a formação de cidadãos. Portanto, demanda
mais espaços para o diálogo entre a teoria ensinada e as dinâmicas da sociedade que se vive.
1
Coordenadora Setorial de Publicações e Produções Acadêmicas da PROEX. Editora adjunta da Revista Conecte-se, da
Proex PUC Minas. Professora do Departamento de Letras. Editora da Revista do Instituto de Ciências Humanas da
PUC. Coordenadora Institucional do PIBID PUC Minas.
2
Coordenadora Setorial de Projetos Pedagógicos de Cursos da PROEX. Doutora em Geografia e Gestão do Território
pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Ciências e Valores Humanos pela Universidade de Uberaba.
Graduada em Psicologia pela PUC Minas. Professora na Faculdade de Psicologia e Pós-Graduação do Instituto Mineiro
de Psicodrama Jacob Levy Moreno.
3
Coordenadora Setorial de Projetos Pedagógicos de Cursos da PROEX. Doutoranda em Fisioterapia pela Universidade
Cidade de São Paulo (UNICD). Mestre em Saúde e Trabalho pela UFMG. Especialista em Ortopedia e Traumatologia.
Professora do Departamento de Fisioterapia, PUC Minas Betim e da Pós-graduação em Engenharia e Segurança do
Trabalho pelo Instituto de Educação Continuada (IEC).
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A modalidade Práticas Curriculares de Extensão (PCE), que aqui se apresenta, propaga sua
adesão ao percurso de formação profissional pautada nesta articulação do conhecimento da sala de
aula com questões acendidas em um contexto que abrange diferentes pontos de vista, por meio da
inserção na realidade como lócus fonte e alvo das aprendizagens. Por conseguinte, expressam
novas reflexões sobre as interfaces da relação ensino / pesquisa / extensão, desenvolvidas nos
diferentes campos de saberes.
É sabido que a educação superior no Brasil conta com esses três pilares básicos, cuja inter-
relação deve ser assegurada pelas Universidades – o ensino, atividade-fim, se realimentará dos
saberes produzidos por meio da pesquisa e da extensão, e vice-versa. Em nossa legislação, existe o
pressuposto de que a formação dos profissionais precisa se valer do entrosamento desses pilares, em
condições favoráveis de coexistência. No entanto, no cenário brasileiro, historicamente as
atividades de ensino e pesquisa são as mais conhecidas e valorizadas, assim como, possuem uma
estrutura institucional delineada mais consolidada do que a da extensão. Não à toa, ultimamente tem
havido certa pressão das instâncias superiores em prol da institucionalização da Extensão.
Quanto às atividades de extensão universitária, alguns aspectos vêm dificultando sua maior
abrangência no cotidiano e na cultura dos universitários, mesmo sabendo da sua grande
contribuição para a formação acadêmica. Como garantir a todos acadêmicos acessá-la durante o seu
processo de formação?
Para fortalecer uma cultura universitária atrelada à extensão, é necessário buscar a
compreensão de que as atividades extensionistas se mostram como uma grande janela que se abre
para cumprir o papel formador do ensino superior, materializando a função social da produção e
utilização do conhecimento, em postura de reciprocidade e de diálogo com saberes tradicionais das
comunidades envolvidas, tendo por objetivo a transformação social, a construção de uma sociedade
menos desigual e mais fraterna.
Partindo da premissa de que a extensão universitária, em sua função educativa, exerce um
papel ético e político frente à geração e disseminação do conhecimento na / com a sociedade, vale
ressaltar as palavras de Paulo Freire, para quem mais que interpretar, é necessário interagir para
“Ler o Mundo”:
Mudar o mundo é tão difícil quanto possível. O educador não deve só ensinar bem sua
disciplina, mas desafiar o educando a pensar criticamente a realidade social e política do
meio em que vive, mostrar que o homem é um ser social capaz de intervir no mundo e não
de se adaptar a ele. Ele pode transformar o mundo através de projetos, sonhos e utopias.
(FREIRE, 2000, p.61).
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resgate de sua dignidade, pelo cumprimento de uma pena, porém sob condições humanizadas.
Concretamente, os estudantes visavam a mostrar aos betinenses que a instalação de unidade da
APAC neste município poderia ser benéfica aos moradores.
Na segunda parte do e-book, temos os relatos de experiências, que seguem listados e cujas
temáticas são indicadas brevemente. Ótimas experiências, com grandes repercussões para todos os
envolvidos, as PCE mencionadas vêm, a cada semestre, ganhando novos contornos, a partir do
feedback dado pela avaliação.
No primeiro relato, “A curricularização da extensão universitária na PUC Minas como
instrumento de desenvolvimento de competências colaborativas na formação do fisioterapeuta”, as
professoras Márcia Colamarco Ferreira Resende, Márcia Luciane Drumond das Chagas e Vallone e
Tatiana Teixeira Barral de Lacerda, todas com grande experiência na Extensão, mostram como o
curso de Fisioterapia incentiva os alunos à participação em diversas modalidades extensionistas,
bem como pela oferta de três disciplinas extensionistas a todos os graduandos, por meio das quais
podem aprofundar estudos sobre realidades específicas.
No segundo relato, “Ginástica para todos, quebrando muros, socializando conhecimentos:
vivência de uma experiência no centro esportivo da PUC Minas”, Marcus Vinicius Bonfim
Ambrosio e Margareth de Paula Ambrosio, do Curso de Educação Física, propiciam aos discentes
experiência rica e diferente, que permite o desenvolvimento de variadas habilidades para além das
referentes às práticas corporais focalizadas nas oficinas para alunos das escolas parceiras. Para
todos os envolvidos, há ganhos diversos, como a melhoria da autoestima, da disciplina, da
persistência e do respeito a si mesmo e ao outro, num espaço de partilha, solidariedade e respeito.
No terceiro, “Contribuições da prática de extensão curricular para a formação acadêmica de
estudantes de Engenharia de Produção da PUC Minas”, as professoras Maria Aparecida Fernandes
Almeida, Viviane Cristina Dias e Jane Carmelita das Dores Garandy de Arruda Barroso evidenciam
que “a iniciativa de integração das atividades de ensino e pesquisa com as atividades de extensão,
no âmbito da unidade curricular “Pesquisa Operacional II”, do Curso de Engenharia de Produção da
PUC Minas – Campus Coração Eucarístico, permitiu preparar e aproximar os estudantes para
atuarem na realidade”. Mais ainda, mostram a relevância desta PCE, a qual se constituiu numa
“oportunidade para os estudantes perceberem os desafios que cercam a efetiva implantação dos
conhecimentos teóricos.”.
O quarto, intitulado “Experiências extensionistas em Práticas na Comunidade do Curso de
Medicina da PUC Minas campus Poços de Caldas” traz as reflexões dos estudantes Pedro Henrique
Fonseca Nogueira, Emilly Andrade Martins e Sérgio Ítalo Blasi Neto, orientados pelos professores
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Euclides Colaço Melo dos Passos e Thatia Regina Bonfim. Concluem que, por “inserir o estudante
precocemente no sistema público de saúde do município, por meio de práticas extensionistas”, o
Curso “vislumbra uma formação médica mais completa, que capta valores humanistas, críticos,
reflexivos e éticos, tão esperados pelo profissional da saúde”.
No quinto relato, “Análise ergonômica da célula de solda: uma prática de extensão no ramo
de ferramentaria”, as autoras – Larissa Cecília dos Anjos Fernandes, Marcela Eduarda Andrade
Lemes, Márcia Colamarco Ferreira Resende e Nhakita Fernandes Dorneles – discutem o
aprendizado, obtido por meio de uma PCE, a partir da “execução das técnicas de Análise
Ergonômica do Trabalho, das visitas, das entrevistas e das observações”. Acreditam que há um
ganho considerável, por meio de um “olhar mais sensível e humanizado dos alunos perante a
complexidade das situações de trabalho, trazendo para eles uma nova perspectiva para além dos
muros da universidade.”
O sexto relato, “Engenharia sustentável aplicada à comunidade: tratamento de resíduos
orgânicos por compostagem usado em horta comunitária”, de Aline de Araújo Nunes, Josias
Eduardo Rossi Ladeira, Rita David, Joyce Laryssa Dias Brandião e Karine Dornela Rosa, a gestão
ambiental é tratada no bojo de um projeto em que a reciclagem, a separação do lixo e a formação de
hortas comunitárias (num residencial e numa escola) é vista como prática formativa para os
envolvidos e fonte de geração de conhecimentos que ultrapassam a ação em si.
No relato seguinte, “Novas abordagens de comunicação em psicologia: Programa de radio
“Nas Ondas da Psicologia”, as graduandas Beatriz da Silva Santos, Bruna da Mota Camargo e
Maria Luísa Cancian Schultz e a professora Fernanda Mendes Resende descrevem e analisam os
programas de rádio produzidos por estudantes da Psicologia, em que atendem e orientam moradores
de Poços de Caldas. Os resultados, ao longo dos 4 anos de existência da prática, têm sido
encorajadores e benéficos a todos os envolvidos.
O oitavo relato, “Nova possibilidade ao sistema prisional: conhecendo o método APAC”
traz o professor do Direito, Álisson da Silva Costa, e sua equipe de extensionistas Bárbara Oscar
Ribeiro, Ester do Patrocínio Batista, Lígia Nunes Palhares. Núbia Mendes Almeida, Rafaela
Ferreira Diniz e Tiphanie da Silva Pires –, em texto no qual refletem sobre os princípios, as
características e os grandes benefícios do Método APAC.
O nono relato, “A adoção de animais pode ter múltiplos finais: atividade de extensão
curricular do Curso de Jogos Digitais”, escrito em parceria por professores, egressos e estudantes do
referido curso, apresenta uma PCE em que se aliam conhecimentos acadêmicos, tecnologias
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atinentes aos jogos e demandas sociais com a nobre finalidade de criar, de forma lúdica, maneiras
de apresentar cães abandonados a potenciais adotantes. A estratégia tem se revelado produtiva e
eficaz para todos os envolvidos.
No décimo relato, “Software para gestão e análise de setores de inseminação bovina
artificial”, temos uma PCE que engloba equipe multidisciplinar – os estudantes Carlos Felipe de
Almeida Arantes, Eric Patrick Delgado Ribeiro, Ian Pereira Caminhas – e os professores Soraia
Lúcia da Silva e Tadeu dos Reis Faria, da Engenharia de Software, e a estudante Dayana Silva
Araújo, da Medicina Veterinária. O foco é o desenvolvimento de um software com o caráter
extensionista, tendo em vista uma demanda e cliente reais: a gestão da I.A. bovina, para pequenos
ou grandes produtores. Os resultados têm se mostrado promissores.
No penúltimo, intitulado “O projeto de extensão universitária “Apaquear” e sua importância
na efetiva prestação de defesa técnica jurídica às pessoas em privação de liberdade”, vemos os
estudantes do Curso de Direito, Bárbara Christina de Souza Rosa. Mônica Rafaela Oliveira
Martins, e a professora Marilene Gomes Durães se detendo na análise do projeto Apaquear do ponto
de vista do crescimento propiciado aos graduandos pela análise da prática (acadêmica e
humanitária) da revisão dos processos de muitos apenados que, pela morosidade do sistema
jurídico, tiveram ou têm direitos violados.
Fechando a seção e o e-book, o relato “Prática Curricular de Extensão na disciplina de
Introdução à Engenharia: uma experiência de aula invertida utilizando aprendizagem ativa”, das
professoras Rosely Maria Velloso Campos e Viviane Cristina Dias discute a integração, no curso
em tela, das práticas de ensino, pesquisa e extensão, por meio de intervenções que culminam no
período de realização da Mostra de Tecnologia do Instituto Politécnico, do qual o curso de
Engenharia Mecânica e Aeronáutica faz parte.
Como se pode observar, neste panorama aqui apresentado, a Extensão se faz viva, latejante
e presente, nos mais diversos cursos e formatos. Isso tem comprovado que não há uma área ou
curso, modalidade (presencial ou virtual) ou segmento (graduação ou pós-graduação) em que as
práticas de extensão sejam mais convenientes ou oportunas – a partir dos princípios vitais à
Universidade, expostos na Política de Extensão e no PDI da PUC Minas, a despeito da grave crise
que assola o país e faz sentir os efeitos em todas as instâncias da sociedade (e a universidade não
está imune ao que ocorre extramuros), pode-se afirmar que o lugar da Extensão é aqui, o momento
da Extensão é agora. Pelo menos, na PUC Minas o é!
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Esperamos que, independentemente da sua área de interesse e/ou de atuação, este e-book se
constitua numa aprazível e consistente fonte de diálogo por meio da leitura, de questionamentos por
meio do vislumbre dos desafios enfrentados, mas, sobretudo, das soluções e estratégias criadas, da
expertise conquistada, da formação construída.
REFERÊNCIAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. 6ª ed. São Paulo.
Editora UNESP, 2000.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Pró-reitoria de Extensão.
Portaria Nº 02/2015. Aprova o Regulamento da Pró-reitoria de Extensão da PUC Minas. Processo
CONSUNI 02/2015. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em:
29 mar. 2019.
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ARTIGOS CIENTIFÍCOS
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RESUMO
O presente artigo tem como objetivo apresentar uma experiência extensionista realizada no primeiro semestre de 2015,
através da modalidade prática curricular de extensão, proposta na disciplina de Orientação Profissional, do oitavo
período do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas. A partir dessa
prática, são feitas algumas análises em torno dos modelos de ensino baseados na unilateralidade da sala de aula. Em
seguida, é caracterizado o papel da extensão nos cursos de graduação, seus benefícios e a importância das disciplinas
extensionistas na formação técnica e humana dos universitários.
ABSTRACT
This article aims to present an extensionist experience held in the first half of 2015, through the curricular practice
mode of extension proposed in the discipline of Professional Orientation, of the eighth period of the Psychology course
of Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas. From this practice, there were made analyses around
teaching models based on classroom unilateralism . It is then characterized the role of extension in undergraduate
courses, its benefits and the importance of this kind of disciplines in human and technical training of academics.
1
Graduado em Psicologia pela PUC Minas, Campus Coração Eucarístico. E-mail: [Link]@[Link].
2
Mestre em Educação pela PUC Minas (2001), Professor Titular da mesma Universidade no curso de Psicologia, Pró-
reitor de Extensão da PUC Minas.
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1 INTRODUÇÃO
As PCE propostas pela Pró-Reitoria de Extensão para os cursos de graduação da PUC Minas
estão em sintonia com a concepção acima, buscando criar uma oportunidade para o estudante
universitário vivenciar ações de extensão em situações reais junto a instituições, comunidades e
grupos diversos, utilizando os conhecimentos da própria área de formação, sob a orientação de
professores responsáveis por disciplinas teóricas ou práticas às quais se agregam as práticas de
extensão.
Talvez apenas a narrativa da experiência vivida fosse o suficiente para trazer à luz os
benefícios de uma formação diferenciada, pautada na prática de relações próximas e dialógicas
entre professor, aluno e sociedade externa. Porém, na apresentação da atividade, será feito, nos dois
tópicos a seguir, um comparativo entre o modelo que se entende como o usual, centrado na
transmissão de conhecimentos, e o modelo que inclui as práticas curriculares de extensão nos
currículos, que aponta para possibilidades de superação de questões instituídas nas formas
educacionais citadas.
Dessa forma, o processo de orientação, aqui considerado como parte integrante da formação
do psicólogo, objetiva criar condições para a tomada de decisões frente às possibilidades de
mudanças que possam definir o futuro, tais como a escolha profissional, sobretudo na transição da
adolescência para a vida adulta. É um tempo da vida humana de mudança iminente e convite a
escolhas imediatas, sejam elas o ingresso mais precoce no mercado de trabalho ou a definição da
área de estudos que possibilite obter uma qualificação para o exercício profissional no futuro.
A equipe de universitários3 que executou a atividade foi formada por cinco alunos, três
homens e duas mulheres, com idade média de 24 anos, todos egressos de escolas públicas, sendo
três estudantes bolsistas (bolsa PROUNI integral e bolsa assistencial fornecida pela universidade).
Os dados fornecidos acima a respeito da equipe são relevantes para a tomada de decisões
relacionadas ao planejamento da atividade.
Para Lisboa (2002), só existem realmente situações nas quais o processo de escolha pode ser
efetivo se houver uma dúvida que atravessa o pensamento dos orientadores vocacionais,
comprometidos em analisar o contexto socioeconômico. Acreditar que o processo de escolha é
ilimitado, sem a análise das condições e do contexto em que o sujeito se insere, é remover o sujeito
da possibilidade de escolha: “... se considerarmos escolher (como) uma busca cuidadosa dentre
todas as possibilidades, analisando as viabilidades, as contextualizações, as realidades e as
prioridades, essa escolha pode existir, mas é bastante limitada”. (LISBOA, 2002, p. 43).
Alguns comentários sobre o momento politico que o país atravessava quando as decisões
acerca do planejamento deste trabalho foram tomadas, bem como a escolha da amostra com a qual
se desenvolveria a atividade proposta revestem-se de especial importância. Foi o ano de 2015, após
a Copa do Mundo no Brasil, com muitos debates e idealizações sobre o cenário político, fermentado
pelas grandes manifestações no ano de 2013 e seus atravessamentos nos anos seguintes, o que
culminou em uma crise política com o início do processo de impeachment da então presidente
Dilma Rousseff. É importante pontuar e situar o leitor nesse tempo, pois isso interferiu nas decisões
tomadas pela equipe no sentido em que, para pensar a orientação profissional e a amostra com a
qual seria executada a atividade, as instâncias políticas devem ser levadas em consideração.
3
É preciso registrar os agradecimentos aos colegas que participaram da construção da atividade.
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não haviam compreendido que as oficinas seriam realizadas em quatro dias, pensando que haveria
apenas aplicação de testes, como era comum encontrar na internet. Os outros 8 (oito) alunos foram
até o fim do processo.
Embora a expectativa para o limite de participantes não tivesse sido dita, imaginava-se que
estaria entre 20 e 25 pessoas, o que não aconteceu. Contudo, as condições e possibilidades de oferta
contribuíram para a formação de um grupo coeso. Recebemos comunicados de que outros alunos
tinham interesse em participar, mas o horário dificultava sua presença. Felizmente, havia um
segundo grupo do oitavo período de Psicologia ofertando as oficinas em outros dias e horários, na
mesma escola. Conseguimos, dessa forma, atender muitos interessados e, em alguns casos,
acolhemos individualmente os pedidos dos alunos, mas reconhecemos as dificuldades que nos
impediram de contemplar todos. Foi uma pequena frustração para a equipe deixar alguns alunos de
fora, em razão do planejamento construído e das decisões tomadas.
Em todos os encontros, foram propostas algumas dinâmicas, tendo sido aplicadas, no
processo, nove atividades sempre seguidas de debates. Todos os dias, foi excedido um pouco o
horário, em parte pela complexidade e outra pela necessidade de se continuar o debate, mas sem que
houvesse prejuízo para os adolescentes.
No início da execução da atividade, ao se realizar o primeiro encontro com o grupo, o
objetivo foi apresentação de todos e a criação e fortalecimento de vínculos. Neste momento foram
utilizadas duas ferramentas, “História do Nome” e “Técnica do Gosto e Faço”. Ambos os exercícios
possibilitaram aos jovens se voltarem para o autoconhecimento, conscientizarem-se das possíveis
influências da família no processo de escolha profissional, refletirem sobre as atividades que eles
gostam ou não de fazer em seu cotidiano e ampliarem essa discussão, relacionando-a com a futura
profissão pré-escolhida por eles.
Participaram desse encontro 11 adolescentes, como já mencionado, percebendo-se que, neste
processo de criação de vínculos, há uma resistência aos debates, o que geralmente demanda mais
manejo dos orientadores. Quanto à profissão, todos manifestaram interesse em ingressar na
universidade e se graduar antes de entrar no mercado de trabalho.
Uma situação marcante para o grupo ocorrida no primeiro encontro, quando os adolescentes
contavam a história de seus nomes, após manifestarem qual profissão gostariam de seguir, envolveu
uma das participantes, que afirmava ter certeza de que seria médica obstetra, sem saber, porém, a
razão de sua escolha. O fato chamou a atenção dos orientadores, pois, mesmo já assinalando a
certeza da profissão que seguiria no futuro, ela interessou-se em participar do processo. Ao contar a
história de seu nome, começou falando sobre a gravidez da mãe. Relatou que foi de risco e que
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durante todo o tempo a mãe e os médicos tiveram medo que houvesse um aborto involuntário. Na
ocasião, houve o acompanhamento de uma obstetra, tendo sido atribuído o sucesso do parto à
competência dessa profissional. Para demonstrar gratidão, a mãe a batizou com o mesmo nome da
obstetra. No entanto, a adolescente apenas relacionou a escolha de sua profissão à historia de seu
nome quando questionada pelos orientadores.
No segundo encontro, utilizamos as técnicas do “Círculo da Vida” e do “Naufrágio”. O
objetivo deste encontro foi auxiliar a introspecção e a percepção sobre os critérios, influências,
pressões e valores pessoais que estão envolvidos na escolha profissional.
No terceiro encontro, utilizamos as técnicas “Tempestade de Profissões”, “Perfil” e
“Marketing Profissional”. Tínhamos como objetivo geral, neste encontro, trabalhar mais
diretamente com as profissões levantadas pelos orientandos, relacionando as características e
habilidades pessoais necessárias ao seu exercício, buscando proporcionar uma vivência mais
próxima e realista sobre a prática profissional.
O último encontro foi voltado para a análise dos aspectos subjetivos e outros que estão
relacionados com a escolha profissional, com o objetivo de sensibilizar os adolescentes para a
importância de uma tomada de decisão consciente e autônoma, procurando compreender que essas
escolhas sofrem simultaneamente a influência de inúmeros fatores sociais, culturais, familiares,
pessoais e econômicos. O encerramento se deu através de uma autoavaliação e avaliação do
percurso de orientação vocacional vivenciado até aquele momento, no qual os orientadores puderam
receber dos adolescentes o retorno objetivo e até mesmo afetivo em relação ao tempo em que
estiveram juntos.
Encerrado o período de execução do projeto, como complemento da atividade avaliativa,
elaborou-se um artigo com referencial teórico da Orientação Vocacional e da prática curricular de
extensão. Em seguida apresentou-se, em seminário interdisciplinar, o relato dessa vivência, o que
permitiu a troca de experiências entre os vários grupos com trabalhos e amostras diferentes, que
puderam expressar suas percepções acerca das ações realizadas.
Segue abaixo um fluxo sintetizando a trajetória percorrida pelos universitários no
desenvolvimento e execução da atividade prática de Orientação Vocacional.
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Retorno do processo
para a universidade,
Desenvolvimento do
produção do artigo projeto dentro da
e elaboração da universidade
apresentação no
seminário
Visita de
Execução da
apresentação do
atividade na escola
projeto para o apoio
em 4 encontros
pedagógico da escola
Convite e
apresentação do
projeto aos alunos
do terceiro ano do
Ensino Médio da
escola.
Mantendo os alunos ou educandos apenas dentro de uma sala de aula recebendo informações
– o que difere de conhecimento, sem qualquer relação crítica ou possibilidade de apropriação e
utilização –, a universidade acaba formando meros reprodutores de uma gama de assuntos diversos.
Este fato é mais agravante se pensarmos que estamos na era da informação, na qual a todo o
momento se disseminam noticias falsas, com defesa de conhecimento usado de maneira equivocada.
Para Benjamin (1936), a sociedade perdeu sua capacidade de narrar. Segundo o autor, narrar
é uma habilidade de transmitir experiências, diferenciando-as da informação por sua rápida
mutabilidade. Nas narrativas, são transmitidos valores e culturas das sociedades pelas gerações.
Aproximar da escola e da sociedade o fenômeno descrito por Benjamin é necessário para fomentar
os debates acerca da educação.
A forma como são conduzidas as ementas pedagógicas das disciplinas desfavorece a criação
de experiências, mantendo-se na unilateralidade na qual há um professor que, muitas vezes,
transmite informações a serem armazenadas, como exemplificadas na concepção bancária, e não
conhecimento através das narrativas. “É como se estivéssemos privados de uma faculdade que nos
parecia segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências (...) Uma da causas desse
fenômeno é óbvia: as ações da experiência estão em baixa (...).” (BENJAMIN, 1936, p. 198).
Nessa aproximação, colocamos ainda em questão a posição do professor e das produções
acadêmicas. Além desse processo unilateral da atividade pedagógica dos professores universitários,
para Edgar Morin (2013), a universidade ensina a separar as disciplinas, os objetos e removê-los de
contexto para que seja possível analisar sem que haja relação. Portanto, além da privação das
experiências, observa-se outra forma de precarização ao romper com a realidade, que foi construída
indissociada, através dos modelos de ensino que são opostos à saída para o processo humanizado.
Nesse sentido, parece comum voltar-se o debate para a necessidade de que não haja separação na
construção de conhecimento, o que se coloca frente à defesa do fazer universitário, sem a
fragmentação em seu tripé de sustentação:
Nossa formação escolar, mais ainda, a universitária nos ensina a separar os objetos de seu
contexto, as disciplinas umas das outras para não ter que relacioná-las. Essa separação e
fragmentação das disciplinas é incapaz de captar “o que está tecido em conjunto”, isto é, o
complexo, segundo o sentido original do termo.” (MORIN, 2006, p. 18).
Esse processo de fragmentação é observado sem apreço também pela comunidade externa,
que se afasta cada vez mais da universidade, colocando-a no lugar em que, com a prática interna,
essa instituição parece querer estar. A universidade, mesmo sem o contato com a realidade, insiste
em ocupar-se a descrevê-la.
O poeta nordestino Antônio Gonçalves da Silva, que se tornou conhecido como Patativa do
Assaré (2011), em seu poema “Cante lá que eu Canto cá”, resume esse sentimento de uma relação
distinta e sem afeto que se tem construído nas universidades. O poeta questiona que uma pessoa que
aprendeu, teve oportunidade e espaço, mas não teve experiência, pode ocupar um local de fala
apenas onde lhe cabe, ou seja, a realidade em que se insere, na qual ele teve a experiência. Na
universidade, como descrito acima, o aluno fica cercado por um muro e mesmo dentro dele ainda há
varias repartições. Um trecho do poema expressa bem essas diferentes experiências:
Além dos modelos de ensino, a universidade está constantemente produzindo discurso sobre
outros ambientes, o que serve também para pensar a produção da universidade sem a dimensão da
experiência, do afeto e da relevância que tem nos outros espaços. Para que e para quem a
universidade produz sem a interação com a comunidade externa? Em outra parte do poema, essa
questão também é denunciada:
Além do cuidado com que a extensão direciona a formação, é também uma formação ética,
no qual há um compromisso com a técnica e com a sociedade. Na experiência apresentada da
prática curricular, pode-se observar de maneira clara essa questão. Os adolescentes mencionaram
conhecer “testes vocacionais” disseminados na internet, o que caracteriza uma apropriação indevida
e até mesmo um exercício equivocado de atividades profissionais. A situação prévia e a apropriação
das questões por parte dos universitários levou ao êxito da atividade, porém não impediu o
abandono de três adolescentes já no primeiro encontro.
As práticas curriculares de extensão oferecem uma alternativa para os desafios que se
colocam à educação, formação de qualidade e competência, e, para além dos atributos técnicos
advindos dela, uma formação humana, que se afasta da formatação de máquinas copiadoras, meras
reprodutoras dos argumentos narrados durante a vida acadêmica com a ausente significação da
experiência. Este é o reconhecimento de estar em um ambiente de constantes transformações e
poder ser protagonista nessas alterações. Mas é também a possibilidade da divisão de um discurso e
tarefas por meio das quais tanto a comunidade externa quanto a comunidade interna / universidade
se reconheçam, a fim de não se reproduzir um discurso como hegemônico frente ao conhecimento
popular, conforme o convite do poeta Patativa do Assaré:
Há várias modalidades de extensão em prática nas universidades, embora ainda haja também
exercícios políticos, para que cada vez mais a extensão contemple todos os estudantes que passarem
pela universidade. Entre as modalidades estão Programas, Projetos, Cursos, Eventos, Prestações de
serviços, Produções culturais e as Práticas curriculares de extensão, sendo estas últimas alvo da
experiência retratada acima. Para Filgueiras (2015), a extensão é mais que uma atividade
pedagógica, faz parte das funções sociais das instituições de ensino superior. sendo que sua
relevância consta em “todos os documentos fundamentais para a normatização do ensino.” (pag.20).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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5 CONCLUSÃO
Com a expansão da extensão universitária, através de mais práticas curriculares, cada vez
mais incorporadas à atividade docente, espera-se que, com o tempo, encontrem-se mais narradores,
no sentido atribuído por Benjamin (1936), com quais se possa dialogar e dividir experiências,
construções teórico-práticas, pesquisas, práticas extensionistas, produções acadêmicas, propostas e
ideias inovadoras, e que a experienciação se torne uma condição para as práticas de formação
docentes e discentes dentro da universidade.
REFERÊNCIAS
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Fontes, 1987.
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Brasília, DF, 2014.
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DE EXTENSÃO E AÇÃO COMUNITÁRIA DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
COMUNITÁRIAS – FOREXT. Itajaí: Universidade do Vale do Itajaí, 2013. Formato de e-book.
FILGUEIRAS, Karina. Fideles. Práticas Curriculares de extensão: as disciplinas dos cursos de
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motivação para os currículos ou curricularização imperativa? 1ed. São Paulo, SP: Editora
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FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Ed 17. Rio de Janeiro. Paz na Terra. 1987.
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MORIN, Edgar. Sobre a reforma universitária, In CARVALHO, Edgard de Assis; ALMEIDA,
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Tradução de Edgard de Assis Carvalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2013, p. 13 - 28.
NASCIMENTO, Marcos Roberto do. A pedagogia do cuidado e a Extensão Universitária a partir da
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Fronteiras: a contribuição da Extensão das Instituições Comunitárias de Ensino Superior. 1
[Link] Cruz do Sul: EDUNISC, 2013, v. 1, p. 1-312.
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RESUMO
O presente artigo busca apresentar os desafios e estratégias vivenciados no processo de implementação de práticas
curriculares de extensão (PCE) no ensino da disciplina “Projeto Executivo Urbano – Áreas Ocupadas”, do curso de
graduação em Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas. Apresenta-se o processo de construção de uma estratégia de
implantação das práticas de extensão na disciplina e o relato do processo e dos resultados iniciais decorrentes de três
semestres letivos de aplicação dessas experiências de extensão junto ao ensino da graduação. A urgência se fez
presente duplamente: na necessidade de a disciplina avançar em suas abordagens e resultados decorrentes do processo
de ensino e aprendizagem sobre o tema, devido às inúmeras contradições presentes na atuação técnica e profissional
junto à sociedade, segundo as formas convencionais de urbanização nas áreas informais; e, pelas demandas por
assessoria presentes na comunidade envolvida nas práticas de extensão. A incerteza se delineava também: no desafio
de definir quais os novos princípios teórico-conceituais e as abordagens técnico-profissionais seriam trabalhados no
ambiente do ensino da disciplina, em busca da formação de profissionais capazes de transformar a realidade do projeto
(teoria) e da obra (prática), na urbanização de assentamentos precários; e, na especificidade da abordagem da assessoria
técnica direta, que tem como princípio o protagonismo dos assessorados (a comunidade beneficiária da extensão,
decidindo qual o sentido do trabalho técnico e das transformações em seu espaço). Esse contexto exigiu, duplamente,
um avanço técnico e conceitual nos fundamentos e práticas de ensino junto aos alunos durante o processo de
aprendizagem e de atuação extensionista, mas também no aprimoramento da extensão por meio de projetos e ações
continuadas que precisaram articular a urgência das necessidades reais com as dificuldades, o tempo, e o potencial de
descoberta e inovação dos alunos participantes das práticas curriculares de extensão.
1
Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG (2014), Professor Assistente I do Departamento de Arquitetura e
Urbanismo da PUC Minas, campus Coração Eucarístico e cocoordenador do Escritório de Integração. E-mail:
eduardomrbittencourt@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
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RESUMEN
El presente artículo busca presentar los desafíos y estrategias vivenciados en el proceso de implementación de prácticas
curriculares de extensión en la enseñanza de la asignatura Proyecto Ejecutivo Urbano - áreas ocupadas, de la carrera de
Arquitectura y Urbanismo de la PUC Minas. Se presenta el proceso de construcción de una estrategia de implantación
de las prácticas de extensión en la asignatura y el relato del proceso y de los resultados iniciales resultantes de tres
semestres lectivos de aplicación de estas experiencias de extensión junto a la enseñanza de la carrera La urgencia se
hizo presente doblemente: en la necesidad de la asignatura avanzar en sus abordajes y resultados provenientes del
proceso de enseñanza y aprendizaje sobre el tema debido a las innumerables contradicciones presentes en la actuación
técnica y profesional junto a la sociedade, según las formas convencionales de urbanización en las áreas informales; y
por las demandas por asesoría presentes en la comunidad involucrada en las prácticas de extensión. La incerteza se
delinea también: en el desafío de encontrar cuáles los nuevos principios teórico conceptuales y abordajes técnico-
profesionales serían trabajados en el ambiente de la enseñanza de la asignatura, en busca de la formación de
profesionales capaces de transformar la realidad del proyecto (teoría) y de la urbanización (práctica) en los
asentamientos precarios; y en la especificidad del enfoque de la asesoría técnica directa, que parte del principio de
protagonismo de los asesorados (la comunidad beneficiaria de la extensión) en decidir cuál es el sentido del trabajo
técnico y de las transformaciones en el espacio. Este contexto exigió doblemente un avance técnico y conceptual en los
fundamentos y prácticas de enseñanza junto a los alumnos durante el proceso de aprendizaje y de actuación
extensionista, pero también en el perfeccionamiento de la extensión por medio de proyectos y acciones continuadas que
necesitaron articular la urgencia de las necesidades reales con las dificultades, el tiempo, y el potencial de
descubrimiento e innovación de los alumnos participantes en las prácticas de extensión.
1 INTRODUÇÃO
[…] o capital imobiliário na sua ontologicamente fundada busca pela ampliação das
fronteiras de acumulação e lucro, acaba voltando-se para as parcelas da cidade mais bem
dotadas de infraestrutura e/ou de amenidades, ou seja, com potencial de valorização. Tal
movimento tem, desse modo, requerido e acirrado ainda mais a articulação entre o setor
público e o privado, por intermédio de coalizões que, por sua vez, têm tornado hegemônico
um projeto de cidade crescentemente seletiva e excludente. (BIENENSTEIN et al. 2017).
Por que buscar a integração entre o ensino e a extensão? Por que fazer isso na disciplina com
este conteúdo técnico e específico da urbanização de assentamentos precários (UAP)? Por que
mobilizar a assessoria técnica direta como uma competência mobilizada pelas / nas práticas de
ensino da disciplina? Essas são as questões que o trabalho pretende responder e revelar assim
possíveis respostas que o meio acadêmico e a atuação profissional precisam dar ao tempo e ao
espaço das cidades brasileiras de modo a contribuir para o planejamento e a produção de formas
diferentes para o enfrentamento da realidade socioespacial dos assentamentos informais e da
população espoliada que luta pelo acesso à cidade e à moradia como as vilas e favelas.
Para isso é apresentado o contexto político pedagógico do curso de graduação em
Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte,
seus objetivos teóricos e práticos ensino, sua estrutura pedagógica, que possibilita um ambiente
diferenciado de aprendizagem e de difusão da extensão entre as fronteiras acadêmicas e as
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experiências realizadas em disciplina avançada do curso que trata dos assentamentos informais e da
formação dos futuros arquitetos e urbanistas para elaboração de projetos urbanos em áreas
informais.
O desafio do ensino da arquitetura e do urbanismo na graduação não se restringe apenas às
experiências relatadas da disciplina “Projeto Executivo Urbano” (PEU), mas a todo o contexto
socioespacial da sociedade brasileira e das especificidades do campo teórico e do campo social da
profissão de arquiteto e urbanista no país. Por entender que a extensão universitária deve ter uma
profunda integração com os fundamentos na formação do aluno, na proposta de ensino de cada
curso, são apresentados os diversos elementos que determinam os objetivos pedagógicos presentes
no curso e os aspectos teórico-conceituais que orientam as ações de extensão nas práticas de ensino
da disciplina estudada.
O Projeto Político Pedagógico do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas (2008)
adota uma abordagem crítica sobre a realidade da cidade, da profissão e da arquitetura e do
urbanismo. Através da implementação de três temas transversais no processo de ensino e
aprendizagem, o curso busca fazer frente a essas crises e apontar saídas para os problemas
socioambientais com os quais os alunos se depararão ao se formarem, são eles: sustentabilidade,
inclusão e tecnologia (PUC Minas, 2012).
O tema da sustentabilidade se apresenta como um princípio do desenvolvimento que
compreende a produção da terra e da cidade com o incremento, a preservação e a reparação do meio
ambiente natural (a verdadeira infraestrutura da cidade, a plataforma geológica) e com o
desenvolvimento efetivo de toda a sociedade, não apenas de alguns [os que venceram…..]
(CARVALHO, 1999). Busca a superação do paradigma científico epistemológico clássico, marcado
pela produção do conhecimento descolado da realidade, e que não existe sem a presença dos
saberes não institucionalizados. Demanda a alteração do equilíbrio entre forças na produção da
cidade: governo, técnicos, poder mercado imobiliário, proprietários de terras, usuários e moradores.
Demanda a revisão crítica das práticas de gestão e planejamento convencionais, ou seja, as que não
enfrentam a transformação das forças dominantes (por exemplo, planejamento participativo,
desenho comunitário, consultas e assembleias públicas, etc), e compreende que não é alcançado
apenas com ações restritas ao território, mas também com outras estratégias, práticas, atores e
conhecimentos / saberes que devem ser a referência de planos, projetos e desenhos urbanos e
ambientais (ASCELARD, 2004).
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A inclusão busca priorizar no estudo a transformação das condições, das necessidades e dos
territórios da população historicamente excluída das ações do planejamento e da gestão urbana, que
devem ser o foco de aprendizagem, pesquisa e experimentação das disciplinas. Os temas centrais
do planejamento convencional, as ferramentas e práticas vigentes no contexto da Rede
Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e outras áreas abordadas pelas disciplinas devem ser
ponderados em relação aos espaços de contradição e diferença presentes na sua formação
socioespacial, tendo em vista seus efeitos no cotidiano do espaço urbano, nos modos de vida e na
qualidade de vida do cidadão.
O objetivo da aprendizagem presente nas disciplinas deve ser capaz de desenvolver a
competência aos alunos, a partir das teorias e práticas ensinadas, de promover ou contribuir para a
promoção da “virada cultural” em relação a essas contradições e para a autonomia presente no
universo da cidade que é considerado como carente, pobre, subnormal e incompleto, estimulando a
investigação de estratégias em situações em que não haja alternativa ou experiências acumuladas
sobre determinados temas, abordados no curso, possibilitando a descoberta e a produção de novos
conhecimentos pelo aluno da graduação e da pós-graduação.
A tecnologia é tratada como tema transversal na intenção de promover o avanço e a
investigação tecnológica, a partir de uma perspectiva crítica que busca discutir e propor algo que
ainda se encontra por ser descoberto, libertando os paradigmas de pensamento e projeto da
epistemologia moderna originada do contexto socioespacial e na urbanização da sociedade
capitalista industrial. Não pode ser apenas uma perspectiva de reforma do atual ou reparação dos
defeitos ou inconsistências dos modelos tecnológicos atuais, apesar de que a investigação e
experimentação sobre as ferramentas e métodos existentes pode permitir o alívio dos efeitos
degradantes e até produzir fissuras nos modelos dominantes. Deve ser pensada considerando as
particularidades e subjetividades dos campos onde é produzida e implementada, numa perspectiva
em que o avanço tecnológico é uma busca pela individualização e encontro com a singularidade das
necessidades e potências de cada caso e problema estudado se aproximando também de uma
abordagem artesanal ao invés de apenas um modelo industrial reprodutível.
Esses princípios político-pedagógicos são marcados pela tentativa de aproximação e des-
hierarquização entre saberes informais e formais, orientados à emancipação técnica, econômica e
política, e à desalienação e autossustentação dos processos de produção do espaço, segundo as
diretrizes acadêmicas propostas no Projeto Político Pedagógico (PPP) do Curso de Arquitetura e
Urbanismo da PUC Minas, elaborado em 2008.
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A disciplina possui a ementa seguinte: “Projeto urbano, em nível executivo, em assentamento informal, considerando
a relação entre aspectos ambientais, morfológicos, funcionais, fundiários, políticos, econômicos, sociais, culturais e o
papel da intervenção planejada em assentamentos informais. Projeto e execução de intervenção no espaço urbano,
fundamentados nos sistemas de meso estrutura, saneamento básico e ambiental, sistema viário, sinalização, tráfego e
trânsito urbano e rural, acessibilidade. Projetos e execução de parcelamento do solo, de regularização fundiária, de
geométrico, sistema viário e acessibilidade, de tráfego e trânsito de veículos e sistemas de estacionamento, sinalização
viária e comunicação visual urbanística, de movimentação de terra, drenagem e pavimentação, de sistema de iluminação
pública, de sistema de coleta de resíduos sólidos, de mobiliário urbano, sistema de espaços coletivos e públicos.
Instalações e equipamentos referentes ao urbanismo. Traçado de cidades e desenho urbano. Assentamentos humanos e
requalificação em áreas urbanas e rurais. Articulação ao entorno, recuperação de áreas degradadas, tratamento
urbanístico de áreas abertas. Inclusão socioespacial e processos participativos de planejamento e gestão. Utilização e
aplicação de sistemas computacionais, maquetes física e eletrônica. Expressão cartográfica e gráfica.”
