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Práticas Curriculares de Extensão PUC Minas

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Thomáz M.A.F
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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b

Ressignificando a relação teoria e prática:


reflexões sobre as Práticas Curriculares de
Extensão da PUC Minas.

Organizadoras:
Ev’Ângela Batista Rodrigues de Barros
Lucimar Magalhães de Albuquerque
Marcia Colamarco Ferreira Resende

1a edição

Belo Horizonte
PUC Minas
2019
ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR
Grão-chanceler: Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Reitor: Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Vice-reitora: Profª. Patrícia Bernardes
Assessor Especial da Reitoria: Prof. José Tarcísio Amorim
Chefe de Gabinete do Reitor: Prof. Paulo Roberto de Sousa

PRÓ-REITORES
Extensão: Prof. Wanderley Chieppe Felippe
Gestão Financeira: Prof. Paulo Sérgio Gontijo do Carmo
Graduação: Prof.ª Maria Inês Martins
Logística e Infraestrutura: Prof. Rômulo Albertini Rigueira
Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Sérgio de Morais Hanriot
Recursos Humanos: Prof. Sérgio Silveira Martins

PRÓ-REITORES ADJUNTOS DOS CAMPI E UNIDADES


Arcos: Prof. Jorge Sündermann
Barreiro: Prof.ª Lucila Ishitani
Betim: Prof. Eugênio Batista Leite
Contagem: Prof. Robson dos Santos Marques
Poços de Caldas: Prof. Iran Calixto Abrão
Praça da Liberdade: Prof. Miguel Alonso de Gouvêa Valle
São Gabriel: Prof. Alexandre Resende Guimarães
Serro: Prof. Ronaldo Rajão Santiago
Uberlândia: Prof. Carlos Henrique Oliveira e Silva Paixão

SECRETARIAS ESPECIAIS
Secretaria de Comunicação: Prof. Mozahir Salomão Bruck
Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional: Prof. Carlos Barreto Ribas
Secretaria Geral: Prof. Ronaldo Rajão Santiago
Secretaria de Cultura e Assuntos Comunitários: Prof.ª Maria Beatriz Rocha Cardoso
Assessoria de Assuntos Estudantis: Prof. Renato Durval Martins

Consultoria Jurídica: Prof.ª Natália de Miranda Freire


Ouvidoria: Prof. Renato Durval Martins
PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO
Prof. Wanderley Chieppe Felippe

COORDENAÇÃO DE PROJETOS PEDAGÓGICOS DE CURSOS (PRÁTICA


CURRICULAR DE EXTENSÃO)
Prof.ª Márcia Colamarco Ferreira Resende (Coordenadora)
Prof.ª Lucimar Magalhães de Albuquerque
Tatiane Dos Reis Moreira
Yasmin Mendes Müller (Estagiária da PROEX; Graduanda do Curso de Cinema e Audiovisual
PUC Minas)

COMISSÃO ORGANIZADORA
Prof.ª Ev’Ângela Batista Rodrigues de Barros
Prof.ª Lucimar Magalhães de Alburquerque
Prof.ª Marcia Colamarco Ferreira Resende
Camila da Conceição Mendes Costa

REVISÃO LINGUÍSTICA
Prof.ª Ev’Ângela Batista Rodrigues de Barros
Thomaz de Oliveira Gomes (Estagiário da PROEX; Graduando do Curso de Letras PUC Minas)
Larissa Gouveia Duarte (Graduanda do Curso do Curso de Letras PUC Minas)

DIAGRAMAÇÃO
Camila da Conceição Mendes Costa
Thomaz de Oliveira Gomes (Estagiária da PROEX; Graduando do Curso Letras PUC Minas)

Obs.: Os temas, as perspectivas e entendimentos sobre os mesmos, apresentados por membros da


Comunidade Acadêmica e Administrativa ou convidados, nesta publicação, são de responsabilidade
do(s) autor(es), nem sempre expressando os valores e orientação filosófica e teológica da PUC
Minas e da Reitoria.

FICHA CATALOGRÁFICA
Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

R435 Ressignificando a relação teoria e prática [recurso eletrônico]: reflexões sobre


as práticas curriculares de extensão da PUC Minas / organizadores Ev'Ângela
Batista Rodrigues de Barros, Lucimar Magalhães de Albuquerque, Márcia
Colamarco Ferreira Resende. Belo Horizonte: PUC-MG, 2019.
E-book (320 p.: il.)

ISBN: 978-85-8239-098-6

1. Universidades e faculdades - Pesquisa. 2. Currículos - Planejamento. 3.


Extensão universitária. 4. Orientação profissional - Prática. 5. Educação -
Currículos. I. Barros, Ev'Ângela Batista Rodrigues de. II. Albuquerque, Lucimar
Magalhães de. III. Resende, Márcia Colamarco Ferreira. IV. Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais. V. Título.

CDU: 371.214
Ficha catalográfica elaborada por Fernanda Paim Brito - CRB 6/2999
SUMÁRIO

PREFÁCIO

TODOS OS ESTUDANTES INCLUÍDOS NA EXTENSÃO: AS PCE COMO


MODALIDADE ESTRATÉGICA ............................................................................................ 9
Wanderley Chieppe Felippe

APRESENTAÇÃO

RESSIGNIFICANDO A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA: NOVOS FAZERES, SABERES


E VIVÊNCIAS ......................................................................................................................... 12
Ev’Angela Batista Rodrigues de Barros
Lucimar Magalhães de Albuquerque12
Marcia Colamarco Ferreira Resende

ARTIGOS CIENTIFÍCOS

PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO: DA EXPERIÊNCIA EXITOSA À


FORMAÇÃO NECESSÁRIA .................................................................................................. 22
Bernardo Adame de Carvalho
Wanderley Chieppe Felippe
AGIR NA URGÊNCIA, DECIDIR NA INCERTEZA: DESAFIOS NA INTEGRAÇÃO
ENTRE O ENSINO E A EXTENSÃO EM DISCIPLINA A PARTIR DA ASSESSORIA
TÉCNICA DIRETA ................................................................................................................. 39
Eduardo Moutinho Ramalho Bittencourt

SUSTENTABILIDADE E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PROCESSO DE


CONSTRUÇÕES INTERDISCIPLINARES PARA UMA UNIVERSIDADE
SUSTENTÁVEL ...................................................................................................................... 64
André Rocha Franco
Fernando Verassani Laureano
Miguel Ângelo Andrade

A PRÁTICA CURRICULAR EXTENSIONISTA NO ENSINO DA ORIENTAÇÃO


PROFISSIONAL: APONTAMENTOS PEDAGÓGICOS E RELATO DE EXPERIÊNCIA 83
Vilmar Pereira de Oliveira
Nathália Souza Santos
Nathalya Santos Ribeiro
Rayra Paula Evangelista
Stephane Freitas Alves

CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO MÉDICA: RELATOS DE EXPERIÊNCIAS NA


DISCIPLINA “PRÁTICAS NA COMUNIDADE II” ........................................................... 101
Pedro Guimarães de Azevedo
Roberta Xavier Campos
Flávia Marques de Melo
Antônio Benedito Lombardi

PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO: A VOZ NO CANTO CORAL ..................... 122


Ana Paula Campolina Rosendo
Henrique Estevão Moura
Jamile de Souza Neves
Patrícia Helena de Almeida Goveia
Rafaela Souza Pereira
Ana Teresa Brandão de Oliveira e Britto

A DISCIPLINA EXTENSIONISTA “PROJETO APLICATIVO” NO CURSO EAD EM


CIÊNCIAS CONTÁBEIS: FORMAÇÃO ACADÊMICA, HUMANÍSTICA E
PROFISSIONAL DOS DISCENTES .................................................................................... 137
Tânia Cristina Teixeira
Josmária Lima Ribeiro de Oliveira
Marcelo Prímola Magalhães
Amilson Carlos Zanetti
PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO: UM OLHAR SOBRE A AMAMENTAÇÃO155
Camila Eduarda Elias Silva
Hamiliane Fernanda de Oliveira Alves
Gabriela de Souza Vaz
Luana de Lima Souza
Samara Finamor dos Reis
Ana Teresa Brandão de Oliveira e Britto

O SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO E O MÉTODO APAC: EXPERIMENTANDO


A ESPERANÇA EM BETIM/MG ......................................................................................... 170
Aline Honda Fernando
Daniella Cristina de Oliveira
Camila da Silva Costa
Laura Thamara Pio Dumann
Loianne Amaral Campos Silva
Vitor Amaral Medrado

RELATOS DE EXPERIÊNCIA

A CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA PUC MINAS COMO


INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS COLABORATIVAS
NA FORMAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA ......................................................................... 190
Márcia Colamarco Ferreira Resende
Márcia Luciane Drumond das Chagas e Vallone
Tatiana Teixeira Barral de Lacerda

GINÁSTICA PARA TODOS, QUEBRANDO MUROS, SOCIALIZANDO


CONHECIMENTOS: VIVÊNCIA DE UMA EXPERIÊNCIA NO CENTRO ESPORTIVO
DA PUC MINAS ................................................................................................................... 199
Marcus Vinicius Bonfim Ambrosio
Margareth de Paula Ambrosio

CONTRIBUIÇÕES DA PRÁTICA DE EXTENSÃO CURRICULAR PARA A


FORMAÇÃO ACADÊMICA DE ESTUDANTES DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA
PUC MINAS .......................................................................................................................... 208
Maria Aparecida Fernandes Almeida
Viviane Cristina Dias
Jane Carmelita das Dores Garandy de Arruda Barroso
EXPERIÊNCIAS EXTENSIONISTAS EM PRÁTICAS NA COMUNIDADE DO CURSO
DE MEDICINA DA PUC MINAS CAMPUS POÇOS DE CALDAS .................................. 222
Pedro Henrique Fonseca Nogueira
Emilly Andrade Martins
Sérgio Ítalo Blasi Neto
Euclides Colaço Melo dos Passos
Thatia Regina Bonfim

ANÁLISE ERGONÔMICA DA CÉLULA DE SOLDA: UMA PRÁTICA DE EXTENSÃO


NO RAMO DE FERRAMENTARIA .................................................................................... 235
Larissa Cecília dos Anjos Fernandes
Marcela Eduarda Andrade Lemes
Márcia Colamarco Ferreira Resende
Nhakita Fernandes Dorneles

ENGENHARIA SUSTENTÁVEL APLICADA À COMUNIDADE: TRATAMENTO DE


RESÍDUOS ORGÂNICOS POR COMPOSTAGEM USADO EM HORTA COMUNITÁRIA244
Aline de Araújo Nunes
Josias Eduardo Rossi Ladeira
Rita David
Joyce Laryssa Dias Brandião
Karine Dornela Rosa

NOVAS ABORDAGENS DE COMUNICAÇÃO EM PSICOLOGIA: PROGRAMA DE


RADIO “NAS ONDAS DA PSICOLOGIA” ........................................................................ 254
Beatriz da Silva Santos
Bruna da Mota Camargo
Maria Luísa Cancian Schultz
Fernanda Mendes Resende

NOVA POSSIBILIDADE AO SISTEMA PRISIONAL: CONHECENDO O MÉTODO


APAC ..................................................................................................................................... 263
Álisson da Silva Costa
Bárbara Oscar Ribeiro
Ester do Patrocínio Batista
Lígia Nunes Palhares
Núbia Mendes Almeida
Rafaela Ferreira Diniz
Tiphanie da Silva Pires
A ADOÇÃO DE ANIMAIS PODE TER MÚLTIPLOS FINAIS: ATIVIDADE DE
EXTENSÃO CURRICULAR DO CURSO DE JOGOS DIGITAIS ..................................... 270
Eduardo Penha Castro Fantini
João Pedro Senna Santana de Matos
Marcelo La Carretta Enrique López da Cunha Pereira
Marcelo Souza Nery
Paloma Penha Castro Fantini

SOFTWARE PARA GESTÃO E ANÁLISE DE SETORES DE INSEMINAÇÃO BOVINA


ARTIFICIAL .......................................................................................................................... 280
Carlos Felipe de Almeida Arantes
Dayana Silva Araújo
Eric Patrick Delgado Ribeiro
Ian Pereira Caminhas
Soraia Lúcia da Silva
Tadeu dos Reis Faria

O PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA “APAQUEAR” E SUA IMPORTÂNCIA


NA EFETIVA PRESTAÇÃO DE DEFESA TÉCNICA JURÍDICA ÀS PESSOAS EM
PRIVAÇÃO DE LIBERDADE ............................................................................................. 296
Bárbara Christina de Souza Rosa
Mônica Rafaela Oliveira Martins
Marilene Gomes Durães

PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO NA DISCIPLINA DE INTRODUÇÃO À


ENGENHARIA: UMA EXPERIÊNCIA DE AULA INVERTIDA UTILIZANDO
APRENDIZAGEM ATIVA ................................................................................................... 304
Rosely Maria Velloso Campos
Viviane Cristina Dias
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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PREFÁCIO

TODOS OS ESTUDANTES INCLUÍDOS NA EXTENSÃO: AS PCE COMO


MODALIDADE ESTRATÉGICA

ALL STUDENTS INCLUDED IN THE EXTENSION: PCE AS A STRATEGIC


MODALITY

Wanderley Chieppe Felippe1

A crise sociopolítica e econômica que vimos atravessando, em nosso país, nos últimos anos,
tem trazido grandes mudanças ao cotidiano das universidades. Inovação, sustentabilidade e
qualidade são as palavras de ordem, na contemporaneidade, seja para as ações no âmbito do ensino,
da pesquisa ou da extensão – e isso é compreensível, pois precisamos investir em qualidade, inovar
estrategicamente para a superação dos obstáculos (não há como enfrentar novos problemas com
respostas anacrônicas...) e, ao fazê-lo, criar (ou adequar) metodologias que permitam a manutenção
e a consolidação das ações. Dito de outra forma, salienta-se a nossos olhos o quanto precisamos que
nosso trabalho, a partir da premissa da aprendizagem contínua, permita (res)significar o
investimento feito e assegurar o aprimoramento metodológico a partir dos resultados obtidos.
Esse preâmbulo quis evidenciar o quanto a Universidade, como as demais instituições de
ensino, desde a educação básica, é instituída e instituinte, isto é, ela recebe os reflexos do contexto
socioeconômico e político – que vem sob a forma de injunções, na maioria das vezes –, mas não os
assimila passivamente; pelo contrário, reage com seus instrumentos e recursos humanos e materiais
disponíveis e, ao (trans)formar pessoas, constrói novas realidades, pois também é força instituinte.
Se antes muitos se queixavam de um certo distanciamento entre o fazer acadêmico e a
realidade em que se inscreviam as instituições de ensino superior (IES), hoje percebemos que, não
importa se pública ou privada, a razão de ser dessas instituições é o diálogo próximo com a
sociedade, a escuta atenta de suas demandas e a postura responsiva de parceiros que se reconhecem

1
Possui graduação em Psicologia pela PUC Minas, Especialização em Psicologia pela PUC Minas, Especialização em
Psicoterapia Contemporânea pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e mestrado em Educação pela
PUC Minas (2001). Foi Pró-reitor do campus da PUC Minas em Arcos. Atualmente é Pró-reitor de Extensão da PUC
Minas e professor titular da mesma Universidade.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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como instâncias complementares, como partícipes que medeiam um processo cujo foco é a
produção e a disseminação de saberes de variada natureza – científicos, humanos, sociais,
tecnológicos, metodológicos, etc. – visando a tornar a vida em sociedade melhor, mais fácil ou,
idealmente, mais igualitária e harmoniosa.
De longa data, a Extensão vem se constituindo como o braço que ressignifica o papel da
universidade. Todas essas demandas apontadas indiciam o expressivo e relevante papel da extensão
universitária como ponte entre esses dois ângulos de uma mesma estrutura. Perdida aquela
concepção de extensão assistencialista que perdurou décadas, assentada agora na firme convicção
da parceria entre sujeitos (numa relação mais simétrica, na qual os beneficiários são vistos como
protagonistas – de fato e de direito), a extensão tem construído um percurso de consolidação das
modalidades mais conhecidas e tradicionais (como os eventos, cursos e projetos, prestação de
serviços ou apoio tecnológico), ao lado de outras mais inovadoras, como as Práticas Curriculares de
Extensão (PCE).
Esta última modalidade foi inserida no Regulamento da Pró-reitoria de Extensão, aprovado
pelo Conselho Universitário da PUC Minas, em 2015, mas já era praticada em nossa universidade,
de modo experimental por um grupo de 16 professores, desde 2012, antecipando uma resolução do
Conselho Nacional de Educação, homologada pelo Ministério da Educação, que trouxe a esperada
regulamentação da Extensão Universitária, aí se incluindo a curricularização da extensão. Na PUC
Minas, as PCE foram oficializadas, por uma iniciativa conjunta da Pró-Reitoria de Extensão e Pró-
Reitoria de Graduação, em 2016, tendo sido feita sua implantação gradativa em todos os cursos de
graduação da PUC Minas, meta já alcançada no final de 2018. Convictos de que não é aceitável,
atualmente, que algum graduando faça todo o seu percurso acadêmico sem ter a oportunidade
de travar contato com o grande potencial formativo da Extensão, as PCE têm se mostrado como um
caminho acertado para otimização dos recursos dispendidos.
Essa história de investimento – de tempo, de recursos humanos e financeiros – , mas
sobretudo de convencimento e de formação de outros atores da Rede Proex, constituída pelos
coordenadores de Extensão – dos cursos, dos Institutos / Faculdades, das Unidades constitutivas
da PUC Minas – não é algo que se caracteriza por um avanço linear e constante. Trata-se de um
processo, e, como tal, envolve fluxos e contrafluxos.
Criar um sistema de gestão de disciplinas de prática – à semelhança do SGE (Sistema de
Gestão de Estágios), com que os docentes registram tudo o que concerne aos processos envolvidos
nos estágios, demandou uma aproximação sensível com a Pró-reitoria de Graduação e com a
gestora dos processos de informatização – GTI – para formatarmos um sistema factível. Exigiu
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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um período de treinamento dos docentes, de testes a partir de um projeto piloto, de


acompanhamento (avaliação e monitoramento) da inserção nos Projetos Pedagógicos de Cursos
(PPC), de visitação aos campi e unidades para não só evidenciar a relevância das práticas – o que
era ponto pacífico –, mas também para ensinar o uso do sistema e criar uma cultura nova, o
vislumbre da Extensão pelo muito que ela pode(rá) oferecer.
Estamos agora avançando para uma nova etapa, a da produção de conhecimento a partir das
experiências vividas nas PCE, nos diversos cursos da universidade. Professores e estudantes
dedicaram-se à tarefa de organizar e sistematizar os dados, resultando em cerca de 90 artigos, dos
quais 21 foram selecionados para publicação, parte no formato de artigos acadêmicos e outra parte
como relatos de experiência.
O presente e-book que trazemos a você, leitor, trata um pouco (do muito) que já se construiu
nas PCE. Buscamos evidenciar essa expertise que vem sendo construída a muitas mãos, a partir da
atuação próxima entre os professores que lidam com as práticas (e que, ao se apropriarem da
natureza nova do seu fazer, criam e investem num trabalho coletivo – e, por isso mesmo,
complexo), os coordenadores de Extensão dos cursos / unidades e a Proex, por meio da
Coordenação Setorial de Acompanhamento de Projetos Pedagógicos. É muita gente envolvida para
qualificar, cada vez mais, o saber que vem da experiência extensionista.
Meus agradecimentos a todos os envolvidos nessa nova frente de trabalho, que já vem
apresentando seus frutos, de modo especial à equipe que tem coordenado todo esse processo,
constituída pelas professoras Márcia Colamarco e Lucimar Albuquerque, bem como pela
funcionária Tatiane Moreira e pela estagiária Yasmin Müller, que se desdobraram, nesses últimos
anos, para construir um novo percurso da extensão na universidade, com qualidade, e, sobretudo,
com impacto tanto na formação de nossos estudantes quanto na vida das comunidades participantes.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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APRESENTAÇÃO

RESSIGNIFICANDO A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA: NOVOS


FAZERES, SABERES E VIVÊNCIAS

RESIGNIFYING THE RELATION BETWEEN THEORY AND PRACTICE:


NEW ACTIONS, KNOWLEDGES AND EXPERIENCES

Ev’Angela Batista Rodrigues de Barros1


Lucimar Magalhães de Albuquerque2
Marcia Colamarco Ferreira Resende3

Na carreira docente, quem nunca se pegou perante as seguintes questões: como faço para
que os alunos entendam a importância dessa disciplina na sua formação profissional? O que criar
para que possam se implicar com que está sendo lecionado? Com certeza, esses são desafios
pedagógicos e operacionais que habitam o pensamento de muitos professores do ensino superior.
A coletânea que constitui este e-book nasceu desses questionamentos e traz diversas
experiências de professores e alunos que conseguiram enfrentar os desafios mencionados – e outros
– de maneira criativa e exitosa. O cerne dos textos que são apresentados aqui foi o entendimento de
que o lugar universitário da aprendizagem profissional transcende a sala de aula e não se encerra em
absorção de teorias e técnicas, mas sim, abrange aspectos que interagem com as representações
sociais, com a dinâmica dos valores humanos e com a formação de cidadãos. Portanto, demanda
mais espaços para o diálogo entre a teoria ensinada e as dinâmicas da sociedade que se vive.

1
Coordenadora Setorial de Publicações e Produções Acadêmicas da PROEX. Editora adjunta da Revista Conecte-se, da
Proex PUC Minas. Professora do Departamento de Letras. Editora da Revista do Instituto de Ciências Humanas da
PUC. Coordenadora Institucional do PIBID PUC Minas.
2
Coordenadora Setorial de Projetos Pedagógicos de Cursos da PROEX. Doutora em Geografia e Gestão do Território
pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Ciências e Valores Humanos pela Universidade de Uberaba.
Graduada em Psicologia pela PUC Minas. Professora na Faculdade de Psicologia e Pós-Graduação do Instituto Mineiro
de Psicodrama Jacob Levy Moreno.
3
Coordenadora Setorial de Projetos Pedagógicos de Cursos da PROEX. Doutoranda em Fisioterapia pela Universidade
Cidade de São Paulo (UNICD). Mestre em Saúde e Trabalho pela UFMG. Especialista em Ortopedia e Traumatologia.
Professora do Departamento de Fisioterapia, PUC Minas Betim e da Pós-graduação em Engenharia e Segurança do
Trabalho pelo Instituto de Educação Continuada (IEC).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A modalidade Práticas Curriculares de Extensão (PCE), que aqui se apresenta, propaga sua
adesão ao percurso de formação profissional pautada nesta articulação do conhecimento da sala de
aula com questões acendidas em um contexto que abrange diferentes pontos de vista, por meio da
inserção na realidade como lócus fonte e alvo das aprendizagens. Por conseguinte, expressam
novas reflexões sobre as interfaces da relação ensino / pesquisa / extensão, desenvolvidas nos
diferentes campos de saberes.
É sabido que a educação superior no Brasil conta com esses três pilares básicos, cuja inter-
relação deve ser assegurada pelas Universidades – o ensino, atividade-fim, se realimentará dos
saberes produzidos por meio da pesquisa e da extensão, e vice-versa. Em nossa legislação, existe o
pressuposto de que a formação dos profissionais precisa se valer do entrosamento desses pilares, em
condições favoráveis de coexistência. No entanto, no cenário brasileiro, historicamente as
atividades de ensino e pesquisa são as mais conhecidas e valorizadas, assim como, possuem uma
estrutura institucional delineada mais consolidada do que a da extensão. Não à toa, ultimamente tem
havido certa pressão das instâncias superiores em prol da institucionalização da Extensão.
Quanto às atividades de extensão universitária, alguns aspectos vêm dificultando sua maior
abrangência no cotidiano e na cultura dos universitários, mesmo sabendo da sua grande
contribuição para a formação acadêmica. Como garantir a todos acadêmicos acessá-la durante o seu
processo de formação?
Para fortalecer uma cultura universitária atrelada à extensão, é necessário buscar a
compreensão de que as atividades extensionistas se mostram como uma grande janela que se abre
para cumprir o papel formador do ensino superior, materializando a função social da produção e
utilização do conhecimento, em postura de reciprocidade e de diálogo com saberes tradicionais das
comunidades envolvidas, tendo por objetivo a transformação social, a construção de uma sociedade
menos desigual e mais fraterna.
Partindo da premissa de que a extensão universitária, em sua função educativa, exerce um
papel ético e político frente à geração e disseminação do conhecimento na / com a sociedade, vale
ressaltar as palavras de Paulo Freire, para quem mais que interpretar, é necessário interagir para
“Ler o Mundo”:
Mudar o mundo é tão difícil quanto possível. O educador não deve só ensinar bem sua
disciplina, mas desafiar o educando a pensar criticamente a realidade social e política do
meio em que vive, mostrar que o homem é um ser social capaz de intervir no mundo e não
de se adaptar a ele. Ele pode transformar o mundo através de projetos, sonhos e utopias.
(FREIRE, 2000, p.61).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Na PUC Minas, uma maior aproximação entre as Pró-Reitorias de Extensão e Graduação


tem contribuído para a ampliação e consolidação das estratégias de integração da extensão
universitária aos currículos dos cursos de graduação, garantindo a desejada e necessária
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Assim, foi possível ampliar as reflexões e as
vivências em campo, junto a outros setores da sociedade, e oportunizar a troca de saberes para a
melhoria da prática de ensino e aprendizagem em toda a Universidade. É, portanto, com grande
satisfação que apresentamos esta coletânea de experiências exitosas de práticas curriculares de
extensão da PUC Minas. Fruto de vários anos de trabalho da Pró-reitoria de Extensão, e de vários
sujeitos da Rede PROEX - professores, alunos e funcionários –, suas vozes e ações aqui ganham
mais um espaço para compartilhar suas vivências e os conhecimentos já produzidos até aqui.
As ideias aqui apresentadas cumprem, assim, a função de subsidiar as discussões que vêm
sendo travadas em torno da curricularização da extensão e da desejável conexão entre ensino,
pesquisa e extensão.
Este volume constitui-se de nove artigos e doze relatos de PCE, os quais abrangem temáticas
caras aos diversos Núcleos integrantes da Proex – meio ambiente, direitos humanos, educação,
sistema de justiça, saúde, entre outros. Muitos são os diálogos e a interdisciplinaridade entre
práticas, entre temáticas, entre docentes que incorporam ao seu fazer diário as premissas caras à
Extensão: formação humanista dos discentes, por meio da aquisição de competências e habilidades
para enfrentar problemas concretos da contemporaneidade; promoção da interlocução entre os
saberes acadêmicos e outros, de distintas esferas; promoção da interdisciplinaridade, da multi e
transdisciplinaridade; contribuição para a formulação de políticas públicas das diferentes áreas, por
meio do diagnóstico da realidade, da escuta dos diferentes atores, do planejamento conjunto e
solidário de intervenções; promoção e defesa dos valores que alimentam a cidadania e a
democracia, bem como a defesa do meio ambiente, da diversidade e da multiculturalidade; e, em
decorrência de tudo, pela promoção da formação continuada de docentes e demais profissionais da
Universidade (PROEX PUC MINAS, 2015).
O primeiro artigo, “Prática curricular de extensão: da experiência exitosa à formação
necessária”, de Bernardo Adame de Carvalho e Wanderley Chieppe Felippe nos convida a, por
meio da discussão de oficinas de orientação vocacional, no bojo de uma disciplina do Curso de
Psicologia. Poético, o artigo nos mostra a Extensão como a prática afetiva e efetiva – sistemáticas e
planejadas, monitoradas e avaliadas, as ações cumprem relevante papel social junto aos
beneficiários e aos graduandos.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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No segundo artigo, “Agir na urgência, decidir na incerteza: desafios na integração entre o


ensino e a extensão em disciplina a partir da assessoria técnica direta”, o professor Eduardo
Moutinho Ramalho Bittencourt, partindo do mote da obra de Pierre Perrenoud, evidencia que a
Extensão, numa disciplina do Curso de Arquitetura e Urbanismo, a urgência – no avanço de
metodologias e do alcance das ações, posto que a realidade das comunidades demanda a assessoria
como forma de superação de vulnerabilidades – e a incerteza - no desafio de definir quais os novos
princípios teórico-conceituais e as abordagens técnico-profissionais seriam mais concertadas para o
enfrentamento das situações. Não havendo “receitas prontas”, o desafio é diuturno, e as soluções
necessariamente dialogadas com os moradores, que norteiam as intervenções técnicas desejadas no
espaço que habitam.
O terceiro artigo, “Sustentabilidade e extensão universitária: o processo de construções
interdisciplinares para uma universidade sustentável”, traz o olhar dos professores extensionistas
André Rocha Franco, Fernando Verassani Laureano e Miguel Ângelo Andrade sobre a constituição,
dentro da Universidade de uma lógica de sustentabilidade, numa perspectiva multidimensional
(ambiental, ecológica, cultural, econômica, política). O fim último é o de promover “a integração
para a ambientalização da Universidade e para o compartilhamento dialógico de ideias e
proposições entre a comunidade acadêmica e a sociedade em geral”, posto que cada projeto, cada
prática analisada se constitui(u) em visceral interação com a comunidade do entorno da PUC Minas.
Na sequência, em “A prática curricular extensionista no ensino da Orientação Profissional:

apontamentos pedagógicos e relato de experiência”, Vilmar Pereira de Oliveira, Nathália Souza


Santos, Nathalya Santos Ribeiro, Rayra Paula Evangelista e Stephane Freitas Alves discutem o
valor das práticas de extensão e refletem sobre uma intervenção num cursinho comunitário, as
Oficinas Psicossociais, junto a estudantes do ensino médio, de município próximo a Belo
Horizonte. Carentes e com baixa autoestima, muitos desses jovens não acreditavam na
possibilidade de continuidade dos estudos, o que foi desmistificado por meio de orientações,
debates e reflexões.
No quinto artigo, “Contribuições para a formação médica: relatos de experiências na
disciplina “práticas na comunidade II”, o grupo de estudantes do Curso de Medicina Pedro
Guimarães de Azevedo, Roberta Xavier Campos e Flávia Marques de Melo, orientados pelo
experiente médico e professor Antônio Benedito Lombardi, revisitam um conjunto de trabalhos
acadêmicos já publicados em que diversas PCE mostram caminhos para uma prática humanizada da
Medicina. Focando os mais diversos lócus, desde escolas, abrigos para crianças ou instituições para
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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idosos a Unidades Básicas de Saúde, as pesquisas em interface com práticas extensionistas


mostram o quanto a relação saúde (em todas as suas dimensões) / doença demanda uma abordagem
para além da medicalização.
No artigo seguinte, “Prática curricular de extensão: a voz no canto coral”, os alunos da
Fonoaudiologia – Ana Paula Campolina Rosendo, Henrique Estevão Moura, Jamile de Souza
Neves, Patrícia Helena de Almeida Goveia e Rafaela Souza Pereira – sob a orientação da professora
Ana Teresa Brandão de Oliveira e Britto mostram o quanto a educação vocal é crucial às mais
diversas esferas da atuação humana. Acompanhando a formação de um coral, puderam orientar os
cantores (amadores) para a prevenção de agravos da voz. Suas reflexões permitem, de forma
ampliada, constatar o valor desses saberes para diversas profissões, como as ligadas ao magistério.
No sétimo artigo, “A disciplina extensionista “Projeto Aplicativo” no curso EAD em
Ciências Contábeis: formação acadêmica, humanística e profissional dos discentes”, os professores
Tânia Cristina Teixeira, Josmária Lima Ribeiro de Oliveira, Marcelo Prímola Magalhães e Amilson
Carlos Zanetti trazem para a agenda um assunto de grande relevância, pelo ineditismo: uma PCE
em disciplina de um curso de graduação virtual. Partindo da fundamentação legal, apresentam os
inúmeros desafios enfrentados até chegarem a um formato efetivo e eficaz, conforme indiciam os
relatórios apresentados pelos alunos.
No penúltimo artigo, “Prática Curricular de Extensão: um olhar sobre a amamentação”, os
graduandos Camila Eduarda Elias Silva, Hamiliane Fernanda de Oliveira Alves, Gabriela de Souza
Vaz, Luana de Lima Souza e Samara Finamor dos Reis, em conjunto com pela professora Ana
Teresa Brandão de Oliveira e Britto, mostram uma intervenção, no âmbito da Atenção Primária à
Saúde, em que atendem e orientam gestantes em relação aos benefícios da amamentação, para a
mãe e o lactente.
Por fim, fechando a seção dos artigos, em “O sistema carcerário brasileiro e o método
APAC: experimentando a esperança em Betim / MG”, vemos os estudantes de Direito Aline Honda
Fernando, Camila da Silva Costa, Daniella Cristina de Oliveira, Laura Thamara Pio Dumann e
Loianne Amaral Campos Silva, juntamente com o professor Vitor Amaral Medrado, confrontando o
sistema judiciário normal, e suas mazelas, e o método APAC (da Associação de Proteção e
Assistência aos Condenados), em que se pode efetivamente acreditar na ressocialização dos
recuperandos – aqui, a distinção terminológica (preso, apenado x recuperando) não é mera questão
semântica, mas expressão da dimensão do olhar sobre aquele que se encontra em processo de
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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resgate de sua dignidade, pelo cumprimento de uma pena, porém sob condições humanizadas.
Concretamente, os estudantes visavam a mostrar aos betinenses que a instalação de unidade da
APAC neste município poderia ser benéfica aos moradores.
Na segunda parte do e-book, temos os relatos de experiências, que seguem listados e cujas
temáticas são indicadas brevemente. Ótimas experiências, com grandes repercussões para todos os
envolvidos, as PCE mencionadas vêm, a cada semestre, ganhando novos contornos, a partir do
feedback dado pela avaliação.
No primeiro relato, “A curricularização da extensão universitária na PUC Minas como
instrumento de desenvolvimento de competências colaborativas na formação do fisioterapeuta”, as
professoras Márcia Colamarco Ferreira Resende, Márcia Luciane Drumond das Chagas e Vallone e
Tatiana Teixeira Barral de Lacerda, todas com grande experiência na Extensão, mostram como o
curso de Fisioterapia incentiva os alunos à participação em diversas modalidades extensionistas,
bem como pela oferta de três disciplinas extensionistas a todos os graduandos, por meio das quais
podem aprofundar estudos sobre realidades específicas.
No segundo relato, “Ginástica para todos, quebrando muros, socializando conhecimentos:
vivência de uma experiência no centro esportivo da PUC Minas”, Marcus Vinicius Bonfim
Ambrosio e Margareth de Paula Ambrosio, do Curso de Educação Física, propiciam aos discentes
experiência rica e diferente, que permite o desenvolvimento de variadas habilidades para além das
referentes às práticas corporais focalizadas nas oficinas para alunos das escolas parceiras. Para
todos os envolvidos, há ganhos diversos, como a melhoria da autoestima, da disciplina, da
persistência e do respeito a si mesmo e ao outro, num espaço de partilha, solidariedade e respeito.
No terceiro, “Contribuições da prática de extensão curricular para a formação acadêmica de
estudantes de Engenharia de Produção da PUC Minas”, as professoras Maria Aparecida Fernandes
Almeida, Viviane Cristina Dias e Jane Carmelita das Dores Garandy de Arruda Barroso evidenciam
que “a iniciativa de integração das atividades de ensino e pesquisa com as atividades de extensão,
no âmbito da unidade curricular “Pesquisa Operacional II”, do Curso de Engenharia de Produção da
PUC Minas – Campus Coração Eucarístico, permitiu preparar e aproximar os estudantes para
atuarem na realidade”. Mais ainda, mostram a relevância desta PCE, a qual se constituiu numa
“oportunidade para os estudantes perceberem os desafios que cercam a efetiva implantação dos
conhecimentos teóricos.”.
O quarto, intitulado “Experiências extensionistas em Práticas na Comunidade do Curso de
Medicina da PUC Minas campus Poços de Caldas” traz as reflexões dos estudantes Pedro Henrique
Fonseca Nogueira, Emilly Andrade Martins e Sérgio Ítalo Blasi Neto, orientados pelos professores
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Euclides Colaço Melo dos Passos e Thatia Regina Bonfim. Concluem que, por “inserir o estudante
precocemente no sistema público de saúde do município, por meio de práticas extensionistas”, o
Curso “vislumbra uma formação médica mais completa, que capta valores humanistas, críticos,
reflexivos e éticos, tão esperados pelo profissional da saúde”.
No quinto relato, “Análise ergonômica da célula de solda: uma prática de extensão no ramo
de ferramentaria”, as autoras – Larissa Cecília dos Anjos Fernandes, Marcela Eduarda Andrade
Lemes, Márcia Colamarco Ferreira Resende e Nhakita Fernandes Dorneles – discutem o
aprendizado, obtido por meio de uma PCE, a partir da “execução das técnicas de Análise
Ergonômica do Trabalho, das visitas, das entrevistas e das observações”. Acreditam que há um
ganho considerável, por meio de um “olhar mais sensível e humanizado dos alunos perante a
complexidade das situações de trabalho, trazendo para eles uma nova perspectiva para além dos
muros da universidade.”
O sexto relato, “Engenharia sustentável aplicada à comunidade: tratamento de resíduos
orgânicos por compostagem usado em horta comunitária”, de Aline de Araújo Nunes, Josias
Eduardo Rossi Ladeira, Rita David, Joyce Laryssa Dias Brandião e Karine Dornela Rosa, a gestão
ambiental é tratada no bojo de um projeto em que a reciclagem, a separação do lixo e a formação de
hortas comunitárias (num residencial e numa escola) é vista como prática formativa para os
envolvidos e fonte de geração de conhecimentos que ultrapassam a ação em si.
No relato seguinte, “Novas abordagens de comunicação em psicologia: Programa de radio
“Nas Ondas da Psicologia”, as graduandas Beatriz da Silva Santos, Bruna da Mota Camargo e
Maria Luísa Cancian Schultz e a professora Fernanda Mendes Resende descrevem e analisam os
programas de rádio produzidos por estudantes da Psicologia, em que atendem e orientam moradores
de Poços de Caldas. Os resultados, ao longo dos 4 anos de existência da prática, têm sido
encorajadores e benéficos a todos os envolvidos.
O oitavo relato, “Nova possibilidade ao sistema prisional: conhecendo o método APAC”
traz o professor do Direito, Álisson da Silva Costa, e sua equipe de extensionistas Bárbara Oscar
Ribeiro, Ester do Patrocínio Batista, Lígia Nunes Palhares. Núbia Mendes Almeida, Rafaela
Ferreira Diniz e Tiphanie da Silva Pires –, em texto no qual refletem sobre os princípios, as
características e os grandes benefícios do Método APAC.
O nono relato, “A adoção de animais pode ter múltiplos finais: atividade de extensão
curricular do Curso de Jogos Digitais”, escrito em parceria por professores, egressos e estudantes do
referido curso, apresenta uma PCE em que se aliam conhecimentos acadêmicos, tecnologias
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atinentes aos jogos e demandas sociais com a nobre finalidade de criar, de forma lúdica, maneiras
de apresentar cães abandonados a potenciais adotantes. A estratégia tem se revelado produtiva e
eficaz para todos os envolvidos.
No décimo relato, “Software para gestão e análise de setores de inseminação bovina
artificial”, temos uma PCE que engloba equipe multidisciplinar – os estudantes Carlos Felipe de
Almeida Arantes, Eric Patrick Delgado Ribeiro, Ian Pereira Caminhas – e os professores Soraia
Lúcia da Silva e Tadeu dos Reis Faria, da Engenharia de Software, e a estudante Dayana Silva
Araújo, da Medicina Veterinária. O foco é o desenvolvimento de um software com o caráter
extensionista, tendo em vista uma demanda e cliente reais: a gestão da I.A. bovina, para pequenos
ou grandes produtores. Os resultados têm se mostrado promissores.
No penúltimo, intitulado “O projeto de extensão universitária “Apaquear” e sua importância
na efetiva prestação de defesa técnica jurídica às pessoas em privação de liberdade”, vemos os
estudantes do Curso de Direito, Bárbara Christina de Souza Rosa. Mônica Rafaela Oliveira
Martins, e a professora Marilene Gomes Durães se detendo na análise do projeto Apaquear do ponto
de vista do crescimento propiciado aos graduandos pela análise da prática (acadêmica e
humanitária) da revisão dos processos de muitos apenados que, pela morosidade do sistema
jurídico, tiveram ou têm direitos violados.
Fechando a seção e o e-book, o relato “Prática Curricular de Extensão na disciplina de
Introdução à Engenharia: uma experiência de aula invertida utilizando aprendizagem ativa”, das
professoras Rosely Maria Velloso Campos e Viviane Cristina Dias discute a integração, no curso
em tela, das práticas de ensino, pesquisa e extensão, por meio de intervenções que culminam no
período de realização da Mostra de Tecnologia do Instituto Politécnico, do qual o curso de
Engenharia Mecânica e Aeronáutica faz parte.
Como se pode observar, neste panorama aqui apresentado, a Extensão se faz viva, latejante
e presente, nos mais diversos cursos e formatos. Isso tem comprovado que não há uma área ou
curso, modalidade (presencial ou virtual) ou segmento (graduação ou pós-graduação) em que as
práticas de extensão sejam mais convenientes ou oportunas – a partir dos princípios vitais à
Universidade, expostos na Política de Extensão e no PDI da PUC Minas, a despeito da grave crise
que assola o país e faz sentir os efeitos em todas as instâncias da sociedade (e a universidade não
está imune ao que ocorre extramuros), pode-se afirmar que o lugar da Extensão é aqui, o momento
da Extensão é agora. Pelo menos, na PUC Minas o é!
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Esperamos que, independentemente da sua área de interesse e/ou de atuação, este e-book se
constitua numa aprazível e consistente fonte de diálogo por meio da leitura, de questionamentos por
meio do vislumbre dos desafios enfrentados, mas, sobretudo, das soluções e estratégias criadas, da
expertise conquistada, da formação construída.

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. 6ª ed. São Paulo.
Editora UNESP, 2000.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Pró-reitoria de Extensão.
Portaria Nº 02/2015. Aprova o Regulamento da Pró-reitoria de Extensão da PUC Minas. Processo
CONSUNI 02/2015. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em:
29 mar. 2019.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ARTIGOS CIENTIFÍCOS
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO: DA EXPERIÊNCIA EXITOSA À


FORMAÇÃO NECESSÁRIA

CURRICULAR PRACTICE OF EXTENSION: FROM THE SUCCESSFUL


EXPERIENCE TO THE REQUIRED TRAINING

Bernardo Adame de Carvalho1


Wanderley Chieppe Felippe 2

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo apresentar uma experiência extensionista realizada no primeiro semestre de 2015,
através da modalidade prática curricular de extensão, proposta na disciplina de Orientação Profissional, do oitavo
período do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas. A partir dessa
prática, são feitas algumas análises em torno dos modelos de ensino baseados na unilateralidade da sala de aula. Em
seguida, é caracterizado o papel da extensão nos cursos de graduação, seus benefícios e a importância das disciplinas
extensionistas na formação técnica e humana dos universitários.

Palavras-chave: Extensão. Práticas curriculares de extensão. Educação. Formação universitária.

ABSTRACT

This article aims to present an extensionist experience held in the first half of 2015, through the curricular practice
mode of extension proposed in the discipline of Professional Orientation, of the eighth period of the Psychology course
of Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas. From this practice, there were made analyses around
teaching models based on classroom unilateralism . It is then characterized the role of extension in undergraduate
courses, its benefits and the importance of this kind of disciplines in human and technical training of academics.

Keywords: Extension. Curricular extension practice. Extensive experience. Education.

1
Graduado em Psicologia pela PUC Minas, Campus Coração Eucarístico. E-mail: [Link]@[Link].
2
Mestre em Educação pela PUC Minas (2001), Professor Titular da mesma Universidade no curso de Psicologia, Pró-
reitor de Extensão da PUC Minas.
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1 INTRODUÇÃO

É necessário pensar e discutir, de forma continuada, a educação superior e suas ferramentas


para a formação teórico-conceitual, tecnológica, humana, social e cultural, tendo em vista a
constante transformação dos cenários social, político, econômico, histórico e cultural da época
contemporânea. Não podem os modelos educacionais de formação acadêmica e profissional parar
no tempo. Desta maneira, experiências exitosas devem ser registradas para ampliarmos o repertório
nos debates acerca da formação universitária.
Imersos na complexidade das atividades pedagógicas e dos modelos de ensino utilizados,
concentrados em uma relação unilateral do professor para os alunos e afastados da sociedade
externa aos muros das Instituições de Ensino Superior (IES), os atores que interagem nesse modelo
vigente tendem a desenvolver uma certa resistência às propostas que se distanciam dele.
O presente artigo apresenta uma experiência de prática curricular de extensão (PCE), que se
configura por meio de uma proposta de ação, como uma das possibilidades de enfrentamento dos
problemas do ensino superior na atualidade, podendo constituir-se em ferramenta eficaz para uma
formação humana e técnica a serviço da sociedade. Objetiva-se, através da experiência da prática
curricular extensionista, abrir uma discussão sobre a educação superior e seus processos formativos,
incluindo-se a presença da extensão universitária nos currículos. Para isso, será feito um diálogo
com autores que trazem em suas obras a perspectiva crítica aos modelos de ensino, em paralelo com
a apresentação dos benefícios da Extensão Universitária.
Nas Universidades Comunitárias de Ensino Superior (ICES), a inserção da Extensão
Universitária nos Projetos Pedagógicos de Cursos de Graduação vem-se fazendo de forma
gradativa, em cumprimento do Plano Nacional de Educação 2014-2024, que prevê este dispositivo
em sua Meta 12 (BRASIL, 2014).
O livro Extensão nas Instituições Comunitárias de Ensino Superior (2013) propõe uma
análise do papel da extensão nas ICES e seus aspectos conceituais e pedagógicos. Uma concepção
de Extensão Universitária é apresentada nessa publicação:

A Extensão Universitária constitui-se em um conjunto de ações de caráter interdisciplinar e


multidisciplinar, articulando os saberes produzidos na vida acadêmica e na vida cotidiana
das populações, para compreensão da realidade e busca de resposta aos seus desafios.
Assim, promove a disseminação do conhecimento acadêmico, por meio do diálogo
permanente com a sociedade. (FELIPPE et al., 2013)
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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As PCE propostas pela Pró-Reitoria de Extensão para os cursos de graduação da PUC Minas
estão em sintonia com a concepção acima, buscando criar uma oportunidade para o estudante
universitário vivenciar ações de extensão em situações reais junto a instituições, comunidades e
grupos diversos, utilizando os conhecimentos da própria área de formação, sob a orientação de
professores responsáveis por disciplinas teóricas ou práticas às quais se agregam as práticas de
extensão.
Talvez apenas a narrativa da experiência vivida fosse o suficiente para trazer à luz os
benefícios de uma formação diferenciada, pautada na prática de relações próximas e dialógicas
entre professor, aluno e sociedade externa. Porém, na apresentação da atividade, será feito, nos dois
tópicos a seguir, um comparativo entre o modelo que se entende como o usual, centrado na
transmissão de conhecimentos, e o modelo que inclui as práticas curriculares de extensão nos
currículos, que aponta para possibilidades de superação de questões instituídas nas formas
educacionais citadas.

2 A PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO E SEUS BENEFÍCIOS NA FORMAÇÃO


DOS UNIVERSITÁRIOS

No primeiro semestre de 2015, na disciplina Orientação Profissional, do oitavo período do


curso de Psicologia do turno da noite da PUC Minas, campus Coração Eucarístico, foi realizada a
PCE, sob a orientação e supervisão do Professor Wanderley Chieppe Felippe. Essa nova
modalidade de ações de extensão foi inserida no Regulamento da Pró-Reitoria de Extensão da PUC
Minas, aprovado pela Resolução nº 2/2015 do Conselho Universitário (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015). A atividade objetivou planejar e
executar um processo de Orientação Vocacional em grupo, através de oficinas e debates,
metodologia comum à ação.
A prática da orientação vocacional remonta ao início do século XX, com implantação de
serviços abertos ao público, em países da Europa, como França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Suíça,
Espanha e Portugal, tendo sido amplamente disseminada nos Estados Unidos e no Brasil após a 2ª
Guerra Mundial (SOARES, 1999). A oferta desse serviço, realizado de modo predominante por
psicólogos e pedagogos, pode ser caracterizada como “diagnóstico e solução dos problemas que os
indivíduos têm em relação ao seu futuro (...) no sistema econômico da sociedade a que pertencem”
(BOHOSLAVSKY, 1987, p.28).
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Dessa forma, o processo de orientação, aqui considerado como parte integrante da formação
do psicólogo, objetiva criar condições para a tomada de decisões frente às possibilidades de
mudanças que possam definir o futuro, tais como a escolha profissional, sobretudo na transição da
adolescência para a vida adulta. É um tempo da vida humana de mudança iminente e convite a
escolhas imediatas, sejam elas o ingresso mais precoce no mercado de trabalho ou a definição da
área de estudos que possibilite obter uma qualificação para o exercício profissional no futuro.
A equipe de universitários3 que executou a atividade foi formada por cinco alunos, três
homens e duas mulheres, com idade média de 24 anos, todos egressos de escolas públicas, sendo
três estudantes bolsistas (bolsa PROUNI integral e bolsa assistencial fornecida pela universidade).
Os dados fornecidos acima a respeito da equipe são relevantes para a tomada de decisões
relacionadas ao planejamento da atividade.
Para Lisboa (2002), só existem realmente situações nas quais o processo de escolha pode ser
efetivo se houver uma dúvida que atravessa o pensamento dos orientadores vocacionais,
comprometidos em analisar o contexto socioeconômico. Acreditar que o processo de escolha é
ilimitado, sem a análise das condições e do contexto em que o sujeito se insere, é remover o sujeito
da possibilidade de escolha: “... se considerarmos escolher (como) uma busca cuidadosa dentre
todas as possibilidades, analisando as viabilidades, as contextualizações, as realidades e as
prioridades, essa escolha pode existir, mas é bastante limitada”. (LISBOA, 2002, p. 43).
Alguns comentários sobre o momento politico que o país atravessava quando as decisões
acerca do planejamento deste trabalho foram tomadas, bem como a escolha da amostra com a qual
se desenvolveria a atividade proposta revestem-se de especial importância. Foi o ano de 2015, após
a Copa do Mundo no Brasil, com muitos debates e idealizações sobre o cenário político, fermentado
pelas grandes manifestações no ano de 2013 e seus atravessamentos nos anos seguintes, o que
culminou em uma crise política com o início do processo de impeachment da então presidente
Dilma Rousseff. É importante pontuar e situar o leitor nesse tempo, pois isso interferiu nas decisões
tomadas pela equipe no sentido em que, para pensar a orientação profissional e a amostra com a
qual seria executada a atividade, as instâncias políticas devem ser levadas em consideração.

Contextualizar uma proposta de discussão é fundamental para que possamos chegar a


conclusões e à busca de soluções plausíveis. Este é o propósito para que a análise do
cenário do mundo do trabalho atual ocorra com vistas à concretização de um chamamento à
consciência dos orientadores profissionais para as questões inquietantes do atual momento

3
É preciso registrar os agradecimentos aos colegas que participaram da construção da atividade.
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histórico. Assim, a presente proposta de discussão se dá a partir do enfoque do que ocorre


na realidade brasileira, sem perder de vista o contexto geral, corresponsável pelo processo
econômico-sociopolítico vigente. (LISBOA 2002, p. 37).

Se se considerar a historicidade e a contemporaneidade, mencionadas pela autora citada


acima, o que naquele momento contribuiu para embasar a elaboração do projeto de orientação
vocacional, isso também pode valer como recomendação e defesa das práticas curriculares de
extensão.
No momento do planejamento, o Brasil estava em plena transição, com o início de uma crise
política e econômica. Em termos de acesso à Universidade, o país havia chegado ao auge dos
programas do Governo Federal de acesso às universidades, por meio do Programa Universidade
para Todos (PROUNI), Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além do Sisu (Sistema de
Seleção Unificada) para o ingresso nas universidades públicas. Entretanto, imediatamente após a
reeleição da presidente Dilma, os programas citados começaram a se enfraquecer e as decisões
tomadas pelos governantes desde então dificultaram e reduziram o acesso da amostra escolhida à
universidade.
As questões políticas afetavam simultaneamente os adolescentes e os estudantes
universitários. Além disso, o grupo que executaria o projeto foi convidado pela proposta da prática
a superar algumas dificuldades comuns dentro do cotidiano universitário. Foi uma experiência que
permitiu também o resgate da interdisciplinaridade como fundamento das ações universitárias
através das pautas do trabalho. Aliou-se à disciplina Orientação Profissional, que propôs a prática, o
conhecimento adquirido nas disciplinas de Teoria dos Processos Grupais, Teoria do
Desenvolvimento do Adolescente, Políticas Públicas, do quarto, quinto e sexto períodos do curso,
respectivamente.
Na graduação, é comum, na maioria das disciplinas, a utilização de trabalhos em grupo
como forma de avaliação, entre outras coisas, para aprimorar a aptidão dos estudantes nas
atividades em equipe. Porém, é necessário observar que os universitários não se interessam por – e,
de maneira geral não dominam nem conseguem realizar – as atividades em grupo, de fato. O que
ocorre, geralmente, é a prática de os alunos dividirem as tarefas para que cada um faça uma parte,
sem conexão e diálogo uns com os outros. Pode-se levantar inúmeras razões para que isso ocorra,
entre elas a dificuldade dos estudantes em administrar a agenda de
maneira que coincidam horários para encontros de estudo e planejamento. A experiência da
atividade desenvolvida na prática curricular de extensão foi, entretanto, efetivamente realizada em
grupo, como se espera de estudantes do curso de Psicologia.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Entre a etapa de planejamento e a realização da atividade, ocorreram oito encontros do


grupo. O primeiro para levantar os dados e tomar algumas deliberações sobre a escolha da
instituição e como seria a execução; no segundo e terceiro, foram feitas visitas à escola para se obter
a aceitação da realização do trabalho e estabelecer os procedimentos básicos de comum acordo; os
quatro seguintes foram dedicados à execução da orientação vocacional; o último foi um encontro de
avaliação e planejamento da apresentação da atividade para o restante da turma, no seminário
previsto no cronograma da disciplina. Como pré-requisito para a realização da atividade e como
uma das formas de avaliação da disciplina, os universitários levaram ao conhecimento e aprovação
do professor orientador o projeto que seria a referência para a execução da atividade, a partir de
estudos e levantamentos teóricos. A experiência da atividade realizada deveria tornar-se um artigo
entregue e apresentado aos demais colegas em um seminário da disciplina. Essas ações foram
realizadas e construídas no primeiro e último encontro, respectivamente.
No primeiro encontro, foi feita a opção pela realização da atividade com uma população de
adolescentes do terceiro ano do Ensino Médio de uma escola pública da região noroeste de Belo
Horizonte. Essa decisão foi tomada, em parte, pela preferência do grupo por essa faixa etária e, em
parte, pelo reconhecimento da equipe da possibilidade de levar com qualidade uma atividade
benéfica para uma escola pública, visto que o acesso e as possibilidades de escolha são afetados
pela condição socioeconômica dos adolescentes. Como estratégia para viabilização do trabalho,
procurando atender, ao mesmo tempo, a disponibilidade dos alunos do Ensino Médio, verificou-se
que o melhor momento para realização das atividades seria começando às 13h, após o término das
aulas do turno da manhã, respeitando ainda o intervalo para que os adolescentes se alimentassem,
com a duração de duas horas cada encontro, em dois dias da semana, perfazendo o tempo total de
oito horas.
Já com as decisões tomadas, era preciso apresentar a proposta para a direção da escola, que
aconteceu no segundo encontro e, uma vez aprovada pelo apoio pedagógico da escola, a mesma foi
apresentada aos alunos. A escola tinha nove turmas de ensino médio na parte da manhã, com
aproximadamente 40 alunos em cada uma. Com a presença do apoio pedagógico, foi feito o convite
para participação nas oficinas, mencionando-se os objetivos pretendidos, os dias e horários, bem
como as condições de participação, entre elas uma carta de anuência dos pais. A partir dessa
divulgação, houve a adesão de 11 (onze) adolescentes interessados, tendo havido, no entanto, a
desistência de 3 (três) deles depois do primeiro encontro, alegando problema com o horário e que
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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não haviam compreendido que as oficinas seriam realizadas em quatro dias, pensando que haveria
apenas aplicação de testes, como era comum encontrar na internet. Os outros 8 (oito) alunos foram
até o fim do processo.
Embora a expectativa para o limite de participantes não tivesse sido dita, imaginava-se que
estaria entre 20 e 25 pessoas, o que não aconteceu. Contudo, as condições e possibilidades de oferta
contribuíram para a formação de um grupo coeso. Recebemos comunicados de que outros alunos
tinham interesse em participar, mas o horário dificultava sua presença. Felizmente, havia um
segundo grupo do oitavo período de Psicologia ofertando as oficinas em outros dias e horários, na
mesma escola. Conseguimos, dessa forma, atender muitos interessados e, em alguns casos,
acolhemos individualmente os pedidos dos alunos, mas reconhecemos as dificuldades que nos
impediram de contemplar todos. Foi uma pequena frustração para a equipe deixar alguns alunos de
fora, em razão do planejamento construído e das decisões tomadas.
Em todos os encontros, foram propostas algumas dinâmicas, tendo sido aplicadas, no
processo, nove atividades sempre seguidas de debates. Todos os dias, foi excedido um pouco o
horário, em parte pela complexidade e outra pela necessidade de se continuar o debate, mas sem que
houvesse prejuízo para os adolescentes.
No início da execução da atividade, ao se realizar o primeiro encontro com o grupo, o
objetivo foi apresentação de todos e a criação e fortalecimento de vínculos. Neste momento foram
utilizadas duas ferramentas, “História do Nome” e “Técnica do Gosto e Faço”. Ambos os exercícios
possibilitaram aos jovens se voltarem para o autoconhecimento, conscientizarem-se das possíveis
influências da família no processo de escolha profissional, refletirem sobre as atividades que eles
gostam ou não de fazer em seu cotidiano e ampliarem essa discussão, relacionando-a com a futura
profissão pré-escolhida por eles.
Participaram desse encontro 11 adolescentes, como já mencionado, percebendo-se que, neste
processo de criação de vínculos, há uma resistência aos debates, o que geralmente demanda mais
manejo dos orientadores. Quanto à profissão, todos manifestaram interesse em ingressar na
universidade e se graduar antes de entrar no mercado de trabalho.
Uma situação marcante para o grupo ocorrida no primeiro encontro, quando os adolescentes
contavam a história de seus nomes, após manifestarem qual profissão gostariam de seguir, envolveu
uma das participantes, que afirmava ter certeza de que seria médica obstetra, sem saber, porém, a
razão de sua escolha. O fato chamou a atenção dos orientadores, pois, mesmo já assinalando a
certeza da profissão que seguiria no futuro, ela interessou-se em participar do processo. Ao contar a
história de seu nome, começou falando sobre a gravidez da mãe. Relatou que foi de risco e que
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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durante todo o tempo a mãe e os médicos tiveram medo que houvesse um aborto involuntário. Na
ocasião, houve o acompanhamento de uma obstetra, tendo sido atribuído o sucesso do parto à
competência dessa profissional. Para demonstrar gratidão, a mãe a batizou com o mesmo nome da
obstetra. No entanto, a adolescente apenas relacionou a escolha de sua profissão à historia de seu
nome quando questionada pelos orientadores.
No segundo encontro, utilizamos as técnicas do “Círculo da Vida” e do “Naufrágio”. O
objetivo deste encontro foi auxiliar a introspecção e a percepção sobre os critérios, influências,
pressões e valores pessoais que estão envolvidos na escolha profissional.
No terceiro encontro, utilizamos as técnicas “Tempestade de Profissões”, “Perfil” e
“Marketing Profissional”. Tínhamos como objetivo geral, neste encontro, trabalhar mais
diretamente com as profissões levantadas pelos orientandos, relacionando as características e
habilidades pessoais necessárias ao seu exercício, buscando proporcionar uma vivência mais
próxima e realista sobre a prática profissional.
O último encontro foi voltado para a análise dos aspectos subjetivos e outros que estão
relacionados com a escolha profissional, com o objetivo de sensibilizar os adolescentes para a
importância de uma tomada de decisão consciente e autônoma, procurando compreender que essas
escolhas sofrem simultaneamente a influência de inúmeros fatores sociais, culturais, familiares,
pessoais e econômicos. O encerramento se deu através de uma autoavaliação e avaliação do
percurso de orientação vocacional vivenciado até aquele momento, no qual os orientadores puderam
receber dos adolescentes o retorno objetivo e até mesmo afetivo em relação ao tempo em que
estiveram juntos.
Encerrado o período de execução do projeto, como complemento da atividade avaliativa,
elaborou-se um artigo com referencial teórico da Orientação Vocacional e da prática curricular de
extensão. Em seguida apresentou-se, em seminário interdisciplinar, o relato dessa vivência, o que
permitiu a troca de experiências entre os vários grupos com trabalhos e amostras diferentes, que
puderam expressar suas percepções acerca das ações realizadas.
Segue abaixo um fluxo sintetizando a trajetória percorrida pelos universitários no
desenvolvimento e execução da atividade prática de Orientação Vocacional.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Figura 1 – Representação esquemática da trajetória percorrida pelo grupo de trabalho na


execução da prática curricular de extensão

Retorno do processo
para a universidade,
Desenvolvimento do
produção do artigo projeto dentro da
e elaboração da universidade
apresentação no
seminário

Visita de
Execução da
apresentação do
atividade na escola
projeto para o apoio
em 4 encontros
pedagógico da escola

Convite e
apresentação do
projeto aos alunos
do terceiro ano do
Ensino Médio da
escola.

Fonte: Elaboração dos autores, 2017.

Todo o processo durou aproximadamente três meses entre a proposta da prática e a


apresentação do seminário. Importante ressaltar que esta foi uma das atividades avaliativas da
disciplina, portanto enquanto esta foi executada, havia outras atividades teórico-práticas
acontecendo. O professor orientador colocou-se a disposição durante as aulas, caso os alunos
tivessem dúvidas ou dificuldades no processo, o resultou em diversas conversas ao final das aulas.

3 A FORMAÇÃO EM QUESTÃO: OS MODELOS VIGENTES DE ENSINO

A experiência mencionada no capítulo anterior ocorreu em uma disciplina dentro de um


curso com aproximadamente setenta disciplinas, as quais são necessárias para se concluir a
graduação em Psicologia. Como já assinalado anteriormente, não foram muitas as disciplinas que
Ressignificando a relação teoria e prática:
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possibilitaram ou estimularam o debate durante o período de graduação. É necessário, porém,


registrar uma observação acerca dos estágios supervisionados. São 14 durante o curso e, em alguns
deles, o campo de atividade é externo à universidade. Nesta modalidade de ensino, os debates e a
proximidade com o professor são maiores, porém os campos de realização das atividades em alguns
casos já estão construídos, o que priva o aluno do contato com a comunidade externa, no que tange
à construção e ao planejamento das atividades. Se observarmos a experiência apresentada, os
estágios supervisionados não parecem completos, havendo somente processo inicial de exercício da
autonomia pelos alunos. O que se pode concluir, portanto, é que não é o simples contato entre
universidade e comunidade externa que se chama de extensão.
Além das questões suscitadas antes, nesse trabalho, referentes aos cursos de graduação,
observa-se que existem outras relações e dificuldades na construção do conhecimento e dos projetos
pedagógicos. É de se ressaltar que, no percurso da formação acadêmica e profissional, os alunos
raramente são convocados a participar da construção dos processos, sendo ouvidos quase que tão
somente no momento em que estão sendo avaliados.
Fica evidenciada, assim, a relação unilateral entre docentes e discentes, a qual raramente
possibilita o exercício e desenvolvimento do protagonismo no ambiente no qual o sujeito está
inserido para apreender e se tornar um profissional. Tal concepção do processo de formação
certamente estará contribuindo para o desenvolvimento de profissionais com falta de autonomia, de
leitura crítica da realidade, de capacidade de intervenção e de espírito investigativo e empreendedor,
tendo em vista a forma como foram tutelados durante a graduação. A este modelo apresentado,
Paulo Freire (1987) nomeia de Educação Bancária, ponderando inclusive algumas questões com
relação às limitações das experiências na busca por autonomia:

Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos,


meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis a concepção
“bancária” da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a
de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los. Margem para serem colecionadores ou
fichadores das coisas que arquivam. No fundo, porém, os grandes arquivados são os
homens, nesta (na melhor das hipóteses) equivocada concepção “bancária” da educação.
Arquivados, porque, fora da busca, fora da práxis, os homens não podem ser. Educador e
educando se arquivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há
criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na invenção, na
reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo,
com o mundo e com os outros. Busca esperançosa também. (FREIRE, 1987, p.33).
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Mantendo os alunos ou educandos apenas dentro de uma sala de aula recebendo informações
– o que difere de conhecimento, sem qualquer relação crítica ou possibilidade de apropriação e
utilização –, a universidade acaba formando meros reprodutores de uma gama de assuntos diversos.
Este fato é mais agravante se pensarmos que estamos na era da informação, na qual a todo o
momento se disseminam noticias falsas, com defesa de conhecimento usado de maneira equivocada.
Para Benjamin (1936), a sociedade perdeu sua capacidade de narrar. Segundo o autor, narrar
é uma habilidade de transmitir experiências, diferenciando-as da informação por sua rápida
mutabilidade. Nas narrativas, são transmitidos valores e culturas das sociedades pelas gerações.
Aproximar da escola e da sociedade o fenômeno descrito por Benjamin é necessário para fomentar
os debates acerca da educação.
A forma como são conduzidas as ementas pedagógicas das disciplinas desfavorece a criação
de experiências, mantendo-se na unilateralidade na qual há um professor que, muitas vezes,
transmite informações a serem armazenadas, como exemplificadas na concepção bancária, e não
conhecimento através das narrativas. “É como se estivéssemos privados de uma faculdade que nos
parecia segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências (...) Uma da causas desse
fenômeno é óbvia: as ações da experiência estão em baixa (...).” (BENJAMIN, 1936, p. 198).
Nessa aproximação, colocamos ainda em questão a posição do professor e das produções
acadêmicas. Além desse processo unilateral da atividade pedagógica dos professores universitários,
para Edgar Morin (2013), a universidade ensina a separar as disciplinas, os objetos e removê-los de
contexto para que seja possível analisar sem que haja relação. Portanto, além da privação das
experiências, observa-se outra forma de precarização ao romper com a realidade, que foi construída
indissociada, através dos modelos de ensino que são opostos à saída para o processo humanizado.
Nesse sentido, parece comum voltar-se o debate para a necessidade de que não haja separação na
construção de conhecimento, o que se coloca frente à defesa do fazer universitário, sem a
fragmentação em seu tripé de sustentação:

Nossa formação escolar, mais ainda, a universitária nos ensina a separar os objetos de seu
contexto, as disciplinas umas das outras para não ter que relacioná-las. Essa separação e
fragmentação das disciplinas é incapaz de captar “o que está tecido em conjunto”, isto é, o
complexo, segundo o sentido original do termo.” (MORIN, 2006, p. 18).

Na comparação entre duas situações ou realidades diferentes, o que se encontra como


produto é a diferença em concepção. Quando se tem por objeto uma análise, a fragmentação deve se
tornar parte dela e não condição para que aconteça:
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A lógica a que obedecem projeta sobre a sociedade e as relações humanas as restrições e os


mecanismos inumanos da máquina artificial com sua visão determinista, mecanicista
quantitativa, formalista, que ignora, oculta e dissolve tudo que é subjetivo afetivo e criador.
(MORIN, 2006, p. 18).

Esse processo de fragmentação é observado sem apreço também pela comunidade externa,
que se afasta cada vez mais da universidade, colocando-a no lugar em que, com a prática interna,
essa instituição parece querer estar. A universidade, mesmo sem o contato com a realidade, insiste
em ocupar-se a descrevê-la.
O poeta nordestino Antônio Gonçalves da Silva, que se tornou conhecido como Patativa do
Assaré (2011), em seu poema “Cante lá que eu Canto cá”, resume esse sentimento de uma relação
distinta e sem afeto que se tem construído nas universidades. O poeta questiona que uma pessoa que
aprendeu, teve oportunidade e espaço, mas não teve experiência, pode ocupar um local de fala
apenas onde lhe cabe, ou seja, a realidade em que se insere, na qual ele teve a experiência. Na
universidade, como descrito acima, o aluno fica cercado por um muro e mesmo dentro dele ainda há
varias repartições. Um trecho do poema expressa bem essas diferentes experiências:

Você teve inducação,


Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida,
Sabe o gosto que ela tem.
(ASSARÉ, 2004, p. 25)

Além dos modelos de ensino, a universidade está constantemente produzindo discurso sobre
outros ambientes, o que serve também para pensar a produção da universidade sem a dimensão da
experiência, do afeto e da relevância que tem nos outros espaços. Para que e para quem a
universidade produz sem a interação com a comunidade externa? Em outra parte do poema, essa
questão também é denunciada:

Sua rima, inda que seja


Bordada de prata e de ôro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
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Com o seu verso bem feito,


Não canta o sertão dereito,
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.
(ASSARÉ, 2004, p. 26)

Essa relação construída e reproduzida na universidade talvez leve a comunidade externa a


não se reconhecer nos discursos que são realizados dentro dos muros da universidade. Assim, pode-
se imaginar como a representação desse sentimento o título do livro e poema de Patativa do Assaré,
“Cante lá que eu canto cá”. Talvez a universidade, mantendo-se fechada, esteja apta a falar apenas
dela mesma e, segundo o poeta, assim deveria ser.

4 A PRESENÇA DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA FORMAÇÃO

A universidade como instituição de formação precisa transformar-se no sentido de não só


colocar em prática sua missão, mas ainda mais integrar-se à sua função social, na interação com
outros setores da sociedade, prezando pela relação contínua, dialógica e produtiva com os mesmos.
Desta forma, a extensão universitária aponta para um caminho de superação desses modelos
ausentes de relação. É o convite a pensar o cuidado, a interação e o respeito aos espaços e aos
semelhantes que os habitam e constroem. Para Nascimento (2013), a extensão é a possibilidade da
condição humana dentro da universidade. “A construção de um novo ethos para a universidade, que
rompa com as determinações e a lógica do mercado e da racionalidade instrumental, passa
inevitavelmente pela extensão universitária.” (NASCIMENTO, 2013, p. 282 ).
A extensão universitária é feita com e pelo aluno. Essa participação o coloca diante da
reflexão de seu protagonismo dentro do próprio processo de formação. Em suas experiências, há
conteúdos a serem trabalhados dentro da sala de aula, de maneira que o professor seja o facilitador
da aprendizagem e não mais o narrador mencionado por Paulo Feire, em sua concepção de
educação bancária. A experiência inquietante de participar de processos potencialmente ricos em
conhecimento constitui-se em ampliação de suas aplicabilidades. Não raro os alunos se tornam
propositivos dentro de sua própria realidade:
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A Extensão Universitária efetiva-se na interface com o Ensino e a Pesquisa, por um


processo pedagógico participativo, tornando-se instrumento de formação de profissionais
cidadãos, que pautem suas ações pela competência técnica e pelo compromisso ético.
(FELIPPE et al., 2013, p. 19).

Além do cuidado com que a extensão direciona a formação, é também uma formação ética,
no qual há um compromisso com a técnica e com a sociedade. Na experiência apresentada da
prática curricular, pode-se observar de maneira clara essa questão. Os adolescentes mencionaram
conhecer “testes vocacionais” disseminados na internet, o que caracteriza uma apropriação indevida
e até mesmo um exercício equivocado de atividades profissionais. A situação prévia e a apropriação
das questões por parte dos universitários levou ao êxito da atividade, porém não impediu o
abandono de três adolescentes já no primeiro encontro.
As práticas curriculares de extensão oferecem uma alternativa para os desafios que se
colocam à educação, formação de qualidade e competência, e, para além dos atributos técnicos
advindos dela, uma formação humana, que se afasta da formatação de máquinas copiadoras, meras
reprodutoras dos argumentos narrados durante a vida acadêmica com a ausente significação da
experiência. Este é o reconhecimento de estar em um ambiente de constantes transformações e
poder ser protagonista nessas alterações. Mas é também a possibilidade da divisão de um discurso e
tarefas por meio das quais tanto a comunidade externa quanto a comunidade interna / universidade
se reconheçam, a fim de não se reproduzir um discurso como hegemônico frente ao conhecimento
popular, conforme o convite do poeta Patativa do Assaré:

No ensino, as atividades de extensão ampliam o espaço da sala de aula, permitindo que a


construção do saber se faça dentro e fora da academia. A extensão é imprescindível para o
processo pedagógico, pois possibilita o intercâmbio entre comunidade acadêmica e a
sociedade. Ao mesmo tempo em que a extensão possibilita a democratização do saber
acadêmico, este retorna à universidade de forma reelaborada. (FILGUEIRAS, 2015, p. 22)

Há várias modalidades de extensão em prática nas universidades, embora ainda haja também
exercícios políticos, para que cada vez mais a extensão contemple todos os estudantes que passarem
pela universidade. Entre as modalidades estão Programas, Projetos, Cursos, Eventos, Prestações de
serviços, Produções culturais e as Práticas curriculares de extensão, sendo estas últimas alvo da
experiência retratada acima. Para Filgueiras (2015), a extensão é mais que uma atividade
pedagógica, faz parte das funções sociais das instituições de ensino superior. sendo que sua
relevância consta em “todos os documentos fundamentais para a normatização do ensino.” (pag.20).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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5 CONCLUSÃO

A partir da experiência apresentada, pode-se constatar que é de extrema relevância a


extensão universitária, inserida nos modelos de formação acadêmica e profissional dos cursos de
graduação. Dando sequência à já instaurada prática curricular de extensão, precisamos de
ferramentas de avaliação dos seus impactos na vida do egresso e formas de ampliar as atividades
exitosas dentro do campo acadêmico, a fim de reforçar o papel e função social das IES.
Têm-se bons exemplos para romper com o insistente modelo unilateral, conteudista, que
ainda predomina na universidade, tornando-se necessário ampliar as ações multiplicadoras junto aos
professores, preparando-os para a construção de uma nova sistemática de formação, para a qual a
extensão, sem dúvida, pode contribuir. É na sensibilização dos narradores, enquanto enfrentamento
aos depositários, que pode prevalecer a experiência da vivência sobre o arquivamento da
informação. Dessa maneira, pode-se abandonar a necessidade insistente de se discutir a palavra
“indissociabilidade”, uma vez que a integração entre ensino, pesquisa e extensão tenha-se tornado
uma ação permanente da universidade e a universidade, sinônimo da tríade.
A extensão tem-se mostrado capaz de pensar e efetivar a integração, uma vez que é o espaço
da sensibilização e do amor aos seus pares, buscando continuamente garantir uma formação ética,
humana e técnica de qualidade, voltada para a sociedade no sentido progressista.
Se se fracionar a universidade enquanto conceito e produção, encontrar-se-á a técnica e suas
contribuições à sociedade em planos numéricos, cujo quantitativo tem sido utilizado para justificar a
instância da responsabilidade social, no relacionamento com e sobre o que lhe é externo. Porém, a
extensão universitária é a dimensão do fazer acadêmico – e não se pode reduzir simplesmente a
uma métrica os benefícios individuais obtidos na relação dialógica entre universitário e comunidade
externa –, é lugar do sentimento, como diz Nascimento (2013) é o lugar do afeto. “A extensão
universitária também é lugar da utopia, da esperança, da conexão com o futuro sempre em
construção.” (Nascimento, 2013, p. 283). Nesse sentido, podemos pensar as transformações da
sociedade como um sonho e a extensão por parte da universidade como a ferramenta para as
transformações, como na canção interpretada por Milton Nascimento, “quem sabe isso quer dizer
amor, estrada de fazer o sonho acontecer”, composição de Lô Borges e Márcio Borges (2002). A
extensão é a instância do amor nas universidades, “considerando que ... se realiza por meio do
cuidado, do afeto, do amor, enquanto dimensão do conhecimento.” (Nascimento, 2013, p. 282).
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Com a expansão da extensão universitária, através de mais práticas curriculares, cada vez
mais incorporadas à atividade docente, espera-se que, com o tempo, encontrem-se mais narradores,
no sentido atribuído por Benjamin (1936), com quais se possa dialogar e dividir experiências,
construções teórico-práticas, pesquisas, práticas extensionistas, produções acadêmicas, propostas e
ideias inovadoras, e que a experienciação se torne uma condição para as práticas de formação
docentes e discentes dentro da universidade.

REFERÊNCIAS

ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino. 14 ed.
Petrópolis: Vozes, 2004. 355p.
BENJAMIN, W. (1936/2016) O Narrador. In BENJAMIN. Magia, Técnica, Arte e Política. Obras
Escolhidas I. São Paulo: Brasiliense. p. 213-240.
BOHORSLAVSKY, Rodolfo. Orientação Vocacional. A estratégia clínica. São Paulo: Martins
Fontes, 1987.
BORGES, Lô; BORGES, Márcio. Quem sabe isso quer dizer amor. In: NASCIMENTO, Milton.
Pietá. Warner Music Brasil. 2002. Faixa 5.
BRASIL. Plano Nacional de Educação 2014-2024. Ministério da Educação. Governo Federal.
Brasília, DF, 2014.
FELIPPE, Wanderley Chieppe et al. Extensão nas Instituições Comunitárias de Ensino
Superior: Referenciais para a construção de uma Política Nacional de Extensão nas ICES. FORUM
DE EXTENSÃO E AÇÃO COMUNITÁRIA DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
COMUNITÁRIAS – FOREXT. Itajaí: Universidade do Vale do Itajaí, 2013. Formato de e-book.
FILGUEIRAS, Karina. Fideles. Práticas Curriculares de extensão: as disciplinas dos cursos de
graduação da PUC Minas como fonte de processo formador extensionista. In: PONS, Ivo Eduardo
Roman; ALMEIDA, Cleverson Pereira de. (Org.). Extensão na Educação Superior Brasileira:
motivação para os currículos ou curricularização imperativa? 1ed. São Paulo, SP: Editora
Mackenzie, 2015, v. 1, p. 19-32.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Ed 17. Rio de Janeiro. Paz na Terra. 1987.
LISBOA, Marilu Diez. Orientação Profissional e o mundo do trabalho: Reflexões sobre uma nova
proposta frente a um novo cenário. In LEVENFUS, Rosane Schotgues; SOARES, Dulce Helena
Penna. (Org.). Orientação vocacional ocupacional: novos achados teóricos, técnicos e
instrumentais para a clínica, a escola e a empresa. Porto Alegre: Artmed, 2002. 436 p.
MORIN, Edgar. Sobre a reforma universitária, In CARVALHO, Edgard de Assis; ALMEIDA,
Maria da Conceição de. (Org.) Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios.
Tradução de Edgard de Assis Carvalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2013, p. 13 - 28.
NASCIMENTO, Marcos Roberto do. A pedagogia do cuidado e a Extensão Universitária a partir da
sala de aula. In: MENEZES, Ana Luisa Teixeira de; SÍVERES, Luiz. (Org.). Transcendendo
Fronteiras: a contribuição da Extensão das Instituições Comunitárias de Ensino Superior. 1
[Link] Cruz do Sul: EDUNISC, 2013, v. 1, p. 1-312.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Regulamento da Pró-


Reitoria de Extensão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas.
Aprovado através da Resolução nº 2/2015 pelo Consuni. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 26 ago. 2018.
SOARES, Dulce Helena Penna. A formação do orientador profissional: o estado da arte no
Brasil. Revista da ABOP, v.3, n.1, Florianópolis, Associação Brasileira de Orientadores
Profissionais, 1999.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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AGIR NA URGÊNCIA, DECIDIR NA INCERTEZA: DESAFIOS NA


INTEGRAÇÃO ENTRE O ENSINO E A EXTENSÃO EM DISCIPLINA A
PARTIR DA ASSESSORIA TÉCNICA DIRETA

ACTUAR EN LA URGENCIA, DECIDIR EN LA INCERTEZA: DESAFIOS


EN LA INTEGRACIÓN ENTRE LA ENSEÑANZA Y LA EXTENSIÓN EN
DISCIPLINA A PARTIR DE LA ASESORÍA TÉCNICA DIRECTA

Eduardo Moutinho Ramalho Bittencourt1

RESUMO

O presente artigo busca apresentar os desafios e estratégias vivenciados no processo de implementação de práticas
curriculares de extensão (PCE) no ensino da disciplina “Projeto Executivo Urbano – Áreas Ocupadas”, do curso de
graduação em Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas. Apresenta-se o processo de construção de uma estratégia de
implantação das práticas de extensão na disciplina e o relato do processo e dos resultados iniciais decorrentes de três
semestres letivos de aplicação dessas experiências de extensão junto ao ensino da graduação. A urgência se fez
presente duplamente: na necessidade de a disciplina avançar em suas abordagens e resultados decorrentes do processo
de ensino e aprendizagem sobre o tema, devido às inúmeras contradições presentes na atuação técnica e profissional
junto à sociedade, segundo as formas convencionais de urbanização nas áreas informais; e, pelas demandas por
assessoria presentes na comunidade envolvida nas práticas de extensão. A incerteza se delineava também: no desafio
de definir quais os novos princípios teórico-conceituais e as abordagens técnico-profissionais seriam trabalhados no
ambiente do ensino da disciplina, em busca da formação de profissionais capazes de transformar a realidade do projeto
(teoria) e da obra (prática), na urbanização de assentamentos precários; e, na especificidade da abordagem da assessoria
técnica direta, que tem como princípio o protagonismo dos assessorados (a comunidade beneficiária da extensão,
decidindo qual o sentido do trabalho técnico e das transformações em seu espaço). Esse contexto exigiu, duplamente,
um avanço técnico e conceitual nos fundamentos e práticas de ensino junto aos alunos durante o processo de
aprendizagem e de atuação extensionista, mas também no aprimoramento da extensão por meio de projetos e ações
continuadas que precisaram articular a urgência das necessidades reais com as dificuldades, o tempo, e o potencial de
descoberta e inovação dos alunos participantes das práticas curriculares de extensão.

Palavras-chave: Extensão universitária. Ensino. Assessoria técnica. Urbanização.

1
Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG (2014), Professor Assistente I do Departamento de Arquitetura e
Urbanismo da PUC Minas, campus Coração Eucarístico e cocoordenador do Escritório de Integração. E-mail:
eduardomrbittencourt@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
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RESUMEN

El presente artículo busca presentar los desafíos y estrategias vivenciados en el proceso de implementación de prácticas
curriculares de extensión en la enseñanza de la asignatura Proyecto Ejecutivo Urbano - áreas ocupadas, de la carrera de
Arquitectura y Urbanismo de la PUC Minas. Se presenta el proceso de construcción de una estrategia de implantación
de las prácticas de extensión en la asignatura y el relato del proceso y de los resultados iniciales resultantes de tres
semestres lectivos de aplicación de estas experiencias de extensión junto a la enseñanza de la carrera La urgencia se
hizo presente doblemente: en la necesidad de la asignatura avanzar en sus abordajes y resultados provenientes del
proceso de enseñanza y aprendizaje sobre el tema debido a las innumerables contradicciones presentes en la actuación
técnica y profesional junto a la sociedade, según las formas convencionales de urbanización en las áreas informales; y
por las demandas por asesoría presentes en la comunidad involucrada en las prácticas de extensión. La incerteza se
delinea también: en el desafío de encontrar cuáles los nuevos principios teórico conceptuales y abordajes técnico-
profesionales serían trabajados en el ambiente de la enseñanza de la asignatura, en busca de la formación de
profesionales capaces de transformar la realidad del proyecto (teoría) y de la urbanización (práctica) en los
asentamientos precarios; y en la especificidad del enfoque de la asesoría técnica directa, que parte del principio de
protagonismo de los asesorados (la comunidad beneficiaria de la extensión) en decidir cuál es el sentido del trabajo
técnico y de las transformaciones en el espacio. Este contexto exigió doblemente un avance técnico y conceptual en los
fundamentos y prácticas de enseñanza junto a los alumnos durante el proceso de aprendizaje y de actuación
extensionista, pero también en el perfeccionamiento de la extensión por medio de proyectos y acciones continuadas que
necesitaron articular la urgencia de las necesidades reales con las dificultades, el tiempo, y el potencial de
descubrimiento e innovación de los alumnos participantes en las prácticas de extensión.

Palabras-clave: Extensión Universitaria. Educación. Asesoría técnica. Urbanización.

1 INTRODUÇÃO

[…] o capital imobiliário na sua ontologicamente fundada busca pela ampliação das
fronteiras de acumulação e lucro, acaba voltando-se para as parcelas da cidade mais bem
dotadas de infraestrutura e/ou de amenidades, ou seja, com potencial de valorização. Tal
movimento tem, desse modo, requerido e acirrado ainda mais a articulação entre o setor
público e o privado, por intermédio de coalizões que, por sua vez, têm tornado hegemônico
um projeto de cidade crescentemente seletiva e excludente. (BIENENSTEIN et al. 2017).

Por que buscar a integração entre o ensino e a extensão? Por que fazer isso na disciplina com
este conteúdo técnico e específico da urbanização de assentamentos precários (UAP)? Por que
mobilizar a assessoria técnica direta como uma competência mobilizada pelas / nas práticas de
ensino da disciplina? Essas são as questões que o trabalho pretende responder e revelar assim
possíveis respostas que o meio acadêmico e a atuação profissional precisam dar ao tempo e ao
espaço das cidades brasileiras de modo a contribuir para o planejamento e a produção de formas
diferentes para o enfrentamento da realidade socioespacial dos assentamentos informais e da
população espoliada que luta pelo acesso à cidade e à moradia como as vilas e favelas.
Para isso é apresentado o contexto político pedagógico do curso de graduação em
Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte,
seus objetivos teóricos e práticos ensino, sua estrutura pedagógica, que possibilita um ambiente
diferenciado de aprendizagem e de difusão da extensão entre as fronteiras acadêmicas e as
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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experiências realizadas em disciplina avançada do curso que trata dos assentamentos informais e da
formação dos futuros arquitetos e urbanistas para elaboração de projetos urbanos em áreas
informais.
O desafio do ensino da arquitetura e do urbanismo na graduação não se restringe apenas às
experiências relatadas da disciplina “Projeto Executivo Urbano” (PEU), mas a todo o contexto
socioespacial da sociedade brasileira e das especificidades do campo teórico e do campo social da
profissão de arquiteto e urbanista no país. Por entender que a extensão universitária deve ter uma
profunda integração com os fundamentos na formação do aluno, na proposta de ensino de cada
curso, são apresentados os diversos elementos que determinam os objetivos pedagógicos presentes
no curso e os aspectos teórico-conceituais que orientam as ações de extensão nas práticas de ensino
da disciplina estudada.
O Projeto Político Pedagógico do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas (2008)
adota uma abordagem crítica sobre a realidade da cidade, da profissão e da arquitetura e do
urbanismo. Através da implementação de três temas transversais no processo de ensino e
aprendizagem, o curso busca fazer frente a essas crises e apontar saídas para os problemas
socioambientais com os quais os alunos se depararão ao se formarem, são eles: sustentabilidade,
inclusão e tecnologia (PUC Minas, 2012).
O tema da sustentabilidade se apresenta como um princípio do desenvolvimento que
compreende a produção da terra e da cidade com o incremento, a preservação e a reparação do meio
ambiente natural (a verdadeira infraestrutura da cidade, a plataforma geológica) e com o
desenvolvimento efetivo de toda a sociedade, não apenas de alguns [os que venceram…..]
(CARVALHO, 1999). Busca a superação do paradigma científico epistemológico clássico, marcado
pela produção do conhecimento descolado da realidade, e que não existe sem a presença dos
saberes não institucionalizados. Demanda a alteração do equilíbrio entre forças na produção da
cidade: governo, técnicos, poder mercado imobiliário, proprietários de terras, usuários e moradores.
Demanda a revisão crítica das práticas de gestão e planejamento convencionais, ou seja, as que não
enfrentam a transformação das forças dominantes (por exemplo, planejamento participativo,
desenho comunitário, consultas e assembleias públicas, etc), e compreende que não é alcançado
apenas com ações restritas ao território, mas também com outras estratégias, práticas, atores e
conhecimentos / saberes que devem ser a referência de planos, projetos e desenhos urbanos e
ambientais (ASCELARD, 2004).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A inclusão busca priorizar no estudo a transformação das condições, das necessidades e dos
territórios da população historicamente excluída das ações do planejamento e da gestão urbana, que
devem ser o foco de aprendizagem, pesquisa e experimentação das disciplinas. Os temas centrais
do planejamento convencional, as ferramentas e práticas vigentes no contexto da Rede
Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e outras áreas abordadas pelas disciplinas devem ser
ponderados em relação aos espaços de contradição e diferença presentes na sua formação
socioespacial, tendo em vista seus efeitos no cotidiano do espaço urbano, nos modos de vida e na
qualidade de vida do cidadão.
O objetivo da aprendizagem presente nas disciplinas deve ser capaz de desenvolver a
competência aos alunos, a partir das teorias e práticas ensinadas, de promover ou contribuir para a
promoção da “virada cultural” em relação a essas contradições e para a autonomia presente no
universo da cidade que é considerado como carente, pobre, subnormal e incompleto, estimulando a
investigação de estratégias em situações em que não haja alternativa ou experiências acumuladas
sobre determinados temas, abordados no curso, possibilitando a descoberta e a produção de novos
conhecimentos pelo aluno da graduação e da pós-graduação.
A tecnologia é tratada como tema transversal na intenção de promover o avanço e a
investigação tecnológica, a partir de uma perspectiva crítica que busca discutir e propor algo que
ainda se encontra por ser descoberto, libertando os paradigmas de pensamento e projeto da
epistemologia moderna originada do contexto socioespacial e na urbanização da sociedade
capitalista industrial. Não pode ser apenas uma perspectiva de reforma do atual ou reparação dos
defeitos ou inconsistências dos modelos tecnológicos atuais, apesar de que a investigação e
experimentação sobre as ferramentas e métodos existentes pode permitir o alívio dos efeitos
degradantes e até produzir fissuras nos modelos dominantes. Deve ser pensada considerando as
particularidades e subjetividades dos campos onde é produzida e implementada, numa perspectiva
em que o avanço tecnológico é uma busca pela individualização e encontro com a singularidade das
necessidades e potências de cada caso e problema estudado se aproximando também de uma
abordagem artesanal ao invés de apenas um modelo industrial reprodutível.
Esses princípios político-pedagógicos são marcados pela tentativa de aproximação e des-
hierarquização entre saberes informais e formais, orientados à emancipação técnica, econômica e
política, e à desalienação e autossustentação dos processos de produção do espaço, segundo as
diretrizes acadêmicas propostas no Projeto Político Pedagógico (PPP) do Curso de Arquitetura e
Urbanismo da PUC Minas, elaborado em 2008.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Para alcançar essas propostas de ensino, o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da


PUC Minas em Belo Horizonte possui uma estrutura e uma organização diferenciadas. O Escritório
de Integração (EI) é a instância prevista no PPP de promoção da integração entre o ensino, a
pesquisa e a extensão e tem, há mais de 20 anos, atuado na assessoria técnica a grupos sociais e
moradores na luta pelo direito à cidade e à moradia, além de buscar em seus trabalhos técnicos a
construção de modelos de reabilitação e de urbanização ambientalmente sustentáveis. Ele participou
também intensamente das práticas curriculares de extensão aqui relatadas. Ao lado do EI, o PPP
prevê a implantação da Escola de Formação de Mão de obra (EFMO) e do Canteiro em Obras, que
visam à promoção de um ambiente de ensino-aprendizagem que privilegie a circularidade dos
diversos tipos de conhecimentos mobilizados pela comunidade produtora do espaço construído.
Dessa forma, pretende-se, a um só tempo, trazer o trabalhador para o ambiente universitário e
aproximar os alunos da realidade, a partir da experiência prática com as técnicas construtivas e da
verificação dos problemas da produção.
O Canteiro em Obras é, desde então, um espaço pedagógico do curso de Arquitetura e
Urbanismo que busca difundir a experimentação como estratégia central de ensino e aprendizagem
por meio da reaproximação entre a atividade de projeto e a atividade de construção, fomentando a
compreensão de que o processo lógico do projeto reflete-se também em um procedimento de
execução (teoria e prática). A EFMO permaneceu embrionária, nas muitas edições do Programa
Construção e Cidadania, voltado à formação de mão de obra para a construção civil. Interrompido
temporariamente desde 2013, o Programa mostrou a potencialidade de processos formativos
orientados à transformação das relações entre projeto e obra no trabalho cotidiano de serventes,
pedreiros, mestres de obras, muitos deles autoconstrutores.
A disciplina onde se realizaram as práticas curriculares de extensão busca “ultrapassar as
fronteiras do aprendizado tradicional tendo em vista a formação de profissionais capazes de atuar no
desenvolvimento social e cultural do meio urbano”. Assim como o PPP, parte de uma compreensão
de que a realidade atual é marcada por uma cidade socialmente injusta, que as desigualdades são
decorrentes em parte da ocupação e do planejamento do território e que a promoção da
sustentabilidade urbana é uma saída estrutural para esse cenário.
Compreende-se que os assentamentos informais são espaços resultados do processo de
autoprodução. O espaço autoproduzido, ainda que produto e reprodutor de espoliações várias; além
disso, o processo mesmo de autoprodução do espaço guarda potenciais que não são reconhecidos,
quando não temidos e aniquilados pelo próprio Estado. A incompletude da urbanização segundo o
modelo hegemônico; o baixo consumo de recursos, incluindo a terra; a independência da indústria e
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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da cadeia produtiva da construção civil; a constituição de práticas econômicas, associativas e


construtivas outras; a autonomia: tudo isso faria do espaço autoproduzido um campo privilegiado
para a investigação e a experimentação tanto de metodologias e processos de projeto, quanto de
técnicas e práticas de construção.
Os métodos, práticas e campos de atuação que determinam a abordagem das práticas
curriculares de extensão na disciplina de PEU decorrem do trabalho de articulação entre o ensino, a
pesquisa e a extensão promovido pelo EI. Em seu processo de amadurecimento, enquanto espaço
de pensamento e práxis, o EI revelou a possibilidade de tratar esta extensão não mais como
atendimentos de demandas aos necessitados, mas sim como um espaço onde se pode experimentar
um enfrentamento efetivo das questões associadas às desigualdades socioespaciais próprias da
urbanização brasileira, também marcada pela associação permanente entre o uso e a ocupação do
solo à degradação ambiental e à reprodução de uma prática de planejamento, tecnologia e
construção segundo uma lógica capitalista de produção social do espaço e de industrialização que,
de forma heterônoma, espolia e separa da prática profissional o conhecimento científico e
tecnológico entre todos os envolvidos no processo, operários, arquitetos e usuários (ou sujeitos)
desta arquitetura e desse urbanismo.
O curso de graduação se estrutura em três ciclos: básico, profissionalizante 1 e 2. Nesse
processo, as competências e conteúdos lecionados para a formação do arquiteto e urbanista evoluem
entre a compreensão do sujeito do trabalho técnico (o habitante da cidade) até o universo
socioespacial em que se insere (a própria cidade). O ensino do urbanismo é trabalhado desde o
primeiro período do curso, e as abordagens adotadas nas diversas disciplinas são marcadas pela
fundamentação teórica associada a uma vivência prática no espaço cotidiano e pelo exercício de
elaboração de processos e produtos técnicos específicos das etapas de aprendizado (relatórios,
planos, projetos, programas, desenhos, detalhes, ações). Ao final, no período anterior ao de
elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso, no 9° período o aluno tem a formação de projetos
executivos, arquitetônico e de urbanização, em que trabalhará todo o conhecimento e as
competências para a realização das intervenções e obras necessárias para a produção do espaço
urbano ou edificado. Nesse momento da graduação, após passar por todas as possibilidades técnicas
e teórico-conceituais, o aluno é mobilizado a experimentar a aprendizagem mais próxima da
realidade profissional que enfrentará na sociedade e também no nível de maior volume e
complexidade técnica e gráfica dos trabalhos em arquitetura e urbanismo.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A disciplina de “Projeto Executivo Urbano – áreas ocupadas”2 oferece ao aluno a


possibilidade de aprender e investigar a atuação profissional em um universo relevante da paisagem
socioespacial das cidades brasileiras: as áreas informais, as vilas e favelas, as ocupações urbanas, os
loteamentos irregulares, os aglomerados subnormais (IBGE, 2010).
O contexto no cotidiano da disciplina envolve alguns desafios relevantes; trata-se do
penúltimo semestre do curso e da necessidade de consolidação do aprendizado de temas relevantes
para todas as possibilidades de atuação do egresso como: representação cartográfica e desenho
técnico, gestão da informação no processo de projeto, compreensão e desenvolvimento do projeto
tendo como foco a conceituação integrada à necessidade de produção de um amplo volume técnico,
busca pelo enfrentamento da complexidade nas questões projetuais e executivas com a
manutenção do potencial de inovação nas soluções propostas, necessidade de posicionamento
técnico e político diante de questões sociais e políticas. Ao mesmo tempo, permite que sejam
experimentadas outras formas de atuação profissional, técnica e política pelo arquiteto e urbanista
(que não são abordadas nas etapas anteriores do curso pela necessidade de amadurecimento pessoal
e teórico-técnico dos alunos) como: assistência técnica, assessoria direta, autogestão, planejamento
e desenho de desenvolvimento local ou de vizinhança, melhorias habitacionais (housing
improvements) ou reabilitação ambiental e urbana.
Considerando o tema de concentração do objeto de trabalho da disciplina, as áreas ocupadas
decorrentes dos processos de segregação socioespacial das cidades brasileiras demanda ao aluno
prestes a concluir o curso a compreensão crítica sobre os limites e contradições do planejamento
público e da urbanização nesses assentamentos e em relação à problemática habitacional da
sociedade. Alguns limites destas políticas públicas, sobretudo o modelo predominante nas políticas
públicas para este universo, a Urbanização de Assentamentos Precários – UAP ou
internacionalmente conhecida como slum recovery (considerada o estado da arte das políticas
públicas e intervenções urbanísticas e sociais em vilas e favelas no país) já foram estudados por

2
A disciplina possui a ementa seguinte: “Projeto urbano, em nível executivo, em assentamento informal, considerando
a relação entre aspectos ambientais, morfológicos, funcionais, fundiários, políticos, econômicos, sociais, culturais e o
papel da intervenção planejada em assentamentos informais. Projeto e execução de intervenção no espaço urbano,
fundamentados nos sistemas de meso estrutura, saneamento básico e ambiental, sistema viário, sinalização, tráfego e
trânsito urbano e rural, acessibilidade. Projetos e execução de parcelamento do solo, de regularização fundiária, de
geométrico, sistema viário e acessibilidade, de tráfego e trânsito de veículos e sistemas de estacionamento, sinalização
viária e comunicação visual urbanística, de movimentação de terra, drenagem e pavimentação, de sistema de iluminação
pública, de sistema de coleta de resíduos sólidos, de mobiliário urbano, sistema de espaços coletivos e públicos.
Instalações e equipamentos referentes ao urbanismo. Traçado de cidades e desenho urbano. Assentamentos humanos e
requalificação em áreas urbanas e rurais. Articulação ao entorno, recuperação de áreas degradadas, tratamento
urbanístico de áreas abertas. Inclusão socioespacial e processos participativos de planejamento e gestão. Utilização e
aplicação de sistemas computacionais, maquetes física e eletrônica. Expressão cartográfica e gráfica.”
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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pesquisas recentes: impactos da escala física de intervenção sobre o cotidiano do assentamento,


lacunas de temas e escalas das intervenções deixando diversas funções e sistemas urbanos das
comunidades sem urbanização, a reprodução do modelo técnico de urbanização que incorpora nos
assentamentos problemas como a impermeabilização do solo, aumento da velocidade do trânsito,
ausência de tratamento local de efluentes e outros poluentes como os resíduos sólidos urbanos e o
descompasso entre a burocracia e as necessidades das ocupações e realidade dos usuários
(BITTENCOURT; ROCHA, 2019; BITTENCOURT, 2014; FERNANDES; PEREIRA, 2010;
ROY, 2009;).
Em resposta a esses inúmeros desafios a proposta pedagógica da disciplina estabelece os
seguintes objetivos:

[..] capacitar o aluno a identificar, analisar e criticar as decisões projetuais adotadas durante
o processo de projetação. Desenvolver instrumental técnico e conceitual para o trato de
questões relativas à cidade e ao projeto urbano; Intervir em área urbana construída e a ser
parcelada em todas as suas fases, do levantamento preliminar à avaliação final. Criar
repertório para intervir em assentamentos informais e seu entorno; Pesquisar, analisar e
reelaborar soluções tipológicas conceitualmente diferenciadas para o tecido urbano tendo
em vista as necessidades físicoculturais dos usuários, a flexibilidade de uso e o potencial
das áreas; Contribuir para a formação de uma postura crítica em relação aos espaços
urbanos. Desenvolver projeto executivo urbano. Reforçar nos futuros egressos o potencial
transformador previsto no projeto pedagógico. Estimular à mudança cultural no processo de
projeto e de execução através de uma outra perspectiva da cidade, da arquitetura e do
urbanismo e da profissão. (Retirado do plano de ensino da disciplina. PUC, 2018).

Em síntese, o ensino do projeto executivo urbano se apresenta como um constante desafio


no ensino pela prática docente e na aprendizagem pelo aluno relacionado ao conteúdo trabalhado, às
competências acumuladas pelas práticas de ensino, a outa compreensão e dinâmica formativa no
ensino de projeto e de planejamento que avancem nas possibilidades dos processos quanto
elementos qualificadores dos produtos técnicos e por fim, quais princípios e métodos de avaliação
que apontem o desenvolvimento adequado do aluno diante da complexidade dos temas e prática da
disciplina.

2 DESENVOLVIMENTO

A partir de 2013, quando essas experiências se iniciaram na disciplina, algumas estratégias


vieram sendo experimentadas ao longo dos semestres, muito influenciadas pelo aprendizado
pregresso na prática profissional e pelas perspectivas acumuladas pelas atividades de colaboração e
coordenação de projetos extensão. Por isso, o relato de experiências não se atentará somente aos
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 47

períodos em que a disciplina realizou práticas curriculares de extensão, mas também à momentos
em que ela apenas adotava como objeto de ensino as áreas de trabalho dos projetos de extensão ou o
a problemática identificada nestes projetos.
Em 2013, as experiências na disciplina não poderiam ser caracterizadas como ações
extensionistas, mas, diante das atividades de extensão vivenciadas pelo docente no universo de
ensino e na temática da disciplina, estimularam a uma reflexão sobre formas de aproximar os
objetivos pedagógicos gerais da disciplina com a realidade da extensão em curso, principalmente
pela atuação do EI no contexto dos assentamentos informais das ocupações urbanas organizadas e
nas demandas que se apresentavam para a implantação de dispositivos alternativos de urbanização
(saneamento). Nesse período, o processo buscava promover mudanças na prática de ensino da
disciplina buscando incentivar o aluno a projetar de outra maneira: sair do seu lugar de arquiteto e
do seu lugar (de classe) na cidade; conceber a urbanização por uma perspectiva sociotécnica, com
as opções de design e de construção levando em conta as prioridades e subjetividades do território e
das pessoas; incorporar qualidade, eficiência e sustentabilidade aos projetos urbanísticos e
arquitetônicos desenvolvidos. Nesse momento, algumas ações foram implementadas no processo de
ensino adotando-se uma área de trabalho estudada em pesquisa anterior quanto aos problemas da
urbanização (Vila Nossa Senhora de Fátima no Aglomerado da Serra) e tomando-se como objetivos
da aprendizagem e objetos de projeto estes problemas. Buscava-se avaliar a possibilidade e
procedência na experimentação de outros princípios técnicos e teóricos, diferentes dos utilizados até
então na disciplina, que se dedicavam à reprodução do modelo técnico consolidado na política
pública de urbanização de assentamentos precários – UAP (ABIKO; COELHO, 2009)3.
Nesse primeiro momento da mudança de estratégias de ensino, buscou-se um olhar a partir
do campo, uma reflexão crítica sobre o planejado e o urbanizado pelo poder público4, a leitura
ambiental por meio de uma perspectiva geossistêmica, a análise e interpretação de uma escala
espacial mais próxima do cotidiano, reduzindo o privilégio da escala físico territorial e o exercício

3
O modelo de UAP tem sido pesquisado criticamente desde a sua formação nas políticas urbanas e habitacionais no
país para as áreas informais como vilas favelas e outras formas de assentamentos urbanos (CARDOSO, 2006). Na sua
segunda década de efetiva implementação por meio de programas municipais e estaduais de urbanização de
assentamentos precários, a UAP experimentou um crescimento exponencial na escala territorial e na complexidade de
suas ações, sobretudo pelos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tendo como
consequência a promoção de impactos no meio ambiente urbano destas comunidades que superaram o alívio parcial de
suas necessidades coletivas e urbanísticas, em alguns casos aprofundaram a informalidade e a pobreza urbana e não
trouxeram avanços na segurança da posse e no direito à cidade desta população.
4
O assentamento estudado pela disciplina neste período fazia parte de um complexo de favelas em Belo Horizonte que
havia recebido o programa de intervenções estruturantes Vila Viva pelo poder público municipal e era marcada por um
extenso processo de planejamento e urbanização desde a década de 1980.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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de planejamento e detalhamento de intervenções microlocais, adotando uma escala em que os


alunos pudessem ter domínio das transformações espaciais desenhadas pelos projetos e em locais
onde a urbanização tradicional não tinha melhorado a condição de vida na comunidade.
Algumas conexões com a extensão ocorreram neste período inicial de experimentação na
disciplina: a via veicular central do assentamento passava por um processo de discussão entre o
órgão de urbanização (URBEL) e a comunidade5, com a previsão de um grande impacto na
estruturação da área devido ao projeto apresentado, que previa a remoção de grande parte do
comércio neste logradouro para o alargamento da via (Rua Nossa Senhora de Fátima). Além disso,
o acervo técnico de técnicas de urbanização sustentável produzido pelas pesquisas e ações de
extensão do EI foram utilizados pelos alunos na elaboração dos padrões tecnológicos a serem
adotados nas soluções de projeto para a urbanização proposta por cada um6. O primeiro semestre
desta abordagem foi válido por permitir observar as dificuldades dos alunos no experimento de
outras técnicas de projeto e de urbanização, tratarem outros temas e outras formas de comunicar e
representar e permitiu avaliar como os alunos entendiam o universo urbano abordado e quais
habilidades tinham para atuar tecnicamente e responder projetualmente aos problemas daqueles
assentamentos.
No segundo semestre de 2013, a disciplina passou a trabalhar em uma comunidade atendida
por projeto de extensão (Canteiro EM OBRAS: Experimentação e tessitura de saberes construtivos
(BITTENCOURT; FERREIRA; SOARES, 2016) e a apresentação aos alunos do universo de
beneficiários envolvidos nas ações de extensão. Esse contato serviu para que os alunos, para além
dos seus estudos técnicos a partir de dados indiretos e observações de campo na ocupação urbana
Vila Cafezal no Aglomerado da Serra, pudessem obter uma percepção daquele universo
socioespacial a partir dos próprios usuários do espaço que eles iam avaliar, a fim de propor
melhorias. Outro aspecto importante dessa experiência mais avançada em direção à implantação nas
PCE foi avaliar o desempenho dos alunos desenvolvendo os estudos e proposições em um ambiente
em produção, uma ocupação urbana, e sobre conflito fundiário urbano (perfil característico do
universo de atuação da extensão do Escritório de Integração). Esse contexto nem sempre se faz
presente no cotidiano dos assentamentos informais, como nas favelas de maior porte, que já tem

5
A pedido dos moradores afetados pela obra, em 2014, o EI participou de ação em conjunto com disciplina do curso de
arquitetura, urbanismo e design da UFMG de prática de difusão da informação sobre o projeto da prefeitura e de
promoção do debate entre moradores sobre as percepções dos impactos previstos pela urbanização (BITTENCOURT;
ROCHA, 2019).
6
Este acervo tem sido constantemente atualizado pelo processo de pesquisa no apoio às ações de assessoria técnica a
grupos organizados e de extensão pelo EI e contém um grande volume de informações sobre sistemas e dispositivos de
urbanização convencionais e alternativos, por exemplo: técnicas de bioconstrução, técnicas compensatórios de
drenagem e de estabilização de encostas, banco de soluções tecnológicas de mesoestrutura , etc.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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suas estruturas urbanas mais consolidadas pelo tempo (e em alguns casos pelas ações do poder
público), além de já terem afastado o “fantasma da remoção”, haja vista a impossibilidade do poder
público em promover sua desocupação por meio do desfavelamento e pela força política e
comunitária presente nestes locais sempre que pressionados pela perda da segurança em permanecer
no seu lugar.
Pode-se perceber que o desenvolvimento de atividades pedagógicas em ambientes com
problemas reais junto aos sujeitos do trabalho (os moradores) e a incorporação como problemas de
aprendizagem sugerida por eles eram viáveis e trouxeram uma motivação dos alunos em relação ao
cotidiano da disciplina e do aprendizado do tema do urbanismo e da urbanização. Vale ressaltar que
foi incorporada na disciplina a atividade externa prática de participação dos alunos em mutirões nas
comunidades, decorrentes das intervenções desenvolvidas pelos projetos de extensão. Alguns deles
acabaram adotando a demanda e as ações identificadas pelos projetos de extensão como objetos de
detalhamento na etapa final e individual das atividades da disciplina7.

3 METODOLOGIA

Para conhecimento e análise das experiências de ensino a partir da extensão na disciplina,


apresenta-se a seguir os semestres quando a abordagem pedagógica efetivamente incorporou a
prática curricular de extensão (PCE). A experiência de ensino e o universo de ações e abordagens
de conteúdos adotados a cada semestre variaram conforme as especificidades da comunidade
assessorada e da avaliação do resultado na aprendizagem dos alunos de acordo com o formato que a
disciplina tomava. Todas as experiências da disciplina nesse período foram desenvolvidas na
Ocupação Esperança, localizada no bairro Londrina, no município de Belo Horizonte. Esta
ocupação faz parte do complexo das ocupações da Izidora, que têm sido assessorados desde o início
pela PUC Minas por meio da extensão, os quais o Escritório de Integração tomou como cenário de
prática e de assessoria desde 2013.
A atuação direta apenas na ocupação Esperança, desde 2015, foi uma decisão da equipe de
assessoria do EI por perceber uma receptividade e envolvimento dos moradores e lideranças nas
possibilidades de trabalho conjunto, a partir de demandas reais que eram apresentadas por eles
(BITTENCOURT et al. 2018). Isso permitiu um acúmulo do conhecimento, a consolidação da

7
Neste ano, o Escritório de Integração executada dois projetos de extensão no assentamento adotado como objeto de
estudo da disciplina: Canteiro Em Obras: experimentação e tessitura de saberes construtivos e Ocupando lajes e outras
estruturas.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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presença no território e gerou mudanças na percepção de toda a equipe pelo fato das ações técnicas
e acadêmicas estarem sendo pensadas e desenvolvidas a partir deste lugar e permanentemente junto
com os moradores, dentro do que se adotou como assessoria técnica direta (BITTENCOURT;
ZERLOTINI DA SILVA; BRANCO, 2018a).

3.1 - Primeira experiência – 1° Semestre de 2017

PCE são compreendidas neste trabalho como as ações que surgiram a partir de demandas
reais junto aos assentamentos informais assessorados e que, durante o processo de ensino e
aprendizagem na disciplina, foram sendo enfrentadas conjuntamente entre a universidade
(pesquisadores, extensionistas e alunos da disciplina) e os moradores destas comunidades assim
como as soluções técnicas e espaciais também são concebidas e experimentadas em conjunto entre
esses atores envolvidos na prática de extensão. Tal experiência foi possível a partir de alterações no
plano de ensino da disciplina, em uma turma lecionada a partir do primeiro semestre de 2017.
As alterações foram implementadas em associação com o projeto de extensão “Assessoria
Técnica a Ocupações Urbanas: processos autônomos de urbanização”. Os objetivos do projeto que
foram determinados a partir de 3 anos de projetos de extensão em desenvolvimento na mesma
região informal, as ocupações urbanas da região da Izidora (Rosa Leão, Helena Greco, Vitória e
Esperança) e buscavam desenvolver junto com os moradores técnicas de urbanização sustentável
que fizessem frente aos problemas nos espaços comuns da comunidade como esgoto a céu aberto,
situações de risco quanto a geotecnia e quanto ao tratamento de espaços de uso público, como
praças e áreas de lazer.
Esse momento da assessoria técnica do E.I tinha alcançado uma percepção crítica da
necessidade de adoção de um trabalho mais próximo dos moradores, sem tanta intervenção de suas
lideranças (também moradores) e mais continuado, de construção conjunta e mutirão. Ao mesmo
tempo, a necessidade de compreensão técnica da área demandou a produção de levantamentos,
estudos e pesquisas que serviriam de base de dados e de consulta para a disciplina.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 51

Figura 1 – Material de apoio à disciplina produzido pelas ações de extensão


coordenadas pelo Escritório de Integração

À esquerda, fotografia aérea por voo de helicóptero e ortofoto; à direita, produzida por voo de drone.

Fonte: Escritório de Integração, 2015 e 2018 .

Por isso, a unidade ambiental e territorial adotada foi a microbacia hidrográfica junto à Rua
Bela, onde diversos moradores já estavam engajados na solução do problema de erosão da via
devido às águas de chuva. Esses aspectos se congraçavam com o desejo de tratar na disciplina outra
forma de tratar o meio ambiente urbano e, sobretudo, com uma abordagem mais próxima entre
técnico e morador, visto ser tão prejudicial o distanciamento, que leva até a geração de conflitos
entre o poder público e as comunidades afetadas pelas políticas de urbanização.
Então se programou uma abordagem extensionista a partir das seguintes estratégias (ou
objetivos pedagógicos): fornecer estratégias para pesquisa, sistematização e aplicação de
informações técnicas para problemas, situações e projetos complexos dentro do universo de temas
da disciplina; fomentar a discussão crítica do processo convencional de planejamento e do projeto
de urbanização públicos; enfrentar a complexidade do espaço urbano informal como princípio para
a solução projetual; conhecer o espaço (como funciona o que significa para o morador), representar
(reconstruir a base topográfica) e analisar a urbanização autoconstruída (os sistemas e dinâmicas de
mesoestrutura existentes); discutir, ensaiar, experimentar no local com o morador e em sala a partir
dos sistemas e padrões construtivos e tecnológicos disponíveis; e avaliar junto ao lugar, junto às
pessoas as soluções concebidas pelo aluno.
Essas mudanças foram implementadas em duas turmas de turnos diferentes (vespertino e
noturno). No curso de Arquitetura e Urbanismo, há uma diferença no perfil de alunos entre os
turnos, o aluno no noturno tem muito menos tempo de envolvimento extraclasse e geralmente uma
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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maior dedicação durante as atividades regulares em sala de aula, já o aluno da tarde apresenta mais
tempo disponível durante o curso, portanto, com mais possibilidade de participação de atividades
extraclasses, como os mutirões no fim de semana, mas um grau menor de participação nas
atividades letivas regulares. Além disso, há um grande número de alunos no turno vespertino
interessados no campo restrito da Arquitetura, sem se aprofundarem em temas ou problemas
sociais, apesar da consolidada tradição e proposta pedagógica do curso na formação do urbanismo.
Para o planejamento das atividades, foi estabelecida uma dinâmica de envolvimento na
disciplina da equipe de docentes e alunos extensionistas nas atividades, coordenador pelo plano de
ensino e o calendário da disciplina. A assessoria e as demandas da comunidade também foram
encaminhadas a partir do fluxo de estudos, informações e ações previstas no processo pedagógico.
Foram desenvolvidos os seguintes produtos e etapas para viabilizar o processo de aprendizado em
integração às atividades de extensão junto à comunidade Esperança:

 Caderneta de campo – contexto urbano geral e local; políticas, planos e projetos existentes
para a área, diagnóstico de campo dos sistemas urbanos e do cotidiano + demandas gerais e
pontuais + população interessada.

Figura 2 – Produto da primeira etapa prática da disciplina utilizando método de análise


urbana e ambiental em desenvolvimento no EI

Fonte: Acervo da disciplina, 2017.

 Anteprojeto - Propostas para os sistemas urbanos: infraestrutura, mesoestrutura e


superestrutura. Diretrizes e padrões construtivos / tecnológicos para as soluções e
dispositivos propostos.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Figura 3 – Estudo ao nível de anteprojeto para o assentamento desenvolvido na etapa


intermediária da disciplina, abordando o desenho e diretrizes para implantação dos sistemas
urbanos principais

Fonte: Acervo da disciplina, 2017.

 Detalhamento - Levantamento real do espaço de intervenção; Detalhamento da ação junto


ao público envolvido (usuário, ator, construtor e cogestor); Organização da informação
técnica para planejamento e apoio a execução prática; Execução prática da(s) proposta(s);
Avaliação dos resultados da prática, revisão e sistematização das informações técnicas.

Figura 4 – Projeto executivo geométrico e de contenção de trecho de rua existente elaborado


na etapa final da disciplina

Fonte: Acervo da disciplina, 2018.


Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A expectativa com a promoção dessas práticas curriculares de extensão, como


desdobramento para o aluno, era o estímulo ao compromisso pessoal com os assuntos do processo
de trabalho da disciplina, contribuição em uma nova perspectiva de atuação profissional, o
aprendizado do trabalho de mobilização coletiva local, o esforço de produção de material
informativo sobre as práticas vivenciadas na disciplina para apropriação pela população do local
indo além apenas da documentação técnica perita.
Foram evidentes, durante as práticas neste semestre, as experiências de imersão na área de
estudo, o levantamento de demandas a partir dos sujeitos do trabalho técnico, o exercício do
processo de negociação (requalificação da demanda a partir das possibilidades de ação material,
ferramentas e trabalhadores) e a integração entre os conhecimentos técnicos e os saberes
vernaculares disponíveis no conhecimento prático dos moradores envolvidos.

Figura 5 – Esboços in loco das ideias que são negociadas no PROJETO OBRA, adotando-se os
meios e formatos disponíveis durante a assessoria técnica direta

Fonte: Acervo pessoal do autor, 2017.

As atividades desenvolvidas pelos alunos seguiram o proposto no plano de ensino e no


cronograma, desde a elaboração dos estudos preliminares de compreensão da área e de intervenção
apresentados aos moradores, para que fossem eleitas as prioridades de intervenção e quais delas
poderiam ser implementadas até o planejamento, preparação e execução das atividades práticas de
intervenção, segundo a assessoria e o processo de discussão entre os alunos e os moradores.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Figura 6 – Moradores e alunos executando junto dispositivo de drenagem para infiltração


forçada da água da chuva em local definido pela negociação entre eles

Fonte: Acervo pessoal do autor, 2017.

Alguns alunos conseguiram sistematizar um material informativo para devolução aos


moradores. As atividades contaram também com a participação de uma monitora da disciplina, que
estava desenvolvendo seu trabalho de conclusão na área e sobre a realidade da autoprodução do
espaço na comunidade. Os trabalhos nesta disciplina, sobretudo seus diagnósticos urbano e
ambiental subsidiaram a submissão e a aprovação de projeto de iniciação científica para o estudo da
estruturação do território da região.

3.2 - Segunda experiência – 1° Semestre de 2018

No semestre seguinte, não houve a formação de alunos para a turma, então a experiência foi
descontinuada, porém as atividades de extensão continuaram por meio da assessoria técnica
prestada pelas ações do E.I., na ocupação Esperança. Ao fim do primeiro semestre das atividades na
comunidade, as suas lideranças colocaram a necessidade de aproveitar os estudos técnicos feitos
para ajudarem os moradores a entender os desafios previstos para a urbanização e a regularização
da comunidade, prementes após mudanças no processo político e jurídico de disputa deles e na
busca pela conquista da segurança da posse e da permanência na região e acesso aos serviços
urbanos essenciais.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Então foi proposta uma mudança no trabalho de assessoria e das práticas extensionistas da
disciplina, interrompendo-se a ação no território na busca de soluções de urbanização sustentável e
na priorização de estudos que antecipassem os impactos da urbanização convencional sobre o
território e sobre o cotidiano da comunidade. Tal estratégia buscava o estímulo ao debate entre os
moradores sobre quais seriam suas prioridades e expectativas quanto à urbanização a ser promovida
pelo poder público.
Para essas atividades, foi necessária a elaboração de um aporte de informação (base de
dados para projeto) e de elaboração de um cadastro do território por meio de voo de drone e do uso
de software de georreferenciamento para produção de arquivo vetorial para utilização nos estudos
projetuais dos alunos. Tal ação foi possível por meio de uma integração entre a gestão do acervo
técnico do E.I. e de pesquisa de geoprocessamento aplicada do planejamento urbano desenvolvida
por docente do Departamento.
Foi necessária uma inovação no método de ensino, de modo a objetivar as aproximações e
diagnósticos iniciais elaborados pelos alunos (os mapas disciplinas de urbanização) e também uma
intensa sistematização das informações técnicas para elaboração de projetos de urbanização, para
que os alunos pudessem adquirir competências no início do semestre e terem tempo para
identificação das situações problema para a urbanização e conseguirem desenvolver os desenhos
técnicos e levantarem os dados sobre os impactos da urbanização. Nesse processo, já na tentativa do
avanço da metodologia de urbanização de assentamentos informais, foi exercitada a aplicação do
conceito de Capacidade de Suporte do Sítio, em alternativa ao convencional método de
identificação de áreas de risco hidrológico e geotécnico à ocupação humana (isto foi possível pela
incorporação dos conhecimentos de hidrogeologia disponíveis pela parceria do EI com o Programa
de Pós-Graduação em Geografia da PUC Minas). Além disso, para outro avanço necessário, foi
incorporada a ferramenta de pesquisa do Levantamento Socioespacial – LSE (ZERLOTINI.
ROCHA, 2018), de modo a permitir os alunos trabalharem com a real necessidade escutada a partir
das falas dos moradores, superando as dificuldades de participação e autonomia dos sujeitos na
concepção e execução da urbanização.
A partir das especificidades (dificuldades, ritmo, diferenças entre os alunos, outras
atividades curriculares) das práticas de ensino, o atendimento às demandas da extensão e da
comunidade não foram alcançados durante o semestre letivo dessa experiência. Porém as
informações e produtos desenvolvidos pelos alunos permitiram o avanço da assessoria, além de
possibilitaram a consolidação de método relevante para a assessoria (a elaboração de Ortofoto por
meio do voo de drone com a utilização de programa de computador específico) e do conceito de
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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análise urbana e ambiental da capacidade de suporte do sítio, que está sendo adotado em outras
disciplinas do eixo de urbanismo do curso de graduação e também em disciplinas no curso de
especialização em Planejamento Ambiental Urbano e Produção Social do Espaço em curso. Por
fim, um dos alunos desta turma decidiu dar continuidade à assessoria em seu trabalho de conclusão
de curso, realizando exatamente as discussões junto aos moradores sobre suas expectativas quanto à
urbanização (TARANTO, 2018).

3.3 - Terceira experiência – 2° Semestre de 2018

Esta turma agora repete a metodologia de ensino e aprendizagem adotada no semestre


anterior e vem se apropriando das informações diretamente levantadas na comunidade por conta da
assessoria das ações de extensão e da pesquisa e discussão resultante do trabalho de conclusão de
curso em andamento. A repetição da metodologia fez com que novos conceitos fossem
introduzidos, pelo ganho de tempo da eficiência no ensino e melhor aprendizagem dos alunos, tendo
sido possível incorporar ao conteúdo da disciplina abordagens sobre a temática das melhorias
habitacionais e da regularização fundiária, temas urgentes para a comunidade assessorada.

3.4 A devolução para a comunidade: o resultado do trabalho de extensão na disciplina – 1°


semestre de 2019.

De todo o processo, essas experiências e o percurso para planejamento, implementação e


avaliação foram positivos para o contexto do curso, tendo reflexos no ensino da graduação e da pós-
graduação, na pesquisa (trabalho de iniciação científica e de uma proposta de programa de
residência em experimentação por meio da participação de alunos da especialização nas práticas de
extensão) e na própria extensão que agora, em seu quinto ano, identifica onde pode avançar a
assessoria junto a essas comunidades, se imbui do desafio de promover apoio ao processo político e
técnico que se iniciará na elaboração do planejamento da regularização e da urbanização dessas
ocupações (trabalho contemplado pelos três projetos de extensão submetidos para realização em
2019: assessoria técnica de arquitetura a demandas sociais, escola de formação de autoprodutores e
assessoria à regularização fundiária plena).
A expectativa é que a disciplina tenha, após o aprimoramento pedagógico, o
amadurecimento técnico sobre os conteúdos específicos e o aprofundamento sobre o conhecimento
do lugar e de seus moradores, capacidade de sintetizar o trabalho de estudo sobre a urbanização da
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ocupação Esperança em um documento técnico, um plano, que sirva de instrumento para a luta dos
moradores para a implementação de políticas urbanas, habitacionais e de regularização fundiária.
Neste semestre, os alunos estão se apropriando do material técnico de diagnóstico e de proposições
para a área dos três semestres de trabalho na elaboração de projeto executivo urbano para a mesma
área; no processo de aprendizado e de reflexão crítica, promoverão a síntese e a formatação final
para emissão deste conteúdo para a comunidade assessorada. Novamente a integração com a
extensão se fará presente, na intenção de possibilitar a apropriação pelos moradores das informações
técnicas através do esforço de produção de linguagens e representação gráfica e cartográfica dos
produtos do plano de urbanização da ocupação Esperança através do trabalho do projeto de extensão
PROSA – Escola de Formação de Autoprodutores em Processos Socioambientais, em execução
desde 2018.

4 CONCLUSÃO

Optar pela extensão como forma de qualificar a formação do graduando é mais do que claro
e premente pela sua expansão no ensino universitário do país, inclusive na pós-graduação.
Incorporar a extensão como perspectiva pedagógica na graduação tem sido importante para o
enriquecimento da formação de alunos envolvidos (da graduação e da pós-graduação, extensionistas
e pesquisadores de iniciação científica, estagiários do curso). Enfrentar esses desafios tem se
mostrado a melhor maneira de trazer crescimento ao papel da academia na vida dos seus membros e
na sua importância para a sociedade.
Agir na urgência, ao contrário de uma improvisação ou falta de planejamento (agir com
urgência) no processo de ensino e aprendizagem, é uma forma de incorporar sentido aos conteúdos
e problemas que os alunos precisam aprender, dentro de um aprendizado real e que possibilita,
durante o ensino, aprender e encontrar os elementos para superação dos desafios que estarão
presentes na vida real, na prática profissional e na atuação em sociedade como arquiteto e urbanista.
Decidir na incerteza assume com clareza o desafio de superação do pensamento técnico-
científico construído a partir de processos claramente desiguais de dominação entre classes sociais e
nações, de manutenção da alienação do homem sobre o mundo – aquele mundo administrado
(formal?). Busca superar uma racionalidade (ideológica, certamente no caso do urbanismo;
LEFEBVRE, 1999) que se mantém hegemonicamente em sobreposição a outras formas de saber,
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apesar de todas as suas contradições e impasses, sobretudo por acreditar que a sua capacidade e
método de autovalidação é suficiente para reduzir o mundo e a natureza segundo a sua “mera
objetividade” e a partir dos seus resultados (FEYERABEND, 2011).
Aproximar-se do processo real da prática e do sujeito do trabalho da Arquitetura e
Urbanismo durante o processo de aprendizado busca acabar com a certeza, tornando a decisão de
como o conhecimento será produzido e o que será incorporado no cotidiano da cidade e da
sociedade resultado da interação entre aluno e os que serão sujeitos do seu trabalho. Essas certezas
não estão mais restritas a quem ensina, “os alunos também precisam aprender a tomar decisões, a
mobilizar recursos e a ativar seus esquemas, isto é, desenvolver competências”. (PERRENOUD,
2001, s/p.).
Compreender a extensão sem distanciá-la de sua aplicação no ensino, ou seja, como ação
isolada para o outro e separada da educação, é reforçar o compromisso (e dever) da academia de
educar e educar-se. Segundo Freire (1983), a extensão vem carregada de um papel de “persuadir as
populações a aceitar nossa propaganda” (FREIRE, 1983, p. 14). O desafio em se fazer extensão,
que é seu objetivo de agir para a transformação da realidade de uma comunidade, pode vir
acompanhado com a invasão cultural, a manipulação, a negação desta mesma realidade quando
considerada necessitada e por isso, inferior, incompleta, como precisando ser normalizada pelo
saber fazer educativo da extensão e de seus agentes (instituição, professor orientador e
extensionistas). Essa pode ser entendida como uma primeira violência produzida pela ação
extensionistas, tem-se ainda a possibilidade de promover uma segunda violência: o impedimento da
formação e constituição de um conhecimento autêntico, negando a ação e a reflexão verdadeiras
àqueles que são objetos de tais ações de extensão, destruindo-se assim as autonomias do pensar e do
fazer dos alunos e da sociedade envolvida. Por isso, a opção [ideológica] da assessoria em não levar
a palavra da urbanização (ou aquela ideologia urbanística que reproduz a cidade formal como sendo
o melhor da técnica) e tomar como ponto de partida a negociação entre técnico e morador no
processo da assessoria (e da extensão), o reconhecimento do saber e do fazer da autoprodução
daquelas comunidades, vilas, favelas e ocupações.
A qualidade e a efetividade da participação do sujeito do planejamento e do trabalho da
assessoria como um desafio problema histórico na política pública de UAP (modelo referencial para
o ensino do projeto executivo de urbanização de áreas informais) reforça a contribuição no ensino
de uma abordagem extensionista para a disciplina pelo fato de a participação ser também um
problema muito caro para a extensão.
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Participação ou transformação são categorias ambíguas que apenas ganham sentido capaz
de orientar práticas de educação popular, quando são substantivas por orientações políticas
definidas a que se submetem. A questão não está em estabelecer metodologicamente como
o povo participa de trabalhos pedagógicos, mas definir: 1°) a que tipo de projeto de classe
serve o trabalho da educação, ou seja, ele reforça a hegemonia do poder estabelecido ou,
dentro dos seus limites, contribui para a formação de uma nova hegemonia popular?; 2°) a
quem corresponde, socialmente, o poder de controle sobre o teor político de participação e
das transformações que ela deve realizar? (BRANDÃO, 1984. p. 117)

Essa abordagem se aproxima de outro desafio da disciplina e do campo da UAP e de outras


políticas públicas, que é a democratização no planejamento e na gestão das ações do Estado no país.
Nas ações sobre os territórios de interesse social (ZEIS e AEIS), um dos objetivos históricos da
urbanização deve ser a incorporação desses espaços e sua população ao processo de decisão e de
investimentos da cidade, após tantos anos de desfavelamento, abandono e outras ações invasivas
como as resultantes da segurança pública nos últimos 30 anos. Sem que essa verdadeira
participação aconteça, a política pública para as áreas informais não é capaz de alcançar a sua
legitimidade enquanto prática de planejamento democrático (SOUZA, 2006).
Foram encontradas muitas dificuldades no engajamento dos alunos na primeira experiência,
quando da realização das atividades práticas, mas assim mesmo, ficou claro o grande avanço em sua
formação, que pode ser avaliado pelo relato presente em um relatório final de avaliação da
disciplina:

Aprendemos com a experiência proposta na ocupação Esperança o procedimento de


planejar e executar uma demanda e vivenciamos as dificuldades de colocar em prática
nossas ações no local. Como foi citado acima e durante as explicações das etapas de
planejamento, nossas ideias foram mudando e tiveram que ser adaptadas diversas vezes em
função das necessidades e interesses dos moradores.
As questões sociais e econômicas presentes na ocupação trouxeram uma realidade e uma
experiência diferente para nós. Realizar um projeto, para ser executado na escala humana,
dependendo da colaboração e disponibilidade dos moradores, em um tempo curto e propor
algo que fosse acessível para a realização por grupos de baixa renda, abriu um novo campo
de atuação, ainda desconhecido por nós. Afinal, trata-se, não de realizar uma urbanização
segundo o modelo da cidade formal, mas de buscar soluções para os problemas enfrentados
e para produção autônoma do espaço.
Nesse sentido, a execução das demandas existentes tem o conflito como seu gerador (seja
pela presença dos moradores e pesquisadores, seja pela ausência do Estado). Existe a
dificuldade de introduzir soluções temporárias e que podem ser realizadas pelos próprios
moradores, enquanto eles não querem isso. Eles sonham e desejam em ter as soluções como
os presentes na cidade formal.
O grupo sugere para um próximo semestre que haja uma orientação aos moradores da
comunidade sobre como realmente será a atuação da prefeitura. Percebemos pelos discursos
dos moradores, uma fantasia ao que será concebido na horta comunitária. Dessa forma,
recomenda-se que os alunos esclareçam a população local e desmistifique que apenas a
prefeitura irá atuar e que eles não precisam contribuir com a mão de obra, fazendo-se
importante o processo de aprendizagem de que o grupo propôs. (Trecho de relatório técnico
de assessoria técnica direta elaborado por aluna da disciplina em junho de 2017).
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A prática educativa foi tomada como ato político pela compreensão de que as necessidades
de mudança da sociedade serão enfrentadas pelos alunos hoje em formação, ressaltando-se nesse
aspecto a responsabilidade social da academia que, ciente das contradições sociais mantidas e
ampliadas também pelo uso do conhecimento técnico científico, toma que posição diante deste
processo? (BRANDÃO, 1984). Cumprem-se, assim, objetivos do projeto pedagógico em formar
futuros profissionais transformadores, que, por meio do seu aprendizado, assumem um papel e
desenvolvem uma capacidade de mudar a realidade das coisas a partir do trabalho coletivo
(verdadeiramente social) e com foco na inversão das lógicas instaladas.
Com sustentabilidade, a partir do esforço de uma outra análise socioambiental e a percepção
do menor impacto e maior qualidade no uso do espaço e do sítio natural; tecnologia pelo
reconhecimento dos estragos ambientais e de qualidade de vida da urbanização formal por toda a
cidade, comprometida em sua sustentabilidade e na necessidade básica em prover aos seus usuários
qualidade de vida; e inclusão, pelo avanço de uma concepção e prática de técnicas e processos
alternativos, que não excluem o saber tradicional e nem abandonam a necessária evolução
tecnológica do meio urbano (seus modelos, seus sistemas e sua produção), de modo a superar o
custoso e degradante estado de atraso de nossas estruturas urbanas e do ambiente construído das
edificações predominante nas cidades brasileiras, sobretudo nos bairros e nas moradias ditas
formais e urbanizadas.

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SUSTENTABILIDADE E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PROCESSO DE


CONSTRUÇÕES INTERDISCIPLINARES PARA UMA UNIVERSIDADE
SUSTENTÁVEL1

SUSTAINABILITY AND UNIVERSITY EXTENSION: THE PROCESS OF


INTERDISCIPLINARY CONSTRUCTIONS FOR A SUSTAINABLE
UNIVERSITY

André Rocha Franco2


Fernando Verassani Laureano3
Miguel Ângelo Andrade4

RESUMO

Este artigo objetiva apresentar e discutir os procedimentos utilizados no desenvolvimento de construções


interdisciplinares, por meio de Práticas Curriculares de Extensão, no Complexo Sustentável da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Este representa um espaço promotor de ações extensionistas e incubador de
soluções e tecnologias sustentáveis, localizado no campus Coração Eucarístico e criado, a partir de 2015, pela equipe do
projeto de extensão Universidade Sustentável e por seus parceiros. Adotou-se, enquanto diretriz metodológica, uma
abordagem integradora e multidimensional da sustentabilidade, ancorada em metodologias participativas, como a
pesquisa-ação, a mobilização social e a educação ambiental crítica. Mediante a realização das práticas curriculares,
perceberam-se as múltiplas possibilidades de articulações e realização de interfaces entre ensino, pesquisa e extensão
universitária com disciplinas de inúmeros cursos de graduação, considerando um olhar abrangente da sustentabilidade.
Nesse sentido, essa temática fornece subsídios teórico-conceituais que propiciam a sua discussão em praticamente todas
as áreas do conhecimento da Universidade.

Palavras-chave: Sustentabilidade Multidimensional. Pesquisa-Ação. Práticas Curriculares de Extensão. Metodologias


Participativas.

1
Artigo resultante das ações desenvolvidas pelo projeto de extensão “UNIVERSIDADE SUSTENTÁVEL: Ações
estratégicas para implementação de uma Agenda Ambiental para o campus Coração Eucarístico da PUC Minas e suas
comunidades do entorno”, vinculado ao Curso de Ciências Biológicas e financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da
PUC Minas (2015-2018).
2
Prof. Me. do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas. E-mail: andrefrancobio@[Link].
3
Prof. Dr. do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas. E-mail: fernandolaureano@[Link].
4
Prof. Me do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT

This article aims to present and discuss the procedures used in the development of interdisciplinary constructions,
through Curricular Extension Practices, in the Sustainable Complex of Pontifical Catholic University of Minas Gerais
(PUC Minas). The Complex represents a space that promotes extensionist actions and is an incubator of sustainable
solutions and technologies, located in the campus Coração Eucarístico and created, since 2015, by the team of the
Sustainable University extension project and by its partners. As a methodological guideline, an integrative and
multidimensional approach to sustainability was adopted, based on participatory methodologies such as action research,
social mobilization and critical environmental education. Through the accomplishment of curricular practices, the
multiple possibilities of articulations and realization of interfaces between teaching, research and university extension
with disciplines of numerous undergraduate courses were realized, considering a comprehensive view of sustainability.
In this sense, this thematic provides theoretical and conceptual subsidies that propitiate its discussion in practically all
areas of knowledge of the University.

Keywords: Multidimensional Sustainability. Action Research. Curricular Extension Practices. Participatory


Methodologies.

1 INTRODUÇÃO

No panorama global contemporâneo, marcado pela necessidade emergencial da


incorporação da temática ambiental no cotidiano da sociedade, as dicotomias que imperavam no
passado e contrapunham eficiência operacional à conservação ambiental, custos financeiros a gastos
com meio ambiente, estão sendo superadas gradativamente (LEITE et al., 2014).
Neste momento histórico, de ressignificação das relações homem-natureza, torna-se sine qua
non pensar que investimentos em meio ambiente e sustentabilidade podem, ao mesmo tempo,
garantir uma redução de custos financeiro-econômicos e assegurar práticas socioambientais
adequadas e equilibradas. Esse escopo reflete um ideal de fomentar nas Instituições de Ensino
Superior (IES) uma cultura condizente com as premissas de uma “Universidade Sustentável”,
atentando para o papel de modelo das IES na transformação da sociedade.
Dessa forma, as IES ganham destaque como espaço de problematização de questões
socioambientais relacionadas à sustentabilidade. De acordo com Leite et al. (2011), o modo mais
rápido de engajamento das Universidades no debate ambiental ocorre, a princípio, a partir da
perspectiva da produção de conhecimento voltado para a busca de soluções tecnológicas para
enfrentamento dos problemas ambientais. Soma-se a esta a perspectiva formativa e integradora: o
repúdio à degradação ambiental e o cumprimento da função educacional voltada para a formação de
egressos capacitados a intervir de modo ambientalmente sustentável, da realidade local à escala
global, nas mais inúmeras modalidades de atuação profissional. Educar para a sustentabilidade
passou a ser uma nova missão para as IES, em que as instituições, paulatinamente, preocupam-se
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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em incorporar a sustentabilidade, de modo transversal, em seus Planos de Desenvolvimento


Institucionais, nos Projetos Político-Pedagógicos dos Cursos de Graduação e em seus componentes
curriculares:

O papel da Universidade, na visão de ir além da sala de aula e do cientificismo


desvinculado do significado da realidade social dos sujeitos, supera paradigmas e normas
de identificação histórica tanto de natureza como de função das Universidades, e seu papel
no desenvolvimento do ensino da pesquisa e da extensão, a partir da função universitária
como lócus privilegiado de descobertas destinadas a deslocar as fronteiras do
conhecimento. Mas tanto no experimento científico quanto no diálogo reflexivo ou no
desempenho pedagógico, persiste um objetivo comum: seguir nesta aventura fantástica do
espírito humano mordido pela curiosidade insaciável de saberes (MENDES, 2005, p. 11).

Salientam-se, nesse contexto, alguns princípios fundamentais para o alcance de um “status


sustentável” em uma IES: a figura do professor como alfabetizador ambiental; o envolvimento das
Universidades em pesquisa e desenvolvimento de programas acerca de sustentabilidade; o desenho
de políticas de conservação de recursos naturais e de reciclagem e redução de resíduos; e o
estabelecimento de parcerias com os setores primários e secundários e comunidades locais para
promoção de ações mais sustentáveis (DECLARAÇÃO DE TALLOIRES, 1990), além da inserção
dessa temática, como elemento transversal, nas ementas e planos de ensino das disciplinas de
graduação e pós-graduação.
Cumpre ressaltar, ainda, o fortalecimento da interface entre as práticas de ensino, de
pesquisa e de extensão universitária como caminho estratégico para o alcance da sustentabilidade
nas IES, como ilustrado na Figura 1.

Figura 1 – O papel das Instituições de Ensino Superior (IES) na sustentabilidade

.
Fonte: Adaptado de Fouto (2002).
Ressignificando a relação teoria e prática:
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A educação passou, então, a ser o princípio fundamental para o entendimento e busca de


processos mais sustentáveis e autossuficientes (MAYOR, 1998). Segundo Tauchen e Brandii
(2006, p. 504), a educação é "uma prática fundamental para que as IES, pela sua essência, possam
contribuir na qualificação de seus discentes, docentes e egressos e (...) incluam em suas práticas
profissionais a preocupação com as questões ambientais".
A contribuição das IES, então, deve ultrapassar o caráter tradicional de formação técnica,
tecnológica e específica de seus discentes e visar ao processo de transformação da realidade
mediante a formatação de ações de gestão e sustentabilidade ambiental (LEITE et al., 2011). Os
mesmos autores destacam que "espera-se que as IES não apenas contribuam para o
desenvolvimento sustentável por meio de suas atividades-fim (ensino, pesquisa, extensão), mas
contribuam também, elas próprias, através da exemplificação de boas práticas no cotidiano, seja sob
os aspectos físicos, seja pelos intelectuais". (LEITE et al.,2010, p. 23).
Torna-se de extrema relevância, no âmbito da sustentabilidade, a elaboração de soluções
técnicas e tecnologias sociais dentro da Universidade que possam influenciar as comunidades
acadêmica e externa, demonstrando o papel de referência da academia perante a sociedade. Cabe
ainda perceber a Universidade como uma instância produtora do conhecimento, em que deve ser
capaz de oferecer, aos governos e à sociedade, as teorias e processos, assim como os profissionais
capazes de propulsionar a implantação da sustentabilidade. Para que esse processo não se restrinja à
esfera econômica e tenha um caráter ético, é preciso que esses 'produtos' estejam afinados com os
valores e interesses sociais, destacando a conservação e a sustentabilidade como áreas de atuação
prioritárias na articulação da Extensão Universitária com as políticas públicas (FORPROEX, 2012).
Uma possibilidade de intervenção, nesse sentido, envolve a realização de projetos de
extensão universitária, que busquem envolver a comunidade acadêmica (docentes, discentes,
funcionários) e a comunidade externa, como segmentos sociais que interagem diretamente com o
campus universitário, quebrando o paradigma de que a extensão somente se perfaz extramuros da
Universidade. Dessa forma, torna-se possível configurar um laboratório "vivo", inovador, de
pesquisa-ação e de envolvimento de diversos cursos e disciplinas, de setores e segmentos sociais,
que permita promover a sustentabilidade dentro e fora do campus. Recomenda-se utilizar-se desta
como prática do cotidiano da comunidade acadêmica e de seus familiares, e esta assumindo
corresponsabilidades com o meio, proporcionando a geração de benefícios para a IES e para o bem-
estar de toda a sociedade.
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No caso da PUC Minas, é importante ressaltar os seus documentos institucionais, como a


Política de Extensão Universitária (de 2006) e o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI para
o período 2017-2021, de 2016). Vale destacar, conforme o primeiro documento, que a extensão na
PUC Minas "se organizou, no interior da Pró-Reitoria, em torno de núcleos temáticos
interdisciplinares – tais como criança e adolescente, políticas urbanas, meio ambiente, educação
infantil, sociedade inclusiva, comunidade e inventário do patrimônio histórico –, núcleos esses com
experiências diversificadas, mas todos com grande potencial para o estabelecimento de parcerias"; e
no último, que a temática sustentabilidade é tratada como um saber transversal e como um "pilar
civilizatório obrigatório", sendo considerado fator de referência para a identificação de lideranças
e de profissionais que permanecem viáveis e produtivos em quaisquer instituições e também no
mercado de trabalho (PONTIFÍCIA..., 2006; 2016). Reforça-se, ainda, no PDI 2012-2017
(PONTIFÍCIA..., 2016a), a intenção de consolidar um Programa de Responsabilidade Ambiental da
PUC Minas, em que deverá incorporar o que já vem sendo almejado em outras Universidades,
articulando quatro níveis de intervenção:

I. Educação dos tomadores de decisão para um futuro sustentável;


II. Investigação de soluções, paradigmas e valores que sirvam uma sociedade sustentável;
III. Operação dos campi universitários como modelos e exemplos práticos de
sustentabilidade à escala local; e
IV. Coordenação e comunicação entre todos estes níveis e com a sociedade (FOUTO, 2002;
TAUCHEN e BRANDLI, 2006, p.504).

Resende et al. (2017) salientam que, numa perspectiva acadêmica, baseada no princípio da
indissociabilidade, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da PUC Minas formalizou, em 2015, a
proposta de uma nova modalidade de ação extensionista intitulada “prática curricular de extensão”,
por meio da Resolução nº 02/2015, que aprovou o Regulamento da PROEX (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015). Conforme o art. 5º, VII do
Regulamento, consideram-se práticas curriculares de extensão:

as atividades acadêmicas desenvolvidas em estrita vinculação com os componentes


curriculares do curso, tendo como pressuposto a interação aluno, professor e sociedade,
visando estabelecer relações entre a realidade e a produção do conhecimento, tendo em
vista proporcionar aos participantes formação integral, comprometida com a mudança
social. (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015, p.4)

Diante desse cenário, estruturou-se o projeto de extensão Universidade Sustentável,


desenvolvido, desde 2015 até o presente momento, pelo Curso de Ciências Biológicas, e com
fomento da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas, que tem como diretrizes fundamentais para a
Ressignificando a relação teoria e prática:
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sustentabilidade: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o exercício da


interdisciplinaridade, a articulação com as matrizes curriculares dos cursos de graduação e pós-
graduação e o diálogo entre os atores sociais envolvidos com o ambiente universitário.
Com base nisso, este artigo teve como objetivo central apresentar e discutir os
procedimentos utilizados no desenvolvimento de construções interdisciplinares, por meio de
Práticas Curriculares de Extensão, no projeto Universidade Sustentável da PUC Minas. Para tanto,
buscou-se, por meio de tais práticas: desenvolver soluções ambientalmente corretas e
economicamente viáveis que possam minimizar o gasto com recursos naturais e os custos a eles
associados; desenvolver ações e protótipos sustentáveis para cada eixo de atuação: água,
biodiversidade e conservação, clima e energia, comunicação e gestão e resíduos sólidos; e subsidiar
a constituição da Agenda Ambiental do Departamento de Ciências Biológicas e do campus Coração
Eucarístico da PUC Minas (em fase de elaboração), estabelecendo diretrizes, indicadores e
responsabilidades em diferentes escalas de tempo e espaço.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Metodologia

No âmbito metodológico, as construções interdisciplinares descritas neste artigo estiveram


pautadas nas etapas de planejamento, monitoramento e avaliação imersas no Ciclo Gerencial
PDCA. Campos (1996) o define como “um método de gerenciamento de processos ou de sistemas.
É o caminho para se atingirem as metas atribuídas aos produtos dos sistemas empresariais”
(CAMPOS, 1996, p.262). As letras que compõem o método PDCA significam em seu idioma de
origem: PLAN, DO, CHECK, ACT; que significam, Planejar, Executar, Verificar e Aatuar.
Considerando a etapa gerencial, utilizaram-se métodos para a estruturação e implementação
das ações estratégicas previstas para o Complexo Sustentável da PUC Minas, sendo os princípios
teórico-metodológicos utilizados: a Pesquisa-Ação, a Mobilização Social e a Educação Ambiental
Crítica.
No caso da Pesquisa-Ação, são assumidas as concepções levantadas por Thiollent (1994),
em que o pesquisador é parte integrante do processo de transformação social, agindo sobre
determinados contextos e produzindo conhecimentos mediante a interação social com os envolvidos
com a ação extensionista. Thiollent salienta, ainda, que, na pesquisa-ação,
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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[..] existem objetivos práticos de natureza bastante imediata: propor soluções quando for
possível e acompanhar ações correspondentes, ou, pelo menos, fazer progredir a
consciência dos participantes no que diz respeito à existência de soluções e de obstáculos
(THIOLLENT, 1994, p. 20).

Posteriormente, utilizaram-se as premissas da mobilização social, “com o intuito de


convocar vontades e interessados para atuarem na busca de um propósito comum, sob uma
interpretação e um sentido também compartilhados” (TORO; WERNECK, 2004, p.5). Para esses
autores,

Um processo de mobilização passa por dois momentos: o primeiro, é o do despertar do


desejo e da consciência da necessidade de uma atitude ou mudança; já o segundo, é o da
transformação desse desejo e dessa consciência em disposição para a ação e na própria ação
(TORO; WERNECK, 2004, p.43).

Para que essas atividades fossem efetivadas, segundo os autores recém-mencionados, foi
necessária à identificação de um reeditor social, uma liderança local cuja função perpassa a
recepção e a reestruturação das formas de pensar e agir mediante o saber adquirido durante o
processo de ensino-aprendizagem promovido pelo projeto, não apenas uma reprodução fidedigna da
prática educativa. Por isso, a figura do reeditor social deve possuir credibilidade e ser reconhecido
por aqueles sobre os quais ele exerce influência (TORO; WERNECK, 2004).
Mediante tais abordagens participativas, propôs-se a formatação e a operacionalização de
um documento norteador – a Agenda Ambiental do Departamento de Ciências Biológicas da PUC
Minas –, trazendo em seu escopo, eixos prioritários de intervenção, definidos conforme etapa
diagnóstica, e ações estratégicas realizadas intramuros e, também, aquelas com as comunidades do
entorno do campus Coração Eucarístico da PUC Minas, que interagem direta e indiretamente com a
Universidade.
Para tanto, a equipe do projeto conta com professores, técnicos e discentes de inúmeros
cursos de graduação e pós-graduação da PUC Minas – Arquitetura e Urbanismo, Ciências
Biológicas, Ciências Econômicas, Educação, Engenharias Civil, de Energia, Mecânica,
Metalúrgica, Química, Fisioterapia, Geografia, Psicologia, Relações Internacionais, Teologia,
dentre outros. Além desta participação interdisciplinar, o Projeto conta com a parceria com a Pró-
reitora da Unidade de Betim, Pró-reitoras de Logística e de Infraestrutura e de Extensão, dentre
outros parceiros internos e externos.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Mediante a lógica da interdisciplinaridade e da integração, a equipe foi organizada em


grupos de trabalho, estruturados com base em eixos prioritários de ação (Figura 2): Água e
Recursos Hídricos, Biodiversidade e Conservação, Clima e Energia, Comunicação e Gestão e
Resíduos Sólidos.

Figura 2 – Eixos temáticos do projeto de extensão Universidade Sustentável.

Fonte: Autoria própria. Equipe do Projeto Universidade Sustentável (2015-2018).

2.2 Referencial Teórico

Ao tratar da sustentabilidade, Fernandez (2005) ressalta-a como um processo que almeja


melhorar as condições de vida das comunidades humanas, respeitando a capacidade de carga dos
ecossistemas. Já Hill et al. (2003) retratam que a sustentabilidade
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refere-se as maneiras de se pensar o mundo e as formas de prática pessoal e social que


levam a: a) indivíduos com valores éticos, autônomos (emancipatórios) e realizados; b)
comunidades construídas em torno de compromissos coletivos, tolerância e igualdade; c)
sistemas sociais e instituições participativas, transparentes e justas; e d) práticas ambientais
que valorizam e sustentam a biodiversidade e os processos ecológicos de apoio à vida.
(UNESCO, 2005, p. 30).

Leff (2005) afirma que, para incorporar o saber ambiental nas Universidades, é necessário
transformar as estruturas educacionais. A educação para a sustentabilidade exige novas atitudes dos
professores e alunos, novas relações sociais para a produção do saber ambiental, novas práticas
pedagógicas que incorporem e divulguem a cultura da sustentabilidade de uma maneira crítica,
contínua e permanente.
As universidades podem e devem desempenhar um papel de extrema relevância para a
sustentabilidade ao atuar como agente ativo da promoção desse balanço, equilibrando educação,
economia e integração social. Dessa forma, a Instituição de Ensino Superior pode (re)orientar suas
ações para a conservação do seu ambiente e de áreas extramuros, envolvendo as comunidades de
seu entorno, buscando alcançar o status de Universidade Sustentável.
Mais especificamente, uma Universidade Sustentável seria aquela que envolvesse e
promovesse a diminuição de impactos negativos no ambiente, reduzindo, mitigando e compensando
esses impactos, sejam eles ambientais, econômicos, sociais e de saúde, causados pela utilização de
recursos ambientais. Ademais, a instituição sustentável deve ajudar a sociedade a fazer uma
transição para um estilo de vida mais sustentável (VELASQUEZ et al., 2005, tradução nossa). As
universidades devem, nesse sentido, contribuir para a delineação de um ambiente mais sustentável,
para que atuem como centros de promoção de sustentabilidade local e global e de formação de
reeditores do saber adquirido, replicando o conteúdo para espaços intra e extramuros
(ALSHUWAIKHAT E ABUBAKAR, 2008).
Considera-se, nesse contexto, que o campus universitário como um núcleo urbano médio (a
comunidade acadêmica da PUC Minas, como exemplo, envolve mais de 50 mil pessoas, que
utilizam cotidianamente o espaço da Universidade), uma vez que possui infraestrutura básica, como
restaurantes, redes de abastecimento de energia e água, redes de saneamento, coleta de resíduos,
área verde, usuários diretos (TAUCHEN; BRANDII, 2006). Nesse sentido, é inerente à vocação e
ao compromisso das Instituições de Ensino Superior propor iniciativas que visem à implementação
de tecnologias sociais alicerçadas nas premissas da sustentabilidade em espaços urbanos e que
sejam coerentes com o contexto e demandas atuais planetárias. Com base nisso, a proposta de um
Complexo Sustentável para a PUC Minas foi pensada com o intuito de contribuir para uma revisão
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de valores com a comunidade acadêmica e de implantar estratégias pedagógicas com as


comunidades do entorno visando à sua reedição em outros locais de conformação semelhante
(ANDRADE et al., 2017; FRANCO et al., 2016a; FRANCO et al., 2016b).
Esta proposta, aqui sistematizada em uma Agenda Ambiental, agrega em seu cerne
metodológico um trabalho interdisciplinar de pesquisa científica e inovação técnica e tecnológica
em interface com a implementação de práticas de extensão universitária. Trata-se de uma iniciativa,
como destacado por Franco et al. (2016a) e Andrade et al. (2017), que preconiza a ambientalização
da universidade e o compartilhamento dialógico de ideias e proposições entre a comunidade
acadêmica e a sociedade em geral.
Cumpre ressaltar, nesse contexto, que a estratégia 12.7 do Plano Nacional de Educação –
PNE (BRASIL, Lei 13.005, 2014) prevê “[...] no mínimo, 10% (dez por cento) do total de créditos
curriculares exigidos para a graduação em programas e projetos de extensão universitária,
orientando sua ação, prioritariamente, para áreas de grande pertinência social.” (BRASIL 2014,
p.74).
É nesse caminho que alguns compromissos se tornaram prioritários na PUC Minas,
embasando, sobretudo, as diretrizes previstas nesta Agenda Ambiental:
 Atuação da IES como um agente promotor do desenvolvimento sustentável em nível local
e regional;
 Utilização de seus recursos intelectuais para a promoção de iniciativas sustentáveis, com
enfoque na formação solidária, interdisciplinar e humanística;
 Obrigação ética com as gerações futuras;
 Orientação de práticas de ensino, pesquisa e extensão para o viés da sustentabilidade; e
 Estabelecimento de parcerias com todos os segmentos das sociedades.

É a partir desse mote que as ações estratégicas sustentáveis desta Agenda Ambiental,
ancoradas no projeto Universidade Sustentável e em seus parceiros, e dispostas em eixos de
atuação, são projetadas e conduzidas no âmbito da PUC Minas e em suas áreas de influência.
Espera-se, então, com a implantação da Agenda Ambiental do Departamento de Ciências
Biológicas e com a replicação / adaptação desse modelo em outros setores e unidades da PUC
Minas, que a nossa Universidade possa atuar como espelho e referência para outras IES, para a
comunidade acadêmica e para a sociedade como um todo.
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3 RESULTADOS

Nesta seção do artigo, encontram-se destacadas as estratégias e ações desenvolvidas no


projeto de extensão Universidade Sustentável que se encontram alinhadas com os componentes
curriculares de cursos de graduação e pós-graduação envolvidos com o referido projeto.

3.1 Implementação e manutenção do Complexo Sustentável da PUC Minas

Para a implementação e controle do Complexo Sustentável, houve participação dos


membros do projeto, dos funcionários da jardinagem da PUC Minas e de colaboradores da
comunidade acadêmica e externa, que, interessados nos objetivos do projeto, sensibilizaram-se para
contribuir voluntariamente com a sua manutenção. Além disso, foram desenvolvidas inúmeras aulas
práticas de disciplinas dos Cursos de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Ciências Biológicas,
Educação Física, Geografia, Psicologia e do Mestrado em Educação da PUC Minas, bem como
outras ações educativas que se encontram descritas abaixo.
No ano de 2015, cumpre salientar, inicialmente, a participação dos alunos da disciplina de
Estágio do Bacharelado em Educação Ambiental do Curso de Ciências Biológicas, em que foram
propostas atividades de educação ambiental com os funcionários da empresa SERTA, que presta
serviços de jardinagem para a PUC Minas, com o objetivo de proporcionar maior integração entre a
comunidade acadêmica e os prestadores de serviços. O resultado foi muito profícuo para os
participantes, considerando o incremento da autoestima e da coesão social, o que fortaleceu,
inclusive, a consolidação do Complexo Sustentável.
Destaca-se, ainda, que para a obtenção das sementes e mudas necessárias para a produção de
alimentos orgânicos na Horta Universitária na sementeira, foram realizadas cinco Feiras de Troca,
em que a comunidade acadêmica e externa foi convidada para fornecer os insumos necessários e
recebiam, em troca, hortaliças retiradas diretamente da Horta, estimulando a sustentabilidade do
espaço e a integração social entre os envolvidos. Quanto à estrutura dos canteiros, os insumos foram
obtidos da composteira criada pelo projeto, da Fazenda Experimental da PUC Minas e de materiais
que seriam descartados em caçambas – gerando ônus para a Universidade, como o caso das
estruturas de concretos que faziam parte dos muros da Universidade e que foram retirados.
A partir disto, foram desenvolvidos 22 canteiros de hortaliças orgânicas e os produtos são
repassados, periodicamente, para a comunidade acadêmica, para uma cantina da Universidade e
para grupos assistenciais localizados em seu entorno, além da utilização do espaço em aulas práticas
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dos Cursos de Ciências Biológicas (Ecologia, Educação Ambiental, Instrumentação em Botânica) e


de Geografia (como as disciplinas de Educação Ambiental e Geografia Agrária, em que se
desenvolveram ações conjuntamente a partir de outubro de 2018) e pesquisas científicas
relacionadas à fenologia dos vegetais.
Para o desenvolvimento dos canteiros, foi elaborado um Plano de Negócios, envolvendo
discentes e disciplinas do Curso de Ciências Econômicas e Relações Internacionais, verificando a
viabilidade econômica da Horta Universitária, e uma base de dados para o planejamento,
acompanhamento e monitoramento da produção, contendo: as culturas que serão plantadas, a
melhor época de plantio, o período de germinação das sementes, o tempo de colheita e de
entressafras, irrigação necessária, produtividade esperada, dentre outras informações relevantes para
a otimização dos ciclos produtivos.
Formatou-se, então, o Complexo Sustentável como um espaço voltado para ações de
conservação, educação, formação e sustentabilidade com as comunidades acadêmica e externa à
Universidade, formado pela Horta Universitária, Sementeira / Estufa, Composteira e Mata da PUC
Minas.
Quanto aos novos espaços previstos para o Complexo Sustentável, destacam-se, atualmente,
o desenvolvimento de um Orquidário, pelo aluno Joshua Oliveira Barroso, do curso de Ciências
Biológicas, para utilização em práticas de educação ambiental e pelas disciplinas de Botânica e
Ecologia do referido curso; e de um Jardim Espiritual e Religioso, intitulado RELIGARE – cuja
ideia fora desenvolvida pelo Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Biológicas da aluna
Bárbara Cristina Liodoro de Souza, em que se pretende desenvolver o espaço com a equipe da
Pastoral Universitária e visando à realização de aulas teórico-práticas de Cultura Religiosa,
Filosofia, dentre outras de interesse.
Além dos momentos de formação realizados no Complexo Sustentável da PUC Minas, a
equipe do projeto realizou visitas técnicas e processos de orientação / mentoria para o
desenvolvimento participativo de modelos similares em 10 espaços externos ao campus Coração
Eucarístico, envolvendo disciplinas e projetos de Estágio Obrigatório dos Cursos de Licenciaturas
de Ciências Biológicas, Geografia e Pedagogia: 8 escolas públicas de Belo Horizonte e Região
Metropolitana, PUC Minas Virtual e Centro de Referência do Idoso Dom Cabral. No presente
momento, três escolas já estão com suas hortas avançadas e cinco em fase de construção; e os dois
últimos espaços encontram –se concluídos e produzindo hortaliças periodicamente. Destaca-se,
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nesse contexto, a participação de alunos da disciplina de Oficina de Extensão, do Curso de Ciências


Biológicas, na realização dessas atividades como estratégia de experimentação e vivência de
práticas extensionistas.

3.2 Realização de Oficinas de Agroecologia e Educação Ambiental

Buscou-se, nestas oficinas, por meio dos métodos da agroecologia e da permacultura,


reconhecer a necessidade da conservação da biodiversidade, da criação de hábitos alimentares
saudáveis, além do estudo da importância dos microrganismos na produção de alimentos, dos
processos da fotossíntese e da ciclagem de nutrientes, da identificação e taxonomia botânica e dos
preceitos básicos da pesquisa e observação experimental.
Para tanto, foram realizados 10 encontros da equipe do projeto Universidade Sustentável
com 30 crianças e extensionistas de outro projeto de extensão da PUC Minas, por meio da
disciplina de Oficina de Extensão, intitulado “Enriquecimento da aprendizagem para
desenvolvimento de habilidades”. Ressalta-se que a avaliação do processo foi realizada por
registros fotográficos e por meio da produção de um vídeo com relatos das etapas de ensino-
aprendizagem com as crianças. Posteriormente, foram desenvolvidas, com as crianças, ações de
mobilização para limpeza e cuidados com a Horta Universitária.

3.3 Desenvolvimento de Práticas Extensionistas, Projetos Acadêmicos e Pesquisa


Experimental em Espaços Sustentáveis

Além das ações supramencionadas, foram desenvolvidos projetos acadêmicos resultantes de


disciplinas da licenciatura e dos bacharelados em Educação Ambiental e Meio Ambiente e
Biodiversidade do Curso de Ciências Biológicas (ênfase para as disciplinas de Projetos em Ciências
Ambientais, de Estágio Bacharelado I e II e de TCC I e II), da disciplina de Gestão Ambiental do
Curso de Engenharia Química, e outras ações com públicos específicos, sejam internos ou externos
à PUC Minas, a saber:
 Formatação e consolidação de um Jardim Sensorial para desenvolvimento de práticas
educativas, com diferentes públicos, voltadas para os aspectos sinestésicos da natureza,
aguçando os sentidos dos participantes e favorecendo a interação dos participantes;
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 Realização de Trilhas Interpretativas na Mata da PUC Minas, com públicos variados,


envolvendo mais de 100 participantes, entre: crianças, discentes e docentes da PUC Minas,
estudantes de escolas públicas, moradores do entorno do campus Coração Eucarístico, com
o intuito de despertar a consciência ecológica dos envolvidos e discutir sobre os serviços
ecossistêmicos fornecidos pela Mata em nível local e regional. Destaca-se a realização de
práticas curriculares, nesse espaço, das disciplinas de Educação Ambiental do Curso de
Geografia; de Seminários em Arquitetura e Urbanismo.

É importante destacar, ainda, outras iniciativas sustentáveis realizadas no âmbito do projeto,


que contribuem para a consolidação da sustentabilidade como pilar estratégico da PUC Minas:
 Coleta, identificação e produção de mudas nativas da Mata da PUC Minas para
recuperação de áreas de risco e áreas degradadas, mediante integração com disciplinas de
Botânica do Curso de Ciências Biológicas;
 Instalação e monitoramento de um Sistema de Captação de Água Pluvial em Edificação
para abastecimento da Horta Universitária, da Sementeira e da Composteira, com base no
conhecimento adquirido em disciplinas do Curso de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia
Civil; e
 Substituição de lâmpadas fluorescentes por lâmpadas de menor consumo (LED
TUBULAR) em prédios do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas, mediante
estudo realizado pela equipe de Clima e Energia do projeto Universidade Sustentável.