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[..] capacitar o aluno a identificar, analisar e criticar as decisões projetuais adotadas durante
o processo de projetação. Desenvolver instrumental técnico e conceitual para o trato de
questões relativas à cidade e ao projeto urbano; Intervir em área urbana construída e a ser
parcelada em todas as suas fases, do levantamento preliminar à avaliação final. Criar
repertório para intervir em assentamentos informais e seu entorno; Pesquisar, analisar e
reelaborar soluções tipológicas conceitualmente diferenciadas para o tecido urbano tendo
em vista as necessidades físicoculturais dos usuários, a flexibilidade de uso e o potencial
das áreas; Contribuir para a formação de uma postura crítica em relação aos espaços
urbanos. Desenvolver projeto executivo urbano. Reforçar nos futuros egressos o potencial
transformador previsto no projeto pedagógico. Estimular à mudança cultural no processo de
projeto e de execução através de uma outra perspectiva da cidade, da arquitetura e do
urbanismo e da profissão. (Retirado do plano de ensino da disciplina. PUC, 2018).
2 DESENVOLVIMENTO
períodos em que a disciplina realizou práticas curriculares de extensão, mas também à momentos
em que ela apenas adotava como objeto de ensino as áreas de trabalho dos projetos de extensão ou o
a problemática identificada nestes projetos.
Em 2013, as experiências na disciplina não poderiam ser caracterizadas como ações
extensionistas, mas, diante das atividades de extensão vivenciadas pelo docente no universo de
ensino e na temática da disciplina, estimularam a uma reflexão sobre formas de aproximar os
objetivos pedagógicos gerais da disciplina com a realidade da extensão em curso, principalmente
pela atuação do EI no contexto dos assentamentos informais das ocupações urbanas organizadas e
nas demandas que se apresentavam para a implantação de dispositivos alternativos de urbanização
(saneamento). Nesse período, o processo buscava promover mudanças na prática de ensino da
disciplina buscando incentivar o aluno a projetar de outra maneira: sair do seu lugar de arquiteto e
do seu lugar (de classe) na cidade; conceber a urbanização por uma perspectiva sociotécnica, com
as opções de design e de construção levando em conta as prioridades e subjetividades do território e
das pessoas; incorporar qualidade, eficiência e sustentabilidade aos projetos urbanísticos e
arquitetônicos desenvolvidos. Nesse momento, algumas ações foram implementadas no processo de
ensino adotando-se uma área de trabalho estudada em pesquisa anterior quanto aos problemas da
urbanização (Vila Nossa Senhora de Fátima no Aglomerado da Serra) e tomando-se como objetivos
da aprendizagem e objetos de projeto estes problemas. Buscava-se avaliar a possibilidade e
procedência na experimentação de outros princípios técnicos e teóricos, diferentes dos utilizados até
então na disciplina, que se dedicavam à reprodução do modelo técnico consolidado na política
pública de urbanização de assentamentos precários – UAP (ABIKO; COELHO, 2009)3.
Nesse primeiro momento da mudança de estratégias de ensino, buscou-se um olhar a partir
do campo, uma reflexão crítica sobre o planejado e o urbanizado pelo poder público4, a leitura
ambiental por meio de uma perspectiva geossistêmica, a análise e interpretação de uma escala
espacial mais próxima do cotidiano, reduzindo o privilégio da escala físico territorial e o exercício
3
O modelo de UAP tem sido pesquisado criticamente desde a sua formação nas políticas urbanas e habitacionais no
país para as áreas informais como vilas favelas e outras formas de assentamentos urbanos (CARDOSO, 2006). Na sua
segunda década de efetiva implementação por meio de programas municipais e estaduais de urbanização de
assentamentos precários, a UAP experimentou um crescimento exponencial na escala territorial e na complexidade de
suas ações, sobretudo pelos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tendo como
consequência a promoção de impactos no meio ambiente urbano destas comunidades que superaram o alívio parcial de
suas necessidades coletivas e urbanísticas, em alguns casos aprofundaram a informalidade e a pobreza urbana e não
trouxeram avanços na segurança da posse e no direito à cidade desta população.
4
O assentamento estudado pela disciplina neste período fazia parte de um complexo de favelas em Belo Horizonte que
havia recebido o programa de intervenções estruturantes Vila Viva pelo poder público municipal e era marcada por um
extenso processo de planejamento e urbanização desde a década de 1980.
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5
A pedido dos moradores afetados pela obra, em 2014, o EI participou de ação em conjunto com disciplina do curso de
arquitetura, urbanismo e design da UFMG de prática de difusão da informação sobre o projeto da prefeitura e de
promoção do debate entre moradores sobre as percepções dos impactos previstos pela urbanização (BITTENCOURT;
ROCHA, 2019).
6
Este acervo tem sido constantemente atualizado pelo processo de pesquisa no apoio às ações de assessoria técnica a
grupos organizados e de extensão pelo EI e contém um grande volume de informações sobre sistemas e dispositivos de
urbanização convencionais e alternativos, por exemplo: técnicas de bioconstrução, técnicas compensatórios de
drenagem e de estabilização de encostas, banco de soluções tecnológicas de mesoestrutura , etc.
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suas estruturas urbanas mais consolidadas pelo tempo (e em alguns casos pelas ações do poder
público), além de já terem afastado o “fantasma da remoção”, haja vista a impossibilidade do poder
público em promover sua desocupação por meio do desfavelamento e pela força política e
comunitária presente nestes locais sempre que pressionados pela perda da segurança em permanecer
no seu lugar.
Pode-se perceber que o desenvolvimento de atividades pedagógicas em ambientes com
problemas reais junto aos sujeitos do trabalho (os moradores) e a incorporação como problemas de
aprendizagem sugerida por eles eram viáveis e trouxeram uma motivação dos alunos em relação ao
cotidiano da disciplina e do aprendizado do tema do urbanismo e da urbanização. Vale ressaltar que
foi incorporada na disciplina a atividade externa prática de participação dos alunos em mutirões nas
comunidades, decorrentes das intervenções desenvolvidas pelos projetos de extensão. Alguns deles
acabaram adotando a demanda e as ações identificadas pelos projetos de extensão como objetos de
detalhamento na etapa final e individual das atividades da disciplina7.
3 METODOLOGIA
7
Neste ano, o Escritório de Integração executada dois projetos de extensão no assentamento adotado como objeto de
estudo da disciplina: Canteiro Em Obras: experimentação e tessitura de saberes construtivos e Ocupando lajes e outras
estruturas.
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presença no território e gerou mudanças na percepção de toda a equipe pelo fato das ações técnicas
e acadêmicas estarem sendo pensadas e desenvolvidas a partir deste lugar e permanentemente junto
com os moradores, dentro do que se adotou como assessoria técnica direta (BITTENCOURT;
ZERLOTINI DA SILVA; BRANCO, 2018a).
PCE são compreendidas neste trabalho como as ações que surgiram a partir de demandas
reais junto aos assentamentos informais assessorados e que, durante o processo de ensino e
aprendizagem na disciplina, foram sendo enfrentadas conjuntamente entre a universidade
(pesquisadores, extensionistas e alunos da disciplina) e os moradores destas comunidades assim
como as soluções técnicas e espaciais também são concebidas e experimentadas em conjunto entre
esses atores envolvidos na prática de extensão. Tal experiência foi possível a partir de alterações no
plano de ensino da disciplina, em uma turma lecionada a partir do primeiro semestre de 2017.
As alterações foram implementadas em associação com o projeto de extensão “Assessoria
Técnica a Ocupações Urbanas: processos autônomos de urbanização”. Os objetivos do projeto que
foram determinados a partir de 3 anos de projetos de extensão em desenvolvimento na mesma
região informal, as ocupações urbanas da região da Izidora (Rosa Leão, Helena Greco, Vitória e
Esperança) e buscavam desenvolver junto com os moradores técnicas de urbanização sustentável
que fizessem frente aos problemas nos espaços comuns da comunidade como esgoto a céu aberto,
situações de risco quanto a geotecnia e quanto ao tratamento de espaços de uso público, como
praças e áreas de lazer.
Esse momento da assessoria técnica do E.I tinha alcançado uma percepção crítica da
necessidade de adoção de um trabalho mais próximo dos moradores, sem tanta intervenção de suas
lideranças (também moradores) e mais continuado, de construção conjunta e mutirão. Ao mesmo
tempo, a necessidade de compreensão técnica da área demandou a produção de levantamentos,
estudos e pesquisas que serviriam de base de dados e de consulta para a disciplina.
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À esquerda, fotografia aérea por voo de helicóptero e ortofoto; à direita, produzida por voo de drone.
Por isso, a unidade ambiental e territorial adotada foi a microbacia hidrográfica junto à Rua
Bela, onde diversos moradores já estavam engajados na solução do problema de erosão da via
devido às águas de chuva. Esses aspectos se congraçavam com o desejo de tratar na disciplina outra
forma de tratar o meio ambiente urbano e, sobretudo, com uma abordagem mais próxima entre
técnico e morador, visto ser tão prejudicial o distanciamento, que leva até a geração de conflitos
entre o poder público e as comunidades afetadas pelas políticas de urbanização.
Então se programou uma abordagem extensionista a partir das seguintes estratégias (ou
objetivos pedagógicos): fornecer estratégias para pesquisa, sistematização e aplicação de
informações técnicas para problemas, situações e projetos complexos dentro do universo de temas
da disciplina; fomentar a discussão crítica do processo convencional de planejamento e do projeto
de urbanização públicos; enfrentar a complexidade do espaço urbano informal como princípio para
a solução projetual; conhecer o espaço (como funciona o que significa para o morador), representar
(reconstruir a base topográfica) e analisar a urbanização autoconstruída (os sistemas e dinâmicas de
mesoestrutura existentes); discutir, ensaiar, experimentar no local com o morador e em sala a partir
dos sistemas e padrões construtivos e tecnológicos disponíveis; e avaliar junto ao lugar, junto às
pessoas as soluções concebidas pelo aluno.
Essas mudanças foram implementadas em duas turmas de turnos diferentes (vespertino e
noturno). No curso de Arquitetura e Urbanismo, há uma diferença no perfil de alunos entre os
turnos, o aluno no noturno tem muito menos tempo de envolvimento extraclasse e geralmente uma
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maior dedicação durante as atividades regulares em sala de aula, já o aluno da tarde apresenta mais
tempo disponível durante o curso, portanto, com mais possibilidade de participação de atividades
extraclasses, como os mutirões no fim de semana, mas um grau menor de participação nas
atividades letivas regulares. Além disso, há um grande número de alunos no turno vespertino
interessados no campo restrito da Arquitetura, sem se aprofundarem em temas ou problemas
sociais, apesar da consolidada tradição e proposta pedagógica do curso na formação do urbanismo.
Para o planejamento das atividades, foi estabelecida uma dinâmica de envolvimento na
disciplina da equipe de docentes e alunos extensionistas nas atividades, coordenador pelo plano de
ensino e o calendário da disciplina. A assessoria e as demandas da comunidade também foram
encaminhadas a partir do fluxo de estudos, informações e ações previstas no processo pedagógico.
Foram desenvolvidos os seguintes produtos e etapas para viabilizar o processo de aprendizado em
integração às atividades de extensão junto à comunidade Esperança:
Caderneta de campo – contexto urbano geral e local; políticas, planos e projetos existentes
para a área, diagnóstico de campo dos sistemas urbanos e do cotidiano + demandas gerais e
pontuais + população interessada.
Figura 5 – Esboços in loco das ideias que são negociadas no PROJETO OBRA, adotando-se os
meios e formatos disponíveis durante a assessoria técnica direta
No semestre seguinte, não houve a formação de alunos para a turma, então a experiência foi
descontinuada, porém as atividades de extensão continuaram por meio da assessoria técnica
prestada pelas ações do E.I., na ocupação Esperança. Ao fim do primeiro semestre das atividades na
comunidade, as suas lideranças colocaram a necessidade de aproveitar os estudos técnicos feitos
para ajudarem os moradores a entender os desafios previstos para a urbanização e a regularização
da comunidade, prementes após mudanças no processo político e jurídico de disputa deles e na
busca pela conquista da segurança da posse e da permanência na região e acesso aos serviços
urbanos essenciais.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 56
Então foi proposta uma mudança no trabalho de assessoria e das práticas extensionistas da
disciplina, interrompendo-se a ação no território na busca de soluções de urbanização sustentável e
na priorização de estudos que antecipassem os impactos da urbanização convencional sobre o
território e sobre o cotidiano da comunidade. Tal estratégia buscava o estímulo ao debate entre os
moradores sobre quais seriam suas prioridades e expectativas quanto à urbanização a ser promovida
pelo poder público.
Para essas atividades, foi necessária a elaboração de um aporte de informação (base de
dados para projeto) e de elaboração de um cadastro do território por meio de voo de drone e do uso
de software de georreferenciamento para produção de arquivo vetorial para utilização nos estudos
projetuais dos alunos. Tal ação foi possível por meio de uma integração entre a gestão do acervo
técnico do E.I. e de pesquisa de geoprocessamento aplicada do planejamento urbano desenvolvida
por docente do Departamento.
Foi necessária uma inovação no método de ensino, de modo a objetivar as aproximações e
diagnósticos iniciais elaborados pelos alunos (os mapas disciplinas de urbanização) e também uma
intensa sistematização das informações técnicas para elaboração de projetos de urbanização, para
que os alunos pudessem adquirir competências no início do semestre e terem tempo para
identificação das situações problema para a urbanização e conseguirem desenvolver os desenhos
técnicos e levantarem os dados sobre os impactos da urbanização. Nesse processo, já na tentativa do
avanço da metodologia de urbanização de assentamentos informais, foi exercitada a aplicação do
conceito de Capacidade de Suporte do Sítio, em alternativa ao convencional método de
identificação de áreas de risco hidrológico e geotécnico à ocupação humana (isto foi possível pela
incorporação dos conhecimentos de hidrogeologia disponíveis pela parceria do EI com o Programa
de Pós-Graduação em Geografia da PUC Minas). Além disso, para outro avanço necessário, foi
incorporada a ferramenta de pesquisa do Levantamento Socioespacial – LSE (ZERLOTINI.
ROCHA, 2018), de modo a permitir os alunos trabalharem com a real necessidade escutada a partir
das falas dos moradores, superando as dificuldades de participação e autonomia dos sujeitos na
concepção e execução da urbanização.
A partir das especificidades (dificuldades, ritmo, diferenças entre os alunos, outras
atividades curriculares) das práticas de ensino, o atendimento às demandas da extensão e da
comunidade não foram alcançados durante o semestre letivo dessa experiência. Porém as
informações e produtos desenvolvidos pelos alunos permitiram o avanço da assessoria, além de
possibilitaram a consolidação de método relevante para a assessoria (a elaboração de Ortofoto por
meio do voo de drone com a utilização de programa de computador específico) e do conceito de
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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análise urbana e ambiental da capacidade de suporte do sítio, que está sendo adotado em outras
disciplinas do eixo de urbanismo do curso de graduação e também em disciplinas no curso de
especialização em Planejamento Ambiental Urbano e Produção Social do Espaço em curso. Por
fim, um dos alunos desta turma decidiu dar continuidade à assessoria em seu trabalho de conclusão
de curso, realizando exatamente as discussões junto aos moradores sobre suas expectativas quanto à
urbanização (TARANTO, 2018).
ocupação Esperança em um documento técnico, um plano, que sirva de instrumento para a luta dos
moradores para a implementação de políticas urbanas, habitacionais e de regularização fundiária.
Neste semestre, os alunos estão se apropriando do material técnico de diagnóstico e de proposições
para a área dos três semestres de trabalho na elaboração de projeto executivo urbano para a mesma
área; no processo de aprendizado e de reflexão crítica, promoverão a síntese e a formatação final
para emissão deste conteúdo para a comunidade assessorada. Novamente a integração com a
extensão se fará presente, na intenção de possibilitar a apropriação pelos moradores das informações
técnicas através do esforço de produção de linguagens e representação gráfica e cartográfica dos
produtos do plano de urbanização da ocupação Esperança através do trabalho do projeto de extensão
PROSA – Escola de Formação de Autoprodutores em Processos Socioambientais, em execução
desde 2018.
4 CONCLUSÃO
Optar pela extensão como forma de qualificar a formação do graduando é mais do que claro
e premente pela sua expansão no ensino universitário do país, inclusive na pós-graduação.
Incorporar a extensão como perspectiva pedagógica na graduação tem sido importante para o
enriquecimento da formação de alunos envolvidos (da graduação e da pós-graduação, extensionistas
e pesquisadores de iniciação científica, estagiários do curso). Enfrentar esses desafios tem se
mostrado a melhor maneira de trazer crescimento ao papel da academia na vida dos seus membros e
na sua importância para a sociedade.
Agir na urgência, ao contrário de uma improvisação ou falta de planejamento (agir com
urgência) no processo de ensino e aprendizagem, é uma forma de incorporar sentido aos conteúdos
e problemas que os alunos precisam aprender, dentro de um aprendizado real e que possibilita,
durante o ensino, aprender e encontrar os elementos para superação dos desafios que estarão
presentes na vida real, na prática profissional e na atuação em sociedade como arquiteto e urbanista.
Decidir na incerteza assume com clareza o desafio de superação do pensamento técnico-
científico construído a partir de processos claramente desiguais de dominação entre classes sociais e
nações, de manutenção da alienação do homem sobre o mundo – aquele mundo administrado
(formal?). Busca superar uma racionalidade (ideológica, certamente no caso do urbanismo;
LEFEBVRE, 1999) que se mantém hegemonicamente em sobreposição a outras formas de saber,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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apesar de todas as suas contradições e impasses, sobretudo por acreditar que a sua capacidade e
método de autovalidação é suficiente para reduzir o mundo e a natureza segundo a sua “mera
objetividade” e a partir dos seus resultados (FEYERABEND, 2011).
Aproximar-se do processo real da prática e do sujeito do trabalho da Arquitetura e
Urbanismo durante o processo de aprendizado busca acabar com a certeza, tornando a decisão de
como o conhecimento será produzido e o que será incorporado no cotidiano da cidade e da
sociedade resultado da interação entre aluno e os que serão sujeitos do seu trabalho. Essas certezas
não estão mais restritas a quem ensina, “os alunos também precisam aprender a tomar decisões, a
mobilizar recursos e a ativar seus esquemas, isto é, desenvolver competências”. (PERRENOUD,
2001, s/p.).
Compreender a extensão sem distanciá-la de sua aplicação no ensino, ou seja, como ação
isolada para o outro e separada da educação, é reforçar o compromisso (e dever) da academia de
educar e educar-se. Segundo Freire (1983), a extensão vem carregada de um papel de “persuadir as
populações a aceitar nossa propaganda” (FREIRE, 1983, p. 14). O desafio em se fazer extensão,
que é seu objetivo de agir para a transformação da realidade de uma comunidade, pode vir
acompanhado com a invasão cultural, a manipulação, a negação desta mesma realidade quando
considerada necessitada e por isso, inferior, incompleta, como precisando ser normalizada pelo
saber fazer educativo da extensão e de seus agentes (instituição, professor orientador e
extensionistas). Essa pode ser entendida como uma primeira violência produzida pela ação
extensionistas, tem-se ainda a possibilidade de promover uma segunda violência: o impedimento da
formação e constituição de um conhecimento autêntico, negando a ação e a reflexão verdadeiras
àqueles que são objetos de tais ações de extensão, destruindo-se assim as autonomias do pensar e do
fazer dos alunos e da sociedade envolvida. Por isso, a opção [ideológica] da assessoria em não levar
a palavra da urbanização (ou aquela ideologia urbanística que reproduz a cidade formal como sendo
o melhor da técnica) e tomar como ponto de partida a negociação entre técnico e morador no
processo da assessoria (e da extensão), o reconhecimento do saber e do fazer da autoprodução
daquelas comunidades, vilas, favelas e ocupações.
A qualidade e a efetividade da participação do sujeito do planejamento e do trabalho da
assessoria como um desafio problema histórico na política pública de UAP (modelo referencial para
o ensino do projeto executivo de urbanização de áreas informais) reforça a contribuição no ensino
de uma abordagem extensionista para a disciplina pelo fato de a participação ser também um
problema muito caro para a extensão.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Participação ou transformação são categorias ambíguas que apenas ganham sentido capaz
de orientar práticas de educação popular, quando são substantivas por orientações políticas
definidas a que se submetem. A questão não está em estabelecer metodologicamente como
o povo participa de trabalhos pedagógicos, mas definir: 1°) a que tipo de projeto de classe
serve o trabalho da educação, ou seja, ele reforça a hegemonia do poder estabelecido ou,
dentro dos seus limites, contribui para a formação de uma nova hegemonia popular?; 2°) a
quem corresponde, socialmente, o poder de controle sobre o teor político de participação e
das transformações que ela deve realizar? (BRANDÃO, 1984. p. 117)
A prática educativa foi tomada como ato político pela compreensão de que as necessidades
de mudança da sociedade serão enfrentadas pelos alunos hoje em formação, ressaltando-se nesse
aspecto a responsabilidade social da academia que, ciente das contradições sociais mantidas e
ampliadas também pelo uso do conhecimento técnico científico, toma que posição diante deste
processo? (BRANDÃO, 1984). Cumprem-se, assim, objetivos do projeto pedagógico em formar
futuros profissionais transformadores, que, por meio do seu aprendizado, assumem um papel e
desenvolvem uma capacidade de mudar a realidade das coisas a partir do trabalho coletivo
(verdadeiramente social) e com foco na inversão das lógicas instaladas.
Com sustentabilidade, a partir do esforço de uma outra análise socioambiental e a percepção
do menor impacto e maior qualidade no uso do espaço e do sítio natural; tecnologia pelo
reconhecimento dos estragos ambientais e de qualidade de vida da urbanização formal por toda a
cidade, comprometida em sua sustentabilidade e na necessidade básica em prover aos seus usuários
qualidade de vida; e inclusão, pelo avanço de uma concepção e prática de técnicas e processos
alternativos, que não excluem o saber tradicional e nem abandonam a necessária evolução
tecnológica do meio urbano (seus modelos, seus sistemas e sua produção), de modo a superar o
custoso e degradante estado de atraso de nossas estruturas urbanas e do ambiente construído das
edificações predominante nas cidades brasileiras, sobretudo nos bairros e nas moradias ditas
formais e urbanizadas.
REFERÊNCIAS
RESUMO
1
Artigo resultante das ações desenvolvidas pelo projeto de extensão “UNIVERSIDADE SUSTENTÁVEL: Ações
estratégicas para implementação de uma Agenda Ambiental para o campus Coração Eucarístico da PUC Minas e suas
comunidades do entorno”, vinculado ao Curso de Ciências Biológicas e financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da
PUC Minas (2015-2018).
2
Prof. Me. do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas. E-mail: andrefrancobio@[Link].
3
Prof. Dr. do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas. E-mail: fernandolaureano@[Link].
4
Prof. Me do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT
This article aims to present and discuss the procedures used in the development of interdisciplinary constructions,
through Curricular Extension Practices, in the Sustainable Complex of Pontifical Catholic University of Minas Gerais
(PUC Minas). The Complex represents a space that promotes extensionist actions and is an incubator of sustainable
solutions and technologies, located in the campus Coração Eucarístico and created, since 2015, by the team of the
Sustainable University extension project and by its partners. As a methodological guideline, an integrative and
multidimensional approach to sustainability was adopted, based on participatory methodologies such as action research,
social mobilization and critical environmental education. Through the accomplishment of curricular practices, the
multiple possibilities of articulations and realization of interfaces between teaching, research and university extension
with disciplines of numerous undergraduate courses were realized, considering a comprehensive view of sustainability.
In this sense, this thematic provides theoretical and conceptual subsidies that propitiate its discussion in practically all
areas of knowledge of the University.
1 INTRODUÇÃO
.
Fonte: Adaptado de Fouto (2002).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Resende et al. (2017) salientam que, numa perspectiva acadêmica, baseada no princípio da
indissociabilidade, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da PUC Minas formalizou, em 2015, a
proposta de uma nova modalidade de ação extensionista intitulada “prática curricular de extensão”,
por meio da Resolução nº 02/2015, que aprovou o Regulamento da PROEX (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015). Conforme o art. 5º, VII do
Regulamento, consideram-se práticas curriculares de extensão:
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Metodologia
[..] existem objetivos práticos de natureza bastante imediata: propor soluções quando for
possível e acompanhar ações correspondentes, ou, pelo menos, fazer progredir a
consciência dos participantes no que diz respeito à existência de soluções e de obstáculos
(THIOLLENT, 1994, p. 20).
Para que essas atividades fossem efetivadas, segundo os autores recém-mencionados, foi
necessária à identificação de um reeditor social, uma liderança local cuja função perpassa a
recepção e a reestruturação das formas de pensar e agir mediante o saber adquirido durante o
processo de ensino-aprendizagem promovido pelo projeto, não apenas uma reprodução fidedigna da
prática educativa. Por isso, a figura do reeditor social deve possuir credibilidade e ser reconhecido
por aqueles sobre os quais ele exerce influência (TORO; WERNECK, 2004).
Mediante tais abordagens participativas, propôs-se a formatação e a operacionalização de
um documento norteador – a Agenda Ambiental do Departamento de Ciências Biológicas da PUC
Minas –, trazendo em seu escopo, eixos prioritários de intervenção, definidos conforme etapa
diagnóstica, e ações estratégicas realizadas intramuros e, também, aquelas com as comunidades do
entorno do campus Coração Eucarístico da PUC Minas, que interagem direta e indiretamente com a
Universidade.
Para tanto, a equipe do projeto conta com professores, técnicos e discentes de inúmeros
cursos de graduação e pós-graduação da PUC Minas – Arquitetura e Urbanismo, Ciências
Biológicas, Ciências Econômicas, Educação, Engenharias Civil, de Energia, Mecânica,
Metalúrgica, Química, Fisioterapia, Geografia, Psicologia, Relações Internacionais, Teologia,
dentre outros. Além desta participação interdisciplinar, o Projeto conta com a parceria com a Pró-
reitora da Unidade de Betim, Pró-reitoras de Logística e de Infraestrutura e de Extensão, dentre
outros parceiros internos e externos.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 71
Leff (2005) afirma que, para incorporar o saber ambiental nas Universidades, é necessário
transformar as estruturas educacionais. A educação para a sustentabilidade exige novas atitudes dos
professores e alunos, novas relações sociais para a produção do saber ambiental, novas práticas
pedagógicas que incorporem e divulguem a cultura da sustentabilidade de uma maneira crítica,
contínua e permanente.
As universidades podem e devem desempenhar um papel de extrema relevância para a
sustentabilidade ao atuar como agente ativo da promoção desse balanço, equilibrando educação,
economia e integração social. Dessa forma, a Instituição de Ensino Superior pode (re)orientar suas
ações para a conservação do seu ambiente e de áreas extramuros, envolvendo as comunidades de
seu entorno, buscando alcançar o status de Universidade Sustentável.
Mais especificamente, uma Universidade Sustentável seria aquela que envolvesse e
promovesse a diminuição de impactos negativos no ambiente, reduzindo, mitigando e compensando
esses impactos, sejam eles ambientais, econômicos, sociais e de saúde, causados pela utilização de
recursos ambientais. Ademais, a instituição sustentável deve ajudar a sociedade a fazer uma
transição para um estilo de vida mais sustentável (VELASQUEZ et al., 2005, tradução nossa). As
universidades devem, nesse sentido, contribuir para a delineação de um ambiente mais sustentável,
para que atuem como centros de promoção de sustentabilidade local e global e de formação de
reeditores do saber adquirido, replicando o conteúdo para espaços intra e extramuros
(ALSHUWAIKHAT E ABUBAKAR, 2008).
Considera-se, nesse contexto, que o campus universitário como um núcleo urbano médio (a
comunidade acadêmica da PUC Minas, como exemplo, envolve mais de 50 mil pessoas, que
utilizam cotidianamente o espaço da Universidade), uma vez que possui infraestrutura básica, como
restaurantes, redes de abastecimento de energia e água, redes de saneamento, coleta de resíduos,
área verde, usuários diretos (TAUCHEN; BRANDII, 2006). Nesse sentido, é inerente à vocação e
ao compromisso das Instituições de Ensino Superior propor iniciativas que visem à implementação
de tecnologias sociais alicerçadas nas premissas da sustentabilidade em espaços urbanos e que
sejam coerentes com o contexto e demandas atuais planetárias. Com base nisso, a proposta de um
Complexo Sustentável para a PUC Minas foi pensada com o intuito de contribuir para uma revisão
Ressignificando a relação teoria e prática:
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É a partir desse mote que as ações estratégicas sustentáveis desta Agenda Ambiental,
ancoradas no projeto Universidade Sustentável e em seus parceiros, e dispostas em eixos de
atuação, são projetadas e conduzidas no âmbito da PUC Minas e em suas áreas de influência.
Espera-se, então, com a implantação da Agenda Ambiental do Departamento de Ciências
Biológicas e com a replicação / adaptação desse modelo em outros setores e unidades da PUC
Minas, que a nossa Universidade possa atuar como espelho e referência para outras IES, para a
comunidade acadêmica e para a sociedade como um todo.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3 RESULTADOS
das cantinas universitárias, visando à sua utilização no campus Coração Eucarístico, o que pode
contribuir para a redução de gastos energéticos em seus espaços associados. Ressalta-se que esta
iniciativa está sendo desenvolvida e monitorada pelos extensionistas do eixo Clima e Energia do
Projeto Universidade Sustentável, em parceria com a equipe da PROINFRA e com a equipe do
Escritório de Integração e do Canteiro em Obras, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da
PUC Minas. É pertinente salientar que esta iniciativa emergiu da disciplina de Gestão Ambiental,
do Curso de Engenharia Química, em que se propôs o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis
para contribuição à gestão do campus Coração Eucarístico da PUC Minas.
6) “Projeto para Construção de Jardim Vertical no Prédio 60 (CISAL), no campus Coração
Eucarístico da PUC Minas”. Essa iniciativa, desenvolvida por extensionistas do Curso de
Arquitetura Urbanismo, teve como objetivo gerar melhoria e conforto térmico na parte interna da
edificação, com a diminuição da temperatura interna, redução dos gastos de energia com
ventiladores e ar condicionado e também promover valor estético ampliando os espaços verdes.
Além disso, é objetivo a disseminação desse trabalho como fonte de informação e inspiração para
outras pessoas. Após o piloto desenvolvido, almeja-se realizar monitoramentos diários, em
diferentes horários, para o teste de eficiência. Até o presente momento, foram realizadas pesquisas
bibliográficas para obtenção de conhecimento sobre tecnologias e modos de construção, procurando
conhecer as opções de materiais. Prezou-se, prioritariamente, pela utilização de materiais
disponíveis na Universidade, assim como de espécies de plantas mais adequadas para o jardim
vertical e apropriadas para cada tipo de ambiente e sua luminosidade.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo descrito neste artigo possibilitou discorrer acerca de uma proposta interdisciplinar
de pesquisa social / pesquisa-ação em interface com a extensão universitária e com práticas de
ensino-aprendizagem e de desenvolvimento tecnológico e, principalmente, as inúmeras
possibilidades de articulação com os componentes curriculares dos cursos de graduação e pós-
graduação. Com isso, tornou-se possível o vislumbre de uma integração para a ambientalização da
Universidade e para o compartilhamento dialógico de ideias e proposições entre a comunidade
acadêmica e a sociedade em geral.
Mediante a criação de um ambiente universitário que possa fomentar o bem-estar para as
gerações do presente e do futuro e de um espaço que promova uma educação integrada e que seja
sustentável em uma perspectiva multidimensional (ambiental, ecológica, cultural, econômica,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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REFERÊNCIAS
RESUMO
O presente artigo, resultado de parceria entre docente e discentes, apresenta a proposta da prática curricular
extensionista realizada no bojo da disciplina de Orientação Profissional, no curso de Psicologia da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais, unidade São Gabriel. O texto discorre sobre a proposta didática e pedagógica
que é colocada aos estudantes, apontando as suas contribuições à formação e a sua função social. Expõe-se ainda o
relato de uma intervenção realizada por um grupo de extensionistas, junto aos jovens participantes do cursinho Pré-
Vestibular Comunitário da Paróquia Jesus de Nazaré, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. A prática foi sistematizada
conforme o método das Oficinas Psicossociais, sendo realizados dois encontros, nos quais, através de diálogos e do uso
de técnicas de grupo, objetivou-se sensibilizar os participantes, promovendo a reflexão no que diz respeito à escolha
profissional e à elaboração de um projeto de vida. Verificou-se que alguns jovens desconheciam o trabalho da
Orientação Profissional e que, apesar de estarem se preparando para os processos de seleção, não tinham muita clareza
sobre a importância de uma escolha refletida, que considere as suas inclinações pessoais e o contexto de vida.
1
Me. em Psicologia. Professor assistente na Faculdade de Psicologia da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
2
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: nathaliassantos96@[Link].
3
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: nathalyasantos15@[Link].
4
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: [Link]@[Link].
5
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT
This article, result of a partnership between teacher and students, presents the proposal of the curricular extension
practice made through the Vocational Guidance discipline, in the course of graduation in Psychology of the Pontifical
Catholic University of Minas Gerais, São Gabriel university unit, Brazil. The text discusses the didactic and
pedagogical proposal that is put to the students, pointing out their contributions to the formation and their social
function. We also present an account of an intervention carried out by a group of extensionists, together with the young
participants of the Community Pre-Vestibular course offered at the Jesus de Nazaré Church, in the municipality of
Ribeirão das Neves. The practice was systematized according to the method of the Psychosocial Workshops. Two
meetings were held which, through dialogues and the use of group techniques, aimed to sensitize the participants,
promoting reflection on professional choice and the elaboration of a project of life. It was found that some young people
were unaware of the work of Vocational Guidance and that although they were preparing for the selection process, they
were not very certain about the importance of a reflected choice that considers their personal inclinations and their
context of life.
1 INTRODUÇÃO
A extensão constitui um dos eixos do tripé que caracteriza de fato uma universidade. Aliada
ao ensino e à pesquisa, a extensão universitária conecta a academia à sociedade, dando cores, vozes
e vida à produção e ao compartilhamento de conhecimento. O trabalho extramuros e igualmente
aquele que traz a comunidade para dentro da universidade concretizam uma função educativa, ao
possibilitar a articulação entre teoria e prática, promovendo, através das vivências, as trocas e a
construção de saberes. Ao mesmo tempo, a extensão universitária também possui um papel social,
pois aproxima discentes e docentes da realidade fora das salas de aula, contribuindo para o
desenvolvimento da cidadania e da formação profissional crítica e sensível às questões do mundo.
No âmbito da PUC Minas, a extensão universitária emerge como aspecto que reitera o
compromisso da instituição com uma formação cada vez mais humanística. Conforme Felippe
(2016), não é mais suficiente investir na formação de “[...] profissionais altamente desenvolvidos na
sua habilitação específica, porém enclausurados em suas próprias competências técnicas e
tecnológicas, sem a capacidade de leitura da realidade e de escuta das demandas por ela
apresentada” (FELIPPE, 2016, p. 9). Assim, como pode ser lido na Política de Extensão
Universitária da PUC Minas (2006), “as mudanças no mundo contemporâneo conferem às
Instituições de Ensino Superior (IES) um papel estratégico no desenvolvimento das sociedades”,
convocando, portanto, as universidades a se posicionarem e a contribuírem com a elaboração de um
projeto societário mais justo e digno.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 85
Assim, se aproxima a extensão à realidade dos alunos, levando-a para a sala de aula e
rompendo os limites físicos desta. A extensão passa a ser parte do conteúdo a ser ministrado, torna-
se parte da avaliação feita dos estudantes, passa a ser estratégia didática e pedagógica para articular
teoria e prática, contribuindo de forma mais direta e acessível para os processos de ensino,
aprendizagem, e fabricação da identidade profissional. Isso requer cuidados para que, de fato, a
prática extensionista contribua com formação, de modo a não criar um sobrepeso na trajetória e na
vida dos graduandos, mas, ao contrário, que se busque preservar o zelo pelo desenvolvimento de
competências éticas, humanas e técnicas próprias ao exercício da profissão em questão.
Nessa direção, este texto apresenta as contribuições da prática curricular de extensão
introduzida na disciplina Orientação Profissional, do curso graduação em Psicologia, ofertado na
PUC Minas, unidade São Gabriel. Como já advertido, essa prática muitas vezes é o primeiro
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 86
(quando não o único) contato dos discentes com a extensão. Por isso a proposta deve ser
apresentada com cautela, de modo a garantir a participação e o envolvimento dos discentes e a
promoção da construção do conhecimento, além do desenvolvimento de competências adquiridas
durante a formação.
Como elemento conciliador, os alunos se ancoram nos conteúdos aprendidos nesta e em
outras disciplinas cursadas ao longo da graduação, e recorrem à metodologia das Oficinas
Psicossociais como estratégia de aplicação e intervenção. A proposta consiste em sensibilizar um
grupo de jovens, adultos ou idosos para a importância de estruturar o projeto de vida (o que inclui a
reflexão sobre a escolha profissional, a construção da carreira ou a preparação para a
aposentadoria). Para tanto, é escolhido um grupo ou instituição ao qual é feita a investigação acerca
da demanda e a pré-análise, estabelecendo uma parceria que culmina na escrita de um projeto e a
execução da prática extensionista em si. Tudo é feito conforme a disponibilidade dos estudantes e
do campo que os recebe.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Metodologia
No contexto do relato de prática que será apresentado e discutido mais adiante, justamente
para adequar as potencialidades da vivência concreta às realidades de vida dos estudantes, propôs-se
um trabalho de sensibilização para as questões profissionais. Não se trata, portanto, da execução de
uma prática de Orientação Profissional propriamente dita, apesar de a possibilidade igualmente ser
colocada para os estudantes que tivessem a disponibilidade para tal empreendimento.
A Orientação Profissional é prática estruturada em fases e processos de reflexão que se
iniciam pelo mapeamento das questões e inclinações dos sujeitos contemplados; avaliação de
interesses, habilidades e da realidade na qual estes estão inseridos, estimulando o autoconhecimento
e conhecimento das profissões; projeção, tomada de decisão e elaboração de um projeto de vida.
Necessita, portanto, de disponibilidade por parte dos orientandos e dos orientadores, exigindo um
período de tempo que pode variar conforme a necessidade.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Para Santos et al., “A oficina de sensibilização às questões profissionais pode ser executada
em formato de um encontro único em situações em que não é possível promover uma sequência de
encontros com os estudantes” (SANTOS et al., 2016, p. 168-169).
Quanto à proposta oferecida no âmbito da formação em Psicologia da PUC Minas São
Gabriel, tem-se convidado os graduandos a se aproximarem não apenas dos jovens que farão a sua
primeira escolha profissional, mas também de adultos que estão precisando de aconselhamento no
que diz respeito ao desenvolvimento da carreira, estudantes universitários que buscam auxilio para
planejar e organizar a sua trajetória, bem como idosos que estão procurando por uma (re)orientação
profissional ou precisando de uma intervenção mais voltada para o preparo para a aposentadoria
e/ou elaboração de projeto de vida.
Ao se apresentar a proposta às turmas que estão cursando a disciplina de Orientação
Profissional, pede-se aos estudantes que se dividam em grupos. Cada grupo deve realizar uma
Oficina de Sensibilização em Orientação Profissional. Como o objetivo é sensibilizar, e não realizar
um processo de OP propriamente dito, a prática pode ser realizada em um único encontro ou mais,
conforme já discutido, de acordo com a disponibilidade dos discentes, mas também do campo que
será contemplado com a prática. O trabalho pode ser realizado com diferentes públicos: estudantes
de Ensino Fundamental, estudantes de Ensino Médio, grupos de jovens aprendizes, alunos de cursos
pré-vestibulares, alunos de cursos superiores, adultos profissionais ou idosos aposentados, entre
outros.
Os extensionistas, a princípio, elaboram, sob acompanhamento do docente, um projeto de
intervenção que, posteriormente, é apresentado a uma instituição escolhida pelo grupo (escolas
públicas ou particulares, centros de acolhida e formação de jovens aprendizes, Organizações Não
Governamentais – ONG –, Igrejas, instituições de teatro, arte e cultura). A intervenção é baseada
nos textos lidos na disciplina e no uso de técnicas de grupo também trabalhadas em sala de aula.
Além do conteúdo específico da disciplina de Orientação Profissional, os discentes colocam em
prática o conhecimento construído ao longo de toda a graduação no que diz respeito às teorias e aos
processos grupais, intervenções educativas e clínicas, bem como outras contribuições da formação
em Psicologia.
O plano pedagógico da prática é registrado pelo professor no Sistema de Gestão de
Disciplinas de Extensão, assim como os relatórios produzidos pelos discentes ao término do
semestre. Os estudantes também inserem na plataforma a sua avaliação acerca das contribuições das
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práticas para a sua formação. Além disso, como produto final da intervenção realizada, são
produzidos bons artigos, dos quais se incentiva a publicação. Os manuscritos de Faria e colegas
(2017), e Ferreira e colaboradores (2018) são exemplos dessa movimentação.
Na sequência do corrente texto, finalmente, se apresenta o trabalho desenvolvido por um
grupo de alunas que cursaram a disciplina de Orientação Profissional e realizaram a prática de
sensibilização no primeiro semestre do ano de 2018. A prática curricular extensionista em questão
beneficiou um grupo de jovens que frequentam um curso Pré-Vestibular comunitário , que
funciona nas dependências de uma Igreja Católica localizada em Ribeirão das Neves, Região
Metropolitana de Belo Horizonte.