A institucionalização da Agenda Ambiental da PUC Minas, nesse bojo de iniciativas, é o


grande produto, síntese de um resultado de integração almejada e necessária. Para tanto, com base
na educação, comunicação e avaliações transversais em todas as fases do Programa, essa
institucionalização carrega um caráter de gestão e compreende as dimensões políticas, técnico-
acadêmicas e de formação em todo o espectro dos atores da comunidade acadêmica e das
comunidades de influência da IES.
Além das ações supramencionadas, foram desenvolvidos projetos acadêmicos, científicos,
técnicos e tecnológicos dos bacharelados em Educação Ambiental e em Meio Ambiente e
Biodiversidade do curso de Ciências Biológicas (articulando com as disciplinas de Educação
Ambiental, Projetos em Ciências Ambientais, Estágios Supervisionados dos Bacharelados, dentre
outras do curso de Ciências Biológicas), do Green Solar da PUC Minas (envolvendo os cursos de
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Engenharia Civil, Engenharia de Energia e Engenharia Química) e outras ações oriundas de


disciplinas de graduação e com públicos específicos, sejam internos ou externos à PUC Minas, a
saber:
1) “Análise dos Serviços Ecossistêmicos Fornecidos pelo Campus Coração Eucarístico da
PUC Minas”, desenvolvido pela aluna Paula Tavares de Souza, do curso de Ciências Biológicas,
sob a orientação do Prof. André Rocha Franco. Este projeto de pesquisa resultou em um Trabalho
de Conclusão de Curso, cuja demanda fora identificada pelo projeto Universidade Sustentável, que
visa investigar a qualidade ambiental e os benefícios obtidos pelos ecossistemas existentes no
campus Coração Eucarístico da PUC Minas mediante a percepção dos beneficiários da comunidade
acadêmica.
2) “RELIGARE: Estímulo ao Diálogo Inter-religioso e à Conservação Ambiental na PUC
Minas por meio de um Jardim Espiritual e Religioso”, desenvolvido pela extensionista Bárbara
Cristina Liodoro de Souza, sob a orientação de André Rocha Franco. Este projeto de pesquisa, que
resultará em um Trabalho de Conclusão de Curso, tem a finalidade de analisar a relação de plantas
com as principais religiões praticadas no Brasil, a partir do conhecimento etnobotânico de seus
seguidores e dos rituais realizados, visando à estruturação de um espaço promotor de sincretismo
religioso na PUC Minas – RELIGARE: Jardim Espiritual e Religioso.
3) “Estudo para Adequação da PUC Minas como uma Universidade Sustentável do UI
Green Metric - World University Ranking”, desenvolvido pela extensionista Raissa Gabrielle de
Almeida, sob a orientação de André Rocha Franco. Este projeto de pesquisa, que resultará em um
Trabalho de Conclusão de Curso, objetiva investigar o enquadramento das ações realizadas na PUC
Minas no ranking internacional UI Green Metric de Universidades Sustentáveis.
4) “Escola Sustentável: a construção da sustentabilidade na Escola Estadual Alberto Ferraz,
em Belo Horizonte, Minas Gerais”, desenvolvido pela extensionista Thalita Bianca de Araújo
Serpa. Este projeto almejou estruturar estratégias prioritárias para a Escola Estadual Adalberto
Ferraz, localizada no entorno imediato da PUC Minas, Unidade São Gabriel, tendo em vista a
implantação de uma cultura condizente com o conceito e práticas de Escolas Sustentáveis. Ressalta-
se que, nesta iniciativa ocorreu, no 1º semestre de 2017, a participação dos alunos da disciplina de
Gerenciamento de Resíduos Urbanos, do Curso de Engenharia Civil, Unidade São Gabriel,
lecionada pelo Prof. André Rocha Franco.
5) “Levantamento do potencial energético oriundo dos resíduos das podas de jardinagens do
Campus Coração Eucarístico para a Construção de um Biodigestor”. Este projeto tem como
objetivo produzir energia, a partir da biomassa proveniente dos resíduos de podas de jardinagem e
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das cantinas universitárias, visando à sua utilização no campus Coração Eucarístico, o que pode
contribuir para a redução de gastos energéticos em seus espaços associados. Ressalta-se que esta
iniciativa está sendo desenvolvida e monitorada pelos extensionistas do eixo Clima e Energia do
Projeto Universidade Sustentável, em parceria com a equipe da PROINFRA e com a equipe do
Escritório de Integração e do Canteiro em Obras, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da
PUC Minas. É pertinente salientar que esta iniciativa emergiu da disciplina de Gestão Ambiental,
do Curso de Engenharia Química, em que se propôs o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis
para contribuição à gestão do campus Coração Eucarístico da PUC Minas.
6) “Projeto para Construção de Jardim Vertical no Prédio 60 (CISAL), no campus Coração
Eucarístico da PUC Minas”. Essa iniciativa, desenvolvida por extensionistas do Curso de
Arquitetura Urbanismo, teve como objetivo gerar melhoria e conforto térmico na parte interna da
edificação, com a diminuição da temperatura interna, redução dos gastos de energia com
ventiladores e ar condicionado e também promover valor estético ampliando os espaços verdes.
Além disso, é objetivo a disseminação desse trabalho como fonte de informação e inspiração para
outras pessoas. Após o piloto desenvolvido, almeja-se realizar monitoramentos diários, em
diferentes horários, para o teste de eficiência. Até o presente momento, foram realizadas pesquisas
bibliográficas para obtenção de conhecimento sobre tecnologias e modos de construção, procurando
conhecer as opções de materiais. Prezou-se, prioritariamente, pela utilização de materiais
disponíveis na Universidade, assim como de espécies de plantas mais adequadas para o jardim
vertical e apropriadas para cada tipo de ambiente e sua luminosidade.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo descrito neste artigo possibilitou discorrer acerca de uma proposta interdisciplinar
de pesquisa social / pesquisa-ação em interface com a extensão universitária e com práticas de
ensino-aprendizagem e de desenvolvimento tecnológico e, principalmente, as inúmeras
possibilidades de articulação com os componentes curriculares dos cursos de graduação e pós-
graduação. Com isso, tornou-se possível o vislumbre de uma integração para a ambientalização da
Universidade e para o compartilhamento dialógico de ideias e proposições entre a comunidade
acadêmica e a sociedade em geral.
Mediante a criação de um ambiente universitário que possa fomentar o bem-estar para as
gerações do presente e do futuro e de um espaço que promova uma educação integrada e que seja
sustentável em uma perspectiva multidimensional (ambiental, ecológica, cultural, econômica,
Ressignificando a relação teoria e prática:
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política), verificou-se que construções interdisciplinares realizadas em disciplinas de graduação e


pós-graduação da PUC Minas representaram um avanço em direção a uma Universidade mais
sustentável.
Acredita-se, nesse contexto, que a Universidade, atuando como um corpo ativo da
sociedade, tem um dever ético e um compromisso histórico em promover práticas sustentáveis, que
estejam ancoradas no seu tripé indissociável: ensino, pesquisa e extensão. Para o cumprimento
desse dever, é premente a realização da extensão universitária em interface com as práticas
didático-pedagógicas do ensino e da pesquisa científica.
De acordo com a definição de Universidade Sustentável, a instituição deve ser capaz de
transformar padrões de vida da sociedade em geral. Nesse sentido, como exposto neste artigo, a
criação de espaços sustentáveis deve englobar uma visão multidimensional e integrada, alicerçada,
sobretudo, nas Práticas Curriculares de Extensão. Esta emerge como mecanismo que permite o
transbordamento do entendimento da sustentabilidade para além do meio acadêmico, possibilitando,
assim, transmitir um padrão de vida para a sociedade que esteja mais coerente com as nossas reais
demandas e dos demais seres vivos.
Isso se torna possível, pois a prática extensionista busca envolver a comunidade acadêmica
(docentes, discentes, funcionários) e a comunidade externa, que interage direta e indiretamente com
a Universidade. A partir desse envolvimento, possibilita-se configurar um laboratório “vivo”,
inovador, dentro e fora de sala de aula, que permite promover a sustentabilidade ambiental dentro
e fora do campus e reflexões sobre o valor intrínseco das pessoas e do ambiente, superando uma
lógica estritamente utilitarista e unilateral.

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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Pró-Reitoria de Extensão.


Resolução Nº 02/2015. Aprova o Regulamento Pró-Reitoria de Extensão da Pontifícia
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Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A PRÁTICA CURRICULAR EXTENSIONISTA NO ENSINO DA


ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL: APONTAMENTOS PEDAGÓGICOS E
RELATO DE EXPERIÊNCIA

THE EXTENSIONAL CURRICULAR PRACTICE IN THE TEACHING OF


VOCATIONAL GUIDANCE: PEDAGOGICAL NOTES AND EXPERIENCE
REPORT

Vilmar Pereira de Oliveira1


Nathália Souza Santos2
Nathalya Santos Ribeiro3
Rayra Paula Evangelista4
Stephane Freitas Alves5

RESUMO

O presente artigo, resultado de parceria entre docente e discentes, apresenta a proposta da prática curricular
extensionista realizada no bojo da disciplina de Orientação Profissional, no curso de Psicologia da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais, unidade São Gabriel. O texto discorre sobre a proposta didática e pedagógica
que é colocada aos estudantes, apontando as suas contribuições à formação e a sua função social. Expõe-se ainda o
relato de uma intervenção realizada por um grupo de extensionistas, junto aos jovens participantes do cursinho Pré-
Vestibular Comunitário da Paróquia Jesus de Nazaré, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. A prática foi sistematizada
conforme o método das Oficinas Psicossociais, sendo realizados dois encontros, nos quais, através de diálogos e do uso
de técnicas de grupo, objetivou-se sensibilizar os participantes, promovendo a reflexão no que diz respeito à escolha
profissional e à elaboração de um projeto de vida. Verificou-se que alguns jovens desconheciam o trabalho da
Orientação Profissional e que, apesar de estarem se preparando para os processos de seleção, não tinham muita clareza
sobre a importância de uma escolha refletida, que considere as suas inclinações pessoais e o contexto de vida.

Palavras-chave: Orientação Profissional. Sensibilização. Escolha profissional. Oficina Psicossocial.

1
Me. em Psicologia. Professor assistente na Faculdade de Psicologia da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
2
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: nathaliassantos96@[Link].
3
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: nathalyasantos15@[Link].
4
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: [Link]@[Link].
5
Acadêmica de Psicologia. PUC Minas, unidade São Gabriel. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT

This article, result of a partnership between teacher and students, presents the proposal of the curricular extension
practice made through the Vocational Guidance discipline, in the course of graduation in Psychology of the Pontifical
Catholic University of Minas Gerais, São Gabriel university unit, Brazil. The text discusses the didactic and
pedagogical proposal that is put to the students, pointing out their contributions to the formation and their social
function. We also present an account of an intervention carried out by a group of extensionists, together with the young
participants of the Community Pre-Vestibular course offered at the Jesus de Nazaré Church, in the municipality of
Ribeirão das Neves. The practice was systematized according to the method of the Psychosocial Workshops. Two
meetings were held which, through dialogues and the use of group techniques, aimed to sensitize the participants,
promoting reflection on professional choice and the elaboration of a project of life. It was found that some young people
were unaware of the work of Vocational Guidance and that although they were preparing for the selection process, they
were not very certain about the importance of a reflected choice that considers their personal inclinations and their
context of life.

Keywords: Vocational Guidance. Sensitization. Choose professional. Psychosocial Workshops.

1 INTRODUÇÃO

A extensão constitui um dos eixos do tripé que caracteriza de fato uma universidade. Aliada
ao ensino e à pesquisa, a extensão universitária conecta a academia à sociedade, dando cores, vozes
e vida à produção e ao compartilhamento de conhecimento. O trabalho extramuros e igualmente
aquele que traz a comunidade para dentro da universidade concretizam uma função educativa, ao
possibilitar a articulação entre teoria e prática, promovendo, através das vivências, as trocas e a
construção de saberes. Ao mesmo tempo, a extensão universitária também possui um papel social,
pois aproxima discentes e docentes da realidade fora das salas de aula, contribuindo para o
desenvolvimento da cidadania e da formação profissional crítica e sensível às questões do mundo.
No âmbito da PUC Minas, a extensão universitária emerge como aspecto que reitera o
compromisso da instituição com uma formação cada vez mais humanística. Conforme Felippe
(2016), não é mais suficiente investir na formação de “[...] profissionais altamente desenvolvidos na
sua habilitação específica, porém enclausurados em suas próprias competências técnicas e
tecnológicas, sem a capacidade de leitura da realidade e de escuta das demandas por ela
apresentada” (FELIPPE, 2016, p. 9). Assim, como pode ser lido na Política de Extensão
Universitária da PUC Minas (2006), “as mudanças no mundo contemporâneo conferem às
Instituições de Ensino Superior (IES) um papel estratégico no desenvolvimento das sociedades”,
convocando, portanto, as universidades a se posicionarem e a contribuírem com a elaboração de um
projeto societário mais justo e digno.
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Entre as modalidades da extensão universitária, podem-se destacar as atividades que se


organizam em torno de projetos, isto é, ações mais processuais e contínuas, de caráter educativo,
social, científico e/ou tecnológico com objetivo específico a curto e médio prazo; de programas,
que por sua vez se constituem como um conjunto de projetos e outras práticas que articuladas que
adquirem cunho orgânico-institucional e interdisciplinar; prestação de serviços; cursos; eventos e
publicações que visam à difusão do conhecimento e a intervenção junto a sociedade (CONSELHO
UNIVERSTIÁRIO DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015,
s/ p.).
Contudo, vista a realidade dos discentes, em especial do grande contingente de estudantes
trabalhadores, a experiência da extensão universitária não se torna uma possibilidade para todos os
graduandos, tendo em horizonte as suas disponibilidades e realidades de vida. É preciso conciliar
estudos com estágio ou trabalho, e por isso muitas vezes os alunos ficam afastados dos programas e
projetos de extensão dos seus cursos e instituições. Não obstante, daí emergem as contribuições das
práticas extensionistas alocadas em espaços curriculares, como as disciplinas que fazem parte das
grades de formação. Tem-se, a partir disso, mais uma modalidade da extensão universitária na PUC
Minas.
O Regulamento da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas caracteriza tais práticas como:

atividades acadêmicas desenvolvidas em estrita vinculação com os componentes


curriculares do curso, tendo como pressuposto a interação aluno, professor e sociedade,
visando estabelecer relações entre a realidade e a produção do conhecimento, tendo em
vista proporcionar aos participantes formação integral, comprometida com a mudança
social. (CONSELHO UNIVERSTIÁRIO DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015, s/p.).

Assim, se aproxima a extensão à realidade dos alunos, levando-a para a sala de aula e
rompendo os limites físicos desta. A extensão passa a ser parte do conteúdo a ser ministrado, torna-
se parte da avaliação feita dos estudantes, passa a ser estratégia didática e pedagógica para articular
teoria e prática, contribuindo de forma mais direta e acessível para os processos de ensino,
aprendizagem, e fabricação da identidade profissional. Isso requer cuidados para que, de fato, a
prática extensionista contribua com formação, de modo a não criar um sobrepeso na trajetória e na
vida dos graduandos, mas, ao contrário, que se busque preservar o zelo pelo desenvolvimento de
competências éticas, humanas e técnicas próprias ao exercício da profissão em questão.
Nessa direção, este texto apresenta as contribuições da prática curricular de extensão
introduzida na disciplina Orientação Profissional, do curso graduação em Psicologia, ofertado na
PUC Minas, unidade São Gabriel. Como já advertido, essa prática muitas vezes é o primeiro
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(quando não o único) contato dos discentes com a extensão. Por isso a proposta deve ser
apresentada com cautela, de modo a garantir a participação e o envolvimento dos discentes e a
promoção da construção do conhecimento, além do desenvolvimento de competências adquiridas
durante a formação.
Como elemento conciliador, os alunos se ancoram nos conteúdos aprendidos nesta e em
outras disciplinas cursadas ao longo da graduação, e recorrem à metodologia das Oficinas
Psicossociais como estratégia de aplicação e intervenção. A proposta consiste em sensibilizar um
grupo de jovens, adultos ou idosos para a importância de estruturar o projeto de vida (o que inclui a
reflexão sobre a escolha profissional, a construção da carreira ou a preparação para a
aposentadoria). Para tanto, é escolhido um grupo ou instituição ao qual é feita a investigação acerca
da demanda e a pré-análise, estabelecendo uma parceria que culmina na escrita de um projeto e a
execução da prática extensionista em si. Tudo é feito conforme a disponibilidade dos estudantes e
do campo que os recebe.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Metodologia

2.1.1 Explicitando a proposta da Prática Curricular Extensionista de Sensibilização em Orientação


Profissional

No contexto do relato de prática que será apresentado e discutido mais adiante, justamente
para adequar as potencialidades da vivência concreta às realidades de vida dos estudantes, propôs-se
um trabalho de sensibilização para as questões profissionais. Não se trata, portanto, da execução de
uma prática de Orientação Profissional propriamente dita, apesar de a possibilidade igualmente ser
colocada para os estudantes que tivessem a disponibilidade para tal empreendimento.
A Orientação Profissional é prática estruturada em fases e processos de reflexão que se
iniciam pelo mapeamento das questões e inclinações dos sujeitos contemplados; avaliação de
interesses, habilidades e da realidade na qual estes estão inseridos, estimulando o autoconhecimento
e conhecimento das profissões; projeção, tomada de decisão e elaboração de um projeto de vida.
Necessita, portanto, de disponibilidade por parte dos orientandos e dos orientadores, exigindo um
período de tempo que pode variar conforme a necessidade.
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A título de ilustração, encontramos na literatura modelos e propostas de intervenção que


variam de cinco a 12 encontros (LEVENFUS, 1997), com duração de aproximadamente uma ou
duas horas cada, dispostos em atendimentos realizados uma ou mais vezes por semana. Não
obstante, há propostas menores e maiores do que essas. Contudo, cabe salientar que apesar de a
intervenção em Orientação Profissional possuir início, meio e fim, dados muitas vezes de forma
objetiva, é importante que o jovem tenha o seu tempo para amadurecer e desenvolver algumas
reflexões, bem como para executar algumas das atividades propostas (visitas a campo, entrevistas
com profissionais, familiares etc.).
Já a sensibilização refere-se a uma intervenção mais pontual, que visa promover a reflexão
sobre a importância de se focalizar a escolha profissional e refletir acerca da estruturação de um
projeto de vida. Caso se observe a demanda, o participante da sensibilização pode dar continuidade
em um processo de Orientação completo, oferecido na clínica escola de Psicologia da PUC Minas,
o que se dá através de encaminhamento, ou através da procura espontânea pelo serviço em outros
espaços. A sensibilização ganha relevância ao ajudar o jovem a perceber a importância desse
momento da construção de si mesmo e do seu futuro. A sensibilização para a escolha profissional é
prática reconhecida pela sua contribuição à comunidade, já que atinge sujeitos que provavelmente
não poderiam se dedicar a esse processo de reflexão ou que não teriam acesso à Orientação
Profissional.
Tal proposta tem sido utilizada como prática extensionista empregada à disciplina de
Orientação Profissional em várias instituições do país, cabendo mencionar como exemplo o
trabalho apresentado por Bastos, Schiessl e Mazzoleni (2008), que discorrem sobre o programa
desenvolvido em escolas públicas e privadas da microrregião da Foz do Rio Itajaí Açú, em Santa
Catarina, estabelecimentos que se abrem para receber a intervenção realizada por acadêmicos do
Curso de Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Prática semelhante é
apresentada por Nogueira e colegas (2012), e por Fonçattie e colaboradores (2016), que tecem
considerações a respeito das Oficinas de Orientação Profissional realizadas pelos discentes do curso
de Psicologia da Universidade de São Paulo junto aos jovens que participam da feira de profissões
realizadas pela instituição, visando sensibilizá-los às questões relativas à escolha profissional,
escolarização e mercado de trabalho. Santos em parceria com outros autores (2016), por fim,
também relata em artigo as oficinas de sensibilização às questões profissionais realizadas por
extensionistas do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio
Grande do Sul. Tanto essa como as demais experiências mencionadas apresentam intervenções que,
em geral, são executadas em encontros únicos.
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Para Santos et al., “A oficina de sensibilização às questões profissionais pode ser executada
em formato de um encontro único em situações em que não é possível promover uma sequência de
encontros com os estudantes” (SANTOS et al., 2016, p. 168-169).
Quanto à proposta oferecida no âmbito da formação em Psicologia da PUC Minas São
Gabriel, tem-se convidado os graduandos a se aproximarem não apenas dos jovens que farão a sua
primeira escolha profissional, mas também de adultos que estão precisando de aconselhamento no
que diz respeito ao desenvolvimento da carreira, estudantes universitários que buscam auxilio para
planejar e organizar a sua trajetória, bem como idosos que estão procurando por uma (re)orientação
profissional ou precisando de uma intervenção mais voltada para o preparo para a aposentadoria
e/ou elaboração de projeto de vida.
Ao se apresentar a proposta às turmas que estão cursando a disciplina de Orientação
Profissional, pede-se aos estudantes que se dividam em grupos. Cada grupo deve realizar uma
Oficina de Sensibilização em Orientação Profissional. Como o objetivo é sensibilizar, e não realizar
um processo de OP propriamente dito, a prática pode ser realizada em um único encontro ou mais,
conforme já discutido, de acordo com a disponibilidade dos discentes, mas também do campo que
será contemplado com a prática. O trabalho pode ser realizado com diferentes públicos: estudantes
de Ensino Fundamental, estudantes de Ensino Médio, grupos de jovens aprendizes, alunos de cursos
pré-vestibulares, alunos de cursos superiores, adultos profissionais ou idosos aposentados, entre
outros.
Os extensionistas, a princípio, elaboram, sob acompanhamento do docente, um projeto de
intervenção que, posteriormente, é apresentado a uma instituição escolhida pelo grupo (escolas
públicas ou particulares, centros de acolhida e formação de jovens aprendizes, Organizações Não
Governamentais – ONG –, Igrejas, instituições de teatro, arte e cultura). A intervenção é baseada
nos textos lidos na disciplina e no uso de técnicas de grupo também trabalhadas em sala de aula.
Além do conteúdo específico da disciplina de Orientação Profissional, os discentes colocam em
prática o conhecimento construído ao longo de toda a graduação no que diz respeito às teorias e aos
processos grupais, intervenções educativas e clínicas, bem como outras contribuições da formação
em Psicologia.
O plano pedagógico da prática é registrado pelo professor no Sistema de Gestão de
Disciplinas de Extensão, assim como os relatórios produzidos pelos discentes ao término do
semestre. Os estudantes também inserem na plataforma a sua avaliação acerca das contribuições das
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práticas para a sua formação. Além disso, como produto final da intervenção realizada, são
produzidos bons artigos, dos quais se incentiva a publicação. Os manuscritos de Faria e colegas
(2017), e Ferreira e colaboradores (2018) são exemplos dessa movimentação.
Na sequência do corrente texto, finalmente, se apresenta o trabalho desenvolvido por um
grupo de alunas que cursaram a disciplina de Orientação Profissional e realizaram a prática de
sensibilização no primeiro semestre do ano de 2018. A prática curricular extensionista em questão
beneficiou um grupo de jovens que frequentam um curso Pré-Vestibular comunitário , que
funciona nas dependências de uma Igreja Católica localizada em Ribeirão das Neves, Região
Metropolitana de Belo Horizonte.
Ribeirão das Neves é um município dormitório com atualmente pouco menos de 330 mil
habitantes. Trata-se, conforme pontuado por Salgado (2017), de uma localidade marcada pelos
efeitos da metropolização da capital mineira, a qual instaurou grandes desigualdades.

2.1.2 Apresentando os procedimentos da intervenção feita pelas extensionistas

A prática foi então realizada no âmbito da extensão universitária, que se caracteriza por
atender as demandas da comunidade, de forma articulada com o ensino e a pesquisa, produzidos por
seus professores, alunos e técnicos administrativos em seus diferentes espaços. Tratou-se, para as
extensionistas, de uma oportunidade de articular os conteúdos vistos em sala de aula, não somente
na disciplina de Orientação Profissional, mas permitiu-se a aplicação de conhecimentos adquiridos
ao longo da graduação, destacando-se as disciplinas de teorias clínicas, de processos grupais e
intervenções psicossociais, Psicologia e Educação, Psicologia Organizacional, Psicologia do
Trabalho e muitas outras.
Enquanto profissionais, psicólogas em formação atuando no âmbito da Orientação
Profissional, as extensionistas entendem o seu compromisso e função social. Assim, direcionou-se a
construção do projeto de intervenção a um grupo situado em uma região de vulnerabilidades e de
privação de direitos básicos. Partindo desse pressuposto, essa proposta visou levar a discussão sobre
planejamento de carreira e vida a locais em que as extensionistas, com o apoio e a orientação de um
profissional qualificado, identificaram a necessidade.
A referida prática foi, então, precedida pela escrita de um projeto, elaborado de acordo com
as etapas de construção de uma Oficina Psicossocial proposta por Afonso (2002): demanda
(caracterização breve da instituição e/ou do grupo que receberá a intervenção); pré-análise
(referencial teórico e estudo bibliográfico sobre o público-alvo); enquadre (definição e síntese do
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contexto da intervenção o e do que será feito) e planejamento flexível (sistematização prévia e


detalhada da organização dos encontros, das técnicas a serem utilizadas e dos seus objetivos;
estruturação passível de alterações e adequações que se dão ao longo do contato concreto com os
sujeitos e a instituição).
A autora afirma que a oficina é um trabalho estruturado com grupos – portanto, uma
intervenção psicossocial – que, independentemente do número de encontros, trabalha uma questão
central eleita coletivamente para ser elaborada, prática que se dá em um contexto pedagógico,
clínico ou comunitário.
Devido à disponibilidade do campo e das estudantes que facilitariam o processo, foram
realizados dois encontros, o que fez com que a prática fosse considerada um processo de
Sensibilização à Orientação Profissional:

[...] a intervenção buscou estimular a reflexão junto aos estudantes sobre alguns aspectos
importantes a serem considerados no processo de escolha profissional. Esperava-se que o
conhecimento a respeito desse tipo de serviço incentivasse os participantes a buscar
atendimentos individuais ou em grupo, caso julgassem necessário. (SANTOS et al., 2016,
p. 157).

O principal objetivo dessa intervenção foi auxiliar os participantes na percepção de suas


habilidades e interesses práticos, desenvolvendo assim uma análise crítica de suas escolhas
profissionais, buscando a construção de um projeto e carreira que possam ser fontes de satisfação.
Assim, os encontros foram organizados de modo a abordar brevemente os principais aspectos da
Orientação Profissional, a saber: “[...] fatores que interferem na escolha profissional,
autoconhecimento, busca de informações sobre as profissões e alguns aspectos envolvidos na
tomada de decisão” (SANTOS et al., 2016, p. 157).
Almejou-se, ainda, levar ao grupo um pouco da experiência pessoal das extensionistas, no
que diz respeito à inserção no curso de Psicologia e às suas trajetórias de vida, a fim de servir como
exemplos para os participantes, através da identificação de histórias e situações de vida
semelhantes.
Escolheram-se como campo para a intervenção as dependências de uma Igreja Católica. A
Paróquia Jesus de Nazaré localiza-se à Rua Francisco Joaquim Coelho, 59, bairro Pedra Branca,
Ribeirão das Neves, Minas Gerais. Dentro do sistema episcopal, essa Paróquia situa-se na
Arquidiocese de Belo Horizonte, subdividida pela Forania Nossa Senhora da Piedade, com data de
fundação em 2004. O público-alvo da intervenção é composto por jovens ingressos no Ensino
Médio e que participam do Pré-Vestibular oferecido gratuitamente pelos membros da instituição
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religiosa em questão. A grande maioria desses jovens estuda em escolas públicas estaduais da
região e muitos desconhecem o que seria a Orientação Profissional, visto que a ideia de se trabalhar
com planejamento de futuro e carreira ainda não é algo disseminado neste âmbito de ensino.
Atualmente, a referida igreja tem forte influência e participação comunitária sendo inclusive
parceira das instituições de ensino da localidade. Daí que surge o Projeto denominado “Todos por
um objetivo: o conhecimento”, no qual se realiza um trabalho voluntário de auxílio a jovens e
adultos para realização de vestibulares, concursos e afins. São oferecidas aulas gratuitas entre
quatro dias da semana, nas quais o participante pode tirar dúvidas e aprofundar seus conhecimentos
sobre áreas específicas que são: Português, Matemática, Geografia, História, Inglês, Filosofia,
Sociologia, Biologia e Química.
As aulas são ministradas por jovens de vínculo com a instituição que tem formação
relacionada à disciplina em questão ou apenas possuem afinidade com as mesmas e, por isso
aprofundam seus conhecimentos para auxiliar os usuários do projeto. Os encontros contemplam
uma média de 2 ou 3 disciplinas lecionadas por dia, sendo que se dispõe de um calendário de
horário fixo e específico para cada matéria, uma sala de aula com quadro branco, mesas e cadeiras,
numa organização análoga a metodologia de organização que as escolas públicas da região utilizam.
Assim, não foi disposto muito tempo para a execução da oficina, já que esta iria ocupar o espaço de
ministração de uma aula.
No primeiro encontro, buscou-se conhecer os participantes através da técnica “História do
nome” (LISBOA; SOARES, 2000), que consiste em conhecer um pouco da história pessoal, a partir
da reflexão e pesquisa sobre o próprio nome, compreendendo as possíveis expectativas da família
nessa escolha, além de auxiliar na percepção do momento atual como possibilidade de estabelecer
as próprias alternativas para algo expressivo em sua escolha profissional. A técnica ainda tem a
finalidade de facilitar o processo de interação grupal, diminuindo as ansiedades.
Na sequência foi dado início a um debate ao qual foram mostradas as várias possibilidades
de profissões existentes no mercado, as várias maneiras de iniciar sua vida profissional (abrangendo
os horizontes para além do ensino superior), de modo que cada um possa pensar sobre o que essas
escolhas representam para si próprios e como seria sua implicação para que elas estejam presentes
no seu futuro.
Também se utilizou a técnica do “Curtigrama” de Lucchiari (1993), que consiste em cada
participante descrever as coisas que faz e gosta; as coisas que faz e não gosta; as coisas que gosta e
não faz; as coisas que não gosta e não faz.
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Por fim, entregou-se aos jovens o “Quadro de Profissões” (FELIPPE, 1995), que consiste
em uma lista de profissões de nível médio/técnico e superior separadas por áreas de conhecimento,
além das opções de carreira no âmbito militar. Solicitou-se aos jovens que pesquisassem a respeito
de algumas profissões destacadas durante o encontro na intenção de compartilhar e discutir
coletivamente as descobertas.
Sendo assim, no segundo encontro, continuou-se o debate a partir do levantamento realizado
pelos participantes e, por fim, propiciou-se um momento no qual puderam ser identificadas todas as
observações sobre a oficina.

2.2 Referencial teórico

A Orientação Profissional é uma prática de grande importância para a Psicologia, pois


através dela se torna nítida a preocupação social de apoiar os sujeitos na construção de si e de sua
vida. Como afirma Felippe (1996), a essência da Orientação Profissional “[...] consiste em criar a
oportunidade para o jovem examinar criticamente as suas possibilidades reais de opção
profissional”. Assim, a ação aqui apresentada caminhou na direção de facilitar e auxiliar o processo
de escolhas profissionais, através de uma intervenção crítica e reflexiva, não só voltada para as
questões profissionais, mas para os diversos aspectos que um processo de elaboração de escolhas
implica, tocando, portanto, nuances subjetivas e socioculturais.
Segundo Soares (2002), a Orientação Profissional é

uma intervenção psicológica, com o objetivo de abordar a relação homem-trabalho, nas


suas mais diferentes concepções, seja no que diz respeito à escolha dos estudos a seguir, aos
conflitos que surgem no desempenho do papel profissional ou ainda à reorientação ou ao
planejamento de carreira. (SOARES, 2002, p. 96).

É diverso, então, o público-alvo da Orientação Profissional, contudo, entende-se que para os


jovens do ensino médio ou para os recém-formados, a pressão e as cobranças para tomada de
decisão quanto a uma escolha profissional aumenta excessivamente. Na nossa sociedade, a escolha
de uma profissão convoca os jovens a pensarem sobre as responsabilidades da vida adulta. A
juventude é um período importante para a construção do sujeito, o jovem está se fabricando, se
descobrindo, experimentando, amadurecendo. O jovem então é bombardeado por pensamentos,
cobranças, expectativas. É muita coisa para pensar e elaborar. Esse fato pode comprometer a
decisão desses sujeitos, o que leva muitos adolescentes às escolhas não refletidas que geram
angústias e, caso levadas adiante, podem culminar em infelicidade, insatisfação e frustações. A
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Orientação Profissional então visa desenvolver nos sujeitos a capacidade crítica de realizar escolhas
conscientes no que diz respeito ao planejamento de carreira e à construção de projetos de vida. É
então um processo de autoconhecimento ao qual também se amplia o conhecimento acerca das
profissões, do contexto social, das oportunidades de escolarização e inserção no mercado de
trabalho.
São diversos os atravessamentos que perpassam a escolha de uma profissão, especialmente
quando se faz menção a uma parcela da população economicamente desfavorecida. A Orientação
Profissional não se reduz a identificação de interesses e aptidões do sujeito, mas para além da
produção acerca do desejo do próprio sujeito é imprescindível considerar a realidade que o cerca,
promovendo a conscientização para então se traçar caminhos possíveis e alternativos. Os
obstáculos e as oportunidades que surgem ao longo da vida e da construção da carreira são envoltos
por aspectos que podem condicionar a escolha de uma profissão, sendo esses oriundos do contexto
psicossocial ao qual o jovem está imerso.
Segundo Soares (2002), os fatores sociais, políticos, psicológicos, familiares e educacionais
influenciam na escolha profissional. É importante salientar que o gênero, a raça e o pertencimento
étnico também são categorias que permitem analisar os percalços e processos de escolhas de
carreiras. Vários estigmas e preconceitos são direcionados aos jovens, e isso, por diversas vezes, os
privam da possibilidade de realizar uma escolha consciente. Cabe, então, ao profissional
responsável pela orientação, facilitar a reflexão e assimilação desses processos e conteúdos por
parte do jovem, ajudando a se posicionar com autonomia na construção de uma escolha e de um
projeto de vida.
Conforme explicita Levenfus (1997), a Orientação Profissional pode ser realizada através de
um atendimento individual, ao qual através de uma perspectiva mais clínica se escuta um jovem, se
aproxima de suas questões e família, mas pode também ser realizada, através de uma proposta mais
psicossocial, através de encontros grupais. A vivência em pares permite que as dificuldades,
temores, ansiedades, questões, dúvidas e fantasias sejam compartilhadas e atenuadas. Há troca de
saberes, percepções, descobertas e experiências. Para tanto, é preciso que os facilitadores dominem
os processos grupais e o uso de técnicas e instrumentos que promovam a reflexão, o diálogo e a
integração.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3 RESULTADOS

3.1 Primeiro encontro

Antes de iniciar propriamente a elaboração que é feita nas Oficinas Psicossociais, foi
explicado aos participantes o intuito das atividades que iriam ser desenvolvidas durante processo de
sensibilização. Perguntou-se alguém já havia passado por essa experiência, e não houve respostas
positivas. Consequentemente todos se mostraram receptivos a possibilidade de realizar esse
momento em sala.
A intervenção em si começou a partir da técnica “História do nome”, proposta por Lisboa e
Soares (2000), objetivando perceber nas narrativas pessoais as possíveis expectativas que existem
por trás da escolha do nome, e diante disso pensar nas escolhas profissionais efetivamente possíveis
naquele momento. Iniciou-se um processo de reflexão para o autoconhecimento e fomentou-se um
espaço de debate, onde pensar sobre o futuro e sobre suas escolhas, seja algo que aconteça
naturalmente. O sujeito não pode escolher o próprio nome, mas a escolha de uma profissão, aspecto
que também faz parte da construção da sua identidade, pode ser um processo mais autônomo.
A maioria dos jovens possuíam nomes com referências bíblicas, como já era esperado. A
execução da técnica se deu de maneira tranquila e interativa, alguns jovens nunca haviam
conversado com seus pais ou responsáveis sobre a escolha de seu nome. Houve também alguns
relatos como: “minha mãe queria um nome diferente, para ninguém ter igual” ou “meu primo quem
escolheu meu nome”, “esse nome é em homenagem a minha vó”, “homenagem ao nome de uma
avenida” (sic.). Todos esses aspectos foram levantados na hora do debate. Analisou-se junto aos
participantes como a escolha do nome já apresenta algumas expectativas dos pais sobre o futuro dos
filhos, expectativas que têm a tendência de aumentar ao longo da vida. Debateu-se também sobre a
frustração que é gerada ao não corresponder às expectativas depositadas, e que essa é uma questão
que precisa ser elaborada pelo jovem e seus familiares. A escolha de uma profissão então não é
exclusivamente individual, mas é articulada a toda a uma rede social, a começar pela família.
Para fazer uma reflexão acerca da escolha profissional, fomentou-se um debate para saber
quem já tinha em mente sua possível profissão e curso de formação profissional. Foram poucos os
que se dispuseram a falar, dentre eles, os cursos citados foram: Medicina, Psicologia, Direito,
Técnico de futebol, Árbitro, Gastronomia, Contabilidade, Fisioterapia entre outros. Buscou-se
entender os fatores que levaram os sujeitos a escolha, se haviam pessoas em sua família que
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apoiavam, como era vivenciar, a pressão sobre a escolha de um futuro tão próximo, auxiliando uma
etapa reflexiva dele próprio. Nesse momento, as extensionistas relataram um pouco sobre a nossa
própria vivência desse momento.
Houve um relato de um jovem que tinha como meta o curso de gastronomia, mas seu medo
de inserção no mercado era grande e por isso optaria por outro curso, voltado para a área de
Ciências Exatas, para só depois de formado e inserido nessa área na qual ele julgaria ter um maior
status, efetuar sua real escolha. Refletiu-se junto a ele na perspectiva de qual garantia o mesmo teria
de inserção quando pensava na outra área, e ponderou-se com ele sobre a temática. Outra situação
que surgiu foi referente a um jovem que colocou o tráfico de drogas como possibilidade de carreira,
assim, indagou-se ao rapaz sobre as possíveis consequências que essa ocupação poderia ter em sua
vida. As reflexões que ele trouxe sobre a vivência de um traficante conhecido lhe geraram
insegurança, assim o mesmo relatou que gostaria de seguir no rap (ritmo e poesia), fazendo músicas
sobre o Brasil.
Sobre mudança de carreira, houve um relato muito marcante de uma cabeleireira que
pretende cursar Psicologia, mas se encontra demasiadamente desalentada com sua atual profissão.
Também houve a situação de um rapaz de meia idade que diz sonhar em ser Médico, mas devido às
dificuldades e concorrência desigual para ingressar nessa área, ele gostaria de cursar primeiramente
Fisioterapia para depois ingressar na Medicina, tendo como referências profissões da área da saúde
que são consideradas, por ele, mais fáceis de inserção.
Logo após, foi realizada a técnica do “curtigrama”, a qual consiste em responder a quatro
perguntas, organizadas em quadrantes: “o que eu gosto e faço?”; “o que gosto e não faço?”; “o que
não gosto e faço?”; e, “o que não gosto e não faço?”. Tal técnica favorece a análise de como a
pessoa se posiciona em relação a suas necessidades, desejos e impedimentos, e possibilita a
visualização dos aspectos que precisam de maior atenção, como as coisas que gosta e não faz
(porque não faz?). Esse questionamento favorece a visualização de novas oportunidades a serem
buscadas no planejamento pessoal futuro. Deu-se um tempo para que todos completassem a
atividade. Buscou-se fazer com que os integrantes do grupo entendessem a importância de se
conhecer antes de realizar uma escolha acerca de seu futuro, pois esse autoconhecimento tem
grande importância no processo de uma escolha madura e refletida.
Ficou evidente a complexidade que é para todos falarem sobre si mesmos. Comentários
como “tá valendo ponto?” (sic) ou “vocês vão recolher?” foram frequentes. Esclareceu-se, sempre
que necessário, que o intuito não era avaliar, tampouco expor sem cautela as atividades registradas,
mas fazer com que todos refletissem e se conhecessem.
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Essa técnica estava planejada para o segundo encontro, porém devido à demanda, sentimos
que era importante abordá-la a priori – daí a importância do planejamento flexível. A partir da
discussão sobre os resultados desta técnica, sensibilizou-se e estimulou-se a produção de um projeto
de vida (o que eu ainda vou fazer?), através da reflexão sobre planos, sonhos e mudanças, dentre
outros aspectos, sobre o futuro. Em seguida, abriu-se espaço para a fala e apresentação dos projetos,
discutindo suas possibilidades e outras questões que surgiram. Conversou-se com o grupo sobre
alguns meios de inserção na vida profissional, não só por meio do ensino superior, mas também do
técnico. Levamos alguns relatos pessoais referentes ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu),
Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), Programa Universidade
para Todos (ProUni). O que ficou evidente nesse momento é que apesar de estar cursando um Pré-
Vestibular, a maioria da classe não conhecia as formas de dar continuidade em seus estudos. O que
é contraditório já que eles foram principalmente os que mais afirmaram sobre seus futuros
profissionais.
Sabe-se da existência de algumas políticas que tem o foco de incluir jovens dentro das
Universidades, destarte essa informação não chega aos que realmente precisam delas e se
beneficiaram. Essa foi uma das maiores críticas que nós pudemos notar. E essa prática foi a que
mais demandou tempo, já que todos se interessaram pelo tema e tinham diversas dúvidas a respeito.
Entregou-se o quadro com os nomes de algumas profissões (nível médio, técnico e superior)
reconhecidas atualmente, e pediu-se que os participantes escolhessem entre elas algumas que eles
gostariam de obter informações. Incentivou-se a pesquisa autônoma, para que os próprios
investigassem e trouxessem as informações encontradas na próxima reunião do grupo. O objetivo
era ampliar a gama de profissões por eles conhecidas. Quando entregamos as folhas, todos já foram
lendo e discutindo vários nomes de profissões diferentes que eles não conheciam. Assim, finalizou-
se o primeiro dia de ação.

3.2 Segundo encontro

Esse encontrou iniciou-se com um momento de diálogo e compartilhamento no qual os


participantes apresentaram as profissões pesquisadas. Notou-se certa empolgação e interesse por
alguns alunos que julgaram a Orientação Profissional como algo de importância para si e sua vida e
trouxeram vários atravessamentos, que se relacionam agora não mais somente à escolha de carreira,
mas também à escolha de si e construção de suas vidas e identidades.
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Houve troca de experiências, o debate foi bem rico e teve duração prolongada, ocupando
praticamente quase todo o espaço de tempo destinado ao encontro. Com isso, algumas técnicas que
haviam sido incluídas no planejamento da intervenção foram descartadas, uma vez que os
elementos aos quais estas contemplavam emergiram naturalmente na discussão. Os participantes
trouxeram para a conversa a experiência de pessoas que eles conhecem e estão no curso superior.
Cabe salientar que alguns problematizaram a liberdade de escolha de uma profissão, ponderando
acerca dos aspectos que condicionam e influenciam a concretização dos projetos de vida. Os jovens
deram conta de falar de aspectos mais amplos que circunscreviam a suas realidades repercutindo em
seus processos de escolha. Alguns estavam se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) e para os vestibulares tradicionais, mas sem dedicar-se adequadamente à avaliação dos seus
desejos e inclinações, mas agora, no encontro, mostraram-se pensativos a respeito das
consequências e desdobramentos da escolha de uma carreira. Surgiram como eixos de discussão
temáticas como recursos financeiros, condições de vida levando em conta pessoas que vão morar
longe da família para poder estudar, questões emocionais, relacionais, religião, saúde, e até mesmo
o crescente número de casos de suicídios registrados dentro das instituições de ensino e realizados
por estudantes.
Nesse encontro, ficou mais evidente o planejamento de futuro, em termos das ações aos
quais os participantes deveriam refletir e se preparar. Foi debatida a questão de como se manter no
curso, as dificuldades que serão enfrentadas, e as possíveis áreas de estudo e atuação dentro do
curso, ressaltando possibilidades de estágio, pesquisa etc. Uma síntese desse momento pode ser
apresentada a partir da avaliação feita pela participante que atualmente trabalha como a
cabeleireira, mas que vislumbrava cursar Psicologia, e, a partir do debate junto ao grupo, percebeu
que o seu desejo é atuar na área de Recursos Humanos, tendo em vista seu curso de coaching,
refletindo sobre formas de conciliar as duas formações.
Por fim, solicitou-se ao grupo que todos compartilhassem uma devolutiva, contando como
foi participar da oficina, avaliando como ela contribuiu para a reflexão sobre as suas futuras
escolhas, além de colocarem pontos que podem ainda ser trabalhados pelas extensionistas,
psicólogas em formação, para uma execução ainda mais efetiva da prática, apontando críticas e
sugestões. As verbalizações foram muito positivas, e alguns jovens especialmente informaram sobre
a importância da continuidade nessa atividade, ainda que em horário extracurricular. Foi então
explicada aos participantes a possibilidade de participar de um processo completo de Orientação
Profissional na clínica escola da PUC Minas São Gabriel, sendo passadas as informações sobre o
local, contato, período de inscrições e triagens.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prática contribuiu ao fazer com que os jovens que estavam se preparando para os
vestibulares e para o Enem, no cursinho comunitário, refletissem sobre a escolha de uma profissão,
escolhendo com mais segurança a carreira na qual pleiteariam uma oportunidade de escolarização.
Sem esse auxilio, provavelmente alguns jovens fariam a opção por um curso sem muita crítica
quanto às próprias habilidades e interesses, sendo direcionados pela nota obtida nos exames
realizados ou por outros aspectos que escapam a reflexão. Convidaram-se os jovens a eleger uma
profissão de maneira refletida, através da promoção do autoconhecimento e da ampliação das
informações sobre o mundo do trabalho e da educação.
Após analisar a experiência, do ponto de vista discente pôde-se conjuntamente concluir o
quão enriquecedor foi a possibilidade de execução dessa prática para a formação das extensionistas.
Deparou-se com um interesse significativo de todos os alunos que participaram da oficina de
sensibilização, o que promoveu um retorno importante sobre a intervenção realizada. Construir
junto com os jovens suas possíveis escolhas para o futuro, e ampliar o leque de possibilidades que
está em sua frente, foi extremamente gratificante. Possibilitaram-se, também, momentos reflexivos,
tanto sobre si próprios, quanto contextuais, sobre seu futuro. Momentos que muitas vezes são
ignorados, na dinâmica diária.
Além de que observar na prática a efetividade da Orientação Profissional como um
instrumento de mudança social. Levando informação e opções de escolhas para sujeitos que têm,
por diversas vezes, direitos dirigidos a eles próprios negados e ampliando sua gama de alternativas,
puderam-se mostrar outros caminhos, além daqueles previamente estabelecidos pelo sistema social
e político.
Realizar esta prática contribuiu para a formação acadêmica do grupo, mostrando o quanto a
Psicologia é agente transformador, que promove debate, propicia espaço que ecoa a voz dos
sujeitos, que por muitas vezes são silenciados. Ver o empoderamento, e a consciência das variáveis
que envolvem uma escolha se emergir a partir da prática, adscreve e enriquece a formação.
Do ponto de vista docente, avaliou-se que não somente essa prática apresentada, mas todas
as outras realizadas expressam o compromisso social e a preocupação com a qualidade da formação
ofertada pelo curso de Psicologia da PUC Minas São Gabriel, sendo importante salientar o retorno
que é emitido pelos campos que recebem os estudantes, discorrendo a respeito das contribuições
promovidas pelos extensionistas, além da responsabilidade em relação ao trabalho realizado
demonstrada pelos mesmos.
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O feedback recebido pelas e pelos discentes já na finalização das oficinas os impulsiona a


querer mais, a investir mais em sua formação, a confiar mais em si mesmos, no conhecimento
produzido. A prática contribui então não somente com a articulação entre teoria e prática, mas
catalisa o desenvolvimento da segurança e da ética, tão imprescindíveis ao exercício profissional e à
construção da identidade profissional.
Levar a extensão para a sala de aula, para mais perto dos alunos, tornando-a acessível
através das práticas curriculares de extensão, contribui também – como sempre é afirmado pelos
estudantes ao término dos semestres letivos – para a sua formação humana e cidadã. Certamente
assim não só contribui para a articulação e vivência prática dos conteúdos vistos durante a
graduação, integrando-os, como também se aproxima da realidade social, contribuindo para a
formação humanística do estudante e desenvolvimento de habilidades e competências necessárias a
profissão.

REFERÊNCIAS

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em: < [Link] >. Acesso em: 13 set. 2018.
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saúde e trabalho: Programa de sensibilização para a escolha profissional. In: PLONER, Kátia
Simone et al. (Org.). Ética e paradigmas na psicologia social. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de
Pesquisas Sociais, 2008. p. 216-227. ISBN: 978-85-99662-85-4.
CONSELHO UNIVERSTIÁRIO DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS. Regulamento da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas (CONSUNI nº 02/2015).
Aprova o regulamento da Pró-Reitoria de Extensão da Pontifícia Universidade Católica de Minas
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Disponível em: <
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CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO MÉDICA: RELATOS DE


EXPERIÊNCIAS NA DISCIPLINA “PRÁTICAS NA COMUNIDADE II”

CONTRIBUTIONS TO MEDICAL TRAINING: REPORTS OF


EXPERIENCES IN THE DISCIPLINE “PRACTICES IN THE
COMMUNITY II”

Pedro Guimarães de Azevedo1


Roberta Xavier Campos2
Flávia Marques de Melo3
Antônio Benedito Lombardi4

RESUMO

A disciplina “Práticas na Comunidade II” tem como objetivo fazer com que o estudante de Medicina da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) tenha um contato precoce com a comunidade e com os serviços de
saúde. O objetivo deste texto é reapresentar sete resumos de trabalhos produzidos a partir do contato com a referida
disciplina e publicados. É notório que tanto a vivência na disciplina quanto o conhecimento acadêmico gerado na
produção dos trabalhos contribuem para a formação médica. Os resultados apresentados mostram que os conteúdos se
completam. Constata-se que muitos sujeitos são expostos desde a gestação à uma multiplicidade de adversidades
causadoras de estresse tóxico, muitos são impactados na saúde, na escolaridade, tornam-se usuários, traficam, são
detidos, morrem precocemente. Um dos trabalhos mostra que a legislação educacional sobre educação inclusiva não
contempla adequadamente crianças portadoras de necessidades educativas especiais como as que apresentam
comprometimentos relacionados às experiências adversas. Os trabalhos em um abrigo confirmam os relatos acima. Os
acadêmicos responderam a estes resultados organizando intervenções promotoras do desenvolvimento das crianças no
abrigo e, na Unidade Básica de Saúde, organizaram encontros para capacitar o Agente Comunitário de Saúde sobre os
temas: experiências adversas e estresse tóxico. Participaram de consultas e de grupos de puericultura na Unidade e
visitaram domicílios para melhor compreenderem a realidade e, por fim, publicaram suas experiências. A disciplina
proporciona ao acadêmico uma visão holística da Medicina, esperando-se assim que o mesmo se torne um defensor
intransigente de prevenção e promoção do desenvolvimento humano e que saiba compartilhar com outros agentes e com
a sociedade os resultados negativos das adversidades causadas muitas vezes pela injustiça social.

Palavras-chave: Educação Médica. Experiências Adversas na Infância. Determinantes Sociais da Saúde. Injustiça
Social. Desenvolvimento Humano.

1
Acadêmico de Medicina da PUC Minas. E-mail: pedraoga@[Link].
2
Acadêmica de Medicina da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
3
Acadêmica de Medicina da PUC Minas. E-mail: flaviammelo@[Link].
4
Professor do Curso de Medicina da PUC Minas. E-mail: [Link]@[Link].
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ABSTRACT

The discipline Práticas na Comunidade II aims to give the medical student of PUC Minas an early contact with the
community and health services. The purpose of this text is to present seven abstracts of works produced and published
from the contact with the discipline. It is evident that both the experience in the discipline and the academic knowledge
generated in the production of the works contribute to the medical training. The results show that the contents complete
themselves. It is observed that many subjects are exposed since gestation to a multiplicity of adversities that cause toxic
stress, many are impacted on health, schooling, become drug users, traffic, are arrested, and die early. One of the studies
shows that educational legislation on inclusive education does not adequately address children with special educational
needs, such as those with impairments related to adverse experiences. Work in a shelter confirms the above reports. The
academics responded to these results by organizing interventions to promote children's development in the shelter and,
in the Basic Health Unit, organized meetings to train the Community Health Agent on the themes: adverse experiences
and toxic stress. They participated in consultations and childcare groups in the Unit and visited homes to better
understand reality and finally published their experiences. The discipline provides the academic with a holistic view of
medicine and is expected to become an uncompromising advocate for the prevention and promotion of human
development and to share with other agents and society the negative results of the social injustice.

Keywords: Medical Education. Adverse Experiences in Childhood. Social Determinants of Health. Social Injustice.
Human Development.

1 INTRODUÇÃO

Nos dias atuais, os cursos superiores na área da saúde têm reformulado suas propostas
curriculares buscando adequar a formação da saúde às competências entendidas como importantes
ao profissional atual (TEIXEIRA & EDLER, 2012). Desse modo, a aprovação das novas Diretrizes
Curriculares Nacionais (BRASIL, 2014) para os cursos de Medicina é o resultado da associação de
diversos sujeitos sociais em todo o país e é reconhecida como retrato de tendências internacionais.
Há uma clara recomendação de inovações na formação dos profissionais da saúde, como o
desenvolvimento da integralidade e humanização do cuidado (BURSZTYN, 2015).
No contexto acadêmico, há uma preocupação crescente com o modelo formador dos novos
médicos, no qual, cada vez mais, verifica-se a necessidade de profissionais capazes de contribuir
com a sociedade num contexto de profundas mudanças, não apenas em seu campo profissional, mas
também nos campos político e social (GUIMARÃES & SILVA, 2010). Assim, a extensão
universitária exerce o papel de intensificar essa relação por meio da diversificação de cenários e
metodologias de aprendizagem (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2015).
Visando proporcionar aos acadêmicos de Medicina da PUC Minas Campus Betim uma
diversidade de cenários de aprendizagem e o desenvolvimento de um olhar crítico e reflexivo,
foram criadas as disciplinas extensionistas “Práticas na Comunidade”, desenvolvidas nos quatro
primeiros períodos do curso. A metodologia da problematização empregada em tais disciplinas é
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| 103

uma estratégia pedagógica que incentiva os alunos a buscarem soluções originais e criativas para os
problemas reais levantados durante suas vivências nos serviços de saúde junto à comunidade. Além
destas propostas, tem-se que a abordagem do processo saúde-doença-cuidado deve ser feita na
perspectiva da promoção da saúde e da prevenção de doenças, que são modalidades de intervenção
médica do modelo de atenção à saúde orientado pela integralidade na produção do cuidado
(PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2018).
Especificamente sobre a disciplina “Práticas na Comunidade II: Infância e Adolescência”,
do segundo período do curso, diversos textos sobre as intervenções realizadas junto à comunidade
foram elaborados, apresentados e publicados desde o início de suas atividades. Portanto, o momento
proporcionado pelo presente e-book é de refletir sobre o que já foi desenvolvido. O objetivo do
presente trabalho é reunir tais publicações e reapresentá-las sob o esteio de uma nova
problematização, os quais contribuem para a formação médica.
A fundamentação teórica central deste trabalho constrói-se a partir da forte determinação em
melhorar a formação médica em vários dos seus desdobramentos, à medida que a disciplina Práticas
na Comunidade II possibilita ao aluno ter contato com várias temáticas (além da temática
“doença”), propiciando ao aluno conhecer a realidade bem de perto, ainda muito precocemente no
curso, momento em que ele está plenamente construindo seu inconsciente profissional e afetivo.
Não pretendemos com este texto avaliar a formação médica, mas, sim, mostrar o que
estamos fazendo para melhorá-la, de forma real, concretizando praticas recomendadas em vários
países desenvolvidos, como Canada e Inglaterra. A fundamentação teórica varia em cada um dos 7
trabalhos apresentados, por se tratar de temas e ações diferentes, porém constata-se um elo bem
evidente entre eles, ou seja, o de contribuir, defender e reforçar conceitos que impulsionam a
formação médica para práticas de prevenção de doenças e de transtornos e promoção do
desenvolvimento humano. Além disso, trata-se também de assuntos aparentemente não relacionados
com a saúde, como a violência e a importância da interlocução com outras áreas do conhecimento,
deixando visível que o tema Saúde pertence a todas as áreas do conhecimento e não apenas ao setor
saúde. Dá-se destaque também à violação dos direitos humanos e à cidadania, quando se refere à
injustiça social. Achamos, porém, que a espinha dorsal da contribuição do presente trabalho é a
formação médica no Brasil.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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2 MÉTODOS

Este texto é uma reflexão sobre várias atividades que foram realizadas e sobre vários temas
que dão visibilidade a uma temática contemporânea: a formação médica. Podemos afirmar que
alunos ainda no início do curso de Medicina raramente têm a oportunidade de começar a construir
sua formação a partir de uma plataforma tão sólida como a que está sendo criada pela integração de
uma prática embasada por um modelo biopsicossocial oferecido concomitantemente com as
disciplinas teóricas tradicionais como citologia / histologia, anatomia, fisiologia, embriologia,
bioquímica, genética, imunologia, etc. Não é exagerado afirmar que a inserção de PCE é, portanto,
inovador.
Para analisar a dimensão da disciplina extensionista universitária no âmbito da formação, foi
acessado o currículo lattes do professor doutor Antônio Benedito Lombardi. Os trabalhos
publicados, entre fevereiro de 2015 e dezembro de 2017, baseados na experiência dos diversos
grupos de acadêmicos sob sua tutoria na disciplina “Práticas na Comunidade II: Infância e
Adolescência” foram selecionados, lidos, analisados e sete resumos apresentados no tópico
Resultados5.

3 RESULTADOS

1º resumo: O primeiro trabalho apresentado foi intitulado “A Síndrome da Exclusão Social:


compreensão das origens da violência / contraviolência do Brasil”, publicado na Revista Médica de
Minas Gerais, pela autoria de Lombardi e outros (2016a), cujo resumo é apresentado a seguir: “A
indiferença humana no Brasil desde o início da colonização tem produzido e perpetuado o
fenômeno da exclusão social. Um exemplo é a escravidão que durou cerca de 350 anos. Esse
fenômeno excludente materializa-se ao produzir uma diversidade de fatores de risco
biopsicossociais impactantes desde a gestação e em todos os períodos do ciclo de vida, acumulando
e deixando sequelas profundas. Na década de 80, ocorreu interação sinérgica perversa entre o
fenômeno da exclusão social e a entrada das drogas no nosso meio. A criança maior, o adolescente
e o adulto jovem – muitas vezes, socialmente vulneráveis – encontraram nas drogas duas

5
Não houve pretensão de informar ao leitor de como se chegou aos resultados descritos em cada resumo, por isso, em
caso de interesse, a leitura dos artigos originais poderá dar maiores informações. Enfim, nossa intenção, em elaborar a
presente síntese foi apresentar à comunidade externa e à da PUC como temos compreendido e colocado em prática o
que está sendo recomendado pelo MEC e por sua vez pelo próprio Curso de Medicina da PUC Betim, no que se refere
ao que se tem ainda de lacuna básica na formação médica. Pensamos que isso tudo está contemplado nos diferentes
resumos e se completam, apesar de a temática ser muito diversificada.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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possibilidades: a primeira, usar e abusar de drogas por várias razões, entre elas, baixa autoestima,
para aliviar ansiedade e depressão, raiva; devido a uma personalidade extrovertida, impulsividade e
inclinação ao comportamento de risco. E a segunda possibilidade, “empoderadora”, entrar para o
tráfico como meio de subir na vida e também por razões subjetivas. Esses caminhos quase sempre
resultam em dependência química, “overdose”, hospitalizações, práticas de atos infracionais,
prisões, mortes e homicídios. O estudo indica que primariamente ocorreu violência histórica contra
esse contingente populacional e que, muitas vezes, essa violência desencadeia um fenômeno
também complexo, a contraviolência. A abordagem da violência / contraviolência deve focar,
simultaneamente, sua origem (cultura da indiferença) e as consequências (fatores de risco e
impactos biopsicossociais)”.
2º resumo: publicado por Lombardi e outros (2016b), na revista Polêmica, foi intitulado “As
inconsistências na legislação sobre o atendimento educacional especializado (AEE): uma
observação que demanda atenção interdisciplinar e intersetorial da educação e da saúde”, cujo
resumo é apresentado a seguir: “Na prática clínica, observa-se que apenas crianças com quadros
clínicos complexos (ex. Transtorno de Espectro Autista, Deficiência Mental) são contempladas com
recursos garantidos pela educação inclusiva e deixado de lado, sem atendimento educacional
adequado, um grupo numeroso de crianças com transtornos aparentemente “leves” (ex. Dislexia,
Transtorno Desafiador de Oposição, Transtorno de Linguagem Receptivo), os quais, porém, causam
impactos acadêmicos e não acadêmicos nessas crianças. O objetivo deste estudo é mostrar que a
observação clínica acima se origina de inconsistências na própria legislação que não assegura
atendimento educacional especializado para as crianças portadoras destes quadros aparentemente
“leves”. Para isso, foi feita uma revisão da legislação brasileira atual norteadora da educação
inclusiva, dos quadros clínicos referidos e sua prevalência. Os resultados mostram que a prevalência
de transtornos “leves” é significativa, que a legislação não inclui estes quadros clínicos não
garantindo, portanto, atendimento educacional especializado nestes casos, muito embora
apresentem sintomas que interferem na vida escolar. Como o número de crianças portadoras desses
quadros é expressivo, estima-se que muitas podem não estar sendo atendidas adequadamente pelo
sistema educacional regular, o que pode agravar a sintomatologia primária e contribuir para o
aparecimento secundário de sintomas comportamentais, emocionais e subjetivos. O texto reforça a
necessidade de um trabalho conjunto entre o setor de saúde, responsável pelo diagnóstico dos
quadros clínicos, e o setor educação, responsável pelas intervenções educacionais. Essa parceria
poderá estimular a revisão da legislação e contribuir para a elaboração de uma nova regulamentação
que reoriente a assistência apropriada para cada caso”.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3º resumo: Lombardi e outros (2017) apresentaram, na revista Sinapse Múltipla, o trabalho


intitulado “A trajetória de vida de um caso de Síndrome da Exclusão Social: um estímulo ao debate
interdisciplinar e intersetorial para muito além da área da saúde”, com o seguinte resumo: “A
cultura da indiferença humana e a negação da cidadania no Brasil, desde o início da
colonização, têm produzido e perpetuado o fenômeno da exclusão social. Um exemplo é a
escravidão que durou cerca de trezentos e cinquenta anos. Este fenômeno excludente materializa-se
ao produzir uma diversidade de fatores de risco impactantes biopsicossocialmente, desde a
gestação e em todos os períodos do ciclo de vida, acumulando e deixando sequelas profundas: é a
Síndrome da Exclusão Social. O relato de um caso mostra que a Síndrome da Exclusão
Social representa a ponta do iceberg do fenômeno e que a diversidade dos sintomas das mais
diferentes naturezas demanda ações de uma multiplicidade de diferentes áreas do conhecimento
e de outros setores, além da saúde, estimulando o diálogo e a integração entre eles
objetivando otimizar as inúmeras abordagens necessárias. Apesar de se tratar de uma síndrome,
um assunto médico, que naturalmente demanda intervenções próprias da área de saúde, fica
evidente porque outras disciplinas e setores não ligados às áreas da saúde são
corresponsáveis pela promoção do Desenvolvimento Humano, pela prevenção de diferentes
transtornos físicos, psíquicos, sociais, entre outras, além de uma variedade de apoios necessários à
implementação das intervenções”.
4º resumo: Carvalho e outros (2017) publicaram, na revista Sinapse Múltipla, o trabalho
intitulado “A visita domiciliar como estratégia empregada para potencializar o tratamento de um
caso de eczema atópico de uma criança”, em que apresentaram o seguinte resumo: “A primeira
consulta do grupo foi a de uma criança, T.N.H, do sexo masculino, de 1 ano e 9 meses
acompanhada da mãe S.L.H, tendo como queixa principal lesões na pele com intenso prurido. A
informante apontou que o surgimento de tais lesões ocorreu quando a criança estava com 1 ano e
que elas persistiam. Ao ser questionada, a mãe relatou ter buscado auxílio médico por várias vezes,
inclusive o de um dermatologista, para o tratamento dessas lesões. T.N.H já havia feito uso de anti-
histamínicos orais, pomadas antifúngicas e corticoides e, no entanto, nenhuma terapêutica teve
sucesso. Após uma anamnese criteriosa, realizada pelo professor, a lesão foi diagnosticada como
eczema atópico. Os quadros clínicos mais graves acarretam, inclusive, dificuldade de adequação
escolar, social e familiar. O tratamento da doença envolve uma abordagem sistêmica e multifatorial.
Alguns fatores descritos interferem tanto na evolução quanto no tratamento da doença, alguns deles
são: insegurança, sentimentos de inferioridade, tensão, ansiedade, depressão, agressividade,
dificuldade em expressar seus sentimentos, timidez e desconfiança. O objetivo do trabalho foi
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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identificar os motivos que estavam impedindo o sucesso do tratamento. Além do mais, a partir da
percepção da complexidade da consulta, chegou-se à conclusão de que seria necessária a realização
das visitas domiciliar e escolar como método para a abordagem de fatores psicossociais
responsáveis pela perpetuação do eczema atópico na criança. Ao ser questionada sobre o
comportamento de T.N.H, a mãe afirmou que o menino tinha dificuldades de socialização com
crianças e chorava muito em casa, principalmente quando o pai se aproximava dele ou de S.L.H. Na
escola, o convívio com os colegas era prejudicado porque as lesões, principalmente aquelas
presentes na parte posterior da perna, comprometiam a mobilidade da criança. Além disso, T.N.H
era afastado das outras crianças a pedido das mães dos alunos, que temiam que se tratasse de uma
patologia contagiosa. Ademais, durante o relato da história familiar e social foi possível notar que a
relação da família estava bastante comprometida. S.L.H apontou que os problemas com o marido
começaram quando ela descobriu que estava grávida de T.N.H, uma vez que a gravidez não era
planejada. Essa situação era ainda agravada pelo fato de que eles passavam por sérias dificuldades
financeiras, pois ambos estavam desempregados e dependiam do auxílio financeiro da família de
S.L.H, que não apoiava o relacionamento do casal. Além disso, o pai se ausentava nos assuntos
familiares, e segundo a mãe, ele ameaçava sair de casa e se mostrava, por vezes, agressivo. Ainda
em relação a história familiar, a mãe mencionou que seu filho mais velho foi diagnosticado com
asma, o que corrobora o quadro de eczema atópico, tendo em vista que este tem maior
predisposição quando existem na família casos de doenças atópicas. Ao exame físico, a criança se
mostrou bastante introvertida, calada, sempre de cabeça baixa e muito apegada à mãe. Ao fim da
consulta, o professor fez o diagnóstico de eczema atópico de gravidade moderada. Com o objetivo
de conhecer mais sobre os fatores psicossociais que poderiam causar recidivas do quadro, foi
marcada uma visita domiciliar. Durante a visita, percebeu-se um cenário de moradia precária: a
família de quatro pessoas morava em uma casa com apenas um cômodo, sendo esse ocupado por
duas camas e um sofá, além de uma pia, um balcão e uma geladeira que estruturavam uma cozinha
provisória. Constatou-se ainda presença de mofo nas paredes, escassez de luminosidade e excesso
de umidade e de poeira. No contexto da visita, a mãe do paciente se mostrou mais confortável e
aberta, relatando de forma mais completa o que vivenciava. Ela demonstrou uma grande angústia
pela impotência frente à persistência das lesões e às constantes queixas do filho sobre o intenso
prurido e a dor. Esse sentimento foi intensificado pelo fato de familiares e a própria diretora da
escola sugerirem que as lesões seriam causadas por agressões ao menino e que o quadro do paciente
não melhorava por cuidados insuficientes dos pais. Outro ponto ressaltado foi a conturbada relação
familiar quando S.L.H apontou que o tamanho reduzido da casa fazia com que a criança ficasse
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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exposta aos problemas e às discussões do casal. Para além dessa visita, o grupo julgou importante
realizar uma visita à escola de T.N.H com a finalidade de explicar o quadro da criança para a
diretora e para os professores, a fim de conscientizá-los acerca do fato de que não se tratava de uma
doença contagiosa. Nesse momento, foi possível orientá-los sobre a importância de incluir mais
T.N.H nas atividades escolares, já que o sentimento de exclusão, inferioridade e insegurança podem
propiciar uma nova crise da doença. Portanto, mais do que receitar o corticoide tópico, tanto a
família quanto a escola foram orientadas sobre a importância de diminuir o estresse psicológico de
T.N.H, principalmente evitando discussões quando ele está presente e fazendo com que ele participe
e interaja mais em sala de aula. Assim, fica evidente que uma abordagem ampla, que envolva não
apenas sintomas e observações clínicas, mas também aspectos psicológicos, ambientais e sociais
são imprescindíveis à prática médica. O caso relatado mostra que a visita domiciliar é uma
estratégia extremamente eficaz de desenvolver o raciocínio holístico nos estudantes de Medicina e
de evidenciar a necessidade de se buscar a integralidade na atenção à saúde. ”
5º resumo: Vale e outros (2017) publicaram, na revista Sinapse Múltipla, o trabalho
intitulado “Prática extensionista com agentes comunitários de saúde: capacitação a respeito da
influência do estresse tóxico no desenvolvimento humano”, cujo resumo é apresentado a seguir: “O
presente trabalho reflete sobre a importância da capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde
(ACS) vinculados às Unidades Básicas de Saúde (UBS), mais concretamente, visando oferecer um
aprendizado a respeito de um determinado tema, o estresse, frequentemente observado no exercício
profissional dos ACS em suas comunidades. O objetivo específico do trabalho é transmitir
informações acerca de experiências adversas na infância, entre elas, a negligência, o abuso físico, o
abuso emocional e a violência doméstica, as quais influenciam o desenvolvimento do individuo e
que podem levar ao Estresse Tóxico, quadro clínico que pode prejudicar de forma importante a
capacidade neuropsicomotora do afetado. Dessa forma, mostra-se necessário que haja conhecimento
do tema para que medidas sejam tomadas, a fim de evitar a ocorrência de prejuízos no
desenvolvimento infantil que, a longo prazo, levam a intercorrências na vida adulta. Para realização
do trabalho, foi feita uma revisão de literatura, além da análise de vídeos elaborados pelo Center on
the Developing Child, da Universidade de Harvard. Com intuito de realizar a capacitação dos
Agentes Comunitários de Saúde, o grupo de acadêmicos, primeiramente, se informou e se
capacitou, com o auxilio da vivência na disciplina Práticas na Comunidade II. O grupo se reuniu em
uma sala com todos os ACS da unidade e primeiramente foram mostrados, através de um projetor,
os seguintes vídeos: “As Experiências Moldam a Arquitetura do Cérebro”; “O Jogo de Ação e
Reação Modela os Circuitos do Cérebro”; “O Estresse Tóxico Prejudica o Desenvolvimento
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Saudável” e “Super-Cérebro”. Após a exibição de tais vídeos, realizou-se uma roda de conversa, na
qual o grupo destacou os principais pontos acerca do tema Estresse Tóxico que julgou serem
necessários para promover uma boa capacitação dos ACS. E por fim, os autores reafirmaram a
importância dos ACS na vida das famílias e solicitou a eles que repassassem à comunidade as
informações que receberam. Dessa maneira, problemas que poderiam impactar o desenvolvimento
neuropsicomotor das crianças seriam passíveis de prevenção. “É na família que a criança encontra
os primeiros "outros" e com ela aprende o modo humano de existir. Seu mundo adquire significado
e ela começa a constituir-se como sujeito”. Vista a importância da relação com a família, foi
desenvolvida a ideia a respeito da capacitação dos ACS, pois por estarem em contato direto com as
famílias da região de abrangência da UBS, os Agentes Comunitários de Saúde têm, muitas vezes,
uma proximidade grande com os integrantes do núcleo familiar. Devido a tal integração, há maior
possibilidade de diálogo entre os envolvidos, o que permite que haja maior aceitação a respeito de
alguma ideia ou sugestão apresentada. O Ministério da Saúde (2009) afirma que, ao identificar ou
tomar conhecimento da situação-problema, o ACS deve instruir o paciente e encaminhá-lo, quando
necessário, à unidade de saúde para uma avaliação mais detalhada. Situações em que condições
desejáveis para o desenvolvimento da criança, como as descritas, estão ameaçadas, permitem que o
Estresse Tóxico possa surgir e, assim, o desenvolvimento da criança pode ficar comprometido.
Dessa forma, é nítida a importância da intervenção precoce, que pode, inclusive, ser realizada
através dos Grupos de Puericultura, para o qual os ACS têm um papel estratégico, a começar, por
exemplo, por estimular a participação dos familiares e contribuir para a organização da agenda dos
Grupos na UBS. Dessa forma, tornam-se aptos para informar a população a respeito do tema, a fim
de garantir que haja maior ciência da comunidade. Espera-se que as famílias entendam a
importância do assunto, e transmitam tais ensinamentos para seus futuros constituintes”.
6º resumo: Dias e outros (2010) publicaram, na revista Sinapse Múltipla, o trabalho
intitulado “A disciplina Práticas na Comunidade II: uma estratégia pedagógica para se conhecer as
experiências adversas na infância e adolescência e seus impactos biopsicossociais”, cujo resumo é
apresentado a seguir. Durante esse estágio, nos foi apresentado, pela equipe de saúde, como
demanda da unidade, que fizéssemos um trabalho em um abrigo que estava desassistido dentro do
território da unidade. As crianças e adolescentes residentes eram todas vítimas de algum tipo de
negligência, violência, abuso e/ou abandono cometidos pelos pais ou familiares, o que fez com que
elas fossem retiradas da guarda dos responsáveis e colocadas sob a tutela do Estado. Indivíduos
nessa situação de vulnerabilidade biopsicossocial e exposição a tantos fatores de risco podem ter
seu desenvolvimento comprometido visto que a infância e a adolescência são de suma importância
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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para a formação física, psicológica e social do indivíduo, podendo influenciar no comportamento e


identidade futuros da criança e do adolescente. Esse estudo teve como objetivo conhecer a história
de vida dos internos, conhecer os problemas clínicos apresentados pelas crianças e adolescentes,
fazer reavaliações clínicas quando necessário, avaliar os tratamentos em andamento, prescrever
medicamentos, fazer encaminhamentos para outros profissionais da rede do Sistema Único de
Saúde (SUS), assessorar a equipe do abrigo em temas relacionados à saúde do interno e no
planejamento de ações futuras; conhecer a vida escolar do abrigado quanto à aprendizagem e
relacionamentos sociais na escola. As condições de limpeza e organização do abrigo não eram as
ideais preconizadas para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, no entanto as
cuidadoras se esforçavam muito para manter o ambiente e os abrigados sempre higienizados e bem
cuidados. Para que o grupo pudesse compreender a realidade dos abrigados, realizou-se uma análise
dos prontuários de cada criança abrigada, e o resumo desses prontuários foi produzido para facilitar
o acesso à informação contida neles. Conforme os resumos eram organizados conduziam-se
consultas breves e entrevistas com as crianças e adolescentes, lideradas pelo preceptor. São
abrigadas em torno de 20 crianças no abrigo, com perfis muito variados. Foi possível identificar os
problemas de cada criança em diversas dimensões. Entre esses problemas foram detectados
transtorno de linguagem, dislexia, crises agressivas, transtorno desafiador de oposição, transtorno
de fala e aprendizagem, dislalia, atraso escolar, problemas de relacionamento e também retardo
mental, otite média crônica, anemia ferropriva, síndrome alcoólico fetal; um adolescente com
queixas de tonteira e visão turva teve provável causa psíquica como hipótese para esses sintomas;
um caso com suspeita de Síndrome de Angelman; uma adolescente apresentava abscesso de
repetição, sobrepeso e constipação intestinal. Durante as consultas, também, observamos outros
problemas que envolvem o abrigo, como problemas de higienização e de desrespeito entre algumas
crianças. Além disso, percebemos que muitos precisavam de novas avaliações, uma vez que a
maioria dos prontuários estava desatualizada; da realização e continuidade de tratamentos, pois
apesar das crianças receberem auxílio médico, muitas não seguiam o tratamento adequadamente.
Para cada caso foi iniciado intervenções as quais variaram dependendo do que foi encontrado. As
intervenções empregadas foram as farmacológicas, por exemplo, tratamento medicamentos para a
anemia ferropriva, abcesso, otite media crônica e intervenções não farmacológicas, por exemplo, o
encaminhamento para atendimento psicológico, para otorrinolaringologista, para a fonoaudiologia e
para a nutricionista. Solicitamos também, da equipe do abrigo, a marcação de uma reunião com a
escola para a avaliação da inserção da criança com dislexia na proposta da educação inclusiva.
Constatamos também que existia a indicação para a realização de rodas de conversa com os internos
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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e assim foi realizada uma reunião para abordar questões simples, como higiene pessoal, maus
hábitos e bullying, uma vez que algumas crianças queixaram sofrer agressões, tanto físicas quanto
psicológicas, de outros colegas. Esta disciplina beneficia os estudantes de Medicina à medida que o
contato precoce durante o curso com uma realidade preocupante deve fazer parte da agenda da
nossa formação. Dessa forma, alimentando a reflexão e o exercício da Medicina não apenas no que
se refere ao tratamento, mas também, na prevenção e na promoção do desenvolvimento humano.
7º resumo: Neves e outros (2018) publicaram, em Conecte-se! Revista Interdisciplinar de
Extensão, da Pró-reitoria de Extensão da PUC Minas, o trabalho intitulado “Práticas na
Comunidade II: uma experiência com crianças residentes num abrigo”, cujo resumo é apresentado a
seguir: A disciplina foi ministrada em uma Unidade Básica de Saúde e em um abrigo na cidade. As
crianças do abrigo em que o projeto foi realizado eram visitadas semanalmente pelos acadêmicos de
Medicina. Foram observadas deficiências no desenvolvimento dessas crianças, porque elas foram
expostas, em sua maioria, a fatores de risco. O objetivo do trabalho realizado foi amenizar as
consequências desses fatores, a partir de projetos de arte, a fim de estimular o desenvolvimento
infantil. Foram propostas atividades relacionadas à arte e exercícios pedagógicos que visavam de
forma simples compreender e melhorar as condições das crianças abrigadas. Em um primeiro
contato com as crianças, notou-se que elas apresentavam lacunas em seu desenvolvimento, visto
que era possível perceber dificuldades na fala e nos relacionamentos interpessoais. Ao fim do
trabalho, foi notória a melhora no âmbito do desenvolvimento cognitivo, pois a fala já se mostrou
mais nítida e houve diminuição da dificuldade escolar. Esse trabalho despertou interesse entre os
acadêmicos em buscar aporte teórico sobre a área da psiquiatria infantil para lidar melhor com as
questões das crianças do abrigo. Com o encerramento do projeto, constatou-se um aproveitamento
positivo pelas crianças, pois elas foram capazes de aprimorar habilidades cognitivas. A perspectiva
dos alunos sob a ótica das semiologias psiquiátrica e pediátrica foi essencial para compreender as
condições das crianças observadas, tornando explícita a importância da disciplina PC II na
introdução a esse raciocínio clínico.

4 DISCUSSÃO

Esses trabalhos destacam a história e a realidade de Determinantes Sociais da Saúde (DSS),


negligência e a indiferença social, serviço de saúde restrito e outros diversos fatores de risco
psicossociais e biológicos que influenciam significativamente desde a formação da personalidade da
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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criança até sua consolidação como adolescente. No entanto, cada relato ou artigo representa apenas
em parte, uma série de adversidades que ocorrem na infância.
Ao se deparar com tal situação, o estudante de Medicina lida com uma complexidade de
determinantes sociais imposta no contexto biopsicocultural do indivíduo, pois nele se expressam as
condições de vida da pessoa, família e comunidade, visão integral e humanizada do processo saúde
e doença das pessoas, família e comunidade, e impõem uma nova lógica para o cuidado à saúde.
Nos artigos intitulados “A Síndrome da Exclusão Social: compreensão das origens da
violência / contraviolência do Brasil e “A trajetória de vida de um caso de Síndrome da Exclusão
Social: um estímulo ao debate interdisciplinar e intersetorial para muito além da área da saúde”, os
autores discorrem sobre a Síndrome da Exclusão Social como parte da formação histórica da cultura
do país, marcada pela exploração do trabalho infantil, negligência e insensibilidade relacionada às
necessidades sociais da criança. Assim, surge tal Síndrome, que pode ser resumida em alguns
pontos: o primeiro ponto é a materialização da cultura da indiferença pela produção crônica de
múltiplos fatores de risco em diversos ciclos de vida: gestação, período neonatal, lactente, pré-
escolar, escolar, adolescente e adulto jovem.
No fragmento a seguir, é possível notar alguns aspectos relevantes:

Eu falei assim: ó, estudar, pelo menos, nóis não sabe ler. Nós entrou várias vezes na
escola... numsabemo ler, num sabemo escrever. Então, prá gente viver esse mundo aí, num
tem mais jeito. Num tem ninguém pra ajudar a gente; os pai da gente só sabe bater na gente;
os pai da gente, a gente vai pedir eles dinheiro a eles pra comprar alguma coisa, eles num
dá dinheiro prá gente porque num tem, a situação é precária. (LOMBARDI et al. 2017,
p.38).

A partir disso, é possível notar a precária situação socioeconômica marcada pela indiferença
e pela negligência social que predispõe a outra condição: a defasagem escolar com déficit de
aprendizagem. Isso vai contra o assegurado pela Constituição Federal Brasileira de 1988 que expõe
no seu Artigo 205. “A educação como direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Além disso, o segundo ponto aborda os múltiplos impactos biopsicossociais simultâneos em
todos os períodos de vida, incluindo o uso e abuso de drogas e/ou inserção em atividades ilícitas
envolvendo o tráfico de entorpecentes. As drogas são vistas como uma possibilidade de ascensão
social e/ou possibilidade de alívio e fuga dos sintomas que afligem o jovem. Numa entrevista
integrante do artigo Lombardi et al. é possível ver essa relação:
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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[...] eu fui o primeiro. Depoi foi meu irmão; meu irmão cansava... ele fumava tanta droga,
tanta droga, que, só o que eu já vi, o Miguel, duas vezes ele teve overdose na minha frente,
no quarto lá de casa; duas vezes. Eu vi ele tendo overdose, menino puxando a língua dele...
e era a própria droga que eu tinha passado pra ele. [...] (LOMBARDI et al 2017, p.39).

Um terceiro ponto importante se dá pelo fenômeno complexo no qual os sujeitos afetados


são ao mesmo tempo vítimas de uma violência histórica, mas se tornam protagonistas de uma
resposta igualmente complexa (a contraviolência), resultante tanto da exclusão social quanto da
generalização das drogas. Muitos estudos já demonstraram a alta probabilidade de que meninas e
meninos vítimas de violência ou expostas a ela utilizem violência para solucionar disputas e
conflitos quando forem adultos (LOMBARDI et al. 2016a):

Meus pais brigava dentro de casa, aprontava, meu pai falava que ia matar minha mãe, e eu
olhando aquilo e crescendo naquela revolta. Só crescendo naquela revolta [...] meu pai
espancava demais a minha mãe e minha mãe chorava, chorava, chorava, chorava, chorava e
chorava muito, soluçava. Batia demais nela. (LOMBARDI et al. 2017, p.43-44).

E passar para uma realidade de contraviolência, como relatado a seguir:

[...] primeira vez que eu saí de casa, que eu fugi de casa foi com uns... dez anos de idade e
ele foi prum lado, eu fui pro outro; meu irmão foi prum lado... aí desandou a família toda.
Ninguém mais parava na escola... ninguém mais queria saber de estudar, num tinha mais
força; num tinha mais força pra fazer nada [...]. A vida começou cair... eu vi mortes, eu vi
muitos crime... aí eu fui viver no tráfico, meu irmão foi viver no tráfico. (LOMBARDI et
al. 2017, p.38).

Segundo dados da UNICEF (2017), a cada sete minutos uma criança ou adolescente entre 10
e 19 anos morre em algum do lugar do mundo vítima de homicídio ou de conflito armado ou
violência coletiva. O fato não é diferente no Brasil, onde o Índice de Homicídios na Adolescência
(IHA) é projetado, entre 2015 e 2021, para um total de 43 mil adolescentes mortos em 300
municípios brasileiros, caso as condições existentes em 2014 não mudem. Conforme relatado nos
dois textos, a Experiência adversa na infância (EAI) leva crianças e adolescentes a experimentarem
impactos negativos significativos que repercutem no curso de sua vida. A trajetória de vida, no caso
estudado, mostra com clareza que, em cada período do ciclo de vida, políticas públicas de diferentes
setores da governança, além daquelas próprias da saúde, que deveriam propiciar o desenvolvimento
Humano, lamentavelmente fracassaram.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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No texto Carvalho e outros (2017), intitulado “A visita domiciliar como estratégia


empregada para potencializar o tratamento de um caso de Eczema Atópico de uma criança”
identifica-se uma criança com um quadro clínico compatível com Eczema Atópico não responsivo
ao tratamento conservador usualmente proposto para a doença. A partir disso, os alunos analisaram
outros fatores para tal condição, visto que recidivas são frequentes na presença de fatores
perpetuantes como os psicossociais. (CARVALHO et al. 2017). Fato é que o breve contato com o
paciente no consultório, em muitos casos, fornece escassas informações quanto a essas condições,
tanto pela escassez de tempo fornecido, quanto pela dificuldade do médico em abordar tais
assuntos. Sendo assim, um instrumento interessante capaz de ampliar a capacidade de profissionais
de saúde acerca das condições de vida do paciente e seu contexto psicossocial é a visita domiciliar,
a qual permite uma aproximação da equipe de saúde e da família do paciente, possibilitando
entender a doença de maneira mais ampla e elaborar um plano de cuidados de acordo com a
realidade daquele paciente.
Segundo Maria-Mengel e Linhares (2007), a observação direta da criança junto a seu
ambiente familiar, como acontece durante as visitas domiciliares, permite o levantamento da
história de vida, sendo fundamental para compressão do desenvolvimento da criança e da dinâmica
de suas famílias. Assim, ao realizar a visita domiciliar, os acadêmicos do curso de Medicina e
autores das publicações identificaram diversos fatores que poderiam estar intrinsecamente ligados à
persistência da doença e resistência ao tratamento padrão. Tal conhecimento permite um tratamento
baseado e centrado na pessoa, não apenas na doença em si, como tradicionalmente a Medicina foi
concebida. Segundo Ricardo e outros (2014), quando se relaciona uma situação-problema a um
olhar ativo e ampliado a necessidades do usuário, com ênfase no processo saúde-doença, o
estudante valida suas experiências e promove aprendizagem significativa.
Além disso, o trabalho em equipe destaca-se como ferramenta essencial dentro da prática em
saúde, principalmente devido à crescente complexidade inerente aos cuidados em saúde, exigindo
do profissional a troca de informações entre diversos membros da equipe para construção de um
plano terapêutico ideal. Entretanto, ele se mostra um desafio para a maioria dos profissionais de
saúde. As atividades com os Agentes comunitários de saúde (ACS), fundamentadas pelo artigo
dentro da prática de PCII, demonstram essa interface dentro da formação médica.
Assim, a proposta do artigo: “Prática extensionista com agentes comunitários de saúde:
capacitação a respeito da influência do estresse tóxico no desenvolvimento humano”, de Vale e
outros (2017), tem o objetivo de transmitir informações aos ACS sobre negligência, abuso físico,
abuso emocional e violência doméstica e suas influências no desenvolvimento da criança e do
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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adolescente é fundamental. Dentro das diversas atividades dos profissionais envolvidos no


funcionamento da atenção básica, estruturada a partir das Unidades Básicas de Saúde (UBS), os
ACS têm fundamental importância na execução de visitas domiciliares, observação de sua
comunidade e na garantia de vínculo entre a comunidade e a UBS.
Segundo a Prefeitura de Betim (BETIM, 2016), os agentes são o elo entre comunidade e
Unidade Básica de Saúde (UBS) e possuem a missão de levar até a população informações sobre
saúde, além de orientá-la a procurar os serviços da cidade. Inseridos na comunidade em que
trabalham. Os ACS apropriam-se da cultura e das características locais mais relevantes e, por meio
de seu conhecimento prévio, conseguem elaborar uma relação entre diferentes tipos de
conhecimento, dentre eles o popular, o religioso e o científico:

Na equipe de saúde, o agente comunitário é o trabalhador que se caracteriza por ter o maior
conhecimento empírico da área onde atua: a dinâmica social, os valores, as formas de
organização e o conhecimento que circula entre os moradores. Esse conhecimento pode
facilitar o trânsito da equipe, as parcerias e articulações locais. (BORNSTEIN; STOTZ;
2007, p.2).