Ribeirão das Neves é um município dormitório com atualmente pouco menos de 330 mil
habitantes. Trata-se, conforme pontuado por Salgado (2017), de uma localidade marcada pelos
efeitos da metropolização da capital mineira, a qual instaurou grandes desigualdades.
A prática foi então realizada no âmbito da extensão universitária, que se caracteriza por
atender as demandas da comunidade, de forma articulada com o ensino e a pesquisa, produzidos por
seus professores, alunos e técnicos administrativos em seus diferentes espaços. Tratou-se, para as
extensionistas, de uma oportunidade de articular os conteúdos vistos em sala de aula, não somente
na disciplina de Orientação Profissional, mas permitiu-se a aplicação de conhecimentos adquiridos
ao longo da graduação, destacando-se as disciplinas de teorias clínicas, de processos grupais e
intervenções psicossociais, Psicologia e Educação, Psicologia Organizacional, Psicologia do
Trabalho e muitas outras.
Enquanto profissionais, psicólogas em formação atuando no âmbito da Orientação
Profissional, as extensionistas entendem o seu compromisso e função social. Assim, direcionou-se a
construção do projeto de intervenção a um grupo situado em uma região de vulnerabilidades e de
privação de direitos básicos. Partindo desse pressuposto, essa proposta visou levar a discussão sobre
planejamento de carreira e vida a locais em que as extensionistas, com o apoio e a orientação de um
profissional qualificado, identificaram a necessidade.
A referida prática foi, então, precedida pela escrita de um projeto, elaborado de acordo com
as etapas de construção de uma Oficina Psicossocial proposta por Afonso (2002): demanda
(caracterização breve da instituição e/ou do grupo que receberá a intervenção); pré-análise
(referencial teórico e estudo bibliográfico sobre o público-alvo); enquadre (definição e síntese do
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[...] a intervenção buscou estimular a reflexão junto aos estudantes sobre alguns aspectos
importantes a serem considerados no processo de escolha profissional. Esperava-se que o
conhecimento a respeito desse tipo de serviço incentivasse os participantes a buscar
atendimentos individuais ou em grupo, caso julgassem necessário. (SANTOS et al., 2016,
p. 157).
religiosa em questão. A grande maioria desses jovens estuda em escolas públicas estaduais da
região e muitos desconhecem o que seria a Orientação Profissional, visto que a ideia de se trabalhar
com planejamento de futuro e carreira ainda não é algo disseminado neste âmbito de ensino.
Atualmente, a referida igreja tem forte influência e participação comunitária sendo inclusive
parceira das instituições de ensino da localidade. Daí que surge o Projeto denominado “Todos por
um objetivo: o conhecimento”, no qual se realiza um trabalho voluntário de auxílio a jovens e
adultos para realização de vestibulares, concursos e afins. São oferecidas aulas gratuitas entre
quatro dias da semana, nas quais o participante pode tirar dúvidas e aprofundar seus conhecimentos
sobre áreas específicas que são: Português, Matemática, Geografia, História, Inglês, Filosofia,
Sociologia, Biologia e Química.
As aulas são ministradas por jovens de vínculo com a instituição que tem formação
relacionada à disciplina em questão ou apenas possuem afinidade com as mesmas e, por isso
aprofundam seus conhecimentos para auxiliar os usuários do projeto. Os encontros contemplam
uma média de 2 ou 3 disciplinas lecionadas por dia, sendo que se dispõe de um calendário de
horário fixo e específico para cada matéria, uma sala de aula com quadro branco, mesas e cadeiras,
numa organização análoga a metodologia de organização que as escolas públicas da região utilizam.
Assim, não foi disposto muito tempo para a execução da oficina, já que esta iria ocupar o espaço de
ministração de uma aula.
No primeiro encontro, buscou-se conhecer os participantes através da técnica “História do
nome” (LISBOA; SOARES, 2000), que consiste em conhecer um pouco da história pessoal, a partir
da reflexão e pesquisa sobre o próprio nome, compreendendo as possíveis expectativas da família
nessa escolha, além de auxiliar na percepção do momento atual como possibilidade de estabelecer
as próprias alternativas para algo expressivo em sua escolha profissional. A técnica ainda tem a
finalidade de facilitar o processo de interação grupal, diminuindo as ansiedades.
Na sequência foi dado início a um debate ao qual foram mostradas as várias possibilidades
de profissões existentes no mercado, as várias maneiras de iniciar sua vida profissional (abrangendo
os horizontes para além do ensino superior), de modo que cada um possa pensar sobre o que essas
escolhas representam para si próprios e como seria sua implicação para que elas estejam presentes
no seu futuro.
Também se utilizou a técnica do “Curtigrama” de Lucchiari (1993), que consiste em cada
participante descrever as coisas que faz e gosta; as coisas que faz e não gosta; as coisas que gosta e
não faz; as coisas que não gosta e não faz.
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Por fim, entregou-se aos jovens o “Quadro de Profissões” (FELIPPE, 1995), que consiste
em uma lista de profissões de nível médio/técnico e superior separadas por áreas de conhecimento,
além das opções de carreira no âmbito militar. Solicitou-se aos jovens que pesquisassem a respeito
de algumas profissões destacadas durante o encontro na intenção de compartilhar e discutir
coletivamente as descobertas.
Sendo assim, no segundo encontro, continuou-se o debate a partir do levantamento realizado
pelos participantes e, por fim, propiciou-se um momento no qual puderam ser identificadas todas as
observações sobre a oficina.
Orientação Profissional então visa desenvolver nos sujeitos a capacidade crítica de realizar escolhas
conscientes no que diz respeito ao planejamento de carreira e à construção de projetos de vida. É
então um processo de autoconhecimento ao qual também se amplia o conhecimento acerca das
profissões, do contexto social, das oportunidades de escolarização e inserção no mercado de
trabalho.
São diversos os atravessamentos que perpassam a escolha de uma profissão, especialmente
quando se faz menção a uma parcela da população economicamente desfavorecida. A Orientação
Profissional não se reduz a identificação de interesses e aptidões do sujeito, mas para além da
produção acerca do desejo do próprio sujeito é imprescindível considerar a realidade que o cerca,
promovendo a conscientização para então se traçar caminhos possíveis e alternativos. Os
obstáculos e as oportunidades que surgem ao longo da vida e da construção da carreira são envoltos
por aspectos que podem condicionar a escolha de uma profissão, sendo esses oriundos do contexto
psicossocial ao qual o jovem está imerso.
Segundo Soares (2002), os fatores sociais, políticos, psicológicos, familiares e educacionais
influenciam na escolha profissional. É importante salientar que o gênero, a raça e o pertencimento
étnico também são categorias que permitem analisar os percalços e processos de escolhas de
carreiras. Vários estigmas e preconceitos são direcionados aos jovens, e isso, por diversas vezes, os
privam da possibilidade de realizar uma escolha consciente. Cabe, então, ao profissional
responsável pela orientação, facilitar a reflexão e assimilação desses processos e conteúdos por
parte do jovem, ajudando a se posicionar com autonomia na construção de uma escolha e de um
projeto de vida.
Conforme explicita Levenfus (1997), a Orientação Profissional pode ser realizada através de
um atendimento individual, ao qual através de uma perspectiva mais clínica se escuta um jovem, se
aproxima de suas questões e família, mas pode também ser realizada, através de uma proposta mais
psicossocial, através de encontros grupais. A vivência em pares permite que as dificuldades,
temores, ansiedades, questões, dúvidas e fantasias sejam compartilhadas e atenuadas. Há troca de
saberes, percepções, descobertas e experiências. Para tanto, é preciso que os facilitadores dominem
os processos grupais e o uso de técnicas e instrumentos que promovam a reflexão, o diálogo e a
integração.
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3 RESULTADOS
Antes de iniciar propriamente a elaboração que é feita nas Oficinas Psicossociais, foi
explicado aos participantes o intuito das atividades que iriam ser desenvolvidas durante processo de
sensibilização. Perguntou-se alguém já havia passado por essa experiência, e não houve respostas
positivas. Consequentemente todos se mostraram receptivos a possibilidade de realizar esse
momento em sala.
A intervenção em si começou a partir da técnica “História do nome”, proposta por Lisboa e
Soares (2000), objetivando perceber nas narrativas pessoais as possíveis expectativas que existem
por trás da escolha do nome, e diante disso pensar nas escolhas profissionais efetivamente possíveis
naquele momento. Iniciou-se um processo de reflexão para o autoconhecimento e fomentou-se um
espaço de debate, onde pensar sobre o futuro e sobre suas escolhas, seja algo que aconteça
naturalmente. O sujeito não pode escolher o próprio nome, mas a escolha de uma profissão, aspecto
que também faz parte da construção da sua identidade, pode ser um processo mais autônomo.
A maioria dos jovens possuíam nomes com referências bíblicas, como já era esperado. A
execução da técnica se deu de maneira tranquila e interativa, alguns jovens nunca haviam
conversado com seus pais ou responsáveis sobre a escolha de seu nome. Houve também alguns
relatos como: “minha mãe queria um nome diferente, para ninguém ter igual” ou “meu primo quem
escolheu meu nome”, “esse nome é em homenagem a minha vó”, “homenagem ao nome de uma
avenida” (sic.). Todos esses aspectos foram levantados na hora do debate. Analisou-se junto aos
participantes como a escolha do nome já apresenta algumas expectativas dos pais sobre o futuro dos
filhos, expectativas que têm a tendência de aumentar ao longo da vida. Debateu-se também sobre a
frustração que é gerada ao não corresponder às expectativas depositadas, e que essa é uma questão
que precisa ser elaborada pelo jovem e seus familiares. A escolha de uma profissão então não é
exclusivamente individual, mas é articulada a toda a uma rede social, a começar pela família.
Para fazer uma reflexão acerca da escolha profissional, fomentou-se um debate para saber
quem já tinha em mente sua possível profissão e curso de formação profissional. Foram poucos os
que se dispuseram a falar, dentre eles, os cursos citados foram: Medicina, Psicologia, Direito,
Técnico de futebol, Árbitro, Gastronomia, Contabilidade, Fisioterapia entre outros. Buscou-se
entender os fatores que levaram os sujeitos a escolha, se haviam pessoas em sua família que
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apoiavam, como era vivenciar, a pressão sobre a escolha de um futuro tão próximo, auxiliando uma
etapa reflexiva dele próprio. Nesse momento, as extensionistas relataram um pouco sobre a nossa
própria vivência desse momento.
Houve um relato de um jovem que tinha como meta o curso de gastronomia, mas seu medo
de inserção no mercado era grande e por isso optaria por outro curso, voltado para a área de
Ciências Exatas, para só depois de formado e inserido nessa área na qual ele julgaria ter um maior
status, efetuar sua real escolha. Refletiu-se junto a ele na perspectiva de qual garantia o mesmo teria
de inserção quando pensava na outra área, e ponderou-se com ele sobre a temática. Outra situação
que surgiu foi referente a um jovem que colocou o tráfico de drogas como possibilidade de carreira,
assim, indagou-se ao rapaz sobre as possíveis consequências que essa ocupação poderia ter em sua
vida. As reflexões que ele trouxe sobre a vivência de um traficante conhecido lhe geraram
insegurança, assim o mesmo relatou que gostaria de seguir no rap (ritmo e poesia), fazendo músicas
sobre o Brasil.
Sobre mudança de carreira, houve um relato muito marcante de uma cabeleireira que
pretende cursar Psicologia, mas se encontra demasiadamente desalentada com sua atual profissão.
Também houve a situação de um rapaz de meia idade que diz sonhar em ser Médico, mas devido às
dificuldades e concorrência desigual para ingressar nessa área, ele gostaria de cursar primeiramente
Fisioterapia para depois ingressar na Medicina, tendo como referências profissões da área da saúde
que são consideradas, por ele, mais fáceis de inserção.
Logo após, foi realizada a técnica do “curtigrama”, a qual consiste em responder a quatro
perguntas, organizadas em quadrantes: “o que eu gosto e faço?”; “o que gosto e não faço?”; “o que
não gosto e faço?”; e, “o que não gosto e não faço?”. Tal técnica favorece a análise de como a
pessoa se posiciona em relação a suas necessidades, desejos e impedimentos, e possibilita a
visualização dos aspectos que precisam de maior atenção, como as coisas que gosta e não faz
(porque não faz?). Esse questionamento favorece a visualização de novas oportunidades a serem
buscadas no planejamento pessoal futuro. Deu-se um tempo para que todos completassem a
atividade. Buscou-se fazer com que os integrantes do grupo entendessem a importância de se
conhecer antes de realizar uma escolha acerca de seu futuro, pois esse autoconhecimento tem
grande importância no processo de uma escolha madura e refletida.
Ficou evidente a complexidade que é para todos falarem sobre si mesmos. Comentários
como “tá valendo ponto?” (sic) ou “vocês vão recolher?” foram frequentes. Esclareceu-se, sempre
que necessário, que o intuito não era avaliar, tampouco expor sem cautela as atividades registradas,
mas fazer com que todos refletissem e se conhecessem.
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Essa técnica estava planejada para o segundo encontro, porém devido à demanda, sentimos
que era importante abordá-la a priori – daí a importância do planejamento flexível. A partir da
discussão sobre os resultados desta técnica, sensibilizou-se e estimulou-se a produção de um projeto
de vida (o que eu ainda vou fazer?), através da reflexão sobre planos, sonhos e mudanças, dentre
outros aspectos, sobre o futuro. Em seguida, abriu-se espaço para a fala e apresentação dos projetos,
discutindo suas possibilidades e outras questões que surgiram. Conversou-se com o grupo sobre
alguns meios de inserção na vida profissional, não só por meio do ensino superior, mas também do
técnico. Levamos alguns relatos pessoais referentes ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu),
Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), Programa Universidade
para Todos (ProUni). O que ficou evidente nesse momento é que apesar de estar cursando um Pré-
Vestibular, a maioria da classe não conhecia as formas de dar continuidade em seus estudos. O que
é contraditório já que eles foram principalmente os que mais afirmaram sobre seus futuros
profissionais.
Sabe-se da existência de algumas políticas que tem o foco de incluir jovens dentro das
Universidades, destarte essa informação não chega aos que realmente precisam delas e se
beneficiaram. Essa foi uma das maiores críticas que nós pudemos notar. E essa prática foi a que
mais demandou tempo, já que todos se interessaram pelo tema e tinham diversas dúvidas a respeito.
Entregou-se o quadro com os nomes de algumas profissões (nível médio, técnico e superior)
reconhecidas atualmente, e pediu-se que os participantes escolhessem entre elas algumas que eles
gostariam de obter informações. Incentivou-se a pesquisa autônoma, para que os próprios
investigassem e trouxessem as informações encontradas na próxima reunião do grupo. O objetivo
era ampliar a gama de profissões por eles conhecidas. Quando entregamos as folhas, todos já foram
lendo e discutindo vários nomes de profissões diferentes que eles não conheciam. Assim, finalizou-
se o primeiro dia de ação.
Houve troca de experiências, o debate foi bem rico e teve duração prolongada, ocupando
praticamente quase todo o espaço de tempo destinado ao encontro. Com isso, algumas técnicas que
haviam sido incluídas no planejamento da intervenção foram descartadas, uma vez que os
elementos aos quais estas contemplavam emergiram naturalmente na discussão. Os participantes
trouxeram para a conversa a experiência de pessoas que eles conhecem e estão no curso superior.
Cabe salientar que alguns problematizaram a liberdade de escolha de uma profissão, ponderando
acerca dos aspectos que condicionam e influenciam a concretização dos projetos de vida. Os jovens
deram conta de falar de aspectos mais amplos que circunscreviam a suas realidades repercutindo em
seus processos de escolha. Alguns estavam se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) e para os vestibulares tradicionais, mas sem dedicar-se adequadamente à avaliação dos seus
desejos e inclinações, mas agora, no encontro, mostraram-se pensativos a respeito das
consequências e desdobramentos da escolha de uma carreira. Surgiram como eixos de discussão
temáticas como recursos financeiros, condições de vida levando em conta pessoas que vão morar
longe da família para poder estudar, questões emocionais, relacionais, religião, saúde, e até mesmo
o crescente número de casos de suicídios registrados dentro das instituições de ensino e realizados
por estudantes.
Nesse encontro, ficou mais evidente o planejamento de futuro, em termos das ações aos
quais os participantes deveriam refletir e se preparar. Foi debatida a questão de como se manter no
curso, as dificuldades que serão enfrentadas, e as possíveis áreas de estudo e atuação dentro do
curso, ressaltando possibilidades de estágio, pesquisa etc. Uma síntese desse momento pode ser
apresentada a partir da avaliação feita pela participante que atualmente trabalha como a
cabeleireira, mas que vislumbrava cursar Psicologia, e, a partir do debate junto ao grupo, percebeu
que o seu desejo é atuar na área de Recursos Humanos, tendo em vista seu curso de coaching,
refletindo sobre formas de conciliar as duas formações.
Por fim, solicitou-se ao grupo que todos compartilhassem uma devolutiva, contando como
foi participar da oficina, avaliando como ela contribuiu para a reflexão sobre as suas futuras
escolhas, além de colocarem pontos que podem ainda ser trabalhados pelas extensionistas,
psicólogas em formação, para uma execução ainda mais efetiva da prática, apontando críticas e
sugestões. As verbalizações foram muito positivas, e alguns jovens especialmente informaram sobre
a importância da continuidade nessa atividade, ainda que em horário extracurricular. Foi então
explicada aos participantes a possibilidade de participar de um processo completo de Orientação
Profissional na clínica escola da PUC Minas São Gabriel, sendo passadas as informações sobre o
local, contato, período de inscrições e triagens.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática contribuiu ao fazer com que os jovens que estavam se preparando para os
vestibulares e para o Enem, no cursinho comunitário, refletissem sobre a escolha de uma profissão,
escolhendo com mais segurança a carreira na qual pleiteariam uma oportunidade de escolarização.
Sem esse auxilio, provavelmente alguns jovens fariam a opção por um curso sem muita crítica
quanto às próprias habilidades e interesses, sendo direcionados pela nota obtida nos exames
realizados ou por outros aspectos que escapam a reflexão. Convidaram-se os jovens a eleger uma
profissão de maneira refletida, através da promoção do autoconhecimento e da ampliação das
informações sobre o mundo do trabalho e da educação.
Após analisar a experiência, do ponto de vista discente pôde-se conjuntamente concluir o
quão enriquecedor foi a possibilidade de execução dessa prática para a formação das extensionistas.
Deparou-se com um interesse significativo de todos os alunos que participaram da oficina de
sensibilização, o que promoveu um retorno importante sobre a intervenção realizada. Construir
junto com os jovens suas possíveis escolhas para o futuro, e ampliar o leque de possibilidades que
está em sua frente, foi extremamente gratificante. Possibilitaram-se, também, momentos reflexivos,
tanto sobre si próprios, quanto contextuais, sobre seu futuro. Momentos que muitas vezes são
ignorados, na dinâmica diária.
Além de que observar na prática a efetividade da Orientação Profissional como um
instrumento de mudança social. Levando informação e opções de escolhas para sujeitos que têm,
por diversas vezes, direitos dirigidos a eles próprios negados e ampliando sua gama de alternativas,
puderam-se mostrar outros caminhos, além daqueles previamente estabelecidos pelo sistema social
e político.
Realizar esta prática contribuiu para a formação acadêmica do grupo, mostrando o quanto a
Psicologia é agente transformador, que promove debate, propicia espaço que ecoa a voz dos
sujeitos, que por muitas vezes são silenciados. Ver o empoderamento, e a consciência das variáveis
que envolvem uma escolha se emergir a partir da prática, adscreve e enriquece a formação.
Do ponto de vista docente, avaliou-se que não somente essa prática apresentada, mas todas
as outras realizadas expressam o compromisso social e a preocupação com a qualidade da formação
ofertada pelo curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel, sendo importante salientar o retorno
que é emitido pelos campos que recebem os estudantes, discorrendo a respeito das contribuições
promovidas pelos extensionistas, além da responsabilidade em relação ao trabalho realizado
demonstrada pelos mesmos.
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RESUMO
A disciplina “Práticas na Comunidade II” tem como objetivo fazer com que o estudante de Medicina da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) tenha um contato precoce com a comunidade e com os serviços de
saúde. O objetivo deste texto é reapresentar sete resumos de trabalhos produzidos a partir do contato com a referida
disciplina e publicados. É notório que tanto a vivência na disciplina quanto o conhecimento acadêmico gerado na
produção dos trabalhos contribuem para a formação médica. Os resultados apresentados mostram que os conteúdos se
completam. Constata-se que muitos sujeitos são expostos desde a gestação à uma multiplicidade de adversidades
causadoras de estresse tóxico, muitos são impactados na saúde, na escolaridade, tornam-se usuários, traficam, são
detidos, morrem precocemente. Um dos trabalhos mostra que a legislação educacional sobre educação inclusiva não
contempla adequadamente crianças portadoras de necessidades educativas especiais como as que apresentam
comprometimentos relacionados às experiências adversas. Os trabalhos em um abrigo confirmam os relatos acima. Os
acadêmicos responderam a estes resultados organizando intervenções promotoras do desenvolvimento das crianças no
abrigo e, na Unidade Básica de Saúde, organizaram encontros para capacitar o Agente Comunitário de Saúde sobre os
temas: experiências adversas e estresse tóxico. Participaram de consultas e de grupos de puericultura na Unidade e
visitaram domicílios para melhor compreenderem a realidade e, por fim, publicaram suas experiências. A disciplina
proporciona ao acadêmico uma visão holística da Medicina, esperando-se assim que o mesmo se torne um defensor
intransigente de prevenção e promoção do desenvolvimento humano e que saiba compartilhar com outros agentes e com
a sociedade os resultados negativos das adversidades causadas muitas vezes pela injustiça social.
Palavras-chave: Educação Médica. Experiências Adversas na Infância. Determinantes Sociais da Saúde. Injustiça
Social. Desenvolvimento Humano.
1
Acadêmico de Medicina da PUC Minas. E-mail: pedraoga@[Link].
2
Acadêmica de Medicina da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
3
Acadêmica de Medicina da PUC Minas. E-mail: flaviammelo@[Link].
4
Professor do Curso de Medicina da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
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ABSTRACT
The discipline Práticas na Comunidade II aims to give the medical student of PUC Minas an early contact with the
community and health services. The purpose of this text is to present seven abstracts of works produced and published
from the contact with the discipline. It is evident that both the experience in the discipline and the academic knowledge
generated in the production of the works contribute to the medical training. The results show that the contents complete
themselves. It is observed that many subjects are exposed since gestation to a multiplicity of adversities that cause toxic
stress, many are impacted on health, schooling, become drug users, traffic, are arrested, and die early. One of the studies
shows that educational legislation on inclusive education does not adequately address children with special educational
needs, such as those with impairments related to adverse experiences. Work in a shelter confirms the above reports. The
academics responded to these results by organizing interventions to promote children's development in the shelter and,
in the Basic Health Unit, organized meetings to train the Community Health Agent on the themes: adverse experiences
and toxic stress. They participated in consultations and childcare groups in the Unit and visited homes to better
understand reality and finally published their experiences. The discipline provides the academic with a holistic view of
medicine and is expected to become an uncompromising advocate for the prevention and promotion of human
development and to share with other agents and society the negative results of the social injustice.
Keywords: Medical Education. Adverse Experiences in Childhood. Social Determinants of Health. Social Injustice.
Human Development.
1 INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, os cursos superiores na área da saúde têm reformulado suas propostas
curriculares buscando adequar a formação da saúde às competências entendidas como importantes
ao profissional atual (TEIXEIRA & EDLER, 2012). Desse modo, a aprovação das novas Diretrizes
Curriculares Nacionais (BRASIL, 2014) para os cursos de Medicina é o resultado da associação de
diversos sujeitos sociais em todo o país e é reconhecida como retrato de tendências internacionais.
Há uma clara recomendação de inovações na formação dos profissionais da saúde, como o
desenvolvimento da integralidade e humanização do cuidado (BURSZTYN, 2015).
No contexto acadêmico, há uma preocupação crescente com o modelo formador dos novos
médicos, no qual, cada vez mais, verifica-se a necessidade de profissionais capazes de contribuir
com a sociedade num contexto de profundas mudanças, não apenas em seu campo profissional, mas
também nos campos político e social (GUIMARÃES & SILVA, 2010). Assim, a extensão
universitária exerce o papel de intensificar essa relação por meio da diversificação de cenários e
metodologias de aprendizagem (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2015).
Visando proporcionar aos acadêmicos de Medicina da PUC Minas Campus Betim uma
diversidade de cenários de aprendizagem e o desenvolvimento de um olhar crítico e reflexivo,
foram criadas as disciplinas extensionistas “Práticas na Comunidade”, desenvolvidas nos quatro
primeiros períodos do curso. A metodologia da problematização empregada em tais disciplinas é
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uma estratégia pedagógica que incentiva os alunos a buscarem soluções originais e criativas para os
problemas reais levantados durante suas vivências nos serviços de saúde junto à comunidade. Além
destas propostas, tem-se que a abordagem do processo saúde-doença-cuidado deve ser feita na
perspectiva da promoção da saúde e da prevenção de doenças, que são modalidades de intervenção
médica do modelo de atenção à saúde orientado pela integralidade na produção do cuidado
(PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2018).
Especificamente sobre a disciplina “Práticas na Comunidade II: Infância e Adolescência”,
do segundo período do curso, diversos textos sobre as intervenções realizadas junto à comunidade
foram elaborados, apresentados e publicados desde o início de suas atividades. Portanto, o momento
proporcionado pelo presente e-book é de refletir sobre o que já foi desenvolvido. O objetivo do
presente trabalho é reunir tais publicações e reapresentá-las sob o esteio de uma nova
problematização, os quais contribuem para a formação médica.
A fundamentação teórica central deste trabalho constrói-se a partir da forte determinação em
melhorar a formação médica em vários dos seus desdobramentos, à medida que a disciplina Práticas
na Comunidade II possibilita ao aluno ter contato com várias temáticas (além da temática
“doença”), propiciando ao aluno conhecer a realidade bem de perto, ainda muito precocemente no
curso, momento em que ele está plenamente construindo seu inconsciente profissional e afetivo.
Não pretendemos com este texto avaliar a formação médica, mas, sim, mostrar o que
estamos fazendo para melhorá-la, de forma real, concretizando praticas recomendadas em vários
países desenvolvidos, como Canada e Inglaterra. A fundamentação teórica varia em cada um dos 7
trabalhos apresentados, por se tratar de temas e ações diferentes, porém constata-se um elo bem
evidente entre eles, ou seja, o de contribuir, defender e reforçar conceitos que impulsionam a
formação médica para práticas de prevenção de doenças e de transtornos e promoção do
desenvolvimento humano. Além disso, trata-se também de assuntos aparentemente não relacionados
com a saúde, como a violência e a importância da interlocução com outras áreas do conhecimento,
deixando visível que o tema Saúde pertence a todas as áreas do conhecimento e não apenas ao setor
saúde. Dá-se destaque também à violação dos direitos humanos e à cidadania, quando se refere à
injustiça social. Achamos, porém, que a espinha dorsal da contribuição do presente trabalho é a
formação médica no Brasil.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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2 MÉTODOS
Este texto é uma reflexão sobre várias atividades que foram realizadas e sobre vários temas
que dão visibilidade a uma temática contemporânea: a formação médica. Podemos afirmar que
alunos ainda no início do curso de Medicina raramente têm a oportunidade de começar a construir
sua formação a partir de uma plataforma tão sólida como a que está sendo criada pela integração de
uma prática embasada por um modelo biopsicossocial oferecido concomitantemente com as
disciplinas teóricas tradicionais como citologia / histologia, anatomia, fisiologia, embriologia,
bioquímica, genética, imunologia, etc. Não é exagerado afirmar que a inserção de PCE é, portanto,
inovador.
Para analisar a dimensão da disciplina extensionista universitária no âmbito da formação, foi
acessado o currículo lattes do professor doutor Antônio Benedito Lombardi. Os trabalhos
publicados, entre fevereiro de 2015 e dezembro de 2017, baseados na experiência dos diversos
grupos de acadêmicos sob sua tutoria na disciplina “Práticas na Comunidade II: Infância e
Adolescência” foram selecionados, lidos, analisados e sete resumos apresentados no tópico
Resultados5.
3 RESULTADOS
5
Não houve pretensão de informar ao leitor de como se chegou aos resultados descritos em cada resumo, por isso, em
caso de interesse, a leitura dos artigos originais poderá dar maiores informações. Enfim, nossa intenção, em elaborar a
presente síntese foi apresentar à comunidade externa e à da PUC como temos compreendido e colocado em prática o
que está sendo recomendado pelo MEC e por sua vez pelo próprio Curso de Medicina da PUC Betim, no que se refere
ao que se tem ainda de lacuna básica na formação médica. Pensamos que isso tudo está contemplado nos diferentes
resumos e se completam, apesar de a temática ser muito diversificada.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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possibilidades: a primeira, usar e abusar de drogas por várias razões, entre elas, baixa autoestima,
para aliviar ansiedade e depressão, raiva; devido a uma personalidade extrovertida, impulsividade e
inclinação ao comportamento de risco. E a segunda possibilidade, “empoderadora”, entrar para o
tráfico como meio de subir na vida e também por razões subjetivas. Esses caminhos quase sempre
resultam em dependência química, “overdose”, hospitalizações, práticas de atos infracionais,
prisões, mortes e homicídios. O estudo indica que primariamente ocorreu violência histórica contra
esse contingente populacional e que, muitas vezes, essa violência desencadeia um fenômeno
também complexo, a contraviolência. A abordagem da violência / contraviolência deve focar,
simultaneamente, sua origem (cultura da indiferença) e as consequências (fatores de risco e
impactos biopsicossociais)”.
2º resumo: publicado por Lombardi e outros (2016b), na revista Polêmica, foi intitulado “As
inconsistências na legislação sobre o atendimento educacional especializado (AEE): uma
observação que demanda atenção interdisciplinar e intersetorial da educação e da saúde”, cujo
resumo é apresentado a seguir: “Na prática clínica, observa-se que apenas crianças com quadros
clínicos complexos (ex. Transtorno de Espectro Autista, Deficiência Mental) são contempladas com
recursos garantidos pela educação inclusiva e deixado de lado, sem atendimento educacional
adequado, um grupo numeroso de crianças com transtornos aparentemente “leves” (ex. Dislexia,
Transtorno Desafiador de Oposição, Transtorno de Linguagem Receptivo), os quais, porém, causam
impactos acadêmicos e não acadêmicos nessas crianças. O objetivo deste estudo é mostrar que a
observação clínica acima se origina de inconsistências na própria legislação que não assegura
atendimento educacional especializado para as crianças portadoras destes quadros aparentemente
“leves”. Para isso, foi feita uma revisão da legislação brasileira atual norteadora da educação
inclusiva, dos quadros clínicos referidos e sua prevalência. Os resultados mostram que a prevalência
de transtornos “leves” é significativa, que a legislação não inclui estes quadros clínicos não
garantindo, portanto, atendimento educacional especializado nestes casos, muito embora
apresentem sintomas que interferem na vida escolar. Como o número de crianças portadoras desses
quadros é expressivo, estima-se que muitas podem não estar sendo atendidas adequadamente pelo
sistema educacional regular, o que pode agravar a sintomatologia primária e contribuir para o
aparecimento secundário de sintomas comportamentais, emocionais e subjetivos. O texto reforça a
necessidade de um trabalho conjunto entre o setor de saúde, responsável pelo diagnóstico dos
quadros clínicos, e o setor educação, responsável pelas intervenções educacionais. Essa parceria
poderá estimular a revisão da legislação e contribuir para a elaboração de uma nova regulamentação
que reoriente a assistência apropriada para cada caso”.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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identificar os motivos que estavam impedindo o sucesso do tratamento. Além do mais, a partir da
percepção da complexidade da consulta, chegou-se à conclusão de que seria necessária a realização
das visitas domiciliar e escolar como método para a abordagem de fatores psicossociais
responsáveis pela perpetuação do eczema atópico na criança. Ao ser questionada sobre o
comportamento de T.N.H, a mãe afirmou que o menino tinha dificuldades de socialização com
crianças e chorava muito em casa, principalmente quando o pai se aproximava dele ou de S.L.H. Na
escola, o convívio com os colegas era prejudicado porque as lesões, principalmente aquelas
presentes na parte posterior da perna, comprometiam a mobilidade da criança. Além disso, T.N.H
era afastado das outras crianças a pedido das mães dos alunos, que temiam que se tratasse de uma
patologia contagiosa. Ademais, durante o relato da história familiar e social foi possível notar que a
relação da família estava bastante comprometida. S.L.H apontou que os problemas com o marido
começaram quando ela descobriu que estava grávida de T.N.H, uma vez que a gravidez não era
planejada. Essa situação era ainda agravada pelo fato de que eles passavam por sérias dificuldades
financeiras, pois ambos estavam desempregados e dependiam do auxílio financeiro da família de
S.L.H, que não apoiava o relacionamento do casal. Além disso, o pai se ausentava nos assuntos
familiares, e segundo a mãe, ele ameaçava sair de casa e se mostrava, por vezes, agressivo. Ainda
em relação a história familiar, a mãe mencionou que seu filho mais velho foi diagnosticado com
asma, o que corrobora o quadro de eczema atópico, tendo em vista que este tem maior
predisposição quando existem na família casos de doenças atópicas. Ao exame físico, a criança se
mostrou bastante introvertida, calada, sempre de cabeça baixa e muito apegada à mãe. Ao fim da
consulta, o professor fez o diagnóstico de eczema atópico de gravidade moderada. Com o objetivo
de conhecer mais sobre os fatores psicossociais que poderiam causar recidivas do quadro, foi
marcada uma visita domiciliar. Durante a visita, percebeu-se um cenário de moradia precária: a
família de quatro pessoas morava em uma casa com apenas um cômodo, sendo esse ocupado por
duas camas e um sofá, além de uma pia, um balcão e uma geladeira que estruturavam uma cozinha
provisória. Constatou-se ainda presença de mofo nas paredes, escassez de luminosidade e excesso
de umidade e de poeira. No contexto da visita, a mãe do paciente se mostrou mais confortável e
aberta, relatando de forma mais completa o que vivenciava. Ela demonstrou uma grande angústia
pela impotência frente à persistência das lesões e às constantes queixas do filho sobre o intenso
prurido e a dor. Esse sentimento foi intensificado pelo fato de familiares e a própria diretora da
escola sugerirem que as lesões seriam causadas por agressões ao menino e que o quadro do paciente
não melhorava por cuidados insuficientes dos pais. Outro ponto ressaltado foi a conturbada relação
familiar quando S.L.H apontou que o tamanho reduzido da casa fazia com que a criança ficasse
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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exposta aos problemas e às discussões do casal. Para além dessa visita, o grupo julgou importante
realizar uma visita à escola de T.N.H com a finalidade de explicar o quadro da criança para a
diretora e para os professores, a fim de conscientizá-los acerca do fato de que não se tratava de uma
doença contagiosa. Nesse momento, foi possível orientá-los sobre a importância de incluir mais
T.N.H nas atividades escolares, já que o sentimento de exclusão, inferioridade e insegurança podem
propiciar uma nova crise da doença. Portanto, mais do que receitar o corticoide tópico, tanto a
família quanto a escola foram orientadas sobre a importância de diminuir o estresse psicológico de
T.N.H, principalmente evitando discussões quando ele está presente e fazendo com que ele participe
e interaja mais em sala de aula. Assim, fica evidente que uma abordagem ampla, que envolva não
apenas sintomas e observações clínicas, mas também aspectos psicológicos, ambientais e sociais
são imprescindíveis à prática médica. O caso relatado mostra que a visita domiciliar é uma
estratégia extremamente eficaz de desenvolver o raciocínio holístico nos estudantes de Medicina e
de evidenciar a necessidade de se buscar a integralidade na atenção à saúde. ”
5º resumo: Vale e outros (2017) publicaram, na revista Sinapse Múltipla, o trabalho
intitulado “Prática extensionista com agentes comunitários de saúde: capacitação a respeito da
influência do estresse tóxico no desenvolvimento humano”, cujo resumo é apresentado a seguir: “O
presente trabalho reflete sobre a importância da capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde
(ACS) vinculados às Unidades Básicas de Saúde (UBS), mais concretamente, visando oferecer um
aprendizado a respeito de um determinado tema, o estresse, frequentemente observado no exercício
profissional dos ACS em suas comunidades. O objetivo específico do trabalho é transmitir
informações acerca de experiências adversas na infância, entre elas, a negligência, o abuso físico, o
abuso emocional e a violência doméstica, as quais influenciam o desenvolvimento do individuo e
que podem levar ao Estresse Tóxico, quadro clínico que pode prejudicar de forma importante a
capacidade neuropsicomotora do afetado. Dessa forma, mostra-se necessário que haja conhecimento
do tema para que medidas sejam tomadas, a fim de evitar a ocorrência de prejuízos no
desenvolvimento infantil que, a longo prazo, levam a intercorrências na vida adulta. Para realização
do trabalho, foi feita uma revisão de literatura, além da análise de vídeos elaborados pelo Center on
the Developing Child, da Universidade de Harvard. Com intuito de realizar a capacitação dos
Agentes Comunitários de Saúde, o grupo de acadêmicos, primeiramente, se informou e se
capacitou, com o auxilio da vivência na disciplina Práticas na Comunidade II. O grupo se reuniu em
uma sala com todos os ACS da unidade e primeiramente foram mostrados, através de um projetor,
os seguintes vídeos: “As Experiências Moldam a Arquitetura do Cérebro”; “O Jogo de Ação e
Reação Modela os Circuitos do Cérebro”; “O Estresse Tóxico Prejudica o Desenvolvimento
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 109
Saudável” e “Super-Cérebro”. Após a exibição de tais vídeos, realizou-se uma roda de conversa, na
qual o grupo destacou os principais pontos acerca do tema Estresse Tóxico que julgou serem
necessários para promover uma boa capacitação dos ACS. E por fim, os autores reafirmaram a
importância dos ACS na vida das famílias e solicitou a eles que repassassem à comunidade as
informações que receberam. Dessa maneira, problemas que poderiam impactar o desenvolvimento
neuropsicomotor das crianças seriam passíveis de prevenção. “É na família que a criança encontra
os primeiros "outros" e com ela aprende o modo humano de existir. Seu mundo adquire significado
e ela começa a constituir-se como sujeito”. Vista a importância da relação com a família, foi
desenvolvida a ideia a respeito da capacitação dos ACS, pois por estarem em contato direto com as
famílias da região de abrangência da UBS, os Agentes Comunitários de Saúde têm, muitas vezes,
uma proximidade grande com os integrantes do núcleo familiar. Devido a tal integração, há maior
possibilidade de diálogo entre os envolvidos, o que permite que haja maior aceitação a respeito de
alguma ideia ou sugestão apresentada. O Ministério da Saúde (2009) afirma que, ao identificar ou
tomar conhecimento da situação-problema, o ACS deve instruir o paciente e encaminhá-lo, quando
necessário, à unidade de saúde para uma avaliação mais detalhada. Situações em que condições
desejáveis para o desenvolvimento da criança, como as descritas, estão ameaçadas, permitem que o
Estresse Tóxico possa surgir e, assim, o desenvolvimento da criança pode ficar comprometido.
Dessa forma, é nítida a importância da intervenção precoce, que pode, inclusive, ser realizada
através dos Grupos de Puericultura, para o qual os ACS têm um papel estratégico, a começar, por
exemplo, por estimular a participação dos familiares e contribuir para a organização da agenda dos
Grupos na UBS. Dessa forma, tornam-se aptos para informar a população a respeito do tema, a fim
de garantir que haja maior ciência da comunidade. Espera-se que as famílias entendam a
importância do assunto, e transmitam tais ensinamentos para seus futuros constituintes”.
6º resumo: Dias e outros (2010) publicaram, na revista Sinapse Múltipla, o trabalho
intitulado “A disciplina Práticas na Comunidade II: uma estratégia pedagógica para se conhecer as
experiências adversas na infância e adolescência e seus impactos biopsicossociais”, cujo resumo é
apresentado a seguir. Durante esse estágio, nos foi apresentado, pela equipe de saúde, como
demanda da unidade, que fizéssemos um trabalho em um abrigo que estava desassistido dentro do
território da unidade. As crianças e adolescentes residentes eram todas vítimas de algum tipo de
negligência, violência, abuso e/ou abandono cometidos pelos pais ou familiares, o que fez com que
elas fossem retiradas da guarda dos responsáveis e colocadas sob a tutela do Estado. Indivíduos
nessa situação de vulnerabilidade biopsicossocial e exposição a tantos fatores de risco podem ter
seu desenvolvimento comprometido visto que a infância e a adolescência são de suma importância
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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e assim foi realizada uma reunião para abordar questões simples, como higiene pessoal, maus
hábitos e bullying, uma vez que algumas crianças queixaram sofrer agressões, tanto físicas quanto
psicológicas, de outros colegas. Esta disciplina beneficia os estudantes de Medicina à medida que o
contato precoce durante o curso com uma realidade preocupante deve fazer parte da agenda da
nossa formação. Dessa forma, alimentando a reflexão e o exercício da Medicina não apenas no que
se refere ao tratamento, mas também, na prevenção e na promoção do desenvolvimento humano.