Assim, quando têm conhecimento sobre o tema e as medidas que podem ser tomadas, eles
são mais eficazes no seu trabalho.
Para o Ministério da Saúde (BRASIL, 2016), ao identificar ou tomar conhecimento de uma
situação-problema dentro da sua microárea atendida, o ACS pode tomar conhecimento e
encaminhar o paciente em risco para uma avaliação mais detalhada da equipe de saúde. Logo, o
processo de capacitação e educação desse profissional é imprescindível, pois transforma os agentes
em profissionais proativos, seguros quanto à informação que eles passam à comunidade nos
diversos aspectos de saúde-doença, por isso, precisa ser priorizado pela Atenção Primária de Saúde
(APS). Por fim, ainda realizando uma reflexão a respeito do referido trabalho, a oportunidade de
uma prática extensionista que demonstre de forma prática a importância de cada personagem da
APS aos acadêmicos de Medicina permite que, desde o início de sua formação, o aluno entenda a
necessidade de integralidade no cuidado, do trabalho em equipe e da importância do ACS na
construção de uma relação de confiança e do cuidado centrado na pessoa, não em sua doença.
Já no artigo intitulado: “As inconsistências na legislação sobre o atendimento educacional
especializado (AEE): uma observação que demanda atenção interdisciplinar e intersetorial da
educação e da saúde”, Lombardi e outros (2016b) chamam a atenção para o fato de que na prática
clínica, apenas crianças portadoras de quadros clínicos complexos, por exemplo, o Transtorno de
Espectro Autista e a Deficiência Mental, possuem recursos garantidos como a Educação Inclusiva e
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Atendimento Educacional Especializado (AEE). Já os transtornos aparentemente leves como, por


exemplo, a Dislexia, o Transtorno Desafiador de Oposição e o Transtorno de Linguagem Receptivo
são negligenciados e não possuem esse suporte. Esses equívocos na legislação podem trazer
desvantagens a curto, médio e em longo prazo para os portadores, afetando adversamente a
linguagem, a cognição, o desempenho acadêmico, o comportamento e a saúde mental, contribuindo,
portanto, para dificuldades na inserção social e mesmo exclusão social.
Dados (WHO, 2001; REY, 2015) indicam que 10 a 20% das crianças apresentam algum tipo
de transtorno relacionado ao Desenvolvimento e à Saúde Mental. Entre esses quadros clínicos
diagnosticados pelos serviços de saúde, estão os quadros aparentemente leves, mas o
acompanhamento necessário não é garantido pela legislação atual sobre educação inclusiva. Hoje o
MEC (BRASIL, 2012), considera público-alvo do Atendimento Educacional Especializado (AEE):

I - Alunos com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza
física, intelectual, mental ou sensorial.
II - Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: aqueles que apresentam um
quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações
sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com
autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da
infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação.
III - Alunos com altas habilidades / superdotação: aqueles que apresentam um potencial
elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou
combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade.

Comparando, entretanto, os quadros clínicos acima garantidos pela legislação com a


diversidade de transtornos e quadros clínicos apresentados por Lombardi e outros, (2016b) constata-
se uma discrepância entre a realidade vista na prática clínica e o que é garantido pela legislação
atual resumida acima. Assim, um contingente populacional enorme de crianças e adolescentes não
está recebendo atenção educacional adequada, o que aponta para a necessidade urgente de um
trabalho conjunto entre a saúde e a educação para corrigir estas inconsistências:

Completando, é oportuno chamar a atenção para o fato de que crianças e adolescentes


portadores desses quadros, mesmo quando estão fazendo o acompanhamento no
ambulatório dos serviços de saúde, necessitam, simultaneamente, de um acompanhamento
escolar diferenciado. Frequentar o serviço de saúde não garante o tratamento
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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multiprofissional necessário para a melhora da sintomatologia. É preciso que a escola e


família se envolvam concomitantemente no tratamento do ponto de vista psico-
sociopedagógico. (LOMBARDI et al. 2016b, p. 9).

O artigo de Dias e outros (2010), intitulado: “A disciplina Práticas na Comunidade II: uma
estratégia pedagógica para se conhecer as experiências adversas na infância e adolescência e seus
impactos biopsicossociais”, e o de Neves e outros (2018), intitulado “Práticas na Comunidade II:
uma experiência com crianças residentes num abrigo”, abordam como a disciplina em foco leva os
acadêmicos a terem contato direto com fatores de risco biopsicossociais existentes em nossa
sociedade. As crianças que residem no abrigo foram retiradas de suas famílias e colocadas sob
tutela do Estado, em sua maioria, porque foram sujeitas a riscos como falta de afeto, condições
socioeconômicas desfavoráveis, negligencia, violência doméstica e moradias de alto risco social.
(DIAS et al. 2010).
No entanto, nem sempre esses abrigos estão em condições adequadas ao recebimento dessas
crianças e, portanto, não permitem a elas um desenvolvimento infantil completo. Conforme
abordado no artigo de Dias e outros (2010), as condições de limpeza e organização do abrigo não
eram as ideais preconizadas, apesar do esforço dos funcionários, também existiam problemas
ligados aos relacionamentos entre as crianças: “desrespeito entre algumas crianças”. Além disso,
eles encontraram várias morbidades entre as crianças.
Quanto ao resultado do estágio no abrigo para a formação do acadêmico de Medicina, ficou
bem evidente para sua formação a constatação, em um mesmo local, de um grupo de crianças e
adolescentes que foram expostas a múltiplas adversidades e concomitantemente já apresentando
vários impactos biopsicossociais muito bem estudados pela literatura atual. Além disso, os impactos
não se restringem à infância e à adolescência. Sabe-se que muitas das experiências adversas
vivenciadas por crianças e adolescentes do abrigo são causadoras de Estresse Tóxico e por este
motivo, sem medo de errar, pode-se afirmar que muitos dos abrigados vitimados por este estresse
serão prejudicados de várias formas também na idade adulta como consequências do que aconteceu
na infância. Assim, saber reconhecer as crianças em risco social junto à equipe de saúde permitirá
que o futuro médico saiba manejá-la adequadamente.
Desse modo, a experiência com diferentes situações clínicas e com aspectos sociais
complexos, como descrita nesse compilado de artigos, desperta no acadêmico o olhar crítico e
expande seus horizontes sobre o conteúdo teórico abordado dentro das disciplinas. Essa nova
perspectiva prática permite ao estudante, desde o ciclo básico, desenvolver ações e imprimir uma
nova lógica do cuidado, focado no indivíduo e não apenas na doença. Esse fato não é exclusivo do
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curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). No estudo de


Souza e outros (2013), a análise quantitativa de 22 diários de campo dos alunos do segundo período
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Famed-Ufal), durante as aulas de
prática em uma comunidade dentro das unidades básicas, demonstrou que 95% dos estudantes
destacaram a correspondência entre aulas práticas e o processo de aprendizagem; e 59% apontaram
a importância da relação médico-paciente.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Procurou-se, com esta revisita aos relatos de experiências vivenciadas durante a disciplina
“Práticas na Comunidade II: infância e adolescência”, reunir diferentes temas que ainda fazem parte
da história da criança no Brasil e mostrar o quanto ainda precisa ser feito. Observou-se uma grande
variedade de fatores de risco e adversidades a que as crianças e adolescentes, juntamente com seus
familiares, têm sido expostos por séculos, gerando impactos múltiplos e biopsicossociais.
Há progresso como a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção
Primária, o Programa de Saúde da Família, a importância dos Agentes Comunitários, o trabalho em
equipe, a formação de novos profissionais, entre outros. Entretanto, apesar de todos os esforços,
depara-se ainda, na contramão dos benefícios alcançados, com uma fábrica implacável de fatores de
risco e adversidades que começam a agir na gestação e persistem por todos os períodos do ciclo de
vida adoecendo grande parte do cidadão brasileiro de forma muito impactante, crônica e com
diferentes desfechos comumente dramáticos, o que torna a organização dos serviços de saúde um
grande desafio, uma vez que não contempla apenas o ser biológico, mas todos os determinantes
sociais que influenciam seu estado de saúde.
Percebe-se que é preciso humanizar nossas políticas públicas e implementar ações de
Prevenção de Transtornos e Promoção de Desenvolvimento Humano em todos seus aspectos e
potencialidades, permitindo um cuidado integral e completo de quem se encontra doente. Em
tempos de violência generalizada, a injustiça social no Brasil é uma forma perversa de violência
com danos inimagináveis, muito longe ainda de terem sidos descritos na sua totalidade, e que
refletem direta ou indiretamente na saúde daqueles afetados.
O Curso de Medicina da PUC Minas Betim está propiciando ao acadêmico de Medicina não
apenas saber formular um diagnóstico multiaxial de uma determinada doença, mas, também,
permitir ao acadêmico compreender a patologia, seu curso evolutivo e compreender como um
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ecossistema complexo e adverso, onde vive o sujeito, contribui para perpetuar os diferentes quadros
clínicos.
O estudante tem a possibilidade de aprender como trata uma determinada doença e, como
muitas vezes, o tratamento oferecido é insignificante diante de tantos sintomas que um mesmo
paciente apresenta. Por causa disso e por muitas outras razões, durante as vivências teóricas e
práticas, procura-se atrair o olhar do estudante de Medicina para o início do curso evolutivo de uma
doença, antes de a mesma se consolidar no sujeito. Procura-se então refletir com ele que é neste
momento inicial que começam a agir as adversidades e os fatores de risco e, portanto, um momento
ótimo para intervenções. O aprofundamento dessa reflexão permite identificar as causas das
enfermidades até que, por último, encontra-se na essência da subjetividade de muitos perpetradores
das adversidades a causa primordial de todas as iniquidades que é a indiferença humana.
A ideia é instigar o futuro profissional a se reposicionar em relação à díade saúde-doença ao
sensibilizá-lo para a necessidade de ampliar suas parcerias, por exemplo, com outras áreas do
conhecimento a partir da Universidade, dos Serviços Públicos e da Sociedade, para que ele possa
defender de forma legítima e com amplos conhecimentos sobre o assunto a necessidade da
participação de todos, porque todos estão implicados com a prevenção de doenças e com a
promoção do Desenvolvimento Humano e não exclusivamente o setor da saúde.

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PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO: A VOZ NO CANTO CORAL

EXTENSION CURRICULAR PRACTICE: THE VOICE ON CHOIR


SINGING

Ana Paula Campolina Rosendo1


Henrique Estevão Moura2
Jamile de Souza Neves3
Patrícia Helena de Almeida Goveia4
Rafaela Souza Pereira5
Ana Teresa Brandão de Oliveira e Britto6

RESUMO

Esta ação foi realizada por cinco graduandos na prática curricular de extensão da disciplina Oficina de Extensão do
curso de Fonoaudiologia. As atividades aconteceram no Convento Santa Maria dos Anjos, na cidade de Betim-MG,
com o Coral Aedo, um coral recém-formado por indivíduos do sexo masculino e feminino, de 10 a 70 anos de idade,
que, em sua maioria, nunca haviam vivenciado outra experiência com o canto. O objetivo foi agregar conhecimentos
sobre a Fonoaudiologia, especialmente na área da voz, possibilitando um melhor preparo vocal dos cantores. Para isso,
foram realizados dois encontros com o Coral, em que foram abordados diversos temas, tais como a anatomia do
aparelho fonador, produção da voz, respiração, hábitos prejudiciais e cuidados com a voz. Inicialmente, foram aplicados
dois questionários, um que visava a identificação de possíveis problemas de voz e outro sobre o Índice de Desvantagem
Vocal para o Canto Moderno (IDVCM). A partir das respostas foi proposto treinamento de técnicas de aquecimento e
desaquecimento vocal e dinâmica sobre a temática, com vistas ao domínio das informações disponibilizadas pelos
graduandos. As atividades realizadas permitiram aos cantores adquirir maior conhecimento sobre os cuidados
específicos e essenciais com a saúde vocal e conhecer o trabalho do fonoaudiólogo junto a cantores. Para os graduandos
que desenvolveram as atividades, os resultados do trabalho evidenciaram que as experiências fora da universidade
favorecem a formação acadêmica mais ampla e humanitária.

Palavras-chave: Orientação. Música. Treinamento da Voz. Fonoaudiologia.

1
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
anapaula_rosendo@[Link].
2
Graduando do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
henriquestevao@[Link]
3
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
jamiledesouza.n@[Link]
4
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
patriciagouveiah@[Link]
5
Graduanda do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
faelasouzaoreo@[Link]
6
Doutor em Linguística, professora adjunto do departamento de Fonoaudiologia da PUC Minas, campus Coração
Eucarístico e assessora acadêmica da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas. E-mail: atbritto@[Link]
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT

This action was realized via an extension curricular practice of the Extension Workshop discipline of the Speech,
Language and Hearing Science graduation course. The activities took place at the Convento Santa Maria dos Anjos in
the city of Betim-MG, with the Aedo Choir, a newly structured choir that contains people, between 10 and 70 years of
age, which had, mostly, never had other experiences with singing. The objective was to enrich their knowledge
regarding Speech Therapy, especially towards singing, making possible a better capacitation of the singers. For such
objective, two meetings with the choir took place, where a multitude of subjects were discussed, such as the anatomy of
the vocal apparatus, production of voice, breathing, damaging habits and vocal care. Before the meeting, two
questionnaires were applied, one for the identification of possible vocal problems and, the other, regarding the Modern
Singing Handicap Index (MSHI). Based on the results, training of vocal warming up and cooling down techniques was
proposed, alongside an activity that aimed the fixation and mastery of the information presented. The activities allowed
the singers to acquire a broader knowledge regarding specific and essential care towards vocal health and to better
understand the work of the speech therapist alongside singers. For the students that developed the activities with the
singers, the results of the work showed that the experiences outside of the university corroborate for a broader and more
humanitarian academic formation.

Keywords: Guidance. Music. Voice Training. Speech Language and Hearing Sciences.

1 INTRODUÇÃO

Cantores são pessoas que executam o canto acompanhando as melodias das músicas com
harmonia por meio da voz, emitindo as notas musicais com precisão (GOULART; ROCHA;
CHIARI, 2012). O canto coral é formado por um grupo de cantores, profissionais ou não, cujo
objetivo principal é a execução musical. A condução de um coral deve ser feita, preferencialmente,
por um especialista em regência e canto coral. Atualmente, o canto coral é praticado em diversas
instituições de ensino, empresas, clubes, associações, igrejas e em outros contextos. Os corais são
formados, em sua grande maioria, com a intenção de aproximar as instituições de seus públicos,
além de conter um forte apelo social, educacional e emocional (DIAS, 2011).
Em geral, os corais são formados por cantores amadores, que nem sempre possuem o
conhecimento básico sobre a produção da voz, consciência respiratória e higiene vocal, o que pode
ocasionar uso inadequado da voz e levar esses indivíduos a desenvolverem algum tipo de disfonia
(CIELO; RIBEIRO; HOFFMANN, 2015; RIBEIRO et al., 2012).
O levantamento das características e sintomas vocais de participantes de um grupo de coral
amador foi objeto de um estudo epidemiológico realizado com 143 cantores. Nesse estudo, os
sintomas relacionados a distúrbios vocais mais mencionados foram pigarro / secreção, rouquidão e
tosse com secreção, cujas causas mais prováveis, segundo os entrevistados, seriam gripe, alergia, e
uso intenso da voz. (LOIOLA; FERREIRA, 2010).
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Nessa perspectiva, o acompanhamento fonoaudiológico com cantores de coral amador se faz


necessário, uma vez que o conhecimento acerca do adequado uso e cuidados com a voz podem
contribuir para a ampliação de propostas de intervenção, que englobem ações de promoção de
saúde.
A Fonoaudiologia tem um papel importante a desempenhar na promoção de saúde de
cantores de corais amadores, com o intuito de modificar os hábitos prejudiciais à saúde vocal, bem
como prevenir futuros problemas relacionados ao mau uso e abuso vocais. Essas ações privilegiam
orientações preventivas referentes à fisiologia e anatomia do aparelho fonador, aos cuidados básicos
de higiene vocal, incluindo noções de aquecimento e desaquecimento vocal, assim como a
identificação de indivíduos com queixas e manifestações de distúrbios vocais e, quando necessário,
o encaminhamento para o atendimento especializado (UEDA; SANTOS; OLIVEIRA, 2008).
Segundo Behlau e Pontes (2009), o cuidado com a voz deve ocorrer diariamente,
independente da intensidade do seu uso. Para tanto, é importante desenvolver boa percepção
corporal do uso da voz e incorporar hábitos vocais salutares.
Orientações sobre higiene vocal são fundamentais para que a laringe não realize esforços
desnecessários. Dentre os cuidados vocais mais citados na literatura, deve-se: a) evitar pigarrear,
tossir e consumir bebidas geladas; b) evitar usar vestimentas que comprimam as regiões cervical,
torácica e abdominal; c) evitar álcool, drogas, e cigarro; d) diminuir o abuso vocal, não falar durante
exercícios físicos e em ambientes ruidosos; e) manter postura corporal adequada. É indicado, ainda,
manter hidratação suficiente (a água atua como lubrificante e evitar o atrito excessivo entre as
pregas vocais); zelar pela boa articulação da fala, pelo aquecimento pré-vocal e desaquecimento
pós- vocais (BEHLAU; PONTES, 2009).
As práticas de aquecimento prévio e desaquecimento após uso da voz melhoram o potencial
de uso das pregas vocais e evitam esforço desnecessário, o que reduz o risco de aparecimento de
lesões, além de ser considerado requisito básico para a boa performance e saúde da voz (BEHLAU;
PONTES, 2009).
O aquecimento vocal deve ser feito antes das apresentações e se constitui da realização de
exercícios que promovem maior flexibilidade aos músculos responsáveis pela produção da voz. O
aquecimento previne afecções laríngeas e prepara a emissão para o canto. Após as apresentações, é
indicado realizar o desaquecimento, no intuito de reduzir a sobrecarga vocal, retomando a voz a seu
ajuste habitual (QUINTELA; LEITE; DANIEL, 2008).
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A respiração é essencial para todo cantor, em especial para os cantores de coral amador, que
comumente não possuem aprendizado prévio sobre técnicas do canto. A consciência respiratória é
um dos instrumentos que podem favorecer o processo de ensino / aprendizagem musical no coral
(LOIOLA; FERREIRA, 2010). Na dinâmica da respiração, são considerados quatro tipos de
padrões respiratórios: inferior, superior, misto e costo diafragmático abdominal, sendo o último
preconizado como o ideal para os profissionais da voz (CIELO et al., 2013).
A graduação em Fonoaudiologia oferece ao graduando amplo conhecimento e prática clínica
sobre técnicas para tratamento de distúrbios, assim como para aperfeiçoamento vocal.
No curso de graduação em Fonoaudiologia da PUC Minas, são ofertadas disciplinas com
práticas curriculares de extensão. De acordo com o art. 5o, VII do Regulamento da Proex,
consideram-se práticas curriculares de extensão:

As atividades acadêmicas desenvolvidas em estrita vinculação com os componentes


curriculares do curso, tendo como pressuposto a interação aluno, professor e sociedade,
visando estabelecer relações entre a realidade e a produção do conhecimento, tendo em
vista proporcionar aos participantes formação integral, comprometida com a mudança
social. (PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO, 2015, p.4)

A extensão universitária é uma das dimensões acadêmicas, que sustenta todo o processo
educativo, cultural e científico, por meio da articulação com o ensino e a pesquisa, de forma
indissociável. Esse processo possibilita a efetiva participação da universidade junto à sociedade e,
consequentemente, propicia a troca de saberes entre os acadêmicos e a população. (BRASIL, 2007).
A qualificação do processo de ensino-aprendizagem e o alcance dos objetivos e intencionalidades
da Universidade ocorre, portanto, no diálogo entre essas três dimensões formativas - ensino,
pesquisa e extensão.
Na perspectiva de consolidar e de efetivar na prática a relação de saberes sobre a voz, um
grupo de graduandos propôs trabalhar com essa temática, no desenvolvimento da prática curricular,
na disciplina “Oficinas de Extensão”, do terceiro período de graduação em Fonoaudiologia da PUC
Minas.
O objetivo dessa ação foi levar a um coral recém-formado, orientações preventivas
referentes à fisiologia e anatomia do aparelho fonador, à consciência respiratória, aos cuidados
básicos sobre higiene vocal, noções de aquecimento e desaquecimento vocal. Para tanto, foi feita
um levantamento das queixas e suas manifestações relacionadas aos distúrbios vocais por meio da
aplicação e análise de questionários respondidos pelos componentes do coral Aedo. Visando
Ressignificando a relação teoria e prática:
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agregar ao coral conhecimentos sobre um melhor preparo vocal para os cantores, foram abordados
os cuidados necessários a serem tomados na hora de realizar os exercícios prévios e pós
apresentações do coral.

2 MATERIAL E MÉTODOS

O Coral Aedo faz parte do Convento Santa Maria, localizado na cidade de Betim, e conta
com 38 participantes, com idades entre 10 e 70 anos. O objetivo do Coral é unir pessoas de
diferentes idades e culturas, a fim de trocarem experiências e realizarem apresentações em
festividades.
A prática extensionista foi pensada a partir da demanda do regente do Coral Aedo, que
solicitou uma ação de promoção e prevenção de saúde vocal para os cantores. A logística da prática
de extensão foi amplamente discutida entre o grupo de alunos e o regente do coral, que apresentou a
história do coral, número de participantes, faixa etária, sexo, descrição do local onde ocorrem as
reuniões e os horários dos ensaios.
As atividades ocorreram em dois encontros do grupo de alunos com os cantores. Para o
diagnóstico inicial foram aplicados dois protocolos de autoavaliação: Identificação de Possíveis
Problemas de Voz (IPPV) (MARTINS, 2009) e Índice de Desvantagem para o Canto Moderno
(IDCM) (MORETI et al, 2011). Foram também disponibilizadas cartilhas didáticas e orientações
sobre cuidados com a voz em palestras feitas pelos alunos. Ao final, todos avaliaram as atividades
propostas na prática curricular de extensão, por meio de uma roda de conversa.

2.1 Primeiro Encontro

O primeiro encontro aconteceu no dia 07/04/2018, às 16h no Convento Santa Maria dos
Anjos. Participaram da primeira etapa, vinte e uma pessoas – quatro homens e dezesseis mulheres.
No local dos ensaios do coral, o grupo de alunos fez uma apresentação em powerpoint abordando
os temas previamente discutidos com o regente.
Nesse dia, foi apresentada a proposta da prática curricular de extensão e abordados diversos
temas sobre a atuação do fonoaudiólogo, tais como a linguagem, a motricidade orofacial, a saúde
coletiva e principalmente a área da voz, além da amplitude dessa atuação (locais onde ela
ocorre, tais como escolas, empresas, hospitais, maternidades e clínicas). Alguns dos participantes
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 127

desconheciam a Fonoaudiologia e, para a maioria, essa foi a primeira oportunidade em que


receberam atenção e orientação vindas dessa área da saúde.
Nesse mesmo encontro, foi explicado como se dá a produção da voz, os tipos e modos
respiratórios e a importância a respiração costodiafragmática, que possibilita maior suporte e
disposição para o canto. Embora a técnica já fosse de conhecimento do regente, os participantes
ainda tinham dúvidas e dificuldades em relação ao seu domínio e uso.
Os hábitos prejudiciais à voz – uso excessivo de bebida alcoólica, fumo, alimentação muito
condimentada, bebidas geladas previamente ao canto, automedicação, competição sonora, fala
cochichada, grito, pigarro, ar-condicionado e características relacionadas ao vestuário – foram
também abordados. Os participantes relataram praticar alguns desses hábitos, e solicitaram
esclarecimentos sobre outros aspectos que acreditavam ser prejudiciais para a voz. Para frisar a
necessidade do cuidado com a voz, foram apresentadas imagens de lesões de pregas vocais em
consequência ao tabagismo e ao uso intenso da voz, além dos maus hábitos vocais mais conhecidos.
Após preencherem o IPPV e o IDCM, os participantes receberam orientações dos alunos na
realização de exercícios respiratórios e foram sensibilizados para treinar a respiração
costodiafragmática em casa. Cartilhas de conscientização sobre o uso da voz foram disponibilizadas
e todos foram convidados para o segundo encontro.

2.2 Segundo Encontro

O segundo encontro ocorreu um mês após o primeiro, no dia 05/05/2018 às 16h, no


Convento Santa Maria dos Anjos, com a participação de vinte e três integrantes do Coral. A
temática nesse dia foi sobre os cuidados com a voz, como hidratação, alimentação leve e saudável,
repouso antes da apresentação, uso de roupas leves e postura de cabeça e corpo.
Foram apresentadas e treinadas diversas técnicas de aquecimento e desaquecimento vocal, e
uma dinâmica com frases falsas e verdadeiras sobre a temática, visando a fixação e domínio das
informações abordadas. Cartilhas e maçãs foram distribuídas ao final, para uma melhor
conscientização e sensibilização sobre os cuidados com a voz.
Em seguida, foi feita a avaliação da atividade de extensão. Nesse momento todos puderam
expor suas opiniões sobre o que aprenderam e sobre a atuação dos estudantes de Fonoaudiologia
que realizaram a ação. Foi dado o retorno sobre a análise das atividades do primeiro encontro e
aqueles que não haviam respondido o questionário no encontro anterior, tiveram oportunidade de
participar nesse dia.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 128

3 RESULTADOS

O protocolo para Identificação de Possíveis Problemas de Voz (IPPV) é composto por trinta
e nove questões com opções sim/não. Na análise dos resultados considera-se NORMAL até 4
respostas “sim”; ATENÇÃO para 5 respostas “sim” e caso haja mais de seis é recomendado
PROCURAR UM ESPECIALISTA.
Trinta e um participantes responderam o questionário IPPV. Todas as perguntas, e a
porcentagem de respostas SIM/NÃO estão apresentadas na tabela 1, que segue.

Tabela 1. Questionário IPPV: porcentagem de respostas SIM/NÃO

nº de respostas nº de respostas
Perguntas % %
"Sim" "Não"

1) Você acha que sua voz é rouca? 4 13 27 87

2) Alguém já comentou que sua voz é rouca? 28 90 3 10

3) Você fica rouco por mais de dois dias? 5 16 26 84

4) Sua voz fica rouca após os ensaios? 5 16 26 84

5) Você tem ou já teve algum problema de voz? 3 10 28 90

6) Sua voz piorou depois que você entrou no


0 0 31 100
coral?

7) Ultimamente você tem demorado mais tempo


5 16 26 84
para aquecer sua voz?

8) No dia seguinte a um ensaio ou a uma


apresentação, você fica sem voz ou com a voz 3 10 28 90
rouca?

9) Durante o canto sua voz quebra ou some? 11 35 20 65

10) Você desafina ou perde o controle da emissão? 21 68 11 35

11) Você sente dificuldade no pianíssimo? 20 65 11 35

12) Você sente dificuldade no fortíssimo? 14 45 17 55

13) Você sente que sua voz é fraca demais para o


7 23 24 77
coral?
continua
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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nº de respostas nº de respostas
Perguntas % %
"Sim" "Não"

14) Você sente que sua voz é forte para o coral? 11 35 20 65

15) Você tem dificuldade para atingir as notas


16 52 15 48
agudas?

16) Você tem dificuldade para cantar as notas


11 35 20 65
graves?

17) Quando você canta, sai "ar" na voz? 11 35 20 65

18) Você tem algum desses sintomas na laringe:


coceira, ardor, dor, sensação de garganta seca,
16 52 15 48
sensação de queimação, sensação de aperto ou
bola na garganta?

19) Falta ar para você terminar as frases musicais? 14 45 17 55

20) Ao final do dia sua voz está mais fraca? 3 10 28 90

21) Você canta em diversos naipes? 9 29 22 71

22) Você mudou de naipe recentemente? 4 13 27 87

23) Você procura cantar mais forte que os demais


5 16 26 84
componentes do coral?

24) Você simplesmente articula, sem voz, certos


11 35 20 65
trechos da música que não consegue cantar?

25) Quando você canta, suas veias ou músculos do


6 19 25 81
pescoço saltam?

26) Você sente dores na região do pescoço? 6 19 25 81

27) Você sente dores de cabeça após o canto? 1 3 30 97

28) Você consegue controlar sua emissão cantada


23 74 8 26
no coral, ou não se ouve e segue a voz do grupo?

29) Seu coral costuma interpretar diversos estilos


13 42 18 58
musicais?

30) Além do coral, você canta em outras


12 39 19 61
situações?
continua
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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nº de respostas nº de respostas
Perguntas % %
"Sim" "Não"

31) Você canta durante muitas horas seguidas? 3 10 28 90

32) Você pigarreia constantemente? 5 16 26 84

33) Você tem alergia das vias respiratórias? 10 32 21 68

34) Você tem resfriados frequentes? 4 13 27 87

35) Você tem amigdalites, laringites ou faringites


2 6 29 94
frequentes?

36) Você tem dificuldades digestivas, azia ou


6 19 25 81
refluxo gastro- esofágico?

37) Você fuma? 0 0 31 100

38) Você se auto medica quando tem problemas


5 16 26 84
de voz?

39) Além da atividade do coral, você usa a voz de


9 29 22 71
modo intensivo em outras situações?

Fonte: Elaborada pelos autores, 2018.

Vinte e dois participantes do coral (71%) se enquadraram no resultado “PROCURAR UM


ESPECIALISTA”. Cinco participantes (16%) receberam alerta de “ATENÇÃO” e somente 4 (13%)
foram considerados dentro dos padrões de normalidade do protocolo.
A pouca experiência com o canto e a falta de informações sobre os cuidados com a voz
foram levados em conta na hora de dar a devolutiva para o regente e para o grupo. O regente
manteve uma cópia dos questionários para acompanhar mais de perto cada caso. Foi também
disponibilizado o contato de clínicas que realizam atendimentos gratuitos em Belo Horizonte,
inclusive a Clínica do curso de Fonoaudiologia da PUC Minas, para aqueles que desejassem fazer
uma avaliação completa com um fonoaudiólogo.
O protocolo IDCM (MORETI et al, 2011) foi respondido por dez integrantes do coral com
o intuito de conhecer sobre o impacto da voz na vida dos cantores e a autopercepção de cada um
em relação a sua voz. O protocolo abrange três aspectos: a INCAPACIDADE, que avalia o impacto
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 131

do problema de voz nas atividades profissionais; a DESVANTAGEM, em que são observados o


impacto psicológico do problema de voz e o DEFEITO, que é a autopercepção das características
da própria voz.
O IDCM apresenta afirmativas que são avaliadas pelo participante permitem respostas
pontuadas de 0 a 4, sendo 0 = nunca, 1 = quase nunca, 2 = às vezes, 3 = quase sempre e 4 = sempre.
As afirmativas sobre o impacto do problema nas atividades profissionais são:
• Sinto minha voz cansada desde o começo de uma apresentação;
• Minha voz fica cansada ou alterada durante a apresentação;
• Tenho que ajustar a minha técnica vocal, porque o problema de voz prejudica a
minha emissão;
• Meu problema vocal me obriga a modificar as músicas, limitar meu repertório ou
mesmo mudar o tom;
• Por causa do meu problema de voz sou forçado a limitar meu tempo de estudo /
ensaio;
• Sinto dificuldade nas apresentações por causa das alterações no meu rendimento
vocal;
• Não consigo fazer duas ou mais apresentações consecutivas;
• Preciso da ajuda do operador de som para mascarar meu problema de voz;
• Preciso tomar remédios continuamente para mascarar meu problema de voz;
• Meu problema vocal me obriga a limitar o uso social da voz.

As questões sobre o impacto psicológico dos problemas de voz são:


• Minha ansiedade antes das apresentações está maior que a habitual;
• As pessoas com as quais convivo não compreendem minha queixa de voz;
• As pessoas com as quais convivo têm criticado a minha Voz;
• Meu problema de voz me deixa nervoso e/ou menos sociável;
• Fico preocupado quando me pedem para repetir um vocalize ou uma frase musical;
• Sinto que minha carreira está em risco por causa do meu problema de voz;
• Colegas, empresários e críticos já perceberam minhas dificuldades vocais;
• Sou obrigado a cancelar alguns compromissos profissionais por causa da voz;
• Evito agendar futuros compromissos profissionais;
• Evito conversar com as pessoas.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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As questões sobre autopercepção das características vocais são:


• Tenho problemas com o controle da respiração para o canto;
• Meu rendimento vocal varia durante o dia;
• Sinto que minha voz está fraca ou tem ar na voz;
• Sinto minha voz rouca;
• Sinto que tenho que forçar minha voz para produzir os sons;
• Meu rendimento vocal varia de modo imprevisível durante as apresentações;
• Tento modificar minha voz para melhorar a qualidade;
• Cantar está sendo uma tarefa difícil ou cansativa;
• Minha voz fica pior à noite;
• Minha voz fica facilmente cansada durante as apresentações.

A autopercepção sobre a própria voz apresentou os escores mais altos. Por meio das
respostas dos cantores, foi possível observar algumas questões e problemas em comum, como
cansaço vocal durante e antes da apresentação, necessidade de ajustes vocais que não prejudiquem a
emissão, ansiedade e preocupação nas exercitações de frases musicais, dificuldade no controle da
respiração, variação no rendimento vocal antes das apresentações, voz fraca, rouca, cansada e
modificação da voz para melhorar a qualidade. Esses dados não foram, ainda, tratados
estatisticamente, mas os resultados preliminares foram suficientes para evidenciar a importância das
orientações disponibilizadas para os integrantes do coral.
O resultado final desta prática curricular de extensão foi muito satisfatório. Os integrantes
do Coral Aedo receberam bem todas as orientações, mostraram-se interessados e empenhados em
seguir as orientações para aprimorar sua performance vocal. No questionário avaliativo final sobre
a performance dos alunos nas atividades, o grupo foi muito elogiado em relação tanto à didática
quanto ao domínio sobre os assuntos abordados, o que, segundo eles, propiciou melhor
entendimento sobre o fazer do profissional fonoaudiólogo.
De acordo com os cantores do coral Aedo, as informações passadas foram novas e
relevantes para a trajetória que estão seguindo. Surgiram diversas dúvidas durante as atividades
desenvolvidas e elas foram solucionadas para que todos entendessem de forma mais clara possível a
necessidade e importância dos cuidados com a saúde vocal.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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4 DISCUSSÃO

A extensão universitária é uma atividade acadêmica que busca integrar a comunidade


universitária com a sociedade. Essa interação traz benefícios não só para a população alvo das ações
de extensão, quanto também para o aluno, pois integra ensino e pesquisa, articula experiências junto
a realidade social e promove a construção de conhecimento. (SANTOS; PASSAGLIO, 2016)
A extensão identifica as demandas e ampara os dois lados. Foi exatamente o que aconteceu
na prática curricular de extensão “Conhecendo sua voz e a Fonoaudiologia”. Ao conhecer as
necessidades de um grupo de cantores amadores, levaram-se até eles os conhecimentos obtidos na
universidade, articulando teoria e prática, obtendo uma nova experiência tanto para a área
profissional quanto para a vida pessoal de todos os envolvidos, graduandos e cantores.
A população alvo da prática curricular de extensão foi o Coral Aedo, que conta com diversas
pessoas, homens e mulheres, de diferentes idades, que se reúnem para além do interesse pela
música, mas por ser uma oportunidade de lazer, de conhecer novas pessoas, conversar, rever amigos
e participar de uma atividade diferente do habitual, o que comprova a fala de Cassol (2004): “um
coral é um dos maiores exercícios do convívio social”.
Os indivíduos participantes desse coral ingressaram pelo prazer em cantar e não como uma
forma de trabalho, sendo que a maioria deles não conhecia aspectos importantes sobre a voz, seu
funcionamento e a cautela necessária antes, durante e depois do canto. Esses achados corroboram a
literatura, que afirma que, muitas vezes, o indivíduo que pratica o canto desconhece as técnicas
necessárias e os cuidados que devem ser tomados com a voz (LOIOLA E FERREIRA, 2010,
p.831).
Os corais são compostos por vozes com características diversas e, para que haja harmonia
entre elas no momento do canto, é necessário um bom preparo e cuidado com a saúde vocal. As
atividades desenvolvidas com o Coral Aedo frisaram a necessidade de se ter um treinamento e
mostraram aos participantes que os comportamentos nocivos podem levar a um desgaste vocal.
(CASSOL, 2004).
Além da necessidade de um regente, a atuação de um fonoaudiólogo para educar e preparar
a voz dos cantores para atenderem as demandas musicais é muito importante. Saber as
especificidades, necessidades e os problemas enfrentados por cada grupo de canto é algo que esse
profissional pode e precisa fazer para assim planejar ações mais assertivas, o que justificou a prática
de extensão desenvolvida por graduandos de Fonoaudiologia, focando a área da voz. (LOIOLA;
FERREIRA, 2010).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A Fonoaudiologia também é uma área responsável por elaborar, aplicar e analisar protocolos
e questionários de avaliação da voz como uma forma de detectar os impactos da produção vocal na
vida dos cantores e tentar fornecer meios para alcançar a melhor qualidade vocal. Levando isso em
conta, os questionários para identificação de possíveis problemas de voz e o IDCM foram usados
com êxito. (REZENDE; IRINEU; DORNELAS, 2015).
Vieira, Gadenz e Cassol (2015) afirmaram que, em um coral, o fonoaudiólogo pode atuar
trabalhando em grupo ou individualmente com os cantores, elaborando atividades de
conscientização vocal, aquecimento e desaquecimento vocal, para garantir o uso adequado e não
abusivo da voz. As atividades em grupo, especialmente nesse caso, se mostraram eficazes e
interessantes, comprovando que essa é uma boa forma de intervenção.
Os resultados dos protocolos aplicados e o diálogo com os participantes também foram um
norte e confirmaram os achados da literatura de que os maus hábitos vocais como fumo,
automedicação, pigarro e uso intenso da voz, despreparo respiratório, aspectos vocais como
rouquidão e voz fraca, o pouco aquecimento e principalmente a falta do desaquecimento nos corais
amadores se mostram presentes.
Por meio dos esclarecimentos e dos questionários respondidos, o regente do Coral poderá
acompanhar mais de perto as necessidades individuais dos cantores e ficar atento àqueles que
possuem mais dificuldades e propensão a desajustes vocais. As orientações realizadas ofereceram
maior sustentação ao que vinha sendo trabalhado nos ensaios e, segundo o regente, mostraram-se
de um peso maior quando abordados por outras pessoas e especialmente pela visão da
Fonoaudiologia.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A proposta de uma prática curricular de extensão junto a cantores amadores superou as


expectativas dos alunos envolvidos no projeto, e comprovou que as experiências fora da
universidade favorecem a formação acadêmica mais humanitária, permitindo ao graduando se
preparar melhor e mais eficazmente para atuar na sociedade, em que futuramente, como
profissional, poderá se deparar com grandes diferenças socioeconômicas e ampla diversidade
cultural.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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REFERÊNCIA

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Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.
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Extensão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas (Processo CONSUNI
no02/2015). Belo Horizonte: PUC Minas, 2015. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em:
09 jun. 2018.
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UEDA, Kelly Hitomi, ZAMBUZE dos Santos, Leila, BITTANTE de Oliveira, Iara. 25 Anos De
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Acesso em: 11 jun. 2018.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A DISCIPLINA EXTENSIONISTA “PROJETO APLICATIVO” NO CURSO


EAD EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS: FORMAÇÃO ACADÊMICA,
HUMANÍSTICA E PROFISSIONAL DOS DISCENTES

THE EXTENSIONIST DISCIPLINE “PROJETO APLICATIVO” IN THE


VIRTUAL ACCOUNTING SCIENCES COURSE: STUDENT’S ACADEMIC,
HUMANIST AND PROFESSIONAL FORMATION

Tânia Cristina Teixeira1


Josmária Lima Ribeiro de Oliveira2
Marcelo Prímola Magalhães3
Amilson Carlos Zanetti4

RESUMO

O estudo de caso descritivo tem o objetivo de relatar a implantação de uma disciplina extensionista no curso de Ciências
Contábeis EAD. Ao identificar o perfil do egresso e as competências previstas para o mesmo, balizada pela
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e orientados à busca da qualidade, da inovação e da
sustentabilidade no processo formativo e na vida profissional, foi implantada a disciplina de Projeto Aplicativo, no
sexto período do curso. Ao idealizar o plano de ensino a ser adotado para a prática, o grupo de professores foi
direcionado pelo Núcleo Docente Estruturante, a definir processos de trabalho aderentes à Política de Extensão da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), que pressupõe a flexibilização curricular como
exercício da autonomia universitária. Diante das experiências vividas, a formação favoreceu aos alunos a observação
sobre o contexto local, além de propor relações entre organizações de distintos setores favorecendo a abordagem de
grupos específicos em campos e espaços de âmbito local, regional e nacional, compatíveis às práticas curriculares
afeitas para a disciplina de extensão. Com a adoção da metodologia de aprendizagem por meio da solução de problemas
reais, o aluno tem como referência estudos de aspecto global que são aplicados à prática realizada em campo. Entre os
registros da experiência, são revelados os desafios para a construção de uma disciplina direcionada para a mediação da
aprendizagem e a complexidade de se adotar a metodologia ativa, ancorando-se nos conteúdos já abordados pelas
demais disciplinas. Outro desafio vivenciado foi a integração da equipe de professores para definir um modelo de
interação com os alunos, identificando o processo de trabalho mais efetivo para acompanhamento dos projetos.
Considera-se ainda, a dificuldade inicial dos alunos em aceitar a abordagem da disciplina, uma vez que já estavam
acostumados a receber conteúdo para o desenvolvimento das atividades curriculares, sem a necessidade de desenvolver
interações sociais. Pelo fato de o curso EAD valorizar a autonomia como um dos pilares de sua identidade na PUC
Minas, a ausência de interação social era um conflito para o alcance da proposta institucional, uma vez que a missão da
Universidade propõe a formação humanista compreendida pela valorização das relações interpessoais. A adoção da

1
Doutora. Ciências Econômicas, Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais ICEG PUC Coração Eucarístico. E-
mail: taniacri@[Link].
2
Doutora. Ciências Contábeis, ICEG PUC Minas Virtual. E-mail: josmaria@[Link].
3
Mestre. Ciências Contábeis, ICEG PUC Minas São Gabriel. E-mail: marcelopmaga@[Link]
4
Mestre. Ciências Contábeis, ICEG PUC Minas Virtual. E-mail: amilson@[Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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disciplina também foi um avanço para a flexibilização curricular, garantindo atualidade do projeto pedagógico, ao
tratar temas emergentes visíveis pelas demandas sociais sinalizadas. Foi desafiante também o desenvolvimento da
versatilidade dos docentes em lidar com o relacionamento entre os agentes e os temas apresentados, abordando de
maneira ética e dinâmica cada produção acadêmica desenvolvida nestes últimos anos. Entre as competências propostas
para o perfil do egresso, as interpessoais foram relevantes para os resultados do trabalho, uma vez que houve ampliação
das relações sociais estabelecidas pelos discentes, valorizando a comunidade, a sua articulação com a sociedade para a
própria inserção no espaço de atuação profissional almejado, (pro)ativamente. Para o curso, a abordagem desenvolvida
na disciplina tem estimulado a atualização dos conteúdos programáticos e a busca pela adoção de metodologias ativas
em outras disciplinas do curso.

Palavras-chave: Extensão. Metodologia ativa. Ciências Contábeis.

ABSTRACT

The descriptive case study has the objective to report the implementation of an extension discipline in Science
Accountancy EAD course. When identifying the profile of the student and the competences expected of them, based on
the indivisibility between teaching, researching and extension oriented by the search of quality, innovation and
sustainability in the graduating process and in the professional life, the Application Project discipline was implemented,
in the sixth period of the course. At the moment of designing the teaching plan to be adopted for the project, the group
of teachers was directed by the Structuring Faculty Area, to define work processes adhering to the University Extension
policy, which presupposes the flexibilization of the curriculum as an exercise of university autonomy. In the face of
these experiences, the graduating process encouraged students to observe the local context, as well as to propose
interactions among organizations from different sectors, favoring the approach of specific groups in the local, regional
and national fields and spaces, compatible with curricular practices of the extension discipline. The adoption of the
methodology of learning through the solution of real problems, allowed the student to have as reference the global
aspect studies that are applied into practice carried out in the field. Among the records of the experience, some
challenges were revealed for the construction of a discipline directed to the mediation of learning and the complexity of
adopting the active methodology, anchoring itself in the contents already addressed by the other disciplines. Another
challenge was the interaction of the team of teachers to define a model of interaction with the students, identifying the
most effective work process for the projects’ follow-up. It was also considered the initial difficulty of students to accept
the approach of the discipline, once they were already accustomed to receiving the content of the curricular activities’
development, without the need of developing social interaction. As the course is by distance, autonomy is one of the
pillars of its identity in the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas), and the absence of social
interaction was a conflict to reach the institutional proposal, as the mission of the University proposes the humanist
formation understood by the valorization of interpersonal relations. The adoption of the extension discipline was also an
advance for curricular flexibilization, guaranteeing a current pedagogical project when dealing with emergent themes
visible by the social demands signaled. One of the great challenges faced was the development of the versatile capacity
of teachers to deal with the relationship between the agents and the themes presented, approaching ethically and
dynamically each academic production developed in recent years. Among the competences proposed by the profile of
the students, the interpersonal skills were relevant to the results of the work, since there was an expansion of the social
relations established by the students, valuing the space of the community, and its articulation with the society for the
insertion of the same in the professional aspirational space, in a dynamic and active way. For the course, the approach
developed in the discipline has stimulated the updating of the programmatic contents and the search of the adoption of
active methodologies in other disciplines of the course.

Keywords: Extension. Active methodology. Accounting.

1 INTRODUÇÃO

Os desafios da formação profissional no Brasil estão interligados pela necessidade de propor


estruturas de concertação que integrem os distintos representantes das instituições de ensino, das
representações profissionais, dos empregadores e do Governo como representativos da sociedade. A
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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proposição de modelos estruturados, por meio de projetos político-pedagógicos, conforme o marco


regulatório do setor educacional, estabelece uma estrutura que tem como desafio manter as unidades
curriculares interligadas em um movimento de contínuo desenvolvimento. Além dessa busca, outra
premissa notória é o alinhamento com o cenário, que vivencia ininterruptas mudanças sociais e
tecnológicas.
A dinâmica da área profissional no campo de Ciências Contábeis é complexa, por ter
impacto imediato da alteração de leis, procedimentos de arrecadação e experimentar recentemente,
até mesmo, a mudança nos pilares teóricos da contabilidade. Manter a atualização no ensino é um
desafio que pede a interação de vários atores sociais. Dessa maneira, a formação profissional do
contador carece de uma relação educativa cooperativa para que a articulação entre Estado,
instituições de ensino, empregados e empregadores seja profícua, favorecendo o desenvolvimento
regional pelo adequado exercício socioprofissional.
A qualificação é o elemento das relações emprego / formação que proporciona a intercessão
dos sistemas produtivo e educativo (D´IRIBARNE E VIRVILLE, 1978). A educação intervém na
estruturação do trabalho pelos tipos de mão de obra que ela contribui para criar. Crivellari (2000)
apresenta que a relação educativa consiste na articulação entre as políticas educativas e produtivas.
Portanto, deve-se estudar o processo de formação profissional como expressão do contexto
socioeconômico vigente. Dubar (2005), ao discutir a questão da qualificação e a articulação entre os
agentes – assalariados, empregador e Estado – aponta a necessidade da construção de espaços
comuns de racionalidade.
O curso a distância em Ciências Contábeis, preocupado com a articulação entre os agentes
sociais, estabeleceu como componente curricular a disciplina de Projeto Aplicativo, que propõe a
construção de uma relação educativa favorável ao aprimoramento da formação profissional. Tal
proposta é construída a luz das vinte competências idealizadas para o egresso, conforme o rol das
habilidades constantes na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO/MTE, 2002), na Resolução
CNE/CES (2004), nas Diretrizes do Enade (2012) e nos artigos científicos de: Cardoso; Riccio;
Albuquerque (2009) e Cardoso; Neto; Oyadomari (2010). Ofertada no sexto período do curso, a
disciplina apresenta desafios para a formação profissional, uma vez que a prática consiste em um
ambiente inter e transdisciplinar de ações integradas à extensão universitária. Com a disciplina,
propõe-se fortalecer a relação com a comunidade empresarial, por meio da ação conjunta que visa à
intervenção no ambiente proposto. Com equipamentos locais, os discentes seriam levados a
desenvolver as ações em redes sociais por meio de projetos de intervenção ou capacitação.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Já no contexto da formação profissional em Ciências Contábeis, as mudanças sociais são


percebidas pela integração dos países na construção de uma comunicação unificada por meio da
harmonização das Normas Internacionais da Contabilidade, aplicadas até mesmo às empresas de
atuação local. Com a integração tecnológica permitida pela rede de computadores, o Governo
estabeleceu um sistema de controle que capta as informações da empresa, no momento do
faturamento. Ações como esta modificaram a atuação profissional do contador e intensificaram a
relevância das ações exercidas para auferir resultados alinhados à expectativa dos stakeholders, que
representam distintos fundos de investimento estabelecidos pela matriz global do capital nacional e
internacional.
O rápido avanço tecnológico exige dos cursos um processo permanente de investigação,
articulado com a produção do saber e de novas tecnologias. Além de uma política de formação mais
adequada do aluno, a flexibilização curricular pode também atuar como um agente motivador,
capaz de despertar o interesse pelo desenvolvimento acadêmico-científicos com vistas à aplicação
direta das suas aptidões para a solução dos problemas da sociedade. Ao considerar a abordagem de
tais desafios profissionais e observar a matriz curricular estabelecida no projeto político
pedagógico, mostrou-se eminente aplicar ações de favorecimento da contínua atualização na
formação profissional pela flexibilização curricular.
Nesse sentido, a carga horária proposta para o desenvolvimento das atividades
complementares de graduação (ACG) é de grande relevância para o aprimoramento dinâmico do
ensino em um sistema EAD. Nessa perspectiva, o curso de Graduação em Ciências Contábeis
identificou a necessidade de fomentar espaços possíveis para o desenvolvimento do ambiente de
ensino-aprendizagem mediado pela atuação docente, com viés interdisciplinar, focado em contextos
didático-pedagógicos adaptáveis e contemporâneos.
A partir da missão institucional constituída pela promoção do desenvolvimento humano e
social da comunidade, incluindo alunos, professores e todos os que são passíveis de alcance por
projetos de extensão e pesquisa, é esperado que a universidade contribua para a formação ética e
solidária de profissionais competentes humana e cientificamente. Para tanto, espera-se a produção e
a disseminação do conhecimento na área afeita ao Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais
(ICEG). Para a concretização da missão apresentada pela PUC Minas, os cursos são orientados a
articular, em seus projetos pedagógicos e práticas acadêmicas, a interdisciplinaridade e a conexão
de teoria e prática.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Tais ensejos demonstram o alinhamento com as reflexões sobre a Extensão, presente na


visão expressa pelo Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas (2006), como
citado por Piveta (2010): “a qualidade e o sucesso dos profissionais formados pelas universidades
dependem, em grande parte, do nível de interação e articulação entre esses três pilares do
conhecimento uno e multidimensional” (PIVETA, 2010, p.3). A integração entre o ensino, a
pesquisa e a extensão balizam a concepção do que é ser um aluno universitário bem-sucedido, por
favorecer de maneira ampliada e integrada, uma formação sistêmica.
Além disso, os cursos também são direcionados a propor ações para a flexibilização
curricular, que tem como princípios básicos: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão;
a visão do ensino centrada na criatividade e na relação com a realidade profissional e a
interdisciplinaridade. Seguindo estas orientações, somadas às diretrizes da Política de Extensão da
PUCMINAS (2006), consoante ao regulamento da PROEX e as diretrizes de implementação de
disciplinas de cunho extensionista na grade curricular, o curso de graduação de Ciências Contábeis
– EAD – passou a disponibilizar práticas curriculares de extensão e processos avaliativos que
conformam diversas áreas de conhecimento conglomeradas. Tal iniciativa foi desencadeada pelo
Núcleo Docente Estruturante (NDE), por perceber a necessidade de implementar uma unidade
curricular oportunizando, inicialmente, o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar
direcionado ao desenvolvimento local. Dessa maneira, o curso de Ciências Contábeis EAD
considera a situação local do aluno mediada pela orientação docente, com vistas à consolidação de
uma prática curricular integradora e sistêmica, adotando, no sexto período, como unidade curricular,
a disciplina Projeto Aplicativo.
É importante ressaltar que as definições e as estratégias adotadas pelo NDE foram baseadas
nos términos previstos na Lei de Diretrizes e Bases (9.394/1996) pela autonomia universitária e no
Plano Nacional de Educação – PNE – (2001), que preconiza a flexibilização curricular como
exercício da autonomia. Pela Constituição Federal (1988), nos termos do Art. 207, “as
universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e
patrimonial, e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
É nesse contexto, e respondendo aos desafios postos acima pelo PNE, que o Curso de
Graduação em Ciências Contábeis – EAD – implementou a prática curricular de extensão em uma
unidade curricular interdisciplinar, idealizada totalmente na modalidade EAD. Em função da
experiência adquirida na oferta do curso, desde 2006, tendo em vista as constantes alterações no
ambiente profissional e o perfil do egresso retratado no projeto pedagógico, em 2017, implantou-se
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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a disciplina com o conteúdo e proposta pedagógica destinada a responder pela extensão


universitária, com o uso de ferramentas e suportado pelo ambiente virtual de aprendizagem adotado
no EAD.
Assim, a disciplina Projeto Aplicativo foi reformulada e adaptada diante das grandes
mudanças, no âmbito externo e interno da PUCMINAS, almejando atingir regiões e comunidades
em que os discentes residem ou pretendem desenvolver suas práticas. Para tal disciplina, os alunos
são convidados a observar o contexto local e propor relações entre organizações não
governamentais, governo e sociedade civil. Além disso, foram considerados os grupos específicos
que desenvolvem a mesma abordagem em outros campos e espaços em âmbito local, regional e
nacional, compatíveis com as práticas curriculares afeitas à disciplina de extensão. Destaca-se que a
condução da disciplina almeja o desenvolvimento de estudos referentes ao aspecto global, pela
realização de estudos comparados associando o cunho teórico a uma prática realizada em campo.
O discente tem a possibilidade de considerar o ambiente local e global, apropriando-se do
aprendizado gerado por ambos e aplicando sua análise para o desenvolvimento regional. Essa linha
metodológica, denominada de Globalização, foi apropriada da definição de Lourenço (2014, p. 2):
“... a globalização não significa o fim do local, enquanto realidade social”. Pela natureza dialética, a
globalização enquanto processo assenta-se na interação do global e do local.
Outra abordagem sobre os temas afeitos à globalização e ao desenvolvimento local foi
esboçada por Royo e Teixeira (2010), que argumentam ser o local uma definição correlativa do
global. Já para Giddens (1995), a globalização corresponderia a um processo de intensificação das
relações sociais à escala mundial. Nessa perspectiva, as relações ligam localidades distantes de tal
maneira que as ocorrências locais são moldadas por acontecimentos que se dão em grande distância
geográfica.
A interação estreita com o espaço local e com as grandes ondas tecnológicas que permeiam
as sociedades em âmbito mundial / global conformam uma realidade de suma importância para os
cursos de EAD. Isso se aplica à realidade dos discentes vinculados ao curso de Ciências Contábeis,
o que, por outro lado, necessita de uma inserção dos docentes em propostas teóricas e práticas que
sejam capazes de dar respostas a um espaço deslocalizado, marcado pela simultaneidade, o que é
possível perceber quanto à localização regional e local daqueles alunos que participam do curso e,
que muitas vezes estão realmente a muitos quilômetros de distância dos polos educativos ou das
escolas tangíveis.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Esse é um grande desafio para os cursos ministrados em formato EAD, que correspondem a
um processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, conforme abordado por Moran
(2012). Nesse modelo, professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. Contudo,
o fato de não estarem normalmente juntos, fisicamente, não os impede de estarem conectados,
interligados por tecnologias, principalmente das telemáticas, como a Internet.
Nessa perspectiva, a experiência apresentada pelo curso de Graduação do curso de Ciências
Contábeis - EAD trilhou todos os caminhos que os demais percorreram em relação ao processo de
ensino/aprendizagem e ao uso da tecnologia como foi mencionado anteriormente. Todavia,
apresenta um grande deferencial que é a aderência aos conhecimentos e saberes de cunho
extensionista, assimilados desde a aprovação da política de Extensão da PUC MINAS, inicialmente
como uma experiência em disciplinas que não tinham uma definição extensionista propriamente
dita. Contudo, no transcorrer do processo, o curso adota o campo extensionista em diversas
disciplinas, desde seu conteúdo até o campo de investigação e o desenvolvimento de ações
programáticas definidas nas ementas dos cursos e esmeradas nos respectivos planos de ensino das
disciplinas elencadas para efeito das práticas extensionistas.
Por esta condução, o apresente artigo caracterizado como estudo de caso descritivo,
considerou como fonte de coleta de dados os relatos dos docentes, as atas das reuniões do Núcleo
Docente Estruturante e os dados documentais da disciplina para o desenvolvimento da pesquisa. Tal
abordagem metodológica foi composta com o objetivo de relatar a implantação da disciplina
extensionista de Projeto Aplicativo, no curso de Ciências Contábeis EAD. Este será o tema a ser
aventado a seguir.

2. ESTRUTURANDO NOVOS CAMPOS DE CONHECIMENTO E DE SABERES


EXTENSIONISTAS NA ÁREA DAS CIÊNCIAS CONTÁBEIS A DISTANCIA: O CASO DA
DISCIPLINA PROJETO APLICATIVO

Com experiência desde 1971 na oferta do curso de Ciências Contábeis para a modalidade
presencial, em 2006, a PUC Minas passou a ofertar a modalidade à distância. O projeto pedagógico
do curso tem como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais estabelecidas pelo MEC para o
curso de Ciências Contábeis (Resolução CNE/CES 10, de 16 de Dezembro de 2004) e a legislação
do MEC reguladora de cursos de graduação a distância (Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de
2005, mais tarde modificado pelo Decreto nº 6.303, de 12 de dezembro de 2007, e o Decreto Nº
9.057, de 25 de maio de 2017).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A partir do novo marco regulatório dos cursos de graduação a distância, os desafios quanto a
busca de aplicações didático-pedagógicas assumiu um papel central na agenda institucional. Pela
nova orientação do Governo, o aluno não é obrigado a realizar ações presenciais, como as
avaliações que ainda são adotadas na PUC Minas. Neste momento de mudanças, em que vivemos a
necessidade de rever o processo avaliativo estabelecido pelo paradigma computacional, a busca por
um modelo educacional focado na personalização, que favoreça os avanços científicos e
tecnológicos da área e permita a leitura do mercado local para a aplicação do aprendizado, as
práticas focadas na metodologia ativa são propostas de valor para a orientação de uma nova leitura
sobre a práxis docente para os desafios educacionais de uma formação particular/personalizada,
mediada por tecnologias.
Diante das eminentes transformações no mundo dos negócios e as mudanças nas normas
contábeis que se sucedem na atualidade, considerando a exigência da harmonização contábil com os
critérios internacionais apresentados pelos contextos das multinacionais, o curso de Ciências
Contábeis vivência o desafio de promover uma contínua atualização de seus conteúdos curriculares.
Entretanto, a implicação das novas normas brasileiras nos processos de negócios das empresas é
intensificada pela necessidade de adequação às exigências tecnológicas impostas pela Receita
Federal em ocorrência da modernização do processo da governança tributária nacional, com a
implantação dos Sistemas Públicos de Escrituração Digital (SPED).
Sendo assim, o dia a dia da atuação profissional tem sido modificado e requer respostas
frente às novas exigências do profissional que atua no mercado de trabalho, alterando as
perspectivas de exercício da profissão e consequentemente, da formação acadêmica. Em função
deste processo, as instituições de ensino carecem de espaços de interação continuada para promover
instrumentos catalisadores que favoreçam a atualização dos conteúdos curriculares na urgência
estabelecida pela dinâmica dos negócios locais, nacionais e, principalmente, internacionais.
A partir da discussão, revisão, aprovação e aplicação das normas técnicas de contabilidade
no Brasil por meio da equiparação com os modelos internacionais, a exigência sobre a habilidade de
leitura e produção de textos foi intensificada. Considera-se ainda a necessidade de desenvolvimento
do pensamento abstrato para decodificar as operações empresariais à matriz positivista da lógica
binária do débito e do crédito. Neste momento de assimilação do saber e aplicação da prática
profissional, os alunos apresentavam aos docentes do curso uma necessidade de desenvolver
instrumentos de ensino-aprendizagem que permitissem aplicar a dedução hipotética normativa ao
contexto corporativo contemporâneo promovendo uma aprendizagem significativa mais favorável à
retenção da aprendizagem do que o modelo lógico-dedutivo.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Apesar das buscas contínuas de aplicação da metodologia Aprendizagem Baseada em


Problemas (ABP), faltava a aplicação de casos reais e atuais que assumissem complexidade pela
própria definição do problema central da organização, ou seja, sua análise-diagnóstica – a anamnese
da circunstância organizacional. Destaca-se outra limitação da atuação nas disciplinas tradicionais
que refere-se a ausência de um espaço de desenvolvimento habilidades relacionais previstas no
perfil do egresso e propostas nas competências. Cada disciplina do curso apresenta uma
correspondência com o perfil do egresso a partir da construção de uma matriz de competências e
habilidades, orientadora para a produção do material didático e avaliativo.
Verificou-se que após dois anos e meio de vivência da metodologia, as competências
relacionais estavam limitadas em sua adoção, até mesmo pela abordagem conteudista das
disciplinas de formação básica e intermediária abordadas no curso. Considerou-se ainda que, pelo
fato de o curso a distância valorizar a autonomia como um dos pilares de sua identidade na PUC
Minas, a ausência de interação social era um conflito para o alcance da nossa proposta
institucional. Porquanto a missão institucional propõe a formação humanista, que em sua concepção
compreende a valorização das relações interpessoais, era um desafio que o Núcleo Docente
Estruturante: aumentar a interação do aluno com a Sociedade no contexto da sociedade pós-
moderna.
A chamada pelo desenvolvimento de novos saberes e de novos conhecimentos se deu em um
processo extremamente desafiador. Fez-se necessário extrapolar e sair das “ilhas do saber” e criar
pontes de interação para apropriar-se de experiências sociais e da promoção do bem comum, do
desenvolvimento social e humano. Esses pontos convergentes desaguaram na construção de uma
proposta dialogal e intensa com a extensão universitária, reafirmando seus valores ex ante e ex post.
Foi necessário configurar uma rede interna no interior do curso, e externa a partir da Rede PROEX.
Dessa maneira, passou-se a permear a estrutura da disciplina através da forte aderência aos
princípios extensionistas, simultâneo, aos conhecimentos específicos da área de conhecimento do
curso de Ciências Contábeis e do ICEG, relacionados à área de conhecimento do Núcleo do
Trabalho e Produção (NUTRA) e a Coordenação Setorial de Práticas Extensionistas, ambas do Pró-
Reitoria de Extensão da PUC Minas.
Sensibilizados pela política nacional de Extensão Universitária e pela Pró-Reitoria de
Extensão (PROEX), mediante a compreensão dos princípios norteadores das atividades
extensionistas, pactuados no âmbito do FORPROEX (1987), o curso a distância em Ciências
Contábeis dedicou a disciplina de Projeto Aplicativo à prática curricular de extensão. Dessa
maneira, a disciplina de Estágio (5º período) passou a promover o acompanhamento do aluno no
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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espaço da relação do trabalho. Já a disciplina de Projeto Aplicativo (6º período) se apropriou da


prática extensionista propriamente dita e a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso (7º
período) experiência a vivência em grupos de pesquisa pelo desenvolvimento de temas específicos
definidos a partir das áreas de conhecimento e de extensão universitária.
Por entender que a Extensão é parte do fazer acadêmico ao produzir conhecimento científico
e torná-lo acessível à sociedade (dela e para ela) e permitir a convergência entre vocação técnico-
científica, vocação humanizadora e o compromisso social, o curso de Ciências Contábeis assumiu
compromisso dialético (teoria e prática), com vistas a gerar um resultante do processo indissociável
no curso de graduação. Desta maneira, espera-se que os candidatos a profissão, os estudantes,
exerçam cidadania "ética", com o emprego da defesa da justiça, respeito às diferenças, autonomia,
liberdade entre os homens. E que desenvolvam capacidades que associem a qualidade, a inovação e
sustentabilidade no seu processo formativo e na vida profissional.
A Universidade sustentada em seu tripé indissociável continuará a representar um papel
relevante na sociedade, promovendo o compartilhamento de saberes, aumentando as relações
internacionais e interinstitucionais, com a formação profissional. Para tanto, contudo, será
necessária uma proposta mais abrangente, do que apenas a valorosa jornada do docente em
promover a retenção da aprendizagem dos discentes por meio de estáticos slides textuais que
compõem o cenário da sala de aula. Para vencer os desafios apresentados, a sala de aula presencial e
virtual precisa se apropriar da missão institucional e vencer as fronteiras mentais para avançar na
busca de novos modelos de ensino-aprendizagem.
Nessa circunstância, a Universidade manterá a sua relevância social e contribuirá para o
desenvolvimento socioeconômico, promovendo uma formação humanista sem perder suas
possibilidades de inovação no campo pedagógico e no exercício de saberes. Estas podem contribuir
com o desenvolvimento de capacidades humanas que atendam, por um lado, os augúrios do
mercado e, de outro, com a consolidação de uma sociedade tecnicamente evoluída e com elevado
nível de desenvolvimento humano. No próximo item, descreveremos a disciplina de Projeto
Aplicativo.

2.1 Descrição da disciplina de projeto aplicativo – unidade curricular

A disciplina de Projeto Aplicativo visa promover ações integradas com a extensão


universitária, favorecendo práticas investigativas para abordar a pesquisa. Sendo assim, a disciplina
prevê a tríade do ensino, da pesquisa e da extensão em um fórum inter e transdisciplinar. Ao
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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considerar a abordagem proposta foram observadas as relações sociais estabelecidas pelos


discentes, valorizando o espaço da comunidade, e sua articulação com a sociedade para a inserção
do mesmo no espaço de atuação profissional aspirado, de forma dinâmica e ativa, agregando
habilidades e competências. Além disso, considerou-se a identificação do seu papel na sociedade,
ampliando a percepção humanística.
Ao idealizar tal abordagem, foram consideradas as competências previstas no projeto
pedagógico para o perfil do egresso: gerenciar informações e dados encontrados no mundo do
trabalho e na vida cotidiana, visando o desenvolvimento organizacional; exercer atividades de
consultoria, auditoria e perícia específicas da prática contábil com visão sistêmica e interdisciplinar;
apresentar visão humanística e global que habilite a compreensão do meio social, político,
econômico e cultural inserido e sua interface com o mercado; introduzir modificações no processo
de trabalho, atuar preventivamente, definir novos procedimentos; demonstrar boa articulação ao
comunicar ideias por escrito e verbalmente com pessoas ou grupos; articular bem no trabalho em
equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração
e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão; compreender o
contexto em que se insere como pessoa e cidadão, suas responsabilidades sociais e éticas na
construção do futuro da sociedade; exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas
prescritas através da legislação específica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos
organizacionais. Destacando a relevância social do processo formativo, simultâneo, a uma vivencia
prática. Reafirmando as demissões da ação extensionista e o processo constitutivo de saberes
oriundos da experiência e do exercício da reflexão decorrentes da pesquisa-ação.
A práxis idealizada para o desenvolvimento durante o semestre propõe fortalecer a relação
com a comunidade empresarial por meio da ação conjunta e da intervenção no ambiente proposto.
Com equipamentos locais, observa-se que os discentes podem desenvolver as ações em redes
sociais por meio de projetos de intervenção ou capacitação, desenvolvendo palestras ou minicursos
em escolas, creches, ONG, sindicatos, associação comercial, associações de classe, e instituições
religiosas. Somadas as demais modalidades previstas na política de extensão, a saber: programas,
projetos, cursos de extensão, prestação de serviços, eventos, consultorias.
Destaca-se que, com o desenvolvimento das práticas já realizadas, anteriormente, os
professores que conduzem a disciplina, apresentaram sugestões de melhoria para a abordagem de
algumas temáticas no curso e a inserção de novos cursos de atividades complementares para
favorecer o desenvolvimento do discente. Além disso, foram identificadas oportunidades para a
Ressignificando a relação teoria e prática:
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realização de novos projetos interdisciplinares que fomentem o desenvolvimento de habilidades e


competências voltadas para os desafios do E-Social, reafirmando a relevância social e a atuação que
o profissional contábil pode dar a sociedade brasileira em âmbito local, regional e nacional.
Outro tema relevante apresentado ao Núcleo Docente Estruturante (NDE) como
possibilidade de desenvolvimento no curso foi a realização de um projeto sobre aplicações de
recursos para sucessões familiares, integrando as disciplinas de Introdução a Ciência Atuarial,
Contabilidade Introdutória, Contabilidade Intermediária, Contabilidade de Custos, Direito
Trabalhista e Previdenciário e Perícia. Além da identificação de temas integradores para a
abordagem das disciplinas, foi possível identificar as dificuldades de aprendizagem dos alunos
diante da apresentação das soluções a cada caso contemplado, identificando temas abordados no
dia-a-dia do mercado de trabalho e que não são abordados em profundidade pelas disciplinas do
curso. Desta maneira, foi possível refletir sobre a necessidade de atualizar a dinâmica e a estrutura
de conteúdo das disciplinas.
Finalmente, pode-se destacar que a adoção da prática curricular de extensão no curso a
distância em Ciências Contábeis possibilitou aos envolvidos vivenciar em dimensões mais
profundas a aplicação dos princípios norteadores da prática pedagógica, prevista no projeto
pedagógico do curso, a saber:
 Os conteúdos, habilidades e atitudes podem ser mais amplamente construídos e/ou
interiorizados por meio da participação ativa do aluno em situações de ensino /
aprendizagem, que levem em conta suas particularidades socioculturais, seus interesses e
necessidades e sua disponibilidade para o diálogo, com o professor e com os colegas;
 Estratégias de aprendizagem, com vistas a promover o desenvolvimento da autonomia do
aluno, o seu envolvimento afetivo e a interação entre os atores do processo, podem ser
concretizadas, não só por meio de atividades individuais, como, também, por meio de
atividades cooperativas e solidárias;
 O conteúdo a ser ensinado deve ser compreendido numa perspectiva ampla, de forma a
incluir o que devemos saber, o que devemos saber fazer e o que devemos ser, tendo como
horizonte a articulação com a realidade e sua transformação;
 A mediação oportuna e significativa do professor encoraja os alunos a levantar questões e
problemas e a descobrir soluções para os mesmos. (Projeto Pedagógico do Curso de
Ciências Contábeis);
Ressignificando a relação teoria e prática:
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2.1.1 Desafio da interação em grupo para docentes e discentes na disciplina Projeto Aplicativo

Um dos desafios para a implantação da unidade curricular foi a definição do papel do


docente para a mediação da aprendizagem. Em sua primeira oferta, a expectativa docente de
produzir materiais e assinar os mesmos para garantir seu registro de trabalho aos gestores e
discentes foi vivenciada. A atuação colaborativa dos docentes ainda é um desafio diário, uma vez
que a prática acadêmica disseminou por décadas as “cadeiras letivas” e o horário exclusivo do
professor como interlocutor único em uma estrutura hierarquizada. Outro sim é o desafio de
transitar por distintas áreas do saber e lidar com situações reais que podem apresentar contextos
complexos e que criam impasses quanto à responsabilidade civil, uma vez que os alunos ainda não
exercem a profissão e são conduzidos por professores, que neste papel, precisam definir os limites
entre a consultoria e o espaço da práxis.
Após os semestres já vividos, foi constatado que as relações de troca e o respeito entre os
pares para a orientação dos alunos assumiu distintas propostas, demonstrando que novas maneiras
de distribuição do trabalho entre os professores ainda podem ser estabelecidas, do que a distribuição
em grupos de alunos por professor. E ainda, foi possível comprovar que a maior dificuldade dos
discentes se encontra na percepção do entorno e no estabelecimento das relações interpessoais,
sendo demandada aos responsáveis pela mediação, uma orientação mais voltada para o
desenvolvimento das competências tidas como relacionais.
Em 2018, os projetos em curso demonstraram ações que favorecem a solução de problemas
que tem apresentado certa repetição. Por serem sintomas recorrentes, a equipe docente pensa em
estratégias de transmissão da aprendizagem e da vivência dos semestres anteriores para os alunos
que ingressam na disciplina e até mesmo, os discentes do curso, tendo em vista a necessidade de
ampliar os olhares para promover uma mobilização social que atue no âmago das causas. Desta
maneira, será possível promover ações de sustentabilidade que sejam efetivas para as situações
observadas aumentando a abrangência da mobilização social e da cidadania, do desenvolvimento e
sustentabilidade das empresas, pelo assessoramento de órgãos que otimizem soluções que possam
melhorar as condições e a qualidade de vida da sociedade.
Uma das expectativas de efetividade da ação, pela adoção da política de extensão via
projetos e práticas curriculares, consiste em fomentar no egresso a capacidade de interagir com a
sociedade, e promover uma formação profissional relevante, pela promoção da visibilidade local do
aluno com a aplicação do saber para a melhoria do seu contexto local. Com esta condução, os
esforços direcionados para a formação do egresso permitem a busca do exercício da cidadania, pelo
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universitário, como agente de mobilização social, e pela conscientização da relevância social que a
formação profissional permite desenvolver com o exercício do seu papel social na construção de
uma sociedade proposta pela política extensionista, que promovam a cidadania "ética": defesa da
justiça, respeito às diferenças, autonomia, liberdade entre os homens. A seguir serão efetuadas
algumas considerações acerca do acompanhamento da implementação da disciplina de prática
extensionista em estudo.

2.2 Acompanhando os passos da implantação da disciplina Projeto Aplicativo

No ano de 2018 iniciou-se uma pesquisa qualitativa com a finalidade e acompanhar e


monitorar a implantação da disciplina Projeto Aplicativo. Para a análise dos dados utilizou-se da
análise descritiva dos relatórios de atividades, além da observação dos professores no
acompanhamento dos projetos desenvolvidos. A natureza da pesquisa é aplicada, descritiva e com
abordagem qualitativa (RAUPP e BEUREN, 2006). A abordagem qualitativa permitiu descrever a
complexidade do problema investigado, para compreender e classificar processos dinâmicos
vivenciados (RICHARDSON, 1999).
Os instrumentos de análise considerados foram os depoimentos apresentados nos relatórios
da prática curricular, considerando ainda as assistências prestadas pelos docentes no decorrer da
disciplina, com o uso das ferramentas Correio Acadêmico e Fórum. Ao consolidar o
acompanhamento foi desenvolvida a avaliação da prática extensionista e elaborado o relatório com
o registro textual da contribuição percebida pelo discente e pela organização. Ao considerar a
abordagem proposta foram observadas as relações sociais estabelecidas pelos discentes, valorizando
o espaço da comunidade, e sua articulação com a sociedade de forma dinâmica e ativa, fomentando
o desenvolvimento de competências e habilidades, e promovendo a identificação do seu papel na
sociedade, favorecendo a ampliação da percepção humanística.
Ao considerar a abordagem proposta foram observadas as relações sociais estabelecidas
pelos discentes, valorizando o espaço da comunidade, e sua articulação com a sociedade de forma
dinâmica e ativa, fomentando o desenvolvimento de competências e habilidades, e promovendo a
identificação do seu papel na sociedade, favorecendo a ampliação da percepção humanística.
Os primeiros resultados assinalaram notória a percepção de insegurança dos alunos diante
dos desafios apresentados de interação com organizações e equipamentos de mobilização social.
Percebeu-se que os alunos consideravam confortável estudar um conteúdo e realizar uma prova a
realizar uma interação social em seu espaço social. Contudo, alguns alunos favoreceram o
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engajamento de outros pelos depoimentos do fórum e compartilhamento das ideias nos grupos de
relacionamento, além da mobilização docente. No desenvolvimento das práticas considerou-se a
apresentação de uma proposta que foi contemplada pelos professores da disciplina, recomendando
estratégias de análise e interação favoráveis.
No que concerne aos ciclos evolutivos de planejamento, verificou-se que um número
significativo dos discentes entrevistados contribuiu para a consolidação das proposições da prática,
além de efetivar um processo de socialização entre os pares das ações extensionistas, promovendo a
indissociabilidade referente à percepção da realidade evidenciada e o desenvolvimento de um
ambiente de troca para a definição de proposições de intervenção social. Finalizadas as interações, o
aluno foi convidado a produzir um registro em vídeo sobre a experiência vivenciada apresentando
um relatório com o uso de diversos recursos midiáticos.
Observou-se que os depoimentos apresentados pelos alunos validaram a coerência da
proposta para a disciplina, na fala dos próprios discentes “a disciplina é muito válida por incentivar
práticas de atividades que tenham cunho social e colaboração dos alunos; em particular a atividade
com objetivo a orientação financeira me deixa grato por ter conseguido ajudar de alguma forma
aqueles que trabalham arduamente no agronegócio, sustentando a economia da região estudada”. A
apreciação da experiência pode também ser confirmada pela fala emotiva de outra discente “gostei
muito da ideia e de contribuir para a evolução dessas pessoas”.
A percepção de que a ausência de uma estrutura rígida e disciplinar pudesse ser contestada
pelos alunos acostumados a uma prática de ensino conteudista foi rompida, como pode ser
constatado na fala de um dos alunos da turma, que confirma a colaboração e troca de experiências
como um grande aprendizado para sua formação profissional: “agradeço a todos que
compartilharam ideias, valores”. Entre os registros obtidos pelos dados documentais, foi possível
identificar agradecimentos aos professores da disciplina pelo acompanhamento constante e troca de
ideias.
Os relatos dos alunos também favoreceram a identificação da pertinência e da relevância
acadêmica, como é possível ver pela fala de um dos alunos: “Acho que é a oportunidade do aluno
integrar a teoria e a prática, integrar o mundo do trabalho e o aprendizado [...] um elo entre a
metodologia de ensino/aprendizado e a prática do convívio corporativo”. Os alunos destacaram que
a flexibilidade, o acompanhamento e a validação em tempo real permitiu o desenvolvimento da
disciplina a contento. E ressaltaram que as habilidades fomentadas potencializaram a conquista das
competências previstas para o perfil do egresso: “a prática faz com que tenhamos a humildade de
aprender e a ousadia de descobrir algo novo para nos prepararmos para os desafios”.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Os desafios da formação humanista proposta na missão institucional, também pode ser


identificado pela fala dos alunos: “o sentimento que me tomou, ao demonstrar os resultados, foi de
felicidade e satisfação em ajudar o próximo e a melhorar o seu negócio com conteúdos antes vistos
na teoria”. Um termo muito presente nas falas dos alunos foi a cidadania, direcionando para os
valores presentes na Política de Extensão: “a prática permitiu aproximar o conhecimento da
universidade com os interesses da sociedade, desenvolvendo capacidades tanto como aluna quanto
como cidadã”. Outra evidência presente nos depoimentos dos alunos foi a identificação com a
profissão: “senti orgulho por saber o que fazer e como fazer (graças ao conteúdo e aprendizado
adquirido nas disciplinas do curso), a sensação é de autorrealização profissional”.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante enfatizar que as avaliações apresentadas no item anterior correspondem a um


pequeno retrato da dinâmica que tem sido desenvolvida na disciplina de Projeto Aplicativo. O
esforço que está sendo realizado ao adotar estratégias de associação do ensino, da pesquisa e da
extensão universitárias em trabalhos inter e transdisciplinares de natureza extensionista foi relevante
para o curso de Ciências Contábeis a distância.
Tal medida foi um avanço na busca da flexibilização curricular, garantindo atualidade de
projeto pedagógico ao tratar temas emergentes visíveis pelas demandas sociais sinalizadas. Um dos
grandes desafios vivenciados foi o desenvolvimento da capacidade versátil dos docentes em lidar
com o relacionamento entre os agentes e os temas apresentados, abordando de maneira ética e com
dinamicidade em cada produção acadêmica desenvolvida nestes últimos anos.
A percepção dos professores lotados na disciplina é de que a atividade desenvolveu
habilidades e competências inerentes ao contador, previstas no projeto pedagógico do curso,
oferecendo ao estudante, uma visão humanística que fortalece a reflexão sobre a vida de uma forma
mais ampla, redefinido, inclusive, padrões normativos e societários. A partir da percepção obtida
pelos docentes, recomendações foram realizadas ao NDE nos semestres subsequentes. A maioria
dos docentes indicou ser necessária a atualização ou maior enfoque de determinados temas em
disciplinas específicas.
Por ser uma prática em EAD, ao introduzir a prática na disciplina foi possível conhecer a
realidade da sociedade em que o estudante está inserido. Os relatórios contribuíram para a
elaboração de novos materiais didáticos, diante do aprendido, no intuito de ampliar a assimilação
pelo estudante e potencializar o processo didático. Ademais, essa iniciativa permitiu aos envolvidos
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 153

um alinhamento com a proposta do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) quanto à prática de


ações solidárias – Programa de Voluntariado da Classe Contábil. E ainda, a busca pela
aprendizagem significativa, que potencializa as experiências de aprendizado e consolida as
premissas pela via da ação de metodologias ativas favorável com a prática curricular de extensão
aplicada a organizações.