7º resumo: Neves e outros (2018) publicaram, em Conecte-se! Revista Interdisciplinar de
Extensão, da Pró-reitoria de Extensão da PUC Minas, o trabalho intitulado “Práticas na
Comunidade II: uma experiência com crianças residentes num abrigo”, cujo resumo é apresentado a
seguir: A disciplina foi ministrada em uma Unidade Básica de Saúde e em um abrigo na cidade. As
crianças do abrigo em que o projeto foi realizado eram visitadas semanalmente pelos acadêmicos de
Medicina. Foram observadas deficiências no desenvolvimento dessas crianças, porque elas foram
expostas, em sua maioria, a fatores de risco. O objetivo do trabalho realizado foi amenizar as
consequências desses fatores, a partir de projetos de arte, a fim de estimular o desenvolvimento
infantil. Foram propostas atividades relacionadas à arte e exercícios pedagógicos que visavam de
forma simples compreender e melhorar as condições das crianças abrigadas. Em um primeiro
contato com as crianças, notou-se que elas apresentavam lacunas em seu desenvolvimento, visto
que era possível perceber dificuldades na fala e nos relacionamentos interpessoais. Ao fim do
trabalho, foi notória a melhora no âmbito do desenvolvimento cognitivo, pois a fala já se mostrou
mais nítida e houve diminuição da dificuldade escolar. Esse trabalho despertou interesse entre os
acadêmicos em buscar aporte teórico sobre a área da psiquiatria infantil para lidar melhor com as
questões das crianças do abrigo. Com o encerramento do projeto, constatou-se um aproveitamento
positivo pelas crianças, pois elas foram capazes de aprimorar habilidades cognitivas. A perspectiva
dos alunos sob a ótica das semiologias psiquiátrica e pediátrica foi essencial para compreender as
condições das crianças observadas, tornando explícita a importância da disciplina PC II na
introdução a esse raciocínio clínico.
4 DISCUSSÃO
criança até sua consolidação como adolescente. No entanto, cada relato ou artigo representa apenas
em parte, uma série de adversidades que ocorrem na infância.
Ao se deparar com tal situação, o estudante de Medicina lida com uma complexidade de
determinantes sociais imposta no contexto biopsicocultural do indivíduo, pois nele se expressam as
condições de vida da pessoa, família e comunidade, visão integral e humanizada do processo saúde
e doença das pessoas, família e comunidade, e impõem uma nova lógica para o cuidado à saúde.
Nos artigos intitulados “A Síndrome da Exclusão Social: compreensão das origens da
violência / contraviolência do Brasil e “A trajetória de vida de um caso de Síndrome da Exclusão
Social: um estímulo ao debate interdisciplinar e intersetorial para muito além da área da saúde”, os
autores discorrem sobre a Síndrome da Exclusão Social como parte da formação histórica da cultura
do país, marcada pela exploração do trabalho infantil, negligência e insensibilidade relacionada às
necessidades sociais da criança. Assim, surge tal Síndrome, que pode ser resumida em alguns
pontos: o primeiro ponto é a materialização da cultura da indiferença pela produção crônica de
múltiplos fatores de risco em diversos ciclos de vida: gestação, período neonatal, lactente, pré-
escolar, escolar, adolescente e adulto jovem.
No fragmento a seguir, é possível notar alguns aspectos relevantes:
Eu falei assim: ó, estudar, pelo menos, nóis não sabe ler. Nós entrou várias vezes na
escola... numsabemo ler, num sabemo escrever. Então, prá gente viver esse mundo aí, num
tem mais jeito. Num tem ninguém pra ajudar a gente; os pai da gente só sabe bater na gente;
os pai da gente, a gente vai pedir eles dinheiro a eles pra comprar alguma coisa, eles num
dá dinheiro prá gente porque num tem, a situação é precária. (LOMBARDI et al. 2017,
p.38).
A partir disso, é possível notar a precária situação socioeconômica marcada pela indiferença
e pela negligência social que predispõe a outra condição: a defasagem escolar com déficit de
aprendizagem. Isso vai contra o assegurado pela Constituição Federal Brasileira de 1988 que expõe
no seu Artigo 205. “A educação como direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Além disso, o segundo ponto aborda os múltiplos impactos biopsicossociais simultâneos em
todos os períodos de vida, incluindo o uso e abuso de drogas e/ou inserção em atividades ilícitas
envolvendo o tráfico de entorpecentes. As drogas são vistas como uma possibilidade de ascensão
social e/ou possibilidade de alívio e fuga dos sintomas que afligem o jovem. Numa entrevista
integrante do artigo Lombardi et al. é possível ver essa relação:
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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[...] eu fui o primeiro. Depoi foi meu irmão; meu irmão cansava... ele fumava tanta droga,
tanta droga, que, só o que eu já vi, o Miguel, duas vezes ele teve overdose na minha frente,
no quarto lá de casa; duas vezes. Eu vi ele tendo overdose, menino puxando a língua dele...
e era a própria droga que eu tinha passado pra ele. [...] (LOMBARDI et al 2017, p.39).
Meus pais brigava dentro de casa, aprontava, meu pai falava que ia matar minha mãe, e eu
olhando aquilo e crescendo naquela revolta. Só crescendo naquela revolta [...] meu pai
espancava demais a minha mãe e minha mãe chorava, chorava, chorava, chorava, chorava e
chorava muito, soluçava. Batia demais nela. (LOMBARDI et al. 2017, p.43-44).
[...] primeira vez que eu saí de casa, que eu fugi de casa foi com uns... dez anos de idade e
ele foi prum lado, eu fui pro outro; meu irmão foi prum lado... aí desandou a família toda.
Ninguém mais parava na escola... ninguém mais queria saber de estudar, num tinha mais
força; num tinha mais força pra fazer nada [...]. A vida começou cair... eu vi mortes, eu vi
muitos crime... aí eu fui viver no tráfico, meu irmão foi viver no tráfico. (LOMBARDI et
al. 2017, p.38).
Segundo dados da UNICEF (2017), a cada sete minutos uma criança ou adolescente entre 10
e 19 anos morre em algum do lugar do mundo vítima de homicídio ou de conflito armado ou
violência coletiva. O fato não é diferente no Brasil, onde o Índice de Homicídios na Adolescência
(IHA) é projetado, entre 2015 e 2021, para um total de 43 mil adolescentes mortos em 300
municípios brasileiros, caso as condições existentes em 2014 não mudem. Conforme relatado nos
dois textos, a Experiência adversa na infância (EAI) leva crianças e adolescentes a experimentarem
impactos negativos significativos que repercutem no curso de sua vida. A trajetória de vida, no caso
estudado, mostra com clareza que, em cada período do ciclo de vida, políticas públicas de diferentes
setores da governança, além daquelas próprias da saúde, que deveriam propiciar o desenvolvimento
Humano, lamentavelmente fracassaram.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Na equipe de saúde, o agente comunitário é o trabalhador que se caracteriza por ter o maior
conhecimento empírico da área onde atua: a dinâmica social, os valores, as formas de
organização e o conhecimento que circula entre os moradores. Esse conhecimento pode
facilitar o trânsito da equipe, as parcerias e articulações locais. (BORNSTEIN; STOTZ;
2007, p.2).
Assim, quando têm conhecimento sobre o tema e as medidas que podem ser tomadas, eles
são mais eficazes no seu trabalho.
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2016), ao identificar ou tomar conhecimento de uma
situação-problema dentro da sua microárea atendida, o ACS pode tomar conhecimento e
encaminhar o paciente em risco para uma avaliação mais detalhada da equipe de saúde. Logo, o
processo de capacitação e educação desse profissional é imprescindível, pois transforma os agentes
em profissionais proativos, seguros quanto à informação que eles passam à comunidade nos
diversos aspectos de saúde-doença, por isso, precisa ser priorizado pela Atenção Primária de Saúde
(APS). Por fim, ainda realizando uma reflexão a respeito do referido trabalho, a oportunidade de
uma prática extensionista que demonstre de forma prática a importância de cada personagem da
APS aos acadêmicos de Medicina permite que, desde o início de sua formação, o aluno entenda a
necessidade de integralidade no cuidado, do trabalho em equipe e da importância do ACS na
construção de uma relação de confiança e do cuidado centrado na pessoa, não em sua doença.
Já no artigo intitulado: “As inconsistências na legislação sobre o atendimento educacional
especializado (AEE): uma observação que demanda atenção interdisciplinar e intersetorial da
educação e da saúde”, Lombardi e outros (2016b) chamam a atenção para o fato de que na prática
clínica, apenas crianças portadoras de quadros clínicos complexos, por exemplo, o Transtorno de
Espectro Autista e a Deficiência Mental, possuem recursos garantidos como a Educação Inclusiva e
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I - Alunos com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza
física, intelectual, mental ou sensorial.
II - Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: aqueles que apresentam um
quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações
sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com
autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da
infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação.
III - Alunos com altas habilidades / superdotação: aqueles que apresentam um potencial
elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou
combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade.
O artigo de Dias e outros (2010), intitulado: “A disciplina Práticas na Comunidade II: uma
estratégia pedagógica para se conhecer as experiências adversas na infância e adolescência e seus
impactos biopsicossociais”, e o de Neves e outros (2018), intitulado “Práticas na Comunidade II:
uma experiência com crianças residentes num abrigo”, abordam como a disciplina em foco leva os
acadêmicos a terem contato direto com fatores de risco biopsicossociais existentes em nossa
sociedade. As crianças que residem no abrigo foram retiradas de suas famílias e colocadas sob
tutela do Estado, em sua maioria, porque foram sujeitas a riscos como falta de afeto, condições
socioeconômicas desfavoráveis, negligencia, violência doméstica e moradias de alto risco social.
(DIAS et al. 2010).
No entanto, nem sempre esses abrigos estão em condições adequadas ao recebimento dessas
crianças e, portanto, não permitem a elas um desenvolvimento infantil completo. Conforme
abordado no artigo de Dias e outros (2010), as condições de limpeza e organização do abrigo não
eram as ideais preconizadas, apesar do esforço dos funcionários, também existiam problemas
ligados aos relacionamentos entre as crianças: “desrespeito entre algumas crianças”. Além disso,
eles encontraram várias morbidades entre as crianças.
Quanto ao resultado do estágio no abrigo para a formação do acadêmico de Medicina, ficou
bem evidente para sua formação a constatação, em um mesmo local, de um grupo de crianças e
adolescentes que foram expostas a múltiplas adversidades e concomitantemente já apresentando
vários impactos biopsicossociais muito bem estudados pela literatura atual. Além disso, os impactos
não se restringem à infância e à adolescência. Sabe-se que muitas das experiências adversas
vivenciadas por crianças e adolescentes do abrigo são causadoras de Estresse Tóxico e por este
motivo, sem medo de errar, pode-se afirmar que muitos dos abrigados vitimados por este estresse
serão prejudicados de várias formas também na idade adulta como consequências do que aconteceu
na infância. Assim, saber reconhecer as crianças em risco social junto à equipe de saúde permitirá
que o futuro médico saiba manejá-la adequadamente.
Desse modo, a experiência com diferentes situações clínicas e com aspectos sociais
complexos, como descrita nesse compilado de artigos, desperta no acadêmico o olhar crítico e
expande seus horizontes sobre o conteúdo teórico abordado dentro das disciplinas. Essa nova
perspectiva prática permite ao estudante, desde o ciclo básico, desenvolver ações e imprimir uma
nova lógica do cuidado, focado no indivíduo e não apenas na doença. Esse fato não é exclusivo do
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Procurou-se, com esta revisita aos relatos de experiências vivenciadas durante a disciplina
“Práticas na Comunidade II: infância e adolescência”, reunir diferentes temas que ainda fazem parte
da história da criança no Brasil e mostrar o quanto ainda precisa ser feito. Observou-se uma grande
variedade de fatores de risco e adversidades a que as crianças e adolescentes, juntamente com seus
familiares, têm sido expostos por séculos, gerando impactos múltiplos e biopsicossociais.
Há progresso como a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção
Primária, o Programa de Saúde da Família, a importância dos Agentes Comunitários, o trabalho em
equipe, a formação de novos profissionais, entre outros. Entretanto, apesar de todos os esforços,
depara-se ainda, na contramão dos benefícios alcançados, com uma fábrica implacável de fatores de
risco e adversidades que começam a agir na gestação e persistem por todos os períodos do ciclo de
vida adoecendo grande parte do cidadão brasileiro de forma muito impactante, crônica e com
diferentes desfechos comumente dramáticos, o que torna a organização dos serviços de saúde um
grande desafio, uma vez que não contempla apenas o ser biológico, mas todos os determinantes
sociais que influenciam seu estado de saúde.
Percebe-se que é preciso humanizar nossas políticas públicas e implementar ações de
Prevenção de Transtornos e Promoção de Desenvolvimento Humano em todos seus aspectos e
potencialidades, permitindo um cuidado integral e completo de quem se encontra doente. Em
tempos de violência generalizada, a injustiça social no Brasil é uma forma perversa de violência
com danos inimagináveis, muito longe ainda de terem sidos descritos na sua totalidade, e que
refletem direta ou indiretamente na saúde daqueles afetados.
O Curso de Medicina da PUC Minas Betim está propiciando ao acadêmico de Medicina não
apenas saber formular um diagnóstico multiaxial de uma determinada doença, mas, também,
permitir ao acadêmico compreender a patologia, seu curso evolutivo e compreender como um
Ressignificando a relação teoria e prática:
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ecossistema complexo e adverso, onde vive o sujeito, contribui para perpetuar os diferentes quadros
clínicos.
O estudante tem a possibilidade de aprender como trata uma determinada doença e, como
muitas vezes, o tratamento oferecido é insignificante diante de tantos sintomas que um mesmo
paciente apresenta. Por causa disso e por muitas outras razões, durante as vivências teóricas e
práticas, procura-se atrair o olhar do estudante de Medicina para o início do curso evolutivo de uma
doença, antes de a mesma se consolidar no sujeito. Procura-se então refletir com ele que é neste
momento inicial que começam a agir as adversidades e os fatores de risco e, portanto, um momento
ótimo para intervenções. O aprofundamento dessa reflexão permite identificar as causas das
enfermidades até que, por último, encontra-se na essência da subjetividade de muitos perpetradores
das adversidades a causa primordial de todas as iniquidades que é a indiferença humana.
A ideia é instigar o futuro profissional a se reposicionar em relação à díade saúde-doença ao
sensibilizá-lo para a necessidade de ampliar suas parcerias, por exemplo, com outras áreas do
conhecimento a partir da Universidade, dos Serviços Públicos e da Sociedade, para que ele possa
defender de forma legítima e com amplos conhecimentos sobre o assunto a necessidade da
participação de todos, porque todos estão implicados com a prevenção de doenças e com a
promoção do Desenvolvimento Humano e não exclusivamente o setor da saúde.
REFERÊNCIAS
REY, Joseph M. (editor). IACAPAP: e-textbook of child and adolescent mental health. Geneva:
International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions, 2015.
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[Link]
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Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 122
RESUMO
Esta ação foi realizada por cinco graduandos na prática curricular de extensão da disciplina Oficina de Extensão do
curso de Fonoaudiologia. As atividades aconteceram no Convento Santa Maria dos Anjos, na cidade de Betim-MG,
com o Coral Aedo, um coral recém-formado por indivíduos do sexo masculino e feminino, de 10 a 70 anos de idade,
que, em sua maioria, nunca haviam vivenciado outra experiência com o canto. O objetivo foi agregar conhecimentos
sobre a Fonoaudiologia, especialmente na área da voz, possibilitando um melhor preparo vocal dos cantores. Para isso,
foram realizados dois encontros com o Coral, em que foram abordados diversos temas, tais como a anatomia do
aparelho fonador, produção da voz, respiração, hábitos prejudiciais e cuidados com a voz. Inicialmente, foram aplicados
dois questionários, um que visava a identificação de possíveis problemas de voz e outro sobre o Índice de Desvantagem
Vocal para o Canto Moderno (IDVCM). A partir das respostas foi proposto treinamento de técnicas de aquecimento e
desaquecimento vocal e dinâmica sobre a temática, com vistas ao domínio das informações disponibilizadas pelos
graduandos. As atividades realizadas permitiram aos cantores adquirir maior conhecimento sobre os cuidados
específicos e essenciais com a saúde vocal e conhecer o trabalho do fonoaudiólogo junto a cantores. Para os graduandos
que desenvolveram as atividades, os resultados do trabalho evidenciaram que as experiências fora da universidade
favorecem a formação acadêmica mais ampla e humanitária.
1
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
anapaula_rosendo@[Link].
2
Graduando do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
henriquestevao@[Link]
3
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
jamiledesouza.n@[Link]
4
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
patriciagouveiah@[Link]
5
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
faelasouzaoreo@[Link]
6
Doutor em Linguística, professora adjunto do departamento de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração
Eucarístico e assessora acadêmica da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas. E-mail: atbritto@[Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 123
ABSTRACT
This action was realized via an extension curricular practice of the Extension Workshop discipline of the Speech,
Language and Hearing Science graduation course. The activities took place at the Convento Santa Maria dos Anjos in
the city of Betim-MG, with the Aedo Choir, a newly structured choir that contains people, between 10 and 70 years of
age, which had, mostly, never had other experiences with singing. The objective was to enrich their knowledge
regarding Speech Therapy, especially towards singing, making possible a better capacitation of the singers. For such
objective, two meetings with the choir took place, where a multitude of subjects were discussed, such as the anatomy of
the vocal apparatus, production of voice, breathing, damaging habits and vocal care. Before the meeting, two
questionnaires were applied, one for the identification of possible vocal problems and, the other, regarding the Modern
Singing Handicap Index (MSHI). Based on the results, training of vocal warming up and cooling down techniques was
proposed, alongside an activity that aimed the fixation and mastery of the information presented. The activities allowed
the singers to acquire a broader knowledge regarding specific and essential care towards vocal health and to better
understand the work of the speech therapist alongside singers. For the students that developed the activities with the
singers, the results of the work showed that the experiences outside of the university corroborate for a broader and more
humanitarian academic formation.
Keywords: Guidance. Music. Voice Training. Speech Language and Hearing Sciences.
1 INTRODUÇÃO
Cantores são pessoas que executam o canto acompanhando as melodias das músicas com
harmonia por meio da voz, emitindo as notas musicais com precisão (GOULART; ROCHA;
CHIARI, 2012). O canto coral é formado por um grupo de cantores, profissionais ou não, cujo
objetivo principal é a execução musical. A condução de um coral deve ser feita, preferencialmente,
por um especialista em regência e canto coral. Atualmente, o canto coral é praticado em diversas
instituições de ensino, empresas, clubes, associações, igrejas e em outros contextos. Os corais são
formados, em sua grande maioria, com a intenção de aproximar as instituições de seus públicos,
além de conter um forte apelo social, educacional e emocional (DIAS, 2011).
Em geral, os corais são formados por cantores amadores, que nem sempre possuem o
conhecimento básico sobre a produção da voz, consciência respiratória e higiene vocal, o que pode
ocasionar uso inadequado da voz e levar esses indivíduos a desenvolverem algum tipo de disfonia
(CIELO; RIBEIRO; HOFFMANN, 2015; RIBEIRO et al., 2012).
O levantamento das características e sintomas vocais de participantes de um grupo de coral
amador foi objeto de um estudo epidemiológico realizado com 143 cantores. Nesse estudo, os
sintomas relacionados a distúrbios vocais mais mencionados foram pigarro / secreção, rouquidão e
tosse com secreção, cujas causas mais prováveis, segundo os entrevistados, seriam gripe, alergia, e
uso intenso da voz. (LOIOLA; FERREIRA, 2010).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A respiração é essencial para todo cantor, em especial para os cantores de coral amador, que
comumente não possuem aprendizado prévio sobre técnicas do canto. A consciência respiratória é
um dos instrumentos que podem favorecer o processo de ensino / aprendizagem musical no coral
(LOIOLA; FERREIRA, 2010). Na dinâmica da respiração, são considerados quatro tipos de
padrões respiratórios: inferior, superior, misto e costo diafragmático abdominal, sendo o último
preconizado como o ideal para os profissionais da voz (CIELO et al., 2013).
A graduação em Fonoaudiologia oferece ao graduando amplo conhecimento e prática clínica
sobre técnicas para tratamento de distúrbios, assim como para aperfeiçoamento vocal.
No curso de graduação em Fonoaudiologia da PUC Minas, são ofertadas disciplinas com
práticas curriculares de extensão. De acordo com o art. 5o, VII do Regulamento da Proex,
consideram-se práticas curriculares de extensão:
A extensão universitária é uma das dimensões acadêmicas, que sustenta todo o processo
educativo, cultural e científico, por meio da articulação com o ensino e a pesquisa, de forma
indissociável. Esse processo possibilita a efetiva participação da universidade junto à sociedade e,
consequentemente, propicia a troca de saberes entre os acadêmicos e a população. (BRASIL, 2007).
A qualificação do processo de ensino-aprendizagem e o alcance dos objetivos e intencionalidades
da Universidade ocorre, portanto, no diálogo entre essas três dimensões formativas - ensino,
pesquisa e extensão.
Na perspectiva de consolidar e de efetivar na prática a relação de saberes sobre a voz, um
grupo de graduandos propôs trabalhar com essa temática, no desenvolvimento da prática curricular,
na disciplina “Oficinas de Extensão”, do terceiro período de graduação em Fonoaudiologia da PUC
Minas.
O objetivo dessa ação foi levar a um coral recém-formado, orientações preventivas
referentes à fisiologia e anatomia do aparelho fonador, à consciência respiratória, aos cuidados
básicos sobre higiene vocal, noções de aquecimento e desaquecimento vocal. Para tanto, foi feita
um levantamento das queixas e suas manifestações relacionadas aos distúrbios vocais por meio da
aplicação e análise de questionários respondidos pelos componentes do coral Aedo. Visando
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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agregar ao coral conhecimentos sobre um melhor preparo vocal para os cantores, foram abordados
os cuidados necessários a serem tomados na hora de realizar os exercícios prévios e pós
apresentações do coral.
2 MATERIAL E MÉTODOS
O Coral Aedo faz parte do Convento Santa Maria, localizado na cidade de Betim, e conta
com 38 participantes, com idades entre 10 e 70 anos. O objetivo do Coral é unir pessoas de
diferentes idades e culturas, a fim de trocarem experiências e realizarem apresentações em
festividades.
A prática extensionista foi pensada a partir da demanda do regente do Coral Aedo, que
solicitou uma ação de promoção e prevenção de saúde vocal para os cantores. A logística da prática
de extensão foi amplamente discutida entre o grupo de alunos e o regente do coral, que apresentou a
história do coral, número de participantes, faixa etária, sexo, descrição do local onde ocorrem as
reuniões e os horários dos ensaios.
As atividades ocorreram em dois encontros do grupo de alunos com os cantores. Para o
diagnóstico inicial foram aplicados dois protocolos de autoavaliação: Identificação de Possíveis
Problemas de Voz (IPPV) (MARTINS, 2009) e Índice de Desvantagem para o Canto Moderno
(IDCM) (MORETI et al, 2011). Foram também disponibilizadas cartilhas didáticas e orientações
sobre cuidados com a voz em palestras feitas pelos alunos. Ao final, todos avaliaram as atividades
propostas na prática curricular de extensão, por meio de uma roda de conversa.
O primeiro encontro aconteceu no dia 07/04/2018, às 16h no Convento Santa Maria dos
Anjos. Participaram da primeira etapa, vinte e uma pessoas – quatro homens e dezesseis mulheres.
No local dos ensaios do coral, o grupo de alunos fez uma apresentação em powerpoint abordando
os temas previamente discutidos com o regente.
Nesse dia, foi apresentada a proposta da prática curricular de extensão e abordados diversos
temas sobre a atuação do fonoaudiólogo, tais como a linguagem, a motricidade orofacial, a saúde
coletiva e principalmente a área da voz, além da amplitude dessa atuação (locais onde ela
ocorre, tais como escolas, empresas, hospitais, maternidades e clínicas). Alguns dos participantes
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 127
3 RESULTADOS
O protocolo para Identificação de Possíveis Problemas de Voz (IPPV) é composto por trinta
e nove questões com opções sim/não. Na análise dos resultados considera-se NORMAL até 4
respostas “sim”; ATENÇÃO para 5 respostas “sim” e caso haja mais de seis é recomendado
PROCURAR UM ESPECIALISTA.
Trinta e um participantes responderam o questionário IPPV. Todas as perguntas, e a
porcentagem de respostas SIM/NÃO estão apresentadas na tabela 1, que segue.
nº de respostas nº de respostas
Perguntas % %
"Sim" "Não"
nº de respostas nº de respostas
Perguntas % %
"Sim" "Não"
nº de respostas nº de respostas
Perguntas % %
"Sim" "Não"
A autopercepção sobre a própria voz apresentou os escores mais altos. Por meio das
respostas dos cantores, foi possível observar algumas questões e problemas em comum, como
cansaço vocal durante e antes da apresentação, necessidade de ajustes vocais que não prejudiquem a
emissão, ansiedade e preocupação nas exercitações de frases musicais, dificuldade no controle da
respiração, variação no rendimento vocal antes das apresentações, voz fraca, rouca, cansada e
modificação da voz para melhorar a qualidade. Esses dados não foram, ainda, tratados
estatisticamente, mas os resultados preliminares foram suficientes para evidenciar a importância das
orientações disponibilizadas para os integrantes do coral.
O resultado final desta prática curricular de extensão foi muito satisfatório. Os integrantes
do Coral Aedo receberam bem todas as orientações, mostraram-se interessados e empenhados em
seguir as orientações para aprimorar sua performance vocal. No questionário avaliativo final sobre
a performance dos alunos nas atividades, o grupo foi muito elogiado em relação tanto à didática
quanto ao domínio sobre os assuntos abordados, o que, segundo eles, propiciou melhor
entendimento sobre o fazer do profissional fonoaudiólogo.
De acordo com os cantores do coral Aedo, as informações passadas foram novas e
relevantes para a trajetória que estão seguindo. Surgiram diversas dúvidas durante as atividades
desenvolvidas e elas foram solucionadas para que todos entendessem de forma mais clara possível a
necessidade e importância dos cuidados com a saúde vocal.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 133
4 DISCUSSÃO
A Fonoaudiologia também é uma área responsável por elaborar, aplicar e analisar protocolos
e questionários de avaliação da voz como uma forma de detectar os impactos da produção vocal na
vida dos cantores e tentar fornecer meios para alcançar a melhor qualidade vocal. Levando isso em
conta, os questionários para identificação de possíveis problemas de voz e o IDCM foram usados
com êxito. (REZENDE; IRINEU; DORNELAS, 2015).
Vieira, Gadenz e Cassol (2015) afirmaram que, em um coral, o fonoaudiólogo pode atuar
trabalhando em grupo ou individualmente com os cantores, elaborando atividades de
conscientização vocal, aquecimento e desaquecimento vocal, para garantir o uso adequado e não
abusivo da voz. As atividades em grupo, especialmente nesse caso, se mostraram eficazes e
interessantes, comprovando que essa é uma boa forma de intervenção.
Os resultados dos protocolos aplicados e o diálogo com os participantes também foram um
norte e confirmaram os achados da literatura de que os maus hábitos vocais como fumo,
automedicação, pigarro e uso intenso da voz, despreparo respiratório, aspectos vocais como
rouquidão e voz fraca, o pouco aquecimento e principalmente a falta do desaquecimento nos corais
amadores se mostram presentes.
Por meio dos esclarecimentos e dos questionários respondidos, o regente do Coral poderá
acompanhar mais de perto as necessidades individuais dos cantores e ficar atento àqueles que
possuem mais dificuldades e propensão a desajustes vocais. As orientações realizadas ofereceram
maior sustentação ao que vinha sendo trabalhado nos ensaios e, segundo o regente, mostraram-se
de um peso maior quando abordados por outras pessoas e especialmente pela visão da
Fonoaudiologia.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIA
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CIELO, Carla Aparecida et al. Tipo e modo respiratório de futuros profissionais da voz. Rev.
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[Link] >. Acesso em:
09 jun. 2018.
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Acesso em: 11 jun. 2018.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 137
RESUMO
O estudo de caso descritivo tem o objetivo de relatar a implantação de uma disciplina extensionista no curso de Ciências
Contábeis EAD. Ao identificar o perfil do egresso e as competências previstas para o mesmo, balizada pela
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e orientados à busca da qualidade, da inovação e da
sustentabilidade no processo formativo e na vida profissional, foi implantada a disciplina de Projeto Aplicativo, no
sexto período do curso. Ao idealizar o plano de ensino a ser adotado para a prática, o grupo de professores foi
direcionado pelo Núcleo Docente Estruturante, a definir processos de trabalho aderentes à Política de Extensão da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), que pressupõe a flexibilização curricular como
exercício da autonomia universitária. Diante das experiências vividas, a formação favoreceu aos alunos a observação
sobre o contexto local, além de propor relações entre organizações de distintos setores favorecendo a abordagem de
grupos específicos em campos e espaços de âmbito local, regional e nacional, compatíveis às práticas curriculares
afeitas para a disciplina de extensão. Com a adoção da metodologia de aprendizagem por meio da solução de problemas
reais, o aluno tem como referência estudos de aspecto global que são aplicados à prática realizada em campo. Entre os
registros da experiência, são revelados os desafios para a construção de uma disciplina direcionada para a mediação da
aprendizagem e a complexidade de se adotar a metodologia ativa, ancorando-se nos conteúdos já abordados pelas
demais disciplinas. Outro desafio vivenciado foi a integração da equipe de professores para definir um modelo de
interação com os alunos, identificando o processo de trabalho mais efetivo para acompanhamento dos projetos.
Considera-se ainda, a dificuldade inicial dos alunos em aceitar a abordagem da disciplina, uma vez que já estavam
acostumados a receber conteúdo para o desenvolvimento das atividades curriculares, sem a necessidade de desenvolver
interações sociais. Pelo fato de o curso EAD valorizar a autonomia como um dos pilares de sua identidade na PUC
Minas, a ausência de interação social era um conflito para o alcance da proposta institucional, uma vez que a missão da
Universidade propõe a formação humanista compreendida pela valorização das relações interpessoais. A adoção da
1
Doutora. Ciências Econômicas, Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais ICEG PUC Coração Eucarístico. E-
mail: taniacri@[Link].
2
Doutora. Ciências Contábeis, ICEG PUC Minas Virtual. E-mail: josmaria@[Link].
3
Mestre. Ciências Contábeis, ICEG PUC Minas São Gabriel. E-mail: marcelopmaga@[Link]
4
Mestre. Ciências Contábeis, ICEG PUC Minas Virtual. E-mail: amilson@[Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 138
disciplina também foi um avanço para a flexibilização curricular, garantindo atualidade do projeto pedagógico, ao
tratar temas emergentes visíveis pelas demandas sociais sinalizadas. Foi desafiante também o desenvolvimento da
versatilidade dos docentes em lidar com o relacionamento entre os agentes e os temas apresentados, abordando de
maneira ética e dinâmica cada produção acadêmica desenvolvida nestes últimos anos. Entre as competências propostas
para o perfil do egresso, as interpessoais foram relevantes para os resultados do trabalho, uma vez que houve ampliação
das relações sociais estabelecidas pelos discentes, valorizando a comunidade, a sua articulação com a sociedade para a
própria inserção no espaço de atuação profissional almejado, (pro)ativamente. Para o curso, a abordagem desenvolvida
na disciplina tem estimulado a atualização dos conteúdos programáticos e a busca pela adoção de metodologias ativas
em outras disciplinas do curso.
ABSTRACT
The descriptive case study has the objective to report the implementation of an extension discipline in Science
Accountancy EAD course. When identifying the profile of the student and the competences expected of them, based on
the indivisibility between teaching, researching and extension oriented by the search of quality, innovation and
sustainability in the graduating process and in the professional life, the Application Project discipline was implemented,
in the sixth period of the course. At the moment of designing the teaching plan to be adopted for the project, the group
of teachers was directed by the Structuring Faculty Area, to define work processes adhering to the University Extension
policy, which presupposes the flexibilization of the curriculum as an exercise of university autonomy. In the face of
these experiences, the graduating process encouraged students to observe the local context, as well as to propose
interactions among organizations from different sectors, favoring the approach of specific groups in the local, regional
and national fields and spaces, compatible with curricular practices of the extension discipline. The adoption of the
methodology of learning through the solution of real problems, allowed the student to have as reference the global
aspect studies that are applied into practice carried out in the field. Among the records of the experience, some
challenges were revealed for the construction of a discipline directed to the mediation of learning and the complexity of
adopting the active methodology, anchoring itself in the contents already addressed by the other disciplines. Another
challenge was the interaction of the team of teachers to define a model of interaction with the students, identifying the
most effective work process for the projects’ follow-up. It was also considered the initial difficulty of students to accept
the approach of the discipline, once they were already accustomed to receiving the content of the curricular activities’
development, without the need of developing social interaction. As the course is by distance, autonomy is one of the
pillars of its identity in the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas), and the absence of social
interaction was a conflict to reach the institutional proposal, as the mission of the University proposes the humanist
formation understood by the valorization of interpersonal relations. The adoption of the extension discipline was also an
advance for curricular flexibilization, guaranteeing a current pedagogical project when dealing with emergent themes
visible by the social demands signaled. One of the great challenges faced was the development of the versatile capacity
of teachers to deal with the relationship between the agents and the themes presented, approaching ethically and
dynamically each academic production developed in recent years. Among the competences proposed by the profile of
the students, the interpersonal skills were relevant to the results of the work, since there was an expansion of the social
relations established by the students, valuing the space of the community, and its articulation with the society for the
insertion of the same in the professional aspirational space, in a dynamic and active way. For the course, the approach
developed in the discipline has stimulated the updating of the programmatic contents and the search of the adoption of
active methodologies in other disciplines of the course.
1 INTRODUÇÃO
Esse é um grande desafio para os cursos ministrados em formato EAD, que correspondem a
um processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, conforme abordado por Moran
(2012). Nesse modelo, professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. Contudo,
o fato de não estarem normalmente juntos, fisicamente, não os impede de estarem conectados,
interligados por tecnologias, principalmente das telemáticas, como a Internet.
Nessa perspectiva, a experiência apresentada pelo curso de Graduação do curso de Ciências
Contábeis - EAD trilhou todos os caminhos que os demais percorreram em relação ao processo de
ensino/aprendizagem e ao uso da tecnologia como foi mencionado anteriormente. Todavia,
apresenta um grande deferencial que é a aderência aos conhecimentos e saberes de cunho
extensionista, assimilados desde a aprovação da política de Extensão da PUC MINAS, inicialmente
como uma experiência em disciplinas que não tinham uma definição extensionista propriamente
dita. Contudo, no transcorrer do processo, o curso adota o campo extensionista em diversas
disciplinas, desde seu conteúdo até o campo de investigação e o desenvolvimento de ações
programáticas definidas nas ementas dos cursos e esmeradas nos respectivos planos de ensino das
disciplinas elencadas para efeito das práticas extensionistas.
Por esta condução, o apresente artigo caracterizado como estudo de caso descritivo,
considerou como fonte de coleta de dados os relatos dos docentes, as atas das reuniões do Núcleo
Docente Estruturante e os dados documentais da disciplina para o desenvolvimento da pesquisa. Tal
abordagem metodológica foi composta com o objetivo de relatar a implantação da disciplina
extensionista de Projeto Aplicativo, no curso de Ciências Contábeis EAD. Este será o tema a ser
aventado a seguir.
Com experiência desde 1971 na oferta do curso de Ciências Contábeis para a modalidade
presencial, em 2006, a PUC Minas passou a ofertar a modalidade à distância. O projeto pedagógico
do curso tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais estabelecidas pelo MEC para o
curso de Ciências Contábeis (Resolução CNE/CES 10, de 16 de Dezembro de 2004) e a legislação
do MEC reguladora de cursos de graduação a distância (Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de
2005, mais tarde modificado pelo Decreto nº 6.303, de 12 de dezembro de 2007, e o Decreto Nº
9.057, de 25 de maio de 2017).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A partir do novo marco regulatório dos cursos de graduação a distância, os desafios quanto a
busca de aplicações didático-pedagógicas assumiu um papel central na agenda institucional. Pela
nova orientação do Governo, o aluno não é obrigado a realizar ações presenciais, como as
avaliações que ainda são adotadas na PUC Minas. Neste momento de mudanças, em que vivemos a
necessidade de rever o processo avaliativo estabelecido pelo paradigma computacional, a busca por
um modelo educacional focado na personalização, que favoreça os avanços científicos e
tecnológicos da área e permita a leitura do mercado local para a aplicação do aprendizado, as
práticas focadas na metodologia ativa são propostas de valor para a orientação de uma nova leitura
sobre a práxis docente para os desafios educacionais de uma formação particular/personalizada,
mediada por tecnologias.
Diante das eminentes transformações no mundo dos negócios e as mudanças nas normas
contábeis que se sucedem na atualidade, considerando a exigência da harmonização contábil com os
critérios internacionais apresentados pelos contextos das multinacionais, o curso de Ciências
Contábeis vivência o desafio de promover uma contínua atualização de seus conteúdos curriculares.
Entretanto, a implicação das novas normas brasileiras nos processos de negócios das empresas é
intensificada pela necessidade de adequação às exigências tecnológicas impostas pela Receita
Federal em ocorrência da modernização do processo da governança tributária nacional, com a
implantação dos Sistemas Públicos de Escrituração Digital (SPED).
Sendo assim, o dia a dia da atuação profissional tem sido modificado e requer respostas
frente às novas exigências do profissional que atua no mercado de trabalho, alterando as
perspectivas de exercício da profissão e consequentemente, da formação acadêmica. Em função
deste processo, as instituições de ensino carecem de espaços de interação continuada para promover
instrumentos catalisadores que favoreçam a atualização dos conteúdos curriculares na urgência
estabelecida pela dinâmica dos negócios locais, nacionais e, principalmente, internacionais.
A partir da discussão, revisão, aprovação e aplicação das normas técnicas de contabilidade
no Brasil por meio da equiparação com os modelos internacionais, a exigência sobre a habilidade de
leitura e produção de textos foi intensificada. Considera-se ainda a necessidade de desenvolvimento
do pensamento abstrato para decodificar as operações empresariais à matriz positivista da lógica
binária do débito e do crédito. Neste momento de assimilação do saber e aplicação da prática
profissional, os alunos apresentavam aos docentes do curso uma necessidade de desenvolver
instrumentos de ensino-aprendizagem que permitissem aplicar a dedução hipotética normativa ao
contexto corporativo contemporâneo promovendo uma aprendizagem significativa mais favorável à
retenção da aprendizagem do que o modelo lógico-dedutivo.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 145
2.1.1 Desafio da interação em grupo para docentes e discentes na disciplina Projeto Aplicativo
universitário, como agente de mobilização social, e pela conscientização da relevância social que a
formação profissional permite desenvolver com o exercício do seu papel social na construção de
uma sociedade proposta pela política extensionista, que promovam a cidadania "ética": defesa da
justiça, respeito às diferenças, autonomia, liberdade entre os homens. A seguir serão efetuadas
algumas considerações acerca do acompanhamento da implementação da disciplina de prática
extensionista em estudo.
engajamento de outros pelos depoimentos do fórum e compartilhamento das ideias nos grupos de
relacionamento, além da mobilização docente. No desenvolvimento das práticas considerou-se a
apresentação de uma proposta que foi contemplada pelos professores da disciplina, recomendando
estratégias de análise e interação favoráveis.
No que concerne aos ciclos evolutivos de planejamento, verificou-se que um número
significativo dos discentes entrevistados contribuiu para a consolidação das proposições da prática,
além de efetivar um processo de socialização entre os pares das ações extensionistas, promovendo a
indissociabilidade referente à percepção da realidade evidenciada e o desenvolvimento de um
ambiente de troca para a definição de proposições de intervenção social. Finalizadas as interações, o
aluno foi convidado a produzir um registro em vídeo sobre a experiência vivenciada apresentando
um relatório com o uso de diversos recursos midiáticos.
Observou-se que os depoimentos apresentados pelos alunos validaram a coerência da
proposta para a disciplina, na fala dos próprios discentes “a disciplina é muito válida por incentivar
práticas de atividades que tenham cunho social e colaboração dos alunos; em particular a atividade
com objetivo a orientação financeira me deixa grato por ter conseguido ajudar de alguma forma
aqueles que trabalham arduamente no agronegócio, sustentando a economia da região estudada”. A
apreciação da experiência pode também ser confirmada pela fala emotiva de outra discente “gostei
muito da ideia e de contribuir para a evolução dessas pessoas”.
A percepção de que a ausência de uma estrutura rígida e disciplinar pudesse ser contestada
pelos alunos acostumados a uma prática de ensino conteudista foi rompida, como pode ser
constatado na fala de um dos alunos da turma, que confirma a colaboração e troca de experiências
como um grande aprendizado para sua formação profissional: “agradeço a todos que
compartilharam ideias, valores”. Entre os registros obtidos pelos dados documentais, foi possível
identificar agradecimentos aos professores da disciplina pelo acompanhamento constante e troca de
ideias.