REFERÊNCIAS

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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO: UM OLHAR SOBRE A


AMAMENTAÇÃO

EXTENSION PRACTICES: BREASTFEEDING OVERVIEW

Camila Eduarda Elias Silva1


Hamiliane Fernanda de Oliveira Alves2
Gabriela de Souza Vaz3
Luana de Lima Souza4
Samara Finamor dos Reis5
Ana Teresa Brandão de Oliveira e Britto6

RESUMO

A prática curricular de extensão contribui para aumentar o envolvimento do acadêmico com a sociedade em geral, além
de propiciar a integração entre teoria e prática. Este estudo teve como objetivo descrever uma ação de extensão ocorrida
no Centro de Saúde Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, relacionada à orientação de gestantes sobre a importância do
ato de amamentar. Foram realizados dois encontros com as gestantes: no primeiro foi aplicado um questionário com o
propósito de mensurar o conhecimento das grávidas sobre a amamentação, e no segundo, aconteceu a orientação
propriamente dita, seguida da aplicação do questionário de avaliação da ação. Participaram do primeiro encontro 11
gestantes e dessas 7 (64%) já haviam sido informadas sobre aleitamento materno em algum momento de suas vidas. O
conhecimento das gestantes sobre o aleitamento materno foi considerado conveniente: 64% das usuárias afirmaram que
a amamentação deve ser iniciada na 1ª hora de vida da criança, 100% apontaram que o leite materno contém todos os
nutrientes para o bebê e 82% disseram que se deve amamentar o bebê exclusivamente no peito até os 6 meses de idade.
Em relação ao questionário de avaliação respondido por 6 gestantes, todas afirmaram que o projeto agregou
conhecimento e que a orientação recebida irá ajudar muito no processo de amamentação de seu filho. 62% das grávidas
apontaram que a maioria das dúvidas foi solucionada e avaliaram a iniciativa do projeto e o conteúdo apresentado como
ótimos. Considerou-se a importância da orientação sobre a amamentação para gestantes no período de pré-natal, a fim
de prevenir o desmame precoce causado pela falta de informação e garantir a qualidade de vida da mãe e do bebê
durante a gravidez e depois dela.

Palavras-chave: Aleitamento Materno. Fonoaudiologia. Extensão Comunitária. Orientação.

1
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: camilaeduardaes@[Link].
2
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: hamilianealves@[Link].
3
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: [Link]@[Link].
4
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: luanabh95@[Link].
5
Graduanda em Fonoaudiologia pela PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail: [Link]@[Link].
6
Doutora em Linguística; Pós-doutora em Neurociências. Professora Adjunta do Departamento de Fonoaudiologia da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail: anateresabritto@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
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| 156

ABSTRACT

The curricular practice of extension contributes to increase the involvement of the academic with society in general,
besides propitiating the integration of theory and practice. The purpose of this study was to describe an extension action
that took place at the Padre Eustáquio Health Center, in Belo Horizonte, related to the orientation of pregnant women
about the importance of breastfeeding. Two meetings were held with the pregnant women: in the first one, a survey was
applied in order to measure their knowledge about breastfeeding, and in the second one, the orientation itself was done,
followed by the application of an evaluation survey. Eleven pregnant women participated in the first meeting and seven
(64%) had already been informed about breastfeeding at some point in their lives. The mothers' knowledge about
breastfeeding was considered to be convenient: 64% stated that breastfeeding should be started in the first hour of the
child's life, 100% pointed out that breast milk contains all the nutrients needed for the baby and 82% said that mothers
should feed their babies exclusively on the breast until 6 months of age. Regarding the evaluation survey answered by 6
pregnant women, 100% stated that the project added knowledge and that the guidance given will greatly aid in the
process of breastfeeding their child, 62% of pregnant women pointed out that most of the doubts were solved and
evaluated the initiative of the project and the content presented as optimal. The importance of guidance on breastfeeding
for pregnant women during the prenatal period was considered in order to prevent early weaning caused by lack of
information and to ensure the quality of life of the mother and the baby during and after pregnancy.

Keywords: Breastfeeding. Speech, Language and Hearing Sciences. Community Outreach. Orientation

1 INTRODUÇÃO

A Atenção Primária à Saúde caracteriza-se como uma estratégia de ações preventivas e


curativas, que teve início em 1920, como forma de organização do Relatório de Dawson, em
contraposição ao modelo biomédico. No Brasil, a Atenção Primária tornou-se uma estratégia do
Sistema Único de Saúde, SUS (cf. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2009) e configura o local em
que as mulheres grávidas têm acesso ao pré-natal e recebem o Boletim de Saúde da Grávida, no
qual são registrados todos os dados relativos à gravidez. No pré-natal, são previstas oito consultas
médicas, no entanto, a participação de outros profissionais além do médico na preparação para o
parto e pós-parto é de grande importância. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018).
Um dos aspectos mais complexos no pós-parto é o aleitamento materno. A amamentação é
um cuidado importante para a mãe e para o bebê, por ser elemento essencial da nutrição e do
vínculo entre mãe e filho. É ainda a base para o desenvolvimento craniofacial do lactente, além de
trazer benefícios hormonais para a mulher. Amamentar o bebê significa também prepará-lo para
falar, já que o aleitamento materno promove o crescimento osteomuscular harmonioso, equilíbrio da
musculatura oral e das arcadas dentárias, e estímulo à respiração nasal. Um futuro bom padrão
articulatório da fala está diretamente relacionado a uma estimulação desde o nascimento, uma vez
que as estruturas envolvidas no ato de sugar são as mesmas utilizadas mais tarde para mastigar e
falar. (JUNQUEIRA, 2000).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 157

A mulher se prepara para amamentar ao mesmo tempo em que se prepara para a


maternidade. Nesse sentido, é muito importante que busque informações e também converse sobre
amamentação com outras mulheres e com profissionais especializados em aleitamento materno.
Esse diálogo pode ser promovido no SUS, a partir da mediação de vários profissionais. O
fonoaudiólogo é um dos profissionais indicados para informar sobre o aleitamento, visto que, ao
longo de sua formação, adquire amplo conhecimento sobre o sistema estomatognático, o
desenvolvimento neuropsicomotor, da audição e da aquisição da linguagem e fala (FUNDAÇÃO
OSWALDO CRUZ, 2005). Esse conhecimento pode e deve ser compartilhado publicamente por
meio da atuação em estágios e atividades de extensão propostos durante a graduação em
Fonoaudiologia.
O contexto da prática de extensão universitária assume grande importância nas contribuições
que o estudante leva para a sociedade, pois propicia o contato dos acadêmicos com o público em
geral, e, consequentemente, a possibilidade de unir teoria e prática. Trata-se do lócus onde essa
união se concretiza, principalmente no que se refere aos benefícios advindos desse encontro teórico-
prático que pode provocar importantes mudanças sociais. (RODRIGUES et al., 2013).
Na PUC Minas, as práticas curriculares de extensão foram formalizadas como uma das
modalidades de extensão por meio da Resolução 02/2015, que aprovou o regulamento da Pró-
reitoria de Extensão (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015).
Este trabalho teve como finalidade desenvolver e propor uma prática curricular de extensão
na disciplina “Oficinas de Extensão”, do terceiro período do curso de graduação em
Fonoaudiologia, da PUC Minas. A partir dos vários conhecimentos obtidos já nos períodos iniciais
da graduação, o grupo de alunas se propôs a realizar um trabalho com vistas a realizar uma ação na
Atenção Primária, relacionada ao aleitamento materno e sua importância no bom desenvolvimento
da motricidade orofacial do bebê.
Segundo dados fornecidos pelo gerente do Centro de Saúde Padre Eustáquio, o índice de
mortalidade materna desse território, no ano de 2018, foi de 0%, e o de mortalidade infantil de
1,37%, com 221 nascidos vivos, no entanto, observou-se que no local não havia um grupo
organizado de orientação para gestantes. As áreas do conhecimento propostas para a prática
curricular de extensão perpassaram informações sobre a importância da amamentação para a
nutrição do bebê, conservação e doação de leite materno, cuidados com as mamas e também outras
relacionadas à motricidade oral e ao crescimento crâniofacial, bases para um adequado
desenvolvimento da fala e da mastigação da criança.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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2 REVISÃO DE LITERATURA

A amamentação promove o vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança estabelecendo


a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para a redução da morbimortalidade infantil
(PERILO, 2017, p. 47). A promoção da amamentação na gestação tem impacto positivo nas
prevalências de aleitamento materno, principalmente para as primíparas, sendo o pré-natal uma
oportunidade excepcional para a motivação da amamentação (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF (Fundo das Nações
Unidas para a Infância), a atividade de aleitamento materno deve ser feita de forma exclusiva por
seis meses e o aleitamento acrescido de alimentos complementares até os dois anos de vida ou mais
(PERILO, 2017). Essa “introdução de alimentos deve ser gradativa, pois é com seis meses que o
bebê adquire maturidade fisiológica e neurológica para receber outros alimentos” (MOURA, 2015,
p.98).
Políticas de saúde pública relacionadas à amamentação estabelecem ações assistenciais de
apoio para o início e a manutenção do aleitamento. No entanto, os índices alcançados ainda
continuam bem distantes dos recomendados. Na última década, apenas 37% (trinta e sete por cento)
dos bebês receberam o aleitamento exclusivo por seis meses (PERILO, 2017, p.43).
Estima-se que o aleitamento materno poderia evitar 13% (treze por cento) das mortes em
crianças menores de 5 (cinco) anos em todo o mundo, já que a proteção do leite materno contra
mortes infantis é maior quanto menor é a criança (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
Há inúmeros benefícios da amamentação para mães e bebês, sendo que o relacionamento
estabelecido entre eles vai muito além do ato em si. Para a mãe, a amamentação favorece a volta do
útero ao seu tamanho normal e ajuda a eliminar as gorduras acumuladas durante a gravidez, além de
diminuir incidência de câncer de mama (JUNQUEIRA, 2000, p.13). Tratando-se do lactente, a
amamentação materna promove ganho de peso adequado, além de ser um alimento livre de
contaminação e que, proporciona proteção e prevenção contra agentes infecciosos e outras
características particulares que não são encontrados em outras formulações infantis, o que torna este
alimento essencial para um apropriado desenvolvimento da criança (MOURA, 2015, p.100).
O manejo clínico da amamentação são as ações e cuidados assistenciais para o
estabelecimento do aleitamento materno, produção láctea, tratamento e prevenções de agravos.
Dificuldades enfrentadas pelas nutrizes durante o aleitamento podem ser importantes causas do
desmame precoce e os profissionais da saúde possuem um papel importante na prevenção e no
manejo dessas dificuldades (PERILO, 2017, p.48). Nos atendimentos individuais, é importante que
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 159

se converse com a gestante e seu acompanhante a respeito de sua intenção de amamentar, oriente
sobre vantagens da amamentação e tempo ideal de aleitamento materno, consequências do
desmame precoce, produção do leite e manutenção da lactação, estímulo ao parto normal e
amamentação ainda na sala de parto, técnicas adequadas de amamentação, problemas e
dificuldades, direitos da mãe, do pai e da criança. Pode-se, também, estimular a formação de grupos
de apoio à gestante com a participação dos familiares, inclusive grupos de sala de espera
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
Os profissionais de saúde são os principais responsáveis pela promoção do aleitamento
materno e pela sua manutenção, uma vez que dão apoio e informação durante a gestação e no
período de puerpério (MOURA, 2015, p. 112). O fonoaudiólogo, por sua vez, “pode colaborar com
toda sua competência técnico-científica para que a vida seja assegurada pelo alimento, afeto e
segurança fornecidos pelo aleitamento materno” (NAVAS, 2009, p.669).

3 METODOLOGIA

A prática em foco trata-se de um trabalho de natureza descritiva, com abordagem quanti-


qualitativa, desenvolvido no Centro de Saúde Padre Eustáquio da cidade de Belo Horizonte, Minas
Gerais. A realização da prática curricular de extensão foi aprovada pela Gerência de Educação em
Saúde (GEDSA).
Inicialmente, foi estabelecido contato com o gerente do Centro de Saúde que confirmou a
inexistência de grupos de orientação sobre aleitamento. A primeira visita realizada no Centro de
Saúde constitui-se de uma reunião com o gerente, a fim de apresentar os objetivos do projeto bem
como a importância de sua realização, confirmar as datas da abordagem com as gestantes, deixar o
material de divulgação elaborado pelo grupo e solicitar a divulgação da atividade para o público
alvo.
Vale ressaltar que a divulgação da ação no Centro de Saúde contou com a participação de
diversos profissionais, como médico ginecologista, recepcionistas, profissionais do Núcleo de
Apoio à Saúde da Família, o que configura uma abordagem articulada com toda Equipe de Saúde da
Família na promoção da saúde das gestantes do Centro de Saúde. Tal abordagem aconteceu em dois
encontros com o público alvo.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3.1 Encontro I

O primeiro encontro teve como objetivo a apresentação das alunas e da proposta do projeto
às gestantes, além da aplicação de um questionário adaptado de Sousa (2009), que foi respondido
por elas, com o propósito de mensurar o conhecimento inicial destas sobre a amamentação. O
questionário continha perguntas relacionadas a informações sobre o aleitamento materno, vantagens
do aleitamento materno, anatomia da mama e fisiologia da lactação, desmame precoce e técnicas de
amamentação.
O encontro aconteceu na sala de espera do Centro de Saúde, durante a consulta pré-natal e
contou com a participação de 11 (onze) gestantes, cujo perfil variou de mães que já tinham filhos a
outras que estavam gestando o primeiro filho.

3.2 Encontro II

O segundo encontro aconteceu no Anexo do Centro de Saúde, contou com a participação de


6 (seis) gestantes. Nesse dia, os alunos ofereceram uma palestra e afixaram um mural sobre
amamentação, elaborado pelo grupo. A atividade teve duração de 3 (três) horas e foi dividida em
dois momentos: orientação e dinâmica. No momento de orientação, foram apresentadas
informações relacionadas à importância da amamentação para a mãe e o bebê: duração e posições
mais indicadas para amamentar; composição do leite materno; prevenção das causas de desmame
(rachadura e empedramento); introdução alimentar; relação entre o aleitamento e o
desenvolvimento harmônico da face; benefícios do aleitamento para estimulação das funções
estomatognáticas (fala e respiração, principalmente) e consequências do uso da chupeta e
mamadeira.
No momento da dinâmica, foram expostos mitos e verdades sobre a amamentação: as
gestantes deveriam indicar se era verdadeiro ou falso por meio de plaquinhas confeccionadas pelo
grupo. O intuito dessa dinâmica foi tornar o momento de palestra mais interativo, a fim de criar
maior proximidade com / entre as gestantes, possibilitando descontração e debate sobre a temática
proposta.
Em seguida a essas atividades, foi aplicado um questionário final de avaliação, elaborado
pelo grupo. As gestantes receberam ainda uma cartilha, elaborada anteriormente pelo projeto de
extensão “Aleitamento Materno: cuidados com a mãe e o bebê”, folders disponibilizados pelo
Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) e uma lembrança confeccionada pelo grupo.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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4 RESULTADOS

O público esperado para os encontros era de 40 (quarenta) gestantes, número que


corresponde ao total de gestantes atendidas no Centro de Saúde Padre Eustáquio. No entanto, foram
obtidas respostas de 11 (onze) gestantes. (Tabela 1)

Tabela 1 – Conhecimento das gestantes sobre Aleitamento


INFORMAÇÕES SOBRE ALEITAMENTO MATERNO
Perguntas Respostas encontradas
Foi informada sobre o aleitamento materno Sim Não
durante a gravidez? 7 4
Centro de Hospital/ Curso de preparação
Rede Privada
Se sim, onde? Saúde Maternidade para o parto
3 4 2 3
Obstetra
Médico de
Enfermeiro Familiar e Livros e Revistas
Quem informou sobre a amamentação? Família
amigos
4 1 3 2
A hora do
1ª hora de Depois da 1ª
início não é Não sei
Quando deve ser iniciada a amamentação? vida hora de vida
importante
7 1 1 2
O leite materno contém todos os nutrientes Sim
que o bebê precisa nos primeiros meses de
11
vida?
Com a amamentação a mulher fica com as Sim Não Não sei Não responderam
mamas caídas? 3 5 2 1
O pai tem papel um papel importante no Sim Não Não sei
sucesso da amamentação? 7 1 3
Por quanto tempo você deve amamentar 6 meses Até 1 ano Até o bebê querer
exclusivamente (dar só leite materno)? 9 1 1
Com qual idade deve ser introduzido outro Até o bebê
6 meses 7 meses Não sei
alimento na dieta do bebê? (dar leite materno querer
e outros alimentos)? 5 1 2 3
Vantagens do aleitamento materno para o bebê
É o alimento mais adequado às suas Sim Não responderam
necessidades 9 2
Sim Não responderam
Melhor digestabilidade
8 3
Sim Não sei Não responderam
Previne o risco de algumas infecções
8 1 2
Sim Não responderam
Previne o risco de algumas alergias
8 3
Diminui o risco de diabetes mellitus tipo I e Sim Não sei Não responderam
linfomas 5 1 2
Promove a linguagem do bebê e diminui Sim Não sei Não responderam
problemas de alteração morfológica da boca 6 2 3
Sim Não sei Não responderam
É um fator de proteção para a obesidade
5 4 2
Sim Não sei Não responderam
Promove coeficiente de inteligência
4 3 4
Sim Não sei Não responderam
Promove emocional mais alto
4 3 3
continua
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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INFORMAÇÕES SOBRE ALEITAMENTO MATERNO


Perguntas Respostas encontradas
Vantagens do aleitamento materno para a mãe:
Sim Não sei Não responderam
Promove a volta do útero ao normal
8 1 2
Sim Não sei Não responderam
A mãe perde peso mais rapidamente
7 2 2
Sim Não sei Não responderam
Diminui o risco de câncer de mama e ovários
8 1 2
Favorece a vinculação mãe-filho Sim Não sei Não responderam
8 1 2
Vantagens do aleitamento materno para a família:
Sim Não Não responderam
Mais economia
8 1 2
A criança adoece menos, o que leva a menos Sim Não responderam
gastos em cuidados da saúde 9 2
Outras vantagens do aleitamento materno:
Sim Não responderam
Está sempre pronto para servir
9 2
Sim Não sei Não responderam
Encontra-se à temperatura ideal
8 1 2
Sim Não responderam
Mais prático
9 2
Sim Não responderam
Perde-se menos tempo no preparo
8 3
Sim Não sei Não responderam
Amamentar é um ato ecológico
5 2 4
Anatomia da mama e fisiologia da lactação:
Uma mulher com mamas pequenas consegue Sim Não sei Não responderam
amamentar como outra com mamas grandes? 8 1 2
O tipo de mamilo não interfere no sucesso da Sim Não Não sei Não responderam
amamentação 4 3 2 2
Sim Não sei Não responderam
A produção do leite deve-se a um hormônio
7 2 2
Sempre que o bebê suga na mama aumenta a Sim Não
produção do leite 9 2
Desmame precoce:
Sim Não Não sei Não responderam
A mãe pensa que tem pouco leite
5 2 1 3
Sim Não Não responderam
Problemas com as mamas
6 1 4
Sim Não Não sei Não responderam
O bebê chora muito
2 4 2 3
Sim Não Não responderam
Volta da mãe ao trabalho
6 2 3
Sim Não Não sei Não responderam
Leite azedou
2 4 1 4
Sim Não Não responderam
Leite não sustenta
3 5 3
continua
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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INFORMAÇÕES SOBRE ALEITAMENTO MATERNO


Perguntas Respostas encontradas
Técnicas de amamentação:
Lavar sempre as mãos antes de iniciar a Sim Não sei Não responderam
amamentação 9 1 1
As mamas devem ser lavadas diariamente Sim Não Não sei Não responderam
durante o banho, sem produtos agressivos 8 1 1 1
Mãe e criança devem estar posicionados de Sim Não responderam
forma a promover a pega correta 10 1
Não fumar durante o período de Sim Não Não responderam
amamentação 8 1 2
Sim Não responderam
Evitar situações que causem ansiedade
9 2
Sim Não responderam
Ambiente deve ser silencioso e calmo
9 2
Fonte: elaborada pelas autoras, 2018.

Os dados encontrados revelam que 7 (64%) das grávidas já haviam sido informadas sobre
aleitamento materno, muitas vezes por profissionais da saúde da rede privada. Sete gestantes (64%)
afirmaram que a amamentação deve ser iniciada na 1ª hora de vida da criança, 11 (100%)
apontaram que o leite materno contém todos os nutrientes para o bebê e 9 (82%) disseram que deve
se amamentar o bebê exclusivamente no peito, até 6 meses.
Em relação à causa do desmame precoce, sete gestantes (55%) destacaram a volta da mãe ao
trabalho e problemas com as mamas; 5 (46%) destacaram a insuficiência de leite como fatores
preponderantes para o desmame precoce, demostrando pouco conhecimento sobre o assunto. A
maioria das informações obtidas foram sobre as vantagens da amamentação para a mãe e o bebê, as
características do leite materno e os fatores de sucesso na amamentação.
Todas as gestantes afirmaram que o projeto agregou novos conhecimentos, especificamente
sobre a importância da amamentação para o adequado desenvolvimento orofacial. Afirmaram
também ter havido dinamismo nas apresentações e discussões, que as alunas atenderam a todas de
forma igualitária e respeitosa e que a orientação irá trazer inúmeros benefícios para o processo de
amamentação. Além disto, 62% das grávidas apontaram que a maioria das dúvidas foram
solucionadas e avaliaram a iniciativa do projeto e o conteúdo apresentado como tendo sido ótimo
(Figura 1)
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Figura 1 – Avaliação das gestantes sobre a Prática de Extensão

Fonte: elaborado pelas autoras, 2018.

Mesmo diante de toda divulgação realizada com o apoio da gerência do Centro de Saúde
Padre Eustáquio, que valorizou muito o projeto, a adesão do público não foi tão efetiva quanto era
esperado. Esse fator, em um primeiro momento, pode ser explicado pelo horário disponibilizado
(comercial, sendo que algumas gestantes trabalham) e pelo difícil acesso ao anexo do posto de
saúde, local em que a ação ocorreu inicialmente. O anexo se localiza duas quadras acima do Centro
de Saúde e o caminho que direciona até ele tem ladeiras e calçadas muito tortuosas. No segundo
dia, os trabalhos foram transferidos para a sala de espera do Centro de Saúde, possibilitando maior
visibilidade da ação pelo restante do público presente, pelos outros profissionais que atuam no
centro de saúde e adequando melhor a participação das gestantes presentes.

5 DISCUSSÃO

A amamentação é muito importante para o desenvolvimento tanto físico quanto psíquico do


bebê, é um ato natural, mas necessita de algumas técnicas para trazer maiores benefícios para o
lactente. No entanto, as informações adequadas não chegam de maneira uniforme para todas as
mães. Esse quadro vem se modificando com o decorrer dos anos e isso justifica o enquadramento
do Brasil como referência em aleitamento materno.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O Sistema Único de Saúde (SUS) tem importante papel na disseminação desses


conhecimentos através das Equipes de Saúde da Família na Atenção Primária. Um estudo realizado
no Rio Grande do Sul, por exemplo, constatou que, em cidades com menos de 100.000 habitantes,
as mulheres que eram atendidas pelas Equipes de Saúde da Família eram mais informadas sobre o
aleitamento do que as mulheres que utilizavam somente os serviços de saúde privados. (CRUZ et
al, 2010, p.60) No entanto, durante a ação realizada no Centro de Saúde Padre Eustáquio, foi
possível perceber que as informações obtidas sobre aleitamento foram originadas da rede privada de
saúde.
É importante ressaltar que o Centro de Saúde não oferecia grupos sobre aleitamento materno
antes da ação realizada e que o público atendido é de escolaridade baixa, fatores que podem ter
influenciado fortemente no pouco acesso às informações.
Outra forma de acesso à informação é a internet, ferramenta que vem sendo usada por um
número cada vez maior de pessoas que, porém, estão sujeitos a obterem dados incorretos em suas
buscas. Silva e Gubert (2010), em seu estudo sobre a qualidade das informações sobre aleitamento
em sites informativos, observaram que apenas 64% deles informam sobre o aleitamento exclusivo
até o 6º mês e somente 33% mencionam os prejuízos causados pela mamadeira e pela chupeta.
Entre as informações equivocadas, há o consumo de carne no 12º mês, introdução de alimentos no
7º mês e o consumo de leite de vaca no 6º mês. O impacto de tais informações foi encontrado na
ação realizada pelo grupo, principalmente em indagações relacionadas ao desmame e à introdução
alimentar.
Foram apontados pela grande maioria das gestantes “a volta da mãe ao trabalho” e
“problemas com as mamas” como fatores que causam o desmame, o que é semelhante aos
resultados obtidos em outros trabalhos. A associação da volta da mulher ao trabalho e o desmame
precoce não está ligada diretamente à função ou ao tipo de trabalho exercido e sim a menor
frequência da amamentação, o que interfere na estimulação da glândula mamária, levando à
diminuição do volume de produção de leite (ARAÚJO et al., 2003, 2008; CARRASCOZA et a.l,
2005).
A sensação de leite “fraco”, seguida da introdução de outros alimentos, também favorece o
desmame precoce, devido à natural diminuição da produção láctea. O problema com as mamas,
nesses estudos, foi correlacionado às doenças maternas, como fissuras, ingurgitamento mamário,
mastites, hipogalactia, empedramentos e “caroços” nas mamas, que podem influenciar no processo
de aleitamento, por provocarem um cotidiano mais ansioso e tenso. Além do mais, quando a dor
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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permanece durante toda a mamada, pode haver a transformação desfavorável do cenário da


amamentação, de tal maneira que venha a influenciar a mãe a desmamar seu filho. (ARAÚJO et al.
2008, p.100).
O aleitamento materno como primeira alimentação do lactante representa proteção contra
doenças infecciosas, menor incidências de alergias e reduzidas morbidade e
mortalidade. Entendendo que o conhecimento sobre a amamentação não é inerente à mulher, ou
seja, ele tem que ser adquirido por meio de cultura, das experiências e das informações, o pré-natal
é um período importante para sensibilizá-la e prepará-la para o ato de amamentar. (LAMOUNIER,
MOULIN, XAVIER, 2004, p. 183).
Nenhuma das gestantes presentes à prática de extensão aqui relatada havia recebido
informações sobre a correlação entre o aleitamento materno e o desenvolvimento harmônico da face
do bebê, importante forma de prevenção de problemas de crescimento craniofaciais, base para o
correto desenvolvimento da respiração e da fala. (TOMA e REA, 2008, p. 239). Esse novo
conhecimento foi, certamente, um importante diferencial entre as informações já conhecidas pelas
gestantes, e se refere a um saber bastante específico da Fonoaudiologia.
A grande satisfação demonstrada pelas gestantes na avaliação qualitativa da prática
confirmou a necessidade e a importância da orientação relacionada a diferentes aspectos do
aleitamento durante o pré-natal.
O Brasil possui uma regulamentação através de leis, pareceres e decretos e mesmo
normatizações que beneficiam os usuários do Sistema Único de Saúde, bem como alguns programas
que propiciam maior acompanhamento durante a gestação, fundamentais para a saúde da mulher e
do bebê. A Lei Nº 11.634, de 27 de dezembro de 2007 dispõe sobre o direito da gestante ao
conhecimento e a vinculação à maternidade, portanto receberá assistência no âmbito do SUS; e a
Portaria Nº 569, de 01 de junho de 2000 considera que o acesso das gestantes e recém-nascidos a
atendimento digno e de qualidade, no decorrer da gestação, parto, puerpério e período neonatal, é
direitos inalienável da cidadania.
Embora o SUS possua programas de prevenção pré e pós-natal, algumas informações não
chegam às gestantes de forma clara e objetiva, por despreparo dos profissionais da saúde
(DUARTE; BORGES; ARRUDA, 2011). A possibilidade de criação do vínculo entre o profissional
da saúde e a gestante bem como o atendimento de qualidade são fundamentais para que a confiança
seja estabelecida e para que a gestante continue utilizando os serviços durante todo período pré-
natal, e participe efetivamente dos grupos de orientação (CARNEIRO, 2014).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Esta prática curricular de extensão apresentou-se como grande aliado na interlocução teoria
e prática, que deve ser incentivada ainda na graduação, a fim de promover o diálogo entre saberes e
comunidade e fortalecer a indissociabilidade entre as três dimensões acadêmicas.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A maioria das gestantes abordadas tinha algum conhecimento sobre os benefícios do


aleitamento materno e a qualidade de vida da mãe e do bebê durante e após a gravidez. No entanto,
na prática curricular de extensão aqui descrita foi possível incluir outros aspectos sobre crescimento
craniofacial, adequação das funções estomatognáticas e desenvolvimento da fala, nem sempre
abordados por outros profissionais.
Considerou-se ainda relevante que as gestantes mostraram-se satisfeitas com a ação
realizada, a qual teve uma avaliação muito positiva. Nessa perspectiva, e diante no pequeno número
de gestantes abordadas, considera-se ainda a necessidade de ações de promoção, norteadas pela
integralidade e interdisciplinaridade, sendo fundamental a existência do vínculo entre o profissional
e as gestantes, a fim de garantir maior adesão às ações.
Para além do resultado junto às gestantes, o trabalho em grupo proporcionou aos discentes
larga troca de experiências, incentivou a criatividade, aprimorou a capacidade para lidar com
problemas, bem como oportunizou a convivência com os desafios enfrentados na prática
profissional. Revelou-se ainda como um importante aliado na formação acadêmica e pessoal, mais
humanizadas. Foi um momento ímpar para a formação dos graduandos, que experimentaram
cenários diversos, enriquecidos por construções ímpares, pelo envolvimento e pelo cuidado, que
perpassou cada encontro.

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O SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO E O MÉTODO APAC:


EXPERIMENTANDO A ESPERANÇA EM BETIM/MG

THE BRAZILIAN PRISON SYSTEM AND THE APAC METHOD:


EXPERIENCING HOPE IN BETIM / MG

Aline Honda Fernando1


Daniella Cristina de Oliveira2
Camila da Silva Costa3
Laura Thamara Pio Dumann4
Loianne Amaral Campos Silva5
Vitor Amaral Medrado6

RESUMO

Este trabalho é um relato de prática extensão desenvolvida no âmbito da disciplina de Direitos Humanos e
Fundamentais durante o 2º semestre de 2018 na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas)
unidade Betim. A prática de extensão buscou promover a conscientização da sociedade betinense sobre os benefícios do
Método APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) como modelo alternativo frente as mazelas do
Sistema Carcerário Brasileiro. O projeto se inseriu no contexto da busca pela implementação da APAC no munícipio de
Betim e constituiu-se na visita in loco na APAC Itaúna e na idealização, criação e distribuição de materiais educativos
para a população local. O projeto se pautou na ideia de que o compartilhamento de conhecimentos teóricos assimilados
pelos alunos e pelas alunas na disciplina de Direitos Humanos e Fundamentais, assim como em outras disciplinas do
currículo do curso de Direito da PUC Minas, pode e deve auxiliar na transformação social e, sobretudo, no combate as
injustiças sociais. Escrito a várias mãos, o presente trabalho pretende também oferecer ao(a) leitor(a) uma compreensão
das insuficiências e mazelas do Sistema Carcerário Brasileiro, além de uma exposição dos fundamentos e benefícios do
Método APAC.

Palavras-chave: Direitos Humanos e Fundamentais. Sistema Carcerário Brasileiro. Método APAC. Prática de
extensão. PUC Minas Betim.

1
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: alinehf321@[Link].
2
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: daniellacristinaoliveira79@[Link].
3
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: camilacost@[Link].
4
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: laurathamaradumann@[Link].
5
Graduanda em Direito pela PUC Minas Betim. E-mail: loiannecampos@[Link].
6
Professor de Direito da PUC Minas. Doutor e Mestre em Teoria do Direito pela PUC Minas. Graduado em Filosofia
pela UFMG e em Direito pela PUC Minas. Foi Visiting Research Fellow da University of Baltimore School of Law
(EUA – 2015/2016). Advogado. E-mail: vitormedrado@[Link].
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ABSTRACT

This paper is an extension practice report developed within the scope of the Human Rights and Fundamental Rights
Class during the second semester of 2018 at the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas) Betim
unity, . The extension practice sought to promote the awareness of the population of Betim City about the benefits of
the APAC Method as an alternative model to face the problems of the Brazilian Prison System. The project was inserted
in the context of the search for the implementation of APAC in the municipality of Betim and constituted the on-site
visit to APAC Itaúna and the idealization, creation and distribution of educational materials for the local population.
The project was based on the idea that the sharing of theoretical knowledge assimilated by students in the Human and
Fundamental Rights Classes, as well as in other courses of PUC Minas School of Law, can and should contribute to
social change and, above all, in combating social injustices. Written by several hands, the present work also intends to
offer the reader an understanding of the failings of the Brazilian Prison System, as well as an explanation on the
fundaments and benefits of the APAC Method.

Keywords: Human and Fundamental Rights. Brazilian Prison System. APAC Method; Extension practice. PUC Minas
Betim.

1 INTRODUÇÃO

O Sistema Carcerário Brasileiro alcançou recentemente a marca de mais 700 mil presos, a
terceira maior população prisional do mundo. Como se não bastasse esse problema, é notório o
descompasso entre as leis que regulam o Sistema e a realidade dos presídios. Se é evidente que o
objetivo constitucional do Sistema Carcerário é a ressocialização dos apenados, mais evidente ainda
é o fato de que o Brasil está longe de cumprir esse propósito.
No Brasil, os presídios são, na prática, um depósito de pessoas, sobretudo de jovens pobres e
negros, que são tratadas como se pessoas não fossem. O resultado é que o Sistema Carcerário
Brasileiro perpetua a pobreza, o racismo e a marginalidade e engendra a violência e a insegurança
social que pretendia combater. O cenário atual é desafiador e evidencia a necessidade de reformular
o Sistema Prisional através de novos métodos.
É nesse contexto que deve ser compreendido o Método APAC (Associação de Proteção e
Assistência aos Condenados). Criada em 1972, em São José dos Campos, São Paulo, a APAC
pauta-se na ressocialização do indivíduo, tornando viável o ímpeto do Ordenamento Jurídico
Brasileiro de combater a violência e ressocializar o preso. Diante disso, esse Método tem sido
implementado em diversas regiões do Brasil. Destacam-se as excelentes experiências das APAC
em municípios tais como o de Itaúna, na região Centro-Oeste do estado, que é considerada uma
APAC modelo.
Entretanto, a instalação de novas APAC frequentemente encontra resistência por parte da
sociedade civil de alguns municípios. Esse é o caso do município de Betim, na região metropolitana
de Belo Horizonte. Já há muitos anos, a implantação da APAC Betim é dificultada pela resistência
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persistente de parte da população local. Todavia, esse cenário é perturbador, já que, apesar de a
falência do Sistema Carcerário Brasileiro ser notória em praticamente todas as regiões do país, a
situação é especialmente dramática nos grandes centros urbanos, que convivem com os maiores
índices de violência e com a superlotação dos presídios. É justamente nesse particular cenário que
Betim se insere: índices altíssimos de violência e pouca capacidade de reverter a situação.
Diante disso e cientes de sua responsabilidade social, docentes e discentes da Faculdade
Mineira de Direito da PUC Minas, campus Betim, têm somado esforços no sentido de conscientizar
a população local sobre os benefícios da implantação de uma APAC neste município. Nesse
contexto, no 2º semestre de 2018, no âmbito da prática extensionista obrigatória da disciplina
“Direitos Humanos e Fundamentais”, turno noite, alunos, alunas e professor desenvolveram um
trabalho de conscientização da sociedade betinense sobre os benefícios do Método APAC.
A prática de extensão envolveu a visita in loco na APAC Itaúna, a criação de materiais
educativos, tais como blusas e panfletos, e a distribuição desses materiais para a população local em
pontos estratégicos da cidade de Betim. O pressuposto da prática realizada é o de que o
compartilhamento de conhecimentos teóricos assimilados pelos alunos e pelas alunas na disciplina
de Direitos Humanos e Fundamentais, mas também em outras disciplinas do currículo do curso de
Direito da PUC Minas, pode e deve auxiliar na transformação da realidade social brasileira,
fortemente marcada pelas injustiças sociais, de que o Sistema Carcerário é um exemplo.

2 TEORIA: A FALÊNCIA DO SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO

Desde as eras mais remotas da humanidade, o sistema punitivo apresentou um contínuo


processo de mutação. Os mais antigos gregos e romanos não desfrutavam da restrição da liberdade
dos indivíduos com o intuito de castigá-los, mas como meio de domínio físico dos corpos, ao passo
que aguardavam sua sentença ou a execução dessa, conforme indica Leal (2001, p. 33).
A Idade Média fora marcada pela ausência de espaços físicos destinados, unicamente, à
realização de suplícios, utilizando-se então de torres de castelos, fortalezas e conventos para
aplicação da pena, onde o infrator, seguindo o viés da igreja, por vezes, era aprisionado para que
houvesse, através da penitência, a lamentação pelo ato cometido e alcance da retificação. Nesse
momento, surge o termo “penitenciária”, que possui em seu alicerce de formulação o Direito Penal
Canônico (OLIVEIRA, 1997, p. 5). No século XVII, mais especificamente em Amsterdam na
Holanda, surgem estabelecimentos prisionais com o cunho específico de execução da pena visando
a reeducação do sujeito submetido a ela (OLIVEIRA, 1997, p. 6).
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Logo, faz-se perceptível, desde os tempos mais antigos, a necessidade de promover um


contraestímulo para aqueles que pretendem transgredir a lei, sendo que o Direito deve viabilizar o
exercício da justiça e da segurança, mas de forma a permanecer intocáveis os direitos fundamentais
daqueles que executam atos previstos como crime.
Ainda assim, lamentavelmente, a prisão não representa um modelo de regeneração do
condenado, pelo contrário, segundo Leal (2001), “perverte, corrompe, deforma, avilta, embrutece, é
uma fábrica de reincidência, é uma universidade às avessas onde se diploma o profissional do
crime”, visto que, ainda em harmonia com ele, “não é com a severidade das penas que se combate
ou extingue a criminalidade” (LEAL, 2001, apresentação).
Para mais, a aplicação da pena, por vezes, como aponta Oliveira (1997), alcança não
somente o infrator, bem como:

orfana filhos de pai vivo; enviúva a esposa de marido combalido; prejudica o credor do
preso tornado insolvente; desadapta o encarcerado à sociedade suscita vários conflitos
sexuais; onera o Estado; amontoa seres humanos em jaulas sujas, úmidas, onde vegetam
em olímpica promiscuidade. (OLIVEIRA, 1997, p.7).

Ademais, o atual Sistema Carcerário Brasileiro, como afirma Oliveira (1997, p. 7), “não
permite nenhum equilíbrio entre o corpo e o espírito”, comprometendo então a plenitude física e
moral do indivíduo. Isso se evidencia pela análise dos principais dados referentes ao Sistema.
Segundo dados do INFOPEN (2017, p. 28), no primeiro semestre do ano de 2016 houve
266.133 inclusões “originárias” de presos, ou seja, sem computar possíveis transferências de um
sistema prisional para outro. Em contrapartida, a proporção de saídas foi menor no mesmo período:
193.789, decorrentes de alvarás de solturas, óbitos dos condenados, entre outros. Isso significa que
existem mais pessoas sendo aprisionadas do que pessoas deixando a prisão. Outros dados são
igualmente assustadores. Em junho de 2016, o Brasil atingiu a marca 700 mil pessoas privadas de
liberdade, a maior população carcerária da história. Esse número representa um aumento de mais de
700% em relação ao registrado no início da década de 1990. A taxa de aprisionamento aumentou
157% no Brasil entre 2000 e 2016 (INFOPEN, 2017, p. 9-12). É preciso notar também que 55% da
população prisional são compostos por jovens entre 18 e 29 anos, 64% dos condenados são negros e
51% não possuem ensino fundamental completo.
É em vista desses dados que diversos estudiosos, entre eles Danin (2017), afirmam que esta
política de encarceramento em massa tem como principais vítimas os jovens negros e pobres.
Ademais, grande parte da população carcerária é formada não de criminosos violentos, mas de
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pequenos delinquentes e usuários de drogas. Isso se deve entre outros motivos, como explicam
Silvestre e Melo (2017), à promulgação da Lei dos Crimes Hediondos, em 1990. A Lei passou a
limitar a progressão de regime aumentando, consequentemente, o tempo de pena em regime
fechado. Além disso, acrescentou-se o crime de tráfico de drogas, introduzido ao rol de crimes
hediondos.
É preciso notar que a sanção do apenado deve observar o grau de sua culpabilidade e ser
equivalente à reprovabilidade da conduta por ele praticada, uma vez que, sempre que houver a
possibilidade, a pena originária deve ser substituída por medidas de segurança, multas, prestação de
serviços à comunidade, interdição temporária de direitos, etc. A pena privativa de liberdade deve
então ser empregada, tão somente, a casos em que o delinquente exprima vasta periculosidade para
o meio social e o crime em questão seja grave, haja vista que o encarceramento desenfreado, como
ocorre no Brasil, não é instrumento para diminuir a marginalidade; prova disso, de acordo com Leal
(2001), é que não se processou essa redução mesmo após a implantação da Lei de Crime
Organizado, da Lei de Crimes Hediondos e demais outras.
Acrescenta-se ainda que a pouco esforço do Poder Público no sentido de promover a
ressocialização dos detentos. Veja-se, por exemplo, que apenas 12% da população prisional no
Brasil estão envolvidos em algum tipo de atividade educacional (INFOPEN, 2017, p. 53). Além
disso, apenas 2% da população prisional total do país encontram-se envolvidos em atividades de
remição pela leitura ou pelo esporte e demais atividades educacionais complementares. (INFOPEN,
2017, p. 54). Esses dados evidenciam o descompasso entre as leis e a realidade do Sistema Prisional
Brasileiro. É o que ocorre, por exemplo, com a Lei de Execução Penal que, em seu art. 11, inciso
IV, impõe que a assistência ao preso e ao internado é dever do Estado e que objetiva prevenir o
crime e ressocializar o detento através, entre outras práticas, da educação.
A ineficácia (ou desrespeito) às normas que regulam o Sistema Carcerário evidencia-se
também em outros âmbitos. É o que ocorre, por exemplo, no que tange ao exercício do trabalho por
apenados. Segundo INFOPEN (2017, p. 56), “em Junho de 2016, 15% da população prisional
estava envolvida em atividades laborais, internas e externas aos estabelecimentos penais” (sic).
Por sua vez, a Lei de Execução Penal, em seu art. 29, designa que “o trabalho do preso será
remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário
mínimo”. Todavia, consoante a INFOPEN (2017, p. 58) “75% da população prisional em atividade
laboral não recebe remuneração ou recebe menos que 3/4 do salário mínimo mensal” (sic).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O mesmo ocorre quanto à garantia do direito à saúde dos apenados. A Lei n° 7.210/84, art.
11, II e art. 14, caput, impõe que:

Art. 11. A assistência será:


II - à saúde;
Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e curativo,
compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico.

No mesmo sentido, a própria Constituição Federal de 1988 estabelece que a saúde é direito
de todos e dever do Estado. Entretanto, após dez anos do lançamento do Plano Nacional de Saúde
no Sistema Penitenciário, a assistência aos detentos alcança apenas cerca de 30% da população
carcerária. (RODRIGUES, 2013). Diante disso, é infelizmente correta a constatação de Oliveira
(1997):

Se um homem vai para a prisão e lá se depara com um aparelho destruidor de sua


personalidade, como poderá sentir a sensação que será útil à sociedade no amanhã? Sem
condições de exercitar o seu potencial, sem a terapia do trabalho, jamais o preso terá
assegurado o êxito de sua reintegração harmônica na sociedade. (OLIVEIRA, 1997, p.8).

De todo modo, caso presente a real necessidade da aplicação dessa espécie de pena, o maior
obstáculo é, sem dúvidas, segundo Leal (2001, p. 50), harmonizar os direitos presentes na
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, documentos a plano internacional, como o
Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, Convenção Americana sobre Direitos Humanos, e
regulamentos disciplinadores da Lei de Execução Penal (1984) com o plano fático, visto que esses
aspiram a garantir a integridade física, psíquica e moral do detento, como profere o artigo 7° e 10, 1
do Pacto supramencionado:

Art. 7°: Ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamento cruéis,
desumanos ou degradantes. Será proibido sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu livre
consentimento, a experiências médias ou cientificas.
Art. 10
1. Toda pessoa privada de sua liberdade deverá ser tratada com humanidade e respeito à
dignidade inerente à pessoa humana. (BRASIL. Decreto n° 592, de 6 de julho de 1992.
PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS. Disponível em:
<[Link]

Além disso, a Lei n° 7.210, de 11 de julho de 1984 em seu art.1º determina que: “A
execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e
proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.” Faz-se
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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crucial para tal fim ser alcançado, a individualização da pena, feita através de exame criminológico,
obrigatório para o cumprimento no regime fechado e de forma facultativa para o semiaberto, para
que enfim suceda um tratamento eficaz para aquele submetido a ela.
Não obstante, a aquisição dos itens básicos para a correta particularização da pena, por
vezes, é feita de forma precária, logo, não há uma abordagem ideal para cada caso concreto. Ainda,
caso houvesse essa operante especificação, suceder-se-ia o impedimento do efetivo procedimento,
verificada a massa falida que é o sistema carcerário brasileiro.
Conforme o exposto até aqui, é vital então buscar um modo de propiciar a execução da pena
de forma que reintegre, por meio de um tratamento mais humano, o indivíduo a sociedade e
mantenha resguardados seus direitos.
Oliveira (1997) reitera que:

O propósito maior deve ser o banimento da promiscuidade, de tal sorte que o preso tenha
suporte para alimentar o amor à sua própria dignidade, preparando o futuro para, em
liberdade, promover com honradez e autonomia sua subsistência. Se um homem vai para a
prisão e lá se depara com um aparelho destruidor de sua personalidade, como poderá sentir
a sensação de que será útil à sociedade no amanhã? Sem condições de exercitar o seu
potencial, sem a terapia do trabalho, jamais o preso terá assegurado o êxito de sua
reintegração harmônica na sociedade. (OLIVEIRA, 1997, p.8).

Diante da ineficácia do sistema prisional vigente em cumprir a aplicação da pena e, ao


mesmo tempo, instruir o sujeito de maneira a reeducá-lo ao convívio social, consequentemente,
freando a criminalidade, é crucial pensar em um novo modo de execução penal.

3 TEORIA: O MÉTODO APAC

Ante a essa terrível situação na qual se encontra o Sistema Carcerário Brasileiro, é imperiosa
a busca por possíveis soluções, ou por novos caminhos, que possam tornar efetivas as nossas leis. É
nesse sentido que o Sistema APAC representa verdadeiro contraponto ao atual cenário do Sistema
Carcerário Brasileiro.
O Método APAC parte do pressuposto de que todo preso é recuperável, desde que sejam
seguidos determinados passos, observando regras preestabelecidas e dando-lhes tratamento digno,
valorizando a individualidade e o trabalho. Mantém-se por meio de doações e convênios com o
Poder Público e outras entidades, podendo assim oferecer cursos educacionais e profissionalizantes,
inserir os presos no mercado de trabalho, oferecer assistência aos mesmos e a seus familiares, etc.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 177

Uma conjuntura totalmente nova abre-se diante do preso que deixa o sistema prisional
comum rumando à APAC, podendo ter ampliada sua perspectiva de vida e assim vislumbrar,
verdadeiramente, sua ressocialização. Para tanto, faz-se necessária uma nova visão de cumprimento
de pena, não a limitando apenas à privação da liberdade, mas, sobretudo, de reaproveitamento do
tempo consumido no cumprimento da mesma, com autoconhecimento e valorando-se através de
oportunidades dentro do próprio sistema por intermédio do trabalho, por exemplo, tanto interno,
quanto externo – quando possível, tendo, enfim, a oportunidade de redefinir as estatísticas do
cárcere brasileiro, tornando-as menos chocantes e ao mesmo tempo possibilitando o retorno dos
presos ao convívio social.
Criada em 1972, em São José dos Campos, São Paulo, a Associação de Proteção e
Assistência aos Condenados (APAC) traz uma abordagem inovadora que busca aperfeiçoar seu
método a partir das mudanças econômicas, culturais, sociopolíticas e religiosas que interferem
naqueles que cumprem pena.
Segundo Ottoboni (2001), a metodologia da APAC

rompe com o sistema penal vigente, cruel em todos os aspectos e que não cumpre a
finalidade precípua da pena: preparar o condenado para ser devolvido em condições de
conviver harmoniosa e pacificamente com a sociedade. (OTTOBONI, 2001, p.29-30).

O sistema ocupa-se, a priori, com a valorização do indivíduo que cometeu um ato contrário
à lei, objetivando então matar o criminoso e salvar o homem em sua essência, diferentemente do
método penitenciário comum que dizima ambos. A proteção da sociedade ocorre como
consequência, já que se o indivíduo é reeducado até o ponto de internalizar uma nova forma de
vida, quando findar seu tempo de cumprimento de pena, esse será um infrator a menos na rua,
saindo, em grande parte, do círculo vicioso que é a reincidência.
Ademais, as vantagens da metodologia APAC estão em manter, de forma ativa, os vínculos
afetivos do detento e sua família, trazendo a ele esperança e desejo de retornar ao lar de forma
renovada.
Além disso, ainda conforme Ottoboni (2001),

A vítima e/ou seus familiares também necessitam receber assistência dos voluntários da
APAC. Devem ser ajudados em suas necessidades materiais, espirituais, psicológicas etc.
Deve-se buscar a reconciliação entre o agressor e a vítima de modo a romper a cadeia do
ódio e da violência. (OTTOBONI, 2001, p.31)
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Ainda, o número menor de recuperandos dividindo o mesmo espaço dentro da cela evita ou
reduz a violência interna, indisciplina, formação de tumultos ou quadrilhas e traz maior
simplicidade e clareza no momento de revista.
As instalações, comparadas com as cadeias comuns, possuem áreas para melhor reabilitação
dos apenados, contando com local para laborterapia, salas para realização de aulas desde assuntos
gerais, religiões, análises em grupo, até televisão.
Expõem-se a seguir os 12 elementos fundamentais do método APAC, que foram obtidos
após estudos a fim de atingir o efeito suspirado.
Primeiro, deve haver a participação da sociedade em toda a sua conjuntura, sendo vital
promover a ideia de atuação desta na execução da pena, já que a exclusão do indivíduo do
sentimento social o faz sentir-se negligenciado e desprezado, o que colabora para aumentar a
reincidência.
Outro fator é fomentar a ajuda mútua entre recuperandos saindo da mentalidade do crime,
como nota Ottoboni (2001):

Demovê-lo dessa conduta anômala não é tarefa tão difícil e impossível, como
pode parecer à primeira vista. Basta despertar nele a consciência dessa
realidade, ajudá-lo a perceber que a raiz do bem e do mal está no coração, que
ele é capaz de praticar gestos de bondade e solidariedade, e, sobretudo, fazer ver
a ele que não basta deixar de fazer o mal, é necessário praticar o bem.
(OTTOBONI, 2001, p.67).

O exercício do trabalho dependerá do regime de cumprimento de pena aplicado. No regime


fechado, a metodologia da APAC propõe atividades laboratoriais, como música, por exemplo; já no
regime semiaberto, a Lei 7.210/84 propicia as saídas para os estudos, a fim de definir ao sujeito uma
especialização em alguma área, por fim, no regime aberto, o recuperando tem a possibilidade de
permanecer fora do estabelecimento prisional, caso esse possua capacidade visível para voltar ao
contato social, para executar alguma função, visto que poderá receber proposta de emprego.
Ainda, a crença tem papel importantíssimo dentro da APAC, essa não impondo crédulos,
mas sim, oferecendo reflexões sobre si mesmos para aqueles que cumprem pena, trazendo
confiança e diminuindo o sentimento de desamparo.
A assistência jurídica também é uma das preocupações, até mesmo porque, segundo
Ottoboni (2001), “95 % da população prisional não reúne condições para contratar um advogado,
especialmente na fase de execução da pena, quando toma conhecimento de inúmeros benefícios que
a lei faculta aos condenados.” (OTTOBONI, 2001, p.80).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O amparo à saúde deverá contar com uma equipe de médicos, psicólogos, psiquiatras e
dentistas, de forma que não faltem acompanhamento e tratamentos de doenças aos recuperandos.

Como vimos, a valorização humana é o alicerce basilar do método APAC, como indica
Ottoboni (2001):

[...] tem por objetivo colocar em primeiro lugar o ser humano, e nesse sentido
todo trabalho deve ser voltado para reformular a autoimagem do homem que
errou. Chama-lo pelo nome, conhecer sua história, interessar-se por sua vida,
visitar sua família, atende-lo em suas justas necessidades, permitir que ele se
sente à mesa para fazer as refeições diárias e utilizar talheres: essas e outras
medidas irão ajudá-lo a descobrir que nem tudo está perdido [...]. (OTTOBONI,
2001, p.85)

A família do recuperando com seus elos afetivos são cruciais, em razão de a exclusão ser
também fonte geradora da reincidência:

Para alcançar esse objetivo, o Método APAC oferece aos familiares Jornadas de
Libertação com Cristo (retiros espirituais) e cursos regulares de Formação e
Valorização Humana, buscando ainda proporcionar todas as facilidades
possíveis para o estreitamento dos vínculos afetivos. (OTTOBONI, 2001, p. 87)

Os voluntários dentro da APAC participam do Curso de Estudos e Formação de


Voluntários, como meio preparatório para execução de suas atividades mantendo o sentimento de
solidariedade e coletividade.
Outra criação foi o Centro de Reintegração Social (CRS) que, em conformidade com
Ottoboni (2001),

Oferece ao recuperando a oportunidade de cumprir a pena no regime semi-


aberto próximo de seu núcleo afetivo: família, amigos e parentes, facilitando
formação de mão-de-obra especializada, além de favorecer a reintegração
social, respeitando a lei e os direitos do sentenciado. O recuperando não se
distancia de sua cidade e encontra, logicamente, apoio para conquistar uma
liberdade definitiva com menos riscos de reincidência, além de se sentir
protegido e amparado como ser humano. (OTTOBONI, 2001, p.96).

O mérito é ponto importante dentro da APAC. Todo o seu dia a dia, desde tarefas realizadas,
advertências e elogios, devem constar na pasta-prontuário do recuperando, e nela serão avaliados os
elementos que vão compor sua benemerência.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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4 TEORIA E PRÁTICA: A VISITA À APAC ITAÚNA

Ao tomar conhecimento do funcionamento do Sistema Carcerário Brasileiro,


compreendendo análise de dados qualitativos e quantitativos, fornecidos principalmente por
levantamentos periódicos do INFOPEN (Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias),
constatou-se uma falência do sistema comum. Levando em consideração que os alunos do 3º
período de Direito estavam numa fase inicial do curso, o choque com a realidade foi grande,
havendo um rompimento de expectativas quanto à eficácia desse sistema, que só voltaram a existir
no momento em que o método APAC foi apresentado.
O primeiro momento de contato exploratório com a APAC foi realizado no dia 10 de maio
de 2018, no período da tarde, numa visita a unidade masculina de Itaúna, que tem capacidade para
acolher 200 reeducandos nos regimes fechado, semiaberto e aberto, possuindo estrutura adequada
para todos. Além de contar com as instalações referentes a cada regime, a APAC Itaúna tem
atividades e ofícios desenvolvidos para os recuperandos em diferentes estágios de cumprimento da
pena, desde o cultivo na horta, o artesanato, crochê, uma panificadora, dentre outras.
Para viabilizar a exploração da estrutura do estabelecimento, houve a divisão da turma em
dois grupos de alunos e professores presentes, cada um com seus respectivos guias, sendo estes os
próprios recuperandos. Introdutoriamente, houve uma palestra no auditório do local, durante a qual
os objetivos e a história da APAC foram apresentados brevemente.
Em toda a estrutura do estabelecimento, foram notórias a conservação e a limpeza, não
havendo nenhum tipo de degradação na parte física. Nas paredes, liam-se frases motivacionais e
humanitárias, como uma forma de acalento mental para as pessoas que ali cumprem sua pena. Um
dos lemas mais reconhecidos do método é a frase “Ninguém é irrecuperável”, dita pelo Dr. Mário
Ottoboni.
Na unidade conhecida, as visitas familiares ocorrem aos domingos, propiciando um contato
dos reeducandos com as pessoas que lhes são quistas, o que coaduna com a valorização da pessoa e
oportuna a convivência periódica com seus entes.
Um condenado que se encontra numa APAC, tem um gasto três vezes inferior a um
condenado do sistema comum, havendo também, quanto ao cometimento de novas infrações, um
índice muito inferior. A diferença e a sucesso de um método em relação ao outro são indubitáveis.
A preocupação com a restauração do apenado no método apaqueano é incisiva e importante,
sendo que ali eles voltam a se reconhecer como pessoas. Durante a visita, os guias relataram um
pouco de suas vivências naquele ambiente e compararam com o que vivenciaram no sistema
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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comum até a mudança. Uma diferença significativa para eles era que nos presídios comuns eram
identificados por seu número de INFOPEN, enquanto na APAC voltavam a ser tratados pelo
próprio nome, não eram apenas mais um número.
Para os condenados apaqueanos, foi observado o cumprimento rigoroso da LEP, não
havendo violações em relação aos direitos daquelas pessoas, sendo-lhes fornecido desde o direito à
água quente para o banho diário, a visita semanal de familiares, bem como alimentação adequada e,
por vezes, a visita íntima. O tratamento digno é um direito fundamental previsto na Constituição da
República Federativa do Brasil, e aliado ao método APAC, com a estrutura necessária, os
condenados se recuperam paulatinamente.
A pena aplicada é a de privação da liberdade, vide as modalidades do Código Penal,
devendo os demais direitos do apenado serem todos respeitados, conforme observado no método
em análise. É como afirma Felipe Martins Pinto: “Sentenciados a perderem a liberdade, e somente
ela, os condenados em sentença penal têm lutado para conseguir aquilo que nenhuma decisão
julgada pode retirar: a dignidade.” (PINTO, 2012, p. 18).
A valorização da pessoa é um ponto chave da recuperação, havendo horários para atividades
que renovam a saúde mental dos condenados. O dia deles é programado desde o momento em que
acordam até a hora em que se recolhem nos dormitórios, havendo atividades lúdicas e obrigações no
período em que estão acordados.
Houve, num dos relatos feitos por um dos guias, a explicação de que no sistema comum,
pela ausência de estrutura adequada e atividades, a ociosidade era tamanha que o único assunto em
pauta era acerca de ilicitudes. Era como se ele vivenciasse o crime por vinte e quatro horas por dia.
Na APAC, devido às atividades e desenvolvimento humano, esse assunto não era colocado em
pauta, funcionava como uma espécie de reconstrução.
Há entre a APAC e o recuperando uma confiança mútua, em que este tem a posse das
chaves das celas e se porta conforme o combinado para que ali permaneça e se reconstrua. Os
recuperandos recém-chegados são amparados pelos veteranos, que explicam como funciona a rotina
e o local, havendo entre eles uma assistência. Essa integração promovida resulta no sucesso das
atividades propostas. Os próprios recuperandos se vigiam e se auxiliam, cooperando entre si.
Para que haja um controle das tarefas e do comportamento, tem-se no local um quadro de
avisos com o nome dos recuperandos, dados pessoais, como data de aniversário, bem como uma
pontuação que é perdida a cada regra descumprida, havendo uma fiscalização em relação àquilo que
deve ser cumprido. A regressão para o sistema comum se dá pelo acúmulo de desrespeito às normas
apaqueanas, cabendo aos reeducandos respeitar as normas.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O estabelecimento visitado conta também uma capela, local em que é possibilitado um


momento a sós com Deus, que é uma das figuras centrais da mudança. A Jornada de Libertação
com Cristo está compreendida nos 12 elementos fundamentais para a mudança do recuperando, e é
fomentada por cultos e assistência religiosa que os condenados recebem no estabelecimento.
O objetivo central da APAC é “matar o criminoso e salvar o homem”, e através da
humanização da pena, isso foi observado na visita exploratória. Ao final do período de conhecer
todos os ambientes e um pouco da rotina dos condenados, eles se apresentaram cantando a música
“Ainda que a figueira não floresça”, enaltecendo o viés religioso que contribui para a restauração ali
proporcionada.
Essa visita exploratória funcionou para que a esperança de um sistema penitenciário digno
se reestabelecesse entre os discentes, sendo o método apaqueano, qualificado para a reconstrução
do falido sistema punitivo predominante no Brasil. É constatável a necessidade de assistência
humanitária às pessoas que cometem atos ilícitos, e encarcerá-los em estabelecimentos insalubres e
desestruturados não os recuperarão.
O método da APAC é uma forma adequada e possível para que se cumpra uma pena
privativa de liberdade, e os índices positivos advindo desse sistema comprovam essa afirmativa. A
justiça não se preocupa apenas na punição, mas também na restauração da pessoa humana, o que é
bem observado e trabalhado nessa Entidade Civil que arduamente consegue resgatar pessoas que
para o sistema comum seriam apenas mais um índice imutável.

5 TEORIA E PRÁTICA: A CONSCIENTIZAÇÃO DA SOCIEDADE BETINENSE

Após a visita à APAC, o professor-coordenador do projeto, Vitor Medrado, apresentou aos


alunos e às alunas extensionistas uma proposta, cujo objetivo era promover a conscientização da
população de Betim, no que diz respeito aos benefícios que o Método APAC poderia trazer para a
sociedade betinense.
Os alunos discutiram com o professor vários meios para se realizar a proposta de
divulgação. Chegou-se então à conclusão que o procedimento de panfletagem estaria ao melhor
alcance de todos. Esse processo consiste na distribuição de panfletos (folhetos informativos) em
locais específicos, com o objetivo de despertar o interesse das pessoas e dessa forma, estimular um
diálogo entre os indivíduos e os alunos a respeito do Método APAC.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Como se tratou de atividade de extensão obrigatória da disciplina “Direitos Humanos e


Fundamentais”, toda a classe foi separada em quatro grupos, que exerceriam a atividade em dias,
locais e turnos diferentes, sendo os locais: PUC Minas Betim, Centro e bairro Bandeirinhas; os
turnos separados em manhã e noite. Foi feito o total de 2 mil panfletos, que foram custeados pelo
Diretório Acadêmico de Direito da unidade PUC Minas Betim.
Um grupo foi ao centro de Betim às 19 horas. No momento em que o grupo se formou por
inteiro, o professor orientou os alunos e as alunas que se separassem em duplas, pois desse modo
abrangeriam mais indivíduos para a divulgação. O primeiro lugar escolhido foi a frente da
Faculdade UNA, onde transitavam muitos jovens. Após um certo momento, em que já havia tido
várias discussões e exposições de ideias sobre a implementação de uma APAC na cidade de Betim,
o grupo então decidiu ir para outro local.
Em uma igreja estava ocorrendo um evento de quadrilha, aberto ao público, no qual havia
uma grande circulação de pessoas. As abordagens com as famílias que participaram do evento
foram interessantes devido ao fato de que, muitas vezes, cada membro possuía uma opinião
diferente e com isso, após os alunos explicarem o projeto, os familiares discutiam entre si sobre a
implementação da APAC. E ao final, os estudantes se agruparam novamente e compartilharam suas
experiências ocorridas nesse exercício de divulgação.
Cada um dos quatro grupos teve uma visão diferente do que foi o projeto e agradeceram ao
professor pela oportunidade única de fazer parte de um simples ato que, por consequência, irá
conscientizar a população de Betim sobre o Método APAC, para que, dessa forma, as pessoas
tenham uma aprovação melhor visto que há uma recusa de alguns moradores. Além disso, agregou
muito conhecimento para cada participante, pois ao ouvir as mais diversas opiniões relacionadas ao
assunto, conseguiram ter um discernimento maior sobre a situação do ponto de vista da
comunidade.
Portanto, tanto a visita à APAC quanto o exercício da panfletagem foram experiências
marcantes e de grande importância para cada estudante e o professor também. Esse projeto de
extensão fez com que os alunos sentissem na prática o que é apenas dito teoricamente na sala de
aula, sobre principalmente a relação entre as disciplinas “Direitos Humanos e Fundamentais” e
“Direito Penal”.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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6 TEORIA E PRÁTICA: COMPREENDER O CARÁTER INTERDISCIPLINAR E


TRANSDISCIPLINAR DO CONHECIMENTO

A prática de extensão abrangeu muitas disciplinas que foram estudadas pelos alunos do
curso de Direito, no 3º período. Podemos destacar, entre elas, “Direito Penal”, sendo essa a matéria
sobre a qual mais recaem as ações do projeto, uma vez que o campo discutido é sobre um novo
método de sistema carcerário; os “Direitos Humanos e Fundamentais”, que é o ponto do debate,
pois todo cidadão deve ter os direitos humanos garantidos mas nem sempre isso ocorre; em muitos
presídios esses direitos não são atendidos.
Quando se trata da aplicação de uma sanção por um inadimplemento de uma norma penal, a
sociedade preza por um sentimento de vingança e não é esse o objetivo das punições: “O sistema
penal não alivia as dores de quem sofre perdas causadas por condutas danosas e violentas, ou
mesmo cruéis, praticadas por indivíduos que eventualmente desrespeitam e agridem seus
semelhantes.” (HULSMAN; CÉLIS, 1997, p.22).
Ao estudar sobre o Direito Penal, fica evidente que a pena tem a finalidade de isolar o
indivíduo do convívio com a sociedade, de forma que ele tenha o discernimento de que seus atos
delituosos afetam negativamente a convivência com as demais pessoas, e assim ser reinserido no
convívio social. Entretanto, atualmente o índice de reincidência no Brasil é de 70% ou 80% por
unidade de federação, de acordo com um relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI),
divulgado em 2008. Isso deixa claro que o método comum do sistema carcerário não está
apresentando os resultados almejados.
Outra questão é o tratamento desumano que acontece dentro das prisões, assim já discutindo
os Direitos Humanos e Fundamentais que cada um possui, que não são respeitados quando se trata
de condenados. Se se considerar como exemplo o artigo 1º e o artigo 5º da Declaração Universal
dos Direitos do Homem – sendo respectivamente “Todos os seres humanos nascem livres e iguais
em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros
em espírito de fraternidade.” e “Ninguém será submetido a tortura nem a punição ou tratamento
cruéis, desumanos ou degradantes.” – já se tem ideia do quanto são ignorados esses direitos, uma
vez que o tratamento recebido por presidiários é ultrajante. Não obstante, as normas escritas na
Constituição sobre os direitos humanos como direito à dignidade e a honra são desprezados:
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Há uma diferença considerável entre a teoria e a prática. A população civil já acostumou-se


com imagens de cadeias e penitenciárias lotadas, onde os prisioneiros recebem um
tratamento degradante. Os direitos da Constituição são desrespeitados e a Lei de Execução
Penal (Lei N. 7.210, de 11 de Julho de 1964) é ignorada. (MIGUEL, 2015, p.50)

Sabendo desses problemas e tantos outros, que fazem com que o Direito Penal e Direitos
Humanos sejam ineficazes, em se tratando do sistema carcerário, surge a alternativa da APAC, um
método que busca humanizar o tratamento dos presos além de auxiliá-los na reinserção social:

O objetivo da APAC é gerar a humanização das prisões, sem deixar de lado a


finalidade punitiva da pena. Sua finalidade é evitar a reincidência no crime e
proporcionar condições para que o condenado se recupere e consiga a reintegração
social. (FARIA, 2011, n.87)

Os dados mostram-se a favor desse novo sistema, de acordo com FBAC (Fraternidade
Brasileira de Assistência aos Condenados), o índice de reincidência é de 30%, ou seja, é muito mais
eficaz do que no sistema normal. Isso se deve, em grande parte, ao tratamento que o condenado
recebe, que é muito mais humanitário e digno, além de receber incentivos para trabalhar ou estudar,
fatores que ajudam na ressocialização do presidiário.
Outro ponto é o custo ao Estado: enquanto no método APAC em média são gastos R$ 1 mil
por mês para cada condenado, no sistema tradicional esse valor chega a R$ 2,7 mil de acordo com
dados da FBAC.
É indubitável que o sistema APAC, portanto, traz muito mais benefícios do que o método
carcerário comum, fazendo valer dos objetivos do Direito Penal em relação ao cumprimento da
pena e a prevenção de novos crimes, sem que haja também um grande custo para o governo. Além
disso, os Direitos Humanos são respeitados, sendo eles a principal diretriz ao se analisar o
tratamento que é dado aos presidiários.
Assim, foram aplicados conhecimentos de duas disciplinas no projeto, pelas quais os alunos
puderam ver o que foi estudado em prática.

7 CONCLUSÃO

O Direito Penal é a ultima ratio e deve ser acionado apenas quando os demais ramos do
Direito não forem suficientes para a resolução dos problemas. Dada a sentença penal condenatória,
inicia-se o cumprimento de pena na Vara de Execuções Penais da Comarca na qual se encontra o
imputado. É nesse momento que a falência do Sistema Prisional Comum se evidencia, pois o
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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cumprimento da sanção imposta ocorre em locais inadequados e em discordância com as previsões


legais, principalmente em relação à Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84), dispositivo que
enumera garantias e obrigações relativas aos condenados.
A LEP tem previsões tanto para os que estão sob tutela do sistema prisional, bem como
para os egressos deste. O que se observa, em relação ao sistema comum, é que devido à
superlotação e à falta de estrutura, a lei supracitada não é aplicada de forma adequada.
O Código Penal prevê diferentes tipos de estabelecimentos para o cumprimento adequado de
pena, entretanto, nem todas as Comarcas apresentam essas instalações, sujeitando presos de
diversos regimes a cumprirem suas penas de acordo com a disponibilidade local. Essa mitigação das
disposições legais atinge os reclusos do sistema prisional de maneira assídua.
Contrapondo-se o sistema penitenciário comum ao método apaqueano, este se mostra muito
mais eficaz no que tange à recuperação e à ressocialização dos recuperandos na sociedade. Ao fazer
essa comparação e com base nos estudos promovidos em sala, analogicamente, é como se houvesse
a contraposição do jus puniendi com o jus libertatis, pois a prerrogativa estatal não pode ser apenas
a punição, deve prezar também pela restauração e humanização do condenado.
A iniciativa APAC é praticamente autossustentável, e para que ocorra deve haver o apoio da
comunidade, bem como o envolvimento dos condenados e de uma mobilização por parte dos
poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo a FBAC, a criação de uma APAC é resultante
de um esforço coletivo de pessoas, não podendo ser uma imposição.
Diante uma série de violações sofridas no sistema comum, o Método Apaqueano vem com
uma sistemática que ao ser conjugada de forma adequada, é efetiva para a reeducação do apenado e
para que este tenha resguardado seu direito a um cumprimento digno da pena que lhe foi imputada.
O Método APAC é uma forma de resistência aos problemas contemporâneos do sistema prisional
comum.
Por meio da valorização humana e espiritual, com os ensinamentos do Dr. Mário Ottoboni,
responsável pela implantação do método, os apenados têm a oportunidade de cumprirem suas penas
num ambiente saudável e a chance de reconstruírem suas vidas com o apoio da família, apoio
religioso, auxílio do Judiciário, dentre outros colaboradores.
A prática de extensão tornou possível que todos e todas pudessem vivenciar a compreensão
de que o Sistema Prisional não deve ser visto simplesmente como espaço de punição das pessoas,
mas como o lugar privilegiado no qual as pessoas podem ressignificar as suas vidas, tornando-se
pessoas melhores e aptas para ajudar a aprimorar a sociedade.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 187

Acima de tudo, porém, vivenciar a APAC significou, para nós, a certeza de que a construção
de uma sociedade mais justa passa necessariamente pela efetivação e respeito aos direitos de todos.
Se os muros dos presídios tendem a tornar a sociedade insensível à humanidade dos presos, o
estudo e sobretudo, a (con)vivência nos ensinou que não há sociedade justa sem compreensão,
respeito e amor ao próximo.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União,


Brasília, 5 de out. 1988.
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RELATOS DE EXPERIÊNCIA
Ressignificando a relação teoria e prática:
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A CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA PUC


MINAS COMO INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO DE
COMPETÊNCIAS COLABORATIVAS NA FORMAÇÃO DO
FISIOTERAPEUTA

THE CURRICULARISATION OF UNIVERSITY EXTENSION IN PUC


MINAS AS AN INSTRUMENT OF DEVELOPMENT OF COLLABORATIVE
COMPETENCES IN PHYSIOTHERAPIST GRADUATION

Márcia Colamarco Ferreira Resende1


Márcia Luciane Drumond das Chagas e Vallone2
Tatiana Teixeira Barral de Lacerda3

RESUMO

O ensino, a pesquisa e a extensão, como os pilares da Universidade, devem ser ações que a levem a cumprir o seu
objetivo maior de produzir o conhecimento científico e social, tornando-o acessível e integrado à sociedade. O Curso de
Fisioterapia participou do processo de curricularização da extensão universitária da Pontifícia Universidade Católica e
Minas gerais (PUC Minas) e até o momento, possui três disciplinas na sua grade com Prática Curricular de Extensão
(PCE), em cada um dos cursos ofertados, nos Campus Coração Eucarístico, Betim e Poços de Caldas. A escolha por
essas disciplinas foi definida em discussão colegiada, uma vez que elas oportunizam atividades que atendem aos
critérios das práticas curriculares de extensão adotados pela Instituição, respeitando a realidade local de cada Campus.
Mesmo com implantação recente, a avaliação das PCE foi positiva e exitosa, com os discentes atribuindo média 4,8
para a contribuição da mesma (valores entre 1 a 5). A opção do Curso de Fisioterapia da PUC Minas pela organização
de um Projeto Pedagógico que contemple e conjugue as três áreas acadêmicas considerando as diretrizes curriculares
nacionais e a formação por competências promove a ideia de que o diálogo, a reflexão, a interação com o outro e com o
meio são relevantes instrumentos para a construção da igualdade, inclusão social e função social do Fisioterapeuta.

Palavras- chave: Fisioterapia. Educação Superior. Currículo.

1
Mestre em Saúde e Trabalho, Curso de Fisioterapia PUC Minas Betim, E-mail: colamarcom@[Link].
2
Doutora em Tratamento da informação Espacial, Curso de Fisioterapia da PUC Minas Coração Eucarístico, E-mail:
marciavallone@[Link].
3
Mestre em Ciências da Reabilitação, Curso de Fisioterapia da PUC Minas Betim, E-mail:
[Link]@[Link].
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ABSTRACT

Teaching, research and extension, as the pillars of the University, must be actions that lead it to fulfill its greater
objective of producing scientific and social knowledge, making it accessible and integrated to society. The
Physiotherapy course participated in the curricularisation process of the university extension of the Pontifical Catholic
University of Minas Gerais (PUC Minas) and to date, it has three disciplines in its curriculum with Extension
Curricular Practice (PCE), in each of the courses offered, in the Campus Coração Eucarístico, Betim and Poços de
Caldas. The choice of these disciplines was defined in collegial discussion, since they offer opportunities that meet the
criteria of the curricular extension practices adopted by the Institution, respecting the local reality of each Campus.
Even with recent implantation, the evaluation of PCE was positive and successful, with students assigning a mean of 4.8
to its contribution (values between 1 and 5). The option of the Physiotherapy Course of PUC Minas for the organization
of a Pedagogical Project that contemplates and combines the three academic areas considering the national curricular
guidelines and the formation by competences promotes the idea that the dialogue, the reflection, the interaction with the
other and with the environment are relevant instruments for the construction of equality, social inclusion and social
function of the Physical Therapist.

Keywords: Physical Therapy. College Education. Curriculum.

1 INTRODUÇÃO

Autores contemporâneos discutem a evolução do Ensino Superior nas últimas décadas,


entendendo que esse fenômeno se caracteriza por uma grande transformação da postura das
Universidades, antes autoritárias e distanciadas da realidade social, para uma postura preocupada
com a formação de cidadãos atentos aos desafios que permeiam a sociedade (globalização,
desigualdade social, sustentabilidade, inclusão social...).
O ensino, a pesquisa e a extensão, como os pilares da Universidade, devem ser ações que a
levem a cumprir o seu objetivo maior de produzir o conhecimento científico e social, tornando-o
acessível e integrado à sociedade. A produção do conhecimento, através da extensão, se faz pela
participação efetiva da comunidade na Universidade e vice-versa, gerando um confronto direto com
a realidade. Permite a troca de saberes, acadêmicos e populares, de modo sistematizado, e
democratiza o conhecimento. Simultaneamente, esse contato realimenta o ensino e a pesquisa,
possibilitando o desenvolvimento de novos conhecimentos científicos.
De acordo com a Política Nacional de Extensão Universitária, de 2012:

[..] a Extensão Universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre


ensino, pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e
político que promove a interação transformadora entre Universidade e outros setores da
sociedade. (FORPROEXT, 2012, p 28).
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Ela é uma via de mão dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que
encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico.
No retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão
teórica, será acrescido àquele conhecimento.
As ações de extensão se orientam para a defesa da justiça, do respeito às diferenças, da
autonomia e da liberdade entre os homens. Sendo assim, a extensão deve ser considerada como uma
atividade formadora de profissionais cidadãos, que pautem suas ações pela ética fundada no
entendimento de que o ser humano tem valor por si mesmo.
Acredita-se que a oportunidade mais importante que a Extensão possibilita é o estímulo à
articulação teórico-prática e de saberes, conhecimento esse que, por hora, se apresenta ainda tão
dissociado na realidade das Universidades. Da forma como o ensino vem sendo realizado, as
disciplinas curriculares são por vezes “ilhas”, indiferentes, distantes e que dificilmente são
assimiladas como parte de uma realidade complexa. Acredita-se na extensão como a ponte que
favorece uma avaliação multidisciplinar de uma situação-problema.
Diante de todo esse contexto, a base utilizada como referência para as discussões da Política
de Extensão no Curso de Fisioterapia da PUC Minas e para a consolidação de sua estrutura tem sido
a opção pela organização de um Projeto Pedagógico que contemple e conjugue as três áreas
acadêmicas e que possa considerar as diretrizes curriculares nacionais que implicam na articulação
entre ensino, pesquisa e extensão, a articulação entre teoria e prática; a flexibilização curricular; a
formação humanista e a interdisciplinaridade.
O que vai de encontro ao atual modelo de formação dos profissionais da área de saúde, que
preconiza o desenvolvimento de competências de Atenção à saúde; Tomada de decisão; Liderança;
Comunicação; Administração e Gerenciamento amplamente exploradas nas atividades de Extensão
Universitária. Mas esse caminho foi marcado por várias reformas ocorridas ao longo do século XX
na educação médica e em saúde. O Relatório Flexner (1910), foi o primeiro relatório, que após
estudar a educação médica, salientou aspectos, ainda marcantes na educação em saúde como a
segmentação em ciclos básico e profissional, o ensino baseado em disciplinas ou especialidades e
centrado em Hospitais. Porém, o avanço tecnológico e científico, em meados do século XX, e as
fragilidades desse modelo, levaram ao desenvolvimento do modelo da aprendizagem baseada em
problemas/evidências, quando os Centros clínicos e hospitais universitários se tornam ponto de
referência desse ensino (FRENK et al., 2010). Porém, ocorreram outros movimentos relevantes na
saúde, incluindo o da Saúde comunitária e a integração ensino-serviço, operando na lógica da
integralidade, redução das desigualdades de acesso e empoderamento social, além de oportunizar
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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uma aproximação precoce com a realidade social e do mundo do trabalho. No Brasil, a


reformulação do setor saúde, com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), resultou no
fortalecimento da saúde preventiva e social, já sinalizando que o SUS é ordenador da formação do
profissional da saúde. Portanto, a aprendizagem deveria ocorrer principalmente, em cenários de
prática e em locais onde existisse demanda da população. O foco da educação para a formação de
profissionais de saúde para o século XXI traz a ênfase de ser centrado no paciente e população, com
um currículo baseado em competências; aprendizagem mediada pela tecnologia da informação e no
desenvolvimento de habilidades de liderança em políticas e gestão.
Durante o ano de 2017, o Departamento de Fisioterapia participou do processo de
curricularização da extensão universitária da PUC Minas e agregou ao seu currículo disciplinas com
práticas curriculares de extensão (Resende [Link], 2017). Essas práticas são por definição:

“atividades acadêmicas desenvolvidas em estrita vinculação com os componentes


curriculares do curso tendo como pressuposto a interação aluno, professor e sociedade,
visando estabelecer relações entre a realidade e a produção do conhecimento, tendo em
vista proporcionar aos participantes formação integral, comprometida com a mudança
social.” (CONSUNI, Resolução nº 02/2015, p 3).

Esse relato tem por objetivo descrever a experiência da curricularização da extensão no


Curso de Fisioterapia da PUC Minas.

2 DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA

A necessidade da inclusão da Extensão, como atividade essencial à formação acadêmica, já


foi expressa em diversos documentos que regulam a educação superior no Brasil (Constituição
Federal de 1988 – art. 207 3; LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – aprovada
em 20 de dezembro de 1996 – Lei nº 9394/96 4; orientações do Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior - nº 10.861/2004 5).
Da mesma forma, sensível aos resultados das ações extensionistas já realizadas pela sua
comunidade acadêmica e atenta às exigências legais, a Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas
(PROEX) lançou, em 2006, a Política de Extensão da PUC Minas. Essa é fruto da construção
coletiva de uma política capaz de integrar a extensão nas ações de ensino e pesquisa, à luz das
necessidades acadêmicas, políticas e sociais. Para auxiliar na implantação da Política de Extensão
da PUC Minas, em 2015, a PROEX publicou o seu Regulamento, que dispunha sobre sua a
organização e funcionamento (CONSUNI, 2015). Nele, a rede PROEX contava com a inserção de
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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professores coordenadores de extensão em todos os cursos, Unidades / Campi e Institutos/


Faculdades, além de contar com Núcleos de áreas de conhecimento e Coordenações de áreas da
gestão.

Esse mesmo documento definiu 07 modalidades de extensão universitária na PUC Minas. A


saber:

 Programas: conjunto de projetos de extensão de caráter orgânico-institucional, com


clareza de diretrizes, e orientados a um objetivo comum em ação de médio e longo prazo.
 Projetos: ação processual e contínua de caráter educativo, social, científico ou
tecnológico com objetivo específico a curto e médio prazo.
 Cursos: conjunto articulado de ações pedagógicas, de caráter teórico ou prático,
planejadas e organizadas de modo sistemático, com carga horária mínima de 8 horas e
critérios de avaliação definidos.
 Eventos: apresentação e exibição pública e livre ou também com clientela específica, do
conhecimento ou produto cultural, científico e tecnológico desenvolvido, conservado ou
reconhecido pela universidade. Inclui: congresso, seminário, encontro, conferência, ciclo de
debates, exposição, espetáculo, festival, evento esportivo, entre outros.
 Prestação de serviços: realização de trabalho oferecido pela Universidade ou contratado
por terceiros (comunidade e/ou empresas), incluindo assessorias, consultorias, cooperação
interinstitucional e/ou internacional. Cabe ressaltar que a prestação de serviços na
universidade deve considerar sempre o caráter pedagógico de sua ação, eliminando a
possibilidade de substituir o Estado em suas funções e de transformar-se em uma agência
de venda de serviços.
 Publicações e outros produtos acadêmicos: produção de publicações e de produtos
acadêmicos decorrentes das ações de extensão para difusão e divulgação cultural, científica
ou tecnológica, tais como cartilhas, vídeos, filmes, softwares, anais, revistas, livros, CDs,
entre outros.
 Práticas Curriculares de Extensão: atividades acadêmicas desenvolvidas em estrita
vinculação com os componentes curriculares do curso tendo como pressuposto a interação
aluno, professor e sociedade, visando estabelecer relações entre a realidade e a produção do
conhecimento, tendo em vista proporcionar aos participantes formação integral,
comprometida com a mudança social. (CONSUNI, 2015, p 3-4)

Na PUC Minas, o processo de institucionalização da extensão já se encontra contemplado no


Estatuto da Universidade, no Regimento Interno; no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI);
no Plano Institucional Acadêmico (PIA); no Programa Permanente de Avaliação (PROPAV); nas
Diretrizes da Graduação da PUC Minas e no Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE).
No Curso de Fisioterapia da PUC Minas, o discente tem a possibilidade de se candidatar
como extensionista em qualquer projeto ou programa de extensão em vigor na Universidade, desde
os primeiros períodos do curso, desde que possua as competências específicas e as colaborativas,
necessárias às demandas de cada projeto ou programa, que preconiza o trabalho em equipes
interprofissionais.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Os alunos também são estimulados a participar dos diversos cursos de extensão, debates e
Fóruns que são ofertados, dentro ou fora do curso, para o público em geral ou para um público alvo,
como protagonistas da proposta.
As Jornadas e as Mostras Acadêmicas, apresentações de Trabalhos de Conclusão de Curso e
Seminários oferecidos pelo curso possuem forte caráter integrador entre o ensino, a pesquisa e a
extensão. Essas ações, realizadas semestralmente, possibilitam discussões sobre avanços nas
diversas áreas da fisioterapia, frequentemente relacionados às atividades extensionistas em vigor,
assim como as inovações científicas de interesse.
Com o objetivo de garantir a oferta de atividades extensionistas para todos os alunos,
independentemente de sua participação em Projetos e Programas de Extensão, Cursos de Extensão e
Eventos, o Curso de Fisioterapia da PUC Minas vinculou a obrigatoriedade de realização das
práticas curriculares de extensão (PCE) a três disciplinas de seu currículo. A escolha por essas
disciplinas foi definida em discussão colegiada, uma vez que elas oportunizam atividades que
atendem aos critérios das PCE adotados pela Instituição, respeitando a realidade local de cada
Campus.
Nessas disciplinas, seja através das aulas práticas ou da carga horária externa, os alunos
conhecem e aprofundam estudos sobre uma realidade social específica, desenvolvendo então um
produto ou intervenção a partir do que estudaram. Tais produtos ou intervenções são previstos nos
planos de ensino da disciplina, que descreve a forma de avaliação e pontuação da PCE proposta.
Além das disciplinas eleitas para contemplar a proposta da curricularização da extensão, outras
disciplinas podem também realizar práticas de extensão, a depender do interesse do docente e das
propostas previstas no Plano de Ensino. Para concretizar esse processo, basta apenas que o docente
manifeste o interesse ao coordenador de extensão do curso, e este aos responsáveis pelo setor de
PCE.
Na PUC Minas, as práticas de extensão possuem um sistema de gestão específico para o seu
monitoramento e avaliação. Nele os professores do Curso de Fisioterapia, que ministram as
disciplinas, registram um Plano de Trabalho com os objetivos e as atividades previstas para os
alunos desenvolverem durante o semestre. Esse Plano é avaliado e chancelado pelo coordenador de
extensão do curso, de acordo com os seis critérios definidos pela PROEX: interação dialógica,
relevância social, interdisciplinaridade, formação humanística, intervenção social e vínculo com o
conteúdo da disciplina. Após a chancela, os alunos passam a ter acesso ao Plano e no, final do
semestre, respondem a um Relatório Final da Prática de extensão, no qual registram dados
quantitativos sobre a prática realizada, seus objetivos específicos, o cronograma das atividades,
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destacando ainda o número de beneficiários alcançados bem como as metas atingidas. Além disso,
respondem também a um Formulário de autoavaliação, marcando, com base em uma escala likert,
o impacto que a atividade extensionista gerou na sua formação acadêmica e humanística.