Os relatos dos alunos também favoreceram a identificação da pertinência e da relevância
acadêmica, como é possível ver pela fala de um dos alunos: “Acho que é a oportunidade do aluno
integrar a teoria e a prática, integrar o mundo do trabalho e o aprendizado [...] um elo entre a
metodologia de ensino/aprendizado e a prática do convívio corporativo”. Os alunos destacaram que
a flexibilidade, o acompanhamento e a validação em tempo real permitiu o desenvolvimento da
disciplina a contento. E ressaltaram que as habilidades fomentadas potencializaram a conquista das
competências previstas para o perfil do egresso: “a prática faz com que tenhamos a humildade de
aprender e a ousadia de descobrir algo novo para nos prepararmos para os desafios”.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 152
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
RESUMO
A prática curricular de extensão contribui para aumentar o envolvimento do acadêmico com a sociedade em geral, além
de propiciar a integração entre teoria e prática. Este estudo teve como objetivo descrever uma ação de extensão ocorrida
no Centro de Saúde Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, relacionada à orientação de gestantes sobre a importância do
ato de amamentar. Foram realizados dois encontros com as gestantes: no primeiro foi aplicado um questionário com o
propósito de mensurar o conhecimento das grávidas sobre a amamentação, e no segundo, aconteceu a orientação
propriamente dita, seguida da aplicação do questionário de avaliação da ação. Participaram do primeiro encontro 11
gestantes e dessas 7 (64%) já haviam sido informadas sobre aleitamento materno em algum momento de suas vidas. O
conhecimento das gestantes sobre o aleitamento materno foi considerado conveniente: 64% das usuárias afirmaram que
a amamentação deve ser iniciada na 1ª hora de vida da criança, 100% apontaram que o leite materno contém todos os
nutrientes para o bebê e 82% disseram que se deve amamentar o bebê exclusivamente no peito até os 6 meses de idade.
Em relação ao questionário de avaliação respondido por 6 gestantes, todas afirmaram que o projeto agregou
conhecimento e que a orientação recebida irá ajudar muito no processo de amamentação de seu filho. 62% das grávidas
apontaram que a maioria das dúvidas foi solucionada e avaliaram a iniciativa do projeto e o conteúdo apresentado como
ótimos. Considerou-se a importância da orientação sobre a amamentação para gestantes no período de pré-natal, a fim
de prevenir o desmame precoce causado pela falta de informação e garantir a qualidade de vida da mãe e do bebê
durante a gravidez e depois dela.
1
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: camilaeduardaes@[Link].
2
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: hamilianealves@[Link].
3
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: [Link]@[Link].
4
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: luanabh95@[Link].
5
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: [Link]@[Link].
6
Doutora em Linguística; Pós-doutora em Neurociências. Professora Adjunta do Departamento de Fonoaudiologia da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail: anateresabritto@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 156
ABSTRACT
The curricular practice of extension contributes to increase the involvement of the academic with society in general,
besides propitiating the integration of theory and practice. The purpose of this study was to describe an extension action
that took place at the Padre Eustáquio Health Center, in Belo Horizonte, related to the orientation of pregnant women
about the importance of breastfeeding. Two meetings were held with the pregnant women: in the first one, a survey was
applied in order to measure their knowledge about breastfeeding, and in the second one, the orientation itself was done,
followed by the application of an evaluation survey. Eleven pregnant women participated in the first meeting and seven
(64%) had already been informed about breastfeeding at some point in their lives. The mothers' knowledge about
breastfeeding was considered to be convenient: 64% stated that breastfeeding should be started in the first hour of the
child's life, 100% pointed out that breast milk contains all the nutrients needed for the baby and 82% said that mothers
should feed their babies exclusively on the breast until 6 months of age. Regarding the evaluation survey answered by 6
pregnant women, 100% stated that the project added knowledge and that the guidance given will greatly aid in the
process of breastfeeding their child, 62% of pregnant women pointed out that most of the doubts were solved and
evaluated the initiative of the project and the content presented as optimal. The importance of guidance on breastfeeding
for pregnant women during the prenatal period was considered in order to prevent early weaning caused by lack of
information and to ensure the quality of life of the mother and the baby during and after pregnancy.
Keywords: Breastfeeding. Speech, Language and Hearing Sciences. Community Outreach. Orientation
1 INTRODUÇÃO
2 REVISÃO DE LITERATURA
se converse com a gestante e seu acompanhante a respeito de sua intenção de amamentar, oriente
sobre vantagens da amamentação e tempo ideal de aleitamento materno, consequências do
desmame precoce, produção do leite e manutenção da lactação, estímulo ao parto normal e
amamentação ainda na sala de parto, técnicas adequadas de amamentação, problemas e
dificuldades, direitos da mãe, do pai e da criança. Pode-se, também, estimular a formação de grupos
de apoio à gestante com a participação dos familiares, inclusive grupos de sala de espera
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
Os profissionais de saúde são os principais responsáveis pela promoção do aleitamento
materno e pela sua manutenção, uma vez que dão apoio e informação durante a gestação e no
período de puerpério (MOURA, 2015, p. 112). O fonoaudiólogo, por sua vez, “pode colaborar com
toda sua competência técnico-científica para que a vida seja assegurada pelo alimento, afeto e
segurança fornecidos pelo aleitamento materno” (NAVAS, 2009, p.669).
3 METODOLOGIA
3.1 Encontro I
O primeiro encontro teve como objetivo a apresentação das alunas e da proposta do projeto
às gestantes, além da aplicação de um questionário adaptado de Sousa (2009), que foi respondido
por elas, com o propósito de mensurar o conhecimento inicial destas sobre a amamentação. O
questionário continha perguntas relacionadas a informações sobre o aleitamento materno, vantagens
do aleitamento materno, anatomia da mama e fisiologia da lactação, desmame precoce e técnicas de
amamentação.
O encontro aconteceu na sala de espera do Centro de Saúde, durante a consulta pré-natal e
contou com a participação de 11 (onze) gestantes, cujo perfil variou de mães que já tinham filhos a
outras que estavam gestando o primeiro filho.
3.2 Encontro II
4 RESULTADOS
Os dados encontrados revelam que 7 (64%) das grávidas já haviam sido informadas sobre
aleitamento materno, muitas vezes por profissionais da saúde da rede privada. Sete gestantes (64%)
afirmaram que a amamentação deve ser iniciada na 1ª hora de vida da criança, 11 (100%)
apontaram que o leite materno contém todos os nutrientes para o bebê e 9 (82%) disseram que deve
se amamentar o bebê exclusivamente no peito, até 6 meses.
Em relação à causa do desmame precoce, sete gestantes (55%) destacaram a volta da mãe ao
trabalho e problemas com as mamas; 5 (46%) destacaram a insuficiência de leite como fatores
preponderantes para o desmame precoce, demostrando pouco conhecimento sobre o assunto. A
maioria das informações obtidas foram sobre as vantagens da amamentação para a mãe e o bebê, as
características do leite materno e os fatores de sucesso na amamentação.
Todas as gestantes afirmaram que o projeto agregou novos conhecimentos, especificamente
sobre a importância da amamentação para o adequado desenvolvimento orofacial. Afirmaram
também ter havido dinamismo nas apresentações e discussões, que as alunas atenderam a todas de
forma igualitária e respeitosa e que a orientação irá trazer inúmeros benefícios para o processo de
amamentação. Além disto, 62% das grávidas apontaram que a maioria das dúvidas foram
solucionadas e avaliaram a iniciativa do projeto e o conteúdo apresentado como tendo sido ótimo
(Figura 1)
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 164
Mesmo diante de toda divulgação realizada com o apoio da gerência do Centro de Saúde
Padre Eustáquio, que valorizou muito o projeto, a adesão do público não foi tão efetiva quanto era
esperado. Esse fator, em um primeiro momento, pode ser explicado pelo horário disponibilizado
(comercial, sendo que algumas gestantes trabalham) e pelo difícil acesso ao anexo do posto de
saúde, local em que a ação ocorreu inicialmente. O anexo se localiza duas quadras acima do Centro
de Saúde e o caminho que direciona até ele tem ladeiras e calçadas muito tortuosas. No segundo
dia, os trabalhos foram transferidos para a sala de espera do Centro de Saúde, possibilitando maior
visibilidade da ação pelo restante do público presente, pelos outros profissionais que atuam no
centro de saúde e adequando melhor a participação das gestantes presentes.
5 DISCUSSÃO
Esta prática curricular de extensão apresentou-se como grande aliado na interlocução teoria
e prática, que deve ser incentivada ainda na graduação, a fim de promover o diálogo entre saberes e
comunidade e fortalecer a indissociabilidade entre as três dimensões acadêmicas.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Olívia. D. et al. Aleitamento materno: fatores que levam ao desmame precoce. Rev.
Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 61, n. 4, p. 488-492, Jul-Ago 2008.
ARAÚJO, Olívia. D. et al. Desmame precoce: aspectos da realidade de trabalhadoras informais.
Rev. de Enfermagem Referência, [S.I.], v. 3, n. 10, p. 35-43, Jul. 2003.
CARNEIRO, Paula Gonçalves. Proposta de Adesão ao pré-natal e melhora da qualidade do
atendimento de gestantes e adolescentes. Trabalho de Conclusão de Curso – Especialização.
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014 Disponível em: <
[Link] > Acesso em: 04 jun 2018.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 168
RESUMO
Este trabalho é um relato de prática extensão desenvolvida no âmbito da disciplina de Direitos Humanos e
Fundamentais durante o 2º semestre de 2018 na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas)
unidade Betim. A prática de extensão buscou promover a conscientização da sociedade betinense sobre os benefícios do
Método APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) como modelo alternativo frente as mazelas do
Sistema Carcerário Brasileiro. O projeto se inseriu no contexto da busca pela implementação da APAC no munícipio de
Betim e constituiu-se na visita in loco na APAC Itaúna e na idealização, criação e distribuição de materiais educativos
para a população local. O projeto se pautou na ideia de que o compartilhamento de conhecimentos teóricos assimilados
pelos alunos e pelas alunas na disciplina de Direitos Humanos e Fundamentais, assim como em outras disciplinas do
currículo do curso de Direito da PUC Minas, pode e deve auxiliar na transformação social e, sobretudo, no combate as
injustiças sociais. Escrito a várias mãos, o presente trabalho pretende também oferecer ao(a) leitor(a) uma compreensão
das insuficiências e mazelas do Sistema Carcerário Brasileiro, além de uma exposição dos fundamentos e benefícios do
Método APAC.
Palavras-chave: Direitos Humanos e Fundamentais. Sistema Carcerário Brasileiro. Método APAC. Prática de
extensão. PUC Minas Betim.
1
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: alinehf321@[Link].
2
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: daniellacristinaoliveira79@[Link].
3
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: camilacost@[Link].
4
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: laurathamaradumann@[Link].
5
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: loiannecampos@[Link].
6
Professor de Direito da PUC Minas. Doutor e Mestre em Teoria do Direito pela PUC Minas. Graduado em Filosofia
pela UFMG e em Direito pela PUC Minas. Foi Visiting Research Fellow da University of Baltimore School of Law
(EUA – 2015/2016). Advogado. E-mail: vitormedrado@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 171
ABSTRACT
This paper is an extension practice report developed within the scope of the Human Rights and Fundamental Rights
Class during the second semester of 2018 at the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas) Betim
unity, . The extension practice sought to promote the awareness of the population of Betim City about the benefits of
the APAC Method as an alternative model to face the problems of the Brazilian Prison System. The project was inserted
in the context of the search for the implementation of APAC in the municipality of Betim and constituted the on-site
visit to APAC Itaúna and the idealization, creation and distribution of educational materials for the local population.
The project was based on the idea that the sharing of theoretical knowledge assimilated by students in the Human and
Fundamental Rights Classes, as well as in other courses of PUC Minas School of Law, can and should contribute to
social change and, above all, in combating social injustices. Written by several hands, the present work also intends to
offer the reader an understanding of the failings of the Brazilian Prison System, as well as an explanation on the
fundaments and benefits of the APAC Method.
Keywords: Human and Fundamental Rights. Brazilian Prison System. APAC Method; Extension practice. PUC Minas
Betim.
1 INTRODUÇÃO
O Sistema Carcerário Brasileiro alcançou recentemente a marca de mais 700 mil presos, a
terceira maior população prisional do mundo. Como se não bastasse esse problema, é notório o
descompasso entre as leis que regulam o Sistema e a realidade dos presídios. Se é evidente que o
objetivo constitucional do Sistema Carcerário é a ressocialização dos apenados, mais evidente ainda
é o fato de que o Brasil está longe de cumprir esse propósito.
No Brasil, os presídios são, na prática, um depósito de pessoas, sobretudo de jovens pobres e
negros, que são tratadas como se pessoas não fossem. O resultado é que o Sistema Carcerário
Brasileiro perpetua a pobreza, o racismo e a marginalidade e engendra a violência e a insegurança
social que pretendia combater. O cenário atual é desafiador e evidencia a necessidade de reformular
o Sistema Prisional através de novos métodos.
É nesse contexto que deve ser compreendido o Método APAC (Associação de Proteção e
Assistência aos Condenados). Criada em 1972, em São José dos Campos, São Paulo, a APAC
pauta-se na ressocialização do indivíduo, tornando viável o ímpeto do Ordenamento Jurídico
Brasileiro de combater a violência e ressocializar o preso. Diante disso, esse Método tem sido
implementado em diversas regiões do Brasil. Destacam-se as excelentes experiências das APAC
em municípios tais como o de Itaúna, na região Centro-Oeste do estado, que é considerada uma
APAC modelo.
Entretanto, a instalação de novas APAC frequentemente encontra resistência por parte da
sociedade civil de alguns municípios. Esse é o caso do município de Betim, na região metropolitana
de Belo Horizonte. Já há muitos anos, a implantação da APAC Betim é dificultada pela resistência
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 172
persistente de parte da população local. Todavia, esse cenário é perturbador, já que, apesar de a
falência do Sistema Carcerário Brasileiro ser notória em praticamente todas as regiões do país, a
situação é especialmente dramática nos grandes centros urbanos, que convivem com os maiores
índices de violência e com a superlotação dos presídios. É justamente nesse particular cenário que
Betim se insere: índices altíssimos de violência e pouca capacidade de reverter a situação.
Diante disso e cientes de sua responsabilidade social, docentes e discentes da Faculdade
Mineira de Direito da PUC Minas, campus Betim, têm somado esforços no sentido de conscientizar
a população local sobre os benefícios da implantação de uma APAC neste município. Nesse
contexto, no 2º semestre de 2018, no âmbito da prática extensionista obrigatória da disciplina
“Direitos Humanos e Fundamentais”, turno noite, alunos, alunas e professor desenvolveram um
trabalho de conscientização da sociedade betinense sobre os benefícios do Método APAC.
A prática de extensão envolveu a visita in loco na APAC Itaúna, a criação de materiais
educativos, tais como blusas e panfletos, e a distribuição desses materiais para a população local em
pontos estratégicos da cidade de Betim. O pressuposto da prática realizada é o de que o
compartilhamento de conhecimentos teóricos assimilados pelos alunos e pelas alunas na disciplina
de Direitos Humanos e Fundamentais, mas também em outras disciplinas do currículo do curso de
Direito da PUC Minas, pode e deve auxiliar na transformação da realidade social brasileira,
fortemente marcada pelas injustiças sociais, de que o Sistema Carcerário é um exemplo.
orfana filhos de pai vivo; enviúva a esposa de marido combalido; prejudica o credor do
preso tornado insolvente; desadapta o encarcerado à sociedade suscita vários conflitos
sexuais; onera o Estado; amontoa seres humanos em jaulas sujas, úmidas, onde vegetam
em olímpica promiscuidade. (OLIVEIRA, 1997, p.7).
Ademais, o atual Sistema Carcerário Brasileiro, como afirma Oliveira (1997, p. 7), “não
permite nenhum equilíbrio entre o corpo e o espírito”, comprometendo então a plenitude física e
moral do indivíduo. Isso se evidencia pela análise dos principais dados referentes ao Sistema.
Segundo dados do INFOPEN (2017, p. 28), no primeiro semestre do ano de 2016 houve
266.133 inclusões “originárias” de presos, ou seja, sem computar possíveis transferências de um
sistema prisional para outro. Em contrapartida, a proporção de saídas foi menor no mesmo período:
193.789, decorrentes de alvarás de solturas, óbitos dos condenados, entre outros. Isso significa que
existem mais pessoas sendo aprisionadas do que pessoas deixando a prisão. Outros dados são
igualmente assustadores. Em junho de 2016, o Brasil atingiu a marca 700 mil pessoas privadas de
liberdade, a maior população carcerária da história. Esse número representa um aumento de mais de
700% em relação ao registrado no início da década de 1990. A taxa de aprisionamento aumentou
157% no Brasil entre 2000 e 2016 (INFOPEN, 2017, p. 9-12). É preciso notar também que 55% da
população prisional são compostos por jovens entre 18 e 29 anos, 64% dos condenados são negros e
51% não possuem ensino fundamental completo.
É em vista desses dados que diversos estudiosos, entre eles Danin (2017), afirmam que esta
política de encarceramento em massa tem como principais vítimas os jovens negros e pobres.
Ademais, grande parte da população carcerária é formada não de criminosos violentos, mas de
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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pequenos delinquentes e usuários de drogas. Isso se deve entre outros motivos, como explicam
Silvestre e Melo (2017), à promulgação da Lei dos Crimes Hediondos, em 1990. A Lei passou a
limitar a progressão de regime aumentando, consequentemente, o tempo de pena em regime
fechado. Além disso, acrescentou-se o crime de tráfico de drogas, introduzido ao rol de crimes
hediondos.
É preciso notar que a sanção do apenado deve observar o grau de sua culpabilidade e ser
equivalente à reprovabilidade da conduta por ele praticada, uma vez que, sempre que houver a
possibilidade, a pena originária deve ser substituída por medidas de segurança, multas, prestação de
serviços à comunidade, interdição temporária de direitos, etc. A pena privativa de liberdade deve
então ser empregada, tão somente, a casos em que o delinquente exprima vasta periculosidade para
o meio social e o crime em questão seja grave, haja vista que o encarceramento desenfreado, como
ocorre no Brasil, não é instrumento para diminuir a marginalidade; prova disso, de acordo com Leal
(2001), é que não se processou essa redução mesmo após a implantação da Lei de Crime
Organizado, da Lei de Crimes Hediondos e demais outras.
Acrescenta-se ainda que a pouco esforço do Poder Público no sentido de promover a
ressocialização dos detentos. Veja-se, por exemplo, que apenas 12% da população prisional no
Brasil estão envolvidos em algum tipo de atividade educacional (INFOPEN, 2017, p. 53). Além
disso, apenas 2% da população prisional total do país encontram-se envolvidos em atividades de
remição pela leitura ou pelo esporte e demais atividades educacionais complementares. (INFOPEN,
2017, p. 54). Esses dados evidenciam o descompasso entre as leis e a realidade do Sistema Prisional
Brasileiro. É o que ocorre, por exemplo, com a Lei de Execução Penal que, em seu art. 11, inciso
IV, impõe que a assistência ao preso e ao internado é dever do Estado e que objetiva prevenir o
crime e ressocializar o detento através, entre outras práticas, da educação.
A ineficácia (ou desrespeito) às normas que regulam o Sistema Carcerário evidencia-se
também em outros âmbitos. É o que ocorre, por exemplo, no que tange ao exercício do trabalho por
apenados. Segundo INFOPEN (2017, p. 56), “em Junho de 2016, 15% da população prisional
estava envolvida em atividades laborais, internas e externas aos estabelecimentos penais” (sic).
Por sua vez, a Lei de Execução Penal, em seu art. 29, designa que “o trabalho do preso será
remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário
mínimo”. Todavia, consoante a INFOPEN (2017, p. 58) “75% da população prisional em atividade
laboral não recebe remuneração ou recebe menos que 3/4 do salário mínimo mensal” (sic).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 175
O mesmo ocorre quanto à garantia do direito à saúde dos apenados. A Lei n° 7.210/84, art.
11, II e art. 14, caput, impõe que:
No mesmo sentido, a própria Constituição Federal de 1988 estabelece que a saúde é direito
de todos e dever do Estado. Entretanto, após dez anos do lançamento do Plano Nacional de Saúde
no Sistema Penitenciário, a assistência aos detentos alcança apenas cerca de 30% da população
carcerária. (RODRIGUES, 2013). Diante disso, é infelizmente correta a constatação de Oliveira
(1997):
De todo modo, caso presente a real necessidade da aplicação dessa espécie de pena, o maior
obstáculo é, sem dúvidas, segundo Leal (2001, p. 50), harmonizar os direitos presentes na
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, documentos a plano internacional, como o
Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, Convenção Americana sobre Direitos Humanos, e
regulamentos disciplinadores da Lei de Execução Penal (1984) com o plano fático, visto que esses
aspiram a garantir a integridade física, psíquica e moral do detento, como profere o artigo 7° e 10, 1
do Pacto supramencionado:
Art. 7°: Ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamento cruéis,
desumanos ou degradantes. Será proibido sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu livre
consentimento, a experiências médias ou cientificas.
Art. 10
1. Toda pessoa privada de sua liberdade deverá ser tratada com humanidade e respeito à
dignidade inerente à pessoa humana. (BRASIL. Decreto n° 592, de 6 de julho de 1992.
PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS. Disponível em:
<[Link]
Além disso, a Lei n° 7.210, de 11 de julho de 1984 em seu art.1º determina que: “A
execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e
proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.” Faz-se
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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crucial para tal fim ser alcançado, a individualização da pena, feita através de exame criminológico,
obrigatório para o cumprimento no regime fechado e de forma facultativa para o semiaberto, para
que enfim suceda um tratamento eficaz para aquele submetido a ela.
Não obstante, a aquisição dos itens básicos para a correta particularização da pena, por
vezes, é feita de forma precária, logo, não há uma abordagem ideal para cada caso concreto. Ainda,
caso houvesse essa operante especificação, suceder-se-ia o impedimento do efetivo procedimento,
verificada a massa falida que é o sistema carcerário brasileiro.
Conforme o exposto até aqui, é vital então buscar um modo de propiciar a execução da pena
de forma que reintegre, por meio de um tratamento mais humano, o indivíduo a sociedade e
mantenha resguardados seus direitos.
Oliveira (1997) reitera que:
O propósito maior deve ser o banimento da promiscuidade, de tal sorte que o preso tenha
suporte para alimentar o amor à sua própria dignidade, preparando o futuro para, em
liberdade, promover com honradez e autonomia sua subsistência. Se um homem vai para a
prisão e lá se depara com um aparelho destruidor de sua personalidade, como poderá sentir
a sensação de que será útil à sociedade no amanhã? Sem condições de exercitar o seu
potencial, sem a terapia do trabalho, jamais o preso terá assegurado o êxito de sua
reintegração harmônica na sociedade. (OLIVEIRA, 1997, p.8).
Ante a essa terrível situação na qual se encontra o Sistema Carcerário Brasileiro, é imperiosa
a busca por possíveis soluções, ou por novos caminhos, que possam tornar efetivas as nossas leis. É
nesse sentido que o Sistema APAC representa verdadeiro contraponto ao atual cenário do Sistema
Carcerário Brasileiro.
O Método APAC parte do pressuposto de que todo preso é recuperável, desde que sejam
seguidos determinados passos, observando regras preestabelecidas e dando-lhes tratamento digno,
valorizando a individualidade e o trabalho. Mantém-se por meio de doações e convênios com o
Poder Público e outras entidades, podendo assim oferecer cursos educacionais e profissionalizantes,
inserir os presos no mercado de trabalho, oferecer assistência aos mesmos e a seus familiares, etc.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Uma conjuntura totalmente nova abre-se diante do preso que deixa o sistema prisional
comum rumando à APAC, podendo ter ampliada sua perspectiva de vida e assim vislumbrar,
verdadeiramente, sua ressocialização. Para tanto, faz-se necessária uma nova visão de cumprimento
de pena, não a limitando apenas à privação da liberdade, mas, sobretudo, de reaproveitamento do
tempo consumido no cumprimento da mesma, com autoconhecimento e valorando-se através de
oportunidades dentro do próprio sistema por intermédio do trabalho, por exemplo, tanto interno,
quanto externo – quando possível, tendo, enfim, a oportunidade de redefinir as estatísticas do
cárcere brasileiro, tornando-as menos chocantes e ao mesmo tempo possibilitando o retorno dos
presos ao convívio social.
Criada em 1972, em São José dos Campos, São Paulo, a Associação de Proteção e
Assistência aos Condenados (APAC) traz uma abordagem inovadora que busca aperfeiçoar seu
método a partir das mudanças econômicas, culturais, sociopolíticas e religiosas que interferem
naqueles que cumprem pena.
Segundo Ottoboni (2001), a metodologia da APAC
rompe com o sistema penal vigente, cruel em todos os aspectos e que não cumpre a
finalidade precípua da pena: preparar o condenado para ser devolvido em condições de
conviver harmoniosa e pacificamente com a sociedade. (OTTOBONI, 2001, p.29-30).
O sistema ocupa-se, a priori, com a valorização do indivíduo que cometeu um ato contrário
à lei, objetivando então matar o criminoso e salvar o homem em sua essência, diferentemente do
método penitenciário comum que dizima ambos. A proteção da sociedade ocorre como
consequência, já que se o indivíduo é reeducado até o ponto de internalizar uma nova forma de
vida, quando findar seu tempo de cumprimento de pena, esse será um infrator a menos na rua,
saindo, em grande parte, do círculo vicioso que é a reincidência.
Ademais, as vantagens da metodologia APAC estão em manter, de forma ativa, os vínculos
afetivos do detento e sua família, trazendo a ele esperança e desejo de retornar ao lar de forma
renovada.
Além disso, ainda conforme Ottoboni (2001),
A vítima e/ou seus familiares também necessitam receber assistência dos voluntários da
APAC. Devem ser ajudados em suas necessidades materiais, espirituais, psicológicas etc.
Deve-se buscar a reconciliação entre o agressor e a vítima de modo a romper a cadeia do
ódio e da violência. (OTTOBONI, 2001, p.31)
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Ainda, o número menor de recuperandos dividindo o mesmo espaço dentro da cela evita ou
reduz a violência interna, indisciplina, formação de tumultos ou quadrilhas e traz maior
simplicidade e clareza no momento de revista.
As instalações, comparadas com as cadeias comuns, possuem áreas para melhor reabilitação
dos apenados, contando com local para laborterapia, salas para realização de aulas desde assuntos
gerais, religiões, análises em grupo, até televisão.
Expõem-se a seguir os 12 elementos fundamentais do método APAC, que foram obtidos
após estudos a fim de atingir o efeito suspirado.
Primeiro, deve haver a participação da sociedade em toda a sua conjuntura, sendo vital
promover a ideia de atuação desta na execução da pena, já que a exclusão do indivíduo do
sentimento social o faz sentir-se negligenciado e desprezado, o que colabora para aumentar a
reincidência.
Outro fator é fomentar a ajuda mútua entre recuperandos saindo da mentalidade do crime,
como nota Ottoboni (2001):
Demovê-lo dessa conduta anômala não é tarefa tão difícil e impossível, como
pode parecer à primeira vista. Basta despertar nele a consciência dessa
realidade, ajudá-lo a perceber que a raiz do bem e do mal está no coração, que
ele é capaz de praticar gestos de bondade e solidariedade, e, sobretudo, fazer ver
a ele que não basta deixar de fazer o mal, é necessário praticar o bem.
(OTTOBONI, 2001, p.67).
O amparo à saúde deverá contar com uma equipe de médicos, psicólogos, psiquiatras e
dentistas, de forma que não faltem acompanhamento e tratamentos de doenças aos recuperandos.
Como vimos, a valorização humana é o alicerce basilar do método APAC, como indica
Ottoboni (2001):
[...] tem por objetivo colocar em primeiro lugar o ser humano, e nesse sentido
todo trabalho deve ser voltado para reformular a autoimagem do homem que
errou. Chama-lo pelo nome, conhecer sua história, interessar-se por sua vida,
visitar sua família, atende-lo em suas justas necessidades, permitir que ele se
sente à mesa para fazer as refeições diárias e utilizar talheres: essas e outras
medidas irão ajudá-lo a descobrir que nem tudo está perdido [...]. (OTTOBONI,
2001, p.85)
A família do recuperando com seus elos afetivos são cruciais, em razão de a exclusão ser
também fonte geradora da reincidência:
Para alcançar esse objetivo, o Método APAC oferece aos familiares Jornadas de
Libertação com Cristo (retiros espirituais) e cursos regulares de Formação e
Valorização Humana, buscando ainda proporcionar todas as facilidades
possíveis para o estreitamento dos vínculos afetivos. (OTTOBONI, 2001, p. 87)
O mérito é ponto importante dentro da APAC. Todo o seu dia a dia, desde tarefas realizadas,
advertências e elogios, devem constar na pasta-prontuário do recuperando, e nela serão avaliados os
elementos que vão compor sua benemerência.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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comum até a mudança. Uma diferença significativa para eles era que nos presídios comuns eram
identificados por seu número de INFOPEN, enquanto na APAC voltavam a ser tratados pelo
próprio nome, não eram apenas mais um número.
Para os condenados apaqueanos, foi observado o cumprimento rigoroso da LEP, não
havendo violações em relação aos direitos daquelas pessoas, sendo-lhes fornecido desde o direito à
água quente para o banho diário, a visita semanal de familiares, bem como alimentação adequada e,
por vezes, a visita íntima. O tratamento digno é um direito fundamental previsto na Constituição da
República Federativa do Brasil, e aliado ao método APAC, com a estrutura necessária, os
condenados se recuperam paulatinamente.
A pena aplicada é a de privação da liberdade, vide as modalidades do Código Penal,
devendo os demais direitos do apenado serem todos respeitados, conforme observado no método
em análise. É como afirma Felipe Martins Pinto: “Sentenciados a perderem a liberdade, e somente
ela, os condenados em sentença penal têm lutado para conseguir aquilo que nenhuma decisão
julgada pode retirar: a dignidade.” (PINTO, 2012, p. 18).
A valorização da pessoa é um ponto chave da recuperação, havendo horários para atividades
que renovam a saúde mental dos condenados. O dia deles é programado desde o momento em que
acordam até a hora em que se recolhem nos dormitórios, havendo atividades lúdicas e obrigações no
período em que estão acordados.
Houve, num dos relatos feitos por um dos guias, a explicação de que no sistema comum,
pela ausência de estrutura adequada e atividades, a ociosidade era tamanha que o único assunto em
pauta era acerca de ilicitudes. Era como se ele vivenciasse o crime por vinte e quatro horas por dia.
Na APAC, devido às atividades e desenvolvimento humano, esse assunto não era colocado em
pauta, funcionava como uma espécie de reconstrução.
Há entre a APAC e o recuperando uma confiança mútua, em que este tem a posse das
chaves das celas e se porta conforme o combinado para que ali permaneça e se reconstrua. Os
recuperandos recém-chegados são amparados pelos veteranos, que explicam como funciona a rotina
e o local, havendo entre eles uma assistência. Essa integração promovida resulta no sucesso das
atividades propostas. Os próprios recuperandos se vigiam e se auxiliam, cooperando entre si.
Para que haja um controle das tarefas e do comportamento, tem-se no local um quadro de
avisos com o nome dos recuperandos, dados pessoais, como data de aniversário, bem como uma
pontuação que é perdida a cada regra descumprida, havendo uma fiscalização em relação àquilo que
deve ser cumprido. A regressão para o sistema comum se dá pelo acúmulo de desrespeito às normas
apaqueanas, cabendo aos reeducandos respeitar as normas.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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A prática de extensão abrangeu muitas disciplinas que foram estudadas pelos alunos do
curso de Direito, no 3º período. Podemos destacar, entre elas, “Direito Penal”, sendo essa a matéria
sobre a qual mais recaem as ações do projeto, uma vez que o campo discutido é sobre um novo
método de sistema carcerário; os “Direitos Humanos e Fundamentais”, que é o ponto do debate,
pois todo cidadão deve ter os direitos humanos garantidos mas nem sempre isso ocorre; em muitos
presídios esses direitos não são atendidos.
Quando se trata da aplicação de uma sanção por um inadimplemento de uma norma penal, a
sociedade preza por um sentimento de vingança e não é esse o objetivo das punições: “O sistema
penal não alivia as dores de quem sofre perdas causadas por condutas danosas e violentas, ou
mesmo cruéis, praticadas por indivíduos que eventualmente desrespeitam e agridem seus
semelhantes.” (HULSMAN; CÉLIS, 1997, p.22).
Ao estudar sobre o Direito Penal, fica evidente que a pena tem a finalidade de isolar o
indivíduo do convívio com a sociedade, de forma que ele tenha o discernimento de que seus atos
delituosos afetam negativamente a convivência com as demais pessoas, e assim ser reinserido no
convívio social. Entretanto, atualmente o índice de reincidência no Brasil é de 70% ou 80% por
unidade de federação, de acordo com um relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI),
divulgado em 2008. Isso deixa claro que o método comum do sistema carcerário não está
apresentando os resultados almejados.
Outra questão é o tratamento desumano que acontece dentro das prisões, assim já discutindo
os Direitos Humanos e Fundamentais que cada um possui, que não são respeitados quando se trata
de condenados. Se se considerar como exemplo o artigo 1º e o artigo 5º da Declaração Universal
dos Direitos do Homem – sendo respectivamente “Todos os seres humanos nascem livres e iguais
em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros
em espírito de fraternidade.” e “Ninguém será submetido a tortura nem a punição ou tratamento
cruéis, desumanos ou degradantes.” – já se tem ideia do quanto são ignorados esses direitos, uma
vez que o tratamento recebido por presidiários é ultrajante. Não obstante, as normas escritas na
Constituição sobre os direitos humanos como direito à dignidade e a honra são desprezados:
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Sabendo desses problemas e tantos outros, que fazem com que o Direito Penal e Direitos
Humanos sejam ineficazes, em se tratando do sistema carcerário, surge a alternativa da APAC, um
método que busca humanizar o tratamento dos presos além de auxiliá-los na reinserção social:
Os dados mostram-se a favor desse novo sistema, de acordo com FBAC (Fraternidade
Brasileira de Assistência aos Condenados), o índice de reincidência é de 30%, ou seja, é muito mais
eficaz do que no sistema normal. Isso se deve, em grande parte, ao tratamento que o condenado
recebe, que é muito mais humanitário e digno, além de receber incentivos para trabalhar ou estudar,
fatores que ajudam na ressocialização do presidiário.
Outro ponto é o custo ao Estado: enquanto no método APAC em média são gastos R$ 1 mil
por mês para cada condenado, no sistema tradicional esse valor chega a R$ 2,7 mil de acordo com
dados da FBAC.
É indubitável que o sistema APAC, portanto, traz muito mais benefícios do que o método
carcerário comum, fazendo valer dos objetivos do Direito Penal em relação ao cumprimento da
pena e a prevenção de novos crimes, sem que haja também um grande custo para o governo. Além
disso, os Direitos Humanos são respeitados, sendo eles a principal diretriz ao se analisar o
tratamento que é dado aos presidiários.
Assim, foram aplicados conhecimentos de duas disciplinas no projeto, pelas quais os alunos
puderam ver o que foi estudado em prática.
7 CONCLUSÃO
O Direito Penal é a ultima ratio e deve ser acionado apenas quando os demais ramos do
Direito não forem suficientes para a resolução dos problemas. Dada a sentença penal condenatória,
inicia-se o cumprimento de pena na Vara de Execuções Penais da Comarca na qual se encontra o
imputado. É nesse momento que a falência do Sistema Prisional Comum se evidencia, pois o
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Acima de tudo, porém, vivenciar a APAC significou, para nós, a certeza de que a construção
de uma sociedade mais justa passa necessariamente pela efetivação e respeito aos direitos de todos.
Se os muros dos presídios tendem a tornar a sociedade insensível à humanidade dos presos, o
estudo e sobretudo, a (con)vivência nos ensinou que não há sociedade justa sem compreensão,
respeito e amor ao próximo.
REFERÊNCIAS
RELATOS DE EXPERIÊNCIA
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RESUMO
O ensino, a pesquisa e a extensão, como os pilares da Universidade, devem ser ações que a levem a cumprir o seu
objetivo maior de produzir o conhecimento científico e social, tornando-o acessível e integrado à sociedade. O Curso de
Fisioterapia participou do processo de curricularização da extensão universitária da Pontifícia Universidade Católica e
Minas gerais (PUC Minas) e até o momento, possui três disciplinas na sua grade com Prática Curricular de Extensão
(PCE), em cada um dos cursos ofertados, nos Campus Coração Eucarístico, Betim e Poços de Caldas. A escolha por
essas disciplinas foi definida em discussão colegiada, uma vez que elas oportunizam atividades que atendem aos
critérios das práticas curriculares de extensão adotados pela Instituição, respeitando a realidade local de cada Campus.
Mesmo com implantação recente, a avaliação das PCE foi positiva e exitosa, com os discentes atribuindo média 4,8
para a contribuição da mesma (valores entre 1 a 5). A opção do Curso de Fisioterapia da PUC Minas pela organização
de um Projeto Pedagógico que contemple e conjugue as três áreas acadêmicas considerando as diretrizes curriculares
nacionais e a formação por competências promove a ideia de que o diálogo, a reflexão, a interação com o outro e com o
meio são relevantes instrumentos para a construção da igualdade, inclusão social e função social do Fisioterapeuta.
1
Mestre em Saúde e Trabalho, Curso de Fisioterapia PUC Minas Betim, E-mail: colamarcom@[Link].
2
Doutora em Tratamento da informação Espacial, Curso de Fisioterapia da PUC Minas Coração Eucarístico, E-mail:
marciavallone@[Link].
3
Mestre em Ciências da Reabilitação, Curso de Fisioterapia da PUC Minas Betim, E-mail:
[Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 191
ABSTRACT
Teaching, research and extension, as the pillars of the University, must be actions that lead it to fulfill its greater
objective of producing scientific and social knowledge, making it accessible and integrated to society. The
Physiotherapy course participated in the curricularisation process of the university extension of the Pontifical Catholic
University of Minas Gerais (PUC Minas) and to date, it has three disciplines in its curriculum with Extension
Curricular Practice (PCE), in each of the courses offered, in the Campus Coração Eucarístico, Betim and Poços de
Caldas. The choice of these disciplines was defined in collegial discussion, since they offer opportunities that meet the
criteria of the curricular extension practices adopted by the Institution, respecting the local reality of each Campus.
Even with recent implantation, the evaluation of PCE was positive and successful, with students assigning a mean of 4.8
to its contribution (values between 1 and 5). The option of the Physiotherapy Course of PUC Minas for the organization
of a Pedagogical Project that contemplates and combines the three academic areas considering the national curricular
guidelines and the formation by competences promotes the idea that the dialogue, the reflection, the interaction with the
other and with the environment are relevant instruments for the construction of equality, social inclusion and social
function of the Physical Therapist.
1 INTRODUÇÃO
Ela é uma via de mão dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que
encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico.
No retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão
teórica, será acrescido àquele conhecimento.
As ações de extensão se orientam para a defesa da justiça, do respeito às diferenças, da
autonomia e da liberdade entre os homens. Sendo assim, a extensão deve ser considerada como uma
atividade formadora de profissionais cidadãos, que pautem suas ações pela ética fundada no
entendimento de que o ser humano tem valor por si mesmo.
Acredita-se que a oportunidade mais importante que a Extensão possibilita é o estímulo à
articulação teórico-prática e de saberes, conhecimento esse que, por hora, se apresenta ainda tão
dissociado na realidade das Universidades. Da forma como o ensino vem sendo realizado, as
disciplinas curriculares são por vezes “ilhas”, indiferentes, distantes e que dificilmente são
assimiladas como parte de uma realidade complexa. Acredita-se na extensão como a ponte que
favorece uma avaliação multidisciplinar de uma situação-problema.
Diante de todo esse contexto, a base utilizada como referência para as discussões da Política
de Extensão no Curso de Fisioterapia da PUC Minas e para a consolidação de sua estrutura tem sido
a opção pela organização de um Projeto Pedagógico que contemple e conjugue as três áreas
acadêmicas e que possa considerar as diretrizes curriculares nacionais que implicam na articulação
entre ensino, pesquisa e extensão, a articulação entre teoria e prática; a flexibilização curricular; a
formação humanista e a interdisciplinaridade.
O que vai de encontro ao atual modelo de formação dos profissionais da área de saúde, que
preconiza o desenvolvimento de competências de Atenção à saúde; Tomada de decisão; Liderança;
Comunicação; Administração e Gerenciamento amplamente exploradas nas atividades de Extensão
Universitária. Mas esse caminho foi marcado por várias reformas ocorridas ao longo do século XX
na educação médica e em saúde. O Relatório Flexner (1910), foi o primeiro relatório, que após
estudar a educação médica, salientou aspectos, ainda marcantes na educação em saúde como a
segmentação em ciclos básico e profissional, o ensino baseado em disciplinas ou especialidades e
centrado em Hospitais. Porém, o avanço tecnológico e científico, em meados do século XX, e as
fragilidades desse modelo, levaram ao desenvolvimento do modelo da aprendizagem baseada em
problemas/evidências, quando os Centros clínicos e hospitais universitários se tornam ponto de
referência desse ensino (FRENK et al., 2010). Porém, ocorreram outros movimentos relevantes na
saúde, incluindo o da Saúde comunitária e a integração ensino-serviço, operando na lógica da
integralidade, redução das desigualdades de acesso e empoderamento social, além de oportunizar
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 193
2 DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
Os alunos também são estimulados a participar dos diversos cursos de extensão, debates e
Fóruns que são ofertados, dentro ou fora do curso, para o público em geral ou para um público alvo,
como protagonistas da proposta.
As Jornadas e as Mostras Acadêmicas, apresentações de Trabalhos de Conclusão de Curso e
Seminários oferecidos pelo curso possuem forte caráter integrador entre o ensino, a pesquisa e a
extensão. Essas ações, realizadas semestralmente, possibilitam discussões sobre avanços nas
diversas áreas da fisioterapia, frequentemente relacionados às atividades extensionistas em vigor,
assim como as inovações científicas de interesse.
Com o objetivo de garantir a oferta de atividades extensionistas para todos os alunos,
independentemente de sua participação em Projetos e Programas de Extensão, Cursos de Extensão e
Eventos, o Curso de Fisioterapia da PUC Minas vinculou a obrigatoriedade de realização das
práticas curriculares de extensão (PCE) a três disciplinas de seu currículo. A escolha por essas
disciplinas foi definida em discussão colegiada, uma vez que elas oportunizam atividades que
atendem aos critérios das PCE adotados pela Instituição, respeitando a realidade local de cada
Campus.
Nessas disciplinas, seja através das aulas práticas ou da carga horária externa, os alunos
conhecem e aprofundam estudos sobre uma realidade social específica, desenvolvendo então um
produto ou intervenção a partir do que estudaram. Tais produtos ou intervenções são previstos nos
planos de ensino da disciplina, que descreve a forma de avaliação e pontuação da PCE proposta.
Além das disciplinas eleitas para contemplar a proposta da curricularização da extensão, outras
disciplinas podem também realizar práticas de extensão, a depender do interesse do docente e das
propostas previstas no Plano de Ensino. Para concretizar esse processo, basta apenas que o docente
manifeste o interesse ao coordenador de extensão do curso, e este aos responsáveis pelo setor de
PCE.
Na PUC Minas, as práticas de extensão possuem um sistema de gestão específico para o seu
monitoramento e avaliação. Nele os professores do Curso de Fisioterapia, que ministram as
disciplinas, registram um Plano de Trabalho com os objetivos e as atividades previstas para os
alunos desenvolverem durante o semestre. Esse Plano é avaliado e chancelado pelo coordenador de
extensão do curso, de acordo com os seis critérios definidos pela PROEX: interação dialógica,
relevância social, interdisciplinaridade, formação humanística, intervenção social e vínculo com o
conteúdo da disciplina. Após a chancela, os alunos passam a ter acesso ao Plano e no, final do
semestre, respondem a um Relatório Final da Prática de extensão, no qual registram dados
quantitativos sobre a prática realizada, seus objetivos específicos, o cronograma das atividades,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 196
destacando ainda o número de beneficiários alcançados bem como as metas atingidas. Além disso,
respondem também a um Formulário de autoavaliação, marcando, com base em uma escala likert,
o impacto que a atividade extensionista gerou na sua formação acadêmica e humanística.
3 AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA
Serão descritos aqui os dados referentes às disciplinas que realizaram PCE no ano de 2017,
momento em que foi implantado o questionário de avaliação dos alunos, no curso. Nesse período, as
PCE do Curso de Fisioterapia dos 03 Campi da PUC Minas (Coração Eucarístico, Betim e Poços de
Caldas) foram realizadas nas seguintes disciplinas: “Fisioterapia na Atenção Primária”,
“Fisioterapia na Saúde do Idoso”, “Ergonomia e Saúde do Trabalhador”, “Fisioterapia Aplicada na
Geriatria e Gerontologia”, “Fisioterapia em Geriatria”, “Fisioterapia em Oncologia”, “Fisioterapia
na Saúde Coletiva” e “Fisioterapia Aplicada à Cardiologia”.
O formulário de avaliação dos discentes apresentava 11 questões fechadas, em que o(a)
aluno(a) deveria avaliar em uma escala de 1 a 5, o quanto a PCE contribuiu para cada um deles, ou
seja, a partir da experiência que ele vivenciou na PCE, o quanto ele avalia o seu aproveitamento em
cada um dos itens apresentados no questionário.
Os dados referentes a esse período demonstram que 417 alunos participaram das PCE e
atribuíram o valor médio de 4,8 para os quesitos avaliados no questionário, em uma nota máxima de
5,0. A afirmativa que recebeu a maior nota (4,99) foi “Reconhecer a importância do trabalho inter
ou multiprofissional” e a que recebeu a menor (4,81) foi “Desenvolver habilidades e competências
profissionais.” (Gráfico 01).
Gráfico 01: Valor médio das respostas dos alunos do Curso de Fisioterapia da PUC Minas, no
Formulário de Autoavaliação, no ano de 2017
A frequência de respostas a cada um dos itens evidencia a contribuição das PCE para a
formação do discente, oportunizando o desenvolvimento de competências colaborativas em saúde
como a comunicação interprofissional, a liderança, a clarificação dos papéis dentro da equipe, a
integralidade do cuidado, a prática centrada no indivíduo, grupo ou comunidade e a resolução de
conflitos interprofissionais (CIHC, 2010), o que promove a formação de um cidadão engajado e
eticamente comprometido com a realidade e com a sociedade em que vive. A Extensão
Universitária, ao permitir que o estudante socialize seus conhecimentos, contribui para que seja
eliminada a barreira que existe entre a sala de aula e a comunidade, de forma que o discente possa
conjugar teoria e prática numa ação dialógica, cooperando para a construção de uma sociedade mais
justa, democrática e equânime. (GONÇALVES; VELOSO, 2016).
Outro aspecto importante e que merece atenção é apontado por Ribeiro e Soares (2015) ao
reforçar a necessidade de que as Instituições de Ensino Superior assumam a responsabilidade de
superar a lacuna na formação dos profissionais de saúde, que tendem a limitar o cuidado às práticas
pontuais e curativas. Nesse sentido, eles destacam o papel da extensão universitária no
enfrentamento dessa questão, favorecendo a formação do fisioterapeuta como agente promotor da
saúde. Cunha e colaboradores (2017) também reforçam a importância da Extensão Universitária ao
permitir a emergência de um cenário com alta capilaridade de oportunidades de aprendizagem,
semeando a formação de consciência ética e de um perfil de egresso ativo, resolutivo e com
potencial para realizar mudanças efetiva junto à comunidade. Isso permite que esse profissional
assuma a função social de se comprometer a atuar no cenário de prática onde é demandado,
respeitando a real necessidade da população e se guiando por ela, sendo responsivo a esta, ao
promover a funcionalidade e melhor qualidade de vida. Por fim, considerando que a Extensão
Universitária não tem um calendário e nem um formato pré-estabelecidos, as práticas curriculares
despontam como mais uma excelente oportunidade para que a Universidade ocupe seu lugar de
excelência na sociedade.
4 CONCLUSÃO
planos de ensino dos sistemas de informação internos, a avaliação dos discentes e docentes são
importantes indicativos da aproximação do ensino e extensão, e da experimentação da Extensão
pela comunidade acadêmica.
REFERÊNCIAS
RESUMO
O presente trabalho apresenta-se como um relato de experiência das práticas extensionistas desenvolvidas no âmbito
das disciplinas “Ginástica Para Todos e de Trampolim” e “Ginástica Artística e Rítmica”. As referidas práticas
extensionistas expressam-se como oficinas de Ginástica para alunos de escolas parceiras convidadas, ofertando a
vivência de diferentes manifestações da Ginástica e das Práticas Circenses, sob o formato de rodízio. O planejamento,
advindo de pesquisa, é construído pelos discentes do Curso de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica e
Minas gerais (PUC Minas), possibilitando a estes ampliar os conhecimentos necessários à sua prática docente futura.
Aos alunos das escolas parceiras, tais práticas proporcionam a vivência de atividades diferentes daquelas
experimentadas em suas escolas, que muitas das vezes não têm a infraestrutura encontrada na PUC Minas.
ABSTRACT
The following paper is presented as an experience report of extension practices developed within the disciplines
"Gymnastics for All and Trampoline" and “Artistic and Rhythmic Gymnastics”. These extension practices are
expressed as Gymnastics workshops for students from invited partner schools, offering the experience of different
manifestations of Gymnastics and Circus Practices, under a rotation format. The planning, coming from research, is
built by the students of the Physical Education Course of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC
Minas), enabling them to expand the knowledge necessary for their future teaching practice. To the students of the
partner schools, these practices provide the experience of activities different from those experienced in their schools,
which often do not have the infrastructure found at PUC Minas.
1
Dr. em Educação pela Universidade SEK-cl; Curso de Educação Física da PUC Minas unidade Coração Eucarístico.
E-mail: mviniciusambrosio@[Link].
2
Me. em Educação pela Universidade SEK-cl; Curso de Educação Física da PUC Minas unidade Coração Eucarístico.
E-mail: margoambrosio@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 200
1 INTRODUÇÃO
2 DESENVOLVIMENTO
metodologia não é apenas um conjunto de meios utilizados pelo professor para alcançar
determinado objetivo, mas também o estudo do próprio meio em que o ensino estará
imerso. Nossa proposta caminha na direção do entendimento de que o professor, ao optar
por determinada forma de agir, deve estar constantemente refletindo sua prática social,
como ser um professor que, além de pensar sobre suas ações, e, consequentemente, nas
reações de seus alunos (interação professor X aluno), é integrante de uma escola e de uma
sociedade, ou seja, de uma cultura escolar. (RANGEL et al, 2008, p.103).
3
A referida enquete era realizada na primeira semana de aulas com todos os alunos matriculados na disciplina
“Ginástica Para Todos e de Trampolim” do curso de Educação Física, com as seguintes perguntas: “Você tem algum
conhecimento acerca da prática corporal Ginástica, seja na escola ou fora dela?” e “Se sim, quais?”. Os resultados
variavam segundo os semestres cursados, em função dos perfis dos alunos, mas nos três últimos semestres, o percentual
daqueles que responderam positivamente à primeira pergunta variou entre 8,62% e 11,53%. Já em relação à segunda
pergunta, o percentual daqueles que responderam positivamente variou entre 34,48% e 38,46%, mas com conhecimento
restrito às modalidades Ginástica Artística e Rítmica.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 203
Essa iniciativa vai ao encontro do que defende Perez Gallardo (2002), quando afirma que é
papel da universidade, instrumentalizado na extensão, no ensino e na pesquisa, socializar o
conhecimento culturalmente construído pela humanidade. Quando esse tripé ocorre em diálogo,
atende ao objetivo dessa instituição.
Para o planejamento das atividades, levou-se sempre em conta o aspecto motivacional das
atividades ofertadas e a dinâmica das oficinas, visto que elas deveriam caber no horário da
disciplina, ou seja, em 100 minutos. Optamos por oito estações de 12 minutos cada, dividindo os
alunos das escolas em grupos iguais e trabalhando no sistema de rodízio dos grupos, de forma a
levar os alunos a vivenciar práticas diferenciadas em todas as estações. Para os graduandos, houve
divisão de tarefas, no sentido de permitir a eles não somente ministrar as atividades práticas
específicas da Ginástica, mas também gerir o processo sob a coordenação do professor da
disciplina. Nesse sentido, o controle dos rodízios, a ordem das estações, o controle do tempo das
atividades, registros em foto-filmagem, relatórios e a avaliação do processo ficaram por conta de
nossos discentes.
Foram disponibilizados roteiro de orientação para os trabalhos, apostilas sobre Práticas
Circenses da Escola Profissionalizante de Circo da França e de autores brasileiros, além de
referencial bibliográfico sobre Ginástica, para que os graduandos, a partir de pesquisa e estudos
realizados nas disciplinas, pudessem planejar as atividades em aulas selecionadas para esse fim.
Quanto à definição das oficinas a serem ministradas para cada escola, a escolha se deu através de
votação democrática, a partir de uma tempestade de ideias, baseada no estudo de infraestrutura
disponível e de conhecimentos adquiridos na disciplina.
Variando de escola para escola, segundo as características dos alunos e alunas, e demandas
das mesmas, foram ministradas, ao longo dos últimos quatro anos (2015, 2016, 2017 e 2018), uma
vez na primeira metade e outra ao final de cada semestre, as seguintes oficinas:
- pirâmides humanas;
- elementos de solo (rolamentos para frente e para trás, parada de mãos, estrela, ponte
para frente e para trás);
- trampolim (cama elástica com saltos básicos e brincadeiras);
- minitrampolim;
- trave de equilíbrio;
- salto sobre o plinto;
- tecido;
- tambor;
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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- diabolô;
- rola-rola;
- prato chinês;
- chinelão;
- slack line;
- circuito de Parkour;
- bolas de Pilates;
- malabares (bolinha, claves e argolas);
- guerra de cotonetes;
- aparelhos de Ginástica Rítmica (corda, arco, fita e bola)
Em algumas oficinas houve a preocupação de se trabalhar com mais de um aparelho para dinamizar
o processo, não deixando nenhum aluno ocioso. Trabalhou-se também, em diferentes oficinas, a construção
de material pedagógico alternativo, o que, segundo Bortoleto et al. (2008),
alunas das escolas parceiras, além de outras vivências não só na área da Ginástica, mas também na
área social. Isso deixou o trabalho mais coeso com o Projeto da escola, mais robusto e atrativo em
termos de conteúdo e conhecimento. As oficinas foram ministradas por alunos e alunas da
graduação do Curso de Educação Física da PUC Minas, sendo estes supervisionados pelos
professores das disciplinas acima citadas. O trabalho desenvolvido pela disciplina Ginástica
Artística e Rítmica foi realizado em interdisciplinaridade com a disciplina Educação Física e
Deficiência. Nessa atividade a Ginástica foi proporcionada a alunos com deficiência intelectual, de
escola pública parceira, em comum acordo e planejamento coletivo entre professor da disciplina,
professores da escola e discentes da PUC Minas.
Nos três últimos semestres, houve maior interação com os professores das escolas parceiras,
mais notadamente em relação às aulas ministradas para alunos com deficiência intelectual. Tal
aumento na interação foi efetivado com uma visita à turma do sexto período da PUC Minas, feita
pelos professores da escola, em data anterior ao evento. Nessa visita, em um trabalho coletivo entre
esses professores da escola, os alunos e o professor da disciplina de Ginástica, foram decididas as
oficinas a serem ofertadas segundo as características, limitações e necessidades de cada deficiência,
levando-se em consideração a avaliação do evento ocorrido no semestre anterior, e tentando
adequá-las aos alunos da escola, sempre buscando alternativas melhores para algumas oficinas não
tão bem avaliadas.
Também em um movimento de interação com as escolas convidadas, após cada uma das
oficinas aplicamos aos alunos dessas escolas um formulário para avaliar a percepção de satisfação,
na tentativa de entendimento daquelas oficinas que mais se adequavam às expectativas e às
necessidades desses alunos, segundo suas percepções. O referido formulário também foi aplicado
aos professores da escola convidada, responsáveis pelos alunos no dia do evento, visando a avaliar
suas percepções sobre as atividades. Aliado aos dados coletados pelo formulário, houve um
movimento posterior ao evento, de contato pessoal do professor da disciplina com o professor
responsável pela atividade na escola, no sentido de, conjuntamente, avaliar o evento.
3 CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
GONZÁLEZ, Fernando Jaime; FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. Entre o “não mais” e o “ainda
não”: pensando saídas do não lugar da EF escolar. Cadernos de Formação RBCE, Campinas, SP,
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de capacitação para a educação física escolar, do berçário até a quarta série do ensino
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2002.
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103-121.
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SP, v. 13. n.3, p. 338-344, Jun. 1992.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 208
RESUMO
Este trabalho objetivou divulgar os resultados da avaliação da Prática Curricular de Extensão (PCE) na disciplina
Pesquisa Operacional II do curso de Engenharia de Produção no Campus do Coração Eucarístico, no primeiro semestre
de 2018. A PCE se desenvolveu por estudos sobre gargalos de sistemas produtivos, promovendo o contato dos
estudantes com a comunidade e a proposição de melhoria em processos organizacionais. Foram desenvolvidas visitas,
modelagem,simulação de cenários em laboratório e retorno às organizações. Ao final da PCE, foi realizada a avaliação
do aprendizado sobre o aproveitamento dos alunos, utilizando-se um instrumento avaliativo disponibilizado pela Pró-
reitoria de Extensão (PROEX). Dentre as conclusões expostas, os itens mais bem avaliados pelos alunos foram a
articulação da teoria da disciplina com a prática vivenciada e a construção de novos conhecimentos a partir dos desafios
práticos. Os resultados indicam que o desenvolvimento de PCE está de acordo com as expectativas da Universidade, de
que estas promovem um espaço privilegiado para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias a um
Engenheiro de Produção.
1 Doutora, Professora do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
mafa@[Link].
2 Mestre, Professora do Curso de Engenharia de Civil da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
[Link]@[Link].
3 Mestre, Professora do Curso de Engenharia de Civil da PUC Minas, campus São Gabriel. E-mail:
janebarroso@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 209
ABSTRACT
This work aimed to disseminate the results of the evaluation of Extension Curricular Practice (PCE) in the discipline of
Operational Research II of the Production Engineering course at the Coração Eucarístico campus in the first semester of
2018. The PCE was developed by studies on bottlenecks of productive systems promoting the students' contact with the
community and the proposition of improvement in organizational processes. Visits were developed; modeling;
simulation of scenarios in the laboratory and return to organizations. At the end of the practice, the evaluation of the
learning about student achievement in the PCE was performed through an evaluation tool provided by the Extension
Pro-rectory (PROEX). Among the conclusions presented, the items most evaluated by the students were the articulation
of the theory of the discipline with the lived experience and the construction of new knowledge from the practical
challenges. The results indicate that the development of PCE is in accordance with the expectations of the University,
that they promote a privileged space for the development of the skills and competences necessary to a Production
Engineer.
[Link]ÇÃO
Uma Prática Curricular de Extensão (PCE) é uma atividade acadêmica que pressupõe ação,
na perspectiva dialógica entre aluno, professor e sociedade, a qual possibilita relações entre a
realidade e a produção do conhecimento, tendo como objetivo proporcionar aos participantes uma
formação integral, comprometida com a mudança social.
Grandes desafios surgem quando são inseridas PCE em disciplinas teóricas com forte
formalismo matemático, em cursos de Engenharia. No currículo formativo do curso de Engenharia
de Produção (EP), as disciplinas de Pesquisa Operacional (PO) são consideradas de grande
complexidade pelos discentes. A PO, em especial a abordagem de Simulação de Sistemas, visa
reproduzir computacionalmente o modelo representativo de um sistema real para estudo de seu
comportamento. Em geral, as práticas desta disciplina estão limitadas a experiências laboratoriais
com uso do computador. A introdução de uma PCE na disciplina Pesquisa Operacional II (PO II) –
Simulação do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas demonstrou que é possível ir além
do modelo computacional, aliando teoria e prática.
Ao final do primeiro semestre de 2018, foi aplicado para os alunos participantes um
instrumento disponibilizado pela Pró-reitoria de Extensão (PROEX), que teve por objetivo
diagnosticar a contribuição da PCE na formação dos alunos envolvidos.
Os resultados iniciais obtidos com a introdução das PCE na disciplina PO – Simulação do
Curso de Engenharia de Produção originaram-se dos seguintes objetivos definidos:
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 210
Este relato de experiências trata da divulgação dos primeiros resultados obtidos com a
avaliação das práticas vivenciadas na introdução de uma Prática Curricular de Extensão (PCE), na
disciplina Pesquisa Operacional II, do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas, campus
Coração Eucarístico. Para manter o sigilo industrial, o nome das organizações foi omitido neste
trabalho.
2. DESENVOLVIMENTO
Para o FOREXT (2013), a extensão é uma atividade-fim envolvendo uma ação pedagógica e
cultural que
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 212
3 METODOLOGIA
Na segunda fase das atividades, os alunos fizeram uma intervenção na organização por meio
de uma visita sistemática, trabalhando de forma integrada com os gestores. Esta abordagem
colaborou para estabelecer um relacionamento que propiciou uma identificação mais precisa das
causas do congestionamento no processo produtivo da organização.
Nesse momento, as informações macro identificadas foram traduzidas em coleta de dados,
que, em seguida, foram levadas para estudo em laboratório. Com os dados levantados, foi
construído o Projeto de Simulação utilizando o software Arena fabricado pela empresa Rockwell
(2014).
Com o uso do computador, os alunos reproduziram estatisticamente o processo real; o
software permite que cada parte do mundo real tenha o seu correspondente no mundo informatizado
(computadorizado); esse tipo de reprodução pode ser feita através dos blocos de modelagem
disponibilizados pelo software. (ROCKWELL, 2014).
Na terceira fase das atividades, os alunos apresentaram os resultados para os colegas e para a
docente responsável pela disciplina, através do Projeto de Simulação. Para avaliar a experiência, foi
feito um seminário interno com as apresentações dos trabalhos nas aulas de Laboratório. Nessa
etapa, os alunos tiveram a oportunidade de discutir sobre os resultados alcançados e as experiências
vivenciadas.
Na quarta e última etapa, os estudantes puderam vivenciar a troca de conhecimentos com a
sociedade através do retorno às organizações para apresentação da melhoria proposta aos gestores,
bem como para compartilhar a experiência vivenciada.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 215
Na última etapa, foi realizada uma avaliação do aprendizado frente ao aproveitamento dos
alunos na PCE; para tanto, foi aplicado um instrumento de avaliação disponibilizado pela Pró-
reitoria de Extensão (PROEX). Cinquenta alunos dos turnos da manhã e da noite do curso de
Engenharia de Produção, campus Coração Eucarístico, no primeiro semestre de 2018, responderam
o instrumento. Este é composto de 11 afirmativas sobre a experiência promovida pela PCE,
conforme mostra a Tabela 1. A cada afirmativa, o estudante atribuiu uma nota correspondente que
varia de 5 a 1 de acordo com sua concordância com a assertiva. O instrumento aplicado está
apresentado a seguir na Tabela 1.
4 RESULTADOS
Os dados obtidos do instrumento de autoavaliação aplicado aos alunos dos turnos da manhã
e da noite, regularmente matriculados na disciplina Pesquisa Operacional II, do curso de Engenharia
de Produção, no primeiro semestre de 2018, que participaram da Prática Curricular de Extensão,
estão apresentados na Tabela 2.
Tabela 2: Resultados das respostas das turmas Manhã/ Noite (em %) – 1º semestre/2018
Não se Não
Perguntas Nota 5 Nota 4 Nota 3 Nota 2 Nota 1
aplica respondeu
M N M N M N M N M N M N M N
8 50 60 50 25 0 5 0 2,5 0 2,5 0 0 0 5
Observando as afirmativas que foram mais bem avaliadas, temos que os alunos da manhã
avaliaram a afirmativa 10 - Articular a teoria da disciplina com a prática vivenciada - com 100%
dos alunos atribuindo Nota 5, ou seja, concordando totalmente com a afirmativa de que, com a PCE,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 217
ele aprendeu a articular a teoria aprendida em sala de aula com a prática vivenciada, conforme o
gráfico 1 abaixo. Os alunos da turma da noite avaliaram a afirmativa 2 - Construir novos
conhecimentos a partir dos desafios apresentados na prática – com 87,5% dos alunos atribuindo
Nota 5, demonstrando que eles viram uma oportunidade de construção de novos conhecimentos e
desenvolvimento de novas habilidades a partir dos desafios que surgiram durante a prática,
conforme o gráfico 2 a seguir.
Gráfico 2: Respostas dos alunos Turma Noite à afirmativa 2 da avaliação. (1º semestre/2018)
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
variáveis matemáticas, análises com software. O estudante deve entender que as ferramentas
matemáticas e de simulação têm o forte propósito de auxiliá-lo na resolução de problemas reais.
Neste sentido, a inserção de práticas extensionistas traz um grande benefício para os discentes,
mudando sua forma de ver o mundo, articulando a teoria com a prática profissionalizante.
Ao viver a experiência real, o aluno tem de se desdobrar como pode e ir atrás do
conhecimento necessário para resolver o problema proposto pela prática de extensão. Cada prática
apresenta-se como uma fonte rica de aprendizado, de trabalho em equipe, criatividade, tomada de
decisão, com o que os alunos puderam viver desafios reais e desenvolver ações em função das
melhores soluções para o problema apresentado, com o apoio e a tutoria da professora e com a troca
de conhecimentos oriundos dos empreendedores.
REFERÊNCIAS
RESUMO
De acordo com os princípios de integralidade, equidade e universalidade preconizados pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação de Medicina propõem uma formação
médica pautada em valores humanísticos, críticos, reflexivos e éticos. Dessa forma, o Curso de Graduação de Medicina
ofertado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais campus Poços de Caldas, conforme as DCN, reforça a
necessidade e a importância da inserção precoce dos estudantes nas redes de atenção primária à saúde do município de
Poços de Caldas/MG. Este trabalho descreve e analisa, pela visão dos alunos, o caráter extensionista da disciplina
Práticas na Comunidade I: Gestação, Parto-Nascimento e Período Neonatal do Curso de Medicina da PUC Minas Poços
de Caldas. A partir de uma observação participativa dirigida pelos professores e pelas equipes multiprofissionais
presentes na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Kennedy II, situada no bairro Kennedy II, e na UBS São Bento,
situada no bairro São Bento, ambas no município de Poços de Caldas/MG, grupos de cinco acadêmicos acompanharam
semanalmente a rotina de uma Estratégia de Saúde da Família (ESF). Com enfoque no cuidado integral ao período de
gestação e nascimento, pertinente ao primeiro ciclo da disciplina Práticas na Comunidade, os discentes observaram ao
trabalho do médico de família e comunidade, do enfermeiro, dos técnicos de enfermagem e dos agentes comunitários de
saúde. Visando ao máximo aproveitamento da prática extensionista, os alunos participaram, ao final de cada dia de
estágio, de grupos de vivência, juntamente com o professor orientador, visto que o compartilhamento e a análise das
diferentes experiências constituem fator importante para o processo de ensino-aprendizagem. Fundamentado em
observações participativas, os estudantes, em conjunto com a equipe multiprofissional, desenvolveram um olhar crítico
para a realidade das comunidades assistidas, além de compreender a rotina de uma UBS e o seu papel dentro do SUS.
Ademais, houve a integração de conceitos e fundamentos de outras disciplinas da grade curricular, reforçando a
interdisciplinaridade prevista pela atividade extensionista. Considerando o aproveitamento das atividades descritas, a
1
Graduando do curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: ppfnogueira@[Link].
2
Graduando do curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: emillya.martins55@[Link].
3
Graduando do curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: sergioiblasi@[Link].
4
Especialista. Professor do Curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: euclides@[Link].
5
Doutora. Professora do Curso de Medicina da PUC Minas- Poços de Caldas. E-mail: thatiarb@[Link].
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 223
promoção de projetos pedagógicos como o da PUC Minas Poços de Caldas possibilitam uma formação médica mais
completa, capaz de valorizar aspectos humanísticos, críticos, reflexivos e éticos tão desejados na formação de um
profissional da saúde.
ABSTRACT
According to the principles of integrity, equity and universality advocated by the Brazil’s Unified Public Health System
(SUS), the National Curricular Guidelines (DCN) of the Medicine Graduation Course propose a medical education
guided by humanistic, critical, reflexive and ethical values. Therefore, the Medicine Graduation Course offered by the
Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas) in the Poços de Caldas campus, in accordance with the
DCN, reinforces the need and the importance of the early students’ entry in the primary health care networks of the
municipality of Poços de Caldas, Minas Gerais state. The objective is to describe and analyze, by the students' view,
the extensionist character of the course “Practices in the Community I: Gestation, Labor and Delivery and Neonatal
Period”, of the Medicine Graduation Course of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais in the Poços de
Caldas campus. Based on a participant observation conducted by the professors and the multiprofessional teams present
at the Kennedy II Basic Health Unit (UBS), located in the Kennedy II neighborhood, and at the São Bento UBS, located
in the São Bento neighborhood, both in the municipality of Poços de Caldas, groups of five academics followed weekly
the routine of a Family Health Strategy (ESF). Focusing on the integral care to the gestation and birth period, pertaining
to the first cycle of the Practices in the Community course, the students observed the work of the community and family
doctor, the nurse, the nursing technicians and the community health agents. In order to maximize the use of the
extension practice, the students participated, at the end of each day of the internship, of the experience groups,
supervised by the tutor, in which the sharing and analysis of the different experiences constitute an important factor for
the teaching and learning process. Based on participant observations, the students, with the multiprofessional team,
developed a critical view about the reality of the assisted communities, besides understanding the routine of an UBS and
its role within the SUS. In addition, there was an integration with the concepts and the fundamentals of other disciplines
of the curriculum, reinforcing the interdisciplinarity expected by the extensionist activity. Considering the exploitation
of the activities described, the promotion of pedagogical projects such as the PUC Minas in Poços de Caldas, which aim
to introduce the student early in the public health system through extension practices, allow a more complete medical
formation, that values the humanistic, critical, reflexive and ethical aspects so desired in the formation of a health
professional.
1 INTRODUÇÃO
Instituído pela Lei 8.080/90, o Sistema Único da Saúde (SUS) prevê integralidade,
universalidade e equidade do cuidado por meio de uma prática humanizada baseada na autonomia
dos usuários, reconhecendo-os como protagonistas ativos de sua própria saúde. Enquanto proposta
para articulação dessa autonomia do indivíduo com o SUS, a Estratégia Saúde da Família (ESF) foi
implantada em todo o território nacional tendo como meta a reorganização da atenção básica por
meio da ampliação da resolutividade na situação de saúde das pessoas e coletividades (BRASIL,
2012).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 224
2 OBJETIVOS
O objetivo deste estudo foi descrever e analisar, pela visão dos alunos, a disciplina Práticas
na Comunidade do Curso de Medicina, da PUC Minas Poços de Caldas. Nesse contexto, houve a
prevalência durante o desenvolvimento da atividade de: a) identificação e descrição dos principais
problemas de saúde da comunidade em concomitância com a elaboração de medidas interventoras,
juntamente com as equipes multiprofissionais da UBS; b) desenvolvimento da capacidade de
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3 DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
A inserção precoce dos acadêmicos do 1º. Período do Curso de Medicina da PUC Minas
Poços de Caldas é um dos objetivos da disciplina Práticas na Comunidade I: Gestação, Parto-
Nascimento e Período Neonatal. Essa disciplina, de caráter extensionista, prevê a formação de
grupos práticos de 5 (cinco) acadêmicos, com carga horária semanal de 4 (quatro) horas/aula. Cada
grupo realizou suas atividades em Unidades Básicas de Saúde distintas, em diferentes dias da
semana, com contato imediato e direto junto ao Sistema Público de Saúde do município de Poços de
Caldas. A formação de grupos pequenos visa ampliar a participação efetiva dos acadêmicos,
tornando a integração mais acolhedora e mais direcionada para cada aluno, permitindo o contato
mais próximo com a equipe multiprofissional da unidade e proporcionando um ambiente de ensino
e aprendizado mais efetivo.
É importante destacar que o Projeto Pedagógico do Curso de Medicina da PUC Minas
Poços de Caldas prevê, durante os dois primeiros anos do curso (quatro primeiros semestres), a
integração dos alunos nas UBS em práticas com atenção em diferentes etapas do desenvolvimento
do ser humano. A disciplina Práticas na Comunidade I, que ocorre no primeiro período do curso,
apresenta o enfoque no cuidado integral à saúde da mulher no âmbito do SUS e análise da linha de
cuidado de saúde da mulher na UBS e na rede pública do município de Poços de Caldas, a partir do
conhecimento das principais políticas e programas de atenção à saúde da mulher e da gestante.
Nesse contexto, a prevenção dos principais problemas de saúde da mulher, sobretudo aqueles
relacionados aos direitos reprodutivos e sexuais e à percepção de como as condições
socioeconômicas influenciam no processo de saúde / doença tornaram-se pauta nas práticas de
observação e de discussão. Ademais, a prevenção dos problemas comuns que afligem a saúde da
gestante e do seu concepto reforçou a necessidade do pré-natal como parte do cuidado integral da
saúde básica da mulher e da criança (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2017).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 226
diferentes faixas etárias, sendo responsável pelo acompanhamento do paciente. Ademais, ressalta-se
a importância da incorporação de aspectos emocionais, familiares, sociais e preventivos durante os
atendimentos (BRASIL, 2002).
De modo conjunto à proposta do curso, os estudantes presenciaram condutas médicas
relacionadas ao ciclo de Gestação e Nascimento, como é o caso do acompanhamento médico
durante a consulta de pré-natal. Nesse caso, a prevalência dos princípios básicos presentes na Lei Nº
8.080 (Lei Orgânica da Saúde), pode ser analisada da seguinte forma: a integralidade, em que são
prestados serviços contínuos à paciente, que é vista de forma ampla, com foco na gestação como um
todo e não apenas em um recorte programático; a universalidade também foi aplicada, pois a
gestante tem acesso aos serviços do pré-natal durante toda a gestação e, por fim, a equidade, visto
que geralmente as consultas de pré-natal demoravam mais do que as outras, mostrando-se ser
efetivo o tratamento devido e específico para cada caso (BRASIL, 1988).
Outro grupo de alunos acompanhou os enfermeiros integrantes da respectiva ESF durante a
rotina de trabalho. Seguidos de orientação do profissional, realizaram observações participativas
dos atendimentos primários, auxiliaram na organização dos prontuários dos pacientes, no registro de
protocolos e corroboraram no processo de gestão da UBS. O planejamento, o gerenciamento e a
avaliação de atividades desenvolvidas dentro das diretrizes preconizadas pelo projeto das ESF
fazem-se primordiais ao trabalho desenvolvido pelo enfermeiro dentro da unidade. Nota-se também
a participação no quadro administrativo das UBS, sendo os enfermeiros responsáveis pela gestão
dos insumos necessários para o funcionamento adequado da unidade, prezando pela excelência no
serviço ofertado (BRASIL, 2002).
Nesse sentido, verifica-se a relevância do papel do enfermeiro para o vínculo de atenção
enfermeiro / família, na contribuição para melhoria da qualidade de saúde e de vida do indivíduo no
ambiente familiar. Ressalta-se, portanto, o caráter da prevenção e promoção de saúde com foco na
atenção primária, oferecendo uma assistência voltada para as famílias, de acordo com a realidade e
os problemas de cada uma delas, como previsto no Art. 5º da Lei Nº 8.080 (BARROS, 2011).
Um terceiro grupo de alunos organizou suas atividades em conjunto com os auxiliares de
enfermagem e os técnicos de enfermagem. Esses profissionais se encarregam, prioritariamente,
dentre outras funções, da parte dos cuidados relacionados à medicação, higiene e conforto do
paciente. Assim, os estudantes acompanharam a realização de curativos; de procedimentos básicos
de triagem como aferição da pressão, medição de glicemia e conferência de peso e altura; aplicação
de vacinas e observação dos dados da carteira de vacinação do usuário, como preconiza o
Calendário Nacional de Vacinação proposto pelo Ministério da Saúde. Dessa maneira, percebe-se
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 228
um forte vínculo entre esses profissionais e os usuários do sistema, já que os pacientes lhes confiam
seus problemas e necessidades, possibilitando um atendimento centrado nas necessidades de cada
indivíduo (ZOEHLER, 2000).
O quarto e último grupo de alunos acompanhou os agentes comunitários de saúde
trabalhando com a adscrição de famílias em bases geográficas definidas pela microárea (BRASIL,
2012). O agente comunitário de saúde tem um papel indispensável ao acolhimento, já que é o
membro da equipe da ESF que faz parte da comunidade, o que, por sua vez, permite a criação de
vínculos fortes mais facilmente entre a população e os serviços de atenção primária à saúde
(BOVIOT, 2016).
A participação dos alunos deu-se por meio de visitas domiciliares às residências da
microárea de abrangência da UBS. As visitas domiciliares eram marcadas pela anamnese e pela
manutenção de diálogos que possibilitam a identificação de problemas que afligem a comunidade.
Nessa observação, os estudantes puderam fazer perguntas e ajudar na construção de um cenário no
qual a realidade da população está inserida, além de perceber a magnitude do trabalho do agente
comunitário de saúde, uma vez que esse profissional faz o elo entre a comunidade e a equipe da
ESF, transmitindo-lhe informações e conhecimentos e contribuindo para a construção e para a
consolidação dos sistemas locais de saúde (NASCIMENTO, 2005).
Visando ao máximo aproveitamento da prática extensionista em conjunto com o
desenvolvimento de habilidades específicas da formação médica, os alunos participaram, ao final de
cada dia, da disciplina Práticas na Comunidade, de grupos de vivência, em conjunto com o
professor / orientador, nos quais o compartilhamento e análise das diferentes experiências
constituem fator para o processo de ensino-aprendizagem. As discussões em grupos das bases
teóricas disciplinares, somadas aos conhecimentos produzidos ao longo da prática de extensão,
corroboram a produção de conhecimento essencial para a formação médica (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2017).
Além dos debates e discussões, os alunos tiveram como incumbência a elaboração de um
Diário de Campo, no qual poderiam relatar o cotidiano na UBS, os conceitos adquiridos, os frutos
dos conhecimentos produzidos e a identificação de situações-problemas observadas por eles durante
a prática. A partir desse relato, os alunos poderão ser capazes de desenvolver e promover ações em
benefício da saúde com medidas resolutivas dos problemas enfrentados pela UBS (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2017).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 229
4 DISCUSSÃO
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a mudança do ensino médico preconizada pelas instituições de ensino e almejadas por toda
a população, a inserção de novos parâmetros curriculares na graduação faz-se extremamente
necessária. A promoção de projetos pedagógicos como o da PUC Minas Poços de Caldas, que
visam inserir o estudante precocemente no sistema público de saúde do município, por meio de
práticas extensionistas, vislumbra uma formação médica mais completa, que capta valores
humanistas, críticos, reflexivos e éticos, tão esperados pelo profissional da saúde.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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REFERÊNCIAS
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2017.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Plano de Ensino da
Disciplina Práticas na Comunidade I: Gestação, Parto-Nascimento e Período Neonatal do Curso
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Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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RESUMO
O objetivo geral deste estudo foi analisar as condições do posto de trabalho do soldador por meio de uma prática
curricular de extensão do curso de Engenharia de Produção da Pontifícia Universidade Católica e Minas gerais (PUC
Minas) Betim. Os objetivos específicos foram: identificar lacunas entre a função proposta e a exercida, propor
melhorias para adaptar o posto de trabalho ao soldador, aliar a teoria estudada na disciplina “Ergonomia Aplicada a
sistemas de Produção” à realidade das empresas de solda. Para isso, foi realizada uma Análise Ergonômica do Trabalho
com a função do soldador/montador de uma empresa de soldagem e funilaria. A demanda avaliada foi a queixa de
dorsalgia entre os soldadores, que advinha da manutenção de posturas desconfortáveis mantidas por longos períodos
durante a jornada de trabalho. O trabalho prescrito fornecido pela empresa não descrevia os equipamentos necessários
para a execução das atividades do soldador e que grande parte da sobrecarga postural identificada tinha como causa a
ausência de bancadas adequadas para o apoio do material. E nesse sentido foram feitas todas as recomendações. Por
fim, o aprendizado a partir da execução das técnicas de Análise Ergonômica do Trabalho, das visitas, das entrevistas e
das análises, contribuíram para formação de um olhar mais sensível e humanizado dos alunos perante a complexidade
das situações de trabalho, trazendo para eles uma nova perspectiva para além dos muros da universidade.
ABSTRACT
The general objective of this article was to analyze the welder's workstation conditions by means of a curricular practice
of extension of the course of Production Engineering of Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas),
Betim unity. The specific objectives were: identify gaps between actual work and prescribed work, suggest
improvements to adapt the workstation to the welder's work and ally the studied theory in the discipline "Ergonomy
Aplied to Production Systems" to the reality of the welding companies. For that, was done an Ergonomic Assessment
Method for Task Analysis (EAMTA) on the welder/assembler from a welding and tinsmith company. The evaluated
demand was the complaint of backache among the welders that would come from keeping uncomfortable postures for
long periods of time during the working day. It was clear that the prescribed work given by the company did not
1
Acadêmica de Engenharia de Produção. PUC Betim/MG. E-mail: larissanjos95@[Link].
2
Acadêmica de Engenharia de Produção. PUC Betim/MG. E-mail: marcelandrade98@[Link].
3
Fisioterapeuta mestre em Saúde Pública / Trabalho. PUC Betim/MG. E-mail: colamarcom@[Link].
4
Acadêmica de Engenharia de Produção – PUC Betim/MG. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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describe the needed equipment to perform the welder's activities, and that a huge part of the posture overload identified
had as cause the absence of adequate benches to support the materials. And thus were done all the recommendations. By
the end, the learning by the execution of the technics of Ergonomic Analysis of Work, the visits, the interviews and the
analysis, contributed on creating a more sensible and humanized view to the students facing the complexity of working
situations, bringing a new perspective beyond the university's walls.
1 INTRODUÇÃO
2 METODOLOGIA
O levantamento dos dados foi realizado por meio de entrevistas e verbalizações tanto dos
trabalhadores, quanto da supervisão. Também foram realizadas observações, medições e registros
das situações críticas, além da análise dos dados de produção da empresa (FERREIRA, 2015). Após
a entrevista e observação dos postos de trabalho, verificou-se que as reclamações mais alarmantes
surgiram na função de soldador / montador da empresa, sendo a principal reclamação relacionada a
queixas álgicas no dorso. Assim, a análise ergonômica foi realizada no setor de usinagem, que era
localizado na sede da empresa.
A partir da principal demanda relatada pelos trabalhadores (dorsalgia) viu-se a necessidade
de incluir na AET um instrumento que fosse capaz de quantificar o desconforto relatado pelos
trabalhadores durante a realização da atividade e, assim, não só conseguir propor melhorias mais
assertivas para o posto de trabalho, mas também ter mais um parâmetro para acompanhar as
alterações propostas. Optou-se pelo questionário de dor McGill que foi elaborado na década de 70,
em uma universidade no Canadá, cujo objetivo primordial era analisar a dor de forma quantitativa,
para que esses dados pudessem ser tratados estatisticamente (SANTOS et al, 2006).