3 AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA

Serão descritos aqui os dados referentes às disciplinas que realizaram PCE no ano de 2017,
momento em que foi implantado o questionário de avaliação dos alunos, no curso. Nesse período, as
PCE do Curso de Fisioterapia dos 03 Campi da PUC Minas (Coração Eucarístico, Betim e Poços de
Caldas) foram realizadas nas seguintes disciplinas: “Fisioterapia na Atenção Primária”,
“Fisioterapia na Saúde do Idoso”, “Ergonomia e Saúde do Trabalhador”, “Fisioterapia Aplicada na
Geriatria e Gerontologia”, “Fisioterapia em Geriatria”, “Fisioterapia em Oncologia”, “Fisioterapia
na Saúde Coletiva” e “Fisioterapia Aplicada à Cardiologia”.
O formulário de avaliação dos discentes apresentava 11 questões fechadas, em que o(a)
aluno(a) deveria avaliar em uma escala de 1 a 5, o quanto a PCE contribuiu para cada um deles, ou
seja, a partir da experiência que ele vivenciou na PCE, o quanto ele avalia o seu aproveitamento em
cada um dos itens apresentados no questionário.
Os dados referentes a esse período demonstram que 417 alunos participaram das PCE e
atribuíram o valor médio de 4,8 para os quesitos avaliados no questionário, em uma nota máxima de
5,0. A afirmativa que recebeu a maior nota (4,99) foi “Reconhecer a importância do trabalho inter
ou multiprofissional” e a que recebeu a menor (4,81) foi “Desenvolver habilidades e competências
profissionais.” (Gráfico 01).

Gráfico 01: Valor médio das respostas dos alunos do Curso de Fisioterapia da PUC Minas, no
Formulário de Autoavaliação, no ano de 2017

Fonte: Elaboração das autoras, 2018.


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A frequência de respostas a cada um dos itens evidencia a contribuição das PCE para a
formação do discente, oportunizando o desenvolvimento de competências colaborativas em saúde
como a comunicação interprofissional, a liderança, a clarificação dos papéis dentro da equipe, a
integralidade do cuidado, a prática centrada no indivíduo, grupo ou comunidade e a resolução de
conflitos interprofissionais (CIHC, 2010), o que promove a formação de um cidadão engajado e
eticamente comprometido com a realidade e com a sociedade em que vive. A Extensão
Universitária, ao permitir que o estudante socialize seus conhecimentos, contribui para que seja
eliminada a barreira que existe entre a sala de aula e a comunidade, de forma que o discente possa
conjugar teoria e prática numa ação dialógica, cooperando para a construção de uma sociedade mais
justa, democrática e equânime. (GONÇALVES; VELOSO, 2016).
Outro aspecto importante e que merece atenção é apontado por Ribeiro e Soares (2015) ao
reforçar a necessidade de que as Instituições de Ensino Superior assumam a responsabilidade de
superar a lacuna na formação dos profissionais de saúde, que tendem a limitar o cuidado às práticas
pontuais e curativas. Nesse sentido, eles destacam o papel da extensão universitária no
enfrentamento dessa questão, favorecendo a formação do fisioterapeuta como agente promotor da
saúde. Cunha e colaboradores (2017) também reforçam a importância da Extensão Universitária ao
permitir a emergência de um cenário com alta capilaridade de oportunidades de aprendizagem,
semeando a formação de consciência ética e de um perfil de egresso ativo, resolutivo e com
potencial para realizar mudanças efetiva junto à comunidade. Isso permite que esse profissional
assuma a função social de se comprometer a atuar no cenário de prática onde é demandado,
respeitando a real necessidade da população e se guiando por ela, sendo responsivo a esta, ao
promover a funcionalidade e melhor qualidade de vida. Por fim, considerando que a Extensão
Universitária não tem um calendário e nem um formato pré-estabelecidos, as práticas curriculares
despontam como mais uma excelente oportunidade para que a Universidade ocupe seu lugar de
excelência na sociedade.

4 CONCLUSÃO

A avaliação da implantação da PCE no Curso de Fisioterapia, como parte do processo de


Curricularização da Extensão na PUC Minas, é positiva e exitosa. Este é um processo ainda em
construção, mas a inclusão das PCE nas ementas, o registro das práticas nos planos de trabalhos e
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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planos de ensino dos sistemas de informação internos, a avaliação dos discentes e docentes são
importantes indicativos da aproximação do ensino e extensão, e da experimentação da Extensão
pela comunidade acadêmica.

REFERÊNCIAS

FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS


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Política de Extensão Universitária da PUC Minas. Belo Horizonte: PUC Minas, 2006.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Pró-Reitoria de Extensão.
Resolução Nº 02/2015. Aprova o Regulamento Pró-Reitoria de Extensão da Pontifícia
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Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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GINÁSTICA PARA TODOS, QUEBRANDO MUROS, SOCIALIZANDO


CONHECIMENTOS: VIVÊNCIA DE UMA EXPERIÊNCIA NO CENTRO
ESPORTIVO DA PUC MINAS

GYMNASTICS FOR EVERYBODY, BREAKING WALLS, SOCIALIZING


KNOWLEDGE: AN EXPERIENCE AT THE SPORTIVE CENTER OF PUC
MINAS

Marcus Vinicius Bonfim Ambrosio1


Margareth de Paula Ambrosio2

RESUMO

O presente trabalho apresenta-se como um relato de experiência das práticas extensionistas desenvolvidas no âmbito
das disciplinas “Ginástica Para Todos e de Trampolim” e “Ginástica Artística e Rítmica”. As referidas práticas
extensionistas expressam-se como oficinas de Ginástica para alunos de escolas parceiras convidadas, ofertando a
vivência de diferentes manifestações da Ginástica e das Práticas Circenses, sob o formato de rodízio. O planejamento,
advindo de pesquisa, é construído pelos discentes do Curso de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica e
Minas gerais (PUC Minas), possibilitando a estes ampliar os conhecimentos necessários à sua prática docente futura.
Aos alunos das escolas parceiras, tais práticas proporcionam a vivência de atividades diferentes daquelas
experimentadas em suas escolas, que muitas das vezes não têm a infraestrutura encontrada na PUC Minas.

Palavras-chave: Ginástica. Educação Física. Ensino.

ABSTRACT

The following paper is presented as an experience report of extension practices developed within the disciplines
"Gymnastics for All and Trampoline" and “Artistic and Rhythmic Gymnastics”. These extension practices are
expressed as Gymnastics workshops for students from invited partner schools, offering the experience of different
manifestations of Gymnastics and Circus Practices, under a rotation format. The planning, coming from research, is
built by the students of the Physical Education Course of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC
Minas), enabling them to expand the knowledge necessary for their future teaching practice. To the students of the
partner schools, these practices provide the experience of activities different from those experienced in their schools,
which often do not have the infrastructure found at PUC Minas.

Keywords: Gymnastics. Physical Education. Teaching.

1
Dr. em Educação pela Universidade SEK-cl; Curso de Educação Física da PUC Minas unidade Coração Eucarístico.
E-mail: mviniciusambrosio@[Link].
2
Me. em Educação pela Universidade SEK-cl; Curso de Educação Física da PUC Minas unidade Coração Eucarístico.
E-mail: margoambrosio@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 200

1 INTRODUÇÃO

A escola na qual acreditamos é um lugar democrático, capaz de contribuir para a formação


integral e integradora de seus alunos. É um lugar de acolhimento, de reflexão e de aprendizagem, no
qual é “possível defender e construir formas de olhar e sentir o mundo diferente daquelas que
permitem outras instituições sociais” (GONZÁLEZ; FENSTERSEIFER, 2009, p.21).
Sendo essa a escola em que acreditamos, nosso compromisso, ação e envolvimento devem
estar em consonância com os objetivos dessa instituição, “lugar em que é possível defender e
construir formas de olhar e sentir o mundo diferentes daquelas que permitem outras instituições
sociais” (GONZÁLEZ; FENSTERSEIFER, 1009, p. 21).
Para Libâneo (2013), ao proporcionar “aos alunos o domínio dos conhecimentos culturais
e científicos, a educação escolar socializar o saber sistematizado e desenvolver capacidades
cognitivas e operativas para atuação no trabalho e nas lutas sociais pela conquista dos direitos de
cidadania” (LIBANEO, 2013, p. 32). Assim, ao pensarmos a Educação Física enquanto área de
conhecimento para a escola, não podemos prescindir de escolhas que nos levem a contribuir para
que cada aluno e a aluna tenham competência para assumir o protagonismo de sua própria
educação, apropriando-se desse conhecimento para se expressarem no mundo, pois “mediado pela
cultura, o movimento humano é um sistema de comunicação, se torna símbolo, adquire significado,
sintetiza o ethos de um povo”. (FÁTIMA; UGAYA, 2016, p.142).
A Educação Física precisa pensar seus conteúdos de maneira a ampliar e aprofundar seus
saberes. Dessa forma, propomos no conteúdo de Ginástica, como forma de aprofundamento e
reflexão, a possibilidade da vivência de uma experiência no Centro Esportivo da PUC Minas –
Coração Eucarístico para escolas convidadas do Ensino Básico, buscando auxiliar no
enriquecimento do conteúdo estudado nessas escolas.
O tema Ginástica Para Todos, parte integrante do eixo temático Ginástica, conteúdo da
Educação Física escolar, como tal requer ações que contribuam para a construção desse
conhecimento na escola, o qual, por sua vez, envolve outros conhecimentos para além das técnicas
e táticas, que contribuem para a formação integral do cidadão.
É dever da Educação Física propiciar aos educandos um espaço onde as expressões por
meio do “se movimentar” aconteçam, lembrando que o movimento é uma ação de um sujeito,
vinculada a uma determinada situação concreta e relacionada a um sentido / significado
(TREBELS, 1992). Sabemos que o sujeito que “se movimenta” é visto como um ser rico em
intencionalidade, a qual dá sentido às ações humanas, configura-se na relação com o mundo e abre a
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 201

possibilidade de superar um universo confiável e conhecido para desafiar e experimentar o


desconhecido. Quando esse movimento se dá em direção ao outro, buscando interação,
conhecimento e partilha, contribui sobremaneira para o enriquecimento da formação humana em
questão.
Essa vivência é também uma experiência que oferecemos a nossos alunos dos 2º e 6º
períodos do Curso de Educação Física, possibilitando-lhes, juntamente com as escolas convidadas,
uma experiência rica e diferente, permitindo o desenvolvimento de outras habilidades para além
das demais práticas corporais. Aos alunos das escolas parceiras, a vivência contribui na aquisição
de novas estruturas motoras, bem como para a melhoria da autoestima, da disciplina, da
persistência e do respeito a si mesmo e ao outro. Isso ocorre em um espaço de partilha,
solidariedade e respeito, não só entre os alunos e alunas, mas também entre eles e os professores
envolvidos e entre eles e os demais participantes da vivência: alunos das disciplinas do Curso de
Educação Física e professores da PUC Minas.
Na graduação, em relação aos alunos do curso, essa prática extensionista visa a construir o
conhecimento sobre a prática circense, a partir de pesquisa supervisionada, assim como possibilita
o trabalho de forma interdisciplinar, por meio da ministração de oficinas de Práticas Circenses e de
Ginástica para alunos de escolas parceiras. Além disso, instrumentaliza-os para ensinarem a
Ginástica em suas diversas manifestações, considerando as diferenças dos praticantes e
proporciona práticas extensionistas sob o formato de Oficinas de Ginástica, estabelecendo, dessa
maneira, relações entre teoria e prática e possibilitando o desenvolvimento de competências
necessárias a esse campo de atuação profissional.
Outro fator relevante nesse contexto é o fato de que a PUC Minas – Coração Eucarístico
oferece infraestrutura adequada para a prática da Ginástica, condição diferente da encontrada na
maioria das escolas de Minas Gerais. A inexistência de espaço adequado nas escolas para a
Ginástica motiva-nos inicialmente para essa vivência, pois amplia as possibilidades de construção
dos conhecimentos ligados às práticas corporais, além de sensibilizar alunos e alunas das escolas
parceiras a buscar outras formas e recursos para sua vivência prática. Essa afirmação corrobora a de
Barbosa-Rinaldi e Pizani (2017), ao relatarem a quase inexistência da prática da ginástica no espaço
escolar, motivada por falta de infraestrutura e de materiais adequados, bem como a insegurança do
professor em trabalhar com essa disciplina por deficiência em sua formação. Nesse sentido, essa
prática proporciona não somente o desenvolvimento de competências necessárias à experiência
profissional, como possibilita a nossos discentes pensar a ginástica enquanto uma prática possível, a
partir da construção de conhecimento na área.
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A Ginástica exerce um fascínio sobre os alunos e alunas do ensino básico, e é considerada


como um dos conteúdos clássicos da Educação Física, apesar da pouca divulgação nas escolas
brasileiras, devido à inadequação de espaço físico e material pedagógico, como citado
anteriormente. No entanto, “a pesquisa histórica nos permite reconhecer que a ginástica é uma
prática corporal de significativa importância para a Educação Física brasileira, e,
consequentemente, para os professores que se formam nessa área”. (ANES; OLIVEIRA;
VENTURA, 2016, p.70).

2 DESENVOLVIMENTO

As referidas oficinas foram idealizadas a partir da análise do espaço físico e material


disponível no Complexo Esportivo da PUC Minas – Coração Eucarístico, pensando possibilidades
de utilização de material pedagógico alternativo construído em trabalho específico da disciplina.
Quando se pensa em opções metodológicas, entendemos que

metodologia não é apenas um conjunto de meios utilizados pelo professor para alcançar
determinado objetivo, mas também o estudo do próprio meio em que o ensino estará
imerso. Nossa proposta caminha na direção do entendimento de que o professor, ao optar
por determinada forma de agir, deve estar constantemente refletindo sua prática social,
como ser um professor que, além de pensar sobre suas ações, e, consequentemente, nas
reações de seus alunos (interação professor X aluno), é integrante de uma escola e de uma
sociedade, ou seja, de uma cultura escolar. (RANGEL et al, 2008, p.103).

Analisando as possibilidades levantadas durante a pesquisa sobre a infraestrutura,


procurando formas de não subutilizá-la e baseados em enquetes realizadas em toda primeira semana
de aulas com os alunos matriculados na primeira disciplina de Ginástica ofertada pelo curso,3 os
professores das disciplinas “Ginástica Para Todos e de Trampolim” e “Ginástica Artística e
Rítmica” do Curso de Educação Física da PUC Minas idealizaram uma prática extensionista que se
viabilizou como um trabalho pontuado para as referidas disciplinas, ofertando oficinas de Ginástica
para escolas parceiras do Ensino Básico.

3
A referida enquete era realizada na primeira semana de aulas com todos os alunos matriculados na disciplina
“Ginástica Para Todos e de Trampolim” do curso de Educação Física, com as seguintes perguntas: “Você tem algum
conhecimento acerca da prática corporal Ginástica, seja na escola ou fora dela?” e “Se sim, quais?”. Os resultados
variavam segundo os semestres cursados, em função dos perfis dos alunos, mas nos três últimos semestres, o percentual
daqueles que responderam positivamente à primeira pergunta variou entre 8,62% e 11,53%. Já em relação à segunda
pergunta, o percentual daqueles que responderam positivamente variou entre 34,48% e 38,46%, mas com conhecimento
restrito às modalidades Ginástica Artística e Rítmica.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Essa iniciativa vai ao encontro do que defende Perez Gallardo (2002), quando afirma que é
papel da universidade, instrumentalizado na extensão, no ensino e na pesquisa, socializar o
conhecimento culturalmente construído pela humanidade. Quando esse tripé ocorre em diálogo,
atende ao objetivo dessa instituição.
Para o planejamento das atividades, levou-se sempre em conta o aspecto motivacional das
atividades ofertadas e a dinâmica das oficinas, visto que elas deveriam caber no horário da
disciplina, ou seja, em 100 minutos. Optamos por oito estações de 12 minutos cada, dividindo os
alunos das escolas em grupos iguais e trabalhando no sistema de rodízio dos grupos, de forma a
levar os alunos a vivenciar práticas diferenciadas em todas as estações. Para os graduandos, houve
divisão de tarefas, no sentido de permitir a eles não somente ministrar as atividades práticas
específicas da Ginástica, mas também gerir o processo sob a coordenação do professor da
disciplina. Nesse sentido, o controle dos rodízios, a ordem das estações, o controle do tempo das
atividades, registros em foto-filmagem, relatórios e a avaliação do processo ficaram por conta de
nossos discentes.
Foram disponibilizados roteiro de orientação para os trabalhos, apostilas sobre Práticas
Circenses da Escola Profissionalizante de Circo da França e de autores brasileiros, além de
referencial bibliográfico sobre Ginástica, para que os graduandos, a partir de pesquisa e estudos
realizados nas disciplinas, pudessem planejar as atividades em aulas selecionadas para esse fim.
Quanto à definição das oficinas a serem ministradas para cada escola, a escolha se deu através de
votação democrática, a partir de uma tempestade de ideias, baseada no estudo de infraestrutura
disponível e de conhecimentos adquiridos na disciplina.
Variando de escola para escola, segundo as características dos alunos e alunas, e demandas
das mesmas, foram ministradas, ao longo dos últimos quatro anos (2015, 2016, 2017 e 2018), uma
vez na primeira metade e outra ao final de cada semestre, as seguintes oficinas:
- pirâmides humanas;
- elementos de solo (rolamentos para frente e para trás, parada de mãos, estrela, ponte
para frente e para trás);
- trampolim (cama elástica com saltos básicos e brincadeiras);
- minitrampolim;
- trave de equilíbrio;
- salto sobre o plinto;
- tecido;
- tambor;
Ressignificando a relação teoria e prática:
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- diabolô;
- rola-rola;
- prato chinês;
- chinelão;
- slack line;
- circuito de Parkour;
- bolas de Pilates;
- malabares (bolinha, claves e argolas);
- guerra de cotonetes;
- aparelhos de Ginástica Rítmica (corda, arco, fita e bola)

Em algumas oficinas houve a preocupação de se trabalhar com mais de um aparelho para dinamizar
o processo, não deixando nenhum aluno ocioso. Trabalhou-se também, em diferentes oficinas, a construção
de material pedagógico alternativo, o que, segundo Bortoleto et al. (2008),

proporciona conscientização, valorização do patrimônio, economia e empenho. O fato de


construir o próprio material permite ainda descobrir diversas possibilidades de variações
destes materiais (estéticas, como cores, e estruturais, como formas e tamanhos), ademais de
constituir-se um momento importantíssimo para a pedagogia, uma vez que possibilita
conhecer em profundidade as características dos objetos, suas limitações e possibilidades de
ação (manipulação, equilíbrio, etc.) ademais de aumentar o respeito e o zelo pelo material,
como já foi mencionado. (BORTOLETO et al., 2008,p.243)

Pensava-se inicialmente no aspecto motivador e na experimentação, sem a preocupação com


o gesto técnico, mas sempre contextualizando a prática, com breve explicação sobre a origem e as
características principais de cada atividade / aparelho.
Entendendo a Ginástica como uma prática corporal básica para a área de Educação Física e
como um dos saberes importantes para essa área do conhecimento, é intenção garantir aos alunos e
alunas das escolas o direito de conhecer e vivenciar essa prática corporal (BARBOSA-RINALDI;
PIZANI, 2017). Esse entendimento é reafirmado por Almeida e Silva (2013, p. 146), ao afirmarem
que a Ginástica compõe “o universo da Cultura Corporal de Movimento”, sendo “um direito dos
alunos se apropriar desse bem cultural, o que gera a oportunidade de enriquecimento e ampliação de
suas experiências corporais” (BARBOSA-RINALDI; PIZANI, 2017, p.146).
O espaço, pela sua possibilidade de desenvolver vivências variadas na Ginástica, talvez não
possíveis no ambiente da escola conforme citado anteriormente, contribuiu para a construção do
conhecimento dentro da área do “se movimentar”, possibilitando um intercâmbio aos alunos e
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 205

alunas das escolas parceiras, além de outras vivências não só na área da Ginástica, mas também na
área social. Isso deixou o trabalho mais coeso com o Projeto da escola, mais robusto e atrativo em
termos de conteúdo e conhecimento. As oficinas foram ministradas por alunos e alunas da
graduação do Curso de Educação Física da PUC Minas, sendo estes supervisionados pelos
professores das disciplinas acima citadas. O trabalho desenvolvido pela disciplina Ginástica
Artística e Rítmica foi realizado em interdisciplinaridade com a disciplina Educação Física e
Deficiência. Nessa atividade a Ginástica foi proporcionada a alunos com deficiência intelectual, de
escola pública parceira, em comum acordo e planejamento coletivo entre professor da disciplina,
professores da escola e discentes da PUC Minas.
Nos três últimos semestres, houve maior interação com os professores das escolas parceiras,
mais notadamente em relação às aulas ministradas para alunos com deficiência intelectual. Tal
aumento na interação foi efetivado com uma visita à turma do sexto período da PUC Minas, feita
pelos professores da escola, em data anterior ao evento. Nessa visita, em um trabalho coletivo entre
esses professores da escola, os alunos e o professor da disciplina de Ginástica, foram decididas as
oficinas a serem ofertadas segundo as características, limitações e necessidades de cada deficiência,
levando-se em consideração a avaliação do evento ocorrido no semestre anterior, e tentando
adequá-las aos alunos da escola, sempre buscando alternativas melhores para algumas oficinas não
tão bem avaliadas.
Também em um movimento de interação com as escolas convidadas, após cada uma das
oficinas aplicamos aos alunos dessas escolas um formulário para avaliar a percepção de satisfação,
na tentativa de entendimento daquelas oficinas que mais se adequavam às expectativas e às
necessidades desses alunos, segundo suas percepções. O referido formulário também foi aplicado
aos professores da escola convidada, responsáveis pelos alunos no dia do evento, visando a avaliar
suas percepções sobre as atividades. Aliado aos dados coletados pelo formulário, houve um
movimento posterior ao evento, de contato pessoal do professor da disciplina com o professor
responsável pela atividade na escola, no sentido de, conjuntamente, avaliar o evento.

3 CONCLUSÃO

Percebemos, a partir da experiência proporcionada a nossos discentes, que eles assimilaram


mais facilmente os conhecimentos tratados nas disciplinas envolvidas no processo, aliando teoria e
prática. O fato de terem construído o planejamento das atividades a partir de pesquisa em
referencial bibliográfico permitiu aos alunos do curso de Educação Física envolvidos com o evento
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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a extrapolação do conteúdo disponibilizado exclusivamente pela disciplina, enriquecendo o


conhecimento deles sobre a Ginástica enquanto prática corporal. Essa percepção se deu a partir da
comparação entre os relatórios de nossos alunos postados no Sistema de Gestão de Disciplinas de
Extensão e a enquete realizada no início da disciplina de Ginástica, na qual se evidenciava que a
maioria significativa dos alunos ingressantes na primeira disciplina referente à Ginástica do curso
não teve experiências anteriores com a prática corporal Ginástica e tinha pouco conhecimento sobre
essa prática.
A interação social advinda do processo proporcionou, tanto a nossos discentes quanto aos
alunos e alunas das escolas parceiras, um crescimento em suas respectivas formações para a
cidadania, favorecendo a aquisição de competências sociais e afetivas essenciais à vida em
sociedade.
Para os alunos e alunas das escolas, o contato com diferentes possibilidades do “se
movimentar” em Ginástica, assim como os conhecimentos sobre essas práticas, ampliaram tanto seu
repertório motor, quanto os conhecimentos relacionados a essas práticas.
Este estudo nos instiga a dar continuidade a pesquisas que visem ao desenvolvimento de
novas metodologias e que favoreçam professores de Educação Física a trabalhar com Ginástica,
entendendo-a enquanto uma prática corporal rica em conhecimento e possibilidades.

REFERÊNCIAS

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Geral e seus efeitos na prática pedagógica de um professor de Educação Física escolar. In:
TOLEDO, Eliana; SILVA, Paula (Org.). Democratizando o ensino da ginástica: estudos e
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Cap. 5, p. 141-170.
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Ginástica Para Todos. In: OLIVEIRA, Michelle; TOLEDO, Eliana. (Org.). Ginástica Para Todos:
possibilidades de formação e intervenção. Anápolis, GO: UEG, 2016. Cap. 3, p. 69-96.
BARBOSA-RINALDI, Ieda; PIZANI, Juliana. Saberes necessários à educação física na escola: a
ginástica em foco. In: BORTOLETO, Marco Antônio; PAOLIELLO, Elizabeth. Ginástica Para
Todos: um encontro com a coletividade. Campinas, SP: UNICAMP, 2017. Cap. 4, p. 67-86.
BORTOLETO, Luciana et al. Construção de materiais. In: BORTOLETO, Marco Antônio (Org.).
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257.
FÁTIMA, Conceição; UGAYA, Andresa. Ginástica Para Todos e pluralidade cultural: movimentos
para criar novos pensamentos. In: OLIVEIRA, Michelle; TOLEDO, Eliana. (Org.). Ginástica Para
Todos: possibilidades de formação e intervenção. Anápolis, GO: UEG, 2016. Cap. 6, p. 141-154.
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GONZÁLEZ, Fernando Jaime; FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. Entre o “não mais” e o “ainda
não”: pensando saídas do não lugar da EF escolar. Cadernos de Formação RBCE, Campinas, SP,
v.1. n.1, p. 9-24, set. 2009.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2013.
PÉREZ GALLARDO, Jorge. Discussões preliminares sobre os objetivos de formação humana e
de capacitação para a educação física escolar, do berçário até a quarta série do ensino
fundamental. 2002. (Tese de Livre Docência). Faculdade de Educação Física, Unicamp, Campinas,
2002.
RANGEL, Irene et al.. O Ensino reflexivo como perspectiva metodológica. In: DARIDO, Suraya;
RANGEL, Irene. (Coord.) Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio
de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2008. (Educação Física no Ensino Superior coleção). Cap. 7, p.
103-121.
TREBELS, Andreas. Plaidoyer para um diálogo entre teorias do movimento humano e teorias do
movimento no esporte. Aprendizagem Motora. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Ijuí,
SP, v. 13. n.3, p. 338-344, Jun. 1992.
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CONTRIBUIÇÕES DA PRÁTICA DE EXTENSÃO CURRICULAR PARA A


FORMAÇÃO ACADÊMICA DE ESTUDANTES DE ENGENHARIA DE
PRODUÇÃO DA PUC MINAS

CONTRIBUTIONS OF THE CURRICULAR EXTENSION PRACTICE FOR


EDUCATIONAL BACKGROUND OF STUDENTS OF PRODUCTION
ENGINEERING COURSE AT PUC MINAS

Maria Aparecida Fernandes Almeida1


Viviane Cristina Dias2
Jane Carmelita das Dores Garandy de Arruda Barroso3

RESUMO

Este trabalho objetivou divulgar os resultados da avaliação da Prática Curricular de Extensão (PCE) na disciplina
Pesquisa Operacional II do curso de Engenharia de Produção no Campus do Coração Eucarístico, no primeiro semestre
de 2018. A PCE se desenvolveu por estudos sobre gargalos de sistemas produtivos, promovendo o contato dos
estudantes com a comunidade e a proposição de melhoria em processos organizacionais. Foram desenvolvidas visitas,
modelagem,simulação de cenários em laboratório e retorno às organizações. Ao final da PCE, foi realizada a avaliação
do aprendizado sobre o aproveitamento dos alunos, utilizando-se um instrumento avaliativo disponibilizado pela Pró-
reitoria de Extensão (PROEX). Dentre as conclusões expostas, os itens mais bem avaliados pelos alunos foram a
articulação da teoria da disciplina com a prática vivenciada e a construção de novos conhecimentos a partir dos desafios
práticos. Os resultados indicam que o desenvolvimento de PCE está de acordo com as expectativas da Universidade, de
que estas promovem um espaço privilegiado para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias a um
Engenheiro de Produção.

Palavras-chave: Práticas Curriculares Extensionistas. Pesquisa Operacional. Simulação. Sistemas Produtivos.

1 Doutora, Professora do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
mafa@[Link].
2 Mestre, Professora do Curso de Engenharia de Civil da PUC Minas, campus Coração Eucarístico. E-mail:
[Link]@[Link].
3 Mestre, Professora do Curso de Engenharia de Civil da PUC Minas, campus São Gabriel. E-mail:
janebarroso@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 209

ABSTRACT

This work aimed to disseminate the results of the evaluation of Extension Curricular Practice (PCE) in the discipline of
Operational Research II of the Production Engineering course at the Coração Eucarístico campus in the first semester of
2018. The PCE was developed by studies on bottlenecks of productive systems promoting the students' contact with the
community and the proposition of improvement in organizational processes. Visits were developed; modeling;
simulation of scenarios in the laboratory and return to organizations. At the end of the practice, the evaluation of the
learning about student achievement in the PCE was performed through an evaluation tool provided by the Extension
Pro-rectory (PROEX). Among the conclusions presented, the items most evaluated by the students were the articulation
of the theory of the discipline with the lived experience and the construction of new knowledge from the practical
challenges. The results indicate that the development of PCE is in accordance with the expectations of the University,
that they promote a privileged space for the development of the skills and competences necessary to a Production
Engineer.

Keywords: Extension Curricular Practice. Operational Research. Simulation. Productive Systems.

[Link]ÇÃO

Uma Prática Curricular de Extensão (PCE) é uma atividade acadêmica que pressupõe ação,
na perspectiva dialógica entre aluno, professor e sociedade, a qual possibilita relações entre a
realidade e a produção do conhecimento, tendo como objetivo proporcionar aos participantes uma
formação integral, comprometida com a mudança social.
Grandes desafios surgem quando são inseridas PCE em disciplinas teóricas com forte
formalismo matemático, em cursos de Engenharia. No currículo formativo do curso de Engenharia
de Produção (EP), as disciplinas de Pesquisa Operacional (PO) são consideradas de grande
complexidade pelos discentes. A PO, em especial a abordagem de Simulação de Sistemas, visa
reproduzir computacionalmente o modelo representativo de um sistema real para estudo de seu
comportamento. Em geral, as práticas desta disciplina estão limitadas a experiências laboratoriais
com uso do computador. A introdução de uma PCE na disciplina Pesquisa Operacional II (PO II) –
Simulação do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas demonstrou que é possível ir além
do modelo computacional, aliando teoria e prática.
Ao final do primeiro semestre de 2018, foi aplicado para os alunos participantes um
instrumento disponibilizado pela Pró-reitoria de Extensão (PROEX), que teve por objetivo
diagnosticar a contribuição da PCE na formação dos alunos envolvidos.
Os resultados iniciais obtidos com a introdução das PCE na disciplina PO – Simulação do
Curso de Engenharia de Produção originaram-se dos seguintes objetivos definidos:
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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 Desenvolver estudos sobre a aplicação da Teoria das Filas e da Simulação de Processos


em organizações. As práticas foram desenvolvidas em diversas organizações visando à
inserção dos discentes na realidade social que os cerca. A temática escolhida é a redução
de congestionamentos e filas em processos de produção e serviços.
 Promover a visita dos discentes às organizações para interlocução e coleta de dados
sobre o sistema produtivo de forma a reproduzir o sistema real em um modelo de
simulação para o estudo de suas características. Foram desenvolvidos estudos sobre
problemas de afluência, utilizando-se uma ferramenta computacional de modelagem e
simulação de processos.
 Propor melhorias nos processos organizacionais através da simulação computacional de
cenários, de forma a contribuir com a função social da organização. Aos estudantes foi
incentivada a atuação em organizações pequenas, médias e grandes; públicas e privadas;
empresas (industriais ou produtoras de bens, prestadores de serviços, comerciais,
agrícolas), religiosas, filantrópicas. Em especial, foi feita uma sensibilização para que os
acadêmicos desenvolvam, em equipes, uma PCE em sua própria comunidade que
igualmente apresente uma demanda de resolução de problemas de filas em produção
e/ou serviços.
 Avaliar a contribuição da PCE na formação dos discentes e docentes. Na primeira etapa
da avaliação foram analisados os resultados da autoavaliação dos alunos, o que incentiva
a análise futura das opiniões dos docentes.

Este relato de experiências trata da divulgação dos primeiros resultados obtidos com a
avaliação das práticas vivenciadas na introdução de uma Prática Curricular de Extensão (PCE), na
disciplina Pesquisa Operacional II, do Curso de Engenharia de Produção da PUC Minas, campus
Coração Eucarístico. Para manter o sigilo industrial, o nome das organizações foi omitido neste
trabalho.

2. DESENVOLVIMENTO

A extensão universitária, observado o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa


e extensão, constitui-se como um “processo educativo, cultural, científico e político que se articula
de forma indissociável ao ensino e à pesquisa, que visa à promoção da interação transformadora da
universidade com outros setores da sociedade”, segundo o Art. 2º do Regulamento da Pró-reitoria
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de Extensão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas (2015). A


indissociabilidade é entendida, no Estatuto da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
(2016), em seu artigo 81º, como um “preceito da Universidade que orienta a integração entre
ensino, pesquisa e extensão no desenvolvimento de suas atividades”.
Segundo o Fórum Nacional de Extensão e Ação Comunitária das Universidades e
Instituições de Ensino Superior Comunitárias, FOREXT (2013), dentre as Ações de Extensão
integradas ao ensino de graduação, tem-se as “Disciplinas regulares dos cursos de graduação e pós-
graduação que contemplam práticas com comunidades externas: são ações de extensão, previstas
nos Projetos Pedagógicos dos cursos, que permitem ao aluno articular o que aprendeu com o que é
vivenciado pela comunidade externa”.
A articulação entre Ensino, Pesquisa e Extensão, como princípio e metodologia de produção
de conhecimento, segundo o FOREXT (2013), deve ser realizada em uma Instituição Comunitária
de Ensino Superior (ICES), mediante alguns pressupostos e estratégias:
 A graduação, em suas três dimensões, deve possibilitar ao aluno o domínio das
competências e habilidades previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN
(Ministério da Educação, 2002), coadunadas com os princípios e a missão das
instituições educacionais comunitárias.
 Para a articulação entre as três dimensões do fazer acadêmico – Ensino, Pesquisa e
Extensão – a interdisciplinaridade deve ser um princípio norteador. Mais do que a
justaposição de disciplinas, a interdisciplinaridade envolve o trabalho coletivo que
problematiza o objeto em seus diferentes aspectos, permitindo encontrar múltiplas
respostas e possibilidades de intervenção. Nessa perspectiva, tanto a pesquisa como a
extensão configuram-se como meios por excelência na realização desse princípio
pedagógico (FOREXT, 2013).
 A integração “Ensino, Pesquisa e Extensão” poderá ser feita por meio da inserção dessas
atividades nos currículos, nas diferentes formas que as DCN e Projetos Pedagógicos de
Cursos (PPC) possibilitam, sendo necessária sua validação por meio de créditos e/ou de
outros procedimentos (FOREXT, 2013).

Para o FOREXT (2013), a extensão é uma atividade-fim envolvendo uma ação pedagógica e
cultural que
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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amplia a visão de mundo da comunidade acadêmica e apresenta a realidade além-muros


para que a aprendizagem seja mais criativa e atraente nas cadeiras curriculares. Também
contribui para a formação de profissionais cidadãos, tecnicamente competentes e
comprometidos com uma sociedade mais justa e fraterna. (FOREXT, 2013, p. 4).

Nesta perspectiva acadêmica, pautada no princípio da indissociabilidade, a Pró-reitoria de


Extensão (PROEX) formalizou, em maio de 2015, a proposta de uma nova modalidade de ação
extensionista intitulada “prática curricular de extensão”, por meio da Resolução nº 02/2015, que
aprovou o Regulamento da PROEX (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2015).
Conforme o art. 5º, VII do Regulamento, consideram-se práticas curriculares de extensão:

...as atividades acadêmicas desenvolvidas em estrita vinculação com os componentes


curriculares do curso, tendo como pressuposto a interação aluno, professor e sociedade,
visando estabelecer relações entre a realidade e a produção do conhecimento, tendo em
vista proporcionar aos participantes formação integral, comprometida com a mudança
social. (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015, p.4)

Em consonância com a Política de Extensão definida pela PUC Minas (2006), o


Departamento de Engenharia de Produção (DEP), com apoio do Instituto Politécnico (IPUC), as
Pró-reitorias de Extensão (PROEX) e de Graduação (PROGRAD) inseriu as práticas curriculares de
extensão nos cursos de graduação, de forma gradativa.
A extensão é efetivada no Curso de Engenharia de Produção em seu PPC de acordo com as
modalidades propostas na Política de Extensão da PUC Minas (2006) e no Regulamento (2015). As
atividades de extensão do Curso de Engenharia de Produção têm por objetivo “ampliar o espaço da
sala de aula permitindo a construção do saber dentro e fora da academia, contribuindo com o
processo pedagógico na medida em que promove uma dinâmica de intercâmbio e participação entre
as comunidades interna e externa à vida universitária” (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2014).

3 METODOLOGIA

As práticas curriculares de extensão na disciplina de Pesquisa Operacional II se


desenvolveram pelo estudo do sistema produtivo de uma organização de forma a promover o
contato do discente com a sociedade, fomentando a melhoria dos processos nas organizações.
Foram propostos pelos discentes estudos de casos organizacionais, utilizando para análise
laboratorial uma ferramenta computacional de modelagem e simulação de processos. Os discentes
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 213

realizaram visitas às empresas para diagnóstico de congestionamentos em seus processos e a


proposição de melhorias através da simulação computacional de cenários. Os nomes das
organizações foram omitidos por motivos de sigilo.
Inicialmente, a atividade ocorreu em sala de aula; os alunos se organizaram em grupos de
trabalho compostos de até quatro componentes e fizeram o diagnóstico da situação problema das
organizações a serem estudadas-. A seguir, os discentes definiram a organização onde aconteceria a
intervenção, de acordo com o tema, e principalmente considerando as que apresentavam maior
necessidade.
Nesta fase, ficou evidente a contribuição da Prática Curricular de Extensão para a disciplina,
ao contrário do método tradicional utilizado. Os alunos trocaram experiências e se sensibilizaram
com problemas enfrentados pelos empreendedores.
Após a análise dos dados e identificação do congestionamento dos processos, os discentes
prepararam o Projeto de Simulação, sob a supervisão docente. Com a anuência dos gestores, os
discentes prepararam o Plano de Simulação seguindo as diretrizes desenvolvidas por Almeida
(2009). Os passos para elaboração de um Projeto de Simulação de Sistemas Produtivos são
sumarizados a seguir:
1. Formulação e Análise do Problema: definição dos propósitos e objetivos do estudo que
devem estar alinhados aos desejos dos empreendedores;
2. Planejamento do Projeto: alocação dos recursos para execução do projeto de acordo com
o perfil da organização estudada;
3. Formulação do Modelo Conceitual: descrição do sistema, de forma gráfica ou
algorítmica após a primeira visita à organização;
4. Coleta de Macro Informações e Dados: obtenção de informações na organização sobre
os fatos e estatísticas fundamentais, derivados de observações, experiências pessoais ou
de arquivos históricos da instituição;
5. Tradução do Modelo: codificação do modelo usando o software de simulação Arena no
laboratório;
6. Verificação e Validação: confirmação de que o modelo opera sem erros de sintaxe e
lógica e que os resultados por ele fornecidos possuam crédito e sejam representativos do
sistema real da organização;
7. Projeto Experimental Final: determinação de um conjunto de experimentos e testes que
produzam a informação desejada a ser fornecida à comunidade após o estudo;
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 214

8. Experimentação: execução das simulações para a geração dos resultados desejados e


para a realização das análises de sensibilidade do modelo;
9. Interpretação e Análise dos Resultados: elaboração de inferências sobre os resultados
alcançados pela simulação;
10. Comparação de Sistemas e Identificação das melhores soluções: identificação das
diferenças existentes entre diversas alternativas de sistemas, propondo-se soluções;
11. Documentação: descrição dos experimentos realizados e utilização dos resultados
produzidos;
12. Apresentação dos Resultados e Implementação: apresentação dos resultados do estudo
de simulação por toda equipe participante para os interessados da comunidade.

Na segunda fase das atividades, os alunos fizeram uma intervenção na organização por meio
de uma visita sistemática, trabalhando de forma integrada com os gestores. Esta abordagem
colaborou para estabelecer um relacionamento que propiciou uma identificação mais precisa das
causas do congestionamento no processo produtivo da organização.
Nesse momento, as informações macro identificadas foram traduzidas em coleta de dados,
que, em seguida, foram levadas para estudo em laboratório. Com os dados levantados, foi
construído o Projeto de Simulação utilizando o software Arena fabricado pela empresa Rockwell
(2014).
Com o uso do computador, os alunos reproduziram estatisticamente o processo real; o
software permite que cada parte do mundo real tenha o seu correspondente no mundo informatizado
(computadorizado); esse tipo de reprodução pode ser feita através dos blocos de modelagem
disponibilizados pelo software. (ROCKWELL, 2014).
Na terceira fase das atividades, os alunos apresentaram os resultados para os colegas e para a
docente responsável pela disciplina, através do Projeto de Simulação. Para avaliar a experiência, foi
feito um seminário interno com as apresentações dos trabalhos nas aulas de Laboratório. Nessa
etapa, os alunos tiveram a oportunidade de discutir sobre os resultados alcançados e as experiências
vivenciadas.
Na quarta e última etapa, os estudantes puderam vivenciar a troca de conhecimentos com a
sociedade através do retorno às organizações para apresentação da melhoria proposta aos gestores,
bem como para compartilhar a experiência vivenciada.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 215

Na última etapa, foi realizada uma avaliação do aprendizado frente ao aproveitamento dos
alunos na PCE; para tanto, foi aplicado um instrumento de avaliação disponibilizado pela Pró-
reitoria de Extensão (PROEX). Cinquenta alunos dos turnos da manhã e da noite do curso de
Engenharia de Produção, campus Coração Eucarístico, no primeiro semestre de 2018, responderam
o instrumento. Este é composto de 11 afirmativas sobre a experiência promovida pela PCE,
conforme mostra a Tabela 1. A cada afirmativa, o estudante atribuiu uma nota correspondente que
varia de 5 a 1 de acordo com sua concordância com a assertiva. O instrumento aplicado está
apresentado a seguir na Tabela 1.

Tabela 1: Estrutura do instrumento avaliativo da Prática Curricular de Extensão proposto


pela PROEX – ano 2018.
Descrição
De acordo com a experiência promovida pela prática curricular de extensão,
Cabeçalho utilize a escala de 01 a 05 e avalie SEU APROVEITAMENTO frente às
afirmativas abaixo, marcando com um X na coluna correspondente:
• Nota 05 - Concordo totalmente
• Nota 04 - Concordo parcialmente
Respostas • Nota 03 – Indeciso
possíveis • Nota 02 Discordo parcialmente
• Nota 01 – Discordo Totalmente
• Não se aplica
Número do item Afirmativas
1 Valorizar a troca de saberes entre a Universidade e outros setores da sociedade.
2 Construir novos conhecimentos a partir dos desafios apresentados na prática.
3 Oferecer contribuições para área, setor ou comunidade sobre os quais se
aproximou.
4 Reconhecer maneiras de intervir em questões da sociedade considerando sua
complexidade.
5 Integrar modelos, conceitos e metodologias oriundos de várias áreas do
conhecimento.
6 Reconhecer a importância do trabalho inter ou multiprofissional.
7 Exercitar a postura ética e o respeito às diversidades.
8 Refletir sobre os problemas que afetam a sociedade em uma das seguintes
dimensões humanistas: igualdade, liberdade, autonomia, pluralidade, solidariedade
e justiça.
9 Estar atento para o desenvolvimento social, regional ou local. (Relevância social
da profissão)
10 Articular a teoria da disciplina com a prática vivenciada
11 Desenvolver habilidades e competências profissionais
Fonte: Proex PUC Minas, 2018.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Na análise, foi também considerada a “não resposta” aos itens.

4 RESULTADOS

Os dados obtidos do instrumento de autoavaliação aplicado aos alunos dos turnos da manhã
e da noite, regularmente matriculados na disciplina Pesquisa Operacional II, do curso de Engenharia
de Produção, no primeiro semestre de 2018, que participaram da Prática Curricular de Extensão,
estão apresentados na Tabela 2.

Tabela 2: Resultados das respostas das turmas Manhã/ Noite (em %) – 1º semestre/2018

Não se Não
Perguntas Nota 5 Nota 4 Nota 3 Nota 2 Nota 1
aplica respondeu

M N M N M N M N M N M N M N

1 58,33 75 41,67 12,5 0 0 0 0 0 2,5 0 0 0 10

2 50 87,5 41,67 10 8,33 0 0 0 0 0 0 0 0 2,5

3 50 65 33,33 30 16,67 2,5 0 0 0 0 0 0 0 2,5

4 66,67 57,5 33,33 30 0 2,5 0 0 0 2,5 0 5 0 2,5

5 58,33 72,5 41,67 20 0 2,5 0 2,5 0 0 0 0 0 2,5

6 66,67 72,5 33,33 20 0 2,5 0 0 0 2,5 0 0 0 2,5

7 50 67,5 33,33 25 0 0 16,67 0 0 2,5 0 2,5 0 2,5

8 50 60 50 25 0 5 0 2,5 0 2,5 0 0 0 5

9 50 72,5 50 17,5 0 2,5 0 2,5 0 2,5 0 0 0 2,5

10 100 72,5 0 20 0 0 0 0 0 0 0 0 0 7,5

11 58,33 77,5 41,67 17,5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5

05 - Concordo totalmente 02 Discordo parcialmente


Legenda 04 - Concordo parcialmente 01 Discordo Totalmente
03 - Indeciso Não se aplica
Fonte: Elaboração das autoras, 2018.

Observando as afirmativas que foram mais bem avaliadas, temos que os alunos da manhã
avaliaram a afirmativa 10 - Articular a teoria da disciplina com a prática vivenciada - com 100%
dos alunos atribuindo Nota 5, ou seja, concordando totalmente com a afirmativa de que, com a PCE,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 217

ele aprendeu a articular a teoria aprendida em sala de aula com a prática vivenciada, conforme o
gráfico 1 abaixo. Os alunos da turma da noite avaliaram a afirmativa 2 - Construir novos
conhecimentos a partir dos desafios apresentados na prática – com 87,5% dos alunos atribuindo
Nota 5, demonstrando que eles viram uma oportunidade de construção de novos conhecimentos e
desenvolvimento de novas habilidades a partir dos desafios que surgiram durante a prática,
conforme o gráfico 2 a seguir.

Gráfico 1: Respostas dos alunos Turma Manhã à afirmativa 10 da avaliação. (1º


semestre/2018)

Fonte: Elaboração das autoras, 2018.

Gráfico 2: Respostas dos alunos Turma Noite à afirmativa 2 da avaliação. (1º semestre/2018)

Fonte: Elaboração das autoras, 2018.


Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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As duas afirmativas atendem aos objetivos da extensão universitária propostos no


Regulamento da Pró-reitoria de Extensão (PROEX/2015) art.4 incisos II e V.
Na afirmativa “Oferecer contribuições para área, setor ou comunidade sobre os quais se
aproximou”, os resultados distribuem-se em Nota 5, Nota 4 e Nota 3. Observa-se que o percentual
de alunos da manhã que atribuem Nota 5 é de 50% e da turma da noite é de 65%. A Nota 4 foi
atribuída de forma bem próxima em ambas as turmas, 33,33 % na da manhã e 30% na da noite.
Observa-se que a indecisão estava presente em 16,67% da manhã e 2,5% na noite.
Na afirmativa “Reconhecer maneiras de intervir em questões da sociedade considerando sua
complexidade”, há uma melhor avaliação (Notas 5) atribuída pela turma da manhã (66,67%). O
percentual de Nota 4 manteve-se o mesmo do item anterior para as duas turmas. Na turma da noite,
surgem as respostas de indecisos, discordantes e os que consideraram que a resposta a esta
afirmativa não se aplica (5%).
Na afirmativa “Integrar modelos, conceitos e metodologias oriundos de várias áreas do
conhecimento”, 72,5 % da turma da noite atribuiu Nota 5, enquanto 41,67% da turma da manhã
atribuíram Nota 4. Observa-se que a Nota 4 a este item foi predominante no turno da manhã.
O quesito apresentado na afirmativa “Reconhecer a importância do trabalho inter ou
multiprofissional” foi bem avaliado pelas duas turmas: 66,67% dos alunos da manhã e 72,5% dos
estudantes do turno da noite atribuíram Nota 5. Entretanto a porcentagem de estudantes da manhã
que atribuíram Nota 4 é maior do que o noturno. Ainda existem indecisos e discordantes, além de
não respostas dos alunos do turno da noite. Não houve nenhuma resposta ao “não se aplica”.
Na afirmativa “Exercitar a postura ética e o respeito às diversidades”, na turma da noite,
67,5% atribuíram Nota 5, 25% avaliaram com Nota 4 e indecisos (2,5%), não se aplica (2,5%) e não
responderam (2,5%). Não é possível afirmar que um mesmo respondente atribuiu notas 3, não se
aplica e não respondeu, pois, as respostas são de alunos diferentes. Assim, estes percentuais são
considerados no todo. Na turma da manhã, 50% da turma atribuiu Nota 5 e 33,33% Nota 4 a este
item, entretanto, surgiu a Nota 2 com discordância parcial de 16,67% dos alunos a esta afirmativa.
O item 8 afirma “Refletir sobre os problemas que afetam a sociedade nas em uma das
seguintes dimensões humanistas: igualdade, liberdade, autonomia, pluralidade, solidariedade e
justiça”. É interessante notar que 50% da turma da manhã atribuiu Nota 5 e os outros 50%
atribuíram Nota 4, estando a turma totalmente dividida nestas duas notas. Já no turno da noite, 60%
atribuíram Nota 5; 25%, Nota 4, concordando parcialmente e 5% de indecisos, 2,5% de
discordância parcial e 2,5% não responderam.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Na afirmativa 9, é dito “Estar atento para o desenvolvimento social, regional ou local.


(Relevância social da profissão). Na turma da manhã, foram obtidos os mesmos resultados do item
anterior 50% atribuíram Nota 5 e os outros 50% a Nota 4. Na noite 72,5% atribuíram Nota 5 e
17,5% a Nota 4. É importante ressaltar que a atribuição de Notas 3 (2,5%), Nota 2 (2,5%), Nota 1
(2,5%) e Não respondeu (2,5%) não são de uma mesma pessoa.
Na afirmativa “Articular a teoria da disciplina com a prática vivenciada”, 100% dos
respondentes do turno da manhã atribuíram Nota 5. Na turma da noite, a Nota 5 foi atribuída por
72,5% dos alunos e a Nota 4 foi atribuída por 20%. Neste item, 7,5% dos alunos não responderam.
Frente à afirmativa “Desenvolver habilidades e competências profissionais”, a turma da
manhã dividiu-se na atribuição de notas 5 e 4. Dos respondentes, 58,33% atribuíram Nota 5 e
41,67%, a Nota 4. No turno da noite, também houve a divisão 77,5% atribuíram Nota 5 e 17,5%, a
Nota 4, entretanto, 5% não responderam ao item. Não houve discordâncias parciais e totais, nos
dois turnos, a esta afirmativa.
Observando os resultados, é possível categorizar os resultados por semelhança. As
afirmativas 1 (Valorizar a troca de saberes entre a Universidade e outros setores da sociedade), 2
(Construir novos conhecimentos a partir dos desafios apresentados na prática) e 3 (Oferecer
contribuições para área, setor ou comunidade sobre os quais se aproximou) produziram resultados
semelhantes. Nas afirmativas 1, 2 e 3 os alunos do turno da noite atribuíram Nota 5 em escore
superior àqueles do turno da manhã. A Nota 4 é semelhante nas afirmativas 1 e 2, mas difere na 3.
Além disso, observa-se a existência de indecisos (Nota 3) na avaliação destas 3 afirmativas.
Os resultados das afirmativas 4 (Reconhecer maneiras de intervir em questões da sociedade
considerando sua complexidade) e 5 (Exercitar a postura ética e o respeito às diversidades) têm uma
atribuição de Nota 4 similar, mas uma atribuição de Nota 5 inversa e ambas contam com indecisos,
Notas 1, “não se aplica” e “não responderam”. Outras afirmativas que produziram resultado
semelhantes são a 8 (Refletir sobre os problemas que afetam a sociedade em uma das seguintes
dimensões humanistas: igualdade, liberdade, autonomia, pluralidade, solidariedade e justiça) e a 9
(Estar atento para o desenvolvimento social, regional ou local), nas quais é percebida uma divisão
das opiniões na turma da manhã.
Desses resultados, é possível inferir que ambas as turmas avaliaram muito bem a PCE, em
grande parte atribuindo Notas 5 e 4. É possível notar que, na turma da manhã, os resultados levaram
à detecção de mais indecisos acerca de questões sobre a troca de saberes entre a Universidade e
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 220

setores da sociedade, sobre a construção de novos conhecimentos e sobre o oferecimento de


contribuições de seu trabalho. Também foi identificado que afirmativas com textos menores no
enunciado são respondidas de maneira mais direta, diminuindo-se o grau de indecisões.
O envolvimento e a participação ativa dos alunos mostram a motivação destes em relacionar
a teoria, o ensino visto em sala de aula, muitas vezes de forma tradicional e maçante, com a prática
vivenciada fora dos muros da universidade. Observou-se que a percepção dos discentes a respeito
PCE está em consonância com as expectativas da Universidade, ou seja, oportuniza um espaço
privilegiado para o desenvolvimento habilidades e competências desejáveis para um Engenheiro de
Produção: desenvolvimento da consciência ética e profissional, aprendizado do trabalho em equipe,
aumento da capacidade de reflexão e argumentação, promove a capacidade de pensar criticamente,
amplia a capacidade de comunicação das formas oral e escrita, além de promover a reflexão sobre
soluções para os problemas da sociedade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A iniciativa de integração das atividades de ensino e pesquisa com as atividades de extensão,


no âmbito da unidade curricular “Pesquisa Operacional II”, do Curso de Engenharia de Produção da
PUC Minas – Campus Coração Eucarístico, permitiu preparar e aproximar os estudantes para
atuarem na realidade. Representou também uma oportunidade para os estudantes perceberem os
desafios que cercam a efetiva implantação dos conhecimentos teóricos.
Anteriormente, limitada às experiências puramente laboratoriais de simulação de processos
dos conteúdos livrescos, a experiência da inserção de PCE na disciplina de PO II do Curso de
Engenharia de Produção demonstra uma grande inovação no sentido de que permite aos discentes o
contato com processos reais e com a sociedade que o receberá como futuro Engenheiro.
Um grande desafio em disciplinas puramente teóricas é oferecer ao estudante conteúdo que
faça sentido para ele, no mundo real. As práticas laboratoriais desenvolvidas com o uso do
computador muitas vezes parecem afastar os indivíduos, pois o software cria um mundo artificial no
qual o estudante fica imerso, completamente alheio à realidade, à sociedade e ao mundo profissional
que o espera quando do exercício de seu ofício.
Nas Ciências Exatas e na Engenharia, há uma tradição de se desenvolver práticas
laboratoriais que, muitas vezes, conduzem o estudante a um mundo completamente abstrato, de
corolários, teoremas, equações e formulações matemáticas que visam explicar fenômenos. As
experiências em PO é um bom exemplo desta grande abstração, pois são executadas com objetos,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 221

variáveis matemáticas, análises com software. O estudante deve entender que as ferramentas
matemáticas e de simulação têm o forte propósito de auxiliá-lo na resolução de problemas reais.
Neste sentido, a inserção de práticas extensionistas traz um grande benefício para os discentes,
mudando sua forma de ver o mundo, articulando a teoria com a prática profissionalizante.
Ao viver a experiência real, o aluno tem de se desdobrar como pode e ir atrás do
conhecimento necessário para resolver o problema proposto pela prática de extensão. Cada prática
apresenta-se como uma fonte rica de aprendizado, de trabalho em equipe, criatividade, tomada de
decisão, com o que os alunos puderam viver desafios reais e desenvolver ações em função das
melhores soluções para o problema apresentado, com o apoio e a tutoria da professora e com a troca
de conhecimentos oriundos dos empreendedores.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, M. A. F. Guia de Práticas de Laboratório: Pesquisa Operacional II [Apostila da


Disciplina Pesquisa Operacional II]. Belo Horizonte: PUC Minas, 2017.
FOREXT - FÓRUM NACIONAL DE EXTENSÃO E AÇÃO COMUNITÁRIA DAS
UNIVERSIDADES E INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR COMUNITÁRIAS, Extensão nas
Instituições Comunitárias de Ensino Superior: Referenciais para a Construção de uma Política
Nacional de Extensão nas ICES, XX Encontro Nacional de Extensão e Ação Comunitária das
Universidades e Instituições Comunitárias, Itajaí: Editora da Univali, 2013.
LAW, A.M.; KELTON, W. D. Simulation Modeling and Analysis. Nova York: McGraw-Hill,
1991.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Resolução CNE/CES11 de 11/03/2002 - Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Engenharia, Brasília, 2002.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, Estatuto da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, Pró-reitoria de Extensão.
Regulamento da Pró-reitoria de Extensão Universitária da PUC Minas, Belo Horizonte, 2015.
Disponível em: < [Link] > Acesso em março de 2018.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Projeto Pedagógico do
Curso de Engenharia de Produção, Belo Horizonte, 2014.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, Pró-reitoria de Extensão.
Política de Extensão Universitária da PUC Minas, Belo Horizonte, 2006. Disponível em: <
[Link] > Acesso em março de 2018.
ROCKWELL. Arena User´s Guide [Manual]. New York: Rockwell Automation, Inc, 2014.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 222

EXPERIÊNCIAS EXTENSIONISTAS EM PRÁTICAS NA COMUNIDADE


DO CURSO DE MEDICINA DA PUC MINAS CAMPUS POÇOS DE CALDAS

EXTENSIONIST EXPERIENCES IN PRACTICES IN THE COMMUNITY


OF THE MEDICINE COURSE OF PUC MINAS CAMPUS POÇOS DE
CALDAS

Pedro Henrique Fonseca Nogueira1


Emilly Andrade Martins2
Sérgio Ítalo Blasi Neto3
Euclides Colaço Melo dos Passos4
Thatia Regina Bonfim5

RESUMO

De acordo com os princípios de integralidade, equidade e universalidade preconizados pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação de Medicina propõem uma formação
médica pautada em valores humanísticos, críticos, reflexivos e éticos. Dessa forma, o Curso de Graduação de Medicina
ofertado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais campus Poços de Caldas, conforme as DCN, reforça a
necessidade e a importância da inserção precoce dos estudantes nas redes de atenção primária à saúde do município de
Poços de Caldas/MG. Este trabalho descreve e analisa, pela visão dos alunos, o caráter extensionista da disciplina
Práticas na Comunidade I: Gestação, Parto-Nascimento e Período Neonatal do Curso de Medicina da PUC Minas Poços
de Caldas. A partir de uma observação participativa dirigida pelos professores e pelas equipes multiprofissionais
presentes na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Kennedy II, situada no bairro Kennedy II, e na UBS São Bento,
situada no bairro São Bento, ambas no município de Poços de Caldas/MG, grupos de cinco acadêmicos acompanharam
semanalmente a rotina de uma Estratégia de Saúde da Família (ESF). Com enfoque no cuidado integral ao período de
gestação e nascimento, pertinente ao primeiro ciclo da disciplina Práticas na Comunidade, os discentes observaram ao
trabalho do médico de família e comunidade, do enfermeiro, dos técnicos de enfermagem e dos agentes comunitários de
saúde. Visando ao máximo aproveitamento da prática extensionista, os alunos participaram, ao final de cada dia de
estágio, de grupos de vivência, juntamente com o professor orientador, visto que o compartilhamento e a análise das
diferentes experiências constituem fator importante para o processo de ensino-aprendizagem. Fundamentado em
observações participativas, os estudantes, em conjunto com a equipe multiprofissional, desenvolveram um olhar crítico
para a realidade das comunidades assistidas, além de compreender a rotina de uma UBS e o seu papel dentro do SUS.
Ademais, houve a integração de conceitos e fundamentos de outras disciplinas da grade curricular, reforçando a
interdisciplinaridade prevista pela atividade extensionista. Considerando o aproveitamento das atividades descritas, a

1
Graduando do curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: ppfnogueira@[Link].
2
Graduando do curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: emillya.martins55@[Link].
3
Graduando do curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: sergioiblasi@[Link].
4
Especialista. Professor do Curso de Medicina da PUC Minas Poços de Caldas. E-mail: euclides@[Link].
5
Doutora. Professora do Curso de Medicina da PUC Minas- Poços de Caldas. E-mail: thatiarb@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 223

promoção de projetos pedagógicos como o da PUC Minas Poços de Caldas possibilitam uma formação médica mais
completa, capaz de valorizar aspectos humanísticos, críticos, reflexivos e éticos tão desejados na formação de um
profissional da saúde.

Palavras-chave: Extensão universitária. Estudantes Medicina. Práticas na comunidade.

ABSTRACT

According to the principles of integrity, equity and universality advocated by the Brazil’s Unified Public Health System
(SUS), the National Curricular Guidelines (DCN) of the Medicine Graduation Course propose a medical education
guided by humanistic, critical, reflexive and ethical values. Therefore, the Medicine Graduation Course offered by the
Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas) in the Poços de Caldas campus, in accordance with the
DCN, reinforces the need and the importance of the early students’ entry in the primary health care networks of the
municipality of Poços de Caldas, Minas Gerais state. The objective is to describe and analyze, by the students' view,
the extensionist character of the course “Practices in the Community I: Gestation, Labor and Delivery and Neonatal
Period”, of the Medicine Graduation Course of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais in the Poços de
Caldas campus. Based on a participant observation conducted by the professors and the multiprofessional teams present
at the Kennedy II Basic Health Unit (UBS), located in the Kennedy II neighborhood, and at the São Bento UBS, located
in the São Bento neighborhood, both in the municipality of Poços de Caldas, groups of five academics followed weekly
the routine of a Family Health Strategy (ESF). Focusing on the integral care to the gestation and birth period, pertaining
to the first cycle of the Practices in the Community course, the students observed the work of the community and family
doctor, the nurse, the nursing technicians and the community health agents. In order to maximize the use of the
extension practice, the students participated, at the end of each day of the internship, of the experience groups,
supervised by the tutor, in which the sharing and analysis of the different experiences constitute an important factor for
the teaching and learning process. Based on participant observations, the students, with the multiprofessional team,
developed a critical view about the reality of the assisted communities, besides understanding the routine of an UBS and
its role within the SUS. In addition, there was an integration with the concepts and the fundamentals of other disciplines
of the curriculum, reinforcing the interdisciplinarity expected by the extensionist activity. Considering the exploitation
of the activities described, the promotion of pedagogical projects such as the PUC Minas in Poços de Caldas, which aim
to introduce the student early in the public health system through extension practices, allow a more complete medical
formation, that values the humanistic, critical, reflexive and ethical aspects so desired in the formation of a health
professional.

Keywords: University extension. Medical students. Practices in the Community.

1 INTRODUÇÃO

Instituído pela Lei 8.080/90, o Sistema Único da Saúde (SUS) prevê integralidade,
universalidade e equidade do cuidado por meio de uma prática humanizada baseada na autonomia
dos usuários, reconhecendo-os como protagonistas ativos de sua própria saúde. Enquanto proposta
para articulação dessa autonomia do indivíduo com o SUS, a Estratégia Saúde da Família (ESF) foi
implantada em todo o território nacional tendo como meta a reorganização da atenção básica por
meio da ampliação da resolutividade na situação de saúde das pessoas e coletividades (BRASIL,
2012).
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 224

Nesse contexto, para a formação de profissionais da saúde em consonância com tal


perspectiva de humanização da prática médica foram estabelecidas as Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN) do Curso de Graduação de Medicina, que propõem um perfil do graduado em
Medicina com formação pautada em valores humanistas, críticos, reflexivos e éticos. Essa formação
reafirma a responsabilidade social do profissional e seu compromisso com a cidadania e a dignidade
humana, valorizando a determinação biopsicossocial do processo de saúde e doença (BRASIL,
2012).
Abarcados nessa necessidade de uma formação médica marcada pela completude, as novas
alterações das DCN do Curso de Graduação de Medicina reforçam a necessidade e a importância da
inserção dos estudantes nas redes básicas de atendimento à saúde logo no início da formação
(BRASIL, 2012). Essa articulação entre ensino, serviço e comunidade, como cenário do processo de
ensino-aprendizagem dos estudantes de Medicina, tornou-se fundamental no processo de formação,
com uma perspectiva crítica e reflexiva que proporciona ao jovem médico em formação um olhar
amplo sobre a sociedade na qual está inserido (ALBUQUERQUE, 2008).
Nesse sentido, o Curso de Graduação de Medicina ofertado pela Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais Campus Poços de Caldas (PUC Minas Poços de Caldas), atendendo ao
Artigo 207 da Constituição Brasileira de 1988, que dispõe sobre a necessidade de observância do
princípio de indissociabilidade do tripé ensino / pesquisa / extensão nas universidades brasileiras
(BRASIL, 1998), visa inserir os acadêmicos de Medicina desde o primeiro período nas ESF
desenvolvidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Poços de Caldas. Essa
inserção se dá por meio da disciplina Práticas na Comunidade que, sendo uma disciplina de caráter
extensionista, tem por principal objetivo a observação participativa dos alunos das rotinas das
equipes multiprofissionais das UBS e em redes assistenciais hierarquizadas, sempre na perspectiva
de prevalência do princípio de integralidade da atenção básica à saúde (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2017).

2 OBJETIVOS

O objetivo deste estudo foi descrever e analisar, pela visão dos alunos, a disciplina Práticas
na Comunidade do Curso de Medicina, da PUC Minas Poços de Caldas. Nesse contexto, houve a
prevalência durante o desenvolvimento da atividade de: a) identificação e descrição dos principais
problemas de saúde da comunidade em concomitância com a elaboração de medidas interventoras,
juntamente com as equipes multiprofissionais da UBS; b) desenvolvimento da capacidade de
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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trabalho em equipes multiprofissionais preconizando as diretrizes de integralidade da atenção à


saúde proposta pelo SUS; c) conhecimento da organização e o funcionamento de uma UBS e dos
demais serviços que compõem o serviço público de saúde do município; d) identificação das
aplicações práticas de conceitos absorvidos em outras disciplinas da graduação; e) desenvolvimento
da capacidade crítica sobre a realidade vivenciada na UBS e na microárea de abrangência para
compreensão da completude do estado de saúde de um determinado indivíduo.

3 DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA

A inserção precoce dos acadêmicos do 1º. Período do Curso de Medicina da PUC Minas
Poços de Caldas é um dos objetivos da disciplina Práticas na Comunidade I: Gestação, Parto-
Nascimento e Período Neonatal. Essa disciplina, de caráter extensionista, prevê a formação de
grupos práticos de 5 (cinco) acadêmicos, com carga horária semanal de 4 (quatro) horas/aula. Cada
grupo realizou suas atividades em Unidades Básicas de Saúde distintas, em diferentes dias da
semana, com contato imediato e direto junto ao Sistema Público de Saúde do município de Poços de
Caldas. A formação de grupos pequenos visa ampliar a participação efetiva dos acadêmicos,
tornando a integração mais acolhedora e mais direcionada para cada aluno, permitindo o contato
mais próximo com a equipe multiprofissional da unidade e proporcionando um ambiente de ensino
e aprendizado mais efetivo.
É importante destacar que o Projeto Pedagógico do Curso de Medicina da PUC Minas
Poços de Caldas prevê, durante os dois primeiros anos do curso (quatro primeiros semestres), a
integração dos alunos nas UBS em práticas com atenção em diferentes etapas do desenvolvimento
do ser humano. A disciplina Práticas na Comunidade I, que ocorre no primeiro período do curso,
apresenta o enfoque no cuidado integral à saúde da mulher no âmbito do SUS e análise da linha de
cuidado de saúde da mulher na UBS e na rede pública do município de Poços de Caldas, a partir do
conhecimento das principais políticas e programas de atenção à saúde da mulher e da gestante.
Nesse contexto, a prevenção dos principais problemas de saúde da mulher, sobretudo aqueles
relacionados aos direitos reprodutivos e sexuais e à percepção de como as condições
socioeconômicas influenciam no processo de saúde / doença tornaram-se pauta nas práticas de
observação e de discussão. Ademais, a prevenção dos problemas comuns que afligem a saúde da
gestante e do seu concepto reforçou a necessidade do pré-natal como parte do cuidado integral da
saúde básica da mulher e da criança (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2017).
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Em específico, a partir de uma observação participativa dirigida pelos professores e pela


equipe multiprofissional presentes na Unidade Básica de Saúde do Kennedy II, situada no bairro
Jardim Kennedy, e na Unidade Básica de Saúde São Bento, situada no bairro Jardim Esperança,
ambas no município de Poços de Caldas/MG, o grupo de cinco acadêmicos foi inicialmente
apresentado à UBS. Nesse primeiro momento, os acadêmicos deveriam conhecer e compreender a
organização e o funcionamento de uma unidade básica no SUS, segundo os princípios e as diretrizes
operacionais da atenção básica à saúde propostos pela Política Nacional de Atenção Básica
(PNAB). Além disso, os acadêmicos conheceram a equipe multiprofissional que compunha a UBS e
puderam compreender que são imprescindíveis à existência de uma ESF. Essa equipe é composta
por, no mínimo, um médico generalista ou especialista em Saúde da Família ou médico de Família e
Comunidade, por um enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família, por um auxiliar
ou técnico de enfermagem e por agentes comunitários de saúde, podendo-se acrescentar a essa
equipe multiprofissional os profissionais de saúde bucal (BRASIL, 2012). Nesse contexto, é
importante destacar a necessidade de uma proatividade por parte das equipes de saúde na
identificação do processo saúde / doença mediante acompanhamento integral aos usuários do
sistema e das necessidades da comunidade definida pelos limites territoriais. Como resultado,
espera-se uma inferência positiva nos indicadores de saúde e, consequentemente, na qualidade de
vida da população (BRASIL, 2008).
Seguindo as apresentações básicas de uma UBS, os alunos foram divididos, semanalmente,
entre os profissionais, em um esquema de revezamento, para que cada um pudesse adquirir
habilidades e desenvolver uma articulação dos saberes durante o trabalho em equipe
interdisciplinar, fortalecendo atividades promotoras de educação e proteção à saúde dos indivíduos
da comunidade. Compreender a atuação de cada profissional dentro do contexto de uma UBS é
fundamental para a articulação das ações de saúde, fazendo com que o profissional perceba as
conexões entre as intervenções realizadas por ele e pelos demais integrantes da equipe. Com esse
vínculo entre os profissionais da saúde, o tratamento torna-se mais abrangente e mais condizente
com as condições biopsicossociais do indivíduo (CACAPAVA, 2009).
Os alunos que acompanharam o médico puderam assistir às consultas, tomar notas de
comentários, de dúvidas e de condutas que acharam corretas e incorretas e, posteriormente, debater
individualmente com o profissional sobre o caso presenciado ou durante o momento de discussões.
Cabe ao médico do Programa de Saúde da Família prestar assistênia integral aos usuários de
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diferentes faixas etárias, sendo responsável pelo acompanhamento do paciente. Ademais, ressalta-se
a importância da incorporação de aspectos emocionais, familiares, sociais e preventivos durante os
atendimentos (BRASIL, 2002).
De modo conjunto à proposta do curso, os estudantes presenciaram condutas médicas
relacionadas ao ciclo de Gestação e Nascimento, como é o caso do acompanhamento médico
durante a consulta de pré-natal. Nesse caso, a prevalência dos princípios básicos presentes na Lei Nº
8.080 (Lei Orgânica da Saúde), pode ser analisada da seguinte forma: a integralidade, em que são
prestados serviços contínuos à paciente, que é vista de forma ampla, com foco na gestação como um
todo e não apenas em um recorte programático; a universalidade também foi aplicada, pois a
gestante tem acesso aos serviços do pré-natal durante toda a gestação e, por fim, a equidade, visto
que geralmente as consultas de pré-natal demoravam mais do que as outras, mostrando-se ser
efetivo o tratamento devido e específico para cada caso (BRASIL, 1988).
Outro grupo de alunos acompanhou os enfermeiros integrantes da respectiva ESF durante a
rotina de trabalho. Seguidos de orientação do profissional, realizaram observações participativas
dos atendimentos primários, auxiliaram na organização dos prontuários dos pacientes, no registro de
protocolos e corroboraram no processo de gestão da UBS. O planejamento, o gerenciamento e a
avaliação de atividades desenvolvidas dentro das diretrizes preconizadas pelo projeto das ESF
fazem-se primordiais ao trabalho desenvolvido pelo enfermeiro dentro da unidade. Nota-se também
a participação no quadro administrativo das UBS, sendo os enfermeiros responsáveis pela gestão
dos insumos necessários para o funcionamento adequado da unidade, prezando pela excelência no
serviço ofertado (BRASIL, 2002).
Nesse sentido, verifica-se a relevância do papel do enfermeiro para o vínculo de atenção
enfermeiro / família, na contribuição para melhoria da qualidade de saúde e de vida do indivíduo no
ambiente familiar. Ressalta-se, portanto, o caráter da prevenção e promoção de saúde com foco na
atenção primária, oferecendo uma assistência voltada para as famílias, de acordo com a realidade e
os problemas de cada uma delas, como previsto no Art. 5º da Lei Nº 8.080 (BARROS, 2011).
Um terceiro grupo de alunos organizou suas atividades em conjunto com os auxiliares de
enfermagem e os técnicos de enfermagem. Esses profissionais se encarregam, prioritariamente,
dentre outras funções, da parte dos cuidados relacionados à medicação, higiene e conforto do
paciente. Assim, os estudantes acompanharam a realização de curativos; de procedimentos básicos
de triagem como aferição da pressão, medição de glicemia e conferência de peso e altura; aplicação
de vacinas e observação dos dados da carteira de vacinação do usuário, como preconiza o
Calendário Nacional de Vacinação proposto pelo Ministério da Saúde. Dessa maneira, percebe-se
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um forte vínculo entre esses profissionais e os usuários do sistema, já que os pacientes lhes confiam
seus problemas e necessidades, possibilitando um atendimento centrado nas necessidades de cada
indivíduo (ZOEHLER, 2000).
O quarto e último grupo de alunos acompanhou os agentes comunitários de saúde
trabalhando com a adscrição de famílias em bases geográficas definidas pela microárea (BRASIL,
2012). O agente comunitário de saúde tem um papel indispensável ao acolhimento, já que é o
membro da equipe da ESF que faz parte da comunidade, o que, por sua vez, permite a criação de
vínculos fortes mais facilmente entre a população e os serviços de atenção primária à saúde
(BOVIOT, 2016).
A participação dos alunos deu-se por meio de visitas domiciliares às residências da
microárea de abrangência da UBS. As visitas domiciliares eram marcadas pela anamnese e pela
manutenção de diálogos que possibilitam a identificação de problemas que afligem a comunidade.
Nessa observação, os estudantes puderam fazer perguntas e ajudar na construção de um cenário no
qual a realidade da população está inserida, além de perceber a magnitude do trabalho do agente
comunitário de saúde, uma vez que esse profissional faz o elo entre a comunidade e a equipe da
ESF, transmitindo-lhe informações e conhecimentos e contribuindo para a construção e para a
consolidação dos sistemas locais de saúde (NASCIMENTO, 2005).
Visando ao máximo aproveitamento da prática extensionista em conjunto com o
desenvolvimento de habilidades específicas da formação médica, os alunos participaram, ao final de
cada dia, da disciplina Práticas na Comunidade, de grupos de vivência, em conjunto com o
professor / orientador, nos quais o compartilhamento e análise das diferentes experiências
constituem fator para o processo de ensino-aprendizagem. As discussões em grupos das bases
teóricas disciplinares, somadas aos conhecimentos produzidos ao longo da prática de extensão,
corroboram a produção de conhecimento essencial para a formação médica (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2017).
Além dos debates e discussões, os alunos tiveram como incumbência a elaboração de um
Diário de Campo, no qual poderiam relatar o cotidiano na UBS, os conceitos adquiridos, os frutos
dos conhecimentos produzidos e a identificação de situações-problemas observadas por eles durante
a prática. A partir desse relato, os alunos poderão ser capazes de desenvolver e promover ações em
benefício da saúde com medidas resolutivas dos problemas enfrentados pela UBS (PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2017).
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4 DISCUSSÃO

O presente estudo, então, volta-se aos resultados e objetivos observados, evidenciando o


caráter da disciplina Práticas na Comunidade I, que extrapola a atividade puramente prática baseada
nos estudos teóricos, comprovando seu perfil amplo e abrangente que as atividades de extensão
possuem. Dessa forma, tem-se que para além das características comuns de uma disciplina teórico-
prática, esta ultrapassa inclusive os limites físicos da área de aprendizado – as UBS – uma vez que o
aluno realiza atividades em toda comunidade, a se ressaltar as escolas, creches, centros
comunitários, entidades sociais entre outros locais.
Reforçando o viés extensionista da disciplina, ressaltam-se as atividades sociais e culturais
que ilustram justamente os preceitos norteadores exigidos pela PUC Minas, uma vez que todo o
trabalho tenha sido cuidadosamente elaborado para que a comunidade toda seja protagonista – cada
uma a seu momento, tal como trabalhos voltados às crianças, a idosos, a hipertensos etc. – das ações
dentro e fora das UBS, possibilitando uma real interlocução da comunidade, dos alunos e da
Universidade (PUC MINAS, 2017).
Afirmando a consonância com as diversas áreas do conhecimento que permearam toda a
prática extensionista nas ESF e com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais que o curso de
Medicina da PUC Minas adota, nota-se que o processo de imersão que o ensino ativo gerou,
desenvolveu e desenvolve habilidades permeadas de sensibilidade muito além das expectativas
esperadas para a disciplina de Práticas na Comunidade I (ANDERSON; DEMARZO;
RODRIGUES, 2007)
Os alunos, sob o aval dos preceptores, desenvolveram um olhar crítico para a realidade das
comunidades atendidas, uma vez que tinham uma visão das classes econômicas menos favorecidas
como algo distante, desconhecido ou nebuloso. As diversas variáveis encontradas eram de
conhecimento dos alunos apenas em noticiários a exemplo dos problemas com drogas, abusos
sexuais, pobreza extrema, entre outros que fizeram parte do cotidiano. Um ponto importante para o
desenvolvimento dessa competência é enxergar que as diretrizes do relevante projeto “Futuro da
Medicina de Família”, criado pela Sociedade Norte-Americana de Professores de Medicina de
Família, são exercitadas nas ESF copiosamente quando elencamos, por exemplo, os seguintes
tópicos: reconhecimento e elaboração do diagnóstico de saúde biopsicossocial da família e da
comunidade; estudo e reflexão sobre os problemas de saúde que mais afetam as pessoas e as
populações de centros urbanos e rurais (ANDERSON, 2007).
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Uma segunda habilidade desenvolvida é o entrosamento com a equipe das unidades, um


vínculo que se reflete diretamente no cuidado com o paciente e na promoção da saúde, relembrando
o aprendizado acerca do papel de cada profissional, a importância do trabalho em equipe e do bem-
estar que deve ser promovido no ambiente de trabalho. Para além desse vínculo na unidade, tem-se
a participação cooperativa da própria comunidade, que adere à dinâmica proposta, bem como às
campanhas, às atividades e aos tratamentos. É importante salientar que é a equipe de saúde que
proporciona essa abertura para a comunidade participar, não tornando esse grupo apenas um
receptor de serviços, mas o copromotor do seu próprio bem-estar; cabe ressaltar que os alunos
entendem que também fazem parte dessa dinâmica de estímulo (SOUZA, 2013).
Observou-se também um ponto crucial no campo da saúde: o funcionamento do SUS e a
rotina da ESF. Primeiramente, esse aspecto é importante porque o conhecimento acerca do
funcionamento do SUS raramente demonstra impressões positivas de grande parte da sociedade.
Assim, estar incluso nesse meio faz com que os alunos percebam o que de fato está errado, o que
pode ser aproveitado e como contribuir para que melhorias ocorram nos processos. De um modo
geral, o SUS funciona de forma suficiente, sendo que muitas das falhas estão relacionadas ao
sistema como um todo e sua gestão, e não ao esforço cotidiano de seus profissionais (PEDROSA,
2011). O segundo aspecto diz respeito à rotina de uma ESF, que trabalha, por vezes, com escassez
de materiais, mas funciona em sua capacidade máxima graças à dedicação e parceria dos
profissionais da saúde, que contornam problemas, organizam atendimentos, coleta de dados, visitas
domiciliares, campanhas de promoção à saúde etc. Essa imersão na rotina das unidades, mesmo que
revele alguns problemas, evidencia aos discentes a realidade que irão encontrar quando estiverem
atuando como médicos. Pode-se afirmar, então, que essa é uma experiência rica e que formará
médicos mais preparados profissionalmente e sensíveis às realidades da saúde pública, bem como
atentos às mais complexas situações das múltiplas realidades sociais brasileiras (JORNAL DAS
LAJES, 2011).
Uma das competências mais relevantes, desenvolvidas pelos estudantes nesse processo de
ensino ativo nas unidades de saúde, é exercitar os princípios norteadores do SUS: integralidade,
universalidade e equidade. O aluno inserido na comunidade tem a oportunidade de acompanhar
cada serviço sendo feito sem distinção, abrangendo todos os moradores, observando a maneira que
cada caso deve ser tratado, tomando por base a atenção que cada caso merece. Nesse sentido,
emerge um aprendizado contínuo, complexo e extremamente importante que é a relação do
profissional com seu paciente, em que o discente deve aprender desde o primeiro ano da graduação,
a realizar um tratamento horizontal, humanizado e profissional (JORNAL DAS LAJES, 2011).
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Considerando que o processo de aprendizado ocorre na atenção primária, os alunos puderam


se deparar com diversos problemas, contribuindo também para sua percepção crítica. Apesar do
bom trabalho realizado, as dificuldades enfrentadas nas ESF não são diferentes daquelas
encontradas no restante do Brasil, incluindo problemas de infraestrutura, falta de materiais para
curativos e serviços semelhantes, defeito ou falta de manutenção em equipamentos essenciais, como
geladeiras para as vacinas, insumos e remédios escassos, falta de transporte para visitas
domiciliares, precariedade de aparelhos eletrônicos essenciais, tais como computadores e
impressoras. De forma complementar, deve-se mencionar a remuneração, muitas vezes
incompatível dos profissionais da área da saúde. Fato é que a relação de disponibilidade e
indisponibilidade de alguns materiais afeta diretamente a prestação de serviços de saúde que, por
vezes, ficam prejudicados, seja em sua resolutividade, seja no acesso da população, na humanização
ou na oferta de serviços (SECRETARIA DO ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS, 2013).
Nesse contexto de limitação de recursos, focando na área tecnológica que também está
afetada, vale salientar o trabalho realizado junto à disciplina de Tecnologias da Informação e
Comunicação e Robótica Aplicadas à Medicina (TIC / RAM), reafirmando a interdisciplinaridade
do curso e o contínuo trabalho crítico desenvolvido com os alunos, buscando perspectivas de
melhora nos locais de atuação. Nas ESF em que cada grupo de alunos atuou, foi feito um
levantamento acerca das tecnologias básicas e avançadas que as unidades precisam ou com que
gostariam de contar para qualificar seus serviços e atendimentos. Uma série de recursos foram
pontuados, desde simples computadores e impressoras que eram insuficientes ou até ausentes nas
ESF, até leitores de códigos de barras, para controle de entrada e saída de remédios, por exemplo;
foram sugeridos também tablets para os agentes comunitários de saúde (note-se estes já deveriam
ser disponibilizados pelo Governo do Estado de Minas Gerais)21, e também foram idealizados
aplicativos para agendamento de consultas, controle de estoques, alerta de chegada de exames e
disponibilidade de especialistas na unidade.
Vale destacar que alguns desses materiais e projetos serão realizados nas ESF que os
inspiraram. Assim, com o implemento de outras disciplinas ao cotidiano dos alunos, a ementa das
disciplinas do curso de Medicina da PUC Minas vem sendo colocada em prática, favorecendo o
aprendizado dos participantes, o serviço dos profissionais de saúde e retribuindo à comunidade, que
é quem mais ganha com essa dinâmica (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2017).
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Retomando as competências continuamente desenvolvidas pelos discentes e reforçando a


interdisciplinaridade das práticas nas ESF, observa-se que, conforme a observação participativa
torna-se familiar e fundamentada nos estudos feitos pelo aluno, este começa a ser incluído em
pequenas práticas de saúde para além daquelas que já estava ambientado, como a aferição de
pressão, pesagem e realização de exame de glicose. Desse modo, temos o estudante intervindo sob o
olhar dos técnicos de enfermagem, do enfermeiro e do médico, em pequenos procedimentos, como,
por exemplo, realização de curativos, limpeza de feridas, aplicação de injeções, coleta de sangue e
administração de soro, proporcionando a ele uma iniciação nos procedimentos médicos básicos.
Apoiando este momento, a disciplina de Introdução ao Raciocínio Clínico e Epidemiológico 1
(IRCE1), focada no primeiro momento do ciclo da vida – gestação e nascimento, traz conteúdo
vasto para capacitação técnica e preparação do aluno presente na ESF. Dessa forma, o estudante
compreende, de forma plena, uma consulta de pré-natal, os cuidados básicos voltados à gestante,
bem como ao bebê, as intercorrências que podem acontecer durante a gravidez, a conduta
humanizada e profissional com os pacientes, bem como os fundamentos que apoiam todos os
procedimentos e posturas dessa fase, em conformidade com que preconiza a Portaria nº 569/00, que
instituiu o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento recorrentemente lembrado em
ambas as disciplinas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000)
Uma última competência exercitada nas ESF é o serviço para além das unidades, num
objetivo de prestação de serviço social amplo para todos os públicos. Para ilustrar essas atividades
temos as equipes de alunos realizando encontros com pequenas palestras em grupos de gestantes, a
fim de informá-las sobre aleitamento e vacinação. Houve também equipes voltadas para campanhas
contra verminoses nas creches e escolas das comunidades e, ainda, estudantes que frequentaram as
escolas dos bairros para alertar sobre alimentos saudáveis e a boa alimentação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a mudança do ensino médico preconizada pelas instituições de ensino e almejadas por toda
a população, a inserção de novos parâmetros curriculares na graduação faz-se extremamente
necessária. A promoção de projetos pedagógicos como o da PUC Minas Poços de Caldas, que
visam inserir o estudante precocemente no sistema público de saúde do município, por meio de
práticas extensionistas, vislumbra uma formação médica mais completa, que capta valores
humanistas, críticos, reflexivos e éticos, tão esperados pelo profissional da saúde.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Ademais, percebe-se a prevalência de posturas e competências desenvolvidas pelos discentes


que contribuem na humanização do exercício da profissão em um curto período de tempo. Ressalta-
se, portanto, a expectativa de crescimento técnico-humanista durante os próximos ciclos de Práticas
na Comunidade a serem desenvolvidos nos próximos semestres. Diante disso, ficam evidente os
efeitos positivos na formação do profissional de saúde, os trabalhos desenvolvidos nas UBS do
sistema público de saúde.

REFERÊNCIAS

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BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior.
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BRASIL. Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013. Institui o Programa Mais Médicos, altera as Leis
no 8.745, de 9 de dezembro de 1993, e no 6.932, de 7 de julho de 1981, e dá outras
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Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ANÁLISE ERGONÔMICA DA CÉLULA DE SOLDA: UMA PRÁTICA


DE EXTENSÃO NO RAMO DE FERRAMENTARIA

ERGONOMIC ASSESSMENT OF WELDING CELLS: AN EXTENSION


PRACTICE ON THE FIELD OF TOOLING

Larissa Cecília dos Anjos Fernandes1


Marcela Eduarda Andrade Lemes2
Márcia Colamarco Ferreira Resende3
Nhakita Fernandes Dorneles4

RESUMO

O objetivo geral deste estudo foi analisar as condições do posto de trabalho do soldador por meio de uma prática
curricular de extensão do curso de Engenharia de Produção da Pontifícia Universidade Católica e Minas gerais (PUC
Minas) Betim. Os objetivos específicos foram: identificar lacunas entre a função proposta e a exercida, propor
melhorias para adaptar o posto de trabalho ao soldador, aliar a teoria estudada na disciplina “Ergonomia Aplicada a
sistemas de Produção” à realidade das empresas de solda. Para isso, foi realizada uma Análise Ergonômica do Trabalho
com a função do soldador/montador de uma empresa de soldagem e funilaria. A demanda avaliada foi a queixa de
dorsalgia entre os soldadores, que advinha da manutenção de posturas desconfortáveis mantidas por longos períodos
durante a jornada de trabalho. O trabalho prescrito fornecido pela empresa não descrevia os equipamentos necessários
para a execução das atividades do soldador e que grande parte da sobrecarga postural identificada tinha como causa a
ausência de bancadas adequadas para o apoio do material. E nesse sentido foram feitas todas as recomendações. Por
fim, o aprendizado a partir da execução das técnicas de Análise Ergonômica do Trabalho, das visitas, das entrevistas e
das análises, contribuíram para formação de um olhar mais sensível e humanizado dos alunos perante a complexidade
das situações de trabalho, trazendo para eles uma nova perspectiva para além dos muros da universidade.

Palavras-Chave: Dorsalgia. Ergonomia. Soldagem. Extensão Universitária.

ABSTRACT

The general objective of this article was to analyze the welder's workstation conditions by means of a curricular practice
of extension of the course of Production Engineering of Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas),
Betim unity. The specific objectives were: identify gaps between actual work and prescribed work, suggest
improvements to adapt the workstation to the welder's work and ally the studied theory in the discipline "Ergonomy
Aplied to Production Systems" to the reality of the welding companies. For that, was done an Ergonomic Assessment
Method for Task Analysis (EAMTA) on the welder/assembler from a welding and tinsmith company. The evaluated
demand was the complaint of backache among the welders that would come from keeping uncomfortable postures for
long periods of time during the working day. It was clear that the prescribed work given by the company did not

1
Acadêmica de Engenharia de Produção. PUC Betim/MG. E-mail: larissanjos95@[Link].
2
Acadêmica de Engenharia de Produção. PUC Betim/MG. E-mail: marcelandrade98@[Link].
3
Fisioterapeuta mestre em Saúde Pública / Trabalho. PUC Betim/MG. E-mail: colamarcom@[Link].
4
Acadêmica de Engenharia de Produção – PUC Betim/MG. E-mail: [Link]@[Link].
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 236

describe the needed equipment to perform the welder's activities, and that a huge part of the posture overload identified
had as cause the absence of adequate benches to support the materials. And thus were done all the recommendations. By
the end, the learning by the execution of the technics of Ergonomic Analysis of Work, the visits, the interviews and the
analysis, contributed on creating a more sensible and humanized view to the students facing the complexity of working
situations, bringing a new perspective beyond the university's walls.

Keywords: Backache. Ergonomics. Welding. University extension.

1 INTRODUÇÃO

O setor automotivo possui influência significativa na indústria mundial, colaborando com o


crescimento de diversos setores na indústria. No Brasil, representa 4% do PIB total e 22% do PIB
industrial (MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO EXTERIOR E SERVIÇOS, 2018),
portanto o crescimento desse setor atua diretamente na economia do país. Conforme a publicação na
revista ISTO É (ESTADÃO CONTEÚDO, 2017), a Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea) estimou um crescimento de 7,3% para 2018 no mercado
automotivo, comparado ao ano de 2017.
A área de soldagem é de extrema importância na cadeia produtiva de automóveis, pois
garante reparos e confecção de moldes, por exemplo, para produzir componentes dos automóveis.
A solda é o resultado do processo da união de duas partes metálicas ou não, através de uma fonte de
calor. De acordo com Gomes e Ruppenthal (2002), apenas profissionais capacitados, e que tenham
consciência da importância da segurança e higiene do trabalho, devem executar o processo de
soldagem, dado que grande parte dos acidentes nesse setor ocorre devido ao não cumprimento e/ou
ao desconhecimento de normas de segurança, e dos riscos que envolvem o processo de soldagem,
tal como a não utilização de equipamentos de proteção coletiva e individual.
Conforme Silva, Souza e Siqueira (2014), a profissão de soldador requer extrema dedicação
e está submetida a diversos riscos, tanto ergonômicos, físicos e químicos. Além de toda a
preocupação com a saúde dos mesmos, a ergonomia influencia muito nesta atividade, já que, em
diversos casos, a soldagem é realizada em posições desconfortáveis, por um longo período de
tempo.
No curso de Engenharia de Produção da PUC Minas Betim, é lecionada a disciplina de
“Ergonomia aplicada a sistemas de produção”, e é proposta a realização de uma prática
extensionista em que os alunos devem visitar uma instituição e realizar uma Análise Ergonômica do
Trabalho (AET).
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Conforme o Regulamento da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas (PONTIFÍCIA


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2015), a prática de extensão é compreendida
como uma atividade acadêmica que pressupõe ação, na perspectiva dialógica entre aluno, professor
e sociedade, a qual possibilita relações entre a realidade e a produção do conhecimento, tendo como
objetivo proporcionar aos participantes uma formação integral, comprometida com a mudança
social. Desse modo, ao participarem de uma prática curricular de extensão, a fim de ampliar seus
conhecimentos, os alunos são capazes de modificar o meio no qual estão inseridos, satisfazendo
algumas das necessidades da sociedade.
Logo, o objetivo geral desse estudo foi analisar as condições do posto de trabalho do
soldador por meio de uma prática curricular de extensão. Os objetivos específicos foram: identificar
lacunas entre a função proposta e a exercida, propor melhorias para adaptar o posto de trabalho ao
soldador e diminuir suas queixas álgicas, aliando a teoria estudada na disciplina “Ergonomia
Aplicada a sistemas de Produção” à realidade das empresas de solda.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um relato de experiência de uma prática curricular de extensão realizada em uma


empresa de soldagem e funilaria, por um grupo de alunas do curso de Engenharia de Produção da
PUC Minas Betim e orientadas por uma professora do mesmo curso.
Inicialmente foi realizada uma AET, que, segundo Ferreira (2015), busca entender a situação
geral (demanda), o trabalho prescrito (tarefa) e como o trabalho é realmente realizado (atividade). A
confrontação entre os três componentes estrutura um diagnóstico e os pontos de correção e ajuste.
Como prática curricular de extensão, todas as etapas da AET e aplicação do questionário
foram acompanhadas e orientadas quinzenalmente, em sala de aula, pela professora da disciplina.
Após o primeiro mês de aula, os alunos foram orientados a procurar uma empresa para a realização
da prática de extensão, que consistia em conhecer essa empresa e levantar sua principal demanda. A
cada encontro, os alunos levavam para discussão em grupo as situações observadas, as entrevistas
realizadas, os dados coletados e eram orientados sobre a próxima etapa da AET. Dessa forma eram
intercaladas as aulas teóricas, as orientações e as visitas à empresa até a conclusão da análise. A
partir dessas informações, a metodologia da AET foi desenvolvida ao longo do segundo semestre de
2017, com a empresa parceira.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 238

O levantamento dos dados foi realizado por meio de entrevistas e verbalizações tanto dos
trabalhadores, quanto da supervisão. Também foram realizadas observações, medições e registros
das situações críticas, além da análise dos dados de produção da empresa (FERREIRA, 2015). Após
a entrevista e observação dos postos de trabalho, verificou-se que as reclamações mais alarmantes
surgiram na função de soldador / montador da empresa, sendo a principal reclamação relacionada a
queixas álgicas no dorso. Assim, a análise ergonômica foi realizada no setor de usinagem, que era
localizado na sede da empresa.
A partir da principal demanda relatada pelos trabalhadores (dorsalgia) viu-se a necessidade
de incluir na AET um instrumento que fosse capaz de quantificar o desconforto relatado pelos
trabalhadores durante a realização da atividade e, assim, não só conseguir propor melhorias mais
assertivas para o posto de trabalho, mas também ter mais um parâmetro para acompanhar as
alterações propostas. Optou-se pelo questionário de dor McGill que foi elaborado na década de 70,
em uma universidade no Canadá, cujo objetivo primordial era analisar a dor de forma quantitativa,
para que esses dados pudessem ser tratados estatisticamente (SANTOS et al, 2006).
O questionário apresenta particularidades da dor, que seriam difíceis de mensurar, como
características palpáveis, afetivas, temporais e complicações inerentes à dor. Apresenta ainda uma
avaliação da distribuição e intensidade da dor pelo corpo, mensurando-a entre “sem dor” e
“angustiante”.
A primeira etapa do questionário mostra um esboço do corpo humano, para que o mesmo
identifique onde ocorre a dor; a segunda etapa reúne informações sobre a periodicidade da dor, se
são contínuas, ritmadas, momentâneas, quando os sintomas são notados e se há intervenção por
medicamentos quando as dores ocorrem. A terceira etapa define as especificidades das dores
sentidas e a quarta etapa avalia qual a veemência da dor sentida, a partir de uma escala alfanumérica
que varia de 1 a 5, usando palavras como: (1) fraca; (2) moderada; (3) forte; (4) violenta e (5)
insuportável.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A AET foi realizada em uma empresa de pequeno porte (com cerca de treze funcionários),
localizada no município de Betim/MG, que oferecia serviços de montagem, reformas industriais,
ferramentaria, usinagem, e estava no processo de implementação da ISO 9001, para que estivesse
apta a atender aos seus clientes do setor automobilístico.
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No momento da realização da prática de extensão, existiam quatro soldadores / montadores


trabalhando na empresa e, segundo o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
(PCMSO) disponibilizado pela organização, o trabalho prescrito dessa função se caracterizava por:

Unem e cortam peças de ligas metálicas usando processo de soldagem; preparam


equipamentos, acessórios, consumíveis de soldagem, corte e peças a serem soldadas;
auxilia o pedreiro em atividades nos reparos ou construções em estruturas de alvenaria;
realiza trabalho em altura. Aplicam estritas normas de segurança, organização do local de
trabalho e meio ambiente. (EMPRESA PESQUISADA, 2017).

Os soldadores iniciavam sua jornada de trabalho às 8h, realizavam uma pausa para o café,
logo após se deslocavam pela empresa, juntando as ferramentas necessárias para realizar seu
trabalho e, só então, iniciavam a soldagem das peças metálicas. Eles realizavam o seu trabalho de
forma dinâmica e em diversos ambientes. Por não terem um suporte específico para apoiar as peças
metálicas de grande porte, trabalhavam com a peça no chão e, consequentemente, na posição
agachada em grande parte do tempo dessa atividade, ou seja, com o tronco flexionado e rodado e o
pescoço fletido conforme observado na imagem 1.

Imagem 1 - Postura do trabalhador de uma empresa de soldagem do município de


Betim/MG realizando a solda em uma peça metálica de grande porte.

Fonte: Acervo pessoal, 2018.


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| 240

Quando o serviço de soldagem era feito em altura, os soldadores utilizavam andaimes e


subiam várias vezes durante a execução da atividade. Nessas situações, executavam a extensão do
tronco, com movimentos repetitivos dos braços e realizando certa força na utilização das
ferramentas. Observou-se ainda, que os soldadores, além de desenvolverem as atividades prescritas,
exerciam outras funções durante o dia, como auxiliar em outros postos de trabalho e executar
atividades relacionadas à parte elétrica da empresa, por exemplo. Era prevista uma única pausa
durante o dia, para o almoço, e eles deveriam encerrar suas atividades às 17h. No entanto, em um
dos dias observados, eles trabalharam até as 17h48min.
É imprescindível para a Análise Ergonômica do Trabalho o entendimento do trabalho
prescrito (tarefa) e o trabalho real (atividade), dentro do posto de trabalho estudado, por isso, a
importância de conhecer a fundo ambos, pois a discrepância entre eles pode caracterizar a demanda,
já que em muito dos casos não há compatibilidade entre tais aspectos (IIDA, 2005).
O trabalho realizado pelos soldadores apresentava grande exigência postural e, de acordo
com Malta et. al. (2017), a dor crônica na coluna está associada à atividade física pesada no
trabalho de homens adultos. Os resultados encontrados na função avaliada por essa prática
extensionista, também mostram isso: 75% dos trabalhadores sentiam dores na região lombar e 25%
sentiam dores nos ombros e pernas. Metade dos entrevistados fazia uso de analgésicos para obter
alívio das dores, sendo que os soldadores caracterizaram as dores sentidas, principalmente, como
“dolorida”, “incômoda”, “pulsante”, “aborrecida” e “enjoada”. Grande parte dos trabalhadores, 3
dos 4 entrevistados, sentia dor na região das costas ao realizarem o trabalho na posição agachada, e
1 sentia dor ao realizar as atividades de pé. Quando questionados sobre a característica da dor mais
intensa que já sentiram, metade dos entrevistados a caracterizaram como “desconfortável”, os
outros caracterizaram como “leve” e “horrível”.
De acordo com a Previdência Social (MINISTÉRIO DA FAZENDA, 2018), no ano de
2017, foram registrados 11.835 casos de trabalhadores afastados do trabalho por 15 dias ou mais,
diagnosticados com dorsalgia no Brasil. Naquele mesmo ano, a dorsalgia foi a quinta doença que
mais gerou afastamentos do trabalho, ou seja, existe uma grande repercussão do quadro no nosso
país, considerando que são afastados em média 987 trabalhadores por mês. Vale ressaltar que esses
dados se referem apenas aos casos notificados à previdência e que muitos casos ainda são
negligenciados tanto pelos trabalhadores, como pelos empregadores.
Para evitar que os soldadores ficassem agachados por longos períodos, e na tentativa de
amenizar os sintomas relatados e evitar os afastamentos do trabalho, foi sugerida a construção de
cavaletes na altura da pelve dos soldadores, para apoiar as peças maiores que passariam a ser
Ressignificando a relação teoria e prática:
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| 241

soldadas em uma altura que exigiria menor esforço postural. Além disso, a introdução de mais
pausas durante o trabalho também poderia ajudar a diminuir a manutenção das posturas por longos
períodos de trabalho e diminuir as queixas álgicas.
Os soldadores também realizavam suas atividades de pé em bancadas fixas; logo, buscou-se
indicar melhorias para adequar o posto a essa atividade também. Para Iida (2005) o projetista tem
dificuldades ao realizar esses dimensionamentos, pois as medidas variam de acordo com o tamanho
das pessoas, como por exemplo, homens geralmente tendem a ter estatura maior em relação às
mulheres, o que pode acarretar em dimensionamento inadequado do posto de trabalho, gerando
condição de trabalho inadequada, pois há movimentos exagerados dos braços, ombros, tronco e
pernas; posturas incorretas que são causadores de dores musculares. Para Iida (2005), a célula de
trabalho deve ser dimensionada seguindo algumas premissas, como:

A altura ideal da bancada para trabalho em pé depende da altura do cotovelo e do tipo de


trabalho que se executa. Em geral. a superfície da bancada deve ficar 5 a 10 cm abaixo da
altura dos cotovelos. Para trabalhos de precisão, é conveniente uma superfície ligeiramente
mais alta (até 5 cm acima do cotovelo), e aquela para trabalhos mais grosseiros e que
exijam pressão para baixo, superfícies mais baixas (até 30 cm abaixo do cotovelo). Quando
se usam medidas antropométricas tomadas com o pé descalço, é necessário acrescentar 2 ou
3 cm referentes à altura da sola do calçado. (IIDA, 2005, p.147.)

Em bancadas fixas, o recomendável é dimensioná-la com as medidas do trabalhador mais


alto e utilizar um degrau para adaptação dos mais baixos. Nesse caso, ao invés do degrau, foi
sugerida a utilização de um estrado, que é um objeto que já existia na empresa e não acarretaria
nenhum custo adicional para sua implementação. Outra vantagem do estrado é que se o trabalhador
precisasse mudar para outro posto de trabalho, ele poderia levá-lo consigo, ajustando a altura em
cada posto de trabalho que tiver que realizar suas atividades.
Todas as sugestões foram discutidas com os trabalhadores e implementadas pela empresa,
mas ainda é necessário avaliar o impacto da implementação das sugestões. Outro estudo futuro
deverá abranger as atividades realizadas pelos soldadores fora da empresa, pois essa também foi
uma grande fonte de reclamações por parte dos trabalhadores.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prática curricular de extensão realizada na disciplina de “Ergonomia Aplicada a sistemas


de Produção”, do curso de Engenharia de Produção da PUC Minas Betim, propiciou aos alunos a
aplicação do conhecimento teórico sobre a AET em uma empresa de soldagem e funilaria.
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| 242

Na empresa parceira, a demanda avaliada foi a queixa de dorsalgia entre os soldadores, que
advinha da manutenção de posturas desconfortáveis mantidas por longos períodos durante a jornada
de trabalho. Ficou claro, também, que o trabalho prescrito, fornecido pela empresa, não descrevia
os equipamentos necessários para a execução das atividades do soldador e que grande parte da
sobrecarga postural identificada tinha como causa a ausência de bancadas adequadas para o apoio
do material. E nesse sentido foram feitas todas as recomendações, mas ainda são necessárias novas
análises para conhecer e avaliar o trabalho realizado pelos soldadores fora da empresa, pois essa
também parece ser outra fonte de sobrecarga física.
Por fim, o aprendizado a partir da execução das técnicas de Análise Ergonômica do
Trabalho, das visitas, das entrevistas e das observações, contribuiu para formação de um olhar mais
sensível e humanizado dos alunos perante a complexidade das situações de trabalho, trazendo para
eles uma nova perspectiva para além dos muros da universidade.

REFERÊNCIAS

EMPRESA PESQUISADA. Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Betim, 2017.


(Documento interno).
ESTADÃO CONTEÚDO. Crescimento do mercado automotivo em 2018 será superior ao de 2017.
ISTO É, 19 set. 2017. Disponível em: < [Link]
automotivo-em-2018-sera-superior-ao-de-2017/ >. Acesso em: 05 set. 2018.
FERREIRA, L.L. Sobre a análise ergonômica do trabalho ou AET. Revista Brasileira de Saúde
Ocupacional, v.40, n.131, p.8-11, 2015.
GOMES Altamir Almeida; RUPPENTHAL, Janis Elisa. Aspectos de higiene e segurança na
soldagem com eletrodos revestidos em microempresas do tipo serralheria, In: ENCONTRO
NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 22, Curitiba/PR, 2002. Anais... Rio de
Janeiro: ABEPRO, 2002. Disponível em: < [Link]
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MAESTRI, A.A.; VITALI, C.A. Aspectos negativos dos fumos de soldagem: prevenção e
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em: 07 set. 2018.
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qualitativa dos riscos químicos inerentes à saúde no ambiente laboral que abrange o processo de
soldagem com eletrodos revestidos. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE
PRODUÇÃO, Curitiba/PR, 2014. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2014. Disponível em: <
[Link] STP_198_123_25961.pdf > Acesso em: 04
set. 2018.
TEIXEIRA, Manoel Jacobsen. O que é dor. Sociedade Brasileira Para Estudo Da Dor, São Paulo.
Disponível em: < [Link] > Acesso em: 04 set. 2018
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ENGENHARIA SUSTENTÁVEL APLICADA À COMUNIDADE:


TRATAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS POR COMPOSTAGEM
USADO EM HORTA COMUNITÁRIA1

SUSTAINABLE ENGINEERING APPLIED TO THE COMMUNITY:


TREATMENT OF ORGANIC WASTE BY COMPOSTING USED IN
COMMUNITY GARDEN

Aline de Araújo Nunes 2


Josias Eduardo Rossi Ladeira 3
Rita David4
Joyce Laryssa Dias Brandião5
Karine Dornela Rosa6

RESUMO

Este relato apresenta a experiência de atividade extensionista do Projeto de Extensão “Engenharia Sustentável” e da
disciplina Gerenciamento de Resíduos Urbanos do curso de Engenharia Civil (10º período) da Pontifícia Universidade
Católica e Minas gerais (PUC Minas), Unidade Barreiro (Belo Horizonte – MG), ao longo de três semestres, atuando no
Residencial Parque Arrudas e na Escola Estadual Dom Bosco (Belo Horizonte – MG). As atividades foram
desenvolvidas pelos alunos extensionistas do projeto e também alunos da referida disciplina, com o apoio dos
professores participantes. As ações foram planejadas também com o auxílio da ONG Cooperação para o
Desenvolvimento e Morada Humana.(CDM), programa Comunidade Viva, em parceria com a PUC Minas. Assim,
inicialmente foi desenvolvido um diagnóstico do perfil comportamental de moradores do Residencial citado, em relação
ao descarte de resíduos domiciliares. Posteriormente, foi realizada amostragem para identificar a taxa de geração, per
capita, de resíduos orgânicos, para finalmente, no segundo semestre de 2018, aplicar a técnica de compostagem, que foi
transferida para a E. E. Dom Bosco. Com a participação de alunos e professores desta escola, foram montadas
composteiras e uma horta comunitária, ideias que foram disseminadas para a área do condomínio Parque Arrudas. Até o
momento, observaram-se resultados qualitativos na mudança de postura dos alunos em fase final de formação na
Engenharia Civil. Na comunidade impactada, notou-se que houve um despertar para as possibilidades de
aproveitamento de resíduos orgânicos para uso na produção de hortaliças em horta comunitária.

Palavras-chave: Compostagem. Resíduos urbanos. Conscientização.

1
O projeto possui financiamento pela Pró-reitoria de extensão da PUC MINAS (PROEX).
2
Dr.ª em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Departamento de Engenharia Urbana UFOP. E-mail:
alinedearaujonunes@[Link].
3
Me. em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Departamento de Engenharia Civil PUC Minas . E-mail:
[Link]@[Link].
4
Me. em Engenharia de Estruturas. Departamento de Engenharia Civil PUC Minas. E-mail: rturnball@[Link].
5
Graduanda no curso de Engenheira Civil PUC Minas São Gabriel. E-mail: joycebrandiao@[Link].
6
Graduanda no curso de Engenheira Civil PUC Minas Barreiro. E-mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 245

ABSTRACT

This report presents the experience of extension activities of the Sustainable Engineering Extension Project and the
Urban Waste Management discipline of the Civil Engineering course (10th period) of the Pontifical Catholic University
of Minas Gerais (PUC Minas), Barreiro Campus (Belo Horizonte - MG), over three semesters. The activities reported
here happened at the Parque Arrudas Residential and at the Don Bosco State School (Belo Horizonte - MG). These
activities were developed by the extension students of the project and also students of the aforementioned discipline,
with the support of teachers from the university. The actions were also planned with the support of CDM (Non
Governamental Organization Cooperation for Development and Human Residence), Comunidade Viva, in partnership
with PUC Minas. Thus, a diagnosis of the behavioral profile of the residents of the residential was developed in order to
understand the disposal of household waste. Subsequently, sampling was carried out to identify the per capita
generation rate of organic residues. Finally, in the second half of 2018, the composting technique initiated at Parque
Arrudas was transferred to Don Bosco State School. It happens with the participation of students and teachers of this
school, where were built composts and a community garden. These ideas continue to be disseminated to the Parque
Arrudas condominium area. It is important to mention that qualitative results have been observed in the change of
posture of students of Civil Engineering, who participated in the project. In the analyzed community, it was noticed that
there was an awakening to the possibilities of using organic waste, including in the production of vegetables in a
community vegetable garden.

Keywords: Composting. Urban waste. Awareness.

1 INTRODUÇÃO

A questão ambiental, no Brasil, se intensifica nos discursos e estudos a partir da década de


1960, após uma fase de intenso crescimento urbano. O caminho trilhado pela economia, até o
momento, havia sido estabelecido no sentido de extrair, produzir, vender, utilizar e descartar, não se
preocupando com a natureza e com as futuras gerações, já que até então, era considerado um
pressuposto de inesgotabilidade dos recursos naturais. A crise do petróleo, no final dos anos
sessenta e início da década de setenta, causou uma reflexão acerca do futuro, que se apresentava
incerto. Nesse contexto, o conceito de “desenvolvimento sustentável” surge como um termo que
expressa os anseios coletivos de grande parte da sociedade (BARBOSA, 2008).
Grandes encontros internacionais, promovidos pelas Nações Unidas, têm colocado a
sustentabilidade como tema prioritário e promovido grandes debates em torno desse assunto. Nesse
sentido, as universidades, por serem formadas por pesquisadores, produtores de conhecimento, e
críticos de nossos padrões de desenvolvimento, constituem locais promotores de mudanças. Como
consequência desse movimento, em 1990, segundo POLLA (2015) foi assinada a Declaração de
Talloires. Esta declaração foi a primeira, neste contexto, a ser firmada por 22 Universidades, que se
comprometeram em levar a sustentabilidade às suas respectivas instituições.
Segundo Lozano et al. (2014), diante da importância do ensino superior como promotor da
sustentabilidade, muitas instituições têm procurado incorporar práticas de desenvolvimento
sustentável em suas atividades. No contexto da PUC Minas, que vislumbra se consolidar uma
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 246

Instituição de Ensino Superior sustentável, torna-se cada vez mais importante que esta sistematize
ações alinhadas com as políticas públicas e os tratados internacionais. A partir desses objetivos, e
considerando o campus universitário parte do núcleo urbano, que possui uma infraestrutura básica
(TAUCHEN; BRANDLI, 2006), é inerente à vocação e ao compromisso do curso de Engenharia
Civil propor iniciativas que visem à implementação de um plano de gestão ambiental no âmbito da
PUC Minas, Unidade Barreiro, com potencial de extensão à comunidade externa, não só com
envolvimento direto desta comunidade, mas também com ações multiplicadoras através da mudança
de comportamento de seus participantes que levam atitudes conscientes para suas vidas extra
instituição.
Nesse sentido, o projeto de extensão universitária “Engenharia Sustentável”, trabalhando de
forma conjunta com a disciplina “Gerenciamento de Resíduos Urbanos”, ofertada no décimo
período do curso de Engenharia Civil da PUC Minas, Unidade Barreiro, envolve a comunidade
acadêmica (docentes, discentes, funcionários) e comunidades parceiras, que constituem um
segmento social que interage diretamente com a universidade.
Considerando, ainda, o intuito da disseminação do projeto para comunidades parceiras, foi
identificada uma região próxima à unidade PUC Minas, o Residencial Parque Arrudas, que sofre
com problemas corriqueiros de disposição de resíduos sólidos. Dessa forma, o Comunidade Viva,
Programa de Responsabilidade Social que vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida
de comunidades da região do Barreiro (incluindo o Residencial Parque Arrudas), demonstrou
interesse em desenvolver uma parceria com este projeto, uma vez que foi identificada, por meio de
diálogos estabelecidos com os participantes desta proposta, a possibilidade de definir ações para a
resolução definitiva dos problemas associados à disposição de resíduos na comunidade. Os
resultados dessa frente, junto à comunidade, serão aqui apresentados.

2 DESENVOLVIMENTO

As atividades extensionistas foram desenvolvidas no Residencial Parque Arrudas,


condomínio criado pelo Governo de Minas Gerais, com a finalidade de eliminar o risco de acidentes
oriundos das inundações e esgotamento sanitário precário nas imediações do ribeirão Arrudas e
alguns bairros da cidade de Contagem - MG. Dessa forma, 672 famílias foram reassentadas no
bairro Industrial, Contagem – MG.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 247

O condomínio, localizado no bairro Industrial, próximo ao centro comercial do Barreiro,


contempla 23 blocos com 16 apartamentos cada, sendo metade dos blocos com apartamentos de 2
quartos, com área construída de 45,78 m² e a outra metade com 3 quartos, com área construída de
54,78m².
Neste sentido, os extensionistas do projeto “Engenharia Sustentável” e os alunos da
disciplina “Gerenciamento de Resíduos Urbanos” trabalharam no condomínio, alinhados ao tema
disposição e reaproveitamento de resíduos urbanos. Foram planejadas ações de intervenção no
Residencial por dois semestres (2017-2 e 2018-1), sendo estas descritas na sequência.

2.1 Metodologia

Durante o segundo semestre de 2017, foram realizadas visitas técnicas à comunidade do


Residencial Parque Arrudas, com apoio da ONG CDM, para investigar aspectos comportamentais
inadequados no acondicionamento e disposição dos resíduos urbanos, que ficam espalhados nas
ruas deste condomínio. Tal fato pode estabelecer condições de geração de vetores de doenças.
Em um primeiro momento, os alunos do décimo período de Engenharia Civil, que estavam
cursando a disciplina Gerenciamento de Resíduos Urbanos, elaboraram uma série de questões, que
foram aplicadas junto aos moradores deste condomínio e validadas junto à liderança comunitária
local, que objetivavam diagnosticar aspectos comportamentais que levam ao acondicionamento e
armazenamento temporário inadequados até a coleta dos resíduos pela SLU (Superintendência de
Limpeza Urbana) da cidade de Belo Horizonte. Os resultados estão apresentados posteriormente
neste texto.
Já no primeiro semestre de 2018, foram desenvolvidas atividades para identificar
quantitativamente a geração per capita de resíduos secos (embalagens) e úmidos (orgânicos) no
Residencial. Para tal, foram formados grupos de alunos da disciplina e extensionistas do projeto,
sendo a ação dividida em dois momentos: separação dos resíduos secos e a pesagem dos resíduos
úmidos.
A ação compreendeu a coleta de resíduos produzidos por 11 apartamentos em caráter
amostral. A pesagem das sacolas ocorreu no laboratório do curso de Nutrição da PUC Minas. A
separação dos resíduos ocorreu com o objetivo de diagnosticar qual tipo de resíduo seco é gerado no
residencial e se o mesmo poderá ser reciclado no futuro. Além disso, objetivou-se a verificação do
potencial do Residencial na produção de resíduo úmido (orgânico), que poderia ser aproveitado na
técnica de compostagem.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 248

A compostagem é uma transformação do resíduo sólido orgânico, através de processos


físicos, químicos e biológicos, que precisam ser monitorados. Tal técnica de valorização da matéria
orgânica, seja ela de origem urbana, doméstica, industrial, agrícola ou florestal pode ser
considerada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico. Segundo Barros (2012), o método da
compostagem é conhecido há séculos, e com os problemas de degradação ambiental acelerada e a
perda de fertilidade dos solos, vem tendo sua importância cada vez maior.
Nesse contexto, na sequência das atividades, era esperada, no segundo semestre de 2018, a
montagem das composteiras no âmbito do Residencial Parque Arrudas, buscando o
reaproveitamento dos resíduos úmidos. No entanto, a participação da comunidade não se efetivou,
conforme a expectativa, e por meio de uma reunião com a Comunidade Viva optou-se por
redirecionar as atividades da composteira para a Escola Estadual Dom Bosco, que contempla uma
grande quantidade de alunos que reside no Parque Arrudas. Com essa alteração de local, objetivou-
se que os alunos da escola pudessem se envolver de forma efetiva com as atividades, além de serem
disseminadores da técnica de compostagem no Residencial.
Inicialmente, na forma de apresentação multimídia foram introduzidos para os alunos os
conceitos de resíduos urbanos e seus impactos ambientais, propondo soluções e as intercalando com
o projeto, de forma a enfatizar a diferença de resíduo seco e úmido e a necessidade da coleta
seletiva para a construção da composteira. Foram utilizadas apresentações em multimídia, vídeos e
uma cartilha, que foi entregue a todos os estudantes e professores.
Posteriormente, foi realizada uma capacitação, por meio de oficina de compostagem, a fim
de orientar os estudantes, funcionários da Escola e o Comitê de Moradores do Residencial Parque
Arrudas, que também participou deste evento. Nessa ocasião, os funcionários da escola foram
orientados a fazer a separação do resíduo úmido da cantina para a montagem da composteira. Os
alunos e extensionistas foram também orientados a levarem resíduos úmidos de suas casas para a
atividade de compostagem. Nesse sentido, as atividades evoluíram para a montagem das
composteiras e os resultados e discussões das ações descritas serão apresentados na sequência.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Considerando as atividades extensionistas desenvolvidas no segundo semestre de 2017, que


buscavam identificar o perfil de comportamento dos habitantes do Residencial Parque Arrudas, são
apresentadas, na Figura 1, relato das principais caracterizações identificadas pelo diagnóstico.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 249

Considerando os blocos entrevistados, a análise de dados tabulados permitiu concluir que a


maioria dos apartamentos do Residencial Parque Arrudas possui quatro ou mais moradores,
representado por 42,48% do total, ou seja, 48 dos 113 apartamentos desses blocos. Outros dados
identificados foram: 29 apartamentos (25,66%) possuem 2 moradores, 27 apartamentos (23,89%)
possuem 3 pessoas e em 9 apartamentos (7,96%) residem apenas um morador.

Figura 1 – Diagnóstico de comportamentos na geração de resíduos

Fonte: Elaboração dos Autores, 2018.

Com relação ao descarte correto do lixo, 38,94% dos moradores entrevistados sabem como
fazer e assim o fazem; no entanto, 11,50% desconhecem o procedimento adequado.
Adicionalmente, 22,12% dos moradores conhecem o processo, mas não conduzem de forma correta.
Finalmente, 27,43% conhecem informações sobre o descarte correto e às vezes o fazem.
No diagnóstico aplicado no Residencial Parque Arrudas, observou-se que 49,56% dos
moradores entrevistados geram de 1 a 2 kg de lixo (2 sacolas) por dia, e apenas 6,19% dos
moradores geram mais de 4kg (2 sacos de 15 litros). Outras informações identificadas foram:
30,97% geram menos de 1kg (1 sacolinha) e 13,27% geram entre 2kg e 4kg (1 saco de 15 litros) de
lixo.
Neste diagnóstico destacam-se também os seguintes dados:
• De acordo com a principal forma de embalar o lixo, a grande maioria dos moradores
(81,42%) descarta os resíduos em sacolas plásticas reaproveitáveis (como as utilizadas em
supermercados);
• Nenhum morador entrevistado descarta o lixo em sacolas de papelão ou direto na lixeira;
• Uma pequena parcela dos moradores, que corresponde a 11%, descarta o lixo gerado em
suas residências em lixeiras individuais, em lixeiras comuns aos blocos vizinhos ou na rua;
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 250

• Alguns moradores declararam descartar o lixo gerado em suas residências nos passeios e
ruas de seus blocos e outros enviam o lixo diretamente para catadores e associações;
• Percebe-se também que cerca de 55% dos moradores disponibilizam os resíduos fora do
tempo recomendado, em até duas horas. Tal fator pode criar um ambiente favorável à
proliferação de animais e insetos (vetores de doenças); e
• Por meio da análise dos dados, foi possível perceber que 75% dos moradores do
Residencial Parque Arrudas notam a presença de vetores nas lixeiras e no lixo que fica
espalhado pelas vias do condomínio, ou seja, a maioria dos condôminos tem consciência da
presença de insetos, roedores e outros animais que são atraídos pelo descarte inadequado
dos resíduos.

Com foco na proposta de uma disposição mais adequada desses resíduos, assim como o
reaproveitamento destes, no primeiro semestre de 2018 foram realizadas atividades no sentido de
quantificar os resíduos gerados e separá-los como “secos” e “úmidos”. O resultado da pesagem
final dos resíduos orgânicos (ou resíduos úmidos), efetuada no laboratório de Nutrição, totalizou
9,791 kg. Para o cálculo da quantidade per capita, aplicou-se a média de moradores por
apartamento, que é de três. Sendo assim, a taxa média de resíduos orgânicos gerada é de 0,297
kg/[Link].
Considerando a caracterização dos resíduos secos, foram coletadas várias embalagens
descartadas, como caixas de leite, caixas de papelão, sacos plásticos e embalagens de alimentos.
No contexto do que foi exposto, embora o Residencial Parque Arrudas tenha apresentado
potencial para a realização de atividades de reciclagem de resíduos secos, assim como
reaproveitamento dos resíduos úmidos, não houve o envolvimento necessário por parte da
comunidade. Nesse sentido, conforme relatado, as atividades foram transferidas para a Escola
Estadual Dom Bosco (próxima ao Residencial) no segundo semestre de 2018.
Foram realizadas oficinas de capacitação para o entendimento do processo de separação de
resíduos, conforme descrito na metodologia, e a montagem das composteiras foi realizada,
conforme apresentado na Figura 2.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Figura 2 – Participação dos alunos na montagem das composteiras na Escola Estadual Dom
Bosco

Fonte: Elaboração dos Autores, 2018.

Após a montagem das composteiras, os alunos da escola, de forma conjunta com os alunos
extensionistas do projeto e alunos da disciplina extensionista, procederam com o monitoramento do
processo de compostagem, de forma a acompanhar o processo de decomposição do resíduo
orgânico, por meio de controle da temperatura (Termômetro).
Finalmente, para apresentar uma forma de utilização prática do resíduo da compostagem,
houve a montagem de uma horta comunitária na Escola Estadual Dom Bosco, com a participação de
todos os professores, alunos, extensionistas e graduandos da disciplina Gerenciamento de Resíduos
Urbanos (PUC Minas) envolvidos.
Para concluir, é importante mencionar que essa intervenção extensionista permitiu um
contato direto dos alunos com membros das referidas comunidades, a interação dialógica e uma
intervenção social, princípios norteadores da prática extensionista. Posteriormente, após o sucesso
das atividades em 2018, a prática de compostagem será aplicada em outras escolas.
As ações deste projeto permitiram aos alunos PUC Minas adquirissem conhecimentos inter,
multi e transdisciplinares, uma vez que diversas disciplinas do curso e de outros cursos poderão ser
incorporadas neste momento. Por fim, após a concepção de um relatório técnico pelos discentes,
sob orientação do professor responsável pela disciplina Gerenciamento de Resíduos Urbanos,
ocorreram dois momentos de retorno aos agentes (alunos da referida escola e moradores do
Residencial Parque Arrudas).
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Portanto, entende-se que estas atividades extensionistas atendem à Política Nacional de


Extensão Universitária (2012), na qual se enfatiza a transferência de conhecimentos, característica
da Extensão, orientada à ampliação do acesso ao saber e ao desenvolvimento simultaneamente
tecnológico e social do país, bem como o Plano de Desenvolvimento Institucional (2012) da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, que propõe o fortalecimento da extensão nos
cursos de graduação, valorizando-se aquelas iniciativas interdisciplinares capazes de problematizar
e buscar respostas às questões sociais, formando-se profissionais tecnicamente competentes e
eticamente responsáveis.

4 CONCLUSÕES

Em linhas gerais, analisando os resultados obtidos, conclui-se que os moradores estão cientes
(na maioria dos casos) da forma como se deve realizar a coleta seletiva do lixo. Entretanto, pode-se
observar, conforme análise em campo dos alunos, que ainda falta conscientização e informação por
parte dos condôminos em adotarem a prática de separação de resíduos secos (embalagens) com
possibilidade de tratamento como reciclagem e resíduos orgânicos a serem transformados em
composto (húmus) pela técnica de compostagem, com aplicação em horta comunitária.
Embora a continuidade do projeto não tenha se efetivado no Residencial Parque Arrudas,
considera-se que os resultados obtidos na Escola Estadual Dom Bosco foram bastante satisfatórios,
considerando-se a montagem das composteiras e da horta.
Para a comunidade estudantil, houve transferência dos saberes (acadêmicos e práticos),
permitindo a aproximação com os moradores do Residencial Parque Arrudas e alunos da E.E Dom
Bosco, além da aproximação destes com as práticas da universidade.
Para os alunos da Engenharia Civil, as atividades extensionistas proporcionaram a aplicação
de conhecimentos técnicos aprendidos em sala de aula, bem como a visão crítica e humana, à
medida que eles se confrontaram com problemas comportamentais na geração de resíduos urbanos.
Para os professores envolvidos, houve a oportunidade de avaliar problemas da comunidade
relacionados aos conteúdos tratados na disciplina de Gerenciamento de Resíduos Urbanos (10º
período de Engenharia Civil).
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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REFERÊNCIAS

BARBOSA, G. N. O desafio do Desenvolvimento Sustentável. Revista Visões. v.1. n. 4, 2008.


BARROS, Raphael Tobias de Vasconcelos. Elementos de resíduos sólidos. Belo Horizonte:
Tessitura, 2012. 424 p. ISBN: 978-85-99745-36-6.
FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PUBLICAS
BRASILEIRAS. Politica Nacional de Extensão Universitária. FORPROEX. Manaus-AM. 2012.
POLLA, I. M. Avaliação da Universidade Federal de Santa Catarina como Laboratório vivo
de Sustentabilidade. Trabalho de Conclusão de Curso. Engenharia Sanitária e Ambiental: UFSC,
2015.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Plano de Desenvolvimento
Institucional. Belo Horizonte: 2012/2016. Belo Horizonte: PUC Minas. junho de 2006.
TAUCHEN, J.; BRANDLI, L. L. A Gestão Ambiental em Instituições de Ensino Superior: modelo
para implantação em Campus universitário. Revista Gestão e Produção, v. 13, nº. 3, p. 503-515,
setembro / dezembro, 2006.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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NOVAS ABORDAGENS DE COMUNICAÇÃO EM PSICOLOGIA:


PROGRAMA DE RADIO “NAS ONDAS DA PSICOLOGIA”

NEW APPROACHES ON COMMUNICATION IN PSYCHOLOGY:


RADIO PROGRAM "ON THE WAVES OF PSYCHOLOGY"

Beatriz da Silva Santos1


Bruna da Mota Camargo2
Maria Luísa Cancian Schultz3
Fernanda Mendes Resende4

RESUMO

Há mais de quatro anos, o Curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas),
campus Poços de Caldas, elabora e desenvolve um programa de rádio chamado “Nas ondas da Psicologia”. O trabalho
acadêmico busca adentrar os ambientes populares com saberes da Psicologia através da rádio. O objetivo é divulgar os
conhecimentos da Psicologia à população de Poços de Caldas e região, possibilitando aos ouvintes momentos de
reflexão crítica acerca da realidade social, além de principiar contato com temas diversificados, abrir espaço para
diálogo com a comunidade a partir da rádio e proporcionar desenvolvimento de habilidades sociais e profissionais dos
alunos de graduação participantes do projeto. A metodologia aplicada consiste na elaboração de temas pelos alunos, os
quais redigem as pílulas e realizam a locução do programa. Discute-se a abrangência das rádios em relação ao alcance
de público, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia (2016), o rádio é o terceiro meio de comunicação mais utilizado pela
população para se informar sobre acontecimentos no Brasil e está entre os meios mais acessíveis de comunicação,
englobando todas as camadas sociais. O presente projeto é justificado devido a sua fácil infiltração no cotidiano dos
cidadãos, e, portanto, conclui-se que o contato da universidade com a comunidade externa retroalimenta o ensino, a
pesquisa e a própria extensão, contribuindo para o desenvolvimento de conhecimentos científicos. Propicia aos ouvintes
a possibilidade de questionamento e reflexão de temas importantes os quais se defrontam no dia a dia, de modo a
desenvolver uma perspectiva crítica e mais abrangente dos assuntos.

Palavras-chave: Comunidade. Rádio. Mídia.

1Aluna de graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: byatixsantos@[Link].
2 Aluna de graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: brunacamargo87@[Link].
3Aluna de graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: [Link]@[Link].
4 Prof.ª Dr.ª do Curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. E-
mail: fernandamendesresende@[Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
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ABSTRACT

For more than four years, the Psychology course of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas),
Poços de Caldas campus, has developed a radio program called "On the Waves of Pscychology". This academic work
seeks to infiltrate popular environments with the knowledge of Psychology through the radio. The objective is to
promote the knowledge of Psychology to the population of Poços de Caldas and its region, allowing the listeners
moments of critical reflection about the social reality, in addition to starting contact with diverse themes, opening space
for dialogue with the community from the radio and providing development of social and professional skills of
undergraduate students participating in the project. The applied methodology consists in the elaboration of themes by
the students, who write the segments and host the program. Radio coverage is discussed in relation to audience reach,
according to the Brazilian Media Survey (2016); radio is the third most used means of communication and is among the
most accessible means ones, encompassing all social strata. This project is justified due to its easy infiltration into the
daily life of citizens, and therefore, it is concluded that the university's contact with the external community feedbacks
teaching, research and extension itself, contributing to the development of scientific knowledge. The project allows the
listeners the possibility of questioning and reflection of important themes which are faced day-to-day in order to
develop a critical and more comprehensive perspective of the subjects.

Keywords: Comunity. Radio. Media.

1. INTRODUÇÃO

O programa de rádio “Nas Ondas da Psicologia” acontece há mais de quatro anos, como
uma das oficinas do Projeto de Extensão denominado "Desenvolvimento psicopedagógico:
intervenções contemporâneas na Educação". Foi aprovado pela PROEX (Pró-reitoria de Extensão)
em 2015, 2016 e 2017 e desenvolvido no âmbito do Curso de Psicologia da PUC Minas campus
Poços de Caldas. Para 2018, com a descontinuidade do projeto supracitado, apresenta-se uma
proposta de continuidade das atividades da Rádio com novos elementos de destaque.
Os alunos do Curso de Psicologia organizam, preparam e realizam a locução de um
programa denominado “Nas Ondas da Psicologia” promovendo uma interação dialógica com a
comunidade sobre temas caros à psicologia como, por exemplo, racismo, xenofobia, violências,
dificuldades de adaptação escolar, novas configurações familiares, paternidade responsável,
crianças e redes sociais, entre outros. Durante toda a existência do projeto, foram gravados e
publicados mais de 100 programas.
A presente proposta de prática extensionista tem como objetivo geral a ação científica e
educativa, que possibilita a interlocução da Universidade com a sociedade por meio de ações
realizadas em parceria com o poder público e o setor privado. Visa-se, através desta, proporcionar
uma intervenção social que propicia a problematização de alguns saberes específicos da academia, a
fim de levá-los de maneira clara à comunidade.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O contato com a sociedade retroalimenta o ensino, a pesquisa e a própria extensão,


contribuindo para o desenvolvimento de novos conhecimentos científicos (Política de Extensão
Universitária da PUC Minas, 2006) além de levar conhecimento para a comunidade.
O conhecimento científico precisa estar acessível à sociedade de alguma forma e pensar /
investir nas ações educativas propostas pelo projeto de extensão permite que a universidade cumpra
seu objetivo: aproximar novos avanços técnicos e metodológicos desenvolvidos no ambiente
acadêmico à sociedade.
A integração entre sociedade e universitários gera uma possibilidade de diálogo
interdisciplinar e a ampliação da visão dos discentes em Psicologia sobre a Educação, e as
possibilidades interventivas neste ambiente multifacetado. Portanto, o programa de rádio “Nas
Ondas da Psicologia” justifica-se pela possibilidade de o ouvinte da rádio ter contato com temas da
psicologia que permeiam seu cotidiano, de maneira mais acessível, dinâmica e, ao mesmo tempo,
com o apoio de fontes científicas. E possui como objetivo promover um espaço de interlocução
entre o Curso de Psicologia e a comunidade, especialmente a comunidade escolar, através de um
programa diário de rádio.
Dentre os resultados esperados, é importante evidenciar que além dos benefícios
proporcionados à população, o projeto integra os alunos de diversos períodos do curso de psicologia
para a elaboração dos programas, levando ao desenvolvimento de habilidades necessárias para a
execução do projeto e o exercício da futura profissão.

2. DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento da presente proposta de prática extensionista visa a uma ação científica e


educativa, que possibilita a interlocução da Universidade com a sociedade por meio de ações
realizadas interdisciplinarmente com o curso de Publicidade e Propaganda.

2.1. Metodologia

Primeiramente, a coordenadora do projeto disponibiliza as vagas para os alunos interessados


em participar do projeto de extensão. Há uma seleção e qualificação através do órgão interno da
universidade, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX).
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Após a seleção, a coordenadora do projeto marca as reuniões com os integrantes para


programar o que será realizado no decorrer do semestre. Conforme a demanda necessária, outras
reuniões são marcadas. Nas reuniões, os integrantes discutem os assuntos que lhes são de interesse e
esses muitas vezes extrapolam ao que é abordado em sala de aula. Há também os temas abordados
em palestras e percepções de temáticas que se repetem nas redes sociais e no cotidiano.
A partir destas discussões, realiza-se um brainstorm para a elaboração dos títulos ou temas
chave de cada programa. O aluno que se interessa por um tema demonstra seu interesse em
pesquisar mais sobre o assunto, até que formem duplas para todas as semanas. Quando há mais de
dois interessados para cada tema, os envolvidos escolhem democraticamente outro tema de
interesse ou são realizados mais programas. O mínimo proposto para cada semana é de dois
programas por dupla, sendo que um aluno realiza a pesquisa de um tema e o outro fica responsável
pelo outro tema. Para elaborar o programa da rádio os alunos estudam os temas, partindo dos
conhecimentos adquiridos em sala de aula e por meio de leituras de artigos científicos e livros que
abordam o tema proposto. Redigem os textos com linguagem simples evitando linguagem técnica, a
fim de que o conhecimento adquirido no âmbito acadêmico vá além dos muros da universidade,
integrando com assuntos diários e caros à população.
Como já foi relatado, são escolhidos para a gravação das pílulas, temas que envolvem a
psicologia, a educação e o interesse comum por eles, como, por exemplo, bullying, violências,
trabalho, questões voltadas à escola e educação de crianças e adolescentes, preconceitos,
discriminações, patologias, juventude, lazer, desenvolvimento infantil, consumismo, entre outros. A
produção do programa segue o seguinte formato: abertura do programa; apresentação do tema que
será abordado; referências gerais sobre a temática; sugestão de outras fontes de informação sobre o
tema; e encerramento.
A locução dos programas é sempre feita pelos alunos do Curso de Psicologia, e a professora
coordenadora deste projeto de Extensão faz a revisão de todos os textos antes da gravação. Os
programas são gravados no Laboratório de Comunicação do Curso de Publicidade e Propaganda da
PUC Minas Poços de Caldas (LABCOM), com duas horas de trabalho do funcionário técnico do
Laboratório, que grava e edita os programas. Após o trabalho de edição, o programa é enviado
novamente às extensionistas bolsistas que conferem o material gravado e colocam em pendrive para
ser levado à rádio.
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O programa “Nas Ondas da Psicologia” vem sendo transmitido por uma rádio pública da
cidade de Poços de Caldas, a Rádio Libertas, em horários variados ao longo do dia (8h, 14h, 20h, 1h
e 3h), e também, desde junho de 2016, pela Rádio Independência, da cidade de Monte Santo de
Minas, aos sábados.

Figura 1 – Publicação nas redes sociais: horários e rádio.

Fonte: Acervo das autoras.

2.2. Referencial teórico

Conforme pesquisa realizada pela Secretaria de Comunicação Social (SECOM), em 2016,


com 15.050 entrevistados em todo o Brasil, o Rádio é o terceiro meio de comunicação mais
utilizado pelos brasileiros. De acordo com os dados, 66% dos entrevistados declararam que ouvem
rádio ao menos uma vez por dia e 35%, todos os dias. Vale ressaltar também que as pesquisas
evidenciaram uma maior preferência por ouvir rádio durante a semana (58%) e enquanto realizam
alguma atividade doméstica (37%). (BRASIL, 2016).
Dessa forma, torna-se evidente a importância da criação de programas de rádio embasados
teoricamente e com linguagem acessível a toda a população. Outro dado importante da pesquisa do
SECOM (2016) é que, quanto maior a idade dos entrevistados, maior a utilização do rádio como
meio de informação e, quanto menor a escolaridade este dado também aumenta.
A partir destes dados é possível relacionar com a falta de informação de determinada
camada da população que muitas vezes é marginalizada e não tem a oportunidade de acessar o
conhecimento de maneira completa.
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2.3 Discussão

O trabalho com a rádio torna-se um pouco limitado pela dificuldade de mensurar o público a
quem chegam os programas, no entanto, foi possível receber feedback de ouvintes que, ora ligavam
para a PUC para parabenizar pela iniciativa, ora comentavam com os próprios alunos e docentes.
Ainda foi possível estabelecer um canal de interação dos seguidores nas redes sociais do “Nas
Ondas da Psicologia”.
O projeto proporcionou ao acadêmico de Psicologia, a vivência do trabalho dentro da esfera
de comunicação, bem como a familiarização com o papel do psicólogo em diversas áreas além da
academia, bem como a oportunidade de colocar em prática os ensinamentos da academia. Esta
prática é um fator que agrega muito valor à formação universitária.
O projeto proporcionou um período em que se buscou vincular teoria e prática, de maneira
que a apresentar um bom resultado. E, sobretudo, perceber a necessidade em assumir uma postura
não só crítica, mas também reflexiva da nossa prática psicológica diante da realidade. Uma grande
bagagem de conhecimentos nos foi ofertada bem como a incrível experiência com os ouvintes.
Foram momentos de trocas – tanto nós deixamos algo novo para a comunidade, como dela
recebemos inúmeras experiências. Esse intercâmbio comprova, mais uma vez, que Psicologia e
Comunicação podem conduzir um trabalho interdisciplinar constituído por uma relação dialógica e
o produto dessa união é o surgimento de algo novo, mais completo e cada vez mais rico.

2.3.1 Exemplo de programa gravado

Tema: Educação para a saúde

Aluno 1: Olá ouvintes da rádio Libertas, eu sou a Beatriz, estudante do curso de psicologia
da PUC Minas Poços de Caldas, e estou hoje acompanhada da minha colega Laura. Como vai você
Laura?
Aluno 2: Olá Bia e ouvintes da rádio, estou bem, obrigada. Também sou aluna de Psicologia
da PUC Minas Poços de Caldas. O tema que vamos discutir hoje será: Educação para a saúde, e
educar o indivíduo para a saúde significa em dotar todos nós de conhecimentos, atitudes e valores
que nos ajudam a fazer opções e a tomar decisões adequadas à nossa saúde assim como o bem-estar
físico, social e mental.
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Aluno 1: Exatamente, Laura, e deste modo as práticas de educação em saúde envolvem


alguns aspectos importantes. O primeiro deles é que os profissionais de saúde devem valorizar a
prevenção e a promoção de saúde tanto quanto as práticas curativas. Um outro aspecto está
relacionado aos gestores, e ressalta-se a importância de eles apoiarem esses profissionais. Mas vale
ressaltar que tudo isso acontece quando a população é ativa, ou seja, quando ela frequenta a UBS
(Unidade Básica de Saúde), a ESF (Estratégia Saúde da Família) das suas regiões, por exemplo, e
obtém informações através do contato com os profissionais e também por meio de palestras e
folhetos oferecidos por esses serviços.
Aluno 2: Isso mesmo, Bia. Portanto, a Educação para Saúde é uma ação básica de saúde,
baseada na reflexão crítica do grupo, porque o princípio desta educação é o desenvolvimento da
consciência crítica das causas, dos problemas e das ações necessárias para a melhoria da qualidade
de vida. Sendo assim, quando estiver acontecendo uma campanha de vacinação, por exemplo, é
importante que você, caro ouvinte, procure saber o porquê de esta campanha estar acontecendo,
como ocorre a prevenção e se caso contraia a doença, o que deve ser feito e quais serviços devem
ser procurados.
Aluno 1: Tendo em vista tudo isso que já falamos, agora vamos apontar algumas
características da Educação para a saúde, são elas: estimula o indivíduo a pensar por si mesmo;
treina os indivíduos para analisar os problemas antes de agir; o conhecimento é adquirido através de
autoatividade;
Aluno 2: Além disso, é importante frisar que a educação para saúde consiste também como
um processo político, no qual requer o desenvolvimento de um pensar crítico e reflexivo, além de
envolver a compreensão de projetos de sociedades e visões de mundo.
Aluno 1: Portanto pessoal, a atividade educativa não é um processo estático, pois a simples
transmissão da informação não assegura mudanças significativas que levam a uma melhoria da
qualidade de vida da população.
Aluno 2: E novamente reforçamos o a importância de ser ter uma reflexão crítica por parte
do indivíduo, do grupo e dos profissionais responsáveis, para juntos, resolverem os problemas e
modificarem esta realidade.
Aluno 1: Obrigada pela atenção, ouvintes, e esperamos que tenham gostado desse tema e
que ele lhe tenha acrescentado um novo conhecimento. Não se esqueçam de ficar ligados na rádio
Libertas para escutarem os outros programas do Nas Ondas da Psicologia
Aluno 2: Obrigada, ouvintes pelo carinho e esperamos que tenham gostado! Grande beijo e
até a próxima.
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os meios de comunicação possibilitaram o surgimento de uma nova forma de difusão da


informação, novas formas de relações sociais e práticas comunicacionais entre as pessoas. Deste
modo esse projeto de extensão ao entrar em contato com a sociedade através da rádio, possibilita a
difusão de informações discutidas na Psicologia, e aborda assuntos que estão constantemente no
cotidiano da população.
Os meios de comunicação são tachados como meios de massa, e eles recebem esse nome
pela sua grande influência na formação da opinião das pessoas (AMARAL, 2007); todavia, a função
desse projeto é contrária a essa concepção, visto que os programas gravados pelos alunos possuem o
intuito de levar a informação e incentivar a população a pensar e refletir sobre o que foi ouvido no
programa de rádio.
As pessoas necessitam das relações sociais e de interagir com o mundo para se constituírem
como seres, assim o sujeito humano não pode ser entendido como uno ou espécie de entidade total
(SILVA; HENNING, 2011), portanto, os indivíduos sendo seres relacionais, sentem a necessidade
se comunicarem, receberem e enviar mensagens (SILVA, 2004).
Assim, pode-se afirmar que o ser humano ao longo de sua vida constrói sua subjetividade,
ou seja, suas várias maneiras de estar e atuar no mundo, recebendo várias influências do ambiente
social.
O projeto de extensão “Nas ondas da Psicologia” proporcionou a interdisciplinaridade entre
o campo da Psicologia e o da Comunicação. Os dois trabalhando em conjunto promovem novas
discussões e contribuem para a difusão de conceitos da Psicologia, fazendo com que a população
tenha maior proximidade com a área. O projeto também permite

usar o alto poder tecnológico dos meios de comunicação para romper com essa fábrica de
produção de subjetividades amorfas para que possam surgir pessoas com espírito crítico a
fim de mudar a sociedade no sentido da democratização, do acesso de todos aos bens
essenciais e aos próprios meios de comunicação, tornando-a mais justa e humana.
(NOVAES, 2009.)

Segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia (2016), os entrevistados apontam o rádio como


sendo o “meio de maior utilização para se informar sobre o Brasil”, por isso a importância dos
programas gravados serem pautados em pesquisas bibliográficas para os fundamentos teóricos em
áreas de conhecimento pertinentes à universidade, e os participantes do projeto terem o cuidado ao
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 262

elaborarem o programa, visto que é levado um novo conhecimento à população e presume-se que os
ouvintes são capazes de construir novas falas e aprimorar seu senso crítico a partir das informações
obtidas nos programas.
O investimento progressivo em atividades de formação que proporcionem mecanismo para
divulgar conhecimento científico, pode nos conduzir ao estabelecimento de uma relação mais
adequada com o conjunto da sociedade, por proporcionar maior visibilidade ao que tem sido
produzido na academia, além de se poder intervir na comunidade a fim de levar novos
conhecimentos.

REFERÊNCIAS

AMARAL, Vera Lúcia. Os meios de comunicação de massa. Rio Grande do Norte: 2007. P4-14.
Disponível em: <
[Link]
ia_Educacao/Psi_Ed_A15_J_GR_20112007.pdf >. Acesso em: 17 set. 2018.
BRASIL. Secretaria Especial de Comunicação Social. Pesquisa Brasileira de Mídia 2016: Hábitos
de Consumo de Mídia pela População Brasileira. Brasília: Secom, 2016. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 18 set. 2018.
FERNANDES, Monica Abranches et al. Política de Extensão Universitária da Puc Minas.
Disponível em <
[Link] >
. Acesso em: 19 set. 2018.
NOVAES, José. Seminário Nacional Mídia e Psicologia: Produção de Subjetividade e Coletividade.
In: Mídia e Psicologia: produção de subjetividade e coletividade. Brasília: Conselho Federal de
Psicologia, 2009.p.10-20.
SILVA, Janaila. A Influência dos Meios de Comunicação Social na Problemática da Escolha
Profissional. Alagoas: PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2004, p. 60-67. Disponível em:
< [Link] >. Acesso em: 17 de set. 2018.
SILVA, Rafael; HENNING, Leoni Maria Padilha. A construção da subjetividade: notas sobre o
sujeito. Maringá: 2011. Disponível em:<
[Link] >. Acesso
em: 19 set. 2018.
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NOVA POSSIBILIDADE AO SISTEMA PRISIONAL: CONHECENDO O


MÉTODO APAC

NEW POSSIBILITY FOR THE PENAL SYSTEM: GETTING TO KNOW


THE APAC METHOD

Álisson da Silva Costa1


Bárbara Oscar Ribeiro2
Ester do Patrocínio Batista3
Lígia Nunes Palhares4
Núbia Mendes Almeida5
Rafaela Ferreira Diniz6
Tiphanie da Silva Pires7

RESUMO

O presente relato tem por objetivo explanar à população as diferenças peculiares entre os sistemas convencional e
alternativo prisionais, dando ênfase ao método Associação para a Proteção e Assistência ao Condenado (APAC), em
que o recuperando passa por um processo ressocializador, em que “mata o criminoso existente em si e salva o homem”.
Há concretude no que se fala, pois o método APAC não passa dos 15% de reincidência, se comparado aos mais de 70%
do método convencional. Como metodologia, entrevistaram-se agentes do Centro de Remanejamento do Sistema
Prisional (CERESP) Betim e o delegado do sistema prisional de São Joaquim de Bicas. Conheceu-se a APAC de Itaúna
e visitou-se a população do bairro Bandeirinhas em Betim para ouvir a opinião local, a fim de futura implantação desse
sistema alternativo em Betim. Há divergências no bairro, em que se discorda da implantação de uma APAC, alegando
que desvalorizaria o local e aumentaria o índice de criminalidade. Em contrapartida, afirma-se também que seria bom
para o fluxo comercial local.

Palavras-chave: Direito Penal. Dignidade da Pessoa Humana. Argumentação. Direitos Humanos.

1
Professor do curso de Direito na PUC Betim. E-mail: profalissoncosta@[Link].
2
Técnica em Informática e graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: barbaraoscar@[Link].
3
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: esterbatista16@[Link].
4
Graduada em Gestão Financeira. Graduanda em Direito PUC Betim. E-mail: ligiaplacaexpress@[Link]
5
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: nubiamendes022@[Link].
6
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: rafaela3329@[Link].
7
Graduanda em Direito na PUC Betim. E-mail: tiphaniepires@[Link].
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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ABSTRACT

This report aims to explain to the population the peculiar differences between conventional and alternative penal
systems, giving emphasis to the Association for Protection and Assistance to the Condemned (APAC), where recovery
is due to the process of ressocialization, “killing the existing criminals in themselves and saving the men”. There have
been substantial results, the APAC method has shown no more than 15% recurrence, when compared to the more than
70% of the conventional method. As a methodology, inspectors of the Prison System Relocation Center (CERESP) in
Betim and the delegate of the prison system of São Joaquim de Bicas were interviewed. We met the APAC of Itaúna
and the population of the neighborhood Bandeirinhas in Betim to hear the local opinions aiming for the future
installation of the alternative system in Betim. There are disagreements in the neighborhood, where many disagree with
an APAC request, claiming that it would devalue the site and increase crime rates. In contrast, others claim that this
would be good for the flow of local commerce.

Keywords: Criminal Law. Dignity of Human Person. Argumentation. Human Rights.

1 INTRODUÇÃO

O presente relato tem como marco teórico o conceito da Associação para a Proteção e
Assistência ao Condenado (APAC), que é uma entidade Civil de Direito Privado com personalidade
jurídica própria, sem fins lucrativos, que possui como escopo a recuperação e reintegração social
das penas de prisão. O trabalho da APAC vincula o método de valorização humana, evangelização
– trabalho com os 12 elementos que, segundo o portal da Fraternidade Brasileira de Assistência aos
Condenados (2016), representam: (1) Participação da Comunidade; (2) Recuperando ajudando
recuperando; (3) Trabalho; (4) Assistência Jurídica; (5) Espiritualidade; (6) Assistência à Saúde; (7)
Valorização Humana; (8) Família; (9) O voluntário e o Curso para sua formação; (10) Centro de
Reintegração Social – CRS; (11) Mérito; (12) Jornada de Libertação com Cristo.
A Associação também procura, em uma perspectiva mais ampla, proteger a sociedade,
restaurando o condenado, possibilitando-o retornar ao convívio social pelo uso da técnica da justiça
restaurativa. A entidade apoia-se na Constituição Federal de 1988, para atuar nas prisões, assim
como na prestação dos direitos dos apenados e na execução penal, auxiliando o Poder Judiciário e o
Executivo.
A proposta de implantação de uma APAC com sede no bairro Bandeirinhas causou um caos
entre quem vive neste local. Sendo assim, foi realizada uma Audiência Pública em Betim, no dia 9
de maio deste ano, requerida por moradores do bairro e representantes da Associação Comunitária,
em que participaram do encontro vereadores de Betim, representantes do Poder Executivo local, a
liderança comunitária e moradores da região.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O bairro Bandeirinhas fica localizado em uma parte rural e industrial do município de


Betim, um pouco distante do centro. Tal bairro possui 5.024 habitantes, de acordo com o último
senso de 2010, 1 Escola Municipal de Ensino Fundamental, uma Creche e um Posto de Saúde
(BRASIL SABIDO, 2014), além disso, o índice de criminalidade da região chega a ser alarmante,
mesmo tendo um Posto Policial em sua entrada.
Moradores e comerciantes do bairro alegam que trazer um presídio (mesmo que alternativo)
para o bairro aumentaria o índice de criminalidade (dentre eles, os mais citados foram homicídio,
roubo e furto), que já são altos na região, devido à facilidade de saídas do bairro para a BR-262,
BR-381 e por estar perto de área rural.
Além disso, reclamam também que o bairro não recebe a verba adequada do município para
escolas, postos de saúde, pavimentação de rua e segurança pública. Atrelado a isso, Bandeirinhas
dispõe de diversas empresas que transportam seus funcionários de outras regiões do município e/ou
outras regiões, não empregando a população local.
Os representantes do bairro questionam o porquê de Betim não investir no bairro de forma
incisiva no âmbito da saúde, lazer, segurança, educação, cultura, mas querer investir em um
presídio. Questionam quais os benefícios principais e acessórios quanto a este investimento dito
como ‘suspeito’. Dessa forma, a população local acredita que o bairro é tratado como ‘porta dos
fundos’ do município.
Assim, o objetivo do grupo de graduandos extensionistas foi conhecer o método APAC, e
trazer para a população betinense informações positivas acerca deste método, no intuito de
combater o preconceito e a oposição criada pela população, com a implantação da futura APAC na
região. Para mais, comparar o método APAC com o sistema convencional de cumprimento de pena,
colocando em destaque a conscientização desse método mais humanizado na comunidade
acadêmica.
Como objetivos específicos deste Projeto, destacam-se:
a) Verificar os métodos específicos da APAC;
b) Busca expor as diferenças vistas pelo sistema convencional de cumprimento de
pena com o método APAC e seus reflexos mais humanizantes;
c) Oportunizar aos moradores que residem perto do local em que a APAC será
implantada de exercer seu direito à manifestação.
d) Explanar a experiência obtida durante a realização da pesquisa (visita à APAC
entrevista com agentes do método convencional e população do bairro Bandeirinhas em
Betim).
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Hodiernamente, no sistema carcerário brasileiro, é possível nos depararmos com uma taxa
de reincidência criminal que chega aos 70% (Conselho Nacional de Justiça, CNJ, 2011). Diante de
tal estimativa, é tarefa difícil vislumbrar como o sistema carcerário atual cumpre com as finalidades
da pena, preceituadas pela Teoria Unitária da Pena adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro,
qual seja o de “reprovar o mal produzido pela conduta praticada pelo agente, bem como prevenir
futuras infrações penais” como bem explica Rogério Greco (2011, s/p).
Diante desse cenário, fez-se vital repensar o modelo do sistema prisional brasileiro mediante
o processo de conhecimento do sistema apaqueano de ressocialização, que não somente tem-se
mostrado mais efetivo no que tange aos baixos índices de reincidência criminal – o TJMG
(Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 2011) apresenta um índice de 15% de reincidência nos
estabelecimentos prisionais que adotam a APAC – , mas também um modelo que efetiva um dos
fundamentos do Estado Democrático de Direito: a dignidade da pessoa humana (CF/88 Art.1º, III)
por meio de seu escopo e principal notabilização de recuperar o causador do fato delituoso,
habilitando-o para a reinserção na sociedade, oferecendo condições humanizadoras para que essa
reinserção seja eficaz e previna o cometimento de novos ilícitos.

2 METODOLOGIA

Primeiramente, participamos de uma palestra proferida por dois agentes do CERESP Betim,
tendo assim o contato de maneira indireta com o Sistema Prisional Comum masculino.
Posteriormente, foi realizada uma visita ao sistema prisional convencional São Joaquim de
Bicas I (Complexo Masculino), onde tivemos o contato direto com o sistema prisional
convencional. Além disso, visitamos a unidade da APAC em Itaúna8, um sistema de pena
restaurativa, o que nos permitiu realizar comparações entre os sistemas de cumprimento de pena.
Por fim, fomos in loco ao bairro Bandeirinhas em Betim, que está para receber uma nova
unidade da APAC. Elaboramos três perguntas para prováveis entrevistas: “Você já conhece o
método APAC?”, “Sabe da vinda dela para a região?” e “O que você acha da implantação da APAC
neste bairro?”.

8
APAC de Itaúna (Minas Gerais) - Av. João Moreira de Carvalho, 1336, Bairro Parque Jardim Santanense, CEP 35681-
100. Telefone para contato: (37) 3243-1737. Disponível em: <[Link]
itauna-masculina>. Acesso em: 14 set. 2018.
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3 CONCLUSÃO

Iniciamos este tópico fazendo um questionamento: “Pode o homem ser julgado por sua vida
inteira por um erro?” Para o sistema convencional e a sociedade atual sim, um acerto não pode
determinar toda a nossa vida, mas apenas um único erro, sim. Ao visitarmos a APAC em Itaúna,
percebemos que todo ser humano pode mudar, independentemente de seus erros, por meio das
oportunidades e da fé.
Ao entrarmos na Associação, sentimos um ambiente totalmente diferente do sistema
convencional: ao invés de cores sem vida, encontramos cores vivas, um paradoxo em relação ao
modelo prisional comum. Fomos recebidas por recuperandos e ex-recuperandos. Em todo o
momento da visita, fomos bem recepcionadas e agraciadas com as histórias e dons desses homens.
Após a visita, foi inevitável não nos sensibilizarmos pelo método e seus resultados, o que
trouxe a nosso pensamento o questionamento sobre a implantação do método no município de
Betim, no bairro Bandeirinhas. Já era de nosso conhecimento a relutância da população, mas a
mesma seria pela falta de conhecimento do método, por serem “presos” e questões políticas.
Caberia a nós averiguar.
A prática extensionista feita pelo grupo possibilitou o entendimento dos dois lados da
situação, ou seja, para os implementadores do sistema APAC e para os moradores do bairro onde
haverá a implementação. Contudo, após a análise dos aspectos formais e empíricos deste trabalho,
foi identificado pelo presente grupo que o método APAC é de suma importância para a
ressocialização e deve ser implementado no lugar do sistema penitenciário convencional. Todavia, a
implantação da APAC no bairro supracitado seria inviável mediante a situação na qual se encontra.

4 DISCUSSÃO

Na primeira parte do trabalho, foi realizada uma visita ao sistema prisional convencional
São Joaquim de Bicas I (Complexo Masculino). Nesse presídio, identificamos a presença de
policiais e agentes penitenciários, todos armados, a fim de garantir a segurança. No que tange à
estrutura das celas, nota-se que é precária, visto que, as camas são insuficientes, o espaço é restrito,
além de a água ser racionada. Observamos ainda que havia pouca socialização entre os presos.
Em contrapartida, realizamos uma visita à APAC de Itaúna, (Unidade Masculina). Nessa
unidade não havia a presença de agentes penitenciários, e sim dos próprios recuperandos e alguns
voluntários. Verificamos ainda, que as celas estavam limpas e bem cuidadas, sendo essa
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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organização realizada obrigatoriamente pelos recuperandos. Além disso, a APAC de Itaúna oferece
trabalhos de marcenaria, artesanato, padaria, entre outros, bem como ensino superior à distância,
são formas de capacitar o recuperando para o meio social.
Diante dos resultados apresentados acima, em relação à prisão convencional e à APAC,
constatamos que é notória a diferença entre os dois sistemas, não somente na sua estrutura, mas
também nos métodos utilizados para a recuperação do preso, sendo a prisão convencional um
sistema que, na prática, utiliza o medo e a repressão, e na APAC, a confiança e a disciplina.
Na segunda parte do nosso trabalho, realizamos a visita ao bairro Bandeirinhas, onde
entrevistamos uma comerciante do bairro, que relatou não ter conhecimento do que era a APAC,
sendo assim explicamos a ela a metodologia desse presídio alternativo, e, a partir disso, ela disse
não ser contra nem a favor, mas se a APAC fosse implantada em seu bairro ela ajudaria no que
pudesse. Em seguida, entrevistamos uma moradora, que já conhecia o método APAC e passou por
um sistema semelhante em uma Escola Rural, onde ficou dos 11 aos 16 anos. Esta apoia a
metodologia APAC, no entanto, acredita que não seria viável tal unidade no bairro em que reside,
visto que o bairro não possui saúde, educação e infraestrutura adequada, e a instalação da APAC ali
agravaria tais problemas. Como hipótese de um melhor lugar para a APAC de Betim, a moradora
sugere que seja ao lado do CERESP Betim, visto que, por já ter uma unidade prisional próxima à
APAC, ela não desvalorizaria o local.
Ressalta-se que, com a visita ao bairro Bandeirinhas tivemos a oportunidade de nos
surpreendermos com a perspectiva dos moradores do bairro sobre a instalação de uma unidade
APAC. Preliminarmente pensávamos que os moradores ofereciam resistência pela falta de
conhecimento ao método, no entanto, a maioria dos entrevistados conhece e concorda com método
apaqueano, entretanto o que os aflige é que, com a implementação da APAC, possam se agravar
problemas já enfrentados na região, como citados por eles mesmos, sobretudo no meio econômico.

REFERÊNCIAS

AENOR UNE50135 (1996 apud ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2015, p. 11 – formulário de identificação.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União,
Brasília, 5 out./1988. Disponível em: <
[Link] > Acesso em: 29 jun. 2018.
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CONCEIÇÃO CORSI, Éthore. Pena: origem, evolução, finalidade, aplicação no Brasil, sistemas
prisionais e políticas públicas que melhorariam ou minimizariam a aplicação da pena.
Disponível em: <
[Link] >. Acesso
em: 18 set. 2018.
AOS CONDENADOS, Fraternidade Brasileira de Assistência. Associação Civil de Direito
Privado. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DO MÉTODO APAC. 2016. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 20 set. 2018.
GRECO, Rogério. Código Penal Comentado. 5ª. Ed. Niterói, RJ: Impetus, 2011.
MENDES, Camilo. Audiência pública discute implantação de APAC em Betim (MG):
Moradores do bairro Bandeirinhas questionam ausência de diálogo entre poder público e
comunidade. 16 mai. 2018. Disponível em: <
[Link]
betim-mg/ >. Acesso em: 14 set. 2018.
NACIONAL DE JUSTIÇA, Conselho. Método Apac reduz reincidência criminal. 2011.
Disponível em: < [Link]
criminal >. Acesso em: 18 set. 2018.
PAULA FARIA, Ana. APAC: Um Modelo de Humanização do Sistema Penitenciário. 23 set.
2018. Disponível em: < [Link]
[Link]/site/[Link]?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9296 >. Acesso em: 18
set. 2018.
REVISTA, Consultor Jurídico. RECLUSÃO HUMANISTA: Presídios com método APAC têm
índice de reincidência três vezes menor.19 abr. 2017. Disponível em: <
[Link]
>. Acesso em: 14 set. 2018.
SABIDO, Brasil. População de Bandeirinhas – Betim – MG. 2014. Disponível em:
<[Link] >. Acesso em: 29
set. 2018
Observações/notas: [Link]
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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A ADOÇÃO DE ANIMAIS PODE TER MÚLTIPLOS FINAIS: ATIVIDADE


DE EXTENSÃO CURRICULAR DO CURSO DE JOGOS DIGITAIS

THE ADOPTION OF ANIMALS CAN HAVE MULTIPLE ENDINGS:


CURRICULAR EXTENSION ACTIVITY OF THE DIGITAL GAMES
COURSE

Eduardo Penha Castro Fantini1


João Pedro Senna Santana de Matos2
Marcelo La Carretta Enrique López da Cunha Pereira3
Marcelo Souza Nery4
Paloma Penha Castro Fantini5

RESUMO

Os jogos digitais vêm sendo aplicados em ampla escala a diferentes contextos da nossa sociedade. O caráter lúdico dos
jogos permite transformar qualquer experiência interativa em diversão e aprendizado sólido. O propósito deste artigo é
apresentar a Prática Curricular de Extensão, realizada ao longo de 2017, no curso de Jogos Digitais da Pontifícia
Universidade Católica e Minas gerais (PUC Minas), em parceria com a ONG de proteção animal Cão Viver. A prática
extensionista utilizou metodologias de imersão ao tema, estudo de tecnologias e desenvolvimento de jogos gerando um
produto no formato de livro digital com histórias não lineares de cães e gatos disponíveis para adoção na Cão Viver.
Explorando o romance nas histórias de vida desses animais, estimula-se empatia dos usuários do site da ONG,
permitindo, assim, potencializar os resultados positivos do processo de adoção.

Palavras-chave: Jogos sérios. Aprendizagem baseada em jogos digitais. Princípios pedagógicos dos games.

ABSTRACT

Digital games have been applied on a wide scale to different contexts of our society. The playful character of games
allows one to turn any interactive experience into fun and concrete learning. The purpose of this article is to present the
Curricular Extension Practice, conducted during 2017, in the course of Digital Games of Pontifical Catholic University
of Minas Gerais (PUC Minas) in partnership with the animal protection the Non-governmental Organization (NGO)
Cão Viver. The extensionist practice used methodologies of immersion in the subject, study of technologies and

1
Mestre, Professor do curso de Jogos Digitais da PUC Minas. E-mail: eduardofantini@[Link].
2
Graduando do curso de Jogos Digitais da PUC Minas Praça da Liberdade. E-mail: [Link]@[Link].
3
Doutor, Orientador do trabalho e Professor do curso de Jogos Digitais da PUC Minas. E-mail:
marcelo@[Link].
4
Mestre, Professor do curso de Jogos Digitais da PUC Minas. E-mail: msnery@[Link].
5
Egresso do curso de Jogos Digitais da PUC Minas São Gabriel. E-mail: ppcf81@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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development of digital games to generate a product in the format of a digital book with nonlinear stories of dogs and
cats available for adoption by Live Dog. By exploring the novel of the life stories of these animals, the users of the
NGO's website may become empathized, thus enabling the positive results of the adoption process to be enhanced.

Keywords: Serious games. Learning based on digital games. Pedagogical principles of games.

1 INTRODUÇÃO

O emprego de atividades lúdicas em sala de aula tem sido uma das maiores premissas do
ensino no século XXI. Com um potencial de sedução ímpar, a ideia de um engajamento maior por
parte dos alunos em temas que, a princípio, precisam de um reforço pedagógico com o intuito de
torná-lo mais atraente é sempre bem vinda. No curso de Jogos Digitais não é diferente. Porém,
temos a agravante missão de não apenas usar jogos para potencializar ou mesmo exemplificar a
mensagem de um tema, mas também empoderar os alunos com o ferramental necessário para que
eles criem jogos que atendam a temática sugerida, tanto de forma teórica quanto prática.
Segundo McGonnigal (2011), temos atualmente uma geração inteira de jogadores virtuosos.
Pessoas que, através do jogo, conseguem resolver grande parte dos problemas que afligem os
mundos virtuais. O problema é que eles não acreditam que conseguem fazer o mesmo com o mundo
real. O propósito de inserir práticas de extensão em uma disciplina da graduação tem o objetivo de
incitar os discentes a iniciar essa ponte com o mundo real, atendendo demandas de instituições
parceiras que precisam de ajuda, e experimentando com isso um pouco do poder transformador dos
jogos, mas de forma bilateral, produzindo e percebendo ao mesmo tempo este enfoque, pois,
segundo Cruz (2013), "deve-se desencadear ações culturais visando à inserção dos sujeitos na
realidade para transformá-la." (CRUZ, 2013, p. 2).
No caso em foco, a prática de extensão foi inserida no primeiro período do curso de Jogos
Digitais da PUC Minas, na disciplina “Roteiros e Narrativas”. O projeto contemplou dois assuntos
intimamente ligados com a ementa da referida disciplina: a primeira foi a elaboração de roteiros
com base realística, feito a partir de depoimentos. Sair do campo meramente ficcional e ilustrar
situações reais permitem práticas engrandecedoras. A segunda, uma prática extensionista para
preencher uma lacuna importante da disciplina – a de Jogos Sérios – que é precisamente a
elaboração de jogos com uma retórica de conteúdo para atender a uma demanda real e específica.
Um dos desafios do processo é inserir o ferramental para criação de jogos digitais, já que o
aluno no início do curso tem pouca ou nenhuma competência no processo da criação do jogo em si.
A solução consiste na inserção de histórias não lineares estruturadas via hiperlink. Utilizando o
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Google Docs Apresentações, um aplicativo gratuito oferecido pelo Google; podem ser criadas
histórias não lineares com múltiplos caminhos, diversos finais, instrumentação que se assemelham
aos gêneros de jogos Graphic Novel e o Point n' Click, caracterizados por uma narrativa
romanceada e ações do usuário baseadas em clicks do mouse para prosseguir. Também foram
trabalhados os acabamentos gráficos que complementam o layout sugerido, como uso de imagens
animadas e botões. Segundo Mendonça e Mustaro (2011), precisamos transpor a necessidade
ferramental para outra necessidade, a retórica, com a implantação de um Design Instrucional, para
que ocorra "o alinhamento entre as melhores práticas educacionais e as melhores práticas de design
de jogos, constituindo uma condição sine qua non". (MENDONÇA; MUSTARO, 2011, p.1).

2 DESENVOLVIMENTO

Os gêneros de jogos podem ser classificados em dois grupos principais: os jogos que
objetivam entretenimento puro - entertainment games - e os jogos que tratam de assuntos de modo
sério - serious games. Os jogos sérios seriam, por definição segundo Michael e Chen (2005),
produtos interativos “que usam a mídia artística dos jogos para entregar uma mensagem, ensinar
uma lição, ou promover uma experiência.” (MICHAEL; CHEN, 2005, p. 23).
Quando se fala que um jogo é sério, diz-se que ele trata de determinados assuntos com
profundidade técnica, de modo retórico e com fins que não são somente entreter. Já Iuppa e Borst
(2007) usam o termo Story-Driven Games, algo como “Jogos Direcionados”, termo adequado,
levando em consideração que o foco desse tipo de jogo não está na sua sobriedade, e sim na
mensagem passada de forma retórica e direcionada.
Importante também abrir a discussão para a forma de uso de jogos de puro entretenimento
quando para uso sério: por exemplo, um professor de História que deseja ensinar os costumes de
povos antigos à sua turma pode usar jogos como Civilization V com esse intuito.
Assim sendo, jogos sérios não constituem um gênero em si, mas um conjunto de vários
gêneros que utilizam dos jogos digitais como ferramentas de ensino, pesquisa, treinamento,
tratamento médico e outras aplicações com o objetivo de atender demandas reais da sociedade.
Michael e Chen (2005), apresentam, ainda, várias aplicações e vantagens desse tipo de jogo em
diferentes campos de atividade humana, como por exemplo. advergames, edugames, exegames,
simulation games, newsgames, persuasive games, art games, traingames, health games, religious
games, govgames, political games entre outros.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Já o GameBook, ou livro-jogo, é uma espécie de livro com uma história não linear, ou seja,
ele permite desdobramentos de acordo com as escolhas que o leitor vai realizando ao longo da
leitura. É similar a um Role-Playing Game (RPG) solo - que consiste em um jogo de interpretação
de personagens - , mas em sua maioria, o leitor não precisa de instrumentos à parte (dados, fichas
de controle, cartas) para jogá-lo. A história se desenvolve unicamente a partir das consequências das
escolhas feitas pelo leitor (ex.: ir para direita, página 20; ir para a esquerda, página 12;
conversar com fulano, página 04; etc.). E esse poder de escolha leva a um peso maior nos
desdobramentos da história, pois oferece um protagonismo por parte dos seus leitores na tomada de
decisões.
Apesar de apresentar uma dinâmica bem atual, trata-se de uma técnica narrativa antiga; no
Brasil, por exemplo, a Editora Ediouro chegou a publicar uma sequência de livros do gênero, a
coleção Enrola e Desenrola, ainda na década de 1970, que foi bastante popular (COURI, 2018);
sendo algo de consumo de nicho por jogadores de RPG, esses livros ainda são comercializados em
lojas e casas especializadas no ramo. Existe uma variável, que nada mais é que uma versão digital
destes livros, chamada GameEbook. A diferença, obviamente, está em seu formato digital: agora,
por terem um mecanismo de sistema de gerenciamento de dados, tal qual um programa de
computador, os GameEbooks podem ser vendidos como aplicativos em lojas virtuais mobile, e tem
toda a sorte de recursos que o meio oferece, tais como pontos de salvamento para pausas, sistema de
progressão assistida, desenho de fases aprimorado, customização de personagens e até uma
inteligência artificial incitando as escolhas do leitor.
Apesar de não existirem muitos GameEbooks no mercado, e menos ainda GameEbooks com
perfil de jogos sérios, acreditamos se tratar de uma ferramenta útil para retórica de empoderamento
e apresentação sociocultural.
A Associação Cão Viver em Defesa dos Animais foi criada em agosto de 2003 por um
grupo de protetores independentes, que realizavam seus resgates a animais de forma isolada, mas
que sentiram a necessidade de trabalhar em conjunto, em prol desses que viviam em situação de
abandono. Com essa união, surgiu, além dos resgates, a necessidade de realizar ações de proteção
animal e educação ambiental, e assim a Cão Viver realiza palestras sobre o assunto, visitando
escolas ou recebendo grupos de alunos no abrigo (CÃO VIVER, 2018).
A sede está implantada em uma área verde de aproximadamente 3.000m² na região
metropolitana de Belo Horizonte e tem capacidade para 80 cães e 32 gatos. Apesar de ter uma
estrutura grande e bem organizada, a associação não consegue suprir a necessidade de acolhimento
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de animais abandonados e lida diariamente com a superlotação, o que pode causar consequências
graves para os animais abrigados.
Na sua ideologia, um abrigo tem o intuito de recolher animais em situações de risco, tratá-
los, castrá-los e conseguir donos responsáveis para eles. Mas o que ocorre algumas vezes são
animais que passam toda sua vida sem conseguir uma nova família. Alguns deles, inclusive, sofrem
preconceito pela idade, cor, tamanho ou deficiência física. Esses animais acabam ocupando vagas
no abrigo de forma vitalícia, impedindo que outros animais sejam resgatados.
A ideia do projeto do curso de Jogos Digitais da PUC Minas, então, foi captar possíveis
interessados em adotar os animais. Em resumo, a Prática Curricular de Extensão na disciplina
“Roteiro e Narrativas” teve o objetivos de elaborar GameEbooks tendo como base os cães e gatos
que estão para adoção na Associação Cão Viver. Os depoimentos dos cuidadores, aliados a um
romanceamento da história por parte dos alunos, nortearam os trabalhos através da elaboração de
um plot (espinha dorsal). No final, essas histórias foram finalizadas em um e-book interativo, e
disponibilizadas no site da entidade.
A metodologia do trabalho seguiu cinco etapas bem definidas:
1. Contato com parceiro, elaboração de briefing e definição do escopo do produto a ser
desenvolvido;
2. Criação de história-modelo, fotos, ilustrações e adequação ao formato;
3. Visitas técnicas para reconhecimento de atores e conteúdos;
4. Elaboração dos produtos;
5. Nova visita técnica, apresentando o produto para a ONG Cão Viver.

A primeira etapa, feita em um primeiro momento apenas pelo professor coordenador do


trabalho, visou estabelecer um primeiro contato para viabilidade técnica e fechamento de retórica.
Como haveria mais de 120 alunos envolvidos, oriundos de duas Unidades educacionais diferentes, e
um projeto que duraria um ano, contando, ainda, com a troca inteira das equipes de trabalho entre
cada semestre, a intenção dessa etapa foi elucidar certos problemas de técnica, logística e de
retórica de conteúdo que poderiam existir.
Coube ao coordenador do projeto agendar a primeira reunião, apresentar cronograma de
trabalho e cadastrar o projeto na Universidade como Prática Curricular de Extensão; organizando
logo a seguir, juntamente com o parceiro, uma aula inaugural do projeto para os alunos do semestre,
dentro da PUC Minas, explicando o projeto.
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Uma vez definidos o escopo e a mensagem que as histórias iriam transmitir, na segunda
etapa foi observado que seria necessário montar um layout, uma amostra do que se esperava para os
alunos, para que estes a utilizassem como referência (Figura 1). Esse modelo revelou-se bem
oportuno, pelos seguintes motivos:
Normalmente, um trabalho desta magnitude pode oferecer certa resistência por parte dos
alunos, pois eles acreditam que não conseguem realizar a tarefa, ou simplesmente não conseguem
entender o que lhes foi pedido. O modelo, feito apenas como uma base e finalizado ao longo do
semestre pelo professor orientador, desenvolveu nos alunos a sensação que estavam construindo,
juntos e em sincronia com o seu professor, o trabalho como um todo.
Constatou-se que este modelo foi exaustivamente consultado pelos alunos, tornando-o uma
referência, tanto visual como em tratamento de texto, bem como um entendimento do tratamento do
sistema não linear em si.

Figura 1 – Capa do GameEbook ilustrado pelo coordenador do trabalho, Marcelo La


Carretta.

Fonte: Acervo dos autores, 2018.

Na terceira etapa, com o projeto entendido, os alunos fazem uma visita técnica ao parceiro.
Essa visita é feita em dois momentos: com o acompanhamento do coordenador e outras à parte, por
conta própria, se precisarem de mais informações.
Esse momento é ímpar, pois um curso de Jogos Digitais, alocado no Instituto de Ciências
Exatas e Informática (ICEI PUC Minas) não tem o hábito de fazer visitas técnicas a ONG e demais
instituições dessa natureza, porém essas situações são possíveis graças aos trabalhos e projetos de
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extensão que permitem um olhar além dos muros. Os alunos fizeram contato com o local (Figura 2),
aos animais abrigados, conheceram algumas histórias contadas pelos voluntários do local, tiraram
fotos, e selecionaram algum cão ou gato para criar a sua história.

Figura 2 – Alunos na visita técnica

Fonte: Acervo dos autores, 2018.

Na quarta etapa, finalizado o briefing do projeto e a escolha dos animais que teriam sua
história romanceada, houve encontros duas vezes por semana em sala de aula para discussão,
elaboração e finalização do produto.
Os alunos, divididos em grupos, elaboraram:
● plot / espinha dorsal: tal qual uma história linear, todo roteiro deve ter ao menos um
parágrafo de norteamento;
● organograma / fluxograma: as pranchas, dispostas de forma planificada, demonstram
todas as alternativas disponíveis, bem como os caminhos que cada parte do texto
oferecem. Neste ponto, orienta-se sobre os caminhos que a história pode tomar;
● produto pronto, com mínimo de 10 pranchas e máximo de 30, com layout condizente
com o projeto, e ao menos 10 ilustrações.

Essas aulas de escrita são importantes para um processo sadio de criação em conjunto; são
feitas em laboratório, dependendo apenas de computadores com boa conexão à internet. Aproveita-
se para iniciar alguns alunos interessados no processo de ilustração ao Krita, software de edição de
imagens gratuito e livre, além do acompanhamento no processo de escrita e adequação à demanda
retórica que o produto exigia. Esta etapa teve a duração de três semanas.
Do ponto de vista técnico, foram observadas as seguintes questões:
● o texto deveria ser leve, com poucos parágrafos em cada prancha;
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● a história deveria ser obrigatoriamente não linear, favorecendo uma ampla escolha, e
evitando os caminhos / escolhas óbvias;
● o entendimento de causa e consequência na elaboração do texto, fazendo com que o
leitor descubra o poder de sua decisão lendo o resultado de suas ações;
Já do ponto de vista do tratamento do roteiro, da sua demanda retórica, foram observadas as
seguintes questões:
● o animal em questão deveria ser apresentado como um animal de temperamento
interessante, mas sempre dócil, de certa forma. Afinal, o intuito é de ele ser adotado. Ele
podia até lutar contra criminosos, mas não poderia morder, por exemplo;
● a história podia ter passagens bem surreais, como viagens interplanetárias, ser um super-
herói, enfrentar piratas à procura de um baú de tesouro, etc. Porém, a ideia era que ele
fizesse uma ponte parecida com a realidade, quase como uma parábola, e que essas
histórias amenizassem por vezes uma má formação ou restrição física: um cão cego, por
exemplo, se tornou parceiro de um famoso super-herói cego dos quadrinhos, o
Demolidor; já uma marca de queimadura severa tornou-se símbolo da incrível luta que
esta cadela travou para livrar a terra de alienígenas, e assim por diante;
● as histórias sempre culminariam com a chegada do animal à Associação Cão Viver, com
um pedido por parte dele para ser adotado.

Na quinta e última etapa, já ao final do ano, com 22 histórias selecionadas das 28


originalmente propostas, foi realizada uma nova visita à Cão Viver pelo coordenador e por alguns
alunos voluntários. Estas histórias, com feedbacks recebidos pelo parceiro, foram disponibilizadas
no site da ONG, pelo endereço [Link]

Figura 3 – Alguns GameEbooks dos cães e gatos adotados pelo trabalho desenvolvido

Fonte: Acervo dos autores, 2018.


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Se um dos animais fosse adotado, seria feita uma leve alteração no texto, e inserida a TAG
"adotado" à sua história (Figura 3).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Extensão Universitária possui um papel fundamental na formação do perfil do egresso


Profissional-Cidadão. Ao estabelecer esse contato entre o aluno e a sociedade, a extensão promove,
além da ação, um repensar e um retorno qualitativo, oxigenando as ideias, os atores e as relações.
Todas as partes são beneficiadas e se desenvolvem de forma coletiva.
De acordo com Delors (2002), os pilares da educação são: aprender a conhecer, aprender a
fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser. No primeiro pilar, tornamos prazeroso o ato
de construir o conhecimento; no segundo, entramos no setor prático, indo além da teoria; no
terceiro, desenvolvemos a convivência em uma sociedade interativa, descobrindo o outro e suas
diversidades; no quarto, desenvolvemos o pensamento crítico e autônomo, além de desenvolver um
sentido ético perante a sociedade. Fica evidente que a extensão universitária desenvolve esses
pilares, mesmo que em profundidades distintas dependendo do projeto.
Partindo dessa premissa, outra contribuição significativa das Práticas Curriculares de
Extensão nos cursos é a fidelização do aluno, principalmente quando realizadas nos primeiros
períodos, momento em que muitos estão em busca do seu lugar no mundo e aprendem a ser
indivíduos com ferramentas para formular juízos e valores de um ser intelectualmente autônomo e
útil para a sociedade.
Após o projeto, foram adotados aproximadamente 60% dos animais que tiveram sua história
romanceada neste projeto. Porém, nem sempre em um projeto dessa natureza é preciso quantificar,
e sim, qualificar: notamos que esse projeto ajudou, e muito, na formação humanitária dos nossos
alunos. Mais do que isso, eles se sentiram parte de algo importante, e perceberam o quanto ações
simples como essa, ao alcance deles, podem fazer a diferença no mundo. Não eram apenas histórias
romanceadas, maquiadas, sobre origens de cães e gatos abandonados; eram poderosas ferramentas
de marketing cultural para terceiro setor e ótimos instrumentos de pedagogia cultural, com seu
exemplo aplicável aproveitado e seguido como modelo bem-sucedido em várias outras disciplinas e
cursos da PUC Minas.
Um dos alunos do projeto adotou uma cadela (Figura 4) na Associação Cão Viver, animal
resgatado na rua e encaminhado para a ONG. Um ciclo de boas ações que culminaram em um final
feliz.
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Figura 4 – O aluno do projeto acabou adotando, também na vida real, a cadela


Madonna

Fonte: Acervo dos autores, 2018.

REFERÊNCIAS

MCGONNIGAL J.. Reality is broken why games make us better and how they can change the
world. The Penguin Press. 2011.
CRUZ, C. R. da. A cultura como instrumento de libertação: contribuições de Paulo Freire à
formação de professores. UFSM. 2013. Disponível em <
[Link]
[Link] >. Acesso em: 31 jul. 2018.
MENDONÇA, R.; MUSTARO, P.. Elementos imersivos e de narrativa como fatores
motivacionais em serious games. SBC - Proceedings of SBGames, 2011.
MICHAEL, D.; CHEN, S.. Serious Games: games that educate, train, and inform. Cengage
Learning PTR; 1. ed. 2005.
IUPPA, N.; BORST, T.. Story and Simulations for Serious Games: Tales from the Trenches.
Focal Press, 2007.
COURI, D.. Coleção enrola e desenrola, da Ediouro. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 16
jun. 2018.
ASSOCIAÇÃO CÃO VIVER. História da Cão Viver. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 1 ago. 2018.
DELORS, J. (Org.). Educação um tesouro a descobrir – Relatório para a UNESCO da Comissão
Internacional sobre Educação para o Século XXI. Editora Cortez, 7ª edição, 2002..
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SOFTWARE PARA GESTÃO E ANÁLISE DE SETORES DE INSEMINAÇÃO


BOVINA ARTIFICIAL

SOFTWARE FOR MANAGEMENT AND ANALYSIS OF CATTLE


ARTIFICIAL INSEMINATION SECTORS

Carlos Felipe de Almeida Arantes 1


Dayana Silva Araújo2
Eric Patrick Delgado Ribeiro3
Ian Pereira Caminhas 4
Soraia Lúcia da Silva5
Tadeu dos Reis Faria6

RESUMO

O presente relato tem como propósito apresentar e discutir a experiência de um projeto de extensão realizado na
disciplina extensionista do bacharelado em Engenharia de Software da Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais. Com o objetivo de articular a teoria com a prática, os estudantes puderam escolher uma demanda real da
sociedade e com ela projetar e desenvolver um software com os requisitos levantados. A demanda escolhida foi
apresentada pelo curso de Medicina Veterinária, também da mesma instituição, onde se observou carência por
programas específicos que realizassem o controle e geração de relatórios para setores de inseminação bovina artificial.
O projeto apresentou também caráter interdisciplinar e, principalmente, transdisciplinar; uma vez que, além das
disciplinas do curso de Engenharia de Software envolvidas, a necessidade trouxe consigo o domínio das Ciências
Agrárias, o que possibilitou muita reflexão e superação de desafios por parte dos alunos que estão inseridos nas
Ciências Exatas. Foram diversos os resultados obtidos. Para os estudantes, pôde-se realizar muitos câmbios que dizem
respeito a questões humanas e a responsabilidade de lidar com um problema real da sociedade, dando oportunidade de
crescimento e ampliação da visão do mundo. E quanto aos benefícios à Pontifícia Universidade Católica e Minas gerais
(PUC Minas), o projeto abre as portas para futuras parcerias entre os cursos, beneficiando a instituição de ensino, tal
como futuras pesquisas que poderão surgir como fruto desse sistema desenvolvido.

Palavras-chave: Prática extensionista. Inseminação Artificial Bovina. Engenharia de Software.

1
Graduando em Engenharia de Software da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: carlosfelipearantes@[Link].
2
Graduanda em Medicina Veterinária da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: [Link]@[Link].
3
Graduando em Engenharia de Software da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: ericribeiro@[Link].
4
Graduando em Engenharia de Software da PUC Minas, unidade Praça. E-mail: caminhasian@[Link].
5
Orientadora, professora do Curso de Engenharia de Software da PUC Minas, Mestre em Computação, unidade Praça,
Núcleo NUTEI. E-mail: soraialu@[Link].
6
Orientador, professor do Curso Engenharia de Software da PUC Minas, Mestre em Computação, unidade Praça,
Núcleo NUTEI. E-mail: tadeurf@[Link].
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ABSTRACT

This report aims to present and discuss the experience of an extension project carried out in the extension course of the
Software Engineering bachelor’s degree at Pontifical Catholic University of Minas Gerais (PUC Minas). In order to
extend theory to practice, students were able to choose a real demand from society to design and develop a software
with the requirements needed. The demand chosen was presented by the Veterinary Medicine course, also from the
same institution, where there was noticed a lack of specific programs that carried out the control and generation of
reports for sectors of cattle artificial insemination. The project also presented an interdisciplinary and transdisciplinary
character; since, in addition to the disciplines of the Software Engineering course involved, the necessity brought with it
the field of Agrarian Sciences that allowed a lot of reflection and overcoming by the students that are inserted in the
Exact Sciences. Several results were obtained. For the students, many changes were made that deal with human issues
and the responsibility to deal with a real problem of society, giving opportunity for growth and expansion of their world
view. As for the benefits to PUC Minas, the project opens the possibility for future partnerships between both courses,
benefiting the educational institution, as well as future research that may arise as a result of this developed system.

Keywords: Extension practice. Cattle Artificial Insemination. Software Engineering.

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho é a culminação de todo um projeto técnico, prático, transdisciplinar e


interdisciplinar realizado como requisito curricular da disciplina de extensão “Trabalho
Interdisciplinar de Software IV” do bacharelado em Engenharia de Software (ES) da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), que tem por objetivo o desenvolvimento de
um software com o caráter extensionista, tendo em vista uma demanda e cliente reais.
Segundo a Política Nacional de Extensão (FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO
DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS – FOREXT –, 2012), um dos avanços que
merece ênfase faz referência à institucionalização da extensão. Com esse intuito, a política de
extensão universitária da PUC Minas (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS
GERAIS, 2006) evidencia de maneira interessante a importância das práticas de extensão
desempenhadas pela Universidade, visando ao desenvolvimento e à formação da sociedade que, de
alguma maneira, apresenta barreiras em diversos contextos, como exclusão social, dificuldade de
acesso ao conhecimento e a exclusão cultural. Essas iniciativas de apoio agregam conhecimento,
melhoram a qualidade de processos e/ou produtos, como também fortalecem a formação humana,
articulando-se em um magno e honroso tripé ensino / pesquisa / extensão, no qual tanto o aluno
quanto a sociedade e a instituição de ensino são beneficiados.
O projeto ora enfocado surgiu como fruto de uma demanda que foi apresentada pelo curso
de Medicina Veterinária, também da PUC Minas. Trata-se da área de inseminação artificial em
bovinos. Nesse contexto em que se insere o projeto, sem dúvida, o país desempenha um papel
mundial importantíssimo. Encontra-se como quarto maior produtor de leite bovino do mundo
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(PEREIRA et al. 2016) e soma-se a esse fato a questão de ser o segundo maior produtor de carne
bovina (USDA, 2017) e o maior exportador de carne bovina (FAO, 2018). E, embora o Brasil
esteja nessas colocações, realiza-se um pequeno contraste quanto ao real potencial que o país possui
e a realidade produtiva ineficiente na qual se encontra. Exemplifica-se o problema na questão da
produção de leite, na qual a produtividade anual do país gira em torno de 1.680 litros por vaca.
Embora seja um dos maiores produtores, essa relação no Brasil é consideravelmente menor quando
comparado a outros países (PEREIRA et al. 2016) como, por exemplo, a Argentina, com 5.830
litros por vaca, e a Nova Zelândia com 4.060 litros.
Como se pôde verificar, existe muita ineficiência nos processos produtivos e, em específico,
o projeto desenvolvido nesta prática de extensão, que propõe intervir nessa questão e diz respeito
ao domínio das fazendas (ou setores) de inseminação artificial (IA) que, infelizmente, também
padecem da mesma anomalia e que necessitam se tornar mais eficientes para dar conta da demanda
nacional e global.
Apesar da crescente demanda pela técnica de IA, no Brasil, somente 12% das matrizes do
rebanho nacional passam por essa técnica (BARUSELLI, 2016). Porém esse índice tende a ser
ascendente a cada ano, uma vez que se busca progresso para atender a demanda de carne bovina
para consumo e exportação, pois almeja-se atender a demanda mundial. A tendência é alinhar
tecnologia e genética cada vez mais no rebanho nacional, para a produção de carne com qualidade e
maior eficiência. Ressalta-se, aqui, a enorme importância de uma eficaz e eficiente IA, objeto
central do projeto, tanto na produção de leite quanto na produção de carne bovina, pois está incluída
como parte do ciclo de produção. Como ambas são atividades econômicas de relevo, beneficia-se
tanto a nação quanto as populações diretamente influenciadas e sustentadas por esse setor.
Melhorias processuais em conjunto visando a uma possível diminuição em custos desnecessários
em muito favorecerão a sociedade como um todo.
Em uma gestão ideal, o responsável pelo setor de IA deveria levantar os dados de cada
animal presente e mapeá-los em um sistema de controle, pois são muitos os dados e diversos os
processos que ocorrem antes, durante e depois. Desde a seleção e identificação do melhor material
genético e seus respectivos fornecedores, junto à preparação dos animais com o acompanhamento
após uma inseminação bem-sucedida ou na identificação da(s) causa(s) de uma inseminação falha;
eis que todas estas informações são importantíssimas para a sustentabilidade e desenvolvimento de
uma fazenda de inseminação.
Ressignificando a relação teoria e prática:
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Os dados importantes que deveriam ser acompanhados ao longo das estações (períodos de
tempo, em meses) e mapeados corretamente com as respectivas datas são: 1) A classificação de
cada animal: se é uma novilha, que são vacas novas e que não foram submetidas à inseminação; se é
uma primípara, que é a fêmea que pariu ou vai parir pela primeira vez; ou se é uma multípara, que é
a fêmea que já pariu várias vezes; 2) O estado no qual cada animal se encontra, como, por exemplo,
se ele está aguardando algum diagnóstico, é gestante ou pós-parto, está apto ou aguardando uma
indução hormonal, que é um processo de preparação para estar no cio, ou se já ocorreu uma
indução; 3) Acompanhamento dos prazos (datas) dos estados respectivos para controle dos
processos corretos em cada momento Desse modo, muitas questões deveriam ser registradas e
analisadas para uma melhor tomada de decisão ou até mesmo uma futura revisão processual. E, com
todas estas informações, seria possível a geração de relatórios com os dados que permitiriam extrair
conhecimento em cima do estado de eficiência e eficácia no qual se encontra a fazenda.
Acontece que, atualmente, quando existe algum controle, ou ele é realizado de forma
completamente manual – no máximo utilizando planilha em Excel –, ou é realizado, por alguns
produtores, através de programas complexos, com fluxos de passos necessários muito distantes da
realidade da maioria e que geram uma quantidade de informações dispensáveis, quando se objetiva
somente controlar a área de inseminação artificial. Porém, na maioria dos casos, tanto em grandes
produtores quanto em pequenos, não são levantados os índices zootécnicos, que são os dados
responsáveis por auxiliar o gestor da fazenda com a medição do requisito eficiência no que diz
respeito à situação produtiva, reprodutiva e sanitária entre outras do rebanho. Essas informações
referem-se ao estado do animal ao longo de um certo período, a estação, e que possibilitam gerar
uma previsibilidade muito importante com estipulação de metas e suas respectivas verificações ao
longo do tempo.
Tendo em vista a contextualização dos problemas existentes, objetivou-se projetar,
desenvolver e disponibilizar um software capaz de atender os requisitos necessários desse domínio
e solucionar parte dessas questões. Este trabalho discute e apresenta os resultados obtidos com o
projeto e desenvolvimento desse software como também os ganhos alcançados pelos autores em
seus respectivos crescimentos técnicos e, principalmente, humanos, tendo em vista o modelo
aplicado de uma prática de extensão.
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2 DESENVOLVIMENTO

Identificou-se que, uma vez catalogadas as informações necessárias, o controle para a gestão
das inseminações e geração de relatórios é uma tarefa de complexidade crescente e em curva
exponencial. O aumento de animais nos setores de reprodução artificial aumenta relativamente a
quantidade de dados a serem coletados e catalogados. Sem levar em consideração o ato de analisar
toda essa cadeia de dados e conseguir gerar informações úteis para diagnósticos e pesquisa, tarefas
essas que, com a maior complexidade e volume, ficam sujeitas a maior erro humano.
Com as questões do domínio do problema, levantaram-se como requisitos necessários a
necessidade de uma interface amigável e o mais simples possível para a disposição dos dados dos
animais – um sistema de banco de dados eficiente e que consiga lidar com um volume maior de
dados em tempo real, mas que seja, ao mesmo tempo, leve e compacto. Quanto a requisitos
funcionais, levantou-se a necessidade de um módulo para gerar os relatórios necessários. A criação
de um sistema de estações, um dashboard com uma visão superficial de todos os estados dos
animais adicionadas e os respectivos módulos de cadastro e acompanhamento dos processos de
inseminação identificados.
A intervenção ocorreu com o desenvolvimento do software e de acordo com quatro questões
principais a serem explicitadas neste trabalho. Em primeiro lugar, encontra-se o caráter
extensionista da disciplina. Em segundo lugar, tendo em vista o curso e disciplina nos quais o
projeto foi desenvolvido, ressaltar-se-á que o software foi de fato desenvolvido de acordo com os
requisitos levantados pelo domínio e, principalmente, o projeto pedagógico do curso de Engenharia
de Software que promove a interdisciplinaridade com as outras disciplinas do período envolvidas. O
objetivo foi desenvolver uma ferramenta capaz de auxiliar no combate à ineficiência produtiva que
se encontra no Brasil das fazendas de IA. Em terceiro lugar, relatar sobre a experiência de realizar
um projeto em conjunto com alunos e professores do curso de Veterinária da PUC Minas Praça,
com um campo bastante diferente e que caracterizou o caráter transdisciplinar em todo o projeto. E,
em quarto lugar, tratou-se de desenvolver ferramentas e condições de modo a criar interfaces de
pesquisa e colaboração entre o curso de Veterinária e o de ES; realidade que, na visão dos autores,
poderá auxiliar futuros projetos dessa mesma natureza como também inovações por parte dessa
parceria.
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2.1 Interdisciplinaridade

Além da disciplina central, “Trabalho Interdisciplinar de Software IV”, o projeto envolveu


mais diretamente três disciplinas. Foram elas “Interação Humano-Computador” (IHC), “Banco de
Dados” (BD), “Projeto de Software” (PS) e, indiretamente, “Estatística e Probabilidade” (EP).
Ressalta-se que cada disciplina é responsável por dar aptidão ao aluno em um ou mais
aspectos específicos do desenvolvimento do software, sendo também necessária a capacidade de
abstrair questões pequenas e de pouca importância, conseguindo-se então definir as diretrizes mais
importantes do desenvolvimento como a Arquitetura do Sistema, a disposição dos dados, o estudo
das questões humanas e éticas envolvidas e os conceitos corretos a serem aplicados no
desenvolvimento.
Em IHC, foram-se trabalhadas as questões da natureza humana, enquanto projetistas de uma
solução do meio digital, um software no caso específico, que necessita se comunicar e expressar o
seu intuito da melhor forma possível para evitar problemas no diálogo com os usuários; como uma
não compreensão das funcionalidades do sistema. A tecnologia deve ser usada não para diminuir as
capacidades humanas, mas sim ampliá-las. Estudaram-se e foram aplicados conceitos de Psicologia
e de Engenharia Semiótica, essa última responsável por estudar os signos no sistema e como
construir interfaces mais amigáveis e, ao mesmo tempo, que sejam naturais ao usuário. Foi
necessário estudar também os processos da IA, a fim de entender as necessidades e, de forma
humana, colocar-se no lugar do domínio e dos que vivem nele para buscar projetar uma solução que
melhor os atenda.
Já em PS foram trabalhadas as questões da projeção dos módulos do software e como eles
deveriam se relacionar. É uma disciplina muito próxima à área da Arquitetura de Software. Devido
a tamanha importância de se arquitetar corretamente o software no início, verifica-se que um
Projeto de Software mal feito impacta em retrabalho futuro e desnecessário.
Em relação à BD, aplicaram-se os conhecimentos e geraram-se os artefatos necessários para
realizar uma correta modelagem dos dados, uma vez que as peculiaridades do domínio tornavam
necessário um maior cuidado para evitar retrabalho no futuro. Esse mapeamento dos dados se deu
através do diagrama de entidade-relacionamento que projeta, do ponto de vista lógico, como as
entidades se relacionarão no banco. Pode-se afirmar que essa modelagem anterior facilitou e evitou
muito retrabalho na parte de desenvolvimento.
E, por fim, em EP foram colocados em prática os conceitos da Estatística necessários para a
geração dos relatórios da situação dos animais e/ou eficiência das inseminações.
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2.2 Transdisciplinaridade

Tratou-se de realizar uma imersão nesse domínio desconhecido. A transdisciplinaridade se


trata de refletir sobre outra fronteira, outra corrente de pensamento, com novas visões e
conhecimentos. Com o projeto, cruzou-se a fronteira entre o domínio das Ciências Exatas e das
Ciências Agrárias, tanto no campo acadêmico quanto no extensionista. Ampliar a visão de mundo
como um todo, aprender a lidar com as diferenças e desenvolver caráter investigativo passam a não
ser opções, se tornam condições necessárias de sucesso para a jornada que se propôs a realizar com
o projeto. Foram questões como essas que ampliaram o arcabouço humano e técnico dos autores.

3 METODOLOGIA

Grande parte do desenvolvimento ocorreu de forma extraclasse, com reuniões semanais de


acompanhamento dos orientadores na disciplina de extensão, com reuniões periódicas presenciais
com os envolvidos do curso de Veterinária, além de reuniões virtuais constantes entre os integrantes
desenvolvedores. A matriz da metodologia aplicada se deu em torno dos Métodos Ágeis da área de
desenvolvimento de software, que se trata de um modelo no qual se foca em entregas menores, mas
constantes, de funcionalidades com presença e verificação constantes do cliente. O tipo de pesquisa
usada nesse trabalho possui natureza tecnológica, pois aplica os conhecimentos básicos na geração
de novos produtos ou serviços, com objetivos descritivos, visto que identifica e analisa as
características dos fenômenos estudados, com procedimentos voltados ao estudo de caso uma vez
que investiga um fenômeno dentro de um contexto local e real; e com pesquisa em laboratório
porque é possível controlar as variáveis que possam interferir no experimento (ZAMBALDE;
PÁDUA, 2002-2004).
O desenvolvimento do trabalho orientou-se da seguinte forma:
1) Interação da equipe desenvolvedora com os professores orientadores: foram realizadas
diversas reuniões nas instalações da universidade com a participação dos envolvidos, tanto no início
do projeto para que pudessem apresentar a demanda, seus objetivos e também as necessidades, e
constantes reuniões durante o desenvolvimento;
2) Definição do processo de desenvolvimento do software: optou-se como referência o
modelo de processo de desenvolvimento Scrum, que parte da Metodologia Ágil com entregas
menos espaçadas e com validação constante;
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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3) Identificação das necessidades: foi explorada a abordagem de entrevistas em encontros


previamente agendados. Nessas entrevistas foram definidos o escopo e os requisitos funcionais e
não funcionais do software;
4) Design do protótipo: com os requisitos levantados, foram desenvolvidas as telas para
validação de funcionalidades e apresentação;
5) Definição da tecnologia: tendo em vista os requisitos levantados, identificou-se que
melhor atenderia e ficaria mais natural o desenvolvimento do sistema com tecnologia Web mas que
possa rodar localmente, sem necessitar o uso de Internet. A linguagem de programação utilizada no
desenvolvimento foi PHP com a utilização do framework Zend. O ambiente de desenvolvimento
integrado utilizado foi o Eclipse. O sistema de gerenciamento de banco de dados escolhido foi o
MySQL;
6) Definição da arquitetura: o módulo Web foi desenvolvido usando o estilo arquitetural
MVC (Model-View-Controller), no qual a lógica é separada da parte visual;
7) Implantação: o software foi gerado com todas as funcionalidades solicitadas
acompanhado de toda uma documentação, com diagramas, campos, interfaces; com todos os itens
necessários da disciplina;
8) Validação: os orientadores do projeto puderam usar o sistema para fazer os testes
necessários e validá-los de acordo com os requisitos. Foram sugeridos alguns ajustes e que foram
considerados e implementados na entrega final.

4 RESULTADOS SOBRE O SOFTWARE

Os autores, alunos do curso de Engenharia de Software, desenvolveram o software com


todas as camadas identificadas e funcionalidades levantadas em conjunto com a validação da autora
aluna do curso de Medicina Veterinária e dos professores orientadores do projeto.
São funcionalidades que permitem automatizar os processos de controles dos animais na
cadeia de IA. Exemplificam-se aqui algumas dessas funções que foram desenvolvidas:
1) exportar o conteúdo dos relatórios para arquivo do tipo PDF ou Excel, tal como realizar a
impressão;
2) o software foi disponibilizado com a opção de executar em máquina local e não somente
pela Internet devido a requisitos de domínio do problema;
3) permitir realizar a gerência dos estados de cada animal;
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 288

4) geração de relatórios gráficos com os dados que podem ser extraídos com a centralização
e disposição dos dados, como taxa de prenhez entre as novilhas que passaram por uma indução em
comparação às que não passaram por indução, possibilitando a verificação da eficácia das induções
nos setores de IA.
Seguem abaixo as outras funções que foram implementadas no sistema com também uma
amostra das telas do software extraídas da versão entregue no projeto.
Foi desenvolvida uma tela de dashboard que pudesse resumir a situação do setor de IA
como um todo, mostrando as informações importantes de imediato quando o software é
inicializado, ou seja, é a página principal. São informações como quais animais estão aptos, quais
estão em algum diagnóstico e quais estão em pós-parto (figura 1).

Figura 1 – Tela do dashboard

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.

Para o controle e cadastro dos animais, desenvolveu-se a tela “Gerenciar Animais”, que
possibilita o cadastro e listagem de todos os animais com as respectivas informações necessárias
(figura 2).

Figura 2 – Tela de cadastro e listagem dos animais

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.


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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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Já na figura 3 é possível visualizar a tela de cadastro de uma estação com a seleção dos
animais que farão parte dela, com a respectiva classificação, o estado atual e quantidade de dias
desde o último de cada um.

Figura 3 – Cadastro das estações

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.

Na figura 4, é possível ver a tela de cadastro de uma inseminação artificial, que é utilizada
somente quando é observada a necessidade pelo gestor de realizar novamente uma inseminação fora
do período padrão do processo; foi mapeada como algo eventual e geralmente relacionada a
somente um animal por vez. Tratou-se de mapear da melhor forma possível no software o requisito
levantado no domínio do projeto. Também é possível visualizar, na mesma figura, o sistema de erro
que exibe mensagens quando certas regras de negócio não seriam respeitadas; no caso, como não
foi cadastrada ainda uma estação, não é possível dar continuidade nos protocolos, induções, ou
inseminações artificiais, tendo em vista que devem ser realizados unicamente em uma específica
estação.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 290

Figura 4 – Cadastro de inseminação artificial

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.

Conforme a figura 5, é possível cadastrar os protocolos respectivos a uma estação e que


podem agrupar diversos animais, sendo que, a partir da data de inseminação, são calculadas
automaticamente, pelo sistema, as datas de diagnóstico 1 e 2 como também de retorno ao cio.

Figura 5 – Cadastro de um protocolo

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.


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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 291

Na figura 6, é demonstrado um exemplo de uma geração de um relatório de comparação da taxa de


prenhez geral entre dois protocolos. É possível visualizar também a barra com as funcionalidades de
impressão, conversão para tabela ou PDF.

Figura 6 – Relatório de comparação da taxa de prenhez entre protocolos

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.

Já na figura 7, é exibido o gráfico gerado deste mesmo relatório.

Figura 7 – Relatório de comparação da taxa de prenhez entre protocolos

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018


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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 292

É possível visualizar todos os animais – tal como os seus dados – em uma inseminação
artificial, em indução ou em protocolos específicos. No caso da figura 8, é demonstrado um
exemplo de uma inseminação artificial com os dados do animal na qual foi realizada, a data da
inseminação e, para controle mais preciso do gestor, a data aproximada para se realizar o próximo
diagnóstico.

Figura 8 – Visualização de uma inseminação artificial

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2018.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como explicitado, existe carência no setor de IA por transformações tecnológicas, pois falta
automatização, centralização dos dados e mapeamento dos processos. A ineficiência em uma
inseminação significa maior custo, menor sustentabilidade e podem-se alavancar correlações
relacionadas com maior gasto em insumos, enquanto os produtores terão que esperar outro
momento oportuno para realizá-la. Desse modo, o software implementado auxiliará a desinchar
produções infladas e ineficientes, por meio da redução do tempo para o sucesso da inseminação.
Desde o grande produtor ao pequeno, a relevância do projeto se justifica com a criação da
ferramenta que atuará no centro desse problema, assim como na criação de pilares sólidos de
incentivo a parceria de áreas antes distantes e que fomente inovação e pesquisa por parte dos cursos
envolvidos. Ressalta-se que o resultado não foi somente o software desenvolvido. Pode-se dizer,
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 293

com alegria, entusiasmo e certeza absolutos que um dos maiores frutos do projeto, senão o maior,
foi a interface criada entre os cursos envolvidos, a qual permitirá que muitos outros projetos
venham a ser desenvolvidos.
Ressalta-se que as atividades realizadas neste trabalho contribuem para o PDI da PUC
Minas (PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS, 2011) e se integra ao
Projeto Pedagógico do curso de Engenharia de Software na medida em que possibilitam aos alunos
articularem a teoria da disciplina com a prática vivenciada, permitindo também um contato direto
com a sociedade, contribuindo para uma formação mais humana e cidadã.
Sem dúvida alguma, grande parte do crescimento dos autores se deu pelo caráter
transdisciplinar e de extensão do projeto, uma vez que requereu esforço e dedicação profundos, ao
lidarem com o domínio das Ciências Agrárias, que é bastante distante do que os alunos da área da
tecnologia da informação estão acostumados.
A oportunidade de desenvolver um projeto em conjunto com o curso de Medicina
Veterinária permitiu aos envolvidos realizar diversos câmbios, uma vez que tratou, acima de tudo,
do caráter humano em ação, de lidar com problemas distantes da realidade dos participantes, o que
requereu paciência ao lidar com dificuldades de outra área e, com isso, possibilitou haver ampliação
da visão de mundo dos envolvidos.
Além de todo o caráter benéfico aos estudantes, o projeto beneficia a instituição de ensino,
ao promover uma ponte de pesquisa e desenvolvimento entre cursos de disciplinas que antes não
dialogavam, abrindo portas para que, no futuro, mais projetos venham a surgir e muitos outros
alunos e professores venham a desfrutar desse tipo de experiência.
Produzir conhecimento científico, muitas vezes, requer audácia e, ao mesmo tempo, respeito
à área com a qual se trabalha, como também requer o uso de técnicas e ferramentas específicas que
permitem, ou no mínimo facilitem, quebrar a barreira entre o realizável de hoje e o ideal que se
almeja alcançar. No que tange aos ideais alcançados, com o diálogo dos cursos e autores
envolvidos, tem-se intercambiado a proposta de avançar o software com novas versões e, até
mesmo, mais tecnologias, que abarquem outras funcionalidades ainda não levantadas e/ou
melhoradas, e que venham, inclusive, a possibilitar a formulação de trabalhos de conclusão de
curso em ambas as áreas, que instiguem maior aprofundamento e continuidade acadêmica.
Com a possibilidade de analisar diversos dados dos setores de IA, obteve-se como
consequência o desenvolvimento natural de uma interface de pesquisa. Com o software e suas
respectivas funcionalidades de mapeamento e disposição dos dados, permite-se auxiliar projetos
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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futuros de estudo e pesquisa, ao fornecer uma capacidade de analisar esse volume de dados maior
sem que haja incoerência entre os dados devido a um possível erro humano que, caso viesse a
acontecer, seria natural.
Ao mesmo tempo, permite também gerar relatórios que virão a contribuir para a
investigação de relações ainda não exploradas nas fazendas ou setores de IA. Trata-se de abrir uma
fronteira na pesquisa e desenvolvimento de soluções acadêmicas para essa temática. São
ferramentas que, na avaliação dos autores, permitirão mais avanços nesse domínio e a produção de
mais pesquisas e conhecimento.
Para os autores, é importante destacar também, a satisfação e o crescimento pessoal de
participar de uma prática curricular de extensão universitária na PUC Minas; de construir e buscar
novos conhecimentos a partir dos desafios apresentados na prática; de reconhecer maneiras de
intervir em questões da sociedade, considerando sua complexidade e peculiaridade; de estar atentos
para o desenvolvimento social, regional ou local e, também, de desenvolver habilidades e
competências profissionais. Por fim, os desafios impostos pela responsabilidade com as práticas
extensionistas da PUC Minas despertam a reflexão sobre como se pode contribuir para as causas
sociais, agregando valor às atividades, em prol, principalmente, do desenvolvimento humano,
atuando nas deficiências encontradas na execução das práticas extensionistas e em sua gestão.

REFERÊNCIAS

BARUSELLI, Pietro Sampaio. IATF supera dez milhões de procedimentos e amplia o Mercado de
Trabalho. Revista CFMV. Brasília, ano 22, n. 69, Abr./Jun., 2016.
FAO. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Disponível em: <
[Link] >. Acesso em: 15 set. 2018.
FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
BRASILEIRAS. Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus, 2012.
PEREIRA, M.N. et al. Indicadores de desempenho de fazendas leiteiras de Minas Gerais.
ARQUIVO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA. v.68, n.4. 1033-
1042, 2016.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Política de Extensão
Universitária da PUC Minas. Belo Horizonte: PUC Minas / Pró-Reitoria de Extensão, 2006.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Plano de Desenvolvimento
Institucional (PDI): 2012 a 2016. Belo Horizonte: PUC Minas, nov. 2011.
USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América). <
[Link] >. Acesso em: 15 set 2018.
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| 295

ZAMBALDE, André Luiz; PÁDUA, Clarindo Isaías Pereira da Silva. O documento científico em
ciência da computação - suas partes e sua redação: estudo e análise em uma instituição federal
de ensino superior (IFES). p. 1–7, 2002–2004.
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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O PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA “APAQUEAR” E SUA


IMPORTÂNCIA NA EFETIVA PRESTAÇÃO DE DEFESA TÉCNICA
JURÍDICA ÀS PESSOAS EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE

THE PROJECT OF UNIVERSITY EXTENSION "APAQUEAR" AND ITS


IMPORTANCE IN THE EFFECTIVE PROVISION OF LEGAL DEFENSE
OF PEOPLE IN DEPRIVATION OF FREEDOM

Bárbara Christina de Souza Rosa1


Mônica Rafaela Oliveira Martins2
Marilene Gomes Durães3

RESUMO

O objetivo deste trabalho acadêmico consiste em relatar uma prática desenvolvida no interior de um Projeto de
Extensão, em que os extensionistas atuam como defensores nos processos dos mais de mil encarcerados do Centro de
Remanejamento do Sistema Prisional – CERESP da Cidade de Betim/MG, com objetivo de prestar a eles efetiva defesa
técnica, observando, para tanto, se há algum benefício vencido, conforme caso a caso, e pleiteando transferências ou
pedidos pertinentes ao melhor interesse do recuperando. Por meio de metodologia participativa, foram elaboradas
petições, foram prestados atendimentos pessoalmente no CERESP, avaliando atestados de pena, certidões e folhas de
antecedentes criminais, elaborando reuniões em grupos para discussão de casos e esclarecimento de eventuais dúvidas
entre os extensionistas e advogados assistentes voluntários no projeto.

Palavras chave: Advocacia. Sistema carcerário. Função Social. Ressocialização.

ABSTRACT

The objective of this academic work is to report a practice developed within an Extension Project, in which
extensionists act as as defenders in the processes of more than one thousand inmates of the Center for Reorganization of
the Prison System of the City of Betim / MG. The objective was to provide them with effective technical defense,
observing, for this, if there are any benefits due on a case-by-case basis, and requesting transfers or pertinent demands
to the best interests of the recovering inmate, through participatory methodology, preparing petitions, personally
attending, evaluating penalties, certificates and criminal records, preparing group meetings for discussion of cases and
clarification of any doubts among extension agents and volunteer lawyers in the project.

Keywords: Advocacy. Prison system. Resocialization. Social role.

1
Graduanda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail:
christina.barbara70@[Link].
2
Graduanda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail: monicamartinsro@[Link].
3
Orientadora do presente estudo. Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail:
marilenegduraes@[Link].
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reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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1 INTRODUÇÃO

O presente estudo aborda o projeto de extensão universitária “Apaquear”, da Pontifícia


Universidade Católica de Minas Gerais, campus Betim e sua atuação prática junto à Vara de
Execução Criminal da Comarca de Betim/MG, bem como sua importância no que diz respeito à
aplicação da Lei de Execução Penal e função social, discorrendo, para tanto, sobre a teoria da pena
adotada pelo Código Penal Brasileiro e a importância da efetiva prestação de defesa técnica no
processo penal. O problema estudado é a falta de estrutura da Defensoria Pública para fornecer
efetiva defesa técnica aos encarcerados junto ao CERESP – Centro de Remanejamento do Sistema
Prisional de Betim. O projeto conta com a participação de extensionistas do curso de Direito da
PUC Minas em Betim e advogados voluntários da Associação de Proteção e Assistência aos
Condenados – APAC – de Betim, com objetivo de prestar auxílio técnico jurídico aos encarcerados.
A participação dos membros é ativa desde o atendimento individualizado à elaboração de
peças para encarcerados com benefícios vencidos até atendimento presencial no CERESP. Neste
relato, explicita-se também a metodologia utilizada na execução do projeto e as atividades
desenvolvidas.

2 A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E SUA CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO


DISCENTE

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 no seu art. 207 dispõe que “As
universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e
patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Assim, as universidades oferecem além do ensino, a pesquisa e a extensão, promovendo o
desenvolvimento dos discentes de maneira humanizada e crítica.
A extensão universitária é a interação da universidade com a comunidade através da
comunidade universitária composta por docentes e discentes, promovendo, além de conhecimento, a
humanização dos envolvidos possibilitando contato com a sociedade de maneira técnica utilizando
os ensinamentos passados no ambiente de sala de aula:

A concepção de extensão como função acadêmica se opõe à ideia de que constitua uma
atividade menor na estrutura universitária, a ser realizada por professores sem titulação, nas
sobras de tempo disponível e que o trabalho junto às comunidades carentes é uma
solidariedade individual. Diante dessa nova visão de extensão universitária, esta passa a se
constituir parte integrante da dinâmica pedagógica curricular do processo de formação e
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 298

produção do conhecimento, envolvendo professores e alunos de forma dialógica,


promovendo a alteração da estrutura rígida dos cursos para uma flexibilidade curricular que
possibilite a formação crítica. (JENIZE, 2004, p. 2)

As práticas extensionistas vão além das formas convencionais de formação acadêmica. O


ensino por si só não é capaz de promover a formação completa e eficaz do discente, por isso a
importante observância do tripé composto do ensino, pesquisa e extensão.
A extensão não tem somente o intuito de atender sociedade como forma de ampliar o ensino,
mas visa também a aplicação prática do que é ensinado em sala de aula, propiciando uma troca de
saberes entre a academia e a comunidade contemplada com as ações extensionistas. Dessa forma, o
corpo docente e o discente são instados a desenvolver uma visão crítica do cenário social e, além
disso, a depender da prática extensionista, os graduandos poderão ter uma visão da vivência no
meio profissional.
Assim, a formação do discente é devidamente eficaz quando além do ensino são
disponibilizados outros meios de aprendizagem, garantidos constitucionalmente através do princípio
da indissociabilidade entre o ensino, pesquisa e extensão.

3 O PROJETO DE EXTENSÃO APAQUEAR E SUA METODOLOGIA

A metodologia é o método utilizado para que o projeto realize as suas atividades e atinja o
fim planejado; no caso em foco, a metodologia aplicável ao projeto é a participativa, na qual todos
os participantes têm papel essencial para o desenvolvimento das atividades.
Na metodologia participativa, o projeto se desenvolve de forma que os discentes possam
aplicar os seus conhecimentos em conjunto, para chegar ao objetivo mediante a orientação do corpo
técnico especializado na matéria.
Assim, para a plena eficácia do projeto é necessário total empenho de todos os
extensionistas, considerando ser imprescindível a participação de todos.

3.1 Objetivo do Projeto

O projeto tem por objetivo acompanhar a execução da pena das pessoas em privação de
liberdade junto ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional de Betim - CERESP, tendo em
vista a carência de membros que atuam junto à Defensoria Pública da comarca, no controle da
execução da pena.
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Um grande problema do sistema prisional brasileiro é o esquecimento da pessoa em


privação da liberdade. Muitos presos possuem direito a benefícios previstos na Lei de Execução
Penal, mas, em razão da falta de acompanhamento no cumprimento da pena, ficam presos além do
tempo previsto e consequentemente sem desfrutar dos benefícios legais.
Além disso, o projeto visa contribuir, em parceria com a APAC, no levantamento da
situação que cada apenado e, por fim, oportunizar formação diferenciada para os alunos
extensionistas, através da prática jurídica realizada pelo projeto.
Ao atuar em parceria com a Defensoria Pública, com a juíza da Vara de Execuções e ciência
do Ministério Público, o Projeto de Extensão Apaquear contribui sobremaneira com a execução da
pena privativa de liberdade, oferecendo suporte para os presos que não possuem advogados
constituídos nos autos e que se enquadram no perfil para a obtenção da gratuidade da Justiça, o que
demonstra a importância da extensão universitária para a comunidade beneficiada diretamente com
o projeto bem como para a própria Universidade a partir do momento em que propicia aos
extensionistas o desenvolvimento de valores humanísticos, éticos, cristãos e aprimoramento da
formação profissional.

3.2 Função social

A extensão universitária em si, tem um condão social, além de agregar na formação dos
discentes, considerando que o objeto da extensão são as carências da comunidade na qual ela está
inserida.
Diante isso, a principal função social do Projeto Apaquear é a garantia do direito das
pessoas em privação da liberdade, assegurando-lhes o devido processo legal e o acompanhamento
da execução da pena.

4 DA DEFESA TÉCNICA FORNECIDA NO PROJETO APAQUEAR

Como visto, o projeto também é subsidiado pelo auxílio de defesa técnica ao encarcerado,
direito indispensável e indisponível, consubstanciando a igualdade de condições entre defesa e
acusação sob a égide da paridade imprescindível para o exercício do efetivo contraditório e ampla
defesa no processo penal democrático.
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Segundo lições de Aury Lopes Jr (2014),

O Estado deve organizar-se de modo a instituir um sistema de “Serviço Público de Defesa”,


tão bem estruturado como o Ministério Público, com a função de promover a defesa de
pessoas pobres e sem condições de constituir um defensor. Assim como o Estado organiza
um serviço de acusação, tem esse dever de criar um serviço público de defesa, porque a
tutela da inocência do imputado não é só um interesse individual, mas social. (LOPES JR.,
2014, p.146)

Assim, é garantida a assistência integral e gratuita aos hipossuficientes para arcarem com o
patrocínio de uma causa, conforme preceitua a Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso
LXXIV. Tal direito também é assegurado pelo artigo 8.2 da Convenção Americana de Direitos
Humanos, sendo irrenunciável o direito de ser assistido por um defensor.
Muito embora a Lei de Execução Penal preceitue em seu artigo 16 que deverá haver serviços
de assistência jurídica, integral e gratuita, pela Defensoria Pública, dentro e fora dos
estabelecimentos penais, não é essa a realidade do sistema carcerário brasileiro. Conforme dados do
Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN (p. 100), em junho de 2014,
apenas 22% das unidades prisionais possuíam salas para atendimento jurídico gratuito,
especificamente. Outros 76% eram destinados a atendimento compartilhado com espaços de
finalidades diversas. Além disso, defensores públicos e dativos, na mesma época, eram responsáveis
por 74% do serviço de assistência jurídica gratuita, não obstante o déficit de defensores públicos,
conforme dados divulgados pelo IPEA4.
Assim, é possível concluir a carência da prestação de defesa técnica aos encarcerados de
modo geral e a ausência de efetiva aplicação do que preceitua a Lei de Execução Penal e Código de
Processo Penal Brasileiro, precipuamente.
O Projeto Apaquear fornece atendimento jurídico e defesa técnica a todos os encarcerados
do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional – CERESP de Betim/MG, até mesmo aos que
sejam assistidos por advogado particular, mas que tenham algum benefício vencido e não pleiteado,
hipótese em que o grupo de extensionistas comunica o caso à Vara de Execução Criminal (VEC),
para que o judiciário, por sua vez, intime o advogado para que possa acompanhar a situação do
cliente.

4
Disponível em < [Link] >. Acesso em 24/08/2018.
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Atualmente, o CERESP de Betim possui cerca de 1400 presos e o grupo atua avaliando caso
a caso e prestando atendimento no interior do Centro de Remanejamento em mutirões que são
realizados junto com a Vara de Execução Penal da Comarca. Em cada caso, é avaliado o atestado de
pena dos encarcerados, respectivos processos e folha de antecedentes criminais.

5 DO CUMPRIMENTO DA TEORIA UNIFICADORA DA PENA NO PROJETO

O Direito Penal Brasileiro adota a teoria unificadora da pena, presente no artigo 59 do


Código Penal Brasileiro5 vigente. Também chamada de teoria mista, visa unificar outras duas
teorias, são elas: teoria retributiva da pena, que almeja retribuir um mal causado com outro mal e a
teoria relativa da pena, que visa prevenir a ocorrência de novas condutas criminosas, em síntese.
Conforme Cezar Roberto Bitencourt (2012, p. 320) “esta corrente tenta recolher os aspectos mais
destacados das teorias absolutas e relativas”.
Para a teoria unificadora, a pena deve ser capaz de prevenir delitos, garantindo a liberdade
individual e a manutenção do sistema de normas penais perante a sociedade, utilizando-se, para
tanto da prevenção geral e especial, “adotada pelo Direito Penal Brasileiro, a teoria mista unifica a
retribuição do mal causado e prevenção à ocorrência de novos males, propiciando o
desenvolvimento das ideias de ressocialização do delinquente” (MARTINS, 2018, p. 542)
A prevenção geral lida com os efeitos da pena perante a coletividade e a prevenção especial
lida com os efeitos da pena perante o indivíduo, e se subdividem em prevenção geral – positiva e
negativa –, e prevenção especial – positiva e negativa.
A pena deve ser capaz de intimidar a coletividade a não praticar condutas tipificadas como
crimes (prevenção geral negativa) assim como promover a credibilidade da coletividade no sistema
normativo-jurídico, para que a sociedade obedeça às normas (prevenção geral positiva). Os efeitos
da pena sobre a sociedade demonstram a eficácia da norma.
Ainda, a pena deve garantir a ressocialização ou reeducação do indivíduo (prevenção
especial positiva), bem como assegurar que ele não volte a delinquir ante a certeza da punição
(prevenção especial negativa). Não obstante a constatada necessidade de fomentar a reeducação do

5
“Art. 59 do Código Penal Brasileiro: O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da
vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.” Disponível em <
[Link] >. Acesso em 24/08/2018.
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| 302

encarcerado, conforme prevê a teoria unificadora, muitos presídios sequer disponibilizam políticas
de provisão de vagas de trabalho aos presos6 e, consequentemente, não observam a pena em seu
caráter preventivo.
Desse modo, este projeto visa à aplicação da teoria na prática, em conformidade com a lei de
execuções penais, fomenta a efetiva defesa dos direitos dos encarcerados e observância do seu
cumprimento, pilares legitimadores do ius puniendi estatal, sem os quais a pena não faria qualquer
sentido.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A construção deste relato visou de forma breve, explanar a importância da extensão


universitária na formação acadêmica e as atividades desenvolvidas pelo projeto de extensão
Apaquear.
A prática extensionista promovida pelo objeto do presente relato dispõe de uma questão
muito mais humanitária do que acadêmica, quando possibilita ao discente a interação com a
realidade social que ultrapassa os limites disponíveis ao ensino e a pesquisa, sendo assim, as
práticas extensionistas são necessárias para que proporcionem a formação completa e eficaz do
discente.

REFERÊNCIAS

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral, 17. ed. rev., ampl. e atual.
de acordo com a Lei n. 12.550, de 2011. – São Paulo: Saraiva, 2012.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília. Senado,
1988. Disponível em: <
[Link] > Acesso em; 09 set.
2018.
BRASIL. Departamento Penitenciário Nacional. Ministério da Justiça. INFOPEN. Levantamento
de informações penitenciárias, dezembro de 2014. Acesso em: 09 set.2018.
BRASIL. Lei de Execução Penal. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Disponível em <
[Link] >. Acesso em: 09 set. 2018.
JEZINE, E. As práticas curriculares e a extensão universitária. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2., 2004, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte, 2004.

6
BRASIL. Departamento Penitenciário Nacional; Ministério da Justiça. INFOPEN. Levantamento de informações
penitenciárias; dezembro de 2014. p. 64.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 303

LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2014.
MARTINS, Mônica Rafaela Oliveira. A dessocialização do condenado no sistema carcerário
convencional: O sofisma da ressocialização. Revista Brasileira de Ciências Criminais. vol 150.
ano 26. p. 539-553. São Paulo: Ed. RT, dezembro de 2018.
PACELLI, Eugênio. Manual de Direito Penal: parte geral. – 2. ed. rev. e atual. – São Paulo: Atlas,
2016.
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
| 304

PRÁTICA CURRICULAR DE EXTENSÃO NA DISCIPLINA DE


INTRODUÇÃO À ENGENHARIA: UMA EXPERIÊNCIA DE AULA
INVERTIDA UTILIZANDO APRENDIZAGEM ATIVA

CURRICULAR PRACTICE OF EXTENSION IN THE DISCIPLINE OF


INTRODUCTION TO ENGINEERING: AN INVERTED CLASSROOM
EXPERIENCE USING ACTIVE LEARNING

Rosely Maria Velloso Campos1


Viviane Cristina Dias2

RESUMO

Este relato de experiência objetivou divulgar os primeiros resultados da avaliação, realizada no final do primeiro
semestre de 2018, da Prática Curricular de Extensão (PCE) realizada na disciplina semipresencial de Introdução à
Engenharia nos Cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Aeronáutica da Pontifícia Universidade Católica e Minas
gerais (PUC Minas). As práticas de extensão na disciplina se desenvolveram pela construção de um protótipo,
utilizando a metodologia de aprendizado baseada em problemas. A partir das observações realizadas e do relato dos
discentes e docentes, foi possível perceber que o desenvolvimento da PCE em uma disciplina semipresencial é
perfeitamente possível, promovendo um espaço privilegiado para o aprimoramento de habilidades e competências
necessárias a um Engenheiro de Mecânico e Aeronáutico.

Palavras-chave: Extensão. Introdução à Engenharia. Metodologia ativa. Semipresencial.

ABSTRACT

This experience report aimed to disseminate the first results of the evaluation, carried out at the end of the first semester
of 2018, of the Curricular Extension Practice held in the semipresencial discipline of Introduction to Engineering, in the
Courses of Mechanical Engineering and Aeronautical Engineering of the Pontifical Catholic University of Minas Gerais
(PUC Minas). Curricular extension practices in this discipline were developed by building a prototype using the
learning methodology based on problems. From the observations made and by the students’ and teachers’ reports, it was
possible to perceive that the development of the Curricular Extension Practice in a semipresencial discipline is perfectly
possible, promoting a privileged space for the development of skills and competences required by a Mechanical and
Aeronautical Engineer.

Keywords: Extension. Introduction to Engineering. Active Methodology. Semipresencial.

1
Doutora, Professora e Coordenadora do Curso de Engenharia Mecânica – PUC Minas - Unidade São Gabriel.
Professora do Curso de Engenharia Aeronáutica da PUC Minas. E-mail: rcampos@[Link].
2
Mestre, Coordenadora de Extensão no Instituto Politécnico da PUC Minas (IPUC) campus Coração Eucarístico. E-
mail: [Link]@[Link].
Ressignificando a relação teoria e prática:
reflexões sobre as Práticas Curriculares de Extensao da PUC Minas.
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1 INTRODUÇÃO

Uma Prática Curricular de Extensão (PCE) é uma atividade acadêmica que pressupõe ação,
na perspectiva dialógica entre aluno, professor e sociedade, a qual possibilita relações entre a
realidade e a produção do conhecimento, tendo como objetivo proporcionar aos participantes uma
formação integral, comprometida com a mudança social.
Grandes desafios surgem quando são inseridas Práticas Curriculares de Extensão em
disciplinas semipresenciais nos Cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Aeronáutica na PUC
Minas. Os Projetos Político-Pedagógicos dos Cursos propõem a disciplina de Introdução à
Engenharia, na forma semipresencial, como favorável à proposição da prática curricular de
extensão. Por ser disciplina semipresencial, trata-se de um grande desafio, visto que é a primeira
experiência de uma disciplina semipresencial dos cursos de Engenharia da PUC Minas que se
propõe à execução de uma prática curricular de extensão.
Uma disciplina semipresencial acontece em dois espaços: no Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA) e em sala de aula presencial. Esse tipo de disciplina propõe um modelo de
“Sala de Aula Invertida”.
A “Sala de Aula Invertida” (Flipped Classroom), é considerada uma grande inovação no
processo de aprendizagem, pois propõe a inversão completa do modelo de ensino. Sua proposta é
prover aulas menos expositivas, mais produtivas e participativas, capazes de engajar os alunos no
conteúdo e melhor utilizar o tempo e o conhecimento do professor, contrariamente à metodologia
tradicional, que deixa o aluno num papel passivo, simplesmente ouvindo as explicações do
professor.
O ensino online vem mudando cada vez mais a forma como as pessoas se relacionam entre
si em um ambiente de aprendizagem, trazendo diversos benefícios para o aluno de cursos EAD. Por
isso, a cada dia surgem novas formas, consideradas como mais eficientes de se trabalhar o processo
de ensino online. Formas de proporcionar ambientes, processos e estruturas mais adequadas, para
que o aluno percorra uma trilha de aprendizagem de forma engajada e motivada. Portanto, o
conceito de sala de aula invertida reflete muito bem este aspecto.
Quando um conteúdo totalmente inédito é apresentado ao aluno, a introdução se dá, em
geral, por meio de textos e videoaulas, que apresentam os conceitos básicos e exercícios resolvidos
como exemplos. Assim, a leitura antecipada incita o raciocínio prévio e eleva o papel do professor.
Para o estudo em casa, os alunos contam com recursos como vídeos, textos, áudio, games, entre
outros.
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A aprendizagem é, e deve ser, resultante de um processo interativo. O Ensino a Distância


(EAD) traz o conceito de interatividade à tona cada vez mais de forma eficiente. A sala de aula
invertida, por sua vez, proporciona essa interatividade, visto que se vale de todos os recursos,
funcionalidades e benefícios do ensino on-line e da aprendizagem móvel. Há ainda esse incentivo
tanto na modalidade presencial quanto virtual.
Uma das técnicas utilizadas na aula invertida é a aprendizagem ativa, que é uma técnica de
ensino, dividida em diversas estratégias metodológicas, baseada em um envolvimento maior dos
alunos, que são convidados a estudar utilizando leituras, debates, estudos de caso e trabalhos. O
método dá ao aluno o papel de protagonista no processo de aprendizagem, tirando-o da posição de
um mero “recebedor” de informações. Cabe a ele se engajar na busca pelo conhecimento e assumir
responsabilidades em relação a sua aprendizagem.
Dessa forma, a proatividade e o entusiasmo do aluno farão toda a diferença no resultado
final. Aprender ativamente significa ter que pensar, entender e formar a própria opinião. Através da
prática, o aluno melhora habilidades de pensamento crítico, retém melhor o conhecimento e amplia
a motivação. Assim como os professores, as aulas expositivas não devem sumir. Elas devem ser
alternadas com trabalhos práticos, que promovam a criatividade e complementem o entendimento
das teorias. E, para o professor, a aprendizagem ativa é uma boa ferramenta de avaliação. Por
meio dela, é possível mapear as necessidades e dificuldades de cada aluno, abrindo caminho para
abordagens individualizadas.
A disciplina de Introdução à Engenharia da PUC Minas, do curso de Engenharia Mecânica e
Engenharia Aeronáutica, que engloba as Unidade da PUC Minas do Coração Eucarístico, Praça da
Liberdade, Contagem e São Gabriel, há 1 ano utiliza recursos do EAD, devido à abordagem
semipresencial da disciplina.
A prática curricular de extensão desenvolvida na disciplina propõe o planejamento e
execução de uma intervenção na Mostra Tecnológica do Instituto Politécnico da PUC Minas
(IPUC), que é considerada como um momento de interação, articulação, integração entre empresas,
futuros engenheiros, profissionais do ramo, comunidade acadêmica, escolas de ensino médio e
técnico e sociedade em geral. Contempla semestralmente a exposição e divulgação de produtos,
tecnologias e serviços de empresas dos diversos segmentos da engenharia e apresentação da
produção acadêmica e científica do IPUC.
Este relato de experiência trata da apresentação da metodologia utilizada nesta disciplina
semipresencial nos Cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Aeronáutica da PUC Minas, que
propõe uma prática curricular de extensão.
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2 DESENVOLVIMENTO

A extensão universitária observa o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e


extensão, isto é, constitui-se como um “processo educativo, cultural, científico e político que se
articula de forma indissociável ao ensino e à pesquisa, que visa à promoção da interação
transformadora da universidade com outros setores da sociedade”, segundo o Art. 2º do
Regulamento da Pró-reitoria de Extensão da PUC Minas (PROEX PUC MINAS, 2015, p.2).
A indissociabilidade é entendida no Estatuto da PUC Minas (2016), em seu artigo 81º, como
um “preceito da Universidade que orienta a integração entre ensino, pesquisa e extensão no
desenvolvimento de suas atividades” (PUC MINAS, 2018, p.40.).
A extensão é efetivada nos Cursos de Engenharia de Mecânica e Aeronáutica em seus PPCs
de acordo com as modalidades propostas na Política de Extensão da PUC Minas (2006) e no
Regulamento (2015). As atividades de extensão do Curso de Engenharia Mecânica e de Engenharia
Aeronáutica têm por objetivo “ampliar o espaço da sala de aula permitindo a construção do saber
dentro e fora da academia, contribuindo com o processo pedagógico na medida em que promove
uma dinâmica de intercâmbio e participação entre as comunidades interna e externa à vida
universitária” (PUC MINAS, 2006, p.16).
Todo o conteúdo teórico é colocado na Modalidade Virtual, usando o CANVAS, que
funciona como um repositório de conteúdo, e nas aulas de laboratório, que é a parte presencial da
disciplina. Os alunos desenvolvem projetos, vivenciando, já no primeiro período do curso, a
realidade da vida profissional que encontrarão ao sair da Universidade para o mercado.
Os professores incluem atividades simples, mas de grande valia para a aprendizagem ativa
no cotidiano dos alunos:
 Discussões – As rodas de discussão em classe são bastante utilizadas porque dão aos
alunos a oportunidade de desenvolver o raciocínio e o pensamento crítico;
 Trabalho em grupo – O estímulo é desenvolver trabalhos em grupos de até 4 alunos, que
trabalham como uma equipe no desenvolvimento de um projeto. Dessa forma, exploram
o assunto e enriquecem a discussão, tornando o aprendizado bastante colaborativo;
 Montagem de um Protótipo – Trabalham na modalidade presencial, no laboratório, na
elaboração e construção de um protótipo, utilizando conceitos de gestão e conceitos
técnicos de cada área;
 Ferramentas online – Os alunos são incentivados a explorarem as ferramentas que a
internet oferece, tais como: Youtube, blogs, papers e outros;
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 Ferramentas no celular – Os alunos são incentivados a explorarem as ferramentas do


celular tais como: aplicativos, Whatsapp, Instagram, dentre outros.

Os professores e especialistas Genoveva Sastre e Ulisses Ferreira, no livro Aprendizagem


Baseada em Problemas, divulgam uma estimativa que alerta para isso: somente 10% de um
conteúdo lido é assimilado pelo aluno, aumentando para 20% a capacidade de reter o conhecimento,
quando o estudante escuta sobre o assunto. Já um conteúdo vivenciado, em uma simulação, pode
levar o aluno a reter até 90% do que foi ensinado. Uma vez que o estudante se apropria do conteúdo
para falar sobre ele, isso o torna autoridade no assunto a partir da reflexão e vivência até o seu
compartilhamento.
Na concepção de Barrows (1986), a “Aprendizagem Baseada em Problemas” representa um
método de aprendizagem que tem por base a utilização de problemas como ponto de partida para a
aquisição e integração de novos conhecimentos. Espera-se a promoção de uma aprendizagem
transdisciplinar, centrada no aluno, sendo o professor um facilitador do processo de produção do
conhecimento. Nesse processo, os problemas são um estímulo para a aprendizagem e para o
desenvolvimento das habilidades de pesquisa e resolução.
Também denominada “Aprendizagem baseada em projetos”, a metodologia ativa foi
primordialmente sugerida pelo filósofo e pedagogo americano John Dewey, e chegou no Brasil em
1930, por meio das obras de Fernando Azevedo e Anísio Teixeira, pedagogos brasileiros que se
mobilizaram em prol da abertura do modelo Escola Nova, com base nos pressupostos de Dewey.
O ensino é baseado na execução de um projeto, que segue a lógica: inicialmente, ele implica
a previsão de consequências das ações, supõe a visão de um fim (uma finalidade), a
previsão implica o uso da inteligência, o uso da inteligência implica a observação objetiva de
condições e circunstâncias.
O aprendizado baseado em projetos enfoca o desenvolvimento de um “produto” ou
“serviço” a ser utilizado na resolução de um problema e, dessa forma, preocupa-se também com a
materialização das soluções propostas. A filosofia deste processo utiliza trabalho ativo, assuntos
com significado para o graduando, executado por pequenas equipes, tendo como finalidade resolver
uma questão, uma dificuldade ou uma necessidade da vida real. A abordagem de aprendizado
baseada em projetos leva à construção de conhecimento e ao desenvolvimento de habilidades,
estimulando a reflexão. Além disso, os alunos são incentivados a desenvolver postura ética frente
aos desafios propostos.
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A melhora no desempenho estudantil é resultado dessa soma de vantagens, ao controlar seu


momento de estudo, ter mais materiais, ter seu ritmo respeitado e interagir com os colegas, os
alunos podem render mais, e consequentemente aprendem mais. E, com isso, melhoraram seu
desempenho em um processo de aprendizagem. Por isso, conclui-se que a Aula Invertida impacta
positivamente no cenário educacional e pode revolucionar a educação do futuro.
Na medida em que mais alunos têm acesso a computadores e dispositivos móveis
conectados à internet, mais oportunidades educativas e interativas se abrem para professores e
alunos. Assim, essa modalidade representa uma forte influência na geração de conhecimento no
país e no mundo, com perspectivas interessantes e positivas.
Dessa maneira, espera-se uma maior democratização do ensino a distância, bem como uma
maior interação entre as diversas culturas quanto aos conhecimentos gerados. O ensino a distância
tem ajudado a acelerar o processo de mudanças do modelo tradicional de educação brasileiro e tem
influenciado o padrão online, exigindo cada vez mais atenção para a capacitação dos professores.
Eles são “arquitetos cognitivos”, que precisam de habilidade e sensibilidade para a seleção
dos melhores materiais e estratégias para ministrar o conteúdo e influenciar na nova maneira de
aprendizado de seus alunos – que também passam pelo processo de mudança de comportamento.
Mudar o que está sendo feito há tantas décadas exigirá uma mudança de postura não só de
professores, mas também dos alunos. Acredita-se que os próximos anos devem ser marcados por
um crescimento do compartilhamento de conteúdos, especificamente em relação ao EAD.

3 METODOLOGIA

Como vimos, a PCE proposta na disciplina de Introdução à Engenharia propõe uma


abordagem baseada na “Sala de Aula Invertida”, desenvolvendo uma metodologia ativa de ensino-
aprendizagem utilizando a estratégia da problematização, ou seja, da aprendizagem baseada em
problemas (problem-based learning – PBL).
Segundo Paiva (2016), a ideia de uma educação problematizadora ou libertadora sugere a
transformação do próprio processo de conhecer; nesse momento, insere-se a proposta da resolução
de problemas como caminho para a construção do saber significativo. Compreende-se que a
aprendizagem ocorre como resultado do desafio de uma situação-problema, assim, a aprendizagem
torna-se uma pesquisa em que o aluno passa de uma visão ‘sincrética’ ou global do problema a uma
visão ‘analítica’ do mesmo – através de sua teorização – para chegar a uma ‘síntese’ provisória, que
equivale à compreensão.
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Essa educação “problematizadora” está em consonância com a proposta da Extensão


Universitária, bem como da prática curricular de extensão. Assim como na Extensão Universitária,
a proposta de aprendizagem baseada em problemas requer a participação de professores e alunos de
forma ativa durante todo o processo, cujo resultado final é, de fato, construído e a aprendizagem
mostra-se significativa para os sujeitos protagonistas da ação.
A metodologia proposta pela disciplina de Introdução à Engenharia propõe estratégias
diferenciadas para o espaço virtual (Ambiente Virtual de Aprendizagem) e para a parte presencial
(Sala de aula presencial), mas em ambos os espaços, privilegia-se o saber acadêmico e a prática
curricular de extensão.
A metodologia utilizada na disciplina propõe o uso de metodologias ativas, baseada em aula
invertida (Figura 1), onde o aluno pode praticar e resolver problemas do mundo real (similares aos
que você encontra no mercado de trabalho).

Figura 1 – Proposta de aula Invertida

Fonte: PUC Minas Virtual.

Na parte virtual o professor utilizou recursos computacionais, tais como: videoaulas, áudios,
textos e atividades. Além do conteúdo técnico proposta pela disciplina, tem-se o momento de
apresentação da extensão universitária e do relato de experiências, bem como a apresentação da
prática curricular de extensão segundo a proposta de aprendizado baseado em problemas. O
problema é apresentado aos alunos: construir um “carrinho robótico” autônomo que deverá seguir
um circuito pré-determinado (Figura 2).
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Figura 2 – Circuito do “carrinho” - Mostra Tecnológica do IPUC

Fonte: Acervo da Mostra Tecnológica do IPUC, 2018.

Na parte presencial, o professor utiliza-se de estratégias de discussões sobre a solução para o


problema, atividades práticas e reflexões sobre o objeto a ser construído. É na parte presencial que
os alunos recebem uma capacitação técnica prática em laboratório de informática para construção
do objeto e discutem como será a competição durante a Mostra Tecnológica do IPUC, momento que
ocorrerá a integração com os alunos o ensino médio.
Para fins de diagnóstico, os discentes realizaram pesquisas anteriores em relação à prática
executada em outros semestres, para proposição de melhorias através programação computacional.
A primeira etapa ocorreu em sala de aula, os alunos se organizaram em grupos de trabalho
compostos de até quatro componentes e fizeram o diagnóstico da situação problema da construção
do protótipo e programação do mesmo. Em seguida, os discentes definiram a organização para
resolução do problema.
Nessa fase, ficou evidente a contribuição da Prática Curricular de Extensão para a disciplina,
ao contrário do método tradicional utilizado. Os alunos trocaram experiências e puderam praticar e
resolver problemas do mundo real.
Sob a tutoria do professor em sala de aula presencial, os discentes recebem o kit para
construção do protótipo (carrinho) e começam a elaborar o plano de trabalho, formulação e análise
do problema, planejamento do projeto, construção do protótipo, programação e testes no circuito.
Na segunda fase, a interação com os alunos do ensino médio e a comunidade externa
acontece durante a Mostra Tecnológica do IPUC (Figura 2) por meio de uma competição de dois
protótipos construídos. Durante a competição, os discentes são avaliados e recebem o feedback da
prática executada.
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Na terceira fase das atividades, o professor e conjunto com os alunos avaliam a experiência
vivenciada. Nesta etapa, os alunos tiveram a oportunidade de discutir sobre os resultados
alcançados e reflexões sobre as experiências vivenciadas.

4 RESULTADOS

Considerando o instrumento de autoavaliação proposto pela PROEX, a proposta


apresentada está em consonância com a afirmativa de que a prática curricular proposta articula a
teoria da disciplina com a prática vivenciada.
Com a proposta semipresencial da disciplina e a proposta de utilização de uma metodologia
de aprendizado baseada em problemas, foi possível construir novos conhecimentos a partir dos
desafios apresentados na prática. Com a proposta da competição, foi possível oportunizar, de forma
inovadora, a construção de novos conhecimentos e o desenvolvimento de novas habilidades a partir
dos desafios que surgiram durante a prática.
Foi possível “articular a teoria da disciplina com a prática vivenciada” através da atividade
proposta, utilizando a metodologia de aprendizado baseada em problemas.
Observou-se que o envolvimento e a participação ativa dos alunos mostram a motivação
destes em relacionar a teoria, o ensino visto em sala de aula, muitas vezes de forma tradicional e
maçante, com a prática vivenciada fora dos muros da universidade. Observou-se que a percepção
dos discentes a respeito da Prática Curricular de Extensão está em consonância com as expectativas
da Universidade, ou seja, oportuniza um espaço privilegiado para o desenvolvimento de habilidades
e competências desejáveis para um Engenheiro, desenvolvendo uma postura ética e profissional,
aprendizado do trabalho em equipe, aumento da capacidade de reflexão e argumentação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A iniciativa de integração das atividades de ensino e pesquisa com as atividades de extensão,


no âmbito do componente curricular “Introdução à Engenharia”, do Curso de Engenharia Mecânica
e Engenharia Aeronáutica, permitiu o desenvolvimento de outras competências além das técnicas
(negociação, comunicação, liderança, etc.), aproximando os estudantes para atuarem na realidade.
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Anteriormente, limitada às experiências teóricas em laboratoriais de programação, a


experiência prática aplicada proporcionada pela inserção da prática curricular de extensão em uma
disciplina semipresencial demonstra uma grande inovação no sentido de que permite ao discente o
contato com processos reais, capacitando-o para o que se espera de um Engenheiro da atualidade.
A metodologia de aprendizado baseada em problemas colabora com os objetivos com a
proposta da prática curricular de extensão, facilitando o desenvolvimento da metodologia da
disciplina. Enfim, essa forma de aprendizagem leva o aluno a se sentir seguro frente aos desafios
que a sociedade lhe propõe enquanto profissional e agente de modificação, além de induzir o aluno
à identificação de seu papel dentro de seu contexto social.

REFERÊNCIAS

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