O questionário apresenta particularidades da dor, que seriam difíceis de mensurar, como
características palpáveis, afetivas, temporais e complicações inerentes à dor. Apresenta ainda uma
avaliação da distribuição e intensidade da dor pelo corpo, mensurando-a entre “sem dor” e
“angustiante”.
A primeira etapa do questionário mostra um esboço do corpo humano, para que o mesmo
identifique onde ocorre a dor; a segunda etapa reúne informações sobre a periodicidade da dor, se
são contínuas, ritmadas, momentâneas, quando os sintomas são notados e se há intervenção por
medicamentos quando as dores ocorrem. A terceira etapa define as especificidades das dores
sentidas e a quarta etapa avalia qual a veemência da dor sentida, a partir de uma escala alfanumérica
que varia de 1 a 5, usando palavras como: (1) fraca; (2) moderada; (3) forte; (4) violenta e (5)
insuportável.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A AET foi realizada em uma empresa de pequeno porte (com cerca de treze funcionários),
localizada no município de Betim/MG, que oferecia serviços de montagem, reformas industriais,
ferramentaria, usinagem, e estava no processo de implementação da ISO 9001, para que estivesse
apta a atender aos seus clientes do setor automobilístico.
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Os soldadores iniciavam sua jornada de trabalho às 8h, realizavam uma pausa para o café,
logo após se deslocavam pela empresa, juntando as ferramentas necessárias para realizar seu
trabalho e, só então, iniciavam a soldagem das peças metálicas. Eles realizavam o seu trabalho de
forma dinâmica e em diversos ambientes. Por não terem um suporte específico para apoiar as peças
metálicas de grande porte, trabalhavam com a peça no chão e, consequentemente, na posição
agachada em grande parte do tempo dessa atividade, ou seja, com o tronco flexionado e rodado e o
pescoço fletido conforme observado na imagem 1.
soldadas em uma altura que exigiria menor esforço postural. Além disso, a introdução de mais
pausas durante o trabalho também poderia ajudar a diminuir a manutenção das posturas por longos
períodos de trabalho e diminuir as queixas álgicas.
Os soldadores também realizavam suas atividades de pé em bancadas fixas; logo, buscou-se
indicar melhorias para adequar o posto a essa atividade também. Para Iida (2005) o projetista tem
dificuldades ao realizar esses dimensionamentos, pois as medidas variam de acordo com o tamanho
das pessoas, como por exemplo, homens geralmente tendem a ter estatura maior em relação às
mulheres, o que pode acarretar em dimensionamento inadequado do posto de trabalho, gerando
condição de trabalho inadequada, pois há movimentos exagerados dos braços, ombros, tronco e
pernas; posturas incorretas que são causadores de dores musculares. Para Iida (2005), a célula de
trabalho deve ser dimensionada seguindo algumas premissas, como:
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na empresa parceira, a demanda avaliada foi a queixa de dorsalgia entre os soldadores, que
advinha da manutenção de posturas desconfortáveis mantidas por longos períodos durante a jornada
de trabalho. Ficou claro, também, que o trabalho prescrito, fornecido pela empresa, não descrevia
os equipamentos necessários para a execução das atividades do soldador e que grande parte da
sobrecarga postural identificada tinha como causa a ausência de bancadas adequadas para o apoio
do material. E nesse sentido foram feitas todas as recomendações, mas ainda são necessárias novas
análises para conhecer e avaliar o trabalho realizado pelos soldadores fora da empresa, pois essa
também parece ser outra fonte de sobrecarga física.
Por fim, o aprendizado a partir da execução das técnicas de Análise Ergonômica do
Trabalho, das visitas, das entrevistas e das observações, contribuiu para formação de um olhar mais
sensível e humanizado dos alunos perante a complexidade das situações de trabalho, trazendo para
eles uma nova perspectiva para além dos muros da universidade.
REFERÊNCIAS
RESUMO
Este relato apresenta a experiência de atividade extensionista do Projeto de Extensão “Engenharia Sustentável” e da
disciplina Gerenciamento de Resíduos Urbanos do curso de Engenharia Civil (10º período) da Pontifícia Universidade
Católica e Minas gerais (PUC Minas), Unidade Barreiro (Belo Horizonte – MG), ao longo de três semestres, atuando no
Residencial Parque Arrudas e na Escola Estadual Dom Bosco (Belo Horizonte – MG). As atividades foram
desenvolvidas pelos alunos extensionistas do projeto e também alunos da referida disciplina, com o apoio dos
professores participantes. As ações foram planejadas também com o auxílio da ONG Cooperação para o
Desenvolvimento e Morada Humana.(CDM), programa Comunidade Viva, em parceria com a PUC Minas. Assim,
inicialmente foi desenvolvido um diagnóstico do perfil comportamental de moradores do Residencial citado, em relação
ao descarte de resíduos domiciliares. Posteriormente, foi realizada amostragem para identificar a taxa de geração, per
capita, de resíduos orgânicos, para finalmente, no segundo semestre de 2018, aplicar a técnica de compostagem, que foi
transferida para a E. E. Dom Bosco. Com a participação de alunos e professores desta escola, foram montadas
composteiras e uma horta comunitária, ideias que foram disseminadas para a área do condomínio Parque Arrudas. Até o
momento, observaram-se resultados qualitativos na mudança de postura dos alunos em fase final de formação na
Engenharia Civil. Na comunidade impactada, notou-se que houve um despertar para as possibilidades de
aproveitamento de resíduos orgânicos para uso na produção de hortaliças em horta comunitária.
1
O projeto possui financiamento pela Pró-reitoria de extensão da PUC MINAS (PROEX).
2
Dr.ª em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Departamento de Engenharia Urbana UFOP. E-mail:
alinedearaujonunes@[Link].
3
Me. em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Departamento de Engenharia Civil PUC Minas . E-mail:
[Link]@[Link].
4
Me. em Engenharia de Estruturas. Departamento de Engenharia Civil PUC Minas. E-mail: rturnball@[Link].
5
Graduanda no curso de Engenheira Civil PUC Minas São Gabriel. E-mail: joycebrandiao@[Link].
6
Graduanda no curso de Engenheira Civil PUC Minas Barreiro. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT
This report presents the experience of extension activities of the Sustainable Engineering Extension Project and the
Urban Waste Management discipline of the Civil Engineering course (10th period) of the Pontifical Catholic University
of Minas Gerais (PUC Minas), Barreiro Campus (Belo Horizonte - MG), over three semesters. The activities reported
here happened at the Parque Arrudas Residential and at the Don Bosco State School (Belo Horizonte - MG). These
activities were developed by the extension students of the project and also students of the aforementioned discipline,
with the support of teachers from the university. The actions were also planned with the support of CDM (Non
Governamental Organization Cooperation for Development and Human Residence), Comunidade Viva, in partnership
with PUC Minas. Thus, a diagnosis of the behavioral profile of the residents of the residential was developed in order to
understand the disposal of household waste. Subsequently, sampling was carried out to identify the per capita
generation rate of organic residues. Finally, in the second half of 2018, the composting technique initiated at Parque
Arrudas was transferred to Don Bosco State School. It happens with the participation of students and teachers of this
school, where were built composts and a community garden. These ideas continue to be disseminated to the Parque
Arrudas condominium area. It is important to mention that qualitative results have been observed in the change of
posture of students of Civil Engineering, who participated in the project. In the analyzed community, it was noticed that
there was an awakening to the possibilities of using organic waste, including in the production of vegetables in a
community vegetable garden.
1 INTRODUÇÃO
Instituição de Ensino Superior sustentável, torna-se cada vez mais importante que esta sistematize
ações alinhadas com as políticas públicas e os tratados internacionais. A partir desses objetivos, e
considerando o campus universitário parte do núcleo urbano, que possui uma infraestrutura básica
(TAUCHEN; BRANDLI, 2006), é inerente à vocação e ao compromisso do curso de Engenharia
Civil propor iniciativas que visem à implementação de um plano de gestão ambiental no âmbito da
PUC Minas, Unidade Barreiro, com potencial de extensão à comunidade externa, não só com
envolvimento direto desta comunidade, mas também com ações multiplicadoras através da mudança
de comportamento de seus participantes que levam atitudes conscientes para suas vidas extra
instituição.
Nesse sentido, o projeto de extensão universitária “Engenharia Sustentável”, trabalhando de
forma conjunta com a disciplina “Gerenciamento de Resíduos Urbanos”, ofertada no décimo
período do curso de Engenharia Civil da PUC Minas, Unidade Barreiro, envolve a comunidade
acadêmica (docentes, discentes, funcionários) e comunidades parceiras, que constituem um
segmento social que interage diretamente com a universidade.
Considerando, ainda, o intuito da disseminação do projeto para comunidades parceiras, foi
identificada uma região próxima à unidade PUC Minas, o Residencial Parque Arrudas, que sofre
com problemas corriqueiros de disposição de resíduos sólidos. Dessa forma, o Comunidade Viva,
Programa de Responsabilidade Social que vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida
de comunidades da região do Barreiro (incluindo o Residencial Parque Arrudas), demonstrou
interesse em desenvolver uma parceria com este projeto, uma vez que foi identificada, por meio de
diálogos estabelecidos com os participantes desta proposta, a possibilidade de definir ações para a
resolução definitiva dos problemas associados à disposição de resíduos na comunidade. Os
resultados dessa frente, junto à comunidade, serão aqui apresentados.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Metodologia
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Com relação ao descarte correto do lixo, 38,94% dos moradores entrevistados sabem como
fazer e assim o fazem; no entanto, 11,50% desconhecem o procedimento adequado.
Adicionalmente, 22,12% dos moradores conhecem o processo, mas não conduzem de forma correta.
Finalmente, 27,43% conhecem informações sobre o descarte correto e às vezes o fazem.
No diagnóstico aplicado no Residencial Parque Arrudas, observou-se que 49,56% dos
moradores entrevistados geram de 1 a 2 kg de lixo (2 sacolas) por dia, e apenas 6,19% dos
moradores geram mais de 4kg (2 sacos de 15 litros). Outras informações identificadas foram:
30,97% geram menos de 1kg (1 sacolinha) e 13,27% geram entre 2kg e 4kg (1 saco de 15 litros) de
lixo.
Neste diagnóstico destacam-se também os seguintes dados:
• De acordo com a principal forma de embalar o lixo, a grande maioria dos moradores
(81,42%) descarta os resíduos em sacolas plásticas reaproveitáveis (como as utilizadas em
supermercados);
• Nenhum morador entrevistado descarta o lixo em sacolas de papelão ou direto na lixeira;
• Uma pequena parcela dos moradores, que corresponde a 11%, descarta o lixo gerado em
suas residências em lixeiras individuais, em lixeiras comuns aos blocos vizinhos ou na rua;
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 250
• Alguns moradores declararam descartar o lixo gerado em suas residências nos passeios e
ruas de seus blocos e outros enviam o lixo diretamente para catadores e associações;
• Percebe-se também que cerca de 55% dos moradores disponibilizam os resíduos fora do
tempo recomendado, em até duas horas. Tal fator pode criar um ambiente favorável à
proliferação de animais e insetos (vetores de doenças); e
• Por meio da análise dos dados, foi possível perceber que 75% dos moradores do
Residencial Parque Arrudas notam a presença de vetores nas lixeiras e no lixo que fica
espalhado pelas vias do condomínio, ou seja, a maioria dos condôminos tem consciência da
presença de insetos, roedores e outros animais que são atraídos pelo descarte inadequado
dos resíduos.
Com foco na proposta de uma disposição mais adequada desses resíduos, assim como o
reaproveitamento destes, no primeiro semestre de 2018 foram realizadas atividades no sentido de
quantificar os resíduos gerados e separá-los como “secos” e “úmidos”. O resultado da pesagem
final dos resíduos orgânicos (ou resíduos úmidos), efetuada no laboratório de Nutrição, totalizou
9,791 kg. Para o cálculo da quantidade per capita, aplicou-se a média de moradores por
apartamento, que é de três. Sendo assim, a taxa média de resíduos orgânicos gerada é de 0,297
kg/[Link].
Considerando a caracterização dos resíduos secos, foram coletadas várias embalagens
descartadas, como caixas de leite, caixas de papelão, sacos plásticos e embalagens de alimentos.
No contexto do que foi exposto, embora o Residencial Parque Arrudas tenha apresentado
potencial para a realização de atividades de reciclagem de resíduos secos, assim como
reaproveitamento dos resíduos úmidos, não houve o envolvimento necessário por parte da
comunidade. Nesse sentido, conforme relatado, as atividades foram transferidas para a Escola
Estadual Dom Bosco (próxima ao Residencial) no segundo semestre de 2018.
Foram realizadas oficinas de capacitação para o entendimento do processo de separação de
resíduos, conforme descrito na metodologia, e a montagem das composteiras foi realizada,
conforme apresentado na Figura 2.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Figura 2 – Participação dos alunos na montagem das composteiras na Escola Estadual Dom
Bosco
Após a montagem das composteiras, os alunos da escola, de forma conjunta com os alunos
extensionistas do projeto e alunos da disciplina extensionista, procederam com o monitoramento do
processo de compostagem, de forma a acompanhar o processo de decomposição do resíduo
orgânico, por meio de controle da temperatura (Termômetro).
Finalmente, para apresentar uma forma de utilização prática do resíduo da compostagem,
houve a montagem de uma horta comunitária na Escola Estadual Dom Bosco, com a participação de
todos os professores, alunos, extensionistas e graduandos da disciplina Gerenciamento de Resíduos
Urbanos (PUC Minas) envolvidos.
Para concluir, é importante mencionar que essa intervenção extensionista permitiu um
contato direto dos alunos com membros das referidas comunidades, a interação dialógica e uma
intervenção social, princípios norteadores da prática extensionista. Posteriormente, após o sucesso
das atividades em 2018, a prática de compostagem será aplicada em outras escolas.
As ações deste projeto permitiram aos alunos PUC Minas adquirissem conhecimentos inter,
multi e transdisciplinares, uma vez que diversas disciplinas do curso e de outros cursos poderão ser
incorporadas neste momento. Por fim, após a concepção de um relatório técnico pelos discentes,
sob orientação do professor responsável pela disciplina Gerenciamento de Resíduos Urbanos,
ocorreram dois momentos de retorno aos agentes (alunos da referida escola e moradores do
Residencial Parque Arrudas).
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 252
4 CONCLUSÕES
Em linhas gerais, analisando os resultados obtidos, conclui-se que os moradores estão cientes
(na maioria dos casos) da forma como se deve realizar a coleta seletiva do lixo. Entretanto, pode-se
observar, conforme análise em campo dos alunos, que ainda falta conscientização e informação por
parte dos condôminos em adotarem a prática de separação de resíduos secos (embalagens) com
possibilidade de tratamento como reciclagem e resíduos orgânicos a serem transformados em
composto (húmus) pela técnica de compostagem, com aplicação em horta comunitária.
Embora a continuidade do projeto não tenha se efetivado no Residencial Parque Arrudas,
considera-se que os resultados obtidos na Escola Estadual Dom Bosco foram bastante satisfatórios,
considerando-se a montagem das composteiras e da horta.
Para a comunidade estudantil, houve transferência dos saberes (acadêmicos e práticos),
permitindo a aproximação com os moradores do Residencial Parque Arrudas e alunos da E.E Dom
Bosco, além da aproximação destes com as práticas da universidade.
Para os alunos da Engenharia Civil, as atividades extensionistas proporcionaram a aplicação
de conhecimentos técnicos aprendidos em sala de aula, bem como a visão crítica e humana, à
medida que eles se confrontaram com problemas comportamentais na geração de resíduos urbanos.
Para os professores envolvidos, houve a oportunidade de avaliar problemas da comunidade
relacionados aos conteúdos tratados na disciplina de Gerenciamento de Resíduos Urbanos (10º
período de Engenharia Civil).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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REFERÊNCIAS
RESUMO
Há mais de quatro anos, o Curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas),
campus Poços de Caldas, elabora e desenvolve um programa de rádio chamado “Nas ondas da Psicologia”. O trabalho
acadêmico busca adentrar os ambientes populares com saberes da Psicologia através da rádio. O objetivo é divulgar os
conhecimentos da Psicologia à população de Poços de Caldas e região, possibilitando aos ouvintes momentos de
reflexão crítica acerca da realidade social, além de principiar contato com temas diversificados, abrir espaço para
diálogo com a comunidade a partir da rádio e proporcionar desenvolvimento de habilidades sociais e profissionais dos
alunos de graduação participantes do projeto. A metodologia aplicada consiste na elaboração de temas pelos alunos, os
quais redigem as pílulas e realizam a locução do programa. Discute-se a abrangência das rádios em relação ao alcance
de público, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia (2016), o rádio é o terceiro meio de comunicação mais utilizado pela
população para se informar sobre acontecimentos no Brasil e está entre os meios mais acessíveis de comunicação,
englobando todas as camadas sociais. O presente projeto é justificado devido a sua fácil infiltração no cotidiano dos
cidadãos, e, portanto, conclui-se que o contato da universidade com a comunidade externa retroalimenta o ensino, a
pesquisa e a própria extensão, contribuindo para o desenvolvimento de conhecimentos científicos. Propicia aos ouvintes
a possibilidade de questionamento e reflexão de temas importantes os quais se defrontam no dia a dia, de modo a
desenvolver uma perspectiva crítica e mais abrangente dos assuntos.
1Aluna de graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: byatixsantos@[Link].
2 Aluna de graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: brunacamargo87@[Link].
3Aluna de graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: [Link]@[Link].
4 Prof.ª Dr.ª do Curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: fernandamendesresende@[Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
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ABSTRACT
For more than four years, the Psychology course of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas),
Poços de Caldas campus, has developed a radio program called "On the Waves of Pscychology". This academic work
seeks to infiltrate popular environments with the knowledge of Psychology through the radio. The objective is to
promote the knowledge of Psychology to the population of Poços de Caldas and its region, allowing the listeners
moments of critical reflection about the social reality, in addition to starting contact with diverse themes, opening space
for dialogue with the community from the radio and providing development of social and professional skills of
undergraduate students participating in the project. The applied methodology consists in the elaboration of themes by
the students, who write the segments and host the program. Radio coverage is discussed in relation to audience reach,
according to the Brazilian Media Survey (2016); radio is the third most used means of communication and is among the
most accessible means ones, encompassing all social strata. This project is justified due to its easy infiltration into the
daily life of citizens, and therefore, it is concluded that the university's contact with the external community feedbacks
teaching, research and extension itself, contributing to the development of scientific knowledge. The project allows the
listeners the possibility of questioning and reflection of important themes which are faced day-to-day in order to
develop a critical and more comprehensive perspective of the subjects.
1. INTRODUÇÃO
O programa de rádio “Nas Ondas da Psicologia” acontece há mais de quatro anos, como
uma das oficinas do Projeto de Extensão denominado "Desenvolvimento psicopedagógico:
intervenções contemporâneas na Educação". Foi aprovado pela PROEX (Pró-reitoria de Extensão)
em 2015, 2016 e 2017 e desenvolvido no âmbito do Curso de Psicologia da PUC Minas campus
Poços de Caldas. Para 2018, com a descontinuidade do projeto supracitado, apresenta-se uma
proposta de continuidade das atividades da Rádio com novos elementos de destaque.
Os alunos do Curso de Psicologia organizam, preparam e realizam a locução de um
programa denominado “Nas Ondas da Psicologia” promovendo uma interação dialógica com a
comunidade sobre temas caros à psicologia como, por exemplo, racismo, xenofobia, violências,
dificuldades de adaptação escolar, novas configurações familiares, paternidade responsável,
crianças e redes sociais, entre outros. Durante toda a existência do projeto, foram gravados e
publicados mais de 100 programas.
A presente proposta de prática extensionista tem como objetivo geral a ação científica e
educativa, que possibilita a interlocução da Universidade com a sociedade por meio de ações
realizadas em parceria com o poder público e o setor privado. Visa-se, através desta, proporcionar
uma intervenção social que propicia a problematização de alguns saberes específicos da academia, a
fim de levá-los de maneira clara à comunidade.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Metodologia
O programa “Nas Ondas da Psicologia” vem sendo transmitido por uma rádio pública da
cidade de Poços de Caldas, a Rádio Libertas, em horários variados ao longo do dia (8h, 14h, 20h, 1h
e 3h), e também, desde junho de 2016, pela Rádio Independência, da cidade de Monte Santo de
Minas, aos sábados.
2.3 Discussão
O trabalho com a rádio torna-se um pouco limitado pela dificuldade de mensurar o público a
quem chegam os programas, no entanto, foi possível receber feedback de ouvintes que, ora ligavam
para a PUC para parabenizar pela iniciativa, ora comentavam com os próprios alunos e docentes.
Ainda foi possível estabelecer um canal de interação dos seguidores nas redes sociais do “Nas
Ondas da Psicologia”.
O projeto proporcionou ao acadêmico de Psicologia, a vivência do trabalho dentro da esfera
de comunicação, bem como a familiarização com o papel do psicólogo em diversas áreas além da
academia, bem como a oportunidade de colocar em prática os ensinamentos da academia. Esta
prática é um fator que agrega muito valor à formação universitária.
O projeto proporcionou um período em que se buscou vincular teoria e prática, de maneira
que a apresentar um bom resultado. E, sobretudo, perceber a necessidade em assumir uma postura
não só crítica, mas também reflexiva da nossa prática psicológica diante da realidade. Uma grande
bagagem de conhecimentos nos foi ofertada bem como a incrível experiência com os ouvintes.
Foram momentos de trocas – tanto nós deixamos algo novo para a comunidade, como dela
recebemos inúmeras experiências. Esse intercâmbio comprova, mais uma vez, que Psicologia e
Comunicação podem conduzir um trabalho interdisciplinar constituído por uma relação dialógica e
o produto dessa união é o surgimento de algo novo, mais completo e cada vez mais rico.
Aluno 1: Olá ouvintes da rádio Libertas, eu sou a Beatriz, estudante do curso de psicologia
da PUC Minas Poços de Caldas, e estou hoje acompanhada da minha colega Laura. Como vai você
Laura?
Aluno 2: Olá Bia e ouvintes da rádio, estou bem, obrigada. Também sou aluna de Psicologia
da PUC Minas Poços de Caldas. O tema que vamos discutir hoje será: Educação para a saúde, e
educar o indivíduo para a saúde significa em dotar todos nós de conhecimentos, atitudes e valores
que nos ajudam a fazer opções e a tomar decisões adequadas à nossa saúde assim como o bem-estar
físico, social e mental.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
usar o alto poder tecnológico dos meios de comunicação para romper com essa fábrica de
produção de subjetividades amorfas para que possam surgir pessoas com espírito crítico a
fim de mudar a sociedade no sentido da democratização, do acesso de todos aos bens
essenciais e aos próprios meios de comunicação, tornando-a mais justa e humana.
(NOVAES, 2009.)
elaborarem o programa, visto que é levado um novo conhecimento à população e presume-se que os
ouvintes são capazes de construir novas falas e aprimorar seu senso crítico a partir das informações
obtidas nos programas.
O investimento progressivo em atividades de formação que proporcionem mecanismo para
divulgar conhecimento científico, pode nos conduzir ao estabelecimento de uma relação mais
adequada com o conjunto da sociedade, por proporcionar maior visibilidade ao que tem sido
produzido na academia, além de se poder intervir na comunidade a fim de levar novos
conhecimentos.
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NOVAES, José. Seminário Nacional Mídia e Psicologia: Produção de Subjetividade e Coletividade.
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Psicologia, 2009.p.10-20.
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sujeito. Maringá: 2011. Disponível em:<
[Link] >. Acesso
em: 19 set. 2018.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 263
RESUMO
O presente relato tem por objetivo explanar à população as diferenças peculiares entre os sistemas convencional e
alternativo prisionais, dando ênfase ao método Associação para a Proteção e Assistência ao Condenado (APAC), em
que o recuperando passa por um processo ressocializador, em que “mata o criminoso existente em si e salva o homem”.
Há concretude no que se fala, pois o método APAC não passa dos 15% de reincidência, se comparado aos mais de 70%
do método convencional. Como metodologia, entrevistaram-se agentes do Centro de Remanejamento do Sistema
Prisional (CERESP) Betim e o delegado do sistema prisional de São Joaquim de Bicas. Conheceu-se a APAC de Itaúna
e visitou-se a população do bairro Bandeirinhas em Betim para ouvir a opinião local, a fim de futura implantação desse
sistema alternativo em Betim. Há divergências no bairro, em que se discorda da implantação de uma APAC, alegando
que desvalorizaria o local e aumentaria o índice de criminalidade. Em contrapartida, afirma-se também que seria bom
para o fluxo comercial local.
1
Professor do curso de Direito na PUC Betim. E-mail: profalissoncosta@[Link].
2
Técnica em Informática e graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: barbaraoscar@[Link].
3
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: esterbatista16@[Link].
4
Graduada em Gestão Financeira. Graduanda em Direito PUC Betim. E-mail: ligiaplacaexpress@[Link]
5
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: nubiamendes022@[Link].
6
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: rafaela3329@[Link].
7
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: tiphaniepires@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 264
ABSTRACT
This report aims to explain to the population the peculiar differences between conventional and alternative penal
systems, giving emphasis to the Association for Protection and Assistance to the Condemned (APAC), where recovery
is due to the process of ressocialization, “killing the existing criminals in themselves and saving the men”. There have
been substantial results, the APAC method has shown no more than 15% recurrence, when compared to the more than
70% of the conventional method. As a methodology, inspectors of the Prison System Relocation Center (CERESP) in
Betim and the delegate of the prison system of São Joaquim de Bicas were interviewed. We met the APAC of Itaúna
and the population of the neighborhood Bandeirinhas in Betim to hear the local opinions aiming for the future
installation of the alternative system in Betim. There are disagreements in the neighborhood, where many disagree with
an APAC request, claiming that it would devalue the site and increase crime rates. In contrast, others claim that this
would be good for the flow of local commerce.
1 INTRODUÇÃO
O presente relato tem como marco teórico o conceito da Associação para a Proteção e
Assistência ao Condenado (APAC), que é uma entidade Civil de Direito Privado com personalidade
jurídica própria, sem fins lucrativos, que possui como escopo a recuperação e reintegração social
das penas de prisão. O trabalho da APAC vincula o método de valorização humana, evangelização
– trabalho com os 12 elementos que, segundo o portal da Fraternidade Brasileira de Assistência aos
Condenados (2016), representam: (1) Participação da Comunidade; (2) Recuperando ajudando
recuperando; (3) Trabalho; (4) Assistência Jurídica; (5) Espiritualidade; (6) Assistência à Saúde; (7)
Valorização Humana; (8) Família; (9) O voluntário e o Curso para sua formação; (10) Centro de
Reintegração Social – CRS; (11) Mérito; (12) Jornada de Libertação com Cristo.
A Associação também procura, em uma perspectiva mais ampla, proteger a sociedade,
restaurando o condenado, possibilitando-o retornar ao convívio social pelo uso da técnica da justiça
restaurativa. A entidade apoia-se na Constituição Federal de 1988, para atuar nas prisões, assim
como na prestação dos direitos dos apenados e na execução penal, auxiliando o Poder Judiciário e o
Executivo.
A proposta de implantação de uma APAC com sede no bairro Bandeirinhas causou um caos
entre quem vive neste local. Sendo assim, foi realizada uma Audiência Pública em Betim, no dia 9
de maio deste ano, requerida por moradores do bairro e representantes da Associação Comunitária,
em que participaram do encontro vereadores de Betim, representantes do Poder Executivo local, a
liderança comunitária e moradores da região.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 265
Hodiernamente, no sistema carcerário brasileiro, é possível nos depararmos com uma taxa
de reincidência criminal que chega aos 70% (Conselho Nacional de Justiça, CNJ, 2011). Diante de
tal estimativa, é tarefa difícil vislumbrar como o sistema carcerário atual cumpre com as finalidades
da pena, preceituadas pela Teoria Unitária da Pena adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro,
qual seja o de “reprovar o mal produzido pela conduta praticada pelo agente, bem como prevenir
futuras infrações penais” como bem explica Rogério Greco (2011, s/p).
Diante desse cenário, fez-se vital repensar o modelo do sistema prisional brasileiro mediante
o processo de conhecimento do sistema apaqueano de ressocialização, que não somente tem-se
mostrado mais efetivo no que tange aos baixos índices de reincidência criminal – o TJMG
(Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 2011) apresenta um índice de 15% de reincidência nos
estabelecimentos prisionais que adotam a APAC – , mas também um modelo que efetiva um dos
fundamentos do Estado Democrático de Direito: a dignidade da pessoa humana (CF/88 Art.1º, III)
por meio de seu escopo e principal notabilização de recuperar o causador do fato delituoso,
habilitando-o para a reinserção na sociedade, oferecendo condições humanizadoras para que essa
reinserção seja eficaz e previna o cometimento de novos ilícitos.
2 METODOLOGIA
Primeiramente, participamos de uma palestra proferida por dois agentes do CERESP Betim,
tendo assim o contato de maneira indireta com o Sistema Prisional Comum masculino.
Posteriormente, foi realizada uma visita ao sistema prisional convencional São Joaquim de
Bicas I (Complexo Masculino), onde tivemos o contato direto com o sistema prisional
convencional. Além disso, visitamos a unidade da APAC em Itaúna8, um sistema de pena
restaurativa, o que nos permitiu realizar comparações entre os sistemas de cumprimento de pena.
Por fim, fomos in loco ao bairro Bandeirinhas em Betim, que está para receber uma nova
unidade da APAC. Elaboramos três perguntas para prováveis entrevistas: “Você já conhece o
método APAC?”, “Sabe da vinda dela para a região?” e “O que você acha da implantação da APAC
neste bairro?”.
8
APAC de Itaúna (Minas Gerais) - Av. João Moreira de Carvalho, 1336, Bairro Parque Jardim Santanense, CEP 35681-
100. Telefone para contato: (37) 3243-1737. Disponível em: <[Link]
itauna-masculina>. Acesso em: 14 set. 2018.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 267
3 CONCLUSÃO
Iniciamos este tópico fazendo um questionamento: “Pode o homem ser julgado por sua vida
inteira por um erro?” Para o sistema convencional e a sociedade atual sim, um acerto não pode
determinar toda a nossa vida, mas apenas um único erro, sim. Ao visitarmos a APAC em Itaúna,
percebemos que todo ser humano pode mudar, independentemente de seus erros, por meio das
oportunidades e da fé.
Ao entrarmos na Associação, sentimos um ambiente totalmente diferente do sistema
convencional: ao invés de cores sem vida, encontramos cores vivas, um paradoxo em relação ao
modelo prisional comum. Fomos recebidas por recuperandos e ex-recuperandos. Em todo o
momento da visita, fomos bem recepcionadas e agraciadas com as histórias e dons desses homens.
Após a visita, foi inevitável não nos sensibilizarmos pelo método e seus resultados, o que
trouxe a nosso pensamento o questionamento sobre a implantação do método no município de
Betim, no bairro Bandeirinhas. Já era de nosso conhecimento a relutância da população, mas a
mesma seria pela falta de conhecimento do método, por serem “presos” e questões políticas.
Caberia a nós averiguar.
A prática extensionista feita pelo grupo possibilitou o entendimento dos dois lados da
situação, ou seja, para os implementadores do sistema APAC e para os moradores do bairro onde
haverá a implementação. Contudo, após a análise dos aspectos formais e empíricos deste trabalho,
foi identificado pelo presente grupo que o método APAC é de suma importância para a
ressocialização e deve ser implementado no lugar do sistema penitenciário convencional. Todavia, a
implantação da APAC no bairro supracitado seria inviável mediante a situação na qual se encontra.
4 DISCUSSÃO
Na primeira parte do trabalho, foi realizada uma visita ao sistema prisional convencional
São Joaquim de Bicas I (Complexo Masculino). Nesse presídio, identificamos a presença de
policiais e agentes penitenciários, todos armados, a fim de garantir a segurança. No que tange à
estrutura das celas, nota-se que é precária, visto que, as camas são insuficientes, o espaço é restrito,
além de a água ser racionada. Observamos ainda que havia pouca socialização entre os presos.
Em contrapartida, realizamos uma visita à APAC de Itaúna, (Unidade Masculina). Nessa
unidade não havia a presença de agentes penitenciários, e sim dos próprios recuperandos e alguns
voluntários. Verificamos ainda, que as celas estavam limpas e bem cuidadas, sendo essa
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 268
organização realizada obrigatoriamente pelos recuperandos. Além disso, a APAC de Itaúna oferece
trabalhos de marcenaria, artesanato, padaria, entre outros, bem como ensino superior à distância,
são formas de capacitar o recuperando para o meio social.
Diante dos resultados apresentados acima, em relação à prisão convencional e à APAC,
constatamos que é notória a diferença entre os dois sistemas, não somente na sua estrutura, mas
também nos métodos utilizados para a recuperação do preso, sendo a prisão convencional um
sistema que, na prática, utiliza o medo e a repressão, e na APAC, a confiança e a disciplina.
Na segunda parte do nosso trabalho, realizamos a visita ao bairro Bandeirinhas, onde
entrevistamos uma comerciante do bairro, que relatou não ter conhecimento do que era a APAC,
sendo assim explicamos a ela a metodologia desse presídio alternativo, e, a partir disso, ela disse
não ser contra nem a favor, mas se a APAC fosse implantada em seu bairro ela ajudaria no que
pudesse. Em seguida, entrevistamos uma moradora, que já conhecia o método APAC e passou por
um sistema semelhante em uma Escola Rural, onde ficou dos 11 aos 16 anos. Esta apoia a
metodologia APAC, no entanto, acredita que não seria viável tal unidade no bairro em que reside,
visto que o bairro não possui saúde, educação e infraestrutura adequada, e a instalação da APAC ali
agravaria tais problemas. Como hipótese de um melhor lugar para a APAC de Betim, a moradora
sugere que seja ao lado do CERESP Betim, visto que, por já ter uma unidade prisional próxima à
APAC, ela não desvalorizaria o local.
Ressalta-se que, com a visita ao bairro Bandeirinhas tivemos a oportunidade de nos
surpreendermos com a perspectiva dos moradores do bairro sobre a instalação de uma unidade
APAC. Preliminarmente pensávamos que os moradores ofereciam resistência pela falta de
conhecimento ao método, no entanto, a maioria dos entrevistados conhece e concorda com método
apaqueano, entretanto o que os aflige é que, com a implementação da APAC, possam se agravar
problemas já enfrentados na região, como citados por eles mesmos, sobretudo no meio econômico.
REFERÊNCIAS
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prisionais e políticas públicas que melhorariam ou minimizariam a aplicação da pena.
Disponível em: <
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Privado. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DO MÉTODO APAC. 2016. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 20 set. 2018.
GRECO, Rogério. Código Penal Comentado. 5ª. Ed. Niterói, RJ: Impetus, 2011.
MENDES, Camilo. Audiência pública discute implantação de APAC em Betim (MG):
Moradores do bairro Bandeirinhas questionam ausência de diálogo entre poder público e
comunidade. 16 mai. 2018. Disponível em: <
[Link]
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PAULA FARIA, Ana. APAC: Um Modelo de Humanização do Sistema Penitenciário. 23 set.
2018. Disponível em: < [Link]
[Link]/site/[Link]?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9296 >. Acesso em: 18
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REVISTA, Consultor Jurídico. RECLUSÃO HUMANISTA: Presídios com método APAC têm
índice de reincidência três vezes menor.19 abr. 2017. Disponível em: <
[Link]
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SABIDO, Brasil. População de Bandeirinhas – Betim – MG. 2014. Disponível em:
<[Link] >. Acesso em: 29
set. 2018
Observações/notas: [Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 270
RESUMO
Os jogos digitais vêm sendo aplicados em ampla escala a diferentes contextos da nossa sociedade. O caráter lúdico dos
jogos permite transformar qualquer experiência interativa em diversão e aprendizado sólido. O propósito deste artigo é
apresentar a Prática Curricular de Extensão, realizada ao longo de 2017, no curso de Jogos Digitais da Pontifícia
Universidade Católica e Minas gerais (PUC Minas), em parceria com a ONG de proteção animal Cão Viver. A prática
extensionista utilizou metodologias de imersão ao tema, estudo de tecnologias e desenvolvimento de jogos gerando um
produto no formato de livro digital com histórias não lineares de cães e gatos disponíveis para adoção na Cão Viver.
Explorando o romance nas histórias de vida desses animais, estimula-se empatia dos usuários do site da ONG,
permitindo, assim, potencializar os resultados positivos do processo de adoção.
Palavras-chave: Jogos sérios. Aprendizagem baseada em jogos digitais. Princípios pedagógicos dos games.
ABSTRACT
Digital games have been applied on a wide scale to different contexts of our society. The playful character of games
allows one to turn any interactive experience into fun and concrete learning. The purpose of this article is to present the
Curricular Extension Practice, conducted during 2017, in the course of Digital Games of Pontifical Catholic University
of Minas Gerais (PUC Minas) in partnership with the animal protection the Non-governmental Organization (NGO)
Cão Viver. The extensionist practice used methodologies of immersion in the subject, study of technologies and
1
Mestre, Professor do curso de Jogos Digitais da PUC Minas. E-mail: eduardofantini@[Link].
2
Graduando do curso de Jogos Digitais da PUC Minas Praça da Liberdade. E-mail: [Link]@[Link].
3
Doutor, Orientador do trabalho e Professor do curso de Jogos Digitais da PUC Minas. E-mail:
marcelo@[Link].
4
Mestre, Professor do curso de Jogos Digitais da PUC Minas. E-mail: msnery@[Link].
5
Egresso do curso de Jogos Digitais da PUC Minas São Gabriel. E-mail: ppcf81@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 271
development of digital games to generate a product in the format of a digital book with nonlinear stories of dogs and
cats available for adoption by Live Dog. By exploring the novel of the life stories of these animals, the users of the
NGO's website may become empathized, thus enabling the positive results of the adoption process to be enhanced.
Keywords: Serious games. Learning based on digital games. Pedagogical principles of games.
1 INTRODUÇÃO
O emprego de atividades lúdicas em sala de aula tem sido uma das maiores premissas do
ensino no século XXI. Com um potencial de sedução ímpar, a ideia de um engajamento maior por
parte dos alunos em temas que, a princípio, precisam de um reforço pedagógico com o intuito de
torná-lo mais atraente é sempre bem vinda. No curso de Jogos Digitais não é diferente. Porém,
temos a agravante missão de não apenas usar jogos para potencializar ou mesmo exemplificar a
mensagem de um tema, mas também empoderar os alunos com o ferramental necessário para que
eles criem jogos que atendam a temática sugerida, tanto de forma teórica quanto prática.
Segundo McGonnigal (2011), temos atualmente uma geração inteira de jogadores virtuosos.
Pessoas que, através do jogo, conseguem resolver grande parte dos problemas que afligem os
mundos virtuais. O problema é que eles não acreditam que conseguem fazer o mesmo com o mundo
real. O propósito de inserir práticas de extensão em uma disciplina da graduação tem o objetivo de
incitar os discentes a iniciar essa ponte com o mundo real, atendendo demandas de instituições
parceiras que precisam de ajuda, e experimentando com isso um pouco do poder transformador dos
jogos, mas de forma bilateral, produzindo e percebendo ao mesmo tempo este enfoque, pois,
segundo Cruz (2013), "deve-se desencadear ações culturais visando à inserção dos sujeitos na
realidade para transformá-la." (CRUZ, 2013, p. 2).
No caso em foco, a prática de extensão foi inserida no primeiro período do curso de Jogos
Digitais da PUC Minas, na disciplina “Roteiros e Narrativas”. O projeto contemplou dois assuntos
intimamente ligados com a ementa da referida disciplina: a primeira foi a elaboração de roteiros
com base realística, feito a partir de depoimentos. Sair do campo meramente ficcional e ilustrar
situações reais permitem práticas engrandecedoras. A segunda, uma prática extensionista para
preencher uma lacuna importante da disciplina – a de Jogos Sérios – que é precisamente a
elaboração de jogos com uma retórica de conteúdo para atender a uma demanda real e específica.
Um dos desafios do processo é inserir o ferramental para criação de jogos digitais, já que o
aluno no início do curso tem pouca ou nenhuma competência no processo da criação do jogo em si.
A solução consiste na inserção de histórias não lineares estruturadas via hiperlink. Utilizando o
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 272
Google Docs Apresentações, um aplicativo gratuito oferecido pelo Google; podem ser criadas
histórias não lineares com múltiplos caminhos, diversos finais, instrumentação que se assemelham
aos gêneros de jogos Graphic Novel e o Point n' Click, caracterizados por uma narrativa
romanceada e ações do usuário baseadas em clicks do mouse para prosseguir. Também foram
trabalhados os acabamentos gráficos que complementam o layout sugerido, como uso de imagens
animadas e botões. Segundo Mendonça e Mustaro (2011), precisamos transpor a necessidade
ferramental para outra necessidade, a retórica, com a implantação de um Design Instrucional, para
que ocorra "o alinhamento entre as melhores práticas educacionais e as melhores práticas de design
de jogos, constituindo uma condição sine qua non". (MENDONÇA; MUSTARO, 2011, p.1).
2 DESENVOLVIMENTO
Os gêneros de jogos podem ser classificados em dois grupos principais: os jogos que
objetivam entretenimento puro - entertainment games - e os jogos que tratam de assuntos de modo
sério - serious games. Os jogos sérios seriam, por definição segundo Michael e Chen (2005),
produtos interativos “que usam a mídia artística dos jogos para entregar uma mensagem, ensinar
uma lição, ou promover uma experiência.” (MICHAEL; CHEN, 2005, p. 23).
Quando se fala que um jogo é sério, diz-se que ele trata de determinados assuntos com
profundidade técnica, de modo retórico e com fins que não são somente entreter. Já Iuppa e Borst
(2007) usam o termo Story-Driven Games, algo como “Jogos Direcionados”, termo adequado,
levando em consideração que o foco desse tipo de jogo não está na sua sobriedade, e sim na
mensagem passada de forma retórica e direcionada.
Importante também abrir a discussão para a forma de uso de jogos de puro entretenimento
quando para uso sério: por exemplo, um professor de História que deseja ensinar os costumes de
povos antigos à sua turma pode usar jogos como Civilization V com esse intuito.
Assim sendo, jogos sérios não constituem um gênero em si, mas um conjunto de vários
gêneros que utilizam dos jogos digitais como ferramentas de ensino, pesquisa, treinamento,
tratamento médico e outras aplicações com o objetivo de atender demandas reais da sociedade.
Michael e Chen (2005), apresentam, ainda, várias aplicações e vantagens desse tipo de jogo em
diferentes campos de atividade humana, como por exemplo. advergames, edugames, exegames,
simulation games, newsgames, persuasive games, art games, traingames, health games, religious
games, govgames, political games entre outros.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 273
Já o GameBook, ou livro-jogo, é uma espécie de livro com uma história não linear, ou seja,
ele permite desdobramentos de acordo com as escolhas que o leitor vai realizando ao longo da
leitura. É similar a um Role-Playing Game (RPG) solo - que consiste em um jogo de interpretação
de personagens - , mas em sua maioria, o leitor não precisa de instrumentos à parte (dados, fichas
de controle, cartas) para jogá-lo. A história se desenvolve unicamente a partir das consequências das
escolhas feitas pelo leitor (ex.: ir para direita, página 20; ir para a esquerda, página 12;
conversar com fulano, página 04; etc.). E esse poder de escolha leva a um peso maior nos
desdobramentos da história, pois oferece um protagonismo por parte dos seus leitores na tomada de
decisões.
Apesar de apresentar uma dinâmica bem atual, trata-se de uma técnica narrativa antiga; no
Brasil, por exemplo, a Editora Ediouro chegou a publicar uma sequência de livros do gênero, a
coleção Enrola e Desenrola, ainda na década de 1970, que foi bastante popular (COURI, 2018);
sendo algo de consumo de nicho por jogadores de RPG, esses livros ainda são comercializados em
lojas e casas especializadas no ramo. Existe uma variável, que nada mais é que uma versão digital
destes livros, chamada GameEbook. A diferença, obviamente, está em seu formato digital: agora,
por terem um mecanismo de sistema de gerenciamento de dados, tal qual um programa de
computador, os GameEbooks podem ser vendidos como aplicativos em lojas virtuais mobile, e tem
toda a sorte de recursos que o meio oferece, tais como pontos de salvamento para pausas, sistema de
progressão assistida, desenho de fases aprimorado, customização de personagens e até uma
inteligência artificial incitando as escolhas do leitor.
Apesar de não existirem muitos GameEbooks no mercado, e menos ainda GameEbooks com
perfil de jogos sérios, acreditamos se tratar de uma ferramenta útil para retórica de empoderamento
e apresentação sociocultural.
A Associação Cão Viver em Defesa dos Animais foi criada em agosto de 2003 por um
grupo de protetores independentes, que realizavam seus resgates a animais de forma isolada, mas
que sentiram a necessidade de trabalhar em conjunto, em prol desses que viviam em situação de
abandono. Com essa união, surgiu, além dos resgates, a necessidade de realizar ações de proteção
animal e educação ambiental, e assim a Cão Viver realiza palestras sobre o assunto, visitando
escolas ou recebendo grupos de alunos no abrigo (CÃO VIVER, 2018).
A sede está implantada em uma área verde de aproximadamente 3.000m² na região
metropolitana de Belo Horizonte e tem capacidade para 80 cães e 32 gatos. Apesar de ter uma
estrutura grande e bem organizada, a associação não consegue suprir a necessidade de acolhimento
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 274
de animais abandonados e lida diariamente com a superlotação, o que pode causar consequências
graves para os animais abrigados.
Na sua ideologia, um abrigo tem o intuito de recolher animais em situações de risco, tratá-
los, castrá-los e conseguir donos responsáveis para eles. Mas o que ocorre algumas vezes são
animais que passam toda sua vida sem conseguir uma nova família. Alguns deles, inclusive, sofrem
preconceito pela idade, cor, tamanho ou deficiência física. Esses animais acabam ocupando vagas
no abrigo de forma vitalícia, impedindo que outros animais sejam resgatados.
A ideia do projeto do curso de Jogos Digitais da PUC Minas, então, foi captar possíveis
interessados em adotar os animais. Em resumo, a Prática Curricular de Extensão na disciplina
“Roteiro e Narrativas” teve o objetivos de elaborar GameEbooks tendo como base os cães e gatos
que estão para adoção na Associação Cão Viver. Os depoimentos dos cuidadores, aliados a um
romanceamento da história por parte dos alunos, nortearam os trabalhos através da elaboração de
um plot (espinha dorsal). No final, essas histórias foram finalizadas em um e-book interativo, e
disponibilizadas no site da entidade.
A metodologia do trabalho seguiu cinco etapas bem definidas:
1. Contato com parceiro, elaboração de briefing e definição do escopo do produto a ser
desenvolvido;
2. Criação de história-modelo, fotos, ilustrações e adequação ao formato;
3. Visitas técnicas para reconhecimento de atores e conteúdos;
4. Elaboração dos produtos;
5. Nova visita técnica, apresentando o produto para a ONG Cão Viver.
Uma vez definidos o escopo e a mensagem que as histórias iriam transmitir, na segunda
etapa foi observado que seria necessário montar um layout, uma amostra do que se esperava para os
alunos, para que estes a utilizassem como referência (Figura 1). Esse modelo revelou-se bem
oportuno, pelos seguintes motivos:
Normalmente, um trabalho desta magnitude pode oferecer certa resistência por parte dos
alunos, pois eles acreditam que não conseguem realizar a tarefa, ou simplesmente não conseguem
entender o que lhes foi pedido. O modelo, feito apenas como uma base e finalizado ao longo do
semestre pelo professor orientador, desenvolveu nos alunos a sensação que estavam construindo,
juntos e em sincronia com o seu professor, o trabalho como um todo.
Constatou-se que este modelo foi exaustivamente consultado pelos alunos, tornando-o uma
referência, tanto visual como em tratamento de texto, bem como um entendimento do tratamento do
sistema não linear em si.
Na terceira etapa, com o projeto entendido, os alunos fazem uma visita técnica ao parceiro.
Essa visita é feita em dois momentos: com o acompanhamento do coordenador e outras à parte, por
conta própria, se precisarem de mais informações.
Esse momento é ímpar, pois um curso de Jogos Digitais, alocado no Instituto de Ciências
Exatas e Informática (ICEI PUC Minas) não tem o hábito de fazer visitas técnicas a ONG e demais
instituições dessa natureza, porém essas situações são possíveis graças aos trabalhos e projetos de
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 276
extensão que permitem um olhar além dos muros. Os alunos fizeram contato com o local (Figura 2),
aos animais abrigados, conheceram algumas histórias contadas pelos voluntários do local, tiraram
fotos, e selecionaram algum cão ou gato para criar a sua história.
Na quarta etapa, finalizado o briefing do projeto e a escolha dos animais que teriam sua
história romanceada, houve encontros duas vezes por semana em sala de aula para discussão,
elaboração e finalização do produto.
Os alunos, divididos em grupos, elaboraram:
● plot / espinha dorsal: tal qual uma história linear, todo roteiro deve ter ao menos um
parágrafo de norteamento;
● organograma / fluxograma: as pranchas, dispostas de forma planificada, demonstram
todas as alternativas disponíveis, bem como os caminhos que cada parte do texto
oferecem. Neste ponto, orienta-se sobre os caminhos que a história pode tomar;
● produto pronto, com mínimo de 10 pranchas e máximo de 30, com layout condizente
com o projeto, e ao menos 10 ilustrações.
Essas aulas de escrita são importantes para um processo sadio de criação em conjunto; são
feitas em laboratório, dependendo apenas de computadores com boa conexão à internet. Aproveita-
se para iniciar alguns alunos interessados no processo de ilustração ao Krita, software de edição de
imagens gratuito e livre, além do acompanhamento no processo de escrita e adequação à demanda
retórica que o produto exigia. Esta etapa teve a duração de três semanas.
Do ponto de vista técnico, foram observadas as seguintes questões:
● o texto deveria ser leve, com poucos parágrafos em cada prancha;
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 277
● a história deveria ser obrigatoriamente não linear, favorecendo uma ampla escolha, e
evitando os caminhos / escolhas óbvias;
● o entendimento de causa e consequência na elaboração do texto, fazendo com que o
leitor descubra o poder de sua decisão lendo o resultado de suas ações;
Já do ponto de vista do tratamento do roteiro, da sua demanda retórica, foram observadas as
seguintes questões:
● o animal em questão deveria ser apresentado como um animal de temperamento
interessante, mas sempre dócil, de certa forma. Afinal, o intuito é de ele ser adotado. Ele
podia até lutar contra criminosos, mas não poderia morder, por exemplo;
● a história podia ter passagens bem surreais, como viagens interplanetárias, ser um super-
herói, enfrentar piratas à procura de um baú de tesouro, etc. Porém, a ideia era que ele
fizesse uma ponte parecida com a realidade, quase como uma parábola, e que essas
histórias amenizassem por vezes uma má formação ou restrição física: um cão cego, por
exemplo, se tornou parceiro de um famoso super-herói cego dos quadrinhos, o
Demolidor; já uma marca de queimadura severa tornou-se símbolo da incrível luta que
esta cadela travou para livrar a terra de alienígenas, e assim por diante;
● as histórias sempre culminariam com a chegada do animal à Associação Cão Viver, com
um pedido por parte dele para ser adotado.
Figura 3 – Alguns GameEbooks dos cães e gatos adotados pelo trabalho desenvolvido
Se um dos animais fosse adotado, seria feita uma leve alteração no texto, e inserida a TAG
"adotado" à sua história (Figura 3).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
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world. The Penguin Press. 2011.
CRUZ, C. R. da. A cultura como instrumento de libertação: contribuições de Paulo Freire à
formação de professores. UFSM. 2013. Disponível em <
[Link]
[Link] >. Acesso em: 31 jul. 2018.
MENDONÇA, R.; MUSTARO, P.. Elementos imersivos e de narrativa como fatores
motivacionais em serious games. SBC - Proceedings of SBGames, 2011.
MICHAEL, D.; CHEN, S.. Serious Games: games that educate, train, and inform. Cengage
Learning PTR; 1. ed. 2005.
IUPPA, N.; BORST, T.. Story and Simulations for Serious Games: Tales from the Trenches.
Focal Press, 2007.
COURI, D.. Coleção enrola e desenrola, da Ediouro. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 16
jun. 2018.
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[Link] >. Acesso em: 1 ago. 2018.
DELORS, J. (Org.). Educação um tesouro a descobrir – Relatório para a UNESCO da Comissão
Internacional sobre Educação para o Século XXI. Editora Cortez, 7ª edição, 2002..
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 280
RESUMO
O presente relato tem como propósito apresentar e discutir a experiência de um projeto de extensão realizado na
disciplina extensionista do bacharelado em Engenharia de Software da Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais. Com o objetivo de articular a teoria com a prática, os estudantes puderam escolher uma demanda real da
sociedade e com ela projetar e desenvolver um software com os requisitos levantados. A demanda escolhida foi
apresentada pelo curso de Medicina Veterinária, também da mesma instituição, onde se observou carência por
programas específicos que realizassem o controle e geração de relatórios para setores de inseminação bovina artificial.
O projeto apresentou também caráter interdisciplinar e, principalmente, transdisciplinar; uma vez que, além das
disciplinas do curso de Engenharia de Software envolvidas, a necessidade trouxe consigo o domínio das Ciências
Agrárias, o que possibilitou muita reflexão e superação de desafios por parte dos alunos que estão inseridos nas
Ciências Exatas. Foram diversos os resultados obtidos. Para os estudantes, pôde-se realizar muitos câmbios que dizem
respeito a questões humanas e a responsabilidade de lidar com um problema real da sociedade, dando oportunidade de
crescimento e ampliação da visão do mundo. E quanto aos benefícios à Pontifícia Universidade Católica e Minas gerais
(PUC Minas), o projeto abre as portas para futuras parcerias entre os cursos, beneficiando a instituição de ensino, tal
como futuras pesquisas que poderão surgir como fruto desse sistema desenvolvido.
1
Graduando em Engenharia de Software da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: carlosfelipearantes@[Link].
2
Graduanda em Medicina Veterinária da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: [Link]@[Link].
3
Graduando em Engenharia de Software da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: ericribeiro@[Link].
4
Graduando em Engenharia de Software da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: caminhasian@[Link].
5
Orientadora, professora do Curso de Engenharia de Software da PUC Minas, Mestre em Computação, unidade Praça,
Núcleo NUTEI. E-mail: soraialu@[Link].
6
Orientador, professor do Curso Engenharia de Software da PUC Minas, Mestre em Computação, unidade Praça,
Núcleo NUTEI. E-mail: tadeurf@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 281
ABSTRACT
This report aims to present and discuss the experience of an extension project carried out in the extension course of the
Software Engineering bachelor’s degree at Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas). In order to
extend theory to practice, students were able to choose a real demand from society to design and develop a software
with the requirements needed. The demand chosen was presented by the Veterinary Medicine course, also from the
same institution, where there was noticed a lack of specific programs that carried out the control and generation of
reports for sectors of cattle artificial insemination. The project also presented an interdisciplinary and transdisciplinary
character; since, in addition to the disciplines of the Software Engineering course involved, the necessity brought with it
the field of Agrarian Sciences that allowed a lot of reflection and overcoming by the students that are inserted in the
Exact Sciences. Several results were obtained. For the students, many changes were made that deal with human issues
and the responsibility to deal with a real problem of society, giving opportunity for growth and expansion of their world
view. As for the benefits to PUC Minas, the project opens the possibility for future partnerships between both courses,
benefiting the educational institution, as well as future research that may arise as a result of this developed system.
1 INTRODUÇÃO
(PEREIRA et al. 2016) e soma-se a esse fato a questão de ser o segundo maior produtor de carne
bovina (USDA, 2017) e o maior exportador de carne bovina (FAO, 2018). E, embora o Brasil
esteja nessas colocações, realiza-se um pequeno contraste quanto ao real potencial que o país possui
e a realidade produtiva ineficiente na qual se encontra. Exemplifica-se o problema na questão da
produção de leite, na qual a produtividade anual do país gira em torno de 1.680 litros por vaca.
Embora seja um dos maiores produtores, essa relação no Brasil é consideravelmente menor quando
comparado a outros países (PEREIRA et al. 2016) como, por exemplo, a Argentina, com 5.830
litros por vaca, e a Nova Zelândia com 4.060 litros.
Como se pôde verificar, existe muita ineficiência nos processos produtivos e, em específico,
o projeto desenvolvido nesta prática de extensão, que propõe intervir nessa questão e diz respeito
ao domínio das fazendas (ou setores) de inseminação artificial (IA) que, infelizmente, também
padecem da mesma anomalia e que necessitam se tornar mais eficientes para dar conta da demanda
nacional e global.
Apesar da crescente demanda pela técnica de IA, no Brasil, somente 12% das matrizes do
rebanho nacional passam por essa técnica (BARUSELLI, 2016). Porém esse índice tende a ser
ascendente a cada ano, uma vez que se busca progresso para atender a demanda de carne bovina
para consumo e exportação, pois almeja-se atender a demanda mundial. A tendência é alinhar
tecnologia e genética cada vez mais no rebanho nacional, para a produção de carne com qualidade e
maior eficiência. Ressalta-se, aqui, a enorme importância de uma eficaz e eficiente IA, objeto
central do projeto, tanto na produção de leite quanto na produção de carne bovina, pois está incluída
como parte do ciclo de produção. Como ambas são atividades econômicas de relevo, beneficia-se
tanto a nação quanto as populações diretamente influenciadas e sustentadas por esse setor.
Melhorias processuais em conjunto visando a uma possível diminuição em custos desnecessários
em muito favorecerão a sociedade como um todo.
Em uma gestão ideal, o responsável pelo setor de IA deveria levantar os dados de cada
animal presente e mapeá-los em um sistema de controle, pois são muitos os dados e diversos os
processos que ocorrem antes, durante e depois. Desde a seleção e identificação do melhor material
genético e seus respectivos fornecedores, junto à preparação dos animais com o acompanhamento
após uma inseminação bem-sucedida ou na identificação da(s) causa(s) de uma inseminação falha;
eis que todas estas informações são importantíssimas para a sustentabilidade e desenvolvimento de
uma fazenda de inseminação.
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Os dados importantes que deveriam ser acompanhados ao longo das estações (períodos de
tempo, em meses) e mapeados corretamente com as respectivas datas são: 1) A classificação de
cada animal: se é uma novilha, que são vacas novas e que não foram submetidas à inseminação; se é
uma primípara, que é a fêmea que pariu ou vai parir pela primeira vez; ou se é uma multípara, que é
a fêmea que já pariu várias vezes; 2) O estado no qual cada animal se encontra, como, por exemplo,
se ele está aguardando algum diagnóstico, é gestante ou pós-parto, está apto ou aguardando uma
indução hormonal, que é um processo de preparação para estar no cio, ou se já ocorreu uma
indução; 3) Acompanhamento dos prazos (datas) dos estados respectivos para controle dos
processos corretos em cada momento Desse modo, muitas questões deveriam ser registradas e
analisadas para uma melhor tomada de decisão ou até mesmo uma futura revisão processual. E, com
todas estas informações, seria possível a geração de relatórios com os dados que permitiriam extrair
conhecimento em cima do estado de eficiência e eficácia no qual se encontra a fazenda.
Acontece que, atualmente, quando existe algum controle, ou ele é realizado de forma
completamente manual – no máximo utilizando planilha em Excel –, ou é realizado, por alguns
produtores, através de programas complexos, com fluxos de passos necessários muito distantes da
realidade da maioria e que geram uma quantidade de informações dispensáveis, quando se objetiva
somente controlar a área de inseminação artificial. Porém, na maioria dos casos, tanto em grandes
produtores quanto em pequenos, não são levantados os índices zootécnicos, que são os dados
responsáveis por auxiliar o gestor da fazenda com a medição do requisito eficiência no que diz
respeito à situação produtiva, reprodutiva e sanitária entre outras do rebanho. Essas informações
referem-se ao estado do animal ao longo de um certo período, a estação, e que possibilitam gerar
uma previsibilidade muito importante com estipulação de metas e suas respectivas verificações ao
longo do tempo.
Tendo em vista a contextualização dos problemas existentes, objetivou-se projetar,
desenvolver e disponibilizar um software capaz de atender os requisitos necessários desse domínio
e solucionar parte dessas questões. Este trabalho discute e apresenta os resultados obtidos com o
projeto e desenvolvimento desse software como também os ganhos alcançados pelos autores em
seus respectivos crescimentos técnicos e, principalmente, humanos, tendo em vista o modelo
aplicado de uma prática de extensão.
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2 DESENVOLVIMENTO
Identificou-se que, uma vez catalogadas as informações necessárias, o controle para a gestão
das inseminações e geração de relatórios é uma tarefa de complexidade crescente e em curva
exponencial. O aumento de animais nos setores de reprodução artificial aumenta relativamente a
quantidade de dados a serem coletados e catalogados. Sem levar em consideração o ato de analisar
toda essa cadeia de dados e conseguir gerar informações úteis para diagnósticos e pesquisa, tarefas
essas que, com a maior complexidade e volume, ficam sujeitas a maior erro humano.
Com as questões do domínio do problema, levantaram-se como requisitos necessários a
necessidade de uma interface amigável e o mais simples possível para a disposição dos dados dos
animais – um sistema de banco de dados eficiente e que consiga lidar com um volume maior de
dados em tempo real, mas que seja, ao mesmo tempo, leve e compacto. Quanto a requisitos
funcionais, levantou-se a necessidade de um módulo para gerar os relatórios necessários. A criação
de um sistema de estações, um dashboard com uma visão superficial de todos os estados dos
animais adicionadas e os respectivos módulos de cadastro e acompanhamento dos processos de
inseminação identificados.
A intervenção ocorreu com o desenvolvimento do software e de acordo com quatro questões
principais a serem explicitadas neste trabalho. Em primeiro lugar, encontra-se o caráter
extensionista da disciplina. Em segundo lugar, tendo em vista o curso e disciplina nos quais o
projeto foi desenvolvido, ressaltar-se-á que o software foi de fato desenvolvido de acordo com os
requisitos levantados pelo domínio e, principalmente, o projeto pedagógico do curso de Engenharia
de Software que promove a interdisciplinaridade com as outras disciplinas do período envolvidas. O
objetivo foi desenvolver uma ferramenta capaz de auxiliar no combate à ineficiência produtiva que
se encontra no Brasil das fazendas de IA. Em terceiro lugar, relatar sobre a experiência de realizar
um projeto em conjunto com alunos e professores do curso de Veterinária da PUC Minas Praça,
com um campo bastante diferente e que caracterizou o caráter transdisciplinar em todo o projeto. E,
em quarto lugar, tratou-se de desenvolver ferramentas e condições de modo a criar interfaces de
pesquisa e colaboração entre o curso de Veterinária e o de ES; realidade que, na visão dos autores,
poderá auxiliar futuros projetos dessa mesma natureza como também inovações por parte dessa
parceria.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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2.1 Interdisciplinaridade
2.2 Transdisciplinaridade
3 METODOLOGIA
4) geração de relatórios gráficos com os dados que podem ser extraídos com a centralização
e disposição dos dados, como taxa de prenhez entre as novilhas que passaram por uma indução em
comparação às que não passaram por indução, possibilitando a verificação da eficácia das induções
nos setores de IA.
Seguem abaixo as outras funções que foram implementadas no sistema com também uma
amostra das telas do software extraídas da versão entregue no projeto.
Foi desenvolvida uma tela de dashboard que pudesse resumir a situação do setor de IA
como um todo, mostrando as informações importantes de imediato quando o software é
inicializado, ou seja, é a página principal. São informações como quais animais estão aptos, quais
estão em algum diagnóstico e quais estão em pós-parto (figura 1).
Para o controle e cadastro dos animais, desenvolveu-se a tela “Gerenciar Animais”, que
possibilita o cadastro e listagem de todos os animais com as respectivas informações necessárias
(figura 2).
Já na figura 3 é possível visualizar a tela de cadastro de uma estação com a seleção dos
animais que farão parte dela, com a respectiva classificação, o estado atual e quantidade de dias
desde o último de cada um.
Na figura 4, é possível ver a tela de cadastro de uma inseminação artificial, que é utilizada
somente quando é observada a necessidade pelo gestor de realizar novamente uma inseminação fora
do período padrão do processo; foi mapeada como algo eventual e geralmente relacionada a
somente um animal por vez. Tratou-se de mapear da melhor forma possível no software o requisito
levantado no domínio do projeto. Também é possível visualizar, na mesma figura, o sistema de erro
que exibe mensagens quando certas regras de negócio não seriam respeitadas; no caso, como não
foi cadastrada ainda uma estação, não é possível dar continuidade nos protocolos, induções, ou
inseminações artificiais, tendo em vista que devem ser realizados unicamente em uma específica
estação.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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É possível visualizar todos os animais – tal como os seus dados – em uma inseminação
artificial, em indução ou em protocolos específicos. No caso da figura 8, é demonstrado um
exemplo de uma inseminação artificial com os dados do animal na qual foi realizada, a data da
inseminação e, para controle mais preciso do gestor, a data aproximada para se realizar o próximo
diagnóstico.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como explicitado, existe carência no setor de IA por transformações tecnológicas, pois falta
automatização, centralização dos dados e mapeamento dos processos. A ineficiência em uma
inseminação significa maior custo, menor sustentabilidade e podem-se alavancar correlações
relacionadas com maior gasto em insumos, enquanto os produtores terão que esperar outro
momento oportuno para realizá-la. Desse modo, o software implementado auxiliará a desinchar
produções infladas e ineficientes, por meio da redução do tempo para o sucesso da inseminação.
Desde o grande produtor ao pequeno, a relevância do projeto se justifica com a criação da
ferramenta que atuará no centro desse problema, assim como na criação de pilares sólidos de
incentivo a parceria de áreas antes distantes e que fomente inovação e pesquisa por parte dos cursos
envolvidos. Ressalta-se que o resultado não foi somente o software desenvolvido. Pode-se dizer,
Ressignificando a relação teoria e prática:
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| 293
com alegria, entusiasmo e certeza absolutos que um dos maiores frutos do projeto, senão o maior,
foi a interface criada entre os cursos envolvidos, a qual permitirá que muitos outros projetos
venham a ser desenvolvidos.
Ressalta-se que as atividades realizadas neste trabalho contribuem para o PDI da PUC
Minas (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2011) e se integra ao
Projeto Pedagógico do curso de Engenharia de Software na medida em que possibilitam aos alunos
articularem a teoria da disciplina com a prática vivenciada, permitindo também um contato direto
com a sociedade, contribuindo para uma formação mais humana e cidadã.
Sem dúvida alguma, grande parte do crescimento dos autores se deu pelo caráter
transdisciplinar e de extensão do projeto, uma vez que requereu esforço e dedicação profundos, ao
lidarem com o domínio das Ciências Agrárias, que é bastante distante do que os alunos da área da
tecnologia da informação estão acostumados.
A oportunidade de desenvolver um projeto em conjunto com o curso de Medicina
Veterinária permitiu aos envolvidos realizar diversos câmbios, uma vez que tratou, acima de tudo,
do caráter humano em ação, de lidar com problemas distantes da realidade dos participantes, o que
requereu paciência ao lidar com dificuldades de outra área e, com isso, possibilitou haver ampliação
da visão de mundo dos envolvidos.
Além de todo o caráter benéfico aos estudantes, o projeto beneficia a instituição de ensino,
ao promover uma ponte de pesquisa e desenvolvimento entre cursos de disciplinas que antes não
dialogavam, abrindo portas para que, no futuro, mais projetos venham a surgir e muitos outros
alunos e professores venham a desfrutar desse tipo de experiência.
Produzir conhecimento científico, muitas vezes, requer audácia e, ao mesmo tempo, respeito
à área com a qual se trabalha, como também requer o uso de técnicas e ferramentas específicas que
permitem, ou no mínimo facilitem, quebrar a barreira entre o realizável de hoje e o ideal que se
almeja alcançar. No que tange aos ideais alcançados, com o diálogo dos cursos e autores
envolvidos, tem-se intercambiado a proposta de avançar o software com novas versões e, até
mesmo, mais tecnologias, que abarquem outras funcionalidades ainda não levantadas e/ou
melhoradas, e que venham, inclusive, a possibilitar a formulação de trabalhos de conclusão de
curso em ambas as áreas, que instiguem maior aprofundamento e continuidade acadêmica.
Com a possibilidade de analisar diversos dados dos setores de IA, obteve-se como
consequência o desenvolvimento natural de uma interface de pesquisa. Com o software e suas
respectivas funcionalidades de mapeamento e disposição dos dados, permite-se auxiliar projetos
Ressignificando a relação teoria e prática:
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futuros de estudo e pesquisa, ao fornecer uma capacidade de analisar esse volume de dados maior
sem que haja incoerência entre os dados devido a um possível erro humano que, caso viesse a
acontecer, seria natural.
Ao mesmo tempo, permite também gerar relatórios que virão a contribuir para a
investigação de relações ainda não exploradas nas fazendas ou setores de IA. Trata-se de abrir uma
fronteira na pesquisa e desenvolvimento de soluções acadêmicas para essa temática. São
ferramentas que, na avaliação dos autores, permitirão mais avanços nesse domínio e a produção de
mais pesquisas e conhecimento.
Para os autores, é importante destacar também, a satisfação e o crescimento pessoal de
participar de uma prática curricular de extensão universitária na PUC Minas; de construir e buscar
novos conhecimentos a partir dos desafios apresentados na prática; de reconhecer maneiras de
intervir em questões da sociedade, considerando sua complexidade e peculiaridade; de estar atentos
para o desenvolvimento social, regional ou local e, também, de desenvolver habilidades e
competências profissionais. Por fim, os desafios impostos pela responsabilidade com as práticas
extensionistas da PUC Minas despertam a reflexão sobre como se pode contribuir para as causas
sociais, agregando valor às atividades, em prol, principalmente, do desenvolvimento humano,
atuando nas deficiências encontradas na execução das práticas extensionistas e em sua gestão.
REFERÊNCIAS
BARUSELLI, Pietro Sampaio. IATF supera dez milhões de procedimentos e amplia o Mercado de
Trabalho. Revista CFMV. Brasília, ano 22, n. 69, Abr./Jun., 2016.
FAO. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Disponível em: <
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BRASILEIRAS. Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus, 2012.
PEREIRA, M.N. et al. Indicadores de desempenho de fazendas leiteiras de Minas Gerais.
ARQUIVO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA. v.68, n.4. 1033-
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Política de Extensão
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Plano de Desenvolvimento
Institucional (PDI): 2012 a 2016. Belo Horizonte: PUC Minas, nov. 2011.
USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América). <
[Link] >. Acesso em: 15 set 2018.
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| 295
ZAMBALDE, André Luiz; PÁDUA, Clarindo Isaías Pereira da Silva. O documento científico em
ciência da computação - suas partes e sua redação: estudo e análise em uma instituição federal
de ensino superior (IFES). p. 1–7, 2002–2004.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 296
RESUMO
O objetivo deste trabalho acadêmico consiste em relatar uma prática desenvolvida no interior de um Projeto de
Extensão, em que os extensionistas atuam como defensores nos processos dos mais de mil encarcerados do Centro de
Remanejamento do Sistema Prisional – CERESP da Cidade de Betim/MG, com objetivo de prestar a eles efetiva defesa
técnica, observando, para tanto, se há algum benefício vencido, conforme caso a caso, e pleiteando transferências ou
pedidos pertinentes ao melhor interesse do recuperando. Por meio de metodologia participativa, foram elaboradas
petições, foram prestados atendimentos pessoalmente no CERESP, avaliando atestados de pena, certidões e folhas de
antecedentes criminais, elaborando reuniões em grupos para discussão de casos e esclarecimento de eventuais dúvidas
entre os extensionistas e advogados assistentes voluntários no projeto.
ABSTRACT
The objective of this academic work is to report a practice developed within an Extension Project, in which
extensionists act as as defenders in the processes of more than one thousand inmates of the Center for Reorganization of
the Prison System of the City of Betim / MG. The objective was to provide them with effective technical defense,
observing, for this, if there are any benefits due on a case-by-case basis, and requesting transfers or pertinent demands
to the best interests of the recovering inmate, through participatory methodology, preparing petitions, personally
attending, evaluating penalties, certificates and criminal records, preparing group meetings for discussion of cases and
clarification of any doubts among extension agents and volunteer lawyers in the project.
1
Graduanda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail:
christina.barbara70@[Link].
2
Graduanda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail: monicamartinsro@[Link].
3
Orientadora do presente estudo. Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail:
marilenegduraes@[Link].
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1 INTRODUÇÃO
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 no seu art. 207 dispõe que “As
universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e
patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Assim, as universidades oferecem além do ensino, a pesquisa e a extensão, promovendo o
desenvolvimento dos discentes de maneira humanizada e crítica.
A extensão universitária é a interação da universidade com a comunidade através da
comunidade universitária composta por docentes e discentes, promovendo, além de conhecimento, a
humanização dos envolvidos possibilitando contato com a sociedade de maneira técnica utilizando
os ensinamentos passados no ambiente de sala de aula:
A concepção de extensão como função acadêmica se opõe à ideia de que constitua uma
atividade menor na estrutura universitária, a ser realizada por professores sem titulação, nas
sobras de tempo disponível e que o trabalho junto às comunidades carentes é uma
solidariedade individual. Diante dessa nova visão de extensão universitária, esta passa a se
constituir parte integrante da dinâmica pedagógica curricular do processo de formação e
Ressignificando a relação teoria e prática:
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| 298
A metodologia é o método utilizado para que o projeto realize as suas atividades e atinja o
fim planejado; no caso em foco, a metodologia aplicável ao projeto é a participativa, na qual todos
os participantes têm papel essencial para o desenvolvimento das atividades.
Na metodologia participativa, o projeto se desenvolve de forma que os discentes possam
aplicar os seus conhecimentos em conjunto, para chegar ao objetivo mediante a orientação do corpo
técnico especializado na matéria.
Assim, para a plena eficácia do projeto é necessário total empenho de todos os
extensionistas, considerando ser imprescindível a participação de todos.
O projeto tem por objetivo acompanhar a execução da pena das pessoas em privação de
liberdade junto ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional de Betim - CERESP, tendo em
vista a carência de membros que atuam junto à Defensoria Pública da comarca, no controle da
execução da pena.
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A extensão universitária em si, tem um condão social, além de agregar na formação dos
discentes, considerando que o objeto da extensão são as carências da comunidade na qual ela está
inserida.
Diante isso, a principal função social do Projeto Apaquear é a garantia do direito das
pessoas em privação da liberdade, assegurando-lhes o devido processo legal e o acompanhamento
da execução da pena.
Como visto, o projeto também é subsidiado pelo auxílio de defesa técnica ao encarcerado,
direito indispensável e indisponível, consubstanciando a igualdade de condições entre defesa e
acusação sob a égide da paridade imprescindível para o exercício do efetivo contraditório e ampla
defesa no processo penal democrático.
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Assim, é garantida a assistência integral e gratuita aos hipossuficientes para arcarem com o
patrocínio de uma causa, conforme preceitua a Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso
LXXIV. Tal direito também é assegurado pelo artigo 8.2 da Convenção Americana de Direitos
Humanos, sendo irrenunciável o direito de ser assistido por um defensor.
Muito embora a Lei de Execução Penal preceitue em seu artigo 16 que deverá haver serviços
de assistência jurídica, integral e gratuita, pela Defensoria Pública, dentro e fora dos
estabelecimentos penais, não é essa a realidade do sistema carcerário brasileiro. Conforme dados do
Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN (p. 100), em junho de 2014,
apenas 22% das unidades prisionais possuíam salas para atendimento jurídico gratuito,
especificamente. Outros 76% eram destinados a atendimento compartilhado com espaços de
finalidades diversas. Além disso, defensores públicos e dativos, na mesma época, eram responsáveis
por 74% do serviço de assistência jurídica gratuita, não obstante o déficit de defensores públicos,
conforme dados divulgados pelo IPEA4.
Assim, é possível concluir a carência da prestação de defesa técnica aos encarcerados de
modo geral e a ausência de efetiva aplicação do que preceitua a Lei de Execução Penal e Código de
Processo Penal Brasileiro, precipuamente.
O Projeto Apaquear fornece atendimento jurídico e defesa técnica a todos os encarcerados
do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional – CERESP de Betim/MG, até mesmo aos que
sejam assistidos por advogado particular, mas que tenham algum benefício vencido e não pleiteado,
hipótese em que o grupo de extensionistas comunica o caso à Vara de Execução Criminal (VEC),
para que o judiciário, por sua vez, intime o advogado para que possa acompanhar a situação do
cliente.
4
Disponível em < [Link] >. Acesso em 24/08/2018.
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| 301
Atualmente, o CERESP de Betim possui cerca de 1400 presos e o grupo atua avaliando caso
a caso e prestando atendimento no interior do Centro de Remanejamento em mutirões que são
realizados junto com a Vara de Execução Penal da Comarca. Em cada caso, é avaliado o atestado de
pena dos encarcerados, respectivos processos e folha de antecedentes criminais.
5
“Art. 59 do Código Penal Brasileiro: O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da
vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.” Disponível em <
[Link] >. Acesso em 24/08/2018.
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encarcerado, conforme prevê a teoria unificadora, muitos presídios sequer disponibilizam políticas
de provisão de vagas de trabalho aos presos6 e, consequentemente, não observam a pena em seu
caráter preventivo.
Desse modo, este projeto visa à aplicação da teoria na prática, em conformidade com a lei de
execuções penais, fomenta a efetiva defesa dos direitos dos encarcerados e observância do seu
cumprimento, pilares legitimadores do ius puniendi estatal, sem os quais a pena não faria qualquer
sentido.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 304
RESUMO
Este relato de experiência objetivou divulgar os primeiros resultados da avaliação, realizada no final do primeiro
semestre de 2018, da Prática Curricular de Extensão (PCE) realizada na disciplina semipresencial de Introdução à
Engenharia nos Cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Aeronáutica da Pontifícia Universidade Católica e Minas
gerais (PUC Minas). As práticas de extensão na disciplina se desenvolveram pela construção de um protótipo,
utilizando a metodologia de aprendizado baseada em problemas. A partir das observações realizadas e do relato dos
discentes e docentes, foi possível perceber que o desenvolvimento da PCE em uma disciplina semipresencial é
perfeitamente possível, promovendo um espaço privilegiado para o aprimoramento de habilidades e competências
necessárias a um Engenheiro de Mecânico e Aeronáutico.
ABSTRACT
This experience report aimed to disseminate the first results of the evaluation, carried out at the end of the first semester
of 2018, of the Curricular Extension Practice held in the semipresencial discipline of Introduction to Engineering, in the
Courses of Mechanical Engineering and Aeronautical Engineering of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais
(PUC Minas). Curricular extension practices in this discipline were developed by building a prototype using the
learning methodology based on problems. From the observations made and by the students’ and teachers’ reports, it was
possible to perceive that the development of the Curricular Extension Practice in a semipresencial discipline is perfectly
possible, promoting a privileged space for the development of skills and competences required by a Mechanical and
Aeronautical Engineer.
1
Doutora, Professora e Coordenadora do Curso de Engenharia Mecânica – PUC Minas - Unidade São Gabriel.
Professora do Curso de Engenharia Aeronáutica da PUC Minas. E-mail: rcampos@[Link].
2
Mestre, Coordenadora de Extensão no Instituto Politécnico da PUC Minas (IPUC) campus Coração Eucarístico. E-
mail: [Link]@[Link].
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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1 INTRODUÇÃO
Uma Prática Curricular de Extensão (PCE) é uma atividade acadêmica que pressupõe ação,
na perspectiva dialógica entre aluno, professor e sociedade, a qual possibilita relações entre a
realidade e a produção do conhecimento, tendo como objetivo proporcionar aos participantes uma
formação integral, comprometida com a mudança social.
Grandes desafios surgem quando são inseridas Práticas Curriculares de Extensão em
disciplinas semipresenciais nos Cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Aeronáutica na PUC
Minas. Os Projetos Político-Pedagógicos dos Cursos propõem a disciplina de Introdução à
Engenharia, na forma semipresencial, como favorável à proposição da prática curricular de
extensão. Por ser disciplina semipresencial, trata-se de um grande desafio, visto que é a primeira
experiência de uma disciplina semipresencial dos cursos de Engenharia da PUC Minas que se
propõe à execução de uma prática curricular de extensão.
Uma disciplina semipresencial acontece em dois espaços: no Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA) e em sala de aula presencial. Esse tipo de disciplina propõe um modelo de
“Sala de Aula Invertida”.
A “Sala de Aula Invertida” (Flipped Classroom), é considerada uma grande inovação no
processo de aprendizagem, pois propõe a inversão completa do modelo de ensino. Sua proposta é
prover aulas menos expositivas, mais produtivas e participativas, capazes de engajar os alunos no
conteúdo e melhor utilizar o tempo e o conhecimento do professor, contrariamente à metodologia
tradicional, que deixa o aluno num papel passivo, simplesmente ouvindo as explicações do
professor.
O ensino online vem mudando cada vez mais a forma como as pessoas se relacionam entre
si em um ambiente de aprendizagem, trazendo diversos benefícios para o aluno de cursos EAD. Por
isso, a cada dia surgem novas formas, consideradas como mais eficientes de se trabalhar o processo
de ensino online. Formas de proporcionar ambientes, processos e estruturas mais adequadas, para
que o aluno percorra uma trilha de aprendizagem de forma engajada e motivada. Portanto, o
conceito de sala de aula invertida reflete muito bem este aspecto.
Quando um conteúdo totalmente inédito é apresentado ao aluno, a introdução se dá, em
geral, por meio de textos e videoaulas, que apresentam os conceitos básicos e exercícios resolvidos
como exemplos. Assim, a leitura antecipada incita o raciocínio prévio e eleva o papel do professor.
Para o estudo em casa, os alunos contam com recursos como vídeos, textos, áudio, games, entre
outros.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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2 DESENVOLVIMENTO
3 METODOLOGIA
Na parte virtual o professor utilizou recursos computacionais, tais como: videoaulas, áudios,
textos e atividades. Além do conteúdo técnico proposta pela disciplina, tem-se o momento de
apresentação da extensão universitária e do relato de experiências, bem como a apresentação da
prática curricular de extensão segundo a proposta de aprendizado baseado em problemas. O
problema é apresentado aos alunos: construir um “carrinho robótico” autônomo que deverá seguir
um circuito pré-determinado (Figura 2).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Na terceira fase das atividades, o professor e conjunto com os alunos avaliam a experiência
vivenciada. Nesta etapa, os alunos tiveram a oportunidade de discutir sobre os resultados
alcançados e reflexões sobre as experiências vivenciadas.
4 RESULTADOS
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS